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CRIANÇAS AUTISTAS SÃO MAIS

CRIATIVAS, MESMO SEM ESCOLA


ADEQUADA
26 SET, 2017

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AUTOR: EQUIPE CROP ART

Estudos promovidos pelo Departamento de Psicologia da Universidade de


Stirling na Escóciaapontam que pessoas com o Transtorno do Espectro Autista
(TEA) demonstram maior habilidade para apresentar soluções criativas para
problemas de difícil resolução.
A pesquisa analisou 312 indivíduos e os pesquisadores concluíram que os
indivíduos com o TEA obtiveram melhores resultados em testes de criatividade,
pois apresentavam um número maior de soluções para um mesmo exercício.
Segundo o psiquiatra Cleverson Higa Kaio, mestre em saúde da criança e do
adolescente, crianças com o Transtorno do Autismo podem apresentar vasto
conhecimento em áreas específicas, como matemática ou mesmo na
memorização de datas históricas, tendo maior dificuldade na comunicação e na
relação interpessoal com colegas de classe.
“O grande déficit desses jovens é na relação em grupo, seja em casa ou na
escola”, afirma Higa.
Criatividade
Essa característica criativa pode ser aproveitada para auxiliar no
desenvolvimento escolar, desde que o sistema de ensino esteja preparado
para acolher esses estudantes.
Para Kaio é possível identificar logo na primeira infância os sinais de autismo.
“Os sinais podem não ser tão claros, mas são característicos: a falta de contato
visual ou quando a criança não reage quando chamada pelo nome são alguns
exemplos. E até mesmo quando demora para desenvolver a fala”, pondera.
“O tratamento para o TEA depende de cada caso, mas geralmente o autista
terá um acompanhamento por profissionais como uma fonoaudióloga, uma
terapeuta ocupacional e uma psicóloga para o treino da habilidade social”,
completa.
Dificuldades
A professora de música Adriana Godoy, descobriu que seu filho Victor, na
época com apenas três anos, havia sido diagnosticado com o autismo. Hoje
com 14 anos, ele foi recusado oito vezes pelo ensino público paulista, até ser
acolhido por uma escola no bairro Vila Mariana, em São Paulo.
“Fomos até Sorocaba em busca de escolas que disponibilizassem a estrutura
que o ele precisava. Associações especializadas têm lista de espera para
auxiliar nesses casos, mas é um processo complicado. Ele ficou oito meses
sem estudar”, relembra Adriana.
Após sentir na pele as dificuldades que pais de autistas sofrem, Adriana Godoy
e seu marido, Neimer Gianvechio, criaram o Projeto Integrar, promovendo
cursos e disseminando o método de desenhos roteirizados (recurso de apoio
visual que ajuda na socialização).
“As pessoas com autismo, apesar das dificuldades, têm as mesmas vontades
que qualquer um: elas querem brincar, interagir, querem participar de grupos,
gostam do que toda criança gosta”, afirma.
Bons exemplos
Na Rede Municipal de Ensino de Curitiba, alunos com o Transtorno do
Espectro Autista têm o acompanhamento de profissionais disponibilizados pela
Secretaria de Educação, como fonoterapeuta, psicóloga, terapeuta ocupacional
e fisioterapeuta. Segundo levantamento da Prefeitura em 2016, a capital
paranaense conta com mais de 350 alunos com autismo atendidos pelas
escolas municipais.
Um exemplo no ensino público é o da Escola Municipal dos Vinhedos, no bairro
Santa Felicidade. Lá, foi desenvolvido o programa “Somos todos diferentes,
mas temos algo em comum”, que conta com salas de apoio para o
desenvolvimento dos alunos com o TEA. O projeto conta com a participação de
pais, professores e colegas de classe.
Outro exemplo, mas na rede privada, é do colégio Tistu; a partir da iniciativa da
escola e da Associação Miraflores, que reúne pais, amigos e professores de
crianças com necessidades educativas especiais, surgiu o PAE (Programa de
Atendimento Especial).
Segundo Cláudia Costa, coordenadora do projeto, a iniciativa conta atualmente
com doze funcionários contratados pelo PAE e pelo próprio Colégio Tistu, que
promovem um apoio paralelo à sala de aula, disponibilizando materiais próprios
que auxiliam as crianças na organização sensorial e no acompanhamento
terapêutico de cada aluno.
“A ideia é desenvolver esses alunos, promovendo uma interação mais próxima
possível com os colegas de classe, mas respeitando as características de cada
um”, conclui.
Via Gazeta do Povo