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UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI

VICE-REITORIA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E CULTURA


PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU EM CIÊNCIA JURÍDICA – PPCJ
CURSO DE MESTRADO EM CIÊNCIA JURÍDICA – CMCJ
ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: FUNDAMENTOS DO DIREITO POSITIVO

A RESPONSABILIDADE DO SUJEITO DO DIREITO A


PARTIR DE HANNAH ARENDT

FLÁVIA STRINGARI MACHADO

Itajaí-SC janeiro de 2016


UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI
VICE-REITORIA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E CULTURA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU EM CIÊNCIA JURÍDICA – PPCJ
CURSO DE MESTRADO EM CIÊNCIA JURÍDICA – CMCJ
ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: FUNDAMENTOS DO DIREITO POSITIVO

A RESPONSABILIDADE DO SUJEITO DO DIREITO A


PARTIR DE HANNAH ARENDT

FLÁVIA STRINGARI MACHADO

Dissertação submetida ao Curso de Mestrado


Acadêmico em Ciência Jurídica da Universidade do
Vale do Itajaí – UNIVALI, como requisito parcial à
obtenção do título de Mestre em Ciência Jurídica.

Orientador: Professor Doutor Alexandre Morais da Rosa

Itajaí-SC janeiro de 2016


TERMO DE ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE

Declaro, para todos os fins de direito, que assumo total responsabilidade


pelo aporte ideológico conferido ao presente trabalho, isentando a Universidade do
Vale do Itajaí, a Coordenação do Curso de Mestrado em Ciência Jurídica, a Banca
Examinadora e o Orientador de toda e qualquer responsabilidade acerca do mesmo.

Itajaí-SC, 2016.

Flávia Stringari Machado


Mestranda
PÁGINA DE APROVAÇÃO

(A SER ENTREGUE PELA SECRETARIA DO PPCJ/UNIVALI)


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RESUMO

A categoria responsabilidade – pensada em termos morais e políticos, mas não


apenas legais – vem sendo negligenciada pelos atores jurídicos. A crescente
burocratização da vida em todas as suas instâncias representa um obstáculo à
atribuição de responsabilidade aos indivíduos e a tendência em não exercer a
faculdade de julgamento, identificada por Arendt há mais de 40 anos, persiste. Na
prática e no ensino do direito, essa tendência parece se sobressair, talvez, até
mesmo pela imposição positivista de separação entre direito e moral, o que acaba
por relegar estudos que se preocupem com moral a um segundo plano. Nesse
contexto, buscou-se no pensamento de Hannah Arendt um modelo para melhor
pensar e compreender a categoria responsabilidade. No pensamento arendtiano,
elegeu-se três obras para pautar a investigação: A Condição Humana, Eichmann em
Jerusalém e Responsabilidade e Julgamento. Identificou-se três dimensões de
responsabilidade: a responsabilidade de pensar e escolher a si mesmo; a
responsabilidade de julgar e escolher exemplos; e a responsabilidade pelo mundo
comum por meio da ação consciente. Enquanto as duas primeiras dimensões
encaixam-se como espécies de responsabilidade pessoal, a última pode ser dita
híbrida; isto porque, embora por vezes possa ser pensada como responsabilidade
pessoal ou individual, também é concebida por Arendt como responsabilidade
coletiva, já que existem feitos que não podem ser realizados pelos homens
sozinhos. Para a compreensão dessas categorias, principiou-se do estudo, em A
Condição Humana, das atividades da vida ativa – arendtiana – e das suas
condicionantes e espacialidades, com foco na ação – e portanto, na pluralidade (sua
condicionante) e no espaço público (o lugar onde se desenvolve). Isto porque a
compreensão da ação em Arendt é fundamental para posteriormente compreender a
responsabilidade pelo mundo comum. No segundo capítulo, foi investigada a noção
de responsabilidade subjacente em Eichmann em Jerusalém; é nesta obra que ela
adianta muitos argumentos que desenvolveria posteriormente nos artigos que
compõem Responsabilidade e Julgamento, já que o fenômeno da banalidade do mal
com que Arendt foi confrontada enquanto escrevia o livro foi o catalizador dos
questionamentos que a ocupariam até sua morte: as atividades da vida do espírito
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(pensar, querer e julgar) e suas relações com o trabalho, a obra e a fabricação


(atividades da vida ativa). É no pensar dessa inter-relação que as dimensões de
responsabilidade evidenciam-se e melhor são compreendidas.O Método utilizado na
fase de Investigação foi o monográfico.As técnicas de investigação utilizadas foram
as revisão bibliográfica e fichamento..

Palavras-chave: Ação; Hannah Arendt; Julgamento; Moral; Responsabilidade.


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ABSTRACT

Responsibility – considered not only in legal, but also in moral and political terms –
has been neglected by the legal actors. The increasing bureaucratization of life in all
areas is an obstacle to assigning responsibility to individuals, and the tendency not to
exercise the faculty of judgment, identified by Arendt for over 40 years, still persists.
In the practice and teaching of law, this trend seems to stand out, perhaps even due
to the positivist imposition to separate law and morality, which ultimately relegates
studies concerning moral issues to a secondary position. In this context, this work
looks to Hannah Arendt’s work for a model that will enable a better understanding
and perspective on responsibility. Among Arendt’s writing, three works were chosen
to guide the research: The Human Condition, Eichmann in Jerusalem, and
Responsibility and Judgment. Three dimensions of responsibility were identified:
responsibility to think and choose for one-self; responsible for judging and choosing
examples; and responsibility for the common world through conscious action. While
the first two dimensions can be classified as forms of personal responsibility, the
latter can be said to be hybrid; This is because although it can sometimes be thought
of as personal or individual responsibility, it is also conceived by Arendt as a
collective responsibility, as there are deeds that cannot be performed by man on his
own. Seeking to understand these categories, the study starts with the Human
Condition, the activities of the vita activa and its constraints and spatiality, focusing on
action - and therefore, the plurality (it’s condition) and public space (where it
develops). This is because the understanding of action, according to Arendt, is critical
for understanding the author’s concept of responsibility for the common world. In the
second chapter, we investigate the underlying notion of responsibility in Eichmann in
Jerusalem; this is a work that advances many arguments that were later developed in
the articles comprising Responsibility and Judgment, for example, the banality of evil,
a phenomenon that Arendt faced while writing the book, was the catalyst for
questions that would occupy her until her death: the activities of the life of the mind
(think, want and judge) and their relationship to work, fabrication and action (activities
of active life). It is in thinking of this relationship that the dimensions of responsibility
become evident and can be better understood. The essay method was used in the
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research phase, and a literature review was used as the research technique.

Key-words: Action; Moral; Responsibility; Judgment; Hannah Arendt.


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