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A Implantação do marxismo-leninismo na Rússia

A Revolução de Fevereiro de 1917 (Revolução Burguesa)

Os antecedentes para a Revolução Russa de Fevereiro de 1917 foram:

 O império russo era chefiado pelo czar Nicolau II sob a forma de uma autocracia, isto é, detinha o poder absoluto, o que provocava
desagrado;
 Ao defender a liberalização do regime, o descontentamento do povo manifestou-se sob várias formas
(surgiram as primeiras assembleias de operários, os sovietes), sendo a Revolução de 1905 (Domingo Sangrento) uma delas, que
originou uma certa abertura politica por parte do czar (convocou eleições para o Parlamento (Duma), criou partidos políticos e aboliu
certos privilégios da nobreza);
 O descontentamento face ao regime político agravou-se com a participação da Rússia na primeira guerra mundial (milhares de
mortos e desorganização da já débil economia russa);  A sociedade russa era composta maioritariamente por camponeses, a burguesia
ansiava para modernizar o país e por um governo parlamentar, o operariado era um grupo minoritário. Sendo tão desigualitária, não
deixou de provocar anseios revolucionários.

Em Fevereiro de 1917, estavam reunidas as condições para acontecer uma revolução, onde a Burguesia ascende ao poder (daí a se
designar Revolução Burguesa), pondo fim ao czarismo e instaurando um regime republicano na Rússia. Os revolucionários exigem a
abdicação de Nicolau II e formam um Governo Provisório, constituído por Kerensky e Lvov (que governam sob uma republica de tipo
liberal). Veremos que será deposto pela revolução socialista de Outubro de 1917, feita pelos comunistas.

A Revolução de Outubro de 1917 (Revolução Soviética)

No período entre Fevereiro e Outubro de 1917, a agitação social não diminuiu. Já não havia czar, mas a Rússia continuava na guerra
e os problemas económicos mantinham-se. A nível político, a Rússia vivia numa dualidade de poderes (os governos liberais, por um lado,
e os sovietes, por outro, que eram contra o Governo Provisório).
Em consequência, em Outubro de 1917, os bolcheviques, com o apoio dos sovietes, conduziram à Revolução Soviética, onde o Governo
Provisório foi substituído pelo Conselho dos Comissários do Povo, presidido por Lenine. Trotsky e Estaline também foram figuras
importantes na revolução. A Rússia transformou-se numa Republica não parlamentar e deu-se início a uma guerra civil (“Exercito
Vermelho” – comunistas, “Exercito Branco” – liberais).

Esta revolução foi responsável pela retirada da Rússia da guerra, e a nível ideológico foi responsável pela implementação dos princípios
marxistas, através de Lenine. As suas ideias e a sua acção originaram o marxismo-leninismo. Os representantes do proletariado
conquistavam o poder politico.

Marxismo-leninismo  Aplicação prática das ideias de Marx por Lenine. Defendia que o proletariado era o que conquistava o poder
(ditadura do proletariado), e igualava o poder do Estado ao Partido Comunista (Partido Único).
A democracia dos sovietes

A Revolução de Outubro foi vitoriosa graças ao apoio da população mais pobre da Rússia – camponeses, operários, etc. – organizada
em assembleias denominadas sovietes. No dia seguinte á revolução, Lenine fez aprovar decretos revolucionários, no II Congresso dos
Sovietes (Um Governo quando inicia as suas funções, tem que lançar decretos):

 decreto sobre a paz (convidava aos povos em guerra, á paz)


 decreto sobre a terra (aboliu a propriedade privada, entregando-a aos sovietes)

Instaurando a paz e propriedade comunitária, os bolcheviques conseguiam, através dos decretos revolucionários, responder aos anseios
dos sovietes que tanto haviam contribuído para o sucesso da revolução. Esta legislação revolucionária servia, assim, de instrumento para
a criação de uma democracia dos sovietes, um sistema político que atendia ás necessidades do proletariado.
O comunismo de guerra e a ditadura do proletariado

De acordo com a teoria marxista, a ditadura do proletariado é a etapa de transição entre a sociedade capitalista e a edificação do
comunismo (sociedade sem classes). No decurso dessa etapa, o proletariado (classe dominante), deveria “abater os opressores”,
retirando todo o capital á burguesia, centralizando os meios de produção nas mãos do Estado. Assim se chegaria a um ponto onde já não
havia desigualdade social, e o Estado (sendo um instrumento de domínio), deixaria de fazer sentido e cessaria de existir, e aí tornar-
se-ia possível falar de liberdade. A ditadura do proletariado é uma etapa imprescindível para a construção de uma sociedade
comunista, marcada pela supressão do Estado e pela eliminação da desigualdade social. A etapa final é então o comunismo.

Comunismo  Etapa final da revolução proletária que se caracteriza pela extinção do Estado e pelo desaparecimento das classes
sociais.
O conjunto de medidas que conduziram á instauração da ditadura do proletariado denomina-se de comunismo de guerra (assim chamado
devido ao facto de ter sido instaurada durante a guerra civil, 1918-1921). O comunismo de guerra sucedeu à democracia dos sovietes,
substituindo os decretos revolucionários por novas medidas, mais radicais.
 toda a economia foi nacionalizada (fazendo parte do Estado);
 institui-se um regime de partido único, o Partido Comunista;
 O Terror institucionalizou-se com o estabelecimento da censura e a criação da Tcheca, policia politica.

O centralismo democrático

Em 1922 foi criada a URSS (União das Republicas Socialistas Soviéticas). A organização do Estado comunista da Rússia Soviética
denominou-se de centralismo democrático, sistema que assentava nos seguintes princípios:
 o poder partia da base das sociedade, os sovietes. Os sovietes eram eleitos pela população por sufrágio universal, e a partir deles
elegiam-se os poderes superiores;
 a organização do Partido Comunista seguia a mesma estrutura, as bases do partido elegiam os organismos superiores;
 não existia separação clara dos poderes legislativo, executivo, judicial;
 apenas o Partido Comunista era permitido, pois considerava-se que era o único capaz de representar o proletariado, ou seja, proibiam-
se todos os outros;  o Estado era controlado pelo Partido Comunista.

A NEP (Nova Politica Económica)

A NEP consistiu numa viragem da economia, no sentido de superar a terrível crise económica herdada da guerra civil. Considerando
que o comunismo teria de ser construído com base no progresso económico, Lenine passou a defender medidas do tipo capitalista
(recuo estratégico, para o socialismo não se edificar sobre ruínas) para estimular a produção:
 Estabeleceu um imposto a pagar, em vez dos camponeses entregaram todos os seus excedentes;
 permitiu a venda directa dos produtos dos camponeses;  aceitou a ajuda do estrangeiro;  eliminou o
trabalho obrigatório.
A NEP (1921-1927), resultou numa melhoria assinalável dos níveis de produção.

A regressão do demoliberalismo

Os anos que se seguiram á Primeira Guerra Mundial trouxeram á Europa profundas dificuldades económicas e financeiras. Esta
situação leva a um descontentamento generalizado que se traduz em greves e o espírito revolucionário estende-se por todo a
Europa, isto é, o desespero das populações perante a crise leva à procura de novas soluções politicas e à adesão de projectos
políticos extremistas, quer de esquerda, quer de direita:
 Os partidos de esquerda intensificavam a sua acção, denunciando os males do capitalismo. Na Alemanha, proclamou-se “uma
república socialista”. Mesmo na França, na Grã-Bretanha e na Itália, a onda revolucionária de esquerda se fez sentir, inspirada pela III
Internacional de Moscovo fundada em 1919 (que defendia a união do operariado a nível internacional, impondo o socialismo no mundo).
Estes acontecimentos denunciavam as democracias liberais e a sua incapacidade em resolver os problemas económicos e sociais. No
entanto, em países como a Alemanha e a Itália, o medo ao bolchevismo levou a que se apoiasse soluções politicas de extrema-direita,
levando à adesão de regimes autoritários e fascistas (Jamais poderia agradar o controlo operário da produção à burguesia). A
emergência dos autoritarismos, confirmava a regressão do demoliberalismo.

Mutações nos comportamentos e na cultura

As transformações da vida urbana

No início do século XX, havia cerca de 180 grandes núcleos urbanos (Londres, Paris, Moscovo, etc.). Esta crescente concentração
populacional provocou significativas alterações na vida e nos valores tradicionais, ou seja, um novo modo de viver e de conviver
no meio da multidão. Adquire-se novas formas de sociabilidade, tendo o crescimento urbano originado a criação de novos
comportamentos que se massificaram (isto é, generalização dos mesmos hábitos e gostos). A racionalização e a redução do tempo de
trabalho, assim como a melhoria do nível de vida permitiram dispor de dinheiro e tempo para o divertimento e prazer, fazendo com que
a convivência entre os sexos se tornasse mais ousada e livre (que rompia completamente com as antigas regras sociais). Adere-se à
prática do desporto e ao uso do automóvel.

A crise dos valores tradicionais

Os tempos de optimismo, de confiança na paz, na liberdade, no progresso e bem-estar que caracterizaram a viragem do século, ruíram
subitamente com o eclodir da Primeira Guerra. A morte de milhões de soldados, a miséria e a destruição visíveis gerou um sentimento
de desalento e descrença no futuro, que afectou toda a sociedade. Por outro lado, a massificação urbana, a laicização social que
terminara com a influência da Igreja, e as novas concepções científicas e culturais são igualmente responsáveis pela ruptura no padrão
de valores e comportamentos sociais tradicionais. Deu-se uma profunda crise de consciência, que atinge toda a conduta social,
falando-se assim duma anomia social (ausência de regras sociais). Esta crise de valores acentuou ainda mais as mudanças que já
estavam em curso.

A emancipação da mulher

A crescente presença da mulher em todos os sectores de actividade, mais notada a partir da Primeira Guerra, proporcionava uma
relativa independência económica e esteve na origem de uma consciencialização de que o seu papel no processo económico não
tinha correspondência a um estatuto social e politico dignos. No inicio do século XX, organizaram-se numerosas associações de
sufragistas que lutaram pelo direito de participação na vida politica, etc. Contudo, só no final dos anos 20 foi reconhecido à mulher o
direito ao voto e de exercício de funções politicas. Emancipadas e libertas de todos os preconceitos, as mulheres passam a adoptar novos
comportamentos sociais: frequentar festas e clubes nocturnos, praticar desporto, fumar e beber livremente, etc. A valorização do
corpo e da aparência conduziu ao aparecimento de uma nova mulher que usava o cabelo curto (à garçonette) e com as saias mais curtas
e ousadas.

A descrença no pensamento positivista e as novas concepções científicas

O Positivismo impusera a ideia de que a ciência tinha a resposta para todos os problemas da
Humanidade. Mas, no início do século XX, verifica-se uma reacção anti-racionalista e anti-positivista, devido às teorias de alguns
cientistas face à ciência (propunham o relativismo cientifico, segundo o qual a ciência não atinge o conhecimento absoluto):
 a teoria do intuicionismo, de Bergson, que defende que o conhecimento não era através da evidencia racional mas sim pela
intuição;
 a teoria da relatividade, de Einstein, que demonstra que o espaço, o tempo e o movimento não são absolutos, mas relativos
entre si (por exemplo, a massa do corpo depende do movimento);
 a teoria quântica, de Max Planck, que defende a existência de unidades mínimas de matéria que não se rege por leis rígidas
(o que permitiu explicar o comportamento dos átomos);
 a teoria psicanalítica, de Sigmund Freud, que explicava que as neuroses (qualquer desordem mental) são resultado de traumas,
feridas, isto é, impulsos, sentimentos, desejos, instintos naturais aprisionados no inconsciente. Criou um método terapêutico
(psicanálise) que consistia em libertar o paciente dos seus recalcamentos (traumas), procurando trazê-los à consciência através da
interpretação de sonhos.

Todas estas novas teorias põem em causa as “verdades absolutas” que sustentavam o positivismo, influenciando os comportamentos
no quotidiano, pois nada mais é visto como absoluto mas como questionável e discutível.

As vanguardas: rupturas com os cânones das artes e da literatura

Nas primeiras décadas do século XX houve uma revolução imensa nas artes, criando-se uma estética inteiramente nova, que rompia
com as tradições para mostrar uma nova visão da realidade. Esse movimento cultural ficou conhecido como o Modernismo (que
revolucionou as artes plásticas, a arquitectura, a literatura e a musica). As principais vanguardas artísticas foram:

Corrente artistica Principais características Exemplo

 colorismo muito intenso;


pretendia transmitir serenidade e
FAUVISMO não a realidade, então utilizava a
cor com total liberdade.

EXPRESSIONISMO  arte muito ligada a sentimentos


de angustia e critica social onde
se evidencia um acentuado
pessimismo, isto é,
desenvolviam uma temática
pesada, como o desespero,
morte, sexo, miséria social.

 Geometrização das
formas
CUBISMO (em cubos);
 representação de vários
ângulos do mesmo objecto,
destruindo com as leis
tradicionais da perspectiva e
da representação;
 Pablo Picasso foi o
principal pintor desta corrente.

 rejeita o tema ligado á


realidade concreta, á descrição do
ABSTRACCIONISMO visível;
 divide-se em
abstraccionismo lírico (inspirado
no inconsciente) e no
geométrico (foca-se na
racionalização, suprimindo
qualquer emotividade pessoal)

 rejeita o moralismo e o
FUTURISMO passado, baseando-se fortemente
na velocidade e nos
desenvolvimentos tecnológicos;
 também se baseava na guerra
e na violência.

 caracteriza-se pela oposição


á arte em si, pelo cepticismo
DADAÍSMO absoluto, pela improvisação; 
A obra da Mona Lisa com
bigode é um exemplo de
dadaísmo.
 realça o papel do inconsciente
SURREALISMO na actividade criativa, combina o
abstracto com o psicológico;
procura abstrairse da
racionalidade.
O agudizar das tensões politicas e sociais a partir dos anos 30 A GRANDE DEPRESSÃO E O SEU IMPACTO
SOCIAL

Nos anos 30, viveu-se uma trágica crise capitalista, iniciada nos EUA mas alargada ao resto do mundo, a que se deu o nome de
“Grande Depressão”. Esta crise desencadeou-se a partir do crash bolsista de Nova Iorque (1929), que teve origem nos seguintes
factores:
 na especulação bolsista (
 na crise de superprodução (o estilo de vida americano foi generalizado, dando-se a quebra progressiva das compras aos EUA pelo
aumento da produção europeia, o que originou uma acumulação de stocks, ou seja, superprodução).
O crash da bolsa provocou a ruína de imensos investidores, o que significou a ruína dos bancos (falência). Muitas empresas acabaram por
falir, o que provocou elevados índices de desemprego. Houve uma diminuição do consumo, os preços dos produtos agrícolas registaram
uma quebra acentuada e destruíram-se produções. A nível social, teve efeitos desastrosos.
A grande depressão não atingiu apenas os EUA. Os países que estavam dependentes de empréstimos e crédito dos EUA (Áustria,
Alemanha), e os que exportavam matérias-primas (Austrália, Brasil, Índia) também sofreram, o que originou uma crise a nível mundial
(excepção feita, á URSS, que não seguia o modelo económico capitalista).
Em suma, os anos 30 foram tempos de profunda miséria e angustia: diminuição de investimento, produção, consumo, as falências, e o
desemprego, além da queda dos preços (deflação). A gravidade da crise exigiu, como veremos mais á frente, medidas de intervenção
do Estado na economia, instalando a descrença no capitalismo liberal.

AS OPÇÕES TOTALITÁRIAS

Totalitarismo  Sistema político que se opõe á democracia, pois concentra todos os poderes (legislativo, executivo e judicial) nas mãos
de um chefe incontestado e de um só partido e que subordina os direitos individuais aos interesses do Estado, que se considera dono
absoluto da verdade. Temos como regimes totalitários o caso da Rússia Soviética, da Itália Fascista e da Alemanha Nazi. Nas
décadas de 20 e 30 do séc. XX, a vida política da Europa foi caracterizada por uma emergência de totalitarismos (tanto de esquerda
como de direita). Vários factores contribuíram para a sua implantação:
 a crise económica e social (“Grande Depressão”);
 o ressentimento resultante da humilhação provocada pela derrota na guerra ou por uma vitória sem recompensas;
 o receio do avanço no comunismo (no caso dos regimes de direita);
 a fragilidade das democracias liberais

-FASCISMO E NAZISMO

A ideologia fascista foi liderada pela Itália (fascismo) e Alemanha (nazismo), que tinha como características:
 o totalitarismo (primazia do Estado sobre o individuo) e o antiparlamentarismo (ao contrário do sistema pluripartidário, presente nas
democracias, impunha-se o partido único);
 o culto do chefe/elites (a separação de poderes deixa de existir, centralizando-se na figura de um líder inquestionável que personifica
a Nação. Adere-se á ideia do governos dos “melhores” (elites), que tinham que prestar adoração ao seu chefe incontestado)
 o culto da força e da violência (a oposição política é considerada um entrave, por isso, deve ser aniquilada pela repressão policial,
logo, a violência está na essência dos regimes, valoriza-se o instinto e acção);
 a autarcia como modelo económico (implementação de uma politica económica de intervenção do
Estado para se atingir um ideal de auto-suficiência e acabar com o desemprego);
 o nacionalismo exagerado (devia-se sacrificar tudo pela pátria);
 utilização da censura, polícia política e propaganda como meio de difundir os ideais do regime.

Assim, os regimes nazi-fascistas opunham-se ao liberalismo e á democracia pois defendiam que o individuo e os seus interesses
deveriam subjugar-se ao interesse supremo do Estado e não o contrário. Os fascismos atribuíam à fraqueza da democracia a
incapacidade em dar resposta á grave crise económica. Defendia, por isso, a edificação de um Estado forte e a instauração do
partido único. O Estalinismo (Rússia Soviética, URSS) apresenta diferenças dos outros regimes totalitários na medida em que, é um
regime socialista e de extrema-esquerda (Os fascismos são de extrema-direita e opõem-se ao socialismo). No entanto, os princípios
básicos são os mesmos. O Fascismo opunha-se aos princípios socialistas, ou seja, rejeitava a “luta de classes”, porque dividia a Nação e
enfraquecia o Estado. Contrapunha-lhe um outro sistema baseado no entendimento entre as classes sujeito ao interesse do Estado,
concepção que conduziu ao corporativismo.

Fascismo (1922-1945) Sistema político instaurado por Benito Mussolini, em 1922. Suprime as liberdades individuais, defende a
supremacia do Estado, e é profundamente totalitário, autoritário e ditatorial, ou seja, anti-democrático e anti-socialista. O termo fascismo
também pode ser aplicado a todos os regimes autoritários de direita que se seguiram ao fascismo italiano (como o nazismo).

Nazismo (1933-1945) Sistema político imposto na Alemanha, criado por Adolf Hitler. Tem os mesmos princípios que o fascismo,
acrescenta-se, porém, o racismo e anti-semitismo que foi praticado de forma violentíssima. Proclamou a superioridade da raça alemã,
negando completamente outras etnias (daí as perseguições aos judeus).
Elites e o enquadramento das massas nos regimes fascistas

As elites, como já foi visto, eram compostas por membros considerados superiores, que tinham de ser respeitadas pelas massas
(populações). A ideologia fascista difundiu-se através da propaganda, de modo a levar as populações a aceitar os valores fascistas.
Surgiram diversas organizações com a finalidade de incutir os ideais fascistas nas populações (ou seja, enquadrar as massas):
 Organizações de juventude (As crianças (até ao estado adulto) integravam organizações onde lhes eram incumbidos os valores
fascistas, como o culto do chefe e do Estado);
 Partido Único (a filiação no Partido Fascista (Itália) ou no Partido Nazi (Alemanha) permitia aos cidadãos o desempenho de
cargos públicos, e o acesso a um estatuto superior)

A VIOLÊNCIA NOS FASCISMOS

A ideologia fascista defendia a violência, pois achava que era nessa situação que o homem desenvolvia as suas qualidades. Assim, foi
utilizada pelos fascistas para chegar ao poder, assim como para se manterem no poder. A violência fascista consolidou-se através do
estabelecimento das seguintes organizações:
 Milícias armadas (grupos armados que aterrorizavam qualquer forma de oposição politica);
 Polícias políticas (que assegurava que não houvesse qualquer tipo de repressão ao regime);  Campos de concentração (criados,
na Alemanha, eram locais onde as vitimas do regime fascista eram sujeitas a trabalhos forçados, a tortura e ao assassínio em
câmaras de gás)

- Violência racista nazi

O desrespeito pelos direitos humanos atingiu os cumes do horror com a violência do seu racismo. Hitler colocou a raça ariana
(alemães e austríacos) como superior às restantes. Esta sua tese foi desenvolvida na sua obra Mein Kampf, e obteve grande
receptividade por parte dos nazis, o que levou ao maior desrespeito pelos direitos humanos.
Obcecado pelo aperfeiçoamento da “raça ariana”, promoveu uma “selecção” de arianos (altos, louros, olhos azuis). Para tal, deveriam
ser eliminados os “imperfeitos”, para além dos judeus (deficientes, velhos, doentes incuráveis, homossexuais), para se melhorar a
raça (eugenismo).

Os judeus tornaram-se o alvo preferido da perseguição nazi (pois eram considerados culpados pela derrota alemã na guerra e pelos
problemas económicos sofridos) e sofreram na pele uma das maiores humilhações e torturas na História. (anti-semitismo  termo que
designa o ódio aos judeus). Passaram a não poder exercer nenhuma profissão, nem frequentar lugares públicos, foram obrigados a
viver em guetos (bairros separados), e a usar uma estrela amarela para serem rapidamente identificados. Durante os anos da Segunda
Guerra Mundial, os nazis causaram a morte de cerca de 6 milhões de judeus através da sua politica de genocídio (extermínio em
massa) dos judeus. Pela dimensão das crueldades cometidas nos campos de concentração, este genocídio ficou conhecido como
Holocausto.

Estalinismo

O Estalinismo é uma outra vertente do totalitarismo, que ficou conhecida após a morte de Lenine (1924). O novo líder, Estaline,
impôs a submissão violenta dos indivíduos ao Estado e ao chefe e empenhou-se na construção de uma sociedade socialista
igualitária.

Durante este regime, a economia soviética assentou em dois postulados:


 A colectivização dos campos (Pondo fim á NEP, Estaline ordenou que se expropriassem as propriedades criadas durante a NEP, para
dar origem a quintas colectivas (kolkhozes), o que originou forte oposição por parte dos kulaks (proprietários agrícolas), levando
Estaline a persegui-los e deportálos. Estaline defendia a colectivização dos meios de produção, pois no seu entender, era o que
proporcionava uma efectiva igualdade social;
 A planificação económica (Estaline estabeleceu metas de produção para a economia, através dos planos quinquenais (5 em 5
anos). Cada plano definia os objectivos a atingir e os meios necessários para o efeito. Como consequência, temos o desenvolvimento
de alguns sectores de industria pesada e dos transportes.
Esta politica económica permitiu ao país recuperar do atraso económico e atingir acentuados níveis de crescimento da produção agrícola
e industrial, factores que permitiram á URSS afirma-se como das grandes potencias mundiais.

Em termos políticos, Estaline impôs um regime totalitarista extremamente repressivo, pois até á sua morte, Estaline perseguiu os
seus opositores e impôs a sua supremacia, através dos seguintes pontos:
 purgas periódicas dentro do Partido, eliminando os elementos que o criticavam;
 os elementos considerados indesejáveis eram condenados a campos de trabalho forçado (Gulag);
 integração de crianças e jovens em organizações estalinistas;
 o Partido Comunista controlava tudo
 o culto da personalidade de Estaline, através da propaganda política

A resistência das democracias liberais

O intervencionismo do Estado

A dimensão que a crise de 1929 alcançou, fez aparecer opiniões/teses de economistas como John Keynes, que defendem que a única
solução é uma maior intervenção do Estado, pondo em causa o sistema capitalista. Os EUA optam pela teoria de Keynes, que defendia
que ao Estado deveria caber um papel activo de organizador da economia e regulador do mercado, através do New Deal (designação
dada á politica implementada nos EUA, a partir de 1933, que através de reformas económicas e sociais, combateu a depressão dos anos
30), posto em prática por Franklin Roosevelt (presidente dos EUA na altura).
As medidas implementadas pela New Deal (33-34) foram:

Financeiras Sociais Obras Públicas Agricultura Indústria

 Reorganização  Distribuição de  Construção de  Concessão de  fixação de


da actividade dinheiro aos mais estradas, vias empréstimos e de preços para os
bancária, pobres, instituição férreas, escolas, indemnizações aos produtos
desvalorização do de reformas por hospitais agricultores industriais
dólar e controlo da velhice/invalidez, (combate ao
inflação fundo de desemprego)
desemprego,
garantia de um
salário mínimo e
de liberdade
sindical, redução
para 40 horas de
trabalho semanal.

A New Deal permitiu uma recuperação económica, superando a crise que afectou o mundo capitalista. O liberalismo económico passou a
aceitar o intervencionismo estatal como estratégia de sobrevivência.

PORTUGAL NO PRIMEIRO PÓS GUERRA

A 1ª República Portuguesa vigorou de 1910 a 1926 e foi um período conturbado pelos graves problemas sociais, económicos e políticos
que, no entanto, também se faziam sentir por toda a Europa, mergulhada em difíceis condições de vida após o primeiro conflito mundial
(1914-1918). Assim, o contexto políticoeconómico-social que Portugal atravessava, não favoreceu em nada a 1ª República, que sendo
vista inicialmente como a salvação, rapidamente deixou de o ser, por não responder às questões levantadas pela crise:

 dificuldades económicas: Com a entrada de Portugal na Guerra, a situação económica agravou-se bastante, em que se assistia
a uma indústria atrasada e insuficiente, ao predomínio da agricultura, ao aumento do custo de vida, à balança orçamental deficitária, à
falta de bens essenciais que levou à subida dos preços, à desvalorização da moeda e a consequente inflação e aumento da dívida. 
instabilidade política: A guerra também trouxe consigo a instabilidade política. As divergências internas eram frequentes, o próprio
Partido Republicano subdividiu-se em vários partidos e os governos continuavam a suceder-se. A instabilidade governativa era
inegável, visto que em 16 anos de regime, houve 45 governos. A constante tentativa de derrubar o regime não ajudava.
 instabilidade social: a subida do custo de vida provocou um grande descontentamento social, ou seja, o regime republicano
perdeu muito apoio, principalmente das classes médias e do operariado. Houve uma grande agitação social, verificando-se vagas grevistas
e movimentos anti-republicanos. A República perdeu, ainda, grande parte do suporte popular devido às suas medidas anticlericais
(separação total entre o Estado e a Igreja), o que teve efeitos catastróficos sobre a opinião pública, maioritariamente católica.

Com um ambiente destes, tornou-se fácil o derrube da 1ª República através de um golpe de estado militar, que se deu a 28 de Maio
de 1926. Este golpe pôs fim á República Portuguesa e deu-se início a um regime de Ditadura Militar que se manteve até 1933, altura
em que é instaurado o Estado Novo de Salazar, e dá-se inicio a uma nova vida política em Portugal.

PORTUGAL E O ESTADO NOVO


Tal como aconteceu noutros países, cujos regimes foram influenciados pela ideologia fascista, também em
Portugal se verificou a progressiva adopção do modelo italiano através da edificação do Estado
Novo. Designa-se, assim, por Estado Novo, o regime totalitário de tipo fascista que vigorou em Portugal de 1933 a 1974, caracterizado
por ter um Estado forte, com supremacia sobre os interesses individuais, anti-liberal, anti-democrático e anti-parlamentar, autoritário e
nacionalista.

Em 1928, foi nomeado para o governo, a fim de exercer funções de ministro das Finanças, António de Oliveira Salazar que, devido á
sua acção, conseguiu um saldo positivo para o orçamento de Estado, tendo sido nomeado chefe do governo em 1932 devido a esse
“milagre económico”, passando a controlar todos os sectores (daí a que o regime seja normalmente denominado por Salazarismo). Este
projecto político de Salazar (1933) caracterizou-se por diversos aspectos:

 CARÁCTER ANTI-DEMOCRÁTICO
Defendia um Estado forte (ditatorial, autoritário, anti-parlamentar e anti-democrático), que recusava as liberdades individuais e a
soberania popular: “Tudo no Estado, nada Fora do Estado”. Salazar foi um forte opositor da democracia liberal e do
pluripartidarismo. No entanto, também negava os ideais marxistas e a luta de classes. Na sua óptica, o interesse de todos devia
sobrepor-se às conveniências individuais. Assim, os direitos individuais dos cidadãos não eram respeitados. Os opositores políticos eram
perseguidos e encerrados em prisões políticas, o que demonstra o carácter repressivo do regime salazarista. Os meios repressivos
utilizados pelo regime eram a censura e as polícias políticas. Prestavase o culto ao chefe, isto é, destacava-se a figura de Salazar,
considerado “Salvador da Pátria”, que a propaganda política alimentava. Havia um partido único, a União Nacional.
 CARÁCTER CONSERVADOR E NACIONALISTA

Em relação ao conservadorismo, Salazar empenhou-se na recuperação dos valores que considerava fundamentais, como Deus, Pátria,
Família, Paz Social, Moralidade, Autoridade, que não podiam ser postos em causa. A base da nação era a família, o homem era o
trabalhador e o papel da mulher foi reduzido. Empenhou-se também na defesa de tudo o que fosse tradicional e genuinamente português,
revestindo de importância a ruralidade e rebaixando a sociedade industrializada. Deu protecção especial à Igreja, baseado no lema
"Deus, Pátria, Família". O carácter nacionalista destacou-se, pois louvou e comemorou os heróis e o passado glorioso da Pátria, valorizou
as produções culturais portuguesas e incutiu os valores nacionalistas através das milícias de enquadramento das massas. Além disso, o
regime salazarista utilizava as colónias em proveito dos interesses da nação, seguindo os parâmetros definidos pelo Acto Colonial de 1930.

CARÁCTER CORPORATIVISTA

 O Estado Novo mostrou-se empenhado na unidade da nação e no fortalecimento da Nação. Defendia, assim, que os indivíduos
apenas tinham existência para o Estado se integrados em organismos ou corporações pelas funções que desempenham e os seus
interesses harmonizam-se para a execução do bem comum.

CARÁCTER INTERVENCIONISTA

A estabilidade financeira tornou-se numa prioridade. O Estado Novo apostou num modelo económico fortemente intervencionista e
autárquico, que se fez sentir nos vários sectores da economia:  Agricultura (Portugal era um país maioritariamente rural, assim,
pretendia-se tornar Portugal mais independente da ajuda estrangeira, criando-se incentivos à especialização em produtos como a
batata, vinho, etc. Um grande objectivo de Salazar, era tornar a economia portuguesa isolada de possíveis crises económicas
externas. A construção de barragens levou a uma melhor irrigação dos solos.)  Indústria (A indústria não constitui uma prioridade ao
Estado Novo. O condicionamento industrial consistia na limitação, pelo Estado, do nº de empresas existentes e do equipamento utilizado,
pois a iniciativa privada dependia, em larga medida, da autorização do Estado. Funcionava assim, como um travão á livre-concorrência.
Mais do que o desenvolvimento industrial, procurava-se evitar a sobre produção, a queda dos preços, o desemprego e agitação social.)
 Obras Públicas (tinha como principal objectivo o combate ao desemprego e a modernização das infra-estruturas do país. A
intervenção activa do Estado fez-se sentir através da edificação de pontes, expansão das redes telegráfica e telefónica, obras de
alargamento nos portos, construção de barragens, expansão da electrificação, construção de edifícios públicos (hospitais, escolas,
tribunais), etc. A política de construção de obras públicas foi aproveitada (politicamente) para incutir no povo português a ideia de que
Salazar era imprescindível à modernização material do País.

O projecto cultural do Regime

No contexto de um regime de tipo totalitário, a cultura portuguesa encontrava-se subordinada ao Estado e servia de instrumento
de propaganda política. O Estado Novo compreendeu a necessidade de uma produção cultural submetida ao regime, por isso, pela
via da persuasão, o Estado Novo concebeu um projecto que vai instrumentalizar os artistas para a propaganda do seu ideal. A este projecto
cultural chamou-se de “Política de Espírito”.

Foi o meio encontrado para mediatizar o regime, em que era proporcionado uma “atmosfera saudável” à imposição dos valores
nacionalistas e patrióticos.

Tudo servia para divulgar as tradições nacionais e engrandecer a civilização portuguesa (restauro de monumentos, festas populares, peças
de teatro, cinema, etc.) Salazar defendia que as artes e as letras deveriam inculcar no povo, o amor da pátria, o culto dos heróis, as
virtudes familiares, a confiança no progresso, ou seja, o ideário do Estado Novo.

NASCIMENTO E AFIRMAÇÃO DE UM NOVO QUADRO GEOPOLÍTICO


A RECONSTRUÇÃO DO PÓS-GUERRA

- A definição das áreas de influência

Ainda decorria a 2ª Guerra Mundial, e já os “Aliados” – EUA, URSS, Inglaterra -, confiantes na vitória, procuravam estratégias para
estabelecer uma nova ordem internacional, e definir os termos da paz que se avizinhava, através da realização de conferências, onde se
chegaram a alguns pontos:
 Conferência de Ialta (Fevereiro de 1945)
• Proposta de criação de uma organização mundial que fomentasse a cooperação entre os povos, que seria a ONU (Organização
das Nações Unidas);

• Desmembramento da Alemanha e confiá-la aos Aliados, consequentemente destruindo o regime nazi (estabelecimento da
democracia na Europa) e imposição à Alemanha o pagamento das reparações da Guerra;

• Definição das fronteiras da Polónia.


 Conferência de Potsdam (Julho de 1945), com o objectivo de confirmar as resoluções em Ialta
• Confirmação da “desnazificação” e a divisão em 4 partes (pela URSS, EUA, Inglaterra e França) da Alemanha e da Áustria

• Detenção dos criminosos de guerra nazis, que eram julgados no Tribunal de Nuremberga;

• Especificação das indemnizações à Alemanha, isto é, o tipo e o montante.

No final do conflito, estava definido um novo mapa político europeu, marcada pela emergência de duas grandes potências,
vencedoras da Guerra, perante uma Europa destruída e desorganizada, emergindo, então, um novo desenho geopolítico que se sustenta
na formação de definição de duas grandes áreas de influência: a área soviética (URSS) e a área americana (EUA).
A divisão da Europa reforçou a desconfiança e conduziu ao endurecimento de posições entre os dois blocos geopolíticos, que marcaria o
período da Guerra Fria.
A ruptura entre os EUA e a URSS deveu-se à extensão da influência soviética na Europa de Leste, ou seja, a extensão do comunismo
provocou a crítica das democracias da Europa Ocidental e dos EUA. Churchill utilizou a célebre expressão “cortina de ferro” para se
referir ao isolamento da Europa de Leste, que estavam fechados ao diálogo com as democracias ocidentais.

- ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS


A ONU foi criada em 1945, segundo o projecto de Roosevelt. Na Carta das Nações Unidas estão contidos os objectivos que presidiram à
sua criação:
Manter a paz e a segurança internacionais (para evitar novos conflitos), desenvolver relações de amizade entre as
nações (baseada no principio de igualdade entre os povos), realizar a cooperação internacional (para promover e estimular o
respeito pelos direitos humanos) e harmonizar os esforços das nações para concretizar estes objectivos (servir como
mediador)

- AS NOVAS REGRAS DA ECONOMIA INTERNACIONAL

Havia consciência de que estava eminente uma grave crise económica, pois os países europeus encontravam-se arruinados e
desorganizados. Assim, em 1944, na Conferência de Bretton Woods, um grupo de economistas reuniu-se a fim de estabelecer uma nova
ordem económica e financeira internacional e relançar o comércio com base em moedas estáveis. As principais directrizes económicas que
resultaram da conferência foram:
A criação do: Fundo Monetário Internacional (assistência financeira aos países em dificuldades), do Sistema Monetário
Internacional (que assentou no dólar como moedachave), do Banco Internacional para a Reconstrução e
Desenvolvimento (apoiava projectos de reconstrução das economias).
Apesar de todos os esforços para desenvolver a economia mundial, a Europa continuava frágil. Com receio que a crise europeia se
estendesse aos EUA, os americanos decidiram tomar medidas imediatas. Surge, assim, o Plano Marshall (1947), que consistiu na ajuda
prestada pelos EUA à Europa após a Segunda Guerra Mundial. Este programa de auxílio foi acolhido com entusiasmo pela generalidade
dos países, e foi verdadeiramente essencial à recuperação europeia, pois os países beneficiários receberam 14000 milhões de dólares.
Para operacionalizar esta ajuda, foi criada a OECE (Organização Europeia de Cooperação Económica).

Em 1949, dá-se a resposta da URSS ao Plano Marshall, com a criação do Plano Molotov e COMECON, que estabeleceu as estruturas de
cooperação económica da Europa de Leste.
A divisão do mundo em dois blocos antagónicos consolidou-se e os tempos da Guerra Fria estavam cada vez mais próximos…

O TEMPO DA GUERRA FRIA – A CONSOLIDAÇÃO DE UM MUNDO BIPOLAR

“Guerra Fria” é a expressão que se atribui ao clima de tensão político-ideológico que no final da Segunda Guerra Mundial se instalou
entre as duas superpotências (EUA e URSS), e que se estende até ao final da década de 80. No entanto, nunca houve um conflito directo,
caracterizando-se apenas pela corrida aos armamentos, ameaças e movimentos de espionagem, conflitos locais, etc. Era uma “guerra de
nervos”, sustentada pelo antagonismo de duas concepções diferentes de organização política (EUA – Liberalismo/Capitalismo; URSS –
Socialismo/Comunismo).

Assim, no tempo da Guerra Fria, assistiu-se á consolidação de um mundo bipolar. De um lado, um bloco liderado pelos EUA,
politicamente adepto da democracia liberal, pluripartidária e economicamente defensor do modelo capitalista (assente na livre iniciativa e
na livre concorrência). Do outro lado, o bloco liderado pela URSS, defensora do regime socialista, cujo modelo económico assentava
nos princípios da colectivização e planificação estatal da economia.

O mundo capitalista

 Política de alianças
O acentuar das tensões políticas conduziu á formação de alianças militares que simbolizaram o antagonismo militar, ou seja, os EUA e a
URSS procuraram estender a sua influência ao maior número possível de países. Criou-se a Organização do Tratado do Atlântico Norte
(OTAN), liderado pelos EUA (sendo o objectivo principal a segurança colectiva, isto é, ter a capacidade de resposta perante a um ataque
armado) e, em resposta, foi constituído o Pacto de Varsóvia, liderado pela URSS, para a defesa militar do seu bloco.

 A prosperidade económica e a sociedade de consumo


No decorrer de 25/30 anos após a guerra, os países europeus recuperaram e viveram uma excepcional recuperação económica (a
produção industrial cresceu, houve uma revolução nos transportes, cresceu o numero de empresas, a agricultura modernizou-se, o sector
terciário expandiu-se, etc.). Este desenvolvimento económico fez nascer a sociedade de consumo, isto é, as populações são incitadas a
comprar um número crescente de bens que ultrapassam a satisfação das necessidades básicas (lar materialmente confortável, bem
equipado com electrodomésticos, rádio, TV, telefone, automóveis, etc.), tudo isto possível devido ao pleno emprego e bons salários
(resultados da recuperação económica). A forma que se arranjou para estimular o consumo, foi através da publicidade.

 A afirmação do Estado-Providência
A Grande Depressão já tinha demonstrado a importância de um Estado económica e socialmente interventivo. O Estado torna-se, por
esta via, o principal agente económico do país, o que lhe permite exercer a sua função reguladora da economia. O país pioneiro do
Welfware State, isto é, o Estado do bem-estar (Estado Providência), foi o Reino Unido, onde cada cidadão tem asseguradas as suas
necessidades básicas. Ao Estado caberá a tarefa de corrigir as desigualdades, daí o seu intervencionismo. As medidas principais do EP
foram a nacionalização da economia e o garantir de reformas que abrangesse situações como maternidade, velhice, doenças. Este conjunto
de medidas visa um duplo objectivo: por um lado reduz a miséria e o mal-estar social; por outro, assegura uma certa estabilidade á
economia. O Estado-Providência foi um factor da prosperidade económica.

O mundo comunista

 O expansionismo soviético
Após a 2ª Guerra, a URSS foi responsável pela implantação de regimes comunistas, inspirados no modelo soviético, por todo o mundo,
ou seja, estendeu a sua influência à Europa, Ásia e África. Os países europeus que aderiram ao modelo soviético foram a Bulgária,
Albânia, Roménia e Polónia. Estes novos países socialistas receberam a designação de democracias populares (designação atribuída aos
regimes em que o Partido Comunista, afirmando representar os interesses dos trabalhadores, se impõem como Partido Único, controlando
as instituições do Estado).
Como resposta à OTAN, a URSS cria o Pacto de Varsóvia, com objectivos idênticos: a assistência mútua entre os países membros.
Os países asiáticos que sofreram influência soviética foram a Mongólia, China e Coreia. O ponto fulcral da expansão comunista na
América Latina foi Cuba, onde um punhado de revolucionários sob o comando de Fidel Castro e do Che Guevara derrubaram o governo
apoiado pelos EUA.

 Opções e realizações da economia de direcção central


No final da 2ª guerra, a economia soviética estava arrasada. Para afirmar o seu papel de superpotência, obtido com a vitória, havia que
recuperar e rapidamente.
Para tal, foi recuperada a planificação económica, onde foi dado prioridade à indústria pesada. Assim, a URSS e os países de modelo
soviético registaram um crescimento industrial tão significativo que ascenderam à segunda posição da indústria mundial. No entanto, o
nível de vida das populações não acompanhou esta evolução económica (faltavam bens de consumo, os horários de trabalho são
excessivos, os salários são baixos, as populações amontoam-se em bairros periféricos, etc.)

No entanto, as economias de direcção central (dirigidas pelo Estado) evidenciavam as suas debilidades:  a prioridade concedida à
indústria levou à falta de investimento em outros sectores;
 a planificação económica, o “jogar pelo seguro”, reduzia certos factores importantes, como o risco no investimento, o que revelou ser um
entrave ao progresso.

Destes bloqueios económicos resultou a estagnação da economia soviética. Apesar de inúmeras tentativas de a ultrapassar, estes bloqueios
acabarão por conduzir à falência dos regimes comunistas europeus, no fim dos anos 80. A extinção da União Soviética deu-se a 1991.

PORTUGAL DO AUTORITARISMO À DEMOCRACIA

Imobilismo político e crescimento económico do pós-guerra a 1974


Politicamente, após a Segunda Guerra Mundial, Portugal manteve a mesma feição autoritária, ignorando a onda democrática que
inundava a Europa. No que se refere à economia, viveu-se um período conturbado na medida em que o atraso do país era evidente,
não acompanhando o crescimento económico do resto da Europa, marcado pela estagnação do mundo rural e pela emigração. Por
outro lado, também ocorreu um considerável surto industrial e urbano, e as colónias tornaram-se alvo das preocupações.
A economia manteve estruturas que impossibilitaram o crescimento económico.

 Estagnação do mundo rural e o surto industrial

Apesar da agricultura ser o sector dominante, era pouco desenvolvida, caracterizada por baixos índices de produtividade, que fazia
de Portugal dos países mais atrasados da Europa. O principal problema consistia na dimensão das estruturas fundiárias, no Norte
predominava o minifúndio, que não possibilitava mecanização; no Sul estendiam-se propriedades imensas (latifúndios), que se
encontravam subaproveitadas. O défice agrícola foi aumentando, e ao longo dos anos 60 e 70 e assistiu-se a um elevado êxodo rural e
emigração, pois as populações procuravam melhores condições de vida, condenando a agricultura a um quase desaparecimento.
Face a esta situação, a partir de 1953, foram elaborados Planos de Fomento para o desenvolvimento industrial. O I Plano (1953-1958)
e o II Plano (1959-1964) davam continuidade ao modelo de autarcia e à substituição de importações, mas não contavam com o apoio
dos proprietários. É só a partir de meados dos anos 60, com o Plano Intercalar de Fomento (1965-1967) e o III Plano (19681973),
que o Estado Novo delineia uma nova política económica:
- Defende-se a produção industrial orientada para a exportação;
- Dá-se prioridade à industrialização em relação à agricultura;
- Estimula-se a concentração industrial;
- Admite-se a necessidade de rever a lei do condicionamento industrial (que colocava entraves à livre concorrência. O grande ciclo
salazarista aproximava-se do fim).
No decurso do II Plano, o nosso país viria a integrar-se na economia europeia e mundial, integrando a EFTA, a BIRD e a GATT. A adesão
a estas organizações marca a inversão na política da autarcia do Estado Novo.
Esta política confirmou a consolidação de grandes grupos económicos e financeiros em Portugal e o acelerar do processo industrial.

 A emigração

Enquanto que nas décadas de 30 e 40 a emigração foi bastante reduzida, a década de 60 tornou-se no período de emigração mais
intenso da nossa história, pelos seguintes motivos:
- a política industrial provocou o esquecimento do mundo rural, logo, sair da aldeia era uma forma de fugir à miséria;
- os países europeus que necessitavam de mão-de-obra, pagavam com salários superiores; - a partir de 61, a emigração foi,
para muitos jovens, a única maneira de não participar na guerra entre Portugal e as colónias africanas. Por essa razão, a maior
parte da emigração fez-se clandestinamente. O Estado procurou salvaguardar os interesses dos nossos emigrantes, celebrando acordos
com os principais países de acolhimento. O País passou, por esta via, a receber um montante muito considerável de divisas: as remessas
dos emigrantes. Tal facto, que muito contribuiu para o equilíbrio da nossa balança de pagamentos e para o aumento do consumo
interno, induziu o Governo a despenalizar a emigração clandestina e a suprimir alguns entraves.

 A urbanização

O surto industrial traduziu-se no crescimento do sector terciário e na progressiva urbanização do país. Dá-se o crescimento das
cidades e a concentração populacional. Em Lisboa e Porto, as maiores cidades portuguesas, propagam-se subúrbios. No entanto, esta
expansão urbana não foi acompanhada da construção das infra-estruturas necessárias, aumentando as construções clandestinas,
proliferam os bairros de lata, degradam-se as condições de vida (incremento da criminalidade, da prostituição…). Mesmo assim, o
crescimento urbano teve também efeitos positivos, contribuindo para a expansão do sector dos serviços e para um maior acesso ao
ensino e aos meios de comunicação.

 O fomento económico nas colónias

Após a guerra mundial, o fomento económico das colónias também passou a constituir uma preocupação ao governo. Angola e
Moçambique receberam uma atenção privilegiada. Os investimentos do Estado nas colónias, a partir de 1953, foram incluídos nos Planos
de Fomento. O objectivo desta preocupação reforçada, era mostrar à comunidade internacional que a presença portuguesa era
essencial ao desenvolvimento desses territórios, através de medidas como a criação de infra-estruturas, incentivos ao investimento
nacional, estrangeiro e privado, criação do EPP (Espaço Económico Português, com vista à abolição de entraves comerciais entre
Portugal e as suas colónias), reforço da colonização branca e desenvolvimento dos sectores agrícola, extractivo e industrial.

A radicalização das oposições e o sobressalto político de 1958

Em 1945, a grande maioria dos países europeus festejavam a vitória da democracia sobre os fascismos. Parecia, assim, que estavam
reunidas todas as condições para Salazar também optar pela democratização do país. Salazar encenou, então, uma viragem política,
aparentando uma maior abertura, a fim de preservar o poder:
 antecipou a revisão constitucional, dissolveu a Assembleia Nacional e convocou eleições antecipadas, que Salazar anunciou “tão livres
como na livre Inglaterra”.
Em 1945, os portugueses foram convidados a apresentar listas de candidatura às eleições legislativas (para eleger os deputados da
Assembleia Nacional). A oposição democrática (conjunto dos opositores ao regime no segundo pós-guerra) concentrou-se em torno do
MUD (Movimento de Unidade Democrática), criado no mesmo ano.
O impacto deste movimento, que dá início à chamada oposição democrática, ultrapassou todas as previsões.

Oposição Democrática  Expressão que designa o conjunto de forças políticas heterodoxas


(monárquicos, republicanos, socialistas e comunistas) que, de forma legal ou semi-legal, se opunham ao Estado Novo, adquirindo
visibilidade, face aos constrangimentos impostos às liberdades pelo regime, em épocas eleitorais.
Para garantir a legitimidade no acto eleitoral, o MUD formula algumas exigências, que considera fundamentais, como o adiamento das
eleições por 6 meses (a fim de se instituírem partidos políticos), a reformulação dos cadernos eleitorais e a liberdade de opinião,
reunião e de informação. As esperanças fracassaram. Nenhuma das reivindicações do Movimento foi satisfeita e este desistiu por
considerar que o acto eleitoral não passaria de uma farsa. A apreensão das listas pela PIDE permitiu perseguir a oposição democrática.

Em 1949, aquando das eleições presidenciais, a oposição democrática apoiou o candidato Norton de Matos, que concorria contra o
candidato do regime, Óscar Carmona. Era a primeira vez que um candidato da oposição concorria à Presidência da República e a campanha
voltou a entusiasmar o País mas, no entanto, face a uma severa repressão, Norton de Matos apresentou também a sua desistência
pouco antes das eleições.

1958 – Ano de novas eleições presidenciais. O Governo pensou ter controlado a situação até que, em 1958, a candidatura de Humberto
Delgado a novas eleições presidenciais desencadeou um terramoto político. A sua coragem em criticar a ditadura, apelidou-o de
“general sem medo”. O anúncio do seu propósito de não desistir das eleições e a forma destemida como anunciou a sua intenção de
demitir Salazar caso viesse a ser eleito, fizeram da sua campanha um acontecimento único no que respeita à mobilização popular. De tal
forma que o governo procurou limitar-lhe os movimentos, acusando-o de provocar “agitação social, desordem e intranquilidade
pública”.
O resultado revelou mais uma vitória esmagadora do candidato do regime (Américo Tomás), mas desta vez, a credibilidade do Governo
ficou profundamente abalada. Salazar começou a tomar consciência de que se estava a tornar difícil continuar a enganar a opinião
pública. A campanha de Humberto Delgado desfez qualquer ilusão sobre a pretensa abertura do regime salazarista. Humberto Delgado foi
assassinado pela PIDE em 1965.

A questão colonial

Tornou-se difícil para o Governo Português manter a sua política colonial. Depois da segunda guerra mundial, e com a aprovação da Carta
das Nações Unidas, o Estado Novo viu-se obrigado a rever a sua política colonial e a procurar soluções para o futuro do nosso império.
Em termos ideológicos, a “mística do império” é substituída pela ideia da “singularidade da colonização portuguesa”. Os
portugueses tinham mostrado uma grande capacidade de adaptação à vida nas colónias onde não havia racismo e as raças se misturavam
e as culturas se espalhavam. Esta teoria era conhecida como luso-tropicalismo.
No campo jurídico, a partir de 1951, desaparece o conceito de colónia, que é substituído pelo de província ultramarina e desaparece o
conceito de Império Português, substituído por Ultramar Português. A presença portuguesa em África não sofreu praticamente
contestação até ao início da guerra colonial. Excepção feita ao Partido Comunista Português que no seu congresso de 1957 (ilegal),
reconheceu o direito à independência dos povos colonizados.
Entretanto, em 1961, no seguimento da eclosão das primeiras revoltas em Angola, começam a notarse algumas divergências nas
posições a tomar sobre a questão do Ultramar. Confrontam-se, então, 2 teses divergentes: a integracionista e a federalista. A 1ª
defendia a política até aí seguida, lutando por um Ultramar plenamente integrado no Estado português; a 2ª considerava não ser possível,
face à pressão internacional e aos custos de uma guerra em África, persistir na mesma via. Defendia a progressiva autonomia das
colónias e a constituição de uma federação de Estados que garantisse os interesses portugueses. Os defensores da tese federalista
chegaram a propor ao Presidente a destituição de Salazar. Destituídos acabaram por ser eles, saindo reforçada a tese de Salazar, que
ordenou que o Exército Português avançasse para a Angola, dando início a uma guerra que se prolongou até à queda do regime, em
1974.

A luta armada

O negar da possibilidade de autonomia das colónias africanas, fez extremar as posições dos movimentos de libertação que, nos anos 50 e
60, se foram formando na África portuguesa. Em Angola, em 1955, surge a UPA (União das Populações de Angola) que, 7 anos mais
tarde, se transforma na FNLA (Frente de Libertação de Angola); o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) forma-se em 1956; e
a
UNITA (União para a Independência Total de Angola) surge em 1966. A guerra inicia-se em Angola a 1961. Em Moçambique, a luta é
dirigida pela FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) fundada em 1962. A guerra estende-se a Moçambique em 1964. Na Guiné,
distingue-se o PAIGC (Partido para a Independência da Guiné e Cabo Verde) em 1956 e a guerra alastrou-se à Guiné em 1963.
Portugal viu-se envolvido em duras frentes de batalha que, à custa de elevadíssimos custos materiais e humanos, chegou a
surpreender a comunidade internacional.

O isolamento internacional

A carta das nações unidas estabeleceu que todas as nações tinham o direito á sua autodeterminação. Contudo, Portugal recusou-se a
aceitar esta ideia dizendo que as províncias ultramarinas faziam parte de Portugal. Tal postura conduziu, inevitavelmente, ao
desprestígio do nosso país, que foi excluído de vários organismos das Nações Unidas e alvo de sanções económicas por parte de
diversas nações africanas. A recusa de todas as ofertas e planos (como a ajuda americana por exemplo), remeteu Portugal para um
isolamento, evidenciado na expressão de Salazar, “orgulhosamente sós”.

A Primavera Marcelista

Em 1968, Salazar foi substituído Marcello Caetano, no cargo de presidente do Conselho de Ministros, que fez reformas mais liberais
para a democratização do regime. Nos primeiros meses o novo governo até deu sinais de abertura, período este conhecido por
“Primavera Marcelista” (alargou o sufrágio feminino por ex.). Contudo, o oscilar entre indícios de renovação e seguir as linhas do
salazarismo, resultou no fracasso da tentativa reformista. A PIDE mudou o seu nome para DGS e diminuiu, ao início, a virulência das
suas perseguições. No entanto, face ao movimento estudantil e operário, prendeu, sem hesitações, os opositores ao regime; A Censura
passou a chamar-se Exame Prévio; se este, inicialmente, tolerou algumas criticas ao regime, cedo se verificou que actuava nos
mesmos moldes da Censura;
A oposição não tinha liberdade de concorrer às eleições e a política Marcelista era criticada como sendo incapaz de evoluir para um
sistema mais democrático. Tudo isto levou á revolução de 25 de Abril de 1974.

Da revolução à estabilização da democracia

O Movimento das Forças Armadas e a eclosão da Revolução

O problema da guerra colonial continuava por resolver. Perante a recusa de uma solução política pelo Governo Marcelista, os militares
entenderam que se tornava urgente pôr fim à ditadura e abrir o caminho para a democratização do país.

A Revolução de 25 de Abril de 1974 partiu da iniciativa de um grupo de oficiais do exército português – O Movimento dos Capitães
(1973), liderado por Costa Gomes e Spínola, que tinha em vista o derrube do regime ditatorial e a criação de condições favoráveis à
resolução política da questão colonial. Estes acontecimentos deram força àqueles que, dentro do Movimento (agora passava-se a
designar por MFA – Movimento das Forças Armadas), acreditavam na urgência de um golpe militar que, restaurando as liberdades
cívicas, permitisse a tão desejada solução para o problema colonial. Depois de uma tentativa precipitada, em Março, o MFA preparou
minuciosamente a operação militar que, na madrugada do dia 25 de Abril de 1974 pôs fim ao Estado Novo.

Operação “Fim-Regime”

A operação militar teve início com a transmissão, pela rádio, das canções-senha, que permitia às unidades militares saírem dos quartéis
para cumprirem as missões que lhes estavam destinadas. A resistência terminou cerca das 18h, quando Marcello Caetano se rendeu
pacificamente ao general Spínola. Entretanto, já o golpe militar era aclamado nas ruas pela população portuguesa, cansada da guerra e
da ditadura, transformando os acontecimentos de Lisboa numa explosão social por todo o país, uma autêntica revolução nacional que,
pelo seu carácter pacífico, ficou conhecido como a “Revolução dos Cravos”. A PIDE foi a última a render-se na manhã seguinte.

A caminho da democracia

O desmantelamento das estruturas do Estado Novo

O acto revolucionário permitiu que se desse início ao processo de desmantelamento do Estado Novo. No próprio dia da revolução,
Portugal viu-se sob a autoridade de uma Junta de Salvação Nacional, que tomou de imediato medidas:
 O presidente da República e o presidente do Conselho foram destituídos, bem como todos os governadores civis e outros quadros
administrativos; A PIDE-DGS, a Legião Portuguesa e as Organizações da Juventude foram extintas, bem como a Censura (Exame Prévio) e
a Acção Nacional Popular; Os presos políticos foram perdoados e libertados e as personalidades no exílio puderam regressar a
Portugal; Iniciou-se o processo da independência das colónias e organização de eleições para formar a assembleia constituinte que
iria aprovar a nova constituição da República. A Junta de Salvação Nacional nomeou para Presidente da República o António de Spínola,
que escolheu Adelino para chefiar o governo provisório.

Tensões políticas ideológicas na sociedade e no interior do MFA

O período Spínola

Os tempos não foram fáceis para as novas instituições democráticas. Passados os primeiros momentos de entusiasmo, seguiram-se dois
anos politicamente muito conturbados, originando graves confrontações sociais e políticas. Rapidamente começaram as
reivindicações, as greves e as manifestações influenciadas pelos partidos da esquerda. O governo provisório mostrou-se incapaz de
governar o país e demitiu-se, o que fez com que o poder político se dividisse em dois pólos opostos.  De um lado o grupo apoiante
do general Spínola (procurava controlar o movimento popular que podia originar outra ditadura, desta vez de extrema-esquerda)
 Do outro lado a comissão coordenadora do MFA e os seus apoiantes (defendia a orientação do regime para um socialismo
revolucionário.
O desfecho destas tensões culminou com a demissão do próprio general Spínola, após o falhanço da convocação de uma manifestação
nacional em seu apoio, e a nomeação de outro militar, o general Costa Gomes, como Presidente da República.

A radicalização do processo revolucionário

No período entre a demissão de Spínola (Setembro 1974) e a aprovação da nova Constituição da República (1976), Portugal viveu
uma situação política revolucionária repleta de antagonismos sociais. Durante estes dois anos, o poder esteve entregue ao MFA, a Vasco
Gonçalves, que assumiu uma posição de extrema-esquerda e uma forte ligação ao Partido Comunista. A data-chave é 11 de Março de
1975: tentando contrariar a orientação esquerdista da revolução, António de Spínola tentou um golpe militar (fracassado). Em resposta,
a MFA cria o Conselho da Revolução, ligado ao PCP, que passa a funcionar como órgão executivo do MFA e tornou-se o verdadeiro
centro do poder (concentra os poderes da Junta de Salvação Nacional e do Conselho de Estado), e propõe-se orientar o Processo
Revolucionário em Curso - PREC que conduziria o País rumo ao socialismo.

As eleições de 1975 e a inversão do processo revolucionário

Das eleições de 1975, sai vitorioso o Partido Socialista, que passa a reclamar maior intervenção na actividade governativa. Vivem-se
os tempos do Verão Quente de 1975, em que esteve iminente o confronto entre os partidos conservadores e os partidos de
esquerda. É em pleno “Verão Quente” que um grupo de 9 oficiais do próprio Conselho da Revolução, encabeçados pelo major Melo
Antunes, crítica abertamente os sectores mais radicais do MFA: contestava o clima de anarquia instalado, a desagregação económica e
social e a decomposição das estruturas do Estado. Em consequência, Vasco Gonçalves foi demitido. Era o fim da fase extremista do
processo revolucionário. A revolução regressava aos princípios democráticos e pluralistas de 25 de Abril, que serão confirmados com a
Constituição de 1976.

Politica Económica anti-monopolista e intervenção do Estado a nível económicofinanceiro

Os tempos da PREC tinham em vista a conquista do poder e o reforço da transição ao socialismo. Assim, nessa altura, tomaram-se
um conjunto de medidas que assinalaram a viragem ideológica no sentido do marxismo-leninismo:
 o intervencionismo estatal (em todos os sectores da economia), as nacionalizações (o Estado apropriou-se dos bancos, dos
seguros, das empresas, etc., passando a ter mais controlo da economia), a reforma agrária (procedeu-se à colectivização dos latifúndios
do Sul e à expropriação e nacionalização pelo Estado e a constituição de Unidades Colectivas de Produção (UCP). Graças ao partido
comunista foi aprovada a legislação para a reforma agrária com protecção dos trabalhadores e dos grupos económicos mais desfavorecidos
através das novas leis laborais, salário mínimo nacional, aumento de pensões e reformas.)

A opção constitucional de 1976

Depois de um ano de trabalho, a Assembleia Constituinte terminou a Constituição, aprovada em 25 de Abril de 1976. A constituição
consagrou um regime democrático e pluralista, garantindo as liberdades individuais e a participação dos cidadãos na vida política
através da votação em eleições para os diferentes órgãos. Além disso, confirmou a transição para o socialismo como opção da sociedade
portuguesa. Mantém, igualmente, como órgão de soberania, o Conselho da Revolução considerado o garante do processo revolucionário.
Este órgão continuará a funcionar em estreita ligação com o presidente da República, que o encabeça. A nova constituição entrou em vigor
no dia 25 de Abril de 1976, exactamente dois anos após a “Revolta dos Cravos”. A Constituição de 1976 foi, sem dúvida, o documento
fundador da democracia portuguesa.

O reconhecimento dos movimentos nacionalistas e o processo da descolonização O processo descolonizador

A nível interno, a “independência pura e simples” das colónias colhia o apoio da maioria dos partidos que se legalizaram depois do 25 de
Abril e também nesse sentido se orientavam os apelos das manifestações que enchiam as ruas do país. É nesta conjuntura que o
Conselho de Estado reconhece às colónias o direito à independência. Intensificam-se, então, as negociações com os movimentos aos
quais Portugal reconhece legitimidade para representarem o povo dos respectivos territórios. No entanto, Portugal encontrava-se num a
posição muito frágil, quer para impor condições quer para fazer respeitar os acordos. Desta forma, não foi possível assegurar, como
previsto, os interesses dos Portugueses residentes no Ultramar. Fruto de uma descolonização tardia e apressada e vítimas dos interesses
de potências estrangeiras, os territórios africanos não tiveram um destino feliz.

O fim do mundo soviético

A Era Gorbatchev – uma nova política

No início dos anos 80, a União Soviética encontrava-se numa situação preocupante.
Foi na conjuntura de crise que surge Mikhail Gorbatchev, eleito secretário-geral do PCUS em 1985. Sem querer por em causa a ideologia
e o sistema político vigente, Gorbatchev entendeu, no entanto, ser necessário iniciar:
 um processo de reestruturação económica, perestroika (assiste-se a uma descentralização da economia, através da
adaptação da economia planificada a uma economia de mercado, onde passa a ser reconhecida a livre iniciativa e a livre concorrência);
 uma política de transparência, glasnot (foi reconhecida a liberdade de expressão, aboliu-se a censura e acabou-se com as
perseguições políticas, visando a participação mais activa dos cidadãos na vida política)
Para além da reconversão económica e a abertura democrática, Gorbatchev também pretendia uma aproximação ao mundo ocidental,
nomeadamente no sentido do desarmamento, para se chegar a um clima internacional estável.

O colapso do mundo soviético

Entretanto, as reformas liberais empreendidas por Gorbatchev tiveram grande impacto nos países de Leste europeu. No ano de 1989,
uma vaga democratizadora varre o Leste, assistindo-se a uma subversão completa do sistema comunista : Na Polónia,
Checoslováquia, Bulgária, Roménia, etc, os partidos comunistas perdem o seu lugar de “partido único” e realizam-se as primeiras eleições
livres do pós-guerra. Assim, a “cortina de ferro” que separava a Europa, começa a dissipar-se: as fronteiras com o Ocidente são abertas
e, nesse mesmo ano, cai o Muro de Berlim, reunificando a Alemanha (antes dividida em duas pelo muro). Ainda é anunciado, o fim do
Pacto de Varsóvia e, pouco depois, a destituição do COMECON.
 A Checoslováquia divide-se em duas repúblicas – A República Checa e a Eslováquia.
 Origem de novos estados independentes, através da extinção da Jugoslávia, como a Eslovénia, Bósnia-Herzegovina, Croácia
Nesta altura, a dinâmica política desencadeada pela perestroika tornara-se já incontrolável, conduzindo, também, ao fim da própria
URSS. Gorbatchev nunca pretendia o fim do comunismo ou do socialismo, tenta parar o processo pela força, fazendo com que o apoio da
população se concentre em Boris Ieltsin, que é eleito presidente da República da Rússia, em Junho de ’91 (que toma a medida extrema de
proibir as actividades do partido comunista).
No Outono de ’91, a maioria das repúblicas da União declara a sua independência. Em 21 de Dezembro, nasce oficialmente a CEI –
Comunidade de Estados Independentes, à qual aderem 12 das 15 repúblicas que integravam a União Soviética.
Estava consumado, assim, o fim do bloco soviético e da URSS.

Os problemas da transição para a economia de mercado


A transição para a economia de mercado mostrou-se difícil e teve um impacto muito negativo na vida das populações.
 Perante o fim da economia planificada e dos subsídios estatais, muitas empresas faliram, contribuindo para o desemprego;
 a continuada escassez dos bens de consumo, a par da liberalização dos preços, estimulou uma inflação galopante (subida de
preços), que não era acompanhada por uma subida de salários, lançando a população na miséria.
Os países de Leste viveram também, de forma dolorosa, a transição para a economia de mercado. Privados dos importantes subsídios que
recebiam da União Soviética, sofreram uma brusca regressão económica. De acordo com o Banco Mundial “a pobreza espalhou-se e
cresceu a um ritmo mais acelerado do que em qualquer lugar do mundo”. A percentagem de pobres elevou-se de 2 para 21% da
população total. O caos económico instalou-se e agravaram-se as desigualdades sociais.

Os pólos de desenvolvimento económico

Profundamente desigualitário, o mundo actual concentra a sua força em 3 pólos de intenso desenvolvimento: os Estados Unidos, a União
Europeia e a região da Ásia-Pacífico.

A hegemonia dos EUA

Com o colapso do bloco soviético, os EUA passaram a reunir todas as condições para se afirmarem como a grande superpotência
mundial. A hegemonia que os EUA detêm sobre o resto do mundo alicerça-se numa incontestada capacidade militar, numa próspera
situação económica e no dinamismo científico e tecnológico que evidencia.
O poder americano afirmou-se apoiado pelo gigantismo económico e pelo investimento maciço no complexo industrial militar. Os EUA
têm sido considerados os "polícias do mundo", devido ao papel preponderante e activo que têm desempenhado, afirmando a sua
supremacia militar.
A sua hegemonia assenta, igualmente, na prosperidade da sua economia. Os EUA afirmam-se como os maiores exportadores, devido ao
dinamismo das suas empresas de bancos, turismo, cinema, música. O sector primário não foi, porém, abandonado. Em resultado da
elevada produtividade, os EUA mantêmse como os maiores exportadores de produtos agrícolas.
A sua indústria também revela grande dinamismo, tendo como consequência a liderança dos EUA em sectores de produção de
automóveis, têxteis sintéticos, produtos farmacêuticos, etc.
Durante a presidência de Bill Clinton, tornou-se prioridade o desenvolvimento do sector comercial, procurando-se estimular as relações
económicas com a região do Sudoeste Asiático (criando a APEC - Cooperação Económica Ásia-Pacífico), e estipulou a livre circulação
de capitais e mercadorias entre os
EUA, Canadá e México (através da NAFTA – Acordo de Comércio Livre da América do Norte) Finalmente, a hegemonia dos EUA
resulta também da sua capacidade de inovar, reflexo do progresso científico-tecnológico que evidencia. São os que mais investem na
investigação científica, desenvolveram os tecnopólos (parques tecnológicos, empresas ligadas à tecnologia). O sector terciário ocupa
um enorme peso na economia americana (cerca de 75 %).

A União Europeia

Desde a sua criação, em 1957, que a União Europeia (naquela altura, CEE) tem vindo a consolidar-se quer pela integração de novos
estados-membros, quer pelo aprofundamento do seu projecto económico e político. Assim, integraram-na:
 Nos anos 70 – Inglaterra, Irlanda e Dinamarca (1973) – Europa dos 9;  Nos anos 80 – Grécia (1981),
Portugal e Espanha (1986) – Europa dos 12;  Nos anos 90 – Áustria, Suécia, Finlândia (1995) – Europa dos
15.
Recentemente entraram os Países Bálticos: Chipre, República Checa, Eslovénia, Eslováquia, Hungria, Polónia, Letónia, Lituânia, Malta
(Europa dos 25).
O principal objectivo da CEE era a união aduaneira, concretizada em ’68. No início dos anos 80 vigorava a Europa dos 9, porém, o
projecto europeu encontrava-se estagnado.
Decidido a relançar o projecto europeu, Jacques Delors, concentrou-se na renovação da CEE:  Em '86 foi assinado o Acto Único
Europeu, que previa o estabelecimento de um mercado único, onde, para além de mercadorias, circulassem livremente pessoas,
capitais e serviços.
 Em '92 celebrou-se o Tratado da União Europeia (Tratado de Maastricht) que estabelece uma União europeia (UE), fundada em três
pilares: o comunitário, de cariz económico e, de longe, o mais desenvolvido; o da politica externa e da segurança comum (PESC), e o
da cooperação nos domínios da justiça e dos assuntos internos. Foi instituída a cidadania europeia e definiu-se o objectivo da adopção
da moeda única. A 1 de Janeiro de 1999, onze países inauguram oficialmente o euro, que completou a integração das economias
europeias. O euro entra em vigor em 2002.

Dificuldades da união política

Têm sido muitos os obstáculos à criação de uma Europa política: os países que não se identificam na totalidade com o projecto europeu, ou
os que resistem às medidas que implicam a perda da soberania nacional, a integração de mais países (conjugar interesses de países
diferentes), que não tem favorecido o caminho de uma Europa mais unida, a incapacidade da EU de resolver questões como o desemprego,
etc.

O Espaço económico da Ásia-Pacífico


O milagre japonês dos anos 50 e 60 deu início a um processo de desenvolvimento económico que iria, nas décadas seguintes,
contagiar outros países asiáticos. Com efeito, o sucesso do Japão serviu de incentivo e de modelo ao desenvolvimento dos “quatro
dragões”: Hong Kong; Singapura; Coreia do Sul; Taiwan.

Os quatro dragões compensaram a escassez de recursos naturais com o esforço de uma mão-deobra barata e abundante, com o
apoio do Estado (que investiu altamente no ensino, tendo em vista a qualificação profissional da população, apostou em políticas
proteccionistas com vista a atrair os capitais estrangeiros e na exportação de bens de consumo). Em resultado, estes países conseguiram
produzir, a preços imbatíveis, produtos de consumo corrente que invadiram os mercados ocidentais, promovendo sectores como o da
indústria automóvel, construção naval, etc.

Quando a crise afectou a economia mundial na década de 70, o Japão e os “quatro dragões” iniciaram um processo de cooperação
económica com os membros da ASEAN (Associação das Nações do
Sudoeste Asiático), que agrupava a Tailândia, Indonésia, Filipinas e Malásia. O desenvolvimento destes países resultou das necessidades
de matérias-primas, recursos energéticos e bens alimentares, de que eram importantes produtores, por parte do Japão e dos “quatro
dragões” que, em troca, exportavam bens manufacturados e tecnologia. Este intercâmbio deu origem a uma nova etapa de
crescimento, mais integrado, do pólo económico da Ásia Pacífico.
O crescimento teve, no entanto, custos ecológicos e sociais muito altos: a Ásia tornou-se a região mais poluída do Mundo e a sua mão-
de-obra permaneceu, maioritariamente, pobre e explorada.

A questão de Timor

Timor foi dos poucos casos na Ásia onde se instaurou uma democracia através de um processo de autodeterminação.
Em 1974, a “Revolução dos Cravos” agitou também Timor Leste, que se preparou para encarar o futuro sem Portugal. Na ilha, onde não
tinham ainda surgido movimentos de libertação, nasceram três partidos políticos (A UDT (União Democrática Timorense), que
defendia a união com Portugal num quadro de autonomia; A APODETI (Associação Popular Democrática Timorense), favorável à
integração do território da Indonésia; E a FRETILIN (Frente Revolucionária de Timor Leste Independente), com um programa
independentista, ligado aos ideais de esquerda.)

Esta última, em 1975, declara, unilateralmente, a independência do território, mas em Novembro, o governo indonésio ordena a sua
invasão por tropas suas. Timor resiste, e a sua resistência continuou activa nos anos 80, encabeçada por Xanana Gusmão (líder da
FRETLIN). Em 1991, a consciência da comunidade internacional foi despertada, através do visionamento de imagens de um massacre a
civis timorenses. No fim da década, a Indonésia aceita finalmente que o povo timorense decida o seu destino através de um referendo, que
fica marcado para Agosto de 1999. O referendo, supervisionado por uma missão das Nações Unidas, a UNAMET, deu uma inequívoca
vitória à independência, mas desencadeou uma escalada de terror por parte das milícias pro-indonésias. Uma onda de indignação e de
solidariedade percorreu então o Mundo e conduziu ao envio de uma força de paz multinacional, patrocinada pelas Nações Unidas. A 20
de Maio de 2002 nasce oficialmente a República Democrática de Timor Leste.

Modernização e abertura da China à economia de mercado

O arranque da China para o processo de modernização e abertura à economia de mercado teve início nos fins da década de 70, altura
em que Deng assumiu o poder. O Líder chinês iniciou um processo de grandes reformas económicas, lançando as bases do
desenvolvimento agrícola, industrial e técnico da China. Seguindo uma política pragmática, Deng dividiu a China em 2 áreas geográficas
distintas: O interior, essencialmente rural, permanecia resguardado da influência externa; e o litoral abrir-se-ia ao capital estrangeiro,
integrando-se plenamente no mercado internacional.
 O sistema agrário foi reestruturado. Entre 1979 e 1983 as terras foram descolectivizadas e entregues aos camponeses, estes que
podiam, então, comercializar os seus produtos num comércio livre. Assim, a produção agrícola chinesa cresceu 50% em apenas 5 anos. O
sector industrial foi altamente modificado em favor da exportação. Em 1980, as cidades de Shenzhen, Zuhai, Shantou e Xiamen,
passaram a ser “Zona Económicas Especiais”, eram favoráveis ao negócio pois o investimento estatal estava aí concentrado.