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TRANSCRIÇÕES – DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO- 1ª

UNIDADE-2018.1

1. Aula 1 (Aula do dia 11/04) – História do Direito Internacional

Ela começa na antiguidade, mas a história do direito internacional público vai O surgimento daquilo que nós vamos entender como direito internacional

surgir

público hoje nós vamos encontrar na antiguidade. Então vejam que no caso específico de Nouyen Quoc Dinh e seus colaboradores, eles estão falando do desenvolvimento do direito internacional. É diferente do Adam Watson, claro, ele tá falando disso que nós chamamos de Direito Internacional, Público, mas ele tá se referindo a uma história da sociedade internacional, e tem uma diferença grande aí, ele poderia, inclusive, estar falando em comunidade internacional, mas ele está falando aí em sociedade internacional. A ideia de sociedade é a ideia de que existe um pacto, de que existe uma organização social que acomoda ou se acomoda em função da lei, em funço rudimentos do direito internacional, nós não vamos encontrar um direito internacional já formado, plenamente estabelecido, vamos encontrar rudimentos. Elementos que depois vão ser dotados de positividade, de significado. Eles vão se constituindo ao longo do tempo, muito lentamente. E aí vamos fazer esse desenvolvimento, vamos falar desse desenvolvimento histórico ao longo dessas nossas duas aulas.

Nouyen Quoc Dinh fala então desses dois períodos, desse período de formação e de um período de desenvolvimento. É muito questionável perante a doutrina, embora ele tenha um livro muito conceituado, reconhecido ainda hoje como o grande livro de direito internacional no mundo, que aborda as questões do direito internacional em uma perspectiva global, pq os exemplos são de diversas partes do mundo, eles não estão muito interessados em uma abordagem internacional, mas sim em uma visão geral, uma visão global do desenvolvimento e da prática relacionada ao direito internacional. Então, o primeiro período, no caso de Nouyen Quoc Dinh, vão estar falando desse período de formação qual seja, um período longo que vai da antiguidade até a revolução francesa, então só falando no direito da antiguidade já são alguns milênios, três milênios, e mais mil e tantos anos, né? Então, não é pouca coisa. Muita coisa aconteceu durante esse período todo e ainda assim os autores correm o risco de periodicizar, nesses termos, ou seja, como uma longa etapa, um longo período. Esse período na visão dos autores é um período caracterizado por isolamentos, os Estados, na realidade eles não trabalham com a noção de que existiam Estados, aquele seria um direito internacional sem Estados. Estaríamos falando de uma realidade em que os rudimentos do direito internacional, ou aquilo que nós poderíamos entender como sendo elementos do direito internacional em formação, nós não temos propriamente Estados. Nós rudimentos nós não temos Estado, conforme entendido nos dias atuais. Isso no entendimento dos autores Nouyen Quoc Dinh e outros.

E esses Estados, digamos que vigia entre eles um isolamento baseado naquilo

que Hobbes desenvolveu muitos séculos depois, que

Um dos elementos centrais da

ideia de Hobbes é a ideia de medo. Né? Porque que o Estado é criado? O Estado é criado porque as pessoas têm receio, têm medo da vida sem um ente que organiza a vida em sociedade. Então tem um pacto em sociedade que é estabelecido para que a vida seja organizada. O que existira era isso, o que existia era o medo, existia sociedades precárias, depois nós veremos de acordo com o desenvolvimento do Adam Watson um

outro elemento que vai ser importante na caracterização dessa sociedade ou dessas sociedades, mas aqui, em termos desses autores, ou seja, Nouyen Quoc Dihn e seus colaboradores, eles falam dessas sociedades sem Estado, isoladas, ou seja, elas não têm grandes possibilidades interação entre elas, elas vivem com medo umas das outras, a regra realmente será a guerra e isso será muito mais desenvolvido no livro do Adam Watson, pq a diferença entre um e outro é que o livro de Nouyen Quoc Dihn é um livro sobre direito internacional, é um curso sobre direito internacional, então parte dele é o desenvolvimento histórico, uma parte até longa

Nouyen Quoc Dihn trabalha então com essa ideia, de que os Estados, na verdade não os Estados, mas as sociedades estão isoladas com medo umas das outras e há uma guerra de todos contra todos, há uma disputa de espaço envolvendo essas sociedades em formação, essas sociedades anárquicas, essa é uma outra nomenclatura que nós

poderíamos utilizar para caracterizar a sociedade ou as sociedades dessa época. Apesar disso havia algumas trocas comerciais, ou seja, o que nós podemos chamas de Estados

É mais adequado falar em reinos, se

não existiam Estados mas existiam reinos, então esses reinos faziam trocas comerciais, esses reinos também faziam trocas de mensagens em função dos interesses envolvendo sobretudo os interesses comerciais. Embora no Estado do Nouyen Quoc Dihn não seja trabalhado muito essa ideia, isso mais do livro do Adam Watson, que é um livro especificamente histórico, um livro sobre a história da sociedade internacional.

Então, havia comércio, apesar de toda a precariedade do sistema, que nós

possamos chamar como período de formação, nós temos algumas trocas comerciais,

Mas havia também algumas

condições de trocas comerciais. Havia também os chamados tratados costumeiros. Falar em tratado costumeiro é o mesmo que falar, ainda nos dias de hoje, em costume legal, vamos dizer assim, que o que existe no Reino Unido, e em todo o mundo onde existe uma tradição costumeira. Ou seja, o que é uma lei costumeira? Uma lei que se torna lei em função de ser antes um costume. Que é o que acontece nessa sociedade baseada no costume. Então aqui nós vamos ter tratado costumeiro porque o mundo é regido com base nessa forma de organizar as normas. Ou seja, era o costume que vinha primeiro, antes da lei. Então, havia uma série de elementos que compunham os tratados. Significa que antes de tudo existia o costume e o costume poderia ser reduzido a uma norma escrita, poderia ser escrito.

Dentro dessa ideia de tratados costumeiros, já havia talvez não em todo esse longuíssimo período, aliás é sempre complicado falar de um período tão longo porque ele pega desde a antiguidade, três milênios, e pega também a idade média e parte da idade moderna, o início da idade moderna. Não é fácil nem é facilmente justificável uma periodização tão longa. E é por isso que o outro autor, o Adam Watson, vai trabalhar com três fases, e eu particularmente acho mais adequado, acho mais justificável. E, como falei também na aula anterior, de toda forma, como toda periodização, como toda classificação, qualquer autor vai estar correndo riscos, pois é sempre muito complicado, é sempre uma redução da realidade, classificar ou periodicizar. Então, apesar de tudo isso, dessa dificuldade de periodicizar, de trabalhar com uma periodicização tão longa, nós vamos ter também, a partir de determinado momento, o elemento chamado de pacta sunt servanda, sobretudo em relação aos tratados, se já existia em relação à lei, vai existir também em relação ao tratado costumeiro. A ideia de que duas partes se encontram, estabelecem um acordo e

em formação, sociedades em formação, reinos

trocas precárias, trocas baseadas na força, em guerras

assumem o compromisso de cumpri aquele acordo. E podem dizer uma para outra:

pacta sunt servanda.

A ideia de reciprocidade, que aliás, é constitutiva do direito internacional, é

constitutiva de todo direito, mas, sobretudo, do direito internacional pq não há a possibilidade costumes, de princípios, princípios gerais do direito internacional, ou princípios gerais do direito aplicados ao direito internacional, não há possibilidade sobretudo de tratados, se essas fontes não forem baseadas na ideia de reciprocidade. Ou seja, o que vale para um, deve valer para o outro. Embora, conforme nós veremos, em algumas situações no direito internacional, não há reciprocidade. Porque sempre existe uma espécie de realismo que faz com que determinados Estados tenham mais direitos que outros. O tratado de não proliferação de armas nucleares é um exemplo, ou seja, alguns Estados têm direito de manter suas armas nucleares e outros não podem tê-las por conta de um certo realismo exacerbado na ordem internacional atual.

E havia também, a ideia de uma língua comum. Ou seja, as sociedades falavam

línguas diferentes, como é nos dias de hoje, aliás, era provável que houvessem ainda mais línguas, uma variedade maior de línguas. E era preciso que na hora de acertar os ponteiros, de fazerem acertos na sociedade, se estabelecessem algumas línguas como sendo uma língua comum, aquilo que vai se entender depois como uma língua franca. Ou seja, o próprio direito internacional vai se caracterizar, criar a ideia de uma língua franca. Então, esses são, na ideia desses autores, Nouyen Quoc Dihn e outros autores, são elementos caracterizadores desse longuíssimo período de formação.

O outro período é o do desenvolvimento, ou seja, quanto o direito internacional

vai ser adensado, vai ser dotado de maior significado, pq os próprios Estados vão ser constituídos, ou a partir da constituição dos Estados no ambiente Europeu, nós vamos ter possibilidades de desenvolvimento de princípios, de institutos, de instituições que vão fazer valer o direito internacional.

Então é uma fase que vai fazer viger uma ordem internacional, embora os realistas prefiram falar em desordem internacional ou em anarquia internacional. Mas, para muitos outros autores se vai falar em uma ordem internacional, que vai ser garantidora de diversos institutos, como por exemplo o instituto da arbitragem, que tem suas particularidades no plano internacional, sendo utilizada como forma de solução de controvérsias.

A arbitragem é um meio muito antigo que se usava no plano da realidade

envolvendo os indivíduos, dos conflitos entre os indivíduos e também envolvendo essas sociedades precárias que segundo Nouyen Quoc Dihn e outros, sequer seriam organizadas em Estados. Por isso ele fala em um direito internacional sem Estados.

Instituições, ou seja, além dos institutos nós vamos ter instituições. Antes das instituições nós vamos ter arranjos internacionais, como o concerto da Europa que teve vigência durante o século XIX e por isso em grande parte esse foi um século de paz, um século com poucas guerras, teve guerras localizadas, mas digamos que foram de menor potencial ofensivo, digamos assim. E vamos ter, a partir do século XX, as organizações internacionais enquanto propriamente instituições globais, regionais, internacionais. Nos arranjos, como falei, a ideia de uma sociedade global internacional, ela só aparece neste momento, a liga das nações é a primeira, depois a ONU, além das sociedades

internacionais regionais, das mobilizações regionais. A ideia de fontes do direito, que o direito internacional teria fontes, da mesma forma que o direito moderno

As soluções pacíficas, a ideia de que o direito internacional precisa de soluções

pacíficas, para além da guerra, a guerra caracterizou esse período de formação. Ela era o motor dessa sociedade, tudo o que se alcançou ou deixou de alcançar foi em função da guerra. Civilizações deixaram de existir em função da guerra, outras ascenderam a outro

patamar

Em algum momento chega-se à conclusão de que é preciso ter meios de

solução pacífica de controvérsias internacionais, como a arbitragem, as negociações amistosas, a mediação e assim por diante.

Mas aí, como falei para vocês, eu vou preferir iniciar a abordagem da história do

direito internacional, a partir do Adam Watson. O que ele vai dizer? Vai dizer que

temos três fases

Pq ele conta uma história do direito internacional que muitos vão denominar de eurocêntrica. O Nouyen Quoc Dihn também, de alguma forma, mas ele ainda traz

O Adam

Watson também faz isso em sei livro no início, mas quando ele chega nas fases ele é essencialmente um autor eurocêntrico.

São três fases: a primeira fase é a dos sistemas de Estados antigos, diferentemente do que Nouyen Quoc Dihn fala, o Adam Watson fala em sistema de Estados Antigos, é uma fase longa, mas menos longa que a fase de formação de Quoc, nesse sentido ele nos ajuda mais a entender o surgimento e desenvolvimento do direito internacional, pois duas fases é muito pouco para entender tudo isso.

Ele fala sistemas, no plural, não é um sistema, mas sim sistemas de Estados antigos, são muitos sistemas, há uma variedade enorme de conformação desses estados naquele período. E ele tá falando de estados antigos, diferentemente também do Nouyen Quoc Dihn ele usa a expressão “Estados”, ele assume, portanto, que haviam estados, mas que eram Estados diferentes dos que temos hoje em dia. Estados precários, com uma conformação diferenciada ao que nós temos desde o final da idade média.

Depois temos uma segunda fase, chamada de sistema internacional Europeu, é também uma fase longa, que dura a idade média e boa parte da idade moderna. Boa parte pq a terceira fase se inicia na idade moderna e esse estado de hoje não se sabe mais caracterizar se é modernidade, se é pós-modernidade, o que é. Estamos numa longa travessia para algo que já não sabemos exatamente o que vai ser, portanto os autores tbm não têm muito como caracterizar. Então, a segunda fase é o sistema internacional europeu, a característica desse sistema é todo centrado na Europa, por isso o autor é muito criticado, por contar uma história do ponto de vista eurocêntrico, apesar disso eu acho que ele nos ajuda a entender a história do ponto de vista do direito internacional, desde sua fase inicial, dos estados antigos, fase de desenvolvimento no âmbito do capitalismo, da sociedade tipicamente europeia e a terceira fase, que ele chama de sociedade internacional global. Se inicia com a Liga das Nações, segue com a ONU, e também nós não sabemos no que vai dar, sobretudo nos dias atuais, dias tão complicados

Vamos falar agora, especificamente, da primeira fase de acordo com Adam Watson. O contexto histórico é desses Estados precários, dessas cidades-estado, e que “cidades-estado” são essas? De acordo com os exemplos dados por Adam Watson são: a

alguns fragmentos da china, de algumas outras sociedades da antiguidade

Ele não é aceito pelos chineses, árabes, pelos que não são ocidentais

Suméria, a Síria, a Pérsia, a Grécia Clássica, a Macedônia, a China antiga, o Império Bizantino, os Sistemas Islâmicos e ele fala de sistemas islâmicos pq é uma variedade tão grande, sempre foi e ainda é, que não podemos caracterizar nenhum Estado como sendo um modelo islâmico, aliás isso vale para o catolicismo também, vale para todas as religiões, mas nesse caso ele tá falando dos sistemas islâmicos como uma variedade muito grande. Essas são todas sociedades caracterizadas, esse é o elemento central desse mundo, é ser uma sociedade religiosa. Essa é uma sociedade cuja lei, cujos costumes, cujas instituições, se baseiam na religião. As religiões mudam, mas é ela que dá base, que dá fundamento a tudo. Então, esse é o contexto desses Estados precários. E aí nós podemos falar de alguns marcos históricos desse período. Elas têm a guerra como regra, seus relacionamentos são baseados na guerra, isso vai mudar muito durante sua evolução histórica e desenvolvimento, tem uma diferença muito grande hoje, no direito internacional, em relação a este momento, apesar da fragilidade no direito internacional de hoje, ou da alegada fragilidade do direito internacional europeu, mas tem uma diferença muito grande dessa fase de sistemas precários.

Volto a chamar atenção ao fato de que o autor falava sistemas, no plural, dada a dificuldade de se caracterizar como um único sistema, tantos grupos humanos que viviam disputando entre si, então ele prefere chamar de sistemas de Estados antigos. Aí vocês podem me perguntar: pq haviam essas guerras de conquista? As guerras de conquista eram para obter água, que tinha em determinado lugar e não tinha no outro, para expandir o território, para ter acessos aos bens, além da água, outros bens da natureza, o ouro, a prata, tudo o que a gente possa imaginar como tendo valor e que depois o capitalismo potencializou, pq precificou e valorizou muito mais, antes até do capitalismo, com a conquista nós passamos por isso, então, a apropriação desses bens acontecia, por que, é aquilo que é aquilo que os racionalistas chamam de necessidade do domínio, todos precisamos dominar o outro. O outro que tem aquilo que nós não temos, ou o outro que tem o que nós temos mas nós queremos mais, havia uma luta permanente por afirmação, independências múltiplas, o autor trabalha com esse conceito de independências múltiplas.

O que é que a gente pode entender como sendo essa ideia, ou esse conceito de independências múltiplas? Vários Estados precários coexistindo, aquilo que hoje muitos chamam de equilíbrio de poder, os realistas falam nesses termos. Então havia essa busca por sobrevivência.

Sobrevivência num contexto que era muito caracterizado pelo medo, pelo ódio,

pela incerteza. Então os Estados buscavam marcar suas independências múltiplas. Era um contexto também caracterizado pela força em que os vencidos normalmente se tornavam escravos, não havia o respeito às normas do Direito Internacional (DI) de hoje, que manda, por exemplo, que o vencido seja tratado como ser humano, embora

mas as governanças atuais dizem que o vencido deve

nem sempre isso seja respeitado

ser preso e não mais do que isso, né? Ele não pode ser torturado, ele não pode ser assassinado, ele deve ser tratado com dignidade.

Dentro dessa ideia de luta permanente, ou seja, estamos falando de um contexto

caracterizado pela guerra. Isso vai se perdendo ao longo do tempo, ou seja, durante o

desenvolvimento histórico das partes, isso vai sendo alterado

a fase que nós estamos descrevendo é uma fase

menos guerra do que nessa fase

hoje nós temos muito

caracterizada essencialmente pela guerra e por antagonismos que o autor chama de “antagonismos inter e intraculturais”.

O que é um antagonismo intracultural? É um antagonismo dentro da própria cultura, como, por exemplo, dentro da cultura grega. Talvez um grande exemplo, o melhor exemplo seja a cultura grega.

Quando nós falarmos em fundamentos do DI, eu falei pra vocês que iria dar uma visão geral sobre a teoria das relações internacionais, e aí, no realismo tem um autor, “Tucídides”, muito famoso né? Um historiador que fala da guerra do Peloponeso. Uma guerra entre Atenas e Esparta. Então dentro de uma mesma base cultural, temos duas cidades-estado que têm divergências e que buscam assumir o poder uma da outra, ou ter mais poder do que a outra cidade-estado e por isso elas vão à guerra.

Então a guerra acontecia dentro da própria cultura, ou poderia acontecer dentro da própria cultura, estamos falando então desses antagonismos intraculturais, isso aconteceu não só na Grécia, mas também na China, a China enquanto uma variedade grande de civilizações que vieram conformar a china de hoje; a Índia, a mesma coisa, né? Ou seja, sociedades que disputaram entre si, e podemos falar até mesmo da nossa conformação histórica, embora em outros termos, em outro tempo, com outra cultura, mas nós também tivemos os nossos antagonismos internos, ainda os temos né? Vez por outra temos regiões do país que falam em possibilidade de independência.

E temos os antagonismos interculturais. Houve também antagonismos interculturais, por exemplo, entre (i) a Grécia e a Pérsia que estão lá bem pertinho, tem o mar separando, e naquele tempo era muito mais distante, evidentemente, mas hoje estão lá bem pertinho; (ii) Roma e praticamente todas as civilizações da época; a (iii) Macedônia e a Pérsia. Então a gente pode imaginar, por exemplo, pra falar desses vestígios de DI do passado, podemos imaginar o que pode ou poderia ter acontecido, com uma certa licença humorística, né? A gente pode lembrar, a gente pode pensar, por

Alexandre, né? Alexandre o Grande, né? Ele

queria mais poder, e aí poderia mandar um mensageiro, que hoje é o antecedente do diplomata, então ele poderia mandar uma cartinha para o Dario III, dizendo: “eu quero todo o seu ouro, não precisa de guerra, eu quero todo seu ouro e toda sua prata”, e aí o Dario disse: “Coisa nenhuma, vamos à guerra. Só não mato você e o seu mensageiro, porque eu quero que essa mensagem chegue lá, naquele cabra safado”. E aí foram à guerra e o Dario perdeu, ou seja, o Alexandre ganhou a guerra, pegou todo o ouro, casou com uma persa, continuou namorando o namorado dele, distribuiu o ouro pra todo mundo, pra fazer brinco pra todo mundo e pronto. E a historia seguiu como a gente sabe.

Então, nesse contexto, quanto maior a integração, quanto maior a identidade cultura, se fosse num contexto de antagonismo intra ou inter cultural, quanto maior fosse a identidade de uma cultura, melhor forma de dominar, né? E parece ter sido um pouco o que aconteceu entre Macedônia e Pérsia, ou seja, houve uma identificação, houve um encontro, digamos assim, entre as sociedades, entre as civilizações, elas se aproximaram e houve trocas, embora houvesse uma dominação, não resta dúvida que era um tipo de império, digamos assim, mas houve entendimentos, houve trocas e houve construção de cultura ou trocas culturais, por conta dessa facilidade. É diferente por exemplo das possibilidades de encontro, hoje em dia, entre judeus e Palestinos, ou entre

exemplo, em um pedido de Alexandre

norte-americanos e palestinos, porque tem uma distância tão grande bem que voltemos a nosso lugar que era de milênios atrás.

As estruturas que existiam na visão do autor eram essas independências múltiplas, ou seja, houve momentos na historia que as independências múltiplas tinham uma plausibilidade, os Estados conseguiam ter um certo equilíbrio de poder entre eles houve momentos em que a situação era caracterizada como de hegemonia, que é uma outra conformação, na hegemonia tem uma prevalência de uma das culturas, mas é uma prevalência, digamos assim, um tanto quanto tênue, é diferente do domínio que é a terceira forma. No domina há claramente uma definição de que alguém manda, alguém domina, já na hegemonia, digamos que, todo mundo sabe, né? Existe uma prevalência de uma cultura, mas há também um certo espaço para que a outra cultura se desenvolva. Então, no domínio, pode haver certo espaço, mas ele é reduzido, o espaço da cultura dominada é menor. E tem propriamente a chamada “administração direta ou império” que aí é explícita a supremacia de uma cultura sobre a outra, e a outra tem muito pouco

espaço pra se desenvolver. Na visão do autor, que acho ser uma visão muito sofisticada, né? A história, claro, tem suas limitações, sobretudo em função de ser uma

de períodos muito longos, depois tem a atuação de

eurocentrismos e tudo mais, mas é uma caracterização bem construída e bem fundamentada, né? Então independências múltiplas é uma possibilidade que seja essa ideia dentro dessa ideia de equilíbrio de poder

Aluno: Na hegemonia é o que? É em sentido cultural é? Professor: na hegemonia tem uma supremacia de uma das culturas mas ela é mais tênue. Aluno: isso é mais ou menos como o império romano? Professor: sim, em alguns lugares. Depende muito do

lugar. Depende desse encontro da cultura, ou seja, se a cultura ela é mais fraca, a cultura com a qual se encontra é uma cultura menos resistente, então isso dá espaço pra que haja hegemonia,

né? Na hegemonia nós temos uma

prevalência de uma das culturas, mas essa prevalência ela é um tanto quanto tênue, tem mais espaço, tem muito espaço para também a outra cultura se desenvolver. No domínio tem menos espaço pra cultura dominada se desenvolver, por exemplo, a língua, ou seja, umas das questões que mais aconteceram foi a sujeição linguística, então quando há uma hegemonia há possibilidade de convivência de línguas. Muita gente descreve a convivência da “pax” americana como sendo uma hegemonia, né? Por que? Porque, em pelo menos em alguns setores, é possível ter algum espaço para que a cultura local seja respeitada. Quando há o encontro entre a cultura americana e a cultura de outros países. Mas isso depende também do contexto, porque em alguns lugares é Império, em outros lugares é Domínio e em outros lugares é Hegemonia. Então quando se fala em Hegemonia do império americano, hegemonia da cultura americana se tá dizendo que há uma prevalência daquela cultura, mas com certo espaço para que outras culturas também se desenvolvam; quando se fala em domínio, tem menos

caracterização de uma

se

(inaudível)

império ou domínio

espaço para culturas dominadas sem desenvolverem; e quando se fala em Império, o espaço é mínimo. Tá claro? Aluno: entendi. Foram três denominações agora? Professor: Quatro. Tem também as Independências Múltiplas, que é quando há uma espécie de equilíbrio de poderes, né? Tudo isso existiu nessa fase. Nessa fase de desenvolvimento do Direito Internacional. Em alguns momentos, essas sociedades se acomodaram quanto (i)independências múltiplas, tanto uma respeitava a outra, uma tinha medo da outra e uma tinha independência ou relativa independência em relação à outra. Em outras situações havia

(ii)hegemonia, ou seja, uma cultura tinha prevalência sobre a outra, o elemento central é a cultura, então a cultura tinha uma prevalência, mas uma prevalência tênue, então estamos falando

quando se fala de (iii)domínio, tem uma

prevalência maior, portanto um espaço menor para prevalência da cultura dominada, e no (iv)império praticamente não há possibilidade de respeito da cultura dominada, ela é sujeitada. Sempre há, porque não há nada que seja pleno, sempre há, então a sociedade mais sujeita à dominação, ao império, ela vai ter também a sua capacidade de marcar, de se marcar, ou marcar a sua cultura. [54:27] Aluno: Professor, então a sujeição linguística é uma característica do império e do domínio? Professor: é isso.

Aluna: Professor, então isso quer dizer que numa mesma cultura, a depender a localidade, a estrutura pode ser diferente? Pode haver hegemonia em uma parte Professor: sim, sim Aluna: isso justifica até os dialetos que existem, por

em algumas partes existem vários dialetos e

em hegemonia

exemplo, na Itália

aí, provavelmente, nessa localidade havia hegemonia

Professor: sim, exatamente

Aluna: e nas demais localidades Professor: ou independências múltiplas ou hegemonia

havia hegemonia.

exatamente. Já no império, muito provavelmente, a cultura é sujeitada. Aluno: Isso tem a ver com o domínio mesmo do estado?

O nível né? o domínio, império? Isso tem a ver com o grau de

controle maior? A capacidade do estado? Professor: é, então, é isso que a gente tá falando, ou

seja, da capacidade de controle cultural. Que o elemento

é o controle

central aí, na análise do autor, é a cultura

cultural. Ele fala em independências múltiplas, em hegemonia,

domínio

Aluna: Professor, e se acontecer o contrário? se a cultura dominante absorver algum aspecto da cultura dominada? (resto da pergunta inaudível)

tudo em relação à cultura.

Professor: então, aí significa que aquele domínio ou

é boa a

pergunta porque mostra que em alguns momentos essas

caracterizações elas não são fixas, né? Elas podem ter variado

e aí em relação ao Império Romano, o que

se diz é que ele foi muito forte, muito imperial no início e depois ele foi se acomodando, né? Então absorveu também muitos aspectos das culturas do outro.

também no tempo

aquele império, em alguns momentos, pelo menos

É, esse período que é caracterizado pela prevalência religiosa, então do ponto de vista jurídico, ou daquilo que nós entendemos como sendo as teorias que fundamentam o Direito, estamos falando de um jusnaturalismo de base teológica ou cosmológica, o jusnaturalismo de base teológica é quando o elemento central, a natureza da qual se está falando é o divido, o divino é o elemento central da natureza. E quando a gente tá falando do jusnaturalismo cosmológico é quando a própria natureza é o que fundamenta o direito. Então essas sociedades variavam um tanto quanto entre uma fundamentação teológica e uma fundamentação cosmológica. Então ou era Deus que fundamentava o direito e a política, ou era a própria natureza, a ideia de natureza, uma espécie de cosmologia.

Como falei anteriormente, os tratados costumeiros, enquanto parte do DI, ou seja, enquanto elementos, vestígios, elementos de formação, os tratados costumeiros eram os tratados que existiam em função do costume. Como a lei hoje no Reino Unido e

nos países de tradição costumeira, a lei só existe em função de antes ter sido costume. Quando o costume muda, pode-se estabelecer uma lei. Então estamos falando de algo semelhante. Tínhamos ainda a ideia de língua franca, o autor anterior falava em língua comum, este autor aqui, o Adam Watson, está falando em língua franca que é uma ideia muito mais moderna, é uma ideia (inaudível) anterior à modernidade, vai surgir, digamos, na idade média, por volta da idade média, e aí aplica a esse período, ao período da antiguidade. Na realidade, então, talvez não se falasse, não tivesse uma denominação, sabia-se que se precisava de uma língua, uma língua para redigir os

mas não existia propriamente o conceito de língua franca, é algo mais pra cá

na história.

Tínhamos a figura dos mensageiros, os mensageiros poderiam não voltar da viagem que faziam pra entregar a mensagem. Todo mundo aqui deve ter visto o filme

é uma declaração de

e o mensageiro poderia voltar sem uma perna, sem um braço, sem um

eles são o antecedente mais antigo do

a todo

e aí felizmente que não perde mais hoje as partes do corpo, nem perdem os

bens mais, que até o século XIX, trabalhavam pro governo, o governo caia em

Acontecia também com os

empresários, um negócio estável e aí um determinado governo chegava ao poder e não

e pra que isso não aconteça mais,

existe hoje no DI, com a conformação que nós temos visto, apesar de todas as

tratados

300 e viu o que aconteceu com o mensageiro, né? Perde a cabeça

guerra, né?

olho

então não era um bom emprego

diplomata, que é aquele que faz negociações amistosas a todo momento

momento

descrédito, né? No plano mundial e aí perdia os bens

gostava do empresário e bania, perdia os bens todos

limitações que nós podemos verificar ainda.

Com o passar do tempo, sobretudo na sociedade romana, nós vamos ter uma certa tolerância com a figura do estrangeiro, falei normalmente que o dominado se

tornava escravos, mas com o passar do tempo isso foi se transformando e o Direito Romano ele tratou de civilizar um pouco toda essa barbárie, pois é de barbárie do que a gente tá falando mais do que tudo nesta Fase.

Tem o que se denominou, desde então, no Sistema Romano de “Jus Gentium” ou

direitos das Gentes. Era um direito para o cidadão não romano, se é que podíamos falar em cidadão. Cidadão é uma expressão moderna. Mas, enfim, para a pessoa não romana,

o jus gentium. E ao longo do tempo essa expressão vai sofrer transformações, até ser

comparado a algo como “Direito Internacional”. Inicialmente tem nada a ver com o DI,

é só um direito para pessoas que não eram romanas, que não eram cidadãos, assim por dizer, romanos.

Com o passar do tempo, vai-se entender que vai ser provavelmente a primeira expressão relacionada ao que nós, hoje, chamamos de DI, mas ainda muito diferente do que nós passamos a entender como sendo DI. Direito das gentes foi utilizada até que surge Jeremy Bentham, em 1780, que escreve um livro e utiliza pela primeira vez a expressão “Direito internacional”, em inglês: “internacional law”.

Então este autor foi o primeiro autor a utilizar a expressão “Direito internacional”. Até então se falava em “Jus Gentium” ou “Direito das gentes”. Inicialmente direito das gentes era todo aquele “povinho” que não era romano, mas que precisava ter alguma proteção, né? Aqueles que não tinham nascido na sociedade

romana, mas que com o tempo, com essa flexibilização da sociedade romana, outras nacionalidades passaram a ter alguns direitos, então pra eles passaram a ter o Direito das

Gentes

E aí com o tempo passa a ser o Direito que serve ao espaço não nacional, ao espaço não estatal. E aí tem várias obras que falam em Direito das gentes como o que nós entendemos hoje como sendo DI. Em 1780, Bentham escreve essa obra e fala de um

Direito Internacional. Então passamos a ter um outro elemento definidor desse direito que não é o direito estatal, mas o direito de nações. Alguns defenderam que tivéssemos

a denominação “Direito interestatal”, houve uma disputa teórica ao longo do tempo em

torno disso, ou seja, de um direito internacional, de um direito interestatal que terminou

vingando, ou seja, se estabelecendo essa expressão “Direito Internacional”, que também

é sujeita a críticas, porque se baseia na ideia de nação e talvez o DI seja mais do que

isso, o elemento nação talvez não seja o elemento que melhor caracterize isso que nós chamamos de DI, mas é melhor que a expressão “Direito Interestatal”, porque essa expressão reduz o mundo, esse mundo do direito internacional ao mundo dos estados. E

o DI não é só isso, é um direito de estados, é um direito de pessoas individuais, é um direito de organizações internacionais, pelo menos

Aluna: professor, tem uma semelhança com o realismo né? Que tem o foco no Estado né isso? O direito internacional é um ramo que vai organizar e regular as relações de estados e também das organizações internacionais, que o senhor acabou de falar

Professor: então, o realismo é uma perspectiva teórica que se assenta na ideia de estado, então um autor que defende a ideia de que o DI está no direito Interestatal, ou seja definido

“as gentes”, aquele povo que não é igual a nós.

como Direito Interestatal, é um autor que nós podemos considerar como sendo realista.

Então é bem interessante que não tenha vingado essa denominação “direito interestatal”. Porque essa realidade é muito maior, a realidade do DI é maior do que a realidade dos Estados, suas relações envolvendo estados. Temos pelo menos, além dos estados indivíduos, temos organizações internacionais, hoje em dia têm empresas transnacionais que também participam desse espaço internacional, e restam criticas evidentemente à expressão Direito Internacional, porque a ideia de nação é uma ideia limitada pra descrever o que é o DI. Mas alguma denominação teria que vingar, teria que se estabelecer, e toda ela seria sujeita a críticas. Então a que n´s temos, a que ficou foi Direito Internacional e está aí sendo utilizada cada vez mais.

Então nós estamos falando de um sistema, ou de sistemas práticos, volto a dizer,

tantos estados eram precários e os sistemas eram práticos, ou seja, claro que existiam tratados, mas existiam mais do que tudo costumes, ou seja, existia prática. Ou seja era um contexto, esse da primeira fase de desenvolvimento, de acordo com Adam Watson, era um sistema de sociedades que se baseavam muito na prática. Ou seja, tinha um conflito alí, vamos criar algo que vai resolver. Não havia muitos fundamentos, havia a necessidade de compor certos conflitos e quando havia né? Quando não era guerra que

mas isso também é importante chamar atenção, porque esse DI

não resolvia as coisas

antiquíssimo era quase que um direito da guerra. E alguns autores, depois, nós veremos no desenvolvimento em seguida, falaremos em alguns autores que vão trabalhar com a ideia de direito da paz e direito da guerra. Por que? Porque vai surgir a ideia de paz que vai contrabalançar a ideia da guerra.

Mas essa primeira fase é uma fase que se caracteriza como sendo uma fase que tem como foco a guerra.

E, já antecipando, o que nós falaremos em termos de fundamentos, tem uma corrente inteira, que é o realismo, que se baseia na guerra. Explica as relações internacionais com base na ideia de guerra. Ainda hoje, têm vários autores que baseiam tudo, explicam tudo no campo das relações internacionais, portanto também no DI, com base na ideia de guerra.

Então, nós teremos aula nesta sexta feira às 18:30 seguindo até as 22:10 e daremos sequência ao desenvolvimento com a segunda fase e a terceira fase.

2. Aula 2 (Aula do dia 13/04) – Segunda fase: Sistema Internacional Europeu

Contexto histórico Então, quando a gente vai para a segunda fase, a gente vai está falando de um mundo que vai está muito mais centrado no ambiente europeu. Quando o mundo anterior era um mundo centrado no oriente, esse mundo vai está, ou o mundo que se inicia a partir da idade média vai tá mais centrado no oriente ocidental. Na Europa e na Europa ocidental.

Essa fase ela começa com a idade média, ela começa com a queda do império romano do ocidente, e isso é caracterizado como sendo um período muito conturbado na história. Tem um certo vácuo de poder. Ou seja, a ausência de um poder,

que no caso era o poder romano, do estado romano, ou que se poderia entender como sendo o estado romano, deixa uma lacuna muito grande, com muitas divisões. E certamente aquilo que caracteriza essa fase são as invasões bárbaras e toda uma anarquia internacional muito grande. Isso só vai se resolver. Digamos que no início da

idade média, a caracterização do início da idade média é esse período muito conturbado,

e só com o tempo se vai adquirindo uma certa ordem, ou aquilo que se poderia entender como uma certa ordem no plano internacional.

As guerras, que foram a regra, nós vamos ter uma mudança em relação ao padrão de guerra. Ou seja, a primeira fase é uma fase que tem tipicamente a guerra como regra. OU seja, o que acontece no mundo é essencialmente guerras de conquista. Essas guerras continuam, só que elas vão ter um padrão um tanto quanto diferente. Digamos que os objetivos são relativamente os mesmos, mas elas diminuem em intensidade. Os objetivos são a expansão territorial, ou seja, aquilo que os realistas chamam de glória. A busca da glória. A busca da glória se alcança a glória também em função da expansão territorial.

Por expansão territorial se pode entender não só a expansão do território física, mas a aquisição também dos bens da natureza que estão no território. Então a agua, a agua sempre foi muito desejada e necessária. E, portanto, boa parte das guerras aconteceram, as guerras de conquista aconteceram em função de expansão territorial.

Aconteceram também em função de definição de fronteiras. Esse é um dos elementos, digamos assim, constituidores do direito internacional. Ou seja, o direito internacional se justifica, ou se justificou ao longo do tempo em função da necessidade

de definir fronteiras. São muitos os tratados, tanto os tratados na antiguidade, mas sobretudo a partir da idade média. Nós vamos ter tratados, e sobretudo tratados bilaterais que a ocorrência de tratados multilaterais é algo relativamente recente. Só vai ter tratados multilaterais a partir, mais do que tudo no final do século 18, no século 19.

É quando nós vamos ter tratados multilaterais.

Então os tratados são tratados mais como uma realidade bilateral. Ou seja, são cidades, um envolvendo o outro que decidem estabelecer certos acordos. Então, imagine que era uma confusão, uma dificuldade muito grande, havia uma desconfiança muito grande. O cenário no plano nacional e no plano internacional a política ainda era muito caracterizada por desconfiança, mas mesmo num contexto como esse, um contexto de muita disputa bélica, e a guerra era ou a regra ou muito recorrente, então na hora em que se fazia tratados era também muito difícil de se chegarem a acordos.

Esses acordos tinham que ser combinados em instâncias diferentes por parte dos “conventores”. Então, dois estados se encontravam, depois um daqueles estados se encontrava com outro estado, por exemplo, França com Alemanha, Alemanha com a Suíça. Cada um estabelecia acordos diferentes, ou em bases diferentes

e era muito difícil, muito complicado chegar a um denominador comum nesse contexto

de muita desconfiança. Então, nesse contexto de muita desconfiança se dava também as guerras de conquista, principalmente as guerras relacionadas à conquista do Oriente, em função de definição de fronteiras.

Mas também em função do controle político. E esse é um momento histórico em que as disputas eram muito caracterizadas pela predominância de determinadas famílias ao lado de determinados reis ou de determinados estados. Talvez não seja muito adequado falarmos em estados propriamente durante toda essa fase,

porque o estado, a depender evidentemente da nossa compreensão e da nossa interpretação, o estado só vai surgir muito tempo depois. É só a partir do tratado de westfalia é que muitos autores consideram que nós vamos ter propriamente estado, ou o estado como nos entendemos nos dias de hoje.

Então, as guerras continuam, elas continuam em função de expansão territorial, em função de definição de fronteiras, de controle político, esse controle político exercido mais do que tudo por famílias, e nesse contexto todo surge uma religião que tem uma predominância, sobretudo no contexto europeu, e que é o Cristianismo.

O cristianismo vai deixar marcas muito profundas no que diz respeito ao direito internacional, muitos dos institutos do direito internacional, ainda hoje vigentes, ainda hoje com significados, eles foram organizados, foram propostos, foram iniciados nessa fase. É o caso, por exemplo, de todos aqueles acordos conhecidos como “bons ofícios” que surgiram no ambiente de “papa”. Foram os papas que propuseram os bons ofícios.

Um grande exemplo de bons ofícios é o tratado de Tordesilhas, que o papa Alexandre VI definiu, aí combinando uma negociação envolvendo Portugal e Espanha em torno das terras descobertas nas américas. Ou seja, as terras em que exatamente o Brasil hoje está e que o Brasil descumpriu junto com os portugueses, mais do que tudo portugueses e brasileiros também, e a gente tem uma conformação territorial superior ao que está definido no tratado de Tordesilhas. Mas isso também é revelador que há algo importante para a nossa discussão, do ponto de vista histórico que é essa disputa entre o poder temporal e o poder religioso, que é uma característica da idade média e da idade moderna. É isso que vai fazer também que nós tenhamos marcas no direito internacional que são resultantes desses embates. Ou seja, essa é uma fase caracterizada por uma disputa envolvendo os papas, o poder católico ou o cristianismo, que queria exercer, ou buscava exercer uma predominância sobre o sistema internacional, sobretudo o sistema europeu, e os reis, os imperadores que queriam manter o controle e foram vitoriosos, ao longo do tempo foram vitoriosos e por isso nós temos o estado-nação e nós temos as marcas do direito internacional, temos o instituto do direito internacional. Só tem sentido falar do direito internacional porque o direito internacional surge, ou se consolida como uma conformação a partir dos estados-nação, tanto quanto direito internacional interestatal, é disso que nós estamos falando. Portanto, só tem sentido falar em direito internacional porque existem, ou o direito internacional que nós conhecemos só tem sentido falar em função do Estado-Nação.

Se o estado-nação deixar de existir é muito provável o direito internacional deixar de existir ou adquira uma outra conformação. Pode ser até que suplante os direitos nacionais, suplante o estado nacional. Mas tudo isso está na ordem, digamos assim, do que se pode presumir, do que se pode acontecer (acho que é no mundo). O autor fala também da cisão da igreja, ou seja, a reforma ela tem um papel importante também no próprio controle do poder religioso e no fortalecimento do poder temporal.

As guerras continuam existindo, como eu falei anteriormente, guerras também por motivações religiosas. Ou seja, além daqueles elementos que eu falei anteriormente, que o autor faz referência, também tem a situação religiosa. Ai, imediatamente a gente lembra das cruzadas porque esse sistema Europeu, ou os estados que dominavam esse sistema europeu

 

Professor critica a forma de estudar o desenvolvimento histórico e diz que

fazer Salto da idade média para a idade moderna é desconcertante porque não foi assim

que aconteceu.

 

Então na idade moderna, em função dessa disputa envolvendo o poder temporal e o poder religioso, a gente vai ter o fim da monarquia, ou melhor dizendo, do absolutismo. Ou seja, o poder monárquico, ao mesmo tempo que se consolida ele também tem uma série de limitações, e dentro disso aí o autor fala no conceito que é muito importante para a nossa discussão que é o equilíbrio de poder.

Porque que a gente fala em equilíbrio de poder? Ou porque o autor faz tanta questão de mostrar a importância do equilíbrio de poder. Porque o equilíbrio de poder é um princípio que, se é que já existia, quando o autor falava, por exemplo, naquelas independências múltiplas. Ou seja, houve momentos na antiguidade em que os estados, ou aquilo que nós podemos entender como o início do desenvolvimento dos estados, eles tinham alguma preocupação com a sobrevivência deles próprios e com a sobrevivência dos outros enquanto independência múltiplas.

E quando se fala em equilíbrio de poder, que é um conceito que nasce dentro do realismo. Nós falaremos a respeito da fundamentação histórica e filosófica do cenário internacional, das questões internacionais, das elações internacionais e eu não falaria apenas das teorias de direito, falaria também das teorias das relações internacionais. E aí surge o realismo, e é muito caro ao realismo falar nessa ideia de equilíbrio de poder.

Se ela já existia antes, digamos assim, não tão explicita, ela se torna muito conhecida, muito fundamentada, muito estudada nesse período que a gente pode entender como o período de maior desenvolvimento do direito internacional. Porque? Porque é através do equilíbrio de poder. O equilíbrio de poder a gente pode entender como um princípio do direito das relações internacionais, por meio do qual os estados começam a entender que eles precisam limitar o poder dos outros e deles próprios, para que seja possível uma convivência melhor, uma convivência com mais recorrência de paz, digamos assim. Com menos ocorrência de guerras.

Então o equilíbrio de poder é algo que surge, é evidente que não é caro apenas ao realismo. O realismo potencializa muito esse princípio, mas os idealistas também trabalham com a noção de equilíbrio de poder. Então, podemos entender esse equilíbrio como a possibilidade de limitar a ocorrência de guerras. E num determinado momento, quem precisava ter o poder limitado era o Reino Unido, era a França e principalmente a França (a França de napoleão que precisava ser contida).

Então, adquire um significado muito grande essa ideia de equilíbrio de poder. Estados, por meio desse princípio, contém as pretensões de ampliação de poder de terminados estados. É o caso da França, do Reino Unido, mais do que tudo da França, e com isso se estabelece certo pacto, ainda não nos termos atuais do século XX, mas sobretudo no século XIX.

Aluno: Professor, sobre esse equilíbrio de poder, é como se os estados que exercem uma forma de dominação, uma hegemonia, tivessem mais (dispostos eu acho) a aceitar essas limitações diante do equilíbrio é isso?

Professor: É isso.

Tem diferentes compreensões de equilíbrio de poder, mas numa maneira geral se pode entender como a forma de estabelecer limite ao poder, ao excesso de poder que os estados podem ter.

Então, em dias atuais o equilíbrio de poder que foi estabelecido foi com base naqueles países que tem maior poder econômico, mais poder militar, e que estão no conselho de segurança com poder de veto. Isso depois da segunda guerra. Então se chama isso de equilíbrio de poder. Esses estados são como que garantidores de uma paz,

a paz possível.

Aluno: Então quando os Estados Unidos desobedecer ao conselho de segurança sobre a guerra do Iraque é como se fosse um desequilíbrio de poder?

Professor: É. Pode se entender como sendo um desequilíbrio de pode também.

Durante a guerra fria, ou seja, durante a disputa entre os Estados Unidos e

a União Soviética se diz que também existia um equilíbrio de poder. A bipolaridade era,

talvez a melhor acepção atual de um equilíbrio de poder. Então, aquele que se orientava pela concepção ( ou pretensão) norte-americana ficava com os norte-americanos; quem pretendia ficar com os soviéticos ficava com os soviéticos e aí se garantia uma certa paz no mundo. Mas isso também é ao mesmo tempo contraditório e sujeito a reparo porque depende da interpretação.

Então o autor fala também de um sistema que pode ser descrito como um certo sistema de equilíbrio. Ou seja, que é característico dessa época, sobretudo do século XIX. Esse período, não todo o período evidentemente, mas quando o tempo vai avançando e nós vamos chegar próximo a terceira fase, então nós vamos ter esse sistema de equilíbrio de poder baseado no princípio de equilíbrio de poder.

E o princípio do equilíbrio do poder se dá em função da consolidação dos

estados nacionais, da consolidação de um sistema internacional, garantido por esses estados europeus e que considera importante que os Estados sejam independentes e que sejam regidos pelo princípio da soberania. Esses dois elementos: independência e soberania, são elementos centrais para a definição desse sistema de equilíbrio de poder. Ao mesmo tempo o autor também fala no princípio do processo de descolonização, que houve alguns processos de descolonização. Ha quem fala em três ondas de descolonização.

A primeira aconteceu quando surgiram os estados nas américas. Então estados unidos. Os estados da américa latina que depois foram surgindo ao longo do século XIX, a segunda onda acontece entre a metade do século XIX e o final do século XIX, com a criação de estados na África e na Ásia. Mais do que tudo na Ásia.

E a terceira onda acontece em meados do século XX, embora isso seja

sujeito a reparo também, porque ao longo do tempo foram criadas estado-nações. Além dos estados europeu, digamos que nunca deixou de surgir novos estados. Mas digamos que essas ondas se concentraram mais no início do século XIX, em meados e final do século XIX que é a segunda onda, e a terceira onda em meados do século XX, sobretudo

depois da criação da ONU. Anos 60 a África cria uma série de estados e ai a gente vai tendo uma conformação completamente diferente do sistema internacional que vai alterar o próprio padrão do sistema. O sistema era europeu e vai deixar de ser essencialmente europeu para ser um sistema global.

Esse processo de descolonização envolve países da Ásia, África e das américas. Falando em termos de marcos históricos o autor menciona a ideia de Pax cristiana.

É provável que eu não tenha feito referência à pax romana, já que isso é bastante conhecido, ou seja, É um conceito que se relaciona com essa ideia de equilíbrio de poder, ou dependendo do autor, pode-se dizer que um estado pode ser como garantidor de um certo equilíbrio de poder. Então Roma teria tido um certo equilíbrio de poder e tanto se pode falar nesses termos que quando o poder romano ruiu, a vida social virou um caos. Deixou de existir uma ordem e ai foi um caos, porque tinha-se uma certa organização da vida social, a que se chamava pax romana, e aí vem agora o que autores chamam de pax cristian.

Aluno: Professor, tem uma discussão sobre direito internacional que é um direito que não teria propriamente um campo de sansão, porque no direito a gente aprende que é de fato sanção e norma e no plano internacional não teria essa sanção dada a soberania dos próprios países então essa questão do equilibrio de poder, funcionaria, por exemplo ‘os países hegemônicos se juntam fazendo um acordo e diz:

a gente tem que limitar o poder de todo mundo em prol do benefício geral’. Isso funcionaria como uma sanção para o direito internacional.

Então, é um direito diferente. Não tem validade, não tem sentido ser igual ao direito nacional, exatamente em razão da soberania. Agora não concordo inteiramente que não tenha sanção. Tem sanção, agora elas também são de formas diferentes e dependem também da área do direito internacional.

No meu entender, quando se trata de segurança nos termos atuais, tem uma cogencia maior. O estado que desafiar a ordem internacional, por exemplo, querendo vender/ter armas nucleares nos dias de hoje sem ter essa permissão por parte do sistema vai ter grandes problemas. Através de sanções econômicas por exemplo.

Então é um contexto muito complicado de se avaliar e é isso que não pode simplificar a discussão dizendo que em ou não tem. Depende do contexto, do momento e do tema.

Então, um tema como direitos humanos não tem tanta cogencia. Ou seja, vai variar também dependendo do subtema. Se for algo como genocídio também não se pode dizer que é tão fácil alguém se livrar do crime de genocídio se não for norte-americano. Se for norte-americano pode se livrar mais facilmente porque os EUA não ratificaram o tratado que institui o Tribunal Penal internacional. Se for colombiano também pode se livrar mais facilmente, porque a Colômbia sofreu pressões norte-americanas para não ratificar o tratado.

Mas se for nacional de outros países, vários nacionais de outros países têm sido levados aos tribunais penais ad hoc e ao tribunal penal internacional para serem julgados. Então, depende do tema. A gente pode dizer que tem uma cogência, agora depende muito. Isso não é muito diferente, ao meu ver, do sistema nacional. Estamos vendo no sistema nacional brasileiro que a lei vale mais para alguns de que para outros.

(

)

domesticar as relações internacionais entre Estados cristãos, o que

significava dizer que os Estados cristãos não deveriam fazer guerra. Mas a guerra era plenamente possível e existia a noção de guerra justa de cristãos contra cristãos e não cristãos para cristianizar. Essa é uma das dimensões da pax Cristiana. Era possível estabelecer uma certa paz entre estados cristãos, mas eles faziam guerra e eram as cruzadas que faziam guerra contra outros estado na busca de expandir o poder cristão na terra.

Aluno: Ou aumentar o domínio financeiro, não é?

Professor: Era, era tudo junto, é aí que nasce o capitalismo. Não era

Nos dias atuais, numa categoria chamada

foi

essencialmente para cristianizar, mas em função de outros elementos como, por

ou seja, tudo o que menos se queria era

cristianizar. Queria adquirir poder, queria construir esse sistema econômico que hoje nós conhecemos como capitalismo.

As grandes navegações são elemento muito importante no desenvolvimento do sistema e altera a noção de mundo. O mundo era tido como uma terra plana, as pessoas não tinham a noção de que havia planetas, ou muito poucas pessoas tinham essa noção. Ainda hoje há pessoas que pensam que a terra é plana, infelizmente. Mas num determinado momento houve as grandes navegações e isso mudou completamente o entendimento a respeito do mundo, entendimento geográfico mundial e aí também se amplificam os conflitos, porque se o mundo é maior e se a própria noção do espaço terrestre é maior, se ampliam, na verdade, começam os conflitos sobre o mar, ao mesmo tempo dos conflitos sobre o mar, desenvolve-se o

direito internacional do mar. Veja, hoje, muito recentemente, a partir de 1982, passou

a existir o tribunal do mar. O orientador do professor Jayme foi juiz do tribunal do mar, Vicente Rangel.

exemplo, para consolidar o sistema econômico

somente a intenção de cristianizar os povos

de pós colonial, há quem trabalhe com a ideia de que a cristiniazação

​NÃO
​NÃO

Aluno: O direito do mar tem aquela convenção de Montego Bay, não é?

Professor: A convenção de Montego Bay é uma convenção sobre questões ambientais e que se relacionam com o mar também. Tem várias outras convenções como a própria convenção sobre direitos do mar e que institui o tribunal do mar.

Mas até se chegar aí, houve um desenvolvimento muito lento do direito internacional do mar. Quem teve prevalência em relação a isso no mundo foram os

ingleses. Embora os portugueses e os espanhóis tenham tido prevalência na conquista e tenham disputado com eles, os ingleses, essa prevalência, mas os ingleses dominaram os mares. E aí tem uma referência importante para Maquiavel. Maquiavel é um autor que surge para fomentar completamente o entendimento entorno do poder. O poder passa a

ser entendido

É provável que essa mudança tem a ver com o entendimento que se tem

do mundo, porque se o mundo, a terra não é plana, nós temos que repensar a vida, as nossas compreensões e isso pouco a pouco foi possível. Com Maquiavel que se faz é

mudar o entendimento, ou seja, se as coisas antes eram entendidas, se o poder era entendido como sendo um poder teológico, as pessoas chegavam ao poder em função de

uma proximidade com Deus, a partir de Maquiavel se sabe como o poder é conquistado

e como ele se mantém. Ele dá aulas de como conquistar o mundo e se manter no poder.

Embora possa chegar à conclusão que ele propriamente ensina a fazer o mal, pode-se

dizer também que ele ensina como se fazia para chegar ao poder e nele se manter. Foi ele quem mostrou, descortinou a realidade.

Pouco a pouco vai havendo uma consciência em torno do malefício das guerras, embora ampliem esse poder entre estados e governantes, mas ela também contribui para a repercussão do entendimento do poder econômico dos Estados. Com as guerras, o poder econômico de alguns Estados é eliminado e outros prevalecem. Tem uma dicotomia sobre o contexto das guerras. Mas, sobretudo os idealistas porque eles tem um papel importante nessa domesticação do cenário internacional para mudar o entendimento das coisas. Se o mundo foi dominado entre essas concepções realistas e idealistas. Os idealistas têm razões nas coisas e os realistas tbm. Mas os idealistas tem papel importante como instituto de instituições do direito internacional. Não seria possível ter organizações, arranjos e tratados internacionais unilaterais sem a idealização dos idealistas. Se dependesse dos realistas nada disso existiria. O que existiria eram somente guerras. Essa crescente de consciência de que as guerras são o malefício da sociedade tem muito a ver com os idealistas e liberais, mas não no sentido de que temos hoje entre direita e esquerda, mas liberais no sentido dessas pessoas que acreditam que os sistemas internacionais podem ser domesticados como o sistema nacional com base na lei, nos princípios, pode ser melhor aplicado. Ainda nesse contexto e mais para o final do desenvolvimento dessa fase, a gente vai ver em função dessa onda de descolonização, mas também de outros processos, a gente vai ter o surgimento de alguns Estados que vão disputar significado e espaço na ordem internacional ou na anarquia internacional, dependendo se for um realista ou idealista que esteja caracterizando este período. Então, EUA e Japão surgem e dizem ao sistema europeu que querem fazer parte desse sistema. Depois outros Estados se criaram na América Latina e que também dentro do sistema vão buscar ter significado, mas primeiramente surgiram EUA e Japão, adentraram no sistema e pediram para ter uma voz, uma participação, ainda tímida, mas isso vai acontecendo aos poucos, e tendo a expansão aos poucos também. A gente vai chegando na terceira fase que não pode ser caracterizados como um sistema europeu, mas como um sistema global, porque não só os países da Europa faziam parte, mas Estados independentes nas Américas, na Ásia, na

África (paulatinamente no século XX). Em termos de marcos relacionados ao direito internacional público podemos considerar: a guerra justa, uma limitação ao que existia na antiguidade porque tudo era guerra, toda guerra era justa, possível, justificável e aqui no ambiente europeu, ou seja, nessa fase de desenvolvimento controlado pelos cristãos (pax Cristiana), surge muito em função dos autores católicos (santo agostinho, por exemplo), tem muito a ver com essa concepção de guerra justa (a guerra era inaceitável

entre estados cristãos, mas plenamente adequada se for

e vai ter toda uma discussão

sobre o que fazer com a população dos Estados das sociedades não cristãs, que estavam sendo descobertas, conquistadas. Boa parte dos autores justifica que deveria dominar, que, se fosse possível, matasse, torturasse em função das concepções cristãs, ou seja, para cristianizar, fazer o bem. Digamos que o direito internacional tem muito disso ainda hoje, defendendo que determinados sejam levados para o caminho do bem, para a democracia, ocidentalizados.

Aqui podemos fazer referência à consolidação do Estado Nacional como sendo dotado 3 elementos. Entendemos que o Estado Nacional só existe tendo a ideia de um governo independente (soberania), de um território definido e indivíduos. São exemplos disso Mônaco e Vaticano. O Vaticano só se justifica em razão do poder católico no passado. Há dúvida se tem pelo menos um desses elementos. O mais difícil

de caracterizar é a população. Qual a população do Vaticano? Há quem diga que são todos os católicos espalhados pelo mundo, mas todos os católicos do mundo têm diferentes nacionalidades, não são cidadãos do Vaticano. Certamente tem gente que mora lá, mas são poucas pessoas. Ainda que seja pouca, pode-se chamar de população.

É muito importante falar desses elementos porque eles vão dando sentido à noção de Estado e de Direito internacional. Só tem sentido falar em direito internacional quando tem consolidados estados nacionais. O princípio da soberania nasce como resultado do poder absoluto. Inicialmente era a soberania do soberano.

Aluno: o Estado nação também entra nesse contexto de consolidação de estado nacional?

Professor: O Estado nação é produto desse processo de constituição do direito internacional/nacional dos Estados.

Então, a soberania é princípio, elemento do soberano, o rei é quem detinha

o atributo da soberania e ao longo do tempo vai se modificando o conceito de Estado, a própria ideia de estado é modeladora dessa mudança. Nos dias de hoje também se fala em soberania popular. Então, podemos vislumbrar a soberania assim: do rei para o Estado, do Estado para o povo.

A consolidação do estado nação está relacionada a todos esses processos, ou seja, os processos se cruzam: o contratualismo (o estado nasce como parte, sobretudo com Hobbes em O Leviatã, resultado de um contrato social porque o homem, nos termos da época, é o lobo do outro homem e precisa de paz para levar a vida em sociedade); o utilitarismo jurídico, o constitucionalismo jurídico (O Estado é

constitucionalizado, a constituição é o elemento que vai garantir a existência do Estado

e depois vai garantir a ordem internacional juntamente com os tratados. Essas coisas vão

Ou seja, são processos que se cruzam/comunicam e vão

consolidar o Estado Nacional.

Vários foram os autores que trabalharam a ideia de paz perpétua, um deles é Kant, não é o primeiro e nem o único, mas é o que tem trabalhos consistentes. Poderemos falar dos Idealistas ou do Liberalismo, falaríamos também de Abbé de Saint-Pierre, que foi provavelmente o primeiro a falar na ideia de uma paz perpétua. Mas Kant ficou conhecido pela formulação cheia de consistência, em relação a outros que trabalharam essa ideia de paz perpétua. Essa ideia por determinado momento dessa fase vai tendo significado, se aguçando como o que depois se constitui como o Concerto da Europa no século XIX. Depois na prevalência do Nacionalismo francês, nós vamos ter o Concerto da Europa que é esse arranjo de Estados europeus com o objetivo de se domesticar no ambiente europeu, domesticar no Direito Internacional de base europeia. Esse Direito Internacional será garantidor de uma certa paz, em especial no ambiente europeu. Provavelmente liderado pela França, Reino Unido, Rússia, Alemanha, Holanda e certamente outros Estados também, mas principalmente pelos mencionados, os demais eram atores menores, subalternos, em relação a esses que entravam no sistema. Contudo, o Concerto da Europa servia muito a eles também, servia aos grandes Estados porque eles organizavam a vida de modo a conter as pretensões de grandiosidade de alguns Estados, principalmente o francês, mas servia a Portugal também, à Espanha.

estar cruzadas); o positivismo

O concerto da Europa é descrito por Adam Robinson como sendo aquele que é garantidor de independências múltiplas, ou seja, entre 80 e 100 anos nós vamos ter essas

independências múltiplas, o mesmo conceito utilizado na fase anterior é utilizado agora

e se comunica com a ideia de equilíbrio de poder (é um arranjo definido por esta ideia).

Este equilíbrio não pode ser visto no sentido apenas idealista, o qual é relacionado à

distribuição igual de poderes – que não existe –, alguns Estados (um, dois ou mais) tem

uma prevalência e garantem uma certa paz durante um certo tempo. Aqui o Concerto da

Europa vai sendo descrito pelo autor como sendo caracterizado por essas independências múltiplas, ou seja, esses Estados que tinham pretensões integralistas,

eles contém por determinado tempo essas suas pretensões para evitar a guerra ou se guerras que existiram foram mais em outros contextos na África, América Latina, a Europa foi preservada de grandes guerras graças ao Concerto da Europa. Esse é um momento também caracterizado (ou seja, o Concerto da Europa) por uma igualdade

política, aquilo que vem desde Vestfália, ou seja, a ideia de igualdade jurídica entre Estados é definidora desse momento do Direito Internacional, embora tenha uma certa idealização nisso porque alguns são mais iguais que outros, tem paridade no plano interno. E a ideia de legitimidade do Estado que houve no espaço internacional, esse também é um elemento definidor do que se chama Concerto da Europa, sobretudo em função da resolução de controvérsias internacionais. Esse momento ocorreu no século

XIX e, especialmente, no século XX (que vamos falar na próxima aula do século XX,

deste sistema global, vigente com todas suas limitações, é quando se tem o grande

momento das soluções pacíficas de controvérsias internacionais), notadamente foram criados e que tinham pouco significado na Antiguidade e na Idade Média começam a ter

um significado maior, a ideia de fontes do direito é muito mais presente, é

fundamentada, e tudo isso vai facilitar esse processo de solução de controvérsias internacionais.

as

Como eu falei na aula anterior, a expressão “Direito Internacional Público” só vai surgir em 1780 com Jeremy Bentham, antes se falava no direito “dos da gente” ou

em direitos das gentes, isso vai variar. Há uma disputa em torno da denominação nessa

fase, quando se chega nessa terceira fase isto está pacificado, não se tem mais grandes

dúvidas que é Direito Internacional (alguns autores, apegados ao passado, hoje se referem ao direito das gentes). Até o século XIX não era assim e havia essa disputa em torno do direito interestatal, direito internacional ou direito das gentes. No século XX que se pacifica essa discussão. Então, podemos entender o direito das gentes como sendo um direito em que nós vamos ter normas e princípios jurídicos que serão

consistentes com soluções pacíficas de controvérsias internacionais. Durante boa parte desse período a fundamentação era Jusnaturalista, nós falaremos desta fundamentação

em relação ao Direito Internacional nas aulas sobre fundamento do Direito

Internacional. O autor faz referência a uma série de eventos, uma série de elementos, incluindo as Embaixadas que não surgem aqui, mas se consolidam nesse período. Não só as embaixadas, mas a atividade diplomática passa a ser muito mais presente, significativa, a partir do século XIX. Portanto, no final desta segunda fase do desenvolvimento do Direito Internacional ou da Sociedade Internacional (nos termos utilizados pelo autor) tem uma série de intervenções ou mecanismos que vão sendo fundamentados, ou melhor fundamentados, pelos autores que são entendidos como autores do Direito Internacional; e as arbitragens, os pós-ofícios, eles já têm uma série de características básicas já construídas pelos autores. Os tratados, também, sabe-se muito melhor o que é um tratado, quando tem vigência, vários princípios que orientam

os tratados, a ideia do território/espaço territorial europeu e não europeu, tudo isso vai se consolidando.

A ideia de comércio internacional e de relações internacionais, com o início da terceira fase, surge uma disciplina, trata-se das Relações Internacionais, no início do século XX, fruto do processo do desenvolvimento da segunda fase da sociedade internacional. E, muito provavelmente, os Tratados de Vestfália são grande parte na instituição dos Estados Nacionais e do Direito Internacional (mesmo não tendo essa designação Direito Internacional, enquanto um direito das gentes). Vestfália é de 1648, antes do livro de Jeremy Bentham, e é a partir daí que se legitima a ideia da Comunidade dos Estados Nacionais, esta é baseada em dois elementos: a ideia de igualdade dos Estados, os Estados precisam garantir o que se entende como independências múltiplas - respeitar uns aos outros/garantir a independência um dos outros-, portanto, esses Estados têm direito à soberania. Estes dois elementos são definidores do Estado Nação e desta ordem (ou, para os realistas, desordem) internacional.

Toda discussão em torno das fontes do direito, sobretudo estatais, ele tem uma grande guinada é que a principal fonte do Direito Internacional ou, como mais apropriado à época, direito das gentes eram os costumes internacionais e passam a ser os tratados a partir do século XIX, no final desta fase. O tratado passa a ter mais significado que os usos e costumes no plano internacional.

Temos 10 minutos finais pra gente conversar a respeito desta fase queria falar, mas o homem é insistente, viu?)

(ninguém

Pergunta: Essa fase é antes da primeira Guerra Mundial?

Professor: Isso! A próxima fase começa com as Guerras e esta fase termina com, digamos assim, o insucesso do Concerto da Europa. Ele não garante mais a paz, surgindo a Primeira Guerra Mundial. Depois desta, temos os elementos dessa terceira fase, ela tem significado com o fim da Primeira Guerra Mundial, com o surgimento da Liga das Nações.

Pergunta: A segunda fase só vai surgir depois do Tratado de Vestfália né? Com relação aos Estados?

Professor: Antes existia um Estado com poucas características, com elementos não tão palpáveis. Há toda uma consciência nacional/internacional da necessidade desses elementos dos Estados, da necessidade da soberania, principalmente, e da ideia de independência.

Comentário do prof: Para boa parte dos autores é aí que surge o Estado Nação, em Westfália. Trazem entendimentos de como deve ser a vida social, alguém tem algum comentário?

Pergunta inaudível

Professor: Sim, tudo isso faz parte desse processo de formação dos Estados Nacionais. São processos que não são muito violentos, mas depende de quem conta a história, do autor.

Pergunta: Uma coisa, também, que eu penso a respeito é até que ponto é viável essa autonomia do Direito Internacional? E eu digo isso porque o Direito Internacional depende de uma inter-relação entre países soberanos e hoje, cada vez mais, a tendência é que países semelhantes se unam e possuam uma intervenção muito grande. Aqui

temos o caso da União Europeia

A criação de uma constituição única para a União

Europeia, pensando-se que esse é Direito Internacional, isso seria uma autonomia ou seria formada para um direito global? Entende?

Professor: É um processo de formação, não é muito diferente em relação ao Direito

Internacional

internacionais no ambiente europeu. (

global é difícil dizer, mas digamos que há força nessa ideia.

Se vai se tornar um direito internacional

Por isso, existe hoje, em alguns lugares/países, obrigações

)

Aluno: Eu acho interessante que são países distintos com características muito distintas, que tentam criar normas em comum para regular tudo.

3.

Aula 03 (Aula do dia 16/04) – Relações entre o DIP e as outras áreas do conhecimento e do direito

Uma série de processos de cooperação tem sentido em função da economia, então não tem como dissociar/trabalhar com direito internacional sem trabalhar sem

considerarmos o (

os elementos das pesquisas quantitativas relacionadas a economia. O direito internacional tem estado aberto a este desenvolvimento. (aqui não consegui transcrever, mas ele fala algo no sentido de D. Internacional está ligado com economia, ciência

política, direito e geografia).

Vocês devem ter ouvido falar nas margens de fronteiras. A antropologia tem uma série de autores que têm trabalhado com o D. internacional, um desses autores faz estudos a como o D. internacional surgiu em espaço que não são tidos como espaços típicos do D. internacional (como por exemplo espaços de comunidades indígenas e

comunidades não tradicionais/não importantes – na visão do autor eurocêntrico). Os antropólogos de hoje em dia, sobretudo considerando o desenvolvimento relacionado àquilo que podemos entender como teorias pós-modernas, têm considerado essas comunidades. Por exemplo, algumas decisões internacionais têm considerado o valor

histórico dos índios, o valor econômico

tem uma série de abordagem, produzida por antropólogos, e que ajudam a fundamentar o D. internacional. Considerando, por exemplo, a história das mulheres em determinado lugar. A partir daí perceberam que o D. internacional deveria considerar nas suas decisões também essa produção social/histórica dessas comunidades antes invisíveis. A psicologia social também vai contribuir nessa noção de multidisciplinaridade. Cada vez mais os estudos, não só no D. Internacional, busca ajuda de outras áreas, porque nenhum conhecimento é pleno (como imaginava os iluministas). A ideia antiga era isolar um objeto para entendê-lo, hoje em dia já se sabe que não há como conhecer um

corte interamericana de direitos humanos já

E também encarar o trabalho numa perspectiva de relação com

?).

A

objeto plenamente e muito menos que isola-lo é a solução. A psicologia aqui vai colaborar com o D. internacional quando por exemplo nas guerras, nos conflitos, os estudiosos da psicologia poderão mostrar seu conhecimento/ajudar procurando entender como determinados comandantes/governantes, como as pessoas que estão na linha de guerra, poderão desenvolver suas ações. É claro que ai há toda uma dose de realismo (as teorias realistas nos campos do D. internacional), imaginação e construção (numa

perspectiva liberal) e poderá ser utilizada para contribuir nessa área. A ciência política contribui na medida em que estuda a política. O Direito estuda a política internacional,

só que com uma dose de normatividade grande como em toda área do direito. Se tiver

uma decisão da corte interamericana de direitos humanos, por exemplo, um aluno de ciências políticas vai tentar entender que processos políticos estão por trás disso. Um aluno de direito, qual a relevância normativa acima de tudo. As relações internacionais contribuem com relação às teorias que veremos nas próximas aulas. Teorias do direito e teorias das relações internacionais. Essas teorias foram sistematizados pelos cientistas das relações internacionais. Analisam todos os elementos principiológicos da política, não só do direito. Hoje se fala em um direito constitucional internacional. São direitos nacionais que precisam dialogar com o restante do mundo. Esse direito internacional é uma área de interseção. Vocês já devem ter ouvido falar em estudos recentes sobre o constitucionalismo latino americano. É um constitucionalismo que envolve várias constituições latino americanas.

O direito adm tem uma contribuição na medida em que temos organização internacional e esses organismos precisam do d. adm para sua própria organização. O direito penal e processual penal se envolve no que tange ao direito internacional penal. Não se imaginava, há algumas décadas, a possibilidade de o direito internacional ter normas penais. O direito penal sempre foi visto como uma seara típica do direito nacional. Rafael Lenti (não sei se o nome é esse mesmo), saiu da 1ª guerra mundial, falando sobre tratados que tratassem sobre a possibilidade de punir ações a nível internacional (por exemplo genocídio). E hoje nós temos 4 tipos: genocídio, crimes de guerra, agressão e contra a humanidade. Isso era inimaginável há algumas décadas atrás, porque era transferido a punição penal à soberania nacional. Não se imaginava que o estado pudesse se desvencilhar dessa soberania para que os seus fossem julgados na seara internacional. Diante disso foi necessário criar normas processuais (e não só substantivas) para regular a aplicação do direito penal. O direito ambiental porque não é mais uma matéria de interesse interno. Isso porque as normas internas nem sempre são eficazes, é preciso ter outras instância para fazer valer determinadas normas. O que essas conferências internacionais fazem? Monitoram o tratado. É feito um relatório e especialistas do mundo inteiro, com base em estudos especializados, vão estudar isso. outra área são os direitos humanos que antes da 2ª guerra nem se imaginava. O constitucionalismo visava dar as garantias, mas não tinha a normatividade e arquitetura (em termos de organizações internacionais) que temos hoje. Vamos ter tratados em âmbito global, tribunais também. O elemento mais visível quanto ao d. tributário é a evolução dos processos económicos (sem relação ao ambiente da união europeia/mercosul).

A arbitragem pode ser de direito público ou privado. Pública quando são realizadas

entre estados e podem ser a nível internacional também. O que é uma arbitragem? é a constituição de uma jurisdição a doc.

Nós temos árbitros internacionais, que são conhecidos, são formados para exercerem essa arbitragem. A arbitragem ainda é vista como uma forma de solução de controvérsia que se esgota quando o conflito é resolvido. Mesmo existindo um árbitro, uma organização que congrega esses árbitros e tem caráter de permanência, a arbitragem se inicia quando duas pessoas, no caso dois Estados estão em conflito e termina quando é resolvido. Estamos falando da arbitragem internacional de direito público, envolve Estados.

O Mercosul tem uma jurisdição arbitral - judicial. Ele fala que tem mais característica de jurisdição judicial do que arbitral.

Zé: o Tribunal pode rediscutir a decisão do árbitro? Digamos assim, é possível rediscutir a coisa. A princípio, para que haja segurança jurídica, o tratado que dispõe sobre a arbitragem pode prever sobre isso, no sentido de que resolvendo o litígio, não caberia recorrer ao judiciário. Ma a política é mais forte do que certas normas. E é possível que o assunto seja rediscutido. Ele falou do caso recente entre o Chile e o Peru, não foi redefinida os limites das fronteiras terrestres entre os países.

Em relação ao direito privado, o direito financeiro tem cada vez mais necessidade de regular as operações no âmbito internacional, em razão da globalização. O comércio internacional sempre existiu.

Se é matéria de interesse público ou é matéria de interesse privado. No direito internacional público, a prevalência é no interesse estatal. No caso do direito internacional privado, a prevalência dos interesses são das empresas ou dos indivíduos.

Há uma discussão sobre se determinadas normas são de direito público ou privado.

Há outra questão também, as normas que instituem os direitos dos estrangeiros são de direito público ou de direito privado? Boa parte da doutrina entende que é matéria de direito internacional privado (a maioria).

Em relação às arbitragens entre empresas e Estados são tidas como matéria de direito privado. Digamos que a Tim tem um conflito com o Estado. A arbitragem, nesse caso, é de direito privado. Envolve uma empresa transnacional e o Estado brasileiro. A maior parte da doutrina entende que é matéria de direito internacional privado. Porque a prevalência de interesse é privada, é comercial.

É plenamente aceito no meio internacional a utilização da arbitragem.

Quando o Estado define regras gerais e não pode se desvencilhar da posição de Estado, ali está o direito internacional público. Isso é o que a parte da doutrina publicista defende. Mas outra parte da doutrina defende que a definição se será matéria de direito público ou privado é a prevalência do interesse, se do Estado ou do particular. Se a arbitragem for realizada entre duas empresas, é matéria de direito internacional privado.

Hoje podemos falar em um sub ramo do direito internacional, que é o direito das organizações. Só a partir das criação da ONU não vamos ter a criação da própria ideia de que alguns tratados representam a constituição de uma organização internacional.

A área espacial também tem normas que definem… A lua e outros corpos

celestes não é sujeita à soberania. Têm tratados internacionais que regulam o que pode ser feito no corpos celestes. O direito internacional do mar regula algumas áreas que não são suscetíveis de soberania.

O direito internacional comunitário está relacionado às comunidades internacionais, sobretudo às cooperações econômicas, aquilo que diz respeito a normatização e arranjos econômicos como o MERCOSUL, UE, NAFTA, tudo isso é parte do direito internacional comunitário. A ideia de que comunidades internacionais agregam valor.

O direito internacional dos direito humanos reflete a ideia de que é possível ter

uma jurisdição internacional no âmbito regional para proteger contra violações de direito humanos, quando no plano interno não se consegue determinados resultados. Isso também é novo considerando a história do direito internacional.

O direito internacional dos refugiados é parte do direito internacional público.

Surgiu na mesma época do direito humanitário.

Alan: Está relacionado com aquela coisa do judeu é ?

Resposta: Está relacionado à guerra de uma maneira geral. Mas certamente está relacionado às duas guerras do século XX. Já no final do século XIX já haviam algumas regras de direito humanitário e de certa maneira sobre o direito dos refugiados. A suíça tem muita contribuição nesse sentido. E por isso muitos organismos de direito humanos e de direito humanitário estão muitos no solo suíço.

Há diferença entre direito internacional humanitário, que tem vigência no âmbito do conflito de guerras; e direitos humanos, que têm vigência no âmbito do estado democrático de direito.

Então, quando tem vigência leis e os Estados têm constituições, tem cabimento a existência dos direito humanos. Já o direito humanitário em situações onde há conflitos armados e guerras. Se vincula muito com a ideia de direito internacional dos refugiados. Porque os refugiados só existem no contexto de guerra e conflitos armados ou assemelhados.

4. Aula 4 (Dia 18/04)

Quadro:

1. Comunidade internacional

2. D.I / sociedade / comunidade internacional

1. Geral e especifico

Carta das nações

Carta da OEA

1. Global e regional

Protocolo à convenção quandro das N.U. sobre a mudança do clima

Convenção interamericana para prevenir e punir a violência contra a mulher

FUNDAMENTO DO DIP

1.

Teorias voluntaristas

1. Autolimitação da vontade (Georg Jellinek)

2. Vontade comum ou coletiva (Hetrcch Triepel)

2.

Teorias objetivas

3.

Teoria da norma jurídica (Hans Kelsen)

4.

Jusnaturalismo

Teológico

Cosmológico

Racional (jusracionalismo)

1.

Teorias ecléticas

Áudio:

internacional geral, especifica, global e regional, e a partir de agora a gente

vai falar bastante a respeito disso, ou seja, dos tratados gerais, os tratados específicos, os tratados de caráter global, os tratados de caráter regional, tudo isso vai fazer parte da nossa linguagem, e depois começar a falar sobre o fundamento do direito internacional. Esse é um tema que vai se desdobrar ao longo do nosso curso, nos falaremos muito e ele retornará bastante, nós não ficaremos nessa aula apenas. E como já falei também em aulas anteriores, a discursão em torno do fundamento do direito internacional vai se desdobrar em mais 2 aulas que nós teremos uma abordagem sobre as teorias das relações internacionais. Bom, vamos lá para essa distinção entre comunidade e sociedade internacional, essa é uma distinção que vem do âmbito interno, vem do, não diria tanto do direito, mas da sociologia, do âmbito da sociologia no plano interno, ou seja, se aplica ao âmbito nacional, aos âmbitos nacionais, aos âmbitos locais e com a criação do direito internacional essa noção foi levada, também, para o âmbito internacional. Então certamente vocês já ouviram falar em comunidade internacional, como já ouviram falar em sociedade internacional. São coisas distintas: o que que a gente entende quando fala em ‘comunidade’? independente, antes de falar em ‘comunidade internacional’, o que que nós entendemos quando falamos de ‘comunidade’? E o que que nós entendemos quando falamos de sociedade? (turma falando coisas inaudíveis)

] [

Allan: qual a diferença entre comunidade e sociedade? (só repete a pergunta)

Jayme: sim! quando vocês pensam em comunidade e qual a ideia de vocês de sociedade? Antes de chegar no plano internacional, qual é a ideia que vocês têm?

Allan: pra mim, comunidade é algo específico, não sei se estou certo

Jayme: é algo mais específico, geralmente é algo mais próximo da gente. E sociedade é algo mais ligado ao interesse. Interesse, necessidade, ou seja, a gente faz parte de uma sociedade quando a gente tem alguma coisa, interesse… por exemplo: a sociedade teatral, quem participa da sociedade teatral é quem tem interesse no teatro. Seja em produzir, seja em atuar, seja em criar… Não é preciso haver uma ‘comunhão’ digamos assim.

Quando nós falamos de comunidade é justamente quando há essa aproximação.

A gente fala em comunidades eclesiásticas, ou em comunidades acadêmicas,

comunidades da região metropolitana do Recife, ou seja, tem uma ideia de aproximação. Pois bem, digamos que na sociologia alemã se fez a distinção de que quando se fala em comunidade diz que este vínculo é mais espiritual! Essa aproximação maior, essa necessidade de aproximação maior. Enquanto que quando se fala em sociedade se está falando em algo relacionado a um interesse ou necessidade! A ideia de interesse-necessidade é algo que tá presente na fundamentação do Direito. Daqui a pouco a gente vai ver isso.

De acordo com as teorias se fala muito em necessidade e em interesse. Interesse

jurídico, o interesse social, sobretudo o interesse jurídico. Então é muito mais apropriado falar em ‘interesses’ quando nós estamos falando da ideia de ‘sociedade’. Que carrega também a ideia de um ‘pacto’, a ideia de um acordo, ou seja, fazemos parte de uma sociedade quando há um acordo mínimo, uma base de acordo. Quando falamos de comunidade é algo que independe de acordo, é algo anterior a um acordo. É muito mais espiritual, é muito mais em função dos laços espirituais, os laços para além do interesse, para além da necessidade. Simplesmente fazemos parte de uma comunidade

por questões filosóficas, por questões que nos enchem a alma, digamos assim

Então essa discussão foi levada também para o âmbito internacional e é por isso que alguns autores falam em comunidade internacional ou em sociedade internacional e há distinções também com base nessa distinção anterior que não era do âmbito da questão internacional ou do direito internacional, mas que se aplica também ao plano internacional. E a distinção que se faz é de que quando se fala em Sociedade internacional há esse PACTO, há um ACORDO para que os Estados, sobretudo os Estados, façam parte desta sociedade. E ai vamos lembrar da primeira designação para a LIGA DAS NAÇÕES ou SOCIEDADE DAS NAÇÕES, ou seja, a ideia de que Estados, os mais variados, de diversas partes do mundo, com INTERESSES e com CULTURAS JURÍDICAS DISTINTAS fazem parte de uma SOCIEDADE. Ou seja, seria mais apropriado, de acordo com certos teóricos, para o plano internacional, falar na SOCIEDADE INTERNACIONAL envolvendo esses Estados. E hoje em dia o Direito Internacional NÃO É formado apenas por Estados, é formado também por INDIVÍDUOSe por ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS. Quando Organizações Internacionais e indivíduos adentram o espaço internacional, essa questão se COMPLEXIFICA ainda mais. Por isso certos autores dizem que é mais apropriado falar em sociedade internacional quando nós estamos falando de culturas das mais distintas, culturas sociais distintas, cultura jurídica das mais distintas entre essas culturas jurídicas, por exemplo, tem Estados que são mais voltados para uma dimensão legal, outros que são mais voltados para uma dimensão mais costumeira, alguns aceitam mais princípios do direito, outros aceitam menos… Portanto de acordo com certos autores seria mais apropriado falarmos em, para disseminar, para este espaço internacional: Sociedade Internacional. Já outros, os chamados comunitaristas, acham mais apropriado em função - como que eu poderia chamar? - da necessidade de significado maior a esse espaço internacional, um significado de caráter construtivista seria mais adequado falarmos em COMUNIDADE. Sabemos que tem culturas jurídicas diferentes, culturas sociais variadas, mas em função de aproximar essas culturas seria mais adequado falarmos em COMUNIDADE INTERNACIONAL.

Não vai haver um acordo em relação a isso, portanto se trata de uma escolha que nós temos que fazer. A partir de agora, vocês devem fazer essa escolha, falar em sociedade ou em comunidade internacional, se vocês têm uma ou outra aproximação, se você se identifica com uma ou outra fundamentação. Se vocês acham que um sistema de estados formado por, por exemplo, o Haiti que é um estado pequeno, um estado pobre com o Brasil que é um país médio, com uma população maior, depois tem a China que tem muito mais poder econômico e uma população muito maior também, tem uma história muito mais longa… então se você considera que apesar dessas diferenças todas é adequado, nos dias de hoje, falarmos em comunidade internacional e que esses países, as organizações internacionais, os indivíduos foram capazes de chegar ao espaço internacional e constituir que daqui para diante ainda vai, tem essa pretensão de criar um espaço maior de interesses internacionais, pode ser adequado se falar em comunidade internacional. Mas se você considera que o espaço é tão distinto, as culturas gerais, as culturas sociais, as culturas jurídicas são tão distintas que não há esse elemento comunicado, esse elemento espiritual, essa identidade, essa identificação entre os Estados, vocês podem falar então em Sociedade Internacional. Quando falar em sociedade vão estar falando em um espaço muito mais orientado em função de necessidades, interesses e de um pacto. Está claro? Certo? Deu pra entender?

A gente pode falar de uma comunidade, sociedade internacional geral ou

específica, global ou regional. Eu vou explicar de uma outra forma, ou seja, se eu acho que a ONU possui a Carta das Nações como a sua constituição, se eu acho que a constituição de ONU ela representa a possibilidade de construção de um espaço espiritual internacional em busca da paz, é bem apropriado falar em comunidade internacional. Agora se eu acho que este espaço nada mais é do que interesse, construção de diálogos, pacto, acordo, será mais adequado falar em Sociedade Internacional. A ONU é uma sociedade de Estados.

Alan: essa é uma divergência doutrinária né? a gente tem que escolher uma das

duas.

Jayme: sim, vocês tem que escolher uma das duas para se guiar.

A partir desta escolha (sociedade ou comunidade) nós temos essa categoria

sociedade internacional ou comunidade internacional geral ou específica. O que é esse conceito de sociedade ou comunidade geral ou específica? Depois nós teremos também tratados internacionais gerais, tratados internacionais específicos, tudo dentro dessa discussão. Porque um tratado geral ou um tratado específico se refere a discussão sobre uma comunidade ou sociedade internacional. Vocês viram que o título do autor Adam Watson é SOCIEDADE, ou seja, a evolução das sociedades internacionais, ele está fazendo uma escolha, uma escolha teórica que é, eu acredito que ele está dizendo de outra forma, que acredita que o que existe no âmbito internacional é o ACORDOentre estados. (comentário inaudível)

Sim, podemos considerar que hoje nós temos uma sociedade que poderá evoluir para uma comunidade internacional. E há aqueles que acham que hoje já é importante que mesmo que não tenha esse elemento espiritual tão caracterizado, falar em comunidade internacional para que a coisa vá crescendo e vá se tornando realmente isso.

(Alguém novamente tirando uma dúvida que não dá pra ouvir muito bem)

Eu faço parte de uma comunidade por conta das crenças que ela tem, muito mais

do que em função de interesses ou necessidades.

A noção de paz vai variar no conceito adotado: na comunidade a ideia de paz

ela é mais sentida, mais significativa e no caso de sociedade pode ser algo simplesmente temporário, passível de acordo.

MARLON fazendo algum comentário que também não fui capaz de traduzir,

sorry!!!

Você lembra o que se fala em comunidade do MERCOSUL, por que falar em comunidade e não em sociedade? Porque existe um elemento ai que é o que justifica falar em MERCOSUL é um elemento ligada à IRMANDADE entre os estados latino americanos. Tem uma história comum, tem uma língua, não comum, mas, parecida…. então, seria justificável falar em comunidade do MERCOSUL porque tem algo que nos vincula e que é maior do que um interesse simplesmente comercial. Mas ai a gente vai, vamos esperar um esperar um pouco para falar mais a fundo dessa fundamentação no âmbito do direito, mas, sobretudo, no campo das relações internacionais tem toda uma discussão entre realistas e idealistas que vai deixando a discussão mais difícil.

Bom, então temos a sociedade ou podemos falar de sociedade ou comunidade internacional, geral ou específica. Geral: é aquela que diz respeito a uma GENERALIDADE de assuntos, de

questões. Então falando em termos de TRATADO, um tratado geral ou um exemplo de um tratado geral é a CARTA DAS NAÇÕES. A Carta das Nações trata da organização das nações unidas, trata de instituir a organização das nações unidas, trata de alguns princípios, muito gerais, em relação ao funcionamento da ONU, então não resta dúvida de que é um tratado GERAL e que diz respeito a uma sociedade ou comunidade internacional GERAL.

E a carta da OEA trata de um tema ESPECÍFICO, ou melhor, não de um

tema específico mas de uma sociedade ou de uma comunidade específica. A comunidade geral é a comunidade da qual todos os estados do mundo podem fazer parte, mas além disso a temática ou o conjunto de temas é de caráter GERAL, os temas são de caráter geral ou de interesse geral. Enquanto que os temas da OEA, da carta da OEA, são de interesse específico dos estados que fazem parte da OEA. Se um Estado de fora das américas quiser entrar na OEA, não poderá e a resposta será porque está é uma sociedade ESPECÍFICA, ela é RESTRITA a determinados estados do planeta que estão nas américas. E uma sociedade ou comunidade é global ou regional de acordo com a abrangência. Aqui tem relação com abrangência mas tem muito mais com abrangência TEMÁTICA, aqui é uma distinção relacionada à abrangência territorial (acredito que ele estava apontando para algo escrito no quadro por isso esta parte talvez esteja um pouco sem nexo, mas é isso ai. FORÇA, MORES) Então quando a gente tá falando de uma sociedade ou comunidade GLOBAL é aquela do conjunto de países do mundo.

O conjunto dos países do mundo pode fazer parte da convenção do pacto das nações

unidas sobre a mudança do clima que faz parte ou não se não quiserem, mas é aberto a todos os estados no âmbito global.

Já com relação a convenção interamericana para prevenir ou punir a violência contra a mulher, a participação está restrita ao ambiente regional, convenção de âmbito regional. Podemos seguir?

(Alguém tirando mais alguma dúvida que sou incapaz de traduzir, tô me sentindo uma incompetente, mas é isso ai, sigam firmes!)

Uma sociedade ou comunidade global pode regular um tema específico. Como é

o caso da convenção, pacto das Nações Unidas sobre as mudanças do clima: ela é

específica e geral. É uma convenção sobre matéria ambiental, regula o meio ambiente

internacional. ALGUÉM FALANDO MUITO BAIXO AAAAA Um assunto com abrangência como a convenção internacional dos direitos

humanos, convenção internacional do meio ambiente, normalmente a convenção específica ela trata de um TEMA, vai ter algumas que podem, que vão tratar de mais

de um tema, mas o pacto GERALtrata de um tema só.

Queria saber se até aqui tá tudo bem, se a gente pode seguir para o outro ponto, a gente vai entrar no tema do FUNDAMENTO DO DIREITO INTERNACIONAL. podemos seguir? Muito bem. Só lembrando, mais uma vez, que esta aula que começa agora vai tratar da discussão no âmbito do direito, certamente vocês já viram essa discussão, a discussão sobre o FUNDAMENTO do Direito, em outras disciplinas como o direito civil, do direito penal, do direito comercial, certamente vocês já tiveram essa discussão em outras disciplinas. Sobretudo, vocês já viram em Teoria do Estado e na Introdução ao Direito, mas agora a gente vai ver como aplicar ao DIREITO INTERNACIONAL. Como se aplica essa discussão no âmbito do Direito Internacional. E eu falei também, espero que tenha deixado claro, desde a primeira aula, que eu considero que as teorias do âmbito do direito elas explicam um pouco o que acontece no âmbito internacional. E é por isso que eu ia trazer as teorias das relações internacionais, elas surgiram há menos tempo, tem tendências mais contemporâneas para explicar o que acontece no âmbito internacional, embora elas também apresentem limitações porque são TEORIAS. E sendo TEORIAS são discussões humanas, falidas, são simplesmente uma forma de enxergar o mundo. Qualquer teoria é uma forma de enxergar o mundo, de explicar o mundo, de explicar um determinado fenômeno, tem limitações nas explicações. Então não são, não buscam a verdade, embora alguns digam que sim, buscam acessar a verdade, buscam explicar um fenômeno como ele é, como dizem os realistas, mas antes de falar dos realistas, vamos falar das teorias no âmbito do Direito. Então, as teorias são: VOLUNTARISTAS e digamos que tem uma certa impropriedade no ambiente internacional porque elas ao mesmo tempo tem uma explicação, ou seja, o motivo pelo qual elas foram utilizadas para explicar o direito, eram usadas para explicar o direito como um todo. Tanto no direito privado quanto no direito público. E hoje o direito que a gente conhece vê muito mais as LIMITAÇÕES dessas teorias porque seus elementos centrais delas são elementos que já não atualizam o que existe no ambiente do Direito e do Direito Internacional.

Então se fala nas teorias voluntaristas que se subdividem em teorias: TEORIA

DA AUTOLIMITAÇÃO DA VONTADE e TEORIA DA VONTADE COLETIVA. As TEORIAS OBJETIVISTAS, a TEORIA DA NORMA JURÍDICA que todo mundo aqui conhece, mas como é que ela se aplica ao direito internacional? como é que Kelsen justifica o direito internacional?

O JUSNATURALISMO que tem pelo menos essas três formas: o

jusnaturalismo de base teológica, o jusnaturalismo de base cosmológica e o jusnaturalismo de base racional que também é chamado JUSRACIONALISMO. E há quem fale também nas teorias ECLÉTICAS, ou seja, aquelas que juntam elementos de várias teorias, sobretudo considerando os desenvolvimentos metodológicos, sociológicos, filosóficos do século XX que demonstram que existem limitações dentro das teorias, limitações teóricas, limitações do pensamento e que nenhuma teoria explica tudo. Se uma teoria explicasse tudo, então seria possível nós vincularmos elementos de várias teorias e encontrar uma explicação que nos satisfaça. Essa é uma perspectiva, digamos que, consistente com um mundo que é muito PÓS MODERNO. Porque há um tempo atrás isso não era possível, certamente vocês já se deram conta de que algumas teorias disputam tanto entre si que seus expoentes são inimigos um dos outros, no passado isso era muito mais latente. Então se alguém defendia uma posição inteiramente, ferrenhamente uma teoria diferente da outra, ele iria com a sua teoria até o fim. Hoje a gente tem abandonado essas paixões, buscando entender que toda teoria é limitada, toda teoria NÃO explica tudo. Então é possível considerar elementos de uma outra teoria. É claro que os mais apegados ao passado não vão concordar, os mais apegados ao passado vão dizer: ‘o que eu defendo é essa teoria e pronto, essa teoria é coerente e eu vou com ela até o fim.’ Mas tem pessoas muito abertas hoje em dia à possibilidade de outras teorias, à explicações teóricas, têm trabalhos muito contemporâneos nesse sentido. Eu lembro de um trabalho, por exemplo, que é sobre a construção da nacionalidade brasileira de um autor brasileiro chamado RICHARD SCOTT (não sei se é assim que se escreve, perdão novamente galera) é um autor brasileiro apesar do nome, de São Paulo e ele trabalha com teorias pós modernas, pós coloniais e feministas. Para um iluminista, digamos assim, isto é uma impropriedade porque o iluminista vai achar que nós temos uma única explicação e uma explicação racional e perfeita para as coisas, porque nós estudamos e isolamos o objeto e o conhecemos plenamente, mas quem superou o iluminismo tem essa abertura para outras teorias.

e por isso para chegarmos nas nossas teorias que não são tão abertas

assim, são teorias BEM FECHADAS, BEM MARCADAS e que procuram uma explicação para o Direito Internacional.

As TEORIAS VOLUNTARISTAS se baseiam na ideia, ou seja, o elemento

central das teorias voluntaristas é a ideia de VONTADE, ou se preferirem, a ideia de AUTONOMIA DA VONTADE que é tão cara, por exemplo, ao Direito Civil. Vocês que já estudaram, que estudam ainda direito civil sabem que a ideia de VONTADE faz parte dos CONTRATOSe passou a fazer parte também dos TRATADOS. Podemos entender, inclusive, que um estado pode fazer parte de um tratado se estiver de acordo com ele. Então, está ali presente a ideia de vontade, é a vontade do soberano ou a vontade do Estado, ou a vontade do povo, dependendo da compreensão que se tenha da SOBERANIA, soberania em termos originais, ou seja, soberania do soberano, soberania do estado, soberania do povo. Então o Estado precisa estar presente

BOM

ou a VONTADE do Estado precisa estar presente para constituir o Direito Internacional. É com isto que trabalha as teorias voluntaristas.

A teoria da AUTOLIMITAÇÃO DA VONTADE diz que o próprio Estado

autolimita a sua vontade para permitir o surgimento do Direito Internacional e logo apareceram aqueles que criticaram a ideia de autonomia da vontade. Porque vão perguntar aos seus expoentes: ‘como os estados vão querer delimitar a sua própria soberania ou a sua própria vontade?’ Entendido aqui ‘soberania’ como um elemento que se constrói a partir da vontade estatal. Porque existe no âmbito interno a vontade do indivíduo que constrói o direito no plano interno, que constrói também o direito que constitui o Estado, no plano internacional esta vontade é formada pelos ESTADOS, pela VONTADE DOS ESTADOS. Então o expoente da ideia de Autolimitação é o JELLINEK. Vai trabalhar com essa ideia da autolimitação da vontade. É o próprio estado, em função da emergência, digamos assim, de uma outra ordem internacional, que cria, ou melhor, limita a sua própria soberania dando a possibilidade da criação do Direito Internacional. Mas ai os críticos, eu sou muito de ouvir os críticos, dizem ‘como é que um Estado em sã consciência vai querer limitar a própria vontade? que Estado é esse? que Soberania é essa que faz com que o próprio estado permita, se depender do Estado, ou se dependesse do Estado ele jamais limitaria sua própria soberania’ Não pode ser a vontade, muito menos a autolimitação da vontade o fundamento

do direito internacional, então se não pode ser a autolimitação da vontade que justifica o direito internacional, o que será? Se for o elemento vontade, aparecem alguns autores, como é o caso de Triepel que vai falar da vontade comum ou da vontade coletiva, então da vontade comum dos Estados, os Estados resolvem num ambiente comunitário criar o direito internacional, limitar as suas soberanias, ai criam o direito internacional. E uma grande crítica feita a teoria da vontade, ou voluntarista, que coloca o elemento vontade como elemento central, para explicar o direito internacional, é que nós estamos falando de um elemento que vem do direito privado, a ideia de vontade, ou que tem seu grande lugar no direito privado. Como é que isso pode ser passado para o plano do direito internacional público, embora essa fundamentação alcance também o ramo privado do direito internacional, o direito internacional aqui não é só o público, mas o privado também.

A maioria dos autores, tirando aqueles que são normativistas, trabalham com a

ideia de objetividade, e as teorias objetivas tem uma certa relação com o realismo, do qual nós falaremos nas próximas aulas, precisaremos pelo menos de 2 aulas para falar “das teorias das relações internacionais”, porque são muitas e muito detalhadas, com muitos autores, então teremos pelo menos 2 aulas falando do realismo, idealismo, construtivismo, (inaudível 49:09) teorias críticas, tudo isso em relação ao ambiente internacional no qual se insere o direito internacional, portanto, não são teorias apenas para o direito internacional, voltadas apenas para explicar o direito internacional, mas sim para explicar as relações internacionais, incluindo o direito internacional. Então falando das teorias objetivistas, o elemento vontade, ai cria uma disputa enorme entre os objetivistas e os voluntaristas, que os objetivistas, de um lado, questionavam a ideia de vontade aplicada ao direito internacional, vão dizer “não, não é a vontade, não pode ser a vontade que justifica o direito internacional”, tem que ser um elemento objetivo, como dirão os realistas, “a realidade”, uma forma então de dizer isso, ou de explicar ou de justificar o direito internacional é dizer “o direito internacional se impõe como uma realidade, uma necessidade, ai aqueles elementos que aqui apareciam

para descrever a sociedade vão estar muito evidentes aqui, é interesse e necessidade que fazem com que direito internacional tenha surgimento. Interesse ou necessidade, ou seja, os mesmos elementos que vão distinguir “comunidade de sociedade”, sociedade:

algo construído em função da ideia de interesse ou de necessidade, enquanto que a comunidade é mais voltada para uma dimensão espiritual (acho que ele falou espiritual). Então os objetivistas vão dizer que o direito internacional existe porque se impõe como algo necessário, e pra isso muitos jusnaturalistas vão ser um tanto fundamentais, o jusnaturalismo, o direito natural vai ser fundamental para justificar. Portanto não tem como separar muito as teorias objetivistas das teorias do jusnaturalismo porque muitas vezes elas se entrelaçam, sobretudo no início da formação do direito internacional contemporâneo, porque era necessário um apoio junto a um elemento central da teoria jurídica e esse apoio, ou elemento central, era o direito natural. Então autores, por exemplo como Triepel, vai se valer muito, embora justificando numa base um tanto quanto objetivista, mas ele vai justificar também com base no direito natural, o direito internacional. A teoria da norma jurídica é conhecidíssima por vocês, talvez até mais do que qualquer outra teoria, sobretudo em Kelsen, trabalha com a ideia de que as normas são fundamentadas por outras normas superiores, até nós chegarmos na constituição. Mas quando chega na constituição, para justificar o direito internacional? Como é que o direito internacional é justificado? Acima da constituição ou por sobre a constituição tem algo que justifique o direito internacional? Hum? Prof: a norma fundamental seria a constituição? Alunos: não, acima da constituição tem uma norma hipotética que daria validade a constituição” Prof: certo, muito bem, e a gente pode entender essa norma fundamental como o

que? Alunos: É uma norma hipotética Prof: É uma norma hipotética, mas essa norma hipotética é o que? O direito natural?” Alunos: não sei Prof; a quem diga que sim, que é o direito natural, porque é algo que não estar muito claramente definido. Na parte do direito internacional é um princípio chamado pacta sunt servanda, é o que estar por cima das constituições, integraria essa norma geral não tão clara. Pacta sunt servanda, a ideia de que todos nós ou sobre tudo os Estados estabelecem acordos para serem cumpridos, não tem sentindo estabelecer um acordo se não vai cumpri-lo. Portanto, é por isso, ou seria por isso, que os Estados deveriam cumprir as normas de direito internacional, mas essa é uma, e outra uma vez eu gosto dos críticos, ou seja, há sempre uma explicação normativa, que se serve e muito para justificar o direito interno, ela serve menos para justificar o direito internacional, será que é só a normatividade que justifica o direito internacional? A normatividade nacional e essa norma hipotética da qual faz parte o princípio pacta sunt servanda? Então a gente vê ai que são teorias que demonstram uma certa limitação na hora de explicar o direito internacional, elas podem ser muito factíveis digamos assim, justificáveis para o direito nacional, mas que no âmbito do direito internacional têm certas limitações porque são um (inaudível) de elementos para o âmbito internacional que talvez não seja muito adequado. E o jusnaturalismo é muito conhecido também, de todas as teorias é a base mais antiga delas, o jusnaturalismo teológico, cosmológico e

racional. Pra falar do jusnaturalismo é sempre bom lembrar de uma peça que tem dois mil e quinhentos anos, chamada Antígona, certamente já ouviram falar ou já assistiram

a peça. E nessa peça a heroína está em uma situação difícil, e qual é a situação difícil

dela? É que ela cometeu uma ilegalidade ela mandou descumprir a ordem do rei, seu tio, Creonte. Havia uma disputa pelo reino, pelo poder, e o rei, os irmãos de Antígona estavam disputando em lados distintos, e o exército do rei abateu um dos irmãos de Antígona e decretou que ele não poderia ser enterrado, que o corpo dele deveria ser colocado em uma colina para ser consumido pelos abutres, além da morte, essa era mais uma pena. E ela disse que não ia cumprir essa decisão, foi lá lavou o corpo, prestou todas as homenagens que era da época e enterrou, então o rei manda chama-la e pergunta por que? Afinal de contas o que que faz com que aquela mulher descumpra a ordem do rei? Embora sendo sua sobrinha, por que que ela descumpriu a ordem do rei, e ela vai pagar por isso, vai terminar serrada em uma caverna para morrer de fome, mas se mata antes, mas a resposta dela é o que nós interessa aqui, ela disse que: “descumpriu porque existe uma ordem superior a lei dos homens”, e essa ordem superior é o que se chama de direito natural, teológico, cosmológico ou racional, nesse caso ai é o direito natural que eu diria estar entre o cosmológico e o teológico, que ela vai dizer que é

“algo superior”, ela não diz exatamente de onde vem esse direito, se é um direito divino, se ele é um direito que vem na natureza em si, ou seja, nós iriamos entender como cosmologia, um direito natural cosmológico, aquele que vem da natureza em si, ou seja,

a própria natureza justifica o direito.

É como dizendo assim “nós somos inteligentes suficientes para aprender com a

natureza, a natureza nós ensina o que é o bom e o certo, o que é o direito”. Aquela pessoa que acredita que o direito é fundamentado pela cosmologia ou pelo direito natural cosmológico, tem essa tendência a acreditar que a nossa natureza, a natureza humana, a ideia de natureza humana nós ensina como conviver em sociedade, e se nós ensina como conviver em sociedade criando Estado, também os Estados são guiados para criar o direito internacional. Ou então aqueles que vão dizer realmente que a divindade é que fundamenta o direito, e portanto o direito internacional também, ou seja, se a divindade fundamenta o direito, dirá também que os Estados devem formar o direito internacional.

Para os jusnaturalistas, digamos assim, a história tem um papel menor na criação do direito e na criação do direito internacional, porque tem um elemento superior, seja ele a natureza em si, a divindade ou a razão que vai estar fundamentando o direito e o direito internacional também. Então, como eu já falei pra vocês, Triepel trata de fundamentar o direito internacional com base em elementos objetivistas, mas também com base em elementos de direito natural. Então ele vai lançar mão do direito natural pra dizer “os Estados criam o direito internacional porque a natureza, não é a natureza, mas o direito da gente é uma criação orientada pelo direito natural”, porque assim é quase como dizer que é da natureza dos Estados encontrar com os Estados e, portanto, precisar do direito internacional.

E ele será racional como o iluminismo, ou seja, o jusnaturalismo racional é

aquele que surge com o iluminismo que pretendeu retirar do centro das atenções à natureza e a divindade e colocar no seu lugar a razão. Por isso que é chamado também de jusracionalismo, o direito natural e racional, ou jusnaturalismo racional. E esse jusnaturalismo é baseado na razão, ou seja, aquele elemento que constitui toda natureza humana, a razão. E se ele é constituidor da natureza humana, a razão é parte da natureza humana, é o que nos faz diferentes dos outros animais. Todos os outros animais têm

elementos que podem ser fundamentais, importantes para a existência do mundo, mas eles não têm algo que os seres humanos têm que é a razão, para os jusnaturalistas. Então, a razão faz com que não só exista base para justificar o Direito de uma

maneira geral, mas o Direito Internacional também. Existe uma razão de Estado que justifica o próprio Estado, e que justifica que se crie o Direito Internacional. O professor particularmente acredita que essas teorias jusnaturalistas são muito datadas, pelo menos de pelo menos 2500 anos, embora o jusracionalismo seja bem mais moderno, seja da modernidade, mas acha muito difícil nos dias de hoje essas teorias justificarem o Direito

e o Direito Internacional. Porém ainda tem muita gente, como ele falou em outras aulas,

que tem justificado a própria existência humana, da ideia naturalismo. E ai a gente tem que fazer a distinção entre natureza, ou seja, a natureza ela existe, ela faz parte de nós ou nós fazemos parte dela. Mas dai ela ser justificativa pra tudo? Fundamentação pra tudo, sobretudo sobre para traduzir o que é construção humana? Enfim

Por conta das limitações das teorias, tem aqueles que defendem o ecletismo. Então surgem as teorias ecléticas, surgem aqueles que engulam possibilidades das mais distintas envolvendo essas teorias, de explicar. E esses não acreditam na possibilidade de se ter uma explicação plena, uma explicação única, uma explicação universal. A ideia de universalidade é característica, sobretudo das teorias jusnaturalistas. A ideia de universalizar resultados, universalizar visões. A ideia de natureza humana, a de universalização das visões é muito característica do jusnaturalismo. Então, por conta dessas limitações surgem essas possibilidades de ter outras leituras. Ou seja, vai se dizer que nenhuma teoria é capaz de explicar a realidade. Nenhuma teoria é capaz de explicar o direito, e nenhuma teoria sozinha por conta da limitação humana, não vemos tudo, por conta da nossa própria limitação física, nossa própria limitação existencial, acaba que não podemos compreender tudo. E se não podemos compreender tudo, as teorias são limitadas. Sendo limitadas, vamos aproveitar elementos dos mais distintos que nos satisfaçam das várias teorias e explicar os fenômenos. Então, isso valeria também para o Direito Internacional. Entre os ecléticos há muitos relativistas em oposição ao universalismo, que vão buscar explicações muito pontuais, muito localizadas no tempo e espaço. Então, eles vão preferir ter uma explicação pra determinados fenômenos, pra determinadas situações. O MERCOSUL, por exemplo, temos uma explicação única pra todos os processos de cooperação regional. Cada processo de cooperação vai ter uma explicação, vai ter uma fundamentação. Então o MERCOSUL vai ser o que? Que pode considerar elementos da alta (inaudível) da vontade e ao mesmos tempo elementos da nova jurídica porque houve um tratado de fundação, um tratado que definiu a criação, e houve uma definição de uma vontade de estados, dois estados, o Brasil e a Argentina que resolveram inicialmente conversar a respeito do MERCOSUL. Esse é um processo que

é diferente da União Europeia. Não tem como explicar o Direito Internacional todo, mas os fenômenos dentro do Direito Internacional terão explicações que são próprias pra ele, que se forma no tempo e espaço. Pergunta aluna: Professor, o Direito Internacional tem como (inaudível) o direito internacional é voltado para a sociedade internacional? Resp: Então, dependendo de como entendamos, qual seja nossa orientação sobre o fenômeno internacional, sobre o espaço internacional, eu poderei falar em uma sociedade ou uma comunidade internacional. Se for um autor, digamos assim, mais realista ou do campo das teorias objetivistas ele vai dizer “é uma sociedade, estamos

diante de uma sociedade internacional” porque o que fundamenta a sociedade é o interesse e ou a necessidade. Ou seja, em qual estado ele se relacionar para criar um determinado fenômeno no plano internacional porque tinham o interesse, porque queriam se proteger. O interesse ai vai vaiar, é variável, para aumentar as capacidades econômicas ou para se proteger, então vai variar em interesse ou necessidade. Digamos assim, em elementos mais jusnaturalistas ou mesmo não jusnaturalistas. Elementos mais espirituais que estão além da vontade, para além da objetividade, que dizem que nós fazemos parte de uma comunidade Estados querendo ou não. Compartilhamos este mundo, e se compartilhamos somos parte de uma comunidade internacional, não só em uma sociedade baseada em um pacto de necessidade ou interesses. Até aqui como está ficando para vocês o entendimento desse direito internacional? (um aluno respondeu que tá claro) Perguntaram como encontrar esse conteúdo no livro, resp: (no livro que ele tava na mão, o assunto tava titulado assim:) cap. 2. Teoria do direito internacional, cada autor vai dar um título para o que ele quer abordar, tem toda essa instrução sobre o que é o direito internacional, discutindo qual o sentido de direito internacional, o fundamento em termos conceituais. É um livro mais detalhado, mais para mestrado, ele aconselha para a graduação ler um manual que é mais simples, ele gosta muito do de guido soares, no drop tem dois manuais de direito internacional. Aluna Pergunta: prof, fiquei em Dúvida sobre as teorias objetivistas. Resp do prof.: É um dado objetivo, não é a vontade. Não é a vontade que defini o Direito Internacional, tem certa paridade com o realismo. O realismo diz que o Direito Internacional existe porque é um fato do mundo. Aluna: que elemento real seria esse? Resp: o interesse e a necessidade, porque ele é útil, necessário, porque os Estados têm interesse no direito internacional, nós não vamos pensar em fundamentos mais espirituais do que esses, são elementos muito concretos, a necessidade e o interesse.

5. Aula 5 ( Aula do dia 25/04)

Quadro:

TEORIA

PRINCIPAIS

AUTORES

LEGADO

INSUFICIÊNCIA

SITUAÇÃO

ELEMENTOS

 

Estado:

Tucídides;

A força produz efeitos.

Pessimismo;

Conselho de

principal

Maquiavel;

Força como

Segurança

sujeito;

Hobbes;

 

argumento.

da ONU.

REALISMO

Anarquia

Edward

internacional;

Cam;

Natureza

Morgenthau;

humana;

Samuel

Guerra.

Huntington.

 

Preocupação

Hugo

Utopia

Estruturas

Brasil;

principal:

Grotius;

constrói

dissociadas da

Liga das

Indivíduo;

Kant;

Direitos

realidade.

Nações.

Racionalismo;

Everd

Humanos?

IDEALISMO \

LIBERALISMO

Organizações

internacionais;

Voltel;

Jeremy

Cooperação

Bentham;

Internacional;

Woodrow

Paz;

Wilson;

Comércio

Thomas

internacional

Moore;

livre.

Fukuyama.

 

Crítica ao

Karl Marx;

Consciência

Economicismo.

Realpolitik

Capitalismo;

Eric

de classe;

soviética;

Luta de

Hobsbawm;

Diferenças

Política de

classes;

Samuel

Culturais

Chávez.

MARXISMO

Estado:

Pinheiro

historicamente

instrumento de

Guimarães;

construídas.

 

acumulação de

Walstien.

capital;

Exploradores

X

explorados;

Anti-imperialis

mo.

Áudio:

Essas Teorias foram sendo construídas ao longo dos anos, mas só foram sistematizadas quando a disciplina de Direito Internacional é criada, o que só acontece no início do século XX, mas existem autores da antiguidade que defendem o Realismo, o Idealismo e, os mais recentes, o Marxismo. Na aula de hoje, vamos falar dessas três correntes principais: Idealismo, Realismo e Marxismo. Além delas, vamos falar - nas próximas aulas - das teorias alternativas das Relações Internacionais, que surgiram mais recentemente, nos anos 80 do século passado, e têm o condão de atualizar as teorias mais antigas, de mostrar como o mundo vem se desenvolvendo ao longo dos anos no plano internacional. Essas teorias alternativas são: o construtivismo, teorias críticas, pós-modernas, pós-coloniais, feministas e as teorias Queer (dentro das teorias de gênero). As tradicionais são o Idealismo, Realismo e Marxismo. Podemos dizer que elas disputam significado

entre si, principalmente o Idealismo e o Realismo. Nós vamos ver que elas vêm de longe – da Idade Média

– e, naquela segunda fase do desenvolvimento do Direito Internacional, já estavam muito presentes. E mais, no séc. XIX, o Marxismo surge para disputar espaço com o Idealismo e o Realismo.

A tabela serve para facilitar o entendimento da matéria, os principais elementos da teoria, alguns dos

principais autores.

O Realismo é uma ideia que reúne diversos elementos, mas o elemento central a ser analisado nas

relações internacionais é o Estado, ou seja, o Estado é o grande sujeito nas relações internacionais. O realismo é “estado-cêntrico”, digamos assim, pois coloca o Estado no centro das análises das relações internacionais.

O Realismo trabalha com a ideia de que não existe a possibilidade de uma organização da vida social

entre os Estados, essa vida é anárquica. Surge a Ideia de Anarquia Internacional.

O Realismo trabalha com a ideia de que isso não vai mudar, porque o elemento central para entender

o que acontece no plano internacional é a guerra, ou seja, os Estados, mesmo que busquem melhorar as

condições de guerra, mesmo que [as guerras] tenham sido reduzidas em seu significado, nunca haverá uma guerra permanente. Haverá sempre conflitos, o que caracteriza a vida entre os Estados.

O que caracteriza a vida social entre os Estados é a ideia de guerra. Nesse sentido, alguns autores são

importantes para entender a perspectiva do Realismo.

Tucídides talvez seja o autor mais antigo numa perspectiva realista. Ele escreveu, há cerca de 2500 anos na Grécia Antiga, uma obra denominada “A História da Guerra do Peloponeso”, uma guerra entre Atenas e Esparta. É um livro denso que busca chegar a verdade: “qual o sentido da guerra?”.

É um livro que expõe a guerra como elemento central. Ao escrever essa obra, o autor [Tucídides] diz

que em todas as guerras acontece aquilo que ele viu, que ele presenciou, no livro. Não é muito diferente da perspectiva de Maquiavel. Claro, muitos séculos depois. No livro o ”O Príncipe” de Maquiavel, o ensinamento é que a política é um elemento cultural, diferente do que se entendia no passado, que a política era entendida como elemento da natureza. A partir de Maquiavel, passamos a entender que a política é uma expressão da época. Dessa forma, por Maquiavel, se você quer ascender, observe como a política foi feita até agora. Ele [Maquiavel] vai consagrando um série de elementos do passado, e do presente, para demonstrar como a política era realizada, numa perspectiva tida, também, como realista. Nesse sentido, ele analisa os elementos estruturadores da ideia do Realismo Político e do Realismo Internacional. Hobbes vem dizer, também seguindo a ideia de natureza humana, que o ser humano é essencialmente mau. Mais para aqui, claro que dando muitos pulos, pois é uma aula expositiva focada mais no D. Internacional. Edward Cam, no séc. passado, escreveu um livro chamado “Vinte anos de crise”. Esse livro também é uma perspectiva Realista. Realista em que sentido? No sentido de que ele trabalha com uma visão contrária ao Idealismo de que o mundo não estava indo em bom caminho. Aquilo que estava sendo criado entre o final da 1ª Guerra Mundial e a 2ª Guerra Mundial, ele viu como algo que não era seguro. Ele [Cam] não via segurança nas instituições que estavam sendo criadas. O arranjo internacional que estava em vigência (liga das nações) também não passava segurança para ele. Então, [Cam] lança uma série de elementos (o prof. não disse quais elementos). Esse autor serve para quem quer entender as relações internacionais entre as duas Grandes Guerras do ponto de vista pessimista. Outro autor que contribuiu bastante para a teoria realista foi o Samuel Huntington. Ele escreveu um livro muito famoso chamado "O choque de civilizações". Essa obra trabalha com a ideia de que existem nove principais civilizações no mundo, entre elas a civilização Ocidental, Latino-americana, portanto, a civilização Latino-americana não é parte, na visão dele, da civilização Ocidental. Temos ainda as civilizações Africana, Sínica (Chinesa), Japonesa, cada uma delas com suas características fundamentais. O autor diz, ainda, que, a partir dos anos 80/90 do séc. passado, os conflitos que existiriam no mundo seriam entre civilizações, conflitos civilizatórios. Não seriam conflitos ideológicos, políticos, e sim conflitos em função das características civilizacionais. Atualmente, muita gente vê pertinência no que ele falou, pois nossa política, seja no plano nacional ou internacional, é muito caracterizada por elementos culturais, divergências culturais. Um autor que, também, ficou muito conhecido nesse ramo foi o Morgenthau e fundamentou a utilização do Realismo pelos norte-americanos no âmbito internacional. É, portanto, um autor de referência no estudo das relações internacionais. Resumão do Realismo: essa é uma perspectiva que trabalha com uma ideia de que o Estado é o grande elemento de análise. Só existe política internacional porque os Estados querem e na medida que o Estados venham a querer, como eles venham a querer, porque o cenário internacional é anárquico e toda tentativa que tenha havido, no sentido de domesticar o cenário internacional, é limitada. Alguns vão dizer que ela é vã, não é séria e, dependendo do realista, vão achar que ela seja domesticada até certo ponto, pois o que caracteriza o cenário internacional é uma disputa permanente, assemelhado com uma guerra. Em função dessa disputa os Estados podem fazer guerra. Não necessariamente uma guerra do passado,

uma guerra que era permanente em relação à primeira fase do Direito Internacional, mas travestida de guerra fiscal, comercial, etc. Um Estado vai sempre querer estar numa posição superior, nenhum Estado vai cooperar de boa-vontade. Essa ideia [cooperar de boa-vontade] é uma ideia Idealista, que não convence os Realistas. O grande legado do Realismo é a ideia de que a força produz sentido. Muitas vezes você pode não ter força, mas demonstra ter força e consegue resultado no plano internacional. A força falada aqui é a força bélica, militar. O poder econômico-político-militar constitui poder de dominação no plano internacional. Falando das críticas, o Realismo tem uma insuficiência, pois trabalha com uma perspectiva pessimista de que a natureza humana é má, como escrita em Hobbes. A paz é objetivo dos idealistas, o Realismo não vislumbra a paz e sim a guerra. A ideia de força como argumento também pode ser vista como uma crítica

negativa ao Realismo. Um exemplo de aplicação do Realismo é a composição do Conselho de Segurança da ONU, formado por 15 membros, dos quais 5 têm assento permanente e poder de veto. O poder de veto significa que um único Estado pode vetar a discussão. Isso significa, na prática, balizar a ordem internacional com a ideia idealista de organização global. Ao se criar uma organização global, quem está pautando o cenário econômico é uma visão Idealista, mas o realista pensa numa organização que desconsidere que os Estados são diferentes, politicamente, socialmente, economicamente, ele não concebe que o mundo seja governado por iguais, e sim por um conselho desigual, com poderes diferenciados e compatíveis com o seu lugar no mundo. A invasão dos EUA a Síria é uma expressão do Realismo norte-americano.

O Idealismo é, sem dúvida, a ideologia que mais disputa significado com o Realismo. Podemos

chamar o Idealismo de frente liberalista. A perspectiva Liberal vem da concepção de que o indivíduo é o elemento central, e a partir dele chegamos a um Estado que vá servi-lo. O idealismo é, sem dúvida, uma expressão do Racionalismo que se expandiu. A partir dessas possibilidades da construção da paz.

O livro "Utopia" é uma das correntes do pensamento Idealista. Foi dele que Thomas Moore, o

autor, propôs uma sociedade ideal, normatizada, influenciada pelas visões das pessoas que conheceram o novo mundo (Grandes Navegações) e acharam que tinham encontrado algo aproximado da visão de Paraíso. Vários autores passaram a teorizar a ideia de paz. O liberalismo trabalha com a ideia de que o mundo será melhor na medida em que se constituam organizações internacionais, pois facilitam o diálogo entre indivíduos e cooperam entre si. A grande agenda é a construção da paz. Dentro disso, há a ideia de comércio internacional livre: devem ser colocadas poucas barreiras entre o comércio dos Estados, pois muitas das guerras do passado se iniciaram por conta de barreiras comerciais. Não à toa foi criada a OMC (Organização Internacional do Comércio) e tratados internacionais para evitar a guerra a partir do comércio. O liberalismo pretende domesticar a política

internacional, fazer com que os Estados tenham regras e sigam essas regras. Diante disso, temos uma série de juristas que participaram dessa concepção, como Kant, Everd Voltel e Jeremy Bentham que deram a sua contribuição para a Ciência das Relações Internacionais. A sociedade onde eles viveram precisava ser organizada, para isso o Direito natural contribuiu muito, pois havia a necessidade de uma aliança internacional para formar uma vida em sociedade de Estados. Tudo isso baseado na segurança dos Estados e na segurança dos indivíduos. Woodrow Wilson, presidente dos USA, foi uma figura fundamental para a construção da liga das nações. São famosos os seus 14 pontos em relação ao final da Primeira Guerra Mundial e a construção da nova ordem mundial. É a partir daí que se faz sentido falar em nova ordem mundial. Essa nova ordem é uma criação do Liberalismo/Idealismo para dar sentido ao mundo formado por organizações internacionais que vão construir a paz por meio da cooperação entre Estados. (Propaganda de Genebra e do Palais Wilson. Visitem Genebra!)

A concepção idealista é dita utópica porque constrói, propõem arranjos internacionais no sentido

de mudar a ótica no plano internacional e as práticas no campo internacional.

Um dos autores mais estudados e criticados é o Fukuyama (38:30)

Francisco Ruian que escreveu livros para dizer que teríamos chegado sobretudo depois do fim do socialismo real, e teria chegado ao ponto, que é o fim da história, então tem uma pretensão muito grande na perspectiva dele, quer dizer que nós chegamos ao ponto da organização social, dos estados e do mundo,

que é a democracia liberal, que melhor se teria construído na teoria política e na prática política, não poderíamos esperar outra coisa, mas eu particularmente vejo muita pretensão em congelar a história, a história está acontecendo, é o que o futuro vai ser, então não é possível dizer que chegamos no fim da história e que não tem outra coisa melhor além do liberalismo, mas, então o grande legado do liberalismo ou do utopismo, no plano internacional é a ideia do que o utopismo constrói e é em função dessa construção que temos um mundo melhor e organizado hoje em dia, temos organizações internacionais, tratados internacionais, princípios do direito internacional que orientam as relações internacionais, isso não existia no passado, foi algo que foi se estabelecendo a partir do renascimento, e mais do que tudo a partir do iluminismo é que se deve essa incapacidade de propostas dos idealistas. Ai chegamos no ponto das críticas, e é exatamente isso que dizem sobre ao liberalismo no plano internacional, ao utopismo ou idealismo, ou seja, o liberalismo seria capaz de criar estruturas, nas quais os autores acreditam muito, que essas estruturas são dissociadas da realidade, é quando você lê muitas vezes um liberal, um idealista, você tem certeza que algo existe e não é propriamente dito como é escrito, então, para falar de um autor no campo dos direitos humanos, aliás, muitos já se veem aqui, como o professor Antônio Augusto você ler o tratado dele tem uma descrição muito liberal na perspectiva dos direitos humanos, então ele vai dizer que, ou seja, que nós não tínhamos organizações internacionais, não tínhamos tratados, e agora nós temos, e você fica acreditando que o mundo dos direitos humanos é uma perfeição, eu sei que ele não acha exatamente isso, porque conheço ele pessoalmente, ele tem críticas também, e o que leva a crê é que existem uma correspondência com a descrição e a realidade e não é exatamente isso que acontece, tem portanto uma grande crítica, é que eles expõem uma realidade que não tem uma correspondência exatamente como é descrito para todo mundo, ainda mais na cabeça deles. Um exemplo é o Brasil na liga das nações, tem um livro que se chama “ O Brasil e Liga das Nações ( não tem certeza do nome do livro)”, o autor o sobrenome é Vargas. Ele conta a história do Brasil na Liga das Nações, o Brasil acreditava muito que deveria ser o líder da América Latina. Esse autor estudou, foi para os documentos, o Brasil queria um lugar na liga das nações, parecido como conselho de segurança, e ai foi feito uma campanha para que o Brasil tivesse esse assento, só que o Brasil acreditou demais, numa perspectiva muito utópica e idealista deste lugar e não acreditava que outros países queriam boicotar a campanha brasileira, só que o México boicotou, a Argentina também, a própria América Latina não deu apoio a candidatura brasileira, o que resultou foi o Brasil ter se retirado da liga das nações, e também a liga foi perdendo forças, nas condições da segunda guerra mundial, mas no final dos anos 20 o Brasil se retirou por conta de ter feito uma campanha no plano nacional e internacional, acreditando muito no liberalismo e a capacidade de representar a América Latina e não teve esse apoio, assim se retirou da liga das nações. Isso ilustra que muitas vezes os valores liberais não andam muito de acordo com a realidade.

E ai vem o marxismo como uma terceira teoria que vai procurar explicar as relações internacionais,

não vai se contentar em explicar as relações de poder interno, dentro do próprio Estado, mas as relações entre esses Estados. A grande contribuição do marxismo /e por meio de uma crítica ao capitalismo. Luta de classes no plano interno que é levado também para o plano internacional tem um nome para essa luta de classes que é o imperialismo, que é como se revela a luta de classes no ambiente internacional de acordo com a análise marxista.

O Estado é visto como o instrumento que facilita a acumulação de capital por parte dos capitalistas, e

há uma disputa entre os Estados por uma hegemonia no plano internacional. Se existe uma disputa de classes no plano interno, existem também uma luta de classes entres Estados, porque os Estados também são desiguais. Se os Estados são desiguais eles disputam há quem diga que o marxismo é um idealismo à esquerda, pelo fato do marxismo potencializar muito a disputa no plano internacional. Então vamos ter

Estados que são exploradores e vamos ter Estados que são explorados, tem toda uma luta contra o imperialismo, como autores vamos ter Marx, Lennie que teorizou em torno do imperialismo, vai demonstrar quais são os elementos construtivos do imperialismo, vai mostrar situações em que teria plausividade para sua teoria em relação ao momento que ele criou, e tem uma série de seguidores denominados como neomarxistas que tem uma visão mitigada do marxismo. O grande legado para o marxismo é a consciência de classes, de que viemos de classes diferentes, estão aí na base da sociedade, de que é o mundo, também tem sentido no plano das relações

internacionais, e a ideia de que o diferentemente do que se pensava no passado o mundo é uma construção

cultural histórica, fatores de que a ideia materialismo histórico é tão

no marxismo. A análise marxista

seria concentrada na economia, na organização econômica do mundo, por isso que a ideia de luta de classes é tão central. Então as políticas internacionais de base marxista buscam articular Estados em torno de uma agenda de fortalecimento das políticas nacionais dos Estados que se identificam nessa política. A grande disputa no campo da diplomacia, nos cursos de relações internacionais é entre o realismo e idealismo, são essas duas teorias que disputam o sentido do mundo.

6. Aula 6 (Aula do dia 30/04) – Fontes materiais do DIP - fundamentos

No campo das relações internacionais, eu já falei pra vcs que há algum tempo eu exponho também a teoria das relações internacionais nas aulas de direito internacional pq as teorias tradicionais elas já são muito antigas como nós vimos e elas são limitadas para explicar, embora toda teoria seja limitada para explicar o q quer q seja e no caso das teorias das relações internacionais também, mas elas foram construídas foram sistematizadas ao longo do século XX embora muitos autores como nós vimos realistas, idealistas, marxistas (estes mais recentes), mas realistas e idealistas eles produziram conhecimento nessa perspectiva desde a antiguidade, então cabe ressaltar q tem uma produção antiga q foi sistematizada pelo autores no campo das relações internacionais a partir do início do século XX.

Disciplinas que navegam pela filosofia do direito, - certamente já devem ter trazido pra vcs tb a crítica feita pelo discurso a chamada virada linguística -, ou seja, a ideia de q a linguagem constitue a realidade, ou seja, a realidade não é algo q simplesmente representa mas a própria realidade é constituída pela linguagem, então esses autores e essas autoras e nós vamos perceber que cada vez mais vão aparecer autoras no campo do feminismo no estudo do gênero elas vão procurar explicar e trazer uma contribuição q certamente e sobretudo os realista vão ver com muita resistência com muitos pés atrás essas contribuições pq certamente são todas elas teorias q vão de encontro às teorias tradicionais.

Então o realismo é entre as 3 teorias principais, as 3 teorias tradicionais a teoria q mais se coloca como tendo hegemonia do campo internacional e sobretudo pelo fato de se colocar como uma teoria q expõe a verdade, é isso q o realismo busca, expor como as coisas são e sempre serão. Em função dessa racionalidade exacerbada os teóricos no campo dessas outras teorias vão criticar muito em grande parte o realismo, mas criticam tb o idealismo e o marxismo.

Todas elas, todas essas teorias aqui elas são alternativas também por isso, ou seja, por criticar as teorias tradicionais, mas sobretudo o realismo pq elas criticam sobretudo o realismo? Porque o realismo se coloca diante da posição de explicar o mundo, de explicar plenamente, racionalmente o mundo e aí vem toda aquela crítica a razão q diz que o mundo não pode ser explicado nesses termos e mais do que isso q a própria construção racional do realismo é uma ficção pq pra esses autores q têm essa visão, uma visão orientada pela crítica a razão pela crítica trazida no campo do discurso as teorias não passam de construção e portanto de ficções, como aliás muitos autores no passado e certas explicações, eram explicações ficcionais, o próprio Estado seria uma ficção, a própria ideia de sujeito de direitos seria uma ficção.

Como já vimos, como vcs certamente já viram então é por aí q essas teorias vão trabalhar, mais uma vez chamo atenção pelo fato de que são teorias comparadas com as outras, são teorias minoritárias, são teorias alternativas nesse sentido mas não é pelo fato de elas serem minoritárias q elas não tem plausibilidade ou e muita gente vê plausibilidade nelas.

Então comecemos a falar sobre as teorias críticas q surgem no cenário internacional sobretudo a partir dos anos 80 do século passado e trazem uma série de novos elementos, novos temas q estavam de fora da análise internacional, como eu falei pra vcs nas aulas passadas o q é q o realismo indica coloca como sendo um elemento central da análise internacional - o Estado - , ou seja, tudo gira em torno do Estado, q é o grande sujeito, senão o único das relações internacionais ou da política internacional e os críticos vão apresentar novos elementos, novos temas q não passsam necessariamente pela definição estatal ou pelos estados, mas tb vão criticar a idealização feita pelo idealismo e análise marcadamente economicista do marxismo.

Então q temas são esses? Ou q novos temas são estes trazidos pelas teorias críticas? Em primeiro lugar a segurança internacional que sempre foi vista como um elemento de preocupação apenas entre os Estados e quando se fala em Estados, significa os poderes estatais. Então os militares, os governantes, no máximo os deputados e senadores, porém ONGs, por exemplo, não deveriam se preocupar com isso e além disso toda preocupação com segurança seria de caráter eminentemente militar, segurança para segurar fronteiras, para fazer com q os Estados protegessem seu território e suas populações de ameaças estrangeiras.

E os teóricos críticos vão trazer outra ideia de segurança internacional então entre essas ideias vai haver a noção de soft security e hard security, esta é a segurança q diz respeito propriamente a segurança nacional e internacional é a segurança dura digamos assim, mas a gente teria uma compreensão de segurança soft que é aquela flexível, q faz com o Estado seja respeitado por exemplo, pela criação de condições de diálogo e isso também seria uma forma de trabalhar com a segurança quando por exemplo determinados projetos de integração fronteiriça estabelecido entre dois ou três estados ou mais Estados essa tb seria uma preocupação com a ideia de segurança na medida em q Estados cooperam uns com os outros vai melhorar a vida do espaço fronteiriço, aí tá uma preocupação q é diferente da preocupação tradicional, dos atores

tradicionais, sobretudo os realistas, a ideia de hegemonia, hegemonia não em termos tradicionais do direito internacional, mas a hegemonia como emancipação, ou seja, com a possibilidade de cooperação envolvendo Estados.

Aluno pergunta: O que significa a HARD SECURITY?

Professor: Significa a segurança em termos tradicionais, ou seja, segurança em termos militares. E a soft security seria aquela segurança q se estabelece por meio de cooperação envolvendo Estado, envolvendo sociedade civil organizada de forma q as pessoas se sintam partícipes no processo de prestar segurança uns aos outros.

As questões relacionadas a cultura, esta entra como um elemento de análise internacional porque para além da política se deve considerar também de acordo com os autores críticos, a cultura dos Estados, a cultura jurídica; política; manifestações sociais deve ser considerado como elementos de políticas internacionais por exemplo, festivais envolvendo estados q já disputaram entre si, q já fizeram guerra entre si.

Existe até uma denominação a partir daí q é a diplomacia cultural, então os estados q têm trabalhado nessa linha são o Chile e o Peru, que viveram uma guerra e têm uma cultura em comum, tem outros elementos em comum, elementos religiosos em comum também, eles têm feito festivais, têm feito iniciativas das mais variáveis o q vai com o tempo acabando a rivalidade também outras forma de cooperação na área econômica, social e política.

O elemento discursivo - , um autor q tem trabalhado nessa perspectiva é Noam Chomsky, autor norte americano q é conhecidíssimo, certamente vcs á ouviram falar, e se for falar em referência crítica no campo das relações internacionais, um dos primeiros nomes é o Robert Totsky, ele tem todo um trabalho q é nessa perspectiva crítica e mais tradicional e mais científica propriamente.

Mas o Chomsky contribui com essa perspectiva q não é vista muito cientificamente, mas eu acho interessante colocar a teoria dele, a abordagem de Chomsky pq ele faz é justamente adequar a linguagem do discurso para analisar a política internacional, pode-se criticar o método dele pois ele usa exatamente os discursos, recolhe uma série de expressões das autoridades dos autores internacionais e nacionais tb, mas sobretudo apreende o discurso dos governantes, dos representantes de organizações internacionais processa tudo isso com base numa análise discursiva tira as conclusões de q imagina de q deve ser as mais apropriadas para analisar o cenário internacional.

Então como tá ali tb é uma perspectiva q busca rejeitar os positivismos, sobretudo o do campo das relações internacionais e da ciência da polícia e daquilo q aparecia das teorias tradicionais.

Boa Ventura de Souza Santos tb em alguma medida se coloca como autor crítico

e q passeia entre as teorias, é um autor um tanto quanto difícil de categorizá-lo, ele msm

se coloca em alguns momentos como pos moderno, em outros como pós colonial têm livros q têm uma aproximação aí nisso tb ele é crítico do ponto de vista metodológico, ou seja, um autor tb pode se considerar crítico do ponto de vista metodológico e nesse caso aqui estamos falando de um autor q passeia, percorre várias perspectivas teóricas, não é um autor q se pode classificar ou confinar para uma única teoria, então ele é um teórico crítico e pode ser visto como um teórico crítico nesse sentido q coloca no debate vários outros temas q não são os temas tradicionais a ótica dele tb não é tradicional, é crítica ele relaciona a sua análise com o discurso dos governantes ele tá preocupado em entender o q está por trás do q cada autor coloca q aliás é o q Chomsky faz tb, analisar, procurar ou identificar melhor dizendo o q está por trás do discurso dos governantes.

E a grande conclusão de Chomisky é q por trás do discurso de uma maneira geral os governantes dizem uma coisa e fazem outra, digamos q esse é o grande achado

q tá presente em toda teoria dele em todos os artigos dele, ele tem uma produção imensa

como nós sabemos é só entrar no site dele q nós vamos ver a quantidade de artigos e livros produzidos ao longo de tempo, pois bem, é esse autor q relaciona o q os analistas,

o q os políticos, o q a academia tb diz e daí ele vai analisar q existe um abismo entre o q se diz e o q se faz.

Robert Totsky é um autor q trabalha sobre a análise das organizações internacionais ele uma inserção muito grande na OMC faz toda uma crítica ao trabalho das pŕoprias organizações internacionais e em particular da OIT, mostra as limitações das organizações internacionais na concretização do direito internacional; das questões internacionais; dos tratados internacionais, então digamos q a grande preocupação dos teóricos críticos é revelar a realidade, ou seja, fazer aquilo q a maioria não tem acesso por trás de toda perspectiva de um autor crítico tá essa ideia de colocar a disposição da sociedade elementos q a sociedade desconhece, enquanto os realistas de certa forma escondem a realidade dizendo: olha aí os governantes fazem e aí tem um gosto tem uma satisfação grande dos críticos em fazerem isso, sobretudo quando se trata de um texto como o de Chomsky q é um crítico radical né então o q a gente vai ver é isso.

Há algum tempo q eu mostro na realidade todos os textos mas quando chega nos teóricos críticos, alguns dizem “mas professor esse texto acabou com minha visão a respeito de disso”, que um texto de Thompsk q mostra q através dos panos age contra tudo aquilo q se imaginava, o crítico mostra o q tá por trás q a gente não viu e q não tá nos jornais, o q acontece e a gente fica realmente um tanto quanto sem chão quando tem acesso àquelas informações.

A crítica ou a insuficiência apontada é q os teóricos críticos eles criticam e apenas criticam e não têm compromisso algum em apresentar propostas até têm uma satisfação muito grande sobretudo com a utilização de uma linguagem irônica em todos eles em mostrar como a realidade acontece diferente do q os idealistas falam, do q os marxistas falam, eles colocam a disposição tem aquela satisfação por exemplo do Wikileaks tudo q todos os documentos e claro com uma análise dos documentos q

ajudam a entender a realidade internacional e não apresentam propostas e mais ainda,

dizem claramente não estão preocupados em apresentar propostas a função teórica deles

é criticar é mostrar pra sociedade como a coisa acontece e se desenvolve.

Então boa parte dos estudos e aí como q a gente aplica como é q eles aplicam uma situação na qual eles aplicam, as críticas as guerras recentes aí é uma referência muita clara em relação ao trabalho de Chomsky sobretudo no texto q avalia guerras recentes como a guerra no Timor Lleste ou a guerra na antiga Iugoslávia, a guerra na Colômbia, guerrilha melhor dizendo, então o q é q ele faz? considera aquela realidade, considera o conflito ele considera tb o discurso em torno do conflito por meio de vários elementos, de várias fontes inclusive a fonte jornalista e aí constroi toda uma compreensão em torno dessas guerras e mostra sobretudo o q tá por trás da promoção da política internacional, então a crítica é feita a praticamente todos, aos organismos

internacionais, a mídia, aos políticos a todos os poderes, aos militares, ninguém se salva,

a própria universidade, não sobra ninguém nessa crítica feita pelos críticos.

Esses autores eles transitam tb entre as teorias e daí existe uma dificuldade de colocá-los numa única teoria como, por exemplo, Habermas q tá no construtivismo e tá tb de acordo com alguns autores como um autor pós moderno, Foucault está no construtivismo embora esteja na pós modernidade.

O construtivismo trabalha tb muito com a linguagem, ou seja, a ideia q a

linguagem, atores, estruturas tudo isso é co-constituído não existe uma anterioridade para um ou para outro, nós nos constituímos na medida em q falamos escrevemos tudo isso está relacionado, a linguagem mais do q mediadora ela participa da construção social e os atores e a linguagem co-constituírem uma coisa tá relacionada com a outra e tá co-constituindo o q existe no mundo.

Sobretudo este autor aqui - Alexander wenzel - trabalha com a ideia de q sendo constituído o mundo, não cabe dizer q a anarquia é um dado puro e simplesmente. A anarquia, aquele elemento q os analistas trabalham para dizer há um mundo internacional e um mundo anárquico no plano interno que pode-se organizar no internacional não por conta da soberania, tem uma anarquia e aí Wenzel vai dizer q a anarquia é interessada, os estados têm interesse sobretudo os estados e as organizações tb, as organizações internacionais interessadas em manter essa anarquia, poderia haver uma ordem internacional, mas na realidade não há pq os estados não querem q haja os críticos sobretudo os construtivistas e aí tem um texto um artigo quanto num livro no plano da produção do conhecimento muitas vezes ela começa com um artigo e depois o autor publica em livro , então foi o q aconteceu com Wenzel q ficou famoso ao dizer isso, que a anarquia é produzida pelos estados nos anos 80.

A anarquia a gente viu enquanto elemento do realismo de não haver uma

possibilidade de ordem internacional. O q há é anarquia. Não uma anarquia como uma teoria sociológica, mas uma anarquia do tipo ausência de ordem. O idealismo trabalha com uma ideia de ordem internacional com possibilidade de construção da ordem internacional, enquanto q o construtivista sim há possibilidade de organizar o espaço internacional, a anarquia ela é interessada é uma anarquia mas pode haver uma

organização uma ordem internacional se os estados quiserem e o grande exemplo e é por isso q o Habermas aqui tem uma contribuição quando demonstra e justifica q por exemplo a União Europeia seria um grande laboratório de construção de novas relações estatais, ou seja, a Europa viveu durante séculos em guerra, toda a segunda guerra mundial, chegou a conclusão então q existe o conselho da europa, a União Europeia, sobretudo a união europeia vem construindo possibilidades de integração na região q antes não tinha uma relevÂncia, mas já mudou muito em relação a 40; 50 anos atrás .

Então tudo isso é fundamentado dentro de uma perspectiva construtivista, ou seja, se o passado foi de uma determinada forma e levava a conflitos abertos, a guerras podemos cooperar, podemos construir um mundo com base na ideia de cooperação não uma cooperação idealizada como se conclui os idealista, mas uma em termos concretos então vamos pensar em distribuir poderes, como tem-se distribuído poderes pode-se entender a UE como grande laboratório construtivista, tanto isso q aqui aparece o exemplo da UE como o grande exemplo de unidades construtivistas da cooperação internacional em termos não idealistas pq seria muito mais definido nos tratados e numa perspectiva construtivista lógico os tratados são importantes, mas mais importante q tratados é a criação de exemplos de estruturas para realmente transformar a vida dos estados e das pessoas, então tem muita cooperação por exemplo nos espaços de fronteira praticamente pouco distinguíveis as nacionalidades dos espaços de fronteira no ambiente europeu e tem muito haver com esse construtivismo.

O legado é q a possibilidade de construção das relaçoẽs internacionais que em

bases não realistas, em bases não idealistas e não marxistas q seriam todas aquelas teorias q impedem ou impossibilitam reconstrução da vida social no plano internacional, então digamos q nos construtivistas há autores q dizem q o construtivismo não é mais uma alternativa, ascendeu a uma posição de teoria tradicional pois tem muita contribuição no plano real de criar coisas concretas para transformar a realidade e o grande laboratório como á mencionei é a UE. Os blocos econômicos de uma maneira geral tb, o próprio Mercosul com todas as deficiências teria muita contribuição dos construtivistas.

Foucault talvez seja impróprio alguns colocarem como construtivista pq ele não propõe muita coisa, mas ele demonstra essa força, a força de q as coisas podem ser de uma outra maneira se quisermos e é isso q os construtivistas dizem, ou seja, o mundo pode ser organizado de alguma maneira em termos construtivistas se os estados assim quiserem.

A crítica apresentada, a insuficiência apresentada é q a gente não conhece o

outro e não sabe sua boa fé e diferentemente de uma perspectiva realista o q é q se distribuía em termos de poder de acordo com as condições econômicas, militares, políticas e culturais então o máximo de distribuição iria pra quem tem esse poderes, sobretudo poder econômico, numa perspectiva construtivista se deveria distribuir poder de acordo com as possibilidades históricas e políticas do momento, mas de modo q nenhum estado saísse perdendo e é isso q mais ou menos tem acontecido. Mais ou menos pq têm as críticas, tem o Brexit, estados q há 50 anos eram agrarios ascenderam a

um país industrial e isso em função da cooperação da distribuição relativa de poderes e pq isso? por conta da força construtivista, a ideia de q é possível construir relações internacionais na medida em q os estados queiram mudar essas relações internacionais, minimizam-se as críticas feitas pelo realistas para possibilitar construção de diálogo e propriamente construção de pŕaticas sociais tem uma força muito grande o construtivismo.

Pergunta: Pq essa política de insuficiência do construtivismo?

Resposta: Incerteza quanto a boa fé, ou seja, são os realistas q dizem, como é q eu vou confiar no outro? a crítica feita pelo construtivismo é q nós imaginamos antes de uma discussão envolvendo estados pq uma discussão envolvendo estados é muito mas complexa de difícil apreensão, mas imaginemos um ambiente como este em q vcs vão discutir suas pretensões de vcs e tem q se colocar pessoalmente e o q q o realista manda? q vc esconda o jogo, vc não deve se abrir e dizer exatamente o q vc quer , enquanto q para o construtivismo nós devemos negociar nossas pretensões, ser mais claros uns com os outros e aí as relações entre estados, relações internacionais, o construtivismos não vê as relações internacionais apenas como relação entre estados, portanto as organizações q de outra natureza participam tb as associações de indivíduos as ONGs tudo isso participa tb do cenário internacional, participa das decisões mas sobretudo o espaço internacional é um grande espaço de negociação de interesses para colocar claramente as nossas pretensões o estado quer ter essa pretensão q será negociável com os outros, então cabe a gente para definição de onde instalar determinadas indústrias no cenário nacional brasileiro isso é negociado numa perspectiva realista.

Numa perspectiva construtivista todos estaria numa negociação eu qro isso, vamos negociar como distribuir de forma q ninguém ganhe muito e ninguém perca.

de forma clara vem de

Pergunta:

Essa

parte

dos

estados

ter

posições

HAbermas?

justifica o construtivismo embora alguém vejam nele pós

modernidade eu vejo pouco, ele é muito mais racionalista, aliás o construtivismo tem

muito mais racionalismo do q as outras teorias.

Resposta: tb, pois

Aluno: Concorda com o realismo

da existência de uma anarquia?

Professor: Concordo que há uma anarquia. A diferença é que ela não é para sempre, a não ser que queiramos que seja, mas se não quisermos, ela pode ser transformada. Eles concordam com o enunciado realista, a ideia de que há uma anarquia internacional. Uma anarquia interessada no sentido de que os Estados querem mantê-la, sobretudo os realistas.

"o agir comunicativo de Habermas se aproximaria

Se pressupõe a

mais do realismo? Porque você não necessariamente fala a verdade

Aluno: Hasta la looombra

boa fé do Estado para chegar a um consenso, o interesse tão somente de chegar ao consenso, estratégia mais voltada a concepção de fins"

Professor: Eu acho que Foucalt tá mais desconstruído e mais para a pós modernidade do que propriamente onde está colocado (quadro). Mas utilizando a classificação feita pelos livros de teoria das relações internacionais, Focault é construtivista e pós moderno (mais o Prof o enxerga mais como da pós modernidade)

- Então, ele pode ser visto como, pode dar vazão, dar fundamento ao construtivismo na medida em que chega aos realistas e diz que o mundo é daquela

forma mas abre-se espaço para ser de outra forma, não diz propriamente, como dizem os

mas abre para que se pensem nessa

construtivistas que o mundo pode ser de perspectiva. (viajou)

PÓS MODERNOS

São os que se valem da ironia e mais do que qualquer outro

Fazem uma critica a RAZÃO

Também não estão muito preocupados em propôr, e sim preocupados em criticar de forma irônica.

Criticos tem pretensão iluminista. Iluminar vocês com informações que vocês precisam para mudar o mundo. Os pós modernos não acreditam nessa possibilidade, recuperam a ideia de anarquia interessada, como os construtivistas.

Trabalham com ideia de que discurso serve mais para para manter determinadas posições.

As construções pós modernas são para descentrar e apostar em algo que não se

sabe exatamente o que é surgir.

Divagação dele: "tenho dificuldade de achar que Habermas tenha essa contribuição, mas alguns autores o veem também como contribuinte para a pós modernidade (mas ele acha Habermas muito racionalista).

VOLTANDO! exemplo: pós modernos são aqueles que ns jogam diante de um

"abismo"

Muitos livros da pós modernidade trazem a imegem do desconhecido. O livro

sofrerá uma

sobre Foucault tem alguém se atirando e não se sabe onde vai parar, seguir

queda? sofrerá um acidente? morrerá? É um pouco isso o que o estudo pós moderno faz, colocar em dúvida.

mas que por meio dessa critica seja possível que venha a

um abismo das ideias.

Prof divagando: O artigo que já fiz referência do Jean-Luc Godard "O mundo em pedaços"

A pós modernidade vem se constituindo ao longo das últimas décadas.

Nao vai propor nada, muito diferente da perspectiva dos construtivistas e da critica, onde há ainda certa crença de que coisas podem mudar.

O debate entre Foucault e Chomsky é muito revelador nesse sentido, debate

sobre a natureza humana ou justiça x poder (em 1971): Entre Foucault - que lança serie de dúvidas sobre as instituições, institutos, tudo que se foi construído ao longo dos ultimos tempos e Chomsky - que demonstra acreditar nas instituições, ainda que falando

em resistência e desobediência civil

melhor organizado com base no que se conhece).

Essa é a perspectiva pós moderna e pode se entender que Foucault como parte dos grandes construtores da perspectiva da pós modernidade (citou mais 02 nomes que não entendi, mas deve estar no quadro).

Embora a pós modernidade rejeite essas construções de bases da pós modernidade, mas alguns autores trabalham com a ideia de que esses 3 contribuiram muito para definir o que é pós modernidade.

E no ponto de vista do Foucalt, lançando dúvidas sobre as instituições, sobretudo

as estatais, entre elas o legislativo, os militares, as instituições que tratam das pessoas

com doenças mentais e série de contribuições que não são especificas com o cenário internacional mas também se relacionam com ele.

A critica à insegurança total e a certeza de absolutamente nada: presente e futuro

incertos.

Enquanto o realismo, idealismo mas também os construtivistas nos dão horizontes, os pôs modernos não dão horizonte algum, tudo é incerteza, depende muito das condições politicas, e que dificilmente serão alteradas. Mas podem ser alteradas, Isto é, transformações da politica internacional, construções de diálogos devem ser alterados, não dizem como vai acontecer.

O artigo mundo em pedaços é revelador dessa desordem caótica, certo dialogo

mas não chega as conclusões (coisas

com o realismo, uma análise aproximada

acontecem dessa forma mas não necessarimente terão que acontecer).

no fundo crê na justiça e que o mundo pode ser

Muitas dúvidas e incertezas colocadas no cenário internacional.

PÓS COLONIAIS

As teorias pós coloniais estão mais interessadas em revelar e desconstruir o mundo tipicamente europeu.

Tomam como pressuposto que as instituições do mundo foram construídas com base numa lógica que atende aos europeus, portanto, há necessidade de contar outra historia, de outro ponto de vista.

Para os pós coloniais, muitas histórias foram contadas mediante interesses, em função do lugar no qual se olha e do lugar de onde se olhar, assim, para construir a nossa foi um olhar europeu.

Em relação a America Latina, muitos autores (Àsia e África também) percebem que na nossa história estão presentes nos relatos dos europeus sobre questões como a própria constituição e divisão de estados, o que significa que a soberania, democracia, toda descrição histórica, sociológica, política seria uma descrição europeia, atendendo sobretudo interesses europeus.

Para eles é preciso contar uma nova história.

O autor Walter Mignolo em livro sobre a América Latina, surgiu com a ideia de que a América Latina é uma construção europeia para nos diferenciar da outra América, a America branca/protestante. A América certa em relação a que não estaria certa.

Assim, critica a ideia de américa latina, como deveria se organizar no plano geopolitico para superar essa categorização como uma américa menor.

Outro autor do campo com vários livros na perspectiva pós colonial (Sibbas? deve ter no quadro o nome, não deu pra entender), trabalho no campo de recuperar história dos países africanos, latino americanos, das instituições históricas sobre a guerras sufocadas que poderiam ter gerado outras realidades politicas, sufocadas por grandes potencias ex: Haiti

Muitos estados africanos presentes na análise, mts paises não conseguiram se

desenvolver por conta do imperialismo americano

O trabalho de revelar história que não foi contada e não tem sido contada e assim entender e fortalecer o entendimento dos povos subalternos.

francês

((((Prof: Pesquisa da integração regional na fronteira Brasil / Paraguai

Fronteiras construção por onde passaram as guerras, por isso não são muito organizadas, com exceção da BR/ ARG/ PARAGUAI, Foz do Iguaçu.

Em geral as fronteiras são muito desorganizadas, e o pressuposto pós colonial é

de que por ali passaram as guerras

com os europeus a fazer guerra e por isso não estão muito organizadas.

Fundamentação de acordo com perspectiva pós colonial, contar outra história, buscar caminho na perspectiva de transformar a fronteira. ))))

VOLTANDO: Mas sobretudo no ponto vista desse autor (o que estava falando

antes

entendi syllamis attioli) contribuição grande,

e Estados deixaram fronteiras para lá, aprenderam

nome deve estar no quadro

embora muitos autores dialoguem com a perspectiva interdisciplinar nessas perspectivas

alternativas

não se ater a disciplinaridade pois consistem na critica à razao. Só que ele

merece destaque porque analisa mais do ponto de vista do direito internacional do que do jurídico, envolvendo elementos historia, lugares subalternos, sobretudo.

TEORIAS DE GÊNERO

Teorias feministas e Queer

Feministas = procuram colocar no devido lugar as mulheres, considerando que o mundo que nos conhecemos está no centro, é um mundo organizado em razão das necessidades masculinas.

Algumas delas, é o caso de uma professora filipina que vive nos EUA, trabalha com a perspectiva de que existe um estado masculino que organiza o mundo no campo internacional, existe um direito estado quee atende mais do que tudo as necessidades masculinas.

Ela tece criticas ao Tribunal Penal Internacional, que apesar de avanço, reflete muito mais a visão do mundo masculina.

Por exemplo: o crime de estupro não é um tipo penal junto ao TPI, é um elemento que se considera em relação aos 4 tipos penais do estatuto.

Isso porque as normas são feitas por homens e atendem sobretudo aos interesses masculinos.

É complexo porque em alguns culturas o estupro é tolerado.

Então as mulheres precisam ocupar lugares de poder, só assim algo pode mudar.

Afinal, as práticas legislativas são distanciadas das necessidades das mulheres, e a ética e legado do feminismo no campo das relações internacionais reflete-se nessa teoria.

Entretanto, há quem desconsidere essa vertente como teoria sociológica da politica das relações internacionais, aplicada ao cenario internacional = critica dos realistas ao feminismo, como uma concepção geral, genérica, sociológica, e que não pode ser aplicada no campo internacional.

Sobretudo a critica a relação gênero não define o que deveria aocntecer no campo internacional, ela não resolvem problemas relacionado as relações internacionais.

Situs: mulheres ocupando espaços no cenário internacional, cada vez mais

Há uma variante dessa a teoria, uma corrente mais minoritaria ainda: TEORIA QUEER termo que significa gay

Ela equivale às teorias feministas em relação as gay, diante de uma necessidade de abordagem diferente das relações internacionais.

O autor Richard Miskolci, brasileiro de sobrenome russo, da UFSP, escreveu o desejo da nação.

Ponto de vista metológico: mix pós colonial, pós moderna, queer, feminista, para a sua análise.

Não se atém metodologicamente a uma única teoria / capacidade de teorias de se vincularem.

Trabalha com 3 livros do final do séc XIX, definição do que é a nacionalidade brasileira, como foi construída: o ateneu, o bom crioulo e dom casmurro.

Perspectiva dentro das teorias de gênero, ainda se constituindo, se dando significado com poucas referências no plano nacional.

Todas essas teorias, considerando as teorias tradicionais, são uma possibilidade de explicar podireito internacional e cenário.

Muitas das teorias pós coloniais, cosideram a racialização, o racismo nas suas análises, entre esses teóricos, os pós colonialistas.

Racismo francês, teóricos iluministas justificavam ideia de raça e racismo europeu cometidos contra negros de várias partes do mundo: livro a conquista da américa.

pós

coloniais

Esses autores possuem muita abertura metodológica, para não se confinar há uma àrea do conhecimento, por isso certas pessoas mt colonizadas pelo pensamento europeu, não vão ver mt plausibilidade nessas teorias, enxergando-as como algo fora do lugar.

abertura muito grande

interdisciplinar

Xenofobia

nuances

uma

abordagem

dos

teóricos

criticos,

pós

modernos,

Abertura das teorias pós coloniais, pós modernas

nenhuma necessidade de ser só disciplinar.

O

feminismo reorganiza o mundo em bases que atendam as necessidades das

mulheres

não só em ocuparem espaços de poder

mas numa perspectiva de atender as

suas necessidades

O pós colonial percebe um cenário alterado numa consideração aos subalternos,

agenda muito ampla, diferente do que o que trazem como propostas mais concretas.

Novo constitucionalismo dialoga muito com a pós colonialidade

(esse assunto é FONTES MATERIAIS, FUNDAMENTOS)

o

conteúdo

da prova vai até soluções pacificas e controvérsias

internacionais.

7.

Aula 7 (Aula do dia 02/05) – Fontes formais do DIP

+

FONTES FORMAIS DO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

Art. 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça

Anexo da Carta das Nações Unidas

Tratados (internacionais)

Costumes internacionais

Princípios Gerais do Direito

Decisões internacionais (jurisprudência)

Doutrina internacional

Atos unilaterais dos Estados

Decisões das organizações internacionais

Fontes primárias e secundárias

Hierarquia das fontes?

TRATADOS

1. Definição:

Art. 2º da Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados (1969)

Acordo internacional

Escrito

Entre Estados

Regido pelo Direito Internacional

Um ou mais instrumentos conexos

Qualquer que seja a denominação

2. Pressupostos

1) Agente capaz. Exceções. Cláusula federal.

2) Objeto lícito

3) Consentimento mútuo

Durante a aula, o Professor terminou os tópicos acima e, como sobrou tempo, iniciou outra parte do assunto sobre Tratados:

processo de negociação dos tratados, línguas e plenipotenciários.

Hoje, nós vamos tratar do tema das Fontes do Direito Internacional. Essas fontes provêm do Direito como um todo, só que aí nós vamos ver que têm algumas

fontes que são específicas, que dizem respeito à vida no plano internacional, no direito internacional.

A partir da aula de hoje, digamos que a nossa disciplina fica mais com cara de

Direito, parte normativa. Então, eu vou pedir que vocês leiam alguns tratados. Eu peço que vocês leiam, primeiro, TODA a Carta das Nações Unidas, que é o grande tratado que institui as Nações Unidas, pode-se entendê-la como o tratado fundação das Nações Unidas, de 1945. Incluindo, também, o seu anexo, que é o Estatuto da Corte Internacional de Justiça.

O Estatuto da Corte Internacional de Justiça é parte da Carta das Nações, embora

seja um instrumento a ela anexo. Peço que leiam, também, pelo menos, o artigo 2º da

Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados. E por que eu estou pedindo isso? Porque são os documentos que regem a vida relacionada às fontes do direito e, muito em particular, aos tratados internacionais - podemos chamar “tratados internacionais”, embora tenha aí uma impropriedade, porque só tem sentido se falar em tratado internacional. É diferente de costume, pois costume existe também no âmbito interno. É de lá que vêm os costumes internacionais e outros nem vêm de lá, foram constituídos no âmbito do direito internacional. Então, cabe falar em costume internacional, mas tratado só existe internacional. Então, essas convenções, esses documentos internacionais regulam esse tema que começamos a ver hoje, ou seja, fontes do direito internacional e, muito em particular, os tratados. Pelo Estatuto da Corte Internacional de Justiça (ECIJ), nós podemos ver que existe ali uma definição de quais são as fontes válidas no âmbito do direito internacional, embora haja, como vamos ver daqui a pouco, uma impropriedade da definição dessas fontes. O ECIJ deixou de considerar outras fontes e nós vamos ver o porquê.

Então, leiam a Carta das Nações Unidas, TODA, incluindo o Estatuto da Corte Internacional de Justiça. Peço que leiam, também, a Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados, pelo menos o artigo 2º, porque, no artigo segundo, vamos ter a definição de tratado, a definição do ponto de vista desta Convenção. Vamos ver, também, que tem uma impropriedade, ou seja, na hora de legislar (isso vale para o plano nacional e internacional), os legisladores podem se equivocar e, muitas vezes, equivocam-se. Então, definem de uma maneira que não é a mais apropriada, do ponto de vista da doutrina, da jurisprudência, dos princípios gerais do direito, do acúmulo histórico que se tem a respeito de um determinado tema e, nesse caso específico, das fontes do direito internacional. Então, de acordo com o artigo 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça, enumeram-se as fontes do direito internacional, quais sejam:

a. Os tratados;

b. Os costumes internacionais;

c. Os princípios gerais do direito internacional - muitos são

princípios gerais do direito aplicados ao direito internacional e alguns são princípios específicos do direito internacional, construídos ao longo dessa história que nós vimos de formação, de consolidação do direito internacional;

d. As decisões internacionais, ou seja, a jurisprudência

internacional. Por que se fala aqui em decisões internacionais? Porque nem todas as decisões se tratam de decisões de órgãos jurisprudenciais… Enquadram-se não só as decisões do âmbito dos tribunais internacionais, mas decisões de outros órgãos, como, por exemplo, as Comissões, os Conselhos, que muitas vezes estabelecem decisões que têm um certo grau de cogência. Teremos, também, uma

aula sobre a cogência do direito internacional, embora esse tema esteja presente o tempo inteiro nas nossas aulas;

e. A doutrina internacional que, como vocês sabem, essa

discussão vale também para o plano interno, ou seja, há quem não veja na doutrina a capacidade de fonte do direito, no caso do direito

internacional também, mas vamos trazer as posições que existem a respeito.

Vocês observam que essas fontes são limitadas. Há, pelo menos, duas outras fontes que hoje são, claramente, entendidas pela doutrina, pela jurisprudência como sendo fontes do direito internacional e que não estão previstas no Estatuto da CIJ, que são:

1. Os atos unilaterais dos Estados - alguns atos que são tomados, que são decididos, atos elaborados, colocados em prática pelos Estados unilateralmente, como uma promessa, como um protesto, dentre tantas outras formas e que, ainda assim, produzem efeitos no plano internacional, ou seja, embora não sejam atos nem bilaterais, nem multilaterais, sejam atos unilaterais, mas eles produzem efeitos, têm um significado no plano internacional… Causam, muitas vezes, constrangimento, exigem respostas de outros Estados, de organizações internacionais, de indivíduos. Por isso, exercem efeitos no plano internacional;

2. As decisões das organizações internacionais, ou seja, aquelas organizações internacionais que hoje têm um caráter de um sujeito do direito internacional. Na época de formação do Direito Internacional, não existiam organizações internacionais. Então, elas não tomavam decisões, porque não existiam. E aí nós vamos entender porquê… O ECIT, de 1945, que é um anexo da Carta das Nações (esta foi estabelecida quando da criação da ONU, é o documento que funda a ONU, com ela surge o ECIJ), praticamente é a cópia do Estatuto do Tribunal do âmbito da Liga das Nações, ou da Sociedade das Nações, que foi criada em 1919, o Estatuto de 1920. Então, o que a ONU fez? Adotou o texto do Estatuto daquele Tribunal, da Corte Permanente de Justiça Internacional, era outra denominação. Adotou como Estatuto e só mudou o nome, praticamente, do tribunal para Corte Internacional de Justiça.

É por aí que nós podemos entender essa limitação na definição das fontes do

direito internacional. Por volta de 1919, 1920, quando a Corte Permanente de Justiça Internacional foi estabelecida, não se tinha a compreensão de que atos unilaterais dos Estados produziam direito internacional, e essa é uma grande limitação, porque os

Estados já existiam, mas talvez a noção muito estrita de soberania não permitisse que se entendesse os atos unilaterais dos Estados como sendo também fontes do direito internacional.

E mais grave ainda é o fato de as decisões das organizações internacionais

também não serem vistas como fontes do direito internacional. E aí a explicação é que as organizações surgiram na época do Tribunal, as duas primeiras organizações: a Liga das Nações e a OIT (Organização Internacional do Trabalho), instituídas em 1919. Então, naquele momento não havia a compreensão, produção de doutrina, nem de jurisprudência que levasse à compreensão de que as decisões das organizações internacionais produziam direito internacional. Estamos falando, portanto, de fontes formais do direito internacional. Nas aulas anteriores, nós falamos de fontes materiais, ou seja, aquilo que diz respeito ao

fundamento do direito internacional. Quando se fala em fonte material, é a discussão relacionada ao fundamento das coisas. No caso específico da nossa área, ao fundamento do direito internacional. Por que existe o direito internacional? Vimos as teorias relacionados ao direito internacional e vimos as teorias relacionadas às relações internacionais, nas aulas passadas.

Nessa aula, vamos falar das fontes formais, ou seja, os meios através dos quais o direito se revela, se reveste, ou, nos termos do que diz o NEVYEN QUOC DINH, as técnicas pelas quais o direito se revela. É aí, portanto, que se fala em tratados, costumes internacionais, princípios gerais do direito internacional, decisões internacionais, doutrina internacional e, além deles, aqueles que não estão no art. 38 do Estatuto da CIJ, mas não há dúvidas de que são fontes do direito internacional, a doutrina já pacificou em relação a essas questões, pelo menos essas duas fontes são reconhecidas como fonte do direito internacional. Vamos observar, também, que entre as decisões de organizações internacionais têm aparecido aquilo que se convencionou chamar de Soft Law. Soft Law (norma não convencional) - relaciona-se tanto com costumes quanto com decisões de organizações internacionais. São normas NÃO CONVENCIONAIS, uma boa tradução seria essa ou normas flexíveis. Pergunta: a Soft Law não tem cogência? Resposta: às vezes, elas têm mais cogência, são mais significativas do que a Hard Law (o tratado). Ou seja, o que se espera do tratado? Que por ser obrigatório, ele tenha uma capacidade de se fazer valer na realidade internacional, mas, muitas vezes, o tratado não é propriamente colocado em execução e uma Soft Law é muito mais capaz de penetrar a vida social, no plano internacional, do que uma Hard Law. Em todo livro hoje, tem, pelo menos, uma Soft Law, então vocês pegam um livro e, na contra capa, tem o número do livro, aquilo significa uma norma construída no âmbito da diplomacia internacional e que foi sendo aceita ao longo do tempo. Portanto, está na fronteira entre princípios, costumes e, muitas vezes, é algo adotado por uma decisão de organização internacional, segundo a qual, no caso em questão, os livros, a partir de determinado momento, precisam ter um número. É a forma que o Estado e as organizações têm de saberem quantos livros são vendidos, produzidos no âmbito nacional por ano, em tal tema… É a forma de saber quantos livros e em que condições eles são publicados. Todo livro, em princípio, precisa ter um número. Se alguém quiser publicar um livro sem número, não tem nenhum problema, publica, mas não será contado e, também, como tem uma outra Soft Law que são os currículos digitais, se você tem um currículo e precisa colocar um livro, ao colocar a autoria do livro, se não tiver número, não registra, no caso do Brasil, no Lattes. Então, estamos falando de uma Soft Law que tem uma capacidade de entrar na vida social muito mais do que um tratado. Há tratados que se relacionam com uma Soft Law, mas a Soft Law tem uma vida autônoma. No entanto, nós veremos isso tudo em detalhes nas próximas aulas, por enquanto vamos nos ater ao que está no quadro, ou seja, as fontes do direito internacional. Antes de começarmos a falar sobre tratados, tem uma discussão a respeito da hierarquia das fontes. Será que existe hierarquia das fontes? Essa discussão, certamente, vocês já viram no âmbito do direito interno. Será que existe um hierarquia em relação as fontes no âmbito do direito interno? Eu diria que a maior parte da doutrina diz que sim, existe uma hierarquia e ela está relacionada à legislação. No direito interno, a lei é hierarquicamente superior às demais fontes. Certamente, essa é uma discussão aberta, haverá quem discorde. No âmbito do direito internacional, costuma-se dizer que não existe hierarquia entre as fontes do direito internacional. Ao mesmo tempo, os autores trabalham com a ideia de que existe fontes primárias e fontes secundárias. Eu acho que tem uma certa contradição, porque se diz que não existe hierarquia entre as fontes do direito

internacional, se está dizendo que todas são iguais, há uma mesma capacidade de validação envolvendo tratados, costumes internacionais, princípios gerais do direito, decisões internacionais, doutrina internacional e as outras. Todas são hierarquicamente iguais, é o que a maior parte dos autores diz, o próprio NEVYEN QUOC DINH é muito enfático, o Guido Soares também, praticamente todos trabalham com essa ideia de que não existe hierarquia no âmbito do direito internacional. Ao mesmo tempo de que trabalham com a ideia de que existem fontes primárias e fontes secundárias. O que, de alguma forma, implica em estabelecer certa hierarquia entre as fontes.

1. Fontes primárias:Tratados e Costumes.

2. Fontes secundárias: as demais, princípios gerais do direito aplicados ao direito internacional ou mesmo princípios gerais do direito internacional etc.

Pergunta: a ideia de Hard Law e Soft Law também não compromete essa ideia de que não há hierarquia entre as fontes do direito internacional? Resposta: eu acho que sim. Há uma idealização muito grande no direito como um todo e no direito internacional e, também, quando se fala nessa questão de hierarquia ou não. É como se os autores quisessem que não exista hierarquia, mas, na prática, acaba se estabelecendo. O que seria uma fonte secundária? Uma fonte que precisa de legitimação por outras fontes. Então, os princípios gerais do direito precisam ser reconhecidos por outras fontes, principalmente pelos tratados. As decisões internacionais também, ou seja, têm que estar condicionadas por tratados e por costumes. Uma decisão internacional por melhor que seja, por mais relevante que seja, se não estiver de acordo com um tratado, com um costume internacional, ela é suscetível de questionamentos. Pergunta: Se houver um conflito entre duas fontes primárias, quem prevalece? No caso entre tratados e costumes. Resposta: a resposta quanto a isso vai variar, mas uma resposta positivista seria a de que vai prevalecer o tratado, o que estiver definido no tratado.

TRATADOS

Agora, entramos nos tratados.

1. Definição: tem uma definição positiva no artigo 2º da Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados, de 1962. Em geral, os tratados levam bastante tempo para serem negociados. Um tratado pode levar 10, 15, 20 anos para ser estabelecido, é o tempo de maturação da discussão em torno do objeto do tratado. Os estados podem colocar dúvidas, empecilhos, sempre que o Estado não quiser ou se um grupo de Estados não quiser que um tratado seja decidido logo, ele colocará muitos empecilhos, prologando o processo, o que faz com que ele demore bastante tempo para ser negociado e concluído. No caso da referida Convenção, começou a ser negociada em 1961 e só foi adotado pela ONU em 1969. Entre 1945 a 1970, muitos foram os tratados que foram estabelecidos no âmbito da ONU e, também, de organizações regionais como a OEA.

um instrumento único, quer de dois ou mais instrumentos conexos, qualquer que seja sua denominação específica”.

1. Tratado é um acordo internacional, ou seja, um acordo envolvendo sujeitos do direito internacional, que hoje se sabe que, além dos Estados, organizações internacionais também participam da produção dos tratados, mas certamente os Estados continuam sendo os principais sujeitos interessados e partícipes no processo de elaboração e de adoção dos tratados.

2. Tem a forma escrita. Se não tiver a forma escrita, será uma outra fonte; em

particular, o costume. Normalmente, tem um formato também. Começa com um preâmbulo, onde se diz quem são as partes que dele fazem parte e uma série de justificativas, chamadas de considerandos (considerando isso, considerando aquilo, ou seja, as justificativas, os motivos pelos quais o tratado é adotado). Depois vem o corpo, onde vamos ter os artigos, com as principais formulações normativas relacionadas ao tema regulado pelo tratado. Por fim, tem-se o fecho (a conclusão do tratado), onde tem uma série de encaminhamentos, de normas gerais relacionadas à vida do tratado, como ele entra em vigência, possibilidades

de suspensão, as possibilidades de extinção etc. Ou seja, as partes pelas quais se finaliza

o tratado. O tratado pode ter, também, anexos, que são outras partes que fazem com que os tratados tenham especificidades a serem reguladas.

1. Então, a Convenção de Viena, no seu artigo 2º, diz que o tratado é um acordo

internacional, ou seja, regula matérias de interesse internacional, no âmbito do espaço internacional, e ele tem a forma escrita, além de ser estabelecido entre Estados. Aqui, tem uma impropriedade da definição, porque hoje os tratados não são estabelecidos apenas pelos Estados, as organizações internacionais têm participado ativamente do processo de instauração da discussão, no processo de negociação e adoção dos tratados. Com a criação de organizações internacionais, é no âmbito dessas organizações que os tratados

são formulados. Então, boa parte do trabalho da ONU, do trabalho da OEA, do trabalho das organizações internacionais de uma maneira geral é na formulação de tratados, de propostas de tratados, a negociação envolvendo Estados, negociação envolvendo outras partes, outras OI, envolvendo representantes de empresas também. Esse é um trabalho que tem justificado a existência das OI. Portanto, é por isso que tem, aqui, uma observação, de que não cabe dizer que são negociados, apenas entre Estados, uma vez que OI’s também podem e têm sido, inclusive, depositários de tratados, alguém que cuida do tratado.

1. É uma matéria regida pelo Direito Internacional, ou seja, tem uma série de

princípios, de condições pelas quais o tratado deve ter a sua instalação, a sua existência

e a sua morte definidas. E nós vimos que tem uma Convenção que regula a vida dos

tratados, qual seja, a Convenção de Viena sobre D. Dos Tratados, que é, no âmbito do direito internacional, o grande instrumento que rege a vida dos tratados. Existem, também, convenções no âmbito regional, no âmbito da OEA, no âmbito do Conselho da Europa, que também definem regras específicas regionais relacionadas aos tratados. Mas essa é a norma de caráter geral, universal sobre os Tratados, a mais importante definidora das regras sobre o direito internacional dos tratados. Ou seja, significa que existem tratados que regulam os tratados, mas tem, também, os costumes internacionais, princípios gerais do direito, têm vários fontes que são definidoras do que é o tratado e de como ele tem existência ou deixa de existir.

A Carta das Nações tem dois instrumentos: o texto principal, que traz as normas

gerais definidoras da organização das Nações Unidades e tem o anexo, que é o Estatuto

da Corte Internacional de Justiça.

Resposta do professor à pergunta inaudível: a Carta das Nações é o instrumento principal definidor das Nações Unidas, enquanto que o Estatuto da Corte Internacional de Justiça é o instrumento definidor do Tribunal, então as decisões do Tribunal estão diretamente relacionadas a esse documento. Não são dois documentos, mas sim um único. No âmbito do direito internacional ambiental, é muito comum ter um texto principal, é por isso que se chama tratado-quadro. Ele tem listas. Então, o tratado normalmente, não necessariamente e nem apenas o tratado de direito ambiental, mas tem acontecido muito nos tratados internacionais ambientais terem esse formato, ou seja, um texto principal com normas muito gerais em relação à matéria regulada, como a

Biodiversidade, e tem anexos. Nos anexos, nós vamos ter listas, como a lista de animais

a serem protegidos. De tempos em tempos, essas listas são alteradas, por exemplo, para

que animais entrem ou saiam das listas. É um anexo, é um texto que é parte do tratado, mas é alterável. Então, um tratado quadro é constituído de um texto e instrumentos anexos.

1. Qualquer que seja a sua denominação. Não importa o nome dado pelos

“legisladores” no âmbito internacional, pois será um tratado ainda que seja chamado de convenção, convenção-quadro, pacto, liga, sociedade, protocolo (normalmente, o protocolo é uma emenda a um tratado original, mas não necessariamente, pois pode ser um protocolo original), declaração, acordo, convênio, regras, carta etc. Como visto, nessa parte da aula, o Professor lista uma série de nomes para acordos internacionais. Fala em pactos (Pacto de San José da Costa Rica, Pacto Internacional de Direitos Civis

e Políticos, Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais), ligas (Liga das Nações/Sociedade das Nações), protocolos (que normalmente são uma emenda a um tratado original, embora haja "protocolos originais". Pelo que entendi Jayme diz que virou passeio e a galera dá o nome "declaração" mesmo sem ser. Ele dá o exemplo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que não é declaração, mas sim um princípio geral do direito, porque não houve ratificação, podendo haver tratado com nome de declaração). Ele continua listando: convênio, acordo, carta (Carta das Nações Unidas, Carta da OEA).

Levantam uma pergunta acerca da existência ou não de força normativa do tratado que versou sobre a situação de Israel. De acordo com Jayme, há força normativa, mas não é um tratado. É uma decisão de organização internacional. Pergunta inaudível sobre os concílios. Jayme diz que os concílios eram mais frequentes no passado, e eram uma espécie de cúpula. De acordo com ele, o concílio estava muito mais ligado ao lugar onde o acordo foi estabelecido do que ao assunto tratado (achei meio sem sentido, mas segue o baile). Falam nas bulas e Jayme diz que elas são caracterizadas por serem decisões unilaterais. Desse modo, não podem ser consideradas tratados, já que estes precisam de

no mínimo duas partes. As bulas seriam, portanto, decisões.

A DUDH não é um tratado. Devido a isso, foi necessário criar dois tratados para dar

obrigatoriedade às normas trazidas pela DUDH. (Meio mundo de ideia solta que eu não

consegui conectar porque ele fala as palavras chave pra dentro). O princípio geral é que

o próprio tratado define as regras em relação a ele mesmo, sendo esse princípio oriundo

da soberania dos Estados. Ou seja, uma vez reunidos em assembleia, os Estados podem estabelecer as regras que quiserem dentro de certos limites.

1. Pressupostos: é nesse contexto que aparecem os pressupostos, que em linhas

gerais são os mesmos dos contratos.

2.1 Agente capaz. Exceções. Cláusula Federal: Os agentes capazes são os Estados e

as Organizações Internacionais. As "pessoas comuns" estão sujeitas ao direito internacional porque têm direitos e obrigações, podendo inclusive ser julgados no plano internacional até por questões penais, mas não têm autonomia para contrair obrigações em termos de tratados. Existem casos excepcionais em que estados federados têm capacidade de construir tratados. É o caso da Califórnia, que ao entrar nos EUA definiu essa regra. É o caso também da Cruz Vermelha, que não é uma Organização Internacional; é uma ONG que foi instituída como organização nacional inicialmente e tem sede junto às organizações internacionais em Genebra, mas é uma ONG. De toda forma, por força da prática tem participado de tratados. Vinculada a essa discussão, temos a chamada cláusula federal, que vai ser elemento de vários tratados, como a Convenção (Inter)Americana Sobre os Direitos Humanos e a Carta das Nações. Essa cláusula quer dizer que apenas o Estado enquanto união tem a capacidade para estabelecer tratados, sendo os casos citados acima as exceções. Se a CFRB ou qualquer outra constituição estabelecer que um, dois ou todos os estados podem ratificar tratados, isso deverá ser respeitado no plano internacional. A regra geral é relacionada à cláusula federal, e isso vale não só para a negociação, a assinatura e a ratificação de tratados, mas também para o cumprimento das obrigações. Se o governo de Pernambuco agir de encontro a uma determinação internacional, o Brasil tem que se responsabilizar. No exemplo do estado da Califórnia, por sua vez, o caso é diferente, como ele é ente apartado, limpa a merda que fizer.

2.2Objeto lícito: O objeto deve ser lícito (assim como o direito interno e direito dos contratos). Isso tem muito a ver com uma discussão que veremos mais adiante, ou seja, não é sobre qualquer tema que o tratado pode versar. Por exemplo, hoje (essa é uma regra um tanto quanto aberta porque depende do que se entende no momento) alguns Estados resolverem reinstituir a escravidão isso será visto como um objeto ilícito, portanto não passível de ser regulado no plano internacional. É uma questão que tem certa correlação com as cláusulas pétreas que temos no plano interno, mas voltaremos a esse tema mais adiante; por enquanto fiquemos com a generalidade do objeto lícito.

2.3 Ademais, deve haver o consentimento mútuo; não pode ser imposto por um Estado

em relação aos outros. Deve haver um acordo entre as partes (Estados e Organizações Internacionais).

OS TÓPICOS QUE O PROFESSOR ESCREVEU NO QUADRO JÁ FORAM TRABALHADOS. COMO SOBROU TEMPO, ELE INICIOU OUTRA PARTE DO ASSUNTO SOBRE TRATADOS.

Vamos começar a falar do processo de negociação dos tratados. Os tratados podem levar muito tempo para serem elaborados até a hora em que vai se chegar à conclusão de que eles estão realmente prontos para serem levados ao ambiente

internacional para que haja a discussão acerca da sua assinatura e por fim da sua ratificação. Só com a ratificação é que o tratado passa a ser obrigatório no âmbito

interno. Então é um processo um pouco longo, alguns tratados levaram 10, 20, 25 anos para serem concluídos.

O Pacto Internacional de Direitos Civis e Jurídicos e o Pacto Internacional de

Direitos Econômicos, Sociais e Culturais são tratados no âmbito dos direitos humanos e tornam jurídica a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que é de 1948. Logo depois da adoção da DUDH se iniciou o processo de discussão em torno de um tratado

(que deveria ser único e denominado "Tratado Internacional de Direitos Humanos"), só que havia a Guerra Fria e uma forte discussão ideológica acabou apartando interesses

sobre os direitos civis e jurídicos de um lado e sobre os direitos econômicos, sociais e culturais de outro. Perguntam se tem a ver com direito de primeira, segunda e terceira gerações. Jayme diz que é exatamente isso; havia dúvidas quanto a essas categorias de direitos e se elas todas deveriam ser direitos humanos. Em função dessa polarização ideológica decidiu-se que deveriam ser produzidos dois tratados; dois pactos. Eles só foram instituídos em 1966, então se verifica esse lapso entre a DUDH (1948) e esses tratados (1966), 18 anos de discussões relacionadas à possibilidade ou não, à adoção ou não de dois tratados em matéria de direitos humanos. Ainda assim esses pactos só entraram em vigor 10 anos depois, posto que fazia-se necessária uma certa quantidade de Estados-membros ratificando-o para que ele passasse a valer, quantidade que só foi atingida em 1976.

A outra questão a ser considerada é a das línguas; para a definição de normas

internacionais é preciso definir em que língua será negociado e redigido o tratado. Se o tratado for bilateral entre países de mesma língua, ela é a adotada. Normalmente em caso de línguas diversas redige-se o tratado nas duas línguas oficiais, mas isso varia de acordo com a vontade das partes, podendo ser escolhida a de um dos dois. O grande problema é quando os contratos são multilaterais, a depender dos entes envolvidos na negociação. Caso haja a presença de uma Organização Internacional como a ONU, por exemplo, que tem seis línguas oficiais (três representativas do ocidente - espanhol, inglês e francês - e três representativas do oriente - russo, mandarim e árabe), deve-se escolher uma dessas línguas e os países que tiverem outras línguas devem fazer versões oficiais dos tratados em seu idioma. Tratados concluídos no âmbito da OEA são redigidos nas línguas oficiais da OEA (português, inglês, francês, espanhol). No âmbito da União Europeia, todas as línguas oficiais dos países da Europa são línguas oficiais, então os tratados devem ser negociados e concluídos naquelas línguas. Se o tratado for multilateral para além das organizações internacionais, devem caminhar nas línguas oficiais dos Estados que negociam o tratado.

Pergunta: Quando vai haver decisão sobre determinado território a ONU tem que ser convocada, mas sobre a situação de Jerusalém como isso é resolvido na prática? Porque o papo de que vai tudo se resolver pacificamente é lindo, mas não cola;

Então hoje o que está sendo

feito? Jayme: Atualmente essa questão em particular está sendo regulada por Trump, rs. Aluna pistola: Eu sei professor, mas o senhor tá dando aula pra falar desse tópico, então responde aí minha pergunta Jayme: A resposta não é simples. Eu acho que o direito internacional (muita coisa inaudível). As limitações são grandes, mas ao mesmo tempo a gente tem visto no

enquanto a gente fantasia o pau canta e gente morre

desenvolvimento histórico da disciplina e veremos mais ainda que existe possibilidade de regulação, de normatização, de aplicação do direito, mas ainda assim com certas

limitações, ou seja, o direito internacional é um direito diferente dos outros direitos que tem potencialidades e limitações também. É uma resposta insuficiente, mas é uma resposta que deve guiar as nossas discussões daqui por diante. Só terei condições de responder de forma mais afirmativa em situações específicas. Como generalidade fica difícil. No fim das contas vem acabando por valer a lei da força.

A tradição dos plenipotenciários vem da época dos reis absolutistas, que não

podiam estar em todas as discussões de todos os tratados, mas se preocupavam muito com quem poderia negociar tais tratados. Plenipotenciárias são aquelas pessoas a quem o Estado dá poderes para que negociem os termos dos tratados e assuma compromissos em relação aos tratados, muitas vezes podendo assiná-los também. Essas pessoas recebem os chamados "plenos poderes", que têm seus limites traçados pela autoridade responsável por uma autoridade do âmbito nacional, podendo limitar os poderes do pleno potenciário de modo que eles simplesmente participem da negociação sem assinar o contrato. Há casos em que a autoridade do chefe de Estado não é suficiente para assinar determinado contrato por esse poder ter sido delegado ao pleno potenciário (entendi dessa forma no áudio, mas não faz tanto sentido). "Plenos poderes" também é o documento que deverá ser exibido pelo pleno potenciário na hora de negociar o tratado. Normalmente há conferência desses representantes na qual eles devem exibir esses documentos registrados com a assinatura de quem tem o poder de delegar tal atribuição.

Pergunta: Eles são agentes com diplomatas ou pode ser qualquer um? Resposta: Em geral são diplomatas, mas pode ser qualquer um, como inclusive vem acontecendo, sobretudo no exterior.

A constituição do país vai determinar quem tem poder para constituir pleni

potenciários e quais os plenos poderes. No Brasil, isso cabe ao presidente da república. Ele pode também delegar essa atribuição ao Ministro de Relações Exteriores, que é o que normalmente acontece, mas depende de uma lei específica.

Os plenos poderes podem ser limitados e ainda assim serão plenos poderes.

Em algumas situações, algumas pessoas de alguns cargos não precisam exibir plenos poderes (o documento). É o caso dos chefes de Estado; eles não precisam apresentar plenos poderes porque são reconhecidos como tais. O mesmo vale para o Ministro de Relações Exteriores, pro Chefe de Missão Diplomática e pra representantes em conferências específicas para definição de um tratado (achei isso um tanto confuso). Pode-se dizer que os plenos poderes são uma "procuração internacional" dada pelo Estado para negociar os termos de um tratado, podendo ser revogados.

8. Aula 8 (Aula extra- dia 04/05)

Na aula de hoje, vamos tentar terminar tratados e costumes. Estávamos falando de tratados e do processo de negociação. Inclusive, vale salientar que esse processo se resolve normalmente em um, dois anos, porque é preciso ir se constituindo as bases do acordo e isso demora, sobretudo, no plano multilateral. Todavia, se o tratado for bilateral, ele tende a ser mais rápido, a negociação será mais rápida. Por outro lado, o

tratado multilateral e o tratado no âmbito global, que envolvem muitas percepções, tendem a levar mais tempo.

Para se chegar à conclusão do tratado, é necessária uma série de discussões e de reuniões. Mas, chegando, o que fazer? Aí tem toda uma busca para dar legitimidade ao texto do tratado. Por enquanto, sendo o texto do trabalho concluído, verifica-se que não há maiores intervenções na ordem internacional.

A próxima etapa será a assinatura do tratado. Com a assinatura, não se tem

obrigatoriedade em relação ao tratado. A única implicância da assinatura é a obrigação que os plenipotenciários têm quanto a levar os termos do tratado para uma discussão aberta no plano interno. Cada vez mais, vê-se que esse debate deve ser aberto, envolvendo vários segmentos da sociedade. É que se forma uma convicção de que esse tratado deve ser ratificado. Então, antes da ratificação, há uma discussão no plano interno.

No âmbito das organizações multilaterais, normalmente, esse papel cabe a organizações. Organizações como a ONU e como o Conselho da Europa seriam essas organizações que fazem todo o trabalho. Não são conferências para a elaboração dos termos do tratado, mas são conferências para difundir os termos do tratado. Quando o texto está concluído, chega-se à conclusão de que esse texto deve ser ratificado.

Não há uma regra estabelecida. Tudo isso depende do costume, do voluntarismo dos Estados no âmbito do Direito Internacional. Deve haver um momento em que os plenipotenciários, ou uma organização, ou os Estados difundirão essa possibilidade de se aplicar os termos do tratado.

Quem assina o tratado? Pode ser o plenipotenciário, se ele tiver poderes para isso, ou pode ser o representante máximo do país, de acordo com a Constituição. O que é importante para nós é ter em mente a ideia de que, com a assinatura, não há a obrigação de cumprimento dos termos. A obrigação é de levar a discussão ao âmbito interno, para que os Estados façam a discussão acerca da conveniência, em relação à constitucionalidade e às conveniências políticas e econômicas com repercussões para os Estados.

É preciso verificar tudo isso para ver se o Estado se obriga ao cumprimento. Normalmente (e isso tem sido ampliado com a criação das organizações internacionais), vêm sendo realizadas conferências para que haja uma assinatura, a fim de que o mundo saiba que existe uma proposta em discussão de um novo tratado. Há um compromisso de levar essa discussão no sentido de que se reflita sobre a possibilidade de ratificação.

Vale salientar que a ratificação é um ato unilateral. Nós falaremos acerca desses atos unilaterais, como a adesão, emendas, reservas, etc. A ratificação é um desses atos unilaterais, ou seja, é um ato que não precisa da concordância de outro Estado para produzir efeitos; depende, apenas, da voluntariedade do Estado.

A ratificação é definida pela Constituição de cada país. Depende de cada país.

No geral, onde há um sistema presidencial, vê-se que cabe aos presidentes. Mas isso pode ser, também, compartilhado com o Congresso: que é o que acontece no Brasil. Depende-se da vontade desses dois poderes. O Executivo inicia o processo de ratificação e comunica ao Congresso.

O tratado só será levado ao Congresso se o Presidente quiser. Se o presidente

não encaminhar, o processo não é aberto e não há discussão em torno da ratificação do tratado.

O processo é um ato complexo: quando se decide participar de eventos internacionais para elaborar um novo tratado, há uma consequência em todos os poderes, que conversam entre si e podem se fazer representados nessas conferencias. Quando o texto do tratado está formulado, deve-se fazer valer a discussão internamente.

Depois que o Presidente encaminha essa mensagem ao Congresso, o Congresso faz discussão em termos políticos, jurídicos e financeiros. Aí, depois, dá seu aval para que o tratado seja ratificado. E ele só é ratificado com outra manifestação de vontade do Presidente, que é o decreto presidencial. Uma vez publicado, o tratado está, na ordem interna e na ordem internacional, em cumprimento. Os Estados, sobretudo os que têm mais presença internacional, por meio da diplomacia, etc., costumam levar muito a sério esse processo de ratificação, porque se cria uma ampla discussão política caso o tratado não seja objetivamente cumprido.

Quando o Congresso concorda, vem o decreto e o tratado entra na ordem interna, nascendo a obrigação de cumprimento.

O próximo ponto a ser tratado é em relação à classificação: há várias, como em

relação à quantidade de partes, com relação à possibilidade de participação, quanto à amplitude normativa e quanto à matéria regulada.

Com relação à quantidade de partes, o tratado pode ser bilateral, multilateral e plurilateral. Essa distinção entre multilateral e plurilateral existe porque parte da doutrina considera que, quando um tratado envolve organizações internacionais e Estados, ele seria plurilateral: há os Estados e pelo menos uma organização. É o caso do tratado em que a União Europeia e o Chile. É um tratado que pode se entender como plurilateral. Outro exemplo é o Mercosul e a União Europeia, que seria um tratado plurilateral, porque envolveria duas organizações.

O bilateral é envolve dois Estados. Os multilaterais envolvem vários Estados.

Quando há a ONU e vários Estados, vê-se um tratado plurilateral.

doutrina

simplesmente reconhece a diferença entre bilateral e multilateral.

Quanto à possibilidade de participação, o tratado pode ser aberto ou fechado. É aberto quando qualquer Estado pode fazer parte, não há uma limitação. Porém, muitas vezes, essa condição de ser aberto ou fechado depende de uma condição regional. Pode ser aberto regionalmente e fechado em outras regiões.

O tratado aberto é aquele em que não há habilitação para fazer parte, como a

Carta das Nações. Qualquer Estado do mundo pode fazer parte da Carta das Nações.

Pode-se entender que só os Estados que são banhados pelo Atlântico Norte podem fazer parte da OTAN, que é uma organização comprometida com a segurança desses países. Então, é um tratado fechado.

Toda organização tem um tratado para sua instituição. Cada organização é instituída por um tratado: isso que é chamado tratado-fundação. A OTAN é aberta

Isso

tudo

depende

da

aceitação

da

doutrina.

Outra

parte

da

apenas para países do Norte do planeta. O Mercosul é uma organização fechada ao Sul da América. De fato, é uma definição muito mais política que geográfica a da OTAN, porque os países do Norte têm mais poder econômico e político que os do Sul da América.

Essa possibilidade de participação depende muito da região e, também, em função da temática, ou seja, a temática também limita a participação. A temática, por exemplo, da Amazônia. Há vários tratados que regulam a Amazônia: é uma questão geográfica e temática. O tratado é aberto a questões geográficas e temáticas.

Quanto à amplitude normativa, o tratado é geral ou específico. O geral é o que trata de diversos assuntos, como a Carta das Nações. A Carta das Nações é um tratado-fundação, tem caráter administrativo, institui princípios gerais do Direito Internacional, institui um Tribunal Internacional e regras correlatas a ele, etc.

Por outro lado, o tratado específico trata de um tema específico. Essa discussão se relaciona, por exemplo, à Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados. A Convenção das Nações Unidas sobre Biodiversidade é outro exemplo. A Convenção da OEA e a Interamericana para prevenir e punir a violência contra mulher são tratados específicos.

Quanto à matéria regulada, são inúmeras as possibilidades. Alguns tratados de fundação são, também, de paz. É o caso da Liga das Nações, é o caso da Carta das Nações e, ainda, dos tratados de fundação, ou seja, que instituem organizações internacionais: todas têm, mas pode ser que esses tratados disponham, além disso, de outras matérias.

Nós veremos, em uma das aulas, os organismos da ONU e seus tratados de fundação. Por exemplo, a UNESCO, a OMC, etc., além de agências, são organizações internacionais de caráter global, e todas elas têm seus tratados de fundação.

O tratado de paz, a exemplo o Tratado de Versalhes, é aquele cujo objetivo é o de constituir a paz, sobretudo depois de uma guerra. Então, a Carta de Nações é, também, um tratado de paz. Todas os fins de guerras europeias que implicaram tratados ensejaram tratados de paz.

Os tratados de extradição são normalmente bilaterais, em função da matéria. Um tratado de extradição, por exemplo, exige as mesmas condições para os países; é, normalmente, bilateral, mas nada impede ser outro o de extradição.

Um tratado-contrato é o que estabelece condições contratuais, como o tratado que estabeleceu a ITAIPU binacional, uma empresa brasileira no Paraguai, no qual há uma série de normas. O formato é muito assemelhado a de um contrato, por isso o nome. Ele tem características, muitas vezes, econômicas.

Tratado de Direitos Humanos: como a Convenção das Nações Unidas para eliminação de todas as formas de discriminação racial, contra mulher, etc. No âmbito regional, vê-se a Convenção Interamericana para punir violência contra mulher; a Convenção Americana de Direitos Humanos também, apesar de ser mais geral. Há, também, o Protocolo de San Salvador.

Tratados humanitários são aqueles inseridos em conflito armado ou de guerra, por exemplo: as Convenções de Genebra sobre direito humanitário, que instituem os

crimes de genocídio, contra a humanidade. Até mesmo o Estatuto de Roma pode-se entender como tratado de direito humanitário.

As Convenções de Meio Ambiente: como a das Nações Unidas sobre a mudança de clima, que tem um texto básico, o qual regula as possibilidades de controle do clima, das condições climáticas, para que não tenhamos o aumento da temperatura como tem acontecido. Há outras partes, há anexos, com listas, para convenção ambiental.

Pergunta: os elementos dessa lista podem ser alterados informalmente?

Não diria informalmente, porque tem que haver uma conferência, mas não precisa de ratificação dessa alteração. A ratificação diz respeito aos termos fundacionais e os anexos não são submetidos à ratificação. Isso é objeto de crítica, mas essa tem sido uma forma de tratar as atividades para a normativização ambiental.

Alguém lembra de algum outro tipo de tratado quanto à matéria regulada? Não? Então vamos falar de outras situações relacionadas a tratados.

A adesão. Quando se pode falar nela? Há adesão a um tratado quando não se

participou do processo da negociação. O texto do tratado está pronto, em princípio já houve a assinatura e a ratificação por parte de uma série de Estados. Então, novos Estados querem aderir ao tratado. Por exemplo, Estados criados depois podem aderir à Carta das Nações, que é um tratado já assinado e em curso.

Em relação a todos os tratados de Direitos Humanos instituídos na década de 80, etc., o Brasil aderiu a eles, mais ou menos, em 1992, no governo Collor, quando o Brasil entra, de fato, internacionalmente, quanto aos tratados de Direitos Humanos, ou seja, o Brasil aderiu a eles. A adesão significa isso: o país não participa das discussões relacionadas à elaboração do tratado. O tratado está pronto, aí o Estado adere.

É possível que se estabeleçam reservas? Sim. Daqui a pouco falaremos delas.

A adesão é mais uma das atribuições relacionadas ao depositário. Qual a função

do depositário? O depositário tem uma função muito importante relacionada aos tratados que é cuidar para que o tratado seja cumprido. Um cuidado que é maior do que simplesmente fazer com o que o contrato seja cumprido, é ter cuidado com o texto, com a qualidade do texto, com os procedimentos relacionados ao texto. Entre eles, o registro, as cópias cada Estado que fez parte daquele processo de elaboração do tratado terá que ter pelo menos uma cópia. Essas cópias deverão ser autenticadas, registradas. O próprio texto do tratado deverá ser registrado pela organização a qual o tratado esteja relacionado.

seja, é o espaço

que vai garantir essa

internacionais, os próprios Estados que davam poderes ao depositário. Quando a reunião se estabelecia para realizar os tratados já se definia quem era o depositário, quem seria o depositário. E aí o depositário, o Estado dava poderes ao depositário. A figura do depositário sempre foi uma figura muito importante, ou seja, é comum que uma pessoa

E no passado, quando não haviam as organizações

Se for uma organização global, se for uma organização regional

Ou

relevante no espaço internacional. Poderia ser um estudioso, podia ser um diplomata poderia ser um governante um rei.

E com o tempo, com a criação das organizações internacionais, as próprias organizações

são depositárias dos tratados. O tratado fica guardado na sede da organização. Portanto, normalmente, quando o tratado é unilateral – eu já disse que tem essa diferença, ou seja, quando o tratado é unilateral o depositário deverá ser o representante máximo daquela organização. Então, dentre as suas obrigações, ele tem a obrigação de guardar os documentos físicos, mas de guardar também o respeito as condições de vigência do tratado. Então, por exemplo, tudo que acontecer em relação ao tratado, ele deverá saber

e deverá comunicar as partes. Se uma parte se retira do tratado, por exemplo, isso

deverá ser registrado em ata e deverá ser comunicado a todas as outras partes. Tudo,

absolutamente tudo. Uma suspensão deverá ser comunicada pelo depositário.

Então, o depositário tem uma função extremamente relevante em relação à vida do

tratado. Se o tratado for bilateral, então os Estados definem quem vai ser o depositário

do tratado. Ou, então, uma pessoa, representando o Estado.

Nos últimos tempos, no processo de elaboração dos tratados, de afirmação do direito internacional, era comum definir uma pessoa especifica como depositária. Contudo, percebeu-se que as pessoas são finitas, as pessoas morrem. Somos mortais. Então, viu-se que isso não era muito adequado. Então hoje se define cargos, cargos que são

ocupados por pessoas e tem o presidente. Então, o secretário geral de uma organização é

o depositário. A presidência de uma determinado país é depositária. Então, mudou o

presidente, mudará também o depositário. No caso de uma adesão, caberá o depositário registrar essa adesão e distribuí-la as partes envolvidas no processo relacionado àquele tratado.

Emenda

A emenda é a alteração. Normalmente uma emenda é denominada de protocolo, como

eu falei na outra aula. Há várias denominações, tratado, segundo tratado, terceiro tratado, emenda. As partes envolvidas têm plena capacidade para dar o nome que quiserem aos tratados e às emendas, que são nada mais do que novos tratados, só que se referem ao tratado original. O Protocolo de Kyoto é uma emenda, a convenção 4 das nações unidas sobre o clima. Aí tem o Protocolo de Kyoto pra altera as condições de Viena daquele tratado original. Então, trata-se do Protocolo de Kyoto – a Convenção 4 das Nações Unidas sobre o Clima.

Em relação às reservas, o que se deve observar é que faz parte da soberania das nações estabelecer reservas. Então, reserva é uma sinalização, a manifestação de vontade unilateral do Estado por meio da qual o Estado diz que não se compromete com determinadas clausulas do tratado. Isso é plenamente possível na ordem internacional, desde que não alcance os elementos fundamentais do tratado.

Imagine que num tratado sobre mudança do clima, um Estado imponha uma reserva justamente num ponto fundamental sobre a mudança do clima, o que equivaleria a não ratificar, ratificar só pro forme. Certamente isso aconteceu com muitos tratados ao longo da história. Então, por isso a doutrina vem adotando a compreensão e a jurisprudência internacional também, no sentido de limitar as possibilidades de reserva.

Mais recentemente, alguns tratados já não permitem mais reservas, alguns tratados da

não

é possível. Então o que vem acontecendo: alguns Estados não ratificaram e tem se organizado com outros Estados pra que outros Estados não ratifiquem. É uma forma de tirar legitimidade ao tratado. Então, por exemplo, Estados Unidos não ratificaram, Colômbia também não. Vários Estados que tem problemas humanitários – digamos assim – não ratificaram o Estatuto de Roma, que institui o Tribunal Penal Internacional. Porque também só seria possível ratificar inteiramente o tratado, ele não é passível de reservas. Então, digamos que tem essa tendência dos dias de hoje, em função de uma busca de uma cogência maior para o direito internacional e em função de consideração das reservas como que algo que tira o significado de muitos tratados. Então há uma tendência de que tratados mais recentes não permitam reservas. Isso vem acontecendo com os tratos de meio ambiente, os na área penal. Ou seja, o tratado que institui o tribunal penal, como se admitiria reservas? Ou se admite inteiramente ou não.

área ambiental, o tratado do tribunal penal internacional não é passível de reservas

Pergunta: professor, eu não sei se o senhor já falou, mas no caso de adesão precisa de autorização de outros Estados que já eram parte?

Só se o tratado determinar nesses termos, mas não em princípio.

Pergunta: e no caso de emenda, como é que é? Qualquer Estado chega e propõe essa emenda?

Quando falamos da emenda, falamos de uma série de condições, uma séria de situações

digamos que a regra geral

válida para o direito internacional é, no âmbito dos tratados, o tratado define as suas regras. Claro, tem os princípios gerais do direto, tem as condições mais gerais. Em princípio, com relação a reserva, a emenda, a adesões, tudo isso é regulado pelo tratado.

que são reguladas pelo próprio tratado. Ou seja, é o tratado

Eu falei pra vocês do formato do tratado. Ou seja, o tratado ele começa com o preâmbulo, no qual nós vamos ter a qualificação das partes do tratado, nos vamos ter também os princípios do tratado, ou seja, aquilo que justifica o tratado. Depois vem a parte propriamente normativa, por meio dos artigos, que é o corpo do tratado. E tem o fecho, ou a finalização, que é aí onde vem essas regras relacionadas a suspensão, a reserva, a denúncia. Tudo vai ser definido pelo tratado. Vale o que está no tratado. O

próprio tratado deve dizer: tais e tais artigos não são passíveis de reservas. Agora se

permitir também

descaracterizados por isso.

Inclusive, tem alguns tratados que são completamente

*Diálogo com aluna confirmando a afirmação do professor, com o exemplo da Convenção de Viena*

A convenção de Viena tem toda ela a definição, as condições fundamentais sobre

tratado. O que é convenção, ratificação, etc. isso ocorre porque a convenção de Viena é sobre o direito dos tratados. Ou seja, institui as regras fundamentais com relação aos tratados, então ela também cuidou de definir certas questões juridicamente.

Suspensão

Suspensão é a possibilidade de que o Estado não cumpra o tratado temporariamente,

alegando, por exemplo, condições políticas. Digamos, por exemplo, que o Estado está em turbulência política e por isso argumenta que não tem condições de cumprir um determinado tratado. Ou que está em situação desvantajosa do ponto de vista econômico, que também coloca em discussão a possibilidade de descumprir os termos

do tratado. Sobretudo os tratados que tem repercussões financeiras. Então, dependendo

do tratado, ele poderá ser suspenso, ou ter a sua vigência suspensa, dependendo das condições estabelecidas pelo próprio tratado.

As condições de direitos humanos, por exemplo, dizem que determinados direitos não podem ser suspensos. Por exemplo, o direito a liberdade, o direito a vida. Tudo vai depender do tratado.

Pergunta: declaração universal não é um tratado né?

Não, declaração são princípios gerais.

Denúncia

A denúncia é a retirada de um Estado ou organização internacional. É quando esse ente informa a comunidade internacional que ele não mais fará parte do tratado. Normalmente, se exige um tempo, porque, em função da segurança jurídica, a comunidade internacional precisa ter um tempo para saber que aquele Estado sairá da vigência do tratado. Normalmente, o tempo mínimo de um ano. Mas se o tratado permitir uma denúncia imediata ou exigir mais tempo, tudo vai ser regulado pelo voluntarismo jurídico, ou seja, por aquilo que estiver determinado nas normas finais do tratado, aquelas que definem o termo final do tratado.

Pergunta: a denuncia é o ato de saída?

É o ato de anúncio de que o Estado irá se retirar do tratado

Pergunta: E o ato de saída?

Aí é a finalização do processo de denúncia.

Extinção

A extinção do tratado se dá por duas formas principais: a perda de objeto, que é quando

o objetivo não foi cumprido ou foi cumprido, aí ele deixa de existir, o tratado é extinto. Como o tratado que instituiu a liga das nações deixou de existir quando eclodiu a segunda guerra mundial. O tratado veio para trazer a paz, aí eclode outra guerra mundial, então ele perde seu objeto. É o que pode acontecer com a ONU se eclodir a terceira guerra mundial. A carta das nações está extinta. Não falem isso por enquanto

pra

por enquanto vamos deixar só aqui entre a gente.

A outra possibilidade é o fim do prazo. O tratado pode ter um prazo determinado. Ele

por exemplo, na área cultural, é muito comum que nos tratados da área

cultural os Estados estabeleçam um plano para a cooperação cultural por um período por 3 anos, para fomentar bilateralmente ou multilateralmente a cultura entre ambos os Estados. Ou seja, vai valer por tempo determinado. Uma vez concluído esse prazo, ele deixa de existir. Não foi nem pelo cumprimento do objeto, mas sim porque o tempo foi extinto.

vai funcionar

Uma questão muito relevante com relação aos tratados é o tema da nulidade. Os tratados podem ser declarados nulos em função de dolo, coação, erro. Aqueles elementos que já conhecemos em relação ao direito civil, que se aplicam ao direito internacional também, talvez com uma gravidade maior. Imaginem – como já aconteceu muito no passado – um Estado ser coagido a assinar e ratificar um tratado. Em guerras no passado isso já aconteceu. Um rei dominava a situação e obrigava outros a assinar o tratado. Na doutrina, esse tratado era visto como um tratado passível de ser anulado. E hoje há a clareza de que sendo alegado e provado isso, o tratado deverá ser considerado e declarado nulo. Claro, há possibilidades de correção do erro.

Pergunta: nulo em relação àquele Estado não a todo mundo?

Isso, não a todo mundo.

E muito relacionado a isso está a discussão de jus cogens ou a norma imperativa de

direito internacional, que está no artigo 53 da convenção de Viena sobre direito estatal,

que diz o seguinte,

“É nulo um tratado que, no momento de sua conclusão, conflite com uma norma imperativa de Direito Internacional geral. Para os fins da presente Convenção, uma norma imperativa de Direito Internacional geral é uma norma aceita e reconhecida pela comunidade internacional dos Estados como um todo, como norma da qual nenhuma derrogação é permitida e que só pode ser modificada por norma ulterior de Direito Internacional geral da mesma natureza.”.

Eu já me referi na aula anterior a essa possibilidade, ou seja, a possibilidade de nulidade em função dessa regra geral, seja a regra geral relacionada a uma norma imperativa do direito internacional geral e para essa norma não existe uma definição clara, é uma norma sujeita à interpretação e às condições, digamos, do momento em que há essa interpretação, então, nos dias de hoje, se considera que um tratado será nulo com base nessa ideia de norma imperativa do direito internacional geral, ou seja, plenamente

aceita no plano internacional em determinadas condições. Por exemplo, um tratado que regule ou tivesse que regular a escravidão, tivesse que normatizar a escravidão ou a servidão, seria uma agressão ao que se entende como sendo uma norma imperativa do direito internacional geral plenamente aceita. Ou um tratado que não que proibisse o genocídio, mas que permitisse o genocídio seria também uma norma que atentaria contra essa norma imperativa do direito internacional geral; isso é o que tá previsto no art. 53, né?

Então, a doutrina é quem preenche, digamos assim, essa interpretação, ela não está definida, são os doutrinadores que vão dizer que elementos que temos, estão tendo aí, sobre a norma imperativa do direito internacional; é uma discussão um tanto quanto

assemelhada a cláusula pétrea, embora as cláusulas pétreas possam ter uma definição mais clara que, no caso do Brasil, não se tem claramente o que é uma norma imperativa,

é uma importação da discussão no plano constitucional para o direito

internacional e, ao mesmo tempo, a busca de estabelecer mais segurança no âmbito do

direito internacional.

digamos assim

- Eu posso apagar aqui?

Os “comis”. já foram a principal fonte do direito internacional, só muito recentemente, seja no final daquela segunda fase de desenvolvimento do direito internacional, conforme nós vimos a partir do Adam Watson, ou seja a segunda fase ela é bastante longa, ela começa lá com o fim do império romano e vai até o final do século XIX início do século XX, né? Então no final desse período nós vamos ter uma virada, ou do meio pro final, melhor dizendo, do meio pro final, nós vamos ter uma virada que é em função do processo de positivação do direito e do direito internacional. Aliás, a esse respeito eu coloquei na pasta do Dropbox também de vocês, da outra turma e da outra turma lá de ciência política e aqui também um artigo sobre Vestefália, tratado de Vestefália, um artigo bem interessante, que me pareceu interessante, que é um artigo

crítico então serve pra vocês aqui também. O que é que se diz, então, sobre os tratados de Vestefália? Que ali se instituiu o estado nacional, a ideia de soberania e tudo mais, o autor, nessas perspectivas críticas, o autor vai procurar dizer que o processo de constituição dos estados nacionais é anterior ao Vestefália e procede depois do Vestefália e a definição soberana dos estados também é algo que é anterior ao Vestefália e se prolonga no tempo até final do século XIX quando a Itália, a Alemanha vão se tornar propriamente estados nação, então, me parece relevante aquele artigo de um português, é de um autor português, então se tiverem tempo leiam que esse artigo, talvez até nas próximas aulas a gente possa discutir, possa tematizar, se for o caso eu

direi e nós faremos uma discussão sobre

nesse momento, seria esse momento de definição do direito internacional, do

Então é

direito internacional europeu, né? Ou seja, dessa sociedade internacional europeia, é o momento em que nós vamos ter a mudança do padrão do direito internacional, do direito internacional costumeiro, para o direito internacional “tratadisso”, positivo, ou

mas independente disso eu sugiro que leiam.

seja, o direito costumeiro vai ser objeto de positivação e, ainda assim, não vai deixar de ser costume porque o costume independe do processo de positivação, o costume continuará sendo costume porque o que define um costume como uma norma costumeira é o processo que é diferente de uma legislação, de uma lei. A lei ela é ordenada de um dia pro outro, ou mais ou menos assim, enquanto o processo de constituição do costume é muito mais definido pela tradição, pelo recurso do tempo e forma não escrita, né? Forma não escrita, não retratada, o costume tem a forma não escrita, ou seja, o elemento tempo é fundamental para a constituição costumeira, seja no âmbito nacional, seja no âmbito internacional e, nesse caso, estamos falando do âmbito internacional, ou seja, um costume internacional precisa do recurso do tempo, o tempo é

o elemento essencial na hora em que se constitua um costume; certamente nos primeiros

momentos, antes de ele ser

existência dessa possível norma ou a esse comportamento,

a esse hábito, e com a aceitação, com o passar do tempo que o processo de aceitação,

essa norma, esse comportamento irá se normatizando, se definindo enquanto uma norma exatamente, então o elemento, além do elemento do tempo, o elemento da tradição, ou

conjugado ao tempo, a reiteração tradicional, então será importante para a

seja, a

definição do costume. A forma não escrita, ou seja, ela está na consciência, no caso das

nações, enquanto que o costume nacional está na consciência das nações, das

da consciência das nações, tem

nacionalidades, do conjunto das pessoas que agem, (

que ter a ver com aceitação e nós veremos quando falarmos dos atos unilaterais dos estados que os estados tem um instrumento para não permitir que um costume seja

alterado e qual é esse instrumento? É o protesto, é o ato unilateral dos estados pela qual os estados dizem claramente num espaço internacional, numa conferência, não precisa ser numa conferência, pode ser pelos jornais, pode ser por uma carta, e-mail, ele demonstra não concordar com uma prática internacional e aí ele está dizendo ‘não aceito que essa prática vire uma prática costumeira’ como, por exemplo, quando a uma invasão a um estado, uma invasão unilateral, uma intervenção unilateral, então muitos estados protestam, diversas formas de dizer ‘não concordo com esta invasão’ é uma forma de não tornar aquela prática costumeira. Então é necessário a aceitação da

e, uma vez tendo

comunidade para que vire costume, no caso, costume internacional

esses elementos, o costume tem tanta validade quanto o tratado em termos de obrigatoriedade. Pode não estar em um tratado mas será uma norma internacional do mesmo jeito, ou seja, obrigatória, uma norma internacional de caráter obrigatória, pois o processo de positivação, que vem acontecendo ao longo do tempo, ele é essencial para entender o momento que nós vivemos, ou seja, que o tratado é a principal fonte do direito internacional juntamente com o costume e tem outras fontes que são subsidiárias, ou seja, precisam da convalidação por parte do tratado, do costume, que é o caso dos princípios gerais do direito, é o caso da doutrina, é o caso da jurisprudência , são fontes subsidiárias, ou seja, que precisam de uma convalidação, de uma aceitação, de uma demonstração de que foi aceita aquela norma pelo plano internacional

)

[Pergunta] – “Professor, o costume não tenderia a individualizar os estados, não? Por representar mais as características daquele povo e tal? Assim, enxergar ele como ”

Não, nesse caso, não é costume nacional, é um costume internacional. É o costume que

pula os estados no plano internacional

internacionais do direito, ‘passagem inocente’ é um princípio internacional do direito

que é um costume também; o direito de passagem que aliás fica bem no plano interno; todo mundo sabe que, por exemplo, uma casa, ela às vezes é encostada no terreno de uma outra, então quem mora naquela casa tem o direito de passagem pelo terreno

daquele

tecnicamente de “passagem inocente”, que é a passagem que aviões fazem sobre território de estados nação, a passagem que os navios fazem sobre o mar territorial também, tudo isso é considerado passagem inocente, ou seja que não oferece nenhum risco a soberania dos Estados e implica no direito, de um princípio do direito internacional, um princípio e um costume, que ao longo do tempo foi se instituindo

como um princípio e como um costume. Então, claro é preciso informar ao Estado: “vou

fazer uma passagem inocente por aí (

me comprometo, ao fazer essa passagem, em

mesma coisa quando for levado pro plano internacional que se chama

muitos costumes são também princípios

)

não pousar, não estou levando armas, não estou tocando na sua soberania, simplesmente preciso passar, seja pelo mar territorial seja pelo ar".

Então este é um costume, um costume internacional.

Pergunta: Tem a ver com o direito positivo? Sim, ele foi positivado. Antes de ser norma prevista no tratado, era um costume que hoje está positivado. Houve o processo de positivização do costume.

É similar ao processo do direito costumeiro inglês. Este continuou sendo costumeiro, mesmo com a existência de uma lei. O processo de elaboração do costume foi com base no tempo, na tradição, na aceitação: isso que levou a sua obrigatoriedade. O direito costumeiro pode estar positivado, mas isso não é elemento fundamental. Normalmente, ele se apresenta como norma não escrita; pode ser escrito, mas antes de ser escrito, já era uma norma.

Nós vimos anteriormente as discussões sobre as fontes materiais e sua relação com as fontes formais. Estamos agora nas fontes formais, mas antes estávamos nas fontes materiais, ou seja, nas teorias que embasam o direito internacional. Entre elas, o voluntarismo e o objetivismo. Aplicado aos costumes, os voluntaristas podem dizer e tem dito que o costume deriva do consentimento tácito dos Estados. É o voluntarismo jurídico que embasa a existência do costume.

Numa perspectiva objetivista, alguns autores podem dizer que é a consciência social do grupo, ou seja, um elemento objetivo; não um elemento voluntarista. Crítica do professor: “Não sei se é tao objetivo assim, está mais no campo de uma idealização espiritual". Esses autores trabalham com esse elemento objetivista: “a consciência social dos Estados. Os Estados chegaram a conclusão de que deveriam validar um

determinado costume. A grande diferença em relacao à validação do costume, é que no

plano interno é validado pela pratica reiterada dos indivíduos e sua aceitação por estes,

no direito internacional é pelos Estados.

Pergunta: dificilmente consigo pensar em algum direito no plano internacional que não tenha sido anteriormente um costume.

Professor: Eu acho que é relativamente fácil definir o que é costume e tem normas que nascem sem antes terem sido costumes. Por exemplo, a ideia de que existem crimes internacionais, não era tido como um costume. Crimes internacionais não eram tidos como um costume. Aí houve uma Convenção, a de Genebra de 1949, que definiram os crimes internacionais. Agora, obviamente, há muitas situações que a norma escrita simplesmente positiva um costume anterior.

O que podemos entender como princípios gerais do direito? O conceito é o mesmo do

plano interno. É uma formulação teórica que ajuda os interpretes do direito na hora de

aplicar as normas, sobretudo os tratados e costumes, e, em certos casos, ajuda também a preencher determinadas lacunas. Isso é o que entendemos como princípios gerais do direito. É uma fonte subsidiária, ou seja, precisa ser convalidado por uma fonte dita primaria (costumes e tratados), portanto, tem uma relação muito forte, sobretudo, com

os costumes, pois não precisa estar positivado, mas precisa ser em consonância com os costumes.

Em relação aos tratados, o preâmbulo é um local onde podemos, normalmente,

identificar os princípios do direito internacional. Podemos encontrar em qualquer parte

do tratado, mas no preâmbulo será mais fácil.

Exemplos com base na CARTA DAS NAÇÕES:

“NÓS, OS POVOS DAS NAÇÕES UNIDAS, RESOLVIDOS a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra, que por duas vezes, no espaço da nossa vida, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade, e a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor do ser humano, na igualdade de direito dos homens e das mulheres, assim como das nações grandes e pequenas, e a estabelecer condições sob as quais a justiça e o respeito às obrigações decorrentes de tratados e de outras fontes do direito internacional possam ser mantidos, e a promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de uma liberdade ampla. E para tais fins praticar a tolerância e viver em paz, uns com os outros, como bons vizinhos, e unir as nossas forças para manter a paz e a segurança internacionais, e a garantir, pela aceitação de princípios e a instituição dos métodos, que a força armada não será usada a não ser no interesse comum, a empregar um mecanismo internacional para promover o progresso

econômico e social de todos os povos. Resolvemos conjugar nossos esforços para a consecução dêsses objetivos.

Em vista disso, nossos respectivos Governos, por intermédio de representantes reunidos na cidade de São Francisco, depois de exibirem seus plenos poderes, que foram achados em boa e devida forma, concordaram com a presente Carta das Nações Unidas e estabelecem, por meio dela, uma organização internacional que será conhecida pelo nome de Nações Unidas.

CAPÍTULO I

PROPÓSITOS E PRINCÍPIOS

Artigo 1. Os propósitos das Nações unidas são:

1. Manter a paz e a segurança internacionais e, para esse fim: tomar,

coletivamente, medidas efetivas para evitar ameaças à paz e reprimir os atos de agressão

ou outra qualquer ruptura da paz e chegar, por meios pacíficos e de conformidade com os princípios da justiça e do direito internacional, a um ajuste ou solução das controvérsias ou situações que possam levar a uma perturbação da paz; -> PRINCÍPIO DA PAZ E SEGURANÇA INTERNACIONAIS; PRINCÍPIO DA RESOLUÇÃO DAS CONTROVÉRSIAS POR MEIO PACÍFICOS;

2. Desenvolver relações amistosas entre as nações, baseadas no respeito ao

princípio de igualdade de direitos e de autodeterminação dos povos, e tomar outras

medidas apropriadas ao fortalecimento da paz universal; -> PRINCÍPIO DA AUTODETERMINAÇÃO DOS POVOS

3. Conseguir uma cooperação internacional para resolver os problemas

internacionais de caráter econômico, social, cultural ou humanitário, e para promover e

estimular o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião; e -> PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL

4. Ser um centro destinado a harmonizar a ação das nações para a consecução

desses objetivos comuns.

Artigo 2. A Organização e seus Membros, para a realização dos propósitos mencionados no Artigo 1, agirão de acordo com os seguintes Princípios:

1. A Organização é baseada no princípio da igualdade de todos os seus Membros.

2. Todos os Membros, a fim de assegurarem para todos em geral os direitos e

vantagens resultantes de sua qualidade de Membros, deverão cumprir de boa fé as

obrigações por eles assumidas de acordo com a presente Carta. -> PRINCÍPIO DA BOA-FÉ

3. Todos os Membros deverão resolver suas controvérsias internacionais por

meios pacíficos, de modo que não sejam ameaçadas a paz, a segurança e a justiça internacionais.

4.

Todos os Membros deverão evitar em suas relações internacionais a ameaça ou

o uso da força contra a integridade territorial ou a dependência política de qualquer

Estado, ou qualquer outra ação incompatível com os Propósitos das Nações Unidas. -> PRINCÍPIO DO RESPEITO À INTEGRIDADE INTERNACIONAL

5. Todos os Membros darão às Nações toda assistência em qualquer ação a que

elas recorrerem de acordo com a presente Carta e se absterão de dar auxílio a qual

Estado contra o qual as Nações Unidas agirem de modo preventivo ou coercitivo.

6. A Organização fará com que os Estados que não são Membros das Nações

Unidas ajam de acordo com esses Princípios em tudo quanto for necessário à

manutenção da paz e da segurança internacionais.

7. Nenhum dispositivo da presente Carta autorizará as Nações Unidas a intervirem

em assuntos que dependam essencialmente da jurisdição de qualquer Estado ou obrigará os Membros a submeterem tais assuntos a uma solução, nos termos da presente Carta; este princípio, porém, não prejudicará a aplicação das medidas coercitivas constantes do Capitulo VII.”

Seguiremos para jurisprudência.

9. Aula 9 (Aula do dia 07/05)

A ideia de que os pactos devem ser cumpridos é algo definidor no Direito internacional.

Falamos do poluidor pagador, que diz respeito, mais especificamente, ao direito ambiental; do princípio das coisas julgadas, e falei pra vocês que nós vamos encontrar, além do poluidor pagador, vários princípios específicos do direito internacional ambiental, como o princípio da autodeterminação dos povos. Exemplo de pergunta da prova: que princípios vocês poderiam indicar que são exclusivamente aplicáveis ao Direito Internacional? Um deles é o princípio da autodeterminação dos povos.

O princípio do poluidor pagador surgiu no contexto de uma divergência no direito

internacional envolvendo uma empresa canadense e uma empresa americana. Estava-se levando poluição para o Canadá dos EUA, então se estabeleceu uma arbitragem, em que se terminou que esse princípio é definidor das relações internacionais no direito internacional do meio ambiente. Se algum Estado polui, adquire a obrigação de pagar por isso.

O princípio do direito ao desenvolvimento também é específico do direito internacional.

Vamos seguir agora falando das outras fontes formais do direito internacional, ou seja, são todas as fontes formais, com exceção daquelas em que vimos na primeira aula sobre o tema. Os atos jurídicos unilaterais e as decisões das organizações internacionais não estão presentes no Estatuto da Corte Internacional de Justiça, em seu artigo 38 (que elenca as fontes do Direito Internacional: tratados, costumes, princípios gerais do direito, doutrina, jurisprudência). Com relação à doutrina, há uma divergência doutrinária em torno da sua pertinência ou não às fontes do direito internacional. Para termos uma compreensão a esse respeito, pergunta-se: o que é uma fonte formal? A fonte formal é uma técnica por meio da qual o direito se revela. A dúvida com

relação à doutrina se estabelece porque não existe uma única doutrina, e sim opiniões em diversos sentidos expressadas por seus autores em artigos e livros. Existem, portanto, posições doutrinárias.

Parte da doutrina é negadora da ideia de que a doutrina é fonte do direito internacional, alegando tratar-se, na realidade, de forma de expressão do pensamento dos autores, uma opinião

a respeito do direito que auxilia no processo de interpretação. Os portadores desse entendimento

sustentam que a fonte do direito é dotada de maior impositividade, devendo ser mandatória, como acontece com os tratados, costumes e princípios gerais do direito. O professor Reseck, por exemplo, tem posições que a gente poderia entender como sendo mais dogmáticas, conservadoras, em relação ao direito internacional. Já o professor Guido Soares tem posições mais flexíveis, mais contemporâneas. Na hora de um julgador interpretar, ele poderá se utilizar de uma posição ou outra.

Aqueles que defendem que a doutrina é fonte do direito internacional entendem que, apesar dessa divergência, as opiniões dos doutrinadores constituem fontes, por serem utilizadas para fundamentar julgamentos. Seria uma fonte sem caráter mandatório, mas que ainda sim fundamenta decisões tanto jurídicas quanto políticas. Devemos nos posicionar quanto a uma dessas correntes.

Com relação à jurisprudência, não há dúvida: estamos diante de uma fonte clara do direito internacional. Essa fonte veio crescendo em significado a partir do Século XX, quando podemos falar na existência de tribunais e organizações internacionais. Já existiam algumas iniciativas anteriores, mas muito mais enquanto experimentos e com um grau de informalidade. Eram mais assemelhadas, no século XIX, às arbitragens. No sec. XX, temos mais propriamente tribunais internacionais, que passam a julgar casos internacionais e constituir jurisprudência internacional, ou seja, conjunto de decisões que dão significado, no plano internacional, a determinadas áreas. É o caso de alguns tribunais no âmbito global e no âmbito regional.

Vejamos agora alguns dos principais tribunais que produzem jurisprudência no âmbito global e regional. No âmbito global, o principal tribunal internacional é a Corte Internacional de Justiça (CIJ), que tem uma competência amplíssima, e para isso eu pedi que vocês lessem a Carta das Nações e o Estatuto da Corte Internacional de Justiça (ninguém leu), e daqui a pouco eu vou pedir que vocês me falem sobre o que vocês leram. A Carta das Nações institui a Organização das Nações Unidas, estabelecendo as regras fundamentais da ONU. Além disso, ela institui a Corte Internacional de Justiça. Eu posso perguntar a vocês: qual é a competência da Corte Internacional de Justiça? Em primeiro lugar, a CIJ só julga Estados, e não indivíduos. Em princípio, qualquer controvérsia envolvendo Estados pode ser encaminhada à Corte Internacional de Justiça, a não ser que a própria ONU crie um tribunal com competência específica, a exemplo do Tribunal Penal Internacional. O TPI, no entanto, não julga Estados, mas apenas indivíduos. Poderia haver algum pedido para que o Estado fosse levado ao Tribunal por crimes internacionais, mas a partir do momento em que o TPI foi criado, a competência penal foi por ele assumida.

Antes de 1982, quando foi criado o Tribunal Internacional do Mar, as questões de sua competência eram julgadas no âmbito da Corte Internacional de Justiça. A rigor, dependendo do caso, pode haver a competência do Tribunal Internacional do Mar ou da CIJ. Se o conflito, por

exemplo, envolver definição de fronteiras, incluindo o mar, a competência poderá ser da CIJ. É

o caso de um conflito envolvendo Chile, Bolívia e Peru. O mar faz parte desse conflito, mas a

questão primordial envolve disputas territoriais, envolvendo guerras do passado. Uma delas é a Guerra do Pacífico, na qual a Bolívia perdeu acesso ao mar que hoje é parte do território do

Chile, ao norte. Os assuntos relacionados mais propriamente ao mar, por sua vez, estão no âmbito de competência do Tribunal Internacional do Mar, como divergências envolvendo direito de passagem (passagem é um direito que o Estado tem de passar pelo mar ou por espaço aéreo sem oferecer perigo à soberania de um outro Estado, desde que o informe, preenchendo determinado formulário e esperando uma autorização para que essa passagem possa ser feita).

A competência do Tribunal Internacional Penal (TPI), por sua vez, conforme o Estatuto de Roma, consiste em julgar pessoas que pratiquem crimes internacionais. Os crimes internacionais são quatro: genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e crimes de agressão. Comentário de aluna: crítica de países africanos quanto à seletividade dos acusados perante os tribunais internacionais. O professor responde que há, de fato, essa seletividade, e que isso se dá, dentre outros fatores, pelo fato de muitos Estados não haverem ratificado o Estatuto da Corte Internacional de Justiça, como os EUA, Canadá, Colômbia

Existem também os tribunais ad hoc. Tem dois do passado, que já concluíram seus trabalhos, que são os de Nuremberg e o de Tóquio, ambos instituídos pelos vencedores. Há uma crítica, portanto, quanto a isso, por não se poder falar propriamente de tribunais globais, instituídos por uma organização global, e sim pelos países que ganharam a Segunda Guerra Mundial, para julgar os perdedores (Nuremberg para julgar os alemães e Tóquio para julgar alguns japoneses). Nós temos, atualmente, dois tribunais ad hoc: o Tribunal para a antiga Iugoslávia, instituído em 1993, e o Tribunal para Ruanda, em função dos dois genocídios ocorridos nesses dois países. Esses dois tribunais continuam julgando casos atualmente. Houve quem quisesse instituir tribunal para julgar crimes ocorridos em Timor Leste, mas não houve consenso. Terminou-se criando um tribunal no âmbito nacional no Timor Leste.

Enquanto cortes regionais, vale a pena mencionar as cortes comunitárias. Eu falei pra vocês que o Direito Internacional Comunitário regula as comunidades econômicas, que surgiram no século XX (Mercosul, NAFTA, Comunidade Andina). São agrupamentos de Estados que buscam, por meio da cooperação econômica, eliminar os problemas do passado, relacionados à guerra, tanto bélica quanto comercial. Cada uma delas tem um meio de resolução de controvérsias, incluindo-se tribunais. Então o Mercosul tem um tribunal, embora tenha

características mistas em relação a outras formas de resolução de controvérsias, já que se trata de tribunal arbitral. Há uma impropriedade na denominação, pois ou falamos de arbitragem, ou falamos de tribunal. A União Europeia tem seu tribunal, a Comunidade Andina tem seu

Podemos falar das Cortes de Direitos Humanos, que são três: a Corte Europeia

tribunal

(Tribunal Europeu de Direitos Humanos), a Corte Interamericana de Direitos Humanos e uma corte africana, que ainda é incipiente e de pouca normatividade. A Corte europeia é exemplar, julgando por ano mais de mil casos há pelo menos duas décadas. Todas essas cortes, à exceção do TPI e dos tribunais ad hoc, julgam Estados. Essas cortes regionais de direitos humanos têm um caráter de complementariedade em relação às cortes nacionais: quando a ordem nacional não é profícua na proteção dos direitos humanos, se aciona a ordem internacional.

Veremos, em aula futura, o sistema internacional dos direitos humanos. Abordaremos, então, a competência da ONU nessa matéria e também a da OEA (Organização dos Estados Americanos). Não veremos a competência da corte europeia e nem da corte africana, porque é uma realidade distante de nós.

Vimos as fontes formais típicas, ou seja, aquelas que estão previstas no artigo 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça, e passaremos a ver as outras duas fontes que não estão previstas na CIJ, mas que a doutrina internacional entende como fontes formais, o que pode ser revelador do pertencimento da doutrina entre as fontes formais. Essas fontes não foram

consideradas, pois o Estatuto da CIJ foi editado em 1945 e é praticamente a reprodução do Estatuto da Corte Permanente de Justiça Internacional, criada em 1919. Naquela época, não se tinha clareza de que os atos unilaterais dos Estados e as decisões das organizações internacionais eram fontes do direito internacional. A doutrina, no entanto, veio preencher essa lacuna, validando essas fontes.

Em primeiro lugar, há os atos jurídicos unilaterais dos Estados. Isso significa que os Estados produzem atos jurídicos unilateralmente, e esses atos produzem efeitos na realidade internacionais, embora sendo unilaterais. Poderíamos imaginar que só haveria sentido imaginar como fonte do direito internacional aquelas que fossem fruto da vontade de pelo menos dois Estados, mas, mesmo quando a vontade é unilateral, estaremos diante de uma fonte formal do direito internacional. Tem alguns elementos comuns: o primeiro deles é que são manifestações unilaterais de Estados que produzem efeitos no direito internacional. Essa fonte é autônoma, no sentido de que não precisa de convalidação por nenhuma outra fonte do direito, embora se possa dizer que algumas precisam do reconhecimento por parte de outros Estados. Porém, para que elas existam, é fundamental, antes de tudo, a própria vontade do Estado. Só há sentido essa ideia de autonomia quando não há necessidade de uma conjugação de outras vontades para que haja validação dessa fonte. É ato jurídico unilateral de um Estado, por exemplo, quando ele protesta contra alguma decisão de um outro Estado, se afirmando em função da vontade unilateral do Estado. Os atos unilaterais em princípio não são formais, não havendo exigência de nenhum registro escrito. Pode-se manifestar por exemplo por um discurso de um representante internacional, que poderá ser proferido em ambiente formal ou perante a mídia. Exemplo: O presidente Trump chega diante da mídia e faz uma declaração que tem efeitos jurídicos no âmbito internacional, como a de que a partir de determinada data, serão tiradas as tropas de um território ocupado. A partir do momento em que um governante vai a público, mesmo que não demonstrando sua vontade no papel, ou que essa manifestação não se dê em um contexto formal, encontra-se caracterizado o ato jurídico unilateral. Disso decorre que esses atos prescindem de registro, podendo ou não serem registrados. Quando se fala em registro, refere-se a documento com carimbo ou de uma organização internacional ou de um Estado, como o registro em um cartório de organização internacional ou em um cartório nacional ou de um espaço da diplomacia.

Exemplos de ato jurídico unilateral: quando um governo toma uma decisão, por exemplo, de não aplicar mais determinada tarifa. Nesse caso, estamos diante de uma notificação, quando o Estado notifica o outro de uma mudança em relação às suas decisões. Antes disso, falemos do protesto. O protesto é uma decisão de maior importância, pois, por meio dela, o Estado impede que se forme um novo costume. Imaginemos que um representante de um Estado toma uma decisão em relação a invadir um outro território. Os demais Estados aceitam essa decisão, e, para impedir que isso vire um costume, os Estados protestam contrariamente à decisão de invasão. O protesto, portanto, demonstra inconformidade em relação ao comportamento de um Estado, impedindo a formação de um costume. Um exemplo de

notificação, por sua vez, é aquele que Trump fez em relação ao comércio com o Brasil, sinalizando mudanças na política comercial, o que pode ser feito através de um email, através de um memorando, ou qualquer outro meio, pois não se exige uma formalidade. Pode ser um

O reconhecimento é outro ato unilateral, por meio do qual se chancela

discurso na rádio, na tv

determinada situação, como o reconhecimento da soberania de um país. O Timor Leste, quando foi criado, precisava de reconhecimento tanto dos demais Estados quanto da ONU (reconhecimento também ocorre por organizações internacionais). O mesmo aconteceu com todas as ex-repúblicas da URSS e da Iugoslávia.

-Pergunta inaudível

(?)

Reconhecimento, sim! Reconhecimento de pertencimento a um (?). Se bem que neste caso aí, tem um reconhecimento unilateral por parte de cada Estado que faz parte do MERCOSUL ou que fazia parte na época do MERCOSUL. Então, havia necessidade de reconhecimento da capacidade da Venezuela como um Estado membro do MERCOSUL. É uma decisão unilateral. E que, de acordo com o Tratado só vale a possibilidade do Estado ser aceito depende da vontade unilateral de cada um dos Estados do MERCOSUL.

A renúncia é um ato unilateral por meio do qual o Estado anuncia a decisão de não mais se comprometer, ou não mais realizar algo que era corrente na sua prática. A renúncia, por exemplo, a uma guerra; a renúncia a um território (algo muito difícil de acontecer, mas que pode acontecer). Ou seja, a partir de tal momento nós nos retiraríamos de tal território, entregaríamos tal território, a partir daí cria-se uma obrigação: o Estado assume uma obrigação de cumprir, de renunciar realmente a esse território. Então, é um tanto quanto assemelhado à promessa. A promessa é um ato jurídico unilateral dos Estados pelo qual o Estado se compromete em fazer ou não fazer algo. Só que no caso da renúncia, ela é no sentido negativo. Ou seja, é a decisão de se desvencilhar de um compromisso ou de uma condição. A promessa é uma decisão ou um ato unilateral por meio do qual o Estado se compromete a fazer ou deixar de fazer alguma coisa.

-Pergunta: Se o Estado descumpriu uma promessa é cabível algum tipo de sanção?

-Jaime: Então, digamos que a promessa, se ela é formalmente ou informalmente feita, ela pode ser redigida nos espaços internacionais, políticos e jurídicos. Então, digamos que um Estado em relação ao qual se comprometeu com outro Estado em relação a alguma coisa, como por exemplo: eu me comprometo a entregar parte desse território e acabar com nossas divergências, eu faria no médio prazo, mesmo que ele não defina uma prazo, a partir dali o outro Estado pode exigir o cumprimento dessa promessa em termos morais. Em termos jurídicos também, na medida em que ele pode abrir um processo perante a Corte Internacional de Justiça e exigir o cumprimento, mas daí a haver uma decisão em favor dele é outra coisa.

De acordo com Kim ?? xxxx (?) aquele autor do livro vermelho que tem aí na biblioteca (curso de direito internacional ou é direito internacional público), e outros, os atos unilaterais podem ser: autonormativos e heteronormativos. Ele é AUTONORMATIVO quando estabelece obrigações sobretudo para o próprio Estado, é o caso da ratificação, é o caso da denúncia. Nós vimos em aulas anteriores o que é uma ratificação e o que é uma denúncia. Aliás, é um outro tipo de ato unilateral. Ratificação é quando o Estado de compromete no cumprimento de um tratado e a denúncia é quando o Estado se retira de um tratado, portanto já não está mais disposto a cumprir os termos do tratado. Além desses aqui, a ratificação e a denúncia são exemplificativos, há outros exemplos. E o HETERONORMATIVO é aquele institui obrigação prevalentemente para os outros Estados, a exemplo da promessa e do protesto. Obrigações no Direito, ou seja, com a promessa se institui na realidade um direito do outro Estado. E com o protesto se coloca o Estado que foi protestado na posição de se responder de acordo com as normas de direito internacional, tem repercussões sobretudo para com outro Estado que não aquele que tomou a decisão.

Portanto, o ato AUTONORMATIVO, ele institui obrigações, a decisão ela tem repercussões sobretudo primeiramente ou principalmente para o próprio Estado, é o caso da ratificação, a obrigação é o Estado cumprir com o tratado que ratificou. Ou a denúncia, se o Estado se retira de um tratado tem que fazer alguma coisa para demonstrar ??? o Reino Unido com o BREXIT, ou seja ele não quer mais fazer parte do bloco da EU. Então tem que se fazer

alguma coisa para que isso se torne realidade. E o HETERONORMATIVO a repercussão é sobretudo para os outros Estados. Então, no caso do protesto, o Estado protestado precisa dar uma resposta de acordo com o protesto. E no caso da promessa, o Estado adquire o direito de exigir aquela promessa.

E por fim as DECISÕES DAS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS: estas não eram vistas como decisões que produziam efeitos no plano internacional. Por isso, não faziam parte do Estatuto da Corte Internacional de Justiça, no art. 38, e hoje não há dúvida de que as organizações internacionais produzem decisões e estas produzem repercussões no plano internacional. Elas podem ser jurisdições tanto internacionais, portanto no âmbito de tribunais, elas podem ser decisões administrativas, dentro de uma organização internacional (a ONU mesmo toma todos os dias decisões administrativas de repercussão no âmbito interno), e as decisões de caráter de funcionamento que envolvem várias ou podem envolver outras organizações internacionais e Estados também. Mas o fundamental aqui é nós entendermos que as decisões de uma organização internacional elas são autônomas em relação aos Estados.

As organizações internacionais foram criadas por Estados por meio de tratado fundação, mas elas têm uma vontade autônoma em relação aos Estados. Agora elas também são condicionadas politicamente pela vontade dos Estados; mas a sua decisão ela é autônoma em relação ao Estado. Cabe aí toda uma discussão, a doutrina idealiza muito acerca disso, mas o importante aqui é entender que uma coisa são as decisões dos Estados e outra são as decisões das organizações internacionais (estas tomam decisões que em alguma medida são condicionadas pela vontade dos Estados, mas também são decisões próprias das próprias organizações).

-Pergunta: poderia se dizer que os atos unilaterais autonormativos são mais objeto de estudo do direito internacional privado?

-Jaime: Não.

-Aluna: é que os efeitos são mais internos.

-Jaime: Não, não. Ele vale para os dois, tanto para o direito internacional público, quanto para o privado. Mas nesse caso específico tudo se refere ao direito internacional público.

10. Aula 10 (Aula do dia 09/05)

Esta é uma matéria que tem evoluindo muito como vimos nas aulas sobre o aspecto histórico do Direito internacional. O que era entendido como sujeito do direito internacional até o início do séc. XX era outra coisa, houve uma alteração muito grande, portanto hoje nós podemos entender como os estados. O direito Internacional surge como um direito criado pelos estados (interestatal), mas ele passa a ser caracterizado como um direito que abrange não apenas a esfera interestatal, mas também organizações internacionais e mais recentemente os indivíduos, ou seja, a pessoa humana passa a ser sujeito do direito internacional.

Uma boa forma de começar essa discussão, é começar a distinção entre sujeito e ator internacional, pois existem vários outros atores participando do plano internacional, interagindo com o sujeito do direito internacional. Entretanto, não precisa dizer que sujeitos do direito são aqueles que possuem direitos e obrigações e atores são

aqueles que não tem esse reconhecimento, mas ainda assim, tem uma capacidade de intervenção no plano internacional, participam das disputas de sentido, participam do cenário internacional, de alguma forma interferem. Imaginem aquelas conferências que aconteceram durante a crise humanitária de 1993 na Sérvia, antiga Iugoslávia. Uma série de organizações internacionais interagiram, organizaram conferências. Houve uma série de mobilizações, mas eles são atores, aliás, terminaram condicionando para que eles estabelecessem um tribunal penal internacional, para que eles criassem outras normas condicionadas por essa discussão. Artistas famosos também se mobilizaram, existe uma música famosa que o Pavaroti e o U2 cantavam, feita neste contexto sobre o que deveria se fazer naquela situação, situação de graves violações ao direito humanitário. Havia uma comoção muito grande, mas ainda não se sabia o que fazer, havia as propostas relacionadas a instituição do tribunal penal internacional e a partir daí foi se constituindo essa percepção e se mudou a ordem internacional nesse sentido, de considerar crimes internacionais passiveis de responsabilização de pessoas. Essa ideia não era corrente embora nós tivéssemos que os tribunais a quo do passado, tribunais que não foram propriamente estabelecidos pelas Nações Unidas, mas que foram estabelecidos pelas nações vencedoras como vimos na aula anterior. Aí foi se arraigando essa noção de direito internacional. Então a doutrina faz essa diferenciação entre sujeitos de direito internacional, aqueles que propriamente tem direito e exercem de obrigações e aqueles atores que mesmo não tendo diretos e obrigações participam.

Então, os grupos de pressões, as ONGS, os partidos políticos, todos aqueles que possuem organizações internacionais, é o caso dos partidos liberalistas, partidos socialistas, comunistas, eles participam de ONG’S internacionais, de organizações da sociedade civil, e com tem uma série de agendas, participam da normatização internacional, participam da discussão em torno de novos tratados e novas estratégias no plano internacional, mesmo assim continuam não sendo sujeitos do direito internacional. Embora tenham uma capacidade muito grande de interação, de influência no plano internacional. Lembramos do fórum econômico mundial, formado por empresários, ou seja, empresas multinacionais tem um papel importante, talvez seja até maior do que deveria ter, mas essas empresas também condicionam normas internacionais e discussões no plano internacional. Até alguns atores como os mercenários que são criminosos, há uma serie de tratados internacionais relacionados a proibição, a limitação das possibilidades de atuação destes criminosos que também interfere nessa produção de normas, ou seja, cada vez os criminosos condicionam o direito internacional, que influem nessa construção, mas eles não são sujeitos do direito internacional, eles são geralmente atores em relação aos quais há normas que regulam a sua ação/intervenção no plano internacional. Antes disso, de serem destinatários de normas, eles participam do cenário internacional, eles interferem no debate das questões internacionais sem ser sujeitos. Então, hoje, sujeitos do direito internacional são os Estados, as Organizações Internacionais, o Indivíduo, o Meio Ambiente. Uma observação é porque não é propriamente um ator, mas é um espaço de regulação diferenciado, que há algum tempo atrás não se imaginava que o direito fosse regular, como o espaço sideral, a natureza. Não é um ator internacional, já que um ator internacional, a princípio é um agrupamento de pessoas ou organizações. Enfim, há uma série de espaços regulados pelo direito internacional, mesmo não sendo sujeitos. Então, estes sujeitos hoje e de acordo com o desenvolvimento histórico que nós vimos anteriormente, o direito internacional surge como uma criação dos estados, os seus únicos sujeitos eram os estados, reconhecidos até o início do Séc. XX, e a partir de

então com a criação das criação das organizações internacionais, as organizações

internacionais passam a ser entendidas como sujeitos que possuem direitos, obrigações,

a partir também da criação das Organizações Internacionais, o individuo passa a ser paulatinamente reconhecido como um sujeito do direito Internacional.

Falemos, então do estado. Partindo da ideia estudada em d. Constitucional, sabemos que existem alguns elementos que compõe o Estado. O que é um Estado? É uma discussão da Política, daCiência Política e também do Direito, que também o regula ou seja há uma regulação no plano nacional e uma regulação no plano

internacional. A regulação no plano nacional considera, sobretudo, como elementos definidores a sua vida doméstica no plano nacional e a regulação no plano internacional considera essa interação com outros estados, com Organizações Internacionais e com indivíduos também, sujeitos do Direito Internacional. Uma definição importante sobre o que é o estado está na convecção pan-americana de 1933, que dispõe sobre direitos e deveres do estado, então vocês observam que existem convenções que regulam a vida do estado, da mesma forma que existem convenções que regulam a vida dos tratados, que definem o que são os costumes, as fontes do D. Internacional, temos as convenções que definem os direitos e deveres do estado. Então, lá nos vamos ter uma definição que

é a seguinte: O estado como pessoa do D. Internacional, deve reunir os seguintes

requisitos, população permanente, Território Determinado, Governo, capacidade de entrar em relações entre/com mais estados. Em primeiro Lugar é preciso que o estado tenha uma população permanente, por que essa preocupação, pq se o estado tiver uma população flutuante haverá duvidas sobre a capacidade de exercer soberania sobre essa população que seja flutuante, é preciso que a população seja permanente, no sentido de que ela não altera com tanta facilidade, claro toda população altera em termos de quantidade, pode alterar em termos de etnia , mas em principio deve haver certa regularidade nesta população, isto é importante para a estabilidade do estado e seu reconhecimento no plano internacional. Depois nos vamos ver com relação a cada um destes elementos como vamos caracterizar os estados, sobretudo algumas situações particulares como o vaticano, a ONB e algumas cidades no mundo que tem um status diferenciados, alguns estados também, que tem status diferenciados, veremos como se justifica essa relação. Então você ver que a palavra permanente é um elemento importante para a definição do conceito de população, não é qualquer população, mas é população permanente, se o estado em principio não tiver com a população determinada, ou seja se a população for flutuante, se pessoas saem e volta, e função, por exemplo, de questões ambientais, questões relacionadas a natureza ou em função de guerra, estaremos diante da duvida se aquele é realmente um estado, pq sua população é flutuante e em principio a população deve ter caráter permanente.

O Segundo elemento é o território e o território deve ser determinado, aí tem toda a discussão em torno da fronteira, é por isso que a fronteira termina sendo tão importante na definição do estado. Ou seja, é preciso uma clareza, que alguns estados latino americanos ainda hoje têm controvérsias, o Brasil resolveu esta questão, o México. Ou seja, algumas questões de fronteira, mas que alguns países como Chile, Venezuela, Colômbia, Bolívia, tem problemas com essa delimitação, mas isto não descaracteriza a presença destes estados como territórios delimitados. Mas não poderá haver dúvidas em torno de determinadas partes do território sobre a atuação do poder estatal, o que não ocorre nestes países da américa latina, mas em outros lugares, com situação muito severas como Israel e Palestina, onde não se sabe se há essa

caracterização do território determinado, algumas partes do mundo têm essa dificuldade. Não cabe a nós esta interpretação, vai depender de quem faça a leitura jurídica/política a respeito desta situação.

Além do território determinado, há a soberania, o Governo, certamente vocês já ouviram falar em soberania como elemento do estado, mas a convenção fala em Governo como elemento caracterizador da soberania, ou seja, se o estado não tem um governo, ele muito menos poderá ter soberania. Então o governo é um elemento essencial na definição da soberania, então a convenção considera que este é o elemento essencial, a presença de um governo claramente constituído, que esse governo seja respeitado no plano interno e reconhecido no plano internacional, ou seja, a dupla definição da soberania, como se sabe. Então um governo para ser tido como governo é aquele que tem essa capacidade.

Essa convenção de 1933, fala também num quarto elemento, para além do que normalmente se coloca, a convenção faz referência também a capacidade de entrar em relação com outros estados. Esse elemento é criticado pela doutrina, pois é evidente que um governo tem que ter capacidade de entrar em relação com outros estados, é só digamos assim uma ênfase que a convenção colocou com relação a esta dimensão do estado, ou seja, aquilo que podemos entender como sendo a capacidade de exercer a soberania no plano internacional, o reconhecimento no plano internacional, como se a convenção falasse em governo, mas relacionado a um plano interno e essa capacidade de entrar em relação com outros estados como a relação externa da soberania e é aí que parte da doutrina diz que seria desnecessário falar desse quarto elemento, porque é parte dessa discussão sobre soberania ou sobre governo. Só tem sentido falar em governo se ele tiver essa dupla dimensão, ou seja, a capacidade de exercer a soberania no plano interno, sendo reconhecido pela população e a capacidade externa no plano internacional.

A cláusula Federal é aquela cláusula existente em alguns tratados, para mostrar que independente da conformação do estado, que nós sabemos que um estado pode ser organizado de forma unitária ou enquanto uma federação, a cláusula federal foi estabelecida com o objetivo de clarear/esclarecer e mesmo tendo uma conformação federal tem que haver uma clareza a quem cabe a responsabilização no plano internacional e aí a cláusula federal ela vale para os estados com essa caracterização federal, significa que quem responde no plano internacional é a união a menos que a CF diga uma outra coisa, é o que ocorre com a constituição Norte Americana, eu já falei em outra aula que o estado da Califórnia ao sair do território Mexicano, votou essa exigência e foi aceita, ou seja, eles podem ratificar tratados, bom é uma situação que encontra uma certa paridade em outros estados. Significa que no plano internacional, quem se responsabiliza são os estados nação, é a união quando o estado tem uma conformação federal. É uma solução para a criação da federação que estabelece responsabilidades distintas entre entes da federação, a união, os estados e onde existem os municípios, então que fique claro, que no campo internacional, apesar desta conformidade quem responde são os estados nação, eles podem até exigir que a responsabilidade depois seja atribuída no plano interno ao estado federal, mas em principio a responsabilidade é do estado nação ou da união. Esse ponto gosta de cair em prova! A cláusula federal é aquela que permite entender que mesmo o estado tendo uma conformação federal, a responsabilidade internacional não é dos estados federados, mas do estado nação, da união. Isso tem repercussões, por exemplo, na capacidade dos

estados, a capacidade dos estados tem a possibilidade de ser responsabilizado por várias questões, na área ambiental, por exemplo, então digamos que há um desmatamento, como tantos que ocorrem no território brasileiro, digamos que essa questão é levada a um espaço internacional e se atribui uma multa em função do poluidor pagador, segundo o principio do poluidor pagador quem paga? A União. Ela pode até pedir ressarcimento, mas a obrigação é de ela pagar. Agora também a decisão relacionada aos índios xucuru aqui de Pernambuco, houve uma condenação do governo brasileiro a pagar aos xucurus 3.700.000,00 Dólares, cerca de uma terra em Pesqueira de onde

foram retirados e o seu cacique assassinado. A obrigação que a corte interamericana definiu foi essa, ou seja, o estado não demarcou a terra, não garantiu a titularidade da terra, então em função disso o governo brasileiro foi condenado a pagar esse valor, que

é um valor significativo, que dá mais de R$ 10.000.000,00 ao povo Xucuru. Então, cabe

ao governo brasileiro pagar, embora o governo de Pernambuco possa ser acionado pelo governo federal para que restitua o valor, mas a obrigação é do governo federal de acordo com a cláusula federal. Não entendi a pergunta (32:38). Resposta Jayme: O reconhecimento da soberania? Eu diria em princípio, pq é compartilhada essa responsabilidade, é uma possibilidade tanto da ONU, quanto das organizações regionais, mas em geral, é mais do que tuno a ONU que cabe fazer o reconhecimento da soberania, da existência do estado. Então toda vez que surge um novo estado, acaba que antes de tudo cabe a ONU um reconhecimento, mas pode ser que caiba um reconhecimento regional. Mesma pessoa que fez a pergunta anterior fez um comentário (33:32) Resposta Jayme: Então, já estamos diante de situações s particulares onde ele terá a mesma dúvida e poderá ter duvida se o estado tem a mesmo todos os elementos e o direito tem situações que não é muito claro, embora não haja dúvida de que estão diante de um estado e o grande exemplo disso é o Vaticano, que é reconhecido como um estado e a gente pode se perguntar o pq. Que elementos o Vaticano teria e que elementos ele poderia não ter? Talvez a maior duvida seja com relação a população permanente, ou seja, no estado do Vaticano não se pode dizer ou até mesmo nessa hipótese que a população é flutuante, que são aquelas pessoas que circulam por um território muito pequeno, que é praticamente uma praça o Vaticano. Não resta dúvida de que tem um território muito pequeno, que tem um governo que até legisla para além do

seu território, para todos os católicos do mundo, mas não se pode aceitar a ideia de que

a população do Vaticano são todos os católicos espalhados pelo mundo, como lá se diz

para justificar que seria um estado e que teria uma população permanente, do meu ponto de vista a única explicação plausível seria a histórica, o vaticano já regulou a vida internacional, já legislou internacionalmente, na época da segunda fase do D. Internacional, de acordo com Adam Watson era ali ou na maior parte daquele período, era o Vaticano quem regulava quando estabelecia tratados, resolvia conflitos, definia também a vida particular das pessoas., até a forma como se faz sexo hoje em dia foi regulada pela igreja, as bulas papais tudo isso foi determinado pela igreja., a forma missionária de fazer sexo, foi determinada por uma bula papal, então é disso que estamos falando, ou seja, tem soberania, tem soberania para além do seu território, mas não se pode dizer que seja uma população permanente ou até mesmo que se tenha uma população, pois cada um dos padres ou das pessoas que circulam ali tem a sua própria nacionalidade, são nacionais de outo estado, não existe nacional do Vaticano, embora ele tenha passaporte, ou seja da mesma forma que os nacionais de outros estados , ele tem capacidade estatais.

Os principados são Estados tb, tem todas as capacidades, tem assento nas Organizações Internacionais, assinam Tratados, são Estados pequenos, mas são Estados.

A OLP que não é, pelo menos por enquanto, há toda uma luta no sentido de a OLP ou o Estado da Palestina seja um dia reconhecido no plano internacional, mas por

enquanto não há ou n houve essa possibilidade. Sobretudo pq não há uma

perguntar, por que será ? qual o elemento que falta para a Palestina ter esse reconhecimento? Ao meu ver, falta basicamente o Território determinado, ou seja, há uma disputa territorial, e seus territórios , há uma duvida sobre quem tem autoridade final sobre o território, se é Israel ou se é a Palestina, ou se é a OLP, ou o futuro Estado da Palestina, e portanto ao mesmo tempo que há dúvida sobre o Território, há duvida sobre o governo, se o governo é eficaz, se existe um governo com essa capacidade, se fazer valer no plano interno e no plano internacional.

aí, eu vou te

-Professor, para o senhor, o povo curdo está nessa mesma situação?

Professor: Os curdos? Sim, os curdos tb. Há dúvidas sobre, na verdade, não há dúvidas, pois eles não são um Estado. E Quebec? Que tem representação em países é uma das situações curiosas, particulares, pq não é uma cidade, mas tem um consulado, que no caso é na França. P q? Por razões históricas, pela razão cultural, pela proximidade, ou seja a língua aproxima, ou seja, essa condição lhe foi outorgada.

-Em relação à questão da Palestina? O Senhor n acha que mais do que dúvida sobre a capacidade do governo, sobre a existência de território, não existia uma vontade política?

Professor: Claro, claro. Falta o convencimento de Estados que são muito poderosos, os EUA e Israel. Ou seja, eles n têm permitido que a Palestina tenha assento permanente no Conselho de Segurança. Não permitindo que essa discussão evolua para uma outra perspectiva. A presença dos EUA é muito forte, sobretudo em partes governamentais, isso n tem como prosperar e o atual presidente. Então nesse caso, há esse tipo de interpretação de que n existe território e governo claramente definidos.

As capacidades nos Estados, e aí é bom a gente observar que essas capacidades já foram exclusivas dos Estados, alguns autores mais tradicionais, vão falar nessa perspectiva, de capacidades exclusivas, mas isso vem sendo alterado ao longo do sec XX, e isso vem sendo compartilhado com outros sujeitos do direito internacional. Essas capacidades compartilhadas, a primeira delas é produzir atos jurídicos internacionais, observamos na aula anterior, que parte da aula foi sobre atos unilaterais dos Estados, eu falei dos atos, e ontem houve um ato unilateral de um Estado, qual foi?

-Os EUA saíram de o acordo nuclear com o Irã. Então aquele foi um ato unilateral. Qual foi o ato unilateral? Além do tratado?

-Foi a denúncia.

-Isso mesmo. Foi uma denúncia de Tratado. Na verdade, um anúncio da denúncia. Pq ele tem que ver o Tratado para saber a partir de qd se é feita a denúncia. Mas até então é possível, ele n vai respeitar o Tratado msm, então se houver uma cláusula dizendo que é de um ano e ele disser que a partir de já, vai ser. Pode até fazer greve e tudo. Produzir atos jurídicos internacionais, em princípio essa é uma capacidade dos Estados, mas hj ela é uma capacidade tb das Organizações internacionais, os

indivíduos da pessoa humana, eles n tem essa capacidade de produzir atos internacionais, mas as Organizações internacionais sim, elas por exemplo, reconhecem governos e soberanias. Então é uma capacidade que já foi exclusiva dos Estados, mas hjé tb das Org. Int, a ONU, a OEA, o Conselho da Europa, que tem paridade com a

OEA, é uma organização de Tratados políticos da União Europeia, que é uma organização de caráter, a organização de caráter político é o Conselho da Europa. Atos que são ou eram exclusivos dos Estados, mas hj vemos tb que são partilhados pelas Org. Internacionais. Aquilo que nós falamos anteriormente, responder com responsabilidade

por atos ilícitos internacionais, na área ambiental, na área humanitária

humanitária menos, pq hj quem responde pela área humanitária são os indivíduos, mas enfim, responder com responsabilidade por danos, por fatos ilícitos, do âmbito internacional. Anteriormente, cabia apenas aos Estados essa capacidade, mas hj nós sabemos que o individuo tb pode se responsabilizar por ilícitos internacionais, sobretudo a partir de meados do Séc XX, chegou-se a conclusão, como nós falamos na aula anterior, pq falamos de Tribunais internacionais, então nós vimos que há uma capacidade internacional de responsabilizar o indivíduo em matéria de direito humanitário, ou seja em situações que correspondam a guerras e conflitos aramados, então crimes de genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra, são crimes int, que demonstram essa capacidade de responsabilização do indivíduo, tudo isso mostrando que o Estado já foi o grande sujeito do direito internacional, mas hj compartilha algumas atribuições, responsabilidade e capacidade, com sujeitos do Direito internacional, aí n tem mais o significado para o bem e para o mal, n tem mais o significado de outros tempos, sobretudo na segunda fase do desenvolvimento do direito internacional, então ele era o único sujeito do direito internacional.

na área

A terceira capacidade: acesso aos procedimentos diplomáticos e jurisdicionais, então aqui estão considerados os meios políticos e os meios institucionais. Ou seja, há tribunais e eles existem, sobretudo para fazer discussões afetas aos Estados e tb para responsabilizar Estados, mas hj nós sabemos que esse acesso n é exclusivo dos Estados. Mas organizações internacionais tb participam desses procedimentos diplomáticos, a própria ONU tem o que nós podemos entender como diplomatas internacionais, tem mesmo uma diplomacia, até mesmo as Organizações não governamentais participam do processo de Diplomacia, embora n sejam sujeitos, elas tem essa participação. Mas no plano internacional, além dos Estados, a gente tem diplomatas que têm uma atividade permanente no campo diplomático, ou seja, participam dos Tribunais, mas as org. internacionais instituem os Tribunais, e no âmbito da diplomacia, tem toda uma Diplomacia exercida pelos agentes da ONU, pelos agentes da OEA, pelos agentes do Conselho da Europa e as diversas organizações que existem no plano internacional.

Quando formos ver o ponto que fala da cooperação com base nas organizações da ONU, vamos ver que há um plano espaço de diplomacia exercido pelos funcionários da ONU, com as limitações do direito internacional, mas certamente isso é uma realidade.

Acesso aos procedimentos internacionais, diplomáticos e jurisdicionais, sim e os indivíduos tb, sobretudo qd falamos dos procedimentos jurisdicionais, ou seja, os indivíduos podem ser julgados, eles n julgam, mas podem ser julgados. E no âmbito diplomático, não os indivíduos e tb n enquanto sujeitos de direito, mas cada vez mais organizações de indivíduos participam.

A capacidade dos Estados serem membros, os Estados serem membros de org.

internacionais, ou seja, as org. internacionais foram criadas pelos Estados e eles são o garnde membro de org. internacionais. Mas elas tb podem favorecer a criação de outras org. internacionais, como tb instituir espaços internacionais entre Estados e org. internacionais, há tratados que podem ser estabelecidos, envolvendo Estados e outras org. internacionais. Há tratados que envolvem a União Europeia e o Chile, que é um país que tem tido essa capacidade de fazer acordos com em vários planos internacionais.

E tem um tratado muito cobiçado e vários países individualmente da América Latina

vem tentando, mas n conseguiram ainda, mas o Chile tem esse acordo preferencial com

a União Europeia. Ou seja, um tratado envolvendo um Estado e o Estado poderia ser outros Estados tb, envolvendo essa ação internacional. Então a org. internacional tem capacidade de ser membro, nesse caso ai, talvez não seja o exemplo mais apropriado pq

tá falando de membro suplente de org. internacionais. Significa que org. Internacionais

podem ser membros ou participar como ouvinte, não necessariamente com direito a voto, mas como ouvintes e, portanto interferindo nas discussões, a União Europeia está presente no debate da ONU e em diversos outros espaços, pelo menos como ouvintes.

A grande diferença é essa, a União Europeia é uma organização supranacional, é

isso que gera tanta divergência no âmbitos dos Estados nacionais, pq os britânicos que

já dominaram o mundo, não querem ter sua vida regulada por esses espaços.

E a última capacidade é estabelecer relações diplomáticas e consulares com

outros Estados. Capacidade de se fazer representar por meio desses espaços considerados diplomáticos e consulares. Essa já foi uma capacidade exclusiva dos Estados, mas org. internacionais tb tem capacidade nos dias de hj. Sobretudo falando de uma organização como a OMC, que é plenamente atividade diplomática e tem participação nos Consulados e os Consulados têm capacidade muito pronunciadas, por exemplo, em relação a capacidade econômica, potencializar a economia dos Estados. A OMC certamente tem representações em vários Estados, e aí tem essa caracterização do Estado como sujeito de direito internacional, é o principal, mas já n é mais o único, como foi até o início do século XX.

Hoje nós temos tb as Organizações internacionais ou inter-estatais, para quem prefira uma designação ou outra, e até quem critique a designação inter-estatais, pq reduziria muito o sentido dessa organização, há uma participação estatal, há um estatismo muito pronunciado nessa designação. E muitos preferem a designação internacionais, que tem essas características de em primeiro lugar ser criada por um tratado, por um tratado de fundação, como nós vimos, de acordo com as tipologias dos tratados, a fundação ´é aquilo que institui uma org. internacional, o tratado é fruto das vontades dos Estados, então toda ela é criada por Estados, mas vimos que hj tem organizações que são instituídas com a participação de outras org. internacionais. Pelo menos no processo de formulação das ideias, mas independente disso, uma organização pode ter assento, ainda como status consultivo em outras org. internacionais.

A primeira coisa é entender que as org. Internacionais surgem pelas vontades

dos Estados. Isso é muito característico do mundo do passado, do mundo conforme aquela descrição, de desenvolvimento de que Estados tem a grande ressonância no plano internacional, isso ainda tem ressonância no plano internacional, embora seja um sistema interestatal com outros sujeitos, indivíduos e org. internacionais, mas as org. internacionais, são criadas em princípio por Estados. Mas uma vez sendo criadas, elas

tem uma vontade autônoma ou de acordo com uma certa idealização q existe no plano internacional, elas têm uma capacidade de tomarem decisões, que é autônoma em relação aos Estados. É evidente que n vou chegar aqui e dizer que a ONU tem capacidade de tomar decisão independente da vontade dos Estados, sobretudo dos que tem assentos permanentes no Conselho de Segurança. Mas a idealização feita no âmbito da doutrina é que as org. internacionais têm, mas não se está querendo se isolar em política essa definição que é bem mais jurídica.

É claro que uma coisa é a vontade dos Estados, então os Estados se reúnem e

criam uma org.internacional, essa organização vai tomar decisões e vai considerar a vontade dos Estados, mas a sua decisão n se confunde com as decisões dos Estados individualmente considerados. Ou seja, essas decisões tem vontade própria, autônoma, considerando a política que é feito no plano internacional, considerando os Estado. Eu costumo dizer que ONU, OEA, todas as org são livres para tomar suas decisões. Elas consideram tb o poder de alguns Estados. E elas são regidas pelo direito internacional, ou seja, tem uma base de regulação, n apenas legal, mas há costumes, há princípios que se aplicam a essas orgs, ou seja, todas as fontes do direito passam a valer, ou seja, o elemento mais importante aqui para gente entender, é que as org. internacionais entraram e cada vez mais vêm entrando com força no cenário internacional, embora haja limitações, mas já n é mais o mesmo do início do século passado, em que só os Estados tomavam decisões. Só os Estados atuavam no plano internacional, elas tb participam da tomada de decisões no plano internacional.

E a questão do mecanismo, tanto há mecanismos convencionais como não convencionais. Nós veremos isso qd falarmos de proteção internacional do meio-ambiente, dos direitos humanos. Veremos que há mecanismos, qd falamos mecanismos são meios concretos, em oposição a instrumentos, ou seja, os instrumentos que são normativos, e em relação aos instrumentos, há mecanismos, são os meios através dos quais o mecanismo é implementado, então mecanismo é uma comissão, uma comissão ambiental, de direitos humanos, ou seja. São meios através dos quais o trabalho das organizações terminam tendo relevância e nós vamos ver que essas orgs trabalham com essa lógica dos mecanismos, além dos instrumentos , é preciso ter meios concretos, por meio dos quais os instrumentos vão se fazer valer. Nós veremos isso com maiores detalhes qd falarmos de proteção internacional.

E a pessoa humana nós tb veremos com mais detalhes qd falarmos na proteção

internacional dos direitos humanos, qd falarmos de proteção na área do tribunal penal internacional, e que há muito tempo essa discussão vem se colocando no plano direito internacional, em torno de como regular o indivíduo? Ou o indivíduo deveria participar das questões internacionais? N resta dúvidas de que o indivíduo tem problemas a serem resolvidos, sempre teve com relação aos Estados, mas n se tinha clareza se o individuo deveria ser sujeito de direito internacional, a forma anteriormente existente era a proteção diplomática. Sendo o meio pelo qual havia necessidade de mediar os interesses do indivíduo e essa mediação era feita pelos Estados. Ou seja, como só o Estado era sujeito de direito internacional, não existiam tb orgs. Internacionais, muito menos o individuo era reconhecido com capacidade no plano internacional, então era preciso que o Estad