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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA – UFPB

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES – CCHLA


DEPARTAMENTO DE MEDIAÇÕES INTERCULTURAIS – DMI
CURSO DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS APLICADAS ÀS NEGOCIAÇÕES
INTERNACIONAIS

VICENTE RODRIGUES DE OLIVEIRA NETO

SPANGLISH: NOVA LÍNGUA, NOVO DIALETO OU VARIAÇÃO HÍBRIDA

JOÃO PESSOA-PB
2017
VICENTE RODRIGUES DE OLIVEIRA NETO

SPANGLISH: NOVA LÍNGUA, NOVO DIALETO OU VARIAÇÃO HÍBRIDA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


como requisito parcial para conclusão do
Curso de Línguas Estrangeiras Aplicadas às
Negociações Internacionais, do Centro de
Ciências Humanas, Letras e Artes da
Universidade Federal da Paraíba.

Orientadora: Prof.ª. Ms. Silvia Renata Ribeiro

JOÃO PESSOA-PB
2017
Catalogação da Publicação na Fonte.
Universidade Federal da Paraíba.
Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA).

Oliveira Neto, Vicente Rodrigues de.

Spanglish: nova língua, novo dialeto ou variação híbrida. / Vicente


Rodrigues de Oliveira Neto. - João Pessoa, 2017.

52f.

Monografia (Graduação em Línguas Estrangeiras Aplicadas às


Negociações Internacionais) – Universidade Federal da Paraíba - Centro de
Ciências Humanas, Letras e Artes.
Orientadora: Profª.Ms. Silvia Renata Ribeiro.

1. Língua Espanhola. 2. Spanglish. 3. Variação linguística. I. Título.

BSE-CCHLA CDU 821.134.2


VICENTE RODRIGUES DE OLIVEIRA NETO

SPANGLISH: NOVA LÍNGUA, NOVO DIALETO OU VARIAÇÃO HÍBRIDA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


como requisito parcial para conclusão do
Curso de Línguas Estrangeiras Aplicadas às
Negociações Internacionais, do Centro de
Ciências Humanas, Letras e Artes da
Universidade Federal da Paraíba.

Aprovado em 06 de junho de 2017

BANCA EXAMINADORA

______________________________________________________
Professora Ms. Silvia Renata Ribeiro (orientadora)

_______________________________________________________
Professora Ms. Ana Berenice Peres Martorelli (membro)

_______________________________________________________
Professor Ms. Ana Carolina Vieira Bastos (membro)

JOÃO PESSOA-PB
2017
18

Dedico este trabalho a minha tia-avó Maria do


Carmo in memoriam, minha avó materna, Marina,
a meus pais Maria da Conceição e Valdir e a meu
irmão Vinícius.
1
AGRADECIMENTOS

Antes de tudo, agradeço a Deus por me proporcionar a vida e por de algum modo
ainda que nem sempre percebamos ou não nos permitamos perceber estar ao lado...

Aos meus pais pelo apoio, ao meu pai, Valdir, que sempre me incentivou a estudar,
dizendo-me que o estudo é o único modo reto de se vencer em um sistema injusto e corrupto,
sendo meu maior exemplo de resistência e proteção àqueles que verdadeiramente se ama, e à
minha mãe, Maria da Conceição (Ceça) ao preocupar-se comigo em singelos gestos, repletos
de carinho, fazendo-me sentir cuidado e amado, sendo-me um grande exemplo de
solidariedade e amor ao próximo.

A minha avó, Marina, por seu uma pessoa que sempre me fez ver que a vida tem que
ser levada com leveza e vivida, no mais completo sentido da palavra, e que ainda nos
momentos mais difíceis temos de ser fortes, esta é meu exemplo de fortaleza, minha avó é
uma rocha.

A minha amada tia, Maria do Carmo (Cacá) in memoriam, por ter me amado de uma
maneira tão especial que de muitas formas contribuiu à construção da minha essência e ainda
que neste momento não esteja mais presente fisicamente, sempre esteve, está e estará em meu
coração, sem dúvidas meu maior exemplo de amor mais puro.

Ao meu irmão, Vinícius, por mostrar-me continuamente que por mais diferentes que
irmãos possam ser, amam-se.

A minha orientadora, Sílvia, a qual sempre me foi atenciosa e gentil ao me auxiliar em


momentos de aflição neste TCC e ao longo de minha vida acadêmica na universidade.

Aos meus amigos de graduação (Edna Marcelino, Luiz Manoel, Marianne Sultane,
Gabrielly Santos, e outros) e aos professores do LEA – UFPB (Roberto Satur, Kátia Fraga,
Alyanne Chacon, Cláudia Caminha, e outros) de uma maneira geral, além de meus amigos
mais próximos (Leandro Almeida, Josefa Venâncio, Yadira Buitrago, Heluana Jardson, e
outros) que com alguma palavra de apoio me incentivaram a concluir este trabalho ou seguir
naquilo que acredito.
E a todos que de alguma maneira contribuíram à minha vida pessoal e acadêmica
direta ou indiretamente.
20

―La libertad de la expresión no encuentra


barreras significativas en la diversidad
lingüística del planeta y que, aunque las
presiones culturales y las conyunturas de la
política internacional estén ejerciendo presión
sobre el colectivo cultural de nuestra gente, la
plástica del lenguaje no deja de ser una
manifestación nítida de nuestras formas de
pensar y vivir.‖

(Benedict Anderson)
21

FOLHA DE IDENTIFICAÇÃO

Instituição UFPB – Universidade Federal da Paraíba


Endereço:
- Reitoria
Campus I, Cidade Universitária, s.n., CEP: 58039-900. João Pessoa/PB
- Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes
Campus I, Cidade Universitária, s.n., CEP: 58039-900. João Pessoa/PB
Reitoria:
Reitora: Profa. Margareth de Fátima Formiga Melo Diniz
Vice-Reitora: Profa. Bernardina Maria Juvenal Freire De Oliveira
Pró-Reitora de Graduação: Profa. Ariane Norma Menezes de Sá
Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes:
Diretora: Profa. Mônica Nóbrega
Vice-Diretor: Prof. Rodrigo Freire de Carvalho
Dirigentes Departamento de Mediações Interculturais:
Chefe: Profa. Dra. Alyanne de Freitas Chacon
Vice-Chefe: Profa. Ms. Cláudia Caminha Lopes Rodrigues
Curso de Línguas Estrangeiras Aplicadas às Negociações
Internacionais:
Coordenador: Prof. Ms. Roberto Vilmar Satur
Vice-Coordenador: Prof. Dr. Marcelo Vanderley Miranda Sá Rangel

Título:

Spanglish: nova língua, novo dialeto ou variação híbrida


Vínculo:
Trabalho de
Conclusão de Disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso
Curso Professor Responsável: Prof. Ms. Roberto Vilmar Satur

Orientação:
Execução Profª. Ms. Silvia Renata Ribeiro
Aluno:
Vicente Rodrigues de Oliveira Neto
RESUMO

Segundo relatório publicado pelo Instituto Cervantes (2010) a língua espanhola ocupa o
posto de segunda maior língua em falantes nativos do mundo, cerca de 500 milhões, ficando
atrás apenas do chinês, assim como também é a segunda maior língua de comunicação
internacional, somente atrás do inglês. Considerando sua quantidade de falantes e sua dimensão
geográfica e econômica, depreende-se a importância de seu estudo, incluindo-se toda a sua
variabilidade linguística. Observando o caso particular dos Estados Unidos da América (EUA),
é possível perceber que esta língua cresce de maneira exponencial, e de acordo com o
Escritório do Censo Estadunidense (2000) principalmente por conta das imigrações
latinoamericanas das últimas décadas, há estimativas de que os EUA em 2050 tornem-se o
maior país hispanohablante do globo com 132 milhões de latinos, superando até mesmo o
México. Visto isso, vale destacar a importância e papel que o Spanglish tem, seja por questões
propriamente linguísticas ou de cunho sociocultural, configurados à sociedade estadunidense
por meio dos hispanos que ali se encontram. O presente trabalho, portanto, tem a intenção de
apresentar uma visão holística do que pensam alguns importantes catedráticos do espanhol
acerca do Spanglish, mostrando como estes classificam tal fenômeno sociolinguístico, quer
como uma língua nova (STAVANS, 2001), novo dialeto (ARDILA, 2005), dialeto popular
local de um país (OTHEGUY, 2009), quer como identidade híbrida (BETTI, 2009).

Palavras-chaves: Língua espanhola; Spanglish; Variação linguística.


ABSTRACT

According to a report published by the Cervantes Institute (2010), the Spanish


language occupies the position of second largest language of native speakers in the world.
There are about 500 million Spanish speakers behind only Chinese, as well as the second
language of international communication behind English. Considering the number of
speakers, their geographic and economic dimension, the importance of this study is inferred,
including all its linguistic variability. Observing the particular case of the United States, it is
possible to surmise that this language has grown exponentially. According to the U.S. Census
Bureau (2000), considering the number of immigrants in the last decades, the Spanish-
speaking population of the United States will reach 132 million by 2050. This will make the
U.S. the largest Spanish-speaking country in the world surpassing even Mexico. Given this, it
is worth underlining the importance of the role that Spanglish has had, whether due to
linguistic or socio-cultural issues of the U.S. Hispanic population. The present work,
therefore, intends to present a holistic view about what some of Spanglish‘s important
professors think about Spanglish, demonstrating how they classify such a sociolinguistic
phenomenon, as a new language (STAVANS, 2001), new dialect (ARDILA, 2005), local
dialect of a country (OTHEGUY, 2009), or a hybrid identification (BETTI, 2009).

Keywords: Spanish language; Spanglish; Linguistic variation.


RESUMEN

Según informe publicado por el Instituto Cervantes (2010) la lengua española ocupa
el puesto de segunda mayor lengua en hablantes nativos del mundo, alrededor de 500
millones, estando detrás sólo del chino, al igual que es la segunda lengua de comunicación
internacional detrás del inglés. Considerando su cantidad de hablantes y dimensión geográfica
y económica se infiere la importancia de su estudio, incluyéndose toda su variabilidad
lingüistica. Observando el caso particular de Estados Unidos de América (EEUU) es posible
percibir que tal lengua crece exponencialmente, y de acuerdo con la Oficina del Censo
Estadunidense (2000), principalmente por cuenta de las inmigraciones de las últimas décadas,
hay estimaciones de que los EEUU en 2050 se vuelva el mayor país hispanohablante del
globo com 132 millones de latinos, superando hasta mismo México. Visto esto, merece la
pena subrayar la importancia del rol que el Spanglish tiene, sea por cuestiones propiamente
lingüisticas, o sea de cuño sociocultural, configurados a la sociedad estadunidense por medio
de los hispanos que allí se encuentran. El presente trabajo, por lo tanto, tiene la intención de
presentar una visión holística acerca de lo que piensan algunos de los importantes catedráticos
del español sobre el Spanglish, mostrando como estes clasifican tal fenómeno
sociolingüístico, sea como nueva lengua (STAVANS, 2001), nuevo dialecto (ARDILA,
2005), dialecto local de um país (OTHEGUY, 2009) o identificación híbrida (BETTI, 2009).

Palabras-claves: Lengua española; Spanglish; Variación lingüistica.


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 - Modelo do Iceberg dobrado ..................................................................................... 27


Figura 2 - Formação territorial dos Estados Unidos ................................................................. 30
Figura 3 - Síntese de alguns autores ......................................................................................... 36
Figura 4 - Forma de passagem do espanhol por gerações ........................................................ 40
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Número absoluto de pessoas de origem hispânica nos EUA .................................. 32


Tabela 2 - Exemplos de verbos e substantivos em Spanglish .................................................. 37
Tabela 3 - Alguns fenômenos léxico-semântico do Spanglish ................................................. 43
LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1- Distribuição da população hispana por zonas ......................................................... 18


Gráfico 2 - Distribuição da população hispana segundo seu domínio do inglês ...................... 38
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 17
1.1 CONTEXTO .............................................................................................................. 17
1.2 DELIMITAÇÃO DO TEMA ..................................................................................... 17
1.3 JUSTIFICATIVA ...................................................................................................... 18
1.4 OBJETIVOS................................................................................................................ 19
1.4.1 GERAL..................................................................................................................... 19
1.4.2 ESPECÍFICOS ......................................................................................................... 19
1.5 METODOLOGIA ...................................................................................................... 19
2 UMA VISÃO GERAL DA LINGUÍSTICA .................................................................. 21
2.1 CONCEITO DE LINGUÍSTICA E SUAS PRINCIPAIS CORRENTES TEÓRICAS . 21
2.2 SOCIOLINGUÍSTICA E SUAS CONTRIBUIÇÕES AOS ESTUDOS
LINGUÍSTICOS ................................................................................................................... 22
2.3 CONCEITOS E NOÇÕES DE BILINGUISMO, L1, L2 E LE ...................................... 25
3 HISTÓRIA DO ESPANHOL NOS EUA E SURGIMENTO DO SPANGLISH ....... 29
3.1 HISTÓRIA DO ESPANHOL NOS EUA ....................................................................... 29
3.2 IMIGRAÇÃO LATINA.................................................................................................. 31
3.3 ORIGEM DO TERMO SPANGLISH ............................................................................. 33
4 DEFININDO O SPANGLISH ........................................................................................ 34
4.1 CONCEITO DE DIFÍCIL UNANIMIDADE ................................................................. 34
4.2 USUÁRIOS DO SPANGLISH E BILINGUISMO ........................................................ 36
4.3 VARIEDADES DO SPANGLISH .................................................................................. 39
4.4 CODE SWITCHING, CODE-MIXING, CODE-ALTERNATION E EXEMPLOS DE
SPANGLISH.......................................................................................................................... 40
4.5 IDENTIDADE E ESTIGMA SOCIOCULTURAL........................................................ 43
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................... 47
6 REFERÊNCIAS .............................................................................................................. 49
17

1 INTRODUÇÃO

1.1 CONTEXTO

Hoje em dia, a língua espanhola é a segunda língua mais falada no mundo, com mais
de 490 milhões de falantes nativos e segunda língua mais estudada internacionalmente depois
do inglês, o que lhe confere naturalmente grande importância. E no panorama internacional do
espanhol os Estados Unidos da América (EUA) atualmente figuram como sendo o segundo
maior país hispanohablante do mundo, com prospecções de tornar-se o primeiro até 2050,
embora esta língua ainda não possua status de cooficialidade na nação.

E neste país formado grande parte por imigrantes, a parcela hispana de sua população
tem uma peculiaridade em seu espanhol, a qual se denomina Spanglish, que basicamente
trata-se de uma mistura de inglês e espanhol e, por isso, alguns estudiosos temem que o
espanhol perca sua relativa uniformidade a ponto de em um futuro não tão distante tornar-se
ininteligível como, por exemplo, alguns dialetos árabes. E esse medo ocorre majoritariamente
pelo alcance da influência estadunidense no cenário internacional, enquanto que alguns outros
estudiosos afirmam que o Spanglish não coloca em risco este espanhol internacional e ―puro‖
de que tanto se fala, mas sim, trata-se de uma questão de resistência político-social à uma
opressão vivida pela minoria latina nos EUA (ZENTELLA, 2009) ou simplesmente de uma
forma de identificação pessoal e social com o coletivo que os rodeia numa existência entre
dois mundos (STAVANS, 2008).

Portanto, antes de tudo, é necessário conhecer um pouco mais da realidade linguística


e social na qual este fenômeno linguístico está inserido por meio de mais estudos consistentes
antes de classificá-lo determinantemente em alguma categoria.

1.2 DELIMITAÇÃO DO TEMA

As grandes ondas migratórias vindas dos países latinoamericanos vêm fazendo com
que o espanhol dos EUA ganhe ênfase na comunidade latina internacional em relação ao
espanhol de países hispanos monolíngues, pois aquele diferencia-se ao ser o grande ponto de
18

encontro de toda uma massa latina que sai de seus países em busca de uma vida melhor em
termos políticos e econômicos.

A incidência de latinos mexicanos é de fato a que mais se ressalta no meio


estadunidense até mesmo pelo fato de México e EUA serem países fronteiriços e
compartilharem uma vasta história de disputa territorial, sendo a região sudoeste
estadunidense a mais habitada por estes latinos, assim os mexicanos emigrados que se
tornaram bilíngues foram os primeiros a dar uma nova roupagem à primeira variação de
espanhol local que mais tarde viria a ser chamado de Spanglish. No gráfico 1 a seguir pode- se
verificar a porcentagem latina em zonas estadunidenses reforçando a ideia acima da grande
concentração latina no Sudoeste do país.

Gráfico 1- Distribuição da população hispana por zonas

Fonte: Morales (2008)

E a partir de então, surge a necessidade de responder à pergunta: Como ocorre o uso


do Spanglish na comunidade latina nos EUA por parte de nacionais hispanoamericanos
emigrados e seus descendentes nascidos em gerações seguintes já em solo estadunidense?

1.3 JUSTIFICATIVA

Como forma de identificação sociocultural as pessoas criam naturalmente um laço


muito forte com sua língua materna desde seus primeiros anos de vida quando começam a
balbuciar para suas mães tentando se expressar, assim como ao longo de sua juventude vão
19

dominando cada vez melhor sua língua materna, porém quando esta língua materna não é
unicamente a língua a ser aprendida/absorvida pelo ambiente em que estão inseridas, tem-se
um crescimento de pessoas bilíngues que tendem a ter uma identificação de si próprias
distinta ou até mesmo mesclada no que tange a sua ideia de pertencimento cultural-
sociolinguístico em um ambiente duo.

Sendo assim, é de grande relevância o estudo do bilinguismo, principalmente, aquele


no qual há mescla e câmbio de idiomas (code-mixing e code-switching) com alto influxo de
identidade sociocultural, levando a estudo o caso do Spanglish como forma de esclarecer e
prover entendimento aos estudantes de línguas estrangeiras ou quaisquer pessoas envolvidas
com temas de cultura e linguística em ambiente acadêmico ou não o quanto o uso de línguas
diretamente em contato pode refletir nos fatores de convivência, reconhecimento cultural e
identificação social de pessoas de origens latinas em uma cultura anglófona dominante.

1.4 OBJETIVOS

1.4.1 GERAL

Compilar conceitos e ideias de principais autores do tema para obtenção de uma visão
holística acerca do Spanglish.

1.4.2 ESPECÍFICOS

 Conceituar língua e variações linguísticas;


 Resumir a história do Espanhol e consequentemente do Spanglish nos EUA;
 Expor a importância social e exemplificar o uso do Spanglish na comunidade latino-
americana estadunidense

1.5 METODOLOGIA

A metodologia utilizada neste trabalho é de caráter bibliográfico de acordo com


Lakatos (2001) já que faz uso de fontes bibliográficas, artigos, periódicos e internet tornados
públicos, tendo como finalidade pôr o pesquisador em contato direto com o que vem sendo
investigado sobre o tema. Seu processo ocorreu de forma descritivo-exploratória por buscar
familiarização com um tema no qual há uma diversidade de exploração acadêmica,
20

correlacionando variantes e descrevendo fatores (GIL, 1999; ZIKMUND, 2000). Neste


trabalho fez-se uso de fontes primárias e secundárias, optando-se pelo uso de dados
qualitativos por meio de revisão de conceitos e percepções existentes.

Este trabalho conta com uma introdução, estruturando-se fundamentalmente em três


capítulos de referencial teórico nos quais o primeiro trata-se de uma breve apresentação da
Linguística, seu conceito e principais correntes seguidas de seus precursores, centralizando-se
posteriormente na correlação da Sociolinguística e fenômeno de aquisição linguística. No
segundo capítulo há uma apresentação da história da língua espanhola nos EUA, bem como o
surgimento do termo Spanglish. O terceiro capítulo trata-se de uma discussão objetiva acerca
da definição do Spanglish por meio de importantes autores do tema, além de demonstrar
exemplos linguísticos de seu uso e correlacionar fatores linguísticos às questões de
identificação sociocultural do povo latino imigrado e seus descendentes. E após este último
capítulo, tecem-se as considerações finais seguidas das referências.
21

2 UMA VISÃO GERAL DA LINGUÍSTICA

2.1 CONCEITO DE LINGUÍSTICA E SUAS PRINCIPAIS CORRENTES TEÓRICAS

A Linguística é um campo da ciência que se dedica à investigação da linguagem


humana verbal, isto é, estuda a principal modalidade de sistemas de signos, as línguas naturais
(FIORIN, 2003), tendo como principal função explicar e descrever as leis que regem tais
línguas e seu funcionamento geral por meio de múltiplos ângulos de um mesmo objeto de
estudo, a própria língua. Logo a Linguística deve responder a perguntas como o que é a língua
e o porquê de ela ser como é sem julgamentos de valores.

Adentrando-se à história da Linguística, os fenômenos linguísticos começaram a ser


estudados no fim do século XIX para início do século XX com a geração de teorias
linguísticas que iam às suas épocas definindo a modalidade, natureza e características
importantes da língua para assim descrevê-la e analisá-la objetivamente (ALKMIM, 2001).

Em 1916 Ferdinand de Saussure deu início aos estudos linguísticos por meio de seu
Curso de Linguística Geral, no qual definia a língua como objeto central da Linguística, por
oposição à fala já que esta sofria variações (ALKMIM, 2001), considerando a língua como
um fenômeno linguístico advindo de um sistema autônomo de regras internas alheias às
interferências externas, tanto que para Saussure (1981 apud MUSSALIM, 2001, p.23) ―o
estudo dos fenômenos linguísticos é muito frutífero; mas é falso dizer que sem estes não seria
possível conhecer o organismo linguístico interno‖, ou seja, a língua era tratada como uma
estrutura que por si só se bastava e se autorregulava, merecendo um estudo de forma isolada.
Assim sendo, a escola de pensamentos saussurianos ficou conhecida como Estruturalismo ou
Teoria Estruturalista.

Sequencialmente, surge a Teoria Gerativa ou Gerativismo, com sua primeira


publicação por Noam Chomsky, realizada em 1957, a qual foi intitulada ―Estruturas
Sintáticas‖ (KENEDY, 2008). Chomsky acreditava que a língua era mais um fenômeno
exponencialmente biológico pela existência da habilidade cognitiva humana do que
propriamente um sistema autônomo de regras isoladas, embora tivesse alguma influência
estruturalista.
22

Para Chomsky a base da língua era a mente humana, embora a língua não fosse uma
capacidade inata ao homem ao ser adquirida em uma comunidade linguística; a língua era na
verdade ―um conjunto (finito ou infinito) de sentenças, cada uma finita em comprimento e
construída a partir de um conjunto finito de elementos‖ (CHOMSKY, 1957, p.13 apud
QUADROS E KARNOPP, 2009, p.25), isto é, a língua proporciona ao homem por meio de
seus elementos finitos a geração de ideias e pensamentos infinitos (OLIVEIRA, 2003).

Em contrapartida às teorias anteriormente citadas, a terceira teoria, conhecida como


Funcionalismo ou Teoria Funcionalista tem suas primeiras luzes a partir de trabalhos
apresentados principalmente pelo russo Roman Jakobson juntamente a outros autores à Escola
Linguística de Praga na década de 1920, distinguindo-se do Estruturalismo (língua vista como
sistema autônomo internalizado pelas relações sociais) e Gerativismo (língua vista por meio
de um aspecto biológico no qual se destaca a cognição humana e competência linguística)
pelo fato de atrelar-se fundamentalmente ao processo comunicativo e diversidade de seu uso
na vida cotidiana e interação verbal, em que cada elemento linguístico exerce uma função em
um contexto comunicativo, enfatizando que, é a partir do uso da língua que a
aprendizagem/aquisição ocorria (OLIVEIRA, 2003).

Logo, de acordo com (CUNHA, 2011, P. 158 apud OLIVEIRA, 2003) ―a língua não
constitui um conhecimento autônomo, independente de comportamento social, ao contrário,
reflete pelo falante, as diferentes situações comunicativas‖.

2.2 SOCIOLINGUÍSTICA E SUAS CONTRIBUIÇÕES AOS ESTUDOS LINGUÍSTICOS

A Sociolinguística é um campo da Linguística Geral e das Ciências Sociais que estuda


a sociedade, língua e cultura, cujo objeto de estudo fundamental é o emprego da língua em
contextos sociais, isto é, em situações reais de seu uso (COHEN, 1956, P. 30 apud ALKMIM,
2001, p. 26). Essa nova área de estudo se oficializa em 1966 com a publicação de um
compilado de vários autores (Fishman, Labov, Berstein, Marellesi, entre outros) organizados
por William Bright em um congresso estadunidense na Universidade da Califórnia de Los
Angeles (UCLA).

Bright então definiu alguns fatores sociais importantes como: a identidade social do
receptor/ouvinte; a identidade social do emissor/falante; contexto social e julgamentos sociais
23

do comportamento linguístico dos próprios falantes que seriam a base funcional de qualquer
língua (ALKMIM, 2001, P. 28) correlacionado a função de cada um desses fatores.

Por sua vez, Sapir mesmo em tempos de alta do Estruturalismo, já prestava uma
atenção imprescindível na execução do fator social na língua quando dizia que:

Falar é uma atividade humana que varia, sem limites previstos, à medida que
passamos de um grupo social a outro, porque é uma herança puramente histórica
do grupo, produto de um uso social prolongado. Varia como variam todos os
esforços criativos — não tão conscientemente talvez, mas pelo menos tão
evidentemente quanto às religiões, às crenças, aos costumes, e às artes dos
diferentes povos (SAPIR, 1971, p.18 apud ZAMBONIM, 1989, p.138).

Portanto, desde as palavras de Sapir já se notava que ideias sociolinguísticas viriam a


ganhar força tornando a Sociolinguística um campo relevante de qualificação à Linguística.

Em relação a sua tipologia, citam-se aqui três de algumas de suas subdivisões:

 Sociologia da Linguagem: estudo de grandes fatos sociais como decadência e


assimilação de línguas minoritárias, bilinguismo e políticas de língua em país
em vias de desenvolvimento;

 Sociolinguística Interacional - análise de discursos ou eventos de fala em


situações de contexto sócio-funcional;

 Sociolinguística Variacionista ou Teoria da Variação como o próprio nome


alude, estuda as variações da língua no contexto social em que são utilizadas,
buscando respostas no sistema linguístico para tais variações (CAMACHO,
2001, p.49). Para esta última a concentração nos estudos linguísticos
propriamente ditos é mais ainda fervorosa já que se trata de uma forte coleta
de dados de fala em seu uso real (FÉRNANDEZ, 1998 apud FÉRNANDEZ,
2004).
24

Para Labov, considerado precursor da Teoria da Variação:

A existência de variação e de estruturas heterogêneas nas comunidades de fala


investigadas está de fato provada. É da existência de qualquer outro tipo de
comunicação que se pode duvidar… a heterogeneidade não é apenas comum, é
também o resultado natural de fatores linguísticos básicos. Alegamos que é a
ausência de alternância de registro e de sistemas multi-estratificados de
comunicação que seria disfuncional (LABOV, 1972, p. 203 apud CAMACHO,
2001, p.55).

Em outras palavras, para o autor se não existe variação em uma língua natural humana
é porque esta não exerce mais um papel comunicativo social que evolui como um elemento
revestido de vivacidade e dinamicidade.

E em se tratando de variações, a língua por ser um fenômeno tão dinâmico e complexo


apresenta algumas. São elas as variações:

● Diatópica (ou geográfica/dialetal) – variação expressa de acordo com a área


espacial, isto é, de um lugar para o outro, seus falantes possuem origens
geográficas distintas (ALKMIM, 2001, p.34), é uma variação marcadas por
diferenças lexicais, por exemplo, em grande parte do Brasil dizem aipim ou
mandioca enquanto que na maior parte do Nordeste brasileiro dizem
macaxeira, e em relação aos sotaques (variação fonética do léxico), por
exemplo, em alguns lugares do Sul do Brasil pronuncia-se ―leite‖ ['lejʈe] como
no espanhol, em São Paulo ['lejʈʃi] e na maior parte do Nordeste ['lejʈi].

● Diastrática (ou sociocultural) – variação expressa entre os grupos sociais, em


que se assemelham os grupos oriundos de um mesmo setor econômico-
sociocultural (CAMACHO, 2001, p.58), nesta variação incluem-se, gírias,
jargões técnicos, e o dialeto rural, por exemplo, nesse dialeto a realização da
pronúncia da palavra ―mulher‖ converte-se em [muˈjɛ].

● Diafásica (ou estilística) – variação que expressa o nível de formalidade da


língua de acordo com o contexto comunicativo, conforme Camacho (1978) a
adequação linguística ocorre de forma mais ou menos consciente de acordo
com o saber linguístico individual de cada ser. Tenha-se, por exemplo, a
situação conversacional informal e em confiança entre amigos, naturalmente a
25

língua se encontrará numa versão não padrão, enquanto que em uma palestra
em uma universidade seus palestrantes deverão seguir a sua versão
padronizada, ou seja, os interlocutores adequam-se ao contexto em que usam a
língua.

● Diacrônica (ou histórica) – variação expressa na língua ao longo do tempo,


como, por exemplo, no vocábulo ―você‖ que deriva de ―vossa mercê‖ no início
do uso desse pronome na língua portuguesa. Outro exemplo é ―Vossa
Senhoria‖ que no XV era uma forma de tratamento reservada exclusivamente a
reis, mas já no século XVI era uma forma direcionada a nobreza, religiosos e
altos funcionários e não mais a realeza (ALKMIM, 2001, p. 34).

Como visto acima há diversos tipos de variações, e em se tratando de variações no


âmbito do ensino de línguas, por exemplo, S. Pit Corder sustenta a ideia de que se obtêm
melhores resultados de aquisição de língua quando os seus cursos se voltam aos aspectos
funcionais da vida do aprendiz, destacando a importância de um aprendizado contextualizado
social e situacionalmente. (FERNÁNDEZ, 2004, p.87).

Em suma, a grande contribuição da Sociolinguística é a de ensinar ao aprendiz de


línguas quais de seus usos têm mais prestígio, em que situações determinados usos se
adequam, que características linguísticas já se consolidaram, aproximando uso real em
sociedade e o modelo linguístico de ensino.

2.3 CONCEITOS E NOÇÕES DE BILINGUISMO, L1, L2 E LE

O bilinguismo é um fenômeno mundial derivado da necessidade de comunicação


humana e globalização, acredita-se que ao menos mais da metade da população do planeta
seja bilíngue, porém para ter-se em conta o que é ser bilíngue vale fazer alusão a alguns
conceitos que vieram inclusive evoluindo ao longo do tempo, assim como notar alguns
conceitos de língua materna, segunda língua e língua estrangeira brevemente.

De acordo com Mues (1970 apud SPINASSÉ, 2006, p. 4) língua materna ou primeira
língua (L1) é ―a língua que cada um aprende primeiro e a mesma é a base de seu
desenvolvimento humano‖, ou seja, geralmente, a língua da comunidade e dos pais do falante.
26

Por outro lado segunda língua (L2) diz respeito a aquela língua adquirida num
contexto social no qual existe a necessidade do falante de integrar-se em um processo de
socialização, neste caso o falante já possui uma aquisição linguística prévia (língua materna),
enquanto que língua estrangeira (LE) trata-se daquela língua aprendida ―artificialmente‖ no
meio acadêmico, isto é, exclusivamente em sala de aula, não sendo uma língua vital para o
aprendiz em sua comunidade.

Os pontos semelhantes entre L2 e LE referem-se ao fato de que tanto na L2 quanto na


LE o falante já possui habilidades linguísticas prévias a sua aquisição/aprendizagem de outra
língua. Ressaltando que o status de L1, L2 e LE pode variar entre si, pois as variáveis
linguísticas não são absolutas de acordo com a vivência social do falante, principalmente na
infância, período cuja suscetibilidade às mudanças é bem maior.

Mas, retomando-se ao termo bilinguismo e seu conceito, para Bloomfield (1973, p. 57


apud JIMENEZ, PARRA, 2012, p. 101) este é ―um domínio de línguas igual a um nativo‖
sendo este um dos seus primeiros conceitos, já para Cerdá Massó (1986) em pensamento bem
distinto ao autor anterior, diz que bilinguismo é uma ―aptidão do falante para utilizar
indistintamente duas línguas. Por extensão, diz-se da condição sociolinguística pela qual uma
comunidade emprega duas línguas distintas para cobrir exatamente os mesmos cometidos
comunicativos coletivos e privados‖ (apud JIMENEZ, PARRA, 2012, p. 102).

Entretanto para este trabalho elege-se a seguinte ideia sustentada por Harding e Riley
(1998) por notar-se mais completa e agregadora, em que dizem que os indivíduos que têm a
possibilidade de comunicar-se em dois ou mais códigos o fazem em contextos diferenciados
que requerem usar um ou outro sistema linguístico.

E Portanto, seu vocabulário e sua habilidade para falar, escrever, escutar ou ler têm
distintos níveis de acordo com os usos que realiza em cada língua (apud JIMENEZ, PARRA,
2012). Sendo assim, para Harding e Riley (2003, p.45) bilinguismo é uma questão de grau:

Todos sabem o que significa ser ‗bilíngue‘, entretanto, como vimos antes, enquanto
tentamos definir o conceito com precisão, a coisa se complica. Não queremos dar
três pés ao gato: o bilinguismo é complexo porque está diretamente ligado a questões
sociais complexas.
27

O bilinguismo, fundamentalmente, baseia-se em dois aspectos principais, são eles:


primeiramente o psicolinguístico o qual envolve fatores relacionados às habilidades cognitivas
e linguísticas em si dos falantes e para Cummins (1986) nisso tudo há uma relação mútua
entre as línguas, como mostra a figura a seguir:

Figura 1 - Modelo do Iceberg dobrado

Fonte: Cummins (1986)

Na figura acima, Cummins evidencia que o uso de duas línguas parecem


aparentemente funcionar de maneira isolada e independente na parte superficial, todavia,
observa-se que, partes significativas das ligações linguísticas ocorrem na parte profunda do
iceberg em que são compartilhados processos acadêmicos e intelectuais, isto é, uma língua
pode influenciar a outra até certo ponto, por exemplo, a língua materna pode ajudar na
aprendizagem de uma segunda língua ou uma segunda língua pode influir na destreza em
algum nível da própria língua materna.

Assim como destaca também o autor em haver distinção entre as competências


linguísticas do sujeito bilíngue, nas quais as BICS relacionam-se com habilidades linguísticas
de comunicação interpessoal, isto é, uma comunicação menos rebuscada, mais simples e
direta, enquanto que a CALP está vinculada ao domínio de habilidades acadêmicas rigorosas,
a qual garante o sucesso escolar.
28

Já quanto ao aspecto sociolinguístico analisa-se o trato que a língua toma nas


estruturas sociais em que ela atua e seu papel na mesma, mostrando suas variações no meio
sociocultural, principalmente como já dito anteriormente nesse mundo tão globalizado no qual
as pessoas que falam outro idioma ganham mais, tendo acesso a outros ―mundos‖ por meio da
nova língua, sendo assim consequentemente mais valorizados.

Para Altarriba e Heredia (2008) o conceito de bilinguismo varia muito no âmbito


social, como, por exemplo, nos E.U.A. onde uma pessoa que fale inglês e espanhol é
considerada bilíngue, no entanto uma pessoa que fale inglês e a língua de sinais americana ou
até mesmo uma pessoa que domine uma variação dialetal de um grupo social (socioleto),
como por exemplo, o black english não é considerada bilíngue, e isso se deve justamente ao
fator social que evidencia a fluidez do que se considera ser bilíngue ou não.

Além disso, para Gardner e Lambert (1972) no fator sociolinguístico o que mais
impulsiona a aprendizagem de certa língua é a motivação, podendo ela ser instrumental (fins
de ascensão acadêmica e/ou profissional) ou integradora (integração do falante em meio
sociocultural no qual existe uma aproximação do falante na comunidade linguística em que se
aprende a língua).
29

3 HISTÓRIA DO ESPANHOL NOS EUA E SURGIMENTO DO SPANGLISH

3.1 HISTÓRIA DO ESPANHOL NOS EUA

Muitos pensam que o espanhol no gigante estadunidense veio com a chegada dos
imigrantes latinos, contudo o espanhol já andava por aquelas terras desde os grandes períodos
de expansão colonial espanhola. Tudo se inicia com a chegada de:

Juan Ponce de Léon a Flórida em 27 de março de 1513. Tendo Alonso Álvares de


Pineda em 1519 passado por toda zona costeira da Flórida Ocidental, Alabama,
Mississipi, Luisiana e Texas. Fortún Jimenez, piloto de Hernán Cortés, descobriu
em 1533 a ponta da península da Baixa Califórnia, e por volta de uma década
depois Juan Rodríguez Cabrillo se converteu no primeiro europeu a pisar a costa
pacífica do que seriam os E.U.A. Por outro lado, em 1528 se inicia próximo à
baía de Tampa, na costa da Flórida, uma longa viagem de Alvar Núñez Cabeza
de Vaca pelo Sul e Sudoeste dos atuais Estados Unidos, para finalmente chegar a
Culiacán (México) em 1536. Outros expedicionários passariam pelo interior
estadunidense: Francisco Vázquez de Coronado explorou o Sudoeste,
perseguindo a lenda das sete cidades de Cíbola - um mito alentado pelo frei
franciscano Marcos de Niza -, e Hernando de Soto se adentrou ao Sudeste
(TORRES TORRES, 2010, p.404).

Assim, nota-se a real origem hispânica nos EUA, cujas marcas foram deixadas por um
espanhol colonial, arcaico, com poucos vestígios nos dias de hoje, até mesmo pela forte
influência do inglês atualmente, sendo denominado de espanhol patrimonial, conservado
principalmente nos estados do Texas e Novo México, e em menores porções em outros
estados do Sudoeste estadunidense, e em outros estados em que a Espanha também já se fez
presente este espanhol já desapareceu.
30

Figura 2 - Formação territorial dos Estados Unidos

Fonte: www.paisglobal.com

Na figura 2 acima se expõe um mapa da divisão histórico-territorial dos EUA em é


possível observar as divisões dos territórios que pertenceram à Espanha, México, Inglaterra e
França, mostrando, portanto, a diversidade na formação dos EUA.

E ainda de acordo com Torres Torres (2010) em 1821 o México obteve sua
independência da Espanha, entretanto poucos anos depois entrou em guerra contra os EUA na
luta em combate à expansão territorial estadunidense, batalha esta em que os mexicanos
perderam em 2 de fevereiro de 1848, com o tratado de Guadalupe Hidalgo, no qual os EUA
compraram aproximadamente metade do território mexicano no qual foram gastos cerca de 15
milhões de dólares. Além de em 1854 ter havido mais uma aquisição territorial mexicana
realizada pelos EUA pela compra de Gadsden (região de la Mesilla) como pode ser observado
na figura 2 acima.
31

3.2 IMIGRAÇÃO LATINA

Muitos países são formados por movimentos imigratórios que marcam seu povo com
uma rica história e cultura, de forma contínua ou não, e um desses grandes exemplos, senão o
maior atualmente têm-se os EUA, uma vez que já foi considerado o melting-pot da América
por sua diversidade, porém como este termo possuía uma conotação exacerbadamente
europeia, o mesmo hoje foi substituído por salad bowl, em uma perspectiva de agregar todos
os grupos étnico-raciais sem exclusões.

De acordo com Andión-Casado (2014) os fluxos de imigração latina aos EUA,


majoritariamente de mexicanos, deram-se a partir do século XX por razões econômicas, e em
situações em que a mão-de-obra trabalhadora latina se destinava fundamentalmente a
agricultura e assentamentos rurais, mas ainda além dos latinos que chegavam aos EUA por
questões econômicas como os mexicanos, havia outros que ali chegavam por motivos
político-sociais, exilando-se, como por exemplo, cubanos e alguns centroamericanos.

Entretanto segundo López e Domínguez (2008) vale salientar que antes mesmo da
imigração latina apresentar números elevados já havia nos EUA pequenos grupos hispânicos
remanescentes da época colonial espanhola e do período anterior à compra de praticamente
metade do território mexicano pelos EUA, o que corresponde hoje ao sudoeste estadunidense.

Com isso, vê-se que a imigração hispana começou há década, num período em que
imigrantes hispanos buscavam nos EUA uma perspectiva de vida melhor, fugindo de
situações difíceis em seus países de origem e que mesmo antes deste início de imigração já
havia resquícios latinos propriamente ditos. Dando-se assim o início da grande latinidade
estadunidense.

Conforme López e Domínguez (2008) os imigrantes podiam ser classificados em três


tipos de acordo com seu perfil social, segundo os seguintes aspectos: econômico,
político/religioso e misto. O perfil de maior representatividade era o econômico incumbido
aos mexicanos os quais iam para os EUA em busca de melhores condições econômicas em
uma terra vista como ―prometida‖ na qual tivessem a oportunidade de proporcionar educação
de qualidade a qual não tiveram acesso aos seus filhos, pois vinham de famílias muito
humildes, de pouca instrução.
32

O segundo perfil era representado majoritariamente pelos cubanos e em menor número


nicaraguenses que fugiam da opressão política ditada pelo período Castrista em Cuba e de
cunho religioso na Revolução Sandinista na Nicarágua, em sua maioria eram exilados com
certo poder aquisitivo e instrução. E por último, o terceiro perfil mais mesclado, representado
pelos outros latinoamericanos oriundos da América Central e do Sul tanto por questões
políticas, econômicas ou religiosas indo de profissionais qualificados aos totalmente sem
qualificação.

Atualmente a população latina nos EUA com seus mais de 44 milhões já representa
cerca de 15% da população total estadunidense tendo se tornado a maior minoria do país,
superando a minoria negra e segundo dados publicados pelo Escritório do Censo
Estadunidense a população de latinos deve dobrar até o ano de 2050 chegando aos 132
milhões, o que equivalerá a 30% da população total do país, colocando-o na posição de
primeiro país hispanohablante do mundo, superando até mesmo o México, e isso se dará
consequentemente pelos grandes fluxos migratórios hispanoamericanos contínuos acima
citados, bem como pela alta taxa de natalidade dos latinos cuja média é cerca de quatro vezes
maior que a média geral do país. (LAGO, 2008, p.23).

Tabela 1 - Número absoluto de pessoas de origem hispânica nos EUA

Fonte: www.census.gov (2008) apud Espanha (2008)

Na tabela 1 acima se observa a origem dos imigrantes em que é possível notar a grande
representatividade de origem mexicana já que tem mais da metade de todas as outras origens
latinas juntas, além do evidente aumento da origem dominicana, centroamericana e
sulamericana e a diminuição dos classificados como ―outros‖.
33

3.3 ORIGEM DO TERMO SPANGLISH

A origem e contexto histórico em que muitos fatos estão inseridos certamente ajudam
a compreender a sua realidade na atualidade. E com o Spanglish não foi diferente, pois este
termo a princípio foi acunhado por um jornalista chamado Salvador Tió em uma de suas
colunas a qual intitulou ―La teoría del Spanglish” no jornal portorriquenho El diário de
Puerto Rico em 28 de outubro de 1948, período este em que já afirmava a existência de uma
deterioração da língua espanhola pela invasão de anglicismos justificando que no próprio
espanhol havia palavras/expressões que substituíam muito bem os estrangeirismos vindo do
inglês.

O nome Spanglish pode ser facilmente depreendido da composição filológica da


mescla entre span (de Spanish) e glish (de English) que também menos usualmente é
conhecido por espanglish, ingañol, espanglés, revelando assim conforme Stavans (2008) o
encontro verbal entre as civilizações anglo-saxônica e hispânica. E como bem apontou
Stavans (2008) desse choque de civilizações este nome representa uma nova identidade
sociocultural, única, formada por dois mundos distintos.
34

4 DEFININDO O SPANGLISH

4.1 CONCEITO DE DIFÍCIL UNANIMIDADE

Diante da amplitude pela qual o conceito do Spanglish passa aqui serão apresentadas
ideias conceituais de alguns autores a respeito do que pode ser tal fenômeno linguístico. Para
tanto, Fernández (2004; 2006 apud BETTI, 2011 p.42) começa ao dizer que o Spanglish trata-
se de uma mistura de línguas bilíngue que possui um grande espectro do que é apresentado em
uma língua, isto é, manifestações linguísticas, indo de um espanhol repleto de anglicismos ao
uso de um inglês cheio de hispanismos, com forte presença de empréstimos lexicais, calques
semânticos, code-switching e code-mixing.

Já para Lodares (2001, p.142 apud BETTI, 2011, p.42) tem-se então um idioma
intermediário, vivo, engenhoso e dinâmico difundido nas principais cidades estadunidenses
como, por exemplo, Nova Iorque, Los Angeles e Miami. Enquanto Dumitrescu (2015) pensa
que:
É um erro pôr um sinal de igualdade entre o espanhol dos Estados Unidos em sua
totalidade, e assim o chamado Spanglish, que é exclusivamente uma variante do
espanhol falado nos EUA, que contêm muitas outras, inclusive um espanhol culto de
hispanos educados, com ou sem estadunidismos [...] (p.35 apud BETTI, 2015, p.10).

Enquanto isso, Sacristán (2015, p. 49 apud BETTI, 2015, p.10) conta que o Spanglish
―se configura como valor fenomenológico próprio de uma língua materna, associada à
corporalidade do falante e que por este motivo não pode nunca ser racional ou funcionalmente
objetificada e alienada‖. Entretanto há autores que seguem vieses mais identitários como, por
exemplo, García-Molins e Morant (2015, p.94 apud BETTI, 2015, p.12) ao dizerem que o
Spanglish é ―como um símbolo do nacionalismo estadunidense e, ao mesmo tempo, é como
um índice da identidade emocional latina‖ e que:

Despachá-lo como um caso mais de contato de línguas me parece altamente


reducionista. Suas iridescências teóricas resultam bastante intrincadas e o constituem
em objeto digno de estudo por si só, com independência de que sua dimensão
empírica e político-social (a fim e a cabo, nos EUA há 50 milhões de pessoas
expostas ao Spanglish) igualmente o aconselhe (GARCÍA-MOLINS, 2015, p.123
apud BETTI, 2015, p.12).

Enquanto Betti (2013) ponderadamente afirma que o que está em discussão é uma
realidade linguística complexa, mas que não se trata de uma língua em si, contudo faz-se
necessária assim como a utopia e os sonhos para a evolução de realidades diversas
35

relacionadas à identidade e que por esta razão merecem nosso apreço e estudo. Porém
contrariamente ao que defende Betti, para Echevarría (1997):

A triste realidade é que o Spanglish é primordialmente a língua dos hispanos pobres,


muitos dos quais iletrados em ambas as línguas. Incorporam palavras inglesas e
construções a suas falas cotidianas porque lhes faltam vocabulário e educação em
espanhol para adaptar-se ao câmbio cultural que os cerca. Hispanos educados que
também têm motivações diferentes: alguns se envergonham de seu background e
sentem-se empoderados ao usar palavras em inglês e expressões idiomáticas
traduzidas literalmente. Fazendo isso, pensam estar reivindicando sua adesão ao
padrão. Politicamente, entretanto, o Spanglish é uma capitulação; indica
marginalização e não alforria. (apud TORRES TORRES, 2010, p.423)

Já Otheguy (2009) acredita que o Spanglish por si só não existe, mas sim, trata-se de
uma variante espanhola como qualquer outra de um país latinoamericano dado que todos têm
em si seu contexto próprio para afetação local do idioma e nem por isso neles o espanhol
deixa de ser considerado espanhol, afirmando que na verdade o Spanglish deveria
simplesmente ser chamado de ―espanhol popular dos EUA‖ popular, principalmente, pelo de
fato de ser um espanhol mais oral, usado em ambientes familiares e de confiança e até mesmo
como forma de combate ao estigma que o nome Spanglish carrega consigo.

Por outro lado Stavans (2001, p.184 apud ARDILA, 2005, p.65) considera justamente
o oposto do que dizem os dois últimos autores acima afirmando que ―esse dialeto em processo
de formação é o preço para a sobrevivência do espanhol nos Estados Unidos‖ e igualmente
trata da possibilidade do Spanglish estar se tornando uma nova língua, enfatizando que isso se
dá pela sua origem em uma minoria latina não uniforme formada por pessoas de diversas
classes sociais e raças que de alguma forma não se deixam assimilar por completo pela
sociedade anglo-saxônica que os rodeia porque possuem uma cultura própria, têm sua
cosmovisão e jeitos distintos de sentir o mundo.

Além disso, Stavans (2009) de deixa claro em suas palavras que ―os latinos são
multirraciais, transnacionais, plurilíngues, têm muitos pontos de vistas diferentes em relação à
política, estão afiliados a todo um cúmulo de religiões institucionalizadas, e etc.‖ acreditando
que ―o Spanglish serve de ponte para unir a todos eles‖.

De maneira similar aos pensamentos de Stavans, Zentella (2002 apud BETTI, 2015,
p.9) diz que o Spanglish é um símbolo da construção de uma nova identidade orquestrada por
grande destreza linguística, além de ser um termo que capta toda a opressão vivida pela
36

comunidade latina nos EUA. Visto isso, percebe-se a existência de autores apoiadores e
detratores do termo, além daqueles que mantêm uma posição intermediária, julgando que a
causa mereça mais estudos. Na figura 3 seguinte, segue um resumo dos pensamentos de
alguns dos principais autores.

Figura 3 - Síntese de alguns autores

Fonte: Autoria própria

Portanto, até o presente momento não há um denominador comum a respeito do


Spanglish já que uns o consideram uma nova língua, outros um dialeto, outros uma mescla
híbrida de duas línguas e outros que não lhe dão nenhum crédito linguístico.

4.2 USUÁRIOS DO SPANGLISH E BILINGUISMO

Entre os hispanohablantes há uma variedade no modo como estes falam entre si,
havendo uma seleção natural e muitas vezes inconsciente da língua. Segundo Ardila (2005)
alguns hispanohablantes tentam manter uma conversa em espanhol padrão, porém há outros
que vão progressivamente trocando do espanhol para o Spanglish. Entretanto, tanto o
espanhol quanto o Spanglish funcionam de maneira separada, o espanhol fica destinado às
relações familiares e o Spanglish à comunidade latina com a qual se mantêm uma identidade.

E Ardila (2005) ainda acrescenta que há uma considerável diferença entre ser latino e
ser de fato falante de espanhol, haja vista que cerca de 90% dos latinos dos EUA conseguem
falar espanhol em algum nível, isto é, têm certo nível conhecimento linguístico, mas não o
dominam plenamente como um nativo, e dentre estes há aqueles que apenas entendem um
37

pouco do espanhol e falam o idioma com muita dificuldade ou mal o falam, assim como há
hispanohablantes imigrantes que mal podem utilizar o inglês.

Ainda conforme Ardila (2005) da mesma maneira que há falantes com níveis tão
diversos de espanhol nos EUA, há os falantes que são bilíngues equilibrados, isto é, aqueles
que manejam as duas línguas (espanhol e inglês) praticamente da mesma forma que um nativo
o faria. E naturalmente diante de um grau tão acentuado de diferença linguística entre a
maioria desses latinos qualquer combinação entre o inglês e espanhol torna-se uma
potencialidade comunicativa dentro de uma heterogeneidade de domínio linguístico que
parcialmente explica o desenvolvimento de uma interlíngua (ou dialeto espanhol), o
Spanglish, como se pode notar nos exemplos de verbos e substantivos a seguir na tabela 2 em
que há intensa ocorrência de empréstimos linguísticos do inglês ao espanhol:

Tabela 2 - Exemplos de verbos e substantivos em Spanglish

Fonte: Autoria própria

Todavia, como Spanglish não é um dialeto unificado e falta-lhe uniformidade, muito


provavelmente não se tornará uma língua, haja vista que o Spanglish falado em Nova Iorque
ou Miami pode diferir entre si, marcando então a possível existência de subdialetos. E é
justamente isso, que torna o Spanglish um objeto de estudo tão peculiar, ou seja, sua variação
vai para além das fronteiras mexicoestadunidenses, estando ele espalhado por todo território
estadunidense criando um entrelaçamento único (ARDILA, 2005, p.63).

Ainda de acordo com Ardila (2005) há dois subtipos de Spanglish, o primeiro trata- se
do Spanglish de latinos já nascidos nos EUA ou que ali chegaram ainda muito novos e são
bilíngues, agindo como nativo em ambas as línguas, embora estes tenham uma leve


Sistema de transição criado ao longo de um processo de assimilação de outra língua.
38

predominância do inglês por haver sido sua língua em situações acadêmicas, fato que lhes
gera maior destreza em sua escrita e leitura em inglês do que no espanhol que lhes costuma
ser uma língua predominantemente oral.

Em relação ao segundo tipo, têm-se os latinos que já chegaram adultos aos EUA e por
isso tornam-se bilíngues compostos, ou seja, ainda possuem interferência linguística de sua
língua materna. Tome-se o exemplo de um estudo observado por Elías-Olivares (1995 apud
ARDILA, 2005) no Hispanic Journal of Behavioral Sciences que dizia que falantes de origem
mexicana que residiam em Chicago por mais de uma década apesar da fraca proficiência em
inglês ou seu nulo conhecimento daquela língua, já demonstravam certo fenômeno
representativo de situações de contato linguístico como empréstimos, calques e extensões
semânticas. Portanto, o domínio e uso do Spanglish variam de acordo com a época em que o
falante chega aos EUA, além de fatores etários e socioeconômicos.

Gráfico 2 - Distribuição da população hispana segundo seu domínio do inglês

Fonte: Morales (2008)

De acordo com o gráfico 2 uma minoria da população hispana utiliza o inglês em casa,
menos de 22% de sua população, enquanto quase 40% não usa o inglês em casa, entretanto
sabe utilizá-lo muito bem na comunidade estadunidense e pouco mais de 40% nem fala inglês
em casa, nem o fala muito bem na comunidade anglófona.


Adaptação fonética à língua vernácula, isto é, uma espanholização
39

E em relação à população total a esmagadora maioria, cerca de 82%, utiliza a língua


inglesa em casa, até mesmo por ser essa a língua oficial do país, ainda que o espanhol
merecesse um status de cooficialidade haja vista seu uso e importância no país.

Dessa maneira, quase 10% da população geral fica sem o usar o inglês em casa, mas
com seu uso mantido na comunidade e por volta de 8% sem usar o inglês em casa e nem ter
seu domínio. Portanto percebe-se pelo gráfico acima que o espanhol ainda goza de um grande
uso nas casas hispanaestadunidenses, e por isso há uma prevalência do domínio mais falado
do espanhol nos EUA.

4.3 VARIEDADES DO SPANGLISH

Devido às grandes ondas de imigração aos EUA, principalmente vindas do México,


Porto Rico*, Cuba e outros países latinos em menor grau, o espanhol estadunidense adquiriu
três matizes principais advindas de uma conjuntura de critérios demográficos e linguísticos, -
preferencialmente fonológicos. (BLAS ARROYO, 2005, p. 584 apud BETTI, 2011, p.38).

Segundo Torres Torres (2010) há três variações, e a primeira variação a surgir foi a
chicana - variação mexicana - possivelmente por já haver residentes mexicanos no país
quando os EUA compraram metade do México pelo Tratado de Guadalupe Hidalgo, ficando
esta variação alocada ao Sudoeste estadunidense. A segunda é a variação portorriquenha,
conhecida como nuyorricán que se concentra basicamente em Nova Iorque e seus entornos,
sendo os portorriquenhos os que melhor se adaptam ao passo do inglês em questões de
domínio linguístico e social.

E por último há a variação cubana, também chamada de cubonics que domina a região
de Miami, estes falantes são os que demonstram maior o apego linguístico ao espanhol como
forma de manter seu forte de orgulho de pertencimento cubano, dando ares hispânicos a
Miami, tanto que são conhecidos como mayameros.


Portorriquenhos tecnicamente não são considerados como imigrantes por portar cidadania estadunidense, mas
são levados em consideração por serem de um território hispanohablante representativo aos EUA.
40

4.4 CODE SWITCHING, CODE-MIXING, CODE-ALTERNATION E EXEMPLOS DE


SPANGLISH

Alternar e misturar duas línguas que andam em contato num mesmo ambiente social é
algo até bastante comum num mundo bilíngue, porém segundo Torres Torres (2010) isso
ocorre mais frequentemente com os falantes latinos de segunda geração porque já têm
adquirido um alto nível de competência linguística em inglês e ao mesmo tempo mantêm uma
habilidade comunicativa notável em espanhol.

Na figura 4 a seguir nota-se como o espanhol é passado e apreendido (ou não) pelas
gerações seguintes.

Figura 4 - Forma de passagem do espanhol por gerações

Fonte: Espanha (2008)

Portanto como visto na figura acima, a questão do espanhol ser aprendido pelos
descendentes de latinos é um fato variável a depender da comunicação que se é tida em casa
pelos pais ou avós hispanohablantes que dominam o idioma em querer passá-lo aos filhos.

No que tange ao receio de alguns linguistas de que o code-switching ameace alguma


das línguas, com maior possibilidade de ameaça ao espanhol, Betti (2015) esclarece sua
opinião ao posicionar-se dizendo que:
41

Esta simbiose de línguas, culturas e sensibilidades não vai necessariamente ameaçar


o espanhol, nem o inglês. Ao contrário, o contato com a língua inglesa lhes permite
reinventar-se. É uma estratégia expressiva real que existe entre as pessoas que a
praticam, que podemos denominar, linguisticamente falando, mudança de código,
comutação de código (code-switching), alternância de códigos (code-alternation),
mescla de código (code-mixing), empréstimos, calques, etc. e que para uma parte de
hispano representa sua forma de ser e viver nos Estados Unidos. (p. 10)

Ademais, o code-switching pode dar-se de duas formas: intraoracional (dentro de uma


mesma oração) como, por exemplo, you’ve got a nasty mancha on your camiseta, ou
interoracional (entre orações) como, por exemplo, you know, I gotta go, pero te llamo pa’trás
después, seguindo regras mais ou menos implícitas que soem natural ao falante.

Segundo McCrady (2007) O Spanglish não é uma confusão por completo como muitos
tendem a afirmar, pois segue algumas regras ainda que implícitas, já que no uso das duas
línguas numa mesma conversa ambas as partes das duas línguas estarão geralmente
gramaticalmente corretas, o que pode conferir certa credibilidade a seus falantes bilíngues que
se acostumam naturalmente a manejá-las desde muito cedo, e, portanto estes falantes
bilíngues têm que obrigatoriamente ter um bom domínio de ambas as línguas indo de encontro
a argumentos que sustentem que o uso do Spanglish é questão meramente de deficiência
linguística, coisa de gente pobre e sem educação (TATUM, 2015, p.393). A seguir mostram-
se alguns exemplos de ―regras do Spanglish‖ citadas por Tatum (2015):

Los niños están jumping en la cama (the kids are jumping on the bed) é
gramaticalmente correto, mas ya hemos eaten la cena (we have already eaten
dinner) é bem menos correto. Ou, o câmbio pode acontecer em certa posição, como
em após o verbo hacer (to do or to make): Mi tío ya se hizo retire. (My uncle finally
retired.) Mi prima se hizo policewoman. (My cousin became a policewoman.) Outra
regra é que, quando se fala sobre algo que aconteceu, usa-se a língua em que já se
ouviu o fato. Sabes qué, el otro día me topé con el Chuy, y me dice, “Guess what,
I’m getting married!” (You know what, the other day I ran into Chuy, and he tells
me, “Guess what, I’m getting married!”) Ou, I pulled into the parking lot the other
day in my ’54 Chevy, e esse cara diz, “Oye, ¿qué trae bajo la trompa?” (I pulled
into the parking lot the other day in my ’54 Chevy, and this guy says, “Hey, what’s it
got under the hood?”). Mais uma regra é que o language switching é reservado para
falar com outras pessoas que também são bilíngues, entre amigos, em festas, com
irmãos, irmãs, e primos, em piqueniques ou jogos de bola, o language switching ou
Spanglish será comum. Não é geralmente utilizado com quem não é bilíngue. Então
42

se os membros mais velhos da família não são fluentes em inglês, o bilíngue só fala
em espanhol com eles. Se um bilíngue vai às compras e o vendedor só fala inglês,
então ele só lhe fala em inglês. (p. 394)

Reafirmando o que foi dito, um estudo realizado por Toríbio (2009) em seu ensaio
Spanglish? Bite Your Tongue! Spanish-English Code-Switching among Latinos investiga a
questão do Spanglish com os latinos, e a um de seus participantes (Yanira) apresenta duas
frases, uma com as normas de code-switching ―violadas‖ e outra com a construção
―normatizada‖, e entre as duas Yanira disse que ficaria com a segunda opção, mostrando
claramente que o falante naturalmente tende a seguir as já citadas regras implícitas. Logo,
percebe-se que a comutação de línguas em lugares onde há bilíngues em situações
contextualizadas é algo bem mais natural do que se possa parecer e que nada é feito
totalmente de modo aleatório.

Além do code-switching o Spanglish também se expressa por meio de calques, por


exemplo, I know how to dance – sé como bailar, em vez de sé bailar; extensões
semânticas, por exemplo, I realized – Sí, realicé, com sentido de perceber do inglês, mas
que no espanhol seria percibir e empréstimos lexicais, por exemplo, background. Na
tabela 3 a seguir mostram-se mais exemplos de ocorrências similares às supracitadas se
passam no Spanglish devido às influências do inglês no espanhol em que diferentes condições
podem ser reconhecidas.


Alargamento de significado de palavra já existente em outro idioma.

Significado de palavra própria de outra língua sem nenhuma tradução, estrangeirismos.
43

Tabela 3 - Alguns fenômenos léxico-semântico do Spanglish

Fonte: Ardila (2005)

4.5 IDENTIDADE E ESTIGMA SOCIOCULTURAL

Ao falar em Spanglish muitos de seus falantes encontram uma maneira de sentir-se


ligados a suas raízes, mostrando que apesar de estarem ali nos EUA, preservam de algum jeito
seus laços com seu país de origem ou de seus ascendentes assim como também consideram
uma forma de demonstrar resistência a uma opressão político-econômico-social por eles
vivida durante décadas (ZENTELLA, 2009) e que só agora começa a haver uma mudança em
seu panorama. E essa opressão sócio-política que estigmatiza o Spanglish tem provável
origem no fato genérico de que se misturam as línguas desordenadamente gerando uma
confusão linguística que as ―bastardizam‖ (MCCRADY, 2007).

Segundo McCrady (2007) os hispanohablantes acreditam que seu uso gera uma
completa perda de identidade cultural, criando a confusão linguística acima citada, enquanto
que os anglohablantes temem que o Spanglish tome o controle social por parte do povo latino.
44

Conforme McCrady (2007):

É possível que a forma de code-switching que envolve duas línguas de prestígio (o


que é difícil de conceber devido ao fato de que línguas geralmente se mesclam
quando uma língua estigmatizada e uma de prestígio são postas em contato direto)
não seria desaprovada tanto quanto o Spanglish. Ainda outra razão para o estigma do
Spanglish é o fato de muitos indivíduos terem um conceito equivocado de que o
Spanglish é uma salada mista de duas línguas. (p. 4)

Já para Torres Torres (2010) ―é evidente que a estigmatização do comportamento


linguístico híbrido de muitos latinos pode, em um sentido, provocar insegurança linguística e,
em outro, afiançar seu sentimento de identidade múltiple ligada a uma forma de
comunicação‖.

Cañas (1997 apud BETTI, 2011, p. 38) diz que:

Enquanto os hispanos não levantavam a voz, enquanto eram simples trabalhadores


explorados, mal pagos, ignorantes, mão-de-obra barata para limpar as casas dos
ricos, enquanto isso ocorria com consentimento da maioria, ninguém parecia
preocupado com que os latinos falassem espanhol entre eles, que lessem seus
jornais, que vissem sua televisão, que vivessem mal; contudo, agora as coisas
mudaram e os hispanos começaram a ter uma pequena parte, mas significativa, do
poder aquisitivo, político e cultural deste país (EUA) [...] estes latinoestadunidense
se expressam seja em espanhol ou em inglês (com interferências muito
enriquecedoras destes dois idiomas), mas também em uma mescla das duas línguas
antes mencionadas (inglês e espanhol). (p. 38)

E Marcos (1997 apud BETTI, 2011, p. 38) complementa mais o autor acima ao dizer
que todas essas classes sociais (política, econômica, profissional) já começam a olhar os
latinos de outra forma com intenções de votos e recursos, além de favorecer o acesso a bens
públicos e privados em espanhol, sendo assim revalorizada a cultura hispana e identidade
bilíngue dos EUA. Além dessa conversão de identidade sociocultural do Spanglish, este já
demonstra algumas criações artísticas representadas por nomes como escritores e cantores:
Gloria Anzaldua, Tato Laviera, Lucha Corpi, Paty Mora, Sandra Cisneros, Cristina García,
Luz Selenia Vásquez, Giannina Braschi y Ana Lydia Vega, autora del cuento Pollito Chicken,
que para muchos es la obra fundacional de la literatura en spanglish; Shakira, Daddy Yankee,
45

Pitbull, Lila Dawn e etc. Estando também o Spanglish nos grandes meios de comunicação,
publicidade e internet.

A seguir apresenta-se o poema de Tato Laviera escrito em Spanglish:

―my graduation speech:‖

i think in spanish
i write in english
tengo las venas aculturadas
escribo en spanglish
abraham in español
abraham in english
tato in spanish
―taro‖ in english
tonto in both languages
ahί supe que estoy jodίo
ahί supe que estamos jodίos
english or spanish
spanish or english
spanenglish
now, dig this:
hablo lo inglés matao
hablo lo español matao
no sé leer ninguno bien
so it is, spanglish to matao
what i digo
¡ay virgen, yo no sé hablar!

Fonte: Stavans (2008)

Neste poema, segundo Stavans (2008) ele expressa a confusão de sentir-se em dois
mundos em que o inglês e espanhol se batem, sentindo que não possui língua alguma, sem
senso de pertencimento social, além de aludir a um sistema falho de educação em uma Nova
46

Iorque de realidade fria, de morte e drogas; e a referência ao nome Abraham reflete o período
após sua chegada a Nova Iorque em que um professor assim lhe mudou o nome por questão
adaptação.

Sendo assim esse poema revela o sentimento de um portorriquenho que entra em


choque com a realidade de identificação social que tem que enfrentar, mas mesmo assim com
todas as dificuldades segue lutando, e até mesmo criando uma nova ―língua‖ que lhe põe em
um reencontro íntimo consigo próprio.

Portanto, vale reconhecer que os latinos que se utilizam do Spanglish assim o fazem
por acreditar nessa condição natural e legítima de construção identitária que se tornou
característica da minoria latina nos EUA, sem que estes mesmos latinos deixassem de levar
em consideração o sincretismo de uma sociedade da qual fazem parte, em que já foram
estrangeiros, e hoje em dia não é mais (LAPUERTA, 2007).
47

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao longo deste trabalho foram revistos conceitos e pensamentos de diversos


catedráticos do espanhol a respeito do Spanglish tais como Stavans, Betti, Zentella, entre
outros e a partir de então pudemos perceber que tratamos de um assunto bastante complexo e
abrangente em que não há um denominador comum dado as referências às situações
intrincadas em diversos âmbitos da sociedade latinoestadunidense, seja na política, economia,
seja na cultura e identidade de seus povos, porém, ainda que este seja um fenômeno
sociolinguístico relativamente antigo que se remonta às primeiras ondas de imigração
latinoamericanas vindas do México para os EUA no final do século de XIX e início do século
XX, o Spanglish a priori era algo ―desconhecido‖, chegando apenas a ganhar algum destaque
acadêmico e estudos sociolinguísticos a partir da origem de seu termo no final década de 1940
com o jornalista portorriquenho Salvador Tió.

Como dito acima, a maioria dos estudiosos divergem enormemente sobre o Spanglish,
classificando-o por vezes como uma nova língua (STAVANS, 2008), um dialeto do espanhol
estadunidense (OTHEGUY, 2009) ou uma identidade híbrida formada por idiomas em contato
(BETTI, 2009), em um cenário em que alguns autores mantêm uma postura radical e detratora
em relação aos latinos que utilizam o Spanglish, subjulgando-os como um povo sem
letramento, e outros conferindo-lhe demasiada importância ao Spanglish só mostra o quanto
se há ainda para estudar a respeito dessa grande condicionante da resistência hispana nos
EUA, e um fato é certo, a hibridização, como processo de interseção e transação é o que torna
possível que a multiculturalidade evite o que tem de segregação e possa converter-se em
interculturalidade (CANCLINI, 2003).

Neste trabalho me identifico em especial com a postura intermediária mantida por um


de seus grandes autores, Silvia Betti, a qual diz que não devemos sobrevalorizar tampouco
menosprezar o Spanglish, mas sim, devemos nos concentrar em estudá-lo, nos despindo de
possíveis preconceitos, pois é fato, o Spanglish existe e continuará a existir
independentemente do que pensem ou queiram impor determinados linguistas, dado a
dinamicidade de uma língua viva, e no caso do Spanglish, mais ainda, duas línguas vivas
(inglês e espanhol).
48

Sendo assim, creio que nossos questionamentos iniciais puderam ser respondidos,
contudo foi deixada margem a futuras pesquisas complementares como, por exemplo, a
realização de entrevistas ou aplicação de questionários com falantes bilíngues hispanos nos e
dos EUA tratando de suas percepções a respeito do tema em seu aspecto sociocultural, bem
como no tocante a vieses político-econômicos da sociedade estadunidense.

Para concluir, como nos diria Nelson Mandela ―se você falar com um homem numa
linguagem que ele compreende isso entra na cabeça dele. Se você falar em sua própria
linguagem, você atinge seu coração‖, dito isso, podemos ter um sentimento de empatia maior
em relação à situação vivida pelos latinos com o Spanglish que nunca foi fácil, diga-se de
passagem, e antes de fazermos julgamentos de valores devemos recorrer a fundamentos
epistemológicos para entender e melhor enxergar o que faz um povo, raça ou o que for ser
como é e agir e como age.
49

6 REFERÊNCIAS

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UFPB - Universidade Federal da Paraíba


PRG - Pró-Reitoria de Graduação
CCHLA - Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes
DMI - Departamento de Mediações Interculturais
LEA-NI – Curso de Línguas Estrangeiras Aplicadas às
Negociações Internacionais
Disciplina: Trabalho de Conclusão de Curso

DECLARAÇÃO DE AUTENTICIDADE DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE


CURSO

Eu, Vicente Rodrigues de Oliveira Neto, estudante do Curso de Línguas Estrangeiras


Aplicadas às Negociações Internacionais, da Universidade Federal da Paraíba, matrícula
n°11216822, declaro ter pleno conhecimento do Regulamento de Trabalho de Conclusão de
Curso, bem como, das regras referentes ao seu desenvolvimento e demais regras,
regulamentos e leis que regem o trabalho de conclusão do curso e os direitos autorais.

Atesto que o presente Trabalho, intitulado Spanglish: nova língua, novo dialeto ou
variação híbrida é de minha autoria, estando eu ciente de que poderei sofrer sanções, a
qualquer tempo, nas esferas acadêmica, administrativa, civil e penal, caso seja comprovado
cópia e/ou aquisição de trabalhos de terceiros, além do prejuízo de medidas de caráter
educacional, como a reprovação do componente curricular (disciplina), o que impedirá a
obtenção do Diploma de Conclusão do Curso de Graduação ou a sua respectiva cassação.

Sendo o que tinha a atestar, afirmo que o presente é verdadeiro e dou fé.

João Pessoa (PB), 14 de junho de 2017.

_______________________________________________
Assinatura do (a) Estudante