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Barragem

USO DE CONCRETO
COMPACTADO COM ROLO – CCR,
NA CONSTRUÇÃO DE BARRAGENS
Engo Luércio Scandiuzzi

Informações: 0800555776 ! dcc@abcp.org.br ! www.abcp.org.br


USO DE CONCRETO COMPACTADO COM ROLO – CCR,
NA CONSTRUÇÃO DE BARRAGENS

ÍNDICE

1. Introdução
2. Conceituação
2.1. Suas Finalidades
2.2. Suas Dimensões
2.3. Materiais de Construção
2.3.1. Argila compactada (Barragem de terra)
2.3.2. Enrocamento
2.3.3. Concreto
2.3.3.1. Concepção estrutural das Barragens de Concreto
2.3.3.1.1. Barragens de gravidade
2.3.3.1.2. Barragens em blocos de contraforte
2.3.3.1.3. Barragens em blocos de gravidade aliviada
2.3.3.1.4. Barragens em arco
2.3.3.2. Metodologia Construtiva
2.3.3.2.1. Concreto e metodologia convencional
2.3.3.2.2. Lançamento em camada estendida
2.3.3.2.3. Concreto compactado com rolo - CCR
3. Estágio Atual do Desenvolvimento da Construção de Barragens de
CCR
3.1. Materiais
3.1.1. Aglomerantes
3.1.2. Agregados
3.1.3. Aditivos
3.2. Produção do CCR
3.3. Transporte e Colocação
3.4. Espalhamento e Compactação
4. Etapas-base de estudos para implementação de uma barragem
5. Custos
Anexo – Roller Compated Concrete Dams - 2003

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1. Introdução
Os registros históricos, assim como as descobertas arqueológicas,
indicam que a construção de barragens data de aproximadamente 3.000
anos A.C. Naqueles pequenos barramentos era usado como principal
material de construção o solo “compactado por pisoteio”. Tinham como
finalidades básicas proteger povoados ribeirinhos em épocas de chuvas
ou, ao contrário, acumular água em regiões mais áridas.

Em tempos “mais recentes” a Holanda tornou-se exemplo clássico de uso


de barragens na proteção (e até expansão de áreas) de terras férteis,
contra as invasões das águas do mar, na maré alta.

No Brasil, a construção de barragens teve seu primeiro grande impulso


em meados do século XIX, através da construção de açudes para
acumulação de água, principalmente no Ceará. Quase em paralelo (já em
finais do século XIX) um novo impulso (este mais vigoroso) foi dado à
construção de barragens, não com a finalidade de acumulação de água
para abastecimento, mas com a finalidade primordial de gerar
hidroeletricidade para atendimento das necessidades crescentes do
parque industrial, iluminação pública e consumo doméstico.

A partir de então houve um crescente desenvolvimento tecnológico na


construção de barragens, tanto a nível internacional quanto brasileiro.
Este desenvolvimento se deu de várias “formas”, através de:

• Aumento da quantidade das construções;

• Aumento das dimensões das estruturas;

• Utilização de materiais alternativos de construção;

• Desenvolvimento de novas tecnologias e equipamentos;

• Redução de custos e

• Construção de barragens com múltiplos usos.

Dentro desta cadeia evolutiva de busca de materiais e técnicas


alternativas para a construção de barragens associou-se, também, a
crescente necessidade de diminuir os custos de construção desses
barramentos. Um dos “grandes resultados” desta busca foi o
desenvolvimento, a partir do início da década de 1970, da técnica
construtiva alternativa batizada como Concreto Compactado com Rolo
– CCR.

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Atualmente estima-se que há no mundo cerca de 45.000 grandes
barragens construídas para irrigação, consumo humano, consumo animal
e geração de energia.

O Brasil acumulou, principalmente na segunda metade do século XX, uma


vastíssima experiência na construção de barragens, usando todos os
tipos de materiais, concepções estruturais e finalidades.
Há ainda uma quantidade muito maior de barragens a serem construídas
e uma grande parte destas barragens, senão a maior, deverá ser em
concreto.

Com a experiência adquirida na construção de cerca de 50 barragens nos


últimos 20 anos, utilizando a tecnologia do Concreto Compactado com
Rolo – CCR, não resta dúvida de que grande parte das barragens
previstas para serem construídas tanto em concreto convencional quanto
em solo ou enrocamento deverão ser alteradas para CCR, devido às
vantagens construtivas e técnicas e também pela competitividade
econômica que está tecnologia proporciona.

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2. Conceituação
O Comitê Brasileiro de Barragens – CBdB define uma barragem como
sendo uma “estrutura construída transversalmente a um rio com a
finalidade de obter a elevação do nível d´água e/ou criar um reservatório
de acumulação de água, ou de regulação das vazões do rio”.

Dentro desta conceituação genérica as barragens são classificadas,


ainda, quanto a:

2.1 Suas Finalidades

• geração de energia elétrica;

• abastecimento residencial e/ou industrial;

• irrigação;

• perenização de rios;

• controle de enchentes;

• piscicultura;

• lazer; e

• múltiplos usos.

Atualmente algumas destas atividades já fazem parte, quase que


automaticamente, das finalidades das barragens construídas para fins
específicos como é, por exemplo, o caso das atividades de lazer e
piscicultura desenvolvidas nos lagos das barragens construídas
primordialmente para a geração de energia elétrica e mesmo para
abastecimento.

2.2 Suas Dimensões

O Bureau of Reclamation (USA) define as barragens como pequenas (ou


grandes) àquelas que, independente das suas finalidades, material de
construção ou concepção estrutural, tenham altura máxima (ou mínima)
medida a partir do ponto mais baixo da fundação até a cota de
coroamento não superior (ou inferior) a 50 pés (≈ 15 m).

Esta classificação genérica quanto à altura do barramento, independente


de sua finalidade, é em geral aceita a nível internacional.

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No Brasil há ainda uma outra sub-classificação das barragens, quando a
finalidade das mesmas é geração de energia. Esta classificação está bem
detalhada no manual de diretrizes para projetos de Pequenas Centrais
Hidrelétricas (PCH) elaborado pela ELETROBRÁS, edição de 2000.

Segundo este manual fica definido que “os aproveitamentos com


características de PCH – Pequenas Centrais Hidrelétricas, são aqueles
que têm potência entre 1,0 e 30,0 MW e área inundada de até 30km2 para
a cheia centenária”.

Dentro desta definição mais ampla, as PCH´s são ainda sub-classificadas


quanto a:

Capacidade de regularização do reservatório:

• fio d´água;

• de acumulação com regularização diária do reservatório;

• de acumulação com regularização mensal do reservatório.

Ao Sistema de Adução:

• adução em baixa pressão com escoamento livre em canal / alta


pressão em conduto forçado;

• adução em baixa pressão por meio de tubulação / alta pressão em


conduto forçado;

• potência associada à queda de projeto como resumido no quadro


abaixo:

Classificação Potência - P Queda de Projeto – Hd (m)


das Centrais (KW)
Baixa Média Alta
Micro p < 100 Hd < 15 15 < Hd < 50 Hd > 50
Mini 100 < p < 1000 Hd < 20 20 < Hd < 100 Hd > 100
Pequena 1000 < p < 3000 Hd < 25 25 < Hd < 130 Hd > 130

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2.3 Materiais de Construção

Os materiais básicos usados na construção de barragens pertencem aos


seguintes grupos principais:

• argila compactada (barragem de terra);

• rochas britadas soltas compactadas (enrocamento); e

• concreto.

Outras alternativas, como por exemplo a pedra argamassada, também


conhecida como alvenaria de pedra e o concreto ciclópico estão
praticamente em desuso.

2.3.1 Argila Compactada (Barragem de Terra)

É o material de construção mais antigo utilizado na construção de


barragens e se caracteriza fundamentalmente por:

• Se prestar à construção de barragens de gravidade, ou seja,


barragens estáveis frente ao empuxo d´água (e outros esforços,
secundários) pelo seu peso próprio sendo que a impermeabilidade
do maciço é dada pela própria argila compactada.

• Exigir nas faces (taludes) tanto de montante (em contato com o lago)
quanto de jusante, proteção adicional contra erosões.

• Serem menos exigentes quanto à qualidade das fundações em


comparação às estruturas de concreto, por transmitirem menores
esforços às mesmas.

• Sua construção ser significativamente mais mecanizada que a


construção de uma estrutura de concreto convencional.

• Exigir um volume de argila compactada em torno de 3 vezes maior


que o volume de uma estrutura de concreto de gravidade, para a
mesma altura.

A figura 1 mostra uma seção típica de uma barragem de terra. As fotos 1


a 4 ilustram etapas de construção da barragem de terra da Hidroelétrica
de Tucuruí.

A foto 5 mostra uma barragem de terra concluída, com eixo curvo, em


São Paulo (Complexo Paraibuna-Paraitinga).

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Figura 1 – Seção típica de uma barragem de terra – Itaipu.

Foto 1 – Vista geral da construção da barragem de terra da Hidrelétrica


de Tucurui.

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Foto 2 – Proteção do talude de jusante contra erosão com plantação de
grama (Tucurui).

Foto 3 – Hidrelétrica de Tucurui.

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Foto 4 – Detalhe dos trabalhos de lançamento e compactação da argila.

Destacam-se nestas fotos o alto grau de mecanização na construção


deste tipo de barragem, a pouca interferência de atividades de apoio no
desenvolvimento das atividades principais de lançamento e compactação
da argila e as grandes dimensões da praça de trabalho.

A foto 4 ilustra de forma didática a diferença de seções de uma barragem


de terra em relação a uma barragem de concreto de gravidade, vista ao
fundo, e submetida a esforços e solicitações da mesma ordem de
grandeza e mesmas condições de fundação (Vconcreto ≈ 1/3 Vterra).

Foto 5 – Vista geral, por jusante, da Barragem de terra de Paraibuna


(SP). Notar as bermas e a grama plantada no talude de jusante para a
proteção contra erosão.

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2.3.2 Enrocamento

As barragens de enrocamento podem ser definidas como sendo


estruturas com seção transversal trapezoidal (ver figuras 3 e 4), formadas
por blocos de rochas trituradas com dimensões máximas da ordem de até
150cm, lançados simplesmente (técnica em desuso) ou lançados e
compactados em camadas (técnica atual), e que são estáveis pelo
formato e peso próprio. Estas estruturas não são por si só impermeáveis,
necessitando portanto, de uma membrana impermeabilizante auxiliar para
reter a água. Esta membrana pode ser colocada ou na face de montante
ou na seção central longitudinal da barragem, como ilustrado
esquematicamente nas figuras 2 e 3.

Figura 2 – Seção típica de uma barragem de enrocamento


com impermeabilização pela face montante.

Figura 3 – Seção típica de uma barragem de enrocamento com


núcleo impermeabilizante de argila.

A concepção de barragens de enrocamento com face montante


impermeável parece datar da segunda metade do século XIX, com a
construção, por mineradores de ouro em Serra Nevada, (USA) na
Califórnia, de maciços de enrocamento impermeabilizados com pranchas
de madeira colocadas sobre o paramento de montante.

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Na adoção da alternativa de enrocamento com núcleo impermeabilizante,
o uso de argila compactada tem sido a opção em geral mais adotada,
ilustrada nas fotos 6 e 7.

Foto 6 – Vista aérea, na parte inferior da


foto, do encontro da barragem de
enrocamento com núcleo impermeabili-
zante em argila, com o “muro de abraço”
da barragem de concreto na Hidrelétrica
de Itaipu.

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Foto 7 – Vista em detalhe do encontro mostrado na foto 6. Esta foto
também ilustra , de forma bastante didática, a diferença de seção do
muro de concreto gravidade em relação à barragem de
enrocamento.

Embora a argila venha sendo o material mais utilizado na construção do


núcleo impermeabilizante das barragens de enrocamento, outros
materiais, tais como o próprio concreto (em épocas mais remotas) e o
betume (recentemente na China) são opções viáveis ao uso da argila.

Quando o projeto opta (embasado em estudos técnicos e/ou econômicos)


pelo uso de membrana impermeabilizante na face de montante como
alternativa aos núcleos impermeabilizantes, os materiais alternativos mais
usados para a construção desta membrana são o concreto, o betume, o
solo-cimento, folhas de aço e geomembranas.

Dentre estes materiais alternativos, as Barragens de Enrocamento com


Face de Concreto (BEFC) têm merecido, no Brasil, preferência ampla
sobre os demais, atingindo um número superior a 25 barragens já
construídas, algumas com alturas da ordem de 200m. Estas barragens
têm se mostrado, ao lado das barragens de terra, fortes concorrentes
econômicos às estruturas de Concreto Compactado com Rolo (CCR),
quando as duas alternativas são tecnicamente viáveis.

As fotos 8 a 10 ilustram etapas de construção da face montante da


barragem de Itapebi, no sul da Bahia, no rio Jequitinhonha, em
enrocamento com face de concreto com cerca de 120m de altura. A foto
11 mostra a face de jusante da barragem denominada Polyphyton, na
Suíça, com 105m de altura.

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Foto 8 – Barragem de enrocamento com a face de montante regularizada
e preparada para receber a face (membrana impermeabilizante) de
concreto.

Foto 9 – Vista geral desta mesma barragem, com cerca de 120m de


altura, destacando a construção da membrana impermeabilizante na
forma de lajes (panos) de concreto convencional.

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Foto 10 – Idem à foto 9, mostrando a laje impermeabilizante à montante
concluída.

Foto 11 – Textura do acabamento da superfície da face de


jusante da barragem Polyphyton

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2.3.3 Concreto

As primeiras aplicações de concreto na construção das barragens se


deram ainda no final do século XIX, motivadas tanto pela garantia de
maior durabilidade oferecida pelo “novo” material, quanto pela
obrigatoriedade de sua utilização nas estruturas do circuito de geração
(tomada d´água e casa de força) das hidrelétricas então em início de
construção, quanto dos vertedouros.

O “concreto desta época” tinha tecnologia pouco desenvolvida e as


estruturas eram construídas quase que de forma artesanal.
Uma das primeiras alternativas de uso do “concreto” na construção de
barragens foi à tecnologia da “pedra argamassada” ilustrada pela foto 12,
mostrando uma pequena barragem no interior de Pernambuco.

Foto 12 – Barragem do Machado construída na década de 1950, próximo


a Santa Cruz do Capibaribe-PE, utilizando a técnica da pedra
argamassada.

Uma outra tecnologia muito utilizada foi a do concreto ciclópico, que se


constitui, basicamente, no lançamento de um concreto convencional e em
seguida, dentro da massa desse concreto lançado, são incorporadas
“pedras de mão”, com tamanhos da ordem de 30cm no máximo. Estas
técnicas, muito utilizadas no início do século, principalmente no nordeste
do Brasil são hoje muito pouca usadas e se restringem a pequenas
barragens. Tem seu uso mantido quando se pode aliar um “objetivo
social” (emprego de mais mão-de-obra) na construção da barragem.

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O desenvolvimento da tecnologia do concreto para a construção de
barragens pode ser enfocado sob dois ângulos:

a) o da concepção estrutural;

b) o da metodologia construtiva.

2.3.2.1 Concepção Estrutural das Barragens de Concreto

A definição da concepção estrutural de uma barragem de concreto


depende de uma análise complexa dos principais fatores intervenientes e
que são aqui citados apenas para conhecimento:

• Topografia da região.

• Geologia da região.

• Finalidades do barramento.

• Aspectos técnicos e econômicos.

• Impacto ambiental.

Desta análise, a barragem pode ser projetada em uma concepção


estrutural (ou numa associação de duas ou mais concepções),
contemplando fundamentalmente:

a) Barragens de gravidade.

b) Barragens de contraforte.

c) Barragens de gravidade aliviada.

d) Barragens em arco.

2.3.2.1.1 Barragens de Gravidade

São estruturas concebidas de maneira tal que a associação da sua forma


geométrica, em geral de seção triangular, com o peso específico do
concreto, mantém a estrutura estável frente aos principais esforços
atuantes impostos pelo lago, tombamento e deslizamento, e por
solicitações secundárias (sismos, sub pressões, etc).

A figura 4 ilustra seções típicas de barragem de concreto de gravidade.

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Figura 4 – Seção típica de um bloco de gravidade com os
principais esforços estáticos atuantes

Estas estruturas são construídas em blocos de larguras definidas em


projeto para permitir, através das juntas de contração entre eles, a
movimentação térmica das estruturas, evitando a fissuração. As fotos 13 a
15 ilustram este tipo de estrutura, em construção.

Destacam-se nesta metodologia construtiva os seguintes e principais


aspectos, que intervém de forma negativa na produtividade e no custo do
processo:

• alta correlação entre a área de forma e o correspondente volume de


concreto lançado;

• alta taxa de mão de obra por m3 lançado;

• baixa velocidade de subida dos blocos;

• subida defasada dos blocos;

• altos custos relacionados às providências necessárias para


combater os esforços térmicos; e

• baixa produção dos equipamentos de transporte e lançamento.

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Foto 13 – Vista geral de uma barragem de gravidade em fase final de
construção usando a metodologia clássica de blocos independentes.

Foto 14 – Idem a foto 13.

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Foto 15 – Seção típica de um bloco de gravidade concluído (primeiro
plano).

Os blocos de gravidade apresentam as seguintes características


principais:

• são estáveis individualmente;

• requerem concretos de baixa resistência e, portanto baixo consumo


de cimento;

• apresentam baixa relação área de forma / volume de concreto;

• não são estruturas armadas;

• transmitem tensões moderadas às fundações; e

• Os volumes de concreto das estruturas de gravidade são


significativamente maiores que os das barragens de contra forte,
gravidade aliviada ou arco, apresentados nos itens 2.3.3.1.2 a
2.3.3.1.4.

2.3.2.1.2 Barragem em Blocos de Contraforte

Os blocos de contraforte são elementos estruturais concebidos de tal


forma que, pela sua configuração geométrica mais que pelo seu peso,
seja garantida a sua estabilidade. A figura 5 mostra, em planta e cortes,

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um exemplo desta concepção estrutural de blocos em contraforte, que
estão ilustrados em diferentes estágios de construção nas fotos 16 a 19.

Os blocos de contraforte são caracterizados por:

• transmitirem altas tensões às fundações exigindo desta forma


estarem apoiados em rochas muito competentes;

• alta relação da área de forma/volume de concreto;

• exigirem concretos com resistências mais altas e portanto maiores


consumos de cimento que os concretos aplicados nos blocos de
gravidade; e

• como conseqüência de sua concepção estrutural, os volumes de


concreto são significativamente menores que as demais alternativas
de construção de barragens de concreto.

Figura 5 – Croqui em planta e cortes de um bloco típico de


contraforte.

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Foto 16 – Início de construção de blocos de contraforte na obra de Itaipu.
À direita da foto observam-se blocos de gravidade também em
construção. A comparação entre as duas concepções estruturais ilustra
de forma nítida as diferenças de volumes de concreto necessários para
cada uma delas (vista de jusante para montante).

Foto 17 – Idem à foto 16, mostrando um estágio mais avançado da


construção dos blocos de contrafortes (vista por montante).

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Foto 18 – Vista lateral e por jusante de um trecho da barragem de
contraforte já concluída.

Foto 19 – Vista geral por jusante da barragem lateral direita da obra de


Itaipu, concebida em contraforte, em fase final de construção.

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2.3.2.1.3 Barragem em Blocos de Gravidade Aliviada

Os blocos das barragens de gravidade aliviada são uma concepção


estrutural intermediária entre o bloco de gravidade e o de contraforte, de
tal forma que a estabilidade dos mesmos se dá por associação do seu
peso próprio com a sua forma geométrica.

A figura 6 apresenta, em planta e cortes, esta concepção estrutural


adotada na barragem principal de Itaipu, ilustrada nas fotos 20 a 22.

Figura 6 – Planta e cortes de concepção de um bloco típico de barragem


de gravidade aliviada.

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Foto 20 – Vista aérea, de montante para jusante, durante a construção da
barragem principal da obra de Itaipu, concebida em blocos de gravidade
aliviada.

Foto 21 – Idem à foto 20, vista por jusante. As construções em primeiro


plano (parte inferior da foto) são das casas de força.

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Foto 22 – Vista por jusante, da barragem principal e da casa de força,
concluídas (obra de Itaipu).

2.3.2.1.4 Barragens em Arco

As barragens em arco são, pelas suas concepções estruturais, mais


apropriadas para serem construídas em vales fechados com maciços
rochosos de boa qualidade. Sua configuração geométrica é entendida
pelo próprio nome.

As variantes básicas de suas concepções estruturais são:

• Barragens em arco trabalhando 100% dentro da concepção de arco.

• Barragens arco-gravidade nas quais a estabilidade é dada pelo


efeito de arco associado ao peso próprio.

Este concepção estrutural para barragens é muito pouco adotada no


Brasil, devido ao fato da topografia do país ser relativamente plana com
poucos rios “encaixados”. O exemplo “clássico” e praticamente único
deste tipo de barragem construída no Brasil é a Usina de Funil, da Furnas
Centrais Elétricas, ilustrada pela foto 23. Sua concepção é de arco-arco
gravidade.

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Foto 23 – Usina de Funil, localização Rio Paraíba do Sul.

Na foto 24 está mostrada a barragem de Zervreila, na Suíça, com


concepção de arco “puro”.

Foto 24 – Barragem em arco, de dupla curvatura.

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Foto 25 – Barragem onde são utilizadas diversas
concepções estruturais (arco, gravidade, contra-forte) –
Espanha.

2.3.2.2 Metodologia Construtiva

Historicamente as técnicas para construção de barragens de concreto


podem ser agrupadas em cinco alternativas básicas:

• Pedra Argamassada;

• Concreto Ciclópico;

• Concreto Convencional em Blocos;

• Concreto Convencional em Camada Estendida e Recentemente; e

• Concreto Compactado com Rolo – CCR.

As duas primeiras alternativas de “metodologias construtivas” estão


praticamente abandonadas.

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As demais alternativas são atuais e a decisão por uma delas depende de
fatores que envolvem:

• a topografia da região;

• a disponibilidade de materiais;

• a concepção estrutural;

• as dimensões das estruturas; e

• os custos e/ou prazos relativos entre as alternativas.

Deve ficar entendido que para algumas estruturas, ou parte delas, como
por exemplo nas casas de força e no vertedouro, o uso de concretos e de
métodos construtivos convencionais é praticamente um imperativo.

As metodologias que são discutidas a seguir levam em consideração a


possibilidade das mesmas poderem ser concorrentes entre si e também
com barragens de terra ou enrocamento.

2.3.2.2.1 Concreto e metodologia convencionais

Não há uma definição para esta metodologia clássica de construção de


barragens, que teve início no final do século XIX, tendo recebido grande
desenvolvimento tecnológico na década de 1930 com a construção da
barragem de Hoover, no Rio Colorado (USA). De uma forma simples e
objetiva pode-se tentar “definir” a tecnologia convencional de construção
de barragens como:

a) Uso de concreto convencional, com trabalhabilidade e consistência


adequadas para se amoldar às formas e envolver embutidos,
mediante o emprego de vibradores de imersão;

b) Uso de caçambas, caminhões, correias transportadoras, cabos


aéreos, bombas etc, para o transporte do concreto desde a
produção até seu ponto final (bloco);

c) Adensamento do concreto com vibradores de imersão; e

d) Lançamento do concreto em blocos e camadas, com dimensões


definidas por critérios de projeto.

As fotos 26 a 34 ilustram as etapas base desta tradicional técnica


construtiva.

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Foto 26 – Primeiro passo da etapa da
construção com concreto convencional.
Equipamento de transporte (dump-crete
no caso) recebendo o concreto
convencional na Central de Produção.

Foto 27 – Transferência do concreto


do equipamento de transporte para o
equipamento de lançamento (no caso,
caçamba acoplada a um guindaste).

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Foto 28 – Colocação do concreto no bloco.

Foto 29 – Detalhe da abertura da caçamba.

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Foto 30 – “Arranjo clássico” de lançamento de uma camada de concreto
convencional, subdividida em subcamadas (no caso, uma camada de
2,5m de altura, subdividida em subcamadas de 50cm).

Foto 31 – Detalhe do adensamento do concreto convencional, usando


vibrador de imersão.

Há uma gama bastante ampla de opções de equipamentos para o


transporte e lançamento do concreto convencional como exemplificam as
fotos 32 a 34.

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Foto 32 – Caçamba acoplada a cabo
aéreo para transporte e lançamento
de concreto convencional.

Foto 33 – “Combinação” de equipamentos para transporte e lançamento


do concreto: caçamba acoplada a cabo aéreo (ou guindaste) abastecendo
um “shut” que abastece a correia transportadora, que finalmente lança o
concreto no bloco (ver foto 34).

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Foto 34 – Colocação direta de concreto convencional com correia transportadora.

A foto 35 ilustra uma barragem em arco sendo construída em blocos


independentes, usando a mesma metodologia usada para barragens de
gravidade, mostrada nas fotos 13 e 14. Chama-se atenção para a área de
forma empregada por esta metodologia construtiva.

Foto 35 – Barragem em arco construída por metodologia convencional.

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2.3.2.2.2 Lançamento em camada estendida

A tradicional tecnologia de lançamento do concreto massa feita em blocos


de dimensões definidas e altura de camadas limitadas, passou a ser
objeto de investigações e busca de alternativas a partir do final da década
de 1950.

Com o aumento do número e das dimensões das barragens em


construção, os objetivos básicos desta busca de metodologia alternativa
eram:

• diminuir área de forma;

• aumentar a velocidade dos lançamentos;

• diminuir a mão-de-obra e aumentar mecanização;

• diminuir o número das juntas horizontais e transversais; e

• aumentar a competitividade das barragens de concreto com as


barragens de terra e enrocamento.

Como resultado desta busca surgiu na Itália, durante a construção da


barragem de Alpe-Gera em meados da década de 1960, uma
metodologia alternativa para a construção da barragem de gravidade que
consistia basicamente dos seguintes passos:

• Transporte do concreto convencional, de baixo “slump”, usando


caminhões fora de estrada que se abasteciam diretamente nas
Centrais de Produção, transportavam-no e entravam na barragem
(praça de lançamento) onde o descarregavam diretamente na frente
de lançamento;
• Após a descarga, o concreto era espalhado com trator de lâmina em
camadas da ordem de 50cm de altura;
• Após o espalhamento o concreto foi adensado de forma
convencional por vibradores de imersão; e
• As juntas transversais de dilatação da barragem eram então
“formadas”, após 12 horas do lançamento, por corte de forma similar
às juntas de pavimentos de concreto. A face montante da barragem
foi impermeabilizada com uma membrana metálica.

As fotos 36 a 40 ilustram os “passos” desta tecnologia, que foi empregada


em “larga escala” na concretagem da fundação da casa de força de Itaipu
(~ 300.000m3 de concreto). Esta tecnologia foi também muito empregada
em alguns blocos de grandes dimensões nesta mesma obra, e em outras
obras como Tucuruí, por exemplo.

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Foto 36 – Vista geral da concretagem da fundação da Casa de Força de
Itaipu, onde a tecnologia da camada estendida foi empregada pela
primeira vez no Brasil, em larga escala (300.000 m3).

Foto 37 – Vista em detalhe da frente de


concretagem em camada estendida
destacando-se as atividades e os
equipamentos básicos:

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• caminhão fora de estrada para transporte e lançamento direto do
concreto.

• trator de esteira espalhando o concreto.

• Retroescavadeiras adaptadas com “cacho” de 4 vibradores de


imersão para adensamento do concreto convencional

Observar a ausência de formas, a pequena quantidade de mão-de-obra e


o alto grau de mecanização no lançamento.

Foto 38 – Uso da tecnologia da “camada estendida” em um bloco de


grandes dimensões na obra de Itaipu. Neste caso o caminhão de
transporte foi substituído por caçambas e guindaste, por dificuldade de
acesso.

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Foto 39 – Detalhe da ação sincronizada de espalhamento com trator e
vibração com auxílio de retroescavadeira adaptada. Notar o aspecto
“seco” do concreto empregado com slump da ordem de 2,0cm.

Foto 40 – Detalhe do “cacho” de vibradores acoplados à lança da


retroescavadeira.

37/72
2.3.2.2.3 Concreto Compactado com Rolo - CCR

O último grande avanço no desenvolvimento de técnicas construtivas


alternativas para barragens se deu a partir das décadas de 70 (fase de
estudos intensos) e de 80 (aplicação efetiva) com a viabilização técnica e
econômica da tecnologia hoje conhecida como Concreto Compactado
Com Rolo – CCR.

O Concreto Compactado com Rolo vem sendo definido como um concreto


de consistência seca, sem slump, e que no estado “fresco” pode ser
produzido, transportado, espalhado e compactado por meio de
equipamentos normalmente usados em serviços de terraplanagem. As
fotos 41 e 42 relativas à primeira experiência brasileira ocorrida em Itaipu
em 1978, ilustram este conceito.

Foto 41 – Detalhe do lançamento, em 1978, de


Concreto Compactado com Rolo em caráter
experimental, em Itaipu, onde são vistos os
equipamentos básicos:

38/72
• caminhão fora de estrada para transporte;

• trator de esteira para espalhamento; e

• rolo compactador para adensamento.

Foto 42 – Outra vista desta primeira experiência brasileira em Itaipu.

O desenvolvimento desta tecnologia teve como objetivos diretos diminuir


custos de construção de barragens de concreto através:

• da mecanização das operações de lançamento;

• da diminuição da mão de obra;

• da diminuição das áreas de forma;

• da diminuição do tempo de construção; e

• da diminuição do consumo de cimento.

Embora haja informações de que esta tecnologia tenha sido aplicada, em


bases de pavimentos ainda no final do século XIX, considera-se que a
tecnologia da camada estendida aplicada em Alpe-Gera, no inicio dos
anos 60, descrita anteriormente, seja a “ancestral” direta do CCR para
barragens.

39/72
Em 1962, na barragem de Shimen, em Formosa, o núcleo de uma
ensecadeira com 65,0 m de altura foi executado em CCR. Essa técnica foi
então batizada com o nome “Rolled Compacted Concrete – RCC”

Entretanto, o grande o impulso para o desenvolvimento do uso do CCR


na construção de Barragens se deu nos Estados Unidos, no congresso de
Asilomar em finais da década de 1960, cujo tema principal foi “Rapid
Construction of Concrete Dams”.

A partir deste congresso e de um trabalho nele apresentado pelo Prof.


Jerome R. Raphael sob o título “The Optimum Gravity Dam” é que se deu
início ao desenvolvimento de estudos e aplicações do CCR, cujas etapas
básicas internacionais foram:

• Estados Unidos, 1972 e 1973, Corps of Engineers, Execução de


Maciços Experimentais, Extração de Testemunhas e Ensaios de
Laboratório.

• Paquistão, 1974, Obra de Tarbela, Aplicação de cerca de 2,6


milhões de m3 de CCR na reconstituição de rochas erodidas.

• Japão, 1974, Ministério das Construções inicia programa de


pesquisas, com CCR, objetivando reduzir custos e prazos na
construção de barragens.

• Japão, 1979, Construção da barragem de Shimajigawa, na qual


foram aplicadas com 170.000 m3 de concreto compactado com rolo.
No Japão esta tecnologia foi batizada com o nome de “Rolled
Concrete for Dam - RCD”

• Estados Unidos, 1984, Projetada e construída a primeira barragem


totalmente em CCR, chamada Willow Creek, com 52,0 m de altura e
volume de concreto compactado com rolo de 329.000 m3 e prazo de
lançamento do concreto de 5 meses.

40/72
Foto 43 – Barragem de Willow Creck, a primeira projetada e construída
em CCR, 1984 – USA.

A experiência brasileira no estudo, desenvolvimento e aplicação do CCR


em barragens pode ser assim relatada, de forma sucinta:

• 1976, Hidroelétrica de Itaipu, primeira experiência brasileira,


execução de pisos de oficina mecânica e almoxarifado.

• 1978, Itaipu, ensaios de laboratório, construção de maciços


experimentais, e aplicação de CCR no preenchimento de alguns
acessos às fundações da barragem atingindo um volume de
26.000m3 (fotos 41 e 42).

• 1978, Hidroelétrica de São Simão, lançados cerca de 40.000m3 em


locais diversos.

• 1982, Hidroelétrica de Tucuruí, muro da eclusa, cerca de 12.000m3,


primeiro lançamento de CCR em uma estrutura definitiva, no Brasil.

• 1986, Paraíba, Barragem para abastecimento denominada Saco de


Nova Olinda, com 56m de altura e volume de 135.000m3 de CCR
lançados em 110 dias.

As fotos 44 a 46 ilustram algumas etapas da construção, em CCR, da


barragem de Nova Olinda.

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Foto 44 – Barragem de Saco de Nova Olinda/PB, primeira barragem
brasileira projetada e construída em CCR em 1986. Vista por jusante na
fase final de construção.

Foto 45 – Barragem de Salo de Nova Olinda. Visão geral dos trabalhos


de lançamento de uma camada de CCR.

42/72
Foto 46 – Idem a foto 43 com as operações em “close”.

Da observação mais detalhada das fotos 45 e 46 pode-se constatar:

• a baixa incidência de mão-de-obra nas operações de lançamento;

• a pequena área de forma; e

• o alto grau de mecanização nas operações de transporte,


lançamento, espalhamento e compactação;
• a praça “limpa” sem formas transversais ao eixo da estrutura para
formação das juntas de contração.

43/72
3. Estágio Atual do Desenvolvimento da Construção de
Barragens com CCR
O uso de CCR na construção de barragens estava inicialmente limitado a
estruturas de gravidade, com alturas moderadas e que em geral não
ultrapassavam a 50,0m.

Estas limitações estavam relacionadas a:

• pouca experiência na definição das misturas (dosagem);

• pouca experiência no processo construtivo;

• permeabilidade relativamente alta observada no corpo das primeiras


estruturas construídas;

• pouco conhecimento das propriedades físicas e mecânicas do CCR


endurecido; e

• pouco conhecimento do desempenho desse tipo de concreto e por


conseqüência, maior preocupação com a segurança das obras
construídas com esta tecnologia.

Decorridos pouco mais de 20 anos desde a construção da primeira


barragem de CCR no mundo (Willow Creck – USA – 1984) a situação
atual (final de 2003) é:

• já foram construídas em todo o mundo cerca de 250 barragens em


CCR;

• o Brasil é um maiores construtores de barragens de CCR, com cerca


de 50 obras já concluídas;

• as alturas das barragens de CCR já atingem valores da ordem de


200m;

• a técnica ultrapassou o âmbito das estruturas de gravidade sendo


utilizada também em barragens de arco, como ilustra a foto 47.

44/72
Foto 47 – Barragem em arco (Barragem
de Shapai, na China) construída utilizando
a tecnologia do Concreto Compactado
com Rolo.

Notar, comparativamente com o método tradicional de construção de


barragens em arco, mostrado na foto 35, a expressiva diminuição da área
de formas, mão de obra e equipamentos necessários para a construção
em CCR.

Já há uma vasta experiência consolidada e divulgada em bibliografias,


mostrando detalhes desta tecnologia e que dão suporte à continuidade do
seu desenvolvimento.

A tecnologia do CCR tem se mostrado extremamente competitiva (onde


tecnicamente aplicável) com a tecnologia do próprio concreto
convencional e, principalmente, com as barragens de materiais soltos
(solo e enrocamento compactados), mesmo sobre fundações menos
competentes.

45/72
3.1. Materiais

A mistura do CCR difere da mistura de concreto convencional


principalmente porque tem agregados com uma granulometria tal que,
aliada a um baixo teor de pasta, consegue suportar o peso dos rolos
compactadores e ser adequadamente adensada por eles.

Portanto, a seleção e combinação dos materiais para a produção do CCR


deve ser tal que após compactado e endurecido esse concreto que
atenda os requisitos do projeto de forma similar ao concreto convencional.

Os materiais para o CCR variam desde agregados muito pouco


processados (bica corrida) com baixo teor de aglomerantes (menor de
100kg/m3) até agregados bem selecionados com teores de aglomerantes
de médio a alto (acima dos 200kg/m3).

Na seqüência são apresentados valores médios das propriedades de


materiais normalmente usados na produção de CCR.

3.1.1. Aglomerantes

O CCR pode ser produzido com qualquer tipo de cimento, mas é mais
freqüente o uso de altos teores de adições ativas, como mostrado nas
figuras 6 e 7

Cimento e cinzas volantes com


3,2% baixo conteúdo de cal
10,2%
Cimento e cinzas volantes com
alto conteúdo de cal
2,5%
Cimento com escórias de alto
forno moídas
7,6%
Combinação de adições minerais
sem cimento

Cimento com pozolana natural


4,5%

4,5% Cimento com argila calcinada ou


finos moídos
1,3%
Cimento portland sem adições
minerais

66,2% Desconhecido

Fig. 6 – Aglomerantes usados na produção de CCR para barragens.


Valores médios baseados na construção de 157 barragens.

46/72
Cemento Portland Ordinario
(ASTM Tipo I)
29,3%
23,6% Cimento com calor moderado

Cimento portland pozolânico (cinza


volante)

Cimento portland pozolânico


(pozolana natural)

Cimento portland com escórias de


4,5% alto forno
1,9%
Cimento resistente a sulfatos
1,3%

7,0% Nenhum

3,8%
28,7% Desconhecido

Fig. 7 – Cimentos usados na produção de CCR para barragens.


Valores médios baseados na construção de 157 barragens.

As adições minerais mais utilizadas são:

• escória de alto forno;

• cinzas volantes;

• pozolanas naturais;

• argilas calcinadas.

Devido às características da mistura fresca do CCR e ao efeito benéfico


que estas adições minerais propiciam, o uso de teores de adições ativas
chegam a ser em alguns casos da ordem de até 150% em relação ao
peso do cimento portland comum (sem adições).

3.1.2. Agregados

A maioria das barragens de CCR tem sido construída com agregados que
apresentam as mesmas características granulométricas e propriedades
físicas e mecânicas similares às exigidas pelo concreto convencional.

Como o consumo de aglomerantes das misturas mais pobres de CCR é


muito baixo, chegando às vezes a 70Kg/m3, a quantidade de finos de
britagem ou materiais siltosos (< 0,75µ) permitida nos agregados, pode
exceder com vantagens aos limites tradicionais, pois esse aumento de
finos tem se mostrado benéfico para aumentar o teor de pasta da mistura,

47/72
melhorando sua “trabalhabilidade” e, portanto aumentando sua
compactabilidade com o uso de rolo vibratório.Obviamente o uso de
materiais argilosos não é benéfico e nem permitido.

Evitar a segregação dos agregados graúdos, tanto na produção dos


mesmos quanto no transporte e lançamento do CCR, tem sido uma das
grandes preocupações no desenvolvimento da tecnologia desse material.

A prática vem demonstrando que o uso de agregados com diâmetros


máximos de até 100mm é o que provoca menos segregação. A figura 8
mostra as tendências de limites das dimensões máximas dos agregados,
observadas em 157 barragens cadastradas.

1,6% 6,3%
10,9% 0,8%

125 - 150mm

100 - 124mm
14,1%
80 - 99mm

60 - 79mm

36,7% 45 - 59mm

30 - 44mm

< 29mm

29,7%

Fig. 8 – Tamanhos máximos de agregados usados na produção de


CCR para barragens

As combinações mais freqüentes de faixas granulométricas utilizadas na


produção de CCR, incluindo agregados miúdos e finos são mostradas na
figura 9.

48/72
4,8%
6,5% 18,5%

10,5%

Cinco tamanhos

Quatro tamanhos

Três tamanhos

Dois tamanhos

Um só tamanho

59,7%

Fig. 9 – Quantidades de faixas granulométricas usadas na produção de


CCR.

3.1.3. Aditivos

Os aditivos mais utilizados no CCR tem sido os redutores de água e


principalmente os retardadores de pega.

3.2. Produção do CCR

As centrais de produção devem ter capacidade suficiente para atender os


grandes volumes de colocação de concreto que esta tecnologia
normalmente proporciona ou requer. De maneira geral, pode-se
considerar que as centrais usadas na produção de concretos
convencionais para barragem são também adequadas para produção de
CCR. A prática tem mostrado também que o uso de caminhões betoneira
para produção de CCR com diâmetro máximo de agregados superior a
38mm não tem se mostrado apropriado e em geral provoca segregações.

O uso de misturadores contínuos tipo pug-mill, desenvolvidos


originalmente para a produção de solo cimento e adaptados para a
produção de CCR tem se mostrado bastante apropriado e vem sendo
utilizada cada vez com maior freqüência.

A figura 10 mostra frequência de tipos de centrais usadas em 107


barragens.

49/72
5,0%
35,6%

Amasadoras discontinuas de
25,7% doble eje
Amasadoras de tambor
basculante
Amasadoras de tambor partido

Amasadoras continuas

Outras

6,9%

26,7%

Fig. 10 – Tipos de misturadoras usadas na produção de CCR.

No Brasil, em particular, embora não haja dados estatísticos precisos


relativos ao tipo de centrais de produção que vem sendo utilizadas com
maior freqüência, pode-se assegurar que as centrais contínuas, tipo “Pug-
Mill são, com certeza, usadas em mais de 70% das obras por se
mostrarem eficientes e econômicas. Na foto 48 é mostrada uma central
deste tipo em operação.

Foto 48– Central contínua, tipo “Pug-Mill”, adaptada para produção de


CCR.

50/72
3.3. Transporte e colocação

Os equipamentos de transporte e colocação do concreto no bloco, e que


são utilizados com maior freqüência na construção de barragens de CCR,
são mostrados na figura 11.

Camiones hasta el lugar de


6,3%
colocación
3,2%
4,0%
Cinta transportadora hasta la presa Y
camiones sobre la presa
4,8%
Plano inclinado com vias hasta la
6,3% presa y camiones sobre la presa

Sistema integral de cintas


transportadoras

Blondin hasta uma tolva em la presa


y camiones sobre la presa

Cintas transportadoras hasta la presa


20,6% y cargadoras frontales sobre la presa

Otros
54,8%

Fig. 11 – Métodos de transporte desde a central de produção do CCR


até seu local de colocação.

As fotos 49 a 51 ilustram três dos principais métodos de transporte e que


são:

• caminhões basculantes desde da central de produção até o ponto de


colocação (54,8%);

• correia transportadora até a barragem e caminhões dentro da


barragem;

• correia transportadora desde a central de produção até o ponto de


colocação.

51/72
Foto 49 – Uso de caminhões desde a central ao ponto final dentro
do bloco.

Foto 50 – Uso de um sistema misto


correia-caminhão. Neste caso, a correia
transporta o concreto da central de
produção até um ponto fixo dentro no
bloco onde abastece caminhões que
fazem a parte final do transporte até a
frente de lançamento.

52/72
Foto 51 – Uso de correia da central ao ponto final dentro do bloco.

3.4. Espalhamento e Compactação

O espalhamento do CCR tem sido feito em camadas com alturas médias


da ordem de 30cm, em geral com tratores de esteira tipos D4 e D6 da
Caterpillar ou similar, como ilustra a foto 52.

Foto 52 – Espalhamento com trator de lâmina.

53/72
A compactação tem sido feita com rolos compactadores vibratórios lisos
tipos CA-15 ou CA-25 da Dynapac, ou equipamentos similares, como
ilustram as fotos 53 a 53.

Foto 53 – Rolo compactador de um único tambor.

Foto 54 – Rolo de duplo tambor, mais produtivo que o de tambor simples.

54/72
Foto 55 – Equipamento de pequeno porte para locais confinados

55/72
4. Etapas Base de Estudos e Implantação de uma Barragem
A exploração de um determinado potencial hídrico, seja qual for a
finalidade a que se destina o empreendimento, passa necessariamente
por regulamentações de ordens técnicas, institucionais, ambientais e
comerciais, através das seguintes etapas de trabalho:

• Inventário;

• Viabilidade;

• Projeto básico;

• Projeto executivo;

• Construção;

• Operação.

Estas atividades estão apresentadas de forma didática nos fluxogramas


das figuras 12 e 13.

Confirmada a viabilidade técnica, econômica e ambiental de um


empreendimento, passa-se à busca de dados de campo mais
consistentes, englobando:

• Levantamento topográfico;

• Estudos geológicos e geotécnicos;

• Estudos hidrológicos e ambientais;

• Logística.

Serão estes dados que alimentarão as áreas de projeto envolvidas no


empreendimento para implementação dos estudos básicos, definição do
tipo e arranjo das estruturas, bem como das alternativas de materiais de
construção passíveis de ser utilizado.

Estes estudos fornecerão os subsídios técnicos e econômicos que


definirão o projeto das obras civis.

O projeto básico é normalmente o documento que serve como referência


para a concorrência para construção e detalhamento do projeto executivo.
Portanto, qualquer ação (técnica e/ou comercial) que se pretenda fazer
em favor de uma determinada solução (no caso CCR) em lugar de outra

56/72
(barragens de enrocamento e/ou terra) deve ser feita nesta fase, atuando
junto ao empreendedor e/ou ao projetista.

Definido o resultado da licitação de construção, dificilmente uma alteração


torna-se viável, tanto pelos aspectos técnicos quanto financeiros
envolvidos e prazos disponíveis para estudos de alternativas.

Figura 12– Fluxograma de atividades básicas para estudos e


projetos de uma barragem.

57/72
Figura 13 – Fluxograma de implantação de uma Hidroelétrica.

58/72
5. Análise de Custos
A análise comparativa de custos de implantação de uma barragem de
CCR em substituição a uma barragem de terra ou de enrocamento não é
um exercício direto de comparação do m3 do CCR com o m3 do maciço de
terra ou rocha.

• O custo do m3 do CCR é, pelo custo de seus materiais componentes,


equipamentos de produção necessários e o próprio custo do
lançamento, superior ao do m3 do enrocamento ou de solo.

• Por outro lado, o volume do maciço de gravidade de CCR é, por sua


massa específica, significativamente inferior ao dos maciços de terra e
rocha, (cerca de 3 vezes) .

• Os barramentos de terra e rocha precisam sempre da construção de


uma estrutura de concreto correspondente a um vertedouro. Em geral,
esta estrutura pode ser incorporada à própria barragem de CCR.

• Devido ao fato das chuvas interferirem menos no lançamento do


concreto, o tempo de construção em CCR é, em geral, menor que para
barragens de terra. Isto é, tanto mais significativo quanto maior for a
incidência de chuvas na região da obra.

• Como se pode admitir “over topping” da barragem de CCR durante a


construção, e para as outras não, as ensecadeiras para construção em
CCR podem ter menor altura e, portanto, custar menos.

59/72
Anexo

Roller Compacted Concrete Dams – 2003

60/72
61/72
62/72
63/72
64/72
65/72
66/72
67/72
68/72
69/72
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