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Concreto Protendido

1- Introdução

Prof.a Natália Alves de Andrade de Souza


Introdução
✓ O concreto resiste bem à compressão, mas não tão bem à tração.
✓ Devido à baixa capacidade de resistir à tração, fissuras de flexão aparecem para níveis de carregamentos baixos.
✓ Surgiu a ideia de se aplicar um conjunto de esforços autoequilibrados na estrutura, surgindo aí o termo protensão.

a) Viga de concreto simples


b) Viga de concreto armado
O que se entende por protensão?
A palavra protensão, pré-tensão, prestressing (no Inglês), précontrainte (no Francês), e similares em
outras línguas, já transmite a ideia de se instalar um estado prévio de tensões em algo, que na nossa área
de interesse seriam materiais de construção ou estruturas.

Exemplo 1
Exemplo 2 – Roda de carroça Exemplo 3

Exemplo 3 – Barril de madeira


Exemplo 4

Conjunto de blocos pré-moldados de concreto : a força horizontal é introduzida através do estiramento de uma
barra de aço que atravessa os blocos e que é fixada nas extremidades, criando uma pré-compressão no conjunto

União de Aduelas Pré - Moldadas de Concreto Armado: lembrando-se do exemplo da fila horizontal de livros, a
protensão pode ser aplicada como meio de solidarização de partes menores de concreto armado para compor
componentes e sistemas estruturais. Como por exemplo, em construção de grandes estruturas, como a de
pontes de grandes vãos executadas por balanços sucessivos.
A protensão aplicada ao concreto
O artifício da protensão aplicado ao concreto consiste
em introduzir esforços que anulem ou limitem as tensões
de tração e, consequentemente, reduzam ou eliminem o
problema da fissuração como fator determinante no
dimensionamento do elemento estrutural.
Na prática, a protensão do concreto é realizada através
de cabos de aço de alta resistência que são tracionados e
ancorados no próprio concreto. Assim, com armaduras
em forma de cabos tracionados e ancorados,
trabalhando com tensões elevadas, e a faixa de trabalho
do concreto deslocada para o âmbito das compressões,
pode-se compatibilizar o trabalho simultâneo de um
material com elevada resistência à compressão
(concreto) com outro de elevada resistência à tração
(aço).
A protensão aplicada ao concreto
CONCRETO PROTENDIDO (CP)

NBR 6118/2014:
Elementos de concreto protendido:
“Aqueles nos quais parte das armaduras é previamente
alongada por equipamentos especiais de protensão, com a
finalidade de, em condições de serviço, impedir ou limitar a
fissuração e os deslocamentos da estrutura, bem como
propiciar o melhor aproveitamento de aços de alta resistência
no estado-limite último (ELU).”
ELU – Estado Limite Último

“Estado - limite relacionado ao colapso, ou a qualquer


outra forma de ruína estrutural, que determine a
paralisação do uso da estrutura.”
Comportamento de
uma Viga protendida
com pesos diferentes,
realizado pelos alunos
da UNIJORGE.
Exemplos de aplicações

Laje alveolar
Lajes alveolares são painéis pré-moldados de concreto, em geral, protendido, que possuem seção transversal com altura
constante e alvéolos em seu comprimento, responsáveis pela redução do peso da peça. O sistema de lajes alveolares tem
inúmeras vantagens como por exemplo, a dispensa de serviços de carpintaria, facilidade de estocagem, transporte e
montagem, dispensa de escoramento, redução de serviços na obra, etc.
Estaca pré-moldada
Pontes
Podem-se destacar quatro
Pontes
vantagens da aplicação do concreto
protendido em pontes: baixo custo
inicial, baixo custo com manutenção,
alta durabilidade e estética agradável.

O concreto protendido tem sido


empregado com sucesso em pontes
submetidas às mais variadas condições
ambientais: dos trópicos às regiões
geladas, dos desertos às florestas
tropicais, dos centros urbanos
densamente ocupados às regiões
praticamente despovoadas.
A protensão pode ser utilizadas em vigas e em pilares de ponte, moldados no local, pré-moldados ou
construídos com sistema misto. Um dos sistemas mistos utilizados consiste na aplicação da protensão
para unir elementos pré-moldados.

Construção de um viaduto com vigas I pré-moldadas


Ponte Vitória/Vila Velha/ES
Lajes nervuradas

A Laje nervurada é uma laje constituída de nervuras ou barras, interligadas por uma capa ou mesa de
compressão. Em relação à laje maciça, a laje nervurada é mais econômica por eliminar o concreto
desnecessário na região tracionada. Por ter mais altura que a maciça de mesma inércia, a laje nervurada reduz
também a ferragem.
Lajes maciças
Reforço em viga
Pisos
Dormente ferroviário

As principais vantagens dos dormentes de


concreto em comparação com os dormentes de
madeira são a durabilidade (têm vida útil de 50
anos), a rigidez lateral e vertical, a maior
facilidade de substituição do trilho e a maior
estabilidade do trem. Em comparação com os
dormentes de concreto armado, os protendidos
resistem melhor à fissuração.
-
Viga pré-fabricada duplo T

Viga I pré-fabricada
Lajes pré-moldadas protendidas
Reservatórios e Silos
Reservatórios e Silos

Os reservatórios de água são uma das aplicações mais


antigas do concreto protendido. São normalmente cilíndricos ou
em forma de funil , sendo que a protensão é geralmente aplicada
na horizontal com cabos circulares, produzindo um cintamento
da estrutura. Hoje em dia, são construídos além dos
reservatórios protendidos para armazenagem de óleo, gás e
outros produtos químicos, os silos protendidos para estocagem
de material granular ou em pó.
Silos

Obras Marítimas
Ambiente Agressivo –
Concreto pouco poroso
REABILITAÇÃO DE ESTRUTURAS

Em termos de concepção, a protensão talvez seja a maneira mais simples de se proceder à reabilitação (recuperação
ou reforço) de estruturas de concreto. Por facilidade de execução, a reabilitação estrutural normalmente é feita com
protensão externa.
Algumas obras
Palácio Tiradentes do Governo em Minas
Gerais
Um marco histórico para a Construção Civil Brasileira, o
Palácio projetado por Niemeyer apresenta o maior vão livre
flutuante do mundo em concreto protendido.
Sob o ponto de vista estrutural, é o edifício mais
complexo da Cidade Administrativa .
Executado em concreto protendido e aço, o grande bloco
estrutural de cinco pavimentos, com 147,50 m de
comprimento e 17,20 m de largura, aparece suspenso por
tirantes metálicos protendidos, presos à cobertura dos dois
grandes pórticos dispostos paralelamente e que constituem
os quatro únicos pontos de apoio da estrutura.
A execução dos pórticos foi a parte mais trabalhosa da obra,
explica o engenheiro João Eduardo Dutra, porque depois de
erguidos os quatro pilares metálicos, teve início a
concretagem, em cinco planos diferentes, uma vez que a
forma dos pilares muda à medida que vai subindo. Começa
com 1 m de largura no térreo, depois vai se abrindo,
chegando à viga de cobertura com 4 m.
As palavras do Oscar Niemeyer
“Decidi que esse prédio precisava mostrar para o Brasil que, em Minas Gerais, houve uma civilização que foi capaz de levar a tecnologia do
concreto da construção ao limite supremo da audácia, inigualável por nenhum povo do mundo”.

“Esse prédio tem de traduzir a majestade do Estado de Minas Gerais, não menos do que isso”.
MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO

O MASP, na avenida paulista,


possui um dos maiores vãos de
estrutura sustentada por
concreto protendido do mundo:
74 metros, de pilar a pilar.
Para cumprir a proposta, vigas transversais foram protendidas, com
55 cm de altura, e vencem vãos de até 14 m. Já o vão longitudinal
tem 20,5 m, o que exigiu vigas protendidas duplas, de 65 cm de
altura. Elas se apoiam em pilares periféricos que alcançam toda a
altura do edifício. Apenas no térreo essas colunas convergem,
Edifício Padre Antônio, em SP unindo-se na base para formar um “V”
Batizada de Ponte Presidente Costa e Silva, sua
construção foi uma obra inédita no País na década de
1970 e ainda hoje é a maior ponte em concreto
protendido do hemisfério sul e uma das maiores do
Ponte Rio-Niterói mundo.
Teatro de Arena do parque Vila Lobos, com um
balanço de 24m
Histórico
O desenvolvimento do concreto armado e protendido iniciou-se a partir da criação do cimento
Portland, em 1824, na Inglaterra. A partir daí, franceses e alemães também começaram a fabricar
cimento e a desenvolver sua tecnologia.
Em meados do século 19 já se conhecia no mundo todo a possibilidade de reforçar peças de concreto
com armaduras de aço :
- 1855 : fundada a primeira fábrica de cimento Portland na Alemanha
- 1855 : o francês Lambot patentea técnica para fabricação de embarcações de concreto armado
- 1867 : o francês Monier inicia a fabricação de vasos, tubos, lajes e pontes em concreto utilizando
armaduras de aço
- 1877 : o americano Hyatt reconhece o efeito da aderência entre o concreto e a armadura através de
vários ensaios, passando-se a utilizar a armadura apenas do lado tracionado das peças
- 1886 : o americano P. J. Jackson faz a primeira proposição de pré-tensionar o concreto
No final do século 19, várias patentes de métodos de protensão e ensaios foram requeridas, porém sem êxito. A protensão
se perdia devido a retração e fluência do concreto desconhecidas na época.

- 1919 : o alemão K. Wettstein fabricou painéis de concreto protendidos com cordas de aço para piano
- 1923 : o americano R. H. Dill reconheceu a necessidade de utilizar fios de aço de alta resistência sob elevadas tensões para
superar as perdas de protensão
- 1924 : o francês Eugene Freyssinet utilizou protensão para reduzir o alongamento de tirantes em galpões com grandes vãos
- 1928 : Freyssinet apresentou o primeiro trabalho consistente sobre
concreto protendido. Freyssinet foi uma das figuras de maior destaque
no desenvolvimento da tecnologia do concreto protendido. Inventou e
patenteou métodos construtivos, equipamentos, aços especiais e
concretos especiais. A partir daí a pesquisa e o desenvolvimento do
concreto protendido e armado tiveram rápida e crescente evolução.
-1948 : executada no Brasil, a primeira obra em concreto protendido, a
Ponte do Galeão, no Rio de Janeiro, com 380 m de comprimento, na
época a mais extensa no mundo. Utilizou o sistema Freyssinet e tudo
foi importado da França, inclusive o projeto.
1950 : surgem as primeiras cordoalhas de fios
1952 : a Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira iniciou a fabricação do
aço de protensão no Brasil. A segunda obra em concreto protendido
no Brasil foi a ponte de Juazeiro, já executada com aço brasileiro.
1956 : surgiram as bainhas produzidas com fitas plásticas enroladas helicoidalmente sobre os fios pintados com
betume
1958 : surgem no Brasil as bainhas metálicas flexíveis, com injeção de argamassa de cimento posterior a protensão
dos cabos, promovendo a aderência. Este sistema permitiu a execução de estruturas protendidas de grandes vãos.
NORMATIZAÇÃO NO BRASIL
No Brasil, a Norma Brasileira ABNT NBR 6118:2003 – Projeto de
Estruturas de Concreto - Procedimento, que vigora desde 31/03/2003, cancelou e substituiu a
antiga norma de concreto protendido (NBR 7197:1989) e passou a tratar de concreto armado e
protendido. A primeira norma brasileira de concreto protendido foi a NB-116.

Esta última revisão de norma demonstra uma maior preocupação com a durabilidade
das estruturas, evidenciada pela necessidade de classificação das estruturas a serem projetadas
dentro das Classes de Agressividade Ambiental. Esta classificação passa a determinar, para
estruturas em concreto armado e protendido, os principais parâmetros de projeto, tais como a
qualidade do concreto, cobrimento das armaduras, limitações de aberturas de fissuras entre
outras. As tabelas que determinam estes parâmetros são as seguintes :
NORMATIZAÇÃO NO BRASIL
Referências Bibliográficas
NBR 6118 - Projeto de estruturas de concreto

NBR 7197 - Projeto de estruturas de concreto protendido

BASTOS, Paulo Sergio S. Concreto Protendido. UNESP- Bauru-,2015

HANAL, João Bento. Fundamentos do Concreto Protendido. Universidade de São Paulo. São Carlos, 2005
RODRIGUES, Glauco J. de O. Concreto Protendido. 2008

EFFTING, Carmeane. PROPRIEDADES DO CONCRETO FRESCO E ENDURECIDO. UDESC/Joinvelle.


Disponivel em : www.joinville.udesc.br/portal/professores/carmeane/.../AULA_2_e_3__2014.pdf

PINHEIRO, Libânio M e outros. ESTRUTURAS DE CONCRETO – CAP. 2 - Março de 2004


Disponível em: www.ufsm.br/decc/ECC1006/Downloads/Apost_EESC_USP_Libanio.pdf

RIBEIRO JUNIOR, Enio. Propriedades dos materiais constituintes do concreto – Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - Edição nº 10 Vol. 01/
2015 dezembro/2015