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Universidade Federal do Pará - UFPA

Campus Universitário de Tucuruí – CAMTUC


Faculdade de Engenharia Elétrica– FEE

Tópicos Especiais em Sistemas de Energia – Comandos Elétricos

Prof. Bernard Carvalho Bernardes


(94) 9 8169-7558
bernardcbernardes@gmail.com
bernardbernardes@outlook.com

Tucuruí – PA, 2018


Conteúdo da Disciplina
➢ Motores Elétricos;

➢ Dispositivos de Proteção;

➢ Seccionadoras, Chaves de Partidas Manual, Reles, Dispositivos de Comando e


Sinalização;

➢ Algumas Partidas de Motores;

➢ CLP, Linguagem LADDER e outros tipos de sensores.

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Disciplina
➢ Comandos Elétricos, 60 Horas;

➢ 3 Avaliações = Duas Individuais e Uma em grupo;

➢ Uso de Softwares:
▪ CADe SIMU V3;
▪ PC SIMU V2;
▪ MKSim V3.2.6 juntamente com o WinPLC7;
▪ PLC LogixPro V1.6;

➢ A participação do Aluno é bem-vinda e incentivada


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Motores Elétricos

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➢ Uma grande parte das aplicações em eu um comando elétrico está envolvido
destina-se ao acionamento de motores elétricos;

➢ Por esse motivo, tão importante quanto a capacidade de raciocínio, em termos


de lógica de reles, é o conhecimento da gama de motores existentes e suas
principais características;

➢ Para que um motor elétrico é conectado à rede elétrica através de um sistema


de acionamento;

➢ O sistema de acionamento pode ser um comando elétrico (força e controle),


uma chave de partida manual, uma chave de partida eletrônica, inversor de
frequência ou uma combinação de sistemas.
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➢ A grande gama de motores presentes no mercado são divididas em dois
grupos, sendo CA (corrente Alternada) e CC (corrente contínua) e com divisões
em subgrupos.

➢ Cada motor tem características que o favorecem para determinado tipo de


aplicação;

➢ Por exemplo, não seria vantajoso utilizar um motor trifásico como propulsor da
bomba d’água de uma máquina de lavar. Por outro lado, um motor de campo
distorcido utilizado como bomba d'água de uma máquina de lavar jamais
poderia substituir um motor de indução trifásico devido ao seu baixíssimo
torque.
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➢ A partir de uma necessidade especial, ocorrem modificações em projetos de
motores e surge um novo motor, com o qual pode surgir um novo tipo de
acionamento;

➢ Por exemplo, o motor trifásico síncrono de ímã permanente, conhecido como


servomotor, empregado como propulsor de dosadores em indústrias
alimentícias, necessita de um sistema eletrônico de acionamento;

➢ Os motores de passo necessitam de circuitos lógicos para acionamento, etc;

➢ Na maior parte das aplicações na indústria, comércio e residências, são


utilizados motores CA, monofásicos e trifásicos, e em especial na indústria são
largamente empregados os motores de indução trifásicos (MIT).
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▪ Motor Monofásico com Capacitor de Partida

➢ Pode ser encontrado em bombas d’água, máquinas de pequenas oficina,


pequenos compressores, entre outras aplicações;

➢ A principal característica desse motor é o capacitor de partida preso ao


estator;

➢ São dois grupos de enrolamentos presentes no motor, sendo o enrolamento


principal e o enrolamento auxiliar de partida;

➢ O motor também possui um interruptor centrífugo e um capacitor, ambos


conectados em série com o enrolamento auxiliar;

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▪ Motor Monofásico com Capacitor de Partida

➢ Na partida, o interruptor centrífugo fechado permite a passagem de corrente


para o enrolamento auxiliar através do capacitor, o que produz um bom torque
inicial;

➢ Ao atingir certa velocidade, o interruptor centrífugo abre, desligando o


enrolamento auxiliar;

➢ O enrolamento principal se encarrega de manter o campo girante que manterá


o rotor em rotação.

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▪ Motor Monofásico com Capacitor de Partida

➢ Há motores monofásicos que já vêm ligados internamente, tendo apenas duas


ou quatro pontas externas;

➢ Quando isso acontece, normalmente não há possibilidade de mais de uma


tensão de alimentação ou reversão. Devem ser observadas as ligações
recomendadas na placa ou no manual do motor;

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▪ Motor Monofásico com Capacitor de Partida

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▪ Motor de Indução Trifásico Assíncrono

➢ É o pilar da indústria moderna;

➢ 50% de toda a energia consumida no mundo é através de motores de indução;

➢ Para produzir campo girante no estator, realizamos o fechamento do motor


segundo orientação do fabricante e para atender nossa necessidade de tensão;

➢ Motores de 6 e 9 terminais podem ser fechados para duas tensões diferentes,


motores de 12 terminais podem ser fechados para quatro tensões diferentes

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▪ Motor de Indução Trifásico Assíncrono

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▪ Motor de Indução Trifásico Assíncrono

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▪ Motor de Duas Velocidades

➢ Quando uma aplicação necessita de um motor com duas possibilidades de


velocidade, podemos citar duas opções em termos de motor, sendo motor de
duplo enrolamento e motor Dahlander;

➢ O motor de duplo enrolamento, possui dois enrolamentos distintos dentro do


mesmo motor;

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▪ Dados de Placa

➢ A leitura e interpretação dos dados de placa são essenciais para o trabalho


com motores elétricos;

➢ Na placa estão registradas suas características de trabalho e com as quais o


profissional deve se orientar em eventuais testes do equipamento.

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▪ Dados de Placa

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▪ Dados de Placa

➢ Informações:
• Motor 3 fases carcaça 90L e modelo FB90702

• Tipo: Motor de indução, frequência 60 Hz e categoria N

• Potência: 2,2 kW 3cv

• RPM: 1730

• FS: 1,15

• ISOL: B

• Ip/In: relação entre a corrente de partida e a nominal 6,7

• IP55: grau de proteção 55


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▪ Dados de Placa

➢ Informações:
• Tensões de trabalho: 220/380/440 V

• Correntes nominais: 8,4/4,86/4,2 A

• Diagrama – ligações

• Rolamentos utilizados: 6205ZZ, 6204ZZ

• Rendimento e fator de potência: 85,5%, Cos 0,81

• Certificações: INMETRO, Europeia CE

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▪ Dados de Placa

➢ O FS (fator de serviço) determina o quanto o motor pode trabalhar acima de In


em situações especiais (NBR 7490);

➢ Ip/In é a relação entre corrente de partida e nominal;

➢ IP 55 é o grau de proteção do motor em que o primeiro número define o grau


de proteção contra sólidos e o segundo número o grau de proteção contra
líquidos;

➢ O rendimento diz que o motor converte em potência mecânica 85,5% da


potência ativa absorvida da rede.

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▪ Tabela de motores

➢ Dados de motores podem ser obtidos através das tabelas fornecidas pelos
fabricantes;

➢ A partir da potência em cv ou kW pode-se obter características elétricas e


mecânicas do motor como conjugado, I nominal, rendimento e Cos φ para
alguns fatores de carga, entre outros;

➢ Para utilizar a tabela, basta escolhe o motor, por exemplo, 2cv – 1,5 kW, e verificar os
dados na linha. Para o exemplo, temo RPM = 3385, In = 5,51, rendimento e fator de
potência a 100% da potência disponível, respectivamente, 83,7% e 0,85.

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▪ Tabela de motores

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▪ Cálculo da Corrente Nominal de Motores

➢ Podemos calcular a corrente nominal dos motores monofásicos e trifásicos


pelas equações:

cv × 736 cv × 736
In ∅ = In 3∅ =
V × cos φ × ɳ 3 × V × cos φ × ɳ

➢ Se não há como obter dados da tabela como o fator de potência cos φ e o


rendimento ɳ, basta adotar esses dois valores 0,6 e 0,9 proporcionalmente à
potência do motor.

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Dispositivos de Proteção

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➢ Todo sistema elétrico deve ter uma proteção adequada que suporte a corrente
de operação do sistema, mas que em uma eventual falha proteja-o de efeitos
destrutivos, como derretimento de isolação de cabos, fusão dos próprios cabos
e barramentos, incêndios etc.

➢ Além disso, podemos acrescentar a proteção contra descargas elétricas


acidentais e efeitos indesejados das descargas atmosféricas que atingem o
sistema elétrico de distribuição de energia e a proteção direta de motores
elétricos.

➢ Os elementos do sistema responsáveis por essa tarefa são os dispositivos de


proteção.
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➢ Dentre os dispositivos de proteção conhecidos podemos citar disjuntores,
disjuntores motores, fusíveis de ação rápida, fusíveis de ação retardada,
disjuntores diferenciais residuais, dispositivos de proteção contra surtos, relés
de proteção etc.

➢ Para se aprofundar no assunto, é preciso realizar um amplo estudo dos


dispositivos oferecidos no mercado e das normas a eles relacionadas, como
NBR NM 60898, IEC 60269-2-1 (NBR 11841), NBR IEC 60947-2, e consultar o
fabricante do dispositivo escolhido.

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▪ Fusíveis Utilizados em Comandos Elétricos

➢ Para cargas indutivas como motores elétricos, que estão dentro da categoria
AC3, os fusíveis ou disjuntores devem suportar as altas correntes de partida
sem, no entanto, perder a função de proteção contra curto-circuito.

➢ Esses dispositivos devem ter uma curva de disparo especial em que a corrente
de partida do motor não provoque a ruptura durante o tempo que ela durar,
sendo por isso conhecidos como fusíveis com retardo.

➢ Os fusíveis com retardo podem se classificados como dos tipos D e NH.

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▪ Fusíveis Utilizados em Comandos Elétricos

➢ Os fusíveis com retardo podem se classificados como dos tipos D e NH.

Tipos D - “Diazed”

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Tipos NH
▪ Fusíveis Utilizados em Comandos Elétricos

➢ Os fusíveis D, popularizados como “Diazed”, são divididos em dois tamanhos, a


DII e a DIII. Para cada divisão existem correntes nominais de fusíveis e
tamanhos diferentes da dimensão “A” para cada corrente nominal de fusível,
além de sinalizador com cor correspondente à corrente nominal.

➢ Essa dimensão “A” deve coincidir com as dimensões do parafuso de ajuste, que
é uma peça com a mesma cor do sinalizador do fusível, instalado no fundo da
base, que impede a instalação de fusíveis de intensidade superior à
estabelecida.

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▪ Fusíveis Utilizados em Comandos Elétricos

Representação dos Fusíveis


em Comandos Elétricos

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▪ Fusíveis Utilizados em Comandos Elétricos

➢ Os fusíveis do tipo D possuem uma capacidade de ruptura menor, 50 a 70kA,


em comparação com a capacidade de ruptura dos fusíveis do tipo NH, 120kA.

➢ Um aspecto importante é quanto à instalação segura de bases para fusíveis do


tipo D, pois a conexão com parafuso ligada à rosca não deve receber
alimentação, sendo conectada ao circuito. A alimentação (energia) é feita
através do parafuso conectado ao fundo, no parafuso de ajuste.

➢ Os fusíveis NH, (Niederspannungs Hochleistungs - baixa tensão, alta


capacidade de ruptura), são montados sob bases do tipo faca, encaixados e
retirados das bases com ferramenta especial, o saca-fusível NH.
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▪ Fusíveis Utilizados em Comandos Elétricos

Base Fusível tipo NH

Base e rosca Fusível tipo D


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▪ Fusíveis Utilizados em Comandos Elétricos
Tabela Fusíveis Tipo NH

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▪ Faixa de Interrupção e Categoria dos Fusíveis

➢ Nos fusíveis encontramos duas letras que têm relação com a faixa de
interrupção e com a categoria de utilização do fusível.

➢ A primeira letra determina a faixa de interrupção ou tipo de sobrecorrente que


vai trabalhá-lo:
✓ g – sobrecarga e curto-circuito;
✓ a – apenas curto-cirtuito;

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▪ Faixa de Interrupção e Categoria dos Fusíveis

➢ A segunda letra determina o tipo de equipamento que o fusível vai proteger:


✓ L/G – cabos, uso geral;
✓ M – Motores;
✓ R – Circuitos com semicodutores

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▪ Faixa de Interrupção e Categoria dos Fusíveis

➢ É comum encontrarmos em painéis os fusíveis gL/ gG (sobrecarga e curto,


cabos e uso geral).

➢ Para proteções específicas podemos encontrar, por exemplo, fusíveis


ultrarrápidos para proteção de determinados equipamentos eletrônicos
(semicondutores) com as letras aR.

➢ É importante conhecer o tipo de carga e a proteção desejada do fusível para a


correta seleção entre os diversos tipos de fusíveis (rápidos, ultrarrápidos, com
retardo etc.).

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▪ Curvas dos Dispositivos de Proteção do Tipo Fusível

➢ Pela curva do fusível é possível selecionar a capacidade de corrente do fusível


mais adequada à aplicação;

➢ A curva leva em consideração o tempo de partida e a corrente suportada


durante esse período;

➢ Um fusível dimensionado para sistemas de partida de motores elétricos deve


suportar o pico de corrente na partida do motor e depois de passado esse
transiente, deve proteger os elementos do circuito contra eventuais efeitos
danosos de um curto-circuito;

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▪ Curvas dos Dispositivos de Proteção do Tipo Fusível

39
▪ Curvas dos Dispositivos de Proteção do Tipo Fusível

➢ A curva representada pela Figura do slide anterior pode ser utilizada para
seleção de fusíveis do tipo D;

➢ Primeiramente necessitamos da corrente nominal e do fator Ip/In do motor da


aplicação. Por exemplo, um motor trifásico de quatro polos, 7,5cv 220V, possui
uma corrente nominal aproximada igual a 20A e uma relação Ip/ In = 7,0.

➢ Desta maneira sabemos que teremos uma corrente de partida de 7x20A para
uma partida direta.

40
▪ Curvas dos Dispositivos de Proteção do Tipo Fusível

➢ Dependendo do tipo de acionamento/carga, essa corrente de partida pode


durar alguns segundos.

➢ Supondo como exemplo que ela dure 5s até que o motor atinja velocidade
próxima à nominal, apliquemos esses dados à curva para determinar o fusível
mais adequado à aplicação.

➢ No exemplo, a curva imediatamente superior ao ponto de intersecção


pertence ao fusível de 50A, o mais indicado, portanto, para a aplicação.

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▪ Curvas dos Dispositivos de Proteção do Tipo Fusível

➢ Tempos de partida menores possibilitarão fusíveis menores. A determinação


do tempo de partida pode ser feita por cálculos de projetistas e engenheiros
ou por observação prática;

➢ 50A pode parecer um fusível muito alto frente ao motor com corrente nominal
de 20A, mas o fusível não é o elemento de proteção direta do motor.

➢ Sobrecargas no motor não serão eficientemente monitoradas pelos fusíveis.

➢ Correntes de curtos-circuitos e de eventuais partidas com rotor travado serão


interrompidas pelos fusíveis, já que normalmente produzem correntes muito
mais altas que a de partida, mas isso não garante a integridade do motor. 42
▪ Curvas dos Dispositivos de Proteção do Tipo Fusível

➢ No caso de picos anormais na partida, não se pode garantir a queima conjunta dos
três fusíveis de proteção de um sistema de partida para motor trifásico.

➢ O motor pode continuar ligado à rede com duas fases e sofrer queima por falta de
fase, por isso a importância dos outros elementos de proteção no sistema.

➢ O fusível, tipo D ou NH, selecionado através das curvas, deve respeitar as seguintes
regras: IF ≥ 1,2 x In e IF ≤ IFmáx.

➢ Em outras palavras, a corrente do fusível deve ser pelo menos 20% maior que a I
nominal, porém não deve ultrapassar o valor máximo especificado pelo fabricante
para proteção dos componentes do circuito. Esse valor máximo é encontrado no
catálogo dos componentes utilizados, por exemplo, no catálogo de contatores e relés
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bimetálicos.
▪ Disjuntores Termomagnéticos

➢ Disjuntores termomagnéticos são uma alternativa direta e eficaz à utilização de


fusíveis;

➢ Existem categorias diferentes de disjuntores com diferentes curvas para essas


categorias. Como motores são cargas indutivas, precisamos também, ao
especificar o disjuntor, consultar a curva de disparo do dispositivo fornecida
pelo fabricante.

➢ Como exemplo, vamos especificar o disjuntor para um motor de 10cv 220V,


quatro polos, com In = 26,6A, Ip/In = 8.

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▪ Disjuntores Termomagnéticos

➢ Desta vez temos um procedimento diferente para utilizar a curva.

➢ É necessário saber quantas vezes a corrente de partida do motor é superior à


corrente nominal do disjuntor e aplicar esse resultado no eixo x da curva.

➢ O motor escolhido tem uma In de 26,6A e Ip = 212,8A.

➢ Vamos supor que escolhemos um disjuntor de 32A, dividindo Ip por 32A temos
6,65.

➢ Traçamos uma perpendicular próxima a 6x In e para 5s de tempo de partida


estamos dentro no limite da curva superior (atuação) do disjuntor, porém
6,65x pode provocar a atuação, pois passa-se do limite da curva. 45
▪ Disjuntores Termomagnéticos

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▪ Disjuntores Termomagnéticos

➢ Tempos de partida mais longos ou correntes de partida um pouco superiores


ao esperado também podem provocar o disparo do disjuntor, resultando em
paradas desnecessárias.

➢ Se o ponto de intersecção estivesse acima da curva, teríamos de escolher um


disjuntor maior.

➢ Escolhendo um disjuntor de 50A, temos 4,25 de multiplicador; aplicado à curva


podemos ter um tempo de partida de 10s e ainda continuamos abaixo da
curva. Essa decisão é extremamente técnica e deve ser feita com cuidado,
levando em consideração os valores máximos dos elementos de proteção para
contatores e demais componentes. 47
▪ Disjuntores Termomagnéticos

Representação dos Disjuntores


em Comandos Elétricos 48
▪ Disjuntores Termomagnéticos

➢ Concluindo, o disjuntor, assim como os fusíveis D ou NH, deve suportar a


corrente de partida e após a partida continuar protegendo os elementos do
sistema de eventuais curtos circuitos e sobrecargas muito elevadas.

➢ Contudo, esses dispositivos não são indicados para proteção do motor contra
sobrecargas comuns.

➢ Para monitorar sobrecargas no motor ou falhas internas que provoquem


elevações de corrente e aquecimento, os dispositivos mais indicados são relé
bimetálico de sobrecarga (relé térmico) e os sensores térmicos inseridos nos
enrolamentos dos motores (estes últimos são os mais eficientes para proteção
do motor). 49
▪ Relé Térmico de Sobrecarga

➢ Os relés bimetálicos de sobrecarga são dispositivos de proteção cujos sensores


térmicos (lâminas bimetálicas) são ligados em série com o circuito de força do
motor a ser protegido.

➢ Toda corrente absorvida pelo motor passa pelas lâminas e provoca


aquecimento, o qual flexiona as lâminas que tendem a disparar um mecanismo
pré-ajustado.

➢ O ajuste desse mecanismo é muito importante, pois vai determinar quando o


relé deve disparar.

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▪ Relé Térmico de Sobrecarga

➢ Tomando como exemplo o motor de 10cv 26,6A, o relé recomendado para esse
motor deve permitir o ajuste da In e, se necessário, com algum fator de serviço
adicional.

➢ Portanto, numa consulta rápida à tabela de relés, temos o relé de 22 a 32A ou


o relé de 25 a 40A. Ambos permitiriam o ajuste da corrente nominal e, se
necessário, o ajuste da corrente nominal com um fator de serviço de 1,15%
(26,6 x 1,15 = 30,59A).

➢ Será escolhido o que permite o ajuste mais próximo ao centro da escala.

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▪ Relé Térmico de Sobrecarga

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▪ Relé Térmico de Sobrecarga

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▪ Relé Térmico de Sobrecarga

➢ Pela curva de disparo típica, Figura no próximo slide, podemos aplicar


múltiplos da corrente ajustada ao eixo x e determinar o tempo de disparo.

➢ Esta é a curva típica do relé e considera o relé ainda frio, portanto para
calibração de relés térmicos ou para saber exatamente o tempo de disparo do
relé para uma determinada corrente, deve-se consultar diretamente o
fabricante do relé e solicitar a sua curva exata com orientações para calibração.

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▪ Relé Térmico de Sobrecarga

➢ Como exemplo, se ajustarmos a corrente do relé para 31A e o motor sofrer


uma sobrecarga e apresentar uma corrente de 62A, o desarme ocorre em
aproximadamente 1 minuto.

➢ Na prática o desarme ocorre em um tempo menor, pois as lâminas já estão


quentes.

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▪ Disjuntor Motor

➢ Reúne as funcionalidades de disjuntor/fusível e do relé térmico de sobrecarga.

➢ Algumas funcionalidades podem ser acrescentadas ao disjuntor motor com a


instalação de acessórios como bobina de subtensão, por exemplo (desarma o
disjuntor se a tensão estiver a níveis abaixo do especificado).

➢ De fato, a funcionalidade e a proteção tornam-se tão simples que existem


chaves manuais em caixa plástica cujo comando e proteção do motor são
efetuados por um único disjuntor motor.

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▪ Disjuntor Motor

Representação do Disjuntor Motor


em Comandos Elétricos 59
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▪ Proteção do Circuito de Comando

➢ Para especificação do dispositivo de proteção do circuito de comando, é


preciso observar a carga total em contatores em regime de trabalho e o pico
de corrente máximo na operação do circuito de controle.

➢ Os catálogos dos contatores, relés e outros componentes presentes no circuito


de comando são importantes para fornecer as características elétricas desses
elementos.

➢ Exemplificando um dimensionamento dos fusíveis de comando, vamos supor


que temos um circuito de comando formado por dez contatores WEG CWM-
32, que ficam todos ligados em regime e que na partida são ligados cinco deles
simultaneamente. 61
▪ Proteção do Circuito de Comando

➢ O primeiro procedimento é verificar a potência aparente na ligação e em


regime de cada bobina no catálogo: na ligação 88VA e em regime 9VA. Com
estes valores calculamos as correntes em regime e de partida desses
contatores:

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▪ Proteção do Circuito de Comando

➢ Aplicamos Ip às curvas dos fusíveis, lembrando que os fusíveis devem suportar


a ligação dos contatores e a corrente de regime. Para esse circuito o fusível D
de 2A serviria bem, pois suporta a partida e a corrente de regime, mesmo
sendo o valor mínimo, pois a corrente nesse circuito é muito baixa. Se houver
outros componentes no circuito, as correntes de regime e de partida devem
ser computadas a Ir e Ip.

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▪ Dispositivos de Proteção em Circuitos de Motores

64
▪ Seletividade

➢ Na ocorrência de uma falta (curto-circuito) no ponto P, deseja-se que o


disjuntor 1 e apenas ele desarme, isolando a falta. Desta maneira as máquinas
1 e 2 continuarão a produzir. 65
▪ Seletividade

➢ Para que isso ocorra satisfatoriamente, ao dimensionar os dispositivos de


proteção ou seus ajustes, devem ser seguidos os procedimentos de
seletividade aplicáveis que podem ser:

1. Seletividade amperimétrica: esse procedimento fundamenta-se no princípio


de que as correntes de curto-circuito aumentam de intensidade conforme o
ponto de defeito se aproxima da fonte. Com isso os ajustes ou a seleção da
corrente nominal dos disjuntores deve ser feita de maneira que o disjuntor
mais próximo à falta a isole antes que outro disjuntor o faça.

66
▪ Seletividade

2. Seletividade cronométrica: esse procedimento está fundamentado na


temporização intencional do dispositivo de proteção, em que o dispositivo
mais próximo à falta terá um tempo menor de atuação.

3. Seletividade lógica: com o advento dos relés de proteção digitais, há a


possibilidade de interligá-los e estabelecer uma sequência lógica de
desligamento na ocorrência de uma falta.

67
Dispositivos de Comando e Sinalização

68
➢ Em comandos elétricos o operador não entra em contato com o sistema de
manobra (circuito de força), que leva as fases até o motor.

➢ Ele comanda o circuito de força a partir de um circuito de comando (controle).

➢ Para comandar o circuito de comando, ele utiliza botões pulsadores ou chaves


comutadoras e para visualizar o funcionamento, são observados sinalizadores
instalados na porta do painel ou em locais estratégicos.

➢ Todos os dispositivos instalados para monitorar ou controlar variáveis, como


corrente e temperatura no motor, têm seus contatos auxiliares instalados no
circuito de comando, no qual atuam segundo a necessidade de proteção ou
funcionamento planejada.
69
▪ Botão de Comando e Comutadores

➢ Botão de comando é um dispositivo de comando com contatos abertos e


fechados utilizado para abrir ou fechar circuitos.

➢ Como a própria denominação sugere, esse dispositivo atua ao ser pressionado.

➢ Contatos fechados abrem e abertos fecham, e seus contatos voltam à posição


normal ao liberarmos o botão nos botões de pulso;

70
▪ Botão de Comando e Comutadores

71
▪ Botão de Comando e Comutadores

➢ Nos botões com trava é necessário liberar o botão manualmente, destravando-


o, para que os contatos voltem à posição normal.

➢ A cor do botão de comando normalmente está associada à sua função.

➢ Botões de comando vermelhos, por exemplo, servem para desligar ou


interromper emergencialmente o funcionamento do circuito.

➢ Botões verdes são associados à função ligar ou partida.

➢ A utilização das cores depende das normas base do projeto, que podem ser
DIN EN 60073, VDE 0199 e IEC 73.
72
▪ Botão de Comando e Comutadores

73
▪ Botão de Comando e Comutadores

➢ Além dos botões de comando, são utilizadas em comandos elétricos chaves


comutadoras ou, simplesmente, comutadores.

➢ Os comutadores abrem e fecham circuitos elétricos, porém, diferentemente


dos botões pulsadores, mantêm a posição.

➢ Algumas comutadoras acumulam as funções de chave e pulsador, tendo a


posição desligado (0), a posição (1) (pronto para partir, PPP) e a posição Start,
que é o pulsador da chave.

74
▪ Botão de Comando e Comutadores

75
▪ Botão de Comando e Comutadores

➢ É importante salientar que botões de comando e comutadores são dispositivos


de baixa corrente, portanto não entram em contato direto com a corrente da
carga manobrada. Isso está ligado ao princípio de força e controle.

➢ Os botões e comutadores são dispositivos de controle e não devem ser


utilizados como dispositivos de força.

➢ Em outras palavras, botões e comutadores não cortam nem energizam o


motor. Eles comandam outros elementos do sistema para que executem essa
função.

76
▪ Sinalizadores

➢ A sinalização é importante em diversos ramos de atividade e ainda mais em


sistemas elétricos.

➢ É necessário sinalizar quando uma máquina está em operação, um sistema de


painéis está energizado ou quando ocorreu uma parada inesperada no
equipamento/sistema.

➢ Para sinalização utilizamos indicadores luminosos de cores diferentes que,


assim como nos botões, indicam uma certa situação.

77
▪ Sinalizadores

78
▪ Sinalizadores

➢ Em muitos sistemas já instalados a sinalização vermelha se refere à máquina


em operação, a verde pronto para partir e a amarela condição anormal ou
desarme.

➢ É preciso sempre estar informado e consciente da sinalização e normas


vigentes na área em que vamos atuar para evitar falhas humanas.

➢ Para projetos novos, além das normas técnicas, deve-se seguir a norma
regulamentadora NR10 que trata a questão das cores e legendas em razão da
segurança.

79
▪ Sinalizadores

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▪ Contatores e Relés

➢ O dispositivo de comando mais importante num sistema de força e controle é


o contator.

➢ Ele é responsável pela manobra do motor, devendo suportar a corrente de


carga e suas características, portanto deve ser dimensionado segundo a carga.

81
▪ Contatores e Relés

82
▪ Contatores e Relés

83
▪ Contatores e Relés

➢ Um contator, de maneira simples, é um eletroímã em um invólucro que,


quando energizado, atrai um conjunto mecânico no qual está presa uma série
de contatos elétricos sendo normalmente três contatos abertos de força e
outros abertos e/ ou fechados, utilizados na lógica do comando.

84
▪ Contatores e Relés

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▪ Contatores e Relés

➢ Contatos de força e de controle do contator têm símbolos diferentes. Nos


símbolos temos um exemplo de numeração dos contatos de força e dos
contatos de controle.

➢ Em um contator real, a numeração dos contatos de força é feita por letras de


identificação das fases associadas a esses números, facilitando a identificação
(1/L1, 3/L2, 5/L3, 2T1, 4T2, 6T3).

➢ Existem também os contatores chamados auxiliares que não possuem contatos


de força, apenas contatos de controle para o circuito de comando.

86
▪ Contatores e Relés

➢ O custo de um contator varia segundo a carga acionada e a quantidade de


contatos auxiliares desejada.

➢ Quanto maior a potência da carga, mais caro o contator, pois ele deve ser mais
robusto, com contatos de força adequados.

➢ O tipo de carga acionada também interfere no valor do contator.

➢ A carga que um contator pode operar é definida pela categoria em que ele está
inserido.

➢ Consultar norma ABNT - NBR - IEC 60947-2


87
▪ Contatores e Relés

88
▪ Contatores e Relés

➢ O valor e o tipo da tensão de controle não afetam as especificações técnicas


dos contatos de força.

➢ Neste quadro exemplo podemos ter circuitos de força em 440V/220V/380V.


Quanto maior a tensão do sistema, maior a potência que o contator pode
manobrar para uma mesma corrente (P = VxI).

89
▪ Contatores e Relés

➢ Exemplificando, vamos supor um motor de 10cv como força motora de um


elevador de canecas, partida direta em vazio, aproximadamente duas
manobras dia para operação normal.

➢ Para esse motor, instalado em uma rede trifásica 220V, teríamos o contator de
32A ou CMW32, categoria AC3, que suporta uma potência de 12,5cv em 220V.
Se o motor for instalado em uma rede de 440V, podemos especificar o
contator de 18A ou CMW18.

90
▪ Contatores e Relés

➢ Tensões mais altas possibilitam a redução do tamanho do contator, porém


haverá necessidade de abaixar essa tensão para trabalhar no circuito de
controle, afinal é perceptível a insegurança em se aplicar uma tensão de 440V
aos elementos instalados em uma porta de painel, como sinalizadores e
botões.

➢ Tratando dos contatos auxiliares que serão utilizados na lógica de comando, os


contatores normalmente possuem um conjunto de quatro contatos, podendo
ter as configurações 2NA + 2NF, 3NA + 1NF, entre outras.

91
▪ Contatores e Relés

➢ Alguns fabricantes trabalham com blocos de contatos que podem ser


encaixados no próprio contator, aumentando o número de contatos
disponíveis. Quando isso não é possível e há necessidade de mais contatos,
utilizamos mais contatores auxiliares.

➢ A numeração dos contatos auxiliares segue um padrão simples: contatos NF


têm final (1;2), contatos NA têm final (3;4), o número inicial marca a sequência
do contato no contator. Exemplo: contator com 2NA + 2NF.

92
▪ Contatores e Relés

➢ Os relés têm funções auxiliares como os contatores auxiliares, mas são


menores e têm configuração de contato diferente do contator, possuindo um
ponto comum associado a um contato normalmente aberto e outro fechado.

➢ Além disso, os relés têm um tempo de manobra menor que os contatores, isto
é, são mais rápidos.

➢ Enquanto contatores fecham em aproximadamente 35ms, relés fecham em


aproximadamente 6ms. Deve-se observar a corrente máxima dos contatos do
relé, assim como de qualquer contato que vá manobrar cargas.

93
▪ Sensores e Sondas

➢ Para detecção de posição, nível e presença em sistemas automáticos são


utilizados sensores, e algumas vezes sondas.

➢ Sensores e sondas são dispositivos eletrônicos que utilizam um conceito físico


como capacitância, indutância ou reflexão óptica para detectar certos
materiais.

➢ Para objetos metálicos próximos são utilizados sensores indutivos, para objetos
não metálicos, sensores capacitivos, para objetos em geral a uma certa
distância pode-se utilizar sensores ópticos.

➢ Para detecção de nível ou mesmo medição de nível podem ser utilizadas


sondas capacitivas. 94
▪ Sensores e Sondas

95
▪ Sensores e Sondas

➢ Sensores indutivos funcionam com base na alteração de campo magnético do


seu indutor interno. Segundo a teoria, se aproximarmos uma peça
ferromagnética de um campo magnético, as linhas de campo concatenarão
melhor pelo material de ferro, aumentando a indutância. O sensor sente a
alteração no campo e atua.

➢ Da mesma forma trabalha o sensor capacitivo, só que através da alteração das


características do capacitor/sensor com a aproximação de um material
qualquer.

96
▪ Fins de Curso

➢ Os fins de curso são utilizados principalmente para detecção de posição. Para


atuação de um fim de curso deve haver contato mecânico da peça a ser
detectada, o que provoca desgastes mecânicos e redução da vida útil do fim de
curso.

➢ Aos poucos há a tendência de sua substituição por sensores, pois estes não
têm contato mecânico com o equipamento.

97
▪ Fins de Curso

98
▪ Diagramas de Força e Controle (Comando)

➢ Os diagramas de força e controle são divididos, como o próprio nome sugere, em


circuitos de força e circuitos de controle. Um projeto de força e controle pode possuir
dezenas de páginas, por isso a correta interpretação dos símbolos e métodos de
organização e estruturação de um projeto é fundamental.

➢ Os diagramas de força apresentam os circuitos de potência, com os motores


instalados, bancos de resistência, bancos de capacitores, transformadores, ou
qualquer outra carga ligada ao sistema de potência. Temos informações sobre os
dispositivos de proteção, corrente e tensões nos barramentos principais do painel.
Neste diagrama podem ser observados também a instrumentação para medição de
grandezas em painéis, como voltímetros e amperímetros, e os transformadores de
potencial e de corrente associados a esses instrumentos. 99
▪ Diagramas de Força e Controle (Comando)

➢ Nos diagramas de controle temos a lógica que rege o acionamento das cargas
instaladas. A sequência de funcionamento é definida no sistema de controle.

➢ A lógica de controle pode ser desenvolvida com lógica de relés (contatos de


contatores e relés), ou com a utilização de controladores lógicos programáveis
(CLP).

100
▪ Tags em Sistemas e Diagramas de Comandos

➢ Tabela – Identificação dos Componentes

➢ Com muita frequência essas letras recebem complementos numéricos ou de


outras letras que podem informar a página ou localização na página de
determinado elemento ou especificar sua função. Exemplo:
• 1K1 - contator K1 ou contator 1 na página 1;
• 2DT1 - temporizador 1 na página 2;
• 3F0 - elemento de proteção 0 na página 3.

➢ Ressaltando, nem todos os projetos seguem este padrão de identificação, pois


depende da época de realização, da norma base, do software etc. 101
▪ Tags em Sistemas e Diagramas de Comandos

➢ Normalmente um projeto completo possui a descrição de todos os seus


componentes principais. Podemos associar o tag ao componente sem
problemas, do mesmo modo que fazemos para símbolos, consultando a
legenda/simbologia do desenho.

102
▪ Tags em Sistemas e Diagramas de Comandos

➢ Dessa forma:
• Contatores: K1, K2, K3, K4, K5, K6...
• Contatores auxiliares ou relés auxiliares: D1, D2, D3... ou d1, d2, d3...
• Relés temporizadores: DT1, DT2, DT3... ou dT1, dT2, dT3...

➢ Desta maneira pode-se diferenciar um contator de força (K1) de um auxiliar


(D1) ou relé auxiliar (d1).

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