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Piratas do Gol D.

Roger Tradutores

RECADO DO REI DOS PIRATAS

O texto a seguir é apenas um fragmento do livro ‘Ordem Espontânea”.


O livro aborda mais de uma dezena de temas a respeito de possíveis dúvidas
de “como funcionaria” um ambiente libertário.

O autor traz à luz tudo o que pode a respeito do questionamento


comum a respeito dos monopólios, uma vez que sempre se associa
monopólios e cartéis à empresas e empresários rindo fumando charutos.
Recomendo usar esse texto como indicação para pessoas que têm esse tipo
de limitação quando questionam sobre o valor do estado.

Por último e não menos importante, desejo que você curta e


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possível DOE AQUI em nosso website (https://piratasdoroger.com/doacoes)
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TUDO VAI VIRAR MONOPÓLIO!

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MONOPÓLIOS E CARTÉIS

A noção de “livre mercado” ou “mercado desimpedido” é uma


concepção de mercado que opera de maneira rápida, espontânea e
imprevisível. É um mercado onde cada pessoa pode negociar os termos de
todas as trocas que faz e possui todos os bens que pretende negociar. É um
sistema de comércio livre máximo. Impostos, tarifas, cotas, restrições de
preços, licenciamento compulsório, regulamentação trabalhista e
propriedade intelectual nunca existem neste mercado. Todos são livres para
copiar e remixar o trabalho de outros, adquirir materiais mais baratos e
produzir um bem em qualquer setor. Com a ausência de barreiras agressivas à
entrada em qualquer indústria, a concorrência torna-se feroz e implacável.
Sem alvarás, regulamentações de segurança, ou impostos, mesmo pequenas
discrepâncias na satisfação do cliente podem permitir que recém-chegados
derrubem instantaneamente um gigante estabelecido. Operações que
produzissem o mesmo serviço indefinidamente seriam raras e malsucedidas.
Esses mercados dinâmicos emergem organicamente da interação livre e
espontânea das pessoas.

Esse ambiente é muito diferente do que existe hoje, portanto, é preciso


abandonar o preconceito gerado por sua experiência da realidade atual, se
deseja compreender plenamente o contraste que há entre sua concepção de
mercado com os mercados verdadeiramente libertados. A característica

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saliente de tais mercados é a ausência de agressão sistemática. Tal agressão é


o que possibilita a exploração do consumidor e do trabalhador e é de fato
digna de vigorosa oposição. Surpreendentemente, o mais poderoso e
destrutivo perpetrador de agressão sistêmica é o próprio Estado. Para
mascarar essa feia verdade, o Estado disfarçou-se habilmente como o protetor
dos fracos, pobres, indigentes e marginalizados. Além disso, afirma ser uma
instituição necessária, se não suficiente, para desempenhar este papel
pretendido. Para completar esse engano, o Estado e seus simpatizantes
deram grandes passos para acusar o mercado irrestrito de ser o principal
culpado das tribulações do povo, embora a verdade seja exatamente o
contrário. Uma maneira pela qual o Estado inflige grande dano a nós é pela
manipulação de mercados competitivos.

CONCORRÊNCIA

Em um mercado livre, todas as empresas estão competindo pelo


patrocínio do consumidor. Existe concorrência entre todas as empresas em
todos os setores. Por exemplo, quem vende sorvete compete não apenas com

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Ben e Jerry1, mas também com cinemas, já que sempre é possível optar por
não comprar sorvete aqui, mas assistir aos filmes ali.

Esse é o verdadeiro significado do custo: o caminho da ação favorita.


Se alguém optar por passar a tarde tomando um sorvete em uma sorveteria,
ele também não pode gastá-lo no cinema. Não se pode estar em ambos os
lugares ao mesmo tempo. Assim, o preço e a atratividade do filme são
relevantes para a decisão quando se escolhe comprar sorvete, não apenas o
preço e a atratividade do sorvete. Existem dois tipos de competição: ativa e
potencial. Concorrência ativa são as empresas ou concorrentes que realmente
existem hoje. A competição potencial, por outro lado, consiste naquelas
empresas ou concorrentes que podem se manifestar caso os serviços ou
produtos de determinada empresa satisfaçam cada vez menos as exigências
dos consumidores.

DEFININDO O QUE É MONOPÓLIO

Há muita confusão sobre o que constitui um monopólio. Uma definição


comum de monopólio é “uma empresa que é a única fornecedora de um
determinado bem ou serviço”. Essa definição, no entanto, é inútil por várias

1 Nota do Tradutor: Empresas de Sorvetes Americana, Imagine a Kibon no Brasil, se


for o caso.
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razões. Definir um monopólio como um único provedor implica que a menor


diferenciação de um produto ou serviço poderia, por sua vez, conferir ao
criador o monopólio de sua provisão. Por exemplo, Jackie pode ter o
monopólio de hortelã-pimenta roxa ou Joe em picolés com sabor de magnólia.
Mesmo com relação a bens ‘iguais’ como o trigo, ainda seria possível duas
pessoas deterem monopólios, por exemplo, o monopólio de “Trigos do
Robinson” e o monopólio de “Trigo do Joe”, poderiam ser mantidos, pois o
trigo produzido poderia ser diferenciado pela forma como era cultivado,
fertilizantes ou nutrientes. Essa definição de monopólio não nos fornece
nenhuma informação econômica pertinente ou útil, uma vez que
praticamente torna todos monopolistas. Ninguém mais pode oferecer
contribuições trabalhistas únicas de outras pessoas; todos nós estamos
monopolizando nossas habilidades.

O termo “monopólio” em si, evoca sentimentos negativos, mas a que


o termo “monopólio” originalmente se refere? Um monopólio originalmente
significava um privilégio exclusivo de produzir ou vender um determinado
produto ou serviço, concedido pelo rei. Foi um privilégio dado aos produtores
favorecidos ou guildas para eles produzirem sem qualquer competição. Se
qualquer novo produtor ignorasse o privilégio, o poder do rei seria invocado.
Assim, um monopólio é uma criação do Estado. Murray Rothbard explica:

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“Monopólio é uma concessão de privilégio especial do Estado, reservando


uma determinada área de produção para um determinado indivíduo ou grupo. A
entrada no campo é proibida a outros e essa proibição é imposta pelas forças de
guarda do Estado.”2

Usando essa definição, os consumidores têm justificativa para se


oporem a monopólios, pois implicam a ameaça ou uso de agressão para
assegurá-los e mantê-los e, portanto, constituem uma distorção de dinâmica
do mercado natural. Sem o aparato estatista de compulsão, não poderia haver
concessões especiais concedidas a certos negócios. Liberdade de iniciativa é a
condição padrão para todas as indústrias e, como tal, os monopólios criados
pelo poder do Estado não poderiam existir em um mercado verdadeiramente
livre.

MONOPÓLIOS NATURAIS

Nas palavras de Thomas Di Lorenzo:

2 Murray N. Rothbard, "Monopoly and Competition" in Man, Economy, and State:


A Treatise on Economic Principles ; with Power and Market: Government and the
Economy (Auburn: Ludwig Von Mises Institute, 2009), 66
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“Um monopólio natural ocorre quando os investimentos necessários


para a produção deste serviço apresentam custos altos e relativamente fixos,
fazendo com que os custos totais de longo prazo caiam à medida que a produção
aumenta. Em tais indústrias, afirma a teoria, um único produtor será capaz de
produzir a um custo menor do que se houvesse dois produtores no mercado,
situação essa que cria um monopólio "natural". Caso mais de um produtor passe
a ofertar seus serviços no mercado, os preços serão mais altos.”3

Alguns exemplos de monopólios naturais comumente citados incluem


provedores de serviços como companhias de gás, água ou eletricidade. A
preocupação sobre a manifestação de tais “monopólios” é de que eles podem
cobrar preços exorbitantes com impunidade econômica. Entretanto, caso eles
tomem vantagem da sua posição, sempre existirá competição potencial que
pode servir para atrapalhar seus comportamentos. Porém, para exercício
mental, vamos assumir que de fato, um único provedor de determinado
produto ou serviço surge. Como a ausência de barreiras agressivas à entrada
em qualquer indústria é inerente em mercados livres, a ameaça de um
potencial concorrente será muito mais forte em relação ao caso em que o

3Thomas J. Dilorenzo, "The Myth of Natural Monopoly" in The Review of Austrian


Economics 9.2 (1996): 43-58
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estado impõe barreiras, e às vezes até proibições, sobre a concorrência em


várias indústrias.

Vamos entreter o pior cenário possível: uma empresa de água decide


triplicar as suas taxas sem um aumento correspondente no custo de
produção, como os participantes do mercado respondem? Em primeiro lugar,
futuros clientes em potencial seriam impedidos de se mudar para esta cidade
devido a estas taxas exorbitantes, e residentes atuais seriam incentivados a
mudar para outro lugar.

Isso resultaria, naturalmente, em uma perda de negócios para a


companhia de água. Além disso, o consumidor será incentivado a agir de
forma mais conservadora com sua água. Talvez maridos e esposas tomem
banho juntos, diminuam a frequência com que regam o gramado ou instalem
coletores de água da chuva seu quintal. De que forma a conservação é
realizada é irrelevante. Menos água será usada, e uma diminuição no uso de
água se traduz em uma diminuição de receita para a companhia de água. Pior
ainda, mesmo se a companhia de água decide voltar a suas taxas originais,
seus clientes podem ter gostado desses esforços de conservação de água e
continuar suas práticas, assim reduzindo permanentemente a renda dessa
companhia.

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No entanto, se apesar dos eventos anteriores, a empresa de água


mantiver esses preços exorbitantes, uma empresa de água concorrente da
próxima cidade pode decidir se mudar e iniciar as operações se o benefício de
um fornecedor alternativo superar os custos e as ineficiências de estabelecer
infraestrutura redundante. Se, em resposta à presença de um novo
concorrente, a antiga companhia de água decidir voltar às suas taxas mais
baixas, a confiança dos clientes na mesma terá sido, no entanto, prejudicada.
Os consumidores podem optar por transferir seus serviços para a nova
companhia de água, mesmo se ela cobrar preços ligeiramente mais altos,
desde que ela possa demonstrar um longo histórico de preços estáveis e
previsíveis. Além disso, uma prática comum antes de desenvolver qualquer
terreno em uma área é fazer acordos contratuais com as provedoras de
serviços do entorno em relação aos preços fixos. Esse tipo de garantia
incentivará os desenvolvedores em potencial a construir casas e empresas
nesta terra.

Finalmente, para que uma companhia de água ou eletricidade tenha


atingido um status de "monopólio" em primeiro lugar, primeiro teria sido
necessário conquistar a confiança de seus clientes e ter prestado um serviço
mais satisfatório do que seus concorrentes reais ou potenciais. A
probabilidade de essa empresa mudar fundamentalmente as práticas de
negócios que a tornaram bem-sucedida em primeiro lugar é relativamente

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baixa. É claro que tudo isso é especulativo até certo ponto, mas esperamos
que a hipotética possa demonstrar os meios pelos quais homens e mulheres
no mercado podem efetivamente deter, prevenir e mitigar toda atividade
prejudicial ao consumidor. Essa mesma linha de raciocínio pode ser aplicada a
qualquer outra empresa que tenha uma grande participação de qualquer
indústria.

CARTÉIS

Um cartel é um grupo de empresas individuais em indústrias similares


que decidem coordenar suas práticas como meio de maximizar os lucros.
Estes esforços de coordenação podem tomar a forma do estabelecimento de
cotas de produção ou "fixação" de preços. A partir desta definição, pode-se
supor algumas fraquezas inerentes de um cartel e por que tal arranjo, se
destinado a garantir lucro extra mantendo os preços acima da taxa de
mercado, é quase garantido de ser temporário e tênue em um mercado
puramente livre.

A primeira e mais óbvia complicação em qualquer cartel é determinar


de forma unânime entre os membros onde exatamente, os preços de seus
bens ou serviços devem ser estabelecidos e/ou quanto cada membro deve ter
permissão para produzir. Os membros mais eficientes são provavelmente os

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que mais perdem em tal arranjo, eles provavelmente resistiriam a quaisquer


restrições sobre sua própria produção para o benefício dos membros menos
eficientes. Assim, é provável que esses membros mais eficientes se
emancipem do cartel na oportunidade mais breve possível. Além disso, sob tal
acordo, todos os membros serão influenciados a "trapacear", seja reduzindo
seus preços ou aumentando a sua produção, burlando os limites impostos
pelo cartel como forma de garantir uma fatia maior do mercado fora das linhas
oficialmente estabelecidas.

Finalmente, mesmo assumindo que um cartel seja capaz de coordenar


com sucesso as ações de seus membros e conciliar todos os seus interesses
distintos, ainda haveria a questão da concorrência externa potencial. O
principal objetivo de um cartel é para coordenar com outras empresas do
mesmo setor, de modo a gerar maior receita pelos seus serviços do que eles
de outra forma teriam. No entanto, quanto maiores os preços - ou menor o
limite de produção que o cartel estabelece para membros - mais vulnerável o
cartel se torna para a concorrência externa, já que ela se depararia com um
mercado que se encontra com oferta insuficiente e/ou com preços saturados
e poderia fornecer os mesmos serviços por um menor preço, tomando assim
os valiosos clientes das participantes do cartel.

As dificuldades de coordenar esforços entre as empresas


independentes, combinadas com o potencial de concorrência externa, torna

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o cartel hostil ao consumidor, um arranjo improvável de mercado. É


importante lembrar que os cartéis hoje em dia operam por fora das forças do
mercado, mas eles só conseguem fazer isso comprando e vendendo influência
sobre o estado.

Somente através da aplicação de tetos e pisos de preços,


regulamentações, licenciamentos profissionais, salários mínimos, impostos e
até mesmo concessões explícitas de monopólio sobre indústrias, uma
determinada empresa ou cartel pode explorar o consumidor. A exploração do
consumidor só existe neste arranjo porque o estado é capaz de isolar um
determinado negócio das forças do mercado através de legislação.

Por outro lado, em um mercado puramente livre, a sobrevivência


dessas empresas seria baseada em quão bem elas podem satisfazer os desejos
do consumidor em relação à concorrência atual e potencial. Onde há escolhas
e uma ausência de barreiras coercivas à entrada, não pode haver exploração.

Finalmente, não há violações de direitos associados à cartelização, uma


vez que representam apenas agregação de recursos em escala
interempresarial. Ter direito de propriedade sobre recursos implica o direito
de juntá-los com os recursos de outros de maneira voluntária.

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Restrição de Produção do Cartel

Um perigo muitas vezes apontado como sendo possível em um


mercado irrestrito é o ato de um cartel restringir a produção como meio de
manter o preço de um determinado bem maior do que seria de outra forma.
Os críticos deste método estão corretos na medida em que o objetivo é:
maximizar lucros. No entanto, isso não é diferente de qualquer outra atividade
de mercado.

Pegue o arroz, por exemplo. Se um cartel de produtores de arroz cria


duzentas toneladas de arroz em um ano, mas descobrem que cem toneladas
traria o maior lucro, então naturalmente começará a liberar apenas cem
toneladas de arroz no mercado. Este tipo de “Conluio” é considerado
predatório por muitos economistas do mainstream, já que se o cartel liberasse
todas as duzentas toneladas, presumivelmente a maior oferta teria sido
traduzida em preços por unidade mais baixos para o consumidor, deixando ele
ostensivamente melhor do que se o cartel tivesse restringido sua produção a
cem toneladas.

Se cem toneladas forem mais lucrativas, os produtores de arroz vão


diminuir sua produção no futuro em conformidade. Os materiais e / ou a mão-
de-obra necessária para produzir duzentas toneladas excederá os materiais e

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/ ou mão-de-obra necessárias para produzir as cem toneladas. Os recursos em


excesso agora serão liberados e disponíveis para uso na produção de outros
bens ou serviços demandados.

O influxo desses recursos adicionais sendo canalizados para setores


mais valiosos da economia, causará um aumento no padrão geral de vida.
Portanto, na rede não existe restrição de produção. Na verdade, o ato do
cartel de arroz reduzir sua produção global terá resultado em uma maior
produção líquida de riqueza, já que permitiria que os recursos excedentes
fossem alocados a fins mais lucrativos.

Essa mesma linha de raciocínio é igualmente aplicável a uma única


grande empresa que decide reduzir sua produção.

POTENCIAIS BENEFÍCIOS DAS FUSÕES OU CARTELIZAÇÃO

Deve-se notar que grandes empresas ou cartéis em um livre mercado


são suscetíveis de produzir um efeito positivo para o consumidor, caso
contrário, eles seriam dissolvidos ou superados por novatos mais ágeis. Um
grande benefício para os consumidores é devido a economias escalável. Este
é o princípio que sugere que, com mais recursos e bens de capital à sua
disposição, mais fácil se torna maximizar a eficiência da produção.

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Isso é verdade por várias razões, a primeira das quais é a possibilidade


de compra em massa. Tipicamente, comprar a granel produz um preço mais
baixo por unidade do que está sendo comprado, porque o vendedor do dito
bem a granel normalmente é mais feliz com uma maior garantia de compra a
um preço menor do que com o risco de vender quantidades menores à preços
mais altos, e perder parte da produção com o tempo. Além disso, quanto
maior a empresa, mais ela pode se beneficiar da divisão do trabalho,
maquinário especializado, menores custos indiretos por unidade de produção,
propaganda, acesso a crédito mais barato, linhas estabelecidas de transporte
e logística, etc.

Com acesso a maiores quantidades de capital, um cartel ou firmas


recém-fundidas podem investir em bens de capital mais produtivos, que antes
eram inviáveis, em função do preço. Uma vez que esta empresa possa
desfrutar dos benefícios de uma maior produção proporcionada pelos bens de
capital recém-adquiridos, os empregados, por sua vez, poderão produzir mais
com a mesma quantidade de recursos, aumentando sua produtividade de
mão-de-obra. Isso criaria a tendência de obter salários mais altos para os
funcionários e / ou oferecer preços mais baixos ao consumidor sem afetar
negativamente a margem de lucro.

A dificuldade de qualquer pessoa entrar em determinada indústria é


diminuída na medida em que o (s) atual (is) provedor (es) não satisfaça

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suficientemente as demandas dos consumidores, produzindo produtos /


serviços defeituosos (ou indesejados) ou cobrando preços 'muito altos'. Se
este for o caso, haverá uma grande demanda por uma alternativa. Se o
número de consumidores insatisfeitos se tornar substancial, ficaria claro que
um provedor alternativo poderia ganhar muito dinheiro e potencialmente tirar
muitos clientes das empresas incompetentes e ossificadas.

Para superar as dificuldades de invadir mercados estabelecidos, um


empreendedor que um modelo de negócios espetacular e atraente pode
buscar 'capital de risco'. Há muitos investidores ricos que estão procurando
maneiras de obter um rendimento positivo em vez de ter capital financeiro
ocioso. Em tal ambiente, investir em um empreendedor com um plano de
negócios sólido pode ser uma opção atraente e lucrativa. Alternativamente,
um empreendedor pode contrair empréstimos ou vender ações de sua
empresa como forma de levantar os fundos necessários para sua criação.

Em muitos casos, os empreendedores estão competindo com a atual


empresa ou cartel incompetente do mesmo setor. No entanto, pode muito
bem ser o caso de que a insatisfação geral de como este produto ou serviço
que está sendo oferecido, geraria um ímpeto para alguém inventar uma
tecnologia que o torne obsoleto. Por exemplo, a invenção de um carro movido
a energia hidrelétrica pode tornar obsoletos os automóveis baseados em

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combustível fóssil devido a custos de manutenção mais baixos, combustível


mais barato e tempos de trânsito mais curtos.

Os desenvolvimentos tecnológicos, no entanto, não necessariamente


têm que ser na forma de produtos que tornam o primeiro obsoleto. Podem
muito bem ser desenvolvimentos que permitam meios de produção
alternativos que se revelem muito mais baratos. Há realmente uma infinidade
de maneiras pelas quais alguém pode assumir uma firma incompetente em
uma indústria que já detém muito capital. Em um mercado livre, onde não há
barreiras agressivas à entrada em qualquer indústria, a ameaça de exploração
econômica por meio de práticas comerciais é praticamente nula. De fato, é a
liberdade econômica completa que é a maior defesa contra a exploração e a
predação. Tomemos, por exemplo, a noção de baixa de preço “predatória”. A
ideia de que existe baixa de preços ‘predatória' é absurda desde o início,
porque implica que algum tipo de injustiça pode ser cometida por uma
empresa decidir baixar os preços de seus bens ou serviços em relação aos seus
concorrentes. O dono de qualquer bem, ou o provedor de qualquer serviço,
tem o direito de cobrar o preço que quiser por aquilo que ele está vendendo,
e da mesma forma o consumidor tem o direito de comprar ou não comprar o
que está sendo vendido.

A alegação comum é de que uma grande empresa tirará proveito de


suas economias já escaladas e reduzirá seus preços a um nível que seus

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concorrentes menores não podem manter, fazendo com que fiquem fora do
negócio. E que então, esta firma “cruel” irá, então, elevar seus próprios preços
a níveis exorbitantes que antes eram temperados pela presença de forças
competitivas. Sem o apoio do Estado aos privilégios de monopólio, no
entanto, sempre há concorrência, seja entre firmas de outras indústrias, seja
com a concorrência futura potencial. Nunca é possível avaliar os bens ou
serviços sem levar em consideração, no mínimo, o potencial de futuros
produtores competidores serem atraídos por preços de venda mais altos.

Além disso, as pequenas empresas que não têm condições de vender


seus produtos ou serviços em um preço tão baixo, então mesmo que
temporariamente, poderiam cessar as operações e comprar os produtos
agora baratos de seus concorrentes. Uma firma menor poderia então se
sentar no estoque até que a firma maior decidisse elevar seus preços de volta
aos níveis normais, derrotando assim o propósito de privar as pequenas
empresas. Esta ‘baixa de preços predatória' também permitiria ao
consumidor, pelo menos temporariamente, desfrutar de uma bonança de
descontos. O dinheiro que o consumidor economiza poderia então ser usado
para satisfazer vários outros desejos, aumentando seu padrão de vida. Essa
grande firma 'predatória' estaria, a longo prazo, atirando no próprio pé
usando um método tão tolo para tentar garantir uma fatia maior do mercado.
Além disso, mesmo que a empresa seja capaz de oferecer esses preços sem

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sofrer perdas, tanto melhor. As outras empresas que falham e liquidam


liberarão recursos para serem usadas por empresas mais eficientes, no mesmo
setor ou em um setor diferente. Mais uma vez, o resultado disso seria um
aumento geral no padrão de vida de todos os consumidores.

O ESTADO COMO MONOPÓLIO SUPREMO

Qualquer um que defenda a intervenção do Estado como um meio para


desmembrar e impedir a formação de monopólios (sejam eles definidos como
"provedor único" ou "privilégio exclusivo") está se contradizendo, já que o
próprio estado é o maior e mais explorador monopólio de todos.

O estado detém o monopólio legal do direito de usar a agressão contra


outros na forma de impostos e regras compulsórias (legislação). Os “clientes”
não devem apenas pagar por suas operações sem se levar em consideração
seu consentimento, mas também devem submeter suas determinações
individuais às regras impostas. Além disso, o estado detém o monopólio da
prestação de segurança, e se consagrou como árbitro supremo em todos os
conflitos, incluindo os conflitos que envolvem seus próprios agentes. Ele
mantém esse monopólio através da ameaça e da aplicação de força agressiva,
e, portanto, atende aos critérios de monopólio de Rothbard.

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Os agentes do estado são motivados pelo lucro e pelo próprio


interesse, assim como qualquer empresário. No entanto, o que separa o
empresário do estado é que o primeiro tem que te persuadir a pagar por tudo
o que está sendo oferecido, enquanto o segundo obriga que seus cidadãos
paguem por seus “serviços”, e altera unilateralmente o preço e o limite dos
"serviços" oferecidos. Além disso, se o pagamento a uma instituição (o
estado) é garantido, então seus serviços tenderão a diminuir em qualidade e
aumentar em custo. A única coisa que altera o poder do estado é a sua
necessidade de manter uma falsa percepção de legitimidade.

Assim, se o objetivo é eliminar a exploração monopolista sistêmica,


então a legitimidade percebida do estado deve ser minada. Vários meios
podem ser empregada para esse fim, incluindo educação disseminada, alcance
social, parentalidade pacífica, o desenvolvimento da contra-economia, o uso
de criptografia forte, e a formação de enclaves livres, fora do controle do
estado.

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FICHA TÉCNICA
PIRATAS DO GOL D. ROGER

TRADUÇÃO

ALEFE SILVA

DOMINIQUI ALVES

REVISÃO

MARCO OTÁVIO

FELIPE SANDES

EDIÇÃO E ARTE DA CAPA

DOMINIQUI ALVES

ORIGINAL

SPONTANEOUS ORDER

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