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GEOMETRIA ANALÍTICA

PROFESSOR GILMAR TEODOZIO


EQUAÇÃO DA RETA
Um dos objetivos da Geometria Analítica é obter equações
associadas a conjuntos de pontos, estabelecendo assim uma
relação entre Geometria e Álgebra.
EQUAÇÃO PARAMÉTRICA DA RETA
Neste tipo de equação as coordenadas dos pontos pertencentes
a uma reta são dadas por expressões do primeiro grau em função
de um parâmetro real. Ao variar o valor do parâmetro,
encontramos pontos distintos da reta, e a cada ponto da reta
corresponde um parâmetro. Dividiremos as equações paramétricas
da reta em dois casos: reta que passa por dois pontos e reta que
passa por um ponto e é paralela a um vetor.
EQUAÇÃO PARAMÉTRICA DA RETA QUE PASSA POR
DOIS PONTOS
Seja r a reta que passa pelos pontos A e B e seja P um ponto do
plano. Podemos dizer que o ponto P pertence a r se e somente se
o vetor 𝐴𝑃 é múltiplo do vetor 𝐴𝐵. Isto é, P ∊ r se e somente se
existe um número t ∊ ℛ tal que:
𝐴𝑃 = 𝑡𝐴𝐵
Note que o número t é determinado de forma única pelo ponto P e
é chamado parâmetro de P em r.
Escrevemos então a equação que determina o ponto P “pela
variação do parâmetro t” da seguinte forma, chamada equação
paramétrica da reta r:
𝑟: 𝑃 = 𝐴 + 𝑡𝐴𝐵, t ∊ ℛ.
EQUAÇÃO PARAMÉTRICA DA RETA QUE PASSA POR
DOIS PONTOS NO PLANO
Seja A(a1,a2), B(b1,b2) e P(x,y), então, pela equação
paramétrica da reta r:
𝑟: 𝑃 = 𝐴 + 𝑡𝐴𝐵, t ∊ ℛ.
Temos:
𝑥, 𝑦 = 𝑎1 , 𝑎2 + 𝑡 𝑏1 − 𝑎1 , 𝑏2 − 𝑎2 , 𝑡 ∈ ℛ

Daí, as equações paramétricas da reta r são:


𝑥 = 𝑎1 + 𝑡(𝑏1 − 𝑎1 )
𝑟: ൜ , 𝑡 ∈ ℛ.
𝑦 = 𝑎2 + 𝑡 𝑏2 − 𝑎2
EXEMPLO

Considere os pontos A(4,1) e B(-1,2).


(a) Obtenha a equação paramétrica da reta r que passa pelos
pontos A e B;
(b) Encontre o ponto P ∊ r associado ao parâmetro 2.
6
(c) Os pontos Q(1,3) e R 3, pertencem à reta r? Em caso
5
afirmativo, o ponto pertence ao segmento AB?
EQUAÇÃO PARAMÉTRICA DA RETA QUE PASSA POR
DOIS PONTOS NO ESPAÇO
Seja A(a1,a2,a3), B(b1,b2,b3) e P(x,y,z), então, pela equação
paramétrica da reta r:
𝑟: 𝑃 = 𝐴 + 𝑡𝐴𝐵, t ∊ ℛ.
Temos:
𝑥, 𝑦, 𝑧 = 𝑎1 , 𝑎2 , 𝑎3 + 𝑡 𝑏1 − 𝑎1 , 𝑏2 − 𝑎2 , 𝑏3 − 𝑎3 , 𝑡 ∈ ℛ

Daí, as equações paramétricas da reta r são:


𝑥 = 𝑎1 + 𝑡 𝑏1 − 𝑎1
𝑟: ቐ𝑦 = 𝑎2 + 𝑡(𝑏2 − 𝑎2 ) , 𝑡 ∈ ℛ.
𝑧 = 𝑎3 + 𝑡(𝑏3 − 𝑎3
EXEMPLO 1

Determine as equações paramétricas da reta r que contém os


pontos A(1,2,0) B(3,1,1).
EXEMPLO 2

Seja r a reta que passa pelos pontos A(1,0,0) e B(0,1,1) e seja S a


superfície definida pela equação S: z = x2 + y2. Encontre os pontos
de r pertencentes a S.
EQUAÇÃO PARAMÉTRICA DE UMA RETA QUE PASSA
POR UM PONTO E QUE É PARALELA A UM VETOR
Um vetor 𝑣Ԧ ≠ 0 é paralelo a uma reta r quando, para quaisquer
dois pontos A, B ∊ r, o segmento orientado 𝐴𝐵 é múltiplo do vetor 𝑣Ԧ
e escrevemos 𝑣||r.
Ԧ Um vetor 𝑣Ԧ paralelo a uma reta é chamado de
vetor diretor da reta.
Se r é uma reta que passa por um ponto A e tem direção de 𝑣Ԧ ≠
0, então, se P ∊ r, temos que:
𝐴𝑃 = 𝑡𝑣Ԧ ∴ 𝑃 = 𝐴 + 𝑡𝑣,Ԧ para algum t ∊ ℛ
EQUAÇÃO PARAMÉTRICA DE UMA RETA QUE PASSA
POR UM PONTO E QUE É PARALELA A UM VETOR
NO PLANO
segundo a equação encontrada para a reta r:
𝐴𝑃 = 𝑡𝑣Ԧ ∴ 𝑃 = 𝐴 + 𝑡𝑣,Ԧ para algum t ∊ ℛ
Se A(a,b) e 𝑣Ԧ = 𝛼, 𝛽 , então as equações paramétricas de r
são:
𝑥 = 𝑎 + 𝛼𝑡
𝑟: ൜𝑦 = 𝑏 + 𝛽𝑡 ; 𝑡 ∈ ℛ.
EXEMPLO 1

Determine a equação paramétrica da reta r que passa pelo


ponto A(2,-3) e é paralela ao vetor 𝑣Ԧ = −1,1 .
EXEMPLO 2

Encontre o ponto de intersecção da reta r1 paralela ao vetor


𝑣Ԧ = 1,1 que passa pelo ponto A(2,3) com a reta r2 que passa pelos
pontos B(-1,-2) e C(3,6).
EQUAÇÃO PARAMÉTRICA DE UMA RETA QUE PASSA
POR UM PONTO E QUE É PARALELA A UM VETOR
NO ESPAÇO
segundo a equação encontrada para a reta r:
𝐴𝑃 = 𝑡𝑣Ԧ ∴ 𝑃 = 𝐴 + 𝑡𝑣,Ԧ para algum t ∊ ℛ
Se A(a,b,c) e 𝑣Ԧ = 𝛼, 𝛽, ୪ , então as equações paramétricas de r
são:
𝑥 = 𝑎 + 𝛼𝑡
𝑟: ൝𝑦 = 𝑏 + 𝛽𝑡 ; 𝑡 ∈ ℛ.
𝑧 = 𝑐 + ୪𝑡
EXEMPLO 1

Verifique se os pontos P(1,1,1) e Q(0,-1,0) pertencem à reta r


que passa pelo ponto A(1,1,-1) e é paralela ao vetor 𝑣Ԧ = 1,2, −1 .
POSIÇÕES RELATIVAS ENTRE RETAS
Sejam 𝑟1 = 𝐴 + 𝑡𝑣/𝑡 Ԧ ∈ ℛ e 𝑟2 = 𝐵 + 𝑡𝑤 retas no espaço
paralelas aos vetores não nulos 𝑣Ԧ e 𝑤. As retas 𝑟1 e 𝑟2 podem ser
coplanares ou não. Se 𝑟1 e 𝑟2 não são coplanares, dizemos que elas
são reversas. Neste caso, 𝑟1 ∩ 𝑟2 = ∅. Se 𝑟1 e 𝑟2 são coplanares,
elas podem ser:
(1) coincidentes: 𝑟1 = 𝑟2 ;
(2) paralelas: 𝑟1 ∩ 𝑟2 = ∅ ;
(3) concorrentes: 𝑟1 ∩ 𝑟2 consiste de um único ponto.
As retas 𝑟1 e 𝑟2 são:
(a) coincidentes se e só se 𝑣Ԧ e 𝑤 são múltiplos e 𝐵 ∈ 𝑟1 (ou 𝐴 ∈ 𝑟2);
(b) paralelas se e só se 𝑣Ԧ e 𝑤 são múltiplos e 𝐵 ∉ 𝑟1 (ou 𝐴 ∉ 𝑟2 );
(c) concorrentes se e só se 𝑣Ԧ e 𝑤 não são múltiplos e 𝑟1 ∩ 𝑟2 ≠ ∅;
(d) reversas se e só se 𝑣Ԧ e 𝑤 não são múltiplos e 𝑟1 ∩ 𝑟2 = ∅.
EXEMPLO
Considere as retas 𝑟1 = 𝐴 + 𝑡𝐴𝐵/𝑡 ∈ ℛ e 𝑟2 = ൛𝐶 + 𝑠𝐶𝐷/𝑠 ∈
ℛ ൟ, onde A(2,3,1), B(1,2,3), C(4,2,1) e D(6,4,-3). Verifique se as
retas são coincidentes, paralelas, concorrentes ou reversas.
EQUAÇÃO CARTESIANA DA RETA NO PLANO
Um vetor 𝑢 ≠ 0 é normal ou perpendicular à uma reta r se 𝑢 ⊥
𝐴𝐵, quaisquer que sejam A e B ∊ r.
Seja r a reta que passa pelo ponto 𝐴 𝑥𝑜 , 𝑦𝑜 e é perpendicular
ao vetor 𝑢 = 𝑎, 𝑏 ≠ 0. Então:
𝑃 𝑥, 𝑦 ∈ 𝑟 ↔ 𝐴𝑃 ⊥ 𝑢 ↔ 𝐴𝑃 ∙ 𝑢 = 0 ↔ 𝑥 − 𝑥𝑜 , 𝑦 − 𝑦𝑜 ∙ 𝑎, 𝑏 = 0 ↔
𝑎 𝑥 − 𝑥𝑜 + 𝑏 𝑦 − 𝑦𝑜 = 0 ↔ 𝑎𝑥 + 𝑏𝑦 = 𝑎𝑥𝑜 + 𝑏𝑦0 ↔ 𝑎𝑥 + 𝑏𝑦 = 𝑐
Onde: 𝑐 = 𝑎𝑥𝑜 + 𝑏𝑦𝑜
A equação cartesiana da reta r é:
𝑟: 𝑎𝑥 + 𝑏𝑦 = 𝑐
OBSERVAÇÃO: Um vetor 𝑢 = 𝑎, 𝑏 ≠ 0,0 é normal á reta r se e
somente se o vetor 𝑣Ԧ = −𝑏, 𝑎 é paralelo a r.
EXEMPLO 1
Determine a equação cartesiana da reta que passa pelo ponto
A(-1,4) e é normal ao vetor 𝑢 = 2,3 .
EXEMPLO 2
Obtenha a equação cartesiana da reta que passa pelo ponto B(-
1,4) e é paralela ao vetor 𝑢 = 2,3 .
EXEMPLO 3
Encontre a equação cartesiana da reta
𝑥 =3−𝑠
𝑟: ൜ ; 𝑠 ∈ ℛ.
𝑦 = 1 + 2𝑠
EXEMPLO 4
Determine as equações paramétricas da reta
r: -3x + 2y = 4
EQUAÇÃO AFIM OU REDUZIDA DA RETA NO PLANO
Seja r: ax + by = c uma reta dada por uma equação cartesiana,
onde 𝑢 = 𝑎, 𝑏 ≠ 0,0 é um vetor normal a r.
Verificamos que r pode ser reescrita nas seguintes formas:
𝑐
(a) Se b = 0, um ponto (x,y) ∊ r se e somente se x = 𝑎. Ou seja, se
𝑐
d= (note que a≠0), então r = {(d,y)/y∊ℛ}.
𝑎
Uma reta do tipo: x = d é dita vertical pois, neste caso, r é
paralela ao eixo OY ou coincide com este eixo.
EQUAÇÃO AFIM OU REDUZIDA DA RETA NO PLANO
(b) Se b≠0, um ponto (x,y) ∊ r se e somente se
𝑎 𝑐
𝑏𝑦 = −𝑎𝑥 + 𝑐 ↔ 𝑦 = − 𝑏 𝑥 + 𝑏 .
𝑎 𝑐
Ou seja, se m = −𝑏 e n = , então r = {(x,mx + n)/x ∊ ℛ}.
𝑏
A equação afim ou reduzida da reta r é a equação:
y = mx + n.
onde:
• O número n é a ordenada do ponto onde r intersecta o eixo OY.
Se n = 0, r passa pela origem.
• O número m, chamado inclinação ou coeficiente angular da
reta r, é a razão entre o acréscimo de y e o acréscimo de x
quando se passa de um ponto a outro sobre a reta. De fato, se
𝑥𝑜 ≠ 𝑥1 , 𝑦𝑜 = 𝑚𝑥𝑜 + 𝑛 e 𝑦1 = 𝑚𝑥1 + 𝑛, então:
𝑦1 − 𝑦𝑜 𝑚𝑥1 + 𝑛 − 𝑚𝑥𝑜 + 𝑛 𝑚 𝑥1 − 𝑥𝑜
= = =𝑚
𝑥1 − 𝑥𝑜 𝑥1 − 𝑥𝑜 𝑥1 − 𝑥𝑜
CRESCENTE E DECRESCENTE
A função y = mx + n é:
• Crescente se m > 0, isto é, se 𝑥1 < 𝑥2 , então 𝑦1 = 𝑚𝑥1 + 𝑛 <
𝑦2 = 𝑚𝑥2 + 𝑛.
• Decrescente se m < 0, isto é, se 𝑥1 < 𝑥2 , 𝑦1 = 𝑚𝑥1 + 𝑛 > 𝑦2 =
𝑚𝑥2 + 𝑛.
• Constante se m = 0, pois y = n para todo x ∈ ℝ. Neste caso,
dizemos que r: y = n é uma reta horizontal.
EXEMPLO
Determine as equações afins das retas que contêm os lados do
triângulo de vértices nos pontos A(1,1), B(5,1) e C(5,3).
PARALELISMO E PERPENDICULARISMO ENTRE RETAS
As retas 𝑟1 : 𝑎𝑥 + 𝑏𝑦 = 𝑐 e 𝑟2 : 𝑎′ 𝑥 + 𝑏 ′ 𝑦 = 𝑐 ′ são paralelas ou
coincidentes se e somente se existe 𝜆 ≠ 0 tal que 𝑎′ , 𝑏 ′ =
𝜆 𝑎, 𝑏 , isto é, se e somente se seus vetores normais são múltiplos.
Coincidentes se também 𝑐 ′ = 𝜆𝑐 e Paralelas se 𝑐 ′ ≠ 𝜆𝑐.
As retas 𝑟1 : 𝑎𝑥 + 𝑏𝑦 = 𝑐 e 𝑟2 : 𝑎′ 𝑥 + 𝑏 ′ 𝑦 = 𝑐 ′ são
perpendiculares se e somente se seus vetores normais 𝑤1 = 𝑎, 𝑏
e 𝑤2 = 𝑎′ , 𝑏 ′ são perpendiculares, ou seja,
𝑎𝑎′ + 𝑏𝑏 ′ = 0
Sejam as retas 𝑟1 : 𝑦 = 𝑚𝑥 + 𝑛 e 𝑟2 : 𝑦 = 𝑚′ 𝑥 + 𝑛′ duas retas,
serão:
Coincidentes se 𝑚 = 𝑚′ e 𝑛 = 𝑛′ , paralelas se 𝑚 = 𝑚′ e 𝑛 ≠ 𝑛′ e
perpendiculares se 𝑚𝑚′ = −1 para 𝑚 ≠ 0 e 𝑚′ ≠ 0.
EXEMPLO 1
Determine a equação cartesiana da reta 𝑟2 paralela à reta 𝑟1:
𝑥 − 2𝑦 = 3 que passa pelo ponto A(2,2).
EXEMPLO 2
Verifique se as retas 𝑟1, 𝑟2 e 𝑟3 são paralelas ou coincidentes.
𝑟1 : 𝑥 + 2𝑦 = −1, 𝑟2 : 2𝑥 + 4𝑦 = 2 e 𝑟3 : 3𝑥 + 6𝑦 = −3
EXEMPLO 3
Encontre a equação cartesiana da reta 𝑟2 que passa pelo ponto (-
2,1) e é perpendicular à reta 𝑟1 : 2𝑥 − 3𝑦 = 4.
EXEMPLO 4
Ache a equação da reta 𝑟2 que passa pelo ponto A(-2,3) e é
paralela à reta 𝑟1 : 𝑦 = 2𝑥 − 1.
EXEMPLO 5
Determine a equação da reta 𝑟2 que passa pelo ponto A e é
perpendicular à reta 𝑟1, onde:
(a) 𝑟1 : 𝑦 = 3, A(2,5); (b) 𝑟1 : 𝑦 = 2𝑥 − 5
EXEMPLO 6
Obtenha as equações cartesianas das retas perpendiculares à reta
r que passa pelos pontos A(1,1) e B(2,4).
EQUAÇÃO SIMÉTRICA DA RETA NO ESPAÇO
Considerando as equações paramétricas da reta r que passa
pelo ponto A(a,b,c) e é paralela ao vetor 𝑣Ԧ = 𝛼, 𝛽, ୪ :
𝑥 = 𝑎 + 𝛼𝑡
𝑟: ൝𝑦 = 𝑏 + 𝛽𝑡 ; 𝑡 ∈ ℛ.
𝑧 = 𝑐 + ୪𝑡
Quando as três coordenadas do vetor direção 𝒗 são
diferentes de zero, podemos colocar em evidência o parâmetro t
em cada uma das equações:
𝑥−𝑎 𝑦−𝑏 𝑧−𝑐
𝑡= , 𝑡= e 𝑡=
𝛼 𝛽 𝛾
Logo, P(x,y,z) ∊ r se e somente se as coordenadas de P
satisfazem às identidades:
𝒙−𝒂 𝒚−𝒃 𝒛−𝒄
𝒓: = =
𝜶 𝜷 𝜸
Esta expressão é chamada equação simétrica da reta.
EQUAÇÃO SIMÉTRICA DA RETA NO ESPAÇO
Quando a reta r é dada por dois de seus pontos A(a,b,c) e
B(a’,b’,c’), o vetor 𝑣Ԧ = 𝐴𝐵 = 𝑎′ − 𝑎, 𝑏 ′ − 𝑏, 𝑐 ′ − 𝑐 paralelo a r tem
suas três coordenadas não nulas se e somente se os pontos A e
Bnão pertencem a um plano paralelo a um dos planos coordenados
(isto é, a’≠ a, b’ ≠ b e c’ ≠ c). Neste caso, podemos expressar a
reta r por meio de sua equação simétrica:
𝑥−𝑎 𝑦−𝑏 𝑧−𝑐
𝑟: ′ = ′ = ′
𝑎 −𝑎 𝑏 −𝑏 𝑐 −𝑐
Atenção: Se uma reta r é paralela a um dos planos coordenados,
ela não pode ser representada por uma equação na forma
simétrica.
EXEMPLO 1
Determine caso possível, a forma simétrica da equação da reta r
que passa pelos pontos A e B, onde:
(a) A(1,2,3) e B(4,4,4); (b) A(1,0,1) e B(1,2,3)
EXEMPLO 2
Considere a reta 𝑟1 que passa pelo ponto A(1,0,1) e é paralela ao
vetor 𝑢 = 2,3, −1 e a reta
3𝑥 − 6 2𝑦 + 4 −𝑧 + 3
𝑟2 : = =
9 2 2
Verifique se as retas 𝑟1 e 𝑟2 são coincidentes, paralelas,
concorrentes ou reversas.
O PLANO NO ESPAÇO
INTRODUÇÃO
Um dos axiomas da Geometria Euclidiana Espacial diz que
“dados três pontos não colineares, existe um e apenas um plano
que os contêm”. Vamos caracterizar analiticamente um plano por
meio de suas equações paramétricas e de sua equação cartesiana.
EQUAÇÕES PARAMÉTRICAS DO PLANO
Sejam A, B e C três pontos não colineares do espaço e seja 𝜋 o
plano que os contém. Então, como estudado, os segmentos
orientados 𝐴𝐵 e 𝐴𝐶 são representantes de vetores que formam
uma base de 𝜋 e, portanto, se
𝑃 ∈ 𝜋 ↔ 𝑒𝑥𝑖𝑠𝑡𝑒 𝑠, 𝑡 𝜖 ℝ 𝑡𝑎𝑖𝑠 𝑞𝑢𝑒 𝐴𝑃 = 𝑠𝐴𝐵 + 𝑡𝐴𝐶
Isto é, P ∈ 𝜋 se e somente se satisfaz à seguinte equação
paramétrica do plano 𝜋:
𝑃 = 𝐴 + 𝑠𝐴𝐵 + 𝑡𝐴𝐶, s,t ∈ ℝ.
Considerando A(a,b,c), B(a’,b’,c’) e C(a’’,b’’,c’’) num sistema
de eixos ortogonais OXYZ, obtemos as equações paramétricas de
𝑥 = 𝑎 + 𝑠 𝑎′ − 𝑎 + 𝑡(𝑎′′ − 𝑎)
𝜋: ൞𝑦 = 𝑏 + 𝑠 𝑏 ′ − 𝑏 + 𝑡(𝑏 ′′ − 𝑏); s,t ∈ ℝ
𝑧 = 𝑐 + 𝑠 𝑐 ′ − 𝑐 + 𝑡(𝑐 ′′ − 𝑐)
EXEMPLO 1
Determine as equações paramétricas do plano 𝜋 que contém os
pontos A(1,0,0), B(1,1,0) e C(0,0,1).
EXEMPLO 2
Obtenha, caso exista, o ponto onde o plano 𝜋, que passa pelos
pontos A(1,2,3), B(2,3,1) e C(3,2,0), intersecta o eixo OZ.
EQUAÇÕES PARAMÉTRICAS DO PLANO
Em particular, os vetores não colineares 𝐴𝐵 e 𝐴𝐶 são paralelos
ao plano 𝜋. Com isso, vemos que um plano 𝜋 é determinado se
conhecermos um ponto que pertence a 𝜋 e duas direções não
colineares paralelas a 𝜋.
Assim, a equação paramétrica do plano 𝜋 que passa por A e é
paralelo aos vetores não colineares 𝑢 e 𝑣Ԧ é
Ԧ s,t ∈ ℝ.
𝑃 = 𝐴 + 𝑠𝑢 + 𝑡𝑣,
Considerando as coordenadas, A(a,b,c), B(𝛼,𝛽,𝛾) e C(𝛼’,𝛽’, 𝛾’)
e P(x,y,z), obtemos as equações paramétricas de
𝑥 = 𝑎 + 𝛼𝑠 + 𝛼′𝑡
𝜋: ൞𝑦 = 𝑏 + 𝛽𝑠 + 𝛽′𝑡; s,t ∈ ℝ
𝑧 = 𝑐 + 𝛾𝑠 + 𝛾′𝑡
EXEMPLO 1
Encontre as equações paramétricas do plano 𝜋 que passa pelos
pontos A(1,1,1) e B(1,0,1) e é paralelo ao vetor 𝐷𝐸, onde D(2,0,1)
e E(0,0,2). Verifique se os pontos D e E pertencem ao plano 𝜋.
POSIÇÕES RELATIVAS ENTRE RETA E PLANO
Considerando a reta 𝑟 = 𝐴 + 𝑡𝑢/𝑡 ∈ ℝ que passa pelo
ponto A e é paralela ao vetor 𝑢 e o plano 𝜋 = ሼ𝐵 + 𝜆𝑣Ԧ +
𝜇𝑤 /𝜆, 𝜇 ∈ ℝሽ que passa pelo ponto B e é paralelo aos
vetores 𝑣Ԧ e 𝑤 e sabendo também, da Geometria Euclidiana
Espacial, que há três possibilidades para a posição relativa
entre a reta 𝑟 e o plano 𝜋 : 𝑟 ⊂ 𝜋 , 𝑟 ∩ 𝜋 = ∅ ou 𝑟 ∩ 𝜋
consiste em um único ponto. Podemos caracterizar estas
três possibilidades nas proposições que segue:
(1) 𝑟 ⊂ 𝜋 se e só se 𝑢 é combinação linear de 𝑣Ԧ e 𝑤 e A∈ 𝜋;
(2) 𝑟 ∩ 𝜋 = ∅ se e só se 𝑢 é combinação linear de 𝑣Ԧ e 𝑤 e
A∉ 𝜋;
(3) 𝑟 ∩ 𝜋 = 𝑃 se e só se 𝑢 não é combinação linear de 𝑣Ԧ e
𝑤, isto é, 𝑢, 𝑣Ԧ e 𝑤 são L.I.
OBSERVAÇÃO
Em particular, se uma reta r é paralela a um plano 𝜋
ou está contida num plano 𝜋, então todo vetor paralelo a
r é também paralelo a 𝜋 ou está contido em 𝜋.
EXEMPLO 1
Seja r a reta que passa pelos pontos A(1,2,5) e B(3,1,0) e
𝜋 o plano que contém o ponto C(3,-2,5) e é paralelo aos
vetores 𝑣Ԧ = 1,1,1 e 𝑤 = 0, −3, −7 . Verifique se 𝑟 ⊂ 𝜋,
𝑟 ∩ 𝜋 = ∅ ou 𝑟 ∩ 𝜋 consiste em um único ponto.
EXEMPLO 2
Considere a reta r que passa pelo ponto A(1,1,1) e é
paralela ao vetor 𝑢 = 2,1,3 e o plano 𝜋 que passa pelo
ponto Po=(0,2,1) e é paralelo aos vetores 𝑣Ԧ = 1,1,2 e
𝑤 = 3,1,2 . Decida se 𝑟 ⊂ 𝜋, 𝑟 ∩ 𝜋 = ∅ ou 𝑟 ∩ 𝜋 consiste
em um único ponto. Caso ocorra a última possibilidade,
determine o único ponto P de interseção de r com 𝜋.
POSIÇÕES RELATIVAS ENTRE PLANOS
Sejam 𝜋 = 𝐴 + 𝑡𝑢 + 𝑠𝑣Ԧ /𝑡, 𝑠 ∈ ℝ e 𝜋 ′ = ൛𝐴′ + 𝑡 ′ 𝑢′ +
𝑠 ′ 𝑣 ′ /𝑡 ′ , 𝑠 ′ ∈ ℝൟ dois planos no espaço. Então:
(1) 𝜋 = 𝜋 ′ (coincidentes) se e só se 𝑢′ e 𝑣 ′ são combinações
lineares de 𝑢 e 𝑣Ԧ e 𝐴′ ∈ 𝜋;
(2) 𝜋 ∩ 𝜋 ′ = ∅ (paralelos) se e só se 𝑢′ e 𝑣 ′ são
combinações lineares de 𝑢 e 𝑣Ԧ e 𝐴′ ∉ 𝜋;
(3) 𝜋 ∩ 𝜋 ′ é uma reta se e só se 𝑢′ , 𝑢 e 𝑣Ԧ são LI ou 𝑣 ′ , 𝑢 e
𝑣Ԧ são LI.
EXEMPLO
Sejam os planos 𝜋1 = ሼ 1,2, −1 + 𝑡 1,3,1 + 𝑠 4,2,2 /𝑡, 𝑠 ∈
ℝሽ, 𝜋2 = 2,6,1 + 𝑡 ′ −2,4,0 + 𝑠 ′ 9,7,5 /𝑡 ′ , 𝑠 ′ ∈ ℝ e 𝜋3 =
3,1,1 + 𝑡 ′′ 2,1, −5 + 𝑠 ′′ 5,5,3 /𝑡 ′′ , 𝑠 ′′ ∈ ℝ . Verifique se
os planos são coincidentes, paralelos ou se interseptam
ao longo de uma reta. No último caso, determine a reta
de interseção.
OBSERVAÇÕES
(1) Seja 𝜋 o plano gerado pelos vetores não colineares 𝑢 e
𝑣Ԧ que passa pelo ponto A. Se 𝑢′ e 𝑣 ′ são vetores não
colineares paralelos ao plano 𝜋 , então, 𝑢′ e 𝑣 ′ são
combinações lineares de 𝑢 e 𝑣.Ԧ Logo 𝜋 é também gerado
pelos vetores 𝑢′ e 𝑣 ′ que passa por um ponto B qualquer
de 𝜋, ou seja,
𝜋 = 𝐴 + 𝑠𝑢 + 𝑠𝑡 /𝑠, 𝑡 ∈ ℝ = 𝐵 + 𝑠𝑢′ + 𝑡𝑣 ′ /𝑠, 𝑡 ∈ ℝ .
Em particular, um vetor 𝑤 é paralelo a 𝜋 se e somente
se 𝑤 é combinação linear de 𝑢′ e 𝑣 ′ , quaisquer que sejam
os vetores 𝑢′ e 𝑣 ′ não colineares paralelos a 𝜋.
OBSERVAÇÕES
(2) Um vetor 𝑢 é perpendicular ou normal a um plano 𝜋,
e escrevemos 𝑢 ⊥ 𝜋, quando 𝑢 ⊥ 𝑣Ԧ para qualquer vetor 𝑣Ԧ
paralelo ao plano 𝜋.
Sejam 𝑣1 e 𝑣2 dois vetores não colineares paralelos ao
plano 𝜋. Então, 𝑢 ⊥ 𝜋 se e só se 𝑢 ⊥ 𝑣1 e 𝑢 ⊥ 𝑣2 , pois,
todo vetor paralelo a 𝜋 é uma combinação linear de 𝑣1 e
𝑣2 .
Logo, como 𝑣1 × 𝑣2 é um vetor perpendicular a 𝑣1 e
𝑣2 , todo múltiplo do vetor 𝑣1 × 𝑣2 é um vetor normal ao
plano 𝜋.
OBSERVAÇÕES
(3) Sejam 𝑃𝑜 um ponto e 𝑢 e 𝑣Ԧ vetores não colineares.
Então,
𝜋𝑡 = 𝑃𝑜 + 𝑡 𝑢 × 𝑣Ԧ + 𝜆𝑢 + 𝜇𝑣Ԧ /𝜆, 𝜇 ∈ ℝ , t ∈ ℝ,
é a família de todos os planos gerados pelos vetores 𝑢 e
Ԧ Para cada t ∈ ℝ, 𝜋𝑡 é o único plano da família que
𝑣.
passa pelo ponto 𝑃𝑡 = 𝑃𝑜 + 𝑡 𝑢 × 𝑣Ԧ pertencente a reta 𝑟
perpendicular a 𝜋 que passa pelo ponto 𝑃𝑜 . Observe que
𝜋𝑡 = 𝜋𝑡 ′ se e só se 𝑡 = 𝑡 ′ e 𝜋𝑡 é paralelo a 𝜋𝑡 ′ se e só se
𝑡 ≠ 𝑡 ′.
EXEMPLO
Seja 𝜋 um plano gerado por dois vetores 𝑢 = 1,2,3 e 𝑣Ԧ =
4,1,2 . Determine a reta 𝑟 perpendicular a 𝜋 que passa
pela origem e o ponto P da reta 𝑟 tal que
𝑃 + 𝑡𝑢 + 𝑠𝑣/
Ԧ 𝑡, 𝑠 ∈ ℝ
é o plano gerado por 𝑢 e 𝑣Ԧ que passa pelo ponto A(1,1,1).
EQUAÇÃO CARTESIANA DO PLANO
Aplicaremos a noção de produto interno para
determinar a equação cartesiana de um plano no espaço.
Seja 𝜋 o plano que passa pelo ponto A e é normal ao
vetor 𝑢. Então:
𝑃𝜖𝜋 ⇔ 𝐴𝑃 ⊥ 𝑢 ⇔ 𝐴𝑃 ∙ 𝑢 = 0
Escrevendo a última condição em termos das coordenadas
dos elementos envolvidos, 𝐴 = (𝑥𝑜 , 𝑦𝑜 , 𝑧0 ), 𝑢 = 𝑎, 𝑏, 𝑐 e
𝑃 = (𝑥, 𝑦, 𝑧) , em relação a um sistema de eixos
ortogonais, temos:
𝑃 = 𝑥, 𝑦, 𝑧 𝜖𝜋 ⇔ 𝐴𝑃 ∙ 𝑢 = 0
⇔ 𝑥 − 𝑥𝑜 , 𝑦 − 𝑦𝑜 , 𝑧 − 𝑧𝑜 ∙ 𝑎, 𝑏, 𝑐 = 0
⇔ 𝑎 𝑥 − 𝑥𝑜 + 𝑏 𝑦 − 𝑦𝑜 + 𝑐 𝑧 − 𝑧𝑜 = 0 ⇔
𝑎𝑥 + 𝑏𝑦 + 𝑐𝑧 = 𝑎𝑥𝑜 + 𝑏𝑦𝑜 + 𝑐𝑧𝑜
EQUAÇÃO CARTESIANA DO PLANO
Portanto, 𝑃 = 𝑥, 𝑦, 𝑧 𝜖𝜋 se e somente se suas
coordenadas satisfazem à equação cartesiana de 𝜋:
𝜋: 𝑎𝑥 + 𝑏𝑦 + 𝑐𝑧 =d
Onde 𝑢 = 𝑎, 𝑏, 𝑐 ⊥ 𝜋 e d é calculado sabendo que 𝜋
passa por 𝐴 = (𝑥𝑜 , 𝑦𝑜 , 𝑧0 ):
𝑑 = 𝑎𝑥𝑜 + 𝑏𝑦𝑜 + 𝑐𝑧𝑜
EXEMPLO 1
Determine a equação cartesiana do plano 𝜋 que passa
pelo ponto A = (1,1,2) e é normal ao vetor 𝑢 = 1,2, −3 .
EXEMPLO 2
Obtenha as equações paramétricas do plano 𝜋: x+3y–z=2.
EXEMPLO 3
Considere os pontos A(1,-1,3) e B(5,3,1) e o plano 𝜋:
y+z=1. Encontre o conjunto r dos pontos equidistantes de
A e B que pertencem ao plano 𝜋.
EXEMPLO 4
Encontre a equação cartesiana e as equações
paramétricas do plano 𝜋 que contém os pontos A(1,-1,3),
B(4,0,1) e (2,1,3).
EXEMPLO 5
Determine a equação cartesiana do plano
𝑥 = −1 + 𝑠 + 2𝑡
𝜋: ൝ 𝑦 = 1 − 𝑠 + 𝑡 ; 𝑠, 𝑡 ∈ ℝ.
𝑧 = 3 + 2𝑡
POSIÇÕES RELATIVAS ENTRE RETA E PLANO
Sejam 𝑟 = 𝐴 + 𝑡𝑢/𝑡𝜖ℝ a reta que passa pelo ponto 𝐴 =
(𝑥𝑜 , 𝑦𝑜 , 𝑧0 ) e é paralela ao vetor 𝑢 = 𝛼, 𝛽, 𝛾 e 𝜋: 𝑎𝑥 +
𝑏𝑦 + 𝑐𝑧 = 𝑑 um plano normal ao vetor 𝑣Ԧ = 𝑎, 𝑏, 𝑐 . Então:
(1) r ⊂ 𝜋 ⇔ 𝑢 ⊥ 𝑣Ԧ 𝑒 𝐴 ∈ 𝜋;
(2) 𝑟 ∩ 𝜋 = ∅ ⇔ 𝑢 ⊥ 𝑣Ԧ 𝑒 𝐴 ∉ 𝜋;
(3) 𝑟 ∩ 𝜋 consiste em um único ponto ⇔ 𝑢 não é
ortogonal ao vetor 𝑣Ԧ .
EXEMPLO 1
Sejam a reta 𝑟 = 𝐴 + 𝑡𝑢|𝑡 ∈ ℝ e o plano 𝜋: 𝑥 + 𝑦 − 2𝑧 = 2, onde
A(1,1,1) e 𝑢 = 3,5,4 . Mostre que a reta r é paralela ao plano 𝜋 e
determine a equação cartesiana do plano 𝜋 ′ que contém a reta r e
o ponto B(2,4,1).
SISTEMAS LINEARES COM TRÊS VARIÁVEIS E
AS POSIÇÕES RELATIVAS ENTRE PLANOS
1) INTRODUÇÃO:
Estudaremos os sistemas de equações lineares com
três variáveis tanto do ponto de vista algébrico quanto
geométrico.
2) EQUAÇÕES LINEARES DE TRÊS VARIÁVEIS – São equações
do tipo:
𝑎𝑥 + 𝑏𝑦 + 𝑐𝑧 = 𝑑
Onde: a, b, c e d 𝜖 ℝ são os coeficiente (constantes)
sendo d conhecido como termo independente.
OBSERVAÇÃO: Como já estudado, estes tipos de equações
representam o plano no espaço.
SISTEMAS LINEARES COM TRÊS VARIÁVEIS E
AS POSIÇÕES RELATIVAS ENTRE PLANOS
3) SISTEMAS DE n EQUAÇÕES LINEARES A TRÊS VARIÁVEIS – É
um conjunto de n equações do tipo:
𝑎1 𝑥 + 𝑏1 𝑦 + 𝑐1 𝑧 = 𝑑1
𝑎2 𝑥 + 𝑏2 𝑦 + 𝑐2 𝑧 = 𝑑2

𝑎𝑛 𝑥 + 𝑏𝑛 𝑦 + 𝑐𝑛 𝑧 = 𝑑𝑛
4) RAIZ DE UMA EQUAÇÃO LINEAR DE TRÊS VARIÁVEIS – É
qualquer tripla ou terno ordenado 𝑥0 , 𝑦𝑜 , 𝑧𝑜 de números
reais que torna a igualdade verdadeira.
5) CONJUNTO SOLUÇÃO DE UM SISTEMA DE n EQUAÇÕES
LINEARES A TRÊS VARIÁVEIS – É o conjunto formado por todos
os ternos ordenados que tornam verdadeiras as igualdades de
todas as equações do sistema.
SISTEMAS LINEARES COM TRÊS VARIÁVEIS E
AS POSIÇÕES RELATIVAS ENTRE PLANOS
6) CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS – Podem ser:
a) SISTEMA POSSÍVEL DETERMINADO (SPD) – Quando possui
um a única solução.
b) SISTEMA POSSÍVEL INDETERMINADO (SPI) – Quando
possui mais de uma solução.
c) SISTEMA IMPOSSÍVEL (SI) – Quando não possui solução.
SISTEMAS DE DUAS EQUAÇÕES LINEARES COM
TRÊS VARIÁVEIS OU POSIÇÕES RELATIVAS
ENTRE DOIS PLANOS
O conjunto solução do sistema:
𝑎1 𝑥 + 𝑏1 𝑦 + 𝑐1 𝑧 = 𝑑1

𝑎2 𝑥 + 𝑏2 𝑦 + 𝑐2 𝑧 = 𝑑2
é o conjunto dos pontos que pertencem, simultaneamente,
aos planos 𝜋1 : 𝑎1 𝑥 + 𝑏1 𝑦 + 𝑐1 𝑧 = 𝑑1 e 𝜋2 : 𝑎2 𝑥 + 𝑏2 𝑦 + 𝑐2 𝑧 =
𝑑2 , ou seja, S = 𝜋1 ∩ 𝜋2 .
O estudo do sistema é feito analisando as equivalências
entre as possíveis posições relativas dos planos 𝜋1 e 𝜋2 e as
possíveis relações algébricas dos coeficientes e dos termos
independentes das equações do sistema.
SISTEMAS DE DUAS EQUAÇÕES LINEARES COM
TRÊS VARIÁVEIS OU POSIÇÕES RELATIVAS
ENTRE DOIS PLANOS
Com a devida analise podemos apontar as seguintes
possibilidades:
1) ∃ 𝜆𝜖ℝ tal que 𝑛2 = 𝜆𝑛1 e 𝑑2 = 𝜆𝑑1 ⇔ 𝜋1 = 𝜋2 são
coincidentes, o sistema é indeterminado (possui infinitas
soluções);
2) ∃ 𝜆𝜖ℝ tal que 𝑛2 = 𝜆𝑛1 e 𝑑2 ≠ 𝜆𝑑1 ⇔ 𝜋1 e 𝜋2 são
paralelos, o sistema é impossível (não tem nenhuma
solução);
3) ∄ 𝜆𝜖ℝ tal que 𝑛2 = 𝜆𝑛1 ⇔ 𝜋1 e 𝜋2 se intersectam ao
longo de uma reta r: 𝜋1 ∩ 𝜋2 = 𝑟.
EXEMPLO
Determine o conjunto solução dos sistemas:
𝑥 + 𝑦 + 2𝑧 = 2
𝑎 ቐ1 1
𝑥+ 𝑦+𝑧 =1
2 2

𝑥 + 3𝑦 + 3𝑧 = 1
𝑏 ቐ1
𝑥+𝑦+𝑧 =0
3
𝑥 + 𝑦 + 2𝑧 = 0
𝑐 ቊ
𝑥 + 𝑦 + 𝑧 = −2
SISTEMAS DE TRÊS EQUAÇÕES LINEARES COM TRÊS
VARIÁVEIS OU INTERSECÇÃO ENTRE 3 PLANOS
Considerando o sistema de 3 equações lineares com 3
variáveis x, y e z:
𝑎1 𝑥 + 𝑏1 𝑦 + 𝑐1 𝑧 = 𝑑1
ቐ𝑎2 𝑥 + 𝑏2 𝑦 + 𝑐2 𝑧 = 𝑑2
𝑎3 𝑥 + 𝑏3 𝑦 + 𝑐3 𝑧 = 𝑑3
As equações do sistema representam os planos 𝜋𝑘 : 𝑎𝑘 𝑥 +
𝑏𝑘 𝑦 + 𝑐𝑘 𝑧 = 𝑑𝑘 , normais aos vetores 𝑛𝑘 = 𝑎𝑘 , 𝑏𝑘 , 𝑐𝑘 , 𝑘 =
1, 2, 3.
Do ponto de vista geométrico, existem oito
possibilidades para a posição relativa entre os planos 𝜋1 ,
𝜋2 e 𝜋3 .
POSIÇÕES RELATIVAS ENTRE 3 PLANOS
1) Os três planos coincidem: 𝜋1 = 𝜋2 = 𝜋3 ⇔ Existem
𝜆, 𝜇 𝜖 ℝ tais que 𝑛2 = 𝜆𝑛1 , 𝑛3 = 𝜇𝑛1 , 𝑑2 = 𝜆𝑑1 e 𝑑3 = 𝜇 𝑑1 ;
POSIÇÕES RELATIVAS ENTRE 3 PLANOS
2) Dois dos planos coincidem e o terceiro é paralelo a
eles: 𝜋1 = 𝜋2 e 𝜋3 ∩ 𝜋1 = ∅ ⇔ Existem 𝜆, 𝜇 𝜖 ℝ tais que
𝑛2 = 𝜆𝑛1 , 𝑛3 = 𝜇𝑛1 , 𝑑2 = 𝜆𝑑1 mas 𝑑3 ≠ 𝜇 𝑑1 ;
POSIÇÕES RELATIVAS ENTRE 3 PLANOS
3) Os planos são paralelos dois a dois: 𝜋1 ∩ 𝜋2 = ∅, 𝜋1 ∩
𝜋3 = ∅ 𝑒 𝜋2 ∩ 𝜋3 = ∅ ⇔ Existem 𝜆, 𝜇 𝜖 ℝ tais que 𝑛2 = 𝜆𝑛1
𝜆
e 𝑛3 = 𝜇𝑛1 , mas 𝑑2 ≠ 𝜆𝑑1 , 𝑑3 ≠ 𝜇 𝑑1 e 𝑑3 ≠ 𝑑2 ;
𝜇
POSIÇÕES RELATIVAS ENTRE 3 PLANOS
4) Dois planos coincidentes e o terceiro os intersecta ao
longo de uma reta ℓ: 𝜋1 = 𝜋2 𝑒 𝜋3 ∩ 𝜋1 = ℓ ⇔Existe 𝜆 𝜖 ℝ
tal que 𝑛2 = 𝜆𝑛1 e 𝑑2 = 𝜆𝑑1 , mas 𝑛1 e 𝑛3 não são
múltiplos;
POSIÇÕES RELATIVAS ENTRE 3 PLANOS
5) Dois dos planos são paralelos e o terceiro os intersecta
segundo retas paralelas ℓ1 e ℓ2 : 𝜋1 ∩ 𝜋2 = ∅, 𝜋1 ∩ 𝜋3 =
ℓ1 𝑒 𝜋2 ∩ 𝜋3 = ℓ2 ⇔ Existe 𝜆 𝜖 ℝ tal que 𝑛2 = 𝜆𝑛1 , mas
𝑑2 ≠ 𝜆𝑑1 𝑒 𝑛1 e 𝑛3 não são múltiplos;
POSIÇÕES RELATIVAS ENTRE 3 PLANOS
6) Os 3 planos são distintos e se intersectam ao longo de
uma reta ℓ : 𝜋1 ≠ 𝜋2 , 𝜋1 ≠ 𝜋3 𝑒 𝜋2 ≠ 𝜋3 𝑒 𝜋1 ∩ 𝜋2 ∩ 𝜋3 =
ℓ ⇔ nenhum dos vetores 𝑛1 , 𝑛2 e 𝑛3 é múltiplo do outro,
mas existem 𝜆, 𝜇 𝜖 ℝ tais que 𝑛3 = 𝜆𝑛1 + 𝜇𝑛2 e 𝑑3 = 𝜆𝑑1 +
𝜇𝑑2 ;
POSIÇÕES RELATIVAS ENTRE 3 PLANOS
7) Os 3 planos se intersectam, dois a dois, segundo retas
paralelas entre si: 𝜋1 ∩ 𝜋2 = ℓ1 , 𝜋2 ∩ 𝜋3 = ℓ2 , 𝜋1 ∩ 𝜋3 =
ℓ3 𝑒 ℓ1 ∥ ℓ2 ∥ ℓ3 ⇔ os vetores 𝑛1 , 𝑛2 e 𝑛3 são, dois a dois,
não colineares, mas existem 𝜆, 𝜇 𝜖 ℝ tais que 𝑛3 = 𝜆𝑛1 +
𝜇𝑛2 e 𝑑3 ≠ 𝜆𝑑1 + 𝜇𝑑2 ;
POSIÇÕES RELATIVAS ENTRE 3 PLANOS
8) Os 3 planos têm um único ponto em comum: 𝜋1 ∩ 𝜋2 ∩
𝜋3 = 𝑃 ⇔ os vetores 𝑛1 , 𝑛2 e 𝑛3 são LI.
SISTEMA HOMOGÊNEO
Um sistema de três equações lineares com três incógnitas
é homogêneo quando todos os termos independentes são
iguais a zero:
𝑎1 𝑥 + 𝑏1 𝑦 + 𝑐1 𝑧 = 0
ቐ𝑎2 𝑥 + 𝑏2 𝑦 + 𝑐2 𝑧 = 0
𝑎3 𝑥 + 𝑏3 𝑦 + 𝑐3 𝑧 = 0
Note que um sistema homogêneo sempre possui a solução
trival (x,y,z) = (0,0,0).
Decorre que: vai possui apenas a solução trivial se e só
se o determinante dos coeficientes for diferente de zero,
ou seja, se e só se os seus vetores normais são LI, e vai
admitir solução não trivial se esse determinante for zero.
EXEMPLO 1
Analise o sistema, exibindo o seu conjunto solução:
2𝑥 − 2𝑦 − 3𝑧 = 1
ቐ 𝑥 − 2𝑦 + 3𝑧 = 0
𝑥−𝑦+𝑧 =2
EXEMPLO 2
Determine a intersecção dos planos: 𝜋1 : 𝑥 + 𝑦 + 𝑧 =
2, 𝜋2 : 𝑥 − 𝑦 − 𝑧 = 0 e 𝜋3 : 3𝑥 − 𝑦 − 𝑧 = 2.
EXEMPLO 3
Obtenha os possíveis valores para 𝛼 e 𝛽 de modo que os
planos: 𝜋1 : 2𝑥 + 𝛼𝑦 + 𝑧 = 1, 𝜋2 : 𝑥 − 𝑦 + 3𝑧 = 0 e 𝜋3 : 𝑥 − 𝑦 +
𝑧 = 𝛽.
(a) Se intersectem, dois a dois, ao longo de três retas
paralelas;
(b) Se intersectem ao longo de uma reta.
ÂNGULOS ENTRE DUAS RETAS NO ESPAÇO
O ângulo ∠ 𝑟1 , 𝑟2 entre duas retas 𝑟1 e 𝑟2 é assim
definido:
1) se 𝑟1 e 𝑟2 são coincidentes ou paralelas, então
∠ 𝑟1 , 𝑟2 = 0.
2) se as retas são concorrentes, então ∠ 𝑟1 , 𝑟2 é o menor
dos ângulos positivos determinados pelas retas no plano
𝜋
que as contém. Em particular, 0 < ∠ 𝑟1 , 𝑟2 ≤ .
2
3) se 𝑟1 e 𝑟2 são reversas, então ∠ 𝑟1 , 𝑟2 = ∠ 𝑟1 , 𝑟2 ′ , onde
𝑟2 ′ é a reta paralela a 𝑟2 que passa por um ponto P da reta
𝑟1 . Pelo paralelismo entre as retas, é fácil verificar que
∠ 𝑟1 , 𝑟2 ′ não depende do ponto P sobre 𝑟1 .
ÂNGULOS NO ESPAÇO
Sejam 𝑣1 e 𝑣2 vetores paralelos, respectivamente, às
retas 𝑟1 e 𝑟2 concorrentes ou reversas. Como ∠ 𝑣1 , 𝑣2 =
∠ 𝑟1 , 𝑟2 ou ∠ 𝑣1 , 𝑣2 = 𝜋 − ∠ 𝑟1 , 𝑟2 , segue que:
𝑣1 ∙𝑣2 𝜋
cos ∠ 𝑟1 , 𝑟2 = cos ∠ 𝑣1 , 𝑣2 = , 0 < ∠ 𝑟1 , 𝑟2 ≤ .
𝑣1 𝑣2 2

A fórmula também vale se 𝑟1 e 𝑟2 são paralelas ou


coincidentes pois, neste caso, existe 𝜆ϵℝ tal que
𝑣1 ∙𝜆𝑣2 𝜆 𝑣1 ∙𝑣2
𝑣1 = 𝜆 𝑣2 ⇒ = = 1 = cos ∠ 𝑟1 , 𝑟2 .
𝑣1 𝜆𝑣2 𝜆 𝑣1 𝑣2
EXEMPLO
Calcule o ângulo entre as retas:
𝑥−1 𝑦+1 𝑧 𝑦−1 𝑧−2
𝑟1 : = = e 𝑟2 : 𝑥 + 2 = =
2 2 2 2 3
Mostre também que as retas são reversas.
ÂNGULOS ENTRE DOIS PLANOS
O ângulo ∠ 𝜋1 , 𝜋2 entre os planos 𝜋1 e 𝜋2 é definido a
seguir:
 Se os planos são paralelos ou coincidentes o ∠ 𝜋1 , 𝜋2 =
0;
 Se não são paralelos nem coincidentes, eles se
intersectam ao longo de uma reta r. Sejam P um ponto
qualquer de r, 𝑟1 a reta contida em 𝜋1 e 𝑟2 a reta
contida em 𝜋2 que são perpendiculares a r e passam
pelo ponto P, definimos que o
∠ 𝜋1 , 𝜋2 = ∠ 𝑟1 , 𝑟2
ÂNGULOS ENTRE DOIS PLANOS
Sejam 𝜋1 : 𝑎1 𝑥 + 𝑏1 𝑦 + 𝑐1 𝑧 = 𝑑1 e 𝜋2 : 𝑎2 𝑥 + 𝑏2 𝑦 + 𝑐2 𝑧 =
𝑑2 as equações cartesianas de dois planos num sistema
OXYZ. Então, como 𝑣1 = 𝑎1 , 𝑏1 , 𝑐1 ⊥ 𝜋1 e 𝑣2 =
𝑎2 , 𝑏2 , 𝑐2 ⊥ 𝜋2 , o ângulo ∠ 𝑣1 , 𝑣2 é tal que
𝑣1 ∙𝑣2
cos ∠ 𝜋1 , 𝜋2 = cos ∠ 𝑣1 , 𝑣2 =
𝑣1 𝑣2

A fórmula vale também quando os planos são paralelos


ou coincidentes.
ÂNGULOS ENTRE DOIS PLANOS
OBSERVAÇÕES:
1) Pela fórmula acima, os planos 𝜋1 e 𝜋2 são
perpendiculares se e só se seus vetores normais 𝑣1 e 𝑣2
são ortogonais. Ou, equivalente, 𝜋1 ⊥ 𝜋2 se e só se 𝑣1 //
𝜋2 e 𝑣2 // 𝜋1 .
2) Dois planos 𝜋1 e 𝜋2 são perpendiculares se e somente
se um deles contém uma reta perpendicular ao outro.
EXEMPLO 1
Calcule o ângulo entre os planos 𝜋1 : −𝑦 + 1 = 0 e 𝜋2 : 𝑦 +
𝑧 + 2 = 0.
EXEMPLO 2
Encontre a equação cartesiana do plano 𝜋 ′ perpendicular
ao plano 𝜋: 𝑥 − 2𝑦 + 2𝑧 = 1 que contém a reta 𝑟 =
Ԧ ∈ ℝ , onde A(1,0,1) e 𝑣Ԧ = 1,3,2 .
𝐴 + 𝑡𝑣/𝑡
ÂNGULOS DE INCIDÊNCIA DE UMA RETA NUM PLANO
Sejam 𝑟 uma reta e 𝜋 um plano no espaço. Supondo
que 𝑟 intersecta 𝜋 num único ponto P.
Consideramos a reta ℓ que passa pelo ponto P e é
perpendicular ao plano 𝜋. Se 𝜃 é o ângulo entre as retas 𝑟
e ℓ, o ângulo de incidência ∠ 𝑟, 𝜋 da reta 𝑟 no plano 𝜋 é
𝜋
o complementar do ângulo 𝜃, ou seja, ∠ 𝑟, 𝜋 = − 𝜃,
2
logo, se 𝑤 é um vetor normal a 𝜋 e 𝑣Ԧ é um vetor paralelo
a 𝑟,
𝜋 𝑣∙𝑤
sen ∠ 𝑟, 𝜋 = sen − 𝜃 = cos 𝜃 =
2 𝑣 𝑤
Quando a reta 𝑟 está contida em 𝜋 ou é paralela a 𝜋,
dizemos que o ângulo de incidência é zero. Observe que a
fórmula vale também nesses casos pois, 𝑣Ԧ ⊥ 𝑤.
EXEMPLO
Calcule o seno do ângulo entre a reta 𝑟 e o plano 𝜋, onde
𝑥=𝑡
𝑟: ൝𝑦 = 2𝑡 − 1, 𝑡 ∈ ℝ e 𝜋: 𝑥 − 2𝑦 + 3 = 0.
𝑧=4
DISTÂNCIA DE UM PONTO A UM PLANO
A distância 𝑑(𝑃𝑜 , 𝜋) do ponto 𝑃𝑜 ao plano 𝜋 é a menor
das distâncias de 𝑃𝑜 a um ponto 𝑃 de 𝜋:
𝑑 𝑃𝑜 , 𝜋 = min 𝑑 𝑃𝑜 , 𝑃 /𝑃 ∈ 𝜋 .
Seja 𝑃∗ o ponto de intersecção de 𝜋 com a reta 𝑟 que
passa por 𝑃𝑜 e é perpendicular a 𝜋. Se 𝑃 é um ponto
qualquer do plano 𝜋 , diferente de 𝑃∗ , obtemos, pelo
teorema de Pitágoras aplicado ao triângulo retângulo
𝑃𝑜 𝑃∗ 𝑃, que:
2
𝑑 𝑃𝑜 , 𝑃 = 𝑑 𝑃𝑜 , 𝑃∗ 2
+ 𝑑 𝑃 ∗ , 𝑃 2 > 𝑑 𝑃𝑜 , 𝑃∗ 2
⇒ 𝑑 𝑃𝑜 , 𝑃 >
𝑑 𝑃𝑜 , 𝑃∗
Logo,
𝑑 𝑃𝑜 , 𝜋 = min 𝑑 𝑃𝑜 , 𝑃 /𝑃 ∈ 𝜋 = 𝑑 𝑃𝑜 , 𝑃∗ .
DISTÂNCIA DE UM PONTO A UM PLANO
Se 𝑃𝑜 = 𝑥𝑜 , 𝑦𝑜 , 𝑧𝑜 e 𝜋: 𝑎𝑥 + 𝑏𝑦 + 𝑐𝑧 = 𝑑 num sistema de
eixos ortogonais OXYZ, as equações paramétricas de 𝑟
são:
𝑥 = 𝑥𝑜 + 𝑎𝑡
𝑟: ቐ𝑦 = 𝑦𝑜 + 𝑏𝑡 ; 𝑡 ∈ ℝ
𝑧 = 𝑧𝑜 + 𝑐𝑡
Como 𝑃∗ ∈ 𝑟 ∩ 𝜋, 𝑃∗ = 𝑥𝑜 + 𝑎𝑡 ∗ , 𝑦𝑜 + 𝑏𝑡 ∗ , 𝑧𝑜 + 𝑐𝑡 ∗ , para
algum valor de 𝑡 ∗ ∈ ℝ tal que 𝑎 𝑥𝑜 + 𝑎𝑡 ∗ + 𝑏 𝑦𝑜 + 𝑏𝑡 ∗ +
𝑐 𝑧𝑜 + 𝑐𝑡 ∗ = 𝑑. Então,
𝑎2 + 𝑏 2 + 𝑐 2 𝑡 ∗ = 𝑑 − 𝑎𝑥𝑜 − 𝑏𝑦𝑜 − 𝑐𝑧𝑜 ⇔
𝑎𝑥𝑜 +𝑏𝑦𝑜 +𝑐𝑧𝑜 −𝑑

𝑡 =− .
𝑎2 +𝑏2 +𝑐 2
DISTÂNCIA DE UM PONTO A UM PLANO
Assim,
𝑑 𝑃𝑜 , 𝑃∗ = 𝑃𝑜 𝑃∗ = 𝑎𝑡 ∗ , 𝑏𝑡 ∗ , 𝑐𝑡 ∗ = 𝑡 ∗ 𝑎, 𝑏, 𝑐 =
∗ 𝑎𝑥𝑜 +𝑏𝑦𝑜 +𝑐𝑧𝑜 −𝑑
𝑡 𝑎, 𝑏, 𝑐 = − 𝑎, 𝑏, 𝑐 =
𝑎2 +𝑏2 +𝑐 2
𝑎𝑥𝑜 +𝑏𝑦𝑜 +𝑐𝑧𝑜 −𝑑 𝑎𝑥𝑜 +𝑏𝑦𝑜 +𝑐𝑧𝑜 −𝑑
2 𝑎, 𝑏, 𝑐 =
𝑎,𝑏,𝑐 𝑎,𝑏,𝑐
Ou seja, a distância do ponto 𝑃𝑜 = 𝑥𝑜 , 𝑦𝑜 , 𝑧𝑜 ao plano
𝜋: 𝑎𝑥 + 𝑏𝑦 + 𝑐𝑧 = 𝑑 é dada pela fórmula:
𝑎𝑥𝑜 + 𝑏𝑦𝑜 + 𝑐𝑧𝑜 − 𝑑
𝑑 𝑃𝑜 , 𝜋 =
𝑎2 + 𝑏 2 + 𝑐 2
EXEMPLO
Calcule a distância do ponto A(1,2,3) ao plano 𝜋: 2𝑥 + 𝑦 −
5𝑧 = 4.
DISTÂNCIA ENTRE DOIS PLANOS
A distância 𝑑 𝜋1 , 𝜋2 entre os planos 𝜋1 e 𝜋2 é a menor
distância de um ponto de 𝜋1 e um ponto de 𝜋2 :
𝑑 𝜋1 , 𝜋2 = 𝑚𝑖𝑛 𝑑 𝑃, 𝑄 /𝑃 ∈ 𝜋1 𝑒𝑄 ∈ 𝜋2 .
Note que:
 se 𝜋1 e 𝜋2 são coincidentes ou concorrentes, então
𝑑 𝜋1 , 𝜋2 = 0.
 Se 𝜋1 e 𝜋2 são planos paralelos, suponhamos 𝑃1 ∈ 𝜋1 e
𝑅1 o pé da perpendicular baixada do ponto 𝑃1 sobre o
plano 𝜋2 . Se 𝑃 ∈ 𝜋1 , 𝑄 ∈ 𝜋2 e 𝑅 é o pé da perpendicular
baixada do ponto 𝑃 sobre o plano 𝜋2 , segue, pelo
teorema de Pitágoras e pelo fato de 𝑃𝑃1 𝑅1 𝑅 ser um
retângulo, que: 𝑑 𝑃, 𝑄 ≥ 𝑑 𝑃, 𝑅 = 𝑑 𝑃1 , 𝑅1 .
DISTÂNCIA ENTRE DOIS PLANOS
Assim,
𝑑 𝜋1 , 𝜋2 = 𝑑 𝑃1 , 𝑅1 = 𝑑 𝑃1 , 𝜋2 , qualquer que seja 𝑃1
∈ 𝜋1 .
Se 𝑃1 = 𝑥1 , 𝑦1 , 𝑧1 , 𝜋1 : 𝑎𝑥 + 𝑏𝑦 + 𝑐𝑧 = 𝑑1 e 𝜋2 : 𝑎𝑥 + 𝑏𝑦 +
𝑐𝑧 = 𝑑2 são o ponto 𝑃1 e os planos 𝜋1 e 𝜋2 dados num
sistema de eixos ortogonais OXYZ, então:
𝑎𝑥1 +𝑏𝑦1 +𝑐𝑧1 −𝑑2 𝑑1 −𝑑2
𝑑 𝜋1 , 𝜋2 = 𝑑 𝑃1 , 𝜋2 = =
𝑎2 +𝑏2 +𝑐 2 𝑎2 +𝑏2 +𝑐 2
EXEMPLO
Calcule a distância entre os planos 𝜋1 : 𝑥 + 2𝑦 + 𝑧 = 2 e
𝜋2 : 2𝑥 + 4𝑦 + 2𝑧 = 6.
DISTÂNCIA ENTRE UMA RETA E UM PLANO
A distância 𝑑 𝑟, 𝜋 entre uma reta 𝑟 e um plano 𝜋 é
dada por:
𝑑 𝑟, 𝜋 = 𝑚𝑖𝑛 𝑑 𝑃, 𝑄 /𝑃 ∈ 𝑟 𝑒 𝑄 ∈ 𝜋 .
Nota-se que:
 Se 𝑟 ∩ 𝜋 ≠ ∅ (𝑟 ⊂ 𝜋 ou 𝑟 ∩ 𝜋 = 𝑃 ), então 𝑑 𝑟, 𝜋 = 0;
 Se 𝑟 ∩ 𝜋 = ∅, isto é, 𝑟 é paralela a 𝜋, suponhamos 𝑃1 ∈
𝑟 e 𝑅1 o pé da perpendicular baixada do ponto𝑃1 sobre o
plano 𝜋. Então,
𝑑 𝑃, 𝑄 ≥ 𝑑 𝑃, 𝑅 ≥ 𝑑 𝑃1 , 𝑅1 ,
Qualquer que seja 𝑃 ∈ 𝑟 𝑒 𝑄 ∈ 𝜋 , onde 𝑅 é o pé da
perpendicular baixada do ponto 𝑃 sobre o plano 𝜋. Logo,
𝑑 𝑟, 𝜋 = 𝑑 𝑃1 , 𝑄1 = 𝑑 𝑃1 , 𝜋 , qualquer que seja 𝑃1 ∈ 𝑟 .
EXEMPLO
Mostre que a reta 𝑟 é paralela ao plano 𝜋 e calcule
𝑑 𝑟, 𝜋 , onde:
𝑥+2 3𝑦+1 1−𝑧
𝑟: = = e 𝜋: 2𝑥 − 3𝑦 + 6𝑧 = −3
6 −6 3