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06/12/2017 Pensamento filosófico: Uma maneira de pensar o mundo - Pesquisa Escolar - UOL Educação

Pensamento filosófico: Uma


maneira de pensar o mundo
Antonio Carlos Olivieri, Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
28/08/2006 09h17

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A filosofia não é um conjunto de conhecimentos prontos, um sistema acabado,


fechado em si mesmo. A filosofia é uma maneira de pensar e é também uma
postura diante do mundo.

Antes de mais nada, ela é uma forma de observar a realidade que procura pensar
os acontecimentos além da sua aparência imediata. Ela pode se voltar para
qualquer objeto: pode pensar sobre a ciência, seus valores e seus métodos; pode
pensar sobre a religião, a arte; o próprio homem, em sua vida cotidiana.

Uma história em quadrinhos ou uma canção popular podem ser objeto da reflexão
filosófica. Há alguns anos, foi publicado no Brasil, um livro chamado "Os Simpsons
e a Filosofia", que tratava das questões filosóficas implícitas no famoso desenho
animado da TV.

Como o próprio Bart Simpson, a filosofia é um jogo irreverente que parte do que
existe, critica, coloca em dúvida, faz perguntas importunas, abre a porta das
possibilidades, faz entrever outros mundos e outros modos de compreender a vida.

Uma disciplina indisciplinada

Por isso, a filosofia incomoda, pois ela questiona o modo de ser das pessoas, das
sociedades, do mundo. Discute as práticas política, científica, técnica, ética,
econômica, cultural e artística. Não há área onde ela não se meta, não indague, não
perturbe. E, nesse sentido, a filosofia pode ser perigosa ou subversiva, pois pode
virar a ordem estabelecida de cabeça para baixo.

Quando surgiu entre os gregos (http://educacao.uol.com.br/disciplinas/filosofia/pre-


socraticos-origens-da-filosofia-e-os-primeiros-filosofos-gregos.htm), no século 6
a.C., a filosofia englobava tanto a indagação filosófica propriamente dita, quanto
aquilo que hoje é chamado de conhecimento científico. O filósofo refletia e teorizava
sobre todos os assuntos, procurando responder não só ao porquê das coisas, mas,
também, ao como, ou seja, ao modo pelo qual elas acontecem ou "funcionam".

Euclides, Tales e Pitágoras, por exemplo, foram filósofos que também se dedicaram
ao estudo da geometria. Aristóteles
(http://educacao.uol.com.br/disciplinas/filosofia/aristoteles-o-mundo-da-experiencia-
as-quatro-causas-etica-e-politica.htm), por sua vez, investigou problemas físicos e
astronômicos, na medida em que esses problemas também interessavam à cultura
e à sociedade de sua época.

O saber científico

Só a partir do século 17, com o aperfeiçoamento do método científico


(http://educacao.uol.com.br/ciencias/ult1686u50.jhtm) - baseado na observação, na
experimentação e matematização dos resultados -, a ciência tal qual a entendemos
hoje começou a se constituir, como uma forma específica de abordagem do real

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que se destacava ou desprendia da filosofia propriamente dita.

Afastando-se da filosofia por se tornarem mais específicas, apareceram pouco a


pouco as ciências particulares, que investigam determinados aspectos da realidade:
à física interessam os movimentos dos corpos; à biologia, a natureza dos seres
vivos; à química, as transformações das substâncias; à astronomia, os corpos
celestes; à psicologia, os mecanismos do funcionamento da mente humana; à
sociologia, a organização social, etc.

O conhecimento fragmenta-se entre as várias ciências, pois cada uma se ocupa


somente de uma parte do real. Estudam os fenômenos que pertencem à sua área
específica e pretendem mostrar como estes ocorrem e como se relacionam com
outros fenômenos. A posse do conhecimento sobre os fenômenos naturais e
humanos gera a possibilidade de prevê-los e controlá-los.

Integração e totalidade

Por outro lado, a filosofia trata dessa mesma realidade, só que - em vez de separá-
la em conhecimentos particulares e estanques - considera-a no interior da totalidade
de fenômenos, ou seja, procura enxergar a realidade a partir de uma visão de
conjunto. Qualquer que seja o problema, a reflexão filosófica considera cada um de
seus aspectos, relacionando-o ao contexto dentro do qual ele se insere e
restabelecendo a integridade do universo humano.

Sob o ponto de vista filosófico, por exemplo, é impossível considerar os problemas


econômicos do Brasil somente a partir de princípios de economia. É necessário
relacioná-la com os interesses das diversas classes sociais, os interesses políticos,
os interesses nacionais, etc.

Um país economicamente instável é um país política e socialmente instável. Já para


a ciência econômica, estrito senso, isso não vem ao caso. Seu foco é verificar como
a inflação ou a recessão funciona para poder controlá-la, independentemente dos
reflexos que esse controle tenha para a sociedade. (Evidentemente, estamos
falando das coisas teoricamente, e portanto podemos isolá-las. Na prática, nem
sempre é assim que isso ocorre. O alemão Karl Marx fez da economia um elemento
essencial de sua doutrina filosófica).

Perguntas e mais perguntas

Por isso, sem desmerecer o conhecimento especializado das várias ciências, a


reflexão filosófica é sempre - mais do que necessária - obrigatória. Cabe ao filósofo
refletir sobre o que é ciência, o que é método científico, qual a sua validade e seus
limites.

A ciência é realmente um conhecimento objetivo? O que é a objetividade e até que


ponto um sujeito histórico - o cientista - pode ser objetivo, isto é, isento de
interesses pessoais? Cabe ao filósofo, também, refletir sobre a condição humana
atual: o que é o homem? O que é liberdade? O que é trabalho? Quais as relações
entre homem e trabalho? É possível existir uma outra ordem social?

A própria escola é alvo de reflexão filosófica. A educação pressupõe uma visão do


homem como um ser incompleto, que pode ser aprimorado, educado, ao contrário
dos animais, que não precisam ser educados, pois orientam-se pelos instintos. Só
os educamos, ou domesticamos, para acomodá-los às nossas necessidades
humanas.

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O caso dos homens é diferente, sem dúvida, mas, para que o ser humano é
educado? Para o exercício da liberdade e da responsabilidade ou só para se inserir
na ordem estabelecida? Em outras palavras, a educação ocorre para cada homem
saber pensar por si próprio ou para aceitar as regras que outros pensaram para
ele?

A filosofia quer encontrar o significado mais profundo dos fenômenos. Não basta
saber como funcionam, mas o que significam na ordem geral do mundo humano. A
filosofia emite juízos de valor ao julgar cada fato, cada ação em relação ao todo. A
filosofia vai além daquilo que é, para propor como poderia ser. E, portanto,
indispensável para a vida de todos nós, que desejamos ser seres humanos
completos, cidadãos livres e responsáveis por nossas escolhas.

Antonio Carlos Olivieri, Da Página 3 Pedagogia & Comunicação é escritor, jornalista e diretor da Página
3 Pedagogia & Comunicação.

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