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Universidade Estadual de Maringá

Centro de Tecnologia
Departamento de Engenharia Civil

“Exercícios Resolvidos da Disciplina


Estruturas Em Concreto III: Fundações”
Prof. Dr. Rafael Alves de Souza

Maringá, Novembro de 2009.


Exercício 1) Dimensionar e detalhar as armaduras da sapata rígida abaixo. Desprezar a
influência do peso próprio das abas da sapata, bem como, o peso próprio do solo sobre
as abas.

2,70

0,70
2,40 0,40

Dados:

Nk = 3500 kN (Já incluso o peso próprio da sapata);


Barras de arranque do pilar com barras de φ16 mm;
Concreto C20 e Aço CA50;
Comprimento básico de ancoragem = 44φ;
Cobrimento = 5 cm;
h = 70 cm;
τ2d ≤ 0,15.fcd ; γf = 1,4 ; γn = 1,2 (Ver capítulo 22 da NBR6118)

Resolução

• Determinação dos Dados Iniciais

3500
σ solo = = 540 kPa = 0,54 MPa = 0,054 kN/cm 2
2,40.2,70

c = 2,70/2 − 0,70 = 1,0 m


ci ≤  a
c b = 2,40/2 − 0,40 = 1,0 m

 0,8.l b = 0,8.44.0,016 = 0,56 m


2 2
h ≥  c i = .100 = 0,67 m → 0,70 m (Adotado)
3 3
 0,25 m

 0,20 m

h o ≥  h 0,70
 3 = 3 = 0,25 m

d = h − c = 0,70 − 0,05 = 0,65 m


• Verificação ao Cisalhamento na Seção S2a

d 1a = h − c = 0,70 − 0,05 = 0,65 m < 1,5.c a = 1,5.1,00 = 1,50 m


d 1b = h − c = 0,70 − 0,05 = 0,65 m < 1,5.c b = 1,5.1,00 = 1,50 m
d 1a 0,65
c 2a = c a − = 1,00 - = 0,675 m
2 2
c 0,675
h 2a = h o + (h − h o ). 2a = 0,25 + (0,70 − 0,25). = 0,55 m
ca 1,00
d 2a = h 2a − c = 0,5537 − 0,05 = 0,50 m < 1,5.c 2a = 1,5.0,675 = 1,01 m
b 2a = b p + d 1b = 0,40 + 0,65 = 1,05 m
b 2a + b 1,05 + 2,40
A 2a = .c 2a = .0,675 = 1,16 m 2 = 11600 cm 2
2 2

V2a = A 2a .σ solo = 11600.0,054 = 626 kN

γ f .V2a 1,4.626 2,0


τ 2d = = = 0,166 kN/cm 2 < τ ud = 0,15.f cd = 0,15. = 0,214 kN/cm 2
b 2a .d 2a 105.50 1,4

* Observar que a verificação à força cortante foi apenas feita na seção mais crítica.

• Dimensionamento à Flexão na Seção S1a

(c a + 0,15.a) 2 1,105 2
M 1a = b.σ solo . = 2,40.540. = 791,2 kN.m
2 2

A s,min = 0,001.b1 .h 1 = 0,001.100.70 = 7,0 cm 2 /m

M d,1a 791,2.1,4
A sa = = = 48,9 cm 2
0,8.d 1 .f yd 0,8.0,65.43,48

A sa 48,9
a sa = = = 20,4 cm 2 /m → φ16 mm c/10 cm
b 2,40
(c b + 0,15.b) 2 1,06 2
M 1b = a.σ solo . = 2,70.540. = 819 kN.m
2 2
A s,min = 0,001.b1 .h 1 = 0,001.100.70 = 7,0 cm 2 /m

M d,1b 819.1,4
A sb = = = 50,7 cm 2
0,8.d 1 .f yd 0,8.0,65.43,48

A sb 50,7
a sb = = = 18,78 cm 2 /m → φ16 mm c/10 cm
a 2,70

Observação: De acordo com o item 22.1 da NBR6118, tendo em vista a responsabilidade de


elementos especiais, tais como sapatas, blocos de fundação, consolos, dentes gerber e vigas-
parede, deve-se majorar as solicitações de cálculo por um coeficiente adicional γn = 1,2.
Aplicando o coeficiente supracitado nas equações acima observa-se que a segurança estaria
garantida contra o cisalhamento, porém as armaduras deveriam apresentar um espaçamento
relativamente inferior ao obtido para o exemplo proposto. Como recomendação, sugere-se o
recálculo do presente exercício adotando-se os novos coeficientes da NBR6118.
Exercício 2) Dimensionar um bloco de fundação (fundação rasa) para suportar uma
carga característica centrada de 1700 kN aplicada por um pilar de 35 x 60 cm.
Desprezar o peso próprio do bloco, utilizar concreto C20 e tensão admissível do solo
σadm) igual a 0,4 MPa.

Resolução

• Dimensionamento da Base

De acordo com a NBR6118, item 24.6.2, a área da base de blocos de fundação deve ser
determinada a partir da tensão admissível do solo para cargas não majoradas e a espessura
média do bloco não deve ser menor do que 20 cm. Conforme o item 6.4.1 da NBR6122, a
base do bloco não deve ter dimensão em planta inferior a 60 cm. Adicionalmente, o item
6.3.1.1 da NBR6122 recomenda que a área de fundação solicitada por cargas centradas deve
ser tal que que a pressão distribuída ao terreno, admitida uniformemente distribuída, seja
menor ou igual a pressão admissível. Dessa maneira, tem-se que:

Pk 1700
A= = = 4,25 m 2 → 2,10 x 2,10 m
σs 400

• Dimensionamento do Bloco

Para o dimensionamento do bloco deve-se utilizar o item 6.3.2.2 da NBR6122, conforme a


seguir:

σ ct = 0,4.f tk = 0,4.(0,06.20 + 0,7) = 0,76 MPa ≤ 0,8 MPa(Item 6.3.2.2)


f tk = 0,06.f ck + 0,7 (p/a f ck > 18 MPa)
σ 
arctg(β) =  adm + 1
 σ ct 
0,40
arctg ( β ) = + 1 = 1,526 → β = 56,76 o
0,76
a = 2,10 m
b = 2,10 m
a o = 0,60 m
b o = 0,35 m
a − ao 2,10 - 0,60
h= tgβ = tg(56,76 o ) = 1,14 m
2 2
b − bo 2,10 - 0,35
h= tgβ = tg(56,76 o ) = 1,33 m
2 2
• Dimensão Final do Bloco

Logo o bloco deverá apresentar dimensões em planta de 2,10 x 2,10 m e altura de 1,35 m.
Além disso, o bloco poderá ser escalonado, de maneira a economizar concreto, conforme
ilustra a figura a seguir:
Exercício 3) Dimensionar um tubulão de base circular para um pilar de 30 x 30 cm,
sujeito a uma carga característica de 1200 kN. Adotar concreto C20 e tensão admissível
σadm) no solo igual a 0,6 MPa.

Resolução

• Diâmetro da Base

4.Pd 4.1,4.1200
D= = = 1,89 m → 1,90 m
π. σ s 3,14.600

• Diâmetro do Fuste

Deve-se observar que o diâmetro do fuste não deve ser inferior a 80 cm, objetivando a
facilidade de operação de escavação do tubulão. O dimensionamento é feito conforme o item
7.8.18 da NBR6122:

2,63.Pk 2,63.1200
Af = = = 1578 cm 2
f ck 2,0
π.φ fuste 4.A f
Af = → φ fuste =
4 π
4.A f 4.1578
φ fuste = = = 44,83 cm → 80 cm(Adotado)
π 3,14

• Altura da Base

Conforme o item 7.8.17.1 da NBR6122, não deve ser adotada altura da base superior a 2,0 m.
Dessa maneira, tendo-se em vista a utilização de tubulão sobre base circular, tem-se:

H = 0,866.(D − φ fuste ) = 0,866.(1,90 − 0,80) = 0,953 m → H = 1,0 m < 2,0 m

Exercício 4) Dimensionar um tubulão em falsa elipse para um pilar de 30 x 30 cm,


sujeito a uma carga característica de 1200 kN. O pilar encontra-se próximo à divisa,
com afastamento de 63 cm em relação ao seu centro geométrico. Adotar concreto C20 e
tensão admissível (σadm) no solo igual a 0,6 MPa.

Resolução

• Diâmetro do Fuste

Deve-se observar que o diâmetro do fuste não deve ser inferior a 80 cm, objetivando a
facilidade de operação de escavação do tubulão. O dimensionamento é feito conforme o item
7.8.18 da NBR6122:

2,63.Pk 2,63.1200
Af = = = 1578 cm 2
f ck 2,0
π.φ fuste 4.A f
Af = → φ fuste =
4 π
4.A f 4.1578
φ fuste = = = 44,83 cm → 80 cm(Adotado)
π 3,14

• Base do Tubulão

Tendo-se em vista que a base do tubulão é em falsa elipse e considerando que o pilar tem a
sua face afastada da divisa de 47,5 cm, a base terá suas dimensões limitadas pelas condições
de divisa. Como não é necessário colocação de fôrmas, visto que a base do tubulão é
concretada contra o próprio solo, não é necessário deixar folga de 2,5 cm para a base. Dessa
maneira, a dimensão b pode ser tomada como sendo igual a 63 x 2 = 126 cm (Adotado 130
cm) e a dimensão x será igual a:

π.b 2 P
+ b.x = d
4 σs
π.1,30 2 1,4.1200
+ 1,30.x = → x = 1,13 m → x = 1,15 m
4 600
a = x + b = 1,15 + 1,30 = 2,45 m
a/b = 2,45/1,30 = 1,88 < 2,5 → Ok!

x = 1,15 m

b = 1,30 m

a = 2,45 m

• Altura da Base do Tubulão

Conforme o item 7.8.17.1 da NBR6122, não deve ser adotada altura da base superior a 2,0 m.
Dessa maneira, tendo-se em vista a utilização de tubulão sobre base circular, tem-se:

H = 0,866.(a − φ fuste ) = 0,866.(2,45 − 0,80) = 1,42 m → H = 1,45 m < 2,0 m


Exercício 5) Para os pilares abaixo, projetar a fundação em blocos sobre estacas do tipo
Strauss com diâmetro de 32 cm (e = 120 cm, capacidade de 300 kN), bem como,
dimensionar a viga-alavanca de maneira solucionar o problema.

Resolução

• Esquema Estrutural

No projeto de fundações por estacas, quando se tem pilar situado junto à divisa do terreno, a
excentricidade resultante exige o emprego de viga-alavanca ou de equilíbrio. Na divisa, até
um número de quatro, as estacas são colocadas alinhadas, para que se tenha a menor
excentricidade possível. É importante lembrar que o centro de gravidade das estacas deve
estar sobre o eixo da viga-alavanca. A viga-alavanca é normalmente feita com seção variável
e o dimensionamento é feito a partir dos diagramas de esforços. Para o caso em estudo, tem-se
o seguinte esquema estrutural, tendo-se em vista que o afastamento uma estaca Strauss de 32
cm em relação à divisa é igual a 20 cm:
• Cálculo das Reações nas Estacas

∑F y =0
R 1 + R 2 = P1 + P2
R 1 + R 2 = 400 + 900
R 1 + R 2 = 1300 kN

∑M R2 = 0 (+, sentido horário)


620.R 1 = 622,5.P1
620.R 1 = 622,5.400
R 1 = 401,613 kN ∴ R 2 = 1300 − 401,613 = 898,387 kN

• Número de Estacas por Pilar

Pk 401,613
Pilar P1 → ne = = = 1,33 → 2 estacas
Padm 300
P 898,387
Pilar P2 → ne = k = = 2,99 → 3 estacas
Padm 300

Observar que o número de estacas é sempre calculado em função das cargas características.

• Diagrama de Esforços da Viga-Alavanca


Com base nos esforços apresentados acima, pode-se dimensionar as armaduras longitudinais e
tranversais da viga-alavanca:

d = 0,9.h = 36 cm
x 23 = 0,259.d = 9,324 cm
x 34 = 0,628.d = 25,12 cm
 Md 
x = 1,25.d.1 − 1 − 2 
 0,425.b w .d .f cd 
 
 1,4.100.10 
x = 1,25.36.1 − 1 −  = 1,355 cm < x 23 → Dominio 2
 0,425.30.36 .2 2,0 
 1,4 

Md 1,4.100.10
As = = = 0,908 cm 2
f yd (d − 0,4.x) 43,48.(36 − 0,4.1,355)
A s, min = 0,15%.b w .h = 1,80 cm 2 → 3φ10mm

Observação: Como sugestão, sugere-se o cálculo da armadura transversal da viga-alavanca


utilizando os modelos disponíveis na NBR6118.
Exercício 6) Dimensionar e detalhar as armaduras do muro de arrimo à flexão em
concreto armado apresentado abaixo, sendo conhecidos os seguintes dados:

Dados:
γsolo = 18 kN/m3;
σadm = 100 kN/m2 ;
φ = 30o;
c = 25 kN/m2 (coesão);
Concreto C20;
Aço CA50A;
Cobrimento = 2,5 cm.

Resolução

• Carregamentos Atuantes

Pa = γ solo .h.tg 2 (45 − φ/2) = 18.3.tg 2 (45 − 30/2) = 18 kN/m 2


G p = 25.h p .(h − h b ) = 25.0,15.(3,0 − 0,15) = 10,69 kN/m
G b = 25.h b .B = 25.0,15.1,50 = 5,62 kN/m
G s = (B - b1 − h p ).(h − h b ).γ solo = (1,5 − 0,5 − 0,15).(3,0 - 0,15).18 = 43,60 kN/m
h 3
E s = Pa . = 18. = 27,00 kN/m
2 2
N k = G s + G b + G p = 43,6 + 5,62 + 10,69 = 59,91 kN/m
M k = G p .0,175 + E s .1,0 + G s .0,325 = 10,69.0,175 + 27.1,0 − 43,6.0,325 = 14,7 kN/m
Mk 14,7 B
e= = = 0,245 m < = 0,25 m
N k 59,91 6
(Pequena excentricidade, toda base será comprimida)
• Tensões Normais Atuantes na Base do Muro

Quando e ≤ B/6 tem-se:

 6.e  59,91  6.0,245 


Nk
σa = 1 + B  = 1,5 1 + 1,5  = 79,08 kN/m
2

B  
N  6.e  59,91  6.0,245 
σ b = k 1 −  = 1−  = 0,80 kN/m 2
B  B 1,5  1,5 
E, deve-se verificar:

 3.e 
Nk
σc =
B1 + B  ≤ σ adm
N  3.e  59,91  3.0,245 
σ c = k 1 +  = 1+  = 59,51 kN/m 2 ≤ σ adm = 100 kN/m 2
B  B 1,5  1,5 

• Verificação da Estabilidade Global (Tombamento)

Mt = Momento de tombamento (calculado em relação ao ponto A)


Mt = Es.1,0 = 27,0⋅1,0 = 27 kN.m/m

Mest = Momento estabilizante (calculado em relação ao ponto A)


Mest = Gp (b1 + hp/2) + Gs [B - (B - b1 - hp)/2] + Gb.B/2
Mest = 10,69⋅(0,5 + 0,15/2) + 43,6⋅[1,5 - (1,5 - 0,5 - 0,15)/2] + 5,62⋅1,5/2
Mest = 57,23 kN.m/m

FS = Fator de segurança = Mest / Mt = 57,23 / 27,0 = 2,12 ≥ 1,5 (Atendido).

• Verificação da Estabilidade Global (Escorregamento)

Hest = Força horizontal estabilizante


Hest = Nk⋅tg(2/3.φ) + (2/3).B⋅c (Válido para solos coesivos ou argilosos)
Hest = Nk⋅tg(2/3.φ) (Válido para solos granulares ou arenosos)

Hest = Nk⋅tg(2/3.φ) + (2/3).B⋅c


Hest = 59,91⋅tg(2/3. 30o) + (2/3).1,5⋅25 = 46,8 kN/m

FS = Fator de segurança = Hest / Es = 46,8 / 27,0 = 1,73 > 1,5 (Atendido).


• Dimensionamento da Armadura de Flexão

• Dimensionamento da Seção 1-2

17,1.2,85 2,85
m= . = 23,15 kN.m/m
2 3
n = G p = 10,69 kN/m (Compressão)

m 23,15
e= = = 2,16 m
n 10,69

Trata-se de um caso de flexo-compressão com grande excentricidade, uma vez que a força
normal encontra-se fora da seção, cuja largura é de 15 cm. Nestes casos pode-se, em geral,
deprezar a força normal no dimensionamento da seção. No entanto, no presente
dimensionamento, esse caminho não será escolhido, adotando-se o cálculo correto das
armaduras, conforme a seguir:
d = h - c - φ/2 = 15 - 2,5 - 1,0/2 = 12 cm
x 23 = 0,259.d = 0,259.12 = 3,10 cm
x 34 = 0,628.d = 0,628.12 = 7,53 cm
m s = m + n.(h/2 − c − φ/2) = 23,15 + 10,69.(0,15/2 − 0,025 − 0,01/2) = 23,63 kN.m/m
 m sd   1,4 ⋅ 23,63.100 
x = 1,25d 1 − 1 −  = 1,25 ⋅ 12.1 − 1 −  = 3,17 cm

2
0,425bd f cd   0,425 ⋅ 100 ⋅ 12 ⋅ 2,0/1,4 
2

m sd n 1,4 ⋅ 23,63.100 1,4 ⋅ 10,69


As = − d = − = 6,74 cm2/m (φ10c/10 cm)
f yd (d − 0,4x) f yd 43,48(12 − 0,4 ⋅ 3,17) 43,48

• Dimensionamento da Seção 2-4

0,85 2 (45,16 − 0,8).0,85 0,85


m = (51,3 + 3,75 − 0,8). − . = 14,26 kN.m/m
2 2 3
0,15
n = 18.0,85 − (17,1 + 18). = 12,67 kN/m (Tração)
2

m 14,26
e= = = 1,125 m
n 12,67

Trata-se de um caso de flexo-tração com grande excentricidade, uma vez que a força normal
encontra-se fora da seção, cuja largura é de apenas 15 cm. Nestes casos pode-se, em geral,
deprezar a força normal no dimensionamento da seção. No entanto, no presente
dimensionamento, esse caminho não será escolhido, adotando-se o cálculo correto das
armaduras, conforme a seguir:
d = h - c - φ/2 = 15 - 2,5 - 1,0/2 = 12 cm
x 23 = 0,259.d = 0,259.12 = 3,10 cm
x 34 = 0,628.d = 0,628.12 = 7,53 cm
m s = m − n.(h/2 − c − φ/2) = 14,26 − 12,67.(0,15/2 − 0,025 − 0,01/2) = 13,68 kN.m/m
 m sd   1,4 ⋅ 13,68.100 
x = 1,25d 1 − 1 −  = 1,25 ⋅ 12.1 − 1 −  = 1,74 cm

2
0,425bd f cd   0,425 ⋅ 100 ⋅ 12 2
⋅ 2,0/1,4 
m sd n 1,4 ⋅ 13,68.100 1,4 ⋅ 12,67
As = + d = + = 4,30 cm2/m (φ8 c/10 cm)
f yd (d − 0,4x) f yd 43,48(12 − 0,4 ⋅ 1,74) 43,48

• Dimensionamento da Seção 1-3

(52,99 − 3,75).0,5 2 (79,80 − 52,99).0,50 2


m= + . .0,50 = 8,33 kN.m/m
2 2 3

n = 18.0,50 = 9,0 kN/m (Compressão)

m 8,33
e= = = 0,926 m
n 9,0

Trata-se de um caso de flexo-compressão com grande excentricidade, uma vez que a força
normal encontra-se fora da seção, cuja largura é de 15 cm. Nestes casos pode-se, em geral,
deprezar a força normal no dimensionamento da seção. No entanto, no presente
dimensionamento, esse caminho não será escolhido, adotando-se o cálculo correto das
armaduras, conforme a seguir:
d = h - c - φ/2 = 15 - 2,5 - 1,0/2 = 12 cm
x 23 = 0,259.d = 0,259.12 = 3,10 cm
x 34 = 0,628.d = 0,628.12 = 7,53 cm
m s = m + n.(h/2 − c − φ/2) = 8,33 + 9,00.(0,15/2 − 0,025 − 0,01/2) = 8,73 kN.m/m
 m sd   1,4 ⋅ 8,73.100 
x = 1,25d 1 − 1 −  = 1,25 ⋅ 12.1 − 1 −  = 1,08 cm
 0,425bd 2 f cd   0,425 ⋅ 100 ⋅ 12 2 ⋅ 2,0/1,4 
m sd n 1,4 ⋅ 8,73.100 1,4 ⋅ 9,0
As = − d = − = 2,14 cm2/m (φ8c/20 cm)
f yd (d − 0,4x) f yd 43,48(12 − 0,4 ⋅ 1,08) 43,48

• Malha de Armadura Superficial Mínima

As,malha = 0,10%.b.h = 0,0010⋅100⋅15 = 1,5 cm2/m (φ6,3 c/20 cm)

• Verificação ao Cisalhamento (Seção 2-4)

17,1.2,85
Vk = = 24,36 kN/m.1,0m = 24,36 kN
2

Vd = γ f .Vk = 1,4.24,36 = 34,10 kN

VRd2 = 0,27.α v2 .f cd .b w .d

 f   20 
α v2 = 1 - ck  = 1 −  = 0,92
 250   250 
VRd2 = 0,27.0,92.1,43.100.12 = 426,25 kN

VRd2 = 426,25 kN > Vd = 34,10 kN (Atendido)

Vc = Vco = 0,6.f ctd .b w .d

0,7.f ctm 0,7.0,3.f ck2/3


f ctd = = = 1,10 MPa
γc 1,4

Vc = 0,6.0,11.100.12 = 79,92 kN > Vd = 34,10 kN

Logo, não são necessários estribos no muro de arrimo, uma vez que o concreto por si só é
capaz de absorver as tensões de cisalhamento.

• Detalhamento das Armaduras


Exercício 7) Dimensionar as armaduras da viga-parede apresentada abaixo, sabendo-se
que será utilizado concreto C30 e aço CA50. Adotar cobrimento das armaduras igual a
2,5 cm e considerar que no carregamento apresentado já está embutido o peso próprio
da estrutura.

Resolução

No presente problema será utilizada uma formulação simplificada, tendo-se em vista as


pequenas dimensões da estrutura. Primeiramente, procede-se ao cálculo do vão teórico e da
altura efetiva, visando determinar se efetivamente se trata de um caso de viga-parede.

• Vão Teórico

l = 405 cm ≤ 1,15.l o = 1,15.390 = 448,5 cm → l = 405 cm

• Relação Vão/Altura

l 405
= = 1,50 < 2,00 → Viga-Parede, de acordo com o item 22.2.1 da NBR6118
h 270

• Altura Efetiva

 l = 405 cm
he ≤  → h e = 270 cm
h = 270 cm

• Cálculo do Momento Máximo

p.l 2 (10 + 35).4,05 2


M d = γ n .γ f . = 1,2.1,4. = 155 kN.m
8 8
• Cálculo da Resultante de Tração na Armadura e Armadura Longitudinal Principal

Md
R sd = A s .f yd =
z
z = 0,2.(l + 2.h e ) → Para vigas-parede sobre dois apoios

z = 0,2.(4,05 + 2.2,70) = 1,89 m

M d 155
R sd = = = 82,01 kN
z 1,89
R sd = A s .f yd
R sd 82,01
As = = = 1,88 cm 2 → 3φ10mm
f yd 43,48

• Ancoragem da Armadura Longitudinal Junto aos Apoios

Conforme o item 22.2.4.2 da NBR6118 a armadura de flexão deve ser prolongada até os
apoios e aí ser bem ancorada. Não devem ser usados ganchos no plano vertical, dando-se
preferência a laços ou grampos no plano horizontal, bem como dispositivos especiais. No
modelo simplificado a ancoragem da armadura junto à face dos apoios deve garantir a
resultante de tração igual a 0,8.Rsd.

Força a ser ancorada:


R sd,apoio = 0,8.R sd = 0,8.82,01 = 65,608 kN

Largura disponivel para ancoragem:


adisp = 15 – 2,5 = 12,5 cm

Tensão de Aderência:
f bd = η1 .η1 .η1 . f ctd
f ctd = 0,15. f ck2 / 3 = 0,15.30 2 / 3 = 1,448 MPa
f bd = 2,25.1,0.1,0.0,1448 = 0,326 kN/cm 2 = 3,26 MPa

Número de barras que devem chegar aos apoios:

R sd ,apoio = a disp .(π .φ .nbarras ). f bd


R sd ,apoio
nbarras =
a disp . f bd .π .φ

nbarras = 6,409 → 7 barras para φ = 8 mm;


nbarras = 5,127 → 6 barras para φ = 10 mm (Alternativa Adotada);
nbarras = 4,102 → 5 barras para φ = 12,5 mm;
• Arranjo da Armadura Longitudinal Principal

Conforme pode ser observado, será adotado 6 barras de 10 mm, ou 3 camadas com 2 barras de
10 mm que serão distribuídas conforme a seguir:

a s = 0,25.h e − 0,05.l < 0,15.h → Altura medida a partir da face inferior da viga que a
armadura principal deve ser distribuida para vigas-parede sobre dois apoios, de acordo com o
item 22.2.4.1 da NBR6118

a s = 0,25.2,70 − 0,05.4,05 = 0,473 m < 0,15.2,70 = 0,405 m → a s = 0,40 m

• Cálculo das Armaduras de Alma

Deve-se dispor armaduras em malha, posicionada na alma, de maneira a absorver pequenas


tensões de tração inclinadas e manter pequenas aberturas de fissuras.

A sv = A s = 0,075%.b.h → Armadura horizontal e vertical por face conforme item


22.2.4.3 da NBR6118

A sv = A sh = 0,075%.b.h = 0,075%.15.270 = 3,083 cm 2

A sv 3,083
a sv = = = 0,779 cm 2 /m → Face
lo 3,90
a sv = 2.0,779 cm 2 /m = 1,558 cm 2 /m → Total (φ5 c/25 cm na forma de estribos verticais)

A quantidade mínima de armadura vertical ainda precisa ser comparada com a armadura de
suspensão, conforme recomenda o item 22.2.4.3 da NBR6118.

A sh 3,083
a sh = = = 1,142 cm 2 /m → Face
h 2,70
a sh = 2.1,142 cm 2 /m = 2,284 cm 2 /m → Total (φ5 c/14 cm na forma de estribos horizontais)

• Cálculo das Armaduras de Suspensão

Z susp = 35 kN/m
Z d = γ f .γ n .Z susp = 1,4.1,2.35 = 58,8 kN/m
Zd 58
A susp = = = 1,334 cm 2 /m
f ywd 43,48

Como Asusp < asv , adota-se armadura vertical na alma igual a 1,558 cm2/m (φ5 c/25 cm na
forma de estribos fechados) visando atender o item 22.2.4.3 da NBR6118.

• Armaduras de Apoio

Nas vizinhanças dos apoios, recomenda-se introduzir armadura complementar de mesmo


diâmetro da armadura da alma, conforme apresentado na figura abaixo:
a 1 = b1 = 0,2.h e = 0,2.2,70 = 0,54 m
a 2 = 0,3.h e = 0,3.2,70 = 0,810 m
b 2 = 0,5.h e = 0,5.2,70 = 1,35 m

• Verificação ao Cisalhamento

No caso simplificado, a verificação do cisalhamento junto aos apoios pode ser feita conforme
a seguir:

1,4.1,2.(10 + 35).3,90
Vd,max = = 147,42 kN
2
Vd, max 147,42
τ wd = = = 0,036 kN/cm 2 < 0,10.f cd = 0,30 kN/cm 2
b.h e 15.270

• Verificação das Zonas de Apoio

No caso simplificado, a reação de apoios extremos deve ser limitada conforme a seguir:

R d,limite = 0,8.b.(c + h o ).f cd < Vd,max

Onde b = espessura da viga-parede, c = largura do apoio e ho = altura de um eventual


enrigecimento junto à parte inferior da viga (laje de fundo, por exemplo).

3,0
R d,limite = 0,8.15.(15 + 0). = 385,714 kN < Vd, max = 147,42 kN → Ok!
1,4

 Atividade Sugerida: Detalhar as armaduras dimensionadas anteriormente com o


auxílio do programa AutoCAD e apresentá-las ao docente responsável para certificação
do dimensionamento efetuado!
Exercício 8) Para o canal de concreto indicado abaixo, calcular e esquematizar (bitola,
espaçamento e posição da armadura na seção) a armadura da seção 1 na laje de fundo
do canal.

15 285 15 Dados:
Nível D´Água
fck = 20 MPa
40
Aço CA50
γágua = 10kN/m3
210 γconcreto = 25 kN/m3
1 ½ vão c = 2,5 cm
15
φl,disponivel = 10 mm

300
(unidades: cm)

Resolução

Conforme pode-se observar, a seção central estará submetida a uma situação de flexo-tração,
caso a estrutura seja pensada como uma viga biapoiada com as ações de força normal e
momento fletor reduzidos aos extremos da viga, conforme a seguir:

• Determinação das Ações na Viga Central (Seção 1)


g = 21 kN/m²
g = 3,75 kN/m²
M1 M1

S1 N1
N1

plaje = γconcreto.hlaje = 25.0,15 = 3,75kN/m2


pa = γágua.h = 10.2,10 = 21 kN/m2
Ea = pa.h/2 = 21.2,1/2 = 22,05 kN/m
Braço em relação ao centro da seção em análise = (1/3).h + (1/2).hlaje
Braço em relação ao centro da seção em análise = (1/3).2,10 + (1/2).0,15=0,775 m

22,05 kN/m
2,1
0,70
21
0,075
N1 = 22,05 kN/m (Tração)
M1 = 22,05.0,775 = -17,09 kN.m/m

A seção S1 estará submetida a uma flexo-tração com grande excentricidade, conforme a


seguir:

N = 22,05 kN/m e
M = [(21 + 3,75).(3)2/8 ] – 17,09 = 10,75 kN.m/m
e = M / N = 10,75 / 22,05 = 0,488 m > h / 6 = 0,15/6 = 0,025 m

M=(24,75.9)/8 - 17,09 = 10,75 kN/m

N=22,05 kN/m

O problema de flexo-tração com grande excentricidade pode ser facilmente resolvido através
do seguinte procedimento:

d = h - c - φ/2 = 15 - 2,5 - 1,0/2 = 12 cm


x 23 = 0,259.d = 0,259.12 = 3,10 cm
x 34 = 0,628.d = 0,628.12 = 7,53 cm
m s = m − n.(h/2 − c − φ/2) = 10,75 − 22,05.(0,15/2 − 0,025 − 0,01/2) = 9,758 kN.m/m
 m sd   1,4 ⋅ 9,758.100 
x = 1,25d 1 − 1 −  = 1,25 ⋅ 12.1 − 1 −  = 1,22 cm
 0,425bd 2 f cd   0,425 ⋅ 100 ⋅ 12 2 ⋅ 2,0/1,4 
m sd n 1,4 ⋅ 9,758.100 1,4 ⋅ 22,05
As = + d = + = 3,44 cm2/m (φ10 c/20 cm)
f yd (d − 0,4x) f yd 43,48(12 − 0,4 ⋅ 1,22) 43,48
Exercício 9) Para o reservatório de concreto armado indicado abaixo, calcular as
armaduras resistentes. Utilizar concreto C25, aço CA50-A, cobrimento de armaduras de
3,0 cm, sobrecarga na tampa de 3,0 kN/m2 e revestimento (impermeabilização e
acabamento) igual a 1,0 kN/m2. Adicionalmente, considerar que o reservatório será
enterrado sobre um solo constituído de areia grossa e seca (γγsolo = 16 kN/m3, k = 0,43 e φ
= 35o) sem possibilidade de remoção do material nas laterais da estrutura.

Resolução

Conforme pode-se observar, trata-se de um reservatório a ser armado verticalmente, cujos


esforços podem ser obtidos através da análise de um anel de comprimento unitário.
Inicialmente são determinadas as ações atuantes sobre a estrutura, de maneira a preparar o
modelo estrutural para obtenção dos esforços:
• Carga Atuante na Tampa

Sobrecarga = 3,0 kN/m2


Revestimento = 1,0 kN/m2
Peso Próprio = 0,12.25 = 3,0 kN/m2
Carga Total = 7,0 kN/m2

• Carga Atuante no Fundo

Para o cálculo da carga no fundo, será considerado que a laje de fundo sirva de fundação para
o reservatório. Nesse caso, a reação da laje de fundo será igual à carga da tampa acrescida do
peso das paredes dividida pela área da base.

Peso das paredes = 2,0.(3,24.0,12 + 8.0,12).2,0.25 = 134,88 kN

Carga no Fundo = Carga das Paredes + Carga da Tampa

Carga no Fundo = [134,88 / (8,24.3,24)] + 7,0 = 12,05 kN/m2

Tensão no Terreno = Carga no Fundo + Carga da Coluna d’Água + Laje de Fundo

Tensão no Terreno = 12,05 + 10.1,70 + 25.0,12 = 32,05 kN/m2

• Carga Atuante nas Paredes

Empuxo de água: Ea = γágua.h = 10.1,70 = 17 kN/m2

Empuxo de solo: Es = k. γsolo.h = 0,43.16.2,12 = 14,58 kN/m2

Diferença entre o empuxo de solo e água = 17 – 14,58 = 2,42 kN/m2

• Modelo Estrutural para Cálculo dos Esforços

Para o cálculo dos esforços atuantes na estrutura será considerado um anel de largura unitária
sujeito as condições de reservatório cheio e vazio. Para tanto, os esforços são obtidos através
da adequada descrição das propriedades da seção transversal, conforme a seguir:

A = b.h = 1.0,12 = 0,12 m2


I = b.h3/12 = 1.0,123/12 = 0,00014 m4
a) Ações e Esforços para Reservatório Vazio
b) Ações e Esforços para Reservatório Cheio
• Cálculo das Armaduras do Anel

De maneira a otimizar a armação do reservatório será considerado o momento máximo de 8,6


kN.m para o cálculo de todas as armaduras principais, sendo desprezados os esforços normais
(pequenos em relação aos momentos). Como não há diferenças significativas entre os
momentos encontrados, o procedimento sugerido ajuda a otimizar o cálculo das armaduras,
conforme a seguir:

d = h - c - φ/2 = 12 - 3,0 - 0,63/2 = 8,68 cm


x 23 = 0,259.d = 0,259.8,68 = 2,24 cm
x 34 = 0,628.d = 0,628.8,68 = 5,45 cm
A s,min = 0,15%.b.h = 0,15%.100.12 = 1,80 cm 2 /m
 Md   1,4 ⋅ 8,60.100 
x = 1,25d 1 − 1 −  = 1,25 ⋅ 8,68.1 − 1 −  = 1,20 cm

2
0,425bd f cd   0,425 ⋅ 100 ⋅ 8,68 2
⋅ 2,5/1,4 
Md 1,4 ⋅ 8,60.100
As = = = 3,37 cm2/m (φ6,3 c/9 cm)
f yd (d − 0,4x) 43,48(8,68 − 0,4 ⋅ 1,20)

 20%A s = 0,20.3,37 = 0,67 cm 2 /m



A s,distribuiç ão ≥ 0,9 cm 2 /m → A s,distribuiç ão = 0,90 cm 2 /m (φ6,3 c/33 cm)
0,5.A
s, min = 0,5.1,80 = 0,90 cm /m
2

• Cálculo das Lajes de Cabeceira

Tanto para a caixa cheia quanto para a caixa vazia observa-se a deformada apresentada
abaixo. Conforme pode-se observar, o fundo e a tampa da laje de cabeceira serão
considerados rotulados com as paredes.
Para determinação da condição de vinculação das paredes convém analisar a deformada do
reservatório em planta, especialmente das lajes de cabeceira, confome a figura abaixo:

Planta
(Cheio)

Planta
(Vazio)

Assumindo que momentos atuantes com o mesmo sentido conduzem a um nó rotulado e que
momentos atuantes em sentidos opostos conduzem a nós engastados, as condições de
contorno apresentadas abaixo serão assumidas para as lajes. Além disso, serão utilizadas as
Tabelas de Bares para o cálculo dos esforços, uma vez que as mesmas apresentam a
possibilidade de introdução de carregamentos triangulares.

Esforços para Reservatório Vazio:

l a 2,12 µ x = 4,21
= = 0,67 ≅ 0,65 → Tabela de Bares 2.4.a → 
lb 3,12  µ y = 1,92
pl 2
m=µ → l = menos valor entre la e lb e p = carga uniforme triangular
100

4,21.14,58.2,12 2
mx = = 2,75 kN.m/m
100

1,92.14,58.2,12 2
my = = 1,25 kN.m/m
100

Esforços para Reservatório Cheio:

 µ x = 3,15
l a 2,12 
= = 0,67 ≅ 0,65 → Tabela de Bares 2.4.b →  µ y = 1,96
lb 3,12 µ ' y = 5,42

2
pl
m=µ → l = menos valor entre la e lb e p = carga uniforme triangular
100

3,15.2,42.2,12 2
mx = = 0,343 kN.m/m
100

1,96.2,42.2,12 2
my = = 0,213 kN.m/m
100

5,42.2,42.2,12 2
m 'y = = 0,590 kN.m/m
100

De maneira a otimizar os cálculos, pode-se calcular a armadura positiva e negativa através do


maior momento obtido anteriormente, isto é, 2,75 kN.m/m. A armadura é então posicionada
na forma de estribos horizontais, de maneira a facilitar o processo construtivo.

d = h - c - φ/2 = 12 - 3,0 - 0,63/2 = 8,68 cm


x 23 = 0,259.d = 0,259.8,68 = 2,24 cm
x 34 = 0,628.d = 0,628.8,68 = 5,45 cm
A s,min = 0,15%.b.h = 0,15%.100.12 = 1,80 cm 2 /m (φ6,3 c/16 cm)

 Md   1,4 ⋅ 2,75.100 
x = 1,25d 1 − 1 −  = 1,25 ⋅ 8,68.1 − 1 −  = 0,37 cm

2
0,425bd f cd   0,425 ⋅ 100 ⋅ 8,68 ⋅ 2,5/1,4 
2

Md 1,4 ⋅ 2,75.100
As = = = 1,01 cm2/m < As,min = 1,80 cm2/m
f yd (d − 0,4x) 43,48(8,68 − 0,4 ⋅ 0,37)

Portanto, para as lajes de cabeceira serão utilizados estribos horizontais constituídos por
barras de φ 6,3 mm espaçadas a cada 16 cm. Para as barras verticais, serão utilizados estribos
constituídos por barras de φ 6,3 mm espaçadas a cada 33 cm, conforme a seguir.
 20%A s = 0,20.1,80 = 0,36 cm 2 /m

A s,distribuiç ão ≥ 0,9 cm 2 /m → A s,distribuiç ão = 0,90 cm 2 /m (φ6,3 c/33 cm)
0,5.A
s, min = 0,5.1,80 = 0,90 cm /m
2

 Atividade Sugerida: Detalhar as armaduras dimensionadas anteriormente com o


auxílio do programa AutoCAD e apresentá-las ao docente responsável para certificação
do dimensionamento efetuado!
Exercício 10) Para o reservatório de concreto armado indicado abaixo, calcular as
armaduras resistentes. Utilizar concreto C25, aço CA50-A, cobrimento de armaduras de
3,0 cm, sobrecarga na tampa de 3,0 kN/m2 e revestimento (impermeabilização e
acabamento) igual a 1,0 kN/m2. Adicionalmente, considerar que o reservatório será
enterrado em um solo argiloso (γγsolo = 17 kN/m3, φ = 30o) sem possibilidade de remoção
do material nas laterais da estrutura.

PLANTA CORTE VERTICAL

Resolução

Conforme pode-se constatar, tendo-se em vista as dimensões do reservatório, trata-se de uma


estrutura cujas lajes devem ser armadas nas duas direções ortogonais. Inicialmente são
determinadas as condições de vinculação das lajes, conforme a seguir:

• Condições de Vinculação para o Reservatório Vazio

Conforme pode-se observar pelas figuras abaixo, para o reservatório vazio o fundo e a tampa
estarão engastados com as paredes. As paredes também estarão totalmente engastadas entre si.

TAMPA

PAREDE
PAREDE

PAREDE
PAREDE

PAREDE

PAREDE FUNDO

a) Planta do Reservatório Vazio b) Corte do Reservatório Vazio


• Condições de Vinculação para o Reservatório Cheio

Conforme pode-se observar pelas figuras abaixo, para o reservatório cheio o fundo e a tampa
estarão rotulados com as paredes. Porém, as paredes estarão totalmente engastadas entre si.

TAMPA
PAREDE

PAREDE

PAREDE
PAREDE

PAREDE PAREDE FUNDO

a) Planta do Reservatório Cheio b) Corte do Reservatório Cheio

• Cálculo dos Empuxos Atuantes (Reservatório Vazio)

Para o caso do reservatório vazio, tem-se apenas o empuxo do solo, conforme a seguir:

k = tg 2 (45 − φ / 2 ) = tg 2 (45 − 30 / 2 ) = 0,333


Esolo = k.h.γ = 0,333.6,675.17 = 37,83 kN/m²
6,675 m

37,83 kN/m²

Trasnformando o carregamento triangular para um carregamento retangular (pode-se provar


que qretangular ≅ 0,67.qtriangular = 25,35 kN/m2), pode-se utilizar as Tabelas de Marcus para
cálculo dos esforços nas lajes do reservatório.

• Cálculo dos Empuxos Atuantes (Reservatório Cheio)

Para o caso do reservatório cheio, tem-se a atuação simultânea do empuxo do solo e de água,
conforme a seguir:

Esolo = k.h.γ = 0,333.6,675.17 = 37,83 kN/m² (Conforme apresentado anteriormente)


Eágua = γ.h = 10.6,40 = 64,00 kN/m2
0,359 m 0,275 m
1,56 kN/m²
6,675 m

6,40 m

6,041 m
Esolo E água 26,17 kN/m²

∑R = 0 ⇒ q ET − q H 2O = 0  0,333.17.x – 10.(x - 0,275) = 0  x = 0,634 m

Trasnformando o carregamento triangular para um carregamento retangular (pode-se provar


que qretangular ≅ 0,67.qtriangular = 17,53 kN/m2), pode-se utilizar as Tabelas de Marcus para
cálculo dos esforços nas lajes do reservatório.

• Cálculo dos Esforços Atuantes nas Paredes (Reservatório Vazio)

Conforme mencionado anteriormente, para o reservatório vazio o fundo e a tampa estarão


engastados com as paredes e as paredes também estarão totalmente engastadas entre si. Dessa
maneira, tem-se uma laje do Tipo 6 na Tabela de Marcus, conforme a seguir:

ly 6,675 m x = 52; n x = 22 
λ= = ⇒ λ = 1,03   
lx 6,50 m y = 56; n y = 24

2
p.l x 25,35.6,50 2
Mx = =  Mx = 20,60 kN.m/m
mx 52
2
p.l x 25,35.6,50 2
My = =  My = 19,13 kN.m/m
my 56
2
p.l x 25,35.6,50 2
Xx = =  Xx = 48,68 kN.m/m
nx 22
2
p.l x 25,35.6,50 2
Xy = =  Xy = 44,63 kN.m/m
ny 24

• Cálculo dos Esforços Atuantes nas Paredes (Reservatório Cheio)

Conforme mencionado anteriormente, para o reservatório vazio o fundo e a tampa estarão


rotulados com as paredes e as paredes estarão totalmente engastadas entre si. Dessa maneira,
tem-se uma laje do Tipo 4 na Tabela de Marcus, conforme a seguir:
ly 6,675 m x = 36; n x = 14
λ= = ⇒ λ = 1,03   
lx 6,50 m y = 57; n y = 0 

2
p.l x 25,35.6,50 2
Mx = =  Mx = 29,75 kN.m/m
mx 36
2
p.l x 25,35.6,50 2
My = =  My = 18,79 kN.m/m
my 57
2
p.l 25,35.6,50 2
Xx = x =  Xx = 76,50 kN.m/m
nx 14

• Cálculo dos Esforços Atuantes na Tampa (Reservatório Vazio)

Conforme mencionado anteriormente, para o reservatório vazio a tampa estará engastada com
as paredes. Dessa maneira, tem-se uma laje do Tipo 6 na Tabela de Marcus, conforme a
seguir:

Peso Próprio da Laje = 0,15m x 25 kN/m³ = 3,75 kN/m²


Revestimento = 1,0 kN/m²
Sobrecarga = 1,0 kN/m²
Total = 5,75 kN/m2

ly6,50 m x = 56; n x = 24 
λ= = ⇒ λ = 1,00   
l x 6,50 m y = 56; n y = 24
2
p.l x 5,75.6,50 2
Mx = My = =  Mx = My = 4,34 kN.m/m
mx 56
2
p.l x 5,75.6,50 2
Xx = Xy = =  Xx = Xy = 10,12 kN.m/m
nx 24

• Cálculo dos Esforços Atuantes na Tampa (Reservatório Cheio)

Conforme mencionado anteriormente, para o reservatório vazio a tampa estará rotulada com
as paredes. Dessa maneira, tem-se uma laje do Tipo 1 na Tabela de Marcus, conforme a
seguir:

ly6,50 m x = 27 
λ= = ⇒ λ = 1,00   
l x 6,50 m y = 27
2
p.l x 5,75.6,50 2
Mx = My = =  Mx = My = 9,00 kN.m/m
mx 27
• Cálculo dos Esforços Atuantes no Fundo (Reservatório Vazio)

Conforme mencionado anteriormente, para o reservatório vazio o fundo estará engastado com
as paredes. Dessa maneira, tem-se uma laje do Tipo 6 na Tabela de Marcus, conforme a
seguir:

Peso da Tampa = 5,75 kN/m²

Revestimentos das Paredes:


Externo: 0,3 kN/m²

q. APAR 4.0,3.6,70.6,85
p revestimento ,externo = = = 1,30 kN / m 2
AFUNDO 6,50.6,50

Interno: 0,6 kN/m²

q. APAR 4.0,6.6,30.6,50
p revestimento ,int erno = = = 2,33 kN / m 2
AFUNDO 6,50.6,50

Peso Próprio das Paredes:

Peso das Paredes 4.25.0,20.6,675.6,50


p paredes = = = 20,54 kN / m 2
Área de Fundo 6,50.6,50

Carga Total Atuante no Fundo = 5,75 + 1,30 + 2,33 + 20,54 = 29,92 kN/m2

ly 6,50 m x = 56; n x = 24 
λ= = ⇒ λ = 1,00   
lx 6,50 m y = 56; n y = 24

2
p.l x 29,92.6,50 2
Mx = My = =  Mx = My = 22,57 kN.m/m
mx 56
2
p.l x 29,92.6,50 2
Xx = Xy = =  Xx = Xy = 52,67 kN.m/m
nx 24

• Cálculo dos Esforços Atuantes na Tampa (Reservatório Cheio)

Conforme mencionado anteriormente, para o reservatório vazio o fundo estará rotulado com
as paredes. Dessa maneira, tem-se uma laje do Tipo 1 na Tabela de Marcus, conforme a
seguir:

ly
6,50 m x = 27 
λ= = ⇒ λ = 1,00   
l x 6,50 m y = 27
2
p.l x 29,92.6,50 2
Mx = My = =  Mx = My = 46,82 kN.m/m
mx 27
• Envoltória dos Momentos Fletores Atuantes nas Lajes

Antes de se estabelecer a envoltória dos momentos fletores atuantes nas lajes é necessário
fazer a compensação dos momentos negativos, conforme a seguir:

 X1 + X 2 
 
X COMP > 2 , onde X 1 > X 2
0,8 * X 1 

Para o engastamento entre as paredes e a laje da tampa, tem-se:

 X 1 + X 2 44,63 + 10,12 
 = = 27,38
X COMP > 2 2  = 35,70 kN .m / m
0,8 * X 1 = 0,8.44,63 = 35,70 

Para o engastamento entre as paredes e a laje do fundo, tem-se:

 X 1 + X 2 52,67 + 44,63 
 = = 48,65
X COMP > 2 2  = 48,65 kN .m / m
0,8 * X 1 = 0,8.52,67 = 42,14 

Dessa maneira, os momentos finais e as armaduras a serem utilizadas no reservatório são


dadas conforme a seguir:

M φ
d x x23 x34 As,calc As,min
As,adot
Posição (kN.m/m) (mm) (cm) (cm) (cm) (cm) (cm²/m) (cm²/m)
φ6,3mm c/
TAMPA 9,00 6,3 11,69 0,92 3,03 2,56 2,25
11,0cm
φ12,5mm c/
TAMPA/PAREDE 35,70 12,5 11,38 4,26 2,95 11,88 3,00
10,0cm
PAREDE φ10mm c/
19,13 10 16,50 1,38 4,27 3,86 3,00
(maior direção) 20,0cm
PAREDE φ10mm c/
29,75 10 16,50 2,20 4,27 6,13 3,00
(menor direção) 12,5cm
φ16mm c/
PAREDE/PAREDE 76,50 16 16,20 6,48 4,20 18,10 3,00
11,0cm
φ12,5mm c/
PAREDE/FUNDO 48,65 12,5 16,38 3,77 4,24 10,54 3,00
11,0cm
φ12,5mm c/
FUNDO 46,82 12,5 16,38 3,62 4,24 10,10 3,00
11,0cm
10,12
44,63 35,70

76,50
76,50
76 29,75
76
,5 ,5
0 0

19,13
44,63
76,50 52,67 48,65 76,50

10,12
10,12

52,67
52,67

44,63
44,63
44,63
44,63

19,13 46,82 19,13

29,75
29,75

46,82

35,70
35,70

48,65
48,65

76,50 52,67 48,65 76,50


44,63

76 29,75 76
,5 ,5
0 0
19,13

76,50
76,50

44,63 35,70
10,12