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UNIVERSIDADE DE UBERABA

Sistemas digitais e amplificadores operacionais

Luiz Pessoa Vicente Neto


Kety Rosa de Barros
Thiago Bruno Caparelli

Uberaba - MG
2011
© 2011 by Universidade de Uberaba
Todos os direitos de publicação e reprodução, em parte ou no todo, reservados para a
Universidade de Uberaba.

Reitor:
Marcelo Palmério

Pró-Reitora de Ensino Superior:


Inara Barbosa Pena Elias

Pró-Reitor de Logística para Educação a Distância:


Fernando César Marra e Silva

Assessoria Técnica:
Ymiracy N. Sousa Polak

Produção de Material Didático:


• Comissão Central de Produção
• Subcomissão de Produção

Editoração:
Supervisão de Editoração
Equipe de Diagramação e Arte

Capa:
Toninho Cartoon

Edição:
Universidade de Uberaba
Av. Nenê Sabino, 1801 – Bairro Universitário
Sobre os autores

Luiz Pessoa Vicente Neto

Graduado em Engenharia Elétrica em Telecomunicações pela Universidade de Uberaba


(2003). Técnico em Eletrônica e em Telecomunicações. Professor dos cursos de
Engenharias e Gestor do curso de Engenharia Elétrica nas modalidades presencial e a
distância da Universidade de Uberaba - UNIUBE.

Kety Rosa de Barros

Mestre (2006) em Engenharia Biomédica pela Universidade Federal de Uberlândia, com


experiência em desenvolvimento de hardware e software para aquisição e processamentos
de sinais biomédicos. Graduada em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de
Uberlândia (UFU). Professora na Universidade de Uberaba, atuando nas áreas de
eletricidade, eletrônica, telecomunicações e inteligência artificial.

Thiago Bruno Caparelli

Mestre (2007) em Engenharia Biomédica pela Universidade Federal de Uberlândia, com


experiência em desenvolvimento de sistemas de telemetria para aquisição e processamento
de sinais biológicos. Graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de
Uberlândia (UFU). Professor na Universidade de Uberaba, nas áreas de eletrônica,
microprocessadores, redes de comunicação e automação industrial.
Sumário

Apresentação....................................................................................................................................05

Capítulo 1 – Sistemas de numeração, circuitos lógicos e álgebra booleana...........................06

Capítulo 2 – Dispositivos seqUenciais e lógicos...........................................................................32

Capítulo 3 – Famílias lógicas, memórias e circuitos integrados.................................................50

Capítulo 4 – Amplificadores operacionais – conceitos básicos..................................................72

Capítulo 5 – Tipos de amplificadores operacionais...................................................................106

Capítulo 6 – Amplificadores não lineares e filtros ativos...........................................................138

4
Apresentação
Caro(a) aluno(a)

Você está recebendo um livro da Universidade de Uberaba, ofertado na modalidade a


distância, composto por seis capítulos sobre Sistemas Digitais e Amplificadores
Operacionais.

Os capítulos que compõem este material são:


1- Sistemas de numeração, Circuitos lógicos e Álgebra Booleana;
2- Dispositivos Sequenciais e Lógicos;
3- Famílias Lógicas, Memórias e Circuitos Integrados;
4- Amplificadores Operacionais – Conceitos Básicos;
5- Tipos de amplificadores operacionais;
6- Amplificadores não lineares e filtros ativos.

Nos três primeiros capítulos relacionados aos Sistemas Digitais, estudaremos a lógica
que compõe a eletrônica digital. Para tanto, você verá a álgebra Booleana, os dispositivos
que efetuam funções lógicas. Dentre os dispositivos, veremos os flip-flop’s, registradores,
codificadores, decodificadores, multiplexadores e demultiplexadores, assim como os
dispositivos de memória e os circuitos aritméticos e lógicos.

Em seguida, nos três outros capítulos, estudaremos os amplificadores. Você


aprenderá os tipos de amplificadores operacionais, enfocando os não lineares e filtros
ativos. Os conceitos trabalhados são importantes para a compreensão dos circuitos
eletrônicos - funcionamento e análise fundamentais para a prática do engenheiro eletricista.

Desejamos que continue com a dedicação e empenho demonstrados até agora.

Bons estudos!

5
1 Sistemas de numeração, circuitos lógicos e álgebra
booleana
Luiz Pessoa Vicente Neto

Introdução
Até agora, em nossos estudos, pudemos conhecer um pouco sobre a eletrônica analógica.
A denominação analógica é devido a essa eletrônica trabalhar com níveis de tensão
contínuos, ou seja, os valores de tensão nos circuitos podem variar a uma gama infinita de
valores, sendo limitados apenas pelos tipos de circuitos e elementos constituintes.

Neste capítulo, iniciaremos os estudos dos sistemas digitais, também conhecidos como
eletrônica digital. Nesta eletrônica, já não trabalharemos mais com inúmeros valores de
tensão, e sim com apenas dois valores específicos, o zero volts (0 V) e cinco volts (5 V).
Daí, o nome de sistemas digitais.

Os dispositivos digitais estão presentes em muitos equipamentos que utilizamos hoje, no


nosso dia a dia, como computadores, calculadoras, relógios digitais, e muitos dispositivos de
controle utilizados em indústrias. Eles constituem uma das mais bonitas e interessantes
temáticas abordadas em nosso curso de Engenharia Elétrica. Neste sentido, aprenderemos
muitos conceitos novos, assim como aplicações de outros já vistos para criar circuitos que,
com bases em informações presentes em suas entradas, nos darão a resposta desejada na
saída.

Diante do exposto, você pode compreender um pouco o quanto o estudo de sistemas


digitais será importante para a sua formação, e, consequentemente, um bom aprendizado
da eletrônica digital terá implicações benéficas em sua atuação profissional. Para tanto,
neste capítulo, faremos uma abordagem dos sistemas de numeração existentes, assim
como a conversão entre estes sistemas. Teremos uma atenção especial com o sistema
binário, pois ele é a base dos estudos dos sistemas digitais. Vislumbraremos o sistema
BCD, muito importante para o trabalho com os dispositivos digitais. Em seguida,
conheceremos as portas lógicas, que são dispositivos que efetuam funções lógicas, e como
podemos utilizá-las para construir circuitos lógicos. Circuitos esses que serão um dos
grandes focos de nossos estudos. Ainda, aprenderemos a trabalhar com a álgebra
Booleana, utilizando os teoremas booleanos para a simplificação de expressões lógicas e,
consequentemente, dos circuitos lógicos.

Objetivos
Ao finalizar os estudos propostos neste capítulo, você estará apto(a) a:
• identificar os sistemas de numeração existentes;
• explicar os conceitos básicos, relativos aos sistemas digitais;
• identificar os tipos de portas lógicas existentes;
6
• analisar e explicar o funcionamento de um circuito lógico;
• analisar e implementar um circuito lógico com base em sua expressão lógica;
• aplicar os conceitos da álgebra Booleana para a simplificação de expressões lógicas.

Esquema
1. Sistemas de Numeração
1.1 Sistema Decimal
1.2 Sistema Binário
1.3 Sistema Octal
1.4 Sistema Hexadecimal
1.5 Conversão entre sistemas de bases diferentes
1.5.1 Conversão de Decimal para Binário
1.5.2 Conversão de Binário para Decimal
1.5.3 Conversão de Decimal para Octal
1.5.4 Conversão de Octal para Decimal
1.5.5 Conversão de Binário para Octal
1.5.6 Conversão de Octal para Binário
1.5.7 Conversão de Decimal para Hexadecimal
1.5.8 Conversão de Hexadecimal para Decimal
1.5.9 Conversão de Binário para Hexadecimal
1.5.10 Conversão de Hexadecimal para Binário
1.5.11 Conversão de Hexadecimal para Octal
1.5.12 Conversão de Octal para Hexadecimal
1.5.13 Código BCD (Binary Coded Decimal)
2. Portas Lógicas
2.1 Tabela-Verdade
2.2 Porta OR ou Porta OU
2.3 Porta AND ou Porta E
2.4 Porta NOT ou Porta Inversora
2.5 Porta NAND ou Porta NÃO-E
2.6 Porta NOR ou Porta NÃO-OU
2.7 Porta XOR ou Porta OU-EXCLUSIVA
2.8 Porta XNOR ou Porta NÃO-OU-EXCLUSIVA
3. Circuitos Lógicos
3.1 Expressão Lógica
3.2 Álgebra Booleana
3.2.1 Teoremas Booleanos
3.2.2Teoremas de DeMorgan
3.3 Mapa de Karnaugh
3.3.1 Montagem do Mapa de Karnaugh
3.3.2 Formas de agrupamentos
3.4 Condições sem Importância (Don’t Care)

1. Sistemas de numeração

1.1 Sistema Decimal

O sistema de numeração decimal, também chamado de base 10, é o sistema de numeração


mais comum existente, pois é o sistema que utilizamos no nosso dia a dia. Ele é composto

7
por 10 caracteres: 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9. Com esses dez caracteres, podemos
representar qualquer valor numérico.

1.2 Sistema binário

O sistema binário (base 2) foi um sistema criado para ser utilizado em circuitos e
dispositivos eletrônicos, pois possui apenas dois caracteres: 0 e 1. A criação deste sistema
se deve ao fato de que, para que possamos representar um valor, ou um caractere, em um
sistema eletrônico, necessitamos de um nível de tensão. Então, se fôssemos utilizar o
sistema decimal em circuitos eletrônicos, necessitaríamos de dez níveis distintos de tensão
para qualquer circuito. Isto faria qualquer dispositivo eletrônico, por mais simples que fosse,
ficar com um tamanho elevado, e, de certa forma, inviabilizando toda a eletrônica existente
hoje. Desta forma, foi criado o sistema binário, trabalhando apenas com dois caracteres:

Caractere Nível de tensão (Volts)


0 0 – 0,8
1 2–5

Para que possamos representar um valor em decimal, necessitaremos de uma combinação


de zeros e uns. Porém, estaremos sempre limitados a quantidades de bits do dispositivo.

• Contagem binária

Agora, iremos compreender como funciona basicamente o sistema binário, pois ele é o
principal alvo de nossos estudos em digitais.

contagem, da seguinte forma: 2 , em que n é o número de bits.


Primeiro, precisamos saber que a quantidade de bits é que determina o valor máximo de

Sendo assim, se trabalharmos com 4 bits, teremos 16 combinações, ou seja, poderemos


contar de 0 a 15, pois em binário sempre o primeiro valor de contagem é a contagem zero.

Valor em binário Correspondente em Decimal


0000 0
0001 1
0010 2
0011 3
0100 4
0101 5
0110 6
0111 7
1000 8
1001 9
1010 10
1011 11
1100 12
1101 13
1110 14
1111 15

8
Note que na numeração em binário, em alguns aspectos é semelhante à numeração em
decimal, pois o bit mais à direita é chamado de Bit Menos Significativo (LSB), e o bit mais à
esquerda é o chamado de Bit Mais Significativo (MSB).

Repare, também, que o LSB varia sempre a cada contagem, o próximo bit varia de dois bits
em dois, o terceiro varia de quatro em quatro bits, o próximo (MSB), varia de oito em oito
bits, ou seja, eles variam por oitava (1, 2, 4, 8, 16, 32, 64,...).

1.3 Sistema Octal

O sistema Octal (base 8) é chamado desta forma, pois possui apenas 8 caracteres: 0, 1, 2,
3, 4, 5, 6, 7.

A principal aplicação do Sistema Octal é servir como um sistema de endereçamento para os


primeiros computadores digitais. Hoje, este sistema não é muito mais utilizado, pois os
novos computadores utilizam o Sistema Hexadecimal, que veremos, a seguir.

1.6 Sistema Hexadecimal

Neste sistema, conhecido como de base 16, existem 16 caracteres: 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9,


A, B, C, D, E, F.

Os caracteres de A até F representam os valores de 10 até 15. Esta é a grande vantagem


do Hexa, pois ele utiliza apenas um caractere para representar dois. Com isso, pode-se
conseguir uma gama maior de combinações utilizando menos bits.

A maioria dos computadores existentes hoje utiliza este sistema, tanto para endereçamento,
quanto para controle, pois como ele possui 16 caracteres, pode-se representar um número
maior de endereços utilizando menos bits para isso.

1.7 Conversão entre sistemas de bases diferentes

Algumas vezes, em digitais, podemos utilizar dois ou mais sistemas de numeração ao


mesmo tempo, por isso devemos saber como converter um valor de um sistema para outro.
Então, vamos aprender!

1.5.1 Conversão de Decimal para Binário

Para efetuar esta conversão, vamos utilizar um método chamado de divisão sucessiva.
Neste método, o valor em decimal é dividido sucessivamente pelo valor da base do binário
(2).

Exemplo 1

Converter 13 para binário:

Então, dividimos o número 13 sucessivamente por dois, até o ponto em que não é mais
possível, ou seja, o quociente é zero, então, o valor 1 do dividendo desce para o resto.

9
Agora, analisamos o resultado “pegando”, de baixo para cima, os restos: 01101 ou 1101 ,
pois podemos desconsiderar o zero à esquerda.

Agora é a sua vez

Atividade 1

Converta 56 para binário

1.5.2 Conversão de Binário para Decimal

Para efetuar esta conversão, utilizaremos um sistema de potência de 2, pois cada dígito

significativo (MSB), ou seja, da direita para esquerda, começaremos com 2 até 2 .


binário possui um peso, começando do bit menos significativo (LSB), até o bit mais

Exemplo 2

Converter 110100101 para decimal:

10
O processo de conversão funciona da seguinte forma: (2 ∙ 1) + 2 ∙ 0) + 2 ∙ 1) + … e
assim por diante.

Agora é a sua vez

Atividade 2

Converta 10010011 para decimal.

1.5.3 Conversão de Decimal para Octal

Para efetuar esta conversão, vamos utilizar o método da divisão sucessiva, da mesma forma
que utilizamos de decimal para Octal, porém o valor em decimal será dividido
sucessivamente pelo valor da base do octal (8).

Exemplo 3

Converter 173 para octal:

173 = 255

Então, como fizemos na conversão de decimal para binário, repetimos o processo, porém
dividimos o número 173 sucessivamente por oito (pois, ele é a base octal) até o ponto em
que não é mais possível, ou seja, o quociente é zero, então, o valor 2 do dividendo desce
para o resto. E, por último, “pegamos” os restos de baixo para cima.

Agora é a sua vez

Atividade 3

Converta 297 para octal:

1.5.4 Conversão de Octal para Decimal

Para efetuar esta conversão, iremos utilizar o método semelhante que usamos na conversão
de decimal para binário, ou seja, um sistema de potência de 8, pois cada dígito binário

(MSB), ou seja, da direita para esquerda, começaremos com 8 até 8 .


possui um peso, começando do bit menos significativo (LSB), até o bit mais significativo

11
Exemplo 4

Converter 7356 para decimal:

7356 = 3822

1.5.5 Conversão de Binário para Octal

Para convertermos um valor de binário para octal, basta dividirmos o código binário da
direita para a esquerda, de três em três bits e substituirmos este código binário em seu
respectivo caractere octal, de acordo com a tabela, a seguir:

Valor em binário Correspondente em Octal


000 0
001 1
010 2
011 3
100 4
101 5
110 6
111 7

Exemplo 5

Converter 1100101 para octal:

O primeiro passo, então, é dividir o valor em binário de três em


três bits, da direita para a esquerda.

Depois, se sobrarem um ou dois bits, devemos complementá-


los com zeros, para atender a quantidade necessária. Por
último, basta substituirmos cada código binário de três bits pelo
seu equivalente em octal.

1100101 = 145

Agora é a sua vez

Atividade 4

Converta 10100011 para octal:

12
1.5.6 Conversão de Octal para Binário

Da maneira semelhante que convertemos de binário para octal, podemos converter de octal
para binário, ou seja, cada dígito ou caractere octal deverá possuir um valor em binário de
três bits conforme a tabela, que vimos anteriormente.

Exemplo 6

Converter 5614 para binário:

Então, para cada dígito octal, basta substituirmos pelo seu


equivalente em binário de três bits.

5614 = 101110001100

1.5.7 Conversão de Decimal para Hexadecimal

Assim como fizemos as conversões de decimal para binário e de decimal para octal, será
feita a conversão de decimal para hexa, ou seja, utilizaremos o método da divisão
sucessiva. Porém, o valor em decimal será dividido pela base hexa (16).

Exemplo 7

Converter 987 para hexadecimal:

987 = 3

Então, como fizemos na conversão de decimal para binário, de decimal para octal,
repetimos o processo, porém dividimos o número 987, sucessivamente, por 16 (pois ele é a
base hexa) até o ponto em que não é mais possível, ou seja, o quociente é zero, então, o
valor 3 do dividendo desce para o resto. E, por último, “pegamos” os restos de baixo para
cima, e se houver valores acima de 9, substituímos estes valores pelos seus respectivos
caracteres.

1.5.8 Conversão de Hexadecimal para Decimal

Esta conversão também é semelhante, a de binário para decimal e de octal para decimal, ou
seja, um sistema de potência de 16, pois cada dígito hexadecimal possui um peso,

direita para esquerda, começaremos com 16 até 16 .


começando do bit menos significativo (LSB), até o bit mais significativo (MSB), ou seja, da

13
Exemplo 8

Converter 65 para decimal:

65 = 1701

1.5.9 Conversão de Binário para Hexadecimal

Para convertermos um valor de binário para hexadecimal, basta dividirmos o código binário
da direita para esquerda, de quatro em quatro bits e substituirmos este código binário em
seu respectivo caractere hexadecimal, de acordo com a tabela a seguir:

Valor em binário Correspondente em


Hexadecimal
0000 0
0001 1
0010 2
0011 3
0100 4
0101 5
0110 6
0111 7
1000 8
1001 9
1010 A
1011 B
1100 C
1101 D
1110 E
1111 F

Exemplo 9

Converter 1001010110 para hexadecimal:

O primeiro passo, então, é dividir o valor em binário de quatro


em quatro bits, da direita para esquerda.

Depois, se sobrarem um ou dois bits, devemos complementá-


los com zeros, para atender a quantidade necessária. Por
último, basta substituirmos cada código binário de quatro bits
pelo seu equivalente em hexadecimal.

1001010110 = 256
14
1.5.10 Conversão de Hexadecimal para Binário

Da maneira semelhante que convertemos de binário para hexadecimal, podemos converter


de hexa para binário, ou seja, cada dígito ou caractere hexa deverá possuir um valor em
binário de quatro bits, conforme a tabela, que vimos anteriormente.

Exemplo 10

Converter 7 para binário:

Então, para cada dígito hexa, basta substituirmos pelo


seu equivalente em binário de quatro bits.

7 = 11110101111

1.5.11 Conversão de Hexadecimal para Octal

Para que possamos converter um valor em hexadecimal para octal, precisamos,


primeiramente, converter este valor para binário, e, posteriormente, para octal.

Exemplo 11

Converter 46 para octal:

O primeiro passo é converter o valor em hexa para binário,


dividindo-o de quatro em quatro bits.

Após a conversão para binário, devemos dividir este valor de


três em três bits, da esquerda para a direita, para converter
este valor para octal.

46 = 6506

1.5.12 Conversão de Octal para Hexadecimal

Para que possamos converter um valor em octal para hexadecimal, devemos proceder de
maneira semelhante à conversão de hexa para octal, ou seja, precisamos primeiramente
converter o valor octal para binário e posteriormente para hexadecimal.

Exemplo 12

Converter 372 para hexadecimal:

O primeiro passo é converter o valor em octal para binário,


dividindo-os de três em quatro três.

15
Após a conversão para binário, devemos dividir este valor de
quatro em quatro bits, da esquerda para a direita para
converter este valor para hexadecimal.

372 = 

Agora é a sua vez

Atividade 5

Converta 973 para octal.

1.5.13 Código BCD (Binary Coded Decimal)

O código BCD, que veremos agora, não é um sistema numérico, e sim um código, ou seja, é
a codificação de cada um dos dez caracteres decimais em seu respectivo valor binário de
quatro bits.

É de grande importância o conhecimento deste código, pois, como veremos em breve,


inúmeros dispositivos eletrônicos, como displays e circuitos integrados, utilizam esta
codificação em seu funcionamento, portanto é fundamental que o aprendamos desde já.

Não devemos confundir o sistema binário com o código BCD, visto que o BCD é apenas
uma codificação dos dez caracteres decimais.

Exemplo 13

Converta o valor 15 para binário e BCD:

15 = 1111

15 = 0001 0101

Parada obrigatória

Lembre-se de que o BCD é um código e não um sistema numérico, por isso, para
converter um valor de BCD para outro sistema, este valor deve ser transformado
primeiramente para decimal, para, posteriormente, ser feita a conversão para a base
desejada. Da mesma forma, para converter um valor de qualquer base para BCD,
devemos, primeiro, converter este valor para decimal, para depois codificá-lo em
BCD.

2 Portas lógicas
Agora, iremos conhecer as portas lógicas, que são dispositivos eletrônicos que realizam
funções lógicas (multiplicação, soma, inversão), extremamente úteis e indispensáveis na

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eletrônica digital, pois com base nelas é que criamos os circuitos lógicos responsáveis pelo
controle de inúmeros equipamentos industriais e eletrônicos.

Antes de conhecer as principais portas lógicas, vamos aprender um pouco sobre a tabela-
verdade, pois ela é uma técnica utilizada para determinar a saída de um circuito ou
componente lógico de acordo com as variáveis presentes em sua entrada.

2.1 Tabela-Verdade

Como já foi dito anteriormente, a tabela-verdade é uma técnica utilizada para representar as
funções de um dispositivo ou componente. Ela nos informa, basicamente, o modo de
funcionamento do elemento em questão. A partir deste instante, iremos sempre trabalhar
com dispositivos que possuem tabelas-verdade, por isso o conhecimento desta técnica é
muito importante.

O tamanho da tabela é definido de acordo com a quantidade de variáveis de entrada do

(2 = 4), ou seja, todas as combinações possíveis utilizando as duas variáveis (0 e 1). A


elemento. Se o dispositivo possui 2 variáveis de entrada, teremos 4 possibilidades de saída

seguir, segue um exemplo:

Exemplo 14

Tabela-verdade para duas variáveis de entrada:

A B Saída Note que, para duas variáveis de entrada, existem


0 0 0 quatro (4) possibilidades, e essas possibilidades são
sempre idênticas a uma contagem em binário. Nesse
0 1 1
caso, de 0 a 3.
1 0 1
1 1 0

2.2 Porta OR ou Porta OU

A primeira das portas lógicas é conhecida como porta OR; esta porta lógica possui a função
lógica da soma.

Tabela-verdade
A B Saída
0 0 0
0 1 1
1 0 1
1 1 1
Figura 1: Símbolo da porta OR
Fonte: Acervo autor
S=A+B

Observe que, como a porta OR possui a função lógica da soma, sua saída só será zero se
todas as entradas forem zero, pois se pelo menos uma das entradas for nível lógico alto a
saída, então, será nível alto.
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Lembre-se! Se, pelo menos, uma das entradas for um, a sua saída será um.

2.3 Porta AND ou Porta E

A segunda das portas lógicas é conhecida como porta AND; esta porta lógica possui a
função lógica da multiplicação.

Tabela verdade
A B Saída (A.B)
0 0 0
0 1 0
1 0 0
1 1 1

Figura 2: Símbolo da porta AND


Fonte: Acervo autor

Observe que, como a porta AND possui a função lógica da multiplicação, sua saída só será
um se todas as entradas forem um, pois se pelo menos uma das entradas for nível lógico
baixo a saída, então será nível baixo.

Lembre-se! Se, pelo menos uma das entradas for zero, a sua saída será
zero.

2.4 Porta NOT ou Porta Inversora

A porta NOT, também conhecida como buffer inversor, tem a capacidade de inverter o sinal
lógico presente em sua entrada, ou seja, se o valor de entrada for zero, a saída será um, e
se a entrada for um a saída será zero.

Saída ()
Tabela verdade
A
Figura 3: Símbolo da porta NOT 0 1
Fonte: Acervo autor 1 0

Note que, na entrada da porta inversora, tem-se a variável  e, na saída, tem-se  (lê-se A
barrado ou não A). Esta barra sobre a variável representa inversão, e trabalharemos
bastante com esta barra daqui para frente.

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2.5 Porta NAND ou Porta NÃO-E

Podemos imaginar a porta NAND como a união de uma porta AND com uma NOT. Esta
porta existe, por ser bastante utilizada, e, como veremos em breve, através de algumas
NAND podemos criar qualquer outra porta.

Saída ( = !!!!!!
Tabela verdade
A B ∙ )
0 0 1
0 1 1
1 0 1
1 1 0
Figura 4: Símbolo da porta NAND
Fonte: Acervo autor

Observe que o resultado da porta NAND é o inverso da porta AND, ou seja, somente se
todas as suas entradas forem nível alto sua saída será nível baixo.

Lembre-se! Se pelo menos uma das entradas for zero, a sua saída será um.

2.6 Porta NOR ou Porta NÃO-OU

Podemos imaginar a porta NOR como a união de uma porta OR com uma NOT. A porta
NOR, assim como a NAND, existem, por serem bastante utilizadas, e como veremos em
breve, por meio de algumas NAND ou NOT, podemos criar qualquer outra porta.

Tabela verdade
A B Saída ( = !!!!!!!!
+ )
0 0 1
0 1 0
1 0 0
Figura 5: Símbolo da porta NOR
1 1 0
Fonte: Acervo autor

A porta NOR terá sempre em sua saída o resultado inverso da porta OR, ou seja, sua saída
só será um, se todas as entradas forem zero.

Lembre-se! Se pelo menos uma das entradas for um a sua saída será zero.

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2.7 Porta XOR ou Porta OU-EXCLUSIVA

digitais ( =  + !). Esta porta apresenta, em sua saída, um nível lógico alto sempre
A porta XOR, é uma porta que representa um circuito lógico muito utilizado em sistemas

que as suas duas entradas possuírem níveis lógicos diferentes.

Tabela verdade

A B Saída ( =  ⨁ B)

0 0 0
Figura 6: Símbolo da porta XOR
Fonte: Acervo autor 0 1 1
1 0 1
1 1 0

2.8 Porta XNOR ou Porta NÃO-OU-EXCLUSIVA

!!!!). Esta porta apresenta em sua saída um nível lógico alto


sistemas digitais ( =  + 
A porta XNOR, assim como a porta XOR, representa um circuito lógico muito utilizado em

sempre que as suas duas entradas possuírem níveis lógicos iguais.

Tabela verdade
A B Saída ( = !!!!!!!!
⨁B)
0 0 1
0 1 0
Figura 7: Símbolo da porta XNOR 1 0 0
Fonte: Acervo autor
1 1 1

3. Circuitos Lógicos
Utilizando as portas lógicas que acabamos de conhecer, podemos criar circuitos lógicos
que, de acordo com certas condições de entrada, apresentam em sua saída um nível lógico
alto ou baixo, de acordo com o desejo do projetista.

Nos circuitos lógicos, as variáveis de entrada podem ser representadas por sensores,
chaves, botões etc.

O projetista então determina que, com certa combinação de entrada, (combinação esta
definida pelo projetista) o circuito tenha em sua saída um certo nível lógico para ativar um
dispositivo.

Figura 8: Exemplo de um circuito lógico

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3.1 Expressão Lógica

Através do circuito lógico, podemos extrair a sua expressão lógica. Com a expressão lógica
de um circuito, podemos saber qual será o nível lógico da sua para qualquer conjunto de
valores presentes em suas variáveis de entrada.

Exemplo 15

1. Vamos extrair a expressão lógica do circuito anterior:

= !!!!!!!!!!!!!!!!!!!
) ∙  + $)

Com a expressão lógica do circuito, podemos supor o valor das variáveis de entrada para
obtermos o valor da saída.

2. Considerando A=1, B=1 e C=0, qual será o nível lógico de saída do circuito visto
anteriormente?

Então, basta substituirmos os valores das variáveis na expressão:

= !!!!!!!!!!!!!!!!!!!
) ∙  + $)

= !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
1 ∙ 1) ∙ 1 + 0)
!!!!!!!!!!!
= 1) ∙ 1)

= !!!!!
1)

=0

Portanto, considerando A=1, B=1 e C=0, o valor da saída do circuito lógico será zero.

Assim como pudemos retirar do circuito lógico a sua expressão lógica, podemos fazer o
contrário, ou seja, com base na expressão lógica criar o circuito lógico.

3. Desenhe o circuito lógico baseado na expressão: !!!!!!!!!!!!


= $) +  + $)

21
3.2 Álgebra booleana

A álgebra Booleana é uma ferramenta matemática desenvolvida para auxiliar a construção,


a análise e a simplificação de uma expressão lógica, por meio das entradas e saídas de um
circuito lógico.

3.2.1 Teoremas booleanos

Os Teoremas Booleanos constituem a Álgebra Booleana, e sua função é auxiliar a análise


de um circuito ou expressão lógica utilizando métodos matemáticos, além de simplificar as
expressões e, conseqüentemente, os circuitos lógicos.

(X) pode valer 0 ou 1. Porém, se X = 1, então X ≠ 0, e se X = 0, então X ≠ 1. Eles são


Nós conheceremos primeiro os teoremas de uma variável, em que esta variável em questão

chamados de Axiomas ou postulados da Álgebra Booleana.

0! = 1 1! = 0
0 ∙0=0 1 ∙1=1
0∙1=1∙0=0 0+1 = 1+0= 0
1+1=1 0+0=0

Vejamos, a seguir, os Teoremas Booleanos

Dual
T1  ∙0=0 +1=1
T2  ∙1= +0=
T3  ∙ = +=
T4  ∙  = 0  +  = 1
T5 DeMorgan
T6  ∙ =∙ + =+
T7  ∙  ∙ $ =  ∙ $) = ) ∙ $  +  + $ =  +  + $) =  + ) + $
T8   + $ =  + $)  + ) ∙  + $) =  + $
T9  +  =    + ) = 
T10  +  =  +    + ) =  ∙ 
T11  + ! =   + )  + !) = 
12  + $ + $ =  + $  + )  + $) + $) =  + )  + $)

Os teoremas de T1 a T4 são chamados de teoremas booleanos de uma variável. Os


teoremas de T6 a T8 nos dizem que a álgebra booleana também segue as propriedades da
álgebra matemática, como o T6 representa a propriedade comutativa, T7 a propriedade
associativa e T8 a propriedade distributiva.

22
Os outros teoremas (T9 a T12) são simplificações utilizando a álgebra booleana e serão
provados, a seguir:

T9 - & + &' = &


Primeiramente, iremos colocar o A em evidência:

1 + 1 ∙ )) =  Aplica-se T2

1 + ) =  Aplica-se T1 dual

1) =  Novamente, aplicamos T2, então:

&=&

• T9 dual - & & + ') = &

Primeiramente, iremos colocar o A em evidência:

1 ∙ 1 + )) =  Aplica-se T1 dual

1 ∙ 1) = 

1) =  Aplica-se T2, então:

&=&

• (' = & + '


T10 - & + &

Primeiramente, iremos aplicar a propriedade distributiva (T9):

 + ) ∙  + ) =  +  Aplica-se T4 dual

1 ∙  + ) =  +  Aplica-se T2, então:

&+' =&+'

• ( + ') = & ∙ '


T10 dual - & ∙ &

Primeiramente, iremos aplicar a propriedade distributiva (T9 dual):

 ∙ ) +  ∙ ) =  ∙  Aplica-se T4

0 +  ∙ ) =  ∙  Aplica-se T2 dual, então:

&∙'=&∙'

• (=&
T11 - &' + &'

Primeiramente, iremos colocar a variável A em evidência:

 + ! ) =  Aplica-se T4 dual

1) =  Aplica-se T2, então:

&=&

23
• () = &
T11 dual - & + ') ∙ & + '

Primeiramente, iremos colocar a variável A em evidência:

[1 + ) ∙ 1 + !)] =  Aplica-se T1 dual

[1 ∙ 1] = 

1) =  Aplica-se T2, então:

&=&

• ( + + '+ = &' + &


T12 - &' + & (+

Para resolver este teorema, em especial, iremos adicionar um termo  + ) que é igual
a 1 (um), e 1 multiplicado pelo termo BC é igual a BC, ou seja, não estaremos
interferindo na expressão:

 + $ + $ ∙ & + &


( ) =  + $ Aplica-se T8

 + $ + $ + $ =  + $ Agora, colocamos  e $ em evidência

1 + $) + $ 1 + ) =  + $ Aplica-se T1 dual

1) + $ 1) =  + $ Aplica-se T2, então:


( + = &' + &
&' + & (+

• ( + +)' + +) = & + ') &


T12 dual - & + ') & ( + +)

Para resolver este teorema, em especial, iremos adicionar um termo ), que é igual a
0 (zero), e 0 somado pelo termo (B+C) é igual a (B+C), ou seja, não estaremos
interferindo na expressão:

 + ) + $) + $) + &&


( ) =  + )  + $) Aplica-se T8 dual

 + ) + $) +  + $) +  + $) =  + ) + $)

Agora, colocamos  +  e  + $ em evidência

, + )-1 ∙ 1 + $)./[ + $)-1 ∙ 1 + ).] =  + )  + $) Aplica-se T1 dual

[ + )1 ∙ 1)][ + $)1 ∙ 1)] =  + )  + $)

[ + )1)][ + $)1)] =  + )  + $) Aplica-se T2, então:


( + +) = & + ') &
& + ')& ( + +)

24
Exemplo 16

Simplifique a seguinte expressão: $ + $ + $

- O primeiro passo é colocar AB em evidência:

$ + $ ) + $ Aplica-se T4 dual

1) + $ Aplica-se T2

 + $ Colocamos B em evidência

 + $ ) Aplica-se T10, então:

'& + +) ou AB + AC

3.2.2 Teoremas de DeMorgan

Agora, iremos conhecer mais dois importantes teoremas da álgebra Booleana, chamados de
Teoremas de DeMorgan.

Estes teoremas nos dizem que uma barra sobre um sinal lógico tem a capacidade de alterar
esta operação lógica, ou seja, de OR para AND ou de AND para OR.

Este teorema também usa do artifício que já vimos anteriormente (teorema Booleano T5),
em que duas barras sobre uma variável ou expressão não interferem nesta variável ou
expressão, ou seja, uma barra anula a outra.

Os dois teoremas de DeMorgan são os seguintes:

1. !!!!
 =  + !
 +  = !
2. !!!!!!!!

Estes teoremas são úteis, pois nos permitem simplificar expressões, alterando a operação
lógica desta expressão, ou mesmo, quando necessitamos construir um determinado circuito
e não possuímos a porta lógica com o operador lógico desejado.

A seguir, poderemos ver a prova dos dois teoremas:

1.  + ! = !!!!

!!!!!!!!
  + ! = !!!!
 Primeiro, aplicamos a primeira barra sobre a expressão.
!!!!
 =  A primeira barra, então, inverte o sinal lógico e cancela as barras
individuais de A e B.
!!!!
 = !!!!
 Por último, colocamos a segunda barra sobre a expressão.

Agora, faremos a mesma análise para a outra expressão:

25
2. ! = 
!!!!!!!!
+

!!!!
 ! = 
!!!!!!!!
+ Primeiro, aplicamos a primeira barra sobre a expressão.
!!!!!!!!
+ =  + A primeira barra, então, inverte o sinal lógico e cancela as barras
individuais de A e B.
!!!!!!!!
+ =  !!!!!!!!
+ Por último, colocamos a segunda barra sobre a expressão.

3.3 Mapa de Karnaugh


O Mapa de Karnaugh é um método gráfico, utilizado para a simplificação de circuitos e
expressões lógicas.

Ele é uma forma mais confiável e mais rápida de simplificação do que o método de
simplificação, utilizando os teoremas Booleanos (que são baseados em métodos de
tentativa e erro).

Sempre a saída do Mapa de Karnaugh é a forma mais simplificada possível.

O mapa de Karnaugh é feito de uma forma metódica e sistemática. Trabalharemos com o


mapa para duas, três ou quatro variáveis, pois são as quantidades mais comuns
encontradas e, acima destas quantidades, recomenda-se a utilização de um software
específico, devido ao alto nível de complexibilidade.

3.3. 1 Montagem do Mapa de Karnaugh

Primeiramente, para definirmos o tamanho do mapa, precisamos saber a quantidade de


variáveis, pois através destas variáveis é que definiremos quantos quadrados irão compor o

seguinte fórmula 24 , em que v é o número de variáveis. Por exemplo, se possuirmos


mapa. Para que possamos determinar a quantidade de quadrados do mapa, utilizaremos a

apenas duas variáveis 2 = 4, ou seja, o nosso mapa possuirá quatro quadrados ou


posições.

Para montarmos o mapa de Karnaugh, precisamos seguir agora as seguintes regras:

• como pudemos observar pelo número de variáveis, cada linha de uma tabela-verdade
corresponde a uma posição do mapa de Karnaugh, ou seja, se um circuito possui duas
variáveis, ele possuirá uma tabela-verdade com quatro linhas e o mapa de Karnaugh
também possuirá quatro linhas. O valor presente na saída da tabela-verdade (S) será o
valor que será colocado no quadrado equivalente no mapa de Karnaugh;
• na montagem do mapa de Karnaugh, cada posição ou quadrado será nomeado de forma
que o quadrado adjacente a ele mude apenas uma variável de cada vez;
• após montado o mapa, iremos preencher os quadrados com os respectivos valores
(zeros e uns) de acordo com as suas posições;
• para extrair os dados do mapa, devemos procurar sempre a maior quantidade de uns
adjacentes, ou seja, deveremos primeiro tentar agrupar um octeto, se não conseguirmos,
devemos tentar agrupar uma quadra, se não for possível também, tentaremos uma
dupla, e, por último, se não conseguirmos nenhum agrupamento, devemos extrair o
próprio ‘um’ que está isolado. Os agrupamentos de ‘uns’ deverão ser formados por ‘uns’
sempre na horizontal ou vertical, nunca na diagonal;

26
• para extrairmos a expressão de cada agrupamento, devemos analisar primeiramente as
variáveis da(s) linha(s) em que este agrupamento se encontra, e extrair apenas as
variáveis que não alterem o seu estado lógico, depois repetimos o mesmo processo para
as variáveis da(s) coluna(s). Cada agrupamento extraído do mapa será um produto
(AND) entre as variáveis, e, no final, a nossa expressão lógica será sempre uma soma
de produtos;
• não podemos nos esquecer que sempre a expressão final do mapa de Karnaugh é a
forma mais simplificada possível existente, e se retirarmos uma expressão e for possível
simplificá-la, é porque o nosso mapa de Karnaugh foi feito errado.

Vamos, agora, conhecer como deve ficar a montagem dos mapas para duas, três e quatro
variáveis e como localizamos uma posição no mapa de Karnaugh:

• Duas Variáveis

• Três variáveis

• Quatro variáveis

27
3.3.2 Formas de agrupamentos

Veremos, agora, alguns modelos de agrupamentos de octetos, quadras e duplas:

• Octetos

Importante!

Podemos imaginar o mapa como uma folha de papel e, desta forma, dobrar a
folha, para que possamos efetuar algum agrupamento, ou um agrupamento
maior, como podemos ver nestes dois últimos mapas.

• Quadras

28
• Duplas

Então, vamos agora ver um exemplo de aplicação da mapa de Karnaugh.

Exemplo 17

A tabela-verdade, a seguir, representa um circuito lógico, utilizando o mapa de Karnaugh.


Faça a simplificação deste circuito lógico:

Resolução:

29
Parada obrigatória

No processo de agrupamento, pode existir mais de uma solução correta, ou mais


de uma solução possível, portanto, em alguns casos, podemos encontrar
resultados de saídas diferentes, porém, se apenas as variáveis estiverem
trocadas, mas nas duas saídas houver a mesma quantidade de variáveis, os dois
valores estarão corretos.

3.4 Condições sem Importância (Don’t Care)

Podemos encontrar em alguns circuitos lógicos, uma certa condição conhecida como
condição sem importância ou Don’t Care. Esta condição possui este nome pois é uma
condição que nunca ocorrerá na prática, então para certas combinações de entrada “não
importa” (don’t care) se a saída será nível baixo ou nível alto.

Podemos citar, como exemplo, uma caixa d’água, ou uma caldeira com três sensores de
nível:

Figura 9: Exemplo de recipiente com três sensores


Fonte: Acervo autor

Quando um sensor é coberto pelo fluído, ele vai para nível lógico alto, senão ele fica com
nível lógico baixo.

Se montarmos uma tabela verdade com todas as possibilidades possíveis, veremos que
existem algumas possibilidades que são impossíveis de ocorrer. Estas possibilidades são as
condições sem importância.

30
O responsável pelo projeto do circuito tem, então, a opção de escolher se a saída será zero
ou um para qualquer condição sem importância, para que, com isso facilite a simplificação
do mapa de Karnaugh, tendo então uma expressão lógica na saída mais simplificada.

A seguir, podemos ver outro exemplo das condições sem importância:

S=B

Como no exemplo anterior, podemos ver que uma das condições don’t care foi alterada para
1 e a outra para 0, desta forma, assim, facilitando a simplificação.

Resumo
Neste primeiro capítulo do nosso livro de Sistemas Digitais, conhecemos todos os sistemas
de numeração utilizados (Decimal, Octal, Hexadecimal e Binário), e como efetuaRmos a
conversão entre eles. Conhecemos também a codificação BCD, muito encontrada em
alguns dispositivos digitais que veremos em breve.

Demos uma atenção especial ao sistema binário, nosso principal foco em Digitais.
Aprendemos sobre as portas lógicas, que são dispositivos que efetuam funções lógicas.
Vimos como combinar estas portas lógicas para formar circuitos lógicos, que executam
funções específicas. Ainda, aprendemos a analisar estes circuitos e extrair sua expressão
lógica.

Vimos os Teoremas Booleanos e a Álgebra de DeMorgan, extremamente úteis para a


análise e simplificação das expressões lógicas, utilizados de modo a encontrar sempre a
menor expressão possível, e, desta forma, diminuído a complexibilidade e o custo na
construção de circuitos lógicos. Ainda na parte de análise e simplificação de expressões
lógicas, aprendemos o método do mapa de Karnaugh, que é um método gráfico,
extremamente eficaz para a simplificação de expressões lógicas.

Por último, aprendemos sobre as condições sem-importância(don’t care), que, apesar do


nome, são condições de extrema importância para o projetista, pois elas ajudam a facilitar a
simplificação dos circuitos ainda mais.

Porém, é de fundamental importância a continuação de estudos nesta área, e da realização


das atividades propostas, para uma completa aprendizagem sobre este tema.

Referências

TOCCI, R. J., Sistemas Digitais Princípios e Aplicações. 8. ed. – Rio de Janeiro,


Pearson Prentice Hall, 2003.

31
2 Dispositivos sequenciais e lógicos

Luiz Pessoa Vicente Neto

Introdução
No capítulo anterior, conhecemos os sistemas de numeração, em especial o binário, que
será de fundamental importância para nossos estudos neste e no próximo capítulo.

Pudemos aprender sobre as portas lógicas e como formamos circuitos lógicos com base
nelas.

Neste capítulo, daremos início ao estudo dos dispositivos sequenciais e lógicos, conhecidos
como flip-flop’s, registradores, codificadores, decodificadores, multiplexadores e
demultiplexadores.

Em primeiro lugar, conheceremos os flip-flop’s, veremos os seus principais tipos existentes e


suas principais características.

Ligaremos estes flip-flop’s para formarmos contadores digitais. Estes contadores possuem
inúmeras aplicações que iremos ver, e podem ser classificados como contadores
assíncronos e síncronos.

Em seguida, veremos os registradores, que são dispositivos responsáveis pelo controle do


fluxo de dados e se classificam pelo tipo de entrada e saída destes dados (paralela ou
serial).

Veremos ainda, os codificadores e decodificadores e os multiplexadores e


demultiplexadores, dispositivos muito utilizados e com extensas aplicações nas áreas da
eletrônica.

Ao final deste capítulo, você estará apto para analisar e compreender o funcionamento dos
dispositivos e circuitos lógicos digitais.

Objetivos
Ao finalizar os estudos propostos neste capítulo, você estará apto(a) a:
• identificar os tipos de flip-flop’s existentes;
• explicar e diferenciar o funcionamento dos contadores digitais;
• diferenciar alguns dispositivos lógicos;
• analisar e explicar o funcionamento de um circuito lógico;
• analisar e explicar o funcionamento de um registrador, de um decodificador, de um
codificador, de um multiplexador e de um demultiplexador;
• projetar circuitos lógicos utilizando os dispositivos apresentados.

32
Esquema

1. Flip-flop’s
1.1.1 Flip-Flop SC
1.1. 2 Flip-Flop JK
1.1.3 Flip-flop D
1.2 Entradas de sobreposição ou assíncronas
1.3 Contadores digitais
1.3.1 Contadores Assíncronos
1.3.2 Contadores com MOD menor que 2N
1.3.3 Contadores Síncronos
1.3.4 Contador Síncrono Aleatório
1.4 Projeto de um contador aleatório
1.5 Aplicação de contadores

1. Flip-flop’s
Os flip-flop’s são os dispositivos sequenciais mais elementares existentes e se caracterizam
por:

• serem biestáveis (trabalham com os dois níveis de tensão (0 e 1));


• funcionarem como uma memória, pois podem armazenar um bit;
• são tempo-dependentes, ou seja, para funcionarem, dependem de um sinal (onda
quadrada), periódico em sua entrada, chamado clock.

Figura 2: Forma de onda típica de um sinal de clock.


Fonte: Acervo autor

Dependendo dos valores presentes na(s) entrada(s) de um flip-flop, ele pode gerar um valor
de saída, porém seu funcionamento depende do sinal de clock. A transição do clock é
responsável pela ativação de um flip-flop. Esta transição pode ser de subida figura 2a (do
nível baixo para o nível alto) ou de descida, figura 2 b (do nível alto para o nível baixo).

Figura 2 a: Transição de subida do clock Figura 2b : Transição de descida do clock


Fonte: Acervo autor

33
1.1 Tipos

Os flip-flop´s mais comuns e utilizados em sistemas digitais são: SC, JK e D. Agora,


veremos detalhadamente cada um deles:

1.1.1 Flip-Flop SC

O FF SC é o menos utilizado, porém ele nos servirá de base para conhecermos o FF JK,
que será extensivamente utilizado. A figura a seguir, nos mostra a representação de um FF
SC. Note que ele possui as duas entradas S e C, responsáveis pelo seu nome, e mais uma

saídas: Q e Q barrado (5! ). A saída normal, que sempre será analisada, é a saída Q. A saída
entrada de clock (Neste caso, o clock é de transição de subida). Este FF ainda possui duas

Q barrado, apenas terá sempre o valor inverso da saída Q.

O modo de funcionamento deste FF é regido pela tabela-verdade localizada a seguir. Para


entendermos seu funcionamento, podemos fazer uma analogia do clock com uma chave de
liga e desliga ou ativação e desativação do FF. Como este FF é ativo na transição de subida
do clock, toda vez que houver uma transição de subida deste, podemos imaginar que
estaremos ligando a chave de ativação do FF. E quando o FF é ativado, ele analisa os
valores presentes em suas entradas e gera um valor na saída, de acordo com a tabela-
verdade. Basicamente, a cada transição do clock, ele funciona da seguinte maneira:

• quando S=0 e C=0, a saída Q não mudará de estado, ou seja, será mantido o valor
da saída anterior;
• quando S=0 e C=1, a saída Q será igual a zero(0);
• quando S=1 e C=0, a saída Q será igual a um(1);
• a combinação das duas entradas S=C=1 não é possível utilizando ente FF, ou seja,
não se devem ligar as duas entradas em nível lógico alto(1).

Tabela-verdade do FFSC

S C CLK Saída Q

0 0 Subida Não muda

Figura 3: Flip-flop SC 0 1 Subida 0


Fonte: Acervo autor
1 0 Subida 1

1 1 Subida Inexistente

1.1. 2 Flip-Flop JK

O FF JK que conheceremos agora será de grande importância para nós, pois através dele é
que criaremos os contadores, que são dispositivos muito utilizados em sistemas digitais. A
figura a seguir, nos mostra a representação de um FF JK. Note que ele possui as duas
entradas J e K responsáveis pelo seu nome e mais uma entrada de clock (Neste caso, o
clock é de transição de descida, devido à bolha inversora presente em sua entrada). Este FF

34
ainda possui duas saídas: Q e Q barrado (5! ). A saída normal, que sempre será analisada, é
a Q. A saída Q barrado (5! ), apenas terá sempre o valor inverso da saída Q.

Praticamente, este FF funciona de maneira semelhante ao SC, porém, com uma única
diferença, que é o fato de existir uma saída quando as suas duas entradas forem nível
lógico alto. Por esta razão, é que ele é altamente utilizado.

O modo de funcionamento deste FF é regido pela tabela-verdade localizada a seguir. Para


entendermos seu funcionamento, podemos fazer uma analogia do clock como uma chave
de liga e desliga ou ativação e desativação do FF. Como este FF é ativo na transição de
descida do clock, toda vez que houver uma transição de descida deste, podemos imaginar
que estaremos ligando a chave de ativação do FF. E quando o FF é ativado, ele analisa os
valores presentes em suas entradas e gera um valor na saída, de acordo com a tabela-
verdade. Basicamente, a cada transição do clock, ele funciona da seguinte maneira:

• quando J=0 e K=0, a saída Q não mudará de estado, ou seja, será mantido o valor
da saída anterior;
• quando J=0 e K=1, a saída Q será igual a zero(0);
• quando J=1 e K=0, a saída Q será igual a um(1);
• quando J=1 e K=1, a saída Q mudará de estado, ou seja, o valor da saída anterior,
será invertido; dizemos, então, que o FF comuta.

Tabela-verdade do FFJK

S C CLK Saída Q

0 0 Descida Não muda


Figura 4: Flip-flop JK 0 1 Descida 0
Fonte: Acervo do autor.
1 0 Descida 1

1 1 Descida Comuta
1.1.3 Flip-flop D

O último FF que veremos, o FF D, é o de mais simples análise, pois possui apenas uma
entrada. Este FF é encontrado, principalmente, no interior de registradores, alguns
dispositivos de memória, pois ele funciona como uma memória de um bit.

Tabela-verdade

C CLK Saída Q

0 Descida 0

Figura 3: Flip-flop D
1 Descida 1
Fonte: Acervo do autor

35
Este FF funciona da seguinte maneira: quando colocamos um valor lógico (0 ou 1) em sua
entrada D, este valor é armazenado pelo FF. Quando este recebe um pulso de transição de
clock, o valor lógico armazenado é transferido para a sua saída D.

Exemplo 1

Analise as formas de onda presentes na entrada do FF JK e plote as formas de onda de sua


saída (Q):

Resolução:

Como o desenho do FF JK nos mostra, ele é ativo nas transições de descida do clock;
portanto, é nestes pontos que devemos analisar. Então, com base na tabela do FF JK,
podemos plotar a forma de onda de sua saída Q, fazendo a análise dos pulsos de clock e
das entradas J e K.

36
Agora é a sua vez

Atividade 1

Plote as formas de onda de sua saída (Q) do FF JK, mostrado, a seguir:

1.2 Entradas de sobreposição ou assíncronas

A maioria dos FF’s existentes possui uma ou duas entradas, conhecidas como entradas
assíncronas ou de sobreposição. Estas entradas não funcionam em conjugação com as
entradas chamadas de síncronas (J e K ou S e C etc) ou com a entrada clock, ou seja, estas
entradas assíncronas ou de sobreposição não são dependentes do sinal de clock.

A função destas entradas, basicamente, é de colocar a saída Q do FF no estado 0 ou 1,


exatamente no instante desejado, independente dos pulsos de clock. Em outras palavras,
podemos dizer que as entradas de sobreposição, quando acionadas, sobrepõem-se às
entradas síncronas ou de clock, não importando qual valor ou estado estejam presentes nas
entradas das mesmas.

37
Figura 4: FF JK com as entradas assíncronas SET e CLR
Fonte: Acervo do autor

A seguir, temos a tabela-verdade que rege os modos de funcionamento do FFJK, em


relação às entradas assíncronas

Como podemos ver pela tabela-verdade, quando as entradas SET e CLR se encontram com
nível lógico alto, o FF se encontra funcionando normalmente. Se CLR vai para o nível lógico
baixo, imediatamente a saída do FF vai para o nível lógico baixo, independente dos valores
presentes nas entradas J, K, e CLK. Da mesma forma, se SET vai para o nível lógico baixo,
imediatamente a saída do FF vai para o nível lógico alto, independente dos valores
presentes nas entradas J, K, e CLK. Não é utilizada a condição das duas entradas de
sobreposição com nível lógico baixo.

Exemplo 2

Analise as formas de ondas presentes na entrada do FF JK e plote as formas de onda de


sua saída (Q):

38
Resolução:

39
Agora é a sua vez

Atividade 2

Plote as formas de onda de sua saída (Q) do FF JK, mostrado, a seguir:

1.3 Contadores digitais

A partir de agora, iremos trabalhar com os contadores digitais, que, como o próprio nome já
nos diz, são dispositivos que efetuam contagens.

Estes contadores podem se classificar como assíncronos ou síncronos, ou seja, de acordo


como o sinal de entrada de clock é aplicado aos flip-flop’s.

Veremos cada um deles detalhadamente, caracterizando suas vantagens e desvantagens.

40
1.3.1 Contadores Assíncronos

Os contadores assíncronos, como o seu próprio nome já nos diz, são contadores em que
seus FF não estão em sincronismo com os pulsos de clock de entrada. Apenas o primeiro
FF está em sincronismo com os pulsos de entrada, o segundo FF depende da saída do
primeiro, assim como o terceiro depende da saída do segundo, e assim por diante.

módulo. Este número MOD é encontrado da seguinte forma: 67 = 28 , em que N é o


O que define o valor máximo de contagem de um contador é o seu número MOD, ou

número de flip-flop’s. Então, um contador com 3 FF’s, possui um número MOD = 8, ou seja,
ele conta de zero a sete.

Podemos ver um contador assíncrono MOD 8, e o gráfico indicando sua sequência de


contagem, nas figuras, a seguir:

Figura 5: Contador assíncrono MOD 8


Fonte: Acervo do autor.

Figura 6: Gráfico demonstrando a contagem efetuada pelo contador.


Fonte: Acervo do autor.

41
Tabela 1: Tabela indicando os valores de contagem (0 a 7) do contador.

1.3.2 Contadores com MOD menor que 2N

O contador assíncrono que vimos anteriormente está limitado a contar apenas valores de
seu número MOD, ou seja, se o contador é MOD 8, ele irá contar apenas de 0 a 7, nenhum
valor menor que este ou maior, pois o MOD é o valor máximo que um contado pode contar.
Porém, o contador assíncrono pode ser alterado para que efetue contagens com valores
inferiores ao MOD deste contador. Isto é efeito, criando uma lógica e utilizando as entradas
de sobreposição para forçar o contador a “pular” alguns estados e com isto ficando com um
número MOD menor que 2N.

Umas das formas de se fazer isto é utilizando uma porta NAND com a saída ligada nas
entradas CLEAR de cada um dos FF’s. Nas entradas desta porta NAND, deve existir uma
combinação de níveis lógicos alto, para que, no instante desejado, seja ativado o CLR de
todos os FF’s para retornar a contagem ao valor 0. Esta combinação de níveis lógicos alto
deve ser feita analisando o valor posterior ao valor máximo da contagem, para que quando o
contador for para o próximo valor (que não foi definido na contagem), neste instante o
contador será levado ao valor 0.

A seguir, veremos um contador assíncrono, com MOD:

Figura 7: Contador assíncrono MOD 5.


Fonte: Acervo do autor.

42
Exemplo 3

Projete as formas de onda de saída do contador MOD 5, mostrado anteriormente:

Resolução:

Agora é a sua vez

Atividade 3

Projete um contador assíncrono que conte de 0 a 9 (MOD 10).

1.3.3 Contadores Síncronos

Os contadores assíncronos, que vimos anteriormente, possuem o problema de depender do


FF anterior para poder comutar, e isto gera um atraso de propagação. Se formos trabalhar
com altas frequências com estes contadores, o primeiro FF que está conectado ao sinal de
clock pode mudar de estado várias vezes, antes do último FF ter recebido a primeira
transição. Isto acarretará em falsas contagens na saída deste contador.

Para suprir esta deficiência dos contadores assíncronos, foram criados os contadores
síncronos. Estes contadores possuem este nome, pois todos os FF’s estão em sincronismo
com os pulsos do sinal de clock de entrada.

Porém, se todos os FF’s são ativos pelos pulsos de clock ao mesmo tempo, é necessária
uma lógica em cada FF para que o mesmo efetue a contagem desejada. Portanto, este
contador é mais rápido que o assíncrono, pode trabalhar com altas frequências, contudo ele
é mais complexo e, consequentemente, mais caro.

Você pode ver um contador síncrono crescente MOD, a seguir:

43
Figura 8: Contador síncrono MOD 8.
Fonte: Acervo do autor.

1.3.4 Contador Síncrono Aleatório

Uma das principais aplicações dos contadores síncronos é a de funcionar como um


contador aleatório, ou seja, o projetista pode definir a sequência de contagem desejada, e
projetá-lo para executar tal contagem. Opção esta não existente nos contadores
assíncronos, pois estes contadores só efetuam contagens crescentes e decrescentes.

1.4 Projeto de um contador aleatório

Para efetuarmos o projeto de um contador síncrono aleatório, devemos seguir 5


passos,depois de definida a sequência de contagem. São eles:

1. definição da sequência de contagem;


2. montagem das tabelas ‘Atual’ e ‘Próximo’;
3. montagem das tabelas das entradas J e K de cada flip-flop;
4. montagem dos Mapas de Karnaugh;
5. montagem do circuito.

Vamos agora, projetar um contador síncrono aleatório:

Exemplo 4

Projete um contador síncrono aleatório que realize a seguinte contagem: 3 – 6 – 4 – 2 – 0.

Resolução:

1. O primeiro passo é definirmos a sequência de contagem. Nossa contagem já foi


definida, sendo a contagem aleatória: 3 – 6 – 4 – 2 – 0.

Como o valor máximo desta contagem é o número 6, isto nos indica que
necessitaremos de três FF, pois 23 = 8, ou seja, com três FF podemos contar até o
número 7.

Os três valores que não estão indicados na sequência de contagem (1, 5, 7), devem
ser indicados sempre para o primeiro valor da contagem (neste caso, o número 3), pois
se o contador for forçado a iniciar em algum destes três valores, ele irá
44
instantaneamente para o valor inicial. Então, montagem da sequência de contagem
ficará da seguinte maneira:

Figura 9: Definição da sequência de contagem.


Fonte: Acervo do autor.

2. Agora, iremos montar as tabelas de valores atuais e próximos:

A primeira tabela, chamada de atual, lista uma sequência de contagem normal. No


nosso caso, como estamos trabalhando com três FF, será uma contagem de zero a
sete.

Já, a tabela chamada de próximo, iremos montá-la com base nos valores da tabela
atual e na sequência de contagem definida, pois esta tabela definirá qual será o próximo
valor com base no atual. Exemplo: o primeiro valor da tabela atual é o 0, e segundo a
nossa contagem, o valor posterior ao 0 é o 3, então na tabela próximo, o primeiro valor
será o 3.

Vamos montá-la, então:

45
Pronto! Agora definimos os valores atuais e próximos de acordo com a nossa sequência
definida anteriormente. Vamos para o próximo passo.

3. Com base nas duas tabelas anteriores, iremos agora definir os valores necessários em
cada entrada J e K de cada FF, para que esta contagem ocorra exatamente como
definimos. Porém, para montarmos esta tabela, é necessário que conheçamos a tabela
de excitação do FF JK. Esta tabela lista os valores necessários nas entradas J e K do
FF, para que uma certa transição ocorra.

Esta tabela é a seguinte:

Agora, com base na tabela anterior, vamos analisar cada transição de cada FF (C, B e
A), em cada um dos instantes para montar as tabelas.

Exemplo: Se formos analisar o primeiro valor de cada tabela, será C=0, B=0 e
A=0(atual) e C=0, B=1 e A=1(próximo), então a transição de cada FF ficará da seguinte
maneira: FF C: 0→0, FF B: 0→1 e FF A: 0→1. Desta forma, o valor que deverá estar
presente nas entradas J e K de cada FF será: JC=0 e KC=X, JB=1 e KB=X e JA=1 e
KA=X.

Montando as tabelas, teremos:

4. Até agora já conseguimos encontrar os valores necessários em cada entrada J e K de


cada FF para que este contador realize a sequência de contagem desejada. Agora,
precisamos montar um circuito para cada uma destas entradas que provenha estes
valores necessários. Isto pode ser feito utilizando um mapa de Karnaugh para cada
entrada. É o que iremos fazer agora:

46
Obs.: A posição de cada valor no mapa de Karnaugh deve respeitar a sequência da
tabela atual.

Após montarmos os mapas de Karnaugh, devemos agora extrair os valores:

Agora, para finalizar, devemos montar o circuito:

Figura 10: Contador aleatório


Fonte: Acervo do autor.

47
Agora é a sua vez

Atividade 4

Projete um contador síncrono aleatório que efetue a seguinte


contagem: 7 - 4 - 5 - 1- 2.

1.5 Aplicação de contadores

Os contadores possuem inúmeras aplicações, pois por intermédio deles podemos efetuar
contagens, como a quantidade de produtos fabricados em uma linha de produção, a
quantidade de pessoas que passam por um determinado ponto, um timer eletrônico,
relógios, podendo também estar presente dentro de vários dispositivos eletrônicos, como
frequencímetros.

A partir de agora, conheceremos alguns dispositivos extremamente utilizados em sistemas


digitais. São eles: registradores, decodificadores, codificadores, demultiplexadores e
multiplexadores. Para cada um deles, conheceremos o funcionamento genérico e,
posteriormente, um CI comercial.

Resumo
Neste segundo capítulo do nosso livro de Sistemas Digitais, conhecemos os principais flip-
flop’s existentes no mercado, com ênfase especial no FF JK.

Com base no FF JK, vislumbramos que podemos interligar vários para formar circuitos com
funções predefinidas. Entre estes circuitos, destacamos os contadores.

Vimos que os contadores podem ser assíncronos ou síncronos, e que a sua utilização
depende principalmente da aplicação a que eles serão destinados, e que, com os
contadores síncronos podemos criar contadores aleatórios.

Em seguida, foram apresentados os registradores, dispositivos que podem controlar a forma


com que os dados serão apresentados na sua entrada ou saída.

Posteriormente, trabalhamos com os decodificadores e codificadores, dispositivos estes que


funcionam como conversores de binário para decimal e decimal para binário,
respectivamente, e com uma ampla aplicação prática.

Por último, aprendemos sobre os multiplexadores e demultiplexadores, suas principais


aplicações, como podemos utilizá-los em projetos, além de vislumbrarmos sua grande
utilização na prática.

Porém, é de fundamental importância a continuação dos estudos nesta área, por meio das
leituras obrigatórias e da realização das atividades propostas para uma completa
aprendizagem sobre este tema.

48
Referências

TOCCI, R. J. Sistemas digitais: princípios e aplicações. 8. ed. Rio de Janeiro: Pearson


Prentice Hall, 2003.

49
3 Famílias lógicas, memórias e circuitos integrados

Luiz Pessoa Vicente Neto

Introdução

No capítulo anterior, conhecemos os contadores digitais e alguns dos principais dispositivos


sequenciais e lógicos utilizados nos sistemas digitais.

Pudemos aprender sobre as principais características e aplicações de cada um deles.

Neste capítulo, teremos um enfoque principal na área dos dispositivos de memória e nos
circuitos aritméticos e lógicos.

Nossa atenção especial sobre as memórias é devido ao fato de que as memórias tornam os
sistemas digitais muito versáteis e adaptáveis a várias situações, ou seja, elas são
fundamentais em todos os circuitos digitais. Vamos conhecer os principais tipos de
memórias e suas aplicações em um computador.

Com relação aos circuitos aritméticos e lógicos, eles compreendem uma parte essencial de
um computador, sendo necessários para efetuar todas as operações lógicas e aritméticas
que este venha a encontrar. Falando de outra maneira, os dispositivos lógicos e aritméticos
constituem o “cérebro” de um computador, e por isso sua análise se torna tão importante.

Por último, conheceremos as principais famílias lógicas dos circuitos integrados (TTL e
CMOS), visualizando suas principais características, aplicações e peculiaridades.

Ao final deste capítulo, você estará apto para analisar e compreender o funcionamento dos
dispositivos e circuitos lógicos digitais.

Objetivos

Ao finalizar os estudos propostos neste capítulo, você estará apto(a) a:


• visualizar os tipos de dispositivos de memória mais comuns;
• aplicar os conceitos de circuitos aritméticos e lógicos;
• diferenciar os tipos mais comuns de barramento;
• descrever a diferença entre os principais tipos de memória;
• comparar as vantagens e desvantagens sobre os principais tipos de memória;
• compreender as diferenças entre as famílias lógicas TTL e CMOS.

50
Esquema

1. Dispositivos de Memória
1.1 Barramentos
- Barramentos de Dados
- Barramento de Endereços
- Barramento de Controle
- Tipos de Barramento
- Registrador Tristate
1.2 Memórias
- Tipos de Memórias
2. Circuitos Aritméticos e Lógicos
2.1 Operações Lógicas
- Adição
- Representação de Números com Sinal
- Complemento de 2
- Negação
- Subtração
- Multiplicação
- Divisão
2.2 Comparadores
2.3 A Unidade Lógica Aritmética (ULA)
3. Famílias Lógicas
A Família Lógica TTL
A Tecnologia CMOS

1. Dispositivos de memória
1.1 Barramentos

Um barramento é um conjunto de linhas ou condutores elétricos que permitem a ligação


entre vários dispositivos. Os barramentos são encontrados principalmente em
computadores, onde efetuam as ligações entre seus dispositivos constituintes, como a CPU,
as memórias, unidades de I/O e demais periféricos.

Pode-se classificar os barramentos em três formas: (I) Barramento de Dados; (II)


Barramento de Endereço e (III) Barramento de Controle. Veja-os com detalhes, a seguir:

(i) Barramento de Dados

É um barramento bidirecional por onde trafegam dados, tanto no sentido do processador


para os circuitos integrados de memória quanto no sentido inverso. Este tipo de
barramento é o mais comum e, quanto maior o número de linhas, maior é a quantidade
de dados a ser transmitida, e, consequentemente, maior será a velocidade deste
barramento.

(ii) Barramento de Endereços

51
É um barramento unidirecional que leva o endereço em binário que aparece na saída do
processador, para os circuitos integrados de memória, para informar um endereço.

O número de linhas deste barramento indica o número máximo de endereços de


memória.

(iii) Barramento de Controle

É um barramento bidirecional por onde trafegam sinais de controle, principalmente no


sentido do processador para os circuitos integrados de memória. Os principais tipos de
sinais encontrados neste barramento são:
• sinal de escrita de dados (WRITE);
• sinal de leitura de dados (Read);
• sinal de envio de dados para uma porta de saída (I/O Write);
• sinal para leitura de dados de um dispositivo de Entrada e Saída (I/O
Read).

A figura 1, a seguir, ilustra os barramentos em um computador:

Figura 11: Barramentos em um computador


Fonte: Autor

Barramento é um conjunto de linhas ou condutores elétricos que permitem a ligação entre


vários dispositivos.

1.1.4 Tipos de barramento

Os tipos de barramentos que estudaremos são: ISA, MCA, EISA, VESA, PCI, AGP, SCSI e
EIDE.

52
ISA (Industry Standard Architecture)

• Lançado por volta de 1984 pela IBM no PC-AT, o barramento ISA virou um
barramento padrão utilizado por todos os demais fabricantes de clones IBM na
época;
• Palavras de 8 ou 16 bits (CPU 8088 ou 286);
• Frequências de 8 MHz;
• Taxas de transferência de 8MB/s ou 16MB/s.

MCA(Microchannel Architecture)

• Desenvolvido também pela IBM, surgiu com os processadores 386;


• Os dados são transmitidos em 32 bits;
• 2.5 vezes mais rápido que o ISA de 16 bits;
• Frequência de 10MHz;
• Alto custo;
• Incompatibilidade com o ISA;
• Arquitectura fechada.

EISA (Extended Industry Standard Architecture)

• Desenvolvido por volta de 1987 por 9 concorrentes da IBM, liderados pela Compac,
para melhorar a performance e competir com o barramento MCA (Micro-Channel
Architecture);
• Palavras binárias de 32 bits ;
• Frequência de 8 MHz;
• Compatível com placas ISA;
• Possuía um alto custo de produção, o que dificultou sua popularização.

VESA Local Bus – VLB (Video Electronics Standards Association)

• Este barramento foi criado em 1992, tendo em vista aumentar a velocidade de


transferência de dados entre a placa de CPU e a placa SVGA, mas outras placas de
expansão também poderiam utilizá-lo;
• Desvia o tráfego mais intenso, como vídeo, conectando-se diretamente ao
barramento local através de um buffer, assim, a frequência da operação é igual ao do
barramento local;
• Compatível com placas ISA;
• 32 bits no barramento de dados;
• Suporta apenas 2 cartões: outras expansões devem ser feitas via barramento ISA ou
EISA.

PCI (Peripheral Component Interconnect)

• Criado pela Intel para estabelecer um padrão de barramento de alta performance que
permitisse diferenciações na implementação;
• Tão rápido quanto o VLB, porém mais barato e muito mais versátil;
• Não é controlado pelo processador, e sim por uma controladora dedicada,
diminuindo, assim, a utilização do processador;
• Suporte nativo ao plug-and-play;
• Dados e endereços são multiplexados;

53
• 32 ou 64 bits, 33 MHz (ou 66MHz, na versão 2.1);
• 133 MB/s (4 bytes x 33MHz) até 533 MB/s (8 bytes x66 MHz).

AGP (Accelerated Graphics Port)

• Desenvolvido para as placas de vídeo mais modernas (3D) e processadores Pentium


II;
• É 2 vezes mais rápido que o PCI;
• Permite acesso direto da placa de vídeo à memória, sem a necessidade de acesso
ao processador;
• 533 Mhz com taxa máxima de transferência de 2,1 GB/s.

EIDE (Enhanced Integrated Disk Electronic)

• Interface de dispositivo, mais especificamente de discos, conhecida por


simplesmente IDE;
• Os dispositivos EIDE custam menos da metade de um dispositivo SCSI, mas em
compensação tem uma performance inferior a estes;
• Um dispositivo EIDE desperdiça uma quantidade significativa de CPU uma vez que
esta controla diretamente tudo que o drive EIDE faz;
• Cada controladora EIDE pode gerenciar até 2 dispositivos.

SCSI (Small Computer System Interface)

• Desenvolvida pela IBM no início dos anos 70, o SCSI traz o barramento do
computador diretamente para a unidade, aumentando a eficiência e permitindo taxas
de transferências bem mais altas;
• Possui uma interface de dispositivos que adota uma abordagem diferente na direção
de solucionar o problema de um número finito e possivelmente insuficiente de slots
de expansão;
• Podem-se conectar tantos dispositivos de hardware quanto o barramento seja capaz
de controlar.

USB (Universal Serial Bus)

• Atende às especificações Plug and Play da Intel, inclusive de poder conectar os


dispositivos com a máquína já ligada sem a necessidade de reiniciá-la;
• Comunicação serial de 12 Mbps;
• Um único ponto USB pode ser usado para conectar até 127 periféricos,
tal como mouse, modems, teclados, scanners e cameras digitais;
• Fornece alimentação aos periféricos;
• Tem a capacidade de verificar quais os requisitos de energia requeridos pelos
periféricos e informa se estes dispositivos excederem os limites.

Firewire (IEEE 1394)

• Barramento serial padrão extremamente rápido que suporta taxas de transferências


de dados de até 400 MBps;
• Um único porto pode ser usado para conectar até 63 dispositivos externos;
54
• Suporta Plug-and-Play;
• Transmite dados com uma taxa garantida, ideal para dispositivos que necessitam
altas taxas de transferências em tempo-real, tal como dispositivos de vídeo.

PCMCIA - (Personnal Computer Card Interface Adapter)

• Arquitetura de 32 bits com velocidade máxima de 33 MHz e transferência máxima


de 132 MB/s;
• Utilizado em computadores portáteis.

Agora é a sua vez

Responda dentre os três tipos de barramentos vistos, qual deles


podemos destacar como o mais comum.

1.1.5 O registrador de três estados

O registrador de três estados (74ALS173/HC173) é um registrador de dados com entrada


paralela e saída paralela de quatro bits com buffers tristate (três estados) em suas saídas.

Este registrador possui este nome pelo fato de que ele possui buffers em sua saída que
além de trabalharem com os dois estados digitais (0 ou 1), eles ainda possuem um terceiro
estado de alta impedância. Este terceiro estado é de grande importância, pois facilita o uso
de vários dispositivos em apenas um barramento de dados. O diagrama lógico do
registrador 74173 pode ser visto na figura 2 (note no detalhe, circulado os buffers tristate).

Figura 12:
Diagrama de um registrador 74173, com a indicação dos buffers tristate
Fonte: Modificado pelo autor do datasheet do componente retirado de: www.datasheetcatalog.com

55
Na tabela 1, a seguir, pode-se visualizar o modo de funcionamento dos buffers tristate:

Tabela 2: Modo de operação do registrador tristate.

Fonte: Autor

Em que:

e = Entradas de habilitação dos registradores tristate;


Z = Alta impedância;

Exemplificando!

O Firewire é o barramento que possui taxas de transferência de até


400Mbps, é Plug-and-Play e podemos encontrar em máquinas digitais, câmeras
de vídeo e em alguns celulares

1.2 Memórias

A memória é um dispositivo que tem a capacidade de armazenar um ou mais bits, na forma


binária, por um tempo indeterminado. Estes bits podem ser acessados somente para leitura
ou para leitura e escrita.

1.2.1 Tipos de memória

As memórias podem ser classificadas como não voláteis ou voláteis:

Memórias não volateis

Estas memórias são conhecidas como memórias ROM (Read Only Memory), elas se
caracterizam por não perderem os dados na ausência de energia elétrica, podendo
armazenar dados por longos períodos. Sua principal função é a de armazenamento de
alguns programas do sistema operacional e também para armazenar informações em
dispositivos que utilizam microprocessadores. Seus tipos mais conhecidos são:

• ROM;
• PROM;
• EPROM;
• EEPROM OU E2PROM;

56
• FLASH EPROM.

ROM (Read Only Memory)

A ROM é uma memória que permite somente a leitura dos dados gravados nela. Estes
dados são gravados no processo de fabricação, de forma que eles não possam ser
apagados ou reescritos.

PROM (Programmable Read Only Memory)

A PROM é uma memória ROM que é vendida em estado virgem, ou seja, não foi gravada
ainda. Os dados podem ser gravados nela apenas uma única vez e depois essa gravação
não pode ser mais desfeita. Esta gravação é feita com um equipamento especial destinado
para isso, que efetua ou não a queima de microfusíveis (representanto o bit 0), presentes
em seu interior.

EPROM (Erasable Programmable Read Only Memory)

A EPROM é uma memória PROM que pode ter seus dados gravados, apagados e
regravados novamente quantas vezes forem necessárias. O processo de apagamento,
porém, consiste na exposição das células de memória a uma luz ou raio ultravioleta, após
esta memória ser retirada do circuito. Este processo de apagamento só pode ser feito por
um técnico capacitado e com um equipamento especialmente destinado a este fim.

EEPROM (Electrically Erasable Programmable Read Only Memory)

A EEPROM é semelhante à memória EPROM, porém ela pode ser gravada e regravada
várias vezes por qualquer usuário e sem a necessidade de extração desta memória do
circuito. O processo de gravação consiste na elevação da tensão de alimentação desta
memória. Para que seja efetuada sua regravação, a memória EEPROM deve ser totalmente
apagada para depois ser gravada. A EEPROM tem uma quantidade máxima de regravações
permitida (de dezenas a centenas de milhares de vezes), depois disso a memória perde sua
capacidade de funcionamento e deve ser substituída.

FLASH ROM

A memória flash é uma memória que pode ser apagada e regravada em unidades de
memória, conhecidas como blocos. Trabalha com as tensões mais comuns em
computadores para efetuar o apagamento e a regravação. É uma das memórias mais
comuns nos dias de hoje.

Memórias Voláteis

Estas memórias são conhecidas como memórias RAM (Random Access Memory) e são
caracterizadas por armazenar os dados enquanto estiverem sendo alimentadas por energia
elétrica. No instante em que esta energia elétrica é desligada ou seu fornecimento é cortado,
57
de alguma maneira os dados presentes nestas memórias são perdidos. Sua principal função
é a de armazenamento temporário de dados e softwares. Os tipos de memórias RAM mais
comuns são:
• SRAM
• DRAM
 FPM-RAM
 EDO-RAM
 BEDO-RAM
 SDRAM
 DDR-RAM
 DR-DRAM

SRAM (Static Random Access Memory)

As RAM’s Estáticas são as memórias que armazenas bits em células tipo Flip-Flop’s,
retendo a informação presente nelas até que sejam alteradas. As SRAM’s, por serem muito
mais rápidas que as DRAM, possuem, consequentemente, um custo mais elevado, o que
impede que elas sejam utilizadas como memória RAM nos principais bancos de memória
dos computadores, além de sua baixa capacidade de armazenamento. Sua principal
aplicação é como memória cache no computador, servindo de intermediária entre o
processador e o banco de memória RAM.

DRAM (Dinamic Random Access Memory)

As memórias RAM’s dinâmicas, possuem como células de memória, capacitores e


transistores. Como o capacitor não consegue reter sua carga por muito tempo, estas
memórias precisam ter seu conteúdo periodicamente reestabelecido numa operação
conhecida como refresh. Estas memórias são as mais comuns em todos os computadores.
Sua principal função é como banco de memória RAM para computadores.

FPM (Fast Page Mode) – RAM

Esta memória guarda o valor da última linha acessada; consequentemente, se os dados


presentes nesta linha forem acessados, não haverá a necessidade de que seja enviado o
endereço desta linha pelo controlador de memória, somente será necessário o endereço da
coluna. Sendo assim, o acesso sequencial será mais rápido, ou seja, o primeiro dado
demorará o termo normal, porém os outros dados terão um tempo bem mais rápido.

EDO (Extended Data Out) – RAM

A EDO-RAM trabalho com acessos sequencias semelhante a FPM-RAM, porém este


acesso é muito mais rápido devido à presença de um latch na saída de seus dados.

BEDO (Burst Extended Data Out) – RAM

58
A memória BEDO é semelhante à memória EDO, porém, possui um contador interno de dois
bits, que diminui o tempo de acesso à memória. Esta memória não foi muito utilizada
comercialmente, devido a dois principais fatores:

1. sua velocidade de barramento era incompatível com as velocidades comumente


utilizadas;

2. existe apenas um chipset que dava suporte a BEDO (430HX), pois na mesma
época fora lançada a memória SDRAM.

SDRAM (Synchronous Dynamic RAM)

A memória SDRAM possui o seu acesso através de comandos, deixando esta memória
mais inteligente que as outras. Esta memória é sincronizada pelo clock do barramento do
computador, além de possuir um contador interno auxiliando o controlador de memória, de
forma que ele não precise requisitar novos dados, caso eles sejam consecutivos. A SDRAM
possui também duas matrizes de capacitores, permitindo assim que seja possível o acesso
a dois endereços diferentes ao mesmo tempo.

DDRAM (Doubled Data Rate RAM)

Basicamente, uma memória DDR é uma SDRAM, com uma taxa de dados duas vezes
maior. Seu funcionamento é baseado na utilização de duas memórias SDRAM em paralelo,
duplicando a transferência de dados, pois em cada ciclo de clock são entregues dois dados
(um na transição de subida e o outro na transição de descida do clock).

DR-DRAM (Direct Rambus DRAM)

Esta memória foi desenvolvida pela Rambus Inc., é uma memória extremamente rápida, ela
utiliza um meio de transmissão dos dados, que é dez vezes mais rápido que uma memória
DRAM comum e duas vezes mais rápida que a SDRAM.

Ela é uma memória extremamente susceptível a interferências eletromagnéticas e tem a


exigência de se utilizar a fiação mais curta possível, porque trabalha com uma alta
frequência de operação (800Mhz).

A RAMBUS não é uma memória largamente utilizada, devido ao fato de que os seus
fabricantes (Rambus e Intel) exigem que os outros fabricantes paguem royalties pelo uso
desta tecnologia, sem ter controle sobre ela.

Parada obrigatória

A diferença entre uma memória volátil e uma não volátil é a necessidade


ou não de energia para armazenar um dado. A memória volátil necessita de
energia para armazenamento de dados, sendo perdida a informação no caso de
corte de energia. Por outro lado, a memória não volátil, não necessita de energia
para armazenar um dado.
59
2. Circuitos aritméticos e lógicos

2.1 Operações lógicas

Em todos os dispositivos que empregam a lógica digital existe uma necessidade muito
comum de se efetuar operações aritméticas com os dados ou informações binárias. Estas
operações aritméticas são: soma subtração, divisão e a multiplicação. Veremos, agora,
como são feitas estas operações em modo binário.

1. Adição
A adição de dois números binários é realizada da mesma forma que a adição de números
decimais:

A soma sempre começa pelo dígito menos significativo e, assim, sucessivamente, da


esquerda para direita, sempre que a soma exceder 9, temos um “vai um” ( carry ):

9+4=13 ( resulta 3 e vai 1 para próxima casa mais significativa );

4+7=11 mais 1 herdado da casa anterior igual a 12 ( resulta 2 e vai 1 para próxima casa
mais significativa );

6+1=7 mais 1 herdado da casa anterior igual a 8.

Na soma binária, podemos ter quatro situações:


• 0+0=0;
• 0+1=1;
• 1+1=10 (resultado é zero e vai 1 );

• 1+1+1=11 (resultado é 1 e vai 1 );

Sempre será efetuada a operação de adição de dois números por vez, quando mais de dois
números forem somados, somam-se os dois primeiros números e o resultado é somado ao
terceiro e assim por diante.
A adição é a operação mais importante nos sistemas digitais, iremos verificar isso nas
próximas operações.

Representação de números com sinal

60
Podemos representar o sinal de um número binário reservando um bit para designar se ele
é positivo ou negativo; em geral, é utilizado o bit mais significativo para isso. Se este bit
estiver em “0”, o número é positivo, se estiver em “1” é negativo, conforme o exemplo a
seguir, se pode verificar o número convertido de binário para decimal +46 ou -46, este
sistema é conhecido como sinal-magnitude:

Figura 3: Representação do sinal-magnitude.


Fonte: Autor

Onde temos o sinal e depois a magnitude, ou seja, o seu valor que no caso do nosso
exemplo pode variar entre 000000 a 111111, em decimal seria de 0 a 63.
Pela complexidade na implementação deste sistema, é utilizado um outro sistema, chamado
sistema de complemento, que iremos discutir a seguir.
O sistema mais usado para representar números binários com sinal é o sistema de
complemento de 2.
Antes de saber como é esse sistema, temos que saber determinar o complemento de 1 e o
complemento de 2 de um número binário.
Para encontrar-se o complemento de 1, de um número binário, deve-se inventer cada bit do
código binário. A seguir, pode-se ver um exemplo da aplicação do complemento de 1:

Complemento de 2

Para encontrar o complemento de 2, de um código binário, deve-se utilizar o complemento


de 1 deste código e somar o valor 1 na posição do bit menos significativo.

Complemento de 2 (com sinal)

Para representarmos o sinal no sistema de complemento de 2, devemos proceder da


seguinte forma:
61
• quando o número for positivo, coloca-se o valor zero (0) na frente do bit mais
significativo (MSB);
• quando o número for negativo, coloca-se o valor um (1) na frente do bit mais
significativo (MSB).

Figura 4: Representação do sinal no complemento de 2.


Fonte: Autor

Exemplificando

Vamos representar o número +10 e o número -6, utilizando o complemento de 2 com sinal:
R-

(a) +10

Como o número é positivo, a magnitude (10) é representada na forma direta, ou


seja, 1310 = 10102

Anexando o bit 0, temos:

+10 = 01010

(b) - 6

Como o número é negativo, a magnitude (6) tem de ser representada na forma de


complemento de 2

610 = 01102

1001 (complemento de 1)

+ 1 (soma-se 1 ao LSB)

1010 (Complemento de 2)

Anexando o bit de sinal 1, temos:

-610 = 110102

62
2. Negação
A negação é uma operação que consiste na inversão de um número, ou da troca do sinal
deste número. Ou seja, converter um número de positiva para negativo ou negativo para
positivo.

Uma forma de se fazer isto, é apenas trocando o bit representativo de sinal do complemento
de 2.

Exemplo:

Iniciar com 00100 = +4


Fazendo o complemento de 2 (negação) 10100 = -4
Negando novamente 00100 = +4

Adição no Sistema Complemento de 2

• Forma 1: Dois números positivos

Soma direta.

Exemplo: Somar +8 com +4

• Forma 2: Um número positivo e outro número menor e negativo

Exemplo: Efetuar a soma de +8 com -4

O primeiro passo é representar – 4 na forma de complemento de 2. Então, devemos


converter +4 (00100) para –4 (11100).

63
Neste exemplo, devemos utilizar o bit de sinal no processo de soma. No final da soma,
sobrará um bit de carry(vai um). Este bit devemos sempre desconsiderá-lo. Então, o
resultado da soma será 00100, o equivalente a +4.

• Forma 3: Um número positivo e outro número maior e negativo

Exemplo: Efetuar a soma de - 8 com +4

Nesse resultado, na soma final, o bit de sinal foi igual al 1, isto indica que o número
resultante é negativo. O valor resultante é 11100 e não 00100, porque ele se encontra na
forma do complemento de 2 (visto que o número é negativo). Para encontrarmos o valor
correto, basta aplicarmos novamente o complemento de dois (inverter cada bit e depois
somar 1).

• Forma 4: Dois números negativos

Exemplo: Efetuar a soma de -8 com -4

Novamente, devemos desconsiderar o carry (vai um), e como o número resultante é


negativo a resposta é em complemento de 2. Se convertermos a resposta da soma (10100),
acharemos o valor 12 (01100).

• Forma 5: Números iguais e sinais opostos

Exemplo: Efetuar a soma de -4 com +4

64
Não devemos nos esquecer que o carry sempre será desconsiderado.

3. Subtração
Para efetuarmos as operações de subtração, devemos proceder da mesma forma que a
soma, ou seja, a operação de subtração nada mais é que uma operação de soma.
Neste caso, é muito simples fazermos a subtração, basta que se utilize a negação um dos
números, utilizando o complemento de dois.

Exemplo: Vamos subtrair +4 de +8.

(+8) = 01000

(+4) = 00100

Então, deve-se fazer a negação do número 4, obtendo-se 11100, que representa –4.
Depois, somamos este valor com o número 8 (01000)

Agora, vamos fazer +8, subtraído de -4.

(+8) = 01000

(+4) = 00100

Então, devemos fazer a negação do número 8, obtendo, assim, 11000, que representa –8.
Depois, somamos este valor com o número 4 (00100).

4. Multiplicação
Para efetuarmos a multiplicação em números binários, primeiramente precisamos conhecer
as quatro regras básicas da multiplicação. São elas:

• 0x0=0
65
• 0x1=0
• 1x0=0
• 1x1=1

Tendo conhecimento destas quatro simples e básicas regras, podemos efetuar a


multiplicação de qualquer número binário, da mesma maneira que multiplicamos os números
decimais.

Exemplo: Vamos multiplicar o número 7 (0111) pelo número 9 (1001):

Importante!

Não devemos nos esquecer que mesmo na multiplicação, se envolvermos


números negativos, estes também deverão ser convertidos para o sistema de
complemento de 2, e se o produto resultante for negativo, a resposta também se
encontrará no complemento de 2.

5. Divisão

No processo de divisão binária, não existe praticamente nenhuma diferença em relação à


divisão decimal. Vejamos os passos para realizá-las!

• o primeiro passo é identificar no dividendo o valor necessário para se efetuar a


divisão pelo valor divisor;
• quando encontramos o valor adequado, colocamos 1 no quociente e subtraímos o
valor do divisor pelo valor do dividendo;
• esta operação é repetida até se chegar ao valor zero no resto.

Exemplo: Vamos dividir o valor 70 (1000110) por 5 (101)

66
2.2 Comparadores

Nos sistemas digitais, algumas vezes é necessária a utilização de operações relacionais,


para nos permitir avaliar certas condições, e determinar quando certas ações devem ser
executadas ou não. Estas condições são geralmente expressadas em termos de relações
entre duas entidades X e Y, que podem ser constantes, variáveis ou expressões.
Operações como: maior que, igual, menor que, e diferente, devem estar disponíveis para ser
possível a avaliação destas condições. Estas operações relacionais são executadas por
dispositivos chamados de comparadores.

No exemplo, a seguir, podemos ver o modelo de um comparador de dois bits um pouco


mais complexo, e a sua tabela-verdade, indicando seu modo de operação. Neste
comparador, sua saída determina se A é maior que B ou se A é menor que B:

A0 A1 B0 B1 X Y
0 0 0 0 0 0
0 0 0 1 0 1
0 0 1 0 0 1
0 0 1 1 0 1
0 1 0 0 1 0
0 1 0 1 0 0
0 1 1 0 0 1
0 1 1 1 0 1
1 0 0 0 1 0
1 0 0 1 1 0
1 0 1 0 0 0
1 0 1 1 0 1
1 1 0 0 1 0
1 1 0 1 1 0
1 1 1 0 1 0
1 1 1 1 0 0

2.2.1 Comparador de magnitude

Um circuito lógico combinacional mais conhecido, para comparar duas quantidades binárias
e gerar saídas, para indicar qual delas possui a maior magnitude, é o 74LS85.

67
Figura 5: Comparador de Magnitude.
Fonte: Tocci, (2003, p. 470)

2.3 A Unidade Lógica e Aritmética – (ULA)

A unidade lógica aritmética é o dispositivo que realiza as operações lógicas e aritméticas,


definidas pelo conjunto de instruções, dentro de um processador. A complexidade da ULA é
proporcional à complexidade do sistema em que ela será utilizada, ou seja, se o sistema for
simples, ele possuirá ULA’s simples, e se o sistema for complexo deverá possuir ULA’s
complexas.

A unidade lógica e aritmética pode realizar diversas operações, entre elas:


• adição;
• subtração;
• multiplicação;
• divisão;
• operações lógicas (E, OU, XOR, INVERSÃO);
• deslocamento (à esquerda e à direita);
• comparação;

As operações realizadas pela ULA são feitas baseadas em um banco de registradores,


chamados de registradores fontes. A figura 6, a seguir, é uma representação básica de uma
ULA:

Figura 6: Esquema básico de uma ULA.


Fonte: Autor

68
2.3.1 Circuito Integrado de uma ULA

O CI 74181 é uma ULA de 4 bits bastante comum, que tem possibilidade de executar 16
operações aritméticas binárias e 16 operações lógicas.

Figura 7: Diagrama da ULA 74181


Fonte: Modificado pelo autor do datasheet do componente, retirado de www.datasheetcatalog.com

As tabelas, vistas a seguir, apresentam a descrição dos pinos e as operações da ULA.


Tabela 2: Descrição dos pinos da ULA 74181

Fonte: Modificado pelo autor do datasheet do componente, retirado de www.datasheetcatalog.com

69
Tabela 3: Modos de operação da ULA.

Fonte: Modificado pelo autor do datasheet do componente, retirado de www.datasheetcatalog.com

Resumo
Neste terceiro e último capítulo do nosso livro de Sistemas Digitais, conhecemos o que é
uma memória, além de conhecermos os principais tipos existentes. Pudemos conhecer,
também, o que é um barramento, como ele funciona, como se classifica e os modelos
existentes. Posteriormente, vislumbramos os registradores de três estados, conhecidos
como também com “tristate”, registradores estes responsáveis pela utilização e
funcionamento dos barramentos. Vimos, também, como são feitas as operações de adição,
subtração, multiplicação e divisão nos sistemas digitais, utilizando números binários. Vimos,
ainda, como representamos os números binários com ou sem sinal.

Em seguida, foram apresentados os dispositivos conhecidos como comparadores, também


muito utilizados na eletrônica digital.

Posteriormente, trabalhamos com a Unidade Lógica Aritmética (ULA), presente em


computadores digitais e em microcontroladores conhecendo suas principais características.

Por último, aprendemos sobre as principais famílias lógicas (TTL e CMOS), encontradas nos
circuitos integrados atualmente, visualizando suas principais características.

70
Porém, é de fundamental importância a continuação de estudos nesta área, da realização
das atividades propostas, para uma completa aprendizagem sobre este tema.

Agora é a sua vez

Atividade 1
Responda como podemos classificar os barramentos.

Atividade 2
Até quantos periféricos podem ser ligados a um barramento USB?

Atividade 3
Escreva quais são os estados de um registrador tristate.

Atividade 4
Descreva os tipos de memória não volátil mais comuns.

Atividade 5
Represente o número +2, utilizando o complemento de 2 com sinal:

Referências

TOCCI, R. J., Sistemas Digitais Princípios e Aplicações. 8. ed. Rio de Janeiro,


Pearson Prentice Hall, 2003.

71
4 Amplificadores operacionais – conceitos básicos

Kety Rosa de Barros


Thiago Bruno Caparelli

Introdução
Organizamos esse capítulo em duas partes, considerando dois eixos que são: Conceitos
básicos e Conceitos básicos na realimentação negativa.

Nesse momento do curso, vocês estudarão os conceitos básicos utilizados em circuitos


eletrônicos, especialmente aqueles que utilizam os amplificadores operacionais que serão
vistos nos próximos módulos.

Esses conceitos importantes para a compreensão dos circuitos eletrônicos - funcionamento


e análise fundamentais para a prática do engenheiro eletricista.

Objetivos
Ao final do estudo deste capítulo, esperamos que você seja capaz de:

• conceituar offset, determinar seu valor e sua influência em um circuito com


amplificadores operacionais;
• determinar o ganho de um amplificador;
• descrever as características e o funcionamento do amplificador operacional;
• conceituar década e oitava;
• descrever os modos de operação do amplificador Operacional (AmpOp);
• compreender e conceituar Terra Virtual;
• analisar as curvas de resposta em malha aberta e malha fechada;
• compreender o Slew-rate, saturação, frequência de corte, taxa de atenuação e
relação de rejeição em modo comum (CMRR).

Esquema
1. Conceitos básicos
1.1 Características do amplificador operacional
1.2 Formas de conexão do amplificador operacional
1.3 Ganho do amplificador
1.4 Razão de rejeição em modo comum
1.5 OFFSET
1.6 Frequência de corte e taxa de atenuação
1.7 Conceito de década e oitava
2. Realimentação negativa
72
2.1 Modos de Operação do Amplificador Operacional
2.2 Terra Virtual
2.3 Curvas de resposta em malha aberta e malha fechada
2.4 Slew Rate (SR)
2.5 Saturação

1. Conceitos básicos

Antes de darmos início às várias aplicações envolvendo amplificadores operacionais,


devemos nos familiarizar com alguns conceitos e parâmetros utilizados na operação desses
dispositivos. São eles:

1.1. Características do Amplificador Operacional

Amplificadores Operacionais (AO ou AmpOp) são dispositivos eletrônicos muito versáteis


com imensa gama de aplicações. Esses dispositivos são formados internamente por
circuitos transistorizados (figura 1), possuem alto ganho e usam o processo de
realimentação para controlar seus parâmetros.

Figura 1: Esquema simplificado do ampOp


Fonte: Apostila Amplificadores Operacionais – disponível em: http://www.poli.br/~jener

O AmpOp é formado basicamente por 3 estágios (Toscano): (figura 1)

• estágio de entrada: recebe o sinal, compara as tensões aplicadas, as amplifica e


gera um sinal de corrente proporcional à diferença entre as mesmas;
• estágio intermediário: amplifica mais uma vez o sinal, faz-se correções de desvio
de frequência que possam vir a ocorrer no processo de comparação e ganho;
• estágio de saída: dois transistores atuam como fonte de corrente para fornecer o
sinal à carga.

73
Um circuito com amplificador operacional ideal possui as seguintes propriedades:

• ganho de tensão diferencial infinito;


• ganho de tensão de modo comum igual a zero;
• tensão de saída nula para tensão de entrada igual a zero;
• impedância de entrada infinita e impedância de saída igual a zero;
• faixa de passagem infinita.

No entanto, na prática existem várias limitações para os amplificadores operacionais e


dependem, dentre outros fatores, das características de fabricação dos mesmos.

A figura 2 mostra a simbologia utilizada para a representação do amplificador operacional


onde visualizamos as entradas Não inversora (Vin+), Inversora (Vin-) e a saída Vo.

Figura 2: Símbolo esquemático do ampOp


Fonte: Acervo dos autores

Dicas

Quando o sinal é aplicado à entrada não inversora resulta na saída um


sinal de mesma polaridade (fase) com o sinal de entrada; caso contrário, tem-se
um sinal de saída com a polaridade (fase) invertida.

Um amplificador operacional comercial muito usado é o LM741 (figura 3), suas


características e limitações são fornecidas pelo manual do fabricante também denominado
folha de dados ou datasheet (figura 5).

Figura 3: Amplificador Operacional LM 741 – Encapsulamento típico (DIP 8)


Fonte: Acervo dos autores

O amp-op pode ser encontrado no mercado em vários encapsulamentos, sendo o


denominado DIP de 8 pinos, o mais comum.
74
Outro exemplo de amplificador operacional é o LM339 que possui internamente quatro
AmpOps, conforme visualizado na figura 4.

Figura 4: Amplificador Operacional LM 339


Fonte: Acervo dos autores

A folha de dados, presente no Anexo 1, mostra dentre outras, as seguintes características:

• descrição geral do dispositivo e diagrama esquemático (figura 5): faz uma rápida
descrição e mostra os detalhes de construção interna do AO;
• especificações Máximas Absolutas (figura 5): fornece especificações sobre as
amplitudes máximas das fontes de alimentação que podem ser usadas, qual a
máxima oscilação de entrada para que não haja distorção na saída, potência máxima
com a qual o dispositivo pode operar, dentre outros;
• características elétricas (figura 5): as características elétricas fornecem algumas
combinações de valores típicos, mínimos ou máximos, para vários parâmetros
considerados mais importantes para o usuário;
• o fabricante pode ainda fornecer descrições através de gráficos, mostrando as
curvas de desempenho do amplificador operacional.

No decorrer do texto, serão tratadas as principais características dos amplificadores


operacionais.

1.2. Formas de Conexão do Amplificador Operacional

Segundo Boylestad (2004), são várias as formas de se utilizar um amplificador operacional.


São elas:

a) Entrada com terminação Única (figuras 6A e 6B)

Uma das entradas recebe o sinal de entrada e a outra é conectada à GND. A


figura 6A mostra o sinal aplicado à entrada positiva, e a figura 6B, o sinal
aplicado à entrada negativa.

75
Figura 6A: Amplificador operacional: Operação com terminação Única
Fonte: Adaptado de Boylestad (2004, p. 453)

Figura 6B: Amplificador operacional: Operação com terminação Única


Fonte: Adaptado de Boylestad (2004, p. 453)

b) Entrada com terminação Dupla (Diferencial):

Aplica-se um mesmo sinal a ambas as entradas. A saída amplificada está em


fase com o sinal aplicado entre as entradas positiva e negativa (figura 7A).

Figura 7A: Operação com terminação dupla


Fonte: Adaptado de Boylestad (2004, p. 454)

A figura 7B mostra o sinal resultante quando se aplicam dois sinais separados nas entradas.

76
Figura 7B: Operação com terminação dupla
Fonte: Adaptado de Boylestad (2004, p.454)

c) Saída com terminação dupla: neste tipo de operação, o ampOp produz


saídas opostas (figuras 8A 8B e 8C). Um sinal aplicado a qualquer entrada
resultará em saídas para ambos os terminais de saída, com polaridades
opostas.

Figura 8A: Saída com terminação Dupla


Fonte: Boylestad (2004, p. 454)

A figura 8B mostra uma entrada com terminação única, e uma saída com
terminação dupla. O sinal aplicado à entrada positiva resulta em duas saídas
amplificadas de polaridades opostas.

Figura 8B: Saída com terminação dupla


Fonte: Adaptado de Boylestad (2004, p. 454)

77
A figura 8C mostra operação semelhante à anterior, porém o sinal de saída (único) é medido
entre os terminais de saída (não em relação ao GND), por isso esse sinal de saída pode
também ser denominado sinal flutuante.

Figura 8C: Operação com entradas e saídas diferenciais


Fonte: Boylestad (2004, p.454)

d) Operação modo-comum: A operação em modo comum acontece quando os


mesmos sinais de entrada são aplicados a ambas as entradas (figura 9).
Idealmente as duas entradas são amplificadas igualmente, e como produzem
sinais de saída com polaridades opostas, esses sinais se cancelam gerando
uma saída de 0V.

Figura 9: Operação modo-comum


Fonte: Adaptado de Boylestad (2004, p.454)

1.3 Ganho do amplificador

Entende-se por ganho do amplificador a relação da variação da tensão de saída sobre a

9: =
;<
variação da tensão de entrada.

;=
(eq.1)

Para o amplificador ideal em malha aberta o ganho de tensão é infinito.

Uma das principais características do AO é amplificar muitos sinais que não são comuns às
duas entradas e amplificar muito poucos sinais que são comuns às mesmas (figura 10).
Dessa forma, o ampOp fornece na saída uma componente devido à diferença dos sinais
aplicados às suas entradas e uma componente que se deve aos sinais comuns aplicados a
essas entradas (equação 4).
78
>? = >@1 − >@2 (eq.2)

>B = >@1 + >@2) (eq 3)




Figura 10: Amplificador Operacional: Operação diferencial e modo comum


Fonte: Acervo dos autores

CD = &E. CE + &G. CG (eq. 4)


Em que: Ad →ganho diferencial do amplificador
Ac→ganho de modo comum do amplificador

Exemplo 1

Para entradas com sinal idealmente opostos, Vi1=Vi2=Vi tem-se:

>? = >@1 − >@2 = >@ − −>@) = 2>@


>B = >@1 + >@2) = [>@ + −>@)] = 0>, logo:
 
e

CD = &E. H. CI + &G. J = H. &E. CI

Parada para reflexão

Quando as entradas são sinais idealmente opostos, a saída é o ganho


diferencial vezes o dobro do sinal de entrada aplicado a uma das entradas.
(Boylestad, 2004)

79
Exemplo 2: Para entradas com sinal de mesma polaridade, Vi1=Vi2=Vi, tem-se:

>? = >@1 − >@2 = >@ − >@ = 0 e

>B = >@1 + >@2) = [>@ + >@] = >@, logo:


 

CD = &E. J + &G. CI = &G. CI

Parada para reflexão


Quando as entradas são sinais ideais em fase, a saída é o ganho em modo
comum vezes o sinal de entrada Vi, o que mostra que ocorre apenas a operação
em modo comum. (Boylestad, 2004)

1.3. Razão de rejeição em modo comum

Na secção anterior, foram mostradas as relações para a determinação dos ganhos


diferenciais e, em modo comum, com circuitos que utilizam amplificadores operacionais.

Dessa forma, pode-se determinar Ad e Vd, seguindo o exemplo a seguir (Boylestad, 2004):

a) Para medir Ad: Adote Vi1=-Vi2=Vi=0,5V

>? = >@1 − >@2 = 0,5 − −0,5) = 1 > e

>B = >@1 + >@2) = [0,5 + −0,5)] = 0>, logo:


 

CD = &E. L + &G. J = &E

A tensão de saída resultante é numericamente igual a Ad.

b) Para medir AC: Adote Vi1=Vi2=Vi=1V

>? = >@1 − >@2 = 1 − 1 = 0 > e

>B = >@1 + >@2) = [1 + 1] = 1>, logo:


 

CD = &E. JC + &G. L = &G

A tensão de saída resultante é numericamente igual a Ac.

A partir desses valores de Ad e Ac medidos, determinamos um importante parâmetro


denominado razão de rejeição em modo comum, CMRR (common-mode rejection ratio).

80
A razão de rejeição em modo comum é um fator de qualidade do amplificador diferencial e é
definida como a razão do ganho diferencial (Ad) pelo ganho em seu modo comum (Ac)
(equação 5). Ou seja, essa relação nos diz o quão bom, ou não, o AO é em rejeitar sinais
que são comuns às duas entradas.

$6MM =
|OP|
|OQ|
(eq. 5)

O valor da CMRR pode também ser dado em termos logarítmicos (decibéis) como mostra a
equação 6:

$6MM = 20RST U V
OP
OQ
[dB] (eq. 6)

Na prática, o valor da relação de rejeição em modo comum pode ser determinado através de
consulta ao manual do fabricante. Para o LM741, por exemplo, a CMRR possui um valor
mínimo de 70 dB e típico de 90 dB para as condições determinadas pelo fabricante (figura
11):

Parameter Conditions LM741A/LM741E LM741 Units


Min Typ Máx Min Typ Máx
Commom-
Mode TAMIN ≤ TA ≤ TAMAX
Rejection
Ratio RS ≤ 10k Ω, VCM = ±12V 70 90
RS ≤ 50k Ω, VCM = ±12V dB
80 95 dB
Figura 11: Valores da CMRR para o LM741 da National Semicondutores
Fonte: http://www.datasheetcatalog.org/datasheet/nationalsemiconductor/DS009341.PDF

Exemplo 1

Para um dado amplificador operacional, são fornecidos os seguintes sinais de entrada:


Vi1= 250µ. cos(120.π.t);
Vi2=200µ. cos(120.π.t);

Determine a tensão de saída considerando Ad igual a 5000:


a) CMRR= 200
b) CMRR= 1012

Solução:

a) Considerando as equações descritas anteriormente e CMRR igual a 200, teremos:

>? = >@1 − >@2 = 250 − 200). 10W = 50. 10W = 50µ>

1 250. 10W + 200. 10W


Vc = Vi1 + Vi2) = = 225µV
2 2

81
B>B 1 >B
>S = ?>? + B>B = ?>?. [1 + \ = ?>?. [1 + . \
?>? $6MM >?

1 225. 10W
>S = 5. 10] . 50. 10W . ^1 + . _
200 50. 10W

>S = 255,6 mV

b) Repetido o procedimento descrito no item (a), temos:

1 225. 10W
>S = 5. 10] . 50. 10W . ^1 + . _
10 50. 10W

>S = 250 mV

Ponto chave

Observe que quanto maior a razão de rejeição em modo comum, mais próxima
a tensão de saída estará da diferença das entradas vezes o ganho diferencial.
Ou seja, o sinal em modo comum será rejeitado.

1.4. OFFSET

Quando aplicamos na entrada de um amplificador a tensão de 0V (zero volts) devemos ter


na saída também 0V, o que na prática não acontece. Esse valor diferente de zero
encontrado na saída do AO quando sua entrada é zero é denominado tensão de OFFSET.
Essa tensão indesejada é gerada pelo circuito e não pelo sinal de entrada.

Segundo Boylestad, 2004:


A tensão de offset de saída pode ser afetada por duas condições de
circuito independentes, que são: VIO – Tensão de offset de entrada e
IIO - corrente de offset devido à diferença nas correntes resultantes
nas entradas positivas e negativas.

VIO: Tensão de offset de entrada:

Vo`aabcd) = Vef .
ghga
g
(eq. 7)

IIO: Tensão de offset de saída devido à corrente de offset de entrada

Voijjklm Pl4nPi oop) = Ief . Rf (eq. 8)

Logo, a tensão de offset total pode ser determinada como:

Vooffset) = |Vooffset devido a Ief )| + |Voffset devido a Vef )| (eq. 9)

82
Figura 12: Posicionamento de R1 e RF para um amplificador não inversor
Fonte: Acervo dos autores

Na prática, existem nos amplificadores operacionais entradas específicas para ajustar o


offset do mesmo. O potenciômetro de 10k visa....

Figura 13: Circuito com ampOp para exemplo 2


Fonte: Acervo dos autores

Exemplo 2: Determine a tensão de offset total para o circuito visto na figura 13, conforme
características fornecidas pelo fabricante (figura 14), considerar o pior caso à temperatura
ambiente.

Dados: Rf=500kΩ; R1=R2=10kΩ;

Figura 14: Circuito com ampOp para exemplo 2


Fonte: Acervo dos autores

83
Figura 15: Retirado da Folha de Dados do LM741 da National semicondutores
Fonte: http://www.datasheetcatalog.org/datasheet/nationalsemiconductor/DS009341.PDF

Solução:

M1 + Mz 10€ + 500€
>SSzz{|} >~7) = >~7 = 6. = 0,306>
M1 10€

>SSzz{|} ~~7) = ~~7. Mz = 200. 10€ = 2>

>SSzz{|} ‚S}ƒR) = |>SSzz{|} >~7)| + |>SSzz{|} ~~7)| = 0,308 >

O offset pode ser facilmente visualizado, por meio de uma montagem simples:

Figura 15: Circuito para medida de Offset


Fonte: Acervo dos autores

84
Este circuito apresenta ambas entradas aterradas, ou seja, a tensão de saída deveria ser
0V. Porém, como é possível observar na figura 16, existe um valor de tensão na saída deste
circuito.

Figura 16: Resultado da medida no circuito de Offset


Fonte: Acervo dos autores

O circuito apresenta características de amplificador (que serão estudadas mais tarde) com
ganho igual a 1000, ou seja: a saída é mil vezes maior do que a entrada. Para este exemplo,
o valor medido na saída foi de 11,36mV. Isto significa que o offset gerado pelo circuito era
1000 vezes menor, ou seja, 11,36µV.

1.5. Freqüência de corte e taxa de atenuação

Devido às suas características físicas, todo amplificador operacional apresenta resposta de


saída como um filtro, ou seja, a partir de uma dada frequência, o sinal começa a ser
atenuado, até que se extingue.

Um ponto importante desta curva é aquele denominado Frequência de Corte (ou Frequência
de Meia Potência). Ela é determinada como a frequência na qual a potência de saída do
sistema (no caso, do amplificador operacional) é reduzida à metade da potência da faixa de

definir também a frequência de corte como o ponto de „1⁄2 >i = 0,707>i , ou seja, cerca de
trabalho. Como geralmente tratamos diretamente com tensão, e não potência, podemos

70% da tensão máxima de saída do circuito.

É também muito comum expressar a resposta como relação entre as tensões de saída de
forma logarítmica (dB). A frequência de corte, portanto, será apresentada como o ponto de -
3dB, já que este representa, aproximadamente, metade da potência de saída.

85
Figura 17: Freqüência de corte de um filtro
Fonte: Adaptado de: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Butterworth_response.png

A partir da frequência de corte, a tensão de saída do circuito passa a diminuir de forma


constante. A inclinação desta curva (e, consequentemente, a razão com a qual a tensão de
saída diminui) é denominada Taxa de Atenuação do circuito. Seu valor é geralmente
expresso de forma logarítmica, ou seja, dB/dec ou dB/oitava.

Figura 18: Taxa de atenuação de um filtro


Fonte: Adaptado de: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Butterworth_response.png

86
1.6. Conceito de Década e Oitava

Os conceitos de década e oitava são de suma importância para a compreensão dos


amplificadores operacionais, principalmente ao se utilizar os mesmos como filtros ativos:
• quando a razão entre duas frequências é de 2:1, diz-se que elas estão
separadas por uma OITAVA;
• quando a razão entre duas frequências é de 10:1, diz-se que elas estão
separadas por uma DÉCADA.

Oitava Década

f1 = 60 Hz f1 = 60 Hz

†‡ = H‡WL . †L f2 = 120 Hz †‡ = LJ‡WL . †L f2 = 600 Hz

f3 = 240 Hz f3 = 6.000 Hz

(n-1): é o número de oitavas/décadas da variação

2. Realimentação negativa

2.1. Modos de operação do amplificador operacional

Os modos de operação do amplificador operacional são:


• malha Aberta;
• realimentação positiva;
• realimentação Negativa;

a) Malha aberta (sem realimentação)

Esse modo de operação utiliza o denominado “ganho em malha aberta”, ou seja, o ganho
fornecido pelo fabricante. Pode-se ter acesso a esse valor consultando a folha de dados
(datasheet) do componente. O modo de operação em malha aberta (figura 19) é bastante
empregado em circuitos comparadores.

Figura 19: Configuração em malha aberta


Fonte: Acervo dos autores

87
b) Realimentação positiva

Modelo de operação em malha fechada (figura 20) onde a saída é reaplicada na entrada
não inversora do AO por meio de RF. O ganho do amplificador operacional é obtido por
meio do projeto de Rf e R1. Muito usado em circuitos osciladores.

Importante!

Neste modo de operação, o AmpOp não trabalha na região linear


e, por isso, não deve ser usado para amplificar sinais.

Figura 20: Configuração com realimentação Positiva


Fonte: Acervo dos autores

c) Realimentação negativa

A realimentação negativa (figura 21) é o modo de operação mais utilizado em circuitos


que utilizam amplificadores operacionais. Nesse caso, a saída é reaplicada à entrada
inversora do AmpOp e seu ganho é determinado pelo projetista por meio de R1 e Rf.

Figura 21: Configuração com realimentação negativa


Fonte: Acervo dos autores

São exemplos de aplicação da realimentação negativa:

• Amplificador Inversor;
• Amplificador Não Inversor;
• Somador;
• Diferenciador;
88
• Integrador;
• Filtros ativos, dentre outros.

2.2. Terra virtual

Quando o amplificador operacional está na configuração “malha aberta”, sem realimentação


entre a saída e a entrada, o ampOp apresenta em sua saída a amplificação da diferença do

>S = ˆ. >@h − >@W )


sinal de entrada:

ˆ = = =∞
‰i ‰i
‰nŠ W‰n‹ ‰n
Idealmente:

Considerar o ganho de tensão infinito implica em admitir que existe sinal de saída ainda que
a entrada seja igual a zero (nula), ou seja:

CI‡ = J → CI‡h = CI‡W

Na prática a tensão de saída é limitada pelo valor da tensão de alimentação a que o AmpOp
está submetido. As considerações I+= I-= 0A e V+=V- se devem em função do conceito de
“Terra Virtual” (figura 22).

O conceito de terra virtual implica que, embora a tensão seja praticamente 0V, não há
corrente na entrada do Amplificador para GND (Boylestad, 2004).
Esse conceito pode ser utilizado para análise de qualquer circuito que envolva
amplificadores operacionais.

Figura 22: Ilustração “Terra Virtual”


Fonte: Acervo dos autores

Analisando o circuito mostrado na figura 14, teremos a tensão de saída Vo:

ˆ1
@1 =
M1
ˆ1
@1 = @2 =
M1

89
ˆ1
ˆS = 0 − . M2
M1
M2
>S = ˆ1
M1
Logo, podemos concluir que o ganho de tensão para a configuração analisada
anteriormente é igual a R2/R1.

Exemplo 3

Determine o ganho para o amplificador com realimentação negativa (figura 23), usando o
conceito de Terra virtual.

Solução:

Figura 23: Amplificador inversor para exemplo 3


Fonte: Acervo dos autores

Pelo Conceito de Terra virtual, sabemos que VB=VA=0V. Logo, aplica-se a lei de Kirchhoff
para tensões (LKT) obtendo:

Vin − R1. i1 = VB

Isolando I1, temos:

Vin − VB Vin
i1 = =
R1 R1

Aplica-se novamente a LKT: 0 − Rf. i1 = Vout

Isola-se Vout:

>@
>SŽ} = −Mz.
M1
>SŽ} Mz
=−
>@ M1

90
A tensão de saída (Vout) sobre a tensão de entrada (Vin) fornece o ganho para o
amplificador inversor, dado por:

Mz
ˆ = −
M1

2.3. Curvas de resposta em malha aberta e malha fechada

O amplificador operacional possui um ganho muito alto, de forma que tornam-se


necessárias algumas precauções durante sua utilização, garantindo assim que ele
permaneça estável. O AmpOp se comporta de modo estável sempre que um sinal limitado
na entrada provoca um sinal limitado na saída, admitindo que não existe saturação.

Os valores de alto ganho nas altas frequências tendem a desestabilizar um amplificador, em


função das propriedades pertinentes à realimentação positiva por meio da capacitância
parasita (Bogart, 2001).

Muitos amplificadores operacionais possuem circuitos de compensação interna cuja função


é ajudar na estabilidade dos mesmos. Esses circuitos fazem o ganho em malha aberta
diminuir com o aumento da frequência. Além da utilização dos circuitos de compensação
internos ao AO, pode-se também utilizar malhas externas que ajudem a reduzir o ganho de
alta frequência ainda mais rapidamente o que também auxilia na estabilidade do sistema.

Importante!
Em função do ganho do amplificador em malha aberta (cc) e em baixa
frequência ser muito alto a queda no ganho deve começar nas frequências mais
baixas, o que acarreta em uma baixa largura de faixa em malha aberta.

Geralmente, o ganho sobre a faixa útil de frequência cai a -20dB/década ou -6dB/oitava.

A figura 24, a seguir, mostra a resposta em frequência para o ganho em malha aberta do
amplificador operacional.

Figura 24: Resposta em frequência do ganho em malha aberta de um AmpOp


Fonte: Bogart (2001, p.50)

91
A frequência em que o ganho do amplificador cai para 1 é igual ao produto da frequência de
corte e do ganho em baixa frequência Ao

†L = &D. †G
Em que temos:

• f1 é a denominada frequência de ganho unitário, ganho igual a 1;


• Ao é o valor do ganho em malha aberta em baixa frequência (ou cc);
• fc é a frequência de corte (frequência a 3dB do ganho em malha aberta). Essa
frequência faz com que o valor do ganho caia para 0,707 vezes o valor do mesmo (Ao).

Importante!
O termo Ao.fc é denominado produto ganho-largura de banda e pode ser
representado nas folhas de dados tanto como o produto ganho-largura de faixa
quanto seu equivalente frequência de ganho unitário.

A relação entre a largura de faixa em malha fechada e o produto ganho largura de banda é
determinada por:

 = z1. ‘ = S. zB. ‘

Em que:
BW CL = largura de faixa em malha fechada;
f1= frequência de ganho unitário;
Ao = Valor do ganho em malha aberta;
fc = frequência de corte;
Β = taxa de realimentação.

Para o amplificador não inversor, o ganho em malha fechada ideal é:

z1
 =
TƒℎS | ƒRℎƒ z|Bℎƒ?ƒ @?|ƒR

92
Figura 25: Resposta em frequência para um amplificador não inversor
Fonte: Bogart (2001, p. 51)

A figura 25 mostra a resposta em frequência para um amplificador não inversor, quando o


ganho se estende de seu valor em malha aberta 105 até o valor de 1 em malha fechada.
Podemos visualizar que a largura de faixa diminui à medida que o ganho em malha fechada
aumenta e que a largura de faixa no ganho máximo (malha aberta) é de apenas
10Hz.(Bogart, 2001)

Como alguns amplificadores disponíveis no mercado não possuem circuitos de


compensação internos para fazer com que a resposta em frequência caia em 6 dB/oitava ou
20 dB/década sobre a faixa total de frequência a partir de fc, torna-se necessário o uso de
malhas de compensação externas. Essas malhas são basicamente circuitos RC e são
determinadas pelo usuário, a fim de garantir que a resposta em frequência obedeça à queda
citada anteriormente.

Figura 26: Resposta em frequência típica compensada e não compensada


Fonte: Bogart (2001, p.52)

93
As curvas de resposta em frequência para um circuito compensado e não compensado
podem ser visualizadas na figura 26. A variação da resposta que antes dependia da
frequência deixa de existir (a resposta é constante no intervalo de trabalho).

A figura 27 mostra o denominado “ponto de 3 dB”; podemos observar que neste ponto o
ganho cai para 3 dB (0,707 do ganho Avd (dc)) estando este ponto na frequência de corte fc.

relacionadas por: z = ‰ . zQ


Lembrando também que a frequência de ganho unitário f1 e a frequência de corte fc estão

Figura 27: Gráfico do ganho versus frequência


Fonte: Adaptado de Boylestad (2004, p. 465)

Exemplo 4

Determine a frequência de corte para um amplificador operacional com valores


especificados de B1 = 2MHz e Av = 300V/mV.

Solução:

z1 2 6“”
z =  = 2 6“” zQ = = = 6,667 “”
ˆ 300>/>

Exemplo 5

Determine a frequência de corte do amplificador operacional cujas características estão


descritas nas tabelas mostradas nas figuras 28 e 29.
Tabela 1: Características de operação do LMA741
Características de Operação: Vcc = ±15V, TA = 25ºC

Parâmetro Min. Típ. Máx. Unidade

B1 Largura de banda de ganho unitário 1 MHz

tr Tempo de subida

0,3 µs

Fonte: Adaptado de Boylestad (2004, p.470)

94
Tabela 2: Características elétricas do LMA741

Características elétricas do LMA741: Vcc = ± 15V, TA = 25ºC

Características Min. Típ. Máx. Unidade

VIO Tensão de offset de entrada 1 6 mV

IIO Corrente de offset de entrada 20 200 nA

IIB Corrente de polarização de entrada 80 500 nA

VICR Faixa de tensão de entrada em modo comum ±12 ±13 V

VOM Pico máximo de oscilação de tensão de saída ±12 ±14 V

AVD Amplificação de tensão diferencial para grandes sinais 20 200 V/mV

ri Resistência de entrada 0,3 2 MΩ

rO Resistência de saída 75 Ω

Ci Capacitância de entrada 1,4 pF

CMRR Razão de Rejeição de Modo-Comum 70 90 dB

Icc Fonte de corrente 1,7 2,8 mA

PD Dissipação total de potência 50 85 mW

Fonte: Adaptado de Boylestad (2004, p. 469)

Solução

zQ = O4 = . = 50 “”
j  –—˜
Consultar valores de f1 e AVD, na tabela 1 e 2:

2.4. Slew Rate (SR)

O Slew Rate (SR), ou taxa de inclinação, é um parâmetro que reflete a capacidade do


amplificador operacional de operar com sinais variantes. Não é possível uma forma de onda
qualquer, seja ela entrada ou saída, alterar de um nível para outro em um tempo zero, o que
corresponderia a uma mudança com taxa infinita.
A determinação da taxa de variação para o AO é determinada através do slew rate, sendo
seu valor máximo determinado pelo fabricante e fornecido na folha de dados do Ao em
questão.

Segundo Boylestad, 2004: “A taxa de inclinação ou taxa de variação (figura 30) é a máxima
taxa na qual a saída do amplificador pode variar em volts por microssegundo [V/µs]”.

∆>S
M= [>/µ{]
∆}

95
CH − CL ∆C
š›œ› E ž›ŸI›çãD = =
šH − šL ∆ 

Figura 30: Representação da taxa de variação


Fonte: Acervo dos autores

Importante!

O valor especificado para a taxa de variação (Slew rate) de um amplificador


é a taxa máxima em que sua saída pode variar, de forma que não se pode
acioná-lo com uma forma de onda na entrada que gere uma saída que
exceda essa taxa.

Para o caso de um sinal senoidal, a máxima 96 frequência de um sinal em que um


amplificador pode operar depende da largura de faixa do sinal e da taxa de subida SR.
Logo, para um sinal senoidal dado por:

Vo=K.sen(2.π.t)

A máxima taxa de variação de tensão é dada por: 2.π.f.K em que K é a máxima amplitude
do sinal senoidal.
O que quer dizer que para evitar distorção no sinal de saída, a taxa de variação deve ser
menor do que a taxa de subida SR:

2.π.f.K ≤ SR
w.K ≤ SR

Tais inequações nos permitem calcular a 96 freqüência máxima que a limitação da taxa de
inclinação permitirá na saída do amplificador:

f≤
¢g
w≤ [radiano/segundo]
¢g
.π.£ £
[hertz]

Exemplo 5

O slew rate para o amplificador mostrado na figura 31 é especificado em 0,6V/µs. Determine


o ganho em malha fechada, máximo que o amplificador poderá ter sem que exceda sua taxa
de inclinação (Considere o sinal Vin como sinal de entrada).

96
Figura 31: Circuito com ampOp e respectivo sinal de entrada (Exemplo 3)
Fonte: Acervo dos autores

Solução

V2 − V1 0,5 − −0,3)
Taxa de variação na entrada = =
t2 − t1 60 − 30). 10W

Taxa de variação na entrada = 26,67 x 103 V/s

Como o Slew rate fornecido é de 0,6 V/µs, ou seja, de 6.105 V/s, o ganho máximo permitido
para que não haja distorção será de:

6. 10©
= 22,5 ˆ|”|{
26,67. 10]

Exemplo 6

Considerando o amplificador operacional mostrado na figura a seguir, com sinal de entrada


Vin=0,03.sen(300.t), determine a máxima frequência que pode ser utilizada se a taxa de
subida for de 0,3 V/µs. Dados: Rf= 400kΩ e R1=20kΩ

Figura 32: Circuito com ampOp para o exemplo 4


Fonte: Acervo dos autores

Solução:

Mz 400€
ˆ = ª ª= = 20
M1 20€

A tensão de saída fornece: « = ˆ. >@ = 20. 0,03) = 0,6 >

² =
­® ,] ‰/°k
¯ , ‰
Como:

97
Temos: ¬ = 0,5. 10 ±ƒ?/{

2.5. Saturação

O amplificador operacional possui uma resposta linear em uma faixa limitada de tensões de
saída. Essa faixa de tensão é estabelecida durante o projeto do circuito respeitando sempre
os valores máximos descritos pelo fabricante através da folha de dados (datasheet) do
dispositivo em questão.

Por exemplo, ao se utilizar em um dado projeto o amplificador operacional LM071,


verificamos pela folha de dados (figura 33) que as tensões de alimentação +Vcc e –Vcc
podem atingir um valor máximo de 18 volts.

Figura 33: Folha de dados LM071


Fonte: Texas Instruments

Quando um amplificador operacional é alimentado com duas fontes de alimentação, a


tensão de saída não pode exceder determinado limite positivo, e não pode ser menor que
determinado limite negativo.

A figura 27 mostra a característica de transferência resultante para um amplificador, que é


linear, indicando os níveis de saturação positivo e negativo (L+ e L-). Normalmente, os
níveis de saturação encontram-se em torno de 1V acima ou abaixo do valor de tensão da
fonte de alimentação correspondente. Podemos observar que os picos da forma de onda (2)
foram ceifados em virtude da saturação do amplificador.

Figura 34: Características de um amplificador linear


Fonte: Adaptado de Sedra/Smith (2007, p.12)

98
Importante!

A fim de se evitar distorções na forma de onda da tensão de saída, o sinal


de entrada deve ser mantido dentro da faixa linear de operação.

Na prática, o amplificador operacional pode exibir não linearidade em diferentes proporções,


dependendo do quão sofisticado for o circuito amplificador e do esforço dedicado ao projeto
do amplificador para garantir a linearidade em sua operação (Sedra, 2007).

A distorção de saturação pode ser facilmente observada em um circuito prático:

Figura 35: Circuito para demonstração do efeito da saturação


Fonte: Acervo dos autores

Este é um circuito amplificador, que apresenta ganho igual a 18. A saída, portanto, deveria
excursionar entre 0 e ±18V. Porém, a tensão de alimentação deste circuito é de apenas
15V: a saída não consegue atingir valores superiores a este ficando distorcida, como pode
ser observado na figura 36.

99
Figura 36: Efeito da saturação no comportamento do sinal
Fonte: Acervo dos autores

Resumo

Neste capítulo, enfocamos conceitos básicos dos amplificadores operacionais. Dentre


esses conceitos, vimos as suas características, as formas de conexão, o seu ganho.
Ressaltamos a importância da razão de rejeição em modo comum e o offset, assim como a
frequência de corte e taxa de atenuação e o conceito de década e oitava. Outro conteúdo
estudado foi a realimentação negativa em que discorremos sobre os modos de operação do
amplificador operacional, terra virtual, curvas de resposta em malha aberta e malha fechada,
slew rate (sr) e saturação.

Atividades

se, ao aplicar na entrada o sinal >n = 0,05{|350 ∗ 10] }), haverá distorção no sinal
1) Dado um circuito de ganho igual a 33, cujo A.O. possui SR igual a 0,5V/µs, verifique

de saída.

 = 16“” e i = 200>/>.
2) Determine a frequência de corte de um AmpOp com valores especificados de

3) Um amplificador operacional opera a partir de fontes de alimentação com ±12V. Um


sinal senoidal de 1V de pico é aplicado na entrada, e uma tensão de 9V de pico é
fornecida na saída, a uma carga de 1kΩ. Calcule o ganho de tensão para este
amplificador.

4) Considerando o amplificador do exercício anterior, nas condições descritas, qual é a


máxima amplitude do sinal de entrada aplicável, para que não ocorra distorção na
saída?

100
especificações do amplificador operacional fornecem >op = 1,2>.
5) Calcule a tensão de offset de saída para o circuito a seguir, dado que as

Referências
BOGART Jr, Theodore F. Dispositivos e Circuitos Eletrônicos. Volume II, 3. ed. São
Paulo: Prentice Hall, 2001.

BOYLESTAD, R.L. Dispositivos Eletrônicos e Teoria de Circuitos. 8. ed. São Paulo:


Prentice Hall, 2004.

MALVINO, A.P. Eletrônica: Volume II, 4. ed. São Paulo: Prentice Hall, 1995.

SEDRA, A. & SMITH, K. Microeletrônica. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.

101
Anexo 1

102
103
Anexo 1 : Folha de Dados - LM741 - National semicondutores (Páginas 1, 2 e 3)
Fonte: http://www.datasheetcatalog.org/datasheet/nationalsemiconductor/DS009341.PDF

104
105
Tipos de amplificadores operacionais

5 Kety Rosa de Barros


Thiago Bruno Caparelli

Introdução
Foram mostrados, em estudos anteriores, os conceitos básicos necessários para a
compreensão do funcionamento dos amplificadores operacionais no que tange às suas
características físicas, bem como suas principais características elétricas.

Definições importantes, como por exemplo, offset, CMRR, saturação, resposta em


frequência foram inseridas com o objetivo de tornar você, aluno, apto a compreender melhor
os conteúdos dos capítulos subsequentes.

Em continuidade aos estudos, neste capítulo, estudaremos os principais circuitos utilizando


amplificadores operacionais. Para tanto, será realizada a análise de cada um deles, sempre
se preocupando em exemplificar e simular exemplos visando a comprovação de resultados
e melhor compreensão.

Objetivos
Ao final do estudo deste capítulo, esperamos que você seja capaz de:
• compreender o princípio básico de funcionamento dos diversos tipos de circuitos
amplificadores lineares e projetá-los;
• visualizar o funcionamento de circuitos integradores e diferenciadores;
• entender a diferença entre o comportamento de integradores e diferenciadores ideais
e os integradores e diferenciadores reais;
• compreender o funcionamento de um controlador analógico;
• utilizar os circuitos amplificadores, integradores e diferenciadores para compor um
controlador analógico.

Esquema

1. Circuitos Lineares Básicos


1.1 – Amplificadores
1.1.1 – Amplificador inversor
1.1.2 – Amplificador Não inversor
1.2 – Seguidor de Tensão
1.3 – Amplificador Somador
1.4 – Subtrator

106
1.5 – Associação de Amplificadores
2. Diferenciadores, Integradores e Controladores
2.1 – Integrador
2.2 – Diferenciador
2.3 – Controladores Analógicos

1. Circuitos Lineares Básicos

1.1 – Amplificadores

Amplificadores são circuitos capazes de alterar a amplitude de um sinal aplicado. A


relação entre a entrada e a saída de um amplificador é denominada ganho.

1.1.1 – Amplificador Inversor

A figura a seguir mostra um amplificador inversor. Suas principais características são


o ganho constante e a inversão de polaridade do sinal de saída, em relação ao sinal
de entrada.

Figura 01: Circuito básico do Amplificador Inversor


Fonte: Acervo dos autores

Tendo como exemplo o sinal de entrada de entrada da figura 2:

107
Figura 02: Exemplo de sinal de entrada
Fonte: Acervo dos autores

Ao aplicá-lo a um amplificador inversor, com ganho igual a 2, o sinal de saída deverá


possuir a seguinte forma:

Figura 03: Exemplo de sinal de saída para amplificador inversor


Fonte: Acervo dos autores

Observe que a amplitude do sinal é o dobro da amplitude do sinal de saída (ganho 2) e que
houve inversão de fase (o sinal de saída está defasado 180º em relação ao sinal de
entrada).

O valor de saída do circuito pode ser facilmente calculado utilizando-se o conceito de Terra
Virtual:
> = 0 ‚|±±ƒ >@±}ŽƒR), portanto ~® = ®³ .
‰
³

(não há circulação de corrente para o A.O.), então, ~® = ~®j .


Devido à grande impedância de entrada do A.O., a corrente IR1 é desviada para o resistor Rf

A tensão de saída Vo pode ser calculada por:


>p = −>®j  >p = −-Mj . ~ .  >p = − >
®´
®³ 

108
O ganho é a relação entre a entrada e a saída do circuito; portanto:

·´
W ‰
=  =  = −
‰µ ·³ ³ ®´
‰¶ ‰³ ®³

Exemplo: Determinar o sinal de saída para o circuito da figura 4:


Figura 04: Circuito-Exemplo: Amplificador Inversor
Fonte: Acervo dos autores

Sabendo-se que este é um circuito inversor, e que seu ganho é determinado por
= − , determinamos diretamente  = −
®´ ¸
®³ ¸
 A = - 2.

Sendo VO = A . Vi , então 1 VO = (- 2) . sen(2π.100).


VO = - 2 sen(2π100), como pode ser observado na figura 05.

109
Figura 05 – Sinais de entrada e saída p/ o circuito exemplo
Fonte: Acervo dos autores

1.1.2 – Amplificador Não inversor

A conexão da figura, a seguir, mostra um amplificador não inversor. Possui ganho


constante e seu sinal de saída está em fase com o sinal de entrada (não há inversão
de polaridade). Apesar disso, é menos utilizado que o amplificador inversor, pois não
apresenta boa estabilidade em frequência (os conceitos de estabilidade serão
discutidos em momento apropriado).

Figura 06 – Circuito básico do Amplificador Não inversor


Fonte: Acervo dos autores

Considerando-se o mesmo sinal de entrada da figura 2, teremos o seguinte sinal de


saída, para um amplificador não inversor de ganho 2:

110
Figura 07 – Exemplo de sinal de saída para amplificador não inversor
Fonte: Acervo dos autores

Observe que a amplitude do sinal de saída é duas vezes maior que a do sinal de entrada
(ganho 2) e que ambos os sinais apresentam a mesma polaridade (não há inversão de
fase).

A seguinte representação será utilizada para a determinação do ganho do circuito Não


inversor:

Figura 08 – Representação de tensões na configuração não inversora


Fonte: Adaptado de Boylestad

De início, podemos dizer que Vi = 0 (A diferença de tensão entre as entradas do A.O.


é nula, devido a sua imensa impedância de entrada). Portanto, a tensão em R1 é V1.
Isto vale também para a tensão de saída através do divisor de tensão formado por R1

M + Mj
e Rf (Terra Virtual), de maneira que:
> = >p
M

O ganho do circuito será, portanto:

=  =  = 1+
‰µ ®³ h®´ ®´
‰¶ ®³ ®³

111
Como exemplo, determinaremos o sinal de saída para o circuito da figura 9:

Figura 09: Circuito-Exemplo: Amplificador Não inversor


Fonte: Acervo dos autores

Conhecendo o circuito não inversor, e sabendo que seu ganho é  = 1 +


®´
®³
,
podemos determiná-lo diretamente:  = 1 +
¸

 A = 3.

Sendo VO = A . Vi , então, VO = (3) . sen(2π.100).

VO = 3 sen(2π100), como pode ser observado na figura 10.

112
Figura 10: Sinais de entrada e saída para o circuito-exemplo
Fonte: Acervo dos autores

1.2 – Seguidor de tensão

O seguidor de tensão (também conhecido como buffer) nada mais é do que um


amplificador de ganho unitário. É muito utilizado em circuitos eletrônicos para
acoplamento de impedâncias, já que sua alta resistência de entrada impede o dreno
de corrente de dispositivos sensíveis conectados a ele e a baixa impedância de
saída permite um ganho de potência na carga alimentada (devido ao aumento de
corrente disponível). Seu circuito é exemplificado na figura:

Figura 11: Seguidor de Tensão


Fonte: Acervo dos autores

Considerando-se o sinal de entrada apresentado na figura 11, o sinal de saída para o


seguidor de tensão será:

113
Figura 12: Exemplo de sinal de saída para amplificador seguidor de tensão
Fonte: Acervo dos autores

Observa-se que não houve nenhuma alteração em relação ao sinal de entrada: sua
amplitude e fase continuam idênticas, evidenciando o comportamento de seguimento.

inversora, portanto, >W = >p . O sinal de entrada é aplicado à porta não inversora, então,
A análise de seu funcionamento é extremamente simples. A saída realimenta a porta

>h = >n . Devido à grande impedância de entrada do A.O., podemos afirmar que >h = >W e,
portanto, >p = >n .

Como exemplo, determinaremos o sinal de saída para o circuito da figura 13:

Figura 13: Circuito-Exemplo: Seguidor de tensão


Fonte: Acervo dos autores

Sendo o circuito um seguidor de tensão, a forma de onda de saída deve ser exatamente
igual à da entrada: VO = Vi.

114
Se Vi = sen(2π100), a tensão de saída obrigatoriamente será VO = sen(2π100).

Figura 14: Sinais de entrada e saída p/ o circuito-exemplo


Fonte: Acervo dos autores

1.3 – Amplificador Somador

O circuito apresentado, a seguir, é um amplificador somador. Sua saída, como o próprio


nome indica, é proporcional à soma das tensões de entrada do circuito. Este circuito é
derivado do amplificador inversor e, como ele, apresenta inversão de polaridade da saída.

Figura 15: Amplificador Somador


Fonte: Acervo dos autores

115
Considerando-se as seguintes formas de onda de entrada:

Figura 16: Formas de onda para amplificador somador


Fonte: Acervo dos autores

A saída do circuito será:

116
Figura 17: Exemplo de sinal de saída para amplificador somador
Fonte: Acervo dos autores

Comparando
Como é possível observar, a amplitude do sinal de saída é proporcional à
soma dos sinais de entrada (variação na forma de onda), e houve inversão de fase
(a saída apresenta nível DC positivo, enquanto foi introduzido nível DC negativo na
entrada, configurando a inversão de fase).

O cálculo de sua saída é obtido pela aplicação do teorema da superposição:

Aplicando para a fonte V1:

Figura 18: Aplicação do Teorema da Superposição para amplificador somador – Etapa 1


Fonte: Acervo dos autores

117
Observa-se que, com as fontes V2 e V3 abertas, não há circulação de corrente por R2 e R3.
O circuito resultante, portanto, é um amplificador inversor. Sua saída pode, então, ser
calculada: >p 1) = − >
®´
®³ 

Aplicando para a fonte V2:

Figura 19: Aplicação do Teorema da Superposição para amplificador somador – Etapa 2


Fonte: Acervo dos autores

Observa-se que, com as fontes V1 e V3 abertas, não há circulação de corrente por R1 e R3.
O circuito resultante, portanto, é outro amplificador inversor. Sua saída pode, então, ser

Mj
calculada:
>p 2) = − >
M

Aplicando para a fonte V3:

Figura 20: Aplicação do Teorema da Superposição para amplificador somador – Etapa 3


Fonte: Acervo dos autores

118
Observa-se que, com as fontes V2 e V3 abertas, não há circulação de corrente por R1 e R2.
O circuito resultante, portanto, é mais um amplificador inversor. Sua saída pode, então, ser

Mj
calculada:
>p 3) = − >
M] ]

portanto, >p = >p 1) + >p 2) + >p 3).


A equação de saída do circuito geral é a soma das equações parciais encontradas. Ela será,

>p = − > − > − > >p = −Mj . U®³ + ®¹ + ⋯ + ®¼ V


®´ ®´ ®´ ‰ ‰ ‰
®³  ®¹ ®º ] ³ ¹ ¼


Calcularemos a saída para o circuito-exemplo da figura 21:

Figura 21: Circuito-Exemplo: Amplificador Somador


Fonte: Acervo dos autores

Considerando o sinal aplicado em R1, teremos:


VO = − 0.5)  VO = − 2 0.5)
½¸
¸
 VO = -1V

Considerando o sinal aplicado em R2, teremos:


VO = − {|2¾100)
½¸
.¸
 VO = - 1.5 sen(2π100)V

A saída será, portanto, VO = -1 – 1,5sen(2 π100)V, como pode ser observado na figura 22:

119
Figura 22: Sinais de entrada e saída para o circuito-exemplo
Fonte: Acervo dos autores

1.4 – Subtrator

O Amplificador Subtrator tem por função amplificar a diferença de tensão entre as entradas
aplicadas. Este circuito é muito utilizado em eletrônica analógica, principalmente, em
conexões de sensores. Por exemplo, se conectarmos a saída de um sensor à um
amplificador não inversor, tanto o sinal do sensor como o do ruído (interferências, induções
eletromagnéticas etc...) serão amplificados. Se conectarmos a saída deste mesmo sensor a
um amplificador subtrator, a saída será proporcional apenas ao sinal do sensor, uma vez
que o ruído é induzido de forma igual nos dois condutores e a subtração do ruído de um
condutor pelo ruído do outro será igual a zero (ou muito próxima disso).

Figura 23: Amplificador Subtrator


Fonte: Acervo dos autores

120
Considerando-se as seguintes formas de onda de entrada:

Figura 24: Sinais de entrada para o circuito-exemplo


Fonte: Acervo dos autores

A forma de onda de saída do circuito será:

Figura 25: Sinal de saída para o circuito-exemplo


Fonte: Acervo dos autores

121
Importante!

Observe que a amplitude do sinal de saída é proporcional à


subtração dos sinais de entrada.

A equação de saída do circuito pode ser obtida diretamente por meio das análises de tensão
e corrente no circuito:

portanto, na porta não inversora, será >h =


Os resistores R1 e R2 formam um divisor de corrente para V2. A tensão no divisor e,
‰¹ . ®¹
®³ h®¹
. Devido à imensa impedância de entrada

portanto, >W =
do A.O., a tensão na porta inversora será exatamente igual à da porta não inversora e,
‰¹ . ®¹
®³ h®¹
.

A corrente em R1, agora, pode ser determinada:


¿ ¹ . ·¹
W ‰³
~® =  ~® =
‰‹ W‰³ ·³ Š·¹
® ®

Como a impedância de entrada do A.O. é muito alta, toda a corrente que circula por R1 é
desviada para R2. A tensão de saída, portanto, será:

¿¹ . ·¹
W ‰³
 >p = − M . ~®  >p = ® − M .
‰¹ . ®¹ ‰¹ . ®¹
>p = >W − >®
·³ Š·¹
®³ h®¹ ³ h®¹ ®

Aplicando os conceitos matemáticos e simplificando o resultado, o valor final para a tensão

M
de saída será:
>p = > − > )
M
Calcularemos a saída para o circuito-exemplo a seguir:

122
Figura 26: Circuito-Exemplo: Amplificador Subtrator
Fonte: Acervo dos autores

Sendo este um circuito subtrator, seu valor de saída será:


>p = ¸ 2 − 0,5)  >p = 2 . 1,5  >p = 3>
½¸

Figura 27: Sinais de entrada e saída para o circuito-exemplo


Fonte: Acervo dos autores

123
1.5 – Associação de amplificadores

Os circuitos amplificadores raramente aparecem isolados em um sistema; eles são


geralmente associados em cascata, compondo uma função mais complexa. Sua análise,
porém, é simples: Basta identificar os elementos componentes do sistema complexo e
analisar suas entradas e saídas individualmente. Desta forma, ao se chegar ao final da
malha, teremos o resultado completo da ação do circuito. Observe o exemplo:

Figura 28: Exemplo de circuito em cascata


Fonte: Acervo dos autores

Para analisar este circuito, inicia-se por um circuito básico conectado a uma fonte de sinal
conhecida. No caso deste exemplo, podemos começar com o subcircuito superior esquerdo:

Figura 29: Subcircuito 1 em destaque


Fonte: Acervo dos autores
124
Como é possível observar, este é um amplificador na configuração inversora. Sua saída
será, portanto:

>i = − .1 {| 2. ¾. 30. }) >i = −2 {| 2. ¾. 30. })


]¸
©¸


A saída deste subcircuito é a entrada do próximo, como demonstrado na figura:

Figura 30: Saída do Subcircuito 1 e Subcircuito 2 em destaque


Fonte: Acervo dos autores

>i = >n >i = −2 {| 2. ¾. 30. })


Como é possível observar, este é um seguidor de tensão (buffer). Sua saída, então, será:


O sinal de saída deste subcircuito compõe uma das entradas do circuito somador que
segue. Porém, como não possuímos todas as entradas deste circuito, não é possível
calculá-lo ainda. Partimos, então, para outra fonte de tensão conhecida:

125
Figura 31: Subcircuito 3 em destaque
Fonte: Acervo dos autores

Como é possível observar, este é um subtrator. Sua saída será, portanto:

>i = > − > ) >i = 0,5 {| 2. ¾. 80. }) − 0). 2


 ¸
¸


>i = {| 2. ¾. 80. })

A saída deste subcircuito é a entrada do próximo:

Figura 32: Saída do Subcircuito 3 e Subcircuito 4 em destaque


Fonte: Acervo dos autores

126
O subcircuito seguinte é um amplificador não inversor; sua saída será:

>i = {| 2. ¾. 80. }). 1 + ) >i = 2 {| 2. ¾. 80. })


©¸
©¸


A saída deste estágio é a segunda entrada do amplificador somador. Com este valor
definido, torna-se possível calcular a saída do amplificador somador e, consequentemente, o
valor final do circuito:

Figura 33: Subcircuito final: Amplificador somador


Fonte: Acervo dos autores

A tensão de saída do circuito (>iÀm ) é a própria saída do somador:

>iÀm = -  ©¸ -−2 {| 2. ¾. 30. }). + ½Á¸ -2 {| 2. ¾. 80. }).)
¸ ¸

>iÀm = -  −5,44 {| 2. ¾. 30. }) + 2,89 {| 2. ¾. 80. }))

>iÀm = 5,44 {| 2. ¾. 30. }) − 2,89 {| 2. ¾. 80. })

2. Diferenciadores, integradores e controladores

2.1 – Integrador

O circuito integrador é aquele que produz uma forma de onda de saída cujo valor em
qualquer instante é proporcional à integral do sinal de entrada até o instante considerado.
Por exemplo: se a entrada de um integrador for um sinal de tensão contínua de valor E, a
saída de sinal do integrador deverá ser uma rampa, uma vez que, quanto maior o tempo
decorrido, maior é a área acumulada sob a forma de onda da entrada (operação de
integração).
127
A figura, a seguir, mostra como montar um circuito integrador, utilizando um amplificador
operacional:

Figura 34: Integrador Ideal


Fonte: Acervo dos autores

Observe que o circuito está operando na configuração inversora e que o componente de


realimentação é um capacitor C. A relação de saída para este sistema pode ser definida por
meio da análise de corrente da entrada, assim como foi feito para o amplificador inversor. A

−1 m
saída deste circuito será, portanto:

>p }) = Â > ?}


M $  n

Para uma entrada como a da figura 2, a saída do integrador será:

Figura 35: Sinal de saída para o circuito-exemplo


Fonte: Acervo dos autores

O amplificador mostrado na figura 35, porém, não pode ser utilizado na prática.
Amplificadores reais apresentam um offset CC, que também é integrado e eventualmente
leva o amplificador à saturação, inutilizando o circuito. Este efeito pode ser visualizado na
figura 36:

128
Figura 36: Saída real de um circuito integrador “ideal”
Fonte: Acervo dos autores

Para eliminar este problema nos integradores práticos, um resistor é conectado em paralelo
com o capacitor de realimentação, conforme a figura 37. Como o capacitor comporta-se
como circuito aberto em CC, o integrador responde ao sinal de offset como se fosse um
amplificador inversor.

Figura 37: Integrador Prático


Fonte: Acervo dos autores

Em outras frequências, a impedância do capacitor é muito menor que a do resistor, de modo


que a combinação de R e C é praticamente apenas C e a integração ocorre como esperado.

129
muito maiores do que aquelas em que ÃQ = Mj . Ou seja, para obtermos uma boa integração:
Podemos dizer que o processo de integração ocorre de forma satisfatória para frequências

à ≪ Mj  ≪ Mj  z ≫
 
Åj Å®´ 

Exemplo

Projete um circuito integrador que seja capaz de integrar sinais acima de 100Hz, e que
produza saída de 0,1V quando a entrada for uma senoide com 10V de pico em 10kHz.

Para integrar sinais acima de 100Hz, FÈ ≪ 100Hz, vamos escolher um valor uma década

1
abaixo, ou seja, 10Hz. Sendo assim,
Q = 10 =
2¾Mz $

Escolhe-se o capacitor. Para este exemplo, C = 0,01µF. Então

10 =  Mj =  Mj = 1,596Ω.
 
−8
2¾Mz 10 ) 2¾.10.10−8 )

>p 0,1
Para satisfazer a restrição de tensão, define-se R1 de forma que o ganho em 10kHz seja:
ª ª= = 0,01
>n 10

Supondo que Rf seja desprezível nesta frequência (3 décadas acima de Fc), o ganho é o

Ë ‰µ Ë = Ì® = 0,01  M = Å .Í ., .‹Î ) = 159€Ω.


‰  
mesmo de um integrador ideal e, portanto:

¶ ³

O circuito final é apresentado, a seguir. Observe que M = 1,596Ω) Ï159€Ω)Ð = 145€Ω.

Figura 38: Solução para o exercício-exemplo


Fonte: Acervo dos autores

130
2.2 – Diferenciador

O circuito diferenciador é aquele cuja saída é proporcional à derivada do sinal de entrada.


Sua ação é exatamente oposta à do integrador, que também pode ser chamado de
“antidiferenciador”. A figura 39, a seguir, mostra como construir um diferenciador a partir de
um amplificador operacional:

Figura 39: Diferenciador Ideal


Fonte: Acervo dos autores

Para uma entrada como a da figura 2, a saída do diferenciador será:

Figura 40: Sinal de saída para o circuito-exemplo


Fonte: Acervo dos autores

Observe que temos agora uma entrada capacitiva com realimentação resistiva (novamente,

?ˆn
o oposto do integrador). A saída deste diferenciador será:
>p = −Mj $
?}

Como este circuito também opera em configuração inversora, a tensão de saída é


proporcional à derivada da entrada invertida.

131
Importante!

Do ponto de vista prático, a principal dificuldade com circuitos diferenciadores é


que estes amplificam uma entrada proporcionalmente à sua frequência e,
portanto, aumentam o nível de ruído da saída com sinais de alta frequência
(ruídos de alta frequência são comuns em circuitos eletrônicos). Por esta razão,
os diferenciadores são raramente utilizados em aplicações que exigem alta
precisão.

Para diminuir a intensidade dos ruídos nos derivadores práticos, um resistor é conectado em
série com o capacitor de entrada, conforme a figura 41.

Figura 41: Diferenciador Prático


Fonte: Acervo dos autores

Como o capacitor comporta-se como um curto em altas frequências, o derivador responde


ao sinal de ruído como se fosse um amplificador inversor. As condições em frequência são
praticamente idênticas às apresentadas para o circuito integrador: para que o processo de

que aquela em que ÃQ = M .


diferenciação ocorra de forma satisfatória, a frequência de trabalho deve ser muito menor do

Exemplo

Projete um circuito derivador que seja capaz de derivar sinais abaixo de 200Hz e que
produza saída de 1V, quando a entrada for uma senoide com 10V de pico em 10Hz.

Para derivar sinais abaixo de 100Hz, Q ≪ 200“”. Sendo assim,


1
Q = 200 =
2¾Mz $

Escolhe-se o capacitor. Para este exemplo, C = 0,01µF, então


132
200 =  M =  Mj = 79,57€Ω.
 
−8
2¾Mz 10 ) 2¾.200.10−8 )

>p 1
Para satisfazer a restrição de tensão, define-se R1 de forma que o ganho em 10Hz seja:
ª ª= = 0,1
>n 10

Supondo Rf desprezível nesta frequência (mais de uma década abaixo de Fc), o ganho é o
mesmo de um derivador ideal, e, portanto:
Ë µË = = 0,1  M = = 1,596Ω.
‰  
‰¶ Ì®³  Å . ., .‹Î )

O circuito final é apresentado a seguir.

Figura 42: Solução para o exercício-exemplo


Fonte: Acervo dos autores

2.3 – Controladores analógicos

Um controlador é um sistema que recebe duas variáveis: uma referência e uma variável de
processo (sinal da planta). Estes sinais são subtraídos, gerando um sinal diferença
denominado “erro”. A função do controlador é gerar um sinal de saída para um atuador, de
forma a igualar o sinal de entrada e o sinal de referência (eliminar o erro), obtendo, então,
controle sobre o processo atuante.

Um exemplo de processo deste tipo seria um tanque: o controlador recebe um sinal de


referência (nível desejado para o tanque) e o sinal da planta (nível atual no tanque). A partir
da diferença entre estes sinais, é gerado um sinal de saída para um atuador (por exemplo,
uma válvula) capaz de influenciar o nível do tanque, fazendo com que este atinja o valor
desejado. A figura, a seguir, ilustra a construção de um controlador analógico:

133
Figura 43: Controlador PID analógico
Fonte: Acervo dos autores

Controladores realizam sua função por meio de 3 tipos de ações: Proporcional (P), Integral
(I) e Derivativa (D). Por esta razão, também são chamados de controladores PID. Os
controladores analógicos, como o próprio nome indica, realizam este trabalho operando com
sinais analógicos. Seu circuito nada mais é do que a combinação dos blocos básicos para
cada função.

Importante!

A sintonia do controlador (definição de seus parâmetros) constitui em si outra


disciplina e será abordada em momento oportuno.

Na figura 44, a seguir, temos um detalhamento de cada subcircuito de um controlador


analógico. (Note que todos os circuitos possuem potenciômetros, tornando possível alterar o
valor do ganho de cada subcircuito).

134
Figura 44: Subcircuitos do Controlador PID analógico
Fonte: Acervo dos autores

Observe que o estágio de entrada é um amplificador subtrator. O sinal de saída deste


estágio (sinal de erro) é aplicado em três circuitos: o circuito amplificador (ação
proporcional), circuito integrador (ação integral), circuito derivador (ação derivativa). A saída
de cada um destes circuitos é somada (circuito somador), compondo o sinal de controle
para o atuador. A equação do conjunto, então, será:

Ò}) = > }) − > })

m
?Ò})
>p }) = «Ó Ò}) + «n  Ò}) ?} + «P
 ?}

em que KX é o ganho de cada função.

Resumo

Neste capítulo, enfocamos o princípio básico de funcionamento dos diversos tipos de


circuitos amplificadores lineares e projetá-los. Você pôde verificar o funcionamento de
circuitos integradores e diferenciadores e entender a diferença entre o comportamento de
integradores e diferenciadores ideais e os integradores e diferenciadores reais. Outra
135
temática abordada foi o funcionamento de um controlador analógico e a utilização dos
circuitos amplificadores, integradores e diferenciadores para compor um controlador
analógico. Em relação aos circuitos lineares básicos, vimos os amplificadores, o amplificador
inversor e o amplificador não inversor. Após a compreensão destes circuitos, estudamos o
seguidor de tensão, o amplificador somador, o subtrator e a associação de amplificadores.
Para finalizar, enfocamos os diferenciadores, integradores e controladores.

Atividades
1) Determine a faixa de ajuste de ganho para o circuito da figura a seguir.

2) Calcule as tensões de saída para o circuito da figura a seguir:

3) Esboce o sinal de saída para o circuito a seguir:

136
4) Projete um circuito integrador, capaz de integrar sinais acima de 350Hz, e que
produza saída de 50mV a 35kHz, quando a entrada for uma senoide de 5V de pico.

5) Projete um controlador PID ideal, cujos ganhos sejam Kp = 0,5 Ki = 2, Kd = 0,1.

Referências
BOGART Jr, Theodore F. Dispositivos e circuitos eletrônicos. Volume II, 3. ed. São
Paulo: Prentice Hall, 2001.

BOYLESTAD, R.L. Dispositivos eletrônicos e teoria de circuitos. 8.ed. São Paulo:


Prentice Hall, 2004.

MALVINO, A.P. Eletrônica: Volume II. 4.ed. São Paulo: Prentice Hall, 1995.

SEDRA, A. & SMITH, K. Microeletrônica. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.

SILVA, J. M. Apostila de Controle PID. Disponível em:


<http://www.ece.ufrgs.br/~jmgomes/pid/Apostila/apostila/node1.html>. Acesso em: mai.
2010.

137
6
Amplificadores não lineares e filtros ativos
Kety Rosa de Barros
Thiago Bruno Caparelli

Introdução
Nos estudos anteriores, enfocamos os amplificadores operacionais e os conceitos a eles
relacionados. Neste momento, continuaremos a estudar os amplificadores, porém, do tipo
não lineares. Estudaremos, também, os filtros ativos e suas aplicações.

Objetivos
Ao final do estudo deste capítulo, esperamos que você seja capaz de:
• compreender o princípio básico de funcionamento de amplificadores não lineares e
ser capaz de projetá-los;
• selecionar e utilizar reguladores de tensão integrados;
• compreender o princípio de funcionamento dos filtros ativos, suas configurações
básicas e associações para a formação de filtros de alta ordem;
• projetar os diversos tipos de filtros ativos;
• entender o princípio que rege o funcionamento das fontes chaveadas, conhecer as
diversas topologias e como projetá-las.

Esquema
1. Amplificadores Não lineares
1.1 – Comparadores
1.2 – Schmitt Triggers
1.3 – Temporizadores
1.4 – Multivibradores
1.5 – Circuitos Logarítmicos
2. Reguladores de Tensão Integrados
3. Filtros Ativos
3.1 Projeto de Filtros Ativos
3.1.1 Projeto de Filtros Ativos Passa-baixa
3.1.2 Projeto de Filtros Ativos Passa-alta
3.1.3 Projeto de Filtros Ativos Passa-faixa
3.1.4 Projeto de Filtros Ativos Rejeita-faixa
3.2 Projeto de Deslocadores de Fase
3.3 Outros Filtros
4. Fontes Chaveadas
4.1 – Princípio de funcionamento
4.2 – Conversor Buck
4.3 – Conversor Boost
4.4 – Conversor Buck-Boost
138
1. Amplificadores Não lineares

1.1 – Comparadores

Circuitos comparadores são aqueles nos quais a tensão de entrada é comparada com uma
tensão de referência e a saída é um estado digital que representa se a tensão de entrada
ultrapassou a referência (ou seja, ele compara as tensões e indica qual é a maior). O circuito
comparador básico pode ser visto na figura 01, a seguir.

Figura 01 – Circuito comparador


Fonte: Acervo dos autores

Este circuito nada mais é do que um Amplificador operacional em malha aberta. Seu
funcionamento, portanto, é extremamente simples: a diferença entre os sinais de entrada e
de referência são amplificados por um valor muito alto (o ganho de tensão do A.O.),
saturando a saída para o nível de alimentação correspondente: caso o sinal seja maior que
a referência, haverá saturação positiva; caso seja menor, saturação negativa.

Para um sistema como o da figura 2, a seguir, por exemplo, teríamos a seguinte saída:

Figura 02 – Circuito comparador exemplo


Fonte: Acervo dos autores

139
Figura 03 – Entrada e saída para o Circuito comparador exemplo
Fonte: Acervo dos autores

Como neste caso, a tensão de referência é zero (a entrada de referência está aterrada),
qualquer valor de sinal na entrada que seja maior que zero leva a saída do amplificador à
saturação positiva, indicando que este valor é maior que a referência; caso o sinal seja
menor que zero, a saída do amplificador satura para seu valor negativo, indicando que a
saída é menor que o valor de referência.

1.2 – Schmitt triggers

Schmitt triggers são comparadores que apresentam realimentação positiva. Esta


característica permite que eles apresentem histerese, que é a propriedade que leva um
dispositivo a funcionar de formas distintas, de acordo com seu sinal de saída. No contexto
de comparadores,
dores, isto significa que a saída irá chavear quando o sinal de entrada atingir um
determinado valor, mas não irá chavear de volta enquanto o sinal de saída não atingir um
nível diferente.. Em várias aplicações, esta característica é desejável, pois impede que o
comparador chaveie em resposta a ruídos na entrada. A figura 4 mostra como criar um
Schmitt trigger.

Figura 4 – Circuito Schmitt trigger


Fonte: Acervo dos autores

As equações para os níveis de disparo podem ser definidas por meio da aplicação do
teorema da superposição:

- supondo que a saída do comparador esteja em curto-circuito


curto circuito com o terra,

140
Figura 5 – Aplicação da superposição no circuito Schmitt trigger – Etapa 1
Fonte: Acervo dos autores

M
teremos:
ˆh = >
M + M ®lj

M
Após, considerando VRef = 0, encontramos
ˆh = ˆ
M + M p

Portanto, quando a saída estiver em seu limite negativo (ˆp = −>ÔÕÖ )

M M
ˆh = >®lj + −>–×Ø )
M + M M + M

Figura 6 – Aplicação da superposição no circuito Schmitt trigger – Etapa 2


Fonte: Acervo dos autores

Conforme veremos mais adiante no ciclo de histerese, o valor de ˆ W deve igualar-se a este
valor de ˆ h antes que o comparador possa chavear para +ˆ–×Ø . Portanto, podemos definir
os níveis de disparo como:

• Nível de disparo inferior – LTL (Lower Trigger Level):

M M
ق٠= >®lj + −>–OÚ )
M + M M + M

Em que −>–OÚ é a tensão de saturação negativa do A.O.

141
• Nível de disparo superior – UTL (Upper Trigger Level):

M M
ۂ٠= >®lj + +>–OÚ )
M + M M + M

Em que +>–OÚ é a tensão de saturação positiva do A.O.

Quantitativamente, a histerese é definida como sendo a diferença entre os níveis de disparo,

ℎ@{}|±|{| = ۂ٠− قÙ


ou seja:

As características do Schmitt trigger podem ser compiladas em um gráfico denominado


malha de histerese, apresentado a seguir:

Figura 7 – Malha de histerese


Fonte: Acervo dos autores

Exemplo

Dado o comparador a seguir, sabendo que a saída chaveia entre ±15V:

Figura 8 – Exemplo de circuito Schmitt trigger


Fonte: Acervo dos autores

142
a) determinar os níveis de disparo superior e inferior;
b) determinar a histerese e esboçar a malha;
c) esboçar a saída, para um sinal de entrada de ±10V.

Solução:

a) Pelas equações,

10€Ω 5€Ω
ق٠= Ü Ý . 6> + Ü Ý . −15>) = −1>
5€Ω + 10€Ω 5€Ω + 10€Ω

10€Ω 5€Ω
ۂ٠= Ü Ý . 6> + Ü Ý . +15>) = +9>
5€Ω + 10€Ω 5€Ω + 10€Ω

b) histerese = 9>) − −1>) = 10>

Figura 9 – Malha de histerese para o circuito exemplo


Fonte: Acervo dos autores

c)

Figura 10 – Sinais do circuito exemplo


Fonte: Acervo dos autores

143
1.3 – Temporizadores

Temporizadores são circuitos especializados, capazes de medir intervalos de tempo com


grande precisão. São utilizados em uma infinidade de sistemas, para contagem de tempo,
sequenciamento de operações, ou como base de tempo (relógio) para outras aplicações.
Podem ser fabricados de diversas formas, com construções mecânicas, eletromecânicas e
digitais.

Devido ao escopo deste curso, apenas os temporizadores digitais serão abordados. Seus
principais circuitos são compostos por multivibradores, que serão abordados no próximo
tópico.

1.4 – Multivibradores

Circuitos multivibradores são aqueles que apresentam dois estados de saída e mudam de
estado (comutam) naturalmente, ou impulsionados através de um sinal de disparo. São
divididos em três tipos:

I- Astáveis

Os multivibradores astáveis são aqueles que não possuem nenhum estado estável.
Permanecem um determinado período em um estado e depois comutam naturalmente para
um segundo estado. Passado certo tempo, comutam novamente para o estado inicial,
recomeçando o ciclo.

Figura 11 – Saída de um circuito astável,


Fonte: Acervo dos autores

Estes multivibradores também são conhecidos como osciladores. Existem inúmeras formas
de construir os vibradores astáveis; uma das formas mais simples é utilizando AO’s:

Figura 12 – Multivibrador astável a A.O.


Fonte: Acervo dos autores

144
Este circuito funciona da seguinte forma: Durante um período, o capacitor começa a
carregar, aumentando seu valor de tensão. Assim que seu valor iguala-se à tensão gerada
pelo divisor resistivo, o A.O. muda de estado. Como a saída agora é negativa, o capacitor
começa a descarregar através de R; quando sua tensão atingir a tensão do divisor, este
mudará de estado, reiniciando o ciclo. A figura 9 apresenta as formas de onda do capacitor
e da saída:

Figura 13 – Sinais em um multivibrador astável


Fonte: Adaptado de: Bogart (2001, p.167)

O período de oscilação pode ser dado por:

1+‘
‚ = 2M$ R [ \{
1−‘

M
Em que
‘= >
M + M ß×Ø

É possível também criar este circuito utilizando um CI 555. Este é um dos CI’s mais
versáteis e populares já produzidos e compõe-se de dois comparadores e um Flip-Flop RS.

145
Figura 14 – Diagrama do Timer 555
Fonte:: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:NE555_Bloc_Diagram.svg

Através da associação de seus pinos, é possível construir qualquer um dos tipos de


multivibradores. Para construir um multivibrador astável utilizando o 555, deve-se
deve proceder
com a seguinte ligação:

Figura 15 – Ligação do Timer 555 como astável.


Fonte: Acervo dos autores

Considerando como estado inicial o circuito desligado, o capacitor está descarregado. Assim
que é alimentado, o primeiro comparador tem sua saída em nível baixo, enquanto o
segundo comparador tem em sua saída nível alto (observe as tensões presentes nas
entradas de trigger e threshold).
threshold). Esta configuração levará a saída do flip-flop para o nível
baixo, que bloqueia o transistor de descarga e eleva o nível da saída do circuito. O
capacitor, então, começa a carregar através dos resistores. Ao atingir 2/3 de Vcc, a saída do
primeiro comparador, (que está ligada ao reset do flip-flop) passa
ssa para nível alto, forçando o
flip-flop a comutar. Esta ação faz a saída do circuito ir para nível baixo, e coloca em
condução o transistor de descarga. O capacitor começa então a descarregar através do

146
transistor. Ao atingir 1/3 de Vcc, o estado do segundo comparador irá comutar, forçando o
nível do flip-flop para nível baixo, reiniciando o ciclo.

Figura 16 – Saída do Timer 555 como astável


Fonte: Acervo dos autores

O controle dos tempos em nível alto e baixo (t1 e t2, respectivamente) é determinado pelos
valores dos capacitores e resistores, conforme as equações a seguir:

} = 0,693M + M ). $

} = 0,693 . M . $

II- Monoestáveis

Multivibradores monoestáveis possuem apenas um estado estável. A partir de um sinal de


disparo (trigger), comutam para um estado não estável, lá permanecendo por um
determinado tempo, e depois retornando ao estado estável.

Figura 17 – Sinais de um circuito monoestável


Fonte: Acervo dos autores

Estes circuitos são muito utilizados em aplicações que exigem uma base de tempo, como
alarmes e equipamentos de medida de tempo ou frequência.

Os circuitos monoestáveis podem ser ainda divididos em duas categorias:

1. não redisparáveis: este tipo de circuito não apresenta resposta ao disparo enquanto
no estado instável, ou seja, o circuito obrigatoriamente precisa estar no estado
estável para que haja um disparo. Por exemplo: suponha que o circuito monoestável
seja disparado por uma borda positiva. Imaginando que o tempo do estado instável
seja maior que o do clock, haverá uma segundo disparo durante este tempo. Porém,
o circuito não responde.

147
Figura 18 – Sinais de um circuito monoestável não redisparável
Fonte: Acervo dos autores

O circuito abaixo, baseado no 555, é um exemplo de monoestável não redisparável:

Figura 19 – Circuito monoestável não redisparável


Fonte: Acervo dos autores

Em seu estado inicial, a saída do circuito está em nível baixo (zero). A entrada de limiar do
comparador (pino 6) também está baixa, já que o transistor de descarga está saturado. A
entrada de disparo (pino 2) é mantida em nível alto através de R1. Fechando a chave S
durante um pequeno intervalo de tempo, a entrada de disparo é aterrada (nível 0),
provocando o disparo da saída (nível 1), e consequentemente o bloqueio do transistor de
descarga. Este fato permite que o capacitor C1 seja carregado através de R2.

148

]
Assim que a tensão de C1 atingir Vcc, a saída do comparador 1 acionará a entrada de
reset do flip-flop, levando novamente o transistor de descarga à saturação, e colocando a
saída do circuito em nível baixo. O circuito, então, está pronto para reiniciar o processo.
O tempo em que o circuito permanece ativo (que é o tempo de carga do capacitor) pode ser
determinado através da seguinte equação:

‚ = 1,1 ∗ M ∗ $
Exemplo

Em uma indústria alimentícia do tipo fast-food, o tempo de aquecimento dos pães é pré-
determinado: para ficarem no ponto ideal, devem ser colocados na chapa e aquecidos por
30s. Você, como engenheiro, deve projetar o circuito que, quando acionado um botão,
mantenha o aquecimento da chapa ligado pelo tempo necessário, desligando-a, em
seguida.

Solução:
Assim que o operador aperta o botão (sinal de disparo) o aquecimento da chapa é ligado
(saída instável) e permanece neste estado por 30s, sendo então desligada (saída estável).
Não é permitido reiniciar a contagem durante o aquecimento, pois isto permitiria que o pão
fosse queimado; a necessidade do processo na indústria é exatamente a de um circuito
monoestável não redisparável, e o tempo de operação deverá ser de 30s. Pela equação do
circuito:

30 = 1,1 ∗ M ∗ $

Escolhendo um valor de C de 220µF, determina-se então o valor do capacitor:

M = ,∗ àM ≅ 123€Ω.


]

2. Redisparáveis: Diferentemente dos circuitos não redisparáveis, estes respondem ao


pulso de disparo mesmo que estejam em seu estado não estável.

Figura 20 – Sinais de um circuito monoestável redisparável


Fonte: Acervo dos autores

149
Para o exemplo anterior, o circuito dispara em borda positiva. Note que o intervalo de tempo
não estável é de aproximadamente 2,2 ms. No momento seguinte, o circuito recebe um
segundo pulso de disparo: Note que o tempo de duração do estado não estável é maior. Isto
acontece porque o circuito responde ao pulso mesmo no estado instável, reiniciando a
contagem.

Figura 21 – Circuito monoestável redisparável


Fonte: Acervo dos autores

O princípio de funcionamento deste circuito é exatamente o mesmo do circuito não


redisparável. A única diferença está no transistor Q1: durante o momento de disparo, ele
entra em condução, descarregando o capacitor C1 e, consequentemente, reiniciando a
contagem.

III- Biestáveis

Circuitos biestáveis possuem dois estados estáveis: Ao receber um pulso de disparo, o


circuito chaveia e permanece no novo estado, até que outro pulso de disparo seja recebido,
quando então retorna ao estado original.

150
Figura 22 – Sinais de um circuito biestável
Fonte: Acervo dos autores

Os circuitos biestáveis são geralmente construídos a partir de dispositivos denominados flip-


flops. Por este motivo, o circuito será apresentado, mas não discutido, pois será trabalhado
no momento oportuno.

Figura 23 – Circuito biestável


Fonte: Acervo dos autores

1.5 – Circuitos Logarítmicos

Circuitos amplificadores podem utilizar-se de componentes não lineares para realizar


operações complexas como multiplicações, divisões, logaritmos e exponenciais. O principal
elemento utilizado para estas funções é um diodo (junção bipolar). Analisando seu modelo
matemático em polarização direta, temos que a corrente no diodo (~ ) é:

~ =~­ Ü|  äåæ ) − 1Ý
â¿ã

• ~­  corrente de saturação reversa (seu valor depende da geometria, temperatura, e


em que:

tipo de semicondutor);
• n  coeficiente de emissão de portadores (dependem do tipo de junção e do

• k  Constante de Boltzman (1,38 ∗ 10W ] ç⁄« );


semicondutor utilizado);

• q  carga do elétron (1,6 ∗ 10Wè $);


• T  temperatura (Kelvin);

• >  tensão de polarização direta.

A tensão devido à temperatura (>é ) pode ser definida como:

€‚
>é =
ê

A corrente ~­ pode ser definida como:

]
‚  ܸéWé
ëìíééî )
~­ ‚) = ~­ ‚ ) [ \ |
Ý
î)
‚

151
Òì  energia de “bandgap” do semicondutor (1,2 eV para o silício).
Em que:

De forma geral, pode-se afirmar que a corrente ~­ dobra a cada 10o de aumento da
temperatura.

Como podemos observar pelo equacionamento, a função da corrente direta do diodo é uma
função exponencial. É possível utilizá-la para construir os mais diversos circuitos, como por
exemplo:

• Circuito Logarítmico Neperiano: Como o próprio nome diz, este circuito realiza a
operação ln(>n ).

Figura 24 – Circuito Logarítmico Neperiano (ln)


Fonte: Acervo dos autores

Considerando o amplificador operacional como ideal, temos:~ = ~n


Analisando-se as correntes e tensões no circuito, é possível obter sua resposta.

Considerando o terra virtual, temos: > h = > W = 0


¿ã ¿ã
Considerando também | ä¿æ
≫ 1~ = ~­ | ä¿æ

>n
Temos, então:
~n = > = −>p
M 
¿ã
ln U oãV = ln [ | ä¿æ \ = ‰ã > = >é ln  oã)
o ‰ o
ð æ ð

Portanto:>p = −>é ln  )
‰¶
®oð

Para esta equação, os valores de n e R são constantes. Porém, >é e ~­ variam com a
temperatura: esta variação é indesejada, e causa um erro na operação. Para eliminar este
erro, deve ser utilizado um circuito de compensação de temperatura.

a) Compensação de ~­ :

152
Para compensar a variação de ~­ , é utilizado um diodo idêntico polarizado
diretamente e com corrente constante, ligado à saída. Desta forma, as variações
se anulam (variações do diodo D1 estão em oposição ao diodo D2, anulando-se).

Figura 25 – Circuito de compensação para ~­


Fonte: Acervo dos autores

Considerando que os diodos são totalmente idênticos (~­ = ~­ ’) temos:

>n
>p = −>é ln [ \
M~­

~ = ~ñlj

~ñlj
> = >é ln  )

~ñlj >@
>pò = > + >p = >é óln [ \ − ln ^ _ô
~­ M~

~ñlj
~­ ~ñlj ~­ M
>pò = >é õln ö ÷ø = >é [ln \
>@ >n ~­
M~

~ñlj M
Portanto:
>pò = >é ln [ \
>@

b) Compensação de >é : Para compensar esta variação, é adicionado à saída um estágio


amplificador, cujo ganho é dependente da temperatura.

153
Figura 26 – Circuito ln com compensação para ~­ e >é
Fonte: Acervo dos autores

Pela equação do amplificador, temos:


>pòò = >pò [1 +\

em que Mé é um resistor cujo valor de resistência depende da temperatura.

Fazendo Mù ≫ Mé , teremos >pòò = >pò U®ú V , e, portanto:


®
æ

Mù ~ñlj M
>pòò = >é ln [ \
Mé >@

O valor de Mé deve ser escolhido cuidadosamente, de forma que a variação de


temperatura compense a variação na tensão, ou seja:

?Mé ?>é
=
Mù ?‚ ?‚

Geralmente, determinam-se os valores ~ñlj ∗ M = 1e >é ®ú = 1, de forma que a


®
æ
aplicação do circuito seja direta, ou seja:

>pòò = − ln>n )

| ‰¶ )
• Circuito Exponencial: o circuito exponencial (ou antilogarítmico) realiza a operação

154
Figura 27 – Circuito exponencial
Fonte: Acervo dos autores

Como era de se esperar, o circuito exponencial também é o inverso do circuito logarítmico


(observe a posição inversa do diodo e do resistor).

Novamente, considerando o amplificador operacional como ideal, temos > h = > W = 0


e portanto, >n = > . Então:

Considerando a saída:

~ = e >® = −>p , portanto ~ = −


‰· ‰µ
® ®

Considerando a entrada:

‰ã
~ = ~­ ^| æ
‰ − 1_

Considerando > ≫ >é ~ = ~­ |>‚


>

|
>
Portanto: >p = −M ~­ >‚

Assim como no amplificador anterior, o efeito da temperatura irá causar um erro na


operação e sua correção depende do uso de circuitos compensadores de temperatura.

a) Compensação de ~­ :

A estratégia utilizada é a mesma que para o circuito logarítmico: usa-se um diodo


idêntico polarizado com corrente constante, de forma que os efeitos devidos à
variação de temperatura se anulem.

155
Figura 28 – Circuito de compensação para ~­
Fonte: Acervo dos autores

O equacionamento é o mesmo realizado para o circuito logarítmico e, portanto, não será


demonstrado.

b) Compensação de >é :

Para a compensação de >é , é utilizado um divisor resistivo na entrada. A tensão


aplicada ao circuito, então, passa a ser função da temperatura.

Figura 29 – Circuito de compensação para ~­ e >é


Fonte: Acervo dos autores

Como a compensação é feita por um divisor resistivo, >nòò = ®


®æ
ú h®æ

Considerando Mù ≫ Mé >nòò = ®æ
®
ú

O valor de Mé deve ser escolhido cuidadosamente, de forma que a variação de


temperatura compense a variação na tensão, ou seja:

156
?Mé ?>é
=
Mù ?‚ ?‚
¿ ¶ ·æ
O valor final de tensão será, então:>p = −M ~ñlj |
[ \
·úä¿æ

Geralmente, determina-se os valores ~ñlj ∗ M = 1 e >é = 1, de forma que a


®ú
®æ
aplicação do circuito seja direta, ou seja:

>p = −| ‰¶

• Circuito multiplicador: Os circuito multiplicador, como o próprio nome indica, é


responsável por realizar a operação de multiplicação. Seu uso baseia-se na
propriedade dos logaritmos:

ln(a) + ln(b) = ln(a*b)

Associando-se, então, circuitos logarítmicos e exponenciais, é possível obter a


multiplicação. Como o circuito final é apenas uma conexão dos outros circuitos já
vistos e bastante extenso, ele será apresentado em forma de diagrama de blocos:

Figura 30 – Diagrama de blocos de um circuito multiplicador


Fonte: Acervo dos autores

Como saída, teremos, então:

>p = | ûü‰³ ∗‰¹ ) portanto,

157
>p = > ∗ >

• Circuito divisor: o circuito divisor, como o próprio nome indica, é responsável por
realizar a operação de divisão. Seu uso também se baseia na propriedade dos
logaritmos:
O

ln(a) - ln(b) = ln( )

Associando-se, então, circuitos logarítmicos e exponenciais, é possível obter a


divisão. Como o circuito final é apenas uma conexão dos outros circuitos já vistos e
bastante extenso, ele será apresentado em forma de diagrama de blocos:

Figura 31 – Diagrama de blocos de um circuito divisor


Fonte: Acervo dos autores

Como saída, teremos, então:


¿
>p = |
ûüU ³ V
¿¹ portanto,

>
>p =
>

2. Reguladores de tensão integrados

Circuitos reguladores de tensão são aqueles projetados para que a sua tensão de saída se
mantenha fixa e estável, independentemente da variação da carga acionada ou de sua
alimentação (dentro de certos limites, é claro). Os reguladores integrados são aqueles que
já vêm “prontos” em forma de C.I., e geralmente necessitam de poucos ou nenhum
componente externo para funcionar corretamente.

158
Um exemplo deste tipo de regulador é a família LM78XX. Ela compreende uma série de
reguladores, todos com mesmas características elétricas. A única diferença entre eles é a
tensão de saída, referenciada pelo “XX”.

Portanto, um LM7805 é um regulador de 5V, um LM7812 é um regulador de 12V etc...


Possuem limitação interna de corrente, desligamento por aquecimento e compensação de
zona-segura, impedindo que seja destruído por excesso de corrente. Sua forma de uso
principal (ilustrada na figura 32) requer apenas dois capacitores que formarão um filtro
contra oscilações.

Figura 32 – Aplicação do regulador LM7805


Fonte: Acervo dos autores

O capacitor C1 é utilizado apenas quando o regulador está distante da fonte de alimentação.


Seu valor típico é de 0,22µF. O capacitor C2 não é necessário para o funcionamento do
circuito, mas ajuda a melhorar a resposta transitória. Geralmente é utilizado um capacitor de
disco cerâmico de 0,1µF.

Figura 33 – Sinais de entrada e saída para um regulador 7805


Fonte: Acervo dos autores

159
Importante!

Para a série 78XX, devemos incluir algumas observações importantes:

• a tensão de saída de dois reguladores iguais, escolhidos arbitrariamente,


pode não ser exatamente igual. A saída de um 7815, por exemplo, pode
variar entre 14,4 e 15,6V. A especificação não significa que a saída de um
dispositivo varie nessa faixa, mas sim que um 7815 escolhido aleatoriamente
terá certamente uma saída com valor de tensão dentro dessa faixa;
• a tensão de entrada não pode ser maior que 35V, e deve ter valor mínimo de
geralmente VOUT + 1,5V, para que consiga manter a regulação de saída.

A regulação da carga é especificada como relação entre a variação da tensão de


saída e da corrente de carga. Por exemplo, a saída de um 7805 irá variar, no
máximo, 50mV quando a corrente de carga subir de 5mA para 1A, e variará, no
máximo, 25mV se a corrente da carga variar de 250mA p/ 750mA

.
Exemplo

Um regulador 7815 deve ser usado com um retificador de onda completa (120Hz). O filtro
capacitivo utilizado provê uma saída CC que pode variar entre 19 e 23V.
1) Qual a máxima ondulação, pico a pico, aceitável na entrada?
2) Qual a máxima ondulação, pico a pico, presente na saída do regulador, se
a ondulação da entrada for aquela encontrada no item 1? Admita que o
valor CC da entrada seja 23V e a corrente de carga seja 0,5A.

Solução:

1) A tensão mínima permitida para o 7815 é 17,7V. Portanto, a ondulação não pode

19 − 17,7 = 1,3V. A maior


fazer a tensão cair abaixo deste valor. No pior caso, quando a tensão de saída

ondulação tolerável, portanto, será 2 ∗ 1,3 = 2,6VýWý


CC for 19V, a variação não pode ser maior que

2) O datasheet do 7815 especifica que a rejeição mínima de ondulação é de 54dB.


Portanto,

20log Uþ୚ ౟ V = 54  V` = û`୥‹³ ©½౟ ⁄ )  ©,è - 5,18mVýWý


þ୚ þ୚ ,
౥ ³î

3. Filtros ativos

Filtros são dispositivos que permitem a passagem do sinal elétrico apenas em determinadas
frequências, impedindo a passagem do sinal em outras frequências.

Em altas frequências (maiores que 1MHz), os filtros geralmente são constituídos por
elementos passivos (resistores, indutores e capacitores), sendo denominados filtros RLC.
Em baixas frequências (abaixo de 1MHz), os valores de indutância se tornam muito altos.
160
Este requerimento torna os indutores volumosos, pesados e caros, dificultando a construção
de um circuito economicamente viável.

Parada obrigatória

Neste caso, o uso de filtros ativos se torna muito importante. Usando


amplificadores operacionais como o dispositivo ativo, e combinando estes com
elementos passivos (resistores e capacitores), é possível produzir uma resposta
similar aos filtros RLC em baixas frequências. Além disso, eles também oferecem
como vantagens a possibilidade de amplificação do sinal, importante quando se
trabalha com níveis baixos de tensão; tornam também mais fácil a construção de
filtros complexos, através da associação em cascata de estágios mais simples.
Suas principais desvantagens são a impossibilidade de uso em circuitos de média e
alta potência (eles são capazes de trabalhar apenas com baixas correntes) e sua
resposta em frequência fica limitada à resposta em frequência do amplificador
operacional sendo utilizado.

Os filtros ativos são classificados de duas formas. A primeira é pelo seu comportamento;os
principais modelos são:

• Butterworth: possui resposta plana máxima na banda de passagem, tornando-os


ideais para filtros anti-aliasing, em que a precisão da amplitude do sinal na banda de
passagem é de suma importância para o bom funcionamento do sistema.

Figura 34 – Comportamento de um filtro Butterworth


Fonte: Acervo dos autores

• Chebishev: possui uma queda mais acentuada nas frequências acima da frequência
de corte. Porém, apresenta variações (ripple) na banda de passagem.

161
Figura 35 – Comportamento de um filtro Chebishev
Fonte: Acervo dos autores

• Bessel: possui resposta em fase constante, que por consequência gera um atraso
constante em uma larga faixa de frequência. Esta característica garante a melhor
transmissão possível de pulsos quadrados, muito importantes em circuitos digitais.
Sua resposta, porém, não é tão plana na banda de passagem como o do filtro
Butterworth, e sua queda não é tão acentuada quanto a de um filtro Chebyshev.

Figura 36 – Comportamento de um filtro Bessel.


Fonte: Adaptado de:
http://www.analog.com/static/imported-files/images/verified_circuits/CN0021_03_1024.gif

Colocando as respostas em um único gráfico, é mais fácil diferenciá-las:

162
Figura 37 – Comparação de resposta dos filtros.
Fonte: Adaptado de:
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/sr/4/4a/Butterworth-chebyshev-bessel_amplituda.gif

A segunda é por sua função. Os tipos são:


• Passa-baixa: só permite a passagem de frequências mais baixas que uma
determinada frequência Fc. As frequências superiores são atenuadas.

Figura 38 – Função de transferência de um filtro passa-baixa.


Fonte: Acervo dos autores

• Passa-alta: Só permite a passagem de frequências mais altas que uma determinada


frequência Fc. As frequências inferiores são atenuadas.

163
Figura 39 – Função de transferência de um filtro passa-alta.
Fonte: Acervo dos autores

• Passa-faixa: Só permite passagem de frequências situadas em uma faixa, definidas


por uma frequência superior e uma frequência inferior.

Figura 40 – Função de transferência de um filtro passa-faixa.


Fonte: Acervo dos autores

• Rejeita-faixa: Só permite passagem de frequências abaixo de uma frequência de


corte inferior, ou acima de uma frequência de corte superior.

Figura 41 – Função de transferência de um filtro rejeita-faixa


Fonte: Acervo dos autores

Os filtros ativos podem ser construídos de diversas formas, e uma das variáveis são os
caminhos de realimentação: circuitos com mais realimentação geram uma resposta de
decaimento mais rápida e, portanto, possuem uma melhor seletividade. Porém, a
complexidade do circuito aumenta. Matematicamente, a ordem da função de transferência
dos filtros aumenta com o caminho de realimentação, e, por isso, eles podem ser também
definidos de acordo com este valor.

164
Figura 42 – Comparação entre filtros Butterworth de ordem 1 até 5.
Fonte: Adaptado de: http://adrianhoe.com/adrianhoe/images/blog/2008/butterworth_graph.jpg

De forma geral, pode-se dizer que cada aumento na ordem do filtro aumenta o decaimento
em 20dB/dec.

O decaimento é importante, pois define um fator crucial dos filtros: a seletividade. Entende-
se por seletividade a capacidade que o circuito possui em distinguir, num dado espectro de
frequências, uma frequência em relação às demais. Ou seja, quanto maior o decaimento,
mais agudo é o corte, e melhor ele consegue selecionar uma frequência dentre as demais.
Para classificar os filtros em relação à seletividade, é definido um valor adimensional,
determinado Fator de Qualidade (Q). Ele é definido como

zi
5=

zi  Frequência de ressonância ou frequência central (ponto de mais alta amplitude)


Em que:

BW  Largura de banda (definida nos pontos de -3dB).

Assim, quanto maior for o valor de Q, menor será a largura de banda, ou seja, maior é a
seletividade do circuito.

165
Figura 43 – Comparação entre circuitos com diferentes Fatores de Qualidade (Q)
Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Q-Factor.gif

3.1 Projeto de filtros ativos

Uma das vantagens dos filtros ativos é que eles tornam possível a construção de filtros de
qualquer ordem a partir da associação de dois blocos básicos, que são os filtros de primeira
e segunda ordem. A figura 44 exemplifica o processo, com estágios até a sexta ordem.

Figura 44 – Construção de amplificadores por estágios em cascata


Fonte: Acervo dos autores

166
3.1.1 Projeto de filtros ativos passa-baixa

• Filtros de primeira ordem:

As topologias básicas de construção de filtros passa-baixa são apresentadas nas


figuras 45 e 46 a seguir.

Figura 45 – Filtro de primeira ordem passa-baixa não inversor


Fonte: Acervo dos autores

Figura 46 – Filtro de primeira ordem passa-baixa inversor


Fonte: Acervo dos autores

Para os filtros não inversores, temos que:

 = 1 + ®¹ ƒ = ߱ M $
®
º

Para dimensionar o circuito, determina-se a frequência de corte (z ), o ganho do


circuito ( ) e o valor do capacitor ($ ). Os coeficientes ƒ devem ser determinados
com a consulta às tabelas apresentadas no anexo 1. Resta, então, resolver as
equações para os resistores:

M = Åj³  M = M]  − 1)
×
಴ ³

Para os filtros inversores, temos que:

167
 = − ƒ = ߱ M $
®¹
®³

Para dimensionar o circuito, determina-se a frequência de corte (z ), o ganho do


circuito ( ) e o valor do capacitor ($ ). Os coeficientes ƒ devem ser determinados
através de consulta às tabelas apresentadas no anexo 1. Resta, então, resolver as
equações para os resistores:

M = − M =
®¹ ׳
Oî Åj಴ ³

mesma, e ƒ = 1. Para filtros de ordem mais alta, porém, ƒ ≠ 1, pois a frequência


Note que para qualquer tipo de filtro de primeira ordem, a construção física é a

de corte do estágio de primeira ordem será diferente da frequência de corte do


circuito geral.

Exemplo

frequência de corte igual a 2,5kHz. Considere $ = 47.


Determinar um filtro de primeira ordem, não inversor, com ganho unitário e

Solução:

Determinando R1: R = ஠a ³େ  ஠∗ ,© º ∗ ½Á ‹వ  R = 1,35kΩ


Õ 
ి ³

Determinando R2 e R3: A = 1 + g¹. Para o ganho ser unitário, = 0. R , portanto,


g g¹
º gº
será um curto, e o circuito não inversor é reduzido a um seguidor de tensão. Esta
configuração é muito utilizada, pois provê uma melhor precisão do ganho do circuito.

Importante!

circuito de ordem maior, mesmo com os valores de z e $ iguais, o valor


Caso o circuito de primeira ordem fosse apenas o primeiro estágio de um

para M seria diferente. Neste caso, o valor de ƒ deveria ser determinado a


partir da tabela apropriada, e com este valor proceder com o cálculo de M .

168
• Filtros de segunda ordem:

Os filtros de segunda ordem podem ser construídos a partir de duas topologias


básicas:

a) Topologia de realimentação múltipla

Circuitos de realimentação múltipla são usados principalmente em aplicações


que requerem ganhos altos, e um grande fator de qualidade. Seu modelo de
construção é apresentado a seguir.

Figura 47 – Circuito de realimentação múltipla


Fonte: Acervo dos autores

Para este circuito, temos:


 = − ®¹
®
³

ƒ = ߱ $ UM + M] + V
®¹ ®º
®³

ܾ = ߱ $ $ M M]

Determina-se, arbitrariamente, os valores de $ e $ , e, então, procede-se com o


cálculo dos resistores:

׳ ¹ Wට׳¹ ¹¹ W½௕³ ³ ¹ WOî )


M = ½Å ¹ j಴¹ ³ ¹

Para que os valores de M sejam reais, $ devem satisfazer à seguinte condição:


4ܾ 1 −  )
$ ≥ $
ƒ

M = WO¹ M] = ½Å¹ j¹ ³ 
® ௕
î ಴ ³ ¹ ®¹

b) Topologia Sallen-Key

169
dos resistores M] e M½ .
A topologia geral para um circuito Sallen-Key permite um controle de ganho através

Figura 48 – Topologia Sallen-Key de uso geral


Fonte: Acervo dos autores

A topologia Sallen-Key de ganho unitário, porém, é geralmente mais utilizada em


circuitos com alta precisão de ganho e baixo fator de qualidade (Q < 3):

Figura 49 – Topologia Sallen-Key de ganho unitário


Fonte: Acervo dos autores

Para estes circuitos, temos que:

 = 1 +
®Í
®º

ƒ = ߱ $ M + M )
ܾ = ߱ M M $ $

Determina-se, arbitrariamente, os valores de $ e $ , e então procede-se ao cálculo


dos resistores:

ƒ $ ∓ „ƒ $ − 4ܾ $ $
M, =
4¾z $ $

Para que os valores dos resistores sejam reais, $ deve obedecer à seguinte

4ܾ
condição:
$ ≥ $
ƒ

170
Exemplo

Projetar um filtro Chebishev passa-baixa com ripple de 3dB e ganho unitário, com
frequência de corte 3kHz.

Solução:

a = 1,0650
Consultando a tabela A5 do anexo 1, obtemos os seguintes valores:

b = 1,9305

Define-se um valor para o capacitor C , por exemplo, 22nF, e, então, calcula-se C :

C ≥ C  C ≥ 22. 10Wè ,©)¹  C ≅ 150nF


½ୠ³ ½∗,è]©
Õ¹³

Com os valores de $ e $ definidos, podemos proceder ao cálculo de M e M .

1,0650 ∗ 150 ∗ 10Wè − „1,0650 ∗ 150 ∗ 10Wè ) − 4 ∗ 1,9305 ∗ 22 ∗ 10Wè ∗ 150 ∗ 10Wè
M =
4¾ ∗ 3 ∗ 10] ∗ 22 ∗ 10Wè ∗ 150 ∗ 10Wè

M = 1,26€Ω

1,0650 ∗ 150 ∗ 10Wè − „1,0650 ∗ 150 ∗ 10Wè ) − 4 ∗ 1,9305 ∗ 22 ∗ 10Wè ∗ 150 ∗ 10Wè
M =
4¾ ∗ 3 ∗ 10] ∗ 22 ∗ 10Wè ∗ 150 ∗ 10Wè

M = 1,3€Ω

Para que o ganho seja unitário e a equação A = 1 + gÍ = 1 seja obedecida, R ½ = 0.


g
º
O circuito amplificador, portanto, resume-se a um seguidor unitário.

A composição final deverá ficar de acordo com a figura 50.

Figura 50 – Circuito-solução para o exemplo


Fonte: Acervo dos autores

OUTRAS OBSERVAÇÕES:

Existe um caso especial de aplicação da topologia geral Sallen-Key, em que se usa


valores iguais de capacitores e resistores, ou seja:

171
M = M = M e $ = $ = $

Resolvendo a função de transferência, para um dado C, determina-se R e  como:


M = Åj ³  = 3 −  = 3 − ொ
„௕ ׳ 
„௕³
e 

Como é possível observar pelo equacionamento, para este caso específico, é


possível determinar o fator de qualidade e tipo de filtro apenas pela seleção correta
do ganho.

Tabela 1 – Coeficientes para construção do filtro


Tipo de Filtro Butterworth Chebishev – Ripple 3dB Bessel

ƒ 1,4142 1,065 1,3617

ܾ 1 1,9305 0,618

Q 0,71 1,3 0,58

 0,568 0,234 0,268

• Filtros de ordens superiores

Filtros de ordem superior à segunda são construídos conectando-se estágios de


primeira e segunda ordem em cascata. Os valores dos coeficientes necessários para
a construção dos filtros estão convenientemente listados nas tabelas constantes do
Anexo 1.

Exemplo
Construir um filtro Butterworth passa-baixa de quinta ordem, com frequência de corte
50kHz e ganho igual a 2.

Solução:

Para um filtro de quinta ordem, devemos conectar em cascata um estágio de


primeira ordem, e dois estágios de segunda ordem.
Em filtros com ganhos altos, é recomendável dividir o ganho entre os diversos
estágios. Neste caso, como o ganho é baixo, ele será concentrado no primeiro filtro.
Temos, então:

 = 1 + ®¹  2 = 1 + ®¹  = 1  M = M]
® ® ®¹
º º ®º

Determinando um valor para R = 2,2kΩ, então R ] = 2,2kΩ

O próximo passo é determinar o valor dos coeficientes dos filtros, pela consulta à
tabela A1:

172
a୨ b୨

Estágio 1 a =1 b = 0

Estágio 2 a = 1,6180 b = 1

Estágio 3 a] = 0,6180 b] = 1

Em seguida, procede-se ao cálculo dos filtros parciais:

Determinando C = 1nF, teremos:


Primeiro filtro:

a 1
R = = = 3,18kΩ
2πfେ C 2π ∗ 50 ∗ 10] ∗ 10Wè

Determinando C = 820pF, teremos:


Segundo filtro:

4b 4∗1
C ≥ C = 820 ∗ 10W ∗ = 1,26nF
a 1,618

Com os valores de $ e $ , podemos determinar M e M :

1,618 ∗ 1,26 ∗ 10Wè − „1,618 ∗ 1,26 ∗ 10Wè ) − 4 ∗ 1 ∗ 820 ∗ 10W ∗ 1,26 ∗ 10Wè
M =
4¾ ∗ 50 ∗ 10] ∗ 820 ∗ 10W ∗ 1,26 ∗ 10Wè

M = 1,87€Ω

1,618 ∗ 1,26 ∗ 10Wè + „1,618 ∗ 1,26 ∗ 10Wè ) − 4 ∗ 1 ∗ 820 ∗ 10W ∗ 1,26 ∗ 10Wè
M =
4¾ ∗ 50 ∗ 10] ∗ 820 ∗ 10W ∗ 1,26 ∗ 10Wè

M = 4,42€Ω

Determinando C = 330pF, teremos:


Terceiro filtro:

4b] 4∗1
C ≥ C = 330 ∗ 10W ∗ = 3,46nF
a] 0,618

Com os valores de C e C , podemos determinar R e R :

0,618 ∗ 3,46 ∗ 10Wè − „0,618 ∗ 3,46 ∗ 10Wè ) − 4 ∗ 1 ∗ 330 ∗ 10W ∗ 3,46 ∗ 10Wè
R =
4π ∗ 50 ∗ 10] ∗ 330 ∗ 10W ∗ 3,46 ∗ 10Wè
R = 2,88kΩ

0,618 ∗ 3,46 ∗ 10Wè + „0,618 ∗ 3,46 ∗ 10Wè ) − 4 ∗ 1 ∗ 330 ∗ 10W ∗ 3,46 ∗ 10Wè
R =
4π ∗ 50 ∗ 10] ∗ 330 ∗ 10W ∗ 3,46 ∗ 10Wè

173
R = 3,1kΩ

O circuito final será, então:

Figura 51 – Circuito-solução para o problema-exemplo


Fonte: Acervo dos autores

Parada obrigatória

Ao se projetar os filtros, os valores de capacitores são escolhidos


arbitrariamente, porém de forma não aleatória, como a princípio pode parecer.
Os valores dos capacitores influenciam nos valores dos resistores e uma má
escolha pode levar a valores absurdamente altos (faixa dos MΩ ou acima) ou
baixos (faixa dos mΩ ou abaixo). Caso isto aconteça, selecione outro
capacitor e recomece o cálculo. Com a prática e o decorrer do tempo, o
engenheiro aprende a “estimar” bons valores de capacitância.

3.1.2 Projeto de filtros ativos passa-alta

Filtros Ativos passa-alta são construídos alterando-se as posições entre capacitores e


resistores no circuito.

Figura 52 – Conversão de filtros passa-baixa para passa-alta


Fonte: Acervo dos autores

• Filtros de primeira ordem:

As topologias básicas de construção de filtros passa-alta são apresentadas nas


figuras 53 e 54 a seguir:

174
Figura 53 – Filtro de primeira ordem passa-alta não inversor
Fonte: Acervo dos autores

Figura 54 – Filtro de primeira ordem passa-alta inversor


Fonte: Acervo dos autores

Para os filtros não inversores, temos que:

‫ܣ‬ஶ = 1 + ®¹ ƒ = Ì
® 
º ಴ ³ ³
®

Para dimensionar o circuito, determina-se a frequência de corte (z ), o ganho do


circuito ( ) e o valor do capacitor ($ ). Os coeficientes ƒ devem ser determinados
pela consulta às tabelas apresentadas no anexo 1. Resta, então, resolver as
equações para os resistores:

M = Åj M = M] ஶ − 1)

಴ ׳ ³

Para os filtros inversores, temos que:

ஶ = − ®¹ ƒ = Ì
® 
³ ಴ ®³ ³

Para dimensionar o circuito, determina-se a frequência de corte (z ), o ganho do


circuito ( ) e o valor do capacitor ($ ). Os coeficientes ƒ devem ser determinados
pela consulta às tabelas apresentadas no anexo 1. Resta, então, resolver as
equações para os resistores:

M = Åj M = −M ஶ

಴ ׳ ³

175
• Filtros de segunda ordem:

Os filtros de segunda ordem podem ser construídos a partir das mesmas topologias
básicas utilizadas pelos passa-baixa:

a) Topologia de Realimentação Múltipla

Circuitos de realimentação múltipla são usados principalmente em aplicações

cálculo, assume-se que os capacitores $ e $] possuam sempre o mesmo valor,


que requerem ganhos altos e um grande fator de qualidade. Para facilitar o

ou seja, $ = $] = $.

Figura 55 – Circuito de realimentação múltipla


Fonte: Acervo dos autores

ஶ = 
Para este circuito, temos:

¹

ƒ = Ì
h¹
಴ ®³  ¹

ܾ = Ì
h¹
಴ ®³  ¹

Determina-se, arbitrariamente, os valores de $ e $ , e, então, procede-se com o


cálculo dos resistores:

M = Åj M = Åj
W O ׳
  ׳  ³ ¹ W O )

O ganho da banda de passagem ( ) pode variar muito devido às altas


tolerâncias dos capacitores. Para garantir o ganho, devem ser utilizados
capacitores com a mais baixa tolerância possível.

b) Topologia Sallen-Key

dos resistores M] e M½ .
A topologia geral para um circuito Sallen-Key permite um controle de ganho por meio

176
Figura 56 – Topologia Sallen-Key de uso geral
Fonte: Acervo dos autores

A topologia Sallen-Key de ganho unitário, porém, é geralmente mais utilizada em


circuitos com alta precisão de ganho, e baixo fator de qualidade:

Figura 57 – Topologia Sallen-Key de ganho unitário


Fonte: Acervo dos autores

Para estes circuitos, temos que:

 = 1 + ®Í
®
º

ƒ = Ì

 ®³ 

 = ̹ ®

 ³ ®¹ 
¹

Determina-se, arbitrariamente, os valores de $ e $ , e, então, procede-se ao cálculo


dos resistores:

1 ƒ
M = M =
¾ z $ ƒ 4¾ z $ 

• Filtros de Ordens Superiores

Filtros de ordem superior à segunda são construídos conectando estágios de


primeira e segunda ordem em cascata. Os valores dos coeficientes são os mesmos
necessários para a construção dos filtros passa-baixa, e estão convenientemente
listados nas tabelas constantes do Anexo 1.
177
Exemplo

Construir um filtro Bessel passa-alta de terceira ordem, com frequência de corte


1kHz e ganho unitário.

Solução:

Para um filtro de terceira ordem, devemos conectar em cascata um estágio de


primeira ordem, e um estágio de segunda ordem.

R = R ] A − 1)  R = R ] 1 − 1)  R = 0, e, portanto, R ] = 0. O circuito do


O primeiro passo é a determinação do ganho. Para o circuito possuir ganho unitário:

amplificador operacional se resume, então, a um seguidor unitário.

O próximo passo é determinar o valor dos coeficientes dos filtros, com a consulta à
tabela A1:

a b

Estágio 1 a = 0,756 b = 0

Estágio 2 a = 0,9996 b = 0,4772

Em seguida, procede-se ao cálculo dos filtros parciais:

Determinando C = 100nF, teremos:


Primeiro filtro:

R = a = ∗º ∗,Á½∗∗‹ = 2,105kΩ


 
Õ³
³

Determinando C = 100nF, teremos:


Segundo filtro:

R =  a = ∗º ∗∗‹ ∗,Á© = 3,18kΩ


 

Õ³

R = ½ a = ½∗º ∗∗‹ ∗,½ÁÁ = 1,67kΩ


Õ³ ,èèè

O circuito final será, então:

178
Figura 58 – Circuito-solução para o problema exemplo
Fonte: Acervo dos autores

Parada obrigatória

Ao se projetar os filtros, os valores de capacitores são escolhidos


arbitrariamente, porém de forma não aleatória, como a princípio pode
parecer. Os valores dos capacitores influenciam nos valores dos resistores e
uma má escolha pode levar a valores absurdamente altos (faixa dos MΩ ou
acima) ou baixos (faixa dos mΩ ou abaixo). Caso isto aconteça, selecione
outro capacitor e recomece o cálculo. Com prática, e o decorrer do tempo, o
engenheiro aprende a “estimar” bons valores de capacitância.

3.1.3 Projeto de filtros ativos passa-faixa

A forma mais simples de se projetar um filtro passa-faixa é conectar um filtro


passa-alta e um passa-baixa em série.

Um filtro passa-alta de primeira ordem em série com um passa-baixa de primeira


ordem compõem um filtro passa-faixa de segunda ordem.

Figura 59 – Filtro Passa-Faixa simples de segunda ordem


Fonte: Acervo dos autores

Um filtro passa-alta de segunda ordem em série com um passa-baixa de segunda


ordem compõem um filtro passa-faixa de quarta ordem.

179
Figura 60 – Filtro Passa-Faixa simples de quarta ordem
Fonte: Acervo dos autores

Quando se projeta filtros passa-faixa, os principais parâmetros de interesse são o


ganho do pico (ß ) e o fator de qualidade (Q), que representam a seletividade do
filtro passa-faixa. Estes valores definem a largura de banda (distância entre os
pontos de -3dB) do filtro.

Figura 61 – Curva de resposta para um Filtro passa-faixa


Fonte: Adaptado de: http://www.ethanwiner.com/filter-3.jpg

É possível observar, pelo gráfico, que o corte fica mais agudo com o aumento do
fator de qualidade Q. O filtro, então, torna-se mais seletivo.

a) Topologia de Realimentação Múltipla

Os filtros passa-faixa de realimentação múltipla possuem a seguinte configuração geral:

180
Figura 62 – Filtro Passa-Faixa de Realimentação Múltipla
Fonte: Acervo dos autores

Para esta topologia, temos que:

zß = Å ® ³®
 ® h®º
³ ¹ ®º
(frequência central)

ß = − ®¹
®
(ganho na frequência central)
³

5 = ¾ zß M $ (fator de qualidade)

 = Å ®


(largura de banda)
¹

Neste tipo de filtro, é possível ajustar Q, ß e zß , independentemente. Largura de banda e


ganho não dependem de M] , que pode ser usado para modificar a frequência central sem
afetar as outras características.

É possível até mesmo construir filtros de baixo Q sem utilizar o resistor M] . Porém, o fator de

ß = −25
qualidade irá depender do ganho da frequência central, de acordo com a equação:

Exemplo

Projetar um filtro passa-faixa de segunda ordem com realimentação múltipla. Este deverá
possuir uma frequência central de 1kHz, fator de qualidade 10 e ganho igual a –2.

Solução:

Assumindo um valor de capacitor C = 100nF:

Q = π fÔ R C  10 = π 10] R 100 ∗ 10Wè  R = 31,8kΩ

AÔ = − g¹  −2 = −  R = R = 7,96kΩ
g ], ],
³ g³ ½


Fazendo diversas alterações algébricas na equação da frequência central (que não serão

R ] como sendo:
demonstradas aqui devido à extensão do cálculo), podemos definir diretamente o valor de

181
R] =  R] =  R ] = 80,4Ω
W g³ ∗Á,è∗º
¹ h W

b) Topologia Sallen-Key

Os filtros passa-faixa Sallen-Key possuem a seguinte configuração geral:

Figura 63 – Filtro Passa-Faixa Sallen-Key


Fonte: Acervo dos autores

Para esta topologia, temos que:

fÔ = g


(frequência central)

G = 1 + g¹
g
(ganho interno)
³

AÔ = ]W!
!
(ganho na frequência central)

Q = ]W!

(fator de qualidade)

A vantagem dos Sallen-Key é que o fator de qualidade pode ser modificado pelo ganho

de Q e ß são interdependentes. Deve-se também tomar muito cuidado quando o ganho


interno, sem mudanças na frequência central. Sua principal desvantagem é que os valores

interno aproxima-se de 3, pois ß tende ao infinito, e causa oscilação do circuito.

Para determinar a frequência central do filtro, define-se zß e C, e, então, procede-se ao


cálculo para R:

M = Å j

" 

Após definir R, existem duas opções de resolução:

1) Determinar o ganho da frequência central:

M =
O" W
hO"
ou

182
2) Determinar um Q específico:

M =
W


3.1.4 Projeto de filtros ativos rejeita-faixa

Filtros do tipo rejeita-faixa possuem a função de excluir uma determinada frequência do


sinal. São bastante utilizados em circuitos de processamento de sinais, em que existe uma
faixa de ruído na banda de frequência que se quer analisar.

Os modelos mais utilizados de filtros rejeita-faixa são o modelo de Wien-Robinson e o filtro


“Twin-T”.

• modelo de Wien-Robinson

A Ponte de Wien-Robinson, na qual este circuito se baseia, é uma rede RC com saída
diferencial. O sinal de saída é definido como a diferença entre um divisor de tensão e a
saída de um filtro passa-faixa.

Figura 64 – Ponte de Wien-Robinson


Fonte: Acervo dos autores

O circuito ativo de Wien-Robinson é construído conectando-se a ponte passiva ao loop


de realimentação de um amplificador operacional, formando o circuito a seguir:

183
Figura 65 – Filtro ativo de Wien-Robinson
Fonte: Acervo dos autores

Para este circuito, temos os seguintes parâmetros:

zß = Å®

(Frequência central)

 = − h$
#
(Ganho da banda de passagem)

5=
h$
]
(Fator de Qualidade da Rejeição)

Em que % = ®¹ ‘ = ®¹
® ®
e
º Í

Para projetar este tipo de circuito, primeiro define-se a frequência central e o valor do
capacitor C. Com estes dados, é possível calcular o valor da resistência R:

1
M=
2¾zß $

Então, determina-se o valor de Q desejado, e deriva-se α:

% = 35 − 1

Determina-se o ganho desejado para o circuito, e calcula-se β:

‘ =  ∗ 35

Com estes valores, determina-se R e procede-se ao cálculo dos resistores restantes:

M] = M½ =
®¹ ®¹
$ #

Este circuito permite que se altere o valor do ganho da banda de passagem, sem precisar
modificar o fator de qualidade do filtro, o que é uma vantagem. É possível, porém, que a
184
e capacitores. É possível, neste caso, fazer um ajuste através do resistor 2R .
frequência central não seja completamente rejeitada, devido a tolerâncias dos resistores

• Filtro Twin-T

O filtro Twin-T é derivado de uma rede passiva de mesmo nome, que ganhou esta
denominação devido ao seu formato, com dois ramos iguais (twin – gêmeo).

Figura 66 – Rede passiva Twin-T


Fonte: Acervo dos autores

Assim como o circuito de Wien-Robinson, este circuito possui um baixo fator de qualidade
(Q=0,25), e é conectado à realimentação de um amplificador operacional para aumentar
este valor.

Figura 67 – Filtro Twin-T


Fonte: Acervo dos autores

Para este circuito, temos os seguintes parâmetros:

zß = Å®

(frequência central)

& = 1 + ®¹
®
(ganho interno)
³

 = & (ganho da banda de passagem)

185
5=

 W')
(fator de qualidade da rejeição)

O filtro Twin-T possui a vantagem de se poder alterar o fator de qualidade por meio
do ganho interno.

Para projetar este tipo de circuito, primeiro define-se a frequência central e o valor do
capacitor C. Com estes dados, é possível calcular o valor da resistência R:

1
M=
2¾zß $

Devido à dependência entre o fator de qualidade e o ganho, é possível definir os


outros componentes de duas formas:

1) determina-se o ganho, e calcula-se M :

M =  − 1)M ou

2) determina-se o valor desejado de Q, e calcula-se M :

M = M U1 − V


3.2 Projeto de deslocadores de fase

Diferentemente dos filtros, os deslocadores de fase possuem ganho constante em toda a


banda de frequência, ou seja, não provocam nenhuma alteração na amplitude do sinal. Sua
função é provocar um deslocamento de fase, ou seja, provocar um atraso no sinal que
passa por ele. Assim como nos filtros, o atraso será função da ordem do filtro.

186
Figura 68 – Relação Atraso Normalizado x Frequência
Fonte: Adaptado de TIETZE

Para que os valores de atraso possam ser tabelados, eles precisam ser normalizados; a
função de normalização é a seguinte:

‚ìñi =
m()*
é
em que,

‚ìñi  atraso normalizado

}ìñi  atraso(s) desejado(s)

‚  período da frequência de corte

• Deslocador de fase de primeira ordem:

O deslocador de primeira ordem, apresentado na figura 69, apresenta ganho 1 em


baixas frequências, e ganho -1 em altas frequências. Portanto, é um circuito de ganho
constante, mas a fase do sinal varia entre 0º e 180º.

187
Figura 69 – Deslocador de fase de primeira ordem.
Fonte: Acervo dos autores

O coeficiente definido para este circuito é: ƒn = M$ ∗ 2¾z

Para se projetar um deslocador deste tipo, basta definir z , C e M , e calcular o valor


do resistor R:

ƒn
M=
2¾z $

O atraso máximo atingível com este circuito é definido como }ìñi = 2M$.
OBSERVAÇÃO

• Deslocador de fase de segunda ordem:

Uma das alternativas possíveis para um deslocador de fase de segunda ordem é


subtrair a tensão de saída de um filtro passa-faixa de segunda ordem da sua tensão
de entrada. Esta configuração é apresentada a seguir:

Figura 70 – Deslocador de fase de segunda ordem


Fonte: Acervo dos autores

Os coeficientes definidos para este circuito são:

ƒ = 4¾z M $  = ƒ ¾z M $ %= =®
׳¹ ®
³ º

Para se projetar um deslocador deste tipo, basta definir z , C e R, e calcular o valor


dos outros resistores:
188
ƒ
M =
4¾z $

M =

ƒ ¾z $

M
M] =
%

}ìñi = 4M $
OBSERVAÇÃO: O atraso máximo atingível com este circuito é definido como

• Deslocadores de fase de ordem superior:

Deslocadores de fase com ordem superior à segunda são construídos exatamente


como os filtros: conectando-se em série estágios de primeira e segunda ordem, até
obter a ordem desejada. Como o processo é exatamente o mesmo, ele não será
repetido aqui.

3.3 Outros filtros

Além das topologias apresentadas, existem diversas outras formas mais “exóticas”
de se construir filtros ativos. É possível construir circuitos em que se muda o
comportamento mudando componentes, saídas inversora e não inversora, circuitos
com várias respostas (passa-alta, passa-baixa e passa-faixa) simultâneas, dentre
outras.

Duas destas formas serão apresentadas a seguir:


• Filtros Biquad;
• Filtros de Estado Variável.

4. Fontes chaveadas

A energia elétrica geralmente não é utilizada na forma em que é produzida e distribuída.


Praticamente todos os sistemas eletrônicos precisam de algum tipo de conversão da
energia, que é realizada pela chamada “fonte de energia” (apesar do termo “conversor de
energia” ser mais correto).

Uma aplicação comum em muitos circuitos é a conversão da tensão AC da rede em tensões


reguladas DC necessárias para um equipamento eletrônico. Existem várias formas de se
fazer esta conversão, sendo que as mais usuais são através de fontes lineares, ou fontes
chaveadas.

As fontes lineares utilizam componentes ativos trabalhando em sua região linear. Como
consequência, o elemento de controle acaba dissipando uma grande quantidade de
potência, principalmente se a diferença entre vin e vout for alta, e houver grande circulação de
corrente. A eficiência deste conversor fica muito baixa, impedindo seu uso em muitas
189
aplicações. Além disso, o fato de se trabalhar com a tensão da rede em sua frequência
nominal requer componentes passivos de tamanho considerável, tornando a fonte grande e
pesada.

Fontes chaveadas baseiam-se no controle do fluxo de energia através de chaveamento em


alta frequência. Como o elemento chaveador fica apenas nas situações de corte e
saturação, elas oferecem uma operação mais eficiente, pois conseguem gerenciar o fluxo de
energia com menos perdas, e possuem tamanho menor, devido ao tamanho reduzido dos
componentes passivos.

4.1 – Princípio de funcionamento

O princípio fundamental de uma fonte chaveada é apresentado na Fig. 71. Como o circuito
de chaveamento requer uma tensão DC de entrada, a fonte chaveada apresenta um estágio
retificador antes do circuito de chaveamento.

Figura 71 – Princípio de Funcionamento de fontes chaveadas


Fonte: Acervo dos autores

Uma chave é ligada em série com a fonte de tensão (agora DC) e a carga. Através da
modulação do pulso desta chave, é possível controlar a tensão de saída do circuito.
Consequentemente, um dos elementos fundamentais para um bom conversor chaveado é o
modulador da largura de pulso (PWM). Ele é responsável por produzir um trem de pulsos
retangulares que irão acionar a chave, fazendo com que o circuito funcione. O controle do
conversor é feito através do fator de trabalho (duty cicle), definido como a relação entre a
duração do pulso ativo (nível alto) e seu período total.

Os modelos básicos de circuito para fontes chaveadas são apresentados a seguir. Por
motivos de simplicidade, os circuitos moduladores de pulso não serão mostrados no circuito
dos conversores, bastando lembrar que são eles os responsáveis pelo funcionamento da
chave.

4.2 – Conversor Buck

O conversor Buck é um conversor abaixador, ou seja, a tensão de saída é sempre menor ou


igual à tensão de entrada, fornecendo uma corrente linear DC para a carga.

190
Figura 72 – Circuito Conversor Buck
Fonte: Acervo dos autores

Seu funcionamento ocorre em duas etapas:

1) quando a chave S é fechada, o diodo é desligado, já que está reversamente


polarizado. A corrente cresce de forma exponencial, fluindo através do indutor L e
da carga. Como estes elementos estão em paralelo com a fonte, a tensão de
saída, consequentemente, é Vi.

Figura 73 – Circuito Conversor Buck – Estágio 1


Fonte: Acervo dos autores

2) No momento em que a chave é aberta, a corrente no indutor começa a cair, até


se anular. A variação de corrente no indutor cria uma tensão induzida, de
polaridade oposta à variação de corrente. Esta tensão induzida polariza o diodo,
e a corrente que flui pelo indutor atua como retorno através do diodo e da carga.
A necessidade do diodo, portanto, é fornecer o caminho para a corrente de carga
quando a chave está desligada (por este motivo, ele também é conhecido como
diodo de roda-livre).

191
Figura 74 – Circuito Conversor Buck – Estágio 2
Fonte: Acervo dos autores

A tensão na carga é nula, e a energia armazenada no indutor é entregue à carga.


Esse arranjo simples permite, por meio do dimensionamento correto de L,
propiciar uma corrente DC linear que é satisfatória para a maioria das aplicações.
Quanto maior for a frequência de chaveamento, menor será o tamanho do indutor
necessário para reduzir a ondulação a um grau aceitável.

Figura 75 – Formas de onda típicas para um Conversor Buck


Fonte: Acervo dos autores

4.3 – Conversor Boost

O conversor Boost é um conversor elevador, ou seja, a tensão de saída é sempre igual ou


maior que a tensão de entrada. Um indutor L é utilizado para fornecer uma corrente linear na

192
entrada. Apesar de existir uma certa ondulação, esta pode ser desprezível quando a ação
de chaveamento é realizada em alta frequência.

Figura 76 – Circuito Conversor Boost


Fonte: Acervo dos autores

Seu funcionamento ocorre em duas etapas:

1) quando a chave S é fechada, o indutor será conectado à alimentação. Sua


tensão saltará para Vi, mas a corrente aumenta linearmente, e armazenará
energia no campo magnético. O diodo está inversamente polarizado, e a energia
armazenada no capacitor fornecerá tensão para a carga;

Figura 77 – Circuito Conversor Boost –Estágio 1


Fonte: Acervo dos autores

2) no momento em que a chave é aberta, a corrente cairá de modo violento,


gerando uma tensão induzida que se somará à fonte de tensão, aumentando
assim o valor da tensão de saída. A corrente, que fluia pela chave S, pode agora
circular através do indutor e do diodo até a carga. Assim, a energia armazenada
no indutor alimenta o capacitor e a carga paralelamente.

193
Figura 78 – Circuito Conversor Boost – Estágio 2
Fonte: Acervo dos autores

A tensão na carga (e no capacitor) será sempre igual ou maior que a tensão de


entrada, pois a polaridade de VL é sempre igual à de Vi. Se a indutância L for
muito grande, não haverá ondulação e a fonte de corrente Ii poderá ser
considerada constante.

Figura 79 – Formas de onda típicas para um Conversor Boost


Fonte: Acervo dos autores

194
4.4 – Conversor Buck-Boost

O conversor Buck-Boost combina os elementos dos outros conversores, permitindo que a


tensão de saída varie de valores menores que o da tensão de entrada até valores maiores
que o da tensão de entrada. A configuração do circuito é mostrada, a seguir.

Figura 80 – Circuito Conversor Buck-Boost


Fonte: Acervo dos autores

Seu funcionamento ocorre em duas etapas:

1) quando a chave S é fechada, o diodo fica inversamente polarizado. A tensão no


indutor ficará igual à tensão da fonte (estão em paralelo) e a corrente aumentará
linearmente;

Figura 81 – Circuito Conversor Buck-Boost – Estágio 1


Fonte: Acervo dos autores

2) no momento em que a chave é aberta, o indutor é desligado da fonte. A corrente


no indutor não pode ser interrompida instantaneamente, e portanto irá gerar uma
tensão induzida que polariza o diodo. Desta forma, é gerado um caminho de
condução da corrente até a carga. A tensão de saída se tornará praticamente
igual à tensão do indutor (pois estão em “paralelo”. Haverá apenas uma diferença
gerada pela tensão de condução do diodo, que é desprezível na maioria das
aplicações).

195
Figura 82 – Circuito Conversor Buck-Boost –Estágio 2
Fonte: Acervo dos autores

A tensão de saída é controlada através do ciclo de trabalho d. Quando d < 0,5 a


tensão de saída é menor que a tensão de entrada. Quando d > 0,5 a tensão de
saída é maior que a tensão de entrada. Consequentemente, quando d = 0,5 a
tensão de saída é exatamente igual à tensão de entrada.

Figura 83 – Formas de onda típicas para um Conversor Buck-Boost


Fonte: Acervo dos autores

Resumo
Neste capítulo, estudamos o princípio básico de funcionamento de amplificadores não
lineares e dos filtros ativos. Verificamos como selecionar e utilizar reguladores de tensão
integrados e a projetar os diversos tipos amplificadores não lineares e de filtros ativos.

196
Vimos, ainda, o princípio que rege o funcionamento das fontes chaveadas, as diversas
topologias e como projetá-las.

ANEXO 1 – Tabelas de coeficientes para construção de filtros

As tabelas apresentadas a seguir, retiradas de Tietze e Schenk (2009) são utilizadas para o
processo de construção dos filtros ativos. A seguir, há uma relação dos valores definidos
nestas tabelas:

n  ordem do filtro

i  número do filtro parcial

ƒ+ , +  coeficientes do filtro

€+  razão entre as frequências de corte do filtro parcial e do filtro total ( j¶ ). Este valor é
j

geralmente utilizado para determinar a largura de banda de ganho unitário do Amplificador
Operacional, e simplificar os testes dos filtros.

5n  fator de qualidade do filtro parcial

zn
,z  razão utilizada para testes de deslocadores de fase. zn é a frequência em que a fase
Q

é 180º para um filtro de segunda ordem, e consequentemente 90º para um deslocador de


fase de primeira ordem.

‚ìñ  atraso de grupo normalizado para o deslocador de fase.

197
Tabela A1 – Coeficientes para filtros Butterworth

198
Tabela A2 – Coeficientes para filtros Chebyshev – Ripple passa-banda de 0,5dB

199
Tabela A3 – Coeficientes para filtros Chebyshev – Ripple passa-banda de 1dB

200
Tabela A4 – Coeficientes para filtros Chebyshev – Ripple passa-banda de 2dB

201
Tabela A5 – Coeficientes para filtros Chebyshev – Ripple passa-banda de 3dB

202
Tabela A6 – Coeficientes para filtros Bessel

203
Tabela A7 – Coeficientes para deslocadores de fase

204
ATIVIDADES

1) Determine os níveis de disparo e a histerese para o circuito a seguir. Sabe-se que a


tensão de alimentação é simétrica em 15V.

2) Explique como funciona o processo de multiplicação analógica.

3) Explique como é possível construir circuitos analógicos com funções não lineares,
como logaritmos e exponenciais. Em seguida, diagrame um circuito exponencial,
explicando a necessidade de cada subcircuito.

4) Projete um vibrador astável, com frequência de oscilação 500Hz. O tempo em nível


alto deverá ser três vezes maior que o tempo em nível baixo.

5) Explique como é possível um conversor Boost gerar uma tensão de saída maior do
que a tensão de entrada.

REFERÊNCIAS

AHMED, Ashfaq, Eletrônica de potência. São Paulo: Prentice Hall, 2000.

APOSTILA de Circuitos não lineares. Universidade Federal do Paraná. Disponível em


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