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2.2.

A RADIAÇÃO SOLAR
2.2.1. A AÇÃO DA ATMOSFERA SOBRE A RADIAÇÃO SOLAR

Devido à imensa distância entre a Terra e o Sol, apenas atinge o limite exterior da
atmosfera uma pequeníssima parte da radiação solar (energia proveniente do Sol sob
a forma de ondas eletromagnéticas), correspondente a 1400 watts, ou seja,
aproximadamente o valor da constante solar (energia que, por segundo, chega a cada
metro quadrado de superfície da camada superior da atmosfera, exposta
perpendicularmente à radiação solar). Dessa energia, só chega à superfície terrestre
aproximadamente metade, devido à ação dos processos atmosféricos de:

 absorção – o vapor de água e outros gases, as poeiras e as nuvens absorvem parte


da radiação solar, destacando-se o ozono estratosférico, pela absorção de grande
parte da radiação ultravioleta;

 reflexão – parte da radiação solar perde-se porque é refletida pelo topo das nuvens
e pela superfície terrestre, sobretudo em regiões com maior albedo (refletividade
de uma superfície), como as superfícies cobertas de neve e gelo;

 difusão - os gases e as partículas constituintes da atmosfera dispersam a radiação


solar para o espaço exterior, embora alguma parte atinja, indiretamente, a
superfície da Terra – radiação difusa.

Assim, a radiação solar total que atinge a superfície terrestre, designada por radiação
global, é constituída por:

 radiação direta – energia recebida na Terra, diretamente do Sol;

 radiação difusa – energia que atinge indiretamente a superfície terrestre.

Ao ser absorvida pela Terra, a radiação solar converte-se em energia calorífica,


aquecendo a superfície terrestre. Esta, por sua vez, emite a mesma quantidade de
energia que recebe – radiação terrestre –, encontrando-se, por isso, em equilíbrio
térmico.

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Alguns gases atmosféricos, como o vapor de água e o dióxido de carbono, absorvem
uma boa parte da radiação terrestre, reenviando-a para a superfície e dando, assim,
origem ao chamado efeito de estufa, fenómeno que permite o aquecimento da
camada inferior da atmosfera e a manutenção de uma temperatura média de cerca
de 15º C, mais ou menos constante.

2.2.2. A VARIAÇÃO DA RADIAÇÃO SOLAR

A intensidade da radiação global é maior no verão (quando o ângulo de incidência é


menor) e menor no inverno (quando o ângulo de incidência é maior).

Em Portugal, a intensidade da radiação global é maior:

 no sul;

 na faixa oriental junto a Espanha;

 nas vertentes soalheiras (vertentes viradas a sul)

É menor:

 no norte;

 no litoral ocidental a norte do Tejo;

 nas vertentes umbrias (vertentes viradas a norte).

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Fatores de variação

 Exposição das vertentes;

 Nebulosidade (influenciada pela distância ao mar e pela altitude);

 Latitude (o movimento de translação influencia o ângulo de incidência e o tempo


de exposição).

Esses fatores vão afetar a insolação – nº de horas de céu descoberto com o Sol acima
do horizonte.

2.2.2 – Variação da temperatura

2.2.2.1 – Variação sazonal

A temperatura é maior no verão e menor no inverno, devido ao movimento de


translação da Terra que faz com que:

 em dezembro, a radiação solar atinja o território nacional com maior ângulo de


incidência, aquecendo-o menos;

 em junho, a radiação solar atinja o território nacional com menor ângulo de


incidência, aquecendo-o mais.

2.2.2.2 – Variação territorial

A temperatura média anual diminui de sul para norte, devido:

 à latitude – a temperatura diminui à medida que a latitude aumenta;

 ao relevo (mais alto a norte do Tejo) – a altitude faz diminuir a temperatura


(gradiente térmico vertical – a temperatura diminui 6º C por cada 1000 metros de
altitude).

No inverno, a temperatura diminui de sudoeste para nordeste.


No verão, a temperatura varia em faixas quase paralelas à linha de costa, aumentando
do litoral para o interior. A influência da latitude atenua-se, pois o Sol incide mais
diretamente sobre o hemisfério norte. É o mar que exerce mais o seu efeito moderador,
pois refresca as áreas do litoral e mantém as temperaturas mais baixas.
A amplitude de variação térmica anual (AVTA) é assim:

 menor no litoral, devido à proximidade do mar;

 maior no interior, devido ao afastamento do mar e à influência dos ventos da


Península Ibérica (quentes no verão e frios no inverno).

2.2.2.3 – Fatores de variação

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 latitude – quanto maior é a latitude, maior é o ângulo de incidência da radiação
solar, o que diminui o aquecimento;

 proximidade/ afastamento do oceano;

 relevo (altitude e disposição das vertentes – as soalheiras têm temperaturas


maiores);

 topografia (serras e vales):

 servem de obstáculo a massas de ar – as montanhas do noroeste impedem a


passagem do ar marítimo para o interior, e a serra algarvia protege o Algarve dos
ventos de norte de noroeste;

 facilitam a passagem das massas de ar – o vale superior do Douro permite a


penetração dos ventos de este, e o vale do Mondego permite a passagem de ar
marítimo até ao interior.

A AVTA é maior nos vales interiores do Douro, Tejo e Guadiana devido à penetração de
ventos de este que são frios no inverno e quentes no verão, extremando as
temperaturas.
Na Madeira, a vertente sul é mais soalheira e é protegida dos ventos de norte pelas
montanhas. Por isso, é mais abrigada, logo, é mais quente.

2.2.3 – A valorização da radiação solar

2.2.3.1 – Energia solar

O potencial de aproveitamento de energia solar:

 diminui de sul para norte (devido à latitude e ao relevo);

 aumenta de oeste para este, sobretudo a norte do Tejo (devido à maior


nebulosidade do litoral e maior insolação do interior);

 é maior no final da primavera e no verão (devido à maior duração dos dias e ao


menor ângulo de incidência da radiação solar).

Sistemas térmicos

Através dos sistemas térmicos, faz-se a captação, por coletores, da radiação solar
direta para aquecimento de edifícios, águas, etc, e utiliza-se a energia solar como
fonte de calor na produção de eletricidade.
Existe um baixo potencial para a utilização de sistemas térmicos a norte do Tejo,
sobretudo no litoral e nas áreas de montanhas, onde a nebulosidade é maior, e um
maior potencial:

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 na pequena faixa da costa de Lisboa;

 no interior alentejano;

 no litoral algarvio;

 no vale de fronteira do Guadiana

Sistemas fotovoltaicos

Através dos sistemas fotovoltaicos, converte-se diretamente a radiação solar em


energia elétrica.
Existe um baixo potencial para a utilização de sistemas fotovoltaicos no litoral das
regiões Centro e Norte, e um maior potencial:

 na costa de Lisboa;

 na península de Setúbal;

 em boa parte do Alentejo (especialmente o vale do Guadiana);

 no Algarve (especialmente no seu litoral sudeste).

Produção de energia solar

Em Portugal, o aproveitamento da energia solar tem vindo a crescer, devido:

 à construção de centrais fotovoltaicas;

 à aplicação de legislação e programas de incentivo a novas técnicas de


construção de edifícios que valorizam o aproveitamento térmico da energia solar.

A produção de eletricidade a partir da energia solar tem vantagens ambientais e


económicas, pois permite:

 diminuir as emissões de gases de efeito de estufa;

 reduzir as importações de combustíveis fósseis e exportar energia solar, diminuindo


a dependência e a despesa externas;

 aumentar o emprego.

A tecnologia atual coloca alguns condicionalismos:

 a variabilidade da radiação solar;

 a exigência de grande investimento de capital e ocupação de vastas áreas, de


preferência próximo das grandes áreas urbanas a abastecer (a proximidade dos
centros urbanos é uma limitação importante em Portugal, pois as áreas mais

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urbanizadas localizam-se no litoral, onde o potencial de aproveitamento
fotovoltaico é menor e o preço dos solos é maior).

2.2.3.2 – O turismo

A radiação solar constitui um fator de desenvolvimento, pois a atividade turística:

 gera emprego;

 proporciona a entrada de divisas;

 induz efeitos multiplicadores noutras áreas.

O turismo balnear é o que mais beneficia das características do clima português.


O turismo sénior tem vindo a ganhar relevância, contribuindo para resolver o
problema da sazonalidade.
O setor imobiliário tem vindo a beneficiar com a compra de segundas habitações no
nosso país pelos turistas estrangeiros.

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