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Cálculo Diferencial

de Uma Variável

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Cálculo Diferencial
de uma Variável
Autoras: Profa. Isabel Cristina de Oliveira Navarro Espinosa
Profa. Valéria de Carvalho
Colaboradores: Profa. Mirtes Mariano
Prof. Daniel Scodeler Raimundo

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Professoras conteudistas:
Isabel Cristina de Oliveira Navarro Espinosa / Valéria de Carvalho

Isabel Cristina de Oliveira Navarro Espinosa, graduada em Matemática pela Faculdade Oswaldo Cruz e mestre
em Educação Matemática pela Pontifícia Universidade Católica (PUC – SP), leciona no Ensino Superior desde 1981.

Professora do curso de Pós-Graduação lato sensu em Educação Matemática das Faculdades Oswaldo Cruz e
professora da Universidade Paulista – UNIP na modalidade presencial e na modalidade EaD – Educação a Distância.

Coautora dos livros:

• Geometria analítica para computação, Editora LTC.


• Álgebra linear para computação, Editora LTC.
• Matemática: complementos e aplicações nas áreas de ciências contábeis, administração e economia, Editora Ícone.

Valéria de Carvalho, especialista em Matemática pelo IMECC (Instituto de Matemática Estatística e Computação
Científica), mestre e doutora em Educação Matemática pela Faculdade de Educação – Unicamp, é professora do Ensino
Superior desde 1988.

Trabalha com temas envolvendo Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) em projetos de Educação
Continuada, envolvendo docentes de Matemática, no LEM (Laboratório de Ensino de Matemática – IMECC) e na
Faculdade de Educação, ambos na Unicamp, sempre como professora colaboradora.

Possui publicações em anais de congressos fora do Brasil e capítulos de livros em nossa língua, pensando o
trabalho docente, a educação matemática crítica e a sociedade.

Atualmente é professora da Universidade Paulista – UNIP e coordenadora do curso de Matemática na modalidade


EaD – Ensino a Distância.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

E77c Espinosa, Isabel

Cálculo diferencial de uma variável / Isabel Espinosa; Valéria de


Carvalho. - São Paulo: Editora Sol, 2011.
240 p., il.

Notas: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e


Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XVII, n. 2-036/11, ISSN 1517-9230.

1. Funções 2. Cálculo 3. Aplicações ao Maxima I. Título

CDU 517.2

© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem
permissão escrita da Universidade Paulista.

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Prof. Dr. João Carlos Di Genio
Reitor

Prof. Fábio Romeu de Carvalho


Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças

Profa. Melânia Dalla Torre


Vice-Reitora de Unidades Universitárias

Prof. Dr. Yugo Okida


Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa

Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez


Vice-Reitora de Graduação

Unip Interativa – EaD

Profa. Elisabete Brihy


Prof. Marcelo Souza
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli

Material Didático – EaD

Comissão editorial:
Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
Dra. Divane Alves da Silva (UNIP)
Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
Dra. Valéria de Carvalho (UNIP)

Apoio:
Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos

Projeto gráfico:
Prof. Alexandre Ponzetto

Revisão:
Ana Luiza Fazzio
Elaine Fares

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Sumário
Cálculo Diferencial de uma Variável

APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................8

Unidade I
1 REPRESENTAÇÃO DE PAR ORDENADO NO PLANO CARTESIANO ...................................................9
1.1 Plano cartesiano ................................................................................................................................... 10
1.2 Produto cartesiano ...............................................................................................................................11
1.3 Relação ..................................................................................................................................................... 12
2 FUNÇÃO .............................................................................................................................................................. 14
2.1 Elementos de uma função ................................................................................................................ 18
2.2 Operações com funções..................................................................................................................... 20
2.3 Gráfico ...................................................................................................................................................... 22
2.4 Funções par e ímpar ............................................................................................................................ 26
2.5 Tipos de funções ................................................................................................................................... 27
2.6 Função inversa ....................................................................................................................................... 28
2.7 Ampliando seu leque de exemplos ............................................................................................... 30
3 FUNÇÕES POLINOMIAIS ............................................................................................................................... 36
3.1 Função de 1° grau ................................................................................................................................ 36
3.1.1 Função de 1° grau (ou função afim) ............................................................................................... 36
3.1.2 Gráfico ......................................................................................................................................................... 37
3.1.3 Crescimento da função de 1° grau .................................................................................................. 39
3.1.4 Sinais da função ...................................................................................................................................... 40
3.2 Função constante ................................................................................................................................. 41
4 FUNÇÃO QUADRÁTICA (OU DE 2° GRAU) ............................................................................................. 42
4.1 Gráfico ...................................................................................................................................................... 43
4.2 Concavidade ........................................................................................................................................... 43
4.3 Sinais da função ................................................................................................................................... 47
4.4 Ampliando seu leque de exemplos ............................................................................................... 49

Unidade II
5 OUTRAS FUNÇÕES REAIS ............................................................................................................................. 57
5.1 Função exponencial............................................................................................................................. 57
5.1.1 Gráfico ......................................................................................................................................................... 58
5.2 Função logarítmica .............................................................................................................................. 60

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5.3 Função modular .................................................................................................................................... 62
5.3.1 Gráfico ......................................................................................................................................................... 62
5.4 Funções trigonométricas ................................................................................................................... 64
5.4.1 Função seno .............................................................................................................................................. 64
5.4.2 Função cosseno ....................................................................................................................................... 65
5.4.3 Função tangente ..................................................................................................................................... 66
5.5 Assíntotas ................................................................................................................................................ 67
5.5.1 Assíntotas horizontais .......................................................................................................................... 67
5.5.2 Assíntotas verticais ................................................................................................................................ 70
5.6 Ampliando seu leque de exemplos ............................................................................................... 73
6 LIMITE................................................................................................................................................................... 76
6.1 Uma visão intuitiva ............................................................................................................................. 76
6.1.1 Função contínua ..................................................................................................................................... 80
6.1.2 Propriedades operatórias dos limites ............................................................................................. 82
6.1.3 Limites envolvendo infinito ................................................................................................................ 86
6.1.4 Limites fundamentais ........................................................................................................................... 94
6.2 Ampliando seu leque de exemplos ............................................................................................... 97

Unidade III
7 DERIVADAS ......................................................................................................................................................107
7.1 Notações de derivada .......................................................................................................................109
7.2 Regras de derivação .......................................................................................................................... 114
7.3 Derivadas de ordem superior ........................................................................................................120
7.4 Alguns teoremas .................................................................................................................................123
7.5 Ampliando seu leque de exemplos .............................................................................................127
8 APLICAÇÕES ....................................................................................................................................................130
8.1 Variação aproximada – diferencial..............................................................................................130
8.2 Sinais da 1ª derivada – crescimento da função .....................................................................132
8.3 Concavidade da função – sinais da 2ª derivada ....................................................................135
8.4 Construção de gráficos ....................................................................................................................137
8.4.1 Assíntota horizontal ........................................................................................................................... 140
8.5 Regras de L’Hospital ..........................................................................................................................141
8.6 Logaritmo e exponencial .................................................................................................................142
8.7 Derivadas ...............................................................................................................................................149
8.8 Ampliando seu leque de exemplos .............................................................................................155

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APRESENTAÇÃO

O objetivo desta disciplina é oferecer ao aluno do SEPI/SEI material de apoio para o acompanhamento
da disciplina Cálculo Diferencial de uma Variável.

Estudaremos, nesse livro-texto, as noções iniciais de funções, utilizando representações gráficas


e notações mais formais. Estudaremos também o conceito intuitivo de limites, deixando a definição
formal para outra ocasião.

O estudo de derivada será feito utilizando interpretação geométrica e definição formal, faremos
também o estudo geral das funções deriváveis.

Ao final, teremos aplicações dos conceitos estudados por meio de problemas em várias áreas.

Apresentamos, após as unidades, o aplicativo computacional Maxima, com exemplos ligados aos
assuntos estudados para você se familiarizar com as novas tecnologias.

Na unidade I, estudaremos o conceito de plano cartesiano e daremos início ao estudo das


funções e de algumas funções polinomiais e suas principais características. Até aqui não tratamos
de novidades, visto que todos já tiveram contato com esses conceitos em etapas anteriores de seus
estudos.

Na unidade II, trataremos inicialmente de algumas funções reais como exponencial, logaritmo e
algumas trigonométricas. Começaremos também a tratar do cálculo e sua teoria, iniciando com a noção
intuitiva de limite.

Na unidade III, teremos noção de derivadas e suas aplicações, primeiro as aplicações com a intenção
de facilitar a construção de gráficos mais elaborados e depois a resolução de problemas aplicados a
várias áreas.

Ao final de cada assunto, temos o item “Ampliando seu leque de exemplos”, no qual você
encontrará mais exemplos relacionados aos assuntos estudados. Nesse item você deve, após uma
leitura detalhada, refazer todos, afinal, o estudo de vários modelos diferentes melhorará o seu
aprendizado.

No apêndice, apresentamos um aplicativo computacional para orientá-lo no estudo do


Cálculo Diferencial utilizando software matemático Maxima. O software apresentado é livre
permitindo que todos tenham acesso. Em especial, focamos aplicações em limites, continuidade
e derivadas.

Esperamos que este material desperte seu espírito científico e interesse no Cálculo Diferencial e que
possa auxiliá-lo em seus estudos. Bom estudo!

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INTRODUÇÃO

Neste livro-texto, estudaremos os aspectos iniciais do Cálculo Diferencial de uma Variável. Esses
conceitos servirão de base para que você possa se aprofundar no estudo do Cálculo Diferencial. Os
conceitos que serão vistos, podem ser aplicados nas mais variadas áreas, além da Matemática.

As aplicações passam por várias partes da Física, por exemplo, é comum o uso de derivadas para
facilitar os cálculos em Economia. Da mesma forma, temos vários conceitos que são definidos utilizando
derivadas, como por exemplo, o conceito de análise marginal. Encontramos aplicações também na
Engenharia, Biologia, entre outras.

Algumas destas aplicações serão encontradas nesse livro-texto, no entanto, é importante frisar que
você deve adaptar os enunciados de modo a torná-los mais ligados à realidade de seus educandos. Esse
procedimento facilita bastante o entendimento dos conceitos. São apresentadas situações-problema
que se aproximam de fatos que despertem a atenção para o assunto que está sendo tratado, tornando
o processo ensino-aprendizagem mais proveitoso.

Não faremos aqui as demonstrações dos teoremas citados, estas podem ser encontradas nos livros
indicados na bibliografia.

O Cálculo Diferencial requer bastante estudo e dedicação, sendo assim, é importante que você
complete seus estudos utilizando, além desse livro-texto, materiais complementares (pesquisas em
livros e sites, resolução de problemas e exercícios).

Esperamos que você, aluno, seja capaz de identificar os conhecimentos matemáticos necessários
para que se torne um bom profissional de ensino Fundamental, Médio ou Superior e que esteja sempre
preocupado com o papel social na função que desempenha.

Você deve ser um profissional capaz de trabalhar de forma integrada com os professores da sua área
e de outras, de modo a contribuir efetivamente com a proposta pedagógica da sua escola.

Esperamos ainda que você, aluno, se torne um professor que saiba reconhecer as dificuldades
individuais de seu educando e sugerir caminhos alternativos que permita a ele desenvolver e prosseguir
os estudos.

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CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Unidade I
PLANO CARTESIANO E FUNÇÕES

1 REPRESENTAÇÃO DE PAR ORDENADO NO PLANO CARTESIANO

Muitas vezes, em nosso dia a dia, nos deparamos com situações que envolvem localização, por
exemplo, você marca uma consulta com um médico e como é a primeira vez que vai ao consultório, a
atendente lhe informa o endereço. Como você não sabe chegar até lá, vai procurar a localização num
guia de ruas e encontra a seguinte indicação: 22 J6.

Qual o significado dessa informação?

O número 22 indica a página do guia e a letra J e o número 6 indicam a coluna e a linha para a
localização da rua.

No jogo batalha naval, também utilizamos o plano cartesiano para localizar e destruir os navios do
adversário, para isso, são indicadas as coordenadas linha e coluna.

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Veja o exemplo a seguir:

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15
a a
b b
c c
d d
e e
f f
g g
h h
i i
j j
L L
m m
n n
o o
p p
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15

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Unidade I

Nesse exemplo, se você escolher a2 conseguirá afundar o navio adversário que está na linha “a”
coluna “2”. Porém, se escolher d3 será água, isto é, não conseguirá acertar o adversário.

A ideia de termos uma forma de localizar pontos num plano é utilizada desde a Antiguidade. Nós
utilizamos, atualmente, o sistema cartesiano que estudaremos a seguir.

1.1 Plano cartesiano

O sistema cartesiano é baseado no sistema criado pelo matemático e filósofo francês René Descartes,
cujo pseudônimo era Cartesius, daí o nome plano cartesiano.

O plano cartesiano é formado por duas retas perpendiculares (formam ângulo de 90º) e o ponto de
encontro delas é denominado origem. Cada eixo representa um dos conjuntos do produto cartesiano, o
eixo horizontal (x) é o eixo das abscissas e o eixo vertical (y) é o eixo das coordenadas.

Como você pode ver, os eixos coordenados dividem o plano em 4 quadrantes, conforme a figura a
seguir. O eixo x será positivo no 1º e no 4º quadrantes, e negativo no 2º e 3º quadrantes, o eixo y será
positivo no 1º e no 2º quadrantes, e negativo no 3º e 4º quadrantes:
y
(ordenadas)
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

2º Q
1º Q

x
4º Q (abscissas)
3º Q

Um par ordenado pode ser representado geometricamente como um ponto em um plano


cartesiano.

Assim, para representarmos o par ordenado (2, 3) no plano cartesiano, devemos marcar 2 no eixo x
e 3 no eixo y.

Lembrete

As retas auxiliares utilizadas para localizar o ponto A devem ser paralelas


aos eixos.

10

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CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

3 A (2,3)

2 x

Exemplo:

Represente os pontos A (1, 3), B (3, 1), C (–1, –3), D (0, 2), E (–2, 4) e F (2, –2):

E (-2,4)
4
A (1,3)
3
2 D (0,2)
1 B (3,1)

-2 -1 1 2 3
x

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
-2
F (2,-2)
(-1,-3) C -3

1.2 Produto cartesiano

Consideremos dois conjuntos A e B não vazios. Chamamos de produto cartesiano de A e B ao


conjunto formado por todos os pares ordenados, com 1º elemento de A e 2º elemento de B.

Produto cartesiano de A e B:

A x B = {(x, y) | x ∈ A e y ∈ B}

Exemplo:

Se A = {0, 2} e B = {0, 2, 3} calculando A x B e B x A, temos:

A x B = {(0, 0), (0, 2), (0, 3), (2, 0), (2, 2), (2, 3)}

B x A = {(0, 0), (0, 2), (2, 0), (2, 2), (3, 0), (3, 2)}

11

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Unidade I

Representando geometricamente, temos:

y (B) y (A)

(0,3)
(2,3)
(2,2)
(0,2) (2,2) (0,2) (3,2)

(0,0) (2,0) x (A) (0,0) (2,0) (3,0) x (B)

AxB BxA

Notemos que, como os pares são ordenados, o par (0, 2) é diferente do par (2, 0) e representam
pontos diferentes no plano.

O número de elementos do produto cartesiano A x B, sendo A e B finitos, é dado pela multiplicação


do número de elementos de A pelo número de elementos de B.

Assim, n(A x B) = n(A) . n(B)

Exemplo:
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

Sendo A = {–1, 0, 3, 4} e B = {0, 1, 2, 3, 4, 5}, temos:

• Número de elementos de A é n(A) = 4.

• Número de elementos de B é n(B) = 6.

Logo, o número de elementos de A x B é n(A x B) = 4 x 6 = 24.

1.3 Relação

Em vários momentos, trabalhamos com conjuntos de pares ordenados. Por exemplo, quando
estudamos o movimento de um carro em uma estrada, podemos construir uma tabela com a posição
do carro (S) e o tempo (t):

t ( s) 0 1 2 3 4 5 6
S(m) 0 10 20 30 40 50 60

Temos uma relação entre tempo (t) e distância (S) dada pelos pares ordenados:

{(0, 0), (1, 10), (2, 20), (3, 30), (4, 40), (5, 50), (6, 60)}.

12

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CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Observando o que ocorre com os valores da tabela, podemos escrever uma expressão para encontrar
a posição do carro em um dado tempo S = 10 t.

Definimos relação binária de A em B como todo subconjunto de A x B.

R é uma relação de A em B ⇔ R ⊂ A x B

Exemplo:

Considere os conjuntos A = {0, 1, 2, 3} e B = {0, 1, 2, 4}.

Determine o produto cartesiano A x B e a relação R dada pelos pares ordenados (x, y), tais que y = 2x

Temos:

A x B = {(0, 0), (0, 1), (0, 2), (0, 4), (1, 0), (1, 1), (1, 2), (1, 4), (2, 0), (2, 1), (2, 2), (2, 4), (3, 0), (3, 1),
(3, 2), (3, 4)}

Como a relação é dada por y = 2x, temos:

x y (x, y)
0 2.0=0 (0, 0)

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
1 2.1=2 (1, 2)
2 2.2=4 (2, 4)
3 2.3=6 (3, 6)

Assim, a relação é dada pelo conjunto R = {(0, 0), (1, 2), (2, 4)}.

Podemos também representar a relação por meio de um diagrama ou no plano cartesiano.

Observando o nosso exemplo, temos:

a) Representação por diagramas:

0 0

1 1

2 2

3 4

A B
13

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Unidade I

Cada par ordenado é representado por uma flecha do 1° elemento do par para o 2° elemento do par.

b) Representação no plano cartesiano:

y (B)

(2,4)
4

(1,2)
2

(0,0) 1 2 3 x (A)

2 FUNÇÃO

Uma locadora de automóveis está com uma promoção para essa semana: “alugue um carro pagando
R$ 50,00 por dia mais R$ 1,00 por Km rodado”.

Você precisa alugar um carro para uma pequena viagem e quer saber quanto pagaria por dia pelo
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

aluguel, aproveitando a promoção.

Como saber esse valor, se ele depende dos quilômetros rodados?

Veremos, a seguir, um conceito que permitirá que você responda a questão acima.

Função é uma relação f de A em B, indica-se f: A → B, que obedece às seguintes regras:

• Não há elemento em A sem representante em B.

• Qualquer elemento de A tem um único correspondente em B.

Note que no 2° conjunto podemos ter elementos sem correspondente e também elementos com
mais de um correspondente.

A seguir, temos algumas situações para verificar se são funções ou não, isto é, se satisfazem as duas
condições da definição.

Exemplos:

1) Dados os conjuntos A = {1, 2, 3}; B = {0, 1} e a relação f de A em B dada pelo diagrama,


verifiquemos se f é uma função:
14

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CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Nesse exemplo, notamos que a relação f é uma função, pois obedece às duas regras dadas.

1
0

1
3

A B

2) Sejam A = {0, 1, 2, 3}; B = {0, 2, 4} e consideremos a relação f de A em B dada pelo diagrama a


seguir, verifiquemos se f é uma função:

0 0

1
2

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
2
4
3

A B

Note que a relação f não é uma função, pois não satisfaz a primeira regra, o elemento x = 3 do
conjunto A não tem correspondente no conjunto B.

3) Sejam A = {0, 1}; B = {–1, 0, 1} e a relação f de A em B dada pelo diagrama, verifiquemos se f é


uma função:

0
0

-1

1
1

A B

15

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Unidade I

A relação f não é uma função, pois não satisfaz a 2ª segunda regra, o elemento x = 1 do conjunto
A tem 2 correspondentes em B.

Chamamos de lei de uma função f de A em B a sentença aberta y = f(x) que relaciona os elementos de A e B.

Observação

Nem sempre é prático escrever a lei de uma função, nesses casos


usaremos os pares ordenados.

Exemplos:

1) Sejam A = {–1, 0, 1, 2, 3}; B = {–3, 0, 3, 6, 9} e f a função de A em B dada pelo conjunto


R = {(–1, –3), (0, 0), (1, 3), (2, 6), (3, 9)}, determinemos a lei da função f: A → B:

Notemos que o 2° número de cada par é o triplo do 1° número, assim, podemos escrever a lei de f,
então:

y = 3x ou ƒ(x) = 3x
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

2) Sejam A = {0, 1, 2, 3, 4, 5}; B = {1, 2, 3, 4, 5, 6} e f a função de A em B dada pelo diagrama abaixo,


determinemos a lei da função f: A → B:
f

0 1
1 2
2 3

3 4
4 5
5 6

A B

Comparando os valores dos pares ordenados, notamos que cada elemento de B é o elemento de A
mais 1, assim, podemos escrever a lei de f:

y=x+1 ou ƒ(x) = x+1

3) Sejam A = {1, 2, 3, 4}; B = {0, 5, 6, 10} e f a função de A em B dada pelo diagrama a seguir,
determinemos a lei da função f: A → B:

16

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CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

1 0

2
5
6
3

4 10

A B

Comparando os pares ordenados, não encontramos facilmente uma relação entre os valores, nesse
caso, não escrevemos a lei da função f.

Vamos retornar ao problema do aluguel do carro.

4) Uma locadora de automóveis está com uma promoção para essa semana:

“alugue um carro pagando R$ 50,00 por dia mais R$ 1,00 por quilômetro rodado”.

Você precisa alugar um carro para uma pequena viagem e quer saber quanto pagaria por dia pelo

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
aluguel, aproveitando a promoção.

Como saber esse valor, se ele depende dos quilômetros rodados?

Notemos que o valor a ser pago depende do km rodado, isto é, “está em função do km rodado”.
Temos, então, uma função e queremos estabelecer uma lei para ela, se for possível.

Pensemos inicialmente em alguns casos particulares:

• Andar 10 km – valor do aluguel 50 (fixo) + 1. (10) = 50 + 10 = 60 reais.


• Andar 20 km – valor do aluguel 50 (fixo) + 1. (20) = 50 + 20 = 70 reais.
• Andar 40 km – valor do aluguel 50 (fixo) + 1. (40) = 50 + 40 = 90 reais.

Observando os cálculos que foram feitos, notamos que uma parte é fixa e a outra é o produto de 1
pelos km rodados, podemos, então, representar a quantidade de km rodados pela variável x.

Assim, teremos que a expressão V(x) = 50 + 1x indica, para nós, o valor em função de x, isto é, você
muda o valor de x e, fazendo os cálculos, determina o valor do aluguel.

Por exemplo, se sua viagem for de 90 km, você deverá pagar por um dia de aluguel:
V(90) = 50 + 1. 90 = 140 reais.
17

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 17 24/05/2012 09:40:30


Unidade I

2.1 Elementos de uma função

Se f: A → B é uma função, chamamos o conjunto A de domínio de f e o conjunto B de contra


domínio de f.

Indicamos o domínio de f por Dom f = D (f) = A e o contradomínio CD(f) = B.

Ao conjunto formado pelos elementos de B, que são correspondentes de algum elemento de A,


chamamos de imagem de f e escrevemos Im (f).

Exemplos:

1) Consideremos a função f: A → B representada pelo diagrama abaixo:

f
1
0
2 5
6
3 8
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

4
10

A B

Observando o diagrama, notamos que:

D(f) = {1, 2, 3, 4} = A

CD (f) = {0, 5, 6, 8, 10} = B

Im (f) = {0, 5, 6, 8}

Nem todos os elementos de B são correspondentes de algum elemento de A, por exemplo, 10 está
no contradomínio, mas não está na imagem de f.

Observação

Mesmo sobrando um elemento no conjunto B, temos uma função e,


nesse caso, temos CD (f) ≠ Im (f).

2) Consideremos a função f: A → B representada pelo diagrama a seguir:

18

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 18 24/05/2012 09:40:30


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

f
2
1

2 12

5
6
10

A B

Novamente observando os diagramas, notamos que:

D(f) = {1, 2, 4, 5} = A

CD (f) = {2, 5, 10, 12} = B

Im (f) = {12}

Observação

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Como no exemplo anterior, vemos que existem elementos em B que
não estão no conjunto imagem e novamente temos CD (f) ≠ Im (f).

3) Consideremos a função f: A → B representada pelo diagrama abaixo:


f
3

6
3
9

12

A B

Notamos que:

D(f) = {3, 6, 9, 12} = A

CD (f) = {3} = B

Im (f) = {3} = B

Nesse caso, não sobram elementos em B, isto é, Im (f) = B.


19

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 19 24/05/2012 09:40:30


Unidade I

2.2 Operações com funções

Dadas as funções f e g, podemos fazer as seguintes operações:

adição (ƒ + g) (x) = ƒ(x) + g(x)


subtração (ƒ - g) (x) = ƒ(x) - g(x)
multiplicação (ƒ . g) (x) = ƒ(x) . g(x)
ƒ(x)
divisão (f/g) (x) =
g(x)

Produto por número real (k f)(x) = kƒ(x)

Veja a seguir uma representação da função f composta com g (fog)(x). Calculamos, inicialmente, a
função g em x e depois calculamos f no resultado obtido:

g f

x y = g(x) z = ƒ(g(x))
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

ƒog

Lembrete

Para que possamos calcular a função (fog), devemos ter a imagem de g


igual ao domínio de f.

Observemos que o domínio das funções f + g, f – g, f. g é a intersecção dos domínios de f e g.

O domínio de f / g é a intersecção dos domínios de f e g, menos os pontos no qual g(x) = 0.

O domínio de k f é o mesmo de f.

O domínio de f o g é formado pelos pontos x do domínio de g, tais que g(x) está no domínio de f, isto
é, D(fog) = {x ∈ D(g) | g(x) ∈ D(f)}.

Vejamos agora alguns exemplos, para que você entenda melhor como trabalhar com as funções e
suas operações.

20

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 20 24/05/2012 09:40:30


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Exemplos:

1) Dadas as funções f(x) = –2x – 4 e g(x) = x + 5, determine as funções f + g,

f – g, f. g, f/g, 3f, fog e gof. A seguir, determine o domínio de cada uma delas:

Resolução:

Calculando as funções, temos:

(f + g) (x) = f(x) + g(x) = (–2x – 4) + (x + 5) = –x + 1

(f – g) (x) = f(x) – g(x) = (–2x –4) – (x + 5) = – x – 4 – x – 5 = –3x – 9

(f . g) (x) = f(x) . g(x) = (–2x – 4) . (x + 5) = –2x2 – 14x – 20

f( x ) −2x − 4
(f / g) (x) = =
g( x ) x+5
(3 f) (x) = 3 f(x) = 3 (–2x – 4) = –6x – 12

(fog) (x) = f(g(x)) = f(x + 5) = –2 (x + 5) – 4 = –2x – 14

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
(gof) (x) = g(f(x)) = g(–2x – 4) = (–2x – 4) + 5 = –2x + 1

Como o domínio das funções f e g é IR, temos:

D(f + g) = D(f – g) = D(f . g) = D(3 f)= D(f o g) = D(g o f) = IR

Para determinar o domínio da função (f / g), devemos observar os valores que anulam o denominador,
isto é, resolver a equação x + 5 = 0 e excluir a solução do domínio.

Resolvendo a equação, encontramos x = –5, logo, o domínio da função será todos os reais menos x = –5.

Assim, D(f / g) = IR – {–5}, ou D(f / g) = {x | x ≠ –5}.

2) Dadas as funções f(x) = 3x – 2 e g( x ) = x + 1 , determine as funções f + g,

f – g, f . g, f/g, 3f, fog e gof. A seguir, determine o domínio de cada uma delas:

Resolução:

(f + g) (x) = f(x) + g(x) = (3x – 2) + x +1

21

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 21 24/05/2012 09:40:32


Unidade I

(f – g) (x) = f(x) – g(x) = (3x – 2) – x +1

(f. g) (x) = f(x) . g(x) = (3x – 2). x +1


f( x ) 3x − 2
f / g (x) = =
g( x ) x +1
(3 f) (x) = 3 f(x) = 3 (3x – 2) = 9x – 6

(fog) (x) = f(g(x)) = f( x + 1 ) = 3 x +1 – 2

(gof) (x) = g(f(x)) = g(3 x – 2) = (3x − 2) + 1 = 3x − 1

O domínio da função f é IR e o domínio da função g é D(g) = {x | x ≥ –1}, pois a função tem uma
raiz quadrada e devemos ter a expressão x + 1 ≥ 0, isto é, x ≥ –1.

Assim, pelas expressões das funções f + g, f – g, f . g e fog, todas têm o mesmo domínio de g, isto é:

D(f+g) = D(f – g) = D(f. g) = D(fog) = {x | x ≥ –1}.

A função (3f) tem o mesmo domínio de f, isto é, D(3f) = IR.


Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

A função gof tem em sua expressão a raiz quadrada de 3x – 1, assim, para determinar o seu domínio,
devemos ter a expressão 3x – 1 ≥ 0, daí 3x ≥ 1, logo, D(g o f) = {x | x ≥ 1/3}.

A função (f / g) tem em seu denominador a raiz quadrada de x – 1, assim, a expressão x – 1 > 0, logo,
D(f / g) = {x | x > –1}. Note que o valor x = –1 não está no domínio de f / g, pois zera o denominador.

2.3 Gráfico

Muitas vezes, encontramos em livros, jornais e revistas gráficos representando alguma situação. Veja
os exemplos a seguir:

O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil mede o crescimento econômico do país e é calculado a partir
da soma de todos os bens e serviços produzidos em um dado período. No Brasil, desde 1990, o IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é o único responsável pelo cálculo desse índice.

A carga tributária é formada por impostos diretos – que incidem sobre a renda e o patrimônio – e
por impostos indiretos – que incidem sobre o consumo.

O gráfico a seguir mostra a relação entre a carga tributária anual no Brasil e o nosso PIB:

22

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 22 24/05/2012 09:40:33


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Gráfico 1 – Carga tributária anual – Brasil

% do PIB
37,00

29,60

22,20

14,80

7,40

0,00
1939

1952

1958

1964

1970

1976

1982

1988

1994

2000
2007
Fonte: www.ibge.com.br

Esse gráfico mostra a carga tributária no Brasil, indicando anualmente o percentual do PIB que ela
representa, no período de 1939 a 2007.

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
A seguir, temos outro gráfico que também mostra como utilizar a representação gráfica para
representar uma situação de forma simplificada:

Gráfico 2 – Taxa de abandono escolar no Ensino Médio

13,00

10,40

7,80

5,20

2,60

0,00
1999 2000 2001 2003 2004 2005
Abrangência: Estados
Unidade territorial: São Paulo
Categorias: médio
Unidade: percentual

Fonte: www.ibge.com.br

23

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 23 24/05/2012 09:40:33


Unidade I

Nesse gráfico, temos dados sobre as taxas de abandono escolar nas turmas do Ensino Médio do
estado se São Paulo, entre os anos de 1999 e 2005.

Observando o gráfico, é possível tirar várias informações, por exemplo, a taxa de abandono escolar
em um determinado ano, ou se a taxa de abandono escolar diminuiu ou aumentou em determinado
período.

Note que é uma forma prática de mostrar o que se quer, mesmo que não se saiba a expressão
matemática relacionada ao gráfico. De forma simples, representamos o que queremos.

Vejamos, então, o que é e como construir o gráfico de uma função.

Ao conjunto dos pares ordenados que representam a função no plano cartesiano, chamamos de
gráfico de f, isto é, a figura desenhada no plano cartesiano.

Exemplos:

1) Consideremos a função f de A em B, definida pela lei f(x) = x + 3, com

A = {–3, –2, –1, 0} e B = {–2, –1, 0, 1, 2, 3}. Construir o gráfico de f:


Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

Resolução:

Para construir o gráfico da função, vamos determinar a imagem dos pontos do domínio montando
a tabela de valores de x e y = f(x):

x y (x,y)
-3 -3 + 3 = 0 (-3,0)
-2 -2 + 3 = 1 (-2,1)
-1 -1 + 3 = 2 (-1,2)
0 -0 + 3 = 3 (0,3)

Colocando esses pares ordenados no plano cartesiano, temos:


y (B)

-3 -2 -1 0 x (A)

24

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 24 24/05/2012 09:40:33


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Lembrete

O domínio de f é um conjunto com 4 elementos, assim o gráfico de f


será formado por 4 pontos isolados, não podemos unir os pontos.

Geralmente, trabalhamos com funções com domínio real e contradomínio real, então os seus gráficos
serão linhas unindo os pontos do plano cartesiano.

Vejamos no próximo exemplo:

2) Seja f: IR → IR, dada pela expressão f(x) = 2 x, construir o gráfico de f:

Como o domínio de f é IR (infinitos valores), para encontrar o gráfico de f devemos montar uma
tabela com alguns valores do domínio. Assim, escolhendo alguns valores de x para a nossa tabela,
temos:

x y = ƒ(x) = 2 x (x,y)
-1 2 . (-1) = -2 (-1,-2)
0 2 . (0) = 0 (0,0)

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
1 2 . (1) = 2 (1,2)
2 2.2=4 (2,4)

Representando no plano cartesiano e unindo os pontos, temos:


y

2
1

-1 0 1 2
-1
-2

Lembrete

O domínio de f é o conjunto dos reais, assim, no gráfico de f serão


formados infinitos pontos.

25

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 25 24/05/2012 09:40:33


Unidade I

Nesse caso, devemos unir os pontos do gráfico da função, que é uma reta.

3) Construir o gráfico da função y = x2, sendo seu domínio e seu contradomínio o conjunto dos
reais.

Inicialmente, montemos uma tabela com alguns valores de x:

x y = x2 (x,y)
-2 (-2) = 4
2
(-2,4)
-1 (-1) = 1
2
(-1,1)
0 02 = 0 (0,0)
1 12 = 1 (1,1)
2 2 =4
2
(2,4)

Substituindo os pontos no plano cartesiano e unindo os pontos, temos o gráfico da função f(x) =
x:2

y
4
y=x^2
3
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

-2 -1 1 2 3 4 5
-1

Lembrete

Novamente, unimos os pontos, pois o domínio da função é real.

Da mesma forma que podemos, por meio da lei da função ou de uma tabela de pontos, montar o
gráfico, é possivel fazer o contrário também, isto é, dado um gráfico, montar uma tabela com os pontos
da função.

2.4 Funções par e ímpar

Definimos como função par toda função, tal que f(–x) = f(x) para qualquer x do seu domínio. E
função ímpar toda função, tal que f(–x) = –f(x), para qualquer x de seu domínio.

26

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 26 24/05/2012 09:40:33


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Uma função par tem seu gráfico simétrico em relação ao eixo y e uma função ímpar tem seu gráfico
simétrico em relação à origem.

Exemplos:

Considere as funções a seguir e decida se são par ou ímpar:

a) f(x) = x2

Para saber se a função é par ou não, devemos calcular f(–x) e comparar com f(x).

Assim:

f(–x) = (–x)2 = x2 = f(x), temos que f(x) = x2 é uma função par.

b) f(x) = x3

f(–x) = (–x)3 = –x3 = –f(x), temos que f(x) = x3 é uma função ímpar.

c) f(x) = x3 + 1

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
f(–x) = (–x)3 + 1 = –x3 + 1, então a função f(x) = x3 + 1 não é par e não é ímpar.

2.5 Tipos de funções

• Função sobrejetora

f: A → B é sobrejetora, se e somente se Imf = CD f:

f sobrejetora ⇔ Imf = CD f

• Função injetora

f: A → B é injetora, se e somente se valores diferentes do domínio têm imagem diferentes:

f injetora ⇔ x1 ≠ x2 ⇒ f(x1) f(x2)

• Função bijetora

f: A → B é bijetora, se e somente se f é sobrejetora e injetora:

f bijetora ⇔ f é sobrejetora e injetora

27

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 27 24/05/2012 09:40:33


Unidade I

Exemplos:

Determinar o tipo das funções a seguir:

a) f: IR → IR, f(x) = x + 3

A função tem domínio e contradomínio reais, como a imagem de f também é real, temos que
f(x) = x + 3 é função sobrejetora.

Para determinarmos se f é injetora, consideremos a e b dois valores quaisquer do domínio, com


a ≠ b, daí:

f(a) = a + 3 e f(b) = b + 3, mas logo f(a) ≠ f(b).

Então, f é injetora e, portanto, é bijetora.

b) f: IR → IR, f(x) = x2

Não é sobrejetora, pois Imf = { x | x > 0} = IR+ e CD f = IR, isto é, Imf ≠ CD f.

Não é injetora, pois para a = 1 e b = –1 são dois valores diferentes do domínio, temos:
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

f(a) = f(1) = 12 = 1 e f(b) = f(–1) = (–1)2 = 1, isto é, f(a) = f(b).

Observação

Nossa função, então, não é injetora e não é sobrejetora.

Lembrete

Notemos, no entanto, que se o contradomínio da função for alterado


de forma conveniente, podemos transformar nossa função em uma função
sobrejetora, basta definir a função de IR em IR+.

2.6 Função inversa

Seja f uma função bijetora de A em B, chamamos de inversa de f a função g bijetora de B em A, tal


que fog (x) = x e gof (x) = x.

Notação: f –1(x) representa a inversa da função f.

28

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 28 24/05/2012 09:40:33


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Exemplos:

Determinar a inversa das funções:

Observação

Para determinar a inversa de uma função, você deve isolar o valor de x


e depois trocar as posições das letras x e y, a nova expressão será a função
inversa.

a) f: IR → IR, definida por f(x) = 2x – 5 ou y = 2x – 5, função bijetora.

Isolando o valor de x, temos:

y + 5
2x=y+5 ⇒ x =
2
x + 5
Trocando x e y de posição, temos: y =
2
x + 5
Logo, f -1(x) = é a inversa de f e f –1: IR → IR.
2

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
b) f: IR+ → IR+, definida por f(x) = x2 ou y = x2

A função é bijetora.

Isolando o valor de x, temos:

x2 = y ⇒ x = y

Trocando x e y de posição, temos: y = x

Logo, f -1(x) = x é a inversa de f e f –1: IR+ → IR+

A seguir, você encontrará alguns exemplos para que possa perceber melhor as várias possibilidades
apresentadas na teoria.

Lembrete

Estude atentamente os exemplos apresentados e, a seguir, tente refazê-los.

29

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 29 24/05/2012 09:40:36


Unidade I

2.7 Ampliando seu leque de exemplos

1) Determinar o conjunto que representa os elementos do produto cartesiano A x B, sendo


A = {–1, 0, 1} e B = {1, 2}

Resolução:

Lembrando que o produto cartesiano é formado pelos pares ordenados, no qual o primeiro elemento
é do conjunto A e o segundo é do conjunto B, teremos:

A x B = {(–1, 1), (–1, 2), (0, 1), (0, 2), (1, 1), (1, 2)}.
5x
2) Determinar o domínio da função f(x) =
3x − 9
Resolução:

Encontrar o domínio da função é indicar os valores que podem ser substituídos no lugar de x.

A nossa função possui uma fração e tem x tanto no numerador quanto no denominador. Observando
o numerador, notamos que não há restrição, porém, o denominador deve ser diferente de zero.
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

3x – 9 ≠ 0 ⇒ 3 x ≠ 9 ⇒ x ≠ 3.

Assim, o conjunto domínio de f será dado por:

Df = { x ∈ IR / x ≠ 3} ou podemos também escrever Df = IR – { 3 }.


1 
+1
3) Sendo f(x) =  x  , calcular o valor de f (½)
x
Resolução:

Para calcular o valor de f (½), devemos substituir o valor x = ½ na expressão, teremos:

 1 
 1 + 1 2 +1
2
f( 12 ) = 1
= 1
=3 . 2 = 6
2 2

Logo, f (½) = 6.

4) Sendo f(x) = –4x + 5 e g(x) = x2 + 2x, determinar a soma das funções, isto é, determinar o valor
de (f + g) (x)

30

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 30 24/05/2012 09:40:37


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Resolução:

Sabemos que para determinar (f + g) (x), devemos somar os resultados de f e de g, então:

(f + g) (x) = –4x + 5 + x2 + 2x

Somando os termos correspondentes, ficamos com:

(f + g) (x) = x2 – 2x + 5

5) Sendo f(x) = –4x + 5 e g(x) = x2 + 2x, determinar o valor de (2f – g) (1)

Resolução:

Agora, queremos saber não só o valor de 2f – g mas também quanto ele vale quando x = 1.

Para determinar 2f – g, vamos inicialmente determinar 2f, depois encontrar a expressão para 2f – g
e só então substituir o valor de x.

Sabemos que para determinar (2f)(x), devemos multiplicar f(x) = –4x + 5 por 2, assim, ficamos com
(2 f)(x) = 2. (–4x + 5) = – 8x + 10.

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Temos:

(2 f – g)(x) = (2 f) (x) – g(x) = –8x + 10 – (x2 + 2x) = –x2 – 10x + 10.

Não acabamos o exercício, ainda falta encontrar o valor da função para x = 1. Substituindo x por 1,
temos:

(2 f – g)(1) = – (1)2 – 10. 1 + 10 = –1 – 10 + 10 = –1.

Observação

Poderíamos ter resolvido esse exercício, calculando o valor de (2f)(1) e


o de g(1) e depois efetuando a conta (2f – g)(1). Refaça o exercício desta
outra forma e compare o procedimento e o resultado.

6) Dadas as funções f(x) = 3x + 2 e g(x) = x2, determinar o valor de (f o g) (x)

Resolução:

Sabemos que a função composta (f o g) (x) é igual a f(g(x)), isto é, (f o g) (x) = f(g(x)), devemos
substituir a expressão de g no lugar de x em f(x), assim, temos:
31

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 31 24/05/2012 09:40:37


Unidade I

(f o g) (x) = f(g(x)) = f(x2) = 3 (x2) + 2 = 3x2 + 2.

7) Uma função é par se f(–x) = f(x), verifique qual das funções é par:

a) f(x) = x + 5

b) f(x) = x2

c) f(x) = x2 + 5x

Resolução:

Conforme a definição, devemos calcular f(–x) e comparar com f(x) para podermos decidir se a função
é par ou ímpar.

a) Para a função f(x) = x + 5, temos:

f(–x) = (–x) + 5 = – x + 5 ≠ f(x), logo, a função não é par.

b) Para a função f(x) = x2, temos:


Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

f(–x) = (–x)2 = x2 = f(x), logo, a função é par.

c) Para a função f(x) = x2 + 5x, temos:

f(–x) = (–x)2 + 5 (–x) = x2 – 5x ≠ f(x), logo, a função não é par.

Assim, a única das funções que é par é f(x) = x2.

8) Sabendo que f(x – 1) = 2x, determine o valor de f(2)

Resolução:

Para determinar o valor de f(2), devemos descobrir qual o valor de x que torna x – 1 = 2. Resolvendo
a equação, encontramos x = 3.

Calculando o valor de f(x – 1) quando x = 3, temos:

f (3 – 1) = 2. 3 = 6, logo, f(2) = 6.

32

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 32 24/05/2012 09:40:37


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Lembrete

O mesmo procedimento se aplica a qualquer outro valor que você queira


determinar, basta descobrir o valor de x e substituir na expressão.

9) Determinar a inversa da função f(x) = 5x + 1

Resolução:

Para determinar a inversa de uma função, devemos substituir f(x) por y e trocar as posições de x e y
na lei que define a função, depois isolar o valor de y.

Assim:

f(x) = 5x + 1 ⇒ y = 5x + 1

Trocando as posições de x e y, vem:

x = 5y + 1

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Isolando y, encontramos:
−x + 1 x 1
x = 5y + 1 ⇒ – 5y = – x + 1 ⇒ x = 5y + 1 ⇒ −5y = − x + 1 ⇒ y = ⇒y= −
−5 5 5
x 1
Logo, f –1 (x) = f −1( x ) = −
5 5
10) Sabendo que uma função é bijetora se for injetora e sobrejetora, verifique qual das funções a
seguir é bijetora:

a) f: IR → IR, tal que f(x) = x2 + 2x.

b) f: IR → IR, tal que f(x) = x + 1.

c) f: IR → IR, tal que f(x) = 3.

d) f: IR → IR, tal que f(x) = sen(x).

Resolução:

Lembrando: uma função é injetora se valores diferentes de x vão a valores diferentes de y, e uma
função é sobrejetora se o seu contradomínio é igual ao seu conjunto imagem.

33

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 33 24/05/2012 09:40:38


Unidade I

Vamos utilizar o gráfico das funções para saber se são injetoras e sobrejetoras.

Esboçando o gráfico das funções, temos:

a) f : IR → IR, f(x) = x2 + 2x

y=x^2-2x y

-3 -2 -1 1

-1

Observando o gráfico da função, notamos que quando x = 0 e quando x = –2, temos f(0) = f(–2) =
0, logo, a função não pode ser injetora e, portanto, não será bijetora.
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

Observação

Esta função também não é sobrejetora, pois seu contradomínio é IR,


mas sua imagem é formada pelos valores de y maiores que o y do vértice,
yv = –1, logo, Im f = { y ∈IR / y ≥ –1}.

b) f : IR → IR, f(x) = x + 1
y

–1 0 x

Observando o gráfico da função, notamos que a função é injetora e também sobrejetora, logo, será
bijetora.

c) f : IR → IR, f(x) = 3

34

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 34 24/05/2012 09:40:38


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

–2 –1 0 2 x

A função é constante, logo seu gráfico é paralelo ao eixo x, passando em y = 3. Essa função não é
injetora, pois para todos os valores de x, temos a mesma imagem, y = 3.

Logo, a função não pode ser bijetora.

Observação

Nesse caso, a função também não é sobrejetora, pois seu contradominio


é IR mas sua imagem é Im f = {3}.

d) f : IR → IR, f(x) = sen x

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
y
2 y=sen(x)

1 π 2π
–π 3π/2
2 x

–3 –2 –1 π/2
1 2 3 4 5 6 7
–1

Observando o gráfico da função seno, notamos que não é injetora, pois existem vários valores
de x que têm a mesma imagem, por exemplo, para x = 0 e x = π, temos a mesma imagem, isto é,
f(0) = f(π) = 0.

Logo, não é bijetora.

Observação

Nesse caso, a função também não é sobrejetora, pois seu contradomínio


é IR, mas sua imagem é o intervalo [–1, 1], isto é, Im f = [–1, 1].

35

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 35 24/05/2012 09:40:38


Unidade I

3 FUNÇÕES POLINOMIAIS

Estudaremos agora algumas funções polinomiais importantes.

3.1 Função de 1° grau

3.1.1 Função de 1° grau (ou função afim)

É toda função f: IR → IR, dada por:

f(x) = a x + b, com a ∈ IR, a ≠ 0 e b ∈ IR.

Os valores de a e b são chamados de coeficientes da função:

a: coeficiente angular
b: coeficiente linear

Quando b = 0, a função de 1° grau f(x) = ax é chamada função linear.

Quando b = 0 e a = 1, a função de 1° grau f(x) = x é chamada função identidade.


Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

Exemplos:

Determinar se as funções a seguir são lineares ou afins, e identificar os coeficientes angular e


linear:

1) A função f(x) = 4x + 5 é uma função afim:

a = 4, coefiente angular

b = 5, coeficiente linear

2) A função y = –3x é uma função linear:

a = –3, coeficiente angular

b = 0, coeficiente linear

3) A função y = – x – 3 é uma função afim:

a = –1, coeficiente angular

b = –3, coeficiente linear

36

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 36 24/05/2012 09:40:38


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

3.1.2 Gráfico

O gráfico de uma função de 1° grau é sempre uma reta.

Lembrete

Bastam 2 pontos para determinar uma reta, assim, você deve encontrar
dois pontos da função, representar no plano cartesiano e unir os pontos.

Exemplos:

1) Traçar o gráfico das funções lineares:

a) y = –2x

Você deve escolher pelo menos dois valores para x e calcular f(x), nesse caso, escolhemos x = 0 e x = 1:

x y = - 2x (x,y)
0 y=-2.0=0 (0,0)
1 y = - 2 . 1 = -2 (1,-2)

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
y
y = -2x

0 1 x

-2

b) y = 3x

x y = 3x (x,y)
0 y=3.0=0 (0,0)
1 y=3.1=3 (1,3)

y
y = 3x
3

0 1 x

37

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 37 24/05/2012 09:40:39


Unidade I

c) y = x

Nesse exemplo, vamos escolher outros valores para x, assim, você não vai concluir que só podemos
colocar para x valores iguais a 0 e 1:

x y=x (x,y)
0 y=0=0 (0,0)
1 y=1 (1,1)

y
y=x

–1
0 1 x

Observação

A reta que representa a função linear sempre passa na origem, isto é,


no ponto (0, 0).
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

2) Traçar o gráfico das funções de 1° grau:

a) y = 2x + 4

Ao invés de escolhermos dois valores quaisquer de x, vamos calcular os cortes da reta com os eixos,
isto é:

x = 0 ⇒ y = 2. 0 + 4 = 4

y = 0 ⇒ 0 = 2x + 4 ⇒ 2x = –4 ⇒ x = –2

Logo, a reta corta o eixo x em x = –2 e o eixo y em y = 4.

Graficamente, temos:
y y = 2x + 4
4
corte em y
corte em x

-2 0 x

38

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 38 24/05/2012 09:40:39


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

b) y = –3x + 6

x = 0 ⇒ y = –3 . 0 + 6 = 6

y = 0 ⇒ 0 = 3 – x + 6 ⇒ 3x = 6 ⇒ x = 2

Graficamente, temos:

y = 3x + 6 y
4
corte em y

corte em x

2 x

3.1.3 Crescimento da função de 1° grau

O coeficiente angular da função de 1°grau indica se nossa função é crescente ou decrescente.

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
decrescente (a < 0) e crescente (a > 0)

Exemplos:

a) y = –4x + 5 é uma função decrescente, pois a = –4 < 0.

b) y = 3x – 6 é uma função crescente, pois a = 3 > 0.

c) y = 2x é uma função crescente, pois a = 2 > 0.

d) Graficamente, para verificar se uma função de 1º grau é crescente ou decrescente utilizando o seu
gráfico, devemos observar a sua inclinação, assim:
y y

0 x 0 x

decrescente crescente
(inclinação à esquerda) (inclinação à direita)

39

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 39 24/05/2012 09:40:39


Unidade I

3.1.4 Sinais da função

Muitas vezes, queremos saber o intervalo no qual a função y = a x + b é positiva e no qual é negativa.
Para isso, devemos determinar x0 raiz da equação ax + b = 0 e observar a inclinação da reta.

Temos:

+ - - +
X0 x X0 x

a < 0 - inclinação à a > 0 - inclinação à


esquerda; decrescente direita; crescente

Resumindo
sinal contrário à a sinal de a

X0 x

Exemplos:
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

Determinar os sinais das funções:

a) y = –4x + 12

Determinando a raiz da função, temos:

–4x+12=0 ⇒ x=3

Como a = –4 < 0, a reta tem inclinação para a esquerda, assim:

ƒ(x) > 0 se x < 3


ƒ(x) < 0 se x > 3
+ -
ƒ(x) = 0 se x = 3 3 x

b) y = 3x – 15

Determinando a raiz da função, temos:

3x–15=0 ⇒ x=5

40

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 40 24/05/2012 09:40:39


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Como a = 3 > 0, a reta tem inclinação para a direita, assim:

ƒ(x) > 0 se x > 5


ƒ(x) < 0 se x < 5
- +
5 x
ƒ(x) = 0 se x = 5

3.2 Função constante

Toda função dada por f(x) = c, no qual c é uma constante, é chamada função constante. Seu gráfico
será uma reta paralela ao eixo x, passando pelo ponto (0, c).

Exemplos:

Esboçar o gráfico das funções:

a) f(x) = 2 (ou y = 2)

Vamos montar uma tabela com alguns valores de x, assim:

x y=2 (x,y)

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
0 y=2 (0,2)
1 y=2 (1,2)
2 y=2 (2,2)
3 y=2 (3,2)

Quando colocados esses valores no sistema cartesiano, obtemos a reta paralela ao eixo x passando
pelo ponto (0, 2):
y

2 y=2
corte em y

0 1 2 3 x

b) f(x) = –3 (ou y = –3)

Notemos que não é necessária a construção da tabela de pontos, basta traçar uma reta paralela ao
eixo x passando pelo ponto (0, –3):

41

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 41 24/05/2012 09:40:39


Unidade I

0 x

y = -3
-3

Saiba mais

Para ver uma aplicação de função do 1º grau em economia, assista ao


vídeo

<http://www.youtube.com/watch?v=NsOLoXAIo7g>.

4 FUNÇÃO QUADRÁTICA (OU DE 2° GRAU)

Se jogamos para o alto um objeto a partir do chão e observamos a sua trajetória, notamos que o
objeto sobe até um determinado ponto e depois começa a cair até retornar ao chão. Representando a
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

sua trajetória graficamente, temos:


S

O gráfico fornece várias informações sobre o movimento do objeto, por exemplo: a altura máxima
atingida, tempo para retornar ao solo, o tempo necessário para atingir a altura máxima.

Esse gráfico, uma parábola, é o gráfico de uma função do 2º grau.

Vamos agora estudar as funções quadráticas, ou de 2º grau, isto é, uma função dada pela relação:

y = ax2 + bx + c, com a, b, c números reais e a ≠ 0

Exemplos:

a) f(x) = 3x2 + 2x + 1 é uma função quadrática completa, com a = 3, b = 2 e c = –1.

b) y = –5x2 + 10x é uma função quadrática incompleta, pois tem a = –5, b = 10 e c = 0.

42

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 42 24/05/2012 09:40:39


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

c) f(x) = 10x2 é uma função quadrática incompleta, pois tem a = 10, b = 0 e c = 0.

d) y = 2x2 – 6 é uma função quadrática incompleta, com a = 2, b = 0, c = –6.

4.1 Gráfico

O gráfico de uma função do 2° grau é sempre uma parábola que pode ser obtida por uma tabela de
pontos ou por meio dos cortes nos eixos coordenados e de seu vértice.

Para determinarmos os cortes, devemos:

• No eixo x: ⇒ encontrar as raízes da equação de 2° grau correspondente.

• No eixo y: ⇒ determinar o valor de y, quando x = 0.


−b −∆
Para as coordenadas do vértice, usaremos a fórmula: x v = e yv =
2. a 4. a
4.2 Concavidade

A parábola terá concavidade para cima ou para baixo, dependendo do sinal de a. Assim:

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
a > 0 ⇔ concavidade para cima

a < 0 ⇔ concavidade para baixo

a>0 a<0

Exemplos:

Esboçar o gráfico das funções de 2°grau:

a) y = –x2 + 2x + 3

Inicialmente, vamos destacar os valores de a, b e c, assim:

a = –1 < 0 (concavidade para baixo), b = 2 e c = 3.

Utilizando a tabela de pontos, vamos determinar valores do gráfico de y, como é uma parábola, não
bastam 2 pontos para a construção, serão necessários mais valores, assim, escolhemos 4 valores de x:

43

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 43 24/05/2012 09:40:39


Unidade I

x y = –x2 + 2x + 3 (x, y)
–1 y = – (–1)2 + 2(–1) + 3 = 0 (–1, 0)
0 y = –02 + 2 . 0 + 3 = 3 (0, 3)
1 y = –12 + 2 . 1 + 3 = 4 (1, 4)
2 y = –22 + 2 . 2 + 3 = 3 (2, 3)

Colocando esses pontos nos eixos coordenados, temos:

y (1,4)
4
(0,3) (2,3)

1
(1,0) x

-3 -2 -1 1 2 3 4
-1
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

Lembrete

Você pode escolher outros valores para x e também pode fazer a tabela
com mais pontos e mais valores, melhor qualidade do gráfico.

b) y = x2 + 2x + 1

Agora, vamos esboçar o gráfico da função sem a utilização de tabela de pontos.

Inicialmente, devemos identificar os valores de a, b e c:

a = 1 > 0 (concavidade para cima), b = 2 e c = 1.

Calculemos agora os cortes nos eixos:

Eixo x: ⇒ devemos resolver a equação x2 + 2 x + 1 = 0:

∆ = b2 − 4.a.c
∆ = 22 − 4.1.1 = 4 − 4 = 0
−b ± ∆ −2 ± 0
x= = = −1
2.a 2. 1

44

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 44 24/05/2012 09:40:40


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Corta o eixo no ponto (–1, 0).

Eixo y: ⇒ para x = 0, temos y = 02 + 2. 0 + 1 = 1.

Corta o eixo no ponto (0, 1).


−b −2
Coordenadas do vértice ⇒ x v = = = −1
2. a 2
− ∆ −0
yv = = =0
4. a 4
V = (–1, 0).

Colocando todos os dados no sistema cartesiano, temos:

y
3

1
x

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
-3 -2 -1 1 2

c) y = x2 – 4

Inicialmente, devemos identificar os valores de a, b e c:

a = 1 > 0 (concavidade para cima), b = 0 e c = –4

Calculemos agora os cortes nos eixos:

Eixo x: ⇒ devemos resolver a equação x2 – 4 = 0:

∆ = b2 − 4.a.c
∆ = 02 − 4.1.( −4 ) = 16
−b ± ∆ −0 ± 16 ±4
x= = = = ±2
2.a 2. 1 2

Corta o eixo nos pontos (–2, 0) e (2, 0).

Eixo y ⇒ para x = 0, temos y = 02 – 4 = –4.

45

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 45 24/05/2012 09:40:41


Unidade I

Corta o eixo no ponto (0, –4).


−b 0
Coordenadas do vértice ⇒ x v = = =0
2. a 2
− ∆ −16
yv = = = −4
4. a 4
V = (0, –4).

Substituindo todos os pontos no plano cartesiano, temos:

y
2

1
x

-3 -2 -1 1 2 3
-1

-2

-3
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

-4

d) y = x2 + 3x

Identificando os valores de a, b e c, temos:

a = 1 > 0 (concavidade para cima), b = 3 e c = 0

Calculemos agora os cortes nos eixos:

Eixo x: ⇒ devemos resolver a equação x2 + 3 x = 0:

∆ = b2 − 4.a.c
∆ = 32 − 4.1.(0) = 9
 −3 + 3
 x1 = =0
−b ± ∆ −3 ± 9 −3 ± 3  2
x= = = =
2.a 2. 1 2 x = −3 − 3 = −3
 1 2

Corta o eixo nos pontos (0, 0) e (–3, 0).

46

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 46 24/05/2012 09:40:43


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Eixo y: ⇒ para x = 0, temos y = 02 + 3. 0 = 0.

Corta o eixo no ponto (0, 0).


−b −3
Coordenadas do vértice ⇒ x v = = = −1.5
2. a 2
− ∆ −9
yv = = = −2.25
4. a 4
V = (1.5, 2.25).

y
1
x
-1,5
-4 -3 -2 -1 1
-1

-2
-2,25

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Saiba mais

Para saber mais sobre Baskara, acesse:

<http://www.pucrs.br/edipucrs/erematsul/comunicacoes/
26KAMILACELESTINO.pdf>.

4.3 Sinais da função

Queremos saber o intervalo no qual a função y = ax2 + bx + c é positiva e negativa.

Inicialmente, resolvemos a equação a x2 + b x + c = 0 e determinamos as suas raízes:

∆ < 0 ⇒ não existe raiz real


mesmo sinal de a
x

∆ > 0 ⇒ duas raízes reais


mesmo sinal de a contrário de a mesmo sinal de a
x1 x2

47

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 47 24/05/2012 09:40:44


Unidade I

∆ = 0 ⇒ existe 1 raiz real


mesmo sinal de a mesmo sinal de a
x1

Exemplos:

Determinar o sinal das funções:

a) y = x2 – 2x + 1

A equação tem uma raiz real x 1 = 1, pois ∆=0.

Como a = 1 > 0, temos:


+ +

f ( x ) > 0 ⇔ x ≠ 1
Logo, 
f ( x ) = 0 ⇔ x = 1
b) y = x2 – x – 2
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

A equação tem duas raizes reais x1 = –1 e x2= 2, pois ∆=9>0.

Como a = 1 > 0, temos:


+ — +
—1 2 x

f( x ) > 0 ⇔ x > 2 ou x < -1


Logo, f( x ) = 0 ⇔ x = −1 ou x = 2
f( x ) < 0 ⇔ −1 < x < 2

c) y = –x2 + 2 x – 2

A equação não tem raiz real, pois ∆= –4<0.

Como a = –1 < 0, temos:


— —
x

Logo, f(x) < 0 para todo x.


48

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 48 24/05/2012 09:40:45


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

4.4 Ampliando seu leque de exemplos

1) Dada a função f(x) = 3x + 5, determine os zeros da função e seu crescimento:

Resolução:

Para determinar os zeros da função, devemos determinar o valor de x, tal que f(x) = 0.

Assim:

3x + 5 = 0 ⇒ 3x = –5 ⇒ x = –5/3. O zero da função será x = –5/3.

Segundo a teoria para verificar o crescimento da função, devemos ver o sinal de a, coeficiente de x,
nesse caso, a = 3 > 0, logo, a função é crescente.

2) Seja f: IR → IR, tal que f(x) = –x 2 + mx + n, se o gráfico de f passa pelos pontos (0, 2) e (1, 3),
determinar os valores de m e n:

Resolução:

Sabemos que se o gráfico da função passa por um ponto, podemos substituir os valores na expressão

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
de f(x) e o resultado será verdadeiro, isto é:

Ponto (0, 2) significa que para x = 0, temos f(0) = 2.

Ponto (1, 3) significa que quando x = 1, temos f(1) = 3, substituindo esses valores na expressão de
f(x), encontramos o sistema:

 −02 + m . 0 + n = 2 n = 2
 2 ⇒
 −1 + m . 1 + n = 3  −1 + m + n = 3

Resolvendo o sistema, temos n = 2 e m = 2.

Observação

A expressão –x2 indica que somente o valor de x será elevado ao


quadrado, o sinal de menos permanece.

3) Considere a função y = x 2 – 8x + 15, determine o intervalo no qual y < 0:

49

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 49 24/05/2012 09:40:45


Unidade I

Resolução:

Para determinar os sinais da função, devemos inicialmente encontrar os zeros de f, para isso, vamos
igualar a expressão a zero.

Resolvendo a equação x 2 – 8x + 15 = 0, temos:

∆=b2 –4 . a . c = (–8)2 –4 . 1 . 15 = 64 – 60 = 4

Calculando as raízes:

−b ± ∆ −( −8) ± 2 8 ± 2
x= = =
2a 2 2
8 + 2 10 8−2 6
Teremos: x1 = = = 5 e x2 = = =3
2 2 2 2
Vamos agora colocar esses valores na reta e estudar os sinais de f conforme o sinal de a. Nesse caso,
a = 1 > 0:
+ — +
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

m/m a contrário de a m/m a


3 5

Assim, teremos y < 0 para valores de x entre as raízes (zeros da função), isto é, no intervalo aberto
]3, 5[.

Lembrete

O intervalo deve ser aberto, pois nos pontos x = 3 e x = 5, temos y = 0.

Resumo

Nessa unidade, vimos o conceito de função e seus elementos. Por


meio de alguns exemplos, você pode notar que esse conceito está no seu
cotidiano, embora a expressão matemática nem sempre apareça.

Vejamos a seguir um resumo dos itens estudados.

Operações com funções:

adição (f + g) (x) = f(x) + g(x)

50

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 50 24/05/2012 09:40:46


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

subtração (f - g) (x) = f(x) - g(x)

multiplicação (f. g) (x) = f(x). g(x)


f( x )
divisão (f / g)( x ) =
g( x )
composição (fog)(x) = f(g(x))

produto por número real k (k f) (x) = k f (x)

função par: f(-x) = f(x), ∀ x ∈ Df

função ímpar: f(-x) = - f(x), ∀ x ∈ Df

função sobrejetora: f: A → B é sobrejetora ⇔ Imf = Df

função injetora: f injetora ⇔(x1 ≠ x2 ⇒ f(x1) ≠ f(x2)

função bijetora: injetora e sobrejetora

Função de 1° grau (ou função afim):

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
f(x)=ax + b, com a ∈ IR, a ≠ 0 e b ∈ IR

função linear: f(x) = a x

função identidade: f(x) = x

Função de 2° grau:

y = a x2 + b x + c

O seu gráfico é uma parábola com concavidade para cima, se a > 0 e


para baixo e a < 0 –

fórmula de Baskara:
−b ± ∆
∆ = b2 –4.a.c x=
2.a

−b −∆
Coordenadas do vértice: xv = e yv =
2.a 4.a

51

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 51 24/05/2012 09:40:48


Unidade I

Exercícios

Questão 1 (ENEM/2007) O gráfico abaixo, obtido a partir de dados do Ministério do Meio


Ambiente, mostra o crescimento do número de espécies da fauna brasileira ameaçadas de
extinção:

461
Número de espécies ameaçadas de extinção

239

1983 1987 1991 1995 1999 2003 2007 ano


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Se mantida pelos próximos anos, a tendência de crescimento mostra no gráfico o número de espécies
ameaçadas de extinção. Em 2011, será igual a:

(A) 465

(B) 493

(C) 498

(D) 838

(E) 899

Resposta correta: Alternativa (C)

Análise das alternativas:

A partir do gráfico, podemos obter o coeficiente angular (a) da reta. Logo:

52

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 52 24/05/2012 09:40:48


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

∆y y2 − y1 461 − 239 222 111


a= = = = =
∆x x2 − x1 2007 − 1983 24 12

Então:

111
a=
12

Assim, podemos encontrar a equação da reta que representa a função do 1o grau:

Considerando-se o ponto (x0; y0)=(1983; 239), fazemos:

111 111 111


y − y 0 = a( x − x 0 ) ⇒ y − 239 =
( x − 1983) ⇒ y = x − 1983. + 239 ⇒
12 12 12
111 220113 12.239 111 220113 2868 111 217245
⇒y= x− + ⇒y= x− + ⇒y= x−
12 12 12 12 12 12 12 12

Então, a função do 1o grau é dada por:

111 217245

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
y= x−
12 12

Para encontrarmos o valor de y para x = 2011, fazemos:

111 217245 111 217245 223221 217245


y= x− ⇒y= (2011) − ⇒y= − ⇒
12 12 12 12 12 12
5976
⇒y= ⇒ y = 498
12

Sendo assim:

(A) Alternativa Incorreta.

Justificativa: de acordo com os cálculos.

(B) Alternativa Incorreta.

Justificativa: de acordo com os cálculos.

(C) Alternativa Correta.

53

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 53 24/05/2012 09:40:50


Unidade I

Justificativa: de acordo com os cálculos.

(D) Alternativa Incorreta.

Justificativa: de acordo com os cálculos.

(E) Alternativa Incorreta.

Justificativa: de acordo com os cálculos.

Questão 2 (ENEM/2010) As sacolas plásticas sujam florestas, rios e oceanos e quase sempre
acabam matando por asfixia peixes, baleias e outros animais aquáticos. No Brasil, em 2007, foram
consumidas 18 bilhões de sacolas plásticas. Os supermercados brasileiros se preparam para acabar
com as sacolas plásticas até 2016. Observe o gráfico a seguir, em que se considera a origem como
o ano de 2007:

Nº de sacolas (em bilhões)


18
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0 9 Nº de anos (após 2007)

De acordo com as informações, quantos bilhões de sacolas plásticas serão consumidos em 2011?

(A) 4,0

(B) 6,5

(C) 7,0

(D) 8,0

(E) 10,0

Resolução desta questão na plataforma.

54

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 54 24/05/2012 09:40:50


Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 55
CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

55

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Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

56
Unidade I

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 56


24/05/2012 09:40:50
CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Unidade II
FUNÇÕES REAIS E LIMITES

5 OUTRAS FUNÇÕES REAIS

5.1 Função exponencial

Voce recebeu R$ 500,00 de bonificação e aplicou na poupança. O banco paga a taxa de juros de 0,5%
ao mês. Como saber quanto voce terá daqui a alguns meses, se a taxa for mantida?

Quando aplicamos na poupança, temos que o capital acumulado (montante) é dado pela expressão
M = C0 (1 + i)n, juro composto, no qual M é o capital acumulado, C0 é o capital inicial (depósito inicial),
i é a taxa de juros e n o período. No nosso exemplo, C0 = 500, i = 0,5% = 0,005 ao mês e n número de
meses, assim, para saber o montante a cada mês, substituímos o valor de n e determinamos M.

Por exemplo, na tabela temos o montante para alguns meses:

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
t(mês) M = 500 ( 1 + 0,005)n (t, M)
1 M = 500 ( 1 + 0,005)1 (1, 502.5)
2 M = 500 ( 1 + 0,005)2 (2, 505.0)
3 M = 500 ( 1 + 0,005)3 (3, 507.54)
4 M = 500 ( 1 + 0,005)4 (4, 510.08)

A expressão M = C0 (1 + i)n é uma exponencial, variável n está no expoente.

Estudaremos agora funções exponenciais, isto é, funções do tipo:

f(x) = c + b amx, (a > 0, a ≠ 1, b ≠ 0 e m ≠ 0)

Exemplos:

a) f(x) = 32x – 4

É uma função exponencial com base a = 3, b = 1, c = –4 e m = 2.

b) f(x) = –5x

É uma função exponencial com base a = 5, b = –1, c = e m = 1.

57

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 57 24/05/2012 09:40:50


Unidade II

c) f(x) = 4–2x + 2

É uma função exponencial com base a = 4, b = 1, c = 2 e m = –2.

5.1.1 Gráfico

Para fazer o gráfico da função exponencial, utilizaremos a tabela de pontos:

Exemplos:

Esboçar o gráfico das funções:

a) f(x) = 3x

Atribuindo valores para x e calculando 3x, temos:

x y = 3x (x,y)
-2 y = 3 = 1/9
-2
(-2,1/9)
-1 y = 3-1 = 1/3 (-1,1/3)
0 y = 30 = 1 (0,1)
1 y = 31 = 3 (1,3)
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

2 y = 32 = 9 (2,9)

y
9
8
7
6
5
4
3
2
1
x

-5 -4 -3 -2 -1 1 2 3
–1

x
b) f( x ) =  1 
 3
x
 1
Novamente, vamos esboçar o gráfico da função, atribuindo valores para x e calculando  3  ,assim:

58

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 58 24/05/2012 09:40:51


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

x y = (1/3)x (x, y)
–2 y = (1/3)–2 = 9 (–2, 9 )
–1 y = (1/3)–1 = 3 (–1, 3)
0 y = (1/3)0 = 1 (0, 1)
1 y = (1/3)1 = 1/3 (1, 1/3)
2 y = (1/3)2 = 1/9 (2, 1/9)

y
9
8
7
6
5
4
3
2
1 x

-4 -3 -2 -1 1 2 3 4
—1
–2

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Comparando as duas funções, notamos que em relação à base da função exponencial, temos:

a > 1, função crescente


0 < a < 1, função decrescente

c) Retornando ao nosso exemplo, vamos construir o gráfico da função utilizando a tabela de pontos.
Temos:

t(mês) M = 500 ( 1 + 0,005)n (t, M)


1 M = 500 ( 1 + 0,005)1 (1, 502.5 )
2 M = 500 ( 1 + 0,005)2 (2, 505.0)
3 M = 500 ( 1 + 0,005)3 (3, 507.54)
4 M = 500 ( 1 + 0,005)4 (4, 510.08)

Representando os pontos no plano cartesiano, temos o gráfico da função:

59

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 59 24/05/2012 09:40:52


Unidade II

510
507.5
505
502.5
500

1 2 3 4 x

Lembrete

Esse gráfico só tem significado para valores no 1º quadrante, pois


representa valores aplicados, o restante deve ser tracejado.

5.2 Função logarítmica

Voltando ao exemplo do item 5.1. Agora, você quer saber por quanto tempo deve deixar seu dinheiro
aplicado para receber R$ 531,00.

Substituindo os valores na expressão, temos 531= 500 (1 + 0,005)n, e então


Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

1,062 = 1,005 n, que para ser resolvida, utilizamos logaritmo.

Também encontramos logaritmos em várias áreas: na Física, na Química, na escala Richter, utilizada
para medir a magnitude de um terremoto.

Uma função logarítmica é dada pela expressão:

f(x)=logax, com a > 0, a ≠ 1 e x > 0

As funções f(x)=logax e g(x) = ax são inversas uma da outra.

Para fazer o gráfico da função logarítmica, utilizaremos a tabela de pontos.

Exemplos:

1) Esboçar o gráfico das funções:

a) f(x)=log3x

Atribuindo valores para x e calculando log3x, temos:

60

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 60 24/05/2012 09:40:52


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

x ƒ(x) = log3x (x,y)

1 ƒ(x) = log1/9 = -2 (1/9,-2)


9 3

1 ƒ(x) = log1/3 = -1 (1/3,-1)


3 3

1 ƒ(x) = log13= 0 (1,0)


3 ƒ(x) = log33= 1 (3,1)
9 ƒ(x) = log93= 2 (9,2)

Representando os pontos no plano cartesiano, temos:


y

2
1

0 1 3 9 x

b) f(x)=logX1/3

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Atribuindo valores para x e calculando logX1/3 , temos:

x
x ƒ(x) = log (x,y)
1/3
1 ƒ(x) = log 1/3
1/9
=2 (1/9,2)
9
1 ƒ(x) = log 1/3 (1/3,1)
3 1/3 = 1

1 ƒ(x) = log 1/3


1
=0 (1,0)
3 ƒ(x) = log 1/3
3
= -1 (3,-1)
9 ƒ(x) = log 1/3
9
= -2 (9,-2)

Colocando os pontos no plano, temos:


y

2
1
1 3 9 x

61

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 61 24/05/2012 09:40:52


Unidade II

Comparando os dois gráficos, verificamos que:

a > 1 , função crescente


0 < a < 1, função decrescente

2) Retomando o exemplo inicial: “quanto tempo deve deixar seu dinheiro aplicado para receber
R$ 531,00?”

Quando substituímos os valores na expressão, encontramos:

531 = 500 (1 + 0,005)n

1,062 = 1,005n

Aplicando o logaritmo nos dois lados da expressão, temos:

Ln 1,062 = Ln 1,005n, calculando o logaritmo vem 0,060 = 0,00498n, assim, chegamos a n = 12


meses, que é a solução do nosso exemplo.

5.3 Função modular


Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

Chamamos de função modular a função:

f(x) = | x |

Utilizando a definição de módulo, temos:

x se x ≥ 0
f( x ) = | x | = 
-x se x < 0

5.3.1 Gráfico

O gráfico da função modular será formado por duas semirretas que devem obedecer às condições
acima.

Exemplos:

Construir o gráfico das funções:

a) y = | x |
x se x ≥ 0
Conforme a definição de modulo, temos y = | x |= 
-x se x < 0

62

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 62 24/05/2012 09:40:53


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Devemos fazer o gráfico das duas funções (1) y = x, para x ≥ 0 e (2) y = –x, para x < 0.

Construindo a tabela de pontos para cada uma das funções, temos:

(1) y = x, para x ≥ 0

x y=x (x,y)
0 y=0 (0,0)
1 y=1 (1,1)

y
y=x

0 1 x

(2) y = - x, para x < 0

x y = -x (x,y)
-2 y=2 (-2,2)
-1 y=1 (-1,1)

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
y
y = -x

2
1

-2 -1 0 x

Unindo as figuras, temos:

y
y = -x y=x

-1 0 1 x

b) y = | x | + 2
x + 2 se x ≥ 0
Conforme a definição de módulo, temos y = | x | +2 = 
-x + 2 se x < 0

63

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 63 24/05/2012 09:40:53


Unidade II

Devemos fazer o gráfico das duas funções:

(1) y = x + 2, para x ≥ 0

(2) y = –x + 2, para x < 0

Construindo a tabela de pontos para cada uma das funções, temos:

y = x + 2, para x ≥ 0

x y=x+2 (x,y)
0 y=2 (0,2)
1 y=3 (1,3)

(2) y = –x + 2, para x < 0

x y = -x + 2 (x,y)
-2 y=4 (-2,4)
-1 y=3 (1,3)

Construindo os dois gráficos no mesmo sistema:


Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

y = -x+2 y

4 y = x+2
3
2

-2 -1 0 1 x

5.4 Funções trigonométricas

São funções periódicas, isto é, após um intervalo, seus valores se repetem.

Estudaremos algumas delas.1

5.4.1 Função seno

Consideremos o ciclo trigonométrico de centro O e raio 1, definimos como função seno a função f:
IR → IR dada por f(x) = sen x.

– Mais funções trigonométricas, consultar: FLEMMING, D. M.; GONÇALVES, M. B. Cálculo A – Funções, Limite,
1

Derivação, Integração. São Paulo: Prentice Hall, 2006.


64

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 64 24/05/2012 09:40:53


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

O valor de seno de x é a medida OM, conforme veremos na figura a seguir:

(0,1) (0,1)
1 1
M x + + x
(-1,0) senx (1,0) (-1,0) (1,0)
- 0 1 - 0 1
- -
- -
(0,-1) eixo dos senos (0,-1) eixo dos senos

O sinal de sen x será positivo, se x estiver no 1° e no 2° quadrantes, e negativo no 3° e 4° quadrantes.

Para a função seno, temos:

D(f) = IR

Im (f) = {y ∈ R / –1< y <1}

período: p = 2π

gráfico:

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
y f(x)= senx
1
+ +
π 3π/2 x
-1 1 π/2 2 3 4 5 6 2π 7 8
- -
-1

5.4.2 Função cosseno

Definimos como função cosseno a função f: IR → IR dada por f(x) = cos x.

O valor do cosseno de x é a medida ON, conforme veremos no ciclo trigonométrico a seguir:

(0,1) eixo dos (0,1)


cossenos
1 x 1
- +
(-1,0) cosx (1,0) (-1,0) (1,0)
-1 0 N1 -1 0 1
- +
-1 -1
eixo dos
(0,-1) cossenos (0,-1)

65

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 65 24/05/2012 09:40:54


Unidade II

O sinal do cosseno x será positivo, se x estiver no 1° e no 4° quadrantes, e negativo no 2° e 3°


quadrantes.

Para a função cosseno, temos:

D(f) = IR

Im (f) = {y ∈ R / –1< y <1}

período p = 2π

gráfico:
y
1
+ + + + f(x)= cosx
π x
-1 1 π/2 2 3 4 5 6 2π 7 8
- - 3π/2
-1

5.4.3 Função tangente


Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

Definimos como função tangente a função f: D → IR dada por f(x) = tg x, no qual


(2k + 1) π
D = {x ∈IR / x ≠ , k ∈Z}
2
O valor da tangente de x é a medida OS, conforme veremos na figura a seguir:

1 S
tgx
x
0
- 0 1

-1
eixo das
tangentes

O sinal da tg x será positivo, se x estiver no 1° e no 3° quadrantes, e negativo no 2° e 4° quadrantes.

Para a função tangente, temos:


(2k + 1) π
D(f) = {x ∈IR / x ≠ , k ∈Z}
2
66

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 66 24/05/2012 09:40:55


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Im (f) = IR

período p = π

gráfico:
y
2 f(x)= tgx

1
π/2 π 3π/2 x

-1 1 2 3 4 5 6 7 8
-1
-2

5.5 Assíntotas

Assíntotas são retas das quais o gráfico das funções se aproxima, porém, não corta e nem tem ponto
comum com elas.

Podemos ter assíntotas horizontais, verticais ou inclinadas. Em nosso estudo, veremos as assíntotas
verticais e as horizontais.

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
5.5.1 Assíntotas horizontais

São retas paralelas ao eixo x. As funções exponenciais e algumas funções racionais têm assíntotas
horizontais. Votaremos a estudar esse tema na unidade III.

• Assíntota de uma exponencial:

Exponencial é uma função do tipo f(x) = c + b amx, com a > 0, a ≠1, b ≠ 0 e m ≠ 0. A família das
funções exponenciais tem assíntota horizontal com equação y = c.

Exemplo:

a) y = 2x

x y = 2x (x,y)
-2 y = 2-2 (-2, 1/4)
-1 y = 2-1 (-1,1/2)
0 y=2 0
(0,1)
1 y=2 1
(1,2)
2 y=2 2
(2,4)

67

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 67 24/05/2012 09:40:55


Unidade II

y
4

1
x
-4 -3 -2 -1 1 2
-1

Observando o gráfico da função, notamos que ele se aproxima do eixo x. Na medida em que vamos
diminuindo os valores de x, os valores de y também diminuem se aproximando cada vez mais de zero.
Assim, a assíntota horizontal de f(x) = 2 x será a reta y = 0.

b) f(x)=2+5x

Observando o gráfico, notamos que a assíntota horizontal é a reta y = 2:

x y=2+5x (x, y)
-2 2+5 -2
(-2, 2.04)
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

-1 2+5 -1
(-1, 2.2)
0 2+50 (0, 3)
1 2+51 (1, 7)

y
7

1
x
-5 -4 -3 -2 -1 1 2
-1

c) f(x) = –4 + 3 2x

68

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 68 24/05/2012 09:40:55


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Não é necessário construir o gráfico para determinar a assíntota de uma função.

Genericamente, podemos encontrar a assíntota vertical de uma função exponencial com equação
f(x) = c + b amx simplesmente fazendo y = c.

Em nosso exemplo, assíntota horizontal de f será a reta y = c, isto é, a reta y = –4.

d) y = 12 – 2 . 3–x

Nesse caso, a assíntota será a reta y = 12.

• Assíntota de funções racionais


p( x )
Funções racionais são funções do tipo: f( x ) =
q( x )
Estas funções podem apresentar assíntotas horizontais e verticais.

Para determinar se uma função racional tem assíntota horizontal podemos observar o seu gráfico
ou aplicar um conceito de limite que veremos mais adiante.

Exemplo:

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
1
Considerando a função racional f( x ) = x , podemos determinar se ela tem assíntota horizontal,
construindo o seu gráfico. Veja a tabela de pontos:

x -6 -4 -2 -1 -0,8 -0,6 -0,4 -0,2 -0,18

f(x) =(1/x) -0,167 -0,250 -0,500 -1,000 -1,250 -1,667 -2,500 -5,000 -5,556

x -0,16 -0,14 -0,12 -0,1 -0,08 -0,06 -0,04 -0,02 0


f(x) = (1/x) -6,250 -7,143 -8,333 -10,000 -12,500 -16,667 -25,000 -50,000

x 0 0,02 0,04 0,06 0,08 2 4 6

f(x) = (1/x) 50,000 25,000 16,667 12,500 0,500 0,250 0,167

69

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 69 24/05/2012 09:40:56


Unidade II

Assim:

y
7
6
5
4
3
2
1
x
-9 -8 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 1 2 3 4 5 6 7 8 9
-1
-2
-3
-4
-5
-6
-7
-8
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

-9
-10

Observando o gráfico, vemos que a assíntota horizontal será a reta y = 0, ou seja, eixo x. Ela mostra
o comportamento da função quando x é muito grande (x vai para +) ou muito pequeno (x vai para –).

5.5.2 Assíntotas verticais

São retas paralelas ao eixo y. As funções logarítmicas e algumas funções racionais têm assíntotas
verticais.

Logarítmica: funções do tipo f(x)=logamx+n, com a > 0, a ≠ 1 e (m x + n) > 0


−n
têm assíntota vertical com equação x =
m
Determinamos a reta assíntota vertical da função f(x)=logamx+n, determinando a solução da equação
m x + n = 0.

Exemplos:

a) f(x)=log2x tem assíntota vertical em x = 0

70

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 70 24/05/2012 09:40:57


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Graficamente, temos:

x f(x)=log2x (x,y)

1
f(x)=log21/2=–1 (1/2,–1)
2
2 f(x)=log22=1 (2,1)
4 f(x)=log24=2 (4,2)
8 f(x)=log =3
2
8
(8,3)

3
2
1

-1 2 4 8 x

b) f(x)=log4(x+3)

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Nesse caso, não faremos o gráfico da função, vamos determinar a assíntota vertical de f(x) por meio
da solução de x + 3 = 0, isto é, x = –3.

Assim, a reta x = –3 é assíntota vertical da função.


p( x )
Funções racionais: são funções do tipo f( x ) =
q( x )
Para determinar a assíntota vertical de uma função racional, devemos determinar as raízes de q(x);
os valores encontrados serão as assíntotas.

Exemplos:
1
1) Observando o gráfico da função f( x ) = , notamos que, além da assíntota horizontal, ela também
tem assíntota vertical em x = 0. x

71

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 71 24/05/2012 09:40:58


Unidade II

y
7
6
5
4
3
2
1
x
-9 -8 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 1 2 3 4 5 6 7 8 9
-1
-2
-3
-4
-5
-6
-7
-8
-9
-10
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

x2 + x
2) Para função racional f( x ) = , determinar se tem assíntota vertical:
x2 − 5
Devemos encontrar as raízes do denominador, esses valores são os pontos que estão fora do domínio
da função.

Assim, determinando as raízes de q(x), temos x 2 – 5 = 0 e então x = 5 e x = –5.

As assíntotas verticais serão as retas x = 5 e x = –5.

Os gráficos de funções racionais serão feitos mais adiante, no módulo III. Para podermos entender
melhor o comportamento da função, vamos tomar o gráfico pronto da função:

72

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 72 24/05/2012 09:40:59


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

y
6
5
4
3
2
1 x

–10 –9 –8 –7 –6 –5 –4 –3 –2 –1
–1 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
–2
–3
assíntota vertical –4 assíntota vertical
–5

Note que o gráfico se aproxima das retas x = 5 e x = –5, mas não passa por elas. Nesse gráfico, temos
ainda outra assíntota (horizontal) que estudaremos mais adiante.

Saiba mais

Para saber mais sobre funções, leia o capítulo 2 de:

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
FLEMMING, D. M., GONÇALVES, M. B. Cálculo A: funções, limite,
derivação, integração. São Paulo: Prentice Hall, 2006.

A seguir, você encontrará alguns exemplos para detalhar um pouco mais a teoria apresentada.

Lembrete

Estude os exemplos e depois tente refazê-los.

5.6 Ampliando seu leque de exemplos

1) Seja f: IR → IR, tal que f(x) = –16 + 4x, determinar o valor de x para o qual f(x) = 0

Resolução:

Devemos igualar a expressão de f a zero e resolver a equação: –16 + 4 x = 0.

4x = 16, fatorando 16, temos 16 = 24, assim:

4x = 24 as bases ainda não são iguais, então, você deve fatorar a base 4 também para que possamos
comparar as duas expressões, então, 22x = 24, logo, 2x = 4 e assim, x = 2.
73

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 73 24/05/2012 09:40:59


Unidade II

2) A função Cn = 1.000. (1 + 0,2)n indica a capitalização composta de R$ 1.000,00 a uma taxa de


juros de 20% a.a. (ao ano). Determinar o montante Cn, após 2 anos:

Resolução:

Devemos inicialmente verificar se a taxa de juros e o tempo estão na mesma unidade. Nesse caso, a
taxa é anual e o período também.

Substituindo n = 2 na função Cn, encontramos:

Cn = 1.000. (1 + 0,2)2

Cn = 1.000. (1,2)2

Cn = 1.440,00 reais

3) A função logarítmica f(x) = 2.log2(x–3) tem assíntota vertical, determine a equação desta
assíntota.

Resolução:
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

A assíntota vertical indica que o domínio da função tem alguma restrição, isto é, valor que não pode
ser substituído. No caso da função logarítmica, não podemos fazer o cálculo para valores negativos, ou
seja, x – 3 ≠ 0.

Resolvendo a equação, temos x ≠ 3.

Logo, no domínio da função, temos um ponto que deve ser excluído, assim, a reta x = 3 é a assíntota
vertical.

4) Sendo f(x) = |2x – 4|, determinar o valor de f(–5)

Resolução:

Para calcular o valor de f(–5), devemos substituir o valor de x na expressão da função:

f (–5) = |2. (–5) – 4| = |–10 – 4| = |–14| = 14.

Lembrete

Observe que você deve efetuar todas as contas dentro do módulo e só


depois utilizar a definição de módulo para encerrar o exercício.

74

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 74 24/05/2012 09:40:59


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

5) Esboçar o gráfico da função y = 3. sen x, a seguir, determinar o domínio e a imagem de f

Resolução:

Para esboçar o gráfico da função, vamos utilizar uma tabela de pontos:

x y = 3 . senx (x, y)
0 y = 3 . sen0 = 0 (0, 0)
π/2 y = 3. sen π/2 = 3 (π/2, 3)
π y = 3. sen π = 0 (π, 0)
3π/2 y = 3. sen (3π/2) = –3 (3π/2, –3)
2π y = 3. sen (2π) = 0 (2π, 0)

y
3

1
π 2π
3π/2 x

-2 -1 1 2 3 4 5 6 7 8
-1 π/2

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
-2

-3

O domínio da função é Df = IR e Im f = { y ∈IR | –3 ≤ y ≤ 3}.

Lembrete

O domínio da função não se altera por multiplicar o seno por 3, mas a


imagem se altera ao multiplicarmos por um número, assim, a imagem foi
multiplicada por 3.

6) Esboce o gráfico da função f(x) = cos(2x) e compare o período da nova função com o período de
f(x) = cos x:

x y = cos(2x) (x, y)
0 y = cos 0 = 1 (0, 1)
π/2 y = cos 2. π/2 = cos π (π/2, –1)
π y = cos 2π = 1 (π, 1)
3π/2 y = cos (3π) = –1 (3π/2, –1)
2π y = cos (4π) = 1 (2π, 1)

75

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 75 24/05/2012 09:40:59


Unidade II

1 2π
π/2 π x

-2 -1 1 2 3 4 5 6 7
3π/2
-1

Observando o gráfico da função e comparando com o gráfico de f(x) = cos x, notamos que o período
da função f(x) = cos(2x) é igual a π, enquanto o período de f(x) = cos x é igual a 2 π.

7) Determine o domínio da função tg(4x)

Resolução:

Sabemos que o domínio da função g(x) = tg x é dado por:

 π 
Dg = x ∈IR | x ≠ + kπ, k inteiro
 2 

Para determinar o domínio da função f(x) = tg 4x, devemos ter:


Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

π π kπ
4x ≠ + kπ ⇒ x ≠ + , com k inteiro
2 8 4

 π kπ 
Assim: Df = x ∈IR | x ≠ + , k inteiro
 8 4 

6 LIMITE

6.1 Uma visão intuitiva

Estudaremos a noção intuitiva de limite. Você encontra a definição formal nos livros indicados na
bibliografia.

Estudar o limite de uma função f é querer saber o comportamento de f(x) quando x está próximo de
um determinado número, sem, no entanto, ser necessariamente igual a ele.

Tomemos a função f(x) = x + 3, isto é, y = x + 3, queremos saber o que ocorre com f(x) quando x se
aproxima de x0 = 2. Para isso, vamos construir duas tabelas de pontos com valores de x próximos de 2,
uma para valores maiores e outra para valores menores que 2.

76

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 76 24/05/2012 09:41:01


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Considere as tabelas:

valores menores que 2 valores maiores que 2


x Y x y
1 4 2,001 5,001
1,3 4,3 2,01 5,01
1,5 4,5 2,08 5,08
1,7 4,7 2,1 5,1
1,8 4,8 2,2 5,2
1,9 4,9 2,4 5,4
1,93 4,93 2,7 5,7
1,99 4,99 2,9 5,9

A primeira tabela apresenta x se aproximando de 2 por valores menores que ele (pela esquerda) e a
segunda tabela apresenta esta aproximação por valores maiores que 2 (pela direita).

Observando as duas tabelas, notamos que quanto mais próximo o valor de x está de 2 mais o valor
de y se aproxima de 5.

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Dizemos, então, que o limite de f(x) é 5, quando x tende a 2 por valores à direita, isto é, valores
maiores que 2, e utilizamos a seguinte notação para indicar esse limite:

lim ( x + 3) = 5
x → 2+

Lemos: limite de (x+3), quando x tende para 2 pela direita é 5.

Da mesma forma, temos que o limite de f(x) é 5, quando x tende a 2 por valores à esquerda e
escrevemos:

lim ( x + 3) = 5
x →2-

Lemos: limite de (x+3), quando x tende para 2 pela esquerda é 5.

Chamamos esses limites de limites laterais.

Graficamente, temos:

77

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 77 24/05/2012 09:41:02


Unidade II

y y

L L

C x C x

Dizemos que existe o limite da função para x tendendo a x0, quando existirem os limites laterais e
eles forem iguais, isto é:

lim f( x ) = L ⇔ lim f( x ) = lim f( x ) = L


x →c x →c+ x →c-

Exemplos:

1) lim ( x + 3)
x→ 2

Conforme já vimos, os limites laterais existem e são iguais, assim, lim ( x + 3) = 5 .


Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

x→ 2
2
2) lim (-x + 2x + 3)
x→ 1

Podemos também determinar o valor do limite, observando o gráfico da função.

Construindo o gráfico da função, temos:


y

1
x
-2 -1 0 1 2 3 4

Verificando o comportamento da função à direita e à esquerda de x0 = 1, temos:

lim ( − x2 + 2x + 3) = lim ( − x2 + 2x + 3) = 4 logo lim ( − x2 + 2x + 3) = 4


x →1- x →1+ x →1

78

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 78 24/05/2012 09:41:04


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

A seguir, vamos relacionar alguns teoremas sobre limites; nesse texto não faremos a demonstração
desses resultados, você pode encontrar as demonstrações nos livros indicados na bibliografia.

• Teoremas

- Unicidade do limite

“Se o limite de f quando x tende para c existe, então, esse valor é único.”

- Teorema do confronto

“Se em uma região próxima de c uma função f está entre outras duas g e h que têm o mesmo
limite finito L, quando x tende para c, então o limite de f, quando x tende para c, também será
igual a L.”

g( x ) ≤ f( x ) ≤ h( x ) e lim g(x) = lim h(x) = L ⇒ lim f(x) = L


x → c x → c x → c

Graficamente, temos:
h(x)

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
L f(x)
g(x)

Limite do produto de uma função que tende a zero por outra que é limitada.

“O produto de uma função f que tem limite igual a zero, quando x tende para c, por uma função g
limitada é igual a zero.”

Se a função g é limitada, isto é, –M ≤ g(x) ≤ M, então x lim g( x ) ≤ M .


→ c

lim g(x) ≤ M e lim f(x) = 0 ⇒ lim f(x).g(x) = 0


x → c x → c x → c

Lembrete

Você pode encontrar as demonstrações desses teoremas nos textos


indicados na bibliografia.
79

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 79 24/05/2012 09:41:06


Unidade II

6.1.1 Função contínua

Intuitivamente, uma função f não é contínua em x = x0, x0 um ponto do seu domínio, se


seu gráfico apresenta um “salto” ou buraco nesse ponto. Do contrário, f é chamada função
contínua.

Observe os gráficos das funções abaixo, todas com domínio IR:

a) ƒ(x) b) ƒ(x) c) ƒ(x)


ƒ(xo)
ƒ(xo) ƒ(xo)

xo x xo x xo x

A função do item a não é contínua em x0, pois o gráfico apresenta um buraco nesse ponto, enquanto
as funções dos itens b e c apresentam “saltos” no ponto x0.

Notemos que essas funções são contínuas em todos os outros pontos de seu domínio.
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

São exemplos de funções contínuas as funções polinomiais, exponenciais e logarítmicas.

Uma função f é contínua em x0, se e somente se o limite de f, quando x tende para x0, é igual ao valor
da função no ponto, isto é:

f é contínua em
x0 ⇔ lim f(x) = f(x 0 )
x→ x 0

Lembrete

Para verificar se uma função é contínua em um ponto x0, devemos


verificar as 3 condições:

a) f(x0) existe, isto é, x0 ∈ Df.

b) O limite de f(x) quando x tende a x0 existe.

c) O limite for igual a f(x0).

Um resultado importante das funções contínuas é o teorema do valor intermediário. Esse teorema
permite que se encontre um intervalo no qual temos, com certeza, uma raiz da função.

80

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 80 24/05/2012 09:41:07


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

• Teorema do valor intermediário

“Se f(x) é contínua num intervalo fechado [a, b] e L, tal que f(a) ≤ L ≤ f(b), então existe c ∈
[a, b] com f(c) = L.”

a c b

Observação

Para algum valor entre a e b, temos f(c) = L.

Exemplos:

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
1) A função f(x) = x2 – 1 é contínua em x0 = 2, pois, observando o gráfico de f, notamos que
lim(x − 1) = 3 e f(2) = 2 – 1 = 3:
2 2

x→ 2
y

0 x
xo=2
–1

x + 1 se x > 3
f( x ) = 
2) A função 2 se x ≤ 3 não é contínua em x = 3, pois não existe limite para x tendendo
a 3, conforme podemos ver no gráfico, os limites laterais são diferentes. Para valores maiores que
3, a função tende a 4 e para valores menores que 3, a função tende a 2:

81

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 81 24/05/2012 09:41:08


Unidade II

y
f(x) = x+1

2
f(x) = 2

x
1 3

Vejamos agora alguns resultados importantes sobre funções contínuas.

Consideremos f e g funções contínuas em x0, x0 um ponto do intervalo I, sendo I um subconjunto


de Df ∩ Dg, temos:

a) f + g é contínua em x0.

b) f – g é contínua em x0.

c) f. g é contínua em x0.
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

d) k. f é contínua em x0, com k ∈ IR.


f
e) é contínua em x0, com g ≠ 0.
g
f) Uma função será contínua em um intervalo, se for contínua em todos os pontos do intervalo.

6.1.2 Propriedades operatórias dos limites

Com estas propriedades, poderemos calcular o limite das funções sem o uso de gráficos e também
sem o uso de tabela de pontos, elas permitem que os cálculos sejam feitos mais rapidamente.

Sejam f e g funções contínuas em seu domínio, temos as propriedades:

1) f( x ) = k, k constante ⇒ limf( x ) = k
x→x 0

Exemplos:

a) lim
3
x→ 1

Note que queremos calcular o limite de f(x) = 3 que é uma função constante, logo, lim
3= 3.
x→ 1

b) x lim −10
→ 1

82

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 82 24/05/2012 09:41:10


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Novamente, queremos calcular o limite de uma função constante, assim:


lim − 10 = −10
x → 1

2) limf( x ) = a e limg(x) = b, com a ∈IR e b ∈ IR ⇒ lim [ f( x ) ± g(x)] = a ± b


x→x 0 x→x 0 x→x 0

Exemplos:

a) lim
( x + 1)
x→ 1

Para calcular o limite da função f(x) = x + 1, você deve observar que ela é formada pela soma de
duas funções, assim:

lim ( x + 1) = limx + lim1 = 1 + 1 = 2


x→ 1 x→ 1 x→ 1

2
b) lim( x − 2x + 3)
x→ 0
2
lim (x − 2x + 3) = limx2 − lim2x + lim3 = 02 − 2 . 0 + 3 = 3
x→ 0 x→ 0 x→ 0 x→ 0

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
2
c) lim( x − 2x + 3)
x→ 0

+ 5x2 − 2) = ( −1) + 5 . (-1)2 − 2 = −1 + 5 − 2 = 2


3 3
lim (x
x→ −1

3) lim f( x ) = a e limg( x ) = b, com a ∈IR e b ∈ IR ⇒ lim [ f( x ).g(x)] = ab


.
x→x 0 x→x 0 x→x 0

Exemplos:

a) x lim (2x2 + x + 1) . (x-5)


→ 2

Devemos calcular cada um dos limites e depois multiplicar os resultados, assim:

2
lim (2x + x + 1) .(x-5) = lim(2x2 + x + 1) . lim(x-5) = (2.22 + 2 + 1).(2-5) = 11.(-3) = -33
x→ 2 x→ 2 x→ 2

b) lim ( x 3 − 2x + 5) .(x + 2)
x → -1

83

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 83 24/05/2012 09:41:17


Unidade II

lim ( x 3 − 2x + 5) .(x + 2) = lim ( x 3 − 2x + 5) . lim ( x + 2) =


x → -1 x → -1 x → -1

( )
= ( −1)3 -2(-1) + 5 .(-1 + 2) = 6 .1 = 6

4) limf(x) = a, com a ∈IR e n ∈ IN* ⇒ lim[ f( x )]n = an


x→x 0 x→x 0

Exemplos:

7 7 7
a) lim ( −2x + 6) = ( −2 .2 + 6) = 2 = 128
x →2

b) lim ( − x + 1)3 = ( −( −3) + 1)3 = 4 3 = 64


x →-3

5) limf(x) = a, com a ∈IR+ ⇒ limbf ( x ) = b f(x)

x→x 0 x→x 0

Exemplos:

x 3
a) lim 4 = 4 = 64
x → 3
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

x 4
b) lim ( −2) = ( −2) = 16
x → 4

6) lim f( x ) = a , com a ∈IR+ e n ∈ IN* ⇒ lim n f(x) = n a


x→x 0 x→x 0

Exemplos:

a) lim x2 + 9 = 42 + 9 = 25 = 5
x →4

b) lim x2 + 3 = ( −1)2 + 3 = 4 = 2
x → -1

limf(x) = a, com a ∈IR+* e b ∈ IR+* , b ≠ 1 ⇒ limlogbf((x) = logba


7)
x→x 0 x→x 0

Exemplos:

( x +1)
lim log2
x→ 7

( x + 1)
lim log2 = log(27 + 1) = log82 = 3
x→ 7

84

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 84 24/05/2012 09:41:24


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

 f(x)  a
8) limf(x) = a e xlim g( x ) = b, com a ∈ IR e b ∈ IR* ⇒ lim  =
x→x 0 →x 0 x→x 0  g(x)  b

Exemplos:

2
 x − 16  lim
2 ( x − 16)
x→ 4 42 − 16 0
lim  x+4  = = = =0
x→ 4   lim
x→ 4
( x + 4 ) 4 + 4 8

Notemos que, em alguns casos, a substituição do valor de x0 gera uma indeterminação, nesses casos
será necessário uma simplificação das funções para calcular o limite.

 x2 − 16 
lim  
x→ - 4  x + 4 

0
O valor x = –4 não pode ser substituído, pois gera uma indeterminação, isto é, . Devemos então
0
fatorar o numerador e, após a simplificação, calcular o limite.

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Como x2 – 16 = (x – 4). (x + 4), temos:

 x2 − 16  ( x − 4 ) . (x + 4)
lim  x + 4  = lim x + 4
= lim ( x − 4 ) = − 4 − 4 = −8
x→ - 4 x→ - 4 x→ - 4

Lembrete

Esse procedimento deve ser feito toda vez que chegarmos a uma
indeterminação.

x −4
lim x −2
x→ 4

O valor x = 4 não pode ser substituído, pois teremos uma indeterminação. Devemos então racionalizar
o denominador e, após a simplificação, calcular o limite.

Para a racionalização, vamos multiplicar e dividir a função por ( )


x + 2 , assim:

85

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 85 24/05/2012 09:41:28


Unidade II

 
 x −4   x −4 x +2   (x- 4 ). x + 2 ( )
lim   = lim  . = lim 
x + 2  x→ 4   x 2 − 22  
=
x→ 4  x − 2  x→ 4  x − 2
 
( )

 (x-4). x + 2 ( ) =
= lim  lim ( )
x +2 = 4 +2=4
x→ 4 
 ( x-4)  x→ 4

Esse procedimento deve ser feito toda vez que chegarmos a uma indeterminação envolvendo
radicais.

6.1.3 Limites envolvendo infinito

Algumas vezes, precisamos calcular limites de funções com características especiais. Nesses casos,
o estudo requer técnicas diferentes das que você estava utilizando até agora, devemos observar o
comportamento das funções.

Estudaremos agora dois desses casos: limite quando x tende para + ∞ ou – ∞ e limites que têm como
resultado infinito.
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

• 1º caso: x tende para + ∞ ou – ∞.

Veremos agora alguns limites de funções reais, quando x tende para + ∞ ou – ∞. Dependendo da
função, o resultado desses limites pode ser tanto um número real quanto + ∞ ou – ∞.

Estudaremos agora algumas destas funções:

 1
lim  n  = 0, n> 0
x→+ ∞ x

Exemplos:

 1
1) lim  
 
x→+ ∞ x

Para entender o resultado desse limite, vamos esboçar o gráfico da função e observar o seu
comportamento quando x → + ∞.

Montando uma tabela de valores para x, notamos que como x tende para +∞, devemos colocar
valores grandes para x, assim:

86

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 86 24/05/2012 09:41:29


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

x y = 1/x (x, y)
1 y = 1/1=1 (1, 1 )
10 y = 1/10 = 0,1 (10, 0.1)
100 y = 1/100 = 0,01 (100, 0.01)
1000 y = 1/1000 = 0,001 (1000, 0.001)

Graficamente:

y
6

1
x→∞
x

1 2 3 4 5 6 7

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Quando calculamos os valores de f(x) para valores muito grandes, notamos que os resultados são
cada vez menores, aproximando-se de zero, assim:

 1
lim   = 0
x→+ ∞ x

Como será o comportamento da função, quando x se aproxima de – ∞? Para saber, vamos esboçar o
gráfico para valores de x muito pequenos, tendendo para – ∞:

x y = 1/x (x, y)
–1 y = 1/–1= –1 (–1, –1 )
–10 y = 1/–10 = – 0,1 (–10, – 0.1)
–100 y = 1/–100 = – 0,01 (–100, – 0.01)
–1000 y = 1/–1000 = – 0,001 (–1000, – 0.001)

Representando os pontos no plano, temos:

87

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 87 24/05/2012 09:41:30


Unidade II

y
1
x

–7 –6 –5 –4 –3 –2 –1 1
x → –∞ –1

–2

–3

–4

–5

 1
Notamos que o mesmo ocorre, quando x tende para – ∞, isto é, lim   = 0
x → - ∞ x

Lembrete

Você não terá que fazer o gráfico da função em todos os exercícios,


basta pensar no comportamento da função para valores muito grandes.
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

 1
2) lim  2 + x2 
x →+ ∞
1  1
Quando x tende para + ∞, temos tende para zero, logo,  2 + 2  tende para 2, isto é,
x2  x 
 1
lim  2 + x2  = 2 .
x→+ ∞

n
lim x = +∞, n> 0
x →+ ∞

n  +∞, se n é par
lim = −∞,
x→ − ∞
x
se n é ímpar

Exemplos:

1) lim 3 x4
x→+ ∞

Como x tende a + ∞, temos lim 3 x4 = + ∞ .


x→+ ∞

2) lim 5 x3
x→ − ∞

88

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 88 24/05/2012 09:41:35


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Como x tende a – ∞ e n = 3 é impar, temos lim 5 x3 = − ∞ .


x→ − ∞

 x −5 
3) lim  
x→+ ∞ 2 x + 4

Para valores muito grandes, tanto o numerador quanto o denominador da função tendem para + ∞,

temos o caso   , que é uma indeterminação. Para resolver, devemos colocar o x de maior grau do
 ∞
numerador e o x de maior grau do denominador em evidência. Após a simplificação, podemos calcular
o limite:

  5    5 

x 1 −    1 −   1
 x −5  x x
lim   = lim   = lim  =
x→+ ∞ 2 x + 4 x→+ ∞  x  4  4  2
 2 +   x→+ ∞   2 + 
 x   x 

 3 x2 − 7x + 10 
4) lim  
x→ - ∞  x −8 

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Tanto o numerador quanto o denominador tendem para ∞.

Podemos resolver de forma diferente da que foi utilizada no exemplo anterior.

Tomamos apenas o termo de maior grau, simplificamos e calculamos o limite, assim:

 3 x2 − 7x + 10   3 x2 
lim  x − 8  = lim  x  = lim 3x = −∞
x→ - ∞  x→ - ∞ x→ - ∞

• 2º caso – limites que têm como resultado infinito

Estudaremos agora limites cujo resultado será + ∞ ou – ∞. Vejamos alguns exemplos:

 1
1) lim  
x →0 x

Vamos analisar o gráfico da função para valores próximos de zero e como 0 ∉ Df, devemos substituir
valores pela direita e pela esquerda de zero.

89

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 89 24/05/2012 09:41:39


Unidade II

Para valores maiores que 0, isto é, à direita de 0, temos:

x y = 1/x (x, y)
0,5 y = 1/0,5 = 2 (0.5, 2 )
0,1 y = 1/0,1 = 10 (0.1, 10)
0,01 y = 1/0,01 = 100 (0,01, 100)
0,001 y = 1/0,001 = 1000 (0,001, 1000)

Representando os pontos no plano cartesiano:

y
6 +∞

1
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

1 2 3 4 5 6 7

Observando o gráfico e a tabela, notamos que quando x se aproxima de zero, a função vai para + ∞,
logo, o limite pela direita é + ∞.

 1
lim   = + ∞
x →0 + x

Devemos estudar agora os valores menores que 0, isto é, à esquerda de 0, temos:

x y = 1/x (x, y)
–0,5 y = 1/–0,5 = –2 (–0.5, –2 )
–0,1 y = 1/–0,1 = –10 (–0.1, –10)
–0,01 y = 1/–0,01 = –100 (–0,01, –100)
–0,001 y = 1/–0,001 = –1000 (–0,001, –1000)

Representando no plano cartesiano:

90

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 90 24/05/2012 09:41:40


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

y
1
x

–7 –6 –5 –4 –3 –2 –1 1
–1

–2

–3

–4

–5
–∞
–6

Observando o gráfico e a tabela, notamos que quando x se aproxima de zero, a função vai para – ∞,
 1
logo, o limite pela esquerda é – ∞, isto é, lim −   = − ∞ .
x →0  x
 1
Como os limites laterais são diferentes, temos que x lim   não existe.
→ 0  x

Juntando os dois gráficos, temos o gráfico da função f(x) = 1/x:

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
y
6

1
x

-5 -4 -3 -2 -1 1 2 3 4 5 6 7
-1

-2

-3

-4

-5

Vamos agora estudar o comportamento da função f(x) = 1 / x2, quando x tende a zero.

 1
2) lim  2 
x →0 x
91

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 91 24/05/2012 09:41:41


Unidade II

Vamos analisar o gráfico da função para valores próximos de zero e como 0 ∉ Df, devemos substituir
valores pela direita e pela esquerda de zero.

Para valores maiores que 0, isto é, à direita de 0, temos:

x y = 1/x2 (x, y)
0,5 y = 1/0,52 = 4 (0.5, 4 )
0,1 y = 1/0,12 = 100 (0.1, 100)
0,01 y = 1/0,012 = 10000 (0,01, 10000)
0,001 y = 1/0,0012 = 1000000 (0,001, 1000000)

Representando no plano cartesiano:

y
+∞

2
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

1
x

1 2 3 4 5 6 7
–1

Observando o gráfico e a tabela, notamos que quando x se aproxima de zero, a função vai para + ∞,
logo, o limite pela direita é + ∞.

 1
lim   =+∞
+  x2 
x →0

Devemos estudar agora os valores menores que 0, isto é, à esquerda de 0, temos:

x y = 1/x2 (x, y)
–0,5 y = 1/(–0,5)2 = 4 (–0.5, 4 )
–0,1 y = 1/(–0,1)2 = 100 (–0.1, 100)
–0,01 y = 1/(–0,01)2 = 10000 (–0,01, 10000)
–0,001 y = 1/(–0,001)2 = 1000000 (–0,001, 1000000)

92

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 92 24/05/2012 09:41:42


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

y
6 +∞

1
x

-6 -5 -4 -3 -2 -1 1
-1

Observando o gráfico e a tabela, notamos que quando x se aproxima de zero, a função vai para + ∞,
 1
logo, o limite pela esquerda é + ∞, isto é, lim  2  = + ∞ .
x →0 - x 

 1
Como os limites laterais são iguais e temos que lim  2  = + ∞ unindo os dois gráficos, temos
x →0 x 
o gráfico da função f(x) = 1/x2:

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
y
6

1
x

-6 -5 -4 -3 -2 -1 1 2 3 4 5 6 7
–1

–2

 1 
3) lim  =
x → −1  x + 1

A função f(x) = 1/(x+1) terá o mesmo comportamento da função g(x) = 1/x, assim, temos que o
limite para x tendendo a –1 não existe, logo:

93

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 93 24/05/2012 09:41:44


Unidade II

 1  não existe.
lim  
x → −1 x + 1

 
4) lim  1 
x → −1 ( x + 1)2 

A função f(x) = 1/(x+1)2 terá o mesmo comportamento da função g(x) = 1/x2, assim, temos que o
limite para x tendendo a zero será igual a + ∞, isto é:

 1 
lim   = + ∞
x →0 ( x + 1)2 

6.1.4 Limites fundamentais

Temos alguns casos de indeterminações que não são facilmente eliminadas, como nos casos
anteriormente estudados. Esses são os limites fundamentais, vejamos alguns deles:

 sen x 
1º caso: lim   =1
→0  x 
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

Exemplos:

1)  sen 3x 
lim  
x →0  x 

Para calcular o limite da função, vamos utilizar o limite fundamental, para isso precisamos ter o
denominador igual ao arco, assim, devemos multiplicar e dividir por 3, temos:

 sen 3x   sen 3x  3
lim   = lim  .
x →0  x  x →0  x  3

Arrumando o denominador, ficamos com:

 sen 3x   sen 3x 
lim   = lim 3 
 3 x 
x →0 x  x →0

Temos, então, o limite fundamental multiplicado por 3, logo:

 sen 3x   sen 3x 
lim   = 3 lim   = 3.1 = 3
x →0  x  x → 0  3x 

94

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 94 24/05/2012 09:41:49


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

 sen 3x 
2) lim  
x → 0  sen 5x 

Para calcular o limite da função, vamos utilizar o limite fundamental. Como temos a função
seno, tanto no numerador quanto no denominador precisamos multiplicar por 15x e dividir por 15x,
então:

 sen 3x   sen 3x  5x 3
lim   = lim  . .
x → 0  sen 5x  x → 0  sen 5 x  3x 5

Arrumando convenientemente os valores, temos:

 sen 3x   sen 3x   5x  3
lim   = lim   . .
x → 0  sen 5x  x → 0  3 x   sen 5x  5

Temos, então, dois limites fundamentais multiplicados pela fração 3/5, assim:

 sen 3x  3  sen 3x   5x  3 3
lim   = lim   . lim   = .1.1 =
x → 0  sen 5x  5 x → 0  3 x  x → 0  sen 5x  5 5

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
x x
 1  1
2º caso: lim 1 +  = e; lim 1 +  = e
x → +∞  x x → −∞  x

e = nº de euler.

Valem também os seguintes resultados:

ax x
 1 a  a
lim 1 +  =e ; lim 1 +  = ea
x → ± ∞ x x → ± ∞ x

Saiba mais

Para mais detalhes sobre número de euler e o limite fundamental,


acesse:

<http://www.educ.fc.ul.pt/icm/icm99/icm17/numeroe.htm>.

95

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 95 24/05/2012 09:41:53


Unidade II

Exemplos:

5x
 1
1) lim 1 + 
x → + ∞ x

É um caso de limite fundamental no qual a = 5, logo:

5x
 1
lim 1 +  =e 5
x → + ∞ x

x
 4
2) lim 1 + 
x → + ∞ x

É um caso de limite fundamental no qual a = 4, logo:

5x
 1
lim 1 +  =e 4
x → + ∞ x

A seguir, vamos reunir as propriedades para facilitar o seu estudo:


Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

Propriedades operatórias dos limites:

1) f( x ) = k, k constante ⇒ limf( x ) = k
x→x 0

lim f( x ) = a, e limg( x ) = b, com a ∈ IR e b ∈ IR ⇒ lim f ( x ) ± g ( x ) = a ± b


2) x→x x→x x→x 0
0 0

3) limf(x) = a e xlim g( x ) = b, com a ∈ IR e b ∈ IR ⇒ lim f ( x ) ⋅ g ( x ) = a ⋅ b


x→x 0 →x 0 x→x 0

n
4) limf(x) = a, com a ∈ IR e n ∈ IN * ⇒ lim f ( x ) = a
x→x 0 x→x 0

f( x )
5) lim f( x ) = a, com a ∈ IR+ ⇒ limb = bf ( x )
x→x 0 x→x 0

6) lim f( x ) = a, com a ∈IR+ e n ∈IN* ⇒ lim n f(x) = n a


x→x 0 x→x 0

e n ∈IR*+ , b ≠ 1 ⇒ lim logb( ) = lo


f x
7) limf(x) = a, com a ∈IR+
x→x 0 x→x 0

96

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 96 24/05/2012 09:42:00


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

 f (x )  a
limf(x) = a, e ∈IR+ e xlimx g( x )=b, com a ∈IR e b ∈IR
*
8) ⇒ lim  =
x→x 0 → 0 x→x 0  g ( x )  b

Limites infinitos e fundamentais:

 1
lim  n  = 0, n > 0
x → ∞ x 

lim xn = +∞, n > 0


x → ∞

+∞, se n é par
lim xn = 
x → ∞  −∞, se n é ímpar

 1
lim  2  = +∞
x → 0 x 

 sen x
lim   = 1
x → 0 x

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
x
 1
lim 1 +  =e
x → +∞  x
x
 1
lim 1 +  = e
x → −∞  x

6.2 Ampliando seu leque de exemplos


x + 1 se x > 1
1) Determinar o valor do limite lim f( x )
, sendo f( x ) = 
x→1 + 3x se x ≤ 1
Resolução:

Como queremos o limite para x tendendo a 1 pela direita, devemos usar a expressão da função para
esse intervalo, isto é, f(x) = x + 1 e calcular o limite.

Assim:

lim f( x ) = lim x + 1 = 1 + 1 = 2
x →1- x →1-

97

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 97 24/05/2012 09:42:06


Unidade II

x2 + 2x se x > 5

2) Determine o valor de a para a função f( x ) = a se x = 5 , seja contínua em xo = 5
x + 30 se x < 5

Resolução:

Para verificar se uma função é contínua em 5, devemos calcular o limite de f, quando x tende para
5, e comparar com f(5). Se forem iguais à função, será contínua, caso contrário, não será contínua.

Para calcular o limite de f, devemos calcular os limites laterais, assim:

lim f( x ) = lim x + 30 = 35
x →5- x →5-

lim f( x ) = lim x2 + 2x = 52 + 2.5 = 25 + 10 = 35


x →5+ x →5+

Os limites laterais são iguais, logo existe o limite e x lim f ( x ) = 35


→5
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

Para ser contínua em 5, ainda falta igualar f(5) ao valor do limite, assim:

f(5) = a = 35.

Logo, o valor de a para que a função seja contínua em x0 = 5 é a = 35.

 x2 − x − 20 
3) Calcular valor do limite lim  x − 5 
x→ 5  

Resolução:

Para se calcular o limite, a primeira providência é substituir o valor de x0 na função. Se a conta for
possível, o limite está calculado, caso contrário, precisaremos utilizar outro procedimento para resolver
o limite.

Substituindo o valor de x na expressão, temos uma indeterminação. Vamos fatorar o numerador e


simplificar a fração para eliminar a indeterminação:

 x2 − x − 20   (x + 4 ).(x − 5) 
lim   = lim   = lim (x + 4 ) = 5 + 4 = 9
x → 5 x − 5  x → 5 x −5 x → 5

98

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 98 24/05/2012 09:42:10


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

 2x 4 + 3x2 + 5x 
4) Calcular o limite lim  3 2 
x→ - ∞  x + 2x + 10 

Resolução:


Novamente, temos uma indeterminação do tipo   . Vamos calcular o limite utilizando o x de
 ∞
maior grau do denominador e o de maior grau do denominado. Assim:

 2x 4 + 3x2 + 5X  2x 4
lim  3 = lim
 x → -∞ 3
x → - ∞  x + 2X 2 + 10  x

Simplificando a expressão, ficamos com:

lim 2 x = -∞
x→ - ∞

Logo,

 2x 4 + 3x2 + 5x 

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
lim   = −∞
x→ - ∞  x 3 + 2x 2 + 10 

1
5) Calcular o valor do limite lim
x→ − 4 ( x + 4 )
2

Resolução:

Substituindo x por –4, encontramos uma indeterminação. Nesse caso, não conseguimos eliminar a
indeterminação por meio de fatoração.

Será necessário outro procedimento.

Estudando o comportamento da função à direita e à esquerda de –4, notamos que é o mesmo da


função f(x) = 1 / x2, isto é, tanto pela esquerda quanto pela direita, teremos o mesmo valor:

 1   1
lim 
→ - 4  ( x + 4 )2 
=
 x → - 4  2  = +∞
lim
x x

99

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 99 24/05/2012 09:42:15


Unidade II

Resumo

Nessa unidade, estudamos mais algumas funções reais. Vamos agora


destacar alguns itens importantes sobre elas:

Função exponencial: f(x) = c + b amx, (a > 0, a ≠1, b ≠ 0 e m ≠ 0)

Função logarítmica: f(x)=logax, com a > 0, a ≠ 1 e x > 0

Função modular: f(x) = | x |

x se x ≥ 0
y =| x |= 
-x se x < 0

Função seno: f(x) = sen x

D(f) = IR

Im (f) = {y ∈IR / -1 ≤ y ≤ 1}
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

período p = 2π
y f(x)= senx
1
+ +
π 3π/2 x
-1 1 π/2 2 3 4 5 6 2π 7 8
- -
-1

Função cosseno: f(x) = cos x

D(f) = IR

Im (f) = {y ∈IR / -1 ≤ y ≤ 1}

período p = 2π

100

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 100 24/05/2012 09:42:17


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

y
1
+ + + + f(x)= cosx
π x
-1 1 π/2 2 3 4 5 6 2π 7 8
- - 3π/2
-1

Função tangente: f(x) = tg x

(2k + 1)π
D(f) = {x ∈IR / x ≠ , k ∈Z}
2
Im (f) = IR

período p = π
y
2 f(x)= tgx

1
π/2 π 3π/2 x

-1 1 2 3 4 5 6 7 8
-1

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
-2

Assíntotas: retas das quais o gráfico das funções se aproxima, porém


não corta nem tem ponto comum com elas.

Podemos ter assíntotas horizontais, verticais ou inclinadas.

Limites: alguns resultados importantes sobre limites:

• Teorema do confronto

— g( x ) ≤ f( x ) ≤ h( x ) e lim g(x) = lim h(x) = L ⇒ lim f(x) = L


x → c x → c x → c

— lim g(x) ≤ M e lim f(x) = 0 ⇒ lim f(x).g(x) = 0


x → c x → c x → c

• Função contínua

f é contínua em x 0 ⇔ lim f(x) = f(x 0 )


x→ x 0

• Teorema do valor intermediário

101

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 101 24/05/2012 09:42:20


Unidade II

“se f(x) é contínua num intervalo fechado [a, b] e L, tal que f(a) ≤ L ≤
f(b), então existe c ∈ [a, b] com f(c) = L.”

• Propriedades

1) f( x ) = k, k constante ⇒ limf( x ) = k
x→x 0

2) limf( x ) = a, e limg(x) = b, com a ∈ IR e b ∈ IR ⇒ lim f ( x ) ± g ( x ) = a ± b


x→x 0 x→x 0 x→x 0

3) limf(x) = a e limg(x) = b, com a ∈ IR e b ∈ IR ⇒ lim f ( x ) ⋅ g ( x ) = a ⋅ b


x→x 0 x→x 0 x→x 0

n
4) limf(x) = a, com a ∈ IR e n ∈ IN * ⇒ lim f ( x ) = a
x→x 0 x→x 0

f( x )
5) lim f( x ) = a, com a ∈ IR+ ⇒ limb = bf ( x )
x→x 0 x→x 0

6) lim f( x ) = a, com a ∈IR+ e n ∈IN* ⇒ lim n f(x) = n a


x→x 0 x→x 0
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

e n ∈IR*+ , b ≠ 1 ⇒ lim logb( ) = lo


f x
7) limf(x) = a, com a ∈IR+
x→x 0 x→x 0

8) limf( x ) = a, e ∈IR+ e limg ( x ) =b, com a ∈IR e b ∈IR* ⇒ lim  ( )  =


f x  a
x→x 0 x→x 0 x→x 0  g ( x )  b

• Limites infinitos e fundamentais

 1
lim  n  = 0, n > 0
x → ∞ x 

lim xn = +∞, n > 0


x → ∞

+∞, se n é par
lim xn = 
x → ∞  −∞, se n é ímpar

 1
lim  2  = +∞
x → 0 x 

102

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 102 24/05/2012 09:42:20


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

 sen x
lim   = 1
x → 0 x

x
 1
lim 1 +  =e
x → +∞  x
x
 1
lim 1 +  = e
x → −∞  x

Exercícios

Questão 1 No ano de 2005, uma empresa lançou um novo produto no mercado, com produção
inicial de 2000 unidades. A quantidade P de unidades produzidas, a partir de 2005, segue a função
p(t)=2000.(0,95)t, sendo que t representa o tempo em anos. Considerando-se que log(0,5)=–0,30 e
log(0,95)=–0,02, após 2005, a produção será de 1000 unidades no ano de:

(A) 2010

(B) 2015

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
(C) 2020

(D) 2025

(E) 2030

Resposta correta: Alternativa (C)

Análise das alternativas:

Considerando-se que o ano de 2005 é t = 0, fazemos:

P(0)=2000.(0,95)0=2000.1=2000

O P(0) representa a quantidade de unidades do produto produzida no ano de 2005.

Para sabermos em que ano a quantidade de unidades produzidas será de 1000, fazemos:

1000
P(t) = 2000.(0, 95)t ⇒ 1000 = 2000.(0, 95)t ⇒ = (0, 95)t ⇒ 0, 5 = (0, 95)t
2000

103

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 103 24/05/2012 09:42:21


Unidade II

Podemos aplicar a definição de logaritmo em ambos os lados da equação (utilizar dica do enunciado).
Logo:

0, 5 = (0, 95)t ⇒ log(0, 5) = log(0, 95)t ⇒ log(0, 5) = t.log(0, 95) ⇒ −0, 30 = −0, 02t ⇒
−0, 30
⇒t= ⇒ t = 15
−0, 02

Então, em 15 anos, a quantidade de unidades produzidas será de 1000. Sendo assim, como o
ano inicial é 2005, fazemos: 2005 + 15 = 2020. Logo, a produção será de 1000 unidades no ano de
2020.

Então:

(A) Alternativa Incorreta.

Justificativa: de acordo com os cálculos.

(B) Alternativa Incorreta.

Justificativa: de acordo com os cálculos.


Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

(C) Alternativa Correta.

Justificativa: de acordo com os cálculos.

(D) Alternativa Incorreta.

Justificativa: de acordo com os cálculos.

(E) Alternativa Incorreta.

Justificativa: de acordo com os cálculos.

Questão 2 (ENEM/2009) A população mundial está ficando mais velha, os índices de


natalidade diminuíram e a expectativa de vida aumentou. No gráfico seguinte, são apresentados
dados obtidos por pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), a respeito
da quantidade de pessoas com 60 anos ou mais em todo o mundo. Os números da coluna da
direita representam as faixas percentuais. Por exemplo, em 1950 havia 95 milhões de pessoas
com 60 anos ou mais nos países desenvolvidos, número entre 10% e 15% da população total
nos países desenvolvidos.

104

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 104 24/05/2012 09:42:21


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

461 35
Países desenvolvidos
30
269
25
1.592
Número em milhões
20

95 15
490
Países em
desenvolvimento 10

5
110
Estimativas
0
1950 1970 1990 2010 2030 2050

Fonte: “Perspectivas da popolação mundial”, ONU, 2009

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Disponível em: www.economist.com. Acesso em: 9 jul. 2009 (adaptado).

Suponha que o modelo exponencial y=363.e0,03.x, em que x = 0 corresponde ao ano 2000, x = 1


corresponde ao ano 2001, e assim sucessivamente, e que y é a população em milhões de habitantes
no ano, x seja usado para estimar essa população com 60 anos ou mais de idade nos países em
desenvolvimento entre 2010 e 2050. Desse modo, considerando e0,03=1,35, estima-se que a população
com 60 anos ou mais estará, em 2030, entre:

(A) 490 e 510 milhões.

(B) 550 e 620 milhões.

(C) 780 e 800 milhões.

(D) 810 e 860 milhões.

(E) 870 e 910 milhões.

Resolução desta questão na plataforma.

105

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 105 24/05/2012 09:42:21


Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

106
Unidade II

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 106


24/05/2012 09:42:21
CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Unidade III
DERIVADAS, SUAS APLICAÇÕES E APLICAÇÕES GERAIS

7 DERIVADAS

Inicialmente, veremos a interpretação geométrica da derivada.

Consideremos uma função f e dois pontos A (x, y) e B (x + ∆x, y + ∆y) do seu gráfico.

Por esses pontos, temos uma reta r1 secante ao gráfico de f (isto é, corta o gráfico em dois pontos).
∆y
O coeficiente angular da reta r1 é a = e a sua equação é y = a x + b.
∆x
y ƒ(x)
r1
y + ∆y B

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
∆y

A
y ∆x
x
x x + ∆x

Observe a figura abaixo. Quando diminuímos o acréscimo ∆x, o ponto B se aproxima de A e as retas
secantes r1, r2, r3, [...]. se aproximam da reta t, tangente ao gráfico de f, no ponto A:
y ƒ(x)
r1
y + ∆y B1
1 r2
B2 r3
∆y1
B3 t
A
y ∆x1
x
x x + ∆x1

O coeficiente angular da reta r1 tende para um número que chamamos de derivada de f e escrevemos
f ’(x), assim:

107

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 107 24/05/2012 09:42:22


Unidade III

 ∆y 
lim   = f ’(x)
∆x→0 ∆x

Podemos também utilizar h para indicar o acréscimo dado em x, no lugar da notação de ∆x, nesse
caso, temos a definição de derivada dada pelo limite:

 f( x + h) − f( x ) 
lim 
h → 0 h
 = f ’( x )

Lembrete

Você pode usar qualquer uma das formas, trabalhe com a que se
adaptou melhor.

Reta tangente ao gráfico de f:

A equação da reta tangente ao gráfico de f no ponto A = (x0, y0) tem equação:

y – y0 = f ‘(x0) (x – x0).
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

Observação

Note que você vai primeiro calcular a derivada em x e só depois substituir


o valor x0.

Nem sempre será possível determinar a reta tangente ao gráfico de uma função em qualquer ponto,
veja os gráficos a seguir:

P P
R R

Observando os dois gráficos, temos que em ambos não é possível encontrar a reta tangente ao
gráfico no ponto P, nesse ponto, o gráfico apresenta um “bico” e então teríamos duas tangentes. Porém,
é possível encontrar a reta tangente no ponto R e nesses exemplos existe a reta tangente em todos os
outros pontos também.

108

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 108 24/05/2012 09:42:24


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

7.1 Notações de derivada

Dada uma função y = f(x), podemos escrever a sua derivada em um ponto qualquer:

dy df(x)
y ’ ou f’(x) ou ou
dx dx

Quando queremos escrever a derivada da função em um ponto particular x0, escrevemos:

dy df(x 0 )
y ’( x 0 ) ou f’(x 0 ) ou (x 0 ) ou
dx dx

Exemplos:

1) Sendo f(x) = x2, calcular pela definição:

a) f ’(x) b) f ’(0) c) f ’(1)

a) Para calcular a derivada da função pela definição, você deve, inicialmente, encontrar ∆y. Para
isso, vamos substituir f(x) por y e determinar y + ∆y, assim:

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
y+∆y=(x+∆x)2 e como y = x2, temos:
x2+∆y=(x+∆x)2 ⇒ ∆y=x2+2x ∆x+(∆x)2–x2 ⇒ ∆y=2x ∆x+(∆x)2

Substituindo no limite da definição de derivada, ficamos com:

 ∆y   2x ∆x + ( ∆x )2 
f ’( x ) = lim   = lim  
  ∆x→0 
∆x→0 ∆x ∆x 

Note que o limite, quando ∆x → 0, é uma indeterminação, logo, para resolver, você deve
eliminar a indeterminação.

Nesse caso, basta colocar ∆x em evidência, simplificar e calcular o limite da expressão que
sobrou, assim:

 2 x ∆x + ( ∆x )2   ∆x(2 x + ∆x ) 
f ’( x ) = lim   = lim   = lim (2x + ∆x ) = 2x
∆x→0  ∆ x  ∆x→0 ∆ x ∆x→0

Logo, f ’(x) = 2x.

b) Para determinar o valor da derivada em x = 0, você deve substituir o valor de x por 0 na


expressão da derivada, isto é, f ’ (0) = 2. 0 = 0. Logo, f ‘(2) = 0.
109

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 109 24/05/2012 09:42:26


Unidade III

c) O mesmo deve ser feito agora em x = 1, assim, substituindo x por 1 na expressão da derivada,
encontramos f ’ (1) = 2. 1 = 2. Logo, f ’(1) = 2.

2) Sendo f(x) = 3x, calcular pela definição:

a) f ’ (x) b) f ’ (–1) c) f ’ (2)

a) Para calcular a derivada pela definição, inicialmente encontre ∆y, para isso, vamos substituir
f(x) por y e determinar y + ∆y, assim:

y+∆y–3(x+∆x), como y = 3x, temos:

3x+∆y=3(x+∆x)

∆y – 3x+∆x – 3x

∆y=3∆x

Substituindo no limite da definição de derivada, temos:

 ∆y   3 ∆x 
f ’( x ) = lim   = lim 
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

  ∆x→0  ∆x 
∆x→0 ∆x

Note que, se você calcular o limite da função tal como ela está, você encontrará uma
indeterminação.

Antes de calcular o limite, simplifique a fração. Teremos:

 ∆y   3 ∆x 
f ’( x ) = lim   = lim 
  ∆x→0  ∆x  ∆lim
= 3=3
∆x→0 ∆x x →0

Logo, f ’ (x) = 3.

b) Para calcular a derivada em x = –1, substitua o valor de x na expressão da derivada, assim, você
encontrará f ’ (–1) = 3.

c) Faça o mesmo agora para x = 2, assim, f ’ (2) = 3.

3) Queremos agora encontrar a equação da reta tangente ao gráfico da função f(x) = x2 em x0 = –2.

Como vimos no exemplo 1, a derivada da função f(x) = x2 é f ’ (x) = 2x, assim, temos que o coeficiente
angular da reta tangente ao gráfico de f em x0 = –2 é dado por a = f ’ (–2) = (–2)2 = 4.

110

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 110 24/05/2012 09:42:28


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Sabemos também que a reta tangente passa pelo ponto de tangência, (x0, y0), isto é, passa pelo
ponto de coordenadas (–2, f(–2)) = (–2, 4).

A equação da reta tangente é:

y – y0 = a (x – x0), isto é:

y – 4 = – 4 (x – (–2))

Logo, y = – 4x – 4 representa a reta tangente.

Para entender melhor, vamos representar graficamente a função e sua reta tangente:
y
f(x)=x2
4

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
x
-2 0 2

O gráfico da função f(x) = x2 é uma parábola com concavidade para cima, com vértice no ponto (0,
0).

A reta tangente tem equação y = –4x – 4 e passa por T(–2, 4), ponto de tangência. Precisamos
encontrar mais um ponto da reta, por exemplo:
f(x)=–4x –4
x y y
2 4
–1 0 4

x
-2 -1 0 2
t

111

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 111 24/05/2012 09:42:28


Unidade III

Unindo os dois gráficos, temos:


y
f(x)=x2
4

x
-2 0 2
t

Nem sempre será possível calcular a derivada da função em qualquer ponto, vejamos o próximo
exemplo:

4) A função f(x) = |x – 1| não é derivável em x = 1.

Para verificar esta informação, vamos calcular a derivada pela definição, assim:
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

 f( x + h) + f( x )   | x − 1 + h | − | x − 1| 
f ’( x ) = lim  h
 = lim 
h

h → 0 h →0

A derivada no ponto x = 1 é igual a:

 | 1 − 1 + h | − | 1 − 1|   | h |
f ’(1) = lim 

h  hlim
 =   , quando h tende para zero, temos uma
h →0 →0 h

indeterminação.

Vamos observar o gráfico da função para decidir qual o valor do limite.

Utilizando a definição de módulo, temos g(x) =

h
 h , se h ≥ 0 1, se h ≥ 0
|h|  | h | 
= , isto é, =
h  h 
−h
 , se h < 0  −1, se h < 0
h

O gráfico deverá ser feito em duas partes, assim:

112

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 112 24/05/2012 09:42:30


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Calculando os limites laterais, notamos que:

 | h |
f ’( x ) = lim +  h
= lim +1 = 1
h →0 h →0

 | h |
f ’( x ) = lim −  h
= lim − − 1 = −1
h →0 h →0

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Como os limites laterais são diferentes, temos que não existe o limite e, portanto, a função não é
derivável em x = 1.

4) Do mesmo modo que o exemplo anterior f(x) = |x| não é derivável em x = 0, porém é derivável em
qualquer outro valor de x.

Observe o gráfico da função f(x) = |x|, em x = 0 tem um “bico”, assim não é derivável em x = 0, porém,
no restante do gráfico, não temos problemas e a função será derivável em todos os outros pontos:

1 x

113

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 113 24/05/2012 09:42:32


Unidade III

Observação

Algumas funções são deriváveis em todos os pontos e outras podem


não ser deriváveis em determinados pontos.

Saiba mais

Para exemplos de taxa de variação, acesse:

<http://wwwp.fc.unesp.br/~arbalbo/arquivos/derivadasaplicacoes.pdf>

7.2 Regras de derivação

Não é prático calcular derivadas utilizando a definição. Para agilizar o cálculo, usaremos as regras de
derivação, a seguir, veremos algumas1:

1) y=c ⇒ y’ =0, c é constante


Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

Exemplos:

a) y=4 ⇒ y’=0

b) f(x) = a + 1

Note que f é função de x, então (a + 1) é constante e a derivada de f(x) = a + 1 deve ser calcula pela regra 1:

f ’ (x) = 0

2) y=x ⇒ y’=1
y=kx ⇒ y’=k

Exemplos:

a) y = 2x

A função é formada por uma constante multiplicada pela variável, assim, a sua derivada será igual
a constante, logo:

y’=2
1
Outras regras são encontradas nas tabelas gerais nos livros indicados na bibliografia.
114

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 114 24/05/2012 09:42:32


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

b) y = –4x

Novamente, a função é formada por uma constante multiplicada pela variável, assim, a sua derivada
será igual a constante, logo:

y’ = –4

c) y = 2x

A função é formada por uma constante multiplicada pela variável, assim, a sua derivada será igual
a constante, logo:

1
y’ =
2

3) y=c xn ⇒ y’=c.n.xn–1, c é constante

Exemplos:

a) y=x2 ⇒ y’=2x2–1=2.x

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
b) y=–3x4 ⇒ y’=–3.4.x4–1=–12x3

c) y=5x–3 ⇒ y’=5.(–3).x–3–1=–15x–4

d) f(x)=(a–2)x3

Note que f é função de x, então o termo (a – 2) é constante e deverá ser considerado como o c da
regra 3, assim, a derivada de f(x) = (a – 2) x3 será

f ‘(x) = (a – 2). 3. x3 – 1 = 3 (a – 2) x2.

Observação

Esta regra, muitas vezes, é chamada de regra do tombo, pois “derrubamos


o expoente”.

4) y=ex ⇒ y’=ex
y=c ex ⇒ y’=c ex, c constante
y=ax, a ≠ 0 ⇒ y’=ax In a

115

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 115 24/05/2012 09:42:33


Unidade III

Exemplos:

a) y=3ex

A função é formada por uma constante e pela exponencial, teremos, então, que sua derivada será
igual a:

y’ = 3. (ex)’ = 3 . ex

b) y = 2x

Temos agora a derivada de uma função exponencial e como a base não é igual a e, você deve utilizar
a 2ª regra da exponencial, assim, a derivada da função será igual a:

y’= 2x. ln 2

c) y = 2. 3x

Novamente, a função é uma exponencial como base diferente de e, agora multiplicada por uma
constante. Vamos utilizar a 2ª regra da exponencial, assim, a derivada será a constante multiplicada pela
derivada da exponencial, isto é:
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

y’= 2. (3x)’ = 2 . 3x . ln 3

1
5) y = ln x ⇒ y’ =
x
Exemplos:

a) y = 3 ln x

A função é formada por uma constante multiplicada pelo ln x, assim, a derivada da função será a
constante multiplicada pela derivada do ln x, isto é:

1
y’ = 3.(ln x)’ = 3.
x

b) y = –5 ln x

A função é formada por uma constante multiplicada pelo ln x, assim, a derivada da função será a
constante multiplicada pela derivada do ln x, isto é:

1 −5
y’ = 5.(ln x)’ = 5. =
x x
116

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 116 24/05/2012 09:42:35


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

6) derivada da soma e da diferença


y=f(x)+g(x) ⇒ y’=f’(x)+g(x)
y=f(x)–g(x) ⇒ y’=f’(x)–g’(x)

Observação

Esta regra pode ser generalizada para um número qualquer de parcelas,


bastando calcular a derivada de cada parcela e depois efetuar a soma ou
subtração dos resultados.

Exemplos:

a) y=x2+5x

A função é formada pela soma de duas outras, f(x) = x2 e g(x) = 5x. Você vai encontrar a derivada
de y utilizando a regra apropriada para cada parcela. Em nosso exemplo, a regra 3) para f(x) e a regra 2)
para g(x).

Assim:

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
y’=(x2)’+(5x)’=2x+5

b) y=–3x4+7x–2–ex

A função é formada pela soma de 3 outras:

f(x)=–3x4, g(x)=7x–2 e h(x)=–ex.

Você vai encontrar a derivada de y utilizando a regra apropriada para cada parcela.

Nesse exemplo usaremos a regra 3) para f(x) e g(x) e a regra 4) para h(x).

Assim:

y‘=–3x4+7x–2–ex
y‘=–3.4x4 – 1+7.(–2)x–2–1–ex
y‘=–12x3–14x–3–ex

c) y=4x2+x–1

Novamente temos a função formada pela soma de outras duas, f(x) = 4x2 e g(x) = x –1, utilizando a
regra 3) para f e g, temos:

117

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 117 24/05/2012 09:42:35


Unidade III

y‘=(4x2)’+(x–1)’
y‘=4.2.x2–1+(–1)x–1–1
y‘=8.x–x–2
7) derivada do produto
y=f(x).g(x) ⇒ y’=f’(x).g(x)+f(x).g’(x)
ou
y=u.v ⇒ y’=u’.v+u.v’
Exemplos:

a) y=(x+3x2).(2x–4)

Queremos calcular a derivada do produto das funções: u (x) = (x + 3x2) e v (x) = (2x – 4). Para isso,
vamos calcular as derivadas separadamente e depois substituímos na regra 7).

Calculando a derivada das funções u e v, temos:

u’(x)=1+3.2.x=1+6x
v‘(x)=2–0=2

Substituindo na regra, temos:


Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

y’ = (u.v)’ = u’.v + u. v’ = ( x + 3x2 ) ’ .(2x-4) + ( x + 3x2 ).(2x-4)’


y ’ = (1 + 6 x).(2x-4) + (x + 3x2 ).(2)
Utilizando a propriedade distributiva, temos:

y‘=18x2–20x– 4

b) y=(3x+5x2).(x+2)

Queremos calcular a derivada do produto das funções u(x)=(3x+5x2) e v(x)=(x+2). Para isso, vamos
calcular as derivadas separadamente e depois substituímos na regra 7).

Calculando a derivada das funções u e v, temos:

u‘(x)=3+5.2.x=3+10x
v‘(x)=1+0=1

Substituindo na regra, temos:

y’ = (u.v)’ = u’.v + u.v’ = (3x + 5x2 ) ’ .(x + 2) + (3x + 5x2 ).(x + 2)’
y ’ = (3 + 10x).(x + 2) + (3x + 5 x2 ).(1)

118

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 118 24/05/2012 09:42:36


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Utilizando a propriedade distributiva, temos:

y‘=15x2+26x+6

8) derivada do quociente
f( x ) f’(x).g(x) − f(x).g’(x)
y= ⇒ y’ =
g( x ) (g(x))2

Exemplos:

x2 3x
a) y =
( x + 2)

A nossa função é o quociente de duas funções: u(x)=x2–3x e v(x)=x+2. Podemos calcular as derivadas
de u e v separadamente e depois substituir na regra do quociente, assim:

u(x)=x2–3x ⇒ u‘(x)=2x–3
v(x)=x+2 ⇒ v‘(x)=1+0=1

Substituindo na regra, temos:

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
u’.v − u.v’ (2x − 3).(x + 2) − (x2 − 3x).1
y’ = =
( v )2 (x + 2)2

x 3 − 2x 2 + x
b) y =
( x2 − 1)

A nossa função é o quociente de duas funções: u(x)=x3–2x2+x e v(x)=x2–1.

Vamos calcular as derivadas de u e v separadamente e depois substituir na regra do quociente,


assim:

u(x)=x3–2x2+x ⇒ u‘(x)=3x2–2x+1

v(x)=x2–1 ⇒ v‘(x)=2x–1

Substituindo na regra, temos:

u’.v − u.v’ (3 x2 − 2x + 1).(x2 − 1) − (x 3 − 2x2 + x ).(2x − 1)


y’ = =
( v )2 (x2 − 1)2

119

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 119 24/05/2012 09:42:40


Unidade III

Utilizando a propriedade distributiva, temos:

x 4 + 3x 3 − 6x2 + 3x − 1
y’ =
(x2 − 1)2

9) derivada da função composta (ou regra da cadeia)


h = f(y), y = g(x) e h = f(g(x)) ⇒ h’ = f’(g(x)).g’(x)

Exemplos:

a) y = (2x + 5)3
y’ = 3(2x + 5)2 .(2x + 5)’ = 3(2x + 5)2 .2 = 6(2x + 5)2

2 2 2
b) y = e x ⇒ y’ = ex .(x2 )’ = ex .(2x)

1
c) y = 4x − 1 ou y = (4x − 1) 2
1 -1 1 -1 -1
y’ = (4x − 1) 2 .(4x − 1)’ = (4x − 1) 2 .4 = 2(4x − 1) 2
2 2
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

7.3 Derivadas de ordem superior

Temos várias aplicações na qual precisamos derivar a função mais de uma vez, isto é, precisamos
calcular as derivadas de ordem superior.

Em Física, temos o conceito de velocidade instantânea, que é a taxa de variação do espaço pelo
tempo, isto é, a velocidade instantânea é calculada pela derivada da função espaço. Temos também a
aceleração instantânea, que é a taxa de variação da velocidade pelo tempo, logo, a aceleração é dada
pela derivada da velocidade.

Mas se a velocidade é a derivada do espaço, podemos dizer que a aceleração é a derivada de 2ª


ordem do espaço.

Quando falamos em derivadas de ordem superior ou derivadas sucessivas, estamos nos


referindo a derivar a função mais de uma vez; as notações mais comuns para indicar estas
derivadas são:
df d2f d3f
f ’, f ”, f ’’’, f ,.... ou
iv
, , ,....
dx dx2 dx 3
Vejamos alguns exemplos de derivadas sucessivas.

120

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 120 24/05/2012 09:42:44


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Exemplos:

1) Determinar as derivadas de 1ª, 2ª e 3ª ordens das funções:

a) f(x)=3x5+2x3–10x2+6x

Resolução:

Calculando a derivada de 1ª ordem:

f’(x)=3.5.x4+2.3.2–10.2.x+6

f’(x)=15x4+6x2–20x+6

Para calcular a derivada de 2ª ordem, devemos derivar f‘(x), assim:

f”(x)=15.4x3+6.2x–20

f”(x)=60x3+12x–20

Agora devemos derivar f”(x) para determinar f’”(x), logo:

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
f’”(x)=60.3x2+12

f’”(x)=180x2+12

Observação

O polinômio com expoentes positivos, quando derivado muitas vezes,


em algum momento será constante e, daí para frente, suas próximas
derivadas serão nulas.

b) f(x)=x3+cos x

Resolução:

Calculando a derivada de 1ª ordem:

f’(x)=3.x2–sen x

f’(x)=3x2–sen x

121

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 121 24/05/2012 09:42:44


Unidade III

Para calcular a derivada de 2ª ordem, devemos derivar f‘(x), assim:

f”(x)=6x–cos x

f”(x)=6x–cos x

Agora devemos derivar f”(x) para determinar f’”(x), logo:

f’”(x)=6+sen x

f’”(x)=6+sen x

Observação

Com a função trigonométrica podemos calcular as derivadas sucessivas


indefinidamente, sem que fique constante.

c) f(x)=3Lnx

Resolução:
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

Calculando a derivada de 1ª ordem:

f’(x)=3.1/xouf’(x)=3.x–1

f’(x)=3.x–1

Para calcular a derivada de 2ª ordem, devemos derivar f‘(x) utilizando a expressão com
expoente negativo, a derivada é mais simples, do contrário, você deve utilizar a regra do
quociente, assim:

f”(x)=3(–1)x–2

f”(x)=–3x–2

Agora devemos derivar f”(x) para determinar f’”(x), logo:

f’”(x)=(–3).(–2)x–3

f’”(x)=6x–3

122

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 122 24/05/2012 09:42:44


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Lembrete

Nesse caso, o expoente é negativo e também podemos calcular as


derivadas sucessivas indefinidamente, sem que o resultado seja igual a
zero.

2) Um móvel tem equação horária dada por S(t)=16t2–2t+10, com S em metros e t em segundos,
determine:

a) A velocidade instantânea em função do tempo.

b) A velocidade instantânea para t=2s.

c) A aceleração instantânea.

d) A aceleração instantânea para t=2s.

Resolução:

a) Para encontrar a velocidade instantânea, vamos calcular a derivada de S, assim:

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
S‘(t)=16.2.t–2

Logo, V (t) = S ‘ (t) = 32t – 2

b) Como queremos a velocidade no instante t = 2, vamos substituir o valor de t na expressão de V(t).


Temos:

V(2)=32.2–2=64–2=62m/s

A aceleração instantânea é calculada pela derivada da velocidade, assim:

a(t)=V’(t)=32

d) Como a função é constante, o valor será o mesmo para qualquer valor de t, assim:

a(t)=32m/s2

7.4 Alguns teoremas

A seguir, teremos alguns teoremas sobre continuidade e derivadas. As demonstrações podem ser
encontradas nos textos indicados na bibliografia.

123

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 123 24/05/2012 09:42:44


Unidade III

• Teorema de Bolzano

“f é uma função contínua em [a, b] e f(a) e f(b) têm sinais diferentes, então existe, pelo menos, um
ponto c de ]a, b[, tal que f(c) = 0.”

a b

Observando o exemplo, notamos que f(a) > 0 e f(b) < 0, (sinais diferentes) e existem valores em ]a,
b[, no qual f(c) = 0.

Exemplo:

A velocidade de um móvel é dada por v(t)=t3–3t–1. Mostre que no intervalo [0, 2] existe um instante
em que a velocidade é nula.
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

Vamos calcular o valor da função nos extremos t=0 e t=2:

v(0)=03–3.0–1=–1<0

v(2)=23–3.2–1=8–6–1=1>0

Assim, pelo teorema de Bolzano, existe um valor entre 0 e 2, para o qual a velocidade é zero.

• Teorema de Weierstras

“f é contínua em [a, b], então f tem máximo e mínimo em [a, b].”

Observe agora os gráficos de algumas funções contínuas em [a, b]:


y y
Vmáx
f(a)=Vmáx

f(b)=Vmin Vmin
x x
a b a Xmin b Xmáx

124

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 124 24/05/2012 09:42:44


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Nesses dois exemplos, temos funções contínuas no intervalo fechado e temos valores máximos e
mínimos da função.

Lembrete

Caso a função não seja contínua ou o intervalo não seja fechado,


poderemos ter ou não a existência de máximo e mínimo, isto é, se a
hipótese do teorema não vale, não podemos garantir a existência dos
valores extremos.

• Teorema do valor médio ou teorema de Lagrange


f(b) f(a)
“f é contínua em [a, b] e derivável em ]a, b[, então existe c em ]a, b[, tal que f’(c) = :
b-a
f(x)
f(b)
f(a)

0 b x

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
• Teorema de Rolle

“f é contínua em [a, b], derivável em ]a, b[ e f(a)=f(b) ⇒ existe c em ]a, b[, tal que f’(c)=0.”
f(x)

f(a)=f(b)

0 a c b x

Lembrete

Esse teorema é um caso particular do teorema do valor médio.

A partir desses teoremas, podemos concluir vários resultados úteis em nossos estudos, como os
critérios da derivada para crescimento da função e para a concavidade da função que estudaremos mais
adiante. Temos também outras aplicações que não veremos nesse texto, por exemplo, a fórmula do valor
médio de Cauchy e a fórmula de Taylor, com resto de Lagrange.

125

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 125 24/05/2012 09:42:45


Unidade III

A seguir, resumimos as principais regras de derivação:

Tabela de derivada:

1) y = c ⇒ y’=0,

2) y = x ⇒ y’=1
y = kx ⇒ y’ = k
n n-1
3) y = cx ⇒ y’ = c.n.x c é constante
x x
4) y = e ⇒ y’ = e
y = c ex ⇒ y’ = c ex , c constante
y = ax , a ≠ 0 ⇒ y’ = ax ln a

1
5) y = ln x ⇒ y’ =
x
6) derivada da soma e da diferença
y = f( x ) + g( x ) ⇒ y’ = f’(x) + g’(x)
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

y = f( x ) g( x ) ⇒ y’ = f’(x) g’(x)

7) derivada do produto
y = f( x ).g( x ) ⇒ y’ = f’(x).g(x) + f(x).g’(x)
ou
y = u.v ⇒ y’= u’.v + u.v’

8) derivada do quociente
f( x ) f’(x).g(x) − f(x).g’(x)
y= ⇒ y’ =
g( x ) (g(x))2

9) derivada da função composta (ou regra da cadeia)


h = f(y), y = g(x) e h = f(g(x)) ⇒ h’ = f’(g(x)).g’(x)

Lembrete

Você encontrará nos livros indicados na bibliografia tabelas completas


com outras regras de derivação.
126

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 126 24/05/2012 09:42:52


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Vamos agora reescrever a nossa tabela de derivadas, utilizando a notação de função composta para
facilitar a derivada destas funções.

Tabela de derivadas utilizando a regra da cadeia, considerando u (x) função composta:


n n-1
1) y = k.u ⇒ y’ = k.n.u .u’

2) y = eu ⇒ y’ = u’.eu
y = c eu ⇒ y’ = c.u’.eu , c constante

7.5 Ampliando seu leque de exemplos

1) Determinar a equação da reta tangente ao gráfico de f(x)=x4–x3+3x, no ponto xo=1

Resolução:

A equação da reta tangente ao gráfico da função f no ponto xo é dada por

y–yo=f‘(xo)(x–xo).

Devemos então calcular a derivada da função e substituir o valor de x0, assim:

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
f(x)=x4–x3+3x

f‘(x)=4x3–3x2+3

Então, f‘(1)=4.13–3.12+3=4–3+3=4

Falta, ainda, determinar o valor de f(1) substituindo x=1 na expressão que define a função:

yo=f(1)=14–13+3.1=1–1+3=3

yo=3

Substituindo os dados na equação da reta, temos:

y–yo=f‘(xo)(x–xo)

y–3=4(x–1)

y=4x–1 é a equação da reta tangente ao gráfico de f no ponto xo=1.

2) Calcular a derivada da função y=2x –3+x2


127

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 127 24/05/2012 09:42:54


Unidade III

Resolução:

Para calcular a derivada da função, devemos observar que temos a soma de duas funções e será
necessário verificar qual a regra conveniente para cada caso.

Assim:

y=2x–3+x2

y‘=(2x–3)‘+(x2)‘=2.(–3)x–4+2x

Logo, y‘=–6x–4+2x.
3x2 + 5x
3) Calcular a derivada da função y =
x2 − 2
Resolução:

Nesse caso, temos que utilizar a regra do quociente para encontrar a derivada da função.

Assim:
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

3x2 + 5x
y=
x2 − 2

y’ =
(3x 2
) ( )
+ 5x ’.(x2 − 2) − 3x2 + 5x .(x2 − 2)’
( x2 − 2)2

(6x + 5) . (x2 − 2) − (3x2 + 5x ) . (2x )


y’ =
( x − 2)
2 2

(6x + 5) . (x2 − 2) − (3x2 + 5x ) . (2x )


y’ =
( x − 2)
2 2

Simplificando, temos:

−5x2 − 12x − 10
y’ =
( x − 2)
2 2

128

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 128 24/05/2012 09:42:58


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

2
4) Calcular a derivada da função y = e3 x + cos 5x

Resolução:

Temos agora a soma de duas funções, uma exponencial e outra trigonométrica. Devemos, então,
utilizar as regras apropriadas. Note que ambas são funções compostas.

Assim:

2
y = e3 x + cos 5x

2
y’ = (e3 x )’ + ( cos 5x)’

2
y’ = (6xe3x ) + 5( sen 5x)

Logo:

2
y’ = 6 x e3 x − 5 sen 5x

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
5) Calcular a derivada da função y = Ln (x4 + 3x2)

Resolução:

Temos, novamente, uma função composta, portanto, a derivada será:

y=Ln(x4+3x2)

y’=(Ln(x4+3x2))’

1
y’ = 4 2
.(4 x 3 + 6 x )
x + 3x

Simplificando, temos:

2x(2x2 + 3) 2.(2x2 + 3)
y’ = =
x(x 3 + 3x ) (x 3 + 3x )

129

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 129 24/05/2012 09:43:03


Unidade III

Logo:

2.(2x2 + 3)
y’ =
(x 3 + 3x )

8 APLICAÇÕES

A seguir, veremos algumas aplicações dos assuntos tratados nos módulos anteriores. Dependendo
da área de interesse de seus educandos, você pode se aprofundar mais nos assuntos relacionados a
ela.

A utilização de aplicações facilita o entendimento do assunto e reduz os questionamentos do tipo


“onde uso isso?”, “para que estou aprendendo esse assunto?”.

8.1 Variação aproximada – diferencial

Sabemos que derivada é uma taxa de variação, baseado nisso, vamos utilizar derivadas para
determinação de valores aproximados.

Observe a figura:
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

y f
y+∆y B
t

∆y
dy
y A α
D

α
x x+∆x x

dy
Notamos que no triângulo ADC, temos tg = , isto é, f’(x) = dy .
∆x ∆x
O acréscimo dy é uma aproximação para ∆y quando ∆x→0.

Assim:

f( x 0 + ∆x ) ≅ f ( x 0 ) + f’ ( x 0 ) .∆x

130

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 130 24/05/2012 09:43:06


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Lembrete

Inicialmente, os valores de dy e de ∆y são distantes, porém, quando


fazemos ∆x se aproximar de zero, os valores de dy e ∆y vão ficando cada
vez mais próximos.

Exemplo:

Calcular o valor aproximado de 13 , utilizando diferencial:

A função do exercício é f(x) = x , o ponto x0 é um valor conhecido da função próximo ao que se


quer calcular.

Podemos utilizar x0=16oux0=9, para encontrar a melhor aproximação, devemos escolher para x0 o
valor mais próximo de 13.

Logo, x0 = 16 e ∆x = −3 .

Assim:

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
1 1
f(x) = x = x1/2 ⇒ f’(x) = x -1/2 =
2 2 x

f(x 0 ) = f(16) = 16 = 4
1 1 1
f’(x 0 ) = f’(16) = = =
2 16 2.4 8

Substituindo na expressão:

f( x 0 + ∆x ) ≅ f ( x 0 ) + f’ ( x 0 ) .∆x

13 ≅ f (16 ) + f’ (16 ) . (-3)

1 3
13 ≅ 4 + .( 3) = 4 = 4 − 0, 375 = 3, 625
8 8

13 ≅ 3, 625

131

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 131 24/05/2012 09:43:13


Unidade III

Na calculadora, encontramos o resultado: 13 = 3, 605551275 . Comparando com o valor encontrado


no exemplo, temos um erro de 0,019 que pode ser considerado aceitável.

Observação

Refaça o exemplo, agora, tomando x0 = 9 e compare com os resultados


obtidos no exemplo. Quem forneceu a melhor aproximação, isto é, quem
chegou mais próximo do resultado obtido pela calculadora?

8.2 Sinais da 1ª derivada – crescimento da função

Seja f uma função real definida num domínio D e derivável em D. Por meio do sinal da 1ª derivada
de f, podemos saber em qual lugar a função é crescente ou decrescente.

Vejamos o quadro a seguir:

f’(x) > 0, em um intervalo ⇒ f é crescente neste intervalo


f’(x) < 0, em um intervalo ⇒ f é decrescente neste intervalo

Os pontos nos quais f ’(x) = 0 são possíveis pontos de máximo ou de mínimo, dependendo do sinal
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

da derivada antes e depois do ponto. Esses pontos são chamados pontos críticos:

f’(x) > 0 f’(x)=0 f’(x) < 0 f’(x) < 0 f’(x) = 0 f’(x) > 0

crescente decrescente decrescente crescente

ponto máximo ponto mínimo

Se f’ não muda de sinal antes e depois do ponto crítico, então f não tem ponto de máximo ou de
mínimo.

Exemplos:

1) Determinar os pontos críticos da função, identificando se são de máximo ou mínimo:

a) f(x) = x2 –2x

Calculando a derivada de f, temos f’(x) = 2x – 2.

Igualando a zero e resolvendo a equação f’(x) = 0

132

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 132 24/05/2012 09:43:13


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

2x–2=0 ⇒ x=1.

Logo, x = 1 é o ponto crítico da função, fazendo o estudo de sinal, temos:

O ponto (1,12–2.1)=(1,–1) é ponto de mínimo local da função.

decrescente crescente
1
ponto mínimo

b) f(x)=x3–12x

Você deve inicialmente determinar a derivada da função, então:

f(x)=x3–12x ⇒ f‘(x)=3x2–12

Igualando a derivada a zero, você vai determinar os possíveis pontos de máximo ou mínimo da
função:

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
f’(x)=0 ⇔ 3x2–12=0 ⇔ x= ±2 (pontos críticos):

–2 2

crescente –2 decrescente 2 crescente

ponto máximo ponto mínimo

Então:

Para x = –2, temos f(x)=(–2)3–12.(–2)=–8+24=16, isto é, (–2, 16) é ponto de máximo local.

Para x = 2, temos f(x)=(2)3–12.(2)=8–24=–16, isto é, (2, –16) é ponto de mínimo local.

2) Dona Cotinha comprou um sítio e deseja fazer uma horta, para isso ela quer separar uma parte do
terreno que faz divisa com o Sr. Totó.

133

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 133 24/05/2012 09:43:14


Unidade III

Figura 1

Ela tem 52m de tela para cercar a área retangular onde será a sua horta. Sabendo que ela que
aproveitar um dos lados com a cerca do Sr. Totó, determine as dimensões da região a ser cercada para
que a área seja a maior possível.

Modelo matemático
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

x x

Figura 2

Resolução:

Dona Cotinha tem 52m de tela para cercar os três lados do terreno, como no modelo matemático,
temos 2x + y = 52.

Como queremos a maior área possível, devemos determinar o ponto de máximo da função área
usando, para isso, a derivada da função.

A área da região é dada por A = x. y.

Assim:

2x + y = 52 ⇒ y = 52-2x
 2
A = x.y ⇒ A = x.(52-2x) = 52 x 2x
134

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 134 24/05/2012 09:43:15


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Calculando a derivada da função área, temos:

A‘(x)=52–4x

Igualando a zero:

52–4x=0 ⇒ x=13

Estudando o sinal da derivada, vem:

13
sinal de A’

crescimento de A’

Logo, teremos a área máxima para x = 13m e y = 26m.

8.3 Concavidade da função – sinais da 2ª derivada

Seja f uma função real definida num domínio D e derivável em D. Por meio do sinal da 2ª derivada
de f, podemos saber a concavidade da função, para cima ou para baixo.

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Vejamos o quadro a seguir:

f”(x) > 0, em um intervalo ⇒ f tem concavidade para cima, neste intervalo


f”(x) < 0, em um intervalo ⇒ f tem concavidade para baixo, neste intervalo

Os pontos nos quais f ”(x) = 0 são os possíveis pontos de inflexão, dependendo de o sinal da derivada
ser diferente antes e depois do ponto. Ponto de inflexão é o ponto em que a curva muda de concavidade.

f”(x) < 0 f”(x)= 0 f”(x) > 0 f”(x) > 0 f”(x)= 0 f”(x) < 0

ponto de inflexão ponto de inflexão

Notemos que se f não muda de concavidade, então não teremos ponto de inflexão.

Exemplos:

Determinar os pontos de inflexão e a concavidade das funções:

a) f(x)=x3–12x
135

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 135 24/05/2012 09:43:15


Unidade III

Calculando as derivadas de 1ª e de 2ª ordem de f, temos:

f(x)=x3–12x ⇒ f’(x)=3x2–12 ⇒ f”(x)=6x.

Igualando a zero e resolvendo a equação f ”(x) = 0, temos:

6x=0 ⇒ x=0.

Logo, x = 0 é um possível ponto de inflexão da função. Fazendo o estudo de sinal, temos:

f”(x) < 0 0 f”(x) > 0

ponto de inflexão

Ponto de inflexão (0, 0).

b) f(x)=x4+x3
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

Calculando as derivadas de 1ª e de 2ª ordem de f, temos:

f(x)=x4+x3 ⇒ f’(x)=4x3+3x2 ⇒ f”(x)=12x2+6x.

Igualando a zero e resolvendo a equação f ”(x) = 0:

x = 0
2 x = 0 
12x + 6 x = 0 ⇒ 6 x.(2x + 1) = 0 ⇒  ⇒ 1
2x + 1 = 0 x = −
 2

Logo, x = 0 e x = –1/2 são possíveis pontos de inflexão da função, fazendo o estudo de sinal,
temos:

–1/2 0
sinal de f”
concavidade de f

–1/2 0
ponto de inflexão ponto de inflexão

Pontos de inflexão (0, 0) e (–1/2, –1/16).

136

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 136 24/05/2012 09:43:16


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

c) y = x

Calculando as derivadas de 1ª e de 2ª ordem de y, temos:

y = x4 ⇒ f ’(x) = 4x3 ⇒ f ”(x) = 12x2.

Igualando a zero e resolvendo a equação f ”(x) = 0, temos:

12 x2 = 0 ⇒ x = 0

Logo, x = 0 é um possível ponto de inflexão da função, fazendo o estudo de sinal, temos:

Como a 2ª derivada não muda de sinal, x = 0 não é ponto de inflexão, então:

0
sinal de f”
concavidade de f

8.4 Construção de gráficos

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Sempre podemos construir gráficos de funções utilizando tabela de pontos, porém, nem sempre
esse é o meio mais rápido e mais preciso de se fazer um gráfico. Podemos também utilizar softwares
matemáticos para essas construções.

Nesse item, faremos gráficos baseados na teoria estudada até agora. Para isso, vamos seguir o
seguinte roteiro:

a) Determinar o domínio da função.

b) Cortes nos eixos (ou interceptos).

c) Calcular a 1ª derivada para determinar pontos críticos e crescimento.

d) Calcular a 2ª derivada para determinar os pontos de inflexão e concavidade.


lim y e lim y , para verificar o comportamento da função para
e) Calcular os limites: x → +∞ x → −∞
valores muito grandes (x → + ∞) e muito pequenos (x → – ∞).

Exemplo:

Construir o gráfico de y = x3 – 9x

137

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 137 24/05/2012 09:43:18


Unidade III

Vamos seguir os itens do roteiro:

a) Dom f = IR.

b) Corte nos eixos:

— eixo y: vamos verificar qual o valor de y quando x = 0

x=0⇒y=0

— eixo x: vamos verificar qual o valor de x quando y = 0

y = 0 ⇒ x 3 − 9x = 0 ⇒ x = 0 ou x = 3 ou x = −3

c) Pontos críticos (máximo e mínimo): devemos calcular a derivada da função e igualar a zero, para
determinar os pontos críticos:

y = x 3 − 9x ⇒ y’ = 3x2 − 9
y’ = 0 ⇒ 3x2 − 9 = 0 ⇒ x = ± 3
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

Estudando o sinal da derivada e o crescimento de f, temos:

– 3 3
sinal de f’
crescimento de f

crescente decrescente crescente

ponto máximo ponto mínimo

Assim:

Ponto de máximo (–1.73, 10.39).

Ponto de mínimo (1.73, –10.39).

d) Pontos de inflexão: devemos agora calcular a derivada de 2ª ordem de f e igualar a zero para
determinar os possíveis pontos de inflexão:

y = x 3 − 9x ⇒ y’ = 3 x2 − 9 ⇒ y " = 6 x
y" = 0 ⇒ 6 x = 0 ⇒ x = 0

138

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 138 24/05/2012 09:43:21


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Estudando o sinal da 2ª derivada, temos:

0
sinal de f”
concavidade de f

ponto de inflexão

Assim, o ponto de inflexão será (0, 0).

e) Calculando os limites: para x → + ∞ e para x → – ∞, temos:

lim (x )
3 3 9
− 9x = lim x 1 − 2  = +∞
x
x→+ ∞ x→+ ∞

lim
x→− ∞
( x 3
)
− 9x = lim
x→− ∞
x 3 9
1 − 2  = −∞
x
Notamos, então, que quanto maior o valor de x maior será o valor de f(x) e quanto menor o valor
de x menor será o valor de f(x).

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Substituindo todos os valores encontrados em nosso roteiro, encontramos o gráfico de f:

y
16
15
14
13
12
11
10,39 10
9
8
7
6
5
4
3
2
1,73
1 x

–10 – 9 –8 –7 –6 -5 -4 -3 -2 -1
-1
-1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

–1,73 -2
-3
-4
-5
-6
-7
-8
-9
-10 –10,39
-11
-12
-13

139

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 139 24/05/2012 09:43:23


Unidade III

8.4.1 Assíntota horizontal

Na construção do gráfico de uma função, devemos verificar se ele possui assíntotas. Para isso, vamos
calcular o limite da função, quando x tende a +∞ e a –∞.

Se lim f( x ) = b e lim f( x ) = b , então a reta y = b é assíntota horizontal de f(x).


x→ + ∞ x→ - ∞

Exemplos:
x2 + x
a) Vamos determinar se a função racional f ( x ) = tem assíntota horizontal. Para isso, devemos
x2 − 5
calcular os limites para infinito.

Calculando os limites, temos:

x2 + x x2 + x
lim x2 − 5
= 1e lim x2 − 5
=1
x→ + ∞ x→ − ∞

Logo, a reta y = 1 é assíntota de f(x).

Se você construir o gráfico da função, encontrará a seguinte representação:


Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

y
6
5
4 assíntota horizontal
3
2
1 x

–10 – 9 –8 –7 –6 -5 -4 -3 -2 -1
-1
-1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
-2
-3
-4
-5

Observação

Nesse caso, a função tem assíntota horizontal em y = 1 e duas assíntotas


verticais em x = 5 e em x = − 5 .

b) Verificar se f(x) = x3 – 27x tem assíntota horizontal.

Calculando os limites para infinito, temos:

3 3
lim x − 27 x = +∞ lim x − 27x = −∞
x→ +∞ x→ −∞

140

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 140 24/05/2012 09:43:30


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Logo, f(x) não tem assíntota horizontal.

Esboçando o gráfico de f, temos:

y
50

40

30

20
3
–3
10
5,2
–5,2 x

-20 -10 10 20

-10

-20

-30

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
-40

-50

Observando o gráfico, notamos que não existem assíntotas, a função tem máximo em x = –3 e tem
mínimo em x = 3.

8.5 Regras de L’Hospital


0 ∞
São regras utilizando derivadas que facilitam o cálculo de limites indeterminados, do tipo e .
0 ∞
Tomemos duas funções f e g deriváveis em um intervalo aberto I, podendo ser não deriváveis em um
ponto a desse intervalo. Suponhamos que g(x) ≠ 0 para todo x ≠ a.

f ’( x ) f (x) f ’( x )
limf(x) = limg(x) = 0 e lim = L ⇒ lim = lim = L
x→ a x→ a x→ a g ’( x ) x→ a g ( x ) x→ a g ’( x )

f ’( x ) f (x) f ’( x )
lim
x→ a
f( x ) = limg( x ) = ∞
x→ a
e lim
x→ a g ’( x )
= L ⇒ lim
x→ a g ( x )
= lim
x→ a g ’( x )
=L

141

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 141 24/05/2012 09:43:32


Unidade III

Saiba mais

Você pode saber um pouco mais sobre Bernoulli e a regra de L´Hospital,


acessando: <http://ecalculo.if.usp.br/ferramentas/limites/regras_lhospital/
regras_lhospital.htm>.

Exemplos:

Calcular os limites:

 x2 − 9 
a) lim  
x → 3 x − 3 

O limite é do tipo 0/0, assim, aplicando a regra de L’Hospital, temos:

 x2 − 9   2 x
lim  x − 3  = lim  1  = 2.3 = 6
x→ 3 x→ 3
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

 5 x2 − 2 x − 10 
b) lim  x4 + 3x3 
x → ∞


O limite é do tipo assim, aplicando a regra de L’Hospital, temos:

 5 x2 − 2 x − 10   10x − 2 
lim  x4 + 3x3  = lim  4 x3 + 9x2 
x→ ∞ x→ ∞

Como o limite continua do mesmo tipo, ∞ , aplicamos a regra novamente:



 10x − 2   10 
lim  4 x3 + 9x2  = lim  12x2 + 18 x  = 0
x→∞ x→∞

Problemas envolvendo aplicações gerais.

8.6 Logaritmo e exponencial

Encontramos exemplos de aplicações de funções logarítmicas e exponenciais em várias áreas,


veremos a seguir algumas delas.

142

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 142 24/05/2012 09:43:37


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

1) Capitalização

Sabemos que a expressão que indica a capitalização constante de um certo capital inicial (C0), com
taxa anual i e tempo (n) em anos, é dada pela expressão:

Cn = C0. ei n.

Se você investir R$ 1.500,00 com juros de 9% ao ano, após quanto tempo terá triplicado o seu
investimento?

Resolução:

Como C0 = 1.500 e i = 0,09, teremos Ct = 1.500. e 0,09. n.

Como queremos triplicar o valor investido, teremos Ct = 3. 1.500 = 4.500, então 4.500 = 1.500. e 0,09.t.

Para calcular o valor de t,vamos dividir a expressão por 1.500.

Assim:

3 = e 0,09.t.

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Utilizando o logaritmo natural (Ln) na expressão, encontramos Ln 3 = Ln(e0,09t). Pelas propriedades de
logaritmo, podemos escrever Ln 3 = 0,09t, então:

Ln 3
t= = 12, 20 anos
0,09

Portanto, após 12,20 anos, seu investimento terá triplicado.

2) Taxa de crescimento

Em uma determinada cidade, a taxa de crescimento populacional é de 2% ao ano, aproximadamente.


Em quantos anos a população desta cidade irá triplicar, se a taxa de crescimento continuar a mesma?

Resolução:

População do ano-base: Po
População após um ano: P1 = Po. (1,02)
População após dois anos: P2 = Po. (1,02)2
População após x anos: Px = Po. (1,02)x

143

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 143 24/05/2012 09:43:38


Unidade III

Vamos supor que a população triplicará em relação ao ano-base após x anos, sendo assim, temos:

Px = 3. Po, e daí:

Po. (1,02)x = 3. Po,

Dividindo ambos os lados por Po, encontramos: 1,02x = 3.

Aplicando logaritmo (base 10) em ambos os lados da igualdade:

log 1,02x = log 3.

Pelas propriedades de logaritmo, temos: x. log 1,02 = log3, usamos uma calculadora para obtermos
os resultados dos logaritmos na base 10 e encontramos x. 0,0086 ≅ 0,4771, logo:

0, 4771
x≅ = 55, 4781 anos
0,0086 .

A população triplicará em aproximadamente 55,4781 anos.

3) Taxa de decaimento
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

Determine o tempo que leva para que 2.000g de certa substância radioativa, que se desintegra à
taxa de 1% ao ano, se reduza a 100g. Utilize a expressão: Q = Q0 * e–rt:

• Q é a massa da substância;

• Q0 é a massa inicial;

• r é a taxa;

• t é o tempo em anos.

Resolução:

Substituindo os valores do problema na expressão Q = Q0 * e–r t, temos: 100 = 2000 * e–0,01t

100
e −0,01 t =
2000

Logo: e–0,01t = 0,05 (aplicando Ln nos dois lados da igualdade).

144

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 144 24/05/2012 09:43:40


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Temos:

Ln(e)–0,01t = Ln0,05 da propriedade do expoente de um logaritmo e de Ln e = 1:

–0,01t = Ln 0,05

Usamos uma calculadora para calcular ln 0,05, encontramos –0,01t = – 2,99573, multiplicando por
(–1) e dividindo por 0,01, vem:
2, 99573
t= ≅ 299, 573 anos
0,01
A substância levará 299,573 anos para se reduzir a 100g.

4) Taxa de decaimento e assíntotas

Certa substância radioativa decai exponencialmente. Sabendo que inicialmente temos 600g e que,
após 40 anos, temos 200g, se pede:

a) Expressão que mostra a quantidade após t anos.


b) Gráfico da função encontrada no item a).

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Utilize a expressão: Q = Q0 * e–rt,

• Q é a massa da substância;
• Q0 é a massa inicial;
• r é a taxa;
• t é o tempo em anos.

Figura 3

145

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 145 24/05/2012 09:43:41


Unidade III

Resolução:

a) Inicialmente, devemos determinar o valor da constante r para esta substância.

Pelo enunciado, temos: Q = 200, Q0 = 600 e t = 40, substituindo os dados do problema na expressão
Q = Q0 * e–rt, temos:

200 = 600 * e– 40 r

Calculando o valor de r, temos:

200 1
e −40 r = ⇔ e − 40 r =
600 3

(aplicando Ln nos dois lados da igualdade)

Ln(e)–40 r = Ln0,33, da propriedade do expoente de um logaritmo e de Ln e = 1.

Temos: – 40 r = Ln 0,33.

Usamos uma calculadora para calcular ln 0,33 e encontramos: – 40 r = –1,099, multiplicando por
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

(–1) e dividindo por 40, vem:

r = 0,027

A constante para esta substância é r = 0,027.

Logo, a expressão que relaciona as quantidades é: Q = 600 * e– 0,027 t

Encontrar o gráfico da função Q = 600 * e– 0,027 t

t (anos) Q (quantidade)
0 600
40 203,75
100 40,32
200 2,71

146

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 146 24/05/2012 09:43:42


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Q
600

200

40
2,71

0 40 100 200 t(anos)

Note que os valores de Q tendem a zero, assíntota da função, porém, não teremos Q = 0.

5) Capitalização

Em certo país, a taxa mensal de correção do fundo de garantia dos trabalhadores é igual em todos
os meses, mas no final de um ano se verificou que os saldos dobraram. Qual é a taxa mensal de correção
do fundo de garantia nesse país?

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Figura 4

Resolução:

Seja i a taxa mensal de correção do fundo de garantia (FGTS) e x o saldo atual do FGTS, assim:

• saldo inicial: x;
• após 1 mês o saldo será: x(1+i);
• após dois meses o saldo será: x(1+i)2, e assim sucessivamente;
• no final de 12 meses, esse saldo será: x(1+i)12.

Como o saldo em doze meses será o dobro do saldo inicial, temos:

x(1+i)12 = 2x ou (1+i)12 = 2
147

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 147 24/05/2012 09:43:42


Unidade III

Para calcular o valor da taxa mensal (i) de correção do FGTS, aplicamos o logaritmo aos dois lados
da igualdade.

Assim:

log(1+i)12 = log2 ou 12log(1+i) = 0,301, pois log2 é aproximadamente 0,301;

log(1+i) = 0,301/12 ⇒ log(1+i) = 0,025, aplicando a base 10 (antilogaritmo) em ambos os lados da


igualdade, temos:

10log(1+i) = 100,0251 ⇒ 1+i = 1,0595 ⇒ i = 0,0595, ou seja, aproximadamente 6%.

6) Datação por carbono

Podemos determinar a idade de fósseis e artefatos utilizando vários métodos, dentre eles, temos
a datação por carbono. Essa técnica, descoberta por W. L. Libby, prêmio Nobel de 1960, utiliza a razão
entre as massas do isótopo radioativo carbono 14 (14C) e do isótopo estável carbono 12 (12C).
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

Figura 5

Todas as plantas absorvem dióxido de carbono presente no ar, que contém 14C e 12C, assim, a razão entre
as massas de carbono 14 e 12 das plantas e dos animais que se alimentem delas será a mesma que do ar.

Com a morte da planta ou do animal, não há mais absorção de dióxido de carbono, a massa de 12C
continua a mesma, porém a massa de 14C diminui exponencialmente (decaimento radioativo), assim a
razão entre estas massas diminui.

A razão entre as massas de carbono em uma amostra é dada pela função:

Rt = R0 e–k t

• R0 é a razão das massas de carbono no ar;


• Rt é a razão das massas na amostra;
• t é a idade da amostra;
• k constante positiva que mede a taxa de decaimento do material radioativo.
148

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 148 24/05/2012 09:43:43


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Comparando os valores de Rt e R0, se pode estimar a idade da amostra.

Baseado nisso, determine a idade aproximada de uma amostra encontrada para a qual a razão entre
as massas de 14C e 12C seja ¼ da razão observada no ar, sabendo-se que o valor da constante k para o
carbono 14 é 0,000121.

Resolução:

Devemos determinar o valor de t tal que Rt = ¼ R0, isto é, ¼ R0 = R0 e–k t.

Dividindo por R0, temos:

1
= e −k t
4

Calculando o logaritmo natural nos dois lados:

1 1 -Ln 1/4 Ln 4 Ln 4
Ln = Ln e −k t ⇔ Ln = −k.t ⇔ t = ⇔t= ⇔t= ≅ 11.457
4 4 k k 0,000121

Assim, a idade aproximada da amostra é de 11.450 anos.

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
8.7 Derivadas

1) Usando o fato de que a velocidade escalar é uma taxa de variação (derivada), determine a
velocidade no instante t de uma bola que é jogada para cima, a partir do solo, sendo sua altura
dada por S(t) = – t2 + 6 t. Altura em metros e o tempo em segundos.

Qual a sua velocidade no instante t = 1 s?

Resolução:

Devemos calcular a derivada de S para determinar a velocidade, assim:


ds
V(t) = = s’(t) = – 2 t + 6 (m/s)
dt
V(1) = – 2 (1) + 6 = 4 (m/s)

149

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 149 24/05/2012 09:43:45


Unidade III

2) Em economia, se define custo marginal como a variação do custo para uma pequena
variação na quantidade produzida, isto é, é aproximadamente o custo de produção de uma
unidade adicional e se determina o custo marginal, calculando a derivada da função custo
total.

Determine o custo marginal de um produto, sabendo que a sua função custo total é dada por:
Ct(x)=x2+2x+3.

Resolução:

Assim, para se calcular o custo marginal de um produto, se deve derivar a função custo total.

Derivando a função custo total, temos:

dC t ( x )
Cmg(x) = = Cmg’(x)=2x+2
dx
3) Uma bola é jogada para cima, a partir do solo e sua altura é dada pela função S(t)=–t2+10t.
Determine:

a) Velocidade da bola no instante t.


Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

b) A altura máxima atingida pela bola.

c) A sua velocidade no instante em que a bola atinge a altura máxima.

Resolução:

a) Para encontrar a velocidade, devemos calcular a derivada da função S, assim:


dS
V(t) = ⇒ S’(t) = – 2 t + 10 (m/s)
dt
b) Para determinar a altura máxima, devemos calcular o vértice da parábola ou o ponto de máximo
da função, isto é, o valor de t, no qual a derivada é igual a zero.

–2t+10=0⇒–2t=–10⇒t=5s

Para t=5s, temos a altura S(5)=–52+10.5=–25+50=25m

c) No instante t=5s, temos V(5)=–2.5+10=0, isto é, V(5)=0m/s.

4) (Enade 2008 – com adaptações) A concentração de certo fármaco no sangue, t horas após sua
administração, é dada pela fórmula:

150

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 150 24/05/2012 09:43:46


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

10t
y(t) = , y>0
(t + 1)2

Se uma pessoa tomou esse remédio às 8 horas, determinar a que horas terá o máximo de concentração
do produto no sangue.

Resolução:

Devemos determinar o crescimento da função e seu ponto de máximo.

Vamos calcular a derivada de y:

10 (t + 1)2 − 10t [2.(t + 1)] 10(t + 1) [t + 1-2t] 10(t + 1) [-t + 1] 10[-t + 1]


y ’(t) = = = =
(t + 1)4 (t + 1)4 (t + 1)4 (t + 1)3

Devemos agora igualar a função a zero para determinar os pontos críticos.

Como o denominador não pode ser zero, vamos igualar somente o numerador a zero. Temos
–10t+10=0, isto é,t=1.

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Estudando o sinal da derivada e o crescimento da função, encontramos:

1
sinal de y’

crescimento de y

1
Máx.

Assim, o valor máximo ocorre para t=1. Logo, se a pessoa tomou o remédio às 8 horas, o máximo
de concentração do produto no sangue ocorrerá às 9 horas, isto é, 1 hora após a ingestão do
produto.

5) Uma epidemia atinge uma cidade e as autoridades sanitárias estimam que o número aproximado
de pessoas atingidas depois de t dias, a partir do primeiro dia da epidemia, seja dado pela função
f(t)=30t–t3.

Baseado nisso, se pede:

a) Qual é a taxa da expansão da epidemia, após 3 dias?

b) Qual é o número de pessoas atingidas, durante o 3º dia?

151

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 151 24/05/2012 09:43:48


Unidade III

Resolução:

a) Para determinar a taxa de expansão da epidemia, devemos calcular a taxa de variação da função
f, em relação ao tempo.

Assim:

f’(t)=30–3t2

Após 3 dias, isto é, para t = 3, temos:

f’(3)=30–3.32=30–27=3

Logo, a epidemia se alastrará a uma taxa de 3 pessoas por dia.

b) Para determinar o número de pessoas atingidas durante o 3º dia, devemos calcular f(3) – f(2).

Então, calculando f(2) e f(3), teremos:

f(2) = 30 . 2 – 23 = 52
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

f(3) = 30 . 3 – 33 = 90 – 27 = 63

Logo, 63 – 52 = 11 pessoas atingidas pela epidemia durante o 3º dia.

6) Determinar dois números positivos, tais que sua soma seja 30 e o seu produto o maior possível.

Resolução:

Sejam x e y os números positivos, segundo o enunciado, temos que x + y = 30. Queremos o maior
produto possível, devemos, então, determinar o ponto de máximo da função P(x), função produto.

Temos as condições:

x + y = 30

P=x.y

Da primeira condição vem y = 30 – x

Substituindo na expressão de P, teremos, P(x) = x . y = x . (30 – x)

Logo, P(x) = 30x – x2

152

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 152 24/05/2012 09:43:48


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Derivando a função vem

P‘ (x) = 30 – 2x, igualando a zero encontramos x = 15.

Devemos estudar o sinal da função para confirmar se esse ponto é de máximo, assim:

15
sinal de P’

crescimento de P

1
Máx.

7) Uma empresa deseja embalar seus produtos em caixas de forma cilíndrica. Para saber o custo
da embalagem, encomendou um orçamento para a sua fornecedora de embalagens. A empresa
avisou que o material utilizado na confecção da lateral custa R$ 0,05 o cm2 e o material da base
custa R$ 0,20 o cm2. Determine as dimensões que tornam mínimo o custo do material, se a
embalagem deve ter a capacidade de 200π. Determine o valor do custo mínimo.

Resolução:

Inicialmente, vamos fazer a planificação da embalagem. O cilindro sem tampa é formado por um

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
retângulo e por um círculo, conforme a figura abaixo:

2πr

r
h

Afundo=πr2
Alateral=2πrh

Para determinar o custo mínimo do material, precisamos montar a função custo, que será formada
pelo custo da lateral mais o custo do fundo.

Assim:

C(r)=Alateral.0,05+Afundo.0,20.

Como o volume deve ser igual a 200π, temos:


200
Vcilindro=πr2h=200π, isolando h, vem h = 2 .
r
153

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 153 24/05/2012 09:43:49


Unidade III

Substituindo na área lateral, temos:

200
A lateral = 2.π.r.
r2

400.π
A lateral =
r

Substituindo na função custo, vem:

C(r) = A lateral .0,05 + A fundo . 0,20

400.π
C(r) = .0,05 + πr2 .0,20
r

20.π
C(r) = + πr2 .0,20 ou C(r) = 20.π.r-1 + πr2 .0,20
r
Derivando a função para determinar o ponto de mínimo, temos:
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

C’(r) = 20.π.( −1)r 2 + 2πr.0,20

20.π
C’(r) = + πr.0,40
r2

Igualando a zero, vem:

–20.π
+ πr.0,40 = 0
r2

–20.π + πr3 .0,40


=0
r2

–20.π + πr3 .0,40 = 0

πr3 .0,40 = 20.π

20.π
r3 =
π.0,40

154

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 154 24/05/2012 09:44:00


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

20
r3 = = 50
0,40

20
r3 = = 50
0,40
200
Logo, as dimensões, para o mínimo custo, serão: r = 3,68cm e h = = 14, 77cm
3,682
O mínimo custo será:

20.π 20.π
C(r) = + πr2 .0,20 = + π3,682 .0,20
r 3,68

20.π
C(r) = + π3,682 .0,20 = 25,58 reais.
3,68

8.8 Ampliando seu leque de exemplos

1) Utilizando a regra da 1ª derivada, determine o intervalo no qual a função:

f:IR→IR,f(x)=x3–3x é decrescente.

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
Resolução:

Pelo critério da 1ª derivada, devemos calcular a derivada da função, igualar a zero e estudar o sinal
da derivada.

Calculando a derivada da função, temos:

f(x)=x3–3x

f‘(x)=3x2–3

Igualando a zero:

3x2–3=0⇒2=1⇒x=±1

Estudando os sinais da derivada e o crescimento da função, temos:

sinal de f’
–1 1 crescimento de f

155

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 155 24/05/2012 09:44:04


Unidade III

Observando o crescimento da função, temos que f é decrescente no intervalo [–1, 1].

2) Usando diferencial, determinar o valor aproximado de 42 .

Resolução:

A função do exercício é f(x) = x , o ponto x0 é um valor conhecido da função próximo ao que se


quer calcular.

Assim, podemos utilizar x0 = 49 ou x0 = 36 para encontrar a melhor aproximação, devemos escolher


para x0 o valor mais próximo de 42.

Logo, x0 = 36 e ∆x=6.

Então:

1 1
f( x) = x = x1/2 ⇒ f’(x) = x -1/2 =
2 2 x

f(x 0 ) = f(36) = 36 = 6
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

1 1 1
f’(x 0 ) = f’(36) = = =
2 36 2.6 12

Substituindo na expressão:

f( x 0 + ∆x ) ≅ f ( x 0 ) + f’ ( x 0 ) .∆x

42 ≅ f (36 ) + f’ (36 ) . (6 )

1 1
42 ≅ 6 + .(6) = 6 + = 6, 5
12 2

42 ≅ 6, 5

Na calculadora, encontramos o resultado: 42 = 6, 480740698 , temos uma boa aproximação


utilizando diferencial.

3) Utilizando a derivada da função, determine o ponto críticos da função:

y=2x3+3x2–12x.

156

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 156 24/05/2012 09:44:11


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Resolução:

Para determinar os pontos de máximo ou de mínimo, devemos calcular a derivada da função, igualar
a zero para determinar os pontos críticos, estudar o sinal da derivada e o crescimento da função.

Derivando, temos:

y=2x3+3x2–12x

y‘=2.3.x2+3.2x–12

y‘=6.x2+6x–12

Igualando a zero:

6.x2+6x–12=0, as raízes de f ‘ serão x1=–2ex2=1

Estudando o sinal da derivada e o crescimento de f, temos:

sinal de f’
–2 1 crescimento de f

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
ponto máximo ponto mínimo

Assim, as coordenadas dos pontos críticos serão:

Ponto de máximo (–2, 20).

Ponto de mínimo (1, –7).

4) Utilizando a regra da 2ª derivada, determinar o ponto de inflexão da função y=2x3+3x2–12x.

Resolução:

Devemos determinar a derivada de 2ª ordem da função e estudar o seu sinal, para encontrarmos os
possíveis pontos de inflexão.

Calculando as derivadas:

y=2x3+3x2–12x

y‘=6.x2+6x–12

157

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 157 24/05/2012 09:44:11


Unidade III

y”=12.x+6

Igualando a zero, temos:

12 x + 6 = 0, daí a raíz de f “ será x = –1/2

Estudando o sinal da 2ª derivada e a concavidade de f, temos:

sinal de f”
1/2 concavidade de f

ponto de inflexão

Assim, as coordenadas do ponto de inflexão serão:

Ponto de inflexão (–1/2, 6.5).

Lembrete
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

Para determinar as coordenadas do ponto de inflexão, você deve


substituir o valor de x na função f e não em suas derivadas.

5) Um corpo se movimenta sobre uma trajetória retilínea, obedecendo a função horária S(t)=3t2+2t+1,
S em metros e t em segundos. Lembrando que v(t)=s’(t), determinar a velocidade do corpo no
instante t = 4s.

Resolução:

Como já sabemos, para determinar a velocidade precisamos derivar a função, assim:

S(t)=3t2+2t+1

S‘(t)=3.2.t+2

Como queremos a velocidade no instante t = 4 s, devemos substituir o valor de t na expressão da


derivada, então:

S‘(4) = 3 . 2 . 4 + 2 = 24 + 2 = 26

Logo, V(4) = 26m/s.

158

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 158 24/05/2012 09:44:11


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

6) Determinar os números cuja soma é 20 e o produto é o maior possível.

Resolução:

Para determinar o maior produto possível, vamos utilizar derivada para encontrar o ponto de
máximo.

Devemos montar as equações relacionadas ao problema, sejam x e y os números procurados.

A primeira informação do enunciado é que a soma dos números é 20, isto é, x + y = 20.

Como queremos o maior produto possível, devemos utilizar a função P = x . y.

Temos o sistema:

x + y = 20 y = 20 − x
 ⇒
P = x.y P = x.(20 x)

Derivando a função P, temos:

P(x) = 20x – x2

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
P‘(x) = 20 – 2x

Igualando a zero, temos:

20 – 2x = 0

x = 10 (ponto crítico)

Devemos conferir se o ponto é de máximo estudando o sinal da derivada. Temos:

sinal de f’
–2 1 crescimento de f

ponto máximo

Logo, o produto é máximo para x = y = 10.

7) Estudando os limites da função para x tendendo a+∞ e a–∞, verificar o comportamento da


x −4
função y =
3−x
159

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 159 24/05/2012 09:44:13


Unidade III

Resolução:

Calculando os limites da função, temos:

x −4
lim = 1
x → +∞ 3 − x

x −4
lim = 1
x → − ∞ 3−x

Assim, a função tem assíntota horizontal em y = –1.

8) Determine a concavidade da função y = x2 – 3x.

Resolução:

Para determinar a concavidade da função, vamos utilizar a 2ª derivada.

Assim:
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

y = x2 – 3x

y‘ = 2 . x–3

y“ = 6

daí, y“≠0, para todo x

Logo, não tem ponto de inflexão.


1
9) Estudando o domínio da função, determine a assíntota vertical de y =
x + 10
Resolução:

Para determinar o domínio da função, devemos observar se há alguma restrição para os valores
de x.

Como temos x no denominador, devemos ter x+10 ≠ 0 e daí x ≠ –10.

A função terá, então, assíntota vertical em x = –10.


 2.ex − 2 
10) Usando a regra de L’Hospital, determinar o valor do limite lim 
x → 0 x 

160

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 160 24/05/2012 09:44:16


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Resolução:

Para usar a regra de L´Hospital, devemos derivar o numerador e o denominador sem utilizar a regra
do quociente:

 2.ex − 2   2.ex 
lim   = lim   = 2.e0 = 2
x → 0 x  x → 0 1 

Resumo

Nessa unidade, estudamos o conceito de derivadas e suas aplicações.


Vamos listas alguns itens importantes sobre derivadas.

Definição:

 ∆y   f( x + h) − f( x ) 
lim   = f ’(x) ou lim   = f ’( x )
∆x→0 ∆x → 0
h h

Equação da reta tangente:

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
y–y0=f‘(x0)(x–x0)

Algumas regras de derivação:

y = c ⇒ y’ = 0, c é constante

2) y = x ⇒ y’ = 1
y=kx ⇒ y’=k

n n-1
3) y = cx ⇒ y’ = c.n.x , c é constante

x x
4) y = e ⇒ y’ = e
y = c ex ⇒ y’ = c ex , c é constante
y = ax , a ≠ 0 ⇒ y’= ax ln a

5) y = ln x ⇒ y’ = 1
x

161

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 161 24/05/2012 09:44:23


Unidade III

6) devivada da soma e da diferença


y = f( x ) + g( x ) ⇒ y’ = f’(x) + g’(x)
y = f( x ) g( x ) ⇒ y’ = f’(x) g’(x)

7) derivada do produto
y = f( x ).g( x ) ⇒ y’ = f’(x).g(x) + f(x).g’(x)
ou
y = u.v ⇒ y’ = u’.v + u.v’

8) derivada do quociente
f( x ) f’(x).g(x) − f(x).g’(x)
y= ⇒ y’ =
g( x ) (g(x))2

9) derivada da função composta (ou regra da cadeia)


h = f(y), y = g(x) e h = f(g(x)) ⇒ h’ = f’(g(x)).g’(x)

Para facilitar a derivada de funções compostas, as regras anteriores


serão reescritas:
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

n n 1
1) y = k.u ⇒ y’ = k.n.u .u’

2) y = eu ⇒ y’ = u’.eu
y = c eu ⇒ y’ = c.u’.eu , c é constante

u’
3) y = ln u ⇒ y’ =
u
4) y = sen u ⇒ y’ = u ’.cos u

5) y = cos u ⇒ y’ = −u ’.sen u

Vimos também aplicações de derivadas em várias áreas, vamos destacar


algumas:

Diferencial – utilizado para aproximações:

f( x 0 + ∆x ) ≅ f ( x 0 ) + f’ ( x 0 ) .∆x

162

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 162 24/05/2012 09:44:32


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

Sinal da 1ª derivada:

f’(x) > 0, em um intervalo ⇒ f é crescente neste intervalo


f’(x) < 0, em um intervalo ⇒ f é decrescente neste intervalo

f’(x) > 0 f’(x)=0 f’(x) < 0 f’(x) < 0 f’(x) = 0 f’(x) > 0

crescente decrescente decrescente crescente

ponto máximo ponto mínimo

Sinal da 2ª derivada:

f”(x) > 0, em um intervalo ⇒ f tem concavidade para cima, neste intervalo


f”(x) < 0, em um intervalo ⇒ f tem concavidade para baixo, neste intervalo

f”(x) < 0 f”(x)= 0 f”(x) > 0 f”(x) > 0 f”(x)= 0 f”(x) < 0

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
ponto de inflexão ponto de inflexão

Regras de L’Hospital:
f’( x ) f( x ) f’( x )
lim f( x ) = limg( x ) = 0 e lim
g ’( x )
= L ⇒ lim
g( x )
= lim
g ’( x )
=L
x→a x→a x→a x→a x→a

f’(( x ) f( x ) f’( x )
lim
x→a
f( x ) = limg( x ) = ∞ e lim
x→a x→a g’( x )
= L ⇒ lim
x→a g( x )
= lim
x→a g’( x )
=L

Exercícios

Questão 1 Um balão de borracha de forma esférica é cheio de ar, de modo que seu raio
aumenta à razão de 0,2 cm/s. Então, a taxa de variação do volume desse balão em relação ao
tempo, no instante em que o raio for igual a 10 cm é, em cm3/s, de:

163

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 163 24/05/2012 09:44:33


Unidade III

(A) 20

(B) 40

(C) 80

(D) 40π

(E) 80π

Resposta correta: Alternativa (E)

Análise das alternativas:

Como o balão tem uma forma esférica, devemos utilizar o volume da esfera que é dado por:
4
Vesfera = πR3
3
dR
Sabendo-se que = 0, 2 cm/s e considerando-se o volume da esfera, podemos aplicar a derivada
dt
em relação ao tempo, em ambos os lados da igualdade. Assim,
Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11

4 dV 4 dR dV 4 dV
V = πR3 ⇒ = π(3)R2 ⇒ = π(3)1020, 2 ⇒ = 80π cm3/s
3 dt 3 dt dt 3 dt

Então, a taxa de variação do volume desse balão em relação ao tempo, no instante em que o raio for
dV
igual a 10 cm, é = 80π cm3/s.
dt
Assim:

(A) Alternativa Incorreta.

Justificativa: de acordo com os cálculos.

(B) Alternativa Incorreta.

Justificativa: de acordo com os cálculos.

(C) Alternativa Incorreta.

Justificativa: de acordo com os cálculos.

164

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 164 24/05/2012 09:44:37


CÁLCULO DIFERENCIAL DE UMA VARIÁVEL

(D) Alternativa Incorreta.

Justificativa: de acordo com os cálculos.

(E) Alternativa Correta.

Justificativa: de acordo com os cálculos.

Questão 2 No projeto de aviões, uma característica importante é chamada “fator de arraste”,


isto é, a força de frenagem exercida pelo ar sobre o avião. Um modelo que mede a força de
B N
arraste pode ser representado pela função: F( v ) = Av2 + 2 , sendo A (em ) e B (em
v (mph)2
N.(mph)2) constantes positivas, F a força de arraste (em N) e v a velocidade em mph (milhas por hora).
B
Considerando-se que a força de arraste éminimizada quando v=160mph, o valor da razão em (mph)4
é: A

(A) 1

(B) 0,5

(C) (160)3

Revisão: Ana Luiza / Diagramação: Márcio - 17/06/11 // 2ª Revisão: Ana Luiza / Correção: Márcio - 06/07/11
(D) (160)4

(E) (160)5

Resolução desta questão na plataforma.

165

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 165 24/05/2012 09:44:39


APÊNDICE

Aplicativo computacional – Maxima

Software Livre

Fundação Software Livre América Latina3

Entendemos que um software seja livre quando ele for licenciado, por meio de termos que respeitem
as seguintes liberdades de seus usuários:

• A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade nº 0).


• A liberdade de estudar como o programa funciona e adaptá-lo às suas necessidades (liberdade
nº 1). Acesso ao código fonte é um pré-requisito para esta liberdade.
• A liberdade de redistribuir cópias, de modo que você possa ajudar o seu próximo (liberdade nº 2).
• A liberdade de aperfeiçoar o programa e distribuir os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda
a comunidade se beneficie (liberdade nº 3). Acesso ao código fonte é um pré-requisito para esta
liberdade (AUSLA, 2011).

Saiba mais

Você pode saber mais sobre software livre, acessando:


<http://www.fsfla.org/svnwiki/about/what-is-free-software.pt.html>

A.1 Maxima: o software, a instalação e os recursos básicos

A.1.1 Origens e potencialidades do Maxima

Nós, professores de Matemática, durante nossa carreira profissional utilizamos alguns


softwares computacionais, seja no auxílio à preparação de aulas, na resolução de problemas e
exercícios, elaboração de projetos e preparação de atividades ou aulas a serem desenvolvidas
com nossos alunos. Aqui, em nosso curso de Matemática da UNIP, oferecemos uma introdução
a alguns softwares livres ou gratuitos (Winplot, Maxima, Mupad) para que no desenvolvimento
de suas funções profissionais você, já sendo possuidor de alguma familiaridade com pacotes
computacionais, possa fazer uso e aprofundar seus conhecimentos conforme suas necessidades
ou seus interesses.

Alexandre Oliva e Pedro Antonio Dourado de Rezende – Fundação Software Livre América Latina. Disponível em:
3

<http://www.fsfla.org/svnwiki/texto/pref–const–br–swl.pt>.
166

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 166 24/05/2012 09:44:39


Nesta disciplina, apresentaremos a você o Maxima, que é um software livre e gratuito. O Maxima é
um pacote computacional para cálculos matemáticos, semelhante aos softwares MatLab, Mathematica
e Maple, que não são livres nem gratuitos e representam alto custo aos usuários. O Maxima é um sistema
de álgebra computacional para trabalharmos com expressões numéricas e simbólicas. O pacote pode
ser baixado no seguinte endereço: <http://Maxima.sourceforge.net>; também encontra-se postado em
nosso Blackboard.

O Maxima tem sua origem no sistema Macsyma (1968–1982), desenvolvido no Instituto de


Tecnologia de Massachusetts (MIT). O MIT, em 1982, remanejou uma cópia/versão do código fonte do
Macsyma ao departamento de energia; essa versão é conhecida com Macsyma DOE (Departamento
de Energia).

O professor William F. Schelter (2001†) obteve, em 1998, permissão para liberar o código fonte
sob a GNU General Public License (GPL). A sobrevivência e a abertura do código fonte do Maxima se
deveram aos esforços e às habilidades de muitas pessoas, em especial do professor Schelter. Um grupo
cada vez maior de colaboradores e usuários deram forma e disponibilizaram o Maxima a todos os que
se interessassem.

Para que você tenha noção da abrangência do Maxima, saiba que ele inclui: limites, diferenciação,
integração, gráficos 2D e 3D, curvas de nível, séries de Taylor, transformações de Laplace, equações
diferenciais ordinárias, sistemas de equações lineares, séries, listas, conjuntos, números complexos, vetores,
matrizes, determinantes, autovalores e autovetores, raízes de polinômios, polinômio característico, entre
outras.

A.1.2 Baixando e instalando o Maxima

A versão que iremos usar do Maxima ficará disponível para você baixar dentro do site da própria
UNIP, em nosso curso, junto com o material desta disciplina.

Instalação do Maxima

Após efetuar o download do software Maxima, dê dois cliques com o botão direito do mouse ou
selecione o ícone figura A.1 e pressione a tecla Enter:

Figura A.1 – Ícone do instalador do Maxima

Após executar o instalador do software, a primeira tela que aparece é para selecionar a língua de
instalação do software (figura A.2); como padrão, está a língua inglesa, mas clicando nas opções, se
167

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 167 24/05/2012 09:44:39


pode escolher a opção Português do Brasil (figura A.3). Após selecionar a língua, basta clicar em ok
para prosseguir com a instalação:

Figura A.2 – Línguas disponíveis para instalação

Figura A.3 – Selecionando a língua portuguesa (Brasil)

Atenção: Existem algumas razões para que, mesmo seguindo os passos indicados acima, você não
consiga ter a versão em português do Maxima (não entraremos nesse mérito). Apresentamos a imagem
em português, uma vez que lhe será mais significativa. Qualquer que seja o idioma em que o pacote
for instalado, a posição dos temas, funções ou operações será sempre a mesma. Com essa versão em
português, ficará fácil você compreender o que aparece em sua tela, caso sua versão esteja em inglês.
Tudo tem um lado positivo, se sua versão ficar instalada em inglês, além de aprender a ser um usuário
desse pacote computacional, você também irá agregar aos seus conhecimentos novos termos técnicos
em inglês. Desta forma, você poderá e saberá transitar em qualquer versão do Maxima e aumentará o
entendimento de termos em outros pacotes computacionais.

Voltemos à instalação do Maxima. O próximo passo é o Contrato de Licença de Uso; basta ler
os termos, ativar a opção Eu aceito os termos do contrato e clicar em Avançar para continuar.
A figura A.4 mostra a tela como é apresentada e a opção Eu aceito os termos de Contrato já
selecionada:
168

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 168 24/05/2012 09:44:40


Figura A. 4 – Licença de contrato de uso
Após as configurações iniciais de instalação, é apresentada uma tela de boas-vindas do assistente de
instalação (figura A.5); basta clicar em Avançar e prosseguir com a instalação do software:

Figura A. 5 – Boas-vindas do instalador

A próxima tela apresenta as seguintes informações:

• Usuários do sistema operacional MS Windows 9X devem ler a sessão referente à falta de espaço
para ambiente no arquivo Readme.
• Se a interface do software Maxima não funcionar, ler a sessão referente à firewall no arquivo
Readme.

169

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 169 24/05/2012 09:44:41


A figura A.6 ilustra a parte que contém essas informações; depois de lidas, clique em Avançar para
prosseguir com a instalação:

Figura A.6 – Informações gerais

O passo seguinte da instalação consiste em definir o diretório para instalação do Maxima. A figura
A.7 mostra o diretório-padrão escolhido pelo instalador; caso deseje mudar o diretório destino, clique
no botão Procurar... e defina o diretório de sua preferência. Após definir o diretório ou aceitar o padrão,
clique em Avançar para continuar com a instalação:

Figura A.7 – Definição do diretório de instalação do Maxima

170

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 170 24/05/2012 09:44:42


A tela seguinte do instalador (figura A.8) é referente aos componentes a serem instalados. Por padrão,
é definido Full installation ou instalação completa, que consiste em todos os componentes do software
Maxima. Existem outras duas opções:

• Compact installation ou instalação compacta, que consiste somente no Maxima core with
command line interface.

• Custom installation ou instalação customizada, na qual o usuário pode definir quais pacotes
deseja instalar.

Por padrão, deixaremos a opção Full installation; clique no botão Avançar para continuar com a
instalação:

Figura A.8 – Componentes do Maxima

A tela seguinte (figura A.9) confirma o nome da pasta em que serão salvos os atalhos no Menu
Iniciar, você pode alterar o nome, clicar em Procurar e definir outro local ou aceitar o padrão, como em
nosso caso, clicar em Avançar para prosseguir com a instalação:

171

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 171 24/05/2012 09:44:43


Figura A.9 – Diretório do menu iniciar

A próxima tela define tarefas adicionais (figura A.10) de como adicionar ícones à área de trabalho;
por padrão, está definida a criação do ícone do Maxima na área de trabalho, basta clicar em Avançar
e continuar com a instalação:

Figura A.10 – Tarefas adicionais

172

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 172 24/05/2012 09:44:44


As próximas telas mostram as definições da instalação; basta clicar em Instalar para efetuar a
instalação.

Após clicar em Instalar ocorrerá a instalação do software Maxima. Espera-se a barra de progresso
para o fim da instalação, conforme a figura A.12:

Figura A.11 – Definições de instalação

Figura A.12 – Progresso da instalação

173

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 173 24/05/2012 09:44:45


Após a instalação, é exibida uma tela com informações gerais conforme a figura A.13; basta clicar
em Avançar:

Figura A.13 – Informações gerais

Concluída a instalação, é exibida a tela da figura A.14. Clique em Concluir. O ícone do Maxima pode
ser encontrado na área de trabalho, como na figura A.15:

Figura A.14 – Instalação concluída

Figura A.15 – Ícone do Maxima

174

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 174 24/05/2012 09:44:46


A.1.3 A interface do Maxima

A interface wxMaxima é planejada para facilitar o uso do Maxima. A tela do programa é como está
aparecendo abaixo (figura A.16), que é a padrão para está versão; possui 12 botões de atalho na parte
inferior da tela abaixo da Entrada. Informo aos “futuros amantes do Maxima” que esta quantidade pode
ser aumentada.

Figura A.16 – Interface do wxMaxima

Caso deseje visualizar ou trabalhar com a versão completa, você deve clicar em Editar e selecionar
Configurar no painel de botões; selecione a opção Completo (como ilustrado na figura A.17) e clique
em ok. Caso não deseje, tudo bem, não vamos usar esses botões de atalho em nossa excursão pelo
Maxima.

Figura A.17 – Configuração do wxMaxima

175

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 175 24/05/2012 09:44:47


Na sequência, você deve fechar o programa e abri-lo novamente. Após seguir os procedimentos
acima listados, irá visualizar uma janela semelhante a que apresentamos na figura A.18:

Figura A.18 – Interface do wxMaxima com painel de botões completo

Nessa imagem, pode-se observar a existência de 20 botões de atalho. Você também tem a opção de
ocultar todos os botões de atalho.

O Maxima foi desenvolvido em C++ e possui o código fonte aberto, que permite ser modificado e
aprimorado por qualquer pessoa que se interesse e desenvolva o conhecimento suficiente para fazê-lo.
Caso, no futuro, você queira desenvolver algum trabalho nesse sentido, este poderá ser configurado
como um projeto de iniciação científica tanto na Matemática quanto na Computação, que são ciências
social e culturalmente construídas.

O Maxima também possui potencialidades a serem desenvolvidas e existem características a


melhorar. Saiba que é usual aprimorar programas computacionais. Existem pelo mundo pessoas
investindo tempo, inteligência e paixão para fazê-lo. Um exemplo desses esforços está na busca
por modificações no sentido de aumentar o número de funções existentes no programa hoje.

Na versão que escolhemos para apoiar nossa disciplina, existe uma interface gráfica que
permite ao Maxima trabalhar com matrizes de forma semelhante a que ocorre com o Winmat.
Outras equipes se envolvem em fazer traduções4 em diversas línguas para as versões que são
aprimoradas.

“Para contribuir com a equipe do Maxima na tarefa de manter a tradução para o português sempre atualizada,
4

envie um e-mail para” <maxima@math.utexas.edu>. A fonte dessa informação está na página 1 do manual virtual dessa
versão do Maxima.
176

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 176 24/05/2012 09:44:47


Para ter acesso ao manual virtual do Maxima, você pode clicar sobre o ícone na barra
de ferramentas. Uma segunda forma é colocar o cursor na região Entrada, digitar o símbolo da
interrogação (?), dar um espaço e teclar Enter. Se estiver com uma dúvida específica sobre um
comando, você deve colocar o cursor na região Entrada, digitar o símbolo da interrogação (?),
dar um espaço, digitar a primeira letra (também pode ser mais de uma) do comando pretendido e
clicar Enter; o manual virtual abrirá na página com a sequência em ordem alfabética das funções
que apresentam, como início, a(s) letra(s) que você digitou. Para sair do manual, basta clicar no
ícone no canto superior direito da tela.

A.1.4 Recursos básicos no Maxima

Você pode apoiar seus estudos, tanto no que se refere aos de cálculo quanto aos conteúdos de
álgebra.

No que se refere aos conteúdos de cálculo, podemos, entre outros, nos apoiar no Maxima para:

• Representação gráfica de uma função em duas ou três dimensões.

• Calcular o limite de uma função.

• Calcular a(s) derivada(s) de uma função.

• Calcular a integral indefinida e/ou definida de uma função.

• Encontrar as frações parciais de uma equação racional.

• Resolver equações diferenciais.

Sei que são muitos conceitos novos, mas saiba que no curso de Matemática você construirá campos
de compreensão e aplicação em um deles. Mantenha a calma, estude sistematicamente, assista aos
vídeos das aulas, participe ativamente do fórum de discussão, resolva reflexivamente as atividades
solicitadas, faça suas pesquisas pessoais que esses conceitos, com o tempo, se constituirão como teus.
Estude e tenha a postura que recomenda Walter Franco em uma de suas canções: mantenha “a mente
quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”. Iremos desenvolver esses temas no tópico dois desse
apêndice.

No que se refere aos conteúdos de álgebra podemos, entre outros, nos apoiar no Maxima para:

• Calcular determinantes.

• Operar com matrizes.

• Operar com vetores.

177

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 177 24/05/2012 09:44:48


• Resolver sistemas lineares.

• Encontrar as raízes ou zeros de um polinômio.

A.1.4.1 Iniciando e conhecendo o Maxima

Para abrir o programa, você deve clicar sobre o ícone ; obterá a Figura A.19:

Figura A.19 – Inicializando o Maxima

Leia e feche a dica do dia. Ao iniciá-lo, saiba que você estará em um ambiente de trabalho que
recebe e armazena os dados segundo linhas de comando. Você irá o tempo todo ler e interpretar
as linhas de comando simbolizadas das seguintes formas (%i1), (%i2), [...], (%iN); N é um número
natural. O i é uma abreviação da palavra input, termo da língua inglesa usado para designar entrada
de dados.

As respostas às entradas serão dadas nas seguintes etiquetas: (%o1), (%o2), [...], (%oN); no qual o
é uma abreviação da palavra output, que significa saída de dados. Uma vantagem desta simbologia
é que você poder fazer referência a uma entrada ou a um resultado passado relacionando apenas pela
etiqueta (figura A.20):

178

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 178 24/05/2012 09:44:49


Figura A.20 – Uso de etiquetas e a mensagem do Maxima

O texto em inglês que aparece acima (figura A.20) é sobre a versão do software, o local no qual se
encontra oficialmente armazenado, informa que o mesmo é livre e de domínio público e apresenta uma
dedicatória à memória do professor William Schelter, um incansável defensor dos sotfwares livres e um
dos responsáveis por incentivar o aprimoramento e a disponibilidade pública do Maxima.

Caso deseje iniciar suas atividades sem que a mensagem-padrão ocupe a tela do seu computador,
basta clicar em Editar, selecionar a opção limpar a tela e não verá mais a mensagem na sessão
aberta. Aliás, você pode realizar o procedimento de limpar a tela sempre que considerar necessário,
independentemente do que esteja registrado na tela. A única imagem que ficará visível é a indicação de
qual será sua próxima “linha de comando”.

Embora não visíveis na tela, as contas, equações ou os comandos inseridos permanecem na memória
virtual do Maxima e você pode retomá-las posicionando o cursor sobre a janela Entrada e clicando
sobre a seta ↑ (sentido para cima) em seu teclado. Se teclar uma vez, aparecerá na região de entrada
o conteúdo (fórmula e/ou operação) do código da última linha de comando inserida, mesmo sem que
a linha esteja visível na tela. Clicando duas vezes, você recuperará o conteúdo do código da penúltima
linha de comando e assim sucessivamente.

Exemplo:

Veja como efetuamos as seguintes operações:

a) 220 b) 3+5 c) 5–13*2 d) 10/2–3 e) 2,5*2

179

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 179 24/05/2012 09:44:49


Figura A.21 – Exercícios

Para realizar os cálculos, inserimos na Entrada para o item:

• 2^20 e teclamos Enter, a resposta é automática;

• 3+5 e teclamos Enter, a resposta é automática;

• 5–13*2 e teclamos Enter, a resposta é automática;

• 10/2–3 e teclamos Enter, a resposta é automática;

• 2.5*2 e teclamos Enter, a resposta é automática.

Lembrete

Porém, quando inserimos 2,5*2 e teclamos Enter, a resposta foi um


alerta: Improper argument (em português, esse alerta está chamando
sua atenção para o fato de você ter inserido um argumento impróprio, ou
seja, você cometeu um erro).

180

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 180 24/05/2012 09:44:50


Observação

Nunca se esqueça de que no Maxima, assim como ocorre nas calculadoras,


os números decimais são escritos com ponto (no lugar da vírgula); por
exemplo: 3,1415 [...]. Para inserirmos esse valor, devemos usar 3.1415; isso
vale tanto no Maxima quanto no Mupad, no Maple etc.

Isso se deve ao fato de a programação interna desses pacotes (e de boa parte das calculadoras)
seguirem o padrão da língua inglesa. Nunca use vírgula ao inserir um número, seja em calculadoras
eletrônicas, seja em pacotes computacionais de nível internacional; o único pacote que foge a essa regra
é o Excel. E se você digitar uma vírgula ao inserir um número, agora você já sabe o que acontece. Veja
no quadro abaixo:

(%i13) 3,1415;
Improper argument to ev:1415 -- an error. To debug this try debugmode(true);

O programa está informando que você usou um argumento impróprio e avisa que é um erro. O que
você deve fazer para corrigi-lo? Posicione o cursor na Entrada e clique sobre a seta ↑ (sentido para
cima) em seu teclado; recuperando a expressão 3,1415, delete a vírgula (,) e substitua pelo ponto (.),
depois tecle Enter. Para ocultar qualquer entrada e sua correspondente saída, basta clicar na etiqueta,
por exemplo, (%i13) de entrada que aparecerá em vermelho a seguinte mensagem (%i13) << Unfold
>>. Para recuperar a imagem ocultada, basta clicar sobre a mensagem << Unfold >> que novamente
você terá, nesse exemplo:

(%i13) 3,1415;

Improper argument to ev:1415 -- an error. To debug this try debugmode(true);

Atenção: após inserir o comando desejado na Entrada, se deve pressionar o botão Enter para que
o comando seja executado pelo Maxima.

A.1.4.2 Salvando arquivos e Maxima como editor de texto matemático simbólico

Salvando arquivos

O procedimento para salvar as operações e variáveis (inputs e outputs) que você realizou por meio
do Maxima é muito simples, basta clicar sobre a barra de ferramentas na opção Arquivo e depois Salvar
como (caso seja a primeira vez), depois será mostrada uma tela para você selecionar o diretório em que
deseja salvar e o nome que deseja dar ao arquivo. Vale lembrar que a extensão com que o arquivo é salvo
é a extensão WXM, que é uma sessão do wxMaxima:

181

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 181 24/05/2012 09:44:50


Figura A.22 – Salvando uma sessão do wxMaxima

Após salvo a primeira vez por meio do procedimento descrito acima, basta clicar no ícone do disquete
para salvar o arquivo:

Figura A.23 – Salvar sessão

Usando o Maxima como editor simbólico matemático

Em nossos textos como professores de Matemática, muitas vezes precisamos escrever fórmulas,
expressões e símbolos. Fazemos isso, tanto em exercícios que propomos aos nossos alunos quanto ao
elaborarmos provas, trabalhos e/ou projetos. Se nos apoiarmos no Maxima para verificarmos nossas
propostas, podemos usá-lo também como editor de fórmulas e expressões simbólicas. Veja como
proceder com o exemplo a seguir:

Exemplo:

Escrever a equação do segundo grau e copiar as fórmulas e expressões simbólicas obtidas por meio
do Maxima:

x2–2x+4=0

Solução:

Passo 1: Digitamos a equação do segundo grau no campo de Entrada, conforme a figura A.24:

182

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 182 24/05/2012 09:44:51


Figura A.24 – Entrada da equação

Após a entrada da equação, obtemos a saída do Maxima de acordo com a figura A.25, sendo %o1 a
primeira equação na forma matemática que desejamos copiar:

Figura A.25 – Saída no Maxima

Passo 2: Para copiarmos a equação %o1, damos um clique sobre ela (selecionamos a equação), de
tal forma que ela fique com um fundo cinza, conforme a figura A.26:

Figura A.26 – Selecionando a equação

Após selecionar a equação, vamos na opção Editar da barra de menu e selecionamos a opção Copiar
como imagem, para então poder colar a equação, conforme a figura A.27:

Figura A.27 – Procedimento para copiar a equação

Depois disso, colocamos as duas raízes da equação na entrada do Maxima (fórmula de Baskhara) e
efetuamos o passo 2 para as duas raízes, conforme as figuras A.28; A.29; A.30; A.31:

Figura A.28 – Primeira raiz da equação

183

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 183 24/05/2012 09:44:52


b2 – 4ac – b
x1 =
2a

Figura A.29 – Equação da primeira raiz

Figura A.30 – Segunda raiz da equação

b2 – 4ac – b
x2 =
2a

Figura A.31 – Equação da segunda raiz

Observação

Vale ressaltar que as fórmulas para as raízes da equação obtidas por


meio do Maxima diferem da convenção adotada pelas literaturas, isto é, as
raízes precedem o valor de –b no numerador.

A.1.4.3 Operando numérica e algebricamente

Nessa sessão aprenderemos, apoiados em exemplos, a usar alguns comandos do Maxima para realizar
uma série de operações matemáticas.

Operadores aritméticos

Apresentamos no quadro abaixo uma série de exemplos de como operar no Maxima; apresentamos
tanto a sintaxe (como ordenar de forma escrita que algo seja feito no pacote computacional) quanto a
prioridade (ordem de precedência) do operador:

Operador Ação Exemplo No Maxima Resultado


no Maxima Prioridade

+ Adiciona 2/3 + 1/21 2/3 + 1/21; 5/7 1


– Subtrai 2/3 – 1/21 2/3 – 1/21; 13/21 1
* Multiplica 2/3 * 1/21 2/3 * 1/21 2/63 2
/ Divide (2/3) / (1/21) (2/3) / (1/21); 14 2
! Fatorial 5! 5!; 120 3
Fatorial 2+2*5! 2+2*%; *
242 3, 2, 1
2^10 2^10, 1024 3
^ Potência
(1/4)^(1/2) (1/4)^(1/2); 1/2 3

184

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 184 24/05/2012 09:44:54


1 Calcula a raiz 1024 sqrt(1024); 32 3
a = a2 quadrada de a
1024^(1/2) 1024^(1/2); 32 3
m Calcula a raiz 5
n m enésima de a 4 5 10^(5/4); 10*10^(1/4) 3
a = an elevado a n 10 = 10 4

*
Caso queira resgatar o resultado de um cálculo imediatamente anterior, basta usar o símbolo %
resgata o último 5+(UR) 5+%; depende do (UR)
% resultado (UR) (UR) *3 %*3; depende do (UR)
5! 5!; 120 3
Operação em cadeia
2+2*5! 2+2*%! *
242 3, 2, 1

Precedência dos operadores

Ao avaliar uma expressão, o Maxima leva em conta a prioridade das operações; veja a última coluna
da tabela acima. As operações de maior prioridade (3 na tabela) são realizadas em primeiro lugar.
Operações de mesmo grau de prioridade são realizadas na ordem em que aparecem na expressão, da
esquerda para a direita. O uso de parênteses altera a prioridade. Você já deve ter percebido isso, quando
realizou os procedimentos das letras 5–13*2 e 10/2–3, do exemplo acima.

Analisando as informações da tabela, você pode verificar que colocamos duas linhas para ação
fatorial. Nossa intenção era trazer ao seu conhecimento o comando %, que resgata o último valor
calculado e o insere em uma nova operação.

Lembrete

Revelo a você que eu, ao redigir o presente livro-texto, o faço com o


Maxima aberto em outra janela. Recomendo que, ao ler esse texto, o faça
com o Maxima aberto e vá realizando cada atividade na medida em que as
lê ou estuda.

Já tendo calculado 5! em meu computador, resolvi fazer uma conta que conseguíssemos ter o
resultado por cálculo mental, de modo que usasse tal resultado. Essa é a razão que bastou que eu
digitasse 2+2*%. Tentei esclarecer tal comando (%) na parte inferior da tabela.

Resultados numéricos oferecidos pelo Maxima

O Maxima é programado para devolver os resultados mais exatos, porém, nem sempre é possível;
isso significa que algumas vezes ele devolve uma expressão simbólica no lugar de um valor numérico.
Veja os exemplos a seguir:

• (i) (%i3) sqrt(2); (%o3) sqrt(2)

185

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 185 24/05/2012 09:44:58


• (ii) (%i4) log(10); (%o4) log(10)

• (iii) (%i5) 2/3; (%o5) 2/3

Porém, muitas vezes não interessa saber o valor fracionário como no exemplo (iii), mas sim um valor
aproximado. Para forçar o Maxima a nos devolver um resultado aproximado, usamos a expressão float
(comando de entrada). Veja como ficam nossos exemplos:

(i) (%i6) float(2/3); (%o6) 0.66666666666667

(ii) (%i7) float(sqrt(2)); (%o7) 1.414213562373095

(iii) (%i8) float(log(10)); (%o8) 2.302585092994046

Observação
10
Sabemos que log10 = 1 , consequentemente, log(10) calculado no
10
Maxima não foi log10 e sim log10
e . Dessa forma, ao inserirmos o comando
log(x) nesse pacote computacional, estamos esperando o resultado de um
logaritmo na base e e não na base 10. Para calcular log ee , digite na caixa de
entrada log(%e) e tecle Enter; você obterá como resposta o valor 1.

O quadro abaixo ilustra como inserimos constantes e/ou símbolos especiais no Maxima:

Algumas notações no Maxima

Nome Símbolo Representação no Comando: valor


Maxima aproximado Valor aproximado

Número de Euler e %e float(%e); 2.718281828


Pi π %pi float(%pi); 3.141592654

raiz quadrada de 2 2 sqrt(2) float(sqrt(2)); 1.414213562

logaritmo de 3 na base e ln3 log(3) float(log(3)); 0.477121255


Infinito ∞ inf

i: nº complexo i = –1 %i

Observação

Você deve ter observado que até agora o símbolo % teve duas funções:
chamar o último resultado obtido para inseri-lo em novo cálculo e para
186

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 186 24/05/2012 09:45:02


indicar que um símbolo é uma constante. Mas e % como porcentagem... se
você entrar com 10% na caixa de Entrada do Maxima...

(%i1) 10%; Incorrect syntax: % is not an infix operator10%; ^ => ele


não entende que é 0,1 e chama a sua atenção ao fato de que você está
cometendo um erro. Fique atento!

Diferentemente de outras, essa versão diferencia letras maiúsculas de minúsculas; A: e a: são


entendidas como declaração de variáveis diferentes. Consequentemente, se você entrar com sen(pi), ele
procederá de forma diferente se entrar com sen(PI).

Isto é, sen(PI) ≠ sen(pi).

Abreviamos seno por sin em pacotes computacionais que têm a língua inglesa como base.

Veja os resultados obtidos:

(%i18) sin(%PI); (%o18); sin(%PI)

Já (%i19) sin(%pi); (%o19) 0

Lembrete

Há versões do Maxima que não diferenciam letra maiúscula de


minúscula.

Observação

(i) (a – b)* c é diferente de a – b*c.

(ii) O Maxima é um sistema no qual trabalhamos em linhas de comando.


Você informa um comando na Entrada, obtém uma resposta e pode inserir
o próximo comando.

(iii) Se quiser saber um valor aproximado, precisa usar a expressão float[...].

Exemplos:

Resolva as operações a seguir e expresse cada resultado nas formas fracionária e decimal:

187

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 187 24/05/2012 09:45:02


−1 2
  
32  3
2 2 3
 2 1 −2  2 
a)   _ 2 * + 2 b)   + (1, 5) −  + 
 3 4  5  4 + 3  3
 2 
 
10!
c)
3 * 112

Resolução:

a) (%i10) (2/3)^2–2*(1/4) + sqrt(2); (%o10) sqrt(2) – 1/18

Usando a tecla que tem a seta para cima “↑”, resgatamos o resultado já digitado. Na sequência,
digitamos a palavra ou comando float e inserimos o comando já digitado em (i%10) dentro dos
parênteses; tecle Enter.

(%i11) float((2/3)^2 – 2*(1/4)+sqrt(2)); (%o11) 1.35865800681754

b) Para evitar erros de digitação ou que você venha a se perder nos parênteses, sugerimos que faça
esse item em partes:

Parte 1: (%i15) ((2^3)/5)^2; (%o15) 64/25

Parte 2: queremos resultado fracionário, logo, usamos o 1,5 na forma de fração 3/2 e obtemos:

(%i16) (3/2)^(–2); (%o16) 4/9

Parte 3: subdivida e faça passo a passo para ser mais didático:

(%i17) ((2^3)/(4+3/2))^(–1); (%o17) 11/16

(%i18) ((2^3)/(4+3/2))^(–1)+ 1; (%o18) 27/16

(%i19) (((2^3)/(4+3/2))^(–1)+ 1)^2; (%o19) 729/256

Parte 4: fazer a operação entre as partes:

(1) + (2) – (3): (%i20)(64/25) + (4/9) – (729/256)

(%o20) 9031/57600

(%i21) float(%); (%o21) 0.15678819444444

188

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 188 24/05/2012 09:45:03


c) (%i22) sqrt((10!)/(3*11^2)); (%o22) (240*sqrt(21))/11

(%i23) float(%); (%o23) 99.9834697081274

Resultados algébricos e simbólicos oferecidos pelo Maxima

Mencionamos na abertura do apêndice que o Maxima efetua operações simbólicas, isto é, realiza
operações algébricas como fatorar polinômios, expandir expressões algébricas, calcular raízes de uma
equação polinomial, resolver sistemas de equações etc. Uma das mais importantes características desse
aplicativo é que ele manipula e simplifica expressões algébricas. Podemos usar os operadores aritméticos
para efetuar a simplificação de uma expressão algébrica.

Exemplo 1:
1
Simplifique a expressão: 3x2 + a − x2 + a
3

1
Expressão 3x2 + a − x2 + a
3
Sintaxe 3*x^2+a–x^2+(1/3)*a;
4a
Resultado 2x 2 +
3

Dicas de formatação de fórmulas:

• Podemos dar espaço entre os operadores para melhorar a visualização das expressões na tela sem
(
nenhum problema: (%i11) (1 + sqrt (3))^2; (%o11) 3 + 1 2 . )
• Se colocada uma expressão, o Maxima conservará a forma simbólica: (%i10) (1+sqrt(3))^2; (%o10)
( ).
2
3 +1

• Se inserirmos o símbolo dólar ($) no final da linha de comando antes de teclar Enter, o Maxima
omitirá o aparecimento do resultado na tela.

Esses artifícios são usados quando pretendemos otimizar tempo e aparência da tela que exibe os cálculos.

Exemplo 2:

Decompor 10! em função de seus fatores primos:

Sabemos que 10! = 10*9*8*7*6*5*4*3*2*1 = 3628800. O Maxima irá fazer a decomposição para nós;
basta colocarmos o pronpt na caixa de entrada e digitar a palavra factor(número), veja a seguir:
189

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 189 24/05/2012 09:45:07


Sintaxe factor(10!);
Resultado 28 34 52 7

Lembrete

Para decompor um número em fatores primos, esse número


obrigatoriamente tem que ser um número natural.

Exemplo 3:

Decompor x2–1:

O Maxima também realiza decomposição de expressões algébricas, basta digitar a palavra


factor(expressão), veja:

Sintaxe factor(x^2–1);
Resultado (x–1)(x+1)

Uma limitação do comando factor é que ele não é um bom resolvedor de expressões, caso o
componente numérico da fatoração seja um número não inteiro.

Veja os dois exemplos:

(%i20) factor(x^2+1); (%o20) x^2+1: aqui não foi feita a fatoração.

(%i21) factor(x^2–1/4);(%o21) ((2*x–1)*(2*x+1))/4: aqui a resposta mais simples seria


(x–1/2)*(x+1/2).

Exemplo 4:

Determine a forma expandida de (x–2)4:

Para obter a forma expandida de uma expressão qualquer, basta usar o comando expand(expressão)
e teclar Enter, veja:

Expressão (x–2)4
Sintaxe expand((x–2)^4);
Resultado x4–8x3+24x2–32x+16

Exemplo 5:
1
Determine a decomposição parcial fracionária de 2 :
x + x −2
190

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 190 24/05/2012 09:45:08


Para obter a decomposição parcial fracionária simples de expressões fracionárias, fazemos uso do
comando partfrac e procedemos da seguinte forma: na caixa de entrada, digitamos partfrac(expressão,
variável) e teclamos Enter. Veja no exemplo:

13x − 25
Expressão
x2 + x − 6
Sintaxe partfrac((13*x–25)/(x^2+x–6),x);
64 1
Resultado +
5 ( x + 3) 5 ( x – 2)

Outros exemplos:

Usando a função factor do Maxima, decomponha os pares de números abaixo e determine o


MMC:

a) 473 e 96.

b) 112 e 108.

Respostas:

a) 473 = 43*11 e 96=2^5*3

MMC = 45408

b) 112 = 247 e 108= 2233

MMC= 3024

A.1.4.4 Variáveis, funções, constantes e expressões no Maxima

Se desejarmos definir variáveis e funções no Maxima, devemos proceder como exemplificamos em


diversos subitens a seguir.

Atribuindo valores a variáveis e calculando numericamente o resultado de expressões

Para calcular x10, por exemplo, quando (i) x = 2; (ii) x = 0,5:

(%i1) x: 2; (%o1) 2 (%i2) x^10; (%o2) 1024 ou (%i3) x: 2$ (%i4) x^10; (%o4) 1024

Digitamos na caixa de entrada, x, dois pontos (:), 2 e $. Dessa forma, o Maxima vai
entender que todo x que você colocar em uma expressão daqui para frente, nessa sessão de
trabalho, tem valor numérico 2. O símbolo de $ é para que ele oculte a saída de x:2 (x=2).
191

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 191 24/05/2012 09:45:10


Na sequência, voltamos à caixa de entrada e fazemos a potência x 10, digitando x^10; é só
aguardar o resultado.

(ii) (%i5) x: 0.5$ (%i6) x^10; (%o6) 9.765625*10^-4

Exemplo:

Sejam a = –1; b = 4; c = 0,5; d = 2; e = –3. Calcule, usando no Maxima, o valor de cada expressão
abaixo. Antes de pedir ao Maxima que realize as contas, devemos informá-lo do valor das variáveis, na
sequência inserir a variável, depois os dois pontos (:) e, por fim, o valor da variável:

(%i9) a:–1$; (%i10) b:4$; (%i11) c:0.5$; (%i12) d:2$; (%i13) e:–3

a)

Expressão −b + b2 − 4ac
2a
Sintaxe (–b+sqrt(b^2–4*a*c))/(2*a);
Resultado –0.12132034355964

b)

Expressão −b − b2 − 4ac
2a
Sintaxe (–b–sqrt(b^2–4*a*c))/(2*a);
Resultado 4.121320343559642

c)
b2 b3 b4 b5
Expressão 1− b + − + −
2! 3! 4 ! 5!
1–b+(b^2)/2!–(b^3)/3!+(b^4)/4!–(b^5)/5!; ou
Sintaxe
1–b+b^2/2!–b^3/3!+b^4/4!–b^5/5!;
Resultado –53/15

d)
(2b − 3a)d
Expressão
a(d + e)c
Sintaxe ((2*b–3*a)^d)/(a*(d+e)^c);
Resultado –121/(–1)^0.5

192

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 192 24/05/2012 09:45:14


Definindo e operando com funções matemáticas

Lembrete

Para definir uma função de uma variável, usaremos o comando:=

a) Dada a função f(x)= x2–2x–3, determine f(0) e f(–1/2):

Expressão F(x)= x2–2x–3 (i) f(0)=? e (ii) f(–1/2)=?


Sintaxe F(x):=x^2–2x–3; f(0); f(–1/2);
Resultado (i) –3 e (ii) –7/4

b) Dada a função f(x)= x2–2x–3, determine f(x+h):

Expressão F(x)= x2–2x–3 f(x+h)=?


Sintaxe f(x):=x^2–2*x–3; f(x+h);
Resultado 1 (x+h)2–2(x+h)–3

Vamos expandir o resultado que acabamos de obter?

Sintaxe expand(%);
Resultado 2 x2+2hx–2x+h2–2h–3

c) Dada a função f(x, y)=(x–1)2+y2, determine f(2, 3):

Expressão f(x, y)=(x–1)2+y2 e f(2, 3) =?


Sintaxe f(x, y):=(x–1)^2+y^2; f(2, 3);
Resultado 1 10

d) Dada a função f(x) = cos(2x), determine f(pi):

Expressão f(x)= cos(2x) e f(pi) =?


Sintaxe f(x):=cos(2*x); f(%pi);
Resultado 1 1

Destacamos que é bem simples operarmos com limites, derivadas e integrais no Maxima.
Recomendamos que, independentemente desta disciplina, você aprofunde seu conhecimento do Maxima.
Esse pacote computacional pode ser um importante aliado seu, nos estudos de outras disciplinas e no
nosso curso de Matemática. Boa diversão!

193

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 193 24/05/2012 09:45:14


A.1.4.5 Funções internas ao Maxima

O Maxima contém muitos comandos e funções internas – algumas destas vimos na sessão acima.
Vale lembrar que o nome das funções deve ser digitado sempre em letras minúsculas. Destacamos que
os parâmetros de uma função devem ser delimitados por parênteses e que basta digitar a abertura dos
parênteses que o fechamento é inserido automaticamente. Logo, mesmo que você seja desatento, não
terá muitos problemas com isso.

A seguir, apresentamos uma lista de exemplos:

Sintaxe Função Sintaxe Função Sintaxe Função Sintaxe Função


abs(x) |x| acos(x) arccos(x) sinh(x) senh(x) asinh(x) arcsenh(x)
sqrt(x) x asin(x) arcsen(x) cosh(x) cosh(x) acosh(x) arcosh(x)

log(x) ln(x) atan(x) arctan(x) tanh(x) tgh(x) atanh(x) arctanh(x)


sec(x) sec(x) asec(x) arcsec(x) sech(x) sech(x) asech(x) arcsech(x)
csc(x) cosec(x) acsc(x) arccosec(x) csch(x) csch(x) acsc(x) arccosech(x)
cot(x) cotg(x) acot(x) arccotg(x) coth(x) cotgh(x) acoth(x) arccotgh(x)

Sintaxe tan(...) sqrt(...) sin(...) cos(...)


Função tangente de ... raiz quadrada de ... seno de ... cos de ...

Sintaxe sign(x) factor(...) expand(...)

Função x a fatoração de um número ou de uma expande uma expressão fatorada


|x| expressão

Sintaxe exp(x) ratsimp(...) display(...)

Função reduz uma expressão a um mesmo


ex denominador Simplifica uma expressão

Sintaxe min(a, b, c) max(a, b, c) partfrac(expressão, variável)

Função valor mínimo valor máximo Calcula a decomposição parcial fracionária simples para
entre ... entre ... expressões fracionárias

Sintaxe invert(A) A^^–1 determinant(A) rank(A) transpose(A)

Função determinante da transposta da Matriz


inverte a Matriz A inverte a Matriz A posto da Matriz A
Matriz A A

Sintaxe charpoly(A, x) echelon (A) eigenvalues(A) eigenvetors(A) triangularize(A)

Função polimônio forma escalonada autovetores da autovetores da forma triangular da


característico da Matriz Matriz A Matriz A Matriz A

A.2 Tópicos de cálculo

Geralmente, ao trabalharmos com pacotes computacionais, partirmos dos procedimentos


mais fáceis para os mais complexos, assim como fazemos tradicionalmente (embora essa não
seja a única forma de proceder) em sala de aula ao abordarmos um conteúdo novo com nossos
alunos. O mesmo padrão de procedimento, na maioria das vezes, é usado ao desenvolvermos
194

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 194 24/05/2012 09:45:15


um programa em uma determinada linguagem computacional para testarmos uma determinada
argumentação, hipótese ou teoria. Primeiro, verificamos sua validade para casos mais simples
que conseguimos efetuar e calcular sem o programa que queremos testar. Validade confirmada,
seguimos desenvolvendo nosso programa, ampliando a complexidade do modelo e avaliando a
razoabilidade dos resultados.

Pode ocorrer, como veremos mais adiante, que a resposta oferecida pelo Maxima seja uma mensagem
de erro ou a impossibilidade de realizar o cálculo. Vejamos dois dos casos mais comuns de erro para um
usuário iniciante de pacotes computacionais aplicados à matemática. Eles estão na categoria limitação
do usuário:

• Erro de sintaxe para o nosso pacote computacional em estudo: caso você não saiba inserir ou
escrever corretamente a função na linguagem ou sintaxe do Maxima. Solução: volte aos temas
Operadores aritméticos ou Funções internas ao Maxima para ver como proceder corretamente.

• Erro de base conceitual matemática: por exemplo, ao pedir solicitar o cálculo do limite bilateral
de uma função “descontínua por um salto”. Solução: Estude melhor a teoria matemática, reveja o
tema: função contínua 4.1.1.

• Dependendo do tipo de erro, em especial se não tiver a devolutiva (%o...) na tela principal do
Maxima para continuar seus cálculos, você deve: escolher o tema Maxima na barra de ferramentas,
depois clicar no tema Reiniciar Maxima, e em fração de segundos você terá a tela principal limpa
e pronta para reiniciar seu trabalho. Veja a ilustração abaixo:

Figura A.32 – Reiniciando os cálculos e o Maxima

Como nossa intenção aqui é oferecer-lhe familiaridade com esse pacote computacional e não passar
quantidade de informação em demasia, de modo que você não consiga absorver, paramos por aqui
nossos destaques sobre tipos de erros. Voltemos, pois, a nossa capacitação em obter apoio ao nosso
estudo de cálculo, apoiado pelo Maxima.
195

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 195 24/05/2012 09:45:16


A.2.1 Recursos básicos do Maxima envolvendo conceitos de cálculo

Já comentamos anteriormente, no item A.1.4 desse apêndice, que você pode usar o Maxima para
apoiar seus estudos, tanto no que se refere a elementos de cálculo como em elementos de álgebra
(em especial a linear). Vamos, nessa seção, estudar limites e derivadas. Que tal iniciarmos agora essa
capacitação?

Após abrir o Maxima, o primeiro passo é clicar sobre o tema Cálculo e escolher Encontrar limite...
Esse passo é necessário para calcular limites, como indicamos na figura A.33:

depois de clicar em cálculo na


barra de ferramentas, clique aqui

Figura A.33 – Preparação para calcular o limite de uma função

Após clicar em Encontrar limite... como indica a seta sobre a figura acima, você verá na tela de seu
computador a seguinte imagem:

Figura A.34 – Preparação para calcular limite de uma função

Clique sobre o símbolo de porcentagem (%) que aparece inicialmente na frente do título Limite
de: e apague-o. Agora, você está pronto para realizar os procedimentos finais para o Maxima calcular
e lhe devolver a resposta do limite de uma determinada função. Vale observar que o padrão da tela é
trazer a variável x como referência (que pode e deve ser alterada, conforme sua necessidade); outra
referência padrão é o valor ao qual x tende que o Maxima apresenta como se aproxima de:; toda vez

196

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 196 24/05/2012 09:45:17


que você abrir essa tela, terá visível o valor zero (0), indicando que ele está pronto para calcular o limite
da função inserida quando a variável tende a zero (0) (também pode e deve ser alterado conforme
sua necessidade); para finalizar, o limite bilateral é o padrão apresentado, que pode e deve ser alterado
conforme sua necessidade. Isso feito, estamos prontos para começar a calcular o limite de uma função,
usando o nosso pacote computacional.

A.2.1.1 Maxima aplicado ao estudo dos limites e continuidade no ponto

Vamos realizar o estudo de limites de algumas funções no Maxima; inicialmente resolveremos


limites simples, que já sabemos o resultado, para verificar a validade de nossos procedimentos, bem
como aprendermos a ler e interpretar as devolutivas de nosso programa livre. Explore, no Maxima, os
exemplos a seguir:

Exemplo 1:
2
Vamos determinar lim( x − 1) .
x→2
2
A essa altura dos estudos de cálculo, você já saber que lim( x − 1) = 3 . Veja e aprenda os
x→2
procedimentos que você deve seguir:

Vamos até a janela intitulada Limite do Maxima, veja a figura A. 34 no espaço Limite de: (você verá
o símbolo de %, apague-o) e digite a função que desejamos calcular o limite f( x ) = x2 − 1, na sintaxe
de nosso pacote computacional x^2 –1. Vendo a janela aberta na figura, percebemos que o Maxima já
apresenta quem é a variável em estudo, x (esse é o padrão) aparece no espaço na frente da expressão
quando a variável: Mantenha o x como sendo a variável de nossa função, caso deseje ou necessite,
pode substituir x por outra variável qualquer, sempre que quiser.
2
Em nosso exercício, queremos calcular o limite de f( x ) = x − 1, cuja variável é x, quando esse tende
a dois. No Maxima, na região se aproxima de: inserimos o valor ao qual x tende; nesse exemplo, tende
a dois (2). O que desejamos calcular é limite bilateral (tanto à direita quanto à esquerda de dois), essa
modalidade de limite vem selecionada na janela (mas pode ser modificada caso você necessite). Feito
isso, clique em ok e aguarde o resultado. Esse procedimento está ilustrado na figura A.35 a seguir:

2
Figura A.35 – Calculando o lim( x − 1)
x→2

197

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 197 24/05/2012 09:45:22


Após clicar em ok, a tela geral do programa registrará as seguintes informações ou devolutiva:

Vamos analisá-las:

• (%i1) limit(x^2–1, x, 2): foi armazenada como primeira entrada (%1) ao comando limit(x^2–1, x, 2).
O Maxima possui linguagem simbólica para calcular o limite bilateral de uma função qualquer,
considerada f( x ) = x2 − 1 como sendo a função a ser obtido o limite bilateral, quando x tende a
dois (2) tanto pela direita quanto pela esquerda e x é a variável da função.

• (%o1) 3: a saída ou resultado para o que foi solicitado em (i%1) é 3.

Avaliação do resultado
2
A priori, por cálculo mental, você sabe que lim( x − 1) = 3 , note que o Maxima devolveu exatamente
x→2
o que você esperava.

Outro procedimento sem usar a janela gráfica Limite para obter o mesmo resultado é o seguinte:

Coloque o cursor na caixa em frente do tema Entrada: que fica na parte inferior da tela principal do
Maxima, e nesse local insira a sintaxe vista acima, ou seja, limit(x^2–1, x, 2) e depois clique Enter.

Veja ilustração a seguir:

Figura A.36 – Calculando limite bilateral direto na tela principal do Maxima

Perceba a sintaxe limit(f(x), x, ponto para o qual o x tende).

Recomendamos, porém, que você só use esse procedimento depois que estiver bastante familiarizado
com a sintaxe do Maxima. Isso virá com o tempo e o uso reflexivo desse pacote computacional. Para
obter maior rapidez nesse processo, aconselhamos que você leia e avalie sempre as devolutivas do
Maxima.

Vamos nos dedicar agora ao cálculo do limite de uma função, quando x tende a finito, com o apoio
do Maxima.

Exemplo 2:
3x − 1
Vamos determinar lim
x→∞ 2x + 4

198

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 198 24/05/2012 09:45:25


Primeiramente, vamos determinar o limite sem o apoio computacional. Vamos fazer a
substituição de x por +∞. Após o cálculo mental, você chega a uma expressão do tipo  ∞  que é
 
uma indeterminação. ∞

Devemos, primeiramente, colocar o x de maior grau do numerador e o x de maior grau do denominador


em evidência, após a simplificação conseguimos calcular o limite. Relembre como:

  1   5 
x 3−  3− 
 3x − 1    x   
 x  3
lim   = lim   lim 
= =
x→+ ∞ 2x + 4 x→+∞  x  2 + 4   x→+ ∞   2 + 4   2
   
 x   x 

3x − 1 3
Realizando esse processo mentalmente, fica evidente que lim =
x→∞ 2x + 4 2

Para calcularmos o mesmo limite com o apoio do Maxima, vamos repetir boa parte dos procedimentos
do exemplo anterior, porém acrescentaremos outros por causa da sintaxe do +∞.

Selecione o tema Cálculo, na barra de ferramentas principal, depois selecione o tema Encontrar Limite...
Com a janela Limite aberta, siga os passos ilustrados na figura a seguir: primeiro insira a função que deseja
calcular o limite, na frente do título Limite de: Digitada a função que deseja calcular o limite com a sintaxe
correta, clique no botão Especial, pois você deseja calcular um limite infinito, e selecione na janela denominada
Constante o título Infinity (infinito em inglês); o quarto passo é clicar ok nesta janela. Isso feito, a janela
Constante se fechará e, para finalizar o cálculo do limite, clique em ok na janela Limite:

Figura A.37 – Calculando limite bilateral de uma função quando x→+α

Avaliando a devolutiva do Maxima:

199

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 199 24/05/2012 09:45:29


Na tela principal do Maxima, apareceu o texto acima, após você ter realizado os procedimentos
indicados nesse exemplo. Vamos analisá-lo:
3x − 1
(%i3) limit((3*x–1)/(2*x+4), x, inf); => você solicitou o limite bilateral de , lembre-se que, às
2x + 4
vezes, no Maxima, tem a sintaxe * e que tudo o que você escrever após uma função interna, nesse
caso limit, deve estar entre parênteses. Observe que há três parâmetros dentro dos parênteses para
determinar o limite bilateral, a saber, a função em estudo, a variável desta função e “o ponto”5 em torno
do qual estamos calculando o limite, já o ponto e vírgula representa o Enter:

limit (função na sintaxe correta, x, inf) => limit((3*x-1)/(2*x+4), x, inf);

Perceba que tanto a parte de cima da fração quanto a parte de baixo de fração (para ter a sintaxe
3x − 1
correta (3*x–1)/(2*x+4) = ) deve estar cada uma dentro de um parêntese. Esse procedimento é
2x + 4
obrigatório, pois necessitamos respeitar a precedência das operações matemáticas.

(%o3) é o resultado de (%i3), em nosso exemplo 3/2.

Podemos determinar o limite, fora da janela Limite; na região em frente do tema Entrada: localizada
no inferior da tela principal de nosso pacote computacional. Veja a seguir qual é a sintaxe correta:

Figura A.38 – Limite bilateral da função quando x→+α

Na sequência, vamos avaliar para qual lugar tende a curva dessa mesma f(x), agora quando x tende
para menos infinito.

Exemplo 3:
3x − 1
Vamos calcular lim
x→ −∞ 2x + 4

Acredito que você se lembre dos passos para abrir a janela Limite. Feito isso, você realizará o
procedimento semelhante ao feito no exemplo 2:

• Em Limite de: digitar (3*x–1)/(2*x+4).


• Clique no botão Especial e selecione na tela Constante a opção –Infinity (menos infinito).
• Clicar em ok na janela Constante.
• Clique em ok na janela Limite.

5
Colocamos a palavra ponto entre aspas porque infinito não é um ponto, esse é um abuso de linguagem.

200

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 200 24/05/2012 09:45:31


Em alguns segundos, você obterá a devolutiva do Maxima que apresentaremos um pouco mais
adiante. A seguir, ilustramos as janelas descritas nos procedimentos citados:

Figura A.39 – Calculando limite bilateral de uma função quando x→–α

Avaliando a devolutiva do Maxima:

Na tela principal do Maxima, apareceu o texto acima. Vamos analisá-lo:

(%i4) limit((3*x–1)/(2*x+4), x, minf); => você solicitou o limite bilateral de 3x − 1 ; minf é a notação,
2x + 4
ou melhor, a sintaxe para –∞. Observe os três parâmetros dentro dos parênteses; a função em estudo,
a variável desta função e “o ponto” em torno do qual estamos calculando o limite, o ponto e vírgula
representa o Enter:

limit (função na sintaxe correta, x, minf) => limit((3*x-1)/(2*x+4), x, minf);

Novamente, lembramos que poderíamos ter determinado o limite fora da janela Limite, na região
do tema Entrada: Veja a seguir qual é a sintaxe correta:

Figura A.40 – Limite bilateral da função quando x → –∞

Note que a resposta à entrada (%i4) foi 3/2, a mesma dada para o limite, quando x tendia a infinito.
Estaria correta essa reposta? Vamos buscar alguma outra confirmação para esses resultados.

201

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 201 24/05/2012 09:45:33


Faremos uma pequena pausa em nossa introdução ao estudo do Maxima, para avaliar um pouco
3x − 1
mais cuidadosamente a representação gráfica da função que estamos investigando f( x ) = .
2x + 4
Numa investigação, devemos ter em mente as várias formas de abordar um mesmo problema. Em nosso
caso, as tendências de uma função em torno de certo “ponto”.

Leia e interprete todas as informações presentes no gráfico a seguir. Para apoiar nossa interpretação,
inserimos duas retas ao gráfico, a saber, x = –2 e y = 2:

y
11
10
9
8
Avalie o valor da 7 Y=(3*x–1)/(2*x+4)
função quando x 6
tende a –2 5
4
3 y=2
2
1 x

–12 –11 –10 – 9 –8 –7 –6 -5 -4 -3 -2 -1


-1
-1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
-2
-3
-4 Avalie o valor da
-5 função quando x
x=–2 -6 tende a infinito
-7

3x − 1
Figura A.41 – Analisando graficamente a função f( x ) =
2x + 4
Leia e interprete cuidadosamente a imagem da figura A.41.

Veja que antes de x = –12, o gráfico encontra-se um pouco abaixo de y = 2. Vimos no exemplo 3
que quando x → –∞, seu limite era 1,5 = 3/2. Avaliando agora também graficamente, confirmamos
que isso faz sentido. Por outro lado, calculamos no Maxima o limite da função, quando x → ∞
e obtivemos como resposta 3/2, exemplo 2, e podemos, à luz da imagem gráfica, ver que tal
resultado também procede.

Nesse momento, vou solicitar a você que calcule mentalmente o limite desta mesma função, quando
x tende ou se aproxima de –2. Numa primeira tentativa de busca de resultado, você obtém como resposta
 −7  , ao ver tal expressão “um alerta deve ter soado” em sua mente, pois você se lembrará de que
 
não0 existe divisão por zero. Simbolicamente falando, ou melhor, escrevendo, −2 ∉ D(f ) , ou seja, –2
não pertence ao domínio da função. Logo, a função vai ser descontínua em x = –2, como ilustrou o
gráfico 4.2.9. Observe que no ponto de descontinuidade, em x = –2, a representação gráfica da função
apresenta um “salto”.

Analisando a imagem gráfica, vemos essa descontinuidade em x= –2 e, com um pouco mais de


atenção na imagem gráfica, podemos perceber que um pouquinho antes do –2 (quando x tende a dois

202

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 202 24/05/2012 09:45:37


pela esquerda) a função tende a infinito e um pouquinho depois de –2 (quando x tende a dois pela
direita) a função tende para menos infinito.

Agora que conhecemos o resultado da representação gráfica da função em torno de x = –2, vamos
voltar ao Maxima e determinar numericamente os limites laterais à direita e à esquerda de –2. Destacamos
que, no campo da investigação científica, nem sempre estamos caminhando à luz do dia em uma bela
avenida asfaltada. Toda investigação científica tem seus percalços. Além do dia ensolarado, existe a
noite escura. Mas pode haver aventura; as estrelas no céu são mais visíveis longe das fontes de luz.

Está com espírito alerta para aventura? Caro estudante, encontramos um bug6, uma falha na lógica do
programa em nossa versão do Maxima, ao tentarmos encontrar os limites laterais pela janela Limite.

Veja só que oportunidade! Vamos apresentar e discutir o bug com vocês e apresentar na sequência
o procedimento alternativo, fora da janela Limite, para obtermos a resposta correta dos limites laterais.
A alternativa para determinarmos o limite foi realizar os procedimentos na região em frente do tema
Entrada: localizada no inferior da tela principal de nosso pacote computacional.

Com o bug identificado, confirmar a importância de se avaliar todas as devolutivas, bem


como a relevância de construirmos nossa solidez conceitual matemática. Quando buscamos
suporte computacional, não devemos ser meros apertadores de botões e repetidores passivos de
procedimentos.

Atenção ao que vamos fazer no exemplo a seguir:

• Tentar calcular os limites laterais na janela Limite.

• Analisar as devolutivas e apontar o bug.

• Determinar os limites, na região em frente do tema Entrada:


Exemplo 5:
3x − 1
f( x ) =
Vamos buscar determinar o limite da função 2x + 4 , quando x tende a menos dois à esquerda
3x − 1 3x − 1
e à direita desse valor, isto é lim e lim .
x→ −2− 2x + 4 x→ −2+ 2x + 4

Bug: palavra de origem inglesa cujo significado em português é inseto. “Defeito (em inglês: bug) é um erro
6

no funcionamento comum de um software, também chamado de falha na lógica programacional de um programa de


computador, e pode causar discrepâncias no objetivo ou impossibilidade de realização de uma ação na utilização de um
programa de computador ou apenas uma trava no sistema [...]. O ENIAC (Electronic Numerical Integrator and Computer),
primeiro computador digital completamente eletrônico, também contribuiu ao uso da palavra. Ele era movido a válvulas
e, assim, atraía milhares de insetos. Como dezenas a centenas de válvulas queimavam a cada hora, o computador, que
ocupava o espaço de uma sala, era aberto frequentemente e montes de insetos mortos eram varridos para fora. Diz-se
que esses insetos provocavam curto-circuitos nas placas do ENIAC, levando a falhas nos programas.” Fonte: <http://
pt.wikipedia.org/wiki/Bug>. Acesso em 20 abr. 2011.

203

Cálculo Diferencial de uma Variável.indb 203 24/05/2012 09:45:39


Esse exemplo não é um estudo. Como já comentamos, não será em decorrência do bug trivial, então
peço sua especial atenção.

Em nome do espírito científico investigativo, vamos ao Maxima tentar primeiramente calcular o limite
bilateral quando x → 2. O procedimento será semelhante ao já realizado nos exemplos anteriores.

Selecione o tema Cálculo, na barra de ferramentas principal, depois selecione o tema Encontrar
Limite... Com a janela Limite aberta, siga os passos já aprendidos e ilustrados na figura a seguir, para
finalizar tecle ok:

3x − 1
Figura A.42 – Determinando o lim =
x→ −2 2x + 4

A devolutiva do Maxima será a seguinte:

(%i2) limit((3*x-1)/(2*x+4), x, -2);


(%o2) und

Avaliação da devolutiva

Perceba que a sintaxe função está correta, porém, não esperávamos obter como resposta “und”, que
podemos interpretar como não encontrado. Espero que você esteja afiado na teoria e se lembre de que
não é possível encontrar o limite bilateral de uma função que possui descontinuidade de “salto” em
certo ponto.

Há diversos modelos na matemática que possuem esse padrão. Para superar esse obstáculo, precisa
dos limites laterais. Os limites laterais vão nos possibilitar avaliar o para onde tende uma função quando
x se aproxima à esquerda e à direita de um valor, no qual o tipo de descontinuidade é por um “salto”,
mesmo qu