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A crença na necessidade de um curso

superior já se tornou religiosa


É improvável prosperar apenas seguindo regras acadêmicas -
exceto se você quiser ser um acadêmico

economia

Isaac Morehouse

terça-feira, 14 0aio 2019

Imagine uma pequena cidade. Pode ser um vilarejo.

Há uma crença dominante neste local: você tem de ir à igreja todo o domingo caso queira
ter uma vida próspera.

E como essa crença é generalizada, aquelas pessoas que querem ser prósperas vão à
igreja em grandes números. Já aquelas que não ligam muito para serem prósperas vão
em menor número.

Dado que aquelas que ligam mais para a prosperidade vão mais à igreja do que aquelas
que ligam menos, há o seguinte fenômeno: as estatísticas sobre o nível de prosperidade
das pessoas deste local mostram que aquelas que vão regularmente à igreja são, em
média, mais prósperas do que aquelas que não vão.

Tal fato daria ainda mais força à ideia de que prosperidade requer igreja. Ir à igreja seria
considerada uma atividade imprescindível, jamais podendo ser questionada. Mesmo os
céticos diriam coisas como "Não é a única ou a principalcausa da prosperidade, mas em
todo caso é melhor você ir à igreja apenas para se garantir e reduzir as chances de não
ser bem-sucedido".

Este é o mundo em que vivemos hoje.

A igreja universitária

A crença religiosa que nos domina hoje é a crença de que pessoas ambiciosas que
querem ser profissionalmente bem-sucedidas devem frequentar uma universidade.
Caso contrário, serão perdedoras na vida. Na melhor das hipóteses, não serão capazes
de realizar seu potencial.

Mas ninguém sabe o que realmente ocorre na universidade ou por que ela
supostamente irá lhe tornar mais bem-sucedido. Na verdade, tudo funciona como um
ciclo retro-alimentador: dado que é generalizada a crença de que um curso superior é
crucial para pessoas ambiciosas, pessoas ambiciosas vão mais às universidades do que
pessoas menos ambiciosas.

Consequentemente, quando as estatísticas de emprego e salário são analisadas, elas


mostram que aquelas pessoas com curso superior se saem melhor, em média, do que
aquelas sem curso superior. Óbvio. Afinal, por causa da crença, pessoas mais ambiciosas
vão mais às universidades do que as menos ambiciosas.

Você pode contestar e dizer que o mercado não permitiria que tamanha ineficiência
prosperasse. Mas o fato é que conhecemos vilarejos como o descrito acima. As crenças
das pessoas moldam suas ações, e suas crenças nem sempre são aquelas que levam à
prosperidade material. As pessoas, com enorme frequência, pioram sua situação
material em decorrência de algumas de suas crenças — em alguns casos, até mesmo
malucas superstições.

O benefício psicológico de se juntar à manada, de fazer parte da crença dominante, de


usufruir todo o prestígio que isso gera, e de não se arriscar a ser visto como um
agnóstico incentiva todos os tipos de atitudes e decisões que são deletérias aos reais
objetivos e aspirações de um indivíduo.

Frequentar uma universidade é o ato religioso mais predominante da atualidade.

Por que as pessoas vão?

A maioria das pessoas ambiciosas vai a uma universidade. E o motivo por que fazem
isso nada tem a ver com alguma ligação causal entre curso superior e a conquista de
seus objetivos individuais (na maioria das vezes, elas nem sequer têm um objetivo, de
modo que seria impossível a universidade ajudar a alcançá-lo).

O motivo por que a maioria das pessoas ambiciosas vai a uma universidade é este: elas
acreditam que, se não forem, "deus" não irá amá-las.
E "deus", no caso, representa qualquer aspecto da narrativa cultural dominante que
mais cause impacto. Prestígio. Amor dos pais. Aprovação da família. Ser normal.

Se tudo fosse uma questão de carreira profissional, não seriam necessários mais do que
alguns minutos de sólida reflexão para constatar que um diploma é algo inócuo, pois
empregadores específicos querem apenas que seus funcionários sejam capazes de criar
valor específico, algo a ser efetuado de maneiras específicas. Um diploma universitário
não garante nada disso. A busca por um diploma, além de ser um dos esforços mais
fracos, é o mais baixo denominador comum para se alcançar objetivos. Pior ainda: é fácil
de ser superado.

A universidade é uma meta que persiste entre os ambiciosos — daí as estatísticas — por
causa de uma crença "religiosa" em sua necessidade. Mas ela simplesmente não é
necessária.

Ok, sim, se você já souber, desde cedo, exatamente o que você quer ser
profissionalmente, então ir a uma universidade específica pode lhe ajudar a alcançar
seu objetivo mais diretamente. Porém, a maioria dos estudantes não sabe o que quer
para suas carreiras. Isso é perfeitamente normal e até mesmo positivo na maioria dos
casos. Sendo jovem, é quase impossível saber ao certo o que se quer sem antes gastar
vários anos trabalhando e fazendo tentativas (e, talvez, nem assim).

Mas isso não significa que entrar em um caixote e ficar ali por cinco anos decorando
apostilas, recebendo ordens e as executando mecanicamente com o objetivo de
conseguir notas suficientes para não ser reprovado irá ajudar a responder seus
questionamentos e dúvidas. Tampouco irá direcionar você mais claramente para seus
objetivos específicos.

O caminho é outro: quanto mais cedo você aprender a lidar e a resolver problemas
específicos de pessoas específicas, mais rápido você irá aprender a criar valor. Mais
rapidamente você irá se estabelecer e fazer-se demandado, pois estará, por meio de seus
serviços, criando valor específico de maneiras específicas. Consequentemente, mais
cedo você será capaz de transformar essa sua habilidade específica em um
conhecimento mais amplo daquilo que você quer. Você terá mais facilidade para
transferir esse conhecimento prático para outras atividades e assim estreitar sua busca
por uma carreira.

Esta é a maneira de realmente iniciar sua carreira profissional: descubra aquilo em que
você é bom — o que inevitavelmente envolve resolver problemas e satisfazer demandas
específicas —, concentre-se naquilo e crie valor em cima disso. Você não precisa da
autorização e nem da aprovação de professores que vivem em um mundo próprio
desconectado da realidade (mais sobre isso abaixo). Passar cinco anos em uma sala de
aula repleta de outras cabeças confusas repetindo mecanicamente exercícios não irá
ajudar em sua busca.

E por que, então, ainda é tentador ir a uma universidade?

Sejamos diretos: a universidade é uma completa perda de tempo e de dinheiro para


pessoas ambiciosas.

Em seu íntimo, a maioria das pessoas que hoje frequenta uma universidade sabe disso.
Mas elas estão em uma universidade porque têm medo de ser vistas como diferentes e
de fazer algo específico. Elas temem se tornar, prematuramente, um indivíduo
autônomo, sólido e concreto, pois isso exige responsabilidade e muito esforço.

A universidade é uma maneira socialmente aceitável de postergar a entrada no mundo


adulto. É uma maneira de prolongar a adolescência e de postergar sua transformação
em uma pessoa diferenciada ao mesmo tempo em que os pais continuam lhe bancando
sem fazer qualquer julgamento moral.

Por isso a universidade continua atraente.

Mas tudo isso tem um custo. Cada minuto que você vive às expensas de terceiros, cada
minuto que você posterga sua transformação em um indivíduo específico, e cada minuto
que você gasta neste mar turvo de "opções" imaginárias, você está reduzindo o potencial
daquilo em que você pode se transformar.

Quanto mais tempo você vive no limbo, menor será o seu teto quando sair desse mundo
da fantasia e ascender ao mundo das idéias concretas.

Mas as notícias são boas

Não, essa não foi uma exposição desoladora, com o intuito de entristecer e deprimir. Ao
contrário: o intuito foi libertar.

Utilizando agora uma analogia religiosa diferente, é como as 95 teses de Lutero. É a


revelação de que mentiram para você. Você não precisa comprar indulgências para ter
uma chance no céu. Você tem iniciativa própria e é capaz de determinar seu próprio
destino sem ter de apelar a uma instituição burocrática e intumescida em busca de um
selo de aprovação.

Todo o sistema acadêmico (e também escolar), de cima para baixo, foi desenhado por e
para professores. Os métodos de ensino e as coisas ensinadas são majoritariamente
válidos apenas para aquele ambiente. A maneira mais eficaz de aprendizado ocorre
quando se tem a prática, quando se tem "a mão na massa", quando se está próximo das
coisas reais e quando se está em uma estrutura de incentivos que recompense a criação
de valor. Nada disso está presente no ambiente acadêmico. Tanto a escola quanto a
universidade significam que você está gastando todo o seu tempo ao lado apenas de
educadores (e nenhum minuto ao lado de alguma outra profissão do mundo real).

Mais ainda: significam que você está dentro de um sistema de incentivos que premia
apenas as coisas que estes profissionais aprovam. Na prática, a escola e a universidade,
em conjunto, são um programa de 20 anos para formar aprendizes de professores.

Não é nenhuma surpresa, portanto, que professores reajam estarrecidos a pessoas que
criticam este sistema que se resume a salas de aula iluminadas por depressivas luzes
fluorescentes (que lembram um ambiente de hospital) contendo um aglomerado de
pessoas desapaixonadas que estão apenas atrás de credenciamento (vulgo "diplomas").
Professores adoram toda esta experiência porque foi neste ambiente que eles se
formaram e aprenderam todas as coisas de que precisaram para ser bem-sucedidos em
suas carreiras de acadêmicos e educadores. Tendo passado toda a vida ali, é realmente
difícil entender e aceitar que há outras possibilidades de aprendizado no mundo.
Também não é nenhuma surpresa que tal arranjo seja um épico e colossal desperdício
de tempo para aquelas pessoas que querem entrar em outras partes do vasto mercado
de trabalho que não a vida acadêmica.

Portanto, se você não está atrás de uma carreira acadêmica e não quer ser apenas mais
um figurante, abra a champanha e vá se ocupar de fazer coisas de verdade no mundo
real. Não viva sua vida em busca de médias. Não faça parte da massa das estatísticas e
dados agregados que refletem apenas as superstições da época.

Em vez disso, vá criar algo. Saia. Siga seu próprio caminho. Imagine e crie coisas que
entusiasmem você. Tenha uma ocupação que não seja monótona. Viva uma vida que lhe
dê prazer.

Não espere que o mundo mude, e nem muito menos implore por permissões de
burocratas. Tente você mesmo mudar seu próprio mundo. O resto irá vir como
consequência.

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autor

Isaac Morehouse
é membro do Instituto de Estudos Humanos da George Mason University, fundador e CEO do Praxis, e
membro da rede de professores da Foundation For Economic Education.
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Flávio Augusto

quarta-feira, 15 0aio 2019

Aproveitando férias com a família, depois de um dia de muita diversão, comecei uma
aula com meus filhos (13 e 15 anos) sobre mercado digital, o potencial da internet e o
oceano de oportunidades que este novo mundo apresenta.

Logo após a aula, eles me fizeram uma pergunta:

"Pai, diante do que você acabou de apresentar, por que as pessoas saem de casa, passam
um tempão no trânsito para chegar a um escritório para trabalhar 10 horas por dia, para
em seguida voltarem para casa num enorme engarrafamento em troca de um salário
geralmente baixo?"

Minha resposta não poderia ser mais simples e direta:


"Porque a escola não ensina para elas o que estou ensinando agora para vocês. Ao
contrário, a escola ensinou para elas que todos precisam e dependem de um salário para
sobreviver e, por isso, muitos se sujeitam a esse estilo de vida."

Outro dia, um conhecido me fez essa pergunta:

"Flávio, eu não paro em nenhum emprego. Que conselho você me dá?"

Respondi:

"Quem disse que você precisa de um emprego fixo? Abra sua mente para um novo mundo
e liberte-se deste mundinho comum que o sistema insiste em lhe enfiar goela abaixo."

E, todas as vezes que falo sobre isso, alguém me pergunta:

"Mas, Flávio, se todo mundo pensar assim, não vai ter mais gente para trabalhar nas
empresas..."

Sempre respondo:

"Jamais todos vão pensar assim, pois nem todos terão a coragem de sair do fluxo da boiada.
Lá, a maioria se sente ilusoriamente mais segura."

Para começar, fique longe do sistema educacional convencional

Aparentemente, as pessoas ainda não se deram conta de como o sistema de ensino


convencional, cujo currículo é totalmente comandado pelo governo via Ministério da
Educação, condicionou as grandes massas à inércia intelectual. Quando não estão
doutrinando idéias revolucionárias de inspiração claramente marxista, apenas ensinam
que o ápice da sua aspiração deve ser ou um concurso público ou um emprego de
carteira assinada.

A maioria segue esse fluxo sem questionar. Vivem desse jeito porque seus pais viveram
assim e seus avós também. Por terem se acostumado ao cativeiro, imaginam-se
brutalmente inseguras fora dele. A ideia de voarem com suas próprias asas e de caçarem
sua própria comida literalmente as aterroriza. Sentem-se com medo de ficarem sem o
alpiste e a água no copinho que consomem diariamente dentro de sua gaiola.

Sim, a escola e a faculdade — ou seja, todo esse sistema de ensino retrógrado — estão
formatadas para formar empregados, e não para criar empreendedores. E isso naquelas
instituições consideradas de excelência. Nas instituições públicas há a prevalência do
fator político voltado para o controle das massas, que usa a prerrogativa do currículo
ministrado pelo governo para doutrinar politicamente jovens dizendo se tratar de
"causas sociais".

Resultado desse show de horrores: de um lado, um amontoado de jovens desperdiçando


seu grande potencial fazendo concursos públicos (para então viver sugando os
impostos dos mais pobres); de outro, mais um amontoado de jovens sem nenhuma
experiência prática disputando a tapa as vagas de emprego no mercado de trabalho, o
que exerce uma pressão para baixo no valor dos salários.

Consequentemente, por não terem experiência prática e por causa da enorme oferta de
mão-de-obra, aqueles que conseguem a vaga de emprego recebem salários baixos. E
reclamam.
O que eles aparentemente não entendem é que você não ganha um salário de acordo
com sua pessoa ou carisma, mas sim de acordo com sua capacidade de gerar valor.
Acima de tudo, de acordo com sua raridade. Um bom professor é muito importante, mas
o Messi é mais raro e, por isso, é disputado por muitos clubes; e, como consequência
desse leilão, ganha muito mais.

E fazer-se raro é sempre uma consequência de ter a coragem de sair voando de sua
gaiola. Dentro dela, você vale muito menos. Você é apenas mais um na multidão de
escravos modernos que têm um estilo diferente dos escravos de antigamente. Esses,
antes da carta de alforria, tinham até moradia e comida pagos pelo seu dono. Hoje, os
escravos modernos se endividam junto aos bancos do governo para passar os próximos
30 anos pagando por um apartamento, entram no rotativo do cartão de crédito até para
fazer compras no supermercado, pagam uma quantia obscena de impostos, pensam que
a CLT é um benefício que lhes dá alguma segurança, pagam contribuição sindical para
sustentar pelegos controlados por partidos políticos, acreditam que as escolas e
hospitais públicos são de graça, e acham normais as mordomias dos donos da corte.

Ao final da vida, sem poupança acumulada, enfrentam a triste fila do INSS para receber
uma aposentadoria gerenciada pelo governo — que, a cada ano, aumenta o prazo
mínimo para receber o benefício e diminui o reajuste.

O máximo que lhes é permitido é ir para o trabalho resmungando na segunda-feira ou


depois de um feriado.

É algum pecado ser empregado? Claro que não. Eu mesmo tenho milhares deles. É um
enorme desperdício, isso sim, você acreditar que não tem alternativas e,
consequentemente, pautar sua vida pela lavagem cerebral pela qual passou dentro do
sistema de ensino.

O que eu faria se tivesse 18 anos

Recentemente, alguém me perguntou: "Flávio, se você tivesse minha idade (18 anos), com
seu conhecimento e experiência, o que você faria?"

Respondi:

1. Para começar, jamais teria um emprego de carteira assinada.

2. Jamais me envolveria com pirâmides que prometem ganhos fáceis.

3. Venderia algum produto. Qualquer um: picolé, bala, bombom, relógio, pão etc.
Escolheria o produto com o qual mais me identifico e estudaria tudo sobre ele.

4. Em uma segunda fase, depois de conquistar um pouquinho de capital, criaria modelos


recorrentes de venda desse produto, tipo um serviço de entrega de pães todas as
manhãs para os consumidores associados. Eu me dedicaria a vender esse plano. Tudo
sem muito capital, mas que me permitisse começar pequeno e sonhar grande e com
escala.

5. Viveria com não mais do que 50% do que ganhasse para ampliar meu capital de giro.

6. Estudaria, com grande afinco, todas as fases do processo a fim de começar a fabricar
meu próprio produto, e investiria em minha própria marca.
7. Ampliaria meu mix de produtos.

8. Criaria canais de distribuição alternativos. Por exemplo, franquias, online, venda


direta, B2B etc.

9. No auge da companhia, venderia para um fundo, banco ou concorrente, embolsando


uma enorme liquidez.

10. Com 5% do capital conquistado, começaria tudo de novo e investiria os 95% em


investimentos conservadores.

Os problemas mais frequentes

1. O sistema de ensino convencional não prepara para nada isso.

2. A sociedade discrimina os que começam esse tipo de jornada, mas bajula os que
chegam ao final dela.

3. As pessoas têm medo de sair do quadrado.

4. Você raramente terá apoio se disser que não quer mais seguir a boiada — isto é, fazer
faculdade para conseguir um diploma.

5. Capital é bom, mas é possível conquistá-lo vendendo.

6. Pessoas convencionais têm preconceito com vendas.

7. Muitos, ao conquistarem seu primeiro sucesso, querem logo comprar um carro zero
como sinal de status. Em vez de ampliarem seu capital de giro, ampliam suas dívidas.

8. Outros ficam apegados ao negócio que criaram e, assim, perdem o timing para vendê-
lo.

9. Lucro não é pecado e sonhar não é para alienados.

10. Você irá atrair interesseiros. Saiba distinguir quem é quem nesse jogo.

Teoria e prática

Muitos desavisados, quando leem isso, pensam que é tudo apenas blá-blá-blá teórico, e
imediatamente disparam: "Falar é fácil, mas a prática não é tão simples assim".

Bem, nos últimos 20 anos, fundei uma dezena de empresas. Comecei minha vida
vendendo relógios do Paraguai e, em seguida, vendi curso de inglês. Hoje, vendo
empresas. Não, não é nada simples, mas de uma coisa eu tenho a certeza: se eu tivesse
18 anos de idade com o conhecimento que tenho hoje, certamente não seguiria a boiada
nem o modelinho convencional para o qual a grande multidão é diariamente treinada
dentro das escolas e universidades.

Se a mim for dado o privilégio de viver por mais algumas décadas, eis o que gostaria que
meus olhos testemunhassem:

a) que meus filhos, como eu, nunca tenham uma carteira de trabalho assinada;
b) que eles nunca dependam de governo e que voem com suas próprias asas, sem medo
e sem serem tolhidos pelo sistema de ensino (quanto a isso, eles já colocam a escola em
seu devido lugar: pouca ou nenhuma significância em sua educação).

Como minha esfera de influência direta são apenas meus filhos, minhas pretensões se
restringem apenas a eles.

Quanto a você, não aceite nada menos que o seu potencial possa lhe dar. E faça por
merecer. Não se permita ser doutrinado por ambiciosos lobos vestidos de cordeiro, seja
nas redes sociais, na escolas e universidades, ou nos palanques da vida.

Viva seu sonho e coloque-o em prática, ainda que tenha de lidar com os medíocres de
plantão que acham que voar é para pássaros alienados que seguem modismos. Modismo
mesmo é seguir a boiada e viver de alpiste pelo resto da vida.

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Flávio Augusto
é um dos principais ícones do empreendedorismo no Brasil. Fundou a Wise Up e, mais tarde, o Ometz
Group, que englobou uma série de empresas fundadas por ele e em 2013 foi vendido para a Abril
Educação, da qual passou a ser sócio. No mesmo ano, adquiriu o Orlando City, clube da principal liga
norte-americana de futebol. É também o idealizador do Geração de Valor, projeto focado em
inspirar jovens que estão iniciando a carreira e desejam chegar mais longe, aprendendo com a
experiência de um empreendedor de sucesso. Fundou também o MeuSucesso.com e a T-BDH
Capital. Ouça seu podcast para o IMB.