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AN-I - ELETRÔNICA ANALÓGICA I

Prof.: A. R. AQUINO

TEORIA 6 – Filtro capacitivo para retificadores

1. Introdução

A tensão de saída de um retificador sobre um resistor de carga RL é pulsante como mostrado na


Teoria 4. Durante um ciclo completo na saída, a tensão no resistor aumenta a partir de zero até
um valor de pico e depois diminui de volta a zero. No entanto a tensão de uma bateria é estável,
isto é, sua polaridade não varia ao longo do tempo. Para obtermos esse tipo de tensão através de
circuitos retificadores de meia onda ou de onda completa, torna-se necessário o uso de um
capacitor como filtro. Um capacitor através de suas propriedades elétricas é o componente que
permite aproximarmos ao máximo a tensão pulsante de saída de um circuito retificador ao de
uma tensão contínua (CC) semelhante à tensão de um conjunto de pilhas ou de uma bateria.

2. Filtros Capacitivos

A tensão de saída de um retificador de meia onda sobre um resistor de carga é pulsante como
mostrado na figura abaixo.

Durante um ciclo completo na saída, a tensão no resistor aumenta a partir de zero até um valor
de pico e depois diminui de volta a zero. No entanto a tensão de uma bateria deve ser estável.
Para obter esse tipo de tensão na carga, torna-se necessário o uso de filtro.

O tipo mais comum de filtro para circuitos retificadores é o filtro com capacitor mostrado na figura
abaixo onde o capacitor C é ligado em paralelo com o resistor de carga RL.

Para o entendimento do funcionamento do filtro supor o diodo como ideal e que, antes de ligar o
circuito, o capacitor esteja descarregado.

Ao ligar, durante o primeiro quarto de ciclo da tensão no secundário, o diodo está diretamente
polarizado. Idealmente, ele funciona como uma chave fechada. Como o diodo conecta o

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enrolamento secundário ao capacitor, ele carrega até o valor da tensão de pico US(pico) que é igual
ao valor da tensão retificada de pico UR(pico), pois, o diodo foi considerado ideal.

Logo após o primeiro quarto de ciclo positivo, o diodo para de conduzir, o que significa uma chave
aberta. Isto devido ao fato de o capacitor estar carregado numa tensão igual ao valor de pico da
tensão retificada, ou seja, UR(pico). Como a tensão no secundário, no segundo quarto de ciclo, vai
se tornando menor que UR(pico), o diodo permanece reversamente polarizado e não conduz.
Com o diodo aberto, o capacitor descarrega através do resistor de carga RL. A ideia do filtro é a
de que o tempo de descarga do capacitor seja muito maior que o período do sinal de entrada.
Com isso, o capacitor perderá somente uma pequena parte de sua carga durante o tempo que o
diodo estiver em corte.O diodo só voltará a conduzir no momento em que a tensão no secundário
começar a subir e atinja um valor igual ao valor da tensão de descarga do capacitor. Ele
conduzirá novamente, deste ponto até a tensão retificada atingir, outra vez, o valor de pico UR(pico).
Esse intervalo de condução corresponde ao ângulo de condução do diodo.

Durante o ângulo de condução do diodo, o capacitor é carregado novamente até UR(pico). Nos
retificadores sem filtro cada diodo tem um ângulo de condução de 180°.

Na figura acima é mostrada a tensão sob a carga. A tensão na carga é agora uma tensão mais
próxima da contínua. A diferença para uma tensão contínua pura é uma pequena ondulação
(Ripple) causada pela carga e descarga do capacitor. Naturalmente, quanto menor for a tensão
pico a pico da ondulação UOND, melhor será o efeito do filtro capacitivo. Uma forma de reduzir a
ondulação é aumentar a constante de tempo de descarga (RL.C).

Na prática aumentamos o valor da capacitância do capacitor C. Outra forma de reduzir a


ondulação é optar pelo uso de um retificador de onda completa, no qual a frequência de
ondulação é o dobro da de meia onda. Neste caso o capacitor de filtro é carregado duas vezes a
cada ciclo da tensão de entrada e descarrega-se só durante a metade do tempo de um de meia
onda.

Pode-se relacionar a tensão de ondulação na seguinte expressão:

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ICC
UOND 
fR  C

Onde:

UOND  Valor pico a pico da tensão de ondulação em Volt.


ICC  Valor da corrente contínua na carga em Ampère.
fR  Frequência da tensão retificada em Hertz.
C  Capacitância do capacitor em Farad.

A escolha do valor da capacitância do capacitor de filtro depende do valor da tensão de


ondulação desejada.

Quanto menor a ondulação ou ripple, melhor. Mas não é viável economicamente que a tensão de
ondulação seja a mais próxima de zero, pois, o valor da capacitância do capacitor teria que ser
muito grande. O preço de um capacitor aumenta com o aumento valor da sua capacitância.

Como regra de projeto, o habitual é escolher a tensão de ondulação como sendo 10% do valor
da tensão contínua que deverá alimentar a carga (10% de UCC).

Observando a figura acima podemos desenvolver a expressão que nos dá o valor da tensão
retificada de pico (UR(pico)) em função do valor da tensão de ondulação desejada (UOND), bem como
do valor da tensão contínua necessária para alimentar a carga (UCC):

UOND
UR( pico )  UCC 
2

Se no circuito acima considerarmos o diodo ideal, a tensão UR(pico) será igual a US(pico) no
secundário do transformador e assim poderemos especificar o valor eficaz dessa tensão,
permitindo ao fabricante de transformadores produzi-lo.

Conforme a precisão desejada no projeto de uma fonte de alimentação, poderemos utilizar os


modelos elétricos ou aproximações para o diodo ou diodos retificadores a serem utilizados.

Corrente de surto

Antes de energizarmos o circuito retificador, o capacitor do filtro está descarregado. No momento


em que o circuito é ligado, o capacitor é praticamente um curto. Nesse instante a corrente
circulante no capacitor será muito alta. Este fluxo alto de corrente é chamado corrente de surto.

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Nesse momento os únicos elementos que limitam essa corrente alta é a resistência ôhmica do fio
do enrolamento secundário do transformador RS e a resistência interna do diodo rD , ou diodos,
dependendo do tipo de circuito retificador.
O pior caso é o capacitor estar totalmente descarregado e o circuito retificador ser ligado no
instante em que a tensão no secundário é máxima. Dessa forma, o calculo da corrente de surto
será:
U
ISURTO  S( pico )
RS  rD

Esta corrente vai diminuindo à medida que o capacitor vai se carregando. Em um circuito
retificador típico, a corrente de surto não é uma preocupação. Mas, quando a capacitância do
capacitor de filtro for muito maior que 1000 F, a constante de tempo se torna muito grande e
pode levar vários ciclos para o capacitor se carregar totalmente. Isto tanto pode danificar os
diodos, quanto o próprio capacitor.

O datasheet (folha de dados) fornecido pelo fabricante de diodos, por exemplo, diodos da série
1N4001 a 1N4007 apresentam as especificações máximas desses diodos conforme a tabela
abaixo:

Exercício resolvido:

Especificar para o fabricante de transformadores as tensões no primário e no secundário do


transformador abaixador para ser utilizado numa fonte de alimentação com um circuito retificador
de onda completa com filtro capacitivo para alimentar uma carga que necessita de 12 VCC com
uma corrente de 500 mA. O máximo valor da tensão de ondulação deve ser de 2,4 Vpp. A tensão
da rede é de 120 V/60 Hz.

ESQUEMA DA FONTE

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Como as tensões US1 e US2 são iguais em amplitude e defasadas de 180º, o que acontece no
secundário 1 acontece igualmente no secundário 2 em relação ao primeiro semiciclo e ao
segundo semiciclo dessas tensões. Dessa forma podemos considerar para efeito de cálculos
apenas um dos secundários com o seu respectivo diodo, pois, o outro diodo estará em corte.

Consideremos para efeito de cálculos, o secundário 1, o diodo D1, o capacitor C e a carga RL.

Para uma boa precisão nos cálculos consideraremos o modelo 3 (terceira aproximação) para o
diodo utilizado – 1N4007 – que segundo o datasheet (folha de dados) do fabricante apresenta
para 0,5 A uma queda de tensão VF = UD = 0,85 V, conforme o gráfico da figura abaixo.

Devemos considerar também a queda de tensão no secundário 1 devido à resistência do fio


desse enrolamento RS, que em projetos práticos, consideramos a queda de tensão no diodo
somada à queda de tensão na RS, igual a 10% do valor de UCC, ou seja, U(perdas) = 1,2 V.

U(perdas )  UD  URS

O valor da queda de tensão, referente às perdas no diodo real (modelo 3) e no enrolamento do


secundário 1 do transformador U(perdas) deverá ser acrescentado ao valor eficaz encontrado a partir
do valor de UCC necessário para alimentar a carga, calculado agora com o diodo considerado
ideal (modelo 1). Com essas condições práticas de projeto os cálculos ficam mais fáceis.

Cálculo do valor do capacitor:

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ICC ICC
sendo, UOND  temos : C 
2  f(rede )  C 2  f(rede )  UOND

500 mA
C  1736 F
2  60 Hz  2,4 Vpp

Esse valor encontrado para o capacitor de filtro não é encontrado comercialmente, dessa forma
devemos encontrar o valor padrão de fabricação logo acima do valor calculado. Para isso
devemos consultar a tabela de valores comerciais para o capacitor eletrolítico desejado e
encontraremos um capacitor de 2200 F com uma tensão de isolação de 35 V.

Tendo-se o valor comercial do capacitor, recalculamos o valor da tensão de ondulação resultante,


ou seja:

ICC 500 mA
UOND    1,9 Vpp
2  f( rede )  C 2  60 Hz  2200 F

UOND  1,9 Vpp

Cálculo de US(pico) = UR(pico) (diodo ideal):

UOND 1,9 Vpp


UR(pico )  UCC   12 V   12 V  0,95 Vp  12,95 Vp
2 2

 US( pico )  UR( pico )  12,95 V

Cálculo de US(ef) sem as perdas devido a URs e UD:

US( pico ) 12,95 Vp


US( ef )    9,16 V
2 2

US( ef )  9,16 V

Cálculo de US1 = US2 considerando as quedas de tensão em RS e no diodo real (U(perdas)):

US( pico)  U( perdas) 12,95 V  1,2 V 14,15 V


US1  US 2     10,0 V
2 2 2

Especificação do Transformador:

Primário: 120 V

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Secundário: 10 V + 10 V / 500 mA