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27/01/2016

FONTES DE SOLDAGEM A ARCO VOLTAICO

Fontes de energia para soldagem a arco voltaico podem ser consideradas simplesmente
como o ponto de alimentação da energia elétrica ao processo. Entretanto, as fontes
exercem grande influência sobre o desempenho de um processo de soldagem (qualidade
e produtividade)
Existem três requisitos básicos para uma fonte de energia para soldagem a arco:
- produzir saídas de corrente e tensão a níveis e com características adequadas para o
processo de soldagem (baixa tensão e alta corrente);
- permitir o ajuste adequado dos valores de corrente e/ou tensão para aplicações
específicas;
- controlar a variação e a forma de variação dos níveis de corrente e/ou tensão de acordo
com os requerimentos do processo de soldagem e aplicação.

Adicionalmente, o projeto de uma fonte para soldagem precisa atender outros requisitos,
tais como:
- estar em conformidade com normas e códigos relacionados com a segurança e
funcionalidade;
- apresentar resistência e durabilidade à ambientes fabris, com instalação e operação
simples e segura.

Para satisfazer todas estas exigências, uma complexa interação de conhecimentos de eletrônica e
eletrotécnica é aplicada pelos pesquisadores e projetistas.

Transformadores Elétricos
Transformadores Elétricos são aparelhos estacionários para transferir energia elétrica
de um circuito de corrente alternada para um outro, sem alterar a freqüência, através de um
campo magnético. A função de um transformador é aumentar ou diminuir a tensão.

A alma (bloco retangular com um furo quadrado no centro) de um transformador é feita de


lâminas retangulares, normalmente de aço ao silício, sobrepostas uma a outra no sentido
da espessura. Sobre a alma são enrolados dois segmentos de fios (normalmente de cobre),
os chamados enrolamentos Primário (P) e Secundário (S), que por simplicidade
esquemática são mostrados em apenas uma camada e em lados (pernas) separados.
O princípio do transformador é: uma fonte de corrente alternada (A) fornece uma corrente
alternada (I0) com uma queda de tensão E1 ao enrolamento primário (P). Esta corrente
produz um fluxo magnético, o qual liga os dois enrolamentos. Dependendo do número de
voltas em cada enrolamento, aparecerá uma tensão E2 nos terminais do enrolamento
secundário (S). Se a chave do circuito (X) é fechada, também aparecerá no circuito
secundário uma corrente I2.

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Característica Estática de Fontes para Soldagem a Arco

Conceituação e Analogia com a rede pública

V A

Tensão (V) Lâmpada TV Rádio

V1

I1 I2 I3 Corrente (A)

As fontes de energia elétrica se classificam quanto à característica estática em Tensão


Constante e Corrente Constante.

As fontes de soldagem a arco voltaico compõem uma categoria especial das fontes de
energia elétrica, caracterizando-se principalmente por fornecerem baixa tensão de trabalho
(normalmente entre 10 e 40 V) e altas correntes (comumente entre 50 e 1000 A).
The National Electrical Manufactures Association - NEMA, em uma publicação
específica para fontes de soldagem defini as fontes de soldagem da seguinte forma:

- Fonte Corrente Constante - É aquela que permite o ajuste da corrente de trabalho e que
tem uma curva estática tensão-corrente que tende a produzir uma corrente de trabalho
relativamente constante.
- Fonte de Tensão Constante - É aquela que permite o ajuste da tensão de trabalho, e que
tem uma curva estática tensão-corrente que tende a produzir uma tensão de trabalho
relativamente constante.
Tensão (V)

Tensão (V)

Fonte corrente
V/I  50 mV/A constante
V
V

Fonte tensão
constante V/I > 200 mV/A

I I
Corrente (A) Corrente (A)

(a) (b)

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Nas fontes do tipo tensão constante, é possível ajustar a tensão, enquanto nas
fontes do tipo corrente constante, ajusta-se a corrente. Este ajuste pode ser contínuo,
quando a posição das curvas características são ajustadas por pequenos incrementos, ou
por escalões ("taps"), para o qual este incremento é maior e não permite a fixação de valores
intermediários a cada escalão.

O levantamento das CEF de qualquer fonte pode ser feito medindo-se os pares de corrente
e tensão em função da variação da carga. Esta variação de carga pode ser tanto a própria
variação da distância porta-eletrodo/peça (fontes corrente constante), como a variação da
velocidade de alimentação do eletrodo (fontes tensão constantes). Entretanto, devido à
dificuldade de manter o arco estável quando se varia muito os parâmetros, um método mais
preciso é usar cargas resistivas (resistores da alta potência ou cuba eletrolítica) ao invés do
arco.

80
70
100 120 140 60

Tensão (V)
120
100 140 50
80 160 80 160 40
60 180 30
60 180
20
10
0
0 100 200 300 400
Corrente (A)

Tipos de Fontes quanto ao Tipo de Corrente

O comportamento da tensão e corrente ao longo do tempo, em regime e não em


transientes, é comumente chamado de tipo de corrente (alternada, contínua, etc.).
Os tipos mais comuns de correntes aplicadas em soldagem são as alternadas do tipo
senoidal (como da rede pública) e contínua (como das baterias).
Desta forma, as fontes também podem ser classificadas quanto ao tipo de corrente:
- Corrente contínua
- constante
- pulsada
- Corrente alternada + +
- senoidal
Corrente ou tensão

Corrente ou tensão

- quadrada

Tempo Tempo

_ _ (b)
(a)

+ +
Corrente ou tensão
Corrente ou tensão

Tempo Tempo

_ _
(c) (d)

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Funcionamento de uma Fonte de Soldagem


Uma vez regulada a fonte para um determinado valor de tensão (fontes tensão
constante) ou corrente (fontes corrente constante), na verdade está se regulando uma
característica estática desta fonte (CEF).
Tensão (V)

Tensão (V)
CEA2 CEF CEA2
CEA1
2
V2 1 V2
V1 CEF CEA1

V1

I1 I2 I1
I2 Corrente (A) Corrente (A)

(a) (b)
Controle Interno
Nos processos automáticos ou semi-automáticos (MIG/MAG, arco submerso,
eletrodo tubular), a alimentação do arame é feita através de um motor acionando um jogo
de roletes que empurram ou puxam o arame na direção da solda. Ao se usar uma fonte do
tipo tensão constante, quanto maior a velocidade de alimentação do arame (Valim), menor
o comprimento do arco e maior a corrente, para uma dada tensão.
Tensão (V)

Valim = constant
CEA2
CEA1
2
V2 1
V1 CEF

I2 I1 Corrente (A)
a1{
a2
{} a3 = a1

Controle Externo
Supondo agora o uso de uma fonte do tipo corrente constante para alimentar os processos
automáticos e semi-automáticos, onde, de uma forma análoga, uma corrente (CEF) e a Valim do arame
(CEA) tenham sido ajustadas. O aumento do comprimento do arco, neste caso, não afeta
significantemente a corrente e, consequentemente, a velocidade de fusão fica inalterada

Valim = variável
Tensão (V)

CEF CEA2
2
V2 CEA1
1
V V1

a1{
a2
{} a3 = a1
I2 I1
Corrente (A)

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Seleção de Fontes
O primeiro fator a se considerar na seleção de uma fonte é a característica
estática que mais se adequa ao processo.

Fontes para Eletrodo Revestido


a1

Tensão (V)

Tensão (V)
a0 a2
CEF a1
1 1 a0
0 2
CEF 0 a2
2

I1 I0 I2 I1  I0  I2
Corrente (A) Corrente (A)

(a) (b)
Tensão (V)

Tensão (V)
Fontes para TIG CEF a‘
a‘ a0
a0
CEF a“
a“

I1 I2 Corrente (A) I0  I’  I” Corrente (A)

(a) (b)

Tipos de Fontes
Em função desta definição, as fontes de soldagem podem se classificar
em:
- Transformadores
. onda senoidal CA
. onda quadrada CA
- Moto-Gerador
. CA (alternadores)
. CC (conversores)
- Transformador-Retificador (CC)
. controle eletromagnético
. controle eletrônico
- Inversores

Fontes inversoras. Estas fontes classificadas com fontes modernas, e cuja aplicação
vem crescendo notavelmente nos últimos anos, se diferencia das fontes
transformadores basicamente pela existência de um circuito eletrônico que aumenta a
freqüência do sinal de entrada, antes que o mesmo alcance o transformador. Esta
tecnologia permite a redução significativa do tamanho do transformador (maior e mais
pesado componente de uma fonte), além de, por usar a eletrônica, conseguir sinais de
saída de precisão.

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Fonte Inversora

Fator de Carga (Ciclo de Trabalho)


Este comportamento faz surgir o termo Fator de Carga (FC) ou Ciclo de Trabalho, que é a
razão entre o tempo que a fonte está sujeita à carga (arco aberto) e o tempo total de
trabalho. Em termos práticos, pode-se definir o Fator de Carga como o tempo máximo, em
percentagem, que uma fonte de soldagem pode operar fornecendo energia durante intervalos
sucessivos de tempo, sem que a temperatura atinja um calor crítico.
Temperatura
Temperatura

I1

Tmax Tmax

Tcrítico Tcrítico
I2

Resfriamento

tempo tempo

(a) (b)
Para aplicar o conceito de FC é necessário se definir os intervalos de tempo total de trabalho, ou seja, o
ciclo de trabalho. A NEMA , por exemplo, especifica um ciclo de trabalho dentro de um intervalo de 10
minutos. Um FC=60% significa que a fonte pode operar 6 minutos continuamente num intervalo de 10
minutos, sem superaquecimento. A definição de uma "Soldagem Manual Nominal", que seria os tempos
médios (estaticamente) gastos em soldagens manuais com eletrodos revestidos, é dada por:
2 segundos - curto circuito
64 segundos - carga
54 segundos - pausa
O tempo de curto circuito representa o acendimento do arco, sendo a carga o período de arco aceso,
fundindo o eletrodo. O tempo de pausa é gasto na limpeza do cordão, troca de eletrodo, etc. De acordo com
este conceito, o FC de uma soldagem manual nominal é de 55%.

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Os fabricantes utilizam um conceito para identificação de fontes, dada por uma corrente admissível (Iadm)
da fonte para um determinado fator de carga.
Por exemplo, um Iadm=250 A e um FC=60% indicam que se trabalhando com no máximo 60% do tempo de
arco aberto, a corrente máximo admissível desta fonte é 250 A. Qualquer valor acima poderá danificar o
equipamento. Obviamente nos processos automáticos e semi-automáticos (MIG/MAG), arco submerso,
eletrodo tubular) as fontes devem ter um Iadm relativo a um FC de l00%.
O Iadm não significa a corrente máxima que a fonte pode fornecer, e sim a garantia de um bom
funcionamento. O uso de uma corrente maior pode ser tolerado desde que reduzido o fator de carga.
Analogamente, um fator de carga de l00% (processos automáticos) limitam o valor da corrente abaixo do
Iadm. Em termos práticos, os valores de corrente ou FC a serem utilizados além do especificado podem ser
razoavelmente calculados pela seguinte expressão:

FCR I 2N

FCN I 2R

onde FCR e IR são o fator de carga e corrente desejados e FcN e IN são o fator de carga e correntes
nominais do equipamento.
Devido a importância destas especificações para os usuários, a NEMA dividiu as fontes em
três classes, em função do fator de carga e corrente nominal, conforme tabela 1. A Classe I são máquinas
com fator de carga de 60%, 80% ou 100%, enquanto a Classe II são para fatores de carga de 30%, 40%
ou 50%. A classe III engloba as fontes de serviço leve com fator de carga de 20%. Um exemplo de
designação de uma fonte da Classe I com FC = 60% é "NEMA CLASS I (60)".