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BOLSONARO X MERKEL - ANÁLISE DA INTEREÇÃO ALÉM DO DISCURSO

A cerca de dez dias atrás postei no instagram , compartilhando de forma simultânea com o
facebook , uma leitura que iniciava do famoso sociólogo alemão Urilck Beck com o título A
Europa Alemã , de Maquiavel a Merkiavel (2012), que descreve de forma bastante original
as estratégias de poder da chanceler alemã , para depois de 70 anos do fim da segunda
guerra mundial , colocar novamente a Alemanha como protagonista dos acontecimentos a
nível Europeu .
O argumento fulcral do livro e o ressurgimento do sentimento do nacionalismo alemão e da
sua arrogância com a imposição do ascetismo econômico alemão transformando num
essencialíssimo interno em algo absoluto como norma de conduta as outros povos e que
devem ser seguido a risca por outra nações europeias caso queiram se beneficiar do
dinheiro alemão, especialmente as do Sul , perdulários segundo os mesmos , e
conhecidas pela na boca miúda dos economistas germânicos e ingleses com acrônico
pejorativo de “PIIGS” , (Portugal , Itália , Irlanda , Grécia e Espanha) , em bom português
significa porcos . Este pré-conceito descreve de forma caricata como o norte rico da
Europa , estigmatiza a má gestão e performance econômica dos 5 parceiros (sic) da EU ,
notadamente economias mais frágeis .
Beck,Urilch(1994,2015) é o conceituador da Sociedade de Risco e trouxe a Sociologia
Contemporânea a descrição apocalíptica de forma profética quando predisse a noção do
“Risco Global” , as questões politicas como o terrorismo e as causas ecológicas , logo em
seguida ouve o acidente de Chernobyl , 11 de setembro e muito mais , era o fim das
sólidas certezas do planejamento da era industrial e o inicio da liquidez dos tempos
modernos apropriado por Bauman(2002).
Sua capacidade profética , a partir de uma analise politica volta ser saliente a “pós
modernidade” , quando Beck(2012) demonstra que o predomínio econômico da Alemanha
conduziu esse Estado, por conta de sua melhor produtividade e equidade financeira, a se
elevar na condição de dominador da União Europeia , impondo a outros governos e
populações sua formula de sucesso .
O que está em causa aqui , não é se a formula é boa ou ruim , mas há a falta de
legitimação das ações impostas e forma vertical pela nação germânica a outros membros
institucionais , já que o acordado pelos governos dos países não foi aquilo votado ou até
aprovado pelas populações locais , tudo a partir das exigências da da nova "Imperatriz" ou
Kairesin do novo Raich Alemão da Europa, Angela Merkel.
Assim dessa forma descrevemos como vem se portando politicamente em seu habitat , a
lógica de ação de Merkel que, num espetacular trocadilho , Beck chama a "Merkievel",
formulou uma nova técnica de dominação, definida pelo autor de hesitação. Ela objetiva o
"NIM", que não é o SIM, e nem o NÃO, e dessa forma, se matem popular junto ao
eleitorado do seu país, que deseja o NÃO .
Aos países que não seguem a cartilha alemã em termos de austeridade , ela dispõem da
possibilidade do SIM , estes em situação precária que se encontram sem status
econômico e baixa estima e representatividade política , assentem calados , sob o risco de
perderem a possibilidade de apoio financeiro condicionado a certas ações por parte
desses países .
Parece que o mesmo se dá agora da auto proclamada “Rainha da Europa” a MerKiavel ,
quando usa do mesmo expediente para tentar subjulgar o Brasil e seu presidente
legitimamente eleito Jair Bolsonaro ao manifestar preocupação com as ações do
mandatário latino americano que estariam causando a destruição da floresta amazônica .
Coincidência ou não a dinâmica maquiavélica da chanceler , as vésperas do G20 , e das
definições do parlamento europeu seguem as mesmas hesitações que ufanam o
essencialismo alemão dos novos tempos .
Em primeiro lugar Merkiavel passa uma descompostura no Brasil condenando suas
politicas subdsenvolvimentistas se dizendo preocupada com os futuro da floresta
amazônica , numa clara retórica populista para responder aos verdes da Europa , e que
são um calo nas suas ambições no novo parlamento da EU , e ao mesmo tempo acena
com a garantia de uma rápida conclusão para as negociações com o Mercosul que
garantem recursos e tratados econômicos que preveem aportes de capital de exploração
para a própria Amazônia em questão , mas que economicamente são interessantemente
(sic) sustentáveis para a economia da Europa e da Alemanha . Ou seja uma vela para
Deus outra pro diabo.
Já “Jair” acostumado com o Messias Bolsonaro , que esta longe de ser meu presidente
dos sonhos mas é o que temos pra hoje , foi ele mesmo e aproveitou a oportunidade para
exercitar seu famoso corte Tramontina com sua boca nervosa , ao responder de pronto a
toda poderosa alemã , sem nenhuma preocupação política a lá Donald Trump ,seu ícone
quando disse :
"Nós temos exemplo para dar para a Alemanha sobre meio ambiente, a indústria deles
continua sendo fóssil, em grande parte de carvão, e a nossa não. Então eles têm a
aprender muito conosco", comentou o presidente brasileiro.”
https://www.dw.com/…/bolsonaro-rebate-merkel-ale…/a-49376010
O que apesar de ser uma grande verdade , não estava em causa na questão , pois a
Alemanha e sua matriz energética foram e continuam a ser um dos grandes poluidores
mundiais como podemos aqui constatar de forma a olhar a questão de outra perspectiva, o
que não exime nossa ,e tão somente nossa , responsabilidade com a Amazônia.
Em especifico nesse caso a carapuça de vira-latas subdesenvolvidos que precisam de
pressões para respeitamos o meio ambiente levantada pela sra. Merkiavel , antes deveria
ser vestida por ela , a cobrar dos Alemães que não usem Termo Elétricas e nem poluam o
planeta com seu parque industrial e insumos necessários importados mundo afora , mas
claro que isso não o fará , pois afeta diretamente os interesses da economia alemã .
O também e não menos conceituado sociólogo alemão Elias , Norbert (2000) em sua obra
os Estabelecidos e Outsiders faz uma interessante analogia a partir das dinâmicas sociais
de uma pequena comunidade inglesa e como os processos de configurações vão se
constituir na estrutura subjetiva relacional dos grupos , que podem aqui nesse contexto
permitir o mecanismo de segregação , desigualdade e exclusão .
Angela MerKel usa o estratégia do estigma contra a instituição da presidência brasileira
que tem por objetivo , seja de forma instrumental ou altruísta , a manutenção da
hegemonia em diferentes esferas do poder para estimular a coesão interna em suas
fronteiras e o controle comunitário dando aos seus a pertença numa suposta sociedade
superior , resquício do eugenismo vitoriano no meio intelectual , da União Europeia e seus
membros .
Sabemos então que a configuração demostrada , no caso e até aceita como verdade
objetiva pelas próprias comunidades e mídias europeias e brasileiras são apenas uma
projeção reflexiva no “habitus” de Bourdieu P.( 1979) que tem como fonte o desequilíbrio
institucional de poderes que permitem a precondição da estigmatização para manter
indivíduos e grupos ,no caso aqui uma nação, excluída e desprezada como uma outsider
das estabelecidas comunidades mundiais .
Dessa forma esboçar publicamente a preocupação com as atitudes da presidência
brasileira , é uma rotulação de valoração inferior humana de todo um grupo nacional que
apenas visa destacar a superioridade social dos europeus liderados hoje pelos alemães ,
mas que na prática ecológica se contradizem com os índices de poluidores .
Entretanto o estigma de devastadores da floresta amazônica é subjetivada através dessas
externalizações dos grupos. É inculcado na autoimagem do próprio povo brasileiro como
uma realidade , pois estes interiorizam a imagem que lhes foi remetida fazendo que até a
pseudoesquerda brasileira declare manifestações de apoio e ufanação a politica neo-
liberalista , ascetista e globalizante dos germanos na sua cruzada pós-colonialista em
defesa dos interesses do novo Reich Alemão Europeu .
Uma incongruência que corrobora a fragmentação das identidades na pós modernidade
visto Por Hall.S (1992) quando identifica que as sólidas localizações que tínhamos como
indivíduos sociais se tornaram efêmeras , passageiras e confusas e estão sendo
pulverizadas a cada novo acontecimento mundial , onde não mais existe a noção
ideológica ou um ideal de nós mesmos como sujeitos coerentes e integrados e a
habilidade conexionista dessa identidades é o que sublima , mas não legitima , o poder da
MERKIAVELICA KAISERINA .
Em tempo , apesar do esbravejar da chanceler alemã , o acordo comercial entre o Brasil ,
oitenta por cento do Mercosul e a União Europeia de Merkel foi concluído na data de hoje ,
e todos agradaram seus eleitores no discurso , mas não nas práticas .
Por Max Barreto
https://ncultura.pt/os-10-paises-mais-poluidores-do-mundo/
Bibliografia :
Bauman , Z 92002)Modernidae Liquida – Zahar
Beck ,U. 2012- A Europa Alemã -Editora 70
Beck ,U. 1996-2015- Sociedade de Risco – Editora 34
Hall S. (1992) "The question of cultm·al identity", in: S. Hall, D. Held e T. McGrew.
Modernity and its fatures. Politic Press/Open University Press.
ELIAS, N. Os estabelecidos e os outsiders: sociologia das relações de poder a partir de
uma pequena comunidade. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.
BOURDIEU, P- O Desencantamento do Mundo: estruturas econômicas e estruturas
temporais. São Paulo:Perspectiva, 1979.

https://ncultura.pt/os-10-paises-mais-poluidores-do-mundo/

Bibliografia :

Bauman , Z 92002)Modernidae Liquida – Zahar


Beck ,U. 2012- A Europa Alemã -Editora 70
Beck ,U. 1996-2015- Sociedade de Risco – Editora 34

Hall S. (1992) "The question of cultm·al identity", in: S. Hall, D. Held e T.


McGrew. Modernity and its fatures. Politic Press/Open University Press.

ELIAS, N. Os estabelecidos e os outsiders: sociologia das relações de


poder a partir de
uma pequena comunidade. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.

BOURDIEU, P- O Desencantamento do Mundo: estruturas econômicas e


estruturas temporais. São Paulo:Perspectiva, 1979.