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Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS

Disciplina: Psicologia aplicada a relações humanas


Prof.: Pierre Gonçalves de Oliveira Filho

Escola das Relações Humanas

Principais vultos: Eltom Mayo (1880/1947), Kurt Lewin (1890/1947), John


Dewey

A Teoria das Relações Humanas surgiu nos Estados Unidos como


conseqüência imediata das conclusões obtidas na Experiência em Hawthorne,
desenvolvida por Elton Mayo e seus colaboradores. Foi basicamente um
movimento de reação e de oposição à Teoria Clássica da Administração.
(TAYLORISMO);

A origem da Teoria das Relações Humanas são:


1- A necessidade de humanizar e democratizar a administração, libertando-a
dos conceitos rígidos e mecanicistas da Teoria Clássica e adequando-a aos
novos padrões de vida do povo americano.
2- O desenvolvimento das chamadas ciências humanas, principalmente a
psicologia e a sociologia.
3- As idéias da filosofia pragmática de John Dewey e da Psicologia Dinâmica
de Kurt Lewin foram capitais para o humanismo na administração.

Teoria Clássica Teoria da Relações Humanas


Trata a organização como uma Trata a organização como um grupo de
Máquina pessoas
Enfatiza as tarefas ou a tecnologia Enfatiza as pessoas
Inspirada em sistemas de Inspirada em sistemas de psicologia
engenharia
Autoridade Centralizada Delegação plena de autoridade
Linhas claras de autoridade Autonomia do empregado
Especialização e competência Confiança e abertura
Técnica
Acentuada divisão do trabalho Ênfase nas relações humanas entre as
pessoas
Confiança nas regras e nos Confiança nas pessoas
regulamentos
Clara separação entre linha e staff Dinâmica grupal e interpessoal
Decorrência da Teoria das Relações Humanas surgem os temas:
 Motivação
 Liderança
 Comunicação
 Organização informal
 Dinâmica de grupo

Motivação:
Verificou-se que todo comportamento humano é a tensão persistente que leva
o indivíduo a alguma forma de comportamento visando a satisfação de uma ou
mais determinadas necessidades.

Segundo Maslow, “cada pessoa traz em si uma tendência inata para tornar-se
auto-realizadora” (Maslow, 1970 citado por Carpigiani, 2000, p.64)
Assim para a auto-realização o homem deveria buscar a satisfação de suas
necessidades que, segundo Maslow, seguem uma hierarquia:

 As necessidades de fisiológicas (comida, água, sono, sexo);


 As necessidade de garantia (segurança, estabilidade, ordem, proteção e
libertação do medo e da ansiedade);
 As necessidades de pertinência e de amor;
 As necessidades de estima dos outros e de si mesmo;
 As necessidades de auto-realização;
 As necessidades de conhecimento e compreensão;
 As necessidades estéticas;

Moscovici, (1997) afirma que existem dois tipos de motivação humana: de


deficiência e de crescimento.

“As necessidade de deficiência constituem carências no indivíduo que


precisam ser supridas de fora e por outros indivíduos para conservar a saúde,
evitar ou curar doenças” (p. 76)

“O crescimento passa a ser visto não apenas como satisfação contínua e


gradativa das necessidades básicas, mas também sob forma de motivações
específicas para o próprio desenvolvimento, tais como: tendências a
criatividade, capacidades e talentos especiais, potencialidades”. (p.82-83)

Trabalho = sacrifício, sofrimento (Weber, 1950)


Liderança:
Liderança um processo interpessoal exercido numa situação e dirigido através
da comunicação humana à consecução de um ou de diversos objetivos
específicos.

Autocrática: A ênfase é centrada no líder. O líder fixa as diretrizes, sem


qualquer participação do grupo, determina providências e as técnicas para
execução das tarefas.
Democrático: A ênfase no líder e nos subordinados. As diretrizes são
debatidas e decididas pelo grupo, estimulado e assistido pelo líder. O próprio
grupo esboça as providências e as técnicas para atingir o alvo.
Liberal (Laissez-faire): Ênfase nos subordinados. Há liberdade completa para
as decisões grupais ou individuais, com participação mínima do líder.

O processo de comunicação (MOSCOVICI, 2001)


“Várias modalidades de interação ocorrem no grupo. A mais freqüente é a
comunicação, em seus aspectos verbais, não verbais, e emocionais. A partir da
comunicação, outros processos grupais se desenvolvem e passam a diferenciar
cada grupo dos demais pelas formas especificas de liderança, processo
decisório, relacionamento”.(p.104)

Organização Informal.
Essa organização informal desenvolveu-se a partir da interação imposta e
determinada pela organização formal. Os padrões informais de relações são
extremamente diversos quanto à forma, conteúdo e duração e nos mostram
que nem sempre a organização social de uma empresa correspondente
exatamente ao seu organograma.

DINÂMICA DE GRUPO. Fundada por Kurt Lewin a Escola da Dinâmica de


grupo desenvolve uma proposição geral de que o comportamento, as atitudes,
as crenças e os valores do indivíduo baseiam-se firmemente nos grupos aos
quais pertence. Dinâmica de grupo é a soma de interesses dos componentes do
grupo, que pode ser ativada através de estímulos e motivações, no sentido de
maior harmonia e aumento do relacionamento.
Principais críticas à escola das Relações Humanas
 Oposição cerrada à Teoria Clássica
 Inadequada visualização dos problemas das relações industriais
 Concepção ingênua e romântica do operário
 Ênfase nos grupos informais
 Enfoque manipulativo das relações humanas

Relações Interpessoais : O momento atual

“Há mais de um século, nossa sociedade é palco de inúmeras transformações


econômicas, sociais, políticas e culturais. Mudanças que têm suas origens em
épocas mais antigas (Braudel, 1979) e desembocaram sobre o acontecimento
que o historiador e sociólogo americano I. Wallerstein qualificou de
capitalismo histórico (1985) (...)”. (CHANLAT, 1992, p. 22)

Principais características deste período:


 Racionalização
 Acumulação do capital
 Hegemonia das categorias econômicas
 Desenvolvimento do individualismo
 Obsessão do progresso
 Urbanização
 Explosão tecnológica

O Comportamento organizacional é hoje o “herdeiro” de várias


linhas teóricas que estudavam o homem em seu ambiente de
trabalho. No entanto, existem dimensões humanas que foram
esquecidas, tendo em vista que o comportamento organizacional
se desenvolveu deixando de lado os conhecimentos mais recentes
das ciências humanas. (Chanlat, 1992)

Quem é o Homem?

“A constituição de todo ser humano enquanto sujeito passa por esta


poliforme com o outro. É através dele que ele se constitui, se reconhece,
sente prazer e sofrimentos, satisfaz ou não seus desejos e pulsões. O ser
humano aparece assim com seu cortejo de racionalidade e de
irracionalidade que se enraíza ao mesmo tempo na vida interior e no
mundo exterior.” (Chanlat, 1992, p. 30)

O eu e o outro: A questão da Identidade...


“(...) a identidade é um processo de construção permanente, em contínua
transformação – desde antes de nascer até a morte! – e, neste processo de
mudança, o novo – quem sou, agora – amalgama-se com o velho – quem fui
ontem, quando era adolescente, criança” (Bock, 1997 p.207)

“Prefiro ser essa metamorfose ambulante”


O homem é um ser sócio-histórico
 O homem aprende a ser homem;
 O homem trabalha e utiliza instrumentos;
 O homem cria e utiliza a linguagem;

“Contrariamente à idealização que aparece com freqüencia no mundo dos


negócios, a organização aparece freqüentemente como um lugar propício
ao sofrimento, à violência física e psicológica, ao tédio e mesmo ao
desespero não apenas nos escalões inferiores, mas também nos níveis
intermediário e superior. (...)Em um mundo essencialmente dominado
pela racionalidade instrumental e por categorias econômicas rigidamente
estabelecidas, os homens e as mulheres que povoam as organizações são
considerados, na maioria das vezes, apenas recursos, isto é, como
quantidades materiais cujo rendimento deve ser satisfatório do mesmo
modo que as ferramentas, os equipamentos e a matéria-prima. Associados
ao universo das coisas, as pessoas empregadas nas organizações
transformam-se em objetos” (Chanlat, 1992, p. 25)

O trabalhador pode estar submetido a dois tipos de excitações: uma


proveniente do exterior (psicossensorial) e outra do interior
(excitações instintivas ou pulsionais) e as vias de descarga de sua
energia são três: a via motora (uso da musculatura), via psíquica
(representações mentais) e via visceral (somatização). (DEJOURS,
1994, p.23)
A relação homem-trabalho

 O organismo do trabalhador não é um “motor humano”;


 O trabalhador possui uma história pessoal única;
 O trabalhador dispõe de vias de descargas pessoais que
estruturam a sua personalidade;
 Principais doenças ocupacionais: STRESS, LER,
DEPRESSÂO, dentre outras...

Carga Psíquica:
Se o trabalho permite a diminuição da carga psíquica ele é
equilibrante; (exemplo: artistas, pesquisador, cirurgião)
Se o trabalho não permite a diminuição da carga psíquica ele é
fatigante; (exemplo: linha de produção)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOCK, A. M. B. (org) Psicologias – Uma introdução ao estudo de
psicologia. 12ª ed. São Paulo: Saraiva, 1997.
CARPIGIANI, B. Psicologia: das raízes aos movimentos contemporâneos.
São Paulo: Pioneira, 2000.
CHANLAT, Jean-François – O indivíduo na organização: dimensões
esquecidas. São Paulo: SP; Atlas, 1992
DEJOURS, C.; ABDOUCHELI, E.; JAYET, C. Psicodinâmica do trabalho:
Contribuições da Escola Dejouriana à Análise da Relação Prazer, Sofrimento e
Trabalho. São Paulo: Atlas, 1994.
DEJOURS, C. A carga psíquica do trabalho. In: DEJOURS, C.;
ABDOUCHELI, E.; JAYET, C. Psicodinâmica do trabalho:
Contribuições da Escola Dejouriana à Análise da Relação Prazer,
Sofrimento e Trabalho. São Paulo: Atlas, 1994.
MOSCOVICI, Fela – Desenvolvimento Interpessoal: treinamento
em grupo. 7 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1997.
MOSCOVICI, Fela – A organização por trás do espelho: reflexos e
reflexões. Rio de Janeiro: José Olympio, 2001.