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Augustan Poetry

New Trends and Revaluations

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Foi feito o depósito legal Impresso no Brasil / Printed in Brazil Agosto 2019

Edited by Paulo Martins Alexandre Pinheiro Hasegawa João Angelo Oliva Neto

Augustan Poetry

New Trends and Revaluations

HUMANITAS

São Paulo

2019

Alexandre Pinheiro Hasegawa João Angelo Oliva Neto Augustan Poetry New Trends and Revaluations HUMANITAS São Paulo

Copyright 2019 dos autores

Catalogação na Publicação (CIP) Serviço de Biblioteca e Documentação da FFLCH-USP Maria Imaculada da Conceição – CRB-8/6409

A923

Augustan poetry [recurso eletrônico] : new trends and revaluation / Edited by Paulo Martins, Alexandre Pinheiro Hasegawa, João Angelo Oliva Neto. -- São Paulo : FFLCH/USP, 2019. 2.204 Kb.

ISBN 978-85-7506-371-2

1. Literatura latina – História e crítica. 2. Elegia. 3. Poesia latina. 4. Poesia lírica. 5. Poesia épica. I. Martins, Paulo, coord. II. Hasegawa, Alexandre Pinheiro, coord. III. Oliva Neto, João Angelo, coord.

CDD 870.9

Serviço de Editoração e Distribuição editorafflch@usp.br

Coordenação Editorial e Arte de Capa Mª. Helena G. Rodrigues – MTb n. 28.840

Revisão

Autores

Projeto Gráfico e Diagramação Selma Consoli – MTb n. 28.839

Contents

Prefácio Paulo Martins, Alexandre Hasegawa, João Angelo Oliva Neto

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Part I - Elegy

Dalla città degli amori alla città che cresce: Properzio e la Roma augustea Paolo Fedeli

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A rumour in Propertius Paulo Martins

37

‘Imperii Roma deumque locus’: la Roma augustea come città celeste Gianpiero Rosati

67

Malum, pomum or fetus? Naming fruits in Ov. Her. 20-21 Andreas N. Michalopoulos

95

Metrical patterns and layers of sense: some remarks on metre, rhythm and meaning João Batista Toledo Prado

123

Part II – Horatian lyric, iambus and satire

Metafore, allegorie e altre trasformazioni: Quintiliano interprete di Orazio (sul carme 1.14, con alcune osservazioni riguardo alle navi

di Virgilio e Ovidio) Andrea Cucchiarelli

145

Horace and his audience: the role of reception in the genesis of genres Bénédicte Delignon

189

Flaccus’ Poetics: Horace-Paris saved by Mercury-Augustus Alexandre Pinheiro Hasegawa

213

Horace’s hymn to Bacchus (Odes 2.19): poetics and politics Stephen Harrison

231

Sob a Batuta de Horácio: Metros Horacianos em Português, Alemão e Inglês Érico Nogueira

253

Bacchus, Augustus and the poet in Horace Odes 3.25 Lya Serignolli

275

Part III – Epic

Epic Anger, and the State of the (Roman) Soul in Virgil’s First Simile Kirk Freudenburg

309

Orphic Metamorphoses Andrew Feldherr

335

Tereus’ tears: the performance and performativity of crying in Met. 6.412-674 Jessica A. Westerhold

385

Prudentius’ Metamorphoses Fernando Gorab Leme

417

Contributors

445

Prefácio

De 08 a 10 de julho de 2015 organizamos o V Colóquio

Internacional “Visões da Antiguidade Clássica”,dedicado à poesia augustana (Augustan Poetry: New Trends and Revaluations), em São Paulo, a fim de discutir novas abordagens e reavaliar as an- tigas, reunindo nomes que são referência no estudo de Horácio, Ovídio, Propércio e Virgílio, das mais diversas universidades. Do evento resultou este livro por cujas contribuições esperamos que

os estudos sobre poesia augustana possam se renovar e aumentar (augere). A imagem augusta do princeps, perpetuada por mais de dois mil anos, com sua grauitas, eternamente jovem, continuará ainda, queiramos ou não, a se fazer presente, ano a ano, sob o nome do mês que o celebra: agosto. Reunidos por ele, um deus na terra, os poetas aqui discutidos, que o eternizam, também se perpetuam (non omnis moriar), crescendo e renovando-se (crescam recens), pelas novas abordagens, pelo cuidadoso trabalho filoló- gico e pelas discussões proporcionadas pelos autores (auctores) deste livro que vem assim organizado em três grandes partes:

I – Elegia, com contribuições sobre Propércio, Ovídio e métrica; II – Lírica, iambo e sátira, com contribuições sobre Horácio e sua recepção;

III

Épica, com contribuições sobre Virgílio, Ovídio e

recepção.

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AUGUSTAN POETRY

Na parte elegíaca, apresentam-se cinco estudos. Paolo Fedeli e Gianpiero Rosati tratam da Roma de Augusto:

o primeiro, concentrando-se inicialmente nos três primeiros

livros elegíacos de Propércio, mostra a ambivalência dos lugares descritos pelo poeta, ora os teatros, pórticos e o Foro são lugares das aventuras eróticas, ora os mesmos locais assumem conota-

ção negativa, quando o poeta deve aceitar a traição de Cíntia ou duros períodos de abstinência sexual. Parece, porém, haver grande mudança no quarto livro elegíaco, quando o poeta celebra Augusto como artífice da renovação das construções romanas, elogiando os novos tempos e as restaurações. Por fim, mostra, em contraste, como a mesma cidade augustana é descrita na obra de Ovídio, enfatizando a Roma perdida para o poeta exilado. Rosati, por sua vez, partindo da célebre comparação ovidiana entre o Palatino e o céu (met. 1.173-6), mostra que, se o céu é como Roma, Roma também é como o céu. Daí, neste processo de assimilação, pelo qual o Olimpo é romanizado, Júpiter se torna o princeps, assim como Augusto é, em particular na obra do exílio, um deus na terra. Em seguida, mostra como a construção ovidiana torna-se um topos da poesia encomiástica do período imperial com Estácio e Marcial, no louvor a Domiciano, e an- tecipa o lugar cristão da cidade divina, elaborada por Agostinho no De civitate dei. Paulo Martins, em estudo de Propércio 2.7, investiga as relações entre as construções poéticas do elegíaco e aspectos históricos da sociedade romana do período. Assim, por exemplo, nas descrições de Mecenas, Augusto e do próprio poeta misturam-se características históricas e convenções genéricas. Além disso, os eventos históricos ou leis, independentemente de terem existido ou não, são descritos nos versos com base em discursos morais e políticos da época. Daí, passa a analisar o estatuto do “rumor” e como é usado retoricamente na poesia. Andreas Michalopoulos volta a atenção para as Heroides de Ovídio, em particular para as epístolas de Acôncio e Cidipe (20- 21). Em comparação com a única fonte disponível da história,

os Aetia de Calímaco (3, frr. 67-75 Pf.), estuda os termos para

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o fruto usados pelo poeta (malum, pomum e fetus). O autor não

só investiga a identificação do fruto – se se trata de maçã ou

marmelo –, mas também procura mostrar que os termos não são mera variação poética; antes, não há arbitrariedade ou acaso, mas um jogo cuidadoso, a cada vez, com a etimologia poética dos termos. João Batista Toledo Prado discute, levando em consideração modernas teorias linguísticas, a métrica da poesia latina, com particular atenção ao dístico elegíaco. Para ilustrar

a discussão teórica inicial, o autor passa a fazer análise métrica

detalhada de Tibulo (1.10.1-10). Na parte lírica, iambo e sátira, reúnem-se seis estudos. Stephen Harrison e Lya Serignolli, em diferentes odes de Horácio, estudam a figura de Baco: o primeiro, ao analisar Odes 2.19, procura mostrar, lançando mão de outros trechos dos carmina (3.3.9-16 e 3.25, por exemplo) e da poesia augustana, como o deus representa Augusto. Chama atenção ainda para a nomeação da divindade como Liber, associado à ideia de libertas, aspecto importante no contexto da batalha de Ácio, caracteri- zando assim Antônio e Cleópatra como figuras tirânicas. Além dos aspectos políticos, por fim, estuda os poéticos, pois o poeta vê Baco a ensinar canções (carmina). Daí, traz para discussão passagens das Bacas de Eurípides, mostrando o enriquecimento genérico produzido por Horácio na composição dessa ode, em que se misturam política e poética. O segundo texto que se concentra sobre a figura de Baco, de modo semelhante, estuda também as relações políticas entre o deus e Augusto, mas agora com especial atenção em Odes 3.25. Ademais, procura mostrar como, por meio de Baco, há identificação entre Horácio e Augusto. Os seguidores do deus, o poeta e o princeps têm um futuro promissor e serão imortalizados. De Baco a Mercúrio, Alexandre Pinheiro Hasegawa busca, primeiramente, des- crever uma ‘poética da fraqueza’ nas obras de Horácio Flaco. Daí, o poeta que se descreve como imbele, não guerreiro, será identificado com o imbele Páris, pelo estudo e comparação das Odes 1.6 e 1.15. Em seguida, à luz dessa relação, o autor propõe

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AUGUSTAN POETRY

leitura de Odes 2.7, em que Horácio/Páris é retirado da batalha, em clara imitação homérica, por Mercúrio, que será associado a Augusto, pela leitura das Odes 1.2 e 1.10. Bénédicte Delignon estuda o papel da recepção do público romano sobre a compo- sição de Sátiras, Epodos e Odes. A autora propõe, por exemplo, que Horácio apresenta a seu público a sátira, não como gênero

de polêmicas políticas, mas da libertas. Dado o contexto político, Horácio, segundo a estudiosa, sabia que a prática desse gênero era problemática. Daí, isso teria forçado Horácio à realização de sátira menos polêmica e aparentemente apolítica, pensando nas reservas da audiência em relação ao modelo luciliano. Por fim, concentrando-se nas odes eróticas, defende que o poeta inventou uma lírica erótica romana, transformando o canto da paixão em exortação ao casamento. Andrea Cucchiarelli, por sua vez, reavalia a célebre interpretação alegórica que Quintiliano faz (8.6.44-47) de Odes 1.14 em que se vê identidade entre a nau e a respublica. A leitura foi retomada continuamente pelos comentários modernos que, por vezes, chegam a desvalorizar

o poema horaciano em relação ao modelo alcaico, adotando

ponto de vista romântico, ou a propor outra alegoria (erótica) para a nau. Antes de tratar de duas outras naus augustanas, nas epopeias de Virgílio e Ovídio, o autor ainda discute a palavra malo no v.10 da ode, propondo a lição (salo), em confronto com outras passagens, seja de Horácio, seja de outros poetas. Érico Nogueira, por fim, estuda como poetas, em alemão, português e inglês, tentaram reproduzir, cada qual à sua maneira, e seguindo estratégias diversas, os metros líricos de Horácio em suas lín- guas, tal como o poeta latino reproduziu os metros gregos em

latim, orgulhando-se de ter sido o primeiro a fazer isso (Odes

3.30.13-14).

Na parte épica, Kirk Freudenburg, retomando o modelo iliádico, estuda, primeiramente, a raiva na Eneida de Virgílio, em particular aquela de Juno contra os troianos. Em seguida, passa

a analisar o primeiro símile na epopeia latina, o do “estadista piedoso” (1.142-56). Tal como Netuno, em seu carro, põe fim à

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tempestade, assim o estadista piedoso governa com suas palavras

as paixões. Assim, o autor lembra da imagem platônica no Fedro,

em que a alma humana é comparada a um carro puxado por dois cavalos. Ora, se a violenta tempestade representa o estado apaixonado da raivosa Juno, tal como uma vingativa Medeia, o carro conduzido por Netuno é imagem da alma (romana) con- trolada pelo estadista piedoso. Andrew Feldherr, estudando os temas órficos no epos de Ovídio, retoma inicialmente o Orfeu das Geórgicas de Virgílio entendido como representante da poé- tica virgiliana a fim de discutir a personagem no livro 10 das Metamorfoses de Ovídio. O autor discute, então, as transforma- ções genéricas por que passa a personagem, do elegíaco ao épico/

didático, já trabalhadas por Virgílio e retrabalhadas por Ovídio. Essa voz órfica presente nas Metamorfoses, que recupera não só

o modelo virgiliano, traz no próprio nome do poeta, Orpheus,

posto no início do relato (10.3: Orphea nequiquam uoce uocatur),

a marca da oralidade, passando ao onomatopeico lamento (heu) e

concluindo com a letra da serpente, que, por fim, silencia a voz e o canto. Assim, Ovídio não poderia terminar essa narrativa (11.66)

de outra forma senão com o nome desse auctor, dessa autoridade

poética: Orfeu. Ainda nas Metamorfoses, mas agora voltando-se para as lágrimas (lacrimae, fletus) de Tereu, sem deixar de obser- var também Procne e Filomela, Jessica Westerhold, estuda

o pathos do luto, da dor (dolor), no episódio do livro 6. Segundo

a autora, no início do relato, Tereu forja lágrimas, construídas

retoricamente na ausência da emoção. No entanto, a personagem passa não só por uma transformação física, em pássaro, mas também por uma metamorfose emocional no fim da narrativa. Fernando Gorab Leme, justamente no limite do volume, desenvolve estudo sobre a recepção das Metamorfoses de Ovídio na obra de Prudêncio, analisando como o poeta cristão imita o augustano, ressignificando diversas passagens em novo contexto.

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Esperamos que os leitores encontrem deleite e utilidade nos textos aqui reunidos, que, com abordagens variadas, procu- ram reavaliar leituras já consagradas e propor novos caminhos para o estudo dos poetas augustanos. Que, então, eles continuem a renascer, sempre novos, em possíveis textos derivados dessa coletânea!

Os editores

PART I – ELEGY

Dallacittàdegli amori allacittàchecresce:

Properzio e la Roma augustea

Paolo Fedeli

Università degli studi di Bari Aldo Moro

Una città può essere la somma dei nostri sentimenti o il riflesso dei nostri stati d’animo. Credo che per tutti sia così, perché una città è ben più che un luogo fisico: è la proiezione simbolica di quello che siamo o che riteniamo di essere. Che Roma sia divenuta ben presto il riflesso dello stato

d’animo di Properzio e delle sue mutevoli concezioni di poetica,

lo si capisce dalla distanza che divide l’immagine della città

del poeta d’amore da quella del cantore degli splendori della Roma augustea. La città del poeta d’amore è quella delle visite

di notte o al sorgere del giorno in casa dell’amata (1.3; 2.29b),

delle suppliche e degli improperi alla porta chiusa perché si apra per accoglierlo (1.16), è la Roma della Suburra e delle audaci

fughe di Cinzia (4.7.15-18), degli amori ‘en plein air’ (4.7.19- 20), delle meretrici che percorrono in lungo e in largo la via Sacra (2.23.15), delle scenate di gelosia nelle sordide taverne dell’Esquilino (4.8.19-20).

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Finché Properzio si considera poeta d’amore e non pratica vie diverse, Roma è per lui lo spazio dell’amore, 1 come lo era

stata per Catullo e, poi, per Cornelio Gallo: che al suo amore per Licoride abbia fatto da sfondo l’ambiente cittadino è Virgilio ad attestarlo, quando nella X bucolica per lenire le sofferenze che

a Gallo provocano il tradimento e la fuga dell’amata Licoride

gli suggerisce di trasferire la propria esistenza e il proprio canto

d’amore in uno scenario bucolico. Che quello di Properzio sia un tipico amore cittadino lo si intuisce subito, sin da quando nella prima parte dell’elegia 1.8 egli fa di Cinzia una seconda Licoride, che vorrebbe seguire un suo occasionale ma danaroso spasimante sin nella gelida Illiria: vi rinuncerà, tuttavia, per amore del poeta e della sua poesia, e sarà quello il momento del trionfo di Properzio (1.8.31-32):

illi carus ego et per me carissima Roma dicitur, et sine me dulcia regna negat.

Per Cinzia, dunque, l’amore per Properzio s’identifica

e si confonde con quello per Roma, ed è l’atteggiamento di

devozione del poeta a renderle gradita la vita cittadina. Sono gli amici stessi a ritenere l’amore della coppia elegiaca indissolubilmente legato alla città, al punto che Pontico nell’esordio dell’elegia 1,12 2 può facilmente congetturare che Properzio non si decide a lasciare Roma perché la sua ‘liaison’ con la donna che ha scelto di cantare gli impedisce di allontanarsi da quel contesto cittadino che costituisce lo spazio dell’amore elegiaco (1.12.1-2):

quid mihi desidiae non cessas fingere crimen, quod faciat nobis, Pontice, Roma moram?

1 Riprendo qui liberamente quello che sulla città quale spazio dell’amore ho scrit- to in Fedeli (2010, 4-10).

2 Naturalmente se si accetta di correggere con Kraffert nel vocativo Pontice l’improbabile conscia del v. 2, che andrebbe riferito a Roma. Sulla situazione testuale cf. Fedeli (1980, 288-290).

DALLA CITTÀ DEGLI AMORI ALLA CITTÀ CHE CRESCE

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D’altra parte è significativo che ai periodi di dura astinenza sessuale per il tradimento faccia riscontro invariabilmente la negazione dei luoghi e dei momenti tipici della vita cittadina, tanto che, quando Properzio descrive il trionfo in amore del barbarus che gli ha sottratto la donna amata, 3 la sua condizione disperata di amante abbandonato si manifesta non solo con l’inappetenza, ma anche col rifiuto di quei luoghi, come il teatro e il Campo Marzio, che dello spazio cittadino sono i simboli privilegiati (2.16.33-34):

tot iam abiere dies, cum me nec cura theatri nec tetigit Campi, nec mea mensa iuvat.

All’interno della città quale scenario dell’amore, lo spazio

in cui esso si concretizza si restringe alla casa e al letto di Cinzia.

Properzio non parla mai della propria casa come di un luogo d’amore, ma sempre si descrive mentre fiducioso si presenta alla porta della casa di Cinzia. L’eccezione è costituita da 4.8, ma

dipende dalle modalità di esecuzione del tentativo di rivalsa del poeta nei confronti del tradimento di Cinzia: se la donna amata

ha deciso di scorazzare fra Roma e Lanuvio sul cocchio di un

ricco ed eccentrico amante, sarà nella propria dimora a Roma,

sull’Esquilino, che Properzio organizzerà un festino consolatorio con due donnine allegre. Ma il ritorno improvviso e inatteso

di

Cinzia è quello tipico di una domina che considera violato

lo

spazio dell’amore a lei sola riservato, e per questo motivo –

oltre a dettare le regole di un rinnovato foedus – provvede alle purificazioni di rito, prima di sancire la pace con una battaglia erotica sul letto di Properzio. Se, però, la norma vuole che a Roma lo spazio degli amanti sia quello della casa di Cinzia – che anche per questo motivo palesa la condizione di meretrix più spesso di quella di matrona – allora non c’è da meravigliarsi né dei frequenti accenni ai custodes

3 2.16.27-28 barbarus exutis agitat vestigia lumbis / et subito felix nunc mea regna tenet.

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che impediscono l’ingresso né della raffigurazione di una dimora in cui tutti possono entrare perché Cinzia si comporta come una grande cortigiana; 4 una dimora dove i giovani si disputano animosamente la precedenza e con i loro reiterati appelli non le consentono di dormire. 5 Se la casa di Cinzia costituisce lo spazio dell’amore, ben si capisce perché nella fase del discidium essa possa assumere una connotazione negativa, che ben s’intona con l’atteggiamento desolato e querulo di una Cinzia che soffre per la lontananza del suo uomo e per il sospetto del tradimento. In 3.6.11-18

nec speculum strato vidisti, Lygdame lecto

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scriniaque ad lecti clausa iacere pedes

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ac maestam teneris vestem pendere lacertis?

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Ornabat niveas nullane gemma manus?

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Tristis erat domus, et tristes sua pensa ministrae carpebant, medio nebat et ipsa loco, umidaque impressa siccabat lumina lana, rettulit et querulo iurgia nostra sono?

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la condizione di abbandono e di trascuratezza in cui versa Cinzia si riflette sullo stato della sua casa: lo specchio giace abbandonato sul letto, il cofanetto con gli ingredienti per il trucco è confinato ai piedi del letto, la veste è neghittosamente gettata sulle sue spalle e nessuna pietra preziosa adorna le sue dita. In quale quartiere di Roma il poeta collochi lo spazio dell’amore è Cinzia a dircelo, nella rievocazione di un tempo

4 2.6.1-6 Non ita complebant Ephyraeae Laidos aedis, / ad cuius iacuit Graecia tota fores; / turba Menandreae fuerat nec Thaidos olim / tanta, in qua populus lusit Ericthonius; / nec quae deletas potuit componere Thebas, / Phryne tam multis facta beata viris.

5 2.19.5-6 nulla neque ante tuas orietur rixa fenestras, / nec tibi clamatae somnus amarus erit. La rixa ante Cynthiae fenestras a cui allude Properzio nel v. 5 sarà con ogni probabilità una disputa fra spasimanti avvinazzati perché reduci dal banchetto e desiderosi di avere la precedenza nei favori sessuali, piuttosto che un alterco fra uno spasimante e il portiere o un tentativo di attirare, urlando, l’attenzione della donna.

DALLA CITTÀ DEGLI AMORI ALLA CITTÀ CHE CRESCE

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ormai lontano nel suo sfogo post mortem nei confronti dell’amante ingrato e immemore (4.7.15-18):

iamne tibi exciderant vigilacis furta Suburae et mea nocturnis trita fenestra dolis, per quam demisso quotiens tibi fune pependi, alterna veniens in tua colla manu?

15

Che la scena sia ambientata nella Suburra potrà sorprendere

i patetici e irriducibili sostenitori di una Cinzia matronale, ma

offre una definitiva conferma a quanti ritengono che Properzio abbia voluto conferire alla donna da lui cantata i tratti di una meretrix da commedia (quanti suoi monologhi patetici, allora, piuttosto che un tono tragico potrebbero assumere cadenze paratragiche!). Insomma, nei primi tre libri di elegie sembra proprio che abbiano un ruolo solo i luoghi convenzionali del corteggiamento

e dell’amore e che nulla esista al di fuori di essi. Sembra proprio

che per i monumenti della Roma augustea da parte del poeta non esista alcun interesse e si direbbe che egli passi ogni giorno accanto ad essi con lo sguardo fugace e assente. Si capisce, però, che è il genere praticato a orientare i contenuti della poesia. Talora, però, possono presentarsi esigenze diverse, tali da preannunziare quel mutamento di rotta che nel IV libro diverrà esplicito. Ha scritto Paul Zanker che “l’immagine complessiva di una città in una particolare situazione storica «rappresenta un coerente sistema di comunicazione visiva, in grado di influenzare gli abitanti anche a livello inconscio per il fatto stesso della sua continua presenza.” 6 Neppure il poeta d’amore può restare insensibile di fronte al fascino della città che cresce: con i suoi interventi nei campi più diversi, Augusto è intento a riscrivere tutto e, al tempo stesso,

6 Zanker (1989, 23).

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AUGUSTAN POETRY

“iscrive se stesso in ogni aspetto della vita, pubblica e privata.” 7 È l’architettura, in particolare, ad avere un ruolo di primario rilievo nel suo progetto di conquista di un generale consenso, grazie alla felice intuizione di legare il programma di rinnovamento edilizio a quello di esaltazione dei valori religiosi: già a ridosso

di Azio egli da un lato favorisce la costruzione sul Palatino

dell’imponente tempio di Apollo, dall’altro erige il Mausoleo nella parte settentrionale del Campo Marzio e trasforma profondamente il Foro. Cassio Dione (52.30.1) attribuisce a Mecenate il merito di aver suggerito a Ottaviano, nel 29 a.C., il necessario abbellimento della città quale punto di primaria

importanza ai fini della conquista del consensus. Da allora gli interventi edilizi si susseguirono con un ritmo incalzante e furono tali da incidere sensibilmente sulla fisionomia della città repubblicana. 8 Come attesta Svetonio, 9 dando prova di accortezza e lungimiranza Augusto si preoccupò di coinvolgere

in qualità di committenti i personaggi di maggior rilievo, sicché

nel corso degli anni «membri della famiglia imperiale, vecchi alleati politici, seguaci di Antonio poi passati dalla sua parte, famiglie cooperanti della nobiltà tradizionale, membri dei nuovi ceti in ascesa, e, non da ultimo, senato e popolo; tutti furono chiamati a collaborare, in una grande e concertata azione di consenso». 10

7 Barchiesi (1994, 59).

8 Un ottimo sguardo d’insieme, oltreché in Zanker (2013, 51–56), in Sommella

– Migliorati (1991, 291-7) e soprattutto in Favro 1996, in particolare nelle pgg. 79-142.

9 Suet. Aug. 29.4-5 sed et ceteros principes viros saepe hortatus est ut pro facultate quisque monimentis vel novis vel refectis et excultis urbem adornarent. Multaque a multis tunc extructa sunt, sicut a Marcio Philippo aedes Herculis Musarum, a L. Cornificio aedes Dianae, ab Asinio Pollione atrium Libertatis, a Munatio Planco aedes Saturni, a Cornelio Balbo theatrum, a Statilio Tauro amphitheatrum, a M. vero Agrippa complura et egregia.

10 Così Hölscher (2009, 151); sulla partecipazione delle gentes cfr. anche Sommella

– Migliorati (1991, 291–5).

DALLA CITTÀ DEGLI AMORI ALLA CITTÀ CHE CRESCE

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L’elegiaco Properzio sin dal II libro sembra preannunciare

gli esiti dichiaratamente augustei del IV, pur evitando – almeno

per ora – di entrare in aperto conflitto con i contenuti della

poesia erotica. Sono gli anni in cui Augusto dà inizio all’opera

di restauro e di nuova edificazione dei templi e degli edifici

pubblici: testimone attento e interessato dei mutamenti della

città, il cantore di Cinzia capisce bene che l’introduzione nella poesia erotica di tematiche connesse con l’attività edilizia rischia

di risultare piuttosto stravagante in un canzoniere per la donna

amata, e ricorre, quindi, a un ingegnoso espediente: invece

di accogliere all’interno del tessuto erotico elementi ad esso

estranei, presenterà come accessorio proprio l’argomento erotico. È quello che egli fa nella XXXI elegia del II libro, dove il tenue legame con la poesia di corteggiamento galante è definito nel distico iniziale (2.31.1-2):

Quaeris cur veniam tibi tardior? Aurea Phoebi Porticus a magno Caesare aperta fuit.

A un appuntamento con l’amata, Properzio non è giunto

in orario; colpevole del ritardo che Cinzia gli rimprovera è stata

l’inaugurazione del portico di Apollo, annesso al tempio del dio

sul Palatino, di cui egli dà una parziale descrizione. Nel marasma

dell’attuale II libro, confluenza a parer mio pressoché certa di due libri originari, 11 l’elegia ha tutta l’aria di esserci giunta in modo incompleto; tuttavia il suo probabile stato frammentario non c’impedisce di cogliere il forte impatto ideologico del com- plesso. 12 Edificato su un terreno di proprietà di Ottaviano che era stato colpito dal fulmine, 13 il tempio era stato votato nel 36 a.C. dopo la vittoria su Sesto Pompeo a Nauloco 14 e dedicato

11 Ne ho discusso ampiamente nell’introduzione al mio commento del II libro Fedeli (2005, 21–35).

12 Sul tempio di Apollo come sintesi di un progetto politico-culturale cf. Zanker (1989, 97).

13 Cf. Suet. Aug. 29.3; Cass.Dio 49.15.5.

14 Vell. 2.81.3; Cass.Dio 49.15.5.

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nel 28 a.C.: 15 poiché la casa di Augusto sul Palatino era collegata alla terrazza del tempio da una rampa di accesso, dimora del principe e luogo di culto del dio suo protettore costituivano un complesso unitario di grande significato ideologico. 16 Il fatto stesso di aver inserito in una raccolta di poesia d’amore un carme che, invece, tesse l’elogio di una simile realiz- zazione del principe costituisce di per sé una significativa testi- monianza di adesione del poeta elegiaco al programma edilizio del magnus Caesar (v. 2): basterebbe questo esempio a far capire come sia fuori luogo tacciare il poeta di totale disinteresse nei confronti del progetto edilizio di Augusto. 17 Non solo la XXXI elegia del II libro, ma anche i vv. 11–16 della successiva, con la loro presentazione della porticus di Pompeo ci mostrano un poeta che, sensibile all’aspetto della città e pienamente partecipe delle sue trasformazioni, descrive con compiaciuta insistenza i luoghi in cui si svolge la vita dei giovani, dal Campo Marzio ai portici e ai templi. Si può dire che proprio l’elegiaco Properzio sia divenuto il più convinto cantore del progressivo mutamento della fisionomia della città dei tempi suoi: come Augusto aveva ben capito «che l’architettura, intesa come strumento per dare una nuova forma a Roma, era un mezzo tanto efficace quanto la poesia», 18 così Properzio, una volta ammesso nella cerchia di Mecenate, relegati nel I libro e ormai dimenticati gli eccidi del bellum Perusinum compiuti da Ottaviano al tempo della presa di Perugia, si era reso ben conto dell’importanza e dell’originalità che avrebbe potuto conseguire la sua poesia elegiaca in quanto fiancheggiatrice del nuovo modo di concepire e di realizzare la città.

15 Cass.Dio 53.1.3; CIL I² 214. 245. 249.

16 Cf. Zanker (1989, 57); (2014, 221-244) e, per il forte effetto scenografico, Sauron (2014, 85).

17 È questo il giudizio espresso da Zanker (2014, 222).

18 Wallace-Hadrill (2014, 137).

DALLA CITTÀ DEGLI AMORI ALLA CITTÀ CHE CRESCE

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Quando, fra il 20 e il 15 a.C., egli compone il IV libro, la sua adesione al programma di Augusto appare sincera e convinta sin dalla prima, programmatica elegia e per lui si tratta solo di

saper scegliere, nella presentazione di una raccolta a metà strada

fra poesia delle origini e poesia d’amore, quale aspetto celebrare

dell’attività del principe: non a caso egli decide di privilegiare il

restauro di edifici sacri ormai fatiscenti e la nuova costruzione

di templi e di teatri. Illuminante è l’esplicita dichiarazione di

poetica che sovrintende a tale scelta: il poeta, infatti, si consi- dera in procinto d’intraprendere un’impresa che non ha nulla da invidiare a quella di un fondatore o rifondatore di città:

quando, infatti, nel v. 57 della 4.1 mette in chiaro l’aspirazione a moenia disponere versu, egli fa di sé un singolare fondatore, che si serve della poesia in luogo dell’aratro. C’è in quell’espressione la consapevolezza che, celebrando la crescita delle mura e della città, l’attività del poeta finisca per coincidere con quella di un Anfione, che al suono della lira edificò le mura di Tebe. 19 Sullo

stesso piano dell’attività edilizia promossa da Augusto, grazie alla quale Roma sta mutando la sua fisionomia, si colloca dunque quella del poeta, che muta il suo modo di far poesia adattandolo alle istanze dei tempi nuovi; e come Augusto con la sua opera di restauro e di nuova costruzione di templi e di edifici pubblici sta rifondando Roma, così Properzio si accinge a riscrivere Roma con la sua poesia delle origini dei sacra, degli dei e dei cognomina locorum. Ma come Roma cresce nel rispetto della continuità col passato, così il poeta apre nuove vie alla poesia elegiaca senza escludere quelle già percorse nel passato. 20

19 Osserva Gazich (1997, 324) che mentre moenia “può riferirsi a materiali riguar-

danti la fondazione e la storia delle origini, moenia disponere non segnala solo la

ma definisce il modo in cui questa

materia, prelevata da contesti epici, viene introdotta in ambito elegiaco, cioè

ricodificata attraverso una ridistribuzione degli elementi e un loro reciproco adattamento”.

20 Il motivo del poeta-architetto e fondatore verrà ripreso nel v. 67 (Roma, fave, tibi surgit opus!), dove il verbo surgere non è in rapporto soltanto col libro di poesia di Properzio, ma per estensione di significato con la città interà: alla città che

tensione tra materia gravis e arte tenuis (

),

24

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Nell’accingersi ad aprire nuove vie alla sua poesia, Properzio guarda a Virgilio, in particolare alla ‘passeggiata’ di Evandro e di Enea nei luoghi in cui sorgerà Roma (Aen. 8.307– 368), dall’Ara Massima al Foro Boario sino al Palatino, dov’è la dimora di Evandro: la forza del modello è tale che nell’elegia incipitaria del IV libro sarà il poeta stesso ad appropriarsi del ruolo di Evandro e ad indicare a uno straniero le realizzazioni più significative della maxima Roma augustea, a cominciare dall’edilizia templare. Anche in questo a indicargli la via era stato Virgilio, che nel descrivere il triplice trionfo del 29 a.C. effigiato sullo scudo di Enea aveva insistito sul momento religioso, con la consacrazione di un numero infinito di templi agli dèi italici da parte di Augusto (Aen. 8.714-6 at Caesar, triplici invectus Romana triumpho / moenia, dis Italis, votum immortale, sacrabat / maxima tercentum totam delubra per urbem). Quando il poeta elegiaco, forte di un simile precedente, in apertura della prima elegia offre allo sguardo dell’hospes la visione degli aurea templa che si ergono nella loro maestosa imponenza, non si propone soltanto di esaltarne lo splendore e l’architettonica perfezione, ma vuole mettere in risalto la pietas del principe nei confronti degli dèi e la fusione della nuova Roma augustea col momento religioso.Lo sguardo del poeta indugia sul tempio di Apollo e sugli altri del Palatino, prima di soffermarsi su quello di Giove Capitolino (vv. 7–8). Al Palatino fa ritorno con la casa Romuli recentemente restaurata (v. 9) per passare poi alla Curia (vv. 11–12) e, quindi, di nuovo al Campidoglio (vv. 13–14), prima di rivolgere lo sguardo ai teatri (vv. 15-16):

l’andamento desultorio e segnato da continui ritorni sui propri passi non dà l’impressione di un’ordinata e composta periegesi,

cresce corrisponde il libro di poesia che cresce, sino a raggiungere il suo aspet- to definitivo. Lo stesso motivo verrà riproposto da Ovidio, ironicamente negli Amores (1.1.27 sex mihi surgit opus numeris, in quinque residat), seriamente nei Fasti (4.830 auspicibus vobis hoc mihi surgat opus) e nei Tristia (2.559–560 surgens ab origine mundi / in tua deduxi tempora, Caesar, opus).

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come quella di Evandro e di Enea nell’VIII libro della virgiliana Eneide, ma vuole riprodurre il soffermarsi dello sguardo sugli edifici che più lo colpiscono. Si capisce, tuttavia, che punto

d’osservazione privilegiato resta il Palatino, ideale per instaurare

un confronto tra la Roma del passato e quella del presente e per

legare strettamente luoghi di culto (il tempio di Apollo, divinità protettrice di Augusto) e luoghi del potere (in primo luogo la dimora del principe).

Quella dei versi iniziali di 4.1 è solo una prima presenta- zione: il tempio di Apollo Palatino verrà riproposto nell’elegia che celebra il XV anniversario di Azio (4.6), quello di Giove

Capitolino nell’elegia di Tarpea (4.4), e nel corso del libro altri templi saranno ricordati e celebrati: nella X elegia quello di Giove Feretrio, che versava in uno stato d’abbandono e d’incuria tali da giustificarne l’inclusione da parte di Augusto fra i templi

di nuova costruzione, 21 laddove sia Cornelio Nepote sia Livio

parlano di restauro. 22 Nella IX elegia, oltre all’Ara Massima in onore di Ercole trova un implicito riconoscimento l’attività in campo edilizio dell’augusta imperatrice: il ruolo insolitamente ampio e importante lì accordato al culto della Bona Dea e al luogo sacro in cui viene celebrato si giustifica se si considera che, mentre il programma edilizio di Augusto era in una fase d’intenso sviluppo, Livia decise di affiancarlo promuovendo proprio il restauro del tempio della Bona Dea Subsaxana, sul fianco orientale dell’Aventino: lo attesta Ovidio, che nel V libro dei Fasti non si limita a parlare del tempio e della sua origine,

ma ricorda l’efficace e decisiva opera di restauro promossa da Livia (vv. 149-158): 23

21 Res gest. 19.2 aedes in Capitolio Iovis Feretri

22 Nep. Att. 20.3; Liv. 1.10.6; cfr. Coarelli (1996, 135–6).

23 Anche se dell’epoca del restauro mancano notizie certe e neppure Augusto ne parla nel cap. 19 delle sue Res gestae riservato ai templi restaurati o edificati, non è da escludere che esso sia stato realizzato durante il periodo della sua assenza da

feci.

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est moles nativa loco, res nomina fecit:

appellant Saxum; pars bona montis ea est.

150

Huic Remus institerat frustra, quo tempore fratri prima Palatinae signa dedistis aves. Templa Patres illic oculos exosa viriles leniter acclini constituere iugo. Dedicat haec veteris Clausorum nominis heres, virgineo nullum corpore passa virum. Livia restituit, ne non imitata maritum esset et ex omni parte secuta suum.

155

Vitruvio, rivolgendosi ad Augusto nella prefazione del De architectura, confessa di non aver osato pubblicare le sue riflessioni finché il principe era impegnato nella lotta politica

e militare (1 praef. 1), temendo di disturbarlo in un momento poco opportuno. “Quando però – egli continua – notai che tu

non ti prendevi cura soltanto della vita pubblica della comunità

e dell’organizzazione dello stato, ma anche dell’opportunità di

dare sviluppo all’edilizia pubblica, in modo che per opera tua non

solo lo stato risultasse accresciuto grazie alle nuove province, ma

la grandezza del potere si manifestasse anche nello straordinario

prestigio degli edifici pubblici, ritenni di non dover lasciare passare la prima occasione per pubblicare, dedicandoli a te, quei miei scritti sull’argomento in questione”. 24 E, subito dopo, così ribadisce e completa il suo pensiero: “Cominciai a comporre quest’opera dedicata a te, perché mi accorsi che tu avevi fatto costruire e continuavi a far costruire molti edifici, e che anche nel tempo a venire avresti curato che gli edifici pubblici e privati fossero degni di essere affidati alla memoria dei posteri, in rapporto alla grandezza delle tue imprese” (1 praef. 3).

Non a caso, nel contesto properziano, dagli aurea templa lo sguardo si sposta ben presto (vv. 11–14) sulla Curia e sui senatori antichi e contemporanei: il senato è il simbolo della persistenza

Roma fra il 22 e il 19 a.C.: cf. Fox (1996, 170), Spencer (2001, 273 n. 28), Welch (2004, 68-72) e sul tempio Chioffi (1993, 200-1).

24 Vitr. 1 praef. 2; le traduzioni del De architectura sono quelle della Romano 1997.

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dei valori repubblicani, e ben si capisce che, nel tessere l’elogio del programma edilizio di Augusto, il poeta abbia inteso mettere

in luce non solo il suo rispetto dei valori religiosi (l’architettura

sacrale), ma anche la continuità fra ideologia imperiale e antichi

valori repubblicani. Considerata, poi, nell’ambito delle realizza- zioni edilizie, la Curia Iulia segna la continuità col programma

di Cesare, che l’aveva voluta per rimpiazzare la Curia Hostilia:

cominciati nel 44 a.C., i lavori erano stati fortemente osteggiati dall’aristocrazia senatoria 25 e non vennero completati prima del 29 a.C., quando la nuova Curia fu inaugurata da Ottaviano. 26

Tra gli edifici pubblici i teatri hanno una funzione di primaria importanza perché, oltre ad essere il luogo d’incontro privilegiato del principe col popolo, svolgono una significativa funzione culturale: se Roma voleva assumere l’aspetto di una capitale ellenistica, era necessario che si dotasse di grandi e

splendidi teatri, in grado di esercitare la stessa funzione svolta, in particolare, da Atene. 27 Nella properziana 4.1 ai teatri è riservato un solo distico (vv. 15–16), in cui vengono messe in risalto la modernità dell’uso dei vela e la raffinata consuetudine di profu- mare la scena. Su questo terreno il confronto tra l’epoca augustea e il tempo antico si rivela impietoso: a sollecitarlo saranno state sia la ricostruzione del teatro di Pompeo, voluta da Ottaviano ancor prima di Azio, nel 32 a.C., 28 sia l’edificazione del teatro

di Marcello, che era certamente attivo nel 17 a.C.; 29 per quello

che possiamo desumere dalle elegie databili del IV libro, non era stato ancora completato il teatro di Balbo, inaugurato poi nel 13 a.C. 30 Nell’ambito della riorganizzazione augustea dello

spazio urbano s’inserirà, nei versi successivi, l’implicita con-

25 Cf. Tortorici (1993, 332).

26 Cf. Aug. Res gest. 19.1, Cass.Dio 51.22 e Hülsen (1901, 1821-25).

27 Cf. Zanker (1989, 160).

28 Cf. Gros (1999, 36).

29 Cf. Ciancio Rossetto (1999, 31–35).

30 Cf. Cass.Dio 54.25.2, Manacorda (1999, 30-31).

28

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trapposizione dello spazio della festa dei tempi antichi a quello della Roma augustea (vv. 21–22 Vestalia, vv. 23–24 Compitalia, vv. 25–26 Lupercalia). 31 Quando nel 19 a.C. Augusto rientrò a Roma dopo tre anni di assenza, Properzio pensò bene di celebrare il suo trionfale ritorno dalle vittoriose campagne di guerra istituendo un parallelo nella IX elegia col leggendario transito nel Lazio

di Ercole reduce dalla Spagna dopo l’esito felice della decima

fatica. Fondandosi sulla testimonianza di Augusto nelle sue Res

gestae (cap. 11), Stephen Harrison ha ricostruito il suo percorso

da porta Capena sino al Foro e al Campidoglio e ha constatato

che esso include proprio i luoghi della IX elegia del IV libro, dal tempio della Bona Dea Subsaxana al Velabro, all’Ara Massima

e alle pendici del Palatino. 32

Ma c’è di più: secondo una felice intuizione della Fantham, 33 ripresa da Labate, «la struttura del IV libro proper- ziano sembra prevedere che il poeta antiquario visiti con le sue illustrazioni e le sue ricostruzioni eziologiche i luoghi di quella stessa area del centro di Roma che lo sguardo proemiale aveva panoramicamente abbracciato». 34 Della I e della IX elegia si è già detto: tuttavia non è soltanto la serie di carmi eziologici, ma

il

libro nel suo complesso, che dà l’impressione di organizzarsi

in

modo da riprodurre l’aspetto della città. Fatta eccezione per

l’XI elegia, il cui scenario è costituito dall’oltretomba, tutte

le altre sono funzionali all’illustrazione della città: assolvono

questo compito, nella II elegia la statua di Vertumno nel Foro (vv. 3-6), il Tevere col suo corso mutato (vv. 7-10) e il vicus Tuscus

31 Sulla riorganizzazione augustea dello spazio urbano e in particolare sui Compitalia cfr. Fraschetti (2005, 184–242).

32 Harrison (2005, 118-120); egli, inoltre, ha formulato l’ipotesi che Properzio si sia servito dell’aition della fondazione dell’Ara Massima per ricordare la fonda- zione recente dell’Ara Fortunae reducis.

33 Fantham (1997, 128. 131); (2009, 65).

34 Labate (2010, 158 n.1).

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(vv. 49–50); nella III, i sacella, i compita (v. 57), la porta Capena fra il Celio e l’Aventino (vv. 71-72); nella IV, il Tarpeium saxum

(v. 1), il piccolo tempio di Giove Feretrio (v. 2), il Campidoglio

(vv. 27 e 93–94) e il tempio di Giove Capitolino (v. 30), il Foro (vv. 11–12), la Curia (v. 13), lo spazio urbano e suburbano desti- nato alla celebrazione dei Parilia (vv. 73-78), il tempio di Vesta (vv. 17-18; 45-46); nella V, porta Collina (v. 11) e i sepolcreti del Campus Sceleratus; nella VI, il tempio di Apollo sul Palatino

(v.

11); nella VII, la Suburra (v. 15); nell’VIII, l’Esquilino e

le

fonti sulle sue pendici (v. 1), gli horti di Mecenate (v. 2), il

tempio di Diana sull’Aventino (v. 29), l’asylum (la depressione

fra il Campidoglio e la rocca capitolina, nel v. 30), la porticus

di Pompeo (v. 75), il Foro e i teatri (v. 77); nella X, il tempio di

Giove Feretrio sul Campidoglio.

È ben noto che la politica di Augusto sulla città, pur abbandonando la grandiosità dei progetti di Cesare, non volle rappresentare un momento di rottura nei confronti del suo programma. Dell’edilizia templare Augusto stesso nelle Res

gestae tenderà a mettere in luce gli interventi di risanamento e

di restauro che avevano caratterizzato gli inizi, sostanzialmente

conservativi, della sua attività (20.4 duo et octoginta templa deum in urbe consul sextum ex auctoritate senatus refeci, nullo praetermisso quod eo tempore ref ici debebat). 35

Alla scelta augustea della continuità piuttosto che della rottura fa riscontro un analogo atteggiamento del poeta ar- chitetto. Nel discorso di Properzio all’hospes nella prima parte dell’elegia incipitaria del IV libro, a prima vista si ha l’impressione che sia privilegiato il motivo del contrasto e che, per di più, esso si manifesti nei campi più diversi: il più evidente, quello

35 Sul progetto di Cesare, sulle resistenze del senato repubblicano e sul declino dei templi e dei luoghi di culto cfr. Zanker (1989, 24-9), Sommella – Migliorati (1991, 287-91); sulle fasi di passaggio dalla Roma cesariana a quella augustea cf. ora La Rocca (2014, 93-5).

30

AUGUSTAN POETRY

fra presente e passato, prende le mosse dall’invito all’hospes (vv. 1-4) perché s’immagini un solitario paesaggio di colli e di campi erbosi, là dove ora si erge imponente la Roma di Augusto,

e un luogo di pascolo per le sfinite giovenche di Evandro là dove

ora splendido s’innalza il tempio di Apollo sul Palatino.Tuttavia, come qui e nei confronti istituiti nel contesto successivo non c’è

condanna del lusso e degli splendori della Roma di Augusto, così non c’è neppure rifiuto del passato, non solo perché esso s’identifica con le origini della città, ma anche perché tutto è

considerato alla luce di una ininterrotta continuità fra la Roma

di un tempo e quella di Augusto.

Il senso della continuità – che anche nel programma politico Augusto aveva preferito alla rottura nei confronti del

passato, con la sua concezione dell’impero inteso come una pro- secuzione della repubblica – nell’elegia incipitaria si riflette nella raffigurazione del principe che innova nel solco della tradizione. Anche per questo motivo il confronto tra passato e presente viene sempre inteso come un fenomeno di crescita ed è questo

il principio che governa il IV libro delle elegie di Properzio.

Cornelia, protagonista dell’ultima elegia, col suo discorso di fronte al tribunale degli Inferi costituisce una realizzazione perfetta di una tale concezione della storia di Roma: da un lato Cornelia è orgogliosamente legata al suo passato familiare, che

s’identifica con la gloria degli Scipioni e con i momenti più significativi della storia di Roma; dall’altro, però, nelle parole rivolte ai figli mostra di concepire il rapporto col passato come un fenomeno di crescita, che può solo preludere a un futuro mi- gliore per la stessa Roma. Il poeta, per parte sua, lo aveva messo

in chiaro fin dall’inizio della prima elegia del IV libro, quando

nell’istituire il confronto tra i fictiles dei dei tempi antichi e gli aurea templa del presente augusteo (v. 5 fictilibus crevere deis haec aurea templa) si era servito proprio del verbo crescere, che tra il passato e il presente stabilisce un solido nesso e dà il senso di un presente che si alimenta del passato nell’intento di perfezionarlo

e di farne una cosa nuova.

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Con Ovidio, che pure è sensibile all’influsso del più anziano Properzio, muta radicalmente la funzione della città augustea nel libro di poesia d’amore. 36 Nell’Ars i luoghi della Roma augustea si limitano a costituire lo sfondo necessario per i precetti in materia amorosa del poeta: nel I libro, in

particolare, essi s’identificano con gli ambienti più adatti agli incontri, ai corteggiamenti, alle conquiste d’amore. In assenza

di celebrazioni sia dell’edilizia templare sia di quella pubblica,

paradossalmente la città augustea sembra concepita proprio per favorire il corteggiamento e gli approcci: in tal modo essa diviene parte attiva dell’opera di conquista amorosa.

Insieme al ruolo della città augustea ora muta, nel libro di poesia elegiaca d’amore, il modo stesso di concepire il rapporto col passato: il senso augusteo della continuità, che Properzio

aveva fatto suo, viene sostituito dall’aperta rottura col passato,

in nome di un atteggiamento dichiaratamente modernista, che

conduce a una decisa e convinta svalutazione di tutto ciò che al passato appartiene. 37 Il testo chiave per capire come il punto di vista di Ovidio sia antitetico a quello di Properzio è costituito

da Ars 3.113–128:

simplicitas rudis ante fuit; nunc aurea Roma est et domiti magnas possidet orbis opes. Aspice quae nunc sunt Capitolia quaeque fuerunt:

115

alterius dices illa fuisse Iovis. Curia consilio nunc est dignissima tanto, de stipula Tatio regna tenente fuit; quae nunc sub Phoebo ducibusque Palatia fulgent, quid nisi araturis pascua bubus erant? Prisca iuvent alios, ego me nunc denique natum gratulor: haec aetas moribus apta meis, non quia nunc terrae lentum subducitur aurum lectaque diverso litore concha venit,

120

36 Oltre al libro della Piastri (2004) resta fondamentale Labate (1984, 48-64.

81-85).

37 Buone osservazioni in Piastri (2004, 82).

32

AUGUSTAN POETRY

nec quia decrescunt effosso marmore montes, nec quia caeruleae mole fugantur aquae, sed quia cultus adest nec nostros mansit in annos rusticitas priscis illa superstes avis.

125

Lo schema è sempre quello della ‘passeggiata archeologica’; ma mentre in Virgilio e poi in Properzio i luoghi del passato

servivano a caratterizzare, ma senza svilirla, la rudis simplicitas dei tempi antichi, in Ovidio la Roma augustea non è aurea per

lo splendore dei suoi templi, ma perché possiede ricchezze im-

mense, frutto delle guerre di conquista (vv. 113-4). Assumono, allora, un senso diverso i luoghi e gli edifici che segnano la storia della città: anche qui, come in Properzio, compaiono il Campidoglio, la Curia, il tempio di Apollo sul Palatino; ma essi servono solo a fissare la distanza che inesorabilmente divide il passato dal presente, e del passato sanciscono l’indiscussa infe- riorità. A confronto di quello che era in passato, il Campidoglio augusteo sembra dedicato a un Giove diverso; la Curia, che ora accoglie nel modo più degno i senatori, al tempo di Tazio era fatta di paglia; il Palatino, che ora risplende per il tempio di Apollo, nella Roma delle origini era un pascolo per i buoi. Per parte sua il poeta non può che proclamare la propria felicità perché ha avuto la fortuna di nascere nel presente, caratterizzato dall’opulenza e dalla magnificenza.

Lo stesso schema resiste anche nei Fasti, benché l’immagine della Roma arcaica sia considerata alla luce della

grandezza futura: quando, però, si tratta d’instaurare un confron-

to

con gli splendori del presente augusteo, il passato è simbolo

di

una semplicità che sconfina nella rozzezza. Emblematica è

la

presentazione della Roma delle origini nel I libro, aperta da

un distico che contrappone alla povertà del passato le ricchezze

del presente (Fast. 1,197-198):

pluris opes nunc sunt quam prisci temporis annis, dum populus pauper, dum nova Roma fuit.

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33

Ovidio ha occhi solo per la Roma augustea: di essa esalta l’oro dei templi e lo splendore degli edifici, 38 e aureus è l’epiteto che assegna al Campidoglio (Fast. 6.73).

Tutto ciò appartiene al tempo felice della produzione ovidiana. Quando, però, il poeta cade in disgrazia e viene relegato nella solitudine remota di Tomi, nella poesia dell’esilio prendono a convivere due volti della Roma augustea, quello ufficiale e quello ideale, con l’inevitabile conseguenza della nostalgia della città perduta. Col trascorrere del tempo nel lontano luogo di relegazione l’immagine di Roma serve a dare concretezza e drammatico spessore al contrasto fra la vita della capitale e quella dell’inospitale Tomi, così diversa dalla pulcherrima Roma augustea (Pont. 1.2.81). Nonostante le suppliche, Ovidio sa bene in cuor suo che mai potrà fare ritorno a Roma per l’inflessibile decisione del principe. Sarà il libro, allora, a recarsi a Roma al posto suo

e a salutare i luoghi a lui più cari: il poeta lo aveva previsto

sin dall’esordio del I libro dei Tristia, 39 ma è solo nell’elegia proemiale del III che il libro giunge a Roma e, inatteso, si presenta ai lettori e li prega di accoglierlo con animo amico.

A loro chiede d’indicargli quella che dovrà essere la meta del suo percorso, e si capisce bene che sta pensando a una delle biblioteche pubbliche della città augustea: fra i lettori ovidiani, però, solo uno è disposto a mostrargli la strada e con lui il libro compie lo stesso cammino che nell’VIII dell’Eneide Enea aveva percorso con Evandro. Sarà il suo occasionale accompagnatore a indicargli i monumenti della città che cresce, lungo un percorso che ha inizio nei Fori di Cesare e di Augusto e si snoda lungo

la via Sacra sino al tempio di Vesta, dove un tempo sorgeva la

reggia di Numa, e poi, girando a destra per la porta Palatina,

38 Fast. 1.77–78 flamma nitore suo templorum verberat aurum / et tremulum summa spargit in aede iubar.

39 Trist. 1.1.1–16.

34

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sino al tempio di Giove Statore. Affascinato da tanti e tali mirabilia, il libro non riesce a trattenere lo stupore quando ai suoi occhi si presenta il palazzo di Augusto; 40 di lì, percorrendo un’alta gradinata, raggiunge il tempio di Apollo Palatino e, dopo aver ammirato il portico delle Danaidi, invano cerca di essere accolto nella biblioteca del tempio, prima, in quella situata in prossimità del teatro di Marcello, poi, infine in quella annessa all’atrium Libertatis. La città che ai tempi dell’Ars aveva aperto le vie, i teatri, i monumenti al maestro di avventure galanti, la città tanto celebrata nei suoi versi ora lo ripaga, ingrata, dapprima con l’indifferenza, poi con l’aperta ostilità nei confronti del suo libro. Al poeta elegiaco, rassegnato alla sua condizione di esule, resta solo la possibilità d’immaginarsi l’ormai perduta Roma di Augusto, e di riviverla nel ricordo.

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40 Trist. 3.1.35 Iovis haec, dixi, domus est?. Lo stupore sarà stato provocato dal pen- siero che lì abita il rappresentante di Giove in terra, piuttosto che dall’aspetto, almeno a quanto attesta Suet. Aug. 72.1 habitavit primo iuxta Romanum forum supra Scalas anularias, in domo quae Calvi oratoris fuerat: postea in Palatio, sed nihilo minus aedibus modicis Hortensianis, et neque laxitate neque cultu conspicuis, ut in quibus porticus breves essent Albanarum columnarum, et sine marmore ullo aut insigni pavimento conclavia.

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A rumour in Propertius*

Paulo Martins

Universidade de São Paulo

mixtaque cum ueris passim commenta uagantur milia rumourum confusaque uerba volutant 1

This paper investigates the relationship between historical reality and personae poeticae as fiction in Propertius 2.7. 2 Besides its poetic value, this elegy shows us precisely the border between reality and fiction in which Roman elegy is situated. On the one hand, we observe the personae poeticae as fictional constructions, and, on the other hand, we can glimpse referential aspects of the

* I would like to thank my students, Cecilia Gonçalves Lopes and Lya Valéria Grizzo Serignolli, the work with the originals and the corrections and suggestions of Jessica Anne Wasterhold.

1 Ov., Met. 12.54–55.

2 I use for this analysis Teubner’s edition, elaborated by Fedeli in 1984, and reviewed by him in his commentaries, in 2005, to Propertius’ second book, but not forgetting other editions (Giardina (2010), Goold (1990), Heyworth (2007b), Moya and Ruiz de Elvira (2001), Viarre (2005) and commentaries Butler (1905), Camps (1966), Richardson, Jr. (1977), Fedeli (2005), Heyworth (2007c) and Shackleton Bailey (1956).

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AUGUSTAN POETRY

Roman society of this period. Nevertheless, the personae may be impregnated with real characteristics as well, since we can neither deny the historical existence of Propertius, Maecenas and Augustus, nor that historical events may be nuanced by rumour, which can be considered as a rhetorical kind of proof.

Gavisa es[t] certe sublatam, Cynthia, legem, qua quondam edicta flemus uterque diu, ni nos diuideret: quamuis diducere amantis non queat inuitos Iuppiter ipse duos. ‘At magnus Caesar.’ sed magnus Caesar in armis:

-5

deuictae gentes nil in amore ualent. nam citius paterer caput hoc discedere collo, quam possem nuptae perdere more faces, aut ego transirem tua limina clausa maritus, respiciens udis prodita luminibus.

-10

a mea tum qualis caneret tibi tibia somnos, tibia funesta tristior illa tuba! unde mihi patriis natos praebere triumphis? nullus de nostro sanguine miles erit. quod si uera meae comitarem castra puellae, non mihi sat magnus Castoris iret equus. hinc etenim tantum meruit mea gloria nomen, gloria ad hibernos lata Borysthenidas. tu mihi sola places: placeam tibi, Cynthia, solus:

-15

hic erit et patrio nomine pluris amor.

-20

Four questions, beyond the textual surface of the elegy 2.7, arise: a) In what terms may the information – seemingly historical – about the annulment and the edition of a law, presented in a fictional text, give us concrete elements about this law? b) Up to what point may this text present an opinion – in favor or against – Augustus? c) What does, in the elegiac genre, this essentially referential information mean when we consider that this genre is essentially fictional? d) If this information has any historical value, may the roman elegy be considered a genre between reality and fiction?

A RUMOUR IN PROPERTIUS

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Even though Maria Wyke works essentially with the construction of the persona Cynthia, I believe she builds up a premise applied to referential aspects in the elegies that may be useful when it comes to the use of the revoked law (presented by Propertius as the poem’s motor force, according to Wyke): the poetic discourse, of which Cynthia is a part, is firmly informed by political, moral and literary discourses of the Augustan period. Thus, even if we deny Cynthia an extra-poetic existence, we cannot deny her relationship with the society. 3 I begin, then, with this: even if the law does not exist, it is unquestionable that its representation as a constituted law in a text (as part of the poetic discourse) is involved with political, moral and literary discourses of the period. I go beyond: it is not possible to deny its involvement with discourses, that is, rumours spread in that society as public opinion. 4 As Wyke shows Cynthia participates in a poetic language of love and, in this way, although she is not related to the poet’s actual love life, she is related to the grammar of this poetry. 5 It seems to me that all the referential elements translated in the elegiac poetical discourse are connected with this elegiac grammar that presupposes those rumours. In the republican and imperial Rome, rumour may be considered an institution, that is, it has a legal statute and is observed when justice is applied, since it is a kind of proof. We can find it in Seneca the Elder’s Controuersiae, in formulations

3 Wyke (1989, 27).

4 Bettini (2008, 351) presents an excellent relationship between the sense of verb fari and its gerund fandus and the idea of rumour, hearsay: We should recognize that in an oral culture such as Rome was, systems of belief and cultural repre- sentation are constructed primarily on the basis of verbal communication–in other words, hearsay. But “hearsay” is not simply gossip; rather, it is a source of knowledge for the formulation of shared rules. “Hearsay” defines what is fandus, that which is at the same time both “sayable” and “just.”

5 Wyke (1989, 35).

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like rumour erat de adulterio matris et procuratoris, 6 in which the death of a pater familias is discussed (two suspects are presented, the son and the attorney of the family, possibly the widow’s lover). More than simple exercises of declamation, the institutionalization of rumour as a kind of proof is presented by Quintilian in Institutio Oratoria, supported by Aristotle and Cicero.The orator stresses that, among the non-artificial proofs, rumour possesses the same credibility of previous judgements, evidences extracted from torture, documents, oaths and witnesses. So, if rumour is a kind of proof, we have to consider its power and its penetration among the Romans and even among the Greeks. 7 On the other hand,nowadays many have studied this trans- historical phenomenon – the rumour. It does not interest me, here, to review its treatment by Social Psychology or Sociology, but to stress some important characteristics of the phenomenon and how we can look at it in this poetic and political context. It is known that rumour exists if the subject has any importance to the person who listens to it and who spreads it. This is why rumour moves around in a given environment - besides, of course, all the interests that people have in transmitting it. 8 There are three kinds of rumour, which are divided into three

pairs: a 1 ) retrospective rumors focused upon the implications of past events; a 2 ) prospective or predictive rumors anticipating the future; b 1 ) rumors planted and systematically transmitted to serve the ends of special group; b 2 ) spontaneous; c 1 ) rumors which represent extreme flights of imaginative

fantasy; c 2 ) rational. Facing so many possibilities, I do not aim to classify or establish a taxonomy to rumour, but to understand that it serves the collectivity (whose voice represents common sense or a belief).That is, rumour as a discourse has no author or source;

6 Sen. Contr. 7.5. pr.

7 Quint., Inst. 5.1.2; 5.9.1. Cic., Inu. 2.46; De Or. 2.27.116; Arist., Rhet. 1418a.

8 Allport; Postman (1946–7, 503 – 4).

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for, rumour transmits temporary and floating attitudes or, beliefs that people form in order to interpret new emerging situations. 9 More recently rumour was defined by Rosnow; Kimmel 10 as a proposition, not verified, of a belief that has relevance to people actively involved in its dissemination. So, rumours are supposedly factual, but lack authenticity and confirmation.This way we may see the difference between rumour and news (the last one being verified and confirmed). Rumour shares, with gossip, the aspect of not being proved – although they differ in importance and relevance--rumours are related to topics which are noteworthy to a group, while gossip is chitchat. 11 Taking this into consideration, we are led to think that rumor or rumores are, sometimes, to the History produced by the Romans and may show up in Livy, Tacitus or Suetonius (no matter how different they may be). Vitruvius, on the other hand, discussing a monumentum, a source of water, refers to a rumour about it: is autem falsa opinione putatur uenerio morbo

inplicare eos, qui ex eo biberint. sed haec opinio quare per orbem terrae

( 12 I do not consider it important

whether this spring source passed any venereal disease. The falsus rumour interests me. If there is a falsus rumour, there is also a uerus rumour. Rumour is “hearsay,” which may be truth or deception. Horace, in Sat. 2.6.50-60, talking about his friendship with Maecenas, shows us how useful he was to the general, his friend, answering his nugae during his trips. Such nearness would have caused envy among people in Rome. Once, when they met him in Campus Martius, they asked him questions of a sort which could be answered by anyone who was close to the source/event (?):

falso rumore sit peruagata

9 Peterson; Gist (1951, 159).

10 Rosnow; Kimmel (2000, 122).

11 Bordia; DiFonzo (2004, 33).

12 Vitr. 2.8.12.

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‘fortunae filius’ omnes. frigidus a rostris manat per compita rumor:

quicumque obuius est, me consulit: ‘o bone – nam te scire, deos quoniam propius contingis oportet –, numquid de Dacis audisti?’ ‘nil equidem.’ ‘ut tu semper eris derisor.’ ‘at omnes di exagitent me, si quicquam.’ ‘quid? militibus promissa Triquetra praedia Caesar an est Itala tellure daturus?’ iurantem me scire nihil mirantur ut unum scilicet egregii mortalem altique silenti. 13

In this passage of the Satires, it is easily observed that rumour is used as information, but it needs reliable confirmation-- it is not a trustworthy source by itself. In this situation, Horace’s acquaintances, knowing how close he was to Maecenas, ask him to guarantee the information which came out of rumour. That is, rumour may be untrue, true, or lack confirmation. It is worth noticing that what Nisbet tells us:

An ancient reader would understand the urban environment, and sympathise with the concern of the crowd. When public life is conducted in the open air, ‘a chill rumour’ in Horace’s phrase ‘seeps from street-corner to street-corner’ (Satires 2.6.50 frigidus a rostris manat per compita rumor). If trouble came in the middle of the night, a public-spirited or curious citizen went outside to see what was happening, as when Propertius had a row with Cynthia (4.8.2). In the alleys of an old city a crowd soon built up, and Cicero needs only a few words to communicate a sense of crisis. It is unlikely that he had precise evidence for the details, but most readers would be content with an account that seemed plausible in the situation. Much ancient oratory, and history, is neither obviously true nor obviously false, but a reasonable guess at the sort of thing that might well have happened. 14

13 Hor., Serm. 2.6 49-58.

14 Nisbet (1992, 8).

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Nisbet’s last statement (Much ancient oratory, and history, is neither obviously true nor obviously false, but a reasonable guess at the sort of things that might well have happened) seems to me essential for understanding rumour among the Romans and understanding how this social phenomenon passes through various genres (in this case, the epistolary genre). I believe that rumour is crucial in the construction of the verisimilitude in Roman literature, even if such representation may distort historical reality.Livy,when talking about Scipio’s disease,admits that rumours may aid the anticipation of actual outcomes - as a sort of trial balloon:

Scipio ipse graui morbo implicitus, grauiore tamen fama cum ad id quisque quod audierat insita hominibus libidine alendi de industria rumores adiceret aliquid, prouinciam omnem ac maxime longinqua eius turbauit; apparuitque quantam excitatura molem uera fuisset clades cum uanus rumor tantas procellas exciuisset. non socii in fide, non exercitus in officio mansit. 15

Another point that this passage reveals is the proximity between rumour and fama. It is common to associate fame with something true, consolidated by public opinion. But in the Roman World fama may be based on information without any evidence – thus, it is unbelievable. OLD’s second definition of fama puts it near hearsay, rumour, gossip – that is, we have the same problem: we do not identify a trustworthy source. Another detail that may help us see the difference between them is that rumour is the result of rumination – linked to the sound animals make when masticate (there is, then, a distinction between rumour and fama). While fama is the product of a powerful voice that replaces others by the presence of a second speaker – which

15 Liv. 28.24.

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may be society or a group -, rumour may seem the product of a slow process of accumulation from one person to another. 16 There is a passage in Julius Caesar about the proliferation and the effects of rumours: Haec Afranius Petreiusque et eorum amici pleniora etiam atque uberiora Romam ad suos perscribebant. multa rumores adfingebant, ut paene bellum confectum videretur. 17 Here, the rumour that is spread is false and produces a uisio, for multa rumoures adfingebant. This same uisio, then, is associated with political communication in the city of Rome, according to Laurence, the results of the elections and the assemblies seem to have been dependent on the political knowledge and on the behavior of the Roman citizens informed by rumours spread by word-of-mouth.Then: In this chain communication the process was not lineal. Each time the information was conveyed to another person that person interpreted and speculated about what the information meant, prior to communicating with another person. 18 The addressees would delete what was not important and would emphasize what they believed was important, adding more information than they possessed. The term rumour among the elegists is very relevant, especially in Propertius and in Ovid, 19 and to a lesser extent in Tibullus too. 20 In Propertius 1.5, for example, the “ego”, addressing himself to Gallus – and this is very meaningful, for the persona poetica Galo may be identified with the elegiac poet – warns Cynthia that any track (uestigia) of her infidelity will become rumour: quod si parua tuae dederis uestigia culpae,/ quam cito de tanto nomine rumor eris!, 21 and still reaffirms that,

16 Bettini (2008, 361).

17 Caes., Ciu. 1. 53.

18 Laurence (1994, 63).

19 Prop. 1.5.26; 1.13.13; 2.18D.38; 2.32.24; 4.4.47 e 4.5.7. Ov., Ep. 16.141; Fast. 3.543; 4. 307; 6. 527; Trist. 3.12.43; Pont. 2.1.49; 3. 1. 82; 3.4.59; 4.4.19.

20 Tib. 3.20.1 e 3.20.4.

21 Prop. 1.5.25-26.

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in such a circumstance, he will only be able to offer a shoulder for her to cry on. This situation shows how strong rumour could be, especially if we think about the place where it is born nequitia--, an element that frames those elegiac actions. In Propertius 1.13, the “ego”, before the same person, Gallus – says he is an expert in matters of love and that this knowledge has not come from bad rumour, nor from any omen. He says his knowledge comes from seeing, and he asks Gallus whether he has a witness that may refute him: haec ego non rumore malo, non augure doctus;/ uidi ego: me quaeso teste negare potes? . 22 Here we find some shading of rumour--there may be a malus rumour (but there may also be a bonus rumour). Malus rumour is parallel, in fides, to the omen whose frailty is derived from the lack of evidence (which is proved by line 14, with its uidi ego, that is, the “ego” is the eyewitness of the events). This construction of the verdict ascribed to the “ego” seems to me to be essential in elegiac discourse; for, it effects truth (whose association with the nomen Propertius contributes to verisimilitude, which confused the critics so much). For decades, scholars treated this law that is announced in Propertius 2.7 as historical data, that is, as a poetic element, which would reflect the specific reality of a biographical truth of the elegiac personae. So, as Propertius is a historical fact in the poems, Cynthia is a pseudonym for Hostia 23 (following Apuleius, Apol. 10). By this approach the revoked law in 2.7 would be social, institutional and legal data, which would frame

22 Prop. 1.13.13-14.

23 Wyke (1989, 35): “The Propertian elegiac narrative does not, then, celebrate a Hostia, but creates a fictive female whose minimally defined status as mis- tress, physical characteristics, and name are determined by the grammar of erotic discourse in which she appears. The employment of terms like “pseudonym” in modern critical discourse overlocks the positive act of creation involved in the depiction of elegy’s mistresses. Therefore, when reading Augustan elegy, it seems most appropriate to talk not of pseudonyms and poeticized girlfriends but of poetic or elegiac woman.”

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those non-fictional characters. The anti-biographical criticism of Allen, 24 Veyne 25 and Wyke 26 , - to which I subscribe 27 -, rejects this hypothesis– or, at least, minimized. If we do not take the law as concrete and real, this elegy becomes fiction in totum. However, I believe this anti-biographical interpretation may be too extreme – converting the hypothetical law into a synthesis of events and/or concrete aspirations of the historical moment which reverberates in the elegiac discourse as verisimilitude in the poetic grammar, a rumour, so to speak.

For example, Gordon Williams 28 assumes a reckless posi- tion, in my point of view, when he understands that Propertius is a historical source for this law which would have been approved (edicta) and revoked (sublata). On the one hand, it presupposes the existence of the subject affected by a positive legal docu- ment whose credibility is unquestionable and, on the other, it disregards the generic expression of the literary text. Thus, the lack of evidence about the law in historical sources argues against the adamant position of Williams: The fact seems gene- rally to have been suppressed and is missing in the main historical sources. 29 It seems obvious to me that the fact that there are not any references about this law strengthens the possibility that it has never existed formally. However, it is not safe to assume that the discussion about the appropriateness and relevance of this law in the period is unreasonable, since it is widely known that there was an intention of restoration of the Republic’s moral standards during the Augustan Principate, 30 which will

24 Allen (1950).

25 Veyne (1983).

26 Wyke (2002).

27 Martins (2009); (2015a); (2015b).

28 Ver Goddard (1923, 153-6).

29 Williams (1962, 28).

30 Bowditch (2009, 403).

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publish in 18 and 17 BC, 31 the Lex Iulia Maritandis Ordinibus and Lex Iulia Adulteriis Coercendis, respectively, and in 9 AD, Lex Papia Poppaea, laws. 32 For, in the years preceding these laws, the intention of moral reform, along with other effective political actions of Octavius, may not constitute historical acts, but did bolster the program of moralization of Rome. As for these laws specifically, we have concrete information in Justinianus’ Digesta 23.2: De ritu nuptiarum, and 38.11: Vnde Vir et Vxor, and in the Isidorus’ Origins. 33 Their stories are not sufficiently clarified yet. Del Castillo, besides defending, for example, the existence of the 28 BC law, draws a hypothesis that it would be more extensive in marriage bans than the one from 18 BC, so that in addition to prohibiting marriage between free men and courtesans or actresses and between senators and freed women, it extended the latter to equites.

More recently, and this may be significant, some scholars continue taking as reasonable the thesis that Propertius is a historical source and, therefore, the proposition that elegy 2.7 is the only source that has survived, despite severe criticism of this thesis produced from the 1950’s on. Syndikus has already warned us in this regard:

there was also one that was intended to revive

the morality in marriage and family relations customary in Ancient Rome. When this law caused resentment in the totally changed society he withdrew the law, without, however, abandoning his intention forever. 34

Octavian (

)

31 Cohen (1990, 124).

32 See Frier; McGinn (2004, 34-9).

33 Isid. Orig. 5.15.1.

34 Sindikus, 2006, 260.

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The acceptance of the elegy as a document is grounded,

according to him, in the fragile argument of his opponents: 35 “the

arguments (

I find it clear that it is precisely this scholar who does not

present more convincing arguments. Based on Williams, Wallace - Hadrill said that the issue of laws that encouraged procreation and ensured military power is explicitly clear in the Augustan poets and, accordingly, presents as an illustration of this argument this elegy of Propertius and Horace’s Ode 3.6. However, he does not relativize the historical use of this poetic source, as we should expect from the historian. 36

Del Castillo also supports the hypothesis of the existence of the 28 BC law, based on an argument formulated from Dio Cassius, 37 who, accustomed to the imperial constitutions, would report as if the emperor legislated for himself. He, therefore, makes reference to this Augustan legal project without specifying

it more clearly. He says only that Augustus had given orders that

provincial governors be elected by groups, except those who had had some privilege as a result of marriage and descendants. 38 The difficulty in finding a truth between historical and literary sources is further complicated by legal sources, making it an

increasingly difficult discussion. 39 Badian, 40 when dealing with this law as a phantom law of marriage, finds Gordon Williams and others’ arguments for the existence of a law in 28, citing a passage in Tacitus, Annals 3.25, persuasive: Historically, serious discussion seems to have come from the direction of Tacitus and only gradually moved to

)

would have to be more convincing.”Interestingly,

35 Kienast (1982, 137 ss.) e Beck (2000, 303-24).

36 Wallace-Hadrill (2009, 251).

37 DC 53.13.2.

38 Del Castillo (2005, 180).

39 Raditsa (1980, 280).

40 Badian (1985, 82).

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Propertius. According to the author of the Annals, Rome sees, in these first three years after Actium, the enactment of a series of moralizing laws:

Relatum dein de moderanda Papia Poppaea, quam senior Augustus post Iulias rogationes incitandis caelibum poenis et augendo aerario sanxerat. nec ideo coniugia et educationes liberum frequentabantur praeualida orbitate:

ceterum multitudo periclitantium gliscebat, cum omnis domus delatorum interpretationibus subuerteretur, utque antehac flagitiis ita tunc legibus laborabatur. ea res admonet ut de principiis iuris et quibus modis ad hanc multitudinem infinitam ac uarietatem legum peruentum sit altius disseram. 41

Tacitus continues forward:

sexto demum consulate Caesar Augustus, potentiae securus, quae triumuiratu iusserat aboleuit deditque iura quis pace et principe uteremur. acriora ex eo uincla, inditi custodes et lege Papia Poppaea praemiis inducti ut, si a priuilegiis parentum cessaretur, uelut parens omnium populus uacantia teneret. 42

The first passage in Tacitus points to a series of actions that Octavius would have performed after their triumvirate. However, at the end of his government they had not had the desired effects, so Octavius revoked and created certain laws that would afterwards need reforms, including those that regulated celibacy and encouraged procreation. In the second passage, such actions have their historical period, since they continue into the sixth consulate. This would, therefore, be a period of reformulation of customs and the creation of laws and taxes that would have restored the moral standards of the Republic, having had the effect needed at the time, while opening the way

41 Tac., Ann. 3.25.

42 Tac., Ann. 3.28.

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for the laws of 18 and 17 BC and 9 AD. About this historical moment, Suetonius, in turn, approves:

Leges retractauit et quasdam ex integro sanxit, ut sumptuariam et de adulteriis et de pudicitia, de ambitu, de maritandis ordinibus. hanc cum aliquanto seuerius quam ceteras emendasset, prae tumultu recusantium perferre non potuit nisi adempta demum lenitaue parte poenarum et uacatione trienni data auctisque praemiis. 43

In this passage he leads the discussion of reforms to its reception, and therefore, to its impact. Fundamentally, the idea contained in the expression prae tumultu recusantium points to it. That is, certain reforms carried to term in the sixth consulate had to be revised almost immediately and, among them, the laws of marriage, celibacy and procreation.This same expression seems to me to be linked with the idea of rumour, since the biographer does not specify clearly what kind of uprising, riots or disorder they are and who effectively rejected the measures. This inaccuracy, in my view, supports the idea that Octavius’ actions, not just a law, may have contributed to a rumour in Rome.

In the preface of Ab urbe condita, Livy, when making a referenceto the moral circumstances of the Republic, sums up the period:

ad illa mihi pro se quisque acriter intendat animum, quae uita, qui mores fuerint, per quos uiros quibusque artibus domi militiaeque et partum et auctum imperium sit; labente deinde paulatim disciplina uelut desidentes primo mores sequatur animo, deinde ut magis magisque lapsi sint, tum ire coeperint praecipites, donec ad haec tempora quibus nec uitia nostra nec remedia pati possumus peruentum est . 44

43 Suet., Aug. 34.

44 Liv. 1 pr. 9-10.

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There is, in the sentence donec ad haec tempora quibus nec uitia nostra nec remedies pati possumus peruentum est, an interesting assessment of the late Republic and early Empire, since it reveals the general circumstances and the moral issues which concerned the social actors of the momentin Rome. It must be remembered that the first five books of Livy were published between 27-25 BC, so the preface may be dated approximately to these years. Collares, commenting on Livy ‘s preface, says: “the term remedia appears as a representation of a specific context, suggesting, as has envisaged Petersen (1961, 440), a veiled criticism to the set of reforms articulated by Octavius, especially those proposed in the year 28 BC concerning the moral precepts of marriage.45 Curiously, although Livy is composing History and Propertius Elegy, both of them refer to the moral reforms with reservations, despite the fact that both had access to power. Livy identifies two opposing ideas --vices and cures for them--, noting that the Roman people can endure neither. Propertius, in his turn, is happy with the uitia and saddened by its end, the remedia. The fact is that, even if they disagree about the vices, both disapprove of the measures meant to solve them. Yet, for both authors, as in Suetonius, the reference to reforms are veiled, not explicit, ensuring once again some place to rumour. Another historical source often alluded to, and which can be taken as an argument in favor of the existence of this 28 BC law, is an aureus coined in the same year, the sixth consulship of Octavius. The artifact refers to the princeps’ restoration of a law and a right, but we do not know which law it is and which law was restored in this specific case. We have to consider the changes in the political system, since we are in a time of transition--the end of the triumvirate and the beginning of the Principate (princeps senatus). New rights ask for new laws.

45 Collares (2010, 119-20).

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52 AUGUSTAN POETRY Th e reverse of this aureus (coined in the province of Asia) is

The reverse of this aureus (coined in the province of Asia) is significant, since it shows us Octavius in his toga and sitting at a curialis sella - the official seat of the higher judiciary, the consulate - holding a uolumen of laws enacted by him, which is confirmed by the legend LEGES ET IVRA P[OPVLO] R[OMANO] RESTITVIT (‘He has restored to the People of Rome their laws and their rights’). The obverse of the coin features a typical legend, that is, IMP[ERATOR] CAESAR DIVI F[ILIUS] (Emperor Caesar son of the divine), and the date of the coin, i.e., VI COS - sixth consulate. 46 Richardson proposes a general thesis, and therefore not specific, to the context of this currency when he argues that the coin refers to a return to the old ways, marked by a series of actions – symbolic ones, in my point of view. 47 The return to normal laws and the restitution of people’s rights in general (and not by a specific law of adultery) are presented to the people in a monetary form, in the formal register of legal jargon, so that purely bureaucratic and informal events that would mark the end of a regime receive a high, official tone. In a way, therefore,

46 See Rich; Williams (1999, 169-213); Martins (2011, 139-50). Hor., Carm. 4.15.

47 Richardson (2012, 85).

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we may link this information to rumours, especially because the currency has a provincial coinage. When reading the term iura, any Roman would understand the set of rights, duties, powers, and obligations, that were related to him according to his place in the civic community, 48 the life in society returned to normal, and then his group would have again their rights guaranteed. This same use of a currency can be seen a few years earlier, when Octavius issues a series of coins with the image of a comet that was associated with deified Julius Caesar. 49 So, in this case, a planted rumour (b 1 ) became propaganda. Badian, although asserting that sublata lex refers to an obsolete tax measure, and not to a “law,” as the poem suggests, concludes that, based on historiographical information, we may not say anything about the content of this legal document. In particular, it is not possible to state how the taxes were assessed for celibacy or on the absence of children. We do not know how the uxorium aes worked. Could any censor take it, whenever he wanted? Then, he adds: “Propertius’ whole elaboration in that sense is mere poetic treatment: Dichtung and not Wahrheit”. Thus, we should not expect: “an unreasonable amount of reality in poetry”. After all, he continues:

critics and historians have perhaps been guilty of doing just this: to deduce the nature and purpose of the law alluded to from its treatment by the poet is not sound method either literary or historical interpretation. 50 .

Finally, Galinsky, when dealing with the laws of 18 and 17 BC and AD 9, said this was a gradual process in order that they be approved, as they were approved after some stages (including the years 28 and 27, which were important). He continues to present his position on Propertius 2.7: “Whether there was in

48 See Cizek (1990, 52-3).

49 See Gurval (1997) e Pandey (2013).

50 Badian (1985, 97-8).

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fact such a law has been a matter of heated controversy (Badian vs. Williams). There are no references to it in other writers (…). This indicates that such matters were certainly on his mind from early on. 51 Interpretation of poetic references as historical ones, in fact, can generate a double mistake: the poetic analysis is restricted, or rather, subordinated, limiting the universal, to paraphrase Aristotle in the Poetics, 52 to what it was - as the historical event loses its authority when it draws upon a genre that deals with what could be. Another biographical fact that is discussed in this elegy, is the nominal reference to Octavius in vv . 5-6 and the value judgment that the elegy may be making. As we have seen, there are a few immediate implications made by the text; however, two issues must be observed more carefully, not necessarily in this order: the direct speech that opens the couplet; and the existence or not of historical critics to Octavius through the kind of analytic treatment that should be given to a poetic -historical persona as Octavius which may be inferred from a poem. The question of direct speech at magnus Caesar, despite having been sidelined by Butler, Camps, Goold, Moya y Ruiz Elvira, was discussed by Fedeli and Richardson, Jr. The latter states: “the implication that Caesar sets out to outdo Jupiter in these matters is light and deft. The speaker is still the poet; he is simply quoting a catch phrase that lent itself to quotation with either admiration or irony.” 53 In this case, it is interesting to associate this direct speech to the concept of rumour that I mentioned before. Whether the statement can be read as an ironic or admiring quotation, in both cases, it may just be a rumour, reflecting current political opinion. In turn, Fedeli says:

Properzio prevede una facile obiezione da parte di un interlocutore

51 Galinsky (1996, 131).

52 Arist, Poet. 1451a to 1452a.

53 Richardson, Jr (2006, 231)

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fittizio (non certo da parte de Cinzia, che mal ci s’immagina

54 The same

impegnata in una discussione sui massimi sistemi)

argument can be associated with Fedeli´s statement, introducing a fictional character to this party, which does not preclude, of

course, the character of rumour.

Boucher, in turn, reaffirms the biographical-referential interpretation of Roman elegy: “mais il reste un point où Properce s’est opposé au prince de façon visible et indiscutable; celui de la reform des moeurs. Pour rester l’ amant of Cynthie refuse il le mariage et la paternité, il refuse to donner des soldats à sa patrie.” 55 Stahl also

has a contrary position: “this (

‘ stand (as expressed in 2.7) against authoritarian interference with

his personal and poetic sphere to the pro-Augustan position”. 56 Both Stahl ‘s and Boucher’s views endorse biographical readings, support the invariance of types or genres of discourse, poetry or prose, undermine the detail of specific textualities of poetic discourse, giving it possibilities that were not foreseen and removing from it its fictional character. Gale notes that there are a variety of interpretations of 2.7 --both pro- and anti-Augustan. 57 Thus, pro-Augustan readings, as Cairns’ (2007), and anti-Augustan, as Lyne’s (1980) and Stahl’s (1985), are controversial. Gale finds attractiveness and weaknesses in both, for example, arguing that this poem shares general and strategic errors in the treatment of militia amoris.The poet, according to her, is neither in favor nor against Augustus, for he is interested in presenting ambivalence to the reader. We are asked to decide which parts are sincere:

) does not (yet) change Propertius

The literary and political (or ideological) levels of meaning are not separable, and we should not simply

54 Fedeli (2005, 228).

55 Boucher (1980, 135).

56 Stahl (1985, 162).

57 Gale (1997, 78-9).

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dismiss Propertius’ use of the militia amoris, and his anti-establishment stance more generally, as literary conventions. On the other hand, the very overt ‘literariness’ of elegy opens up levels of irony which make it impossible (or at least inadequate) to regard the poet as offering us a straightforward ideological program or political message. 58

Dealing with the general issue involving the relationship between writers and the princeps, Heyworth contributes much when pointing to an argument about the Ovidian text and its modern reception. He says that, while an ancient poet could not have total control over the reception of his texts, it does not mean that he has written it without any specific intention. He also informs us that, in his attempt to rebuild the sense of several poems by Propertius, he assumes that they were originally written by a single individual, whose character and attitudes had a consistency and unity similar to what we expe- rience within ourselves, either through personal knowledge or by other means. His poetry expresses a façade and an identity with a name, Propertius. The attitudes of this persona are soon established initially, leading us to interpret whatever he wrote from the perspective of an elegiac lover. 59 A possible relationship between the princeps, the elegiac poet and the Leges Iuliae is presented by Della Corte. First, it is shown that the main feature of these laws is to treat celibacy, that is, the singleness of Roman citizens. It states that if the single man did not marry because of a desire for chastity, there would be nothing wrong. However, many of them did so in order to have a concubine per sfogare così la propria immonda libidine, hindering the country’s ability to survive in the future. In this sense, the laws of moral austerity, before worrying about morality, were founded on population growth. Hence, one of its precepts was to reduce the marriageable age of puellae. Augustus

58 Gale, 1997, 91).

59 Heyworth (2007a, 94-5).

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was actually worried as pochi intendessero sposarsi and pochissimi volessero mettere figli al mondo. 60 It is precisely these men, or at least the image of these young people to which the elegiac lover refers and, hence, by similarity, to the elegiac poet himself. It is around these elements that Della Corte mistakenly proposes that the Roman elegiac poets refused the cursus honorum and the subsequent military involvement and declared themselves pacifists.They also endured infamy while continuing to live next to their own dona or puella. The fact that Gale’s statement somehow considers the position of Cairns does not make it less reasonable; however, her second position is closer to mine. For, I start from the premise that we must reject the tacit assumption underlying many inter- pretations-- that Propertius’ poemsare equivalent to, or at least can be equated with confessional statements, with a journal, or even with a communicative practice of single recipient - there- fore, absolutely personal and real. Rather, the elegy is directed to a wider audience than their nominal recipients - all very well constructed - and it is necessary for the poet to adopt and adapt its elegiac persona to the appropriate set of elegiac conventions, assuming specific res and uerba. It is precisely in this sense that Cairns proposes a a constructed persona, adapted to the precon- ditions of his own speech. 61 This persona, completely built from the first book, maintains a clear relationship with Augustus. If there is an explicitly ethical construction around the elegiac self, despite the nominal identification, and, therefore,

60 Della Corte (1982, 540-2).

61 Cairns (2006, 322): his solution was to depict himself as an unhappy lover of an ‘antisocial’ cast, disliking war, reluctant to marry, and generally shirking civic obligations. Johnson (2014, 43): The Propertian lover is not a husband and not a father, nor is he cursed with that patriarchal temper, so revered in the past, one of whose chief obligations is to keep control of one’s women (wives, daughters, concubines). Rather, he is – or pretends to be – not the master of his mistress but her slave, and that voluntary (and unreal) slavery allows him to claim that he has liberated himself from the stern voices of the implacable fathers.

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historical construction, one has to understand Propertius as a hybrid and liminal figure, whose way of being simultaneously embraces two different worlds: the rumour and the reality, without either one moving away from the verisimilar at any time. It seems to me that the other equally historical figures, which are targets of the elegiac texts, such as Gallus, Ponticus, Maecenas, Caesar, or Tullus, undergo the same process of composition. So, the essentially poetic mechanism, in this sense, takes advantage of the given framework, i.e., the historical nomen, and applies to it elegiac colors and flavors - be they lyrical, satirical, epistolary, epic, etc. Even though Maecenas and Augustus are present in the elegy as historical characters, or historically guided, their êthe present themselves as contaminated, so to speak, by generic fictionality of the elegy itself and this fictionality is recognized by the audience, at least since Catullus. Octavius, being part of that cultured and literate reception, recognizes «his elegiac role,» and is aware of the general dimension of this kind of poetry. He realizes the distinction between the princeps who proposes to carry out the moral reforms in the future (after Actium) and the rebellious young lovers accustomed to the elegiac demi- monde, who opposed the reform and participated in the rumores surrounding the moralization of Rome. The politicization of the elegiac poets as pro-Augustan or anti-Augustan, therefore, is a mistake because, I believe, the presence of historical facts and characters does not endorse this genre as concrete and real testimony.The most we can ask of this genre as a source of concrete evidence is to treat them as rumores, that is, conjectural evidence as presented in the Rhetorica ad Herenium 62 and referenced, for example, in practical perspective by Cicero in Pro Caelio. 63 . Soon, any opinions proposed in elegies in relation to an Augustan policy should not refer poetic ego

62 Her. 2.11.

63 See Dufallo (2000, 121) and Fear (2005, 14-7).

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utterance as for or against someone. But this selection must be made by text reception, reaffirming what Monica Gale said, as we have seen. Thus answering the questions that I proposed, we understand that referential information of historical events presented in this elegy should be approached carefully and with attention, as they are not supported by positive historical sources. Such an idea may only be considered as something credibly founded in rumour which, as we have seen, can be of service to a dominant group (b 1 ), or, otherwise, occur spontaneously as explanation of public opinion or latent opinion (b 2 ). In the specific case of the law presented as a motivator of happy and unhappy conditions of the poeticae personae, Cynthia and Propertius, even if it is clear that, in Octavius’s political objectives after 31 BC., there is a intention of restoring Republican moral values, it is certain that there are also not any record of laws that condemn adultery and, at the same time, encourage procreation, such as the Julian laws of 17 and 18 BC, or even the Papia Poppea of 9 AD, with the exception of\ a coin which prevents us from confirming any data regarding these laws or rights stated in the legend Leges et Iura restituit. So, when using elegiac poetry as a historical source, we may understand that disagreement over Octavius’s project of moralization does not enjoy unanimous support among citizens, while Elegy represents a credible opposition in the form of the elegiac personae in Rome. It also reveals a potential public opinion about Augustan moral policies in the years that follow Actium. The second aspect to which supposedly we have access in the elegy would be Propertius’ anti-Augustan position – when he proposes two peremptory statements: a) The denial of a supreme power to Caesar, saying that he has no power over love and b) The recusatio of children to add to the legions of Rome. Although consider Octavius an unquestionable historical

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figure and not merely a poetic character, the genre makes certain demands. For example, the Persona Octavius must, because of the genre, favor the expansion of the empire, while Propertius and Cynthia should be against the actions that separate the lovers under the government. This opposition does not reflect, therefore, Propertius’ actual opposition regarding Octavius, but

it is a scenario necessary to the elegiac genre. We must also remember that recusatio was more than

a simple assumption of callimachean style. It was part of the

social theater of Rome in the period. The social actors are, therefore, willing to produce their recusationes, even if under

the power of the princeps. Augustus himself, well exemplified by Freudenburg, was fruitful in recusationes - imperii recusatio

- that could safely be read along with the recusationes by poets

of literary circles close to him. The proposition undermines Propertius’s anti-augustan position, since it was a procedure widely used by Augustus. In this sense, Octavius is fully aware of the poetic conventions inherent to the genre. The third issue to be taken up, in conclusion, is the role of most poetry, including Roman erotic elegy, as a reflection of historical and cultural circumstances. We must always keep in mind that poetry is not the genre that serves historical record -- other genres have been formulated for this purpose. This seems to have been surpassed at least since Aristotle’s Poetics, as we have seen. However, it is undeniable that ancient poetry is full of social and cultural characteristics suited to an ideal reader’s opinions and lifestyle. This ideal reader acts as enunciator, receiver and its first translator, so to speak/in a sense. It is this necessary and privileged interpreter, whom the elegy of Propertius, therefore, addresses in the voice ofthe a type of man who is fully immersed in the present state of affairs. That is, his lifestyle is reflected by the elegiac lover and, accordingly, any measures that may oppose his modus uiuendi will be resisted (?).

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Propertius 2.7 represents this particular vision, not as accurate historical record of an event, but as a believable perspective that may be important for us to understand.Treating Propertius 2.7 as a particular way of seeing the world allows us to study the Roman world not as a monolithic block, but as a sum of characteristics including loving untruths that run into everyday truths, producing a border genre.

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