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U N I V E R S I DA D E

CANDIDO MENDES

CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA


PORTARIA Nº 1.282 DO DIA 26/10/2010

MATERIAL DIDÁTICO

SANEAMENTO II – TRATAMENTO E
MANEJO DE ESGOTOS

Impressão
e
Editoração

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SUMÁRIO

UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO ................................................................................. 03

UNIDADE 2 – ESGOTOS OU ÁGUAS RESIDUAIS ............................................... 06

UNIDADE 3 – LODO DE ESGOTO ........................................................................ 10

UNIDADE 4 – COLETA E TRATAMENTO DE ESGOTOS .................................... 15


4.1 Rede coletora .................................................................................................... 15
4.2 Processos e etapas do tratamento de esgoto ................................................... 17
4.3 Etapas de tratamento do lodo ........................................................................... 23

UNIDADE 5 – HIGIENIZAÇÃO DE LODOS ........................................................... 31


5.1 O que é e para que serve .................................................................................. 31
5.2 Mecanismos de higienização ............................................................................ 32
5.3 Processos de higienização ................................................................................ 35

UNIDADE 6 – CONTAMINANTES E CONTAMINAÇÃO ....................................... 38


6.1 Principais contaminantes do lodo ...................................................................... 38
6.2 Agentes patogênicos encontrados no esgoto.................................................... 39
6.3 Contaminação de corpos de água por nutrientes do esgoto ............................. 40

UNIDADE 7 – REUSO DE ÁGUA DE ESGOTOS .................................................. 50


7.1 Na agricultura .................................................................................................... 50
7.2 Em hidroponia ................................................................................................... 54
7.3 Na piscicultura ................................................................................................... 60

UNIDADE 8 – FOSSAS E TANQUES .................................................................... 63


8.1 Classificação dos tipos de sistemas .................................................................. 64

REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 71

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UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO

Tão importante quanto o tratamento dado à água para que chegue livre de
microrganismos até o consumidor final, é o tratamento de esgotos e as
possibilidades de usá-lo na agricultura, na piscicultura, na hidroponia.

Relembremos que saneamento é o conjunto de medidas, visando a


preservar ou modificar as condições do meio ambiente com a finalidade de prevenir
doenças e promover a saúde. Saneamento básico se restringe ao abastecimento de
água e disposição de esgotos, mas há quem inclua o lixo nesta categoria. Outras
atividades de saneamento são: controle de animais e insetos, saneamento de
alimentos, escolas, locais de trabalho e de lazer e habitações.

Normalmente qualquer atividade de saneamento tem os seguintes objetivos:


controlar e prevenir doenças, melhorar a qualidade de vida da população, melhorar a
produtividade do indivíduo e facilitar a atividade econômica.

O sistema de esgotos existe para afastar a possibilidade de contato de


despejos, esgoto e dejetos humanos com a população, águas de abastecimento,
vetores de doenças e alimentos. O sistema de esgotos ajuda a reduzir despesas
com o tratamento, tanto da água de abastecimento quanto das doenças provocadas
pelo contato humano com os dejetos, além de controlar a poluição das praias. O
esgoto (também chamado de águas servidas) pode ser de vários tipos: sanitário
(água usada para fins higiênicos e industriais), sépticos (em fase de putrefação),
pluviais (águas pluviais), combinado (sanitário + pluvial), cru (sem tratamento),
fresco (recente, ainda com oxigênio livre).

O esgoto sanitário é ainda um dos principais problemas na preservação das


águas no Brasil. Em grande parte do país, o esgoto ainda é lançado diretamente nos
corpos de água, gerando problemas de poluição e até de contaminação, devido à
presença de compostos tóxicos e/ou organismos patogênicos.

No ano de 2000, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento


Básico (IBGE, 2000), no Brasil, quase todo o esgoto sanitário coletado nas cidades
ainda era despejado in natura em corpos de água ou no solo, sendo apenas tratado
em 20,2% dos municípios.

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Segundo dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento


(SNIS, 2007), em 2006, esta situação pouco se alterou. Apesar do índice médio de
atendimento urbano para o abastecimento de água mostrar um valor relativamente
elevado, em torno de 93,1%, o índice médio de coleta de esgoto sanitário ainda era
muito baixo, tendo um índice médio nacional de 48,3%, sendo tratados apenas
32,2% deste esgoto.

Uma solução para a preservação das águas é o investimento em


saneamento e no tratamento do esgoto sanitário coletado. No entanto, a escolha de
um sistema de tratamento de esgoto sanitário a ser instalado em um município deve
levar em consideração, além da adequação técnica do projeto e da aplicação
adequada dos recursos financeiros, a eficiência de remoção de poluentes e matéria
orgânica, uma vez que deverá atender aos requisitos ambientais do local a ser
implantado.

No processo de tomada de decisão, dentre os critérios frequentemente


avaliados, tais como: eficiência de remoção, necessidade de área, simplicidade do
processo, custo econômico, etc., os engenheiros e técnicos responsáveis pelos
projetos de estação de tratamento de esgoto podem divergir entre várias estratégias.
Por exemplo, eles podem adotar sistemas que minimizem o custo total,
compreendendo a implantação, operação e manutenção do mesmo, ou podem
adotar sistemas que minimizem os impactos ambientais. Todavia, se não forem
levados em consideração, os vários critérios envolvidos, a interação entre esses
tomadores de decisão e suas respectivas estratégias pode fazer com que a escolha
do sistema de tratamento não seja a mais adequada (LEONETI; OLIVEIRA;
OLIVEIRA, 2010).

Estudaremos em detalhes algumas das questões apresentadas até o


momento.

Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha como


premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um
pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados
cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar,
deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores,

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incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma


redação original e tendo em vista o caráter didático da obra, não serão expressas
opiniões pessoais.

Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se


outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas, mas que, de todo modo,
podem servir para sanar lacunas que por ventura venham a surgir ao longo dos
estudos.

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UNIDADE 2 – ESGOTOS OU ÁGUAS RESIDUAIS

A palavra esgoto costuma ser usada para definir tanto a tubulação condutora
das águas servidas de uma comunidade, como também o próprio líquido que flui por
estas canalizações. Hoje este termo é usado quase que apenas para caracterizar os
despejos provenientes das diversas modalidades do uso e da origem das águas, tais
como as de uso doméstico, comercial, industrial, as de utilidades públicas, de áreas
agrícolas, de superfície, de infiltração, pluviais e outros efluentes sanitários.

Tecnicamente, esgoto é o termo usado para as águas que, após a utilização


humana, apresentam as suas características naturais alteradas conforme o uso
predominante: comercial, industrial ou doméstico. Essas águas apresentam
características diferentes e são genericamente designadas de águas residuais (ou
águas servidas) (CORSSATTO et al., 2006).

As excreções humanas podem transmitir uma série de doenças, tais como:


hepatite A, febre tifóide, cólera, amebíase, giardíase, verminoses e diarreias
infecciosas. Por esse motivo, é fundamental dar um destino adequado ao esgoto
domiciliar, impedindo que ele entre em contato com o ser humano, águas de
abastecimento, alimentos, vetores (moscas, baratas, ratos e outros).

Os dejetos industriais são igualmente nocivos ao homem pela contaminação


de produtos que o afetam diretamente e também os animais, tais como substâncias
tóxicas, metais pesados, entre outros. Os dejetos industriais também lançam no
meio ambiente, substâncias que interferem no conjunto dos ecossistemas
degradando o mesmo (CORSSATTO et al., 2006).

Os esgotos costumam ser classificados em dois grupos principais: os


esgotos sanitários e os industriais. Os primeiros são constituídos essencialmente de
despejos domésticos, uma parcela de águas pluviais, águas de infiltração e,
eventualmente, uma parcela não significativa de despejos industriais, tendo
características bem definidas.

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Na classificação de Corssatto et al. (2006), o esgoto gerado nas cidades


pode ser dividido em doméstico, pluvial e industrial, existindo três tipos de sistema
de esgoto:

1. sistema unitário – é a coleta dos esgotos pluviais, domésticos e industriais em


um único coletor. Tem custo de implantação elevado, assim como o
tratamento também é caro;

2. sistema separador – o esgoto doméstico e industrial ficam separados do


esgoto pluvial. É o usado no Brasil. O custo de implantação é menor, pois as
águas pluviais não são tão prejudiciais quanto o esgoto doméstico, que tem
prioridade por necessitar tratamento. Assim como o esgoto industrial nem
sempre pode se juntar ao esgoto sanitário sem tratamento especial prévio;

3. sistema misto – a rede recebe o esgoto sanitário e uma parte de águas


pluviais.

Os esgotos domésticos ou domiciliares provêm principalmente de


residências, edifícios comerciais, instituições ou quaisquer edificações que
contenham instalações de banheiros, lavanderias, cozinhas, ou qualquer dispositivo
de utilização da água para fins domésticos. Compõem-se essencialmente da água
de banho, urina, fezes, papel, restos de comida, sabão, detergentes, águas de
lavagem.

A composição dos esgotos depende dos usos das águas de abastecimento


e varia com o clima, os hábitos e as condições socioeconômicas da população e da
presença de efluentes industriais, infiltração de águas pluviais, idade das águas
residuárias, etc. Os esgotos domésticos são constituídos aproximadamente
de 99,9% de líquido e o restante 0,1% de material sólido, contém basicamente
matéria orgânica e mineral (em solução e suspensão), assim como alta quantidade
de bactérias e outros organismos patogênicos e não patogênicos (FERNANDES,
2000; CORSSATTO et al., 2006).

Os esgotos industriais, extremamente diversos, provêm de qualquer


utilização da água para fins industriais, e adquirem características próprias em

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função do processo industrial empregado. Assim sendo, cada indústria deverá ser
considerada separadamente, uma vez que seus efluentes diferem até mesmo em
processos industriais similares (JORDÃO; PESSOA, 1995).

As características físicas do esgoto podem ser interpretadas pela obtenção


das grandezas correspondentes às seguintes determinações: matéria sólida,
temperatura, odor, cor e turbidez (COPASA-MG, 2013).

Das características físicas, o teor de matéria sólida é o de maior importância,


em termos de dimensionamento e controle de operações das unidades de
tratamento. A remoção da matéria sólida é fonte de uma série de operações
unitárias de tratamento, ainda que represente apenas cerca de 0,08% dos esgotos
(água compõe os restantes 99,92%) (JORDÃO; PESSOA, 1995).

A composição química das diversas substâncias presentes nos esgotos


domésticos é extremamente variável, dependendo dos hábitos da população e
diversos outros fatores. Esta variação vem sendo verificada devido a utilização de
modernos produtos químicos de limpeza utilizados nas residências. O grau de
complexidade da composição química de tais substâncias vem aumentando
significativamente, sendo exemplo notório a presença de detergentes em
concentrações cada vez maiores, bem como alguns inseticidas e bactericidas, que já
merecem estudos específicos de região para região (ROQUE, 1997).

A origem dos esgotos permite classificar as características químicas em dois


grandes grupos: da matéria orgânica e da matéria inorgânica (COPASA-MG, 2013).

Os principais grupos de microrganismos que devem ser analisados como


importantes para os processos de tratamento são os utilizados nos processos
biológicos, os indicadores de poluição e especialmente os patógenos, que são
aqueles capazes de transmitir doenças por veiculação hídrica. Os principais
organismos encontrados nos esgotos são: as bactérias, os fungos, os protozoários,
os vírus, as algas e os grupos de plantas e animais.

As bactérias constituirão talvez o elemento mais importante deste grupo de


microrganismos, responsáveis que são pela decomposição e estabilização da
matéria orgânica, tanto na natureza como nas unidades de tratamento biológico.

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As algas não interferem diretamente nas unidades convencionais de


tratamento, salvo nas lagoas de estabilização onde desempenham um papel
importante na oxidação aeróbia e redução fotossintética das lagoas (JORDÃO;
PESSOA, 1995).

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UNIDADE 3 – LODO DE ESGOTO

Segundo Von Sperling e Andreoli (2001), na introdução do livro “Lodo de


esgotos: tratamento e disposição final”, o gerenciamento do lodo de esgoto
proveniente de estações de tratamento é uma atividade de grande complexidade e
alto custo, que, ser for mal executada, pode comprometer os benefícios ambientais e
sanitários esperados destes sistemas. A importância desta prática foi reconhecida
pela Agenda 21, que inclui o tema ‘Manejo ambientalmente saudável dos resíduos
sólidos e questões relacionadas com esgotos’, definindo as seguintes orientações
para a sua gestão: a redução da produção, o aumento máximo da reutilização e da
reciclagem e a promoção de depósitos e tratamento ambientalmente saudáveis.

As exigências crescentes da sociedade e das agências ambientais por


melhores padrões de qualidade ambiental tem se refletido nos gestores públicos e
privados dos serviços de saneamento. Devido aos baixos índices de tratamento de
esgotos ainda verificados no País, há uma perspectiva de um aumento significativo
no número de estações de tratamento de esgotos e, em decorrência, da produção
de lodo. Os órgãos ambientais de alguns estados passaram a exigir a definição
técnica da disposição final do lodo nos processos de licenciamento. Estes aspectos
demonstram que a gestão de biossólidos é um problema crescente em nosso País,
com uma tendência de um rápido agravamento nos próximos anos.

O termo “lodo” tem sido utilizado para designar os subprodutos sólidos do


tratamento de esgotos. Nos processos biológicos de tratamento, parte da matéria
orgânica é absorvida e convertida, fazendo parte da biomassa microbiana,
denominada genericamente de lodo biológico ou secundário, composto
principalmente de sólidos biológicos, e por esta razão também denominado de
biossólido. Para que este termo possa ser adotado é necessário ainda, que suas
características químicas e biológicas sejam compatíveis com uma utilização
produtiva, como, por exemplo, na agricultura. O termo “biossólido” é uma forma de
ressaltar os seus aspectos benéficos, valorizando a utilização produtiva, em
comparação com a mera disposição final improdutiva, por meio de aterros,

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disposição superficial no solo ou incineração (ANDREOLI; SPERLING;


FERNANDES, 2001).

As pesquisas e o desenvolvimento relacionados ao tratamento e disposição


de lodo de esgoto têm aumentado nos últimos anos. Há também um aumento no
conhecimento da taxa de produção, métodos de caracterização, técnicas de manejo
e processamento, benefícios e riscos da utilização do lodo na agricultura e também
do comportamento do lodo no meio ambiente. Os lodos diferem consideravelmente,
tal que duas estações de tratamento de esgotos não produzem um lodo de mesmas
características, de forma que não há uma solução geral para todas as situações.

No caso do lodo de esgoto, os componentes perigosos são os metais


pesados, as bactérias, vírus, protozoários e helmintos. A descarga desses
componentes, bem como a dos nutrientes nitrogênio e fósforo na superfície e no
lençol freático, deve ser minimizada para que se evite a degradação da qualidade da
água (SANTOS, 1996).

A quantidade e a qualidade do lodo produzido variam de lugar para lugar,


depende do processo de tratamentos de esgoto, do processo de tratamento dos
lodos, da sua secagem (um lodo seco ainda contém 50% de umidade) e ainda da
população contribuinte e/ou dos efluentes industriais que por ventura são lançados
na rede coletora formando uma significante parcela do esgoto municipal (CHAGAS,
2000).

A necessidade do destino adequado de lodos oriundos de estações de


tratamento de esgotos despertou o interesse pelo baixo custo, pelo aproveitamento
dos nutrientes e por benefícios nas propriedades físicas do solo que a matéria
orgânica tratada pode ocasionar. O baixo custo pela presença de nutrientes
substituindo em boa parte a necessidade de fertilizantes artificiais químicos, que
vem de encontro nas propriedades que a matéria orgânica presente confere, na
melhora das condições de retenção de água porosidade total do solo e na
diminuição da densidade deste próprio solo (FIEST; ANDREOLI; MACHADO, 1998).

A confirmar estes dados, estudos realizados na Itália e na Sanepar levam


em consideração que o conceito de reciclagem agrícola dos nutrientes do lodo de
esgotos é viável e desejável (CHAGAS, 2000).

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O lodo de esgotos é um fertilizante de baixo teor e de composição


extremamente variável. Comparativamente aos fertilizantes químicos tradicionais, as
diferenças desfavoráveis aos lodos, inerentes aos custos de transporte, manuseio,
aplicação e monitoramento, decrescem ao longo dos anos, em virtude do incremento
dos custos da energia necessária à produção dos fertilizantes comerciais.

Os maiores problemas relativos à aplicação do lodo é devido à sua


aceitação pelo público, aos patógenos, aos riscos de contaminação do aquífero
freático pela sobrecarga de nutrientes, à diminuição do seu aproveitamento pelas
concentrações excessivas de metais pesados e os riscos de contaminação da
cadeia alimentar por elementos tóxicos. Ainda que os problemas advindos da
sobrecarga de nitrogênio podem ser controlados pelo uso de taxas de aplicação
anuais equivalentes as demandas de nitrogênio pelas culturas receptoras, a
fitotoxicidade, devida aos metais pesados, é conhecida como difícil de ser predita,
razão pela qual tem influência decisiva na vida útil do sítio onde o lodo está sendo
aplicado (SANTOS, 1996).

A presença de metais pesados no solo, em concentrações baixas, pode ser


benéfica para microrganismos e plantas, porém em concentrações mais elevadas,
esses metais podem tornar-se precariamente perniciosos para os organismos vivos,
pela sua introdução na cadeia alimentar.

Os metais pesados representam um grupo de poluentes que requer um


tratamento especial, pois não são degradados biologicamente ou quimicamente de
forma natural, principalmente em ambientes terrestres e em sedimentos aquáticos.
Ao contrário, são acumulados e podem tornar-se ainda mais nocivos quando reagem
com alguns componentes dos solos e sedimentos A matéria orgânica do solo exerce
uma função nutricional importante no crescimento das plantas, como fonte de
micronutrientes. As substâncias húmicas, matéria orgânica em determinado estágio
de degradação, possuem grupos funcionais em sua estrutura molecular que lhes
inferem excepcional reatividade para complexar metais. A habilidade complexante
de ácidos húmicos e fúlvicos deve-se ao alto teor de grupos funcionais contendo
oxigênio, tais como carboxilas, hidroxilas fenólicas e carbonilas de vários tipos
(JORDÃO et al., 1993).

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Ácidos húmicos, em virtude de seu estado coloidal e sua estrutura local


macromolecular, retém íons metálicos de vários modos, tais como por adsorção,
atração eletrostática ou quelação.

A formação de complexos organometálicos depende das propriedades


físico-químicas do solo, do grau de humificação da matéria orgânica e
principalmente do valor do pH. A migração e a acumulação de metais nos sistemas
naturais aquáticos e terrestres estão associadas com a presença e natureza das
substâncias húmicas.

Uma avaliação prévia de solos para monitoramento e delimitação de áreas


disponíveis para a agricultura já é uma prática comum em países desenvolvidos. Em
estudos ambientais, a análise tanto de solos como de sedimentos de leito de rios,
lagos e estuários para determinar níveis tóxicos dos elementos, principalmente
metais pesados, tem sido largamente utilizada. Um metal que apresenta pouca
afinidade por um solo, ou seja, a capacidade deste solo de reter o metal sendo
baixa, deve constituir um problema sério de poluição para as águas vizinhas;
enquanto que uma alta afinidade do metal pelo solo deve resultar em acumulação do
metal nos horizontes da superfície do solo, e então, afetar potencialmente a biota
terrestre.

As pesquisas mais recentes tem demonstrado, que a matriz lodo-compostos


orgânicos-elementos químicos, exerce forte influência na biodisponibilidade dos
poluentes para as plantas, mesmo depois do lodo ter sido misturado com o solo.
Algumas ligações dos poluentes no solo impedem que as raízes das plantas os
absorvam, mesmo após quase 100 anos da aplicação do lodo (SANTOS, 1996).

Com relação à presença de microrganismo no lodo aplicado no solo, as


bactérias tem pouco tempo de sobrevivência pela competição e predação dos
microrganismos do próprio solo, principalmente de protozoários de vida livre,
considerados importantes predadores de coliformes comprovados por estudos de
ANDRAUS et al. (1997), através dos quais as bactérias entéricas aplicadas em solo
estéril sob controle, sobreviveram mais tempo do que aquelas semeadas em solo
não estéril.

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De acordo com estudos do autor acima citado, cistos de protozoários no solo


e plantas são rapidamente mortos pelos fatores ambientais, portanto considera
como mínima a ameaça à saúde pública e de animais contrariando as próprias
recomendações da Organização Mundial de Saúde – OMS (1986) e da Fundação
Nacional de Saúde – FNS/MS (1999 apud CHAGAS, 2000).

Em resumo, os autores divergem sobre a presença, ausência ou tempo de


sobrevivência de diversos microrganismos presentes, tendo em vista que um grande
número de fatores ambientais influenciam os dados e que variam nas diferentes
composições do solo.

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UNIDADE 4 – COLETA E TRATAMENTO DE ESGOTOS

4.1 Rede coletora

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp)


explica, didaticamente, que depois do uso da água, seja no banho, na limpeza de
roupas, de louças ou na descarga do vaso sanitário, o esgoto começa a ser
formado. Os resíduos são divididos em 3 tipos diferentes. Os que vêm das
residências formam os esgotos domésticos, os das águas da chuva são chamados
de esgotos pluviais e os formados em fábricas recebem o nome de esgotos
industriais. Esta diferenciação é importante, porque cada tipo possui substâncias
diferentes, e são necessários sistemas específicos para o tratamento dos resíduos.

Geralmente, o esgoto não tratado contém muitos transmissores de doenças,


microrganismos, resíduos tóxicos e nutrientes que provocam o crescimento de
outros tipos de bactérias, vírus ou fungos. Os sistemas de coleta e tratamento de
esgotos são importantes para a saúde pública, porque evitam a contaminação e
transmissão de doenças, além de preservar o meio ambiente.

Nas casas, comércios ou indústrias, ligações com diâmetro pequeno formam


as redes coletoras. Estas redes são conectadas aos coletores-tronco (tubulações
instaladas ao lado dos córregos), que recebem os esgotos de diversas redes.

Dos coletores-tronco, os esgotos vão para os interceptores, que são


tubulações maiores, normalmente próximas aos rios. De lá, o destino será uma
Estação de Tratamento, que tem a missão de devolver a água, em boas condições,
ao meio ambiente, ou reutilizá-la para fins não potáveis.

A figura abaixo ilustra bem a coleta de esgoto.

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A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) também explica


que as tubulações hidráulico-sanitárias que saem das residências, comércios e
indústrias, os chamados ramais internos, são de responsabilidade do proprietário até
a interligação no PL (Poço Luminar) localizado no passeio. Estas conduzem os
esgotos para as ligações prediais que se interligam às redes coletoras por meio dos
coletores secundários.

O esgoto coletado nas redes escoa por gravidade, utilizando no máximo


75% da sessão da tubulação. Assim, é necessário que as tubulações sejam
implantadas com declividades adequadas para garantir o escoamento por gravidade
e o arraste dos sólidos contidos nos esgotos. Os coletores secundários conduzem
os esgotos para os coletores tronco.

O coletor tronco é o coletor principal, que recebe a contribuição dos


coletores secundários, conduzindo os efluentes para um interceptor ou emissário. O
interceptor é uma tubulação que recebe os coletores ao longo de sua extensão, não
recebendo ligações prediais diretas.

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O emissário é uma tubulação que transporta os esgotos a um destino


(estação de tratamento, lançamento final, elevatória), sem receber nenhuma
contribuição ao longo de sua extensão.

Em algumas situações são necessárias as estações elevatórias, que


objetivam transferir os esgotos de uma cota mais baixa para outra mais alta, por
meio de bombeamento (COPASA-MG, 2013).

4.2 Processos e etapas do tratamento de esgoto

O tratamento de esgotos consiste na remoção de poluentes e o método a


ser utilizado depende das características físicas, químicas e biológicas.

Na Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, o método utilizado nas


grandes estações de tratamento é por lodos ativados, onde há uma fase líquida e
outra sólida.

O método, desenvolvido na Inglaterra, em 1914, é amplamente utilizado para


tratamento de esgotos domésticos e industriais. O trabalho consiste num sistema no
qual uma massa biológica cresce, forma flocos e é continuamente recirculada e
colocada em contato com a matéria orgânica, sempre com a presença de oxigênio
(aeróbio).

O processo é estritamente biológico e aeróbio, no qual o esgoto bruto e o


lodo ativado são misturados, agitados e aerados em unidades conhecidas como
tanques de aeração. Após este procedimento, o lodo é enviado para o decantador
secundário, onde a parte sólida é separada do esgoto tratado. O lodo sedimentado
retorna ao tanque de aeração ou é retirado para tratamento específico.

No Interior, além das estações convencionais a Sabesp dispõe de lagoas de


tratamento. Já no Litoral, as instalações adotam o método de lodos ativados e em
algumas cidades há emissários submarinos para lançar os esgotos tratados no mar.

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Os processos de tratamento dos esgotos são formados por uma série de


operações unitárias empregadas para a remoção de substâncias indesejáveis, ou
para transformação destas substâncias em outras de forma aceitável.

A remoção dos poluentes no tratamento, de forma a adequar o lançamento a


uma qualidade desejada ou ao padrão de qualidade estabelecido pela legislação
vigente, está associada aos conceitos de nível e eficiência de tratamento.

O tratamento dos esgotos é usualmente classificado através dos seguintes


níveis: preliminar, primário, secundário e terciário.

 O tratamento preliminar objetiva principalmente a remoção de sólidos


grosseiros e de areia, por meio de mecanismos de ordem física.

 O tratamento primário destina-se, por meio de mecanismos de ordem física, à


remoção de sólidos flutuantes (graxas e óleos) e à remoção de sólidos em
suspensão sedimentáveis e, em decorrência, parte da matéria orgânica.

 No tratamento secundário, predominam os mecanismos biológicos, e o


objetivo é principalmente a remoção de matéria orgânica e eventualmente
nutrientes (nitrogênio e fósforo).

 O tratamento terciário objetiva a remoção de poluentes específicos, ou ainda


remoção complementar de poluentes não suficientemente removidos no
tratamento secundário.

A remoção de nutrientes e de organismos patogênicos pode ser considerada


como integrante do tratamento secundário ou do tratamento terciário, dependendo
do processo adotado.

Os principais processos de tratamento de esgotos utilizados na Região


Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) são:

1. sistemas anaeróbios – o tratamento anaeróbio é efetuado por bactérias


que não necessitam de oxigênio para sua respiração. Há três tipos bastante
comuns: o tanque séptico, o filtro anaeróbio e o reator UASB.

1a. Tanque Séptico - o princípio do processo consiste, basicamente, em uma


unidade onde se realizam, simultaneamente, várias funções: decantação, flotação,

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desagregação e digestão parcial dos sólidos sedimentáveis (lodo) e da crosta


constituída pelo material flotante (escuma). Sendo, os tanques sépticos, reatores de
fluxo horizontal, tendo lodo passivo em relação à fase líquida, o processo biológico
que ocorre na fração líquida é de pouca importância. O principal fenômeno que
ocorre sobre o efluente é de ação física, através de decantação.

1b. Filtro Anaeróbio – neste reator a matéria orgânica é estabilizada através


de microrganismos que se desenvolvem e ficam retidos nos interstícios ou aderidos
ao meio suporte que constitui o leito fixo (usualmente pedras ou material plástico),
através do qual os esgotos fluem. São, portanto, reatores com fluxo através do lodo
ativo e com biomassa aderida, ou retida, no leito fixo. Os filtros anaeróbios podem
ser de fluxo ascendente ou descendente. Nos filtros de fluxo ascendente, o leito é
submerso e no fluxo descendente, podem trabalhar submersos ou não.

1c. Reator UASB – no reator UASB (Upflow Anaerobic Sludge Blanket), ou


reator anaeróbio de fluxo ascendente e manta de lodo, o princípio do processo
consiste na estabilização da matéria orgânica, anaerobiamente, por microrganismos
que crescem dispersos no meio líquido. A parte superior do reator UASB possui um
separador trifásico, que apresenta uma forma cônica ou piramidal, permitindo a
saída do efluente clarificado, a coleta do biogás gerado no processo e a retenção
dos sólidos dentro do sistema. Esses sólidos retidos constituem a biomassa, que
permanece no reator por tempo suficientemente elevado para que a matéria
orgânica seja degradada. O lodo retirado periodicamente do sistema já se encontra
estabilizado, necessitando apenas de secagem e disposição final.

De maneira resumida: é um reator fechado. O tratamento biológico ocorre


por processo anaeróbio, isto é, sem oxigênio. A decomposição da matéria orgânica
é feita por microrganismos presentes num manto de lodo. O esgoto sai da parte de
baixo do reator e passa pela camada de lodo que atua como um filtro. A eficiência
atinge de 65% a 75% e, por isso, é necessário um tratamento complementar que
pode ser feito através da lagoa facultativa. É um mecanismo compacto e de fácil
operação (Sabesp).

2. Lagoas de Estabilização – as lagoas de estabilização são sistemas de


tratamento biológico em que a estabilização da matéria orgânica é realizada pela

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oxidação bacteriológica (oxidação aeróbia ou fermentação anaeróbia) e/ou redução


fotossintética das algas. De acordo com a forma predominante pela qual se dá a
estabilização da matéria orgânica, as lagoas costumam ser classificadas em:
facultativas, anaeróbias, aeradas e de maturação.

2a. Lagoa Facultativa – neste processo, o esgoto afluente entra


continuamente em uma extremidade da lagoa e sai continuamente na extremidade
oposta. Ao longo deste percurso, que demora vários dias, uma série de eventos
contribui para a purificação dos esgotos. Parte da matéria orgânica em suspensão
tende a sedimentar, vindo a constituir o lodo de fundo. Este lodo sofre processo de
decomposição por microrganismos anaeróbios. A matéria orgânica dissolvida,
conjuntamente com a matéria orgânica em suspensão de pequenas dimensões, não
sedimenta, permanecendo dispersa na massa líquida, onde sua decomposição se
dá por bactérias facultativas, que têm a capacidade de sobreviver tanto na presença,
quanto na ausência de oxigênio.

Geralmente, tem de 1,5 a 3 metros de profundidade e o termo “facultativo”


refere-se à mistura de condições aeróbias e anaeróbias (com e sem oxigenação).
Em lagoas facultativas, as condições aeróbias são mantidas nas camadas
superiores das águas, enquanto as condições anaeróbias predominam em camadas
próximas ao fundo da lagoa.

Embora parte do oxigênio necessário para manter as camadas superiores


aeróbias seja fornecido pelo ambiente externo, a maior parte vem da fotossíntese
das algas, que crescem naturalmente em águas com grandes quantidades de
nutrientes e energia da luz solar.

As bactérias que vivem nas lagoas utilizam o oxigênio produzido pelas algas
para oxidar a matéria orgânica. Um dos produtos finais desse processo é o gás
carbônico, que é utilizado pelas algas na sua fotossíntese. Este tipo de tratamento
reduz grande parte do lodo, e é ideal para comunidades pequenas, normalmente
situadas no Interior do Estado (Sabesp, 2013).

2b. Lagoa Anaeróbia – neste processo, a lagoa possui menores dimensões


e maior profundidade. Devido às menores dimensões e à maior profundidade dessa
lagoa, a fotossíntese praticamente não ocorre. Predominam as condições

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anaeróbias, pois no balanço entre o consumo e a produção de oxigênio, o consumo


é amplamente superior. As bactérias anaeróbias têm taxa metabólica e de
reprodução mais lenta do que as bactérias aeróbias. Por isso, para um período de
permanência de 2 a 5 dias na lagoa, a decomposição da matéria orgânica é parcial.

2c. Lagoa Aerada Facultativa – neste processo, consegue-se um sistema


predominantemente aeróbio e de dimensões reduzidas. A principal diferença com
relação à lagoa facultativa convencional é quanto à forma de suprimento de
oxigênio. Enquanto na lagoa facultativa o oxigênio é advindo principalmente da
fotossíntese, no caso da lagoa aerada facultativa o oxigênio é obtido através de
equipamentos denominados aeradores. A lagoa é denominada de facultativa pelo
fato do nível de energia introduzido pelos aeradores ser suficiente apenas para a
oxigenação, mas não para manter os sólidos em suspensão na massa líquida.
Assim, os sólidos tendem a sedimentar e formar uma camada de lodo de fundo, a
ser decomposta anaerobiamente.

2d. Lagoa de Maturação – este processo possibilita um polimento no


efluente de qualquer dos sistemas descritos. O principal objetivo destas lagoas é a
remoção de organismos patogênicos, e não da remoção adicional de matéria
orgânica. Diversos fatores contribuem para a remoção de patógenos, como
temperatura, insolação, pH, escassez de alimento, organismos predadores,
competição, compostos tóxicos, etc. Vários destes mecanismos se tornam mais
efetivos com menores profundidades da lagoa, o que justifica o fato das lagoas de
maturação serem mais rasas e, consequentemente, requererem grande área de
implantação.

São lagoas de baixa profundidade, entre 0,5 a 2,5 metros, que possibilitam a
complementação de qualquer outro sistema de tratamento de esgotos. Ela faz a
remoção de bactérias e vírus de forma mais eficiente devido à incidência da luz
solar, já que a radiação ultravioleta atua como um processo de desinfecção (Sabesp,
2013).

3. Reatores Aeróbios com Biofilmes – a matéria orgânica é estabilizada por


bactérias que crescem aderidas a um meio suporte (usualmente pedras ou material
plástico). Há sistemas nos quais a aplicação de esgotos se dá na superfície, sendo o

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fluxo de esgoto descendente e havendo a necessidade de decantação secundária;


há também sistemas submersos com introdução de oxigênio, com fluxo de ar
ascendente, e fluxo de esgoto ascendente ou descendente.

3a. Filtro Biológico Percolador – nestes reatores, a matéria orgânica é


estabilizada por via aeróbia, por meio de bactérias que crescem aderidas a um meio
suporte, que pode ser constituído de pedras, ripas, material plástico ou qualquer
outro que favoreça a percolação do esgoto aplicado. Usualmente o esgoto é
aplicado por meio de braços giratórios. O fluxo contínuo do esgoto, em direção ao
fundo do tanque, permite o crescimento bacteriano na superfície do meio suporte,
possibilitando a formação de uma camada biológica, denominada biofilme. O contato
do esgoto com a camada biológica possibilita a degradação da matéria orgânica. A
aeração desse sistema é natural, ocorrendo nos espaços vazios entre os
constituintes do meio suporte.

4. Disposição no Solo – os esgotos são aplicados ao solo, fornecendo água


e nutrientes necessários para o crescimento das plantas. Parte do líquido é
evaporada, parte pode infiltrar pelo solo, e parte é absorvida pelas plantas. Em
alguns sistemas, a infiltração no solo é elevada, e não há efluente. Em outros
sistemas, a infiltração é baixa, saindo o esgoto tratado (efluente) na extremidade
oposta do terreno. Os tipos de disposição no solo mais usuais são: infiltração lenta,
infiltração rápida, infiltração sub-superficial, escoamento superficial e terras úmidas
construídas.

4a.Escoamento Superficial no Solo – esta forma de disposição/tratamento


consiste na aplicação controlada de efluentes, fazendo escoarem no solo, rampa
abaixo, até alcançar canais de coleta. A aplicação deve ser intermitente.

5. Lodos Ativados – este processo consiste em um reator onde a grande


concentração de biomassa fica em suspensão no meio líquido. Quanto mais
bactérias houver em suspensão, maior será o consumo de alimento, ou seja, maior
será a assimilação da matéria orgânica presente no esgoto bruto. A biomassa
(bactérias) que cresce no tanque de aeração, devido à sua propriedade de flocular, é
removida por sedimentação em um decantador secundário, permitindo que o
efluente saia clarificado. Para garantir a elevada concentração de biomassa no

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reator, o lodo sedimentado é recirculado para a unidade de aeração. Este é o


princípio básico do sistema de lodos ativados, possuindo assim, dependendo das
variantes, o decantador primário, o tanque de aeração, o decantador secundário e
elevatória de recirculação.

6. Flotação – neste processo o ar é dissolvido sob pressão no esgoto a


tratar, em um tanque de pressurização, sendo em seguida liberado no tanque de
flotação à pressão atmosférica. O ar liberado ganha a superfície do tanque,
carreando a matéria sólida, que tende a flotar. Esta matéria flutuante forma uma
camada superior, que é raspada por um braço raspador apropriado e coletada em
dispositivos especiais para ser então removida. Em alguns processos são utilizados
produtos químicos para auxiliar a formação dos flocos.

7. Ultravioleta – como as lagoas de maturação, este processo objetiva a


remoção de organismos patogênicos. O esgoto tratado entra em uma das
extremidades do reator, passando por um conjunto de lâmpadas ultravioleta e sai
pela extremidade oposta. A energia ultravioleta é absorvida pelos microrganismos
causando alterações estruturais no DNA que impedem a reprodução. A baixa
concentração de sólidos é de grande importância para a eficiência do tratamento.

8. Tratamento e Disposição do Lodo – todos os sistemas de tratamento de


esgotos geram subprodutos: escuma, material gradeado, areia, lodo primário e lodo
secundário.

O material gradeado, a escuma e a areia devem seguir para disposição final


em aterro sanitário. No entanto, os lodos primário e secundário necessitam de
tratamento antes da disposição final.

4.3 Etapas de tratamento do lodo

O tratamento do lodo tem basicamente dois objetivos: a redução de volume


e a redução de teor de matéria orgânica. Para alcançar estes objetivos, o tratamento
do lodo usualmente inclui uma ou mais das seguintes etapas:

 adensamento (adensadores por gravidade, flotadores por ar dissolvido,


centrífugas e prensas desaguadoras);

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 estabilização (digestão anaeróbia/aeróbia, tratamento químico por


alcalinização, secagem térmica por peletização);

 desidratação (leitos de secagem, centrífugas, prensas desaguadoras e filtros


prensa) (Copasa-MG, 2013).

Para Sperling e Gonçalves (2001), as principais etapas de gerenciamento do


lodo (representados na ilustração abaixo, lembrando que certas etapas são
opcionais e em cada etapa há várias variantes do processo), com os respectivos
objetivos, são:

 adensamento – remoção de umidade (redução de volume);

 estabilização – remoção da matéria orgânica (redução de sólidos voláteis);

 condicionamento – preparação para a desidratação (principalmente


mecânica);

 desaguamento – remoção de umidade (redução de volume);

 higienização – remoção de organismos patogênicos;

 disposição final – destinação final dos subprodutos.

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Fonte: Sperling e Gonçalves (2001, p. 35)

Os métodos de tratamento, nos quais predomina a aplicação de princípios


físicos, são denominados de operações unitárias; e os métodos de tratamento nos
quais a eliminação de contaminantes se efetua por atividade química ou biológica se
conhecem como processos unitários.

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Na atualidade, a maioria destes métodos está sendo investigados


intensamente desde o ponto de vista de execução e aplicação. Como resultado dele,
foi desenvolvido e posto em prática muitas modificações, onde é necessário
pesquisar mais. No passado, os processos e operações unitárias se agrupavam
para proporcionar o que se conhecia como tratamento primário e secundário. No
tratamento primário se empregam operações de tipo físico, tais como a remoção, no
gradeamento, da parcela de matéria em suspensão ou em flutuação que se
encontram nos esgotos sanitários.

No tratamento secundário se utilizam processos biológicos para eliminar a


matéria orgânica. Recentemente, o termo “Tratamento Terciário” ou “Tratamento
Avançado” tem sido aplicado às operações e processos utilizados para eliminar
contaminantes que não foram afetados pelo tratamento primário e secundário. Deve,
entretanto, fazer-se notar que a denominação de “primário” e “secundário” são
arbitrários e que não se deve dar-lhes demasiado valor (METCALF-EDDY, 1981
apud SPERLING; GONÇALVES, 2001).

Em seguida temos vários fluxogramas de tratamento de esgotos (fase


líquida) utilizados em nosso meio, dando destaque ao ponto de geração de
subprodutos.

Figura 1 – Tratamento primário e pontos de geração de subprodutos sólidos


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Fonte: Sperling e Gonçalves (2001, p. 21)

Figura 2 – Tratamento secundário por lagoas de estabilização e pontos de


geração de subprodutos sólidos.

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Fonte: Sperling e Gonçalves (2001, p. 22)

Figura 3 – Tratamento secundário por lodos ativados e pontos de geração de


subprodutos sólidos.

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Fonte: Sperling e Gonaçalves (2001, p. 24)

Dada as características dos esgotos sanitários a tratar, muitos dos


contaminantes que agora se encontram nos esgotos, não são afetados pelos
processos e operações de um tratamento convencional, mas dada a necessidade de
eliminar estes contaminantes, tais como nitrogênio e fósforo que podem promover o
crescimento de algas e plantas aquáticas, há necessidade da aplicação de um
tratamento adicional. Para eliminar estes contaminantes são aplicados meios e

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métodos avançadas. Na maioria dos casos, utilizam-se tratamentos adotados em


outros campos como da engenharia química e tratamento da água de
abastecimento. À medida que se tem melhor conhecimento dos efeitos dos distintos
contaminantes lançados no meio ambiente, se dará maior atenção na eliminação
específica dos contaminantes (METCALF-EDDY, 1981 apud SPERLING;
ANDREOLI, 2001).

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UNIDADE 5 – HIGIENIZAÇÃO DE LODOS

5.1 O que é e para que serve

Os esgotos sanitários contêm aproximadamente 0,1% de sólidos, sendo os


restantes 99,9% água. Estações de tratamento de esgotos têm a finalidade básica
de separar essas duas fases, retornando a água para os corpos hídricos da região e
processando a fase sólida, de modo a permitir a sua disposição de maneira
econômica, segura em termos de saúde pública e ambientalmente aceitável. Esta
fase sólida (lodo de esgotos) contém todos os poluentes oriundos das atividades,
dos hábitos alimentares e do nível de saúde da população atendida pelas redes
coletoras de esgotos (PINTO, 2001).

Portanto, o lodo retrata exatamente as características da comunidade e pode


variar substancialmente com o tempo e com a capacidade de remoção da estação
de tratamento.

Um dos constituintes mais preocupantes são os microrganismos


patogênicos. Bactérias, vírus, protozoários, parasitas intestinais e seus ovos estão
presentes nos lodos de esgotos, e uma significativa parte deles são causadores de
doenças. A quantidade de patógenos encontrados no lodo é inversamente
proporcional às condições sanitárias da comunidade atendida, portanto, quanto
maior o nível de ocorrências de doenças de veiculação hídrica na comunidade,
maior cuidado sanitário é necessário, principalmente quando a rota de disposição
utilizada é a reciclagem agrícola.

Os níveis de patogenicidade do lodo podem ser substancialmente reduzidos


através dos processos de estabilização e tratamento, como a digestão anaeróbia ou
aeróbia. Entretanto, muitos parasitas intestinais e principalmente seus ovos, são
muito pouco afetados por processos de digestão convencional, necessitando uma
etapa complementar ou conjugada aos processos convencionais para sua completa
inativação, denominada de higienização.

É importante salientar que o processo não é uma “desinfecção”, uma vez


que não são desativados totalmente todos os microrganismos patogênicos
presentes no lodo. A higienização busca reduzir a patogenicidade do lodo a níveis
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que não venham a causar riscos à saúde da população, de acordo com as


exigências para cada utilização.

O objetivo de se introduzir um processo de higienização de lodos na estação


de tratamento de esgotos é de garantir um nível de patogenicidade no lodo que, ao
disposto no solo, não venha a causar riscos à saúde da população, aos
trabalhadores que vão manuseá-la e impactos negativos ao meio ambiente.
Portanto, a necessidade se implantar um sistema de higienização complementar de
lodos dependerá da disposição final que será utilizada.

A aplicação do lodo em parques e jardins de acesso público, ou sua


reciclagem na agricultura, possui um nível maior de exigência sanitária do que
alternativas de disposição, como aterros sanitários ou reutilização em matrizes de
concreto

Estas exigências podem ser atendidas por um processo de higienização do


lodo por restrições temporais de uso e acesso público (PINTO, 2001).

5.2 Mecanismos de higienização

Entre os diversos princípios capazes de promover a desinfecção do lodo,


três fatores se destacam como mais indicados: a temperatura, o pH e a radiação.
Sob determinadas condições ambientais, estes fatores apresentam faixas em que os
organismos se mantêm presentes ou em desenvolvimento no lodo, e desde que
quebrado este equilíbrio, os organismos são destruídos. A intensidade e o tempo em
que estes fatores são impostos à massa de lodo de esgoto determinam a eficiência
da desinfecção. Assim, a modificação destes fatores nos lodos constitui-se nos
princípios dos métodos de desinfecção. Na tabela abaixo, são apresentados a
temperatura e o tempo necessários para a destruição dos organismos patogênicos
encontrados no lodo de esgoto.

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Fonte: ILHENFELD (1999, p. 29)

O pH ou a concentração hidrogeniônica, que define a acidez ou alcalinidade,


tanto do solo quanto do lodo, também constituem-se em um eficaz agente de
desinfecção. Os organismos patogênicos expostos a níveis extremos de pH, seja
básico ou alcalino, tendem a ser destruídos. Da mesma forma que a ação da
temperatura, as alterações mais intensas do pH demandam um menor tempo de
contato, para a obtenção da eficaz higienização do material. A adição de cal virgem
na proporção de 50% do peso seco do lodo eleva o pH da massa de lodo calado
para níveis acima de 12,0, resultando na destruição dos principais agentes
patogêncios incluindo larvas e ovos de helmintos. É importante salientar que a
calagem reduz a contagem de ovos de helmintos, porém desde que respeitados os
períodos de carência, que são variáveis segundo a dosagem de cal, os ovos
remanescentes não apresentam viabilidade biológica, ou seja, são ovos mortos que
não apresentam potencial infectivo.

A eficiência da exposição direta aos raios solares é apresentada como uma


das alternativas para redução de patógenos no lodo. Ocorre, contudo, que esta
alternativa de desinfecção está intimamente relacionada com as condições
ambientais locais. Estudos estão sendo desenvolvidos para determinar a eficiência
da radiação solar na desinfecção, nas condições brasileiras. Outras fontes de

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radiação utilizadas, como os raios β e (Co 60 ou Ce 139), também podem ser


utilizados, através de equipamentos específicos para tal fim (ILHENFELD, 1999).

O mecanismo de redução de microrganismos patógenos, através da via


térmica, combina duas variáveis de controle, relacionadas ao tempo de permanência
do lado a uma dada temperatura. Estas duas variáveis agem em conjunto para
atingir a qualidade microbiológica exigida para aplicação irrestrita.

O mecanismo de higienização de lodos pela via química utiliza um produto


alcalinizante para elevar o pH do lodo e, consequentemente, alterar a natureza
coloidal do protoplasma celular dos microrganismos patogênicos de forma letal, e
produzir um ambiente inóspito para a sua sobrevivência.

Dependendo do produto utilizado, esta mistura pode ser acompanhada pela


elevação da temperatura, que atuando em conjunto com a elevação do pH, permite
uma condição mais efetiva para a inativação dos microrganismos patogênicos e um
período menos exigente para a relação tempo-temperatura que a via térmica
isoladamente.

Assim, as condições requeridas para se obter um lodo sanitariamente


seguro por este mecanismo são mostradas abaixo:

 elevar o pH do lodo para valores superiores a 12 por no mínimo 72 horas;

 manter a temperatura do lodo superior a 52°C por no mínimo 12 horas,


durante o período onde o pH está maior que 12;

 secar ao ambiente até se atingir a concentração de sólidos de 50%, após o


período de elevação do pH.

A rota biológica para inativação de microrganismos patogênicos do lodo de


esgotos ainda carece de maiores experiências e dados mais consistentes, que
permitam garantir condições de reprodutibilidade e aceitação científica. Uma das
alternativas mais conhecidas é a vermicultura.

Vermicultura é um processo no qual resíduos orgânicos são ingeridos por


uma variedade de minhocas detritívoras (Eudrilus eugeniae, Eisenia fetida e outras)
e depois excretados, produzindo um húmus de fácil assimilação pelos vegetais e de
grande valor agronômico. Ao ingerir a matéria orgânica, as minhocas estariam
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ingerindo também microrganismos patogênicos presentes no lodo e inativando-os


através de sua atividade gástrica.

Entretanto, a presença de gases, como amônia, gás sulfídrico e gás


carbônico, torna o lodo tóxico para as minhocas, acarretando a morte desses
animais. Apesar disso, já existem unidades de grande escala na Austrália e Estados
Unidos, operando com lodo de esgotos misturado com outros resíduos orgânicos,
com capacidades superiores a 400 m3 por semana. No Brasil, esta tecnologia
aplicada à higienização de lodo de esgotos ainda encontra-se em pesquisa, sem
dados concretos para sua definição.

Os raios Beta e Gama podem ser usados para inativar microrganismos


patogênicos devido à sua ação nas estruturas coloidais celulares. Sendo os Beta
formados através de aceleradores de elétrons em campo elétrico da ordem de 1
milhão de volts. Sua efetividade em reduzir patogênicos depende da dosagem de
radiação que é aplicada ao lodo. Esta radiação tem pouco poder de penetração no
lodo, e, portanto, para ser efetiva, precisa ser introduzida passando por uma fina
camada de lodo líquido. E os raios Gama são fótons produzidos por elementos
radioativos como o cobalto 60 e o césio 137. Esses raios são capazes de penetrar
facilmente no lodo e, por conseguinte, a tecnologia pode ser utilizada em lodo líquido
em tubulações ou mesmo desidratado em esteiras transportadoras que tenham
contato com a fonte radioativa.

5.3 Processos de higienização

Alguns processos normalmente utilizados para estabilização da matéria


orgânica presente no lodo também reduzem, concomitantemente, os organismos
patogênicos a níveis inferiores aos limites de detecção. Estes processos são
denominados PFRP (Processes to Further Reduce Pathogens pela USEPA1).

De maneira geral, existe um certo consenso entre os diversos países quanto


às tecnologias que conseguem produzir um lodo sanitariamente seguro para
aplicação irrestrita na agricultura. Entretanto, as variáveis de controle de processo

1
United States Environmental Protection Agency.

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não são iguais para todos, o que traduz, de alguma forma, a grande variabilidade
das condições ambientais e das características do lodo produzido por cada país.

Dentre os processos temos a compostagem que é um processo aeróbico de


decomposição da matéria orgânica efetuada através de condições controladas de
temperatura, umidade, oxigênio e nutrientes. O produto resultante deste processo
tem grande valor econômico como condicionador de solos. A inativação dos
microrganismos patogênicos ocorre principalmente através da via térmica,
ocasionada pelo aumento da temperatura na fase de maior atividade do processo.

Tanto o lodo bruto quanto o lodo digerido podem ser compostados. Materiais
como cavaco de madeira, folhas, resíduos verdes, palha de arroz, serragem ou
outros agentes estruturantes precisam ser adicionados ao lodo para melhor reter a
umidade, aumentar a porosidade e equilibrar a relação entre o carbono e o
nitrogênio.

O processo ocorre em três etapas básicas. Na fase inicial mesófila, ocorre


um rápido crescimento de microrganismos mesófilos, com um gradativo aumento da
temperatura. Na fase termófila, à medida que a temperatura aumenta, os
microrganismos mesófilos diminuem, dando lugar às bactérias e fungos termófilos,
de extrema atividade e capacidade de reprodução, que aumentam mais a
temperatura, inativando microrganismos patogênicos presentes no lodo. Na fase
final mesófila, à medida que o substrato orgânico se esgota, a temperatura diminui,
levando a população de bactérias termófilas à redução, possibilitando novamente
que bactérias mesófilas voltem a se instalar, porém com atividade mais moderada,
devido ao esgotamento do substrato orgânico.

Outro processo seria a digestão aeróbica autotérmica que segue os mesmos


princípios do sistema convencional de digestão aeróbica, com a diferença de operar
em fase termófila, devido a algumas alterações na concepção e na operação do
sistema.

A caleação, calagem ou estabilização alcalina é outro processo utilizado


para se tratar lodos primários, secundários ou digeridos, quer estejam líquidos ou
sólidos. O processo ocorre quando suficiente quantidade de cal é adicionada ao lodo

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para aumentar o pH para 12, resultando em uma redução da população de


microrganismos e da potencial ocorrência de odores.

A pasteurização envolve o aquecimento do lodo a 70º C por 30 minutos,


seguido de uma rápida refrigeração a 4º C. Processo muito utilizado nos EUA e
Europa.

A secagem térmica também tem sido utilizada por muitos países. Passa-se o
lodo por uma fonte de calor, de modo a provocar a evaporação da umidade existente
no lodo e, consequentemente, alcançar uma inativação térmica dos microrganismos.
Para ser economicamente viável, o lodo precisa ser previamente digerido e
desidratado até concentração de sólidos na ordem de 20-35%, antes de ser tratado
termicamente (PINTO, 2001).

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UNIDADE 6 – CONTAMINANTES E CONTAMINAÇÃO

6.1 Principais contaminantes do lodo

Os metais pesados, os poluentes orgânicos e os microrganismos


patogênicos formam genericamente o grupo de componentes que se concentram no
lodo após passarem pelo sistema de tratamento. Essa concentração é variável e
embora alguns dos componentes orgânicos e minerais confiram características
fertilizantes ao lodo, outros são indesejáveis por seu risco sanitário e ambiental
(SILVA et al., 2001).

Dentre todos os metais pesados, os elementos que oferecem perigo são o


Cádmio (Cd), Cobre (Cu), Molibdênio (Mo), Níquel (Ni), Zinco (Zn). Os metais podem
estar presentes no lodo e tem a sua disponibilidade influenciada por reações como
adsorção, complexação, precipitação, oxidação e redução.

Em muitos países, e mesmo no Brasil, a presença de metais pesados é um


dos entraves mais fortes à reciclagem. Há de se acrescentar ainda que o
equacionamento deste fator problemático depende do controle das descargas
industriais na rede de coleta de esgotos.

É recomendação unânime entre as legislações internacionais a manutenção


de pH alcalino ou neutro para diminuir a mobilidade de metais pesados do lodo ao
solo e do solo às plantas. Critério inviável ao caso brasileiro devido aos solos,
caracteristicamente ácidos, e ao sistema de higienização por calagem preconizado
no país, o que responde com incremento do pH do solo, e em casos de solo
neutralizado, pode causar prejuízo ao desenvolvimento das culturas por incremento
excessivo do pH.

Cádmio – é um dos elementos de grande interesse relacionado à aplicação


agrícola do lodo, pois, oferece riscos potenciais para a saúde humana. É o metal tido
como o mais perigoso, sendo desnecessário ao metabolismo vegetal e animal. Sua
concentração média na crosta é de 0,15 ppm. É pouco móvel no perfil do solo.

Uma vez que a Organização Mundial da Saúde recomenda um máximo


permitido de 0,057 a 0,071 mg/d, sérios esforços tem sido realizados para assegurar

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a quantidade do cádmio nos alimentos e na água para não aumentar com as


atividades de aplicação agrícola.

Fatores ambientais tais como a temperatura e o pH do solo (considerado


como o fator mais importante) podem modificar os níveis e distribuição do cádmio
nas plantas (SHEAFFER et al. 1979; CAST, 1980 apud FERREIRA; ANDREOLI,
1999).

Cobre – é um elemento usualmente encontrado em combinação com


proteínas do organismo humano e tem papel na formação de eritrócitos, na liberação
de ferro no tecido e desenvolvimento de vários tecidos do corpo.

Embora o cobre seja um elemento essencial às plantas, pode ser tóxico


acima de certos níveis, sendo um dos metais menos móveis no perfil do solo.

Molibdênio – não é considerado como um elemento muito tóxico aos


humanos, entretanto, elevadas doses podem resultar em toxicidade crônica.
(National Academy Science, 1980 apud FERREIRA; ANDREOLI, 1999).

O lodo de esgoto contém baixos níveis de molibdênio e, provavelmente, não


é a causa da molibdenose em animais, exceto quando são aplicadas altas doses de
molibdênio(> 40 mg/kg) no solo através do lodo (CAST,1976 apud FERREIRA;
ANDREOLI, 1999).

Zinco – é um elemento essencial às plantas e animais e do qual muitos solos


brasileiros são carentes. As doses tóxicas são elevadas dependendo do pH do solo,
sendo que essa toxicidade pode ser manifestada quando o pH for menor que 6,5.

Níquel – o teor de níquel no solo é muito variável dependendo de fatores


como a rocha de origem. Sua fitotoxicidade é de 50 mg/Kg no tecido da planta.
Como a maior parte dos metais, a dose de níquel pode aumentar com o pH abaixo
de 6,5, porém, mesmo mantendo o pH a 6,5 durante a aplicação do lodo, a
toxicidade nas plantas pode ser manifestada (FERREIRA; ANDREOLI, 1999)

6.2 Agentes patogênicos encontrados no esgoto

Além do tipo de tratamento do esgoto adotado, as condições


socioeconômicas e sanitárias da população, a presença de animais no sistema, a

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concentração e tipo de matéria orgânica e o teor de sólidos (matéria seca) ou


quantidade de água, são fatores importantes na contaminação do lodo gerado pelo
processo de tratamento.

Os principais parasitos presentes no lodo compreendem:

 nematoides – Ascaris spp., Ancylostoma duodenale, Neeafor americanus,


Trichuris trichiura, Toxocara canis e Trichostrongylus Axei. Estes parasitos
podem causar desde distúrbios digestivos e nutricionais até gastrite e úlceras
gástricas;

 Cestóides – Taenia spp., Hymenolepis spp., Echinococcus granulosus. Os


sintomas provocados por estes organismos no homem compreendem
problemas digestivos, hepáticos e pulmonares, anorexia, emagrecimento até
sintomas nervosos sendo o mais grave a neurocisticercose provocada por
Taenia solium;

 Protozoários – Entamoeba histolytica, Giardia lamblia, Toxoplasma gondii,


Balantidium coli, Cryptosporidium. Estes protozoários são responsáveis por
problemas como enterite aguda, diarreia, perda de peso, alterações de
sistema nervoso, gastroenterite.

A tabela abaixo apresenta os tempos de sobrevivência dos diferentes


agentes patógenos presentes no lodo (ILHENFELD, 1999).

Fonte: Kawal (s.d. apud ILHENFELD, 1999).

6.3 Contaminação de corpos de água por nutrientes do esgoto

Nitrogênio e fósforo são os principais nutrientes lançados nos corpos de


água superficiais e subterrâneas que têm significado em termos ambientais e de
saúde pública.

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No ciclo do nitrogênio na biosfera, este nutriente se alterna entre várias


formas e estados de oxidação, como resultado de diversos processos bioquímicos.

Segundo Sperling et al. (2009), o nitrogênio é um componente de grande


importância em termos da geração e também do próprio controle da poluição das
águas, devido, principalmente, aos seguintes aspectos:

Poluição das águas Tratamento de esgoto

1- O nitrogênio é um elemento 1- O nitrogênio é um elemento indispensável para o


indispensável para o crescimento de crescimento dos microrganismos responsáveis pelo
algas, podendo, por isso, em certas tratamento de esgoto.
condições, conduzir ao fenômeno de
2- O nitrogênio, nos processos de conversão da
eutrofização de lagos e represas.
amônia a nitrito e, em seguida, do nitrito em nitrato
2- O nitrogênio, nos processos de (nitrificação), que eventualmente possa ocorrer em
conversão da amônia em nitrito e, em uma estação de tratamento de esgoto, implica no
seguida, do nitrito em nitrato consumo de oxigênio e alcalinidade.
(nitrificação), implica no consumo de
3- O nitrogênio, no processo de conversão do nitrato
oxigênio dissolvido no corpo d'água.
em nitrogênio gasoso (desnitrificação) que
3- O nitrogênio na forma de amônia livre eventualmente pode ocorrer em uma estação de
é diretamente tóxico aos peixes. tratamento de esgoto, implica em: (a) economia de
oxigênio e alcalinidade (quando realizado de forma
4- O nitrogênio na forma de nitrato está
controlada) ou (b) deterioração da sedimentabilidade
associado à doenças como a
do lodo (quando não controlado), devido à aderência
metemoglobinemia.
de bolhas de N2 aos flocos em sedimentação.

Em um curso de água, a determinação da forma predominante do nitrogênio


pode fornecer indicações sobre o estágio da poluição eventualmente ocasionada por
algum lançamento de esgoto a montante. Se esta poluição é recente, o nitrogênio
estará basicamente na forma de nitrogênio orgânico ou amônia e, se antiga,
basicamente na de nitrato (as concentrações de nitrito são normalmente mais
reduzidas), desde que se tenha, no meio em questão, o suficiente de oxigênio
dissolvido para permitir a nitrificação. Em resumo, pode-se visualizar as distintas
situações na forma generalizada apresentada na tabela abaixo (abstraindo-se de
outras fontes de nitrogênio que não o esgoto).

Distribuição relativa das formas de nitrogênio segundo distintas condições

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Fonte: Von Sperling et al. (2009, p. 28)

No esgoto doméstico bruto, as formas predominantes são o nitrogênio


orgânico e a amônia. O nitrogênio orgânico corresponde a grupamentos amina. A
amônia tem sua principal origem na ureia, que é rapidamente hidrolisada e
raramente encontrada no esgoto bruto. Estes dois, conjuntamente, são
determinados em laboratório pelo método Kjeldahl, constituindo o assim denominado
Nitrogênio Total Kjeldahl (NTK). A maior parte do NTK no esgoto doméstico tem
origem fisiológica. As demais formas de nitrogênio são usualmente de menor
importância no esgoto afluente a uma estação de tratamento. Em resumo, têm-se as
seguintes equações:

NTK = amônia + nitrogênio orgânico (forma predominante no esgoto


doméstico)

NT = NTK + N02- + N03- (nitrogênio total)

O NTK pode ser ainda dividido em uma fração solúvel (dominada pela
amônia) e uma fração particulada (associada aos sólidos em suspensão orgânicos –
o nitrogênio participa na constituição de praticamente todas as formas de matéria
orgânica particulada do esgoto).

A amônia existe em solução tanto na forma de íon amônio (NH 4+) como na
forma não ionizada (NH3), segundo o seguinte equilíbrio dinâmico:

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onde: NH3: amônia livre

NH4+: amônia ionizada

A distribuição relativa assume a seguinte forma em função dos valores de


pH:

• pH < 8 Praticamente toda a amônia na forma de NH4+

• pH = 9,5 Aproximadamente 50% NH3 e 50% NH4+

• pH > 11 Praticamente toda a amônia na forma de NH3

Assim, pode-se ver que na faixa usual de pH, próxima à neutralidade, a


amônia apresenta-se praticamente na forma ionizada. Isto tem importantes
consequências ambientais, pois a amônia livre é tóxica aos peixes em baixas
concentrações. A temperatura do líquido influi também nesta distribuição. Na
temperatura de 25°C, a proporção da amônia livre em relação à amônia total é
aproximadamente o dobro em relação à temperatura de 15°C (SPERLING et al.,
2009).

Em cursos de água ou em estações de tratamento de esgoto, a amônia pode


sofrer transformações posteriores. No processo de nitrificação, a amônia é oxidada
em nitrito e o nitrito em nitrato. No processo de desnitrificação, os nitratos são
reduzidos a nitrogênio gasoso.

O fósforo total no esgoto doméstico apresenta-se como fosfatos, nas


seguintes formas:

 inorgânica (polifosfatos e ortofosfatos) – origem principal nos detergentes e


outros produtos químicos domésticos;

 orgânica (ligada a compostos orgânicos) – origem fisiológica.

O fósforo presente nos detergentes e na água residuária bruta ocorre na


forma de polifosfatos solúveis ou, após hidrólise, na forma de ortofosfatos. O fósforo
originário dos detergentes pode representar até 50% da concentração de fósforo

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total no esgoto doméstico. Os polifosfatos são moléculas mais complexas com dois
ou mais átomos de fósforo. Os polifosfatos se transformam em ortofosfatos pelo
mecanismo de hidrólise, que apesar de lento, inicia-se, e parcialmente ocorre, no
próprio sistema de coleta de esgoto. Os ortofosfatos são diretamente disponíveis
para o metabolismo sem necessidade de conversões a formas mais simples. A
forma na qual os ortofosfatos se apresentam na água depende do pH, e incluem
PO43-, HPO42- h2PO4- H3PO4. Em esgoto doméstico típico, a forma predominante é o
HPO24-.

Uma outra possível classificação do fósforo presente no esgoto é quanto à


sua forma como sólidos (IAWQ, 1995 apud SPERLING et al., 2009):

 fósforo solúvel (predominantemente inorgânico) – principalmente polifosfatos


e ortofosfatos (fósforo inorgânico), acrescidos de uma pequena fração
correspondente ao fósforo ligado à matéria orgânica solúvel do esgoto;

 fósforo particulado (todo na forma orgânica) – ligado à matéria orgânica


particulada do esgoto.

A importância do fósforo associa-se principalmente aos seguintes aspectos:

 o fósforo é um nutriente essencial para o crescimento dos microrganismos


responsáveis pela estabilização da matéria orgânica. Usualmente, o esgoto
doméstico possui um teor suficiente de fósforo, mas em certos despejos
industriais o teor pode ser insuficiente para o crescimento dos
microrganismos;

 o fósforo é um nutriente essencial para o crescimento de algas, podendo, por


isso, em certas condições, conduzir a fenômenos de eutrofização de lagos e
represas;

 o fósforo não apresenta implicações sanitárias na qualidade da água.

A eutrofização é o enriquecimento do meio aquático com nutrientes,


causando o crescimento de organismos e plantas aquáticas, tanto planctônicas

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quanto aderidas, que podem atingir níveis tais que sejam causadores de
interferências aos usos desejáveis do corpo d’água. Normalmente, o maior fator de
preocupação são as algas, cujo crescimento depende do aporte de nutrientes como
nitrogênio e fósforo. Quando a concentração dos nutrientes é elevada, tem-se
também a elevação da concentração de algas no meio aquático – que pode chegar
a níveis tais que cause problemas aos vários usos previstos para o corpo d’água.
Em condições de elevada eutrofização, as algas poderão atingir superpopulações,
no evento denominado floração das algas. A eutrofização pode também ter como
resultado a proliferação de macrófitas, especialmente o aguapé (gigoga, jacinto de
água) (SPERLING et al., 2009).

São os seguintes os principais efeitos indesejáveis da eutrofização


(BRANCO, 1978; BRANCO; ROCHA, 1979; VON SPERLING, 2005):

 problemas estéticos e recreacionais. Diminuição do uso da água para


recreação, balneabilidade e redução geral na atração turística devido a:
frequentes florações das águas; crescimento excessivo da vegetação;
distúrbios com mosquitos e insetos; eventuais maus odores; eventuais
mortandades de peixes;

 condições anaeróbias no fundo do corpo d'água. O aumento da produtividade


do corpo d’água causa uma elevação da concentração de bactérias
heterotróficas que se alimentam da matéria orgânica das algas e de outros
microrganismos mortos, consumindo oxigênio dissolvido do meio líquido. No
fundo do corpo d’água predominam condições anaeróbias devido à
sedimentação da matéria orgânica e à reduzida penetração do oxigênio
nestas profundidades, bem como à ausência de fotossíntese (ausência de
luz). Com a anaerobiose, predominam condições redutoras, com compostos e
elementos no estado reduzido: o ferro e o manganês encontram-se na forma
solúvel, trazendo problemas ao abastecimento de água; o fosfato encontra-se
também na forma solúvel, representando uma fonte interna de fósforo para as
algas; o gás sulfídrico pode causar problemas de toxicidade e maus odores;

 eventuais condições anaeróbias no corpo d’água como um todo. Dependendo


do grau de crescimento bacteriano, pode ocorrer, em períodos de mistura

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total da massa líquida (inversão térmica) ou de ausência de fotossíntese


(período noturno), mortandade de peixes e reintrodução dos compostos
reduzidos em toda a massa líquida, com grande deterioração da qualidade da
água. Como as algas se concentram na superfície em excesso impedem a
penetração da luz, indispensável para a fotossíntese, dificultando, desta
forma, a consequente produção de oxigênio, mesmo nas horas iluminadas do
dia;

 eventuais mortandades de peixes. A mortandade de peixes pode ocorrer em


função de: anaerobiose; toxicidade por amônia. Em condições de pH elevado
(frequentes durante os períodos de elevada fotossíntese, em consequência
da retirada da acidez carbônica), a amônia apresenta-se em grande parte na
forma livre (NH3), tóxica aos peixes, ao invés de na forma ionizada (NH4+),
não tóxica;

 maior dificuldade e elevação dos custos de tratamento da água. A presença


excessiva de algas afeta substancialmente o tratamento da água captada no
lago ou represa, dada a necessidade de: remoção da própria alga; remoção
de cor; remoção de sabor e odor; maior consumo de produtos químicos;
lavagens mais frequentes dos filtros;

 problemas com o abastecimento de águas industriais. Elevação dos custos


para o abastecimento de água industrial devido a razões similares às
anteriores, e também aos depósitos de algas nas águas de resfriamento;

 toxicidade das algas. Rejeição da água para abastecimento humano e animal


em razão da presença de secreções tóxicas de cianobactérias (cianotoxinas);

 modificações na qualidade e quantidade de peixes de valor comercial;

 redução da navegabilidade e da capacidade de transporte. O crescimento


excessivo de macrófitas enraizadas interfere na navegabilidade, aeração e
capacidade de transporte do corpo d’água, podendo comprometer o sistema
de drenagem urbana e ocasionar inundações e enchentes na área de
abrangência da bacia hidrográfica.

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As estratégias de controle da eutrofização, usualmente adotadas, podem ser


classificadas em categorias amplas – preventivas e corretivas (THOMANN;
MUELLER, 1987; VON SPERLING, 1995 apud SPERLING, 2009).

Controle de eutrofização

Medidas preventivas – atuação na Medidas corretivas – atuação no


bacia hidrográfica, controlando as lago ou represa
fontes externas.

Controle do esgoto. processos mecânicos


Controle da drenagem pluvial, processos químicos
incluindo a questão dos resíduos
processos biológicos
sólidos.
Controle do uso do solo na bacia,
sobretudo quanto à utilização abusiva
de adubos na agricultura e pecuária.

As medidas preventivas podem incluir estratégias relacionadas ao esgoto ou


à drenagem pluvial. Quanto ao uso excessivo de adubos na bacia hidrográfica, trata-
se de uma questão de educação, normatização, fiscalização e vigilância.

Quanto ao controle do esgoto, este pode se dar tratando-o com remoção de


nutrientes; tratando-o convencionalmente e lançando a jusante da represa;
exportando-o para outra bacia hidrográfica, que não possua lagos ou represas,
seguida por tratamento convencional do esgoto ou por infiltração do esgoto no
terreno (se a água do aquífero sob o terreno for utilizada para consumo humano há
necessidade de tratamento com remoção de nitrogênio).

Já o controle da drenagem pluvial se faz controlando o uso e ocupação do


solo na bacia; utilizando uma faixa verde ao longo da represa e por meio de tributos,
bem como construindo as barragens de contenção.

É preciso considerar o impacto ambiental do nitrogênio, na forma de nitrato


usualmente oriundo de sistemas de disposição de esgoto no solo que envolvem
infiltração (principalmente fossas, em sistemas individualizados), quando este atinge
a água subterrânea. Há registros também de contaminação causada por exfiltração

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de esgoto em sistemas dinâmicos de coleta e transporte do esgoto, principalmente


quando o sistema é bastante antigo e apresenta falhas.

O líquido que percola das fossas para o solo contém nitrogênio (convertido
em nitrato, no solo). Como consequência, a água subterrânea sob ou perto das
fossas pode se tornar poluída, o que causa problemas quando a qualidade da água
de abastecimento retirada de poços, ou seja, é afetada.

Quando existe grande densidade de fossas, as concentrações de nitrato


podem atingir níveis muito acima daqueles recomendados pela OMS e disciplinados
pelo Ministério da Saúde para águas potáveis. O nitrato é formado por uma reação
sequencial catalisada por microrganismos, através da oxidação da amônia em nitrito
e, do nitrito em nitrato. Concentrações de nitrato superiores a 10 mg N-N03-/L podem
causar a metemoglobinemia, podendo trazer graves consequências para a saúde –
inclusive morte, principalmente em lactentes. A sensibilidade para a
metemoglobinemia parece estar relacionada ao pH estomacal das crianças (igual ou
maior do que 4). Nestas condições, as bactérias redutoras de nitrato se
desenvolvem no intestino delgado, reduzindo o nitrato a nitrito, que, por sua vez, é
absorvido pela corrente sanguínea, provocando a conversão da hemoglobina em
metemoglobina. O pigmento alterado, não transportando com eficiência o oxigênio,
provoca a asfixia (WHO, 1978 apud SPERLING et al., 2009).

No caso do uso de fossas com infiltração dos efluentes no solo, há sempre o


risco de contaminação dos aquíferos sob o terreno, qualquer que seja o nível de
tratamento e a qualidade da obra ou da operação. O processo anaeróbio não
remove o nitrogênio do esgoto e não há diferença significativa quanto à remoção do
nitrogênio entre uma fossa rudimentar ou um tanque séptico.

O nitrato, oriundo do nitrogênio oxidado do esgoto, é praticamente estável


em solos pobres em matéria orgânica. Esta estabilização acontece porque a
nitrificação ocorre nas camadas superiores do solo. A desnitrificação, por seu turno,
não é possível, uma vez que, nestes solos pobres, não há matéria orgânica para a
troca de elétrons. Como o nitrato é estável e solúvel em água, ele acaba atingindo o
aquífero quando o esgoto ou efluentes de fossas são lançados ou infiltrados no solo.
Por isso, em regiões arenosas, situadas sobre aquíferos utilizados para captação de

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água para abastecimento humano, a infiltração de esgoto ou efluentes de fossas no


solo causa grave problema (SPERLING et al, 2009).

Vale a pena conferir a seguinte legislação:


Resolução CONAMA nº 357/05
Portaria nº 518/04 do Ministério da Saúde
Resolução CONAMA nº 396/08

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UNIDADE 7 – REUSO DE ÁGUA DE ESGOTOS

A utilização de esgoto para diversos fins tem sido uma prática que vem
sendo difundida no mundo inteiro, contribuindo para diminuir os problemas
resultantes da escassez, da má distribuição e da má qualidade da água.

No reuso em irrigação, hidroponia e piscicultura, além do suprimento de


água, o esgoto pode proporcionar o fornecimento de nutrientes necessários às
plantas e aos animais aquáticos.

Experiências desenvolvidas em todo o mundo, inclusive as realizadas há


alguns anos pelo Programa de Pesquisa em Saneamento Básico (Prosab), indicam
que o uso de esgoto doméstico tratado contribui para a redução da utilização de
fertilizantes artificiais na irrigação e hidroponia, e na economia de ração na
piscicultura. Os nutrientes presentes nos efluentes de estações de tratamento de
esgoto são aproveitados pelas plantas e animais, alcançando-se, muitas vezes,
bons desenvolvimentos das culturas e dos peixes, mesmo sem o fornecimento de
fertilizantes artificiais ou rações comerciais (BASTOS, 2003; FLORÊNCIO et al.,
2006).

Assim, uma gestão integrada dos efluentes de estações de tratamento de


esgoto, em que se considere a prática de reuso, constitui uma medida importante
para evitar a poluição de corpos d’água por nutrientes, ao mesmo tempo em que
proporciona o seu uso em atividades produtivas.

Este é um bom campo de pesquisa para os engenheiros ambientais, uma


vez que aqui podemos fazer uma analogia com o desenvolvimento sustentável que
buscamos para as matas, solo, ou seja, devem ser buscadas soluções para a
remoção dos nutrientes do esgoto, associando-as a sistemas de reuso de água em
que os mesmos sejam aproveitados.

7.1 Na agricultura

De modo geral o lodo de esgoto tem grande interesse agrícola pelo seu
conteúdo em nutrientes minerais, principalmente nitrogênio, fósforo e

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micronutrientes, mas especialmente pelo seu teor em matéria orgânica, cujos efeitos
no solo se fazem sentir a longo prazo, melhorando sua resistência à erosão e à
seca, ativando a vida microbiológica do solo e, possivelmente, aumentando a
resistência das plantas às pragas (SANEPAR, 1997).

A matéria orgânica do lodo bem digerido consiste principalmente de húmus


ou de constituintes húmicos. Estas substâncias se decompõem muito lentamente,
propiciando condições favoráveis para o crescimento de organismos desejáveis no
solo agrícola. Possuem também a propriedade de reter os nutrientes oriundos de
fertilizantes químicos, mesmo após chuvas moderadas, liberando-as lentamente –
juntos com os nutrientes que já possuem e que foram originários do lodo – segundo
a demanda das raízes das plantas.

O lodo bem digerido traz em sua massa uma proporção muito grande de
partículas aglomerantes, que tendem a formar compostos de estrutura em forma de
anéis com íons metálicos que, por sua vez, aglomeram partículas finas do solo,
minerais e sais, favorecendo a penetração das raízes e a abertura de sulcos na terra
(SANTOS, 1996).

Muitas vezes é subestimado o aumento da fertilidade física dos solos


através da aplicação dos lodos. Os lodos digeridos aumentam mais a fertilidade
física do campo do que a sua fertilidade química, principalmente devido aos
seguintes fatores: capacidade de reter a umidade; formação de camada protetora
que reduz ou elimina a erosão pelo vento e pela chuva; melhoria das condições de
abertura de sulcos no terreno; melhoria da estrutura do solo quanto às condições de
aeração pelo aumento do volume de vazios; redução das perdas de nutrientes, pela
maior dificuldade no escoamento superficial; condições favoráveis para a
proliferação de micro e macro organismos desejáveis na agricultura, como as
minhocas, por exemplo.

Quimicamente, o lodo possui nutrientes e constituintes potencialmente


indesejáveis. Geralmente, uma ou duas aplicações, à baixa taxa no terreno, são
suficientes para suprir todo o nitrogênio e fósforo requerido pelas culturas (seu teor
de potássio é baixo) sem apresentar riscos potenciais de contaminação das águas
do subsolo (SANTOS, 1996).

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Mesmo com o tratamento de higienização do lodo e o monitoramento dos


metais pesados, é necessário um critério de seleção de áreas que tornem qualquer
possibilidade de risco a menor possível e que ao mesmo tempo propicie a melhor
resposta agrícola para otimizar o uso do lodo.

Os critérios para escolha de áreas aptas devem ter como objetivo reduzir ao
mínimo os riscos associados ao uso agrícola do lodo e ao mesmo tempo otimizar a
resposta agronômica. Dentre outros fatores, a área ideal é aquela onde o lodo possa
ser utilizado pelas plantas sem resultar em movimento de qualquer componente do
lodo por lixiviação ou escorrimento superficial. Na seleção das áreas aptas, é
necessário considerar os seguintes pontos (SANEPAR, 1997):

a) proximidade de residências – dependendo da estabilidade, o lodo pode


apresentar cheiro e, consequentemente, a atração de insetos vetores. Mesmo
considerando que somente será autorizada a distribuição de lodo estabilizado
higienizado, deverá ser respeitada uma distância mínima de 200 metros de
residências, sempre considerando a direção dos ventos dominantes;

b) declividade – se elevada, facilita o transporte do lodo para outros locais


por erosão. A área ideal deve ser plana ou ter até 3% de declividade. Acima de 15%,
a declividade se torna um fator limitante;

c) profundidade do solo – o solo é um bom meio filtrante, impedindo a


lixiviação de diversos componentes do lodo. Deve haver uma distância mínima de
1,5 m entre a superfície do solo e a rocha intemperizada;

d) lençol freático – se o lençol freático estiver muito próximo à superfície, as


chances de contaminação aumentam. Deve estar a uma profundidade mínima de
1,5 m até o lençol freático;

e) textura do solo – solos muito arenosos permitem a lixiviação com mais


facilidade, enquanto os solos muito argilosos dificultam a drenagem. O ideal é que o
solo tenha entre 35 a 60% de argila;

f) estrutura do solo – diz respeito à organização dos agregados do solo.


Estruturas muito massivas restringem o movimento da água e aeração do solo. A

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restrição à infiltração da água facilita o transporte do lodo por erosão enquanto que a
falta de aeração diminui a velocidade da biodegradação do lodo;

g) acidez do solo – o pH do solo é uma importante propriedade química que


influi na atividade microbiológica do solo (e portanto na biodegradação do lodo), na
absorção de nutrientes pela planta, e na mobilidade dos cátions metálicos.

Quase todos os metais, com exceção do selênio e molibdênio, são mais


solúveis em pH ácido. A maioria das pesquisas indica que se o pH do solo estiver
entre 6,0 e 6,5 há uma redução efetiva na absorção de metais pesados pelas
plantas.

Portanto, se o solo apresentar característica ácida deve ser feita a calagem


de acordo com a recomendação agronômica, antes da incorporação do lodo. Não
será permitido o uso do lodo para solos ácidos que não tenham sofrido a prévia
correção;

h) capacidade de troca catiônica (CTC) – solos com maior CTC têm mais
capacidade de imobilizar metais pesados e, portanto, suportam doses maiores de
lodo com maior segurança;

i) proximidade de corpos de água – para evitar que o lodo seja transportado


por erosão, deve haver uma distância de pelo menos 100 metros entre a área de
aplicação do lodo e rios, lagos, etc. Esta distância deve ser aumentada para solos
com maior declividade, especialmente quando não houver a proteção de matas
ciliares;

j) registros de utilização – toda incorporação de lodo a solos agrícolas deve


ser registrada localizando-se claramente através de mapas as áreas que receberam
lodo, as doses e os teores de metais pesados do lodo que foi utilizado (CHAGAS,
2000).

As propriedades do lodo de esgoto são semelhantes a outros produtos


orgânicos usados normalmente na agricultura (esterco suíno, bovino, avícola),
portanto, em termos de resultados agronômicos, o lodo poderia ser aplicado à
maioria das culturas. Porém, algumas culturas se prestam mais que outras para o
uso do lodo, seja por aproveitarem melhor sua composição química e liberação lenta

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do nitrogênio, seja por eliminarem os riscos associados à reciclagem de resíduos


animais, principalmente com relação aos patógenos.

De uma forma geral, qualquer cultura de grãos ou frutas que não entram em
contato direto com o solo – e, portanto, com o lodo aplicado – pode ser considerada
adequada, sob o ponto de vista de segurança sanitária (CHAGAS, 2000).

De uma forma mais restrita, culturas destinadas a serem consumidas cruas


pela população, não devem ser plantadas em terrenos que recebam lodo.

O milho e as gramíneas, de modo geral (trigo, cano, sorgo), pelas suas


características, são as culturas mais recomendadas e as que dão melhores
respostas ao uso do lodo. Outras aplicações como fruticultura, reflorestamento e
recuperação de áreas degradadas também são alternativas interessantes, dentro de
critérios específicos de utilização (SANEPAR, 1997).

7.2 Em hidroponia

A Hidroponia é uma técnica que permite o crescimento e o desenvolvimento


de vegetais sem o suporte físico e nutricional do solo. Os nutrientes, neste caso, são
retirados diretamente de uma solução nutritiva que contém íons essenciais para a
planta. As raízes são alimentadas ou pelo contato direto com esta solução ou
através da utilização de um suporte de substrato inerte (MELO et al., 2009).

O esgoto tratado é rico em sais dissolvidos que são essenciais para as


plantas e, portanto, podem ser utilizados como solução de nutrientes na hidroponia.
O uso da técnica de cultivo em hidroponia com esgoto tratado é uma ferramenta
poderosa na preservação e uso racional da água. Permite uma economia de área
necessária de até dez vezes quando comparado a sistemas de cultivo em solo
irrigado. Esta técnica se baseia no princípio de reciclagem da água, podendo ser
utilizada ainda como unidade de pós-tratamento de efluentes domésticos. Desta
forma, os sistemas hidropônicos que utilizam esgoto tratado atuam, principalmente,
na remoção biológica dos nutrientes eutrofizantes (nitrogênio e fósforo) além de
remover teores remanescentes de matéria orgânica carbonácea e outros íons que
servirão de “alimento” para as plantas cultivadas.

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Outras vantagens de caráter ambiental do uso do esgoto tratado em


hidroponia são: redução acentuada do uso de agrotóxicos – não faz uso de
herbicidas, diminui a aplicação de inseticidas e fungicidas por ser praticada em
ambiente protegido (estufas ou viveiros); evita problemas de poluição de mananciais
(poluição esta causada pelo carregamento de solo e fertilizante nos processos de
erosão).

Existem, no entanto, importantes aspectos que devem ser considerados


para uma adequada utilização do esgoto tratado em hidroponia, tais como: a
presença excessiva de nitrogênio e o alto teor de sais dissolvidos, que podem
comprometer culturas pouco tolerantes; a presença de íons específicos, que são
tóxicos a algumas culturas; a ausência de nutrientes fundamentais a determinadas
culturas; o risco de saúde ao trabalhador e usuários dos produtos hidropônicos
devido à contaminação de organismos patogênicos existentes no esgoto bruto. Para
estas dificuldades, contudo, as pesquisas têm apresentado soluções inteligentes e
seguras.

O desempenho dos sistemas hidropônicos está em função de fatores


intrínsecos e extrínsecos à planta cultivada.

Os fatores intrínsecos estão relacionados à genética e fisiologia da planta


escolhida para o cultivo hidropônico. Enquanto os fatores extrínsecos, por sua vez,
estão relacionados com a toda técnica de cultivo utilizada durante o ciclo produtivo
da cultura: desde a escolha e qualidade das sementes, consideração das condições
climáticas, do manejo diário empregado, até as práticas de colheita e conservação
dos produtos.

O controle ambiental visa proporcionar às culturas condições ideais para que


elas cresçam, desenvolvam-se satisfatoriamente e obtenham sua maior
produtividade.

Segundo Rodrigues (2002), o controle ambiental em ambientes protegidos


pode ser dividido em duas partes distintas. A primeira está relacionada ao ambiente
aéreo, em que os fatores físicos (tais como a luminosidade, temperatura, e outros)
atuam. A segunda diz respeito ao ambiente em que o sistema radicular se

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desenvolve sob a influência de fatores nutricionais e físicos. No ambiente aéreo,


destacam-se a temperatura e a umidade relativa do ar.

Segundo a regra geral: no ambiente para cultivos hidropônicos deve,


preferencialmente, haver livre circulação do ar, contanto que a variação de
temperatura ambiente da estufa, ou casa de vegetação, não sofra variações
bruscas.

Importância especial deve ser dada ao controle do ambiente onde se


desenvolvem as raízes. Sendo assim, além da temperatura ambiente, outro fator
essencial é a temperatura da solução nutritiva. O aquecimento do sistema radicular
aumenta a taxa de crescimento da planta que, por sua vez, está associado ao
aumento da área foliar. Consequentemente, as taxas de fotossíntese e de
translocação também aumentam (WOLFE, 1997; MOORBY et al., 1980, apud
RODRIGUES, 2002). O desenvolvimento, contudo, aumenta até que o nível
considerado ótimo pela planta seja alcançado; acima deste nível, o crescimento é
reduzido.

O principal objetivo da utilização de esgoto tratado em hidroponia é o


aproveitamento deste esgoto como fonte de recurso hídrico com conteúdo
nutricional. Desta forma, preservam-se águas de melhor qualidade para fins mais
nobres e diminui-se o impacto no meio ambiente. Deve-se ter sempre em mente que
o reuso de águas tem por finalidade precípua a preservação dos mananciais de
água potável. Sendo assim, sua utilização de forma mais eficiente pode ser
considerada como um dos fatores determinantes do sucesso desta técnica (MELO et
al., 2009).

Os cultivos hidropônicos podem ser realizados em sistemas abertos (sem


recirculação da água) ou em sistema fechado (em que a água é reaproveitada ao
máximo até não oferecer mais condições de uso em razão do acúmulo de
substâncias e elementos tóxicos ou por questões de higienização).

Em cultivos hidropônicos pela técnica do filme nutriente (em calhas)


utilizando esgoto tratado, recomenda-se o emprego de sistemas fechados,
aumentando assim a “vida útil” da solução nutriente e proporcionando um maior
tratamento do esgoto – maior eficiência na remoção de nutrientes eutrofizantes.

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Sistemas abertos são ainda menos recomendados quando existe a utilização de um


substrato que não se decompõe no solo após sua utilização e disposição final.

Pesquisas realizadas pela UFRN e pela UFPA comprovam que, com um


manejo adequado, a solução pode recircular por períodos de até 120 dias sem trazer
perdas de produtividade ou problemas de doenças às plantas.

Para cultivo hidropônico em tabuleiros, como o empregado na produção de


forragem hidropônica, a evapotranspiração é muito elevada e o efluente final é muito
reduzido. O sistema, portanto, nesta situação, não necessita de recirculação, sendo
mais adequado o sistema aberto.

A produção vegetal depende do fornecimento de todos os nutrientes de que


a planta necessita.

A questão da utilização de esgoto tratado em hidroponia exige, portanto, o


conhecimento de três critérios básicos: caracterização físico-química; levantamento
dos efeitos do uso do esgoto tratado sobre a produção e produtividade das plantas;
e o conhecimento dos riscos associados à saúde e ao meio ambiente.

Esses conhecimentos são de vital importância e estão relacionados com a


escolha da cultura, o tipo de sistema hidropônico empregado e/ou o manejo a ser
dado, e evitam, inclusive, o desperdício, ou uso impróprio, da água com nutrientes –
como citado anteriormente.

O primeiro critério a ser considerado está associado à caracterização do


efluente tratado. É possível estabelecer, como regra geral, algumas condições para
a utilização de esgoto tratado em substituição às soluções nutritivas sintéticas
convencionais. São elas: baixa concentração de sólidos suspensos; baixas
concentrações de bicarbonatos; baixos teores de sódio e cloro; baixa dureza da
água; ausência de íons tóxicos.

O controle das concentrações de sólidos suspensos deve ser a preocupação


mais frequente, sob pena de total insucesso. Quando os sólidos suspensos estão
presentes em concentrações altas, ou mesmo moderadas, nos efluentes (esgoto
tratado) a serem usados como substitutos de solução nutritiva, eles agregam-se ao
sistema radicular da planta e prejudicam sua oxigenação. Portanto, a eficiência do

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tratamento do esgoto para uso em hidroponia deve ser suficiente para assegurar um
efluente com baixas concentrações de sólidos suspensos (menor que 30 mg/L
preferencialmente abaixo de 20 mg/L). Felizmente, com a tecnologia de tratamento
de esgoto disponível no Brasil, pode-se obter concentrações de sólidos suspensos
nos efluentes abaixo de 30 mg/L sem maiores dificuldades.

O segundo critério está relacionado às concentrações relativas de cada íon,


haja vista que estes íons influenciam na absorção e assimilação dos elementos
nutritivos para as plantas, ou seja, na interação entre os nutrientes envolvendo
fenômenos sinérgicos e antagônicos.

A produção das culturas é afetada pela eficiência nutricional. O termo


eficiência nutricional, aqui, refere-se à eficiência de absorção – que indica a
capacidade da planta de “extrair” nutrientes do meio de cultivo (esgoto tratado).

Os principais aspetos relacionados ao fornecimento do esgoto tratado são:


determinação da quantidade (vazão de alimentação); periodicidade (turnos de rega);
estabelecimento do tempo de recirculação e; definição sobre a correção do esgoto
(pH e adição de nutrientes) (MELO et al., 2009).

Quanto à determinação da quantidade é importante considerar que,


enquanto vazão, o ideal é que a lâmina de água encubra as raízes possibilitando
assim que ocorram as trocas gasosas com o meio. Algumas bibliografias destacam a
necessidade de fornecer uma quantidade mínima diária de água para cada planta.
Para flores ornamentais, essa necessidade varia entre 2 e 3 litros/dia.

O estabelecimento da vazão é, portanto, em função da cultura que vai ser


instalada. De acordo com a cultura, serão colhidas as informações sobre suas
necessidades hídricas e a largura, ou diâmetro, necessárias para a calha de cultivo
(a lâmina deve ser suficiente para encobrir as raízes).

Um parâmetro secundário para o estabelecimento da vazão, mas que


também deve ser levado em consideração, é o comprimento das calhas. O
comprimento x espécie cultivada (espaçamento adequado) é que definirá o número
de plantas totais a serem alimentadas – embora também influa o fato de que a
solução deve chegar ao final das calhas com nutrientes e oxigenação suficientes.

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Quanto à periodicidade, normalmente o sistema de alimentação é


intermitente, ou seja, os períodos se alternam continuamente entre rega e descanso.
Isto ocorre porque existe a necessidade de respiração do sistema radicular. O ciclo
de rega deve ser tal que proporcione a formação de uma lâmina de esgoto tratado
envolvendo todo o sistema radicular para que haja um melhor contato e
consequente melhor absorção dos nutrientes ao mesmo tempo em que cuide para
raiz não chegar a secar. Os períodos de rega e descanso são determinados em
função da cultura e das condições climáticas (principalmente temperatura e umidade
relativa do ar). Algumas plantas mais adaptadas ao clima do local de cultivo regulam
a sua transpiração, perdendo menos água, e, portanto, podem ficar períodos mais
longos sem alimentação (MELO et al., 2009).

Quanto ao estabelecimento do tempo de recirculação e definição sobre a


correção do esgoto, vale destacar dois aspectos preponderantes para a correta
operação de sistemas hidropônicos. A saber: a escolha do tempo de recirculação do
esgoto tratado nos sistemas fechados (determinação da “vida útil” do esgoto) e a
definição da necessidade (ou não) da correção do pH, ou da concentração de
determinados nutrientes do esgoto. Ambos os fatores estão correlacionados e estão
em função das características nutricionais do esgoto tratado utilizado, da planta
cultivada e ainda de fatores ambientais.

O uso de efluentes de estações de tratamento de esgoto sanitário na


hidroponia pode propiciar as seguintes vantagens: utilização de quase todo o
efluente, evitando a poluição e a contaminação ambiental; remoção de nutrientes
eutrofizantes, retidos na biomassa vegetal da cultura; em casos de dificuldades de
transporte do esgoto até campos de irrigação há viabilidade da opção de transportar
o produto cultivado; facilita o controle sanitário; e, exige pequenas áreas (o que
facilita a localização próxima do ponto de reunião e de tratamento do esgoto).

As várias formas de produção hidropônica com esgoto tratado podem


contribuir para o controle da poluição ambiental e para a proteção do meio ambiente
porque, devido ao consumo do esgoto tratado para formação da biomassa e na
evapotranspiração, a resultante do efluente final é de pequena quantidade. O
tratamento de esgoto mais perfeito é aquele que remove não só os constituintes

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indesejáveis, mas também o próprio esgoto, transformando-o em outras matérias. O


uso de esgoto tratado em hidroponia com fins produtivos é uma tecnologia de
reciclagem ecológica e natural, plenamente sustentável do ponto de vista ambiental.
Ademais, como forma de disposição adequada para o esgoto sanitário, protege a
saúde pública e contribui para a melhoria das condições de vida e para o
desenvolvimento econômico e social (MELO et al., 2009).

Um exemplo é a produção de forragem verde hidropônica com esgoto


tratado que traz benefícios tecnológicos, econômicos, sociais e ambientais. Reúne,
em uma única tecnologia: tratamento complementar de esgoto, e, portanto, proteção
da saúde pública e do meio ambiente; produção de alimento; fortalecimento da
economia local; controle da poluição e preservação dos recursos hídricos;
reciclagem de nutrientes; reuso de águas; e demais vantagens da hidroponia natural
e orgânica, que não utilizam produtos químicos. É certamente a tecnologia mais
ecologicamente sustentável que se dispõe (MELO et al., 2009).

7.3 Na piscicultura

Os números, como veremos, mostram que a aquicultura é a atividade que,


provavelmente, mais cresce no setor de produção de alimento. Atualmente, é
responsável por algo em torno de 50% da produção mundial de pescado, e tem
grande potencial para suprir a crescente demanda por alimento de origem aquática.
Tendo em vista as projeções de crescimento populacional para as próximas duas
décadas, estima-se que será necessário um aumento de cerca de 40 milhões de
toneladas, até 2030, para a manutenção do consumo per capita de alimento de
origem aquática. A aquicultura mundial passou por um considerável crescimento
durante os últimos 50 anos, tendo a produção passado de aproximadamente um
milhão de toneladas, em 1950, para 59,4 milhões de toneladas, em 2004 (FAO,
2006 apud MOTA et al., 2009).

Segundo Valenti et al. (2000), a aquicultura é um processo de produção em


cativeiro de organismos com habitat predominante aquático, em qualquer estágio de
desenvolvimento, ou seja: ovos, larvas, pós-larvas, juvenis ou adultos. Neste

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contexto, a aquicultura moderna apoia-se em três pilares fundamentais: a produção


lucrativa, a preservação do meio-ambiente e o desenvolvimento social.

Dentre as diversas atividades de produção em cativeiro de organismos


aquáticos, destaca-se a piscicultura, referente à atividade de criação de peixes e que
pode variar entre a piscicultura marinha (que é aquela realizada com espécies
marinhas e em ambientes com água salgada ou salobra) e a piscicultura continental
(realizada em águas interiores e com espécies de água doce) (SANTOS, 2008).

De acordo com a FAO (2006 apud MOTA et al., 2009), as carpas são as
espécies de peixe de água doce mais cultivadas no mundo (com aproximadamente
18 milhões de toneladas produzidas no ano de 2004), seguidas pelas tilápias (com
aproximadamente 2,0 milhões de toneladas).

Os sistemas de produção em piscicultura podem ser classificados em:


extensivo, semi-intensivo, intensivo e superintensivo, de acordo com a intensidade
de estocagem, as práticas de manejo e uso de insumos.

O esgoto doméstico tem sido mundialmente usado em diversas variedades


de sistemas de aquicultura, na maioria dos casos na produção de peixes
(FELIZATTO, STARLING; SOUZA, 2000).

O cultivo de peixes e plantas aquáticas em tanques fertilizados com águas


residuárias e excretas é uma prática antiga, sobretudo na Ásia, China, Índia,
Indonésia e Vietnã. A partir de 1975, foram desenvolvidos vários estudos de
aproveitamento do efluente tratado para aquicultura, destacando-se o projeto
desenvolvido pelo Cepis (Centro Pan-americano de Ingenieria Sanitária y Ciências
dei Ambiente), iniciado em 1983. O Cepis é filiado à Organização Pan-Americana da
Saúde, e representa, ainda hoje, o centro de referência de reuso em aquicultura da
América Latina (FELIZATTO; STARLING; SOUZA, 2000).

Diversos trabalhos de pesquisa e experiências em escala real registram a


viabilidade do uso de esgoto sanitário tratado em piscicultura e indicam que, com
adequado manejo, logra-se alcançar boa produtividade e minimização dos riscos à
saúde, além da aceitabilidade de mercado e consumo (BASTOS et al., 2003).

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No Brasil, algumas pesquisas sobre a utilização de esgoto sanitário em


piscicultura têm sido desenvolvidas, podendo-se citar os trabalhos de Felizatto
(2000), Pereira (2000), Pereira (2004), e as experiências do Programa Nacional de
Pesquisa em Saneamento Básico – Prosab (Bastos, 2003) e da Universidade
Federal do Ceará (MOTA; AQUINO; SANTOS, 2007).

Como o objetivo da piscicultura é a produção de peixes e a melhoria do meio


ambiente, deve-se procurar o máximo da produção e a diminuição dos impactos
ambientais, através da redução dos sólidos suspensos (algas, rotíferos, grumos de
bactérias e matéria orgânica particulada) e do consumo, pelo ambiente, dos
nutrientes disponíveis na produção de alimento para a cadeia trófica existente
(PEREIRA, 2004).

Estudos recentes de Santos et al. (2011) concluíram que o reuso de água


em piscicultura é uma alternativa ambientalmente sustentável, diminuindo
sobremaneira o custo ambiental.

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UNIDADE 8 – FOSSAS E TANQUES

Segundo Ferreira e Andreoli (1999), os sólidos extraídos por diversos


métodos das estações depuradoras incluem areia, lixo e lodo, sendo que, este é o
subproduto mais importante dos processos de tratamento.

O lodo resultante das operações e processos de tratamento se apresenta,


geralmente, em forma líquida ou líquido semi-sólido, que contém normalmente entre
0,25 a 12% de sólidos dependendo da operação e processo utilizado. De acordo
com METCALF-EDDY (1985 apud FERREIRA; ANDREOLI, 2001)

de todos os subprodutos, o lodo é, sem dúvida, o de maior volume e seu


tratamento e disposição é, talvez, o problema mais complexo que enfrenta
um engenheiro, dentro do campo de tratamento da água residual.

Esses sólidos, que consistem numa mistura de matéria orgânica e


inorgânica, se acumulam no sistema e devem ser periodicamente ou continuamente
descartados, de acordo com o sistema de tratamento. Sem a correta destinação de
lodo, os benefícios da implantação de uma estação de tratamento ficam
comprometidos.

Nos dicionários da língua portuguesa, encontram-se os seguintes


significados para fossa: 1) cova, buraco, cavidade; 2) cavidade mais ou menos larga
e profunda no solo; 3) cavidade subterrânea para depósito de imundícies; 4)
cavidade subterrânea onde se despejam dejetos; 5) escavação igual a de um poço,
para a qual se canalizam as dejeções e as águas servidas das habitações onde não
há rede de esgoto.

Tanque séptico é definido na NBR 7229 da Associação Brasileira de Normas


Técnicas (ABNT, 1993) como unidade cilíndrica ou prismática retangular de fluxo
horizontal para tratamento de esgotos por processos de sedimentação, flotação e
digestão.

O que mais diferencia uma fossa de um tanque séptico é o fato de o tanque


séptico ser uma unidade de tratamento de esgotos, com efluente a ter um destino

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final, que em sistemas de disposição local de esgotos geralmente é a infiltração no


solo através de sumidouro ou valas de infiltração, enquanto a fossa é utilizada para
disposição final dos esgotos. Ou seja, são funcionalmente bastante distintos.
Ademais, não há dúvidas quanto aos aspectos construtivos de um tanque e de uma
fossa, de acordo com a etimologia dessas palavras na língua portuguesa.

8.1 Classificação dos tipos de sistemas

Os sistemas de disposição local de excretas e esgotos, também conhecidos


como sistemas estáticos ou sistemas individuais, podem ser classificados em
sistemas sem transporte hídrico e com transporte hídrico, sendo que,
evidentemente, no primeiro caso não se utiliza água e servem para disposição de
excretos enquanto nos sistemas com transporte hídrico se dispõem esgotos mais ou
menos concentrados se há separação das águas cinza e das águas negras, ou não
(HARTMANN et al., 2009).

A terminologia para os sistemas de disposição local de esgotos consolidou-


se a partir da classificação (Generic Classification of Sanitation Systems) proposta
em publicações do Banco Mundial na década de 1980 (THE WORLD BANK, 1980;
KALBERMATTEN; JULIUS; GUNNERSON, 1980; MARA, 1982 apud HARTMANN et
al 2009). Posteriormente, a ABNT (1993) consagrou o termo Tanque Séptico para
diferençá-lo das fossas.

Nos sistemas sem transporte hídrico, são usualmente aplicadas para


disposição de excretas: a fossa seca de buraco (simples ou ventilada); a fossa seca
tubular; a fossa seca com tubo de dejeção inclinado, a fossa estanque; as fossas de
fermentação (em lotes ou de humificação contínua); a fossa química; e a privada
com receptáculo móvel. Estas soluções estão, de forma geral, ultrapassadas
culturalmente no Brasil e somente continuam a ser aplicadas em alguns
assentamentos rurais com dificuldades de abastecimento de água.

Nos sistemas de disposição local de esgotos, são usualmente aplicados: a


fossa absorvente, ou poço absorvente; a fossa estanque; a fossa química; e o
tanque séptico, com disposição do efluente geralmente no solo, através de

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sumidouros ou valas de infiltração, ou em corpos d’agua após um tratamento


complementar.

O Quadro abaixo descreve as principais características de alguns dos


sistemas citados.

Alternativa para sistema local de disposição de esgotos e excretas

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Fonte: Hartmann et al. (2009, p. 26)

A fossa absorvente, ou poço absorvente, é a mais usual na maioria das


cidades brasileiras, com algumas exceções, e a que mais se aproxima do significado
da palavra ‘fossa’ como descrito nos dicionários. Ou seja, é realmente uma
escavação semelhante a um poço, no qual se dispõem os esgotos.

Dentre as fossas absorventes, encontram-se desde as mais rudimentares,


que são nada mais que simples buraco no solo, até construções mais bem
elaboradas, com paredes de sustentação em alvenaria de tijolos ou anéis de
concreto, sempre com aberturas e fendas que permitem a infiltração dos esgotos, e
devidamente cobertas, geralmente com laje de concreto. Podem ser estruturas
retangulares, mas geralmente são cilíndricas, e as paredes de sustentação mais
usuais são em alvenaria de tijolos, que utilizam tijolos vazados com os furos no
sentido radial (exceto na parte superior e algumas fiadas de amarração) ou tijolos
maciços com fendas entre os tijolos na maioria das fiadas da parede. Geralmente
não têm o fundo revestido, para permitir a infiltração da água, mas em algumas há
uma camada de brita que constitui a base do fundo.

A fossa estanque, como o nome indica, é um tanque impermeável, no qual


são dispostos os esgotos ali acumulados até sua remoção frequente. Pode ser
construída em alvenaria de tijolos, mas modernamente são mais utilizadas as pré-
moldadas em concreto, em plástico, em resinas estruturadas com fibra de vidro, etc.
Existem diversos modelos.

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Quando as fossas absorventes têm o solo completamente colmatado,


geralmente após vários esgotamentos, e não mais propiciam a infiltração dos
esgotos, transformam-se também em fossas estanques, mesmo não tendo sido
construídas com este propósito. O mesmo pode acontecer com o sumidouro quando
o tanque séptico que o antecede não é esgotado por longo período, o lodo escapa
para o sumidouro e o solo colmata completamente, exigindo alguns esgotamentos
não só do tanque séptico, mas também do próprio sumidouro, visto que o processo
de colmatação é cumulativo.

A fossa química é, na verdade, uma fossa estanque na qual se adiciona um


produto químico para desinfecção dos dejetos. Atualmente, são bastante utilizadas
em situações que exigem diversos gabinetes sanitários para utilização temporária,
como grandes festas e outros eventos que aglomeram muita gente. São também
aplicadas em meios de transporte, como aviões e ônibus. Atualmente, outros
produtos químicos têm substituído a soda cáustica como desinfetante mais usual.

Os tanques sépticos são unidades que tratam o esgoto por processos de


sedimentação, flotação e digestão. Sendo hermeticamente fechadas, produzem um
efluente que deverá ser destinado.

Na superfície do tanque, fica acumulada a escuma, formada a partir de


sólidos flotáveis, como óleos e graxas, enquanto o lodo sedimenta no fundo do
tanque, compreendendo de 20 a 50% do volume total do tanque séptico quando
esgotado. Um tanque séptico usualmente retém de 60 a 70% dos sólidos, óleos e
graxas que passam pelo sistema (USEPA, 1999 apud a HARTMANN et al., 2009).

Uma parte dos sólidos é removida do esgoto e armazenada no tanque


enquanto outra parte é digerida. Acima de 50%, os sólidos retidos no tanque se
decompõe, enquanto o remanescente se acumula como lodo no fundo do tanque e
deve ser periodicamente removido por bombeamento (USEPA, 2000 apud a
HARTMANN et al., 2009).

Tanques sépticos são, basicamente, tanques simples ou divididos em


compartimentos horizontais ou verticais, utilizados com o objetivo de reter por
decantação os sólidos contidos nos esgotos, propiciar a decomposição dos sólidos
orgânicos decantados no seu próprio interior e acumular temporariamente os

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resíduos, com volume reduzido pela digestão anaeróbia, até que sejam removidos
em períodos de meses ou anos.

Os tanques sépticos podem ser de câmara única, de câmaras em série ou


de câmaras sobrepostas, e podem ter forma cilíndrica ou prismática retangular
(ANDRADE NETO et al., 1999).

Como o próprio nome sugere, o tanque séptico de câmara única é


constituído por um único compartimento, onde ocorrem processos de sedimentação
e de flotação e digestão da escuma na parte superior, enquanto na parte inferior
ocorrem processos de acúmulo e digestão de lodo sedimentado.

O tanque séptico de câmaras em série é constituído de uma única unidade


dividida em dois ou mais compartimentos por uma parede vazada que interliga as
câmaras em série sequencialmente no sentido do fluxo. De acordo com as
instruções da NBR 7229/1993, a primeira câmara deve ter aproximadamente o
dobro do volume da segunda câmara. Dessa forma, uma maior quantidade de lodo
acumulará na primeira câmara, que também terá a digestão favorecida. Esta
configuração de tanque séptico é bastante utilizada quando é necessário que o
efluente tenha um baixo teor de sólidos suspensos.

O tanque séptico com câmaras sobrepostas possui uma configuração


composta por divisões internas que separam verticalmente o tanque em duas
câmaras. As placas inclinadas que fazem a separação das câmaras possibilitam a
separação das fases sólida, líquida e gasosa, fazendo com que os sólidos que
sedimentam na câmara superior sejam encaminhados para a câmara inferior, e os
gases formados pela digestão do lodo na câmara inferior sejam desviados da
câmara superior pelas placas inclinadas.

Dentre os modelos de tanque séptico, os de câmaras em série propiciam


melhor eficiência do que os de câmara única, com as mesmas facilidades de
construção e operação. Em relação aos modelos de câmaras sobrepostas, além da
maior simplicidade construtiva, apresentam a vantagem de propiciar menos
profundidade. Os reatores de menor altura são vantajosos pelo fato de o custo de
escavação aumentar muito com a profundidade (ANDRADE NETO et al., 1999).

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Embora tenham sido mais aplicados para pequenas vazões, os tanques


sépticos prestam-se, também, para tratar vazões médias e grandes, principalmente
quando construídos em módulos. O fato de continuar a ser utilizado há mais de cem
anos e de ser a unidade de tratamento de esgotos mais utilizada ainda hoje, revela a
aplicabilidade generalizada do tanque séptico (HARTMANN et al., 2009).

É uma tecnologia simples, compacta e de baixo custo. Não apresenta alta


eficiência, principalmente na remoção de patogênicos e de substâncias dissolvidas,
mas produz um efluente razoável, que pode ser encaminhado mais facilmente a um
pós-tratamento ou ao destino final.

Na verdade, as grandes vantagens dos tanques sépticos, em comparação a


outros reatores anaeróbios, e de resto com todas as opções de tratamento de
esgotos, estão na construção muito simples, na operação extremamente simples e
eventual e nos custos. Para vazões pequenas e médias, os custos e a simplicidade
construtiva e operacional são incomparáveis.

A eficiência dos tanques sépticos depende de vários fatores: carga orgânica,


carga hidráulica, geometria, compartimentos e arranjo das câmaras, dispositivos de
entrada e saída, temperatura e condições de operação. Portanto, a eficiência varia
bastante em função da competência de projeto. Normalmente situa-se entre 40 e
70% na remoção da demanda bioquímica (DBO) ou química (DQO) de oxigênio e 50
a 80% na remoção dos sólidos suspensos. Logicamente, os reatores mais bem
projetados e operados apresentam resultados melhores (HARTMANN et al., 2009).

Os dispositivos de entrada e saída (tês, septos, chicanas ou cortinas) são


mais importantes para a eficiência do tanque séptico do que geralmente se imagina.
O dispositivo de entrada diminui a área relativa de turbulência, favorecendo a
decantação, e o de saída permite a tomada do efluente no nível em que o líquido é
mais clarificado, além de reter a escuma.

A construção ou implantação de tanques sépticos é extremamente simples e


não requer detalhes especiais. Exige apenas que o construtor execute o projeto com
fidelidade, obedecendo às especificações técnicas, que normalmente seguem
procedimentos usuais da construção civil.

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Na prática, sabe-se que existem vários tipos diferentes de tanques sépticos,


que não estão necessariamente de acordo com a norma e as boas práticas de
projeto e construção. São configurações não padronizadas, definidas de acordo com
as situações observadas em campo (HARTMANN et al., 2009).

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REFERÊNCIAS

REFERÊNCIAS BÁSICAS

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