Termografia

1 - Conceitos básicos • Termografia – É a técnica que permite a medição de temperaturas à distância e a obtenção de imagens térmicas chamadas “termograma” a partir da radiação infravermelha naturalmente emitida pelos corpos. Imageamento – É forma de apresentação da informação térmica que permite a observação direta da distribuição de calor nos objetos estudados. Absorção -Processo de conversão da energia radiante incidente em energia térmica por interna. Coeficiente de absorção – Fração do fluxo incidente que é absorvido pro um objeto Coeficiente de transmissão – Fração do fluxo incidente que é transmitida através de um objeto. Coeficiente de reflexão – Fração do fluxo incidente que é refletida por um objeto Emissão térmica – Processo pelo qual a energia térmica de um corpo é convertida em energia radiante.

• • • • • •

2 – Teoria da Radiação “... Obtive um prisma triangular de vidro, a fim de com ele tentar reproduzir os Fenômenos das Cores. De modo a poder realizar meu experimento, havia escurecido meu quarto, feito em uma das folhas da janela um pequeno orifício que deixasse passar uma quantidade conveniente de raios de sol, colocando um prisma na entrada de luz,de forma que esta pudesse ser refratada na parede oposta.Inicialmente,esse arranjo propiciou-me um divertimento agradável, dado pela contemplação das cores vivas e intensas produzidas dessa forma; mas depois de um certo tempo, forçando-me a examiná-las mais seriamente, notei para minha surpresa, uma forma oblonga na disposição das cores .” Mas, a composição mais surpreendente foi à brancura. Não há nenhum tipo de raio que, isoladamente, possa exibi-la. Ela é sempre composta e, para se manifestar, é preciso que se componham todas assim chamadas cores primárias, misturadas em proporções adequadas. Com freqüência pude contemplar em estado de admiração, que se fazendo convergir todas as cores produzidas pelo prisma, recombinando-as, portanto, reproduzia-se luz, inteira e completamente branca.”“. Assim Issac Newton descreveu em carta a Royal Societ sua experiência realizada em 1666 sobre a decomposição da luz solar ao atravessar um prisma de vidro, produzindo uma sucessão de raias coloridas: Violeta, azul, verde, amarelo, laranja e vermelho.A imagem alongada e colorida foi ela denominada “espectro” em alusão ao fato de que as cores estão presentes, mas escondidas na luz branca. A natureza da luz foi motivo de grandes debates desde os tempos da Grécia Antiga. No século XVII experimentos realizados pelo pesquisador holandês Chrstiaan Huygens levaram-no a afirmar que as características da luz eram mais bem definidas como decorrentes de um comportamento ondulatório. Por outro lado Issac Newton defendia, a partir de suas partículas chamadas “corpúsculos”, os quais seriam menores para o violeta e progressivamente maiores na direção do vermelho.

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Termografia

Em meados do século XIX, o físico inglês James Clerk Maxwell propôs ser a luz uma radiação de natureza eletromagnética, e as equações por ele montadas para demonstrá-lo indicavam a existência de outras ondas de mesma natureza. Então o espectro de luz visível observado por Issac Newton deveria ser somente uma pequena parte um contínuo de radiações invisíveis mais amplo. Segundo Maxwell constatou, as notas eletromagnéticas são produzidas pela oscilação de um campo elétrico perpendicularmente a um campo magnético. A distancia entre duas cristas sucessivas definem o comprimento da onda, se essa distância estiver compreendida entre 0,00040 e 0,00075 milímetros a radiação pode ser captada pela retina humana é chamada “luz”. A apresentação dos trabalhos de Maxwell em 1867 motivou um grande número de pesquisadores a investigar esse novo campo da Física. Entre eles estava Heinrich Hetz, o qual confirmou as afirmações de Maxwell e demonstrou e que as ondas eletromagnéticas se propagam à mesma velocidade que a luz. Estudos posteriores levaram a determinações precisas dessa velocidade: cerca de 299792458m/s no vácuo. A importância da velocidade da luz reside no fato de que seu valor determina a relação entre o comprimento de onda e a freqüência da radiação: λf=c. Onde: λ - comprimento de onda em metros f – freqüência em Hertz c- velocidade da luz em metros por segundo

Figura 1.2 – A oscilação eletromagnética A família de ondas eletromagnéticas, englobando os raios gama, raios x, ultravioleta, luz, infravermelho, microondas e ondas de televisão e rádio é denominada “espectro eletromagnético”. O espectro eletromagnético não possui limites inferiores ou superiores definidos, estando dividido de maneira arbitrária em regiões distintas pelo método de produção e detecção da onda. Não existe, no entanto nenhuma diferença fundamental entre as várias radiações, uma vez que todas seguem as mesmas leis de refração, reflexão difração e polarização.

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O termo “infravermelho” só foi adotado pro volta de 1880. Sir Willian Herschel. que significa “abaixo”. O limite do infravermelho coincide com o limite da percepção visual para o vermelho (0. ou seja. Chamou a essa região do espectro de “calor negro” e “espectro termométrico”. • • • • Infravermelho próximo Infravermelho médio Infravermelho distante Infravermelho extremo (0. acima desse valor à emissão própria prevalece (Infravermelho termal). Ao medir com um termômetro o aquecimento provocado pela incidência de cada uma das cores do espectro. Abaixo desse valor predomina a radiação refletida (Infravermelho refletido). abaixo do vermelho na escala de freqüências. que isto ocorreria na região escura que se estendia além do extremo vermelho do mesmo. sendo composto a partir do prefixo latino “infra”. 3 .Termografia Figura 1.2 – O infravermelho Em 1800.75 a 3μm) (3 à 6μm) (6 à 15 μm) (15 a 1000μm) Outro critério divide o infravermelho em duas regiões a partir do comprimento de onda de 3μm. enquanto que o superior confunde-se com as microondas no campo milimétrico.3 O Espectro Eletromagnético 2. não sem espanto.75μm). Herschel percebeu. O infravermelho é comumente sub-dividido em quatro partes cujos limites são também arbitrariamente escolhidos. repetiu a existência de Newton com a finalidade de determinar qual material deveria ser utilizado como filtro em observações do sol.

1°C 1833 – termopilha de meloni (São vários termopares ligados em série e apresentavase 40 vezes mais sensível que os melhores termômetros da época). grande aperfeiçoamento eletrônico).3 um com filmes fotográficos especiais. Década de 1880 surge o bolômetro de langrey (30 vezes mais sensível que a termopilha de melloni). 4 . • • • 1917 – Case desenvolve o primeiro fotocondutor de Sulfeto de Tálio (primeiro detector quântico) Durante a II Guerra Mundial os Alemães desenvolvem vários fotocondutores e demonstram o ganho de sensibilidade com resfriamento Durante a Guerra fria houve grande desenvolvimento na área (Novos materiais.Termografia Figura 1. 1840 – John Herschel (filho do pioneiro faz protótipo de “evaporagraph” (Espécie de imageador baseado na evaporação diferencial de um filme de óleo)). 1843 – Becquerel demonstra a fosforescência de certos materiais sob infravermelho bem como a sensibilidade de filmes fotográficos 1883 – Abney detecta 1.4 – Sir Herschel realizando as medições que o levaram à descoberta do infravermelho Linha do tempo: • • • • • • Até 1829 – Mobili desenvolve o primeiro termopar 1830 – Os termômetros de mercúrio com auxilio de microscópio era possível perceber incremento 0. novas técnicas.

3 – Leis da radiação Em 1860 Gustav Kirchhoff demonstrou a lei que estabelecia a igualdade entre a capacidade de um corpo absorver e emitir energia radiante. Gustav Kirchhoff também propôs o termo “copo negro” para designar um objeto que absorve toda energia radiante que sobre ele incide. Tal objeto. o que resultou na chamada lei Stefan . vários pesquisadores tentaram através da Física clássica estabelecer uma lei que determinasse a distribuição espectral da energia irradiada por um corpo negro de acordo com as medições efetuadas em laboratório. Por outro lado. que total de energia irradiada por um corpo negro é proporcional a quarta potência de sua temperatura absoluta.A equação que foi proposta por Wien coincidia com o dados experimentais apenas para comprimentos de ondas curtas e baixas temperaturas. predizia um crescimento exponencial da energia irradiada em função da freqüência.Boltzmann: W=σ T4 Onde: W – Energia irradiada (Watts /m2) σ . seria um excelente emissor. a equação proposta por Lord Rayleygh era válida apenas para comprimentos de onda longos e altas temperaturas. Essa lei é fundamental na teoria da transferência de calor por radiação. λ max = 2898 (μm) T Figura 1.Em 1879 Josef Stefan concluiu a partir de medidas experimentais.5 – Curva de máxima emissão (tracejada) em função da temperatura Ao final dos séculos passados.Temperatura absoluta (k) Wilheim Wien publicou em 1894 a lei do deslocamento a qual estabelecia a relação entre a temperatura absoluta e o comprimento de onda onde ocorre à máxima emissão de energia.Termografia 2. em conseqüência.Constante de Stefan-Bolzmann (5. além disso. o que 5 . Ludwing Boltzmann chegou em 1884 às mesmas conclusões. através da termodinâmica clássica.7 X 10-8 w/m2 K4) T .

Isto significa que as radiações eletromagnéticas são emitidas na forma de pacotes chamados “quantum” ou “fótons (para a radiação visível).comprimento de onda (μm) C e c – constantes A lei de Planck.Emissividade Objetos reais raramente se comportam como corpos negros. ou seja.8 – A radiação que atinge um corpo pode ser absorvida (α). Planck apresentou sua fórmula para a distribuição espectral da energia irradiada. os osciladores têm a liberdade de vibrar em qualquer freqüência. Figura 1. aumenta rapidamente até um máximo e então se aproxima de zero para comprimentos de onda muito longos. quando plotada graficamente para várias temperaturas produz uma família de curvas. é apresentada a seguir”: W= C λ 5 1 e c / λT −1 (watts/m2 μm) Onde: T – temperatura absoluta (k) λ . geradores de ondas eletromagnéticas. refletida (δ) ou transmitida (τ).Termografia foi chamado de “catástrofe do ultravioleta”. 2. onde” h “é uma constante e” f “é a freqüência da oscilação. mas a emissão de energia decorrente dessa oscilação se dá de forma descontínua. A lei de Planck como é chamada. onde a energia é associada a cada pacote é dada pelo produto” h X f “.4 . a energia irradiada é zero para comprimentos de onda próximos a zero. podiam fazê-lo de maneira contínua ou quantizada da energia radiante. atuando sobre a radiação incidente de várias formas: • • • Uma fração α da radiação pode ser absorvida Uma fração δ da radiação pode ser refletida Uma fração τ da radiação pode ser transmitida.Foi o Físico alemão Max Planck quem finalmente reconheceu a necessidade de se abandonar à idéia de que os osciladores elementares. Somando-se três coeficientes para um mesmo comprimento de onda temos: 6 . Seguindo-se qualquer curva. Em 1900.

poeira e pinturas alteram os valores de emissividade dos corpos.Termografia α + δ + τ =1 Para materiais opacos. a emissividade assume sempre valores entre 0 e 1 sendo numericamente iguais à fração da radiação absorvida pelo corpo: ε=α Para corpos opacos pode-se escrever: Ou α+δ =1 δ = 1− ε A emissividade é uma característica que depende primordialmente da composição química e da textura do material. Corpo cinza: quando a emissividade é constante e menor que 1 Corpo real ou radiador seletivo. distintos na maneira pela qual sua emissividade varia com o comprimento de onda. • • • Corpo negro: quando a emissividade é constante e igual a 1. a formação de camadas de óxidos. Expressando matematicamente: W' ε= W W’ (corpo qualquer) W (corpo negro) Assim definida. onde τ =0. de um dado comprimento de onda. De um modo geral. Assim sendo. há três tipos de corpos. 7 . essa relação se simplifica para : α + δ=1 De acordo com a Lei Kirchhoff existe uma igualdade entre a capacidade de um corpo em absorver a energia incidente e a sua capacidade de remiti-la. podendo variar coma a temperatura e com o comprimento de onda.Chama-se esta última de “emissividade” a qual pode ser assim definida: “A emissividade é a relação entre a energia irradiada. por qualquer e um corpo negro à mesma temperatura”. considerado. caso mais próximo da realidade onde a emissividade varia com o comprimento de onda.

a quantidade de energia captada por um observador externo a partir de um corpo opaco é a somatória da energia emitida mais a energia refletida. irá refletir ou transmitir parte da radiação incidente. a fórmula de Stefa-Boltzmann fica: W= ε σ T4 Portanto. Por outro lado. a verificação dos aparelhos de medições no qual de necessitem maior precisão.Termografia Figura 1.Considerando-se as relações acima. pois dependem da resposta espectral do equipamento utilizado para obtêlos.9 . Esses valores são destinados a serem utilizados como guia.Recomenda-se assim. um corpo não negro emite proporcionalmente menos energia que um corpo negro à mesma temperatura. 8 . Ta : temperatura absoluta do ambiente Tabela a seguir fornece os valores típicos de emissividade normalmente empregado em medições na faixa do infravermelho. segundo a fórmula abaixo: Onde: W = w e + wr 4 w e = εαT0 4 W = σTa (1 − ε ) Sendo T0 : temperatura absoluta do objeto.Variação da emissividade com o comprimento Considerando a emissividade.

Termografia 9 .

Termografia 10 .

que o máximo de aquecimento ocorria fora do espectro visível.Em termos atmosféricos esse fenômeno é denominado “efeito estufa” e a sua ocorrência é responsável por uma elevação da temperatura média da Terra de 30°C em relação ao calculado para uma atmosfera seca e isenta de gás carbônico.A primeira imagem térmica foi obtida em 1840 por John Herschel.Termografia 2. gás metano e partículas em suspensão. tendo vários de seus comprimentos de onda absorvidos e remitidos.05°C. os efeitos da atenuação e reemissão tornam-se mais pronunciados.Em atmosferas industriais. Os termômetros empregados por Herschel necessitavam de 16 minutos para cada medição e permitiam uma precisão de 0. Em 1777 o pesquisador italiano Landrini observou que o aquecimento crescia do violeta para o vermelho. em processo semelhante 11 . Gabriel Fahrenheit foi responsável por dois aprimoramentos importantes na termografia. além do vermelho. os quais absorvem diversos comprimentos de onda entre 1 e 15μm e grande parte da radiação acima de 15μm.Melhoramentos posteriores aumentaram a precisão desses instrumentos para 0. o que leva à necessidade da utilização de filtros para seleção de comprimentos de onda menos afetados em instrumentos que realizem medições nessas condições.Transmissão atmosférica Após ser emitida por um corpo. onde são encontrados altas percentagens de vapor d’água. Foi William Herschel. o suficiente para detectar uma pessoa a dez metros de distância. Em 1863 Melloni construiu a termopilha. Inventou em 1714 um método de purificação do mercúrio que permitia seu uso em lugar do álcool. no entanto. O primeiro instrumento destinado à medição de temperaturas foi o “termoscópio”. composta de vários termopares ligados em série. em 1800.Histórico A pesquisa do infravermelho limitou-se inicialmente ao efeito do aquecimento provocando pela incidência dessa radiação em um material.2°C. Foi com a utilização de termômetros de mercúrio que se realizaram as primeiras tentativas para se determinar como variava o efeito de aquecimento provocado pela luz ao longo do espectro visível. Em 1645 já haviam sido fabricados os primeiros termômetros contendo álcool em tubos capilares selados hermeticamente. quem verificou. inventado por Galileu Galilei em 1595. e propôs uma escala de temperaturas tendo como referências o ponto de fusão da água salgada e a temperatura do corpo humano. Embora seus principais constituintes como o nitrogênio. o mesmo não ocorre com o vapor d’água e o gás carbônico. assim seu prosseguimento dependeu em grande parte da evolução da termometria. a radiação infravermelha pode interagir com a massa de gases circundantes.A essa interação dá-se o nome de “atenuação atmosférica” e sua ocorrência deve-se a presença de gases contendo três ou mais átomos na molécula e de partículas sólidas em suspensão. 3 . gás carbônico. que desenvolveu um processo de detecção e registro da radiação infravermelha incidente baseado na evaporação diferencial de um filme de óleo. A sensibilidade alcançada pelo arranjo era quarenta vezes superiores aos melhores termômetros da época.Sistemas infravermelhos 3.5 . oxigênio e o argônio não atuem apreciavelmente sobre a radiação infravermelha. A atmosfera terrestre não é inteiramente transparente à radiação infravermelha. cujo princípio de funcionamento baseava-se na variação de volume de um gás com a temperatura.1 .

9 μm. Os recursos de fotografia infravermelha se estendem até o comprimento de onda de 0. além do qual a energia associada à radiação não é mais suficiente para sensibilizar as emulsões fotográficas as emulsões fotográficas.50 e 0. estavam em andamentos os projetos que deram origem aos mísses Sidewinder e Falcon.Durante a Segunda Guerra Mundial grande avanços foram feitos na obtenção de sistemas de comunicação. Para o reconhecimento aéreo. Os primeiros sistemas de visão noturna consistiam de uma fonte de iluminação. 3.75 μm.40 a 0.10 – Sensibilidade espectral da visão humana para condições de alta luminosidade (curva) e de baixa luminosidade. sistema destinado a executar a varredura do terreno à frente da aeronave e fornecer um mapa térmico que permitisse a localização de tropas e veículos.A máxima sensibilidade ocorre entre 0. 12 . visão noturna e reconhecimento utilizando o infravermelho.55μm. foram empregados pela primeira vez em 1944 pela forças alemãs em combates noturnos na frente russa. dependendo do grau de adaptação dos olhos às condições de luminosidade.Termografia à fotografia. geralmente um farol dotado de filtro e um conversor de imagens. os norte-americanos desenvolveram o FLIR (Forward Looking Infrared – Visão dianteira por infravermelho).2 – Elementos do Sistema Infravermelho A visão humana abrange a faixa espectral compreendida entre os comprimentos de onda de 0. ambos equipados com sensores infravermelhos capazes de detectar o calor emitido pelas turbinas de aviões inimigos. integrados ao controle de tiros de tanques.Ao final da segunda Guerra Mundial. Figura 1.Sistemas de tipo.

13 .11 – Faixas de utilização dos principais recursos utilizados na detecção da radiação infravermelha.Termografia Figura 1.

2.12 – Elementos de um sistema infravermelho 3.1 – Ótica do Sistema A ótica de um sistema infravermelho tem como finalidade básica coletar a radiação que incide sobre o mesmo e através de reflexão ou refração direcioná-la ao detector.Termografia A detecção de comprimento de onda mais longo. os quais realizam a conversão da radiação captada em sinais eletrônicos que possibilitam a formação de imagens térmicas e a medição de temperaturas à distância. ou de intensidade por meio de diagramas. O direcionamento da radiação por reflexão é realizado com a utilização de superfícies planas ou parabólicas polidas e 14 . onde se situa o infravermelho termal é realizado por equipamentos denominados “sistema infravermelho”. Pode ainda realizar o controle da radiação que chega ao detector em termos espectrais. por intermédio de filtros.12 e discutidos em detalhes nos itens seguintes. Figura 1. Os elementos básicos que compõem um sistema infravermelho são apresentados na figura 1.

3 98.5 98.4 98.0 10. Figura 1.9 98.3 97.9 98.7 98. a óptica de refração utiliza lentes fabricadas com materiais especiais.Termografia recoberto com materiais de alta refletividade ao infravermelho depositado a vácuo. transparentes a essa faixa espectral.9 Ouro 47.0 3.2 97.2 98.0 8.A figura 1. possibilitando a montagem de conjuntos de lentes que de outra forma seriam impraticáveis pelas grandes perdas de radiação que provocariam.9 98. 15 .4 93. Empregam-se semicondutores como germânico e o silício.0 98.7 98.7 98.8 Devido à opacidade do vidro à radiação infravermelha. composto de zinco e cádmio depositados a partir de fase gasosa. A refletividade de alguns filmes metálicos mais comumente utilizado é apresentada a seguir: Comprimento de onda (μm) Alumínio 0.3 98.1 Refletividade (%) Prata 97. comercializados sob o nome de IRTRAN. Pelo fato de apresentarem alta refletividade.0 90.0 98. tais materiais necessitam ter sua transparência ao infravermelho aumentada pela deposição de finais películas anti-reflexo.7 98.13 – Variação da transparência dos principais materiais utilizados na óptica infravermelha.13 mostra a variação da transparência (transmitância) de alguns desses materiais em função do comprimento de onda.6 98.4 Cobre 60.7 98. e os materiais prensados a quente.0 5.5 (visível) 1.9 98.

campo de visão instantâneo. Detector monoelemento X varredura linear Detector monoelemento X varredura rápida na horizontal e lenta na vertical 16 . distância focal. é definido como a porção angular sensoreada pelo sistema.Termografia A óptica de um sistema pode ser caracterizada pelos seguintes parâmetros: campo de visão total. Na figura 1.2.14 – Campo de Visão Instantâneo (IFOV) 3. Figura 1. A seleção do mecanismo de varredura é função do sensoreamento a ser executado pelo sistema e do tipo de detector utilizado. expresso em radianos. é dado pelo ângulo sólido determinado pela projeção do detector na cena em um dado instante.15 são apresentadas as principais composições entre mecanismos de varredura e detectores. dado em graus. A varredura pode se realizada ao longo de uma só direção (varredura linear) ou simultaneamente em duas direções perpendiculares entre si (varredura bidimensional). O campo de visão instantâneo (IFOV – Instantaneous fiel of view). diâmetro efetivo e abertura.2 – Mecanismo de Varredura A função do mecanismo de varredura é efetuar o deslocamento do campo de visão instantâneo do sistema permitindo o sensoreamento de uma cena. função não só da parte óptica como também do mecanismo de varredura. O campo de visão total (FOV – field of view).

utilizando espelhos e prismas.15 – Principais composições entre mecanismo de varredura e detectores Os mecanismos de varredura são em sua grande maioria do tipo óptico-mecânico.Termografia Detector multielemento X varredura linear com deslocamento vertical após a formação de cada linha Detector multielemento X varredura linear Mosaico de elementos Figura 1. Os espelhos efetuam o deslocamento do campo de visão do sistema 17 .

Com a utilização de prismas.Termografia por meio dos movimentos de oscilações e rotação em torno do eixo.16 e 1.17 – Mecanismo de varredura bidimensional composto de dois primas ( 1 e 2) 18 . Figura 1.16 – Três aspectos do deslocamento do campo de visão de um sistema em decorrência da rotação de um prisma.17) motivo. Figura 1. tal efeito é conseguido através da refração da radiação durante a rotação doa mesmos (figuras 1. pelo qual são fabricados a partir dos mesmos materiais empregados nas lentes.

3 – Principais sistemas infravermelhos Os principais sistemas infravermelhos têm por objeto transformar a radiação infravermelha captada em informação térmica que dependendo da finalidade a que se destina. Com o propósito de atender às necessidades específicas de cada aplicação. alterando alguma propriedade física do mesmo. Como regra geral. A maior ou menor sensibilidade de um detector é dada por sua “detectividade” grandeza representada pelo símbolo D* (D – estrela). A seguir são apresentados os principais sistemas infravermelhos atualmente em uso. pode-se dizer que o valor D* aumenta com sensibilidade do detector. a) Temodetectores O princípio de funcionamento dos termodetectores (também chamados detectores termais) baseia-se no efeito de aquecimento causado pela radiação incidente em elemento sensor. diferindo entre si na forma de realizar a varredura da cena. pode ser qualitativa ou quantitativa. 3.Os principais termodetectores são descritos a seguir: • • • • • Detector pneumático ou célula de Golay Termopar Termopilha Bolômetro Detector Piroelétrico b) Fotodetectores Os fotodetectores (também chamados detectores quânticos) operam pela interação direta entre fótons da radiação incidente e os elétrons no material do detector. geralmente um sinal elétrico. Em virtude dessas características os termodetectores têm sido aplicados primeiramente em sistemas que devam operar em diversas faixas espectrais e não necessitem de altas freqüências de medição. Por esse motivo. os detectores podem ser classificados em duas categorias: os termodetectores e os fotodetectores. devidas á inércia térmica dos componentes. diversos tipos de sistemas foram desenvolvidos.Nos termodetectores o sinal e proporcional ao total de energia absorvida. Segundo a forma como processam a conversão da energia radiante em outra forma de energia. 19 .3 – Detectores A função dos detectores é converter a energia radiante captada pelo sistema em outra forma mensurável de energia. enquanto nos fotodetectores este depende do número de fótons que interagem com os elétrons. As principais características dos termodetectores são a ampla sensibilidade espectral e tempos de respostas relativamente longas. tipo de detector utilizado e n a apresentação da informação. O espaço de tempo compreendido entre uma variação no fluxo da energia radiante incidente e a correspondente variação na intensidade do sinal gerado pelo detector é chamado “tempo de resposta” do mesmo. Os principais tipos de fotodetectores são os fotovoltaicos. Para se eficiente o elemento sensor deve ser convenientemente preparado para absorver o máximo de radiação na faixa espectral desejada.2.Termografia 3. cujas unidades são cm (Hz) 1/2w/1 . os fotodetectores são mais sensíveis e possuem tempos de resposta mais curtos que os termodetectores (da ordem de microssegundos ao invés de milisegundos).

mas podem ser empregados também no controle de processos a partir de montagens mecânicas fixas ou móveis. Figura 1. Os radiômetros são em geral portáteis. Graças à utilização de microprocessadores. capazes de sensoriar várias faixas espectrais simultaneamente(multispectral Scanners) . mas podem construir imagens linha por linha. são empregas no mapeamento térmico do solo a partir de aeronaves e satélites. Os sistemas de varredura linear são utilizados principalmente na monitoração de processos contínuos e em equipamentos rotativos. onde é transformada em sinal elétrico.1. Em geral esses sistemas apresentam a informação térmica na forma de perfil de temperaturas. A apresentação dos resultados é normalmente feita através de mostradores analógicos e digitais.Para as realizações das medições. os resultados das medições podem se memorizados para cálculos de temperaturas e seleção de valores.Sendo sistemas de excelente portabilidade e robustez. Alguns radiômetros são diretamente conectados com unidades de controle para monitoração de processos a figura 1. um anteparo (chopper) é alternadamente interposto na trajetória da radiação.2 – Sistemas de varredura linear São sistemas nos quais um mecanismo de varredura desloca o campo de visão instantânea do equipamento repetidamente ao longo de uma mesma linha.3 – Visores térmicos Os visores térmicos são sistemas desenvolvidos a partir de seus equivalentes militares. desde que haja deslocamento relativo entre o sistema e o objeto a ser observado. neles a radiação é coletada por um arranjo óptico fixo e dirigida a um detector tipo termopilha ou piroelétrico. desenvolvidos primordialmente para imageamento e não 20 .18 mostra um radiômetro dotado de microprocessador.Termografia 3. servindo como referência. Versões mais sofisticadas.3.Radiômetros São os sistemas mais simples.3. Como não possuem mecanismo de varredura próprio. o deslocamento do campo de visão instantâneo é realizado pela movimentação do instrumento como um todo. 3. podendo ainda ser impressa em papel ou gravada em fita magnética para posterior análise. destinados a localização noturna de tropas e seus veículos inimigos.3.18 – Radiômetro Infravermelho 3.

Ao termovisores compõem-se em geral de uma unidade de câmera e de uma unidade de vídeo (display).4 – Termovisores São sistemas imageadores dotados de recursos para análise e medição de distribuição térmica. desde que a profundidade do defeito não seja maior que sue diâmetro. porque é maior a possibilidade do defeito ser mais profundo. estruturas.Métodos térmicos podem ser úteis na detecção de defeitos subsuperficiais ou vazios. sistemas ou processos físicos. Figura 1. 4. a energia necessária para o funcionamento do sistema é fornecida por baterias recarregáveis.Termografia para medição de temperaturas. Em ambos os casos.19 – Modelos de unidade de Câmera.Diferenças de temperatura sobre a superfície ou mudanças de temperatura com o tempo. A inspeção térmica se torna menos efetiva na detecção de defeitos subsuperficiais conforme a espessura do objeto aumenta. 3. A geração de imagens nos visores térmicos e realizada a partir de vidicons piroelétricos (PEV) e arranjos de detectores resfriados termeletricamente. – Inspeção termográfica A inspeção térmica inclui todos os métodos nos quais aparelhos sensíveis ao calor são usados para medir variações de temperatura nos componentes.O principio da inspeção térmica envolve a medição ou mapeamento de temperaturas superficiais quando o fluxo de calor flui para ou através do objeto em teste. 21 . sobretudo em locais de difícil acesso.2. destina-se à localização de pontos aquecidos e análises térmicas qualitativas. estão relacionadas ao fluxo de calor padrão e pode ser usado para detectar falhas ou para determinar as características de transferência de calor do corpo em teste.

Termografia 4.Métodos • Steady – State Method (regime estacionário) É usada para detectar anomalias onde a temperatura varia muito pouco com o tempo. • Isotermas Regiões do objeto a ser inspecionado. a retirada de um forjamento a quente. quando aplicável. 5. • Temperatura Ambiente É a temperatura do ambiente onde está localizado o objeto a ser inspecionado. isto é objeto muda a sua temperatura total para outra. A diferença de temperatura pode desenvolver e em seguida desaparecer. que permite o registro de imagens térmicas. • Referência É um objeto com emissividade conhecida tomado como objeto padrão.2.Muitos ou processos ativos termicamente podem ser inspecionados sobre a condição steady state. pode ter seu isolamento inspecionado procurando-se por pontos quentes. • Temperatura de referência É a temperatura conhecida da referência utilizada para calibração do instrumento termográfico. • Imagem térmica É a imagem produzida a partir da radiação térmica emitida pelos objetos.1 – Definições • Termografia È o ensaio não-destrutivo realizado através da visualização da radiação infravermelha emitida pelos objetos. Aplicações da termografia A termografia é genericamente definida como a técnica que possibilita a medição de temperatura à distância e a formação de imagens térmicas (termogramas) a partir da radiação infravermelha naturalmente emitida pelos corpos em função de sua temperatura 22 . irá esfriar até a temperatura ambiente.Esse tipo de anomalia geralmente produz grande diferença de temperatura e a imagem resultante é facilmente interpretada. 4. uma tubulação que regularmente transporta vapor. Por exemplo. A mudança pode ser ativa ou passivamente produzida. de uma prensa de forjar ou de um molde. com iguais níveis de temperatura. produzindo diferença de temperatura por um curto período de tempo. Por exemplo. • Timed –Based method (regime transiente) É usado para detectar anomalia onde a temperatura varia durante a inspeção. • Termograma É o registro da imagem térmica obtida no ensaio termográfico.

uma vez que são bastante limitadas as informações que podem ser obtidas de um forno em operação através da utilização de outros métodos de inspeção. denominados TIS(thermal imaging systems) ou mais simplesmente sistemas de visão noturna .1 – Fornos de processo 5. O desenvolvimento da termometria médica somente teve início no século XVIII com a fabricação dos primeiros termômetros.4. sobre tudo nos armamentos desenvolvidos para combate noturno. e valendo-se de sua elevada penetração em nuvens de poeira interestrelar opacas à radiação visível. Em seu desenvolvimento.Aplicações militares A capacidade de detectar fontes de calor a distância mesmo em condições de má visibilidade ou completa escuridão. operam geralmente na faixa espectral entre 8 e 14μm. a astronomia infravermelha vasculha um universo muito diferente do observado opticamente. tornando viável sua detecção por termografia.São apresentadas a seguir algumas aplicações do método termográfico na indústria de refinação de petróleo e em petroquímica. O centro de nossa galáxia. estrelas em fase de formação e a distribuição térmica em corpos do sistema solar são alguns dos objetos estudados por esse ramo da astronomia.1 – Condições dos tubos A aplicação da termografia na inspeção de tubos de fornos é uma de suas utilizações mais importantes. em razão da má visualização das chamas obtidas neste tipo de 23 .2 – Controle de queima O ajuste de queimadores de um forno é um dos fatores importantes na prevenção de superaquecimento s localizados em decorrência de incidência de chamas em seus tubos. como é descrito a seguir.1.Termografia absoluta. no entanto.1. 5.4.Os sistemas militares de imageamento térmico. os médicos puderam pela primeira vez observar detalhadamente a distribuição térmica no corpo humano. a termografia encontrou uma infinidade de aplicações em diversos campos da atividade humana. 5. ser prejudicada quando o forno utiliza gás combustível. na qual a atenuação atmosférica é mínima.Em alguns casos.3 – Aplicações médicas É experiência pessoal para a maioria das pessoas que a reação do corpo a uma infecção provoca o aumento de temperatura que denominamos febre.A operação de ajustagem dos queimadores pode. vastas nuvens de gás. 5.4.2 – Astronomia Pelo fato de que mesmo os corpos celestes por demais frios para irradiarem luz própria são emissores de radiação infravermelha.1. 5. 5. no inicio da década de 60.Com a introdução dos sistemas infravermelhos no mercado civil. confere aos sistemas infravermelho uma grande variedade de aplicações militares.4 – Aplicações na Indústria do Petróleo e petroquímica Os problemas operacionais que ocorrem em unidades industriais muitas vezes se traduzem em variações na temperatura externa dos equipamentos. até mesmo a termografia pode ser prejudicada pelas chamas e gases de combustão existentes no interior do equipamento. 5.

5. fornecendo dados. até a parada da unidade.3 –Condições de isolamento O comportamento de isolamentos pode ser avaliado de maneira semelhante ao caso de refratário.2 – Condições de refratários O comportamento de revestimentos refratários pode ser avaliado através da análise da imagem térmica da superfície externa dos equipamentos em que esteja instalado. que reduzem ou até mesmo impedem o escoamento normal do fluxo. possível à ocorrência de acentuada elevação de temperatura em algumas regiões localizadas. portanto. 24 .1. A inspeção termográfica mostra claramente os tubos obstruídos (mais frios) e permite acompanhar a evolução do seu problema.4. A termografia pode ser utilizada como método auxiliar no processo de regulagem dos queimadores de um forno nestas condições.Um dos métodos de descoqueamento utilizado é a queima de coque controlada por meio de vapor e ar (steam-air decoking).4. 5. 5. reduzindo em muito o risco de superaquecimento localizado.A termografia pode ser utilizada.4.4 – Obstruções de equipamentos Um dos problemas operacionais freqüentes em refinaria de petróleo são as obstruções no interior dos equipamentos. fornecendo dados para cálculo da eficiência de refratários e da perda térmica por radiação pelas paredes de equipamentos como fornos caldeiras. também em programas de conservação de energia.4.4.5 – Sistemas elétricos A continuidade operacional das unidades de processo está diretamente ligada ao suprimento de energia elétrica através que necessitam. Este acompanhamento permite fazer previsões quanto ao tempo de operação. tubulação e acessórios pode fornecer os dados necessários para o cálculo da perda térmica que ocorre nesses equipamentos. tornando necessária à execução de descoqueamento periódicos.As indicações sobre a distribuição das chamas no interior do forno são fornecidas através da visualização da imagem térmica dos seus contornos no monitor de vídeo do aparelho. O mapeamento termográfico do isolamento de vasos.3 – Descoqueamento Alguns fornos podem apresentar formação excessiva de coque internamente a seus tubos mesmo em condições de operação.Durante o descoqueamento os queimadores do forno operam apenas para proporcionar temperatura suficiente para a queima do coque. facilitando a aplicação da termografia permite os mapeamentos térmicos contínuo dos tubos.Termografia queima. dando uma idéia bastante precisa das condições do equipamento. Também neste caso a termografia pode ser aplicada a programas de conservação de energia. bem como planejar o volume de serviços de manutenção que são necessários.Desta maneira. 5. torres. o nível de chamas e de gases de combustão é menor que durante as operações normais do equipamento. 5. A temperatura dos tubos durante este processo é função da injeção vapor-ar e da quantidade e distribuição dos depósitos de coque sendo. A inspeção de subestações de energia elétrica através da termografia é uma das aplicações mais diretas deste método.

Termografia fornecendo indicações sobre os problemas em seus componentes com facilidade. 6. N – 2472 – Ensaio não destrutivo – Termografia N – 2475. uma vez que uma grande parte destes problemas se traduz em elevação local de temperatura. 25 . As demais definem condições específicas e critérios de avaliação das imagens térmicas obtidas. três normas para padronizar a execução desse exame.Normas de referência A Petrobrás elaborou a nível interno.Inspeção termográfica em sistemas elétricos N – 2487 – Inspeção termográfica em equipamentos de processo N – 2472 – Define regras gerais para execução do exame.

Termografia 7.Divisão eletrônica –1984 7. N-2487 26 .Curso de formação de técnico de inspeção de equipamentos I – REVAP/1994 7.4 – Normas Petrobrás N-2472.1 – Termografia – Princípios e aplicações AGA .N-2475.3.2 – Metals handbook – Nondestructive Evaluation and Quality control – Ninth Edition – Volume 17 7.Bibliografia 7.

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