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PROF.

FABIANO PEREIRA

DIREITO ADMINISTRATIVO
EM 60 MINUTOS

Uma maneira rápida e fácil de revisar os


principais tópicos da disciplina e gabaritar
as provas de concursos públicos
AMPLIADO E ATUALIZADO ATÉ 05/02/2019
APRESENTAÇÃO

Olá!
Nos últimos quinze anos atuei efetivamente no ensino do Direito Adminis-
trativo nos principais cursos preparatórios do país. Além disso, há cinco anos atuo
como Mentor e Coach na orientação de candidatos que realmente desejam se
tornar servidores públicos.
E, durante todo esse período, acabei me deparando com uma intrigante
peculiaridade: a maioria dos candidatos possui uma grande dificuldade no estu-
do dessa disciplina. Não raramente, o Direito Administrativo é responsável pela
reprovação de excelentes candidatos, o que acaba alimentando essa injustificada
percepção.
Na prática, o que acontece é que o ensino do Direito Administrativo exige
uma didática peculiar, não encontrada facilmente no mercado. Muitos profissio-
nais que ministram o conteúdo não vivenciam a rotina administrativa, o que difi-
culta a compreensão e, principalmente, a transmissão do conhecimento por meio
de exemplos.
Somando-se a tudo isso, destaca-se o fato de que os candidatos também
desconhecem as regras básicas do processo de memorização do conteúdo estu-
dado, a exemplo da necessidade de realizar revisões espaçadas, principalmente
na semana que antecede a prova do concurso público.
Pensando na facilitação do processo de revisão do conteúdo de Direito Ad-
ministrativo, decidi criar o e-book DIREITO ADMINISTRATIVO EM 60 MINUTOS.
Tenho certeza de que o material que você possui em mãos é um verdadeiro amu-
leto para o seu processo de preparação, principalmente nos dias que antecedem
a data de sua prova.
Como o próprio nome diz, em 60 minutos você consegue revisar e recordar
dos principais tópicos da disciplina, aumentando, assim, as chances de você au-
mentar a sua pontuação final no concurso público.
Estou sempre pensando em alternativas viáveis para facilitar o seu percurso
até a aprovação no concurso público desejado. Todavia, você tem que fazer a sua
parte!
Caminhando juntos, o resultado é a nomeação.
Sucesso!
Prof. Fabiano Pereira1
1 Professor Fabiano Pereira atualmente ocupa o cargo de Analista Judiciário do Poder Judiciário da
União. É Master Coach, Mentor e especialista em Direito Administrativo e Direito Eleitoral, com vários livros
publicados.
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SUMÁRIO

TEORIA GERAL DO DIREITO ADMINISTRATIVO pág. 4

PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA pág. 6

PODERES ADMINISTRATIVOS pág. 11

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA pág. 15

ATOS ADMINISTRATIVOS pág. 20

LICITAÇÃO pág. 24

CONTRATOS ADMINISTRATIVOS pág. 30

CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA pág. 34

RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO pág. 37

AGENTES PÚBLICOS - LEI 8.112/90 pág. 40

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA - LEI 8.429/1992 pág. 48

PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL - LEI 9.784/99 pág. 51

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TEORIA GERAL DO DIREITO
ADMINISTRATIVO
TEORIA GERAL DO DIREITO
ADMINISTRATIVO
1. Pelo critério da Administração Pública, o Direito Administrativo pode ser de-
finido como um conjunto de princípios e regras que regulam a Administração
Pública.
2. A professora Maria Sylvia Zanella di Pietro exclui do âmbito do Direito Adminis-
trativo a regência de atividades contenciosas da Administração Pública. Somente
a atividade jurídica não contenciosa está inserida no seu conceito de Direito Ad-
ministrativo.
3. A função de governo é exercida pelos poderes Executivo e Legislativo, que,
conjuntamente, são responsáveis por elaborar as políticas públicas e diretrizes
que devem embasar a atuação da Administração Pública. De outro lado, a função
administrativa é exercida pelos órgãos de execução da Administração Pública, que
colocam em prática as decisões de Governo.
4. A lei é a mais importante fonte do Direito Administrativo brasileiro, sendo
considerada uma fonte primária. Nesse caso, a expressão “lei” deve ser entendi-
da em sentido amplo, abrangendo as normas constitucionais, os atos normati-
vos primários previstos no artigo 59 da Constituição Federal (emendas constitu-
cionais, leis complementares, leis ordinárias, medidas provisórias, leis delegadas,
decretos e resoluções), os tratados e acordos internacionais, os estatutos e regi-
mentos e, ainda, os denominados atos normativos secundários (os atos adminis-
trativos editados por agentes públicos, a exemplo dos decretos regulamentares,
portarias, instruções normativas, entre outros).
5. O costume pode ser entendido como um conjunto de regras informais, não
escritas, praticado habitualmente no interior da Administração com a consciência
de que é obrigatório. Os costumes são considerados fontes do Direito Administra-
tivo porque, em vários momentos, suprem lacunas ou deficiências existentes em
nossa legislação administrativa.
6. Com o objetivo de fiscalizar e corrigir os atos ilegítimos ou ilegais pratica-
dos pela Administração Pública, foram desenvolvidos dois grandes sistemas de
controle que podem ser adotados pelos Estados, em todos os níveis de governo
(esfera federal, estadual, distrital e municipal): o do contencioso administrativo
(também chamado de sistema francês) e o sistema judiciário ou de jurisdição
única (também conhecido como sistema inglês). No Brasil, adota-se o sistema de
jurisdição única.
7. O regime jurídico-administrativo foi construído tendo como base dois grandes
princípios jurídicos: a supremacia do interesse público sobre os interesses priva-
dos e a indisponibilidade dos interesses públicos. Esses dois princípios conferem
ao citado regime o caráter de Direito Público e suas especificidades, bem como
sua natureza jurídica.
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PRINCÍPIOS DA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

1. Regras (leis) e princípios são espécies de um gênero maior, denominado norma.


2. Condutas administrativas violadoras de leis são consideradas ilegais; se viola-
doras de princípios, ilegítimas.
3. Eventual conflito entre princípios deve ser solucionado através da ponderação
de valores, analisando-se a incidência individual de cada princípio no caso em
concreto.
4. Não há hierarquia entre princípios, que se aplicam em igual medida e de acordo
com as ponderações determinadas pelo caso em concreto.
5. Princípios expressos são aqueles escritos em norma de caráter geral (L.I.M.P.E.,
por exemplo, previstos na CF∕1988); princípios implícitos são fruto da doutrina e
jurisprudência (proteção à confiança, por exemplo).
6. Nas palavras de Hely Lopes Meirelles, “enquanto na administração particular é
lícito fazer tudo o que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido
fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular significa ‘pode fazer assim’; para
o administrador público significa ‘deve fazer assim”.
7. Atos administrativos (decretos regulamentares, por exemplo) não podem criar
direitos ou impor obrigações a particulares.
8. Em situações excepcionais, os administrados serão obrigados a cumprir deter-
minações ou proibições que não estarão previstas em leis, mas em medidas pro-
visórias e decretos que instituem estado de defesa e estado de sítio.
9. O princípio da legalidade não impede a discricionariedade administrativa, ape-
nas impõe limites à sua atuação, que deve ocorrer nos termos da lei.
10. Existem atos normativos primários que, mesmo não se enquadrando como lei
em sentido formal, também poder impor obrigações ou proibições aos adminis-
trados: medidas provisórias, decretos autônomos, resoluções do CNJ e CNMP e
regimentos internos dos tribunais.
11. O princípio da impessoalidade pode ser estudado sob vários aspectos distin-
tos: dever de tratamento isonômico a todos os administrados; imputação dos
atos praticados pelos agentes públicos diretamente às pessoas jurídicas a que
estejam vinculados, vedada a promoção pessoal; imposição de que os atos da
Administração sejam editados para a satisfação da finalidade pública.
12. Regras relativas a impedimentos e suspeições são aplicadas a servidores
públicos como corolário do princípio da impessoalidade
13. Em razão do princípio da impessoalidade, o ato administrativo praticado por
funcionário irregularmente investido no cargo ou função é válido (teoria do fun-
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PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

cionário de fato, que leva em conta a aparência de legalidade do ato praticado).


14. Quando a remoção ex officio de servidor público for realizada com o intuito
de puni-lo, ter-se-á o desvio de finalidade, pois essa não é a finalidade do ato
prevista legalmente.
15. A moralidade administrativa (interna) possui conteúdo específico, podendo
coincidir, ou não, com a moral comum (externa) da sociedade, em determinado
momento histórico.
16. A ofensa à moral comum não caracteriza, necessariamente, ofensa à moralida-
de administrativa, que se vincula a uma noção de moral jurídica, exigindo padrões
objetivos de conduta dos administradores públicos. Todavia, existem situações
nas quais a conduta do indivíduo pode violar, ao mesmo tempo, a moral comum
e a moral administrativa.
17. Em razão da súmula vinculante nº 13 do STF, que veda o nepotismo (inclusi-
ve na forma cruzada), os primos são os únicos parentes (4º grau) da autoridade
competente que podem ser nomeados para cargos em comissão ou função grati-
ficada.
18. Parentes podem ser nomeados para o exercício de cargos políticos (Minis-
térios e Secretarias Estaduais e Municipais) sem que ocorra violação ao teor da
súmula vinculante nº 13 do STF.
19. Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse
particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei,
sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível
à segurança da sociedade e do Estado.
20. Quando a lei exigir ou for necessária a produção de efeitos externos, o ato ad-
ministrativo deverá ser publicado em Diário Oficial ou instrumento equivalente.
De outro lado, quando se tratar de atos de efeitos internos, a divulgação poderá
ser feita em boletim informativo do próprio órgão ou entidade.
21. A publicidade não é elemento formativo do ato; é requisito de eficácia e mo-
ralidade.
22. Como consequência do princípio da publicidade, é legítima a divulgação, atra-
vés da internet, da remuneração recebida pelos agentes públicos.
23. O princípio da eficiência exige que a atividade administrativa seja exercida
com presteza, perfeição e rendimento funcional, alcançando tanto a Administra-
ção Pública quanto os seus respectivos agentes, de forma individualizada.
24. O princípio da eficiência somente foi introduzido no art. 37, caput, da CF∕1988
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PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

em 04∕06∕1998, com a promulgação da EC nº 19∕1998.


25. A supremacia do interesse público assegura à Administração Pública diversas
prerrogativas nas relações jurídicas frente aos particulares (a exemplos de prazos
processuais mais dilatados e cláusulas exorbitantes nos contratos administrati-
vos).
26. A supremacia do interesse público não é absoluta, pois deve respeitar o ato
jurídico perfeito, direito adquirido e coisa julgada, nos termos do art. 5º, XXXVI,
CF∕1988.
27. A necessidade de realização de concursos públicos e licitação são exemplos da
manifestação do princípio da indisponibilidade. No mesmo sentido, também são
exemplos a necessidade de lei para formalização de acordos judiciais e alienação
de bens públicos pela Administração Pública.
28. O princípio da razoabilidade também é conhecido como princípio do bom
senso, pois exige que o administrador público tome decisões pautadas no senso
comum, isto é, em sintonia com o entendimento da maioria das pessoas sobre o
tema.
29. Atos administrativos desarrazoados estão sujeitos ao controle do Poder Judi-
ciário.
30. O princípio da proporcionalidade impõe a adequação entre meios e fins, ve-
dada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àque-
las estritamente necessárias ao atendimento do interesse público. É também
conhecido como princípio da proibição de excessos.
31. A súmula 473 do STF dispõe que administração pode anular seus próprios
atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se origi-
nam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, res-
peitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação
judicial. Trata-se do princípio da autotutela.
32. O princípio da tutela, também conhecido como princípio do controle, permi-
te que a Administração Pública Direta fiscalize e controle as atividades exercidas
pelas entidades da Administração Pública Indireta a fim de que cumpram as fina-
lidades legais reproduzidas em seus atos constitutivos.
33. As entidades e órgãos administrativos podem alterar as interpretações que
possuem sobre a execução dos dispositivos legais vigentes. Entretanto, a nova in-
terpretação somente poderá ser aplicada às situações jurídicas futuras, não pre-
judicando, assim, aqueles que foram beneficiados pela interpretação administra-
tiva anterior. Isso é consequência do princípio da segurança jurídica.
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PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

34. O princípio da proteção à confiança, que não possui previsão expressa no


ordenamento jurídico brasileiro, corresponde ao aspecto subjetivo da segurança
jurídica.
35. A prestação de serviços públicos deve ocorrer de forma contínua, não se per-
mitindo, em regra, a interrupção ou suspensão daqueles considerados essenciais
às atividades cotidianas da sociedade.
36. Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção em
situação de emergência ou após prévio aviso, quando: I - motivada por razões
de ordem técnica ou de segurança das instalações; e, II - por inadimplemento do
usuário, considerado o interesse da coletividade.
37. O princípio da motivação exige que o administrador público apresente, por
escrito, os pressupostos de fato e de direito que ensejaram a edição do ato, sob
pena de anulação.
38. A teoria dos motivos determinantes dispõe que se o agente público apre-
sentou, por escrito, os motivos que ensejaram a edição do ato, estes devem ser
verdadeiros e corresponder à realidade, ainda que se trate de ato que não exigia
motivação (a exemplo da nomeação para cargos em comissão).
39. Compete ao Poder Judiciário realizar o controle de legalidade de todos os atos
praticados pela Administração Pública, inclusive os atos administrativos, sejam
eles discricionários ou vinculados. Ademais, incumbe ao Poder Judiciário, caso
provocado, avaliar se o conteúdo do ato administrativo está em conformidade
com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade.
40. Nos dias atuais, a Administração Pública não se restringe apenas à obser-
vância do princípio da legalidade estrita, mas também de todos os demais atos
normativos primários (decretos autônomos, por exemplo) e princípios gerais do
direito. Por isso se fala em observância do princípio da juridicidade, que é mais
amplo que o princípio da legalidade.

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PODERES ADMINISTRATIVOS
PODERES ADMINISTRATIVOS

1. O abuso de poder configura-se por uma conduta praticada pelo agente público
em desconformidade com a lei e pode se apresentar sob três formas diferentes:
a) quando o agente público ultrapassa os limites da competência que lhe foi ou-
torgada pela lei (excesso de poder); b) quando o agente público exerce a compe-
tência nos estritos limites legais, mas para atingir finalidade diferente daquela
prevista em lei (desvio de poder ou desvio de finalidade); c) pela omissão;
2. Para que um ato administrativo seja editado validamente, em conformidade
com a lei, é necessário que atenda a cinco requisitos básicos: competência, for-
ma, finalidade, motivo e objeto. Quando os cinco requisitos forem apresentados
e detalhados na própria lei, ter-se-á um ato vinculado, pois o agente público res-
tringir-se-á ao prenchimento do ato nos termos que foram definidos legalmente;
3. Poder discricionário é aquele que a própria lei concede ao agente público, de
modo explícito ou implícito, para a prática de atos administrativos, autorizando-
-lhe a escolher, entre várias alternativas possíveis, aquela que melhor atende ao
interesse coletivo;
4. Cuidado para não confundir discricionariedade e arbitrariedade. A primeira
consiste numa autonomia de escolha exercitada sob a égide da Lei e nos limites
do Direito. Isso significa que a discricionariedade não pode traduzir um exercício
prepotente de competências e, portanto, não autoriza escolhas ao bel-prazer,
por liberalidade ou para satisfação de interesses secundários ou reprováveis, pois
isso caracterizaria arbitrariedade. A arbitrariedade está presente nos atos que
atentam contra a lei, inclusive naqueles que extrapolam os limites da discriciona-
riedade outorgada legalmente ao agente público;
5. O Poder Judiciário jamais poderá revogar um ato editado pela Administração,
mas somente anulá-lo, quando for ilegal ou contrariar princípios gerais do Direi-
to. Somente a própria Administração pode revogar os seus atos, pois essa possi-
bilidade está relacionada diretamente à conveniência e à oportunidade;
6. O poder hierárquico é exercido de forma contínua e permanente dentro de
uma mesma pessoa política ou administrativa organizada verticalmente. Sendo
assim, é possível afirmar que, no interior da União, Estados, Municípios e Distrito
Federal, ocorrerão várias relações de hierarquia, todas elas fruto da desconcen-
tração;
7. No exercício do poder hierárquico, várias prerrogativas serão asseguradas aos
órgãos e agentes superiores, a exemplo dos poderes de ordenar, fiscalizar, delegar
e avocar competências e de dirimir controvérsias de competência;

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PODERES ADMINISTRATIVOS

8. O poder disciplinar consiste na prerrogativa assegurada à Administração Pública


de apurar infrações funcionais dos servidores públicos e demais pessoas subme-
tidas à disciplina administrativa, bem como aplicar penalidades após o respectivo
processo administrativo, caso seja cabível e necessário;
9. É válido destacar que os particulares que não possuem vínculo com a Adminis-
tração não podem ser punidos com respaldo no poder disciplinar, pois não estão
submetidos à sua disciplina punitiva. Sendo assim, caso o particular tenha sido
alvo de penalidade aplicada pela Administração, sem possuir qualquer vínculo
jurídico com a mesma, não se trata de exercício do poder disciplinar, mas, prova-
velmente, do poder de polícia;
10. Cuidado para não confundir as medidas punitivas decorrentes do poder disci-
plinar com as medidas decorrentes do poder punitivo do Estado. O poder puni-
tivo do Estado objetiva a repressão de crimes e contravenções definidas nas leis
penais, sendo realizado pelo Poder Judiciário. Por outro lado, o poder disciplinar
visa resguardar a hierarquia e a eficiência administrativa, combatendo os ilícitos
administrativos;
11. O poder regulamentar consiste “na atribuição privativa do chefe do Poder Exe-
cutivo para, mediante decreto, expedir atos normativos, chamados regulamentos,
compatíveis com a lei e visando desenvolvê-la”. O poder regulamentar é exercido
exclusivamente pelo Chefe do Executivo, sendo indelegável. Portanto, muito cui-
dado com as afirmativas de provas que informam que, em caráter excepcional,
esse poder pode ser delegado;
12. O decreto regulamentar é um ato administrativo e, portanto, encontra-se su-
bordinado aos limites da lei. Jamais poderá o decreto regulamentar inovar na or-
dem jurídica, criando direitos e obrigações para os particulares, pois, nos termos
do inciso II do artigo 5º da CF/88, essa é uma prerrogativa reservada à lei;
13. Para responder às questões de prova, lembre-se de que o decreto autônomo
é um ato normativo primário, que tem por objetivo disciplinar matérias com for-
ça de lei, estando apto, portanto, a inovar na ordem jurídica;
14. Não confunda as expressões “polícia administrativa” e “polícia judiciária”. A
primeira incide sobre bens, direitos ou atividades (propriedade e liberdade), sen-
do vinculada mais precisamente à prevenção de ilícitos administrativos e difun-
dindo-se por todos os órgãos administrativos, de todos os Poderes e entidades
públicas que tenham atribuições de fiscalização (IBAMA, por exemplo). A segun-
da incide sobre pessoas, atuando de forma conexa e acessória ao Poder Judiciário
na apuração e prevenção de infrações penais, sendo regida, portanto, pelas nor-
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PODERES ADMINISTRATIVOS

mas de Direito Processual Penal (Polícia Civil e Polícia Federal);


15. O poder de polícia fundamenta-se no princípio da supremacia do interesse
público sobre o interesse privado, objetivando impedir que particulares prati-
quem atos nocivos ao interesse público nas áreas de higiene, saúde, meio am-
biente, segurança pública, profissões, trânsito, entre outras.
16. A função de polícia é exercida em quatro fases – o ciclo de polícia – corres-
pondendo a seus quatro modos de atuação: a ordem de polícia, o consentimento
de polícia, a fiscalização de polícia e a sanção de polícia.

17. O art. 1º da Lei 9.873/1999 é expresso ao afirmar que “prescreve em cinco anos
a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício
do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados
da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do
dia em que tiver cessado”.

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ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
DIRETA E INDIRETA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
DIRETA E INDIRETA
1. As autarquias exercem funções típicas de Estado e são apelidadas de “serviços
públicos personificados”;
2. Somente por lei específica poderá ser criada uma autarquia, seja ela federal,
estadual, municipal ou distrital;
3. Em regra, a iniciativa legislativa para a criação de autarquias é privativa do Che-
fe do Executivo;
4. As autarquias responderão objetivamente pelos danos que seus agentes, nes-
sa qualidade, causarem a terceiros;
5. O patrimônio de uma autarquia é constituído por bens públicos e, portanto,
imprescritíveis e impenhoráveis;
6. As autarquias possuem prazo em dobro para contestar e/ou responder às ações
judiciais;
7. As autarquias são abrangidas pela imunidade tributária recíproca;
8. As autarquias federais possuem prerrogativa de foro na justiça federal;
9. As entidades da Administração não estão subordinadas à Administração Direta,
mas somente vinculadas;
10. As fundações públicas de Direito Público são criadas por lei e as fundações
públicas de Direito Privado tem a sua criação autorizada por lei;
11. As empresas públicas e sociedades de economia mista podem explorar ati-
vidade econômica ou prestar serviços públicos, mas, em ambos os casos, serão
regidas pelo Direito Privado;
12. As empresas estatais têm a sua criação autorizada por lei;
13. O entendimento que deve prevalecer para concursos públicos é o de que a
autorização para a criação de subsidiárias pode ser genérica (conforme o enten-
dimento do STF) ou ainda que deve ser concedida autorização legislativa em cada
caso (quando a questão cobrar o texto literal do inciso XX do artigo 37 da CF/88);
14. Os empregados das empresas públicas e sociedades de economia mista são
regidos pela CLT, portanto, não possuem estabilidade;
15. O próprio texto constitucional estabelece a necessidade de criação de um
regime licitatório específico para as empresas estatais exploradoras de atividade

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ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
DIRETA E INDIRETA
econômica, que se dará nos termos da lei;
16. Empresa estatal que explora atividade econômica atua no mercado competin-
do diretamente com empresas privadas e, portanto, não pode gozar de privilégios
tributários que não sejam assegurados também aos particulares, sob pena de
caracterização de concorrência desleal;
17. As empresas públicas e sociedades de economia mista não estão sujeitas à lei
de falência;
18. Se a empresa pública ou sociedade de economia mista prestarem serviços pú-
blicos, é incontestável que se submeterão às regras do § 6º do artigo 37 da CF/88,
ou seja, responderão objetivamente pelos danos que seus agentes, nessa qua-
lidade, causarem a terceiros. Entretanto, caso a empresa pública ou sociedade
de economia mista explorarem atividades econômicas, a responsabilidade será
subjetiva, regulada pela legislação civil;
19. As sociedades de economia mista somente podem ser constituídas sob a for-
ma de sociedade anônima (S.A.), enquanto as empresas públicas podem ser cons-
tituídas sob qualquer forma existente no Direito;
20. O capital das sociedades de economia mista é formado pela conjugação de
recursos públicos e de recursos privados. As empresas públicas, por sua vez, pos-
suem capital integralmente público, ou seja, proveniente de entidades da Admi-
nistração Pública Direta ou Indireta.
21. A Administração Pública brasileira passou por três modelos básicos de admi-
nistração: a patrimonialista, a burocrática e a gerencial. Todas essas modalidades
se sucederam no tempo, mas não é correto afirmar que os dois primeiros mode-
los foram totalmente abandonados, pois ainda encontramos resquícios de sua
aplicação atualmente;
22. O principal objetivo do contrato de gestão é aumentar a autonomia gerencial,
orçamentária e financeira de órgãos e entidades públicos, facilitando o alcance de
suas finalidades previstas em lei;
23. Para responder às questões de prova, lembre-se de que os contratos de ges-
tão podem ser assinados entre a Administração Direta e Administração Indireta;
entre órgãos da própria Administração Direta; ou, ainda, entre a Administração
Direta e pessoas jurídicas de Direito Privado não integrantes da Administração
(dando origem às Organizações Sociais);
24. A expressão “agência executiva” não designa uma nova entidade integrante
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ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
DIRETA E INDIRETA
da Administração Pública. Trata-se somente de uma qualificação que é concedida
pelo Poder Público às fundações públicas e autarquias que tenham celebrado um
contrato de gestão com a Administração Direta e atendam aos demais requisitos
previstos nos artigos 51 e 52 da Lei 9.649/98;
25. As principais características das agências reguladoras são: a estabilidade dos
dirigentes (somente devem ser afastados no caso de cometimento de ilícitos, ou
de outros desvios de conduta, ou se a agência não estiver cumprindo a política
pública definida nos termos da lei para o setor); autonomia de gestão; estabeleci-
mento de fontes próprias de recursos, se possível geradas pelo próprio exercício
da atividade regulatória (taxas pelo exercício do poder de polícia e preços públi-
cos específicos); a não-subordinação hierárquica a qualquer instância de governo;
a inexistência de instância revisora hierárquica de seus atos, ressalvada a revisão
judicial; a indicação dos dirigentes pautada por critérios técnicos, sendo preferí-
vel que sua nomeação não seja ato exclusivo do Poder Executivo, devendo envol-
ver o Legislativo, mediante sabatina e aprovação, pela instância parlamentar, dos
nomes indicados;
26. O ordenamento jurídico brasileiro confere às agências reguladoras o poder de
arbitrar os conflitos entre o Estado, o prestador do serviço e os cidadãos que sur-
girem no respectivo setor regulado. As decisões proferidas pelas agências regula-
doras possuem caráter de definitividade na esfera administrativa, ou seja, não são
passíveis de recursos para instâncias administrativas superiores;
27. A lei pode estabelecer a possibilidade de o interessado apresentar recurso
hierárquico impróprio em face das decisões proferidas pelas agências regulado-
ras, em caráter excepcional. O recurso hierárquico impróprio somente poderá ser
proposto face às decisões proferidas pelas agências reguladoras ou demais enti-
dades da Administração Pública Indireta, se existir a expressão previsão legal ou
constitucional;
28. Um dos elementos configuradores da autonomia administrativa das agências
reguladoras é o “mandato a prazo certo” exercido pelos seus dirigentes que, se-
gundo o entendimento da doutrina majoritária, trata-se de essencial e necessá-
rio instrumento de garantia contra ingerências externas, principalmente político-
-eleitorais;
29. Como estão vinculadas (e não subordinadas) ao Poder Executivo, as agências
reguladoras estão submetidas ao mesmo controle finalístico (ou supervisão mi-
nisterial) exercido em relação às entidades da Administração Pública Indireta, nos
termos do artigo 84, II e 87, parágrafo único, da CF/88.

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ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
DIRETA E INDIRETA
30. A expressão “organização social” nada mais é que uma qualificação conce-
dida pelo Poder Público a uma entidade privada, sem fins lucrativos, a exemplo
das sociedades, fundações privadas e associações, a fim de que possam receber
determinados benefícios e incentivos do Poder Público (dotações orçamentárias,
isenções fiscais etc.), para a realização de seus objetivos, que devem ser obriga-
toriamente de interesse coletivo. Não se trata da criação de uma nova entidade,
pois é concedida apenas uma qualificação de “organização social” a uma entidade
já existente ou recém-criada;
31. Cuidado ao responder às questões de prova, pois é muito comum as bancas
examinadoras elaborarem questões perguntando o nome dado à entidade que
assina um termo de parceria (OSCIP) ou ainda daquela que assina um contrato
de gestão (OS).

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ATOS ADMINISTRATIVOS
ATOS ADMINISTRATIVOS

1. A Administração Pública edita dois tipos de atos jurídicos: a) atos que são regi-
dos pelo Direito Público e, consequentemente, denominados de atos administra-
tivos e b) atos regidos pelo Direito Privado;
2. Fique atento ao conceito de ato administrativo formulado pelo professor Hely
Lopes Meirelles, pois ele é muito cobrado em questões de concursos: “ato ad-
ministrativo é toda manifestação unilateral de vontade da Administração Pública
que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato adquirir, resguardar, trans-
ferir, modificar, extinguir e declarar direitos, ou impor obrigações aos administra-
dos ou a si própria.”
3. São elementos ou requisitos do ato administrativo a competência, a finalidade,
a forma, o motivo e o objeto. Os três primeiros são sempre vinculados e os dois
últimos podem ser vinculados ou discricionários;
4. O motivo, que também é chamado de “causa”, é o pressuposto de fato e de di-
reito que serve de fundamento para a edição do ato administrativo. O motivo se
manifesta através de ações ou omissões dos agentes públicos, dos administrados
ou, ainda, de necessidades da própria Administração, que justificam ou impõem
a edição de um ato administrativo;
5º. Cuidado para não confundir as expressões “motivo” e “motivação”. O motivo
pode ser entendido como o pressuposto de fato e de direito que serve de fun-
damento para a edição do ato administrativo. Por outro lado, a motivação nada
mais é que exposição dos motivos, por escrito, no corpo do ato administrativo;
6. Segundo a teoria dos motivos determinantes, o motivo alegado pelo agente
público no momento da edição do ato deve corresponder à realidade, tem que
ser verdadeiro, pois, caso contrário, comprovando o interessado que o motivo in-
formado não guarda qualquer relação com a edição do ato ou que simplesmente
não existe, o ato deverá ser anulado pela própria Administração ou pelo Poder
Judiciário;
7. Não existe um consenso doutrinário sobre a quantidade de atributos inerentes
aos atos administrativos, mas, para responder às questões de provas, lembre-se
da presunção de legitimidade e veracidade, a imperatividade, a autoexecutorie-
dade e a tipicidade;
8. Todo e qualquer ato administrativo é presumivelmente legítimo, ou seja, con-
sidera-se editado em conformidade com a lei, alcançando todos os atos adminis-
trativos editados pela Administração, independentemente da espécie ou classifi-
cação;

21
ATOS ADMINISTRATIVOS

9. A presunção de legitimidade será sempre juris tantum (relativa), pois é asse-


gurado ao interessado recorrer à Administração, ou mesmo ao Poder Judiciário,
para que não seja obrigado a submeter-se aos efeitos do ato, quando for manifes-
tamente ilegal;
10. A imperatividade é o atributo pelo qual os atos administrativos se impõem a
terceiros, independentemente de sua concordância ou aquiescência. Ao contrá-
rio do que ocorre na presunção de legitimidade, que não necessita de previsão
em lei, a imperatividade exige expressa autorização legal e não pode ser aplicada
a todos os atos administrativos;
11. A autoexecutoriedade é o atributo que garante ao Poder Público a possibilida-
de de obrigar terceiros ao cumprimento dos atos administrativos editados, sem a
necessidade de recorrer ao Poder Judiciário;
12. Nem sempre os atos administrativos irão gozar de autoexecutoriedade e o
exemplo mais comum em provas é o das multas. Nesse caso, apesar da aplicação
de a multa ser decorrente do atributo da imperatividade, se o particular não efe-
tuar o seu pagamento, a Administração somente poderá recebê-la se recorrer ao
Poder Judiciário, não sendo possível gozar da autoexecutoriedade;
13. Não existe um consenso doutrinário sobre a possibilidade de incluir a tipicida-
de como um dos atributos do ato administrativo, mas, como as bancas examina-
doras gostam muito de utilizar o livro da professora Maria Sylvia Zanella di Pietro
como base para a elaboração de questões, é bom que você o conheça. Segundo
a ilustre professora, podemos entender a tipicidade como “o atributo pelo qual
o ato administrativo deve corresponder a figuras definidas previamente pela lei
como aptas a produzir determinados resultados”.
14. Para que você possa responder às questões de concursos públicos sem medo
de ser feliz, lembre-se sempre de que um ato ilegal (contrário ao ordenamento
jurídico) deve ser sempre anulado, nunca revogado. Além disso, lembre-se ain-
da de que a anulação desse ato ilegal pode ser efetuada pelo Poder Judiciário
(quando provocado) ou pela própria Administração (de ofício ou mediante pro-
vocação);
15. A anulação de um ato administrativo opera-se com efeitos retroativos (ex
tunc), ou seja, o ato perde os seus efeitos desde o momento de sua edição (como
se nunca tivesse existido), pois não origina direitos;
16. A revogação ocorre sempre que a Administração Pública decide retirar, par-
cial ou integramente do ordenamento jurídico, um ato administrativo válido e

22
ATOS ADMINISTRATIVOS

legal, mas que deixou de atender ao interesse público em razão de não ser mais
conveniente ou oportuno.
17. O Poder Judiciário, no exercício de suas funções atípicas, também pode editar
atos administrativos (publicação de um edital de licitação, por exemplo). Sendo
assim, posteriormente, caso interesse público superveniente justifique a revoga-
ção do edital licitatório, o próprio Poder Judiciário poderá fazê-lo;
18. Ao contrário do que ocorre na anulação, que produz efeitos “ex tunc”, na re-
vogação os efeitos serão sempre “ex nunc” (proativos). Isso significa dizer que a
revogação somente produz efeitos prospectivos, ou seja, para frente, conservan-
do-se todos os efeitos que já haviam sido produzidos;
19. Não podem ser revogados os atos já consumados, que exauriram seus efei-
tos; os atos vinculados; os atos que já geraram direitos adquiridos para os par-
ticulares; os atos que integram um procedimento e os denominados meros atos
administrativos;
20. A cassação é o desfazimento de um ato válido em virtude do seu destinatá-
rio ter descumprido os requisitos necessários para a sua manutenção em vigor.
Sendo assim, deve ficar bem claro que o particular, destinatário do ato, é o único
responsável pela sua extinção;
21. A convalidação (correção) de um ato administrativo somente pode ocorrer em
relação aos vícios sanáveis, pois, caso o ato apresente vícios insanáveis, deverá
ser necessariamente anulado.
22. O vício de incompetência admite convalidação, que nesse caso recebe o nome
de ratificação, desde que não se trate de competência outorgada com exclusivi-
dade;
23. Em relação ao requisito “forma”, a convalidação é possível se ela não for es-
sencial à validade do ato administrativo;
25. O prazo que a Administração possui para anular os atos ilegais é de 05 (cinco)
anos. Ultrapassado esse prazo, considera-se que o ato foi tacitamente (automati-
camente) convalidado, salvo comprovada má-fé do beneficiário.

23
LICITAÇÃO
LICITAÇÃO

1. Lembre-se sempre de que a finalidade básica da licitação é selecionar a pro-


posta mais vantajosa para a Administração, que nem sempre será aquela que
apresenta o menor preço;
2. É importante esclarecer que apesar de a Lei 8.666/93 ter sido criada pelo Con-
gresso Nacional (órgão legislativo da União), estabeleceu normas gerais que de-
vem ser obedecidas pela União, Estados, Municípios e Distrito Federal. Entretan-
to, é assegurado a esses entes estatais legislarem sobre normas específicas com
o objetivo de atender a peculiaridades locais (Municípios) ou regionais (Estados),
desde que não contrariem o texto da Lei Geral de Licitações – Lei 8.666/93;
3. Todas as entidades da Administração Direta (União, Estados, Municípios e Dis-
trito Federal), seus respectivos órgãos (Ministérios, Secretarias Estaduais, Secre-
tarias Municipais etc.) e entidades integrantes da Administração Indireta (autar-
quias, fundações públicas, sociedades de economia mista e empresas públicas)
estão obrigados a respeitar o texto da Lei 8.666/1993. Todavia, com a publicação
da Lei 13.303/16 as empresas públicas e sociedades de economia mista passaram
a ser submetidas a regras licitatórias específicas. Assim, a Lei 8.666/93 somente
será imposta em caráter subsidiário ou supletivo.
4. Eventuais limitações à participação dos licitantes somente podem ser impos-
tas nos limites previstos em lei e em conformidade com os princípios gerais do
Direito, não sendo possível, sem justificativa razoável e aceitável, que se venha a
restringir o caráter competitivo do certame;
5. O princípio da igualdade entre os participantes ou, simplesmente, princípio da
isonomia, impõe que aos licitantes deverá ser oferecida igualdade de oportunida-
des durante o procedimento licitatório, não sendo toleráveis cláusulas editalícias
que afastem injustamente eventuais interessados ou os prejudiquem no julga-
mento.
6. O princípio da vinculação ao instrumento convocatório, também chamado de
princípio da vinculação ao edital, está previsto expressamente no artigo 41 da
Lei 8.666/93, ao afirmar que “a Administração não pode descumprir as normas e
condições do edital, ao qual se acha estritamente vinculada”;
7. O princípio do julgamento objetivo está previsto expressamente no texto da
Lei Geral de Licitações, mais precisamente em seu artigo 44, ao afirmar que “no
julgamento das propostas, a Comissão levará em consideração os critérios obje-
tivos definidos no edital ou convite, os quais não devem contrariar as normas e
princípios estabelecidos por esta Lei”;

25
LICITAÇÃO

8. Se as propostas oferecidas pelos licitantes forem iguais, como critério de de-


sempate, será assegurada preferência, sucessivamente, aos bens e serviços: pro-
duzidos no País; produzidos ou prestados por empresas brasileiras; e produzidos
ou prestados por empresas que invistam em pesquisa e no desenvolvimento de
tecnologia no País;
9. A licitação não será sigilosa, sendo públicos e acessíveis ao público os atos
de seu procedimento, salvo quanto ao conteúdo das propostas, até a respectiva
abertura;

10. O artigo 4º da Lei 8.666/93 afirma que o procedimento licitatório caracteriza


ato administrativo formal, seja ele praticado em qualquer esfera da Administra-
ção Pública. Isso quer dizer que o procedimento licitatório está vinculado não
somente ao texto legal, mas também aos regulamentos, às normatizações admi-
nistrativas e, consequentemente, ao próprio edital;
11. Adjudicação é o ato pelo qual a autoridade competente atribui ao vencedor
da licitação o seu objeto. O professor Hely Lopes Meirelles afirma que a Adminis-
tração não pode, concluído o procedimento licitatório, atribuir o objeto da licita-
ção a outrem que não o vencedor.
12. Nos processos de licitação realizados pela Administração Pública, poderá ser
estabelecida margem de preferência para produtos manufaturados e para servi-
ços nacionais que atendam às normas técnicas brasileiras;
13. Além da margem de preferência “básica”, prevista no § 5º, art. 3º, da Lei
8.666/1993, a Administração Pública ainda poderá prever uma margem de pre-
ferência “adicional” para os produtos manufaturados e serviços nacionais resul-
tantes de desenvolvimento e inovação tecnológica realizados no País, desde que
essas duas margens de preferência, quando somadas, não ultrapassem o mon-
tante de 25% (vinte e cinco por cento) sobre o preço dos produtos manufaturados
e serviços estrangeiros;
14. Obras, serviços e compras de grande vulto são aquelas cujo valor estimado
seja superior a 25 (vinte e cinco) vezes o limite estabelecido na alínea “c” do inciso
I do art. 23 desta Lei, isto é, superior a R$ 82.500.000,00;
15. A doutrina majoritária divide a licitação em duas grandes fases: a interna, que
se inicia com a abertura do procedimento administrativo, e a externa, que tem
início com uma audiência pública, nas licitações cujos valores sejam superiores a
R$ 330.000.000,00 (trezentos e trinta milhões de reais), ou com a publicação do
edital ou envio da carta-convite, nos valores medianos e aqueles considerados de
26
LICITAÇÃO

menor vulto.
16. Licitações simultâneas são aquelas com objetos similares e com realização
prevista com intervalos iguais ou inferiores a 30 dias. Por outra via, consideram-
se sucessivas duas licitações, quando, sendo semelhantes seus objetos, o edital
de abertura da posterior seja publicado antes de 120 dias do término do contrato
relativo à licitação anterior.
17. O Edital é considerado a lei interna da licitação. Através dele a Administração
Pública apresentará todas as regras para a aquisição de bens ou contratação dos
serviços desejados, que deverão ser respeitadas na íntegra, sob pena de inabilita-
ção (documentação) ou desclassificação (proposta comercial não aceita).
18. Qualquer cidadão ou participante do procedimento licitatório é parte legítima
para impugnar edital de licitação quando este contrariar o texto da Lei 8.666/93
ou os princípios gerais do Direito Administrativo.
19. A Comissão de Licitação tem como objetivo organizar, com apoio técnico, todo
o procedimento licitatório, tais como: elaborar, publicar e divulgar o edital e seus
anexos, prestar esclarecimentos, receber propostas, conduzir o certame, julgar,
adjudicar e elaborar a ata da reunião de licitação.
20. A fase de habilitação dos licitantes tem por objetivo verificar a documentação
e os requisitos pessoais daqueles que manifestam interesse em participar do pro-
cedimento licitatório, selecionando somente os que comprovem reais condições
de participar do certame.
21. Superada a fase de habilitação, ocorrerá o julgamento das propostas em con-
formidade com as regras constantes na lei e no respectivo edital, observando-se
sempre o tipo de licitação previsto.
22. O trabalho da comissão de licitação encerra-se com a escolha da proposta
mais vantajosa para a Administração. Superada essa fase, o inciso VI, artigo 43,
da Lei 8.666/93, determina que o processo seja enviado para a autoridade com-
petente a fim de que seja homologado e adjudicado o objeto da licitação.
23. É vedada a inclusão, no objeto da licitação, de fornecimento de materiais e
serviços sem previsão de quantidades ou cujos quantitativos não correspondam
às previsões reais do projeto básico ou executivo;
24. É proibido o retardamento imotivado da execução de obra ou serviço, ou de
suas parcelas, se existente previsão orçamentária para sua execução total, sal-
vo insuficiência financeira ou comprovado motivo de ordem técnica, justifica-
dos em despacho circunstanciado da autoridade a que se refere o art. 26 da Lei
8.666/1993;
25. As obras e serviços destinados aos mesmos fins terão projetos padronizados
27
LICITAÇÃO

por tipos, categorias ou classes, exceto quando o projeto-padrão não atender às


condições peculiares do local ou às exigências específicas do empreendimento.
26. A alienação de bens imóveis incorporados ao patrimônio da Administração
mediante procedimentos judiciais ou dação em pagamento poderá ocorrer atra-
vés da modalidade concorrência ou leilão, caracterizando-se como uma exceção à
regra de utilização da concorrência, prevista no § 3º, do artigo 23, da Lei 8.666/93;
27. Nos casos em que couber convite, a Administração poderá utilizar a tomada
de preços e, em qualquer caso, a concorrência;
28. Concorrência é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados que,
na fase inicial de habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos míni-
mos de qualificação exigidos no edital para execução de seu objeto;
29. Tomada de preços é a modalidade de licitação entre interessados devidamen-
te cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas para cadastra-
mento até o terceiro dia anterior à data de recebimento das propostas, observada
a necessária qualificação;
30. O convite é a modalidade de licitação utilizada para contratações de menor
vulto e está definida no § 3º, artigo 22, da Lei 8.666/93, ao afirmar que se trata da
licitação entre “interessados do ramo pertinente ao seu objeto, cadastrados ou
não, escolhidos e convidados em número mínimo de 03 (três) pela unidade admi-
nistrativa, a qual afixará, em local apropriado, cópia do instrumento convocatório
e o estenderá aos demais cadastrados na correspondente especialidade que ma-
nifestarem seu interesse com antecedência de até 24 (vinte e quatro) horas da
apresentação das propostas”;
31. A publicidade da licitação na modalidade convite poderá ser realizada através
da simples afixação da carta-convite em local visível na própria Administração
com, no mínimo, cinco dias úteis antes de sua abertura;
32. O julgamento na modalidade convite poderá ser efetuado tanto pela Comis-
são de licitações (concorrência ou tomada de preços), quanto por servidor devi-
damente designado para tal atividade;
33. Concurso é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para esco-
lha de trabalho técnico, científico ou artístico, mediante a instituição de prêmios
ou remuneração aos vencedores, conforme critérios constantes de edital publi-
cado na imprensa oficial com antecedência mínima de 45 (quarenta e cinco) dias.
34. A modalidade licitatória denominada leilão poderá ser utilizada pela Admi-
nistração Pública com 03 (três) finalidades distintas: venda de bens móveis inser-
víveis; venda de produtos legalmente apreendidos ou penhorados; e alienação
28
LICITAÇÃO

de bens imóveis adquiridos em procedimento judicial ou através de dação em


pagamento;
35. A diferença básica entre dispensa e inexigibilidade de licitação está no fato
de que, na dispensa, há possibilidade de competição que justifique a licitação; de
modo que a lei faculta a dispensa, que fica inserida na competência discricionária
da Administração. Nos casos de inexigibilidade, não há possibilidade de compe-
tição, porque só existe um objeto ou uma pessoa que atenda às necessidades da
Administração; a licitação é, portanto, inviável.

29
CONTRATOS
ADMINISTRATIVOS
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS

1. Quando a Administração figura como parte em relações contratuais, temos


os denominados contratos da Administração, que se dividem em duas espécies
distintas: contratos administrativos e contratos privados. Assim, é correto afir-
mar que ao gênero “contratos da Administração” correspondem duas espécies
de contratos: aqueles regidos pelo Direito Público (contratos administrativos) e
aqueles regidos pelo Direito Civil ou Empresarial (contratos privados);
2. Nos contratos regidos pelo Direito Público a Administração gozará de prerro-
gativas especiais que assegurem a adequada execução do contrato, a exemplo
da possibilidade de rescisão e alteração unilateral, fiscalização de sua execução,
imposição direta de penalidades, dentre outras;
3. O parágrafo único, artigo 60, da Lei 8.666/93, declara que é nulo e de nenhum
efeito o contrato verbal com a Administração, salvo o de pequenas compras de
pronto pagamento, assim entendidas aquelas de valor não superior a R$ 8.800.00
(oito mil e oitocentos reais), feitas em regime de adiantamento;
4. Os contratos administrativos incluem-se na categoria dos contratos de adesão,
pois os interessados em contratar com a Administração têm conhecimento ante-
cipado das cláusulas e condições a que terão que se submeter obrigatoriamente,
não sendo possível alterá-las;
5. Os contratos administrativos são celebrados intuitu personae, o que significa
que a Administração Pública levou em conta certos requisitos ou exigências antes
de escolher o particular com quem contratar. Assim, o contratado, em regra, não
poderá transferir para terceiros a responsabilidade pela execução do objeto con-
tratual, sob pena de rescisão do contrato;
6. Fundamentada a rescisão unilateral do contrato administrativo na existência
de razões de interesse público ou na ocorrência de caso fortuito ou de força maior,
sem que fique configurada culpa do contratado, será este ressarcido dos prejuízos
regularmente comprovados que houver sofrido, tendo ainda direito à devolução
de garantia, aos pagamentos devidos pela execução do contrato até a data da res-
cisão e ao pagamento do custo da desmobilização;
7. O § 1º, artigo 65, da Lei 8.666/93, afirma que o contratado fica obrigado a
aceitar, nas mesmas condições contratuais, os acréscimos ou as supressões que
se fizerem nas obras, serviços ou compras, até 25% (vinte e cinco por cento) do
valor inicial atualizado do contrato, e, no caso particular de reforma de edifício ou
de equipamento, até o limite de 50% (cinquenta por cento) para os seus acrés-
cimos;
8. A Administração Pública possui a prerrogativa (um verdadeiro dever) de fisca-
lizar a execução dos contratos administrativos firmados com particulares, confor-
31
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS

me previsto no inciso III, artigo 58, da Lei 8.666/93.

9. O contratado é responsável pelos danos causados diretamente à Administração


ou a terceiros, decorrentes de sua culpa ou dolo na execução do contrato, não ex-
cluindo ou reduzindo essa responsabilidade a fiscalização ou o acompanhamento
pelo órgão interessado, conforme expresso no artigo 70 da Lei 8.666/93;
10. O texto da Lei 8.666/93, em seu artigo 78, autoriza a exceção do contrato não
cumprido em face da Administração. Nas hipóteses citadas na lei, em que não há
culpa do contratado, será este ressarcido dos prejuízos regularmente comprova-
dos que houver sofrido, tendo ainda direito à devolução de garantia, pagamentos
devidos pela execução do contrato até a data da rescisão e pagamento do custo
da desmobilização.
11. O regime jurídico dos contratos administrativos assegura à Administração a
prerrogativa de aplicar sanções aos contratados independentemente de autori-
zação judicial, em virtude da inexecução total ou parcial da obrigação assumida,
sempre após defesa prévia;
12. Como a Administração precisa respeitar a manutenção da equação econô-
mico-financeira do contrato, qualquer alteração que afete os pontos financei-
ros do contrato deverá ter a concordância expressa do contratado. É vedado à
Administração alterá-la unilateralmente, pois certamente causaria graves prejuí-
zos financeiros ao contratado;
13. A critério da autoridade competente, em cada caso, e desde que prevista
no edital ou na carta-convite, poderá ser exigida prestação de garantia nas con-
tratações de obras, serviços e compras com o objetivo de facilitar a adequada
execução do contrato ou possibilitar o ressarcimento dos prejuízos sofridos pela
Administração em virtude de uma eventual inexecução contratual, cabendo ao
contratado optar por uma das seguintes modalidades: caução em dinheiro ou em
títulos da dívida pública, seguro-garantia ou fiança bancária;
14. A Administração Pública responderá solidariamente (ao mesmo tempo) com
o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato
administrativo;
15. As regras gerais sobre o prazo de duração dos contratos administrativos estão
previstas no artigo 57 da Lei 8.666/93, que, dentre outros mandamentos, afirma
que são proibidos os contratos administrativos com prazo indeterminado;
16. O cumprimento do objeto trata-se da forma mais comum de extinção do con-
trato administrativo, pois acontece naturalmente, após a conclusão do seu objeto.
32
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS

17. A extinção do contrato pelo término do prazo, como a própria nomenclatura


já indica, ocorrerá sempre que o prazo de duração estabelecido no contrato che-
gar ao seu fim. É a denominada extinção de pleno direito.
18. A anulação do contrato administrativo opera-se sempre que for constatada
alguma ilegalidade, a exemplo da sua formalização sem o prévio procedimento
licitatório.
19. As regras gerais sobre o prazo de duração dos contratos administrativos estão
previstas no artigo 57 da Lei 8.666/93, que, dentre outros mandamentos, afirma
que são proibidos os contratos administrativos com prazo indeterminado.
20. A inexecução culposa do contrato pode ocorrer em virtude do descumpri-
mento ou cumprimento irregular de suas cláusulas, seja por ação ou omissão da
Administração, bem como ainda do contratado.
21. Independentemente da corrente conceitual que se adote, existe consenso de
que o caso fortuito e o evento de força maior são acontecimentos ulteriores à
formação do contrato, alheios à vontade das partes, extraordinários e anormais,
que impossível era prevê-los com antecedência. Assim, caso configurado, poderá
ocorrer a rescisão do contrato administrativo, sem culpa das partes, caso não seja
possível a sua revisão e consequente execução;
22. O professor Hely Lopes Meirelles conceitua o fato do príncipe como “toda
determinação estatal, positiva ou negativa, geral, imprevista e imprevisível, que
onera substancialmente a execução do contrato administrativo”;
23. O fato da administração é uma das causas que impossibilitam o cumprimen-
to do contrato administrativo pelo contratado, podendo ser definido como toda
ação ou omissão do Poder Público, especificamente relacionada ao contrato, que
impede ou retarda sua execução. O fato da administração nada mais é que o des-
cumprimento, pela Administração, das suas obrigações contratualmente assumi-
das, o que pode ensejar a rescisão judicial ou amigável do contrato, ou ainda, a
paralisação da execução contratual, até que a situação seja normalizada;
24. O professor Hely Lopes Meirelles define as interferências imprevistas como
“ocorrências materiais não cogitadas pelas partes na celebração do contrato, mas
que surgem na sua execução de modo surpreendente e excepcional, dificultando
e onerando extraordinariamente o prosseguimento e a conclusão dos trabalhos”.

33
CONTROLE DA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

1. Quando os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário estão analisando a lega-


lidade de seus próprios atos, tem-se o controle interno de legalidade. Por outro
lado, quando a legalidade dos atos editados por um poder está sendo analisada
por outro poder, ocorre o controle externo de legalidade;
2. O controle de mérito do ato administrativo, em regra, é exercido pelo próprio
Poder responsável pela sua edição. Assim, somente o Poder Executivo pode exer-
cer o controle de mérito dos atos editados pelos seus agentes, o que também
acontece em relação aos demais poderes;
3. O controle hierárquico ou por subordinação será exercido no âmbito do Po-
der Executivo da União, Estados, Distrito Federal, Municípios e ainda nas entida-
des da Administração Pública Indireta. Também irá ocorrer no interior dos órgãos
administrativos que compõem a estrutura do Poder Judiciário e Legislativo, mas
nunca em relação ao exercício das respectivas funções típicas (judiciária e legisla-
tiva);
4. Controle por vinculação ou controle finalístico é o controle exercido externa-
mente pelas entidades da Administração Direta (União, Estados, Municípios e
Distrito Federal) em relação às entidades da Administração Indireta (autarquias,
fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista);
5. Controle prévio (ou a priori) é aquele exercido antes da consumação do ato
administrativo, possuindo natureza preventiva. Como exemplo, podemos citar
a aprovação, pelo Senado Federal, da escolha do Procurador-Geral da República
(artigo 52, III, “e”, da CF/88);
6. Controle concomitante é aquele que acontece ao mesmo tempo em que o
ato administrativo ou a atividade da Administração estão sendo executados, per-
mitindo-se, assim, tanto o controle preventivo quanto o repressivo, conforme o
andamento do ato ou atividade;
7. Controle subsequente ou posterior (a posteriori) é aquele efetuado após a
conclusão do ato ou atividade administrativa com o objetivo de confirmá-los ou
corrigi-los, a exemplo do que ocorre na homologação de um procedimento licita-
tório ou no controle judicial de atos administrativos;
8. Controle de ofício é aquele praticado pela própria Administração, no exercício
do poder de autotutela, independentemente da provocação de terceiros. Ocorre,
por exemplo, quando uma autoridade administrativa anula ou revoga um ato ad-
ministrativo praticado por subordinado;
9. Os recursos hierárquicos próprios são aqueles dirigidos a autoridades ou órgãos
35
CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

imediatamente superiores aos responsáveis pelo ato ou decisão impugnados. Po-


dem ser interpostos mesmo inexistindo disposição legal expressa, pois derivam
do controle hierárquico que os órgãos e autoridades superiores devem realizar
em face dos atos e atividades administrativas exercidos pelos seus subordinados;
10. Recursos hierárquicos impróprios são aqueles endereçados a autoridades
ou órgãos que não são hierarquicamente superiores àqueles responsáveis pela
edição do ato ou decisão que se deseja impugnar. Podemos citar como exem-
plo um recurso interposto perante uma Secretaria Estadual de Governo em face
de decisão proferida por entidade integrante da Administração Indireta daquele
mesmo Estado (autarquias, fundações públicas, sociedades de economia mista
ou empresas públicas);
11. A propositura de recursos hierárquicos impróprios depende de expressa pre-
visão legal, já que não existe relação de hierarquia entre os órgãos ou autoridades
que analisarão o pedido de reapreciação da decisão ou ato praticado;
12. O TCU somente possui competência para apreciar as contas prestadas anual-
mente pelo Presidente da República (art. 71, I, CF/88), mas não para julgá-las,
pois esta é uma prerrogativa do Congresso Nacional (art. 49, I, CF/88);
13. Os Tribunais de Contas, no exercício de suas atribuições, podem apreciar a
constitucionalidade das leis e atos do Poder Público, apesar de não integrarem
o Poder Judiciário. Entretanto, destaca-se que as decisões proferidas pelos Tribu-
nais de Contas podem ser revistas pelo Poder Judiciário;

36
RESPONSABILIDADE CIVIL
DO ESTADO
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

1. A CF/88 adotou a teoria do risco administrativo e não a do risco integral;


2. A teoria do risco administrativo admite excludentes de responsabilidade em
relação ao Estado, tais como a culpa exclusiva da vítima, o caso fortuito e força
maior;
3. A teoria do risco integral não admite excludentes de responsabilidade;
4. A responsabilidade civil do Estado pelos danos que seus agentes causarem a
terceiro é de natureza OBJETIVA;
5. As pessoas jurídicas de direito privado, desde que prestadoras de serviços pú-
blicos (como as concessionárias, por exemplo), respondem objetivamente pelos
danos que seus agentes causarem aos usuários ou não-usuários do serviço pres-
tado;
6. As pessoas jurídicas de direito privado, quando prestadoras de serviços pú-
blicos (como as concessionárias, por exemplo), respondem objetivamente pelos
danos que seus agentes causarem aos não-usuários do serviço prestado;
7. Segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tanto o caso fortuito
quanto o evento de força maior excluem a responsabilidade civil do Estado;
8. A responsabilidade civil do Estado, em virtude de omissões que causaram da-
nos aos particulares, é de natureza subjetiva, sendo necessária a comprovação do
dolo e/ou culpa a fim de que o Estado seja obrigado a indenizar;
9. A responsabilidade do Estado, ou mesmo do particular, em virtude de danos
nucleares, será sempre objetiva, na modalidade do risco integral;
10. Quando o Estado causar danos ao particular em função da obra pública em si
(só fato da obra), a responsabilidade civil será de natureza objetiva;
11. O Estado responde civilmente pelos danos causados aos particulares prove-
nientes de leis inconstitucionais e leis de efeitos concretos;
12. A CF/88, em seu artigo 5º, LXXV, assegura que Estado poderá ser responsabi-
lizado civilmente por atos jurisdicionais em duas hipóteses: erro do judiciário e
quando o indivíduo ficar preso além do tempo fixado na sentença.
13. A responsabilidade do Estado, em relação aos bens, coisas e pessoas sob a sua
guarda, é de natureza objetiva;
14. A prazo para o particular propor ação de indenização em face do Estado pres-
38
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

creve em cinco anos, contados da data do ato ou fato do qual se originarem.


Todavia, é IMPRESCRITÍVEL o prazo da Administração Pública para cobrar o ressar-
cimento de prejuízos ou danos causados ao seu patrimônio em virtude de com-
portamento culposo ou doloso de seus agentes, servidores ou não, conforme es-
tabelece o § 5º do artigo 37 da CF/88;
15. O Estado tem o direito de regresso contra o agente público se foi obrigado a
pagar indenização proveniente de dano causado a particular em virtude de ação/
omissão do agente público;
16. A responsabilidade civil do agente público, em face do Estado, é de natureza
subjetiva, portanto, deve ser comprovado que o agente agiu com culpa e/ou dolo;
17. O entendimento da doutrina majoritária é no sentido de não ser permitida a
nomeação à lide, pelo Estado, do servidor responsável pelo dano ao particular;
18. Pela prática de ato irregular, o servidor pode responder na esfera penal, civil e
administrativa, já que são independentes entre si, entretanto, as sanções aplicá-
veis nessas esferas podem cumular-se;
19. A absolvição do servidor, na esfera penal, por insuficiência de provas, não
exclui a possibilidade de condenação na esfera administrativa em virtude de falta
residual.
20. A absolvição do servidor na esfera penal, por negativa de autoria ou inexis-
tência do fato, obriga à absolvição do servidor também na esfera administrativa.

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AGENTES PÚBLICOS
LEI 8.112/90
AGENTES PÚBLICOS - LEI 8.112/90

1. Servidor é a pessoa legalmente investida em cargo público, seja ele de provi-


mento efetivo ou em comissão.
2. É possível a prestação de serviços gratuitos, desde que exista previsão legal.
3. Os portugueses equiparados aos brasileiros naturalizados também podem ocu-
par cargos públicos no Brasil.
4. Os requisitos básicos para investidura em cargo público somente devem ser
comprovados no ato da posse.
5. Atualmente, voltou a vigorar a obrigatoriedade de adoção de regime jurídico
único para os servidores da Administração Pública brasileira.
6. Regime estatutário é o conjunto de regras previstas em lei e responsável por
disciplinar a relação jurídica entre os servidores públicos e a Administração direta,
autárquica e fundacional de Direito Público, em todos os entes federativos.
7. Regime celetista é aquele amparado pela Consolidação das Leis do Trabalho
(Decreto-Lei nº. 5.542/43). O regime celetista (que ainda pode ser chamado de
trabalhista ou de emprego) também pode ser aplicado no âmbito da Administra-
ção Pública brasileira.
8. Os empregados das empresas públicas e sociedades de economia mista sem-
pre são regidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT.
9. Nos termos do inciso IX, artigo 37, da CF/88 “a lei estabelecerá os casos de
contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de
excepcional interesse público”.
10. Para ocupar cargo de provimento efetivo regido pela Lei nº 8.112∕1990, tor-
na-se imprescindível que o interessado seja aprovado em concurso público de
provas ou de provas e títulos, que poderá ser realizado em duas etapas, conforme
dispuserem a lei e o regulamento do respectivo plano de carreira.
11. O concurso público terá validade de até 2 (dois) anos, podendo ser prorrogado
uma única vez, por igual período.
12. O percentual de reserva de vagas para os portadores de deficiência nos con-
cursos públicos federais é de até 20% (vinte por cento).
13. A nomeação é a única forma de provimento originário existente. Todas as de-
mais formas de provimento são consideradas derivadas.

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AGENTES PÚBLICOS - LEI 8.112/90

14. O provimento em cargos de confiança (também chamados de cargos em co-


missão) não exige prévia aprovação em concurso público.
15. O candidato aprovado dentro do número de vagas oferecidas pelo concurso
público deve ser obrigatoriamente nomeado pela Administração Pública durante
o prazo de validade do certame.
16. A posse ocorrerá no prazo improrrogável de até 30 (trinta) dias contados da
publicação do ato de nomeação.
17. É através da posse que ocorre a investidura do servidor no cargo público
18. Depois de tomar posse no cargo público efetivo, o servidor terá o prazo de até
15 dias para entrar em exercício (começar a trabalhar).
19. Não existe posse nos atos derivados de provimento, a exemplo da promoção,
readaptação, reintegração etc.
20. A promoção pode ser definida como a forma de provimento derivado pela
qual o servidor, ocupante de cargo público em um nível ou classe específica, é
provido em cargo de nível ou classe superior, integrante da mesma carreira.
21. A readaptação é a investidura do servidor em cargo de atribuições e responsa-
bilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física
ou mental, sempre comprovada em inspeção médica.
22. A reversão pode ser definida como o retorno à atividade de servidor que já se
encontrava aposentado, podendo ocorrer de ofício ou a pedido.
23. Reintegração é a reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente
ocupado ou no cargo resultante de sua transformação, quando invalidada sua
demissão por decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as
vantagens a que teria direito se estivesse trabalhando.
24. Recondução é o retorno do servidor estável ao cargo anteriormente ocupado
em decorrência de inabilitação em estágio probatório em outro cargo federal;
desistência de exercício em cargo federal no período do estágio probatório; ou
reintegração do anterior ocupante.
25. Aproveitamento é o retorno à atividade de servidor que estava em disponibi-
lidade para provimento em cargo com vencimentos compatíveis com o anterior-
mente ocupado, desde que exista vaga no órgão ou entidade administrativa.
26. No âmbito federal, o prazo do estágio probatório é de 36 meses (ou três anos),
isto é, o mesmo prazo necessário para que o servidor adquira a estabilidade.
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AGENTES PÚBLICOS - LEI 8.112/90

27. Durante o período do estágio probatório, o servidor poderá gozar de várias


espécies de licenças e afastamentos previstos na Lei 8.112/1990.
28. A estabilidade pode ser entendida como a garantia de permanência no serviço
público do servidor aprovado em concurso público e nomeado para o exercício de
cargo de provimento efetivo.
29. A exoneração (simples desligamento do servidor dos quadros da Administra-
ção) não pode ser confundida com a demissão (esta possui caráter punitivo).
30. Remoção e redistribuição não são formas de provimento de cargos públicos.
31. O servidor que é designado para substituir ocupante de cargo ou função de
confiança tem direito ao recebimento da remuneração correspondente, ainda
que por prazo inferior a 30 (trinta) dias.
32. Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do
mesmo quadro, com ou sem mudança de sede.
33. Redistribuição é o deslocamento de cargo de provimento efetivo, ocupado
ou vago no âmbito do quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade do
mesmo Poder, com prévia apreciação do órgão central do SIPEC (Sistema Integra-
do de Pessoal Civil da União).
34. Vencimento é o valor básico que o servidor recebe pelo exercício das atribui-
ções do cargo público.
35. Remuneração é o vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens pe-
cuniárias permanentes estabelecidas em lei.
36. Nenhum desconto incidirá sobre o vencimento, remuneração ou provento
(valor recebido pelo aposentado) do servidor, salvo por imposição legal (a exem-
plo da retenção do imposto de renda na fonte) ou mandado judicial (pagamento
de pensão alimentícia, por exemplo).
37. As indenizações têm por objetivo restituir o servidor público de eventuais
despesas surgidas no exercício das funções inerentes ao cargo público que ocupa
e que foram pagas com recursos próprios. Desse modo, não se incorporam ao
vencimento ou provento para qualquer efeito.
38. As diárias podem ser definidas como uma indenização a que faz jus o servidor
quando a serviço se afastar da sede, em caráter eventual ou transitório, para ou-
tro ponto do território nacional ou para o exterior.

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AGENTES PÚBLICOS - LEI 8.112/90

39. O auxílio moradia está previsto nos artigos 60-A da Lei 8.112/90 e O auxílio-
-moradia consiste no ressarcimento de despesas comprovadamente realizadas
pelo servidor com aluguel de moradia ou com meio de hospedagem administrado
por empresa hoteleira, no prazo de até dois meses após a comprovação da des-
pesa pelo servidor.
40. O artigo 61 da Lei 8.112/90 estabelece um rol de gratificações e adicionais
que podem ser pagos aos servidores públicos. Entretanto, é importante esclare-
cer que o rol é apenas exemplificativo, pois os servidores poderão receber outros
adicionais ou gratificações previstas em outras leis.
41. As férias deverão ser gozadas durante o ano civil, somente podendo ser acu-
muladas, até o máximo de dois períodos, no caso de necessidade de serviço an-
teriormente declarada.
42. A licença concedida dentro de 60 (sessenta) dias do término de outra da mes-
ma espécie será considerada como prorrogação.
43. Licença por Motivo de Afastamento do Cônjuge é uma licença sem remu-
neração, por prazo indeterminado, que poderá ser concedida ao servidor para
acompanhar cônjuge ou companheiro deslocado para outro ponto do território
nacional, para o exterior ou para exercício de mandato eletivo dos Poderes Exe-
cutivo e Legislativo.
44. Quando o servidor obtém lotação provisória em outro órgão federal, o ônus
de seu pagamento será da instituição de origem. Nesse caso, o órgão de destino
deverá encaminhar mensalmente a frequência do servidor para que seja efetua-
do o controle.
45. O artigo 85 da Lei 8.112/1990 assegura ao servidor público federal o direito à
licença em decorrência de convocação para o serviço militar obrigatório, período
que será considerado como de efetivo exercício e contado para todos os fins.
46. O servidor candidato a cargo eletivo na localidade onde desempenha suas
funções e que exerça cargo de direção, chefia, assessoramento, arrecadação ou
fiscalização, dele será afastado, a partir do dia imediato ao do registro de sua can-
didatura perante a Justiça Eleitoral, até o décimo dia seguinte ao do pleito.
47. Licença para Capacitação é o afastamento concedido ao servidor, a cada 05
(cinco) anos de efetivo exercício no Serviço Público Federal, para participar de
curso de capacitação profissional, por até 03 (três) meses, sem perda da remune-
ração.

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AGENTES PÚBLICOS - LEI 8.112/90

48. A critério da Administração, poderão ser concedidas ao servidor ocupante de


cargo efetivo, desde que não esteja em estágio probatório, licenças para o trato
de assuntos particulares pelo prazo de até três anos consecutivos, sem remune-
ração.
49. É assegurado ao servidor o direito à licença sem remuneração para o desem-
penho de mandato em confederação, federação, associação de classe de âmbi-
to nacional, sindicato representativo da categoria ou entidade fiscalizadora da
profissão ou, ainda, para participar de gerência ou administração em sociedade
cooperativa constituída por servidores públicos para prestar serviços a seus mem-
bros;
50. Licença para tratamento da própria saúde é a licença concedida ao servidor
para tratamento de sua saúde, a pedido ou de ofício, mediante perícia médica,
sem prejuízo da remuneração.
51. O artigo 207 da Lei 8.112/1990, amparado pelo inciso XVIII, artigo 7º, da
CF/1988, estabelece que “será concedida licença à servidora gestante por 120
(cento e vinte) dias consecutivos, sem prejuízo da remuneração”. Ao servidor tam-
bém é assegurada legalmente a licença-paternidade pelo nascimento ou adoção
de filhos, pelo prazo de 05 (cinco) dias consecutivos.
52. Será licenciado, com remuneração integral, o servidor acidentado em serviço.
53. O servidor público federal poderá ser cedido para ter exercício em outro ór-
gão ou entidade dos Poderes da União, dos Estados, ou do Distrito Federal e dos
Municípios, nas seguintes hipóteses: para exercício de cargo em comissão ou fun-
ção de confiança ou em casos previstos em leis específicas.
54. Após o término do gozo de licença para atividade política (remunerada por até
3 meses) com o objetivo de disputar mandato eletivo, se eleito, o servidor terá
que se afastar provisoriamente do cargo efetivo para o exercício do cargo eletivo.
Essa regra somente não se aplica quando o servidor tiver sido eleito para o cargo
de vereador e existir compatibilidade de horários para o exercício de ambas as
funções.
55. Para ausentar-se do país para estudo ou missão oficial, o servidor deverá ob-
ter autorização do Presidente da República (quando se tratar de um servidor do
Poder Executivo), Presidente dos Órgãos do Poder Legislativo (quando se tratar
de um servidor do Poder Legislativo) ou Presidente do Supremo Tribunal Federal
(quando se tratar de um servidor do Poder Judiciário Federal).
56. Os servidores beneficiados pelos afastamentos para participação em progra-
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AGENTES PÚBLICOS - LEI 8.112/90

ma de pós-graduação stricto sensu terão que permanecer no exercício de suas


funções, após o seu retorno, por um período igual ao do afastamento concedido.
Somente após esse período será possível a solicitação de exoneração do cargo
ou aposentadoria, exceto se for efetuado o ressarcimento aos cofres públicos de
todas as despesas custeadas pela Administração no período, incluindo a remune-
ração do servidor;
57. Horário Especial é uma concessão que permite ao servidor estudante, matri-
culado em cursos regulares de ensino fundamental, médio, superior e pós-gra-
duação presencial, prestar serviço em horário diferenciado quando ficar compro-
vada a incompatibilidade entre o horário escolar e o da repartição.
58. Será concedido horário especial ao servidor portador de deficiência, quando
comprovada a necessidade por junta médica oficial, independentemente de com-
pensação de horário.
59. O art. 99 da Lei 8.112/1990 dispõe que ao servidor estudante que mudar de
sede no interesse da administração é assegurada, na localidade da nova residên-
cia ou na mais próxima, matrícula em instituição de ensino congênere, em qual-
quer época, independentemente de vaga.
60. É vedada a contagem cumulativa de tempo de serviço prestado concomitan-
temente em mais de um cargo ou função de órgão ou entidades dos Poderes da
União, Estado, Distrito Federal e Município, autarquia, fundação pública, socieda-
de de economia mista e empresa pública.
61. A Lei 8.112/90 não apresenta quais são as penalidades aplicáveis aos servido-
res que violarem os deveres funcionais, somente informa que “na aplicação das
penalidades serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida,
os danos que dela provierem para o serviço público, as circunstâncias agravantes
ou atenuantes e os antecedentes funcionais”.
62. O servidor não está obrigado a cumprir ordens manifestamente ilegais. Pelo
contrário, além de ser obrigado a desobedecer à ordem manifestamente ilegal,
ainda deverá representar contra a autoridade que proferiu a ordem.
63. Na aplicação de penalidades, sempre deverão ser consideradas a natureza e
a gravidade da infração cometida, os danos que dela provierem para o serviço
público, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes funcionais.
64. O artigo 127 da Lei 8112/90 apresenta um rol de penalidades disciplinares
que podem ser aplicadas ao servidor, a saber: advertência, suspensão, demissão,
cassação de aposentadoria ou disponibilidade, destituição de cargo em comissão
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AGENTES PÚBLICOS - LEI 8.112/90

e destituição de função comissionada.


65. O registro da penalidade de advertência, efetuado no assentamento funcional
do servidor, poderá ser cancelado após o decurso de 03 (três) anos, desde que o
servidor não tenha praticado, nesse período, nova infração disciplinar.
66. A multa não é uma espécie autônoma de penalidade. Somente quando for
conveniente para o serviço público, a Administração poderá converter a penalida-
de de suspensão em multa de 50% (cinquenta por cento) por dia de vencimento
ou remuneração.
67. A suspensão será aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com ad-
vertência e de violação das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita
a penalidade de demissão, não podendo exceder de 90 (noventa) dias.
68. A penalidade de suspensão terá seu registro cancelado após o decurso de 05
(cinco) anos, se o servidor não houver, nesse período, praticado nova infração dis-
ciplinar. Da mesma forma que ocorre em relação à advertência, o cancelamento
da penalidade não produzirá efeitos retroativos.
69. A demissão é a mais severa espécie de penalidade a que pode ser submetido o
servidor público que exerça cargo de provimento efetivo. Assim, somente as con-
dutas previstas de forma taxativa no texto legal podem respaldar sua imposição.
70. O servidor público responde civil, penal e administrativamente pelo exercício
irregular de suas atribuições. Assim, pela prática de uma única infração, será pos-
sível que responda a um processo na esfera penal, um processo na esfera cível e,
ainda, um processo na esfera administrativa.
71. A autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço público é obrigada
a promover a sua apuração imediata, mediante sindicância ou processo admi-
nistrativo disciplinar, assegurada ao acusado ampla defesa. Não se trata de uma
faculdade assegurada à autoridade pública, mas sim de um dever imposto direta-
mente pela lei.
72. Em respeito ao princípio da segurança jurídica, o artigo 142 do Estatuto Fede-
ral estabelece que a ação disciplinar prescreverá: a) em 05 (cinco) anos, quanto às
infrações puníveis com demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade
e destituição de cargo em comissão; b) em 02 (dois) anos, quanto à suspensão; c)
em 180 (cento e oitenta) dias, quanto à advertência.

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IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA
LEI 8.429/1992
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
LEI 8.429/1992
1. Não se admite a aplicação da Lei nº 8.429∕1992 a fatos que tenham ocorrido
antes do início de sua vigência (03∕06∕1992).
2. A ação de improbidade administrativa possui natureza cível.
3. Respondem nos termos da Lei de Improbidade todas as pessoas físicas ou ju-
rídicas que induzam ou concorram para a prática do ato de improbidade ou dele
se beneficiem sob qualquer forma direta ou indireta.
4. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento de que os agentes políticos
sujeitos à Lei 1.079/1950 (crime de responsabilidade) não se submetem aos co-
mandos da Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/1992).
5. Deputados e Senadores não estão submetidos ao regime especial de respon-
sabilização político-administrativa previsto na Lei nº 1.079/1950, portanto, sujei-
tam-se aos comandos da Lei de Improbidade Administrativa.
6. A competência para processar e julgar agentes políticos por atos de improbi-
dade administrativa, quando dentre as sanções figurar a perda do cargo público,
está condicionada à observância do foro por prerrogativa de função a que estão
submetidas tais autoridades nas ações penais. Todavia, se o agente político não
possui prerrogativa de foro no texto constitucional, a demanda será processada
e julgada por juiz de primeira instância da justiça federal ou estadual, variando
em razão do bem jurídico afetado.
7. Para responder às questões de concursos públicos, tenha sempre em mente
que o entendimento do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que as con-
dutas tipificadas nos artigos 9º e 11 exigem a presença de dolo do agente. De
outro lado, as condutas descritas no art. 10 podem ser reputadas como ímpro-
bas se cometidas com dolo ou culpa.
8. O rol de atos de improbidade administrativa previsto nos artigos 9º, 10 e 11 da
Lei nº 8.429∕1992 é meramente exemplificativo.
9. Na fixação das penas previstas na Lei 8.429/1992 o juiz levará em conta a ex-
tensão do dano causado, assim como o proveito patrimonial obtido pelo agente.
Desse modo, pode-se concluir que compete ao magistrado dosá-las de acordo
com a natureza, gravidade e consequência do ato ímprobo, podendo aplicá-las
de forma cumulativa, ou não.
10. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do recurso especial nº 892.818/
RS, afastou a aplicação do princípio da insignificância aos atos que configurem
improbidade administrativa, ainda que os eventuais danos financeiros causados
ao patrimônio público sejam insignificantes.

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IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
LEI 8.429/1992
11. A posse e o exercício de agente público em cargo, emprego ou função na ad-
ministração pública direta ou indireta ficam condicionados à apresentação, pelo
interessado, de declaração dos bens e valores que integram o seu patrimônio,
bem como os do cônjuge, companheiro, filhos ou outras pessoas que vivam sob
a sua dependência econômica, excluídos apenas os objetos e utensílios de uso
doméstico.
12. Qualquer pessoa, física ou jurídica, poderá representar à autoridade admi-
nistrativa competente para que seja instaurada investigação destinada a apurar
a prática de ato de improbidade.
13. Somente a autoridade judiciária pode decretar o sequestro de bens do agen-
te investigado pela suposta prática de improbidade administrativa.
15. A Lei nº 8.429∕1992, em seu art. 17, § 1º, prevê a transação, acordo ou con-
ciliação no âmbito das ações civis de improbidade administrativa.
16. A ação judicial de improbidade administrativa pode ser proposta pelo Minis-
tério Público ou pela pessoa jurídica interessada, isto é, aquela que tenha sido
prejudicada pelo ato ímprobo (LIA, art. 1º).
17. A apresentação de manifestação por escrito, também denominada defesa
preliminar ou prévia, ocorre antes do recebimento da petição inicial. Assim, caso
esta seja recebida, o juiz concederá outro prazo para a apresentação da defesa
propriamente dita (contestação).
18. Recebida a manifestação preliminar, o juiz, no prazo de trinta dias, em de-
cisão fundamentada, rejeitará a ação, se convencido da inexistência do ato de
improbidade, da improcedência da ação ou da inadequação da via eleita.
19. Constitui crime a representação por ato de improbidade contra agente públi-
co ou terceiro beneficiário, quando o autor da denúncia o sabe inocente. Nesse
caso, a lei prevê pena de detenção de seis a dez meses e multa.
20. A autoridade judicial ou administrativa competente poderá determinar o
afastamento do agente público do exercício do cargo, emprego ou função, sem
prejuízo da remuneração, quando a medida se fizer necessária à instrução pro-
cessual.
21. As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas na Lei nº 8.429∕1992
podem ser propostas: I - até cinco anos após o término do exercício de manda-
to, de cargo em comissão ou de função de confiança; ou, II - dentro do prazo
prescricional previsto em lei específica para faltas disciplinares puníveis com
demissão a bem do serviço público, nos casos de exercício de cargo efetivo ou
emprego.

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PROCESSO
ADMINISTRATIVO FEDERAL
LEI 9.784/99
PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL
LEI 9.784/99
1. A Lei do processo administrativo federal não se restringe ao Poder Executivo,
pois abrange também os poderes Legislativo e Judiciário, bem como o Ministério
Público da União e o Tribunal de Contas da União, quando estiverem exercendo
função administrativa.
2. O princípio da motivação impõe à Administração Pública a obrigação de apre-
sentar as razões de fato (o acontecimento, a circunstância real) e as razões de
direito (o dispositivo legal) que a levaram a praticar determinado ato.
3. A norma administrativa deve ser interpretada da forma que melhor garanta o
atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova
interpretação.
4. É direito do administrado ter ciência da tramitação dos processos administrati-
vos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de
documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas.
5. Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não houver impedimento
legal, delegar parte da sua competência a outros órgãos ou titulares, ainda que
estes não lhe sejam hierarquicamente subordinados, quando for conveniente,
em razão de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou terri-
torial.
6. Não podem ser objeto de delegação a edição de atos de caráter normativo, a
decisão de recursos administrativos e as matérias de competência exclusiva do
órgão ou autoridade.
7. Quando não existir competência legal específica, o processo administrativo de-
verá ser iniciado perante a autoridade de menor grau hierárquico para decidir.
8. Está impedido de atuar em processo administrativo o servidor ou autoridade
que tenha interesse direto ou indireto na matéria; tenha participado ou venha a
participar como perito, testemunha ou representante, ou se tais situações ocor-
rem quanto ao cônjuge, companheiro ou parente e afins até o terceiro grau; ou,
ainda, que esteja litigando judicial ou administrativamente com o interessado ou
respectivo cônjuge ou companheiro.
9. Os interessados têm direito à vista do processo e a obter certidões ou cópias
reprográficas dos dados e documentos que o integram, ressalvados os dados e
documentos de terceiros protegidos por sigilo ou pelo direito à privacidade, à
honra e à imagem.
10. Instaurado o processo administrativo a pedido do interessado, não existe a

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PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL
LEI 9.784/99
obrigatoriedade de ele seja conduzido até a sua conclusão. Através de manifesta-
ção escrita, o interessado poderá, a qualquer momento, desistir total ou parcial-
mente do pedido formulado ou, ainda, renunciar a direitos disponíveis.
11. No momento da propositura de recurso administrativo, o interessado poderá
questionar o mérito da decisão (a ausência de justiça) ou, ainda, a sua ilegalidade
(decisão contrária ao que está previsto na lei).
12. O prazo para a propositura do recurso administrativo é de dez dias, contado
a partir da ciência ou divulgação oficial da decisão recorrida. Não confunda esse
prazo com aquele que é concedido à autoridade que proferiu a decisão para re-
considerá-la, que é de cinco dias.
13. Prevê o artigo 61 da Lei 9.784/99 que, salvo disposição legal em contrário,
o recurso não tem efeito suspensivo. Isso quer dizer que a decisão proferida pro-
duzirá imediatamente todos os seus efeitos até a decisão final do recurso propos-
to.
14. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anu-
lar ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua
competência.
15. Os prazos fixados em meses ou anos contam-se de data a data. Se no mês do
vencimento não houver o dia equivalente àquele do início do prazo, tem-se como
termo o último dia do mês.

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