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Física 9
Volume 3 Edição

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O GEN | Grupo Editorial Nacional, a maior plataforma editorial no segmento CTP (cientí­
fico, técnico e profissional), publica nas áreas de saúde, ciências exatas, jurídicas, sociais
aplicadas, humanas e de concursos, além de prover serviços direcionados a educação,
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são reforçados pela natureza educacional de nossa atividade, sem comprometer o cresci­
mento contínuo e a rentabilidade do grupo.

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Física 9 Volume 3 Edição
John D. Cutnell & Kenneth W. Johnson

Tradução e Revisão Técnica


André Soares de Azevedo
Engenheiro mecânico com ênfase em Mecatrônica – PUC/Minas

José Paulo Soares de Azevedo, Ph.D.


Professor-associado da COPPE e da Escola Politécnica – UFRJ

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Os autores e a editora empenharam-se para citar adequadamente e dar o devido crédito a todos os
detentores dos direitos autorais de qualquer material utilizado neste livro, dispondo-se a possíveis
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pelo e-mail ltc@grupogen.com.br.

Traduzido de PHYSICS, NINTH EDITION


Copyright © 2012, 2009, 2007 John Wiley & Sons, Inc.
All Rights Reserved. This translation published under license with the original publisher John Wiley &
Sons, Inc.
ISBN: 978-0-470-87952-8

Portuguese edition copyright © 2016 by


LTC — Livros Técnicos e Científicos Editora Ltda.
All rights reserved.
ISBN: 978-85-216-2698-5

Direitos exclusivos para a língua portuguesa


Copyright © 2016 by
LTC — Livros Técnicos e Científicos Editora Ltda.
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Design de capa: Madelyn Lesure


Foto de capa: Robotic hand: Cortesia de Shadow Robot Company
Egg: © Pavel Ignatov/iStockphoto.com
Editoração Eletrônica:

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO


SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
C993f
9. ed.
v. 3
Cutnell, John D. 
Física / John D. Cutnell, Kenneth W. Johnson ; tradução André Soares de
Azevedo, José Paulo Soares de Azevedo. - 9. ed. - Rio de Janeiro : LTC, 2016. 
il. ; 28 cm.

Tradução de: Physics


Apêndice
Inclui bibliografia e índice
ISBN 978-85-216-2698-5

1. Física. I. Johnson, Kenneth W. II. Azevedo, André Soares de. III. Azevedo, José
Paulo Soares de. IV. Título.

16-32851 CDD: 530


CDU: 53

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À minha esposa, Joan Cutnell, uma amiga paciente e minha sustentação ao longo deste projeto.
A Anne Johnson, minha esposa maravilhosa, uma pessoa afetuosa e minha melhor amiga.

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Sumário Geral

Volume 1
  1 Introdução e Conceitos Matemáticos

  2 Cinemática em Uma Dimensão

  3 Cinemática em Duas Dimensões

  4 Forças e as Leis do Movimento de Newton

  5 Dinâmica do Movimento Circular Uniforme

  6 Trabalho e Energia

  7 Impulso e Quantidade de Movimento

  8 Cinemática da Rotação

  9 Dinâmica da Rotação

10 Movimento Harmônico Simples e Elasticidade

11 Fluidos

12 Temperatura e Calor

13 A Transferência de Calor

14 A Lei dos Gases Perfeitos e a Teoria Cinética

15 Termodinâmica

16 Ondas e Som

17 O Princípio da Superposição Linear e Fenômenos de Interferência

Apêndices

Respostas para a Seção Verifique Seu Entendimento

Respostas para Problemas de Numeração Ímpar

Índice

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viii  ■  Sumário Geral

Volume 2
18 Forças Elétricas e Campos Elétricos

19 Energia Potencial Elétrica e Potencial Elétrico

20 Circuitos Elétricos

21 Forças Magnéticas e Campos Magnéticos

22 Indução Eletromagnética

23 Circuitos de Corrente Alternada

24 Ondas Eletromagnéticas

25 A Reflexão da Luz: Espelhos

26 A Refração da Luz: Lentes e Instrumentos Ópticos

27 Interferência e a Natureza Ondulatória da Luz

Apêndices

Respostas para a Seção Verifique Seu Entendimento

Respostas para Problemas de Numeração Ímpar

Índice

Volume 3
28 Relatividade Especial

29 Partículas e Ondas

30 A Natureza do Átomo

31 Física Nuclear e Radioatividade

32 Radiação Ionizante, Energia Nuclear e Partículas Elementares

Apêndices

Respostas para a Seção Verifique Seu Entendimento

Respostas para Problemas de Numeração Ímpar

Índice

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Sumário

28  Relatividade Especial  1 31  Física Nuclear e Radioatividade  83


28.1 Eventos e Referenciais Inerciais  1 31.1 A Estrutura do Núcleo  83
28.2 Os Postulados da Relatividade Especial  2 31.2 A Interação Nuclear Forte e a Estabilidade do
28.3 A Relatividade do Tempo: Dilatação do Tempo  4 Núcleo 85
28.4 A Relatividade do Comprimento: Contração do 31.3 O Defeito de Massa do Núcleo e a Energia de
Comprimento 8 Ligação Nuclear  86
28.5 A Quantidade de Movimento Relativística  10 31.4 Radioatividade 89
28.6 A Equivalência da Massa e da Energia  12 31.5 O Neutrino  95
28.7 A Soma Relativística de Velocidades  16 31.6 Decaimento e Atividade de Substâncias
28.8 Conceitos & Cálculos  19 Radioativas 96
31.7 Datação Radioativa  99
Resumo dos Conceitos  21
31.8 Série de Decaimentos Radioativos  103
31.9 Detectores de Radiação  104
29  Partículas e Ondas  27
31.10 Conceitos & Cálculos  105
29.1 A Dualidade Onda-Partícula  27
Resumo dos Conceitos  107
29.2 A Radiação de Corpo Negro e a Constante de
Planck 28
29.3 Fótons e o Efeito Fotoelétrico  29
32 Radiação Ionizante, Energia Nuclear e
Partículas Elementares  112
29.4 A Quantidade de Movimento de um Fóton e o
Efeito Compton  35 32.1 Efeitos Biológicos da Radiação Ionizante  112
29.5 O Comprimento de Onda de De Broglie e a 32.2 Reações Nucleares Induzidas  116
Natureza Ondulatória da Matéria  38 32.3 Fissão Nuclear  118
29.6 O Princípio da Incerteza de Heisenberg  40 32.4 Nucleares 120
29.7 Conceitos & Cálculos  43 32.5 Fusão Nuclear  122
Resumo dos Conceitos  45 32.6 Partículas Elementares  124
32.7 Cosmologia 129
30  A Natureza do Átomo  50 32.8 Conceitos & Cálculos  132
30.1 O Espalhamento de Rutherford e o Átomo Resumo dos Conceitos  134
Nuclear 50
30.2 Espectros de Linhas  51 Apêndices
30.3 O Modelo de Bohr do Átomo de Hidrogênio  53
Apêndice A  P otências de Dez e Notação Científica  139
30.4 A Explicação de De Broglie para a Hipótese de
Bohr sobre a Quantidade de Movimento Apêndice B  Algarismos Significativos  139
Angular 57 Apêndice C  Álgebra 140
30.5 A Imagem da Mecânica Quântica do Átomo de Apêndice D  Expoentes e Logaritmos  141
Hidrogênio 58 Apêndice E  Geometria e Trigonometria  142
30.6 O Princípio de Exclusão de Pauli e a Tabela Apêndice F  Isótopos Selecionados  143
Periódica dos Elementos  62
30.7 Raios X  65 Respostas para a Seção Verifique Seu
30.8 O Laser 69 Entendimento 147
30.9 Aplicações Médicas do Laser 71
30.10 Holografia 73 Respostas para Problemas de Numeração Ímpar  151
30.11 Conceitos & Cálculos  75
Resumo dos Conceitos  77 Índice 157

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A Física de
Para mostrar aos estudan- Raios X 65
A Física de aplicações dos
tes que a física tem um Tomografia computadorizada (CAT) 68
princípios físicos grande impacto sobre suas Laser 69
vidas, incluímos um núme-
Um altímetro a laser 71
ro elevado de aplicações dos princípios da física. Muitas dessas
aplicações não são encontradas em outros textos. As mais im- Cirurgia de olhos PRK 71
portantes estão listadas a seguir, com o número da página que Cirurgia de olhos LASIK 72
localiza a discussão correspondente. Elas são identificadas no Remoção de manchas vinho do porto 72
texto da página na qual ocorrem por A Física de. Aplicações bio- Terapia fotodinâmica para o câncer 72
lógicas ou médicas são marcadas com um ícone com a forma Holografia 73
de um caduceu . As discussões estão integradas ao texto, de
modo que ocorram como uma parte natural da física sendo apre-
CAPÍTULO 31
sentada. Convém assinalar que a lista não é completa. Existem
muitas aplicações adicionais que são discutidas apenas breve- Radioatividade e detectores de fumaça 91
mente ou que ocorrem em problemas a serem resolvidos e per- Radiocirurgia com Faca Gama 94
guntas a serem respondidas em casa. Uma varredura de coração com tálio durante um teste
de esforço 94
CAPÍTULO 28 Implantes de braquiterapia 94
Sistema de posicionamento global e a relatividade especial 5
Gás radônio radioativo em casas 96
Viagens espaciais e da relatividade especial 6
Datação radioativa 99
CAPÍTULO 29 Detectores de radiação 104
Dispositivos de carga acoplada (CCD) e câmeras digitais 32
Um item de segurança na abertura de portas de garagem 33
CAPÍTULO 32
Efeitos biológicos da radiação ionizante 112
Fotoevaporação e formação de estrelas 34
Reatores nucleares 120
Velas solares e a propulsão de espaçonaves 36
Confinamento magnético e fusão 123
CAPÍTULO 30 Confinamento inercial e fusão 123
Anúncios de neônio e das lâmpadas de rua de vapor Tomografia por emissão de pósitrons (PET scanning) 125
de mercúrio 51 Um universo em expansão 129
Linhas de absorção no espectro do Sol 57 Energia escura 130

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Prefácio
Escrevemos este texto para estudantes e professores que são parceiros em um curso de física
com duração de um ano baseado em álgebra.1 Ao revermos o texto, concentramos nossa aten-
ção em duas questões pedagógicas subjacentes a todos os aspectos de um curso como este.
Uma é a relação de sinergia2 entre a solução de problemas e o entendimento conceitual. A ou-
tra é o papel desempenhado pela matemática na física. Introduzimos novos recursos, refinamos
áreas que precisavam ser aprimoradas e simplificamos o design do livro visando a torná-lo
mais claro. As muitas ideias e sugestões fornecidas por usuários da oitava edição, bem como
o trabalho de pesquisadores de ensino de física, nos guiaram em nossos esforços.

Objetivos
Entendimento Conceitual  Estudantes frequentemente consideram a física uma
coleção de equações que podem ser usadas cegamente para resolver problemas. No entanto,
uma boa técnica de resolução de problemas não começa com equações. Ela parte de uma firme
compreensão dos conceitos físicos e de como eles se conjugam para fornecer uma descrição
coerente do fenômeno natural. Ajudar estudantes a desenvolver um entendimento conceitual
dos princípios físicos é o objetivo principal deste texto. Os recursos do texto que foram traba-
lhados para alcançar este objetivo são:
• Exemplos Conceituais
• Seções de Conceitos & Cálculos
• Material para ser trabalhado em casa: Foco nos Conceitos
• Perguntas do tipo Verifique Seu Entendimento
• Concept Simulations (um recurso on-line)
Relevância Como é sempre mais fácil aprender algo novo se esse assunto puder estar rela-
cionado com o dia a dia, queremos mostrar aos estudantes que os princípios físicos aparecem
repetidas vezes em nossas vidas. Para enfatizar esse objetivo, incluímos uma grande variedade
de aplicações dos princípios físicos. Muitas dessas aplicações são de natureza biomédica (por
exemplo, a endoscopia de cápsula sem fio). Outras tratam de tecnologia moderna (por exem-
plo, filmes 3-D). E ainda há as que se concentram em coisas que tomamos como óbvias em
nossas vidas (por exemplo, encanamentos domésticos). Para chamar a atenção para essas apli-
cações, usamos o identificador A Física de.

ORGANIZAÇÃO E COBERTURA
O texto inclui 32 capítulos e está organizado de maneira bastante usual, de acordo com
a seguinte sequência: Mecânica, Física Térmica, Movimento Ondulatório, Eletricidade e Mag-
netismo, Luz e Óptica e Física Moderna. O texto em português está disponível em três volumes:
O volume 1 inclui os capítulos 1-17 (Mecânica, Física Térmica e Movimento Ondulatório), o
volume 2 inclui os Capítulos 18-27 (Eletricidade e Magnetismo, Luz e Óptica), e o volume 3
inclui os Capítulos 28-32 (Física Moderna).

1
Sem o pré-/correquisito usual de um curso universitário de Cálculo Diferencial e Integral. (N.T.)
2
Do grego synergia (cooperação): associação simultânea de vários fatores que contribuem para uma ação coorde-
nada. (N.T.)

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xiv  ■  Prefácio

Habilidades Matemáticas  O conhecimento prévio de matemática que os es-


tudantes trazem para a sala de aula varia enormemente, e esses conhecimentos de-
sempenham importante papel no sucesso dos estudantes em física. Para tratar da questão de
habilidades limitadas em matemática, acrescentamos um novo recurso, denominado Habilida-
des Matemáticas. Ele se traduz por 58 quadros de ajuda que aparecem ao longo de todo o texto.
Os quadros de ajuda são concebidos para oferecer ajuda adicional em matemática aos es-
tudantes que dela precisam, embora sejam discretos para os outros estudantes. Eles aparecem
associados tanto a um passo matemático em um exemplo de cálculo quanto à discussão de um
conceito no texto. Quando necessário, também são incluídos desenhos.
Alguns tópicos de matemática ocorrem repetidas vezes durante um curso típico de física.
Isso é particularmente verdade no caso de trigonometria. Ela tem papel importante, por exem-
plo, em situações envolvendo vetores, mas também é usada regularmente na determinação de
braços de alavanca. Em tais situações, quando o quadro de ajuda correspondente oferece uma
revisão de uma técnica matemática que foi discutida em um quadro de ajuda anterior, ele é
repetido em uma forma modificada feita sob medida para o tema específico sendo tratado.
Apresentamos a seguir uma lista parcial dos tópicos dos quadros de ajuda:
• álgebra
• geometria
• trigonometria
• vetores e componentes de vetores
• sistemas de equações simultâneas
• sistemas de coordenadas e seu papel na interpretação dos resultados
• valores absolutos
• radianos versus graus
• algarismos significativos
Um exemplo de • potências de 10
Habilidades Matemáticas • logaritmos comuns e logaritmos naturais
abordando trigonometria
e componentes vetoriais

Exemplo 14 Rebocando um Superpetroleiro


Um superpetroleiro de massa m 1,50 108 kg está sendo rebocado por dois barcos rebocado-
res, como indicado na Figura 4.30a. As trações nos cabos de reboque aplicam as forças e
fazendo os mesmos ângulos de 30,0° em relação ao eixo do petroleiro. Além delas, os motores
do petroleiro produzem uma força de propulsão para a frente cujo módulo é D 75,0 103
N. A essas forças se soma uma força de oposição que a água aplica cujo módulo é R 40,0
103 N. O petroleiro se move para a frente com uma aceleração que aponta na direção do eixo
do tanque do petroleiro e possui um módulo de 2,00 10–3 m/s2. Determine os módulos das tra-
ções e
Raciocínio As forças desconhecidas e contribuem
para a força resultante que acelera o petroleiro. Portanto,
HABILIDADES MATEMÁTICAS As funções seno e cosseno são de- para determinarmos e analisamos a força resultan-
finidas pelas Equações 1.1 e 1.2 como sen h0/h e cos ha/h, em que te, neste caso usando componentes. As várias componentes
h0 é o comprimento do cateto de um triângulo retângulo que é oposto ao de forças podem ser determinadas referindo-se ao diagra-
ângulo , ha é o comprimento do cateto adjacente ao ângulo e h é o com- ma de corpo livre (DCL) do petroleiro na Figura 4.30b, no
primento da hipotenusa (veja a Figura 4.31a). Ao usar as funções seno e qual o eixo da embarcação é escolhido como o eixo x.
cosseno para determinar as componentes escalares de um vetor, começa-
Depois usaremos a segunda lei de Newton na forma de
mos identificando o ângulo . A Figura 4.31b indica que 30,0° para
o vetor As componentes de são T1x e T1y. Comparando os triângulos
componentes, Fx max e Fy may, para obtermos os
sombreados na Figura 4.31, podemos ver que h0 T1y, ha T1x e h T1. módulos de e
Temos, portanto Solução As componentes de força individuais estão re-
sumidas a seguir:

Força Componente x Componente y


T1 cos 30,0° T1 sen 30,0°
T2 cos 30,0° T2 sen 30,0°
+y
D 0
R 0
T1
h
ho T1y
Como a aceleração tem a direção do eixo x, não há com-
q 30,0∞ ponente y da aceleração (ay 0 m/s2). Consequentemente,
+x
ha T1x a soma das componentes y das forças deve ser nula.
(a) (b)

Figura 4.31 Desenho de Habilidades Matemáticas.


Este resultado mostra que os módulos das trações nos
cabos são iguais, T1 T2. Como o petroleiro tem uma

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Prefácio  ■  xv

Analisando Problemas com Múltiplos Conceitos  Um dos principais objetivos do ensino de física é ajudar os estudantes
a desenvolver sua capacidade de resolver problemas que são mais instigantes do que os problemas típicos simples de um único passo.
Nesses problemas mais sofisticados ou “com conceitos múltiplos”, os estudantes têm de combinar dois ou mais conceitos físicos an-
tes de chegar a uma solução. Esse é um desafio, porque eles primeiro têm de identificar os conceitos físicos envolvidos, associar a
cada conceito uma equação matemática
apropriada e finalmente reunir as equa-
ções para produzir uma solução algébri- Análise de Problemas com Múltiplos Conceitos
ca unificada. A fim de reduzir um sistema Exemplo 4 A Física de um Motor de Propulsão Iônica
complexo a uma soma de partes mais A sonda espacial Deep Space 1 foi lançada em 24 de outubro de 1998 e usou um tipo de motor chamado de motor de propulsão
1

iônica. Um motor de propulsão iônica gera apenas uma força (ou propulsão) fraca, mas que pode funcionar por longos períodos
simples, cada exemplo de Conceito Múl- de tempo usando apenas pequenas quantidades de combustível. Suponha que a sonda, que tem uma massa de 474 kg, esteja via-
jando com uma velocidade inicial de 275 m/s. Nenhuma força atua sobre ela além da propulsão de 5,60 10 N do seu motor.
tiplo é composto por quatro seções: Ra-
2

Esta força externa possui direção paralela ao deslocamento de módulo 2,42 10 m e mesmo sentido (veja a Figura 6.6).
9

ciocínio, Dados Conhecidos e Incógnitas, Determine a velocidade escalar final da sonda, supondo que sua massa permaneça praticamente constante.

Modelando o Problema e Solução:

Esta seção discute a estratégia que será


usada para resolver o problema e
apresenta uma visão geral dos conceitos Figura 6.6 Um motor de propulsão iônica gera uma única
físicos empregados na solução. força que aponta na mesma direção e no mesmo sentido do
deslocamento A força realiza um trabalho positivo, fazendo
com que a sonda espacial ganhe energia cinética.

Raciocínio Se pudermos determinar a energia cinética final da sonda espacial, podemos determinar sua velocidade final, já que
Cada variável conhecida recebe uma a energia cinética está relacionada com a massa e a velocidade, de acordo com a Equação 6.2 a massa da sonda é conhecida. Usa-
remos o teorema do trabalho–energia (W ECf – EC0), junto com a definição de trabalho, para determinarmos a energia cinéti-
descrição verbal, um símbolo algébrico e ca final.
um valor numérico. Atribuir símbolos Dados Conhecidos e Incógnitas A lista a seguir resume os dados para este problema:

algébricos é importante, pois a solução é


Descrição Símbolo Valor Comentário
construída usando esses símbolos. Tanto Dados Explícitos
dados explícitos quanto dados implícitos Massa m 474 kg
Velocidade inicial v0 275 m/s
são identificados, pois os estudantes Módulo da força F 5,60 10 2 N
frequentemente concentram sua atenção Módulo do vetor deslocamento s 2,42 109 m
Dados Implícitos
apenas nos valores numéricos declarados Ângulo entre a força e o deslocamento 0° A força é paralela ao vetor deslocamento.
explicitamente e ignoram dados que são Variável Desconhecida (Incógnita)
Velocidade final vf ?
apresentados implicitamente no
enunciado verbal do problema.
Modelando o Problema
PASSO 1 Energia Cinética Um objeto de massa m e velocidade v tem uma
energia cinética EC dada pela Equação 6.2 como EC (½)(mv2). Usando o subscrito f
para indicar a energia cinética final e a velocidade final da sonda, temos que 2(EC f)
vf (1)
Na coluna da esquerda, estão os B m

passos individuais usados na solução ?


Explicitando vf, obtivemos a Equação 1 à direita. A massa m é conhecida, mas não a
do problema. À medida que cada energia cinética final ECf, por isso passaremos ao Passo 2 a fim de obtê-la.

passo na coluna da esquerda é PASSO 2 O Teorema do Trabalho–Energia O Teorema do trabalho–energia


relaciona a energia cinética final ECf da sonda com a sua energia cinética inicial EC0 e
apresentado, o resultado matemático o trabalho W realizado pela força do motor. De acordo com a Equação 6.3, este
teorema pode ser escrito como W ECf EC0. Explicitando ECf chega-se a
desse passo é incorporado na coluna
da direita aos resultados dos passos 2(EC f)
A energia cinética inicial pode ser expressa como EC0 (½) mv02, logo a expressão vf (1)
anteriores, de modo que os para a energia cinética final passa a ser B m
estudantes possam ver prontamente 1 2 1 2
EC f 2 mv0 W EC f 2 mv0 W (2)
como as equações matemáticas
individuais se combinam para Este resultado pode ser substituído na Equação 1, como indicado à direita. Observe na
tabela de dados que conhecemos a massa m e a velocidade inicial v0. O trabalho W não ?
produzir o resultado desejado. é conhecido e será obtido no Passo 3.
PASSO 3 Trabalho O trabalho W é realizado pela força externa resultante que
atua sobre a sonda espacial. Como existe apenas uma força atuando sobre a sonda,
2(EC f)
ela é a força resultante. O trabalho realizado por essa força é dado pela Equação 6.1 vf (1)
como B m
Essa parte do exemplo usa as EC f 1 2
W (F cos )s 2 mv0 W (2)
equações algébricas desenvolvidas na
em que F é o módulo da força, é o ângulo entre a força e o deslocamento e s é o
seção de modelagem e as reúne, módulo do deslocamento. Todas as variáveis no lado direito desta equação são W (F cos )s
conhecidas, de modo que podemos substituir W na Equação 2, como indicado na
gerando uma solução algébrica. coluna à direita.
Depois, os dados da seção de Dados
Solução Combinando algebricamente os resultados dos três passos, teremos
Conhecidos e Incógnitas são inseridos
PASSO 1 PASSO 2 PASSO 3
para produzir uma solução numérica.
2(EC f) 2 ( 12 mv02 W) 2 [ 12 mv02 (F cos )s]
vf
B m B m B m
Ao final de cada exemplo de A velocidade final da sonda espacial é
Conceitos Múltiplos, são identificados
um ou mais problemas relacionados
para serem resolvidos em casa, que
contêm conceitos semelhantes
àqueles no exemplo. Trabalho a Ser Resolvido em Casa Associado: Problema 22

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xvi  ■  Prefácio

Conceitos & Cálculos  Para enfatizar o papel do entendimento conceitual na solução de


problemas, todos os capítulos incluem uma seção de Conceitos & Cálculos. Essas seções estão
organizadas em torno de um tipo especial de exemplo, cada um deles começando com várias
perguntas conceituais que são respondidas antes de o problema quantitativo ser resolvido. O
propósito das perguntas é concentrar a atenção nos conceitos com os quais o problema está
lidando. Esses exemplos também fornecem minirrevisões do material estudado anteriormente
no capítulo e nos capítulos anteriores.

Conceitos & Cálculos Exemplo 19


A Força de Empuxo 51
Um pai (peso W 830 N) e sua filha (peso W 340 N) estão passando o dia em um lago. Cada
um deles está sentado em cima de uma bola de praia que está submersa imediatamente abaixo da
superfície livre da água (veja a Figura 11.41). Ignorando o peso do ar no interior das bolas e os vo -
lumes das suas pernas que estão debaixo d’água, determine o raio de cada bola.
Perguntas e Respostas sobre Conceitos Cada bola de praia está em equilíbrio, estando parada
e sem aceleração. Assim, a força resultante que atua sobre cada bola é nula. O que equilibra o peso
atuando para baixo em cada caso?
Resposta O peso atuando para baixo é equilibrado pela força de empuxo atuando para cima FB
que a água aplica à bola.
Em qual caso a força de empuxo é maior?
Resposta A força de empuxo que atua sobre a bola de praia do pai é maior, pois ela deve equi-
librar seu peso maior.
Na situação descrita, o que determina o módulo da força de empuxo?
Resposta De acordo com o princípio de Arquimedes, o módulo da força de empuxo é igual ao
peso do fluido que a bola desloca. Como a bola está completamente submersa, ela desloca um
volume de água que é igual ao volume da bola. O peso deste volume de água é o módulo da for-
ça de empuxo.
Qual bola de praia possui o maior raio?
Resposta A bola de praia do pai possui o maior volume e o maior raio.52 Isto é consequência
do fato de uma maior força de empuxo atuar nessa bola. Para que a força de empuxo seja maior,
essa bola deve deslocar um maior volume de água, de acordo com o princípio de Arquimedes.
Portanto, o volume dessa bola é maior, já que as bolas estão completamente submersas.

Solução Como as bolas estão em equilíbrio, a força resultante que atua sobre cada uma delas de-
ve ser nula. Portanto, tomando a direção vertical para cima como positiva, temos
Figura 11.41 Os dois banhistas
estão sentados em bolas de praia
de diâmetros diferentes que estão
submersas imediatamente abaixo
da superfície livre da água.
O princípio de Arquimedes especifica que o módulo do empuxo é o peso da água deslocada pela
bola. Usando a definição de massa específica dada pela Equação 11.1, a massa da água deslocada
ém V, em que 1,00 103 kg/m3 é a massa específica da água (veja a Tabela 11.1) e V é o
volume deslocado. Como toda a bola está submersa, V r3, supondo que a bola permaneça es-
férica. O peso da água deslocada é mg ( r3)g. Com este valor para a força de flutuação (ou
empuxo), a equação de forças passa a ser

Explicitando o raio r, obtivemos

Pai

Filha

Como esperado, o raio da bola de praia do pai é maior.

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Prefácio  ■  xvii

Foco nos Conceitos  Esse recurso está localizado no final de cada capítulo. Consiste es-
sencialmente em perguntas de múltipla escolha que tratam de conceitos importantes. Também
são incluídos alguns problemas que são concebidos para evitar complexidade matemática a
fim de testar conhecimentos conceituais básicos.

Foco nos Conceitos


Observação: Os exercícios apresentados nesta seção, com numeração não sequencial, foram extraídos do banco de dados de questões disponível apenas para
a edição original em inglês. (N.E.)

16. Três blocos idênticos estão sendo puxados ou empurrados sobre


uma superfície horizontal por uma força como mostrado nos dese-
nhos. A força em cada caso tem o mesmo módulo. Ordene as forças
de atrito cinético que atuam sobre os blocos em ordem crescente (a
menor primeiro).
(a) B, C, A (b) C, A, B (c) B, A, C (d) C, B, A (e) A, C, B

Exemplos Conceituais  Exemplos conceituais aparecem em todos os capítulos. São pensados como modelos explícitos de
como usar os princípios físicos para analisar uma situação antes de tentar resolver numericamente um problema que lida com
essa situação. As perguntas de Foco nos Conceitos fornecem o equivalente dos exemplos conceituais nos trabalhos a serem resol-
vidos em casa. Como a maioria das perguntas de Foco nos Conceitos utiliza um formato de múltipla escolha, a maioria dos exem-
plos conceituais também apare-
ce nesse formato. No entanto,
um pequeno número de exem- Exemplo Conceitual 7 Desaceleração Versus Aceleração Negativa
plos trata de questões importan-
Um carro está se movendo ao longo de uma estrada reta e está desacelerando. Quais das afirmações
tes de uma forma que não é a seguir descrevem corretamente a aceleração do carro? (a) Ela tem que ser positiva. (b) Ela tem
compatível com uma apresenta- que ser negativa. (c) Ela poderia ser positiva ou negativa.
ção de múltipla escolha. Raciocínio O termo “desacelerando” significa que o vetor aceleração aponta no sentido contrário ao
sentido do vetor velocidade e indica que o carro está se deslocando mais lentamente. Uma possibili-
dade é que o vetor velocidade do carro aponte para a direita, no sentido positivo, como mostrado na
Figura 2.10a. O termo “desacelerando” implica, então, que o vetor aceleração do carro aponta para a
esquerda, que é o sentido negativo. Outra possibilidade é que o carro esteja se movendo para a esquer-
Feedback para respostas da, como na Figura 2.10b. Neste caso, como o vetor velocidade aponta para a esquerda, o vetor ace-
corretas e incorretas. leração apontaria no sentido contrário, ou seja, para a direita, que é o sentido positivo.
As respostas (a) e (b) estão incorretas. O termo “desacelerando” significa apenas que o vetor
aceleração aponta no sentido contrário ao do vetor velocidade. Ele não especifica se o vetor velo-
cidade do carro aponta no sentido positivo ou negativo. Portanto, não é possível saber se a acelera- Figura 2.10 Quando um carro
ção é positiva ou negativa. desacelera ao longo de uma
A maioria dos exemplos está estrada reta, o vetor aceleração
estruturada de forma a levar A resposta (c) está correta. Como mostrado na Figura 2.10, o vetor aceleração do carro poderia aponta no sentido contrário ao do
apontar no sentido positivo ou negativo, de modo que a aceleração poderia ser positiva ou negativa, vetor velocidade, como discutido
naturalmente aos problemas a dependendo do sentido em que o carro esteja se movendo. no Exemplo Conceitual 7.
serem resolvidos em casa que se
Trabalho a Ser Resolvido em Casa Associado: Problemas 14 e 73
encontram ao final dos capítulos.
Esses problemas contêm
referências cruzadas explícitas para
o exemplo conceitual.

Verifique Seu Entendimento


Verifique Seu Entendimento  Esse recurso apa-
(As respostas são dadas no final do livro.)
rece no final de seções selecionadas em todos os capítulos
23. Uma artista de circo fica pendurada em uma corda em repouso. Ela começa a subir puxando-se e é composto por perguntas em um formato de múltipla
para cima, alternando as mãos. Quando ela começa a subir, a tração na corda é (a) menor,
(b) igual ou (c) maior do que quando ela está pendurada em repouso?
escolha ou de resposta livre. As perguntas (cujas respos-
24. Um trem de carga está acelerando em uma via horizontal. Mantidas as outras coisas iguais, a tração tas estão reunidas na parte de trás do livro) são concebidas
no acoplamento entre a locomotiva e o primeiro vagão mudaria se parte da carga no último vagão
fosse transferida para qualquer um dos outros vagões?
para permitir que os estudantes vejam se entenderam os
25. Dois caixotes possuem massas m1 e m2, sendo m2 maior do que m1. Os caixotes estão sendo empur- conceitos discutidos na seção. Professores que usam um
rados sobre uma superfície horizontal sem atrito. Como mostrado no desenho, existem dois arran-
jos possíveis, e a força usada para empurrar os caixotes é a mesma em cada arranjo. Em qual ar- sistema de resposta em sala de aula também acharão as
ranjo, (a) ou (b) a força que o caixote da esquerda aplica ao caixote da direita possui maior mó- perguntas úteis para usarem como perguntas para “clicar”.
dulo? ou (c) o módulo é igual em ambos os casos?

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xviii  ■  Prefácio

Exemplo 6 Patinadores no Gelo13


Passos de Raciocínio Explícitos  Como o racio-
cínio é a pedra angular da resolução de problemas, expli-
Partindo do repouso, dois patinadores no gelo empurram um ao outro de modo a se afastarem
sobre uma pista de gelo horizontal lisa, na qual o atrito é desprezível. Como mostrado na Fi- citamos o raciocínio em todos os exemplos. Nesse passo,
gura 7.9a, estão na pista uma patinadora (m1 54 kg) e um patinador (m2 88 kg). O item b explicamos o que motiva nosso procedimento de solução
do desenho mostra que a patinadora se afasta com uma velocidade vf1 2,5 m/s. Determine
a velocidade de “recuo” vf 2 do patinador.
do problema antes que qualquer trabalho algébrico ou
Raciocínio Para um sistema formado por dois patinadores sobre uma pista de gelo horizontal, a
numérico seja feito. Nos exemplos de Conceitos &
soma das forças externas é igual a zero. Isso acontece porque o peso de cada patinador é equilibra- Cálculos, o raciocínio é apresentado em um formato de
do por uma força normal correspondente e o atrito é desprezível. Os patinadores constituem, assim,
um sistema isolado e o princípio de conservação da quantidade de movimento linear se aplica. É de
pergunta e resposta.
se esperar que o patinador tenha uma velocidade de recuo menor pelo seguinte motivo: As forças

Figura 7.9 (a) Na ausência de


atrito, dois patinadores empurrando
um ao outro constituem um sistema
isolado. (b) Quando os patinadores
se afastam, a quantidade de
movimento linear total do sistema
permanece igual a zero, que é igual
ao seu valor inicial.

HABILIDADES MATEMÁTICAS Quando você usa o princípio de conservação da quantidade de movimento,


você deve escolher qual sentido em uma dada direção está sendo considerado como positivo. A escolha é arbitrária,
mas ela é importante. Os resultados de se usar o princípio só podem ser interpretados em relação à sua escolha
do sentido positivo. No Exemplo 6, o sentido para a direita foi escolhido como o sentido positivo (veja a Figura
7.9), tendo como resultado que a velocidade algébrica vf1 da patinadora é dada como vf1 2,5 m/s, e a resposta
para a velocidade algébrica vf 2 do patinador é vf 2 1,5 m/s. Esta resposta significa que o patinador se afasta no
sentido negativo, que aponta para a esquerda no desenho. Suponha, no entanto, que o sentido positivo na Fi-
gura 7.9 tivesse sido escolhido como para a esquerda. Neste caso, a velocidade vf1 da patinadora teria sido dada
como vf1 2,5 m/s e o cálculo para a velocidade algébrica do esquiador teria revelado que a resposta para vf 2 é

Esta resposta significa que o patinador se afasta no sentido positivo, que agora significa o sentido para a esquer-
da. Portanto, o princípio de conservação da quantidade de movimento conduz à mesma conclusão para o pati-
nador. Ele se afasta para a esquerda, não importando a escolha arbitrária do sentido positivo.

internas que o patinador e a patinadora exercem um sobre o outro enquanto estão em contato pos-
suem o mesmo módulo e a mesma direção, mas sentidos contrários, de acordo com a lei da ação e
reação de Newton. O patinador, tendo a maior massa, está sujeito a uma aceleração menor de acor-
do com a segunda lei de Newton. Logo, ele adquire uma velocidade de recuo menor.
Solução A quantidade de movimento total dos patinadores antes de se empurrarem é nula, já que
eles estão em repouso. A conservação da quantidade de movimento exige que a quantidade de movi-
mento total permaneça nula depois que os patinadores se separaram, como indicado na Figura 7.9b:

Explicitando a velocidade algébrica de recuo do patinador, temos

O sinal de menos indica que o patinador se move para a esquerda no desenho. Depois que os pati-
nadores se separam, a quantidade de movimento total do sistema permanece nula, pois a quantida-
de de movimento é uma grandeza vetorial, e as quantidades de movimento do patinador e da pati-
nadora possuem módulos e direções iguais, mas sentidos contrários.

Estratégias de Raciocínio  Diversos exemplos no texto lidam com estratégias bem


definidas para a solução de certos tipos de problemas. Nesses casos, incluímos resumos dos
passos envolvidos. Esses resumos, denominados Estratégias de Raciocínio, encorajam revisões
frequentes das técnicas usadas e ajudam os estudantes a se concentrarem nos conceitos corres-
pondentes.
Estratégia de Raciocínio Aplicando o Princípio de Conservação da
Quantidade de Movimento Linear
1. Decida que objetos estão incluídos no sistema.
2. Identifique as forças internas e as forças externas, em relação ao sistema que você escolheu.
3. Verifique se o sistema escolhido é um sistema isolado. Em outras palavras, verifique se a soma das
forças externas aplicadas ao sistema é igual a zero. O princípio de conservação só pode ser aplicado
se esta soma for igual a zero. Se a soma das forças externas médias não for igual a zero, considere
um sistema diferente para análise.
4. Iguale a quantidade de movimento final total do sistema isolado à quantidade de movimento inicial
total. Lembre-se de que a quantidade de movimento linear é um vetor. Se necessário, aplique o prin-
cípio de conservação separadamente às várias componentes vetoriais.

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Prefácio  ■  xix

A Física de  O texto contém 262 aplicações


no mundo real que refletem nosso compromisso Exemplo 3 A Física do Índice de Massa Corporal
com como mostrar aos estudantes o quanto a O índice de massa corporal (IMC) leva em conta sua massa em quilogramas (kg) e sua altura em
física é relevante em suas vidas. Cada aplicação metros (m) e é definido da seguinte maneira:
é identificada no texto por A Física de, e aquelas
que lidam com material biológico ou médico
são marcadas com mais um ícone na forma de No entanto, em países anglo-saxões, o IMC é frequentemente calculado usando o peso* de uma
pessoa em libras (lb) e sua altura em polegadas (in). Logo, a expressão para o IMC incorpora estas
um caduceu . Uma lista das aplicações pode quantidades, em vez da massa em quilogramas e da altura em metros. Partindo da definição dada
ser encontrada após o Sumário. anteriormente, determine a expressão para o IMC que usa libras e polegadas.

Raciocínio Começaremos com a definição do IMC e trabalharemos separadamente com o nume-


rador e o denominador. Determinaremos a massa em quilogramas que aparece no numerador a par-
tir do peso em libras usando o fato de que 1 kg corresponde a 2,205 lb. Depois, determinaremos a
altura em metros que aparece no denominador a partir da altura em polegadas (in) com a ajuda dos
seguintes fatos: 1 m 3,281 pés e 1 pé (1 ft) 12 in. Estes fatores de conversão estão localizados
no verso da capa deste livro.
Solução Como 1 kg corresponde a 2,205 lb, a massa em quilogramas pode ser determinada a par-
tir do peso em libras da seguinte maneira:

Como 1 ft 12 in, e 1 m 3,281 ft, temos7

Substituindo estes resultados no numerador e no denominador da definição do IMC, temos

Tabela 1.3 O Índice de


Massa Corporal

IMC
(kg/m2) Avaliação

Abaixo de 18,5 Abaixo do peso


18,5–24,9 Normal
25,0–29,9 Acima do peso
30,0–39,9 Obeso
40 ou mais Obesidade
mórbida

Se, por exemplo, seu peso e sua altura forem iguais a 180 lb e 71 in, respectivamente, seu índice de
massa corporal é igual a 25 kg/m2. O IMC pode ser usado para avaliar aproximadamente se o seu
peso está normal para a sua altura (veja a Tabela 1.3).

Dicas para a Solução de Problemas  Para reforçar as técnicas de solução de proble-


mas ilustradas nos exemplos resolvidos, incluímos nas margens ou no texto frases curtas iden-
tificadas por Dicas para a Solução de Problemas. Essas frases ajudam os estudantes a desen-
volver boas habilidades de solução de problemas ao fornecerem o tipo de conselho que um
professor poderia dar ao explicar um cálculo em detalhe.

Exemplo 7 A Física de um Elevador Hidráulico de Carros


No elevador hidráulico de carros representado na Figura 11.14b, o pistão de entrada à esquerda
possui um raio r1 0,0120 m e um peso desprezível. O êmbolo de saída à direita possui um raio r2
0,150 m. O peso combinado do carro com o êmbolo é igual a 20 500 N. Como a força na saída pos-
sui um módulo F2 20 500 N, ela aguenta o peso do carro. Suponha que as superfícies inferiores
do pistão e do êmbolo estejam no mesmo nível, de modo que h 0 m na Figura 11.14b. Qual o
módulo F1 da força de entrada necessária para que F2 20 500 N?
Raciocínio Quando as superfícies inferiores do pistão e do êmbolo estão no mesmo nível, como
na Figura 11.14a, a Equação 1.15 se aplica e podemos usá-la para determinarmos F1.
Solução De acordo com a Equação 11.5, teremos Dicas para a Solução de Problemas.
Observe que a relação F1 F2(A1/A2), que
resulta do princípio de Pascal, só se aplica
quando os pontos 1 e 2 estão situados na
mesma profundidade (h 0 m) no fluido.
Usando A r2 para as áreas circulares do pistão e do êmbolo, concluímos que

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xx  ■  Prefácio

Material para Ser Trabalhado em Casa  O material para ser trabalhado em casa (de-
ver de casa) é composto pelas perguntas Foco nos Conceitos e pelos Problemas que se encon-
tram no final de cada capítulo. Aproximadamente 250 novos problemas foram acrescentados
nesta edição. Os problemas são ordenados de acordo com o grau de dificuldade, com os mais
difíceis marcados com um asterisco duplo (**), e os de dificuldade intermediária com um úni-
co asterisco (*). Os problemas mais fáceis não recebem marcação.

*22. Como mostrado no de-


senho, duas lâminas finas
de metal estão aparafusadas
uma à outra em uma extre-
midade e possuem a mesma temperatura. Uma é de aço e a outra é de
alumínio. A lâmina de aço é 0,10% mais longa do que a lâmina de
alumínio. De quanto deveria ser aumentada a temperatura das lâminas,
a fim de que as lâminas tenham o mesmo comprimento?

*38. O desenho mostra uma câmara hidráulica com uma mola (rigi-
dez 1600 N/m) presa ao pistão de entrada e uma pedra com massa
igual a 40,0 kg em repouso sobre o êmbolo de saída. O pistão e o
êmbolo estão praticamente na mesma altura, e cada um possui massa
desprezível. De quanto a mola é comprimida a partir da sua posição
indeformada?

Em todo o material a ser resolvido em casa, usamos


uma variedade de situações do mundo real com dados 69. O desenho mostra uma perna sendo exercitada. Ela tem um
peso de 49 N preso ao pé e está estendida fazendo um ângulo
realísticos. Os problemas marcados com o símbolo do em relação à vertical. Considere um eixo de rotação no joelho.
caduceu lidam com situações biológicas ou (a) Quando 90,0°, determine o módulo do torque que o peso cria.
médicas, e foi feito um esforço especial para aumentar (b) Em que ângulo o módulo do torque é igual a 15 N m?
a quantidade desse tipo de material a ser resolvido
em casa.

Professores frequentemente têm interesse em passar


deveres de casa sem identificar uma seção do texto Problemas Adicionais
em particular. Tal grupo de problemas é fornecido sob
o título Problemas Adicionais. 85. Um bastão de beisebol de alumínio tem um comprimento de 0,86
m a uma temperatura de 17 °C. Quando se aumenta a temperatura do
bastão, ele se alonga de 0,000 l6 m. Determine a temperatura final do
bastão.
86. Uma pessoa come um potinho de iogurte de morango. O rótulo
de Informações Nutricionais afirma que ele contém 240 Calo-
rias (1 Caloria 4186 J). Que massa de transpiração uma pessoa teria
que perder para se livrar desta energia? À temperatura do corpo (37 °C),
o calor latente de evaporação da água é de 2,42 106 J/kg.

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Prefácio  ■  xxi

Resumos dos Conceitos  Resumos no final dos capítulos apresentam uma versão con-
densada, mas completa, do material organizado seção por seção e incluem as equações impor-
tantes. Os resumos ganharam um novo projeto gráfico em um formato mais aberto.

Resumo dos Conceitos


9.1 Ação de Forças e Torques sobre Objetos Rígidos A linha de ação de uma
força é uma linha reta estendida que é desenhada colinear com a força. O braço de
alavanca é a distância entre a linha de ação e o eixo de rotação, medida sobre uma
reta que é perpendicular à linha e ao eixo.
O torque de uma força possui um módulo que é dado pelo módulo F da força ve-
zes o braço de alavanca . O módulo do torque é dado pela Equação 9.1 e é positivo (9.1)
quando a força tende a produzir uma rotação em torno do eixo no sentido anti-horário,
e negativo quando a força tende a produzir uma rotação no sentido horário.

9.2 Objetos Rígidos em Equilíbrio Um corpo rígido está em equilíbrio se ele


(4.9a e 4.9b)
possuir aceleração de translação nula e aceleração angular nula. No equilíbrio, a força
externa resultante e o torque externo resultante que atuam sobre o corpo são iguais a (9.2)
zero, de acordo com as Equações 4.9a, 4.9b e 9.2.

9.3 Centro de Gravidade O centro de gravidade de um objeto rígido é o ponto


onde é possível considerar todo o seu peso atuando ao se calcular o torque devido ao
peso. Para um corpo simétrico com peso uniformemente distribuído, o centro de gra-
vidade está no centro geométrico do corpo. Quando vários objetos cujos pesos são W1, (9.3)
W2,... estão distribuídos ao longo do eixo x nas posições x1, x2, ..., o centro de gravida-
de xcg é dado pela Equação 9.3. O centro de gravidade é idêntico ao centro de massa,
desde que a aceleração da gravidade não varie na região física ocupada pelos objetos.

9.4 Segunda Lei de Newton para o Movimento de Rotação em Torno de


um Eixo Fixo O momento de inércia I de um corpo composto por N partículas é da-
do pela Equação 9.6, em que m é a massa de uma partícula e r é a distância perpendi- (9.6)
cular da partícula medida a partir do eixo de rotação.
Para um corpo rígido girando em torno de um eixo fixo, a segunda lei de Newton
para o movimento de rotação é escrita como na Equação 9.7, em que é o torque (9.7)
externo resultante aplicado ao corpo, I é o momento de inércia do corpo e é a sua
aceleração angular.

9.5 Trabalho e Energia de Rotação O trabalho de rotação WR realizado por um


torque constante ao girar um corpo rígido de um ângulo é especificado pela Equa- (9.8)
ção 9.8.
A energia cinética de rotação ECR de um objeto rígido girando com uma velocida-
de angular escalar em torno de um eixo fixo e tendo um momento de inércia I é es- (9.9)
pecificado pela Equação 9.9.
A energia mecânica total E de um corpo rígido é a soma da sua energia cinética de
translação (½mv2), da sua energia cinética de rotação (½I 2) e da sua energia potencial (1)
gravitacional (mgh), de acordo com a Equação 1, em que m é a massa do objeto, v é a
velocidade escalar de translação do seu centro de massa, I é o seu momento de inércia
em torno de um eixo que passa pelo centro de massa, é a sua velocidade angular e
h é a altura do centro de massa do objeto em relação a um nível zero arbitrário.
A energia mecânica total se conserva se o trabalho líquido (ou resultante) realizado
por forças não conservativas externas e por torques externos for igual a zero. Quando
a energia mecânica total se conserva, a energia mecânica total final Ef é igual à energia
mecânica total inicial E0: Ef E0.

9.6 Quantidade de Movimento Angular A quantidade de movimento angular


de um corpo rígido girando com uma velocidade angular em torno de um eixo fixo
e possuindo um momento de inércia I em relação a esse eixo é dada pela Equação 9.10. (9.10)
O princípio de conservação da quantidade de movimento angular afirma que a
quantidade de movimento angular total de um sistema permanece constante (isto é, se
conserva) se o torque externo médio resultante que atua sobre o sistema for nulo. Quan-
do a quantidade de movimento angular total se conserva, a quantidade de movimento
angular final Lf é igual à quantidade de movimento angular inicial L0: Lf L0.

Apesar de nossos melhores esforços para produzir um livro livre de erros, sem dúvida há erros que
permanecem. Eles são de nossa inteira responsabilidade. Esperamos que este texto possibilite que o
aprendizado e o ensino de física fiquem mais fáceis e mais agradáveis.

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Agradecimentos
Este projeto foi fruto de um esforço de equipe: e que equipe — Nossos agradecimentos aos representantes comerciais da John
todos profissionais dedicados e talentosos! O trabalho árduo foi Wiley & Sons, Inc. Eles são membros muito especiais de nossa
repartido. Ideias colaborativas se concretizaram, e o compro- equipe. Seu profissionalismo e conhecimento das especificidades
misso com a excelência foi inspirador. Acima de tudo, as pes- do livro permitem que eles chamem a atenção dos professores de
soas na equipe são pessoas que estamos contentes por termos física para nosso trabalho de uma forma que é amplamente res-
conhecido. Reconhecer seus esforços é um prazer. peitada e indispensável para o sucesso do livro. Na verdade, há
Somos especialmente gratos a Stuart Johnson, nosso editor, muitos anos, uma das razões de termos escolhido a John Wiley
por sua paciência, bons conselhos e esforços incansáveis em & Sons, Inc. como nossa editora foi a impressão que tivemos dos
nosso nome. Ele está sempre disponível para responder a per- representantes comerciais. Essa impressão cresceu consideravel-
guntas, ajudar a esclarecer ideias e oferecer sugestões, sempre mente ao longo dos anos; e permanecemos gratos a eles.
tranquilamente, não importando o quanto às vezes nos desvia- Também gostaríamos de agradecer pelas contribuições feitas
mos do bom senso ou quão impaciente estamos. Você fez a di- para nosso curso WileyPLUS por David Marx (Illinois State
ferença, Stuart. University), Richard Holland (Southeastern Illinois College),
Não há como agradecer suficientemente a colaboração de Bar- George Caplan (Wellesley College) e Derrick Hilger (Duques-
bara Russiello. As habilidades que Barbara traz para seu trabalho ne University).
de editora de produção são simplesmente incríveis. Ela faz de Muitos físicos e seus estudantes compartilharam generosa-
tudo, e benfeito, sempre disposta a se esforçar ainda mais para mente suas ideias conosco a respeito de boa pedagogia e nos
resolver um problema ou fazer algo melhor. Ela é de fato uma ajudaram assinalando nossos erros. Por todas as suas sugestões,
artista de layout de páginas. Com o passar dos anos, aprendemos somos gratos. Eles nos ajudaram a escrever de forma mais cla-
com você o que realmente significa um compromisso com a ex- ra e precisa e influenciaram significativamente a evolução do
celência, Barbara. Jamais nos esqueceremos de sua ajuda. texto. Aos revisores desta e das edições anteriores, nós especial-
O projeto gráfico do texto e da capa são frutos do trabalho de mente temos uma grande dívida de gratidão. Especificamente,
Madelyn Lesure, com quem tivemos o privilégio especial de tra- agradecemos a:
balhar por muitas edições. Ela é uma designer extraordinária. O
arranjo visual aberto e bem organizado da nona edição e de seus Hanadi AbdelSalam, anteriormente
vários recursos, todos disputando espaço em cada página, se deve no Hamilton College
à sua mágica particular com cores, formas e senso de prioridades Edward Adelson,
visuais. Trabalhar com você, Maddy, é sempre um prazer. The Ohio State University
Em futebol, apenas um time com um bom goleiro passa pelas Alice Hawthorne Allen,
eliminatórias. Somos de fato privilegiados por termos uma golei- Concord University
ra de primeira linha, nossa revisora de textos, Georgia Mederer. Zaven Altounian,
Ela cuidou de todos os nossos deslizes — inconsistências na lin- McGill University
guagem e estilo, falhas gramaticais, símbolos matemáticos mal Joseph Alward,
escolhidos e um punhado de erros tipográficos matemáticos que University of the Pacific
saltam aos olhos. Joseph Ametepe,
A importância de mídias interativas on-line como ferramentas Hollins University
educacionais continua a crescer a um ritmo alucinante. Somos Chi-Kwan Au,
gratos a Thomas Kulesa, editor executivo de mídias, por nos guiar University of South Carolina
pela paisagem em constante mutação do mundo on-line. Santanu Banerjee,
Nossos agradecimentos a Hilary Newman, editora de foto- Tougaloo College
grafia, e Sara Wight, pesquisadora de fotografia, por seus esfor- David Bannon,
ços ao selecionar as fotos no texto. Oregon State University
Temos o privilégio de poder contar com a competência e o Paul D. Beale,
planejamento cuidadoso de Christine Kushner, diretora associa- University of Colorado em Boulder
da de marketing, por orientar a estratégia de marketing do livro. Edward E. Beasley,
Os esforços de Chris foram cruciais para o sucesso do livro, e Gallaudet University
somos profundamente gratos a ela. Chuck Bennet,
A produção de um texto de física é um projeto multifacetado; University of North Carolina-Asheville
uma das partes importantes é o pacote extensivo de suplementos Rao Bidthanapally,
do livro. Alyson Rentrop, editora associada, gerenciou a prepa- Oakland University
ração do pacote de modo impecável. Obrigado, Aly. Roger Bland,
Helen Walden fez um ótimo trabalho de correção do texto San Francisco State University
manuscrito. Helen, somos gratos especialmente a você por de- Michael Bretz,
tectar muitas de nossas falhas antes que elas tivessem a possi- University of Michigan em Ann Arbor
bilidade de confundir o impressor. Carl Bromberg,
A Patrick White, assistente editorial, vai nossa gratidão por Michigan State University
sua ajuda, facilitando o fluxo do manuscrito, passando por seus Michael Broyles,
vários estágios de produção. Collin County Community College

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xxiv  ■  Agradecimentos

Ronald W. Canterna, Omar Guerrero,


University of Wyoming University of Delaware
Gang Cao, A. J. Haija,
University of Kentucky Indiana University of Pennsylvania
Brian Carter, Charles Hakes,
Grossmont Community College Fort Lewis College
Neal Cason, Dr. Kastro Hamed,
University of Notre Dame The University of Texas em El Paso
Kapila Castoldi, Parameswar Hari,
Oakland University California State University, Fresno
Anil Chourasia, J. Russell Harkay,
Texas A&M University-Commerce Keene State College
David Cinabro, Grant Hart,
Wayne State University Brigham Young University
Thomas Berry Cobb, Athula Herat,
Bowling Green State University Slippery Rock University of Pennsylvania
Lawrence Coleman, John Ho,
University of California em Davis SUNY Buffalo
Lattie F. Collins, William Hollerman,
East Tennessee State University University of Louisiana, Lafayette
Biman Das, Lenore Horner,
SUNY Potsdam Southern Illinois University em Edwardsville
Doyle Davis, Doug Ingram,
White Mountains Community College Texas Christian University
Steven Davis, Shawn Jackson,
University of Arkansas em Little Rock University of Arizona
William Dieterle, Mark James,
California University of Pennsylvania Northern Arizona University
Susie DiFranco, Darrin Johnson,
Hudson Valley Community College University of Minnesota Duluth
Duane Doty, Larry Josbeno,
California State University, Northridge Corning Community College
Carl Drake, Luke Keller,
Jackson State University Ithaca College
Robert J. Endorf, Daniel Kennefick,
University of Cincinnati University of Arkansas, Fayetteville
Kent Fisher, A. Khan,
Columbus State Community College Jackson State University
Lewis Ford, David Klassen,
Texas A&M University Rowan University
Lyle Ford, Craig Kletzing,
University of Wisconsin-Eau Claire University of Iowa
Greg Francis, Randy Kobes,
Montana State University University of Winnipeg
C. Sherman Frye, Jr., K. Kothari,
Northern Virginia Community College Tuskegee University
John Gagliardi, Richard Krantz,
Rutgers University Metropolitan State College, Denver
Delena Gatch, Theodore Kruse,
Georgia Southern University Rutgers University
Silvina Gatica, Pradeep Kumar,
Penn State University University of Florida em Gainesville
Barry Gilbert, Christopher P. Landee,
Rhode Island College Clark University
Joseph Gladden, Alfredo Louro,
University of Mississippi University of Calgary
Peter Gonthier, Carl Lundstedt,
Hope College University of Nebraska, Lincoln
Roy Goodrich, Donald Luttermoser,
Louisiana State University East Tennessee State University
William Gregg, Sergei Lyuksyutov,
Louisiana State University The University of Akron
David Griffiths, Kingshuk Majumdar,
Oregon State University Berea College

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Agradecimentos  ■  xxv

A. John Mallinckrodt, Dominic Sarsah,


California State Polytechnic University, Pomona Illinois Valley Community College
Jay Mancini, Bartlett Sheinberg,
Kingsborough Community College Houston Community College
Glenn Marsch, Marc Sher,
Union University College of William & Mary
Dr. E.L., Marthie, James Simmons,
University of Regina Waynesburg College
John McCullen, Marllin Simon,
University of Arizona Auburn University
B. Wieb van der Meer, Michael Simon,
Western Kentucky University Fairfield University
Donald D. Miller, John J. Sinai,
Central Missouri State University University of Louisville
Paul Morris, Gerald D. Smith,
Abilene Christian University Huntington College
Richard A. Morrow, Vera Smolyaninova,
University of Maine Towson University
Hermann Nann, Elizabeth Stoddard,
Indiana University, Bloomington University of Missouri-Kansas City
David Newton, Michael Strauss,
DeAnza College University of Oklahoma, Norman
Tom Nelson Oder, Virgil Stubblefield,
Youngstown State University John A. Logan College
R. Chris Olsen, Daniel Stump,
Naval Postgraduate School, Monterey, CA Michigan State University
Michael Ottinger, Ronald G. Tabak,
Missouri Western State College Youngstown State University
James Pazun, Patrick Tam,
Pfeiffer University Humboldt State University
Peter John Polito, Eddie Tatar,
Springfield College Idaho State University
Jon Pumplin, James H. Taylor,
Michigan State University Central Missouri State University
Oren Quist, Francis Tuluri,
South Dakota State University Jackson State University
Ricardo Rademacher, anteriormente na Robert Tyson,
Northern Kentucky University University of North Carolina em Charlotte
Talat Rahman, Timothy Usher,
University of Central Florida California State University, San Bernardino
Arvind Rajaraman, Mick Veum,
University of California-Irvine University of Wisconsin-Stevens Point
Michael Ram, James M. Wallace, anteriormente no
SUNY Buffalo Jackson Community College
Jacobo Rapaport, Henry White,
Ohio University University of Missouri
Wayne W. Repko, Rob Wilson, anteriormente na
Michigan State University Angelo State University
Larry Rowan, Jerry H. Willson, anteriormente no
University of North Carolina em Chapel Hill Metropolitan State College
Roy S. Rubins, Brian Woodahl,
University of Texas em Arlington Indiana University-Purdue University Indianapolis

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Material
Suplementar
Este livro conta com os seguintes materiais suplementares:
JJ Concept Simulations: Conjunto de simulações físicas em inglês em (.swf) (acesso livre).
JJ End-of-Chapter Problems-Word: Conjunto de problemas de final de capítulo em inglês em (.pdf)
(acesso restrito a docentes).
JJ Focus on Concept Questions-Word: Conjunto de questões conceituais em inglês em (.pdf) (acesso
restrito a docentes).
JJ Instructor’s Solutions Manual: Manual de Soluções em inglês em (.pdf) (acesso restrito a docentes).
JJ Instructor’s Resource Guide: Manual de orientação pedagógica para utilização do livro-texto em
inglês em (.pdf) (acesso restrito a docentes).
JJ Ilustrações da obra em formato de apresentações (acesso restrito a docentes).
JJ Lecture Note PowerPoints: Apresentações para uso em sala de aula em inglês em (.ppt) (acesso
restrito a docentes).
JJ PRS-Interactive Lecture Questions: Testes interativos para uso em sala de aula em inglês em (.ppt)
(acesso restrito a docentes).
JJ PRS-Reading Quiz Questions: Testes interativos baseados na leitura de determinadas seções em
inglês em (.ppt) (acesso restrito a docentes).
JJ Tensão Superficial: Ensaio sobre o tema da física “tensão superficial” (acesso livre).
JJ Test Bank: Banco de testes em inglês em (.pdf) (acesso restrito a docentes).

O acesso aos materiais suplementares é gratuito, bastando que o leitor se cadastre em: http://gen-io.
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AC Farmacêutica, Forense, Método, Atlas, LTC, E.P.U. e Forense Universitária.
Os materiais suplementares ficam disponíveis para acesso durante a vigência
das edições atuais dos livros a que eles correspondem.

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Capítulo

28
Esses pesquisadores estão fi­
xando uma unidade de rastrea­
mento por Sistema de Posicio­
namento Global (GPS) em uma
harpia de sete meses de idade
no Equador. A unidade vai per­

Relatividade Especial mitir que os pesquisadores ras­


treiem os movimentos da ave
porque a tecnologia GPS conse­
gue localizar objetos na Terra
com uma precisão impressio­
nante. Essa acurácia se deve,
em parte, ao fato de o sistema
incorporar a teoria da relativida­
28.1 Eventos e Referenciais Inerciais de especial de Einstein. (© Pete
Oxford/Minden Pictures/Getty
Na teoria da relatividade especial, um evento, como o lançamento do ônibus espacial Images, Inc.)
na Figura 28.1, é um “acontecimento” que ocorre em determinado lugar e em determinado
instante de tempo. Nesse desenho, dois observadores estão assistindo à decolagem, um na su-
perfície da Terra e o outro dentro de um avião que está voando com velocidade constante em
relação à Terra. Para registrar o evento, cada observador usa um sistema de referência que é
formado por um conjunto de eixos x, y, z (chamado de sistema de coordenadas) e um relógio.
Os sistemas de coordenadas são usados para estabelecer onde ocorre o evento e os relógios
para especificar quando. Cada observador está estacionário em relação ao seu próprio sistema
de referência. No entanto, o observador na superfície da Terra e o observador a bordo do avião
estão se movendo um em relação ao outro e, portanto, o mesmo acontece com seus sistemas
de referência ou referenciais.
A teoria da relatividade especial (ou restrita) lida com um tipo “especial” de sistema de re-
ferência, conhecido como sistema de referência inercial. Como discutido na Seção 4.2, um
sistema de referência inercial é aquele no qual a lei da inércia de Newton é válida. Ou seja, se
a força resultante que atua sobre um corpo é nula, o corpo permanece em repouso ou se move
com velocidade constante. Em outras palavras, a aceleração desse corpo é nula quando medi-
da em um sistema de referência (ou referencial) inercial. Referenciais que estejam girando ou
que estejam de alguma forma acelerados não são referenciais inerciais. O sistema de referência

Figura 28.1  Usando um


referencial fixo na Terra, um
observador localizado na Terra
registra a localização e o tempo de
um evento (o lançamento de um
ônibus espacial). De maneira
análoga, um observador no avião
usa um referencial inercial fixo no
avião para descrever o evento.
1

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2  ■  Capítulo 28

baseado na superfície da Terra da Figura 28.1 não é exatamente um sistema de referência iner-
cial, pois ele está sujeito a acelerações centrípetas quando a Terra gira em torno do seu próprio
eixo e completa voltas ao redor do Sol. Entretanto, na maioria das situações os efeitos dessas
acelerações são pequenos e podemos desprezá-los. Da mesma forma que o referencial na su-
perfície da Terra pode ser considerado um referencial inercial, o mesmo se pode dizer em re-
lação ao sistema de referência preso ao avião, pois o avião se move com velocidade constante
em relação à Terra. A próxima seção discute por que os referenciais inerciais são importantes
na teoria da relatividade.

28.2 Os Postulados da Relatividade Especial


Einstein construiu sua teoria da relatividade especial baseado em duas hipóteses ou
postulados fundamentais a respeito do modo como a natureza se comporta.

Os Postulados da Relatividade Especial


1. Postulado da Relatividade. As leis da física são as mesmas em todos os referenciais inerciais.
2. Postulado da Velocidade da Luz. A velocidade de propagação da luz no vácuo medida em qualquer
referencial inercial, tem sempre o mesmo valor c, independentemente do quão rápido a fonte lumi-
nosa e o observador estejam se movendo um em relação ao outro.

Não é muito difícil aceitar o postulado da relatividade. Por exemplo, na Figura 28.1 cada
observador, usando seu próprio referencial inercial, pode fazer medições sobre o movimento do
ônibus espacial. O postulado da relatividade afirma que os dois observadores constatarão que
suas medições estão consistentes com as leis do movimento de Newton. Analogamente, os dois
observadores concluem que o comportamento dos equipamentos eletrônicos a bordo do ônibus
espacial é descrito pelas leis do eletromagnetismo. De acordo com o postulado da relatividade,
qualquer referencial inercial é tão adequado quanto qualquer outro para expressar as leis
da física. No que diz respeito aos referenciais inerciais, a natureza não tem preferências.
Como as leis da física são as mesmas em todos os referenciais inerciais, nenhum experi-
mento é capaz de distinguir entre um referencial inercial em repouso de um referencial que
esteja se movendo com velocidade constante. Quando você está sentado a bordo do avião da
Figura 28.1, por exemplo, é igualmente válido dizer que você está em repouso e a Terra está
se movendo quanto dizer o contrário. Não é possível destacar um referencial inercial particular
como estando em “repouso absoluto”. Como consequência, não faz sentido falarmos de “ve-
locidade absoluta” de um corpo, ou seja, sua velocidade medida em relação a um referencial
em “repouso absoluto”. Assim, por exemplo, a Terra se move em relação ao Sol, que por sua
vez se move em relação ao centro da nossa galáxia. E a galáxia se move em relação a outras
galáxias, e assim por diante. De acordo com Einstein, apenas o vetor velocidade relativa entre
objetos, e não seus vetores velocidades absolutas, pode ser medido e possui significado físico.
Se, por um lado, o postulado da relatividade parece plausível, o postulado da velocidade de
propagação da luz desafia o senso comum. A Figura 28.2, por exemplo, ilustra um homem em
pé na traseira de uma caminhonete que está se movendo com uma velocidade constante de 15 m/s
em relação ao solo. Suponha agora que você esteja parado no meio-fio e o homem da caminho-
nete acenda uma lanterna e aponte na sua direção. O homem da caminhonete observa que a
velocidade de propagação da luz é c. Qual a velocidade da luz medida por você? Você poderia
tentar adivinhar dizendo que a velocidade de propagação da luz é c 1 15 m/s. Entretanto, essa
adivinhação é inconsistente com o postulado da velocidade da luz, que afirma que todos os ob-
servadores em sistemas de referência inerciais medem exatamente a mesma velocidade de pro-
pagação da luz c — nada a mais nem a menos. Portanto, a velocidade da luz medida por você
também deve ser igual a c, o mesmo valor medido pelo homem na caminhonete. De acordo com
o postulado da velocidade da luz, o fato de a lanterna estar se movendo em relação a você não
tem absolutamente nenhuma influência sobre a velocidade da luz que chega até você. Essa pro-
priedade da luz, embora surpreendente, foi comprovada por vários experimentos.

Figura 28.2  Tanto a pessoa na


caminhonete quanto o observador
na Terra medem a velocidade
escalar da luz igual a c,
independentemente da velocidade
escalar da caminhonete.

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Relatividade Especial  ■  3

Já que ondas, como as ondas na água e as ondas sonoras, exigem um meio para se propaga-
rem, era natural para os cientistas antes de Einstein supor que as ondas luminosas também pre-
cisassem de um meio para se propagarem. Esse meio hipotético era chamado de éter luminífero
que se supunha que ocupasse todo o espaço. Além disso, acreditava-se que a luz se propagasse
com velocidade c apenas quando medida em relação ao éter. De acordo com essa visão, um ob-
servador se movendo em relação ao éter mediria uma velocidade de propagação da luz que se-
ria menor ou maior do que c, dependendo de se o observador se movesse no mesmo sentido ou
no sentido contrário à propagação da luz, respectivamente. Durante os anos entre 1883 e 1887,
no entanto, os cientistas americanos A. A. Michelson e E. W. Morley conduziram uma série de
experimentos famosos cujos resultados não eram consistentes com a teoria do éter. Seus resul-
tados indicaram que a velocidade de propagação da luz é na verdade a mesma em todos refe-
renciais inerciais e não depende do movimento do observador. Esses experimentos, e outros,
levaram finalmente à derrubada da teoria do éter e à aceitação da teoria da relatividade especial.
As outras seções deste capítulo reexaminam, do ponto de vista da relatividade especial, vá-
rios conceitos fundamentais que foram discutidos em capítulos anteriores do ponto de vista da
física clássica. Esses conceitos são tempo, comprimento, quantidade de movimento, energia
cinética e a soma de vetores velocidades. Veremos que cada conceito é modificado pela rela-
tividade especial de uma forma que depende da velocidade escalar v de um objeto em movi-
mento em relação à velocidade c de propagação da luz no vácuo. A Figura 28.3 ilustra que
quando o objeto se move lentamente (v é muito menor do que c [v ,, c]), a modificação é
muito pequena podendo ser ignorada, e a versão clássica de cada conceito fornece uma descri-
ção precisa da realidade. Entretanto, quando o objeto se move tão rapidamente que v é uma
fração apreciável da velocidade de propagação da luz [v é aproximadamente igual a c (v  c)],
os efeitos da relatividade especial têm que ser considerados. O painel da direita na Figura 28.3 Figura 28.3  Albert Einstein
(1879-1955), o autor da teoria da
lista as várias equações que contêm as modificações impostas pela relatividade especial. Cada
relatividade especial, é um dos
uma dessas equações será discutida em outras seções deste capítulo. cientistas mais famosos do século
É importante estarmos atentos para o fato de que as modificações impostas pela relatividade vinte. Essa figura enfatiza que o
especial não significam que os conceitos clássicos de tempo, comprimento, quantidade de movi- quociente v/c entre a velocidade
mento, energia cinética e soma de vetores velocidades, da maneira desenvolvida por Newton e escalar v de um objeto em
outros cientistas, estejam errados. Eles são apenas limitados a quando as velocidades são muito movimento e a velocidade c da luz
pequenas em comparação com a velocidade de propagação da luz. A visão relativista dos concei- no vácuo é o que determina a
tos, por outro lado, se aplica a todas as velocidades entre zero e a velocidade de propagação da luz. magnitude dos efeitos da
relatividade especial. (© The
Granger Collection, Nova York)

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4  ■  Capítulo 28

28.3 A Relatividade do Tempo: Dilatação do Tempo


■■ Dilatação do Tempo
A experiência comum indica que o tempo passa com a mesma rapidez para uma pessoa para-
da na superfície da Terra e para um astronauta a bordo de uma espaçonave. Em contraste, a
relatividade especial revela que a pessoa no solo mede o tempo passando mais lentamente pa-
ra o astronauta do que para ela mesma. Podemos ver como surge esse efeito curioso com a
ajuda do relógio ilustrado na Figura 28.4, que usa um pulso luminoso para marcar o tempo.
Um pulso luminoso de curta duração é emitido por uma fonte luminosa, reflete em um espelho,
depois incide sobre um detector que está situado próximo à fonte. Cada vez que um pulso atin-
ge o detector, uma “marca” é colocada em um registrador gráfico, outro pulso luminoso é emi-
tido, e o ciclo se repete. Assim, o intervalo de tempo entre “marcas” sucessivas é marcado por
um evento inicial (o disparo da fonte de luz) e um evento final (a chegada do pulso no detector).
A fonte e o detector estão tão próximos um do outro que podemos considerar que os dois even-
Figura 28.4  Um relógio de luz. tos ocorrem no mesmo local.
Suponha que sejam fabricados dois relógios idênticos. Um é mantido na Terra e o outro
é colocado a bordo de uma espaçonave que se move com velocidade constante em relação
à Terra. O astronauta está em repouso em relação ao relógio da espaçonave e, portanto, vê
o pulso luminoso descrever a trajetória para cima e para baixo mostrada na Figura 28.5a.
Segundo o astronauta, o intervalo de tempo Dt0 necessário para que a luz siga essa trajetória
é igual à distância 2D dividida pela velocidade de propagação da luz c: Dt0 5 2D/c. Para o
astronauta, Dt0 é o intervalo de tempo entre os “tiques” do relógio da espaçonave, ou seja,
o intervalo de tempo entre os eventos inicial e final do relógio. Um observador situado na
Terra, no entanto, não mede Dt0 como o intervalo entre esses dois eventos. Como a espaço-
nave está se movendo, o observador localizado na Terra vê o pulso de luz seguir a trajetória
em diagonal mostrada na Figura 28.5b. Essa trajetória é mais longa do que a trajetória pa-
ra cima e para baixo vista pelo astronauta ilustrada na Figura 28.5a. Entretanto, de acordo
com o postulado da velocidade da luz, a luz se propaga com a mesma velocidade c para os
dois observadores. Portanto, o observador situado na superfície da Terra mede um interva-
lo de tempo Dt entre os dois eventos que é maior do que o intervalo Dt0 medido pelo astro-
nauta. Em outras palavras, o observador situado na Terra, usando seu próprio relógio na
Terra para medir o desempenho do relógio do astronauta, constata que o relógio do astronau-
ta funciona mais lentamente. Esse resultado da relatividade especial é conhecido como a
dilatação do tempo. (Dilatar significa expandir, e o intervalo de tempo Dt está “expandido”
em relação a Dt0.)
O intervalo de tempo Dt medido pelo observador na Terra na Figura 28.5b pode ser deter-
minado da seguinte forma: enquanto o pulso luminoso se propaga da fonte até o detector, a
espaçonave percorre uma distância 2L 5 v Dt para a direita, em que v é a velocidade da espa-
çonave em relação à Terra. Observando o desenho, pode-se ver que o pulso luminoso percorre
uma distância em diagonal total de 2 s durante o intervalo de tempo Dt. Aplicando o teorema
de Pitágoras, concluímos que

Figura 28.5  (a) O astronauta


mede o intervalo de tempo Dt0
entre sucessivos “tiques” do seu
relógio de luz. (b) Um observador
na Terra observa o relógio do
astronauta e vê que o pulso de luz
percorre uma distância maior entre
“tiques” do que no item a.
Consequentemente, o observador
fixo na Terra mede um intervalo
de tempo Dt entre “tiques” que é
maior do que Dt0.

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Relatividade Especial  ■  5

Como a distância 2s também é igual à velocidade da luz multiplicada pelo intervalo de tempo
Dt, concluímos que 2s 5 c Dt. Portanto,


Elevando ao quadrado esse resultado e explicitando Dt obtivemos


Entretanto, 2D/c 5 Dt0, em que Dt0 é o intervalo de tempo entre “tiques” sucessivos do relógio
da espaçonave medido pelo astronauta. Com essa substituição, a equação que fornece Dt pode
ser expressa como

Dilatação do tempo (28.1)


As definições dos símbolos nessa fórmula são dadas a seguir:
Dt0 5 intervalo de tempo apropriado, que é o intervalo de tempo entre dois eventos quando
medido por um observador que está em repouso em relação aos eventos e que os enxer-
ga como ocorrendo no mesmo local
Dt 5 intervalo de tempo dilatado, que é o intervalo de tempo medido por um observador que
está em movimento em relação aos eventos e que os enxerga como ocorrendo em locais
diferentes
v 5 velocidade escalar relativa entre os dois observadores
c 5 velocidade de propagação da luz no vácuo
Para uma velocidade v menor do que c, o termo na Equação 28.1 é menor do que
1 e o intervalo de tempo dilatado Dt é maior do que Dt0. O Exemplo 1 ilustra a extensão desse
efeito de dilatação do tempo.

  Exemplo 1    Dilatação do Tempo


A espaçonave da Figura 28.5 está passando pela Terra a uma velocidade escalar constante que é
0,92 vez a velocidade da luz. Assim, v 5 (0,92)(3,0 3 108 m/s), que também pode ser escrita como
v 5 0,92c. O astronauta mede o intervalo de tempo entre “tiques” sucessivos do relógio da espaço-
nave como Dt0 5 1,0 s. Qual o intervalo de tempo Dt que um observador na superfície da Terra
mede entre “tiques” sucessivos do relógio do astronauta?
Raciocínio  Como o relógio na espaçonave está se movendo em relação à Terra, o observador na
Terra mede um intervalo de tempo maior Dt entre os “tiques” do que o astronauta, que está em re-
pouso em relação ao relógio. O intervalo de tempo dilatado Dt pode ser determinado a partir da
relação de dilatação do tempo, Equação 28.1.
Solução  O intervalo de tempo dilatado é


Do ponto de vista do observador na superfície da Terra, o astronauta está usando um relógio que
funciona mais lentamente, já que o observador na Terra mede um intervalo de tempo entre “tiques”
que é maior (2,6 s) do que o intervalo de tempo medido pelo astronauta (1,0 s).
 ■

A física do Sistema de Posicionamento Global e a relatividade especial. As espaçonaves atuais não che-
gam nem perto de voar com a velocidade da espaçonave do Exemplo 1. No entanto, existem
circunstâncias nas quais a dilatação do tempo pode causar erros apreciáveis se ela não for le-
vada em conta. O Sistema de Posicionamento Global (GPS), por exemplo, usa relógios atômi-
cos extremamente precisos e estáveis a bordo de 24 satélites que orbitam em torno da Terra
com velocidades da ordem de 4000 m/s. Esses relógios possibilitam medir o tempo que as
ondas eletromagnéticas levam para se propagarem de um satélite até um receptor GPS fixo na
Terra. A partir da velocidade de propagação da luz e dos tempos medidos para os sinais de três

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6  ■  Capítulo 28

ou mais satélites, é possível determinar a localização do receptor (veja a Seção 5.5 no Volume 1).
A estabilidade dos relógios tem que ser melhor do que uma parte em 1013 para garantir a
precisão de posicionamento exigida do GPS. Usando a Equação 28.1 e a velocidade dos saté-
lites de GPS, podemos calcular a diferença entre o intervalo de tempo dilatado e o intervalo de
tempo apropriado e comparar o resultado com a estabilidade dos relógios do GPS:


Esse resultado é aproximadamente mil vezes maior do que a estabilidade do relógio do sistema
de GPS (igual a uma parte em 1013). Assim, se não fosse levada em consideração, a dilatação
do tempo causaria um erro na posição medida de um receptor GPS fixo na superfície da Terra
grosso modo equivalente ao erro provocado por uma degradação de mil vezes na estabilidade
dos relógios atômicos.

■■ Intervalo de Tempo Apropriado


Na Figura 28.5, tanto o astronauta quanto o observador na Terra estão medindo o intervalo de
tempo entre um evento inicial (o disparo do pulso de luz) e um evento final (o pulso de luz in-
cidindo no detector). Para o astronauta, que está em repouso em relação ao relógio de luz, os
dois eventos ocorrem no mesmo local. (Lembre-se de que estamos supondo que a fonte e o
detector de luz estão tão próximos um do outro que são considerados como situados no mesmo
local.) Estar em repouso em relação a um relógio é a situação usual ou “apropriada”, logo o
intervalo de tempo Dt0 medido pelo astronauta é chamado de intervalo de tempo apropriado.
Em geral, o intervalo de tempo apropriado Dt0 entre dois eventos é o intervalo de tempo me-
dido por um observador que está em repouso em relação aos eventos e os observa no mesmo
local do espaço. Por outro lado, o observador na Terra não observa os dois eventos como ocor-
rendo no mesmo local do espaço, já que a espaçonave está em movimento. O intervalo de tem-
po Dt medido pelo observador na Terra não é, portanto, um intervalo de tempo apropriado no
Esta foto mostra o astronauta sentido que definimos.
Garrett Reisman trabalhando na Para entender situações envolvendo dilatação do tempo, é essencial conhecer a diferença
Estação Espacial Internacional entre Dt0 e Dt. Para isso, é útil identificar primeiro os dois eventos que definem o intervalo de
durante uma sessão de atividade tempo. Estes podem ser alguma coisa diferente do disparo de uma fonte de luz e o pulso de luz
extraveicular. (Cortesia da Nasa) incidindo no detector. Depois, é preciso determinar o referencial no qual os dois eventos ocor-
rem no mesmo local. Um observador em repouso nesse referencial mede o intervalo de tempo
apropriado Dt0.

■■ Viagens Espaciais
Um dos aspectos intrigantes da dilatação do tempo ocorre juntamente com viagens espaciais.
Como distâncias enormes estão envolvidas, até mesmo viajar para a estrela mais próxima
fora do nosso sistema solar levaria muito tempo. Entretanto, como mostrado no exemplo a
seguir, o tempo de viagem seria consideravelmente menor para os astronautas do que se po-
deria imaginar.

  Exemplo 2    A Física das Viagens Espaciais e da Relatividade Especial


Alfa Centauro, uma das estrelas da nossa galáxia mais próximas da Terra, está a 4,3 anos-luz de
distância da Terra. Isso significa que, quando medido por uma pessoa na Terra, a luz levaria 4,3 anos
para chegar a essa estrela. Se um foguete partir da Terra em direção a Alfa Centauro e viaja a uma
velocidade v 5 0,95c em relação à Terra, quanto tempo terá passado para os tripulantes da nave, de
acordo com seus próprios relógios, quando eles chegarem à sua destinação? Considere que a Terra
e Alfa Centauro estejam estacionárias uma em relação à outra.
■■ Dicas para a Solução de Problemas. Raciocínio  Os dois eventos nesse problema são a partida da Terra e a chegada a Alfa Centauro. No
Ao lidar com dilatação do tempo, decida qual instante da partida, a Terra está a uma pequena distância da espaçonave. No instante da chegada ao
intervalo é o intervalo de tempo apropriado local de destino, Alfa Centauro está a uma pequena distância. Portanto, em relação aos passageiros,
da seguinte maneira: (1) Identifique os dois os dois eventos ocorrem no mesmo lugar, ou seja, a uma pequena distância da espaçonave. Isso
eventos que definem o intervalo. (2) significa que os passageiros medem o intervalo de tempo apropriado Dt0 nos seus relógios e é esse
Determine o referencial no qual os eventos intervalo que temos que calcular. Para uma pessoa que permaneceu na Terra, os eventos ocorrem
ocorrem no mesmo local; um observador em em locais diferentes, de modo que uma pessoa mede o tempo dilatado Dt e não o intervalo de tem-
repouso nesse referencial mede o intervalo po apropriado Dt0. Para determinarmos Dt, observamos que o tempo necessário para percorrer cer-
de tempo apropriado Dt0.
ta distância é inversamente proporcional à velocidade. Como são necessários 4,3 anos para percor-
rer a distância entre a Terra e Alfa Centauro viajando à velocidade da luz, levaria ainda mais tempo

028Cutnell.indd 6 20/11/15sexta-feira 12:51


Relatividade Especial  ■  7

à velocidade mais lenta v 5 0,95c. Assim, uma pessoa na Terra mede o intervalo de tempo dilatado
sendo Dt 5 (4,3 anos)/0,95 5 4,5 anos. Esse valor pode ser usado com a equação da dilatação do
tempo para determinar o intervalo de tempo apropriado Dt0.
Solução  Usando a equação da dilatação do tempo, descobrimos que o intervalo de tempo apro-
priado pelo qual os passageiros julgam seu próprio envelhecimento é


Assim, as pessoas a bordo do foguete terão envelhecido apenas 1,4 ano ao chegarem a Alfa Cen-
tauro, e não os 4,5 anos que um observador que permaneceu na Terra calculou.
 ■

■■ Verificação da Dilatação do Tempo


Uma confirmação surpreendente da dilatação do tempo foi obtida em 1971 por um experimen-
to realizado por J. C. Hafele e R. E. Keating.* Eles transportaram relógios atômicos de feixe
de césio muito precisos ao redor do mundo em voos comerciais. Como a velocidade de um
avião a jato é consideravelmente menor do que c, o efeito de dilatação do tempo é muito pe-
queno. Entretanto, os relógios atômicos tinham uma precisão de cerca de 61029 s, o que per-
mitiu que o efeito pudesse ser mensurado. Os relógios passaram 45 horas no ar e seus tempos
foram comparados com os de relógios atômicos mantidos na superfície de Terra. Os resultados
experimentais revelaram que, dentro do erro experimental, as leituras nos relógios a bordo dos
aviões diferiam daquelas na Terra por uma quantia que estava de acordo com a previsão da
teoria da relatividade.
O comportamento de partículas subatômicas conhecidas como múons fornece confirmação
adicional da dilatação do tempo. Essas partículas são criadas na atmosfera, em altitudes de
cerca de 10 000 m. Quando em repouso, os múons existem durante cerca de 2,2 3 1026 s antes
de se desintegrarem. Com um tempo de existência tão curto, essas partículas nunca consegui-
riam chegar até a superfície da Terra, mesmo se deslocando com uma velocidade próxima à da
luz. Entretanto, um grande número de múons de fato chega à superfície da Terra. A única for-
ma de eles conseguirem chegar é durarem mais tempo por causa da dilatação do tempo, como
ilustrado no Exemplo 3.

  Exemplo 3    O Tempo de Existência de um Múon


O tempo de existência médio de um múon em repouso é de 2,2 3 1026 s. Um múon criado na atmos-
fera superior, a milhares de metros acima do nível do mar, se desloca em direção à superfície terrestre
a uma velocidade v 5 0,998c. Determine, em média, (a) o tempo de existência de um múon de acor-
do com um observador na Terra e (b) a distância que um múon percorre antes de se desintegrar.
Raciocínio  Os dois eventos de interesse são a geração e a desintegração subsequente do múon.
Quando o múon está em repouso, esses eventos ocorrem no mesmo lugar, portanto o tempo médio
de existência de um múon (em repouso) de 2,2 3 1026 s é o intervalo de tempo apropriado Dt0.
Quando o múon se move a uma velocidade v 5 0,998c em relação à Terra, um observador na Terra
mede um tempo de existência dilatado Dt que é dado pela Equação 28.1. A distância média x per-
corrida por um múon, quando medida por um observador na Terra, é igual à velocidade do múon
multiplicada pelo intervalo de tempo dilatado.
Solução  (a) O observador na Terra mede um tempo de existência do múon dilatado. Usando a
equação de dilatação do tempo concluímos que

(28.1) ■■ Dicas para a Solução de Problemas.


O intervalo de tempo apropriado Dt0 é
sempre menor do que o intervalo de tempo
 dilatado Dt.
(b) A distância percorrida pelo múon antes de ele se desintegrar é
x 5 v Dt 5 (0,998)(3,00 3 108 m/s)(35 3 1026 s) 5 1,0 3 104 m
Assim, o tempo de existência dilatado, ou estendido, fornece tempo suficiente para que o múon
atinja a superfície da Terra. Se o tempo de existência fosse de apenas 2,2 3 1026 s, um múon per-
correria apenas 660 m antes de se desintegrar e nunca conseguiria chegar à Terra.
 ■

*J. C. Hafele & R. E. Keating, “Around-the-World Atomic Clocks: Observed Relativistic Time Gains”, Science, vol.
177, 14 de julho de 1972, p. 168.

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8  ■  Capítulo 28

Verifique Seu Entendimento


(As respostas são dadas no final do livro.)
  1. Qual das seguintes afirmações relativas ao intervalo de tempo dilatado é falsa?  (a) Ele é sempre
maior do que o intervalo de tempo apropriado.  (b) Ele depende da velocidade relativa entre os
observadores que medem os intervalos de tempo dilatado e apropriado.  (c) Ele depende da velo-
cidade da luz no vácuo.  (d) Ele é medido por um observador que está em repouso em relação aos
eventos que definem o intervalo de tempo.
  2. Um jogador de beisebol na home plate dá uma tacada para cima na bola (o evento inicial) que é agarra-
da pelo receptor na home plate (o evento final). Quais dos seguintes observadores registram o intervalo
de tempo apropriado entre os eventos?  (a) Uma pessoa sentada nas arquibancadas  (b) Uma pessoa
assistindo à partida pela TV  (c) O arremessador1 que está vindo correndo para cobrir a jogada
  3. Um carrossel de playground é uma plataforma circular que pode girar em torno de um eixo perpen-
dicular ao plano da plataforma no seu centro. Ele se comporta aproximadamente como um referen-
cial inercial. Um observador está olhando para baixo nessa plataforma de um referencial inercial
exatamente acima do eixo de rotação. Três relógios são fixados na plataforma. O relógio A é fixa-
do diretamente ao eixo. O relógio B é fixado a um ponto a meio caminho entre o eixo e a borda
externa da plataforma. O relógio C é fixado na borda externa da plataforma. Ordene os relógios de
acordo com o quão lentamente o observador acha que eles estão andando (o mais lento primeiro).

28.4 A Relatividade do Comprimento: Contração do Comprimento


Em decorrência da dilatação do tempo, observadores que estão se movendo a uma ve-
locidade constante entre eles medem diferentes intervalos de tempo entre dois eventos. O
Exemplo 2 da Seção 28.3, por exemplo, ilustra que uma viagem da Terra a Alfa Centauro a
uma velocidade v 5 0,95c leva 4,5 anos de acordo com um relógio na Terra, mas apenas 1,4
ano de acordo com um relógio no foguete. Esses dois tempos diferem pelo fator
Como os tempos para a viagem são diferentes, é natural que as distâncias entre a Terra e Alfa
Centauro medidas pelos observadores possam ser diferentes. Afinal de contas, tanto o obser-
vador na Terra quanto o passageiro no foguete concordam que a velocidade relativa entre o
foguete e a Terra é v 5 0,95c. Como velocidade é igual à distância dividida pelo tempo e o
tempo é diferente para os dois observadores, conclui-se que as distâncias também devem ser
diferentes para que a velocidade relativa seja a mesma para os dois indivíduos. Assim, de acordo
com um observador na Terra, a distância até Alfa Centauro é L0 5 v Dt 5 (0,95c) (4,5 anos) 5
4,3 anos-luz. Por outro lado, um passageiro a bordo do foguete conclui que a distância é de
apenas L 5 v Dt0 5 (0,95c)(1,4 ano) 5 1,3 ano-luz. O passageiro do foguete, ao medir o me-
nor tempo, também mede a menor distância. Esse encurtamento da distância entre dois pontos
constitui um exemplo de um fenômeno conhecido como contração do comprimento.
A relação entre as distâncias medidas por dois observadores em movimento relativo a uma
velocidade pode ser obtida com o auxílio da Figura 28.6. A Figura 28.6a mostra a situação do
ponto de vista de um observador baseado na Terra. Essa pessoa mede o tempo da viagem como
Dt, a distância como L0, e a velocidade do foguete como v 5 L0/Dt. O item b da figura apre-
senta o ponto de vista do passageiro, para o qual o foguete está em repouso, e a Terra e Alfa
Centauro parecem se mover a uma velocidade v. O passageiro determina a distância da viagem

Figura 28.6  (a) Quando medida por um observador na Terra, a distância até Alfa Centauro é L0, e
o tempo necessário para fazer uma viagem é Dt. (b) De acordo com o passageiro na espaçonave, a
Terra e Alfa Centauro se movem com uma velocidade v em relação à nave. O passageiro mede a
distância e o tempo de viagem como L e Dt0, respectivamente, os dois valores sendo menores do que
os do item a.

1
Pitcher em inglês. (N.T.)

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Relatividade Especial  ■  9

como L, o tempo como Dt0, e a velocidade relativa como v 5 L/Dt0. Como a velocidade rela-
tiva calculada pelo passageiro é igual àquela calculada pelo observador baseado na Terra,
conclui-se que v 5 L/Dt0 5 L0/Dt. Usando esse resultado e a equação da dilatação do tempo,
Equação 28.1, obtivemos a seguinte relação entre L e L0:

Contração do
(28.2)
comprimento 
O comprimento L0 é chamado de comprimento apropriado; ele é o comprimento (ou a distân-
cia) entre dois pontos quando medido por um observador em repouso em relação a eles. Como
v é menor do que c, o termo é menor do que 1, e L é menor do que L0. É impor-
tante observar que essa contração de comprimentos acontece apenas ao longo da direção do
movimento. As dimensões perpendiculares à direção do movimento não são encurtadas, como
discutido no exemplo a seguir.

  Exemplo 4    A Contração de uma Espaçonave


Um astronauta, usando uma régua que está em repouso em relação a uma espaçonave cilíndrica,
mede o comprimento e o diâmetro da espaçonave e obtém os valores 82 m e 21 m, respectivamen-
te. A espaçonave está se movendo com uma velocidade constante v 5 0,95c em relação à Terra,
como mostrado na Figura 28.6. Quais são as dimensões da espaçonave, quando medidas por um
observador na Terra?
Raciocínio  O comprimento de 82 m é um comprimento apropriado L0, já que ele é medido usando
uma régua que está em repouso em relação à espaçonave. O comprimento L medido pelo observa-
dor na Terra pode ser determinado com o auxílio da fórmula de contração do comprimento, Equação
28.2. Por outro lado, o diâmetro da espaçonave é perpendicular à direção do movimento, logo o
observador na Terra não mede nenhuma modificação no diâmetro.
Solução  O comprimento L da espaçonave, medido pelo observador na Terra, é
■■ Dicas para a Solução de Problemas.
O comprimento apropriado L0 é sempre maior
do que o comprimento contraído L.
Tanto o astronauta quanto o observador na Terra medem o mesmo valor para o diâmetro da espa-
çonave: Diâmetro 5 21 m . A Figura 28.6a mostra o tamanho da espaçonave medido pelo obser-
vador na Terra, e o item b mostra o tamanho medido pelo astronauta.
 ■

Ao lidarmos com efeitos relativísticos, precisamos distinguir cuidadosamente os critérios


usados para se determinar o intervalo de tempo apropriado e o comprimento apropriado. O
intervalo de tempo apropriado Dt0 entre dois eventos é o intervalo de tempo medido por um
observador que está em repouso em relação aos eventos e os vê ocorrendo no mesmo local.
Todos os outros observadores inerciais em movimento medirão um valor maior para esse in-
tervalo de tempo. O comprimento apropriado L0 de um objeto é o comprimento medido por
um observador que está em repouso em relação ao objeto. Todos os outros observadores iner-
ciais em movimento medirão um valor menor para esse comprimento. O observador que mede
o intervalo de tempo apropriado pode não ser o mesmo que mede o comprimento apropriado.
A Figura 28.6, por exemplo, mostra que o astronauta mede o intervalo de tempo apropriado
Dt0 para a viagem entre a Terra a Alfa Centauro, enquanto o observador na Terra mede o com-
primento (ou distância) apropriado L0 da viagem.
Convém ressaltar que a palavra “apropriado” nas expressões “tempo apropriado” e “com-
primento apropriado” não significa que essas grandezas são as grandezas corretas ou as pre-
feridas em qualquer sentido absoluto. Se fosse assim, o observador medindo essas grandezas
estaria usando um referencial privilegiado para fazer as medições, algo que é proibido pelo
postulado da relatividade. De acordo com esse postulado, não existe nenhum referencial iner-
cial preferido. Quando dois observadores estão se movendo um em relação ao outro a uma
velocidade constante, cada um mede o relógio da outra pessoa funcionando mais devagar do
que o seu próprio, e cada um mede o comprimento da outra pessoa, ao longo do movimento
da pessoa, como estando contraído.

Verifique Seu Entendimento


(As respostas são dadas no final do livro.)
  4. Se a velocidade c da luz no vácuo fosse infinitamente grande e não de 3,0 3 108 m/s, os efeitos da
dilatação do tempo e da contração de comprimento seriam observáveis?

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10  ■  Capítulo 28

  5. Suponha que você esteja em pé em um cruzamento ferroviário, observando um trem passar. Tanto
você quanto um passageiro no trem estão olhando o relógio no trem. Quem mede o intervalo de
tempo apropriado, e quem mede o comprimento apropriado de um vagão?  (a) Você mede o inter-
valo de tempo apropriado, e o passageiro mede o comprimento apropriado.  (b) Você mede tanto
o intervalo de tempo apropriado quanto o comprimento apropriado.  (c) O passageiro mede tanto
o intervalo de tempo apropriado quanto o comprimento apropriado.  (d) Você mede o comprimen-
to apropriado, e o passageiro mede o intervalo de tempo apropriado.
  6. Quais das seguintes grandezas dois observadores sempre medirão como iguais, independentemen-
te da velocidade relativa entre os observadores?  (a) O intervalo de tempo entre dois eventos 
(b) O comprimento de um objeto  (c) A velocidade de propagação da luz no vácuo  (d) A velo-
cidade relativa entre os observadores
  7. O desenho a seguir mostra um objeto que tem a forma de um quadra-
do quando está em repouso no sistema de referência inercial R. Quan-
do o objeto se move em relação a esse sistema de referência, o vetor
velocidade do objeto está no plano do quadrado e é paralelo à diago-
nal AC. Como a velocidade do movimento é uma fração apreciável
da velocidade de propagação da luz no vácuo, ocorre uma contração
perceptível do comprimento. Um observador no sistema de referência
R vê o objeto como um quadrado?
(Dica: Considere o que acontece para cada uma das diagonais AC
e BD.)

28.5 A Quantidade de Movimento Relativística


Até agora discutimos como os intervalos de tempo e as distâncias entre dois eventos
são medidos por observadores se movendo com velocidade constante de um em relação ao
outro. A relatividade especial também altera nossas ideias a respeito de quantidade de movi-
mento e energia.
Como vimos na Seção 7.2 do volume 1, quando dois ou mais objetos interagem, o princípio
da conservação da quantidade de movimento linear se aplica se o sistema de objetos estiver iso-
lado. Esse princípio afirma que a quantidade de movimento linear total de um sistema isolado
permanece constante em todos os tempos. (Um sistema isolado é um sistema no qual a soma das
forças externas que atuam sobre os objetos do sistema é nula.) A conservação da quantidade de
movimento linear é uma lei da física e, de acordo com o postulado da relatividade, é válida em
todos os referenciais inerciais. Em outras palavras, quando a quantidade de movimento linear
total se conserva em um referencial inercial, ela se conserva em todos os referenciais inerciais.
Como um exemplo da conservação da quantidade de movimento, suponha que várias pes-
soas estejam observando duas bolas de sinuca colidindo em cima de uma mesa de sinuca sem
atrito. Uma pessoa está parada próximo à mesa de sinuca, enquanto a outra está passando pe-
Figura 28.7  Esse gráfico mostra la mesa com velocidade constante. Como as duas bolas formam um sistema isolado, o postu-
como o quociente entre o módulo lado da relatividade especial exige que a quantidade de movimento linear total obtida pelos
da quantidade de movimento dois observadores seja a mesma antes, durante e depois da colisão. Para esse tipo de situação,
relativística e o módulo da
quantidade de movimento não a Seção 7.1 define a quantidade de movimento linear clássica de um objeto como o produto
relativística aumenta quando a da sua massa m pela velocidade Como consequência, o módulo da quantidade de movimen-
velocidade de um objeto se to clássica de um objeto é p 5 mv. Enquanto a velocidade de um objeto for consideravel-
aproxima da velocidade de mente menor do que a velocidade da luz, essa definição está adequada. Entretanto, quando a
propagação da luz. velocidade do objeto se aproxima da velocidade de propagação da luz, uma análise da colisão
mostra que a quantidade de movimento linear total não se conserva em todos referenciais iner-
ciais se definimos a quantidade de movimento linear simplesmente como o produto da massa
pela velocidade. A fim de preservar a conservação da quantidade de movimento linear, é ne-
cessário modificar essa definição. A teoria da relatividade especial revela que o módulo da
quantidade de movimento relativística deve ser definido como na Equação 28.3:

Módulo da quantidade de (28.3)


momento relativística


A quantidade de movimento relativística total de um sistema isolado se conserva em todos os


referenciais inerciais.
Da Equação 28.3, podemos ver que os módulos das quantidades de movimento relativísticas
e não relativísticas diferem pelo mesmo fator que aparece nas equações da dilata-
ção do tempo e da contração dos comprimentos. Como esse fator é sempre menor do que 1 e
aparece no denominador na Equação 28.3, a quantidade de movimento relativística é sempre
maior que a quantidade de movimento não relativística. Para ilustrar como as duas grandezas

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Relatividade Especial  ■  11

diferem quando velocidade v aumenta, a Figura 28.7 apresenta um gráfico do quociente entre
os módulos das quantidades de movimento (relativística/não relativística) em função de v. De
acordo com a Equação 28.3, essa razão é exatamente O gráfico mostra que para
as velocidades atingidas por objetos comuns, como automóveis e aviões, as quantidades de
movimento relativísticas e não relativísticas são praticamente iguais porque seu quociente é
praticamente igual a 1. Assim, a velocidades muito menores do que a velocidade de propaga-
ção da luz, é indiferente usar a quantidade de movimento não relativística ou a quantidade de
movimento relativística para descrever colisões. Por outro lado, quando a velocidade do obje-
to é comparável à velocidade de propagação da luz, a quantidade de movimento relativística é
significativamente maior do que a quantidade de movimento não relativística e deve ser usada
nos cálculos. O Exemplo 5 trata da quantidade de movimento relativística de um elétron se
movendo a uma velocidade próxima à velocidade de propagação da luz.

 A Quantidade de Movimento Relativística de um Elétron em


  Exemplo 5  Alta Velocidade

O acelerador de partículas da Universidade de Stanford (Figura 28.8) tem 3 km de comprimento e


acelera elétrons até uma velocidade de 0,999 999 999 7c, que é muito próxima da velocidade de
propagação da luz. Determine o módulo da quantidade de movimento relativística de um elétron
que sai do acelerador e compare esse valor com o da quantidade de movimento não relativística.
Raciocínio e Solução  O módulo da quantidade de momento relativística do elétron pode ser ob-
tido a partir da Equação 28.3 se lembrarmos que a massa do elétron é m 5 9,11 3 10231 kg:
Figura 28.8  O acelerador linear
de 3 km em Stanford acelera
elétrons até quase a velocidade da
luz. (© Bill Marsh/Photo
Researchers, Inc.)

Esse valor para o módulo da quantidade de movimento está de acordo com os resultados medidos
experimentalmente. A quantidade de movimento relativística é maior do que a quantidade de mo-
vimento não relativística por um fator de


 ■

HABILIDADES MATEMÁTICAS  Pode não ser possível usar a sua calculadora para obter as res-

postas no Exemplo 5 por causa do termo nas equações pertinentes. A potencial dificuldade é
que a sua calculadora pode não deixar você entrar um número como 0,999 999 999 7, porque ela não
consegue aceitar dez casas decimais. Como o valor de v é praticamente igual a c e  1, uma manei-
ra de lidar com essa situação é observar que

Assim, concluímos que


1 1
v v
B B
2
1 2 1
c2 c

v2(3
1 1
4 10 4
10
10 )
B
0.999
, 999 999 7 c
2 1
c
Nessa resposta, a velocidade v é fornecida com dez algarismos significativos. No entanto, a resposta
é dada com apenas algarismo significativo! Isso acontece porque a subtração provoca uma perda de
algarismos significativos como mostrado a seguir:

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12  ■  Capítulo 28

28.6 A Equivalência da Massa e da Energia


■■ A Energia Total de um Objeto
Um dos resultados mais surpreendentes da relatividade especial é que massa e energia são
equivalentes, no sentido de que um ganho ou uma perda de massa pode ser igualmente enca-
rado como um ganho ou uma perda de energia. Considere, por exemplo, um objeto de massa
m se movendo com uma velocidade v. Einstein mostrou que a energia total E de um objeto
em movimento está relacionada com sua massa e velocidade pela seguinte relação:

Energia total de (28.4)


um objeto

Para compreender melhor o significado da Equação 28.4, considere o caso especial no qual
o objeto está em repouso. Quando v 5 0 m/s, a energia total é chamada de energia de repou-
so E0 e a Equação 28.4 se reduz à agora famosa equação de Einstein
Energia de repouso
de um objeto  (28.5)

A energia de repouso representa a energia equivalente da massa de um objeto em repouso. Co-


mo mostrado no Exemplo 6, mesmo uma pequena massa é equivalente a uma enorme quanti-
dade de energia.

Analisando Problemas com Múltiplos Conceitos


  Exemplo 6    A Energia Equivalente de uma Bola de Golfe
Uma bola de golfe de 0,046 kg está repousando sobre o gramado (green) como ilus-
trado na Figura 28.9. Se a energia de repouso dessa bola fosse usada para manter ace-
sa uma lâmpada de 75 W, por quanto tempo a lâmpada permaneceria acesa?
Raciocínio  A potência média entregue à lâmpada é igual a 75 W, o que significa que
ela usa 75 J de energia por segundo. Portanto, o tempo que a lâmpada permaneceria
acesa é igual à energia total usada pela lâmpada dividida pela energia por segundo (ou
seja, a potência média) entregue a ela. Essa energia vem da energia de repouso da bo-
la de golfe, que é igual a sua massa multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado.
Dados Conhecidos e Incógnitas  Os dados para esse problema são:
Descrição Símbolo Valor Figura 28.9  A energia de repouso de
uma bola de golfe é suficiente para
Massa da bola de golfe m 0,046 kg manter uma lâmpada de 75 W acesa por
Potência média entregue à lâmpada 75 W um tempo incrivelmente longo (veja o
Exemplo 6).
Variável Desconhecida (Incógnita)
Tempo que a lâmpada permaneceria acesa t ?

Modelando o Problema

  PASSO 1   Potência  A potência média é igual à energia entregue à lâmpada dividida E0


t (1)
pelo tempo t (veja a Seção 6.7 e a Equação 6.10b no volume 1), ou 5 Energia/t. Nesse caso, P
a energia vem da energia de repouso E0 da bola de golfe, logo 5 E0/t. Explicitando o tempo ?
obtivemos a Equação 1 à direita. A potência média é conhecida e a energia de repouso será
determinada no Passo 2.
  PASSO 2    Energia de Repouso  A energia de repouso E0 é a energia total da bola de golfe E0
quando está em repouso sobre o green. Se a massa da bola de golfe for m, sua energia de t (1)
P
repouso é
E0 mc 2 (28.5)
E 0 mc 2  (28.5)
em que c é a velocidade de propagação da luz no vácuo. Tanto m quando c são conhecidas, então
substituímos essa expressão para energia de repouso na Equação 1, como mostrado à direita.

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Relatividade Especial  ■  13

Solução  Combinando algebricamente os resultados de cada passo, teremos


PASSO 1 PASSO 2

E0 mc 2
t
P P
O tempo que a lâmpada permaneceria acesa é


Expressando em anos (1 ano 5 3,2 3 107 s), esse tempo é equivalente a
1 ano
(5.5
, 1013 s) 1.7
, 10 6 anos ou 1,7 milhão de anos!
3.2
, 10 7 s

Trabalho a Ser Resolvido em Casa Associado:  Problemas 30 e 31 ■

Quando um objeto é acelerado a partir do repouso até uma velocidade v, ele adquire energia
cinética além da energia de repouso. A energia total E é a soma da energia de repouso E0 com
a energia cinética EC, ou E 5 E0 1 EC. Portanto, a energia cinética é a diferença entre a ener-
gia total do objeto e a energia de repouso. Usando as Equações 28.4 e 28.5, podemos escrever
a energia cinética como

Energia cinética (28.6)


de um objeto

Essa equação é a expressão correta relativisticamente para a energia cinética de um objeto de
massa m movendo-se a uma velocidade v.
A Equação 28.6 é muito diferente da expressão para a energia cinética apresentada na Seção
6.2, EC 5 (Equação 6.2). Entretanto, para velocidades muito menores do que a veloci-
dade de propagação da luz (v ,, c), a equação relativística para a energia cinética se reduz a
EC 5 como pode ser visto usando-se a expansão binomial* para representar o termo
contendo a raiz quadrada na Equação 28.6:


Suponha que v é muito menor do que c — digamos v 5 0,01c. Nesse caso, o segundo termo
na expansão tem o valor 5 5,0 3 1025, enquanto o terceiro termo tem um valor mui-
to menor 5 3,8 3 10 . Os termos adicionais são ainda menores, então se v ,, c,
29

podemos desprezar os termos a partir do terceiro em comparação com o primeiro termo e o


segundo termo. Substituindo os dois primeiros termos na Equação 28.6, obtivemos


que é a forma familiar da energia cinética. Entretanto, a Equação 28.6 fornece a energia ciné-
tica correta para todas as velocidades e deve ser usada para velocidades próximas à velocidade
de propagação da luz, como no Exemplo 7.

  Exemplo 7    Um Elétron em Alta Velocidade


Um elétron (m 5 9,109 3 10231 kg) é acelerado a partir do repouso até uma velocidade v 5 0,9995c
em um acelerador de partículas. Determine (a) a energia de repouso do elétron, (b) a energia total
do elétron e (c) a energia cinética do elétron em milhões de elétrons-volts (MeV).

*A expansão binomial afirma que (12 x)n 5 1 2 nx 1 n(n 2 1) x2/2 1 ··· . No nosso caso, x 5 v2/c2 e n 5 21/2.

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14  ■  Capítulo 28

Raciocínio e Solução  (a) A energia de repouso do elétron é

 (28.5)
Como 1 eV 5 1,602 3 10219 J, a energia de repouso do elétron é

1 eV
,
(8.187 10 14
J) 19
,
5.11 10 5 eV ou 0.511
, MeV
,
1.602 10 J
(b) A energia total de um elétron se deslocando com uma velocidade v 5 0,9995c é

(28.4)


(c) A energia cinética é a diferença entre a energia total e a energia de repouso:
(28.6)


Para fins de comparação, se a energia cinética do elétron tivesse sido calculada a partir de
teria sido obtido um valor de apenas 0,255 MeV.
 ■

Como massa e energia são equivalentes, qualquer variação em uma dessas grandezas é
acompanhada por uma variação na outra. A vida na Terra, por exemplo, é dependente da ener-
gia eletromagnética (luz) do Sol. Como essa energia está saindo do Sol (veja a Figura 28.10),
há uma diminuição da massa do Sol. O Exemplo 8 ilustra como podemos determinar essa di-
minuição de massa.

  Exemplo 8    O Sol Está Perdendo Massa


O Sol irradia energia eletromagnética a uma taxa de 3,92 3 1026 W. (a) Qual a variação da massa
do Sol a cada segundo que está irradiando energia? (b) A massa do Sol é igual a 1,99 3 1030 kg.
Que fração da massa do Sol é perdida durante a vida de uma pessoa de 75 anos?
Raciocínio  Como 1 W 5 1 J/s, a quantidade de energia eletromagnética irradiada pelo Sol a cada
segundo é igual a 3,92 3 1026 J. Assim, a cada segundo, a energia de repouso do Sol diminui desse
valor. A variação DE0 da energia de repouso do Sol está relacionada com a variação Dm da sua mas-
sa por DE0 5 (Dm)c2, de acordo com a Equação 28.5.
Solução  (a) Para cada segundo que o Sol irradia energia, a variação da sua massa é


Mais de 4 bilhões de quilogramas são perdidos pelo Sol a cada segundo.

Figura 28.10  O Sol emite


energia eletromagnética em uma
ampla porção do espectro
eletromagnético. Essas fotografias
foram obtidas usando essa energia
nas regiões indicadas do espectro.
(© Nasa/Jisas/Photo
Researchers)

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Relatividade Especial  ■  15

(b) A quantidade de massa perdida pelo Sol em 75 anos é


Embora esse valor seja uma quantidade enorme de massa, ela representa apenas uma fração minús-
cula da massa total do Sol:


 ■

Qualquer variação DE0 na energia de repouso de um sistema provoca uma variação na mas-
sa do sistema de acordo com DE0 5 (Dm)c2. Não importa se a variação de energia se deve a
uma variação da energia eletromagnética, da energia potencial, da energia térmica ou de qual-
quer outra forma de energia. Embora qualquer variação de energia dê origem a uma variação
de massa, na maioria dos casos a variação de massa é muito pequena para ser detectada. Assim,
por exemplo, quando 4186 J de energia térmica é usada para elevar a temperatura de 1 kg de
água em 1 C°, a massa varia de apenas Dm 5 DE0/c2 5 (4186 J)/(3,00 3 108 m/s)2 5 4,7 3
10214 kg. O Exemplo Conceitual 9 fornece outro caso de como uma variação de energia de um
objeto leva a uma variação equivalente da sua massa.

  Exemplo Conceitual 9    Quando uma Mola sem Massa Possui Massa?


A Figura 28.11a mostra uma vista superior de uma mola sem massa sobre uma mesa horizontal. A
mola está inicialmente em um estado indeformado. Depois, a mola é esticada ou comprimida por
uma força de modo que o seu comprimento indeformado varie de x, como mostrado na Figura
28.11b. Qual a massa da mola na Figura 28.11b? (a) Ela é maior do que zero e é igual a um valor
que é maior do que quando a mola está esticada. (b) Ela é maior do que zero e é igual a um valor que
é maior do que quando a mola está comprimida. (c) Ela é maior do que zero e é igual a um valor
que é o mesmo quando a mola está esticada ou comprimida. (d) Ela permanece igual a zero.
Raciocínio  Quando uma mola é esticada ou comprimida, sua energia potencial elástica se modi-
fica. Como discutido na Seção 10.3, a energia potencial elástica de uma mola ideal é igual a
em que k é a constante da mola (ou rigidez) e x é a variação de comprimento (de alongamento ou
de compressão). De modo consistente com a teoria da relatividade especial, qualquer variação da
energia total de um sistema, incluindo uma variação da energia potencial elástica, é equivalente a
uma variação da massa do sistema.
As respostas (a), (b) e (d) estão incorretas.  Quando a mola está sendo esticada ou comprimi-
da da mesma quantidade x, a mola adquire a mesma quantidade de energia potencial elástica Figura 28.11  (a) Essa mola está
em estado indeformado e
Portanto, de acordo com a relatividade especial, a mola adquire a mesma massa independentemen-
considera-se que ela não possui
te de estar sendo esticada ou comprimida, logo essas respostas estão incorretas. massa. (b) Quando a mola é
A resposta (c) está correta.  A mola adquire energia potencial elástica quando está sendo estica- esticada ou comprimida por um
da ou comprimida. A relatividade especial indica que essa energia adicional é equivalente à massa deslocamento x, ela ganha energia
adicional. Como o valor de alongamento ou de compressão é o mesmo, a energia potencial é a mes- potencial elástica e, portanto,
ma nos dois casos, bem como a massa adicional. massa.

Trabalho a Ser Resolvido em Casa Associado:  Problema 26 ■

Também é possível transformar a própria matéria em outras formas de energia. Por exem-
plo, o pósitron (veja a Seção 31.4) tem a mesma massa que o elétron, mas uma carga elétrica
contrária. Se essas duas partículas de matéria colidirem, elas serão inteiramente aniquiladas e
será produzida uma explosão de ondas eletromagnéticas de alta energia. Dessa forma, a maté-
ria é transformada em ondas eletromagnéticas, cuja energia é igual à energia total das duas
partículas que colidiram. A técnica de diagnóstico médico conhecida como tomografia por
emissão de pósitrons (PET) depende da energia eletromagnética produzida quando um pósitron
e um elétron são aniquilados (veja a Seção 32.6).
A transformação de ondas eletromagnéticas em matéria também acontece. Em um experi-
mento, uma onda eletromagnética de energia extremamente elevada, conhecida como raio ga-
ma (veja a Seção 31.4), passa próximo ao núcleo de um átomo. Se o raio gama tiver energia
suficiente, ele pode criar um elétron e um pósitron. O raio gama desaparece e as duas partícu-
las de matéria aparecem no seu lugar. Exceto pelo fato de adquirir certa quantidade de movi-
mento, o núcleo próximo permanece inalterado. O processo no qual o raio gama é transforma-
do nas duas partículas é conhecido como produção de par.

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16  ■  Capítulo 28

■■ A Relação entre Energia Total e Quan-


HABILIDADES MATEMÁTICAS  Para explicitarmos E na equação E 5
tidade de Movimento
inicialmente elevamos ao quadrado os dois lados da equação:
É possível deduzir uma relação útil entre a energia re-
lativística total E e a quantidade de movimento relati-
vística p. Começamos rearranjando a Equação 28.3
(1) correspondente à quantidade de movimento, obtendo

O próximo passo é isolar os termos contendo E 2 no lado esquerdo da Equação
1. Para fazer isso, multiplicamos cada lado da equação por 1 – p2c2/E 2:
Com essa substituição, a Equação 28.4 para energia
2 2 2 2
m 2c 4 2 2 2
total passa a ser
E (1 p c /E ) (1 p c /E ) ou
1 p 2c 2/E 2

p 2c 2
E2 1 m 2c 4 (2)
E2  Usando essa expressão para substituir v/c na Equação
Multiplicando os termos no lado esquerdo da Equação 2 obtivemos 28.4 obtivemos

 (3)

Finalmente, para isolarmos E 2 no lado esquerdo da Equação 3, somamos p2c2


aos dois lados da equação: Explicitando E2 nessa expressão revela que

 (28.7)

■■ A Velocidade da Luz no Vácuo É a Maior Velocidade Possível


Uma das importantes consequências da teoria da relatividade especial é o fato de que objetos
com massa não podem alcançar a velocidade c de propagação da luz no vácuo. Assim, c repre-
senta a maior velocidade possível. Para verificar que essa velocidade limite é uma consequên-
cia da relatividade especial, considere a Equação 28.6, que fornece a energia cinética de um
objeto se movendo a uma velocidade v. Quando v se aproxima da velocidade da luz c, o termo
no denominador tende a zero. Isso significa que a energia cinética tende a infinito.
No entanto, o teorema do trabalho–energia (Seção 6.2 no volume 1) nos diz que teria que ser
realizado um trabalho infinito para fornecer ao objeto uma energia cinética infinita. Como não
existe à disposição uma quantidade de trabalho infinita, chegamos à conclusão de que objetos
com massa não conseguem atingir a velocidade da luz c.

Verifique Seu Entendimento


(As respostas são dadas no final do livro.)
  8. Considere a mesma xícara de café em repouso sobre a mesma mesa nas situações seguintes:  (a)
O café está quente (95°C) e a mesa está no nível do mar.  (b) O café está frio (60°C) e a mesa es-
tá no nível do mar.  (c) O café está quente (95°C) e a mesa está no alto de uma montanha.  (d) O
café está frio (60°C) e a mesa está no alto de uma montanha. Em qual situação a xícara de café tem
a maior massa, e em qual situação ela tem a menor massa?
  9. Um sistema é formado por duas cargas positivas. A massa total do sistema é maior quando as duas
cargas estão  (a) separadas por uma distância finita ou  (b) infinitamente afastadas?
10. Um capacitor de placas paralelas está inicialmente descarregado. Depois, ele é totalmente carre-
gado removendo-se elétrons de uma placa e colocando-os na outra placa. A massa do capacitor é
maior quando ele está  (a) descarregado ou  (b) totalmente carregado?
11. É necessário realizar trabalho para acelerar uma partícula do repouso até uma dada velocidade pró-
xima à velocidade de propagação da luz no vácuo. Para qual partícula é necessário menos trabalho, 
(a) um elétron ou  (b) um próton?

28.7 A Soma Relativística de Velocidades


A velocidade de um objeto em relação a um observador desempenha um papel central
na relatividade especial e para se determinar essa velocidade, às vezes é necessário somar
duas ou mais velocidades. Encontramos o conceito de velocidade relativa pela primeira vez na
Seção 3.4, de modo que convém começar revendo algumas das ideias apresentadas naquela
seção. A Figura 28.12 ilustra uma caminhonete se movendo com uma velocidade constante vCS 5
115 m/s em relação a um observador em repouso sobre o solo, onde o sinal positivo representa

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Relatividade Especial  ■  17

um sentido de movimento para a direita. Suponha que alguém na caminhonete atire uma bola
de beisebol em direção ao observador com uma velocidade vBC 5 18,0 m/s em relação à ca-
minhonete. Poderíamos concluir que o observador no solo veria a bola se aproximando com
uma velocidade vBS 5 vBC 1 vCS 5 8,0 m/s 1 15 m/s 5 123 m/s. Esses símbolos são seme-
lhantes aos que foram usados na Seção 3.4 e têm os seguintes significados:

v BS
velocidade da Bola de beisebol em relação ao Solo 23 m /s
v BC
velocidade da Bola de beisebol em relação à Caminhonete 8.0
, m /s
v velocidade da Caminhonete em relação ao Solo 15.0
, m /s
CS

Embora o resultado obtido para a velocidade da bola de beisebol em relação ao solo (vBS 5
123 m/s) pareça razoável, medições cuidadosas mostrariam que ela não está absolutamente
correta. De acordo com a relatividade especial, a equação vBS 5 vBC 1 vCS não é válida pela
seguinte razão: se a velocidade da caminhonete tivesse um valor suficientemente próximo da
velocidade de propagação da luz no vácuo, a equação preveria que o observador na Terra po-
deria ver a bola de beisebol se movendo mais rápido do que a velocidade da luz. Isso não é
possível, já que nenhum objeto com uma massa finita consegue se mover mais rápido do que
a velocidade da luz no vácuo.
No caso em que a caminhonete e a bola estão se movendo ao longo da mesma linha reta, a
teoria da relatividade especial revela que as velocidades algébricas estão relacionadas de acor-
do com


Os índices nessa equação foram escolhidos para a situação específica mostrada na Figura 28.12.
Para a situação geral, as velocidades relativas estão relacionadas pela seguinte fórmula da so-
ma de velocidades:

Soma de velocidades (28.8)


em que todas as velocidades são consideradas constantes e os símbolos têm os seguintes sig-
nificados:

v AB
velocidade do objeto A em relação ao objeto B

v AC
velocidade do objeto A em relação ao objeto C

v velocidade do objeto C em relação ao objeto B


CB

A ordem dos índices na Equação 28.8 obedece à mesma convenção adotada na Seção 3.4 no
volume 1. Para um movimento ao longo de uma linha reta, as velocidades podem ter valores
positivos ou negativos, dependendo de se elas estiverem no sentido positivo ou negativo dessa
direção. Além disso, ao invertermos a ordem dos índices mu-
damos o sinal da velocidade algébrica, de modo que, por
exemplo, vBA 5 –vAB (veja o Exemplo 12 do Capítulo 3 no
volume 1).
A Equação 28.8 difere da fórmula não relativística (vAB 5
vAC 1 vCB) pela presença do termo vAC vCB/c2 no denomina-
dor. Esse termo surge em consequência dos efeitos de dila-
tação do tempo e contração do comprimento que ocorrem
na relatividade especial. Quando vAC e vCB são pequenas em
comparação com c, o termo vACvCB/c2 é pequeno em compa-
ração com 1, logo a fórmula de soma de velocidades se reduz Figura 28.12  A caminhonete está se aproximando do observador
a vAB  vAC 1 vCB. Entretanto, quando vAC ou vCB é compa- em repouso em relação ao solo com uma velocidade relativa igual a
rável a c, os resultados podem ser bem diferentes, como ilus- vCS 5 1 15 m/s. A velocidade algébrica da bola de beisebol2 em
trado no Exemplo 10. relação à caminhonete é vBC 5 1 8,0 m/s.

2
Vetor velocidade cuja direção é horizontal (implícita), sendo o sentido para a direita indicado pelo sinal 1 e o sentido
para a esquerda pelo sinal 2. (N.T.)

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18  ■  Capítulo 28

  Exemplo 10    A Soma Relativística de Velocidades


Imagine uma situação hipotética na qual a caminhonete da Figura 28.12 está se movendo com uma
velocidade vCS 5 1 0,8c em relação ao solo. Um passageiro na caminhonete arremessa uma bola
de beisebol com uma velocidade vBC 5 1 0,5c em relação à caminhonete. Qual a velocidade vBS da
bola de beisebol em relação a uma pessoa em repouso em relação ao solo?
Raciocínio  O observador em repouso em relação ao solo não vê a bola se aproximando com uma
velocidade vBS 5 0,5c 1 0,8c 5 1,3c. Isso seria absurdo, já que a bola não pode se mover com
uma velocidade maior do que a velocidade da luz no vácuo. A fórmula da soma de velocidades for-
nece a velocidade correta, que tem um módulo menor do que a velocidade de propagação da luz.
Solução  O observador estacionário em relação ao solo vê a bola se aproximando com uma velo-
cidade

(28.8)


 ■

O Exemplo 10 discute como a velocidade de uma bola de beisebol é vista por observadores
situados em diferentes referenciais inerciais. O exemplo a seguir aborda uma situação seme-
lhante, exceto pelo fato de que a bola de beisebol é substituída pela luz de um feixe laser.

  Exemplo Conceitual 11    A Velocidade de um Feixe Laser


A Figura 28.13 mostra um cruzador intergaláctico se aproximando de uma espaçonave inimiga. Os
dois veículos se movem com velocidades constantes. A velocidade do cruzador em relação à espa-
çonave é vCE 5 10,7c, sendo o sentido positivo para a direita. O cruzador dispara um feixe de luz
laser em direção aos rebeldes hostis. A velocidade do feixe laser em relação ao cruzador é vLC 5
1c. Qual das seguintes afirmações descreve corretamente a velocidade vLE do feixe laser em relação
à espaçonave dos rebeldes e a velocidade v com que os rebeldes veem o feixe laser se afastando do
cruzador? (a) vLE 5 10,7c e v 5 1c (b) vLE 5 10,3c e v 5 1c (c) vLE 5 1c e v 5 10,7c
(d) vLE 5 1c e v 5 10,3c
Raciocínio  Como os dois veículos estão se movendo com velocidades constantes, cada um cons-
titui um referencial inercial. De acordo com o postulado da velocidade da luz, todos os observado-
res em referenciais inerciais medem a velocidade da luz no vácuo como igual a c.
As respostas (a) e (b) estão incorretas.  Como a espaçonave dos rebeldes constitui um referen-
cial inercial, a velocidade do feixe laser em relação à nave só pode ter um valor vLE 5 1c, de acor-
do com o postulado da velocidade de propagação da luz.
A resposta (c) está incorreta.  A velocidade com que os rebeldes veem o feixe laser se afastar
do cruzador não pode ser igual a v 5 10,7c, porque eles veem o cruzador se movendo a uma ve-
locidade igual a 10,7c e o feixe laser se movendo a uma velocidade de apenas 1c (e não 11,4c).
A resposta (d) está correta.  Os rebeldes veem o cruzador se aproximando deles a uma veloci-
dade relativa vCE 5 10,7c e veem o feixe laser se aproximando deles a uma velocidade relativa vLE 5
1c. Essas duas velocidades são medidas em relação ao mesmo referencial inercial – ou seja, o das
suas próprias espaçonaves. Portanto, os rebeldes veem o feixe laser se afastando do cruzador a uma
velocidade que é a diferença entre essas duas velocidades, ou 1c – (10,7c) 5 10,3c. A fórmula
de soma de velocidades, Equação 28.8, não se aplica a esse caso porque as duas velocidades são
medidas em relação ao mesmo referencial inercial. A Equação 28.8 é usada apenas quando as velo-
cidades são medidas em relação a diferentes referencias inerciais.

Trabalho a Ser Resolvido em Casa Associado:  Problema 39 ■

Figura 28.13  Um cruzador intergaláctico, se aproximando de uma espaçonave hostil, dispara um


feixe de luz laser.

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Relatividade Especial  ■  19

Figura 28.14  A velocidade de


propagação da luz emitida pela
lanterna é igual a c tanto em
relação à caminhonete quanto ao
observador em repouso em relação
ao solo.

É fácil mostrar que a fórmula da soma de velocidades é consistente com o postulado da ve-
locidade de propagação da luz. Considere a Figura 28.14, que mostra uma pessoa em uma ca-
minhonete segurando uma lanterna. A velocidade da luz em relação à pessoa na caminhonete
é vLC 5 1c. A velocidade vLS da luz em relação ao observador estacionário em relação ao solo é
dada pela fórmula da soma de velocidades como


Assim, a fórmula da soma de velocidades indica que tanto o observador em repouso em relação
ao solo quanto a pessoa em movimento na caminhonete medem a velocidade da luz como c,
independentemente da velocidade relativa vCS entre eles. Essa conclusão está completamente
consistente com o postulado da velocidade da luz.

Verifique Seu Entendimento


(A resposta é dada no final do livro.)
12. Tanto o carro A quanto o carro B estão se deslocando para o leste (direita no desenho) sobre um
trecho reto de uma autoestrada interestadual. A velocidade escalar do carro A em relação ao solo
é 10 m/s mais rápida do que a velocidade escalar do carro B em relação ao solo. De acordo com
a relatividade especial, a velocidade escalar do carro A em relação ao carro B é  (a) igual a 10 m/s 
(b) menor do que 10 m/s ou  (c) é maior do que 10 m/s?

28.8 Conceitos & Cálculos


Existem muitas consequências surpreendentes da relatividade especial, duas das quais
são a dilatação do tempo e a contração do comprimento. O Exemplo 12 revê esses importantes
conceitos no contexto de uma partida de golfe em um mundo hipotético no qual a velocidade
da luz é apenas um pouco maior que a de um carrinho de golfe.

  Conceitos & Cálculos Exemplo 12 


Golfe e a Relatividade Especial
Imagine uma partida de golfe em um mundo no qual a velocidade da luz é de apenas c 5 3,40 m/s.
O golfista A dá uma tacada em uma bola e ela se move em uma trajetória plana horizontal no
fairway3 por uma distância que ele mede como igual a 75 m. O golfista B, dirigindo um carrinho de
golfe, está passando pelo golfista A exatamente quando ele acerta a bola (veja a Figura 28.15). O
golfista A está em pé perto do pino4 que sustenta a bola antes da tacada e observa enquanto o golfis-
ta B se move ao longo do fairway em direção à bola com uma velocidade constante de 2,80 m/s. (a)
Qual a distância percorrida pela bola de acordo com uma medição feita pelo golfista B? (b) Quanto
tempo o jogador B leva para alcançar a bola, de acordo com cada golfista?
Perguntas e Respostas sobre Conceitos  Qual dos jogadores mede o comprimento apropriado
da trajetória da bola, e quem mede o comprimento contraído?
Figura 28.15  Exatamente no
Resposta  Considere dois sistemas de coordenadas, um preso à Terra e o outro ao carrinho de instante em que o golfista A acerta
golfe. O comprimento apropriado L0 é a distância entre dois pontos quando medida por um ob- a bola, o golfista B está passando
servador que está em repouso em relação aos pontos considerados. Como o golfista A está em em um carrinho de golfe. De
repouso em relação ao tee e está em repouso em relação à Terra, é ele quem mede o comprimen- acordo com a relatividade
to apropriado da distância percorrida pela bola, que é L0 5 75,0 m. O golfista B, por outro lado, especial, cada golfista mede um
não está em repouso em relação aos dois pontos, e mede um comprimento contraído da trajetó- valor diferente para a distância que
ria que é menor do que 75,0 m. a bola se desloca.

3
Trecho entre o local onde se dá a primeira tacada (tee) e o local onde fica o buraco (green); neste trecho, a grama é
cortada a cerca de 12 mm de altura. (N.T.)
4
Também chamado de tee. (N.T.)

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20  ■  Capítulo 28

Qual dos jogadores mede o intervalo de tempo apropriado e quem mede o intervalo de tempo dilatado?
Resposta  O intervalo de tempo apropriado Dt0 é o intervalo de tempo medido por um observa-
dor que está em repouso no seu sistema de coordenadas e que enxerga os eventos inicial e final
como ocorrendo no mesmo lugar. O evento inicial é quando se dá a tacada na bola, e o evento
final é quando o golfista B chega à bola. Quando a bola recebe a tacada, ela está em uma posição
alinhada com a origem do sistema de coordenadas do golfista B. Quando o golfista B chega na
bola depois de ela percorrer o fairway, ela está novamente alinhada com a origem do sistema de
coordenadas do golfista B. Assim, o golfista B mede o intervalo de tempo apropriado. O golfis-
ta A, que não vê o evento inicial e o evento final ocorrendo no mesmo lugar, mede um intervalo
de tempo maior ou dilatado.

Solução  (a) O golfista A, que está em repouso em relação aos pontos inicial e final, mede o com-
primento apropriado da trajetória da bola, logo L0 5 75,0 m. O golfista B, que está se movendo,
mede um comprimento contraído L dado pela Equação 28.2:


Assim, o golfista em movimento mede o comprimento da trajetória da bola como uma distância
encurtada igual a 42,5 m em vez de 75,0 m medidos pelo golfista em repouso.
(b) De acordo com o golfista B, o intervalo de tempo Dt0 necessário para se alcançar a bola é igual
ao comprimento contraído L medido por ele dividido pela velocidade do solo em relação a ele. A
velocidade do solo em relação ao golfista B é a mesma velocidade v do carrinho em relação ao solo.
Assim, obtivemos:


O golfista A, parado em relação ao pino (tee), mede um intervalo de tempo dilatado Dt, que está
relacionado com o intervalo de tempo apropriado pela Equação 28.1:


Em resumo, o golfista A mede o comprimento apropriado (75,0 m) e um intervalo de tempo dilatado
(26,8 s), enquanto o golfista B mede um comprimento encurtado (42,5 m) e um intervalo de tempo
apropriado (15,2 s).
 ■

Outras consequências importantes da relatividade especial são a equivalência da massa e da


energia, e a dependência da energia cinética com a energia total e a energia de repouso. O
Exemplo 13 compara as massas e energias cinéticas de três partículas diferentes e serve como
uma revisão dos papéis desempenhados pela massa e pela energia na relatividade especial.

  Conceitos & Cálculos Exemplo 13 


Massa e Energia
A energia de repouso E0 e a energia total E de três partículas, expressas em termos de uma quanti-
dade básica de energia E9 5 5,98 3 10210 J, estão listadas na tabela a seguir. As velocidades dessas
partículas são elevadas, em alguns casos próximas à velocidade da luz. Determine, para cada par-
tícula, (a) sua massa e (b) sua energia cinética.

Energia de Energia
Partícula Repouso Total

a E9 2E9
b E9 4E9
c 5E9 6E9

Perguntas e Respostas sobre Conceitos  Dadas as energias de repouso especificadas na tabela,


qual a classificação (a maior em primeiro lugar) das massas das partículas?
Resposta  A energia de repouso é a energia que um objeto possui quando sua velocidade é igual
a zero. De acordo com a relatividade especial, a relação entre a energia de repouso E0 e a massa m

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Relatividade Especial  ■  21

é dada pela Equação 28.5 como E0 5 mc2, em que c é a velocidade da luz no vácuo. Assim, a ener-
gia de repouso é diretamente proporcional à massa. De acordo com a tabela, as partículas a e b têm
energias de repouso idênticas, portanto elas têm massas idênticas. A partícula c tem a maior ener-
gia de repouso, portanto ela tem a maior massa. A classificação das massas, com a maior em
primeiro lugar, é c, depois a e b empatadas.
A energia cinética EC é dada pela expressão EC 5 Qual a classificação (a maior em pri-
meiro lugar) das energias cinéticas das partículas?
Resposta  Não, porque a expressão EC 5 só se aplica quando a velocidade do objeto é
muito menor do que a velocidade da luz. De acordo com a relatividade especial, a energia ciné-
tica é a diferença entre a energia total E e a energia de repouso E0, ou seja, EC 5 E – E0. Portan-
to, podemos examinar a tabela e determinar a energia cinética de cada partícula em termos de
E9. As energias cinéticas das partículas a, b e c são, respectivamente, 2E9 – E9 5 E9, 4E9 – E9 5
3E9 e 6E9 – 5E9 5 E9. Assim, a classificação das energias cinéticas, da maior para a menor, é b,
depois a e c empatadas.

Solução  (a) A massa da partícula a pode ser determinada a partir da sua energia de repouso E0 5
mc2. Como E0 5 E9 (veja a tabela), sua massa é


De maneira análoga, obtivemos as massas das partículas b e c:


Como esperado, concluímos que mc . ma 5 mb.
(b) De acordo com a Equação 28.6, a energia cinética EC é igual à diferença entre a energia total E
e a energia de repouso E0: EC 5 E – E0. No caso da partícula a, sua energia total é E 5 2E9 e a sua
energia de repouso é E0 5 E9, logo sua energia cinética é


As energias cinéticas das partículas b e c podem ser determinadas de maneira análoga:


Como esperado, ECb . ECa 5 ECc.
 ■

Resumo dos Conceitos


28.1  Eventos e Referenciais Inerciais  Um evento é um “acontecimento” físico que
ocorre em certo lugar e tempo. Para registrar o evento, um observador utiliza um referen-
cial que consiste em um sistema de coordenadas e um relógio. Diferentes observadores
podem utilizar diferentes referenciais. A teoria da relatividade especial lida com referen-
ciais inerciais. Um referencial inercial é um referencial no qual a lei da inércia de Newton
é válida. Referenciais acelerados não são referenciais inerciais.

28.2  Os Postulados da Relatividade Especial  A teoria da relatividade especial se


baseia em dois postulados. O postulado da relatividade afirma que as leis da física são as
mesmas em todos os referenciais inerciais. O postulado da velocidade da luz diz que a
velocidade de propagação da luz no vácuo, medida em qualquer referencial inercial, sem-
pre tem o mesmo valor c, não importando quão rápido a fonte da luz e o observador es-
tejam se movendo um em relação ao outro.

28.3  A Relatividade do Tempo: Dilatação do Tempo  O intervalo de tempo apro-


priado Dt0 entre dois eventos é o intervalo de tempo medido por um observador que es- (28.1)
teja em repouso em relação aos eventos e que os observe como ocorrendo no mesmo
lugar. Um observador que esteja em movimento em relação aos eventos e que os observa 
como ocorrendo em diferentes locais mede um intervalo de tempo dilatado Dt. O inter-
valo de tempo dilatado é maior do que o intervalo de tempo apropriado, de acordo com
a equação de dilatação do tempo (Equação 28.1). Nessa expressão, v é a velocidade re-
lativa entre o observador que mede Dt0 e o observador que mede Dt.

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22  ■  Capítulo 28

28.4  A Relatividade do Comprimento: Contração do Comprimento  O com-


primento apropriado L0 entre dois pontos é o comprimento medido por um observador
que está em repouso em relação aos dois pontos. Um observador se movendo com uma
velocidade relativa v paralela à linha reta entre dois pontos não mede o comprimento
apropriado. Em vez disso, tal observador mede um comprimento contraído L dado pela (28.2)
fórmula de contração do comprimento (Equação 28.2). A contração do comprimento 
ocorre apenas na direção do movimento. As dimensões que são perpendiculares ao mo-
vimento não são encurtadas. O observador que mede o comprimento apropriado pode não
ser observador que mede o intervalo de tempo apropriado.

28.5  Quantidade de Movimento Relativística  Um objeto de massa m, movendo-


se com velocidade v, tem uma quantidade de movimento relativística cujo modulo p é (28.3)
dado pela Equação 28.3.


28.6  A Equivalência da Massa e da Energia  Energia e massa são equivalentes. A


energia total E de um objeto de massa m, movendo-se com velocidade v, é dada pela (28.4)
Equação 28.4. A Energia de repouso E0 é a energia total de um objeto em repouso (v 5
0 m/s), expresso pela Equação 28.5. A energia total de um objeto é a soma da sua energia 
em repouso com a sua energia cinética EC, ou E 5 E0 1 EC. Portanto, a energia cinética
é dada pela Equação 28.6. (28.5)

A energia total relativística e a quantidade de movimento estão relacionadas pela
Equação 28.7.
Objetos com massa não conseguem atingir a velocidade da luz c, que é a velocidade (28.6)
máxima para tais objetos.


 (28.7)

28.7  A Soma Relativística de Velocidades  De acordo com a relatividade especial,


a fórmula da soma de velocidade especifica como as velocidades vetoriais relativas de
objetos em movimento estão relacionadas. Para objetos que se movem ao longo da mes-
ma linha reta, essa fórmula é dada pela Equação 28.8, em que vAB é a velocidade com
sinal algébrico indicando o sentido do movimento do objeto A em relação ao objeto B, (28.8)
vAC é a velocidade com sinal algébrico indicando o sentido do movimento do objeto A em
relação ao objeto C, e vCB é a velocidade com sinal algébrico indicando o sentido do mo-

vimento do objeto C em relação ao objeto B. As velocidades podem ser positivas ou ne-
gativas, dependendo do sentido do movimento em relação ao sentido arbitrado como
positivo. Além disso, a mudança da ordem dos índices modifica os sinais da velocidade,
de modo que, por exemplo, vBA 5 2vAB.

Foco nos Conceitos


Observação: Os exercícios apresentados nesta seção, com numeração não sequencial, foram extraídos do banco de dados de questões disponível apenas para
a edição original em inglês. (N.E.)

Seção 28.1  Eventos e Referenciais Inerciais Seção 28.4  A Relatividade do Comprimento: Contração
1. Considere uma pessoa junto com um referencial em cada uma do Comprimento
das situações a seguir. Em quais situações a seguir o referencial é 4. Duas espaçonaves A e B estão se movendo uma em relação à outra
um referencial inercial?  (a) A pessoa está oscilando em um mo- com velocidade constante. Observadores na espaçonave A veem a es-
vimento harmônico simples na extremidade de um cabo de bungee paçonave B. Da mesma forma, observadores na espaçonave B veem a
jump. (b) A pessoa está em um carro fazendo uma curva circular espaçonave A. Quem vê o comprimento apropriado de cada espaçona-
com velocidade escalar constante.  (c) A pessoa está em um avião ve? (a) Observadores na espaçonave A veem o comprimento apro-
que está pousando em um porta-aviões.  (d) A pessoa está em um priado da espaçonave B.  (b) Observadores na espaçonave B veem o
ônibus espacial durante o lançamento.  (e) Nenhuma das situações comprimento apropriado da espaçonave A.  (c) Observadores nas du-
anteriores. as espaçonaves veem o comprimento apropriado da outra espaçona-
ve. (d) Nenhum dos observadores das espaçonaves vê o comprimen-
Seção 28.3  A Relatividade do Tempo: Dilatação do to apropriado da outra espaçonave.
Tempo 6. Em uma partida de beisebol, o batedor acerta a bola no centro do
2. Em uma autoestrada, existe uma luz piscando que marca o início de campo e corre para a primeira base. O receptor só pode ficar parado
um trecho da estrada onde estão sendo realizados consertos. Quem e assistir. Suponha que o batedor corra com velocidade constante.
mede o tempo apropriado entre duas piscadas de luz?  (a) Um traba- Quem mede o tempo apropriado que leva para o jogador que está
lhador parado na estrada  (b) Um motorista em um carro se aproxi- correndo alcançar a primeira base, e quem mede o comprimento
mando com velocidade constante  (c) Tanto o trabalhador quanto o apropriado entre a home plate e a primeira base?  (a) O apanhador
motorista (d) Nem o trabalhador nem o motorista mede o tempo apropriado, enquanto o corredor mede o comprimen-

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Relatividade Especial  ■  23

to apropriado.  (b) O corredor mede o tempo apropriado, enquanto jeto de massa m for muito pequena em comparação com a velocidade
o apanhador mede o comprimento apropriado.  (c) O apanhador de propagação da luz c no vácuo?
mede tanto o tempo apropriado quanto o comprimento apropria-
do. (d) O corredor mede tanto o tempo apropriado quanto o com-
primento apropriado.
7. Para quais das seguintes situações as equações da dilatação do tem-
po e da contração do tempo se aplicam?  (a) Em relação a um refe-
rencial inercial, dois observadores têm diferentes acelerações constan-
tes. (b) Em relação a um referencial inercial, dois observadores têm
a mesma aceleração constante.  (c) Em relação a um referencial iner- (a) Somente A  (b) Somente B  (c) Nem A ou B  (d) Tanto A
cial, dois observadores estão se movendo com diferentes velocidades quanto B
constantes. (d) Em relação a um referencial inercial, um observador
Seção 28.6  A Equivalência da Massa e da Energia
tem velocidade constante, enquanto outro observador tem aceleração
constante. (e) Todas as situações anteriores. 13. Considere as três possibilidades a seguir para um copo d’água em
repouso sobre uma bancada de cozinha. A temperatura da água é igual
Seção 28.5  Quantidade de Movimento Relativística a 0°C. Classifique a massa da água em ordem decrescente (a maior
10. Qual das seguintes afirmações a respeito da quantidade de movi- primeiro).
mento linear é verdadeira (p 5 módulo da quantidade de movimento, A. A água está metade líquida e metade na forma de gelo.
m 5 massa e v 5 velocidade escalar)?  (a) Quando o módulo p da B. A água está toda líquida.
quantidade de movimento é definido como p 5 a quan- C. A água está toda na forma de gelo.
(a) C, A, B  (b) B, A, C  (c) A, C, B  (d) B, C, A  (e) C, B, A
tidade de movimento linear de um sistema isolado se conserva somen-
te se as velocidades escalares das várias partes do sistema forem mui- 15. Um objeto tem uma energia cinética EC e uma energia potencial EP.
to altas.  (b) Quando o módulo p da quantidade de movimento é de- Ele também tem uma energia de repouso E0. Qual das seguintes formas é
finido como p 5 mv, a quantidade de movimento linear de um sistema a correta de se expressar a energia total E do objeto?  (a) E 5 EC 1
isolado se conserva somente se as velocidades escalares das várias EP (b) E 5 E0 1 EC  (c) E 5 E0 1 EC 1 EP  (d) E 5 E0 1 EC – EP
partes do sistema forem muito altas.  (c) Quando o módulo p da quan- 17. A energia cinética de um objeto de massa m é igual à sua energia
tidade de movimento linear é definido como p 5 a quan- de repouso. Qual o módulo p da quantidade de movimento do obje-
to? (a) p 5  (b) p 5 2mc (c) p 5 4mc (d) p 5
tidade de movimento linear de um sistema isolado se conserva não (e) p 5 3mc
importando quais sejam as velocidades escalares das várias partes do
sistema. (d) Quando o módulo p da quantidade de movimento é de- Seção 28.7  A Soma Relativística de Velocidades
finido como p 5 mv, a quantidade de movimento linear de um sistema 18. Duas espaçonaves estão viajando na mesma direção e sentido. Em
isolado se conserva não importando quais sejam as velocidades esca- relação a um referencial inercial, a espaçonave A tem uma velocidade
lares das várias partes do sistema. igual a 0,900c. Em relação ao mesmo referencial inercial, a espaçona-
11. Quais das duas expressões a seguir para o módulo p da quantidade ve B tem uma velocidade igual a 0,500c. Determine a velocidade es-
de movimento linear pode ser usada quando a velocidade v de um ob- calar vAB da espaçonave A em relação à espaçonave B.

Problemas
Os problemas que não estão marcados com um asterisco são considerados os mais fáceis de serem resolvidos. Problemas marcados com um único asterisco (*)
são mais difíceis, enquanto aqueles que receberam dois asteriscos (**) são os mais difíceis.
Observação: Antes de fazer qualquer cálculo envolvendo dilatação do tempo ou contração do comprimento, é útil identificar qual observador mede o intervalo de
tempo apropriado Dt0 ou o comprimento apropriado L0.

Este ícone representa uma aplicação biomédica.

Seção 28.3  A Relatividade do Tempo: Dilatação 3. Suponha que você esteja planejando uma viagem na qual uma espa-
do Tempo çonave deve viajar com velocidade constante por exatamente seis me-
1. Uma partícula conhecida como píon sobrevive por pouco tempo ses, medidos por um relógio a bordo da espaçonave, e depois voltar
para casa com a mesma velocidade. Na volta, as pessoas na Terra terão
antes de se desintegrar em outras partículas. Suponha que um píon es-
avançado exatamente cem anos no futuro. De acordo com a relativida-
teja se movendo com uma velocidade igual a 0,990c, e um observador
de especial, com que velocidade você deve viajar? Expresse sua res-
que está estacionário em um laboratório meça o tempo de vida de um posta com cinco algarismos significativos como um múltiplo de c – por
píon como igual a 3,5 3 1028 s.  (a) Qual o tempo de vida de acordo exemplo, 0,955 85c.
com uma pessoa hipotética que esteja se movimentando junto com o
píon? (b) De acordo com essa pessoa hipotética, qual o deslocamento 4. Suponha que você esteja viajando a bordo de uma espaçonave que
está se movendo em relação à Terra com uma velocidade de 0,975c.
do laboratório antes que o píon se desintegre?
Você está respirando a uma taxa de 8,0 respirações por minuto. Quan-
2. Uma antena de radar está girando e completa uma volta a cada do monitorado na Terra, qual a sua taxa de respiração?
25 s, quando medido na Terra. No entanto, instrumentos em uma es- *5. Um objeto de 6,00 kg oscila para a frente e para trás na extremi-
paçonave que está se movendo em relação à Terra com velocidade v dade de uma mola cuja constante de mola (ou rigidez) é igual a 76,0
mede que a antena completa uma volta a cada 42 s. Qual o quocien- N/m. Um observador está viajando com uma velocidade de 1,90 3 108
te v/c entre a velocidade v e a velocidade c de propagação da luz no m/s em relação à extremidade fixa da mola. Qual o valor que esse ob-
vácuo? servador mede como o período de oscilação?

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24  ■  Capítulo 28

*6. Uma espaçonave viaja a uma velocidade constante da Terra até um **16. Um objeto feito de vidro tem a forma de um cubo com 0,11 m
planeta orbitando outra estrela. Quando a espaçonave chega, 12 anos de lado, de acordo com um observador em repouso em relação a ele.
se passaram na Terra, e 9,2 anos se passaram a bordo da espaçonave. No entanto, um observador se movendo em alta velocidade paralelo a
A que distância (em metros) está o planeta, de acordo com observado- uma das arestas do objeto e sabendo que a massa do objeto é igual a
res na Terra? 3,2 kg, determina sua massa específica como igual a 7800 kg/m3, que é
**7. Quando observado na Terra, sabe-se que certo tipo de bactéria muito maior do que a massa específica do vidro. Qual a velocidade
dobra o seu número a cada 24,0 horas. Duas culturas dessas bactérias escalar do observador em movimento (em unidades de c) em relação
são preparadas, cada uma consistindo inicialmente de uma bactéria. ao cubo?
Uma cultura é deixada na Terra e a outra é colocada em um foguete **17. Um retângulo tem dimensões de 3,0 m 3 2,0 m quando visto
que viaja a uma velocidade de 0,866c em relação à Terra. Em um tem- por alguém em repouso em relação a ele. Quando você se desloca pró-
po em que a cultura mantida na Terra cresceu para 256 bactérias, quan- ximo ao retângulo ao longo de um de seus lados, o retângulo tem a
tas bactérias existem na cultura no foguete, de acordo com um obser- aparência de um quadrado. Que dimensões você observa quando você
vador baseado na Terra? se move com a mesma velocidade escalar ao longo do lado adjacente
do retângulo?
Seção 28.4  A Relatividade do Comprimento: Contração
Seção 28.5  Quantidade de Movimento Relativística
do Comprimento
18. Com que velocidade o módulo da quantidade de movimento rela-
8. Suponha que a distância em linha reta entre Nova Iorque e São Fran-
tivística de uma partícula é igual a três vezes o módulo da quantidade
cisco seja igual a 4,1 3 106 m (desprezando a curvatura da Terra). Um
de movimento não relativística?
objeto voador não identificado (OVNI) está voando entre essas duas
cidades a uma velocidade de 0,70c em relação à Terra. Qual é essa 19. Qual o módulo da quantidade de movimento relativística de um
distância medida pelos viajantes a bordo do OVNI? próton com uma energia total relativística de 2,7 3 10210 J?
9. Com que velocidade um metro deve estar se movendo para que se 20. Uma espaçonave tem uma quantidade de movimento não relativís-
observe um encurtamento do seu comprimento de meio metro? tica (ou clássica) cujo módulo é igual a 1,3 3 1013 kg · m/s. A espaço-
nave se move com uma velocidade tal que o piloto mede o intervalo
10. A distância da Terra ao centro da nossa galáxia é de aproximada- de tempo apropriado entre dois eventos como igual à metade do inter-
mente 23 000 anos-luz (1 al 5 1 ano-luz 5 9,47 3 1015 m), quando valo de tempo dilatado. Determine a quantidade de movimento relati-
medida por um observador fixo na Terra. Uma espaçonave deve fazer vística da espaçonave.
essa viagem a uma velocidade de 0,9990c. De acordo com um relógio
a bordo da espaçonave, quanto tempo será necessário para se fazer a 21. Uma mulher tem 1,60 m de altura e uma massa de 55 kg. Ela pas-
viagem? Expresse sua resposta em anos (1 ano 5 3,16 3 107 s). sa por um observador com a direção do movimento paralela à altura
dela. A quantidade de movimento relativística dela medida pelo obser-
11. Um turista está caminhando a uma velocidade de 1,3 m/s ao longo vador tem um módulo igual a 2,0 3 1010 kg · m/s. Qual a altura dela
de uma trilha de 9,0 km que segue um antigo canal. Se a velocidade medida pelo observador?
de propagação da luz no vácuo fosse de 3,0 m/s, qual seria o compri-
22. Três partículas estão listadas na tabela. A massa e a velocidade es-
mento da trilha, de acordo com o turista?
calar de cada partícula são fornecidas como múltiplos das variáveis m
12. Um marciano sai de Marte em uma espaçonave que está se dirigin- e v, que possuem os valores m 5 1,20 3 1028 kg e v 5 0,200c. A ve-
do para Vênus. No caminho, a espaçonave passa pela Terra com uma locidade de propagação da luz no vácuo é igual a c 5 3,00 3 108 m/s.
velocidade v 5 0,80c em relação a ela. Suponha que os três planetas Determine a quantidade de movimento para cada partícula de acordo
não se movam uns em relação aos outros durante a viagem. A distância com a relatividade especial.
entre Marte e Vênus é de 1,20 3 1011 m, quando medida por uma pes-
soa na Terra.  (a) Qual a distância entre Marte e Vênus medida pelo
marciano? (b) Qual o tempo de viagem (em segundos) quando me-
dido pelo marciano? Velocidade
Partícula Massa Escalar
13. Duas espaçonaves A e B estão explorando um novo planeta. Em
relação a esse planeta, a espaçonave A tem uma velocidade igual a a m v
0,60c, enquanto a espaçonave B tem uma velocidade igual a 0,80c.
Qual o quociente DA/DB entre os valores do diâmetro do planeta que b 2v
cada espaçonave mede em uma direção que é paralela ao seu movi- c 4v
mento?
14. Uma partícula de alta energia instável é criada no laboratório, e se
move a uma velocidade de 0,990c. Em relação a um referencial esta-
*23. Uma patinadora e um patinador partindo do repouso se afastam
cionário fixo no laboratório, a partícula viaja a uma distância de 1,05 3
após se empurrarem um contra o outro sobre uma pista de gelo horizon-
1023 m antes de se desintegrar. Quais são  (a) a distância apropriada
tal lisa, na qual o atrito é desprezível. A patinadora se afasta com uma
e (b) a distância medida por uma pessoa hipotética viajando com a
velocidade de 12,5 m/s em relação ao gelo. A massa da patinadora é
partícula? Determine  (c) o tempo de vida apropriado da partícula
igual a 54 kg, e a massa do patinador é igual a 88 kg. Supondo que a
e (d) seu tempo de vida dilatado.
velocidade da luz é igual a 3,0 m/s, de modo que a expressão da quanti-
*15. Como mostrado na figura, um carpinteiro em uma estação espacial dade de movimento relativística deva ser usada, determine a velocidade
construiu um plano inclinado de 30,0°. Um foguete passa ao largo da (com sinal algébrico) de recuo do patinador em relação ao gelo. (Dica:
estação espacial com uma velocidade relativa de 0,730c em uma dire- Este problema é semelhante ao Exemplo 6 do Capítulo 7 no volume 1.)
ção paralela ao lado x0. O que uma pessoa a bordo do foguete mede
como o ângulo do plano inclinado? Seção 28.6  A Equivalência da Massa e da Energia
24. O rádio é um elemento radioativo cujo núcleo emite uma partícula a
(um núcleo de hélio) com uma energia cinética de cerca de 7,8 3 10213 J
(4,9 MeV). Qual a quantidade de massa equivalente a essa energia?
25. Qual o trabalho que deve ser realizado sobre um elétron para ace-
lerá-lo do repouso até uma velocidade de 0,990c?
26. Reveja o Exemplo Conceitual 9 para ter a base necessária para re-
solver este problema. Suponha que a velocidade de propagação da luz
no vácuo fosse um milhão de vezes menor do que o seu valor real, de

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Relatividade Especial  ■  25

modo que c 5 3,00 3 1012 m/s. A constante de mola (ou rigidez) de nave se aproximando com uma velocidade igual a 0,50c e o veículo de
uma mola é igual a 850 N/m. Determine de quanto você teria que com- exploração se aproximando com uma velocidade igual a 0,70c. Qual
primir a mola a partir do seu comprimento de equilíbrio a fim de au- a velocidade do veículo de exploração em relação à espaçonave?
mentar sua massa em 0,010 g. 36. Espaçonaves do futuro podem ser impulsionadas por motores de
27. Suponha que um galão de gasolina produza 1,1 3 108 J de energia, propulsão iônica nos quais íons são ejetados da parte traseira da espa-
e que essa energia seja suficiente para que um carro funcione por vinte çonave para impulsioná-la para a frente. Nesse tipo de motor, os íons
milhas. Um comprimido de aspirina tem uma massa de 325 mg. Se a têm que ser ejetados com uma velocidade de 0,80c em relação à espa-
aspirina pudesse ser inteiramente convertida em energia térmica, quantas çonave. A espaçonave está se afastando da Terra com uma velocidade
milhas o carro conseguiria se deslocar com um único comprimido? de 0,70c em relação à Terra. Qual a velocidade (com sinal) dos íons
28. Dois quilogramas de água são transformados  (a) de gelo a 0°C em em relação à Terra? Suponha que o sentido em que a espaçonave está
água líquida a 0°C e  (b) de água líquida a 100°C em vapor d’água a se deslocando seja o sentido positivo, e certifique-se de atribuir os si-
100°C. Para cada situação, determine a variação da massa da água. nais corretos de mais ou de menos às velocidades.
29. Determine o quociente entre a energia cinética relativística e a 37. A espaçonave Enterprise 1 está se afastando da Terra na direção
radial com uma velocidade que um observador baseado na Terra mede
energia cinética não relativística quando uma partícula tem
como igual a 10,65c. Um navio irmão, Enterprise 2, está à frente do
uma velocidade igual a  (a) 1,00 3 1023c e  (b) 0,970c.
Enterprise 1 e também está se afastando radialmente da Terra ao longo
30. O Exemplo 6 de Múltiplos Conceitos revê os princípios que de- da mesma linha reta. A velocidade da Enterprise 2 em relação à En-
sempenham um importante papel na solução deste problema. Um re- terprise 1 é igual a 10,31c. Qual a velocidade da Enterprise 2, quan-
ator nuclear gera 3,0 3 109 W de potência. Em um ano, qual a variação do medida por um observador baseado na Terra?
da massa do combustível nuclear em razão de a energia estar sendo
*38. Uma pessoa na Terra percebe a aproximação pela direita de um
retirada do reator?
foguete com uma velocidade igual a 0,75c e a aproximação de outro
*31. O Exemplo 6 de Múltiplos Conceitos explora o enfoque adotado em foguete pela esquerda com uma velocidade igual a 0,65c. Qual a velo-
problemas como este. Acredita-se que quasares sejam núcleos de galáxias cidade relativa entre os dois foguetes, quando medida por um passa-
nos estágios iniciais de sua formação. Suponha que um quasar irradie geiro em um deles?
energia eletromagnética a uma taxa de 1,0 3 1041 W. Com que taxa (em
*39. Consulte o Exemplo Conceitual 11 como uma ajuda na solução
kg/s) o quasar está perdendo massa como consequência dessa radiação?
deste problema. Um cruzador intergaláctico tem dois tipos de armas:
*32. Um elétron é acelerado a partir do repouso atravessando uma di- um canhão de fótons que dispara um feixe de luz laser e uma arma de
ferença de potencial que tem um módulo igual a 2,40 3 107 V. A mas- íons que dispara íons com uma velocidade de 0,950c em relação ao
sa do elétron é igual a 9,11 3 10231 kg, enquanto a carga negativa do cruzador. O cruzador se aproxima de uma espaçonave alienígena com
elétron tem um módulo igual a 1,60 3 10219 C.  (a) Qual a energia uma velocidade de 0,800c em relação a essa espaçonave. O capitão
cinética relativística do elétron (em joules)?  (b) Qual a velocidade dispara os dois tipos de armas. Com que velocidade os alienígenas
do elétron? Expresse sua resposta como um múltiplo de c, a velocida- veem (a) a luz laser e  (b) os íons se aproximando deles? Com que
de de propagação da luz no vácuo. velocidade os alienígenas veem  (c) a luz laser e  (d) os íons se afas-
*33. Um objeto tem uma energia total de 5,0 3 1015 J e uma energia tando do cruzador?
cinética de 2,0 3 1015 J. Qual o módulo da quantidade de movimento *40. Duas espaçonaves idênticas estão sendo construídas. O compri-
relativística do objeto? mento de cada espaçonave construída é de 1,50 km. Após ser lançada,
a espaçonave A se afasta da Terra com velocidade constante (módulo
Seção 28.7  A Soma Relativística de Velocidades igual a 0,850c) em relação à Terra. A espaçonave B segue na mesma
34. Você está dirigindo em uma estrada vicinal de duas pistas, e um direção com uma velocidade constante diferente (módulo igual a
caminhão na pista contrária está se deslocando em direção a você. Su- 0,500c) em relação à Terra. Determine o comprimento que um passa-
ponha que a velocidade de propagação da luz no vácuo seja c 5 65 geiro na espaçonave mede para a outra espaçonave.
m/s. Determine a velocidade do caminhão em relação a você quan- **41. Duas partículas atômicas se aproximam uma da outra em uma
do (a) sua velocidade for igual a 25 m/s e a velocidade do caminhão colisão frontal. Cada partícula tem uma massa de 2,16 3 10225 kg. A
for igual a 35 m/s e  (b) sua velocidade for igual a 5,0 m/s e a velo- velocidade de cada partícula é igual a 2,10 3 108 quando medida por
cidade do caminhão for igual a 55 m/s. As velocidades nos itens (a) e um observador em repouso no laboratório.  (a) Qual a velocidade
(b) são dadas em relação ao solo. escalar de uma partícula quando vista pela outra partícula?  (b) De-
35. Uma espaçonave se aproximando da Terra lança um veículo de termine o módulo da quantidade de movimento relativística de uma
exploração. Após o lançamento, um observador na Terra vê a espaço- partícula, como ela seria observada pela outra.

Problemas Adicionais
42. Um elétron e um pósitron possuem massas iguais a 9,11 3 inicial do íon é igual a 5,08 3 10217 kg · m/s. Determine  (a) a mas-
10231 kg. Eles colidem e ambos desaparecem, e após a colisão apa- sa e  (b) o módulo da quantidade de movimento relativística final
rece apenas radiação eletromagnética. Se cada partícula estiver se do íon.
movendo com uma velocidade igual a 0,20c em relação ao laborató- 45. Uma espaçonave Klingon5 tem uma velocidade igual a 0,75c em
rio antes da colisão, determine a energia da radiação eletromagnética. relação à Terra. Os Klingons medem o intervalo de tempo entre dois
43. Um viajante espacial se movendo com uma velocidade igual a 0,70c eventos na Terra como igual a 37,0 h. Que valor eles mediriam como
em relação à Terra faz uma viagem até uma estrela distante que está o intervalo de tempo se a espaçonave deles tivesse uma velocidade de
em repouso em relação à Terra. Ele mede o comprimento dessa viagem 0,94c em relação à Terra?
como igual a 6,5 anos-luz. Qual seria o comprimento dessa mesma *46. Uma partícula instável está em repouso e subitamente se divide
viagem (em anos-luz) quando medido por um viajante se movendo em dois fragmentos. Não há forças externas atuando sobre a partícula
com uma velocidade de 0,90c em relação à Terra?
44. A velocidade de um íon em um acelerador de partículas é dupli- 5
Espécie guerreira humanoide extraterrestre da série de ficção científica Star
cada de 0,460c para 0,920c. A quantidade de movimento relativística Trek. (N.T.)

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26  ■  Capítulo 28

ou seus fragmentos. Um dos fragmentos tem uma velocidade igual a


10,800c e uma massa igual a 1,67 3 10227 kg, enquanto a outra tem Objeto Energia Total (E) Energia de Repouso (E0)
uma massa igual a 5,01 3 10227 kg. Qual a velocidade do fragmento
de maior massa? (Dica: Este problema é semelhante ao Exemplo 6 no A 2,00e e
Capítulo 7 do volume 1.) B 3,00e e
*47. A tripulação de um foguete que está se afastando da Terra lança C 3,00e 2,00e
uma cápsula de salvamento, que segundo eles mede 45 m de compri-
mento. A cápsula é lançada em direção à Terra com uma velocidade
igual a 0,55c em relação ao foguete. Depois do lançamento, a veloci- **49. Gêmeos com 19 anos de idade saem da Terra e viajam para um
dade do foguete em relação à Terra é igual a 0,75c. Qual o comprimen- planeta distante 12,0 anos-luz. Suponha que o planeta e a Terra estejam
to da cápsula de salvamento quando determinada por um observador em repouso um em relação ao outro. Os gêmeos partem ao mesmo
na Terra? tempo em diferentes espaçonaves. Um dos gêmeos viaja com uma ve-
*48. A tabela a seguir fornece a energia total e a energia de repouso locidade igual a 0,900c e o outro gêmeo viaja a 0,500c. (a) De acor-
para três objetos em termos de um incremento de energia e. Para cada do com a teoria da relatividade especial, qual a diferença entre suas
objeto, determine a velocidade como um múltiplo da velocidade de idades quando eles se encontrarem novamente no menor tempo possí-
propagação c da luz no vácuo. vel? (b) Qual gêmeo está mais velho?

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Capítulo

29
Essa fotografia mostra uma
imagem bastante ampliada
de um mosquito fêmea, feita
com um Microscópio Eletrô-
nico de Varredura (MEV). No
século XX, físicos ficaram sur-
presos quando se descobriu
que partículas podiam se com-
portar como ondas. Na verda-
de, veremos neste capítulo que
existe um comprimento de on-

Partículas e Ondas
da associado a uma partícula
em movimento, como o elé-
tron. O microscópio usado pa-
ra a fotografia tira proveito do
comprimento de onda do elé-
tron, que pode ser escolhido
como muito menor do que o
da luz visível. É esse pequeno
29.1 A Dualidade Onda-Partícula comprimento de onda do elé-
tron que é responsável pela re-
A capacidade de exibir efeitos de interferência é uma característica essencial das ondas. solução excepcional de exce-
lentes detalhes dessa fotogra-
Assim, por exemplo, na Seção 27.2 discutimos o famoso experimento de Young, no qual a luz fia. (© Susumu Nishinaga/Pho-
passa por duas fendas bem próximas uma da outra e produz um padrão de franjas brilhantes e to Researchers)
escuras em uma tela (veja a Figura 27.3). O padrão de franjas é uma indicação direta de que
está ocorrendo interferência entre as ondas luminosas vindas de cada fenda.
Uma das descobertas mais incríveis da física no século XX é que partículas também podem
se comportar como ondas e exibir efeitos de interferência. A Figura 29.1, por exemplo, mostra
uma versão do experimento de Young realizado dirigindo-se um feixe de elétrons sobre uma fen-
da dupla. Nesse experimento, a tela é como uma tela de televisão e emite um clarão sempre que
é atingida por um elétron. O item a do desenho indica o padrão que seria visto na tela se cada
elétron, comportando-se estritamente como uma partícula, passasse por uma das duas fendas an-
tes de se chocar com a tela. O padrão seria formado simplesmente por uma imagem de cada fen-
da. O item b mostra o padrão realmente observado, que é formado por franjas brilhantes e escu-
ras, lembrando o que se obtém quando ondas luminosas passam por uma fenda dupla. O padrão
de franjas indica que os elétrons estão exibindo efeitos de interferência associados a ondas.

Figura 29.1  (a) Se os elétrons se


comportassem como partículas
discretas sem propriedades
ondulatórias, eles passariam por
uma das duas fendas e bateriam na
tela, fazendo-a brilhar e produzir
imagens exatas das fendas. (b) Na
realidade, a tela revela um padrão
de franjas brilhantes e escuras,
semelhante ao padrão produzido
quando se usa um feixe de luz e
ocorre interferência entre as ondas
de luz vindas de cada fenda.
27

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28  ■  Capítulo 29

Mas como podem os elétrons se comportarem como ondas no experimento mostrado na


Figura 29.1b? E que tipos de ondas são essas? As respostas para essas questões profundas se-
rão discutidas mais adiante neste capítulo. Por enquanto, queremos apenas chamar a atenção
para o fato de que o conceito de um elétron como uma minúscula partícula discreta de matéria
não consegue explicar o fato de que o elétron pode se comportar como uma onda em algumas
circunstâncias. Em outras palavras, o elétron exibe uma natureza dual, tanto com característi-
cas semelhantes às partículas quanto com características semelhantes às ondas.
Outra pergunta interessante é a seguinte: Se uma partícula pode exibir propriedades seme-
lhantes às ondas, as ondas podem exibir comportamento semelhante às partículas? Como ve-
remos nas próximas três seções, a resposta é sim. Na verdade, experimentos que demonstraram
o comportamento das ondas semelhante ao de partículas foram realizados pouco antes do iní-
cio do século XX, antes dos experimentos que demonstraram as propriedades dos elétrons
semelhantes às de ondas. Os cientistas hoje aceitam a dualidade onda–partícula como uma
parte essencial da natureza:
Ondas podem exibir características semelhantes a partículas, e partículas podem exibir
características semelhantes a ondas.
A Seção 29.2 começa a história fascinante da dualidade onda–partícula discutindo as
ondas eletromagnéticas que são irradiadas por um corpo negro ideal. É apropriado começar
com a radiação de um corpo negro, porque ela forneceu o primeiro elo na cadeia de evidências
experimentais, que levou ao nosso entendimento atual da dualidade onda–partícula.

29.2 A Radiação de Corpo Negro e a Constante de Planck


Todos os corpos, estejam à temperatura que estiverem, irradiam continuamente ondas
eletromagnéticas. Podemos ver, por exemplo, o brilho de objetos muito quentes, porque eles ir-
radiam ondas eletromagnéticas na região visível do espectro. Nosso sol, que tem uma tempera-
tura na superfície de cerca de 6000 K, aparece como amarelo, enquanto a estrela mais fria Betel-
geuse tem uma aparência vermelho-laranja em razão de sua temperatura na superfície ser inferior
a 2900 K. Entretanto, em temperaturas relativamente baixas, objetos mais frios quase não emitem
ondas de luz visível e, por isso, normalmente não parecem estar brilhando. Certamente o corpo
humano, que está a uma temperatura de apenas 310 K, não emite suficiente luz visível para ser
visto no escuro a olho nu. Mas o corpo emite ondas eletromagnéticas na região infravermelha do
espectro, e estas podem ser detectadas por dispositivos sensíveis ao infravermelho.
A dada temperatura, as intensidades das ondas eletromagnéticas emitidas por um objeto
variam com o comprimento de onda em todo o espectro visível, infravermelho, e outras regiões
Figura 29.2  A radiação do espectro. A Figura 29.2 ilustra como a intensidade da radiação emitida por um corpo negro
eletromagnética emitida por um
corpo negro ideal tem uma
ideal, por unidade de comprimento de onda, depende do comprimento de onda para duas tem-
intensidade por unidade de peraturas diferentes. Como vimos na Seção 13.3, um corpo negro ideal a uma temperatura
comprimento de onda que varia de constante absorve e volta a emitir toda a radiação eletromagnética que ele recebe. As duas cur-
acordo com o comprimento de vas na Figura 29.2 mostram que, a uma temperatura mais elevada, a intensidade máxima emi-
onda, como indicado em cada tida por comprimento de onda aumenta e se desloca para menores comprimentos de onda, em
curva. Na curva correspondente à direção à região visível do espectro. Ao considerar a forma dessas curvas, o físico alemão Max
temperatura mais alta (6000 K), a Planck (1858-1947) deu o primeiro passo em direção ao nosso conhecimento atual da duali-
intensidade por unidade de dade onda–partícula.
comprimento de onda é maior do Em 1900, Planck calculou as curvas de radiação do corpo negro usando um modelo que
que a correspondente à
temperatura mais baixa (4000 K),
representava um corpo negro como um grande número de osciladores atômicos, cada um deles
e a intensidade máxima ocorre capaz de emitir e absorver ondas eletromagnéticas. Para obter uma boa concordância entre as
para um comprimento de onda curvas teóricas e experimentais, Planck supôs que a energia E de um oscilador atômico podia
menor. ter apenas os valores E 5 0, hf, 2hf, 3hf e assim por diante. Em outras palavras, ele supôs que

 (29.1)
em que n é igual a zero ou a um número positivo, f é a frequência de vibração (em hertz), e h
é uma constante hoje conhecida como constante de Planck.* O valor da constante de Planck
foi determinado experimentalmente igual a


O que havia de radical na hipótese de Planck era o fato de que a energia de um oscilador
atômico podia ter apenas valores discretos (0, hf, 2hf, 3hf etc.), com energias entre esses valo-
res sendo proibidas. Sempre que a energia de um sistema pode ter apenas certos valores defi-

*Sabe-se que a energia de um oscilador harmônico é igual a E 5 o termo extra não é importante para a
presente discussão.

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Partículas e Ondas  ■  29

nidos, e nada entre eles, dizemos que a energia é quantizada. Essa quantização da energia era
inesperada com base na física da época. Entretanto, os cientistas logo se deram conta de que a
quantização da energia tinha uma grande gama de implicações válidas.
A conservação da energia exige que a energia transportada pelas ondas eletromagnéticas ir-
radiadas seja igual à energia perdida pelos osciladores atômicos no modelo de Planck. Suponha,
por exemplo, que um oscilador com uma energia de 3hf emita uma onda eletromagnética. De
acordo com a Equação 29.1, o próximo valor menor permitido para a energia do oscilador é 2hf.
Nesse caso, a energia irradiada pela onda eletromagnética teria o valor hf, igualando a quanti-
dade de energia perdida pelo oscilador. Assim, o modelo de Planck para a radiação de corpo
negro criou as condições necessárias para a ideia de que a energia eletromagnética ocorre como
uma coleção de quantidades discretas, ou pacotes, de energia, com a energia de um pacote sen-
do igual a hf. Einstein fez a proposta de que a luz é formada por tais pacotes de energia.

29.3 Fótons e o Efeito Fotoelétrico


Vimos no Capítulo 24 que a luz é uma onda eletromagnética e que tais ondas são padrões
contínuos de campos elétricos e magnéticos. Não é surpresa, então, que feixes de luz, como os
da fotografia na Figura 29.3, ou os vindos de lanternas, pareçam feixes contínuos. No entanto,
agora devemos discutir o fato surpreendente de que a luz visível e todos os outros tipos de ondas
eletromagnéticas são compostos por entidades discretas parecidas com partículas conhecidas
como fótons. Como discutido nos Capítulos 6 e 7 no volume 1, a energia total E e a quantidade
de movimento linear são conceitos fundamentais na física que se aplicam a partículas em
movimento como elétrons e prótons. A energia total de uma partícula (não relativística) é a so-
ma da sua energia cinética (EC) com a sua energia potencial (EP), ou E 5 EC 1 EP. O módulo
p da quantidade de movimento da partícula é o produto da sua massa m pela sua velocidade v, Figura 29.3  Embora os feixes de
ou p 5 mv. Veremos que as ideias de energia e quantidade de movimento também se aplicam luz dos holofotes na fotografia
aos fótons. As equações que definem a energia de um fóton e a quantidade de movimento de pareçam feixes contínuos de luz,
um fóton, no entanto, não são as mesmas que para partículas como os elétrons e os prótons. cada um é composto por fótons
discretos. (© Albert Normandin/
A evidência experimental de que a luz é formada por fótons vem de um fenômeno conhe- Masterfile)
cido como efeito fotoelétrico, no qual elétrons são emitidos de uma superfície metálica quan-
do uma luz a ilumina. A Figura 29.4 ilustra o efeito. Os elétrons são emitidos se a luz sendo
usada tiver uma frequência suficientemente alta. Os elétrons ejetados se movem em direção a
um eletrodo positivo conhecido como coletor e fazem com que uma corrente seja registrada
no amperímetro. Pelo fato de os elétrons serem ejetados com a ajuda da luz, eles são chamados
de fotoelétrons. Como será discutido em breve, muitas das características do efeito fotoelétri-
co não podiam ser explicadas unicamente com as ideias da física clássica.
Em 1905, Einstein apresentou uma explicação do efeito fotoelétrico desenvolvido por Planck,
relativo à radiação de corpo negro. Foi principalmente por sua teoria do efeito fotoelétrico que
ele ganhou o prêmio Nobel de física em 1921. Em sua teoria fotoelétrica, Einstein propôs que
a luz com frequência f podia ser considerada como uma coleção de pacotes discretos de energia
(fótons), cada pacote contendo uma quantidade de energia E dada por
Energia de um fóton  (29.2)
em que h é a constante de Planck. A energia luminosa liberada por uma lâmpada incandescente,
por exemplo, é transportada por fótons. Quanto maior o brilho (a intensidade luminosa) da
lâmpada, maior é o número de fótons emitidos por segundo. O Exemplo 1 estima o número de
fótons emitidos por segundo por uma lâmpada incandescente típica.

  Exemplo 1    Fótons de uma Lâmpada Incandescente


Ao converter energia elétrica em energia luminosa, uma lâmpada incandescente de 60 W opera com
cerca de 2,1% de eficiência. Supondo que toda a luz emitida pela lâmpada seja luz verde (comprimen-
to de onda no vácuo 5 555 nm), determine o número de fótons liberados pela lâmpada por segundo.
Raciocínio  O número de fótons emitidos por segundo pode ser obtido dividindo-se a quantidade
de energia luminosa emitida por segundo pela energia E de um fóton. De acordo com a Equação
29.2, a energia de um único fóton é E 5 hf. A frequência f do fóton está relacionada com o seu Figura 29.4  No efeito
comprimento de onda l, pela Equação 16.1, como f 5 c/l. fotoelétrico, a luz com uma
frequência suficientemente alta
Solução  Com uma eficiência de 2,1%, a energia luminosa emitida por segundo por uma lâmpada ejeta elétrons de uma superfície
de 60 watts é igual a (0,021)(60,0 J/s) 5 1,3 J/s. A energia de um único fóton é metálica. Esses fotoelétrons, como
são chamados, são atraídos para o
coletor positivo, produzindo uma
corrente.

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30  ■  Capítulo 29

Portanto,


 ■

De acordo com Einstein, quando uma luz ilumina um metal, um fóton pode transferir sua
energia para um elétron no metal. Se um fóton tiver energia suficiente para realizar o trabalho
de remover o elétron do metal, o elétron pode ser ejetado. O trabalho necessário depende das
forças que mantêm o elétron preso ao metal. Para os elétrons mantidos mais fracamente presos,
o trabalho necessário tem um valor mínimo W0, conhecido como função trabalho do metal.
Se um fóton tiver uma energia maior do que o trabalho necessário para remover um elétron do
metal, a energia em excesso aparece como energia cinética do elétron ejetado. Assim, os elé-
trons mantidos mais fracamente presos são ejetados com a energia cinética máxima ECmáx.
Einstein aplicou o princípio da conservação da energia e propôs a seguinte relação para des-
crever o efeito fotelétrico:
(29.3)


De acordo com esta equação, ECmáx 5 hf 2 W0, que está representada graficamente na Figura
Figura 29.5  Fótons podem ejetar 29.5, com ECmáx no eixo y e f no eixo x. O gráfico é uma linha reta que intercepta o eixo x em
elétrons de um metal, quando a f 5 f0. Nessa frequência, o elétron deixa o metal sem energia cinética (ECmáx 5 0 J). De acordo
frequência da luz está acima de
um valor mínimo f0. Para
com a Equação 29.3, quando ECmáx 5 0 J, a energia hf0 do fóton incidente é igual à função
frequências acima desse valor, trabalho W0 do metal: hf0 5 W0.
elétrons ejetados têm uma energia O conceito de fóton fornece uma explicação para algumas características do experimento
cinética máxima ECmáx, que está fotelétrico que são difíceis de serem explicadas de outra forma. Observa-se, por exemplo, que
relacionada linearmente com a apenas a luz com uma frequência acima de certo valor mínimo f0 é capaz de ejetar elétrons. Se
frequência, como mostrado no a frequência da luz estiver abaixo desse valor, nenhum elétron é ejetado, por mais intensa que
gráfico. seja a luz. O Exemplo 2 determina o valor da frequência mínima para uma superfície de prata.

  Exemplo 2    O Efeito Fotoelétrico para uma Superfície de Prata


A função trabalho para uma superfície de prata é W0 5 4,73 eV. Determine a frequência mínima
que a luz deve ter para ejetar elétrons dessa superfície.
Raciocínio  A frequência mínima f0 é a frequência com a qual a energia do fóton se iguala à função
trabalho W0 do metal, portanto o elétron é ejetado com energia cinética igual a zero. Como 1eV 5
1,60 3 10219 J, a função trabalho expressa em joules é:
19
1.60
, 10 J 19
W0 (4.73
, eV ) 7.57
, 10 J
1 eV
■■ Dicas para a Solução de Problemas. Utilizando a Equação 29.3, obtivemos
A função trabalho de um metal é a energia
mínima necessária para ejetar um elétron do
metal. Uma vez fora do metal um elétron que
recebeu essa energia mínima não tem
nenhuma energia cinética.
Solução  A frequência mínima f0 é


Fótons com frequências menores do que f0 não têm energia suficiente para ejetar elétrons de uma
superfície de prata. Como l0 5 c/f0, o comprimento de onda dessa luz é l0 5 263 nm, que está na
região ultravioleta do espectro eletromagnético.
 ■

No Exemplo 2, os elétrons são ejetados sem energia cinética, porque a luz que ilumina a
superfície de prata tem a frequência mínima possível que vai ejetá-los. Quando a frequência
da luz excede esse valor mínimo, os elétrons que são ejetados têm energia cinética não nula.
O próximo exemplo lida com tal situação.

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Partículas e Ondas  ■  31

Análise de Problemas com Múltiplos Conceitos


  Exemplo 3    A Velocidade Máxima de Fotoelétrons Ejetados
Uma luz com um comprimento de onda de 95 nm ilumina uma superfície de selênio, que tem uma função trabalho de 5,9 eV. Os
elétrons ejetados têm alguma energia cinética. Determine a velocidade máxima com que os elétrons são ejetados.
Raciocínio  A velocidade máxima dos elétrons ejetados está relacionada com a energia cinética máxima deles. A conservação
da energia impõe que essa energia cinética máxima esteja relacionada com a função trabalho da superfície e com a energia dos
fótons incidentes. A função trabalho é fornecida. A energia dos fótons pode ser obtida a partir da frequência da luz, que está re-
lacionada com o comprimento de onda.
Dados Conhecidos e Incógnitas  Temos os seguintes dados:

Descrição Símbolo Valor Comentário


Comprimento de onda da luz l 95 nm 1 nm 5 1029 m
Função trabalho da superfície de selênio W0 5,9 eV Será convertida para joules.
Variável Desconhecida (Incógnita)
Velocidade máxima dos fotoelétrons vmáx ?

Modelando o Problema
  PASSO 1    Energia Cinética e Velocidade Escalar A energia cinética máxima

B
2EC máx
ECmáx dos elétrons ejetados é igual a ECmáx 5 (Equação 6.2), em que m é a vmáx (1)
massa de um elétron. Explicitando a velocidade máxima vmáx obtém-se a Equação 1 à m
direita. A massa do elétron é m 5 9,11 3 10231 kg (veja a contracapa da frente do ?
livro). A energia cinética máxima é desconhecida, mas ela será obtida no Passo 2.
  PASSO 2    da Energia De acordo com o princípio da conservação da energia,
expresso pela Equação 29.3, temos


B
2EC máx
vmáx (1)
em que f é a frequência da luz. Explicitando ECmáx obtivemos m
EC máx hf W0 (2) EC máx hf W0 (2)

que pode ser substituída na Equação 1, como mostrado à direita. Nessa expressão, a ?
função trabalho W0 é conhecida, e vamos lidar com a frequência desconhecida f no
Passo 3.
  PASSO 3    Relação entre a Frequência e o Comprimento de Onda A frequência
B
2EC máx
e o comprimento de onda da luz estão relacionados com a velocidade de propagação vmáx (1)
m
da luz c de acordo com f l 5 c (Equação 16.1). Explicitando a frequência temos
EC máx hf W0 (2)
c
f
c
f
que substituímos na Equação 2, como mostrado à direita.

Solução  Combinando algebricamente os resultados de cada passo, concluímos que

PASSO 1 PASSO 2 PASSO 3

c
2 h W0
2EC máx 2(hf W0)
vmáx
B m B m R m

Continua

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32  ■  Capítulo 29

Portanto, a velocidade máxima dos fotoelétrons é


Observe que nesse cálculo convertemos o valor da função trabalho de elétrons-volts para
joules.

Trabalho a Ser Resolvido em Casa Associado:  Problemas 8 e 50 ■

Outra característica significativa do efeito fotoelétrico é que a energia cinética máxima dos
elétrons ejetados permanece a mesma quando a intensidade da luz aumenta, desde que a fre-
quência da luz permaneça a mesma. À medida que a intensidade da luz aumenta, mais fótons
por segundo atingem o metal, e consequentemente mais elétrons por segundo são ejetados. No
entanto, como a frequência é a mesma para cada fóton, a energia de cada fóton também é a
mesma. Logo, os elétrons ejetados sempre têm a mesma energia cinética.
Enquanto o modelo da luz composta por fótons explica o efeito fotoelétrico satisfatoriamen-
te, o modelo de ondas eletromagnéticas da luz não o faz. Certamente, é possível imaginar que
o campo elétrico de uma onda eletromagnética faria com que elétrons no metal oscilassem e
se libertassem da superfície quando a amplitude de oscilação se tornasse suficientemente gran-
de. No entanto, se esse fosse o caso, uma luz com maior intensidade ejetaria elétrons com uma
maior energia cinética máxima, um fato não confirmado experimentalmente. Além disso, no
modelo de onda eletromagnética, seria necessário um tempo relativamente longo com uma luz
de baixa intensidade antes que os elétrons atingissem uma amplitude de oscilação suficiente-
mente grande para escaparem. Ao contrário, experimentos mostram que mesmo a intensidade
de luz mais fraca faz com que elétrons sejam ejetados quase que instantaneamente, desde que
a frequência da luz esteja acima do valor mínimo f0. A incapacidade do modelo de ondas ele-
tromagnéticas explicar o efeito fotoelétrico não significa que o modelo de ondas deva ser aban-
donado. Entretanto, devemos reconhecer que o modelo de ondas não consegue explicar todas
as características da luz. O modelo de fótons também dá uma importante contribuição ao nos-
so entendimento da maneira como a luz se comporta quando ela interage com a matéria.
Pelo fato de um fóton possuir energia, ele pode ejetar um elétron de uma superfície metá-
lica ao interagir com o elétron. No entanto, um fóton difere de uma partícula normal. Uma
partícula normal tem massa e pode se deslocar com velocidades muito próximas, mas não
iguais, à velocidade de propagação da luz. Um fóton, por sua vez, viaja com a velocidade da
luz no vácuo e não existe como um objeto em repouso. A energia de um fóton é de natureza
inteiramente cinética, porque ele não tem energia de repouso e nem massa. Para mostrar que
um fóton não tem massa, reescrevemos a Equação 28.4 para energia total E como

O termo é igual a zero porque um fóton viaja com a velocidade de propagação


da luz, v 5 c. Como a energia E de um fóton é finita, o lado esquerdo da equação anterior é
igual a zero. Portanto, o lado direito também tem que ser igual a zero, logo m 5 0 kg e o fóton
não tem massa.
A física dos dispositivos de carga acoplada (CCD) e câmeras digitais. Uma das aplicações do efeito fo-
toelétrico mais empolgantes e úteis é o dispositivo de carga acoplada (CCD). Um arranjo des-
ses dispositivos é utilizado em câmeras digitais no lugar do filme das câmeras mais antigas
(veja a Figura 29.6) para capturar imagens na forma de muitos pequenos grupos de elétrons.
Arranjos de CCD também são utilizados em câmeras de vídeo digitais e scanners eletrônicos,
e eles fornecem o método adotado pelos astrônomos para capturar as imagens espetaculares
dos planetas e das estrelas. Para o uso com luz visível, um arranjo de CCD é formado por um
sanduíche de semicondutores de silício, dióxido de silício isolante e vários eletrodos, como

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Partículas e Ondas  ■  33

Figura 29.6  Câmeras


digitais, como a que aparece
na foto, usam um conjunto
de dispositivos de carga
acoplada1 no lugar de filmes
para capturar uma imagem.
(© Yen Hung/Shutterstock)

mostrado na Figura 29.7. O arranjo é dividido em muitas pequenas seções, ou pixels, dezesseis
das quais são mostradas no desenho. Cada pixel captura uma pequena parte de uma imagem.
Câmeras digitais podem ter até 24 milhões de pixels, dependendo do preço. Quanto maior o
número de pixels, melhor é a resolução da fotografia. A vista explodida na Figura 29.7 mostra
um único pixel. Fótons incidentes de luz visível se chocam com o silício e geram elétrons por
meio do efeito fotoelétrico. A faixa de energias dos fótons visíveis é tal que aproximadamente
um elétron é liberado quando um fóton interage com um átomo de silício. Os elétrons não es-
capam do silício, mas ficam presos em um pixel em razão de uma voltagem positiva aplicada
aos eletrodos abaixo da camada isolante. Dessa forma, o número de elétrons que são liberados
e aprisionados é proporcional ao número de fótons que atingem o pixel. Dessa maneira, cada
Figura 29.7  Um arranjo de CCD
pixel no arranjo de CCD acumula uma representação precisa da intensidade luminosa nesse pode ser usado para capturar
ponto sobre a imagem. As informações sobre cores são fornecidas usando filtros vermelhos, imagens fotográficas usando o
verdes ou azuis ou um sistema de prismas para separar as cores. Astrônomos usam arranjos de efeito fotoelétrico.
CCD não apenas na região visível do espectro eletromagnético, mas também em outras regiões.
Além de aprisionar os fotoelétrons, os eletrodos abaixo dos pixels são usados para extrair
a representação eletrônica da imagem. Alterando-se as voltagens positivas aplicadas aos ele-
trodos, é possível fazer com que todos os elétrons aprisionados em uma fileira de pixels sejam
transferidos para a fileira adjacente. Dessa maneira, a fileira 1 na Figura 29.7, por exemplo, é
transferida para fileira 2, a fileira 2 para fileira 3, e a fileira 3 para a fileira de baixo, que tem
um propósito especial. A fileira de baixo funciona como um registro de deslocamento horizon-
tal, a partir do qual o conteúdo de cada pixel pode ser deslocado para direita, um de cada vez,
e lido em um processador de sinais analógicos. Esse processador detecta o número variável de
elétrons em cada pixel do registro de deslocamento como um tipo de onda que tem uma am-
plitude flutuante. Depois de outro deslocamento nas fileiras, a informação na próxima fileira
é lida e assim por diante. A saída do processador de sinais analógicos é enviada para um con-
versor analógico-digital, que produz uma representação digital da imagem em termos dos ze-
ros e uns que os computadores digitais reconhecem.
A física de um item de segurança na abertura de portas de garagem. Outra aplicação do efeito fotoelé-
trico depende do fato de os fotoelétrons em movimento na Figura 29.4 formarem uma corren-
te — uma corrente que se altera quando a intensidade da luz se altera. Todos os mecanismos
de abertura de portas de garagem automáticas têm um dispositivo de segurança que impede
que a porta feche quando ela encontra uma obstrução (pessoa, veículo etc.). Como ilustrado
na Figura 29.8, uma unidade de transmissão envia um feixe invisível (infravermelho) cruzando
a abertura da porta. O feixe é detectado por uma unidade receptora que contém um fotodiodo.
Um fotodiodo é um tipo de diodo de junção p-n (veja a Seção 23.5 no volume 2). Quando fó-
tons infravermelhos incidem sobre o fotodiodo, elétrons presos aos átomos absorvem os fótons

Figura 29.8  Quando uma obstrução impede que o


feixe de luz infravermelha chegue à unidade receptora,
a corrente na unidade receptora tem uma queda. Essa
queda na corrente é detectada por um circuito
eletrônico que interrompe o movimento de descida da
porta da garagem e depois faz com que ela suba.

1
Ou CCD, da sigla em inglês Charge-Coupled Device. (N.T.)

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34  ■  Capítulo 29

Figura 29.9  (a) A fotoevaporação


produz projeções semelhantes a
dedos na superfície das nuvens de
gás na Nebulosa da Águia. Nas
pontas desses dedos estão glóbulos
gasosos evaporantes de alta
densidade (EGGs). (b) Este
desenho ilustra a fotoevaporação
que está ocorrendo na fotografia do
item a. (a. Cortesia da NASA)

e se tornam livres. Esses elétrons móveis liberados provocam um aumento da corrente no fo-
todiodo. Quando uma pessoa caminha atravessando o feixe, a luz é bloqueada momentanea-
mente e não chega à unidade receptora, fazendo com que a corrente no fotodiodo diminua. A
mudança na corrente é sentida pelo circuito eletrônico interno que imediatamente para o mo-
vimento de descida da porta e depois faz com que ela volte a subir.
A física da fotoevaporação e formação de estrelas. A Figura 29.9a mostra uma porção da Nebulosa
da Águia, uma região gigante de formação de estrelas localizada a aproximadamente 7000
anos-luz da Terra. A foto foi tirada pelo telescópio espacial Hubble e revela nuvens de gás mo-
lecular e poeira, nas quais existe evidência considerável da energia transportada por fótons.
Essas nuvens se estendem por mais de um ano-luz da base até a ponta e são o local de nasci-
mento de estrelas. Uma estrela começa a se formar dentro de uma nuvem quando a força gra-
vitacional atrai e reúne uma quantidade suficiente de gases para criar uma “bola” de alta den-
sidade. Quando a bola gasosa se torna suficientemente densa, ocorre a fusão termonuclear
(veja a Seção 32.5) no seu núcleo, e a estrela começa a brilhar. As estrelas recém-nascidas
estão enterradas dentro da nuvem e não podem ser vistas da Terra. No entanto, o processo de
fotoevaporação permite que astrônomos vejam muitas das regiões de alta densidade onde as
estrelas estão sendo formadas. A fotoevaporação é o processo no qual fótons ultravioletas (UV)
de alta energia de estrelas quentes fora da nuvem a aqueça, de uma maneira muito semelhante
a como os fótons de micro-ondas aquecem alimentos em um forno de micro-ondas. A Figura
29.9a mostra correntes de gás fotoevaporando da nuvem quando ela é iluminada por estrelas
localizadas além da borda superior da foto. À medida que a fotoevaporação prossegue, glóbu-
los de gás que são mais densos do que seus arredores são expostos. Os glóbulos são conhecidos
como glóbulos gasosos em evaporação (EGGs2), e são ligeiramente maiores do que o nosso
sistema solar. O desenho no item b da Figura 29.9 mostra que os EGGs criam uma sombra que
protege o gás e a poeira atrás deles dos fótons UV, criando as muitas protrusões parecidas com
dedos observadas na superfície da nuvem. Astrônomos acreditam que alguns desses EGGs
contêm estrelas jovens no seu interior.

Verifique Seu Entendimento


(As respostas são dadas no final do livro.)
  1. Os fótons emitidos por uma fonte luminosa não possuem todos a mesma energia. A fonte é mono-
cromática? (Uma fonte de luz monocromática emite luz que tem um único comprimento de onda.)
  2. Qual a lâmpada incandescente colorida — vermelha, laranja, amarela, verde ou violeta — emite
fótons com  (a) a menor energia e  (b) a maior energia? (Veja o Exemplo 1 no Capítulo 24 no
volume 2.)
  3. Um fóton emitido por uma lâmpada incandescente vermelha de maior potência tem mais energia
do que um fóton emitido por uma lâmpada incandescente vermelha de menor potência?
  4. A radiação de um dado comprimento de onda faz com que elétrons sejam emitidos da superfície
do metal 1, mas não da superfície do metal 2. Qual poderia ser a razão?  (a) O metal 1 tem uma
função trabalho maior do que o metal 2.  (b) O metal 1 tem uma função trabalho menor do que o
metal 2. (c) A energia de um fóton que colide com o metal 1 é maior do que a energia de um fóton
que colide com o metal 2.
  5. No efeito fotoelétrico, elétrons são ejetados da superfície de um metal quando a luz ilumina esse
metal. Quais das seguintes providências levariam a um aumento da energia cinética máxima dos
elétrons ejetados?  (a) Aumentar a frequência da luz incidente  (b) Aumentar o número de fótons
por segundo colidindo com a superfície  (c) Usar fótons cuja frequência f0 é menor do que W0/h,
em que W0 é a função trabalho do metal e h é a constante de Planck  (d) Selecionar um metal que
tenha uma maior função trabalho.

2
Sigla do termo correspondente em inglês Evaporating Gaseous Globules. (N.T.)

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Partículas e Ondas  ■  35

  6. No efeito fotoelétrico, suponha que a intensidade de luz seja aumentada, enquanto a frequência
da luz é mantida constante. A frequência é maior do que a frequência mínima f0. Diga se cada
uma das seguintes grandezas aumentará, diminuirá ou permanecerá a mesma:  (a) A corrente
no fototubo  (b) O número de elétrons emitidos por segundo da superfície metálica  (c) A ener-
gia cinética máxima que um elétron poderia ter  (d) A quantidade de movimento máxima que
um elétron poderia ter

29.4 A Quantidade de Movimento de um Fóton e


o Efeito Compton
Embora Einstein tenha apresentado seu modelo de fótons para o efeito fotelé-
trico em 1905, o conceito de fótons só começou a ter ampla aceitação a partir de 1923.
Foi nesse ano que o físico norte-americano Arthur H. Compton (1892-1962) usou o
modelo dos fótons para explicar os resultados da sua pesquisa sobre o espalhamento
de raios X pelos elétrons em uma amostra de grafite. Os raios X são ondas eletromag-
néticas de alta frequência e, como a luz visível, são compostos por fótons.
A Figura 29.10 ilustra o que acontece quando um fóton de raios X se choca com
um elétron em um pedaço de grafite. Como duas bolas de bilhar colidindo em uma
mesa de sinuca, o fóton de raios X sofre espalhamento em uma direção após a coli-
são, enquanto o elétron recua em outra direção. Compton observou que o fóton es-
palhado tem uma frequência f9 que é menor do que a frequência f do fóton incidente,
indicando que o fóton perdeu energia durante a colisão. Além disso, o cientista des-
cobriu que a diferença entre as duas frequências depende do ângulo u com que o fó- Figura 29.10  Em um experimento
ton espalhado sai da colisão. O fenômeno no qual um fóton de raios X é espalhado realizado por Arthur H. Compton, um
por um elétron, com o fóton espalhado tendo uma frequência menor do que o fóton fóton de raios X colide com um elétron
incidente, é chamado de efeito Compton. em repouso. O fóton espalhado e o
Na Seção 7.3 (no volume 1), colisões entre dois objetos são analisadas usando o elétron que recua partem em direções
fato de que a energia cinética total e a quantidade de movimento linear total dos obje- diferentes após a colisão.
tos são as mesmas antes e depois de uma colisão elástica. Uma análise semelhante po-
de ser aplicada à colisão entre um fóton e um elétron. Supomos que o elétron esteja
inicialmente em repouso e essencialmente livre, ou seja, que ele não esteja preso aos
átomos do material. De acordo com o princípio da conservação da energia,
(29.4)


em que a relação E 5 hf foi usada para as energias do fóton. A conclusão, portanto, é que hf9 5
hf 2 EC, mostrando que a energia e a frequência correspondente f 9 do fóton espalhado são
menores do que a energia e frequência do fóton incidente,
exatamente como observado por Compton. Como l9 5 c/
f 9 (Equação 16.1), o comprimento de onda dos raios X es- HABILIDADES MATEMÁTICAS  A Equação 29.5 é uma relação
palhados é maior do que o comprimento de onda dos raios entre a quantidade de movimento do fóton incidente, a quantidade
X incidentes. de movimento do fóton espalhado e a quantidade de movimento
No caso de um elétron inicialmente em repouso, a con- do elétron que recua na Figura 29.10. Essas quantidades de
servação da quantidade de movimento linear total exige movimento são grandezas vetoriais. Portanto, a Equação 29.5 é equi-
valente a duas equações escalares: uma para as componentes x dos
que vetores e uma para as componentes y dos vetores (veja as Seções 1.7
e 1.8 do volume 1). Usando componentes em relação aos eixos x e y
(29.5) na Figura 29.10, podemos ver que as duas equações a seguir são equi-
valentes à Equação 29.5:
Componente x

Uma expressão para o módulo p da quantidade de movi-
mento de um fóton pode ser obtida a partir das Equações
28.3 e 28.4. De acordo com essas equações, a quantidade Componente y
de movimento p e a energia total E de qualquer partícula

são
Nessas equações, os símbolos p e p9 representam os módulos dos vetores
quantidades de movimento. Observe que a componente y da quantidade
(28.3) de movimento é igual a zero para o fóton incidente, já que esse fóton

viaja ao longo do eixo x na Figura 29.10. Observe também que a com-
ponente y da quantidade de movimento é negativa para o fóton espalha-
(28.4) do, já que o sentido em que esse fóton viaja é para baixo do eixo x.


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36  ■  Capítulo 29

Rearranjando a Equação 28.4 para mostrar que e substituindo esse resul-


tado na Equação 28.3 obtivemos


Um fóton viaja com a velocidade de propagação da luz, logo temos v 5 c, e a quantidade de
movimento de um fóton é


Esse resultado só se aplica a um fóton e não se aplica a uma partícula com massa, porque tal
partícula não consegue viajar com a velocidade de propagação da luz. Também sabemos que
a energia de um fóton está relacionada com a sua frequência f de acordo com E 5 hf (Equação
29.2) e que a velocidade c de um fóton está relacionada com a sua frequência e com o seu
comprimento de onda l de acordo com c 5 f l (Equação 16.1). Com essas substituições, nos-
sa expressão para a quantidade de movimento de um fóton assume a forma

(29.6)

Usando as Equações 29.4 a 29.6, Compton mostrou que a diferença entre o comprimento
de onda l9 do fóton espalhado e o comprimento de onda l do fóton incidente está relacionada
com o ângulo de espalhamento u pela equação

(29.7)

Nessa equação, m é a massa do elétron. A grandeza h/(mc) é conhecida como comprimento de
onda de Compton do elétron e tem o valor h/(mc) 5 2,43 3 10212 m. Como cos u varia entre
11 e –1, o deslocamento l9 2 l no comprimento de onda pode variar entre zero e 2h/(mc),
dependendo do valor de u, um fato observado experimentalmente por Compton.
O efeito fotoelétrico e o efeito Compton oferecem evidência convincente de que a luz pode
exibir características semelhantes a partículas (características corpusculares), que podem ser
atribuídas a pacotes de energia conhecidos como fótons. O que dizer, no entanto, dos fenôme-
nos de interferência discutidos no Capítulo 27, como o experimento de fendas duplas de Young
e a difração por fenda simples, que demonstram que a luz se comporta como uma onda (tem
características ondulatórias)? Será que a luz possui duas personalidades distintas, nas quais ela
se comporta como uma corrente de partículas em alguns experimentos e como uma onda em
outros? A resposta é sim, já que os físicos hoje acreditam que essa dualidade onda-partícula é
uma propriedade inerente à luz. A luz é um fenômeno muito mais interessante (e complexo)
do que uma simples corrente de partículas ou uma onda eletromagnética.
No efeito Compton, o elétron sofre um recuo porque absorve parte da quantidade de movi-
mento do fóton. Portanto, em princípio, a quantidade de movimento que os fótons possuem pode
ser usada para fazer outros objetos se moverem. O Exemplo Conceitual 4 considera um sistema
de propulsão para uma espaçonave interestelar baseado na quantidade de movimento de um fóton.

 A Física de Velas Solares e a Propulsão de


  Exemplo Conceitual 4  Espaçonaves

Um método de propulsão que está atualmente sendo estudado para viagens interestelares
usa uma vela grande. A intenção é fazer com que a luz solar que incide na vela crie uma
força que empurre a nave para longe do Sol (Figura 29.11), de maneira análoga a como
o vento impulsiona um barco a vela. Para se obter a maior força possível, a superfície da
vela que está voltada para o Sol (a) deveria ser brilhante como um espelho, (b) deveria
ser preta ou (c) poderia ser tanto brilhante como preta, já que a mesma força será criada
para qualquer tipo de superfície.
Raciocínio  No Exemplo Conceitual 3 do Capítulo 7 no volume 1, aprendemos que as pe-
dras de granizo que batem no teto de um carro exercem uma força sobre ele porque a colisão
modifica suas quantidades de movimento. Os fótons também possuem quantidade de mo-
vimento, portanto, como as pedras de granizo, eles podem aplicar uma força sobre a vela.
À semelhança do que fizemos no Capítulo 7 do volume 1, usaremos como guia o teo­
re­ma do impulso3 e quantidade de movimento (Equação 7.4) para obtermos a força. Esse
Figura 29.11  Uma vela solar fornece a
propulsão para essa espaçonave interestelar. 3
Ou impulsão. (N.T.)

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Partículas e Ondas  ■  37

teorema afirma que quando uma força resultante atua sobre um objeto, o impulso da força resultan-
te é igual à variação da quantidade de movimento do objeto. Maiores impulsos levam a maiores for-
ças para um mesmo intervalo de tempo. Assim, quando um fóton colide com a vela, a quantidade de
movimento do fóton se altera por conta da força que a vela aplica ao fóton. A lei da ação e reação de
Newton (Seção 4.5) indica que o fóton aplica à vela simultaneamente uma força de mesmo módulo
e na mesma direção, mas no sentido contrário. É essa força de reação que faz a espaçonave se mo-
vimentar, e ela será maior quando a variação da quantidade de movimento experimentada pelo fóton
for maior. Portanto, a superfície da vela voltada para o Sol deveria ser tal que provocasse a maior
variação possível da quantidade de movimento para os fótons que se chocam com a vela.
As respostas (b) e (c) estão incorretas.  No Exemplo Conceitual 3 no Capítulo 7, examinamos
se são as pedras de granizo ou as gotas de chuva que exercem a força máxima quando elas colidem
com o teto de um carro. A diferença é que pedras de granizo, por serem objetos duros, batem no
teto e voltam a se movimentar se afastando do teto, enquanto as gotas de chuva se espalham sobre
o teto e em sua maioria se mantêm sobre ele. Concluímos que as pedras de granizo, por rebaterem
no teto, sofrem uma variação na quantidade de movimento maior do que as gotas de chuva, logo o
teto exerce uma força maior sobre as pedras de granizo. Portanto, pela lei de Newton da ação e re-
ação, o teto do carro sofre uma maior força quando atingido por pedras de granizo do que por gotas
de chuva. Vimos na Seção 13.3 que a radiação é refletida por uma superfície espelhada e é absorvi-
da por uma superfície preta. Portanto, por analogia com as gotas de chuva que ficam presas no teto
do carro, a vela sofre a ação de uma força menor quando a superfície voltada para o Sol é preta.
A resposta (a) está correta.  A radiação solar sofre reflexão em uma superfície espelhada e é
absorvida por uma superfície preta. Considere agora um fóton que colide com a vela perpendicu-
larmente. Quando um fóton sofre reflexão na superfície espelhada, a quantidade de movimento do
fóton se altera do seu valor na direção para a frente para um valor de mesmo módulo no sentido
contrário. Essa mudança é maior do que a que ocorre quando o fóton é absorvido por uma superfí-
cie preta. No último caso, a quantidade de movimento se altera apenas do seu valor na direção para
a frente para um valor igual a zero. Consequentemente, a superfície da vela voltada para o Sol teria
que ser espelhada a fim de produzir a maior força de propulsão possível. Uma superfície espelhada
faz com que os fótons se afastem da vela após a colisão como as pedras de granizo no teto de um
carro e, ao fazê-lo, aplicam uma força maior sobre a vela.

Trabalho a Ser Resolvido em Casa Associado:  Problema 51 ■

Verifique Seu Entendimento


(As respostas são dadas no final do livro.)
  7. No efeito Compton, um fóton de um raio X incidente com comprimento de onda l é espalhado por
um elétron, e o fóton espalhado tem um comprimento de onda igual a l9. Suponha que o fóton in-
cidente seja espalhado por um próton em vez de um elétron. Para um dado ângulo de espalhamen-
to u, a variação l9 2 l que ocorre no comprimento de onda do fóton espalhado pelo próton é maior,
menor ou igual à variação que ocorre no comprimento de onda do fóton quando espalhado por um
elétron? (Dica: Use a Equação 29.7 para um próton em vez de um elétron.)
  8. Em um experimento de espalhamento de Compton, um fóton de raios X incidente está se deslocan-
do ao longo da direção 1x. Um elétron, inicialmente em repouso, é atingido pelo fóton e é acele-
rado para a frente exatamente na mesma direção e no mesmo sentido que o fóton de raios X inci-
dente. Em que direção e sentido o fóton espalhado passa a se mover?  (a) Na direção 1y (b) Na
direção 2y (c) Na direção 2x (Dica: Use o prin-
cípio da conservação da quantidade de movimen-
to para guiar o seu raciocínio.)
  9. A velocidade de uma partícula é muito menor do
que a velocidade da luz. Portanto, quando a velo-
cidade da partícula dobra, a quantidade de movi-
mento da partícula também dobra, e a sua energia
cinética passa a ser quatro vezes maior. No entan-
to, quando a quantidade de movimento de um fó-
ton dobra, sua energia  (a) se torna duas vezes
maior (b) se torna quatro vezes maior  (c) é re-
duzida à metade  (d) é reduzida a um quarto.
10. Reveja o Exemplo Conceitual 4 como uma prepa-
ração para essa questão. A fotografia mostra um
dispositivo conhecido como radiômetro. Os quatro
painéis regulares são negros de um lado e espelha-
dos do outro. Com bastante luminosidade, o arran-
jo em forma de painel gira em torno do eixo em um
sentido do lado negro de um painel em direção ao
lado espelhado. As colisões dos fótons com os dois (Cortesia da Sargent-Welch Scientific Company)
lados dos painéis provocam a rotação observada? Questão 10

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38  ■  Capítulo 29

Figura 29.12  (a) O padrão de


difração de nêutrons e (b) o padrão
de difração de raios X para um
cristal de cloreto de sódio (NaCl).
(a. De Phys. Rev., 73(5):527
(1948), por Wollan, Shull e
Marney. © 1948 pela American
Physical Society. Reproduzido
com permissão. b. Cortesia de
Edwin Jones, University of South
Carolina.)

29.5 O Comprimento de Onda de De Broglie e


a Natureza Ondulatória da Matéria
Em 1923, quando Louis de Broglie (1892-1987) era aluno de doutorado, ele fez a se-
guinte sugestão surpreendente: já que ondas luminosas podiam exibir comportamento seme-
lhante ao de partículas, partículas de matéria deveriam exibir comportamento semelhante ao
de ondas. De Broglie propôs que toda a matéria em movimento tem um comprimento de onda
associado a ela, da mesma forma que uma onda. Ele fez a proposta explícita de que o compri-
mento de onda l de uma partícula é dado pela mesma relação (Equação 29.6) que se aplica a
um fóton:
Comprimento de onda
de De Broglie (29.8)

em que h é a constante de Planck e p é o módulo da quantidade de movimento relativístico da
partícula. Atualmente, l é conhecido como o comprimento de onda de De Broglie da partícula.
A sugestão do cientista foi confirmada em 1927 pelos experimentos dos físicos norte-ame-
ricanos Clinton J. Davisson (1881-1958) e Lester H. Germer (1896-1971) e, independentemen-
te, pelos experimentos do físico inglês George P. Thomson (1892-1975). Davisson e Germer
direcionaram um feixe de elétrons sobre um cristal de níquel e observaram que os elétrons
exibiam um comportamento de difração análogo àquele visto quando raios X são difratados
por um cristal (veja a Seção 27.9 para uma discussão da difração de raios X). O comprimento
de onda dos elétrons revelado pelo padrão de difração coincidia com aquele previsto pela hi-
pótese de De Broglie, l 5 h/p. Mais recentemente, o experimento de fenda dupla de Young foi
feito com elétrons e revelou os efeitos de interferência de ondas ilustrados na Figura 29.1.
Outras partículas além de elétrons também podem exibir propriedades semelhantes às de
ondas. Nêutrons, por exemplo, às vezes são usados em estudos de difração da estrutura crista-
lina da matéria. A Figura 29.12 compara o padrão de difração de nêutrons com o padrão de
difração de raios X produzido por um cristal de sal-gema (NaCl).
Apesar de todas as partículas em movimento terem um comprimento de onda de De Broglie,
os efeitos desse comprimento de onda só são observáveis para partículas cujas massas são
muito pequenas, da ordem da massa de um elétron ou de um nêutron, por exemplo. O Exemplo
5 ilustra o porquê.

 O Comprimento de Onda de De Broglie de um Elétron e de


  Exemplo 5  uma Bola de Beisebol

Determine o comprimento de onda de De Broglie para (a) um elétron (massa 5 9,1 3 10231 kg) se
movendo com uma velocidade de 6,0 3 106 m/s e (b) uma bola de beisebol (massa 5 0,15 kg) se
movendo a uma velocidade de 13 m/s.
Raciocínio  Em cada caso, o comprimento de onda de De Broglie é dado pela Equação 29.8 como
igual à constante de Planck dividida pelo módulo da quantidade de movimento. Como as velocida-
des são pequenas em comparação com a velocidade de propagação da luz, podemos ignorar os
efeitos relativísticos e expressar o módulo da quantidade de movimento como o produto da massa
pela velocidade, como na Equação 7.2.

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Partículas e Ondas  ■  39

Solução  (a) Como o módulo p da quantidade de movimento é o produto da massa m da partícula


pela sua velocidade v, temos p 5 mv (Equação 7.2). Usando essa expressão na Equação 29.8 para
o comprimento de onda de De Broglie, obtivemos


Um comprimento de onda de De Broglie de 1,2 3 10210 m é praticamente igual ao tamanho do es-
paçamento interatômico em um sólido, como o cristal de níquel usado por Davisson e Germer;
portanto, nos leva aos efeitos de difração observados.
(b) Um cálculo semelhante ao do item (a) mostra que o comprimento de onda de De Broglie para
a bola de beisebol é igual a l 5 3,3 3 10234 m . Esse comprimento de onda é incrivelmente pe-
queno, mesmo quando comparado com o tamanho de um átomo (10210 m) ou de um núcleo (10214 m).
Assim, o quociente l/W entre esse comprimento de onda e a largura W de uma abertura comum,
como uma janela, é tão pequeno que a difração de uma bola de beisebol atravessando a janela não
pode ser observada.
 ■

A equação de De Broglie para o comprimento de onda de uma partícula não fornece nenhu-
ma indicação quanto ao tipo de onda que está associado a uma partícula de matéria. Para com-
preender melhor a natureza dessa onda, voltamos nossa atenção para a Figura 29.13. O item a
mostra o padrão de franjas na tela quando são usados elétrons em uma versão do experimento
de fenda dupla de Young. As franjas brilhantes ocorrem em locais onde as ondas de partículas
vindas de cada fenda interferem construtivamente, enquanto as franjas escuras ocorrem em
locais onde as ondas interferem destrutivamente.
Quando um elétron passa pelo arranjo de fenda dupla e colide com um ponto na tela, a tela
brilha nesse ponto, e os itens b, c e d da Figura 29.13 ilustram como os pontos se acumulam
com o tempo. Quanto mais elétrons atingem a tela, os pontos acabam formando o padrão de
franjas que é evidente no item d. As franjas brilhantes ocorrem onde existe uma alta probabi-
lidade de elétrons atingirem a tela, enquanto as franjas escuras ocorrem onde existe uma baixa
probabilidade. A chave para se entender ondas de partículas está aqui. Ondas de partículas são
ondas de probabilidade, ondas cuja amplitude em um ponto no espaço fornece uma indicação
da probabilidade de que a partícula será encontrada nesse ponto. No lugar onde está localizada
a tela, o padrão de probabilidades transmitido pelas ondas de partículas faz com que surja o
padrão de franjas. O fato de não se observar nenhum padrão de franjas no item b da figura não
significa que as ondas de probabilidade não estejam presentes; significa apenas que o número
de elétrons que chegaram à tela foi insuficiente para que se possa reconhecer o padrão.
O padrão de probabilidades que leva às franjas da Figura 29.13 é análogo ao padrão de in-
tensidades luminosas que é responsável pelas franjas no experimento original de Young (veja
a Figura 27.3 no volume 2). Na Seção 24.4 no volume 2, discutimos o fato de a intensidade
luminosa ser proporcional ao quadrado do módulo do campo elétrico ou ao quadrado do mó-
dulo do campo magnético da onda. Analogamente, no caso das ondas de partículas, a proba-
bilidade é proporcional ao quadrado da amplitude  (letra grega psi) da onda.  é conhecida
como a função de onda da partícula. Figura 29.13  Nessa versão do
Em 1925, o físico austríaco Erwin Schrödinger (1887–1961) e o físico alemão Werner Hei- experimento de fenda dupla de
senberg (1901–1976) desenvolveram independentemente arcabouços teóricos para determinar Young com elétrons, o padrão de
a função de onda. Ao fazê-lo, estabeleceram um novo ramo da física conhecido como mecâ- franjas características só passa a
nica quântica. O termo “quântica” se refere ao fato de que no mundo do átomo, onde ondas ser reconhecível após um número
de partículas devem ser consideradas, a energia da partícula é quantizada, portanto apenas suficiente de elétrons atingirem a
tela. (b., c. e d. Fonte: A.
certas energias são permitidas. A mecânica quântica é essencial para a compreensão da estru- Tonomura, J. Endo, T. Matsuda, T.
tura do átomo e dos fenômenos físicos relacionados com essa estrutura, e a equação de Schrödin- Kawasaki e H. Ezawa, Am. J.
ger para calcular a função de onda é amplamente utilizada. No próximo capítulo, vamos ex- Phys., 57(2):117, fev. 1989.)
plorar a estrutura do átomo com base nas ideias da mecânica quântica.

Verifique Seu Entendimento


(As respostas são dadas no final do livro.)
11. Uma pedra é solta do alto de um prédio. Enquanto a pedra cai, o comprimento de onda de De Bro-
glie aumenta, diminui ou permanece o mesmo?
12. Um elétron e um nêutron possuem massas diferentes. É possível, de acordo com a Equação 29.8,
que eles tenham o mesmo comprimento de onda de De Broglie?  (a) Sim, desde que os módulos
das suas quantidades de movimentos sejam diferentes.  (b) Sim, desde que suas velocidades sejam
diferentes. (c) Não; duas partículas com massas diferentes sempre têm comprimentos de onda de
De Broglie diferentes.

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40  ■  Capítulo 29

13. Na Figura 29.1b, substitua os elétrons por prótons que tenham a mesma velocidade. Com o auxílio
da Equação 27.1 para franjas brilhantes no experimento de fendas duplas de Young e da Equação
29.8, decida se a separação angular entre as franjas aumentaria, diminuiria ou permaneceria a mes-
ma, em relação à separação angular produzida pelos elétrons.
14. Um feixe de elétrons passa por uma fenda simples, e um feixe de prótons passa por uma segun-
da fenda idêntica. Os elétrons e os prótons têm a mesma velocidade. Qual das seguintes frases
descreve corretamente o feixe que experimenta a maior quantidade de difração?  (a) Os elétrons,
porque eles têm a menor quantidade de movimento e, portanto, o menor comprimento de onda
de De Broglie  (b) Os elétrons, porque eles têm a menor quantidade de movimento e, portanto,
o maior comprimento de onda de De Broglie  (c) Os prótons, porque eles têm a menor quanti-
dade de movimento e, portanto, o menor comprimento de onda de De Broglie  (d) Os prótons,
porque eles têm a maior quantidade de movimento e, portanto, o menor comprimento de onda
de De Broglie  (e) Os dois feixes ficam sujeitos à mesma quantidade de difração, porque os
elétrons e os prótons têm o mesmo comprimento de onda de De Broglie.

29.6 O Princípio da Incerteza de Heisenberg


Como discutido na seção anterior, as franjas brilhantes na Figura 29.13 indicam os lo-
cais onde existe uma alta probabilidade de um elétron atingir a tela. Como existem várias fran-
jas brilhantes, existe mais de um lugar onde cada elétron tem alguma probabilidade de atingir
a tela. Consequentemente, não é possível especificar de antemão exatamente onde na tela um
elétron individual irá se chocar. Tudo que podemos fazer é falar da probabilidade que o elétron
pode ter de chegar a alguns locais diferentes. Não é mais possível dizer, como seria sugerido
pelas leis de Newton, que um único elétron, disparado através da fenda dupla, se deslocará
diretamente para a frente em linha reta e acertará a tela. Esse modelo simples não se aplica
quando uma partícula tão pequena quanto um elétron atravessa um par de fendas estreitas mui-
to próximas. Como a natureza ondulatória das partículas é importante em tais circunstâncias,
perdemos a capacidade de prever com 100% de certeza a trajetória que uma única partícula irá
seguir. Em vez disso, apenas o comportamento médio de um grande número de partículas é
previsível, e o comportamento de qualquer partícula individual é incerto.
Para compreender melhor a natureza da incerteza, considere a passagem de elétrons por
uma fenda simples, como na Figura 29.14. Depois que um número suficiente de elétrons atin-
ge a tela, surge um padrão de difração. O padrão de difração do elétron é formado por franjas
brilhantes e escuras que se alternam e é análogo ao padrão para ondas luminosas mostrado na
Figura 27.22 no volume 2. A Figura 29.14 mostra a fenda e a localização da primeira franja
escura em cada um dos lados da franja brilhante central. A franja central é brilhante porque
elétrons colidem com a tela em toda a região entre as franjas escuras. Se os elétrons que coli-
dem com a tela fora da franja brilhante central forem desprezados, o quanto os elétrons são
difratados é dado pelo ângulo u no desenho. Para alcançar locais no interior da franja brilhan-
te central, alguns elétrons têm que ter adquirido quantidade de movimento na direção y, apesar
do fato de eles entrarem na fenda se deslocando ao longo da direção x e não terem inicialmen-
te nenhuma quantidade de movimento na direção y. A figura ilustra que a componente y da
quantidade de movimento pode ter um valor que pode chegar a Dpy. A notação Dpy indica a
diferença entre o valor máximo da componente y da quantidade de movimento depois que o
elétron passa pela fenda e o seu valor nulo existente antes de o elétron passar pela fenda. Dpy
representa a incerteza na componente y da quantidade de movimento, no sentido de que a com-
ponente y pode ter qualquer valor entre 0 e Dpy.

Figura 29.14  Quando um


número suficiente de elétrons
passa por uma fenda simples e eles
colidem com a tela, surge um
padrão de difração de franjas
brilhantes e escuras. (Apenas a
franja brilhante central é
representada.) Esse padrão se deve
à natureza ondulatória dos elétrons
e é análogo àquele produzido por
ondas luminosas.

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Partículas e Ondas  ■  41

É possível relacionar Dpy com a largura W da fen-


da. Para isso, supomos que a Equação 27.4, que se HABILIDADES MATEMÁTICAS  Para entender por que sen u  tan
u quando u é pequeno, consulte a Figura 29.15a e lembre-se de que as fun-
aplica a ondas luminosas, também se aplique a ondas ções seno e tangente são definidas da seguinte maneira na Seção 1.4:
de partículas cujo comprimento de onda de De Bro-
glie é l. Essa equação, sen u 5 l/W, especifica o
ângulo u que localiza a primeira franja escura. Se u
for pequeno, sen u  tan u. Além disso, a Figura 29.14
em que ho é o comprimento do lado (cateto) de um triângulo retângulo
indica que tan u 5 Dpy/px, em que px é a componente
oposto ao ângulo u, ha é o comprimento do cateto adjacente ao ângulo u e
x da quantidade de movimento do elétron. Portanto, h é a hipotenusa. Quando u é pequeno, h e ha se tornam praticamente iguais,
Dpy/px  l/W. Entretanto, px 5 h/l de acordo com a ou h  ha, e os lados direitos das Equações 1.1 e 1.3 se tornam aproxima-
equação de De Broglie, de modo: damente iguais.
Para entender por que tan u 5 Dpy/px, consulte a Figura 29.15b, que
mostra de forma ampliada a parte da Figura 29.14 que estabelece o ângulo
u. Uma comparação entre o triângulo retângulo sombreado da Figura 29.15b
com o triângulo retângulo sombreado da Figura 29.15a revela que ho 5
Como consequência, Dpy e ha 5 px. Substituindo esses valores na Equação 1.3, concluímos que

(29.9)

que indica que uma fenda menor leva a uma maior
incerteza na componente y da quantidade de movi-
mento do elétron.
Foi Heisenberg que sugeriu pela primeira vez que h
ho Δpy
a incerteza Dpy na componente y da quantidade de
movimento está relacionada com a incerteza na po- θ
90°
θ
sição y do elétron quando o elétron passa pela fenda. ha px
Para ganhar sensibilidade quanto a essa relação, va-
(a) (b)
mos supor que o centro da fenda esteja situado em
y 5 0 m. Pelo fato de a largura da fenda ser igual a Figura 29.15  Desenho de Habilidades Matemáticas.
W, o elétron está em algum lugar dentro da faixa de
medida a partir do centro da fenda. Assim, to-
mamos a incerteza na posição y do elétron como
sendo Dy 5 de modo que W 5 2 Dy. Substituindo essa relação na Equação 29.9 mostra
que Dpy  h/(2 Dy) ou (Dpy)(Dy)  O resultado da análise mais completa de Heisenberg
é fornecido a seguir na Equação 29.10 e é conhecido como o princípio da incerteza de
Heisenberg. Observe que o princípio de Heisenberg é um princípio geral com ampla aplica-
bilidade. Ele não se aplica apenas ao caso da difração de fenda simples, que foi usado nesse
caso por uma questão de conveniência.

O Princípio da Incerteza de Heisenberg


Quantidade de movimento e posição

(29.10)

Dy 5 incerteza na posição de uma partícula na direção y
Dpy 5 incerteza na componente y da quantidade de movimento linear da partícula
Energia e tempo

(29.11)

DE 5 incerteza na energia da partícula quando a partícula está em certo estado
Dt 5 intervalo de tempo durante o qual a partícula está no estado

O princípio da incerteza de Heisenberg impõe limites à precisão com a qual a quantidade


de movimento e a posição de uma partícula podem ser especificadas simultaneamente. Esses
limites não são apenas limites decorrentes de deficiências das técnicas de medição. Eles são
limites fundamentais impostos pela natureza, e não há formas de contorná-los. A Equação 29.10
indica que Dpy e Dy não podem ser ambos arbitrariamente pequenos ao mesmo tempo. Se um
for pequeno, o outro deve ser grande, de modo que o produto entre eles seja maior ou igual (≥)
à constante de Planck dividida por 4p. Por exemplo, se a posição de uma partícula for conhe-
cida exatamente, de modo que Dy seja igual a zero, então Dpy é um número infinitamente gran-
de, e a quantidade de movimento da partícula é completamente incerta. Ao contrário, se supor-
mos que Dpy é nulo, então Dpy é um número infinitamente grande, e a posição da partícula é

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42  ■  Capítulo 29

completamente incerta. Em outras palavras, o princípio da incerteza de Heisenberg afirma que


é impossível especificar precisamente tanto a quantidade de movimento quanto a posição de
uma partícula ao mesmo tempo.
Também existe um princípio da incerteza que trata da energia e o tempo expresso pela Equa-
ção 29.11. O produto da incerteza DE da energia de uma partícula pelo intervalo de tempo Dt
durante o qual a partícula permanece em dado estado de energia é maior ou igual à constante
de Planck dividida por 4p. Portanto, quanto menor o tempo de vida de uma partícula em um
dado estado, maior é a incerteza da energia desse estado.
O Exemplo 6 mostra que o princípio da incerteza tem consequências significativas para o
movimento de partículas minúsculas como elétrons, mas tem pouco efeito sobre o movimento
de objetos macroscópicos, mesmo os de massa relativamente pequena, como uma bola de
pingue-pongue.

  Exemplo 6    O Princípio da Incerteza de Heisenberg


Considere que a posição de um objeto seja conhecida com tanta precisão que a incerteza na sua
posição é de apenas Dy 5 1,5 3 10211 m. (a) Determine a incerteza mínima na quantidade de mo-
vimento do objeto. Ache a incerteza mínima correspondente na velocidade do objeto no caso em
que o objeto é (b) um elétron (massa 5 9,1 3 10231 kg) e (c) uma bola de pingue-pongue (massa 5
2,2 3 1023 kg).
■■ Dicas para a Solução de Problemas. Raciocínio  A incerteza mínima de Dpy na componente y da quantidade de movimento é dada pelo
O princípio da incerteza de Heisenberg afirma princípio da incerteza de Heisenberg como Dpy 5 h/(4p Dy), em que Dy é a incerteza na posição
que o produto de Dpy por Dy é maior ou do objeto ao longo da direção y. Tanto o elétron quanto a bola de pingue-pongue têm a mesma in-
igual a h/4p. Para um dado valor de Dpy ou certeza nas suas quantidades de movimento porque eles têm a mesma incerteza nas suas posições.
Dy, a incerteza mínima no outro termo ocorre No entanto, esses objetos possuem massas muito diferentes. Consequentemente, chegaremos à con-
quando o produto é igual a h/4p. clusão de que a incerteza nas velocidades desses objetos é muito diferente.
Solução  (a) A incerteza mínima na componente y da quantidade de movimento é

(29.10)

(b) O módulo py da quantidade de movimento é py 5 mvy (Equação 7.2), em que m é a massa do
objeto e vy é a sua velocidade. Portanto, a incerteza Dpy é Dpy 5 m Dvy, enquanto a incerteza míni-
ma na velocidade do elétron é


Assim, a pequena incerteza na posição y do elétron dá origem a uma grande incerteza na velocida-
de do elétron.
(c) A incerteza mínima na velocidade da bola de pingue-pongue é


Pelo fato de a massa da bola de pingue-pongue ser relativamente grande, a pequena incerteza na sua
posição y dá origem a uma incerteza na sua velocidade que é muito menor do que a corresponden-
te ao elétron. Portanto, em contraste com o caso correspondente ao elétron, podemos saber ao mes-
mo tempo onde está a bola e com que rapidez ela está se movendo, com um alto grau de certeza.
 ■

O Exemplo 6 dá ênfase a como o princípio da incerteza impõe diferentes incertezas nas ve-
locidades de um elétron (massa pequena) e de uma bola de pingue-pongue (massa grande).
Para objetos como a bola, que têm massas relativamente grandes, as incertezas na posição e na
velocidade são tão pequenas que elas não têm nenhum efeito sobre a nossa capacidade de de-
terminar simultaneamente onde estão tais objetos e a rapidez com que eles estão se movendo.
Entretanto, as incertezas calculadas no Exemplo 6 não dependem apenas da massa do objeto.
Elas também dependem da constante de Planck, que é um número muito pequeno. É interes-
sante especular a respeito de como seria a vida se a constante de Planck fosse muito maior do
que 6,63 3 10234 J ∙ s. O Exemplo Conceitual 7 trata justamente dessa especulação.

  Exemplo Conceitual 7    E se a Constante de Planck Fosse Grande?


Suponha que você esteja praticando tiro ao alvo com um alvo parado. A bala que sai do cano de
uma arma é análoga a um elétron que passa por uma fenda simples na Figura 29.14. Com essa

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Partículas e Ondas  ■  43

analogia em mente e supondo que o módulo da quantidade de movimento da bala não seja anor-
malmente grande, como seria a prática de tiro ao alvo se a constante de Planck tivesse um valor
relativamente grande em vez de seu valor extremamente pequeno de 6,63 3 10234 J · s? (a) Ela
seria mais acurada porque haveria menor incerteza sobre onde a bala atingiria o alvo. (b) Ela seria
menos acurada porque haveria maior incerteza em onde a bala acerta o alvo. (c) Não haveria ne-
nhuma diferença.
Raciocínio  Vamos supor que a bala esteja se movendo para fora do cano da arma na direção 1x e
que o alvo esteja situado sobre o eixo x. Quando ela sai do cano, a bala — como o elétron passando
por uma fenda simples — adquire uma componente da quantidade de movimento que é perpendi-
cular (na direção y) ao cano. Isso acontece apesar de dentro do cano a bala se mover apenas ao lon-
go da direção x e não ter componente de quantidade de movimento na direção y. De maneira aná-
loga à discussão relativa à Figura 29.14, a componente y da quantidade de movimento pode chegar
a ter um valor Dpy, em que Dpy indica a diferença entre o valor máximo da componente y da quan-
tidade de movimento depois que a bala sai do cano e seu valor nulo enquanto a bala estava no cano.
Dpy está relacionado com a constante de Planck h e com o diâmetro W da abertura do cano pela
relação Dpy  h/W (Equação 29.9). Como agora estamos postulando que a constante de Planck é
grande, Dpy também é grande.
As respostas (a) e (c) estão incorretas.  O tiro ao alvo se torna mais acurado se a constante de
Planck se tornar menor, não maior. Eis a razão: Dentro do cano, a bala está se movendo na direção
1x. No entanto, ao sair do cano, a bala adquire uma componente da quantidade de movimento Dpy
na direção y e começa a se desviar da sua trajetória original movendo-se na direção y. De acordo
com Dpy  h/W (Equação 29.9), quanto menor o valor de h, menor é Dpy. Se, no limite extremo, a
constante de Planck fosse igual a zero, Dpy também seria igual a zero, e a bala se moveria apenas
na direção 1x e, portanto, acertaria o alvo.
A resposta (b) está correta.  Se a bala, depois de sair do cano, tivesse apenas uma componente
da quantidade de movimento paralela ao cano, a bala acertaria o alvo. No entanto, ao sair do cano,
a bala também adquire uma componente Dpy da quantidade de movimento que é perpendicular ao
cano. A relação Dpy  h/W (Equação 29.9) mostra que quanto maior o valor da constante de Planck
h, maior é o valor de Dpy. Como essa componente da quantidade de movimento é perpendicular ao
próprio cano, a bala pode atingir outros lugares diferentes do alvo. Portanto, o tiro ao alvo seria
menos acurado se a constante de Planck tivesse um valor relativamente grande.
 ■

29.7 Conceitos & Cálculos


No efeito fotoelétrico, elétrons podem ser emitidos de uma superfície metálica quando
uma luz incide sobre ela, como vimos. Einstein explicou esse fenômeno em termos de fótons
e da conservação da energia. A mesma explicação básica é válida quando a luz possui um úni-
co comprimento de onda e quando ela é composta por uma mistura de comprimentos de onda,
como a luz solar. Nossa discussão anterior na Seção 29.3 trata de um único comprimento de
onda. O Exemplo 8, ao contrário, considera uma mistura de comprimentos de onda e revê os
conceitos básicos envolvidos nesse importante fenômeno.

  Conceitos & Cálculos Exemplo 8 


A Luz Solar e o Efeito Fotoelétrico
Uma luz solar, cujos comprimentos de onda visíveis estão na faixa que vai de 380 a 750 nm, está
incidindo sobre a superfície de uma amostra de sódio. A função trabalho para o sódio é W0 5 2,28 eV.
Determine a energia cinética máxima ECmáx (em joules) dos fotoelétrons emitidos pela superfície e
a faixa de comprimentos de onda que farão com que fotoelétrons sejam emitidos.
Perguntas e Respostas sobre Conceitos  Elétrons com um maior valor de ECmáx serão emitidos
quando os fótons incidentes tiverem uma quantidade de energia relativamente maior ou relativa-
mente menor?
Resposta  Quando um fóton ejeta um elétron do sódio, parte da energia do fóton é usada para
realizar o trabalho de ejetar o elétron, enquanto o restante é transportado para longe como ener-
gia cinética do elétron emitido. O trabalho mínimo para ejetar um elétron é igual à função tra-
balho W0, e nesse caso o elétron transporta para longe uma quantidade máxima ECmáx de energia
cinética. De acordo com o princípio de conservação da energia, a energia de um fóton incidente
é igual à soma de W0 com ECmáx. Assim, para um dado valor de W0, maiores valores de ECmáx
ocorrerão quando o fóton incidente tiver inicialmente uma energia maior.
Na faixa de comprimentos de onda visíveis, qual comprimento de onda corresponde aos fótons in-
cidentes que transportam mais energia?

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44  ■  Capítulo 29

Resposta  De acordo com a Equação 29.2, a energia de um fóton está relacionada com a fre­
quên­cia f e com a constante de Planck h de acordo com E 5 hf. Entretanto, a frequência é dada
pela Equação 16.1 como f 5 c/l, em que c é a velocidade de propagação da luz e l é compri-
mento de onda. Portanto, temos E 5 hc/l, logo o menor valor do comprimento de onda corres-
ponde à maior energia.
Qual o menor valor de ECmáx com que um elétron pode ser ejetado do sódio?
Resposta  O menor valor de ECmáx com o qual um elétron pode ser ejetado do sódio é 0 J. Isso
ocorre quando um fóton incidente transporta uma energia que é exatamente igual à função tra-
balho W0, sem deixar nenhuma energia para ser transportada para longe pelo elétron como ener-
gia cinética.

■■ Dicas para a Solução de Problemas. Solução  O valor fornecido para a função trabalho está em elétrons-volts, por isso primeiro con-
Valores para a função trabalho são vertemos esse valor para joules usando o fato de que 1 eV 5 1,60 3 10219 J:
usualmente dados em elétrons-volts (eV). 19
Não se esqueça de converter o valor para
1.60
, 10 J 19
W0 (2.28
, eV) 3.65
, 10 J
joules antes de combiná-lo com outras 1 eV
grandezas que são especificadas em joules.
Os fótons incidentes que possuem a maior energia são aqueles com o menor comprimento de onda,
ou seja, l 5 380 nm. Depois, de acordo com a Equação 29.3 e a Equação 16.1 (f 5 c/l), o valor
máximo para ECmáx é


Quando o comprimento de onda aumenta, a energia dos fótons incidentes diminui até se igualar à
função trabalho, quando elétrons são ejetados com energia cinética igual a zero. Assim, temos:


A faixa de comprimentos de onda na qual a luz solar ejeta elétrons do sódio é, então, de
380 a 545 nm .
 ■

A energia cinética e a quantidade de movimento são discutidas, respectivamente, nos Ca-


pítulos 6 e 7 do volume 1. Neste capítulo, vimos que partículas de matéria em movimento não
só possuem energia cinética e quantidade de movimento, mas também são caracterizadas por
um comprimento de onda que é conhecido como o comprimento de onda de De Broglie. Con-
cluímos com um exemplo que revê os conceitos de energia cinética e de quantidade de movi-
mento e se concentra na relação entre essas grandezas físicas fundamentais e o comprimento
de onda de De Broglie.

  Conceitos & Cálculos Exemplo 9 

O Comprimento de Onda de De Broglie


Um elétron e um próton possuem a mesma energia cinética e estão se movendo com velocidades
muito menores do que a velocidade de propagação da luz. Determine o quociente entre o compri-
mento de onda de De Broglie do elétron e o comprimento de onda do próton.
Perguntas e Respostas sobre Conceitos  Qual a relação existente entre o comprimento de onda
de De Broglie l e a quantidade de movimento p?
Resposta  De acordo com a Equação 29.8, o comprimento de onda de De Broglie é dado por l 5
h/p, em que h é a constante de Planck. Quanto maior a quantidade de movimento, menor é o
comprimento de onda de De Broglie, e vice-versa.
Qual a relação entre o módulo da quantidade de movimento e a energia cinética de uma partícula
de massa m que está se movendo com uma velocidade muito menor do que a velocidade de propa-
gação da luz?
Resposta  De acordo com a Equação 7.2, o módulo da quantidade de movimento é p 5 mv, em
que v é o módulo da velocidade (ou velocidade escalar). A Equação 6.2 fornece a energia cinética

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Partículas e Ondas  ■  45

como EC 5 que pode ser resolvida mostrando que v 5 Substituindo esse re-
sultado na Equação 7.2 chega-se à conclusão de que p 5 5

Qual das duas partículas tem o maior comprimento de onda de De Broglie, o elétron ou o próton?
Resposta  De acordo com l 5 h/p, a partícula com o maior comprimento de onda é a que pos-
sui a menor quantidade de movimento. Entretanto, p 5 indica que, para uma dada
energia cinética, a partícula com a menor quantidade de movimento é a que possui a menor massa.
As massas do elétron e do próton são melétron 5 9,11 3 10231 kg e mpróton 5 1,67 3 10227 kg.
Assim, o elétron, com sua massa menor, possui o maior comprimento de onda de De Broglie.

Solução  Usando a Equação 29.8 para calcular o comprimento de De Broglie e o fato de que o
módulo da quantidade de movimento está relacionado com a energia cinética pela relação p 5
teremos


Aplicando esse resultado ao elétron e ao próton, obtivemos


Como esperado, o comprimento de onda para o elétron é maior do que aquele para o próton.
 ■

Resumo dos Conceitos


29.1  A Dualidade Onda-Partícula, 29.2 A Radiação de Corpo Negro e a Constante
de Planck  A dualidade onda-partícula se refere ao fato de que uma onda pode exibir caracte-
rísticas semelhantes às de uma partícula e uma partícula pode exibir características semelhantes
às de uma de onda.
A uma temperatura constante, um corpo negro ideal absorve e reemite toda a radiação ele-
tromagnética que incide sobre ele. Max Planck calculou a intensidade da radiação emitida por
unidade de comprimento de onda como uma função do comprimento de onda. Em sua teoria,
Planck considerou que um corpo negro era formado por osciladores atômicos que podiam ter
apenas energias discretas ou quantizadas. As energias quantizadas de Planck são dadas pela
Equação 29.1, em que h é a constante de Planck (6,63 3 10234 J · s) e f é a frequência de vibra-  (29.1)
ção de um oscilador.

29.3  Fótons e o Efeito Fotoelétrico  Toda radiação eletromagnética é formada por fótons,
que são pacotes de energia. A energia de um fóton é dada pela Equação 29.2, em que h é a cons-  (29.2)
tante de Planck e f é a frequência do fóton. Um fóton não tem massa e sempre viaja com a ve-
locidade da luz c no vácuo.
O efeito fotoelétrico é o fenômeno no qual a luz incidente sobre uma superfície metálica faz
com que elétrons sejam ejetados da superfície. A função trabalho W0 de um metal é o trabalho
mínimo que deve ser realizado para ejetar um elétron do metal. De acordo com a conservação
da energia, os elétrons ejetados de um metal têm uma energia cinética máxima ECmáx que está
relacionada com a energia hf do fóton incidente e a função trabalho do metal pela Equação 29.3  (29.3)

29.4  A Quantidade de Movimento de um Fóton e o Efeito Compton  O módulo p


da quantidade de movimento de um fóton é dado pela Equação 29.6, em que h é a constante de (29.6)
Planck e l é o comprimento de onda do fóton. 
O efeito Compton é o espalhamento de um fóton por um elétron em um material, o fóton
espalhado tendo uma menor frequência e, portanto, uma menor energia do que o fóton inciden-
te. Parte da energia e da quantidade de movimento do fóton são transferidas para o elétron que
recua. A diferença entre o comprimento de onda l9 do fóton espalhado e o comprimento de
onda l do fóton incidente está relacionada pela Equação 29.7 com o ângulo de espalhamento u (29.7)
(veja a Figura 29.10), em que m é a massa do elétron. A grandeza h/(mc) é conhecida como o 
comprimento de onda de Compton do elétron.

29.5  O Comprimento de Onda de De Broglie e a Natureza Ondulatória da Matéria 


O comprimento de onda de De Broglie l de uma partícula é dado pela Equação 29.8, em que h (29.8)
é a constante de Planck e p é o módulo da quantidade de movimento relativística da partícula. 
Em razão de seu comprimento de onda, uma partícula pode exibir características semelhantes
às de uma onda. A onda associada a uma partícula é uma onda de probabilidade.

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46  ■  Capítulo 29

29.6  O Princípio da Incerteza de Heisenberg  O princípio da incerteza de Heisenberg


coloca limites no nosso conhecimento acerca do comportamento de uma partícula. O princípio
da incerteza é enunciado de acordo com a Equação 29.10, em que Dy é a incerteza na posição da (29.10)
partícula ao longo da direção y, enquanto Dpy é a incerteza na componente y da quantidade de 
movimento linear da partícula.
O princípio da incerteza também pode ser enunciado de acordo com a Equação 29.11, em (29.11)
que DE é a incerteza na energia de uma partícula quando ela está em certo estado, e Dt é o in- 
tervalo de tempo durante o qual a partícula está no estado.

Foco nos Conceitos


Observação: Os exercícios apresentados nesta seção, com numeração não sequencial, foram extraídos do banco de dados de questões disponível apenas para
a edição original em inglês. (N.E.)

Seção 29.2  A Radiação de Corpo Negro e a Constante de 1. O número de fótons por segundo emitidos pela fonte de luz
Planck 2. O intervalo de tempo que a luz fica ligada
1. Uma astrônoma está medindo a radiação eletromagnética emitida 3. A condutividade térmica do metal
por duas estrelas, que são ambas consideradas emissores de corpos
negros ideais. Para cada estrela ela faz um gráfico da intensidade de 4. A área da superfície do metal iluminado pela luz
radiação por unidade de comprimento de onda como uma função do 5. O tipo de metal de que é feita a placa
comprimento de onda. Ela percebe que a curva correspondente à es- (a) 1 e 2  (b) 5  (c) 3 e 5  (d) 4  (e) 2 e 3
trela A tem um máximo que ocorre em um comprimento de onda me-
nor do que o correspondente à curva para a estrela B. O que ela pode Seção 29.4  A Quantidade de Movimento de um Fóton e
concluir a respeito das temperaturas das duas estrelas?  (a) A estrela o Efeito Compton
A tem a maior temperatura da superfície.  (b) A estrela B tem a maior 9. Um fóton, sendo uma partícula em movimento como um elétron,
temperatura da superfície.  (c) As duas estrelas, sendo emissoras de tem uma quantidade de movimento?  (a) Não, porque um fóton é uma
corpos negros ideais, têm a mesma temperatura da superfície.  (d) onda, e uma onda não tem quantidade de movimento.  (b) Não, por-
Não há informações suficientes para tirar conclusões a respeito das que um fóton não tem massa, e é necessário ter massa para se ter quan-
temperaturas das duas estrelas. tidade de movimento.  (c) Não, porque um fóton, sempre viajando
com a velocidade de propagação da luz no vácuo, teria uma quantida-
Seção 29.3  Fótons e o Efeito Fotoelétrico
de de movimento infinita.  (d) Sim, e o módulo p da quantidade de
2. Fótons são gerados por um forno micro-ondas em uma cozinha e movimento do fóton está relacionada com seu comprimento de onda
por uma máquina de raios X no consultório de um dentista. Qual tipo l pela equação p 5 h/l, em que h é a constante de Planck.  (e) Sim,
de fóton tem a maior frequência, a maior energia e o maior compri- e o módulo p da quantidade de movimento do fóton está relacionado
mento de onda? com seu comprimento de onda l pela equação p 5 hl, em que h é a
constante de Planck.

Maior Maior Maior Comprimento Seção 29.5  O Comprimento de Onda de De Broglie e a


Frequência Energia de Onda Natureza Ondulatória da Matéria
13. Duas partículas, A e B, têm a mesma massa, mas a partícula A tem
(a) Raios X Raios X Raios X uma carga 1q e a partícula B tem uma carga 12q. As partículas são
aceleradas a partir do repouso atravessando a mesma diferença de po-
(b) Raios X Raios X Micro-ondas tencial. Qual partícula tem o maior comprimento de onda de De Broglie
(c) Micro-ondas Raios X Micro-ondas ao final da aceleração?  (a) A partícula A, porque ela tem a maior
quantidade de movimento, portanto o maior comprimento de onda de
(d) Micro-ondas Micro-ondas Raios X De Broglie  (b) A partícula B, porque ela tem a maior quantidade de
(e) Raios X Micro-ondas Micro-ondas movimento, portanto o maior comprimento de onda de De Broglie  (c)
A partícula A, porque ela tem a menor quantidade de movimento, por-
tanto o maior comprimento de onda de De Broglie  (d) A partícula B,
porque ela tem a menor quantidade de movimento, portanto o maior
5. Um laser emite um feixe de luz cujos fótons têm todos a mesma comprimento de onda de De Broglie  (e) As duas partículas têm o
frequência. Quando o feixe incide sobre a superfície metálica, fotoe- mesmo comprimento de onda de De Broglie.
létrons são ejetados da superfície. O que acontece se o laser emitir o
dobro do número de fótons por segundo?  (a) Os fotoelétrons são Seção 29.6  O Princípio da Incerteza de Heisenberg
ejetados da superfície com o dobro da energia cinética máxima.  (b) 16. Suponha que a quantidade de movimento de um elétron seja medida
Os fotoelétrons são ejetados da superfície com a mesma energia ciné- com completa acurácia (ou seja, que a incerteza na sua quantidade de
tica máxima.  (c) O número de fotoelétrons ejetados por segundo da movimento seja igual a zero). A incerteza em uma medição simultâ­
superfície dobra. (d) Tanto b quanto c acontecem.  (e) Tanto a quanto nea da posição do elétron _________.  (a) também é igual a zero 
c acontecem. (b) é infinitamente grande  (c) tem algum valor finito entre zero e
6. A superfície de uma placa metálica é iluminada por uma luz de cer- infinito (d) não pode ser medida, porque não se consegue medir a
ta frequência. Quais das seguintes condições determinam se os fotoe- posição e a quantidade de movimento de uma partícula, como um elé-
létrons são ejetados do metal ou não? tron, simultaneamente.

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Partículas e Ondas  ■  47

Problemas
Os problemas que não estão marcados com um asterisco são considerados os mais fáceis de serem resolvidos. Problemas marcados com um único asterisco (*)
são mais difíceis, enquanto aqueles que receberam dois asteriscos (**) são os mais difíceis.
Observação: Nesses problemas, ignore efeitos relativísticos a menos que haja outras instruções, e suponha que os comprimentos de onda sejam no vácuo, a me-
nos que seja especificado de outra maneira.

Este ícone representa uma aplicação biomédica.

Seção 29.3  Fótons e o Efeito Fotoelétrico melha é igual a 6,0 3 1025 m, enquanto o comprimento de onda da luz
1. A energia de dissociação de uma molécula é a energia necessária para azul é igual a 4,7 3 1027 m. Ache o número de fótons infravermelhos
desmembrar a molécula nos seus átomos que a compõem. A energia de e o número de fótons azuis necessários para elevar a temperatura da
dissociação para a molécula de cianogênio é igual a 1,22 3 10218 J. Su- placa de vidro em 2,0 C°, considerando que todos os fótons sejam ab-
ponha que essa energia seja fornecida por um único fóton. Determine  (a) sorvidos pelo vidro.
o comprimento de onda e  (b) a frequência do fóton.  (c) Em que região **13. Um laser emite 1,30 3 1018 fótons por segundo em um feixe de
do espectro eletromagnético (veja a Figura 24.9) está situado o fóton? luz que tem um diâmetro de 2,00 mm e um comprimento de onda de
2. Uma estação de rádio AM transmite uma onda eletromagnética com 514,5 nm. Determine  (a) a intensidade média do campo elétrico
uma frequência de 665 kHz, enquanto uma estação FM transmite uma e (b) a intensidade média do campo magnético para a onda eletro-
onda eletromagnética com uma frequência de 91,9 MHz. Quantos fó- magnética que forma o feixe.
tons AM são necessários para se ter a energia total igual àquela de um **14. (a) Quantos fótons (comprimento de onda 5 620 nm) devem ser
fóton FM? absorvidos para derreter um bloco de gelo de 2,0 kg a 0°C resultando
3. Uma luz ultravioleta com uma frequência de 3,00 3 1015 Hz atinge em água líquida a 0°C?  (b) Na média, quantas moléculas de H2O um
uma superfície metálica e ejeta elétrons que têm uma energia cinética fóton converte da fase sólida (gelo) para a fase líquida (água)?
máxima de 6,1 eV. Qual a função trabalho (em eV) do metal?
Seção 29.4  A Quantidade de Movimento de um Fóton e
4. Uma luz está incidindo perpendicularmente sobre a superfície da Terra o Efeito Compton
com intensidade de 680 W/m2. Considerando que todos os fótons na luz
têm o mesmo comprimento de onda (no vácuo) de 730 nm, determine o 15. Uma fonte de luz emite um feixe de fótons, cada um tendo uma
número de fótons por segundo por metro quadrado que atingem a Terra. quantidade de movimento de 2,3 3 10229 kg · m/s.  (a) Qual a fre­
quên­cia dos fótons?  (b) A que região do espectro eletromagnético
5. A luz ultravioleta é responsável pelo bronzeamento solar. Ache o pertencem os fótons? Consulte a Figura 24.9 se necessário.
comprimento de onda (em nm) de um fóton ultravioleta cuja energia
é igual a 6,4 3 10219 J. 16. Um fóton de luz vermelha (comprimento de onda 5 720 nm) e uma
bola de pingue-pongue (massa 5 2,2 3 1023 kg) têm a mesma quan-
6. O comprimento de onda máximo que uma onda eletromagnética tidade de movimento. Com que velocidade a bola está se movendo?
pode ter e ainda ejetar elétrons de uma superfície metálica é igual a
485 nm. Qual a função trabalho W0 desse metal? Expresse sua resposta 17. Em um experimento de espalhamento de Compton, os raios X in-
em elétrons-volts. cidentes têm um comprimento de onda de 0,2685 nm, enquanto os raios
X espalhados têm um comprimento de onda de 0,2703 nm. Qual o
7. A radiação de certo comprimento de onda faz com que elétrons com ângulo u de espalhamento dos raios X na Figura 29.10?
uma energia cinética máxima de 0,68 eV sejam ejetados de um metal
cuja função trabalho é igual a 2,75 eV. Qual será a energia cinética 18. Uma amostra é bombardeada por raios X incidentes, e elétrons
máxima (em eV) com a qual essa mesma radiação ejetará elétrons de livres na amostra espalham alguns dos raios X fazendo um ângulo u 5
outro metal cuja função trabalho é igual a 2,17 eV? 122,0° em relação aos raios X incidentes (veja a Figura 29.10). Os
raios X espalhados têm uma quantidade de movimento cujo módulo
8. O Exemplo 3 de Múltiplos Conceitos revê os conceitos necessários é igual a 1,856 3 10224 kg · m/s. Determine o comprimento de onda
para resolver este problema. Uma radiação com um comprimento de (em nm) dos raios X incidentes. (Para manter uma boa acurácia, use
onda de 238 nm incide sobre uma superfície metálica e ejeta elétrons h 5 6,626 3 10234 J · s, c 5 2,998 3 108 m/s e m 5 9,109 3 10231 kg
que têm uma velocidade máxima de 3,75 3 105 m/s. Qual dos seguin- para massa do elétron.)
tes metais é o metal que recebe a radiação? Os valores entre parênteses
são as funções trabalho: potássio (2,24 eV), cálcio (2,71 eV), urânio 19. Um fóton de raio X incidente de comprimento de onda igual a
(3,63 eV), alumínio (4,08 eV) e ouro (4,82 eV). 0,2750 nm é espalhado a partir de um elétron que está inicialmente em
repouso. O fóton é espalhado fazendo um ângulo u 5 180° na Figura
*9. Uma coruja tem uma boa visão noturna porque seus olhos podem
29.10 e tem um comprimento de onda de 0,2825 nm. Use a conserva-
detectar uma intensidade luminosa tão baixa quanto 5,0 3 10213 W/m².
ção da quantidade de movimento linear para achar a quantidade de
Qual o número mínimo de fótons por segundo que o olho de uma co-
movimento ganha pelo elétron.
ruja consegue detectar se a sua pupila tiver um diâmetro de 8,5 mm e
a luz tiver um comprimento de onda de 510 nm? 20. No efeito Compton, a conservação da quantidade de movimento se
aplica, logo a quantidade de movimento total do fóton e do elétron é a
*10. Um próton está localizado a uma distância de 0,420 m de uma
mesma antes e depois de ocorrer o espalhamento. Suponha que na Figu-
carga pontual de 18,30 μC. A força elétrica de repulsão move o próton
ra 29.10 o fóton incidente se move na direção 1x e que o fóton espalha-
até que ele esteja a uma distância de 1,58 m da carga. Suponha que a
do emerge fazendo um ângulo u 5 90,0°, que está na direção 2y. O fóton
energia potencial elétrica perdida pelo sistema foi transportada para
incidente tem um comprimento de onda igual a 9,00 3 10212 m. Ache as
fora dele por um fóton. Qual seria seu comprimento de onda?
componentes x e y da quantidade de movimento do elétron espalhado.
*11. Quando uma luz com um comprimento de onda de 221 nm incide
*21. Qual o valor máximo que o comprimento de onda de um fóton
sobre certa superfície metálica, elétrons são ejetados com uma energia
incidente poderia mudar ao sofrer espalhamento de Compton provo-
cinética máxima de 3,28 3 10219 J. Determine o comprimento de onda
cado por uma molécula de nitrogênio (N2)?
(em nm) da luz que deveria ser usada para dobrar a energia cinética
máxima dos elétrons ejetados dessa superfície. *22. A Figura 29.10 mostra o arranjo usado para se medir o efeito
Compton. Com um comprimento de onda incidente fixo, um compri-
*12. Uma placa de vidro tem uma massa igual a 0,50 kg e um calor
mento de onda l19 é medido para um ângulo de espalhamento u1 5
específico4 de 840 J/(kg · C°). O comprimento de onda da luz infraver- 30,0°, enquanto o comprimento de onda l29 é medido para um ângulo
de espalhamento de u2 5 70,0°. Ache a diferença entre os comprimen-
4
Ou capacidade térmica específica. (N.T.) tos de onda l29 1 l19.

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48  ■  Capítulo 29

*23. Um fóton com comprimento de onda igual a 0,45000 nm atinge *34. A partícula A está em repouso, e a partícula B colide frontalmen-
um elétron livre que está inicialmente em repouso. O fóton é espalhado te com ela. A colisão é completamente inelástica, logo as duas partí-
para trás na mesma direção do impacto. Qual a velocidade de recuo do culas ficam presas uma na outra após a colisão e se afastam do local
elétron após a colisão? da colisão com uma velocidade comum às duas. As massas das partí-
**24. Um fóton de raios X é espalhado fazendo um ângulo u 5 180,0° culas são diferentes, e não há forças externas atuando sobre elas. O
a partir de um elétron que está inicialmente em repouso. Depois do comprimento de onda de De Broglie da partícula B antes da colisão é
espalhamento, o elétron tem uma velocidade de 4,67 3 106 m/s. Ache igual a 2,0 3 10234 m. Qual o comprimento de onda de De Broglie do
o comprimento de onda do fóton de raios X incidente. objeto formado pelas partículas A e B ao se afastar após a colisão?
*35. Um elétron, partindo do repouso, acelera atravessando uma dife-
Seção 29.5  O Comprimento de Onda de De Broglie e a rença de potencial de 418 V. Qual o comprimento de onda de De Broglie
Natureza Ondulatória da Matéria final do elétron, supondo que a sua velocidade final é muito menor do
25. Uma bactéria (massa 5 2 3 10215 kg) no sangue está se movendo que a velocidade de propagação da luz?
com uma velocidade de 0,33 m/s. Qual o comprimento de onda de De **36. A energia cinética de uma partícula é igual à energia de um fó-
Broglie dessa bactéria? ton. A partícula se move com uma velocidade igual a 5,0% da veloci-
26. Qual  (a) o comprimento de onda de um fóton com 5,0 eV e  (b) dade de propagação da luz. Ache o quociente entre o comprimento de
o comprimento de onda de De Broglie de um elétron de 5,0 eV? onda do fóton e o comprimento de onda de De Broglie da partícula.
27. Como discutido na Seção 17.3, ondas sonoras difratam, ou se curvam,
em torno das bordas de uma abertura de porta. Comprimentos de onda Seção 29.6  O Princípio da Incerteza de Heisenberg
maiores difratam mais do que comprimentos de ondas menores.  (a) A 37. Um objeto está se movendo ao longo de uma linha reta, e a incer-
velocidade de propagação do som é igual a 343 m/s. Com que velocida- teza da sua posição é de 2,5 m.  (a) Ache a incerteza mínima na quan-
de uma pessoa de 55,0 kg teria que se mover ao atravessar uma porta tidade de movimento do objeto. Ache a incerteza mínima na velocida-
para ocorrer uma difração comparável à de um som grave de 128 Hz?  (b) de do objeto, supondo que o objeto é  (b) uma bola de golfe (massa 5
Na velocidade calculada no item (a), quanto tempo (em anos) seria ne- 0,045 kg) e  (c) um elétron.
cessário para que a pessoa se movesse de uma distância de um metro? 38. Um próton está confinado a um núcleo que tem um diâmetro de
28. Um elétron e um próton têm a mesma velocidade. Ignore efeitos 5,5 3 10215 m. Se essa distância for considerada como a incerteza na
relativísticos e determine o quociente lelétron/lpróton entre os seus com- posição do próton, qual a incerteza mínima na sua quantidade de mo-
primentos de onda de De Broglie. vimento?
29. Lembre-se da Seção 14.3 que a energia cinética média de um áto- 39. Nos pulmões existem sacos de ar minúsculos, que são chamados
mo em um gás perfeito monoatômico é dada por 5 (3/2)(kT), em de alvéolos. Uma molécula de oxigênio (massa 5 5,3 3 10226 kg) es-
que k 5 1,38 3 10223 J/K e T é a temperatura do gás em Kelvin. De- tá aprisionada dentro de um saco, e a incerteza na sua posição é igual
termine o comprimento de onda de De Broglie de um átomo de hélio a 0,12 mm. Qual a incerteza mínima na velocidade dessa molécula de
(massa 5 6,65 3 10227 kg) que tem a energia cinética média à tempe- oxigênio?
ratura ambiente (293 K).
40. Partículas passam por uma fenda simples de largura igual a
30. Em experimento de fenda dupla de Young usando elétrons, o ân- 0,200 mm (veja a Figura 29.14). O comprimento de onda de De Broglie
gulo que localiza as franjas brilhantes de primeira ordem é uA 5 1,6 3 de cada partícula é igual a 633 nm. Depois que as partículas passam
1024 graus quando o módulo da quantidade de movimento do elétron pela fenda, elas se espalham dentro de uma faixa de ângulos. Conside-
é pA 5 1,2 3 10222 kg · m/s. Com a mesma fenda dupla, qual o módu- re que a incerteza na posição das partículas é igual à metade da largura
lo da quantidade de movimento pB necessário para que um ângulo uB 5 da fenda, e use o princípio da incerteza de Heisenberg para determinar
4,0 3 1024 graus localize as franjas brilhantes de primeira ordem? a faixa mínima de ângulos.
*31. Uma partícula tem um comprimento de onda de De Broglie de *41. A incerteza mínima Dy na posição y de uma partícula é igual
2,7 3 10210 m. Depois, sua energia cinética dobra. Qual o novo com- ao seu comprimento de onda de De Broglie. Determine a incerte-
primento de onda de De Broglie da partícula, supondo que efeitos re- za mínima na velocidade da partícula, sendo a incerteza mínima
lativísticos possam ser ignorados? Dv y expressa como um percentual da velocidade da partícula
*32. De um penhasco que está 9,5 m acima de um lago, uma jovem
(massa 5 41 kg) salta do repouso, entrando na água após seguir uma Suponha que efeitos relativísticos
trajetória vertical. No instante em que ela bate na água, qual o seu
comprimento de onda de De Broglie? possam ser ignorados.
*33. A largura da franja brilhante central em um padrão de difração *42. Uma partícula subatômica criada em um experimento existe em
sobre uma tela é idêntica tanto para elétrons quanto para uma luz ver- certo estado por um tempo igual a Dt 5 7,4 3 10220 s antes de decair
melha (comprimento de onda no vácuo 5 661 nm) passando por uma e se transformar em outras partículas. Aplique tanto o princípio da in-
fenda simples. A distância entre a tela e a fenda é a mesma em cada certeza de Heisenberg quanto o da equivalência da energia e massa
um dos casos e é grande em comparação com a largura da fenda. Com (veja a Seção 28.6) para determinar a incerteza mínima envolvida na
que velocidade os elétrons estão se movendo? medição da massa dessa partícula de vida curta.

Problemas Adicionais
43. O espaçamento interatômico em um cristal de sal de cozinha é igual onda produzido pela fonte A. Cada fóton da fonte A tem uma energia
a 0,282 nm. Esse cristal está sendo estudado em um experimento de de 2,1 3 10218 J. Qual a energia de um fóton da fonte B?
difração de nêutrons, semelhante àquele que produziu a fotografia na
Figura 29.12a. Com que velocidade um nêutron (massa 5 1,67 3 45. O comprimento de onda de De Broglie de um próton em um ace-
10227 kg) tem que estar se movendo para ter um comprimento de onda lerador de partículas é igual a 1,30 3 10214 m. Determine a energia
de De Broglie igual a 0,282 nm? cinética (em joules) do próton.
44. Duas fontes produzem ondas eletromagnéticas. A fonte B produz 46. Ache o comprimento de onda de De Broglie de um elétron com a
um comprimento de onda que é igual a três vezes o comprimento de velocidade igual a 0,88c. Leve em conta efeitos relativísticos.

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Partículas e Ondas  ■  49

47. A função trabalho de uma superfície metálica é igual a 4,80 3 sódio metálico, cuja função trabalho é igual a 2,3 eV. A velocidade
10219 J. A velocidade máxima dos elétrons emitidos da superfície é máxima dos fotoelétrons emitidos pela superfície é igual a 1,2 3
vA 5 7,30 3 105 m/s quando o comprimento de onda da luz é lA. No 106 m/s. Qual o comprimento de onda da luz?
entanto, uma velocidade máxima igual a vB 5 5,00 3 105 m/s é obser- **51. Alguns cientistas sugeriram que uma espaçonave com velas do
vada quando o comprimento de onda é lB. Ache os comprimentos de tipo descrito no Exemplo Conceitual 4 pode ter propulsão a laser. Supo-
onda lA e lB. nha que essa vela seja construída de um material altamente reflexivo,
48. Com que velocidade um próton tem que estar se movendo a fim de fino o bastante para que um metro quadrado da vela tenha uma massa de
ter o mesmo comprimento de onda de De Broglie que um elétron que apenas 3,0 3 1023 kg. A vela será propulsionada por um feixe de laser
está se movendo com uma velocidade igual a 4,50 3 106 m/s? ultravioleta (comprimento de onda 5 225 nm) que incidirá na sua super-
fície perpendicularmente.  (a) Use o teorema do impulso-quantidade de
*49. Em um tubo de imagens de um televisor, os elétrons são acelera- movimento (Seção 7.1 do volume 1) para determinar o número de fótons
dos a partir do repouso atravessando uma diferença de potencial V. por segundo que precisam atingir cada metro quadrado da vela a fim de
Imediatamente antes de um elétron colidir com a tela, seu comprimento provocar uma aceleração de 9,8 3 1026 m/s2, que é um milhão de vezes
de onda de De Broglie é igual a 0,900 3 10211 m. Qual a diferença de menor do que a aceleração gravitacional na superfície terrestre. Suponha
potencial? que nenhuma outra força atue sobre a vela, e que todos os fótons inci-
*50. O Exemplo 3 de Múltiplos Conceitos revê os conceitos necessá- dentes sejam refletidos.  (b) Determine a intensidade (potência por uni-
rios para resolver este problema. Uma luz incide sobre a superfície do dade de área) que o feixe de laser deve ter quando ele atinge a vela.

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50  ■  Capítulo 30

Capítulo

30
A tomografia axial computado-
rizada1 é uma técnica não inva-
siva importante que utiliza
raios X para fornecer imagens
de “fatias” do interior do corpo
humano. Essa tomografia em
3D da mandíbula e de parte do
crânio de um adulto ilustra o
nível de detalhes que se conse-
gue alcançar atualmente. Um
computador com um software
de imagens adequado monta
as “fatias” formando tais ima-
A Natureza do Átomo
gens 3D. Cirurgiões podem até
mesmo navegar pelo corpo uti-
lizando rápidas animações a
partir de dados da tomografia.
A produção dos raios X está re-
lacionada com a estrutura do
30.1 O Espalhamento de Rutherford e o Átomo Nuclear
átomo, e essa estrutura é o Um átomo contém um pequeno núcleo carregado positivamente (raio  10215 m), que
principal tópico deste capítulo. é cercado por um ou mais elétrons situados a distâncias relativamente grandes (raio  10210 m),
(© Antoine Rosset/Photo Rese-
archers) como ilustrado (fora de escala) na Figura 30.1. No estado natural, um átomo é eletricamente
neutro porque o núcleo contém alguns prótons (cada um com uma carga 1e), em igual núme-
ro que o número de elétrons (cada um com uma carga –e). Esse modelo do átomo é hoje aceito
universalmente e é chamado de átomo nuclear.
O átomo nuclear é uma ideia relativamente recente. No início do século XX, um modelo
amplamente aceito, desenvolvido pelo físico inglês Joseph J. Thomson (1856-1940), represen-
tava o átomo de uma forma muito diferente. Na visão de Thomson, não havia nenhum núcleo
no centro do átomo. Em vez disso, supunha-se que a carga positiva estava distribuída unifor-
memente por todo o volume do átomo, formando uma espécie de pasta ou pudim no qual os
elétrons negativos estavam suspensos como ameixas.
O modelo de “pudim de ameixas” foi abandonado em 1911 quando o físico neozelandês
Ernest Rutherford (1871-1937) publicou resultados experimentais que o modelo não conseguia
explicar. Como indicado na Figura 30.2, Rutherford e seus colaboradores dirigiram um feixe
de partículas alfa (partículas a) contra uma lâmina metálica fina feita de ouro. Partículas a são
partículas carregadas positivamente (são os núcleos de átomos de hélio, embora esse fato não
fosse reconhecido na época) emitidas por alguns materiais radioativos. Se o modelo de pudim
de ameixa estivesse correto, era de se esperar que as partículas a atravessassem a lâmina pra-
ticamente em linha reta, sem sofrer deflexões. Afinal de contas, não há nada nesse modelo que
provoque uma deflexão das partículas a, já que os elétrons têm uma massa comparativamente
menor do que as partículas a e a carga positiva está espalhada em um pudim “diluído”. Usan-
do uma tela de sulfeto de zinco, que emitia um breve clarão ao ser atingida por uma partícula
a, Rutherford e colaboradores conseguiram constatar que nem todas as partículas a seguiam
em linha reta ao atravessar a lâmina. Em vez disso, algumas partículas sofriam deflexões de
Figura 30.1  No átomo nuclear,
grandes ângulos, chegando em certos casos a inverter o sentido do movimento. O próprio Ru-
um pequeno núcleo carregado
positivamente está envolto por therford disse: “Foi quase tão incrível quanto se você tivesse disparado um tiro de canhão em
alguns elétrons localizados a uma um lenço de papel e a bala voltasse e acertasse você.” Rutherford concluiu que a carga positi-
distância relativamente grande. va, em vez de estar distribuída com baixa densidade e uniformemente em todo o átomo, estava
O desenho está fora de escala. concentrada em uma pequena região conhecida como o núcleo.

1
Em inglês, CAT scanning (Computerized Axial Tomography). (N.T.)

50

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A Natureza do Átomo  ■  51

Mas como os elétrons em um átomo nuclear poderiam permanecer separados do núcleo


carregado positivamente? Se os elétrons estivessem em repouso, eles seriam puxados para a
parte central do átomo pela força elétrica de atração da carga do núcleo. Portanto, os elétrons
têm que estar girando ao redor do núcleo de alguma forma, como os planetas em órbita ao re-
dor do Sol. Na verdade, o modelo nuclear do átomo às vezes é chamado de modelo “planetá-
rio”. As dimensões do átomo, no entanto, são tais que ele contém uma maior parcela de espaço
vazio do que o nosso sistema solar, como discutido no Exemplo Conceitual 1.

  Exemplo Conceitual 1    A Maior Parte dos Átomos É Espaço Vazio?


No modelo planetário do átomo, o raio do núcleo (1 3 10215 m) é análogo ao raio do Sol (7 3
108 m). Os elétrons orbitam em torno do núcleo a uma distância radial (1 3 10210 m) que é aná-
loga à distância radial (1,5 3 1011 m) com que a Terra orbita o Sol. Suponha que as dimensões do
Sol e da órbita da Terra tivessem as mesmas proporções que as de um núcleo atômico e da órbita Figura 30.2  Um experimento de
de um elétron. Nesse caso, qual seria a distância entre a Terra e o Sol? (a) Ela seria muito maior do espalhamento de Rutherford no
que realmente é. (b) Ela seria muito menor do que realmente é. (c) Ela seria aproximadamente a qual partículas a são espalhadas
mesma que realmente é. por uma fina lâmina de ouro. Todo
o aparato está localizado no
Raciocínio  O raio da órbita de um elétron é cem mil vezes maior do que o raio do núcleo: (1 3 interior de uma câmara no vácuo
10210 m)/(1 3 10215 m) 5 105. O uso desse fator com o raio do Sol revelará a resposta correta. (não representada).
As respostas (b) e (c) estão incorretas.  Suponha que o raio orbital da Terra em torno do Sol fos-
se na verdade igual a 105 vezes o raio do Sol. A distância entre a Terra e o Sol nesse caso seria igual
a 105 3 (7 3 108) 5 7 3 1013 m, que não é menor nem aproximadamente igual à distância real.
A resposta (a) está correta.  Se o raio orbital da Terra ao redor do Sol fosse igual a 105 vezes o
raio do Sol, a distância entre a Terra e o Sol seria de 105 3 (7 3 108 m) 5 7 3 1013 m, que é mais
de quatrocentas vezes maior do que o raio orbital real de 1,5 3 1011 m. Na verdade, a Terra estaria
mais de dez vezes mais afastada do Sol do que Plutão, que tem um raio orbital de cerca de 6 3 1012 m.
Um átomo, então, contém uma fração muito maior de espaço vazio do que o nosso sistema solar.

Trabalho a Ser Resolvido em Casa Associado:  Problema 3 ■

Embora o modelo planetário do átomo seja fácil de visualizar, ele também envolve toda
espécie de dificuldades. Por exemplo: um elétron se movendo em uma trajetória curva possui
uma aceleração centrípeta, como discutido na Seção 5.2 do volume 1. E quando um elétron
está acelerado, ele irradia ondas eletromagnéticas, como discutido na Seção 24.1 do volume
2. Essas ondas levam embora energia. Com a perda constante da sua energia, os elétrons des-
creveriam uma trajetória em espiral com raio cada vez menor e acabariam colapsando para
dentro do núcleo. Como a matéria é estável, sabemos que tal colapso não ocorre. Assim, o
modelo planetário, embora forneça uma imagem mais realista do átomo do que o modelo de
“pudim de ameixas”, deve estar contando apenas parte da história. A história completa da es-
trutura atômica é fascinante, e a próxima seção descreve outro aspecto dela.

30.2 Espectros de Linhas


Vimos na Seção 13.3 do volume 1 e na Seção 29.2 que todos os corpos emitem ondas
eletromagnéticas, e veremos na Seção 30.3 como surge essa radiação. No caso de um objeto
sólido, como o filamento aquecido de uma lâmpada incandescente, essas ondas têm uma faixa
contínua de comprimentos de onda, alguns dos quais estão na região visível do espectro. A
faixa contínua de comprimentos de onda é característica da coleção completa de átomos que
formam o sólido. Em contraste, átomos individuais, livres das interações que estão presentes
em um sólido, emitem apenas certos comprimentos de onda em vez de uma faixa contínua.
Esses comprimentos de onda são característicos do átomo e fornecem pistas importantes a res-
peito da sua estrutura. Para estudar o comportamento de átomos individuais, são usados gases
a baixa pressão nos quais os átomos estão relativamente afastados uns dos outros.
Pode-se fazer um gás a baixa pressão em um tubo selado emitir ondas eletromagnéticas
aplicando-se uma diferença de potencial suficientemente alta entre dois eletrodos situados no
interior do tubo. Com um espectroscópio de rede de difração como o da Figura 27.36, os com-
primentos de onda individuais emitidos pelo gás podem ser separados e identificados como
uma série de franjas brilhantes. A série de franjas é conhecida como espectro de linhas porque
cada franja brilhante aparece como um retângulo estreito (uma “linha”) resultante do grande
número de fendas paralelas bem densas na rede de difração do espectroscópio.
A física dos anúncios de neônio e das lâmpadas de rua de vapor de mercúrio. Dois exemplos familiares
de gases a baixa pressão são o neônio nos anúncios de neônio e o mercúrio em lâmpadas de

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52  ■  Capítulo 30

Figura 30.3  Os espectros de linha para o neônio e o mercúrio. (Cortesia de Bausch & Lomb)

Figura 30.4  Espectro de linha do


átomo de hidrogênio. Apenas a
série de Balmer está localizada na
região do visível no espectro
eletromagnético.

rua de vapor de mercúrio. A Figura 30.3 mostra as partes visíveis dos espectros para esses dois
átomos. Os comprimentos de onda visíveis específicos que os átomos emitem emprestam suas
cores características aos anúncios de neônio e às lâmpadas de vapor de mercúrio usadas em
iluminação pública.
O espectro de linha mais simples é o do átomo de hidrogênio, e muito esforço foi dedicado
ao entendimento do padrão de comprimentos de onda que ele contém. A Figura 30.4 ilustra de
forma esquemática alguns dos grupos ou séries de linhas no espectro do átomo de hidrogênio.
Apenas um dos grupos está na região visível do espectro eletromagnético: ele é conhecido co-
mo a série de Balmer, em homenagem a Johann J. Balmer (1825-1898), um professor suíço
de segundo grau que descobriu uma equação empírica que forneceu os valores para os com-
primentos de onda observados. Essa equação é fornecida a seguir, juntamente com equações
semelhantes que se aplicam à série de Lyman, que envolve comprimentos de onda menores do
que os da série de Balmer, e à série de Paschen, que envolve comprimentos de ondas maiores.
As três séries são mostradas na Figura 30.4:

Série de Lyman (30.1)




Série de Balmer (30.2)




Série de Paschen (30.3)



Nessas equações, o termo constante R tem o valor R 5 1,097 3 107 m21 e é conhecido como
a constante de Rydberg. Uma característica essencial de cada grupo de linhas é o fato de exis-
tirem limites de comprimento de onda longo e de comprimento de onda curto, com as linhas
ficando cada vez mais amontoadas em direção ao limite de comprimento de onda curto. A Fi-
gura 30.4 também fornece esses limites para cada série, enquanto o Exemplo 2 determina esses
limites para a série de Balmer.

  Exemplo 2    A Série de Balmer


Determine (a) o maior comprimento de onda; (b) o menor comprimento de onda da série de Balmer.
Raciocínio  Cada comprimento de onda na série corresponde a um valor do número inteiro n na
Equação 30.2. Comprimentos de onda maiores estão associados a valores menores de n. O maior
comprimento de onda ocorre quando n tem seu menor valor n 5 3. O menor comprimento de onda
surge quando n tem um valor muito grande, de modo que 1/n2 é praticamente igual a zero.

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A Natureza do Átomo  ■  53

Solução  (a) Com n 5 3, a Equação 30.2 revela que para o maior comprimento de onda


(b) Com 1/n2 5 0, a Equação 30.2 revela que para o menor comprimento de onda


 ■

As Equações 30.1 a 30.3 são úteis por reproduzirem os comprimentos de onda que os áto-
mos de hidrogênio irradiam. Entretanto, essas equações são empíricas e não fornecem nenhu-
ma ideia de por que certos comprimentos de onda são irradiados e outros não. Foi o grande
físico dinamarquês Niels Bohr (1885-1962) que propôs o primeiro modelo do átomo que con-
seguiu prever os comprimentos de onda discretos emitidos pelo átomo de hidrogênio. O mo-
delo de Bohr deu a partida no caminho rumo ao entendimento de como a estrutura do átomo
restringe os comprimentos de onda irradiados a certos valores. Em 1922, Bohr recebeu o prê-
mio Nobel de física pela sua descoberta.

30.3 O Modelo de Bohr do Átomo de Hidrogênio


Em 1913, Bohr propôs um modelo que levou a equações como a de Balmer para os
comprimentos de onda que o átomo de hidrogênio irradia. A teoria de Bohr começa com a
imagem de Rutherford de um átomo como um núcleo cercado por elétrons movendo-se em
órbitas circulares. Na sua teoria, Bohr fez várias hipóteses e combinou as novas ideias quânti-
cas de Planck e Einstein com a descrição tradicional de uma partícula em movimento circular
uniforme.
Adotando a ideia de Planck de níveis de energia quantizados (veja a Seção 29.2), Bohr pro-
pôs que em um átomo de hidrogênio poderia haver apenas certos valores da energia total (ener-
gia cinética mais energia potencial do elétron). Esses níveis de energia permitidos correspondem
a diferentes órbitas para o elétron quando ele se move ao redor do núcleo, com as órbitas maio-
res estando associadas a maiores energias totais. A Figura 30.5 ilustra duas dessas órbitas. Além
disso, Bohr postulou que um elétron em uma dessas órbitas não irradia ondas eletromagnéticas.
Por essa razão, as órbitas são chamadas de órbitas estacionárias ou estados estacionários.
Bohr reconheceu que a existência de órbitas estacionárias violava as leis da física conhecidas
na época. Mas a hipótese de tais órbitas era necessária, porque as leis tradicionais indicavam
que um elétron irradiava ondas eletromagnéticas quando ele era acelerado ao redor de uma tra-
jetória circular, e a perda da energia transportada pelas ondas levaria ao colapso da órbita.
Para incorporar o conceito de fóton proposto por Einstein (veja a Seção 29.3), Bohr propôs
que um fóton seja emitido apenas quando o elétron muda de órbita, passando de uma órbita de
raio maior com maior energia para uma órbita de raio menor com menor energia, como indi-
cado na Figura 30.5. Como, para começar, os elétrons entram nas órbitas de maior energia?
Eles chegam lá acumulando energia quando átomos colidem, que acontece com maior fre-
quência quando um gás é aquecido ou adquirindo energia quando uma alta voltagem2 é apli-
cada a um gás.
Quando um elétron em uma órbita inicial com uma maior energia Ei passa para uma órbita
final com uma menor energia Ef, o fóton emitido tem uma energia igual a Ei – Ef, o que está

Figura 30.5  No modelo de Bohr,


um fóton é emitido quando o
elétron cai de uma órbita maior, de
alta energia (energia 5 Ei) para
uma órbita menor, de menor
energia (energia 5 Ef).

2
Ou tensão. (N.T.)

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54  ■  Capítulo 30

de acordo com a lei de conservação da energia. Mas de acordo com Einstein, a energia de um
fóton é hf, em que f é a sua frequência e h é a constante de Planck. Como resultado, teremos

 (30.4)
Como a frequência de uma onda eletromagnética está relacionada com o comprimento de on-
da pela equação f 5 c/l, Bohr podia usar a Equação 30.4 para determinar os comprimentos de
onda irradiados por um átomo de hidrogênio. Antes, porém, ele teve que deduzir expressões
para as energias Ei e Ef.

■■ As Energias e os Raios das Órbitas de Bohr


Para um elétron de massa m e velocidade v em uma órbita de raio r (veja a Figura 30.6), a
Figura 30.6  No modelo de Bohr, energia total é a energia cinética (EC 5 do elétron mais a energia potencial elétrica
o elétron está em movimento EPE. A energia potencial é o produto da carga (–e) do elétron pelo potencial elétrico produzi-
circular uniforme ao redor do
do pela carga nuclear positiva, de acordo com a Equação 19.3. Supomos que o núcleo contém
núcleo. A força centrípeta é a
força eletroestática de atração que Z prótons,* para uma carga nuclear total igual a 1Ze. O potencial elétrico a uma distância r
a carga nuclear positiva exerce de uma carga pontual igual a 1Ze é dado por 1kZe/r pela Equação 19.6, em que a constante
sobre o elétron. k é k 5 8,988 3 109 N ∙ m2/C2. A energia potencial elétrica é, então, EPE 5 (–e)(1kZe/r).
Consequentemente, a energia total E do átomo é

(30.5)

Mas uma força centrípeta de módulo igual a mv2/r (Equação 5.3) atua sobre uma partícula em
movimento circular uniforme. Como indicado na Figura 30.6, a força centrípeta é fornecida
pela força eletrostática de atração que os prótons no núcleo exercem sobre o elétron. De
acordo com a lei de Coulomb (Equação 18.1), o módulo da força
eletrostática é F 5 kZe2/r2. Portanto, mv2/r 5 kZe2/r2, ou
HABILIDADES MATEMÁTICAS  Para obtermos a Equa-
ção 30.9 para o raio rn, começamos escrevendo a Equação 30.6
com os símbolos vn no lugar de v e rn no lugar de r: (30.6)

(30.6) Podemos usar essa relação para eliminar o termo mv2 da Equação
 30.5, resultando em

Em seguida, explicitamos vn em mvnrn 5 (Equação 30.8) (30.7)


dividindo ambos os lados por mrn: 
mvn rn h nh A energia total do átomo é negativa porque a energia potencial
n ou vn (1) elétrica negativa é maior em módulo do que a energia cinética
(mrn) 2 (mrn) 2 mrn 
positiva.
Substituindo a Equação 1 na Equação 30.6, obtivemos É necessário um valor para o raio r, a fim de que a Equação
30.7 seja útil. Para determinar r, Bohr fez uma hipótese a respeito
(2) da quantidade de movimento angular orbital do elétron. O módu-
lo L da quantidade de movimento angular é dado pela Equação
9.10 como L 5 Iv, em que I 5 mr2 é o momento de inércia do
 elétron se movendo na sua trajetória circular e v 5 v/r (Equação
Para isolarmos rn em um lado do sinal de igualdade na Equa- 8.9) é a velocidade angular do elétron em radianos por segundo.
ção 2, multiplicamos ambos os lados por Assim, a quantidade de movimento angular é L 5 (mr2)(v/r) 5
mvr. Bohr conjecturou que a quantidade de movimento angular
pode assumir apenas certos valores discretos; em outras palavras,
n 2h 2 rn2 kZe 2 rn rn
ou L é quantizada. Ele postulou que os valores permitidos são múl-
4 2mrn2 kZe 2 rn kZe 2 tiplos inteiros da constante de Planck dividida por 2p:
n 2h 2
rn (3) (30.8)
4 2mkZe 2  
Finalmente, na Equação 3, colocamos em evidência o termo Explicitando vn nessa equação e substituindo o resultado na Equa-
e chegamos a ção 30.6 leva à seguinte expressão para o raio rn na enésima ór-
bita de Bohr:
(30.9)
 (30.9)


*Para o hidrogênio, Z 5 1, mas também desejamos considerar situações nas quais Z é maior do que 1.

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A Natureza do Átomo  ■  55

Com h 5 6,626 3 10234 J ∙ s, m 5 9,109 3 10231 kg, k 5 8,988 3 109 N ∙ m2/C2 e e 5 1,602 3
10219 C, essa expressão revela que
Raios para
órbitas de Bohr (30.10)
(em metros) 
Portanto, no átomo de hidrogênio (Z 5 1) a menor órbita de Bohr (n 5 1) tem um raio r1 5
5,29 3 10211 m. Esse valor particular é chamado de raio de Bohr. A Figura 30.7 mostra as três
primeiras órbitas de Bohr para o átomo de hidrogênio.
A Equação 30.9 para o raio de uma órbita de Bohr pode ser substituída na Equação 30.7 a
fim de mostrar que a energia total correspondente para a enésima órbita é

(30.11)
 Figura 30.7  A primeira órbita de
Bohr no átomo de hidrogênio tem
Substituindo os valores de h, m, k e e nessa expressão resulta em um raio r1 5 5,29 3 10211 m.
Níveis de A segunda e a terceira órbitas de
Bohr têm raios r2 5 4r1 e r3 5 9 r1,
energia de Bohr (30.12) respectivamente.
em joules 
Frequentemente, energias atômicas são expressas na unidade elétron-volt em vez de joules.
Como 1,60 3 10219 J 5 1 eV, a Equação 30.12 pode ser reescrita como
Níveis de energia
de Bohr em (30.13)
elétrons-volts 

■■ Diagramas de Níveis de Energia


É útil representar os valores de energia dados pela Equação 30.13 em um diagrama de níveis
de energia, como na Figura 30.8. Nesse diagrama, que se aplica ao átomo de hidrogênio (Z 5 1),
o nível mais elevado de energia corresponde a n 5 ∞ na Equação 30.13 e tem uma energia
igual a 0 eV. Essa é a energia do átomo quando o elétron é completamente removido (r 5 ∞)
do núcleo e está em repouso. Em contraste, o menor nível de energia corresponde a n 5 1 e
tem um valor igual a –13,6 eV. O nível de menor energia é chamado de estado de menor ener-
gia ou estado fundamental, para distingui-lo dos níveis mais elevados, que são chamados de
estados excitados. Observe como as energias dos estados excitados ficam cada vez mais pró-
ximas umas das outras à medida que n aumenta.
O elétron em um átomo de hidrogênio à temperatura ambiente passa a maior parte do tem-
po no seu estado fundamental. Para elevar o elétron do estado fundamental (n 5 1) até o esta-
do excitado mais alto (n 5 ∞), devem ser fornecidos 13,6 eV de energia. Fornecendo essa
quantidade de energia, o elétron é removido do átomo de hidrogênio, produzindo o íon de hi-
drogênio positivo H1. Essa é a energia mínima necessária para remover o elétron e é chamada
de energia de ionização. Assim, o modelo de Bohr prevê que a energia de ionização do áto-
mo de hidrogênio é igual a 13,6 eV, em excelente concordância com o valor experimental.
No Exemplo 3, o modelo de Bohr é aplicado ao lítio duplamente ionizado.

  Exemplo 3    Energia de Ionização do Li21


O modelo de Bohr não se aplica quando mais de um elétron orbita o núcleo porque o modelo não
leva em conta a força eletrostática que um elétron exerce sobre outro. Por exemplo, um átomo de
lítio eletricamente neutro (Li) contém três elétrons em órbita ao redor de um núcleo que inclui três
prótons (Z 5 3), e a análise de Bohr não pode ser aplicada. Entretanto, o modelo de Bohr pode ser
usado para o íon de lítio duplamente carregado positivamente (Li21) que resulta quando dois elétrons
são removidos do átomo neutro, deixando apenas um elétron orbitando o núcleo. Obtenha a energia
de ionização necessária para remover o elétron que ficou no íon Li21.
Raciocínio  O íon de lítio Li21 contém o triplo da carga nuclear positiva do átomo de hidrogênio.
Portanto, o elétron em órbita é atraído mais fortemente para o núcleo no Li21 do que para o núcleo
no átomo de hidrogênio. Consequentemente, esperamos que seja necessária uma energia maior pa-
ra ionizar o Li21 do que os 13,6 eV necessários para ionizar o átomo de hidrogênio.
Solução  Os níveis de energia de Bohr para o Li21 são obtidos pela Equação 30.13 com Z 5 3: En 5
2(13,6 eV)(32/n2). Portanto, a energia do estado fundamental (n 5 1) é
Figura 30.8  Diagrama de níveis
de energia para o átomo de
hidrogênio.

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56  ■  Capítulo 30

Remover o elétron do Li21 requer 122 eV de energia: Energia de ionização 5 122 eV . Esse valor
para a energia de ionização está em boa concordância com o valor experimental de 122,4 e V e,
como esperado, é maior do que os 13,6 e V necessários para o átomo de hidrogênio.
 ■

■■ Os Espectros de Linhas do Átomo de Hidrogênio


Para prever os comprimentos de onda no espectro de linhas do átomo de hidrogênio, Bohr com-
binou suas ideias a respeito dos átomos (as órbitas dos elétrons são órbitas estacionárias e a
quantidade de movimento angular de um elétron é quantizada) com a ideia do fóton proposta
por Einstein. Como aplicado por Bohr, o conceito de fóton é inerente na Equação 30.4, Ei – Ef 5
hf, que afirma que a frequência f do fóton é proporcional à diferença entre dois níveis de ener-
gia do átomo de hidrogênio. Se substituirmos a Equação 30.11 para as energias totais Ei e Ef
na Equação 30.4 e lembrarmos da Equação 16.1 que f 5 c/l, obtivermos o seguinte resultado:

(30.14)


Usando valores conhecidos de h, m, k, e e c, obtivemos 2p mk e /(h3c) 5 1,097 3 107 m21, em
2 2 4

concordância com a constante de Rydberg R que aparece nas Equações 30.1 a 30.3. A concor-
dância entre os valores teórico e experimental da constante de Rydberg foi um dos principais
resultados da teoria de Bohr.
Com Z 5 1 e nf 5 1, a Equação 30.14 reproduz a Equação 30.1 para a série de Lyman. As-
sim, o modelo de Bohr mostra que a série de linhas de Lyman ocorre quando elétrons fazem
transições de níveis mais elevados de energia com ni 5 2, 3, 4, … para o primeiro nível de
energia em que nf 5 1. A Figura 30.9 representa essas transições. Observe que quando um elé-
tron faz uma transição de ni 5 2 para nf 5 1, o fóton de maior comprimento de onda na série
de Lyman é emitido, já que a variação de energia é a menor possível. Quando um elétron faz
uma transição do nível mais elevado em que ni 5 ∞ para o nível mais baixo em que nf 5 1, o
fóton de menor comprimento de onda é emitido, já que a variação de energia é a maior possí-
Figura 30.9  As séries de linhas vel. Como os níveis de energia mais elevados estão cada vez mais próximos uns dos outros, as
de Lyman e de Balmer no espectro linhas na série se tornam cada vez mais próximas umas das outras em direção ao limite do
do átomo de hidrogênio
correspondem a transições que o
menor comprimento de onda, como pode ser visto na Figura 30.4. A Figura 30.9 também mos-
elétron faz entre níveis de energia tra as transições de níveis de energia correspondentes à série de Balmer, em que ni 5 3, 4, 5, …
mais elevados e mais baixos, como e nf 5 2. Na série de Paschen (veja a Figura 30.4), ni 5 4, 5, 6, … e nf 5 3. O próximo exem-
indicado na figura. plo aprofunda o tratamento do espectro de linhas do átomo de hidrogênio.

  Exemplo 4    A Série de Brackett para o Átomo de Hidrogênio


No espectro de linhas do átomo de hidrogênio, também existe um grupo de linhas conhecido como
a série de Brackett. Essas linhas são produzidas quando elétrons, excitados até altos níveis de ener-
gia, fazem transições para o nível n 5 4. Determine (a) o maior comprimento de onda nessa série
e (b) o comprimento de onda que corresponde à transição de ni 5 6 para nf 5 4. (c) Consulte a Fi-
gura 24.9 e identifique a região do espectro na qual estão situadas essas linhas.
Raciocínio  O maior comprimento de onda corresponde à transição que tem a menor variação de
energia, que é a transição entre os níveis ni 5 5 e nf 5 4 na Figura 30.8. O comprimento de onda
para essa transição, bem como para aquele correspondente à transição de ni 5 6 para nf 5 4 podem
ser obtidos da Equação 30.14.

■■ Dicas para a Solução de Problemas. Solução  (a) Usando a Equação 30.14 com Z 5 1, ni 5 5, e nf 5 4, concluímos que
No espectro de linhas do átomo de
hidrogênio, todas as linhas em uma dada
série (por exemplo, a série de Brackett) são
identificadas por um único valor do número
quântico nf correspondente ao nível de (b) Os cálculos nesse caso são semelhantes aos do item (a):
energia mais baixo para o qual um elétron
cai. Cada linha em uma dada série, no
entanto, corresponde a um valor diferente do
número quântico ni para o nível mais elevado
de energia de onde se origina um elétron. (c) De acordo com a Figura 24.9, essas linhas estão situadas na região infravermelha do espectro.
 ■

As várias linhas no espectro do átomo de hidrogênio são produzidas quando elétrons passam
de níveis de energia mais elevada para níveis de menor energia e fótons são emitidos. Conse-

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A Natureza do Átomo  ■  57

Figura 30.10  O espectro do Sol. As linhas escuras no espectro do Sol são linhas de absorção
denominadas linhas de Fraunhofer, em homenagem ao seu descobridor. Três delas são marcadas por
setas. (Cortesia Bausch & Lomb)

quentemente, as linhas espectrais são chamadas de linhas de emissão. Elétrons também podem
sofrer transições no sentido contrário, de níveis de menor energia para níveis de maior energia,
em um processo conhecido como absorção. Nesse caso, um átomo absorve um fóton que tem
precisamente a energia necessária para produzir a transição. Assim, se fótons com uma faixa
contínua de comprimentos de onda atravessarem um gás e depois forem analisados em um es-
pectroscópio de difração, uma série de linhas escuras, conhecidas como linhas de absorção,
aparece no espectro contínuo. As linhas escuras indicam os comprimentos de onda removidos
pelo processo de absorção.
A física das linhas de absorção no espectro do Sol. Linhas de absorção podem ser vistas na Figura
30.10 no espectro do Sol, onde elas são chamadas de linhas de Fraunhofer, em homenagem ao
seu descobridor. Elas se devem a átomos, localizados nas camadas mais externas e mais frias
do Sol, que absorvem radiação vinda do interior do Sol. A porção interna do Sol é quente de-
mais para que átomos individuais retenham suas estruturas e, portanto, o interior emite um
espectro contínuo de comprimentos de onda.
O modelo de Bohr fornece muitas explicações sobre a estrutura atômica. Entretanto, hoje
se sabe que esse modelo é excessivamente simplificado e ele foi superado por um modelo mais
detalhado fornecido pela mecânica quântica e pela equação de Schrödinger (veja a Seção 30.5).

Verifique Seu Entendimento


(As respostas são dadas no final do livro.)
  1. Qual das seguintes afirmações é verdadeira?  (a) Um átomo é menos facilmente ionizado quando
seu elétron mais externo está em um estado excitado do que quando ele está no estado de repou-
so. (b) Um átomo é mais facilmente ionizado quando seu elétron mais externo está em um estado
excitado do que quando está no estado de repouso.  (c) O estado de energia (estado excitado ou
estado de repouso) do elétron mais externo de um átomo não tem nada a ver com a facilidade com
que o átomo pode ser ionizado.
  2. Um elétron no átomo de hidrogênio está no nível de energia n 5 4. Quando esse elétron faz uma
transição para um nível de energia mais baixo, o comprimento de onda do fóton emitido está 
(a) apenas na série de Lyman,  (b) apenas na série de Balmer,  (c) apenas na série de Paschen,
ou (d) poderia estar nas séries de Lyman, de Balmer e de Paschen?
  3. Um tubo contém átomos de hidrogênio, e quase todos os elétrons nos átomos estão no estado de
repouso ou no nível de energia n 5 1. Uma radiação eletromagnética com um espectro contínuo de
comprimentos de onda (incluindo aqueles nas séries de Lyman, Balmer e Paschen) entra em uma
extremidade do tubo e sai pela outra extremidade. Observa-se que a radiação que sai contém fortes
linhas de absorção. A quais séries correspondem os comprimentos de onda dessas linhas de absor-
ção? Suponha que quando um elétron absorve um fóton e salta para um nível de energia mais alto,
ele não absorve mais um fóton e salta para um nível de energia ainda maior.

30.4 A Explicação de De Broglie para a Hipótese de Bohr


sobre a Quantidade de Movimento Angular
De todas as hipóteses que Bohr fez no seu modelo do átomo de hidrogênio, talvez a
mais intrigante seja a hipótese a respeito da quantidade de movimento angular do elétron [Ln 5
mvnrn 5 nh/(2p); n 5 1, 2, 3, …]. Por que a quantidade de movimento angular deveria ter ape-
nas valores que são múltiplos inteiros da constante de Planck dividida por 2p? Em 1923, 10
anos após a publicação do trabalho de Bohr, De Broglie destacou que sua própria teoria para
o comprimento de onda de uma partícula em movimento poderia fornecer uma resposta para
essa pergunta.
Na forma de pensar de De Broglie, o elétron na sua órbita circular de Bohr tem que ser
visto como uma onda de partícula. E como as ondas se propagando em uma corda, as ondas
de partículas podem formar ondas estacionárias em condições de ressonância. A Seção 17.5
discute essas condições para uma corda vibrante. Ondas estacionárias se formam quando a
distância total percorrida por uma onda se propagando na corda e voltando ao ponto inicial

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58  ■  Capítulo 30

é igual a um comprimento de onda, dois comprimentos de onda ou qualquer número intei-


ro de comprimentos de onda. A distância total ao redor de uma órbita de Bohr de raio r é
o comprimento da circunferência da órbita ou 2pr. Pelo mesmo raciocínio, então, a condi-
ção para a existência de ondas de partículas estacionárias para o elétron em uma órbita de
Bohr seria

em que n é o número de comprimentos de onda completos que cabem na circunferência do
círculo. Mas de acordo com a Equação 29.8, o comprimento de onda de De Broglie do elétron
é l 5 h/p, em que p é o módulo da quantidade de movimento do elétron. Se a velocidade do
elétron for muito menor do que a velocidade de propagação da luz, a quantidade de movimen-
to é p 5 mv, e a condição para a existência de ondas de partículas estacionárias passa a ser
2pr 5 nh/(mv). Reordenando os termos, obtivemos

Figura 30.11  De Broglie sugeriu


ondas de partículas estacionárias
como uma explicação para a que é exatamente o que Bohr supôs como a quantidade de movimento angular do elétron. Como
hipótese de quantidade de um exemplo, a Figura 30.11 ilustra a onda de partícula estacionária em uma órbita de Bohr
movimento angular de Bohr. para a qual 2pr 5 4l.
Nessa figura, uma onda de A explicação de De Broglie para a hipótese de Bohr a respeito da quantidade de movi-
partícula estacionária é ilustrada
em uma órbita de Bohr em que
mento angular chama a atenção para um fato importante — o de que ondas de partículas de-
quatro comprimentos de onda de sempenham um papel central na estrutura do átomo. Além disso, o arcabouço teórico da
De Broglie cabem na mecânica quântica inclui a equação de Schrödinger para determinar a função de onda  (le-
circunferência da órbita. tra grega psi maiúscula) que representa uma onda de partícula. A próxima seção trata da
imagem que a mecânica quântica fornece para a estrutura atômica, uma imagem que supera
o modelo de Bohr. De qualquer forma, a expressão de Bohr para os níveis de energia (Equa-
ção 30.11) pode ser aplicada quando um único elétron orbita o núcleo, enquanto o arcabou-
ço teórico da mecânica quântica pode ser aplicado, em princípio, a átomos que contêm um
número arbitrário de elétrons.

30.5 A Imagem da Mecânica Quântica do Átomo


de Hidrogênio
A imagem do átomo de hidrogênio que a mecânica quântica e a equação de Schrödin-
ger fornecem difere em várias formas do modelo de Bohr. O modelo de Bohr usa um único
número inteiro, n, para identificar as várias órbitas dos elétrons e as energias associadas. Como
esse número só pode ter valores discretos, em vez de uma faixa contínua de valores, n é cha-
mado de número quântico. Em contraste, a mecânica quântica revela que são necessários qua-
tro números quânticos diferentes para descrever cada estado do átomo de hidrogênio. Esses
quatro números são descritos a seguir:
1. O número quântico principal, n. Como no modelo de Bohr, esse número determina a
energia total do átomo e pode ter apenas valores inteiros: n 5 1, 2, 3, … Na verdade, a
equação de Schrödinger prevê* que a energia do átomo de hidrogênio é idêntica à ener-
gia obtida pelo modelo de Bohr: En 5 2(13,6 eV)Z2/n2.
2. O número quântico orbital l. Esse número determina a quantidade de movimento an-
gular do elétron em razão de seu movimento orbital. Os valores que  pode ter dependem
do valor de n, e apenas os seguintes inteiros são permitidos:


Por exemplo, se n 5 1, o número quântico orbital só pode ter o valor  5 0, mas se n 5
4, os valores  5 0, 1, 2 e 3 são possíveis. O módulo L da quantidade de movimento an-
gular do elétron é dado por

(30.15)

3. O número quântico magnético ml. A palavra “magnético” é usada aqui porque um
campo magnético aplicado externamente influencia a energia do átomo, e esse número
quântico é usado na descrição do efeito. Como o efeito foi descoberto pelo físico holan-
dês Pieter Zeeman (1865-1943), ele é conhecido como efeito Zeeman. Na ausência de

*Essa previsão exige que pequenos efeitos relativísticos e pequenas interações com o átomo sejam ignorados, e
considera que o átomo de hidrogênio não esteja localizado em um campo magnético externo.

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A Natureza do Átomo  ■  59

Tabela 30.1  Números Quânticos para o Átomo de Hidrogênio

Nome Símbolo Valores Permitidos

Número quântico principal n 1, 2, 3, …


Número quântico orbital  0, 1, 2, …, (n 2 1)
Número quântico magnético m 2, …, 22, 21, 0, 11, 12, …, 1
Número quântico principal de spin ms

um campo magnético externo, m não tem nenhum papel na determinação da energia.


Em qualquer caso, o número quântico magnético determina a componente da quantidade
de movimento angular ao longo de certa direção, que é chamada de direção z por
convenção. Os valores que m pode ter dependem do valor de , com apenas os seguintes
inteiros positivos e negativos sendo permitidos:


Por exemplo, se o número quântico orbital for  5 2, o número quântico magnético po-
de ter os valores m 5 22, 21, 0, 11 e 1 2. A componente Lz da quantidade de movi-
mento angular na direção z é

(30.16)

4. Número quântico de spin ms. Esse número é necessário porque o elétron tem uma pro-
priedade intrínseca chamada de “quantidade de movimento angular de spin”. De manei-
ra informal, podemos ver o elétron como girando em torno dele mesmo (spin em inglês)
enquanto ele orbita em torno do núcleo, de maneira análoga a como a Terra gira em tor-
no do seu próprio eixo quando orbita em torno do Sol. Existem dois valores possíveis
para o número quântico de spin do elétron:


As expressões “spin para cima” e “spin para baixo” são às vezes usadas para se referir aos
sentidos da quantidade de movimento angular de spin associados aos dois valores de ms.
A Tabela 30.1 sintetiza os quatro números quânticos que são necessários para descrever
cada estado do átomo de hidrogênio. Um conjunto de valores para n, , m e ms corresponde a
um estado. Quando o número quântico principal n aumenta, o número de combinações possí-
veis dos quatro números quânticos aumenta rapidamente, como ilustrado no Exemplo 5.

  Exemplo 5    Estados Mecânicos Quânticos do Átomo de Hidrogênio


Determine o número de estados possíveis para o átomo de hidrogênio quando o número quântico
principal for (a) n 5 1 e (b) n 5 2.
Raciocínio  Cada diferente combinação dos quatro números quânticos que aparecem na Tabela 30.1
corresponde a um estado diferente. Começamos com o valor para n e determinamos os valores per-
mitidos para . Depois, para cada valor de , determinamos os valores possíveis para m. Finalmente,
ms pode ser ou para cada grupo de valores para n,  e m.
Solução  (a) O diagrama a seguir mostra os valores possíveis para , m e ms quando n 5 1:

Estado
n m ms
1 1
ms 1 0 0
2 2
n 1 0 m 0
1 1
ms 1 0 0
2 2

Assim, existem dois estados diferentes para o átomo de hidrogênio. Na ausência de um campo mag-
nético externo, esses dois estados têm a mesma energia, já que eles têm o mesmo valor de n.

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60  ■  Capítulo 30

(b) Quando n 5 2, existem oito combinações possíveis para os valores de , m e ms, como indicado
no diagrama a seguir:

Estado
n m ms
1 1
ms 2 1 1
2 2
m 1
1 1
ms 2 1 1 2
2

1 1
ms 2 1 0 2
2
1 m 0
1 1
ms 2 1 0 2
2

1 1
ms 2 1 1 2
2
n 2 m 1
1 1
ms 2 1 1
2 2

1 1
ms 2 0 0
2 2
0 m 0
1 1
ms 2 0 0
2 2

Com o mesmo valor de n 5 2, todos os oito estados têm a mesma energia quando não existe campo
magnético externo.
 ■

A mecânica quântica fornece uma imagem mais acurada da estrutura atômica do que o mode-
lo de Bohr. É importante perceber que as duas imagens diferem substancialmente, como ilus-
trado no Exemplo Conceitual 6.

  Exemplo Conceitual 6    O Modelo de Bohr Versus a Mecânica Quântica


Considere dois átomos de hidrogênio. Não há nenhum campo magnético externo presente e o elé-
tron em cada átomo tem a mesma energia. De acordo com o modelo de Bohr e com a mecânica
quântica, é possível para os elétrons nesses átomos (a) terem quantidade de movimento angular
orbital igual a zero? (b) terem quantidades de movimento angular orbital diferentes?
Raciocínio e Solução  (a) Tanto no modelo de Bohr quanto na mecânica quântica, a energia é
proporcional a 1/n2, de acordo com a Equação 30.13, em que n é o número quântico principal. Além
disso, o valor de n pode ser n 5 1, 2, 3, … e não pode ser igual a zero. No modelo de Bohr, o fato
de n não poder ser igual a zero significa que a quantidade de movimento angular orbital do elé-
tron não pode ser igual a zero porque a quantidade de movimento angular é proporcional a n, de
acordo com a Equação 30.8. Na imagem da mecânica quântica, o módulo da quantidade de movi-
mento angular orbital é proporcional a de acordo com a Equação 30.15. Aqui,  é o
número quântico orbital e pode assumir os valores  5 0, 1, 2, …, (n 2 1). Observamos que  [e,
portanto, pode ser igual a zero, qualquer que seja o valor de n. Consequentemente, a
quantidade de movimento angular orbital pode ser igual a zero de acordo com a mecânica quân-
tica, ao contrário do que acontece com o modelo de Bohr,
(b) Se os elétrons tiverem a mesma energia, eles têm o mesmo valor para o número quântico principal
n. No modelo de Bohr, isso significa que não podem existir valores diferentes para a quantidade de
movimento angular orbital Ln, já que Ln 5 nh/(2p), de acordo com a Equação 30.8. Na mecânica
quântica, a energia também fica determinada por n na ausência de campos magnéticos externos, mas
a quantidade de movimento angular orbital fica determinada por . Como  5 0, 1, 2, …, (n 2 1),
valores diferentes de  são compatíveis com o mesmo valor de n. Por exemplo, se n 5 2 para os dois
elétrons, um deles poderia ter  5 0, enquanto o outro poderia ter  5 1. Portanto, de acordo com
a mecânica quântica, os elétrons poderiam ter quantidades de movimento angular orbitais dife-
rentes, embora tenham a mesma energia.

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A Natureza do Átomo  ■  61

A tabela a seguir resume a discussão dos itens (a) e (b):

Modelo de Bohr Mecânica Quântica

(a) Para um n dado, a quantidade de movimento Não Sim


angular pode chegar a ser igual a zero?
(b) Para um n dado, a quantidade de movimento Não Sim
angular pode ter valores diferentes?

Trabalho a Ser Resolvido em Casa Associado:  Problema 57 ■


Figura 30.12  A nuvem de
probabilidade do elétron para o
De acordo com o modelo de Bohr, a enésima órbita é uma circunferência de círculo de raio estado fundamental (n 5 1, l 5 0,
rn, e toda vez que a posição do elétron nessa órbita é medida, o elétron se encontra exatamente ml 5 0) do átomo de hidrogênio.
a uma distância rn do núcleo. Hoje sabemos que essa imagem simplista não está correta, e a
imagem do átomo da mecânica quântica substituiu essa imagem. Suponha que o elétron esteja
em um estado da mecânica quântica para o qual n 5 1, e imaginemos que sejam feitas algumas
medições da posição do elétron em relação ao núcleo. Chegaríamos à conclusão de que sua po-
sição é incerta, no sentido de que existe uma probabilidade de encontrar o elétron às vezes mui-
to próximo ao núcleo, às vezes muito distante do núcleo, e às vezes em posições intermediárias.
A probabilidade é determinada pela função de onda , como discutido na Seção 29.5. Podemos
construir uma imagem tridimensional das nossas descobertas marcando um ponto em cada local
onde o elétron foi encontrado. A maioria dos pontos ocorre em locais onde a probabilidade de
encontrar o elétron é maior, e depois de um número suficiente de medições, emerge uma ima-
gem do estado da mecânica quântica. A Figura 30.12 mostra a distribuição espacial para a po-
sição de um elétron em um estado para o qual n 5 1,  5 0 e m 5 0. Essa imagem é construí­
da a partir de tantas medições que os pontos individuais deixam de ser visíveis por terem se
fundido formando uma espécie de “nuvem” de probabilidade cuja densidade varia gradualmen-
te de um local para outro. As regiões mais densas indicam locais em que a probabilidade de se
encontrar o elétron é alta, e as regiões menos densas indicam locais em que a probabilidade é
menor. Na Figura 30.12 também está indicado o raio onde a mecânica quântica prevê a maior
probabilidade por distância radial unitária de se achar o elétron no estado n 5 1. Esse raio coin-
cide exatamente com o raio de 5,29 3 10211 m encontrado para a primeira órbita de Bohr.
Quando o número quântico principal n é igual a 2, as nuvens de probabilidade são diferen-
tes daquelas para n 5 1. Na verdade, mais de uma forma de nuvem é possível porque com n 5
2 o número quântico orbital pode ser tanto  5 0 quanto  5 1. Apesar de o valor de  não
afetar a energia do átomo de hidrogênio, o valor tem um efeito significativo sobre a forma das
nuvens de probabilidade. A Figura 30.13a mostra a nuvem para n 5 2,  5 0 e m 5 0. A Fi-
gura 30.13b mostra que quando n 5 2,  5 1 e m 5 0, a nuvem tem uma forma com dois ló-
bulos com o núcleo no centro entre os lóbulos. Para valores maiores de n, as nuvens de proba-
bilidade ficam cada vez mais complexas e estão espalhadas em volumes maiores do espaço.
A imagem da nuvem de probabilidade do elétron em um átomo de hidrogênio é muito di-
ferente da órbita bem definida do modelo de Bohr. A razão fundamental para essa diferença
vem do princípio da incerteza de Heisenberg, como discutido no Exemplo Conceitual 7.

  Exemplo Conceitual 7    O Princípio da Incerteza e o Átomo de Hidrogênio


No modelo do átomo de hidrogênio proposto por Bohr, o elétron no estado fundamental (n 5 1) se
encontra em uma órbita cujo raio é exatamente 5,29 3 10211 m, de modo que a incerteza Dy na sua
posição radial é Dy 5 0 m. De acordo com o princípio da incerteza de Heisenberg, qual a implica-
ção do fato de não haver incerteza na posição radial do elétron sobre a velocidade radial do elétron?
O princípio da incerteza (a) não tem nenhuma implicação sobre a velocidade radial, (b) implica que
a velocidade radial tem apenas uma pequena incerteza, (c) implica que a velocidade radial tem uma
incerteza infinita.
Raciocínio  Precisamos obter uma expressão para a incerteza na velocidade radial do elétron para
usá-la como um guia. Como afirmado na Equação 29.10, o princípio de Heisenberg é (Dpy)(Dy) 
h/(4p). No presente contexto, Dy é a incerteza na posição radial do elétron, de modo que Dpy, é a
incerteza na quantidade de movimento radial do elétron. De acordo com a Equação 7.2, no entanto,
o módulo da quantidade de movimento é py 5 mvy, em que m é a massa do elétron e vy é a veloci-
dade radial do elétron. Como resultado, a incerteza na quantidade de movimento é Dpy 5 D(mvy) 5
mDvy. Com essa substituição para Dpy, o princípio de Heisenberg fica representado por (mDvy)(Dy) 
h/(4p), que pode ser rearranjado para mostrar que Figura 30.13  As nuvens de
probabilidade para o átomo de
hidrogênio quando (a) n 5 2, l 5 0,
mℓ 5 0 e (b) n 5 2, l 5 1, ml 5 0.

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62  ■  Capítulo 30

As respostas (a) e (b) estão incorretas.  Nosso resultado para Dvy mostra que o princípio de
Heisenberg de fato implica em algo sobre a incerteza na velocidade radial do elétron. Como Dy 5
0 m no modelo de Bohr, nosso resultado para Dvy mostra que a incerteza na velocidade é infinita
(Dy está no denominador à direita). Portanto, as respostas (a) e (b) não podem estar corretas.
A resposta (c) está correta.  Nossa expressão para Dvy mostra que, na realidade, a incerteza
na velocidade radial é infinita (Dy 5 0 m no modelo de Bohr e Dy está no denominador na direi-
ta na expressão anterior). Tamanha incerteza na velocidade radial significa que o elétron pode
estar se movendo muito rapidamente na direção radial e, portanto, não permaneceria na sua ór-
bita de Bohr. A mecânica quântica, com a sua imagem da nuvem probabilística da estrutura atô-
mica, representa corretamente a incerteza na posição e no movimento que o princípio de Heisen-
berg revela. O modelo de Bohr não representa corretamente esse aspecto da realidade no nível
atômico.
 ■

Verifique Seu Entendimento


(As respostas são dadas no final do livro.)
  4. No modelo de Bohr para o átomo de hidrogênio, quanto mais perto o elétron estiver do núcleo,
menor será a energia total do elétron. Isso também é verdade na imagem da mecânica quântica do
átomo de hidrogênio?
  5. Na imagem da mecânica quântica do átomo de hidrogênio, a quantidade de movimento angular
orbital do elétron pode ser igual a zero em qualquer um dos estados de energia possíveis. Para qual
estado de energia a quantidade de movimento angular orbital tem que ser igual a zero?
  6. Considere dois átomos de hidrogênio diferentes. O elétron em cada um dos átomos está em um
estado de excitação diferente, de modo que cada elétron tem uma energia total diferente. É possível
que os elétrons tenham a mesma quantidade de movimento angular orbital L, de acordo com 
(a) o modelo de Bohr e  (b) a mecânica quântica?
  7. Observa-se que o módulo da quantidade de movimento angular orbital do elétron em um átomo de
hidrogênio aumenta. De acordo com  (a) o modelo de Bohr e  (b) a mecânica quântica, isso sig-
nifica necessariamente que a energia total do elétron também aumenta?

30.6 O Princípio de Exclusão de Pauli e a Tabela Periódica


dos Elementos
Todos os átomos eletricamente neutros, com exceção do hidrogênio, contêm mais de
um elétron, com o número de elétrons sendo dado pelo número atômico Z do elemento. Além
de serem atraídos pelo núcleo, os elétrons se repelem uns aos outros. Essa repulsão contribui
para a energia total de um átomo com vários elétrons. Como resultado, a expressão da energia
de um elétron para o hidrogênio, En 5 2(13,6 eV) Z2/n2, não se aplica a outros átomos neutros.
Entretanto, o enfoque mais simples para lidar com um átomo que contém mais de um elétron
usa ainda os quatro números quânticos n, , m e ms.
Cálculos detalhados usando a mecânica quântica revelam que o nível de energia de cada
estado de um átomo com mais de um elétron depende tanto do número quântico principal n
quanto do número quântico orbital . A Figura 30.14 ilustra que a energia geralmente aumen-
ta quando n aumenta, mas existem exceções, como indicado no desenho. Além disso, para um
dado n, a energia também aumenta quando  aumenta.
Em um átomo com mais de um elétron, dizemos que todos os elétrons com o mesmo va-
lor de n estão na mesma camada. Elétrons com n 5 1 estão em uma única camada (às vezes
chamada de camada K), elétrons com n 5 2 estão em outra camada (a camada L), elétrons
com n 5 3 estão em uma terceira camada (a camada M), e assim por diante. Quando os elé-
trons têm os mesmos valores tanto de n quanto de , dizemos frequentemente que eles se
encontram na mesma subcamada. A camada n 5 1 é formada por uma única subcamada, a
subcamada  5 0. A subcamada n 5 2 tem duas subcamadas, uma com  5 0 e a outra com
Figura 30.14  Quando existe  5 1. Analogamente, a camada n 5 3 tem três subcamadas, uma com  5 0, uma com  5 1
mais de um elétron em um átomo, e uma com  5 2.
a energia total de um dado estado No átomo de hidrogênio próximo à temperatura ambiente, o elétron passa a maior parte do
depende do número principal n e tempo no menor nível de energia, ou estado fundamental, ou seja, na camada n 5 1. Analoga-
do número quântico orbital l. A mente, quando um átomo contém mais de um elétron e está próximo da temperatura ambiente,
energia aumenta quando n
aumenta (com algumas exceções)
os elétrons passam a maior parte do tempo nos níveis de energia mais baixos possíveis. O es-
e, para um n fixo, com um tado de menor energia para um átomo é chamado de estado fundamental. Entretanto, quando
aumento de l. Para uma questão um átomo com muitos elétrons está no seu estado fundamental, nem todos os elétrons estão na
de clareza, os níveis para n  6 camada n 5 1 em geral porque os elétrons obedecem a um princípio descoberto pelo físico
não são mostrados. austríaco Wolfgang Pauli (1900-1958).

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A Natureza do Átomo  ■  63

O Princípio de Exclusão de Pauli


Dois elétrons em um átomo não podem ter o mesmo conjunto de valores para os quatro números quân-
ticos n, , m e ms.

Suponha que dois elétrons em um átomo tenham três números quânticos que sejam idênticos:
n 5 3, m 5 1 e ms 5 De acordo com o princípio de exclusão, não é possível que cada
um tenha  5 2, por exemplo, já que cada um teria nesse caso os mesmos quatro números
quânticos. Cada elétron deve ter um valor diferente de  ( 5 1 e  5 2, por exemplo) e, con-
sequentemente, estariam em diferentes subcamadas. Com a ajuda do princípio de exclusão de
Pauli, podemos determinar que níveis de energia estão ocupados pelos elétrons em um átomo
no seu estado fundamental, como demonstrado no exemplo a seguir.

  Exemplo 8    Estados de Repouso dos Átomos


Determine quais dos níveis de energia na Figura 30.14 estão ocupados pelos elétrons no estado fun-
damental do hidrogênio (um elétron), hélio (dois elétrons), lítio (três elétrons), berílio (quatro elé-
trons) e boro (cinco elétrons).
Raciocínio  No estado fundamental de um átomo, os elétrons estão nos níveis mais baixos de ener-
gia disponíveis. De maneira consistente com o princípio de exclusão de Pauli, eles preenchem esses
níveis “de baixo para cima”, ou seja, da menor energia para a energia mais alta.
Solução  Como indicado pela bola colorida ( ) na Figura 30.15, o elétron no átomo de hidrogênio
(H) está na subcamada n 5 1,  5 0, que tem a menor energia possível. Um segundo elétron está
presente no átomo de hélio (He) e os dois elétrons podem ter os números quânticos n 5 1,  5 0 e
m 5 0. No entanto, de acordo com o princípio de exclusão de Pauli, cada elétron deve ter um nú-
mero quântico de spin diferente, ms 5 para um elétron e ms 5 para o outro. Assim, o dese-
nho mostra os dois elétrons no menor nível de energia.
O terceiro elétron que está presente no átomo de lítio (Li) violaria o princípio de exclusão se ele
também estivesse na subcamada n 5 1,  5 0, qualquer que fosse o valor de ms. Assim, a subcama-
da n 5 1,  5 0 estará cheia quando ocupada por dois elétrons. Com esse nível cheio, a subcamada
n 5 2,  5 0 passa a ser o próximo nível de menor energia disponível e é onde se encontra o ter-
ceiro elétron do lítio (veja a Figura 30.15). No átomo de berílio (Be), o quarto elétron está na sub-
camada n 5 2,  5 0, junto com o terceiro elétron. Isso é possível, já que o terceiro e o quarto elé-
trons podem ter valores diferentes de ms.
Com os quatro primeiros elétrons no lugar como acabamos de discutir, o quinto elétron do átomo
de boro (B) não pode ocupar a subcamada n 5 1,  5 0 nem a subcamada n 5 2,  5 0 sem violar o
princípio de exclusão. Portanto, o quinto elétron se encontra na subcamada n 5 2,  5 1, que é o pró-
ximo nível de energia disponível com a menor energia, como indicado na Figura 30.15. Para esse elé-
tron, m pode ter o valor –1, 0 ou 11, e ms pode ter o valor ou em cada caso. Entretanto, na
ausência de um campo magnético externo, todas as seis possibilidades correspondem à mesma energia.
 ■

Por conta do princípio de exclusão de Pauli, existe um número máximo de elétrons que um Número
nível de energia ou subcamada pode acomodar. O Exemplo 8 mostra que a subcamada n 5 1, máximo de
 5 0 pode acomodar no máximo dois elétrons. A subcamada n 5 2,  5 1, no entanto, pode elétrons na
Subcamada subcamada Energia
acomodar seis elétrons porque, com  5 1, existem três possibilidades para m (–1, 0 e 11), e mais alta
=2 10
para cada uma dessas escolhas, o valor de ms pode ser igual a ou Em geral, m pode
ter os valores 0, 61, 62, …, 6, para 2 1 1 possibilidades. Como cada uma destas pode ser n=5 =0 2
combinada com duas possibilidades para ms, o número de diferentes combinações para m e =1 6
ms é igual a 2(2 1 1). Esse é então o número máximo de elétrons que a subcamada de ordem
 pode acomodar, como resumido na Figura 30.16. =2 10

n=4 =0 2

=1 6

n=3 =0 2

=1 6

n=2 =0 2
Menor
n=1 =0 2 energia

Figura 30.15  Os elétrons ( ) no estado fundamental de um átomo preenchem os níveis de energia Figura 30.16  O número
disponíveis “de baixo para cima”, ou seja, do menor nível de energia para o mais alto, de modo máximo de elétrons que a
consistente com o princípio de exclusão de Pauli. A classificação dos níveis de energia ilustrada nessa subcamada de ordem  pode
figura se refere apenas a um dado átomo. conter é igual a 2(2 1 1).

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64  ■  Capítulo 30

Tabela 30.2  A Convenção de Letras Usada para se


Referir ao Número Quântico Orbital

Número Quântico Orbital  Letra

0 s
1 p
2 d
3 f
4 g
5 h

Por questões históricas, existe uma convenção amplamente utilizada na qual cada subcama-
da de um átomo é referenciada por uma letra em vez de ser referenciada pelo valor do seu núme-
ro quântico orbital . Por exemplo, uma subcamada  5 0 é chamada de subcamada s. Uma
subcamada  5 1 e uma subcamada  5 2 são conhecidas como subcamadas p e d, respecti-
vamente. Os valores mais altos de  5 3, 4, e assim por diante, são referenciadas como f, g, e
assim por diante, em ordem alfabética, como indicado na Tabela 30.2.
Essa convenção de letras é usada em uma notação abreviada que é conveniente para indicar
ao mesmo tempo o número quântico principal n, o número quântico orbital  e o número de
elétrons na subcamada n, . Um exemplo dessa notação é apresentado a seguir:

Número de elétrons
5
na subcamada
2p5

n 2 1

Com essa notação, o arranjo, ou configuração, dos elétrons em um átomo pode ser especifica-
do de forma eficiente. No Exemplo 8, por exemplo, vimos que a configuração de elétrons pa-
ra o átomo de boro tem dois elétrons na subcamada n 5 1,  5 0, dois elétrons na subcamada
n 5 2,  5 0, e um elétron na subcamada n 5 2,  5 1. Na notação abreviada, esse arranjo é
expresso como 1s2 2s2 2p1. A Tabela 30.3 fornece as configurações dos elétrons em nível de
repouso escritas dessa maneira para elementos contendo até treze elementos. As cinco primei-
ras entradas são as discutidas no Exemplo 8.
Cada entrada na tabela periódica dos elementos frequentemente inclui a configuração ele-
trônica do estado fundamental, como ilustrado na Figura 30.17 para o argônio. Para economi-

Tabela 30.3  Configurações Eletrônicas dos Átomos no Estado de Repouso

Número de Configuração dos


Elemento Elétrons Elétrons

Hidrogênio (H) 1 1s1


Hélio (He) 2 1s2
Símbolo Número
do argônio Ar 18 atômico
Lítio (Li) 3 1s2 2s1
Massa Berílio (Be) 4 1s2 2s2
39.948 atômica Boro (B) 5 1s2 2s2 2p1
3p6 Carbono (C) 6 1s2 2s2 2p2
Nitrogênio (N) 7 1s2 2s2 2p3
Configuração dos
elétrons mais externos
Oxigênio (O) 8 1s2 2s2 2p4
Flúor (F) 9 1s2 2s2 2p5
Figura 30.17  As entradas na Neônio (Ne) 10 1s2 2s2 2p6
tabela periódica de elementos
frequentemente incluem a Sódio (Na) 11 1s2 2s2 2p6 3s1
configuração de estado Magnésio (Mg) 12 1s2 2s2 2p6 3s2
fundamental dos elétrons mais Alumínio (Al) 13 1s2 2s2 2p6 3s2 3p1
externos.

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A Natureza do Átomo  ■  65

zar espaço, apenas a configuração dos elétrons mais externos e subcamadas incompletas é
especificada, usando a notação abreviada que acabamos de descrever. Originalmente a tabela
periódica foi desenvolvida pelo químico russo Dmitri Mendeleev (1834–1907) com base nas
semelhanças das propriedades químicas de certos grupos de elementos. Existem oito desses
grupos, mais os elementos de transição que aparecem no meio da tabela, que incluem a série
dos lantanídeos e a série dos actinídeos. As propriedades químicas semelhantes dentro de um
Alvo
grupo podem ser explicadas com base nas configurações dos elétrons mais externos dos ele- metálico
mentos no grupo. Assim, a mecânica quântica e o princípio de exclusão de Pauli oferecem uma
explicação para o comportamento químico dos átomos. A tabela periódica completa se encon-
tra nas guardas deste livro. +
Fonte
de alta V
voltagem Raios X
Verifique Seu Entendimento –

(As respostas são dadas no final do livro.)


  8. Usando a convenção de letras para se referir ao número quântico orbital, escreva a configuração
fundamental dos elétrons do criptônio (Z 536). Filamento
Elétrons
  9. Uma subcamada 5g pode conter  (a) 22 elétrons?  (b) 17 elétrons? aquecido
10. Uma configuração eletrônica para o manganês (Z 5 25) é escrita como 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d4
4p1. Essa configuração representa  (a) o estado fundamental ou  (b) um estado excitado?

30.7 Raios X
Voltagem
A física dos raios X. Os raios X foram descobertos pelo físico holandês Wilhelm K. do filamento
Roentgen (1845–1923), que realizou a maior parte do seu trabalho na Alemanha. Raios X podem
ser produzidos quando elétrons, acelerados por uma grande diferença de potencial, colidem com Figura 30.18  Em um tubo de
um alvo feito de metal, como molibdênio ou platina. O alvo é contido no interior de um tubo raios X, elétrons são emitidos por
de vidro evacuado, como mostrado na Figura 30.18. O Exemplo 9 discute a relação entre o com- um filamento aquecido, aceleram
primento de onda dos raios X emitidos com a velocidade dos elétrons que colidem. ao atravessarem uma grande
diferença de potencial V, e
colidem com um alvo metálico. Os
raios X se originam quando os
elétrons interagem com o alvo.

Análise de Problemas com Múltiplos Conceitos


  Exemplo 9    Raios X e Elétrons
Os raios X de alta energia produzidos por um tubo de raios X têm um comprimento de onda de 1,20 3 10210 m. Qual a velocida-
de dos elétrons na Figura 30.18 imediatamente antes de colidirem com o alvo metálico? Ignore os efeitos da relatividade.
Raciocínio  Podemos determinar a velocidade do elétron a partir de um conhecimento da sua energia cinética, já que as duas es-
tão relacionadas. Além disso, é a energia cinética do elétron que determina a energia de qualquer fóton. A energia de qualquer fó-
ton, por outro lado, é diretamente proporcional à sua frequência, como discutido na Seção 29.3. Mas sabemos do nosso estudo de
ondas (veja a Seção 16.2 do volume 2) que a frequência de uma onda é inversamente proporcional ao seu comprimento de onda.
Assim, conseguiremos achar a velocidade de um elétron que colide com uma placa metálica a partir do comprimento de onda dos
raios X fornecidos.
Dados Conhecidos e Incógnitas  A tabela a seguir sintetiza o que conhecemos e o que queremos saber:

Descrição Símbolo Valor


Comprimento de onda do fóton de raios X de l 1,20 3 10210
energia mais elevada
Variável Desconhecida (Incógnita)
Velocidade do elétron imediatamente antes de
colidir com o alvo v ?

Continua

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66  ■  Capítulo 30

Modelando o Problema
  PASSO 1    Energia Cinética A energia cinética de um elétron é a energia que ele
tem em razão de seu movimento. Como estamos ignorando os efeitos da relatividade,
B
2(EC)
a energia cinética EC é dada pela Equação 6.2 como EC 5 em que m e v são a v (1)
massa e velocidade do elétron. Resolvendo essa expressão para velocidade cria-se a m
Equação 1 à direita. A massa do elétron é conhecida, mas sua energia cinética não, ?
logo ela será determinada nos Passos 2 e 3.
  PASSO 2    Energia de um Fóton Um fóton de raios X é um pacote discreto de
energia de onda eletromagnética. A energia do fóton E é dada por E 5 hf, em que h é a
constante de Planck e f é a frequência do fóton (veja a Equação 29.2). A energia
necessária para produzir um fóton de raios X vem da energia cinética de um elétron
que atinge o alvo. Sabemos que os fótons têm a maior energia possível. Isso significa

B m
2(EC)
que toda a energia cinética EC de um elétron vai para produzir um fóton, logo EC 5 v (1)
E. Substituindo EC 5 E em E 5 hf fornece
EC hf (2) EC hf (2)

Esse resultado para a energia de um fóton pode ser substituído na Equação 1, como
indicado à direita. A frequência não é conhecida, mas o Passo 3 discute como ela pode ?
ser obtida para o comprimento de onda fornecido.
  PASSO 3    Relação entre a Frequência e o Comprimento de Onda Ondas

B
2(EC)
eletromagnéticas como os raios X se propagam com a velocidade c de propagação da v (1)
luz no vácuo. De acordo com a Equação 16.1, essa velocidade está relacionada com a m
frequência f e o comprimento de onda l por c 5 fl. Explicitando a frequência
obtivemos EC hf (2)
c
f c
f
Todas as variáveis no lado direito dessa equação são conhecidas, logo a substituímos
na Equação 2 para energia cinética, como mostrado na coluna da direita.

Solução  Combinando algebricamente os resultados dos três passos, teremos


PASSO 1 PASSO 2 PASSO 3

c
2h
2(EC) 2(hf ) 2hc
v
B m B m R m B m
A velocidade de um elétron imediatamente antes de se chocar com o alvo metálico é

Trabalho a Ser Resolvido em Casa Associado:  Problema 44 ■

Um gráfico da intensidade dos raios X por unidade de comprimento de onda versus o com-
primento de onda é parecido com a Figura 30.19 e é formado por picos acentuados ou linhas
superpostas em um amplo espectro contínuo. Os picos acentuados são chamados de linhas ca-
racterísticas ou raios X característicos porque eles são característicos do material-alvo. O amplo
espectro contínuo é chamado de Bremsstrahlung (termo em alemão correspondente a “radiação
de frenagem”) e é emitido quando os elétrons desaceleram ou “freiam” ao atingirem o alvo.
Na Figura 30.19, as linhas características são marcadas como Ka e Kb porque elas envolvem
a camada n 5 1 ou camada K de um átomo de metal. Se um elétron com energia suficiente
colidir com o alvo, um dos elétrons da camada K pode ser arremessado para fora. Um elétron
em uma das camadas externas pode então cair na camada K, e um fóton de raios X é emitido
no processo. A linha Ka surge quando um elétron na camada n 5 2 cai na vaga que o elétron
que colidiu criou no nível n 5 1. Analogamente, a linha Kb surge quando um elétron no nível
n 5 3 cai para o nível n 5 1. O Exemplo 10 mostra que uma grande diferença de potencial é

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A Natureza do Átomo  ■  67

Figura 30.19  Quando um alvo


de molibdênio é bombardeado
com elétrons que foram acelerados
do repouso por uma diferença de
potencial de 45 000 V, esse
espectro de raios X é produzido. O
eixo vertical está fora de escala.

necessária para operar um tubo de raios X para que os elétrons que se chocam com o alvo me-
tálico tenham energia suficiente para gerar os raios X característicos. O Exemplo 11 determi-
na uma estimativa para o comprimento de onda Ka da platina.

  Exemplo 10    Operando um Tubo de Raios X


Estritamente falando, o modelo de Bohr não se aplica a átomos com vários elétrons, mas ele pode
ser usado para fazer estimativas. Use o modelo de Bohr para estimar a energia mínima que um elé-
tron incidente deve ter para retirar inteiramente um elétron da camada K de um átomo em um alvo
de platina (Z 5 78) em um tubo de raios X.
Raciocínio  De acordo com o modelo de Bohr, a energia de um elétron na camada K é dado pela
Equação 30.13, En 5 2(13,6 eV) Z 2/n2, com n 5 1. Ao colidir com um alvo de platina, um elétron
incidente deve ter pelo menos energia suficiente para elevar o elétron K do seu baixo nível de ener-
gia até o nível de 0 eV que corresponde a uma distância muito grande até o núcleo. Somente assim
o elétron incidente será capaz de tirar o elétron da camada K inteiramente de um átomo-alvo.
Solução  Usaremos a Equação 30.13 para estimar a energia mínima que um elétron incidente deve
ter. No entanto, estritamente falando, essa equação só se aplica a átomos com um elétron, porque
ela despreza a força repulsiva entre os elétrons em um átomo com mais de um elétron. Na camada
K da platina, cada elétron exerce no outro elétron uma força repulsiva que equilibra (aproximada-
mente) a força de atração de um próton nuclear. Na prática, um dos elétrons da camada K blinda o ■■ Dicas para a Solução de Problemas.
outro da força daquele próton. Portanto, no nosso cálculo substituímos Z na Equação 30.13 por A Equação 30.13 para os níveis de energia de
Z – 1 e concluímos que Bohr [En 5 2(13,6 eV)Z 2/n2, n 5 1] pode
ser usada em cálculos aproximados dos
níveis de energia envolvidos na produção de
raios X Ka. Nessa equação, no entanto, o
número atômico Z deve ser reduzido de um,
Portanto, para elevar o elétron da camada K até o nível de 0 eV, a energia mínima para um elétron para levar em conta aproximadamente a
incidente é de 8,1 3 104 eV . Um elétron-volt é a energia cinética adquirida quando um elétron blindagem de um elétron da camada K pelo
acelera do repouso por meio de uma diferença de potencial de um volt. Assim, deve ser aplicada outro elétron da camada K.
uma diferença de potencial de 81 000 V ao tubo de raios X.
 ■

  Exemplo 11    Os Raios X Característicos Ka para a Platina


Use o modelo de Bohr para estimar o comprimento de onda da linha Ka no espectro dos raios X da
platina (Z 5 78).
Raciocínio  Esse exemplo é muito parecido com o Exemplo 4, que lida com o espectro da linha de
emissão de um átomo de hidrogênio. Como naquele exemplo, usamos a Equação 30.14, dessa vez
com o valor inicial de n sendo ni 5 2 e o final sendo nf 5 1. Como no Exemplo 10, um valor de 77
em vez de 78 é usado para Z a fim de levar em conta o efeito de blindagem do único elétron na ca-
mada K cancelando a atração de um próton nuclear.
Solução  Usando a Equação 30.14, concluímos que


Essa resposta é próxima de um valor experimental de 1,9 3 10211 m.
 ■

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68  ■  Capítulo 30

Outro aspecto interessante do espectro de raios X na Figura 30.19 é o corte abrupto que
ocorre em um comprimento de onda l0 no lado de pequeno comprimento de onda do Brems­
strahlung. Esse comprimento de onda de corte independe do material-alvo, mas depende da
energia dos elétrons incidentes. Um elétron incidente não consegue ceder nada a mais do que
sua energia cinética total ao ser desacelerado pelo alvo metálico em um tubo de raios X. Assim,
um fóton de raios X emitido pode ter, no máximo, uma energia igual à energia cinética EC do
elétron incidente e uma frequência dada pela Equação 29.2 como f 5 (EC)/h, em que h é a
constante de Planck. Mas a energia cinética adquirida por um elétron (módulo da carga 5 e)
ao ser acelerado a partir do repouso por uma diferença de potencial V é igual a e multiplicado
por V, de acordo com discussões anteriores na Seção 19.2; V é a diferença de potencial apli-
cada no tubo de raios X (veja a Figura 30.18). Assim, a frequência máxima dos fótons é f0 5
(eV)/h. Como f0 5 c/l0, uma frequência máxima corresponde a um comprimento de onda mí-
nimo, que é o comprimento de onda de corte l0:

(30.17)

O espectro da Figura 30.20, por exemplo, foi obtido usando uma diferença de potencial de
Desde sua descoberta, raios X vêm 45 000 V, que corresponde a um comprimento de onda de corte
sendo usados rotineiramente para
revelar objetos estranhos no corpo,
como essa navalha e lâminas
engolidas por um paciente com
demência. (© Mediscan/Visuals Os profissionais da área médica começaram a usar raios X para fins de diagnóstico quase
Unlimited) imediatamente após sua descoberta. Quando se obtém uma radiografia convencional, o paciente
é posicionado tipicamente em frente a uma chapa de filme fotográfico, e um único pulso de
radiação é dirigido para o filme após atravessar o paciente. Como a estrutura densa dos ossos
absorve os raios X muito mais do que os tecidos moles do corpo, a imagem semelhante a uma
sombra é registrada no filme. Embora imagens desse tipo sejam muito úteis, elas apresentam
uma limitação intrínseca. A imagem que aparece no filme é uma superposição de todas as
“sombras” que resultam quando a radiação atravessa uma camada do material do corpo do
paciente após outra. Interpretar qual parte de uma radiografia convencional corresponde a qual
camada do material do corpo é muito difícil.
A física da tomografia computadorizada (CAT). A técnica conhecida como tomografia compu­
tadorizada (tomografia CAT ou CT) ampliou bastante a capacidade dos raios X de fornecer
imagens de locais específicos no interior do corpo. A sigla CAT vem das iniciais da expressão
em inglês “computerized axial tomography” ou “computer assisted tomography”, e a versão
mais curta vem das iniciais da expressão em inglês “computerized tomography”. Nessa técni-
ca, uma série de imagens de raios X são obtidas como indicado na Figura 30.20. Vários feixes
divergentes de raios X formam um conjunto de radiação e atravessam simultaneamente o cor-
po do paciente em diferentes ângulos. Cada um dos feixes é detectado no outro lado por um
detector, que registra a intensidade do feixe. As intensidades dos vários feixes detectados são
diferentes, dependendo da natureza do material do corpo que foi atravessado pelos feixes. A
característica da tomografia computadorizada que leva a aperfeiçoamentos drásticos em rela-
ção à técnica convencional é que a fonte de raios X pode ser girada para diferentes orientações,
de modo que o conjunto de feixes que se abrem possa ser enviado atravessando o corpo do
paciente a partir de várias direções. A Figura 30.20a destaca duas direções para fins de ilustra-
ção. Na verdade, são usadas muitas orientações diferentes, e a intensidade de cada feixe no
conjunto é registrada em função da orientação. O modo como a intensidade de um feixe varia
de uma orientação para outra é usado como um dado de entrada enviado para um computador.
O computador então constrói uma imagem de altíssima resolução da fatia em seção transversal

Figura 30.20  (a) Na tomografia


CAT, vários feixes de raios X na
forma de troncos de cone são
enviados e atravessam o paciente
em vários ângulos. (b) Um médico
e uma enfermeira preparam um
paciente para uma tomografia
CAT. (b. © Hank Morgan/Photo
Researchers)

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A Natureza do Átomo  ■  69

Figura 30.21  (a) Uma


tomografia computadorizada de
um coração humano. A veia cava
inferior e o átrio direito estão
representados em púrpura. O
ventrículo direito e a via de saída
pulmonar estão em azul. As veias
pulmonares estão em amarelo. O
ventrículo esquerdo está em
laranja, enquanto a aorta está em
vermelho. (b) Uma tomografia
computadorizada 3D de um
abdome em vista frontal. Próximo
ao topo da imagem a grande massa
em verde é o fígado, enquanto
abaixo dele os dois objetos
menores em forma de lágrimas
(em verde/amarelo) são os rins.
(a. © Living Art Enterprises/Photo
Researchers; b. © Antoine Rosset/
Photo Researchers)

do material do corpo que foi atravessado pelo feixe de radiação. Na prática, a técnica de tomo-
grafia computadorizada torna possível obter uma imagem de raios X de uma “fatia” em seção
transversal que é perpendicular ao eixo maior do corpo. Na verdade, a palavra “axial” na ex-
pressão “tomografia axial computadorizada” se refere ao eixo longitudinal do corpo. A foto-
grafia de abertura do capítulo e a Figura 30.21 mostram tomografias computadorizadas tridi-
mensionais de partes da anatomia humana.

Verifique Seu Entendimento


(As respostas são dadas no final do livro.)
11. O tubo de raios X A e o tubo de raios X B usam a mesma voltagem para acelerar os elétrons. No
entanto, o tubo A usa um alvo de cobre, enquanto o tubo B usa um alvo de prata. Qual das seguin-
tes afirmações é verdadeira?  (a) O comprimento de onda de corte é maior para o tubo A.  (b) O
comprimento de onda de corte é maior para o tubo B.  (c) Ambos os tubos têm os mesmos com-
primentos de onda de corte.
12. É possível ajustar o potencial elétrico V usado para operar um tubo de raios X de modo que raios X
Bremsstrahlung sejam criados, mas não raios X característicos?  (a) Sim, se V for suficientemente
pequeno. (b) Sim, se V for suficientemente grande.  (c) Não, qualquer que seja o valor de V.
13. Qual das seguintes afirmações é verdadeira?  (a) O comprimento de onda Ka pode ser menor do
que o comprimento de onda de corte l0, supondo que ambos são produzidos pelo mesmo tubo de
raios X.  (b) O comprimento de onda Ka é produzido quando um elétron sofre uma transição do
nível de energia n 5 1 para o nível de energia n 5 2.  (c) O comprimento de onda Kb é sempre
menor do que o comprimento de onda Ka para um dado alvo metálico.

30.8 O Laser
A física do laser. O laser é uma das invenções mais úteis do século XX. Hoje, existem
muitos tipos de lasers, e a maior parte deles funciona de uma forma que depende diretamente
da estrutura da mecânica quântica do átomo.
Quando um elétron faz uma transição de um estado de maior energia para um estado de Figura 30.22  (a) A emissão
menor energia, um fóton é emitido. O processo de emissão pode ser de dois tipos, espontânea espontânea de um fóton ocorre
ou estimulada. Na emissão espontânea (veja a Figura 30.22a), o fóton é emitido espontanea- quando o elétron ( ) faz uma
mente, em uma direção aleatória, sem provocação externa. Na emissão estimulada (veja a transição não provocada de um
Figura 30.22b), um fóton incidente induz, ou estimula, o elétron a mudar de níveis de energia. nível de energia mais alto para um
Para produzir a emissão estimulada, no entanto, o fóton incidente deve ter uma energia que nível de energia mais baixo, com o
coincide exatamente com a diferença entre as energias dos dois níveis, ou seja, uma energia fóton partindo em uma direção
igual a Ei 2 Ef. A emissão estimulada é semelhante a um processo de ressonância, no qual o aleatória. (b) A emissão
fóton incidente “sacode” o elétron exatamente na frequência à qual ele é particularmente sen- estimulada de um fóton ocorre
quando um fóton incidente com a
sível e provoca a variação entre os níveis de energia. Essa frequência é dada pela Equação 30.4 energia correta induz um elétron a
como f 5 (Ei 2 Ef)/h. O funcionamento dos lasers depende da emissão estimulada. mudar de níveis de energia, com o
A emissão estimulada apresenta três características importantes. Em primeiro lugar, um fóton emitido viajando na mesma
fóton entra e dois fótons saem (veja a Figura 30.22b). Nesse sentido, o processo amplifica o direção e no mesmo sentido que o
número de fótons. Na verdade, essa é a origem da palavra “laser”, que é uma sigla para a ex- fóton incidente.

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70  ■  Capítulo 30

pressão em inglês “light amplification by the stimulated emission of radiation”, equivalente


em português a “amplificação de luz pela emissão estimulada de radiação”. Em segundo lugar,
o fóton emitido viaja na mesma direção e no mesmo sentido que o fóton incidente. Em tercei-
ro lugar, o fóton emitido está exatamente em fase com o fóton incidente. Em outras palavras,
as duas ondas eletromagnéticas que esses dois fótons representam são coerentes (veja a Seção
17.2 do volume 2) e estão totalmente em fase uma com a outra. Em contraste, dois fótons emi-
tidos pelo filamento de uma lâmpada incandescente são emitidos independentemente. Eles não
são coerentes, já que um não estimula a emissão do outro.
Embora a emissão estimulada desempenhe um papel central em um laser, outros fatores
também são importantes. Por exemplo, uma fonte externa de energia deve estar disponível pa-
ra excitar elétrons para níveis de energia mais elevados. A energia pode ser fornecida de várias
formas, entre elas pulsos intensos de luz comum e descargas de alta voltagem. Se energia su-
ficiente for entregue aos átomos, mais elétrons serão excitados até um nível mais elevado de
energia do que os que permanecem em um nível menor, uma condição conhecida como inver-
Figura 30.23  (a) Em uma são de população. A Figura 30.23 compara uma população com nível de energia normal con-
situação normal à temperatura tra uma situação em que existe uma inversão de população. As inversões de população usadas
ambiente, a maior parte dos
nos lasers envolvem um estado de energia mais elevada que é metaestável, no sentido de que
elétrons nos átomos se encontram
em um nível de energia mais baixo elétrons permanecem no estado metaestável por um período de tempo muito maior do que eles
ou fundamental. (b) Se uma fonte permanecem em um estado excitado ordinário (1023 s versus 10 28 s, por exemplo). A exigên-
de energia externa for fornecida cia de um estado de energia mais elevada metaestável é essencial, de modo que haja mais tem-
para excitar elétrons para um nível po para intensificar a inversão de população.
de energia mais elevado, pode ser A Figura 30.24 mostra o laser de hélio/neônio amplamente utilizado. Para manter a neces-
criada uma inversão de população sária inversão de população, uma descarga de alta voltagem atravessa uma mistura a baixa
na qual mais elétrons estão no pressão de 15% de hélio e 85% de neônio contida em um tubo de vidro. O processo de geração
nível elevado do que no nível de um raio laser começa quando um átomo, por emissão espontânea, emite um fóton paralelo
menor.
ao eixo do tubo. Esse fóton, por emissão estimulada, faz com que outro átomo emita dois fó-
tons paralelos ao tubo. Esses dois fótons, por sua vez, estimulam mais dois átomos, resultando
em quatro fótons. Os quatro fótons dão origem a oito fótons, e assim por diante, em uma es-
pécie de avalanche ou reação em cadeia. Para garantir que cada vez mais fótons sejam criados
por emissão estimulada, as duas extremidades do tubo são espelhadas para formarem espelhos
que refletem os fótons para a frente e para trás atravessando a mistura de hélio/neônio. Uma
das extremidades, porém, é apenas parcialmente espelhada, permitindo que alguns fótons pos-
sam escapar do tubo para formar o feixe laser. Quando a emissão estimulada envolve apenas
um único par de níveis de energia, o feixe de saída tem uma única frequência ou comprimento
de onda e dizemos que ele é monocromático.
Um feixe laser também é excepcionalmente estreito. A largura fica determinada pelo tama-
nho da abertura pela qual o feixe deixa o tubo, e muito pouco espalhamento ocorre, exceto
aquele causado pela difração ao redor das bordas da abertura. Um feixe laser quase se espalha
porque quaisquer fótons emitidos fazendo um ângulo em relação ao eixo do tubo são rapida-
mente refletidos para fora dos lados do tubo pelas extremidades espelhadas (veja a Figura
30.24). Essas extremidades são cuidadosamente dispostas para serem perpendiculares ao eixo
do tubo. Como toda a potência em um feixe de laser pode ser confinada a uma região estreita,
a intensidade, ou potência por unidade de área, pode ser extremamente elevada.

Figura 30.24  Um desenho


esquemático de um laser
hélio/neônio. A vista explodida
mostra a emissão estimulada que
ocorre quando um elétron em um
átomo de neônio é induzido a
mudar de um nível de energia maior
para um nível de energia menor.

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A Natureza do Átomo  ■  71

A Figura 30.25 mostra os níveis de energia relevantes para um laser de hélio/neônio. Por
coincidência, o hélio e o neônio têm estados de energia elevada metaestáveis praticamente idên-
ticos, situados respectivamente a 20,61 e 20,66 eV acima do estado fundamental. A descarga de
alta voltagem por meio da mistura gasosa excita elétrons nos átomos de hélio até o estado
de 20,61 eV. Depois, quando um átomo de hélio excitado colide de forma inelástica com um
átomo de neônio, a energia de 20,61 eV é entregue a um elétron no átomo de neônio, juntamen-
te com 0,05 eV de energia cinética dos átomos em movimento. Como resultado, o elétron no
átomo de neônio é elevado até o estado de 20,66 eV. Dessa forma, uma inversão de população
é mantida no neônio em relação a um nível de energia que está 18,70 eV acima do estado fun-
damental. Ao produzir o feixe laser, a emissão estimulada faz com que elétrons no neônio caiam
do nível de 20,66 eV para o nível de 18,70 eV. A variação de energia de 1,96 eV corresponde a
um comprimento de onda de 633 nm, que está na região do vermelho do espectro visível. Figura 30.25  Esses níveis de
O laser de hélio/neônio não é o único tipo de laser. Existem muitos diferentes tipos, in- energia estão envolvidos na
cluindo o laser de rubi, o laser de íon de argônio, o laser de dióxido de carbono, o laser de operação de um laser de
estado sólido de arsenito de gálio, bem como lasers de corantes químicos. Dependendo do hélio/neônio.
tipo e de se o laser opera continuamente ou em pulsos, a potência do feixe disponível varia de
miliwatts até megawatts. Como lasers fornecem radiação eletromagnética monocromática co-
erente que pode ser confinada até um feixe estreito intenso, eles são úteis em uma grande va-
riedade de situações. Hoje, lasers são usados para reproduzir música em aparelhos de CD,
para unir por soldas partes da carroceria de automóveis, para transmitir conversas telefônicas
e outras formas de comunicação a grandes distâncias, para estudar a estrutura molecular, e pa-
ra medir distâncias com grande acurácia.
A física de um altímetro a laser. A Figura 30.26 mostra um exemplo impressionante de como um
laser pode ser usado para medir distâncias com acurácia. A fotografia na figura é um mapa
tridimensional da topografia marciana que foi obtido pelo Altímetro Laser Orbitando Marte
(MOLA3) na espaçonave Explorador Global de Marte. O mapa foi construído a partir de 27
milhões de medições de altura, cada uma feita enviando pulsos de laser para a superfície de
Marte e medindo seus tempos de retorno. A grande bacia de impacto Hellas Planitia está na
parte inferior esquerda (azul-escuro) e tem 1800 km de largura. Na borda superior direita da
imagem está o Mons Elysium (vermelho, cercado por uma pequena faixa de amarelo), um
grande vulcão.
Muitos outros usos foram encontrados desde que o laser foi inventado em 1960, e na pró-
xima seção discutiremos alguns deles no campo da medicina.

Verifique Seu Entendimento


Figura 30.26  Um mapa 3D da
(As respostas são dadas no final do livro.) topografia de Marte. A elevação
14. Certo laser é projetado para operar continuamente. Qual das seguintes afirmações é falsa?  (a) A tem um código de cores que vai do
inversão de população usada nesse laser envolve um estado de energia mais elevada e um estado branco (maior elevação) passando
de energia menos elevada.  (b) A inversão de população usada nesse laser envolve um estado de pelo vermelho, amarelo, verde,
energia mais elevada metaestável.  (c) O laser precisa de uma fonte externa de energia para ope- azul até a púrpura (menor
rar. (d) A fonte de energia externa que o laser usa pode ser desconectada uma vez que a inversão elevação). (© Nasa/Photo
de população é estabelecida. Researchers, Inc.)
15. O laser A produz luz verde. O laser B produz luz vermelha. Qual laser usa níveis de energia que
têm uma maior diferença de energia entre eles?  (a) Laser A  (b) Laser B  (c) A diferença de
energia entre os níveis é a mesma para os dois lasers.

30.9 *Aplicações Médicas do Laser


Uma das áreas da medicina na qual o laser tem tido um impacto substancial é a oftal-
mologia, que lida com a estrutura, funcionamento e doenças do olho. A Seção 26.10 discute o
olho humano e o uso de lentes de contato e óculos para corrigir a miopia e a hipermetropia.
Nessas condições, o olho não é capaz de refratar a luz adequadamente e produz imagens fora
de foco (“borradas”) na retina.
A física da cirurgia de olhos PRK. Um procedimento cirúrgico baseado em laser conhecido co-
mo ceratectomia fotorrefrativa ou PRK4 oferece um tratamento alternativo para a miopia
e a hipermetropia que independe de lentes. Ele envolve o uso de um laser para remover peque-
nas quantidades de tecido da córnea do olho (veja Figura 26.33 no volume 2) alterando dessa
forma sua curvatura. Como destacado na Seção 26.10, a luz entra no olho pela córnea, e é na
interface do ar com a córnea que ocorre a maior parte da refração da luz. Portanto, a mudança
da curvatura dessa interface pode corrigir deficiências no modo como o olho refrata a luz, fa-

3
Das iniciais do termo correspondente em inglês “Mars Orbiter Laser Altimeter”. (N.T.)
4
Das iniciais em inglês de photorefractive keratectomy. (N.T.)

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72  ■  Capítulo 30

zendo com que a imagem seja focada sobre a retina, onde ela deveria estar. Idealmente, a cór-
nea tem a forma de uma cúpula. Se essa cúpula for mais inclinada que o normal, os raios lu-
minosos estão focados antes de chegar à retina e isso resulta em o indivíduo sofrer de miopia.
Como mostrado na Figura 30.27a, a luz de um laser remove tecido do centro da córnea, acha-
tando a córnea, reduzindo assim sua curvatura e aumentando a distância focal efetiva do olho,
o que corrige o defeito. Por outro lado, se a forma da córnea for mais achatada que o normal,
os raios de luz chegam à retina antes de se encontrarem no foco que está atrás da retina, e o
paciente sofre de hipermetropia. Como ilustrado na Figura 30.27b, o centro da córnea está
agora protegido por uma máscara e o laser é usado para remover tecido periférico da córnea.
Isso faz com que aumente a curvatura da córnea, diminuindo assim a distância focal efetiva do
olho e permite que os raios sejam focados na retina, o que corrige o defeito.
Figura 30.27  (a) Para corrigir a A física da cirurgia de olhos LASIK. O procedimento cirúrgico conhecido como LASIK (sigla do
miopia usando o procedimento termo em inglês laser-assisted in situ keratomileusis5) usa uma lâmina acionada por um
PRK, um laser vaporiza o tecido motor conhecida como um microceratoma para soltar parcialmente uma aba fina (com cerca de
(linha tracejada) no centro da 0,2 mm de espessura) na parte da frente da córnea (veja a Figura 30.28). A aba é puxada para
córnea, achatando-a dessa forma.
trás e o feixe laser então remodela o tecido da córnea abaixo vaporizando células. Depois, a aba
(b) Para corrigir a hipermetropia,
um laser vaporiza o tecido na é recolocada no lugar, sem necessidade de suturar. A luz laser nas técnicas PRK e LASIK é
região periférica da córnea, pulsada e vem de um excimer laser ultravioleta que produz um comprimento de onda de 193
tornando assim seu contorno mais nm. A córnea absorve extremamente bem esse comprimento de onda, de modo que pulsos fracos
íngreme. podem ser usados, levando à remoção altamente precisa e controlável do tecido da córnea. Ti-
picamente, 0,1 a 0,5 μm de tecido é removido por cada pulso sem danificar camadas adjacentes.
A física da remoção de manchas vinho do porto. Outra aplicação do laser em medicina é no trata-
mento de malformações capilares congênitas conhecidas como manchas vinho do porto, que
afetam 0,3% dos recém-nascidos. Essas marcas de nascença são normalmente encontradas na
cabeça e no pescoço, como ilustrado na Figura 30.29a. O tratamento preferido hoje para as man-
chas vinho do porto usa um laser pulsado de corante. A Figura 30.29b mostra um exemplo de um
excelente resultado obtido após irradiação com luz laser. A luz é absorvida pela oxiemoglobina
existente nos capilares malformados, que são destruídos no processo sem danos para o tecido
normal adjacente. Com o tempo, os capilares destruídos são substituídos por vasos sanguíneos
normais, que faz com que a mancha vinho do porto vá ficando cada vez menos perceptível.
A física da terapia fotodinâmica para o câncer. No tratamento de câncer, o laser também está
sendo usado combinado com fármacos ativados pela luz na terapia fotodinâmica. O pro-
cedimento envolve a administração intravenosa do medicamento, de modo que o tumor possa
absorvê-lo a partir da corrente sanguínea, tendo então a vantagem de o fármaco estar localiza-
Figura 30.28  Para corrigir a do bem próximo às células cancerosas. Quando o medicamento é ativado pela luz laser, ocor-
miopia usando a técnica de re uma reação química que desintegra as células cancerosas e os pequenos vasos sanguíneos
LASIK, um laser vaporiza o
tecido (linha tracejada) sobre a
que as alimentam. Na Figura 30.30 um paciente com câncer do esôfago está sendo tratado. Um
córnea, achatando-a dessa forma. endoscópio que usa fibras óticas é inserido pela garganta do paciente para guiar a luz laser
vermelha até o local do tumor e ativar o medicamento. A terapia fotodinâmica funciona melhor
com pequenos tumores nos seus estágios iniciais.

Figura 30.30  A terapia fotodinâmica para tratar câncer do


Figura 30.29  Um paciente com uma mancha “vinho do porto” no esôfago está sendo administrada a esse paciente. Luz laser
rosto (a) antes (b) após o tratamento usando um laser de corante vermelha é direcionada para o local do tumor com um endoscópio
pulsado. (Cortesia de Gerald Goldberg, Médico, Pima Dermatology) que incorpora fibras ópticas. (© Fritz Hoffmann/The Image Works)

5
Ceratomileusis in situ assistida por laser. (N.T.)

030Cutnel.indd 72 03/12/15quinta-feira 10:57


A Natureza do Átomo  ■  73

30.10 *Holografia
A física da holografia. Uma das aplicações mais conhecidas dos lasers
é a holografia, que é um processo para produzir imagens tridimensionais.
As informações usadas para produzir uma imagem holográfica são cap-
turadas em um filme fotográfico, que é conhecido como holograma. A
Figura 30.31 ilustra como é feito um holograma. A luz de um laser incide
em um espelho com a metade espelhada, ou separador de feixes, que re-
flete parte da luz e transmite parte da luz. No desenho, a parte refletida é
chamada de feixe do objeto porque ela ilumina o objeto (uma peça de xa-
drez). A parte transmitida é chamada de feixe de referência. O feixe do
objeto é refletido pela peça de xadrez em pontos como A e B e, junto com
o feixe de referência, incide sobre o filme. Uma das características mais
importantes da luz laser é que ela é coerente. Assim, a luz dos dois feixes
tem uma relação de fase estável, como a luz das duas fendas no experi-
mento de fenda dupla de Young (veja a Seção 27.2 no volume 2). Por
causa da relação de fase estável e pelo fato de os dois feixes percorrerem Figura 30.31  Um arranjo usado para produzir um
diferentes distâncias, se forma um padrão de interferência no filme. Esse holograma.
padrão é o holograma e, embora muito mais complexo, é análogo ao pa-
drão de franjas brilhantes e escuras que se forma no experimento de fenda
dupla de Young.
A Figura 30.32 mostra mais detalhadamente como surge um padrão de interferência holo-
gráfica. Esse desenho considera apenas o feixe de referência e a luz (comprimento de onda 5 l)
vinda do ponto A na peça de xadrez. Como sabemos da Seção 27.1, uma interferência cons-
trutiva entre as duas ondas luminosas leva a uma franja brilhante; ela ocorre quando as ondas,
ao chegarem no filme, percorrem distâncias que diferem por um número inteiro m de compri-
mentos de onda. No desenho, m é a distância entre o ponto A e o local no filme onde ocorre a
franja brilhante de ordem m, e 0 é a distância perpendicular que o feixe de referência percor-
reria do ponto A até a franja brilhante m 5 0. Além disso, rm é a distância ao longo do filme
que localiza a franja brilhante. Em termos dessas distâncias, sabemos que


A primeira equação indica que m 5 ml 1 0, que pode ser substituída na segunda equação.
O resultado pode ser rearranjado para mostrar que


Como 0 é tipicamente muito maior do que l (por exemplo, 0  1021 m e l  1026 m),
conclui-se que rm  Em outras palavras, rm é aproximadamente proporcional a
Portanto, as franjas estão mais afastadas umas das outras perto da parte mais alta do
filme do que estão perto da parte de baixo. Por exemplo, para as franjas m 5 1 e m 5 2,
temos r2 – r1 ∝ – 5 0,41, enquanto para as franjas m 5 2 e m 5 3, temos r3 – r2 ∝
– 5 0,32 .
Além do padrão de franjas que acabamos de discutir, o padrão de interferência total no ho-
lograma inclui efeitos de interferência que estão relacionados com a luz proveniente do ponto
B e de outros locais no objeto da Figura 30.31. O padrão total é muito complicado. Contudo,
o padrão de franjas apenas para o ponto A é suficiente para ilustrar o fato de que um holograma
pode ser usado para produzir tanto uma imagem virtual quanto uma imagem real do objeto,
como veremos em seguida.

Figura 30.32  Esse desenho


ajuda a explicar como o padrão de
interferência surge no filme
quando a luz do ponto A (veja a
Figura 30.31) e a luz do feixe de
referência se combinam nesse
ponto.

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74  ■  Capítulo 30

Figura 30.33  Quando a luz laser


usada para produzir um holograma
incide e atravessa o holograma,
são produzidas tanto uma imagem
real quanto uma imagem virtual do
objeto.

Para produzir as imagens holográficas, a luz laser é direcionada para atravessar o padrão
de referência no filme, como na Figura 30.33. O padrão pode ser pensado como um tipo de
rede de difração, com as franjas brilhantes análogas aos espaços entre as fendas da rede. A
Seção 27.7 discute como a luz atravessando uma rede de difração é repartida em franjas bri-
lhantes de ordem superior que estão localizadas simetricamente em cada lado de uma franja
brilhante central. A Figura 30.33 mostra os três raios que correspondem à franja central e às
franjas brilhantes de primeira ordem, quando elas se originam de um ponto próximo ao ponto
mais alto e de um ponto próximo ao ponto mais baixo do filme. O ângulo u, que localiza as
franjas de primeira ordem em relação à franja central, é dado pela Equação 27.7 (com m 5 1)
como sen u 5 l/d, em que d é a separação entre as fendas da rede de difração. Quando a se-
paração entre as fendas é maior, como ocorre próximo ao ponto mais alto do filme, o ângulo
é menor. Quando a separação entre as fendas é menor, como ocorre próximo ao ponto mais
baixo do filme, o ângulo é maior. Assim, a Figura 30.33 foi desenhada com uDO ALTO menor do
uDE BAIXO. Dos três raios que emergem do filme do alto e dos três de baixo, usamos o raio mais
de cima em cada caso para localizar a imagem real do ponto A da peça de xadrez. A imagem
real está localizada onde esses dois raios se interceptam, quando estendidos para a direita. Pa-
ra localizarmos a imagem virtual, usamos o raio inferior em cada um dos conjuntos de três
raios no alto e embaixo do filme. Quando projetados para a esquerda, esses raios parecem se
originar do ponto onde as projeções se interceptam, ou seja, da imagem virtual.
Uma imagem holográfica é muito diferente de uma imagem fotográfica. A diferença mais
óbvia está no fato de que um holograma produz uma imagem tridimensional, enquanto as foto-
grafias são bidimensionais. A natureza tridimensional da imagem holográfica é inerente ao padrão
de interferência que se forma sobre o filme. Na Figura 30.31, parte desse padrão surge porque a
luz emitida pelo ponto A percorre distâncias ao alcançar diferentes pontos sobre o filme que são
diferentes da distância percorrida pela luz no feixe de referência. O mesmo pode ser dito a res-
peito da luz emitida do ponto B, bem como de outros pontos do objeto. Consequentemente, o
padrão de interferência total contém informações a respeito da distância entre os vários pontos
do objeto e do filme, e por causa dessas informações as imagens holográficas são tridimensionais.
Além disso, como ilustrado na Figura 30.34, é possível “andar em volta” de uma imagem holo-
gráfica e observá-la de vários ângulos, como seria possível se ela fosse o objeto original.
Existe uma enorme diferença entre os métodos usados para produzir hologramas e fotografias.
Como discutido na Seção 26.7 do volume 2, uma máquina fotográfica usa uma lente convergente
para produzir uma fotografia. A lente foca os raios de luz originários de um ponto no objeto em
um ponto correspondente no filme. Para produzir um holograma, as lentes não são usadas dessa
forma, e um ponto no objeto não corresponde a um único ponto sobre o filme. Na Figura 30.32, a
luz do ponto A diverge no seu caminho até o filme e não existe nenhuma lente para fazê-la conver-
gir para um único ponto correspondente. A luz incide sobre toda a região exposta do filme e con-
tribui em todos os lugares para o padrão de interferência que é formado. Assim, um holograma
pode ser recortado em pedaços menores, e cada pedaço conterá algumas informações a respeito da
luz que se origina do ponto A. Por essa razão, cada pedaço menor de um holograma pode ser usa-
do para produzir uma imagem tridimensional do objeto. Em contraste, não é possível reconstruir
toda a imagem em uma fotografia inteira a partir de apenas um pequeno pedaço do filme original.

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A Natureza do Átomo  ■  75

Figura 30.34  Um holograma de uma espaçonave galeão se aproximando da Terra. Na figura são
mostradas duas vistas do mesmo holograma: (a) olhando para o holograma perpendicularmente e (b)
olhando para o holograma de um ponto localizado à direita da perpendicular. (© Holographics North,
Inc. and Sprint. Reproduzido com permissão da Sprint Corporation)

Os hologramas discutidos aqui são vistos tipicamente com a ajuda da luz laser usada para
produzi-los. Existem também outros tipos de hologramas. Cartões de crédito, por exemplo,
usam hologramas para fins de identificação. Esse tipo de holograma é conhecido como holo-
grama arco-íris e é projetado para ser visto na luz branca que reflete nele. Outras aplicações
da holografia incluem telas HUD6 para painéis de instrumentos em aviões de caça de alto de-
sempenho, scanners a laser nos leitores de códigos de barra em caixas de lojas, sistemas de
armazenamento e recuperação de dados computadorizados, bem como métodos para medições
biomédicas de alta precisão.

30.11 Conceitos & Cálculos


O modelo de Bohr do átomo de hidrogênio introduz vários aspectos importantes que
caracterizam a imagem quântica da estrutura atômica. Entre eles estão os conceitos de níveis de
energia quantizada e a emissão de fóton que ocorre quando um elétron faz uma transição
de um estado de energia mais elevado para um estado de energia mais baixo. O Exemplo 12
lida com essas ideias.

  Conceitos & Cálculos Exemplo 12 


Níveis de Energia do Átomo de Hidrogênio
Um átomo de hidrogênio (Z 5 1) está no terceiro estado excitado. Ele faz uma transição para um
estado diferente, e um fóton é absorvido ou emitido. Determine o número quântico nf do estado fi-
nal e a energia do fóton quando o fóton é (a) emitido com o menor comprimento de onda possível,
(b) emitido com o maior comprimento de onda possível, e (c) absorvido com o maior comprimen-
to de onda possível.
Perguntas e Respostas sobre Conceitos  Qual o número quântico do terceiro estado excitado?
Resposta  O estado de menor energia é o estado de repouso ou estado fundamental, e o seu
número quântico é n 5 1. O primeiro estado excitado corresponde a n 5 2, o segundo estado
excitado a n 5 3, e o terceiro estado excitado a n 5 4.
Quando um átomo emite um fóton, o número quântico final nf do átomo é maior ou menor do que
o número quântico inicial ni?
Resposta  Como o fóton transporta energia para fora, a energia final do átomo é menor do que
a sua energia inicial. Energias menores correspondem a números quânticos menores (veja a Fi-
gura 30.8). Portanto, o número quântico final é menor do que o número quântico inicial.

6
Sigla formada a partir das iniciais em inglês de “head up displays”, dispositivos que projetam a imagem sobre o para-
brisas de modo que o piloto consiga ler sem ter que abaixar sua cabeça. (N.T.)

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76  ■  Capítulo 30

Quando um átomo absorve um fóton, o número quântico final nf do átomo é maior ou menor do que
o número quântico inicial ni?
Resposta  Quando um átomo absorve um fóton, o átomo ganha a energia do fóton, logo a ener-
gia final do átomo é maior do que a sua energia inicial. Maiores energias correspondem a núme-
ros quânticos maiores, logo o número quântico final é maior do que o número quântico inicial.
Qual a relação entre o comprimento de onda de um fóton e a sua energia?
Resposta  A energia E de um fóton é dada pela Equação 29.2 como E 5 hf, em que h é a cons-
tante de Planck e f é a frequência do fóton. Mas a frequência e o comprimento de onda l estão
relacionados por f 5 c/l, de acordo com a Equação 16.1, onde c é a velocidade de propagação
da luz. Combinando essas relações obtemos E 5 hc/l, ou l 5 hc/E. Assim, vemos que o com-
primento de onda é inversamente proporcional à energia.

Solução  (a) Quando um fóton é emitido com o menor comprimento de onda possível, ele tem a maior
energia possível, já que o comprimento de onda é inversamente proporcional à energia. A maior ener-
gia possível surge quando o elétron salta do estado inicial (ni 5 4) para o estado de repouso ou es-
tado fundamental (nf 5 1), como mostrado pela transição A na Figura 30.35. Portanto, o número
quântico do estado final é nf 5 1 . A energia E do fóton é a diferença entre as energias dos dois
estados, logo E 5 E4 – E1. A energia do enésimo estado é dada pela Equação 30.13 como En 5
–(13,6 eV) Z2/n2, logo a energia do fóton é


(b) Quando um fóton é emitido com o maior comprimento de onda possível, ele tem a menor ener-
Figura 30.35  Um fóton é gia possível. A menor energia possível surge quando um elétron salta do estado inicial (ni 5 4) pa-
emitido quando um elétron no ra o próximo estado mais baixo (nf 5 3), como mostrado pela transição B na Figura 30.35. Portanto,
estado n 5 4 pula para o estado o número quântico do estado final é nf 5 3 . A energia E do fóton é a diferença entre as energias
n 5 1 ou para n 5 3. Um elétron dos dois estados, logo E 5 E4 – E3:
faz uma transição do estado n 5 4
para o estado n 5 5 quando um
fóton com a quantidade apropriada
de energia é absorvido.
(c) Quando um fóton é absorvido pelo átomo de hidrogênio, o elétron salta para um estado de ener-
gia mais alto. O fóton tem o maior comprimento de onda possível quando sua energia é a menor. A
menor variação de energia possível no átomo de hidrogênio surge quando o elétron salta do estado
inicial (ni 5 4) para o próximo estado mais alto (nf 5 5), como mostrado pela transição C na Figura
30.35. Portanto, o número quântico do estado final é nf 5 5 . A energia E do fóton é a diferença
entre as energias dos dois estados, logo E 5 E5 – E4:


 ■

O próximo exemplo revê a física de como um raio X Ka é produzido, como sua energia es-
tá relacionada com as energias de ionização do átomo-alvo, e como determinar a voltagem
mínima necessária para produzi-la em um tubo de raios X.

  Conceitos & Cálculos Exemplo 13 


A Produção de Raios X Ka
As energias de ionização da camada K e da camada L de um metal são iguais a 8979 eV e 951 eV,
respectivamente. (a) Supondo que existe uma vaga na camada L, qual deve ser a voltagem mínima
em um tubo de raios X com um alvo feito desse metal para produzir fótons de raios X Ka? (b) Deter-
mine o comprimento de onda de um fóton Ka.
Perguntas e Respostas sobre Conceitos  Como é produzido o fóton Ka e quanto ele tem de
energia?
Resposta  Um fóton Ka é produzido quando um elétron em um átomo de metal salta do estado
de alta energia n 5 2 para um estado de baixa energia n 5 1 (veja a transição A na Figura 30.36).
A energia E do fóton é a diferença entre as energias desses dois estados: E 5 E2 – E1.
Qual deve ser a voltagem mínima no tubo de raios X para produzir um fóton Ka?
Resposta  É necessário fornecer energia para produzir um fóton Ka, e essa energia vem dos
elétrons que batem no alvo no tubo de raios X. De acordo com a Equação 19.3, a energia que
cada elétron possui quando ele chega ao alvo está em eV, em que e é o módulo da carga do elé-

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A Natureza do Átomo  ■  77

tron e V é a diferença de potencial ou voltagem no tubo. Para fazer com que o alvo emita um
fóton de raios X Ka, o elétron incidente deve ter energia suficiente para criar uma vaga na ca-
mada K. A vaga é criada porque o elétron incidente fornece a energia para mover um elétron
da camada K para um nível de energia mais elevado ou para removê-lo inteiramente do átomo.
No caso em questão, com a vaga na camada L, o elétron incidente consegue criar a vaga na
camada K se ele tiver a energia necessária para elevar um elétron da camada K para a camada
L, sendo a energia necessária igual a E2 – E1 (veja a Figura 30.36). Essa é então a energia mí-
nima que o elétron incidente deve ter. Por conseguinte, a voltagem mínima no tubo deve ser
eVmín 5 E2 – E1 ou Vmín 5 (E2 – E1)/e.
Qual o significado das expressões “energia de ionização da camada K” e “energia de ionização da
camada L”?
Resposta  A energia de ionização da camada K é a energia necessária para remover um elétron na
camada K (ni 5 1) completamente do átomo (veja a transição B na Figura 30.36). Supõe-se que o
elétron removido não possui energia cinética e está infinitamente afastado (nf 5 ∞), de modo que
ele não possua energia potencial elétrica. Assim, a energia total do elétron removido é igual a zero.
Analogamente, a energia de ionização da camada L é a energia necessária para remover um elétron
da camada L (ni 5 2) completamente do átomo (veja a transição C na Figura 30.36).
O que representa a diferença entre as energias de ionização das camadas K e L? Figura 30.36  Um fóton de raios
Resposta  Como sugerido pelas transições B e C na Figura 30.36, a diferença entre as duas X Ka é emitido quando um elétron
salta do estado n 5 2 para o estado
energias de ionização é igual à diferença entre a energia total E2 da camada L e a energia total
n 5 1 (transição A). A energia de
E1 da camada K. ionização da camada K é a energia
necessária para elevar um elétron
Solução  (a) A voltagem mínima no tubo de raios X é Vmín. 5 (E2 – E1)/e. Mas a diferença E2 – E1 do estado n 5 1 para o estado n 5
em energias entre os estados n 5 2 e n 5 1 é igual à diferença nas energias entre as energias de io- ∞, em que ele tem energia total
nização das camadas K e L, ou 8979 eV – 951 eV 5 8028 eV. Assim, a voltagem mínima é igual a zero (transição B).
1.602
, 10 19
J Analogamente, a energia de
(8028 eV) ionização da camada L é a energia
E2 E1 1 eV necessária para a transição de n 5
Vmín 8028 V
e 1.602
, 10 19
C 2 para n 5 ∞ (transição C). Por

uma questão de clareza, os níveis
(b) O comprimento de onda do fóton Ka é l 5 c/f (Equação 16.1), em que f é a sua frequência. A de energia estão fora de escala.
frequência está relacionada com a energia E2 – E1 do fóton pela Equação 29.2, f 5 (E2 – E1)/h, em
que h é a constante de Planck. Combinando essas relações obtivemos
c c hc
f (E 2 E 1)/h E2 E1
34
(6.626
, 10 J s)(2.998
, 10 8 m/s) 10
,
1.545 10 m
19
,
1.602 10 J
(8028 eV)
1 eV
 ■

Resumo dos Conceitos


30.1  O Espalhamento de Rutherford e o Átomo Nuclear  A ideia de um átomo
nuclear se originou em 1911 como resultado de experimentos conduzidos por Ernest
Rutherford nos quais partículas a eram espalhadas por uma folha fina de metal. A ex-
pressão “átomo nuclear” se refere ao fato de que um átomo é formado por um pequeno
núcleo carregado positivamente cercado a distâncias relativamente grandes por alguns
elétrons, cuja carga negativa total é igual à carga positiva nuclear quando o átomo é ele-
tricamente neutro.

30.2  Espectros de Linhas  Um espectro de linha é uma série de comprimentos de


onda eletromagnéticos emitidos pelos átomos de um gás a baixa pressão que está sujei-
to a uma diferença de potencial suficientemente alta. Certos grupos de comprimentos de
onda discretos são chamados de “séries”. As equações a seguir podem ser usadas para
se determinar os comprimentos de onda em três das séries que são encontradas no es-
pectro de linhas do átomo de hidrogênio:

Série de Lyman (30.1)




Série de Balmer (30.2)




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78  ■  Capítulo 30

Série de Paschen (30.3)



O termo constante R é chamado de constante de Rydberg e tem o valor R 5 1,097 3
107 m21

30.3  O Modelo de Bohr do Átomo de Hidrogênio  O modelo de Bohr se aplica (30.4)



a átomos ou íons que têm apenas um único elétron orbitando um núcleo contendo Z pró-
tons. Esse modelo supõe que o elétron existe em órbitas circulares que são chamadas de
órbitas estacionárias porque o elétron não irradia ondas eletromagnéticas enquanto está (30.8)

dentro delas. De acordo com esse modelo, um fóton é emitido apenas quando um elétron
muda de uma órbita com uma alta energia Ei para uma órbita com uma baixa energia Ef.
As energias orbitais e a frequência do fóton f estão relacionadas de acordo com a Equa-
ção 30.4, em que h é a constante de Planck. O modelo também supõe que o módulo Ln
da quantidade de movimento angular orbital do elétron só pode ter os valores discretos (30.10)
indicados na Equação 30.8. Com essas hipóteses, pode-se mostrar que enésima órbita de
Bohr tem um raio rn e está associada com uma energia total En, como expresso nas Equa- (30.13)
ções 30.10 e 30.13. 
A energia de ionização é a energia mínima necessária para remover completamente
um elétron de um átomo. O modelo de Bohr prevê que os comprimentos de onda que
formam o espectro de linhas emitido por um átomo de hidrogênio podem ser calculados (30.14)
de acordo com a Equação 30.14.


30.4  A Explicação de De Broglie da Hipótese de Bohr sobre a Quantidade


de Movimento Angular  Louis De Broglie propôs que o elétron em uma órbita de
Bohr circular deveria ser considerado como uma onda de partícula e que ondas de partí-
culas estacionárias ao redor da órbita oferecem uma explicação da hipótese da quantida-
de de movimento angular no modelo de Bohr.

30.5  A Imagem da Mecânica Quântica do Átomo de Hidrogênio  A mecâ-


nica quântica descreve o átomo de hidrogênio em termos dos seguintes quatro números
quânticos:
(1) O número quântico principal n, que pode ter os valores inteiros n 5 1, 2, 3, …
(2) O número quântico orbital , que pode ter os valores inteiros  5 0, 1, 2, …, (n – 1)
(3) O número quântico magnético m, que pode ter os valores positivos e negativos
m 5 –, …, –2, –1, 0, 11, 12, …, 1
(4) O número quântico de spin ms, que, para um elétron, pode ser ms 5 ou ms 5
De acordo com a mecânica quântica, um elétron não reside em uma órbita circular, mas,
em vez disso, tem alguma probabilidade de ser encontrado em várias distâncias até o núcleo.

30.6  O Princípio de Exclusão de Pauli e a Tabela Periódica dos Elementos  O


princípio de exclusão de Pauli afirma que dois elétrons em um átomo não podem ter o
mesmo conjunto de valores para os quatro números quânticos n, , m e ms. Esse princí-
pio determina a forma como os elétrons em átomos com vários elétrons são distribuídos
em camadas (definidas pelo valor n) e subcamadas (definidas pelo valor de ).
A seguinte notação é usada para se referir aos números quânticos orbitais: s representa
 5 0, p representa  5 1, d representa  5 2, f representa  5 3, g representa  5 4,
h representa  55, e assim por diante.
O arranjo da tabela periódica dos elementos está relacionado com o princípio de ex-
clusão de Pauli.

30.7  Raios X  Raios X são ondas eletromagnéticas emitidas quando elétrons de alta
energia atingem um alvo metálico contido dentro de um tubo de vidro no vácuo. O es-
pectro de comprimentos de ondas de raios X emitido é formado por “picos” ou “linhas”,
conhecidos como raios X característicos, superpostos sobre uma ampla faixa contínua
de comprimentos de onda conhecidos como Bremsstrahlung. O raio X característico Ka
é emitido quando um elétron no nível n 5 2 (camada L) cai em uma vaga no nível n 5
1 (camada K). Analogamente, o raio X característico Kb é emitido quando um elétron no
nível n 5 3 (camada M) cai em uma vaga no nível n 5 1 (camada K). O comprimento
de onda mínimo, ou comprimento de onda de corte l0, do Bremsstrahlung é determina-
do pela energia cinética dos elétrons que colidem com o alvo no tubo de raios X, de
acordo com a Equação 30.17, em que h é a constante de Planck, c é a velocidade de pro- (30.17)
pagação da luz no vácuo, e é o módulo da carga em um elétron, e V é a diferença de po- 
tencial aplicada no tubo de raios X.

30.8  O Laser / 30.9 Aplicações Médicas do Laser  Um laser é um dispositivo


que gera ondas eletromagnéticas por meio de um processo conhecido como emissão es-
timulada. Nesse processo, um fóton estimula a produção de outro fóton fazendo com que
um elétron em um átomo caia de um nível de energia mais alto para um nível de energia

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A Natureza do Átomo  ■  79

mais baixo. O fóton emitido viaja na mesma direção e no mesmo sentido que o fóton
causando a estimulação. Por causa desse mecanismo de produção de fótons, as ondas
eletromagnéticas geradas por um laser são coerentes e podem ser confinadas a um feixe
muito estreito. A emissão estimulada contrasta com o processo conhecido como emissão
espontânea, na qual um elétron em um átomo também cai de um nível mais alto para um
nível mais baixo de energia, mas faz isso espontaneamente, em uma direção randômica,
sem nenhuma provocação externa.

Foco nos Conceitos


Observação: Os exercícios apresentados nesta seção, com numeração não sequencial, foram extraídos do banco de dados de questões disponível apenas para
a edição original em inglês. (N.E.)

Seção 30.3  O Modelo de Bohr do Átomo de Hidrogênio


1. Considere a aplicação do modelo de Bohr a um átomo de hélio neu-
tro (Z 5 2). O modelo leva em conta vários fatores. Qual dos seguintes
fatores ele não leva em conta?  (a) A quantização da quantidade de
movimento angular orbital de um elétron  (b) A aceleração centrípeta
de um elétron  (c) A energia potencial elétrica de um elétron  (d) A
repulsão eletrostática entre elétrons  (e) A atração eletrostática entre
o núcleo e um elétron
3. De acordo com o modelo de Bohr, o que determina o menor compri-
mento de onda em dada série de comprimentos de onda emitidos pelo
átomo?  (a) O número quântico ni que identifica o nível de energia mais
elevado do qual o elétron cai em direção a um nível de energia me-
nor  (b) O número quântico nf que identifica o nível de energia mais
baixo para o qual o elétron cai de um nível de energia maior  (c) O
quociente nf /ni, em que nf é o número quântico que identifica o nível
mais baixo para o qual o elétron cai e ni é o número quântico que iden-
tifica o nível mais elevado do qual o elétron cai  (d) A soma nf 1 ni
entre dois números quânticos, em que nf identifica o nível de energia
mais baixo para o qual o elétron cai e ni identifica o nível mais alto de
onde o elétron cai (e) A diferença nf – ni de dois números quânticos, em
que nf identifica o nível de energia mais baixo para o qual o elétron cai
e ni identifica o nível mais alto de onde o elétron cai
11. Considere as subcamadas 5f e 6h em um átomo com vários elétrons.
Seção 30.5  A Imagem da Mecânica Quântica do Átomo Quais dessas subcamadas podem conter 19 elétrons?  (a) Apenas a
de Hidrogênio subcamada 6h  (b) Apenas a subcamada 5f  (c) As duas subcama-
das  (d) Nenhuma das subcamadas
6. De acordo com a mecânica quântica, apenas uma das combinações a
seguir do número quântico principal n com o número quântico orbital 
Seção 30.7  Raios X
é possível para o elétron em um átomo de hidrogênio. Qual combinação
é essa?  (a) n 5 3,  5 3  (b) n 5 2,  5 3  (c) n 5 1,  5 2  14. A prata (Z 5 47), o cobre (Z 5 29) e a platina (Z 5 78) podem ser
(d) n 5 0,  5 0  (e) n 5 3,  5 1 usados como o alvo em um tubo de raios X. Disponha em ordem de-
crescente (da maior para a menor) as energias necessárias para elétrons
8. Qual das afirmações a seguir é falsa?  (a) As órbitas no modelo de
incidentes retirarem completamente um elétron da camada K de um
Bohr têm tamanhos precisos, enquanto na imagem da mecânica quân-
átomo em cada um desses alvos.  (a) Prata, cobre e platina  (b) Prata,
tica do átomo de hidrogênio isso não acontece.  (b) Na ausência de
platina e cobre  (c) Platina, prata e cobre  (d) Platina, cobre e prata 
campos magnéticos externos, tanto o modelo de Bohr quanto a mecâ-
(e) Cobre, prata e platina
nica quântica preveem a mesma energia total para o elétron no átomo
de hidrogênio.  (c) A quantidade de movimento de spin do elétron 16. Dobra-se a voltagem aplicada a um tubo de raios X. O que acon-
desempenha um papel tanto no modelo de Bohr quanto na imagem da tece com o comprimento de onda de corte no espectro de comprimen-
mecânica quântica do átomo de hidrogênio.  (d) O módulo da quan- tos de onda emitido pelo alvo de metal do tubo?  (a) Ele também
tidade de movimento angular orbital não pode ser igual a zero no mo- dobra.  (b) Ele diminui por um fator igual a dois.  (c) Ele aumenta
delo de Bohr, mas ela pode ser igual a zero na imagem da mecânica por um fator igual a quatro.  (d) Ele diminui por um fator igual a qua-
quântica do átomo de hidrogênio. tro.  (e) Nada acontece com ele.

Seção 30.6  O Princípio de Exclusão de Pauli e a Tabela Seção 30.8  O Laser


Periódica dos Elementos 17. Considere dois níveis de energia que caracterizam os átomos de
um material usado em um laser. Uma inversão de população entre es-
10. Cada uma das respostas a seguir indica os estados da mecânica ses dois níveis ____________,  (a) tem o nível de energia mais baixo
quântica de dois elétrons, A e B. Qual par de estados não poderia des- mais povoado do que ele normalmente está e o nível de energia mais
crever dois dos elétrons em um átomo com vários elétrons? alto menos povoado do que ele normalmente está  (b) é a mesma coi-
sa que um estado metaestável  (c) não requer nenhuma fonte externa
de energia para se manter  (d) tem o nível de energia mais alto mais
povoado do que ele normalmente está e o nível de energia mais baixo
menos povoado do que ele normalmente está

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80  ■  Capítulo 30

Problemas
Os problemas que não estão marcados com um asterisco são considerados os mais fáceis de serem resolvidos. Problemas marcados com um único asterisco (*)
são mais difíceis, enquanto aqueles que receberam dois asteriscos (**) são os mais difíceis.
Observação: Ao trabalhar nestes problemas, ignore efeitos relativísticos.

Este ícone representa uma aplicação biomédica.

Seção 30.1  O Espalhamento de Rutherford e o Átomo determine o quociente entre a energia de ionização para o estado ex-
Nuclear citado n 5 4 e a energia de ionização para o estado fundamental.
1. O núcleo do átomo de hidrogênio tem um raio de cerca de 1 3 13. Um átomo de hidrogênio está no estado fundamental. Ele absorve
10215 m. O elétron está normalmente a uma distância de cerca de 5,3 3 energia e faz uma transição para o estado excitado n 5 3. O átomo
10211 m do núcleo. Supondo que o átomo de hidrogênio é uma esfera volta ao estado fundamental emitindo dois fótons. Quais os seus com-
com um raio de 5,3 3 10211 m, ache  (a) o volume do átomo,  (b) o primentos de onda?
volume do núcleo  (c) o percentual do volume do átomo que é ocu- 14. No átomo de hidrogênio, qual a energia total (em elétrons-volts)
pado pelo núcleo. de um elétron que está em uma órbita que tem um raio de 4,761 3
2. O núcleo de um átomo de hidrogênio é um único próton, que tem 10210 m?
um raio de cerca de 1,0 3 10215 m. O único elétron em um átomo de 15. Considere a expressão da energia de Bohr (Equação 30.13) de mo-
hidrogênio normalmente orbita o núcleo a uma distância de 5,3 3 do que ela se aplique ao hélio simplesmente ionizado He1 (Z 5 2) e
10211 m. Qual o quociente entre a massa específica do núcleo do hi- ao lítio duplamente ionizado Li21 (Z 5 3). Essa expressão prevê ener-
drogênio e a massa específica do átomo de hidrogênio completo? gias do elétron iguais para essas duas espécies para certos valores do
3. Reveja o Exemplo Conceitual 1 e use as informações ali contidas número quântico n (o número quântico é diferente para cada espécie).
como uma ajuda para resolver este problema. Suponha que você este- Para números quânticos menores ou iguais a 9, quais as três energias
ja construindo um modelo ampliado do átomo de hidrogênio, e o núcleo mais baixas (em elétrons-volts) para as quais o nível de energia do hé-
seja representado por uma bola que tem um raio de 3,2 cm (um pouco lio é igual ao nível de energia do lítio?
menor que uma bola de beisebol). A quantas milhas (1 mi 5 1,61 3 *16. Um átomo de sódio (Z 5 11) contém 11 prótons no seu núcleo.
105 cm) deveria ser colocado o elétron? Estritamente falando, o modelo de Bohr não se aplica, porque o átomo
4. Em um experimento de espalhamento de Rutherford, um núcleo neutro contém 11 elétrons em vez de um único elétron. Entretanto,
alvo tem um diâmetro igual a 1,4 3 10214 m. A partícula a incidente podemos aplicar o modelo ao elétron mais externo como uma aproxi-
tem uma massa de 6,64 3 10227 kg. Qual a energia cinética de uma mação, desde que usemos um valor efetivo de Zefetivo no lugar de 11
partícula a que tem um comprimento de onda de De Broglie igual ao para o número de prótons no núcleo.  (a) A energia de ionização pa-
diâmetro do núcleo-alvo? Ignore efeitos relativísticos. ra o elétron mais externo em um átomo de sódio é igual a 5,1 eV. Use
o modelo de Bohr com Z 5 Zefetivo para calcular um valor para Zefetivo. 
*5. Existem Z prótons no núcleo de um átomo, em que Z é o número
(b) Usando Z 5 11 e Z 5 Zefetivo, determine os dois valores correspon-
atômico do elemento. Uma partícula a transporta uma carga de 12e.
dentes para o raio da órbita de Bohr mais externa.
Em um experimento de espalhamento, uma partícula a, se dirigindo
diretamente para um núcleo em uma lâmina de metal, chegará ao re- *17. Um comprimento de onda de 410,2 nm é emitido pelos átomos
pouso quando toda a energia cinética da partícula for convertida para de hidrogênio em um tubo de descarga de alta voltagem. Quais os va-
energia potencial elétrica. Em tal situação, quão perto uma partícula a lores inicial e final do número quântico n para a transição do nível de
com uma energia cinética de 5,0 3 10213 J consegue chegar de um nú- energia que produz esse comprimento de onda?
cleo de ouro (Z 5 79)? *18. Um átomo de hidrogênio emite um fóton que tem uma quantida-
*6. O núcleo de um átomo de cobre contém 29 prótons e tem um raio de de movimento com um módulo igual a 5,452 3 10227 kg ∙ m/s. Es-
igual a 4,8 3 10215 m. Qual o trabalho realizado (em elétrons-volts) se fóton é emitido porque o elétron no átomo cai de um nível de ener-
pela força elétrica quando um próton é trazido do infinito, onde ele gia mais elevado para o nível n 5 1. Qual o número quântico do nível
está em repouso, até a “superfície” de um núcleo de cobre? de onde o elétron cai? Use um valor de 6,626 3 10234 J ∙ s para a cons-
tante de Planck.
Seção 30.2  Espectros de Linhas, *19. Para o átomo de hidrogênio, a série de linhas de Paschen ocorre
Seção 30.3  O Modelo de Bohr do Átomo de Hidrogênio quando nf 5 3, enquanto a série de Brackett ocorre quando nf 5 4 na
7. Para um átomo de lítio duplamente ionizado Li21 (Z 5 3), qual o Equação 30.14. Usando essa equação, mostre que os intervalos dos
número quântico principal do estado em que o elétron tem a mesma comprimentos de onda nessas duas séries se sobrepõem.
energia total que o elétron do estado de repouso (ou estado fundamen- *20. O lítio duplamente ionizado Li21 (Z 5 3) e o berílio triplamente
tal) tem no átomo de hidrogênio? ionizado Be31 (Z 5 4) emitem, cada um, um espectro de linhas. Para
8. Um átomo de hélio simplesmente ionizado (He1) tem apenas um certa série de linhas no espectro do lítio, o menor comprimento de on-
elétron na órbita em torno do núcleo. Qual o raio do íon quando ele da é igual a 40,5 nm. Para a mesma série de linhas no espectro do be-
está no segundo estado excitado? rílio, qual o menor comprimento de onda?
9. Usando o modelo de Bohr, determine o quociente entre a energia **21. (a) Deduza uma expressão para a velocidade do elétron na ené-
da enésima órbita de um átomo de berílio ionizado triplamente (Be31, sima órbita de Bohr, em termos de Z, n, e das constantes k, e e h. Para
Z 5 4) e a energia da enésima órbita de um átomo de hidrogênio (H). o átomo de hidrogênio, determine a velocidade  (b) na órbita n 5 1
e  (c) na órbita n 5 2.  (d) Em geral, quando as velocidades são me-
10. O elétron em um átomo de hidrogênio está no primeiro estado ex- nores do que um décimo da velocidade de propagação da luz, os efei-
citado, quando o elétron adquire uma energia adicional de 2,86 eV. tos da relatividade especial podem ser ignorados. As velocidades de-
Qual o número quântico n do estado para o qual o elétron se move? terminadas em (b) e (c) estão consistentes com ignorar efeitos relati-
11. Determine a energia (em joules) do fóton que é emitido quando o vísticos no modelo de Bohr?
elétron em um átomo de hidrogênio sofre uma transição do nível de **22. No modelo de Bohr do hidrogênio, o elétron se move em uma
energia n 5 7 para produzir uma linha na série de Paschen. órbita circular ao redor do núcleo. Determine a velocidade angular do
12. (a) Qual a energia de ionização de um átomo de hidrogênio que elétron, em revoluções por segundo, quando ele está  (a) no estado
está no estado excitado n 5 4?  (b) Para um átomo de hidrogênio, fundamental e  (b) no primeiro estado excitado.

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A Natureza do Átomo  ■  81

Seção 30.5  A Imagem da Mecânica Quântica do Átomo entanto, existe uma regra que restringe os valores iniciais e finais do
de Hidrogênio número quântico orbital . Essa regra é chamada de regra de seleção
23. Um átomo de hidrogênio está no seu segundo estado excitado. De- e afirma que D 5 61. Em outras palavras, quando um elétron faz uma
termine, de acordo com a mecânica quântica,  (a) a energia total (em transição entre níveis de energia, o valor de  só pode aumentar ou
eV) do átomo,  (b) o módulo da quantidade de movimento angular diminuir de um. O valor de  não pode permanecer o mesmo nem po-
máxima que o elétron pode ter nesse estado, e  (c) o valor máximo de aumentar nem diminuir por mais de um. De acordo com essa regra,
que a componente z da quantidade de movimento angular, Lz, pode ter. quais das seguintes transições de níveis de energia são permitidas? 
(a) 2s → 1s  (b) 2p → 1s  (c) 4p → 2p  (d) 4s → 2p  (e) 3d → 3s
24. A tabela lista os números quânticos para cinco estados do átomo
de hidrogênio. Quais deles não são possíveis? Para aqueles que não *36. No estado fundamental, a camada mais externa (n 5 1) do hélio
são possíveis, explique por quê. (He) está preenchida com elétrons, como também está a camada mais
externa (n 5 2) do neônio (Ne). As camadas mais externas cheias des-
ses dois elementos os distinguem como os dois primeiros chamados
n  m “gases nobres”. Suponha que o número quântico de spin ms tivesse três
valores possíveis, em vez de dois. Se esse fosse o caso, quais elemen-
(a) 3 3 0 tos seriam  (a) o primeiro e  (b) o segundo gás nobre? Suponha que
(b) 2 1 21 os valores possíveis para os outros três números quânticos permanecem
inalterados, e que o princípio de exclusão de Pauli ainda se aplica.
(c) 4 2 3
(d) 5 23 2 Seção 30.7  Raios X
(e) 4 0 0 37. Usando o modelo de Bohr, decida qual elemento provavelmente
emite um raio X Ka com um comprimento de onda de 4,5 3 1029 m.
38. Qual a diferença de potencial mínima que deve ser aplicada a um
25. O número quântico orbital para o elétron em um átomo de hidro- tubo de raios X para extrair um elétron da camada K de um átomo
gênio é  5 5. Qual o menor valor possível (o mais negativo) para a em um alvo de cobre (Z 5 29)? Use o modelo de Bohr conforme seja
energia total desse elétron? Forneça a sua resposta em elétrons-volts. necessário.
26. Sabe-se que os valores possíveis para o número quântico magné- 39. Um tubo de raios X está sendo operado com uma diferença de po-
tico m são 24, 23, 22, 21, 0, 11, 12, 13 e 14. Determine o nú- tencial de 52,0 kV. Qual o comprimento de onda de Bremsstrahlung
mero quântico orbital  e o menor valor possível do número quântico que corresponde a 35,0% da energia cinética com a qual um elétron
principal n. colide com o alvo de metal no tubo?
27. O valor máximo para o número quântico magnético no estado A é 40. No espectro de raios X do nióbio (Z 5 41), um pico Ka é observa-
m 5 2, enquanto no estado B ele é m 5 1. Qual o quociente LA/ LB do em um comprimento de onda de 7,462 3 10211 m. (a) Determine o
entre os módulos das quantidades de movimento angulares orbitais de módulo da diferença entre o comprimento de onda observado do raio
um elétron nesses dois estados? X Ka para o nióbio e aquele previsto pelo modelo de Bohr. (b) Expres-
*28. O elétron em certo átomo de hidrogênio tem uma quantidade de se o módulo dessa diferença como um percentual do comprimento de
movimento angular igual a 8,948 3 10234 J ∙ s. Qual o maior módulo onda observado.
possível para a componente z da quantidade de movimento angular 41. Quando certo elemento é bombardeado com elétrons de alta ener-
desse elétron? Para ter uma boa acurácia, use h 5 6,626 3 10234 J ∙ s gia, raios X Ka que têm uma energia de 9890 eV são emitidos. Deter-
*29. Para um elétron em um átomo de hidrogênio, a componente z mine o número atômico Z do elemento, e identifique o elemento. Use
da quantidade de movimento angular tem um valor máximo de Lz 5 o modelo de Bohr quando for necessário.
4,22 3 10234 J ∙ s. Ache os três menores valores possíveis (os mais *42. O modelo de Bohr, embora não seja estritamente aplicável, pode
negativos) para a energia total (em elétrons-volts) que esse átomo ser usado para estimar a energia mínima Emín que um elétron incidente
poderia ter. deve ter em um tubo de raios X a fim de arrancar completamente um
**30. Um elétron está no estado n 5 5. Qual o menor valor possível elétron da camada K de um átomo no alvo metálico. O comprimento
para o ângulo entre a componente z da quantidade de movimento an- de onda do raio X Ka do metal A é 2,0 vezes o comprimento de onda
gular orbital e a quantidade de movimento angular orbital? de raio X Ka do metal B. Qual o quociente entre Emín, A para o metal A
e Emín, B para o metal B?
Seção 30.6  O Princípio de Exclusão de Pauli e a Tabela
*43. Um tubo de raios X contém um alvo de prata (Z 5 47). A alta
Periódica dos Elementos
voltagem nesse tubo é aumentada a partir de zero. Usando o modelo
31. Dois dos três elétrons em um átomo de lítio têm números quânticos de Bohr, ache o valor da voltagem na qual o raio X Ka passa a aparecer
de n 5 1,  5 0, m 5 0, ms 5 e n 5 1,  5 0, m 5 0, ms 5 no espectro dos raios X.
Quais números quânticos o terceiro elétron pode ter se o átomo esti- *44. O Exemplo 9 de Múltiplos Conceitos revê os conceitos que são
ver  (a) no seu estado fundamental e  (b) no seu estado excitado? importantes para a solução desse problema. Um elétron, viajando a
32. Seguindo o estilo usado na Tabela 30.3, determine a configuração uma velocidade de 6,00 3 107 m/s, colide com o alvo de um tubo de
eletrônica do estado fundamental para o ítrio Y (Z 5 39). Consulte a raios X. Com o impacto, o elétron desacelera para um quarto da sua
Figura 30.16 para ver a ordem em que as subcamadas enchem. velocidade original, com um fóton de raios X sendo emitido durante o
33. A Figura 30.16 foi construída usando o princípio de exclusão de processo. Qual o comprimento de onda do fóton?
Pauli e indica que a camada n 5 1 mantém dois elétrons, a camada n 5
2 mantém oito elétrons, e a camada n 5 3 mantém 18 elétrons. Esses 30.8  O Laser
números podem ser obtidos somando-se os números fornecidos na fi- 45. Um laser é usado em uma cirurgia de olhos para soldar de
gura para as subcamadas contidas em uma dada camada. Quantos elé- volta uma parte da retina que havia sido retirada. O compri-
trons podem ser colocados na camada n 5 5, que é a única mostrada mento de onda do feixe laser é igual a 514 nm, e a potência é igual a
parcialmente na figura? 1,5 W. Durante a cirurgia, o feixe laser é ligado por 0,050 s. Durante
34. Quais das seguintes configurações de subcamadas não são permi- esse tempo, quantos fótons são emitidos pelo laser?
tidas? Para aquelas que não são permitidas, forneça a razão por 46. O excimer laser ultravioleta usado na técnica PRK (veja a
quê.  (a) 3s1  (b) 2d2  (c) 3s4  (d) 4p8  (e) 5f12 Seção 30.9) tem um comprimento de onda de 193 nm. Um
35. Quando um elétron faz uma transição entre níveis de energia de laser de dióxido de carbono produz um comprimento de onda de 1,06 3
um átomo, não há restrições sobre os valores iniciais e finais do nú- 1025 m. Qual o número mínimo de fótons que o laser de dióxido de
mero quântico principal n. De acordo com a mecânica quântica, no carbono deve produzir para entregar a um alvo pelo menos tanta ener-

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82  ■  Capítulo 30

gia ou mais que a quantidade de energia entregue por um único fóton 49. Uma iridotomia periférica a laser é um procedimento cirúrgi-
do excimer laser? co para tratar uma condição do olho conhecida como glaucoma
47. Um laser pulsado emite luz em uma série de pulsos curtos, cada de ângulo estreito, na qual o acúmulo de pressão no olho pode levar à
um tendo uma duração de 25,0 ms. A potência média de cada pulso é perda da visão. Um YAG laser neodymium (comprimento de onda 5
de 5,00 mW e o comprimento de onda da luz é igual a 633 nm. Ache 1064 nm) é usado no procedimento para fazer uma perfuração minús-
o número de fótons em cada pulso. cula na periferia da íris, aliviando assim o acúmulo de pressão. Em
uma aplicação, o laser entrega 4,1 3 1023 J de energia à íris ao criar a
48. O desenho mostra três níveis de E2
perfuração. Quantos fótons são entregues pelo laser?
energia de um laser que estão envolvi-
¸ *50. A fusão é o processo pelo qual o Sol produz energia. Uma técni-
dos na sua ação. Esses níveis são análo-
gos aos níveis nos átomos de Ne de um Ô ca experimental para criar fusão controlada utiliza um laser de estado
˝
E
laser He-Ne. O nível E2 é um nível me-
0,289 eV ¸ 1 sólido que emite um comprimento de onda de 1060 nm e consegue
Ô
taestável, e o nível E0 é o nível funda- Ô 0,165 eV ˝ produzir uma potência de 1,0 3 1014 W para uma duração de pulso de
mental. A diferença entre os níveis de
energia do laser é mostrada no desenho.
˛ Ô
˛ E
0
1,1 3 10211 s. Em contraste, o laser de hélio/neônio usado em um
scanner de código de barras em um caixa de uma loja emite um com-
(a) Qual a energia (em eV por elétron) primento de onda de 633 nm e produz uma potência de cerca de 1,0 3
que uma fonte externa deve fornecer para dar partida na ação do laser? 1023 W. Quanto tempo (em dias) o laser de hélio/neônio teria que ope-
(b) Qual o comprimento de onda da luz laser? (c) Em qual região do rar para produzir o mesmo número de fótons que o laser de estado
espectro eletromagnético (veja a Figura 24.9) está situada a luz laser? sólido produz em 1,1 3 10211 s?

Problemas Adicionais
51. Consultando a Figura 30.16 para a ordem na qual as subcamadas são é produzida quando o elétron faz uma transição de níveis de energia
preenchidas e seguindo o estilo usado na Tabela 30.3, determine a con- mais elevados para o nível nf 5 4. Algumas das linhas nessa série estão
figuração eletrônica do estado fundamental para o cádmio Cd (Z 5 48). situadas na região visível do espectro (380–750 nm). Quais os valores
52. (a) Qual a energia mínima (em elétrons-volts) necessária para re- de ni para os níveis de energia a partir dos quais o elétron faz as tran-
mover o elétron do estado fundamental de um átomo de hélio simples- sições correspondentes a essas linhas?
mente ionizado (He1, Z 5 2)?  (b) Qual a energia de ionização para *60. Considere uma partícula de massa m que pode existir apenas entre
o He1? x 5 0 m e x 5 1L sobre o eixo x. Poderíamos dizer que essa partícula
53. Escreva os 14 conjuntos dos quatro números quânticos que corres- está confinada a uma “caixa” de comprimento L. Nessa situação, ima-
pondem aos elétrons em uma subcamada 4f totalmente preenchida. gine as ondas de partícula estacionárias de De Broglie que cabem dentro
da caixa. Por exemplo, o desenho mostra as três primeiras possibilidades.
54. O molibdênio tem um número atômico Z 5 42. Usando o modelo Observe que nessa figura existem um, dois ou três meio-comprimentos
de Bohr, estime o comprimento de onda do raio X Ka. de onda que cabem na distância L. Use a Equação 29.8 para o compri-
55. No espectro de linhas do átomo de hidrogênio, também existe um mento de onda de De Broglie de uma partícula e deduza uma expressão
grupo de linhas conhecido como a série de Pfund. Essas linhas são para as energias permitidas (apenas energia cinética) que a partícula
produzidas quando elétrons, excitados até altos níveis de energia, fa- pode ter. Essa expressão envolve m, L, a constante de Planck, bem como
zem transições para o nível n 5 5. Determine  (a) o maior compri- um número quântico n que pode ter apenas os valores 1, 2, 3, …
mento de onda e  (b) o menor comprimento de onda nessa série. 
(c) Consulte a Figura 24.9 e identifique a região do espectro eletro-
magnético na qual se encontram essas linhas.
56. A voltagem entre os eletrodos de um tubo de raio X é igual a
35,0 kV. Suponha que o alvo de molibdênio (Z 5 42) no tubo de raio
X seja substituído por um alvo de prata (Z 5 47). Determine  (a) o
comprimento de onda de corte do tubo e  (b) os comprimentos de
onda dos fótons de raio X Ka emitidos pelos alvos de molibdênio e
de prata.
*57. Reveja o Exemplo Conceitual 6 como base para a solução deste
problema. Para o átomo de hidrogênio, tanto o modelo de Bohr quan-
to a mecânica quântica fornecem o mesmo valor para a energia do
enésimo estado. No entanto, eles não fornecem o mesmo valor para a
quantidade de movimento angular orbital L.  (a) Para n 5 1, determi-
ne os valores de L [em unidades de h/(2p)] previstos pelo modelo de
Bohr e pela mecânica quântica.  (b) Repita o item (a) para n 5 3,
observando que a mecânica quântica permite mais de um valor de 
quando o elétron está no estado n 5 3. **61. Certa espécie de átomos ionizados produz um espectro de linhas
de emissão de acordo com o modelo de Bohr, mas o número de prótons
*58. A energia da órbita de Bohr n 5 2 é igual a 230,6 eV para um Z no núcleo é desconhecido. Um grupo de linhas no espectro forma
átomo ionizado não identificado no qual apenas um elétron se move uma série na qual o menor comprimento de onda é igual a 22,79 nm
em torno do núcleo. Qual o raio da órbita n 5 5 para essa espécie? e o maior comprimento de onda é igual a 41,02 nm. Ache o compri-
*59. O modelo de Bohr pode ser aplicado ao hélio simplesmente ioni- mento de onda mais próximo do maior comprimento de onda na série
zado He1 (Z 5 2). Usando esse modelo, considere a série de linhas que de linhas.

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Capítulo

31
Esse dinossauro com chifres
(Chasmosaurus belli) viveu há
76 milhões de anos na América
do Norte durante o período
Cretáceo. Um adulto plena-
mente desenvolvido tinha um
comprimento da ordem de 5 a
6 metros e um peso de cerca de
8000 libras.1 Ele era herbívoro.
Às vezes, paleontólogos usam
a desintegração de núcleos

Física Nuclear e
radioativos para datação de
tais fósseis, um método que
será discutido neste capítulo
(© Oleksiy Maksymenko/Alamy

Radioatividade Limited)

31.1 A Estrutura do Núcleo


Átomos são formados por elétrons em órbita em torno de um núcleo central. Como vi-
mos no Capítulo 30, as órbitas dos elétrons seguem as leis da mecânica quântica e apresentam
propriedades interessantes. Pouco foi dito a respeito do núcleo, no entanto. Como o núcleo em
si é interessante, vamos agora considerá-lo em mais detalhes.
O núcleo de um átomo é formado por nêutrons e prótons, que são chamados coletivamente de
núcleons. O nêutron, descoberto em 1932 pelo físico inglês James Chadwick (1891-1974), não
possui carga elétrica e tem uma massa ligeiramente superior à de um próton (veja a Tabela 31.1).
O número de prótons no núcleo é diferente em diferentes elementos químicos e é dado pelo
número atômico Z. Em um átomo eletricamente neutro, o número de prótons nucleares2 é igual
ao número de elétrons em órbita ao redor do núcleo. O número de nêutrons no núcleo é repre-
sentado pela letra N. O número total de prótons e de nêutrons é chamado de número de massa

Tabela 31.1  Propriedades de Partículas Selecionadas

Massa

Unidades de
Partícula Carga Elétrica (C) Quilogramas (kg) Massa Atômica (u)

Elétron 21,60 3 10219 9,109 382 3 10231 5,485 799 3 1024


Próton 11,60 3 10219 1,672 622 3 10227 1,007 276
Nêutron 0 1,674 927 3 10227 1,008 665
Átomo de hidrogênio 0 1,673 534 3 10227 1,007 825

1
Correspondente a cerca de 3,6 toneladas, aproximadamente 90% do peso de um elefante. (N.T.)
2
Ou seja, no núcleo. (N.T.)

83

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84  ■  Capítulo 31

atômica A porque a massa total do núcleo é aproximadamente igual a A vezes a massa de um


único núcleon:
(31.1)


O número A às vezes é também chamado de número de núcleons. Uma notação abreviada é
usada frequentemente para especificar Z e A com o símbolo químico do elemento. Por exem-
plo, os núcleos de todos os átomos de alumínio que ocorrem naturalmente possuem A 5 27 e
o número atômico para o alumínio é Z 5 13. Em notação compacta, então, o núcleo de alumí-
nio é especificado como . O número de nêutrons em um núcleo de alumínio não é forne-
cido explicitamente por essa notação compacta. Entretanto, ele pode ser determinado facilmen-
te com a ajuda da Equação 31.1, que indica que N 5 A 2 Z 5 14. Em geral, para um elemento
cujo símbolo químico é X, o símbolo para o núcleo é

Para um próton, o símbolo é , já que o próton é o núcleo de um átomo de hidrogênio. Um nêu-


tron é representado por . No caso de um elétron, usamos , em que A 5 0 porque um elétron
não é composto de prótons ou nêutrons e Z 5 –1 porque o elétron tem uma carga negativa.
Núcleos que contêm o mesmo número de prótons, mas números diferentes de nêutrons são
chamados de isótopos. O carbono, por exemplo, ocorre na natureza em duas formas estáveis.
Na maioria dos átomos de carbono (98,90%), o núcleo é o isótopo e é formado por seis
prótons e seis nêutrons. Uma pequena fração dos átomos (1,10%), no entanto, contém núcleos
que têm seis prótons e sete nêutrons, especificamente, o isótopo . Os percentuais fornecidos
aqui são as abundâncias naturais dos isótopos. As massas atômicas que aparecem na tabela
periódica são massas atômicas médias, levando em conta as abundâncias dos vários isótopos.
Os prótons e nêutrons no núcleo estão agrupados em uma espécie de cacho bem compacto
formando uma região aproximadamente esférica, como ilustrado na Figura 31.1. Experimentos
mostram que o raio r do núcleo depende do número de massa atômica A e é dado aproxima-
Figura 31.1  O núcleo em um damente em metros por
átomo é aproximadamente esférico (31.2)
(raio 5 r) e contém prótons ( )

agrupados com nêutrons ( ) em Essa equação indica que o raio do núcleo do alumínio (A 5 27), por exemplo, é r  (1,2 3
uma espécie de cacho bem 10215 m)271/3 5 3,6 3 10215 m. A Equação 31.2 leva a uma importante conclusão a respeito da
compacto. massa específica dos núcleos de diferentes átomos, como discutido no Exemplo Conceitual 1.

  Exemplo Conceitual 1    Massa Específica Nuclear


É um fato bem conhecido que o chumbo e o oxigênio contêm átomos diferentes e que a massa es-
pecífica do chumbo sólido é muito maior do que a do oxigênio gasoso. Usando a definição de
massa específica em conjunto com a Equação 31.2, decida se a massa específica do núcleo de um
átomo de chumbo é (a) maior, (b) aproximadamente igual ou (c) menor do que a massa específica
do núcleo de um átomo de oxigênio.
Raciocínio  A massa específica r de um objeto, como o núcleo, é definida como a sua massa M divi-
dida pelo seu volume V: r 5 M/V (Equação 11.1 do volume 1). A massa de um núcleo é aproximada-
mente igual ao número A de núcleons no núcleo multiplicado pela massa m de um único núcleon, já
que as massas de um próton e de um nêutron são praticamente iguais. Assim, temos que M  Am, em
que A é maior para o chumbo do que para o oxigênio, mas m é a mesma para ambos. Como o núcleo
é aproximadamente esférico com um raio igual a r, seu volume é dado por V 5 (4/3)pr3. O raio r, no
entanto, depende do número A de núcleons segundo a relação r  (1,2 3 10215 m) A1/3 (Equação 31.2).
Portanto, podemos escrever a massa específica de um núcleon da seguinte maneira:


Observe que o número de núcleons A foi eliminado algebricamente desse resultado, como conse-
quência direta da Equação 31.2.

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Física Nuclear e Radioatividade   ■  85

As respostas (a) e (c) estão incorretas.  O resultado obtido na seção de Raciocínio para a mas-
sa específica nuclear r depende apenas de fatores numéricos e do valor de m, que é a massa de um
único núcleon não importando onde ele esteja localizado. A massa específica nuclear não depende
do número nuclear A. Assim, a massa específica nuclear do chumbo, que é o quociente entre a sua
massa e o seu volume, não é nem maior nem menor do que a massa específica nuclear do oxigênio.
A resposta (b) está correta.  O resultado obtido na seção de Raciocínio para a massa específica
nuclear r indica que a massa específica do núcleo em um átomo de chumbo é aproximadamente a
mesma que a massa específica do núcleo em um átomo de oxigênio. Em geral, por conta da Equa-
ção 31.2, a massa específica nuclear tem aproximadamente o mesmo valor para todos os átomos.
A diferença de massas específicas entre o chumbo sólido e o oxigênio gasoso, no entanto, surge
principalmente por conta da diferença da proximidade com que os átomos estão reunidos nas fases
sólida e gasosa.

Trabalho a Ser Resolvido em Casa Associado:  Problema 9 ■

Verifique Seu Entendimento


(As respostas são dadas no final do livro.)
  1. Dois núcleos diferem nos seus números de prótons e nos seus números de nêutrons. Quais das afir-
mações a seguir são verdadeiras?  (a) Eles são diferentes isótopos do mesmo elemento.  (b) Eles
têm a mesma carga elétrica.  (c) Eles poderiam ter os mesmos raios.  (d) Eles têm aproximada-
mente a mesma massa específica nuclear.
  2. Sabe-se que um material é um isótopo do chumbo, embora não se saiba de que isótopo se trata. A
partir dessas informações limitadas, qual das seguintes grandezas você é capaz de identificar? 
(a) Seu número atômico  (b) Seu número de nêutrons  (c) Seu número de massa atômica
  3. Dois núcleos possuem diferentes números de núcleons, A1 e A2. Os dois núcleos são necessaria-
mente isótopos do mesmo elemento?
  4. Dois núcleos podem ter o mesmo raio, apesar de conterem diferentes números de prótons e dife-
rentes números de nêutrons?

31.2 A Interação Nuclear Forte e a Estabilidade do Núcleo


Duas cargas positivas que estejam tão próximas uma da outra quanto os prótons estão
em um núcleo se repelem mutuamente com uma força eletrostática muito intensa. O que, en-
tão, impede que o núcleo se desintegre? Claramente, algum tipo de força de atração deve
manter o núcleo unido, já que muitos tipos de átomos que ocorrem na natureza contêm nú-
cleos estáveis. A força gravitacional de atração entre os núcleons é fraca demais para neutra-
lizar a força elétrica de repulsão, logo um diferente tipo de força deve manter unido o núcleo.
Essa força é a interação3 nuclear forte, e é uma de apenas três forças fundamentais que foram
descobertas, fundamentais no sentido de que todas as forças na natureza podem ser explicadas
em termos dessas três forças. A força gravitacional também é uma dessas forças, bem como
a força eletrofraca (veja a Seção 31.5).
Muitas características da interação nuclear forte são bem conhecidas. Uma delas é que essa
força praticamente independe da carga elétrica. A uma dada distância de separação entre dois
núcleons,4 a força de atração nuclear existente entre dois prótons, entre dois nêutrons, ou entre
um próton e um nêutron, é praticamente a mesma. O raio da ação da interação nuclear forte é
extremamente pequeno, com a força de atração sendo muito intensa quando dois núcleons es-
tão a distâncias da ordem de 10215 m e essencialmente nula para distâncias maiores. Em con-
traste, a força elétrica entre dois prótons diminui tendendo a zero bem gradualmente à medida
que a distância de separação aumenta até grandes valores, portanto a força elétrica tem um raio
de ação relativamente longo.
O raio de ação limitado da interação nuclear forte desempenha um papel importante na es-
tabilidade do núcleo. Para que um núcleo seja estável, é preciso que a força de repulsão ele-
trostática entre os prótons seja compensada pela força de atração entre os núcleons por causa
da interação nuclear forte. Mas um próton repele todos os outros prótons no interior do núcleo, Figura 31.2  Com raras exceções,
já que a força eletrostática é uma interação de longo alcance. Em contraste, um próton ou um os núcleos estáveis que ocorrem
na natureza têm um número N de
nêutron atrai apenas seus vizinhos mais próximos por meio da interação nuclear forte. Nessas nêutrons maior ou igual ao número
condições, quando o número Z de prótons no núcleo aumenta, o número N de nêutrons tem Z de prótons. Cada ponto nesse
que aumentar ainda mais para que seja mantida a estabilidade. A Figura 31.2 mostra um grá- gráfico representa um núcleo
fico de N contra Z para elementos que ocorrem na natureza que têm núcleos estáveis. Para se estável.

3
Forças também são chamadas de interações, como nesse caso, em que soa melhor a expressão “interação forte” do
que “força forte”. (N.T.)
4
Ou seja, um próton ou um nêutron. (N.T.)

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86  ■  Capítulo 31

ter uma referência, o gráfico também inclui a linha reta que representa a condição N 5 Z. Com
poucas exceções, os pontos que representam núcleos estáveis estão situados acima dessa linha
de referência, refletindo o fato de que o número de nêutrons se torna cada vez maior que o nú-
mero de prótons quando o número atômico Z aumenta.
Com o aumento do número de prótons em um núcleo, chega um ponto em que o equilíbrio
entre as forças de repulsão e as de atração não pode ser alcançado por um aumento do número
de nêutrons. Chega-se a um ponto em que o raio de alcance limitado da interação nuclear forte
evita que nêutrons a mais equilibrem as forças de repulsão elétrica de longo alcance de prótons
a mais. O núcleo estável com o maior número de prótons (Z 5 83) é o do bismuto, que
contém 126 nêutrons. Todos os núcleos com mais de 83 prótons (por exemplo, o urânio, com
Z 5 92) são instáveis e se desintegram ou reorganizam suas estruturas internas espontaneamen-
te com o passar do tempo. Essa desintegração espontânea ou esse rearranjo da estrutura interna
recebe o nome de radioatividade, descoberta pela primeira vez em 1896 pelo físico francês
Henri Becquerel (1852-1908). A radioatividade é discutida em mais detalhes na Seção 31.4.

31.3 O Defeito de Massa do Núcleo e


a Energia de Ligação Nuclear
Por conta da interação nuclear forte, os núcleons em um núcleo estável são mantidos
bem unidos uns aos outros. Portanto, é necessário fornecer energia para separar um núcleo
estável nos seus prótons e nêutrons constituintes, como ilustrado na Figura 31.3. Quanto
mais estável for o núcleo, maior será a quantidade de energia necessária para desintegrá-lo.
A energia necessária é chamada de energia de ligação do núcleo.
Dois conceitos que estudamos anteriormente entram em cena ao discutirmos a energia de
Figura 31.3  É preciso fornecer ligação de um núcleo. Esses conceitos são a energia de repouso de um objeto (Seção 28.6) e a
certa quantidade de energia, massa (Seção 4.2 do volume 1). Na teoria da relatividade especial de Einstein, energia e mas-
chamada de energia de ligação, sa são equivalentes; na verdade, a energia de repouso E0 e a massa m estão relacionadas pela
para separar os prótons e nêutrons equação E0 5 mc2 (Equação 28.5), em que c é a velocidade de propagação da luz no vácuo.
que formam um núcleo. Cada um Portanto, a variação DE0 na energia de repouso do sistema é equivalente a uma variação Dm
dos núcleons (ou seja, prótons e na massa do sistema, de acordo com a equação DE0 5 (Dm)c2. Vemos, então, que a energia de
nêutrons) separados está em ligação usada na Figura 31.3 para “desmontar” o núcleo aparece como uma massa adicional
repouso e fora do alcance das dos núcleons separados e em repouso. Em outras palavras, a soma das massas individuais dos
forças dos outros núcleons.
prótons e nêutrons separados5 é maior do que a massa do núcleo estável por uma quantidade
de massa Dm. A diferença de massa Dm é conhecida como o defeito de massa do núcleo.
Como mostrado no Exemplo 2, a energia de ligação de um núcleo pode ser determinada a
partir do defeito de massa de acordo com a Equação 31.3:

 (31.3)

  Exemplo 2    A Energia de Ligação do Núcleo do Hélio


O isótopo mais abundante do hélio tem um núcleo cuja massa é igual a 6,6447 3 10227 kg.
Para esse núcleo, determine (a) o defeito de massa e (b) a energia de ligação.
Raciocínio  O símbolo indica que o núcleo de hélio contém Z 5 2 prótons e N 5 4 – 2 5 2
nêutrons. Para obtermos o defeito de massa Dm, calculamos primeiro a soma das massas individu-
ais dos prótons e nêutrons separados. Depois, subtraímos dessa soma a massa do Finalmente,
usamos a Equação 31.3 para calcular a energia de ligação a partir do valor de Dm.
Solução  (a) Usando dados da Tabela 31.1, concluímos que a soma das massas individuais dos
núcleons é


Esse valor é maior do que a massa do núcleo intacto, e o defeito de massa é


(b) De acordo com a Equação 31.3, a energia de ligação é

5
Núcleons que compunham o núcleo. (N.T.)

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Física Nuclear e Radioatividade   ■  87

Habitualmente, as energias de ligação são expressas na unidade de energia elétrons-volts em vez de


joules (1 eV 5 1,60 3 10219 J):


Nesse resultado, um milhão de elétrons-volts é expresso pela unidade MeV6. O valor de 28,3 MeV
é mais de dois milhões de vezes maior do que a energia necessária para remover um elétron orbital
de um átomo.
 ■

Em cálculos como os do Exemplo 2, é comum se usar a unidade de massa atômica (u) co-
mo unidade de massa em vez do quilograma. Como apresentado na Seção 14.1 do volume 1,
a unidade de massa atômica é igual a um doze avos da massa de um átomo de carbono
Em termos dessa unidade, a massa de um átomo de é exatamente igual a 12 u. A Tabela
31.1 também fornece as massas do elétron, do próton e do nêutron em unidades de massa atô-
mica. A energia equivalente a uma unidade de massa atômica, que será usada em cálculos fu-
turos, pode ser determinada observando-se que a massa de um próton é igual a 1,6726 3 10227
kg ou 1,0073 u, de modo que


Em elétrons-volts, portanto, uma unidade de massa atômica é equivalente a


Tabelas com dados para isótopos, como a tabela no Apêndice F, fornecem massas dos isó-
topos em unidades de massa atômica. Tipicamente, no entanto, as massas fornecidas não são
massas nucleares. Elas são massas atômicas — ou seja, as massas de átomos neutros, incluindo
a massa dos elétrons orbitais. O Exemplo 3 lida novamente com o núcleo e mostra como
levar em conta o efeito dos elétrons orbitais ao se usar tais dados para determinar energias de
ligação.

  Exemplo 3    A Energia de Ligação do Núcleo de Hélio, Revistada


A massa atômica do é igual a 4,0026 u e a massa atômica do hidrogênio é igual a 1,0078 u.
Usando unidades de massa atômica em vez de quilogramas, obtenha a energia de ligação do núcleo

Raciocínio  Para determinar a energia de ligação, calculamos o defeito de massa em unidades de


massa atômica e depois usamos o fato de que uma unidade de massa atômica é equivalente a
931,5 MeV de energia. A massa de 4,0026 u do inclui a massa dos dois elétrons no átomo
neutro de hélio. Para calcular o defeito de massa, temos que subtrair 4,0026 u da soma das massas
individuais dos núcleons, incluindo a massa dos elétrons. Como ilustrado na Figura 31.4, a massa

Figura 31.4  Tabelas de dados normalmente fornecem a massa do átomo neutro (incluindo a massa
dos elétrons orbitais) e não a massa do núcleo. Quando valores dessas tabelas são usados para
determinar o defeito de massa de um núcleo, precisamos levar em conta a massa dos elétrons orbitais,
como ilustrado nesse desenho para o isótopo do hélio Veja o Exemplo 3.

6
1 MeV (megaelétron-volt) 5 106 5 1 milhão de elétrons-volts. (N.T.)

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88  ■  Capítulo 31

dos elétrons estará incluída se as massas de dois átomos de hidrogênio forem usadas no cálculo em
vez das massas de dois prótons. De acordo com a Tabela 31.1, a massa de um átomo de hidrogênio
é igual a 1,0078 u, enquanto a massa de um nêutron é igual a 1,0087 u.
Solução  A soma das massas individuais é


O defeito de massa é Dm 5 4,0330 u 2 4,0026 u 5 0,0304 u. Como 1 u é equivalente a 931,5 MeV,
a energia de ligação é


que coincide com o resultado do Exemplo 2.
 ■

Para ver como a energia de ligação nuclear varia de núcleo para núcleo, é preciso comparar
a energia de ligação para cada núcleo com base no núcleon. A Figura 31.5 mostra um gráfico
no qual a energia de ligação dividida pelo número de núcleons A é plotada contra o próprio
número de núcleons. No gráfico, o pico para o isótopo do hélio indica que o núcleo
é particularmente estável. A energia de ligação por núcleon aumenta rapidamente para núcleos
com pequenas massas e alcança um máximo de aproximadamente 8,7 MeV/núcleon para um
número de núcleons de aproximadamente A 5 60. Para números de núcleons maiores, a ener-
gia de ligação por núcleon diminui gradualmente. A partir de certo número de núcleons, a
energia de ligação por núcleon diminui o suficiente para que não haja energia de ligação sufi-
ciente para manter o núcleo unido. Núcleos com massa maior do que o são instáveis e,
portanto, radioativos.

Verifique Seu Entendimento


(As respostas são dadas no final do livro.)
  5. Com o auxílio da Figura 31.5, ordene os núcleos a seguir em ordem crescente de acordo com a
energia de ligação por núcleon (começando pela menor):  (a) Fósforo   (b) Cobalto  
(c) Tungstênio   (d) Tório
  6. A tabela a seguir fornece valores do defeito de massa Dm para quatro núcleos hipotéticos: A, B, C
e D. Qual afirmação a respeito da estabilidade desses núcleos é verdadeira?  (a) O núcleo D é o
mais estável e o núcleo A é o menos estável.  (b) O núcleo C é estável, enquanto os núcleos A, B
e D não são estáveis.  (c) O núcleo A é o mais estável e o núcleo D não é estável.  (d) Os núcle-
os A e B são estáveis, mas o núcleo B é mais estável do que o núcleo A.

A B C D

Defeito de massa, Dm 16,0 3 10229 kg 12,0 3 10229 kg 0 kg 16,0 3 10229 kg

Figura 31.5  Gráfico da energia de ligação por núcleon contra o número de núcleons A.

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Física Nuclear e Radioatividade   ■  89

31.4 Radioatividade
Quando um núcleo instável ou radioativo se desintegra espontaneamente, certos tipos
de partículas e/ou fótons de alta energia são liberados. Esses fótons e partículas são chamados
coletivamente de “raios”. Três tipos de raios são produzidos pela radioatividade que ocorre
naturalmente: raios a, raios b e raios g. Eles são nomeados de acordo com as três primeiras
letras do alfabeto grego, alfa (a), beta (b) e gama (g), para indicar o grau da sua capacidade
de penetrar na matéria: os raios a são os menos penetrantes, sendo bloqueados por uma folha
fina ( 0,01 mm) de chumbo, enquanto os raios b penetram no chumbo até uma distância
muito maior ( 0,1 mm). Os raios g são os mais penetrantes e podem atravessar uma espes-
sura considerável (100 mm) de chumbo.
O processo de desintegração nuclear que produz raios a, b e g devem obedecer às leis de
conservação da física. Essas leis são chamadas de “leis de conservação” porque cada uma de-
las lida com uma propriedade que se conserva, no sentido de que ela não se altera durante um
processo. A lista a seguir mostra a propriedade com a qual cada uma das leis lida:
1. Conservação da energia/massa (Seção 6.8 do volume 1 e Seção 28.6)
2. Conservação da quantidade de movimento linear (Seção 7.2 do volume 1)
3. Conservação da quantidade de movimento angular (Seção 9.6 do volume 1)
4. Conservação da carga elétrica (Seção 18.2 do volume 2)
5. Conservação do número de núcleons (Seção 31.4)
Estudamos as quatro primeiras dessas leis em capítulos anteriores, e agora acrescentamos uma
quinta lei, a da conservação do número de núcleons.
Em todos os processos de decaimento radioativo, observou-se que o número de núcleons
(prótons mais nêutrons) presentes antes do decaimento é igual ao número de núcleons pre-
sentes após o decaimento. Portanto, o número de núcleons se conserva durante uma desin-
tegração nuclear. Quando aplicadas à desintegração de um núcleo, as leis de conservação
exigem que a energia, a carga elétrica, a quantidade de movimento linear, a quantidade de
movimento angular e o número de núcleons que um núcleo possui permaneçam inalterados
quando ele se desintegra em fragmentos nucleares e raios a, b e g que acompanham esses
fragmentos.
Os três tipos de radioatividade que ocorrem naturalmente podem ser observados em um
experimento relativamente simples. Uma pequena quantidade de um material radioativo é co-
locada no fundo de uma cavidade estreita em um cilindro de chumbo. O cilindro está localiza-
do dentro de uma câmara de vácuo, como ilustrado na Figura 31.6. Um campo magnético é
aplicado perpendicularmente ao plano do papel e uma chapa fotográfica é posicionada à direi-
ta da cavidade. Quando a chapa é revelada, aparecem três manchas na chapa, que estão asso-
ciadas à radioatividade dos núcleos no material. Como partículas em movimento só são des-
viadas por um campo magnético quando elas estão carregadas eletricamente, esse experimen-
to revela que dois tipos de radioatividade (raios a e b) são formados por partículas carregadas,
enquanto o terceiro tipo (raios g) não possui carga elétrica.

■■ Decaimento a
Quando um núcleo se desintegra e produz raios a, diz-se que ele sofreu um decaimento a. Evi-
dência experimental mostra que os raios a são formados por partículas carregadas positivamen-
te, cada uma sendo o núcleo do hélio . Logo, a partícula a tem uma carga 12e e um núme-
ro de núcleons A 5 4. Como o agrupamento de 2 prótons e 2 nêutrons em um núcleo é
particularmente estável, como vimos em relação à Figura 31.5, não é de surpreender que uma
partícula a possa ser ejetada como uma unidade de um núcleo instável de maior massa.

Figura 31.6  Os raios a e b são


desviados por campos magnéticos
e, portanto, eles são formados por
partículas com carga elétrica em
movimento. Os raios g não são
desviados por campos magnéticos,
consequentemente não são
formados por partículas com carga
elétrica.

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90  ■  Capítulo 31

A Figura 31.7 mostra o processo de desintegração para um exemplo de decaimento a:


O núcleo original é chamado de núcleo-pai (P), enquanto o núcleo que resta após a desinte-
gração recebe o nome de núcleo-filho (F). Ao emitir uma partícula a, o urânio-pai é con-
Figura 31.7  O decaimento a vertido no núcleo-filho , que é um isótopo do tório. Como o núcleo-pai e o núcleo-filho
ocorre quando um núcleo-pai são diferentes, o decaimento a converte um elemento em outro, um processo conhecido como
instável emite uma partícula a e transmutação.
nesse processo é convertido em um
diferente núcleo ou núcleo-filho.
A carga elétrica se conserva durante o decaimento a. Na Figura 31.7, por exemplo, 90 dos 92
prótons no núcleo de urânio acabam no núcleo de tório, e os dois prótons restantes são retirados
pela partícula a. O número total de 92 prótons, no entanto, é o mesmo antes e depois da desin-
tegração. O decaimento a também conserva o número de núcleons, porque esse número é o mes-
mo antes (238) e depois (234 1 4) da desintegração. De forma consistente com a conservação
da carga elétrica e do número de núcleons, a forma geral para um decaimento a é
Decaimento a


Quando um núcleo libera uma partícula a, ele também libera energia. Na verdade, a energia
liberada pelo decaimento radioativo é responsável, em parte, por manter o interior da Terra
quente e, em alguns lugares, até mesmo liquefeito. O exemplo a seguir mostra de que forma a
lei de conservação da massa/energia pode ser usada para determinar a quantidade de energia
liberada em um decaimento a.

  Exemplo 4   Decaimento a e a Liberação de Energia


A massa atômica do urânio é igual a 238,0508 u, a do tório é igual a 234,0436 u, en-
quanto a de uma partícula a é igual a 4,0026 u. Determine a energia liberada quando um de-
caimento a converte em .
Raciocínio  Como há liberação de energia durante o decaimento, a massa combinada do núcleo-
filho com a partícula a é menor do que a massa do núcleo-pai, . A diferença das massas
é equivalente à energia liberada. Determinaremos a diferença de massa em unidades de massa atô-
mica e depois usaremos o fato de que 1 u é equivalente a 931,5 MeV.
Solução  O decaimento e as massas são mostrados a seguir:


A diminuição da massa, ou defeito de massa para o processo de decaimento, é igual a 238,0508 u –
238,0462 u 5 0,0046 u. Como de costume, as massas são massas atômicas e incluem as massas dos
elétrons orbitais. Entretanto, isso não causa nenhum erro nesse caso porque o mesmo número de elé-
trons é incluído para o , de um lado, e para o mais o do outro. Como 1 u é equivalen-
te a 931,5 MeV, a energia liberada é


 ■

Quando ocorre um decaimento a, como no Exemplo 4, a energia liberada aparece como


energia cinética do núcleo de e da partícula a que recuam, com exceção de uma peque-
na parcela que é removida do núcleo na forma de um raio g. A forma como o núcleo de
e a partícula a compartilham a energia liberada é discutida no Exemplo Conceitual 5.

 Como a Energia É Compartilhada Durante o


  Exemplo Conceitual 5 
Decaimento a do
No Exemplo 4, calculamos que a energia liberada pelo decaimento a do é igual a 4,3 MeV.
Como essa energia é removida do núcleo como energia cinética do núcleo de e da partícula

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Física Nuclear e Radioatividade   ■  91

a que recuam, conclui-se que ECTh 1 ECa 5 4,3 MeV. Entretanto, ECTh e ECa não são iguais. Qual
partícula transporta mais energia cinética, o núcleo de ou a partícula a?
Raciocínio e Solução  A energia cinética de uma partícula depende da sua massa m e da sua ve-
locidade v, já que EC5 ½ (mv2) (Equação 6.2). O núcleo tem uma massa muito maior do que
a da partícula a, e como a energia cinética é proporcional à massa, a primeira impressão é de que
o núcleo tem a maior energia cinética. Essa conclusão não está correta, no entanto, já que ela
não leva em conta o fato de que o núcleo e a partícula a possuem velocidades diferentes após
o decaimento. Na verdade, esperamos que o núcleo do tório recue com a menor velocidade preci-
samente porque ele tem a maior massa. O que está decaindo é como um pai e seu filho jovem
sobre patins de gelo, empurrando um ao outro para se afastarem. O pai com uma massa maior recua
com uma velocidade muito menor do que o filho. Podemos usar o princípio da conservação da
quantidade de movimento linear para verificar nossa expectativa.
Como discutido na Seção 7.2 do volume 1, o princípio de conservação afirma que a quantidade
de movimento linear total de um sistema isolado permanece constante. Um sistema isolado é aque-
le no qual a soma vetorial das forças externas que atuam sobre o sistema é igual a zero, e o núcleo
de decaindo se enquadra nessa descrição. Ele está inicialmente em repouso, e como a quanti-
dade de movimento é igual à massa vezes a velocidade, sua quantidade de movimento inicial é nu-
la. Em sua forma final, o sistema é formado pelo núcleo e pela partícula a, e possui uma
quantidade de movimento final igual a mThvTh 1 mava. De acordo com a conservação da quantidade
de movimento, os valores inicial e final da quantidade de movimento do sistema devem ser iguais, de
modo que mThvTh 1 mava 5 0. Explicitando a velocidade do núcleo de tório nessa equação, conclu-
ímos que vTh 5 2mava/mTh. Como mTh é muito maior do que ma, conseguimos ver que a velocidade
do núcleo de tório é menor do que a velocidade da partícula a. Além disso, a energia cinética de-
pende do quadrado da velocidade e apenas da primeira potência da massa. Como consequência da
sua velocidade muito maior, a partícula a tem a maior energia cinética.

Trabalho a Ser Resolvido em Casa Associado:  Problema 29 ■

A física da radioatividade e detectores de fumaça.  Uma aplicação amplamente utilizada do decai-


mento a ocorre em detectores de fumaça. A Figura 31.8 ilustra como funciona um detector de
fumaça. Duas pequenas placas paralelas de metal estão separadas por uma distância de cerca
de um centímetro. Uma quantidade minúscula de material radioativo no centro de uma das
placas emite partículas a, que colidem com moléculas de ar. Durante as colisões, as moléculas
de ar são ionizadas produzindo íons positivos e negativos. A voltagem de uma bateria faz com
que uma placa seja positiva e a outra negativa, de modo que cada placa atraia íons de cargas
contrárias. Como resultado, surge uma corrente elétrica no circuito acoplado às placas. A pre-
sença de partículas de fumaça entre as placas reduz a corrente, já que os íons que colidem com
uma partícula de fumaça quase sempre são neutralizados. A queda de corrente provocada pela
presença de partículas de fumaça é usada para disparar um alarme.

■■ Decaimento b
Os raios b na Figura 31.6 são desviados pelo campo magnético em uma direção contrária à Figura 31.8  Um detector de
dos raios a carregados positivamente. Consequentemente, esses raios b, que são o tipo mais fumaça.
comum, são formados por partículas carregadas negativamente ou partícula b2. Experimentos
mostram que as partículas b2 são elétrons. Como uma ilustração do decaimento b2, considere
o núcleo de tório , que decai emitindo uma partícula b2, como mostrado na Figura 31.9:


À semelhança do decaimento a, o decaimento b2 provoca uma transmutação de um elemento em
outro. Nesse caso, o tório é convertido em protactínio . A lei da conservação da carga
é obedecida, já que o número líquido de cargas positivas é o mesmo antes (90) e depois (91 – 1)
da emissão da partícula b2. A lei da conservação do número de núcleons também é obedecida, já
que o número de núcleons permanece sendo A 5 234. A forma geral do decaimento b2 é
Figura 31.9  O decaimento b2
Decaimento b2
ocorre quando um nêutron em um
núcleo-pai instável decai
resultando em um próton e um
elétron, o elétron sendo emitido
O elétron emitido no decaimento b2 na verdade não está presente no núcleo-pai (antes do como uma partícula b2. No
decaimento) e não é um dos elétrons orbitais. Na verdade, o elétron é criado quando um nêu- processo, o núcleo-pai se
tron decai transformando-se em um próton e um elétron; quando isso ocorre, o número de transforma no núcleo-filho.

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92  ■  Capítulo 31

prótons do núcleo-pai aumenta de Z para Z 1 1 e o número de núcleons permanece inalterado.


O elétron recém-criado normalmente se move rapidamente e escapa do átomo, deixando para
trás um átomo carregado positivamente.
O Exemplo 6 ilustra como a energia é liberada durante um decaimento b2, exatamente co-
mo ela é liberada durante um decaimento a, e que a conservação da massa/energia se aplica.

  Exemplo 6   Decaimento b2 e a Liberação de Energia


A massa atômica do tório é igual a 234,043 59 u, enquanto a massa atômica do isótopo do
protactínio é igual a 234,043 30 u. Determine a energia liberada quando um decaimento b2
converte em
Raciocínio  Para obtermos a energia liberada, seguimos o procedimento usual de determinarmos
de quanto a massa aumentou e depois calcularmos a energia equivalente.
Solução  O decaimento e as massas envolvidas são mostrados a seguir:


■■ Dicas para a Solução de Problemas. Quando o núcleo de de um átomo de tório é convertido em um núcleo , o número de elé-
No decaimento b2, tome cuidado para não trons orbitais permanece o mesmo, logo o átomo de protactínio resultante tem um elétron orbital a
incluir a massa do elétron duas vezes. menos. Entretanto, a massa fornecida inclui todos os 91 elétrons de um átomo de protactínio neutro.
Como discutido aqui, a massa atômica do Efetivamente, então, o valor de 234,043 30 u para a massa do já inclui a massa da partícula b2.
átomo-filho já inclui a massa do A redução de massa que acompanha o decaimento b2 é
elétron emitido.

Como 1 u é equivalente 931,5 MeV, a energia liberada é


Essa é a energia cinética máxima que o elétron emitido pode ter.
 ■

Um segundo tipo de decaimento b ocorre algumas vezes.† Nesse processo, a partícula emi-
tida pelo núcleo é um pósitron em vez de um elétron. Um pósitron, também chamado de par-
tícula b1, tem a mesma massa que um elétron, mas possui uma carga 1e em vez de –e. O
processo de desintegração para o decaimento b1 é
Decaimento b1


O pósitron emitido não existe no interior do núcleo sendo, na verdade criado quando um pró-
ton nuclear é transformado em um nêutron. Quando isso ocorre, o número de prótons do núcleo-
pai diminui de Z para Z 2 1, enquanto o número de núcleons permanece o mesmo. Como no
caso do decaimento b2, as leis da conservação da carga e do número de núcleons são obede-
cidas e ocorre uma transmutação de um elemento em outro.

■■ Decaimento g
O núcleo, como os elétrons orbitais, existe apenas em estados ou níveis de energia discreta.
Quando um núcleo passa de um estado de energia excitada (representado por um asterisco *)
para um estado de menor energia, um fóton é emitido. O processo é semelhante ao discutido
na Seção 30.3 para a emissão de fóton que leva ao espectro de linhas do átomo de hidrogênio.
No caso dos níveis de energia nuclear, no entanto, o fóton tem uma energia muito maior e é
chamado de raio g. O processo de decaimento g é escrito da seguinte maneira:
Decaimento g


O decaimento g não provoca uma transmutação de um elemento em outro. No próximo exem-
plo, determinaremos o comprimento de onda de um fóton de raio g em particular.

Existe também um terceiro tipo de decaimento b no qual um núcleo captura um dos elétrons orbitais de fora do núcleo.

Esse processo é chamado de captura de elétron ou captura K, já que o elétron capturado normalmente vem da camada
mais interna, ou camada K.

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Física Nuclear e Radioatividade   ■  93

Análise de Problemas com Múltiplos Conceitos


 O Comprimento de Onda de um Fóton Emitido
  Exemplo 7 
Durante o Decaimento g
Qual o comprimento de onda (no vácuo) do fóton de raio g de 0,186 MeV emitido pelo rádio
Raciocínio  O comprimento de onda do fóton está relacionado com a velocidade de propagação
da luz e a frequência do fóton. A frequência não é fornecida, mas ela pode ser obtida a partir da
energia de 0,186 MeV do fóton. O fóton é emitido com essa energia quando o núcleo se modifi-
ca de um estado de energia para um estado de energia menor. A energia é a diferença DE entre
os dois níveis de energia nuclear, de uma forma muito semelhante àquela discutida na Seção 30.3
para os níveis de energia do elétron no átomo de hidrogênio. Naquela seção, vimos que a dife-
rença de energia DE está relacionada com a frequência f e com a constante de Planck h, de modo
que seremos capazes de obter a frequência a partir do valor da energia fornecido.
Dados Conhecidos e Incógnitas  A tabela a seguir resume os dados disponíveis:
Descrição Símbolo Valor Comentário ■■ Dicas para a Solução de Problemas.
A energia DE de um fóton de raio g, como a
Energia do fóton de raio g DE 0,186 MeV Será convertida de fótons em outras regiões do espectro
para joules. eletromagnético (visível, infravermelho,
micro-ondas etc.), é igual ao produto da
Variável Desconhecida (Incógnita)
constante de Planck h pela frequência f do
Comprimento de onda do fóton de raio g l ? fóton: DE 5 hf.

Modelando o Problema
  PASSO 1    A Relação entre o Comprimento de Onda e a Frequência O c
comprimento de onda l do fóton está relacionado com a frequência f do fóton e com a (16.1)
f
velocidade c de propagação da luz no vácuo de acordo com a Equação 16.1, como
mostrado à direita. Não temos nenhum valor para a frequência, logo passamos para o
Passo 2 a fim de calcularmos essa frequência. ?
  PASSO 2    A Frequência do Fóton e a Energia do Fóton  A Seção 30.3 discute o
fato de que o fóton emitido quando o elétron em um átomo de hidrogênio muda de um
nível de energia mais elevado para um nível de energia mais baixo tem uma diferença
de energia DE, que é a diferença entre os níveis de energia. Uma situação semelhante
c
existe nesse caso quando o núcleo muda de um nível de energia mais elevado para um (16.1)
nível de energia mais baixo. O fóton de raio g que é emitido tem uma energia DE f
dada por DE 5 hf (Equação 30.4). Explicitando a frequência, obtivemos
E E
f f
h h
que podemos substituir na Equação 16.1, como indicado à direita.

Solução  Combinando algebricamente os resultados de cada passo, chegamos à conclusão que


PASSO 1 PASSO 2

c c
f E
h
O comprimento de onda do fóton de raio g é
34
hc (6.63
, 10 J s)(3.00
, 10 8 m/s) 12
6.68
, 10 m
E 1.60
, 10 19 J
(0.186
, 10 6 eV)
1 eV
Observe que convertemos o valor de DE 5 0,186 3 106 eV para joules, usando o fato de que
1eV 5 1,60 3 10219 J.

Trabalho a Ser Resolvido em Casa Associado:  Problema 26 ■

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94  ■  Capítulo 31

Figura 31.10  (a) Na radiocirurgia com Faca Gama7, um capacete de proteção contendo um número
elevado de pequenos orifícios é colocado sobre a cabeça do paciente. (b) Os orifícios focam os feixes de
raios g para uma minúscula região-alvo no interior do cérebro. (a. © Roger Ressmeyer/Corbis Images)

■■ Aplicações Médicas da Radioatividade


A física da radiocirurgia com Faca Gama.8  A cirurgia com Faca Gama está se tornando um pro-
cedimento muito promissor para o tratamento de certos problemas do cérebro, incluindo
tumores benignos e cancerosos, bem como más-formações de vasos sanguíneos. O procedi-
mento, que não faz uso de nenhum tipo de faca, usa feixes de raios g poderosos altamente fo-
cados na direção do tumor ou da má formação. Os raios g são emitidos por uma fonte de co-
balto 60 radioativo. Como ilustrado na Figura 31.10a, o paciente veste um capacete metálico
de proteção que é perfurado com muitos pequenos orifícios. A Figura 31.10b mostra que os
orifícios focam os raios g em um minúsculo alvo no interior do cérebro. O tecido-alvo nessa
região recebe assim uma dose muito intensa de radiação e é destruído, enquanto os tecidos
saudáveis ao redor não são danificados. A cirurgia com Faca Gama é um procedimento não
invasivo, indolor que não provoca hemorragia e que é frequentemente realizado com anestesia
local. Os tempos de internação hospitalar são 70 a 90% menores do que os exigidos com ci-
rurgia convencional, e os pacientes frequentemente voltam a trabalhar em poucos dias.
A física de uma varredura de coração com tálio durante um teste de esforço.  Uma varredura de cora-
ção com tálio durante um teste de esforço é um exame que usa o tálio radioativo para
produzir imagens do músculo cardíaco. Quando combinado com um teste de esforço, como,
por exemplo, caminhar sobre uma esteira, a varredura com tálio ajuda a identificar regiões do
coração que não estão recebendo sangue suficiente. A varredura é especialmente útil para diag-
nosticar a presença de obstruções nas artérias coronárias, que fornecem sangue rico em oxigê-
nio ao músculo cardíaco. Durante o teste, uma pequena quantidade de tálio é injetada em uma
veia enquanto o paciente caminha em uma esteira. O tálio se prende às hemácias e circula por
todo o corpo. O tálio penetra no músculo cardíaco pelas artérias coronárias e se acumula nas
células do músculo cardíaco que entram em contato com o sangue. O isótopo do tálio usado,
o , emite raios g, que são registrados por uma câmera especial. Como o tálio alcança as
regiões do coração que têm um fornecimento adequado de sangue, quantidades menores apa-
recem em áreas onde o fluxo de sangue foi reduzido em razão de obstruções das artérias (veja
a Figura 31.11). Um segundo conjunto de imagens é obtido várias horas depois, enquanto o
paciente está em repouso. Essas imagens ajudam a distinguir entre regiões do coração que não
recebem temporariamente sangue suficiente (o fluxo sanguíneo volta ao normal depois do
exercício) de regiões permanentemente danificadas em razão, por exemplo, de um ataque car-
Figura 31.11  Uma varredura de díaco anterior (nesse caso, o fluxo sanguíneo não volta ao normal).
coração com tálio em teste de
esforço indica regiões do coração A física dos implantes de braquiterapia.  O uso de isótopos radioativos para aplicar radiação
que recebem uma quantidade em alvos específicos no corpo humano é uma importante técnica médica. No tratamen-
insuficiente de sangue durante o to do câncer, por exemplo, o método de aplicação deveria idealmente entregar uma alta do-
exercício. se de radiação para um tumor maligno a fim de matá-lo, enquanto entrega uma pequena
dose (não prejudicial) ao tecido saudável ao redor do tumor. Os implantes de braquiterapia
oferecem esse tipo de aplicação. Nesse tipo de tratamento, isótopos radioativos são fabrica-
dos na forma de pequenas sementes e são implantados diretamente no tumor seguindo um
padrão projetado previamente. A energia e o tipo de radiação emitida pelos isótopos podem
ser explorados para otimizar um plano de tratamento e minimizar os danos aos tecidos sau-
dáveis. Sementes contendo irídio são usadas para tratar vários tipos de câncer, e sementes

Ou radiocirurgia de raios g. (N.T.)


7

Também conhecida como cirurgia com raios g ou ainda como cirurgia sem bisturi. (N.T.)
8

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Física Nuclear e Radioatividade   ■  95

contendo iodo e paládio são usadas para tratar câncer de próstata. Pesquisas tam-
bém indicaram que implantes de braquiterapia podem desempenhar um papel importante no
tratamento da aterosclerose, onde os vasos sanguíneos ficam bloqueados pela presença de
placas. Tais obstruções são frequentemente tratadas usando a técnica de angioplastia com
balão ou stent. Com a ajuda de um cateter inserido em uma artéria coronariana obstruída,
um balão é inflado para abrir a artéria e se coloca um stent (uma malha metálica que forne-
ce suporte para a parede da artéria) no local da obstrução. Em alguns casos, a parede arterial
fica danificada nesse processo, e quando ela cicatriza, a artéria frequentemente volta a ficar
obstruída. Constatou-se que implantes de braquiterapia (usando irídio ou fósforo ,
por exemplo) inibem obstruções repetidas após angioplastias.

Verifique Seu Entendimento


(As respostas são dadas no final do livro.)
  7. O polônio sofre decaimento a e produz um núcleo-filho que, por sua vez, sofre decaimento b2.
Qual dos núcleos a seguir resulta desse segundo decaimento?  (a)   (b)   (c)  
(d)   (e)
  8. Como discutido no Exemplo 4 do texto, o urânio decai no tório por meio de decaimen-
to a. Outra possibilidade é que o núcleo emita apenas um único próton em vez de uma partí-
cula a. Esse esquema de decaimento hipotético é mostrado a seguir, junto com as massas atômicas
pertinentes:


Para que um decaimento seja possível, ele deve trazer o núcleo-pai para um estado mais estável
permitindo a liberação de energia. Compare a massa total dos produtos desse decaimento hipotéti-
co com a massa do e decida se a emissão de um único próton é possível para o

31.5 O Neutrino
Como ilustrado no Exemplo 6, quando uma partícula b é emitida por um núcleo radioa­
tivo, ocorre uma liberação simultânea de energia. Experimentalmente, no entanto, observa-se
que a maioria das partículas b não possui energia cinética suficiente para explicar toda a
energia liberada. Se uma partícula b remove apenas parte da energia, para onde vai o resto
da energia? A questão deixou os físicos intrigados até 1930, quando Wolfgang Pauli propôs
que parte da energia produzida no decaimento é removida por outra partícula que é emitida
junto com a partícula b. Essa partícula adicional recebeu o nome de neutrino, e sua existên-
cia foi observada experimentalmente em 1956. A letra grega nu (n) é usada para representar
o neutrino. O decaimento b2 do tório (veja a Seção 31.4), por exemplo, é escrito mais
corretamente como


A barra acima do símbolo do neutrino (n) foi incluída porque o neutrino emitido nesse proces-
so de decaimento é um neutrino de antimatéria, ou antineutrino. Um neutrino normal (n sem
a barra) é emitido quando ocorre decaimento b1.
A emissão de neutrinos e partículas b envolve uma força chamada força nuclear fraca9 por-
que ela é muito mais fraca do que a interação nuclear forte. Sabe-se agora que a interação nu-
clear fraca e a força eletromagnética são duas manifestações diferentes de uma única força
mais fundamental, a força eletrofraca. A teoria da força eletrofraca foi desenvolvida por Shel-
don Glashow (1932-), Abdus Salam (1926-1996) e Steven Weinberg (1933-), que dividiram
um prêmio Nobel por suas descobertas em 1979. A força eletrofraca, a força gravitacional e a
interação nuclear forte são as três forças fundamentais na natureza.
O neutrino não tem carga elétrica e é extremamente difícil de ser detectado porque ele in-
terage muito fracamente com a matéria. Assim, por exemplo, um neutrino médio pode penetrar
um ano-luz de chumbo (cerca de 9,5 3 1015 m) sem interagir com ele. Portanto, embora trilhões
de neutrinos atravessem nosso corpo por segundo, eles não têm nenhum efeito. Uma das prin-
cipais questões científicas é se os neutrinos possuem massa. A questão é importante porque os
neutrinos são muito abundantes no universo. Mesmo uma massa muito pequena poderia ser
responsável por uma porção significativa da massa do universo e, possivelmente ter um efeito
na formação de galáxias.

9
Ou interação nuclear fraca, contrastando com interação nuclear forte. (N.T.)

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96  ■  Capítulo 31

Figura 31.12  O detector de neutrinos Super Kamiokande no Japão é um tanque cilíndrico de aço
subterrâneo com sua parede interna revestida com 11 000 válvulas fotomultiplicadoras. Em operação,
ele fica cheio com 12,5 milhões de galões10 de água ultrapura. Nessa fotografia, ele está parcialmente
cheio e os técnicos no bote estão inspecionando as válvulas fotomultiplicadoras. (Cortesia do
Observatório Kamioka, ICRR (Institute for Cosmic Ray Research), Universidade de Tokyo)

Embora seja difícil, é possível detectar neutrinos. A Figura 31.12 mostra o detector de neu-
trinos Super Kamiokande no Japão. Ele está situado a 915 m de profundidade e é formado por
um tanque cilíndrico de aço, com uma altura de dez andares, cuja parede interna é revestida
com 11 000 válvulas fotomultiplicadoras (veja a Seção 31.9). O tanque fica cheio com 12,5
milhões de galões de água ultrapura. Neutrinos colidindo com as moléculas de água produzem
padrões de luz que são detectados pelas válvulas fotomultiplicadoras. Em 1998, o detector
Super Kamiokande forneceu a primeira evidência forte, embora indireta, de que os neutrinos
de fato possuem uma pequena massa. (A massa do neutrino do elétron é menor do que 0,0004%
da massa de um elétron.) Essa descoberta implica que os neutrinos se deslocam com uma ve-
locidade menor do que a velocidade de propagação da luz. Se a massa do neutrino fosse igual
a zero, como a de um fóton, ele se moveria com a velocidade de propagação da luz.

31.6 Decaimento e Atividade de Substâncias Radioativas


A questão de qual núcleo radioativo em um grupo de núcleos se desintegra em um da-
do instante é decidida como os números vencedores na extração de uma loteria: as desintegra-
ções individuais ocorrem aleatoriamente. Com o passar do tempo, o número N de núcleos-pai
diminui, como mostrado na Figura 31.13. Esse gráfico de N contra o tempo indica que a dimi-
nuição ocorre de forma gradual, com N tendendo a zero para períodos muito grandes de tempo.
Para ajudar a descrever o gráfico, é útil definir o conceito de meia-vida T1/2 de um isótopo ra-
dioativo como o tempo necessário para que a metade dos núcleos presentes em uma amostra
se desintegre. Assim, por exemplo, o rádio tem uma meia-vida de 1600 anos porque é
necessário esse número de anos para que a metade de uma dada quantidade desse isótopo se
desintegre. Em outros 1600 anos, a metade dos átomos restantes terá se desintegrado, deixan-
do intacto apenas um quarto do número original. Na Figura 31.13, o número de núcleos pre-
sentes no instante de tempo t 5 0 s é N 5 N0, enquanto o número presente no instante t 5 T1/2
é N 5 N0/2. O número presente em t 5 2T1/2 é N 5 N0/4 e assim por diante. O valor da meia-
vida depende da natureza do núcleo radioativo. Valores variando de uma fração de segundo até
bilhões de anos foram encontrados (veja a Tabela 31.2).
Figura 31.13  A meia-vida T1/2 de
uma substância radioativa é o A física do gás radônio radioativo em casas.  O radônio é um gás radioativo que ocorre
intervalo de tempo necessário para naturalmente e é produzido quando o rádio sofre um decaimento a. Existe uma
que metade dos núcleos
radioativos se desintegre. 10
Cerca de 47 milhões de litros. (N.T.)

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Física Nuclear e Radioatividade   ■  97

Tabela 31.2  Algumas Meias-Vidas para o Decaimento Radioativo

Isótopo Meia-Vida

Polônio 1,64 3 1024 s


Criptônio 3,16 min
Radônio 3,83 d
Estrôncio 29,1 anos
Rádio 1,6 3 103 anos
Carbono 5,73 3 103 anos
Urânio 4,47 3 109 anos
Índio 4,41 3 1014 anos

preocupação em todos os Estados Unidos sobre o perigo do radônio para a saúde humana por-
que ele está presente no solo no estado gasoso e pode penetrar no porão das casas por fissuras
nas fundações. (É importante observarmos, no entanto, que o mecanismo de entrada do radônio
nas casas não é bem entendido e que essa entrada por meio de fendas nas fundações é prova-
velmente apenas parte do problema.) Uma vez no interior da casa, a concentração de radônio
pode se elevar consideravelmente, dependendo do tipo de construção da casa e da concentração
de radônio no solo ao redor. O gás radônio decai em núcleos-filhos que também são radioati-
vos. Os núcleos radioativos podem se fixar em partículas de poeira e de fumaça que podem ser
inaladas, e elas permanecem nos pulmões emitindo radiação que pode danificar tecidos. A ex-
posição prolongada a altos níveis de radônio pode levar a um câncer de pulmão. Como as con-
centrações de gás radônio podem ser medidas com dispositivos de monitoramento relativamen-
te baratos, o governo americano recomenda que a concentração de radônio seja medida em
todas as casas. O Exemplo 8 trata da meia-vida do radônio .

  Exemplo 8    O Decaimento Radioativo do Gás Radônio


Suponha que 3,0 3 107 átomos de radônio estejam presentes no porão de uma casa quando o porão
é impermeabilizado a fim de impedir a entrada de novas moléculas do gás. A meia-vida do radô-
nio é igual a 3,83 dias. Quantos átomos de radônio restam após 31 dias?
Raciocínio  Após cada meia-vida, o número de átomos de radônio é reduzido à metade. Assim,
para cada meia-vida no período de 31 dias, reduzimos o número de átomos de radônio presentes no
início dessa meia-vida à metade.
Solução  Em um período de 31 dias existem (31 dias)/(3,83 dias) 5 8,1 meias-vidas do radônio.
Em oito meias-vidas, o número de átomos de radônio é reduzido por um fator igual a 28 5 256.
Ignorando a diferença entre 8 e 8,1 meias-vidas, concluímos que o número de átomos que restam
após 31 dias é de cerca de (3,0 3 107)/256 5 1,2 3 105 .
 ■

A atividade de uma amostra radioativa é o número de desintegrações por segundo que ocor-
rem. Cada vez que ocorre uma desintegração, o número N de núcleos radioativos diminui.
Consequentemente, a atividade pode ser obtida dividindo-se DN, a variação do número de nú-
cleos, por Dt, o intervalo de tempo durante o qual acontece a variação; a atividade média no
intervalo de tempo Dt é o valor absoluto do quociente DN/Dt ou |DN/Dt|. Como o decaimento
de qualquer núcleo individual é completamente aleatório, o número de desintegrações por se-
gundo que ocorre em uma amostra é proporcional ao número de núcleos radioativos presentes,
de modo que

(31.4)

em que l é uma constante de proporcionalidade conhecida como constante de decaimento. O
sinal de menos está presente nessa equação porque cada desintegração diminui o número N de
núcleos originalmente presentes.
A unidade de atividade no SI é o becquerel (Bq), em homenagem a Henri Becquerel (1852-
1908). Um becquerel corresponde a uma desintegração por segundo. A atividade também pode
ser medida usando a unidade conhecida como curie (Ci) em homenagem a Marie (1867-1934)

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98  ■  Capítulo 31

e Pierre (1859-1906) Curie, os descobridores do rádio e do polônio. Historicamente, o curie foi


escolhido como uma unidade porque ele corresponde aproximadamente à atividade de um gra-
ma de rádio puro. Em termos de becquerels,


A atividade do rádio colocado no mostrador de um relógio para fazê-lo brilhar
no escuro é de aproximadamente 4 3 104 Bq, enquanto a atividade usada na
HABILIDADES MATEMÁTICAS  Para ob-
termos a Equação 31.6, calculamos o logaritmo
terapia radioativa para câncer é aproximadamente um bilhão de vezes maior,
natural11 dos dois lados da equação ½ 5 e2lT½, ou 4 3 1013 Bq.
que fornece A expressão matemática para o gráfico de N contra t mostrado na Figura
31.13 pode ser obtida a partir da Equação 31.4 com a ajuda do cálculo dife-
rencial e integral. O resultado para o número N de núcleos radioativos presen-
tes no instante de tempo t é
De acordo com a Equação D-12 no Apêndice  (31.5)
D, o lado esquerdo desse resultado é ln(1/2) 5
ln(1) – ln(2). De acordo com a Equação D-9 no considerando que o número de núcleos radioativos presentes em t 5 0 é igual
apêndice D, o lado direito é ln(e2lT½) 5 –lT½. a N0. A exponencial e tem o valor e 5 2,718… e as calculadoras científicas
Logo, teremos fornecem o valor da função exponencial ex. Podemos relacionar a meia-vida
T1/2 de um núcleo radioativo com sua constante de decaimento l da maneira
a seguir. Substituindo N 5 N0/2 e t 5 T1/2 na Equação 31.5, obtivemos a equa-
Entretanto, como ln 1 5 0, esse resultado se ção 1/2 5 e2lT1/2. Explicitando T1/2 obtivemos
simplifica:
(31.6)
(31.6) 

O exemplo a seguir ilustra o uso das Equações 31.5 e 31.6.

  Exemplo 9    A Atividade do Radônio


Como no Exemplo 8, suponha que existam 3,0 3 107 átomos de radônio (T1/2 5 3,83 dias ou 3,31 3
105 s) armazenados em um porão. (a) Quantos átomos de radônio restarão após 31 dias? Determine
a atividade (b) logo após o porão ser selado a fim de impedir a entrada de mais átomos de radônio
e (c) após 31 dias.
Raciocínio  O número N de átomos de radônio que restam após um tempo t é dado por N 5 N0e2lt
(Equação 31.5), em que N0 5 3,0 3 107 é o número original de átomos quando t 5 0 e l é a constante
de decaimento. A constante de decaimento está relacionada com a meia-vida T1/2 dos átomos de radônio
pela equação l 5 0,693/T1/2. A atividade pode ser obtida a partir de DN/Dt 5 –lN (Equação 31.4).
Solução  (a) A constante de decaimento é

(31.6)

e o número N de átomos de radônio que restam após 31 dias é

 (31.5)
Esse valor é ligeiramente inferior àquele encontrado no Exemplo 8 porque lá ignoramos a diferen-
ça entre 8 e 8,1 meias-vidas.
(b) A atividade pode ser obtida pela Equação 31.4, desde que a constante de decaimento seja ex-
pressa em s21:

(31.6)

Assim, o número de desintegrações por segundo é

(31.4)

A atividade é o valor absoluto de DN/Dt, logo inicialmente Atividade 5 63 Bq .
(c) Do item (a), o número de núcleos radioativos que restam ao final de 31 dias é N 5 1,1 3 105 e
um raciocínio semelhante àquele usado no item (b) revela que Atividade 5 0,23 Bq .
 ■

11
Ou logaritmo neperiano, cuja base é e 5 2,718… (N.T.)

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Física Nuclear e Radioatividade   ■  99

Os restos mumificados da Rainha


Hatshepsut, que governou o Egito
antigo de 1479 a 1458 a.C. A datação
radioativa é uma das técnicas utilizadas
para determinar a idade de restos
mortais. (© AFP/Getty Images, Inc.)

Verifique Seu Entendimento


(As respostas são dadas no final do livro.)
  9. O núcleo do tálio é radioativo, com uma meia-vida de 3,053 min. Em um dado instante, a
atividade de certa amostra de tálio é igual a 2400 Bq. Usando o conceito de meia-vida e sem fa-
zer nenhum cálculo no papel, determine se a atividade 9 minutos depois é  (a) um pouco menor do
que 2400/8 5 300 Bq,  (b) um pouco maior do que 2400/8 5 300 Bq,  (c) um pouco menor
do que 2400/3 5 800 Bq ou  (d) um pouco maior do que 2400/3 5 800 Bq.
10. A meia-vida do índio é igual a 4,41 3 1014 anos. Assim, metade dos núcleos existentes em
uma amostra desse isótopo decai durante esse período de tempo, que é muito longo. É possível que
algum núcleo individual na amostra decaia após apenas um segundo?
11. Duas amostras diferentes do mesmo elemento radioativo poderiam ter diferentes atividades?

31.7 Datação Radioativa


A física da datação radioativa.  Uma aplicação importante da radioatividade é a determina-
ção da idade de amostras arqueológicas ou geológicas. Se um objeto contiver núcleos radioa-
tivos quando ele for formado, o decaimento desses núcleos marca a passagem do tempo como
um relógio, já que metade dos núcleos se desintegra a cada meia-vida. Se a meia-vida for co-
nhecida, uma medida do número de núcleos presentes hoje em relação ao número presente
inicialmente pode fornecer a idade da amostra. De acordo com a Equação 31.4, a atividade de
uma amostra é proporcional ao número de núcleos radioativos, logo uma forma de se obter a
idade de uma amostra é comparar a atividade atual com a atividade inicial. Uma forma mais
acurada consiste em determinar o número atual de núcleos radioativos com o auxílio de um
espectrômetro de massa.
A atividade atual de uma amostra pode ser medida, mas como é possível saber qual era a
atividade original, talvez há milhares de anos? Os métodos de datação radioativa envolvem cer-
tas hipóteses que tornam possível estimar a atividade original. Assim, por exemplo, a técnica do
carbono radioativo utiliza o isótopo do carbono, que sofre decaimento b2 com uma meia-
vida de 5730 anos. Esse isótopo está atualmente presente na atmosfera terrestre em uma con-
centração de equilíbrio de aproximadamente um átomo para cada 8,3 3 1011 átomos de carbo-
no normal Costuma-se supor* que esse valor permaneceu constante ao longo dos anos
porque o é criado quando os raios cósmicos interagem com a atmosfera superior da Terra,
um método de produção que compensa as perdas causadas pelo decaimento b2. Além disso,
quase todos os organismos vivos ingerem a concentração de equilíbrio de . Entretanto, quan-
do um organismo morre, o metabolismo deixa de manter a entrada de , e o decaimento b2
faz com que metade dos núcleos de se desintegre a cada 5730 anos. O Exemplo 10 ilustra
como determinar a atividade do de um grama de carbono em um organismo vivo.

*A hipótese de que a concentração de sempre esteve no seu valor de equilíbrio atual foi testada comparando-se
idades determinadas pelo método do com idades determinadas contando-se anéis de crescimento das árvores.
Mais recentemente, idades determinadas usando o decaimento radioativo do foram usadas para fins de compa-
ração. Estas comparações indicam que o valor de equilíbrio da concentração de de fato permaneceu constante
durante os últimos 1000 anos. Entretanto, nos 30 000 anos anteriores, parece que a concentração do na atmosfe-
ra era maior do que seu valor atual em até 40%. Como uma primeira aproximação, ignoramos tais discrepâncias.

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100  ■  Capítulo 31

 Atividade do por Grama de Carbono em um Organismo


  Exemplo 10  Vivo

(a) Determine o número de átomos de presentes em cada grama de em um organismo vivo.


Ache (b) a constante de decaimento e (c) a atividade dessa amostra.
Raciocínio  O número total de átomos de carbono em um grama de carbono é igual ao
número correspondente de mols multiplicado pelo número de Avogadro (veja a Seção 14.1 no vo-
lume 1). Como existe apenas um átomo de para cada 8,3 3 1011 átomos de , o número de
átomos de é igual ao número total de átomos de dividido por 8,3 3 1011. A constante de
decaimento l do é l 5 0,693/T1/2, em que T1/2 é a meia-vida. A atividade é igual ao valor abso-
luto de DN/Dt, que por sua vez é igual à constante de decaimento vezes o número de átomos de
presentes, de acordo com a Equação 31.4.
Solução  (a) Um grama de (massa atômica 5 12 u) é equivalente a 1,0/12 mol. Como o nú-
mero de Avogadro é igual a 6,02 3 1023 átomos/mol e como existe um átomo de para cada 8,3 3
1011 átomos de , o número de átomos de é


(b) Como a meia-vida do é igual a 5730 anos (1,81 3 1011 s), a constante de decaimento é

(31.6)

(c) A Equação 31.4 indica que DN/Dt 5 –lN, logo o módulo ou valor absoluto de DN/Dt é lN.


 ■

Um organismo que viveu há milhares de anos provavelmente tinha uma atividade de cerca
de 0,23 Bq por grama de carbono. Quando o organismo morreu, a atividade começou a dimi-
nuir. De uma amostra do que restou, a atividade atual por grama de carbono pode ser medida
e comparada com o valor de 0,23 Bq para se determinar o tempo transcorrido desde a morte
do organismo. Esse procedimento é ilustrado no Exemplo 11.

Análise de Problemas com Múltiplos Conceitos


  Exemplo 11    O Homem do Gelo
Em 19 de setembro de 1991, turistas alemães que passeavam nos
Alpes italianos encontraram um viajante da Idade da Pedra, mais
tarde apelidado de Homem do Gelo, cujo corpo tinha ficado apri-
sionado em uma geleira. A Figura 31.14 mostra os restos mortais
bem preservados do Homem do Gelo, que foram datados usando
o método do carbono radioativo. O material encontrado com o
corpo tinha uma atividade do de aproximadamente 0,121 Bq
por grama de carbono. Determine a idade dos restos mortais do
Homem do Gelo.
Raciocínio  Pelo método do carbono radioativo, o número de
núcleos radioativos que restam em um dado instante de tempo
está relacionado com o número presente inicialmente, com o tem-
po que passou desde que o Homem do Gelo morreu, bem como Figura 31.14  Os restos mortais congelados do Homem do Gelo
com a constante de decaimento do carbono . Assim, para se ou “Oetzi”, como também é chamado, foram descobertos no gelo
determinar a idade dos restos mortais, precisaremos de informa- de uma geleira nos Alpes italianos em 1991. A datação por carbono
ções sobre o número de núcleos presentes quando o corpo foi radioativo revelou a sua idade. (© AP/Wide World Photos)

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Física Nuclear e Radioatividade   ■  101

descoberto e o número presente inicialmente, que está relacionado com a atividade do material
encontrado com o corpo e a atividade inicial. Para se determinar a idade, também precisaremos
da constante de decaimento, que pode ser obtida a partir da meia-vida do .
Dados Conhecidos e Incógnitas  Temos os seguintes dados:
Descrição Símbolo Valor Comentário
Dados Explícitos
Atividade do material encontrado com o corpo A 0,121 Bq Essa é a atividade por grama de carbono.
Dados Implícitos
Meia-vida do T1/2 5730 anos O método de datação por carbono radioativo
é especificado.
Atividade inicial do material encontrado com o A0 0,23 Bq Essa é a atividade suposta para um grama de
corpo carbono em um organismo vivo.
Variável Desconhecida (Incógnita)
Idade dos restos mortais do Homem do Gelo t ?

Modelando o Problema
  PASSO 1    Decaimento Radioativo  O número N de núcleos radioativos presentes
em um instante de tempo t é

N N0 e t (31.5)
em que N0 é o número de núcleos radioativos presentes inicialmente (ou seja, em t 5 0)
e l é a constante de decaimento do carbono . Reordenando termos obtivemos
N t
e
N0
Calculando o logaritmo neperiano dos dois lados desse resultado (veja o Apêndice D),
obtivemos
N 1 N
ln t t ln (1)
N0 N0
Explicitando t, vemos que a idade dos restos mortais do Homem do Gelo é dada pela
Equação 1 à direita. Para usarmos esse resultado, precisamos de informações sobre o
quociente N/N0 e l. Consideramos N/N0 no Passo 2 e l no Passo 3. ? ?

  PASSO 2   Atividade A atividade A é o número de desintegrações por segundo, ou


|DN/Dt|, em que DN é o número de desintegrações que ocorrem no intervalo de tempo Dt.
Observando que DN/Dt 5 –lN de acordo com a Equação 31.4, concluímos que a
atividade é igual a
N 1 N
A N N t ln (1)
t N0
Usando essa expressão, temos que
N N A N A

N0 N0 A0 ? N0 A0

A substituição desse resultado na Equação 1 é mostrada à direita. Passamos agora ao


Passo 3, a fim de calcularmos a constante de decaimento l.
  PASSO 3    Constante de Decaimento A constante de decaimento está relacionada 1 N
com a meia-vida T½ de acordo com t ln (1)
N0
0.693
,
(31.6)
T1/2 0.693
, N A

que substituímos na Equação 1, como mostrado à direita. T1/2 N0 A0

Continua

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102  ■  Capítulo 31

Solução  Combinando algebricamente os resultados de cada passo, chegaremos a


PASSO 1 PASSO 2 PASSO 3

1 N 1 A 1 A
t ln ln ln
N0 A0 0.693/T
, 1/2 A0
Esse resultado revela que a idade dos restos mortais do Homem do Gelo é


Observe que essa solução implica para a atividade que

A A0 e t
Isso pode ser visto combinando-se o resultado do Passo 2 (N/N0 5 A/A0) com a Equação 31.5
(N 5 N0e2lt).

Trabalho a Ser Resolvido em Casa Associado:  Problemas 47, 50 ■

A datação por carbono radioativo12 não é o único método de datação radioativa. Outros mé-
todos utilizam, por exemplo, o urânio , o potássio e o chumbo . Para que esses
métodos possam ser úteis, a meia-vida das espécies radioativas não deve ser nem muito curta
nem muito longa em comparação com a idade da amostra a ser datada, como discutido no
Exemplo Conceitual 12.

  Exemplo Conceitual 12    Datação de uma Garrafa de Vinho


Acredita-se que um vinho tinto tenha sido engarrafado há cerca de cinco anos. O vinho contém vá-
rios átomos diferentes, incluindo carbono, oxigênio e hidrogênio. Cada um desses elementos possui
um isótopo radioativo. O isótopo radioativo do carbono é o conhecido , com uma meia-vida de
5730 anos. O isótopo radioativo do oxigênio é o , que tem uma meia-vida de 122,2 s. O isótopo
radioativo do hidrogênio é o trítio, , com uma meia-vida de 12,33 anos. A atividade de cada um
desses isótopos era conhecida quando o vinho foi engarrafado. Entretanto, apenas um dos isótopos
é útil para se determinar com precisão a idade do vinho a partir de uma medição da sua atividade
atual. Qual deles? (a) (b) (c)
Raciocínio  Para se achar a idade do vinho, é necessário determinar o quociente entre a atividade
atual A e a atividade inicial A0 (veja o Exemplo 11). Se a idade da amostra for muito pequena em
relação à meia-vida dos núcleos, relativamente poucos núcleos teriam decaído durante a vida do
vinho, e a atividade medida teria se modificado muito pouco em comparação com seu valor inicial
(A  A0). Para se obter uma idade precisa a partir de uma variação tão pequena seriam necessárias
medições tão precisas que o seu custo seria proibitivo. Por outro lado, se a idade da amostra fosse
muitas vezes maior do que a meia-vida dos núcleos, virtualmente todos os núcleos teriam decaído
e a atividade atual seria tão pequena (A  0) que seria virtualmente impossível de ser detectada.

Na técnica de datação por carbono


radioativo, os relativamente
poucos átomos de podem ser
detectados medindo-se a atividade
deles, como vimos. Também é
possível usar um espectrômetro de
massa acelerador, como o dessa
fotografia, para detectar esses
átomos mais acuradamente.
(© James King-Holmes/Science
Photo Library/Photo Researchers)

12
Datação por carbono 14, ou seja, (N.T.)

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Física Nuclear e Radioatividade   ■  103

A resposta (a) está incorreta.  A idade do vinho estimada é de aproximadamente cinco anos.
Esse período é apenas uma fração minúscula da meia-vida de 5730 anos do . Como resultado,
relativamente poucos núcleos de teriam decaído durante a vida do vinho, e a atividade atual
seria praticamente a mesma que a atividade inicial (A  A0), exigindo assim medições precisas cujos
custos seriam proibitivos.
A resposta (b) está incorreta.  O isótopo do oxigênio também não é muito útil, por causa de
sua meia-vida relativamente curta de 122,2 s. Durante um período de cinco anos, teriam ocorrido tan-
tas meias-vidas que a atividade atual teria praticamente desaparecido (A  0) e não seria detectável.
A resposta (c) está correta.  A única opção que resta é o isótopo de hidrogênio . A idade es-
perada de cinco anos é suficientemente longa em relação à meia-vida de 12,33 anos para que uma
variação mensurável na atividade tenha ocorrido, mas não tão longa para que a atividade atual tenha
desaparecido completamente para todos propósitos práticos.

Trabalho a Ser Resolvido em Casa Associado:  Questão 14 de Verifique Seu


Entendimento e Problema 49 ■

Verifique Seu Entendimento


(As respostas são dadas no final do livro.)
12. A quais dos seguintes objetos, todos com aproximadamente 1000 anos de idade, o método de da-
tação por carbono radioativo não pode ser aplicado?  (a) Uma caixa de madeira  (b) Uma estátua
de ouro (c) Um pedaço de pele de animal bem preservada
13. Suponha que houvesse um número maior de átomos do is