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guia técnico PROCEL gem

Gestão Energética Municipal

Gestão Enegética Municipal


guia técnico PROCEL g em
ELETROBRÁS Centrais Elétricas Brasileiras
Praia do Flamengo nº 66 – Bloco A – 14º andar
22210-030 – Rio de Janeiro – RJ
Ligação gratuita – Tel. 0800 560506

PROCEL Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica


Praia do Flamengo nº 66 – Bloco A – 4º andar
22210-030 – Rio de Janeiro – RJ
Ligação gratuita – Tel. 0800 560506

IBAM Instituto Brasileiro de Administração Municipal


Largo Ibam nº 1 – Humaitá
22271-070 – Rio de Janeiro – RJ
Tel: (21) 2536-9797 Fax: (21) 2537-1262

Catalogação da Publicação na Fonte


Biblioteca do PROCEL

F I C H A C A T A L O G R Á F I C A

Gestão Energética Municipal / Gerard Magnin ... [et al.]. – 2. ed., rev. e
atual. / por José Luiz Pitanga Maia e Ana Cristina Braga Maia. - Rio de
Janeiro :

ELETROBRÁS / IBAM, 2004.

138 p. : il. ; 28 cm. – ( Guia técnico)

ISBN

1. Energia elétrica – Gestão. 2. Planejamento energético. 3. Eficiência


energética. 4. Energia – Conservação. I. Magnin, Gérard. II. Maia, José
Luiz Pitanga. III. PROCEL. IV. IBAM. V. Série.

CDD 333.79

CDU 621.3
Trabalho elaborado pela Área de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do IBAM, Núcleo da Rede Cidades
Eficientes em Energia Elétrica – RCE, no âmbito do convênio com a ELETROBRÁS, através do Programa Nacional de
Conservação de Energia Elétrica – PROCEL.

E L E T R O B R Á S / P R O C E L I B A M

Presidente da ELETROBRÁS Superintendente Geral:


Silas Rondeau Cavalcante Silva Mara Biasi Ferrari Pinto

Diretor de Projetos Especiais e Desenvolvimento Superintendente de Desenvolvimento Urbano e Meio


Tecnológico e Industrial: Ambiente:
Aloísio Marcos Vasconcelos Novais Ana Lúcia Nadalutti La Rovere

Chefe do Departamento de Desenvolvimento de


Projetos Especiais:
George Alves Soares

Chefe da Divisão de Desenvolvimento de Projetos


Especiais:
Solange Nogueira Puente Santos

E Q U I P E T É C N I C A

E L E T R O B R Á S / P R O C E L I B AM

Equipe do PROCEL: Coordenação do Projeto:


Davi Miranda José Luiz Pitanga Maia
Márcio Cesar A. Calheiros Elaboração:
Maria Cristina P. Pascoal José Luiz Pitanga Maia
Ana Cristina Braga Maia
Apoio Técnico:
Equipe da Rede Cidades Eficientes:
Cristiane Lima Rajão Carvalho
Luciana Hamada
Luiz Felipe Lacerda Pacheco
Marcos Antônio de Figueiredo Cunha Filho
Rodrigo de Oliveira Leite
Apoio Administrativo:
Roseni Pessoa Victoriano de Souza
Revisão Técnica:
Sergio Rodrigues Bahia
Coordenação Editorial:
Sandra Mager
Programação Visual:
Paulo Felicio
S U M Á R I O

Apresentação ELETROBRÁS / PROCEL 9

Apresentação IBAM / DUMA 11

Créditos da 1a Edição 13

Introdução 19

1 Gestão Energética Municipal 22

2 Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica 35

3 Iluminação Pública 39

4 Prédios Públicos 56

5 Saneamento 69

6 Educação 89

7 Novas Tecnologias e Fontes Alternativas de Energia 94

8 Contrato de Fornecimento de Energia Elétrica 102

9 Experiência em 10 Municípios-Pilotos 114

Bibliografia 126

Anexo: Glossário 128

Anexo: Contatos Importantes 135


Gestão da Energia Elétrica nos Municípios

A ELETROBRÁS, através do PROCEL – Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica, vem, desde
1996, incentivando o desenvolvimento de projetos com o objetivo de mobilizar os Municípios brasileiros na
busca do uso eficiente da energia elétrica.

Um dos pontos relevantes a ser trabalhado pelo Administrador Municipal é a gestão das contas públicas e
o planejamento das ações futuras, gerando um melhor uso dos recursos e permitindo a identificação de
externalidades e desequilíbrios que antes passavam despercebidos.

Com o intuito de colaborar com o Administrador Municipal na gestão e uso eficiente de energia elétrica
nos centros consumidores pertencentes à Prefeitura, bem como na identificação de oportunidades de eco-
nomia e geração de energia, está sendo reeditado este Guia Técnico de Gestão Energética Municipal, em 2ª
edição, revisada e atualizada.

O público-alvo desse guia é constituído por, além do próprio Administrador Municipal, funcionários das
Prefeituras, prestadores de serviço que, de alguma forma, estejam ligados ao uso da energia elétrica, estudio-
sos do tema que estejam interessados em informações, entre outros. Desta forma, com públicos tão diversifi-
cados, a linguagem utilizada é bastante didática, procurando sempre informar os conceitos básicos e apre-
sentar as novidades sobre os temas abordados.

O presente guia é composto de nove capítulos, além do glossário e de uma lista de contatos. O Capítulo 1
trata exatamente da Gestão Energética Municipal, apresentando seus benefícios para as Prefeituras Munici-
pais; o Capítulo 2 apresenta a Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica, um importante instrumento de
troca de informações para os Municípios; nos Capítulos 3 a 6, são mostrados os setores de atuação mais
importantes para a Gestão Energética Municipal: Iluminação Pública, Prédios Públicos, Saneamento e Educa-
ção; o Capítulo 7 aborda um novo assunto, inserido nesta edição, de muito interesse para as Prefeituras: as
Novas Tecnologias e Fontes Alternativas de Energia; no Capítulo 8 serão encontradas orientações a respeito
da negociação de Contratos de Fornecimento de Energia Elétrica; e no Capítulo 9, uma grande novidade: a
Experiência da Gestão Energética Municipal em dez Municípios-Piloto, implementada numa parceria entre
ELETROBRÁS/PROCEL e IBAM.

Seguindo as diretrizes do PROCEL, este guia pretende atingir e auxiliar os Administradores Municipais das
grandes e pequenas cidades, de norte a sul do país, tornando-se uma referência e uma fonte de consulta
constante para aqueles que compartilham dos objetivos de promover a racionalização da produção e do
consumo de energia elétrica, para que se eliminem os desperdícios e se reduzam os custos e os investimen-
tos setoriais.

ELETROBRÁS / PROCEL
Apresentação IBAM / DUMA

A Rede Cidades Eficientes – RCE, foi criada em 1998, e é uma iniciativa da ELETROBRÁS-PROCEL e do IBAM
baseada na experiência da rede européia Energie-Cités (apoiada pela União Européia) e na experiência PROCEL/
IBAM no desenvolvimento de metodologia específica para atender à realidade dos Municípios brasileiros.

O objetivo central da RCE é facilitar e fortalecer o intercâmbio de informações tecnológicas, experiências e


projetos voltados para o uso eficiente da energia elétrica nos diversos segmentos do âmbito municipal.

As Prefeituras, a partir da Constituição de 1988, passam a assumir atribuições e responsabilidades, até en-
tão de competência dos Governos Estaduais e Federal. Cabe agora ao Administrador Municipal a responsabi-
lidade de organizar e prestar atendimento aos serviços públicos de interesse local, entre eles a gestão e o
acompanhamento da energia elétrica.

Para atender a essa nova demanda, a Gestão Energética Municipal serve como instrumento a ser utilizado
pelos Administradores Municipais, basicamente no auxílio da organização, planejamento e gerência otimizada
de todos os segmentos que façam uso da energia elétrica.

Este Guia Técnico de Gestão Energética Municipal, produto da parceria ELETROBRÁS – PROCEL / IBAM, pro-
porciona ao Administrador Municipal uma visão global, sob a ótica do combate a todos os tipos de desperdí-
cio no âmbito municipal, estabelecendo metas claras para a sociedade, direcionadas para a eficiência energé-
tica com a otimização dos recursos financeiros, associadas à preservação ambiental e à melhoria da qualidade
de vida da população.

A Rede Cidades Eficientes – RCE espera, através deste Guia Técnico de Gestão Energética Municipal, sensibi-
lizar os Administradores Municipais para a importância do planejamento e da gestão, com a melhoria de
eficiência de energia elétrica e que estes benefícios e conceitos possam ser ampliados como novo paradigma
para a sociedade local.

IBAM / DUMA
Créditos da 1ª edição

E Q U I P E T É C N I C A

Coordenação Técnica do Guia


Marcia de Andrade Sena Souza

E L E T R O B R Á S / P R O C E L Consultores

Gestão Energética Municipal


Marina Godoy Assumpção Gérard Magnin
Marcia de Andrade Sena Souza

Saneamento
José Luiz Pitanga Maia Sergio Rodrigues Bahia

Iluminação Pública
Ione Maria Torres de Araújo Paulo de Tarso Carvalhaes

Prédios Públicos
Luiz Antônio de Almeida e Silva Luiz Alberto Almeida Reis

Contrato de Fornecimento de
Energia Elétrica
Ricardo Valadares Pessoa Ricardo da Silva David

Educação
Milton Cesar Silva Marques

Revisão Ortográfica
Cláudia Ajuz

Programação Visual
PROPEG Comunicação Social e
Mercadológica Ltda.

Ilustrações
Marcio Gomes
Marcelo Gemmal (RODA – Artes Visuais)
Créditos da 1ª edição

Fortalecimento das Relações entre o Brasil


e a Comissão Européia

Este guia foi desenvolvido com o espírito de fortalecer as relações entre a Comissão Européia e o Brasil,
atendendo a seus principais objetivos:

■ facilitar o desenvolvimento de ações orientadas para a demanda de energia no Brasil;

■ fortalecer os laços econômicos entre os setores públicos e privados, europeu e brasileiro, e na área de
eficiência energética.

O guia visa atender a uma das prioridades identificadas no escopo do Projeto BRACEL: contribuir para a
Gestão Energética Municipal no Brasil através da disseminação de alguns conceitos e informações relativos
ao uso racional da energia elétrica nos Municípios, no momento em que estes carecem de subsídios para as
ações ligadas ao uso da energia elétrica em seus domínios, em face da privatização do setor e dase suas novas
atribuições em relação ao uso e consumo de energia elétrica.

Constitui, portanto, ferramenta de apoio ao desenvolvimento econômico e social dos Municípios, ofere-
cendo informações para a gestão energética municipal tanto do ponto de vista gerencial quanto do conhe-
cimento e avaliação de seus sistemas elétricos.

Não representa, no entanto, uma versão final, que esgote o assunto. Ao contrário, caracteriza-se por abrir
espaço para a abordagem do tema nos Municípios, incitando-os a conhecer melhor seus sistemas.

Comissão Européia
Créditos da 1ª edição

Gestão da Energia Elétrica nos Municípios

O setor elétrico enfrenta, no momento, o desafio de estimular e reforçar o papel dos Municípios na gestão
de energia e, principalmente, no combate ao desperdício de energia elétrica. Esta tarefa não é fácil, tendo em
vista que o tema gestão energética municipal é assunto recente no Brasil.

O desenvolvimento de trabalhos de eficiência energética nos Municípios é um promissor campo de atua-


ção e constitui-se em um ótimo negócio: os Municípios passam a ter controle sobre seus consumos e dispên-
dios com energia elétrica, garantindo, assim, a autonomia municipal na gestão de seus recursos. Os benefíci-
os desta gestão advêm da redução na conta de energia e, conseqüentemente, da possibilidade de alocação
desses recursos em outras áreas prioritárias, como educação e saúde.

Além disso, as Prefeituras se beneficiarão com os dividendos advindos da implementação de projetos


desta natureza, uma vez que a sociedade brasileira desenvolveu, nos últimos anos, uma significativa sensibi-
lidade para a questão ambiental e tende a apoiar os decisores políticos que atuem em consonância com
princípios preservacionistas.

Visando criar instrumentos que efetivamente contribuam para os Municípios, foi desenvolvido o presente
Guia de Gestão Energética Municipal que busca capacitar e orientar os Municípios a implementarem ações de
combate ao desperdício de energia elétrica.

O guia foi desenvolvido no âmbito do Programa ALURE/projeto BRACEL e é fruto de um trabalho do PROCEL
– Programa de Combate ao Desperdício de Energia Elétrica – e seus parceiros nacionais no Projeto BRACEL –
Agência para Aplicação de Energia do Estado de São Paulo – AAE/SP, Companhia Energética de Minas Gerais
– CEMIG, Secretaria de Energia, Transporte e Comunicação de Estado da Bahia – SETC/BA, comprometidos
com o objetivo de integrar, desenvolver e implementar ações visando ao combate ao desperdício de energia
elétrica no país.

ELETROBRÁS/PROCEL
Créditos da 1ª edição

Programa ALURE

O Programa ALURE é um programa da Comissão Européia cujo objetivo é apoiar o desenvolvimento eco-
nômico e social sustentável na América Latina, viabilizando investimentos e promovendo a modernização e
a maior eficiência na produção, transformação e uso final de energia.

Sua atuação concentra-se em quatro áreas principais: apoio à adaptação de políticas energéticas nacionais
em face dos novos desafios econômicos, sociais e ambientais; participação na definição de novas estruturas
institucionais, incluindo o papel e responsabilidade do Governo e das agências de energia e a relação entre
eles, buscando o fortalecimento das Administrações nacional e regionais, e aumentando a participação do
setor privado; contribuição para a melhoria da eficiência interna e externa das empresas de energia em níveis
técnico, econômico e financeiro, particularmente para os subsetores de energia elétrica e gás natural, visando
prover melhores serviços para os consumidores; apoio ao desenvolvimento e à implementação de estratégi-
as e programas de gestão energética, buscando assegurar o fornecimento de energia para todos.
Créditos da 1ª edição

Projeto BRACEL

Entre os seis projetos selecionados pelo Programa ALURE, o BRACEL trata especificamente de eficiência
energética. O projeto BRACEL – “Cooperação Euro-Brasileira no Combate ao Desperdício de Energia” – está
sendo implementado desde 1997 por um consórcio de empresas européias e brasileiras objetivando fortale-
cer a cooperação econômica entre o Brasil e a União Européia, através do desenvolvimento de atividades
comuns e do intercâmbio de experiências, disponibilizando-as para um grande número de parceiros brasilei-
ros e promovendo ativamente o reforço dos laços industriais e comerciais de eficiência energética.

Para atingir estes objetivos, o projeto está estruturado em torno de seis componentes, um deles referente
à iniciação e ao fortalecimento do programa municipal de Gestão Energética, bem como à identificação e à
preparação de projetos de eficiência energética específicos. A elaboração deste Guia de Gestão Energética
Municipal é uma das atividades vinculadas ao programa de gestão integrado no Município.

PARCEIROS NACIONAIS:
Agência para Aplicação de Energia do Estado de São Paulo – AAE-SP
Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG
Centrais Elétricas Brasileiras S.A. – ELETROBRÁS/PROCEL
Secretaria de Energia, Transporte e Comunicação do Estado da Bahia – SETC-BA
PARCEIROS INTERNACIONAIS:
ADEME – Agence de l’Environnement et de la Maîtrise de l’Energie
ETSU – Energy Tecnology Support Unit
ICAEN – Institut Catalá d’Energie
I N T R O D U Ç Ã O

O desenvolvimento de um país relaciona diretamente crescimento econômico com consumo de energia.


O Brasil é um país em desenvolvimento e seu consumo de energia cresce a taxas de cerca de 2,6% (290,5
TWh) ao ano (ELETROBRÁS - Departamento de Mercado, 2002).

Após a Constituição de 1988, as Prefeituras passaram a assumir atribuições e responsabilidades até então
de competência exclusiva dos Governos Estaduais e Federal, fortalecendo o papel dos Municípios no contex-
to nacional. Esta descentralização política, institucional e fiscal aumentou a participação dos Municípios na
gestão e no atendimento dos serviços públicos, gerando novas obrigações e responsabilidades, conforme
citado no artigo 30 da Constituição, entre outras atribuições para os Governos Municipais.

A transferência de serviços públicos para os Municípios requer novas modalidades de associações que
viabilizem a implementação e a manutenção destes serviços tais como a privatização ou as parcerias entre
Estado e empresas.

No contexto da descentralização e desconcentração das funções de Governo e em consonância com a


política do Governo Federal, a reestruturação da atuação das empresas do setor elétrico, bem como de outros
setores da economia, passa, a partir da década de 1990, por enormes mudanças, com a introdução de um
novo modelo para o setor elétrico, com a concorrência e a privatização, a revisão do papel das agências
reguladoras, as alterações na estrutura tarifária e a readequação das empresas setoriais estaduais e federais.

Neste cenário, onde, por um lado, as empresas de energia privatizadas ou públicas, passam a atuar voltadas
para o mercado com um caráter mais empresarial e, de outro lado, os Municípios passam a ter maior autono-
mia assumindo novas funções e responsabilidades, alterou-se substancialmente essa relação, gerando confli-
tos de interesses entre as partes. O foco da relação entre Municípios e empresas de energia passou a ser então
comercial, exigindo por parte dos Municípios estruturação e organização voltadas para a gestão e controle
eficiente do consumo e dos gastos de energia, fundamental para a conquista de uma maior autonomia mu-
nicipal em relação à gestão de seus recursos.
De forma geral os Municípios brasileiros não estão preocupados com o uso da energia elétrica, restringin-
do-se a serem basicamente consumidores de energia. Neste novo contexto, com a reestruturação do setor
elétrico associada à entrada no mercado de energia de novos agentes privados, esta tendência está mudan-
do as políticas de gestão municipal sobre o assunto, abrindo inclusive a oportunidade para que alguns Muni-
cípios possam atuar como produtores e distribuidores de energia.

A ELETROBRÁS/PROCEL e o IBAM identificaram a necessidade de apoiar os Administradores Municipais na


sua responsabilidade na formulação e elaboração das políticas que contemplem conceitos energéticos, atu-
ando como agentes de motivação e inserindo instrumentos de planejamento das cidades, apoiando ações
de educação, de difusão de informação e de participação sobre todas as questões energéticas relacionadas
ao Município.

Visando estimular os Municípios brasileiros a atuarem nesta nova área de negócios e se beneficiarem das
economias de recursos advindas da implementação de projetos de conservação de energia elétrica, foi atua-
lizado o presente Guia Técnico de Gestão Energética Municipal, que teve como referência o Guia Técnico Gestão
Energética Municipal – Subsídios ao Combate do Desperdício de Energia Elétrica, que busca reunir ações concre-
tas relativas ao uso eficiente da eletricidade nos Municípios, de forma a contribuir para a redução dos consu-
mos e das faturas de energia elétrica.

O guia técnico constitui-se num instrumento de apoio aos Administradores Municipais no processo do
estabelecimento de uma política de uso eficiente, planejamento e gestão da energia elétrica e tem os seguin-
tes objetivos:

■ Disseminar informação e conhecimento sobre o tema.


■ Orientar para o uso eficiente da energia no âmbito municipal.
■ Ser uma ferramenta de treinamento e fonte de consulta para as equipes de coordenação e gerência de
projetos de energia elétrica.
■ Auxiliar o Município na negociação com as concessionárias de energia, garantindo, assim, a autonomia
municipal na gestão de seus recursos.
■ Apresentar experiências exitosas.

Constituem o público-alvo deste guia técnico os Prefeitos, os administradores e técnicos municipais, as


concessionárias de serviços urbanos; os prestadores de serviços e consultores da área de energia.

O guia técnico foi elaborado de forma abrangente visando auxiliar os Administradores Municipais a ter
uma visão gerencial nos principais temas energéticos da Administração Pública Municipal. A abrangência
visa atender às significativas diferenças existentes entre os 5.561 Municípios brasileiros. Assim, as concep-
ções e as ações propostas são úteis tanto para um Município de pequeno porte quanto para uma cidade de
grande porte.

O presente guia técnico está organizado em nove capítulos. O Capítulo 1 apresenta a definição, a abran-
gência, as funções, os benefícios e as ações para a operacionalização da Gestão Energética Municipal. O
segundo capítulo faz uma apresentação da Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica – RCE, criada pela
ELETROBRÁS/PROCEL, seus objetivos, produtos e serviços disponibilizados para os associados.

Os Capítulos 3, 4 e 5, identificam e analisam as principais ações relacionadas aos centros consumidores


de energia elétrica nos Municípios: iluminação pública, prédios públicos e saneamento. O Capítulo 6 apre-
senta a atuação na área de Educação para a capacitação de técnicos municipais e do setor elétrico, e o
processo metodológico do PROCEL nas escolas, para professores e alunos de níveis fundamental e médio,
visando ao combate do desperdício de energia elétrica.

O Capítulo 7 aborda novas tecnologias e fontes alternativas de energia que podem ser absorvidas; en-
quanto o Capítulo 8 apresenta o tema específico de revisão de contratos de fornecimento com a concessi-
onária de energia. E, por fim, o último capítulo apresenta a experiência realizada em dez Municípios-pilotos
na elaboração do Plano Municipal de Gestão da Energia Elétrica – PLAMGE
22 G E S T Ã O E N E R G É T I C A M U N I C I P A L

1 Gestão Energética Municipal

1.1 Introdução

No âmbito da estrutura nacional, a esfera municipal vem assumindo cada dia mais o seu importante papel
institucional na relação direta com o bem-estar dos munícipes. Dentro deste contexto, faz-se necessária a
identificação de ações voltadas para saúde, educação, saneamento, meio ambiente e segurança, assim como
a preocupação com o uso da energia e conseqüentemente a elaboração de projetos específicos em eficiên-
cia energética.

O papel principal do Poder Público local na questão energética é a organização de uma estrutura específi-
ca voltada para uma macrovisão energética do Município, considerando o controle e o planejamento dos
custos totais e parciais de cada unidade consumidora de energia do Município, e também um maior conhe-
cimento dos recursos energéticos e seus potenciais. E é nesse sentido que os trabalhos de Gestão Energética
Municipal criam oportunidades, reduzem custos de transação, mudam os paradigmas dos conceitos de efici-
ência, garantem a manutenção e a continuidade das ações.

Em suma, os trabalhos relativos à Gestão Energética Municipal propiciam sustentabilidade aos diversos
projetos de eficiência energética empreendidos pelos Municípios.

1.2 Pontos-Chaves

■ Criar Unidades de Gestão Energética Municipal – UGEM.

■ Conferir legitimidade à Unidade de Gestão Energética Municipal – UGEM.

■ Implementar o software de Sistema de Informação Energética Municipal – SIEM

■ Realizar levantamentos e diagnósticos preliminares da utilização da energia elétrica no Município.


G E S T Ã O E N E R G É T I C A M U N I C I P A L 23

■ Elaborar um Programa de Conservação de Energia Elétrica no Município.

■ Elaborar um Plano Municipal de Gestão da Energia Elétrica – PLAMGE.

■ Implementar medidas de conservação de energia elétrica.

■ Manter e garantir a continuidade das ações.

■ Divulgar as experiências exitosas.

1.3 Definição

A Gestão Energética Municipal – GEM é um instrumento voltado para o Administrador Municipal que busca
planejar e organizar as diferentes atividades do uso da energia elétrica desenvolvidas pela Prefeitura, identifi-
cando áreas com potencial de melhoria da eficiência do consumo, sem a perda da qualidade do serviço
ofertado, elaborando um planejamento com projetos definidos e permitindo a priorização destes projetos
para a sua implementação, considerando os aspectos do desenvolvimento local com a eficiência energética
e a qualidade ambiental.

1.4 Objetivos

Os principais objetivos da Gestão Energética Municipal são:


■ gerenciar o uso da energia elétrica nos centros consumidores municipais (iluminação pública, prédios
públicos, saneamento etc.) planejando, implementando e controlando as ações;
■ criar uma equipe com conhecimento e competência, voltada para a aplicação dos conceitos de eficiência
energética;
■ reduzir o consumo da energia e, conseqüentemente, a conta municipal de energia;
■ capacitar o Município para negociar com as concessionárias de energia, garantindo, assim, a autonomia
municipal na gestão de seus recursos;
■ introduzir sistemas e equipamentos mais eficientes que contribuam para uma melhora da qualidade
ambiental do Município;
■ incorporar os conceitos energéticos e ambientais nos instrumentos legais de formulação de políticas,
planos estratégicos e programas municipais.
24 G E S T Ã O E N E R G É T I C A M U N I C I P A L

1.5 Princípios Básicos da Gem

C O N T I N U I D A D E A D E Q U A Ç Ã O

E X C L U S I V I D A D E

L I V R E A C E S S O L E G I T I M I D A D E

CONTINUIDADE – A função da Gestão Energética deve ser assegurada para garantir a continuidade das
ações empreendidas na área de energia no Município.

ADEQUAÇÃO – Esta função deve ser assumida por uma equipe condizente com a dimensão do Município
e com os potenciais de um Programa de Gestão Energética.

EXCLUSIVIDADE – Esta equipe tem essencialmente um papel funcional e deve se dedicar, na medida do
possível, exclusivamente às tarefas de Gestão Energética do Município.

LIVRE ACESSO – A equipe responsável deve estar em relação permanente com os responsáveis operacionais
nos diferentes departamentos/secretarias municipais.

LEGITIMIDADE – A equipe responsável deve ter uma legitimidade explicitamente confirmada pelo mais
alto nível de decisão no Município.

1.6 Funções do Município na Área de Energia Elétrica

As formas de atuação de um Município na área de energia são, basicamente:


■ CONSUMIDOR – Os Municípios brasileiros são consumidores de energia nas várias áreas sob sua
administração: iluminação pública, prédios públicos, saneamento e outras específicas de cada Município.
■ PRODUTOR E DISTRIBUIDOR – Na Europa, alguns Municípios são responsáveis pela produção e distribuição
de energia em seus territórios. No Brasil, este modelo vem sendo incentivado através da implementação
de projetos de co-geração.
G E S T Ã O E N E R G É T I C A M U N I C I P A L 25

■ PLANEJADOR E ORGANIZADOR DO TERRITÓRIO – O consumo de energia de um território é, em grande


parte, o resultado das escolhas municipais em matéria de planejamento urbano, urbanismo, meio ambiente
e planejamento energético. Esta é uma área de atuação de grande potencial para os Municípios brasileiros
em face da realidade nacional – país em desenvolvimento;
■ INCITADOR – Cabe ao Município desenvolver ações para estimular a população e os agentes econômicos
a promoverem o uso eficiente da energia. Estas ações podem ser desenvolvidas a partir de divulgação de
informação, assessoria, incentivos financeiros, promoção de energias renováveis etc.

1.6.1 Benefícios para o Município Resultantes da Atuação na GEM

POSSIBILIDADE DE REDUÇÃO NO CONSUMO E NA CONTA DE ENERGIA ELÉTRICA – Apresenta-se como bene-


fício direto resultante da Gestão Energética. Esta redução pode dar-se de duas formas:
■ Economia de energia (kWh) – a implementação de projetos de eficiência energética nos serviços municipais
pode gerar economia de consumo de energia de até 50% em algumas áreas de atuação.
■ Economia de recursos (R$) – além da redução nas contas de energia dos Municípios advinda da
implementação de projetos de eficiência energética, outras ações, tais como a otimização dos contratos
de fornecimento de energia entre as Prefeituras e as empresas concessionárias, podem gerar economia de
recursos para as Prefeituras.

APROVEITAMENTO DOS RECURSOS ENERGÉTICOS – Conhecer os recursos disponíveis em cada Município,


possibilitando um melhor aproveitamento das fontes alternativas de energia e dos potenciais energéticos.

PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE – O processo de melhoria da eficiência dos sistemas elétricos do Muni-
cípio irá difundir e consolidar o princípio da eficiência energética associada ao meio ambiente, mitigando,
num contexto mais amplo, as questões de controle dos impactos ambientais e a prevenção da poluição,
visando garantir a preservação dos recursos naturais para as gerações futuras baseada no desenvolvimento
sustentável.

BENEFÍCIOS POLÍTICOS – Nesta linha de atuação, as Prefeituras certamente se beneficiarão com os dividen-
dos políticos resultantes da implementação de projetos desta natureza, tendo em vista a significativa sensibi-
lidade desenvolvida pela sociedade brasileira para as questões energética e ambiental.

MELHORA DA CAPACIDADE DE NEGOCIAÇÃO DO MUNICÍPIO – A atuação na GEM reforçará suas compe-


tências, possibilitando condições de defender melhor os interesses do Município junto a fornecedores e
prestadores de serviços na área de energia.
26 G E S T Ã O E N E R G É T I C A M U N I C I P A L

1.6.2 BENEFÍCIOS PARA O SETOR ELÉTRICO

REDUÇÃO DO DESPERDÍCIO – A melhoria da eficiência dos sistemas de energia posterga investimentos de


recursos públicos ou privados na geração, transmissão e distribuição de energia.

REDUÇÃO DO CONSUMO DE ENERGIA NA PONTA DO SISTEMA – As ações de eficiência energética nos


Municípios contribuem para a redução de investimentos por parte do Setor Elétrico para garantir o supri-
mento de energia no horário de ponta do sistema.

AUMENTO DA CONFIABILIDADE NO FORNECIMENTO DE ENERGIA – O ganho obtido com a redução de


perdas no uso final garante um sistema de distribuição de energia mais equilibrado, ajustando a conformida-
de dos níveis de tensão de energia elétrica em regime permanente (de acordo com a resolução 505 ANEEL).

1.6.3 Benefícios para a sociedade brasileira

A atuação dos Municípios na GEM e a decorrente capacitação de pessoal acarretarão uma série de oportuni-
dades advindas da abrangência deste processo, entre as quais, destacam-se:
■ possibilidade de elaboração de uma estratégia de planejamento energético, com foco municipal;
■ concentração de esforços em nível municipal para economizar energia;
■ possibilidade de elaborar projetos dentro de uma concepção integrada e voltada para os interesses do
país;
■ possibilidade de liberar recursos para investimentos em áreas sociais consideradas prioritárias pelos
habitantes da cidade;
■ Os setores residencial, comercial e industrial, particularmente as pequenas e médias empresas, poderão ter
acesso a informações e sensibilizarem-se para esta questão, aderindo, assim, ao Programa de Eficiência
Energética.
G E S T Ã O E N E R G É T I C A M U N I C I P A L 27

1.7 Etapas para a Implementação da Gestão Energética Municipal

Para a implementação da GEM, o Município deve seguir uma seqüência de etapas, a saber:

CRIAR A UGEM

LEGITIMAR A UGEM

CAPACITAR A UGEM

E T A P A S IMPLEMENTAR O SIEM

ELABORAR O PLANO
MUNICIPAL DE GESTÃO DA
E N E R G I A E L É T R I C A–P L A M G E

CONTINUIDADE
DAS AÇÕES

DIVULGAÇÃO DAS
EXPERIÊNCIAS

Para a implementação de cada uma destas etapas, o Município pode contar com o apoio da RCE – Rede
Cidades Eficientes em Energia Elétrica. Para maiores informações veja o Capítulo 2.

1.7.1 1o passo: criar a “Unidade de Gestão Energética Municipal” – UGEM

A implementação da GEM inicia-se com a formação de uma equipe multidisciplinar com competência pró-
pria – a UGEM. Esta equipe deve ser formalmente legitimada através de decreto municipal, de forma a garan-
tir seu reconhecimento na estrutura funcional da Administração. Formada por um ou mais funcionários, con-
forme as dimensões, as características e as potencialidades de cada Município, a UGEM tem o objetivo de
acompanhar os projetos da Prefeitura, preparar, apresentar, planejar e implementar as ações de eficiência
energética nos setores da Administração Pública, bem como assessorá-la na orientação das ações dos agen-
tes privados no Município.
28 G E S T Ã O E N E R G É T I C A M U N I C I P A L

P O N T O S - C H AV E S D A U G E M

■ Capacitar e treinar a equipe


■ Decreto legitimando a UGEM
■ Disponibilizar infra-estrutura
■ Sistematizar procedimentos operacionais

Como sugestão para a sistematização de procedimentos operacionais da Prefeitura, pode-se ter como
base o Manual de Conservação de Energia Elétrica – CICE elaborado, pela ELETROBRÁS/PROCEL, para prestar
suporte técnico às Comissões Internas de Conservação de Energia (CICE) dos órgãos e entidades da Adminis-
tração Federal direta e indireta, criada pelo Decreto nº 99.656, de 26 de outubro de 1990.

1.7.1.1 Funções da UGEM

A seguir são apresentadas as funções da UGEM e sugestões para sua organização e localização na estrutura
administrativa da Prefeitura.

E S T R AT É G I C A S

■ Propor aos responsáveis municipais um Plano Municipal de Gestão da Energia Elétrica Municipal – PLAMGE,
considerando objetivos, análises custo/benefício, estimativa das economias a realizar, meios a serem
implementados.
■ Assegurar a implementação da metodologia de GEM.

G E S TÃO

■ Implantar o programa computacional SIEM - Sistema de Informação Energética Municipal, que contém as
seguintes informações sobre os Municípios: o consumo e as despesas de energia elétrica nos segmentos
prédios públicos, iluminação pública e saneamento e a descrição de todo o parque de equipamentos das
unidades consumidoras.
■ Acompanhar os vários contratos de fornecimento de energia elétrica entre Prefeitura e concessionária
visando a sua otimização.
■ Acompanhar os consumos mensais de cada unidade consumidora de energia elétrica do Município.

PLANEJAMENTO

■ Elaborar o planejamento de médio prazo do Município a partir do módulo de planejamento do software


SIEM, seguindo a metodologia descrita no Manual para Elaboração de Planos Municipais para a Gestão da
Energia Elétrica.
G E S T Ã O E N E R G É T I C A M U N I C I P A L 29

TÉCNICAS

■ Administrar instalações e equipamentos visando otimizar seu funcionamento.


■ Conceber novas instalações tendo em vista os princípios da eficiência energética.
■ Acompanhar os resultados das medidas implementadas, tais como redução dos consumos de energia
elétrica, eficiência de novas tecnologias utilizadas, eficiência de processos etc.
■ Manter-se atualizado e promover intercâmbio de experiências.

M A R K E T I N G / D I F U S ÃO D E I N F O R M A ÇÕ E S

■ Sensibilizar os usuários e diferentes agentes da Administração envolvidos.


■ Envolver as equipes de manutenção.
■ Prestar contas dos resultados financeiros, energéticos e ambientais obtidos.
■ Divulgar resultados à população.

A RCE promove o “Prêmio PROCEL – Cidade Eficiente em Energia Elétrica”, possibilitando o


reconhecimento das ações municipais no uso eficiente da energia elétrica.
Maiores informações no Capítulo 2 e no site www.rce.org.br.

1.7.1.2 Organização da UGEM

A equipe será composta por dois grupos complementares com funções distintas e de igual importância,
sendo que o sucesso desta equipe dependerá de sua capacidade de articulação. As funções a serem desem-
penhadas são as seguintes:

EQUIPE FUNCIONAL – diretamente responsável pela operação, desempenhará funções estratégicas, de


gestão global, de produção de relatórios, de treinamento etc. Este grupo definirá as estratégias e metas, asse-
gurará a organização, permitirá a coerência e garantirá a permanência das ações empreendidas.

EQUIPE OPERACIONAL – abrange todos os funcionários envolvidos indiretamente, e será constituída por
pessoas designadas pelas secretarias municipais que deverão realizar levantamentos de dados, auxiliar nos
diagnósticos e na seleção de medidas a serem implementadas.

1.7.1.3 Infra-estrutura e localização da UGEM

Deverá ser disponibilizada uma infra-estrutura básica para operação da equipe técnica constituída basica-
mente de:
30 G E S T Ã O E N E R G É T I C A M U N I C I P A L

■ Espaço físico adequado ao número de pessoas da equipe.


■ Equipamentos de informática.
■ Sistema de telefonia.
■ Equipamentos de proteção individual de segurança.
■ Instrumentos e ferramentas para levantamento de campo.

A localização da UGEM deve atender às expectativas em relação as suas funções, sendo esta uma decisão
importante para o desenvolvimento das atividades da equipe.

Esta decisão deve ser avaliada em relação à estrutura organizacional da Administração do Município em
questão, levando-se sempre em conta a necessidade de comunicação constante entre as várias secretarias
do Município.

A experiência européia mostra que a equipe deve:


■ ter a legitimidade necessária para poder intervir de forma apropriada em todos os setores de sua compe
tência, principalmente se for física e administrativamente ligada a uma secretaria ou departamento;
■ conceber suas funções como um papel de assessoria e apoio às secretarias e não como de fiscalização;
■ criar condições favoráveis para que seja solicitada sistematicamente para todas as questões ligadas à energia.

1.7.2 2o passo: capacitar a UGEM

Tendo em vista que o tema Gestão Energética Municipal é relativamente recente no Brasil e requer enfoque
multidisciplinar para sua implementação, faz-se necessário capacitar a nova equipe, cabendo ao Município
esta iniciativa. A capacitação deverá ser desenvolvida a partir do nível inicial de conhecimento de cada equi-
pe. Para que isto seja possível serão necessários alguns procedimentos que permitam a avaliação da equipe
para posterior determinação de treinamento a ser desenvolvido, a saber:

■ Identificar os componentes da UGEM – avaliar os vários níveis de conhecimentos dos elementos da UGEM,
considerando sua procedência e experiência em relação às funções que irão desempenhar na equipe.
Parte da capacitação da equipe pode ser apropriada a partir de experiências anteriores em ações de con-
trole e manutenção de sistemas elétricos ou, também, a partir do conhecimento nas áreas sob a Adminis-
tração Municipal.

■ Aplicação da metodologia – direcionar o foco do treinamento para a metodologia de gestão energética


desenvolvida, visando favorecer as ações da equipe em suas áreas de competência.
G E S T Ã O E N E R G É T I C A M U N I C I P A L 31

■ Conceitos de uso eficiente da energia elétrica - direcionar para os segmentos de iluminação pública, prédi-
os públicos e saneamento os conceitos técnicos do uso eficiente da energia nos temas iluminação, ar-
condicionado, motores, conversores de freqüência, arquitetura, gerenciamento do uso da energia, estru-
tura tarifária, controladores de demanda, alternativas tecnológicas etc.

■ Treinamento no uso do SIEM – direcionar a aula de aplicação e manuseio do programa SIEM com exem-
plos práticos.

■ Manter a UGEM atualizada– proporcionar condições para que as equipes possam estar constantemente se
atualizando em relação às novas técnicas e procedimentos na área de eficiência energética

A RCE oferece cursos e seminários para treinamento e


reciclagem profissional.

1.7.3 3º passo: implementar o Sistema de Informação Energética Municipal - SIEM

O SIEM é um programa de computador desenvolvido pelo PROCEL em parceria com o IBAM e constante-
mente atualizado pelo Escritório Técnico da RCE. É um instrumento ágil e fácil de usar, voltado para os Admi-
nistradores Municipais fazerem a gestão e o planejamento do uso eficiente da energia elétrica, conhecerem
e controlarem seus consumos e gastos de energia de forma a otimizarem seu uso, trazendo benefícios eco-
nômicos significativos para a Administração Municipal.

O uso contínuo do sistema por cada Município permitirá a construção de séries históricas e a produção de
índices de desempenho energético, análises de cenários e relatórios de acompanhamento baseados em
informações consistentes.

A implementação do SIEM nos Municípios demandará um esforço inicial pela equipe da Administração
Municipal. Porém, uma vez implantado o sistema, as ações tornam-se rotineiras e incorporam-se facilmente
ao dia-a-dia das atividades e seguem as seguintes etapas:
■ Treinamento da equipe.
■ Levantamento de dados.
■ Entrada de dados.
■ Acompanhamento e análise dos dados, para garantir uma gestão eficiente, através da entrada de dados de
consumo mensal e da análise dos relatórios de controle.
32 G E S T Ã O E N E R G É T I C A M U N I C I P A L

1.7.4 4o passo: elaborar um Plano Municipal de Gestão da Energia Elétrica -


PLAMGE

O PLAMGE é o instrumento maior da GEM que busca levantar e organizar as diferentes atividades desenvol-
vidas pela Prefeitura e, em seguida, identificar áreas com potencial de redução de consumo de energia elétri-
ca sem perda da qualidade do serviço ofertado. A implementação de novas atividades também é considera-
da e envolve aspectos como qualidade ambiental e eficiência energética.

A elaboração e implementação do PLAMGE auxiliam a Administração Municipal, valorizando seus esforços


nas três escalas de tempo:
■ No tempo presente, o PLAMGE organiza a execução das atividades de GEM, auxiliando a criação,
instrumentalização e capacitação da UGEM.
■ Em relação ao passado, o PLAMGE demonstra os benefícios obtidos graças à adoção de medidas de efici-
ência energética já implementadas e em andamento.
■ Quanto ao futuro, o PLAMGE ilustra os resultados potenciais das medidas identificadas, contribuindo para
sua priorização através da análise de seus custos e benefícios.

Para a definição das estratégias resultantes do PLAMGE, deverão ser considerados, ainda, o grau de mobi-
lização e interesse dos atores envolvidos, as prioridades políticas das coletividades locais e regionais e a pos-
sibilidade de obtenção e demonstração de resultados visíveis.

A ELETROBRÁS/PROCEL, através do núcleo PROCEL GEM, apóia a Rede Cidades Eficientes em Ener-
gia Elétrica – RCE, tendo como diretriz a implementação de ações voltadas para os Municípios
associados, estimulando a elaboração de Planos Municipais de Gestão da Energia Elétrica, para
maiores informações visite o site: www.rce.org.br

E TA PA S D O P L A M G E

■ Caracterização do Município.
■ Avaliação da Questão da Energia Elétrica para a Prefeitura.
■ Elaboração do Cenário de Referência.·Definição da Estratégia da Prefeitura para o Combate ao Desperdício.
■ Desenvolvimento de um Programa Municipal de Eficiência Energética.
■ Elaboração do Cenário de Eficiência Energética.
■ Elaboração do PLAMGE.
■ Implementação do PLAMGE.
■ Acompanhamento e Avaliação do PLAMGE.
■ Divulgação de Resultados.
G E S T Ã O E N E R G É T I C A M U N I C I P A L 33

1.8 Marcos Legais

A seguir estão apresentados os principais marcos legais que devem ser construídos pelo Município visando
adequar as políticas de governo ao programa de desenvolvimento sustentável local.

■ Constituição Federal de 1988 artigo 30. “Legislar sobre assunto de interesse social; suplementar a legislação
federal e estadual no que lhe couber; instituir e arrecadar tributos de sua competência, bem como aplicar
suas rendas; criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual; organizar e prestar, direta-
mente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local”.

■ Constituição Federal de 1988 artigo 182 e a regulamentação pela Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001,
denominada “Estatuto da Cidade”, estabelece diretrizes gerais da política de desenvolvimento e expansão
urbana, especificamente com a obrigatoriedade de elaboração do Plano Diretor Municipal, suportado pe-
los demais instrumentos legais, Transporte Urbano, Código de Obras e Edificações, Perímetro Urbano, Uso
e Ocupação do Solo/Zoneamento e Parcelamento do Solo e Cadernos de Encargos de Compras de Equi-
pamentos.

■ Constituição Federal de 1988, artigo 225, “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibra-
do, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à
coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

■ Lei de Eficiência Energética nº 10.295, de 17 de outubro de 2001, que dispõe sobre a Política Nacional de
Conservação e Uso Racional de Energia, visando à alocação de recursos energéticos e à preservação do
meio ambiente, estabelece índices de eficiência para equipamentos elétricos e indicadores para diversos
tipos de edificações e requisitos para a arquitetura bioclimática.

■ Lei Complementar nº 101, de maio de 2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal, estabelece normas de finan-
ças públicas voltadas para a gestão fiscal do Município.

■ Lei nº 10.028, de 19 de outubro de 2000, artigo 339-C, “ordenar ou autorizar a assunção de obrigação, nos
dois últimos quadrimestres do último ano do mandato ou legislatura, cuja despesa não possa ser paga no
mesmo exercício financeiro ou, caso reste parcela a ser paga no exercício seguinte, que não tenha contra-
partida suficiente de disponibilidade de caixa.”

■ Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001. Estatuto da Cidade regulamenta os artigos 182 e 183 da Constituição
34 G E S T Ã O E N E R G É T I C A M U N I C I P A L

Federal, estabelece diretrizes gerais da política de desenvolvimento urbano e norteia a função social da
cidade e da propriedade urbana, com a elaboração do Plano Diretor Municipal.

■ Decreto Presidencial, de 7 de julho de 1999, cria a Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima
– CIMGC, com “a preocupação com a regulamentação dos mecanismos do Protocolo de Kioto e, em parti-
cular, entre outras atribuições, estabelece que a comissão será a autoridade nacional designada para apro-
var os projetos considerados elegíveis do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, cabendo, também, à
comissão definir critérios adicionais de elegibilidade àqueles considerados na regulamentação do Proto-
colo de Kioto”.
R E D E C I D A D E S E F I C I E N T E S E M E N E R G I A E L É T R I C A 35

2 Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica

2.1 Introdução

Considerando que a Gestão Energética Municipal é geralmente uma novidade para os Municípios brasileiros,
o desenvolvimento dos trabalhos numa rede de informações pode contribuir para que estes enfrentem os
desafios e superem as barreiras inerentes a um trabalho novo, através da análise de soluções alheias e de
casos de sucesso.

Em 1998 foi criada a Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica – RCE, concebida pela ELETROBRÁS, no âm-
bito no Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica – PROCEL, em parceria com Instituto Brasileiro
de Administração Municipal – IBAM e com o apoio do Programa ALURE, da Comissão Européia. O ponto de
partida foi a experiência da Rede Européia Energie-Cités, uma associação de Municípios europeus que pro-
move a sustentabilidade energética local.

Para estruturação da RCE, os Municípios associados podem contar com o apoio do PROCEL da ELETRO-
BRÁS, através do escritório técnico executivo, a cargo do IBAM, que é o responsável por centralizar,
operacionalizar, documentar e divulgar as experiências municipais no uso eficiente de energia elétrica. A
atuação da RCE junto aos Municípios é direta, através da aplicação de uma metodologia de GEM já desenvol-
vida que é voltada para a capacitação dos técnicos municipais na gestão da energia e na elaboração do Plano
Municipal de Gestão de Energia Elétrica – PLAMGE.

2.2 Objetivos

A RCE é uma rede de informações que visa facilitar e fortalecer o intercâmbio de informações entre os Muni-
cípios, sobre tecnologias, experiências e projetos que contemplem o uso eficiente da energia elétrica nos
diversos segmentos de consumo de energia no âmbito municipal.
36 R E D E C I D A D E S E F I C I E N T E S E M E N E R G I A E L É T R I C A

2.3 Vantagens

Destacam-se, a seguir, as principais vantagens que são proporcionadas pela “Rede Cidades Eficientes em
Energia Elétrica - RCE” para os associados:
■ Acessar informações atualizadas sobre tecnologias, experiências municipais e projetos de eficiência ener-
gética.
■ Promover a redução de consumo e das despesas de energia elétrica nos Municípios brasileiros.
■ Facilitar o intercâmbio de informações entre os associados e informá-los sobre práticas e tecnologias efici-
entes em energia elétrica.
■ Divulgar as realizações municipais exitosas para outros Municípios.
■ Concentrar esforços para viabilizar projetos e para a implementação de medidas de conservação de ener-
gia elétrica, identificando fontes de recurso para o financiamento das ações.
■ Criar e fortalecer a competência municipal na gestão da energia elétrica, por intermédio da capacitação e
aplicação da metodologia de elaboração de planos municipais de gestão da energia elétrica – PLAMGE.
■ Participar do “Prêmio PROCEL – Cidade Eficiente em Energia Elétrica”, tendo reconhecimento das experiên-
cias com projetos que se destacaram no uso eficiente da energia elétrica.

R E D E C I DA D E S E F I C I E N T E S E M E N E R G I A E L É T R I C A

Foi lançada em 1998 durante o Seminário EFFICIENTIA, no Rio de Janeiro, no âmbito do Programa
ALURE/Projeto BRACEL, convênio ELETROBRÁS-PROCEL/IBAM, não tem fins lucrativos, seguindo os
moldes da Rede Européia Énergie-Cités, (www.energie-cites,org), que é uma associação de Municípios
europeus que promove a política energética local permanente, a promoção de energias renováveis e a
proteção do meio ambiente..Os quatro Municípios-pilotos – Salvador (BA), Governador Valadares (MG),
Rio de Janeiro (RJ) e Piracicaba (SP) – foram os primeiros a integrar a rede. A partir destes resultados foi
elaborada uma metodologia de planejamento, posteriormente testada em dez Municípios, cujos resul-
tados são tratados no Capítulo 9. Site da RCE: www.rce.org.br
R E D E C I D A D E S E F I C I E N T E S E M E N E R G I A E L É T R I C A 37

2.4 Organização

CONCESSIONÁRIA
ANEEL
ENERGIA ELÉTRICA

>
<

<
>
ASSEMBLÉIA
ASSOCIAÇÕES GERAL UNIVERSIDADES E
AMBIENTAIS < > CENTROS DE PESQUISA
> <
SECRETARIA
ADJUNTA

PRESIDENTE
< > < > INSTITUIÇÕES
INICIATIVAS SECRETARIA INTERNACIONAIS
CIVIS EXECUTIVA

ELETROBRÁS / PROCEL
IBAM

> PREFEITURAS E <


< > SECRETARIAS DE
FABRICANTES ASSOCIAÇÕES DE
EQUIPAMENTOS ESTADO DE ENERGIA
MUNICÍPIOS
< >

AGÊNCIAS
REGULADORAS
ESTADUAIS

2.5 Principais Produtos

Os associados à Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica - RCE, os Municípios, parceiros e colaboradores
podem usufruir os produtos disponibilizados, que são:
■ Boletim Trimestral – é um dos principais canais de comunicação, juntamente com o site, para a troca de
experiências de sucesso, informações e agendas de eventos voltadas para a gestão da energia elétrica.
■ Site da Rede Cidades Eficiente – RCE (www.rce.org.br) – oferece informações relacionadas à Gestão Ener-
gética Municipal – GEM, agenda de eventos, abre um canal de comunicação direta, permite a troca de
experiências de projetos municipais através do Banco de Experiências, indica manuais técnicos, além de
ter disponível para baixar (download) o software SIEM e o formulário de adesão para a associação dos
Municípios à RCE.
■ Manuais – foram desenvolvidos manuais técnicos que abordam o uso eficiente da energia elétrica nos
seguintes temas:
■ Manual para a Elaboração de Planos Municipais de Gestão da Energia Elétrica.
■ Guia Técnico de Iluminação Pública Eficiente.
■ Eficiência Energética nos Sistemas de Saneamento.
■ Manual de Prédios Eficientes em Energia Elétrica.
38 R E D E C I D A D E S E F I C I E N T E S E M E N E R G I A E L É T R I C A

■ Planejamento Urbano e Uso Eficiente de Energia Elétrica.


■ Modelo para Elaboração de Código de Obras e Edificações.
■ Guia Técnico de Gestão Energética Municipal (este guia).
■ Banco de Experiências Municipais – reúne experiências municipais consideradas bem-sucedidas nos te-
mas relacionados à energia elétrica, tais como iluminação pública, prédios públicos, saneamento, educa-
ção, gestão energética municipal e legislação. As pesquisas podem ser feitas por meio de um mecanismo
de busca, onde as informações são obtidas por categoria temática, nome do Município e segundo a ener-
gia economizada em MWh/ano.
■ Prêmio PROCEL – Cidade Eficiente em Energia Elétrica – tem por objetivo reconhecer e premiar, anual-
mente, as experiências locais que mais se destacaram em ações e iniciativas eficientes no uso da energia
elétrica nas categorias: Educação, Gestão Energética Municipal, Iluminação Pública, Iluminação Pública –
RELUZ, Legislação, Prédios Públicos e Saneamento. Os projetos premiados de cada categoria são reunidos
em uma publicação especial amplamente divulgada para as Administrações Municipais e instituições na-
cionais envolvidas na área de eficiência energética.
■ Sistema de Informação Energética Municipal – SIEM – é um programa computacional que auxilia a Prefei-
tura Municipal na gestão, acompanhamento das contas e dos gastos com energia elétrica, possibilitando
também o planejamento da evolução do consumo e gastos de energia nos segmentos prédios públicos
saneamento e iluminação pública.
■ Planos Municipais de Gestão da Energia Elétrica – PLAMGEs – são instrumentos de planejamento energé-
tico de médio prazo para a aplicação eficiente do uso da energia elétrica, com a identificação de projetos
que otimizem os segmentos de consumo de energia elétrica no Município.
■ Curso de capacitação em eficiência energética e Gestão Energética Municipal – tem como objetivo difun-
dir o conceito da Gestão Energética Municipal, através da capacitação dos técnicos das Prefeituras associ-
adas, concessionárias e consultores de energia, em temas específicos relacionados à eficiência energética
nos segmentos do consumo municipal, além de treiná-los para a utilização do software SIEM e para a
metodologia de elaboração PLAMGEs.
■ Eventos – participação em seminários, palestras e feiras, em que os temas municipais e de eficiência ener-
gética são abordados – disseminando e apresentando as vantagens para os associados da rede.
■ Cursos Específicos – são disponibilizados cursos com temas específicos em função de demandas dos Mu-
nicípios ou temas atuais relacionados à eficiência energética, tais como: Iluminação Pública, Financiamen-
to, Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (Crédito de Carbono) etc.
■ Escritório Técnico da RCE – os Municípios associados podem receber atendimento e orientações técnicas
sobre: ações de eficiência energética, novas tecnologias, informações sobre linhas de financiamento exis-
tentes para projetos, questões gerenciais, questões econômico-financeiras, áreas de interesse (educação,
gestão energética municipal, iluminação pública, legislação, prédios públicos e saneamento), além do su-
porte técnico quanto à utilização do SIEM.
I L U M I N A Ç Ã O P Ú B L I C A 39

3 Iluminação Pública

3.1 Introdução

A Iluminação Pública é uma responsabilidade da Administração Pública Municipal e é essencial para o melhor
desenvolvimento social e econômico das cidades. Quando bem atendidos, os cidadãos podem desfrutar de
melhores oportunidades em atividades de turismo, sociais, educacionais, culturais e esportivas Atualmente,
ela é fundamental para a segurança do tráfego de veículos e para a prevenção contra a criminalidade. É
importante ressaltar que o consumo de energia da Iluminação Pública representa cerca de 3,3% na matriz
energética brasileira, e da ordem de 10,2 TWh/ano (dados do PROCEL do ano de 2002).

São consideradas duas categorias de sistemas de iluminação pública: padrão e especial. A Iluminação
Pública Padrão consiste na iluminação convencional de ruas, instalada geralmente nos postes da rede de
distribuição da concessionária de energia elétrica. Já a Iluminação Pública Especial diz respeito à iluminação
ornamental ou decorativa e pode ser tratada como um dos elementos de divulgação da cultura local, realçan-
do a imagem urbana, patrimônio histórico, pontos turísticos, de esporte e lazer. A utilização da luz pode ser
uma estratégia política de valorização da imagem local.

Sistemas de sinalização semafórica com qualidade garantem ao Administrador Municipal um controle


automatizado e eficiente das vias, oferecendo inúmeros benefícios à população e ao Município, como econo-
mia de energia elétrica, aumento da confiabilidade de operação do sistema e redução do custo de manutenção.

A ELETROBRÁS, por meio do PROCEL, apóia o desenvolvimento socioeconômico dos Municípios atra-
vés da eficiência da Iluminação Pública com o programa RELUZ e com a Rede Cidades Eficientes em
Energia Elétrica – RCE. As formas de procedimento estão disponíveis no Manual de Instruções do RELUZ
e no Guia Técnico de Iluminação Pública Eficiente.
40 I L U M I N A Ç Ã O P Ú B L I C A

3.2 Pontos-chaves

■ Buscar eficiência energética para a iluminação pública, reduzindo despesas com energia elétrica.
■ Usar lâmpadas, luminárias e equipamentos auxiliares de grande eficiência luminosa, melhorando a
qualidade do serviço prestado.
■ Expandir o sistema de iluminação pública.
■ Iluminação Especial de praças, monumentos e edifícios de valor histórico.
■ Sinalização semafórica.
■ Celebrar parcerias com as empresas do setor elétrico que também se beneficiam com a moderniza-
ção da iluminação pública.
■ Assumir o controle efetivo deste serviço público, através da gestão eficaz de sua rede física e de seus
sistemas técnicos e administrativos.

3.3 Estrutura e Componentes do Sistema

As redes de iluminação pública são alimentadas em baixa tensão a 220V e 60Hz, e são constituídas de:
■ lâmpadas;
■ equipamentos auxiliares;
■ luminárias;
■ braços;
■ postes;
■ equipamentos de comando e proteção e;
■ circuitos de alimentação elétrica.

A seguir é apresentado um detalhamento destes componentes:

3.3.1 Lâmpadas

Existem duas classes de lâmpadas.


■ De descarga – Utilizam a técnica de provocar uma descarga elétrica sobre um gás, que pode estar subme-
tido à alta pressão. Variando-se a natureza dos gases no interior do tubo obtêm-se os diversos tipos de
lâmpadas de descarga. São as lâmpadas indicadas para a iluminação pública em razão da boa eficiência
luminosa e vida útil.
■ Incandescentes – Fabricadas com a técnica mais antiga que consiste em levar um filamento à uma tempe-
ratura muito elevada, passando corrente elétrica através do mesmo. São as que apresentam menor eficiên-
cia luminosa e menor vida útil.
I L U M I N A Ç Ã O P Ú B L I C A 41

DAD O S T ÉC N ICOS DA S LÂ M PA DA S
(Valores médios, com base em informações de fabricantes)

TIPO POTÊNCIA FLUXO EFICIÊNCIA PERDA DO REATOR (W) TEMPERATURA ÍNDICE DE VIDA ÚTIL
(W) LUMINOSO LUMINOSA DE COR (k) REPRODUÇÃO (h)
(lm) (lm/W) CONVENCIONAL ELETRÔNICO DE COR (%

Incandescente 100 1300 13 2700 100 1000


150 2200 15 2700 100 1000
200 3150 16 2700 100 1000
300 5000 17 2700 100 1000
500 8400 17 2700 100 1000
Fluorescente 40 2700 68 11 4 5250 75 7500
tubular 110 8300 76 25 5250 75 7500
Mista 160 3100 19 3600 60 6000
250 5500 22 3800 60 6000
500 13500 27 4100 60 6000
Mercúrio de 80 3600 45 9 4100 45 9000
alta pressão 125 6200 50 12 4000 45 12000
250 12700 50 16 3900 45 12000
400 22000 55 25 3800 45 15000
700 38500 55 35 3550 45 15000
1000 58000 58 45 3550 45 15000
Sódio de 70 5600 80 15 2000 20 18000
altapressão 100 9500 95 15 17 2000 20 24000
150 14000 94 20 24 2000 20 24000
250 26000 104 25 2000 20 24000
350 34000 97 40 2000 20 14000
400 48000 120 40 2000 20 24000
600 90000 150 50 2000 20 32000
Multivapor 70 5000 72 13 3000 80 8000
metálico 150 11000 73 12 3000 80 8000
250 20000 80 25 5200 90 12000
400 38000 95 35 5900 90 12000

DAD OS QUALITATIVO S

TIPOS VANTAGENS DESVANTAGENS RECOMENDAÇÕES

INCANDESCENTE Fluxo luminoso quase Baixa eficiência Inapropriada para IP.


constante ao longo da luminosa. Curta duração Caso seu Município
vida útil.Ótima reprodu- de vida. Custo elevado ainda possua, substitua
ção de cores e brilho. de manutenção. por lâmpadas mais
Impressão de cor quente. eficientes, como a vapor
de sódio de alta pressão.
42 I L U M I N A Ç Ã O P Ú B L I C A

D ADOS QUALITATIVO S

TIPOS VANTAGENS DESVANTAGENS RECOMENDAÇÕES

VAPOR DE MERCÚRIO Boa eficiência luminosa. Acendimento não Adequada à iluminação


- VM instantâneo. Índice de pública quando usada
reprodução de cores em altura elevada.
médio. Impressão de cor
fria. Maior consumo se
comparado ao de outras
com mesmo fluxo
luminoso.
VAPOR DE SÓDIO Ótima eficiência Acendimento não Adequada à maior parte
DE ALTA PRESSÃO luminosa. instantâneo.Baixo índice dos logradouros
– VSAP de reprodução de cores. públicos.
Maior investimento
inicial.
LÂMPADA DE SÓDIO A Aparência agradável. Acendimento não Recomendada para
MUITO ALTA PRESSÃO - Bom índice de instantâneo. iluminação de destaque
SÓDIO BRANCO reprodução de cores. Investimento inicial eembelezamento.
elevado. Escassas no mercado
brasileiro.
FLUORESCENTES Opções de reprodução Baixa eficiência Inapropriada para IP.
TUBULARES de cores e temperatura luminosa. Em geral as Caso seu Município
de cor. luminárias utilizadas ainda possua, substitua
permitem que as por lâmpadas mais
lâmpadas fiquem eficientes, como a vapor
expostas às intempéries, de sódio de alta pressão.
ocasionando perdas e
elevando o custo com a
manutenção.
VAPORES METÁLICOS Boa eficiência Acendimento não Adequada à iluminação
luminosa.Alto índice de instantâneo. de monumentos e
reprodução de cores. Investimento elevado. grandes espaços através
Menor vida útil em de projetores
relação às demais posicionados a médias e
lâmpadas de alta grandes alturas.
pressão.
I L U M I N A Ç Ã O P Ú B L I C A 43

OUTR O S TIPOS

TIPOS VANTAGENS DESVANTAGENS RECOMENDAÇÕES

MISTAS Não necessitam de equipa- Baixa eficiência A serem substituídas o


(com filamento e mentos auxiliares. luminosa. Alto consumo mais breve possível por
tubo de descarga) de energia. Custo lâmpadas de maior
elevado de eficiência luminosa.
manutenção.
FIBRAS ÓPTICAS Permite o transporte da luz Investimento muito Utilização em ilumina-
antes de sua distribuição elevado. Tecnologia ções especiais e de
final. Possibilidade de recente pouco difícil realização.
controle operacional e difundida.
efeitos especiais. Facilidade
de manutenção. Grande
segurança para instalações.
LEDS - Light Emitting Possuem elevada resistência Tecnologia recente. Adequada à iluminação
Diodes mecânica e baixa potência Investimento maior em semafórica.
(diodos emissores de luz) de luz emitida. Oferecem comparação à lâmpada
cores mais exatas e mais incandescente.
vivas, aumentando a
segurança e o fluxo do
tráfego. Vida útil de longa
duração cerca de 100 vezes
superior à da lâmpada
incandescente.

3.3.2 Equipamentos Auxiliares

Na tabela a seguir são apresentados os equipamentos auxiliares mais utilizados na rede de iluminação públi-
ca, inclusive com valores médios de vida útil, de acordo com as suas funções:

EQUIPAMENTO FUNÇÃO VIDA ÚTIL (anos)

Luminária aberta Proteção da lâmpada 10


Luminária fechada Proteção da lâmpada 20
Braços para luminária Sustentar as luminárias 20
Cabos e ferragens Instalação 20
Reatores Estabilização 10
Ignitores Partida (ignição) 10
Condensadores (capacitores) Compensação de reativos 10
Relés fotoelétricos Acionamentos mecânicos 4
Relés fotoelétricos Acionamentos eletrônicos 10
Economizadores inteligentes Acionamentos com redução da potência 5

Fonte: Manual RELUZ


44 I L U M I N A Ç Ã O P Ú B L I C A

Os relés economizadores inteligentes de energia substituem os relés fotoelétricos. São de tecnologia re-
cente para a iluminação pública e podem ser utilizados nas lâmpadas de vapor de mercúrio e sódio de 125 a
400W. Possibilitam uma programação escalonada, normalmente nos períodos da madrugada, podendo re-
duzir a potência consumida em cerca de 20%.

3.3.3 - Luminárias

As luminárias são constituídas por uma estrutura mecânica de proteção e um conjunto óptico. Sua função é
proteger a lâmpada e demais equipamentos, bem como proporcionar os melhores rendimento e distribui-
ção do fluxo luminoso emitido pela lâmpada, por meio de seu conjunto óptico, por reflexão e refração. Deve
também minimizar o efeito de ofuscamento.

As luminárias mais modernas utilizam unicamente o efeito da reflexão da luz, para a distribuição do fluxo
luminoso, através de superfícies altamente reflexivas. O fechamento da luminária, em vidro ou policarbonato,
é usado tão-somente para proteção. Sendo plano, reduz sensivelmente o ofuscamento e apresenta melhor
rendimento.

LUMINÁRIAS MAIS UTILIZADAS LOCAL RECOMENDADO PARA UTILIZAÇÃO

Luminária aberta Não recomendada pelo RELUZ


Luminária aberta com tela de proteção Não recomendada pelo RELUZ
Luminária fechada com refrator em policarbonato Vias de baixo trânsito
Luminária fechada com vidro prismático Vias de trânsito normal, arteriais e coletoras
Luminária fechada com vidro plano Vias arteriais e coletoras
Luminária ornamental Praças, calçadões e áreas verdes

O tipo de proteção das luminárias deve corresponder ao nível de ação de agentes externos encontrados
no local de sua instalação. O grau de proteção (IP, do inglês ingress protection) indica esta capacidade, confor-
me apresentado na tabela a seguir. Na codificação, o primeiro dígito indica o grau de proteção em relação aos
poluentes sólidos e o segundo o grau de proteção contra a penetração de água. Quanto maior o número,
maior a proteção oferecida pela luminária.

LOCAL DE UTILIZAÇÃO GRAU DE PROTEÇÃO

Com pouca presença de poluição, pó e agentes corrosivos. IP 23


Com presença média de poluição, pó e agentes corrosivos. IP 44
Com forte presença de poluição, pó ou agentes corrosivos. IP 54
Luminárias situadas a até 2,80m em relação ao solo. IP 44
Túneis. IP 55
I L U M I N A Ç Ã O P Ú B L I C A 45

3.4 Gestão e Manutenção do Sistema Existente

A responsabilidade da operação e manutenção dos sistemas de iluminação pública tem sido passada para os
Municípios, criando a necessidade de uma nova política municipal para o seu atendimento.

Diante desta oportunidade de novo negócio, as empresas do mercado de iluminação desenvolveram ins-
trumentos que permitem a gestão completa de todo o sistema de Iluminação Pública, que englobam a ges-
tão de todas as fases do processo, desde a organização, análise do sistema existente, cadastro, projeto, opera-
ção, eficiência energética, manutenção e pagamento de contas e relacionamento com a concessionária de
energia, objetivando a satisfação da população.

3.4.1 Pontos-chaves

■ Elaborar o cadastro do sistema de iluminação pública.


■ Elaborar contrato de fornecimento entre a Prefeitura Municipal e a concessionária de energia elétrica.
■ Atualizar o cadastro.
■ Implementar um software de gestão.·Implementar e manter atualizado um banco de dados sobre o siste-
ma de iluminação pública.
■ Padronizar e normalizar os tipos de lâmpadas e demais equipamentos utilizados no sistema de iluminação
pública.
■ Implementar programa de redução de custos na iluminação pública com a implantação de equipamentos
energeticamente eficientes.
■ Treinar e capacitar o pessoal envolvido nos serviços.·Incluir um Plano de Gestão Completa de IP na elabo-
ração do PLAMGE.

Estudos computacionais realizados por fabricantes e empresas atuantes na área, voltados para construção
de uma gestão mais eficiente, vêm produzindo softwares de gestão eficiente para sistemas de iluminação
pública. Normalmente esses softwares controlam cadastramento, manutenção corretiva e preventiva, expan-
sões e melhorias e, algumas vezes, emitem dados para o faturamento da concessionária. Esses softwares
precisam ser acompanhados de trabalhos de campo para aquisição de dados a serem inseridos no em seu
banco de dados como:
■ Diagnóstico e etiquetamento do parque.
■ Rotas diurnas e noturnas para identificação de problemas.
■ Central de Atendimento (Call-Center) para reclamações e dúvidas da população.
■ Equipe de manutenção para execução dos serviços.
46 I L U M I N A Ç Ã O P Ú B L I C A

3.4.2 Verificação de Oportunidades

1) Redução de despesas – A substituição de lâmpadas obsoletas por lâmpadas de maior eficiência luminosa
e maior vida útil possibilita redução no consumo de energia elétrica e na freqüência de intervenções de
manutenção. Pode-se, assim, obter diminuição nas despesas com as contas de energia elétrica e de manu-
tenção da rede de iluminação pública.

2) Cooperação e parcerias – Empresas do setor elétrico podem estar interessadas na modernização das
redes de iluminação pública. Com a redução na demanda por energia elétrica decorrente desta medida, as
concessionárias podem liberar seu sistema para atendimento a outros segmentos de mercado ou postergar
investimentos na oferta de energia.

Parceiros locais, como, por exemplo, associações comerciais, de turismo, hotelaria e outros, podem estar
interessados na melhoria da iluminação ou no embelezamento de áreas urbanas através de iluminação orna-
mental, com vistas ao incremento de seus negócios.

3) Programas governamentais – Incentivos à maior eficiência no uso da energia têm levado à criação de
programas especiais por parte dos Governos Federal e Estaduais. O “Programa de Nacional de Conservação
de Energia Elétrica – PROCEL”, desenvolvido pelo Governo Federal através da ELETROBRÁS, é o melhor exem-
plo.

4) Obtenção de recursos – Identificar e buscar fontes de recursos no Programa Nacional de Iluminação


Pública Eficiente – RELUZ da ELETROBRÁS/PROCEL, através da concessionária de energia local, para financia-
mento de melhoria e expansão do sistema existente, iluminação especial e inovação tecnológica.

5) Melhoria na segurança pública – A melhoria na iluminação de áreas de maior risco de acidentes de


trânsito ou de criminalidade é uma medida oportuna que deve ser considerada. Existem levantamentos indi-
cando que a boa iluminação de vias pode reduzir em mais de 30% o número de acidentes de trânsito. Quanto
à criminalidade, nas suas várias formas de ocorrência no período noturno, a boa iluminação é fator determinante
para a sua prevenção e redução.

6) Agentes privados – Novas empresas do setor privado, conhecidas como Empresas de Serviços de Con-
servação de Energia, ESCOs, especializadas em eficiência energética, estão surgindo no mercado. Estas em-
presas podem representar uma oportunidade para as Administrações Municipais que pretendam melhorar
suas redes de iluminação pública, contribuindo com a competência técnica necessária a estes empreendi-
mentos e viabilizando a captação de recursos financeiros.
I L U M I N A Ç Ã O P Ú B L I C A 47

3.4.3 - Elaboração do Plano

1) Diretrizes e metas – A fixação de diretrizes e metas é fundamental para a elaboração de um plano de


ação na área da Iluminação Pública. Este plano de ação deve integrar-se ao Plano Municipal de Gestão da
Energia Elétrica e incluir as medidas sugeridas nos itens anteriores.

2) Plano de ação – É um instrumento necessário para o gerenciamento das mudanças pretendidas e para
a negociação com parceiros e obtenção de recursos. Inclui metas, prioridades, programas executivos, prazos
e recursos necessários identificados.

3) Recursos humanos – Com base na análise das ações a serem empreendidas, nos benefícios a serem
auferidos e no porte da rede de iluminação do Município, deve-se dimensionar a equipe de profissionais a ser
mobilizada. Deve-se, também, considerar a conveniência da criação de uma equipe técnica permanente e de
uma unidade de administração específica para a iluminação pública no Município.

Participar do “Prêmio PROCEL – Cidade Eficiente em Energia Elétrica”, organizado pela RCE, é uma ótima
oportunidade de reconhecimento das experiências municipais com projetos de Iluminação Pública eficiente.

3.5 – A Manutenção das Instalações

INTERVENÇÃO ALTERNATIVAS COMENTÁRIOS

Troca de lâmpada Existem duas possibilidades: a manuten- Os altos custos da troca unitária das lâmpadas
ção preventiva e a manutenção corretiva. na manutenção corretiva e as dificuldades
Somente um estudo técnico e econômico operacionais no sistema viário impõem uma
pode indicar a estratégia mais adequada à análise mais acurada da questão. A grande
otimização dos fatores custo/benefício. maioria dos Municípios e concessionárias
realiza a troca somente na queima das
lâmpadas.
Manutenção A troca das lâmpadas é feita por grupos Na troca programada é importante o controle
preventiva em regiões ou conjunto de logradouros de de utilização das lâmpadas. Aquelas em boas
forma programada. O período para as condições podem ser usadas em trocas no
trocas é em função da vida útil esperada caso de queima. Pode-se adotar a troca
para as lâmpadas e do nível de perda programada em áreas de tráfego intenso e a
admissível para o fluxo luminoso das troca pela queima em áreas de menor
mesmas. Os trabalhos de manutenção, intensidade de tráfego.
neste caso, causam menor impacto na
operação do sistema viário.
48 I L U M I N A Ç Ã O P Ú B L I C A

INTERVENÇÃO ALTERNATIVAS COMENTÁRIOS

Manutenção A troca das lâmpadas se dá somente O acompanhamento sistemático com registro


corretiva quando ocorre a queima. O reparo deve ser das ocorrências permite a realização de
executado prontamente, restabelecendo-se estudos estatísticos sobre falhas no desempe-
o serviço com qualidade de forma a evitar a nho real de lâmpadas e equipamentos. Estes
deterioração da imagem da cidade e de sua estudos são escassos, porém são úteis para a
Administração. Um sistema de inspeção e orientação às novas aquisições de materiais,
detecção de falhas é imprescindível, para a especificação técnica em novos
podendo ser realizado em rondas regulares, projetos e para o desenvolvimento
controle por amostras e no atendimento de tecnológico. Existe a oportunidade para a
reclamações via telefone. Deve contar coleta de informações para os cadernos de
também com sistema privilegiado de referência de cada equipamento.
comunicação com a empresa concessioná-
ria encarregada da manutenção e com
mecanismos eficazes de acompanhamento
e controle das medidas corretivas e de seus
prazos de execução.
Luminárias A limpeza da carcaça, dos refletores e dos O envelhecimento das lâmpadas e a poluição
vidros difusores ou protetores é indispen- atmosférica produzem perdas significativas
sável. A periodicidade deve ser determina- nos níveis de iluminamento proporcionado
da em função do grau de poluição local, pelas luminárias. A limpeza periódica e as
mas deve ser realizada no mínimo uma vez trocas programadas podem restabelecer os
ao ano. A manutenção pode ser realizada índices de iluminamento projetados.
com a troca completa da luminária, Economiza-se tempo no campo e os reparos
quando a sua constituição permitir um nos equipamentos são realizados na oficina
rápido e seguro encaixe mecânico junto ao de manutenção. As falhas são detectadas com
braço de sustentação e perfeita conexão precisão, evitando-se reparos indevidos,
elétrica. reincidência de falhas e danos em equipa-
mentos sem defeitos. Pode-se, assim, obter
um diagnóstico preciso sobre o desempenho
dos equipamentos e alimentar com dados os
cadernos de referência.
Demais componen- Realizar inspeções periódicas nos compo- Já foram registrados inúmeros casos de
tes: postes, braços, nentes mecânicos, verificando níveis de acidentes, inclusive fatais, com operadores e
suportes e circuitos corrosão e deterioração. Os aterramentos pedestres, em decorrência de falhas em redes
de alimentação das estruturas metálicas e componentes de iluminação pública. Estas falhas foram
elétricos devem também ser conseqüência da má conservação e da
inspecionados periodicamente. Atenção à negligência na manutenção das suas
proteção e ao isolamento dos circuitos instalações.
alimentadores. Todas as inspeções devem
ser registradas e informadas de modo que
suas recomendações possam ser
implementadas, garantindo a segurança
da população e dos operadores.
I L U M I N A Ç Ã O P Ú B L I C A 49

INTERVENÇÃO ALTERNATIVAS COMENTÁRIOS

Meio ambiente Certificar-se de que os resíduos tóxicos O “ascarel”, óleo cuja utilização como isolante
provenientes do descarte de lâmpadas e elétrico foi proibida (1982), encontra-se ainda
capacitores estejam sendo manipulados presente em capacitores e reatores antigos,
com segurança e levados a destino final que podem estar instalados em redes de
conforme imposições legais. iluminação pública.É altamente tóxico! O
mesmo ocorre com os resíduos de mercúrio.

3.6 P
Prrojeto de Iluminaç
ojeto ão P
Iluminação úblic
Públic aE
ública ficien
ficientte
Eficien

3.6.1 Ações de Melhoria em Sistemas Existentes

CONTEXTO AÇÕES A EMPREENDER RECOMENDAÇÕES COMENTÁRIOS

Iluminação Substituir lâmpadas Preferir lâmpadas de sódio e A substituição de lâmpadas


deficiente incandescentes, mistas ou de multivapores metálicos com pode ser realizada por etapas
vapor de mercúrio por ignitor. Algumas destas em locais julgados
lâmpadas de sódio de alta lâmpadas prescindem do uso prioritários ou com necessi-
pressão ou multivapores do ignitor, sendo adaptadas dade premente de manuten-
metálicos (ver Tabela de diretamente às instalações de ção. As lâmpadas e equipa-
Substituição de Lâmpadas mercúrio que vão substituir. mentos retirados e em
abaixo) Estas lâmpadas têm, entretan- condições de uso deverão
to, apresentado vida útil ser utilizados na manutenção
menor e grande perda no corretiva, reduzindo a
fluxo luminoso ao longo da compra de materiais
mesma. A tabela que integra o obsoletos.A maioria das
próximo item apresenta lâmpadas multivapores
sugestões para a substituição metálicos é fabricada para o
de lâmpadas. Em conformida- uso na posição de funciona-
de com esta tabela as mento vertical
substituições proporcionam
sempre um aumento no fluxo
luminoso.
Escolher lâmpadas com o O uso das luminárias
formato compatível com a existentes é uma medida
conformação das luminárias recomendável para reduzir
existentes. custos. Para tanto, são
necessárias adaptações
possibilitando o alojamento
dos ignitores e reatores.
50 I L U M I N A Ç Ã O P Ú B L I C A

CONTEXTO AÇÕES A EMPREENDER RECOMENDAÇÕES COMENTÁRIOS

Iluminação Substituir luminárias e reatores Escolher luminárias eficientes O benefício advindo de um


deficiente existentes por luminárias com compatíveis com a sua novo design melhora o
maior rendimento e reatores classificação. Adotar reatores rendimento final do sistema,
com alto fator de potência eficientes com fator de trazendo benefício com o
potência superior a 0,92, e aumento do índice de
verificar se o reator é compatí- iluminamento no local.-
vel com o local a ser instalado. Redução das perdas do
conjunto ótico.
Ajustar a operação da rede de Preferir acionamento da rede Acendimentos prematuros
iluminação pública de iluminação que leve em ou em atraso podem ser
conta a efetiva luminosidade evitados com a utilização de
natural. A tendência nesta área fotômetros de precisão.
é a automação do Simultaneidade no
acionamento com a adoção do acendimento é fator de
telecomando. Seu uso permite segurança no tráfego. Ao se
o controle preciso do tempo prevenir acendimentos
de utilização de energia diurnos evitam-se desperdí-
elétrica e melhora sensivel- cios e a impressão de
mente a qualidade do serviço. desleixo. O controle
Dispositivos para redução de centralizado com telecoman-
potência, com tempo do possibilita, ainda,
programado, podem ser acionamento por zonas e
utilizados para diminuir o também a redução de
consumo de energia. Isto é potência. A prática mais
acompanhado de redução do difundida para o controle de
fluxo luminoso da lâmpada, o acionamento é a do relé
que só é aceitável para certas fotoelétrico individual. Este
vias, em determinados sistema, contudo, dificulta a
horários. automação e os benefícios
decorrentes e apresenta má
qualidade no serviço, com
acendimentos irregulares.
Arborização Estabelecer diretrizes para o A escolha da arborização deve Problemas de interferência
desenvolvimento da ser adequada ao uso das vias, entre a iluminação pública e
arborização urbana de forma evitando-se interferências a arborização podem ser
compatível com a qualidade com as redes de iluminação e evitados com a implantação
requerida para a iluminação de distribuição de energia das mesmas em lados
pública. elétrica. opostos nas vias, quando
possível. Caso contrário, a
adoção de luminárias
adequadas é necessária para
se preservar a arborização.
I L U M I N A Ç Ã O P Ú B L I C A 51

3.6.2 Sugestões para a Substituição de Lâmpadas, visando à melhor eficiência da


Iluminação Pública

A tabela a seguir apresenta sugestões para a substituição de lâmpadas, indicando uma correspondência
entre suas potências que possibilita a redução do consumo de energia elétrica e o simultâneo aumento no
fluxo luminoso.

TABEL A DE SUBSTITUIÇ ÃO DE LÂMPADA S

LÂMPADAS EXISTENTES ALTERNATIVAS DE SUBSTITUIÇÃO

Lâmpadas de vapor de mercúrio Lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão


80W 70W
125W 100W
250W 150W
400W 250W
700W 400W
Lâmpadas mistas
160W 70W
250W 100W
500W 150W
Lâmpadas incandescentes
100 a 300W 70W
500W 100W
1000W 150W
Lâmpadas fluorescentes tubulares
2 x 40W 70W
110W 70W

Fonte: Manual RELUZ, Eletrobrás/PROCEL, 2003

3.6.3 Concepção de Novas Instalações

PROJETOS CRITÉRIOS E RECOMENDAÇÕES COMENTÁRIOS

Expansão e Os principais pontos a serem considerados Projetos criteriosamente elaborados vão


remodelação da na concepção de novos projetos ou na reduzir custos na implantação, no consumo
Rede de Iluminação remodelação de redes são: de energia elétrica e na manutenção futura da
Pública ■ zoneamento e classificação dos rede de iluminação pública.Seus principais
logradouros por tipo e conforme as parâmetros de controle são o nível de
características de uso, tráfego de veículos iluminamento, a uniformidade e o controle de
e pedestres; ofuscamento.A evolução da normalização em
■ níveis de iluminamento adequados; vários países vem indicando a utilização da
■ escolhas das lâmpadas e luminárias; luminância como grandeza a ser especificada
■ localização dos pontos com luminárias; para a elaboração dos projetos de iluminação
52 I L U M I N A Ç Ã O P Ú B L I C A

PROJETOS CRITÉRIOS E RECOMENDAÇÕES COMENTÁRIOS

Expansão e ■ cálculo do iluminamento. pública. A vantagem desta mudança está no


remodelação da A NBR 5101 estabelece a classificação fato que ela indica a iluminação que chega ao
Rede de Iluminação geral dos logradouros, por zona e tipo, e observador, ao passo que a grandeza
Pública fixa os níveis mínimos de iluminamento iluminamento indica o fluxo luminoso que
(cont.) conforme a intensidade de tráfego de incide sobre a via. Trata-se, portanto, de um
veículos e de pedestres. procedimento mais preciso, porém de maior
dificuldade de realização. Exige melhores
características ópticas das luminárias e
pavimentos, bem como medições de difícil
realização com aparelhos especiais.
Lâmpadas com maior fluxo e rendimento Esta escolha permite maior espaçamento
luminoso, maior vida útil e menor perda entre luminárias, mantendo-se níveis
no fluxo luminoso ao longo da mesma adequados de uniformidade e ofuscamento.
devem ser selecionadas. As luminárias A vida útil esperada para a lâmpada também
devem ser escolhidas em função do tipo fica assegurada.
de lâmpada, possibilitando o melhor
rendimento do conjunto.
Preferir luminárias de fácil instalação e É uma característica desejada sobretudo
manutenção, com equipamentos quando se têm em conta as dificuldades
auxiliares alojados na mesma. operativas em vias de grande intensidade de
tráfego. Em caso de falhas, pode-se trocar o
conjunto completo, luminária com lâmpada e
equipamentos auxiliares, e proceder à
manutenção em oficina própria.
O iluminamento mínimo no eixo da via Para um mesmo conjunto lâmpada e
não deverá ser inferior a um quarto do luminária, grandes espaçamentos produzem
iluminamento máximo no mesmo eixo. um baixo fator de uniformidade, o que é
Ou seja, a uniformidade longitudinal deve indesejável. Proximidade excessiva implicará
ser superior a 0,25.A uniformidade geral maior consumo de energia elétrica. No geral,
sobre as vias deve variar entre 0,05, para obtém-se uma iluminação satisfatória com o
as vias de tráfego leve, até 0,2, para os espaçamento entre duas luminárias medindo
casos de vias de tráfego intenso.O nível de de três a quatro vezes a sua altura em relação
iluminamento mínimo, nestas mesmas ao nível da via. Na maioria dos casos,
situações, deve variar entre 3 lux até 50 entretanto, este espaçamento está fixado
lux.Trabalhando-se com a luminância, nas pelo uso do poste da rede de distribuição de
mesmas condições de via, os seus valores energia elétrica. Neste caso, é o conjunto
devem estar entre 0,5 cd/m2 e 2 cd/m2 lâmpada e luminária que garantirá o bom
respectivamente. iluminamento de via.
Os equipamentos auxiliares devem ser Esta medida prolonga a vida útil das lâmpa-
compatíveis com as lâmpadas das e reduz o número das intervenções
selecionadas e devem apresentar alta corretivas de campo. Deve-se ter rigor na
qualidade de desempenho operacional. especificação e na inspeção para recebimento
destes materiais. Rejeitar aqueles que não
correspondam às especificações.
I L U M I N A Ç Ã O P Ú B L I C A 53

PROJETOS CRITÉRIOS E RECOMENDAÇÕES COMENTÁRIOS

Expansão e Preferir o sistema de comando dos Possibilita melhor desempenho quanto à


remodelação da acendimentos e desligamentos por regularidade de funcionamento e controle do
Rede de Iluminação grupos de luminárias. ofuscamento no início da noite e favorece a
Pública introdução de automação com telecomando.
(cont.) Estabelecer uma padronização própria de A padronização permite a racionalização dos
equipamentos e componentes da rede de estoques, redução dos custos com a aquisição
iluminação pública para o Município. de seus itens, o treinamento de pessoal e o
Cadernos de referência são de grande acompanhamento do desempenho dos
utilidade para o estabelecimento de equipamentos e componentes da rede de
especificações, acompanhadas de iluminação pública.Os cadernos de referência
histórico de desempenho e de relatórios permitem o registro de informações relevan-
de qualidade. tes que orientarão as especificações dos
materiais e equipamentos, a elaboração de
novos projetos e de técnicas mais avançadas
de manutenção. Trata-se da fixação do know-
how no setor o que implica maior qualidade e
economia para o serviço de iluminação
pública.

3.6.4 Outros Projetos de Iluminação Pública

PROJETOS CRITÉRIOS E RECOMENDAÇÕES COMENTÁRIOS

Iluminação Empregar lâmpadas com alto índice de Valoriza o patrimônio histórico e cultural local
especial reprodução de cores, o que é mais e embeleza praças, centros ou praias onde
coerente com os efeitos luminosos que se ocorrem atividades sociais, culturais,
pretende produzir. Projetos para ilumina- comerciais, de lazer e turismo. A implantação
ção de destaque exigem a competência de deste tipo de equipamento urbano pode
especialistas. trazer benefícios significativos para a
comunidade local, para visitantes e para a
Administração Municipal.
Sinalização Introduzir a nova tecnologia utilizando, Apresentam alta eficiência luminosa e vida
semafórica por exemplo, os leds (diodos emissores de útil 100 vezes maior que as lâmpadas
luz) para semáforos. incandescentes. Oferece mais segurança
devida à melhor visibilidade, além da grande
economia de energia e nos custos de
manutenção. Aumenta também a confiabili-
dade do sistema.
Passagem de Para as áreas de passagem de pedestres, São áreas onde medidas preventivas para a
pedestres recomenda-se o uso de projetores. segurança contra a criminalidade, como a
iluminação, são imprescindíveis.
54 I L U M I N A Ç Ã O P Ú B L I C A

PROJETOS CRITÉRIOS E RECOMENDAÇÕES COMENTÁRIOS

Favelas e Projetos diferentes dos padrões usuais Estas áreas, onde habita um grande número
assemelhados podem ser executados. Considerar o uso de famílias, não podem continuar desprovi-
de lâmpadas fluorescentes compactas. Já das do serviço de iluminação pública. Suas
existem no mercado luminárias adequadas características, com traçado de vias irregula-
ao seu uso em áreas externas. res, exigem soluções originais e que podem
contemplar o uso de iluminação de alta
eficiência energética.

3.7 Marcos Legais

■ Constituição Federal de 1988 artigo 30. “Legislar sobre assunto de interesse social; suplementar a legislação
federal e estadual no que lhe couber; instituir e arrecadar tributos de sua competência, bem como aplicar
suas rendas; criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual; organizar e prestar, direta-
mente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local”.
■ Plano Nacional de Segurança – “AVANÇA BRASIL”
■ Resolução ANEEL nº 456/2000, artigo 2º item XXIV. Define que “a iluminação pública é um serviço que tem
por objetivo prover de luz, ou claridade artificial, os logradouros públicos no período noturno ou nos
escurecimentos diurnos ocasionais, inclusive aqueles que necessitam de iluminação permanente no perí-
odo diurno.”

NORMAS E PADRÕES

A iluminação pública está sujeita à normalização específica, estabelecida pela ABNT e pela ANEEL. Entre as
normas mais significativas, destacam-se:

Iluminação pública:
ANEEL Portaria 456/2000 – Condições gerais de fornecimento de energia elétrica.
NBR 5101/1992 – Requisitos mínimos à obtenção de uma visibilidade imediata acurada e suportável.
NBR 5461/1992 – Iluminação, terminologia.
NBR 6146/1980 - Invólucros de equipamentos elétricos; proteção-especificação.

Luminárias:
NBR 10304/1988 – Luminária aberta para iluminação pública, lâmpadas a vapor de mercúrio de 80/125W e
sódio 50/70W.
NBR 10672/1989 – Luminária para iluminação pública, fechada para lâmpadas a vapor de mercúrio 250 e 400W.
I L U M I N A Ç Ã O P Ú B L I C A 55

Lâmpadas:
NBR IEC 60188/1997 – Lâmpada a vapor de mercúrio de alta pressão.
NBR IEC 60662/1997 – Lâmpada a vapor de sódio de alta pressão.
NBR IEC 61167/1997 - Lâmpada a vapor metálico.

Reatores:
NBR 13593/1996 – Reator e ignitor para lâmpadas a vapor de sódio de alta pressão – Especificação e ensaios.
NBR 5170 – Reator para lâmpadas de mercúrio de alta pressão – Ensaios.
NBR 5125/1996 – Reator para lâmpada vapor de mercúrio a alta pressão.
NBR 14305/1999 – Reator e ignitor para lâmpada a vapor metálico – requisitos e ensaio.

Relés:
NBR 5123/1992 – Relés fotoelétricos – Especificação.
56 P R É D I O S P Ú B L I C O S

4 Prédios Públicos

4.1 Introdução

Na Matriz Energética Brasileira, o consumo de energia elétrica nos prédios públicos representa cerca de 3%
do total de energia. A resultante deste consumo está vinculada aos padrões tecnológicos e de eficiência
energética dos diversos sistemas e equipamentos instalados, às suas características construtivas e arquitetônicas,
ao clima local, à atividade a que se destina e à orientação e hábitos dos usuários quanto ao uso racional dos
recursos.

Distribuição do perfil de consumo de energia elétrica em prédios públicos.

Fonte: Orientações gerais para conservação de energia elétrica, 2002 – ELETROBRÁS/PROCEL.

Algumas características arquitetônicas devem ser pensadas por ocasião do projeto, como a orientação
geográfica, forma da edificação, uso de vidros, isolamentos térmicos, cores internas e externas, sombreamento,
processo construtivo e outras. Estes fatores, compatibilizados com os projetos eficientes de iluminação e ar-
condicionado, são oportunidades significativas de ganhos de conforto ambiental e de eficiência energética
nas edificações Estes mesmos elementos devem ser considerados na implementação de medidas de eficiên-
cia às edificações existentes. A adoção de equipamentos tecnologicamente mais avançados e eficientes re-
duz o consumo de energia e o impacto ambiental.
P R É D I O S P Ú B L I C O S 57

As medidas visam à conservação da energia elétrica e de recursos financeiros públicos. A eliminação dos
desperdícios pode gerar recursos que são contabilizados durante toda vida útil dos projetos, permitindo que
sejam utilizados em outras atividades prioritárias da Administração Pública, como saúde e educação.

É de suma importância a criação da UGEM nos moldes da Comissão Interna de Conservação de Energia –
CICE, para implantar e consolidar as ações de eficiência energética, conforme descrito no Capítulo 1 – Gestão
Energética Municipal.

Uma das categorias do “Prêmio PROCEL – Cidade Eficiente em Energia Elétrica”, reconhece experiências
com projetos de Prédios Públicos Eficientes no uso eficiente da energia elétrica. Vale a pena participar.

4.2 Pontos-Chaves

■ Substituir lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas, e fluorescentes normais por mode-
los eficientes com reatores eletrônicos.
■ Avaliar a possibilidade de utilizar sistema informatizado de gerenciamento de energia elétrica.
■ Estabelecer rotinas administrativas quanto ao uso eficiente dos sistemas de iluminação, ar-condicio-
nado e dos demais equipamentos dos prédios.
■ Programar os equipamentos de escritório, como monitores, impressoras a laser e copiadoras, para
funcionar no modo econômico, reduzindo o consumo de energia dos mesmos.
■ Utilizar motores eficientes nas bombas, compressores e máquinas; avaliar o fator de potência dos
motores. Se necessário, fazer a correção dos mesmos e controlar seu horário de funcionamento.
■ Fazer avaliações periódicas dos sistemas funcionais do edifício. Evitar desperdícios contínuos de ener-
gia e buscar soluções inteligentes para reduzir os custos operacionais e aumentar o conforto e a
qualidade ambiental do prédio.
■ Verificar os contratos de fornecimento de energia elétrica com vistas ao uso adequado de sua utiliza-
ção (ver Capítulo 8 - Revisão do Contrato de Fornecimento de Energia Elétrica).

4.3 Edificação e Equipamentos

Existem diversos tipos de prédios públicos, tais como escolas, hospitais, postos de saúde, delegacias, prédios
administrativos etc. Cada tipo de edificação deve ser projetado, construído e reformado para melhor atender
às funções para as quais é criado ou transformado, considerando sempre as características climáticas locais.
As especificidades no uso dos prédios determinam diferenças na arquitetura e nos equipamentos ou siste-
mas instalados em cada prédio.
58 P R É D I O S P Ú B L I C O S

■ A edificação, de acordo com seu uso e localização, pode possuir os seguintes sistemas prediais consumido-
res de energia elétrica:
■ iluminação e tomadas de energia;
■ ar-condicionado;
■ bombeamento de água e esgoto;
■ aquecimento de água e ar;
■ elevadores;
■ refrigeração e;
■ outras utilidades de menor consumo.

O sistema corrente de iluminação normalmente adotado nos prédios públicos caracteriza-se pelo uso de
lâmpadas incandescentes e lâmpadas fluorescentes de 40W com reatores eletromagnéticos de baixo fator de
potência e luminárias de baixa eficiência. Ainda é muito comum o uso de instalações com controle centrali-
zado de circuitos, sem interruptores setorizados nos ambientes de trabalho.

O sistema típico de condicionamento de ar nos prédios públicos caracteriza-se pelo uso de aparelhos de
janela, que são muitas vezes instalados e/ou utilizados inadequadamente devido à sua exposição à radiação
solar, ao sub ou superdimensionamento e à manutenção inadequada.

Nos prédios de maior porte, com sistema de ar-condicionado central, verifica-se, em geral, a baixa eficiên-
cia energética deste sistema devido à idade e ao padrão tecnológico, à inexistência ou funcionamento inade-
quado dos instrumentos e estratégias de controle, em especial nas unidades resfriadoras de ar – fan coils – e
na central de água gelada (CAG), assim como à baixa qualidade operacional e de manutenção.

As bombas de recalque raramente utilizam motores de elevada eficiência, como também carecem, na sua
maioria, de controle de horário de funcionamento.

Os sistemas de refrigeração de alimentos utilizam equipamentos padronizados, como refrigeradores e freezer,


e, em casos excepcionais, compressores em câmeras frigoríficas. Pelas características próprias de utilização,
são de funcionamento contínuo e raramente estão baseados em equipamentos de máxima eficiência, com
selo do PROCEL.

Aquecimento de água para grandes volumes normalmente é usado através de um boiler elétrico, que é
um reservatório isolado e com uma resistência elétrica e um dispositivo de controle de temperatura, como
tecnologia alternativa temos um sistema semelhante em que o aquecimento é feito através de coletores
solares.
P R É D I O S P Ú B L I C O S 59

Transporte vertical ou elevadores são um sistema de tração elétrica de uma cabine sustentada por vários
cabos de aço, polias e um contrapeso; os sistemas de acionamento são de corrente contínua; é um motor
assíncrono acionando um gerador síncrono de corrente contínua que gera energia e alimenta o motor de
corrente contínua acoplado ao redutor de velocidade que movimenta a cabine , ou acionamento de corrente
alternada com motor assíncrono, ligado direto ao redutor de velocidade que movimenta a cabine

4.4 Gerenciamento e Manutenção dos Prédios Públicos

A Gestão Energética dos Edifícios Públicos, incluindo a fase de planejamento e execução de obras, requer a
adoção de estratégias gerenciais adequadas. Estas estratégias devem considerar a importância de realizar
levantamentos dos sistemas elétricos existentes nos edifícios, investigar hábitos de uso da edificação e dos
sistemas elétricos implantados, conhecer a opinião dos usuários e técnicos do edifício sobre a qualidade dos
sistemas instalados e formar grupos de trabalho que executem ou contratem diagnósticos energéticos, obras
e serviços selecionados, envolvendo as equipes de manutenção e de técnicos do edifício.

Apresenta-se, a seguir, o roteiro básico para a realização de diagnósticos energéticos em prédios:

1) LEVANTAMENTO DE DADOS DAS CONTAS DE ENERGIA ELÉTRICA:


■ Levantamento de dados da série histórica das contas de energia dos 12 ou 24 meses anteriores, organizan-
do as informações fundamentais (consumo em kWh, demanda em MWkW, fator de potência, fator de
carga, multas, ajustes, valores em reais) que devem ser incluídas no SIEM. Os dados históricos devem ser
analisados para a definição do padrão médio de uso de energia realizado e esperado, após a implementa-
ção das medidas selecionadas. O acompanhamento das contas de energia deve ser atualizado mensal-
mente, fazendo-se o controle e o acompanhamento, através dos relatórios emitidos pelo SIEM, evitando-
se, assim, o pagamento de multas ou desperdícios de energia.

2) LEVANTAMENTO DOS DADOS FÍSICOS DO PRÉDIO E DE SEUS SISTEMAS ELÉTRICOS:


■ Esta etapa refere-se ao levantamento de todos os dados da edificação e de seus sistemas elétricos visando
ao planejamento das ações de eficiência energética a serem implementadas. Posteriormente estas infor-
mações também devem ser incluídas no SIEM.

3) SUGESTÕES DE MEDIDAS A SEREM IMPLEMENTADAS:


■ Alterações de tarifa ou contrato de demanda de energia elétrica, otimizando-os em função do padrão de uso.
■ Gestão do uso da energia no edifício. Por exemplo, evitando, na medida do possível, a limpeza fora do
horário de uso da edificação.
■ Evitar equipamentos de escritório permanentemente ligados.
60 P R É D I O S P Ú B L I C O S

■ Realizar manutenção periódica dos equipamentos e sistemas, evitando fugas de corrente, luminárias e
filtros sujos, circuitos e motores sobrecarregados, circuitos desbalanceados e outros. Veja a seguir, o item 4
de Manutenção.
■ Substituir equipamentos existentes por equipamentos mais eficientes energeticamente.

4) MANUTENÇÃO:
■ A manutenção é de suma importância para garantir a redução dos desperdícios de energia elétrica. A
manutenção inadequada aumenta o desgaste dos equipamentos instalados, reduzindo a vida útil, a efici-
ência e incrementando o consumo, acarretando aumento das faturas de energia elétrica para o adminis-
trador, além da redução do conforto para os usuários da edificação.

É importante o cadastro atualizado dos equipamentos, verificando o estado corrente de conservação, ida-
de e limpeza.

4.5 Projeto de Prédio Público Eficiente em Energia Elétrica

4.5.1 Ações sobre as Instalações Existentes

A partir do levantamento de dados relativos ao uso de energia na edificação e do registro deles, deve-se
proceder à seleção das ações visando à redução do desperdício de energia. Há uma metodologia indicada,
utilizada para a elaboração do PLAMGE, no Capítulo 1 – Gestão Energética Municipal.

A seguir são apresentadas as principais oportunidades de redução de desperdícios nos diversos sistemas
operacionais de um edifício:

A ELETROBRÁS, por meio do PROCEL, apóia o desenvolvimento socioeconômico dos Municípios atra-
vés da eficiência energética nos prédios públicos e nas edificações com os programas PROCEL EPP e
PROCEL EDIFICA e com a Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica – RCE. As formas de procedimento
estão disponíveis no Manual de Prédios Eficientes em Energia Elétrica, com informações mais detalha-
das a respeito deste assunto. Informe-se em www.rce.org.br.
P R É D I O S P Ú B L I C O S 61

SISTEMA AÇÃO COMENTÁRIO

Substituição de Substituir as lâmpadas incandescentes Esta substituição deve ser feita especialmente
lâmpadas, reatores por lâmpadas fluorescentes compactas. quando o uso médio diário for superior a seis
e luminárias horas. Considerar a relação de potência na
troca e observar sua adequação às normas.
Substituir as lâmpadas fluorescentes de Esta substituição deve incluir a troca dos
40W por fluorescentes de 32 ou 28W. reatores eletromagnéticos por reatores
Substituir as lâmpadas fluorescentes de eletrônicos de alto fator de potência.
20W por fluorescentes de 16 ou 14W.
Substituir as luminárias de baixa eficiência Considerar a utilização de luminárias de
por luminárias de alta eficiência. alumínio anodizado, especular ou material
similar.
Melhorar a qualidade da iluminação. Adequar os equipamentos às tarefas desem-
penhadas nos ambientes, respeitando as
normas vigentes.
Retrofit de Melhorar a eficiência das luminárias. Instalar refletores de alumínio anodizado,
luminária especular ou pintar com epóxi branco.
Melhorando a eficiência, poderá haver uma
redução da potência da luminária (4 lâmpa-
das para 2 ou de 2 para 1, com respectivas
alterações nos reatores).
Iluminação natural Aproveitar ao máximo a iluminação Compatibilizar, sempre que possível, o uso da
natural. iluminação natural com a artificial, conside-
rando os ganhos de carga térmica que podem
estar associados e avaliando os benefícios
que podem resultar deste uso.
Controle de Controlar os sistemas de iluminação. Avaliar a possibilidade de utilização de
iluminação interruptores, sensores ou controladores.
Evitar os circuitos controlados por um único
disjuntor. Setorizar os circuitos de iluminação
em cada ambiente de trabalho. Setorizar os
circuitos mais próximos das janelas, a fim de
aproveitar iluminação natural.
Adequação de Avaliar a adequação do sistema instalado Considerar a idade do sistema. Em caso de
capacidade dos às necessidades do edifício.Observar o substituição total, dimensionar os sistemas
sistemas de ar- estado de conservação das instalações.- em função da área do ambiente condicionado
condicionado Dimensionar corretamente a capacidade e da carga térmica estimada. Instalar segundo
dos aparelhos ou dos sistemas de ar- as normas, evitando a insolação direta e a a
condicionado. proximidade ao chão.
Substituição de Substituir equipamentos antigos e O mercado já dispõe de equipamentos com
equipamentos de ineficientes por equipamentos eficientes. elevado padrão de eficiência energética (Selo
ar-condicionado do Procel). Avaliar periodicamente as
condições de funcionamento dos equipa-
mentos e implantar um processo de substitui-
ção gradual baseado na eficiência energética.
62 P R É D I O S P Ú B L I C O S

SISTEMA AÇÃO COMENTÁRIO

Retrofit do sistema Renovar os sistemas de ar-condicionado Fazer um retrofit das instalações para a
atual de ar- central. otimização energética. Se necessário, instalar
condicionado válvulas de duas vias e variadores de freqüên-
cia nas bombas, implantar o ciclo
economizador (controle entálpico) e sistemas
de controle para o gerenciamento integrado
do sistema.
Termoacumulação Avaliar a possibilidade de utilizar a Analisar a oportunidade de implantar um
termoacumulação. sistema de termoacumulação, de gelo ou
água gelada, para ser utilizado no horário de
ponta. Seu uso ocorre, principalmente, em
edifícios de grande porte e com funciona-
mento contínuo.
Redução das perdas Promover campanha incentivando a Já existem no mercado equipamentos
de água redução do consumo de água de modo a economizadores e temporizadores, reduzindo
diminuir o consumo de energia elétrica. o consumo de água e energia.
Instalar torneiras e descargas
economizadoras. Eliminar vazamentos
de água. Avaliar a possibilidade do
aproveitamento da água da chuva.
Controle do ar- Gerenciar adequadamente o uso do Sendo um dos principais consumidores de
condicionado ar-condicionado. energia de uma edificação, sua utilização
deve ser evitada no horário de ponta.
Controlar com programação horária ou com
sistemas de controle.
Transporte vertical Respeitar a capacidade de transporte do Fazer retrofit nos sistemas antigos.Gerenciar o
elevador.Estabelecer rotinas de operação fluxo de trafego, que permita o desligamento
com desligamento nos horários de menor de elevadores em horários de menor fluxo de
demanda. passageiros.
Bombas hidráulicas Troca de motores para motores de alto Manutenção constante dos motores e do
rendimento. Eliminação de vazamentos sistema hidráulico (eliminação de
de águas. Dimensionamento correto da vazamentos). Não fazer reenrolamento de
bomba estabelecendo o ponto de motores e fazer a substituição por um novo
operação correto (vazão x altura de alto rendimento. Aplicar tecnologia mais
manométrica). Para sistemas maiores usar eficiente no uso de bombas e aplicação de
conversores de freqüência. conversor de freqüência.
Redução da carga Considerar a possibilidade de substituição Reduzir a absorção de carga térmica através
térmica dos materiais existentes por outros das coberturas, paredes e esquadrias,
energeticamente mais eficientes.Avaliar a diminuindo o desconforto térmico e o
possibilidade de utilizar materiais isolantes, consumo de energia. Incorporar dispositivos
filmes reflexivos sobre os vidros, vidros no Código de Obras e Edificações do Municí-
reflexivos, cores claras nas fachadas, brises pio, que visem assegurar o conforto ambien-
ou outros elementos de proteção à tal e o planejamento urbano e o uso eficiente
radiação solar direta nas fachadas etc. da energia elétrica.
P R É D I O S P Ú B L I C O S 63

SISTEMA AÇÃO COMENTÁRIO

Compras eficientes As compras devem privilegiar os modelos Materiais e equipamentos empregados na


energeticamente eficientes com o Selo edificação devem ser comprados consideran-
Procel e o Caderno de Encargos de do os padrões de eficiência energética
Compras de Equipamentos do Município. definidos pelo Município.
Uso eficiente dos Configurar os computadores, impressoras Esta medida pode ser realizada sem
equipamentos de e máquinas copiadoras para o modo investimento e pode reduzir o consumo de
escritório econômico. energia elétrica destes equipamentos em
cerca de 50%.
Acompanhamento Acompanhar o consumo de energia e o Evitar o pagamento desnecessário de
do uso e das valor das faturas. demanda contratada acima da registrada, de
despesas de ultrapassagens de demanda e de ajustes de
energia fator de potência.
Sistema de Avaliar a possibilidade de utilização de um Este sistema auxilia a gestão energética
gerenciamento de sistema informatizado de gerenciamento através do acompanhamento dos consumos e
energia de energia elétrica. gastos com energia, gerando relatórios
periódicos e alertando sobre problemas.

4.5.2 Concepção de Novas Instalações

A construção de uma edificação demanda o consumo de energia elétrica ao longo de todo o seu processo.
Trataremos neste item somente das possibilidades de redução do consumo de energia elétrica durante o uso
da edificação.

Neste sentido, a etapa de elaboração do projeto de arquitetura é determinante do perfil de consumo que
a edificação assumirá quando construída. A inclusão dos princípios de eficiência energética no planejamento
da edificação definirá o seu desempenho em relação ao consumo de energia elétrica e o conforto ambiental,
tendo em vista as possibilidades de economia que podem resultar do uso de métodos passivos de iluminação
(iluminação natural) e climatização (ventilação natural), e ainda da otimização do uso da água nos edifícios.

Estabelecer instrumentos legais como, Plano Diretor, Código de Obras e Edificações, e o Caderno de Encar-
gos de Compras de Equipamentos, visando ao planejamento integrado de ações de eficiência energética nos
Municípios, é de suma importância, visto que são instrumentos básicos de planejamento para a política inte-
grada de desenvolvimento do Município.

Os projetos de arquitetura com a visão do conforto ambiental levam em consideração um ambiente sau-
dável que atenda às necessidades orgânicas dos usuários com o menor consumo de energia possível, consi-
derando basicamente condições higrotérmicas (temperatura e umidade), lumínicas e acústicas, qualidade do
ar, condições de microclima e entorno externo.
64 P R É D I O S P Ú B L I C O S

A seguir são apresentadas algumas dicas para projeto e construção de uma edificação eficiente do ponto
de vista energético:
■ Elaborar o projeto considerando os aspectos climáticos e ambientais da região.
■ Criar condições para que as equipes de arquitetos, engenheiros e projetistas dos projetos complementa-
res (ar-condicionado, iluminação etc.) façam uma análise crítica dos projetos arquitetônicos e de instala-
ções do edifício, para garantir que sejam especificados e detalhados os procedimentos e conceitos adotados
para a maximização da eficiência energética da edificação. Se possível, deve-se simular o comportamento
energético do edifício com softwares específicos.
■ Estudar a possibilidade de utilizar as sombras das árvores no entorno da edificação para melhorar o clima
interno.
■ Implantar a edificação considerando: posição do sol, regime de ventos, existência de reservas naturais,
legislação local, construções vizinhas, seus gabaritos etc. Estas medidas podem reduzir a carga térmica
incidente e proporcionar condições favoráveis ao uso da iluminação e da ventilação naturais.
■ Avaliar a possibilidade de utilização da ventilação natural no futuro edifício. Selecionar esquadrias compa-
tíveis com as necessidades locais, atentar para o seu posicionamento e orientação nas fachadas e adequar
suas dimensões aos requisitos de conforto ambiental. Quando o uso de sistemas de condicionamento de
ar for imprescindível, dotar a edificação com condições de compatibilizar o uso deste sistema ao uso da
ventilação natural em determinados períodos do dia.
■ Sempre que possível, conceber os espaços internos da edificação voltados para as fachadas, considerando
suas dimensões em relação às possibilidades de serem naturalmente iluminados e ventilados.
■ Usar materiais e acabamentos adequados à região e às suas características climáticas. Isolar o calor, o frio e
a umidade, sempre que necessário. Estar atento aos ganhos de carga térmica através das fachadas e da
cobertura, utilizando materiais isolantes e/ou reflexivos.
■ Evitar fachadas de vidro expostas à radiação solar direta por períodos prolongados. Quando não for possí-
vel, utilizar elementos sombreadores ou vidros reflexivos e com baixa capacidade de absorção de calor.
■ Dar preferência às cores claras para as superfícies da edificação, pois, no exterior do edifício, absorvem
menos calor do que as escuras e, no interior, reduzem a carga de iluminação artificial.
■ Definir corretamente a capacidade de cada aparelho de ar-condicionado de janela em função da área do
ambiente. Dar preferência aos equipamentos de maior eficiência (Selo PROCEL) e evitar instalá-los expos-
tos ao sol.
■ Utilizar sistemas de aquecimento de água centralizado, a gás, elétrico ou solar.
■ Especificar equipamentos, motores, bombas etc., adequados às necessidades e com alto rendimento (Selo
PROCEL). Caso o edifício tenha muitos equipamentos com motores e reatores eletromagnéticos, fazer um
estudo do fator de potência das instalações e, se necessário, prever a instalação de um banco de capacitores.
■ Considerar a possibilidade de utilização de sistemas integrados de automação predial (controlador de de-
manda), que podem gerar inúmeros benefícios operacionais, reduzir custos diretos e indiretos com a ope-
ração e manutenção dos edifícios e favorecer a gestão dos usos de energia elétrica.
P R É D I O S P Ú B L I C O S 65

■ Projetar o sistema de iluminação dos ambientes considerando o uso de equipamentos (luminárias, lâmpa-
das, reatores) eficientes. A economia gerada com o uso destes equipamentos compensa o investimento
inicial.
■ Distribuir racionalmente os circuitos de iluminação, permitindo a compatibilização do uso da iluminação
natural e artificial, através do acionamento parcial nos compartimentos naturalmente iluminados. Usar
interruptores, sensores ou controladores horários.

Além destas dicas, todas as ações listadas no item 5.1 - Ações Sobre as Instalações Existentes, também
devem ser observadas na concepção de novas instalações.

A manutenção adequada do edifício é fundamental para se garantir a redução do desperdício e para man-
ter os padrões de eficiência. A falta de manutenção acelera rapidamente a depreciação dos equipamentos
instalados, tornando-os mais suscetíveis a problemas e gerando desperdícios que poderiam ser evitados atra-
vés do acompanhamento contínuo. Ou seja, a falta ou insuficiência de manutenção gera aumento de despe-
sas para o administrador e redução de conforto para os usuários do edifício.

Para a realização de uma manutenção eficaz nos edifícios, a etapa de levantamento de dados, já mencio-
nada anteriormente, é fundamental. O conhecimento dos equipamentos e de seu atual estado de conserva-
ção permitirá a implementação de manutenção mais adequada ao bom desempenho da edificação.

O uso de energia elétrica, na maioria dos edifícios, está concentrado nos sistemas de iluminação, ar-condi-
cionado e equipamentos diversos, como elevadores, computadores, copiadoras etc. A manutenção deve ser
priorizada sobre estes sistemas e equipamentos de forma a garantir que os mesmos mantenham-se, na maior
parte da sua vida útil, em condições ótimas de funcionamento.

Para qualquer sistema a ser mantido devem ser definidas as rotinas e tarefas de manutenção, conforme
tabela a seguir, que passam necessariamente pelos seguintes passos:
■ Fazer um levantamento de dados detalhado do parque de equipamentos ou sistemas a serem mantidos,
determinando as características individuais, essas informações deverão estar disponibilizadas no SIEM.
■ Definir a equipe de manutenção e as responsabilidades de cada funcionário. Relatórios devem ser elabora-
dos para acompanhar os serviços e os benefícios obtidos nas ações realizadas.
■ Programar o serviço de limpeza dos ambientes, preferencialmente durante o dia, fora do horário de ponta,
desligando a iluminação e os equipamentos utilizados após a conclusão da limpeza.
■ Definir os fornecedores e acompanhar o estoque, avaliando custos médios, velocidade de circulação da
mercadoria em estoque e grau de atualização tecnológica e eficiência energética.
66 P R É D I O S P Ú B L I C O S

■ Utilizar o SIEM no auxílio do gerenciamento da manutenção, mantendo o histórico de cada equipamento,


sistema ou grupo. Paralelamente, manter controle de determinadas necessidades do estoque e da estrutu-
ra de pessoal, gerando automaticamente ordens de serviço a partir de atividades pré-programadas (manu-
tenção preventiva) ou solicitações (manutenção corretiva). A criação de um grupo voltado para o controle
do uso eficiente de energia, pode se basear e se estruturar na CICE (ver Capítulo I). CICE.

SISTEMA / EQUIPAMENTO ATIVIDADES BÁSICAS DE MANUTENÇÃO

Luminárias Manter limpas para permitir a reflexão máxima da luz.Melhorar a eficiência com
troca ou retrofit.
Lâmpadas Manter limpas. Ao trocar, se possível, escolher um tipo mais eficiente e respeitar as
especificações de cor da lâmpada.
Reatores Avaliar o estado de funcionamento e o tempo de uso.Trocar os reatores
eletromagnéticos por eletrônicos.
Filtros de ar Manter os filtros limpos, garantindo a qualidade do ar e a eficiência energética do
equipamento.
Sensores e pressostatos Avaliar o estado de funcionamento. Devem estar perfeitos, pois definem o padrão
de uso.
Válvulas de água gelada Avaliar se existem e o estado de funcionamento.Trocar se necessário.
Equipamentos de Manter ativa a função “Economizando Energia” nos computadores, monitores e
escritório copiadoras.
Motores Avaliar o estado e o regime de funcionamento.Testar o fator de potência e instalar
‘capacitores, se necessário. Se queimar, troque por um eficiente.

4.6 Descrição dos Principais Equipamentos

A seguir, apresentam-se os principais equipamentos utilizados numa edificação e áreas vinculadas que de-
vem ser objeto de análise quanto à sua eficiência e ao seu padrão de utilização:

TIPO CARACTERÍSTICA BÁSICA

Luminárias Comum Baixo custo e baixa eficiência no aproveitamento da luz.


Reflexivas simples Custo médio e eficiência elevada.
Reflexivas com difusor Custo alto, eficiência e qualidade elevada de iluminação.
Lâmpadas Incandescentes Custo baixo e muito baixa eficiência. Uso interno.
Fluorescentes Eficientes e indicadas para uso intenso. Uso interno.
■ fluorescentes tubulares Custo médio e muito utilizadas em ambiente interno,
garagens.
■ fluorescentes compactas Custo alto. Substituem as incandescentes quando ligadas
por períodos longos no dia.
P R É D I O S P Ú B L I C O S 67

TIPO CARACTERÍSTICA BÁSICA

Lâmpadas Vapor de mercúrio São utilizadas em iluminação de pátio, estacionamento


aberto. Razoável eficiência.
Vapor de sódio Substituem as de mercúrio, mesmo com maior custo.
Possuem alta eficiência com uso crescente na iluminação
de pátios e estacionamentos abertos .
Multivapor metálico Também substituem as de mercúrio, com maior custo.
Excelente reprodução de cores. Possuem alta eficiência
com uso crescente. Indicada para quadras de esportes.
Reatores Eletromagnéticos Baixo custo e baixa eficiência. Muito usados nos prédios
públicos.
Eletrônicos Alto custo e alta eficiência. Uso crescente em novos
projetos e reformas.
Ar-condicionado Parede ou janela Para ambientes pequenos. Baixo custo e baixa eficiência.
Comprar equipamentos com o Selo PROCEL.
Self contained Para ambientes médios. Custo e eficiência média.
Split Para ambientes pequenos e médios. Custo médio.
Central Para grandes áreas. Custo inicial alto e operacional baixo.
Equipamentos Computador (CPU) Baixo consumo. Programar modo econômico.
de escritório Monitor Baixo consumo. Programar modo econômico.
Impressora - laser Consumo elevado. Programar modo econômico.
Jato de tinta Baixo consumo. Usar prioritariamente.
Matricial Baixo consumo.
Copiadora Consumo elevado.
Vidros Transparente Comum e muito utilizado. Baixo custo e baixa eficiência.
Baixa emissividade Reduzem a passagem de calor e de luz. Custo e eficiência
variam com o tipo e propriedade de controle do vidro.
Materiais isolantes Isolantes térmicos Reduzem a passagem de calor pelas paredes e
coberturas. Os mais usados são poliuterano expandido, lã
de rocha, lã de vidro, poliestireno expandido e a
vermiculita. Custo e eficiência variam de acordo com o
tipo de material isolante.
Transporte vertical Elevadores Optar por elevadores com motores de alta eficiência,
variador de freqüência e sistemas de controle modernos.
Instalar controladores de tráfego.
Transporte vertical Escadas rolantes Especificar escadas rolantes com motores de alta
eficiência, sensores de presença e variador de freqüência.
Caldeiras Flamotubular Especificar as bombas centrífugas com motores de alto
rendimento.
Bombas centrífugas Recalque Especificar e dimensionar adequadamente as bombas
com motores de alto rendimento, eliminar os vazamentos
de água, evitando os desperdícios.
Motores elétricos Diversos Dimensionar adequadamente os motores e dar
preferência aos de alto rendimento, e que tenham o Selo
PROCEL.
68 P R É D I O S P Ú B L I C O S

4.7 Mar
Marccos Legais
Legais

■ Constituição Federal de 1988 artigo 182 e a regulamentação pela Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001,
denominada “Estatuto da Cidade”, estabelece diretrizes gerais da política de desenvolvimento e expansão
urbana, especificamente com a obrigatoriedade de elaboração do Plano Diretor Municipal, suportado pe-
los demais instrumentos legais, Transporte Urbano, Código de Obras e Edificações, Perímetro Urbano, Uso
e Ocupação do Solo/Zoneamento e Parcelamento do Solo e Cadernos de Encargos de Compras de Equi-
pamentos.
■ Lei de Eficiência Energética nº 10.295, de 17 de outubro de 2001, que dispõe sobre a Política Nacional de
Conservação e Uso Racional de Energia, visando à alocação de recursos energéticos e à preservação do
meio ambiente.
■ Resolução ANEEL nº 456/2000 – condições gerais de fornecimento de energia elétrica, que estabelece as
relações entre consumidor e concessionária de energia.
■ Decreto Presidencial de 08 de dezembro de 1993 – dispõe sobre a criação do Selo de Eficiência Energética.

Legislação básica que regula os aspectos relacionados à eficiência energética e questões vinculadas a edi-
ficações:

■ NBR 5410 – Instalações elétricas de baixa tensão


■ NBR 5413 – Iluminância de interiores
■ NBR 6401 – Instalações elétricas de ar-condicionado para conforto
parâmetros básicos de projetos
procedimentos

Para informações gerais sobre a edificação, ventilação, iluminação natural, afastamentos e outras questões
relativas às construções, veja o Estatuto da Cidade, Plano Diretor Municipal, Código de Obras ou Código de
Posturas do Município ou os trabalhos do IBAM e PROCEL sobre este assunto.
S A N E A M E N T O 69

5 Saneamento

5.1 Introdução

O saneamento engloba as ações de abastecimento de água, esgotamento sanitário e pluvial, limpeza urbana
e controle de vetores, sendo a gestão de competência do Poder Público local, podendo este ser o prestador
direto dos serviços ou contratar terceiros.

O saneamento é um campo fértil para o desenvolvimento de ações de redução do desperdício de energia


elétrica, considerando que cerca de 3% do consumo da matriz energética brasileira representam o consumo
de energia do setor. Além disso, sabe-se que o saneamento básico no Brasil encontra-se aquém do nível
satisfatório de atendimento. Esta realidade alerta para a potencialidade do setor na aplicação de ações de
eficiência energética na expansão dos sistemas, que se faz urgente tendo em vista a necessidade de melhoria
da qualidade do meio ambiente.

Neste contexto, as ações relacionadas à gestão dos sistemas de saneamento são essenciais para a preser-
vação do meio ambiente num duplo sentido. Por um lado, ações desta natureza reduzem o consumo de
energia elétrica gerando, em conseqüência, uma redução dos impactos ambientais advindos da oferta de
energia. Paralelamente a essas ações, é importante o desenvolvimento educacional dentro de um conceito
de sensibilização para uma nova mentalidade de redução de desperdício e da questão ambiental, como base
ao princípio do desenvolvimento sustentável local.

Os benefícios da otimização energética e de recursos naturais envolvidos no saneamento são:


■ redução na conta de energia elétrica da Prefeitura;
■ melhoria das condições ambientais e de saúde da população;
■ redução dos custos operacionais e de manutenção dos sistemas envolvidos;
■ aumento da vida útil dos equipamentos;
■ melhor interação dos sistemas de saneamento com o meio ambiente.
70 S A N E A M E N T O

DADOS IMPORTANTES:
■ Mais de 60% dos Municípios brasileiros não contam com destinação adequada para os seus resíduos sóli-
dos urbanos (lixo);.
■ Quanto à reciclagem de materiais: em 2002, o Brasil reciclou 87% do alumínio produzido, 44% do vidro e
41% do papel (fonte: revista Saneamento Ambiental de março/abril/2004);
■ Cerca de 80 milhões de toneladas de lâmpadas fluorescentes são descartadas anualmente no Brasil em lixo
comum.

A ELETROBRÁS, por meio do PROCEL, apóia o desenvolvimento socioeconômico dos Municípios


através da eficiência energética nos sistemas de saneamento com o programa PROCEL SANEAR e
com a Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica – RCE. As formas de procedimento estão dispo-
níveis no Guia Técnico Eficiência Energética nos Sistemas de Saneamento, com informações mais
detalhadas a respeito deste assunto. Informe-se em www.rce.org.br.

A Categoria Saneamento do “Prêmio PROCEL – Cidade Eficiente em Energia Elétrica”, premia o


melhor projeto de uso eficiente da energia elétrica no setor, reconhecendo-o e divulgando-o para
todo o Brasil. Informe-se em www.rce.org.br.

5.2 Pontos-chaves

■ Modular a curva de carga.


■ Utilizar tecnologias energeticamente eficientes.Promover o retrofit de bombas.
■ Sistematizar e adequar os procedimentos operacionais e de gerenciamento.
■ Dimensionar corretamente os sistemas em função das necessidades.
■ Gerenciar o consumo de energia elétrica e os consumos decorrentes.
■ Reduzir das perdas de energia elétrica e de água.
■ Implementar rotina de manutenção dos equipamentos elétricos.
■ Otimizar os contratos de fornecimento de energia elétrica.
S A N E A M E N T O 71

5.3 – Estrutura e Componentes do Sistema

Os sistemas de saneamento mais significativos para uma análise energética são:

SISTEMAS CARACTERÍSTICAS COMENTÁRIOS

Abastecimento de água Alto consumo de energia elétrica Existe uma perda média (técnica e
comercial) de água de 40% e de
energia 20 a 30%
Esgotamento sanitário e pluvial Baixo consumo relativo de energia 85% da população ainda precisam
elétrica ser atendidos satisfatoriamente
Limpeza urbana Possibilidades de gerar energia A co-geração pode complementar a
fase de tratamento dos resíduos

5.3.1 – Sistema de Abastecimento de Água

A água é um elemento imprescindível para a sustentação da vida na Terra. Por isso, as comunidades, ao longo
do tempo, aprimoraram formas variadas de extrair da natureza esse recurso tão necessário ao desenvolvi-
mento de suas atividades. O consumo de água se altera em função de uma série de fatores tais como o clima,
o padrão de vida da população, o sistema de fornecimento e cobrança (serviço medido ou não), a qualidade
da água fornecida, o custo e o sistema tarifário, a pressão na rede distribuidora, a existência ou não de rede de
esgotos, o tipo de uso, além de outros fatores menores.

TIPO INDICAÇÃO CARACTERÍSTICA GERAL

Individual Uma edificação Apresenta maior consumo energético associado


Coletivo Grupos de edificações Unifica a proteção do manancial e a supervisão do sistema

Os sistemas coletivos de abastecimento de água existem para prover a população de uma cidade de água
potável para consumo. Estes são constituídos das fases mostradas na tabela a seguir:

FASE FUNÇÃO TIPO ELEMENTOS COMENTÁRIOS

Captação Retirar água do Manancial ■ Caixa detomada, ■ Os poços artesianos


manancial através subterrâneo ■ Galeriasfiltrantes profundos podem dispensar
de bombas ■ Drenos o recalque da água
elétricas, em ■ Poços rasos ■ A qualidade da água de
quantidade capaz ■ Poços profundos mananciais subterrâneos, às
de atender ao vezes, dispensa tratamento
consumo ■ Além da quantidade e
qualidade da água
72 S A N E A M E N T O

FASE FUNÇÃO TIPO ELEMENTOS COMENTÁRIOS

Retirar água do disponível, deve-se observar


manancial através acesso, disponibilidade de
de bombas energia elétrica para o
elétricas, em funcionamento dos
quantidade capaz equipamentos necessários,
de atender ao desnível e distância ao ponto
consumo de tratamento e de consumo
Manancial ■ Captação direta
superficial ■ Barragem denível
■ Canal dederivação
■ Canal deregularização
■ Reservatórios
deregularização
■ Torre de tomada
■ Poço dederivação
■ Captação de águas de
chuva
Adução Conduzir a água Gravidade Ausência de bombas ■ O tipo misto combina
bruta, através de Recalque Presença de bombas trechos com recalque com a
bombas elétricas, ação da gravidade
da captação ao
tratamento
Tratamento Fornecer água à Clarificação que ■ Tanque ■ Os procedimentos de
população com incorpora as ■ Produtosquímicos tratamento encontram-se
boa qualidade do fases de ■ Mecanismos de reunidos em instalações
ponto de vista coagulação, agitação denominadas Estação de
físico, químico, floculação, ■ Chicanas Tratamento de Água – E.T.A.
biológico e sedimentação e ■ Tanque decantador,
bacteriológico filtragem filtro
Desinfecção Cloro
Fluoretação Sal de flúor
Reservação Regular a Reservatórios ■ Reservatórios apoiados são
distribuição apoiados, mais econômicos
elevados e
standpipes
Distribuição Permitir o acesso à Rede ramificada ■ Nas redes malhadas, a
água por cada Rede malhada água circula em qualquer
edificação direção

O consumo energético na fase de captação é, normalmente, o de maior impacto no consumo total de


energia elétrica de um sistema de abastecimento público de água.
S A N E A M E N T O 73

Figura 1: Sistema de Abastecimento de Água (Fonte: Manual de Eficiência Energética nos Sistemas de Saneamento, PROCEL/IBAM, 1998)

5.3.2 Sistema de Esgotamento Sanitário

O sistema de esgoto sanitário é o conjunto de instalações destinado a coletar, tratar e dispor os esgotos
sanitários de uma dada comunidade, de forma adequada, do ponto de vista sanitário e ambiental.

Os tipos de instalações que podem compor um sistema de esgotos (tubulações, caixas, aparelhos sanitári-
os, etc.) são definidos em função de fatores locais, isto é, do tipo do solo, quantidade de líquido escoado,
número de pessoas, custos, tipos de efluentes, entre outros. Como conseqüência destas características e da
opção adotada pode-se ter um maior ou menor consumo energético associado à operação do sistema.

Os esgotos podem ser levados ao seu destino final sem transporte hídrico, ou seja, sem o uso da água
como veículo de transporte, por questões de escassez de água no local, ou com transporte hídrico. Neste
último caso, há duas soluções possíveis, dependendo da quantidade de usuários atendidos:

TIPO INDICAÇÃO CARACTERÍSTICA GERAL

Individual Uma edificação Apresenta menor consumo de energia


Coletivo Grupos de edificações Facilita o controle ambiental e operacional do sistema

Os sistemas coletivos apresentam-se como opção ambiental e tecnicamente viável quando for alta a den-
sidade ocupacional de uma área e são constituídos pelas fases abaixo:
74 S A N E A M E N T O

FASE FUNÇÃO TIPO ELEMENTOS COMENTÁRIOS

Coleta Receber os Redes ■ Poços de visita ■ Deve-se buscar transportar


esgotos de cada coletoras ■ Estações elevatórias o esgoto através da ação da
edificação e gravidade
encaminhá-los ao
tratamento
Tratamento Remover os Preliminar ■ Grades e peneiras ■ Os procedimentos de
poluentes para ■ Tanques de gordura tratamento encontram-se
suas posterior ■ Tanques de reunidos em instalações
disposição final sedimentação denominadas Estação de
Primário ■ Tanques de Tratamento de Esgoto – E.T.E
decantação
Secundário ■ Aeradores
eletromecânicos
■ Lagoas de
estabilização
■ Reatores anaeróbicos
Terciário ■ Microfiltros porosos
■ Câmara de carvão
ativo
■ Mantas especiais
Disposição Lançar os Redes / Sistemas motobombas ■ Não prejudicar corpos
efluentes tratados emissário receptores com o volume
no solo ou em excessivo de efluentes
cursos d’água

Figura 2 – Sistema de Esgotamento Sanitário e Drenagem Pluvial (Fonte: Manual de Eficiência Energética nos Sistemas de Saneamento,
PROCEL/IBAM, 1998)
S A N E A M E N T O 75

O consumo energético associado nestas etapas está relacionado, geralmente, a motores e bombas para
deslocamento de líquidos, dosagens de reagentes e agitação mecânica.

5.3.3 Sistema de Drenagem Pluvial

Os sistemas urbanos de drenagem pluvial têm como função captar e conduzir para cursos d’água disponíveis
as águas provenientes das chuvas que atingem núcleos urbanos. Tais sistemas são concebidos de modo a
evitar inundações, erosões, assoreamentos, bem como a proliferação de doenças e de áreas insalubres na
cidade.

As características topográficas e geológicas apontam caminhos naturais de drenagem que deverão ser
uma das premissas para implementação do parcelamento e do uso e ocupação do solo urbano.

O sistema de drenagem é composto por duas partes:


■ Microdrenagem – estruturas locais coletoras de águas pluviais;
■ Macrodrenagem – canais e galerias integrantes dos grandes troncos coletores e orientados segundo os
escoadouros naturais das águas pluviais.

Na tabela a seguir, são mostradas as duas fases do sistema:

FASE FUNÇÃO TIPO ELEMENTOS COMENTÁRIOS

Coleta Encaminhar os Redes ■ Poços de visita Deve-se buscar transportar


esgotos à coletoras ■ Estações elevatórias as águas pluviais através da
disposição ação da gravidade
Disposição Lançar os Redes/ Sistemas motobombas Não prejudicar corpos
efluentes no solo emissário receptores com o volume
ou em cursos excessivo de efluentes
d’água

* Somente em casos extremos, de áreas excessivamente planas e sem opção de emissão dos efluentes nas proximidades.

Sob o ponto de vista energético, é de se esperar que seja menor o consumo de energia elétrica quanto
menor for o volume a ser transportado e tratado e menor for a distância deste transporte.
76 S A N E A M E N T O

5.3.4 Sistema de Limpeza Urbana

Os serviços de limpeza urbana visam garantir condições sanitárias satisfatórias à cidade, por meio da coleta,
do tratamento e da disposição adequada do lixo.

Seguem as principais fases do sistema:

FASE FUNÇÃO TIPO ELEMENTOS COMENTÁRIOS

Coleta Evitar a prolifera- Porta a porta Veículos coletores FASE de maior custo para os
ção de vetores Pontos de Caçambas serviços de limpeza urbana
causadores de entrega estacionárias (cerca de 50%)
doenças
Tratamento Tornar inertes os ■ Compactação ■ Motores 12% do material presente no
resíduos ■ Trituração ■ Esteiras lixo urbano são passíveis de
■ Incineração ■ Compactadores reciclagem
■ Reciclagem ■ Incineradores
■ Compostagem
Disposição Dispor o lixo de Aterro sanitário Tratores Atualmente, 76% do lixo
modo protegido coletado têm disposição
inadequada
S A N E A M E N T O 77

Figura 3 – Sistema de Limpeza Urbana (Fonte: Manual de Eficiência Energética nos Sistemas de Saneamento, PROCEL/IBAM, 1998)
78 S A N E A M E N T O

Em cada uma destas etapas podem-se identificar ações proativas objetivando a redução do consumo de
energia.

O consumo energético associado aos resíduos sólidos pode ser representado pela energia incorporada à
produção do resíduo que está sendo disposto, bem como pela energia adicional gasta nas diversas etapas.
Ações relativas à educação para o “não-gerar”, ou minimizar a geração de lixo são medidas que podem obter
resultados de economia de energia elétrica.

A ELETROBRÁS/PROCEL, pode auxiliar os Municípios através de seu núcleo PROCEL-SANEAR. Saiba mais
em www.eletrobras.com/procel ou ligue 0800-560506.

5.4 Gerenciamento e Manutenção do Sistema Existente

Para a gestão eficiente dos serviços, o Município deve elaborar um PLAMGE (veja o Capítulo 1) que englobe,
entre outros assuntos, o sistema de Saneamento. Este planejamento deve ser concebido baseado nos se-
guintes passos:

Levantamento – reunir informações quantitativas e qualitativas do sistema em questão, seja através de


levantamento em campo ou por meio de fontes secundárias.

Sistematização – compilar os dados levantados segundo categorias de classificação.

Análise – comparar os dados sistematizados com indicadores de desempenho, a fim de qualificar os servi-
ços em questão. Esta etapa completa o diagnóstico que evidenciará quantidades, tipos e formas de distribui-
ção dos componentes, estado da arte dos equipamentos e possíveis problemas existentes no sistema.

Estruturação do projeto – de posse da avaliação da realidade local, instituem-se índices de desempenho a


serem alcançados (metas) segundo linhas de ação (procedimentos), de acordo com as demandas e limita-
ções do setor.

Manutenção – é considerada como uma das atividades operacionais mais importantes, pois dela depen-
dem os desempenhos das demais áreas operacionais sendo, ainda, a responsável pela continuidade dos
resultados energéticos e produtivos da empresa.
S A N E A M E N T O 79

A falta de gestão, aliada a uma manutenção deficiente e precária tem como conseqüências o mau funcio-
namento de equipamentos e instalações, impossibilitando o uso de todo o seu potencial. E como conseqü-
ências diretas para o Município:
■ queda de produção de água tratada;
■ problemas na rede de coleta de esgotos;
■ consumo excessivo de energia.

A Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica – RCE, pode auxiliar os Municípios na elaboração do
PLAMGE e também nas questões ligadas à área de Saneamento. Além disso, a RCE disponibiliza o Manu-
al de Eficiência Energética nos Sistemas de Saneamento, elaborado em parceria com a ELETROBRÁS/PROCEL.

Entre as ações gerais de natureza administrativa (válidas para todos os sistemas de saneamento) orienta-
das à estruturação de um projeto de combate ao desperdício de energia elétrica no setor, podem-se citar:

AÇÃO OBJETIVOS PROCEDIMENTOS

Comissão Interna Criar uma estrutura para implantar e Delegar poderes para a equipe implementar e
de Conservação de consolidar o programa garantir a continuidade do programa
Energia – CICE
Analisar os Aproveitar racionalmente e de modo Coletar as contas de energia elétrica e os
consumos de integrado os recursos, com redução dos registros históricos dos últimos dois anos, dos
energia custos e melhoria no desempenho recursos a serem analisados (água, esgotos e
operacional das unidades lixo). Avaliar sobretudo a demanda faturada e
a demanda registrada
Promover a Determinar o melhor enquadramento Identificar o nível de tensão de fornecimento,
adequação tarifária tarifário para cada contrato de forneci- os valores de demanda e consumo e o horário
mento da empresa de funcionamento das cargas para determi-
nar a curva de carga, segundo valores de
tarifas atualizados da concessionária
Conscientizar Informar e envolver a população no Implementar campanha de conscientização e
programa de combate ao desperdício monitorar resultados
Obter índices de Otimizar a conta de energia elétrica com o Controlar e melhorar o fator de carga
avaliação uso de energia
Controlar o consumo de energia elétrica Realizar acompanhamento verificando a
segundo a produção evolução do índice de consumo específico
Modular curva de Programar melhor a operação das cargas Elaborar curva de carga a fim de aprimorar as
carga elétricas rotinas de operação
80 S A N E A M E N T O

5.5 Projeto Eficiente de Sistemas de Saneamento

5.5.1 Ações de Melhoria sobre as Instalações Existentes

5.5.1.1 Ações Gerais

O motor elétrico é, no sistema de saneamento, o maior consumidor de energia elétrica e, conseqüentemente,


o maior ponto de desperdício, devendo ser dada atenção especial para o seu controle. No caso de substitui-
ção de motores, devem-se usar preferencialmente motores novos de alto rendimento, que tenham o Selo de
Eficiência do PROCEL.

Entre as principais ações a serem implementadas num Sistema de Saneamento já instalado, com objetivo
de redução do consumo e da conta de energia elétrica, podemos destacar:

1) Correção do Fator de Potência – A falta de controle do fator de potência pode acarretar acréscimos nas
contas de energia, devido a multas por baixo fator de potência, além de gerar uma série de inconvenientes
elétricos para a instalação. A correção do baixo fator de potência pode-se processar da seguinte forma:

LOCAL CAUSA AÇÃO A REALIZAR

Entrada de ■ Grandes transformadores alimentando ■ Instalar transformador auxiliar de menor potência


energia lado pequenas cargas, ou em vazio (sem carga) para alimentar as pequenas cargas e possibilitar o
de alta tensão por longos períodos desligamento do transformador principal
■ Instalar capacitores estáticos na alta tensão
Entrada de ■ Nível da tensão da instalação acima da ■ Verificar e ajustar os “taps” do transformador para a
energia lado nominal tensão adequada
de Baixa ■ Regular os “taps” fazendo o ajuste da tensão
Tensão secundária da rede instalação de capacitores
Junto à carga ■ Motores trabalhando em vazio (sem ■ Eliminar os períodos de funcionamento a vazio
carga) durante parte do tempo ■ Em motores de difícil partida, instalar capacitores
■ Motores superdimensionados para ou até mesmo utilizar motores síncronos
respectivas cargas ■ Usar reatores com alto fator de potência
■ Grandes quantidades de motores de
pequenas potências
■ Lâmpadas de descarga

2) Controladores Automáticos de Demanda – Controladores de demanda possibilitam a “vigilância” da


demanda das cargas de uma instalação, promovendo o desligamento das cargas selecionadas e, com isso,
não permitindo que ocorram registros de demandas superiores a valores previamente estabelecidos no con-
trato com a concessionária. A instalação de um controlador automático de demanda visa modular a curva de
carga, otimizando o consumo e a demanda de energia, e não cria problemas na operação das unidades.
S A N E A M E N T O 81

3) Conversores de Freqüência – É uma ação passível de aplicação quando há constantes variações de


vazão no sistema. Para utilização de Conversores de Freqüência deve-se levar em consideração:
■ as características do motor a ser acionado;
■ as características das bombas acopladas a este motor;
■ as características operacionais e de projeto do sistema em consideração (vazão, pressão, alturas
manométricas etc.);
■ o consumo de energia elétrica.

4) Sistema de Supervisão e Controle – É um sistema dotado de hardware e software (Sistema tipo SCADA)
que gerencia os principais parâmetros operacionais dos sistemas, ajudando no controle e na tomada de
decisões para a otimização da operação, identificando e evitando os desperdícios.

Iluminação – Aspectos relativos à iluminação devem ser observados no capítulo de Prédios Públicos,
nas recomendações sobre iluminação

5.5.1.2 Ações Específicas


SISTEMA DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA

FASE AÇÃO A REALIZAR COMENTÁRIO

Captação Modular a curva de carga através do desloca- Redução do grande consumo de energia na
mento de cargas para o período fora de ponta ponta (bombas centrífugas)
Supervisionar e controlar através da instalação Redução das intervenções do operador
de sistemas automáticos ou semi-automáticos
Promover o retrofit de bombas através de seu O bombeamento torna-se eficiente
recondicionamento
Tratamento Reprogramar as atividades e aquisição de Redução do consumo de energia elétrica, das
equipamentos motobombas e dos misturadores
Reservação Modular carga através do deslocamento de Evita o bombeamento no horário de ponta
cargas para o período fora de ponta
Controlar o nível com a instalação de sistemas
de monitoramento de nível
Distribuição Combater vazamentos adotando sistemática Redução das perdas de água
de fiscalização
Controlar pressão com a instalação de válvulas
redutoras de pressão
Idem ações/descrição para a fase captação Redução do consumo de energia nas estações
elevatórias
82 S A N E A M E N T O

SISTEMA DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO

FASE AÇÃO A REALIZAR COMENTÁRIO

Coleta Modular a curva de carga através do desloca- Redução do grande consumo de energia na
(consumo de mento de cargas para o período fora de ponta ponta (bombas centrífugas)
energia elétrica Supervisionar e controlar através da instalação Redução das intervenções do operador
nas estações de sistemas automáticos ou semi-automáticos
elevatórias) Controlar a vazão com a instalação de Redução do desperdício de energia
conversos de freqüência
Promover o retrofit de bombas através de seu O bombeamento torna-se eficiente
recondicionamento
Tratamento ■ Na aeração mecânica, aumentar o tempo de Redução da concentração de carga elétrica na
retenção no tanque com o desligamento de aeração mecânica ou pneumática e nos
alguns motores no horário de ponta digestores e bombas, nos horários de ponta
■ Trocar o sistema mecânico de aeração pelo
pneumático, pois este último apresenta
melhor rendimento
■ Na aeração pneumática, aumentar o tempo
de retenção no horário de ponta e reduzir a
vazão de ar do compressor
■ No digestor, predeterminar o horário de
funcionamento dos misturadores para fora de
ponta
■ No poço de bombeamento de iodo para o
digestor, adotar bombas específicas para iodo

No Sistema de Drenagem Pluvial o consumo de energia elétrica é praticamente inexistente. O consumo


de energia acontecerá em possíveis estações elevatórias, para as quais valem as considerações apresentadas
para a fase de coleta do sistema de esgotamento sanitário.

Nos Sistemas de Limpeza Urbana, as potencialidades de redução do desperdício de energia elétrica se


concentram, principalmente, nos motores de acionamento de compactadores, trituradores, peneiras e estei-
ras mecânicas de usinas de processamento do lixo. Portanto, recomenda-se proceder à correção do fator de
potência e ao desligamento de alguns motores no horário de ponta.

5.5.2 Concepção de Novas Instalações

5.5.2.1 Ações Gerais

Nos sistemas a serem projetados para áreas carentes de infra-estrutura ou mesmo no caso de ampliação
de redes e serviços, devem ser previstas medidas que visem à otimização das condições operacionais dos
S A N E A M E N T O 83

equipamentos a serem instalados. Para tanto, recomenda-se verificar as ações sugeridas nos sistemas existen-
tes e ainda os seguintes aspectos:

a) Setorizar o máximo possível o sistema e evitar a aquisição de equipamentos de grande porte, tendo em
vista que o uso de equipamentos de menor porte conduz, normalmente, a operações menos complexas.

b) Adquirir materiais e equipamentos tecnologicamente adequados, com certificados de testes de aceita-


ção emitidos por entidades de reconhecida idoneidade pública, de forma a se obter o melhor desempenho
e rendimento. (Ex.: Selo de Eficiência do PROCEL).

c) Contratar o fornecimento de energia elétrica com a concessionária de acordo com as necessidades


operacionais e tarifas que melhor atendam a estas condições (vide Capítulo 8).

d) Estabelecer procedimentos operacionais condizentes com a demanda do sistema e suas variações diárias.

e) Utilizar pessoal qualificado de operação e planejamento, capacitando e treinando a equipe regularmente.

f ) Modular os projetos novos e os de expansão objetivando a padronização dos mesmos.

O Selo Procel de Economia de Energia e o Selo Procel Inmetro de Desempenho são instrumentos
direcionados para a fabricação nacional de produtos mais eficientes no item economia de energia. Sua
finalidade é estimular e orientar o consumidor, no ato da compra, a adquirir equipamentos que apre-
sentem melhores níveis de eficiência energética.

5.5.2.2 Ações Específicas

NOS SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA


■ Adequar a infra-estrutura às condições naturais locais.
■ Estabelecer captações que permitam um desempenho operacional e construtivo de custo satisfatório.
■ Localizar as captações o mais perto possível do consumidor objetivando a redução de recalque, tubula-
ções, perdas de carga etc.
■ Aumentar a capacidade de reservação do sistema através de uma reserva estratégica de água para com-
pensar uma possível redução de operação nos horários de ponta de consumo de energia elétrica.
■ No projeto hidráulico das estações elevatórias e de captação, estudar o uso de bombas de potências dife-
rentes para permitir sua aplicação em paralelo, de forma a se ter a menor quantidade de energia associada
à curva de carga hidráulica do sistema.
84 S A N E A M E N T O

■ Implantar os sistemas com macromedição.


■ Instalar micromedidores em consumidores finais.
■ No projeto hidráulico, prever o uso de válvulas reguladoras de pressão nos ramais principais, de forma a
facilitar a regulagem das pressões, reduzindo perdas de água e vazamentos.

NOS SISTEMAS DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO


■ Implantar estações de tratamento de esgotos sempre a jusante da rede coletora (aproveitamento das
condições topográficas) e próximas de cursos d’água com volume capaz de receber os efluentes tratados,
a fim de minimizar o número de estações elevatórias.

NOS SISTEMAS DE ESGOTAMENTO PLUVIAL


■ Projetar a rede de drenagem segundo as condicionantes topográficas.

NOS SISTEMAS DE LIMPEZA URBANA


■ Reduzir o lixo na fonte geradora: a economia poderá ser alcançada tanto na produção de bens, quanto em
nível de redução de esforços no próprio sistema de gestão de resíduos. No primeiro caso, reduzindo-se o
consumo exagerado, que gera volume excedente de lixo, diminui-se, também, a demanda por uma quan-
tidade maior de bens oferecidos no mercado e, conseqüentemente, sua produção. No segundo caso, menos
lixo gerado implica menor quantidade de lixo a ser coletado, tratado e disposto, ou seja, menos investi-
mentos e redução de atividades na manutenção dos serviços de limpeza urbana.
■ Reciclar os resíduos: economiza-se indiretamente energia elétrica através da reciclagem. Os recicláveis
alimentam a linha de produção de novos materiais sem computar os custos energéticos de extração e
refinamento da matéria-prima específica.
■ Implantar programa de coleta seletiva: consiste em coletar separadamente o lixo orgânico do inorgânico,
este último reciclável. O resíduo reciclável apresenta-se mais limpo para o processo de reciclagem, promo-
vendo um aproveitamento maior e possibilitando ganhos energéticos associados.
■ Implantar procedimentos para o descarte de material nocivo: como é de conhecimento as lâmpadas de
descarga contêm mercúrio (Hg), substância tóxica e nociva ao ser humano e ao meio ambiente. Enquanto
intactas, as lâmpadas não apresentam riscos, mas quando são quebradas liberam vapores que são espalha-
dos na natureza, pelo ar penetrando no organismo dos seres vivos através da respiração e no solo.

O destino adequado dos resíduos de materiais agressivos ao meio ambiente é de responsabilidade da


concessionária e do Município, conforme a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, conhecida como a “Lei de
Crimes Ambientais”.

É importante que o Município realize adequadamente o manejo, armazenamento e transporte desse resíduo.
S A N E A M E N T O 85

Existem empresas especializadas e licenciadas junto aos órgãos ambientais que se encarregam de retirar os
materiais com custos decrescentes nos últimos anos.

5.6 Para Saber um Pouco Mais...

5.6.1 Descrição dos Principais Equipamentos e Instalações

■ Bomba centrífuga – equipamento encarregado de sugar a água e/ou o efluente, retirando do local de
sucção e pressurizando através de seu rotor que impulsiona para um nível mais elevado.
■ Motor de acionamento – equipamento encarregado do acionamento da bomba.

NO SISTEMA DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA


■ Instalação de tomadas de água – conjunto de equipamentos e instalações utilizados para a tomada de
água do manancial.
■ Estação de Tratamento de Água – E.T.A. Instalação geralmente dotada de equipamentos eletromecânicos
que têm como função melhorar as características qualitativas da água, adequando-a para o consumo.
■ Reservatórios – local de armazenamento da água tratada para controle da distribuição. Implantados prefe-
rencialmente em locais altos para facilitar a distribuição pela ação da gravidade, demandam bombeamento
da água para seu abastecimento.
■ Redes de distribuição – conjunto de galerias e tubos implantados sob as ruas da cidade responsável pela
chegada da água tratada a cada ponto de consumo.
■ Estação elevatória – instalação que tem como função elevar o nível da água em seu transporte através de
bombeamento. Compõe-se de casa de bomba, bomba e motor de acionamento.

NO SISTEMA DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO


■ Rede coletora – conjunto de canalizações e galerias que tem por objetivo receber os esgotos sanitários de
cada edificação e encaminhá-los ao tratamento.
■ Estação elevatória – instalação que tem como função elevar o nível dos efluentes transportados pela ação
da gravidade, através de bombeamento.
■ Estação de Tratamento de Esgoto – E.T.E – instalação geralmente dotada de equipamentos eletromecânicos
que tem como função remover os poluentes dos esgotos.

NO SISTEMA DE DRENAGEM PLUVIAL


■ Rede coletora e galerias – conjunto de canalizações e galerias que tem por objetivo promover a coleta das
águas de chuva e conduzi-las pela ação da gravidade.
■ Estação elevatória – ver estação elevatória no item Sistema de Esgotamento Sanitário.
86 S A N E A M E N T O

NO SISTEMA DE LIMPEZA URBANA


■ Usinas de tratamento – instalações onde o lixo é processado visando atingir melhores resultados econômi-
cos, sanitários e ambientais. Usinas de reciclagem, adotadas para o tratamento do lixo, são instalações que
promovem a separação do material reciclável para posterior envio às indústrias. Contam com esteiras trans-
portadoras e sistemas de peneiramento e compactação.

5.7 Marcos Legais

■ Constituição Federal (1988) – determina a União como responsável pela instituição de diretrizes sobre a
gestão do saneamento básico (art. 21, XX), sendo competência comum da União, Estados e Municípios a
promoção de melhorias nas condições habitacionais e de saneamento básico (art. 23, IX), a proteção ao
meio ambiente e o combate à poluição (art. 23, VI).

■ Lei nº 8.987 (13 de fevereiro de 1995) – dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de
serviços públicos.

■ Lei nº 9.074 (7 de julho de 1995) – estabelece normas par outorga e prorrogações das concessões e permis-
sões de serviços públicos.

■ Lei nº 9.433 (1997) – “Lei das Águas”, disciplinar a utilização dos rios, de forma a evitar a poluição e o desper-
dício para garantir água de boa qualidade às gerações futuras.

■ Lei nº 9.605 (12 de fevereiro de 1998) - “Lei de Crimes Ambientais”, resíduos de materiais agressivos ao meio
ambiente são de responsabilidade da concessionária e do Município.

■ Lei nº 9.984 (7 de junho de 2000) – aprovado o projeto de criação da Agência Nacional de Águas – ANA
que é responsável pela execução da Política Nacional de Recursos Hídricos, com a responsabilidade de
implantar a Lei das Águas, de 1997, que disciplina o uso dos recursos hídricos no Brasil.

■ Lei de Uso e Ocupação do Solo – no âmbito municipal, é o instrumento urbanístico que mais
detalhadamente aproxima os temas saneamento e espaço construído em escala urbana, pois assegura a
convivência pacífica entre os diversos usos das edificações através da definição dos tipos de atividades
permitidos e do estabelecimento de parâmetros de ocupação, em conformidade com a infra-estrutura
disponível, densidade desejada e características ambientais próprias das áreas urbanas.
S A N E A M E N T O 87

■ Decreto Presidencial de 7 de julho de 1999 – cria a Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima
– CIMGC, com “a preocupação com a regulamentação dos mecanismos do Protocolo de Kioto e, em parti-
cular entre outras atribuições, estabelece que a comissão será autoridade nacional designada para aprovar
os projetos considerados elegíveis do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, cabendo, também, à co-
missão definir critérios adicionais de elegibilidade àqueles considerados na regulamentação do Protocolo
de Kioto”.

■ A Agenda 21 Global, da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – indica
a relação direta entre eficiência energética e meio ambiente.

Entre os demais instrumentos urbanísticos municipais com interface no tema saneamento, podem ser
citados, o Código de Obras e Edificações (aspectos construtivos), os Códigos Sanitários e de Posturas e os
Regulamentos de Limpeza Urbana, dispondo todos sobre condutas sanitárias, sendo o último instrumento
voltado para o setor de limpeza urbana.

5.7.1 Normas

Normas da ABNT versam sobre implementação de sistemas de saneamento:


■ 7367 – Projeto e assentamento de tubulações de PVC rígido para sistemas de esgoto sanitário
■ 7968 – Tubulação de saneamento nas áreas de redes de distribuição, adutoras, redes coletoras de esgoto e
interceptores – diâmetros
■ 8418 – Apresentação de projetos de aterros de resíduos industriais perigosos
■ 8419 – Apresentação de projetos de aterros sanitários de resíduos sólidos urbanos – procedimento
■ 8849 –Apresentação de projetos de aterros controlados de resíduos sólidos urbanos – procedimento
■ 9814 – Execução de rede coletora de esgoto sanitário
■ 9648 – Estudo de concepção de sistemas de esgoto sanitário
■ 9649 – Projeto de redes coletoras de esgoto sanitário
■ 9650 – Verificação da estanqueidade no assentamento de adutoras e redes de água
■ 10004 – Resíduos sólidos – classificação
■ 10007 – Amostragem de resíduos sólidos – procedimento
■ 10157 – Aterros de resíduos perigosos – critérios para projeto, construção e operação
■ 10703 – Degradação do solo – terminologia
■ 11174 – Armazenamento de resíduos classes II (não inertes) e III (inertes) – procedimento
■ 11175 – Incineração de resíduos sólidos perigosos – padrões de desempenho
■ 11779 – Agitadores mecânicos de baixa rotação do tipo turbina
88 S A N E A M E N T O

■ 11808 – Aerador mecânico de superfície, tipo escova


■ 11885 – Grade de barras, de limpeza manual – especificação
■ 12207 – Projeto de interceptores de esgoto sanitário
■ 12208 – Projeto de estações elevatórias de esgotos sanitários
■ 12209 – Projeto de estações de tratamento de esgotos sanitários
■ 12211 – Estudo de concepção de sistemas públicos de abastecimento de água
■ 12212 – Projeto de poço para captação de água subterrânea
■ 12213 – Projeto de captação de água de superfície para abastecimento público
■ 12214 – Projeto de sistemas de bombeamento de água para abastecimento público
■ 12215 – Projetos de adutora de água para abastecimento público
■ 12216 – Projeto de estação de tratamento de água para abastecimento público
■ 12217 – Projeto de reservatório de distribuição de água para abastecimento público
■ 12218 – Projeto de rede de distribuição de água potável para abastecimento público
■ 12235 – Armazenamento de resíduos sólidos perigosos – procedimento
■ 12586 – Cadastro de sistema de abastecimento de água – procedimento
■ 12587 – Cadastro de sistema de esgotamento sanitário – procedimento
■ 12807 – Resíduos de serviços de saúde – terminologia
■ 12808 – Resíduos de serviços de saúde – classificação
■ 12809 – Manuseio de resíduos de serviços de saúde – procedimento
■ 12810 – Coleta de resíduos de serviços de saúde – procedimento
■ 12980 – Coleta, varrição e acondicionamento de resíduos sólidos urbanos
■ 13059 – Grade fixa de barras retas, com limpeza mecanizada – especificação
■ 13160 – Grade fixa de barras curvas, com limpeza mecanizada – especificação
E D U C A Ç Ã O 89

6 Educação

6.1 Introdução

As ações de Educação em conservação de energia são de suma importância para o sucesso de qualquer
programa de eficiência energética. Conscientizar os usuários e capacitar as pessoas envolvidas diretamente
na implementação das ações é sem dúvida uma das melhores formas de garantir continuidade para os índi-
ces de economia de energia resultantes das ações.

A Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica – RCE, proporciona aos Municípios, produtos desenvolvidos
e disponibilizados em parceria com o PROCEL, que contemplam o uso eficiente de energia elétrica nos diver-
sos segmentos que se fazem presentes no âmbito municipal, entre eles destacam-se:
■ Cursos sobre Temas Específicos.
■ Cursos de Gestão Energética Municipal.
■ Seminários, Palestras, Participação em eventos, Boletim Informativo da RCE.
■ Manuais Técnicos.
■ PROCEL nas Escolas.

O Ministério de Minas e Energia – MME, o Ministério da Educação e do Desporto – MEC e as Centrais


Elétricas Brasileiras – ELETROBRÁS assinaram um Acordo de Cooperação Técnica, em 09 de dezembro de
1993, com o objetivo de estabelecer uma parceria efetiva entre a áreas de Energia e de Educação, para dar
caráter institucional às atividades de Conservação de Energia que as Secretarias de Educação dos Estados e
dos Municípios desenvolvem no país.

O PROCEL NAS ESCOLAS é um programa que tem por objetivo capacitar professores da rede municipal de
ensino dos níveis fundamental e médio nas questões ligadas ao bom uso da energia elétrica, utilizando como
canal de comunicação um programa de educação ambiental denominado “A Natureza da Paisagem – Ener-
gia”. Este programa se desenvolve sob determinados princípios fundamentais, de forma que os professores
90 E D U C A Ç Ã O

possam desenvolver atividades interdisciplinares junto a seus alunos introduzindo o tema de maneira trans-
versal ao conteúdo das grades curriculares da Educação.

O público-alvo do programa é constituído por cerca de 35 milhões de alunos em todo o país.

Resultados Alcançados com o Procel nas Escolas, nas Ações Realizadas até dezembro de 2002
(dados do PROCEL)
■ Quantidade de alunos: 4.756.224
■ Economia acumulada (MWh): 410.862

Desenvolver novos hábitos relativos ao uso da energia elétrica nos Municípios através de um programa de
educação nas escolas traz benefícios imediatos, como a redução do desperdício de energia na residência dos
alunos-alvo do programa, e de médio e longo prazos, como a formação, no cidadão, do conceito relativo à
importância de utilizar a energia elétrica sem desperdício, postergando a construção de usinas, os impactos
ambientais e preservando a qualidade de vida das gerações atual e futura.

O “Prêmio Cidade Eficiente”, tem uma categoria voltada especificamente para projetos de Educação
com destaque no uso eficiente da energia elétrica. Participe e divulgue sua experiência de sucesso.

6.2 Pontos-chaves

■ Introduzir e difundir nos Municípios, entre os professores, os alunos e suas famílias, os conceitos de
Conservação de Energia, do Uso Eficiente da Energia e Educação Ambiental, através do projeto PROCEL
NAS ESCOLAS.
■ Sensibilizar a área de Educação para que o projeto seja disseminado no maior número possível de
escolas municipais.·Fomentar a parceira entre o Município e a Concessionária de Energia Elétrica, faci-
litando a implementação do programa.
■ Informar as escolas envolvidas no programa sobre os centros de demonstração de eficiência energé-
tica existentes no Município ou em suas proximidades visando motivar a visitação de grupos de alu-
nos e incentivar a inserção do tema Conservação de Energia Elétrica em feiras ou seminários escolares.
■ Criar uma associação lógica do aluno com o ambiente no qual ele vive, de forma que compreenda
este ambiente como um todo, não se dissociando dele.
E D U C A Ç Ã O 91

6.3 Ações

6.3.1 Cursos sobre Temas Específicos

Cursos disponibilizados em função das demandas municipais sobre temas específicos, principalmente para
questões de financiamento, iluminação pública e crédito de carbono, por exemplo.

6.3.2 Cursos de Gestão Energética Municipal

Curso direcionado para técnicos municipais e consultores sobre a aplicação da metodologia do Plano Muni-
cipal de Gestão de Energia Elétrica – PLAMGE.

6.3.3 Seminários, Palestras, Participação em Eventos, Boletim Informativo da RCE

Participação em seminários, palestras e eventos onde são apresentados temas de eficiência energética de
interesse específico para os Municípios. Através do Boletim da RCE, são divulgadas várias informações de
interesse dos Municípios na área de conservação de energia.

6.3.4 Manuais Técnicos

Os manuais técnicos desenvolvidos em parceria com a ELETROBRÁS/PROCEL abordam o uso eficiente de


energia nos seguintes temas:
■ Gestão Energética Municipal.
■ Iluminação Pública.
■ Sistemas de Saneamento.
■ Prédios Eficientes em Energia Elétrica.
■ Planejamento Urbano.
■ Elaboração de Planos Municipais de Gestão da Energia Elétrica.
■ Elaboração de Código de Obras e Edificações.

6.4 Procel nas Escolas

Desenvolver dentro de um programa de Educação Ambiental, atividades de conservação de energia elétrica


nas escolas, através dos professores de níveis fundamental e médio, com vistas a abordar a questão em um
contexto mais amplo, envolvendo aspectos da qualidade de vida, mudanças de hábitos de consumo de
energia elétrica, utilizando tecnologias energeticamente eficientes, entre outros, constitui a proposta do pro-
92 E D U C A Ç Ã O

grama “A Natureza da Paisagem – Energia”. O objetivo deste programa é sensibilizar os alunos para uma pos-
tura diferente em relação ao uso de energia elétrica: utilizá-la sem desperdício.

6.4.1 O Material Didático

O material didático-pedagógico foi desenvolvido através de parcerias entre a ELETROBRÁS/PROCEL, o MEC,


as Secretarias de Educação do Estado e do Município do Rio de Janeiro e o Centro de Cultura, Informações e
Meio Ambiente – CIMA. Sua metodologia tem a chancela de comprovação de qualidade da Organização das
Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – UNESCO.

O material didático-pedagógico que é distribuído às escolas é composto de livros específicos para profes-
sores, alunos do ensino fundamental de 1a à 4a séries e 5a à 8a séries e alunos do ensino médio. Além disso,
ainda há um jogo lúdico educativo, um folder institucional e um programa em vídeo.

6.4.2 Como Funciona?

Os professores, devidamente capacitados e motivados com informações compatíveis aos seus níveis de ensi-
no, são elementos centrais do projeto, responsáveis por transmitir o tema, de forma interdisciplinar, o que
facilita a obtenção de resultados em relação às metas previamente estabelecidas pelo projeto.

6.4.3 O Processo de Implementação

A implementação do projeto PROCEL NAS ESCOLAS se faz, resumidamente, de acordo com as seguintes
etapas:
■ Sensibilização da área de Educação do Município através da apresentação da metodologia.
■ Estabelecimento do Acordo de Cooperação Técnica.
■ Definição das escolas participantes do programa.
■ Definição e capacitação dos professores que participarão do curso.
■ Implementação da metodologia pelos professores capacitados junto aos alunos das escolas.

6.4.4 O Processo de Acompanhamento e de Avaliação

O acompanhamento do trabalho do professor é realizado através de um cronograma previamente definido e


envolve etapas anteriores ao início do ano letivo, para definição de cronograma; coincidentes com as ativida-
des em sala de aula, para acompanhamento de dúvidas e dificuldades; e posteriores, para avaliação dos resul-
tados alcançados.
E D U C A Ç Ã O 93

O Que Deve Fazer Uma Escola para Ingressar no Projeto Procel nas Escolas?
Deve procurar a Secretaria de Educação Municipal, no caso de escola pública, ou o SINEP – Sindicato de
Escolas Particulares – de cada Estado, em caso de escolas particulares, para que, através destes órgãos,
em contato direto com a Concessionária de Energia Elétrica, a escola possa participar do projeto.
Maiores informações também podem ser obtidas através do site do PROCEL www.eletrobras.com/procel.

6.5 Marco Legal

■ Constituição Federal de 1988, artigo 225 § 1º, inciso VI, “Promover a educação ambiental em todos os níveis
de ensino e a conscientização pública para a preservação do ambiente”.
94 N O V A S T E C N O L O G I A S E F O N T E S A L T E R N A T I V A S D E E N E R G I A

7
Novas Tecnologias e
Fontes Alternativas de Energia

7.1 Introdução

Este capítulo aborda as novas tecnologias e as fontes renováveis de energia, como alternativa energética para
os Municípios na busca pelo uso racional de energia.

As fontes renováveis de energia são aquelas que não provêm de combustíveis fósseis, tais como petró-
leo e carvão e sim de “fontes limpas”, não poluentes a princípio e inesgotáveis por estarem disponíveis na
natureza.

Uma nova postura pode ser adotada por diversos Municípios de forma a não seguir o padrão de simples
consumidor de energia, e passar a desempenhar as funções de um produtor e distribuidor de energia. Solu-
ções criativas para o Município podem ser adotadas a partir da avaliação do potencial energético advindos
dos recursos naturais, como vento, biomassa e radiação solar.

É importante ressaltar que cerca de 15% da população do Brasil ainda não têm acesso à energia elétri-
ca. Em geral essas pessoas moram afastadas dos grandes centros urbanos e têm expectativa de baixo
consumo de energia. Considerando as dificuldades de disponibilização de energia elétrica por meios
convencionais e de transporte de combustível para estas comunidades isoladas, as alternativas viáveis
para o processo de universalização da energia no país são as novas tecnologias de aproveitamento de
fontes renováveis de energia, utilizando o potencial energético disponível no local, em especial os po-
tenciais eólicos e solares.

Algumas tecnologias como conversores de freqüência, bombas de calor e co-geração serão comentadas
aqui e são alternativas que o Município poderá implementar nos seus edifícios e instalações.
N O V A S T E C N O L O G I A S E F O N T E S A L T E R N A T I V A S D E E N E R G I A 95

Mercado de carbono:
O Protocolo de Kioto, criado em dezembro de 1997, é um instrumento jurídico internacional comple-
mentar e vinculado à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, adotada na
Rio-92. Destaca-se pelos compromissos de limitação ou redução quantificada de emissões de gases de
efeito estufa.
O protocolo estabelece metas para que as emissões sejam reduzidas. Os países que não possuem metas
de redução são, em geral, países em desenvolvimento. Através do uso de tecnologias mais eficientes, da
substituição das fontes de energia fósseis por renováveis, da racionalização do uso da energia, do trata-
mento de resíduos sólidos e do florestamento ou reflorestamento, podem ser reduzidas as emissões de
gases de efeito estufa ou aumentadas as remoções do dióxido de carbono (CO2) da atmosfera.
O mercado de carbono internacional é estabelecido entre países em desenvolvimento e países desen-
volvidos, considerando a necessidade de que os países desenvolvidos cumpram seus compromissos
quantificados de limitação e redução de emissão de gases de efeito estufa, o que é feito com a compra
de certificados de carbono, adquiridos em projetos nos países em desenvolvimento. A essa estrutura de
mercado chamou-se de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL. E o Brasil tem uma excelente
oportunidade para venda de certificados de carbono para os países desenvolvidos que assumiram a
meta de redução por ter grande potencial de implementação de projetos que atingem os objetivos
propostos pelo Protocolo de Kioto.

7.2 Tecnologias de Aproveitamento da Energia Solar

A energia solar, disponível em abundância em praticamente todo nosso território, pode ser aproveitada, atu-
almente, através de duas tecnologias disponíveis: para aquecimento de água, através de coletores solares e
para geração de energia elétrica ou através de células fotovoltáicas.

7.2.1 Aquecimento Solar

Essa tecnologia é utilizada para o aquecimento de água. Seu funcionamento se dá através da captação da
energia solar e da sua conversão em energia térmica por meio dos coletores solares. O sistema é composto de
uma placa preta para absorção de calor, placas de vidro transparente, isolantes térmicos, tubulações de cobre
(serpentina) e uma estrutura de alumínio, além do boiler para armazenar a água aquecida para o consumo.

Este sistema tem grandes vantagens na sua utilização, como instalação simples, baixo custo de manuten-
ção e redução do consumo de energia elétrica devido à retirada de chuveiros e torneiras elétricas de funcio-
namento.
96 N O V A S T E C N O L O G I A S E F O N T E S A L T E R N A T I V A S D E E N E R G I A

É uma excelente opção para uso em escolas, postos de saúde, hospitais do Município e outros locais que
tenham necessidade de água quente. Há inclusive iniciativas de instalação do sistema pelas concessionárias
em casas de população de baixa renda, diminuindo consideravelmente o consumo de energia elétrica destes
consumidores.

7.2.2 Energia Solar Fotovoltáica

É a energia obtida através da conversão direta da radiação solar em eletricidade, por meio de efeitos da
radiação (calor e luz). Os módulos ou painéis fotovoltáicos geralmente são produzidos a partir do silício (ma-
terial semicondutor). A energia elétrica é gerada a partir da exposição à radiação solar e pode ser utilizada
diretamente ou armazenada em baterias para futuro uso.

Uma das barreiras para o aproveitamento desta tecnologia ainda é o custo dos painéis. No entanto, a
tecnologia fotovoltáica está se tornando cada vez mais competitiva, reduzindo aos poucos os seus custos. Em
comunidades isoladas da rede de energia convencional, o uso dessa tecnologia é uma alternativa com custo
baixo de implementação e manutenção, uma vez considerados os custos para se levar as linhas de distribui-
ção de energia a estes locais. Normalmente é aplicada para atender aos sistemas de iluminação de escolas e
centros comunitários, por exemplo. Mas também vem sendo utilizada com sucesso em outras áreas, como:
■ Iluminação pública. ■ Telefonia.
■ Bombeamento de água. ■ Sinalização marítima.
■ Televisão. ■ Refrigeração.
■ Radiocomunicação. ■ Náutica.

Figura 1 – Aplicação de painel fotovoltáico em comunidade isolada de energia.

7.3 Tecnologias de Aproveitamento da Energia Eólica

A energia eólica ou dos ventos pode ser transformada em energia mecânica e elétrica. É uma fonte de energia
renovável, limpa e abundante no Brasil.
N O V A S T E C N O L O G I A S E F O N T E S A L T E R N A T I V A S D E E N E R G I A 97

No âmbito do Comitê Internacional de Mudanças Climáticas, estima-se que por volta do ano 2030, estejam
instalados no mundo cerca de 30.000MW através desta tecnologia, podendo ser maior a previsão em função
da viabilização do mercado de venda dos “Certificados de Carbono”, já citados neste capítulo.

No Brasil, o aproveitamento da energia eólica ainda é pequeno considerando o imenso potencial eólico
ainda não explorado. É possível produzir energia a custos competitivos com as termoelétricas, nucleares e
hidrelétricas. As análises dos recursos eólicos medidos no Brasil mostram que o custo estimado da geração
está na ordem de US$50 a US$95 por MWh. (Fonte do MME, 2000).

Foi desenvolvido pelo CEPEL/CRESESB, com o apoio do Ministério de Minas e Energia, o Atlas do Poten-
cial Eólico Brasileiro, que fornece informações relativas aos ventos, com o objetivo de informar aos
tomadores de decisão as áreas de possível aproveitamento eólico.

No Brasil, a aplicação das turbinas eólicas, também denominadas aerogeradores, apresenta uso bem diver-
so: bombeamento de água, carregamento de baterias, telecomunicações e eletrificação rural, nas localidades
isoladas da rede convencional. Já as grandes turbinas podem gerar energia e introduzi-las na rede convenci-
onal, sendo esta uma grande oportunidade de negócio para os Municípios. Uma dificuldade que deve ser
avaliada na montagem de parques eólicos é o impacto ambiental e as restrições ambientais, uma vez que
geram poluição visual e sonora, além de poderem interferir nas rotas migratórias de pássaros. Existem alguns
Municípios que já aproveitam esse recurso energético renovável, como: Fortaleza/CE, Camocim/CE, e o arqui-
pélago de Fernando de Noronha/PE.

Figura2–Parque eólico
98 N O V A S T E C N O L O G I A S E F O N T E S A L T E R N A T I V A S D E E N E R G I A

7.4 Outras Tecnologias Eficientes

7.4.1 Conversor de Frequência

É um equipamento que permite o controle de velocidade e/ou torque de um motor elétrico através da vari-
ação da tensão e/ou da freqüência de alimentação do motor, permitindo um menor consumo de energia na
realização de um mesmo trabalho.

Na maioria das aplicações, os motores funcionam de acordo com suas próprias características, utilizando a
potência máxima (torque e velocidade) durante todo seu tempo de funcionamento. Como exemplo de des-
perdício: no processo de bombeamento de água, quando a vazão da água é reduzida, não seria necessária a
utilização da potência máxima da bomba. Com o uso do Conversor de Freqüência, também chamado de
Acionamento Eletrônico, pode-se adequar a potência utilizada de acordo com a vazão do sistema no mo-
mento.

As aplicações mais típicas deste acionamento eletrônico para os Municípios são em:
■ Bombas centrífugas – processo de bombeamento, distribuição de água, estações de tratamento de esgo-
to, circuitos de circulação de água, entre outros.
■ Ventiladores – de caldeiras, fontes de ventilação, exaustores etc.
■ Ar condicionado central – compressores, centrífugas de ar-condicionado etc.

Os principais benefícios com a instalação do conversor de freqüência no sistema são:


■ Economia de energia com o controle da velocidade.
■ Automação do processo – com o controle mais rápido e preciso, podendo ser feito através dos sistemas
eletrônicos.
■ Redução da demanda – trabalhando com capacidade reduzida, respeitando o limite de demanda contra-
tada.
■ Nível de ruído – diminuição do nível de ruído pelo uso dos motores em velocidades reduzidas.

7.4.2 Bombas de Calor

A bomba de calor é uma máquina que extrai energia térmica (calor) de uma fonte à baixa temperatura e a
torna disponível a uma temperatura mais alta e, conseqüentemente, mais útil. Ela utiliza o mesmo princípio
de um ar-condicionado com o ciclo reverso: nos dias quentes refrigera o ambiente e nos dias frios faz o
oposto, bombeando energia quente de fora para dentro da casa.
N O V A S T E C N O L O G I A S E F O N T E S A L T E R N A T I V A S D E E N E R G I A 99

Bomba de calor (Fonte: Manual de Prédios Eficientes em Energia Elétrica PROCEL/IBAM, 2003)

Sua principal aplicação é em instalações que requerem, simultaneamente, resfriamento e aquecimento,


como: hospitais, clubes, aquecimento de piscinas, hotéis, cozinhas de restaurantes, entre outros. Quanto mais
coincidentes forem estas demandas de aquecimento e resfriamento, mais viável e econômica será a aplica-
ção, por aproveitar melhor a energia térmica gerada.

7.4.3 Co-geração

A co-geração é uma forma de gerar calor e eletricidade a partir de um único processo, como a queima de um
combustível (diesel, gás natural, carvão etc.) para o funcionamento de um gerador, por exemplo. O calor que
100 N O V A S T E C N O L O G I A S E F O N T E S A L T E R N A T I V A S D E E N E R G I A

seria dissipado é recuperado dos gases de escape para produzir vapor, ar quente e refrigeração, que podem
ser utilizados nos processos industriais ou nos prédios públicos, gerando mais energia elétrica, por exemplo.
Em suma, permite a produção simultânea de energia elétrica, térmica e de vapor, a partir do mesmo combus-
tível.

Co-geração por ciclo combinado (Fonte: Manual de Prédios Eficientes em Energia Elétrica PROCEL/IBAM, 2003)

Alguns dos benefícios adquiridos com a co-geração são:


■ redução de custos operacionais;
■ ganho em confiabilidade de atendimento;
■ aumento da oferta de energia elétrica na rede da concessionária para outros consumidores.

7.5 Mar
Marccos Legais
Legais

■ Lei nº 10.438, de abril de 2002, revisada pela Lei nº 10.762, criando o PROINFA – Programa de Incentivo
às Fontes Alternativas de Energia Elétrica, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME). É um
importante instrumento para a diversificação da matriz energética nacional, garantindo maior confiabili-
N O V A S T E C N O L O G I A S E F O N T E S A L T E R N A T I V A S D E E N E R G I A 101

dade e segurança ao abastecimento. O programa estabelece a contratação de 3.300MW de energia no


Sistema Interligado Nacional (SIN), produzidos por fontes eólica, biomassa e pequenas centrais hidrelétri-
cas (PCHs), sendo 1.100MW de cada fonte.

■ Decreto de 27 de dezembro de 1994 criando o PRODEEM – Programa para Desenvolvimento Energético


dos Estados e Municípios, coordenado através do Ministério de Minas e Energia, vem contribuindo para o
desenvolvimento integrado de comunidades isoladas não atendidas pelo sistema convencional de abas-
tecimento de energia utilizando as fontes energéticas renováveis (energia solar e eólica) e descentralizadas
tecnicamente factíveis, economicamente viáveis e ambientalmente sadias. (www.mme.gov.br)

■ Decreto Presidencial de 7 de julho de 1999, cria a CIMGC – Comissão Interministerial de Mudança Global
do Clima com “a preocupação com a regulamentação dos mecanismos do Protocolo de Kioto e, em parti-
cular entre outras atribuições, estabelece que a comissão será autoridade nacional designada para aprovar
os projetos considerados elegíveis do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, cabendo, também, à co-
missão definir critérios adicionais de elegibilidade àqueles considerados na regulamentação do Protocolo
de Kioto”.

■ A Agenda 21 Global, da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, indica
a relação direta entre eficiência energética e meio ambiente.
102 C O N T R A T O D E F O R N E C I M E N T O D E E N E R G I A E L É T R I C A

8
Contrato de Fornecimento
de Energia Elétrica

8.1 Introdução

No Brasil, de modo geral, o Administrador Municipal, desconhece a legislação que rege a relação pertinente
ao fornecimento de energia elétrica pelas empresas concessionárias para os consumidores (Resolução ANEEL
nº 456/2000 – artigos 22 a 25). Verifica-se que o uso da energia tem sido oneroso e os contratos têm sido
realizados sem a adoção de critérios e controles necessários. Este fato é decorrência direta de as Prefeituras
não possuírem técnicos capacitados para lidar com os aspectos energéticos municipais.

Este capítulo tem o objetivo de contribuir para a capacitação das Administrações Municipais, apresentan-
do os principais aspectos da relação contratual consumidor/concessionária, os conceitos envolvidos, a iden-
tificação de oportunidades de economia, bem como algumas orientações sobre o encaminhamento dos
problemas identificados junto à própria concessionária ou empresas especializadas.

A otimização dos contratos de fornecimento de energia elétrica pode gerar a redução significativa na
conta de energia das Prefeituras, liberando recursos para investimentos em outras áreas prioritárias, como
educação e saúde.

A RCE, com sua equipe técnica especializada, pode auxiliar os Municípios na tarefa de analisar seus
contratos de fornecimento de energia elétrica, visando corrigir o fator de potência, enquadrando a tarifa
e determinando do valor da demanda contratada. Ainda é possível capacitar os próprios técnicos das
Prefeituras para esta função. Para mais informações, associe-se e procure a Rede Cidades Eficientes em
Energia Elétrica.
C O N T R A T O D E F O R N E C I M E N T O D E E N E R G I A E L É T R I C A 103

8.2 Pontos-chaves

O contrato de fornecimento de energia elétrica com a concessionária é um negócio jurídico de natu-


reza contratual com direitos e deveres estabelecidos entre as partes.
■ O contrato de fornecimento de energia elétrica com a concessionária poderá ser revisto a cada 12
(doze) meses ou a qualquer tempo em caso de o consumidor comprovar a implementação de
medidas de racionalização energética.
■ Existe legislação específica que estabelece os direitos e os deveres do consumidor e o conhecimen-
to desta permite uma negociação mais adequada aos interesses do mesmo.
■ As premissas a serem estabelecidas no contrato de fornecimento de energia elétrica com as con-
cessionárias serão tão mais otimizadas para o consumidor quanto maior for seu conhecimento
sobre o perfil histórico de utilização de energia elétrica diária, mensal e anual.

8.3 Conceitos

8.3.1 Mercado de Energia

CONTRATO DE FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA


■ Negócio jurídico estabelecido entre consumidor de alta tensão ou de sistema subterrâneo e concessioná-
ria, onde se encontram definidas a modalidade tarifária, a(s) demanda(s) contratada(s), o intervalo do horá-
rio de ponta, prazo de validade e as condições especiais de fornecimento estabelecidas de comum acordo
entre as partes.

EMPRESA SUPRIDORA
■ Empresa responsável pela geração e transmissão de energia elétrica. Esta empresa tem como principais
clientes os grandes consumidores de energia e as empresas concessionárias de distribuição de energia. A
relação entre elas caracteriza negócio jurídico de natureza contratual. São exemplos no Brasil: FURNAS,
CHESF, ELETRONORTE etc.

EMPRESA DISTRIBUIDORA
■ Empresa responsável pela distribuição direta de energia elétrica aos consumidores. Esta empresa atua
como concessionária do serviço público, atendendo às diferentes classes de consumidores, quais sejam:
industrial, comercial, residencial, rural etc. São exemplos no Brasil: LIGHT, COPEL, CEEE, COELBA, CELPA,
CEMIG, CPFL, CEB, COELCE, AMPLA etc.
104 C O N T R A T O D E F O R N E C I M E N T O D E E N E R G I A E L É T R I C A

8.3.2 Energia Elétrica

CONSUMO (kWh)
■ É a energia utilizada em um determinado intervalo de tempo. É obtida pelo produto entre a potência da
carga (kW) pelo intervalo de tempo (h) que a mesma permaneceu em funcionamento. É expressa em Wh
ou seus múltiplos (kWh, MWh, TWh etc.).

DEMANDA (kW)
■ É quociente obtido entre o consumo de energia elétrica (kWh) verificado em um dado intervalo de tempo
pelo intervalo de tempo (h) considerado. No Brasil, a demanda é medida pela concessionária em um inter-
valo de 15 (quinze) minutos. É expressa em Watts ou seus múltiplos (kW, MW etc.).

FATOR DE CARGA
■ É a relação entre a demanda média verificada em um dado intervalo de tempo e a máxima demanda
registrada neste mesmo intervalo. Quanto maior o fator de carga melhor caracteriza-se a utilização de
energia elétrica em uma instalação.

DEMANDA CONTRATADA
■ É a demanda prevista de utilização, estabelecida pelo consumidor, nos diferentes postos tarifários (ponta e
fora ponta) e acordada com a concessionária através do contrato de fornecimento de energia elétrica. O
consumidor está obrigado a não ultrapassar este valor durante os períodos de leitura, sob pena de sofrer a
cobrança do valor a maior sob tarifas muito mais elevadas.

DEMANDA REGISTRADA
■ É a máxima demanda medida pela concessionária, dentro de um intervalo de 15 (quinze) minutos, durante
o período de leitura considerado.

DEMANDA FATURADA
■ É o maior valor verificado entre a demanda registrada e a demanda contratada, nos casos de enquadramento
como consumidor horossazonal (ver item neste Capítulo). Em consumidores convencionais, além dos dois
valores citados, consideram-se também 85% da maior demanda dos últimos 11 meses.

8.4 Estrutura Tarifária

O relato a seguir tem o objetivo de apresentar a estrutura tarifária pertinente às instalações municipais. Os
conceitos nele inseridos visam propiciar uma melhor compreensão ao Administrador Municipal.
C O N T R A T O D E F O R N E C I M E N T O D E E N E R G I A E L É T R I C A 105

CONSUMIDOR GRUPO B
■ São os consumidores cuja carga total instalada é inferior ou igual a 50kW e têm o seu fornecimento de
energia realizado em tensão inferior a 2.300 volts. Esses consumidores são também denominados de con-
sumidores de baixa-tensão (BT) e seu faturamento obedece à tarifa monômia, ou seja, aquela relativa ape-
nas ao consumo de energia elétrica verificado durante período de leitura da concessionária.

TARIFA DE BAIXA TENSÃO


■ Tarifa destinada a consumidores de baixa tensão, onde é computado apenas o consumo de energia elétri-
ca registrado no intervalo de leitura. É estabelecida a partir da seguinte relação:

$conta = (Tc x C) + (Ti x C), onde: Tc – Custo Unitário do Consumo


Ti –Custo Unitário do Imposto (ICMS)
C – Consumo de Energia em kWh

CONSUMIDOR GRUPO A
■ São os consumidores cujo fornecimento de energia é realizado em tensão igual ou superior a 2.300 volts.
Também denominados consumidores de alta tensão (AT). No seu faturamento são aplicadas tarifas binômias
ou horossazonais.

TARIFA BINÔMIA CONVENCIONAL


■ Tarifa destinada aos consumidores de alta tensão, com demanda inferior a 500kW, que não exerceram ou
não puderam exercer o direito de opção para a modalidade horossazonal, onde são computados o consu-
mo e a demanda no intervalo de leitura. É estabelecida a partir da seguinte relação:

$conta = (Tc x C) + (Td x D) + (Ti x C), onde: Tc – Custo Unitário do Consumo (R$/kWh)
Td – Custo Unitário de Demanda (R$/kW)
Ti – Custo Unitário do Imposto (ICMS)
C – Consumo de Energia em kWh
D – Demanda Tributável (kW)

A demanda tributável anteriormente definida é estabelecida como sendo igual ao maior entre os seguin-
tes valores:
106 C O N T R A T O D E F O R N E C I M E N T O D E E N E R G I A E L É T R I C A

1) Demanda máxima registrada no intervalo de leitura

2) Demanda contratual

3) 85% da maior demanda verificada nos últimos 11 meses.

HORÁRIO DE PONTA
■ Horário composto por três horas consecutivas (que variam entre as concessionárias), situadas no intervalo
compreendido diariamente entre as 17h e 22h, exceção feita aos sábados e domingos, definidas no con-
trato de fornecimento de energia elétrica estabelecido com a concessionária.

HORÁRIO FORA DE PONTA


■ São as horas complementares às de ponta, acrescidas à totalidade das horas dos sábados e domingos.

PERÍODO SECO
■ Compreende o intervalo situado entre os fornecimentos abrangidos pelas leituras dos meses de maio a
novembro de cada ano.

PERÍODO ÚMIDO
■ Compreende o intervalo situado entre os fornecimentos abrangidos pelas leituras dos meses de dezem-
bro de um ano a abril do ano seguinte.

TARIFAS HOROSSAZONAIS
■ Tarifas de energia elétrica com preços diferenciados de acordo com sua utilização durante as horas do dia
(ponta e fora de ponta) e durante os períodos do ano (seco e úmido), oferecidas aos consumidores de alta
tensão com fornecimento igual ou superior a 2,3kV e a consumidores atendidos por sistemas subterrâne-
os, faturados pelo Grupo A.

TARIFAS HOROSSAZONAIS AZUL e VERDE


■ Existem duas modalidades de tarifas horossazonais: a tarifa Azul e a tarifa Verde. A primeira caracteriza-se
pela aplicação de preços diferenciados de demanda e consumo de energia elétrica para os horários de
ponta e fora da ponta e para os períodos seco e úmido. A tarifa Verde caracteriza-se pela aplicação de um
preço único de demanda, independente de horário e período, e preços diferenciados de consumo, de
acordo com as horas do dia e período do ano. O quadro a seguir apresenta suas estruturas de preços e
condições de aplicação.
C O N T R A T O D E F O R N E C I M E N T O D E E N E R G I A E L É T R I C A 107

MODALIDADE ESTRUTURA DE PREÇOS CONDIÇÕES DE APLICAÇÃO

Demanda de Potência (kW) Aplicação Compulsória


■ Um preço para a ponta ■ Aos consumidores atendidos em tensão
■ Um preço para fora de ponta igual ou superior a 69kV
Consumo de Energia (kWh) ■ Aos consumidores atendidos em tensão
AZUL ■ Um preço para a ponta no período inferior a 69kV com demanda de potência
úmido igual ou superior a 500kW, desde que não
■ Um preço para fora de ponta no período exerçam a opção pela Tarifa Verde
úmido Aplicação Opcional
■ Um preço para a ponta no período seco ■ Aos consumidores atendidos em tensão
■ Um preço para fora de ponta no período inferior a 69kV com demanda de potência
seco entre 50kW e 500kW
Demanda de Potência (kW)· É aplicada sempre em caráter opcional aos
■ Um preço único consumidores atendidos em tensão inferior a
Consumo de Energia (kWh)· 69kV com demanda de potência igual ou
■ Um preço para a ponta no preço úmido superior a 50kW
VERDE ■ Um preço para fora de ponta no período
úmido
■ Um preço para a ponta no período seco
■ Um preço para fora de ponta no período
seco

TARIFA DE ULTRAPASSAGEM
■ É uma tarifa diferenciada a ser aplicada à parcela de demanda que superar as respectivas demandas con-
tratadas (isento de multa até 10%), em cada segmento horossazonal para a tarifa azul ou a demanda única
contratada para tarifa verde.

PARTICULARIDADES DAS TARIFAS HOROSSAZONAIS


Algumas particularidades sobre os modelos tarifários vigentes estão apresentadas a seguir:
■ O modelo tarifário AZUL exige a definição de uma demanda de contrato no segmento horário de ponta,
que será paga mesmo que utilizada por apenas 15 minutos durante o mês. Assim, uma demanda elevada
no horário de ponta, mesmo que só utilizada por pequenos períodos, será paga como se a utilização desta
demanda ocorresse durante todo o mês.
■ No modelo tarifário VERDE o valor da tarifa de consumo na ponta é aproximadamente dez vezes maior que
o valor da tarifa fora da ponta, o que faz com este modelo seja atrativo quando é controlado e reduzido o
consumo no horário de ponta.
■ No modelo tarifário CONVENCIONAL o valor da tarifa de consumo é cerda de duas vezes maior que o
consumo fora de ponta nos modelos VERDE ou AZUL, o que faz com que este modelo seja atrativo, apenas,
quando é difícil o controle do consumo e/ou demanda no horário de ponta.
■ A opção para o modelo horossazonal deverá ser sempre buscada quando a unidade consumidora possuir
108 C O N T R A T O D E F O R N E C I M E N T O D E E N E R G I A E L É T R I C A

oportunidades de redução da utilização de energia no horário de ponta. Os prédios e repartições públicas


apresentam normalmente esta característica e, por isso, grandes economias poderão ser obtidas com a
utilização destas tarifas.
■ A opção pelos modelos horossazonal azul ou verde requer um estudo mais cuidadoso, geralmente execu-
tado por empresas especializadas, uma vez que diversas variáveis precisam ser analisadas para poder op-
tar-se pelo modelo mais econômico.

Os valores das tarifas de energia elétrica de todas as concessionárias podem ser obtidos através da
internet, no site da ANEEL, endereço www.aneel.gov.br ou no site da concessionária de energia local.

8.5 Excedente de Reativo (Fator de Potência)

A Resolução ANEEL nº 456/2000 estabelece que qualquer consumidor que apresente fator de potência infe-
rior a 92% (indutivo ou capacitivo) sofrerá penalização no seu faturamento de energia. Para um melhor enten-
dimento dessa questão, há de se esclarecer:

Energia reativa (kVArh): energia necessária para criar o fluxo magnético no funcionamento das máquinas
girantes e dos transformadores de potência.

Energia ativa (kWh): energia necessária para produzir trabalho útil. Esta energia é responsável pelo resulta-
do esperado de uma máquina motriz. Exemplo: nos elevadores, suspender a cabine.

Fator de potência (FP): relação existente entre a energia ativa (útil) e a energia reativa, definida da seguinte
forma:

(kWh)
FP= _____________________
√(kWh)2 + (kvarh)2

Faturamento do consumo de energia reativa excedente (FER) e demanda de potência reativa exce-
dente (FDR):

O faturamento do consumo de energia reativa excedente e demanda de potência reativa excedente é o


C O N T R A T O D E F O R N E C I M E N T O D E E N E R G I A E L É T R I C A 109

acréscimo cobrado na fatura de energia elétrica mensal decorrente da verificação de um fator de potência
abaixo do limite estipulado pela ANEEL.

A partir do dia 29 de novembro de 2000, as concessionárias iniciaram a aplicação do faturamento de ener-


gia reativa excedente da forma apresentada a seguir:

n
FER(p) = Σ{ Cat x [ (fr/ft) – 1 ] } x TCA(p)
t=1

n
FDR(p) = { MAX [ Dat x {fr/ft) ] - DF(p)} x TDA(p)
t=1

Sendo que:

FER – Faturamento do consumo de Energia Reativa Excedente;

CAt – Fornecimento de energia ativa, verificada por medição apropriada, em cada intervalo de uma hora
“t”, durante o período do faturamento;

ft – Fator de potência de unidade consumidora, calculado em cada intervalo “t” de uma hora, durante o
período de faturamento;

fr – Fator de potência de referência, igual a 0,92;

TCA(p) – Tarifa de consumo ativo aplicável ao fornecimento em cada posto horário “p”;

FDR – Faturamento de Demanda de Potência Reativa Excedente;

DAt – Fornecimento de demanda de potência ativa, verificada por medição apropriada no intervalo de
integralização de uma hora “t”, durante o período de faturamento;

DF – Demanda faturada aplicável ao fornecimento em cada posto horário “p”;

TDA(p) – Tarifa de demanda de potência ativa aplicável ao fornecimento em cada posto horário “p”;

MAX – Função que identifica o valor máximo da expressão dentro dos parênteses correspondentes, em
cada posto horário “p”;
110 C O N T R A T O D E F O R N E C I M E N T O D E E N E R G I A E L É T R I C A

t – Indica intervalo de uma hora, no período de faturamento;

n – Número de intervalos de integralização “t”, por posto horário “p”, no período de faturamento.

8.6 Contrato de Fornecimento de Energia Elétrica:


Direitos e Deveres do Consumidor

A Resolução ANEEL nº 456, atualiza e consolida as disposições referentes às condições gerais de fornecimento
de energia elétrica, com tarifas diferenciadas para demanda de potência e consumo de energia, conforme os
períodos do ano, horários de utilização e a estrutura tarifária horossazonal. Visando aprimorar o relacionamen-
to entre os agentes responsáveis pela prestação de serviço público de energia elétrica e os consumidores.

DIREITOS
■ Optar pelo modelo tarifário mais conveniente, desde que atendidas as exigências normativas da concessi-
onária.
■ Renegociar o contrato de fornecimento de energia elétrica sempre que implementar medidas de conser-
vação de energia, de incremento à eficiência e ao uso racional da energia elétrica, desde que comprováveis
pela concessionária e que resultem em redução de demanda ou de consumo de energia elétrica ativa.
■ Solicitar da concessionária a ligação de novas unidades consumidoras e alteração de carga nos consumi-
dores existentes.
■ Em um prazo máximo de 30 (trinta) dias, para unidades consumidoras de baixa tensão, e 45 (quarenta e
cinco) dias, para unidades consumidoras de alta tensão, contados da data do pedido de ligação ou de
alteração de carga, obter da concessionária os orçamentos e projetos necessários para o atendimento do
pedido, bem como o prazo para conclusão das obras necessárias e a eventual participação financeira do
consumidor.
■ Solicitar da concessionária a aferição dos medidores, cujas variações não poderão exceder as margens de
tolerância de erro oficialmente estabelecidas.
■ Exigir da concessionária o atendimento às condições básicas previstas quanto à regularidade, continuida-
de, eficiência e segurança do fornecimento de energia elétrica.
■ Solicitar informações e encaminhar sugestões, denúncias e reclamações à concessionária, às agências es-
taduais ou do Distrito Federal conveniadas ou ao órgão regulador do poder concedente.

DEVERES
■ Manter as instalações das unidades consumidoras dentro das normas técnicas e padrões exigidos pela
concessionária.
■ Assegurar a inviolabilidade dos sistemas de medição de energia elétrica instalados nas unidades consumi-
C O N T R A T O D E F O R N E C I M E N T O D E E N E R G I A E L É T R I C A 111

doras, bem como se responsabilizar, na qualidade de depositário a título gratuito, pela custódia dos equi-
pamentos da concessionária.
· Informar com relativa antecedência à concessionária a ocorrência de aumento significativo de carga, a fim
de permitir a possibilidade e/ou adequação do atendimento, sob pena de ser responsabilizado pelos da-
nos causados aos equipamentos de medição ou à rede de distribuição.
■ Permitir o livre acesso da concessionária ao sistema de medição de energia elétrica existente.
■ Não utilizar artifícios que caracterizem meio fraudulento na obtenção de energia elétrica, bem como não
revender ou fornecer energia elétrica a terceiros sem a devida autorização federal.

8.7 Procedimentos Importantes

■ Observar na fatura de energia elétrica da concessionária a existência de qualquer dos seguintes itens:
ultrapassagem de demanda na ponta, ultrapassagem de demanda fora de ponta, demanda reativa exce-
dente (ponta ou fora de ponta) e consumo reativo excedente (ponta ou fora de ponta). A ocorrência de
pelo menos um destes itens caracteriza oportunidade de economia através da correção do problema
(pode ser identificado pelos relatórios do SIEM – ver Capítulo 2).
■ Se a unidade consumidora for do Grupo B (baixa tensão) e apresentar uma carga instalada maior que
50kW, verificar a possibilidade, através de empresas especializadas, da construção de uma subestação. Em
caso afirmativo, montar a subestação e solicitar da concessionária a alteração para o Grupo A, onde as
tarifas são bem mais reduzidas.
■ No estabelecimento do contrato de fornecimento de energia elétrica com a concessionária é fundamental
a escolha correta do modelo tarifário mais adequado e das demandas contratadas, uma vez que, se o valor
estabelecido for inferior às necessidades da unidade, o consumidor arcará com as pesadas multas de ultra-
passagens de demandas. Se o valor for superior ao requerido, o consumidor irá pagar um valor de deman-
da sem fazer uso integral da mesma.
■ Uma vez estabelecido o modelo mais econômico, solicitar à concessionária a alteração do contrato, lem-
brando que o próximo pleito só poderá ser efetuado decorridos 12 meses da última alteração.
· Quanto menor for o fator de carga da unidade consumidora mais onerosa será a fatura de energia da
concessionária. O aumento do fator de carga só é possível através de correto gerenciamento da utilização
de energia elétrica.
■ Observar o prazo de vigência do contrato de fornecimento de energia com a concessionária. Caso o con-
sumidor não se pronuncie, o contrato é automaticamente renovado por igual período, perdendo o consu-
midor uma oportunidade de renegociá-lo em condições mais favoráveis.
■ Para os contratos de fornecimento de energia para iluminação pública é fundamental que o cadastro das
instalações esteja sempre atualizado, uma vez que o valor total da fatura é em função da quantidade e das
características das lâmpadas existentes.
112 C O N T R A T O D E F O R N E C I M E N T O D E E N E R G I A E L É T R I C A

8.8 Otimização de Contratos de Fornecimento de Energia Elétrica

Este item tem o objetivo de apresentar de uma maneira seqüencial os passos para se obter a máxima otimização
nos contratos de fornecimento de energia elétrica. Algumas ações requerem um conhecimento mais especi-
alizado enquanto outras podem ser desempenhadas dentro da própria Administração Municipal.

1 – Analisar os dados de demanda, consumo, fator de carga e fator de potência nas últimas 24 faturas de
energia elétrica emitidas pela concessionária. Esta amostra permite uma melhor análise do comportamento
da utilização de energia elétrica da unidade consumidora.

2 – Verificar a existência de qualquer dos seguintes itens: ultrapassagem de demanda na ponta, ultrapassa-
gem de demanda fora de ponta, demanda reativa excedente (ponta ou fora de ponta) e consumo reativo
excedente (ponta ou fora de ponta).

3 – Efetuar o somatório dos valores dos itens anteriormente identificados e determinar a média mensal
para cada segmento. O somatório destas médias irá indicar o valor excedente que está sendo pago naquela
unidade consumidora.

4 – A existência de tarifas de ultrapassagem de demanda dentro ou fora de ponta significa que a demanda
contratada encontra-se inferior ao máximo valor registrado pela concessionária no intervalo de leitura. Neste
caso duas ações podem ser adotadas, quais sejam:
■ implementação de um sistema automático de controle de demanda que evite que esta ultrapasse os
valores preestabelecidos em contrato. Neste caso faz-se necessário o apoio de especialistas para determi-
nação do melhor projeto de controle automático de demanda;
■ solicitação formal à concessionária de um novo valor contratual para a demanda, com o objetivo de ade-
quar os parâmetros contratuais à realidade da unidade consumidora.

A opção a ser escolhida é aquela que apresentar a maior atratividade econômica, visto que a primeira exige
o investimento em mão-de-obra e equipamentos especializados, enquanto a segunda, apesar de prescindir
de maiores investimentos, pode representar um incremento mensal de custos, muitas vezes indesejável ao
gestor municipal.

5 – A existência de demandas registradas inferiores ao valor de demanda contratada significa que está
ocorrendo uma contratação indevida e custos adicionais são verificados para esta condição. Neste caso deve-
se determinar a melhor demanda a ser contratada através de análises especializadas e solicitar da concessio-
nária a alteração contratual pertinente, que será possível após o transcurso de 12 meses da última alteração
contratual solicitada ou durante a renovação do contrato, que acontece a cada intervalo de três anos.
C O N T R A T O D E F O R N E C I M E N T O D E E N E R G I A E L É T R I C A 113

6 – A existência de tarifas de excedentes de demanda ou consumo reativo significa que a unidade está
consumindo, em determinados intervalos de tempo, um valor de energia reativa superior aos limites máxi-
mos estabelecidos na Resolução ANEEL nº 456/2000 da. Neste caso nenhuma alteração do contrato deve ser
solicitada à concessionária e o problema deve ser encaminhado a especialistas para determinação da melhor
solução técnica para eliminar os excedentes, sendo suficiente, na maioria dos casos, a instalação de bancos
de capacitores.

7 – Se a unidade consumidora apresentar um baixo consumo no horário de ponta (menor que 10% do
consumo total) e um baixo fator de carga médio (menor que 0,5) neste segmento horário, seguramente a
tarifa horossazonal se mostrará mais econômica. A determinação dos novos parâmetros de contratação deve
ser estabelecida por especialistas, que indicarão o melhor modelo tarifário (azul ou verde) e as demandas a
serem contratadas.

8.9 Marcos Legais

■ Conforme a Resolução ANEEL nº 456/2000 – Condições gerais de fornecimento de energia elétrica, que
estabelece as relações entre consumidor e concessionária de energia.

Normas

■ NBR 5410 – Instalações Elétricas em Baixa Tensão – Norma da ABNT que estabelece as condições técnicas
a serem obedecidas para as instalações elétricas em baixa tensão.
114 E X P E R I Ê N C I A E M D E Z M U N I C Í P I O S - P I L O T O S

9 Experiência em Dez Municípios-Pilotos

9.1 Introdução

Conforme visto no Capítulo 2, a RCE, desde sua criação em 1998, vem fortalecendo os projetos de eficiência
energética municipais, dentre os quais destaca-se a elaboração do Plano Municipal de Gestão da Energia
Elétrica – PLAMGE, que é o instrumento maior da Gestão Energética do Município e do uso eficiente da
energia elétrica.

Em 1996, a ELETROBRÁS/PROCEL solicitou ao IBAM a preparação de uma metodologia para atender aos
Municípios, propiciando eficiência energética em suas instalações. Foram realizados quatro projetos-piloto,
com elaboração de PLAMGEs nos Municípios de Governador Valadares/MG, Piracicaba/SP, Rio de Janeiro/RJ e
Salvador/BA, para estabelecer a base da metodologia.

No período de 2001 a 2002 foram elaborados mais dez PLAMGEs com o IBAM, em Municípios de todo o
Brasil, e cinco no Estado do Rio de Janeiro com a Fundação Brasileira de Desenvolvimento Sustentável – FBDS.
Tendo como pré-requisito ser um Município associado à RCE, a seleção baseou-se principalmente na diversi-
dade regional, no tamanho e no interesse do Município em participar do projeto.

A característica da metodologia está voltada para o planejamento de médio prazo do uso eficiente da
energia elétrica no Município, na capacitação e formação da equipe técnica local/regional e na gestão do
consumo de energia do Município, de forma a estabelecer uma competência do Poder Municipal e permitir
a gestão e a implementação de novas atividades com qualidade ambiental e eficiência energética.

Com o objetivo de despertar e ampliar o interesse de todos os Municípios brasileiros para os benefícios da
aplicação de projetos de eficiência energética, apresenta-se a seguir um resumo dos dez PLAMGEs elabora-
dos na parceria entre a ELETROBRÁS/PROCEL e o IBAM.
E X P E R I Ê N C I A E M D E Z M U N I C Í P I O S - P I L O T O S 115

Deve-se lembrar que os resultados apresentados referem-se ao potencial de redução de consumo caso as
medidas sugeridas sejam implementadas. O potencial de resultados alcançados pelos Municípios que adota-
ram a metodologia de Gestão Energética Municipal demonstra que é possível introduzir conceitos de eficiên-
cia energética, através da capacitação dos técnicos e da elaboração de um planejamento e, assim, atingir
metas de consumo com a prática do uso eficiente de energia elétrica.

MUNICÍPIOS NÚMERO DE ECONOMIA DE CONSUMO PERCENTUAL DE ECONOMIA


HABITANTES PREVISTO NO PERÍODO NO CONSUMO NO FINAL DO
PLANEJADO (MWh) PROJETO (%)

Paraguaçu (MG) 18.943 253 9


Nazaré da Mata (PE) 29.825 1.128 23
Itabaianinha (SE) 35.454 1.328 59
Carazinho (RS) 59.894 4.959 22
ParauapebasS (PA) 71.651 4.787 18
Dourados (MS) 164.949 5.510 8
Cascavel (PR) 245.066 13.138 18
Serra (ES) 322.518 26.322 19
Natal (RN) 712.317 5.854 10
Guarulhos (SP) 1.071.299 32.910 13

Parauapebas (PA)

Natal (RN)

Nazaré da Mata (PE)

Dourados (MS) Itabaianinha (SE)

Paraguaçu (MG)
Guarulhos (SP)
Serra (ES)

Carazinho (RS)
Cascavel (PR)

Figura 1 - Distribuição geográfica dos dez Municípios-pilotos


116 E X P E R I Ê N C I A E M D E Z M U N I C Í P I O S - P I L O T O S

1 – CASCAVEL (PR)

Período planejado 2002 – 2004


População: 245.066 habitantes
Taxa de crescimento Iluminação Pública: 8,5% e demais unidades: 5%
Economia Prevista: 13.138MWh e R$ 2.400.000,00 no período
Cenário de Referência , evolução do consumo sem medidas de eficiência.
Em 2001: 23.330MWh – R$3.664.340,00
Em 2004: 27.007MWh – R$5.428.886,00

Projetos propostos:
■ Retrofit da iluminação de edificações públicas
■ Diagnósticos mais minuciosos
■ Correção do fator de potência
■ Renegociação de contratos
■ PROCEL nas escolas
■ Seminários e visitas técnicas para capacitação
■ Utilização de equipamentos eficientes em projetos habitacionais
■ Revisão e modernização da Lei do Uso do Solo e Código de Obras

Cenário de Eficiência Energética, evolução do consumo aplicando medidas de eficiência.


Em 2001: 23.330MWh – R$3.664.340,00
Em 2004: 22.311MWh – R$4.496.617,00
E X P E R I Ê N C I A E M D E Z M U N I C Í P I O S - P I L O T O S 117

2 – CARAZINHO (RS)

Período planejado 2002 – 2005


População: 59.894 habitantes
Taxa de crescimento do consumo ao ano: 3,4%
Economia Prevista: 4.959MWh e R$ 881.000,00 no período
Cenário de referência – evolução do consumo sem medidas de eficiência
Em 2001: 6.062MWh – R$649.000,00
Em 2005: 7.493MWh – R$1.555.000,00

Projetos propostos:
■ Diagnósticos mais minuciosos
■ PROCEL nas Escolas
■ Critérios para uso de equipamentos eficientes
■ Modernização da iluminação pública
■ Avaliação do uso de coletores solares para aquecimento d’água
■ Revisão e modernização da Lei do Uso do Solo e Código de Obras

Cenário de eficiência energética – evolução do consumo aplicando medidas de eficiência


Em 2001: 6.062MWh – R$649.000,00
Em 2005: 5.840MWh – R$1.212.000,00
118 E X P E R I Ê N C I A E M D E Z M U N I C Í P I O S - P I L O T O S

3 – DOURADOS (MS)

Período planejado 2002 – 2004


População: 164.949 habitantes
Taxa de crescimento do consumo ao ano: 1,82%
Economia Prevista: 5.510MWh e R$ 707.000,00 no período
Cenário de Referência, evolução do consumo sem medidas de eficiência:
Em 2001: 17.250MWh – R$2.512.000,00
Em 2004: 18.130MWh – R$2.643.000,00

Projetos propostos:
■ Retrofit da iluminação de edificações públicas
■ Eficiência e melhoria dos sistemas de iluminação pública

Cenário de Eficiência Energética, evolução do consumo aplicando medidas de eficiência.


Em 2001: 17.250MWh – R$2.512.000,00
Em 2004: 16.750MWh – R$2.467.000,00
E X P E R I Ê N C I A E M D E Z M U N I C Í P I O S - P I L O T O S 119

4 – GUARULHOS (SP)

Período planejado 2002 – 2004


População: 1.071.299 habitantes
Taxa de crescimento do consumo ao ano: 1,18%
Economia Prevista: 32.910MWh e R$4.800.000,00 no período
Cenário de Referência, evolução do consumo sem medidas de eficiência
Em 2002: 72.026MWh – R$12.130.000,00
Em 2004: 73.639MWh – R$14.877.309,84

Projeto proposto:
■ Eficiência e melhoria dos sistemas de iluminação pública

Cenário de Eficiência Energética, evolução do consumo aplicando medidas de eficiência


Em 2002: 72.026MWh – R$12.130.000,00
Em 2004: 57.184MWh – R$12.477.000,00
120 E X P E R I Ê N C I A E M D E Z M U N I C Í P I O S - P I L O T O S

5 – ITABAIANINHA (SE)

Período planejado 2001 – 2004


População: 35.454 habitantes
Taxa de crescimento do consumo ao ano: 5%
Economia Prevista: 1.328MWh e R$144.000,00 no período
Cenário de Referência, evolução do consumo sem medidas de eficiência:
Em 2001: 1.416MWh – R$140.662,34
Em 2005: 1.640MWh – R$236.436,22

Projetos propostos:
■ Eficiência e modernização do sistema de iluminação pública
■ Substituição das lâmpadas fluorescentes tubulares de 40W por 32W
■ Substituição dos condicionadores de ar
■ PROCEL nas escolas
■ Seminário sobre o uso eficiente da energia elétrica
■ Planejamento urbano e o uso eficiente da energia elétrica

Cenário de eficiência energética, evolução do consumo aplicando medidas de eficiência:


Em 2001: 1.416MWh – R$140.662,34
Em 2004: 948MWh – R$158.480,00
E X P E R I Ê N C I A E M D E Z M U N I C Í P I O S - P I L O T O S 121

6 – NATAL (RN)

Período planejado 2001 – 2004


População: 712.317 habitantes
Taxa de crescimento do consumo ao ano: 5%
Economia Prevista: 5.854MWh e R$1.243.000,00 no período
Cenário de referência, evolução do consumo sem medidas de eficiência:
Em 2001: 25.904MWh – R$3.863.274,92
Em 2004: 29.987MWh – R$5.952.529,65

Projetos propostos:
■ Otimização do sistema de iluminação pública
■ Substituição das luminárias e lâmpadas fluorescentes de 40W por 32W e de 20W por 16W
■ Diagnóstico energético em prédio administrativo
■ PROCEL nas escolas
■ Seminário sobre o uso eficiente da energia elétrica
■ Planejamento urbano e uso eficiente da energia elétrica

Cenário de eficiência energética, evolução do consumo aplicando medidas de eficiência:


Em 2001: 25.904MWh – R$3.863.274,92
Em 2004: 26.990MWh – R$5.284.661,66
122 E X P E R I Ê N C I A E M D E Z M U N I C Í P I O S - P I L O T O S

7 – NAZARÉ DA MATA (PE)

Período planejado 2003 – 2005


População: 29.825 habitantes
Taxa de crescimento do consumo ao ano: 5%
Economia Prevista: 1.128MWh e R$268.000,00 no período
Cenário de referência, evolução do consumo sem medidas de eficiência:
Em 2001:1.724MWh – R$229.730
Em 2005: 2.044MWh – R$474.680

Projetos propostos:
■ Ações pré-implementação
■ Implementação de projeto de melhoria da eficiência da iluminação pública
■ Eliminação de discordância entre levantamento físico e as faturas da CELPE
■ Adequação da instalação
■ Uso e manutenção de aparelhos de ar-condicionados existentes
■ Substituição de lâmpadas convencionais existentes por mais eficientes
■ Correção do fator de potência

Cenário de eficiência energética, evolução do consumo aplicando medidas de eficiência:


Em 2001 –1.724MWh – R$229.730
Em 2005 – 1.579MWh – R$342.607,00
E X P E R I Ê N C I A E M D E Z M U N I C Í P I O S - P I L O T O S 123

8 – PARAUAPEBAS (PA)

Período planejado 2001 – 2004


População: 71.651 habitantes
Taxa de crescimento do consumo ao ano: 1,09%
Economia Prevista: 4.787MWh e R$802.000,00 no período
Cenário de referência – evolução do consumo sem medidas de eficiência:
Em 2001 –7.518MWh - R$1.165.224,98
Em 2004 – 9.411MWh - R$1.723.200,24

Projetos propostos:
■ Melhoria da eficiência dos sistemas de iluminação pública
■ Extensão de rede de iluminação pública eficientizada
■ Diagnóstico mais minucioso
■ Renegociação de contratos
■ Projeto de eficiência em tratamento
■ Captação e distribuição de água

Cenário de eficiência energética, evolução do consumo aplicando medidas de eficiência


Em 2001 –7.518MWh R$1.165.224,98
Em 2004 – 7.772MWh R$1.436.700,00
124 E X P E R I Ê N C I A E M D E Z M U N I C Í P I O S - P I L O T O S

9 – PARAGUAÇU DE MINAS GERAIS (MG)

Período planejado 2001 – 2004


População: 18.943 habitantes
Taxa de crescimento do consumo ao ano: 1,54%
Economia Prevista: 253MWh e R$54.000,00 no período
Cenário de referência, evolução do consumo sem medidas de eficiência:
Em 2001 –1.435MWh - R$195.283,45
Em 2004 – 1.502MWh- R$204.445,19

Projetos propostos:
■ Retrofit da iluminação de edificações públicas
■ Diagnósticos mais minuciosos
■ Correção do fator de potência
■ Renegociação de contratos
■ PROCEL nas escolas
■ Seminários e visitas técnicas para capacitação
■ Utilização de equipamentos eficientes em projetos habitacionais
■ Revisão e modernização da Lei do uso do solo e Código de Obras

Cenário de eficiência energética, evolução do consumo aplicando medidas de eficiência


Em 2001 –1.435 MWhR$195.283,45
Em 2004 – 1.370MWh R$166.980,78
E X P E R I Ê N C I A E M D E Z M U N I C Í P I O S - P I L O T O S 125

10 – SERRA (ES)

Período planejado 2001 – 2004


População: 322.518 habitantes
Taxa de crescimento do consumo ao ano: 1,22%
Economia Prevista: 26.322MWh e R$6.942.000,00 no período
Cenário de referência, evolução do consumo sem medidas de eficiência:
Em 2001 –29.760MWh - R$4.228.000,00
Em 2004 – 48.127MWh - R$10.562.000,00

Projetos propostos:
■ Diagnósticos mais minuciosos
■ PROCEL nas escolas
■ Critérios para utilização de equipamentos eficientes
■ Modernização da iluminação pública
■ Avaliação do uso de coletores solares para aquecimento d’água
■ Revisão e modernização da Lei do uso do solo e código de obras

Cenário de eficiência energética, evolução do consumo aplicando medidas de eficiência:


Em 2001 –29.760MWh R$4.228.000,00
Em 2004 – 39.353MWh R$7.003.259,00
126 B I B L I O G R A F I A

Bibliografia

ANEEL, Resolução Nº 456/2000 – Condições Gerais de Fornecimento de Energia Elétrica, Brasília, 2000, 76p.

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me 2. Belo Horizonte: Escola de Engenharia da UFMG, 1995, 221p.

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CEPEL/CRESESB – Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltáicos, Rio de Janeiro, 1999, 204p.

CEPEL/CRESESB – Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, Rio de Janeiro, 2001, cd-rom.

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ministração Municipal – IBAM.

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2002, 90p.

GELLER, Howard, SCHAEFFER, Roberto, TOLMASQUIM, Maurício T. Uso Eficiente da Eletricidade, Uma Estra-
tégia de Desenvolvimento Para o Brasil. Rio de Janeiro, 1991, 226p.

IBAM/PROCEL – Eficiência Energética nos Sistemas de Saneamento, Rio de Janeiro, 1998,76p.

IBAM/PROCEL – Manual para Elaboração de Planos Municipais de Gestão da Energia Elétrica, Rio de Janei-
ro, 2001, 95p.

IBAM/PROCEL – Manual para Elaboração de Código de Obras e Edificações, Rio de Janeiro, 1997, 152p.

IBAM/PROCEL – Manual de Iluminação Pública Eficiente, Rio de Janeiro, 2004, 115p.


B I B L I O G R A F I A 127

IBAM/PROCEL – Manual de Prédios Eficientes em Energia Elétrica, Rio de Janeiro, 2003, 225p.

IBAM/PROCEL – Planejamento Urbano e Uso Eficiente da Energia Elétrica, Rio de Janeiro, 1999, 83p.

IBAM/SEDU – Gestão Integrada de Resíduos Sólidos – Manual de Gerenciamento Integrado de Resíduos


Sólidos. Rio de Janeiro, 2001, 197p.

LAMBERTS, Roberto, Dutra, Luciano, PEREIRA, Fernando O. R. Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo,
1997, 187p.

LA ROVERE, Ana Lúcia Nadalutti. Desenvolvimento da Gestão Energética Municipal e Contribuição à Im-
plementação de Programas e Projetos em Piracicaba, Governador Valadares, Salvador e Forta-
leza. Rio de Janeiro, 1997.

LA ROVERE, Ana Lúcia Nadalutti. Modelo de Relatório de Avaliação e Planejamento de Atividades. Rio de
Janeiro, 1997.

LA ROVERE, Ana Lúcia Nadalutti. Resultados da Aplicação do Instrumento de Pesquisa em Piracicaba, Go-
vernador Valadares, Salvador e Fortaleza. Rio de Janeiro, 1997.

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LORA, Electo Eduardo Silva. Prevenção e Controle da Poluição nos Setores Energéticos, Industrial e de
Transporte, Rio de Janeiro, 2002, 482p.

MAGNIN, Gérard. Gestion Energetique Dans Les Municipalites Bresiliennes. França, 1998.

MINISTÉRIO DAS CIDADES/ PNCDA – Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Água,


www.pncda.gov.br

MOREIRA, Vinícius de Araújo. Iluminação & Fotometria – Teoria e Aplicação. Editora Edgar Blucher Ltda.,
1987, Terceira Edição.

PROCEL/ELETROBRÁS – Manual de Tarifação da Energia Elétrica – Rio de Janeiro, 2002, 44 p.

PROCEL/ELETROBRÁS – Manual de Orientação do RELUZ – Rio de Janeiro, 2003, 52 p.

PROCEL/ELETROBRÁS – Orientações Gerais para Conservação de Energia em Prédios Públicos – Rio de


Janeiro, 2001, 64 p.

PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL – A Natureza da Paisagem e Energia – Ministério de Minas e Ener-


gia, ELETROBRÁS/PROCEL, CIMA – Centro de Cultura, Informação e Meio Ambiente. 6 Volumes. –
Rio de Janeiro, 1996.

TSUTIYA, Milton Tomoyuki. Redução do Custo de Energia Elétrica em Sistemas de Abastecimento de Água.
ABES, São Paulo, 2001, 185p.
128 A N E X O

Anexo: Glossário

Conceitos e termos usados com freqüência

Iluminação Pública

■ Iluminamento – É medido na unidade lux - lx


Quantidade de luz (fluxo luminoso) recebido por unidade de superfície (m 2).
É a grandeza mais freqüentemente utilizada para garantir que o nível de iluminamento atenda àquele
recomendado para os diversos tipos de vias. É medido com um aparelho chamado luxímetro, que não
exige competência de um especialista para a sua utilização. Exige, entretanto, alguns cuidados, como a
construção de uma malha sobre a superfície da via a ser observada para se obter valores em vários pontos,
refletindo assim o iluminamento nela produzido.
(Obs.: Na norma brasileira esta grandeza é definida como “iluminância”)

■ Luminância – L (medido em candelas por unidade de superfície; cd / m2)


Indica a intensidade luminosa produzida ou refletida por uma dada superfície e possibilita reconhecer o
ofuscamento. Esta grandeza depende do entorno, do revestimento das pistas e das condições climáticas.
Eficiência luminosa – (medida em lúmens por watt ; lm / W)
É a relação de quantidade de luz emitida por uma fonte, na unidade de tempo, pela potência elétrica
absorvida pela mesma. Quanto maior a eficiência luminosa de uma lâmpada, menor seu consumo de
energia.

■ Temperatura de cor correlata – TCC (medida em Kelvin, com abreviação k)


Caracteriza a cor “aparente” de uma fonte luminosa. A medida é baixa para a luz “quente” (na faixa onde
domina o vermelho) e alta para as luzes frias (na faixa onde domina o azul). As temperaturas variam de
1500k até 9000k. Esta grandeza, que ajuda na escolha de lâmpadas, consta nos catálogos dos fabricantes.

■ Índice de reprodução de cores – IRC. A reprodução das cores é indicada pelo índice (IRC), que caracteriza a
A N E X O 129

aptidão de uma lâmpada em reproduzir sem deformação o aspecto e as cores de um objeto que ela
ilumina. Este valor varia de 1 a 100; quanto maior o valor do índice melhor a reprodução de cores. É, tam-
bém, uma grandeza útil na escolha de lâmpadas, consta nos catálogos dos fabricantes.

■ Índice de uniformidade geral – É a relação entre o iluminamento mínimo e o iluminamento médio. Se a


diferença entre estes dois índices for muito grande, o desempenho visual será prejudicado e diminuirá a
segurança na circulação.

■ Uniformidade longitudinal – O posicionamento das luminárias, ao longo da via, provoca zonas mais claras e
outras mais escuras. O parâmetro que mede este efeito “zebrado” é a uniformidade longitudinal que corres-
ponde à relação entre os valores mínimos e o máximo do iluminamento junto à superfície da via, ao longo
de uma linha paralela ao seu eixo.

■ Ofuscamento – É o fenômeno de desconforto visual quando uma fonte de luz mais intensa, comparada à
luminosidade geral, entra no campo visual de um observador. No início da noite, quando o sistema de
iluminação é acionado, este fenômeno é mais acentuado, com repercussão imediata sobre a segurança do
tráfego.

Prédios Públicos

■ Adequação contratual – Otimização do contrato de demanda realizado com a concessionária de energia


elétrica, de forma a adequar, da melhor maneira possível, os valores contratados aos observados de fato,
evitando ultrapassagem ou desperdícios recorrentes.

■ Banco de capacitores – Equipamentos utilizados para a correção de baixo fator de potência. Normalmente
são montados em bancos ou conjuntos de capacitores, de acordo com as necessidades.

■ Brise soleil – Lâminas verticais ou horizontais, colocadas na parte externa das janelas, nas fachadas dos
edifícios, com a função de proteger os ambientes internos da radiação solar direta e do calor resultante.

■ Carga térmica – Energia térmica de determinado ambiente que, em edifícios, normalmente relaciona-se
com o calor absorvido do ambiente externo, com a radiação solar, com os equipamentos de escritório,
com o sistema de iluminação e com as próprias pessoas.

■ Ciclo economizador – Modo de funcionamento de sistema de ar-condicionado central que aproveita ao


máximo o ar exterior.
130 A N E X O

■ Circuito desbalanceado – Circuitos elétricos que apresentam um desequilíbrio de tensão e/ou corrente
entre fases e neutro, gerando situações de sobrecarga e risco às instalações e ao patrimônio.

■ Consumo de energia – Energia elétrica, em kWh, consumida em um determinado período de tempo, nor-
malmente um mês.

■ Controladores – Equipamentos eletrônicos ou digitais que realizam o controle dos demais equipamentos
do edifício, automatizando o funcionamento dos mesmos.

■ Curva de carga – Histórico da utilização da energia elétrica em um determinado período de tempo, definin-
do um comportamento típico. Os medidores do tipo horossazonal registram e armazenam por cerca de 30
dias, as medições de energia que, integradas no tempo, formam as curvas de carga.

■ Demanda – (vide Capítulo 8 - Contrato de Fornecimento de Energia Elétrica).

■ Enquadramento tarifário – Adequação e otimização da unidade consumidora à estrutura tarifária existente.

■ Equilíbrio entre fases – Distribuição equilibrada de tensão e/ou corrente entre as fases de determinado
circuito.

■ Fator de carga – (vide Capítulo 8 - Contrato de Fornecimento de Energia Elétrica).

■ Fator de potência – (vide Capítulo 8 - Contrato de Fornecimento de Energia Elétrica).

■ Filme reflexivo – Filmes plásticos com capacidade de refletir a luz do sol que, instalados nos vidros comuns,
reduzem a passagem do calor para dentro dos ambientes.

■ Filtros de ar – Filtros existentes nos sistemas de ar-condicionado, seja em aparelhos de janela ou equipa-
mentos de maior parte, destinados a reter determinadas impurezas existentes no ar.

■ Fuga de corrente – Fugas de corrente elétrica para a terra, provocadas por fios desencapados, emendas mal
feitas e equipamentos defeituosos. Gera um consumo “invisível”.

■ Horário de ponta – (vide Capítulo 8 - Contrato de Fornecimento de Energia Elétrica).

■ Lâmpada incandescente – Lâmpada de bulbo tradicional, gerando luz a partir do aquecimento elétrico de
A N E X O 131

um filamento. Sua potência varia de 15W a 500W. Possui baixa eficácia (relação da quantidade de luz pro-
duzida e a quantidade de energia utilizada para tal).

■ Lâmpada fluorescente tubular – Lâmpada de descarga de baixa pressão, com a luz sendo produzida por pó
fluorescente ativado pela radiação ultravioleta gerada por descarga elétrica. Tem o formato tubular e pos-
sui alta eficácia.

■ Lâmpada fluorescente compacta – Lâmpada fluorescente de pequena dimensão, integra um soquete tradi-
cional das incandescentes onde instala-se o reator eletromagnético ou eletrônico. Substitui as lâmpadas
incandescentes e possui alta eficácia.

■ Material isolante – Material utilizado nos edifícios com características de isolamento térmico, usados princi-
palmente nas coberturas e paredes com elevada carga térmica incidente.

■ Pérgula – São vigas de concreto ou madeira, colocadas em geral na cobertura, varandas ou jardins com a
função de sombrear e proteger da radiação solar direta.

■ Reator eletromagnético – Equipamento eletromagnético destinado a regular a corrente das lâmpadas de


descarga. O fator de eficácia deste tipo de reator varia do baixo ao médio. Pode possuir também baixo ou
alto fator de potência.

■ Reator eletrônico – Equipamento eletrônico destinado a regular a corrente das lâmpadas de descarga. O
fator de eficácia deste tipo de reator é alto. Possui também alto fator de potência.

■ Refletor de Alumínio Anodizado – Refletor de alto brilho e capacidade de reflexão da luz, utilizado nas lumi-
nárias de alta eficácia.

■ Relação custo/benefício – Relação entre os custos diretos e indiretos de determinado empreendimento ou


projeto e os benefícios decorrentes da implementação do mesmo, considerando-se um mesmo período
de tempo para a análise dos custos e dos benefícios.

■ Retrofit – Serviço de modernização realizado em equipamentos ou sistemas já usados, visando aumentar o


grau de eficiência dos mesmos.

■ Selo PROCEL de economia de energia – Selo concedido pelo PROCEL àqueles equipamentos certificados
que comprovaram ter um padrão de eficiência superior no mercado.
132 A N E X O

■ Sensor de presença – Equipamento do sistema de iluminação e segurança, com a função de detectar a


presença de pessoas e realizar um comando predeterminado, como acender a luz, tocar uma sirene, avisar
alguém etc.

■ Sensor de temperatura – Equipamento do sistema de ar-condicionado, instalado em diversos locais do


edifício, com vistas à otimização da operação do sistema, como sensores de temperatura nas salas e tubu-
lações, sensores de pressão nas tubulações etc.

■ Sistema de ar-condicionado de janela – Sistema de ar-condicionado que utiliza equipamentos instalados


nas janelas, com funcionamento autônomo.

■ Sistema de ar-condicionado central – Sistema de ar-condicionado que utiliza uma central de água gelada
(CAG), gerando água gelada para utilização nas unidades resfriadoras de ar (fan coil) que, por sua vez,
insuflam o ar resfriado nos ambientes do edifício.

■ Sistemas de automação predial – Sistema composto por controladores digitais e eletrônicos, comandados
por um software especializado, com a função de supervisionar e controlar os diversos equipamentos ou
sistemas de um edifício, como a iluminação, o ar-condicionado, a hidráulica, a segurança e outros.

■ Termoacumulação – Modo de acumular, em tanques, energia térmica na forma de gelo ou água gelada,
para ser utilizado pelo sistema de ar-condicionado no horário de ponta, quando a energia é mais cara ou
em outro horário, em função da necessidade.

■ Unidade resfriadora de ar – Equipamentos (fan coil) responsáveis pelo resfriamento do ar que condicionam
os ambientes na temperatura desejada. Realizam na serpentina a troca de calor entre o ar e a água gelada,
sendo o ar resfriado insuflado no ambiente por ventiladores localizados no mesmo.

■ Unidade resfriadora de líquidos – Equipamento (“chiller”, centrífuga etc.) que realiza o resfriamento de líqui-
dos, produzindo normalmente água que circula nas serpentinas das unidades resfriadoras de ar (fan coil)
resfriando o ar que vai para os ambientes condicionados.

■ Válvula de água gelada – Válvulas com atuador elétrico ou pneumático, de duas ou três vias, utilizadas nas
unidades resfriadoras de ar (fan coil) e na central de água gelada (CAG), com a função de modular automa-
ticamente a vazão da água a partir do comando de um controlador, alterando com isso a capacidade de
resfriamento do sistema de ar-condicionado.
A N E X O 133

■ Variador de freqüência – Equipamento destinado a controlar a velocidade de rotação dos motores, econo-
mizando energia em função da utilização de velocidades menores à constante de projeto do motor.

■ Ventilação natural – Ventilação de ambientes internos que ocorre com a circulação do ar por aberturas e
janelas corretamente localizadas e dimensionadas.

■ Vidro reflexivo – VIDRO com capacidade de refletir a luz e reduzir a passagem de calor para o ambiente
interno. Existem diversos tipos com diferentes capacidades de reflexão e absorção de calor.

Saneamento

■ ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

■ Água potável – Água tratada, adequada para o consumo.

■ Águas pluviais – Parcela das águas das chuvas que escoa superficialmente.

■ Aterro sanitário – Local onde se processa a disposição final do lixo segundo critério e normas de engenharia
que atendam aos padrões de segurança e de controle da poluição ambiental

■ Clarificação – consiste na remoção da turbidez através da remoção de sólidos.

■ Coagulação – desestabilização dos colóides presentes na água, permitindo, assim, que eles posteriormen-
te se aglutinem formando flocos passíveis de serem separados na sedimentação ou na filtração.

■ Conversores de freqüência – Ajustam automaticamente as vazões de bombeamento, por exemplo, às va-


zões demandadas. A tecnologia permite a adequação da potência a ser consumida pelo conjunto
motobomba, isto é, o conjunto só consumirá a potência suficiente para transportar a quantidade de água
que será necessária a cada instante no sistema.

■ Efluentes – Despejos de origem agrícola, industrial ou doméstica, tratados ou não, lançados no ambiente.

■ Fator de carga – Índice que indica ao fim de um período (mês) se a empresa está utilizando conveniente-
mente a potência elétrica solicitada à concessionária.
134 A N E X O

■ Fator de potência – Relação entre as potências reativa e ativa, que determina o fator de potência indutivo/
capacitivo para um período.

■ Filtração – Passagem da água por um leito de material granular, através do qual ocorre a separação das
partículas presentes na água.

■ Floculação – Formação de flocos, mediante a introdução de energia na massa líquida, capaz de favorecer o
contato entre os colóides desestabilizados e permitir a sua aglutinação.

■ Índices de avaliação – instrumentos através dos quais poderão ser avaliados os resultados de quaisquer
processos produtivos.

■ Índice de consumo específico – Índice que estabelece a relação entre a energia consumida (kWh) e a quan-
tidade da produção num determinado período.

■ Mecanismos de agitação – Equipamentos para aerar tanques de água ou esgotos.

■ Modulação da curva de carga – Estudo indicado para o conhecimento do uso da energia, com o objetivo
de otimizar o sistema e de reduzir o valor da conta de energia, através da retirada ou deslocamento de
cargas elétricas no horário de pico (três horas) com referência aos valores estabelecidos no contrato de
energia.

■ Retrofit – Recondicionamento de um equipamento visando melhorar o seu desempenho.

■ SCADA (Supervisory Control and Data Acquisition) – Software para supervisão e controle de dados operacionais
usados para monitorar e controlar os sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

■ Sedimentação – Separação, pela ação da gravidade, dos sólidos presentes na água.


A N E X O 135

Anexo: Contatos Importantes

ABCE – Associação Brasileira de Consultores de Engenharia


Praça Pio X, 15 – 8º andar
Rio de Janeiro – RJ – 20040-020
Tel.: (21) 2263-1188
Fax: (21) 2253-8585
Home-page: www.ibpinet.com.br/abce
E-mail: fepac@ibpinet.com.br

ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental


Av. Beira Mar, 216 – 13º andar – Castelo
Rio de Janeiro – RJ – 20021-060
Tel.: (21) 2210-3221
Fax: (21) 2262-6838
Home-page: www.abes-dn.org.br
E-mail: abes@abes-dn.org.br

ABESCO – Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Conservação de Energia


Av. Paulista, 1313 – 9º andar – cj. 908
São Paulo – SP – 01311-923
Tel.: (11) 3549-4525
Fax: (11) 3549-4225
Home-page: www.abesco.com.br
E-mail: abesco@abesco.com.br
136 A N E X O

ABILUX – Associação Brasileira da Indústria de Iluminação


Av. Paulista, 1313 – 9º andar – cj. 913
São Paulo – SP – 01311-923
Tel.: (11) 251-2744
Fax: (11) 251-2558
Home-page: www.abilux.com.br
E-mail: abilux@abilux.com.br

ABRADEE – Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica


Rua da Assembléia nº 10 – sala 3201
Rio de Janeiro – RJ – 20011-901
Tel.: (21) 2531-2053
Fax: (21) 2531-2595
Home-page: www.abradee.org.br
E-mail: abradee@abradee.org.br

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica


SGAN 603 - módulo J
Brasília – DF –70.830-030
Tel.: 0800-7272010
Home-page: www.aneel.gov.br

ANA – Agência Nacional de Aguas


Setor Policial Sul, Área 5, Quadra 3, Bloco L, sala 165
Brasília – DF –70.610-200
Tel.: (61) 445 5261
Home-page: www.ana.gov.br

CRESESB – Centro de Referência para Energia Solar e Eólica Sérgio de Salvo Brito
Av. Um s/nº - Cidade Universitária
Rio de Janeiro – RJ – 21941-590
Tel: (21)2598-6174
Fax: (21)2260-6211
Home-page: www.cresesb.cepel.br
A N E X O 137

CEPEL – Centro de Pesquisas em Energia Elétrica


Av. Um, s/no – Cidade Universitária
Rio de Janeiro – RJ – 21941-590
Tel: (21) 2598-2112
Fax: (21) 2260-1340
Home-page: www.cepel.br
E-mail: cepel@cepel.br

IBAM – Instituto Brasileiro de Administração Municipal


Largo IBAM nº 1 – Humaitá
Rio de Janeiro – RJ – 22271-070
Tel.: (21) 2536-9759 / 2536-9783
Fax: (21) 2527-6974
Home-page: www.ibam.org.br
E-mail: ibam@ibam.org.br

MC – Ministério das Cidades


Esplanada dos Ministérios – Bloco A – 2º andar
Brasília – DF – 70050-901
Tel.: (61) 411-4612
Fax: (61) 226-2719
Home-page: www.cidades.gov.br
E-mail: cidades@cidades.gov.br

MC/PNCDA – Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Água


Esplanada dos Ministérios, Bloco A – 3º andar
Brasília – DF – 70054-900
Tel: (61) 315-1965
Fax: (61) 322-2024
Home-page: www.pncda.gov.br
E-mail: pncda@planalto.gov.br
138 A N E X O

MME – Ministério de Minas e Energia


Esplanada dos Ministérios, Bloco U
Brasília – DF – 70065-900
Tel: (61) 319-5555
Home-page: www.mme.gov.br
E-mail: mme@planalto.gov.br

PROCEL/ELETROBRÁS
Praia do Flamengo, 66 – 4º andar – Flamengo
Rio de Janeiro – RJ – 22210-903
Tel.: (21) 2514-5923
Fax: (21) 2514-5553
Home-page: www.eletrobras.com/procel
E-mail: procel@eletrobras.com

RCE – Rede Cidades Eficientes em Energia Elétrica


Largo IBAM nº 1 – Humaitá
Rio de Janeiro – RJ – 22271-070
Tel.: (21) 2536-9759 / 2536-9783 / 2536-9787
Fax: (21) 2527-6974
Home-page: www.rce.org.br
E-mail: rce@ibam.org.br

Este trabalho teve como referência básica o Guia Técnico Gestão Energética Municipal da ELETROBRÁS/PROCEL, Comissão Européia e
Programa ALURE.
guia técnico PROCEL gem

Gestão Energética Municipal

Gestão Enegética Municipal


guia técnico PROCEL g em