O que é Price Action?
O Rei está nú
Muito provavelmente você já ouviu esse nome: Price Action ou "ação do
preço" em inglês. Embora seja um nome chique, com ares de
sofisticação, ele nada mais é do que a velha e boa análise gráfica – uma
técnica que existe há mais de um século.
Sabe aquele livro de análise técnica, que mostra um monte de gráficos
cheios de indicadores? Tem médias móveis, IFR, OBV, MACD, Bollinger
e tudo o mais? Então – retire todos os indicadores do gráfico e o que
sobra? Os candles.
Pois é disso que se trata a análise gráfica ou, se preferir, o tal Price
Action.
Mas não se engane e nem se sinta desamparado. Saiba que todos os
indicadores que têm como base o preço – vou repetir: todos os
indicadores que têm como base o preço – saem justamente dali, ou seja,
de um gráfico sem nada.
Pense em um indicador como Média Móvel. De onde saem os valores
usados em seu cálculo? Exatamente: do preço que já aconteceu e que
está ali na tela desenhado em um candle. E as Bandas de Bollinger? Se
respondeu que saem "do preço que já aconteceu e que está ali na tela
desenhado em um candle", você acertou.
E o MACD? Bem, o MACD é um indicador criado a partir da diferença
entre duas médias móveis. E, como você já sabe, as médias móveis são
calculadas a partir "do preço que já aconteceu e que está ali na tela
desenhado em um candle".
Agora, pense comigo: se os indicadores são calculados com base em
algo que já aconteceu (até porque não dá para fazer cálculos com
números que ainda não existem), isso significa que todos os indicadores
estarão atrasados em relação ao que o preço está fazendo no momento.
Então, se é assim, porque já não olhamos de uma vez aquilo que o preço
está fazendo para tomarmos nossas decisões de compra e de venda no
exato momento em que o mercado sinaliza que vai subir ou descer?
Pois é exatamente esta a ideia por trás do Price Action – analisar o
movimento ou a ação (action) que o preço (price) está fazendo.
Para isso, é preciso reconhecer os sinais deixados no gráfico através dos
candles e das diversas formações – ou "desenhos" que eles constroem
ao longo do tempo.
No início, parece um pouco complicado, mas você verá que a análise
gráfica – ou Price Action – é algo muito fácil e intuitivo. Você só precisa
ter certa habilidade em reconhecer padrões – aquela mesma habilidade
que você possuía quando era criança para ficar vendo bichinhos nas
nuvens.
Você perceberá que é possível atingir ótimos resultados operando com o
gráfico sem nada, sem indicadores, limpinho. Os americanos chamam
isso de naked trading ou trade nu, pelado – operar o gráfico sem nada,
como veio ao mundo.
Neste curso, você aprenderá os principais elementos do Price Action, os
padrões mais comuns e alguns setups para você já começar dar seus
primeiros passos nessa técnica bastante lucrativa.
Diferenças em relação a Análise Técnica
Clássica
Primeiro você entende, depois você escolhe
Se você já está estudando o trading mesmo que por pouco tempo,
certamente já viu um gráfico com indicadores. Seu espírito investigativo
em algum momento deve ter se perguntado como é que aquelas linhas e
traços vão parar lá no gráfico. De onde vem aquilo?
Vamos dar um exemplo prático de um indicador bastante
conhecido: Média Móvel.
A fórmula de cálculo de uma média móvel aritmética é bastante simples.
Vamos considerar uma média móvel simples de 20 períodos ou, como
você já deve ter visto, MMA20 (M de média, M de móvel, A de Aritmética
e 20 que é o número de períodos dessa média).
Ela nada mais é do que o resultado da média aritmética dos preços de
fechamento dos últimos 20 candles. Vá no gráfico, anote o preço de
fechamento dos últimos 20 candles, some todos e divida por 20. Você vai
obter um número. Pegue esse número (que vai ser um nível de preço) e
faça um risquinho acima do próximo candle, bem naquele nível de preço.
Muito bem, agora o gráfico já andou um (01) candle. Repita o
processo de cálculo e considere os últimos 20 candles que ficaram para
trás. Vá fazendo isso a cada novo candle que aparecer na tela.
Depois que fizer isso algumas vezes, emende todos os risquinhos com
uma linha. Pronto, você acabou de desenhar uma MMA20. No caso
específico das Médias Móveis, você pode fazer esse cálculo com os
preços de abertura, ou de fechamento, ou, então, fazer uma média
exponencial e assim por diante. Você escolhe o método que quiser, mas
sempre terá o preço como base.
Agora que você já passou pela experiência de como um indicador é
criado – e quase todos os indicadores partem do preço (alguns são
calculados a partir do volume negociado, mas isso é para outra aula) –
ficou claro que todo indicador é calculado com base em alguma ação que
o preço realizou no passado.
Podemos então afirmar que a Análise Técnica é algo derivado da Análise
Gráfica (ou Price Action).
Isso também não quer dizer que uma técnica seja boa e a outra, ruim.
Pelo contrário, elas até se complementam.
Quem usa indicadores é porque criou um método de trabalho que se
baseia em seus sinais para comprar e vender ativos, e não há nada de
errado com isso. Muita gente faz um bom dinheiro utilizando
indicadores.
Se você puder entender como o preço se move, souber identificar
elementos importantes no gráfico, como suportes, resistências, canais e
padrões de reversão, então você será capaz de extrair o máximo de
suas operações simplesmente pelo fato de conhecer intimamente o
comportamento do preço.
Digamos, por exemplo, que você opere exclusivamente com indicadores e
esteja esperando um cruzamento de médias para entrar em
uma reversão. As médias, como você já aprendeu, estarão um pouco
atrasadas em relação ao preço. Isso significa que primeiro o preço irá
reverter e somente depois as médias irão se cruzar.
Você não precisa se precipitar e entrar na operação antes das médias se
cruzarem, mas se conhecer os padrões de reversão do Price Action,
poderá ter a indicação de que o preço irá reverter e saberá isso de
antemão, um pouco antes das médias se cruzarem. Isto significa que no
momento em que as médias se cruzarem, você poderá entrar na
operação com muito mais segurança.
Por essa razão, é de extrema importância você conhecer o Price Action –
ele está na base de tudo, de todas as técnicas e isso ocorre porque
mostra exatamente o que o preço está fazendo e dá indícios daquilo que
o preço poderá fazer em seguida.
Uma vez tendo absorvido esse conhecimento, você escolhe se prefere
operar sem nenhum indicador, com muitos indicadores, com apenas um
indicador e assim por diante.
Você não precisa ser purista. Há, obviamente, traders que gostam do
tal naked trading, ou seja, só os candles no gráfico e mais nada. Há
alguns que gostam de colocar uma média móvel só para ter uma
referência da tendência do preço. Há outros, ainda, que
preferem combinar a leitura do gráfico limpo com a análise do Book de
Ofertas e do Times and Trades.
Sinta-se à vontade para escolher aquilo que melhor se adapta ao
seu perfil operacional. Só existe uma regra: o melhor jeito de operar é
aquele que ajuda a colocar dinheiro no seu bolso.
Sim, a análise técnica é boa e funciona. Sim, o Price Action é bom e
funciona. Mas, como a Análise Técnica deriva do Price Action, é
importante você conhecer como ele funciona para depois tomar a decisão
de que tipo de técnica você vai utilizar.
Vantagens e Desvantagens do Price Action
É bom, mas demora para pegar o jeito
Sabe aquela frase que todo mundo diz: tudo tem dois lados? Isso vale
para a vida, vale para as escolhas. Os defensores do Price Action
vêm muitas vantagens na metodologia. Alguém que opere por Tape
Reading certamente irá tecer diversas críticas em relação a ele. Cada um
defende aquilo que melhor conhece.
Quem está certo? Todos e ninguém.
Isso acontece porque não haverá nenhuma técnica, método ou fórmula
que funcione perfeitamente em todas as circunstâncias. Se houvesse,
ninguém estaria rico, já que todos utilizariam as mesmas técnicas:
imagine todo mundo querendo comprar a R$ 10,00 e ninguém querendo
vender porque este é um ponto de compra. Simplesmente não haveria
negócios.
Como qualquer técnica, o Price Action apresenta vantagens e
desvantagens.
Vamos começar pelas desvantagens:
– Demora para pegar o jeito: embora seu conceito seja bastante simples
e sua operação totalmente visual, demora-se para aprender. Isso ocorre
porque o primeiro impulso de todos será o de tentar decorar todos os
padrões existentes (para depois perceber que não é esse o caminho).
Então, a pessoa ficará um bom tempo nisso até entender os conceitos
que estão por trás da formação dos padrões.
– Precisa desenvolver habilidades: ser capaz de operar Price Acion é
algo que depende de reconhecimento de padrões, uma habilidade visual.
Olhar para um gráfico e imediatamente ser capaz de enxergar suportes,
resistências, figuras e canais será bem mais fácil para aqueles que
possuem uma habilidade natural para reconhecer padrões. Todos são
capazes de fazer isso, mas quem não tem essa habilidade terá que
treinar por mais tempo do que quem tem.
– No começo há uma insegurança: todos os que têm seu primeiro
contato com o mundo dos gráficos, logo dão de cara com os indicadores.
E como é a primeira coisa que vemos, incutimos em nossa mente que
eles são necessários para operar. É mais ou menos como aquelas
rodinhas laterais das bicicletas infantis – quando o pai as tira, bate um
medinho. É claro que, como tudo, a experiência vai ajudar a eliminar essa
insegurança para sempre. Arriscamos dizer que muitos preferirão operar
no modo naked trading mesmo – tem gente até que diz que os
indicadores atrapalham porque tiram a visão dos candles.
Agora vamos às vantagens
– Versátil – o Price Action funciona em qualquer mercado, em qualquer
tempo gráfico, com qualquer ativo de qualquer país. Qualquer ativo ou
mercadoria que apresente liquidez, movimentação constante e esteja
sujeito às leis de oferta e demanda, pode ser operado com Price Action.
Lembre-se que essa foi a primeira técnica de análise de preços para
tomada de decisão que existiu no mundo. Todas as outras técnicas
gráficas surgiram a partir daí.
– Visão clara – basta você ligar topos e fundos que saberá exatamente
se o preço está em alta, em baixa ou de lado. Candles com sobreposição
poderão ajudá-lo a reforçar essa interpretação. Os candles, além de
conterem as informações sobre as forças de compra e de venda em si
mesmos, formam, em conjunto, uma história perfeita das disposições de
todos os players, do mercado, das reações às notícias. Como todos os
grafistas afirmam, o preço desconta tudo e, se isso é verdade, você não
precisaria de mais nada além dos gráficos para tomar as decisões mais
corretas de compra e venda de ativos.
– Fundos e Topos – todos sabemos que se deve comprar no fundo e
vender no topo. E como saber quando é fundo e quando é topo?
Resposta: Price Action.
– Não precisa de muita coisa – se você souber encontrar Suportes,
Resistências, Linhas de Tendência, alguns padrões de candle e aprender
a fazer projeções (Elliott e Fibonacci), já terá condições de ganhar um
bom dinheiro operando o mercado. Tem gente que só faz isso e consegue
extrair dinheiro do mercado.
O resumo disso tudo é que o Price Action apresenta muito mais
vantagens do que desvantagens. E, como ele está na base de tudo o que
é feito em análise técnica, é algo fundamental para que se possa alcançar
sucesso operando os mercados.
Suportes e Resistências no Price Action
Do chão não passa, mas nem sempre
Suportes e resistências – essas duas palavras estão entre as mais
frequentemente pronunciadas no mundo do trading. E não é à toa
– suportes e resistências são regiões de preço decisivas para a maioria
das operações.
O suporte pode ser entendido como uma região onde o preço apresenta
dificuldades para ultrapassar quando está em queda. É como se
houvesse um chão ou uma rede de proteção. O preço chega por ali e fica
tentando ultrapassar, mas não consegue descer muito além daquele
ponto.
Já a resistência apresenta o mesmo conceito, só que para preços que
estão subindo. É como se houvesse um teto ou telhado que dificulta a
passagem do preço para além daquela região.
Suportes e resistências mostram ao trader até quais níveis de preço os
grandes players estão dispostos a comprar ou a vender. É uma espécie
de "daqui não passa" e, por isso mesmo, funcionam muito bem como
pontos de reversão e também como alvos para as operações.
Visualmente, não é difícil reconhecer essas regiões. Se você diminuir o
zoom de um gráfico a ponto dos candles ficarem tão pequenos que se
pareçam com linhas grossas e, em seguida, mover o cursor do mouse em
cruz verticalmente pela tela do seu computador, verá que, ao longo dos
zigue-zagues que o preço faz, existirão regiões em que o preço toca e
volta com certa frequência, como se houvesse uma espécie de repelente
de candle naquele lugar.
Você notará também que existirão regiões fáceis de ultrapassar e outras
bem mais difíceis. É o caso daquela resistência ou suporte onde o preço
bate uma vez, volta, e quando chega ali novamente, ultrapassa sem
apresentar dificuldades.
Outras, contudo, se mostrarão mais difíceis de serem ultrapassadas e,
todas as vezes que o preço passa por ali, ele acaba voltando.
Há momentos em que o preço fica "preso" entre um suporte e uma
resistência, dando origem àquilo que denominamos congestão.
Se do ponto de vista conceitual suportes e resistências são regiões de
preço em que o players mudam de ideia, ou seja, compradores perdem
força e desistem de insistir na subida ou, em uma tendência de baixa,
vendedores desistem de vender, dando lugar à força dos compradores,
do ponto de vista estritamente prático, a informação é bastante clara: o
preço sobe (ou desce) até um ponto e volta para o lugar de onde veio.
Suportes e resistências apresentam uma característica bastante
interessante: uma vez ultrapassados, transformam-se em sua função
oposta, ou seja, depois que um suporte é rompido e ultrapassado (para
baixo), ele passa a funcionar como uma resistência. E, depois que uma
resistência é rompida e ultrapassada (para cima), ela passa a funcionar
como um suporte.
Isso significa que suportes e resistências sempre oferecem ótimas
oportunidades para realizarmos operações lucrativas.
Nem só de preço vive um suporte
E tampouco uma resistência vive só de preço. É
possível anteciparmos regiões de suportes e resistências através da
ferramenta de Fibonacci.
Preços em tendência, como você já viu, andam em zigue-zague.
Traduzindo esse movimento para um linguajar mais técnico, o preço se
movimenta fazendo uma perna de tendência seguida por uma perna de
correção, ou seja, o preço vai para cima e desce um pouquinho antes de
continuar sua jornada rumo ao alto. Dizemos que o preço desenha, no
gráfico, topos e fundos ascendentes.
Em mercados baixistas, embora o preço desça, o princípio é o mesmo:
perna de tendência (agora para baixo), seguida de uma pequena perna
de correção (para cima), antes do preço seguir sua jornada rumo às
regiões abissais do preço. Dizemos que o preço desenha, no gráfico,
topos e fundos descendentes.
Essa pequena volta ou, como vimos, correção, na maioria das vezes,
pode ser medida pela ferramenta de retração de Fibonacci. Se você fizer
testes em seu gráfico, verá que a maioria das correções situa-se na
região que fica entre 50% e 61,8% de Fibonacci.
Se o preço estava indo em uma direção e volta para corrigir parando
nesses níveis de Fibo (ok, já estamos íntimos, podemos chamá-lo
apenas de Fibo), então eles poderão servir como regiões de
suporte e resistência que apresentam, como se pode verificar nos
gráficos, alto índice de acerto.
Há traders conhecidos no mercado que vivem exclusivamente de operar
suportes e resistências. Estatisticamente, a maioria dos rompimentos
falha. Um bom suporte ou uma boa resistência resistirão a, no mínimo,
dois toques antes de serem rompidos.
Mas uma vez ultrapassados aqueles níveis por duas ou mais vezes, eles
já não podem mais ser considerados suportes e resistências confiáveis e,
nesses casos, é preferível não os operar mais.
LTA, LTB e Canais
Inclinado também vale
Você viu, na aula de Suportes e Resistências, que estas são regiões em
que o preço apresenta certa dificuldade em ultrapassar. Parece que há
uma repulsão das disposições do mercado naquele ponto. Compradores
vão até ali e, de repente, desistem ou perdem força – e, então, o preço
volta para trás e começa a descer, transformando aquele ponto ou região
em resistência. É como se houvesse um teto ou telhado impedindo que os
preços subam mais naquele momento.
O mesmo raciocínio vale para preços em queda, mas, neste caso, o nome
daquele "chão" que impede o preço de continuar caindo é suporte. Os
preços vêm descendo, batem ali, voltam para trás e começam a subir.
Tanto nos suportes quanto nas resistências, dependendo de sua força
ou importância, os preços podem bater ali diversas vezes.
Mas, entre um suporte e uma resistência, o preço de desloca, seja
descendo, seja subindo. E ele segue seu caminho, desenhando zigue-
zagues na tela.
Esses zigue-zagues também se apóiam em linhas de suporte ou
resistência. A diferença é que, neste caso, essas linhas poderão estar
dispostas na diagonal do gráfico. Ou seja, o conceito é exatamente o
mesmo, mas os preços utilizarão linhas imaginárias de suporte e
resistência inclinados.
As linhas de resistência continuarão funcionando como limites
superiores – ou "tetos" – que impedem que o preço volte a subir. Então, o
preço permanece tentando perfurar aquela linha imaginária por várias
vezes, ao mesmo tempo em que continua descendo, fazendo topos e
fundos descendentes.
Essa linha imaginária – que já pode ser traçada quando o gráfico fizer
dois (2) topos descendentes – têm um nome: LTB – Linha de Tendência
de Baixa.
As linhas de suporte irão se parecer com uma rampa inclinada para
cima, onde o preço sempre toca enquanto segue sua trajetória
ascendente. É como se fosse um "chão" inclinado para cima, onde o
preço vai quicando e fazendo topos e fundos ascendentes.
A linha inclinada que funciona como suporte enquanto o preço sobe
também tem um nome: LTA – Linha de Tendência de Alta.
Desenhá-las é fácil. Basta interligar topos (no caso das LTBs) ou fundos
(no caso das LTAs). Apenas dois topos ou dois fundos são suficientes
para você traçar sua linha de tendência. Procure traçar uma linha
bastante comprida para você ter uma ideia de onde o preço poderá bater
quando estiver se aproximando dela novamente.
Quanto ao local preciso – corpo ou pavio – onde as linhas deverão ser
traçadas, não há uma regra. Existem pessoas que traçam no pavio, e há
aquelas que traçam no corpo do candle, e há, ainda, aquelas que
misturam esses métodos.
Você, obviamente, irá se sentir inseguro nas primeiras vezes que tentar
traçar suas linhas e isso é natural. Tente condicionar sua mente para,
todas as vezes que o gráfico fizer dois topos ou dois fundos, traçar LTAs
e LTBs. Isso se tornará um hábito a ponto de você ser capaz de
visualizar essas linhas antes mesmo de as traçar.
LTAs e LTBs, como você deve saber, não são eternas. Em algum
momento, elas serão rompidas. Por isso, mantenha um rígido controle
de risco e financeiro. Tome cuidado ao aproximar-se de suportes e
resistências (horizontais) porque o preço pode modificar seu
comportamento nessas regiões. Espere uma confirmação, como uma
figura ou padrão de reversão, se for o caso ou, caso
ocorram rompimentos, espere por uma confirmação como, por exemplo,
um pullback pós-rompimento.
É tipo um túnel
Há um caso especial de linhas de tendência. Ele ocorre quando o preço
fica preso em uma congestão – que pode ser ascendente ou
descendente. É aquele mesmo conceito de congestão que você já viu,
mas a diferença é que o preço fica preso entre uma LTA e uma LTB por
algum tempo.
Esse tipo de formação é chamado de canal – que, dependendo da
direção, pode ser de alta ou de baixa – e permite a realização de ótimos
e lucrativos trades.
Identificá-los é fácil: assim que o preço fizer 2 topos e 1 fundo (ou
então 2 fundos e 1 topo), você liga os 2 topos (ou fundos) entre si, e, em
seguida, traça uma linha paralela àquela que você acabou de traçar,
movendo-a para o fundo (ou topo) solitário que sobrou.
Pronto, você acabou de traçar um canal. Agora, é só esperar o preço
chegar nas "paredes" do canal. Ao chegar lá, espere que os candles
façam um sinal ou padrão de reversão como um martelo no fundo ou
estrela cadente no topo (veremos alguns desses padrões nas próximas
aulas). A entrada deve ser no rompimento dessa figura, em direção à
parede oposta do canal.
Obviamente, o preço não ficará preso ali para sempre. Chegará o
momento em que ele irá romper o canal para um dos lados. Nesse ponto,
você deverá manter um controle de stop adequado ao movimento e
garantindo a manutenção dos lucros que você eventualmente obteve
operando o canal.
Se você trabalhar apenas com suportes, resistências, canais e linhas de
tendência é possível realizar operações bastante lucrativas. Com
gestão adequada e muita disciplina, é pode-se adquirir consistência no
trading utilizando esses padrões bastante conhecidos por traders de todo
o mundo.
A importância dos Candles
De um candelabro, uma ideia
A ideia de se criar um símbolo que contivesse informações sobre um
período de negociações aconteceu por volta de 1750, no Japão, por um
bem-sucedido comerciante de arroz chamado Munehisa
Homma inspirado nas velas (candle em inglês) dispostas em um
candelabro (candlestick) em sua sala.
Até a década de 1980, o mercado ocidental utilizava barras para marcar
os preços de abertura, máxima, mínima e fechamento. Foi Steve
Nilson que ajudou a popularizar a utilização do padrão japonês de
marcação, baseado em velas ou candles, que, por propiciar uma melhor
visualização, acabou difundindo-se por todo o mercado e hoje é o mais
utilizado.
Um candle, encerra as variações de preço ocorridas em um determinado
período de negociações, seja de 1 minuto, 15 minutos, 1 hora, 1 dia, 1
mês, 1 ano ou qualquer período que se queira analisar.
Sua formação começa com a marcação do preço de abertura no período
considerado e termina com a marcação do preço de fechamento daquele
período. Assim, o corpo do candle compreende o intervalo de preços
entre abertura e fechamento.
Além disso, ficarão marcados também os preços máximos e mínimos
atingidos naquele período de negociação. Essas negociações, em
decorrência de uma série de variáveis, poderão ser mais ou
menos voláteis, dando origem a movimentos de amplitudes distintas, que
são os intervalos entre os preços de negociação.
Como esses intervalos variam de acordo com a disposição de
compradores e vendedores, eles formarão desenhos distintos de
candles dispostos no gráfico.
Por essa razão, os diversos tipos de candle tomados isoladamente ou em
grupos, irão configurar padrões que podem ser interpretados como
indicadores seguros das intenções dos investidores, refletidas no
movimento dos preços. Dessa forma, teremos candles de continuação, de
reversão, grupos de candles formando figuras que têm nomes sugestivos,
como bandeira, flâmula, bebê abandonado, martelo e estrela da manhã.
Ao longo do período de negociações, os preços podem oscilar acima e
abaixo dos preços de abertura e fechamento. O candle indicará essa
oscilação, desenhando uma linha – também chamada
de pavio ou sombra – acima e abaixo do corpo do candle sempre que os
preços oscilarem para além deste.
Assim, candles com pouco corpo e muita sombra mostram equilíbrio de
forças, o que pode ser interpretado como indecisão de mercado. Candles
muito grandes e sem pavio – conhecidos como marubozu – indicam um
mercado com muita força para um dos lados.
Já um candle com um corpo pequeno e um pavio enorme apenas em um
dos lados mostra que o movimento para o lado do pavio foi frustrado e
há chances do movimento seguir para o lado que ficou sem pavio.
Mais do que um mero indicativo de uma rodada de negociações, o candle
encerra em si uma história de disputa de poder entre compradores e
vendedores e sua forma final fornecerá um seguro indicativo de que tipo
de investidor está dominando o mercado naquele momento.
Aprender a reconhecer, nos candles, as forças que movem o mercado é
um dos segredos do Price Action. Observar sua formação enquanto o
candle é construído poderá ajudá-lo a analisar o mercado e reforçar sua
entrada nas operações que pretende realizar.
Padrões de Candles
Padrões que indicam caminhos
Candles, como você já sabe, contam histórias. Em cada um deles,
encerra-se uma disputa entre compradores e vendedores,
entre touros e ursos, lutando pela primazia de seus movimentos.
Tudo está ali, nada fica escondido. Olhar um gráfico é como ler um livro
de história onde todos os passos e as decisões tomadas ficam
anotados. Analisar esses padrões é conhecer essas histórias e, como a
história se repete, podemos projetar movimentos possíveis a partir do
desenho e dos padrões que os candles deixam no gráfico.
Se apenas um candle isolado mostra com precisão as forças que movem
o preço, dois ou mais deles, em conjunto, podem revelar possíveis
próximos passos de touros e ursos.
A quantidade de padrões diferentes é bastante grande. Conhecer todos
requer dedicação ao estudo, testes no gráfico e alguma vivência de
mercado.
Para ajudar você a começar a estudar esse fascinante tema, colocamos
abaixo os padrões mais conhecidos. Todos funcionam muito bem e
oferecem sinais bastante fortes de possíveis rumos que os preços podem
tomar.
Você também deverá sempre ter em mente que padrões de reversão
ocorrem nas pontas das tendências. Assim, um padrão de candle de
reversão baixista só terá chances de funcionar se ele ocorrer em um
topo, após uma tendência de alta bem definida.
Da mesma forma, uma figura de reversão altista como, por exemplo, uma
estrela da manhã, só poderá funcionar se ocorrer em um fundo, após
uma bem definida tendência de baixa.
Harami
O Harami é também conhecido como "mulher grávida" por sua
semelhança com essa figura. Ele é formado por um candle maior (candle-
mãe) e um candle menor, cujo corpo está integralmente inserido entre os
limites do corpo do candle-mãe. Conhecido padrão de reversão, ele
costuma aparecer após uma tendência definida. Ele é um caso particular
de inside candle e apresenta um alto índice de acerto.
Existe o harami de alta, que ocorre após longas tendências de baixa – e
têm este nome justamente porque revertem o movimento para cima. E há
também o harami de baixa, que ocorrem após longas tendências de alta,
revertendo o movimento para baixo.
Estrela da Manhã – Estrela da Noite
Tanto a Estrela da Manhã (que forma fundos) quanto a Estrela da
Noite (que forma topos) apresentam um desenho parecido: após uma
tendência bem definida, surge um grande candle com pouco pavio ou
mesmo sem pavio nenhum. Após esse candle, o preço forma um
pequeno doji com pavios medianos. Em seguida, o preço desenha um
grande candle com pouco pavio ou mesmo sem pavio nenhum na direção
oposta à tendência anterior, caracterizando uma reversão bastante
provável.
Engolfo
Podendo ser de alta ou de baixa, ele é quase como se fosse um harami
espelhado, onde o candle maior aparece por último. Recebe esse nome
porque ele literalmente engolfa o candle anterior e isso caracteriza uma
reversão bastante provável.
O padrão da figura exige que o candle menor (o que aparece primeiro)
deva estar contido integralmente entre a máxima e a mínima do candle
maior (o que aparece depois). Como os anteriores, esse padrão deve
surgir no final de tendências bem definidas, seja de fundo, seja de topo.
Há muito mais
Vimos nesta aula os três padrões mais conhecidos de reversão. Eles
costumam aparecer nos gráficos com frequência e funcionam em
qualquer tempo gráfico, desde o 1 minuto até o gráfico mensal, passando
por todos os outros.
Apenas esses três padrões, se adequadamente identificados, poderão
render operações bastante lucrativas, claro, desde que o trader mantenha
um rigoroso controle de risco e faça uma boa gestão de seu capital.
Existem muitos outros padrões bastante interessantes e com altos
índices de acerto. Você deverá buscar conhecê-los, estudar seu
comportamento, fazer testes e aumentar, assim, seu repertório de
técnicas para poder lucrar cada vez mais em suas operações.
Olhando bichinhos nas nuvens
Sim, é isso mesmo o que você leu. Lembra quando você era criança
(alguns o fazem mesmo depois de adultos) e ficava deitado no chão
"reconhecendo" figuras nas nuvens? Ursinhos, cavalos, árvores, carros...
uma série de figuras desfilava diante dos seus olhos e era reconhecida
por sua imaginação.
Embora uma brincadeira – bem legal, aliás – ela depende de uma
importante habilidade: a capacidade de reconhecer padrões visuais,
algo utilizado em muitas profissões, inclusive no trading.
Olhar para um gráfico e nele ser capaz de visualizar determinadas
figuras pode ser de grande valia na hora de se decidir por uma operação.
Elas são formadas por um conjunto de vários candles e, juntas, em seu
desenho, formam as conhecidas figuras que podem ser classificadas
como de reversão ou de continuidade.
Existem, como você deve imaginar, diversas figuras e aqui, neste curso,
veremos as mais conhecidas delas e que apresentam altas taxas de
acerto.
OCO
Apesar do nome estranho, formado pelas primeiras letras das
palavras Ombro-Cabeça-Ombro, essa figura é bastante comum e ocorre
com muita frequência em qualquer tempo gráfico.
Seu nome tem origem no desenho que o gráfico faz na tela. Ele se
assemelha ao perfil de um humano com os dois ombros mais ou menos
na mesma altura (representados por uma sequência de candles
ascendentes seguidas por uma sequência de candles descendentes) e,
entre eles (entre esses ombros), uma sequência mais alta de candles
ascendentes seguidos por candles descendentes.
Esse é um padrão clássico de reversão de uma tendência de alta. Na
verdade, o que ele faz nada mais é do que, depois de uma tendência de
alta, formar topos e fundos mais baixos, caracterizando assim a reversão.
É possível interligar os fundos da figura por uma reta comumente
conhecida pelo nome de neckline ou Linha de Pescoço.
O alvo da operação será exatamente a altura do OCO.
Com uma taxa de acerto bastante alta, esta é uma das mais confiáveis
figuras de reversão existente.
OCOI
Assim como o OCO (que ocorre nos topos), existe também a sua
contraparte, que é o OCOI – Ombro-Cabeça-Ombro Invertido.
O raciocínio é exatamente igual ao do OCO, com a diferença que
o OCOI ocorre sempre no fundo.
O alvo da operação será exatamente a altura do OCOI.
Não se deixe enganar: OCO é figura de topo e OCOI é uma figura
de fundo. Se aparecer um OCO depois ou mesmo no meio de uma
tendência de baixa, ele não irá funcionar. Da mesma forma que um OCOI
não ocorre no alto de uma tendência de alta.
Topo duplo
Com um nome que não deixa nenhuma dúvida, o Topo Duplo é também
uma figura bastante conhecida e que funciona muito bem. Os preços vêm
em tendência de alta e, em determinado ponto do gráfico, encontram
uma forte resistência. Segue-se um movimento que parece dar início a
uma reversão, mas os touros (compradores) insistem na tentativa de
romper aquela resistência.
Para seu desapontamento, os ursos (vendedores) demonstram uma
grande força e não permitem que o preço passe daquele ponto.
Derrotados, os touros são obrigados a ceder espaço para os ursos que,
com força e disposição, conseguem finalmente reverter a tendência de
alta.
O alvo da operação será exatamente a altura da figura.
Fundo duplo
A formação tem exatamente o mesmo conceito do Topo Duplo, só que
ocorre após uma tendência de baixa. Os ursos tentam, por duas vezes,
romper o suporte, mas são derrotados pelos touros que, demonstrando
grande força, conseguem reverter a tendência.
O alvo da operação será exatamente a altura da figura.
Figuras Gráficas de Continuidade
Parada para o descanso
Figuras, dependendo de sua formação, podem apresentar probabilidades
opostas. Existem as clássicas figuras de reversão como OCOs e Topos
Duplos, mas também encontramos no gráfico diversas figuras de
continuidade.
São pontos no gráfico onde o preço faz uma espécie de descanso, como
se estivesse tomando fôlego para continuar o movimento que vinha
realizando.
Existem diversos padrões de continuidade, todos bastante confiáveis.
Neste curso, você irá conhecer os dois padrões de mais fácil
reconhecimento, e que funcionam muito bem em todos os tempos
gráficos.
Bandeira
Esse padrão desenha no gráfico uma figura parecida com uma bandeira
com mastro e tudo. O mastro, no caso, é formado por uma
sequência ascendente de candles (nas bandeiras de alta), seguida por
uma sequência de candles ligeiramente sobrepostos e descendentes, que
se assemelham a um pequenino canal de baixa. Essa formação é a tal
bandeira (porque se parece mesmo com uma bandeirinha na ponta de um
mastro).
Nas bandeiras de baixa, o raciocínio se inverte, ou seja, o mastro é
formado por uma sequência descendente de candles e esta descida é
interrompida por uma formação de candles ligeiramente sobrepostos e
ascendentes (que se assemelham a um pequenino canal de alta),
formando uma figura parecida com uma bandeirinha na ponta do mastro.
Em ambas as figuras, após a formação da bandeira, ocorre um candle de
rompimento – pode ser um marubozu ou qualquer candle de tamanho
grande – que rompe a parte mais alta do mastro da bandeira de alta (ou a
parte mais baixa do mastro, no caso da bandeira de baixa) acionando a
entrada na operação.
O alvo da operação será exatamente a altura do mastro.
Retângulo
O Retângulo, como o nome insinua, é uma congestão formada por
candles bastante sobrepostos sem nenhuma tendência definida. Eles
estão, como se diz, "de lado". Também conhecido como caixote, essa
figura possui um limite máximo e mínimo, restringindo consideravelmente
a amplitude dos movimentos.
Existem retângulos que têm a altura aproximada do maior candle da
congestão, e aqueles retângulos um pouco mais amplos. Qualquer que
seja o seu formato, ele é uma figura que oferece alto índice de acerto.
Suas entradas são, sempre, na direção da tendência principal, já que é
uma figura de continuação.
A saída de uma congestão geralmente se dá por meio de um grande
candle que rompe o limite da figura para um dos lados. O rompimento
comumente se dará para cima quando o Retângulo ocorrer no meio de
uma tendência de alta, e será comumente para baixo, quando ocorrer no
meio de uma tendência de baixa.
O alvo da operação é sempre uma distância equivalente à altura do
Retângulo.
As famosas Ondas de Elliott
Como uma onda no mar
Junto com a Teoria de Dow, as famosas ondas de Elliott compõem um
dos princípios basilares da análise técnica. Criado por Ralph Nelson
Elliot na virada do século XX, ele fundamenta-se na psicologia do
mercado, propondo que os preços desdobram-se ao longo do tempo em
padrões específicos formando ondas, fato que ajudou a popularizar esse
princípio pelo nome de Ondas de Elliott.
Segundo essa teoria, os investidores, coletivamente, movem-se em
função do otimismo ou pessimismo em sequências naturais ao longo do
tempo, obedecendo a uma espécie de psicologia de massa.
Independentemente do tempo gráfico considerado, os preços movem-se
em ondas impulsivas e corretivas. Assim, em uma tendência de alta, os
preços sobem até certo ponto, retrocedendo um pouco para, em seguida,
retomar a tendência anterior, desenhando, então, ondas em formato de
zigue-zague no gráfico. Esse movimento continua até que a sequência é
revertida.
Para facilitar o reconhecimento de cada fase de desdobramento dos
preços, Elliott atribui nomes às ondas. Dessa forma, uma onda impulsiva
seria subdividida entre ondas 1, 2, 3, 4 e 5 tomadas em conjunto.
Isoladas, as ondas 1, 3 e 5 seguiriam a favor da tendência principal e
as ondas 2 e 4 seriam ondas de correção dentro dela.
Após esse ciclo, o preço da tendência principal se corrige, realizando uma
reversão que também é dividida em ondas: A e C a favor da reversão, e
onda B como correção da onda A.
Visualmente temos:
Fonte: "The Basis of the Wave Principle," October 1940, R.N. Elliott
A partir da imagem anterior, podemos perceber que as ondas de Elliott
formam um padrão fractal que se repete indefinidamente qualquer que
seja o tempo gráfico considerado.
A ideia por trás desse conceito é que, se soubermos identificar
corretamente a fase de desenvolvimento dos preços,
saberemos antecipar seu próximo movimento.
Esse princípio também ajuda a compreender porque, mesmo em uma
tendência de alta, podemos realizar trades lucrativos contra a tendência.
Retrações de Fibonacci
Teoria de Dow
Charles Dow não era trader, nunca trabalhou diretamente com a compra e
a venda de ativos e sequer possuía formação em finanças. Apesar disso,
ele tornou-se uma das figuras mais importantes e conhecidas em
todos os mercados do mundo. Jornalista fundador do periódico The Wall
Street Journal ( http://www.wsj.com ), publicava, nas páginas do jornal,
junto com seu colega e sócio Edward Jones uma coluna onde analisava
o movimento dos mercados.
Criou, a partir de seu trabalho, o DJIA – Dow Jones Industrial Average,
índice utilizado até hoje como um dos principais indicadores do mercado
americano.
Veja as empresas que compõe o DJIA neste
link: http://indexarb.com/indexComponentWtsDJ.html
Seus estudos resultaram naquilo que ficou conhecido pelo nome
de Teoria de Dow, um conjunto de seis princípios que, tomados em
conjunto, estão na base de tudo o que compõe a análise técnica. Tudo o
que viermos a estudar sobre indicadores, tendências e estratégias de
análise técnica estará, direta ou indiretamente, fundamentado na Teoria
de Dow.
Princípio 1 – O preço desconta tudo
Baseado na hipótese dos Mercados Eficientes, esse princípio afirma que
o preço reflete imediatamente todas as crenças, expectativas,
movimentos dos agentes econômicos, informações macro e
microeconômicas, decisões políticas e quaisquer outras variáveis que
venham a influenciar o mercado. Dessa forma, qualquer evento que
ocorra em uma dessas variáveis terá reflexo imediato no preço.
Princípio 2 – O mercado move-se em tendências
Quanto ao tipo, as tendências são três:
1. Primária: os preços movimentam-se formando topos e fundos
ascendentes quando em tendência de alta e, ao contrário, topos e
fundos descendentes quando em tendência de baixa. Nesse
movimento, o gráfico mostrará pequenas correções, formando um
padrão visual de zigue-zague. Independentemente de sua direção, a
tendência primária é de longo prazo podendo perdurar por mais de um
ano.
2. Secundária: dentro de cada trecho da tendência primária, o gráfico
mostrará um padrão de zigue-zague menor, com trechos a favor e
contra a tendência primária. Sua duração será, em média, de 3
semanas a poucos meses.
3. Terciária: como em um movimento fractal, o gráfico mostrará
movimentos de zigue-zague menores dentro da tendência secundária.
De curta duração, esse movimento raramente perdurará por mais do
que 3 semanas.
Princípio 3 – As tendências primárias têm seis fases
1. Segundo a Teoria de Dow, a tendência primária de qualquer ativo
relaciona-se a uma lógica baseada no comportamento conjunto dos
investidores.
Durante a tendência de alta
1. Acumulação: nessa fase, há uma percepção de que os preços do
ativo estão subavaliados em relação a seu preço teórico, o que pode
indicar um potencial de ganho significativo. O noticiário ainda não
chamou a atenção para esse fato e os volumes de negociação ainda
são baixos.
2. Início da tendência: como houve um aumento nas compras do ativo
com reflexos nos preços, isso chama a atenção de mais investidores
que verão ali a confirmação de suas suspeitas em relação à subida de
preços. Isso reforça o movimento de alta e o incremento nos volumes
de negociação, chamando a atenção da mídia.
3. Euforia: nesse momento, todas as notícias chamam a atenção para
a alta nos preços daquele ativo, atraindo os investidores tardios que, a
essa altura, estarão plenamente convencidos de que há ali uma
grande oportunidade.
Durante a tendência de baixa
Distribuição: após a fase de euforia, aqueles primeiros investidores
veem ali uma ótima oportunidade para realização de seus lucros e
começam a vender. Os preços param de subir e começam a mostrar
sinais de reversão de tendência.
Pânico: ao perceber que há mais vendas do que compras, mais
investidores decidem realizar ou sair de suas posições com medo de que
o preço volte a patamares muito baixos. Esse movimento chama a
atenção dos demais investidores que, ao verem que estão todos
vendendo, irão se apressar em vender também seu ativo. Nesse ponto,
há um grande aumento no volume de negócios e os preços caem
rapidamente.
Desaceleração: como a maioria dos investidores já realizou suas
posições, o volume negociado é bastante baixo e os preços começam a
se estabilizar, possibilitando o início de uma nova fase de acumulação.
Princípio 4 – A tendência deve ser confirmada
Quando Charles Dow criou o índice, ele baseava suas análises no
comportamento das principais indústrias dos Estados Unidos. Para
evitar distorções na interpretação de seu índice, ele imaginou que, se a
indústria estiver indo bem, certamente o setor de transportes – na época,
o ferroviário – deveria acompanhar o movimento do mercado. Assim, se
houver uma queda na produção, menos bens serão fabricados, menos
bens serão transportados e isso se refletirá no desempenho das
empresas que transportam esses bens.
Dessa forma, a ideia por trás desse princípio é que uma tendência deverá
sempre ser confirmada por empresas de setores que costumam andar
juntos. Com a evolução e o crescimento dos mercados, passamos a
contar com diversos outros índices que atendem a múltiplas
necessidades, servindo de referência para a confirmação de praticamente
qualquer ativo que se queira.
Princípio 5 – O volume acompanha a tendência
Para que o movimento de alta ou de baixa seja validado, o volume de
negócios deverá acompanhar a tendência, confirmando que os
investidores estão comprometidos com o movimento. Assim, em
mercados de alta, os volumes aumentam, indicando cada vez mais
compradores e compras para aquele ativo, enquanto, no mercado de
baixa, os volumes aumentam porque cada vez mais investidores vendem
seus ativos. Embora isso pareça óbvio, devemos notar que tendências
com baixo volume serão mais fracas do que aquelas acompanhadas pelo
proporcional aumento de volume.
Princípio 6 – A tendência será mantida até que surjam sinais de reversão
Se o que caracteriza uma tendência de alta ou de baixa é,
respectivamente, o movimento de preços formando topos e fundos
ascendentes ou descendentes, então qualquer quebra nesse
padrão será suficiente para descaracterizar a tendência.
Embora existam críticas à teoria de Dow, ela tem funcionado e servido de
base para toda a análise técnica ao longo de décadas, devendo, portanto,
ser profundamente estudada por todo trader que pretende dedicar-se com
seriedade ao estudo da análise técnica.
Fibonacci
Há uma curiosa coincidência entre as proporções de Fibonacci,
conhecidas também como razão áurea, e inúmeros fenômenos naturais.
Elas são tão frequentes e relevantes que nos levam a acreditar que há
um movimento natural de todas as coisas que obedecem a essa
proporção. Essa crença, claro, foi levada ao mercado financeiro, visto que
ele é basicamente o reflexo do comportamento natural das pessoas.
Histórias e crenças à parte, o fato é que os números de Fibonacci deram
origem a um importante indicador utilizado com frequência na análise
técnica. Ele consiste basicamente em níveis de projeção de preços
baseados no movimento passado dos preços de um ativo. Com ele, é
possível traçar previsões para as futuras correções ou projeções de
preços.
As proporções mais comumente utilizadas são 0,00%, 38,2%, 50%,
61,8% e 100%.
Em movimentos de alta, é possível medir a distância entre um fundo
anterior e um topo recente para estimar não apenas a retração corretiva
do preço mas também a projeção dele após a realização de um pivot de
alta. O contrário também é possível, ou seja, medindo-se a distância
entre um topo anterior e um fundo recente durante uma tendência de
baixa, é possível estimar o movimento de pull back corretivo e também
projetar o destino do preço após o pivot de baixa.
Dimensionamento de Stop e Alvos
Tipos de entrada no Price Action
Baseado na Teoria de Dow e nas Ondas de Elliott, o trader perceberá que
preço caminha pelo gráfico fazendo apenas dois tipos de
movimento: tendência ou congestão. Para cada tipo de movimento que
o preço desenha no gráfico, haverá uma entrada específica e bastante
precisa.
Preços em congestão sugerem que se deva operar reversões, ou seja,
quando o preço chega no suporte ou na resistência daquela congestão,
aguarda-se o aparecimento de um candle (ou grupo de candles) de
reversão e opera-se contra a tendência.
Entretanto, haverá um momento em que a congestão será rompida e aí a
leitura de candles junto com a confirmação por volumes ajudará a
detectar esse tipo de movimento.
De todo modo, essas serão as únicas formas de se operar Price Action:
por rompimentos ou por reversão.
A operação de pivot, por exemplo, é quando o preço em tendência faz
um pullback para, logo em seguida, evoluir em direção à tendência, ou
seja, movimento que fazia antes do pullback.
As entradas nos pivots podem ser no fundo (se for um pivot de alta) ou no
topo (se for um pivot de baixa) do pullback. Como você já aprendeu,
existem duas confirmações possíveis de que o pullback terminou e
retomará a tendência: retração de Fibo e candle de reversão.
Já os canais de alta ou de baixa são operados todas as vezes que o
preço toca uma das linhas do canal e reverte em direção à linha oposta.
Com a prática constante, será possível para o trader aprimorar sua
habilidade operacional e aumentar sua taxa de acerto nos trades.
Para aqueles que estudam e praticam o Price Action, a recompensa virá
em forma de alto índice de acerto e bons lucros no bolso.
Stops
Independentemente do tipo de entrada e do modo operacional, todo
trader deve estar ciente de que jamais acertará todos os trades que
operar. Há uma possibilidade de erro e ela está relacionada ao fato de
que o mercado é imprevisível, embora costume repetir padrões – só não
se sabe exatamente em que momento determinado padrão irá ocorrer.
Portanto, trading é uma questão de probabilidade. Opera-se na direção
em que o preço demonstra maiores chances de se deslocar. Por isso, é
fundamental a correta colocação do stop.
É ele que delimitará as perdas caso a análise esteja equivocada ou se o
mercado for para direção contrária àquela que o investidor havia
imaginado. Lembre-se que trading é probabilidade. Se há 70% de
chance de o preço ir em determinada direção, haverá 30% de chance de
ele não ir. O Stop serve exatamente para essas ocasiões.
O Stop Loss é a proteção do trader para quando o preço voltar contra
sua posição. Ele é determinado pela leitura de candles como, por
exemplo, no caso de reversões em que os stops geralmente se localizam
no fundo anterior ou na mínima do candle que indica a reversão da
tendência.
Já o Stop Gain poderá ser o próximo suporte, resistência ou, até mesmo,
por medições de Fibonacci, apoiando as projeções das Ondas de Elliott,
por exemplo, além de topos e fundos anteriores.
Além dos critérios técnicos, há ainda uma alternativa para quando o stop
loss determinado pela leitura de candles for muito grande e, mesmo
assim, o trader queira entrar na operação por alguma razão. Esse modo é
o stop fixo, baseado em um valor financeiro fixo ou em uma quantidade
de pontos ou centavos pré-determinada.
Cabe ressaltar que, na maioria das vezes, esse tipo de
stop desconsidera critérios técnicos, o que por si só aumenta
consideravelmente o risco da operação e, portanto, as chances de ver
sua operação ser interrompida por um stop.
Assim, traders iniciantes devem tomar mais cuidado com a determinação
dos pontos de entrada e de saída de suas operações até que adquiram a
experiência que lhes dará a segurança necessária para operar com maior
desenvoltura chegando, em alguns casos, a arriscar operações mais
ousadas como viradas de mão quando o mercado assim o permitir.
Risco x Retorno
Há uma relação estreita entre taxa de acerto e relação risco x retorno.
Na maioria das modalidades de trading, dadas as características do
mercado e da natureza probabilística do movimento dos preços, a taxa de
acerto não será muito grande. Eventualmente, ela será até menor do que
50%.
Por isso, é importante que as operações tenham alvos longos ou, pelo
menos, maiores que os stops.
O fato é que a relação risco x retorno deverá levar em conta que, caso a
operação sofra um Stop Loss, os custos operacionais serão somados
ao valor perdido, ao passo que no Stop Gain, os custos operacionais
serão deduzidos do valor ganho. Isso significa que, necessariamente, – e
dependendo da taxa de acerto – a melhor relação risco x retorno sempre
será maior ou igual a 2:1, ou seja, para cada ponto de loss, o alvo será
pelo menos dois pontos de gain.
Considerações Finais
Vimos que o Price Action é uma metodologia de trading
bastante eficiente e que está ao alcance de todos os profissionais do
mercado, desde o iniciante até o trader que possui larga vivência no
mercado.
O ponto que deve ser ressaltado é que, mesmo com toda a sua eficácia, o
Price Action possui critérios de entrada e de saída nas operações que
deverão ser observados com rigor.
Antes mesmo de se disparar uma ordem de compra e de venda, é
fundamental que o trader avalie a operação e calcule rapidamente se o
tamanho do stop e a relação risco x retorno possibilita a realização do
trade em consonância com sua estratégia principal.
O trading não é algo que se limita a olhar um gráfico e, com base nisso,
comprar e vender ativos. Ele é fruto da análise de um complexo
conjunto de variáveis que envolve tomada de decisão, gestão
financeira, controle psicológico, análise de risco e estudo constante.
Por isso, sugerimos que acompanhe a programação diária do Portal do
Trader para que isso o ajude a agregar conhecimento e a trocar
experiência à medida que você amadurece profissionalmente.
Desejamos a você boa sorte nessa jornada e que os conhecimentos
adquiridos neste breve curso possam constituir a base que fará de você
um grande profissional de mercado.
Novos Horizontes
O mundo dos investimentos é fascinante, complexo e variado. Diferentes
ativos, inúmeras alternativas de investimento, muitas técnicas
operacionais, tudo isso está à sua disposição para a geração de riqueza
e renda.
Neste curso, você adquiriu as noções iniciais sobre o trading. Há,
obviamente, muito mais a aprender. Desde o Price Action puro, passando
pela análise de fluxo ou Tape Reading, os inúmeros indicadores,
diferentes tipos de gráfico e, até mesmo, a automatização de operações
através de algoritmos. Existe um mundo de informações que poderá
ajudar a torná-lo um trader de sucesso.
Não será fácil, não será rápido e não será sem esforço.
O desenvolvimento de um profissional de sucesso exige aprendizado e
prática constantes, além de dinheiro para começar. Com disciplina, o
trader que souber percorrer o caminho com competência estará destinado
ao sucesso profissional.
E caso este curso tenha despertado em você o interesse por especializar-
se e tornar-se um trader profissional, dotado de todos os conhecimentos
que uma pessoa precisa ter para poder viver exclusivamente do mercado,
convidamos você a fazer o curso TNT – Trader Nível Três.
Nele você entrará em contato de forma completa com o mundo dos
investimentos e irá adquirir uma enorme quantidade de conhecimentos
que o capacitarão a enfrentar o mercado e desfrutar dos inúmeros
benefícios que a profissão de trader poderá lhe trazer.
Quais as habilidades que um trader precisa ter para sobreviver no
mercado? Conheça agora o nosso novo grupo de Telegram com
conteúdos exclusivos preparados pelo nosso time de traders
profissionais.