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JVIS – Inventário de interesses

O Jackson Vocational Interest Survey, JVIS, (versão americana Reasearch


Psychologists Press), foi desenvolvido por Jackson, na década de 70, e a construção do
inventario baseou-se nas taxonomias anteriores dos interesses, em particular nos estudos
fatoriais com as escalas homogéneas do inventario de Strong.

Na fundamentação do JVIS, foram especialmente significativas as revisões de literatura


no domínio da psicologia de trabalho e, neste sentido, Jackson salienta o facto de os
conteúdos representarem as mudanças de organização do trabalho.

O inventario de interesses vocacionais de Jackson, JVIS, avalia as preferências pelas


atividades profissionais, de acordo com os conceitos de papel e de estilo de trabalho.
Deste modo, avalia dimensões de interesses associadas às escolhas de carreira
nomeadamente no Ensino Secundário e Ensino Superior.

A validação da versão portuguesa do JVIS, iniciou-se em 1994, pela Professora Doutora


Maria Odilia Teixeira, com amostras escolares. O primeiro destes estudos foi realizado
com alunos do 9º ano de um colégio da cidade de lisboa, com o propósito de examinar a
clareza e a objetividade dos conteúdos, da primeira versão do inventario. Apos as
alterações, julgadas necessárias, a atual versão do JVIS, f administrada a alunos do 12
ano de duas escolas do Alentejo.

No inventario JVIS, há a distinguir as dimensões básicas dos interesses que


correspondem às 34 escalas, as dimensões dos interesses que resultam do agrupamento
das escolas em 11 áreas de atividades e ainda 10 dimensões motivacionais mais gerais,
designadas temas profissionais gerais. O JVIS, foi ainda estudado com estudantes do
ensino superior.

As 34 escalas formam 11 áreas de atividades. Neste instrumento, os interesses


vocacionais são conceptualizados em papéis de trabalho e estilos de trabalho. Os papéis
de trabalho correspondem às escalas definidas pela natureza das atividades, como
engenharias, direito, saúde e trabalhos de escritório, entre outras.

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AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA EM CONTEXTO DE CARREIRA
Neste tipo de escalas distinguem-se ainda dimensões que reúnem o carácter comum de
diferentes atividades, como escrita técnica, supervisão ou gestão de relações humanas.
Por sua vez, os estilos de trabalho caracterizam ambientes de trabalho onde são exigidos
padrões comportamentais como segurança, responsabilidade, perseverança, liderança,
realização académica, independência, planeamento e confiança interpessoal (Teixeira,
2008).
As 34 escalas dizem respeito aos seguintes campos: 1) Artes Criativas; 2) Artes
Espetáculo; 3) Matemáticas; 4) Ciências Físicas; 5) Engenharias; 6) Ciências da Vida;
7) Ciências Sociais; 8) Aventura; 9) Natureza-Agricultura; 10) Profissões Técnicas; 11)
Serviços Pessoais; 12) Atividades Familiares; 13) Saúde; 14) Liderança; 15) Segurança;
16) Perseverança; 17) Responsabilidade; 18) Ensino; 19) Serviço Social; 20) Ensino
Básico; 21) Finanças; 22) Negócios; 23) Trabalho de Escritório; 24) Comércio; 25)
Supervisão; 26) Gestão Relações Humanas; 27) Direito; 28) Consultoria; 29) Escritor-
Jornalista; 30) Realização Académica; 31) Escrita Técnica; 32) Independência; 33)
Planeamento; e 34) Confiança Interpessoal (Teixeira, 2010).

O formato de resposta do JVIS, é do tipo escolha forçada, o estudo psicométrico é


fundamentado na teoria clássica da medida. A ipsatividade ainda se repercute na
organização das 34 escalas dentro do inventário: há dois conjuntos de 17 escalas, e as
respostas são dadas comparando os itens das primeiras dezassete com os das segundas
dezassete, sem, no entanto, existirem comparações dentro de cada um grupo. As normas
são apresentadas em percentis, por ano de escolaridade e sexo.

A adaptação portuguesa deste Inventário baseou-se na metodologia usada nos estudos


da versão original, cuja preocupação foi a de conciliar a definição teórica dos construtos
com os indicadores empíricos da consistência interna das medidas.

Na validação do Inventário JVIS, os estudos têm sido realizados com amostras


diferenciadas em idade, sexo, nível educacional e têm também incluído diferentes
grupos profissionais.

Nas amostras portuguesas, os índices da precisão, quer relativamente à consistência


interna quer à estabilidade da medida, são elevados, apresentando sistematicamente

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AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA EM CONTEXTO DE CARREIRA
valores mais elevados nos grupos mais velhos; e, no seu conjunto, próximos dos
encontrados nas amostras norte-americanas (Jackson, 1974; Teixeira, 2008).

Nos resultados das amostras de estudantes, o modelo da função discriminante identifica


as variáveis que, em geral, são preditivas das escolhas educacionais e cuja natureza é
congruente com os conteúdos curriculares dos cursos (Teixeira, 2004).

Em geral, nestes estudos, que focam a congruência entre os interesses e os agrupamento


e/ou cursos, as variáveis que se têm revelado como mais relevantes são as mesmas dos
rapazes e das raparigas (Teixeira, 2000).

Teixeira (2000), avaliou as qualidades psicométricas deste instrumento, junto de duas


amostras de alunos portugueses com frequência de estudos pré-universitários, tendo
sido calculados os Alfa de Cronbach nas trinta e quatro escalas do Inventário, nas duas
amostras.

A aplicação do JVIS pode ser coletiva ou individual. Não tem tempo limite, sendo que o
tempo de aplicação oscila normalmente entre os 45 a 60 minutos. A cotação manual
corresponde às somas das respostas “A” para as primeiras 17 escalas e das respostas
“B” para o segundo grupo de escalas.

A interpretação dos resultados considera a configuração do perfil total, sendo necessário


situar as escalas quanto à preferência pelas atividades, ao contrário das profissões
isoladas (Teixeira, 2008b).

Nas amostras portuguesas, os índices da precisão quer relativamente à consistência


interna quer à estabilidade da medida são elevados, mas sistematicamente mais elevados
nos grupos mais velhos e, no seu conjunto, próximos dos encontrados nas amostras
norte-americanas (Jackson, 1974; Teixeira, 2008).

Nas diferentes facetas da validade (e.g. APA, 2001), a análise fatorial em componentes
principais tem revelado seis-sete fatores com relativa estabilidade entre as amostras, e as
escalas de estilos de trabalho surgem independentes dos papéis de trabalho, tal como
acontece nos estudos norte-americanos (Teixeira, 2000, 2008).

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AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA EM CONTEXTO DE CARREIRA
Na população portuguesa, foram derivadas normas em percentis, para o 9º ano, para o
12º ano, e para alunos do ensino superior, e, nestes grupos, os dados empíricos
sugeriram normas separadas para os dois sexos, feminino e masculino.

Teixeira (2000), avaliou as qualidades psicométricas deste instrumento, junto de duas


amostras de alunos portugueses com frequência de estudos pré-universitários, tendo
sido calculados os Alfa de Cronbach nas trinta e quatro escalas do Inventário, nas duas
amostras.

Na amostra de alunos que frequentavam o 12º ano, a amplitude dos índices ou


coeficientes de fidedignidade situa-se entre 0,56, nas escalas Realização Académica e
Independência, e 0,90, na escala Saúde.
A comparação dos indicadores de consistência interna nas duas amostras analisadas,
indica, tal como sugerido por Jackson (1977), que a consistência interna da medida dos
interesses está associada à maturidade e cristalização dos interesses.

Os coeficientes alfa são relativamente elevados e em 32 escalas são mais elevados no


12ºano do que no 9ºano. No 12ºano, os coeficientes oscilam entre .56 e .90, com
mediana .76, sendo no 9ºano a amplitude dos alfas entre .48 e .85, com mediana .65.

Tal como Davidshofer (1988) e Jepson (1994) defendem, o Inventário JVIS é o mais
adequado na avaliação dos interesses a partir dos estudos de nível secundário, com
estudantes mais velhos. Com efeito, este Inventário foi desenvolvido na década de
setenta, como uma medida de interesses de carreira de adolescentes, jovens adultos e
adultos envolvidos em contextos educativos e de trabalho.

No domínio da orientação da carreira, o inventario JVIS, pode ser usado com


adolescentes, os jovens adultos e os adultos, nos contextos escolares, da formação
profissional e do emprego. O nível de leitura é adequado ao 9 ano de escolaridade.

Relativamente à forma de obter este instrumento, para uso de investigação, deve entrar
em contacto com a autora.

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AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA EM CONTEXTO DE CARREIRA
Para utilização deste instrumento, existe um caderno, folha de respostas e folha de
perfil.

O inventario JVIS é um dos instrumentos mais promissores da avaliação e da


investigação dos interesses. A maioria dos autores realça, no inventario, os métodos de
construção, em especial o processo seguido para combinar a clareza concetual, e os
dados empíricos da precisão e da validade.

No âmbito da intervenção, de acordo com Verhoeve 1993, o JVIS é um recurso eficaz


para explorar os interesses relativamente ao trabalho e ao estudo, em articulação com as
situações da família dos tempos livres, e todo o espaço pessoal.

Em aconselhamento de carreira, a principal vantagem de utilizar o JVIS é proporcionar


um contexto para a discussão sobre as carreiras, as profissões, as preferências pessoais e
a autoexploração. A par destes aspetos, os diferentes tipos de resultados permitem
possibilidades flexíveis, com pessoas em diferentes fases do desenvolvimento.

Entre as características deste instrumento, a primeira e mais geral é a de ser constituído


por interesses básicos com escalas homogéneas, à semelhança das escalas de interesses
básicos do Inventário de interesses de Strong (1968).

No contexto da orientação da carreira, estas escalas apresentam a grande valia de


permitirem a criação de um quadro de autorreferência integrado com as experiências
curriculares, uma imagem ampla do mundo do trabalho, e para considerar os aspetos
discriminativos dos interesses pessoais.

As principais limitações do JVIS, derivam da resposta por escolha forçada e da


organização das escalas. A este respeito, Juni e Koenig, colocam questões aos itens que
reúnem atividades dos papeis de trabalho e dos estilos de trabalho, cuja comparação
implica diferentes domínios psicológicos. A definição pouco clara dos estilos de
trabalho tem sido também objeto de critica, (Shute, 2001).

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AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA EM CONTEXTO DE CARREIRA
Os estudos portugueses confirmam a avaliação de Davidshofer e de Jepsen, de que o
inventario é uma medida mais precisa dos interesses em populações com mais idade e
mais escolarizadas, sendo a sua utilização mais adequada no ensino secundário do que
no ensino básico.
Perspetivam-se estudos dirigidos à clarificação dos conceitos de temas profissionais
gerais e dos estilos de trabalho e à elaboração de uma taxonomia JVIS aplicável à
classificação dos cursos e das profissões no contexto português.

Referências bibliográficas, no máximo 3.

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AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA EM CONTEXTO DE CARREIRA