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49166155 - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.

NULIDADE PROCESSUAL E DO
ACÓRDÃO. NÃO OCORRÊNCIA. NÃO PROVIMENTO AO RECURSO. 1. A
concessão do benefício da Assistência Judiciária Gratuita não exige prévio
contraditório. O juiz, se não existentes fundadas razões para denegar o benefício, deverá
deferir o pedido, facultando-se à parte contrária requerer, em qualquer fase do processo,
a revogação do benefício de assistência. 2. Embora o artigo 6º da Lei nº 1.060/50
disponha quanto à necessidade de o pedido de assistência ser atuado em apartado, a
inobservância dessa norma, a despeito de evidenciar irregularidade processual, não
enseja a nulidade do processo, na medida que a violação aos princípios do contraditório
e do devido processo legal só estaria caracterizada se, ao deferir a gratuidade da justiça,
o juiz não facultasse à parte contrária oportunidade para se manifestar, ocasionando-lhe
prejuízo processual. 3. As provas de inexistência dos requisitos para o deferimento do
benefício da Assistência Judiciária Gratuita poderão ser produzidas em incidente de
impugnação ao benefício da Assistência Judiciária Gratuita, ocasião em que a parte
inconformada poderá se manifestar sobre os documentos juntados pela parte
beneficiada. 4. Provimento ao recurso. (TJES; EDcl-AgRg-AR 0000101-
58.2011.8.08.0000; Primeiro Grupo Câmaras Cíveis Reunidas; Rel. Des. Fabio Clem de
Oliveira; Julg. 02/07/2012; DJES 09/07/2012; Pág. 45)

18353837 - PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO. ASSISTÊNCIA JUDICÁRIA


GRATUITA. IMPUGNAÇÃO AO PEDIDO. AUSÊNCIA DE PROVA DA
CAPACIDADE ECONÔMICA. LEI Nº. 1.060/50. PRECEDENTES. 1. Apelação
interposta contra sentença que, nos termos da lei nº 1.060/50, arts. 7º e 8º, acolheu a
impugnação oposta e, por conseguinte, indeferiu o pedido de gratuidade judiciária
formulado na contestação apresentada nos autos do processo nº 2009.82.00.007593-1. 2.
O requerimento de assistência judiciária gratuita pode ser feito a qualquer tempo ou fase
processual, bastando que o autor afirme não estar em condições de arcar com as custas e
com os honorários advocatícios, sem prejuízo próprio e de sua família, nos termos do
art. 4º da lei nº 1.060/50, presumindo-se, assim, pobre na forma da lei, até prova em
contrário. 3. No caso dos autos, não há provas da capacidade econômica da apelante em
arcar com as despesas judiciais sem comprometer o sustento próprio e de sua família.
Ressalte-se que as apeladas, embora tenham apresentado impugnação ao pedido de
justiça gratuita, não lograram êxito em demonstrar que a impugnada teria condições de
arcar com as despesas do processo sem comprometer o sustento familiar, limitando-se a
afirmar que ela não era merecedora do benefício. 4. Apelação provida. (TRF 5ª R.; AC
0008546-57.2010.4.05.8200; PB; Primeira Turma; Rel. Des. Fed. Francisco Cavalcanti;
Julg. 21/06/2012; DEJF 29/06/2012; Pág. 208)

PROCESSUAL CIVIL. JUSTIÇA GRATUITA. AFIRMAÇÃO DO ESTADO DE


NECESSIDADE PELOS AUTORES. PRESUNÇÃO LEGAL. IMPUGNAÇÃO.
ACÓRDÃO ESTADUAL QUE INVERTE O ÔNUS DA PROVA, ATRIBUINDOO
AOS REQUERENTES. IMPOSSIBILIDADE. LEI N. 1.060/50, ART. 4º.
EXEGESE.
I. Bastante à formulação do pedido de assistência judiciária a apresentação de
requerimento ao juiz da causa, sem necessidade de maior instrução, podendo, no
entanto, vir o mesmo a ser indeferido se dos elementos já constantes do processo, ou
trazidos pela parte adversa em impugnação, for possível concluir que a alegação de
pobreza não corresponde à realidade.
II. Caso em que a impugnação foi rejeitada em 1º grau e o Tribunal estadual,
incorretamente, inverteu o ônus da prova, entendendo que os requerentes não
trouxeram à colação elementos que demonstrassem o estado de necessidade para
amparar o pedido de justiça gratuita.
III. Recurso especial conhecido e provido, para deferir a assistência judiciária.
(STJ - SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, RESP - 654748/RS, QUARTA
TURMA, Decisão: 14/03/2006, DJ DATA:24/04/2006 PG:00402, Relator ALDIR
PASSARINHO JUNIOR ).

ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. IMPUGNAÇÃO AO PEDIDO DE


ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. PROVA CONTRÁRIA. ÔNUS DO
IMPUGNANTE. AUSÊNCIA. LEI Nº 1.060/50, COM A REDAÇÃO DADA
PELA LEI Nº 7.510/86. DECLARAÇÃO DE POBREZA. DOCUMENTO
SUFICIENTE PARA DEFERIMENTO DO BENEFÍCIO. POSSIBILIDADE.
PRECEDENTES DESTA CORTE.
1. Cabe ao impugnante o ônus da prova capaz de desconstituir o direito postulado,
impondo-se a demonstração cabal da capacidade da parte adversa de arcar com as
despesas processuais.
2. A mera alegação genérica de que a apelada não faz jus à justiça gratuita não
constitui prova idônea para desconstituir a concessão de tal benefício.
3. O direito ao benefício ora impugnado deve ser deferido mediante simples
afirmação da parte na petição inicial, conforme determina o artigo 4º da Lei nº
1.060/50, com a redação dada pela Lei nº 7.510/86.
4. Encontra-se consolidado na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do
Superior Tribunal de Justiça o entendimento de que a simples declaração de pobreza
é suficiente para o deferimento do benefício da Justiça Gratuita.
5. Apelação improvida.
(TRIBUNAL - QUINTA REGIAO, AC - 442848/PB, Segunda Turma, Decisão:
16/12/2008, DJ - Data::28/01/2009 - Página::274 - Nº::19, Desembargador Federal
Francisco Barros Dias).

PEDIDO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA NEGADO – AÇÃO DE


ARROLAMENTO DE BENS – DECISÃO DESFUNDAMENTADA – A existência de
bens no arrolamento não induz o entendimento de que os requerentes possam arcar com
as custas do processo. Mormente quando são pessoas comprovadamente pobres. (TJBA
– AG 22.847-7/00 – (10.485) – 2ª C.Cív. – Rel. Des. Conv. Ricardo D'Ávila – J.
13.02.2001)

Despacho DO RELATOR
Agravo de Instrumento nrº 0008600-41.2011.8.22.0000
Agravante: Alexssandro Pereira Melo
Advogado: Leandro Marcio Pedot(OAB/RO 2022)
Advogado: Josemario Secco(OAB/RO 724)
Agravada: Seguradora Líder dos Consórcios do Seguro DPVAT
S.A.
Relator:Des. Raduan Miguel Filho
DESPACHO DO RELATOR
nrº

Vistos.

O agravante impugna a decisão que lhe indeferiu a assistência judiciária gratuita, nos
autos de Ação de Cobrança de Diferença de Indenização de Seguro DPVAT que propôs
contra a agravada, Seguradora Líder do Consórcio DPVAT, bem como determinou o
recolhimento das custas processuais, sob pena de indeferimento da inicial.

Sustenta o agravante que é pedreiro e possui parcos rendimentos não podendo suportar
o pagamento das custas processuais. Afirma ainda que em razão de acidente de trânsito
ocorrido em 5 de abril de 2010, sofreu fratura de escápula e cavidade glenoíde à direita,
o que acarretou limitação em sua capacidade laboral. Aduz que a Lei n. 1.060/50 não
exige prova de miserabilidade como requisito para gozo do benefício e que deve
prevalecer a boa-fé expressa na declaração que apresentou tendente a comprovar a
hipossuficiência financeira. Alega ainda ser pacífica a jurisprudência no sentido de que
o pedido da assistência, por si, é suficiente para gerar a presunção da necessidade, não
se exigindo a comprovação do estado de miserabilidade. Cita julgados que lhe
favorecem.

Requereu liminarmente a suspensão da decisão agravada, e ao final a concessão da


assistência judiciária gratuita.

Relatei. Decido.

O benefício da assistência judiciária ao economicamente deficiente é assegurado pela


Constituição da República, art. 5º, inc. LXXIV, fazendo jus ao direito aquele que se
declara sem condições de prover a despesa do processo judicial por lhe comprometer os
meios de subsistência, independentemente de prova.

Demais disso, a Lei n. 1.060/50 garante a assistência judiciária gratuita a todos aqueles
que se declararem hipossuficientes. E, é esse o argumento utilizado pelo agravante,
sustentando que em razão de ser pedreiro, seus parcos rendimentos não lhe permite
arcar com as custas do processo.

Ressalte-se que a gratuidade da justiça somente poderá ser indeferida se a parte


contrária oferecer prova convincente de que quem a requer dispõe de boa condição
financeira. Do contrário, o pedido deverá ser acolhido.

Nesse sentido, cito jurisprudência deste Tribunal e do Superior Tribunal de Justiça:

Agravo. Assistência judiciária gratuita. Simples afirmação. Possibilidade.


A simples afirmação da parte quanto ao seu estado de miserabilidade é suficiente para o
deferimento da justiça gratuita (TJ/RO, 1ª Câmara Cível, Agravo de Instrumento n.
100.014.2007.011176-0 - Relator : Juiz Guilherme Ribeiro Baldan j. Em 8/7/2008).
A concessão dos benefícios da assistência judiciária gratuita não se condiciona à prova
do estado de pobreza do requerente, mas tão-somente à mera afirmação desse estado,
sendo irrelevante o fato do pedido haver sido formulado na petição inicial ou no curso
do processo (STJ, AgRg nos EDcl no Ag 728657/SP, Relatora: Ministra Nancy
Andrighi, DJ. 2.5.2006).

O agravante formulou expresso pedido para concessão dos benefícios da gratuidade


judiciária na petição inicial (fls. 20), bem como apresentou declaração tendente a
comprovar a hipossuficiência financeira (fls. 24), tornando-se absolutamente
desnecessária a juntada de outros documentos comprobatórios de sua condição de
miserável na forma da lei, já que presumível sua hipossuficiência financeira.

Assim, considerando que a decisão impugnada está em confronto com a jurisprudência


dominante deste Tribunal e do STJ, dou provimento monocrático ao presente agravo,
nos termos do artigo 557, §1º-A, do Código de Processo Civil, c/c o art. 139, IV, do
RITJ/RO, concedendo a gratuidade judicial requerida.

Oficie-se.

Transitada em julgado, arquivem-se os autos.

Publique-se. Porto Velho - RO, 19 de agosto de 2011. Desembargador Raduan


Miguel Filho Relator
(Diário da Justiça Eletrônico n. 156, de 24/8/2011)

63073860 - GRATUIDADE JUDICIÁRIA. DECLARAÇÃO. PRESUNÇÃO DE


VERACIDADE. ELEMENTOS DOS AUTOS. DEFERIMENTO. Em atenção ao
princípio constitucional ao acesso à justiça, para a concessão da gratuidade judiciária
basta mera declaração do interessado acerca da hipossuficiência. (TJRO; AI 0009825-
96.2011.8.22.0000; Rel. Juiz Francisco Prestello de Vasconcellos; Julg. 17/11/2011;
DJERO 24/11/2011; Pág. 71)

24139006712
Ação: Agravo de Instrumento
Órgão: QUARTA CÂMARA CÍVEL
Data da Decisão: 18/04/2013
Data da Publicação no Diário: 25/04/2013
Relator: MAURÍLIO ALMEIDA DE ABREU
Decisão:

Trata-se de Agravo de Instrumento interposto por Geizebel de Oliveira Rosa, eis que
irresignada com os termos da decisão acostada à fl. 21, isto na Ação Ordinária de
Indenização por Danos Morais proposta em face do ESTADO DO ESPÍRITO SANTO.

Ao que se vê, a irresignação reside tão somente na decisão do Magistrado de


indeferimento da gratuidade de justiça.
Ressalta dos autos, que há pedido de deferimento de assistência judiciária gratuita,
conquanto a autora não possui meios de arcar com as custas e emolumentos judiciais
sem prejuízo próprio, pois é pobre no sentido da lei (fls. 12).

Constata-se, ainda, que não houve a citação do agravado.


É o breve relatório. Passo a decidir.

Inicialmente, cumpre consignar que o agravado não tem procurador constituído nos
autos, uma vez que ainda não houve a citação no primeiro grau de jurisdição.

Desse modo, é possível o imediato julgamento do recurso, pois a intimação prevista no


art. 527, V, do CPC não se aplica aos agravos de instrumentos onde são examinados os
indeferimentos de medidas liminares, quando analisadas initio litis.

Isto porque, extrai-se da dicção do artigo supracitado que após a distribuição do Agravo
de Instrumento, o Relator, entre outras providências, mandará intimar o agravado, por
ofício dirigido a seu advogado. Assim, não tendo sido formalizada a relação processual,
não haverá Advogado a ser direcionada a intimação para contrarrazoar o recurso.

Neste sentido a lição de Luiz Henrique Barbante Franzé:

¿Ora, sendo certo que é permitida a concessão de liminar ao juiz sem a oitiva do réu,
não há como subsidiarmos a necessidade de oitiva do agravado para que o agravo seja
julgado ... Assim, ao decidir o agravo, tribunal estará decidindo apenas a justeza da
decisão impugnada, frente aos fatos e provas trazidos pelo agravante.¿
In Agravo frente aos proncunciamentos de primeiro grau no processo civil. 4ª ed.
Curitiba. Juruá Editora. 2006. p. 186.

No que tange a questão de mérito, como consta do relatório, cinge-se o presente agravo
de instrumento tão somente acerca do indeferimento do pedido de assistência judiciária
gratuita, a fim de que seja concedido a benesse pleiteada.
1
Destarte, na hipótese vertente, há desnecessidade do preparo uma vez que é o que se
discute no presente recurso.

Neste sentido a lição de Theotonio Negrão, in verbis:

¿O recurso contra decisão denegatória do benefício da assistência judiciária não se


sujeita a preparo nem a pagamento de porte de remessa e retorno dos autos.¿
In Código de Processo Civil. 35ª edição. p. 1156

No que tange ao benefício pleiteado, consoante a dicção do artigo 4º, da Lei nº


1.060/50, a parte poderá ser beneficiada mediante simples afirmação na própria petição
inicial de que não possui recursos de ordem financeira, vejamos:
¿Art. 4º. A parte gozará dos benefício da assistência judiciária, mediante simples
afirmação, na própria petição inicial, de que não está em condições de pagar as custas
do processo e os honorários de advogado, sem prejuízo próprio ou de sua família.¿

Na concretude do caso, verifico que o Magistrado singular indeferiu tal questão,


determinou a emenda da inicial, de sorte que fosse apresentado a declaração de pobreza.
Todavia, da leitura do artigo 4º, da Lei n. 1.060/1950, extrai-se que é desnecessário que
a declaração seja de próprio punho, podendo o causídico, na peça de ingresso, fazer
constar tal situação.

Neste sentido vem decidindo este e. Tribunal, conforme se vê do aresto que ora trago à
baila:

0907721-67.2009.8.08.0000 (048.09.907721-5) Classe: Agravo de Instrumento Órgão:


SEGUNDA CÂMARA CÍVEL Data de Julgamento: 13/04/2010 Data da Publicação no
Diário: 14/05/2010 Relator: JOSÉ PAULO CALMON NOGUEIRA DA GAMA
Origem: SERRA - 5ª VARA CÍVEL
AGRAVO DE INSTRUMENTO. Benefício da justiça gratuita. Declaração de pobreza
de próprio punho no corpo da petição de interposição recursal. Possibilidade.
intervenção de terceiros. Denunciação da lide. Ação possessória. Possibilidade. Recurso
a que se dá provido.
1) Conquanto a prática ainda seja muito comum, não há mais necessidade, em face da
redação do art. 4º da LAJ, de que o requerente declare, de próprio punho e em
documento apartado, a condição de necessitado. Basta que se faça a afirmativa no corpo
mesmo da petição, subscrita pelo advogado ou pelo defensor público, que não
necessitam de procuração com o poder especial para tanto. Doutrina.

Assim consignado, tenho que razão assiste a recorrente.

Posto isto, diante do arrazoado externado, com fulcro no artigo 557, do CPC, conheço
da irresignação recursal e LHE DOU PROVIMENTO, para reformar a decisão
guerreada, concedendo o benefício pleiteado.

I-se. Publique-se na íntegra. Diligencie-se.

Preclusas as vias recursais, remeta-se os autos à Comarca de Origem.

Vitória/ES, 18 de abril de 2013

Des. Subst. JORGE HENRIQUE VALLE DOS SANTOS


Relator