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A Identidade da Mulher Cristã e seus desafios na vida Secular


Marlene José Alves Silva*1

RESUMO
Este artigo tem o objetivo de propor uma breve reflexão acerca da mudança na
vida da mulher (e, por extensão, de qualquer ser humano) depois de aceitar Jesus
por meio da fé. Pretende-se verificar a modificação desse comportamento e exortar
essa mulher nos dias de hoje a continuar no caminho proposto por Jesus Cristo.
Para isso, utiliza-se essencialmente a bíblia como fundamento: busca-se depreender
do registro bíblico o que deve ser tomado como “critério atemporal” de conduta
humana, a fim de abordar questões “atuais" relativas ao casamento, à família.
Espera-se que essa mulher convertida reconheça sua fragilidade, aprenda a ser
dependente da vontade de Deus e, desse modo, seja capaz de dar um testemunho
de vida eficaz, mais precisamente, de enfrentar com liberdade e dignidade as
labutas e os desafios diários.

ABSTRACT
This article aims to offer a brief reflection on the change in women's lives (and,
by extension, of any human being) after accepting Jesus through faith .Pretende to
verify the change of this behavior and urge the woman in Huje days to continue on
the path proposed by Jesus Christ. For this, iltiliza essentially the Bible as the
foundation: to seek -If apparent from the biblical record that should be taken as
"timeless criterion" of human conduct, in order to address "current" matters relating to
marriage, family. It is expected that this woman converted to recognize its fragility,
learn to be dependent on the will of God and thus be able to give an effective witness
of life, more precisely, to cope with freedom and dignity the toils and daily challenges

*Mestranda em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie


(marlene.pci@gmail.com).
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PALAVRAS-CHAVE
Mulher Cristã. Vida Secular. Casamento. Conversão. Dignidade. Testemunho.
Sociedade.
KEYS WORDS
Christian woman. Secular life. Marriage. Conversion. Dignity. Witness. Society.

INTRODUÇÃO
A intenção desse artigo é buscar e compreender a percepção que as mulheres
cristãs têm do esposo e da família. De certa forma também, verificar quais são as
dificuldades emocionais mais recorrentes que enfrentam nesse âmbito. Com base
nas informações que pretende-se obter em conversas com várias mulheres e na
bibliografia sobre esse tema, propor debates a respeito do assunto, a fim de que,
também haja possibilidade de auxiliar outras mulheres a lidar de modo mais
equilibrado com aspectos da vida conjugal e suas limitações.
Considerando tal objetivo, entende-se que o presente estudo é um primeiro
passo para uma boa investigação. Isso porque procura-se identificar alguns
elementos que de fato contribuem para a transformação da identidade da mulher
quando está se torna cristã.
É conveniente, de início, admitir o “estado de carência” vivenciado por grande
parte das mulheres em geral nos âmbitos familiar e profissional. Em vários
segmentos faltam oportunidades de conhecer, entender e valorizar a capacidade
feminina. Ora, é necessário ensinar que somos capazes de mudar o quadro da
história, viver uma vida harmoniosa, acreditar nos princípios e traçar metas. Na
prática, essa tarefa pressupõe desenvolver um trabalho com mulheres e aperfeiçoar
as experiências de umas as outras. No intuito de difundir o evangelho e mostrar que
a vida cristã, embora em certo sentido seja de renúncia, é, em essência, de
recompensa.
Sem dúvida vivemos em tempos difíceis, especialmente em razão de valores
materiais serem colocados em primeiro plano por grande parte dos indivíduos. Em
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vista dessa dificuldade, precisamos nos fortalecer. Para isso, convém que formemos
equipes para espalhar a semente da palavra de Deus, devendo crer que os frutos
virão e alcançarão as futuras gerações.
No que diz respeito ao que se pode chamar de “êxito” na vida conjugal, é
possível afirmar, com base em experiências observadas em outras mulheres que
nas leituras efetuadas sobre o tema, um requisito imprescindível é a persistência.
Quando se ama alguém, é preciso estar disposto ao “fazer e refazer”, a compartilhar
uma história de vida.
Nos dias de hoje, nós, mulheres cristãs, devemos estar muito atentas a fim de
perceber os valores que nos são apresentados em nosso cotidiano: O que se
transmite nas ruas? O que as diversas mídias veiculam? É possível conciliar vida
profissional, conjugal e espiritual? Como administrar o tempo? Como não se deixar
vencer pelo desânimo em meio a tantos afazeres? Como ter uma atitude positiva,
que possa servir até como inspiração para os que se encontram ao redor?
Com a intenção de colocar em debate essas questões, o presente estudo
pretende abordar, ainda que de modo breve, aspectos significativos relacionados à
conduta da mulher cristã. Com essa finalidade, serão apontadas áreas em que
houve mudanças de comportamento feminino ao longo da história.

MULHERES NOS DIAS DE HOJE: O DESAFIO DA “MULTIFACETAÇÃO”


Há períodos na vida de uma mulher que parecem ser absurdamente mais
complicados que outros. Em tais ocasiões, muitas delas se sentem estressadas,
desanimadas; chegam a acreditar que “tudo está despencando em seus ombros”.
Existem muitas tarefas, obrigações a serem compridas, e o tempo se mostra
insuficiente para realizá-las de modo adequado: é preciso preparar e organizar a
alimentação da família, levar os filhos à escola, cuidar das roupas da família,
enfrentar a falta de polidez do chefe, cuidar do relacionamento com o marido, enfim,
há uma série de exigências. Quase sempre há cobrança, esforço, desgaste (físico e
mental) demais, e pouca ou nenhuma valorização.
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Felizmente, grande parte das mulheres está tomando consciência de que é


capaz de fazer escolhas em todos os níveis. Aliás, a mulher do século XXI, em geral,
vem se permitindo sua “própria descoberta” em vários âmbitos; aos poucos,
enxerga-se como alguém com aptidão para desempenhar (e bem) diversos papéis
na sociedade.
Todavia, em razão disso ainda há quem pense que as mulheres são robôs: não
se cansam e podem estar em atividade 24 horas todos os dias. Obviamente tal
estado de coisas leva qualquer pessoa à irritação, ao esgotamento, ao desejo de
abandonar família, profissão, estudos. É necessário, como se nota, que se busque
um equilíbrio, que exista discernimento, a fim de que seja possível uma “escala
hierárquica” de compromissos.

O PAPEL DAS MULHERES NAS LIDERANÇAS


Diante de Paul as pessoas defendem as mulheres na liderança pelo fato da ótica
como vê o mundo, a igreja, ou a cidade, afirma que seriam diferentes se o sexo
feminino estivesse no comando. Isso levanta um debate a respeito da identidade do
gênero como sendo essencialista ou construtivista.

As mulheres na liderança trazem uma nova abordagem na resolução de


problemas de algumas questões e restrições antigas. Dinâmicas criativas
são descobertas quando novas pessoas são trazidas as mesas de poder. O
resultado de criar formas saudáveis de pensamento diversificado e tomada
de decisões servira principalmente ao bem da organização. (REARICK,
2015, p. 43)

Segundo Paul as mulheres na liderança lutam contra a noção de ser diferente,


podem criar lacunas no ambiente de trabalho entre sexos, na base de conhecimento
muitas mulheres são nomeadas dentro de relacionamentos, onde mantêm fortes
relacionamentos com colegas e companheiros de trabalhos, provem apoio, idéias e
dinâmicas interpessoal. (Paul, 2015.p.129).
Nos dias atuais as mulheres buscam sua independência financeira, investem em
visual, estudos administrando uma carreira de sucesso, viabilizando administrar
trabalho, família, estudos e lazer.
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A VIDA VIRTUAL
Cabe destacar, nesse momento, algo muito próprio dos dias de hoje: o fato de
que muitos casamentos têm enfrentado problemas decorrentes do fato de os
cônjuges fazerem uso exagerado das chamadas redes sociais. Vários casais
perdem o foco: deixam de priorizar as questões da vida conjugal em detrimento de
uma “vida mais virtual”. Isso pode levar a uma crise e posteriormente a um
distanciamento entre esposa e marido, o que pode dar espaço à falsidade, à
discórdia, à inimizade, à lascívia, à infidelidade e até mesmo à separação.
Nos relacionamentos conjugais é imprescindível que haja transparência. É
preciso que haja confiança mútua. Como é possível confiar em alguém “viciado em
internet”? Será que essa pessoa não acessará sites de pornografia ou de namoro?
O excesso de vida virtual é um problema recente, começou a vir à tona nos últimos
anos. O fato é que pessoas pervertidas e com “boa lábia” têm escravizado milhares
de cidadãos e até líderes de comunidades por meio das redes sociais. Convém
mencionar que muitas mulheres vêm sendo enganadas por esse tipo de discurso
sedutor.
Diante disso, milhares de casais lutam para manter a aliança, a fidelidade, a
transparência. É preciso lembrar que a união de duas pessoas é algo maravilhoso
criado por Deus, mas há inúmeras dificuldades para conservar o casamento.
Observa-se que atualmente é incontável o número de maridos e esposas que
enfrentam sérios obstáculos para evitar um divórcio. É importante lembrar que uma
separação em geral traz conseqüências para os filhos e para o próprio casal. Mas
será que um casamento de aparências é a solução? Será que o refugiar-se na vida
virtual resolve o problema?
Ainda que uma pessoa acesse apenas passatempos “inocentes” na internet,
será que o tempo gasto “com a máquina” não é excessivo se comparado ao tempo e
à atenção dedicados a sua esposa, seu marido ou seus filhos? Muitos casamentos
terminam porque as necessidades dos cônjuges não são atendidas, sequer são
notadas Esposas e maridos às vezes alegam falta de tempo. Contudo, não são raras
as ocasiões em que um marido ou uma esposa consegue manter um suposto
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vínculo de intimidade, embora virtual, com alguém, algum (a) desconhecido (a) que
esteja disposto (a) a ouvi-lo (a), a considerá-lo (a) como um ser importante.
Entretanto, é preciso frisar, conforme (WHITEMAN, PETERSEN 2013, p. 36),
que “a internet tem diversos recursos, é a maior biblioteca vista pela humanidade,
ajuda os filhos nos deveres dos seus estudos, facilita as buscas de dados nas áreas
comerciais, nos estudos em geral, oferece gama de conhecimentos e inteligência em
busca de informações que facilitam o dia a dia de qualquer pessoa.” Isso significa
dizer que a internet é um instrumento e, ao que tudo indica, foi desenvolvido para
facilitar a comunicação entre as pessoas. O problema começa a ocorrer quando os
indivíduos perdem a noção de limite, pois é nesse momento que o referido aparato
tecnológico pode ser perigoso, pode se tornar um vício que, como qualquer outro,
atrapalha o convívio social e causa sérios prejuízos à vida pessoal.
Obviamente, o mesmo padrão ocorre também com a internet. Em pequenas
doses, ela e inofensiva. Mas ganha uma importância imensa quando uma
pessoa se torna viciada nela.Você precisa se conectar, e ai de quem tentar
impedi-lo.
Se nos últimos tempos você xingou o seu cônjuge ou os seus filhos porque
o uso da internet se tornou algo importante demais para você, tome isso
como um sinal de alerta (WHITEMAN, PETERSEN, 2013, p.131)

No que diz respeito à mulher cristã, convém que se mantenha moralmente


determinada a fim de não cair nas armadilhas das fantasias de prostituição apenas
para satisfazer caprichos do marido. É importante que a mulher não se exponha a
situações constrangedoras. De acordo com (SHANNON 2003, p.34-35), milhares de
mulheres se avaliam de acordo com o padrão mostrado em imagens femininas na
internet: “fazem comparação do seu corpo dentro do vestuário feminino, fazem
comparação da firmeza dos seios e quantidade de celulite; esta armadilha só afeta a
auto-estima”.
Como mulheres cristãs, devemos buscar sempre a fidelidade no casamento, a
fim de não nos deixarmos iludir por cantadas que podem nos levar a extrapolar os
limites da sexualidade por nos considerarmos atraentes. Em relação aos elogios que
certos homens fazem a determinadas mulheres, comparando-as a outras tidas como
belas, Shannon afirma que “algumas levam isso ao extremo, acabando na cama
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com o melhor amigo do marido. O início se dá com [o efeito d]a comparação na


mente obcecada.” (SHANNON, 2003, p.46)

MULHER NA IDADE MÉDIA E NO PERÍODO CONTEMPORÂNEO


Temos observado que em diversas sociedades atuais há o que se poderia
chamar de “excesso de permissividade”. Muitos indivíduos hoje se contentam em
fazer o que imediatamente “a cabeça manda”, “o mundo ensina”. O apetite carnal
domina. Os jovens, em especial, acreditam que quase todas as regras estão
ultrapassadas, são “coisas cafonas”.
É interessante observar que, na Idade Média, em várias circunstâncias as
mulheres eram consideradas perigosas. Segundo (CALVANI, 2010, p.158), “a ética
cristã medieval sempre considerou as mulheres maliciosas e mais propensas ao
sexo que os homens, que induziam os padres à tentação.”
No que concerne à sedução, cabe mencionar algo referente ao modo de vestir
da mulher cristã no Brasil contemporâneo. Antes disso, vale lembrar que na
legislação brasileira atual há dispositivos para proteger a mulher contra a violência.
De qualquer modo, seria conveniente que a mulher cristã fosse cautelosa ao
escolher seus trajes, a fim de que estes, de fato, pudessem valorizar sua condição
de ser humano, não a transformassem em objeto a ser consumido, como tantas
vezes têm ocorrido:
Na Idade Média, a igreja era a principal instituição que regia e orientava a
sociedade nos âmbitos políticos, social, familiar e educativo. A discussão
sobre a natureza humana, masculina ou feminina, parte principalmente da
patrística, cujas origens intelectuais se encontram na filosofia grega.
(GUTIÉRREZ; CAMPOS, 1996.p.193).

No que diz respeito aos chamados valores atuais, aliás, é interessante destacar,
conforme (PRIORE, 2011, p.227), “que a modernidade parece querer dispensar o
casamento e a família de sua função histórica básica.” De acordo com a mesma
autora, as separações eram menos freqüentes nos anos 90, pois ainda havia o
medo de que o divórcio de um casal provocasse traumas irreversíveis nos filhos
(PRIORE, 2011, p.230).
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Em 1995, as taxas de divórcio, que marcavam o desfecho de 21% dos


casamentos, provavam que cada menos os dogmas religiosos ou as
tradições familiares tinham o poder de interferir na vida pessoal dos
brasileiros .É isso num pais onde o divorcio foi aprovado em 1977. Outra
mudança notável veio com fim do preconceito contra a mulher trabalhadora.
Deixou de ser envergonhada e , ao contrario , tornou-se quase uma
exigência que ela tivesse um lugar ao sol no mercado de trabalho.
(PRIORE, 2011, P.231).

De fato, milhões de casamentos estão se dissolvendo nos dias de hoje por conta
da chamada modernidade. Nos tempos denominados “avançados”, muitos casais se
perdem e sofrem de falta de comunicação e entrosamento, muitas vezes em razão
de as pessoas passarem a se considerar como “bens de consumo”.
A moral hegemônica de décadas passadas prevalece em muitos textos que
Família, Igreja e Lei são praticamente incontestáveis. Mas outros escritos já
relativizam e ate questionam, várias opiniões polemicas sobre sexualidade,
trabalho, feminismo, casamento e o papel social a juventude, em alguns
artigos publicados, a mulher já vista com realização pessoal dos papeis de
mãe, dona de casa, e esposa (PINKSKY,2014,p.43).

A MULHER E A CONVERSÃO A CRISTO


Convém mencionar, primeiramente, que a dignidade é uma marca da identidade
que deve ser manifestada por meio das atitudes e do cuidado com as palavras. Isso
deve ser observado diariamente no trato com outras pessoas.
A fim de elucidar esse aspecto, retomaremos a história de Raabe, contada na
Bíblia no segundo capítulo do livro de Josué, versículos de 9 a 11. De acordo com o
relato bíblico, Raabe era uma prostituta, uma mulher sem reputação, sem crédito.
No entanto, depois que se tornou alguém temente a Deus, teve sua vida
transformada. Isso significa que, por meio de sua fé, seus pecados foram perdoados
e sua família foi salva. Em relação a essa narrativa, (PATTERSON 2014, p. 304) nos
diz o seguinte: “não há dúvida de que Raabe era uma mulher inteligente,
demonstrou um conhecimento impressionante da história de Israel e do que Deus
estava fazendo pelos israelitas ao aproximar-se de seu país.”
O referido autor ainda reforça que “Raabe é um exemplo de como tomar a
decisão certa e manter-se firme, mesmo quando isso significa opor-se aos seus
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semelhantes. Não é de se admirar que Deus tenha honrado a fé e coragem dessa


mulher, colocando-a na linhagem do Messias.” (PATTERSON, 2014, p.304)
É preciso compreender que, para fazer a diferença na condição cristã, há um
preço a ser pago. É imprescindível seguir as normas pré-estabelecidas por Deus,
entender a posição de obediência em que nos devemos colocar. Isso pressupõe,
nos diversos aspectos da vida, renúncia, sinceridade, transparência. De qualquer
modo, o fato de conhecer a Cristo modifica nossa maneira de agir em todas as áreas
de nossa vida. Passamos a cultivar uma atitude mental positiva em relação aos
acontecimentos. Muitas vezes nem precisamos de palavras para nos expressar, pois
nossa linguagem corporal é capaz de exprimir com precisão aquilo que sentimos.
O encontro pessoal com Jesus é um verdadeiro divisor de águas: antes disso,
caminhamos a esmo, embora muitas vezes sem o saber; depois disso, mudamos
nossa vida de modo instantâneo, buscando coerência nas atitudes.
A história bíblica da Mulher Samaritana, narrada no Novo Testamento, no
Evangelho de João, no capítulo 4, versículos 13 e 14, é um exemplo interessante
dessa mudança operada na vida das pessoas depois do encontro com Deus. Essa
mulher vivia uma vida impura, num relacionamento conjugal não assumido e um dia
se deparou com Jesus percebeu, depois de alguns instantes de conversa, que ele
era um verdadeiro profeta. Assim, uma transformação imediata ocorreu no coração
desta samaritana, bem como uma confiança inexplicável e um desejo de fazer parte
de uma sociedade sem discriminação. Cabe explicar que, naquela época, por razões
culturais, judeus e samaritanos não se associavam uns com os outros e era
considerado impróprio para um rabino conversar com uma mulher em público; a
consideração de Cristo por essa mulher era, dessa forma, revolucionária. Muitos
passaram a acreditar em Jesus por causa desse testemunho.” (A Bíblia da Mulher,
2014, p.1434)
Nos dias de hoje, contudo, ainda inúmeras mulheres (várias delas até bem
jovens) têm uma vida de sofrimento, em razão do vício em drogas, bebidas
alcoólicas, desejos carnais. Quanta desesperança deve haver nessas mentes e
nesses corações? É justamente para essas mulheres que queremos apresentar
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Cristo como o único alguém com poder para mudar vidas, transformar histórias. É
necessário crer nesse Deus e depois disso perseverar na fé.
Uma pessoa viciada precisa dar o primeiro passo, que é o desejo de ser curada;
sem seguida deve reconhecer que é incapaz de superar o problema com suas
próprias forças. É fundamental, portanto, permitir que Deus atenda sua necessidade
real. Quando essa pessoa se torna dependente do poder do Espírito Santo, sente-se
apta a obedecer e seguir a Jesus à medida que sua mente vai sendo renovada.
Ao fortalecer seu relacionamento com Deus, o cristão vivencia paz e alegria
duradouras.
No relacionamento com os semelhantes, o cristão deve buscar ser paciente ,
bondoso e generoso. Ao crescer espiritualmente, o cristão descobre uma força
interior que resulta em fidelidade, mansidão e domínio próprio.

O MASCULINO E O FEMININO
Na condição de mulheres, penso que seria bastante apropriado que
buscássemos conhecer um pouco das características masculinas não somente por
meio de nossos relacionamentos cotidianos com os homens (marido, chefe, colega
de profissão ou faculdade, por exemplo), mas também por meio da leitura de textos
que nos relatem e interpretem de alguma forma comportamentos tidos como
masculinos ao longo da história. Às vezes sou levada a crer que muitos
desentendimentos entre os casais e até mesmo divórcios poderiam ser evitados se
cada uma das partes conhecesse um pouco mais a respeito das peculiaridades da
outra.
Grande parte dos historiadores afirma que durante séculos os homens caçavam
e as mulheres cuidavam das crianças e dos afazeres domésticos. Hoje em dia
homens e mulheres ainda parecem processar informações de modos distintos, mas
a divisão das tarefas sem dúvida se modificou.
Desse modo, os membros de uma família precisam ter consciência da
importância da cooperação mútua no cotidiano, até porque quase todas as mulheres
trabalham fora e dentro de casa, ou seja, têm obrigações múltiplas com a profissão,
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o lar, o filho, o marido (muitas mulheres até ajudam o marido financeiramente ou


mesmo sustentam a família). Em termos práticos, é necessário que tanto o homem
quanto a mulher tenham os mesmos objetivos, que planejem compras, viagens em
função do bem-estar da família. É preciso garantir um lar em que haja harmonia e
busca por crescimento espiritual, a fim de que os filhos sejam compelidos a
perpetuar os valores de amor, perdão e compreensão.
Quando o marido auxilia a esposa nos afazeres domésticos, ele percebe que
ambos têm mais tempo para ficarem juntos, o que pode ser benéfico para que se
aprimorem na área sexual, pois a mulher, geralmente, avalia de forma positiva a
ajuda que recebe do marido e gosta de recompensá-lo por isso.
Segundo (PEASE 2000), as mulheres possuem habilidades sensoriais mais
aguçadas que os homens e têm boa visão periférica; os homens, por sua vez, são
dotados de boa visão para longa distância (enxergam bem um túnel, por exemplo),
como se usassem binóculos.
As mulheres, com sua sensibilidade apurada, são capazes de identificar os
pontos centrais, escutam melhor que os homens e distinguem bem os sons agudos.

O PAPEL DA MULHER NA FAMÍLIA


Aqueles que depositam sua confiança em Cristo recebem as bênçãos de Deus e
refletem o caráter dele diante de todas as pessoas do seu convívio, porque “o fruto
do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade,
mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo
Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências” (Gálatas 5:22 a
24)
Devemos nos apresentar diante de Deus mostrando confiança e perseverança,
ou seja, evidenciando nossa fé para vencer as lutas e dificuldades em todas as
circunstâncias.
Na condição de mulheres cristãs, devemos administrar nosso casamento
conforme os planos divinos para uma esposa sábia. Convém lembrar que Deus
conhece as nossas necessidades, desse modo, pode orientar nosso matrimônio.
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Seguindo a palavra divina, podemos ajudar nossos maridos, respeitá-los, amá-los. A


palavra de Deus exorta a mulher a ser submissa ao marido, reconhecendo-o como
cabeça da família, como também Cristo é o cabeça da igreja; como a igreja está
sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas aos seus
maridos (Efésios 5:22-24). Dessa forma:
[...] a igreja evangélica brasileira reproduz o modelo da mulher que é mãe,
que assume as funções do lar, inclusive a responsabilidade de ensinar aos
filhos sobre a religião. Estas funções todas submissas ao marido. Mesmo
diante da saída da mulher para trabalhar fora de casa, e o crescimento de
mulheres líderes de igrejas, muito freqüente no pentecostalismo, o modelo
de mulher submissa ainda está presente na vida dos evangélicos
brasileiros. (MAGALHÃES, 2007)

É preciso que sejamos tementes a Deus, assim, poderemos ser esposas


compreensivas e manter a transparência a respeito de ocorrências e sentimentos.
A confiança é à base da vida familiar. Uma esposa sábia não deve, por exemplo,
“passar a mão na cabeça” do seu filho quando este comete algum deslize que o pai
não tenha notado, achando que desse modo está protegendo o filho. Tal atitude
pode, pelo contrário, causar danos irreparáveis. No caso de questões envolvendo a
educação dos filhos, é preferível que haja uma conversa entre os pais, a fim de que
cheguem a um consenso a respeito da melhor solução para os problemas.
É recomendável que a mulher incentive o marido a manter o hábito de dedicar
diariamente algum tempo à oração, a fim de que Deus os ajude a fortalecer a fé e a
superar obstáculos.
Convém lembrar que as igrejas, em geral na sociedade feminina, propiciam
condições para as mulheres se pronunciarem a respeito de problemas e dúvidas
vivenciados pela família, entre eles os referentes à sexualidade feminina e à
educação dos filhos. É importante que o aconselhamento pastoral seja buscado
como possibilidade para muitas mudanças positivas na família. (MASPOLI, 2012,
p.252).

A QUESTÃO SEXUAL
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“A ética cristã deve ser pautada pelo amor em Cristo; que nos ensinou que
devemos amar os outros, mesmo quando não aprovamos seus estilos de vida. Na
prática, porém, a aplicação dessa regra é problemática, isso não exclui o amor como
princípio central da ética cristã” (CALVANI, 2010, p.166).
Segundo (LAHAJE, 1989, p.38), “para muitos homens, o prazer sexual que
obtinham com as esposas era supostamente um direito divino deles; tais homens
eram (e alguns ainda são) analfabetos em questão de sexo, não entendiam as
necessidades físicas e emocionais das mulheres.”
De qualquer modo, é preciso ter em mente que, de acordo com a bíblia, “a
mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também,
semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a
mulher” (1 Coríntios 7:4). Neste trecho bíblico, o apóstolo Paulo afirma que na
intimidade do casal o corpo do marido e da esposa pertencem um ao outro; a
expressão conota exclusividade, assim, nenhum dos dois deve, em princípio,
recusar os direitos conjugais ao outro, a menos que haja alguma forte motivação
para isso, como um propósito espiritual ou alguma debilidade física, por exemplo.
Cabe mencionar que o sexo faz bem à saúde, aumenta o nível de testosterona
dos homens, fortifica os ossos e músculos e produz o colesterol “bom” (HDL); além
disso, se a prática for realizada 3 vezes por semana, queima, em um ano, a mesma
quantidade de calorias que 130km de corrida, conforme (PEASE 2000, p.133).
Nos dias atuais existem vários parâmetros em relação ao sexo, sendo que,
quando ocorre dentro dos limites do casamento, quando o marido cuida do bem-
estar da esposa e quando o casal mantém boa comunicação e plena liberdade
dentro do seu convívio, é conveniente que ambos se preparem para poder desfrutar
ao máximo esse bom momento a dois.
Não é demais lembrar que, a despeito de existirem na atualidade diversas fontes
confiáveis de informação sobre sexo, ainda há homens “sem noção”, que pensam
somente no seu bem-estar, “esquecendo” de satisfazer os desejos das mulheres.
Para muitos casais, falta buscar aprimoramento. Seria recomendável que essas
pessoas assistissem a palestras, lessem material específico sobre o assunto para se
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informar, conversassem com especialistas da área da Saúde, como médicos e


psicólogos.
Há também o caso de muitos homens que se consideram “peritos” em sexo,
supondo que tudo que fazem é correto e não existe necessidade de aprendizado.
Contudo, uma postura de humildade pode ser mais adequada para encarar qualquer
situação. É preciso compreender que as diversas áreas de nossa vida são passíveis
de aprimoramento. A área sexual, em razão de sua enorme importância, não deve
ser negligenciada. Assim, é recomendável que o casal busque a cada dia mais
entrosamento.
De qualquer modo, é preciso considerar que no âmbito sexual ainda há muitos
tabus, até as vestes femininas podem ser motivo de inibição das mulheres diante de
seus esposos. É imprescindível, nesse caso, que marido e mulher estejam abertos
ao diálogo, a fim de poderem explicitar seus desejos, suas dificuldades.
Cabe lembrar que o sexo deve ser encarado como algo muito positivo, pois foi
criado por Deus para proporcionar alegria a um casal. Aliás, (CALVANI 2010, p.148)
destaca que “a bíblia diz três coisas acerca do sexo: 1) sexo é bom; 2) sexo é
poderoso; 3) sexo precisa ser controlado; por um lado, o sexo é bênção; por outro,
[algo a ser] desfrutado dentro do casamento monogâmico, nunca antes de casar,
nem fora dos limites do casamento.”
Além disso, convém reiterar que, segundo diversas pesquisas, o sexo faz muito
bem à saúde, melhorando a qualidade do sono e auxiliando até a redução do stress
diário.
A conduta de um pai de família cristão diante do sexo deve pautar-se nos
valores já referidos. É recomendável que ele se empenhe em ter um comportamento
moral irrepreensível perante esposa e filhos, a fim de manter o lar em harmonia e de
poder ser, como pai, uma fonte de inspiração aos descendentes. Aliás, como se
sabe, o casamento foi concebido por Deus, pois “o Criador viu que não seria bom o
homem viver na solidão.” (RENOVATO, 2013, p. 17)
Muito provavelmente a conduta paterna poderá facilitar a aproximação entre pais
e filhos quando os primeiros tiverem de cuidar da educação sexual dos segundos. É
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inegável que em nossa época mães e pais mostram-se bastante preocupados com
os valores a serem transmitidos aos filhos e filhas. É preciso que os genitores
estejam atentos para permitir um diálogo franco acerca de questões como
relacionamento íntimo e virgindade, por exemplo. Convém frisar que o casamento
criado por Deus pressupõe a união entre um homem e uma mulher, ou seja, trata-se
de união monogâmica e heterossexual.
Sem dúvida a bíblia relata vários casos de relacionamentos de um homem com
duas ou mais mulheres, entretanto é cabível lembrar que esse não era o plano inicial
de Deus. Questões econômicas (não cristãs) parecem justificar o fato de um homem,
naquele contexto, ter mais de uma esposa: o aumento da quantidade de esposas
aumentava também as chances de se ter mais filhos, e tudo isso visava à
“capitalização” familiar. Então, é importante sublinhar que, fora dos limites
estabelecidos por Deus, o sexo traz “problemas como culpa, vergonha, medo,
tristeza, desapontamento e dor de cabeça.” (MYLES, 2009, p. 274)

A QUESTÃO DA QUALIDADE DE VIDA


É recomendável que as mulheres almejem seu bem-estar, o que engloba a
busca da satisfação sexual e emocional dentro da intimidade conjugal. É bom que
tenham coragem de expor suas vontades aos maridos. Convém que muitas reflitam
acerca da “real” importância do próprio corpo: é necessário sentir-me envergonhada
diante do marido em razão de, por exemplo, estar fora do “padrão de beleza”
imposto pela mídia em geral? Devo fazer algo pela minha aparência porque tenho
vontade ou somente para agradar meu marido? A aparência deve ser o centro das
minhas atenções?
Imagino que refletir a respeito da aparência física considerando-a vinculada à
preservação da saúde seja algo bem mais proveitoso do que colocá-la como uma
finalidade em si mesma. Ora, no âmbito cristão, as mulheres já têm alcançado
benefícios na área da saúde por não ingerirem bebidas alcoólicas e drogas. Além
disso, muitas tentam manter horários regulares para sono e refeição, bem como
buscam se informar a respeito dos alimentos que podem compor uma dieta
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equilibrada, por exemplo. Há diversas que conseguem um tempo para se dedicar a


exercícios físicos, que, como é sabido, proporcionam efeitos salutares não somente
ao corpo, mas também à mente.
É claro que um corpo são e uma mente sã combinam com um espírito são, e o
cuidado com o espírito pressupõe comunhão com Deus, o que por sua vez se
alcança mediante leitura bíblica e oração diárias. Tudo isso é a base para a paz
interior e para a harmonia na família.

CONCLUSÃO
Desde a entrada do pecado no mundo, cada um de nós enfrenta uma verdadeira
batalha. As dificuldades de hoje são praticamente as mesmas daquelas contra as
quais lutavam os primeiros seres humanos, séculos atrás.
A mulher de hoje, em particular, nas diversas sociedades, ainda precisa de muito
empenho para zelar pela sua identidade na condição de esposa, de mãe, de
profissional.
A mulher cristã, sem dúvida, precisa de um verdadeiro “arsenal” de
conhecimento, a fim de lidar com as situações cotidianas não com ingenuidade, mas
com sabedoria.
Se, como mulheres, sobretudo como cristãs, pretendemos nos tornar fonte de
inspiração, ou seja, referência para gerações futuras, temos de buscar
conhecimento, temos de aprender (e apreender) sempre e muito as lições da
palavra de Deus, sabendo que “fazemos a diferença” quando nossas atitudes são
moldadas pelo Espírito Santo. Só assim é possível transformar um aprendizado num
ensinamento.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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