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IV — A SOCIEDADE: GRUPOS E FORMAÇÕES SOCIAIS

O KANDA

Segundo alguns autores, o kanda dos Muxikongo era “um mecanismo


integrativo", social e político, ( llft9) de central importância na sociedade con-
guèsa, representando idealmente os grupos exogâmicos corporativos, os
matriclãs e as matrilinhagens, cuja ideologia realçava a unidade do grupo, o
culto dos antepassados e a sua relação com a terra comunitária, ( ,,7°) que, para
além do seu óbvio valor econômico como factor de produção, era sobretudo
um “espaço de legitimação dos direitos colectivos”. (,m )
Parece no entanto ser opinião da maioria dos investigadores do passado
das sociedades Muxikongo, que os representantes dos diversos kanda forma­
vam, talvez já no século XIV, grupos cooperativos ( l,7J) mais ou menos iden­
tificados, (,l73) constituindo a “nobreza do Kongo”. ( n74) Os membros do
grupo cooperativo dirigente O17') representavam 12 kanda. que provavel­
mente correspondiam ao número de regiões sobre as quais o ntotela ( ll7ft)
exercia autoridade. ( M77) Os diferentes kanda partilhavam alguns interesses
comuns, assim como certas funções legislativas de extrema importância, como
era a eleição do ntotela ( n7R) e o efectivo governo do estado. í 117'') Cada um
dos kanda tinha a obrigação de oferecer uma esposa ao ntotela. o que impli­
cava que todos os membros de cada kanda, os Muxikongo, podiam, através
do sistema classificatório, ser considerados “filhos” do ntotela. sendo
este, obviamente, o seu máximo representante (,l8°) e o símbolo da unidade
do Kongo.
No que se refere à problemática sobre o “padrão original” de organização
social, a discussão acerca das sociedades Muxikongo tem privilegiado um

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-quiEd b BJBd apEpuBauijiJiBui Bp ‘Bisiuoian|OAa ojuauiiAjOAuasap ap opptJUJ
mesmos excedentes. (IJOg) Deste modo, os principais titulares foram-se pro­
gressivamente apropriando de parte dos direitos sobre os recursos das linha­
gens locais. (IJm)
Embora os titulares das áreas rurais tivessem acesso a bens de luxo, o
fascínio por tudo o que Mbanza Kongo e os outros aglomerados populacionais
de elevada densidade demográfica representavam, a sua vida religiosa, as
possibilidades de instrução e a proximidade da influente corte, sempre cons­
tituiram um forte pólo de atracção para os nkuluntu e para outras autoridades
muxikongo das áreas rurais. Estas autoridades, ao oferecerem mulheres aos
principais titulares, e ao aumentarem o número de membros do seu próprio
kanda. através de mecanismos de integração de indivíduos estranhos aos seus
próprios kanda, nomeadamente os escravos, pretendiam ganhar a estima e a
solidariedade das estruturas hierárquicas superiores das mbanza.
Os interesses dos diversos grupos de influência, indivíduos, associações
ou linhagens, eram naturalmente recíprocos. Num contexto de extrema com­
petitividade por influências, a aliança com um kanda politicamente superior
proporcionava, às linhagens menos poderosas c mais dependentes, uma opor­
tunidade de aumentarem o seu prestígio através de uma participação mais
activa nas esferas de decisão, elevando para os seus membros as expectativas
de uma compensação no futuro. Para o kanda hierarquicamente superior,
adquirir mulheres de outras linhagens era, em contrapartida, uma forma
efectiva de materializar alianças, o que lhes permitia aumentar o número dos
seus dependentes, e consequentemente o seu poder. (,JH)
Um dos meios que os titulares dispuseram para aumentar o número de
súbditos, constituiu na integração dos escravos comprados nos mercados
limítrofes, ou de ref ugiados, os "escravos fugidos", as suas jurisdições, (IJI2)
permitindo que os descendentes de uma escrava, pudessem ser dispensados de
“casar” dentro do próprio kanda, possibilitando-os, por um lado, alargar a sua
influência ( ,,IJ) e estabelecerem laços exteriores ao kanda que os integrava,
e por outro serem integrados nos grupos de descendência, nos kanda, atingin­
do muitas vezes posições políticas superiores. A linhagem Mpanzu, assegu­
rou. entre 1588 e 1622. a sucessão da posição ntotela. através de ocupantes
nascidos de mulheres escravas, o que foi feito com a participação da popu­
lação escrava. Uma das mais importantes insígnias do poder, «a manilha de
braço», assim como «a toga coberta de unhas de leopardo», era investida no
chefe pelo escravo mais antigo. Entre os Pende, as insígnias do poder podiam
ser atribuídas por um escravo. (I2U)

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0 KILOMBO

O vocábulo kilombo tem uma dupla conotação: uma toponím ica e outra,
ideológica. Eram assim designados os arraiais militares mais ou m enos p er­
manentes. e também as feiras e mercados de Kasanji. C21’) de M pungo-a-
-Ndongo. (I216) da Matamba t 1217) e do Kongo. ( ,21*)
A conotação ideológica da palavra kilombo, que em kim bunbu significa
junta, união, (l211') está relacionada com uma das mais im portantes instituições
políticas do século XVII, em toda a região entre os rios Zaire, K w ango e
Kuvo. A sua importância foi especialmente significativa nos antigos estados
do Kongo, Matamba, Ndongo c nos estados Ovim bundu do actual Planalto
Central angolano, onde provavelmente teve a sua origem . ( ,22D)
Segundo Childs, que assinalou a semelhança entre alguns costum es
Ovimbundu e os dos “Jaga" C221). kilombo é sinônimo de Kakonda ou Cilom-
bo, nome de um dos principais grupos Ovimbundu. ( ,222) O m esm o autor diz-
-nos ainda que Cilombo era a designação da “m ulher" do hcrói-civilizador
mítico Kakonda. fundador do estado com o m esm o nome. ( I22J) De origem
Ovimbundu ou não. esta instituição foi assimilada por muitas forças políticas
e militares da África Central ocidental, entre as quais os "Jaga"/M bangala e
os titulares Ngola-a-Kilwanji, tomando-se para a rainha Jinga e tam bém para
os Portugueses e para os “Jaga", num instrumento político e de organização
militar decisivo. ( I224)
A importância do kilombo como forma de organização militar, transpa­
rece na legenda histórica sobre a origem dos "Jaga” e das suas instituições.
Segundo a tradição histórica oral recolhida por Cavazzi. ( ,22J) Tem ba Ndum-
ba, heroína-civilizadora, resolveu um dia restaurar as antigas leis do “pai" e
dos “antepassados", convencida que a rigorosa observância das m esmas tor­
naria o seu nome glorioso e temido. ( 1’2f’) Para assegurar o sucesso na guerra.
Temba Ndumba impôs a kijila, que em kimbundu quer dizer "proibição" ( 1227)
e que consistiu num conjunto de leis proibitivas, ( ,22*) que implicavam certos
tabus, como por exemplo a abstinência das carnes dc porco, dc elefante e de
serpente. Segundo as leis kijila, os membros do kilombo eram tam bém obri­
gados ao comprimento de certos rituais dc guerra, C22’') assim com o a obser-
vâncias dc cariz religioso, estas a cargo do xinguila. especialista adivi­
nho. (I2V))
Um dos rituais do kilombo. obrigava ao sacrifício de uma enança que
devia ser pisada no pilão e reduzida a uma «massa informe», à qual se juntava
ervas, raízes e uns pós. A massa de carne humana, depois dc fervida e atingir
a consistência desejada, era chamada maji-a-osamba, a «pomada milagrosa»,
com que os homens se deviam untar antes dc partirem para a guerra. Ca i )
Acreditava sc que os rituais, cm conjunto com a aplicação da nmji-a-osamba,
conferiam uma invulnerabilidade mágica aos iniciados, que de outra forma
estariam expostos às susceptibilidades das forças naturais. (,íM)
Uma outra lei kijila, que rcflectc o cariz de especialização militar do
kilomho. consistia na interdição de se criarem crianças dentro dos limites do
acampamento, estipulando que os gêmeos, que por razões de crença religiosa
eram associados ao infortúnio e ao mau presságio, c os diminuídos físicos,
fossem, por norma, sacrificados logo após a nascença. (Il,,j
A renovação do grupo era feita através da socialização de jovens prisio­
neiros que. ao unirem-se com as mulheres do kilomho, sc tomavam membros
de pleno direito. ( IÍM)
O kilombo, como ideologia política, oferecia duas vantagens que, em
muitos casos, foram decisivas para que fosse adoptado: (,J")
1. F.ra uma estrutura social em que os seus membros nào sc relacionavam
segundo normas prescritas de parentesco consanguínco gozando, por essa
razão, de uma maior mobilidade social c de uma relativa equidade de estatuto
c de oportunidades de promoção. Por essa razão, o kilomho tomou-se numa
instituição supra-tribal, capaz de unir c aglomerar indivíduos de diversas
origens étnicas. ( Iív>)
2. O kilomho cru também uma fomia de organização militar rígida,
apoiada num código moral vocacionado para criar guerreiros, conferindo, aos
grupos que o adoptavam, um comportamento que muitas vezes sc traduziu
numa capacidade bélica superior. (IJ,7I
A adopção do kilomho esteve ligada a grupos fraccionários, como foi o
caso dos Kinguri. ou a chefes ambiciosos com projectos hegemônicos que, por
insuficiente numero de seguidores, não reuniam as condições objeclivas para
a realização dos seus projectos. Este foi o caso de Ngola-a Mbandi, da rainha
Jinga c dos Portugueses. (IJl*) Também os Kinguri, que aparentemente deixa­
ram a lundu sob pressão política e militar dos l.uha. adoptarant as leis ktjila
do kilomho. (IJW) como uma solução para os problemas de desintegração c
divisão que emergiram quando ainda estavam submetidos à ideologia inerente
ao título Ktngun A sul do rio Kwanza surgiram alguns grupos de guerreiros
chefiados por titulares kilomho. que incluíam títulos subordinados l.unda.
Kmgun c Makota, denominados Mbangala, "Jaga"/Mhangala ou somente por
"Jaga". (IN0)
Um chefe em apuros, ou movido pela ambição, (,í4‘) podia adoptar a
organização do kilomho. ( i:4;) ou/e reivindicar legitimidade à posse de um
titulo que descendesse de um chefe kilomho. (Ií4,>
Cerca de 1626-1627 a rainha Jmga. quando cercada pelas exércitos de
Ngola-a-An c dos seus aliados Portugueses, t 1144) estabeleceu umu aliança
com Kaza Ka Ngola, Cí4,> que detinha posiçóes kilomho f 24*) "Casando'
com "ele", a rainha Jinga adquiriu um título kilomho. tem han/a. "pnmeira
mulher", (IM7) que lhe conferiu a legitimidade que porventura lhe laltava para
preparar o muji-a osambu A apropriarão desta posição kilomho po» parte dc
Jinga. poderá explicar a fone influência que ela parece ter exercido ocasio­
nalmente sobre alguns titulurcs, nomeadamente os "Jaga" Kalandula c
kabuku Ka Ndonga, entre 1640 c 1650. í 124*) lim a passagem da carta que a
rainha Jinga escreveu ao governador Português Sousa Chichom i. datada de
13 de Dezembro de 1655. é bastante elucidativa quanto à cirvunstaiK ialidade
da adopçáo das leis kijila:
...«dou a minha palavra que, tanto que chegarem os reverendos padres
com minha Irmã, tratarei logo dc deixar parir e criar as mulheres seus filhos,
cousa que até agora não consenti por ser estilo de quilombo, que anda em
campo, o que não haverá, havendo puz firme e perpétua, e em poucos anos
sc tomarão minhas terras a povoar como dantes, porque até agora me nào
sirvo senão com gente dc outras províncias c nações que tenho conquistado,
c me obedecem como sua senhora nutural com muito amor. e outros por
temor». (,ao)

OS «JACA •

Os "Jaga". aos quais o kilomho está intimumente associado, ainda não


terão talvez merecido a melhor atenção dos estudiosos da historia da Áfnca
Central ocidental. Desde o século XVII, a origem dos "Jaga" e a sua identi
dade étnica têm suscitado uma viva c fecunda discussão, tacto a que nào deve
ser estranho a "sua" indiscutível importância nu cena política c militar da
região entre os rios Zaire. Kwango e Kuvo. durante todo o século XVII t ’2' 1»
O explorador quinhcntistn Português Duane Lopes, cujas memórias to-
ram escritas por Filipo Pigafetta. contou que as "Jaga" habitavam «o primeiro
lago do rio Nilo. na província do Império do Moonhenungue». opinião
que foi também partilhada por Cavozzi. (,2"> Baltell. que encontrou os Jaga"
na proximidude dc Hcnguela-a-Velha, utirmou que eram originários da Sierru
l.eone", e que no seu longo percurso migratório tonam inv adido M hun/a k o n
go. (liV*i o que é. aliás, corroborado por oulms escritos da época ( i:" |
Wngley. por seu lado. observou que Ngun significa leão em km ihundu.
c que era essa a designação da cadeia montanhosa a oeste tio n o kwango.
entre Kasanji c a Matamha. Presumivelmente, como o autor prudentemente
assinalou, as montanhas Ngun poderio ser a "Sierru Leone" a que Hattell sc
referiu, c tanta confusão causou sobre a sua origem. (I2,4l Wngley e também

155
dc opinião, que os Kinguri poderão ser originários da região a oeste do rio
Kwango e que a "história” «da sua migração do leste deve ser encarada com
suspeita de ser uma fantasia mítica (mythical fabrication)». (I257)
Se as opiniões quanto à origem dos “Jaga" são imprecisas e contra­
ditórias. o mesmo não se passa em relação a certas descrições dos seus
costumes, considerados unanimamente como sanguinários, belicosos e
bárbaros. (I2M) e o seu viver a modo de kilombo. A maioria das fontes realça
sobretudo o seu modo de vida nômada, (l25<>) os seus hábitos an­
tropófagos. o infanticídio (l261) e a adopção de crianças do sexo mascu­
lino aos vencidos de guerra. (I2A2) Porém, as opiniões divergem substancial­
mente de novo no que diz respeito à sua organização e estrutura social.
Para Cavazzi. os “Jaga” constituíam «povos», (,2M) não um povo, eram
um «bando» f 2M) uma «gente» ou ainda «pessoas» que, conforme as circuns­
tâncias. podiam ou não «ocultar» «serem» “Jaga". C2*5) O Capuchinho italia­
no nunca mencionou os “Jaga" como uma identidade étnica ou cultural par­
ticular. enquanto que Castillon considerou que no seu conjunto, os “Jaga” não
constituíam de forma alguma uma sociedade (l2A6) opinião que parece ter sido
unânime na época pois para Gioia. os “Jaga" também não formavam um grupo
étnico definido, mas grupos de indivíduos de diversas origens etnocultu-
rais. í 12*’7)
Cerca de 300 anos depois, Henrique de Carvalho referiu-se aos “Jaga”
como um grupo que derivava o seu nome de um título concedido pelos
Portugueses aos seus aliados Africanos, na circunstância os Kinguri/Lun-
da. f 2'1*) Mais rccentemenle, Albuquerque Felner (1933) formulou a hipótese
dos “Jaga" não terem formado um grupo de descendência específico, uma
«família» como o autor escreveu, mas uma designação, um título, relacionado
com uma comunidade de indivíduos étnica e culturalmente diferenciados,
ligados por solidariedades circunstanciais, de carácter vocacionadamente
guerreiras. (I2W)
Cavazzi, Castillon, Carvalho c Felner lançavam deste modo as bases,
nunca até hoje satisfatoriamente refutadas, do que viria a ser um princípio dc
abordagem ao estudo dc tão importante problemática.
Durante os anos de 1960 c 1969. gerou-se um intenso debate em que não
só foi posta em causa a identidade dos “Jaga", como se adiantou a possibi­
lidade, porventura prevalecente entre os historiadores, mas nem sempre evi­
dente. da sua relação com os Mbangala. As dificuldades cm se estabelecer
uma relação entre os “Jaga" e os Mbangala são ainda maiores se levarmos em
conta que os Mbangala constituem uma referência histórica, muito mais
assumida do que dcfinitivamcnie explicada.
David Birmingham publicou um artigo, em 1965, ( l27°) em que conside­
rou os Mbangala "refugiados” originários da Lunda, (l271) que sairam do seu

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país após a invasão Luba, (l272) formando um grupo étnico culturalmente
distinto e diferenciado dos "Jaga", um «povo errante». ( ,2T>) opinião que não
era de forma alguma original na medida em que Birmingham se inspirou
muito provavelmente em trabalhos anteriores, como o de H. C. Dedet ( irM)
e o de Baumann. (,275) Num outro trabalho, editado no mesmo ano. Birmin-
gham retomou, em parte, a ideia central de Henrique de Carvalho e de Al­
buquerque Felner ao considerar, desta vez. que o designativo "Jaga" se iden­
tificava com o «o nome pelo qual os Portugueses chamavam habitualmente
aos chefes Mbangala». (I276) Alguns anos mais tarde, o mesmo autor admitia
de novo a especificidade étnica dos “Jaga”, conjecturando que provavelmente
teriam emergido (erupted) «directamente da turbulenta área dos estados Luba.
e que viajaram (sic) (travelled) para a costa atlântica do Kongo. enquanto que
os Mbangala foram indirectamente «postos em movimento» pelas mesmas
mudanças quando atingiram (hit) Luanda». (I277)
Jan Vansina, num artigo publicado um ano depois, ( l27*) expressou a
opinião que os “Jaga" eram originários da Lunda, ou mais provavelmente do
país Luba, (,779) neste caso nada tendo a ver com as etnias homônimas mas
somente com a referência toponímica. (I2*°) Na opinião de Vansina. os "Jaga”.
que tinham «incorporado sempre os outros povos», estavam, no princípio do
século XVII, «divagando um pouco por toda a parte» na região do Alto-
-Kwango. chamando-se a si próprios Mbangala ou Mbongola. sendo, mais
tarde, incorporados pelos Kinguri/Lunda que, por sua vez. «rapidamente
estabeleceram a reputação de serem os genuínos Jaga». ( I2*2) Apesar do
argumento ser muito compacto, julgamos ter correctamente compreendido
que, para Vansina, os “Jaga" e os Kinguri formavam, em princípio, dois
grupos étnicos distintos. O autor conclui posteriormente, que os “Jaga" se
chamaram a si mesmo Mbangala, um grupo étnico culturalmcnte diferencia­
do dos Kinguri, que os incorporaram e se apropriaram do seu nome. ( I2t')
Em 1972, num artigo de Joseph Miller, ( ,2M) o designativo “Jaga" apa­
rece, pela primeira vez entre aspas, o que a nosso ver é elucidativo do signi­
ficado subjectivo que tinha para o autor. Segundo Miller, o termo "Jaga" era
o nome pelo qual os Mbangala, o mesmo que dizer os descendentes dos
Lunda/Kinguri, que tinham invadido a região norte do país Mbundu. ( ,2*’)
eram equivocamentc conhecidos. (,2V’)
Ao fazermos a triagem verificamos que, por um lado, Birmingham e
Miller consideram os Kinguri e os Mbangala como tendo a mesma identidade
étnica. Por outro lado, registamos que, para Birmingham, os "Jaga" não pas­
savam dc um «povo errante», uma identidade culturalmente diferenciada dos
Mbangala. embora tenha admitido, num outro estudo. <12*7) tal como Miller.
que a palavra “Jaga" não era mais que um «nome». Porém, neste ultimo as

157
pecto. a convergência dc opiniões enirc os dois autores é apenas aparente.
Enquanto que para Birmmgham. "Jaga" era o «nome» que os Portugueses
cham avam aos «chefes Mhangala». para Millcr os Jaga" eram os "Jago’', um
«nome», pelo qual «equivocamentc» sc chamava aos Mhangala cm geral.
A controversa discussão, embora menos divergente do que se possa even­
tualm ente pensar, sobre a identificação dos “Jaga"/Mbangula/Kinguri. conti­
nuou a ser abordada de forma particularmenie profícua numa sucessão de
trabalhos cujos títulos são. por si só. bastante sugestivos.
Joseph M illcr escreveu um extenso c lapidar artigo em 1973. (,IM)
R equtem fo r the “J a g a " . com a deliberada intenção de banir, de uma v e/ para
sem pre a noção de "Jaga" da historiografia da região com o sinônimo dc uma
entidade etno-cultural definida. Este artigo foi entusiasticamente interpretado
por John Thom ton. ( ,ÍW) que num outro trabalho. A Resurrection fo r lhe Jaga,
em itiu a opinião, talvez injusta, que Miller tcria ido «um pouco longe demais
em rem over os “Jaga" da história do Kongo», (l-'gn) artigo que mereceu uma
resposta de M iller no m esm o número da revista que significativamcntc se
intitulou Thanatopsis, ( ,NI) encerrando-se o debate com um outro artigo,
tam bém na m esm a revista, que saiu dois anos depois e que. subscrito por Bon-
tinck. se intitulou Un Mau.solée pour les Jaga.
Segundo M iller. os “Jaga". que «provavelmente nunca existiram da forma
co m o tènt sido descritos». ( ,N') não passaram dc um mito criado pela iniu-
ginação dos Europeus, esclavagistas. m issionários e oficiais que. com a cum ­
plicidade de algum as autoridades Africanas, engendraram o mito para justi­
ficarem as suas actividadcs m enos legais na região. ( Ií*4) Por essa razão, diz
o autor, os "Jaga" não deviam dc forma alguma ser confundidos com os
M hangala. que formaram , por sua vez. um subgrupo dos Pende, grupo que
V ansina considera ser oriundo da margem direita do Alto-KwangO, ( IW) c
que no parecer de M illcr resultaram da fragmentação da etnia Mhundu que,
ainda segundo o m esm o autor, constituía, em si mesma, uma vaga e hetero­
gênea entidade clnolinguística. ( IN6)
A esta proposição teórica inflexível, mas m etodologicamcnte inovadora
e engenhosam ente argum entada, opôs-se energicam ente Thom ton. <'-^ l que
sem ler compa*endido os propósitos, aliás c laros de Millcr dc banir a ideia de
“Jaga" enquanto grupo cinicam ente hom ogêneo c não evidentemente os
próprios grupos sociais assim designados, propôs a ressurreição do que
considerou um precipitado c prem aturo réquiem.
No entender de Thom ton. a palavra "Jaga". c curiosamente o autor segue
no texto o exem plo de M iller escrevendo a palavra entre aspas, devia ser
entendida m ais com o um conceito identificando um m odo dc vida. do que a
designação dc um grupo étnico particular. ( ,N*) ideia que estando longe de ser

i5 fi
original, foi posteriormente corroborada por Bontinck ('•"” >c por Hilton. ( ,,nn)
Contrariamente ao que parece ter pretendido. Thom ton nào se afastou funda-
mentalmentc de Millcr, ( IM” ) ao considerar que o vocábulo "Jaga" nào deve
ser conotado com qualquer grupo étnico específico, mas sim com um conjunto
de formações sociais clno-culturalmcntc heterogêneas que. em determ inados
momentos da História, adoplaram circunstancialm cntc certas instituições ki-
lombo. í'*02)
Do debate, cm que as divergências dc opim ào nunca ofuscaram o espírito
ecumênico entre os investigadores da história da região, é neccssáno fazermos
uma segunda triagem. Com este exercício, não pretendem os, dc form a algu­
ma. afirmar resultados definitivos, mas apresentar ccrias propostas teóricas
para a definição do conceito "Jaga":
1. O temio "Jaga" parece estar relacionado com um título dado pelos
Portugueses a certos grupos, com os quais estabeleceram , por vezes, alianças
c, outras vezes, combateram. (,v") Esses grupos não formavam obrigatoria­
mente um grupo étnico ou/e cultural distinto, mas um conjunto de guerreiros
que assimilaram ou adoplaram circunstancialmente um certo tipo dc institui­
ções inequivocamente vocacionadas para fazer face a situações dc guer­
ra. ('*“ ) Este foi, por exemplo, o caso de alguns grupos M bundu. t " 04) de
Wamhu Kalunga e de outras autoridades "Jaga" do Wambu c do Bailun-
du. C *5)
2. Algumas dessas instituições, nomeadamente o kilombo, foram adopta-
das por autoridades que necessitavam de recrutar o maior núm ero possível dc
indivíduos para as fileiras dos seus exércitos. Tal foi o caso da rainha Jinga.
dc Kabuku Ka Ndonga, ( IW7) dos Kinguri, ( |,n*) e de outras autoridades. í ' ” *)
3. Os Mhangala do século XVII formaram provavelm ente grupos
político-militares agregados cm tomo do título Kinguri, que ao longo dos anos
se fragmentaram repetidas vezes. Durante esses anos absorveram indivíduos
e instituições de etnias variadas, com as quais entraram em contacto, sendo
também por sua vez assimilados a outros grupos. ( mo) Os grupos Mhangala
de origem Kinguri. ou qualquer outro grupo que adoptasse o kilombo. eram
genericamente chamados pelos Europeus dc "Jaga". ( " " ) Alguns desses gru­
pos. também designados por "Jaga"/M bangala. C " 2) intervieram no com ércio
c na guerra por conta própria, ou uliados a outras autoridades.
4. O conceito “Jaga", embora nào esteja automaticamente associado a um
grupo étnico específico, poderia, cm certos lugares e m omentos, referir-se a
uma formação social cino-culturalmcntc distinta, que tivesse, circunstancial-
mente, adoptado um certo tipo de instituições, nomedamente o kilombo. (,,,%)
5. À medida cm que os grupos “Jaga" se sedentarizavam, ahandonavum
gradualmente a maneira dc viver c certas manifestações rituais típicas do
kilombo. com aconteceu com Kabuku Ka Ndonga. em 1661. ( ,,M)

159
AS OfS'F.UOtilAS P F RPfiVAS

O conceito dc "sucessão posicionai". lalvc/ explicitado pela primeira ve/


ivr A. I Richards. foi desenvolvido por Jan Vansina, que partindo da
ideia que uma instituição não e somente um mecanismo social integrativo no
seu idioma, mas lambem, e sobretudo, político nos seus propósitos. ( 1"*) criou
um poderoso instrumento leorico. a que chamou «princípio de sucessão po­
sicionai e perpétua» Hmhora ainda não concepluali/ada. a ideia do princípio
de sucessão posicionai e perpétua estã implícita num escrito seisccntista dc
|\o lerqucira («Cartas de Confirmação . »). cuja obra Vansina estudou. ( ,m )
o que vem demonstrar que |ã em pleno século XVII se distinguin entre o
ocupante. sempre efêmero, de uma posição, c a própria posição, titulo ou
cargo (” 'M
l) conceito de sucessão posicionai e perpétua, encerra a ideia de que «um
herdem» adquire não só as ohjectos materiais ou os cargos |x>líticos do seu
antecessor, mas também a sua identidade social», (l" ‘>) o que nos permite es­
tabelecei a distinção entre as estruturas fotmais das genealogias, títulos,
nomes c cargas, e os seus incumbcntes passageiros. Infere também que os
grupos de descendência consistem idealmente. não nos indivíduos em si
mesmos, mas nas posiçócs, cargos e títulos que ocupam. (IUI) () conceito
implica, também que um conjunto inteiro de genealogias jxxlerã não ser
ocupado, se. por exemplo, todos os seus membros falecerem, ra/ão pela qual
algumas linhagens não têm. durante um determinado período. todas as suus
posiçócs ocupadas. (1

(h Mhundu

Para Bauman e Redmh.i, o designativo Mbundu identifica o grupo étnico


Oximbundu dos planaltos do centro e do sul de Angola. (ni<) Segundo os
mesmas autores, deve chamar-se “Ambundos" no grupo étnico, mais ou
menos difeienciado. que habita a norte do planalto de Bcngucln. Redinha diz-
nos que Kimbundu é sinônimo de "Ambundo". que por sua ve/ é o mesmo
que o grupo etno linguístico Kimbundu. t"-'4) c que finalmcnte os Mbundu
são os «Ambundos Kimbundu». ( " :'í sendo os Bondo o mesmo grupo étnico
que os Unibundu-Ovimbundu. Redinha acrescenta também í " 1*) que cm
Luanda se íonnou um outro grupo étnico, os l.uanda. resultado do cru/amento
entrv indivíduos das mais diversas etnias
Para Miller, assim como |xira Childs, Mbundu deve designar o grupo
étnico culturalmenie heterogêneo, constituído por indivíduos que talam o
Kimbundu. enquanto que os Ovimhundu constituem o «grupo do sul», de
língua Umbundu. ( ” " ) Assim com o Redinha. Miller é também de opimdo que
cm l.uandu se formou um grupo com características específicas, mas que a
formaçAo desse grupo, que se devia chamar «Amhundos» ou -l.uandax»,
ficou-se a dever. n<lo ao cruzamento de indivíduos provenientes de diversas
etnias, mas sim ao cruzamento entre «um grande número de indivíduos de
todas as partes do território Mbundu». ( MJV)
Neste trabalho, o termo Mbundu é designativo do grupo ctno-linguístico
que habita imediatamente a norte do planalto de Benguela. e cuja língua é o
Kimbundu. Chamamos Ovimbundu ao grupo etno-linguísbco que habita
o planalto de Benguela c as vastas rcgióes do centro e do sul do actual
território dc Angola, e cuja língua é o Umbundu. Finalmentc, chamamos
Amhundos A formaçAo social que originou da mestiçagem entre diversas
culturas e etnias que habita a regiAo de Luanda, cujo dialecto é tortemente
influenciado pelo Kimbundu. contendo também elementos linguísticos de
outras línguas regionais, e lambem do português.

Os Grupos de Descendência Mbundu

Os grupos de descendência Mbundu. assim como os diversos kandu dos


Muxikongo. podem ser considerados genealogias perpétuas ( ” ") e descritivas
dos grupos corporativos exogdmicos matrilineanes. ('"•’) idealmente formados
por um grupo sênior de adultos c pelos filhos das suas irmds. Cada grupo de
descendência Mbundu. controlava o acesso i) terra. ishi. e aos recursos
econômicos, as reservas de pesca, os produtos florestais. ( " " ) c a distribuição
dos cargos e títulos. (IIM) Sendo a terra propriedade comum das linhagens, o
poder central ndo decidia sobre a sua ocupaçAo ou sobre o seu uso. ( " “ )
Praticava-se uma economia dc rrfríbuiçAo, em que os principais titulares
estavam, mi prática, totalmente separados da produçAo material. ( ,,w*|
A posição de chefe de um grupo dc descendência. ( " ’7>era norm alm ente
ocupado pelo indivíduo do sexo masculino mais idoso, que tinha a ohrigaçA o
de presidir a um certo número de rituais realizados no sentido de favorecerem
o bein-estar do grupo, e responderem, de forma adequada. As lensóes e nnsie-
dades sociais. Considerado mediador entre os vivos e os antepassados, «q u e
coleclivamcnte representavam a dimensflo espiritual dc cada título». o
chefe de um grupo de descendência usava o pemha. pó branco sagrado, p a ra
assegurar a fertilidade das mulheres e a repnxtuçdo do grupo, e a lak u la. p ó
encarnado, igualmcnte sagrado, utilizado nos rituais m asculinos. < " M) E ra
assistido por um Conselho de ancidox. estando a sua autoridade nssoc ioda à

Ifil
(9f

ou 'e|oá|q-Bip-Bpunz e ouiosoá o jexpp op ruijoj eu eAeupoui unsnj\ e|oáfvj


oçjes - oí)|ij » lunquou joi oçu jod o 'opepi cpeiueipe e opeSoiQ —
opeisiãoj ioj oçu ..oiuou,, ofno ‘ejjno euin o eioSfq-ejp-equinj.
siodop •*|o3 (q-B|p epun^ ojpuiud >seqiy» sou uiejooseu oçiun cisoq —
(ttri)
op Buop.. no ..ejoquos opucjã,, BARuâisop onb ‘ououj-eueâu op o|niji o
nopoouoo luonh e ciun «seuiqnouoo» sens se ojiuo equy unsn^-e|o2JN —
(io i) uipqiexios-.ioj.. efos no 'unsnpy|-c|oãN jod os-jcuSjsop e opues
-sed K|oáu o|mii o oqi-opuuojuoo 'j o í ,. ou-tuejeiuB|OOjd oSuopN op seqos
«o onb '|i;j3!i eui uso e bjioucui |R) op nooojoiu opepisojouoá cns y —
■sojjau.mri a sojopeòeo so|od sopcpojde
oiuoujieioodso uicjoj onb soyjsuoin 'seios o seoej ‘sequipeqoeui sopeqoeuj
opueouqrj 'opejop ojuoiuieuoiodooxo ojiojjoj uinu os-opueoioi opepupip
euin jod eiãiniciouj ep ouc eu opiznpojiuj ioj npunqj\ sopip sop uip) —
oâuo>j
op ouioj o|od oeòexouc ens e noiypej onb o 'sojoqo sosjOAjp op opepuoine
e qos ouçiuuo] uin einjosuo.s oáuopN o ‘epeuiuuoiopui eoodp euinN —
:soiu3iupo)uooe op uiopjo oiumãos e cjspoj
r/z e se j op oie|Oi op oçsjoa e 'oixoi o jibjj opniuoo ujos opuuunsoH
Mesi|eue bssojoiui
sou onb ‘sooiâpioopi so oçu o 'oçòoe ens np sooiiçuiãejd sopodse so oe$
npunqj\ opeiso op oeòeuuoj cp CAjiexieu nudyjd eu oiuosu; çiso ‘npunqp^
oçu onb sieioos soytoiujoj sejino op o oabjoso op OAispop |oded o onb soiiubji
-suouiop op opuuos ou uieioj soytadnoooid sessou se 'icpuosso op souijejiqns
oiuoui|eniuoAO onb op sajopoqcs oipuoiui essou e esso ioj oçu se(\
eoiupáoujso.-Hiioos e{ão|ojjoui ens eu sotaiejiouod ejniuoAJod o pnoos
uiopjo ep oe5eiue|duu ep soiepj soJino 'soiubijba sejjno JRjnoojd soiueuopod
onb ojjoo j jozip op souirqcnc onb o uioo uipquiei o oçido eydyjd essou
e uioi os-opuojd oçzbj epunãos y soiububa sens sep oiunfuoo uin p opui
ujn 'opiqes oiuoiuefoqos p onb o ‘uioquiei ouioo opepinui ;oj ys oçu onb siod
oiuooefqns eião|oopi euin op opepi|iq{So|0)U{ e *oiuouiepe|os; o ‘souisoiu is
jod ujeiiuujod onb soiuoiuop ujo oou ojuouioiuopyns p oçu oir |oj o onbjod
ojiouíij^ soo/ bj senp jod oisi 3 osjnosip oudyjd oe soiuojou; sonjãyioop;
soiuouiepunj so jesi|eue op inbe euui os oçjq baubjubu eydyjd eu essojdxo
oiuoiueooAinhoui jcjso souieiipojoe onb ‘soacjoso sop epueuodiu; e ojojoj
os onb ou npunq^ piaos bi 3o |ojjouj ep ..spAjsp,, sopodse sunã|e jooojed
subji exiop ep onb op oç.V}iauo:> e iuoo caiicjjbu e cpepoi souiRAJOsqo
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equq sejino se ojqos eiuoujoSoq ens e oiuouico;Wo|oop! jeiui|ii?o| ejed oiuoiu
pAissod opessed oijdyjd nos oe oç.^epj iuo ujo^equ|| ep eouiupoouio opnine
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SÇ SOJUOOUOJJOd S9JO|nOO|J31Uj Op SpABJJB oãuopN Op UlOâlJO Bp OJB|3J Op
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O lUBUOjOOOpS S9Z0A SBJinUI 'SOJOJBpj SO onb SOU-Opu;UOApB ‘SjBJO SOOÒipBJJ
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-lAIJOOÍqü Bp JOABJ UIO BUOqE OÇU 31U3lU|BJn)EU onb O ‘ESSOJUOO oijdpjd 3|3
ouioo ‘BquiAuoo oq| onb o opBiEpj joj jod uioquiBj sbui ‘noAJOsqo onb o oiuoiu
-bijos oppjoisip joj çs oçu oquiqondB3 op ojobj o|od sBpiosojoB osso ojsou
oçs |Bjo oçòipBjj Bp sojBpj sob uiBjUBAO| os onb oçÒBjojdiojui op sopBpinoijip
s y iz7Babj jod opiqioooj ioj ‘npunqj\ so ojjuo B|oãu-B-BiSo|Bouoã Bp uioâuo
b ojqos unsni\-B|oãfyj Bo;ão|oiio Rjnâij Bp Bouçjsiq Bpuoáoi Bp ojb| oj o

u>nni\-nn>X\ jp p juçisfH np ujlij j y

(w l ) OlOJpUlOO op sojuoptiodop OJUOUl


•BOIUJOUOOO O ‘|BUOIOE|ndod OpBpiSUOp BpBAOp SIBUI op SBOJÇ SBU |B|OOS oçò
-Bjouojojip joibiu Bujn BiAouiojd ‘sjBjnj sBAijnpojd sBUBiiunuioo sRjninjjso sb
opuojUBiu ‘onb ooiji|od biuojsis uin op ojuouiia| oauosop o uioquiEi noAijuooui
( t « |) ‘0>!P ,:lun 3P SOBUI SBU SOpBJJUOOUOO U13JB0IJ SOinpOjd SUná|B BJBd EIO
-uopuoi B OS-OpUBOIJUOA ‘|B|OOS OpBp|BnS(SOp B BJBd ninqiJJUOO — SBIJJOUJjSSE
sb ojuouqBnpBjrf jBnjuoOB ob onb ‘oxn| op SBuopBojoui op oiojouioo q
Bijçjiunuioo oçònpojd op sOAURJodooo sodiuá
IUO UpEZIUBiijO O BUlSOdlUEO OJUOU1BIJBJIJOIBUI OÇÒEpdod BUin UlBABUIUIOp
onb 'SBsojopod sibui suoSnquq sç UiBiououod ‘soisoduii so uibabioo| oo onb
‘sojoqo s o oçí»B|ndod np oq|BqBjj op oinpojd o ojqos sojsodun op oç.Sisoduu b
IBpuosso ojnqujB ouioo squij 'sopsuipjoqns soupjujoj iuo opucmoe ibjiuoo
OpBpUOinB V (,M|) SUOáBqUI| SBSJOAip SB OJIUOOB.*>BJ0d(>O3 B OUIOO IUISSB Opltp
-lunuioo nu sonpjAipui sop oçòrjSojui b iubiiubjbj? mouopuoosop op soduiá
so ‘oSuo)pxn|\ so BJBd BpuB-i ou ouioo |B| ‘npunq^ so BJBd ‘oiuoui|eop|
(Cn .) '* soP
-BssndojuB sop oj|no op uiouopoxo jod Eiuiqd b» (IMI) ‘Bpcjites ojoajb
Biun Bpnjopisuoo uipqumi bjo uqiuo|nui u ‘o/wqoqoj. so ojjuj (llt1l) nquiopiui
que era exortado por um escravo, «a cuja esperteza devia cm parte a sua
exaltado e. por isso, tinha-o recompensado, nomeando-o vice-rei».
— «Um dia. enquanto Zunda-dia-Ngola estava fora de Kabasa, na função
de lançar solcncmente as pnmciras sementes nas lavras, o escravo vice-rei, de
acordo com alguns dos seus amigos, levantou um grande alarido e espalhou
o boato de que os inimigos do "rei" haviam já chegado para o matar. Todos
fugiram, e ele pode concr a casa de Ngola-Musuri, que. por nào poder fugir,
devido à sua idade avançada, lhe suplicou que o salvasse. Entào, o escravo
vice-rei. carregando o anciào pelas costas, levou-o para a mata, onde, fora da
vista de todos o matou com uma facada». ('"*)
— Apesar de levantar suspeitas, ninguém fez averiguações sobre a morte
de Ngola-Musun. c o escravo vice-rei usurpou as insígnias de “rei” propondo
a Zunda-dia-Ngola que ele ficasse a governar o “reino” para que este não
caísse na anarquia, argumentando que só ele tinha conhecimento dos segredos
do governo e que o conservaria para ela. «pois todos a consideravam como
legítima herdeira e senhora».
— O escravo “vice-rei" foi acometido de morte repentina e «Zunda eleita
sua sucessora».
— Zunda-dia-Ngola ganhou a estima dos seus súbditos mas. quando
“envelheceu", sem ter “filhos", receou que sua “irmã” Tumba-dia-Ngola,
“casada" com Ngola-Kilwanji-Kisama. lhe disputasse o poder em favor dos
seus dois “filhos". Desconfiada que os seus "sobrinhos” atentassem contra a
sua vida «quis precaver-se eliminando-os».
— Zunda pediu a Tumba que lhe enviasse os “sobrinhos" à corte para que
se iniciassem nos segredos do governo. Depois de diversas recusas, e a pedido
de Tumba. Ngola-Kilwanji-Kisama enviou um dos “filhos" a Zunda-dia-
-Ngola, que, mal chegado, foi assassinado na presença da “tia". A mesma
sorte tiveram os seus "companheiros", com a excepção de “um” que, embora
ferido, conseguiu fugir, e levar a terrível notícia aos “pais". (I356)
— Tumba e o "marido” invadiram a “corte” e Zunda, abandonada por
todos, foi então “assassinada" pela “irmã", sendo o seu “cadáver” depositado
no mesmo lugar em que estava o do "sobrinho".
— Tunda foi proclamada “rainha", oferecendo o governo a seu “marido",
que recusou, argumentando estar satisfeito em ser o seu mulumi, favorito, «e
de a servir como escravo, por só ela merecer a dignidade suprema». Como
Tumba insistisse, concordaram ambos que o “filho", Ngola-Kilwanji-Kiasam-
ba fosse «eleito rei», o que aconteceu. Ngola-Kilwanji-Kiasamba teve nume­
rosas “concubinas" cujos "descendentes” foram os titulares das principais
linhagens Mbundu.
— De Nadi-a-Ngola descendeu Nadi-a-Kilwanji, "o" primeiro ocupante
do título ngola-a-ari, genealogia que, em 1626, por iniciativa dos Portugueses,

164
proclamou um dos seus titulares “rei" do Ndongo, «a despeito de Jinga. ver­
dadeira e legítima soberana». (I,5T)
— (X* Kanika-Kilwanji descendeu a genealogia Ngola-Kanini, titulares
do sobado de Mbaka.
— Dc Mwenga-Kilwanji descendeu a linhagem com o mesmo nome de
uma outra, Mwanga-Kilwanji, «cujos» titulares e-am as principais autoridades
dc uma região situada a «duas jornadas de Mbaka». ( ,M*)
— Ndambi-a-Ngola. “soberano" déspota e “filho" mais querido de Ngola
Kilwanji Kiasamba. foi o "seu” sucessor. Matou touos os seus "irmãos", com
a cxccpção de dois. “Um" refugiou-se no Líbolo, e o “outro” numa «região
afastada da Matamba». As cerimônias fúnebres que se seguiram à “sua morte”
foram acompanhadas de numerosos sacrifícios humanos.
— O “seu” sucessor foi Ngola-Kilwanji, rei militar que «correu as mar­
gens do Dande, do Zenza, do Lukala e do Kwanza. tingindo de sangue os nos
e os campos. Chegou até 8 léguas de Luanda, onde. como troféu das suas con­
quistas. plantou uma árvore» na ilha da Ensandeira, no rio Kwanza. O “seu”
poder era sagrado, provindo daí o «costume de uma certa seita de xinguiila
dc o venerar ainda hoje como ídolo, com o poder de fazer cair chuva ou de
afastar a chuva». (,w ) Morreu sem deixar filhos.
— O novo titular a-ngola foi Jinga-Ngola-Kilombo-Kikascnda. "filho" de
Ngola-Kilwanji-Kindambi, “bisneto” de Ngola-a-Kilwanji-Kiasamba. Subme­
teu a região do Aire. (I5é0) As cerimônias fúnebres do "corpo” foram acompa­
nhadas também de sacrifícios humanos.
— Sucedeu-lhe seu “filho" único Mbandi-a-Ngola-Kilwanji que gover­
nou como um déspota. Para fazer face aos "Jaga" e aos súbditos descontentes,
pediu ajuda ao ntotela que lhe enviou um exército que integrava alguns Por­
tugueses, sob o comando de Paulo Dias de Novais. C*61) "Morreu" assassina­
do por membros do seu exército, nas margens do Lukala. Deixou cinco
“filhos". O primeiro era “filho" de uma “mulher adúltera", e os restantes
quatro, Ngola-Mbandi, Jinga, Funji e Kambo, (,JM) “nasceram" da sua união
com uma escrava. Guenguela-Kakombe, natural de Ndambi-a-Ebo. Ngola-
Mbandi "sucedeu" a Mbandi-a-Ngola-Kilwanji. Teve muitos “filhos", um
dos quais, o "sucessor", foi entregue ao chefe “Jaga" Kaza, pouco antes da
sua “morte". (I34J)
— Jinga “sucedeu" a seu “irmão" Ngola-Mbandi como ocupante do título
Ngola-a-Kilwanji, embora a sua soberania fosse exercida, mais tarde, no
estado vizinho da Matamba. (I1M)
O historiador Joseph Miller ensaiou uma interpretação da legenda
histórica de Ngola-Musuri, (l3M). em que. pela primeira vez. chama a atenção
para alguns aspectos da estrutura social e política dos Mbundu. Segundo

165
Miller. Ngola-Musuri, «equivalente» a Ngola-lnene, ( IWA) representava o
«princípio abstracto de organização política baseado no ngola», a «genealogia
ctiologica básica Mbundu», ("'*7) sendo de opinião, que Ngola-lncne não era
«mais do que uma referência distorcida de um outro qualquer título honorífico
pertencente a Musuri». ( |IM)
Miller diz ainda que Zunda-dia-Ngola era o nome de um antepassado
lendário das linhagens Mbundu do norte, ("*') que viviam no Médio-Luka-
la. (n7n) acrescentando que Tunda-dia-Ngola não representava mais do que
um antepassado etiológico dos povos Lcnge do Baixo-Lukala, (” 71) as linha­
gens Mbundu do “centro" (sic).
Embora reconhecendo que a afirmação de Miller é insuficiente para nos
esclarecer sobre os fundamentos das suas próprias conclusões, de que parece
estar seguro, nós também admitimos como provável que as personagens
poderão ser forjadas pela própria narrativa, o que, longe de resolver qualquer
problema, nos coloca irredutivclmentc perante outro.
O que é que nos leva a acreditar (os “casamentos” nestas genealogias
significam a reivindicação de um título por uma linhagem ou por um grupo
de linhagem), que «o casamento de Tumba a Ngola com Ngola a Kilwanji,
c a sua eventual vitória sobre os Mbundu do norte do Lukala, descreve as
batalhas nas quais os Mbundu do sul usurparam (wrested) o poder de Kilwanji
Kya Samba e formaram um novo centro de poder político baseado no Baixo-
Lukala»? Será que Kilwanji Kya Samba lerá realmente existido, ou
trata-se de uma figura etiológica forjada pelo mito?
Parece-nos que Miller terá de certo modo passado ao lado do próprio
texto, ao mesmo tempo que não questionou a validade de certas fontes, entre
as quais a sofismática documentação do cartório do colégio da Companhia de
Jesus em Luanda. Por outro lado. o autor parece confundir os Mbundu com
a genealogia política a-ngola, pois não eram os Mbundu que tinham «a técnica
de indigitar novas posições perpétuas atribuindo o título "filho/a”» às novas
linhagens que integravam, mas sim os titulares a-ngola. que de forma alguma
eram a única genealogia política Mbundu!
A «técnica» de que Miller nos fala era aliás corrente entre todas as prin­
cipais genealogias políticas da África Central ocidental. Miller tem contudo
toda a razão quando nos diz que a terminologia a que nos referimos revelava
obviamente uma relação política, e não biológica, (M7‘*) ou seja ela era de
natureza metafórica. Veremos como este aspecto é fundamental para a
compreensão das questões que se colocarão a propósito da rainha Jinga.
O ngola. designação do principal titular do Ndongo. era considerado
ommpotcnte. o mais poderoso e o único senhor a quem os seus súbditos
deviam obedecer. ( ,,w) estando, em princípio, todas as outras posições subor-

166
dinadas à sua autoridade. (M7‘) Um indivíduo não integrado num grupo de
descendência da genealogia a-ngola não podia naturalm ente reivindicar
qualquer afinidade, mesmo que remota, com qualquer linhagem . ( |,TT) e n ­
quanto que do ponto de vista dos grupos de descendência, todo o indivíduo
sem estatuto, ou seja sem linhagem, era considerado escravo. C 57*)
O facto do escravo estar na narrativa histórica da fundação do estado
Ndongo intimamente associado ao herói-civilizador, portador de um a nova
ideologia, de uma ordem social e de uma tecnologia revolucionária, assinala
a estreita relação entre a realeza e os escravos, grupo de “ inferior" estatuto,
aparentemente sem qualquer relação com a instituição do poder. O próprio
estatuto de “vice-rei", eminentemente transitório, é tam bém significativo da
importância que ele próprio assume no período de transição entre a “m orte"
do soberano e a “sucessão" de um outro, em que ele é o garante da m anu­
tenção da ordem e dos valores essenciais que permitem operar a transição. Se
o estatuto d e “vice-rei" reflecte o reconhecimento do papel fundamental que
o escravo desempenha no mito, o carácter efêm ero da sua representação é sim ­
bolicamente expresso na alusão à sua “morte" repentina, e cuja explicação se
encontra no próprio contexto de medição em que a personagem se sublima,
uma vez restaurada a ordem e assegurada a continuidade. ( I57,>
Enquanto que o discurso sobre o poder nos revela o profundo significado
do escravo na estrutura sociocosmogónica do mito de fundação da genealogia
a-ngola. fora do plano ideológico das representações sim bólicas a sua im por­
tância é igualmcnte inequívoca.
Os escravos tinham uma importância decisiva em contextos socio-
políticos em que o poder efcctivo dependia, cm larga medida, do núm ero de
indivíduos que uma linhagem podia assimilar. O recrutam ento de escravos era
feito através da compra directa, C’*0) através de m ecanismos políticos de
integração situados fora das normas-padrão dos grupos de descendência,
como foi o caso do sistema classificatório de parentesco. ( IWI)
Provavelmente com a intenção de pôr cm relevo a com plem entaridade
entre os grupos de descendência (“rei", poder) e as alianças extragrupos de
descendência (escravos, estrangeiros), o papel do escravo na legenda histórica
de Ngola-Musuri, tal como num mito conguês da formação do estado. ( ,WJ)
é ultradimensionado. Porém, se a relação "rci”/“vicc-rci", claramente expres­
sa no discurso, conoia a dicotomia, (1'*') ela sublinha também, de forma trans­
parente. a complementaridade entre os seus termos.

167
REFERÊNCIAS

( '“") Vansma 1966a. 27.


("'•’) Hillon 1983. 190/ Gonçalves 1980. 10.
(" ''I Gonçalves 1983. 19 20/ Gonçalves 1980. 13.
(" ,}>Gonçalves 1985. 19
(" ” ) Hillon 1983. 194.
("") Thomlon 1986. 328.
I" ” ) Thorruon 1986. 328
("'*) Neste trabalho optámos pelo uso rio termo ntolcla em detnmento do tão vulgarizado
termo mani O vocábulo mam. embora usado na maiona das fontes da época (Cava//i I. 15/ His­
toria do Reino do Congo. 18/ Jadin II. 1159». e nos trabalhos de alguns historiadores (Ekholm
1972. 12-13/ Thomlon 1983. 21/ l.cgu//ano in Cavar/i I. 222 nt 22/ Mair 1977. 10-11/ Hilton
1981. 191. 197/ Hillon 1983. 194-196. 201/Hilton 1985. XI. 33. 35. 41/ Millcr 1973. 140-149).
parece nâo ser um vocábulo kikongoou kimbundu (Delgado. J M. m Cadomega 1. 522 nt 1.616-
-617/ Heint/e 1985. 121-122.
Alguns especialistas consideram o vocábulo mam sinônimo da palavra kimbundu ntwene
(Matta 1893. 91/ Thomlon 1983. XXI. Heint/c 1985. 121). restando saber se o lermo mam é ou
náo um neologismo Brásio e Cerqucira inferem que o vocábulo mani é uma deformação de
rnwenc (Brásio in História do Remo do Congo. 43 nt 3/ Brásio II, 256/ Cerqucira 1947, 17-18).
Numa caria atribuída a Mhemba-a-.Nzinga. datada de 5 de Outubro de 1514. o soberano de
Mhan/a Kongo pedia ao rei de Ponugal para que escrevesse uma carta a «moyne bata dom Jorge
e outra a moine panguo». lidos como principais senhores do Kongo Aqui o vocábulo -moyne» é
claramcnte uma distorção de mwcnw (Manso 1877. 30). Enquanto que mani aparece no kikongo.
na forma composta de inamputu. como sinônimo de "imperador ", soberano" e "governador"
(Maia 1963. 327. 346. 581). c de "senhor", na forma composta de mammwala (Maia 1963. 567).
o vocábulo ntolcla. assim como os vocábulos kikongo. ntinu, nfumu. nkuluntu c ndembu. são
sinônimos de "imperador" c de "rei" (Vansma 1963. 35 nt 8/ Maia 1963. .346. 534/ Cerqucira
1947. 18/Gonçalves 1985, 131. 228)
Por sua ver. o vocábulo ntinu. que é insuspcitadamcnte de origem lixai, pode ser tradu/ido
por "rei", "senhor”, "monarca", "soberano", “imperador” c "governador" (Maia 1963, 327. 346.
428. 534. 567-568. 581). Nutinu aparece como sinônimo de "soberania (Maia 1963. 581/ Gon­
çalves 1985. 228).
Na História do Remo do Congo, pode ler-se que ntinu se tomou no titulo «honroso e dc
excelência» dos -reis* do «Mani-Congo». vocábulo que denvou. segundo a mesma fonte, dc

I6H
Motino-Bcne (Nlinu Wcnw). fundador lendário do Kongo (História do Reino do Congo. 43 e n(
3/ C ava//i I. 230).
Tola' significa aproximadamente o mesmo que o verbo unirem português, enquanto que os
vocábulos antecedidos da partícula "nc". conotam. por sua v e/, tflulos políticos (Barroso, in
BSGL. 1X89/ Areia 1983. 45/ BSGL. n.° 3 c 4. 8 • sr. 55/ BSGL. n " 9 . 32.* sr. 309. 325) Brásio
informa-nos que Mhan/a Kongo, era conhecida pelos Muxikongo pelo nome dc Mhan/a Kongo
dia nlotcla, ou seja. o mesmo que Cidade do Rei do Kongo. (Brásio in História do Reino do Congo.
61 nt I ). Neste trabalho, optámos, também, pela utíli/açâo do vocábulo ittolela (Gonçalves 1980.
53. 55. 60. 64. 67. 68. 69. 8 5 /Gonçalves 1985. 47. 50. 61 nt 13. 122-123. 125-126. 228/ Maia
1963, 567/ BSGL. n." 9. 32.* sr. 309). como sinônimo dc "nianicongo". "rei" e "chefe supremo"
Fm ve/ do vocábulo mani usamos a expressáo "primeiro titular". Assim, por exemplo, o título
manisoio será por nós designado pela expressão primeiro titular do Nsoyo.
,("” ) Vansma 1963a. 37
<"’•> Vansina 1963a. 330.
(" " ) Htlton 1983. 194
<"•) Hilton 1983. 194.
<"") Htlton 1983. 192/Gonçalves 1980. 6 / Gonçalves 1985. 19.
(" ” ) Hilton 1983, 193
<"*') Hilton 1983. 193. 199-200
(" " (v e r Vansina 1966a. 2 6 /Fox 107-110.
("**) Balandier 1965. 95/ Vansina 1963a, 35.
("**) Hilton 1983. 2 0 4 /Gonçalves. 159.
(""(H ilton 1983. 194-195/ Thomlon 1983.48.
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C-”*) Jadtn II. 1153.
('*■’) Thomton 1983. 17. 59.
('* ’) Thomlon 1983.57
('•'"( Jadin II. 1153/ Thomton 1983, 58.
(,3n'( Thomton 1983.67.
C '™') Thomton 198.3.67
C5’’) Thomlon 1983. 107.
Thomton 1983. 107
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('"'iC h tld s 1949. I7X
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<■” *>Cavaz/i I. 179.
( v) Cava/zi I. 1X0. 18.3. 185. 204 217.
C!") Cava/zi I. 178
('•’”) Miller 1976. 165.
I'"(C av a/zi I. 1X2. 185.
l ’!ul Cavaz/i I. IXI
C'") Miller 1962. 161-162. 170
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("• (M ille r 1976. 158-159. 198.
C’*") Miller 1972. 562. 567/ Miller 1976. 161. 226. 228. 231.
('•■“ I Miller 1976. 167 168
<'” •') Miller 1976. 170
("*') ver Kcnl. 1975
('•'**) Miller 1976. 168
C1**) Cava/zi I. 259/Cadomcga I. 130-135, 146, 148, 152. 154-174/ 1-cgu/z.ano in Cavaz/i
II. 77 nl 155/ver lambém Miller. 1976. 152-153 nl 6.
C:») Heinl/e 19X5. 256
('•'*’) Cavaz/i I. 1X9/ Cava/zi II. 70-71.
(I!“ | Cava//i I. 182/ Miller 1975, 209/ Miller 1976. 220/ Cava/zi II. 198-199
(’•") Miller 1976. 220
(''•") mCavazzi II. 331/ AHU 1-40/ AHU. 1-105/AHU. 2-79/ AHU. 2 -1 0 4 /Jadin I. 159.
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C” 1) Vansina 1966, 421/ Lcgu//ano in Cava/.zi I. 243 nl 50/ Miller 1973. 121/ Delgado I.
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(m’| Wrigley 1974. 134
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170
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171
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( ” ’i Miller 1976, 45-46/ Godelicr 1972. 150. 160/ Bisson. 345-347.
<",:í Millcr 1976. 46
( " :'í Bauman/Wcstcrmann. 1 9 4 8 /Redinha. 39.
I,,M) Redinha. 33.
("•'l Redinha 1*462. 5.
<"*l Redinha 1962. 5.
Redinha 1962. 7.
( ’••) Miller 1976. 38. 40/ Childs 1964. 376 nt I. 368.
t '’1") Miller 1976. 42
(" " ) ver Hcint/c 1984. 11.
!'•"íM iller 1976. 46/H ilton 1983. 190.
( " ,,l Millcr 1976. 43/ Hillon 1983. 1 9 0 /H eint/e 1984. II
Miller 1976.44
C"4) Este modelo é baseado nos dados fornecidos pela tradirão oral recolhida por Miller i «m
anos I960s entre os Mbundu do leste, e não deverá ser g en crali/ad o a outras regtrtcs
Mhundu. a não ser com extrema reserva. C om o Bcatrix H cin l/e nos com unicou pes-
soalmenle não existe, infeli/mente. inform arão detalhada sobre este assunto nas fo< es
escritas da época, o que veio aliás a corroborar a nossa opinião.
( '’•’) Miller 1975. 202.
( " “ (Thomton 1986. 327/ Thomton 1983, 3 7 /Cicxlclicr 1972. 168.
(•••’» Millcr 1976. 53.
Millet 1976. 46-47/ Millcr 1977. 208 210.
("*•) Miller 1976. 48/ BSGL n.“ 7. série 4. 341/ Areia 1983. 42 e nt 4 2 / Areia 1985. 33. 59.
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(“") Areia 1985. .353. 363. 394.
('••-, Areia 1985. 395-396
( '“ ') Miller 1976, 49
(''**) Bisson 1986. 344.
(""(C av az/i I. 40.
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172
('***) ver C avaz/i I, 229-230.
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Ranger. 1968/Culturcs Through Tim e in Narrol-Cohen. 1970/ O n ce uprm a Tm ae O r a l
Tradition as History in África 1971. entre outro* trabalho*
<"*) Vansina 1978. 322/ ver Hcusch 1982. 354-363 e Vansina 19*3. 340-343
("*') Lívi-Strauss 1985.* 4 4 / ver tam bém Gonçalves 1985. 1 7 /H e im /z. 1987
( ,,,:) Cavazzi I. 253.
( " ” ) Cavazzi I. 254.
C "4) Cavazzi I. 254.
Cavazzi I. 254.
( '”•) Cavazzi I. 254.
Cavazzi I. 254-255.
( '”•) Cavazzi I. 256.
C***) Cavazzi I. 256
("*") Cavazzi I, 256.
("»') Cavazzi I. 257.
(" “ ) Cavazzi I. 256/ ver l>eguzzano tn C avazzi I. 257 nt 81.
(" « ) Cavazzi I. 258.
C ’*4) Cavazzi I. 258.
("•») Cavazzi I. 259.
( " “ ) M iller 1976.
(" -^ M illc r 1976. 75. 85.
<"•*> M iller 1976. 74.
( ' “*) M iller 1976. 75.
( ” *) M iller 1976, 79.
<” '•) M iller 1976. 76.
M iller 1976. 76.
M iller 1976. 79.
('"*) M iller 1976. 76.
llrásio III. 129-142. especialm ente 1.34. 198-207. 320
( " ’*) Hilton 1985. II
C ” ) Brdsto III. 266.
<•”*» M iller 1977. 205-211.
<'"*) Entre diversos povos dc África os escravos ocupam pnsiçxVs-ctMve na «xlexJade. de­
sempenhando funçAes im portantes nos ntuais. com o por exem plo no Rs» anda i Magoes
1954. 117). e mais rxem plarm ente. entre os N ium i. guc elegem um escravo exano rex.
no período de transição entre a morte do soberano e a eieiçfto de outro (M arklut. 1984».
219
<"*> M iller 1976. 48. 53. 59-63. 67. 128/ Milton 1985. 67. 78. 85. 103/ ver O Kanda
('* •) Miller 1975. 204/ ver O Kanda
(" “ ) Heusch 1972. 130.
í ”**» Areia 1983. 27-28 nt I