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LIA SAGRADA

BÍBLIA SAGBADA
TRADUZIDA DA VüLG ATA E ANOTADA
PELO PE. MATOS SOARES

9«* EDIÇÃO

EDIÇÕES PAU LIN AS


Níhíl obstat Im primatur
Porto, 30 de Junho de 1933 Porto, 2 de Junho de 1933
Cônego J. Santos f Antônio Augusto,
Bispo do Porto

Ex parte Piae Societatis S. Paulí, Beimprimatur


nihil obstat quominus imprimatur São Paulo, 30-6-1955
Sti. Pauli in Brasília, 8-12-1955 f PAULO, Bispo Auxiliar
P. Joannes Roatta, S.S.P.

Impresso na T ipografia da P ia Sociedade de São Paulo


R ua M ajo r M aragliáno, 241 — SAO PAULO — Brasil
SECRETERIA Dl STATO
Dl SUA SANTITÀ

D A L VATIC AN O , 23 Settembre 1932.


Rev.mo Padre,

Ho il piacere di assicurare alia P. V. Rev.ma che il Santo Padre hà


ricevuto i volumi delia Sacra Bibbia da Lei tradotta, e La ringrazia viva­
mente dei filiale omaggio.
Nel compiacersi di cosí utile fatica la Santità Sua si degna formar voti
per Fatività intelletuale e religiosa della P. V.; e mentre Le invoca dal
Signore gli opportuni aiuti, Le invia di cuore, in segno de paterna benevo-
lenza, 1’Apostolica Benedizione.
Mi permetto di aggiungere qui 1’espressione del mio animo grato per
la copia destinata a me, e mi valgo volentieri delrincontro per confermarmi
con sensi di sincera e distinta stima.
Della P. V. Rev.ma
aff.mo nel Signore
E. Gard. Pacélli

SECRETARIA DE ESTADO
DE SUA SANTIDADE

VATIC AN O , 23 de Setembro de 1932


Rev.mo Padre,

Tenho a satisfação de notificar a V. que o Santo Padre recebeu os


volumes da Bíblia Sagrada, traduzida por V., e agradece-lhe vivamente
esta homenagem filial.
Comprazendo-se com tão útil trabalho, Sua Santidade digna-se fazer
votos pela atividade intelectual e religiosa de V., e, pedindo ao Senhor todos
os auxílios oportunos, envia-lhe de coração, como prova de paternal bene­
volência a Bênção Apostólica.
Permito-me acrescentar a expressão do meu agradecimento pelo exem­
plar destinado a mim, e aproveito de bom grado a oportunidade para me
subscrever com sentimentos de sincera e distinta estima.
De V.
afetuosíssimo no Senhor
E. Gard. Pacelli
ü
bÉGRtTERIA Dl STATO DAL VATICANO, 4 Magglo 1957
Dl SUA SANTI1 A

N°. 5999Mt
Rev.mo Signore

E* pervenuto a11*Augusto Pontefice i l . volume delia


Sacra Bibbia in lingua portoghese, che la Signoria Vo=
stra Rev.ma ha voluto devotamente u m iliarG li.
Sua Santità conosce 1 'a t t iv it à e d ito ria le delia
Pia Società San Paolo in Brasile, ma n ello stesso tem=
po non ignora i crescenti bisogni per la formazione re
lig io s a in cotesta grande Nazione, nella quale la avita
fede ca tto lic a , tra l fa ltro , deve fa r fronte a i molte=
p lic i attacohi delia eresia e d ell*e rro re .
E g ll pertanto fa v o ti, perchè prosperi sempre meglio
la propaganda delia buona stampa e Si augura che i l pre-
zioso volume, che mette la Parola di Dio a lia portata dei
c a t t o lic i b ra s ilia n i, abbia la piú larga diffusion e.
Infine i l Santo Padre, ringraziandoLa per i l devoto
omaggio, invia di cuore a Lei ed a i suoi collaboratori
una particolare Benedizione, pegno ed auspicio dei cele=
s t i fa v o ri.
Con sensi di re lig io s a stima mi confermo
delia Signoria Vostra Rev.ma
dev.mo nel Signore
Rev.mo Signore
D. OIOVANNI ROATTA
Provinciale delia Pia Società San Pa
per i l Brasile
PRÓLOGO
Há muito tempo que os protestantes acusam a Igreja Católica de proi­
bir aos fiéis a leitura da Bíblia em língua vulgar. É fácil, porém, reconhecer
a falsidade desta acusação. São inúmeras as versões da Bíblia, que têm
sido feitas em todos os séculos, e em todos os países e línguas da terra com
aprovação e aplauso da Igreja Católica, a qual não se cansa de recomendar
a leitura e a meditação dêsse livro admirável, todo escrito para nosso en­
sino, como diz São Paulo (Rom., XV, 4). Proibe, sim, a Santa Igreja a
leitura de algumas versões da Bíblia, em que é mutilada a palavra de Deus,
e falseado o seu verdadeiro sentido. Então neste número as que são pnofu-
samente distribuídas pelas sociedades bíblicas protestantes aconpanhadas
muitas vêzes de panfletos em que se dá ao texto sagrado interpretações
falsas, que muito mal fazem às almas.
Para atalhar tão perniciosos efeitos é que se publica em edição popular
esta nova edição da Vulgata portuguêsa.
Santo Agostinho diz que é uma espécie de impiedade não ler aquilo
que por nós e para nós escreveu a mão do próprio Deus. Que ninguém
incorra nesta falta, tendo tanto ao seu alcance a leitura da Santa Bíblia.
Atendamos às seguintes palavras com que o Senjior nos recomendou a
leitura dos livros santos: Não se aparte da tua bôca o livro desta lei, mas
meditarás nêle dia e noite, para observar e cum prir tudo o que nêle está
escrito; então levará o teu caminho direito, e o compreenderá. Eis que
eu to mando (Josué, l, 8-9). Tôda a Escritura divinamente inspirada é ú til
para ensinar, para repreender, para corrigir, para form ar ná justiça; a fim
de que o homem de Deus seja perfeito, apto para tôda a obra boa ( l l Tim.,
lll . 16-17),
R E G R A S PARA L E R COM F R U T O
A SAGRADA ESCRITURA

1* Antes de começar a sua leitura dirijamo-nos a Deus por meio duma


curta e fervorosa oração.
2» Estar penetrados de grande respeito para com o texto sagrado,
considerando as verdades eternas que contém como palavras do próprio Deus
que fala.
3a Não ler de corrida, mas meditando o que se lê, e pedindo algumas
vêzes explicações a uma pessoa piedosa e instruída.
4a Ler com grande humildade e inteira submissão à Igreja, à qual Jesus
Cristo confiou êste sagrado depósito, a qual é a única que pode dar-nos a sua
verdadeira interpretação, dum modo infalível, como ensina o Concílioi de
Trento, seguindo a tradição.
5a Jesus Cristo é o grande objeto que sempre devemos ter presente, ao
ler a Sagrada Escritura.6
6a O fim da Sagrada Escritura é o amor de Deus e do próximo. Por
isso não compreende bem o texto sagrado aquele que, ao lê-lo, tira con­
clusões que vão de encontro a êste duplo amor.
INTRODUÇÃO
A palavra Bíblia é de origem grega e significa Livro, ou melhor: livros.
Desde os primeiros tempos do cristianismo, êste vocábulo, junto com os
outros dois Escritura e Escrituras Sagradas, era usado para designar o
conjunto dos livros que contêm a revelação divina. Aplica-se, pois, o
nome de Bíblia ao volume que reune a coleção dêsses livros e que repre­
senta o livro divino por excelência. Embora trate de diferentes argumentos
e seja escrita por diversos autores, em língua e estilo diferentes, a Bíblia
tem, por força da inspiração divina, Deus comio seu único autor, e goza
do princípio ao fim de uma mesma inconcussa autoridade divina.

Antigo e N ovo Testamento


A Bíblia, considerada como um único livro, divide-se — depois de Ter-
tuliano — em duas grandes partes, chamadas Antigo e Novo Testamento.
À primeira secção pertencem os livros escritos antes de Cristo; à segunda,
os escritos depois.
O Antigo Testamento é a coleção dos livros sagrados que contêm a
história da aliança contraída por Deus com Abraão e o seu povo, as condi­
ções e as leis desta aliança. Anuncia e prepara o advento do Redentor.
O Novo Testamento expõe a história da nova aliança contraída por
Jesus Cristo com os homens e sancionada com o seu sangue, as principais
condições e leis desta aliança.
Jesus Cristo, centro e objeto de tôda a Bíblia, está entre os dois
Testamentos.
Livros da Bíblia

Segundo o Concilio de Trento, os; livros da Bíblia são setenta e três:


46 do Antigo Testamento e 27 do Novo. Atendendo ao assunto e à forma,
podem ser divididos em três classes: livros históricos, didáticos (isto é:
doutrinais e morais) e proféticos.
É o seguinte o elenco dos 73 livros sagrados:

/ — ANTIGO TESTAMENTO:
a) livros históricos: l 9 Gênesis; 29 Êxodo; 39 Levítico; 49 Números;
5° Deuteronômio; 6’ Josué; 7° Juizes;. 89 Rute; 9’ Primeiro livro dos Reis;
109 Segundo livro dos Heis; 11° Terceiro livro dos Reis; 129 Quarto livro
dos Heis; 13’ Primeiro livro dos Paralipômenos; 14° Segundo livro dos
10 INTRODUÇÃO

Paralipômenos; 15* Esdras; 16* Neemias; 17* Tobias; 18* Judite; 19* Es­
ter; 20* Primeiro livro dos Macabeus; 21* Segundo livro dos Macabeus.
b) livros didáticos: 22* Jó; 23* Salmos; 24* Provérbios; 25* Ecle-
siastes; 26* Cântico dos Cânticos; 27* Sabedoria; 28* Eclesiástico.
c) livros proféticos: Profetas Maiores: 29* Isaías; 30* Jeremias; 31*
Lamentações de Jeremias; 32* Baruc; 33* Ezequiel; 34* Daniel. — Profetas
Menores: 35* Oséias; 36* Joel; 37* Amós; 38* Abdias; 39* Jonas; 40*
Miquéias; 41* Naum; 42* Habacuc; 43* Sofonias; 44* Ageu; 45* Zacarias;
46* Malaquias.
I I — NOVO TESTAMENTO:
a) livros históricos: 1* Evangelho de S. Mateus; 2* Evangelho de São
Marcos; 3* Evangelho de S. Lucas; 4* Evangelho de S. João; 5* Atos dos
Apóstolos.
b) livros didáticos: Epístolas de S. Paulo: 6* Aos Romanos; 7* Primeira
aos Coríntios; 8* Segunda aos Corintios; 9* aos Gálatas; 10* aos Efésios; 11*
aos Filipenses; 12* Aos Calossenses; 13* Primeira aos TessaLonicenses; 14*
Segunda aos TessaLonicenses; 15.* Primeira a Timóteo; 16.* Segunda a Tim ó­
teo; 17* a Tito; 18* A Filémon; 19* Aos Hebreus; 20* Epístola de São
Tiago; 21* Primeira Epistola de S. Pedro; 22* Segunda Epístola de S. Pe­
dro; 23* Primeira Epístola de S. João; 24* Segunda Epístola de S. João;
25* Terceira Epístola de S. João; 26* Epistola de S. Judas.
c) livros proféticos: 27* Apocalipse.
O Cânon
A palavra cânon ou regra, na Sagrada Escritura, designa a coleção ou
lista dos livros inspirados por Deus, reconhecida pela tradição e pela auto­
ridade infalível da Igreja e proposta como regra de fé. Os livros que per­
tencem ao cânon são chamados canônicos.
Todos os livros do Velho e do Novo Testamento são inspirados; todavia
nos primeiros séculos do cristianismo, numa ou noutra Igreja surgiram
algumas dúvidas acêrca da inspiração de alguns livros da Bíblia. As con­
trovérsias, porém, não duraram muito, porquanto logo todas as Igrejas con­
cordaram em admitir a inspiração divina para aqueles livros. A partir do
século XVI chamaram-se deuterocanônicos os livros cuja inspiração fôra
temporâneamente impugnada por alguma Igreja; os outros, em vez, foram
denominados protocanônicos.
São considerados livros deuterocanônicos:
No Velho Testamento: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc e
a Epístola de Jeremias, os dois livros dos Macabeus e alguns fragmentos do
livro de Ester (10,4 - 16,24) e do livro de Daniel (3,24 - 90; — 13,1 - 14,42).
No Novo Testamento: a Epístola aos Hebreus; a Epístola de S. Tiago; a
segunda epístola de S. Pedro; a epistola de S. Judas; a segunda e terceira
Epístola de S. João, o Apocalipse e os fragmentos dos Evangelhos de S. Mar­
cos, 16,9 - 20), de S. Lucas 22,43 - 44) e de S. João (7,53 - 8,11).
Para nós católicos, gozam da mesma autoridade tanto os livros protoca­
nônicos quanto os deuterocanônicos, porque são todos igualmente inspirados;
ao passo que os protestantes não dão nenhuma autoridade aos livros deute-
INTRODUÇÃO ll

rocanônicos, porque os consideram não inspirados, e portanto apócrifos. Os


católicos consideram apócrifos certos livros antigos, os quais, embora con­
siderados como inspirados poa* algumas Igrejas particulares ou pelos herejes,
não o foram tais pela autoridade infalível da Igreja Universal e foram
rejeitados como livros errôneos, pueris ou perigosos, ou então considerados
não canônicos, sem autoridade alguma ou de alguma altoridade meramente
humana, ou apenas eclesiástica.

Inspiração
Depois de haver declarado, no Concilio Vaticano, que os livros do Antigo
e do Novo Testamento, inteiro e com todas as suas partes, conforme estão
elencados no Concilio de Trento e se acham publicados na velha vulgata
latina, devem ser considerados como sagrados, canônicos e divinamente
inspirados, a Igreja explica o que significa inspirado. Ela reputa tais livros
sagrados e canônicos “ não apenas porque, escritos pela aptidão da mente
humana, tenham sido depois aprovados pela sua autoridade, e nem apenas
porque contenham a revelação sem nenhum êrro, mas porque, tendo sido
escritos sob a inspiração do Espírito, têm Deus por autor e como tais foram
confiados à Igreja”,
Leão X III na encíclica “ Prouidentissimus Deus” , falando sôbre a inspi­
ração diz: “ Foi Deus quem, por sua virtude, excitou os escritores sagrados
a escrever. Êle mesmo lhes assistia enquanto escreviam, de modo que con­
cebiam exatamente, queriam relatar fielmente, e exprimiam com admirável
fidelidade tudo o que Êle lhes ordenava e somente aquilo que lhes ordenava
que escrevessem. Do contrário, Êle não mais seria o autor de toda a Sa­
grada Escritura.” Nestas palavras do grande Pontífice podemos constatar
a admirável ação de Deus sôbre o agiógrafo; ação que requer três coisas:
1 ) ilustração ou iluminação da mente, isto é, um influxo sôbre o intelecto
para que o escritor sagrado “ forme um conceito exato” da verdade, em
suma: conheça a verdade sem êrro (com a revelação, quando se trata de
verdades desconhecidas; ou com os meios humanos, quando se trata de ver­
dades conhecidas; 2 ) impulso da vontade, isto é, um influxo sôbre a
vontade para que o agiógrafo “ se proponha de escrever fielmente” aquilo
que o Senhor deseja; 3) assistência na escritura, isto é, Deus deve assistir
o agiógrafo enquanto escreve para que “ dê com infalível veracidade a expres­
são adequada” a tôdas as verdades, e somente àquelas desejadas por Deus.
Em tal modo, o autor principal da Sagrada Escritura é Deus, o qual se
serve do agiógrafo como de um verdadeiro e próprio instrumento, embora
livre e inteligente, e cujas faculdades foram elevadas sobrenaturalmente.
Porisso pertencem a Deus: os argumentos, as coisas, e as idéias; enquanto
pertencem ao homem a ordem das idéias, o gênero literário, o estilo e a
língua.

Inerrância
Consequência natural da inspiração da Bíblia é a sua inerrância. Com
a inspiração, Deus torna-se garantia de tudo aquilo que o escritor inspirado
escreve e, considerando-se que Êle não pode enganar-se nem enganar, o
livro inspirado é imune de qualquer êrro. A inspiração — como bem afir­
mou Leão X lll — não somente exclui qualquer êrro, mas o exclui e o
12 INTRODUÇÃO

repele tanto necessariamente quanto é necessário que Deus, Suma Verdade,


não ensine aquilo que é falso. Portanto, quando encontramos um trecho
da Bíblia, que nos parece contrário a uma verdade incontestável, nâo pen­
semos logo que possa ali haver êrro, mas saibamos refletir com Santo Agos­
tinho: “ Neste ponto deve haver êrro do copista, ou uma tradução mal feita
do original, ou então sou eu mesmo que não consigo compreender...” O
êrro, se na verdade existe, não se pode atribuir ao agiógrafo, mas àquele
que não transmitiu fielmente as suas palavras ou a quem não compreendeu
exatamente o seu pensamento.
Tudo o que se narra na Bíblia é necessariamente verdadeiro, porque
é palavra de Deus; mas nem tudo contém a mesma verdade. Deus pode ins­
pirar io agióghafo a escrever tanto uma história propriamente dita como
uma poesia, uma parábola ou uma fábula. Ora, cada gênero literário tem
a sua verdade; é necessário, pois, determinar o gênero literário de cada livro
da Sagrada Escritura, considerando a índole do livro e, sobretudo, a interpre­
tação e o senso da Igreja.
A Bíblia, além da verdade relativa ao gênero literário, contém verdades
relativas ao modo comum de falar, à linguagem popular, às idéias dos países
e dos tempos, que cienti ficamente podem ser falsos. Com efeito, não sendo
a Bíblia um tratado de ciência, não se encontra nela a linguagem técnica
ou científica, mas aquela comum, regular dos tempos.

A Língua
Quase todos os livros do Velho Testamento foram escritos em hebraico,
(exceto os livros da Sabedoria e o segundo livro dos Macabeus, escritos em
grego).
O Novo Testamento, ao invés, foi escrito em grego, com exceção talvez do
Evangelho de S. Mateus, que alguns sustentam tenha sido escrito em língua
siro-caldaica e traduzido para o grego, possivelmente pelo próprio autor.
A literatura sagrada hebraica abrange um período de quase 1.500 anos,
e isso explica as numerosas transformações que ela apresenta. Podem-se
distinguir três épocas da língua hebraica: primeiro período, desde Moisés até
o reinado de Saul (1500-100 A. C .); segundo período, da fundação do rei­
no até ao exílio de Babilônia (1.000-580 a. C .); terceiro período, do exílio
até a era cristã (586 A. C .-l). O segundo período é considerado o da língua
clássica, ao passo que, no primeiro assinalam-se numerosos arcaismo e, no
último, — época em que o hebraico torna-se uma língua morta e é usado
somente nas escolas e na liturgia, — encontram-se acentuadas infiltrações
dialetais aramaicas. A pronúncia tradicional do hebraico é conservada pelos
Massoretas, os quais acrescentaram os sinais vocálicos às consoantes.
O grego do novo Testamento não é clássico, mas a língua popular es­
palhada por quase todo o mundo, a língua comum, a koiné diálektos, que foi
formando após a conquista de Alexandre Magno até a fundação, pior obra
de seus sucessores, dos reinos helenizantes nos países situados na bacia do
Mediterrâneo. A língua dos escritores neo-testamentários contém numerosos
aramaísmos.
INTRODUÇÃO 13
A s Versões
Dentre as inúmeras Versões que a Sagrada Escritura teve nos séculos,
destacam-se — pela sua antiguidade e autoridade — a tradução grega do
Velho Testamento, cognominada Alexandrina devido à localidade na qual se
acredita tenha tido origem, e a dos Setenta pelo suposto número de traduto­
res. Essa Versão — feita entre os anos de 250-150 A. C. — gozou desde o
princípio de grande autoridade: foi usada pelos escritores do Novo Tes­
tamento, adotada pela Igreja primitiva, e diversos Santos Padres dos pri­
meiros séculos consideraram-na inspirada.
Mas o primeiro lugar, dentre tôdas as Versões da Bíblia, cabe sem re­
serva àquela latina, conhecidíssima sob o nome de Vulgata, feita na sua qua­
se totalidade por S. Jerônimo» Pelo Concilio de Trento foi declarada autên­
tica “ mo sentido que ela deve ser chamada uma verdadeira fonte de revela­
ção, em modo que não somente seja impossível dela derivar alguma dou­
trina falsa da fé ou alguma regra errônea de moral, mas também que positi­
vamente ela exprime com fidelidade tudo aquilo que pertence à substância
da palavra de Deus escrita” . A Vulgata, pois, é usada como texto ordinário
no ensino público e na pregação, e nimguém pode impugnar ou recusar o seu
valor. Esta versão portuguesa foi realizada sôbre a vulgata, correta por
ordem de Sixto V e edita sob 10 pontificado de Clemente V III, chamada
porisso “ Vulgata Sixto-Clementina” .

Os sentidos da Sagrada Escritura

Por sentido da Sagrada Escritura entende-se tudo aquilo que o Espirito


Santo quis fazer conhecer aos homens mediante os escritos dos agiógrafos.
Mas enquanto o homem não pode exprimir as coisas senão com palavras e
sinais equivalentes, Deus pode dispor as coisas, os próprios acontecimentos e
as próprias pessoas para exprimir uma determinada verdade. Resulta, pois,
um dúplice sentido que é preciso ser considerado na Sagrada Escritura: o
sentido literal ou histórico — que pode ser próprio ou metafórico — dado
pelas palavras usadas no seu imediato significado, e o isentido típico ou
espiritual, que é próprio de algumas pessoas, de algumas instituições, de al­
guns acontecimentos de que se trata na Bíblia, onde as pessoas, os fatos e
as instituições são usadas para exprimir pessoas, fatos e instituições de uma
ordem mais elevada, ou seja a pessoa de Cristo e tudo aquilo que se refere
à sua obra de Redenção. O sentido típico, — que se deve admitir somente
quando é afirmado pelo próprio Deus através dos agiógrafos ou pela unâni­
me tradição eclesiástica chegada até nós sob forma de ensino dogmático ou
sob forma de manifestação litúrgica, — é sentido entendido por Deus e, como
o literal, é palavra de Deus.
O sentido típico se divide em dogmático (impròpriamente dito: alegó­
rico), quando aponta verdades para crer; moral ou tropolôgico, quando indi­
ca a prática a ser seguida; anagógico quando registra os bens eternos que
devemos alcançar.
A êsses dois sentidos, que são verdadeiros e próprios sentidos da Sagrada
Escritura, os teólogos costumam acrescentar mais um: o sentido consequente,
deduzido mediante simples raciocínios sôbre as palavras da Sagrada Escri­
14 INTRODUÇÃO

tura, e a êle freqüentemente se recorre no doutrinamento dogmático. Há


também o sentido acomodaticio, quando se aplicam as palavras da Sagrada
Escritura a coisas diferentes daquelas entendidas pelo agiógrafo. Seguin­
do o exemplo da Igreja, que usa muito o sentido acomodaticio na sua litur­
gia, pode-se usá-lo com as devidas cautelas, e dentre estas a de se conservar
às palavras o seu genuíno sentido.

Interpretação da Sagrada Escritura


Nos livros sagrados é preciso considerar um dúplice elemento: o divino
e o humano. Por elemento humano são considerados a língua e o gênio da
língua usada pelo autor, o estilo e o gênero literário empregado, as leis do
pensamentio, que, em qualquer passo, determinam mormente o sentido do
autor, as circunstâncias históricas em que o livro foi escrito. Consideran­
do-se, ao invés, o elemento divino — isto é: que os livros sagrados foram es­
critos sob a inspiração de Deus e que foram confiados à Igreja Católica Ro­
mana a fim de que fôssem por Ela conservados e, quando necessário, au­
tênticamente explicados, — é preciso interpretar a Sagrada Escritura con­
forme o sentido dado pela Igreja. Nas questões que se referem à fé e à
moral, jamais devemos tomar uma atitude que esteja em contradição com
o sentimento verdadeiro e rigorosamente unânime dos Santos Padres da
Igreja. Devemos nos conformar à analogia da fé, jamais nos esquecendo
que devemos repudiar qualquer interpretação contrária à lei divina, ou ca­
paz de nos fazer crer que o autor inspiradio tenha ensinado algum êrro, con­
tradito a si mesmo ou algum outro autor inspirado. Pràticamente, tenha­
mos presente que jamais é possível haver contradição entre a Sagrada Es­
critura, retamente interpretada, e a verdadeira ciência.
ANTIGO TESTAMENTO
PENTATÊUCO
Pentatêuco é o conjunto dos cinco primeiros livros da Bíblia, que são:
o Gênesis, o Êxodo, o Leoítico, os Números e o Deuteronômio. O Pentatêuco
é um livro em parte histórico e em parte legal. Narra a história do homem
desde a criação do mundo até à dispersão dos povos (Gên. 1,1 — 11,22) e,
particularmente, a história do povo hebreu desde a sua origem até a con­
quista da Terra da Promissão. Por outro lado, contém a legislação civil e
religiosa de Israel, seja a adotada no tempo da peregrinação no deserto, seja
a que deveria ser observada depois da ocupação e durante a permanência
na Palestina.
O autor do Pentatêuco é Moisés. Essa é a doutrina comumente admiti­
da por tôda a antiguidade judaica e cristã, e recentemente corroborada pela
publicação de importantes documentos, por parte da autoridade eclesiástica
(cfr. o Decreto da Comissão Bíblica de 30 de julho de 1909). Essa senten­
ça, porém, não exige que Mtoisés seja o autor imediato de tudo aquilo que
está contido nos cinco livros. Assim como há certos trechos que não podem
ter sido escrito por êle, por ex., a narração de sua morte: Deutr. 34,5 seg.;
ou a continuação de certas genealogias alcançando personagens que sobrevi­
veram a Moisés {Gên. 36), existem também glosas, apostilas e traços de re-
manuseio que pertencem, sem dúvida alguma, a épocas bem posteriores a
Moisés. Também não se pode excluir que êle se tenha servido das obras dos
amanuenses e tenha podido incluir na sua narração — integralmente, re­
sumidos ou amplificados — documentos e antigas tradições preexistentes.
GÊNES I S
O primeiro livro sagrado é o Gênesis, que narra as primeiras origens:
origens do mundo, origens do gênero humano, origens do povo hebreu e a
história da primiüva revelação feita aos cinco grandes Patriarcas, anti-dilu-
vianos e post-diluvianos, patriarcas do gênero humano e do povo hebreu:
Adão, Noé, Abraão, Isac e Jacó.
Depois de uma introdução, em que é narrada a história da criação do
mundo, (1, 1 - 2, 3), o Gênesis apresenta duas partes distintas:
PRIM EIRA PA R TE : História da humanidade prim itiva até à disper­
são dos povos (2,4 - 11,26)1 1 ) História de Adão: sua felicidade e inocên­
cia (2,4 - 25); sua queda e conseqüente castigo; primeiro anúncio da Reden­
ção (cap. 4). — 2) História de Noé; ‘descendente da piedosa estirpe de Set
(cap. 5). Corrupção universal punida com o dilúvio, no qual perece o gê­
nero humano, exceto Noé com sua família (cap. 6-7). A humanidade, re­
novada depois do dilúvio (8 - 9, 17). O vinho e a embriaguez; procaci-
dade castigada (9, 18-29). Multiplicação e divisão da família humana
(10 - 1 1 , 26).

SEGUNDA PA R TE : História do povo eleito desde Abraão até à morte


de José (11,27 . 50,25): 1) História de Abraão, filho de Taré: sua vocação
e vinda para Canaã; repetidas aparições e promessas a êle feitas por Deus
(11,27 - 23,20). 2) História dc Isac, que se casa com Rebeca (cap. 24).
— 3) História de Jacó: Cas.a-se com Lia e Raquel; tem doze filhos, mais
tarde fundadores das doze tribus de Israel (28-35). — 4) História de José:
vendido pelos seus irmãos, no Egito, torna-se vice-rei desse país e salva o
povo da fome (37-41); revela sua identidade aos irmãos e convence-os a se
estabeleceram, com o pai, no Egito (42-48). Profecias e morte de Jacó
(49-50).
Escopo principal do Gênesis é indicar os antepassados do Redentor, indi-
viduando cada vez mais a família eleita com a exclusão das outras. No prin­
cípio afirma que o Salvador nascerá de uma mulher (3, 15), mais adiante
diz que sairá da estirpe de Set (5, 29), mas da descendência de Sem (9, 26).
Excluindo todos os outros semitas, diz que o Salvador será descendente de
Abraão (12, 3), de Isac (26, 1-4), de Jacó (35, 9). Dentre os filhos de Jacó
aponta Judá como o futuro avô do Messias (49, 10).
G Ê N E S I S

Criação do mundo tarde e manhã, (e fo i) o terceiro dia.


14Disse também Deus: Sejam feitos
JN o princípio Deus criou o céu luzeiros no firmamento do céu, e se­
1 e a terra. 2A terra, porém, es­ parem o dia da noite, e sirvam para
tava informe e vazia, e as trevas co­ sinais, e para (distinguir) os tempos,
briam a face do abismo, e o Espíri­ os dias e os anos; 15e resplandeçam
to de Deus movia-se sôbre as águas. no firmamento do céu, e alumiem a
SE Deus disse: Exista a luz. E a luz terra. E assim se fêz. 16E Deus fêz
existiu. 4E Deus viu que a luz era dois grandes luzeiros: o luzeiro maior,
boa; e separou a luz das trevas. 5E que presidisse ao dia, e o luzeiro
chamou à luz dia, e às trevas noite. menor, que presidisse à noite; e (fêz
E fêz-se tarde e manhã, (e fo i) o também) as estréias. 17E colocou-as no
primeiro dia. 6Disse também Deus: firmamento do céu, para luzirem sô­
Faça-se o firmamento no meio das bre a terra, 18e presidirem ao dia e
águas, e separe umas águas das ou­ à noite, e separarem a luz das trevas.
tras águas. 7E fêz Deus o firmamen­ E Deus viu que isto era bom. 19E
to, e separou as águas, que estavam fêz-se tarde e manhã, (e fo i) o quar­
por cima do firmamento. E assim se to dia.
fêz. 8E Deus chamou ao firmamento “ Disse também Deus: Produzam as
céu. E fêz-se tarde e manhã, (e fo i) águas répteis animados e viventes, e
o segundo dia. °Disse também Deus: aves que voem sôbre a terra debaixo
As águas, que estão debaixo do céu, do firmamento do céu. 21Deus criou
ajuntem-se num só lugar, e apareça os grandes peixes, e todos os animais
o (elem ento) árido. E assim se fêz. que têm vida e movimento, os quais
10E Deus chamou ao (elem ento) árido foram produzidos pelas águas, segun­
terra, e ao conjunto das águas cha­ do a sua espécie, e tôdas as aves se­
mou mares. E Deus viu que isto era gundo a sua espécie. E Deus viu que
bom. 11E disse: Produza a terra erva isto era bom. 22E os abençoou, dizen­
verde, e que dê semente, e árvores do: Crescei e multiplicai-vos, e en­
frutíferas, que dêem fruto segundo a chei as águas do mar; e as aves se
sua espécie, cuja semente esteja nelas multipliquem sôbre a terra. *E fêz-
mesmas ( para se reproduzirem) sôbre se tarde e manhã ( e f o i) o quinto dia.
a terra. E assim se fêz. 12E a terra
produziu erva verde, e que dá semen­ Criação do homem
te segundo a sua espécie, e árvores
que dão fruto, e cada uma das quais “ Disse também Deus: Produza a
tem semente segundo a sua espécie. E terra animais viventes segundo a sua
viu Deus que isto era bom. 13E fêz-se espécie, animais domésticos, e répteis,
Cap. I — 2. o Espírito de Deus, a terceira Pessoa da Santíssim a Trindade. Ê esta a me­
lhor interpretação, atendendo aos lugares paralelos da Escritura (G ên., X L I, 38;
Êx.. X X X I. a. etc.), e à tradição.
4. A luz era boa, isto é, correspondia perfeitamente s fim p ara que a tinha criado.
O mesmo se deve dizer relativamente a tôdas as outras obras da criação.
5. E fêz-se tarde. . . O pensamento do escritor sagrado é que o dia natural consta de
um período de luz: desde a aurora ao crepúsculo vespertino, e de outro de trevas:
desde o crepúsculo vespertino ao matutino.
14. E sirvam para sinais, que auxiliem os viajantes, navegantes, agricultores, etc.
17. E colocou-as. N o hebreu o pronome refere-se ao sol, à lua e às estréias.
20. Répteis animados e viventes, e a v e s ... O texto original diz: Produz as ápuas
ré p te is ... (significando esta palavra todos os animais aquáticos), e voem aves sôbre
a terra. A criação das aves não é atribuída às águas, mas sim à região do ar.
20 GENESIS l - 2
e animais selváticos, segundo a sua Recapitulação da criação
espécie. E assim se fêz. 25E fêz Deus 4Tal foi a origem do céu e da ter­
os animais selváticos, segundo a sua ra, quando foram criados, no dia em
espécie, e os animais domésticos, e que o Senhor Deus fêz o céu e a terra,
todos os répteis da terra (cada u m ) 5e tôda a planta do campo antes que
segundo a sua espécie. E viu Deus nascesse na terra, e tôda a erva da
que isto era bom, 26e (p or fim ) dis­ campina antes que germinasse; por­
se: Façamos o homem à nossa ima­ que o Senhor Deus não tinha (ainda)
gem é semelhança, e presida aos pei­ feito chover sôbre a terra, nem havia
xes do mar, e às aves do céu, e aos homem que a cultivasse. 6Mas da
animais selváticos, e a tôda a terra, terra saía uma fonte, que regava tôda
e a todos os répteis, que se movem so­ a superfície da terra. 70 Senhor Deus
bre a terra. 27*E criou Deus o homem formou, pois, o homem do barro da
à sua imagem; criou-o à imagem de terra, e inspirou no seu rosto um so­
Deus, e criou-os varão e fêmea. “ E pro de vida, e o homem tornou-se al­
Deus os abençoou, e disse: Crescei e ma (pessoa) vivente.
multiplicai-vos, e enchei a terra, e
sujeitai-a, e dominai sôbre os peixes O homem no paraíso terrestre
do mar e sôbre as aves do céu, e sô­ 8Ora, o Senhor Deus tinha planta­
bre todos os animais que se movem do, desde o princípio, um paraiso de
sôbre a terra. 29E Deus disse: Eis que delícias, no qual pôs o homem que ti­
vos dei tôdas as ervas, que dão semen­ nha formado. °E o Senhor Deus ti­
te sôbre a terra, e tôdas as árvores, nha produzido da terra tôda a casta
que encerram em si mesmas a semen­ de árvores formosas à vista, e de fru­
te do seu gênero, para que vos sirvam tos doces para comer; e a árvore da
de alimento, 30e a todos os animais da vida no meio do paraíso, e a árvore da
terra, e a tôdas as aves do céu, e a ciência do bem e do mal. 10Dêste
tudo o que se move sôbre a terra, e lugar de delícias saía um rio para re­
em que há alma vivente, para que gar o paraíso, o qual dali se divide
tenham que comer. E assim se fêz. em quatro braços. uO nome do pri­
31E Deus viu tôdas as coisas que tinha meiro é Fison, e é aquêle que torneia
feito, e eram muito boas. E fêz-se tar­ todo o país de Evilat, onde se encon­
de e manhã, (e fo i) o sexto dia. tra o ouro. 12E o ouro dêste país é
Kepouso divino ótimo; ali (tam bém ) se acha o bdélio
e a pedra ônix. 130 nome do segundo
O ^ ssim foram acabados o céu rio é Geón; êste é aquêle que torneia
" e a terra, e todos os seus or- tôda a terra de Etiópia. 140 nome,
natos. 2E Deus acabou no sétimo dia porém, do terceiro rio é Tigre, que
a obra que tinha feito; e descansou corre para a banda dos Assírios. E o
no sétimo dia de. tôda a obra que ti­ quarto rio é o Eufrates.
nha feito. 3E abençoou o dia sétimo, Preceito divino
e o santificou, porque nêle tinha ces­
sado de tôda a sua obra, que tinha “ Tomou, pois, o Senhor Deus o ho­
criado e feito. mem, e colocou-o no paraíso de delí­
27. Moisés, p ara m ostrar a grandeza do homem, insiste várias vêzes em que foi
criado por Deus, e à imagem de Deus.
Cap. I I — 3. Que tinha criado e feito, o texto original diz: Que tinha criado operando,
isto é, com o seu operar.
5-7. Êstes três versículos são um pouco obscuros na V ulgata. O texto hebraico diz:
N ão havia ainda sôbre a terra nenhum arbusto dos campos, e nenhuma erva da cam­
pina tinha ainda germinado; porque o Senhor Deus não tinha feito chover sôbre a terra,
e não havia homem que cultivasse o solo. M as um vapor subia da terra e regava tôda a
superfície do solo. O Senhor Deus formou o homem do pó do solo, e insuflou-lhe nas
narículas um sopro de vida, e o homem tornou-se alma (a n im a l) vivente.
9. Árvore da vida. porque os seus frutos, por livre vontade de Deus, tinham a virtude
de conservar a vida presente do homem, até ser chamado ao céu. Arvore da ciência. ..
porque, tendo Deus proibido comer dos seus frutos, ela devia m ostrar ao homem
desobediente a diferença entre a felicidade prometida à obediência e o castigo impôsto
à desobediência.
2 - 3 GENESIS 21
cias, para que o cultivasse e guardas­ tôda a árvore do paraíso? R espon­
se. 10E deu-lhe êste preceito, dizen­ deu-lhe a mulher: Nós comemos do
do: Come de tôdas as árvores do fruto das árvores, que estão no pa­
paraíso, 17mas não comas do fruto da raíso. 3Mas do fruto da árvore, que
árvore da ciência do bem e do mal; está no meio do paraíso, Deus nos
porque, em qualquer dia que come­ mandou que não coméssemos, e nem
res dêle, morrerás indubitavelmente. a tocássemos, não suceda que morra­
mos. 4Porém a serpente disse à mu­
Nomes dos animais lher: Vós de nenhum modo morrereis.
5Mas Deus sabe que, em qualquer
18Disse mais o Senhor Deus: Não é dia que comerdes dêle, se abrirão os
bom que o homem esteja só; faça- vossos olhos, e sereis como deuses, co­
mos-lhe um adjutório semelhante a nhecendo o bem e o mal.
ele. 19Tendo, pois, o Senhor Deus fo r­
mado da terra todos os animais ter­ O pecado original
restres, e tôdas as aves do céu, levou-
os diante de Adão, para êste ver como °Viu, pois, a mulher que (o fru to )
os havia de chamar; e todo o nome da árvore era bom para comer, e for­
que Adão pôs aos animais vivos, êsse moso aos olhos, e de aspecto agradá­
é o seu verdadeiro nome. ^E Adão vel; e tirou do fruto dela, e comeu; e
pôs nomes convenientes a todos os deu a seu marido, que também comeu.
animais (domésticos) , a tôdas as aves 7E os olhos de ambos se abriram; e,
do céu, e a todos os animais selvá­ tendo conhecido que estavam nus, co­
ticos; mas não se achava para Adão seram folhas de figueira, e fizeram
um adjutório semelhante a êle. para si cinturas.
Formação da mulher, e instituição O encontro com Deus
do matrimônio
8E, tendo ouvido a voz do Senhor
21Mandou, pois, o Senhor Deus um Deus, que passeava pelo paraíso, à
rofundo sono a Adão; e, enquanto hora da brisa, depois do meio-dia,
le estava dormindo, tirou uma das Adão e sua mulher escondeu-se da
suas costelas, e pôs carne no lugar face do Senhor Deus no meio das ár­
dela. 1
22E da costela, que tinha tirado vores do paraíso. °E o Senhor Deus
de Adão, formou o Senhor Deus uma chamou por Adão, e disse-lhe: Onde
mulher; e a levou a Adão. 23E Adão estás? 10E êle respondeu: Ouvi a tua
disse: Eis aqui agora o osso de meus voz no paraíso, e tive mêdo, porque
ossos e a carne da minha carne; ela estava nu, e escondi-me. “ Disse-lhe
se chamará Virago, porque do varão Deus: Mas quem te fêz conhecer que
foi tomada. 24Por isso deixará o ho­ estavas nu, senão o ter comido da
mem seu pai e sua mãe, e se unirá árvore, de que eu te tinha ordenado
a sua mulher; e serão dois numa só que não comêsses? “ Adão disse: A
carne. “ Ora um e outro, isto é, Adão mulher, que me deste por companhei­
e sua mulher, estavam nus; e não se ra, deu-me (do fru to ) da árvore, e
envergonhavam (porque ainda eram comi. 13E o Senhor Deus disse para
inocentes). a mulher: Por que fizeste isto? Ela
respondeu: A serpente enganou-me,
Tentação de Adão e Eva e comi.
O 2Mas a serpente era o mais as- Maldição da serpente
° tuto de todos os animais da
terra que o Senhor Deus tinha feito. 14E o Senhor Deus disse à serpen­
E ela disse à mulher: Por que vos te: Pois que fizeste isto, és maldita
mandou Deus que não comésseis de entre todos os animais e bêstas da
24. E s e rã o ... o texto original diz: e (os dois) serão uma sô carne, formando como que
um todo, um ser único.
Cap. I I I — 8. A voz e o ruído duma pessoa que passeava, foi, segundo Santo Agostinho,
de um anjo, que representava Deus em form a de homem.
22 GÊNESIS 3 -4
terra; andarás de rastos sôbre o teu Caim e Abel
peito, e comerás terra todos os dias
da tua vida. 15Porei inimizades entre A JE Adão conheceu sua mu-
ti e a mulher, e entre a tua posteri­ ’ lher Eva, a qual concebeu e deu
dade e a posteridade dela! Ela te pi­ à luz Caim, dizendo: Possuí um ho­
sará a cabeça, e tu armarás traições mem por (auxílio de) Deus. 2E, de­
ao seu calcanhar. pois, deu à luz a seu irmão Abel. E
Abel foi pastor de ovelhas, e Caim la­
Castigo da mulher vrador. 8Passado muito tempo, acon­
teceu oferecer Caim, em oblação ao
16Disse também à mulher: Multi­ Senhor, dos frutos da terra. 4Abel
plicarei os teus trabalhos, e (especial- também ofereceu dos primogênitos do
mente os de) teus partos. Darás à luz seu rebanho, e das gorduras dêles; e
com dor os filhos, e estarás sob o po­ o Senhor olhou para Abel e para os
der do marido, e êle te dominará. seus dons. 5Não olhou, porém, para
17E disse a Adão: Porque deste ouvidos Caim, nem para os seus dons. E Caim
à voz de tua mulher, e comeste da irou-se extremamente, e o seu sem­
árvore, de que eu te tinha ordenado blante ficou abatido. 6E o Senhor
que não comêsses, a terra será mal­ disse-lhe: Por que estás irado? e por
dita por tua causa; tirarás dela o sus­ que está abatido o teu semblante?
tento com trabalhos penosos todos os 7Porventura, se tu obrares bem, não
dias da tua vida. 18Ela te produzirá receberás (por isso galardão); e, se o-
espinhos e abrolhos, e tu comerás a brares mal, não estará logo o pecado
erva da terra. 19*Comerás o pão com à tua porta? Mas sob ti está o seu
o suor do teu rosto, até que voltes à desejo, e tu o dominarás. 8Caim dis­
terra, de que fôste tomado; porque tu se a seu irmão Abel: Saiamos fora. E,
és pó, e em pó te hás de tornar. ME quando estavam no campo, investiu
Adão pôs à sua mulher o nome de Caim contra seu irmão Abel, e ma­
Eva, porque ela era a mãe de todos tou-o. °E o Senhor disse a Caim:
os viventes. Onde está teu irmão Abel? E êle res­
pondeu: Não sei. Porventura sou eu
Adão e Eva expulsos do paraíso o guarda de meu irmão? 10E o Se­
nhor disse-lhe: Que fizeste? A voz do
MFêz também o Senhor Deus a sangue de teu irmão clama da terra
Adão e a sua mulher umas túnicas de or mim. “ Agora, pois, serás mal-
peles, e os vestiu. 22E disse: Eis que ito sôbre a terra, que abriu a sua
Adão se tornou como um de nós, co­ bôca e recebeu da tua mão o sangue
nhecendo o bem e o mal; agora, pois, de teu irmão. “ Quando a cultivares,
(expulsemo-lo do paraíso) , para que ela não te dará os seus frutos; serás
não suceda que êle estenda a sua mão, vagabundo e fugitivo sôbre a terra.
13E Caim disse ao Senhor: A minha
e tome também da árvore da vida, e iniqüidade é muito grande, para que
coma, e viva eternamente. aE o Se­ eu mereça perdão. 14Eis que tu hoje
nhor Deus lançou-o fora do paraíso rne expulsas desta terra, e eu rne es­
de delícias, para que cultivasse a ter­ conderei da tua face, e serei vagabun­
ra, de que tinha sido tomado. ^E do e fugitivo na terra; portanto, todo
expulsou Adão, e pôs diante do paraí­ o que rne achar, rne matará. 15E o
so de delícias Querubins brandindo Senhor disse-lhe: Não será assim*
uma espada de fogo, para guardar o mas qualquer que matar Caim será
caminho da árvore da vida. castigado sete vêzes mais. E o Senhor
18. Comerás a erva da terra, isto é, os cereais e legumes que ela produzir mediante
o teu trabalho.
22. Adão se tom ou como um de nós. H á nestas palavras uma referência à Santíssima
Trindade, e, ao mesmo tempo, uma ironia. A dão quis ser como Deus, e tornou-se seme­
lhante ao demônio.
Cap. I V — 7. Sob ti está o seu desejo. .. o desejo do pecado não te vencerá, se não
cederes voluntariam ente; pelo contrário, podes dominá-lo.
13. A minha iniqüidade, etc. Com estas palavras Caim não mostra arrependimento, mas
desesperação, ofendendo dêste modo a misericórdia infinita de Deus, que queria salvá-lo.
4 -5 GÊNESIS 23
pôs um sinal em Caim, para que o Posteridade de Adão: Set, Enós,
não matasse ninguém que o encon­ Cainan, M alaleel, Jared, Henoc,
trasse. 10E Caim, tendo-se retirado de Matusalém, Lamec, Noé
diante da face do Senhor, andou er­
rante sôbre a terra, e habitou no país £ JÊste é o livro da posteridade
que está ao nascente do Éden. de Adão. N o dia em que Deus
criou o homem, fê-lo à semelhança de
Posteridade de Caim e origens Deus. 2Criou-os varão e fêmea, e
da poligamia abençoou-os; e deu-lhes o nome de
Adão no dia em que foram criados.
17E Caim conheceu sua mulher, a 3E Adão viveu cento e trinta anos;
qual concebeu e deu à luz Henoc. E e gerou um filho à sua imagem e se­
edificou uma cidade, que chamou H e­ melhança, e pôs-lhe o nome de Set.
noc, do nome de seu filho. 18Ora He­ 4E, depois que gerou Set, viveu Adão
noc gerou Irad, e Irad gerou Ma- oitocentos anos e gerou filhos e filhas.
viavel, e M aviavel gerou Matusael, e 5E todo o tempo que Adão viveu foi
Matusael gerou Lamec. 1#E êste tomou de novecentos e trinta anos, e morreu.
duas mulheres, uma chamada Ada, e 6E Set viveu cento e cinco anos, e
outra Sela. 20E Ada deu à luz Jabel, gerou Enós. 7E, depois que gerou
que foi pai dos que habitam sob ten­ Enós, viveu Set oitocentos e sete anos,
das, e dos pastores. 21E o nome de e gerou filhos e filhas. 8E tôda a
seu irmão foi Jubal, que foi o pai vida de Set foi de novecentos e doze
(ou m estre) dos que tocam citara e anos, e morreu. °E Enós viveu no­
órgão. 22Sela também deu à luz Tu- venta anos, e gerou Cainan, 10depois
balcain, que manejou o martelo, e de cujo nascimento viveu oitocentos
foi artífice em tôda a qualidade de e quinze anos, e gerou filhos e filhas.
obras de cobre e de ferro. E a irmã nE todo o tempo da vida de Enós
de Tubalcain foi Noema. 23*E Lamec foi de novecentos e cinco anos, e mor­
disse a suas mulheres Ada e Sela: reu. 12E Cainan viveu setenta anos,
Ouvi a minha voz, mulheres de L a ­ e gerou Malaleel. 13E, depois de ter
mec, escutai as minhas palavras: eu gerado Malaleel, viveu Cainan oito­
matei um homem por minha ferida, centos e quarenta anos, e gerou filhos
e um adolescente por minha contusão. e filhas. 14E todo o tempo da vida de
24Caim será vingado sete vêzes, mas Cainan foi de novecentos e dez anos,
Lam ec setenta vêzes sete. e morreu. 15E Malaleel viveu ses­
Set e sua posteridade
senta e cinco anos, e gerou Jared.
16E Sdepois de ter gerado Jared, viveu
“ E Adão conheceu outra vez sua Malaleel oitocentos e trinta anos, e
mulher, a qual deu á luz um filho, e gerou filhos e filhas. 17E todo o tempo
pôs-lhe o nome de Set, dizendo: O Se­ da vida de Malaleel foi de oitocentos
nhor deu-me outro filho em lugar de e noventa e cinco anos, e morreu. 18E
Abel, que Caim matou. 26E nasceu Jared viveu cento e sessenta e dois
também um filho a Set, que êle cha­ anos, e gerou Henoc. 19E depois de
mou Enós. Êste começou a invocar o ter gerado Henoc, viveu Jared oito­
nome do Senhor. centos anos, e gerou filhos e filhas. 20E
19. E êste tornou duas mulheres. Lam ec foi o primeiro que violou a unidade do m atri­
mônio, estabelecida por Deus no princípio (G ên., II, 24). Tertuliano chama-lhe por isso um
homem maldito.
20. D os que habitam, etc. O hebraico diz: D os que habitam sob tendas e no meio dos
rebanhos.
23. P o r minha ferid a . . . por minha contusão, isto é, por uma ferida, por um a contusão
que me fêz.
Cap. V — 2. E deu-lhes o nome de Adão. A dão é um nome comum, que depois se
tornou o nome próprio do primeiro homem.
5. E todo o tempo, etc. Os anos dos antigos patriarcas sfto anos ordinários, com­
postos de doze meses com trinta dias cada um. A pureza do clima, a frugalidade
do alimento, e a vontade que Deus tinha de propagar ràpidamente a espécie hu­
m an a e conservar perfeitas as tradições religiosas, sfto outros tantos motivos que
explicam a notável longevidade dos primitivos patriarcas.
24 GENESIS 5-6
tôda a vida de Jared foi de novecentos Deus resolve castigar
e sessenta e dois anos, e morreu. aE 5Deus, vendo que era grande a ma­
Henoc viveu sessenta e cinco anos, e lícia dos homens sôbre a terra, e que
gerou Matusalém. 22E Henoc andou todos os pensamentos do seu coração
com Deus; e, depois de ter gerado Ma­ estavam continuamente aplicados ao
tusalém, viveu trezentos anos, e gerou mal, 6arrependeu-se de ter feito o
filhos e filhas, 23E todo o tempo da homem sôbre a terra. E, tocado de
vida de Henoc foi de trezentos e ses­ intima dor de coração, Misse: Exter­
senta e cinco anos. 24E andou com minarei da face da terra o homem
Deus e desapareceu, porque Deus o que criei, desde o homem até aos a-
levou. 25*E Matusalém viveu cento e nimais, desde os répteis até às aves
oitenta e sete anos, e gerou Lamec. do céu; porque me pêsa de os ter
26E, depois de ter gerado Lamec, viveu feito. 8Porém Noé achou graça diante
Matusalém setecentos e oitenta e dois do Senhor.
anos, e gerou filhos e filhas. 27E tô­ Deus anuncia o dilúvio a Noé e
da a vida de Matusalém foi de nove­ manda construir a arca
centos e sessenta e nove anos, e mor­
reu. 28*E Lamec viveu cento e oitenta 9Esta é a posteridade de Noé. Noé
e dois anos, e gerou um filho, “ ao foi um homem justo e perfeito entre
qual pôs o nome de Noé, dizendo: Ês- os homens do seu tempo, andou com
te nos consolará nos trabalhos e nas Deus. 10E gerou três filhos: Sem,
fadigas das nossas mãos, nesta terra Cam, e Jafet. nOra a terra estava
que o Senhor amaldiçoou. 30E Lamec, corrompida diante de Deus, e cheia de
depois de ter gerado Noé, viveu qui­ iniqüidade. 12Vendo, pois, Deus que
nhentos e noventa e cinco anos, e ge­ a terra estava corrompida (porque tô­
rou filhos e filhas. 31E tôda a vida da a carne ( todo o hom em) tinha cor­
de Lamec foi de setecentos e setenta rompido o seu caminho sôbre a terra),
e sete anos, e morreu. E Noé, tendo 13disse a Noé: O fim de tôda a carne
de idade quinhentos anos, gerou Sem, chegou diante de mim; a terra, por
Cam e Jafet. suas obras, está cheia de iniqüidade, e
eu os exterminarei com a terra. 14Fa-
Depravação da humanidade ze uma arca de madeiras aplainadas;
farás na arca uns pequenos quartos, e
£ ^ r a , tendo os homens começa- calafetá-la-ás com betume por dentro
u do a multiplicar-se sôbre a ter­ e por fora. 15E hás de fazê-la do se­
ra, e tendo gerado filhas, 2vendo os guinte modo: o comprimento da arca
filhos de Deus que as filhas dos ho­ será de trezentos côvados, a largura
mens eram formosas, tomaram por de cinqüenta côvados, e a altura de
suas mulheres as que, dentre tôdas trinta côvados. 16Farás na arca uma
lhes agradaram. 3E Deus disse: O janela, e darás um côvado de alto ao
meu espírito não permanecerá para seu cume; porás a porta da arca a
sempre no homem, porque é carne; e um lado; e farás nela um andar em
os seus dias serão cento e vinte anos. baixo, um segundo, e um terceiro an­
4Ora, naquele tempo, havia gigantes dar. 17Eis que estou para derramar
sôbre a terra. Porque, depois que os as águas do dilúvio sôbre a terra, para
filhos de Deus tiveram comércio com fazer morrer tôda a carne em que há
as filhas dos homens, e elas geraram espírito de vida debaixo do céu; tudo
filhos, êstes foram homens possantes o que há sôbre a terra será con­
e desde há muito afamados. sumido.
24. E desapareceu, etc. Estas palavras mostram que Henoc não morreu, mas foi levado
por Deus para fora dp mundo.
Cap. V I — 2. Filhos de Deus, os filhos de Set, dotados de caráter religioso. Filhrn dos
homens, descendentes de Caim, as quais, esquecidas de Deus, sòmente se preocupavam
com as coisas terrenas.
3. E os seus d ia s ... o tempo cedido ao gênero humano para fazer penitência será de
cento e vinte anos, depois dos quais, se não se tiver convertido, virá o dilúvio.
13. chegou diante de mim, isto é, foi decretado por mim. — P or suas obras, pelas obras
dos homens.
16. Darás um covado. . . a inclinação do teto será de um côvado.
6- 8 GENESIS 25
Deus convida Noé a entrar na arca se tôdas as fontes do grande abismo,
18Mas contigo estabelecerei a minha e abriram-se as cataratas do céu; 12e
aliança; e entrarás na arca tu e teus caiu chuva sôbre a terra durante qua­
filhos, tua mulher e as mulheres de renta dias e quarenta noites. 13Na-
teus filhos contigo. 19E, de cada espécie quele mesmo dia entrou Noé na ar­
de todos os animais, farás entrar na ca com seus filhos Sem, Cam, e Jafet,
arca dois, macho e fêmea, para que sua mulher e as três mulheres de seus
vivam contigo. “ Das aves, segundo filhos, 14e com êles entraram todos
a sua espécie, e das bêstas, segundo os animais (selváticos), segundo a sua
a sua espécie, de todos os répteis da espécie, e todos os animais (domésti­
terra, segundo a sua espécie; de to­ cos), segundo a sua espécie, e tudo o
dos entrarão contigo dois, para que que se move sôbre a terra, segundo a
possam conservar-se. 21Tomarás tam­ sua espécie, e tudo o que voa, segundo
bém contigo de tôdas as coisas que a sua espécie, tôdas as aves, e tudo o
se podem comer, e as levarás junto que tem asas, 15(todos êstes animais)
de ti (na arca), e servirão de alimento entraram com Noé na arca, dois a
a ti e aos animais. 22Fêz, pois, Noé dois, de tôda a espécie, em que havia
tudo o que Deus lhe tinha ordenado. sôpro de vida. 16E os que entraram e-
ram macho e fêmea de tôda a espécie,
O dilúvio conforme Deus tinha mandado a Noé;
e o Senhor aí o fechou por fora.
7 2E o Senhor disse-lhe: Entra na
■ arca tu e tôda a tua casa, por­ A inundação
que te reconheci justo diante de 17E veio o dilúvio sôbre a terra du­
mim no meio desta geração. T o m a rante quarenta dias; e as águas cres­
de todos os animais puros sete pares, ceram, e elevaram a arca muito alto
macho e fêmea; e dos animais impu­ por cima da terra. 18Inundaram tudo
ros um par, macho e fêmea. T o m a com violência, e cobriram tudo na su­
também das aves do céu sete pares, perfície da terra; a arca, porém, era
macho e fêmea; para se conservar a levada sôbre as águas. 19E as águas en­
raça sôbre a face de tôda a terra. grossaram prodigiosamente sôbre a
4Porque, daqui a sete dias, farei cho­ terra; e todos os mais elevados mon­
ver sôbre a terra durante quarenta tes, que há sob todo o céu, ficaram
dias e quarenta noites; e extermina­ cobertos. “ A água elevou-se quinze cô-
rei da superfície da terra todos os vados acima dos montes, que tinha
sêres (vivos) que fiz. coberto.
“ Tôda a carne que se movia sôbre a
A entrada na arca terra foi consumida: as aves, os ani­
5Fêz, pois, Noé tudo o que o Senhor mais, as feras, e todos os répteis que
lhe tinha ordenado. °E tinha seiscen­ andam de rastos sôbre a terra, e todos
tos anos de idade, quando as águas os homens. 22Tudo o que respira e tem
do dilúvio inundaram a terra. 7Noé vida sôbre a terra, tudo morreu. 23E
entrou na arca com seus filhos, sua foram exterminados todos os sêres
mulher e as mulheres de seus filhos, (vivos) que havia sôbre a terra, des­
por causa (de se salvarem) das á- de o homem até às bêstas, tanto os
guas do dilúvio. 8E também dos ani­ répteis como as aves do céu, tudo foi
mais puros e impuros, e das aves, e exterminado da terra; ficou sòmente
de tudo o que se move sôbre a terra, Noé, e os que estavam com êle na ar­
9entraram na arca com Noé dois a ca. 24E as águas cobriram a terra du­
dois, macho e fêmea, conforme o Se­ rante cento e cinqüenta dias.
nhor tinha mandado a Noé. 10E, pas­ Fim do dilúvio
sados os sete dias, caíram sôbre a ter­
ra as águas do dilúvio. “ N o ano seis­ O 7Ora Deus lembrou-se de Noé,
centos da vida de Noé, no segundo ° e de todos os animais selváti­
mês, aos dezessete do mês romperam- cos, e de todos os animais domésti-
Cap. V I I I — 1. Deus lembrou-se de Noé, p ara lhe conceder um novo benefício, e não
porque o tivesse esquecido.
26 GÊNESIS 8 - 9
cos, que estavam com êle na arca, e e de todos os répteis, que andam de
fêz soprar um vento sôbre a terra, e rastos sôbre a terra, e saí para terra;
as águas diminuíram. 2Fecharam-se crescei e multiplicai-vos sôbre ela.
as fontes do abismo e as cataratas do 18Saiu, pois, Noé com seus filhos, sua
céu, e foram retidas as chuvas (que mulher e as mulheres de seus filhos.
caiam) do céu. 3E as águas, agitadas 19E também saíram da arca todos os
duma parte para outra, retiraram-se animais selváticos e animais domésti­
de cima da terra, e começaram a di­ cos, e os répteis, que andam de rastos
minuir, depois de cento e cinqüenta sôbre a terra, segundo a sua espécie.
dias. 4E, no sétimo mês, no vigésimo “ E Noé edificou um altar ao Senhor,
sétimo dia do mês, parou a arca sôbre e, tomando de todos os animais e de
os montes da Armênia. 5Entretanto tôdas as aves puras, ofereceu-os em
as águas iam diminuindo até ao déci­ holocausto sôbre o altar. 21E (com is­
mo mês; e, no décimo mês, no primei­ to ) recebeu o Senhor um suave odor,
ro dia do mês, apareceram os cumes e disse: Não amaldiçoarei mais a ter­
dos montes. °E, tendo-se passado qua­ ra por causa dos homens, porque os
renta dias, abriu Noé a janela, que ti­ sentidos e os pensamentos do coração
nha feito na arca e soltou um corvo, do homem são inclinados para o mal
7o qual saiu, e não tornou mais, até desde a sua mocidade; não tornarei,
que as águas secaram sôbre a terra. pois, a ferir todos os sêres vivos como
8Mandou também uma pomba depois fiz. 22Durante todos os dias da terra,
dêle, para ver se as águas teriam já a sementeira e a messe, o frio e o ca­
cessado de cobrir a face da terra. 9E lor, o verão e o inverno, a noite e o
ela, não encontrando onde pousar o dia não mais cessarão.
seu pé, tornou a vir a êle para a arca;
porque (ainda) as águas estavam sô­ Deus abençoa Noé
bre a terra; e (N o é ) estendeu a
mão, e, tendo-a tomado, a recolheu na Q 2E Deus abençoou N oé e seus
arca. 10Depois de ter esperado outros filhos. E disse-lhes: Crescei e
sete dias, novamente deitou a pomba multiplicai-vos e enchei a terra. T e ­
fora da arca. nE ela voltou a êle pela mam e tremam na vossa presença to­
tarde, trazendo no bico um ramo de dos os animais da terra, tôdas as aves
oliveira, com as folhas verdes. Enten­ do céu, e tudo o que se move sôbre a
deu, pois, Noé que as águas tinham terra; todos os peixes do mar estão
cessado sôbre a terra. 12Contudo es­ sujeitos ao vosso poder. 3Tudo o que
perou outros sete dias, e mandou a se move e vive será vosso alimento;
pomba que não tornou mais a êle. eu vos dou tôdas estas coisas, como
13Portanto, no ano seiscentos e um (da (vos dei) os legumes verdes, fo m e n ­
vida de N o é ), no primeiro mês, no te não comereis carne com sangue.
primeiro dia do mês, as águas deixa­ 5Porque eu vingarei o vosso sangue da
ram a terra; e Noé, descoberto o teto mão de todos os animais (que o der­
da arca, olhou e viu que a superfície ra m a rem ); e vingarei a vida do ho­
da terra estava sêca. 14N o segundo mem sôbre o homem e sôbre o seu ir­
mês, no vigésimo sétimo dia do mês, mão. 6Todo o que derramar o san­
a terra ficou sêca. gue humano, (será castigado) com a
efusão do seu próprio sangue; porque
o homem foi feito à imagem de Deus.
Saida da arca e sacrificio de Noé 7Crescei, pois, e multiplicai-vos, e es-
15E Deus falou a Noé, dizendo: 16Sai palhai-vos sôbre a terra, e enchei-a.
da arca, tu e tua mulher, teus fi­ A aliança e o arco-íris
lhos e as mulheres de teus filhos con­
tigo. 17Faze sair contigo todos os ani­ 8Disse também Deus a Noé e a seus
mais que estão contigo, de tôdas as filhos com êle: °Eis que vou fazer a
espécies, tanto de aves como de bêstas, minha aliança convosco e com a vos­
21. Porque os sentidos. . . O pecado original deixou em nós o » istinto do mal, a con-
cupiscôncia, fonte de todos os pecados.
Cap. I X — 4. O desígnio de Deus foi inspirar aos homens o espirito de doçura, e a fa s ­
tá-los de derram ar o sangue humano.
9 - 10 GENESIS 27
sa posteridade depois de vós, 10e com soube o que lhe tinha feito o seu fi­
todos os animais viventes, que estão lho mais novo, disse: “ Maldito seja
convosco, tanto aves, como animais Canaã, êle será escravo dos escravos
domésticos e animais selváticos, que de seus irmãos. 28E disse: Bendito se­
saíram da arca, e com tôdas as bês- ja o Senhor Deus de Sem, e Canaã
tas da terra. “ Farei a minha aliança seja seu escravo. 27Dilate Deus a Ja­
convosco, e não tornará mais a pe­ fet, e habite Jafet nas tendas de Sem,
recer tôda a carne pelas águas do di­ e Canaã seja seu escravo. “ Ora Noé
lúvio, nem haverá mais para o futuro viveu ainda depois do dilúvio trezen­
dilúvio que assole a terra. 12E Deus tos e cinqüenta anos. “ E todo o tem­
disse: Eis o sinal da aliança, que fa ­ po da sua vida foi de novecentos e
ço entre mim e vós, e com todos os cinqüenta anos, e morreu.
animais viventes, que estão convosco,
por tôdas as gerações futuras: 13Porei Posteridade dos filhos de Noé
o meu arco nas nuvens\ e êle será o
sinal da aliança entre mim e a terra. 1 A ^ i s a posteridade dos filhos
14E, quando eu tiver coberto o céu de de Noé: Sem, Cam e Jafet; e a
nuvens, o meu arco aparecerá nas êstes nasceram filhos depois do di­
nuvens, 15e me lembrarei dá minha a- lúvio.
liança convosco e com tôda a alma vi- Descendentes de Jafet
vente que anima a carne; e não volta­ 2Filhos de Jafet: Gomer, e Magog,
rão as águas do dilúvio a exterminar e Madai, e Javan, e Tubal, e Mosoc, e
tôda a carne (que vive). 16E o arco Tiras. 3Filhos de Gomer: Arcenez,
estará nas nuvens, e eu o verei, e me
lembrarei da aliança eterna que foi Rifat, e Togorna. 4Filhos de Javan:
feita entre Deus e tôdas as almas v i­ Elisa e Tarsis, Cetim e Dodanin!
ventes de tôda a carne que existe so­ 5Dêstes saíram (os habitantes) das i-
bre a terra. 17E Deus disse a N oé: Ês- lhas das nações nas suas (diversas)
te será o sinal da aliança que eu cons­ regiões, cada um segundo a sua lín­
tituí entre mim e tôda a carne (que gua, e segundo as suas famílias nas
vive) sôbre a terra. diversas nações.
Maldição e bênção de Noé Descendentes de Cam
aos seus filhos
°Filhos de Cam: Cus, e Mesraim, e
18Ora os filhos de Noé, que saíram Fut, e Canaã. 7Filhos de Cus: Saba,
da arca, eram Sem, Cam e Jafet; e e Hevila, e Sabata, e Regma, e Saba-
Cam é o pai de Canaã. 1 89Êstes são os taca. Filhos de Regma: Saba, e Da-
três filhos de Noé, e por êles se pro­ dan. 8Cus gerou também Nemrod, o
pagou todo o gênero humano sôbre qual começou a ser poderoso na terra.
tôda a terra. 20Noé, que era agricul­ •Era um robusto caçador diante do Se­
tor, começou a cultivar a terra, e nhor. Daqui veio êste provérbio: Ro­
plantou vinha. 21E, tendo bebido v i­ busto caçador diante do Senhor como
nho, embriagou-se, e apareceu nu na Nemrod. 10O princípio do seu reino foi
sua tenda. 22E Cam, pai de Canaã, Babilônia, e Arac, e Acad, e Calane,
tendo visto a nudez de seu pai, saiu na terra do Senaar. "Daquela terra
fora a dizê-lo a seus dois irmãos. 23Po- foi para Assur, e edificou Nínive, e as
rém Sem e Jafet puseram uma capa praças da cidade, e Cale, 12e também
sôbre os seus ombros, e, andando pa­ Resen, a grande cidade entre Nínive
ra trás, cobriram a nudez de seu pai, e Cale. 13E Mesraim gerou Ludim, e
tendo seus rostos voltados, e assim Anamim, e Laabim, e Neftuim, 14e Fe-
não viram a nudez de seu pai. 24*Quan- trusim e Casluim, dos quais saíram
do Noé, despertando da embriaguez, os Filisteus e os Caftoreus. 15Canaã
13. O arco-íris já existia antes, m as daqui por diante tornou-se o símbolo celeste da
paz, como o ramo de oliveira da pom ba se tornou o seu símbolo terrestre.
21. E , tendo bebido, etc., Noé nâo pecou, embriagando-se, pois não conhecia a ação
do vinho.
Cap. X — 5. Das ilhas. . . o s Hebreus cham avam ilhas a tôdas as terras situadas além
do mar.
28 GENESIS 10 - 11
gerou Sidônio, seu filho primogênito, célebre o nosso nome, antes que nos
16o Heteu, o Jebuseu, o Amorreu, o espalhemos por tôda a terra. 50 Se­
Gergeseu, 17o Heveu, o Araceu, o Si- nhor, porém, desceu a ver a cidade e
neu, 18o Aradeu, o Samareu e o Ama- a tôrre, que os filhos de Adão edifi-
teu. E, depois disto, espalharam-se os cavam, 6e disse: Eis que são um só
povos dos Cananeus. 19E os limites de povo e têm todos a mesma língua; e
Canaã eram desde Sidônia, na dire­ começaram a fazer esta obra, e não
ção de Gerara, até Gaza, e, na dire­ desistirão do seu intento, até que a
ção de Sodoma e Gomorra e Adaman tenham de todo executado. 7Vinde,
e Seboim, até Lesa. 20Êstes são os f i­ pois, desçamos, e confundamos de tal
lhos de Cam, segundo as suas fam í­ sorte a sua linguagem, que um não
lias, línguas, gerações, países e nações. compreenda a voz do outro. 8E assim
Descendentes de Sem
o Senhor os dispersou daquele lugar
por todos os países da terra, e cessa­
21De Sem, pai de todos os filhos de ram de edificar a cidade. 9E por isso,
Heber, e irmão mais velho de Jafet, lhe foi pôsto o nome de Babel, porque
nasceram também filhos. 22Filhos de aí foi confundida a linguagem de tôda
Sem: Elam e Assur, e Arfaxad, e Lud, a terra, e daí os espalhou o Senhor
e Arão. 23Filhos de Arão: Us, e Hui, por tôdas as regiões.
e Geter, e Més. 24Arfaxad, porém, ge­
rou Salé, de quem nasceu Heber. 26E Posteridade de Sem
a Heber nasceram dois filhos: um 10Eis as gerações de Sem: Sem ti­
chamou-se Faleg, porque em seu tem ­ nha cem anos, quando gerou Arfaxad,
po foi dividida a terra; e seu irmão dois anos depois do dilúvio. “ E Sem,
chamava-se Jectan. 26Êste Jectan ge­ depois que gerou Arfaxad, viveu qui­
rou Elmodad, e Salef, e Asarmot, e nhentos anos, e gerou filhos e filhas.
Jaré, 27e Adurão, e Usai, e Decla, 12E Arfaxad viveu trinta e cinco a-
“ e Ebal, e Abimael, e Saba, “ e Ofir, nos, e gerou Salé. 1*13*E, depois que
e Hévila, e Jobab; todos êstes são f i ­ gerou Salé, viveu Arfaxad trezentos e
lhos de Jectan. 30O país onde êles habi­ três anos, e gerou filhos e filhas.
taram estendia-se desde Messa até Se- 14Salé viveu trinta anos, e gerou He­
far, monte que está ao oriente. 31Ês- ber. 15E, depois que gerou Heber, v i­
tes são os filhos de Sem, segundo veu Salé quatrocentos e três anos, e
as suas famílias, e as suas línguas, e gerou filhos e filhas. 10E Heber viveu
as suas regiões, e os seus povos. “ Es­ trinta e quatro anos, e gerou Faleg.
tas são as famílias de Noé, segundo 17E, depois que gerou Faleg, viveu H e­
os seus povos e as suas nações. Delas ber quatrocentos e trinta anos, e ge­
saíram tôdas as nações da terra de­ rou filhos e filhas. 18E Faleg viveu
pois do dilúvio. trinta anos, e gerou Reu. 19E, depois
Torre de Babel, confusão das línguas que gerou Reu, viveu Faleg duzentos
e dispersão dos povos e nove anos, e gerou filhos e filhas. “ E
Reu viveu trinta e dois anos, e gerou
11 7Ora, a terra tinha uma só lín- Sarug. 21E, depois que gerou Sarug,
11 gua e um mesmo modo de fa ­ viveu Reu duzentos e sete anos, e ge­
lar. 2Mas (os homens), tendo partido rou filhos e filhas. 22E Sarug viveu
do oriente, encontraram uma planície trinta anos e gerou Nacor. 23E, de­
na terra de Senaar, e habitaram nela. pois que gerou Nacor, viveu Sarug du­
3E disseram uns para os outros: Vin­ zentos anos, e gerou filhos e filhas.
de, façamos tijolos e cozamo-los no fo ­ ME Nacor viveu vinte e nove anos,
go. E serviram-se de tijolos em vez de e gerou Taré. “ E, depois que gerou
pedras, e de betume em vez de cal tra­ Taré, viveu Nacor cento e dezenove
çada; 4e disseram: Vinde, façamos anos, e gerou filhos e filhas. “ E Taré
para nós uma cidade e uma tôrre, cujo viveu setenta anos, e gerou Abrão,
cimo chegue até ao céu; e tornemos Nacor e Aran.
Cap. X I — 4. Cujo cirno chegue até ao céu, isto é, que seja extraordinariamente alta.
5. Desceu a ver. .. Expressôo m etafórica p ara indicar que Deus viu perfeitamente
como se fôsse um homem que tivesse descido do céu para presenciar as coisas mais de perto.
l l - 13 GENESIS 29
Descendentes de Taré tenda, tendo Betei ao ocidente, e Hai
27Eis as gerações de Taré: Taré ge­ ao oriente. A í edificou também um al­
rou Abrão, Nacor e Aran. Aran, po­ tar ao Senhor, e invocou o seu nome.
rém, gerou Lot. “ Aran morreu antes •Abrão continuou a sua viagem, an­
de seu pai Taré, na terra do seu nas­ dando e avançando para o meio-dia.
cimento, em Ur dos Caldeus. ” E Abrão Abrão vai ao Egito
e Nacor tomaram mulheres; a mulher
de Abrão chamava-se Sarai; e a de 10Sobreveio, porém, uma fome no
Nacor, Melca, filha de Aran, pai de país; e Abrão desceu ao Egito, para
Melca, e pai de Jesca. 30Sarai, porém, aí viver algum tempo; porque a fome
era estéril, e não tinha filhos. 31To- dominava no (seu) país. “ Quando es­
mou, pois, Taré a seu filho Abrão tava perto de entrar no Egito, disse a
e a Lot, seu neto, filho de Aran, e a Sarai, sua mulher: Conheço que és u-
Sarai, sua nora, mulher de Abrão, seu ma mulher formosa, 12e que, quando
filho, e fê-los sair de Ur dos Caldeus, os Egípcios te virem, dirão: É sua mu­
a fim de irem para o país de Canaã; lher; e matar-me-ão, conservando-te a
e foram até Haran, e aí habitaram. ti. 13Dize, pois, te peço, que és mi­
32E Taré viveu duzentos e cinco anos, nha irmã, para que eu seja bem tra­
e morreu em Haran. tado por causa de ti, e me conservem
a vida, em atenção a ti. 14Tendo, pois,
Vocação de Abrão Abrão entrado no Egito, viram os E-
gípcios que aquela mulher era muito
1 0 *Ora o Senhor disse a Abrão: formosa. 15E os príncipes (do país) fi-
1 “ Sai da tua terra, e da tua pa- zeram-no saber a Faraó, e gabaram-
rentela, e da casa de teu pai, e vem na muito diante dêle; e a mulher foi
para a terra que eu te mostrar. 2E levada ao palácio do Faraó. 16E trata­
eu farei (sair) de ti um grande povo, ram bem Abrão, por causa dela; e êle
e te abençoarei, e engrandecerei o teu teve ovelhas e bois e jumentos, e ser­
nome, e serás bendito. 3Abençoarei vos e servas, e jumentas e camelos.
os que te abençoarem, e amaldiçoarei 170 Senhor, porém, feriu Faraó e a sua
os que te amaldiçoarem; e em ti serão casa com grandíssimas pragas, por
benditas tôdas as nações da terra. causa de Sarai, mulher de Abrão. 18E
4Partiu, pois, Abrão, como o Senhor Faraó chamou Abrão, e disse-lhe: Por
lhe tinha ordenado, e foi com êle Lot. que te houveste comigo desta sorte?
Tinha Abrão setenta e cinco anos, Por que não declaraste que ela era tua
quando saiu de Haran. 5Levou consi­ mulher? 19Por que disseste que ela
go Sarai, sua mulher, e Lot, filho de era tua irmã, para que eu a tomasse
seu irmão, e todos os bens que pos­ por minha mulher? Agora, pois, aí
suíam, e as pessoas que tinham adqui­ tens a tua mulher, toma-a, e vai-te.
rido em Haran; e partiram a fim de WE Faraó deu ordens a seus homens
irem para a terra de Canaã. E, tendo para cuidarem de Abrão; e êles o a-
lã chegado, °Abrão atravessou êste companharam (até à saída do E g ito )
país até o lugar de Siquém, até ao va­ com sua mulher e com tudo o que
le Ilustre. Os Cananeus estavam então possuía.
naquela terra. 7E o Senhor apareceu Abrão volta a Canaã
a Abrão e disse-lhe: Eu darei esta
terra aos teus descendentes. Naquele 1 O ^b rã o, pois, saiu do Egito com
lugar (A brão) edificou um altar ao 10 sua mulher, e com tudo Ovque
Senhor, que lhe tinha aparecido. 8E, possuía, e Lot com êle, e caminhou pa­
passando dali ao monte, que estava ao ra a parte meridional. 2Ora, êle era
oriente de Betei, aí levantou a sua muito rico em ouro e prata. 3E voltou
Cap. X II — 3. E em íl serão benditas. .. N a tua descendência, principalmente em
Jesus Cristo.
P . E as pessoas. . . os escravos que tinham comprado em Haran.
13. Dize que és minha irmã. E ram filhos do mesmo pai (X X , 12). Quanto ao modo de
proceder de A brão nada há de censurável. Exposto a perder a vida e a ver violarem a
castidade de sua mulher, tomou o partido que lhe pareceu mais próprio para evitar o pri­
meiro dêstes males e conjurar o segundo. Sobretudo confiava em Deus.
30 GENESIS 13 - 14
pelo caminho, por onde tinha vindo do 18Portanto, levantando Abrão a sua
meio-dia até Betel, até ao lugar onde tenda, foi habitar ao pé do vale de
primeiro tinha levantado a (sua) ten­ Mambré, que está em Hebron; e aí
da, entre Betei e Hai, 4no lugar onde edificou um altar ao Senhor.
estava o altar que tinha levantado an­
tes; e aí invocou o nome do Senhor. Invasão dos reis Elamitas
Separa-se de Lot 1 Â d a q u e le tempo sucedeu que
Anrafel, rei de Senaar, e A-
5Mas também Lot, que estava com rioc, rei do Ponto, e Codorlaomor, rei
Abrão, tinha rebanhos de ovelhas, e dos Elamitas, e Tadal, rei das Gentes,
manadas, e tendas. 6E a terra não 2fizeram guerra contra Bara, rei de
tinha capacidade para poderem habi­ Sodoma, e contra Bersa, rei de Go­
tar juntos, porque os seus bens eram morra, e contra Senaar, rei de Ada-
muito grandes, e não podiam viver um ma, e contra Semeber, rei de Seboim,
com o outro. 7Daqui nasceu uma con­ e contra o rei de Bala, isto é, Segor.
tenda entre os pastores dos rebanhos 3Todos êstes se juntaram no vale das
de Abrão e os de Lot. Ora, naquele Árvores, que agora é o mar salgado.
tempo, o Cananeu e o Fereseu habita­ 4(0 motivo fo i) porque, tendo estado
vam naquela terra. 8Disse, pois, A- sujeitos doze anos a Codorlaomor, no
brão a L o t : Peço-te que não haja con­ décimo terceiro ano revoltaram-se.
tendas entre mim e ti, nem entre os 5Por isso Codorlaomor foi, no ano dé­
meus pastores e os teus pastores; por­ cimo quarto, com os reis que se lhe
que somos irmãos. 9Eis diante de tinham unido, e desbarataram os Ra-
ti todo o país; rogo-te que te apartes faim em Astarot-Carnaim, e os Zu-
de mim; se fôres para a esquerda, eu zim com êles, e os Emim em Save-
tomarei para a direita; se escolheres a -Cariataim, 6e os Correus nos montes
direita, eu irei para a esquerda. 10Lot, de Seir, até aos campos de Faran
pois, levantando os olhos, contemplou que está no deserto. 7E, voltando (es-
tôda a região em roda do Jordão, tes reis da sua expedição), foram à
a qual, antes que o Senhor destruís­ fonte de Misfat, que é a mesma que
se Sodoma e Gomorra, era tôda re­ Cades, e devastaram todos os países
gada de água, como o paraíso do Se­ dos Amalecitas e dos Amorreus, que
nhor, e como o Egito até Segor. nE habitavam em Asason-Tamar. 8E o
Lot escolheu para si a região do Jor­ rei de Sodoma, e o rei de Gomorra, e
dão, e retirou-se para o oriente; e se- o rei de Adama, e o rei de Seboim, e
pararam-se os dòis irmãos um do ou­ também o rei de Bala, isto é, Segor,
tro. 12Abrão habitou na terra de puseram-se em campanha, e ordena­
Canaã, e Lot nas cidades que estavam ram a batalha no vale das Árvores
ao redor do Jordão, e fixou a sua re­ contra aquêles (príncipes), 9isto é,
sidência em Sodoma. 13Ora, os homens contra Codorlaomor, rei dos Elam i­
de Sodoma eram péssimos, e grandes tas, e Tadal, rei das Gentes, e Anrafel,
pecadores diante de Deus. rei de Senaar, e Arioc, rei do Ponto:
Promessas de Deus quatro reis contra cinco. 10Ora o vale
das Árvores tinha muitos poços de
14E o Senhor disse a Abrão, depois betume. Portanto os reis de Sodoma
que L ot se separou dêle: Levanta os e de Gomorra voltaram as costas e
teus olhos, e olha, desde o lugar em caíram lá dentro; e os que escaparam
que agora estás, para o setentrião e fugiram para o monte. nE (os vence-
para o meio-dia, para o oriente e para dores) levaram tôdas as riquezas de
o ocidente. 15Tôda a terra que vês, eu Sodoma e Gomorra, e todos os víve­
a darei para sempre a ti e à tua pos­ res, e retiraram-se; 12e (levaram )
teridade. 16E multiplicarei a tua des­ também Lot, filho do irmão de Abrão,
cendência como o pó da terra; se al­ que morava em Sodoma, e os seus
gum dos homens pode contar o pó da bens.
terra, poderá também contar o núme­ Vitória de Abrão
ro dos teus descendentes. 17Levanta-te,
e percorre o país em todo o seu com­ 13E eis que um, que escapara, foi
primento; porque eu to hei de dar. dar parte disto a Abrão Hebreu, que
14 - 15 GÊNESIS 31
vivia no vale de Mambré Amorreu, ir­ Fé admirável de Abrão, e
mão de Escol, e irmão de Aner, os promessas de Deus
quais tinham feito aliança com Abrão.
14E Abrão, tendo ouvido que Lot, seu 1C la s s a d o isto, falou o Senhor
irmão, ficara prisioneiro, escolheu os a Abrão numa visão, dizendo:
mais corajosos dos seus servos, em nú­ Não temas, Abrão, eu sou o teu prote­
mero de trezentos e dezoito; e foi no tor, e a tua recompensa (será) exces-
alcance dos inimigos até Dan. 15E, re­ sivamente grande. 2E Abrão disse: Se­
partidos em destacamentos, deu sôbre nhor Deus, que me darás tu? Eu irei
eles de noite, e desbaratou-os; e foi sem filhos; e o filho do procurador da
em seu alcance até Hoba, que fica à minha casa é êste Eliezer de Damasco.
esquerda de Damasco. 16E recobrou 3E acrescentou Abrão: A mim não me
todos os seus bens, e Lot, seu irmão, deste filhos; e eis que meu escravo
com tudo o que lhe pertencia, e tam­ será meu herdeiro. 4Imediatamente o
bém as mulheres e o povo. Senhor lhe dirigiu a palavra, dizen­
do: Êste não será o teu herdeiro, mas
Abrão abençoado por Melquisedec
terás por herdeiro aquêle que nascer
de ti. 5Depois conduziu-o fora, e dis­
17E, quando voltava da derrota de se-lhe: Olha para o céu, e conta, se
Codorlaomor e dos reis que estavam podes, as estréias. Depois acrescentou:
com êle, saiu-lhe ao encontro o rei de Assim será a tua descendência. 6Creu
Sodoma, no vale de Save, que é o vale Abrão em Deus, e (êste ato de fé ) lhe
do Rei. 18E Melquisedec, rei de Salem, foi imputado a justiça.
trazendo pão e vinho, porque era sa­ 7Disse-lhe mais o Senhor: Eu sou
cerdote do Deus Altíssimo, 10o aben­ o Senhor que te tirei de Ur dos Cal-
çoou e lhe disse: Bendito seja Abrão deus, para te dar esta terra, e a pos­
pelo Deus Altíssimo, que criou o céu suíres. 6E Abrão respondeu: Senhor
e a terra; *°e bendito seja o Deus A l­ Deus, por onde poderei eu conhecer
tíssimo, por cuja proteção os inimi­ que a hei de possuir? °E o Senhor
gos estão nas tuas mãos. E (Abrão) continuou: Toma-me (para sacrificar)
deu-lhe o dízimo de tudo. uma vaca de três anos, e uma cabra
de três anos, e um carneiro de três
anos, e também uma rôla e uma pom­
Abrão e o Rei de Sodoma ba. 10E êle, tomando todos êstes ani­
mais, dividiu-os pelo meio, e pôs as
21E o rei de Sodoma disse a Abrão: duas partes uma defronte da outra;
Dá-me os homens, e toma para ti o mas não dividiu as aves. “ Ora as aves
resto. 22Abrão respondeu-lhe: Levan­ (de rapina) desciam sôbre os cadá­
to a minha mão para o Senhor Deus veres, e Abrão as enxotava. 12Ora, ao
Altíssimo, possuidor do céu e da ter­ pôr do sol, veio um profundo sono
ra, 23(e ju ro ) que não receberei nada a Abrão, e um horror grande e tene­
de tudo o que te pertence, desde o broso o acometeu. 13E foi-lhe ditò:
fio de trama até à correia dos sapa­ Sabe, desde agora, que a tua descen­
tos, para que não digas: Eu enrique- dência será peregrina numa terra não
ci Abrão; “ exceto aquilo que êstes sua, e será reduzida à escravidão, e
jovens comeram, e a porção dos ho­ afligida durante quatrocentos anos.
mens que vieram comigo, Aner, Escol, 14Mas eu exercerei os meus juízos sô­
e Mambré; êstes hão de receber a bre o povo ao qual estiverem sujeitos;
sua parte. e sairão depois ( dêsse país) com gran-
Cap. X I V — 18. Trazendo pão e vinho, nâo só para restaurar as fôrças dos combaten-
tes, mas também, e principalmente, p ara oferecer em ação de graças a Deus, porque era
sacerdote.
24. A porção dos homens. . . , isto é, o que toca aos homens que vieram comigo,
Cap. X V — 2. isto é, morrerei. — E o filho do procurador. .. Segundo o texto
hebreu: e o filho herdeiro da minha casa é êste Eliezer de Damasco. Com estas palavras
A b rã o quer frisar a idéia dolorosa de se ver obrigado a deixar os seus bens a um servo,
visto ainda nfto ter filhos.
6. E lhe foi imputado. .. P o r éste ato de fé por outras ações boas anteriores, Deus
deu a A b rão a graça santificante.
32 GENESIS 15 - 17
des riquezas. 15Tu, porém, irás em do no deserto junto da fonte, que
paz para teus pais, e serás sepultado está no caminho de Sur no deserto,
numa ditosa velhice. 16Mas, à quarta 8disse-lhe: Agar, escrava de Sarai,
geração, (os teus) voltarão para aqui, donde vens? e para onde vais? E
porque as iniqüidades dos Amorreus ela respondeu: Fujo da face de Sa­
não estão ainda completas. 17Quando, rai, minha senhora. °E o anjo do
pois, se pôs o sol, formou-se uma es­ Senhor disse-lhe: Volta para a tua
curidão tenebrosa, e apareceu um for­ senhora, e humilha-te debaixo da sua
no fumegante, e uma lâmpada ar­ mão. 10E acrescentou: Eu multiplica­
dente, que passava pelo meio dos ani­ rei extraordinàriamente a tua des­
mais divididos. cendência, e a farei tão numerosa,
que não se poderá contar. “ Disse ain­
Aliança de Deus com Abrão da mais: Eis que concebeste, e darás à
18Naquele dia, fêz o Senhor aliança luz um filho, e lhe porás o nome de
com Abrão, dizendo: Eu darei à tua Ismael, porque o Senhor te ouviu na
descendência esta terra, desde o rio tua aflição. 12Êste será um homem fe ­
do Egito, até ao grande rio Eufrates. roz; a sua mão (se levantará) contra
19Os Cineus, e os Ceneseus, e os Ced- todos, e as mãos de todos (se levanta­
moneus, 20e os Heteus, e os Ferezeus, rão) contra êle; levantará as suas
e também os Rafaim, 21e os Amorreus, tendas defronte de todos os seus ir­
e os Cananeus, e os Gergeseus, e os mãos. 13Então (A g a r) invocou o nome
Jebuseus. do Senhor que lhe falava: Tu és o
Deus que me viste (na minha a fli­
Abrão toma A g a r como esposa ção). Ela disse ainda: Certamente eu
vi aqui as costas daquele que me vê.
1 íj JOra Sarai, mulher de Abrão, “ Por esta razão chamou ela àquele
não tinha gerado filhos; mas, poço o Poço do (Deus) que vive e que
tendo uma escrava egípcia, chamada me vê. Êle está entre Cades e Barad.
Agar, Misse a seu marido: Eis que
o Senhor me fêz estéril, para que não Nascimento de Ismael
dê à luz; toma, pois, a minha escra­
va, a ver se ao menos por ela, posso 15E Agar deu à luz um filho a
ter filhos. E, como Abrão anuísse aos Abrão, o qual lhe pôs o nome de Is­
seus rogos, (Sarai) 8tomou Agar egíp­ mael. 10Tinha Abrão oitenta e seis a-
cia, sua escrava, passados dez anos nos, quando Agar lhe deu à luz
desde que tinham começado a habitar Ismael.
na terra de Canaã, e deu-a por mu­
lher a seu marido. 4E êle aproximou- Mudança do nome de Abrão
se dela. Porém, ela, vendo que tinha I n ^ a s , quando (Abrão) chegou
concebido, desprezou sua senhora. 5E II à idade de noventa e nove a-
Sarai disse a Abrão: Tu tratas-me nos, o Senhor apareceu-lhe, e disse-
dum modo injusto; eu dei-te a mi­ lhe: Eu (sou) o Deus onipotente;
nha escrava por mulher, e ela, vendo anda em minha presença, e sê per­
que concebeu, despreza-me; o Senhor feito. 2E eu farei a minha aliança
seja juiz entre mim e ti. °E Abrão res- entre mim e ti, e te multiplicarei ex­
pondeu-lhe, dizendo: Eis que a tua es­ traordinàriamente. 3Abrão prostrou-
crava está em teu poder, usa dela co­ se com o rosto por terra. 4E Deus
mo te aprouver. Como Sarai, pois, a disse-lhe: Eu sou, e a minha aliança
maltratasse, (A g a r) fugiu. (será) contigo, e tu serás pai de
A g a r no deserto muitas gentes. 5E não mais serás
chamado com o nome de Abrão, mas
7E, tendo-a o anjo do Senhor acha­ chamar-te-ás Abraão, porque te des-
Cap. X v l — 2. Torna, p o is ... Segundo as leis antigas, a mulher estéril podia oferecer,
como espõsa, a seu marido sua própria escrava, e os filhos que nascessem pertenciam,
não à escrava, mas à senhora.
13. Certamente eu vi, etc. Êste texto nâo é claro, provavelmente por ter sido corrom­
pido. N a versão dos Setenta lê-se: Eu vi na face aquêle que se mostrou a mim.
Cap. X V I I — 5. Abraão, em hebreu, ab-raham, significa pai da multidão.
17 - 18 GÊNESIS 33
tinei para pai de muitas gentes. 6Eu noventa? 18E disse a Deus: Oxalá que
te farei crescer (na tua posteridade) Ismael viva em tua presença! 19E Deus
extraordinàriamente, e te farei che­ respondeu a Abraão: Sara, tua mu­
fe das nações, e de ti sairão reis. 7E lher, te dará à luz um filho, e lhe po­
estabelecerei a minha aliança entre rás o nome de Isac, e farei o meu
mim e ti, e entre a tua descendên­ pacto com êle e com a sua descendên­
cia depois de ti no decurso das suas cia depois dêle, por uma aliança çter-
gerações, por um pacto eterno; pa­ na. 20Eu te ouvi também acêrca de
ra que eu seja o teu Deus, e da tua Ismael; abençoá-lo-ei, e o farei cres­
descendência depois de ti. 8Darei a cer e o multiplicarei extraordinària­
ti e à tua posteridade a terra da tua mente; gerará doze príncipes, e farei
peregrinação, (que é) tôda a terra de dêle uma grande nação. 21Mas o meu
Canaã, em possessão eterna, e serei pacto eu o estabelecerei com Isac,
o seu Deus. que Sara te dará à luz no próximo
ano, nesta mesma época. 22E, acaba­
A Circuncisão da que foi esta sua conversação com
êle, retirou-se Deus de Abraão.
°Disse mais Deus a Abraão: Tu,
pois, guardarás a minha aliança, tu e Abraão circuncida sua fam ília
os teus descendentes depois de ti,
nas suas gerações. 10Eis o meu pacto, 23Tomou, pois, Abraão seu filho Is­
que haveis de guardar entre mim e mael, e todos os escravos nascidos em
vós, e a tua posteridade depois de ti: sua casa, e todos os que tinha com­
Todos os homens entre vós serão cir- prado, e em geral todos os homens de
cuncidados; “ circuncidareis a carne do sua casa, e os circuncidou logo no
vosso prepúcio, para que seja o si­ mesmo dia, como Deus lhe tinha or­
nal da aliança entre mim e vós. 120 denado. 24Tinha Abraão noventa e no­
menino de oito dias será circuncidado ve anos, quando se circuncidou. aE
entre vós, todos os homens nas vossas Ismael, seu filho, tinha treze anos
gerações, tanto o escravo (nascido em completos, quando foi circuncidado.
casa), como o que comprardes, e 26Abraão e seu filho Ismael foram cir-
qualquer que não fôr da vossa linha­ cuncidados no mesmo dia. 27E todos
gem, serão cireuncidados. lâE êste meu os homens da sua casa, tanto os es­
pacto (será marcado) na vossa carne cravos (nascidos nela), copio os com­
para (sinal de) aliança eterna. 140 in­ prados e os estrangeiros, ‘ do mesmo
divíduo do sexo masculino, cuja car­ modo foram cireuncidados.
ne não tiver sido circuncidada, uma
tal alma será exterminada do seu po­ Aparição de três Anjos a Abraão
vo, porque violou a minha aliança.
1 0 2E o Senhor apareceu (a A -
Mudança do nome de Sarai AO braao) no vale de Mambré,
quando êle estava assentado à porta
15Disse também Deus a Abraão: A da sua tenda, no maior calor do dia.
Sarai, tua m ulher não chamarás mais 2E, tendo levantado os olhos, apare­
Sarai, mas Sara. 16Eu a abençoarei, ceram-lhe três homens que estavam
e dela te darei um filho, o qual aben­ em pé junto dêle; logo que os viu, cor­
çoarei, e será chefe de nações, e dêle reu da porta da tenda ao seu encon­
sairão reis dos povos. 17Abraão pros- tro, e prostrou-se por terra. 3E disse:
trou-se com o rosto por terra, e riu-se, Senhor, se achei graça diante dos teus
dizendo no seu coração: É possível olhos, não passes (sem parar junto
que a um homem de cem anos nasça do) teu servo. 4Mas eu trarei um. pou­
um filho? e que Sara dê à luz aos co de água, e lavai os vossos pés, e
8. A terra da tua peregrinação, a terra onde agora vives como estrangeiro.
10. Eis o meu pacto, eis o sinal externo da aliança que fiz convosco; a circuncisão. A
circuncisão, diz Bossuet, era o testemunho imortal da m aldição das gerações humanas e
da m ortificação que ê preciso fazer das paixões sensuais que o pecado tinha introduzido.
17. E riu-se. O riso de A braão, diz Santo Agostinho, foi de alegria e não de desconfiança.
20. D oze príncipes, que são nomeados no cap. X X V , 13-15.
Cap. X V I I I — 3-5. Senhor, se achei. .. A b ra ã o começou por se dirigir a um só dos

2 - B íb lia Sagrada
34 GÊNESIS 18
descansai debaixo desta árvore. 5E vos ra Sodoma; e Abraão ia com êles, a-
servirei um pedaço de pão, e refazei companhando-os. 17E o Senhor disse:
as vossas forças, e depois continuareis Acaso poderei eu ocultar a Abraão o
o v o s s o caminho; porque para isso que estou para fazer, 18visto que êle
viestes para o vosso servo. E êles res­ há de vir a ser pai duma nação nume­
ponderam: Faze como disseste. °Foi rosíssima e poderosíssima, e que to­
Abraão depressa à tenda de Sara, e das as nações da terra hão de ser ben­
disse-lhe: Amassa depressa três medi­ ditas nêle? 10Porque eu sei que há de
das de flor de farinha, e faze cozer ordenar a seus filhos e à sua casa de­
pães ao borralho. 7E êle correu à ma­ pois dêle, que guardem os caminhos
nada, e tomou um novilho dos mais do Senhor, e que pratiquem a eqüi-
tenros e melhores, e deu-o a um cria­ dade e a justiça, para que o Senhor
do, o qual se apressou a cozê-lo 8To- cumpra a favor de Abraão tudo o que
mou também manteiga e leite, e o no­ lhe prometeu. 20Disse, pois, o Senhor:
vilho cozido, e pôs (tu do) diante dê- O clamor de Sodoma e de Gomorra
les; e êle, entretanto, estava de pé aumentou, e o seu pecado agravou-se
junto dêles debaixo da árvore. extraordinàriamente. “ Descerei, e ve­
rei se as suas obras correspondem ao
Deus anuncia novamente o clamor que chegou até mim, ou, se
nascimento de Isac assim não é, para o saber.
°E, depois que comeram, disseram- Abraão pede por Sodoma
lhe: Onde está Sara, tua mulher?
Êle respondeu: Ei-la, aí está na ten­ 22E partiram dali, e foram para So­
da. 10E (u m dêles) disse-lhe: Tornarei doma; mas Abraão estava ainda dian­
a vir ter contigo neste mesmo tempo te do Senhor. “ E, aproximando-se (dê-
no próximo ano, e Sara, tua mulher, le ), disse: Perderás tu o justo com o
terá um filho. Sara, ao ouvir isto, ímpio? 24Se houver einqüenta justos
riu-se detrás da porta da tenda. “ Por­ na cidade, perecerão todos juntos? E
que ambos eram velhos, e de idade não perdoarás àquele lugar por causa
avançada, e o que é ordinário às mu­ de einqüenta justos, se aí os houver?
lheres tinha cessado para Sara. 12Ela, 23Longe de ti, que faças tal coisa, e
pois, riu-se secretamente, dizendo: mates o justo com o ímpio, e o justo
Depois que sou velha, e meu senhor seja tratado como o ímpio, isto não é
avançado em anos, entregar-me-ei ao próprio de ti; tu, que julgas tôda a
deleite? 13Mas o Senhor disse a A- terra, de nenhuma sorte farás tal juí­
braão: Por que se riu Sara, dizendo: zo. 26E o Senhor disse-lhe: Se eu a-
Será verdade que eu possa dar à luz char no meio da cidade de Sodoma
sendo já velha? 14Há porventura al­ einqüenta justos, perdoarei por amor
guma coisa (que seja) difícil a Deus? dêles a tôda a cidade. 27E, respondendo
Voltarei a ti, segundo a promessa fe i­ Abraão, disse: Uma vez que comecei,
ta, neste mesmo tempo no próximo falarei ao meu Senhor, ainda que eu
ano, e Sara terá um filho. 15Sara seja pó e cinza. 28Que sucederá, se fa l­
(cheia de medo) negou, dizendo: Eu tarem cinco para os einqüenta jus­
não me ri. Mas o Senhor disse: Não tos? Destruirás tôda a cidade, porque
é assim, mas tu riste-te. nela se acham sòmente quarenta e
Deus anuncia a destruição de Sodoma cinco? E (o Senhor) disse: Não a des­
truirei, se achar nela quarenta e cin­
10Tendo-se, pois, levantado dali a- co. 29(Abraão) continuou e disse-lhe:
quêles homens, voltaram os olhos pa­ E se nela houver quarenta (justos),
personagens que lhe pareceu ser o m ais nobre, e que representava Deus dum modo especial.
E m seguida dirigiu-se a todos os três.
21. Descerei. .. Deus, tendo aparecido sob a form a humana, usa a linguagem dum juiz
humano, que se quer inform ar antes de dar a sentença; porém, já conhecia perfeitamente
os crimes de Sodoma, como se vê no versículo 20.
22. Partiram dali dois daqueles personagens porque o principal, que era ou representava
Deus, ficou junto de Abra&o.
23. Perderás tu, etc. N o diálogo sublime que se vai seguir vê-se dum modo claro a
-eficácia da oração e a bondade de Deus.
18 - 19 GÊNESIS 35
que farás tu? Não a castigarei, disse o abusai delas como vos agradar, con­
Senhor, por amor dos quarenta. “ Ro- tanto que não façais mal algum a
go-te, Senhor, diz (Abraão), que te êstes homens; porque se acolheram
não indignes, se eu (ainda continuo à sombra do meu telhado. 9Êles, po­
a) falar. Que farás tu, se lá houver rém, disseram: Retira-te para lá. E a-
trinta (justos)? Respondeu: Se eu a- crescentaram: Tu entraste aqui como
char nela trinta, não farei ( a sua des­ estrangeiro; será talvez para nos jul­
truição). 31Visto que comecei, disse A- gares? A ti, pois, trataremos pior do
braão, falarei (ainda) ao meu Senhor. que a êles. E forçavam Lot com gran­
E se ali forem achados vinte? Respon­ de violência; e já estavam a ponto de
deu: Não a arruinarei por amor dos arrombar a porta. 10E eis que os (dois)
vinte. ^Eu te conjuro, Senhor, conti­ homens (que estavam dentro) esten­
nuou Abraão, não te enfades, se eu te deram a mão, e introduziram Lot em
falar ainda uma vez: Que será, se lá casa, e fecharam a porta. 11E feriram
forem achados dez justos? E (o Se­ de cegueira os que estavam fora, des­
nhor) disse: Não a destruirei, por a- de o mais pequeno até ao maior, de
mor dos dez. 33E o Senhor retirou-se, sorte que não podiam encontrar a
depois que cessou de falar com A- porta.
braão; e Abraão voltou para sua casa.
Lot sai da cidade com sua fam ília
Os dois anjos em Sodoma
12E disseram a Lot: Tens aqui al­
1 Q 1Sôbre a tarde chegaram os dois gum dos teus? Genro, ou filhos, ou fi­
anjos a Sodoma, quando Lot lhas, faze sair desta cidade todos os
estava assentado às portas da cida­ que te pertencem, “ porque nós va­
de. E êle, tendo-os visto, levantou- mos destruir êste lugar, visto que o
se, e foi ao seu encontro, e prostrou- clamor (dos seus crim es) aumentou
se por terra, 2e disse: Vinde, vos peço, diante do Senhor, o qual nos enviou
senhores, para casa de vosso servo, e para que os exterminemos. 14Lot, pois,
ficai nela; lavareis os vossos pés, e pe­ tendo saído falou a seus genros, que
la manhã, continuareis o vosso cami­ estavam para casar com suas filhas,
nho. E êles disseram: Não, nós ficare­ e disse: Levantai-vos, saí dêste lu­
mos na praça. 3L ot instou com êles gar, porque o Senhor destruirá esta
para que fôssem para sua casa; e, de­ cidade. E pareceu-lhes que (L o t ) fa­
pois que entraram, preparou-lhes um lava zombando. 15Ao amanhecer, ins­
banquete, e fêz cozer uns pães ázimos; tavam os anjos com Lot, dizendo: Le-
e êles comeram. vanta-te, toma tua mulher e as duas
filhas que tens; não suceda que tam­
Perversidade dos Sodomitas bém pereças na ruína da cidade. 18E,
como êle hesitasse, pegaram pela
4Mas, antes que se fôssem deitar, mão a êle, a sua mulher e as suas
os homens da cidade, desde os duas filhas, porque o Senhor queria
meninos até aos velhos, e todo salvá-lo, 17E o tiraram de casa, e o pu­
o povo junto cercaram a casa. 5E seram fora da cidade; e ali lhe fala­
chamaram por Lot, e disseram-lhe: ram, dizendo: Salva a tua vida; não
Onde estão aquêles homens que en­ olhes para trás, e não pares em parte
traram em tua casa ao cair da noite? alguma dos arredores dêste país; mas
Faze-os sair para que os conheçamos. salva-te no monte, para que não pere­
°Saiu Lot, fechando nas suas costas a ças com os outros. 18E Lot disse-lhes:
porta e disse-lhes: 7Não queirais, vos Rogo-te, meu Senhor, 19visto que o teu
rogo, meus irmãos, não queirais fa ­ servo achou graça diante de ti, e u-
zer êste mal. 8Tenho duas filhas, que saste comigo da grande misericórdia
ainda são virgens; eu vo-las trarei, e de salvar a minha vida, (consideres)
Cap. X IX — 6-8. Lot emprega todos os esforços p ara defender os seus hóspedes. Chega
a sacrificar os seus deveres de pai, ofendendo dêste modo a Deus, em bora a sua culpa pos­
sa ser um pouco atenuada pela perturbação em que se encontrava, segundo diz Santo
Agostinho.
18. R ogo-te, meu senhor. Lot reconheceu que quem lhe fa la v a representava Deus e por
isso dirige-se-lhe como a Deus.
36 GENESIS 19 - 20
que eu me não posso salvar no monte, quem nos possamos casar, segundo o
sem correr o perigo de ser apanhado costume de todos os países. 32Vem,
pelo mal, e morrer. 20Eis que está embriaguemo-lo com vinho e durma­
perto uma cidade pequena, para a mos com êle, para que possamos con­
qual posso fugir, e salvar-me-ei nela. servar a linhagem de nosso pai. “ De­
Não é ela pequena, e nela não estará ram, pois, a beber vinho a seu pai na­
segura a minha vida? 212 *E o Senhor quela noite; e a mais velha entrou, e
disse-lhe: Eis que, ainda nisso, eu dormiu com o pai; êle porém, não
ouvi os teus rogos, para não destruir sentiu nem quando ela deitou, nem
a cidade a favor da qual me falaste. quando se levantou. 34No dia seguin­
22Apressa-te, e salva-te lá, porque não te disse a mais velha para a mais no­
poderei fazer nada, enquanto tu lá va: Eis que eu ontem dormi com meu
não tiveres entrado. Por isso puse­ pai; demos-lhe também esta noite a
ram àquela cidade o nome de Segor. beber vinho, e dormirás tu com êle,
23E o sol levantava-se sôbre a terra, para salvarmos a linhagem de nosso
quando Lot entrou em Segor. pai. 35Também, naquela noite, deram
a beber vinho a seu pai, e a filha mais
Castigo de Sodoma nova entrou e dormiu com êle; e nem
então êle sentiu quando ela se deitou,
“ Fêz, pois, o Senhor da parte do nem quando se levantou. 36E as duas
Senhor chover sôbre Sodoma e Go- filhas de Lot conceberam de seu pai.
morra enxofre e fogo (vindo) do céu; 37A mais velha deu à luz um filho,
“ e destruiu estas cidades, e todo o e pôs-lhe o nome de Moab; êste é o
país em roda, todos os habitantes das pai dos Moabitas (que existem) até
cidades, e tôda a verdura da terra. 20E ao dia de hoje. 38A mais nova tarm
a mulher de Lot, tendo olhado para bém deu à luz um filho, e pôs-lhe o
trás, ficou convertida numa estátua de nome de Amon, que quer dizer filho
sal. 27*O ra Abraão, tendo-se levantado do meu povo; êste é o pai dos Amoni­
de manhã, foi ao lugar onde antes ti­ tas (que existem) até ao dia de hoje.
nha estado com o Senhor, Me olhou
para Sodoma e Gomorra, e para tôda Abraão e Sara em G erara
a terra daquela região, e viu que se
elevavam da terra cinzas inflamadas, OA JE Abraão partiu dali para a
como o fumo duma fornalha. “ Quan­ parte do meio-dia, habitou en­
do Deus destruia as cidades daquela tre Cades e Sur, e viveu como peregri­
região, lembrou-se de Abraão, e livrou no em Gerara. 2E, falando de Sara
Lot da ruína destas cidades, nas quais sua mulher, disse: É minha irmã.
tinha habitado. Mandou, pois, Abimelec, rei de Gera­
Origem dos Moabitas e dos Amonitas ra, buscá-la. 3Mas Deus apareceu de
noite em sonhos a Abimelec, e disse-
80E Lot partiu de Segor, e retirou- lhe: Eis que morrerás por causa da
se para o monte com suas duas filhas mulher que roubaste, porque ela tem
(porque temia ficar em Segor), e ha­ marido. 4Ora Abimelec não a tinha to­
bitou em uma caverna, e as duas fi­ cado, e disse: Senhor, matarás tu um
lhas com êle. 31E a mais velha disse povo ignorante e justo? 5Porventura
à mais nova: Nosso pai está velho, e não me disse êle: Ela é minha irmã; e
na terra não ficou homem algum com não me disse ela: Êle é meu irmão?
20. Urna cidade pequena. Lot insiste na circunstância de ser pequena a cidade, para dar
a entender que, tratando-se duma pequena povoação, Deus podia excetuá-la do castigo.
22. Segor significa pequena.
26. Ficou convertida numa estátua de sal, quer por uma rápida incrustação de matérias
salinas, quer por um a precipitação de sal proveniente da evaporação do M ar Morto. Foi
o castigo da sua desobediência e desconfiança.
31-38. Foi abominável o proceder das filhas de Lot. A Sagrada Escritura, narrando fatos
desta natureza, sòmente quer mostrar até onde pode descer a m alícia humana, e o cui­
dado que devemos ter com as nossas más inclinações.
Cap. X X — 2. D isse: É minha irmã, como tinha dito ao entrar no Egito vinte anos antes.
5. E u fiz isto, etc. Naquele tempo a poligamia era lícita e Abimelec desejava unir-se com
.& fam ília de Abraão.
20 - 21 GENESIS 37
F iz isto na simplicidade do meu cora­ téreis tôdas as mulheres da casa de
ção, e com pureza das minhas mãos. Abimelec, por causa de Sara, mulher
6E Deus disse-lhe: Sei que procedeste de Abraão.
com um coração simples; e, por isso,
te preservei de pecar contra mim, e Nascimento de Isac
não permiti que a tocasses. 7Agora,
pois, entrega a mulher a seu marido, 01 ^ r a , o Senhor visitou Sara,
porque êle é profeta; e rogará por ti, como tinha prometido, e cum­
e tu viverás; se, porém, não quiseres priu o que tinha dito. 2E ela concebeu,
restituí-la, sabe que morrerás indubi- e deu à luz um filho na sua ve­
tàvelmente, tu e tudo o que é teu. 8E lhice,-no tempo que Deus lhe predis­
Abimelec, levantando-se logo, sendo sera. 3E Abraão pôs o nome de Isac
ainda noite, chamou todos os seus ser­ ao filho que lhe nascera de Sara. 4E
vos, e contou-lhes tôdas estas coisas, circuncidou-o ao oitavo dia, como
e todos ficaram muito atemorizados. Deus lhe tinha ordenado, Btendo então
°Depois Abimelec chamou também cem anos; porque foi quando seu pai
Abraão, e disse-lhe: Que nos fizeste tinha esta idade que nasceu Isac. °E
tu? Que mal te fizemos nós para a- Sara disse: Deus me deu (u m m oti­
traíres sôbre mim e sôbre o meu rei­ vo de) riso, e todo aquêle que ouvir
no um (tã o) grande pecado? Fizeste- (a nova) rirá juntamente comigo. 7E
nos o que não devêras fazer. 10E, con­ acrescentou: Quem acreditaria que A-
tinuando ainda as suas queixas, disse: braão havia de ouvir dizer que Sara
O que tiveste em vista fazendo isto? amamentaria um filho, que lhe havia
“ Abraão respondeu-lhe: Pensei comi­ de dar à luz, sendo êle já velho?
go mesmo, e disse: Talvez nesta terra Expulsão de A g a r
não há temor de Deus, e me matarão
por causa de minha mulher. 12Por ou­ 8Entretanto cresceu o menino, e foi
tra parte ela é verdadeiramente m i­ desmamado; e, no dia em que foi des-
nha irmã, (com o) filha de meu pai, mamado, deu Abraão um grande ban­
(em bora) não (seja) filha de minha quete. 9Sara, porém, tendo visto o
mãe e eu a recebi por mulher. “ Mas filho de Agar Egípcia, que escarnecia
depois que Deus me tirou da casa de de seu filho Isac, disse para Abraão:
meu pai, eu disse-lhe: Faze-me esta “ Expulsa esta escrava e o seu filho,
graça: em qualquer lugar onde en­ porque o filho da escrava não há de
trarmos, dirás que eu sou teu irmão. ser herdeiro com meu filho Isac.
“ Tomou, pois, Abimelec ovelhas e bois, uÊste falar foi duro para Abraão por
e escravos e escravas, e deu-os a A- causa de seu filho (Ism ael). 12Deus,
braão; e restituiu-lhe Sara, sua mu­ porém, disse-lhe: Não te pareça áspe­
lher, 15e disse-lhe: Esta terra está ro tratar assim o menino e a tua es­
diante de ti, habita onde te agradar. crava. Atende Sara em tudo o que ela
10E disse a Sara: Eis que dei mil te disser, porque de Isac sairá a des­
moedas de prata a teu irmão; com cendência que há de ter o teu nome.
êste (dinheiro) terás um véu sôbre os “ Mas também do filho da escrava fa ­
olhos (em sinal de mulher casada) rei um grande povo, por ser teu
diante de todos os que estiverem con­ sangue.
tigo, e em tôda a parte para onde
A g a r no deserto
fôres; e lembra-te que fôste apanha­
17E, orando Abraão, Deus sarou
da. 16 “ Abraão, pois, levantou-se de ma­
Abimelec e sua mulher, e suas es­ nhã, tomou pão e um odre de água, e
cravas, e deram (novam ente) à luz. pô-lo às costas de Agar, e entregou-lhe
“ Porque o Senhor tinha tornado es­ o menino, e despediu-a. E ela, tendo
16. Lem bra -te que fôste apanhada, devendo por isso ser mais prudente para o futuro.
Cap. X X I — 6. Deus me deu (um motivo de) riso, de alegria, e todos os que tiverem
conhecimento do nascimento do meu filho congratular-se-ao comigo.
12-13. Deus vê a necessidade que há de Ism ael se retirar, .para se evitarem no futuro
lutas entre os dois irmãos, m as promete que o h ã de cum ular de bênçãos.
14. Custou muito a A b ra ã o tratar tão duramente A g a r e Ism ael; todavia obedece a
Deus, que protegeu com todo o carinho os dois expulsos. Deus nunca nos abandona.
38 GENESIS 21 - 22
partido, andava errando pelo deserto melec, e fizeram ambos aliança. “ E
de Bersabéia. 15E, tendo-se acabado a Abraão pôs à parte sete cordeiras do
água do odre, deixou o menino deita­ rebanho. ME Abimelec disse-lhe: Que
do debaixo duma das árvores, que ali querem dizer estas sete cordeiras, que
havia. 10E afastou-se, e sentou-se de­ tu puseste à parte? 80E êle respondeu:
fronte, à distância dum tiro de frecha; Tu receberás estas sete cordeiras da
porque disse: Não verei morrer o me­ minha mão, para que elas me sirvam
nino; e, sentando-se em frente, levan­ de testemunho de como eu cavei êste
tou a sua voz, e chorou. 17E Deus ou­ poço. 31Por isso foi aquêle lugar cha­
viu a voz do menino; e o anjo de Deus mado Bersabéia, porque ali juraram
chamou Agar do céu, dizendo: Que fa ­ ambos. 32E (fo i assim que) fizeram a-
zes, Agar? Não temas, porque Deus liança junto do poço do juramento. 33E
ouviu a voz do menino do lugar em Abimelec levantou-se, e Ficol, general
que está. 18Levanta-te, toma o menino, do seu exército, e voltaram para a ter­
e tem-no pela mão, porque eu farei ra dos Palestinos. Abraão, pois, plan­
dêle um grande povo. 19E Deus abriu- tou um bosque em Bersabéia, e aí in­
lhe os olhos; e ela, vendo um poço de vocou o nome do Senhor Deus eterno.
água, foi a êle, e encheu o odre, e deu 34E foi por longo tempo morador na
de beber ao menino. 20*E (Deus) foi terra dos Palestinos.
com êle; e cresceu, e habitou no de­ Sacrifício de Abraão
serto, e tornou-se um jovem hábil fre-
cheiro. ME habitou no deserto de Fa- 0 9 2Passado isto, tentou Deus a A-
ran, e sua mãe tomou para êle uma “ “ braão, e disse-lhe: Abraão,
mulher do país do Egito. Abraão. E êle respondeu: Aqui estou.
2(E Deus) disse-lhe: Toma Isac, teu
Aliança de A braão com Abimelec filho único, a quem amas, e vai à ter­
ra da visão, e aí o oferecerás em ho­
22Por aquêle mesmo tempo disse A- locausto sôbre um dos montes, que eu
bimelec e Ficol, general de seu exér­ te mostrar. 3Abraão, pois, levantando-
cito, a Abraão: Deus é contigo em tu­ se de noite, pôs a sela ao seu jumento,
do o que fazes. 23*P ortanto, jura por levando consigo dois jovens (servos), e
Deus que me não farás mal, nem aos Isac, seu filho; e, tendo cortado a le­
meus descendentes, nem à minha es­ nha para o holocausto, partiu para o
tirpe, mas que usarás comigo e com lugar que Deus lhe tinha dito. 4E, ao
a terra onde tens vivido como estran­ terceiro dia, levantando os olhos, viu o
geiro, conforme a benevolência com lugar de longe; 5e disse aos seus ser­
que te tratei. “ E Abraão disse: Eu o vos: Esperai aqui com o jumento; eu
jurarei. 25*E queixou-se a Abimelec por e o menino vamos até acolá, e, depois
causa dum poço de água, que os seus de adorarmos, voltaremos a vós. °To-
servos lhe tinham tirado à fôrça. “ E mou também a lenha do holocausto, e
Abimelec respondeu: Eu não soube pô-la sôbre Isac, seu filho; êle, po­
quem fêz tal coisa; nem tão pouco tu rém, levava nas mãos o fogo e o cute­
me informaste, e eu não ouvi falar lo. E, enquanto ambos caminhavam
(disso) senão hoje. 27*Tomou, pois, A- juntos, 7disse Isac a seu pai: Meu
braão ovelhas e bois, e deu-os a Abi­ pai. E êle respondeu: Que queres, f i­
19. A briu-lhe os olhos. A dor como que tinha cegado A g a r, de modo a im pedi-la de
ver a fonte que estava perto dela.
27. E deu-os a Abim elec como penhor da aliança. Abimelec não ofereceu dons por se
encontrar nos seus estados, mas, aceitando os de A braão, comprometeu-se a guardar a
aliança.
33. Plantou um bosque. O hebreu diz: plantou uma tamargueira. Arvore sempre verde
e muito duradoura, devia ser um sinal da aliança com Abimelec.
Cap. X X I I — 1. Tentou Deus a Abraão, isto é, pô-lo à prova, não p a ra o fazer cair,
mas para que êle fôsse um rnodêlo acabado da mais perfeita obediência ao Senhor.
2. A terra da visão, segundo o hebreu: ao país de Moriá.
5. Voltaremos. A braão, em bora torturado pela dor, conserva em sua alm a um a esperança
viva, estando convencido de que Deus pode ressuscitar os mortos. V e r sôbre isto as p ala­
vras de São P aulo (H ebr., X I, 19).
22 - 23 GENESIS 39
lho? Eis, disse (Isac), o fogo e a le­ dado à luz filhos a Nacor, irmão dêle;
nha, (mas) onde está a vítima para o 21Hus, o primogênito, e Bus, seu ir­
holocausto? 8E Abraão respondeu: mão, e Camuel, pai dos Siros, 22e Ca-
Meu filho, Deus deparará a vítima sed, e Azau, e também Feldas e Jed-
para o seu holocausto. Caminhavam, laf, 23e Batuel, de quem nasceu Rebe-
pois, ambos juntos. °E chegaram (f i- ca. Êstes são os oitos filhos que Melca
nalmente) ao lugar que Deus tinha deu à luz a Nacor, irmão de Abraão.
designado, no qual levantou um altar, 24E a sua mulher secundária, chama­
e sôbre êle preparou a lenha; e, tendo da Roma, deu à luz Tabee, e Gaam, e
ligado Isac seu filho, pô-lo no altar Taas e Maaca.
sôbre o feixe de lenha. 10E estendeu
a mão, e pegou no cutelo, para imo­ Morte de Sara
lar seu filho. nE eis que o anjo do Se-
íhor gritou do céu, dizendo: Abraão, OQ JE Sara viveu cento e vinte e
Abraão. E êle respondeu: Aqui estou. sete anos, 2e morreu na cidade
12E (o anjo) disse-lhe: Não estendas de Arbéia, que é Hebron, na terra de
a tua mão sôbre o menino e não lhe Canaã; e Abraão veio para a prantear
faças mal algum; agora conheci que e chorar.
temes a Deus e não perdoaste a teu Abraão compra um sepulcro
filho único por amor de mim. 13A-
braão levantou os olhos, e viu atrás 3E, tendo-se levantado depois de
dè si um carneiro prêso pelos chifres acabado o pranto fúnebre, falou aos
entre os espinhos, e, pegando nêle, o filhos de Het, dizendo; 4Sou foras­
ofereceu em holocausto, em lugar de teiro e peregrino entre vós; dai-me
seu filho. 14E chamou àquele lugar o direito de sepultura entre vós pa­
o Senhor providencia. Donde até ao ra eu sepultar o meu defunto. 5Os
dia de hoje se diz: O Senhor pro­ filhos de Het responderam, dizendo:
videnciará sôbre o monte. 6Senhor, ouve-nos: Tu és entre nós
um príncipe de Deus; sepulta o teu
Deus confirma as promessas feitas defunto nas nossas mais belas sepul­
a Abraão turas, e ninguém te poderá proibir
15E segunda vez chamou o anjo do que sepultes o teu defunto no seu mo­
Senhor a Abraão do céu, dizendo: numento. 7Abraão levantou-se, e in­
16Por mim mesmo jurei, diz o Senhor: clinou-se diante do povo daquela ter­
porque fizeste tal coisa, e não perdo­ ra, isto é, diante dos filhos de Het, 8e
aste a teu filho único por amor de disse-lhes: Se é do vosso agrado que
mim, 1 67eu te abençoarei, e multiplica­
5 eu sepulte o meu defunto, ouvi-me, e
rei a tua estirpe como as estréias do intercedei por mim junto de Efron,
céu, e como a areia que há sôbre a filho de Seor, °para que êle me ceda
praia do mar; a tua descendência pos­ a dupla caverna, que tem na extremi­
suirá as portas de seus inimigos. 18*2 E
0 dade do seu campo; pelo seu justo
na tua descendência s e r ã o b e n d i t a s preço ma ceda diante de vós, para que
tôdas as nações da terra, porque obe­ eu seja seu dono, e dela faça um se­
deceste à minha voz. 10Abraão voltou pulcro. 10Ora Efron estava (sentado)
para (onde estavam) os seus servos, no meio dos filhos de Het. E Efron
e foram juntos a Bersabéia, e aí respondeu a Abraão, ouvindo-o todos
habitou. os que entravam pela porta da sua ci­
dade, dizendo: nDe nenhuma sorte,
Posteridade de Nacor meu senhor, será isso assim, mas an­
tes ouve o que digo: Dou-te o campo
20Depois destas coisas, foi anuncia­ e a caverna que nêle há, em presença
do a Abraão que Melca também tinha dos filhos do meu povo; sepulta o teu
9. E , tendo ligado Isac. Neste momento Isac está convencido de que vai ser imolado,
mas conforma-se com a vontade de Deus, merecendo por isso ser uma figura de Jesus, o
qual, por obediência, se deixou crucificar sôbre a cruz.
17. As portas, isto é, as cidades.
Cap. X X III. — 2. Veio. N ão se pode concluir que estivesse ausente. A esta palavra podem
dar-se duas interpretações: começou a pranteá-la, ou veio à tenda de Sara para a prantear.
40 GÊNESIS 23 - 24
defunto. 3-Abraão inclinou-se diante neus, entre os quais habito; 4mas i-
do povo daquela terra, 13e disse a E- rás à minha terra e aos meus pa­
fron, em presença da multidão: Pe- rentes, e daí tomarás mulher para
ço-te que me ouças: Eu te darei o di­ meu filho Isac. 6Respondeu o servo:
nheiro pelo campo; recebe-o, e assim Se a mulher não quiser vir comigo
sepultarei nêle o meu defunto. 14E para esta terra, porventura devo eu
Efron respondeu: 15Meu Senhor, ouve- reconduzir teu filho para o lugar
me: A terra, que tu pedes, vale qua­ donde saíste? °E Abraão disse: Guar-
trocentos siclos de prata; êste é o da-te de reconduzir jamais para lá
(seu) preço entre mim e ti; mas que o meu filho. 70 Senhor Deus do céu,
é isto? Sepulta o teu defunto. 16Tendo que me tirou da casa de méu pai
ouvido isto, Abraão pesou na pre­ e da terra do meu nascimento, que
sença dos filhos de Het o dinheiro me falou e me jurou, dizendo: À
que Efron tinha pedido, isto é, qua­ tua estirpe darei esta terra; êle man­
trocentos siclos de prata de boa moe­ dará o seu anjo diante de ti e to­
da corrente. marás de lá uma mulher para meu
17E o campo, outrora de Efron, no filho. 8Porém, se a mulher não qui­
qual estava uma dupla caverna, que ser seguir-te, não estarás obrigado ao
olhava para Mambré, tanto o mesmo juramento; somente não reconduzas
(cam po), como a caverna, e tôdas as para lá o meu filho. 9Pôs, portanto,
árvores que estavam em redor dentro o servo a mão debaixo da coxa de
dos seus confins, 18foi cedido em ple­ Abraão, seu senhor, e jurou-lhe fazer
no domínio a Abraão, na presença dos o que lhe tinha sido dito.
filhos de Het, e de todos os que en­ Partida de Eliezer para a Mesopotâmia
travam pela porta daquela cidade.
10E tomou dez camelos do rebanho
Sepultura de Sara de seu senhor, e partiu, levando consi­
go de todos os seus bens, e pôs-se a
19E dêste modo, Abraão sepultou caminho, „ andando para a Mesopotâ­
Sara, sua mulher, na dupla caverna mia, para a cidade de Nacor. “ E, ten­
do campo que olha para Mambré, do pela tarde feito descansar os ca­
que é Hebron, na terra de Canaã. melos fora da cidade junto a um poço
20E foi confirmado a Abraão pelos f i­ de água, na ocasião em que as mulhe­
lhos de Het o domínio do campo e res costumam sair a tirar água, disse:
da caverna, que havia nêle, para 12ô Senhor Deus do meu senhor A-
servir de sepulcro. braão, rogo-te me auxilies hoje, e u-
ses de misericórdia para com meu se­
Missão de Eliezer nhor Abraão. 13Eis que estou ao pé
desta fonte de água, e as filhas dos
2 4 1Ora, Abraão, vendo-se já velho e habitantes desta cidade sairão a vir
de idade avançada, e que o Se­ tirar água. 14Portanto a donzela a
nhor em tudo o tinha abençoado, Mis­ quem eu disser: Inclina o teu cântaro
se ao servo mais antigo da sua casa, para eu beber, e ela responder: Bebe,
que governava tudo o que possuia: e também darei de beber a teus came­
Põe a tua mão por baixo da minha los, essa é aquela que destinaste para
coxa, 3para eu te fazer jurar pelo Se­ o seu servo Isac; e por isto conhece­
nhor Deus, do céu e da terra, que rei que usaste de misericórdia com
não tomarás para mulher de meu o meu senhor. 15Ainda não tinha a-
filho (nenhuma) das filhas dos Cana- cabado de dizer no seu interior estas
(Confr. X X I, 5; XXV, 20).
2. Põe a tua mão, etc. Com êste ato simbólico, a pessoa que fa z ia o juramento com-
Prornetia-sê não só com aquêle em fa v o r do qual o fazia, m as também com os seus des­
cendentes; ou, segundo outros, invocava como vingadores do juram ento os descendentes
daquele em fa v o r do qual era feito.
3. D as filhas dos Cananeus, que eram idólatras de costumes corrompidos.
12. R o g o -t e ... N o hebreu: Fazei-m e encontrar hoje o que eu desejo, o objeto da minha
missão.
24 GÊNESIS 41
palavras, e eis que Rebeca, filha de disse-rne estas coisas, foi ter com a-
Batuel, filho de Melca, mulher de Na- quêle homem, que estava junto dos
cor, irmão de Abraão, saía com um camelos, e perto da fonte, 31e disse-lhe:
cântaro aos ombros. 18Era urna don­ Entra, bendito do Senhor; porque es­
zela linda em extremo, e uma virgem tás fora? Eu já preparei a casa (pa­
formosíssima, e não conhecida por ho­ ra t i), e um lugar para os camelos.
mem algum; tinha descido à fonte, e 32E introduziu-o na habitação, e des­
tinha enchido o cântaro, e já voltava. carregou os camelos, e deu-lhes palha
17Mas o servo saiu-lhe ao encontro, e feno, e (trou x e) água para lavar
e disse: Dá-me de beber um pouco de os pés dêle e dos homens que com
água do teu cântaro. 18E ela respon­ êle tinham vindo. 33Depois foi-lhe
deu: Bebe, meu senhor; e prontamen­ pôsto pão diante. Porém (o servo)
te inclinou o cântaro sôbre o seu bra­ disse: Não comerei enquanto não ex-
ço, e lhe deu de beber. 19E, tendo êle user o que tenho para dizer. (L a -
bebido, ela acrescentou: E também ao) respondeu-lhe: Fala.
para os teu camelos tirarei água, até
que todos bebam. 20E, despejando o Eliezer faz o pedido
cântaro nas pias, correu de novo ao 34Então êle disse: Eu sou servo de
poço a tirar água; e, tirada, deu a to­ Abraão. 350 Senhor encheu de bênçãos
dos os camelos. 21Ora, êle contempla­ o meu senhor, e o engrandeceu, e deu-
va-a em silêncio, querendo saber se lhe ovelhas, e bois, prata e ouro, cria­
o Senhor teria ou não tornado feliz a dos e criadas, camelos e jumentos. 3tíE
sua viagem. 22E, depois que os came­ Sara, mulher do meu senhor, deu à
los beberam, tirou umas arrecadas de luz na sua velhice um filho ao meu
ouro, que pesavam dois sidos, e dois senhor, a quem êle deu tudo o que ti­
braceletes, que pesavam dez siclos. 23E nha. 37E o meu senhor fêz-me jurar,
disse-lhe: De quem és filha? Dize- dizendo: Não tomarás para meu filho
me, há em casa de teu pai lugar em mulher das filhas dos Cananeus, e m .
que se fique? 24Ela respondeu: Eu cuja terra habito; 38mas irás à casa
sou filha de Batuel, filho de Melca, o de meu pai, e tomarás da minha pa-
qual ela deu à luz a Nacor. 25E acres­ rentela mulher para meu filho. 39E eu
centou: Em nossa casa há muita pa­ respondi ao meu senhor: E se a mu­
lha e feno, e lugar espaçoso para ficar. lher não quiser vir comigo? 40O Se­
26Aquêle homem inclinou-se, e adorou nhor’ me disse êle, em cuja presen­
o Senhor, 27dizendo: Bendito o Senhor ça ando, mandará o seu anjo contigo,
Deus do meu senhor Abraão, que não e dirigirá o teu caminho; e tu toma­
retirou a sua misericórdia e a sua ver­ rás para meu filho uma mulher da
dade do meu senhor, e me conduziu minha parentela, e da casa de meu
por um caminho direito à casa do ir­ pai. 41Serás isento da minha maldição,
mão do meu senhor. 28A donzela, pois, quando tiveres ido à casa dos meus
correu, e contou em casa de sua mãe parentes, e êles não ta derem.
tudo o que tinha ouvido. 42Eu, pois, cheguei hoje à fonte, e
disse: ó Senhor, Deus do meu senhor
Hospitalidade em casa de Abraão, se tu dirigiste o meu cami­
Batuel e L abão nho, em que eu agora vou, 43eis que
estou ao pé (desta) fonte de água, e a
29Ora, Rebeca tinha um irmão, cha­ donzela que sair para tirar água, e
mado Labão, o qual, apressado, saiu ouvir de mim: Dá-me de beber um
a ir ter com aquêle homem, onde es­ pouco de água do teu cântaro; 44e ela
tava a fonte. 30E, tendo visto as arre­ me disser: Bebe, e eu tirare* também
cadas e os braceletes nas mãos de sua para os teus camelos, essa é a mulher
irmã, e, tendo ouvido tôdas as pala­ que o Senhor destinou para o filho do
vras que ela referia: Aquêle homem meu senhor. 43Ora, enquanto eu con-

21. Contemplava-a em silêncio. .. para ver se ela fa zia tudo o que êle tinha pedido a
Deus p ara conhecer a futura mulher de Isa<
22. o siclo era ao mesmo tempo um a ra eda e urna unidade de péso, equivalente a
cêrca de 10 gram as.
42 GÊNESIS 24 - 25
siderava comigo em silêncio estas coi­ MNão queirais, lhes disse, demorar-
sas, apareceu Rebeca que vinha com me, porque o Senhor dirigiu o meu
o cântaro, que trazia ao ombro; e des­ caminho; deixai que eu vá para o
ceu à fonte, e tirou água. E eu disse- meu senhor. 5 67E êles disseram: Cha­
lhe: Dá-me um pouco de beber. ^E memos a donzela e saibamos qual é
ela, apressando-se, desceu o cântaro a sua vontade. 58Chamaram-na, pois,
do ombro, e disse-me: Bebe, e eu da­ e, tendo vindo, perguntaram-lhe: Que­
rei também de beber aos teus came­ res ir com êste homem? Ela respon­
los. Eu bebi, e ela deu ( também) água deu: Irei. 59D * eixaram-na, pois, partir
aos camelos. 47E interroguei-a e disse- juntamente com a sua ama de leite,
lhe: De quem és tu filha? E ela res­ e o servo de Abraão, e seus compa­
pondeu: Sou filha de Batuel, filho de nheiros, “ fazendo votos pelas prospe-
Nacor e de Melca. Eu, pois, pendurei- ridades de sua irmã, e dizendo: És
lhe as arrecadas para adornar o seu nossa irmã, cresce em milhares de
rosto, e pus-lhe nas mãos os bracele- milhares, e a tua posteridade possua
tes. 48E, inclinado, adorei o Senhor, as portas de seus inimigos. “ Portan­
bendizendo o Senhor Deus do meu se­ to Rebeca e suas criadas, montadas
nhor Abraão, o qual me conduziu por nos camelos, seguiram aquêle homem,
um caminho direito, a fim de tomar o qual a tôda a pressa voltava pa­
para seu filho uma filha do irmão de ra o seu senhor.
meu senhor. 49Por isso, se usais de
bondade e lealdade com o meu se­ Encontro e casamento de Isac com
nhor, declarai-mo; se, porém, outra Rebeca
coisa é do vosso agrado, dizei-mo
também, para que eu vá para a di­ va02Ora, naquele tempo, Isac passea­
pelo caminho que conduz ao poço,
reita ou para a esquerda.
chamado (poço) do que vive e do que
Consentimento de L abão e Batuel vê; porque habitava no país meridio­
nal. “ E tinha saído ao campo para
“ E Labão e Batuel responderam: meditar, ao cair da noite; e, tendo le­
Do Senhor sairam estas palavras; e vantado os olhos, Viu ao longe Vir os
nós não podemos dizer-te outra coisa camelos. “ Rebeca também, tendo vis­
fora da sua vontade. 51Eis Rebeca na to, Isac desceu do camelo, °®e disse
tua presença, toma-a, e parte, e seja ao servo: Quem é aquêle homem que
esposa do filho de teu senhor, con­ vem pelo campo ao nosso encontro?
form e o Senhor falou. 5zO servo de A- E êle respondeu: É meu senhor. E
braão, tendo ouvido isto, prostrando- ela tomou depressa o véu e cobriu-se.
se por terra, adorou o Senhor. °°E o servo contou a Isac tudo o que
53E, tendo tirado vasos de prata e tinha feito. 67E êle introduziu-a na
de ouro, e vestidos, deu-os a Rebeca tenda de Sara, sua mãe, e recebeu-a
de presente, e também ofereceu dádi­ por mulher; e tão extremosamente a
vas a seus irmãos e à mãe. 54Prepa- amou que moderou a dor que lhe o-
rado o banquete, comeram e beberam, casionara a morte de sua mãe.
e ficaram ali (aquela n oite). E, levan­
tando-se pela manhã, disse o servo: A braão casa com Cetura
Deixai-me ir, para que vá ter com o
meu senhor. OC Abraão, porém, tomou outra
mulher chamada Cetura, 2a
Partida de Rebeca qual lhe deu à luz Zanran, e Jecsan, e
Madan, e Madian, e Jesboc, e Sué.
“ Mas os irmãos dela e a mãe res­ 3Jecsan também gerou Saba e Dadan.
ponderam: Fique a donzela conosco Os filhos de Dadan foram Assurim,
ao menos dez dias, e depois, partirá. e Latussim, e Loomin. 4E de Madian

56. Dirigiu o meu caminho. . . fêz com que eu fôsse feliz na minha viagem, conseguindo
o que desejava, por isso desejo partir quanto antes.
63. Para meditar nas coisas do céu. Belo exemplo, digno de imitação.
65. Tomou depressa o véu, etc., E ra costume, como é ainda hoje entre os árabes, que a
noiva se apresentasse velada ao seu futuro espôso.
25 GENESIS 43
nasceu Efa, e Ofer, e Henoc, e Abida, Nascimento de Esaú e de Jacó
e Eldaa; todos êstes foram filhos de 19Esta é a descendência de Isac, f i­
Cetura. 5E Abraão deu tudo o que lho de Abraão: Abraão gerou Isac,
possuia a Isac; °e pelos filhos das 20o qual tendo quarenta anos, se casou
mulheres secundárias distribuiu dá­ com Rebeca, filha de Batuel Siro, da
divas, e separou-os de Isac, seu f i­ Mesopotãmia, irmã de Labão. 21E
lho, ainda em sua vida, (mandando- Isac orou ao Senhor por sua mulher,
os) para as partes do oriente. porque ela era estéril; e êle o ouviu,
Morte e sepultura de Abraão e permitiu que Rebeca concebesse.
7Ora, os dias da vida de Abraão fo ­ 22Mas as crianças lutavam no seu ven­
ram cento e setenta e cinco anos. 8E, tre; e ela disse: Se assim me havia de
faltando-lhe as forças, morreu numa acontecer, que necessidade havia de
ditosa velhice e em avançada idade, e que eu concebesse? E foi consultar o
cheio de dias; e foi unir-se ao seu Senhor, Mo qual, respondendo, disse:
povo. °E Isac e Ismael, seus filhos, Duas nações estão no teu ventre, e
sepultaram-no na dupla caverna que dois povos (ao sair) do feu ventre se
está situada no campo de Efron, filho dividirão, e um povo vencerá o outro,
de Seor Heteu, defronte de Mambré, e o mais velho servirá ao mais novo.
10o qual (campo Abraão) tinha com­ 24Quando chegou o tempo de dar à
prado aos filhos de Het; aí foi sepul­ luz, eis que foram achados dois gê­
tado êle e Sara, sua mulher. 17E, de­ meos no seu ventre. “ O que saiu pri­
pois da sua morte, Deus abençoou meiro era vermelho, e todo peludo, co­
Isac, seu filho, o qual habitava jun­ mo uma peliça; e lhe foi pôsto o no­
to do poço chamado (p oço) do que me de Esaú. Imediatamente saiu o
vive e do que vê. outro, e sustinha com a mão o pé de
Os descendentes de Ismael seu irmão; e por isso ela o chamou
12Esta é a posteridade de Ismael, f i­ Jacó.
lho de Abraão, que A gar Egípcia, MEra Isac sexagenário quando os
criada de Sara, lhe deu a luz. 13E ês­ meninos lhe nasceram.
tes são os nomes de seus filhos, se­ Esaú vende o Direito de Primogenitura
gundo os seus nomes, e nas suas ge­
rações. O primogênito de Ismael foi 27Tendo crescido, Esaú tornou-se pe­
Nabajot, depois Cedar, e Abdeel, e rito caçador e homem do campo; e
Mabsan, 14e Masma, e Duma, e Mas­ Jacó, homem simples, habitava nas
sa, 15Hadar, e Tema, e Jetur, e Nafis, tendas. “ Isac amava Esaú, porque
e Cedma. 16Estes são os filhos de comia das suas caçadas; e Rebeca a-
Ismael, e êstes os seus nomes segun­ mava Jacó. "Ora, tendo Jacó feito
do as suas aldeias e os seus acampa­ um cozinhado, chegou Esaú do campo,
mentos; êles foram doze príncipes das (m u ito ) cansado, 8Üe disse (a J a có ):
suas tribos. 17E os anos da vida de Dá-me dêsse cozinhado vermelho, por­
Ismael foram cento e trinta e sete, que estou muito cansado. P or esta ra­
e, faltando-lhe as forças, morreu, e zão lhe puseram o nome de Edom.
foi unir-se ao seu povo. 18Êle habi­ aE Jacó disse-lhe: Vende-me o teu
tou desde H evila até Sur, que olha direito de primogenitura. 32Êle respon­
para o Egito, caminhando para a As­ deu: Eis que vou morrer; de que me
síria. Morreu no meio de todos os aproveitará o direito de primogenitu­
seus irmãos. ra? 33Jacó disse: Jura-mo pois. Esaú
Cap. X X V — 8. E foi unir-se ao seu povo, isto ê, aos justos do limbo.
22. Rebeca ficou perturbada por se lem brar de que, se as crianças assim lutavam ,
muito pior seria no futuro. Recorreu, porém, à oração, indo junto de qualquer altar pedir
a Deus que lhe fizesse conhecer a sorte das duas crianças.
23. Duas nações, isto é, os pais de dois povos: os Israelitas e os Edomitas.
25. Cerno urna peliça, ou, segundo o hebreu, como um manto de pêlo. — Jacôj hebr.
y a ’aqob, do verbo 'aqab, que significa suster o calcanhar, suplantar.
30. P o r esta rasão, isto é, porque chamou coisa v ermelha ao alimento, e também pelo
motivo indicado no versículo 25, E saú recebeu o neme de Edom , que significa vermelho.
32. Eis que vou morrer. E is que morrerei em breve, visto estar constantemente exposto
a perigo de morte, por causa de ser caçador; que me im portam, pois, os direitos de pri*
44 GÊNESIS 25 - 26
jurou-lho e vendeu o direito de pri- nQuem quer que tocar a mulher dês-
mogenitura. 34E assim, recebido o te homem será punido de morte.
pão e o cozinhado de lentilhas, comeu
e bebeu, e foi-se, dando-se-lhe pouco Riqueza de Isac e inveja dos Filisteus
de ter vendido o seu direito de pri- 12Isac, pois, semeou naquela ter­
mogenitura. ra, e recolheu no mesmo ano o cên-
Isac em G erara tuplo; e o Senhor o abençoou. 13E
êste homem tornou-se rico, e ia apro­
O íj Sobrevindo, porém, uma fome veitando e crescendo nos bens, até que
naquela terra, depois da este­ se tornou muito poderoso; “ teve tam­
rilidade que tinha havido nos dias de bém possessões de ovelhas e mana­
Abraão, Isac foi ter com Abimelec, das, e de muitos servos. Por isto,
rei dos Palestinos, a Gerara. 2E o tendo-lhe os Palestinos inveja, “ en­
Senhor apareceu-lhe, e disse: Não vãs tulharam-lhe naquele tempo todos os
ao Egito, mas fica na terra que eu poços que os servos de seu pai Abraão
te disser. 3Habita nela como estran­ tinham aberto, enchendo-os de terra;
geiro, e eu serei contigo, e te abençoa­ 10(chegou a coisa a) tanto que o
rei; porque darei a ti e à tua descen­ mesmo Abimelec disse a Isac: Apar­
dência tôdas estas regiões, cumprindo ta-te de nós, porque te tornaste mui­
o juramento que fiz a Abraão, teu pai. to mais poderoso do que nós. 17E êle
4E multiplicarei a tua descendência apartou-se para a torrente de Gerara,
como as estréias do céu; e darei à tua e aí habitou. 18De novo abriu aquê-
posteridade tôdas estas regiões; e na les outros poços, que os servos do seu
tua geração serão abençoadas tôdas as pai Abraão tinham aberto, e os quais,
nações da terra, 5porque Abraão o- morto êle, os Filisteus tinham ante-
bedeceu à minha voz, e guardou os cedentemente entulhado, e pôs-lhe os
meus preceitos e os meus mandamen­ mesmos nomes, que já seu pai lhes ti­
tos, e observou as cerimônias e leis. nha pôsto. 19E cavaram na torrente,
°Isac, pois, ficou em Gerara. 7E, sen­ e acharam água viva. “ Mas também
do interrogado pelos homens daque­ aí os pastôres de Gerara contenderam
le país, acêrca de sua mulher, res­ com os pastôres de Isac, dizendo: A
pondeu: Ê minha irmã; porque tinha água é nossa; por esta razão, em v ir­
mêdo de confessar que estava unido tude do que havia acontecido, chamou
com ela em matrimônio, suspeitando àquele poço Calúnia. 21Abriram ain­
que o matariam por causa da sua be­ da outro poço; e também, por causa
leza. 8E, tendo passado largo tem- dêle, houve rixas, e o chamou Inim i­
>o, e, habitando (sem pre) no mesmo
Í ugar, olhando Abimelec, rei dos P a­
zade. 22Partindo dali, abriu outro po­
ço, pelo qual não contenderam, e
lestinos, por uma janela, viu-o brin­ por isso lhe pôs o nome de Largura,
cando com Rebeca, sua mulher. °E, dizendo: Agora o Senhor nos pôs ao
tendo-o chamado, disse-lhe: Está vis­ largo, e nos fêz crescer sôbre a te r­
to que ela é tua mulher; por que ra.
mentiste tu (dizendo) que é tua ir­ Deus abençoa a Isac
mã? Respondeu: T ive mêdo que me
matassem por sua causa. 10E Abime- 23E daquele lugar subiu a Bersabéia,
lec disse: P or que razão nos enganas­ 24onde, na mesma noite, lhe apareceu
te? Podia suceder que alguém do po­ o Senhor, dizendo: Eu sou o Deus de
vo abusasse de tua mulher, e tu terias Abraão, teu pai; não temas, porçiue
atraído sôbre nós um grande pecado. eu sou contigo; eu te abençoarei, e
E deu esta ordem a todo o povo: multiplicarei a tua descendência, por
mogenitura? Com esta consideração tão superficial, E saú prefere a satisfação presente da
sua gula aos privilégios de primogênito. Isto mostra-nos o cuidado que devemos ter com
os sentidos, que muitas vêzes nos podem levar a perder a herança do céu.
Cap. X X V I — 7. É minha irmã, minha parenta próxim a ( v e r cap. X II, 13).
17. Torrente de Gerara, ou melhor, segundo o hebraico, vale de Gerara, no fundo do
qual havia um a torrente, ordinàriamente séca no verão, m as em cujo leito se encontrava
água, fazendo escavações.
20. Calúnia. N o hebraico *eseq, que significa contenda.
26 - 27 GÊNESIS 45
causa do meu servo Abraão. “ Portan­ respondeu: Aqui estou. 2E o pai dis­
to levantou aí um altar, e, invocando se-lhe: Tu vês que estou velho e
o nome do Senhor, levantou a sua que ignoro o dia da minha morte.
tenda, e ordenou aos seus servos que T o m a as tuas armas, a aljava e o ar­
abrissem um poço. co, e sai (ao ca m p o); e, quando tive­
Aliança entre Isac e Abimelec res caçado alguma coisa, 4faze-me um
guisado como sabes que eu gosto, e
“ Ora Abimelec e Ocozat, seu ami­ traze-mo para eu comer, e (para que)
go, e Ficoi, general do seu exército, a minha alma te abençoe antes de eu
tendo ido de Gerara àquele lugar, morrer. 5Rebeca ouviu isto, e, tendo
27Isac disse-lhes: Por que viestes vós Esaú ido para o campo para cumprir
a mim, a um homem que odiastes o mandado do pai, Misse ela a seu
e expulsastes de vós? “ E êles respon­ filho Jaco: Ouvi teu pai falar com
deram: Nós vimos que o Senhor é Esaú, teu irmão, e dizer-lhe: 7Traze-
contigo, e por isso dissemos: Haja ju­ me da tua caça, e faze-m e um gui­
ramento entre nós, e façamos aliança, sado para comer, e (para que) te
“ para que tu nos não faças mal al­ abençoe na presença do Senhor antes
gum, assim como também nós não te­ de morrer. 8*A gora, pois, meu filho,
mos tocado nada do que é teu, nem segue os meus conselhos: °Val ao
fizemos coisa que te prejudicasse, mas rebanho, e traze-me os dois melhores
te deixamos partir em paz, cheio da cabritos, para que eu faça dêles a
bênção do Senhor. “ Deu-lhes por­ teu pai ( um daqueles) pratos, de que
tanto (Isac) um banquete, e, depois êle come com vontade, 10e, quando
de terem comido e bebido, “ levan­ lho apresentares e êle tiver comido,
tando-se pela manhã, juraram de par­ te abençoe antes de morrer. “ E êle
te a parte (a aliança); e Isac os dei­ respondeu: Tu sabes que Esaú, meu
xou ir em paz para as suas casas. irmão, é um homem peludo, e eu sem
32Ora, no mesmo dia, vieram os servos pêlo; 12se meu pai me apalpar e me
de Isac, dando-lhe a notícia do poço reconhecer, temo que êle julgue que
que tinham aberto, e dizendo: Acha­ eu o quis enganar, e que assim eu
mos água. “ Pelo que (Isac) o cha­ atraia sobre mim a maldição em lu­
mou Abundância; e à cidade foi posto gar da bênção. 13Sua mãe disse-lhe:
o nome de Bersabéia (que conserva) Sobre mim caia essa maldição, meu
até ao dia de hoje. filho; ouve somente a minha voz, e,
partindo, traze o que eu disse. 14Êle
Casamento de Esaú foi, e trouxe (os cabritos), e deu-os a
84Ora Esaú, tendo quarenta anos, sua mãe. Ela preparou o guisado, co­
tomou por mulher Judite, filha de mo sabia ser do gôsto do pai dêle. 15E
Beeri Heteu, e Basemat, filha de E- vestiu Jacó com os melhores vestidos
lon do mesmo país, 85ambas as quais de Esaú, que tinha junto de si em
tinham desgostado o ânimo de Isac casa; 18e, com as peles dos cabritos,
e de Rebeca. envolveu-lhe as mãos, e cobriu a par­
te nua do pescoço. 17E deu-lhe o
Jacó obtém por surprêsa guisado, e entregou-lhe os pães que
a bênção de Isac tinha cozido. 18Jacó, tendo levado
tudo a Isac, disse-lhe: Meu pai! E
0 7 1Ora, Isac envelheceu, e a vista êle respondeu: Ouço. Quem és tu, meu
“ 1 escureceu-se-lhe, e não podia filho? 19E Jacó disse: Eu sou o teu
ver; e chamou- Esaú, seu filho mais filho primogênito, Esaú; fiz como me
velho, e disse-lhe: Meu filho! E êle ordenaste: levanta-te, senta-te, e co-
34-35. E saú casou-se com duas mulheres Cananéias, que eram idólatras e que, por seu
modo de proceder, tinham desgostado Isac e Rebeca. ofendeu a Deus, tornando-se indigno
das bênçãos e promessas messiânicas.
Cap. X X V I I — 16-24. Jacó, instigado por Rebeca, mentiu a seu pai Isac, nao só com
palavras, m as tam bém com açôes, fazendo com que êle julgasse que era Esaú. o ra , a
mentira,. por sua natureza, é sempre ilícita e pecado. T odavia pode ser que tanto Rebeca
como Jacó pensassem, em bora errôneamente, que, neste caso, a m entira era licita, visto
ser em pregada para alcançar os direitos de primogenitura, que E sa ú j& tinha vendido por
46 GÊNESIS 2;
me da minha caçada, a fim de que a Êle respondeu: Sou o teu filho primo­
tua alma me abençoe. “ E Isac disse gênito Esaú. 33Isac ficou possuído de
outra vez a seu filho: Como pudeste um espanto extraordinário; e, admi-
encontrar tão depressa, meu filho? E rando-se mais do que se pode crer,
êle respondeu: Foi vontade de Deus disse: Quem é, pois, aquêle que, há
que depressa se me apresentasse o que pouco, me trouxe a caça que apanhou,
eu queria. 21E Isac disse: Chega aqui, e eu comi de tudo antes que tu vies­
meu filho, para que eu te apalpe e ses? E eu o abençoei, e êle será ben­
reconheça se és o meu filho Esaú, dito. 34Esaú, ouvidas as palavras do
ou não. 22Aproximou-se do pai, e, pai, gritou com grande clamor, e,
tendo-o apalpado, Isac disse: A voz consternado, disse: Dá-me também a
verdadeiramente é a voz de Jacó, mas mim a bênção, meu pai. “ Êle disse: O
as mãos são as mãos de Esaú. “ E não teu irmão veio fraudulentamente, e
o conheceu, porque as mãòs peludas e- recebeu a tua bênção. 30E Esaú pros­
ram semelhantes às do mais velho. seguiu: Com razão lhe foi pôsto o no­
Portanto, abençoando-o, 24disse: Tu és me de Jacó; porque eis que pela se­
o meu filho Esaú? Respondeu: Eu o gunda vez me suplantou; primeiro
sou. 25E êle disse: Serve-me os guisa­ tirou-me o direito da primogenitura,
dos da tua caçada, meu filho, para que e agora novamente me roubou a mi­
a minha alma te abençoe. Jacó servi u- nha bênção. E disse de novo ao pai:
lhos, e, depois que comeu, ofereceu- Porventura não reservaste uma bên­
lhe também vinho, bebido o qual, ção também para mim? 37Isac res­
26(Isac) lhe disse: Aproxima-te de pondeu: Eu o constituí teu senhor, e
mim, e dá-me um beijo, meu filho. sujeitei à sua servidão todos os seus
"Aproximou-se, e beijou-o. E, logo irmãos; estabeleci-o na posse do trigo
que sentiu a fragrâncla de seus ves­ e do vinho; depois disto, meu filho,
tidos, abençoando-o disse: que te posso eu fazer? 38Esaú disse-
Eis que o cheiro de meu filho é lhe: Porventura, ó pai, tens uma só
como o cheiro dum campo florido que bênção? Rogo-te que me abençoes
o Senhor abençoou. “ Deus te dê do também a mim. E como rompesse
orvalho do céu, e da fertilidade da num grande pranto, 39Isac, comovido,
terra, e abundância de trigo e de v i­ disse-lhe: N a abundância da terra, e
nho. “ E os povos te sirvam, e as tri­ no orvalho (que vem ) do alto do céu
bos te reverenciem; sê o senhor de será a tua bênção. 40Viverás da espa­
teus irmãos; e inclinem-se diante de da, e servirás a teu irmão; porém v i­
ti os filhos de tua mãe. Aquêle que rá tempo em que sacudas e desates
te amaldiçoar, seja amaldiçoado, e o* o seu jugo da tua cerviz.
que te abençoar, seja cumulado de
bênçãos. Ameaças de Esaú. Rebeca m anda
Jacó à Mesopotâmia
Volta de Esaú
"Portanto Esaú odiava sempre Ja-
^Apenas Isac tinha acabado de fa­ có por causa da bênção com que o pai
lar, e Jaco tinha saído, chegou Esaú. o abençoara, e disse no seu coração:
31E levou ao pai os guisados prepara­ Virão os dias do luto por meu pai, e
dos da sua caçada, dizendo: Levanta- eu matarei Jacó, meu irmão. 42Estas
te, meu pai, e come da caça de teu f i­ coisas foram referidas a Rebeca, a
lho, para que a tua alma me abençoe. qual, mandando chamar seu filho Ja­
32E Isac disse-lhe: mas quem és tu? có, lhe disse: Eis que Esaú, teu ir-
um prato de lentilhas. Houve grandes Padres da Ig re ja que julgaram êste proceder isento
de culpa; não adm ira, pois, que Jacó e Rebeca errôneamente o considerassem lícito.
27. E , logo que sentiu a fragrãncia,, devido às plantas arom áticas doa capapos, colocadas
nas caixas onde se guardavam os vestidos.
30-40. E saú procura obter para si a bênção reservada aos primogênitos; Isac, porém,
persiste em não retirar a bênção dada a Jacó, reconhecendo que ê essa a vontade de
Deus. Todavia, comovido pelos rogos e lágrim as de Esaú, deu-lhe também um a bênção,
m as de natureza muito inferior ã que tinha dado a Jacó.
39. N a abundância. .. O texto hebraico diz: Sem a abundância da terra e sem o orvalho
do céu será a tua bênção.
27 - 28 GENESIS 47
mão, ameaça que te há de matar. 43A- cendo a seus pais, fôra para a Síria;
gora, pois, meu filho, ouve a minha 8reconhecendo também que seu pai
voz, e foge ligeiro para (casa de) La- não via com bons olhos as filhas de
bão, meu irmão, em Haran; 44e ha­ Canaã, 9foi à casa de Ismael, e, além
bitarás com êle algum tempo, até que das que já tinha, tomou por mulher
se aplaque o furor do teu irmão, " e a Maelet, filha de Ismael, filho de
cesse a sua indignação, e se esqueça Abraão, irmã de Nabajot.
do que lhe fizeste; depois mandarei
(lá alguém) e te farei conduzir de lá Viagem e visão de Jacó
para aqui. Por que hei de eu perder
ambos os meus filhos num só dia? 4 56E 10Jacó, pois, tendo partido de Ber-
Rebeca disse a Isac: estou desgosto- sabéia, ia para Haran. nE, tendo che­
sa da vida por causa das filhas de Het. gado a um certo lugar, e, querendo
Se Jacó tomar mulher da linhagem nêle descansar depois do sol pôsto,
desta terra, não quero mais viver. tomou uma das pedras que ali esta­
vam, e, pondo-a debaixo da cabeça,
Isac manda Jacó à Mesopotâmia dormiu naquele mesmo lugar. 12E viu
em sonhos uma escada posta sôbre
Ofi 1Portanto Isac chamou Jacó, e a terra, cujo cimo tocava o céu, e os
abençoou-o, e deu-lhe esta or­ anjos de Deus subindo e descendo
dem, dizendo: Não tomes mulher da por ela, 13e o Senhor apoiado na es­
geração de Canaã, 2mas parte, e cada, que lhe dizia: Eu sou o Senhor
vai para a Mesopotâmia da Síria, pa­ Deus de Abraão, teu pai, e Deus de
ra casa de Batuel, pai de tua mãe, Isac; darei a ti e à tua descendência
e toma de lá esposa entre as filhas a terra em que dormes. 14E a tua pos­
de Labão, teu tio. 3E Deus onipoten­ teridade será como o pó da terra;
te te abençoe, e te faça crescer e te dilatar-te-ás para o ocidente, e para
multiplique, para que sejas pai duma o oriente, e para o setentrião, e para
multidão de povos. 4Êle te dê a ti e o meio-dia; e serão abençoadas em ti
à tua posteridade depois de ti as bên­ e na tua geração todas as tribos da
çãos de Abraão, para que possuas a terra. 15Eu serei o teu protetor para
terra onde vives como peregrino, a onde quer que fores, e te reconduzi­
qual êle prometeu a teu avo. 5E, ten- rei a esta terra, e não te abandonarei
do-o Isac despedido, partiu e diri­ sem cumprir tudo o que disse. 16Tendo
giu-se para a Mesopotâmia da Síria, Jacó despertado do sono, disse: Na
para casa de Labão, filho de Batuel verdade o Senhor está neste lugar, e
Siro, irmão de Rebeca, sua mãe. eu não o sabia. 17E, cheio de pavor,
disse: Quão terrível é êste lugar! Não
N ovo casamento de Esaú há aqui outra coisa senão a casa de
6Ora, Esaú, vendo que seu pai ti­ Deus e a porta do céu. 18Levantando-
nha abençoado Jacó, e o tinha man­ se, pois, Jacó, ao amanhecer, tirou a
dado para a Mesopotâmia da Síria, pedra, que tinha pôsto debaixo da ca­
para lá tomar mulher; e que, depois beça, e erigiu-a em padrão, derraman­
da bênção, lhe tinha dado esta ordem, do óleo sôbre eia. 19E pôs o nome de
dizendo: Não tomarás mulher das f i­ Betei à cidade que antes se chamava
lhas de Canaã; 7e que Jacó, obede­ Lusa.
45. P o r que hei de eu perder ambos os meus filh o s ... Jacó será. morto pela m ão crimi­
nosa de Esaú, e êste pela m ão da justiça vingadora (G ên., IX , 6>.
46. N ã o quero mais viver, o s meus dias serão tfto tristes que preferirei morrer,
Cap. X X V I I I — 9. Além das que já tinha. Estas palavras são um a condenação tácita
da poligam ia de Esaú.
12-13. A escada, vista em sonhos por Jacó, é um símbolo das consoladoras relações do
céu com a terra. Os anjos, como mensageiros de Deus, sobem p a ra lbe levar as orações e
necessidades dos homens, e descem trazendo os seus auxílios e consolações.
16. N a verdade, etc. Jacó sabia que Deus estava em tôda parte; ignorava, porém, que
aquêle lu gar estivesse consagrado ao Senhor, e nâo esperava nêle um a tão solene m anifes­
tação de Deus.
18. Derramando Óleo sôbre ela para a consagrar.
48 GÊNESIS 28 - 29
Voto de Jacó a pedra que tapava o poço. WE, de­
pois de ter dado de beber ao seu re­
. “ Também fêz voto dizendo: Se banho, beijou-a; e, levantando a voz,
Deus fôr comigo, e me proteger na chorou, 12e declarou que era irmão de
viagem que empreendi, e me der pão seu pai, e filho de Rebeca; e ela, cor­
para comer, e vestido para me cobrir, rendo, foi noticiá-lo a seu pai, 13o
ae eu voltar felizmente à casa de meu qual, tendo ouvido que tinha chegado
pai, o Senhor será meu Deus, 2 12e esta Jacó, filho de sua irmã, correu ao
pedra, que erigi em padrão, será cha­ seu encontro, e abraçou-o, e beijou-o
mada casa de Deus; e de tôdas as coi­ muitas vêzes, e levou-o à sua casa. E,
sas que me deres te oferecerei (6 Se­ ouvidos os motivos da sua viagem,
nhor) o dízimo. 14respondeu: Tu és o meu osso e a mi­
Chegada de Jacó a H aran
nha carne. E, passado um mês, 15dis-
se-lhe: Acaso, porque és meu irmão,
2Q ^ en d o partido (daquele lugar), me servirás de graça? Dize-me que
Jacó dirigiu-se para o país paga queres.
do Oriente. 2E viu um poço no cam­ Casamento de Jacó com L ia
po, e, repousando junto dêle, três re­ e com Raquel
banhos de ovelhas; porque dêle se
dava de beber aos rebanhos, e a sua 16Ora, Labão tinha duas filhas: A
bôca estava tapada com uma grande mais velha chamava-se Lia, e a mais
pedra. 3Era costume (so) tirarem a nova Raquel. 17Lia, porém, tinha os
pedra depois de estarem reunidos to­ olhos remelosos, enquanto que R a­
dos os rebanhos, e, depois que êles quel era formosa de rosto, e de gentil
tinham bebido, tornavam-na a colo­ presença. ,8E Jacó, tendo-lhe amor,
car sobre a bôca do poço. 4E (Jacó) disse (a L a b ã o): Eu te servirei sete
disse aos pastores: Irmãos, donde sois anos por Raquel, tua filha mais no­
vós? E êles responderam: De Haran. va. 19Labão respondeu: Melhor é que
5E interrogou-os: Conheceis porven­ eu a dê a ti, do que a outro homem;
tura Labão, filho de Nacor? Disse­ fica comigo. 2oJacó, pois, serviu sete
ram: Conhecemos. 6Estã de saúde? anos por Raquel; e êstes lhe parece­
disse êle. Está bom, responderam; e, ram poucos dias pela grandeza do a-
eis Raquel, sua filha, que vem com o mor (que lhe tinha). 21E disse a L a ­
seu rebanho. 7Jacó disse: Ainda é bão: Dá-me minha mulher, pois já
muito dia, e ainda não é tempo de se está completo o tempo de eu a tomar
recolherem os rebanhos aos currais; por esposa. 22E (Labão) fêz as bodas,
dai primeiro de beber às ovelhas, e de­ tendo convidado para o banquete uma
pois reconduzi-as ao pasto. 8Êles res­ grande turba de amigos. “ E, à noite,
ponderam: Não o podemos fazer en­ introduziu sua filha Lia na câmara
quanto não estejam juntas tôdas as o- de Jacó, 24dando à filha uma escrava
velhas, e não tiremos a pedra da bô­ chamada Zelfa. E Jacó, tendo ficado
ca do poço, para darmos de beber a com ela segundo o costume, viu pela
todos os rebanhos (conjuntam ente). manhã que era Lia; 25*e disse ao seu
°Ainda êles estavam falando, e eis sogro: Que é isto que me quiseste fa ­
ue Raquel chegava com as ovelhas zer? Porventura não te servi eu por
e seu pai; porque ela pastoreava o. Raquel? Por que razão me enganas­
rebanho. 10E Jaco, tendo-a visto, e sa­ te? 2OLabão respondeu: N o nosso país
bendo que era sua prima, e que as o- não é costume casarem-se as mais no­
velhas eram de Labão, seu tio, tirou vas primeiro. 27Acaba a semana destas
21. O Senhor será meu Deus. Promete honrar a Deus com um culto especial.
22. Casa de D eus, isto é, lu gar onde Deus manifestou, dum modo especial, a sua pre­
sença. — Porta do céu, porque tinha visto o céu aberto, e os anjos entrando e saindo.
Cap. X X IX — 11. B eijou -a , como é costume fazer-se no Oriente entre os parentes
próximos.
12. Irm ão, parente.
14. Tu és o meu osso, etc., eu e tu somos da mesma fam ília, tu és um outro eu.
23-24. O longo véu que envolvia completamente L ia, segundo o costume oriental, e a
escuridão da câm ara nupcial explicam fàcilmente como é que Lab&o pôde enganar Jacó.
29 - 30 GÊNESIS 49
núpcias e dar-te-ei também a outra dando-me um filho; por isso o cha­
pelo trabalho que me prestarás du­ mou Dan. 7E, concebendo Bala segun­
rante outros sete anos. “ Acomodou- da vez, deu à luz outro filho, 8do
se (Jacó) à proposta, e, passada a qual Raquel disse: O Senhor me fêz
semana, casou-se com Raquel, “ à qual entrar em competência com minha
o pai tinha dado a (sua) escrava Ba­ irmã, e eu venci; e chamou-ó Neftali.
la. 30E (J acó), tendo enfim alcançado
as núpcias desejadas, preferiu no seu Casamento de Jacó com Zelfa
amor a segunda à primeira, e conti­
nuou servindo Labão outros sete anos. 9Lia, vendo que tinha cessado de ter
filhos, deu a seu marido sua escrava
Zelfa. 10E, tendo ela concebido e da­
Primeiro filho de Jacó do à luz um filho, “ L ia disse: Em
31Mas o Senhor, vendo que êle des­ boa hora; e por isso lhe pôs o nome
prezava Lia, tornou-a fecunda, per­ de Gad. 12Zelfa deu à luz ainda outro
manecendo estéril a irmã. 32E ela con­ filho. 13E Lia disse: Isto é por minha
cebeu e deu à luz um filho, e pôs-lhe dita, porque as mulheres me chama­
o nome de Ruben, dizendo: O Senhor rão ditosa, por isso o chamou Aser.
viu a minha humilhação, e agora o
meu marido me amará. 33E conce­ Outros filhos de Jacó
beu novamente e deu à luz um filho, 14Ora, Ruben, tendo saído ao cam­
e disse: Porque o Senhor ouviu que po no tempo d& ceifa do trigo, achou
eu era tratada com desprêzo, me deu umas mandrágoras; e levou-as a Lia
também êste (filh o ) ; e pôs-lhe o nome sua mãe. E Raquel disse (a L ia ): Dá-
de Simeão. 34E concebeu terceira vez e me parte das mandrágoras do teu fi­
deu à luz um outro filho, e disse: A- lho. 15Ela respondeu-lhe: Porventura
gora se unirá (ainda mais) a mim o parece-te pouco teres-me roubado o
meu marido, porque lhe dei à luz marido, senão que também me queres
três filhos; e por isso chamou a êste levar as mandrágoras de meu filho?
Levi. “ Concebeu quarta vez e deu à Raquel disse: (E u consinto que êle)
luz um filho, e disse: Agora louvarei durma esta noite contigo pelas man­
o Senhor; e por isso pôs-lhe o nome drágoras de teu filho. 10E, quando
de Judá; e cessou de dar à luz. Jacó à tarde voltava do campo, Lia
saiu-lhe ao encontro, e disse-lhe: V i­
Casamento de Jacó com B a la rás comigo, porque eu te tomei pelo
preço das mandrágoras de meu filho.
0 6 2Ora, Raquel vendo-se infecun- E (Jacó) dormiu aquela noite com ela.
da, teve inveja de sua irmã, e 17E Deus ouviu os rogos dela; e con­
disse a seu m arido: Dá-me filhos, cebeu, e deu à luz o quinto filho. 18E
senão morrerei. 2Jacó, enfadado, res­ disse: Deus me deu o pago, porque
pondeu-lhe: Acaso estou eu em lugar dei a minha escrava ao meu marido;
de Deus, que te privou do fruto do teu e pôs-lhe o nome de Issacar. 19Conce-
ventre? 3E ela disse: Eu tenho (m i- bendo novamente, Lia deu à luz o
nha) serva Bala; toma-a para que ela sexto filho, 20e disse: Deus me dotou
dê à luz sobre os meus joelhos, e eu com um bom dote; meu marido esta­
tenha filhos dela. 4E deu-lhe Bala rá comigo ainda esta vez, porque eu
por mulher, a qual, 5depois que Jacó lhe dei seis filhos; por isso lhe pôs
a tomou, concebeu, e deu à luz um f i­ o nome de Zabulão. 21Depois disto
lho. 6E Raquel disse: O Senhor jul­ (L ia ) deu à luz uma filha, chamada
gou a meu favor, e ouviu a minha voz, Dina.

Cap, X X X — 1. Teve inveja de sua irmã. Em bora a poligam ia fôsse permitida, vê-se
bem por êste versículo e pelos seguintes, os seus grandes inconvenientes, náo só para
conservar a paz no seio das fam ílias, m as também para a educação dos filhos.
3. Receber um recém-nascido sôbre os joelhos era considerá-lo como filho próprio,
adotá-lo.
14. Mandrágora é um a planta, à qual os antigos atribuíam a virtude de fazer cessar a
esterilidade.
50 GÊNESIS 30 - 31
220 Senhor lembrou-se também de tregou nas mãos de seus filhos todo o
Raquel, ouviu-a e tornou-a fecunda. rebanho que era duma só côr, isto é,
23E concebeu, e deu à luz um filho, de pêlo branco e negro. 36*E pôs a dis­
dizendo: Deus tirou o meu opróbrio; tância de três dias de jornada entre si
24e pôs-lhe o nome de José, dizendo: e o genro, o qual apascentava o res­
O Senhor me dê ainda outro filho. tante dos seus rebanhos.
Convenção entre Jacó e Labão Estratagemas de Jacó
25Nascido, porém, José, disse Jacó 37Jacó, pois, tomando varas verdes
a seu sogro: Deixa que eu volte para de choupo e de amendoeira e de plá­
a (m inha) pátria, e para a minha ter­ tano, tirou-lhes parte da casca; tirada
ra. 26Dá-me as mulheres e os meus a casca (nos lugares) onde as varas
filhos, pelos quais eu te tenho servi­ tinham sido descascadas, apareceu o
do, para que. eu me vá; tu sabes que branco; e onde tinham ficado intac­
serviços te tenho prestado. 27Labão tas permaneceram verdes; e isto cau­
disse-lhe: Ache eu graça diante de sou (nas varas) uma variedade de
teus olhos. Reconheci, por experiên­ côres. 38*E pô-las nos canais onde se
cia, que Deus me abençoou por cau­ lançava a água, para que, quando os
sa de ti. “ Determina tu a recompen­ rebanhos fôssem beber, tivessem as
sa que deverei dar-te. varas diante dos olhos, e concebessem
29Mas êle respondeu: Tu sabes de olhando para elas.
que modo te servi, e quanto os teus ®E aconteceu que, no mesmo calor
bens aumentaram nas minhas mãos. do coito, as ovelhas olhavam para as
30Tinhas pouco, antes que eu viesse varas, e davam à luz cordeiros man­
para ti, e agora tornaste-te rico; chados e variegados e pintados de di­
e o Senhor te abençoou com a minha versas côres. 40E Jacó separou o seu
vinda. É, pois, justo que eu pense tam­ gado, e pôs as varas nos canais diante
bém agora (em estabelecer) a minha dos olhos das cabras; e tudo o que
casa. 31E Labão disse-lhe: Que te hei era branco ou negro pertencia a L a ­
de eu dar? Respondeu-lhe Jacó: Não bão, e o restante a Jacó, tendo os re­
quero nada (em dinheiro) ; mas, se banhos separados entre si. "Quando,
fizeres o que vou pedir-te, continuarei pois, na primavera, as ovelhas deviam
a apascentar e a guardar os teus reba­ conceber, Jacó punha as varas nos ca­
nhos. 32Passa pelo meio de todos os nais da água diante dos olhos dos car­
teus rebanhos, e separa tôdas as ove­ neiros e das ovelhas, para que elas
lhas de diversas côres, e de pêlo ma­ concebessem olhando para as varas.
lhado; e tudo o que nascer fosco, e 42Mas, quando as ovelhas concebiam
malhado, e vário, tanto entre as ove­ no outono pela segunda vez, não pu­
lhas como entre as cabras, será a m i­ nha as varas. Assim o que era conce­
nha recompensa. 33E amanhã me da­ bido no outono, era para Labão, e o
rá testemunho a minha justiça, quan­ que era concebido na primavera, era
do chegar o tempo combinado entre para Jacó. 43E êle tornou-se extraor-
nós; e tudo o que não fôr de côres dinàriamente rico, e teve muitos re­
variegadas, ou manchado, ou fosco, banhos, escravos e escravas, camelos
tanto entre as ovelhas como entre as e jumentos.
cabras, me arguirá de furto. 34*E L a ­ Jacó foge da Mesopotâmia
bão disse: Agrada-me o que pedes.
35E, naquele dia, Labão separou as ca­ 01 7Ora, depois que Jacó ouviu as
bras, e as ovelhas, e os bodes, e os car­ palavras dos filhos de Labão,
neiros variegados e manchados; e en­ que diziam: Levou Jacó tudo o que
33. E amanhã, isto é, no futuro, eu receberei os anim ais que nascerem com côres va~
riegadas, e se algum fô r encontrado no meu rebanho com um a só côr, considera-o como
tendo sido roubado por mim.
36. o restante ãos seus rebanhos, com o pêlo todo branco ou todo negro.
39. Êste fenômeno funda-se na grande influência que a im aginação excitada exerce "no
ato da geração. v
42. N ão punha as varas, porque os cordeiros concebidos na prim avera e nascidos no
outono eram mais robustos que os concebidos no outono e nascidos na primavera.
31 GENESIS 51
era de nosso pai, e, enriquecido de vando tôda a sua fazenda e rebanhos,
seus bens, se tornou poderoso; e tudo o que tinha adquirido na Me-
2observou também que Labão lhe não sopotâmia; e encaminhou-se para I-
mostrava a mesma cara que a princí­ sac, seu pai, na terra de Canaã.
pio, 3e, além disso, o Senhor dizia-
lhe: Volta para a terra de teus pais, Labão persegue Jacó
e para a tua parentela, e eu serei con­ 19Naquele tempo, tendo ido Labão
tigo. 4Mandou, pois, vir Raquel e Lia fazer a tosquia das ovelhas, Raquel
ao campo, onde êle apascentava os furtou os ídolos de seu pai. ^E Jacó
rebanhos, 5e disse-lhes: Vejo que o não quis participar a seu sogro a sua
vosso pai não me mostra a mesma fugida. 21Tendo, pois, partido com
cara que a princípio; porém o Deus tudo o que lhe pertencia, e enquanto,
de meu pai tem estado comigo. 6E vós passado já o rio, caminhava para a
mesmas sabeis como eu tenho servido banda do monte de Galaad, 22foi La-
vosso pai com tôdas as minhas forças. bão avisado ao terceiro dia de que
7Mas o vosso pai enganou-me, e mu­ Jacó ia fugindo. 23Então êle tendo to­
dou dez vêzes a minha recompensa; e mado consigo seus irmãos, foi em seu
nem por isso permitiu Deus que êle alcance durante sete dias, e apanhou-
me fizesse algum dano. àSe êle uma o no monte Galaad. 2*E viu em so­
vez dizia: Os cordeiros manchados se­ nhos a Deus, que lhe dizia: Guarda-te
rão a tua recompensa, tôdas as ove­ de dizer contra Jacó alguma palavra
lhas davam à luz cordeiros mancha­ áspera. 25Jacó já tinha assentado a sus
dos; quando, pelo contrário, dizia: tenda no monte; e Labão, tendo-o al­
Receberás, por recompensa, todos cançado com seus irmãos, pôs a sua
os cordeiros brancos, tôdas as ove­ tenda no mesmo monte de Galaad.
lhas davam à luz cordeiros bran­ Labão repreende Jacó
cos. °E Deus tirou a fazenda de vosso
pai, e a deu a mim. 10Porque, chegando disse a Jacó: Por que procedes­
o tempo em que as ovelhas haviam de te assim, levando-me furtivamente
conceber, levantei os meus olhos, e minhas filhas como (se elas fôssem)
vi em sonhos que os machos, que co­ prisioneiras de guerra? 27Por que ra­
briam as fêmeas, eram variegados e zão quiseste fugir sem que eu o sou­
manchados, e de diversas cores. nE besse, nem quiseste avisar-me, para
o anjo de Deus disse-me em sonhos: que eu te acompanhasse com alegria
Jacó. E eu respondi: Aqui estou. 12E e com cânticos, ao som de tímpanos
êle disse: Levanta os teus olhos, e vê e de citaras? 28Não me deixaste bei­
que todos os machos que cobrem as jar meus filhos e minhas filhas; pro­
fêmeas são variegados, manchados e cedeste como um néscio; e agora cer­
de diversas côres. Porque eu vi tudo tamente bestava na minha mão fa-
o que te fêz Labão. 13Eu sou o Deus zer-te mal; porém o Deus de teu pai
de Betei, onde tu ungiste a pedra, e disse-me ontem: Guarda-te de falar
me fizeste um voto. Agora, pois, le- com aspereza contra Jacó. “ Que de­
vanta-te, e sai desta terra, voltando sejasses voltar para os teus, e te es­
para a terra onde nasceste. 14Raquel e timulasse o desejo da casa de teu
Lia responderam: Porventura resta- pai, muito embora, (mas) por que me
nos alguma coisa dos bens e da he­ furtaste os meus deuses? 31Jacó res­
rança da casa de nosso pai? 15Não nos pondeu: Parti sem tu o saberes, por­
tratou êle como estranhas, e vendeu que tive mêdo que me tirasses à força
e comeu o que nos era devido? 16Mas as tuas filhas. 32Porém, quanto ao
Deus tomou as riquezas de nosso pai, furto de que me argúis, qualquer que
e as entregou a nós e aos nossos f i­ seja aquêle, em cujo poder achares os
lhos; faze, pois, tudo o que Deus te teus deuses, seja morto em presença
mandou. 17Levantou-se, pois, Jacó, e, de nossos irmãos. Busca e leva tudo
fazendo montar sôbre camelos os seus o que achares teu junto de mim. D i­
filhos e as suas mulheres, partiu, “ le- zendo isto, ignorava que Raquel tives-
Cap. X X X I — 19. Furtou os ídolos, para tirar ao pai, segundo afirm a S. Basílio, uma
ocasião de idolatria.
28. M eus filhos, isto é, meus netos.
52 GENESIS 31 - 32
se furtado os ídolos. ^Labão, pois, liança, que sirva de testemunho entre
tendo entrado na tenda de Jacó, e de mim e ti. 45Jacó tomou, pois, uma pe­
Lia, e das duas escravas, nada encon­ dra, e a levantou por padrão; 46e disse
trou. Mas, tendo entrado na tenda de aos seus irmãos: Trazei pedras. E,
Raquel, 34ela, muito à pressa, escon­ tendo juntado muitas, fizeram (com
deu os ídolos debaixo da sela dum ca­ elas) um cabeço, e comeram sôbre ê-
melo, e assentou-se em cima; e, revis­ le. 47E Labão chamou-o cabeço da tes­
tando êle tôda a tenda sem achar na­ temunha, e Jacó cabeço do testemu­
da, 35*disse ela: Não se agaste o meu nho, cada um segundo a propriedade
senhor, se eu me não posso levantar da sua língua. 4Í,E Labão disse: Êste
na tua presença, porque presentemen­ cabeço será hoje testemunha entre
te me acho com a indisposição que mim e ti, e, por isso, êste cabeço
costuma vir às mulheres. Dêste modo se chamou Galaad, isto é, o cabeço
foi iludida a ansiedade com que êle da testemunha. 4tíO Senhor nos veja
procurava. e nos julgue, quando nos tivermos se­
parado um do outro. 5USe tu maltrata­
Justificação de Jacó res minhas filhas, e se tomares outras
mulheres além delas, ninguém é teste­
36Então Jacó, todo alterado, disse munha das nossas palavras, senão
com enfado a Labão: Por que çulpa Deus, que está presente (e que nos)
minha, ou por que pecado meu cor­ vê. 51Disse mais a Jacó: Eis que o ca-
reste atrás de mim com tanto calor, beço e a pedra, que eu levantei entre
37e revistaste todos os ipeus móveis? mim e ti, 52será testemunha; êste ca-
Que achaste tu aqui de tôdas as beço, digo, e esta pedra dêem teste­
coisas da tua casa? Põe-nas aqui munho, se ou eu o passar indo para
diante dos meus irmãos e dos teus ti, ou tu o passares com intento de
irmãos, e sejam êles juizes entre mim me fazeres mal. 5aO Deus de Abraão,
e ti. 3H(F o i) por isto que eu estive e o Deus de Nacor, o Deus de seus
vinte anos contigo? As tuas ovelhas pais seja juiz entre nós. Jurou, pois,
e as tuas cabras não foram estéreis, eu Jacó por aquêle que era temido por
não comi os carneiros do teu rebanho, seu pai Isac. 54E, imoladáè as vítimas
3!>nem te mostrei prêsa feita pelas sôbre o monteV convidou seus irmãos
feras; eu pagava todo o dano; e tudo para comer pão. E, tendo comido, fi­
o que era roubado, de mim o exigias. caram ali (a passar a noite). 55Labão
40Eu era, de dia e de noite, queimado porém, levantando-se antes de ama­
do calor e do gêlo, e o sono fugia dos nhecer, beijou os filhos e as suas fi­
meus olhos. 41E dêste modo te servi lhas, e abençoou-os, e voltou para
em tua casa vinte anos, catorze pelas sua casa.
(tuas) filhas, e seis pelos teus reba­
nhos; tu mudaste também dez vêzes Encontro de Jacó com Anjos
a minha recompensa. 42Se o Deus de
meu pai Abraão, e (o Deus) que Isac OO 1Jacó também prosseguiu o ca-
teme, me não tivesse assistido, talvez minho que levava, e saíram-
me tivesses despedido nu; (mas) Deus lhe ao encontro uns anjos de Deus.
olhou a minha aflição e o trabalho das 2E, tendo-os visto, disse: Êstes são
minhas mãos, e te ameaçou ontem. os acampamentos de Deus; e deu
àquele lugar o nome de Maanaim, is­
Aliança entre Labão e Jacó to é, acampamentos.
43Labão respondeu-lhe: As minhas Precauções de Jacó para se reconciliar
filhas, e os filhos, e os teus rebanhos, com Esaú
e tudo o que vês, tudo é meu; que pos­
so eu fazer contra meus filhos e meus 3E mandou também mensageiros a-
netos? 44Vem, pois, e façamos uma a­ diante de si a Esaú, seu irmão, à
35. Se eu não me levanto, como devia fazer diante de meu pai.
47. E Labão chamou-o, etc. Segundo o texto hebraico traduz-se: Labão o chamou yegar-
sahadúta’ e Jacó OaVed, Êstes dois nomes, dos quais o primeiro ê aram aico e o segundo
hebraico, têm a mesma significação: Cabeço da testemunha ou do testemunho.
50. N ão podendo os parentes ser testemunhas dizem que só Deus é testemunha.
32 GÊNESIS 53
terra de Seir, na região de Edom. zendo: Se te encontrares com meu ir­
4E ordenou-lhes, dizendo: Falai as­ mão Esaú, e êle te perguntar: De
sim a Esaú, meu senhor: Jacó, teu quem és? ou, para onde vais? ou, de
irmão, disse isto: Morei com Labão quem são êstes animais que condu­
como estrangeiro, e (com ele) estive zes? 18Responderás: São de teu servo
até ao dia de hoje. 5Tenho bois, e Jacó, êle os mandou de presente a
jumentos, e ovelhas, e servos e ser­ meu senhor.Esaú; êle mesmo vem a-
vas; e mando agora uma embaixada trás de nós. 19As mesmas ordens deu
ao meu senhor, para achar graça di­ ao segundo, e ao terceiro, e a todos
ante dêle. 6E os mensageiros voltaram os que conduziam os rebanhos, dizen­
a Jacó, e disseram: Fomos ter com teu do: P or estas mesmas palavras falai
irmão Esaú, e eis que vem a tôda a a Esaú, quando o encontrardes. ^E
pressa a encontrar-se contigo com acrescentareis: O mesmo teu servo
quatrocentos homens. 7Teve Jacó mui­ Jacó vem também atrás de nós; (por--
to mêdo; e, assustado, dividiu o povo que Jaco) disse (co n sigo ): Eu o apla­
que estava com êle, e também os re­ carei com os presentes que vão adian­
banhos e as ovelhas e os bois e os te, e depois o verei; talvez me será
camelos em duas partidas, 8dizendo: propício. 21Foram, portanto, os presen­
Se vier Esaú a uma partida, e a des­ tes adiante dêle, e êle ficou naquela
baratar, a outra partida, que resta, noite no acampamento.
se salvará. 9E disse Jacó: ó Deus de
meu pai Abraão, e Deus de meu pai Jacó luta com um anjo
Isac! ó Senhor, que me dissestes:
Volta para a tua terra, e para o lugar 22E, tendo-se levantado muito ce­
do teu nascimento, e eu te beneficia­ do, tomou as suas duas mulheres, e
rei; 10 eu sou indigno de todas as tuas as duas escravas com os onze filhos,
misericórdias e da fidelidade que ti­ e passou o vau de Jaboc. 2;E, passa-
veste com teu servo. Passei êste (r io ) do tudo o que lhe pertencia, 24ficou
Jordão só com o meu bastão; e agora êle só; e eis que um homem lutou
volto com duas partidas. “ Livra-me com êle até pela manhã. “ O qual,
das mãos de meu irmão Esaú, porque vendo que o não podia vencer, tocou
o temo muito; não suceda que, che­ o nervo da sua coxa, e logo êste se
gando êle, mate a mãe com os filhos. secou. “ E disse-lhe: Larga-me, por­
12Tu disseste ejue me beneficiarias e que já vem vindo a aurora. (Jacó)
dilatarias a minha descendência como respondeu: Não te largarei, se me não
a areia do mar, a qual, pela sua mul­ abençoares. 27Disse-lhe pois (aquele
tidão, não se pode contar. h om em ): Qual é o teu nome? Respon­
13Tendo passado, pois, aquela noite deu: Jacó. 28Porém êle disse: De ne­
naquele lugar, separou das coisas que nhuma sorte te chamarás Jacó, mas
tinha, presentes para seu irmão Esaú: Israel; porque, se contra Deus fôste
14duzentas cabras, vinte bodes, duzen- forte, quanto mais o serás contra os
tas ovelhas, e vinte carneiros, 15trinta homens. “ Perguntou-lhe Jacó: Di-
camelas com suas crias, quarenta va­ ze-me, como te chamas? Respondeu:
cas, e vinte touros, vinte jumentas e Por que me perguntas o meu nome?
dez das suas crias. 16E mandou pelas E abençoou-o no mesmo lugar. 80E
mãos dos seus servos cada um dêstes Jacó pôs àquele lugar o nome de Fa-
rebanhos separadamente, e disse aos nuel, dizendo: Eu vi a Deus face a fa ­
seus servos: Ide adiante de -mim, e ce, e a minha alma foi salva. 81E
haja um intervalo entre rebanho e re­ logo o sol lhe nasceu, depois que ul-
banho. 17E ordenou ao primeiro, di­ trapassou Fanuel; êle, porém, coxea-
Cap. X X X II — 4-5. M eu senhor. Jacó trata com todo o respeito seu irmão, e a única
•coisa que deseja dêle ê amizade e o perdão.
11. A mãe com os filhos, isto é, tôda a minha fam ilia.
24-26. Apareceu a Jacó um anjo, sob a aparência humana, e travaram entre si um a
lu ta real. Deus, porém, não quis que o anjo utilizasse tôda a sua fô rç a contra Jacó,
Permitindo que êste vencesse, p ara lhe d ar a esperança de que com m aior facilidade
Podia vencer Esaú.
30. A minha alma, isto é, a minha vida.
54 GÊNESIS 32 - 34
va dum pé. 32P or esta razão os fi­ meu senhor, que tenho comigo meni­
lhos de Israel até ao dia de hoje não nos tenros, e ovelhas, e vacas prenhes;
comem o nervo que se secou na coxa e, se eu as cansar fazendo-as andar
de Jacó, porque (aquele hom em) to­ mais, morrerão num dia todos os re­
cou o nervo da sua coxa, e (o nervo) banhos. 14Vã o meu senhor adiante
ficou entorpecido. do seu servo; e eu seguirei pouco a
pouco os seus passos, como vir que os
Encontro de Esaú e de Jacó meus meninos podem, até chegar à ca­
sa de meu senhor em Seir. 15Esaú
O O 1E Jacó, levantando os seus respondeu: Peço-te que, do povo que
olhos, viu Esaú que vinha, e está comigo, fique ao menos quem te
com êle quatrocentos homens; e re­ acompanhe na viagem. Jacó respon­
partiu os filhos de Lia e de Raquel, e deu: Não é necessário; de uma única
de ambas as escravas, 2e pôs as duas coisa necessito, meu senhor, que é a-
escravas e os seus filhos na frente; e char graça em tua presença. 10Voltou,
em segundo lugar Lia e os seus filhos; portanto, Esaú naquele dia para Seir,
e em último Raquel e José. 3E êle, pelo caminho por onde tinha vindo.
adiantando-se, prostrou-se sete vêzes 17E Jacó foi para Socot, onde, ten­
por terra, até seu irmão se aproximar. do edificado uma casa, e levantado as
4Então, correndo Esaú ao encontro tendas, pôs àquele lugar o nome de
de seu irmão, o abraçou, e, apertando- Socot, isto é, tendas.
lhe o pescoço e beijando-o, chorou.
BEm seguida, levantando os olhos, viu Jacó em Salém
as mulheres e os seus filhos, e disse: 18E, depois que voltou da Mesopo-
Quem são êstes? porventura perten­
cem-te? Respondeu: são os filhos que tãmia da Síria, passou para Salém,
Deus me deu a mim, teu servo. 6E, cidade dos Siquemitas, a qual está
aproximando-se as escravas e os seus na terra de Canaã; e habitou junto
filhos, inclinaram-se profundamente. da cidade. 19E comprou parte do cam­
7Chegou também L ia com seus filhos, po, onde tinha levantado as tendas,
tendo-se inclinado do mesmo modo; aos filhos de Hemor, pai de Siquém,
em último lugar se inclinaram José por cem cordeiros. “ E, tendo levanta­
e Raquel. 8E Esaú disse: Que signi­ do aí um altar, invocou sôbre êle o
ficam estas partidas, que encontrei? Deus fortíssimo de Israel.
Respondeu: (Enviei-as) para achar Rapto de Dina
graça diante do meu senhor. 9Esaú,
porém, disse: Tenho muitos bens, meu O I JOra Dina, filha de Lia, saiu
lrmão, guarda para ti o que é teu. * * para ver as mulheres daque­
10E Jacó disse: Não procedas assim, te le país. 2E tendo-a visto Siquém, f i­
peço; mas, se achei graça diante de lho de Hemor Heveu, príncipe daquela
teus olhos, recebe das minhas mãos terra, enamorou-se dela e raptou-a, e
esta pequena dádiva, porque eu vi a dormiu com ela, desflorando à fôrça
tua face, como se visse o rosto de a virgem. 3E a sua alma se prendeu
Deus; sê-me propício, aie aceita a a ela, e vendo-a triste, a acariciou com
bênção que eu te trouxe e que Deus meiguices. 4E, indo ter com seu pai
me deu, o qual dá todas as coisas. Hemor, disse: Toma esta donzela para
E, forçado pelo irmão, aceitou com minha mulher.
dificuldade, 12e disse: Caminhemos
juntamente, e eu serei companheiro Estratagem a dos irmãos de Dina
na tua viagem. 13E Jacó disse: Tu vês, 5Jacó, tendo ouvido isto enquanto

32. N ã o cornem o nervo doa anim ais correspondente ao que se secou em seu pai
Tacó, para recordarem êste acontecimento,
Cap. X X X I I I — 4. Esaú, vencido pela hum ilhação de Jacó, recebeu-o com manifestações
de afeto.
10-11. Porque eu vi, etc- H á aqui urna hipérbole. Jacó sòrnente queria dizer: A tua face
apareceu-me cheia de bondade. Ora, assim como aquêle que se apresenta a Deus bom e
misericordioso leva consigo dons p a ra lhe oferecer, assim eu me apresento a ti e te ofereço
êstes dons, pedindo que os aceites. — Aceita a bênção, isto é, êstes dons com os votos
de tôda a felicidade.
34 - 35 GÊNESIS 55
os filhes estavam ausentes e ocupados ra, e cultivem-na; sendo ela espaçosa
em apascentar os gados, não disse na­ e vasta, necessita de cultivadores; re­
da enquanto não voltaram. °Mas, ten­ ceberemos por mulheres as suas fi­
do Hemor, pai de Siquém, ido falar a lhas e dar-lhes-emos as nossas. 22Uma
Jacó, 7eis que os filhos dêste vinham só coisa faz dilatar tanto bem: é o
do campo; e, tendo sabido o que acon­ circuncidarmos os nossos varões, imi­
tecera, iraram-se muito, porque (S i­ tando o rito desta gente. “ Com isto a
quém ) tinha feito uma ação vergo­ sua riqueza, e gados, e tudo o que
nhosa contra Israel e, violando a fi­ possuem, será nosso; sòmente condes-
lha de Jacó, tinha cometido uma ação cendamos nisto, e, habitando junta­
ilícita. 8E Hemor falou-lhes assim: mente, formaremos um só povo.
A alma de meu filho Siquém afeiçoou- 24E assentiram todos, sendo circun-
se fortemente à vossa filha; dai-lha cidados todos os varões.
por mulher; 9e façamos matrimônios
reciprocamente; dai-nos as vossas f i­ Vmgrança dos irmãos de Dina
lhas, e recebei as nossas filhas, 10e 25É eis que, ao terceiro dia, quando
habitai conosco; a terra está ao vosso a dor das feridas é mais violenta, os
dispor, cultivai-a, negociai, e adquiri
possessões. dois filhos de Jacó, Simeão e Levi,
irmãos de Dina, empunhadas as es­
nE Siquém também disse ao pai padas, entraram resolutamente na
e aos irmãos dela: Ache eu graça di­ cidade; e mortos todos os varões,
ante de vós, e darei tudo o que deter­ 26trucidaram igualmente Hemor e
minardes. 12Aumentai o dote, e pedi Siquém, tirando sua irmã Dina da
dádivas, e eu, de boa vontade, darei o casa de Siquém. 27E, tendo êstes
que pedirdes; sòmente me dai esta saído, os outros filhos de Jacó caí­
donzela por mulher. 13Os filhos de ram impetuosamente sôbre os mortos,
Jacó, enfurecidos por causa do estu­ e assolaram a cidade em vingança
pro da irmã, responderam dolosamen- do estupro. “ Tomaram as suas ove­
te a Siquém e a seu pai: 14Não pode­ lhas, e os rebanhos e os jumentos, e
mos fazer o que pedis, nem dar nossa devastaram tudo o que havia nas ca­
irmã a um homem incircuncidado, sas e nos campos, 29e levaram cativos
porque isto é ilícito e abominável en­ os (seus) filhos e (as suas) mulheres.
tre nós. 15Mas poderemos fazer alian­ “ Praticado isto com tanta audácia,
ça, se quiserdes ser semelhantes a nós, disse Jacó a Simeão e Levi: Vós me a-
e se entre vós se circuncidar tudo o fligistes e me tornastes odioso aos Ca-
que fôr do sexo maculino. 16Então da­ naneus, e aos Ferezeus, habitantes
remos as nossas filhas, e receberemos dêste país; somos poucos; êles congre­
reciprocamente as vossas; e habitare­ gados acometerão, e serei destruído
mos convosco, e seremos um só povo. eu e a minha casa. 81Êles responde­
17Se, porém, não quiserdes circunci- ram: Porventura deviam êles abusar
dar-vos, levaremos nossa filha, e nos da nossa irmã como de uma prosti­
retiraremos. tuta?
180 seu oferecimento agradou a Jacó em Betei
Hem or e a Siquém, seu filho. 10O jo ­
vem não demorou em executar logo o OC e n tre ta n to disse Deus a Ja-
que lhe era exigido, porque amava ex­ ** ** có: levanta-te, e vai para Be­
tremamente a donzela, e êle mesmo tei e fica aí, e erige um altar ao
era muito respeitado em tôda a casa Deus que te apareceu quando fugias
de seu pai. ME, tendo entrado a por­ de Esaú, teu irmão. 2E Jacó, convo­
ta da cidade, disseram A o povo: 21Ês- cada tôda a sua família, disse: Lançai
tes homens são pacíficos e querem fora os deuses estranhos que estão no
habitar conosco; negociem nesta ter­ meio de vós, e purificai-vos, e mudai
Cap. X X X IV — 12. O dote. N o hebraico rnofiar, indica a soma que o noivo devia p a g a r
ao pai da espôsa.
25-29 Todos os intérpretes condenam a vingança dos filhos de Jacó. “Pecaram , diz
M artini, por mentira, perfídia, injustiça, sacrilégio, © vingança b á rb a ra e d e su m a n a ...
Pelo pecado dum só trucidaram muitas pessoas, e, para realizarem o seu horrível intento,
abu saram dum rito sagrado e religioso''.
56 GENESIS 35 - 36
os vossos vestidos. 3Levantai-vòs, e a parteira: Não temas, porque ainda
subamos para Betei, para erigirmos aí terás êste filho. 18E, estando prestes a
um altar a Deus, que me ouviu no render o espírito sob a violência da
dia da minha tribulação,. e me acom­ dor, e estando iminente a morte, pôs
panhou na minha jornada. “Deram- ao seu filho o nome de Benoni, isto é,
lhe, portanto, todos os deuses estra­ filho da minha dor; o pai, porém, cha­
nhos que tinham, e as arrecadas que mou-o Benjamin, isto é, filho da mão
tinham nas orelhas; e êle enterrou es­ direita.
tas coisas debaixo de um terebinto, Morte e sepultura de Raquel
que está por detrás da cidade de Si-
quém. 5E, tendo êles partido, o ter­ 19Morreu, pois, Raquel, e foi sepul­
ror de Deus inyadiu tôdas as cidades tada na estrada que conduz a Efrata,
circunvizinhas, e não se atreveram a a qual é Belém. 2ÜE Jacó levantou um
perseguir os que se retiravam. °Che- monumento sôbre o seu sepulcro; ês­
gou, portanto, Jacó, com tôda a sua te é o monumento do sepulcro de
gente, a Luza, por apelido Betei, a Raquel, até ao dia de hoje.
qual está (situada) na terra de Canaã. Pecado de Ruben e enumeração dos
7E edificou aí um altar e pôs àquele filhos de Jacó
lugar o nome de Casa de Deus; por­
que ali lhe apareceu Deus, quando fu­ 21E saindo dali, levantou a sua ten­
gia de seu irmão. 8No mesmo tempo da da outra parte da tôrre do reba­
morreu Débora, ama de Rebeca: e foi nho. 22E enquanto habitava naquela
ali sepultada debaixo de um carvalho região, foi Ruben, e dormiu com Ba­
ao pé de Betei; e aquele lugar foi la, mulher secundária de seu pai, e
chamado o Carvalho do pranto. êste não o ignorou.
°E Deus apareceu novamente a Ja­ Ora os filhos de Jacó eram doze.
có, depois que voltou da Mesopotãmia 23Filhos de Lia: Ruben, o primogê­
da Síria, e o abençoou, 10dizendo: nito, e Simeão, e Levi, e Judá, e Issa-
Não te chamarás mais Jacó, mas teu car, e Zabulão. ?4Filhos de Raquel:
nome será Israel. E chamou-o Israel; José e Benjamim. 25Filhos de Bala, es­
17e disse-lhe: Eu sou o Deus onipo­ crava de Raquel: Dan e Neftali. “ F i­
tente; cresce e multiplica-te; nações e lhos de Zelfa, escrava de Lia: Gad e
multidões de povos nascerão de ti, de Aser; êstes são os filhos de Jacó, que
ti procederão reis: 12Dar-te-ei a ti e à lhe nasceram na Mesopotãmia da Síria.
tua posteridade depois de ti a terra Morte de Isac
que dei à Abraão, e a Isac. 13E Deus
afastou-se dêle. 14E êle levantou um 27Jacó foi depois ter com seu pai
padrão de pedra *no lugar em que Isac a Mambré, à cidade de Arbéia,
Deus lhe tinha falado, fazendo sôbre que é Hebron, na qual Abraão e Isaac
êle libações, e derramando óleo. 15E viveram como peregrinos. 28E todos
pôs àquele lugar o nome de Betei. os dias de Isac foram cento e oiten­
ta anos. ^E, exausto (de forças) pela
Nascimento de Benjamim idade, morreu; e uniu-se ao seu po­
vo, velho e cheio de dias; e Esaú e
16Partindo dali, chegou, no tempo Jacó, seus filhos, sepultaram-no.
da primavera, a um lugar junto da
Mulheres de Esaú
estrada que conduz a Efrata, onde
Raquel, tendo as dores do parto, 17e OC 1Esta é a descendência de
sendo o parto difícil, começou a es­ Esaú, chamado também Edom.
tar em perigo (de vida). E disse-lhe 2Esaú tomou (as suas) mulheres
Cap. X X X V — 4. Arrecadas, isto é, amuletos que tinham esculpidos sinais ou imagens
idolátricas.
18. A mão direita era símbolo da felicidade e da fôrça, e Jacó, depois da morte de
Raquel, dando ao seu filho o nome de Benjamim, queria significar que suportou com
resignação a morte de sua mulher, e que esperava que Benjam im fôsse são e robusto.
21. Tôrre do rebanho, assim chamada, porque era nela que os pastôres, por turno
durante a noite, guardavam os rebanhos.
22. P o r causa do seu grande pecado, Ruben foi privado do direito de primogenitura
(X L IX , 4).
36 GÊNESIS 57
entre as filhas de Canaã: Ada, fi­ lha de Ana, mulher de Esaú. 19Êstes
lha de Elon Heteu, e Oolibama, filha são os filhos de Esaú, isto é, de E-
de Ana, filha de Sebeon Heveu; *( to­ dom; e êstes os seus chefes.
m ou) também Basemat, filha de Is­ ^Êstes são os filhos de Seir Hor-
mael, irmã de Nabajot. reu, que habitavam aquela terra: L o ­
tam e Sobal, e Sebeon, e Ana, 21e
Filhos e descendentes de Esaú Dison, e Eser, e Disan; êstes os chefes
4Ada deu à luz Elifás; Basemat ge­ Horreus, filhos de Seir, na terra de
rou Rauel; 5Oolibama gerou Jeus e Edom. 22Os filhos de Lotan foram:
Jelão e Coré. Êstes são os filhos de Hori e Hemon; e Tamna era irmã de
Esaú, que lhe nasceram na terra Lotan. “ E êstes (fora m ) os filhos
de Canaã. 6Depois Esaú tomou suas de Sobal: Alvan e Manaat, Ebal, e Se­
mulheres e filhos e filhas, e tôda a fo e Onam. 24E êstes os filhos de
gente da sua casa, e possessões, e Sebeon: Aía e Ana. Êste Ana é o que
gados, e tudo o que tinha na terra achou umas águas quentes n,o deserto,
de Canaã, e foi para outro país, enquanto apascentava os jumentos de
e apartou-se do seu irmão Jacô. 7Por- seu pai Sebeon; 25e teve um filho
que eram muito ricos, e não podiam (chamado) Dison, e uma filha (cha­
habitar juntamente; nem os podia mada) Oolibama. 26E êstes (sao) os
sustentar a terra em que eram pe­ filhos de Dison: Hamdan, e Eseban,
regrinos, por causa da multidão dos e Jetrão, e Charão. 27Do mesmo modo
rebanhos. 8E Esaú, por outro nome êstes (são) os filhos de Eser: Balaão,
Edom, habitou sôbre o monte de Seir. e Zavan, e Acan. 28Disan teve êstes
9Ora êstes são os descendentes de filhos: Hus, e Arão. “ Êstes são os
Esaú, pai dos Idumeus, no monte chefes dos Horreus: o chefe Lotan, o
Seir, 10e êstes os nomes de seus f i­ chefe Sobal, o chefe Sebeon, o chefe
lhos: Elifás, filho de Ada, mulher de Ana, 30o chefe Dison, o chefe Eser,
Esaú; e Rauel, filho de Basemat, mu­ o chefe Disan; êstes os chefes dos
lher de Esaú. 11E os filhos de Elifás Horreus, que governaram na terra de
foram: Teman, Ornar, Sefo, e Gatam, Seir.
e Cenez. 12E Tamna era mulher se­ 31Os reis, porém, que reinaram na
cundária de Elifás, filho de Esaú; e terra de Edom, antes que os filhos de
ela deu-lhes à luz Amalec. Êstes são os Israel tivessem rei, foram êstes: 32Be-
filhos de Ada, mulher de Esaú. iaOs la, filho de Beor, e o nome da sua
filhos de Rauel foram: Nabat e Zara, cidade (fo i) Denaba. 33Morreu, po­
Sarna e Meza. Êstes foram os filhos rém, Bela, e reinou em seu lugar Jo-
de Basemat, mulher de Esaú. 14E ês­ bab, filho de Zara de Bosra. 34E, tendo
tes foram os filhos de Oolibama, filha falecido Jobab, reinou em seu lugar
de Ana, filha de Sebeon, mulher de Husão, da terra dos Temanitas. ^Mor­
Esaú. E gerou a Esaú: Jeus, Jelão e to também êste, reinou em seu lugar
Coré. 15Êstes são os chefes (das t r i­ Adad, filho de Badad, o qual derrotou
bos oriundas) dos filhos de Esaú: f i­ os Madianitas no país de Moab; e o
lhos de Elifás, primogênito de Esaú: nome de sua cidade era Avit. ®°E,
o chefe Temán, o chefe Ornar, o chefe tendo falecido Adad, reinou em seu
Sefo, o chefe Cenez, 16o chefe Coré, o lugar Semla de Masreca. 37Morto ês-
chefe Gatam, o chefe Amalec. Êstes te, também reinou em seu lugar Saul
( sao) os filhos de Elifás, na terra de de Roobot, que está perto do rio. 38E,
Edom, e êstes os filhos de Ada. "Ê s­ tendo êste também falecido, suce­
tes (são) também os filhos de Rauel, deu no reino Balanan, filho de Aco-
filho de Esaú: o chefe Naat, o chefe bor. 39Morto também êste, reinou em
Zara, o chefe Sama, o chefe Meza; ês­ seu lugar Adar; e o nome da sua
tes (são) os chefes (descendentes) de cidade era Fau; e sua mulher cha­
Rauel, na terra de Edom; êstes (são) mava-se Meetabel, filha de Matred,
os filhos de Basemat, mulher de Ésaú. (que era) filha de Mezaab. "Êstes
18E êstes são os filhos de Oolibama, são, pois, os nomes dos chefes que
mulher de Esaú: o chefe Jeus, o che­ procederam de Esaú, segundo suas es­
fe Jelão, o chefe Coré; êstes os che­ tirpes e seus lugares, e seus nomes:
fes que procederam de Oolibama, fi­ o chefe Tamna, o chefe Alva, o chefe
58 GENESIS 36 - 37
Jetet, 41o chefe Oolibama, o chefe Ela, em Siquém apascentando os rebanhos
o chefe Finon, 42o chefe Cenez, o che­ do pai, 13Israel disse-lhe: Teus ir­
fe Teman, o chefe Mabsar, 43o chefe mãos apascentam as ovelhas em Si-
Magdiel, o chefe Hirão; êstes (são) quém; vem, onviar-te-ei a êles. E, res­
os chefes de Edom, que habitaram pondendo êle, 14estou pronto, (Jacó)
na terra do seu império, êste é o disse-lhe: Vai, e vê se tudo corre bem
mesmo Esaú, pai dos Idumeus. a teus irmãos e aos rebanhos; e tra-
ze-me notícias do que se passa. (Sen­
Ciúme dos irmãos de José do) mandado do vale de Hebron, (J o­
07 habitou, pois, Jacó na ter- sé) chegou a Siquém; 15e, andando
1 ra de Canaã, na qual seu errante pelo campo, um homem en­
pai tinha vivido como peregrino. 2E controu-o e perguntou-lhe que procu­
esta é a sua posteridade: José, ainda rava. 16Êle respondeu: Procuro meus
jovem, tendo dezesseis anos, apascen­ irmãos, indica me onde apascentam os
tava o rebanho com seus irmãos; e rebanhos. 17E o homem disse-lhe:
acompanhava com os filhos de Bala Retiraram-se dêste lugar; e ouvi-lhes
e de Zelfa, mulheres de seu pai; e dizer: Vamos para Dotain. Partiu,
acusou seus irmãos perante seu pai pois, José atrás de seus irmãos, e en­
de um crime detestável. 3Ora Israel controu-os em Dotain. 18Êles, porém,
amava José mais que todos os seus tendo-o visto ao longe, antes que se
aproximasse, resolveram matá-lo. 19E
(outros) filhos, porque o gerara na diziam entre si: Eis aí vem o so­
velhice; e fêz-lhe uma túnica de vá­ nhador; 20vinde, matemo-lo, e lan­
rias côres. 4Vendo, pois, seus irmãos cemo-lo em uma cisterna velha; e di­
que era amado pelo pai mais que to­ remos: Uma fera cruel o devorou; e
dos os (outros) filhos, odiavam-no, e então se verá de que lhe aproveitam
não lhe podiam falar com bom modo. os seus sonhos. ^Ruben, porém, ou­
5Sucedeu também que êle referiu a vindo isto, esforçava-se por o livrar
seus irmãos um sonho que tivera; o das suas mãos, e dizia: 22Não lhe
que foi causa de maior ódio. °E dis­ tireis a vida, nem lhe derrameis o
se-lhes: Ouvi o sonho que eu tive: sangue, mas lançai-o nesta cisterna,
7Parecia-me que atávamos no campo
os feixes, e que o meu feixe como que está no deserto, e conservai puras
que se erguia, e estava direito, e as vossas mãos. Ora, dizia isto porque
ue os vossos feixes, estando em ro- queria livrá-lo das suas mãos, e res-
a, se prostravam diante do meu fei­ tituí-lo a seu pai. “ Logo, pois, que
xe. 8Responderam seus irmãos: Por­ (José) chegou junto de seus irmãos,
ventura serás nosso rei? ou seremos despiram-no da túnica talar de várias
sujeitos ao teu domínio? Êstes sonhos, côres, 24e lançaram-no na cisterna
pois, e estas conversas acenderam velha, que não tinha água.
mais a inveja e o ódio. 9Teve ainda José vendido e levado para o Egito
outro sonho, o qual referiu a seus ir­
mãos, dizendo: V i em sonhos que o ^E, sentando-se para comer pão, v i­
sol e a lua, e onze estréias como que ram uns viajantes Ismaelitas, que v i­
me adoravam. 10Ora, tendo êle contado nham de Galaad, e os seus camelos
isto a seu pai e aos irmãos, seu pai carregados de aromas, e resina, e mir-
repreendeu-o, e disse: Que quer dizer ra, para o Egito.
êste sonho que tiveste? Porventura 26E Judá, então, disse aos seus ir­
eu e tua mãe, e teus irmãos te ado­ mãos: De que nos aproveita matar o
raremos, prostrados por terra? “ Seus nosso irmão, e ocultar a sua morte?
irmãos, portanto, tinham-lhe inveja; 27É melhor que se venda aos Ismae­
porém, o pai meditava a coisa em si­ litas, e que se não manchem as nos­
lêncio. sas mãos: porque é nosso irmão e nos­
José mandado a Dotain sa carne. Concordaram os irmãos com
o que êle dizia. 2hE, quando passa­
“ E, como seus irmãos estivessem ram os negociantes Madianitas, tira-
Cap. X X X V II —* 4. o d ia v a m -n o ... P a ra evitar êstes grandes inconvenientes os pais
devem am ar igualmente os seus filhos, não tendo preferências.
37 - 38 GENESIS 59
ram-no da cisterna, e venderam-no Onan, seu filho: Desposa-te com a
por vinte dinheiros de prata aos Is- mulher de teu irmão, e vive com ela,
maelitas; e êstes levaram-no para o para suscitares descendência a teu ir­
Egito. ^E, tendo voltado Ruben à cis­ mão. 9Êle, porém, sabendo que os
terna, não encontrou o menino. 30E, filhos que nascessem não seriam seus,
rasgados os vestidos, indo ter com seus quando se juntava com a mulher de
irmãos, disse: O menino não aparece, seu irmão, impedia que ela concebes­
e eu para onde irei? 31*T omaram en­ se, a fim de que não nascessem filhos
tão a sua túnica, e tingiram-na no em nome de seu irmão. 10E, por isso,
sangue de um cabrito, que mataram; o Senhor o feriu de morte, porque fa ­
32e mandaram-na levar ao pai, e di­ zia uma coisa detestável. “ Pelo que
zer-lhe: Encontramos esta túnica; vê Judá disse a Tamar, sua nora: Con-
se é a túnica de teu filho, ou não. serva-te viúva em casa de teu pai até
33E o pai, tendo-a reconhecido, dis­ que cresça Sela, meu filho; porque
se: A túnica é de meu filho, uma cruel temia que êle também morresse, como
fera o comeu, uma bêsta devorou Jo­ seus irmãos. Ela re.tirou-se, e habitou
sé. 34E, rasgados os vestidos, cobriu- em casa de seu pai.
se de cilício, chorando seu filho por
muito tempo. 35E, tendo-se juntado Filhos de Judá nascidos de Tam ar
todos os seus filhos para suavizarem
a dor do pai, êle não quis admitir con­ 12E, passados muitos dias, morreu
solação, mas disse: Chorando, desce­ a filha de Sue, mulher de Judá, o qual
rei para meu filho ao inferno. E, en­ depois de a ter chorado e de se ter
quanto êle perseverava no pranto, consolado, foi a Tamnas ter com os
30os Madianitas venderam José no E gi­ tosquiadores das suas ovelhas, junta­
to a Putifar, eunuco de Faraó, gene­ mente com Hiras Odolamita, pastor
ral dos exértxtos. dos rebanhos. 13E foi noticiado a
Tam ar que seu sogro ia a Tamnas pa­
Casamento e filhos de Judã ra tosquiar as ovelhas. “ Então ela,
depondo os vestidos de viúva, tomou
90 1N o mesmo tempo, apartando-se um véu e, disfarçada sentou-se na en­
00 Judá de seus irmãos, foi pou­ cruzilhada do caminho, que conduz a
sar à casa de um homem Odolami- Tamnas; porque (via que) Sela tinha
ta, chamado Hirão. 2E viu ali a crescido, e não lho tinham dado por
filha de um homem Cananeu, chama­ marido. 15E Judá, tendo-a visto, ju l­
do Sue; e, recebendo-a por mulher, v i­ gou que era meretriz; porque tinha
veu com ela. 3E ela concebeu, e deu coberto o seu rosto para não ser re­
à luz um filho, e pôs-lhe o nome de conhecida. 10E, chegando-se a ela,
Her. 4E, concebendo outra vez, pôs disse: Deixa que me junte contigo;
ao filho nascido o nome de Onan. porque ignorava que fôsse sua nora.
5Deu à luz ainda um terceiro filho, E, tendo ela respondido: Que me da­
a quem chamou Sela; e, nascido êste, rás para gozares de mim? 17Êle disse:
cessou de dar à luz. 6E Judá deu Mandar-te-ei um cabrito dos (meus)
uma mulher, chamada Tamar, ao seu rebanhos. Ela replicou: Consentirei
primogênito Her. 7Mas Her, primo­ no que queres, contanto que me dês
gênito de Judá, foi um homem mau um penhor, até que mandes o que pro­
na presença do Senhor; e (o Senhor) metes. 18Judá disse: Que queres tu
o fêz morrer. “Disse, pois, Judá a que te dê por penhor? Respondeu: O
30. E eu para onde ireít Eu que, como primogênito, devia velar por meu irm ão José,
como terei coragem de aparecer diante de meu pai?
35. A o inferno, isto ê, ao limbo, onde as alm as dos justos estavam esperando a vinda
de Jesus Cristo.
Cap. X X X V I I I — 8-9. Desposa-te. .. Esta ordem de Judá mostra que já neste tempo
existia o costume, que mais tarde se converteu em lei (Deut., X X V , 5), em virtude do qual,
para impedir a extinção completa da fam ília, quando um homem casado m orria sem filhos,
seu irmão ou parente mais próximo devia desposar a viúva. O primogênito dêste segundo
casamento era considerado como filho do falecido, e herdava seus bens. Onan, porém, de­
sejava tõda a herança; daí o horrível pecado que cometeu e que depois tomou o seu nome.
13-19. O procedimento de Judá e de T am ar foi gravemente pecaminoso, embora alguns
60 GENESIS 38 - 39
teu anel e o bracelete, e o cajado que vidiu o muro por causa de ti? E por
tens na mão. A mulher, pois, conce­ êste motivo pôs-lhe o nome de Farés.
beu com um só ajuntamento, 19e, 30Depois saiu seu irmão, em cuja mão
levantando-se, retirou-se; e, deposto o estava o fio vermelho; e chamou-o
traje, que havia tomado, vestiu-se com Zara.
os vestidos de viúva.
"Ora, Judá mandou o cabrito pelo José superintendente da casa de Putifar
seu pastor Odolamita, para receber o 9 0 Mosé foi, pois, conduzido ao
penhor que tinha dado à mulher; mas Egito, e Putifar Egípcio, eu-
êle, não a tendo encontrado, “ per­ nuco de Faraó, e general do exército,
guntou aos habitantes daquele lugar: comprou-o aos Ismaelitas, que o ti­
Onde está aquela mulher que estava nham levado. 2E o Senhor era com
sentada na encruzilhada? Responde­ êle, e tudo o que fazia lhe sucedia
ram-lhe todos: Neste lugar não esteve pròsperamente; e habitava em casa do
meretriz alguma. “ Voltou para Judá, seu senhor, 3o qual conhecia muito
e disse-lhe: Não a encontrei; e, além bem que o Senhor era com êle, e pros­
disso, os homens daquele lugar disse- perava em suas mãos tudo o que fa­
ram-me que nunca ali estivera senta­ zia. 4E José achou graça diante do
da meretriz alguma. 23Judá disse: seu senhor, e servia-o; e tendo rece­
Guarde ela (o penhor que lhe dei), ao bido dêle a superintendência de tôdas
menos não pode acusar-me de men- as coisas, governava a casa que lhe
ra; mandei o cabrito que tinha pro- tinha sido confiada, e tudo o que lhe
metido, e tu não a encontraste. 24Mas, fôra entregue. 5E o Senhor abençoou
três meses depois, foram dizer a Ju- a casa do Egípcio, por causa de José
dá: Tamar tua nora, fornicou, e vê- e multiplicou todos os seus bens, tan­
se que está grávida. E Judá disse: T i­ to em casa como no campo. °E (P u ­
rai-a para fora para ser queimada. tifa r) não tinha outro cuidado, que
“ E, enquanto era conduzida ao suplí­ pôr-se à mesa a comer. Ora José era
cio, mandou dizer a seu sog ro: Eu de rosto formoso e aspecto gentil.
concebi do varão de quem são estas
coisas; vê de quem é o anel e o brace­ Castidade de José
lete, e o caiado. *E êle, reconhecidas
as dádivas, disse: Ela é mais justa do 7Pelo que, passados muitos dias,
que eu, pois que a não entreguei a lançou sua senhora seus olhos sobre
meu filho Sela. Êle todavia, não a José, e disse: Dorme comigo. 8Mas
conheceu mais. 27Mas, quando esta­ êle, não consentindo de modo algum
va para dar à luz, apareceram dois na execrável ação, disse-lhe: Eis que
gêmeos no ventre: e, na saída dos me­ o meu senhor, tendo entregue tudo
ninos, um deitou fora a mão, na qual nas minhas mãos, ignora o que tem
a parteira atou um fio vermelho, di­ em sua casa; 9e não há coisa alguma
zendo: 28Êste sairá primeiro. 29Porém, que não esteja em meu poder, ou que
reconhecendo êle a mão, saiu o ou­ me não tenha confiado exceto tu,
tro; e a mulher disse: P or que se di­ que és sua mulher. Como, pois, pos-
Santos Padres procurem diminuir a culpa de Tam ar, afirm ando que' ela procedera assim,
levada por um grande desejo de pertencer à fam ília que tinha recebido as promessas
divinas.
24. Para ser queimada. N o oriente as faltas das mulheres contra os bons costumes
foram sempre severamente punidas. T am ar estava noiva de Sela, e por isso foi conde­
nada por Judã, que tinha direito de o fazer como chefe de fam ilia.
26. É mais justa, isto é, procedeu comigo com menor injustiça do que eu com ela,
nâo lhe dando o meu filho Rela. Deve, todavia, dizer-se que, se diante de Judá a culpa
de T am ar foi menor, n&o o foi diante de Deus. Judá, não a tendo conhecido, pecou só
por fornicação, enquanto que ela, além disso, pecou por incesto e por adultério.
27. Deitou a mão de fora. E ra êste o primogênito, e por isso a parteira quis constatar
o fato, ligando a mfto do menino com um fio vermelho.
29. P or que se dividiu. .. por que se rompeu a m em brana em que estavas envolvido,
a fim de que saísses primeiro, tirando dêste modo a primogenitura a teu irmfto?
Cap. X X X IX — 9-10. A adm irável resposta de José mostra que êle não queria ofender
nem o seu senhor nem o seu Deus.
39 - 40 GÊNESIS 61
so eu cometer esta maldade, e pe­ 4E o guarda do cárcere entregou-os
car contra o meu Deus? 10Com seme­ a José que também os servia. Tinha
lhantes palavras todos os dias era a decorrido algum tempo, desde que ê-
mulher molesta ao jovem ; e êle recu­ les estavam encarcerados na prisão.
sava pecar. nMas aconteceu que, u.m 5E ambos, numa mesma noite, tiveram
dia, entrou José em casa, e fazia uma um sonho, que por sua interpretação
certa obra, sem que ninguém o visse; se referia a êles. °E, tendo ido José
12e ela, segurando-o pela orla do seu junto dêles pela manhã, e vendo-os
vestido, disse-lhe: Dorme comigo. Mas tristes, 7interrogou-os, dizendo: Por
êle, deixando a capa na sua mão fu­ que razão está hoje o vosso semblante
giu e saiu para fora. 13E a mulher, mais triste que o costumado? 8E êles
vendo a capa nas suas mãos, e (ven- responderam: Tivemos um sonho, e
do) que era desprezada, 14chamou a não há quem no-lo interprete. E José
si a gente da casa, e disse-lhes: Vêde, disse-lhes: Porventura não pertence a
trouxe-nos êste homem Hebreu para Deus a interpretação? Contai-me o
zombar de nós. Veio ter comigo para que vistes. fO copeiro-mór foi o pri­
me seduzir; e, tendo eu gritado, “êle, meiro que contou o seu sonho: Eu via
ao ouvir a minha voz, deixou a ca­ diante de mim uma cepa, 10na qual
pa em que eu pegava, e fugiu para havia três varas, crescer pouco a pou­
fora. 16Em prova da sua fidelidade co em gomos, e, depois, das flores, a-
mostrou ao marido, quando êle vol­ madurecerem as uvas; ne (eu tinha)
tou para casa, a capa com que tinha a taça de Faraó na minha mão; e to­
ficado, ne disse*: Aquêle servo H e­ mei as uvas, e espremi-as na taça,
breu, que trouxeste, veio ter comigo ‘ que tinha na mão, e apresentei de be­
para fazer zombaria de mim; t8e, ber a Faraó. 12José respondeu: A in­
ouvindo que eu gritava, deixou a capa terpretação do sonho é esta: As três
em que eu pegava, e fugiu para fora. varas são três dias ainda (que aqui
19Ao ouvir isto, o senhor, demasiado estarás), 13depois dos quais se lem­
crédulo nas palavras da mulher, irou- brará Faraó dos teus serviços, e te
se em extremo; 20e lançou José no restituirá ao antigo cargo; e tu lhe a-
cárcere, onde estavam detidos os pre­ presentarás a taça conforme o teu o-
sos do rei, e êle foi aí encarcerado. fício, como costumavas fazer antes.
mO Senhor, porém, foi com José e, 14Sòmente lembra-te de mim, e usa
compadecido dêle, fê-lo encontrar gra­ para comigo de compaixão, quando
ça diante do governador da prisão, fores feliz, e solicita a Faraó que me
“ o qual confiou à sua vigilância todos tire dêste cárcere, 15porque, por frau­
os presos que estavam no cárcere; e de, fui tirado da terra dos Hebreus,
tudo o que se fazia, era feito por sua e, estando inocente, fui lançado nes­
ordem. 23Nem (o governador) tomava ta fossa.
conhecimento de coisa alguma, depois 10Vendo o padeiro-mor que (José)
que lhe confiou tudo; porque o Se­ tinha interpretado sàbiamente o so­
nhor era com êle, e fazia prosperar nho, disse: Também eu tive um so­
tôdas as suas obras. nho: (Parecia-m e) ter três cestos de
farinha sôbre a minha cabeça, 17e
José interpreta o sonho dos prisioneiros que, no cesto que estava mais alto,
levava todos os manjares, que a arte
4 A 'Depois disto, aconteceu que dois de padeiro pode preparar, e que as
eunucos. o copeiro do rei do aves comiam dêle. 18José respondeu:
Egito e o padeiro, pecaram contra A interpretação do sonho é esta: Os
o seu senhor: 2E Faraó, irado contra três cestos são três dias ainda (que te
êles (porque um presidia aos copeiros, restam), 19depois dos quais Fàraó
outro aos padeiros), -3mandou-os me­ mandará tirar-te a cabeça, e te sus­
ter no cárcere do general do exército penderá em uma fôrca e as aves de­
no qual estava também prêso José. vorarão as tuas carnes.
11. Entrou em casa, etc. O hebraico diz: Entrou em casa para fazer o seu serviço,
sem que lá estivesse nenhuma das pessoas de casa.
12. Fugiu. “Aprende também tu, diz Santo Agostinho, a fu gir dos perigos da impureza,’
se queres obter a palm a da castidade”.
62 GÊNESIS 40 - 41
20(C om e feito) três dias depois, era pendurado em uma fôrca. 14Imedia-
O dia do nascimento de Faraó, o qual, tamente José foi tirado do cárcere por
dando um grande banquete aos seus mandado do rei; barbearam-no, mu­
criados, se lembrou à mesa do copei- daram-lhe os vestidos, e apresentaram-
ro-m ór e do padeiro-mór. 21E restituiu lho. 15E êste disse-lhe: T ive uns so­
um ao seu lugar, para lhe ministrar nhos, e não há quem os interprete;
a taça; 22e mandou suspender o outro ouvi dizer que tu sabes explicá-los sa-
num patíbulo, pelo que foi compro­ pientissimamente. 16José respondeu:
vad a a verdade do intérprete. 23E, Sem mim Deus responderá favorável-
não obstante sucederem-lhe próspera- mente a Faraó. 17Faraó, pois, contou
m en te as coisas, o copeiro-mór es­ o que tinha visto: Parecia-me estar
queceu-se do seu intérprete. sôbre a margem do rio, 18e que saíam
do rio sete vacas, em extremo form o­
Sonhos de Faraó sas, e muito gordas, as quais pasta­
A ] ^ o is anos depois, Faraó teve vam a erva verde nos lugares palus-
tres. 19E eis que, atrás destas, vi­
um sonho. Parecia-lhe que es­ nham outras sete vacas tão disformes
ta v a na margem do rio, 2do qual saíam e magras, que nunca as vi semelhan­
sete vacas, muito formosas e gordas, tes na terra do Egito; ^as quais, de­
as quais pastavam nos lugares pa- voradas e consumidas as primeiras,
lustres. 3Saíam também outras sete 21não deram nenhum sinal de ficar
do rio, desfiguradas e consumidas fartas; mas ficaram tão macilentas e
de magreza, as quais pastavam na feias como dantes. Acordei, fui nova-
m esm a margem do rio, em lugares mente oprimido pelo sono, 22e tive
cheios de erva; 4e (estas) devoravam êste sonho: Sete espigas saíam do
aquelas que eram belas de aspecto e mesmo caule cheias (de grãos) e fo r­
gordas de corpo. Tendo Faraó desper­ mosas. 23E outras sete delgadas e
tado, 5adormeceu novamente, e teve queimadas do suão, nasciam doutro
Outro sonho: Sete espigas saíam do caule, 24as quais devoravam as pri­
mesmo caule, cheias de grãos e form o­ meiras, que eram tão belas. R eferi aos
sas; 6e nasciam também outras tan­ adivinhos o sonho, e não há quem o
tas espigas delgadas e queimadas do explique. 25José respondeu: O sonho
suão, 7as quais devoravam tôdas as do rei reduz-se a um só: Deus mos­
primeiras que eram tão belas. Desper­ trou a Faraó o que está para fazer.
tando Faraó do sono, 8e tendo ama­
nhecido, cheio de pavor, mandou cha­ Explicação do sonho
m ar todos os adivinhos do Egito, e
todos os sábios; e, estando reunidos, 26As sete vacas formosas, e as sete
contou-lhes o sonho e não havia quem espigas cheias (de grã o), são sete a-
lho explicasse. nos de abundância; e no sonho têm a
José interpreta os sonhos de Faraó mesma significação. S7As sete vacas
magras e macilentas, que subiram (do
9Então, finalmente, lembrando-se rio ) após as primeiras, e as sete espi­
o copeiro-mór (de José), disse: Con­ gas delgadas e queimadas do suão, são
fesso a minha falta: 10Tendo-se o sete anos de fome que estão para vir.
rei irado contra os seus servos, man­ 2SE isto cumprir-se-á por esta ordem.
dou que eu e o padeiro-mór fôssemos 29Eis que virão sete anos de grande
metidos no cárcere do general do e- fertilidade por tôda a terra do Egito;
xército; ne aí, uma noite, ambos nós 30depois dos quais seguirão outros se­
tivemos um sonho que pressagiava o te anos de tanta esterilidade, que se­
futuro. 12Achava-se lá um jovem He- rá esquecida tôda a abundância pas­
breu, servo do mesmo general do exér­ sada; porque a fome há de consumir
cito; e, tendo-lhe nós referido os so­ tôda a terra, 31e a grandeza da penú­
nhos, 13ouvimos tudo o que depois ria há de absorver a grandeza da a-
os fatos comprovaram; porque eu fui bundância. 32E, quanto ao segundo so­
restituído ao meu ofício, e o outro foi nho que tiveste, que se refere à mes-
Cap. X L I — 16. Sem mim. .. O hebreu diz: Não sou eu, é Deus que dará uma resposta...
25. o sonho do rei. .. isto é, os dois sonhos têm sòmente um a significação.
41 - 42 GENESIS 63
ma coisa, é um sinal certo de que se anos e, atado o trigo aos molhos, foi
há de executar a palavra de Deus, e recolhido nos celeiros do Egito. “ Re-
prontamente se cumprirá. “ Agora, colheu-se também em cada uma das
pois, escolha o rei um homem sábio cidades tôda a abundância de frutos.
e ativo, a quem dê autoridade sôbre 49E foi tanta a abundância do trigo,
a terra do Egito; 34e êste (hom em ) que igualava a areia do mar, e a
estabeleça superintendentes por tôdas quantidade excedia tôda a medida.
as províncias; e a quinta parte dos 60Nasceram a José dois filhos antes de
frutos nos sete anos de fertilidade, chegar a fome, os quais lhe foram da­
“ que já estão para começar, seja reco­ dos à luz por Asenet, filha de Putifar,
lhida nos celeiros; e guarde-se todo o sacerdote de Heliópolis. 51E ao primo­
trigo debaixo do poder de Faraó, e gênito pôs o nome de Manassés, di­
conserve-se nas cidades. S6E tenha-se zendo: Deus me fêz esnuecer todos
preparado para a futura fome dos os meus trabalhos, e da casa de meu
sete anos, que há de oprimir o E gi­ pai. 52Ao segundo pôs o nome de E-
to; e assim o país não será consumi­ fraim, dizendo: Deus me fêz crescer,
do pela fome. na terra da minha pobreza. “ Pas­
sados, pois, os sete anos da abundân­
José nomeado superintendente do Egito cia, que houve no Egito, “ começaram
a vir os sete anos de carestia, que
37Agradou o conselho a Faraó e a José prognosticara; e, em todo o mun­
todos os seus ministros; “ e disse- do, se fêz sentir a fome; porém em
lhe: Poderemos nós encontrar um ho­ tôda a terra do Egito havia ção. 54 55*E,
mem como êste, que esteja (tã o) quando também o Egito sentiu a fo ­
cheio de espírito de Deus? “ Disse, me, o povo clamou a Faraó, pedindo
pois, a José: Visto que Deus te mani­ sustento. E êle respondeu-lhes: Ide a
festou tudo o que disseste, poderei eu José, e fazei tudo o que êle vos dis­
encontrar alguém mais sábio e seme­ ser. “ Ora a fome crescia todos os dias
lhante a ti? -“Tu governarás a minha em tôda a terra; e José abriu todos
casa, e, ao mando de tua voz obedece­ os celeiros, e vendia aos Egípcios;
rá todo o povo; eu não terei sobre ti porque também a êles oprimia a fo ­
outra precedência além do trono. 41E me. 57E tôdas as províncias vinham
Faraó disse mais a José: Eis que te ao Egito, para comprar de comer, e
dou autoridade sobre toda a terra do procurar alívio ao mal da carestia.
Egito. 42E tirou o anel da sua mão,
e meteu-o na mão dêle; e vestiu-lhe
um vestido de linho fino, e pôs-lhe ao Jacó manda seus filhos ao Egito
pescoço um colar de ouro. 43E fê-lo
subir para o seu segundo côche, cla­ A O JOra Jacó, tendo ouvido dizer
mando o pregoeiro que todos ajoe­ ’ ■ que no Egito se vendia de
lhassem diante dêle, e soubessem que comer, disse a seus filhos: P or que
era o superintendente de toda a terra estais a olhar uns para os outros?
do Egito. 44Disse também o rei a José: 2Ouvi dizer que no Egito se vendia
Eu sou Faraó; sem teu mando nin­ trigo; ide, e comprai-nos o necessário,
guém moverá mão ou pé em tôda a para que possamos viver, e não seja­
terra do Egito. "E mudou-lhe o nome, mos consumidos pela fome. 3Os dez
e chamou-o na língua egípcia Sal­ irmãos de José foram, pois, ao Egito
vador do Mundo. E deu-lhe por mu­ para comprar trigo. 4E Benjamim fi­
lher a Asenet, filha de Putifar, sacer­ cou retido em casa com Jacó, o qual
dote de Heliópolis. Saiu, portanto, Jo­ tinha dito aos seus irmãos: Não lhe
sé a correr a terra do Egito, “ (tinha vã acontecer alguma desgraça na via­
trinta anos quando se apresentou di­ gem. 5Êles entraram na terra do E gi­
ante do rei Faraó), e percorreu tô­ to com outros que iam comprar (t r i­
das as províncias do Egito. g o ). Porque existia a fome na terra
47Veio, pois, a fertilidade dos sete de Canaã.

54. E m todo o mundo, expressão hiperbólica p ara exprim ir tôdas as terras vizinhas
do Egito.
57. Tôdas as províncias, isto é, todos os habitantes dos países circunvizinhos do Egito.
64 GÊNESIS 42
Encontro de José com seus irmãos porque pecamos contra o nosso ir­
°E José era governador na terra mão, vendo a angústia do seu cora­
do Egito, e, conforme a sua vontade, ção, quando nos suplicava, e nós não
se vendia o trigo aos povos. E, ten- atendemos; por isso veio sôbre nós
do-se prostrado diante dêle os seus esta tribulação.
22Ruben, um dêles, disse: Porventu­
irmãos, êle os reconheceu, 7e falava- ra não vos disse eu: Não pequeis con­
lhes com aspereza, como a estrangei­ tra o menino; e vós não me ouvis­
ros, perguntando-lhes: Donde vindes? tes? Eis que se requer (de nos) ó
E êles responderam: Da terra de Ca- seu sangue.
naã, a fim de comprar o necessário 23Ora êles não sabiam que José os
para o sustento. 8Embora êle reco­ entendia; porque lhes falava por in­
nhecesse os irmãos, todavia não foi térprete. 24E (José) retirou-se um
reconhecido por êles. 9E, lembrado momento, e chorou; e, voltando, falou
dos sonhos que em outro tempo tive­ com êles. 25E, tendo mandado tomar
ra, disse-lhes: Vós sois espias; viestes e ligar Simeão na presença dêles,
para reconhecer os lugares mais fra ­ mandou aos oficiais que enchessem os
cos do país. 10Êles responderam: Não seus sacos de trigo, e repusessem o di­
é assim, senhor, mas os teus servos nheiro de cada um no seu (respectivo)
vieram para comprar de comer. “ So­
mos todos os filhos de um mesmo ho­ saco, dando-lhes, além disso, manti­
mem; vimos com sentimentos pacífi­ mentos para o caminho; e assim f i­
cos, nem os teus servos maquinam zeram.
mal algum. “ Êle respondèu-lhes: Isso Os outros filhos de Jacó
não é assim; vós viestes observar os voltam a seu pai
lugares não fortificados dêste país. 20E êles, levando o trigo sôbre os
“ Êles, porém, disseram: Nós, teus ser­ seus jumentos, partiram. 27E, abrin­
vos, sòmos doze irmãos, filhos de um do um dêles o saco, para dar de co­
mesmo homem na terra de Canaã; o mer ao (seu) jumento na estalagem,
mais pequeno está com nosso pai, o vendo o dinheiro, na bôca do saco,
outro jã não existe. 14fi o que eu disse, 28disse para seus irmãos: Tornaram-
tornou (J os é): Sois espias. 15Desde já me a dar o dinheiro, e ei-lo aqui no
vos porei à prova; pela saúde de F a ­ (m eu ) saco. E, pasmados e perturba­
raó não saireis daqui, até que venha dos disseram uns para os outros: Que
vosso irmão mais novo. 16Mandai um é isto que Deus nos fez? 20E foram pa­
de vós que o traga; e vós ficareis pri­ ra casa de Jacó seu pai, na terra de
sioneiros, até que se prove se é verda­ Canaã, e contaram-lhe tudo o que
deiro ou falso o que dissestes; aliás, lhes tinha acometido, dizendo: 30O se­
pela saúde de Faraó, sois espias. nhor daquela terra falou-nos com du­
17Meteu-os, pois, em prisão durante reza, e julgou que nós éramos espias
ti'ês dias. do país. 31Nós respondemos-lhe: ^So­
Simeão fica prisioneiro mos homens pacíficos, e não maqui­
namos traição alguma. 32Somos doze
18E, tendo-os mandado tirar do cár­ irmãos gerados de um mesmo pai; um
cere no terceiro dia, disse: Fazei o já não existe, e o mais novo está com
que vos disse, e vivereis, porquanto nosso pai na terra de Canaã. 33E êle
temo a Deus. 19Se sois de paz, um disse-nos; Eu provarei dêste modo se
vosso irmão tique ligado no cárcere; sois homens pacíficos: Deixai um vos­
e vós ide, e levai para vossas casas so irmão em meu poder, e tomai os
o trigo que comprastes. 20E trazei-me mantimentos necessários para as vos­
vosso irmão mais novo, para que eu sas famílias, e parti, 84e trazei-me o
possa verificar as vossas palavras, e vosso irmão mais novo, para que eu
vós não sejais condenados à morte. saiba que não sois espias, e possais
Êles fizeram como (José) lhes tinha recuperar êste, que fica em prisão, e
dito; 21e disseram uns para os outros: depois tenhais licença de comprar o
Justamente sofremos estas coisas, que quiserdes.
Cap. X L I I — 7. Falava-lhes com aspereza p ara os experimentar, a fim de ver quais
eram as suas disposições para com seu pai e Benjamim.
42 - 43 GÊNESIS 65
“ Dito isto, ao despejar o trigo, cada trouxer, e to não restituir, serei sem­
um dêles encontrou na boca do (seu) pre réu de pecado para contigo. 10Se
saco o dinheiro embrulhado; e (ten ­ não tivesse havido (ta nta ) demora, já
do ficado) todos espavoridos, “ o seu teríamos vindo segunda vez. “ Então
pai Jacó disse: Vos levastes-me a Israel, seu pai, disse-lhes: Se assim
ficar sem filhos. José já não existe, é necessário, fazei o que quereis; to­
Simeão está em cadeias, e haveis de mai dos melhores frutos do país nos
levar-me Benjamim. Sobre mim cai- vossos vasos, e levai de presente a ês-
ram todos êstes males. 37Ruben res- se homem um pouco de resina, e de
pondeu-lhe: Mata os meus dois fi­ mel, e de estoraque, de mirra, e de te-
lhos, se eu to não trouxer outra vez; •rebinto, e de amêndoas. 12Levai tam­
entrega-o nas minhas mãos, e eu to bém convosco dobrado dinheiro; e
restituirei. 38Êle, porém, disse: O meu tornai a levar aquêle que encontras­
filho não irá convosco; seu irmão tes nos sacos; não tenha acontecido
morreu, e êle ficou só; se lhe acon­ (isso) talvez por engano. 13Tom ai tam­
tecer alguma desgraça na terra para bém o vosso irmão, e ide ter com ês-
onde ides, fareis descer os meus ca­ se homem. 14E o meu Deus onipoten­
belos brancos com (essa) dor à ha­ te vo-lo torne propício, e remeta con­
bitação dos mortos. vosco o vosso irmão que retém prêso,
e êste (m e u ) Benjamim; eu (en tre­
Jacó m anda novamente seus filhos tanto) serei como um homem que fi­
ao Egito, confiando-lhes Benjamim ca privado de filhos.
^ O E ntretanto a fome oprimia Encontro com José
cruelmente tôda a terra. 2E,
consumidos os víveres çpie tinham le­ 15Êles, pois, tomaram os presentes
vado do Egito, Jacó disse a seus fi­ e o dinheiro dobrado, e Benjamim; e
lhos: Voltai, e comprai-nos um pou­ desceram ao Egito, e apresentaram-se
co de víveres. 3Judá respondeu: A- a José.
quêle homem intimou-nos com jura­ 16E êle, tendo-os visto, e a Benja­
mento, dizendo: Vós não vereis a mi­ mim com êles, deu ordens ao despen-
nha face, se não trouxerdes convosco seiro de sua casa, dizendo: Manda
o vosso irmão mais novo. 4Se tu, entrar para dentro de casa (ésses)
pois, queres mandá-lo conosco, iremos homens, e mata vítimas, e prepara
juntos e te compraremos o necessá­ um banquete; porque hão de comer
rio; 5mas se não queres, não iremos, comigo ao meio-dia. 17Fêz êle o que
porque aquêle homem, como temos lhe tinha sido ordenado, e introdu­
dito muitas vezes, intimou-nos dizen­ ziu os homens em casa (de José).
do: Não Vereis a minha face sem 18E aí, amedrontados, disseram uns
(tra zer) o vosso irmão mais novo. para os outros: Por causa daquele
Tsrael disse-lnes: Para minha des­ dinheiro, que levamos em nossos sa­
graça fizestes-lhe saber que tínheis cos, somos introduzidos aqui para fa ­
ainda um outro irmão. 7Êles, porém, zer cair sôbre nós esta calúnia, e su­
responderam: Aquêle homem inter­ jeitar violentamente à escravidão nós
rogou-nos por ordem sôbre a nossa e os nossos jumentos. 19P or isso, ao
família; se vivia o pai; se tínhamos entrar a porta, aproximaram-se do
(o u tro ) irmão; e nós respondemos- despenseiro da casa, “ e disseram: Ro-
lhe segundo o que êle perguntava. gamos-te, senhor, que nos ouças. Já
Porventura, podíamos nós saber que uma vez viemos comprar víveres; 21e,
êle iria dizer: Trazei vosso irmão depois de os termos comprado, quan­
convosco? 8Judá disse também a seu do chegamos à estalagem, abrimos os
pai: Manda c menino comigo, para nossos sacos, e encontramos na bôca
partirmos, e podermos viver, e não dos sacos o dinheiro, o qual tornamos
morrermos nós e os nossos meninos. a trazer agora no mesmo pêso.
°Eu me encarrego do menino; re- (além deste) trouxemos outro dinhei­
quere-o da minha mão; se eu o não ro, para comprarmos o que nos é ne­
Cap. X L I I I — 1-2. Segunda viagem dos filhos de Jacó ao Egito,
16. Vítim as, isto ê, anim ais destinados a ser comidos.

3 - B íb lia Sagrad a
66 GÊNESIS 43 - 44
cessário; não sabemos quem pusesse de primogenitura, e o mais novo se­
aquêle nos nossos sacos. 23Êle, porém, gundo a sua idade. E admiravam-se
respondeu: A paz seja convosco, não sobremaneira, 34recebendo os quinhões
temais. O vosso Deus, e o Deus de que lhes mandava; e para Benjamim
vosso' pai pôs-vos ( aqueles) tesouros foi o maior quinhão, que era cinco
nos vossos sacos; porque o dinheiro, vêzes mais abundante. E beberam e
que me destes, eu o tenho em boa alegraram-se com êle.
moeda. E trouxe-lhes Simeão. 24E, in­
troduzidos em casa, trouxe-lhes água, Os irmãos de José acusados de
e levaram os pés; e deu de comer aos furto
seus jumentos. -'‘E êles preparavam
os presentes, para quando José en­ AA *E José ordenou ao despensei-
trasse ao meio-dia; porque tinham ro da sua casa, dizendo: En­
ouvido que aí haviam de comer. ^Jo- che de trigo os seus sacos, quanto
sé, pois, entrou em sua casa, e êles êles podem levar, e põe o dinheiro de
ofereceram-lhe os presentes, que ti­ cada um na oôca do saco. 2E põe na
nham nas suas mãos; e saudaram-no, bôca do saco do mais novo a minha
inclinando-se até à terra. taça de prata, e o dinheiro que deu
pelo trigo. E assim foi feito. 9E, che­
José /aia a seus irmãos gada a manhã, foram despedidos com
os seus jumentos. 4E já haviam saído
27Êle, porém, depois de os ter be­ da cidade, e tinham caminhado um
nignamente saudado, interrogou-os, pouco, guando José, chamando o
dizendo: O vosso velho pai, de quem despenseiro da casa, disse: Levanta-
me falastes, está de saúde? ainda v i­ te, e vai atrás daqueles homens, e,
ve? 28E êles responderam: Nosso quando os tiveres alcançado, dize-
pai, teu servo, está de saúde, ainda lhes: Por que razão tornastes mal
vive. E, inclinando-se, o saudaram. por bem? 6A taça, que roubastes, é
“ E José, levantando os olhos, viu aquela pela qual bebe o meu senhor,
Benjamim, seu irmão uterino, e dis­ e da qual se serve para as suas adivi­
se: É êste o vosso irmão mais novo, nhações; vós fizestes uma péssima
de quem me tinheis falado? E acres­ coisa. 0(O despenseiro) fêz como lhe
centou: Deus se compadeça de ti, meu foi mandado. E, tendo-os alcançado,
filho. 80E apressou-se (a se re tira r), falou-lhes nos termos ordenados. 7E
porque suas entranhas se tinham co­ êles responleram: Por que fala as­
movido por causa de seu irmão, e as- sim o nosso senhor, como se os teus
somavam-lhe as lágrimas; e, entran­ servos tivessem cometido tão grande
do no (seu) quarto, chorou. 2*31E, sain­
9 crime? 8Nós trouxemos-te da terra
do outra vez depois de lavado o ros­ de Canaã o dinheiro, que achamos no
to, conteve-se, e disse: Trazei de co­ cimo dos sacos; e como é que, depois
mer. 32*E foi posta a mesa à parte pa­ disto, pode ser que tenhamos furta­
ra José, à parte para os irmãos, à do da casa do teu senhor, ouro ou
parte também para os E^gípcios, que prata? 9Aquêle dos teus servos em
comiam com êle, (porque não é lícito cujo poder se encontrar o que pro­
aos Egípcios comer com os Hebreus, curas, morra, e nós seremos escra­
e consideram profano tal banquete). vos do nosso senhor.
3ySent.aram-se na sua presença, o 10Èle disse-lhes: Faça-se segundo as
primogênito segundo o seu privilégio vossas palavras: aquêle em cujo po­
29. Seu irmão uterino. O original diz: Seu irmão, filho de sua mãe.
31. Depois de lavado o rosto, para que ninguém soubesse que tinha chorado.
32. José comia só, em mesa separada, por causa da sua dignidade.
33. E adm iravam -se, por se verem à mesa em casa do Governador de todo o Egito.
Cap. X L I V — 1. E ordenou, etc. Com esta última prova, José quis ver se seus irmãos
am avam sinceramente Benjamim. Se o amassem, ao vê-lo acusado de furto, intercederíam
por êle; do contrário abandonâ-lo-iam .
5. E da qual se serve, etc. N ã o é provável que José se servisse d a taça adivlnhatória,
êle que tinha atribuído expllcitamente a Deus as suas interpretações dos sonhos (X L , 8:
X L I, 16). M anda, porém, fa la r segundo a opinião que dêle form ava o povo, o qual ju l­
g a v a que se servia da taça p ara conhecer as coisas futuras e ocultas.
44 - 45 GENESIS 67
der se encontrar (o que eu procuro), so irmão mais novo, não vereis mais
será meu escravo, e vós sereis inocen­ a minha face. 24Tendo nós, pois, ido
tes. "Portanto, pondo à pressa os sa­ para nosso pai, teu servo, contamos
cos em terra, cada um abriu o seu. tudo o que o meu senhor tinha dito.
12E (o despenseiro) , tendo-os exami­ “ E (passado algum tem po) nosso
nado, principiando desde o maior até pai disse-nos: Voltai, e comprai-nos
ao mais pequeno, encontrou a taça mais algum trigo. 26É nós dissemos-
no saco de Benjamim. 13Então êles, lhe: Não podemos ir; se nosso irmão
rasgados os vestidos e carregados ou­ mais novo fôr conosco, partiremos
tra vez os jumentos, voltaram para juntamente; de outra maneira, sem ê-
a cidade. le, não nos atrevemos a ver a face da­
quele homem. 27Ao que êle respondeu:
Judá intercede, em nome de seu pai, Vós sabeis que minha mulher me deu
em favo r de Benjamim à luz dois filhos. aUm dêles saiu de
casa, e vós dissestes: Uma fera o de­
14E Judá íoi o primeiro que entrou vorou; e até agora não aparece. “ Se
com seus irmoos na casa de José (por­ levardes também êste, e lhe aconte­
quanto ainda se não tinha retirado de cer alguma desgraça no caminho, fa­
lá), e todos se prostraram por terra, reis descer com tristeza os meus ca­
diante dêle. 15E êle disse-lhes: Por belos brancos à habitação dos mor­
que quisestes proceder assim? P or­ tos. 30Portanto, se eu entrar em ca­
ventura ignorais que não há seme­ sa de nosso pai, teu servo, e faltar o
lhante a mim na ciência de adivi­ menino, (com o a sua alma depende
nhar? 16E Judá disse-lhe: Que res­ da alma dêste), 31vendo que êle não
ponderemos nós ao meu senhor? ou está conosco, morrerá; e teus servos
que coisa diremos, ou que justas des­ farão descer com tristeza os seus ca­
culpas poderemos apresentar? Deus belos brancos à habitação dos mor­
encontrou a iniqüidade de teus servos; tos. 32Seja eu mesmo teu próprio es­
eis que somos todos escravos do meu cravo, eu que sob minha fé o rece-
senhor, nós, e aquêle junto do qual bi, e obriguci minha pessoa, dizen­
foi encontrada a taça. 17José res­ do: Se eu não o tornar a trazer,
pondeu: Longe de mim proceder dês- serei para sempre réu de pecado con­
se modo; aquêle que roubou a taça, tra meu pai. 33Portanto eu ficarei
seja meu escravo; e vós ides livres teu escravo, em lugar do menino, ao
para v o s s o pai. serviço do meu senhor, e o menino
18Então Judá, aproximando-se (de volte com seus irmãos. 34Porque não
José), cheio de ânimo, disse: Peço-te, posso tornar para meu pai sem o me­
meu senhor, que permitas ao teu nino, para que eu não seja testemu­
servo dizer uma palavra aos teus ou­ nha da aflição que oprimirá meu pai.
vidos, e que não te agastes com o teu
servo, porçfue tu éá depois de Faraó, José dá-se a conhecer a seus irmãos
19o meu senhor. Primeiramente per­
guntaste a teus servos: Tendes pai ou K ^osé não se podia conter mais
irmão? 20E nós respondemos-te, meu diante dos muitos circunstan-
senhor: Temos um pai já velho, e tes, pelo que ordenou que todos saís­
um menino mais pequeno, que (lh e ) sem, e nenhum estranho assistisse ao
nasceu na sua velhice, um irmão ute- reconhecimento mútuo. 2E levantou
rino do qual morreu; e é o único a voz chorando, a qual ouviram os
que resta de sua mãe, e o pai ama-o Egípcios e tôda a casa de Faraó. 3E
ternamente. 21E tu disseste a teus disse a seus irmãos: Eu sou José; v i­
servos: Trazei-mo, e porei os meus ve ainda meu pai? Não podiam res­
olhos sôbre êle. 22E nós replicamos ponder-lhe seus irmãos, possuídos dum
ao meu senhor: O menino não pode excessivo terror. 4Êle, porém, com be-
deixar seu pai, porque, se o deixar, nignidade, disse-lhes: Aproximai-vos
(seu pai) morrerá. ^E tu disseste a de mim. E, tendo-se êles aproxima­
teus servos: Se não vier convosco vos­ do, disse: Eu sou José, vosso irmão,
15. N a ciência de adivinhar, ou seja, na arte de adivinhar.
16. Deus en con trou ... isto è, Deus puniu hoje o pecado que cometemos contra José,
68 GÊNESIS 45 - 46
a quem vós vendestes para o Egito. os bens do Egito, para que comais o
5Não temais, nem vos pareça ser coi­ miolo da terra. 19Ordena também que
sa dura o terdes-me vendido para tomem carros da terra do Egito para
êste país, porque para vossa salva­ a condução de seus filhos e mulheres;
ção me mandou Deus adiante de vós e dize-lhes: Tom ai vosso pai, e apres­
para o Egito. 6Porquanto há dois anos sai-vos a vir quanto antes. ME nao
que principiou a haver fome neste tenhais pena de não trazer todas as
país; e ainda restam cinco anos, nos vossas alfaias; porque todas as rique­
[uais nem se poderá lavrar, nem cei- zas do Egito serão vossas.
?ar. 7E Deus enviou-me adiante para 21E os filhos de Israel fizeram co­
que sejais conservados sobre a terra, mo lhes fora mandado. E José deu-
e possais ter alimento para viver. lhes carros, segundo a ordem de F a­
8Não (f o i) por vosso conselho que raó, e mantimentos para o caminho.
fui mandado para aqui, mas por von­ “ Mandou também dar a cada um
tade de Deus, o qual me tornou qua­ dois vestidos; a Benjamim, porém deu
se pai de Faraó, e senhor de tôda trezentas moedas de prata com cinco
a sua casa e príncipe em tôda a ótimos vestidos; 2"mandando a seu
terra do Egito. °Apressai-vos, e ide pai outro tanto de dinheiro e de ves­
a meu pai, e lhe direis: Isto te man­ tidos, acrescentando dez jumentos,
da dizer teu filho José: Deus fêz-me que levavam de tôdas as riquezas do
senhor de tôda a terra do Egito; vem Egito; e outras tantas jumentas que
para a minha companhia, não te de­ levavam trigo e pão para o cami­
mores, 10e habitarás na terra de Ges- nho. 24Despediu, pois, seus irmãos, e,
sém; e estarás perto de mim tu e ao partir, disse-lhes: Não alterqueis
teus filhos o os filhos de teus filhos, durante a viagem.
as tuas ovelhas e os teus rebanhos,
e tudo o que possuis. “ E aí te susten­ A legria de Jacó
tarei (porque ainda restam cinco a- 25E êles, partindo do Egito, chega­
nos de fom ei, para que não pereças ram à terra de Canaã, à casa de seu
tu e a tua casa, e tudo o que possuis. pai Jacó. “ E deram-lhe a nova, di­
12Eis que os vossos olhos e os olhos zendo: José, teu filho vive, e governa
de meu irmão Benjamim vêem que é tôda a terra do Egito. Ouvindo isto
a minha bôca que vos fala. 13Con- Jacó como que despertou de um pro­
tai a meu pai tôda a minha glória, e fundo sono, todavia não os acredita­
tudo o que vistes no Egito; apressai- va. 27Êles, porém, contavam toda a
vos, e trazei-mo. 14E, tendo se lan­ série dos acontecimentos. E, quando
çado ao pescoço de seu irmão Ben­ (Jacó) viu os carros, e tudo o que
jamim para o abraçar, choiou, cho­ (José) tinha mandado, reviveu o seu
rando também (B enjam im ) sôbre o espírito, 28e disse: Basta-me que ainda
seu pescoço. 15E José beijou todos viva meu filho José; irei, e vê-lo-ei
os seus irmãos, e chorou sobre cada antes de morrer.
um dêles. E, depois disto, afoitaram-
se a falar com êle. Partida de Jacó p ara o Egito
Os irmãos de José partem para Canaã AÇL P artiu , pois, Israel com tudo
16E ouviu-se e divulgou-se de bôca o que possuía, e foi ao poço
em bôca no palácio do rei: Chegaram do juramento; e, tendo imolado aí v i­
os irmãos de José; e Faraó e tôda a timas ao Deus de seu pai Isaac, 2ou-
sua fam ília se alegrou. 17E disse a viu-o numa visão de noite, que o
José que orc.enasse e dissesse a seus chamava e lhe dizia: Jacó! Jacó! Ao
irmãos: Carregai os vossos jumentos, qual êle respondeu: Eis-me aqui.
ide para a terra de Canaã, 18e tirai 3Deus disse-lhe: Eu sou o Deus fortís­
de lá vosso pai e família, e vinde pa­ simo de teu pai; não temas, vai para
ra junto de mim; e eu vos darei todos o Egito, poraue eu te farei ser uma
Cap. X L v — 18. O miolo da terra, isto é, os melhores frutos dêste pais.
28. Basta-m e que ainda viva , pouco me im porta que esteja cercado de honras e glórias.
Cap. X L v l — 1. A o poço do juramento, isto 6, a Bersabéia, onde costum ava ir invocar
Deus (X X L 53; X X V I ,25).
46 GENESIS 69
grande nação. 45*Eu irei para lã conti­ de Putifar, sacerdote de Heliôpolis.
go, e te reconduzirei de lã quando vol­ 21Os filhos de Benjamim (era m ) Bela
tares; e José porá as suas mãos so­ e Becor e Asbel e Gera e Naaman e
bre os teus olhos. Equi e Ros, Mofim e Ofim ^e Ared.
5E Jacó partiu do poço do jura­ 22Êstes são os filhos que Raquel deu à
mento, e seus filhos colocaram-no luz a Jacó: ao todo catorze almas.
com seus meninos e suas mulheres 23Filhos de Dan: Husim. ^Os filhos
sôbre os carros que Faraó tinha de N eftali (era m ) Jasiel e Guni e
mandado para transportar o velho Jeser e Salem. 25Êstes são os filhos
6com tudo o que êle possuia na de Bala, que Labão tinha dado a sua
terra de Canaã; e foi para o Egito filha Raquel; ela os deu à luz a Ja­
com tôda a sua família, 7*com seus fi­ có: ao todo sete almas.
lhos e netos e filhas, e tôda a sua
descendência juntamente. Resumo

Filhos de Jacó que foram para o Egito


26Tôdas as almas que entraram com
Jacó no Egito, e que descendiam dê-
8Eis os nomes dos filhos de Israel, le, não contando as mulheres de seus
que entraram no Egito, quando êle filhos, eram sessenta e seis. 27E os
para lá foi com seus filhos. O primo­ filhos de José, que lhe tinham nas­
gênito (era ) Huben. 9Os filhos de Ru- cido no Egito, eram dois. Tôdas as
ben (era m ) Henoc e Falu e Hesron e almas da casa de Jacó, que entraram
Carmi. 10Os filhos de Simeão (eram ) no Egito, foram setenta.
Jamuel e Jamim e Aod, e Jaquim e José vai ao encontro de Jacó
Soar e Saul, filho duma Cananéia.
nOs filhos de Levi (era m ) Gerson e 28E (Jaco) enviou Judá adiante de
Caat e Merari. 12Os filhos de Judá si a José, para o avisar que lhe saísse
(eram ) H er e Onan e Sela e Farés e ao encontro em Gessém. “ E, quando
Zara; mas Her e Onan morreram na chegou, José, tendo mandado apare­
terra de Canaã. A Farés nasceram as lhar o seu côche, foi ao encontro de
filhas Hesron e Hamul. 13Os filhos seu pai no mesmo lugar; e, quando o
de Issacar (era m ) Tola e Fua e Job e viu, lançou-se ao seu pescoço, e,
Semron. 14Os filhos de Zabulão ( e- abraçando-o, chorou. 30E o pai disse
ra m ) Sared e Elon e Jaelel. 15Êstes a José: Agora morrerei contente, por­
são os filhos de Lia, que ela gerou na que vi a tua face, e te deixo depois
Mesopotãmia da Síria, com Dina, sua de mim. 31E (José), porém, disse a
filha. Tôdas as almas dos seus filhos seus irmãos e a tôda a fam ília de seu
e filhas ( eram ) trinta e três. 10Os pai: Irei levar a nova a Faraó, e lhe
filhos de Gad (era m ) Sefion e Hagi direi: Meus irmãos e tôda a fam ília
e Suni e Eseoon e H eri e Arodi e de meu pai, que estavam na terra de
Areli. 17Os filhos de Aser (era m ) Canaã, vieram para mim. 32São ho­
Jamne e Jesua e Jessui e Beria, e mens pastores de ovelhas, que se ocu­
também Sara, irmã dêles. Os filhos de pam em apascentar rebanhos; trou­
Beria (eram ) Heber e Melquer. 18Ês- xeram consigo o seu gado e os reba­
tes são os filhos de Zelfa, (a criada) nhos, e tudo o que podiam ter. 33E,
que Labão tinha dado a sua filha Lia; uando (F a ra ó) vos chamar, e vos
ela os deu à luz a Jacó: (ao todo) de­ isser: Que ocupação é a vossa?
zesseis almas. 19Os filhos de Raquel, responder-lhe-eis: Nós, teus servos,
mulher de Jacó, (era m ) José e Ben­ somos pastores desde a nossa infân­
jamim. 20E a José, na terra do E gi­ cia até ao presente, assim nós, como
to, nasceram os filhos Manassés e E- nossos pais. E direis isto, para poder-
fraim, que lhe deu à luz Asenet, filha des habitar na terra de Gessém; por­
4. E te reconduzirei de lá, na pessoa dos teus descendentes. — José porá as suas mãos
sôbre os teus olhos, isto é, assistirá à tua morte. H á aqui urna alusão ao uso de fechar
os olhos dos mortos.
5. Para transportar o velho. O original diz: p a ra o transportar.
15. Eram trinta e três: seis filhos, um a filh a, vinte e três netos, dois bisnetos e o
próprio Jacó.
30. Porque vi a tua face e tu vives ainda. Ê esta a tradução do original.
70 GÊNESIS 46 - 47
que os Egípcios detestam todos os do, e a fome oprimia tôda a terra,
pastores de ovelhas. principalmente o Egito e Canaã, 14E
José apresenta seus irmãos e
(José) recolheu dêstes países todo o
seu pai a Faraó
dinheiro pela venda do trigo, e me­
teu-o no erário do rei. 15E, faltando
An ^osé foi, pois, levar a nova a o dinheiro aos compradores, todo o
Faraó dizendo: Meu pai e Egito foi ter com José, dizendo: Dá-
meus irmãos, com as suas ovelhas e nos pão; por que razão morreremos
rebanhos, e com tudo o que possuem, nós na tua presença, por falta de di­
vieram da terra de Canaã; e eis que nheiro? 16Êle respondeu-lhes: Trazei
estão parados na terra de Gessém. o s v o s s o s gados, e eu vos darei por
2Apresentou também ao rei os cinco êles de comer, se não tendes (mais)
últimos de seus irmãos. 3E (F a ra ó) dinheiro. 17E, tendo-os trazido, deu-
perguntou-lhes: Que ocupação ten­ lhes alimentos em troca de cavalos, e
des? Êles responderam: Nós, teus de ovelhas, e de bois, e de jumentos;
servos, somos pastôres de ovelhas, e sustentou-os aquêle ano pela troca
nós e nossos pais. 4Viemos habitar co­ dos gados. 18Voltaram também no se­
rno peregrinos na tua terra, porque gundo ano, e disseram-lhe: Não en­
não há erva para os rebanhos dos cobriremos ao nosso senhor que,
teus servos e a fome vai crescendo; e faltando o dinheiro, nos faltaram
suplicamos-te que ordenes que nós, juntamente os gados; nem tu ignoras
teus servos, habitemos na terra de que não temos mais nada, além dos
Gessém. (nossos) corpos e da (nossa) terra.
sO rei disse, çois, a José: Teu pai 19Por que morreremos, pois, à tua
e teus irmãos vieram ter contigo. 6A vista? Nós e a nossa terra seremos
terra do Egito está diante de ti; fa- teus; compra-nos para ser escravos
ze-os habitar no melhor lugar, e en­ do rei, e dá-nos sementes, para que,
trega-lhes a terra de Gessém. E, se morrendo o cultivador, a terra se
sabes que há entre êles homens de não reduza a um deserto. “ Portan­
capacidade, constitui-os superinten­ to José comprou tôda a terra do E gi­
dentes dos meus rebanhos. 7Depois dis­ to, vendendo cada um deles as suas
to José conduziu seu pai ao rei, e a- possessões por causa do rigor da fo ­
presentou-lho. Jacó abençoou o rei, 8e me; e a sujeitou a Faraó, 21com to­
interrogado por êle: Quantos são os dos os seus povos, desde uma extre­
teus anos? °respondeu: Os dias da midade do Egito até à outra, ^exce­
minha peregrinação são cento e trin­ to a terra dos sacerdotes, que lhes
ta anos, poucos e trabalhosos, e não tinha sido dada pelo rei. A êstes dar
chegaram aos dias da peregrinação vam-se víveres determinados dos ce­
de meus pais. 10E, abençoado o rei, leiros públicos, e, por isso, não se v i­
retirou-se. ram obrigados a vender as suas pos­
“ José, pois, deu a seu pai e a seus sessões. ™(Depois disto) disse José
irmãos uma propriedade, em um óti­ aos povos: Eis que, como vêdes, Fa­
mo lugar do país, em Ramessés, co­ raó é senhor de vós e da vossa ter­
mo Faraó tinha ordenado. 12E susten­ ra; tomai sementes, e semeai os cam­
tava-os a êles e a tôda a família pos, 24para que possais colher frutos.
de seu pai, dando a cada um o seu Dareis ao rei a quinta parte; as ou­
sustento. tras quatro deixo-as a vós para se­
Administração de José durante a fome
mente, e para sustento das vossas
famílias e filhos. 25E êles responde­
13Ora o pão faltava em todo o mun­ ram; A nossa conservação está nas
Cap. X L v I I — 7. JacÓ abençoou o rei, isto é, fê z votos a Deus pelo seu bem-estar.
A mesma significação têm as p alavras do vers. 10: E , abençoado o rei.
11. Ramessés è sinônimo de Gessém.
14. E (José) recolheu, etc. o original diz: E José recolheu todo o dinheiro que se en­
contrava na terra do Egito e na terra de Canaã.
22. Exceto, etc. o original diz: SÒmente não comprou a terra dos sacerdotes, porque
os sacerdotes tinham uma determinada provisão de Faraó, e comiam a provisão que lhes
dava F a ra ó; foi por isso que êles não venderam as suas terras.
47 - 48 GÊNESIS 71
tuas mãos; que o nosso senhor ape­ os teus dois filhos, que te nasceram
nas volva para nós o seu olhar, e ale­ na terra do Egito, antes que eu para
gres serviremos o rei. 26Desde aquêle aqui viesse ter contigo, serão meus:
tempo até ao dia de hoje, em tôda a Efraim e Manassés, assim como Ru-
terra do Egito, se paga aos reis a ben e Simeão, serão considerados
quinta parte; e isto tornou-se como meus (filh os). °Mas os outros, que ti­
lei, excetuada a terra sacerdotal, que veres depois dêstes, serão teus, e se­
ficou livre desta condição. rão chamados com o nome de seus
irmãos nas suas possessões. 7Porque,
Cltimas disposições de Jacó quando eu voltava da Mesopotâmia,
2íIsrael habitou, pois, no Egito, isto morreu-me Raquel na terra de Ca­
é, na terra de Gessém, e possuiu-a; e naã, mesmo durante a viagem, e era
aumentou, e multiplicou-se extraor- a primavera, e eu estava para entrar
dinàriamente. viveu nela dezes­ em Efrata, e enterrei-a junto do ca­
sete anos; e todo o tempo da sua v i­ minho de Efrata, que por outro no­
da foi de cento e quarenta e sete me se chama Belém.
anos. 29E, vendo que se aproximava
o dia da sua morte, chamou seu filho Jacó abençoa os dois filhos de José
José, e disse-lhe: Se achei graça 8E, vendo os filhos (de José), dis­
diante de ti, põe a tua mão por bai­ se-lhe: Quem são êstes? 9(José) res­
xo da minha coxa; usarás comigo de pondeu : São os meus filhos que
bondade, e fidelidade, e não me se­ Deus me deu aqui. Faze-os aproxi­
pultarás no Egito; !,0mas dormirei mar de mim, disse (Jacó), para que
com meus pais, e tu mé tirarás des­ eu os abençoe. 10Porque os olhos de
ta terra, e me sepultarás no sepul­ Israel se tinham escurecido por cau­
cro de meus antepassados. E José sa da grande velhice, e não podia ver
respondeu-lhe: farei o que mandaste. claramente. E, tendo-se aproximado
31E êle acrescentou: jura-mo. E José, êles, beijando-os e abraçando-os, udis-
tendo jurado, Israel adorou a Deus, se a seu filho: Não fui privado de te
voltado para a cabeceira do leito. ver; e, além disso, Deus mostrou-me
Jacó adota os dois filhos de José a tua geração. 12E José, tendo-os ti­
rado do seio do pai, inclinou-se pro­
AQ lassad as assim estas coisas, fundamente por terra. 13Em seguida
foi anunciado a José que seu pôs Efraim à sua direita, isto é, à es­
pai estava doente; e êle, tomando querda de Israel, e Manassés à sua
consigo os dois filhos, Manassés e E- esquerda, isto é, à direita do (seu)
fraim, foi vê-lo. 2E disseram ao ve ­ pai, e fêz que ambos se aproximassem
lho: Eis que teu filho José vem visi­ dêle. 14E êle, estendendo a mão direi­
tar-te. E êle, reunidas as suas fôrças, ta, a pôs sôbre a cabeça de Efraim,
sentou-se sôbre o leito. 3E, logo que irmão mais novo, e a esquerda sô­
(José) entrou, disse-lhe: O Deus Oni­ bre a cabeça de Manassés, que era o
potente apareceu-me em Luza, que é mais velho, cruzando as mãos. 15E Ja­
na terra de Canaã; e abençoou-me, có abençoou os filhos de José, e dis­
4e disse: Eu te aumentarei e multi­ se: O Deus, em cuja presença anda­
plicarei, e te farei chefe duma"multi­ ram meus pais Abraão e Isac, o
dão de povos; e te darei esta terra a Deus, que me sustentou desde a mi­
ti e à tua descendência depois de ti, nha mocidade até êste dia, ieo Anjo,
em possessão sempiterna. 5Portanto que me livrou de todos os males, a­
29. P6e a tua mão. .. (v e r Cap. X X IV , 2).
Cap. X L V I I I — 5. Como Buben e sim eão, os teus dois filhos terão cada um um a parte
separada na divisão da terra prometida, e form arão duas tribos e não um a só, corno a -
conteceria se fôssern considerados como filhos de José. A o primogênito pertencia a pri­
m azia tsôbre seus irmãos, um a bênção especial, e o duplo na divisão da herança paterna.
Visto que Ruben e Simeão se tinham tornado indignos da primogenitura. Jacó deu a
prim azia e a bênção a Judã, e a dupla parte da herança a José.
6. Os outros serão teus, isto é, não form arão tribo separada, m as serão contados numa
das tribos de Manassés e Efraim .
16- Que êles sejam cham ados... isto é, que êles sejam reconhecidos como legítimos des­
cendentes dos patriarcas, embora tenham nascido no Egito e duma Egipcia.
72 GÊNESIS 48 - 49
bençoe êstes meninos; e que êles se­ 2Juntai-vos e ouvi, filhos de Jacó,
jam chamados com o meu nome, e ouvi Israel, vosso pai:
também com os nomes de meus pais 3Ruben, meu primogênito, tu, a mi­
Abraão e Isac, e se multipliquem em nha fortaleza, e o princípio da minha
abundância sôbre a terra. 17Mas José, dor; o primeiro nos dons, o maior no
vendo que o pai tinha pôsto a mão império, 4derramaste-te como a água,
direita sôbre a cabeça de Efraim, te­ não crescerás; porque subiste ao leito
ve com isso grande pena, e pegando do teu pai, e profanaste o seu tálamo.
na mão de seu pai, procurava afastá-
la da cabeça de Efraim e colocá-la sô­ 5Simeão e Levi (são) irmãos, (são)
bre a cabeça de Manassés. 18E disse ao instrumentos mortíferos de iniqüida-
pai: Não está assim bem, pai; visto de, 6que minha alma não tenha par­
que êste é o primogênito, põe a tua te nos seus conselhos e que a minha
direita sôbre sua cabeça. 10Êle, po­ glória não se una aos seus conluios,
rém, recusando, disse: Eu o sei, meu porque, no seu furor, mataram o ho­
filho, eu o sei; êste também será mem, e na sua vontade (crim inosa)
chefe de povos, e se multiplicará; derribaram a muralha. 7Maldito o
mas seu irmão mais novo será maior seu furor porque (fo i) violento; e a
do que êle, e a sua descendência se sua indignação, porque (fo i) infle­
dilatará em nações. 1 20E então os
9 xível; eu os dividirei em Jacó, e os
abençoou, dizendo: Em ti será ben­ espalharei em Israel.
dito (o povo de) Israel, e dir-se-á: 6Judá, teus irmãos te louvarão; a
Deus te faça como Efraim e como tua mão estará sôbre as cervizes de
Manassés. E pôs Efraim adiante de teus inimigos; os filhos de teu pai se
Manassés. 21E disse a seu filho José: prostrarão diante de ti: °Judá é um
Eis que vou morrer, e Deus será con- cachorro de leão; correste, meu fi­
vosco, e vos reconduzirá à terra de lho, para a prêsa; deitaste-te para
vossos pais. 22Eu te dou de mais que descansar como o leão, e como a leoa,
a teus irmãos aquela parte, que ga­ quem o despertará? 10O cetro não se­
nhei da mão dos Amorreus com a rá tirado de Judá, nem o príncipe da
espada e com o meu arco. sua descendência, até que venha a-
quêle que deve ser enviado. E ê l e s e ­
Jacó abençoa todos os seus filhos r á a e x p e c t a ç ã o d a s n a ç õ e s . nÊle ata­
rá à vinha o seu jumentinho, e à
AQ 1Jacó chamou seus filhos, e dis- videira, ó meu filho, a sua jumenta.
se-lhes: Juntai-vos, para que Lavará a sua túnica no vinho, e a
eu vos anuncie o que vos acontecerá sua capa no sangue da uva. 12Os seus
nos dias futuros. olhos são mais formosos que o vinho,
19. . . . s e dilatará em nações. O original diz: Se tornará uma »multidão de nações.
Cap. X L I X — 4. Não crescerás. O original diz: Não terás a preeminência.
6. Que a minha alma não tome p a rte ... detestei e detesto os seus pérfidos e sangui*
nários desígnios. — Que a minha glória, isto é, a minha alm a (Sls. V II, 6; X X IX , 13,
etc.) não se u n a ... nâo tomo parte algum a nas suas combinacôes. — Mataram o homem.
O singular é aqui um nome coletivo que se refere aos Siquemitas trucidados. — Derribaram
as muralhas, isto é, os muros da cidade e casas de Siquém. O original hebraico diz: C or-
taram os jarretes dos touros, tornando-os inúteis, levados só por vingança, depois de se
terem apoderado dos que quiseram (X X X IV , 28. 29).
9. É um cachorro de leão. O principado de Judá é descrito sob a imagem do leâo. De
princípio humilde (cachorro de leão), irá crescendo em fôrça (subsiste à p rêsa ), e tor-
nar-se-á insuperável (qu em o despertará?).
10. o cetro não será tirado de Judá. .. Tôda a tradição judaica e cristã reconhece nestas
palavras de Jacó um a profecia messiânica, que determina com mais precisão as profecias
dos capítulos III, 15; IX , 26; X X II, 18; X X V I, 4; X X V III, 14.
11. Éle atará. O sujeito pode ser Judá ou o Messias. Ê mais provável, porém, que seja
o Messias, e que aqui se descreva a abundância de favores espirituais que Jesus tra rá
aos seus fiéis. Quase todos os intérpretes católicos dizem que a vinha ou a videira repre­
senta a Igreja, à qual o Messias ligará com o vínculo da fé o povo pagão e o povo ju ­
daico, figurados no jumentinho e na jumenta. — Lavará a sua túnica no v in h o ... Esta
profecia verificou-se em Jesus Cristo, cujos vestidos foram tintos de sangue na paixão.
12. os seus olhos, etc. H á aqui uma referência à beleza de Jesus Cristo.
73
e os seus dentes mais brancos do que 20Aser, gordo é o seu pão, e minis­
o leite. trará delícias aos reis.
13Zabulao habitará na praia do mar, 21N efta li é um veado solto, pronun­
e no ancoradouro dos navios, esten­ cia palavras graciosas.
dendo-se até Sidônia. 22José, filho que cresce, filho que
14Issacar é um asno forte, que está cresce, e formoso de aspecto; as don­
deitado dentro das suas estacadas. zelas andaram por cima do muro.
15Viu que o repouso era bom, e que 23Mas amarguraram-no, e estimula-
a (sua) terra era ótima; e curvou ram-no, e invejaram-no os que ti­
os seus ombros para levar pesos, e nham dardos. 240 seu arco apoiou-se
sujeitou-se aos tributos. no forte; e as cadeias dos seus bra­
16Dan julgará o seu povo, como ços e das suas mãos foram quebra­
qualquer outra tribo de Israel. 17Tor- das pela mão do poderoso de Jacó;
ne-se Dan uma serpente no caminho, dali saiu o pastor, a pedra de Israel.
uma cerasta no atalho, que morde as 250 Deus de teu pai será o teu auxí­
unhas do cavalo, para que o cavalei­ lio, e o Onipotente te abençoará com
ro caia para trás. 18A tua salvação es­ as bênçãos do alto do céu e com as
perarei, ó Senhor. bênçãos do abismo, que jaz em bai­
19Gad todo armado combaterá dian­ xo, com as bênçãos dos seios ma­
te dêle, e se cingirá de armas pelas ternos e dos úteros. 26As bênçãos de
costas. teu pai. excedem as que recebeu de
13. Sôbre a tribo de Zabulão, Jacó lim ita-se a descrever o território ocupado por ela.
Êste território estava situado «n tre o Mediterrâneo, o lago de Genesaré e a Fenicia, e a
sua capital era Sidônia.
14-15. Asno forte p a ra o trabalho. Atendendo aos costumes do Oriente, esta com paração
não é humilhante. — Está deitado. .. A tribo de Issacar, ficando com a parte mais fé r­
til da Palestina, preferiu o sossêgo à guerra, pagando um tributo ao estrangeiro p a ra
nâo combater.
17. Um a serpente no caminho, que, inesperadamente, morde o viajante. A cerasta é
um réptil com a côr da terra, que se esconde junto dos caminhos freqUentados, e, não
podendo ofender o cavaleiro, morde o cavalo nos pés, para que, caindo com o cavaleiro,
êste também possa ser mordido. Jacó profetiza a astúcia dos descendentes de D an, que
haviam de alcançar vitória sôbre inimigos muito m ais poderosos que êles, corno se vê
no livro dos Juizes, cap. X I I I e X V I I I , 28 e seguintes.
18. A tua sa lva çã o ... Jacó, sentindo que as fôrças lhe faltavam , interrompeu por um
momento a sua bênção, e soltou um suspiro messiânico, invocando p a ra si e p a ra seus
filhos a verdadeira salvação, isto é, o Salvador que tra rá aos homens a verdadeira paz.
19. Combaterá diante dêle, isto é, do povo de Israel, quando, depois de ter obtido a sua
parte além do Jordão, se oferecerem para passar o rio adiante dos seus irmãos, a fim de
os auxiliar na conquista da terra de C an aã (N ú m ., X X X II, 17). — Se cingirá de armas
pelas costas, porque precisa de estar prevenido contra as incursôes dos inimigos, visto o
seu território ficar na fronteira.
20. Gordo ê o seu p ã o ... O território ocupado pela tribo de Aser, indo do Carm elo até
à Fenicia, era fertilissim o em grão e azeite (D eut., X X X III, 24; I I I Reis, v , 11). o s seus
deliciosos frutos eram as delicias dos reis de Judá, de Israel e de Tiro.
21. Veado sôlto, ou, segundo o original, corsa sôlta, im agem do guerreiro valente. Talvez
h a ja aqui um a alusão à vitória alcançada por B arac (Juizes, I V ) . — Pronuncia. .. P ro v à -
velmente estas p alavras referem -se ao cântico de Débora, que pertencia à tribo de N eftaii
(Juizes, IV , 10).
22-23-24. Segundo o original, êstes três versículos traduzem-se do modo seguinte: J o s ó
é a vergôntea ( à letra, filho) duma árvore frutífera, a vergôntea duma árvore frutífera
junto duma fonte; os seus ramos ( à letra, as suas filhas, novos ram os desta vergôntea)
estendem-se ao longo do muro (a o qual a vergôntea se encostou); alusão a Siquém ,. centro
das possessões de José, o lu gar m ais belo da Palestina central, e o m ais bem regado da
região. — Frecheiros provocam -no, atiram-lhe frechas e atacam-no. Profetizam -se as lutas
que E fra im e M anassés terão de sustentar contra os nômades do deserto. — M a s o s e u
arco permanece firm e, seus braços e suas mãos tornaram-se ágeis, pelas mãos do (D e u s )
Poderoso de Jacó, por aquêle (D e u s ) que é o Pastor e a Rocha de Israel.
25. Com as bênçãos dos seios maternos. A lusão à fecundidade das mulheres e dos
animais.
26. Daquele que e Nazareno, o hebraico N a zir tem aqui a significação de príncipe, e
alude à alta dignidade de José no Egito.
74 GÊNESIS 49 - 50
seus pais; (e elas durarão) até que pulta teu pai como prometeste com
venha o desejo das colinas eternas; juramento.
derramem-se ( estas bênçãos) sôbre TPartindo êle, acompanharam-no
a cabeça de José, e sôbre a cabeça todos os anciãos da casa de Faraó, e
daquele que é Nazareno entre seus todos os principais da terra do E gi­
irmãos. to, 8a casa de José com seus irmãos,
27Benjamim, lôbo arrebatador, pela à exceção dos pequeninos e dos re­
manhã* devorará a prêsa e à tarde banhos, e dos armentos, os quais dei­
repartirá os despojos. xaram na terra de Gessém. ‘‘Teve
também (José) o acompanhamento
Conclusão
de carros, e cavaleiros; e houve um
""Todos êstes são os chefes das do­ concurso não pequeno (de gente). 10E
ze tribos de Israel. Foi assim que chegaram à eira de Atad, que está
lhes falou seu pai, e abençoou cada situada além do Jordão, onde gasta­
um dêles, com bênçãos próprias. ram sete dias a celebrar as exéquias
Cltimas palavras e morte de Jacó com um pranto grande e profundo.
“ Tendo observado isto os habitantes
-'Depois ordenou-lhes, dizendo: Eu da terra de Canaã, disseram: Grande
vou unir-me ao meu povo; sepultai- pranto é êste dos Egípcios. E, por is­
me com meus pais na dupla caverna, so, se ficou chamando aquêle lugar o
que está no campo de Efrom Heteu, Pranto do Egito. 12Fizeram, pois, os
“''em frente de Mambré, na terra de filhos de Jacó como êle lhes tinha
Canaã, e que Abraão comprou a mandado; 13e, levando-o à terra dé
Efrom Heteu com o campo (onde ela Canaã, o sepultaram na dupla caver­
está) para ter um sepulcro. 31Ali o na, em frente de Mambré, que A-
sepultaram, e a Sara, sua mulher; braão tinha comprado a Efrom H e­
ali foi sepultado Isac com sua mu­ teu, com o campo (em qu& está), pa­
lher Rebeca; e ali jaz também sepul­ ra ter um sepulcro.
tada Lia. 32Tendo (Jacó) acabado de
dar estas ordens a seus filhos, reco­ Morte de José
lheu os seus pçs para o leito, e mor­
reu ; e foi reunido ao seu povo ( no 14E José, sepultado seu pai, voltou
Lim bo). para o Egito com seus irmãos e toda
Sepultura de Jacó a comitiva. 15Depois da morte de Ja­
có, os irmãos (de José), estando te­
CA 'José, vendo isto, lançou-se sô- merosos, e dizendo entre si: não
bre o rosto do pai, chorando aconteça que êle se lembre da injúria
e beijando-o. 2E ordenou aos médi­ que padeceu, e nos faça pagar todo
cos que o serviam, que embalsamas- o mal que lhe fizemos, 16mandaram-
sem o seu pai. 3E, enquanto êles cum­ lhe dizer: Teu pai antes de morrer
priam a ordem, passaram-se quaren­ ordenou-nos nque em seu nome te
ta dias; porque era êste o costume disséssemos: Peço-te que esqueças o
praticado com os cadáveres embalsa- crime de teus irmãos, e o pecado e
mados; e o .E g ito chorou-o durante a maldade que usaram contra ti; nós
setenta diàs. 4E, terminado o tempo te suplicamos também que perdoes
do nojo, disse José à familia de F a­ esta iniqüidade aos servos do Deus
raó: Se eu achei graça diante de vós, de teu pai. Ouvindo isto, José cho­
fazei chegar aos ouvidos de Faraó rou. 1SE seus irmãos foram ter com
r’que meu pai me conjurou, dizendo: êle, e, prostrados por terra disseram:
Eis que vou morrer, sepuítar-me-ás Nós somos teus servos. 19E êle res­
no meu sepulcro que mandei abrir pondeu-lhes: Não temais; porven­
para mim na terra de Canaã. Irei, tura podemos nós resistir à vontade
pois, sepultar meu pai, e depois vol­ de Deus? 20Vós tivestes intenção de
tarei. 6E Faraó disse-lhe: Vai e se-72 me fazer mal; mas Deus o converteu
27. Lôbo arrebatador . . . referência ao caráter belicoso e violento da tribo de Benjamim.
32. Recolheu os seus pés, pois tínha-se sentado no leito com os pés para a terra a fim
de abençoar seus filhos. Term inada a bênção, recolheu os pés, estendeu-se no leito, e com
a tranquilidade dum justo, entregou o seu espírito a Deus.
50 GÊNESIS 75
em bem, para me exaltar, como pre­ to, disse a seus irmãos: Deus vos v i­
sentemente vêdes, e para salvar mui­ sitará depois da minha morte, e vos
tos povos. 21Não temais; eu vos sus­ fará sair desta terra para a terra
tentarei a vós e a vossos filhinhos, prometida com juramento a Abraão,
E consolou-os, e falou-lhes com do­ a Isac e a Jacó. 24E, tendo-os feito
çura e mansidão. 22E (José) habitou jurar, dizendo: Deus vos visitará, le­
no Egito com tôda a família de seu vai os meus ossos convosco dêste lu­
pai; e viveu cento e dez anos. E viu gar, 25morreu, tendo completado os
os filhos de Efraim até à terceira cento e dez anos da sua vida. E, em-
geração. Os filhos de Maquir, filho balsamado, foi depositado num cai­
de Manassés, nasceram também so­ xão no Egito.
bre os joelhos de José. ^Passado is­
ÊXODO
O Êxodo, — que recebe a sua denominação de um dos principais aconteci­
mentos nêle narrados: a saída do povo de Israel do Egito, — continua
a história dos Israelitas desde a morte de José até à ereção do Tabernáculo
(um ano depois da saída do Egito), e apresenta a sua constituição civil e
religiosa como um povo separado, vinculado ao culto do verdadeiro Deus
por solenes compromissos, assumidos em seu nome por Moisés.
O livro se divide em duas partes distintas: uma, histórica; outra, legis­
lativa.
A PRIM EIRA PA R TE (1, 1 - 18, 27) pode subdividir-se em duas secções:
Prim eira secção: narra o esforço coroado de sucesso, para se emancipar da
escravidão dos Egípcios e subtrair-se do jugo de Faraó (1, 1 - 12, 36);
são descritas as repressões do povo hebreu; a vida, a vocação, a missão de
Moisés e as dez pragas. — Segunda secção: narra a saída do Egito e a via­
gem através do deserto até ao Mar Vermelho e de lá até ao deserto do Si­
nai (12, 37 - 18, 27). São, pois), narradas: a partida dos Israelitas, a travessia
do Mar Vermelho, a viagem pelo deserto, os episódios das codormzes, do
maná e da água milagrosa; a visita de Jetno depois da vitória sôbre os
Amalecitas.
A SEGUNDA PA R TE (19, 1 - 40, 36) compreende a promulgação da lei;
o decálogo: as leis civis, morais, religiosas e cerimoniais; a ratificação da
aliança de Deus com Israel; as prescrições divinas sôbre a construção do
Tabernáculo e sôbre o culto; uma digressão histórica sôbre a prevaricação
do povo e a adoração do bezerro de ouro; a construção do Tabernáculo.
O Êxodo, depois do Gênesis, pode ser consideradio como o livro histórico
mais importante do Antigo Testamento, porque promulga leis essenciais do
povo de Israel, tendo-se tornado algumas delas, leis universais para a hu­
manidade.
Os acontecimentos deste livro são os mais relembrados nos cantos de
Israel, que jamais se esquece de sua libertação, a travessia do Mar Vermelho,
os milagres do deserto, as maravilhas e as leis do Monte Sinai.
Também para o cristão o Êxodo contém verdades que jamais se ofus­
carão: o nome, a unidade e a espiritualidade de Deus, o culto externo.
ÊXODO
Multiplicação dos Israelitas no Egito fora, e outra Fua, 16ordenando-lhes:
Quando assistirdes às mulheres He-
1 7Êstes são os nomes dos filhos bréias e chegar o tempo do parto, se
1 de Israel, que entraram no E gi­ fôr menino, matai-o, se fôr menina,
to com Jacó; cada um dêles entrou conservai-a. 17Mas as parteiras te­
com sua família: 2Ruben, Simeão, meram a Deus, e não obedeceram à
Levi, Judã, 3Issacar, Zabulão,. e Ben­ ordem do rei do Egito, mas conserva­
jamim, 4Dan, e Neftali, Gad, e Aser. vam os meninos. 18Então tendo-as
5Portanto, eram setenta tôdas as al­ chamado, o rei disse-lhes: O que é
mas que tinham saído de Jacó; e José que quisestes fazer, conservando os
estava (já ) no Egito. °Depois da sua meninos? 19Elas responderam: As
morte e da de todos os seus irmãos, e mulheres Hebréias não são como as
de tôda aquela geração, 7os filhos de Egípcias; pois sabem assistir-se no seu
Israel cresceram e multiplicaram-se parto, e antes de nós chegarmos, dão
como se tivessem germinado; e, ten­ à luz. “ Deus, portanto, fêz bem às
do-se tornado extremamente fortes, parteiras; e o povo cresceu, e se forti­
encheram a terra. ficou extraordinàriamente. 21E, por­
que as parteiras temeram a Deus, êle
Opressão dos Israelitas no Egito edificou-lhes casas. 22Então ordénou
Faraó a todo o seu povo, dizendo:
8Entretanto, levantou-se no Egito Tudo o que nascer do sexo mascu­
um novo rei, que não conhecia Jo­ lino lançai-o ao rio; e tudo o (que
sé. 9E disse ao seu povo: Eis que nascer) do sexo feminino conservai-o.
o povo dos filhos de Israel é nu­
meroso e mais forte do que nós. 10Vin- Moisés salvo uas águas
de, oprimamo-lo com astúcia, para
que êle não se multiplique, e, se so­ O d ep o is disto um homem da fa-
brevier contra nós alguma guerra, se " mília de Levi partiu, e tomou
una com os nossos inimigos, e, depois para esposa uma mulher da sua es­
de nos vencer, saia dêste país. “ Por­ tirpe, 2a qual concebeu, e deu à luz
tanto estabeleceu sôbre êles inspeto­ um filho; e, vendo-o belo, escon-
res de obras, para os oprimirem com deu-o por espaço de três meses. 3Mas
trabalhos penosos; e êles edificaram não podendo mais tê-lo escondido, to­
a Faraó as cidades das tendas, Fitom mou um cesto de junco, e barrou-o
e Ramessés. 12Mas, quanto mais os o- com betume e pez; e meteu dentro o
primiam, tanto mais se multiplicavam menino, e expô-lo num canavial jun­
e cresciam. 13E os Egípcios odiavam to da margem do rio, “estando ao
os filhos de Israel, e os afligiam com longe a sua irmã a observar o que
insultos; 14e faziam-lhes passar uma (lh e ) sucederia. 5E eis que a filha
vida amarga com penosos trabalhos de Faraó vinha lavar-se no rio; e as
de barro e de tijolos, e com tôda a es­ suas criadas caminhavam ao longo da
pécie de serviço com que os oprimiam margem do rio. Tendo ela visto o cês-
nos trabalhos do campo. 15E o rei to no canavial, mandou uma das suas
do Egito falou às parteiras dos He- criadas trazer-lho; °e abrindo-o, e ven­
breus, uma das quais se chamava Sé- do nêle o menino, que vagia, com-
Cap. I — 19. Pois sabem. .. Desculpa em parte verdadeira, visto que as mulheres orientais
dispensam muitas vêzes, nos seus partos, qualquer assistência, o x a lá que tôdas as mulheres
cristãs tivessem nesse ponto a mesma delicadeza de consciência que tinham estas egípcias.
21. Edijicou-lhes casas, isto é, fêz com que por si próprias estabelecessem fam ílias
prósperas.
78 EXODO 2 - 3
padecida dêle, disse: Êste é um dos Casamento de Moisés
meninos dos Hebreus.
21Jurou, pois, Moisés que ficaria
Educação de Moisés com êle. E tomou por mulher a Séfo-
ra, sua filha. 22E ela deu à luz um fi­
TE a irmã do menino disse-lhe: lho a quem pôs o nome de Gersão, di­
Queres que vã e que te chame uma zendo: Fui peregrino numa terra es­
mulher hebréia, que possa aleitar o trangeira. Deu à luz ainda outro (f i ­
menino? 8Ela respondeu: Vai. A don­ lh o) e chamou-o Eliezer, dizendo: O
zela partiu e chamou sua mãe. 9E a fi­ Deus de meu pai, meu auxílio, livrou-
lha de Faraó disse-lhe: Toma êste me­ me das mãos de Faraó.
nino, e aleita-mo; eu te darei a tua
paga. A mulher tomou e aleitou o me­ Deus ouve os gemidos dos Israelitas
nino; e quando estava crescido, entre­
gou-o à filha de Faraó, 10que o adotou “ Muito tempo depois, porém, mor­
por filho, e pôs-lhe o nome de Moisés, reu o rei do Egito; e os filhos de Is­
dizendo: Porque eu o tirei da água. rael, gemendo debaixo do pêso dos
trabalhos, clamaram; e o seu clamor
Moisés foge para o país de Madian por causa dos trabalhos subiu até
“ Naqueles dias, sendo Moisés já Deus, 24o qual ouviu os seus gemidos
grande, saiu a visitar seus irmãos; e e se lembrou da aliança que tinha fe i­
viu a sua aflição, e um homem egíp­ to com Abraão, Isac e Jacó. ^E o
cio que maltratava um dos Hebreus Senhor olhou {5ara os filhos de Israel,
seus irmãos. 12E, tendo olhado para e reconheceu-os (por seus filhos).
uma e outra parte, e vendo que não
estava ali ninguém, matando o Egíp­ Aparição divina
cio, escondeu-o na areia. 13E, tendo O *Ora Moisés apascentava as o-
saído no dia seguinte, viu dois H e­ ° velhas de Jetro, seu sogro, sa­
breus rixando, e disse ao que fazia in­ cerdote de Madian; e, tendo conduzi­
júria: Por que feres o teu próximo? do o rebanho para o interior do de­
14E êle respondeu: Quem te constituiu serto, chegou ao monte de Deus, a
príncipe e juiz sôbre nós? Acaso que­ Horeb. 2E o Senhor apareceu-lhe nu­
res tu matar-me, como mataste o ma chama de fogo (que saía) do meio
Egípcio? Moisés temeu e disse: Como de uma sarça, e (Moisés) via que a
é que tal coisa se descobriu? 15E F a­ sarça ardia, sem se consumir. 3Disse,
raó foi informado do acontecimento pois, Moisés: Irei, e verei esta gran­
e procurava matar Moisés; êle, po­ de visão, (e v erei) por que causa se
rém, fugindo da sua vista, parou na não consome a sarça. ‘Mas o Senhor
terra de Madian, e assentou-se junto vendo que êle se movia para ir ver,
de um poço. 16Ora o sacerdote de Ma­ chamou-o do meio da sarça, e disse:
dian tinha sete filhas, as quais foram Moisés, Moisés. E êle respondeu: A-
tirar água; e, tendo enchido as pias, qui estou. 5E (o Senhor) disse: Não
queriam dar de beber aos rebanhos de te aproximes daqui: tira as sandálias
seu pai. "Sobrevieram os pastores, e de teus pés porque o lugar, em que
lançaram-nas fora dali; e Moisés le- estás, é uma terra santa. °E acrescen­
vantou-se e, tomando a defesa das tou : Eu sou o Deus de teu pai, o
moças, deu de beber às suas ovelhas. Deus de Abraão, o Deus de Isac, e
18Quando elas voltaram para casa de o Deus de Jacó. Cobriu Moisés o ros­
Raguel, seu pai, êste disse-lhes: Por to; porque não ousava olhar para
que viestes mais cedo do que de cos­ Deus.
tume? “ Responderam: Um homem e-
gípcio livrou-nos das mãos dos pasto­ ^Moisés é enviado a libertar Israel
res; e, além disso, tirou água conos­
co, e deu de beber às ovelhas. “ E 7E o Senhor disse-lhe: Eu vi a a fli­
êle disse: Onde está? Por que deixas­ ção do meu povo no Egito, e ouvi
tes partir êsse homem? Chamai-o o seu clamor causado pela crueza
para comer pão. daqueles que têm a superintendência
Cap. I I I — 1. Jetro é provavelmente a mesma pessoa que Raguel.
3 - 4 ÊXODO 79
das obras. 8E, conhecendo a sua veu, e do Jebuseu, a uma terra onde
dor, desci para o livrar das mãos dos corre o leite e o mel. J"E êles ouvirão
Egípcios, e para o conduzir daquela a tua voz, e tu com os anciãos de Is­
terra para uma terra boa e espaçosa, rael irás ao rei do Egito, e lhe dirás:
para uma terra onde corre o leite e o O Senhor Deus dos Hebreus chamou-
mel, nas regiões do Cananeu, e do He- nos; nós faremos viagem de três dias
teu, e do Amorreu, e do Ferezeu, e do no deserto, para sacrificarmos ao Se­
Heveu, e do Jebuseu. yO clamor, pois, nhor nosso Deus. 1!,Mas eu sei que o
dos filhos de Israel chegou até mim; e rei do Egito não vos deix&rá ir, se não
eu vi a sua aflição, com que são opri­ fôr <obrigadoJ por mão forte. 2tíPor is­
midos pelos Egípcios. 10Mas vem, e eu so eu estenderei a minha mão, e feri­
te enviarei a Faraó, a fim de que tires rei o Egito com tôda a sorte de pro­
do Egito o meu povo, os filhos de dígios, que farei no meio dêles; de­
Israel. pois disto vos deixará partir. 21Eu
Dificuldades opostas por Moisés farei que êste povo encontre graça
junto dos Egípcios; e, quando partir­
nE Moisés disse a Deus: Quem sou des, não saireis com as mãos va­
eu, para ir ter com Faraó, e tirar zias. --Mas cada mulher pedirá à sua
os filhos de Israel do Egito? 12E Deus vizinha e àquela que mora na sua
disse-lhe: Eu serei contigo; e terás casa, vasos de prata e de ouro, e ves­
isto por sinal de que eu te mandei: tidos; e pô-los-eis sôbre vossos filhos
Quando tiveres tirado' o meu povo do e vossas filhas, e despojareis o Egito.
Egito, oferecerás sacrifícios a Deus
sôbre êste monte. 13Moisés disse a Milagres para* confirmar a missão
Deus: Eis que eu irei aos filhos de de Moisés
Israel, e lhes direi: O Deus de vossos A Respondendo Moisés, disse: Não
pais enviou-me a vós. Se êles me per­ ’ me darão crédito, nem ouvirão
guntarem: Qual é o seu nome? Que a minha voz, mas dirão: O Senhor
lhes hei de responder? 14Deus disse não te apareceu. 2Disse-lhe, pois, (o
a Moisés: Eu sou o q u e s o u . E disse: S enhor): Que é o que tens na mão?
Assim dirás aos filhos de Israel: A- Êle respondeu: Uma vara. 3E o Se­
q u ê l e q u e é, enviou-me a vós. 1
5*E Deus nhor disse: Deita-a ao chão. Dei­
disse novamente a Moisés: Dirás isto tou-a, e ela converteu-se numa ser­
aos filhos de Israel: O Senhor Deus pente, de sorte que Moisés fugiu. 4E
de vossos pais, o Deus de Abraão, o o Senhor disse: Estende a tua mão, e
Deus de Isac, e o Deus de Jacó, en- pega-lhe pela cauda. Estendeu a mão,
viou-me a vós; êste é o meu nome e pegou-lhe, e transformou-se numa
por tôda a eternidade, e com êste ( no­ vara. V Assim fa rei) disse (o Senhor),
m e) serei recordado de geração em para que creiam que te apareceu o
geração. Senhor Deus de teus pais, o Deus
Deus promete a Moisés o bom êxito
de Abraão, o Deus de Isac, e o Deus
da missão que lhe confia
de Jacó. °E outra vez disse o Senhor:
Mete a tua mão no teu seio. E, me­
16Vai, e ajunta os anciãos de Is­ tendo-a no seio, tirou-a leprosa,
rael e lhes dirás: O Senhor Deus de íhrancc) como a neve. 7Torna a me­
vossos pais apareceu-me, o Deus de ter, disse (o Senhor), a tua mão no
Abraão, o Deus de Isac e o Deus de teu seio. Tornou a metê-la, e tirou-a
Jacó, e disse: Eu vos visitei atenta­ de novo, e era semelhante à outra
mente, e vi tudo o que vos tem suce­ carne. 8Se te não acreditarem, pros­
dido no Egito. 17*E resolvi tirar-vos seguiu (o Senhor), nem ouvirem a
da opressão dos Egípcios e (conduzir- voz do primeiro prodígio, acreditarão
vos) à terra do Cananeu, do Heteu, e na palavra do segundo prodígio. °Se
do Amorreu, e do Ferezeu, e do H e­ nem ainda acreditarem êstes dois pro­
14. Eu sou o que sou. E u sou aquêle que existe por si mesmo e que em si possui tôda
a plenitude da existência; é por mim que existem todos os sêres.
21-22. Deus promete muitos bens aos Hebreus, em compensação de seus trabalhos e a-
flições. Os Egípcios, aterrados pelas dez pragas, darão de boa vontade aos Hebreus tudo
o que êstes pedirem, para que deixem quanto antes o Egito, preferindo ficar sem nada.
80 EXODo 4
dígios, e não ouvirem a tua voz, to­ na mão a vara de Deus. 21E o Senhor
ma água do rio, e derrama-a por ter­ disse-lhe enquanto voltava para o E-
ra, e tôda a que tirares do rio se gito: Cuida de fazer diante de Faraó
converterá em sangue. todos os prodígios que eu pus na tua
mão. Eu endurecerei o seu coração, e
Arão intérprete de Moisés êle não deixará partir o povo. 22E tu
10Moisés disse: Perdoa, Senhor, eu lhe dirás: O Senhor diz estas coisas:
não sou de palavra fácil desde ontem Israel é o meu filho primogênito.
e desde anteontem; e, desde que fa ­ 23Eu disse-te: Deixa partir meu filho,
laste ao teu servo, a minha língua está para que êle me sirva; e tu não qui­
mais embaraçada e mais tarda. “ O seste deixá-lo partir; eis que matarei
Senhor disse-lhe: Quem fêz a boca do o teu filho primogênito.
homem? ou quem formou o mudo e o Encontro com Deus
surdo, o que vê e o que é cego? Não
sou eu? 12Vai, pois, e eu estarei na 24E, quando (Moisés) ia no caminho,
tua boca, e te ensinarei o que deverás o Senhor se lhe apresentou na pou­
dizer. 13(Moisés) porém disse: Rogo- sada, e queria matá-lo. “Tom ou logo
te, Senhor, que envies aquêle que de­ Séfora uma pedra agudíssima, e cir-
ves enviar. 140 Senhor irou-se contra cuncidou o prepúcio de seu filho, e,
Moisés, e disse: Eu sei que Arão, teu tocando os pés de Moisés, disse: Tu
irmão Levita, é eloqüente; eis que êle és para mim um espôso de sangue. ME
sai ao teu encontro, e, vendo-te, se a- (o Senhor) o deixou, depois que ela
legrará no seu coração. 15Fala-lhe, e disse, por causa da circuncisão, espô­
põe as minhas palavras na sua boca; so de sangue.
e eu serei na tua boca e na dêle, e vos
mostrarei o que deveis fazer. 16Êle Encontro com A rão e com os anciãos
falará por ti ao povo, e será a tua de Israel
bôca; e tu dirigí-lo-ás no que diz res­ 27E o Senhor disse a Arão: Vai ao
peito a Deus. "Tom a também na tua encontro de Moisés no deserto. E êle
mão esta vara, com a qual operarás saiu-lhe ao encontro no monte de
os prodígios. Deus, e o beijou. “ E Moisés contou
a Arão tôdas as palavras do Senhor
Partida de Moisés p ara o Egito com as quais o tinha enviado, e os
18Moisés partiu, e voltou para Jetro prodígios que lhe mandara que fizes­
seu sogro, e disse-lhe: Eu irei e vol­ se. “ E foram juntos, e congregaram
tarei aos meus irmãos (que estão) no todos os anciãos dos filhos de Israel.
Egito a ver se ainda são vivos. Jetro “ E Arão anunciou tôdas as palavras
disse-lhe: Vai em paz. 19Ora o Senhor que o Senhor tinha dito a Moisés; e
disse a Moisés, em Madian: Vai, e vol­ (Moisés) fêz os prodígios diante do
ta ao Egito, porque morreram todos povo, 31e o povo acreditou. E com­
aquêles que procuravam a tua alma. preenderam que o Senhor visitava
“ Tomou, pois, Moisés sua mulher e os filhos de Israel, e que tinha visto
os seus filhos e pô-los sobre um ju­ a sua aflição; e, prostrados, o adora­
mento, e voltou para o Egito, levando ram.
Cap. I V — 10, Desde ontem e desde ante-ontem. Expressão hebraica para designar o
tempo vpassado em geral.
13. Que e n v ie s ... o original diz: E nviai ( a vossa m ensagem ) por aquêle que quiserdes
enviar, m as não por mim.
14. o Senhor irou -se. .. A bondade de Deus m anifesta-se mesmo no meio do seu justo
descontentamento, dando a Moisés A rã o como intérprete.
19. Que procuravam. .. que te queriam matar.
21. Endurecerei o seu c o ra ç ã o ... Deus dá a todos as graças suficientes p a ra se sal­
varem. Muitos, porém, abusam delas, tornando-se dêste modo indignos de receber as g ra ­
ças eficazes, sem as quais é impossível permanecer na am izade de Deus. Sem elas o co­
ração endurece-se e permanece no pecado. Ê neste sentido que Deus diz endurecerei o seu
coração, isto é, não lhe darei as graças eficazes, visto que se tornou indigno delas.
24. E queria matá-lo, por não ter observado a lei da circuncisão.
25. Tu és para m im espôso de sangue. Salvando-te d a morte com o sangue que meu
filho a caba de derram ar na circuncisão, como que te adquiri de novo p a ra meu espôso.
5- 6 ExODO 81
Moisés e A rão diante de Faraó vam a palha. 14E aquêles que presi­
diam aos trabalhos dos filhos de Is­
Ç d e p o is disto Moisés e Arão fo- rael foram açoitados pelos exatores
° ram ter com Faraó e disseram- de Faraó, o s quais lhes diziam: Por
lhe: Estas coisas diz o Senhor Deus que não completastes vós nem ontem
de Israel: Deixa ir o meu povo, para nem hoje a mesma quantidade de ti­
que me ofereça sacrifícios no deserto. jolos que (fazíeis) antes? 15Então os
2Êle, porém, respondeu: Quem é o que presidiam os filhos de Israel fo ­
Senhor, para que eu obedeça à sua ram e gritaram a Faraó, dizendo: Por
voz, e deixe ir Israel? Não conheço o que tratas assim os teus servos?
Senhor, e não deixarei ir Israel. 3E 10Não nos fornecem a palha, e exigem
êles disseram: O Deus dos Hebreus a mesma quantidade de tijolos; e eis
chamou-nos para que andemos três que nós teus servos somos batidos com
dias de caminho pelo deserto, e sa­ açoites, e injustamente se procede
crifiquemos ao Senhor nosso Deus; contra o teu povo.
não suceda que venha sôbre nós a
peste ou a espada. 40 rei do Egito Queixas do povo contra Moisés
respondeu-lhes: Moisés e Arão, por Resposta de Deus
que distraís o povo dos seus traba­
lhos? Ide para as vossas tarefas. 5E 17Êle disse: Estais ociosos, e por
Faraó acrescentou: O povo do país é isso dizeis; Vamos e sacrifiquemos ao
muito numeroso, vós vêdes que a mul­ Senhor. 18Ide, pois, e trabalhai;, não
tidão aumentou; quanto mais se lhe se vos dará palha, e vós dareis o nú­
derdes algum alívio nos trabalhos? mero costumado de tijolos. 19E os
que presidiam aos filhos de Israel
Aumentam os maus tratos viam-se em má situação, porque lhes
contra os Hebreus diziam: Nada se diminuirá (do nume-
ro ) dos tijolos (que haveis de dar)
•Naquele mesmo dia ordenou aos cada dia. 20E, saindo da presença de
prefeitos das obras e aos exatores do Faraó, encontraram Moisés e Arão,
povo, dizendo: 7Não mais dareis pa­ que esperavam perto de lá, Me disse­
lha como antes, ao povo para fazer ram-lhes: O Senhor veja e julgue
tijolos, mas êles mesmos juntarão a porque vós nos pusestes em mau o-
palha. 8E os obrigareis à mesma quan­ dor diante de Faraó e de seus servos,
tidade de tijolos que antes (faziam ) e lhe metestes a espada na mão para
sem lhes diminuir nada; porque es­ nos matar. 22E Moisés voltou-se para
tão ociosos, e por isso gritam, dizen­ o Senhor, e disse: Senhor, por que
do: Vamos e sacrificaremos ao nos­ afligiste êste povo? Por que me en­
so Deus. °Sejam oprimidos com tra­ viaste? 23Pois, desde que eu me a-
balhos, e dêem-nos completos, para presentei a Faraó para lhe falar em
que não atendam a palavras mentiro­ teu nome, êle atormentou o teu po­
sas. 10Sairam, pois, os prefeitos das vo, e tu não os livraste.
obras e os exatores, e disseram ao po­ Missão dada a Moisés junto dos Hebreus
vo: Assim diz Faraó: Não vos dou e de Faraó
mais palha; J1ide, e juntai-a onde a
puderdes encontrar; e, nem por isso, (j !E o Senhor disse a Moisés:
se diminuirá alguma coisa do vosso u Agora verás o que eu farei a
trabalho. 120 povo, pois, espalhou-se Faraó; porque (obrigado) por mão
por tôda a terra do Egito a juntar pa­ poderosa os deixará sair, e (obriga­
lha. 13E os prefeitos das obras justa­ do) por mão poderosa os expulsará
vam com êles, dizendo: Completai o da sua terra. 2E o Senhor falou a
v o s s o trabalho todos os dias, como an­ Moisés, dizendo: Eu sou o Senhor,
tes costumãveis fazer, quando vos da­ 3que apareci a Abraão, a Isac e a Ja-

Cap. v — 7. N ã o mais dareis palha. P a r a m aior consistência dos tijolos costumavam os


egípcios, na sua fabricação, m isturar palha com argila.
21. ...ito s pusestes em mau o d o r ..., nos tornastes odiosos a F a ra ó e aos seus servos.
Cap. V I — 3. O meu nome Adonai. O texto hebreu diz: O m eu nome JavÔ ou Jeová.
Adonai é como lêem os Hebreus p a ra não pronunciar o nome inefável Jeová.
82 EXODO 6 - 7
có, como o Deus onipotente; mas não lias: Gerson e Caat e Merari. E os
lhes revelei o meu nome A d o n a i . anos da vida de Levi foram cento e
4Fiz, porém, aliança com êles para trinta e sete. 17Filhos de Gerson:
lhes dar a terra de Canaã, a terra da Lobni e Semei, segundo as suas fam í­
sua peregrinação, na qual foram fo ­ lias. 18Filhos de Caat, Amrão e Isa-
rasteiros. 5Ouvi o gemido dos filhos ar, e Hebron e Oziel. E os anos da
de Israel, que os Egípcios têm opri­ vida de Caat foram cento e trinta e
mido; e lembrei-me da minha alian­ três. 19Filhos de Merari: Mooli e Mu-
ça. °Por isso dize aos filhos de Is­ si; êstes (são) os descendentes de
rael: Eu sou o Senhor, que vos ti­ Levi, segundo as suas famílias. “ Am ­
rarei de sob o jugo dos Egípcios, e rão tomou por mulher a Jocabed, f i­
vos livrarei da escravidão, e vos res­ lha de seu tio paterno, a qual lhe
gatarei com o braço estendido e com deu à luz Arão e Moisés. E os anos
grandes juízos, Te vos tomarei por da vida de Amrão foram cento e
um povo, e serei o vosso Deus, e sa­ trinta e sete. 21Filhos de Isaar: Coré, e
bereis que eu sou o Senhor vosso Nefeg, e Zecri. 22Filhos de Oziel: Mi-
Deus, que vos tirarei de sob o jugo sael, e Elisafan, e Setri. ME Arão
dos Egípcios, 6*8*e vos introduzirei na tomou por mulher a Isabel, filha de
terra, sôbre que levantei a minha Aminadab, irmã de Naason, a qual
mão (em sinal de juram ento) para lhe deu à luz Nadab, e Abiu, e Elea-
dar a Abraão, a Isac e a Jacó; eu vo- zar, e Itamar. 24Filhos de Coré: Aser, e
la darei em possessão, eu o Senhor. Elcana, e Abiasaf. Estas são as fam í­
°E Moisés contou tudo isso Aos filhos lias dos descendentes de Coré. “ P o­
de Israel; êles porém, não o ouviram rém Eleazari filho de Arão, tomou
por causa da angústia do (seu) es­ por mulher uma das filhas de Fu-
pírito, e do (seu) trabalho duríssi­ tiel, a qual lhe deu à luz Finéias.
mo. 10E o Senhor falou a Moisés, di­ Êstes são os chefes das famílias levi-
zendo: 11Vai dizer a Faraó, rei do ticas segundo as suas linhagens. 26Ês-
Egito, que deixe partir da sua ter­ te é (aquele) Arão e (aquele) Moisés
ra os filhos de Israel. 12Moisés res­ a quem o Senhor ordenou que ti­
pondeu na presença do Senhor: Eis rassem da terra do Egito os filhos
que os filhos de Israel não me ou­ de Israel, segundo os seus grupos.
vem; e como me ouvirá Faraó, prin­ 27Êstes são os que falaram a Faraó,
cipalmente sendo eu incircunciso dos rei do Egito, para tirarem do Egito
lábios? 13E o Senhor falou a Moisés os filhos de Israel; êstes são Moisés
e a Arão, e deu-lhes ordens para os e Arão.
filhos de Israel, e para Faraó, rei Objeções de Moisés
do Egito, a fim de tirarem os filhos
de Israel da terra do Egito. MN o dia em que o Senhor falou
a Moisés na terra do Egito, “ o Se­
Genealogia de Moisés e de Arão nhor disse a Moisés: Eu sou o Se­
nhor; dize a Faraó, rei do Egito, tu­
14Êstes são os chefes das casas se­ do o que eu te digo. 30E Moisés res­
gundo as suas famílias. Filhos de pondeu na presença do Senhor: Eis
Ruben, primogênito de Israel: Henoc que sou incircunciso dos lábios, co­
e Falu, Hesron, e Carmi. 15Estas são mo me ouvirá Faraó?
as famílias de Ruben. Filhos de Si-
meão: Jamuel, e Jamin, e Aod, e A rão intérprete de Moisés
Jaquim, e Soar, e Saul, filho de uma y 1E o Senhor disse a Moisés: Eis
Cananéia. Esta é a progênie de Si- • que te constituí deus de F a ­
meão. 16E êstes são os nomes dos raó; e Arão, teu irmão, será teu
filhos de Levi segundo as suas fam í­ profeta. 2Tu lhe dirás tudo ò que eu
6. Com braço estendido, como um guerreiro que mostra a sua fôrça. — Com grandes
juízos, isto é, com grandes castigos.
12. Incircunciso dos lábios, isto é, inapto para falar.
Cap. V I I — 1. Deus de Faraó, isto é, dei-te poder de fazer diante dêle os maiores
prodígios, para que tenha mêdo de ti. — Teu profeta, o hebraico na&i significa aquêle
que fa la em nome de outro.
7 - 8 EXODo 83
te mando; e êle falará a Faraó, para a vara, que se converteu em dragão.
que deixe partir do seu país os filhos 16E lhe dirás: O Senhor Deus dos
de Israel. 3Mas eu endurecerei o seu Hebreus envicu-me a ti para (te )
coração e multiplicarei os meus sinais dizer: Deixa sair o meu povo para
e os meus prodígios na terra do E gi­ que me ofereça sacrifícios no deser­
to. 4E (apesar disso) não vos ouvirá. to; e até ao presente não quiseste ou­
Porém eu estenderei a minha mão sô- vir. 17Eis pois, o que diz o Senhor:
bre o Egito, e farei sair do Egito o Nisto conhecerás que eu sou o Se­
meu exército e o meu povo e os filhos nhor: Eis que ferirei com a vara,
de Israel, por meio dos maiores juízos. ue tenho na minha mão, a água
5E os Egípcios saberão que eu sou o rio e ela se converterá em san­
o Senhor, quando eu estender a mi­ gue. 18*Os peixes também que há no
nha mão sobre o Egito, e fizer sair rio, morrerão, e as águas se cor­
do meio dêles os filhos de Israel. romperão e os Egípcios, que bebe-
6Fêz, pois, Moisés e Arão como o Se­ rem a água do rio, terão que sofrer.
nhor tinha mandado; fizeram assim. 190 Senhor disse também a Moisés:
7Moisés tinha oitenta anos, e Arão oi­ Dize a Arão: Toma a tua vara e es­
tenta e três, quando falaram a F a­ tende a tua m ão sôbre as águas do
raó. Egito, e sôbre os seus rios e ribeiros,
e lagoas e todos os lagos de água,
Prodígio da vara para que se convertam em sangue;
8E o Senhor disse a Moisés e a e haja sangue em tôda a terra do E-
Arão: °Quando Faraó vos disser: F a­ gito, tanto nos vasos de madeira, co­
zei alguns prodígios, tu dirás a A- mo nos de pedra. 20E Moisés e Arão
rão: Pega na tua vara, e lança-a fizeram como o Senhor lhes manda­
por terra diante de Faraó, e ela se ra; e (A rã o ), levantando a vara, fe ­
converterá em serpente. 10Tendo, pois, riu a água do rio na presença de F a­
Moisés e Arão ido à presença de raó e dos seus servos; e ela conver-
Faraó, fizeram conforme o Senhor ti­ teu-se em sangue. 21E os peixes, que
nha ordenado; e Arão lançou por havia no rio, morreram; e o rio cor-
terra a vara diante de Faraó e dos rompeu-se, e os Egípcios não podiam
seus servos, e ela converteu-se em beber da água do rio, e houve san­
serpente. “ Mas Faraó chamou os sá­ gue por tôda a terra do Egito. 22E
bios e os magos, e êles fizeram tam­ os magos do Egito fizeram coisa se­
bém coisas semelhantes por meio dos melhante com os seus encantamen­
encantamentos egípcios e de certos tos; e o coração de Faraó endure­
segredos. 12E lançaram por terra ca­ ceu-se, e não os ouviu, como o Se­
da um dêles as suas varas, as quais nhor tinha mandado. 23E (F a ra ó)
se converteram em dragões, mas a voltou-lhes as costas, e entrou em
vara de Arão devorou as varas dêles. sua casa, e não aplicou o seu cora­
ção (a estas coisas) ainda desta vez.
Prim eira praga: a transformação 24E todos os Egípcios cavaram nos
da águ a em sangue arredores do rio para encontrar á-
13E endureceu-se o coração de F a ­ gua potável; porque não podiam be­
raó, e não os ouviu como o Senhor ber da água do rio. ^Passaram-se se­
tinha dito. 314E o Senhor disse a M oi­ te dias depois que o Senhor feriu o
sés: Obstinou-se o coração de Faraó; rio.
Segunda praga: as rãs
não quer deixar partir o (m eu ) po­
vo. 15*V ai ter com êle pela manhã; O jO Senhor disse novamente a
eis que êle sairá (para ir ) à mar­ ° Moisés: Vai ter com Faraó, e
gem do rio, e tomarás na tua mão lhe dirás: Estas coisas diz o Senhor:
12. . . . s e converteram em dragões. Os magos, com o au xíH j do demônio e por per­
missão de Deus, puderam contrafazer o m ilagre de Moisés. Deus, porém, p ara m ostrar
que Moisés era seu enviado e muito superior aos magos, fêz com que a v a ra de A rão
devorasse as varas dos magos.
22. Fizeram coisa semelhante, por intervenção diabólica, sôbre um a certa quantidade
de água, extraída provàvelmente de novos poços que os Egípcios tiveram de abrir, ou tra ­
zida do m ar ou da terra de Gessém, lugares não atingidos pelo flagelo.
84 ExODO 8

Deixa ir o meu povo, para que me Terceira praga: os mosquitos


ofereça sacrifícios. 2Se, porém, o não
quiseres deixar ir, eis que flagelarei 16E o Senhor disse a Moisés: Dize
com rãs todo o teu país. 30 rio fe r­ a Arão: Estende a tua vara, e fere
verá em rãs, e elas subirão, e entra­ o pó da terra, e haja mosquitos em
rão na tua casa, e na câmara onde tôda a terra do Egito. 17E êles fize­
dormes, e sôbre o teu leito, e nas ca­ ram assim. E Arão, pegando na vara,
estendeu a mão, e feriu o pó da ter­
sas dos teus servos, e no meio do teu ra, e os mosquitos cairam sobre os
povo, e nos teus fornos, e nos sobejos homens e sôbre os animais; todo o
dos teus alimentos; 4e as rãs irão pó da terra se converteu em mosqui­
sôbre ti, sôbre o teu povo e sôbre tos por tôda a terra do Egito. 18E os
todos os teus servos. 5E o Senhor dis­ magos fizeram dum modo semelhan­
se a Moisés: Dize a Arão: Estende te com os seus encantamentos para
a tua mão sôbre os rios e sôbre as ri­ produzir mosquitos, e não puderam;
beiras e lagoas, e faze sair rãs sôbre e os mosquitos existiam tanto sôbre
a terra do Egito. °E Arão estendeu a os homens como sôbre os animais.
sua mão sôbre as águas do Egito, e 10Então os magos disseram a Faraó:
as rãs sairam e cobriram a terra do O dedo de Deus está aqui; porém o
Egito. 7Os magos, porém, fizeram coi­ coração de Faraó endureceu-se, e
sa semelhante por meio dos seus en­ não os ouviu, como o Senhor tinha
cantamentos, e fizeram sair rãs sobre mandado.
a terra do Egito.
Quarta praga: as moscas
8Faraó chamou Moisés e Arão, e
disse-lhes: Rogai ao Senhor que afas­ “ E o Senhor disse outra vez a M oi­
te as rãs de mim e do meu povo, e sés: Levanta-te de madrugada, e
eu deixarei ir o povo para que ofe­ apresenta-te a Faraó; porque êle
reça sacrifícios ao Senhor. 9E Moisés sairá para ir junto da água; e lhe
disse a Faraó: Determina-me quan­ dirás: Isto diz o Senhor: Deixa ir
do deverei rogar por ti, pelos teus o meu povo, a fim de que me ofe­
servos e pelo teu povo, a fim de que reça sacrifícios. 21Porque, se não o
as rãs sejam afastadas de ti, e da deixares ir, eis que eu mandarei con­
tua casa, e dos teus servos, e do teu tra ti, e contra os teus servos, e con­
povo; e somente fiquem no rio. 10Êle tra o teu povo, e contra as tuas ca­
respondeu: Amanhã. E Moisés disse: sas todo o gênero de moscas; e as
Farei segundo a tua palavra, para casas dos Egípcios, e tôda a terra
que saibas que não há quem seja co­ onde êles se acharem, serão cheias
mo o Senhor nosso Deus. UE as rãs de moscas de vários gêneros. 22Mas
afastar-se-ão de ti, e da tua casa, e eu, nesse dia, tornarei maravilhosa a
dos teus servos, e do teu povo; e terra de Gessém, onde habita o meu
somente ficarão no rio. 12Moisés e povo; de modo que não haja aí mos­
Arão sairam da presença de Faraó; cas; a fim de que saibas que eu sou
e Moisés clamou ao Senhor pelo cum­ o Senhor no meio da terra. 23Estabele-
primento da promessa que tinhà fe i­ cerei (assim) uma distinção entre o
to a Faraó relativamente às rãs. 13E meu povo e o teu povo; amanhã terá
o Senhor fêz conforme a palavra de lugar êste sinal. 24E o Senhor assim
Moisés; e morreram as rãs das ca­ fêz. E vieram moscas molestíssimas
sôbre as casas de Faraó e dos seus
sas, e das granjas, e dos campos. 14E servos, e sôbre tôda a terra do Egito;
juntaram-nas em imensos montões, e e a terra foi devastada por tais mos­
a terra ficou infeccionada. 15Mas F a­ cas. “ E Faraó chamou Moisés e Arão,
raó, vendo que lhe era dado alívio, e disse-lhes: Ide e sacrificai ao vos­
endureceu o seu coração, e não os so Deus nesta terra. 26E Moisés dis­
ouviu, como o Senhor tinha man­ se: Não se pode fazer assim, porque
dado. sacrificaremos ao Senhor nosso Deus
Cap. V I I I — 7. E fizeram sair rã s. .. N ão se sabe se fizeram sair as rãs do Nilo, nem
em que proporções; o que é certo, porém, é que não foram capazes de as fazer desaparecer.
8 - 9 ÊXODO 85
coisas que para os Egípcios é sacri­ Faraó mandou ver; e nada estava
légio matar; e se nós diante dos morto do que possuía Israel. O co­
Egípcios matarmos o que êles ado­ ração de Faraó, porém, endureceu-
ram, nos apedrejarão. 27Andaremos se, e não deixou ir o povo.
três dias de viagem no deserto; e
sacrificaremos ao Senhor nosso Deus, Sexta praga: as úlceras
como êle nos ordenou. 28E Faraó dis­ 8E o Senhor disse a Moisés e a
se: E u vos deixarei ir para que sa­ Arão: Tomai mãos cheias de cinza
crifiqueis ao Senhor vosso Deus no da chaminé, e Moisés a lance ao ar
deserto; mas não vos afasteis muito, diante de Faraó. °E haja pó sôbre
rogai por mim. aE Moisés disse: L o ­ tôda a terra do Egito, donde resul­
go que eu tiver saldo da tua pre­ tarão nos homens e nos animais úl­
sença, rogarei ao Senhor, e ama­ ceras e grandes tumores por tôda a
nhã as moscas se afastarão de F a­ terra do Egito. 10E tomaram cinza da
raó, e dos seus servos e do seu povo; cháminé, e apresentaram-se a Faraó,
mas não queiras mais enganar-me, e Moisés lançou-a ao ar; e form a­
não deixando sair o povo a fazer ram-se úlceras e grandes tumores nos
sacrifícios ao Senhor. ^E, tendo Moi­ homens e nos animais. nE os magos
sés saído da presença de Faraó, orou não podiam ter-se de pé diante de
ao Senhor. 31E êle fêz o que Moisés Moisés, por causa das úlceras, que
lhe tinha pedido, e tirou as moscas estavam sôbre êles, como sôbre tôda
de Faraó, e dos seus servos, e do seu a terra do Egito. 12E o Senhor endu­
povo; não ficou uma só. 32Mas o co­ receu o coração de Faraó, e não os
ração de Faraó endureceu-se de tal ouviu, como o Senhor tinha dito a
sorte, que nem ainda desta vez dei­ Moisés.
xou ir o povo.
Sétima praga: o granizo
Quinta praga: a peste dos animais
13E o Senhor disse a Moisés: L e ­
O 7E o Senhor disse a Moisés: Vai vanta-te de manhã cedo, e apresen­
** ter com Faraó, e dize-lhe: Isto ta-te a Faraó, e lhe dirás: Isto diz o
diz o Senhor Deus dos Hebreus: Dei­ Senhor Deus dos Hebreus: Deixa ir
xa ir o meu povo para que me ofe­ o meu povo, para que me ofereça
reça sacrifícios. 2Porque, se ainda re­ sacrifícios. 14Porque desta vez man­
cusas, e o retens, 3eis que a minha darei tôdas as minhas pragas sôbre
mão será sôbre os teus campos; e o teu coração, e sôbre os teus servos,
(v irá ) uma pestilência gravíssima sô­ e sôbre o teu povo; para que saibas
bre os cavalos, e jumentos, e came­ que não há quem seja semelhante a
los, e bois, e ovelhas. 4E o Senhor fa ­ mim em tôda a terra. 15Agora, esten­
rá a maravilha de separar o que per­ dendo a mão, te ferirei de peste a ti e
tence aos filhos de Israel do que per­ ao teu povo, e serás exterminado da
tence aos Egípcios, de sorte que não terra. 16E com êste fim te conservei,
pereça absolutamente nada do que para mostrar em ti o meu poder, e
pertence aos filhos de Israel. 5E o para que meu nome seja celebrado
Senhor determinou o tempo, dizen­ em tôda a terra. 17Ainda retens o meu
do: Amanhã cumprirá o Senhor esta povo, e o não queres deixar ir? 18Eis
palavra no país. °Ao outro dia, pois, que amanhã, a esta mesma hora,
fêz o Senhor o que tinha dito; e farei chover granizo abundantíssimo,
todos os animais dos Egípcios mor­ qual não se viu nunca no Egito, des­
reram; mas dos animais dos filhos de o dia em que foi fundado até o
de Israel não morreu nenhum. 7E presente. 19Manda, portanto, imedia-
Cap. IX — 11. E os magos não podiam ter-se de pé, e reconheciam agora a sua inteira
impossibilidade de contrafazer Moisés, vendo-se atacados pelo terrível flagelo. D o texto
parece deduzir-se que F araó , por permissão de Deus, não foi atingido pela praga.
15-16. O original hebraico, muito mais claro diz: Se eu tivesse estendido a minha mão
e te tivesse ferido de peste a ti o ao teu povo, terias sido exterminado da terra. M as com
êste fim te deixei subsistir, para que se mostre em ti o meu poder, eto
19. Manda. .. juntar. .. Deus, em sua infinita bondade, lem bra um meio de evitar
o flagelo a todos os que crerem na sua palavra.
86 EXODO 9-10
tamente juntar os teus animais, e o Senhor, e cessaram os trovões e
tudo o que tens no campo, porque o granizo, e não caiu mais chuva sô­
os homens e os animais e todo o que bre a terra. 34Faraó, porém, vendo
se achar fora, e não estiver reco­ que tinha cessado a chuva, o grani­
lhido dos campos e cair sôbre êles zo e os trovões, aumentou o seu pe­
o granizo, morrerão. 20Aquêles dos cado; 35e o seu coração, e o de seus
servos de Faraó, que temeram a pa­ servos se obstinou e endureceu ex-
lavra do Senhor, fizeram retirar os traordinàriamente; e não deixou par-
seus servos e os seus animais para .tir os filhos de Israel, como o Se­
as casas. 21Aquêles, porém, que des­ nhor tinha mandado por meio de
prezaram a palavra do Senhor, dei­ Moisés.
xaram ficar os seus servos e os seus
animais nos campos. Oitava praga: os gafanhotos
22E o Senhor disse a Moisés: Esten­ 1 J1 2E o Senhor disse a Moisés: Vai
de a tua mão para o céu, a fim de ter com Faraó: porque eu en-
ue chova granizo em tôda a terra dureci o seu coração e o de seus ser­
o Egito sôbre os homens, e sobre vos a fim de operar nêle os meus pro­
os animais, e sôbre tôda a erva do dígios, 2e para que tu contes a teu
campo, na terra do Egito. ME Moisés filho e a teus netos quantas vêzes,
estendeu a vara para o céu; e o Se­ feri os Egípcios, e operei os meus
nhor despediu trovões, e granizo, e prodígios no meio dêles; e para que
raios, que se precipitavam sôbre a vós saibais que eu sou o Senhor.
terra; e o Senhor íêz chover granizo 3Moisés e Arão apresentaram-se, pois,
sôbre a terra do Egito. 24E o granizo a Faraó, e disseram-lhe: O Senhor
e o fogo caíam ao mesmo tempo mis­ Deus dos Hebreus diz estas coisas: A-
turados; e o granizo foi de tal gran­ té quando recusarás sujeitar-te a
deza, que nunca antes se viu igual em mim? Deixa ir o meu povo para que
tôda a terra do Egito, desde que a- me ofereça sacrifícios. 4Se ainda resis­
quela nação foi fundada. 25E o gra­ tes, e não o queres deixar ir, eis que
nizo feriu em tôda a terra do Egito eu amanhã mandarei gafanhotos sô­
tudo o que estava nos campos, desde bre as tuas terras, 5os quais cubram
os homens até aos animais, e feriu a superfície da terra, de sorte que de­
tôda a erva do campo, e destroçou la não apareça nada, mas seja devora­
todas as árvores do país. 26SÓ na ter­ do o que escapou do granizo; porque
ra de Gessém, onde estavam os filhos êles roerão tôdas as plantas que ger­
de Israel, não caiu granizo. minam nos campos. 6E encherão as
27E Faraó mandou chamar Moisés tuas casas e as dos teus servos, e as de
e Arão, e disse-lhes: Eu peqqei ain­ todos os Egípcios; nem os teus pais,
da desta vez; o Senhor é justo; eu e nem os teus avós viram tanta quan­
o meu povo somos ímpios. 28Rogai tidade, desde que êles nasceram na
ao Senhor para que cessem os tro­ terra até ao presente. Com isto vol-
vões de Deus, e o granizo, a fim de tou-se, e saiu da presença de Faraó.
que eu vos deixe ir, e não perma­ 7Mas os servos de Faraó disseram-lhe:
neçais mais aqui. ^Moisés disse: De­ Até quando sofreremos nós êste es­
pois que eu tiver saído da cidade, cândalo? Deixa ir êstes homens, a
estenderei as minhas mãos para o fim de que ofereçam sacrifícios ao
Senhor, e cessarão os trovões e -não Senhor seu Deus; não vês que o E gi­
choverá mais granizo, a fim de que to está perdido? 8E tornaram a cha­
saibas que (toda) a terra é do Se­ mar Moisés e Arão à presença de F a ­
nhor. 30Mas eu sei que nem tu nem raó, ô qual lhes disse: Ide, oferecei
os teus servos temem ainda o Se­ sacrifícios ao Senhor vosso Deus;
nhor Deus. 310 linho e a cevada per­ quem são os que hão de ir? “Moisés
deram-se, porque a cevada estava respondeu: Havemos de ir com os
verde e o linho estava em flôres. 820 nossos meninos, e com os nossos ve­
trigo, porém, e o farro não foram da­ lhos, com filhos e com filhas, com
nificados, porque eram serôdios. 33E ovelhas e com gados; porque é uma
Moisés, tendo deixado Faraó e sain­ solenidade do Senhor nosso Deus. lfflE
do da cidade, ergueu as mãos para Faraó respondeu: Assim seja o Se­
10 - ll EXoDO 87
nhor convosco, como eu deixarei ir a sôbre a terra do Egito trevas tão es-
v ó s e aos vossos filhos; quem duvida pêssas, que se possam apalpar. 22E
que vós não tendes péssimas inten­ Moisés estendeu a sua mão para o
ções? 71Não há de ser assim, mas ide céu, e houve trevas horríveis em tôda
somente vós os homens, e oferecei a terra do Egito, durante três dias.
sacrifícios ao Senhor; porque isto é o 23Um não via o outro, nem se movia
que vós mesmos pedistes. E, imediata­ do lugar em que estava; porém em
mente, foram expulsos da presença de tôda a parte onde habitavam os filhos
Faraó. 12E o Senhor disse a Moisés: de Israel havia luz. 24E Faraó cha­
Estende a tua mão sôbre a terra do mou Moisés e Arão, e disse-lhes: Ide,
Egito para os gafanhotos, a fim de oferecei sacrifícios ao Senhor; f i­
que êles saltem sôbre a terra, e devo­ quem somente as vossas ovelhas e o
rem tôda a erva, que tenha ficado do vosso gado, os vossos meninos vão
granizo. 13E Moisés estendeu a vara convosco. 25Moisés disse: Também nos
sôbre a terra do Egito; e o Senhor darás as hóstias e os holocaustos, que
mandou um vento abrasador durante ofereçamos ao Senhor nosso Deus. " I -
todo aquêle dia e noite; e, quando foi rão conosco todos os nossos rebanhos;
manhã, o vento abrasador levantou os não ficará dêles nem uma unha, por­
gafanhotos, 14que avançaram sôbre que são necessários para o culto do
tôda a terra do Egito, e pousaram em Senhor nosso Deus; principalmente
todos os limites dos Egípcios tão inu­ ignorando nós o que se deve imolar,
meráveis, quais antes daquele tempo enquanto não chegamos àquele lugar.
não tinha havido, nem depois have­ 27Mas o Senhor endureceu o coração
rá. 15E cobriram tôda a superfície de Faraó, e não os quis deixar ir. ^E
da tèrra, devastando tudo. Foi, por­ Faraó disse a Moisés: Aparta-te de
tanto, devorada a erva da terra, e tu­ mim, e livra-te de me tornares a ver
do o que havia de frutos nas árvores, a face; no dia em que me apareceres,
que o granizo tinha deixado, e não morrerás. “ Moisés respondeu: Assim
ficou nada de verde nas árvores e nas se fará como disseste; não verei mais
ervas da terra em todo o Egito. 16Pe- a tua face.
lo que Faraó chamou a tôda a pres­
sa Moisés e Arão, e disse-lhes: Eu Predição da décima e últim a praga
pequei contra o Senhor vosso Deus, e 11 2E o Senhor disse a Moisés:
contra vós. 17Mas agora perdoai-me 11 Flagelarei ainda com uma
ainda esta vez o meu pecado, e rogai praga a Faraó e ao Egito, e, depois
ao Senhor vosso Deus que tire de mim disso, vos deixará partir, e até vos
esta morte. 18E Moisés, tendo saído constrangerá a sair. 2Dirás, pois, a
da presença de Faraó, orou ao Se­ todo o povo que cada homem peça
nhor, 19o qual fêz soprar do poente ao seu amigo, e cada mulher à sua
um vento fortíssimo, e arrebatou os vizinha vasos de prata e ouro. 3E o
gafanhotos, e lançou-os no Mar V er­ Senhor fará que o seu povo ache gra­
melho; não ficou um só em todos os ça diante dos Egípcios. Ora Moisés
limites do Egito. “ E o Senhor endu­ foi um homem muito grande na ter­
receu o coração de Faraó, e êle não ra do Egito, aos olhos dos servos de
deixou sair os filhos de Israel. Faraó e de todo o povo. 4E disse: Es­
Nona praga: as trevas tas coisas diz o Senhor: À meia-noite
21E o Senhor disse a Moisés: Es­ passarei pelo Egito; 5e todo o pri­
tende a tua mão para o céu, e haja mogênito morrerá na terra do Egi-
Cap. X — 10. Assim seja o Senhor convosco. .. Ê a piedosa saudação dos Hebreus em­
pregada por F a ra ó dum modo irônico. O Senhor seja convosco como eu vos deixarei ir, isto
é, nunca vos deixarei ir.
17. Esta morte, esta praga mortal p ara o Egito.
21. Que se possam apalpar. Expressão popular, muito usada em tôdas as línguas.
Cap. X I — 3. F oi um homem grande. .. nâo só por ter sido educado na côrte de Faraó,
m as também por causa dos grandes milagres que operava.
4. Passarei pelo Egito. Modo de dizer para significar que Deus ia intervir dum modo
novo, infligindo diretamente a última praga enquanto que as nove prim eiras tinham sido
infligidas por intermédio de Moisés e Ar&o.
88 EXoDO 11 - 12

to, desde o primogênito de Faraó, -lo-ão sôbre as duas ombreiras e


que se assenta sôbre o seu trono até sôbre a verga da porta das casas,
ao primogênito da escrava, que está em que êles o hão de comer. 8E
à mó, e até aos primogênitos dos ani­ nessa mesma noite comerão as car­
mais. °E haverá em tôda a terra do nes ( do cordeiro) assadas no fogo,
Egito um grande clamor qual nun­ com pães ázimos e alfaces bravas.
ca antes houve, nem haverá jamais. 9Não comereis dêle nada cru, nem
7Mas entre todos os filhos de Israel, cozido em água, mas somente assa­
desde os homens até aos animais, do no fogo; comer-lhe-eis a cabeça,
não se ouvirá ganir um cão; para os pés e os intestinos.
que saibais com que grande milagre 10Nada ficará dêle até pela manhã;
o Senhor separa os Egípcios de Is­ se restar alguma coisa, queimá-la-eis
rael. 8E todos êstes teus servos virão no fogo. UE comê-lo-eis dêste modo:
a mim, e se prostrarão diante de Cingireis os vossos rins, e tereis as
mim, dizendo: Sai tu e todo o teu sandálias nos pés, e os bordões na
povo, que te está sujeito; depois dis­ mão, e comereis à pressa: porque é
to sairemos. 9E Moisés saiu da pre­ a Páscoa (isto é, a passagem) do
sença de Faraó muito irado. E o Senhor. 12E naquela noite eu passarei
Senhor disse a Moisés: Faraó não pela terra do Egito e ferirei (de
vos ouvirá, para que se façam mui­ m orte) todo o primogênito na terra
tos prodígios na terra do Egito. 10Moi- do Egito, desde os homens até aos
sés e Arão fizeram diante de Faraó animais; e executarei (os meus) juí­
todos os prodígios que estão escri­ zos sôbre todos os deuses do Egito,
tos. Mas o Senhor endureceu o cora­ eu que sou o Senhor. 130 sangue, po­
ção de Faraó, e êle não deixou par­ rém, será para vós um sinal fem
tir os filhos de Israel da sua terra. vosso favor) nas casas em que mo­
rardes, e eu verei o sangue, e pas­
Instituição da Páscoa sarei adiante; e não haverá em vós
a praga destruidora, quando eu fe ­
1 2 xO Senhor disse também a Moi- rir a terra do Egito. 14Êste dia será
sés e a Arão na terra do E gi­ para vós um dia memorável, e vós
to: 2Êste mês será para vós o prin­ o celebrareis nas vossas gerações
cípio dos meses; será o primeiro dos com um culto perpétuo como dia so­
meses do ano. 3Falai a todo o ajun­ lene do Senhor.
tamento dos filhos de Israel, e dizei- 15Comereis pães ázimos durante se­
lhes: N o décimo dia dêste mês cada te dias; desde o primeiro dia não se
um tome um cordeiro por fam ília e achará fermento em vossas casas;
por casa. 4Mas, se o número (de pes­ todo o que comer (pao) fermentado,
soas) é menor que o que pode bas­ desde o primeiro dia até ao sétimo,
tar para comer o cordeiro, tomará o perecerá aquela alma do meiçr de
seu vizinho que estiver mais próximo Israel.
da sua casa, segundo o número de 10O primeiro dia será santo e solene,
almas que podem bastar para comer e o dia sétimo será festa igualmente
o cordeiro. 5Ora o cordeiro será sem venerável. Nêles não fareis obra al­
defeito, macho, de um ano. Com o guma servil, exceto aquelas que per­
mesmo rito tomareis também Vm ca­ tencem ao comer. "Observareis, pois,
brito. °E o guardareis até o dia ca­ a festa dos ázimos, porque nesse mes­
torze dêste mês; e tôda a multidão mo dia farei sair o vosso exército da
dos filhos de Israel o imolará à tar­ terra do Egito, e vós observareis ês-
de. 7E tomarão do seu sangue, e pô- te dia com culto perpétuo nas vossas

Cap. X I I — 2. o princípio dos meses, com êle com eçará o ano sagrado, por êle dever&o
ser reguladas as festas religiosas.
5. Com o mesmo rito, etc. Se em vez dum cordeiro preferirdes um cabrito, podeis to­
m á-lo, m as deverá ter as mesmas condi çôes.
9. C o m er-lh e-eis.. . os intestinos, depois de convenientemente lavados.
12. Executarei os meus juízos. .. A morte dos primogênitos m ostrará a impotência dos
deuses em defender os seus adoradores, e como que os castigará-
12 ExoDO 89
gerações. 18No primeiro mês, no dia mogênito de Faraó, que se assenta­
catorze do mês, à tarde, comereis os va sôbre o seu trono, até ao primo­
ázimos até à tarde do dia vinte e gênito da escrava, que estava no cár­
um do mesmo mês. "Durante sete cere, e todo o primogênito dos ani­
dias não se achará fermento em vos­ mais. “ E Faraó levantou-se de noite,
sas casas; todo o que comer pão fe r­ e todos os seus servos, e todo o E gi­
mentado, perecerá aquela alma do to; e houve um grade clamor no E gi­
mèio do ajuntamento de Israel, quer to; porque não havia casa onde não
êle seja estrangeiro, quer natural do houvesse um morto.
país. 20Não comereis nada fermenta­
do; comereis ázimos em tôdas as vos­ Faraó apressa os Hebreus a partir
sas casas. 31E Faraó, chamando Moisés e A -
Moisés transmite ao povo a rão naquela mesma noite, disse: L e ­
ordem divina vantai-vos e saí do meio do meu po­
vo, vós e os filhos de Israel; ide, ofe­
21Moisés, pois, convocou todos os recei sacrifícios ao Senhor, como di­
anciãos de Israel, e disse-lhes: Ide, zeis. 32Tomai as vossas ovelhas e os
tomai um animal para cada uma das vossos rebanhos, como pedistes, e ao
vossas famílias, e imolai a Páscoa. partir, abençoai-me. 33Os Egípcios
22Banhai um molhinho de hissopo no também apertavam com o povo para
sangue, que estará no limiar da por­ que saísse depressa do país, dizendo:
ta, e aspergi com êle a verga e as Morreremos todos. 3<tO povo tomou,
duas ombreiras da porta; nenhum de pois, a farinha amassada, antes que
vós saia da porta da sua casa até se levedasse: e, envolvendo-a nas ca­
pela manhã. 2 *3Porque o Senhor pas­
1 pas, a pôs aos ombros. 35E os filhos
sará, ferindo os Egípcios; e, quando de Israel fizeram como Moisés ti­
vir o sangue sôbre a verga e sôbre nha ordenado; e pediram aos Egíp­
as duas ombreiras da porta, passará cios vasos de prata e de ouro, e gran­
a porta da casa, e não permitirá que de quantidade de vestidos. ^E o Se­
o exterminador entre em vossas ca­ nhor fêz com que o seu povo encon­
sas e faça dano. 24Guarda êste (p re­ trasse graça diante dos Egípcios, pa­
ceito) como uma lei para ti e teus ra que êstes lhes emprestassem; e
filhos perpètuamente. “ E, depois que despojaram os Egípcios.
tiverdes entrado na terra que o Se­
nhor vos há de dar, como prometeu, Partida de Ramessés
observareis estas cerimônias. “ E, 37E os filhos de Israel partiram de
quando os vossos filhos vos disserem: Ramessés por Socot, sendo perto de
Que rito sagrado é êste? 27Vós lhes seiscentos mil homens de pé, afora
direis: É a vítim a da passagem do os meninos. ME partiu também com
Senhor, quando êle passou adiante êles uma inumerável multidão de to­
as casas dos filhos de Israel no E gi­ da a sorte de gentes, e ovelhas, e ga­
to, ferindo os Egípcios, e livrando as dos, e animais de diversos gêneros em
nossas casas. Então o povo, ao ouvir muito grande quantidade. 39E coze­
isto, prostrando-se, adorou (o Se­ ram a farinha que tinham levado do
nhor). fflE os filhos de Israel, tendo Egito já amassada; e fizeram dela
saído dali, fizeram como o Senhor pães ázimos, cozidos no borralho;
tinha ordenado a Moisés e a Arão. porque não puderam fazê-la levedar,
apressando-os os Egípcios a partir,
Décima praga: a morte dos
e não lhes permitindo nenhuma de­
primogênitos Egípcios mora; nem tinham podido preparar
^Aconteceu, pois, que, à meia-noi­ nada de comer. 40Ora o tempo que
te, o Senhor feriu todos os primogê­ os filhos de Israel tinham morado no
nitos na terra do Egito, desde o pri­ Egito, foi de quatrocentos e trinta a­
21. Imolai a Páscoa, isto ê, o cordeiro ou cabrito pascal.
32. Abençoai-m e. Pedi a Deus que eu não m orra também dêste flagelo.
36. Emprestassem. O verbo hebraico correspondente significa dar. o s Egípcios, ansiosos
por ver partir os Hebreus, deram-lhes tudo o que êles pediram.
90 ExODO 12 - 13
nos. "Completos os quais, todo o exér­ te tiver introduzido na terra do Ca-
cito do Senhor saiu no mesmo dia da naneu, e do Heteu, e do Amorreu, e
terra do Egito. 42Esta noite, em que do Heveu, e do Jebuseu, que êle jurou
os tirou da terra do Egito, deve ser a teus pais que te havia de dar, terra
consagrada ao Senhor; e todos os onde corre o leite e o mel, celebrarás
filhos de Israel a devem celebrar êste rito sagrado neste mês. C om e­
nas suas gerações. rás ázimos durante sete dias; e, no
sétimo dia, haverá uma festa solene
N ovas determinações sobre a Páscoa (em honra) do Senhor. 7Comereis á-
43E o Senhor disse a Moisés e a zimos durante sete dias; não haverá
Arão: Êste é o rito da Páscoa: N e­ em vossas casas coisa alguma fermen­
nhum estrangeiro comerá dela. " T o ­ tada, nem em todos os teus territórios.
do o escravo comprado será circun- 8E naquele dia, contarás a teu filho,
cidado, e então comerá. 460 adventi- dizendo: Eis o que o Senhor fêz por
cio e o mercenário não comerão de­ mim, quando saí do Egito. °E isto
la. 46(O cordeiro) há de comer-se será como um sinal na tua mão, e co­
(tod o) em cada casa, e das suas car­ mo um memorial diante dos teus o-
nes não levareis nada para fora (de lhos, a fim de que a lei do Senhor an­
casa), nem lhe quebrareis osso al­ de sempre na tua bôca; pois que o
gum. 47Tôda a multidão dos filhos de Senhor te tirou do Egito com mão
Israel celebrará a Páscoa. "Porém , forte. 10Observarás êste culto todos os
se algum estrangeiro quiser passar anos no tempo fixado.
para a vossa colônia, e celebrar a Lei sôbre os primogênitos
Páscoa do Senhor, cincuncidem-se
primeiro todos os seus varões, e en­ nE, quando o Senhor te tiver in­
tão a celebrará segundo o rito, e será troduzido na terra do Cananeu, como
como natural do país; e algum, po­ êle jurou a ti e a teus pais, e ta tiver
rém, não fôr circuncidado, não co­ dado, "separarás para o Senhor todo
merá dela. 49A mesma lei será para o primogênito, mesmo o primogênito
o natural e para o estrangeiro que dos teus gados; e consagrarás ao Se­
vive convosco. 50E todos os filhos de nhor tudo o que tiveres do sexo mas­
Israel fizeram como o Senhor ti­ culino. 13Trocarás o primogênito do
nha ordenado a Moisés e a Arão. jumento por uma ovelha; se, porém
51E, naquele mesmo dia, o Senhor ti­ o não resgatares, matá-lo-ás. Mas res­
rou da terra do Egito os filhos de gatarás com dinheiro todo o primogê­
Israel, repartidos nas suas turmas. nito de teus filhos. 14E quando teu
Consagração dos primogênitos
filho te interrogar um dia, dizendo:
Que é isto? responder-lhe-ás: O Se­
1 9 7E o Senhor falou a Moisés, di- nhor tirou-nos do Egito, da casa da
zendo: 2Consagra-me todo o escravidão, com mão forte. 15Porque
primogênito, que abre o útero de sua Faraó, tendo-se obstinado, e não que­
mãe entre os filhos de Israel, tanto rendo deixar-nos partir, o Senhor ma­
dos homens como dos animais, por­ tou todos os primogênitos na terra do
que tôdas as coisas são minhas. Egito, desde o primogênito do homem
até ao primogênito dos animais; por
Exortação de Moisés ao povo isso eu sacrifico ao Senhor todos os
3E Moisés disse ao povo: Lembrai- machos primogênitos (dos animais),
vos dêste dia, em que saístes do Egito e resgato todos os primogênitos de
e da casa da escravidão; porque o Se­ meus filhos. 16Isto, pois, será como
nhor vos tirou dêste lugar com mão um sinal na tua mão, e como uma
forte; e, por isso, não comereis pão coisa pendente ante os teus olhos pa­
fermentado. 4Vós saís hoje no mês ra lembrança, porque o Senhor nos
dos trigos novos. 5Quando o Senhor4 * tirou do Egito com mão forte.
3
43. Nenhum estrangeiro, isto é, nenhum que não pertença à/ estirpe e à religião judaica.
48. Se algum estrangeiro... o original diz: Se algum estrangeiro, morando contigo, qui-
ser celebrar a Páscoa do Senhor. ..
13 - 14 ÊXODO 91
P ara o deserto; ossos de José seram: Que quisemos nós fazer, dei­
xando partir Israel, para que êle nos
170ra, quando Faraó deixou partir não servisse? 6(F a ra ó) pois, mandou
o povo, Deus não os conduziu pelo pôr os cavalos ao seu carro, e tomou
caminho do país dos Filisteus, que é consigo todo o seu povo. 7E tomou
(mais) vizinho, julgando que êle tal­ seicentos carros escolhidos, e todos
vez s<_ arrependesse, se visse levanta­ os carros do Egito, e os capitães de
rem-se guerras contra êle, e retroce­ todo o exército. 8E o Senhor endure­
desse para o Egito. 18Mas fê-los dar ceu o coração de Faraó, rei do Egito,
uma volta pelo caminho do deserto, e foi no alcance dos filhos de Israel;
que está junto do Mar Vermelho; e os mas êles tinham saido debaixo da
filhos de Israel saíram armados do proteção duma poderosa mão. 9E co­
Egito. 19E Moisés levou consigo os mo os Egípcios seguissem os vestígios
ossos de José, por êste ter conjurado dos (Israelitas) que iam adiante, ai-
os filhos de Israel, dizendo: Deus vos cançaram-nos quando estavam acam­
visitará, levai daqui convosco os meus pados junto do mar. Tôda a cavalaria
ossos. e os carros de Faraó, e todo o exército
Coluna de *ogo estavam em Fiairot defronte de Beel-
20E, tendo saído de Soeot, acampa­ sefon.
ram em Etam, na extremidade do de­ Queixas contra Moisés
serto. 21E o Senhor ia adiante dêles 10E como Faraó se aproximasse, le­
para lhes mostrar o caminho, de dia vantando os filhos de Israel os olhos,
numa coluna de nuvem, e de noite viram os Egípcios nas suas costas; e
numa coluna de fogo, para lhes ser­ tiveram grande mêdo, e clamaram ao
vir de guia num e noutro tempo. Senhor, ne disseram a Moisés: Não
22Nunca se retirou de diante do povo havia talvez sepulturas no Egito, e
a coluna de nuvem durante o dia, por isso nos tiraste de lá para morrer­
nem a coluna de fogo, durante a mos no deserto. Por que quiseste fazer
noite. isto, tirar-nos do Egito? 12Não é isto
De Etam ao M ar Vermelho
ue te dizíamos no Egito: Retira-te
e nós, a fim de que sirvamos os E-
14 7E o Senhor falou a Moisés, di- gípcios? Porque era muito melhor
*^ zendo: 2Dize aos filhos de Is­ servi-los do que morrer no deserto.
rael que retrocedam e vão acampar 13Moisés disse ao povo: Não temais;
diante de Fiairot, que fica entre Mag- estai firmes, e considerai as m aravi­
dalum e o mar, defronte de Beelse- lhas que 0 Senhor fará hoje; porque
fon; assentareis o acampamento de­ os Egípcios, que agora vêdes, nunca
fronte dêste sítio junto do mar. 3Por- jamais os tornareis a ver. 140 Senhor
que Faraó há de dizer acêrca dos f i ­ combaterá por vós, e vós estareis em
lhos de Israel: Êles estão cercados silêncio.
no país, estão encerrados no deserto.
Os Hebreus atravessam
4E eu endurecerei o seu coração, e o mar Vermelho
êle virá em vosso alcance; e eu se­
rei glorificado em Faraó, e em todo 150 Senhor disse a Moisés: P or
o seu exército; e os Egípcios saberão que clamas tu a mim? Dize aos filhos
que eu sou o Senhor. E êles assim de Israel que marchem. 16E tu levan­
fizeram. ta a tua vara, e estende a tua mão
Faraó persegue os Hebreus sôbre o mar, e divide-o, para que os
filhos de Israel caminhem em sêco pe­
“Entretanto foi anunciado ao rei lo meio do mar. 17E eu endurecerei
dos Egípcios, que o povo tinha fugido; o coração dos Egípcios, para que êles
e mudou-se o coração de Faraó e de vos sigam; e serei glorificado em F a­
seus servos a respeito do povo, e dis­ raó e em todo o exército e nos seus
Cap. X I V — 3. Estão cercados. O original diz: Estão perdidos no pais, errando à ventura.
4. Serei glorificado, porque todos os Egípcios, ao ver a destruição do exército, reconhe­
cerão o meu poder.
6. Todo o seu povo, isto é, todos os guerreiros que, naquela ocasião, pôde encontrar.
92 EXODO 14 - 15

carros e nos seus cavaleiros. 18E os filhos de Israel passaram pelo meio
Egípcios saberão que eu sou o Senhor, do mar enxuto; e as águas eram
quando fôr glorificado em Faraó e nos para êles como um muro à direita
seus carros e nos seus cavaleiros. 19E e à esquerda.
o Anjo de Deus, que caminhava na 30E o Senhor, naquele dia, livrou
frente do acampamento de Israel, le­ Israel da mão dos Egípcios. 31E os Is­
vantou-se e foi para detrás dêles; e raelitas viram os Egípcios mortos sô­
com êle ao mesmo tempo a coluna de bre a praia do mar, e o grande poder
nuvem, deixando a frente, 20parou que o Senhor tinha mostrado contra
detrás dêles entre o acampamento dos êles; e o povo temeu o Senhor, e
Egípcios e o acampamento de Israel, creram no Senhor e em Moisés, seu
e esta nuvem era tenebrosa (do lado servo.
dos Egípcios) e tornava clara a noite
(do lado dos Israelitas), de sorte que Cântico de Moisés e dos Israelitas
uns e outros não puderam aproximar-
se durante o tempo da noite. 21E 1 C 7Então cantou Moisés e os fi-
tendo Moisés estendido a mão sôbre *** lhos de Israel êste cântico ao
o mar, o Senhor, soprando toda a noi­ Senhor, e disseram: Cantemos ao Se­
te um vento forte e ardente, o retirou nhor, porque fêz brilhar a sua gló­
e secou; e a água dividiu-se. 22E os ria; precipitou no mar o cavalo e o
filhos de Israel entraram pelo meio cavaleiro.
do mar enxuto; porque a água estava 20 Senhor é a minha fortaleza, e
como um muro à direita e à esquerda o meu louvor; e foi a minha salva­
dêles. ção. Êle é o meu Deus, e eu o glo-
Submersão dos Egípcios rificarei; o Deus de meu pai, e eu
o exaltarei.
23E os Egípcios, que os perseguiam, 30 Senhor é como um guerreiro;
entraram atrás dêles pelo meio do onipotente é o seu nome.
mar, e tôda a cavalaria de Faraó, os 4Precipitou no mar os carros de
seus carros e cavaleiros. 24*E já tinha Faraó e o seu exército; os melhores
chegado a vigília da manhã e eis que, dos seus capitães foram submergi­
olhando o Senhor para o acampa­ dos no mar Vermelho.
mento dos Egípcios por entre a co­ 5Os abismos os cobriram; foram
luna de fogo e de nuvem, destruiu o para o fundo como uma pedra.
seu exército, “ e transtornou as rodas °A tua dextra, Senhor, se assina­
dos carros, e êles eram levados para o lou pela fortaleza; a tua dqxtra, Se­
fundo (do m ar). Disseram, pois, os nhor, destruiu o inimigo.
Egípcios: Fujamos de Israel, porque 7E, na grandeza da tua glória,
o Senhor combate por êles contra nós. aniquilaste os teus adversários. En­
26E o Senhor disse, a Moisés: Estende viaste a tua ira, que os devorou
a tua mão sôbre o» mar, para que as como palha.
águas se voltem para os Egípcios, sô­ 8E, ao sôpro do teu furor, se a-
bre os seus carros,e os seus cava­ montoaram as águas; parou a onda
leiros. 27E Moisés, tendo estendido a em sua corrente; os abismos amon­
mão sôbre o mar, (êste) ao romper toaram-se no meio do mar.
da manhã, voltou para o lugar habi­ 90 inimigo tinha dito: Eu irei em
tual, e, fugindo os Egípcios, foram (seu) alcance, e (os) apanharei, re­
as águas sobre êles, e o Senhor os partirei os despoj os, satisfazer-se-á a
envolveu no meio das ondas. 28E as minha alma; desembainharei a mi­
águas voltaram, e cobriram os carros nha espada, a minha mão os matará.
e os cavaleiros de todo o exército de 10Soprou o teu espírito, e o mar os
Faraó, os quais, em seguimento (dos cobriu; foram submergidos como
Israelitas), tinham entrado no mar; chumbo nas águas impetuosas.
e não escapou um só dêles. 29Mas os “ Quem, dentre os fortes, é seme-
24. Tinha chegado a vigília da manhã. Os antigos Hebreus dividiam a noite em três
vigílias de quatro horas cada urna, começando a prim eira às 6 horas da tarde, e termi­
nando a última às 6 da manhã.
Gap. X V — 8 o s abismos, isto é, as ondas.
15 - 16 EXODO 93
lhante a ti, Senhor? Quem é seme­ garam a Mara, mas não podiam beber
lhante a ti, magnífico em santidade, as águas de Mara, porque eram amar­
terrível e louvável, operando prodí­ gas; por isto pôs àquele lugar um no­
gios? me conveniente, chamando-o Mara,
12Estendeste a tua mão, e a terra isto é, amargura. 24E o povo murmu­
os enguliu. rou contra Moisés, dizendo: Que ha­
13Fôste por tua misericórdia o guia vemos de beber? 25Êle, porém, cla­
do povo que resgataste; e o conduzis­ mou ao Senhor, o qual lhe mostrou
te com tua fortaleza para a tua san­ um pau; e, tendo-o lançado nas águas,
ta morada. elas se tornaram doces. A i lhe deu
14Levantaram-se os povos, e iraram- (D eus) preceitos e ordens, e ai o pos
se; as dores apoderaram-se dos habi­ à prova. 26E disse: Se obedeceres à
tantes da Palestina. voz do Senhor teu Deus, e fizeres o
15Então se perturbaram os príncipes que é reto diante dêle, e obedeceres
de Edom, e o temor apossou-se dos aos seus mandamentos, e guardares
valentes de Moab; todos os habitantes todos os seus preceitos, eu não man­
de Canaã ficaram gelados (de te rro r). darei sôbre ti nenhuma das enferm i­
16Venha sôbre êles o mêdo e o pa­ dades que mandei contra o Egito,
vor, à vista da grandeza do teu bra­ porque eu sou o Senhor que te sara.
ço; tornem-se imóveis como urna pe­
dra, até que passe o teu povo, ó Em Elim
Senhor, até que passe êste teu povo,
que adquiriste. 27Depois os filhos de Israel foram
17Tu os introduzirás, e os estabe­ a Elim, onde havia doze fontes de á-
lecerás no monte da tua herança, na gua e setenta palmeiras; e acampa­
tua firmíssima habitação, que tu fun­ ram junto das águas.
daste, ó Senhor, no teu santuário, Se­
nhor, que tuas mãos firmaram. N o deserto de Sin; queixas dos
180 Senhor reinará eternamente, e Israelitas
além da eternidade. 1 íj 7E partiram de Elim, e toda a
Resumo do Cântico
* . multidão dos filhos de Israel
foi para o deserto de Sin, o qual es­
19Porque Faraó a cavalo entrou no tá entre Elim e o Sinai, no décimo
mar com seus carros e seus cavalei­ quinto dia do segundo mês, depois
ros; e o Senhor fêz voltar sôbre êles que tinham saído da terra do Egito.
as águas do mar; porém os filhos de 2E toda a multidão dos filhos de Israel
Israel caminharam a pé enxuto pelo murmurou contra Moisés e Arão no
meio dêle. deserto. 3E os filhos de Israel disse­
ram-lhes: Antes fôssemos mortos na
Cântico de M aria e das Israelitas terra do Egito pela mão do Senhor,
“ Então Maria, profetisa, irmã de quando estávamos sentados junto às
Arão, tomou na mão um adufe; e saí­ panelas das carnes, e comíamos pão
ram tôdas as mulheres após ela com com fartura; por que nos trouxestes
adufes e em coros. a êste deserto, para matar à fom e tô-
21E ela em primeiro lugar cantava da esta multidão?
dizendo: Cantemos ao Senhor, porque Deus manda codornizes e m aná
fêz brilhar a sua glória; precipitou
no mar o cavalo e o cavaleiro. 4E o Senhor disse a Moisés: Eis
Em M ara as águas tornam-se doces ue vou fazer chover para vós pães
o céu; saia o povo, e colha o que
22Ora Moisés tirou Israel do mar baste para cada dia, a fim de que eu
Vermelho e sairam para o deserto de o ponha à prova (para v e r) se anda
Sur; e caminharam três dias no de­ ou não na minha lei. 5Mas, ao sexto
serto sem encontrar água. 23E che-31 dia, preparem o que tiverem levado; e
13. Para a tua santa morada. Referência à terra de Canaã, que já tinha sido santificada
por v árias aparições de Deus.
Cap. X V I — 5. Preparem , segundo o modo indicado nos Núm eros (X L 8).
94 ExODo 16
seja o dobro do que costumavam co­ que tinha colhido menos, encontrou
lher em cada dia. °E Moisés e Arão de menos; mas cada um tinha apa­
disseram a todos os filhos de Israel: nhado quanto podia comer. 19E Moi­
Esta tarde reconhecereis que o Se­ sés dfsse-lhes: Ninguém deixe dêle
nhor é quem vos tirou da terra do E- até (amanha) de manhã. 20Mas êles
gito; 7e pela manhã vereis a glória do não lhe deram ouvidos, e alguns con­
Senhor; porque êle ouviu as vossas servaram até de manhã, e êle come­
murrnurações contra o Senhor; nós, çou a ferver em vermes, e apodre­
porém, o que somos, para que murmu­ ceu; Moisés, pois, irou-se contra êles.
reis contra nós? 8E Moisés disse: O 21Cada um, pois, colhia pela manhã
Senhor vos dará esta tarde carnes quanto podia bastar para seu ali­
para comer, e pela manhã pães com mento; e, quando o sol fazia sentir
fartura, porque ouviu a vossa mur- os seus ardores, (o mana) derretia-se.
muração com que murmurastes con­ 22Mas no sexto dia, colheram êles
tra êle; porque nós o que somos? Não o dôbro daquele alimento, dois go-
são contra nós as vossas murmura- mores por cabeça, e todos os princi­
ções, mas contra o Senhor. 9Disse pais do povo foram dar parte disso
mais Moisés a Arão: Dize a tôda a a Moisés, 23o qual lhes disse: Isto é
multidão dos filhos de Israel: Apre- o que o Senhor ordenou: Amanhã é
sentai-vos diante do Senhor, porque o descanso de sábado consagrado ao
êle ouviu as vossas murrnurações. Senhor. Fazei (h oje) tudo o que ten­
10Ora, quando Arão ainda falava a des que fazer, e cozei o que tendes
tôda a multidão dos filhos de Israel, que cozer; e tudo o que sobejar,
olharam para o deserto; e eis que a guardai-o para amanhã. 24E fizeram
glória do Senhor apareceu no meio como Moisés ordenara, e (o maná)
da nuvem. não se corrompeu nem se acharam
nE o Senhor falou a Moisés, di­ vermes nêle. 25E Moisés disse: Co­
zendo: 12Eu ouvi as murrnurações mei-o hoje, porque é o sábado do
dos filhos de Israel; dize-lhes pois: Senhor; hoje (o maná) não se acha­
à tarde comereis carnes e pela ma­ rá no campo. ^Colhei-o durante seis
nhã sereis saciados de pães; e sabe­ dias; mas o dia sétimo é o sábado do
reis que eu sou o Senhor vosso Deus. Senhor, por isso se não encontrará.
13Aconteceu, pois, de tarde virem co- 27E chegou o sétimo dia; e, tendo
dornizes, que cobriram os acampa­ saído alguns do povo a apanhá-lo,
mentos; e pela manhã havia uma ca­ não o encontraram. “ E o Senhor
mada de orvalho em roda dos acam­ disse a Moisés: Até quando recusa­
pamentos. 14E, tendo coberto a su­ reis guardar os meus mandamentos
perfície da terra, apareceu no deser­ e a minha lei? ^Considerai que o Se­
to uma coisa miúda, e como pisada nhor vos deu o sábado (para guar­
num almofariz, à semelhança de gea­ dar), e que por isso vos dá ao sexto
da sôbre a terra. 15Tendo visto isto dia duplo sustento; cada um este­
os filhos de Israel disseram entre si: ja na sua tenda, ninguém saia do
Manhu? que significa: Que é isto? seu lugar no sétimo dia. "E o povo
Porque não sabiam o que era. E Moi­ observou o repouso do sétimo dia.
sés disse-lhes: Êste é o pão que o Aspecto do maná
Senhor vos dá para comer.
31E a casa de Israel deu àquele ali­
Prescrições de Deus relativas ao maná mento o nome de Man; e era como
a semente de coentro, branco, e o
16Eis o que o Senhor ordenou: Ca­ seu sabor como o da farinha (amas­
da um colha dêle quanto baste para sada) com mel.
seu alimento; tomai um gomor por
cabeça, conforme o número das vos­ Gomor conservado no Tabernáculo
sas almas, que habitam em cada ten­ 32E Moisés disse: Eis o que orde­
da. 17E os filhos de Israel assim fi­ nou o Senhor: Enche um gomor dê-
zeram; e apanharam uns mais, ou­ le, e guarde-se para as gerações fu­
tros menos. 18E mediram-no por um turas, a fim de que saibam com que
gomor; e nem o que tinha ajuntado pão vos sustentei no deserto, quando
mais tinha maior quantidade, nem o fôstes tirados da terra do Egito. "E
16 - 18 ExoDO 95
Moisés disse a Arão: Toma um vaso, Ataque dos Amalecitas e vitória
o mete nêle maná, quanto pode con­ alcançada sôbre êles
ter um gomor; e põe-no diante do 8Ora Amalec veio e pelejava con­
Senhor, para se conservar pelas vos­ tra Israel em Rafidim. 9E Moisés
sas gerações, “ como o Senhor or­ disse a Josué: Escolhe homens e vai
denou a Moisés. E Arão o pôs no ta- combater contra Amalec; amanhã
bernáculo para ser conservado. estarei no cimo da colina, tendo na
Duração do maná minha mao a vara de Deus. 10Fêz
Josué como Moisés tinha dito, e com­
38E os filhos de Israel comeram bateu contra Amalec; e Moisés e
maná durante quarenta anos, até Arão e Hur subiram ao cimo da co­
chegarem a um país habitado; com lina. nE, quando Moisés tinha as
esta comida se alimentaram até che­ mãos levantadas, Israel vencia, mas,
garem aos confins do país de Canaã. se as abaixava um pouco, Amalec le­
30O gomor é a décima parte do efi. vava vantagem. 12Ora os braços de
Moisés estavam fatigados; tomando
Em Rafidim Moisés faz sair água portanto uma pedra, puseram-na
dum rochedo por debaixo dêle, na qual se sentou;
1 7 ^endo, pois, partido tôda a e Arão e Hur sustentavam-lhe os
braços de ambas as partes. E aconte­
11 multidão dos filhos de Israel ceu que os seus braços não se fatiga-
do deserto de Sin, e feito as suas pa­ ram até ao pôr do sol. 13E Josué pôs
ragens segundo a ordem do Senhor, em fuga Amalec e a sua gente, e os
acamparam em Rafidim, onde não passou ao fio da espada. 14E o Se­
havia água de beber para o povo, 2o nhor disse a Moisés: Escreve isto no
qual, murmurando contra Moisés, livro para memória, e faze-o saber
disse: Dá-nos água para bebermos. a Josué, porque eu hei de extinguir
Moisés respondeu-lhes: Por que mur­ a memória de Amalec de debaixo do
murais contra mim? Por que tentais céu. 15E Moisés edificou um altar, e
ao Senhor? 8Portanto aí mesmo, por pôs-lhe êste nome: o Senhor é a mi­
causa da falta de água, o povo teve nha glória, e disse: 1#Porque a mão
sêde, e murmurou contra Moisés, di­ do trono do Senhor, e a guerra do
zendo: Por que nos fizeste sair do Senhor será contra Amalec, de ge­
Egito, para nos fazer morrer à sêde ração em geração.
a nós e aos nossos filhos e aos nos­
sos animais? 4E Moisés clamou ao Visita de Jetro a Moisés
Senhor, dizendo: Que farei eu a ês-
te povo? Pouco falta que êle me não 10 xOra, tendo ouvido Jetro, sa-
apedreje. 5E o Senhor disse a Moi­ cerdote de Madian, sogro de
sés: Caminha adiante do povo, e to­ Moisés, tudo o que Deus tinha feito
ma contigo alguns dos anciãos de a Moisés e a Israel seu povo, e co­
Israel, e toma na tua mão a vara mo o Senhor tinha tirado Israel do
com que feriste o rio, e vai. #Eis que Egito, 2tomou Séfora, mulher de
eu estarei lá diante de ti sôbre a Moisés, a qual êle lhe tinha deixado,
pedra de Horeb; e ferirás a pedra, 3e os dois filhos dela, um dos quais
e dela sairá água, para que o povo se chamava Gersão, por seu pal ter
beba. Moisés assim fêz na presença dito: Eu fui peregrino numa terra
dos anciãos de Israel. 7E pôs àquele estrangeira, 4e o outro (se chamava)
lugar o nome de Tentação, por cau­ Eliezer, por seu pai ter dito: O Deus
sa da murmuração dos filhos de Is­ de meu pai foi o meu defensor, e me
rael, e porque êles tentaram ao Se­ salvou da espada de Faraó. “Foi,
nhor, dizendo: O Senhor está no pois, Jetro, sogro de Moisés, com
meio de nós, ou não?3 6 seus filhos e sua mulher, ter com
36. G o m o r , é um vaso com a capacidade de pouco mais de três litros.
Cap. X V I I — 2. P o r q u e t e n t a i s a o S e n h o r que tantas vêzes vos tem socorrido, e
quereis que fa ç a um novo milagre para vos m ostrar que está no meio de vós?
16. P o r q u e a m ã o . . . O hebraico diz: P o r q u e l e v a n t o u a m ã o c o n t r a o t r o n o de
Y a h io e h , Yahvoeh e s ta rá em g u e rra c o n tr a A m a le c de g e ra ç ã o em g e ra ç ã o .
96 ExODO 18 - 19
Moisés ao deserto, onde êle estava êste trabalho é sôbre as tuas forças,
acampado junto ao monte de Deus. e tu só não o poderás aturar. 10Mas
6E mandou dizer a Moisés: Eu, Je- ouve minhas palavras e conselhos,
tro, teu sogro, venho ter contigo e Deus será contigo. Sê mediador do
com tua mulher e os teus dois fi­ povo naquelas coisas que dizem res­
lhos com ela. peito a Deus, para lhe expores os pe­
7Moisés, saindo ao encontro de seu didos que lhe são dirigidos, ^e pa­
sogro, prostrou-se (diante dele), e o ra ensinares ao povo as cerimônias e
beijou; e saudaram-se mütuamente 0 modo de honrar a Deus, e o cami­
com palavras amigas. E, tendo en­ nho por onde devem andar, e as obras
trado na tenda, 8Moisés contou a seu que devem fazer. 21Mas escolhe en­
sogro tudo o que o Senhor tinha fe i­ tre todo o povo homens capazes e te­
to contra Faraó e os Egípcios, por mentes a Deus, nos quais haja verda­
causa de Israel; e todo o trabalho de, e que aborreçam a avareza; faze
que lhe sobreviera no caminho, e co­ dêles tribunos e centuriões, e chefes
mo o Senhor os tinha livrado. 9Jetro de cinqüenta e de dez homens, 22os
alegrou-se por todos os bens que o quais julguem o povo em todo o tem­
Senhor tinha feito a Israel, e por­ po, e te dêem conta das coisas mais
que o tinha livrado da mão dos Egíp­ graves, e êles julguem somente as coi­
cios, 10e disse: Bendito (seja) o Se­ sas menos graves. Desta sorte o pêso
nhor, que vos livrou da mão dos ue te oprime será mais leve, sen-
Egípcios, e da mão de Faraó, e que o repartido com outros. 23Se fize­
livrou o seu povo da mão do Egito. res isto, cumprirás a ordem de Deus,
"A g o ra conheci que o Senhor é gran­ e poderás executar os seus preceitos;
de sôbre todos os deuses; porque e todo êste povo voltará em paz para
aquêles (Egípcios) trataram êstes as suas moradas. 24Moisés, tendo ou­
(Israelitas) com soberba. 12Jetro, vido isto, fêz tudo o que seu sogro lhe
pois, sogro de Moisés, ofereceu a sugerira. 25E, tendo escolhido entre
Deus holocaustos e hóstias; e Arão todo o povo de Israel homens de va­
e todos os anciãos de Israel vieram lor, constituiu príncipes do povo, tri­
comer com êle diante do Senhor. bunos, e centuriões, e chefes de cin­
qüenta, e de dez homens. “ E êles fa ­
Moisés ju lga o povo durante ziam ‘justiça ao povo em todo o tem­
um dia inteiro po; e davam conta a Moisés de todas
13E, no dia seguinte, Moisés as­ as coisas mais graves, julgando êles
sentou-se para julgar o povo, que somente as mais fáceis. 27E Moisés
estava em volta de Moisés, desde ma­ despediu-se de seu sogro, o qual par­
nhã até à tarde. 14E seu sogro, ten­ tiu e voltou para o seu país.
do visto tudo o que êle fazia com Chegada ao Sinai
o povo, disse: Que é isto que fazes
com o povo? Por que te sentas só 1Q 2N o terceiro mês, depois da saí-
tu (no tribunal), e todo o povo es­ da dos Israelitas da terra do
tá esperando desde manhã até à tar­ Egito, neste dia chegaram ao deser­
de? 15Moisés respondeu-lhe: O povo to do Sinai. 2Porque, tendo parti­
vem a mim para ouvir a sentença de do do Rafidim, e chegando ao deser­
Deus. 16E, quando entre êles nasce to do Sinai, acamparam naquele mes­
alguma contenda, vêm ter comigo, mo lugar, e Israel levantou aí as suas
para que eu julgue entre êles, e tendas defronte do monte.
lhes mostre os preceitos de Deus e Os Israelitas prometem fidelidade
as suas leis. à aliança que Deus lhes propôs
Jetro aconselha-lhe que escolha
auxiliares 3E Moisés subiu (para ir falar) a
Deus, e o Senhor o chamou do monte,
17Mas Jetro disse: Não fazes bem. e disse: Dirás estas coisas à casa de
18Consomes-te com um trabalho vão, Jacó, e anunciarás aos filhos de Is­
a ti e a êste povo que está contigo; rael: 4Vós mesmos vistes o que eu
12. Comer com êle a carne das vitimas.
19 - 2u EXODO 97

fiz aos Egípcios, de que modo vos lãmpagos, e uma nuvem muito espês-
trouxe sôbre asas de águia, e vos to­ sa cobriu o monte, e o som duma
mei para mim. 5Se, portanto, ouvir­ trombeta atroava muito forte; e o po­
des a minha voz, e observardes a mi­ vo que estava no acampamento ate­
nha aliança, sereis para mim a porção morizou-se. 17E, quando Moisés os
escolhida dentre todos os povos; por­ conduziu fora do acampamento (para
que tôda a terra é minha. °E sereis irem ) ao encontro de Deus, pararam
para mim um reino sacerdotal, e uma nas fraldas do monte. l8E todo o mon­
nação santa. Estas são as palavras que te Sinai fumegava, porque o Senhor
dirás aos filhos de Israel. tinha descido sôbre êle no meio de
7Moisés foi, e, convocados os an­ fogo, e dêle, como duma fornalha, se
ciãos do povo, expôs tudo o que o Se­ elevava fumo, e todo o monte causa­
nhor tinha mandado. 8E todo o po­ va terror. 19E o som da trombeta ia
vo respondeu a uma voz: Faremos tu­ aumentando pouco a pouco, e se es­
do o que o Senhor disse. E Moisés palhava mais ao longe. E Moisés fa­
tendo referido ao Senhor as palavras lava, e Deus resçonaia-lhe.
do povo, 9o Senhor disse-lhe: breve- ^O Senhor, pois, desceu sôbre o
mente virei a ti na escuridão duma monte Sinai, no cimo mesmo do mon­
nuvem, para que o povo me ouça te, e chamou Moisés ao mais alto dê­
quando te falo, e te creia para sempre. le. E, tendo lá subido, 21(o Senhor)
disse-lhe: Desce e notifica ao povo,
Preparação do povo para a descida não suceda que, para ver o Senhor,
de Deus sobre o Sinai queira passar os limites, e pereça um
Moisés, pois, referiu as palavras do grande número dêles. 22Os sacerdotes
povo ao Senhor, 10o qual lhe disse: Vai também que se aproximam do Senhor,
ter com o povo, e santifica-o hoje e a- santifiquem-se para que êle não os fi­
manhã, e lavem os seus vestidos, ue ra (de m orte). 23E Moisés disse ao
estejam preparados para o terceiro Senhor: O povo não poderá subir ao
dia; porque, no terceiro dia, o Senhor monte Sinal, visto que tu intimaste e
descerá a vista de todo o povo sôbre ordenaste, dizendo: Põe limites ao re­
o monte Sinai. 12E tu fixarás em dor do monte, e santifica-o. 24E o
roda limites ao povo, e lhes dirás: Senhor disse-lhe: Vai, e desce, e (em
Guardai-vos de subir ao monte, nem seguida) subirás tu, e Arão contigo;
toqueis nos seus limites; todo o que os sacerdotes, porém, e o povo não ul­
tocar o monte será punido de morte. trapassem os limites, nem subam pa­
13Mão alguma o tocará, mas (quem ra o Senhor, não suceda que êle os
o tocar) será apedrejado ou trespas­ mate. “ E Moisés desceu ao povo, e
sado com setas, quer seja uma bês- referiu-lhes tudo.
ta, quer seja um homem, não viverá; O Decálogo
quando começar a soar a trombeta,
então subam ao monte. 14E Moisés des­ 2(1 7E o Senhor pronunciou tôdas
ceu do monte para o povo e o santi­ estas palavras: 2Eu sou o Se­
ficou. E, depois de terem lavado os nhor teu Deus, que te tirei da terra
seus vestidos, 1Sdisse-lhes: Estai pre­ do Egito, da casa da servidão.
parados para o terceiro dia, e não 3Não terás outros deuses diante de
vos chegueis a vossas mulheres. mim. 4Não farás para ti imagem de
Aparição de Deus sôbre o Sinai escultura, nem figura alguma do que
há em cima no céu, e do que hâ em
16Já tinha chegado o terceiro dia, baixo na terra, nem do que há nas
e raiava a manhã, e eis que começa­ águas debaixo da terra. 5Não adora­
ram a ouvir-se trovões, e a fuzilar re- rás tais coisas, nem lhes prestarás cul-
Cap. X IX — 4. sôbre asas de águia. O Deuteronômio (X X X II, 11) desenvolve mais
esta frase.
13. M ão alguma tocará aquêle que tiver tocado o monte ou ultrapassado os limites
fixados, pois é um sacrílego e um imundc
Cap. X X — 5. Q>ue vinga a iniqilidade. Deus, a fim de mais eficazmente levar os
Israelitas à observância da lei, am eaça cast igá-los nos seus filhos, que são o que êles
têm de mais caro.

4 - B íblia Sagrada
98 EXODO 20 - 21
to; eu sou o Senhor teu Deus forte e Fala-nos tu, e nós ouviremos; não nos
zeloso, que vinga a iniquidade dos pais fale o Senhor, não suceda morrermos.
nos filhos, até à terceira e quarta ge­ 20E Moisés disse ao povo: Não temais,
ração daqueles que me odeiam; °e porque Deus veio para vos provar,
que usa de misericórdia até mil (g e­ e para que o seu temor esteja em
rações) com aquêles que me amam e vós, e não pequeis. mO povo, pois, fi­
guardam os meus preceitos. cou longe; e Moisés aproximou-se da
7Não tomarás o nome do Senhor escuridão, em que Deus estava.
teu Deus em vão; porque o Senhor
não terá por inocente aquêle que to­ Como deve ser construído o altar
mar em vão o nome do Senhor seu 22E o Senhor disse mais a Moisés:
Deus. Dirás estas coisas aos filhos de Israel:
8Lembra-te de santificar o dia de Vós vistes que eu vos falei do céu.
sábado. °Trabalharás durante seis 23Não fareis para vós deuses de prata,
dias, e farás (neles) tôdas as tuas o- nem deuses de ouro. 24Far-me-eis um
bras. 10O sétimo dia, porém, é o sá­ altar de terra, e oferecereis sôbre êle
bado do Senhor teu Deus; não farás os vossos holocaustos e as vossas hós­
nêle obra alguma, nem tu, nem teu tias pacíficas, as vossas ovelhas e bois
filho, nem tua filha, nem o teu servo, em todo o lugar onde se fizer memó­
nem a tua serva, nem o teu gado, nem ria do meu nome; eu virei *a ti, e te
o peregrino que está dentro das tuas abençoarei. “ Se, porém, me edifica-
portas. "Porque o Senhor fêz em seis res algum altar de pedra, não o edifi-
dias o céu e a terra, e o mar, e tudo carás de pedras lavradas; porque, se
o que nêles há, e descansou ao sétimo levantares sôbre êle o cinzel, ficará
dia; por isso o Senhor abençoou o dia poluto. “ Não subirás por degraus ao
de sábado e o santificou. meu altar, para que não se descu­
12Honra teu pai e tua mãe, a fim bra a tua nudez.
de que tenhas uma vida dilatada so­
bre a terra que o Senhor teu Deus te Leis relativas aos escravos
dará.
13Não matarás. 21
JEstas são as leis judiciais, que
14Não cometerás adultério. tu lhes proporás:
15Não furtarás. 2Se comprares um escravo hebreu,
10Não dirás falso testemunho con­ êle te servirá seis anos; e, ao sétimo,
tra o teu próximo. sairá forro de graça. 3Com o mesmo
"N ão cobiçarás a casa do teu pró­ vestido com que entrar, com tal sairá;
ximo; não desejarás a sua mulher, se tiver mulher, também a mulher
nem o seu servo, nem a sua serva, sairá juntamente com êle. 4Mas, se o
nem o seu boi, nem o seu jumento, senhor lhe tiver dado mulher, e ela
nem coisa alguma que lhe pertença. tiver dado à luz filhos e filhas, a mu­
lher e seus filhos serão do seu senhor,
Terror do povo em presença dos e êle sairá com o seu vestido. 5Po-
prodígios da aparição rém, se o escravo disser: Eu tenho a-
18Ora, todo o povo ouvia os trovões mor ao meu senhor e à minha mulher
e o som da trombeta, e via os relâm­ e aos meus filhos, não quero sair fo r­
pagos e o monte fumegando;- e, ater­ ro, °então o senhor o fará comparecer
rorizados e abalados com o pavor, pa­ diante de Deus, e o fará encostar à
raram ao longe, 19dizendo a Moisés:6 2 porta e às ombreiras, e lhe furará a
26. N ã o s u b irá s por d e g ra u s , m as por um plano inclinado. E sta determinação è
completada no capitulo X X V II, 42-43. Devemos ver nestas p alavras o quanto Deus de­
seja que observemos a santa modéstia:
Cap. X X I — 2. U m Hebreu podia tornar-se escravo doutro Hebreu, ou porque êle próprio
se vendia por causa de sua pobreza (L e v ., X X V , 39), ou porque, tendo roubado, nfto podia res­
tituir (Ê x ., X X II, 3 ), ou por ser devedor insolvente (L e v ., X X V , 39; I V Reis, IV , 1 ). Em
qualquer caso, porém, nfto podia ser obrigado a servir m ais de seis anos completos.
3. C o m o m e s m o v e s t i d o . . . o original diz: S e e n t r a r s ó (sem m ulher), s a i r á s ó .
4. E ê l e s a i r á c o m o s e u v e s t i d o . N o original: E ê le s a i r á s ó .
6. D i a n t e d e D e u s , isto é, diante dos juizes, representantes de Deus (X X II, 8 -9), pe­
rante os quais o escravo declarava renunciar p ara sempre à sua liberdade. Depois disto
21 EXODO 99

orelha com uma sovela; e êle ficará uma pedra ou com o punho, e êle
seu escravo para sempre. 7Se algum não morrer, mas fô r para o leito, 10se
vender sua filha para ser serva, esta êle (depois) se levantar, e andar por
não sairá como costumam sair as es­ fora encostado ao seu bordão, será
cravas. 8Se ela desagradar aos olhos (declarado) inocente o que o feriu,
de seu senhor, a quem tinha sido en­ com a condição, porém, de que o
tregue, despedi-la-á; porém não terá compense do seu trabalho (in terrom ­
direito de a vender a um povo estran­ pido) e das despesas feitas com os
geiro, se a rejeitar. 9Se, porém, a ca­ médicos. 120*O que ferir o seu escravo
*8
5
sar com seu filho, tratá-la-á como de ou a sua escrava com uma vara, e
ordinário se tratam as filhas. 10Mas, êles morrerem nas suas mãos, será
se êle dá outra espôsa a seu filho, réu de crime. “ Mas, se sobreviver um
proverá a serva de outras núpcias e dia ou dois, não ficará sujeito à pena,
de vestidos, e não lhe negará o preço porque é seu dinheiro. 22Se alguns
da sua virgindade. “ Se êle não fizer homens renhirem, e um dêles ferir
estas três coisas, ela sairá (liv re ) gra­ uma mulher grávida, e fô r causa de
tuitamente sem (pagar nenhum) di­ que aborte, mas ficando ela com vi­
nheiro. da, será obrigado a ressarcir o dano
Homicídio e direito de asilo
segundo o que pedir o marido da mu­
lher, e os árbitros julgarem. 23Mas,
120 que ferir um homem, queren­ se se seguiu a morte dela, dará vida
do matá-lo, seja punido de morte. por vida. 24*ô lho por ôlho, dente por
13Aquêle, porém, que não armou cila­ dente, mão por mão, pé por pé. “ Quei­
das, mas (fo i) Deus (quem ) lho en­ madura por queimadura, ferida por
tregou nas suas mãos, eu te designa­ ferida, pisadura por pisadura. 26Se
rei um lugar no qual se deva re­ alguém ferir o ôlho do seu escravo
fugiar. 14Se alguém matar o seu pró­ ou da sua escrava, e os deixar cegos
ximo de caso pensado e à traição, tu (de um dos olhos), deixá-los-á ir li­
o arrancarás do meu altar para que vres pelo ôlho que lhes tirou. 27Se
morra. também fizer cair um dente ao es­
O que fere seus pais cravo ou à escrava, do mesmo modo
os deixará ir livres.
150 que ferir seu pai ou sua mãe,
seja punido de morte. Prejuízos causados pelos animais
domésticos
Rapto dum homem
28Se um boi ferir com as pontas
l8Aquêle que tiver roubado um ho­ um homem ou uma mulher, e morre­
mem, e o tiver vendido, convencido rem, será apedrejado, e não se come­
do crime, morra de morte. rão as suas carnes; mas o dono do
O que amaldiçoa seus pais boi será (declarado) inocente. 29Mas,
se o boi já marrava há algum tempo,
“ O que amaldiçoar seu pai ou sua e o dono foi avisado, e não o guar­
mãe, seja punido de morte. dou, e êle matar um homem ou uma
Lesões corporais mulher, o boi será apedrejado e o seu
dono será morto. 30Porém, se se lhe
18Se alguns homens se travarem de impuser uma multa, dará pela sua
razões, *e um ferir o seu próximo com vida tudo o que lhe fôr pedido. 31Se
o senhor conduzia-o à casa e furava-lhe um a orelha, fixando-a por alguns momentos à
porta ou às om breiras da porta, em sinal da união indissolúvel do escravo com a f a ­
m ília do seu senhor, o mesmo uso existia entre muitos outros povos.
13. Aquêle, porém, que não armou ciladas, mas involuntariamente matou urna pessoa
por um daqueles acidentes, em que se devem reconhecer os altos desígnios de Deus, tem
direito de fu gir e procurar asilo. A legislaç&o que se segue mostra o cuidado de Deus em
levar o seu povo a ter o máximo respeito pela vida do próximo.
21. Porque é seu dinheiro, porque é sua propriedade, e já fica castigado pelo fato de
ter perdido o escravo. A legislação dos Hebreus sôbre a escravatura é muitíssimo mais
humana que a de todos os outros povos.
24-25. N ã o interpretando à letra esta lei, os juizes m itigavam -na na prática, obrigando
o ofensor a uma reparação.
100 ExODO 21 - 22

o boi ferir com as pontas um rapaz dará o melhor que tiver no seu cam­
ou uma rapariga, o dono estará su­ po ou na sua vinha, segundo a ava­
jeito à mesma sentença. 32*Se aco­ liação do dano. °Se um fogo, alastran­
m eter um escravo ou uma escrava, do, encontrar espinhos, e se pegar às
pagará ao dono trinta siclos de pra­ medas dos trigos ou às searas que
ta, e o boi será apedrejado. ainda estão em pé nos campos, paga­
rá o dano aquêle que tiver acendido
Acidentes acontecidos a animais o fogo.
domésticos
Depósitos roubados ou deteriorados
33Se alguém abrir uma cisterna, ou
a cavar, e não a cobrir, e nela cair 7Se alguém confiar a um amigo di­
um boi ou um jumento, 34*o dono da nheiro, ou qualquer objeto para guar­
cisterna pagará o valor dos animais, dar, e fôr roubado aquêle que os re­
mas o animal morto será seu. “ Se o cebeu; e se o ladrão fôr encontrado,
boi de um homem ferir o boi de pagará o dôbro. 8Se o ladrão se não
outro, e êste morrer, venderão o boi encontrar, o dono da casa será obri­
vivo, e repartirão o valor, e dividi­ gado a comparecer diante de Deus, e
rão entre si o boi morto. 36Se, po­ jurará que não estendeu a mão à
rém, o dono sabia que o boi marrava coisa do seu próximo 9para o de-
já há algum tempo, e não o guar­ fraudar nem num boi, nem num ju­
dou, pagará boi por boi, e receberá mento, nem numa ovelha, nem num
inteiro o boi morto. vestido, nem em qualquer outra coi­
sa que se perdesse; a causa de am­
Roubos bos se levará ante os juizes; e, se
estes o condenarem, restituirá o dô­
0 9 ‘Se alguém roubar um boi, ou bro ao seu próximo. 10Se alguém der
“ “ roubar uma ovelha, e os ma­ a guardar ao seu próximo um ju­
tar ou vender, restituirá cinco bois mento, um boi, uma ovelha, ou ou­
por um boi, e quatro ovelhas por tro qualquer animal, e êste m orrer
uma ovelha. 2Se um ladrão for en­ ou se estropiar, ou fôr apanhado pe­
contrado forçando a porta ou esca­ los inimigos, sem que ninguém tenha
vando a parede da casa, e, sendo fe ­ visto, nintervirá o juramento, que
rido, morrer, aquêle que o feriu não êle não estendeu a mão à coisa do
será réu de morte. 8Se, porém, fêz seu próximo, e o dono aceitará o
isto depois de ter nascido o sol, co­ juramento, e o outro não será obri­
meteu um homicídio, e êle mesmo gado a idenizar. 12Mas, se a coisa
morrerá. Se (o ladrão) não tiver foi furtada, indenizará o dono do
com que pague o furto, será vendi­ prejuízo. 13Se foi devorada por uma
do êle mesmo. 4Se aquilo que êle fera, levar-lhe-á o que resta, e não
roubou fôr encontrado ainda vivo será obrigado a restituir.
junto dêle, quer seja um boi quer
seja um jumento, quer seja uma ove­ Empréstimos e aluguéis
lha, restituirá o dôbro. 140 que pedir ao seu próximo em­
Prejuízos nos campos e nas vinhas prestado alguma destas coisas, e ela
vier a estropiar-se ou a morrer na
5Se alguém danificar um campo ou ausência do dono, será obrigado a
uma vinha, e deixar que o seu gado restituir. 15Mas, se o dono se achou
ande a pastar nos campos alheios, presente não restituirá, principal­
32. Trinta siclos de prata, cêrca de 90 cruzeiros.
Cap. X X I I — 1. Cinco bois. .. quatro ovelhas. A razão desta diferença é provavelmente
a maior utilidade do b o i.
3. Depois de ter nascido o sol será réu de homicídio, visto que de dia lhe era mais
fácil defender-se do ladrão, sem recorrer à morte. Todavia, o texto original n&o se explica
sôbre a pena em que incorreu neste caso o homicida; parece deixar aos juizes a sua
determinação.
14-15 Havendo prejuízo na ausência do dono, o locatário devia pagar, pois supõe-se
que houve descuido da sua parte. Estando o dono presente, era êste que tinha a res­
ponsabilidade dos seus animais, e por isso o locatário nada pagava.
22 - 23 EXODO 101
mente se a tinha tomado pagando o Primicias e primogênitos
seu aluguel. 29Não tardarás em pagar os teus
Sedução duma virgem dízimos e as tuas primicias, e dar-me-
-ás o primogênito de teus filhos. "O
16Se alguém seduzir uma donzela, mesmo farás dos bois e das ovelhas;
que ainda não está desposada, e dor­ esteja (o prim ogênito) sete dias com
mir com ela, dotá-la-á, e a tomará sua mãe, e no oitavo dia oferecer-
por mulher. 17Se o pai da donzela -mo-ás.
não lha quiser dar, pagará tanto di­ 31Vós sereis para mim homens san­
nheiro, quanto as donzelas costumam tos; não comereis carne que já tenha
receber em dote. sido provada pelos animais selváticos,
M agia mas deitá-la-eis aos cães.
18Não deixarás viver os feiticeiros. Calúnia e falso testemunho
Bestialidade O? JNão admitirás palavra de men-
tira (contra o p róxim o) nem
19Aquêle que pecar com uma bêsta, cederás a tua mão para dizeres um
seja punido de morte. falso testemunho a favor do ímpio.
Idolatria 2Não seguirás a multidão para fazer
o mal, nem em juízo te unirás ao pa­
“ Aquele que sacrificar aos deuses, recer do maior número, para te des­
à exceção só do Senhor, será morto. viares da verdade. 3Não terás tam­
Caridade p ara com os fracos bém compaixão do pobre em juízo.
21Não molestarás nem afligirás o Animais dum inimigo
estrangeiro, porque também vós fôs- 4Se encontrares o boi do teu ini­
tes estrangeiros na terra do Egito. migo ou o (seu) jumento desgarrado,
22Não fareis mal algum à viúva nem leva-lhos. 5Se vires o jumento do
ao órfão. 23Se os ofenderdes, êles gri­ que te odeia caído debaixo da carga,
tarão por mim, e eu ouvirei o seu não passarás adiante, mas ajudá-lo-
clamor; 24e o meu furor se acen­ -ás a levantá-lo.
derá, e eu vos exterminarei à espa­
da, e as vossas mulheres ficarão viú­ Juizes
vas, e os vossos filhos, órfãos. 25Se °Não te desviarás no julgamento do
emprestares dinheiro ao meu povo
pobre, que habita contigo, não o aper­ pobre. 7Fugirás à mentira. Não farás
tarás como um exator, nem o oprimi­ morrer o inocente nem o justo, por­
rás com usuras. 26Se receberes do teu que eu aborreço o ímpio. 8Não acei­
próximo em penhor a sua capa, tu tarás presentes, os quais fazem cegar
lha darás antes do sol pôsto, 27porque ainda os prudentes, e subvertem as
ela é a sua única cobertura, o úni­ palavras aos justos. 9Não serás mo­
co vestido da sua carne, nem tem lesto ao estrangeiro, ‘ porque vós sa­
outro com que dormir. Se êle cla­ beis o que é ser estrangeiro, pois que
mar por mim, ouví-lo-ei, porque sou também fôstes estrangeiros na terra
misericordioso. do Egito.
O ano sabático e o sábado
M agistrados
10Durante seis anos semearás a tua
28Não dirás mal dos juizes, e não terra, e recolherás os seus frutos.
amaldiçoarás o príncipe do teu povo.8
2 “ Mas, no sétimo anor a deixarás e a
28. o p r í n c i p e , isto é, o que representa a autoridade suprema.
Cap. X X I I I — 3. N ã o t e r á s t a m b é m c o m p a i x ã o . . . N os julgamentos sòrnente se deve a -
tender à justiça, e a compaixão para com o pobre de modo algum deve levar a urna
sentença parcial, em seu favor e contra os ricos.
6. N ã o t e d e s v i a r á s . .. o original diz: N ã o f a r á s d o b r a r o d i r e i t o d o p o b r e n o s e u
p ro c e ss o . . .
7. A b o r r e ç o o ím p io . O original diz: E u não a b s o lv e r e i o ím p io , isto é, o juiz culpado
de in justiça.
102 ÊXODO 23 - 24
farás descansar, para que os pobres que te digo, eu serei inimigo dos
do teu povo comam (os frutos es­ teus inimigos, e eu afligirei os que
pontâneos d ela ); e os animais comam te afligem. 23E o meu anjo cami­
o que restar (no ca m p o); isto mes­ nhará adiante de ti, e te introduzirá
mo praticarás com a tua vinha e com na terra dos Amorreus, e dos He-
o teu olival. 12Trabalharás seis dias; teus, e dos Ferezeus, e dos Cananeus,
ao sétimo dia descansarás, para que e dos Heveus, e dos Jebuseus, os
descanse o teu boi e o teu jumento, quais eu exterminarei. “ Não adora­
e (para que) o filho da tua escrava rás os seus deuses, nem os servirás;
e o estrangeiro tenham algum alívio. não farás o que êles fazem, mas des-
trui-los-ás, e quebrarás as suas está­
Nomes dos deuses estranhos
tuas.
13Observai tudo o que vos tenho “ Servireis ao Senhor vosso Deus,
dito. Não jurareis pelo nome de deu­ para que eu abençoe o teu pão e a
ses estrangeiros, nem (o. nome deles) tua água, e afaste de ti a enferm i­
se ouça da vossa bôca. dade. “ Não haverá na tua terra mu­
Festas de Israel lher infecunda nem estéril; eu en­
cherei o número dos teus dias.
“ Celebrareis festas três vêzes ca­ "E nviarei o meu terror diante de
da ano em minha honra. 15Observa- ti, e exterminarei todo o povo, em
rás a solenidade dos ázimos. Come­ cujas terras entrares, e farei que to­
rás, como eu te mandei, pães ázimos dos os teus inimigos voltem as cos­
durante sete dias, no mês dos trigos tas diante de ti, “ mandando adiante
novos, (que fo i) quando saíste do E - de ti vespas, que porão em fuga o
gito; não aparecerás em minha prè- Heveu, e o Cananeu, e o Heteu, an­
sença com as mãos vazias. 16(Obser­ tes da tua chegada.
varás) a solenidade da ceifa e das “ Não os expulsarei da tua face em
primícias do teu trabalho, de tudo o um (só) ano, para que a terra não
que tiveres semeado no campo; e fique reduzida a um deserto, e as fe ­
também a solenidade no fim do ano, ras não se multipliquem contra ti.
quando tiveres recolhido todos os “ Expulsá-los-ei pouco a pouco da tua
teus frutos do campo. 17Três vêzes vista, até que tu cresças e tomes pos­
no ano todos os varões comparece­
rão diante do Senhor teu Deus. 18Não se do país. "F ixa rei os teus limites
oferecerás o sangue da minha v íti­ desde o mar Vermelho até ao mar dos
ma com pão fermentado, nem a gor­ Filisteus, e desde o deserto até ao rio;
dura (da vítim a ) da minha solenida­ entregarei nas vossas mãos os habi­
de ficara até de manhã. 19*2L evarás à
1 tantes do país, e os expulsarei da
casa do Senhor teu Deus as primi- vossa vista.
cias dos frutos da tua terra. Não “ Não farás aliança com êles, nem
cozerás o cabrito no leite de sua mãe. com os seus deuses. “ Não habitem
na tua terra, para que te não façam
Bênçãos prometidas à observância pecar contra mim, servindo os seus
da Lei deuses; o que certamente seria para
ti um escândalo.
“ Eis que eu enviarei o meu anjo,
que vá adiante de ti, e te guarde pe­ Moisés é convidado a aproxim ar-se
lo caminho, e te introduza no lugar de Deus. Cerimônia da aliança
que preparei. "Respeita-o, e ouve a
sua voz, e vê que não o desprezes; OA TOsse também (D eus) a Moi-
porque êle não te perdoará, se pe­ sés: Sobe ao Senhor tu e Arão,
cares, e o meu nome está nêle. 22Se Nadab e Abiu, e os setenta anciãos
ouvires a sua voz, e fizeres tudo o de Israel, e adorareis de longe. 2E
19. N ão cozerás. .. Cozer um cabrito no leite que o tinha nutrido era um a espécie de
crueldade, que Deus proibiu p ara inspirar aos Israelitas o m aior am or pela mansidão.
21. o meu nome está nêle, representa a minha pessoa, o que êle disser, d i-lo em
meu nome.
26. E u encherei. . . isto é, dar-te-ei um a vida longa.
24 - 25 EXODO 103
só Moisés subirá ao Senhor; os outros e Josué, seu ministro, levantaram-se
não se aproximarão; nem o povo su­ e, subindo ao monte de Deus, 14Moi-
birá com êle. sés disse aos anciãos: Esperai aqui,
3Veio, pois, Moisés e referiu ao po­ até que voltemos a vós. Tendes cop-
vo tôdas as palavras do Senhor e vosco Arão e H ur; se sobrevier algu­
as leis; e todo o povo respondeu a ma questão, recorrei a êles. 15Tendo
uma voz: Nós observaremos tôdas Moisés subido, a nuvem cobriu o mon­
as palavras ditas pelo Senhor. 4E te, 16e a glória do Senhor pousou sô­
Moisés escreveu tôdas as palavras do bre o Sinai, cobrindo-o com a nuvem
Senhor; e, levantando-se de manhã, durante seis dias; e, ao sétimo dia,
erigiu um altar no sopé do monte, e Deus chamou Moisés do meio da escu­
doze padrões para as doze tribos de ridão (da nuvem ). 17Ora o aspecto
Israel. 5E enviou jovens dentre os da glória cio Senhor era como um fo­
filhos de Israel, e ofereceram os seus go ardente sôbre o cimo dó monte, à
holocaustos, e imolaram ao Senhor ví­ vista dos filhos de Israel. 18E, entran­
timas pacíficas, de novilhos. °E Moi­ do Moisés pelo meio da nuvem, subiu
sés tomou metade do sangue, e lan­ ao monte; e lá esteve quarenta dias
çou-o em taças; e derramou a outra e quarenta noites.
metade sobre o altar. 7E, tomando Ofertas para a construção do
o livro da aliança, o leu na presença tabernáculo
do povo, o qual disse: Faremos tudo
o que o Senhor disse, e seremos obe­ OC 7E o Senhor falou a Moisés di-
dientes. 8E (M oisés) tomou o sangue, zendo: 2Dize aos filhos de Is­
e derramou-o sôbre o povo, e disse: rael que me tragam as primícias; vós
Êste é o sangue da aliança que o Se­ as recebereis de todo o homem, que
nhor celebrou convosco, sôbre tôdas voluntàriamente as oferecer. 3É es­
estas palavras. tas são as coisas que deveis receber:
Moisés sobe.à montanha com os anciãos ouro, e prata, e cobre, 4jacinto e púr-
pura, escarlate tinto duas vêzes, e li­
°E Moisés e Arão, Nadab e Abiu, e nho fino, e pêlo de cabra, 5peles de
os setenta anciãos de Israel subiram. carneiros tintas de vermelho, e peles
10É viram o Deus de Israel; e debai­ tintas de roxo, e pau de cetim; •'azei­
xo dos seus pés (estava) como que te para acender as lâmpadas, aromas
uma obra de pedra de safira, que se para óleo de unção, e perfumes de
parecia com o céu, quando está sere­ bom cheiro; 7pedras de ônix, e (o u ­
no. nOra (D eu s) não estendeu a sua tras) pedras preciosas para adornar
mão sôbre aquêles dos filhos de Israel o efod e o racional. 8E me farão um
que se tinham apartado; e êles viram santuário, e eu habitarei no meio dê-
a Deus e comeram e beberam. les. 9(D evem fazê-lo) conforme em
tudo ao modêlo do tabernáculo, que
Moisés e Deus eu te m ostrarei; e ao de todos os seus
12E o Senhor disse a Moisés: Sobe vasos, para o culto; e o fareis dêste
para mim ao monte, e deixa-te estar modo:
aí; e eu te darei as tábuas de pedra, A arca da aliança
e a lei, e os mandamentos, que escre- 10Fazei um a arca de pau de cetim,
vi, para lhos ensinares. 13E Moisés cujo comprimento tenha dois côvados
Cap. X X I v — 8. S ô b r e t ô d a s e s t a s p a l a v r a s . A aliança celebrada baseia-se em tôdas
as palavras Que contem os preceitos de Deus, e a promessa feita pelo povo de as observar.
10. E v i r a m . .. A Escritura não indica nem se sabe ao certo sob que form a Deus se
manifestou. Dizem uns que se manifestou sob a form a dum a grande luz, outros, que sob
a form a humana. Ê, porém, tudo incerto.
11. N ã o e s t e n d e u a s u a m ã o , nfto fêz m al algum aos que, com sua permissão, se tinham
afastado do povo para se aproxim arem do monte. — c o m e r a m e b e b e r a m , isto é, tom aram
parte no banquete sagrado, que era costume fazer-se depois dos sacrifícios pacíficos.
Cap. X X V — 4. P ê l o d e c a b r a . N o oriente há cabras com o pêlo muito comprido e
fino, o qual é empregado no fabrico de panos fortes, que servem para cobrir as tendas.
5. P a u d e c e t i m , isto é, pau da a c á c i a n i l ó t i c a (L in n ). E m tôda a regifto do Sinai
é esta a única árvore que pode servir para construções.
7. E J o d e o r a c i o n a l (v e r a descrição no Cap. X X V III, 15-30).
104 ExODO 25

e meio, a largura côvado e meio, a al­ altura; e sôbre esta, outra coroa de
tura igualmente côvado e meio. 21Re- ouro. 26Farás também quatro argolas
vesti-la-as de ouro puríssimo por den­ de ouro, e as porás nos quatro cantos
tro e por fora; e farás sobre ela uma da mesma mesa, uma em cada pé.
coroa de ouro em roda; 12e (farás) 27As argolas de ouro estarão da parte
quatro argolas de ouro, que porás nos de baixo da coroa para se meterem
quatro cantos da arca: duas argolas por ela varais, e a mesa possa ser
dum lado, e duas doutro. 13Faras tam­ transportada. “ E farás varais de pau
bém varais de pau de cetim, e os co­ de cetim, e os cobrirás de ouro, e
brirás de ouro, 14e os farás passar servirão para transportar a mesa.
por dentro das argolas que estão aos ^Prepararás também pratos, copos, in-
lados da arca, a fim de que sirvam censorios e taças de ouro puríssimo,
para a transportar. 15Estarão sempre em que Se deverão oferecer as liba-
metidos nas argolas, e nunca se ti­ çoes. " E porás sempre sôbre a mesa os
rarão delas. 101
E porás na arca O tes­
7 pães da proposição na minha pre­
temunho que eu te hei de dar. sença.
O candeeiro de ouro
O Fropiciatório
âlFarás também um candeeiro de
17Farás também o propicíatório de ouro puríssimo, trabalhado a martelo,
ouro puríssimo; o seu comprimento a sua haste e os seus ramos, os copos,
terá dois covados e meio, e a largura e esferazinhas, e açucenas, que sairão
côvado e meio. 18Farás também dois dêle. 32Seis ramos sairão dos seus
querubins de ouro batido nas duas lados, três de úm lado e três do outro.
extremidades do oráculo. 19Um queru­ “ Em um ramo haverá três copos em
bim esteja dum lado, o outro do ou­ forma de nozes, com uma esferazinha
tro. “ E cubram ambos os lados do e uma açucena; e igualmente no ou­
propiciatório, estendendo as asas e co­ tro ramo três copos em form a de no­
brindo o oráculo, e estejam olhando zes, uma esferazinha e uma açucena;
um para o outro com os rostos volta­ assim serão formados os seis ramos,
dos para o propiciatório, com o qual que devem sair da haste. 34E no mes­
deve estar coberta a arca, 21na qual mo candeeiro haverá quatro copos
porás o testemunho,* que eu te hei de em forma de nozes, e em cada um a
dar. 22De lá te darei as minhas or­ sua esferazinha, e a sua açucena. “ H a­
dens, em cima do propiciatório, e do verá três esferazinhas em três lugares
meio dos dois querubins, que estarão da haste, e de cada uma sairão dois
sôbre a arca do testemunho, e te di­ ramos, e serão ao todo seis ramos
rei tôdas as coisas que por meio de saindo da mesma haste. “ As esfera­
ti intimarei aos filhos de Israel. zinhas, pois, e os ramos serão da mes­
A mesa dos pães da proposição ma peça (co m o candeeiro), tudo de
ouro finíssimo, trabalhado a martelo.
23Farás também uma mesa de pau 37Farás, além disso, sete lâmpadas
de cetim, que tenha dois côvados de e po-las-ás sôbre o candeeiro, a fim
comprimento, um côvado de largura, de que dêem luz para a frente. “ Tam ­
e côvado e meio de altura. 24E cobrí- bém os espevitadores e os vasos onde
-la-ás de ouro puríssimo, e far-lhe-ás se apague o morrão que se tiver tira­
uma moldura de ouro em roda, 25e do das lâmpadas, serão feitos de ouro
(porás) sôbre a mesma moldura uma puríssimo. 39Todo o pêso do candeeiro
coroa entalhada, de quatro dedos de com todos os seus vasos será um ta-
16. O testemunho, isto é, as tábuas da lei dadas por Deus a Moisés.
17. Propiciatório era a tam pa da arca, tendo o mesmo comprimento e largura. C ham a-
se assim, porque, com os querubins, como que form ava o trono donde Deus ouvia as orações
de Israel e se lhe tornava propicio.
18. Oráculo é um outro nome dado ao propiciatório, porque era dêle que Deus respondia
às consultas do pontífice.
30. Pães da proposição. Eram assim chamados por serem postos diante do Senhor como
homenagem que as doze tribos de Israel ofereciam a Deus. E ram substituídos por outros
todos os sábados, e sòmente os sacerdotes os deviam comer.
39. Ü m talento de ouro, isto é, cêrca de 43 quilogramas.
25 - 26 ExODO 105

lento de ouro puríssimo. 40Toma sen­ parte, e outro doutra, o qual sobeja
tido, e faze conforme o modêlo que te no comprimento das cobertas para
foi mostrado sobre o monte. cobrir os dois lados do tabernáculo.
“ Farás mais uma outra coberta para
O tabernáculo o tabernáculo, de peles .de carneiros
OC 20 tabernáculo, porém, fá-lo-ás tintas de vermelho; e sôbre esta u-
assim: Farás dez cortinas de ma outra coberta de peles de côr
roxa.
linho retorcido, e de jacinto, e de
púrpura, e de escarlate tinto duas Corno deve ser armado o tabernáculo
vêzes, as quais serão de bordado vário.
aO comprimento duma cortina será 15Farás também de pau de cetim
de vinte e oito côvados; a largura se­ as tábuas do tabernáculo, que hão de
rá de quatro côvados. Tôdas as corti­ estar levantadas. 10Cada uma delas
nas se farão da mesma medida. 3Cin- terá dez côvados de comprimento, e
co cortinas serão unidas entre si, e côvado e meio de largura. 17Nos lados
outras cinco serão unidas do mesmo de cada tábua far-se-ão dois encaixes,
modo entre si. “Farás umas presilhas com que cada tábua se una com a ou­
da côr de jacinto nos lados e extremi­ tra; e dêste modo se aparelharão tô­
dades das cortinas, para que se pos­ das as tábuas; 18vinte das quais esta­
sam unir umas às outras. 5Cada corti­ rão ao lado meridional, que olha para
na terá cinqüenta presilhas de cada o sul. 10Para elas farás fundir quaren­
lado, de tal sorte (dispostas) que uma ta bases de prata, de sorte que duas
presilha fique em frente da outra, e bases sejam postas sob cada tábua nos
possa uma ligar-se com a outra. •Fa­ dois ângulos. ^Estarão também vinte
rás também cinco argolas de ouro, tábuas no segundo lado do tabernâcu-
com as quais se devem juntar os pa­ lo, que olha para o aquilão, aten­
nos das cortinas, para que se form e do quarenta bases de prata; serão
um só tabernáculo. postas duas bases debaixo de cada
Cobertura do tabernáculo tábua.
22E para o lado ocidental do ta-
7Farás mais onze cobertas de pêlo bernáculo farás seis tábuas, “ e, além
de cabras, para cobrir a parte supe­ destas, mais duas, que se levantem
rior do tabernáculo. 80 comprimento nos ângulos do fundo do tabernáculo.
duma coberta terá trinta côvados, e a 24E (estas) tábuas estarão unidas des­
largura quatro; será igual a medida de baixo até cima, e todas encaixadas
de tôdas as cobertas. 9Juntarás cin­ umas nas outras. E a mesma união
co delas à parte, e unirás entre si as se observará com as duas tábuas, que
outras seis, de sorte que possas dobrar devem ser postas nos ângulos. WE se­
a sexta por diante do teto. 10Farás rão oito tábuas ao todo com dezesseis
também cinqüenta presilhas na oure- bases de prata, contando-se duas ba­
la duma coberta, para que possa li- ses para cada tábua. “ Farás também
gar-se com outra; e cinqüenta presi- uns barrotes de pau de cetim, cince
lhas na ourela desta, para que se una para conter as tábuas dum lado de
com a que lhe corresponde. uFarás tabernáculo, 27e outros cinco para c
também cinqüenta fivelas de bronze, outro lado, e outros tantos para o la­
por meio das quais se unam as presi­ do ocidental, 28os quais serão aplica­
lhas, para que de tôdas se faça uma dos pelo meio das tábuas duma ex­
só coberta. 12E a que sobejar das co­ tremidade à outra. ^Revestirás de ou­
bertas destinadas a cobrir o taberná­ ro as próprias tábuas, e pôr-lhes-ás u-
culo, que vem a ser uma coberta que mas argolas de ouro, pelas quais pas­
há de mais, com metade desta cobri­ sem os barrotes, que hão de segurar
rás a parte de trás do tabernáculo. as tábuas, e revestirás de ouro os bar­
13E ficará pendente um côvado duma rotes. 30E levantarás o tabernáculo
Cap. X X V I — 1. D e r e t o r c i d o , isto é, tecidos com fio de linho branco retorcido
lin h o
para serem mais fortes; e nestes fios brancos deviam ser enlaçados outros com a côr de
ja c in to , de p ú rp u ra , de de modo a form ar um b o r d a d o v a r i a d o , o qual, segundo
e s c a r la te ,
o original hebreu, devia representar q u e r u b i n s .
106 EXODo 26 - 27
conforme o modêlo que te foi mos­ o farás maciço, mas ôco e côncavo
trado no monte. por dentro, como te foi mostrado no
monte.
O véu entre o Santo e o O átrio
Santo dos Santos
'Farás também o átrio do taberná-
31Farás também um véu de côr de lo, de cujo lado austral, que olha
jacinto, e de púrpura, e de escarlate para o meio-dia, haverá cortinas de
tinto duas vêzes, e de linho fino re­ linho fino retorcido; êste lado terá
torcido, com lavôres de bordados, e cem côvados de comprimento. 10E
tecido com formosa variedade. 32E (farás) vinté colunas com outrás tan­
suspendê-lo-ás de quatro colunas de tas bases de bronze, que terão os ca­
pau de cetim, que serão revestidas de pitéis com os seus ornatos de prata.
ouro, e terão capitéis de ouro, e ba­ “ Da mesma sorte, também no lado
ses de prata. 33E o véu será suspen­ do aquilão pelo comprimento haverá
so por meio de argolas, e dentro dê- cortinas de cem côvados, vinte colu­
le porás a arca do testemunho, e por nas e outras tantas bases de bronze,
meio dêle serão divididos o Santo e e seus capitéis de prata com seus or­
o Santo dos Santos. 34Porás também natos. 12N a largura, porém, do átrio,
o propiciatório sôbre a arca do tes­ que olha para o ocidente, haverá cor­
temunho no Santo dos Santos. “ E tinas de cinqüenta côvados, e dez co­
(porás) a mesa tora do véu; e de­ lunas, e outras tantas bases. ‘'Tam ­
fronte da mesa o candeeiro, na parte bém na largura do átrio, que olha
meridional do tabernáculo; porque a para o oriente, haverá cinqüenta cô­
mesa estará do lado do aquilão. vados, “ ònde se porão dum lado cor­
tinas de quinze côvados, e três colu­
O véü à entrada do tabernáculo nas e outras tantas bases; 15e do ou­
,36Farás também para a entrada do tro lado haverá cortinas que tenham
tabernáculo um véu de jacinto, e de quinze côvados, três colunas e outras
púrpura, e de escarlate tinto duas vê­ tantas bases. lflN a entrada, pois, do á-
zes, e de linho retorcido, com lavôres trio, far-se-á uma coberta de vinte
de bordados. 37Êste véu estará sus­ côvados, de jacinto e de púrpura, de
penso de cinco colunas de pau de ce­ escarlate tinto duas vêzes, e de linho
tim, revestidas de ouro, cujos capitéis fino retorcido, com trabalho de bor­
serão de ouro, e as bases de bronze. dado; (na entrada) terá quatro colu­
nas com outras tantas bases. 17Tôdas
O altar dos holocaustos as colunas em volta do átrio serão re­
vestidas de lâminas de prata, com
0 7 7Farás também um altar de pau capitéis de prata e bases de bronze. lsO
“ 9 de cetim, o qual terá cinco átrio terá cem côvados de compri­
côvados de comprimento e outros mento, cinqüenta de largura, a altu­
tantos de largura, isto é, quadrado, e ra será de cinco côvados; (as suas
terá três côvados de altura. 2Nos qua­ cortinas) serão feitas de linho fino
tro cantos sairão dêle quatro pontas; retorcido, e terá as bases de bronze.
e o revestirás de cobre. 3E farás para Ji,Farás de bronze todos os vasos do
o seu serviço caldeiras para recolher tabernáculo para qualquer uso ou
as cinzas, e tenazes, e garfos, e bra­ cerimônias, e também as suas escápu-
seiro; farás de cobre todos êstes ins­ Ias e as do átrio.
trumentos. 4E (farás) uma grelha de Azeite para o candeeiro
bronze em forma de rêde, em cujos
quatro cantos haverá quatro argolas 20Ordena aos filhos de Israel que
de bronze, 5que colocarás sob a cha­ te tragam azeite de oliveiras o mais
miné do altar; e a grelha subirá até puro, espremido num almofariz, pa­
o meio do altar. 6Farás também para ra que arda sempre o candeeiro 21no
o altar dois varais de pau de cetim, tabernáculo do testemunho fora do
que revestirás de chapas de bronze, 7e véu, que está pendente diante do tes­
enfiá-los-ás pelas argolas, e estarão de temunho. E Arão e seus filhos o pre­
um e outro lado do altar, a fim de pararão, para que dê luz até pela ma­
servirem para o transportar. 8Não nhã diante do Senhor. Êste culto será
27 - 28 ExODO 107
perpétuo (prestado) pelos filhos de nas cadeias de ouro puríssimo ligadas
Israel de geração em geração. entre si, as quais meterás nos ganchos.
Vestes sacerdotais O racional
OQ 7Manda também vir junto de 15Farás também o racional do juí­
ti Arão, teu irmão, com seus zo com trabalho a muitas cores, te­
filhos, do meio dos filhos de Israel, cido, como o efod, de ouro, de jacin­
para que exerçam diante de mim to, e de púrpura, e de escarlate tin­
as funções do sacerdócio: Arão, Na- to duas vêzes, e de linho fino retor­
dab e Abiu, Eleazar e Itamar. 2E fa ­ cido. 16Será quadrado e dobrado; te­
rás uma veste sagrada para Arão, teu rá um palmo, tanto de comprimento
irmão, para (indicar a sua) dignida­ como de largura. "Engastarás nêle
de e para (lhe servir de) adorno. 3E quatro ordens de pedras; na primei­
falarás a todos os sábios de coração, ra ordem estará uma pedra sárdio,
a quem eu enchi do espírito de pru­ um topázio e uma esmeralda; 18na
dência, para que façam as vestes de segunda, um carbúnculo, uma safira
Arão com as quais, sendo santifica­ e um jaspe; 19na terceira, uma tur-
do, exercerá o meu sacerdócio. 4E queza, uma ágata e uma ametista;
estas são as vestes que hão de fazer: 20na quarta, um crisólito, uma ônix, e
O racional e o efod, o manto e a tú­ um berilo. Elas serão encastoadas
nica de linho estreita, a tiara e o em ouro, ordem por ordem. 21E te­
cíngulo. Farão estas vestes sagradas rão os nomes dos filhos de Israel; es­
para Arão, teu irmão, e para seus tarão nelas gravados doze nomes,
filhos, para que exerçam as funções em cada pedra o nome de uma das
do meu sacerdócio. 5E tomarão ouro, doze tribos.
e jacinto, e púrpura, e escarlate tinto 22Farás para o racional pequenas
duas vêzes, e linho fino. cadeias de ouro puríssimo, que se
O e fod
unam entre si, “ e duas argolinhas de
ouro, que porás nas duas extremida­
6E farão o efod de ouro, e de ja ­ des superiores do racional. 24E farás
cinto, e de púrpura, e de escarlate passar cadeiqs de ouro pelas argoli­
tinto duas vezes, e de linho fino re­ nhas, que estão nas extremidades dê-
torcido, obra tecida de várias côres. le; 25e adaptarás as extremidades
YO efod) terá nos dois lados das suas das mesmas cadeias a dois ganchos
extremidades duas aberturas unidas dum e doutro lado do efod, que cor­
de modo a formarem um (so vestido). responde ao racional. 20Farás tam­
8E o próprio tecido e tôda a variedade bém duas argolinhas de ouro, que
dos seus lavôres será de ouro, e de ja ­ porás nas extremidades (in feriores)
cinto, e de púrpura, e de escarlate do racional, nas ourelas que estão
tinto duas vêzes, e de linho fino re­ defronte do efod, e estão voltadas
torcido. 9E tomarás duas'pedras de para a parte de trás. 27E (farás),
ônix, e gravarás nelas os' nomes dos além disso, outras duas argolinhas
filhos de Israel: 10seis nomes numa de ouro, que se hão de pôr em baixo,
pedra, e os outros seis na outra, se­ aos dois lados do efod, que estão
gundo a ordem do seu nascimento. diante da juntura inferior, a fim de
nCom a obra de escultor e de lapi- que (o racional) possa adaptar-se ao
dário esculpirás nelas os nomes dos efod, 28e seja ligado com as suas ar­
filhos de Israel, tendo-as engastado golinhas às argolinhas do efod por
e metido em ouro; 12e pô-las-ás sôbre uma fita (c ô r) de jacinto, de modo
um e outro lado do efod, (para que que fique firm e o enlace feito com
sirvam) de memória aos filhos de Is­ arte, e o racional e o efod não pos­
rael. E Arão levará os seus nomes sam separar-se um do outro. “ E A-
diante do Senhor sôbre os seus dois rão, quando entrar no santuário, le­
ombros para lembrança. 13Farás tam­ vará os nomes dos filhos de Israel
bém ganchos de ouro, 14e duas peque­ no racional do juízo sôbre o peito,
Cap. X X v l I I — D o juízo. Estas p alavras indicam o uso que o Sumo Sacerdote fazia
do racional para consultar a Deus nos casos graves e duvidosos e obter a sua decisão.
108 EXODO 28 - 29
ara perpétua memória diante do gulos, e tiaras para (indicar a sua)
enhor. 300*E no racional do juízo po­
4
9 dignidade e (servir-lhes de) adorno;
rás (estas duas palavras) : Doutrina 41de tudo isto vestirás Arão, teu ir ­
e Verdade, as quais estarão sôbre o mão, e os seus filhos com êle. E sa­
peito de Arão, quando êle entrar à grarás as mãos de todos, e os santi-
presença do Senhor; e trará sempre ficarás, para que me exerçam o sa­
sôbre o seu peito o juízo dos filhos cerdócio. 4>Farás também calções de
de Israel na presença do Senhor. linho, para cobrirem a nudez da sua
carne, desde os rins até às coxas.
A túnica do efod
43Arão e seus filhos usarão dêles
3,Farás também a túnica do efod quando entrarem no tabernáculo do
tôda (de co r) de jacinto, 32*no meio testemunho, ou quando se aproxi­
da qual no alto haverá uma abertu­ marem do altar para servir no san­
ra para a cabeça, e em volta uma tuário, para que não morram como
orla tecida, como se costuma fazer réus de iniqüidade. Isto será uma lei
na ourela dos vestidos, para que (a perpétua para Arão e para a sua
túnica) se não rompa fàcilmente. posteridade depois dêle.
33Em baixo, porém, na extremidade Sagração dos sacerdotes
inferior da mesma túnica, farás ao
redor umas como romãs de jacinto, e OO xMas eis o que me farás tam-
de púrpura, e de escarlate tinto duas bém para que me sejam con­
vêzes, (tendo) misturadas pelo meio sagrados no sacerdócio. Toma um
campainhas, 34de sorte que haja uma novilho da manada, e dois carneiros
campainha de ouro e uma romã, e sem mancha, 2e pães ázimos, e uma
logo outra campainha de ouro e ou­ torta sem fermento, que seja amas­
tra romã. 35E Arão a vestirá nas sada com azeite, e filhós ázimos, un-
funções do seu ministério, para que tados com azeite; farás tôdas estas
se ouça o som ao entrar no santuá­ coisas de flor de farinha de trigo. 3E,
rio à presença do Senhor, e ao sair, depois de as ter posto num cêsto, as
e para que não morra. oferecerás; e (oferecerás ao mesmo
Lâm ina de ouro tem po) o novilho e os dois carnei­
ros. 4E farás aproximar Arão e seus
30Farás também uma lâmina de filhos da porta do tabernáculo do
ouro puríssimo, na qual farás abrir testemunho. E, depois que tiveres la­
por mão de gravador: Santidade do vado com água o pai e os seus f i­
Senhor. 37E atá-la-ás com uma fita lhos, 5revestirás Arão com as suas
de jacinto e estará sôbre a tiara, vestes, isto é, com a túnica de linho,
^dominando a fronte do pontífice. E com o manto, com o efod, e com o
Arão levará as iniqüidades cometi­ racional, que apertarás com o cíngu­
das pelos filhos de Israel em tôdas lo. °E pôr-lhe-ás a tiara na cabeça, e
as suas oblações, e nos dons que ti­ sôbre a tiara a lâmina santa. 7E der­
verem oferecido e consagrado. E esta ramarás sôbre a sua cabeça o óleo
lâmina estará sempre sôbre a sua da unção; e com êste rito será con­
fronte, para que o Senhor lhes seja sagrado. 8Farás também aproximar
propício. seus filhos, e os revestirás com as
Túnica estreita túnicas de linho e cingí-los-ás com
o cíngulo. 9Assim farás a Arão e aos
39E farás a túnica estreita de linho seus filhos, e lhes porás as mitras, e
fino, e farás a tiara de linho fino, e serão meus sacerdotes para um culto
o cíngulo será de bordado. perpétuo.
Vestes dos simples sacerdotes Vários sacrifícios ordenados
40Para os filhos de Arão, porém, Depois que tiveres sagrado as suas
prepararás túnicas de linho, e cín- mãos, 10farás aproximar também o
30. Trará o juízo, isto é, o racional do juízo.
38. E Arão levará as iniqüidades. . . Adornado com êste símbolo de pontífice e de
mediador entre Deus e o povo, levará sôbre si tôdas as faltas cometidas pelo povo no
culto de Deus, e im petrará perdão p ara e la s .
29 ÊXODO 109
novilho diante do tabernãculo do tes­ um bolo de pão, uma torta amassada
temunho, e Arão e seus filhos irnpo- em azeite, e um filho; 2,e porás to­
rão as mãos sôbre a sua cabeça, “ e tu das estas coisas sôbre as mãos de
o degolarás na presença do Senhor Arão e de seus filhos, e sacrificá-
junto da porta do tabernãculo do -las-ás, elevando-as diante do Senhor.
testemunho. 12E, tendo tomado do 25Depois receberás tôdas estas coisas
sangue do novilho, o porás com o das suas mãos, e queimá-las-ás sô­
teu dedo sôbre as pontas do altar, e bre o altar em holocausto, para chei­
o resto do sangue derramá-lo-ás ao ro suavíssimo diante do Senhor, por­
Pé dêle. que é a sua oblação. 26Tomarás tam­
bém o peito do carneiro imolado pa­
13Tomarás também tôda a gordura ra a sagração de Arão e santificá-
que cobre as entranhas, e o redenho -lo-ás, elevando-o diante do Senhor,
do fígado, e os dois rins, e a gordura e esta será a tua parte. 27*S antifica-
que está por cima dêles, e oferecerás rás também o peito consagrado e a
(tudo isto) queimando-o sôbre o al­ espádua que separaste do carneiro
tar; Hmas as carnes do novilho e o 28imolado para a sagração de Arão e
seu couro, e os excrementos quei- de seus filhos; e estas serão as por­
má-los-ás fora do acampamento, por ções de Arão e de seus filhos por um
ser (uma hóstia) pelo pecado. direito perpétuo entre os filhos de
15Tomarás também um carneiro, Israel; porque são as primícias e as
sôbre a cabeça do qual Arão e seus primeiras partes das vítimas pacífi­
filhos porão as mãos. 10E, depois de cas, que êles oferecem ao Senhor.
o teres degolado, tomarás do seu
sangue, e derramá-lo-ás em tôrno do Transmissão das vestes sagradas
altar. 17Depois cortarás o mesmo car­ aos sucessores de Arão
neiro em pedaços; e, lavados os in­
testinos e os pés, os porás sôbre as 29E as vestes santas de que Arão
carnes despedaçadas, e sôbre a sua usar, tê-las-ão seus filhos depois dê­
cabeça, 18e oferecerás todo o carnei­ le, para que, vestidos com elas, se­
ro queimando-o sôbre o altar; é urna jam ungidos, e as suas mãos sejam
oblação ao Senhor, um cheiro sua­ consagradas. ^Durante sete dias usa­
víssimo da vítima do Senhor. rá delas aquêle de seus filhos que
19Tomarás ainda outro carneiro, sô­ fôr constituído pontífice em seu lu­
bre cuja cabeça Arão e seus filhos gar, e que entrar no tabernãculo do
porão as mãos. ^E, depois de o te­ testemunho para ministrar no san­
res imolado, tomarás do seu sangue, tuário.
e pô-lo-ás na extremidade da orelha
direita de Arão e de seus filhos, e sô­ O banquete sagrado
bre os dedos polegares da sua mão
direita e do seu pé direito, e derra­ 31E tomarás o carneiro da sagra­
marás o sangue ao redor do altar. ção, e cozerás a$ suas carnes no lu­
21E, tendo tomado do sangue que es­ gar santo; 32e Arão e seus filhos as
tá sôbre o altar, e do óleo da unção, comerão. Comerão também à entra­
aspergirás (com ele) Arão e suas da do tabernãculo do testemunho os
vestes, seus filhos e suas vestes. E, pães que estão no cêsto, 33para que
depois de ter sagrado a êles e às seja um sacrifício propiciatório, e se­
suas vestes, 9 12tomarás a gordura do
*2 jam santificadas as mãos dos oferen-
carneiro e a cauda, a gordura que tes. O estrangeiro não comerá dêles,
cobre as entranhas, e o redenho do porque são coisas santas. 34Porém, se
fígado, e os dois rins, e a gordura sobrar das carnes consagradas, ou
que está por cima dêles, e a espádua dos pães até pela manhã, queimarás
direita, porque êste é o carneiro da no fogo o que restar; não se come­
sagração; 23(*tom arás) do cêsto dos rão (estas coisas), porque estão san­
ázimos que está diante do Senhor, tificadas:
Cap. X X IX — 20. E pô-lo-ás na extremidade da orelha. .. para indicar que o sacerdote
deve estar sempre pronto para ouvir a lei de Deus.
no ExoDO 29 - 30
Duração das cerimônias. pontas. 3E revestí-lo-ás de ouro pu­
Consagração do altar ríssimo, tanto a sua grelha, como
35Farás tudo isto que te mandei as paredes em roda, e as pontas. E
relativo a Arão e a seus filhos. Sa­ far-lhe-ás ao redor uma cornija de
grarás as suas mãos durante sete ouro, 4e duas argolas de ouro de cada
dias; 36e oferecerás cada dia um no­ lado por baixo da cornija, para se
vilho em expiação pelo pecado. De­ meterem por elas os varais e se trans­
pois que tiveres imolado a hóstia da portar o altar. 5Farás também os va­
expiação, purificarás o altar, e o rais de pau de cetim, e os dourarás.
ungirás para o santificar. 37Durante 8E porás o altar defronte do véu, que
sete dias purificarás o altar, e o san- pende diante da arca do testemunho,
tificarás, e êle será santíssimo; todo em frente do propiciatório que cobre
o que o tocar será santificado. o testemunho, onde eu te falarei.
Sacrifício perpétuo O uso do a ltar dos perfumes

38Eis o que sacrificarás sôbre o al­ 7E Arão queimará sôbre êle todas
tar: Dois cordeiros de um ano todos as manhãs um incenso de suave fra-
os dias perpètuamente, 39um cordei­ grância. Acendê-lo-á quando preparar
ro de manhã e outro de tarde. “ Com as lâmpadas; 8e quando as colocar
o primeiro cordeiro (oferecerás) uma (sôbre o candeeiro) , ao anoitecer,
décima parte (do e fi) de flor de fa ­ queimará um perfume perpétuo dian­
rinha amassada com azeite de azei­ te do Senhor por vossas gerações.
tonas pisadas, na medida da quarta 9Não ofereceteis sobre êle perfume
parte do hin, e vinho na mesma de outra composição, nem oblação,
quantidade para as libaçôes. "O fe re ­ nem vítima, nem fareis libaçôes. 10A-
cerás de tarde o outro cordeiro com rão fará a . expiação uma vez no
o mesmo rito da oblação da manhã, ano, sobre' aè pontas do altar, com
e do modo que dissemos, em cheiro o sangue qtfé foi oferecido pelo pe­
de suavidade. 42Êste é um sacrifício, cado, e com isto aplacará (o Senhor)
ue com um culto perpétuo por tô- nas vossas gerações. (Êste a ltar) se­
as as vossas gerações se deve ofe­ rá uma coisa santíssima diante do
recer ao Senhor à entrada do taber- Senhor.
náculo do testemunho diante do Se- ✓ O imposto para o santuário
nhor, onde eu me encontrarei para UE o Senhor falou mais a Moisés,
te falar. dizendo: 12Quando fizeres o recen-
Promessas de Deus seamento dos filhos de Israel, segun­
tóE de lá darei eu as minhas or­ do o seu número, cada um dará ao
dens aos filhos de Israel, e o altar Senhor o preço do resgate pela sua
será santificado com a minha glória. alma, e não virá sôbre êles nenhuma
"Santificarei também o tabernáculo praga, quando forem recenseados.
do testemunho com o altar, e Arão 13Todo o que for compreendido neste
com seus filhos, para que exerçam o recenseamento, dará meio siclo, se­
meu sacerdócio. 45E habitarei no meio gundo a medida (do siclo padrão) do
dos filhos de Israel, e serei o seu santuário. O siclo (do tem plo) tem
Deus, “ e saberão que eu sou o Se­ vinte óbolos. Oferecer-se-á, pois, ao
nhor seu Deus que os tirei da terra Senhor meio siclo. 14Todo o que fôr
do Egito para habitar entre êles, eu compreendido no recenseamento, de
o Senhor seu Deus. vinte anos para cima, dará êste pre­
Construção do altar dos perfumes ço. lsO rico não dará mais de meio
siclo, e o pobre não dará menos. 16E,
Q fl 2Farás também um altar de recebido o dinheiro oferecido pelos
madeira de cetim para quei­ filhos de Israel, empregá-lo-ás no
mar os perfumes, 2o qual terá um serviço do tabernáculo do testemu­
côvado de comprido, e outro de lar­ nho, para que seja um memorial dê-
go, isto é, será quadrado, e terá dois les diante do Senhor, e (para que
côvados de alto. Sairão dêle umas4 3 ele) se mostre propício às suas almas.
43. Com a minha, glória, com a minha presença especial.
30 - 31 ExODO 111
A bacia de bronze ma aromas, estoraque e ônix, e gál-
17E o Senhor falou mais a Moisés, bano de bom cheiro, e incenso luci-
dizendo: 18Farás, além disso, uma ba­ dissimo, tudo em pêso igual. 35E fa ­
cia de bronze com sua base para la­ rás um perfume composto segundo
vatório; e pô-la-ás entre o taberná- a arte de perfumador, manipulado
culo do testemunho e o altar. E, lan­ com cuidado, puro e digníssimo de
çada a água, 19Arão e seus filhos la­ ser oferecido. 36E, quando tiveres re­
varão nela as suas mãos e os pés, duzido tudo a um pó finíssimo, pô-
“ quando tiverem de entrar no taber- -lo-ás diante do tabernáculo do tes­
náculo do testemunho, e quando ti­ temunho, no lugar em que eu te apa­
verem de se aproximar do altar para recer. Êste perfume será para vós
oferecer os perfumes ao Senhor, 21pa- uma coisa santíssima. 37Não fareis
ra que não suceda que morram; se­ composição semelhante para os vos­
rá esta uma lei perpétua para êle e sos usos, porque é coisa consagrada
para os descendentes que lhe suce­ ao Senhor. ^Todo o homem que f i­
derem. zer uma (composição) semelhante
O óleo da unção para gozar do seu cheiro, perecerá do
22Falou mais o Senhor a Moisés, meio do seu povo.
“ dizendo: Toma (êstes) aromas, qui­ Os artistas do tabernáculo
nhentos si cios da melhor e mais es­ *E o Senhor falou a Moisés, di-
colhida mirra, e metade de cinamo- zendo: 2Eis que eu chamei pe­
mo, isto é, duzentos e cinqüenta si- lo (seu) nome a Beseleel, filho de
cios; e igualmente duzentos e cin- Uri, filho de Hur da tribo de Judá,
qüenta sidos de cana odorífera, 24e 3e o enchi do espírito de Deus, de
quinhentos sidos de cássia segundo o sabedoria e de inteligência, e de ciên­
pêso (padrão) do santuário, e a me­ cia para tôda a qualidade de obras,
dida de um hin de azeite de oliveira; 4para inventar tudo o que se pode
“ e farás (com isto) um óleo santo fazer com o ouro, com a prata e com
para as unções, e um bálsamo com­ o cobre, 5com o mármore, com as pe­
posto segundo a arte de um perfu- dras preciosas e com as diversas ma­
mador. 26E ungirás com êle o taber- deiras. °E dei-lhe por companheiro
náculo do testemunho, e a arca do Ooliab, filho de Aquisamec, da tribo
testamento, 27e a mesa com os seus de Dan. E pus a sabedoria no cora­
vasos, o candeeiro e os seus utensí­ ção de todo (o artista) hábil, para
lios, o altar dos perfumes, 28e o dos que façam tudo o que ordenei.
holocaustos, e tôda a alfaia que está
ao seu uso. “ E santificarás todas es­ Objetos que devem ser construídos
tas coisas, e elas serão santíssimas; 70 tabernáculo da aliança, e a ar­
aquêle que as tocar será santificado. ca do testemunho, e o propiciatório,
“ Ungirás Arão e os seus filhos, e que está por cima dela, tôdas as al­
os santificarás, para me servirem no faias do tabernáculo, 8e a mesa com
sacerdócio. 31Dirás outrossim aos f i­ os seus vasos, o candeeiro puríssimo
lhos de Israel: Êste óleo das unções com os seus utensílios, e o altar dos
será consagrado a mim pelas vossas perfumes, 9e o dos holocaustos, e to­
gerações. “ Não se ungirá com êle a dos os seus utensílios, e a bacia com
carne de nenhum homem, e não fa ­ sua base, 10e as vestes sagradas para
reis outro com composição semelhan­ uso do sacerdote Arão e de seus f i­
te, porque foi santificado e será san­ lhos, quando se empregarem nas fun­
to para vós. “ Qualquer homem que ções sagradas, “ o óleo da unção, e o
compuser outro semelhante, e o der perfume aromático para o santuário,
a algum estrangeiro, será exterm i­ êles farão tudo o que te mandei.
nado do meio do seu povo.
Repouso do sábado e castigo dos
O perfume sagrado prevaricadores
34E o Senhor disse a Moisés: T o ­ 12Falou mais o Senhor a Moisés,
Cap. X X X — 34. Ônix, a unguís odoratus, espécie de pequena concha com a côr de
unha, e odorífera, que existia em abundância no M a r vermelho.
112 EXoDo 31 - 32
dizendo: 13Fala aos filhos de Israel, locaustos e hóstias pacíficas, e o po­
e lhes dirás: Não deixeis de guardar vo se assentou a comer e a beber, e
o meu sábado, porque é o sinal (es­ depois levantaram-se para se diver­
tabelecido) entre mim e vós pelas tirem.
vossas gerações, para que saibais que Cólera de Deus aplacada por Moisés
eu sou o Senhor, que vos santifico.
14Guardai o meu sábado, porque é 7E o Senhor falou a Moisés, dizen­
(u m diaj santo para vós; aquêle que do: Vai, desce; o teu povo, que ti­
o violar, será punido de morte; o que raste da terra do Egito, pecou. 'D e­
trabalhar neste dia, perecerá do meio pressa se apartaram do caminho que
do seu povo. 15Vós trabalhareis seis lhes mostraste; fizeram para si um
dias, fmas) no dia sétimo é o sába­ bezerro fundido, adoraram-no, e imo-
do, descanso consagrado ao Senhor; lando-lhe hóstias, disseram: Êstes
todo o que trabalhar neste dia, será são, ó Israel, os teus deuses, que te
punido de morte. 16Qs filhos de Israel tiraram da terra do Egito. 9E o Se­
guardem os sábados e celebrem-no nhor disse mais a Moisés: Vejo que
pelas suas gerações. Êste é um pacto êste povo é de cerviz dura; 10deixa-
sempiterno 17entre mim e os filhos me, a fim de que o meu furor se
de Israel, e um sinal perpétuo; por­ acenda contra êles, e que os exter­
que em seis dias o Senhor fêz o céu mine, e eu te farei chefe de uma
e a terra, e no sétimo cessou da obra. grande nação. “ Moisés, porém, su­
plicava ao Senhor seu Deus, dizen­
A s duas tábuas da lei do: Senhor, por que se acende o teu
18E, terminadas estas práticas so­ furor contra o teu povo que tiraste
da terra do Egito com uma grande
bre o monte Sinai, o Senhor deu a fortaleza e com uma poderosa mão?
Moisés duas tábuas de pedra do tes­ “ Não permitas, te rogo, que os E-
temunho, escritas pelo dedo de Deus. gípelos digam: Êle tirou-os (do E g i­
O bezerro de ouro
to ) astutamente para os matar nos
montes, e exterminá-los da terra;
90 *Mas o povo, vendo que Moisés aplaque-se a tua ira, e perdoa a ini-
tardava em descer do monte, qüidade do teu povo. 13Lembra-te de
juntou-se contra Arão e disse: Le- Abraão, de Isac e de Israel, teus
vanta-te, faze-nos deuses que vão servos, a quem por ti mesmo juras­
diante de nós; porque não sabemos te, dizendo: Multiplicarei a vossa
o que aconteceu a Moisés, a êsse ho­ descendência como as estréias do
mem que nos tirou da terra do E gi­ céu; e darei à vossa posteridade to­
to. 2E Arão disse-lhes: Tomai as ar­ da esta terra, de que falei, e vós a
recadas de ouro das orelhas de vos­ possuireis para sempre. 14E o Senhor
sas mulheres, de vossos filhos e de se aplacou, e não fêz ao seu povo o
vossas filhas, e trazei-as. 3E o povo mal que tinha dito.
fêz o que lhes mandara, trazendo as Moisés desce do monte e quebra
arrecadas a Arão. 4E êle, tendo-as as duas tábuas da lei
tomado, mandou-as fundir, e formou
delas um bezerro fundido; e disse­ 15E Moisés voltou do monte, levan­
ram: Êstes são, ó Israel, os teus deu­ do na mão as duas tábuas do teste­
ses, que te tiraram da terra do Egito. munho, escritas de ambas as partes,
5E Arão, vendo isto, erigiu um altar 16e feitas por obra de Deus; a escri­
diante do bezerro, e em voz de pre- ta gravada nas tábuas era também
goeiro clamou, dizendo: Amanhã é de Deus. 17Ora, Josué, ouvindo o tu­
a festa solene do Senhor. 6E, levan­ multo do povo que gritava, disse pa­
tando-se pela mánhã, ofereceram ho- ra Moisés: Ouve-se um alarido de
Cap. X X X II — i. A êsse homem. Estas palavras mostram o desprêzo e a indiferença
dos Israelitas para com Moisés, que tantos prodígios tinha operado em seu favor.
6. Para se divertirem com danças e cânticos, de que era acompanhado o culto dos ídolos.
9. D e cerviz durU, istò é, indócil, incorrigível.
10. D e ix a -m e ... Deus mostra, com estas palavras, o grande aprêço que tem pelas
orações dos seus santos, as quais corno que o obrigam .
32 - 33 EXODO 113

peleja nos acampamentos. 18Moisés lado; passai e tornai a passar de


respondeu: Não é clamor de gente porta em porta através dos acampa­
que se anima a combater, nem cla­ mentos, e cada qual mate o seu ir ­
mor de quem excita à fuga, mas eu mão e o seu amigo e o seu vizinho.
ouço a voz de gente que canta. 19E, 28E os filhos de Levi fizeram o que
tendo-se aproximado dos acampa­ Moisés tinha ordenado, e cêrca de
mentos, viu o bezerro e as danças; vinte e três m il homens caíram
e muito irado atirou das suas mãos (m ortos) naquele dia. 29E
* Moisés dis­
as tábuas, e quebrou-as ao pé do se-lhes: Consagrastes hoje as vossas
monte. mãos ao Senhor, cada um em seu
Destruição do bezerro de ouro
filho e em seu irmão, para vos ser
dada a bênção.
“ E, pegando no bezerro que tinham
feito, queimou-o e esmagou-o até o N ova oração de Moisés pelo povo
reduzir a pó, que espalhou na água, e "A o outro dia Moisés disse ao
deu a beber dêle aos filhos de Israel. povo: Vós cometestes o maior peca­
Moisés pune os culpados
do; subirei ao Senhor para ver se de
algum modo poderei obter perdão
21E disse a Arão: Que te fêz êsse para o vosso delito. 31*3
E, voltando pa­
4
povo, para atraíres sobre êle um tão ra o Senhor, disse: Rogo-te, êste
grande pecado? 2 *2*E êle respondeu-
0 povo cometeu um grandíssimo peca­
lhe: Não se agaste o meu senhor, do, e fizeram para si deuses de ou­
porgne tu sabes quanto êste povo é ro; ou perdoa-lhe esta culpa, "ou,
inclinado para o mal. “ Êles disse- se o não fazes, risca-me do teu livro
ram-me: Faze-nos deuses, que vão que escreveste. "O Senhor respon­
diante de nos; porque não sabemos deu-lhe: Eu riscarei do meu livro a-
o que aconteceu àquele Moisés que quêle que pecar contra mim. "Tu, po­
nos tirou da terra do Egito. 242 *E eu
5 rém, vai e conduze êste povo on-
disse-lhes: Qual de v ó s tem ouro? de eu te disse; o meu anjo irá dian­
Trouxeram-no, e deram-mo, e eu te de ti. E eu no dia da vingança
lancei-o no fogo, e saiu êste bezer­ visitarei também êste seu pecado.
ro. “ Vendo, pois, Moisés que o povo “ O Senhor feriu, pois, o povo pela
estava despido, pois Arão o tinha des­ culpa do bezerro, que Arão tinha
pido por causa desta ignominiosa feito.
abominação, e o tinha deixado des­ Deus ameaça abandonar Israel
pido no meio dos inimigos, ” e es­
tando à porta dos acampamentos, 99 *E o Senhor falou a Moisés,
disse: Quem é pelo Senhor junte-se a dizendo: Vai, sai dêste lugar
mim. E ajuntaram-se a êle todos os tu e o teu povo, que tiraste da terra
filhos de Levi. 272 E êle disse-lhes:
8 do Egito, para a terra que eu jurei
Eis o que diz o Senhor Deus de Israel: (d ar) a Abraão, a Isac e a Jacó,
Cada um cinja a sua espada ao seu dizendo: À tua posteridade a darei;
20. E d e u a b e b e r. Com esta ação sim bólica Moisés queria n&osó m ostrar o nada do
idolo, m as tam bém obrigar o povo como que a beber o objeto do seu pecado, sujei-
tando-se à conseqüências.
24. E s a i u ê s t e b e z e r r o , como se fôsse um puro acaso. A desculpa foi t&e fútil que
Moisés nem lbe deu resposta, v e r D eut., IX , 20.
25. E s t a d a d e s p i d o , isto é, sem arm as.
27. E c a d a q u a l m a t e o s e u i r m ã o . . E sta ordem era contra os que foram encontrados
em flagrante delito de idolatria e se opuseram a Moisés, n&o devendo ser poupados os
próprios parentes e am igos dos encarregados d a execuç&o.
28. V i n t e e t r ê s m i l . O texto hebraico diz que foram mortos t r ê s m i l .
29. C o n s a g r a s t e s h o j e a s v o s s a s m ã o s . Assim como os sacerdotes s&o consagrados com
o sangue dos cordeiros (X X IX , 20), do mesmo modo vó s consagrastes as vossas m&os
com o sangue dos vossos irmãos e dos vossos filhos pecadores, oferecendo assim um
sacrifício à justiça divina, e ao mesmo tempo praticando um ato de obediência. —
P a ra vos ser d ad a a bênção que consiste em serdes escolhidos p ara constituir a tribo
sacerdotal.
34. V i s i t a r e i , isto é. punirei.
114 ÊXODO 33 - 34

2e enviarei um anjo para teu precur­ Moisés consegue que Deus acompanhe
sor, e expulsarei o Cananeu, e o seu povo
Amorreu, e o Heteu, e o Ferezeu, e
o Heveu, e o Jebuseu, 3para que en­ -Ora, Moisés, tendo-os chamado, e
tres num país, onde corre leite e denas-me que tire daqui êste povo;
mel. Porque eu não subirei contigo, e não me declaras quem mandarás
visto seres um povo de cerviz dura; comigo, embora me tenhas dito: Co­
não suceda que eu tenha de te ex­ nheço-te pelo teu nome, e tu achas­
terminar no caminho. 4E o povo, te graça diante de mim. 13Se eu,
ouvindo estas duras palavras, cho­ pois, achei graça na tua presença,
rou; e nenhum vestiu as suas galas mostra-me a tua face, para eu te
costumadas. 5E o Senhor disse a Moi­ conhecer e achar graça ante os teus
sés: Dize aos filhos de Israel: Tu és olhos; olha para o teu povo e para
um povo de cerviz dura; se eu vier esta nação. 14E o Senhor disse-lhe:
uma só vez ao meio de ti, extermi- A minha face irá diante de ti, e eu
nar-te-ei. Agora, pois, depõe as tuas te darei descanso. 15E Moisés disse:
galas, para que eu saiba o que terei Se tu mesmo não vais adiante de
de te fazer. 6Depuseram, pois, os filhos nós, não nos faças partir dêste lu­
de Israel as suas gala^, desde o mon­ gar. 16Porque como poderemos co­
te Horeb. nhecer, eu e o teu povo que acha­
mos graça diante de ti, se não an­
O tabernáculo fora dos acampamentos dares conosco, para sermos respei­
tados de todos Os povos que habi­
7E Moisés, tomando o tabernáculo, tam sôbre a terra? 17E o Senhor dis­
levantou-o longe, fora dos acampa­ se a Moisés: Até isto que disseste
mentos, e chamou-lhe tabernáculo da farei; porque tu achaste graça dian­
aliança. E todos os do povo, que ti­ te de mim, e eu te conheço pelo teu
nham alguma questão, saíam fora nome. 18E Moisés disse: Mostra-me
dos acampamentos ao tabernáculo da a tua glória. 19( O Senhor) respon­
aliança. SE, quando Moisés saía para deu: Eu te mostrarei todo o bem, e
pronunciarei o nome do Senhor dian­
o tabernáculo, tôda a multidão se te de ti; e me compadecerei de quem
levantava, e cada um ficava em pé eu quiser; e serei clemente com
à porta da sua tenda, e olhava pe­ quem me aprouver. ^E acrescentou:
las costas para Moisés, até êle entrar Não poderás ver a minha fáce, por­
no tabernáculo. 9E, logo que êle en­ que o homem não pode ver-me e
trava no tabernáculo da aliança, a viver. 21E disse mais: Eis um lugar
coluna de nuvem descia, e parava junto de mim, e tu estarás sôbre
à porta, e (o Senhor) falava com aquela pedra. 22È, quando passar a
Moisés, 10vendo todos que a coluna minha glória, eu te porei na cavidade
de nuvem se conservava parada à da pedra e te cobrirei com a minha
porta do tabernáculo. E êles esta­ direita, até que tenha passado. 23De-
vam em pé e adoravam (o Senhor) pois tirarei a minha mão, e tu me ve­
à porta das suas tendas. nE o Se­ rás pelas costas; mas o meu rosto
nhor falava a Moisés face a face, não o poderás ver.
como um homem costuma falar com
Novas tábuas da lei
o seu amigo' E, quando êle voltava
para os acampamentos, o seu jo­ O A 'Em seguida (o Senhor) disse:
vem servo Josué, filho de Nun, não ° ’ Corta duas tábuas de pedra,
se apartava do tabernáculo. como as primeiras, e eu escreverei
Cap. X X X III — 2. Para teu precursor. O original diz: Mandarei um anjo diante de ti.
13. M ostra-m e a tua face. N o hebreu: Faze-m e conhecer os teus caminhos, isto é,
as tuas intenções relativas ao teu povo, e o anjo que o deve acompanhar.
19. Pronunciarei, etc. Terás um sinal da minha presença quando me ouvires pronun-.
ciar diante de ti o nome do Senhor. — E me compadecerei de quem eu quiser. .. Deus
proclama a sua completa liberdade em distribuir os seus benefícios. Se os concede, é
por sna bondade, e não porque tenhamos direito a êles.
23. Tu me verás pelas costas, tu verás um pálido reflexo da minha glória.
34 EXODO 115

sôbre elas as palavras que continham estátuas, e corta os seus bosques sa­
as tábuas que tu quebraste. 2Está grados. 14Não adores nenhum deus
pronto pela manhã, para subires lo­ estranho. O Senhor tem por nome
go ao monte Sinai, e estarás comi­ Zeloso; Deus é zeloso. 15Não faças
go no cume do monte. 3Ninguém pacto com os homens daqueles paí­
suba contigo, nem apareça alguém ses, a fim de que não aconteça que,
por todo o monte; nem mesmo os depois de se terem prostituído com
bois ou as ovelhas se apascentem os seus deuses, e terem adorado as
defronte. *(Moisés), pois, cortou duas suas imagens, te chame algum para
tábuas de pedra, como eram as pri­ comeres das coisas imoladas. 16Nem
meiras; e, levantando-se de noite, tomarás mulher das suas filhas para
subiu ao monte Sinai, conforme o os teus filhos; não suceda que, de­
Senhor lhe tinha ordenado, levando pois de elas mesmas se terem pros­
consigo as tábuas. 5E, tendo descido tituído com os seus deuses, façam
o Senhor no meio da nuvem, esteve prostituir-se também os teus filhos
Moisés com êle, e pronunciou o no­ com os seus deuses.
me do Senhor. °E, passando o Se­ 17Não farás para ti deuses fundidos.
nhor diante dêle, Moisés disse: Do­ 18Observarás a solenidade dos ázi-
minador Senhor Deus, misericordio­ mos. Durante sete dias comerás
so e clemente, paciente e de muita ázimos, como te mandei, no mês dos
misericórdia, e verdadeiro, 7que con­ trigos novos; porque no mês da pri­
servas a misericórdia em milhares mavera é que tu saíste do Egito.
de gerações, que tiras a iniqüidade 19Todo o primogênito do sexo mascu­
e as maldades e os pecados, e ne­ lino será meu. (O prim ogênito) de
nhum diante de ti é inocente por si todos os animais, tanto de vacas, co­
mesmo; que punes a iniqüidade dos mo de ovelhas, será meu. 20O primo­
ais sôbre os filhos e os netos até gênito do jumento resgatá-lo-as com
terceira e quarta geração. 8E, ime­ uma ovelha; e, se não o quiseres res­
diatamente, Moisés se prostrou e se gatar, será morto. Resgatarás o pri­
curvou até à terra, e adorando, Mis­ mogênito dos teus filhos; e não apa­
se: Senhor, se eu achei graça em tua recerás na minha presença com as
presença, peço-te que venhas conos­ mãos vazias.
co (porque êste povo é de cerviz 21Trabalharás seis dias, e ao dia
dura), e que tires as nossas iniqüi- sétimo cessarás de lavrar e de segar.
dades e pecados, e que tomes posse “ Celebrarás a solenidade das se­
de nós. manas por ocasião das primícias da
Deus repete as principais condições
tua messe de trigo, e a solenidade
(da colheita) quando no fim do ano
da aliança
se recolhe tudo. ^Tudo o que do gê­
10O Senhor respondeu: Eu farei à nero masculino é teu, compareça três
vista de todos a aliança, farei prodi- vêzes no ano diante do Onipotente
gios, que nunca jamais se viram sô­ Senhor Deus de Israel. 24Porque,
bre a terra, nem em alguma nação, quando eu tiver tirado da tua vista
para que êste povo, no meio do qual as nações, e tiver dilatado os teus
estás, veja a obra terrível do Senhor, limites, ninguém pensará invadir a
que vou fazer. “ Observa tôdas as tua terra, enquanto tu subires para
coisas que te ordeno; eu mesmo ex­ comparecer na presença do Senhor
pulsarei na tua presença o Amorreu, teu Deus três vêzes no ano. 25Não
e o Cananeu, e o Heteu, e também imolarás o sangue da minha vítima
o Ferezeu, e o Heveu, e o Jebuseu. com pão fermentado; e da vítima
12Abstém-te de contrair em algum da solenidade da Páscoa nada ficará
tempo, com os habitantes daquela para de manhã. 20Oferecerás as pri­
terra, amizades (com receio de) que mícias do fruto da tua terra na ca­
te sejam ocasião de ruína. 1 *23Mas des-
0 sa do Senhor teu Deus. Não cozerás
trói os seus altares, quebra as suas o cabrito no leite de sua mãe.
Gap. X X X IV — 15. Depois de se terem prostituído. A aliança entre Deus e Israel é
representada sob a figu ra dum contrato esponsalício, e por isso a idolatria é considerada
como se fõsse um adultério.
116 EXODo 34 - 35
Redação das palavras da aliança o Senhor ordenou, dizendo: 5Ponde
à parte junto de vós primi cias pa­
27E o Senhor disse a Moisés: Es­ ra o Senhor. Cada um, voluntária e
creve estas palavras, pelas quais eu espontâneamente, ofereça ao Senhor
fiz aliança contigo e com Israel. ouro, prata e cobre, °jacinto, púrpu-
28( Moisés) , pois, esteve ali com o Se­ ra e escarlate tinto duas vêzes, e li­
nhor quarenta dias e quarenta noi­ nho fino, e pêlos de cabra, 7e peles
tes; não comeu pão, nem bebeu água, de carneiro tintas de vermelho, e
e escreveu nas tábuas as dez pala­ peles roxas, e madeira de cetim, 8e
vras da aliança. azeite para acender as lâmpadas, e
Moisés desce do monte e comunica para fazer o bálsamo e os perfumes
as ordens divinas de suave fragrância, °pedras ônix, e
-*'E, descendo Moisés do monte Si­ (outras) pedras preciosas para orna-
nai, trazia as duas »tábuas do teste­ to do efod e do racional.
munho, e não sabia que o seu rosto Artistas
era resplandecente depois que tinha 10Qualquer de vós que tem habi­
estado a falar com o Senhor. 30Mas lidade, venha e faça o que o Senhor
Arão e os filhos de Israel, vendo o mandou, nisto é, o tabernáculo, e o
rosto de Moisés resplandecente, ti­ seu teto, e a sua cobertura, as ar­
veram mêdo de se aproximar dêle. golas, e as tábuas, e os barrotes, e
31E, tendo-os chamado, voltaram (a as escápulas, e as bases; 12a arca e
êle) tanto Arão como os príncipes os varais, o propiciatório e o véu, que
da sinagoga. E, depois que lhes fa ­ deve pender diante dêle; 13a mesa
lou, 32aproximaram-se também dêle com os varais e com os (seus) uten­
todos os filhos de Israel, aos quais sílios, e os pães da proposição; 14o
deu tôdas as ordens que tinha rece­ candeeiro para sustentar as lâmpa­
bido do Senhor no monte Sinai. 33E, das, os seus utensílios, e as lâmpadas,
tendo acabado de falar, pôs um véu e o azeite para manter as luzes; 15o
sobre o seu rosto. 34E quando entra­ altar dos perfumes, e os varais, e
va à presença do Senhor e falava o óleo da unção, e o perfume aro­
com êle tirava o véu até sair, e en­ mático; o véu para a entrada do ta­
tão dizia aos filhos de Israel tudo o bernáculo; 16o altar dos holocaustos
que lhe tinha sido ordenado. 35E êles e a sua grelha de bronze com os
viam que a face de Moisés ao sair seus varais e seus utensílios; a ba­
era resplandecente, porém, êle co­ cia e a sua base; 17as cortinas do átrio
bria de novo o rosto, se tinha de com as colunas, e as bases, o véu à
lhes falar. entrada do átrio, 18as escápulas do
Repouso do sábado tabernáculo e do átrio com os seus
cordões; 19as vestes de que se usa no
O r Portanto, congregada tôda a ministério do santuário, as vestes do
**** multidão dos filhos de Israel, pontífice Arão e de seus filhos, para
( Moisés) disse-lhes: Estas são as que exerçam as funções do meu sa­
coisas que o Senhor mandou que se cerdócio.
fizessem: 2Trabalhareis seis dias; o Ofertas várias
dia sétimo será para vós santo, (p or- 20E, saindo tôda a multidão dos f i­
que é) o sábado e o descanso (em lhos de Israel da presença de Moi­
honra) do Senhor; o que nêle tra­ sés, 21ofereceram ao Senhor com
balhar, será morto. 3Não acendereis uma vontade pronta e cheia de afe­
lume em tôdas as vossas moradas no to as primícias para fazer a obra
dia de sábado. do tabernáculo do testemunho, e pa­
Ofertas p ara a obra do tabernáculo ra tudo aquilo que era necessário
para o culto e vestes sagradas. 22Os
4E Moisés disse mais a tôda a mul­ homens e as mulheres deram os bra-
tidão dos filhos de Israel: Eis o que celetes e as arrecadas, os anéis e os
33. PÔs um véu sôbre o seu rosto para não dificultar as relações diárias dos Israelitas
com êle.
Cap. X X X v — 22. E os ornatos do braço direito, isto é, pulseiras de ouro.
35 - 36 ExODO 117

ornatos do braço direito; todos os o que era necessário para o uso do


vasos de ouro foram postos à parte santuário, fizeram o que o Senhor
para donativo ao Senhor. 23Se al­ tinha mandado.
guém tinha jacinto, e púrpura, e
escarlate tinto duas vêzes, linho fino Moisés põe limites às ofertas do povo
e pêlos de cabra, peles de carneiros
tintas de vermelho ou de roxo, 24me- 2Ora, Moisés, tendo-os chamado, e
tais de prata e cobre, ofereceram- igualmente todos os homens hábeis,
nos ao Senhor, e também madeira a quem o Senhor tinha dado habili­
de cetim para os diversos usos. aA- dade, e que espontâneamente se ti-
lém disto, as mulheres habilidosas nham oferecido para trabalhar nes­
deram do que tinham fiado de ja ­ tas obras, 3entregou-lhes todas as
cinto, púrpura, e escarlate e linho ofertas dos filhos de Israel. E, en­
fino, 26e pêlos de cabra, dando tudo quanto êles se empregavam diligen­
de espontânea vontade. 270s prín­ tes no trabalho, todos os dias pela
cipes, porém, ofereceram pedras de manhã o povo oferecia donativos vo­
ônix e (outras) pedras preciosas pa­ luntários. 4Pelo que os artistas foram
ra o efod e o racional, “ e aromas e obrigados a ir 5dizer a Moisés: O
azeite para manter as luzes, e para povo oferece mais do que é neces­
preparar o bálsamo, e compor o per­ sário. °Mandou, pois, Moisés que um
fume de suavíssimo cheiro. “ Todos pregoeiro gritasse: Nenhum homem,
os homens e mulheres ofereceram os nem mulher ofereça mais nada para
seus dons com coração devoto, para a obra do santuário. Assim se deixou
se fazerem as obras que o Senhor de oferecer donativos, 7porque o que
tinha mandado por meio de Moisés. tinha sido oferecido bastava e supe-
Todos os filhos de Israel dedicaram rabundava.
ao Senhor ofertas voluntárias. Cobertura do tabernáculo
Diretores e executores do trabalho 8Todos os homens hábeis se deram
30E Moisés disse aos filhos de Is­ ao trabalho para concluírem a obra
rael: Eis que o Senhor chamou do tabernáculo, dez cortinas de li­
por seu nome a Beseleel, filho de Uri, nho fino retorcido, e de jacinto, e
filho de Hur, da tribo de Judá; 81e de púrpura, e de escarlate tinto duas
vêzes, com variedade de bordados €
o encheu do espírito de Deus, de de côres. 9Cada uma delas tinha vint<
sabedoria, e de inteligência, e de e oito côvados de comprido e quatrí
ciência, e de todos os conhecimentos, de largo; e era a mesma a medida d€
32para inventar e executar trabalhos tôdas as cortinas. 10E (Beseleel) uniu
de ouro e prata e cobre, 33e para la­ cinco cortinas uma com outra, e uniu
vrar pedras e para trabalhos de car­ também as outras cinco entre si.
pintaria, e para tudo o que pode “ Fêz também umas presilhas de ja ­
fazer-se com arte 34lhe deu capaci­ cinto na ourela duma cortina de um
dade. E do mesmo modo (cham ou) e de outro lado, e o mesmo na ourela
Ooliab, filho de Aquisamec, da tribo da outra cortina, 12de modo que as
de Dan. 35A ambos comunicou habi­ presilhas correspondessem umas às
lidade para fazerem trabalhos de outras, e se unissem entre si. 13Para
carpinteiro, de tecelão em várias cô- isso fundiu cinqüenta argolas de ou­
res e bordados de jacinto, de púrpu­ ro, em que se atassem as presilhas
ra, de escarlate tinto duas vêzes, e das cortinas, e assim se formasse um
de linho fino, e para fazerem toda só tabernáculo.
a espécie de tecidos, e inventarem
novidades de tôda a sorte. Cortinas do tabernáculo
Execução do trabalho 14Fêz também onze cobertas de pê­
los de cabra para cobrir o teto do
Q g 'Beseleel, pois, e Ooliab, e to- tabernáculo. “ Uma destas cobertas
dos os homens hábeis, a quem tinha trinta côvados de comprido e
o Senhor deu habilidade e inteli­ quatro de largo; e tôdas elas ti­
gência para saberem fazer ''om arte nham a mesma medida. 10Destas, uniu
118 ExODO 36 - 37

cinco de uma banda e seis da outra. m eter os barrotes, e cobriu os mes­


17E fêz cinqüenta presilhas na oure- mos barrotes com lâminas de ouro.
la de uma coberta, e cinqüenta na VéU entre o Santo e o Santo dos Santos
ourela da outra, para que pudesse
unir uma às outras. 18E cinqüenta “ Fêz mais um véu de jacinto, e
fivelas de bronze com que se unisse de púrpura, e de escarlate, e de li­
o teto, para que de tôdas as cober­ nho fino retorcido, tecido com va­
tas se fizesse uma só. 19Fêz, além riedade de cores e com diversos re-
disto, a cobertura do tabernáculo de camos; 3ae quatro colunas de pau de
peles de carneiro tintas de verm e­ cetim, as quais, com seus capitéis, co­
lho, e sôbre esta, uma outra cober­ briu de ouro, tendo fundido as suas
tura de peles de côr de jacinto. bases de prata.
20Fêz também de pau de cetim as
tábuas do tabernáculo para estarem Véu da entrada do tabernáculo
ao alto. 37Fêz também para a entrada do
tabernáculo um véu de jacinto, de
Tábuas do tabernáculo púrpura, de escarlate, e de linho fino
21O comprimento duma tábua era retorcido, com trabalhos de recamo;
de dez côvados, e a largura, de côvado 38e cinco colunas com seus capitéis,
e meio. 22Em cada tábua havia dois as quais cobriu de ouro, e fundiu as
encaixes, para que uma se encaixas­ suas bases de bronze.
se na outra. E o mesmo foi feito em A arca
tôdas as tábuas do tabernáculo, “ das
quais vinte estavam na parte do 0 7 JE Beseleel fêz a arca de pau de
meio-dia, que olha para o austro, 09 cetim, a qual tinha dois cô­
24com quarenta bases de prata. Pu- vados e meio de comprido, côvado
nham-se duas bases debaixo de uma e meio de largo, e também côva­
tábua nas suas duas esquinas, onde do e meio de alto; e revestiu-a de
terminam as sambladuras dos lados. ouro finíssimo por dentro e por fora.
“ E para a parte do tabernáculo que 2E fêz-lhe uma cornija de ouro ao
olha para o aquilão, fêz vinte tá­ redor, 3e fundiu quatro argolas de
buas, “ com quarenta bases de prata, ouro para os seus quatro cantos:
duas bases para cada tábua. ^E pa­ duas argolas de um lado, e duas do
ra o ocidente, isto é, para aquela outro. 4Fêz também os varais de pau
parte do tabernáculo que olha para de cetim os quais revestiu de ouro,
o mar, fêz seis tábuas, *e outras duas 5e fê-los entrar pelas argolas que
para cada ângulo do tabernáculo, no estavam nos lados da arca, para* a
fundo dêle, “ as quais estavam uni­ levar.
das entre si debaixo até cima, e v i­ O propiciatório
nham a form ar um só corpo. O mes­ °Fêz mais o propiciatóriò, isto é,
mo fêz nos ângulos dos dois lados; o oráculo, de ouro puríssimo, com
3Ode modo que ao todo fôssem oito dois côvados e meio de comprido, e
tábuas, e tivessem dezesseis bases côvado e meio de largo. 7Também
de prata, isto é, duas bases debaixo fêz dois querubins de ouro batido,
de cada tábua. 81Fêz também cinco os quais pôs aos dois lados do pro-
barrotes de pau de cetim para ajus­ piciatório: 8um querubim na extre­
tar as tábuas de um lado do taber­ midade de um lado, e outro queru­
náculo, 32e outros cinco para ajustar bim na extremidade do outro lado;
as tábuas do outro lado; e, além (êstes) dois querubins (ficavam ) nas
dêstes, outros cinco barrotes ao lado duas extremidades do propiciatório,
ocidental do tabernáculo (voltado) 9estendendo as asas, e cobrindo o pro­
para o mar. 33Fêz também outro bar­ piciatório, e olhando um para o ou­
rote, que passava pelo meio das tá­ tro, e também para o propiciatório.
buas duma extremidade à outra ex­
tremidade. 34E cobriu as mesmas tá­ A mesa dos pães da proposição
buas de ouro, tendo fundido as suas
bases de prata. E fêz de ouro as loFêz também uma mesa de pau de
suas argolas, por onde se pudessem cetim, com dois côvados de compri­
37 - 38 ExODO 119

do, e um côvado de largo, e côvado vestiu-o de ouro puríssimo, junta-


e meio de alto. UE cobrlu-a de ouro mente como as grelhas e as paredes e
puríssimo, e fêz-lhe ao redor uma as pontas. “ E fêz-lhe uma cornija
orla de ouro, 12e sôbre a mesma or­ de ouro ao redor, e duas argolas de
la uma cornija de ouro entalhada, ouro debaixo da córnija, a cada lado,
da altura de quatro dedos, e sôbre para se meterem por ela os varais, e
esta uma outra cornija de ouro. se poder levar o altar. “ E fêz tam­
13Fundiu também quatro argolas de bém os mesmos varais de pau de ce­
ouro, que pôs nos quatro cantos em tim, e os cobriu com lâminas de ouro.
cada um dos pés da mesa, 14diante
da córnija; e enfiou por elas os va­ óleo da unção e perfume sagrado
rais para a mesa poder ser levada.
15E fêz êstes mesmos varais de pau “ Compôs também o óleo para a
de cetim, e revestiu-os de ouro. 16E unção das sagrações, e o perfume
(fêz) os utensílios para os diferen­ dos aromas mais puros, segundo a
tes usos da mesa, pratos, copos, ta­ arte de perfumador.
ças e turíbulos de ouro puríssimo, em O altar dos holocausto»
que se hão de oferecer as libações.
O candeeiro 90 *Fêz também de pau de cetim
9,0 o altar dos holocaustos, que
17Fêz também o candeeiro de fi­ tinha cinco côvados em quadro e
níssimo ouro batido, de cuja haste três de alto, 2de cujos ângulos saíam
saíam os ramos, os copos, as esfe- as pontas, e cobriu-o com lâminas de
razinhas, e as açucenas. 18Seis /ra- bronze. 3E para o seu serviço pre­
mos saiam) dos dois lados, três ra­ parou diversos utensílios de cobre,
mos de um lado, e três do outro; caldeiras, tenazes, garfos, ganchos, e
19três copos em forma de noz em ca­ braseiros. 4E fêz a sua grelha de
da um dos ramos, e as esferazinhas bronze em forma de rêde, e por bai­
e as açucenas; e três copos em fo r­ xo dela no meio do altar um fogão,
ma de noz no outro ramo, e as es- Hendo vasado quatro argolas para
ferazinhas e as açucenas. Era igual o por nos quatro cantos da grelha, a
lavor dos seis ramos, que saíam da fim de por elas fazer passar os va­
haste do candeeiro. ^Porém, na mes­ rais para o transporte; °e fêz êsses
ma haste havia quatro copos em mesmos varais de pau de cetim, e
form a de noz, e cada um tlnha as cobriu-os com lâminas de bronze, Te
suas esferazinhas e as suas açuce- meteu-os nas argolas, que sobres­
nas; 21e havia três esferazinhas em saíam dos lados do altar. O altar,
três lugares da haste, e de cada uma orém, não era maciço, mas (fe ito )
saíam dois ramos, e eram ao todo e tábuas, ôco e vazio por dentro.
seis ramos, saindo da mesma haste.
22E assim as esferazinhas e os ra­ A bacia de bronze
mos saíam dela, tudo de ouro purís­
simo e trabalhado a martelo. “ Fêz 8Fêz também a bacia de bronze e
também de finíssimo ouro sete lâm­ a sua base com os espelhos das mu­
padas com seus espevitadores, e os lheres, que velavam a porta do ta-
vasos onde se apagasse o morrão. bernáculo.
240 candeeiro com todos os seus va­ O átrio
sos pesava um talento de ouro.
9Fêz mais o átrio, a cujo lado me­
O altar dos perfumes ridional estavam cortinas de linho f i­
no retorcido, com o comprimento de
“ E fêz de pau de cetim o altar dos cem côvados. 10Vinte colunas de bron­
perfumes, que tinha um côvado em ze com suas bases; os capitéis das co­
quadro, e dois côvados de alto, de lunas e todos os ornatos da obra
cujos cantos saíam as pontas. “ E re­ eram de prata. “ Do mesmo modo do
Cap. X X X v l I I — 8. Com os espelhos. . . que eram feitos de metal, e ordinàriamente
•de bronze. — Que velavam à porta do tabernáculo para prestar algum serviço que fôsse
preciso.
120 ÊXODO 38 - 39

lado setentrional as cortinas, as co­ segundo a medida do santuário. " E


lunas, as bases e os capitéis das colu­ estas ofertas foram feitas pelos que
nas, eram da mesma medida, lavor e entraram no recenseamento, de vin­
metal. 12Mas, do lado que olha para te anos para cima, isto é, por seis­
o ocidente, havia cortinas de centos e três mil, quinhentos e cin­
cinqüenta côvados, dez colunas de qüenta homens de armas. "Recolhe-
bronze com suas bases; e os capitéis ram-se, além disto, cem talentos de
das colunas, e todos os ornatos da prata de que foram feitas as bases
obra eram de prata. 13Pelo lado do (das colunas) do santuário, e a en­
oriente dispôs cortinas de cinqüenta trada onde estava suspenso o véu.
côvados, 14e delas deu quinze covados 2TForam feitas cem bases de cem ta­
de cortinas e três colunas com as lentos, contando-se um talento por
suas bases a um lado; 15e ao outro cada base. "E , com mil setecentos e
lado (porque entre um e outro fêz a setenta e cinco (siclos), fêz os capi­
entrada do tabernáculo) deu igual­ téis das colunas, as quais também
mente quinze côvados de cortinas e revestiu de prata. ^Foram também
três colunas com outras tantas ba­ oferecidos setenta talentos, e dois
ses. 16Tôdas as cortinas do átrio eram mil e quatrocentos siclos de bronze,
tecidas de linho fino retorcido. 17As "com que foram fundidas as bases
bases das colunas eram de bronze, e (das colunas) para a entrada do ta­
os seus capitéis, com todos os seus bernáculo do testemunho, e o altar
ornatos, de prata; e as mesmas co­ de bronze com a sua grelha, e todos
lunas do átrio revestiu também de os instrumentos pertencentes ao seu
prata. 18E, à entrada do átrio, fêz uso, “ e as bases do átrio, tanto as do
urna cortina com trabalho de borda­ redor dêle, como as da entrada, e as
dos de jacinto, de púrpura, de escar­ escápulas do tabernáculo e do átrio
late e de linho fino retorcido, que ti­ em redor.
nha vinte côvados de comprimento;
porém a altura era de cinco côvados, A» vestes sacerdotais
segundo a medida que tinham as cor­
tinas do átrio. "H avia, pois, à entra­ 9Q ‘Depois fêz de jacinto e púr-
da quatro colunas com bases de bron- pura, de escarlate e de linho
ze, e seus capitéis e ornatos de pra­ fino as vestes com que devia ser re­
ta. "F ê z também de bronze as es- vestido Arão, quando ministrava no
cápulas do tabernáculo e do átrio santuário, como o Senhor ordenou a
em redor. Moisés.
Quantidade de metal empregado O efod

“ Estas são as partes em redor do 2Fêz, pois, o efod de ouro, de ja ­


tabernáculo do testemunho que fo ­ cinto, e de púrpura, e de escarlate
ram enumeradas segundo a ordem tinto duas vezes, e de linho fino re­
de Moisés por trabalho dos Levitas torcido, *obra tecida de várias cô­
sob a direção de Itamar, filho do res; e cortou fôlhas de ouro, e re­
sacerdote Arão, ” e que foram com­ duziu-as a fios para poderem entrela-
pletadas por Beseleel, filho de Uri, çar-se com a trama das côres acima
filho de Hur, da tribo de Judá, se­ ditas, 4e (fê z ) duas ourelas ligadas
gundo a ordem que o Senhor tinha entre si em um e outro lado das ex­
dado por meio de Moisés, "tendo tido tremidades (do efod), 5e (fê z ) o cín-
por companheiro a Ooliab, filho de guio das mesmas côres, conforme o
Aquisamec, da tribo de Dan; o qual Senhor tinha ordenado a Moisés, p r e ­
foi também artista hábil em obras parou também duas pedras de ônix
de madeira, e em tecidos de várias encastoadac e metidas em ouro, e on­
côres, e em bordados de jacinto, de de gravou segundo a arte dos lapidá-
púrpura, de escarlate e de linho f i­ rios os nomes dos filhos de Israel; 7e
no. 24Todo o ouro que foi empregado colocou-as nos dois lados do efod, co­
na obra do santuário, e que foi ofe­ mo um monumento para os filhos
recido em dons, foram vinte e nove de Israel, como o Senhor tinha orde­
talentos, e setecentos e trinta sidos nado a Moisés.
39 - 40 ExODO 121
O racional nho fino, “ e as mitras de linho fino
8Fêz mais o racional tecido a vá­ com suas pequenas coroas, 27e tam­
rias cores com trabalho semelhante bém os calções de linho fino, “ e o
ao efod, de ouro, de jacinto, de púr- cíngulo de linho fino retorcido, de ja ­
pura, e de escarlate tinto duas vêzes, cinto, de púrpura, e de escarlate tin­
e de linho fino retorcido; 9(fê -lo ) to duas vêzes, com vários recamos,
quadrado e dobrado, da medida de como o Senhor ordenara a Moisés.
um palmo. 10E nêle engastou quatro A l&rnina de ouro
ordens de pedras preciosas: N a pri­
meira ordem estavam um sardônio, “ Fizeram mais a lâmina de sagra­
um topázio e uma esmeralda. MN a da veneração de puríssimo ouro, e es­
segunda, um carbúnculo, uma safira creveram nela por mão do gravador:
e um jaspe. 12N a terceira uma tur- S a n t i d a d e d o S e n h o r ; roe ajustaram-
queza, urna âgata e uma ametista. na à mitra com uma fita (de cô r)
13N a quarta, um crisólito, uma ônix de jacinto, como o Senhor tinha or­
e um berilo, engastados e metidos denado a Moisés.
em ouro, ordem por ordem. 14E as Enumeração e bênção dos
mesmas doze pedras tinham grava­ vários objetos sagrados
dos os nomes das doze tribos de Is­ 31Assim se concluiu tôda a obra do
rael, em cada pedra seu nome. 15F i- tabernáculo e da tenda do testemu­
zeram também no racional duas pe­ nho; e os filhos de Israel fizeram tu­
quenas cadeias de ouro puríssimo, do o que o Senhor tinha ordenado a
entrelaçadas entre si, 16e dois gan­ Moisés. 32E ofereceram o tabernáculo
chos e outras tantas argolas de ouro. e a tenda, e todas as suas alfaias, as
E puseram aos dois lados do racio­ argolas, as tábuas, os varais, as colu­
nal as argolas, 17das quais pendiam nas e as bases, 33as coberturas de pe­
as duas cadeias de ouro, que êles les de carneiro tintas de vermelho,
meteram nos ganchos, que sobres­ e as outras cortinas de peles de côr
saíam aos cantos do efod. 18Estas pe­ de jacinto, 34o véu, a arca, os varais,
ças ajustavam-se tão bem entre si o propiciatôrio, “ a mesa com os seus
por diante e por detrás, que o efod e utensílios e com os pães da proposi­
o racional ficavam unidos um ao ção; “ o candeeiro, as lâmpadas, e os
outro, 19ajustados ao cíngulo, e uni­ seus utensílios juntamente com o
dos fortemente às argolas ligadas en­ azeite;. 37o altar de ouro, o bálsamo
tre si, por uma fita de jacinto, para e o perfume feito de aroma; “ o véu
que, afrouxando-se, não corressem à entrada do tabernáculo; 39o altar
nem se separassem um do outro, co­ de bronze com a sua grelha, varais
mo o Senhor ordenou a Moisés. e todos os seus utensílios; a bacia,
A túnica do efod com a sua base; as cortinas do átrio,
“ Fizeram também a túnica do efod e as colunas com as suas bases; "a
tôda (de cô r) de jacinto, "com uma tenda à entrada do átrio e os seus
abertura no alto, no meio dela, e cordões e as suas escápulas. Não fa l­
uma orla tecida ao redor da abertu­ tou nenhum dos utensílios .que ti­
ra; 22e na parte inferior, junto aos nham sido mandados fazer para o
pés, as romãs de jacinto, de púrpura, serviço do tabernáculo e para a ten­
de escarlate e de linho fino retorci­ da da aliança. 41E também as vestes,
do; ae as campainhas de ouro finís­ de que usam no santuário os sacer­
simo, que colocaram entre as romãs, dotes, isto é, Arão e seus filhos, 42as
ao redor da parte inferior da túnica, ofeieceram os filhos de Israel, con­
24uma campainha de ouro e uma ro­ forme o Senhor tinha mandado.
mã; com estas coisas ia adornado o 43Moisés, depois que viu completas
pontífice> quando exercia as funções todas estas coisas, abençoou-as.
do seu ministério, conforme o Se­ Deus manda erigir o tabernáculo
nhor tinha ordenado a Moisés. com tudo o que lhe diz respeito
Várias vestes sacerdotais JA 7E o Senhor falou a Moisés,
“ Fizeram também para Arão e dizendo: 2N o primeiro mês, no
seus filhos as túnicas tecidas de li­ primeiro dia do mês, levantarás o
122 ExoDO 40
tabernáculo do testemunho, 3e porás A lfaias do Santo
nêle a arca, e estenderás o véu dian­
te dela; 4e, trazida para dentro a me­ 20Pôs também a mesa no taberná­
sa, porás sôbre ela o que foi legiti­ culo do testemunho, para a parte se­
mamente mandado. Estará (no ta­ tentrional, fora do véu, “ dispostos
bernáculo) o candeeiro com as suas por ordem diante (do Senhor) os
lâmpadas, 5e o altar de ouro, sôbre pães da proposição, como o Senhor
o qual se queime o incenso, diante da tinha mandado a Moisés. 22Pôs tam­
arca do testemunho. Estenderás um bém o candeeiro no tabernáculo do
véu à entrada do tabernáculo, 6e dian­ testemunho, na parte austral, defron­
te dêle (colocarás) o altar dos holo- te da mesa, 23e colocou nos seus lu­
caustos. 7(Colocarás) a bacia, que en­ gares as lâmpadas, conforme o man­
cherás de água, entre o altar e o dado do Senhor. 24Pôs também o al­
tabernáculo. 8E cercarás de cortinas tar de ouro sob o teto do testemu­
o átrio e a sua entrada. nho, defronte do véu, ^e queimou sô­
bre êle o incenso dos aromas, como o
IJnção e consagração do tabernáculo Senhor tinha ordenado a Moisés.
°E, tomado o óleo da unção, ungi­ O átrio
rás o tabernáculo com os seus uten­
sílios, para ficarem santificados; 10o 20Pôs também a cortina à entrada
altar dos holocaustos e todos os seus do tabernáculo do testemunho, 27e o
utensílios; Ua'bacia com a sua base; altar dos holocaustos no vestibulo do
consagrarás tôdas estas coisas com o testemunho, oferecendo nêle holo­
óleo da unção, para que sejam san­ caustos e sacrifícios, como o Senhor
tíssimas. tinha mandado. “ Pôs, além disso, a
bacia entre o tabernáculo do teste­
Sagração dos sacerdotes munho e o altar, enchendo-a de água.
12Farás chegar Arão e seus filhos 29E Moisés, Arão e seus filhos la­
à entrada do tabernáculo do teste­ varam as suas mãos e pés, “ quando
munho, e, depois de lavados em água, estavam para entrar no tabernáculo
13os revestirás das vestes sagradas, da aliança, e para se aproximar do
para que me sirvam, e a sua unção altar, como o Senhor tinha ordena­
passe para um sacerdócio perpétuo. do a Moisés. “ Erigiu também o átrio
ao redor do tabernáculo e do altar,
Ereção do tabernáculo lançando a cortina â sua entrada.
14E Moisés fêz tudo o que o Se­ A nuvem sôbre o tabernáculo
nhor lhe mandara. 15Portanto, no pri­
meiro mês do segundo ano, no pri­ Depois de acabadas tôdas estas
meiro dia do mês, foi erigido o ta- coisas, 32a nuvem cobriu 0 taberná­
hernáculo. 18E Moisés eriglu-o e pôs culo do testemunho, e a glória do
(nos seus lugares) as tábuas, as ba­ Senhor o encheu. 33E Moisés não po­
ses e os barrotes, e levantou as co­ dia entrar no tabernáculo da alian­
lunas, 17e estendeu o teto sôbre o ta­ ça, visto que a nuvem cobria tudo,
bernáculo, pondo por cima dêle a e a majestade do Senhor resplande­
coberta, como o Senhor tinha man­ cia, tendo a nuvem coberto todas as
dado. coisas. “ Quando a nuvem deixava o
tabernáculo, os filhos de Israel par­
A arca no Santo dos Santos tiam divididos pelas suas turmas; “ se
ficava suspensa em cima, permane­
18Pôs também o tesxemunno na ar­ ciam no mesmo lugar. 36Porque a nu­
ca, metidos por baixo os varais, e vem do Senhor de dia repousava sô­
(ficando) em cima o oráculo. 19E, bre o tabernáculo, e de noite (apa­
tendo introduzido a arca no taber- recia sôbre êle) uma chama, à vista
náculo, suspendeu diante dela o véu, de todo o povo de Israel em todos os
Para cumprir o mandado do Senhor. seus alojamentos.
Cap. X L 18. O te s te m u n h o , isto é, as tábuas da le i (X X v . IR ).
LEYITICO
O terceiro livro de Moisés chama-se Leuitico, porque trata principalmen-
te dos deveres dos Levitas. Pode ser considerado como um Ritual.
As diversas leis nêle contidas, embora não obedecendo a alguma ordem
lógica, estão reunidas conforme a identidade do argumento em categorias
distintas. Referem-se:
a) aos sacrifícios (1,1 - 7,38);
b) aos ritos da consagração sacerdotal e levítica, e às normas que se
devem observar na nova vida, inteiramente consagrada ao serviço divino
( 8,1 - 10 ,20 ) ;
c) à pureza legal e social; como se pode perdê-las e recuperá-las
(11,1 - 18,30). Tal exposição é permeada (16, 1-34) pela descrição dos ri­
tos a serem observados no grande dia da Expiação;
d) às relações com Deus e com o próximo (19) ;
e) às leis especiais sôbre a santidade dos sacerdotes (20,1 - 22,33);
f ) às leis relativas às festas e aos tempos sagrados principais (23, 1-25,
55); são intercaladas algumas disposições sôbre as lâmpadas do Tabernáculo
e sôbre os pães da proposição (24, 1-9); a lei contra os hlasfemadores
(24, 10-16) e a lei de talião (24, 17-22).

Como conclusão, há um discurso parenético, onde se acham enumeradas


as bênçãos reservadas por Deus aos cumpridores de suas leis, e as maldições
que atingirão os seus transgressores (26, 1-45). À guisa de apêndice, en­
cerram o livro as prescrições sôbre os votos e os dízimos (27, 1-34).

JNão se considerando alguns episódios históricos, que podem ser julgados


como sanções exemplares por inobservância de algumas leis (cfr. 10, 1-7)
ou como motivação para se promulgarem outras (cfr. 24, 10-23), o livro
todo pode* dividir-se em duas partes, tratando a PRIM EIRA dos sacrifícios
a serem oferecidos a Deus, e as pessoas que devem cuidar disso (1,1 - 10,20);
e a SEGUNDA, da pureza e santidade exigidas do pow> eleito (11,1 - 27,34) .
L E Ví T ICO
Introdução. Holocausto cidas em holocausto de cheiro sua­
de um novilho víssimo ao Senhor.
14Se, porém, a oferta ao Senhor é
1 *Ora o Senhor chamou Moisés, e um holocausto de aves (será) de ro­
1 falou-lhe do tabernáculo do tes­ las ou de pombinhos.
temunho, dizendo: 2Fala aos filhos lsO sacerdote oferecerá a vítima
de Israel, e lhes dirás: Quando al­ sôbre o altar; e, torcendo-lhe a ca­
gum de vós oferecer ao Senhor uma beça sôbre o pescoço, e fazendo-lhe
hóstia de quadrúpedes, isto é, quando uma ferida, fará correr o sangue sô­
oferecer vítimas de bois e de ovelhas, bre a borda do altar; 16porém, o papo
3se a sua oferta fôr um holocausto, e as penas lançá-los-á perto do altar
e êste da manada, oferecerá um ma­ para o lado do oriente, no lugar on­
cho sem defeito à porta do taberná­ de se costumam lançar as cinzas, 17e
culo do testemunho, para que o Se­ quebrar-lhe-á as asas, e não a corta­
nhor lhe seja propício. 4E porá a mão rá nem a dividirá com ferro, mas
sôbre a cabeça da vítima, e ela será queimá-la-á sôbre o altar, depois de
aceita, e aproveitará para sua expia- ter pôsto fogo por baixo da lenha.
ção; 5e imolará o novilho diante do Isto é um holocausto e uma oferta
Senhor, e os sacerdotes, filhos de A- de suavíssimo cheiro ao Senhor.
rão, oferecerão o seu sangue, derra­
mando-o ao redor do altar, que está Ofertas de flo r de farinha
diante da porta do tabernáculo; °e,
tirada a pele à vítima, farão em pe­ 2 gu an d o qualquer pessoa fizer ao
daços os seus membros, 7e porão fo ­ u Senhor uma oferta de sacrifí­
go sôbre o altar, depois que tiverem cio, a sua oferta será de flor de fa ­
pôsto em ordem a lenha, 8e colocarão rinha; e derramará sôbre ela azeite, e
em cima por ordem os membros cor­ porá incenso, 2e a levará aos sacer­
tados, a saber, a cabeça e tudo o que dotes, filhos de Arão, um dos quais
está pegado ao fígado, 9os intestinos tomará um punhado da flor de fari­
e os pés lavados em água; e o sacer­ nha com azeite, e todo o incenso, e
dote queimará estas coisas sôbre o porá estas coisas como um memorial
altar em holocausto e em suave chei­ sôbre o altar, em suavíssimo cheiro
ro ao Senhor. ao Senhor. 3E o que ficar do sacrifí­
cio será de Arão e dos seus filhos, e
Holocausto de grado será uma coisa santíssima entre as
ofertas feitas ao Senhor.
10Porém se a oferta de quadrúpe­
des fôr um holocausto de ovelhas ou Ofertas de pão
de cabras, oferecerá um macho sem
defeito; ue o imolará diante do Se­ “Mas, quando ofereceres um sacri­
nhor ao lado do altar, que olha para fício de coisa cozida no forno, será
o aquilão; e os filhos de Arão derra­ de flor de farinha, isto é, de pães sem
marão o seu sangue em tôda a volta fermento amassados com azeite, e f i­
sôbre o altar. lhos ázimos untados com azeite. 5Se
12E dividirão os membros, a cabe­ a tua oferta fôr de coisa frita em ser-
ça e tudo o que está pegado ao fíga­ tã, seja flor de farinha, amassada em
do; e os disporão sôbre a lenha, a azeite e sem fermento; °dividí-la-ás
que se porá fogo por baixo. em pequenos pedaços, e lhe deitarás
13E lavarão os intestinos e os pés azeite por cima. 7Mas, se o sacrifício
com água. E o sacerdote queimará fôr de coisa cozida sôbre a grelha,
sôbre o altar todas as coisas ofere­ igualmente será a flor de farinha
2-4 LEvÍTICO 125
com azeite; 8e, oferecendo-a ao Se­ os rins. 5E queimarão tudo isto em
nhor, a porás nas mãos do sacerdote, holocausto sôbre o altar, depois de
°o qual oferecendo-a, tomará uma ter pôsto fogo debaixo da lenha, em
parte do sacrifício como um memo­ oblação de suavíssimo cheiro ao Se­
rial, e a queimará sobre o altar em nhor.
cheiro de suavidade ao Senhor. 10Tu-
do o que ficar será de Arão e de seus Sacrifício pacífico de um cordeiro
filhos; e será uma coisa santíssima 6Porém, se a oferta e hóstia pacífi­
entre as ofertas feitas ao Senhor. ca de alguém fôr de ovelhas, quer
Nem fermento nem mel ofereça um macho, quer uma fêmea,
serão sem defeito. 7Se oferecer um
nTôda a oferta que se fizer ao Se­ cordeiro diante do Senhor, 8porá a
nhor, será sem fermento, e no sacri­ sua mão sôbre a cabeça da sua v íti­
fício ao Senhor não se queimará ma, a qual será imolada no vestíbulo
em cima do altar coisa de fermen­ do tabernáculo do testemunho; e os
to ou de mel. 12Destas coisas ofere­ filhos de Arão derramarão o seu san­
cereis somente primícias e dons, mas gue em redor do altar. °E da hóstia
não serão postos sôbre o altar em pacifica oferecerão em sacrifício ao
cheiro de suavidade. Senhor a gordura e tôda a cauda,
Ternpêro de sal 10com o s rins e a gordura que cobre
o ventre e tôdas as vísceras, os dois
13Temperarás com sal tudo o que rins com a gordura que está junto
ofereceres em sacrifício, e não tira­ dos lombos, e o redenho do fígado
rás do teu sacrifício o sal da alian­ com os rins. 11E o sacerdote quei­
ça do teu Deus. Em tôda a tua o- mará estas coisas sôbre o altar, em
ferta oferecerás sal. alimento do fogo, *e em oblação ao
O ferta das primicias Senhor. 12Se a oferta de alguém
fôr uma cabra, e a oferecer ao Se­
14Se, porém, fizeres ao Senhor uma nhor, 13pôr-lhe-á a mão sôbre a ca­
oferta das primícias dos teus fru­ beça, e a imolará à entrada do taber-
tos, de espigas ainda verdes, tor- náculo do testemunho. E os filhos
rá-las-ás ao fogo, e moê-las-ás co­ de Arão derramarão o seu sangue
mo se faz (aos grãos) de trigo, e as­ ao redor do altar. 14E tomarão de­
sim oferecerás as tuas primícias ao la para o alimento do fogo do Se­
Senhor, 15derramando azeite sôbre nhor a gordura que cobre o ventre,
(elas) e pondo-lhes por cima incen­ e tôdas as vísceras; 15os dois rins com
so, porque é uma oferta do Senhor, o redenho, que está sôbre êles junto
16da qual o sacerdote queimará, em dos lombos, e à gordura do fígado
memória do donativo, uma parte do com os rins. 1#E o sacerdote quei­
grão moído, e do azeite, e todo o mará estas coisas sôbre o altar em
incenso. alimento do fogo, e em suavíssimo
Sacrifícios pacíficos de bois
cheiro.

O *Se a oferta de alguém fôr uma Conclusão


hóstia pacífica, e quiser oferecer Tôda a gordura será do Senhor,
bois, apresentará diante do Senhor 17por um direito perpétuo em tôdas
um macho ou uma fêmea sem de­ as vossas gerações, e em tôdas as
feito. 2E porá a mão sôbre a cabe­ vossas moradas; jamais comereis san­
ça da sua vítima, a qual será imola­ gue ou gordura.
da à entrada do tabernáculo do teste­
munho, e os sacerdotes filhos de Arão Introdução
derramarão o sangue ao redor do al­
tar. 3E oferecerão da hóstia pacífi­ A JE o Senhor falou a Moisés, di-
ca em oblação ao Senhor a gordura * zendo: 2Dize aos filhos de Is­
que cobre as vísceras, e tudo o que rael: A alma que pecar por ig ­
há de gordura interiormente; 4os dois norância, e fizer alguma das coisas
rins com a gordura, que cobre os que o Senhor mandou que se não f i­
lombos, e o redenho do fígado com zessem:
126 LEVÍTICo 4
Sacrifício pelo pecado aspersões em frente do véu. 18E po­
do Sumo Sacerdote rá do mesmo sangue sôbre as pontas
do altar, que está diante do Senhor
3Se é o sacerdote, que foi ungido, no tabernáculo do testemunho; e o
que pecou, fazendo pecar o povo, ofe­ resto do sangue derramá-lo-á ao pé
recerá ao Senhor pelo seu pecado um do altar dos holocaustos, que está à
novilho sem defeito; 4e o conduzirá entrada do tabernáculo do testemu­
à porta do tabernáculo do testemunho nho. 19E tirará (em seguida) toda
diante do Senhor, e pôr-lhe-á a mão a gordura, e queimá-la-á sôbre o al­
sôbre a cabeça, e o imolará ao Senhor. tar, -'"fazendo dêste novilho o mes­
5Tomará também do sangue do no­ mo que fêz do precedente; e orando
vilho, e o levará dentro do taber- o sacerdote por êles, o Senhor lhes
náculo do testemunho. °E, molhan­ será propício. 21E levará para fora
do o dedo no sangue, fará com êle dos acampamentos o mesmo novilho,
sete aspersões diante do Senhor, em e o queimará como o precedente; por­
frente do véu do santuário. 7E po­ que é oferecido pelo pecado do povo.
rá do mesmo sangue sôbre as pon­
tas do altar dos perfumes muito agra­ Sacrifício pelo pecado de um príncipe
dáveis ao Senhor, o qual (a lta r) es­
tá no tabernáculo do testemunho; e “ Se um príncipe pecar, e fizer por
todo o resto do sangue derramá-lo-á ignorância alguma das muitas coisas
aos pés do altar dos holocaustos à proibidas pela lei do Senhor, 23e, de­
entrada do tabernáculo. 8E tirará pois conhecer o seu pecado, oferecerá
(em seguida) a gordura do novilho como hóstia ao Senhor um bode sem
(im olado) pelo pecado, não só a que defeito tirado dentre as cabras. 24E
cobre as vísceras, mas também tôda porá a sua mão sôbre a cabeça dêle;
a que está no interior; 9os dois rins e e, depois de o tér imolado no lugar
o redenho que está sôbre êles junto onde se costuma degolar o holocaus­
da região lombar, e a gordura do fí­ to diante do Senhor, porque é (sa­
gado com os rins, 10(tira rá estas coi­ crifício ) pelo pecado, “ o sacerdote
sas) do mesmo modo que se tiram molhará o dedo no sangue da hóstia
do novilho da hóstia pacífica; e quei­ (oferecida) pelo pecado, e porá (do
má-las-á sôbre o altar dos holocaus­ mesmo sangue) sobro as pontas do al­
tos. "Mas a pele e tôda a carne com tar dos holocaustos, e derramará o
a cabeça e os pés e os intestinos e os resto ao pé do altar. “ A gordura, po­
excrementos, 12e o resto do corpo, le- rém, queimá-la-á sôbre (o a ltar), co­
vá-los-á fora dos acampamentos a um mo se costuma fazer nas hóstias pa­
lugar limpo, onde se costumam dei­ cificas; e o sacerdote orará por êle
tar as cinzas, e queimá-los-á sôbre e pelo seu pecado, e (este) lhe será
um feixe de lenha, e será queimado perdoado.
no lugar onde se costumam deitar as
cinzas. Sacrifício por uma pessoa do povo

Sacrifício pelo pecado do povo 27Se, porém, algum do povo da ter­


ra pecar por ignorância, e fizer al-
13Porém, se tôda a multidão de Is­ uma das coisas proibidas pela lei do
rael pecar por ignorância, e por im- § enhor, e prevaricar, 28e reconhecer
perícia fizer alguma coisa que é con­ o seu pecado, oferecerá uma cabra
tra o mandamento do Senhor, 14e de­ sem defeito. ^E porá a mão sôbre a
pois conhecer o seu pecado, oferece­ cabeça da hóstia, que é (oferecida)
rá pelo seu pecado um novilho, e con­ pelo pecado, e imolá-la-á no lugar do
duzi-lo-á à porta do tabernáculo. 15E holocausto. 30E o sacerdote tomará
os anciãos do povo porão as mãos sô- com o seu dedo do sangue, e, tendo
bre a sua cabeça diante do Senhor. pôsto algum sôbre as pontas do altar
E, imolado o novilho na presença do dos holocaustos, derramará o resto
Senhor, 16o sacerdote, que foi ungi­ ao pé do mesmo altar. 31E, tirando-
do, levará sangue dêle ao tabernácu- lhe tôda a gordura, como se costu­
lo do testemunho, 17e, molhado o de­ ma tirar das vitimas pacíficas, quei­
do (no sangue), fará (com êle) sete má-la-á sôbre o altar em cheiro de
4 -6 LEVÍTICO 127

suavidade para o Senhor; e orará por que pegada ao pescoço, e não seja
êle, e lhe será perdoado. 32Se, po­ totalmente separada. °E aspergirá
rém, oferecer pelo pecado uma v í­ com o seu sangue a parede do altar;
tima de ovelhas, será uma ovelha sem e o restante fá-lo-á cair gôta a gôta
defeito. 33Pôr-lhe-á a mão sôbre a ao pé do mesmo altar, porque é ( sa-
cabeça, e imolá-la-á no lugar onde se crifício) pelo pecado. 10A outra (a v e ),
costumam matar as vítimas dos holo- porém, queimá-la-á em holocausto,
caustos. 34E o sacerdote tomará com como se costuma fazer; e o sacerdo­
o dedo do sangue dela, e, pondo al­ te orará por êle e pelo seu pecado,
gum sôbre as pontas do altar dos ho- e lhe será perdoado. 11E, se não tiver
locaustos, derramará o resto ao pé do posses para oferecer duas rôlas ou
mesmo altar. 35E, tirando também dois pombinhos, oferecerá pelo seu
tôda a gordura, como se costuma ti­ pecado a décima parte dum efi de
rar a gordura do carneiro, que se i- flor de farinha; não lhe misturará
mola nos sacrifícios pacíficos, queimá- azeite nem lhe porá em cima incen­
-la-á sôbre o altar em holocausto ao so, porque é (u m sacrifício) pelo pe­
Senhor; e orará por aquêle homem e cado; 12e entregá-la-á ao sacerdote, o
pelo seu pecado, e lhe será perdoado. qual, tomando um punhado dela, a
queimará sôbre o altar, em memó­
Três pecados particulares. Como devem ria de quem a ofereceu, 18orando por
ser expiados êle e expiando-o; a porção, porém,
que restar, tê-la-á o sacerdote em
£ 7Se um homem pecar, porque, donativo.
tendo ouvido alguém que fa ­
zia um juramento, e sendo testemu­ Vítimas que se devem oferecer
nha da causa, porque a viu ou teve pelo delito
conhecimento dela, não a quiser de­ 14Falou mais o Senhor a Moisés, di­
clarar, levará a sua iniqüldade. 2A zendo: 15Se alguma pessoa pecar por
pessoa que tocar alguma coisa impu­ êrro, transgredindo as cerimônias nas
ra, quer seja um animal (im p u ro ), coisas santificadas ao Senhor, ofere­
morto por uma fera ou morto por si cerá pelo seu delito um carneiro sem
mesmo, quer seja algum dos répteis defeito, tomado dos rebanhos, do va­
(im puros), (em bora) se tenha esque­ lor de dois siclos, conforme o pêso
cido desta impureza, é réu e delin- do santuário; 16e ressarcirá o dano
qüiu. ®E, se tocar alguma coisa im­ que fêz; e juntará mais uma quinta
pura de outro homem, qualquer que parte, dando-a ao sacerdote, o qual
fôr a impureza com que êle pode man- orará por êle, oferecendo o carneiro,
char-se, e, não tendo advertido nisso, e lhe será perdoado. 17Se alguma
o conhecer depois, ficará sujeito à pessoa pecar por ignorância, e fize r
culpa. 4A pessoa que jurar e declarar alguma daquelas coisas que são proi­
com seus lábios que há de fazer al­ bidas pela lei do Senhor, e, achando-
guma coisa má ou boa, e confirmar se ré de culpa, reconhecer a sua ini-
isso mesmo com juramento e com qüidade, 18oferecerá ao sacerdote um
palavras, e, tendo-se esquecido, co­ carneiro sem defeito tirado do reba­
nhecer depois o seu delito, 5faça peni­ nho, conforme a medida e a conside­
tência pelo pecado (que cometeu nu- ração do pecado; e o sacerdote orará
ma destas três coisas) °e ofereça do por êle, porque pecou sem o saber, e
seu rebanho uma cordeira ou uma lhe será perdoado, 19porque delinqüiu
cabra, e o sacerdote orará por êle por êrro contra o Senhor.
e pelo seu pecado; 7mas, se não pu­
der oferecer uma cordeira ou uma Pecado por desprêzo
cabra, ofereça ao Senhor duas rôlas
ou dois pombinhos, um pelo pecado, C 1E o Senhor falou a Moisés, di-
outro em holocausto; 8e dá-los-á ao u zendo: 2A pessoa que pecar, e
sacerdote, o qual, oferecendo o pri­ que, desprezando o Senhor, negar ao
meiro pelo pecado, lhe torcerá a ca­ seu próximo o depósito confiado à
beça sobre as asas, de sorte que fi­ sua fé, ou tirar alguma coisa por vio-
Cap. V — 1. Levará a sua iniqüidade, isto é, será réu de culpa.
128 LEVÍTICO 6-7
lência, ou cometer uma fraude, 3ou, dela é oferecida em holocausto do
tendo encontrado uma coisa perdida, Senhor. Esta oferta será urna coisa
a nega, acrescentando o juramento, santíssima, como o que se oferece
ou fizer alguma outra das muitas pelo pecado e pelo delito. MSó os
coisas, em que os homens costumam varões da estirpe de Arão comerão
pecar, “sendo convencida do seu de­ dela. Será esta uma lei eterna em
lito, restituirá por inteiro 5ao dono tôdas as vossas gerações no tocante
a quem fêz o dano, tudo o que usur­ aos sacrifícios do Senhor; todo o que
pou por fraude, e uma quinta parte tocar estas coisas será santificado.
a mais. °E pelo seu pecado oferecerá Nos sacrifícios para a sagração
do rebanho um carneiro sem defeito, do pontífice
e o dará ao sacerdote, conforme a
consideração e a medida do delito; 7e 19E o Senhor falou a Moisés, di­
o sacerdote orará por ela diante do zendo: ^Esta é a oferta de Arão e de
Senhor, e lhe será perdoada por qual­ seus filhos, a qual devem fazer ao
quer coisa que fêz pecando. Senhor no dia da sua unção. Ofere­
Funções dos sacerdotes cerão em sacrifício perpétuo a déci­
no holocausto quotidiano ma parte dum efi de flor de farinha,
metade pela manhã e metade à tarde.
8E o Senhor falou a Moisés, dizen­ “ Esta farinha borrifada com azeite
do: 90rdena a Arão e a seus filhos: será frita na sertã; e oferecê-la-á
Esta é a lei do holocausto: O holo­ quente, em cheiro suavíssimo ao Se­
causto arderá sôbre o altar tôda a nhor, “ o sacerdote que legitimamen-
noite até pela manhã; o fogo será to­ te suceder a seu pai; e será queima­
mado do mesmo altar. 10O sacerdo- da tôda sôbre o altar; “ porque todo
;e vestir-se-á de túnica e de calções o sacrifício dos sacerdotes será con­
de linho; e tomará as cinzas, a que sumido pelo fogo, e ninguém comerá
o fogo devorador reduziu o holocaus­ dêle.
to, e, pondo-as junto do altar, use N os sa c rifíc io s pelo pecado
despojará dos primeiros vestidos, e,
vestido de outros, as levará para fo ­ 24E o Senhor falou a Moisés, di­
ra dos acampamentos, e fará que se zendo: “ Dize a Arão e a seus filhos:
consumam num lugar limpo até à Esta é a lei da hóstia pelo pecado:
última faúlha. 120 fogo arderá sem­ Será imolada diante do Senhor no
pre sôbre o altar, e o sacerdote o lugar onde se oferece o holocausto.
conservará, pondo-lhe todos os dias É esta uma coisa santíssima. ^
pela manhã lenha, sôbre a qual colo­ sacerdote que a oferece, comê-la-á
cará o holocausto e queimará a gor­ no lugar santo, no átrio do taber-
dura das hóstias pacíficas. 18Êste é o náculo. 27Tudo o que tocar as suas
fogo perpétuo, que nunca faltará sô­ carnes, será santificado. Se algum
bre o altar. vestido fôr salpicado com o seu san­
gue, lavar-se-á no lugar santo. “ E
N os sa c rifíc ios incruentos 0 vaso de barro, em que foi cozida,
14Esta é a lei do sacrifício e das quebrar-se-á; mas, se o vaso fô r de
libações, que os filhos de Arão devem bronze, será esfregado e lavado com
oferecer na presença do Senhor, e água. 29Todo o varão da linhagem
diante do altar. “ O sacerdote toma­ sacerdotal, comerá das suas carnes,
rá um punhado de flor de farinha porque é uma coisa santíssima. “ A
borrifada com azeite, e todo o incen­ hóstia, porém, imolada pelo pecado,
so que se pôs sôbre a flor de fari­ cujo sangue se leva ao tabernáculo
nha; e queimará tudo sôbre o altar do testemunho para se fazer a ex-
em memória de cheiro suavíssimo pa­ piação no santuário, não será comi­
ra o Senhor. 10O restante, porém, da, mas será queimada no fogo.
da flor de farinha comê-lo-á Arão Sacrifício pelo delito
com seus filhos, sem fermento; e co-
mê-lo-á no lugar santo, no átrio do 7 1Eis agora a lei da hóstia pelo
tabernáculo. 17Não se fará ferm en­ 1 delito. Ela é santíssima; p o r ­
tar esta farinha, porque uma parte tanto onde se imolar o holocausto,
7 LEVÍTICo 129
se imolará também a vítima pelo de­ nar-se-á inútil, e não aproveitará ao
lito; o seu sangue se derramará ao oferente; antes, pelo contrário, to­
redor do altar. 3Oferecerão dela a do o que se contaminar com tal co­
cauda e a gordura, que cobre as vísce­ mida, será réu de prevaricação. 19A
ras; 4os dois rins, a gordura, que carne que tiver tocado alguma coi­
cobre os lombos, e o redenho do fíga­ sa impura, não se comerá, mas será
do com os rins. 5E o sacerdote os consumida no fogo. Aquêle que es­
queimará sôbre o altar; é o holocaus­ tiver puro poderá comer da hóstia
to do Senhor pelo delito. 6Todo o (pacífica). 20A pessoa impura, que
varão da estirpe sacerdotal comerá comer da carne da hóstia dos sr.cri-
destas carnes no lugar santo, por­ fícios pacíficos, que foi oferecida ao
que é uma coisa santíssima. 7Co- Senhor, pereçerá do meio do seu
mo se oferece a hóstia pelo pecado, povo. 21E o que tiver tocado qual­
assim (se oferece) pelo delito; será quer coisa impura, seja de um ho­
uma só lei para uma e outra hóstia; mem, seja de um animal, ou de
(a vítim a ) pertencerá ao sacerdote qualquer outra coisa, que possa con­
que a oferecer. 80 sacerdote que taminar, e comer destas carnes, pe­
oferece a vítima do holocausto, terá recerá do meio do seu povo.
a sua pele. 9E tôda a oblação de
flor de farinha, que se coze no fo r­ Proibições relativas à gordura
no, e tudo o que se prepara sôbre a e ao sangue
grelha, ou na sertã, será do sacerdo­
te que a oferece. 10Ou ela seja amas­ 22E o Senhor falou a Moisés, dizen­
sada em azeite, ou seja sêca, será do: 23Dize aos filhos de Israel: Não
dividida por todos os filhos de Arão, comereis gordura de ovelha, nem de
em igual porção a cada um. boi, nem de cabra. 24A gordura dum
animal morto por si mesmo ou mor­
Sacrifícios pacíficos to por uma fera, podereis utilizá-la
em vários outros usos. “ Se alguém
nEsta é a lei da hóstia dos sacri­ comer da gordura, que deve ser ofe­
fícios pacíficos que se oferece ao Se­ recida em sacrifício (fe ito ) pelo fogo
nhor. 12Se a oferta fôr em ação de ao Senhor, será exterminado do melo
graças, oferecer-se-ão pães sem fe r­ do seu povo. 26Igualmente não to­
mento amassados em azeite, tortas mareis como alimento o sangue de
ázimas untadas com azeite e flor de nenhum animal, tanto de aves como
farinha cozida, e filhós amassadas e de quadrúpedes. 27Tôda a pessoa que
misturadas com azeite; 13e também comer sangue, perecerá do meio do
pães fermentados juntamente com a seu povo.
hóstia de ação de graças, a qual se Regras complementares relativas
imola por sacrifício pacífico. 14Um ao sacriffcio pacifico
dêstes pães será oferecido ao Senhor
por primícias, e será do sacerdote que “ E o Senhor falou a Moisés, dizen­
derramar o sangue da hóstia, “ cujas do: “ Fala aos filhos de Israel, e di­
carnes serão comidas no mesmo dia, ze-lhes: Aquêle que oferece ao Se­
e não ficará nada até de manhã. nhor a vítima dos sacrifícios pacífi­
,0Se alguém oferecer uma hóstia por cos, ofereça ao mesmo tempo o seu
voto ou espontâneamente, também sacrifício, isto é, as suas libações.
esta será comida no mesmo dia; se, 30Terá nas mãos a gordura e o peito
porém, ficar algum resto para o ou­ da hóstia; e, depois que tiver consa­
tro dia, será lícito comê-lo; 17mas tu­ grado uma e outra coisa oferecendo-
do o que (ainda) restar (da carne da as ao Senhor, entregá-las-á ao sa­
vítim a) ao terceiro dia, será consu­ cerdote, 31o qual queimará a gordu­
mido no fo g o . 18Se alguém comer ra sôbre o altar, mas o peito será de
ao terceiro dia das carnes da hóstia Arão e dos seus filhos. 32A espá-
dos sacrifícios pacíficos, a oferta tor­ dua direita das hóstias dos saerlfí-
Cap. V I I — 2». Ofereça ao mesmo tempo, etc. Segundo o original: L e ve êle mesmo ao
senhor a sua oferta tirada da vitim a dos sacrifícios pacíficos. Ordena-se que quem ofe­
rece leve pessoalmente ao altar a porção da vitim a que pertence a Deus.

ft Biblia Sagrada
130 L E vÍT IC o 7 - 8
cios pacíficos pertencerá também co­ TJnçóes do tabernáculo e do sumo
mo primícias ao sacerdote. 33Aquê- pontífice
le dos filhos de Arão que oferecer o 10Tomou, além disso, o Óleo da un-
sangue e a gordura, terá também a ção, com que ungiu o tabernáculo e
espádua direita como sua porção. todas as suas alfaias. UE, tendo as-
34Porque o peito da elevação, e a es- pergido sete vêzes o altar para o san­
pádua da separação, os tomei eu dos tificar, ungiu-o, e todos os seus uten­
filhos de Israel das suas hóstias pa­
cíficas, e os dei ao sacerdote Arão sílios, e a bacia com a sua base, e
e a seus filhos, como um fôro perpétuo santificou-o com óleo. 12E, derra­
(im posto) a todo o povo de Israel. mando o óleo sôbre a cabeça de Arão,
35Esta é a unção de Arão e de seus ungiu-o e consagrou-o.
filhos nas cerimônias do Senhor, no São revestidos os filhos de Arão
dia em que Moisés lhos apresentou
para exercerem as funções do sa­ 13E, depois de os ter apresentado,
cerdócio, 36e é isto o que o Senhor or­ revestiu também os seus filhos de tú­
denou que lhes seja dado pelos f i­ nicas de linho, e cingiu-os com os
lhos de Israel por uma observância cíngulos, e pôs-lhes mitras na cabeça,
religiosa, perpétua nas suas gerações. como o Senhor tinha ordenado.
Conclusão Sacrifício dum novilho pelo pecado

37Esta é a lei do holocausto e do 14Ofereceu também um novilho pe­


sacrifício pelo pecado e pelo delito, lo pecado; e, tendo Arão e seus f i­
e pela consagração, e pelas vitimas lhos pôsto as suas mãos sôbre a cabe­
dos sacrifícios pacíficos; “ a qual o ça do novilho, ia(Moisés) imolou-o; e,
Senhor prescreveu a Moisés sobre o tomando o sangue, e molhando nêle
Monte Sinai, quando ordenou aos f i­ o dedo, tocou as pontas do altar ao
lhos de Israel que fizessem as suas redor; e tendo-o assim purificado e
oblações ao Senhor no deserto do santificado, derramou o resto do san­
Sinal. gue aos pés dêle. 10E queimou so­
bre o altar a gordura, que estava so­
Consagração dos sacerdotes bre as vísceras, e o redenho do fíga­
do, e os dois rins com a sua gordu­
O *E o Senhor falou a Moisés di- ra; 17mas queimou fora dos acampa­
° zendo: 2Toma Arão com seus mentos o novilho com a sua pele, e
filhos, as suas vestes, e o óleo da as carnes, e os excrementos, como
unção, o novilho pelo pecado, os dois o Senhor tinha ordenado.
carneiros, e o cêsto dos ázimos, 8e Holocausto
juntarás tôda a multidão à entra­
da do Tabernáculo. 4E Moisés fêz 18Ofereceu também um carneiro em
como o Senhor tinha ordenado. E, holocausto; e, tendo Arão e seus f i­
junta tôda a multidão diante da por­ lhos pôsto as mãos sôbre a sua ca­
ta do tabernáculo, 5disse: Eis o que beça, 19imolou-o e derramou-lhe o
o Senhor ordenou que se faça. eE sangue ao redor do altar. ^E, divi­
logo apresentou Arão e seus filhos. dindo em pedaços o carneiro, quei­
E, tendo-os lavado, 7revestiu o pon­ mou no fogo a cabeça, os membros
tífice da túnica de linho, e cingiu-o e a gordura, atendo-lhe primeiro la­
com o cíngulo, e revestiu-o com o vado os intestinos e os pés; e quei-
vestido de jacinto, e pôs sôbre êle o mou sôbre o altar o carneiro todo
efod, 8e, apertando-o com o cíngulo, inteiro, por ser um holocausto de sua­
ajustou-o ao racional, em que estava víssimo cheiro para o Senhor, como
(e s c rito ): D o u t r in a e V erdade , c o ­ êste lhe tinha ordenado.
briu-lhe também a cabeça com a tia­
Sacrifício pacífico
ra, e sôbre ela diante da testa pôs
a lâmina de ouro consagrada e san­ “ Ofereceu mais o segundo carnei­
tificada, como o Senhor lhe tinha ro na sagração dos sacerdotes; e Arão
ordenado. e os seus filhos puseram as suas mãos
8 - 9 LEVÍTICO 131
sobre a cabeça dêle. “ E Moisés, ten­ pletar o rito do sacrifício. “ De dia
do-o imolado, tomou do seu sangue e e de noite estareis no tabernáculo ve­
tocou com êle a extremidade da ore­ lando ao serviço do Senhor, para que
lha direita de Arão, e o dedo polegar não suceda morrerdes; porque as­
da sua mão direita, e igualmente do sim me foi ordenado. 36E Arão e
pé. 24Apresentou também os filhos seus filhos fizeram tudo o que o Se­
de Arão; e, tendo tocado com o san­ nhor lhes tinha ordenado por meio
gue do carneiro imolado a extremi­ de Moisés.
dade da orelha direita de cada um,
e os dedos polegares da mão e do Preparativos para as funções
pé direito, derramou o resto (do san­ sacerdotais
gue) em roda sobre o altar. “ Mas
separou a gordura, a cauda e tôda Q Chegado, pois, o oitavo, Moisés
a gordura que cobre os intestinos, e U chamou Arão e seus filhos, e
o redenho do fígado, e os dois rins os anciãos de Israel, e disse a Arão:
com a sua gordura, e a espâdua di­ T o m a da manada um novilho pelo
reita. 26E, tomando do cêsto dos â- pecado, e um carneiro para o holo­
zimos, que estava diante do Senhor, causto, um e outro sem defeito, e
um pão sem fermento, e uma torta oferece-os diante do Senhor. 3E dirás
amassada em azeite, e uma filhó, pôs aos filhos de Israel: Tom ai um bode
estas coisas sobre a gordura e a es- pelo pecado, e um novilho, e um cor­
pãdua direita, 27entregando tudo jun- deiro de um ano e sem defeito, para
tamente a Arão e aos seus filhos. o holocausto, 4um boi e um carneiro
E, depois que êles elevaram estas para sacrifício pacífico; e imolai-os
coisas diante do Senhor, “ Moisés re­ diante do Senhor, oferecendo no sa­
cebeu-as novamente das suas mãos, e crifício de cada um dêles flor de fa ­
queimou-as sôbre o altar do holo­ rinha misturada com azeite* porque
causto, porque era oferta de sagração, hoje o Senhor vos aparecera. 5L.eva-
e sacrifício de suave cheiro ao Se­ ram, pois, à entrada do tabernáculo
nhor. ME, depois de ter elevado tudo o que Moisés lhes ordenara;
diante do Senhor o peito do carnei­ e aí, enquanto tôda a multidão esta­
ro da consagração, tomou-o como por­ va em pé, 6Moisés disse: Isto é o que
ção sua, conforme lhe tinha orde­ o Senhor mandou: Fazei-o, e a sua
nado o Senhor. “ E, tomando o óleo glória vos aparecerá. 7Depois disse
e o sangue que estava sôbre o altar, a Arão: Aproxima-te do altar, e sa­
aspergiu com êle Arão e os seus ves­ crifica pelo teu pecado; oferece o ho­
tidos, os seus filhos e os vestidos locausto, e roga por ti e pelo povo;
dêstes. 31E, tendo-os santificado nos e, depois de teres sacrificado a hós­
seus vestidos, ordenou-lhes, dizendo: tia pelo povo, ora por êle, como o
Cozei as carnes' diante da porta do Senhor ordenou.
tabernáculo, e comei-as aí mesmo,
e comei também os pães da consa­ Arão oferece sacrifícios por si mesmo
gração que foram postos no cêsto,
como o Senhor me ordenou, dizen­ 8E logo Arão, aproximando-se do
do: Arão e seus filhos os comerão. altar, imolou o novilho pelo seu pe­
82Aquilo, porém, que sobrar da car­ cado; 9cujo sangue lhe apresentaram
ne e dos pães, consumí-lo-ã o fogo. os seus filhos, no qual molhando êle
o dedo, tocou as pontas do altar, e
Os sete dias de sagração derramou o resto aos pés do mesmo
altar. 10E queimou sôbre o altar a
“ Também não saireis da entrada gordura, e os rins, e o redenho do
do tabernáculo durante sete dias, até fígado, que são pelo pecado, confor­
ao dia em que se completar o tempo me o Senhor tinha ordenado a Moi­
da vossa sagração; porque a sagra­ sés; nas carnes, porém, e a pele con-
ção completa-se em sete dias; “ as­ sumiu-as pelo fogo fora dos acam­
sim como agora se fêz, para se com­ pamentos. 12Imolou também a víti-
Cap. V I I I — 34. O hebraico diz: Aquilo que hoje se fêz, o Senhor ordenou que se faça
(tam bém durante os sete dias) a fim de fazer a expiação por vós.
132 LEVÍTICO 9-10
ma do holocausto, e os seus filhos ordenado. 2E um fogo vindo do Se­
apresentaram-lhe o sangue dela, e nhor devorou-os e morreram diante
êle o derramou ao redor do altar. 18A- do Senhor. 8E Moisés disse a Arão:
presentaram-lhe também a mesma Isto é o que disse o Senhor: Eu se­
hóstia cortada em pedaços juntamen­ rei santificado naqueles que se apro­
te com a cabeça e todos os membros; ximam de mim, e serei glorificado
e queimou tudo isto no fogo sôbre em presença de todo o povo. Arão,
o altar, 14tendo primeiro lavado em ouvindo isto, calou-se. 4E Moisés, cha­
água os intestinos e os pés. mando Misael e Elisafan, filhos de
Òziel, tio de Arão, disse-lhes: Ide, e
A rão oferece sacrifícios pelo povo tirai v o s s o s irmãos de diante do san­
tuário, e levai-os para fora dos acam­
15E, sacrificando pelo pecado do pamentos. 5E êles foram logo, e le­
povo, imolou o bode, e purificado o varam-nos vestidos, como estavam,
altar, 16ofereceu o holocausto, 17jun- com as suas túnicas de linho, e lan­
tando ao sacrifício as libaçoes, que çaram-nos fora, como lhes fôra or­
se oferecem juntamente, e queiman­ denado. °E Moisés disse a Arão, e a
do-as sôbre o altar, além das ceri­ Eleazar, e a Itamar, seus filhos: Não
mônias do holocausto da manhã. descubrais a cabeça nem rasgueis os
18Imolou também o boi e o carneiro, vossos vestidos, não suceda m orrer­
hóstias pacíficas do povo; e os seus des vós, e levantar-se a ira do Se­
filhos apresentaram-lhe o sangue, e nhor contra o povo. Vossos irmãos e
êle derramou-o em roda sôbre o al­ tôda a casa de Israel chorem o in­
tar. 19Mas a gordura do boi, e a cau­ cêndio que o Senhor suscitou; 7vós,
da do carneiro, e os rins com a sua porém, não saireis da porta do taber­
gordura, e o redenho do fígado, apu­ náculo, aliás perecereis; porque o
seram-nos sobre os peitos (da hóstia); óleo da santa unção está sôbre vós.
e, depois de se terem queimado as E êles fizeram tudo conforme o pre­
gorduras sobre o altar, “ Arão pos à ceito de Moisés.
parte os peitos e as espáduas direi­
tas, elevando-as diante do Senhor, Os sacerdotes, nas funções sagradas,
como Moisés tinha ordenado. 22E, es­ são proibidos de beberern bebidas
tendendo a mão para o povo, aben- inebriantes
oou-o. E, completado assim o sacri-
ício pelo pecado, e o holocausto, e 8Disse também o Senhor a Arão:
a oblação da hóstia pacífica, desceu. 9Tu e teus filhos não bebereis vinho,
nem qualquer coisa que possa emr
Aparição da glória de Deus briagar, quando entrardes no taber­
náculo do testemunho, para que não
28Ora Moisés e Arão, tendo entrado morrais; porque êste é um preceito
no tabernáculo do testemunho, e ten­ eterno para as vossas gerações, 10e
do saído depois, abençoaram o povo.
E a gloria do Senhor apareceu a tôda para que tenhais a ciência de saber
a multidão; 24e eis que um fogo saí­ discernir entre o santo e o profano,
do do Senhor, devorou o holocausto entre o impuro e o puro; ue para
e as gorduras que estavam sôbre o ue ensineis aos filhos de Israel tô-
altar. O povo, vendo isto, louvou o as as minhas leis, que o Senhor
Senhor, lançando-se com o rosto por lhes prescreveu por intermédio de
terra. Moisés.
F alta e castigo de N ad ab e Abiu Como deve ser comido o que
ficar do sacrifício
1 A ^ r a Nadab e Abiu, filhos de
Arão, tendo tomado os turí- 12E Moisés disse a Arão, e a Elea­
bulos, puseram nêles fogo e incenso, zar, e a Itamar, os (dois) filhos que
oferecendo diante do Senhor um fogo lhe restavam: Tomai o sacrifício, que
estranho, o que não lhes tinha sido ficou da oblação do Senhor, e comei-
Cap. X — 6. Ê proibido a A rão e seus filhos tomarem luto por N a d a b e Abiú, pois
nestas circunstâncias o luto seria como que um protesto contra o procedimento de Deus.
10 - 11 LEVÍTICo 133

o sem fermento junto do altar, por­ porque rumina, mas não tem a unha
que é uma coisa santíssima. 13Comê- fendida; 7e o porco, o qual tem a
-lo-eis no lugar santo; porque é a unha fendida, mas não rumina. 8Não
parte das oblaçôes do Senhor, desig­ comereis das carnes dêstes animais,
nada para ti e para os teus filhos, nem tocareis os seus cadáveres, por­
conforme me foi ordenado. “ Come­ que são impuros para vós.
reis também, tu e teus filhos, e tuas
filhas contigo, hum lugar muito lim ­ Peixes
po, o peito, que foi oferecido, e a es- 9Eis os animais aquáticos dos quais
pãdua, que foi separada; porque são é lícito comer: Todos os que têm bar­
as partes reservadas para ti e para batanas e escamas, tanto no mar,
os teus filhos das hóstias pacíficas como nos rios e nos lagos, comê-los-
dos filhos de Israel; 15porque êles ele­ -eis. “ Mas tudo o que se move e vive
varam diante do Senhor a espádua, nas águas, sem ter barbatanas nem
o peito e as gorduras que se quei­ escamas, será abominável para vós
mam sôbre o altar; e pertencem a ti ne execrando; não comereis as suas
e aos teus filhos por uma lei perpé­ carnes, e evitareis (toca r) seus cor­
tua, como o Senhor ordenou. pos mortos. “ Todos os animais aquá­
“ Entretanto, procurando Moisés o ticos que não têm barbatanas nem
bode, que tinha sido oferecido pelo escamas serão (para vós) impuros.
pecado, achou-o queimado. E, irado
contra Eleazar e Itamar, os filhos Aves
que restavam a Arão, disse-lhes:
17Por que não comestes vós no lugar “ Entre as aves são estas as que
santo a hóstia pelo pecado, que é não deveis comer, e devem ser evita­
uma coisa santíssima, e vos foi dada, das: a águia, o grifo, e a águia ma­
a fim de que leveis a iniqüidade da rinha, 14e o milhano, e o abutre com
multidão e oreis por ela diante do os da sua espécie, 15e o corvo e to­
Senhor? “ Tanto mais que não leva­ das as espécies semelhantes ao corvo,
ram do seu sangue ao santuário, e “ o avestruz, e a coruja, a gaivota,
vós deverieis tê-la comido no san­ e o açor e tudo o que é da sua es­
tuário, como me foi ordenado. 10A- pécie. 170 mocho, a gaivota e o íbis,
rão respondeu: Hoje foi oferecida a 18e o cisne, e o pelicano, e o porfirião,
19a cegonha e o corvo marinho com
vítima pelo pecado, e o holocausto os da sua espécie, a poupa e o
diante do Senhor; a mim, porém, morcego.
aconteceu-me o que tu vês; como po­
dia eu comer desta vítima, ou agra­
Insetos com asas
dar ao Senhor nas cerimônias (achan­
do-me) com o espírito entristecido? “ Todo o volátil que anda sôbre
“ Moisés, tendo ouvido isto, admitiu quatro pés, será abominável para vós.
a desculpa. 21Todo o animal, porém que assim
Animais quadrúpedes
anda sôbre quatro pés, mas tem mais
compridas as pernas posteriores com
11 2E o Senhor falou a Moisés e que salta sôbre a terra, “ podeis co-
11 a Arão, dizendo: 2Dizei aos mê-lo, e tal é o brugo na sua espé­
filhos de Israel: Êstes são os animais cie, o ataco, o ofiômaco e o gafanho­
que deveis comer entre todos os to, cada um na sua espécie. “ Mas
animais da terra. 3Dentre os quadrú­ tôdas as aves que têm sômente qua­
pedes comereis todo o que tem a tro pés, serão execráveis para vós;
unha fendida, e rumina. 4Porém, to­ “ e todo o que tocar os seus corpos
do o que rumina e tem unha, mas mortos, ficará contaminado e será
não fendida, como o camelo e outros, impuro até à tarde; “ e, se fôr ne­
não o comereis, e contá-lo-eis entre cessário que êle leve algum dêstes
os (animais) impuros. 50 coelho, que animais morto, lavará os seus ves­
rumina, mas não tem a unha fendi­ tidos, e ficará imundo até ao pôr
da, é impuro. 6Igualmente a lebre, do sol.
134 LEvÍTICO 11-12
Contato dos cadáveres de animais mortos, imediatamente ficará con­
impuros taminada.
“ Todo o animal que tem unha, Contato de cadáveres dos animais
mas sem ser fendida, e que não ru­ puros
mina, será impuro; e aquêle que o
tocar, ficará contaminado, todos 39Se morrer algum daqueles ani­
os animais quadrúpedes, aquêles que mais, que vos é lícito comer, aquêle
andam sôbre as mãos serão impuros; que tocar o seu cadáver ficará impu­
aquêle que tocar os seus corpos m or­ ro até à tarde; ^e o que comer al­
tos, ficará impuro até à tarde. “ E guma coisa dêle, ou tiver levado al­
aquêle que levar êstes cadáveres, la­ guma porção, lavará os seus vestidos,
vará os seus vestidos e ficará impuro e ficará impuro até à tarde.
até à tarde, porque todos êstes (ani­ Répteis
mais) são impuros para Vós.
41Tudo o que anda de rastos sôbre
Répteis impuros a terra, sera abominável, e não será
^Também entre os animais, que usado como alimento. 42Não come­
se movem sobre a terra, se deverão reis nenhum daqueles animais que,
reputar como impuros êstes: a doni­ tendo quatro pés, anda sôbre o peito;
nha, e o rato, e o crocodilo, cada nem dos que, sendo quadrúpedes, ou
um segundo a sua espécie, " o musa­ tendo muitos pés, caminham sôbre O
ranho, o camaleão, a salamandra, o peito, ou se arrastam pela terra, por­
lagarto, e a toupeira. 31Todos êstes que são coisa abominável. "N ã o quei­
animais são impuros. Aquêle que to­ rais contaminar as vossas almas, nem
car os seus corpos mortos, ficará im­ toqueis alguma destas coisas, para
puro até à tarde. 32E tudo aquilo s ô - não ficardes impuros. 44Porque eu
bre que cair alguma coisa dos seus sou o Senhor vosso Deus; sêde san­
cadáveres, ficará contaminado, quer tos, porque eu sou santo; não man­
seja um vaso de pau, ou um vestido, cheis as vossas almas com o toque de
ou uma pele, ou um pano da Cilícia; algum réptil que se arrasta sôbre a
e qualquer instrumento que serve pa­ terra. 45Porque eu sou o Senhor, que
ra fazer alguma obra, se lavará em vos tirei da terra do Egito para ser o
água, e será impuro até à tarde, e vosso Deus. Vós sereis santos, por­
dêste modo será depois purificado. que eu sou santo.
“ Mas o vaso de barro, dentro do qual Conclusão
cair alguma coisa destas, ficará con­
taminado, e por isso se deve quebrar. 48Esta é a lei sôbre os animais
^Todo o alimento que comerdes, se (quadrúpedes) e as aves, e sôbre todo
se derramar água (dêstes vasos con~ o animai vivente, que se move na á-
taminados) sôbre êle, será impuro; gua, ou que anda de rastos pela terra,
e todo o líquido que se bebe de qual­ 47a fim de que vós conheçais a di­
quer vaso ( contaminado) , será impu­ ferença entre o puro e o impuro, e
ro. “ E sè alguma coisa dêstes ani­ saibais o que deveis comer e o que
mais mortos cair sôbre um vaso, êste deveis rejeitar.
ficará impuro; ou sejam fornos ou
marmitas, deverão destruir-se, e se­ Impureza da mulher que deu à luz
rão impuros. 36As fontes, porém, as
cisternas e todos os depósitos de água 12 1E o Senhor falou a Moisés di-
serão puros. Aquêle que tocar o cor­ zendo: 2Fala aos filhos de Is­
po morto dêstes animais, ficará im­ rael, e lhes dirás: Se uma mulher,
puro. 37Se cair (alguma coisa dêsse tendo concebido, der à luz um meni­
corpo) sobre semente, não a tornará no, será impura sete dias, como nos
impura. “ Mas, se alguém derramar dias da separação mênstrua. 3E, no
água sobre a semente, e esta depois oitavo dia, sera o menino circuncida-
fôr tocada por algum dêstes corpos do; 4ela, porém, permanecerá trinta
Cap. X I — 32. Pano da Cilícia. E ra ui tecido feito de pêlo de cabra, indústria da
Cilícia.
12 - 13 LEVÍTICO 135
e três dias a purificar-se do seu san­ nem se tiver alastrado mais além
gue. Não tocará coisa alguma santa, sôbre a pele, isolá-lo-á novamente
nem entrará no santuário, até se durante outros sete dias. °E, ao sé­
completarem os dias da sua purifica­ timo dia, examiná-lo-á; e, se a le­
ção. 5Se, porém, der à luz uma me­ pra fôr mais escura, e não se tiver
nina, será impura durante duas se­ alastrado sôbre a pele, declará-lo-á
manas, como no seu fluxo mênstruo, limpo, porque é sarna; e êste homem
e permanecerá sessenta e seis dias a lavará os seus vestidos, e será limpo.
purificar-se do seu sangue. 7Porém, se depois de ter sido visto
pelo sacerdote, e declarado limpo, a
Cerimônias de sua purificação lepra cresceu novamente, ser-lhe-á
reconduzido, 8e será declarado im­
6E completos que forem os dias puro .
da sua purificação por um filho ou 9Se houver chaga de lepra em al­
por uma filha, levará à porta do ta- gum homem, será levado ao sacerdo­
bernáculo do testemunho um cordei­ te, 10e êste o examinará. E, quando
ro de um ano para holocausto, e um sôbre a pele aparecer uma côr bran­
pombinho ou uma rôla pelo pecado, ca, e os cabelos tiverem mudado de
e os entregará ao sacerdote. 7E êle côr, e aparecer também a carne v i­
as oferecera diante do Senhor, e ora­ va, njulgar-se-á esta lepra muito in­
rá por ela e assim será purificada do veterada, e muito arraigada na pele.
fluxo do seu sangue; esta é a lei da­ Por isso o sacerdote o declarará im ­
quela que dá à luz um menino ou puro, e não o isolará, porque a sua
uma menina. 8Se ela, porém, não impureza é visível. 12Porém, se a
tiver com que possa oferecer um cor­ lepra alastra, lavrando sôbre a pe­
deiro, tomará duas rôlas ou dois pom- le, e a cobre tôda desde a cabeça
binhos, um para (ser oferecido em ) até aos pés, quanto podem ver os
holocausto, outro pelo pecado; e o olhos, 13o sacerdote o examinará, e
sacerdote orará por ela, e assim será declarará que êle tem uma lepra
purificada. limpíssima; porque se tornou tôda
!Lepra humana. Modos por que se branca, e por isso êste homem será
m anifesta limpo. 14Mas, quando nêle aparecer
a carne viva, 15então será impuro
1 *1 1E o Senhor falou a Moisés e por declaração do sacerdote, e será
1 ** a Arão, dizendo: 20 homem contado entre os impuros; porque a
em cuja pele e carne aparecer côr carne viva, se está atacada de lepra,
diversa, ou uma pústula, ou algu­ é impura. wPorém, se ela de novo
ma coisa de luzente, isto é, uma cha­ se torna branca, e cobriu todo o ho­
ga de lepra, será levado ao sacerdo­ mem, 17o sacerdote o examinará e
te Arão, ou a um dos seus filhos. declarará que está limpo.
8E êste, vendo a lepra na pele, e os 18Mas, se na carne e na pele em
)êlos mudados em côr branca, e O que tiver aparecido uma úlcera e se
Íugar onde aparece a lepra, mais tiver curado, 19e no lugar da úlcera
fundo do que o resto da pele e da aparecer uma cicatriz branca, ou que
carne, (declarará que) é urna cha­ tira a vermelho, será êste homem
ga de lepra, e será separado, segun­ levado ao sacerdote; *e, se êste v ir o
do a sua decisão. 4Porérn, se apa­ lugar da lepra mais fundo do que
recer sôbre a cútis urna côr branca o resto da carne, e que os pêlos se
luzente, e não (estiver) mais fundo tornaram brancos, declará-lo-á im ­
do que o resto da carne, e os pê­ puro; porque isto é o mal da lepra,
los forem da côr primitiva, O sa­ que se formou na úlcera. 21Mas, se
cerdote o isolará durante sete dias, o pêlo está da cor primitiva e a ci­
5e, ao sétimo dia, o examinará; e, catriz é um pouco escura, sem estar
se a lepra não tiver crescido mais, mais funda do que a carne vizi-
Cap. X I I — 6. Pelo pecadot isto é, pela impureza legai, que a tinha retido afastad a
d as coisas sagradas.
Cap. X I I I — 13. Porque se tornou branca. Quando a lepra branca cobria todo o
corpo, nôo tard ava a desaparecer.
136 LEVÍTICO 13
nha, o sacerdote o isolará durante se­ cha perseverar (no mesmo estado)
te dias. e os cabelos estiverem negros, re­
22E se (durante êste tem po) o conheça que o homem está são, e
mal cresceu, declará-lo-á leproso. afoitamente declare-o limpo.
23Mas se parou no seu lugar, é a ci­ “ O homem ou mulher, sôbre cuja
catriz da úlcera, e o homem será pele aparecerem manchas brancas,
lim po. 39o sacerdote os verá; e, se achar que
24A carne, porém, e a pele que foi sôbre a sua pele reluz um branco
ueimada pelo fogo, e depois de cura- escuro, saiba que não é lepra, mas
a tiver uma cicatriz branca ou ver­ uma mancha de cor branca, e que a
melha, “ o sacerdote a examinará; pessoa está limpa.
e, se (v ir ) que ela se tornou bran­ 40O homem, a quem caem os cabe­
ca, e que o lugar dela está mais los da cabeça, é calvo da fronte e
fundo do que o resto da pele, de- limpo. 41E, se lhe caírem os cabe­
clará-lo-á impuro, porque é chaga de los da fronte, é calvo em parte, e é
lepra que se formou na cicatriz. limpo. 42Porém, se sôbre a cabeça
26Mas, se a côr dos pêlos não mu­ calva ou sobre a fronte calva se ma­
dou e a chaga não está mais fun­ nifesta uma mancha branca ou ver­
da do que o resto da carne, e se melha, "0 sacerdote, gue o tiver vis­
a própria lepra aparece um pouco es­ to, declarará sem dúvida que tem
cura, isolá-lo-á durante sete dias, lepra, que apareceu sôbre a parte
27e, ao sétimo dia, o examinará. Se calva.
a lepra alastrou sôbre a pele, de­ Normas que devem ser observadas
clará-lo-á impuro. “ Mas, se a côr pelos leprosos
branca permanecer no seu lugar e
não é tão clara, é chaga de queima­ 44Portanto, todo aquêle que estiver
dura, e portanto será declarado lim ­ manchado de lepra, e estiver sepa­
po, porque é cicatriz de queimadu­ rado por juízo do sacerdote, "terá
ra. os vestidos descosidos, a cabeça des­
29Um homem ou uma mulher, em coberta, a boca coberta com o ves­
cuja cabeça ou barba aparecer a le­ tido, e clamará que está contamina­
pra, serão vistos pelo sacerdote, *°e do e impuro. "Durante todo o tempo
se o lugar estiver mais fundo do que que estiver leproso e impuro, habita­
o resto da carne, e o cabelo estiver rá só, fora dos acampamentos.
amarelado e mais delgado que de
ordinário, êle os declarará impuros, Lepra dos vestidos
porque é a lepra da cabeça e da 47Um vestido de lã ou de linho,
barba. 31Mas, se vir que o lugar da que fôr infetado de lepra "na urdi­
mancha está igual com a carne v i­ dura ou na trama, ou se uma pele,
zinha, e que o cabelo está negro, ou qualquer coisa feita de pele, 49fôr
isolá-lo-á durante sete dias, 82e exa­ infetada duma mancha branca ou ver­
miná-lo-á no sétimo dia. Se a man­ melha, reputar-se-á por lepra, e se
cha não cresceu, e o cabelo conser­ mostrará ao sacerdote.
vou a sua côr, e o lugar da chaga
está igual com o resto da carne, Exame feito pelo sacerdote, e trata­
33êste homem será rapado, menos no mento segundo os diferentes casos
lugar da mancha, e será isolado du­
rante outros sete dias. 34Se ao sétimo “ E êle, tendo-o examinado, o iso­
dia se vir que a chaga ficou no seu lará durante sete dias; 51e, no séti­
lugar, e não se tornou mais funda mo dia, tornando-o a ver de novo,
que o resto da carne, o sacerdote o se achar que (a mancha) cresceu, é
declarará limpo, e êle lavará *os seus uma lepra pertinaz; declarará impu­
vestidos, e será limpo. “ Porém, se ro o vestido e tudo aquilo em que
depois da sua purificação a mancha se encontrar tal mancha, 52e por isso
se alastrar de novo sôbre a pele, queimar-se-á nas chamas. “ Se, porém,
“ não examinará mais se o pêlo se vir que não cresceu, 84mandará que
tornou amarelado, porque evidente­ se lave aquilo em que está a lepra,
mente está impuro. 37Mas, se a man­ e o isolará durante outros sete dias.
13-14 leví TICO l37

55E quando vir que hão tornou ao brancelhas, e todos os pêlos do cor­
seu aspecto primitivo, ainda a po. E, lavados novamente os vesti­
lepra não tenha crescido, declarará dos e o corpo, 10no oitavo dia toma­
o vestido impuro, e queimá-lo-á no rá dois cordeiros sem defeito, e uma
fogo, porque a lepra se espalhou sô- ovelha de um ano sem defeito, e
bre a superficie ou por tôda a espes­ três dízimos de flor de farinha bor-
sura do vestido. “ Mas, se depois de rifada com azeite, para o sacrifício,
lavado o vestido, o lugar da lepra es­ e separadamente um sextário de a-
tiver mais escuro, cortá-lo-á e o se­ zeite.
parará do resto do vestido. 57Porém, nE depois que o sacerdote, que de­
se depois disto aparecer ainda uma ve purificar aquêle homem, o tiver
lepra volante e vaga naqueles lu­ apresentado juntamente com tôdas
gares, que antes estavam sem man­ estas coisas diante do Senhor à porta
cha, deve queimar-se (todo o vesti­ do tabernáculo do testemunho, 12to-
do) no fogo. “ Se (a mancha) de­ mará um cordeiro, e o oferecerá pelo
saparecer, lavará de novo com água delito com o sextário de azeite; e, o-
as partes que estão puras, e ficarão ferecidas tôdas estas coisas diante
limpas. 59Esta é a lei sôbre a lepra do Senhor, 13imolará o cordeiro, on­
do vestido de lã e de linho, da urdi­ de se costuma imolar a hóstia pelo
dura e da trama, e de todo o objeto pecado, e o holocausto, isto é, no lu­
feito de pele, (para se saber) como gar santo. Porque, tanto a hóstia
(estas coisas) se devem declarar lim ­ pelo pecado, como a que (se ofere­
pas ou impuras. ce) pelo delito, pertence ao sacer­
dote; é uma coisa santíssima.
Purificação do leproso 14E o sacerdote, tomando do san­
IA XE o Senhor falou a Moisés, di- gue da hóstia que foi imolada pelo
zendo: 2Êste é o rito do le­ delito, o porá sôbre a extremidade da
proso, quando houver de ser puri­ orelha direita daquele que se purifi­
ficado: Será levado ao sacerdote; 3e ca, e sôbre os dedos polegares da
êste, saindo fora dos acampamentos, mão e do pé direito, 15e derramará do
e vendo que a lepra esta curada, sextário de azeite sôbre a sua mão
4ordenará ao que deve ser purificado, esquerda, 10e molhará neste azeite o
que ofereça por si duas aves vivas, dedo direito, e fará sete aspersões
das que é permitido comer, e pau diante do Senhor. ” 0 que, porém,
de cedro, e escarlate e hissopo. 5E ficar do azeite na mão esquerda,
mandará que uma das aves seja imo­ derramá-lo-á sôbre a extremidade da
lada num vaso de barro, sôbre água orelha direita daquele que se puri­
viva; °e molhará a outra ave jviya, fica, e sôbre os dedos polegares da
e o pau de cedro, e o escarlate, e o mão e do pé direito, e sôbre o san­
hissopo, no sangue da ave imolada, gue que foi derramado pelo deli­
7e com êle aspergirá sete vêzes aquê- to, 18e sôbre a sua cabeça. 19E ora­
le que está para se purificar, a fim rá por êle diante do Senhor, e fa ­
de que seja legitimamente purifica­ rá o sacrifício pelo pecado; então
do; e (depois disto) soltará a ave v i­ imolará o holocausto, “ e pô-lo-á sô­
va, para que vôe para o campo. 8E, bre 0 altar com as suas libações, e
depois que êste homem tiver lavado os o homem ficará legitimamente pu­
seus vestidos, rapará todos os pêlos rificado .
do corpo, e lavar-se-á em água; e, Purificação do leproso pobre
purificado, entrará de novo nos a-
campamentos, sob a condição, po­ 21Porém, se é pobre e as suas pos­
rém, de que há de estar durante ses não podem alcançar o que* está
sete dias fora da sua tenda. °E, indicado, tomará um cordeiro para
ao sétimo dia, rapará todos os cabe­ a oblação pelo delito, a fim de que
los da cabeça, e a barba, e as so- o sacerdote ore por êle, e uma dízi-
Cap. X I V — 5. N u m vaso. O hebreu diz: sôbre um vaso. — Sôbre a água viva . O
vaso devia estar cheio de águ a viva, isto 6, de águ a duma fonte ou dum rio, e não dum a
cisterna.
10. Trêz dízimas, isto é, três gomores, que equivalem a onze litros e meio.
138 LEVÍTICo 14
ma de flor de farinha borrifada com a fechará por sete dias. 39E, vol­
azeite para o sacrifício, e um sextá- tando no sétimo dia, a examinará;
rio de azeite, 22e duas rôlas ou dois se achar que a lepra se estendeu,
pombinhos, um dos quais seja pelo 4"mandará que se arranquem as pe­
pecado, e o outro para o holocaus­ dras infeccionadas da lepra, e se lan­
to; 23e, ao oitavo dia da sua purifi­ cem fora da cidade num lugar imun­
cação, os apresentará ao sacerdote à do, 4le que depois se raspe todo o in­
porta do tabernáculo do testemu­ terior da casa ao redor, e que se
nho diante do Senhor. 24E o sacer­ lance todo o pó das raspaduras fo ­
dote, recebendo o cordeiro pelo de­ ra da cidade num lugar imundo,
lito, e o sextário de azeite, levá- 42e que se ponham outras pedras
-los-á juntamente; “ e, imolado o cor­ no lugar das que foram tiradas, e
deiro, porá do seu sangue sôbre a que se reboque a casa de novo.
extremidade da orelha direita daque­ 43Mas, se depois que foram tiradas
le que se purifica, e sôbre os dedos as pedras, e raspado o pó, e rebo­
polegares da sua mão e do seu pé cada de novo a casa, 44entrando ne­
direito. 26Derramará também uma la o sacerdote, vir que a lepra vol­
parte do azeite na sua mão esquerda, tou, e que as paredes estão salpica­
27e, molhando nêle um dedo da mão das de manchas, é uma lepra perti-
direita, fará sete aspersões diante do naz, e a casa está impura; 45e sem
Senhor; '28e tocará a extremidade da demora a destruirão, e se lançarão
orelha direita daquele que se puri­ fora da cidade num lugar imundo
fica, e os dedos polegares da mão as suas pedras, e as madeiras, e to­
e do pé direito, no lugar onde foi pôs- do o po. 46Aquêle que entrar na
to o sangue que se derramou pelo casa durante o tempo em que está
delito. ^O resto do azeite, que está fechada, ficará impuro até a tarde;
na mão esquerda, derramá-lo-á sô­ 47e o que nela dormir ou comer al­
bre a cabeça do homem que se pu­ guma coisa, lavará os seus vestidos.
rifica para lhe tornar propicio o Se­ Purificação das casas
nhor. 30E oferecerá as duas rôlas
ou os dois pombinhos, 31um pelo de­ 48Porém, se o sacerdote, entrando,
lito, e outro em holocausto, com vir que a lepra não lavrou na casa,
as suas libações. 32Êste é o sacrifí­ depois de a ter feito rebocar de no­
cio do leproso que não pode ter tu­ vo, a purificará declarando-a sadia.
do o que (há m ister) para a sua pu­ 49E para a sua purificação tomará
rificação. duas avezinhas, e pau de cedro, e
escarlate, e hissopo; ™e, imolada u-
Lepra das casas ma avezinha num vaso de barro sô­
33E o Senhor falou a Moisés e a bre água viva, 51tomará o pau de
Arão, dizendo: 34Quando tiverdes en­ cedro, o hissopo, e o escarlate, e a
trado na terra de Canaã, que eu avezinha viva, e molhará tudo no
vos darei em possessão, se houver sangue da ave imolada, e na água
nas casas chaga de lepra, 35o dono viva, e aspergirá sete vêzes a casa,
da casa irá dar parte disso ao sa­ 62e a purificará tanto com o sangue
cerdote, e dirá: Parece-me que na da avezinha como com a água v i­
minha casa há como uma chaga de va, e com a avezinha viva, e com
lepra. o pau de cedro, com o hissopo, e
36E êle mandará que tirem para com o escarlate. 53E, depois que ti­
fora tudo o que há na casa, antes ver soltado a avezinha para que vôe
que entre nela e veja se está lepro­ para o campo, fará oração pela casa,
sa, para que não fique impuro tudo e ficará legitimamente purificada.
o que há na casa. E depois entrará Conclusão
para examinar a lepra da casa. 37E,
se vir nas paredes umas como ca­ 54Esta é a lei acêrca de tôda a es­
vidades com nódoas amarelas ou pécie de lepra e de tinha, 55e acêrca
vermelhas, e mais fundas do que o da lepra dos vestidos e das casas,
resto da superfície, 38sairá para fora “ das cicatrizes e da erupção das pús­
da porta da casa, e imediatamente tulas, das manchas luzentes e das di­
14 - 15 LEVÍTICO 139
versas mudanças das cores, 57para que recerá um pelo pecado, e outro em
se possa saber quando qualquer coi­ holocausto; e orará por êle diante do
sa é pura ou impura. Senhor, para que fique limpo do seu
fluxo. 10O homem que tiver um der­
Impureza do homem ramamento seminal, lavará em água
todo o seu corpo, e será impuro até
1 C 7E o Senhor falou a Moisés e à tarde. 17Lavará em água o vesti­
16, a Arão, dizendo: 2Falai aos do e a pele que tiver, e serão impu­
filhos de Israel e dizei-lhes: O ho­ ros até à tarde.
mem que padece de gonorréia, será
impuro. 3E será julgado sujeito a Impureza da mulher
esta enfermidade, quando a cada mo­
mento se pegar à sua carne e se 18A mulher com quem se juntou
juntar aquêle humor impuro. “Todo lavar-se-á em água, e será impura até
o leito em que dormir, e todo o ob­ à tarde. 19A mulher que no tempo
jeto sôbre o qual se sentar, será ordinário sofre incômodo, será sepa­
impuro. 5Se alguém tocar o seu lei­ rada durante sete dias. 20Todo o que
to, lavará os seus vestidos, e êsse a tocar, será impuro até à tarde. 21E
mesmo, depois de lavado em água, as coisas, sôbre que dormir ou se sen­
será impuro até à tarde. °Se se tar, nos dias da sua separação, fica­
sentar onde êle estava sentado, la­ rão impuras. 22Aquêle que tocar o
vará também os seus vestidos, e, seu leito, lavará os seus vestidos, e,
lavando-se em água, será impuro até lavando-se êle mesmo em água, se­
à tarde. 70 que tocar a sua carne, rá impuro até à tarde. 23Todo o
lavará os seus vestidos, e, lavado que tocar qualquer coisa sôbre que
êle mesmo em água, será impuro até ela se tenha sentado, lavará os seus
à tarde. 8Se a saliva dêste homem vestidos, e, lavando-se êle mesmo em
cair sôbre um que está limpo, êsse água, fioará impuro até à tarde. 24Se
lavará os seus vestidos, e, lavado êle um homem se junta com ela no tem­
mesmo em água, será impuro até à po em que ela tem o incômodo, se­
tarde. 9A sela, sôbre que tiver ca­ rá impuro durante sete dias; e todo o
valgado, ficará impura; 10e tudo o leito sôbre que dormir, ficará impu­
que tiver estado debaixo daquele que ro. ^A mulher, que padece por mui­
padece êste mal, ficará impuro até à tos dias fluxo de sangue fora do tem­
tarde. O que levar alguma destas coi­ po costumado, ou que, passado o pe­
sas, lavara os seus vestidos, e, lavan- ríodo regular, não lhe cessa o fluxo,
do-se êle mesmo em água, será impu­ será impura enquanto estiver sujeita
ro até à tarde. UTodo aquêle que fôr a êste acidente, como se estivesse no
tocado por um homem em tal estado, tempo do seu mênstruo. ^ o d o o lei­
sem êste ter antes lavado as mãos, la­ to em que dormir e tudo aquilo
vará os seus vestidos, e, lavando-se em que se sentar, ficará impuro.
êle mesmo em água, será impuro até 27Todo o que tocar estas coisas lava­
à tarde. 120 vaso de barro que tocar, rá os seus vestidos, e, lavando-se êle
será quebrado, e o vaso de pau será mesmo em água, será impuro até à
lavado em água. tarde. “ Se o sangue parar e deixar
13Se o que padece esta moléstia de correr, contará sete dias da sua
sarou dela, contará sete dias depois purificação; “ e, ao oitavo dia, ofe­
da sua cura, e, lavados os seus vesti­ recerá por si ao sacerdote, à porta do
dos e todo o corpo na água viva, fi­ tabernáculo do testemunho, duas rô-
cará puro. 14E ao oitavo dia, toma­ las ou dois pombinhos; 30e o sacerdo­
rá duas rolas ou dois pombinhos, e te sacrificará um pelo pecado, e ou­
se apresentará diante do Senhor à tro em holocausto, e orará por ela
porta do tabernáculo do testemunho, diante do Senhor, por causa do flu­
e dá-los-á ao sacerdote, 15o qual ofe- xo que a tornava impura.
Cap. X V — 17. O hebraico diz: Todo o ve stido e tôda a pele que forem atingidos pelo
derramamento seminal serão lavados na águ a . ..
28. Contará sete dias da sua purificação, segundo o hebraico: Contará sete dias,
e depois ficará pura.
140 LEVÍTICo 15 - 16
Conclusão de brasas do altar, e tomando com
a mão o perfume composto para o
31Ensinareis, pois, aos filhos de Is­ incenso, entrará para dentro do véu
rael que se guardem da impureza, do Santo dos Santos, 13a fim de que,
para não morrerem nas suas imun- postos os perfumes sôbre o fogo, o
dícies, quando profanarem o meu ta- seu fumo e o seu vapor cubra o orá­
bernáculo que está no meio dêles. culo, que está sôbre o testemunho, e
32Esta é a lei acêrca do que padece (A rã o) não morra. “ Tomará tam­
gonorréia, e que contrai impureza bém do sangue do novilho, e aspergi-
tendo cópula, “ e acêrca da mulher rá com o dedo sete vêzes defronte do
que está separada no tempo do seu propiciatório para a parte do Orién-
mênstruo, ou padece fluxo contínuo te.
de sangue, e acêrca do homem que
dormir com ela. 15E, depois de ter imolado o bode
pelo pecado do povo, levará o seu san­
Festa da expiação. Cerimônias a gue para dentro do véu, como foi
observar ordenado acêrca do sangue do novi­
lho, para fazer a aspersão diante do
1 C XE o Senhor falou a Moisés de- oráculo, 16e expiará o santuário das
1U pois da morte dos dois filhos impurezas dos filhos de Israel, e das
de Arão, que foram mortos por te­ suas prevaricações, e de todos os
rem oferecido um fogo estranho; 2e (seus) pecados. Expiará com êste
ordenou-lhe, dizendo: Dize a Arão, rito o tabernáculo do testemunho, que
teu irmão, que nunca entre no san­ foi colocado entre êles no meio das
tuário, que está para dentro do véu impurezas das suas habitações. “ N e­
diante do propiciatório, que cobre a nhum homem esteja no tabernáculo,
arca, para que não morra (porque eu quando o pontífice entrar no santuá­
aparecerei na nuvem sôbre o orácu­ rio para orar por si e pela sua casa,
lo), 3se não fizer antes estas coisas: e por todo o ajuntamento de Israel,
oferecerá um novilho pelo pecado, e enquanto êle não tenha saído. 18E
um carneiro em holocausto. 4Reves- quando tiver saído para o altar, que
tir-se-á da túnica de linho, cobrirá está diante do Senhor, ore por si, e
a sua nudez com calções de linho; tomando do sangue do novilho e do
cingir-se-á com um cinto de linho; bode, derrame-o sôbre as pontas do
porá na cabeça uma tiara de linho, altar ao redor; 19e, fazendo com o
porque estas vestes são santas; êle dedo sete aspersões, purifique-o e
as vestirá todas depois de se ter lava­ santifique-o das impurezas dos filhos
do. 5E receberá de toda a multidão de Israel.
dos filhos de Israel dois bodes pelo
pecado, e um carneiro para holocaus- 20E, depois de ter purificado o san­
do. 6E, depois de ter oferecido o no­ tuário, e o tabernáculo, e o altar, en­
vilho, e de ter orado por si e pela tão ofereça o bode vivo; 21e, postas
sua casa, 7apresentará diante do Se­ ambas as mãos sôbre a sua cabeça,
nhor dois bodes à porta do taberná- confesse tôdas as iniqüidades dos f i­
culo do testemunho; 8e, deitando sor­ lhos de Israel, e todos os seus deli­
tes sôbre um e outro, uma pelo Se­ tos e pecados; e carregando-os com
nhor e outra pelo bode emissário, 9o- imprecações sôbre a cabeça do bode,
ferecerá pelo pecado aquêle que a sor­ enviá-lo-á para o deserto por um ho­
te destinar para o Senhor; 10e aquêle, mem destinado para isso. 22E, quan­
ao qual a sorte tiver destinado para do o bode tiver levado tôdas as ini­
bode emissário, apresentá-lo-á vivo qüidades dêles para uma terra soli­
diante do Senhor, para fazer sôbre êle tária, e fôr deixado no deserto, “ Arão
as preces, e enviá-lo para o deserto. voltará para o tabernáculo do teste­
munho e, depostos os vestidos de que
Ritos da expiação antes se revestira, entrando no san­
tuário, e deixando-os ali mesmo, “ la­
“ Celebradas estas coisas segundo o vará o seu corpo num lugar santo,
rito, oferecerá o novilho, e orando por e tomará de novo os seus vestidos.
si e pela sua casa, o imolará; 12e to­ E, depois que, tendo saído, tiver ofe­
mando o turíbulo, que terá enchido recido o seu holocausto e o do povo,
16 - 17 LEVÍTICO 141
orará tanto por si como pelo povo; denou, dizendo: 3Qualquer homem
“ e queimará sôbre o altar a gordu­ da casa de Israel que matar um
ra oferecida pelos pecados. 26Aquê- boi, ou uma ovelha, ou uma cabra nos
le, porém, que tiver levado o bode e- acampamentos ou fora dos acampa­
missário, lavará os seus vestidos e o mentos, 4e a não apresentar à por­
seu corpo em água, e depois voltará ta do tabernáculo, em oferta ao Se­
para os acampamentos. 27Mas o no­ nhor, será réu de sangue; e, como se
vilho e o bode, que foram imolados tivesse derramado sangue, perecerá
pelo pecado, e cujo sangue foi levado do nieio do seu povo. 5Por isso os
ao santuário para fazer a expiação, filhos de Israel devem apresentar ao
levá-los-ão fora do arraial, e queima­ sacerdote as suas vítimas, que ma­
rão no fogo tanto as suas peles, co­ tam no campo, para que sejam con­
mo as suas carnes, e os seus excre­ sagradas ao Senhor diante da por­
mentos. “ E todo aquêle que as quei­ ta do tabernáculo do testemunho,
mar, lavará os seus vestidos e o seu e êles as sacrifiquem ao Senhor co­
corpo em água, e depois voltará pa­ mo hóstias pacíficas. 6E o sacerdo­
ra os acampamentos. te derramará o seu sangue sôbre o
altar do Senhor à porta do taberná­
Celebração anual da festa da expiação culo do testemunho, e queimará a
29Isto será para vós uma lei per­ gordura em cheiro de suavidade ao
pétua. N o sétimo mês, no décimo Senhor; 7e nunca mais imolarão as
dia do mês, afligireis as vossas al­ suas hóstias aos demônios, aos quais
mas, e não fareis obra alguma, tan­ idolatraram. Esta será uma lei eter­
to o indígena como o estrangeiro que na para êles * para os seus descen­
vive peregrino entre vós. ^Neste dia dentes. 8E tu lhes dirás: O homem
se fará a vossa expiação e a purifi­ da casa de Israel e dos estrangeiros
cação de todos os vossos pecados; nê- que habitam entre vós, que oferecer
le sereis purificados diante do Senhor. um holocausto ou uma vítima, 9e não
31Porque é um sábado do descanso, e a levar à porta do tabernáculo do
afligireis as vossas almas, por lei per­ testemunho, para ser oferecida ao
pétua. 32Ora a expiação será feita Senhor, perecerá do meio do seu po­
pelo sacerdote que foi ungido, e cujas vo.
mãos foram sagradas para exercer as 10Qualquer homem da casa de Is­
funções do sacerdócio em vez de seu rael ou dos estrangeiros que pere­
pai; e será revestido da túnica de li­ grinam entre êles, se comer sangue,
nho e das vestes sagradas, 33e ex­ voltarei o meu rosto contra a sua al­
piará o santuário e o tabernáculo do ma, e exterminá-lo-ei do meio do
testemunho e o altar, e também os seu povo, "porque a vida da carne
sacerdotes e todo o povo. .. 34E será está no sangue; e eu dei-o a vós,
para vós lei perpétua, o fazer oração para que com êle façais expiações
uma vez por ano pelos filhos de Is­ sôbre o altar pelas vossas almas, e
rael e por todos os seus pecados. o sangue sirva para a expiação da
E íêz-se como o Senhor tinha orde­ alma. 12Por isso disse aos filhos de
nado a Moisés. Israel: Nenhum de vós comerá san­
Norm as relativas à morte dos animais gue, nem nenhum dos estrangeiros,
destinados ao sacrifício 1 que moram entre vós. 13Se algum
homem dos filhos de Israel ou dos
1 7 JE o Senhor falou a Moisés, di- estrangeiros que habitam entre vós
1 9 zendo: 2Fala a Arão e aos seus tomar à caça ou ao laço um animal
filhos, e a todos os filhos de Israel, ou ave, daquelas que é lícito co­
dizendo-lhes: Eis o que o Senhor or­ mer, derrame o seu sangue, e cubra-
Cap. X V I — 29. Afligireis as vossas almas. Expressão genérica, que aqui indica o
jejum, o único jejum imposto pela lei moisaica.
Cap. X V I I — 4. Será réu de sangue. E sta lei era tâo importante que aquêle que a
transgredisse se tornava tâo culpado como um homicida.
11. A vida da carne está no sangue, isto é, o sangue é o principio d a vida dos
anim ais no sentido de que sem êle nâo têm vida, e o animal, perdendo o sangue, perde
o movimento e a vida.
142 LEVÍTICO 17 - 18
0 com terra; 14porque a vida de to­ descobrirás a nudez da filha da mu­
da a carne está no sangue; por isso lher de teu pai, a qual ela deu à
disse aos filhos de Israel: Não co­ luz a teu pal, porque é tua irmã.
mereis o sangue de nenhum animal, 12Não descobrirás a nudez da irmã
porque a vida da carne está no san­ de teu pai, porque é carne de teu
gue; e todo o que comer dêle, pere­ pai. 13Não descobrirás a nudez da
cerá. irmã de tua mãe, porque é carne de
15A pessoa, tanto dos naturais co­ tua mãe. 14Não descobrirás a nudez
mo dos estrangeiros, que comer dum de teu tio paterno, nem te aproxima­
animal morto por si, ou dilacerado rás da sua mulher, a qual é tua pa­
por uma fera, lavará os seus vestidos rente por afinidade. “ Não descobri­
e o seu corpo em água, e será impura rás a nudez de tua nora, porque é
até à tarde; e dêste modo se purifi­ mulher de teu filho, nem descobri­
cará . 16Mas, se não lavar os seus rás a sua ignomínia. 10Não descobri­
vestidos e o seu corpo, levará a sua rás a nudez da mulher de teu irmão,
iniqüidade. porque é nudez de teu irmão. 17Não
descobrirás a nudez de tua mulher
Introdução às leis sôbre o matrimônio e da sua filha. Não tomarás a f i­
lha do seu filho, nem a filha de sua
1 O *E o Senhor falou a Moisés, di- filha, para descobrires a sua ignomí­
zendo: 2Fala aos filhos de Is­ nia; porque são carne dessa (m u ­
rael, e dize-lhes: Eu sou o Senhor lh er), e tal união é um incesto. 18Não
vosso Deus; 3vós não procedereis con­ tomarás por mulher secundária a ir­
form e os costumes do país do Egito, mã de tua mulher, nem descobrirás
em que habitastes; nem vos porta­ a sua nudez enquanto tua mulher
reis segundo o costume da ua*** ^e fôr viva.
Canaã, na qual eu vos hei de in­ Uniões ilícitas
troduzir, nem andareis segundo as
suas leis. “Praticareis os meus man­ 19Não te aproximarás da mulher que
damentos, e observareis os meus pre­ padece o seu mênstruo, nem desco­
ceitos, e andareis nêles. Eu sou o brirás a sua nudez. ^Não te unirás
Senhor vosso Deus. 5Guardai as mi­ com a mulher do teu próximo, nem
nhas leis e os meus mandamentos; o te mancharás com semelhante união.
homem que os observa viverá por ê- Sacrifício das crianças
les. Eu sou o Senhor. 21Não darás nenhum de teus filhos
Impedimentos provenientes do para ser consagrado ao ídolo de Mo-
parentesco loc, nem profanarás o nome do teu
Deus. Eu sou o Senhor.
6Nenhum homem se aproximará du­ Sodomia
ma mulher que lhe é próxima por
sangue, para descobrir a sua nudez. 22Não te aproximarás dum homem
Eu sou o Senhor. 7Não descobrirás como se fôsse mulher, porque é uma
a nudez de teu pai nem a nudez de abominação.
tua mãe; ela é tua mãe, não desco­ Bestialidade
brirás a sua nudez. 8Não descobri­ “ Não te juntarás com animal algum
rás a nudez da mulher de teu pai, nem te mancharás com êle. A mu­
porque é nudez de teu pai. 9Não lher não se prostituirá a nenhum a-
descobrirás a nudez de tua irmã, por nimal, nem se misturará com êle,
parte do pai, ou por parte da mãe, porque é um crime.
tenha ela nascido dentro ou fora de
casa. 10Não descobrirás a nudez da Conclusão
filha de teu filho, nem da filha de 24Não vos mancheis com nenhuma
tua filha, porque é tua nudez. 11Não dessas coisas, com que se têm conta-
Cap. X V I I I — 6. Próxim a por sangue. .. Proibição de matrimônio entre parentes em
geral (6-18).
17. D e tua mulher e de sua filha. Segundo o hebreu: Dum a mulher e de sua filha.
Segundo esta lei era proibido a um homem tom ar como espôsa a filha que sua mulher
teve num matrimônio precedente.
18 - 19 LEvITICO 14J

minado tôdas as gentes que eu ex­ que nasceu na) superfície da terra,
pulsarei da vossa vista, 25e com as nem apanharás as espigas deixadas.
quais está contaminada esta terra cu­ 10E na tua vinha não colherás o
jos crimes eu castigarei, a fim de rabisco nem os bagos que caem, mas
que ela vom ite os seus habitantes. deixarás que os apanhem os pobres
“ Guardai as minhas leis e os meus e forasteiros. Eu sou o Senhor vos­
mandamentos, e não cometais nenhu­ so Deus. nNão furtareis. N ão men­
ma destas abominações, tanto os na­ tireis, e ninguém enganará o seu pró­
turais como estrangeiros entre vós. ximo. 12Não jurarás falso em meu
27Porque tôdas estas execrações co­ nome, nem profanarás o nome do
meteram os que foram antes de vós teu Deus. Eu sou o Senhor. 13Não
habitantes desta terra, e a contami­ caluniarás o teu próximo, nem o o-
naram. “ Vêde, pois, não suceda que, primirás com violências. O salário
assim como ela vomitou a gente que do teu jornaleiro não ficará em teu
aqui estava antes de vós, vos vom i­ poder até ao dia seguinte. 14Não a-
te também a vós, se fizerdes outro maldiçoarás o surdo, nem porás tro-
tánto. “ Todo aquêle que cometer pêço diante do cego; mas temerás o
alguma destas abominaçoes, perecerá Senhor teu Deus, porque eu sou o
do meio do seu povo. “ Guardai os Senhor. 15Não farás o que é iníquo,
meus mandamentos. Não pratiqueis nem julgarás injustamente. Não a-
0 que praticaram os que estiveram tendas à pessoa do pobre, nem te­
antes de vós, e não vos mancheis nhas respeito à cara do poderoso.
com estas (infâm ias). Eu sou o Se­ Julga o teu próximo com justiça.
nhor vosso Deus. l6Não serás um acusador, nem um
maldizente entre o povo. Não cons­
Deveres de piedade p ara com os parentes pirarás contra o sangue do teu pró­
e p ara com Deus ximo (com falsos testemunhos). Eu
1 Q 70 Senhor falou a Moisés, dizen- sou o Senhor. 17N ão odiarás o teu
** do: 2Fala a todo o ajunta­ irmão no teu coração; mas repreen-
mento dos filhos de Israel, e lhes de-o püblicamente, para que não in­
dirás: Sêde santos, porque eu, o corras em pecados por sua causa.
Senhor vosso Deus, sou santo. 3Ca- 18Não procurarás a vingança, nem
da um respeite seu pai e sua m ãe. conservarás a lembrança da injúria
Guardai os meus sábados. Eu sou o dos teus concidadãos. Amarás o teu
Senhor vosso Deus. 4Não vos vol­ amigo como a ti mesmo. Eu sou o
teis para os ídolos, nem façais para Senhor.
vós deuses fundidos. Eu sou o Se-
Deveres de economia doméstica
nhor vosso Deus. 6Se imolardes ao
Senhor uma hóstia pacífica, para que 19
Observai as minhas leis. Não jun­
vos seja propício, °comê-la-eis no mes­ tarás o teu jumento
mo dia em que tiver sido imolada, e outra espécie. Não com animais de
no dia seguinte; mas tudo o que so­ campo com semente semearás o teu
brar para o terceiro dia, queimá-lo- versa. Não usarás dede vestido espécie di­
que
-eis no fogo. 7Se alguém comer de­ seja tecido de duas espécies de fios.
la passados dois dias, será profano 20Se um homem tiver relações carnais
e réu de impiedade; 8e levará a sua com uma mulher que seja escrava e
iniqüidade, porque profanou uma desposada (com outro hom em ), mas
coisa consagrada ao Senhor, e pere­ não resgatada, nem posta em liber­
cerá do meio do seu povo. dade, serão ambos açoitados, e não
Deveres de caridade e de justiça p ara morrerão, porque ela não era livre.
com o próximo 21E por êste seu delito o homem o-
ferecerá ao Senhor um carneiro à
9Quando segares as messes do teu porta do tabernáculo do testemu­
campo, não cortarás até ao chão (o nho; 22e o sacerdote orarâ por êle
Cap. X IX — 15. N ão atendas. .. N ã o julgues injustamente, quer deixando-te levar
por uma falsa compaixão pela miséria do pobre, quer deixando-te corromper pela riqueza
e pelos dons do rico.
144 LEVÍTICO 19 - 20
e pelo seu pecado diante do Senhor, sou o Senhor vosso Deus, que vos
e (o Senhor) se lhe tornará nova­ tirei da terra do Egito.
mente propício e será perdoado o
seu pecado. 23Quando entrardes na Conclusão
terra (que vos prom eti), e plantar­
des nela árvores frutíferas, circun- 37Guardai todos os meus preceitos e
cidá-las-eis; os (prim eiros) frutos que tôdas as minhas leis, e executai-as.
produzirem serão impuros para vós, Eu sou o Senhor.
e não comereis dêles. 24*N o quarto Penas contra os que sacrificam seus
ano, porém, todo o seu fruto será
filhos a Moloc
consagrado à glória do Senhor. “ E
no quinto ano comereis os frutos, 2Q 7E o Senhor falou a Moisés, di-
recolhendo tudo o que produzirem. zendo: 2Dirás isto aos filhos de
Eu sou o Senhor vosso Deus. Israel: Se algum homem dentre os fi­
lhos de Israel e dos estrangeiros, que
Outros preceitos morais habitam em Israel, der de seus filhos
26Não comereis nada com sangue. ao ídolo de Moloc, será punido de
Não usareis de agouros, nem obser­ morte; o povo da terra o apedrejará.
vareis os sonhos. 27Não cortarèis^ò 3E eu porei o meu rosto contra êle, e
cabelo em redondo, nem rapareis a o cortarei do meio do seu povo, por­
barba. 28Não fareis incisões na vos­ que deu de seus filhos a Moloc, e pro­
sa carne, por causa de algum m or­ fanou o meu santuário e manchou o
to, nem fareis figuras algumas ou meu santo nome. 4Porém, se o povo da
sinais sôbre o vosso oorpo. Eu sou terra, descuidando-se e, como que ten­
o Senhor. 29Não prostituas tua f i ­ do em pouco o meu mandato, deixar
lha, para que a terra não seja con­ ir o homem que deu de seus filhos a
taminada, e não se encha de impie­ Moloc, e não quiser matá-lo, 5porei o
dade. 30Guardai os meus sábados, e re­ meu rosto contra êsse homem e con­
verenciai o meu santuário. Eu sou o tra a sua família, e cortarei do meio
Senhor. 31Não vos dirijais aos ma­ do seu povo assim a êle, como a to­
gos, nem interrogueis os adivinhos, dos os que consentiram que êle se
para que vos não contamineis por prostituisse a Moloc.
meio dêles. Eu sou o Senhor vos­
so Deus. 32Levanta-te diante de u- Penas contra os que consultam os
ma cabeça encanecida, e honra a pes­ magos
soa dc velho; e teme ao Senhor teu °A pessoa que se dirigir a magos
Deus. Eu sou o Senhor. e adivinhos, e fornicar com êles, eu
Algun s preceitos sociais porei o meu rosto contra ela, e a ex­
terminarei do meio do seu povo,
33Se algum estrangeiro habitar na 7Santificai-vos e sêde santos, porque
vossa terra, e morar entre vós, não o eu sou o Senhor vosso Deus. g u a r ­
impropereis; “ mas esteja entre vós dai os meus preceitos e cumpri-os.
como um natural; e amai-o como a Eu sou o Senhor que vos santifico.
vós mesmos; porque também vós fôs-
tes estrangeiros na terra do Egito. Contra os que amaldiçoam os pais
Eu sou o Senhor vosso Deus. ^Não
façais coisa injusta no juízo, na va­ 0O que amaldiçoar seu pai ou sua
ra, no pêso, na medida. “ Sejam jus­ mãe, seja punido de morte; amaldi­
tas as balanças, e justos os pesos, çoou o pai e a mãe, o seu sangue caia
justo o efa, e juáto o sextário. Eu sobre êle.
23. Circuncidá-las-eis, segundo o hebreu: Lançareis fora os seus frutos corno incircun-
cisos, como impuros.
27-28. Nestes versículos sãc proibidos certos usos supersticiosos e idolátricos seguidos
pelos orientais.
35. Segundo o hebreu: Não cometereis injustiça, quer nos julgamentos, quer nas
medidas de comprimento, quer nos pesos, quer nas medidas de capacidade.
Cap. X X — 6. E fornicar com êles. A m agia, como a idolatria, é um a infidelidade de
Israel à aliança com Deus, e é representada como um adultério.
20 - 21 LEvITICO 145
Contra os impudicos Exortação à santidade

10Se algum (hom em ) se tornar réu “ Guardai as minhas leis e os meus


de fornicação com a mulher de ou­ mandamentos, e ponde-os em prá­
tro, e cometer adultério com a mu­ tica, a fim de que a terra em que
lher do seu próximo, sejam punidos estais para entrar e para habitar,
de morte, assim o adúltero como a não vos vomite também a vós. “ Não
adúltera. “ O que peca com sua ma­ caminheis segundo os costumes das
drasta, e descobre (assim) a nudez nações que eu estou para expulsar
de seu pai, sejam ambos punidos de da vossa vista; porque fizeram to­
morte; o seu sangue caia sôbre êles. das estas coisas, e eu as abominei.
24Mas eu vos digo: Possuí a sua ter­
12Se algum pecar com sua nora, ra, a qual eu vos darei em herança,
morram ambos, porque cometeram terra onde corre o leite e o mel.
um crime; o seu sangue caia sôbre Eu sou o Senhor vosso Deus, que
êles. 13Aquêle que pecar com um ho­ vos separei de todos os outros po­
mem, como se êle fôsse uma mulher, vos. “ Separai, pois, também os a-
ambos cometeram uma coisa execran- nimais puros dos impuros; e as aves
da, sejam punidos de morte; o seu puras das impuras; não mancheis as
sangue caia sôbre êles. 14Aquêle que vossas almas com os animais, e com
toma por mulheres a filha e a mãe, as aves, e com tudo o que se mo­
cometeu um crime; será queimado ve sôbre a terra, e que eu vos de­
vivo com elas, e não será tolerada clarei ser impuro. “ Sereis para
entre vós tão grande iniqüidade. mim santos, porque eu o Senhor
15Aquêle que peca com um animal sou santo, e vos separei de todos os
grande ou pequeno, seja punido de outros povos, para serdes meus.
morte; matai também o animal. 16A
mulher que pecar com qualquer a- M agia
nimal, será morta juntamente com 270 homem ou mulher em que hou­
êle; o seu sangue caia sôbre êles. 170 ver espírito pitônico ou de adivinho,
que tomar a sua irmã, filha de seu sejam punidos de morte. Apedrejá-
pai e filha de sua mãe, e vir a sua -los-ão; o seu sangue caia sôbre êles.
nudez, e ela vir a nudez do irmão,
fizeram uma coisa execranda, serão Leis relativas à santidade dos sacerdotes
mortos na presença do seu povo, por
terem descoberto um ao outro a sua 2 1 ^ is s e também o Senhor a Moi-
nudez, e levarão a sua iniqüidade. “ 1 sés: Fala aos sacerdotes, fi­
lsO que se juntar com uma mulher, lhos de Arão, e dize-lhes: Não se
no tempo do seu mênstruo, e desco­ contamine o sacerdote na morte dos
brir a sua nudez, e ela se deixar ver seus concidadãos, 2exceto na dos seus
neste estado, serão exterminados do consangüíneos e parentes próximos,
meio do seu povo. 19Não descobrirás isto é, na do pai, mãe, filho e fi­
a nudez de tua tia materna ou pa­ lha, e também na do irmão, 3e da
terna; o que fizer isto, descobriu a irmã virgem, que não se casou. 4Nem
ignomínia de sua própria carne; am­ mesmo se contaminará na morte do
bos levarão a sua iniqüidade. “ O príncipe do seu povo. 5Não rapa­
que pecar com a mulher de seu tio rão a cabeça nem a barba, nem fa ­
paterno ou materno, e descobrir a rão incisões nas suas carnes. °Se-
ignomínia da sua parentela, ambos rão santos para o seu Deus, e não
levarão o seu pecado; morram sem Profanarão o seu nome; porquanto
filhos. 210 que tomar a mulher de seu oferecem o holocausto do Senhor e
irmão, faz uma coisa ilícita, e desco­ os pães do seu Deus, e por isso se­
briu a nudez de seu irmão; não terão rão santos. 7Não tomarão por mu­
filhos. lher uma desonrada ou uma vil pros-
20. M orram sem filhos, isto é, os filhos que nascerem serão considerados ilegítimos, não
podendo suceder ao pai na herança.
Cap. X X I — 1. Não se contamine na morte. o sacerdote não deve contrair um a im -
pureza legal, tocando o cadáver dum Israelita.
146 L E vÍT IC o 21 - 22

tituta, nem a que foi repudiada por o meu santuário. Eu sou o Senhor
seu marido, porque estão consagra­ que os santifico. “ Moisés, pois, disse
dos ao seu Deus, 8e oferecem os pães a Arão, e a seus filhos, e a todo o
da proposição. Sejam, pois, santos Israel, tôdas as coisas que lhe foram
porque também eu, o Senhor, que os mandadas.
santifico, sou santo. °Se a filha de
um sacerdote fôr apanhada em es­ Pessoas que podem comer as carnes
tupro, e desonrar o nome de seu consagradas
pai, será queimada no fogo.
0 9 ’ Falou também o Senhor a Moi-
Sumo pontífice sés, dizendo: 2Dize a Arão e
10O pontífice, isto é, o sumo sacer­ a seus filhos que se abstenham das
dote entre seus irmãos, sôbre cuja coisas cjue (m e fora m ) consagradas
cabeça foi derramado o óleo da un- pelos filhos de Israel, e não profa­
ção, e cujas mãos foram consagra­ nem o nome das coisas santificadas
das para o sacerdócio, e que foi re­ em minha honra, que êles me ofere­
vestido das santas vestes, não desco­ cem. Eu sou o Senhor. 3Dize-lhes,
brirá a sua cabeça, não rasgara os a êles e a seus descendentes: Todo
seus vestidos, “ nem entrará absoluta- o homem da vossa estirpe que, ten­
mente onde esteja um morto; tam­ do qualquer impureza, se aproximar
bém não se contaminará na morte das coisas que os filhos de Israel
de seu pai ou de sua mãe. “ Não consagraram e ofereceram ao Senhor,
sairá dos lugares santos, para não perecerá diante do Senhor. Eu sou
manchar o santuário do Senhor, por­ o Senhor. 4Um homem da estirpe de
que o óleo da sagrada unção do seu Arão, gue fôr leproso ou doente de
Deus está sôbre êle. Eu sou o Se- gonorreia, não comerá das coisas que
nhor. “ Tomará por mulher uma me foram santificadas, até que este­
virgem ; “ não tomará uma viúva, ja são. O que tocar um homem im­
nem uma repudiada, nem uma de­ puro, e o que tiver um derramamen­
sonrada, nem uma meretriz, mas u- to sensível, 5e o çpie tocar um réptil e
ma donzela do seu povo. “ Não mis­ qualquer coisa impura cujo contato
ture o sangue da sua linhagem com O é impuro, °será impuro até à tar­
vulgo do seu povo; porque eu sou o de, e não comerá daquelas coisas
Senhor que o santifico. que foram santificadas; mas, depois
que tiver lavado o seu corpo em á-
Defeitos que excluem do sacerdócio gua, 7e se tiver posto o sol, então, es­
tando puro, comerá das coisas santi­
16E o Senhor falou a Moisés, di­ ficadas, porque são seu alimento.
zendo: 17Dize a Arão: O homem de 8Não comerão dum animal morto por
qualquer das famílias da tua linha­ si, ou dilacerado por outro, nem se
gem, que tiver deformidade (corpo- mancharão com estas viandas. Eu
ra l), não oferecerá pães ao seu Deus, sou o Senhor. °Observem os meus
“ nem se aproximará do seu minis­ mandamentos para que não caiam em
tério; se fôr cego, se coxo, se tiver pecado, e não morram no santuário,
nariz pequeno, ou grande, ou torci­ depois de o terem profanado. Eu
do, 19se tiver um pé quebrado ou s o u o Senhor que os santifico.
mão, “ se fôr corcunda, se remeloso, 10Nenhum estrangeiro comerá das
se tiver belide na vista, se sarna per- coisas santificadas; o que habita em
tinaz, se tiver herpes pelo corpo, ou casa do sacerdote, e o jornaleiro não
uma hérnia. “ Todo o homem da comerão delas. “ Mas o escravo,
estirpe do sacerdote Arão, que ti­ comprado por um sacerdote, e o que
ver qualquer deformidade (corpo­ tiver nascido em sua casa, êstes co­
ra l), não se aproximará a oferecer merão delas. 12Se a filha do sacer­
hóstias ao Senhor, nem pães ao seu dote casar com algum homem do
Deus; “ comerá todavia dos pães que povo, não comerá das coisas santifi­
se oferecem no santuário, “ contanto, cadas nem das primícias. 13Mas se,
porém, que não entre do véu para ficando viúva, ou sendo repudiada, e
dentro, nem chegue ao altar, porque sem ter filhos, voltar para a casa de
tem defeito, e não deve contaminar seu pai, comerá do que seu pai co­
22 - 23 LEVITICO 147
me, como costumava fazer sendo don­ Outras normas relativas aos
zela. Nenhum estrangeiro tem fa ­ sacrifícios
culdade de comer delas. 140 que por “ E o Senhor falou a Moisés, dizen­
ignorância comer das coisas santifi­ do:. 2 1*47*0 boi, a ovelha ou a cabra,
cadas, juntará uma quinta parte ao quando nascerem, estarão sete dias
que comeu, e dará tudo ao sacerdo­ mamando debaixo da mãe; ao oitavo
te para o santuário. 15Não profana­ dia, e daí por diante, poderão ser o-
rão as coisas santificadas pelos filhos ferecidos ao Senhor. “ Ou seja boi,
de Israel, que êstes oferecem ao Se­ ou seja ovelha, não serão imoladas
nhor, 16para que não sofram a pe­ no mesmo dia com as suas crias.
na do seu delito, tendo comido das 29Se imolardes uma hóstia em ação
coisas santificadas. Eu sou o Se­ de graças ao Senhor, para que vos
nhor que os santifico. seja propício, 30*comê-la-eis no mes­
Anim ais destinados ao holocausto mo dia, e não ficará coisa alguma
para a manhã do dia seguinte. Eu
17E o Senhor falou a Moisés, di­ sou o Senhor.
zendo: 18Fala a Arão e a seus filhos
e a todos os filhos de Israel, e lhes Conclusão
dirás: O homem da casa de Israel,
ou dos estrangeiros que habitam en­ 31Guardai os meus mandamentos, e
tre vós, que fizer a sua oblação, ou ponde-os em prática. Eu sou o Se­
para cumprimento de votos, ou para nhor. 32Não profaneis o meu santo
oferta espontânea, qualquer vítima nome, para que eu seja santificado
que êle oferecer em holocausto ao Se- no meio dos filhos de Israel. Eu
nhor, 19para que seja oferecida por sou o Senhor que vos santifico 83e
vós, será um macho sem defeito, vos tirei da terra do Egito, para ser
dentre os bois, ou ovelhas, ou cabras. o vosso Deus. Eu sou o Senhor.
^Se tiver qualquer defeito, não o ofe­
recereis, nem será aceito. Sábado
Animais destinados aos sacrifícios OO 2E o Senhor falou a Moisés, di-
pacíficos zendo: 2Fála aos filhos de Is­
rael, e dize-lhes: Estas são as fes­
210 homem que oferecer ao Senhor tas do Senhor, que vós chamareis
uma vítima dos sacrifícios pacíficos, Santas. 3Trabalhareis seis dias; e o
ou para cumprimento de votos, ou pa­ sétimo dia, porque é o descanso do
ra oferta espontânea, seja de bois, se­ sábado, chamar-se-á santo; não fa­
ja de ovelhas, oferecerá um animal reis nêle trabalho algum. Ê o sába­
sem defeito, para que seja agradá­ do do Senhor em todas as vossas
vel; não haverá nêle nenhum defeito. moradas.
22Se fôr cego, se tiver qualquer mem­ 4Estas são, pois, as festas santas
bro quebrado, qualquer cicatriz, ou do Senhor, que deveis celebrar nos
pústula, ou sarna, ou herpes, não o seus tempos.
oferecereis ao Senhor, nem o quei­
mareis sôbre o altar do Senhor. ^Po- Festa da Páscoa
derás oferecer como oferta voluntá­
ria um boi ou uma ovelha com uma 5N o primeiro mês, no dia catorze
orelha e a cauda cortada, mas com do mês, sôbre a tarde, é a páscoa do
êles não se pode cumprir um voto. Senhor; 6e no dia quinze do mesmo
24Não oferecereis ao Senhor animal mês é a solenidade dos ázimos do
algum que tenha os testículos ou tri­ Senhor. Durante sete dias comereis
lhados, ou esmagados, ou cortados, ázimos. tO primeiro dia será para
ou arrancados; e de nenhum modo vós soleníssimo e santo; não fareis nê­
façais isto na vossa terra. “ Não o- le obra alguma servil, 8mas oferece­
ferecereis ao vosso Deus pães (rece­ reis um sacrifício pelo fogo ao Se­
bidos) da mão dum estrangeiro, nem nhor durante sete dias; o sétimo dia
qualquer outra coisa que êle queira será, porém, mais solene e mais san­
dar; porque todos êstes dons são cor­ to; e não fareis nêle obra alguma
ruptos e impuros; não os aceitareis. servil. °E o Senhor falou a Moisés, di­
148 LE vÍT IC o 23
zendo: 10Fala aos filhos de Israel, e ra dos vossos campos, não a cortareis
lhes dirás: Quando tiverdes entrado até à terra nem enfeixareis as espi­
na terra que eu vos hei de dar, e f i­ gas que ficarem; mas deixá-las-eis
zerdes a ceifa das searas, levareis ao para os pobres e para os forasteiros.
sacerdote molhos de espigas, como Eu sou o Senhor v o s s o Deus,
primícias da vossa colheita; ue êle, ao
outro dia depois do sábado, elevará Festa das trombetas
um molho diante do Senhor, para que 23E o Senhor falou a Moisés, di­
lhe seja aceito em vosso favor, e o zendo: 24Dize aos filhos de Israel: O
santificará. 12E no mesmo dia em que sétimo mês, o primeiro dia do mês
o molho fôr consagrado, imolar-se-á será para vós um sábado e uma re­
um cordeiro de um ano, sem defeito, cordação (que vós celebrareis) ao
em holocausto ao Senhor. 13E com som das trombetas, e será chamado
êle se oferecerão as libações, duas dí­ santo. 25Não fareis nêle trabalho al­
zimas de flor de farinha borrifada gum servil, e oferecereis um holo­
com azeite, para ser queimada ao Se­ causto ao Senhor.
nhor em cheiro suavíssimo; e para
libações de vinho, a quarta parte de Festa da expiação
um hin. 14Não comereis da vossa sea­
ra nem pão, nem grão torrado, nem 26E o Senhor falou a Moisés, di­
papas, até ao dia em que oferecerdes zendo: “ Aos dez dêste sétimo mês
dela ao vosso Deus. Esta é uma lei será o dia soleníssimo das expiaçoes,
perpétua em vossas gerações, e em e chamar-se-á santo; e nêle afligireis
tôdas as vossas habitações. as vossas almas, e oferecereis um ho­
locausto ao Senhor. “ Não fareis o-
Pentecostes bra servil alguma em todo êste dia;
porque é um dia de propiciação, pa­
15Vós, pois, desde o dia depois do ra que o Senhor vosso Deus vos seja
sábado, no qual oferecestes o molho propício. 29Tôda a alma que se não
das primícias, contareis sete semanas afligir neste dia, perecera do meio
completas, 10até ao dia depois daque­ dos seus povos; *°e o que fizer qual-
la em que se completa a sétima se­ uer trabalho, eu o exterminarei
mana, isto é, (contareis) cinqüenta entre o seu povo. “ Não fareis, pois,
dias; e assim oferecereis um novo sa­ nêle obra alguma; esta será uma lei
crifício ao Senhor 17em todas as vos­ perpétua em tôdas as vossas gera­
sas habitações, dois pães das primí­ ções e habitações. 32É o sábado do
cias (feitos) de duas dízimas de flor repouso; afligireis as vossas almas
de farinha fermentada, os quais coze­ no dia nove do mês; celebrareis os
reis para primícias do Senhor. 18E v o s s o s sábados de uma tarde até à
oferecereis com êstes pães sete cordei­ outra.
ros de um ano sem defeito, e um no­ Festa dos tabernáculos
vilho da manada, e dois carneiros, e
serão oferecidos em holocausto com ME o Senhor falou a Moisés, di­
as suas libações, em cheiro suavíssi­ zendo: “ Dize aos filhos de Israel:
mo ao Senhor. 19Oferecereis, além Desde o dia quinze dêste sétimo mês,
disso, um bode pelo pecado, e dois serão as festas dos tabernáculos du­
cordeiros de um ano por hóstias de rante sete dias em honra do Senhor.
sacrifícios pacíficos. 20E, quando o 350 primeiro dia será chamado sole­
sacerdote os tiver elevado diante do níssimo e santíssimo; não fareis nêle
Senhor juntamente com os pães das trabalho algum servil. “ E durante
primícias, ficarão para seu uso. 21E sete dias oferecereis holocaustos ao
chamareis êste dia soleníssimo e san­ Senhor; o dia oitavo será também so­
tíssimo; não fareis nêle obra servil leníssimo e santíssimo, e oferecereis
alguma. Esta será uma lei perpétua um holocausto ao Senhor, porque é
em tôdas as vossas habitações e gera­ dia de ajuntamento e de assembléia;
ções. “ Quando, pois, ceifardes a sea­ não fareis nêle obra alguma servil.
Cap. X X I I I — 24. será para vós um sábado, isto é, um a solenidade em que é orde­
nada a abstenção das obras servis.
23 - 24 LEvITICO 149
Conclusão os porá sôbre a mesa puríssima dian­
37Estas são as festas do Senhor, que te do Senhor, seis de uma parte, e
chamareis soleníssimas e santíssimas, seis da outra; 7e porás sôbre êies in­
censo lucidíssimo, para que o pão
e nelas oferecereis ao Senhor obla- seja monumento de oferta feita ao
ções, holocaustos e libações, confor­ Senhor. 8Cada sábado se mudarão
me o rito de cada dia, ^independen- êstes pães diante do Senhor, depois
temente dos sábados do Senhor e de terem sido recebidos dos filhos de
das vossas ofertas, e do que oferecer­ Israel por uma aliança perpétua; °e
des por voto, ou voluntàriamente pertencerão a Arão e a seus filhos,
derdes ao Senhor. para os comerem no lugar santo; por­
Adições relativas à festa dos taber- que são coisa santíssima dos sacri­
náculos fícios do Senhor por um direito per­
pétuo .
39Desde o dia quinze, pois, do sé­
timo mês, quando tiverdes colhido to­ Castigo do blasíemador, e lei de Talião
dos os frutos da vossa terra, celebra­
reis as festas do Senhor durante se­ 10Ora eis que o filho de uma mu­
te dias; o primeiro dia e o oitavo lher israelita, que ela tivera de um
será o sábado, isto é, o descanso. ^E Egípcio que vivia entre os filhos de
no primeiro dia tomareis dos fru­ Israel, saiu fora e contendeu nos a-
tos da árvore mais formosa, e fo ­ campamentos com um Israelita. nE,
lhas de palmeira, e ramos de árvore tendo blasfemado e amaldiçoado o no­
frondosa, e salgueiros da torrente, e me do Senhor, foi levado a Moisés
alegrar-vos-eis diante do Senhor vosso (sua mãe chamava-se Salumit, filha
Deus. 41E celebrareis todos os anos de Dabri, da tribo de Dan), 12e puse-
durante sete dias esta solenidade. ram-no em prisão, até saberem o que
Esta será uma lei perpétua em vos­ o Senhor ordenaria. 130 qual falou
sas gerações. Celebrá-la-eis no séti­ a Moisés, “ dizendo: T ira o blasfemo
mo mês, 42e habitareis à sombra dos para fora do arraial, e todos os que
ramos durante sete dias; todo o ho­ o ouviram, ponham as suas mãos
mem da geração de Israel habitará sôbre a cabeça dêle, e todo o povo o
em tendas, 43para que os vossos des­ apedreje. 15E dirás aos filhos de Is­
cendentes saibam que eu fiz habitar rael: O homem que amaldiçoar o
em tendas os filhos de Israel, de­ seu Deus, levará o seu pecado; 16e o
pois de os ter tirado da terra do que blasfemar o nome do Senhor, se­
Egito. Eu sou o Senhor vosso Deus. ja punido de morte; todo o povo o
apedrejará, quer seja cidadão, quer
44Moisés, pois, falou aos filhos de Is­
rael sôbre as festas do Senhor. seja forasteiro. O que blasfemar o
nome do Senhor, seja punido de mor­
O azeite das lâmpadas te. 170 que ferir ou matar um ho­
■OJ, aE o Senhor falou a Moisés, di- mem, seja punido de morte. lsO que
zendo: 2Ordena aos filhos de ferir um animal, restituirá outro em
Israel q le te tragam azeite de oli­ seu lugar, isto é, animal por animal.
veira puríssimo e claro, para manter 10O que ferir qualquer dos seus com­
continuamente acesas as lâmpadas, patriotas, assim como fêz, assim se
3fora do véu do testemunho no ta- lhe fará a êle; 20quebradura por que-
bernáculo da aliança. E Arão as po­ bradura, ôlho por ôlho, dente por
rá diante do Senhor desde a tarde dente; qual fôr o mal que tiver fe i­
até pela manhã, com culto e rito per­ to, tal será o gue há de sofrer. 210
pétuo nas vossas gerações. “Serão que matar um jumento, restituirá ou­
sempre colocadas diante do Senhor, tro. O que matar um homem, será
sôbre o candeeiro muito limpo. punido (de m orte). 22Seja entre vós
igual a justiça, quer delinqüisse o
Os pães da proposição forasteiro, quer o indígena; porque
eu sou o Senhor vosso Deus. 23E
5Tomarás também flor de farinha, Moisés falou aos filhos de Israel; e
e cozerás dela doze pães, cada um dos tiraram o que tinha blasfemado pa­
quais terá duas dízimas (do e fi), °e ra fora dos acampamentos, e apedre­
150 LEVÍTICO 24 - 25
jaram-no. E os filhos de Israel f i­ anos restarem depois do jubileu, tan­
zeram como o Senhor tinha ordenado to crescerá também o preço; e quan­
a Moisés. to menos tempo contares, tanto bai­
Ano sabático xará o preço da compra; porque êle
2Ç 2E o Senhor falou a Moisés no te venderá o tempo em que podes
colher os frutos. 17N ão agraveis os
monte Sinai, dizendo: 2Fala (que são) da vossa mesma tribo, mas
aos filhos de Israel, e dize-lhes: cada um tema o seu Deus, porque
Quando tiverdes entrado na terra eu sou o Senhor, vosso Deus. “ Exe­
que eu vos darei, observai o sábado cutai os meus preceitos e guardai
em honra do Senhor. 3Durante seis as minhas ordens, e cumpri-as, para
anos semearás o teu campo, e duran­ que possais habitar na terra sem mê-
te seis anos podarás a tua vinha, e do algum, 19e para que a terra vos
recolherás os seus frutos. 40 sétimo produza os seus frutos, de que co­
ano, porém, será o sábado da terra mais até à saciedade, sem temer a
e do descanso do Senhor; não semea­ violência de alguém. ^E se disser­
rás o campo, nem podarás a vinha. des: Que comeremos nós no sétimo
5Não segarás o que a terra por si ano, se não semearmos, nem reco­
mesma produzir; e não colherás as lhermos os nossos frutos? 21Eu vos
uvas das tuas primícias como vindi- darei a minha bênção no ano sexto,
ma; porque é ano do descanso da ter­ e a terra produzirá frutos para três
ra; 6mas servir-vos-ão de alimento a anos; 22e semeareis no ano oitavo, e
ti e ao teu servo, à tua serva e ao comereis os frutos velhos até ao ano
teu jornaleiro, e ao estrangeiro que nono; até que nasçam os novos, co­
vivem contigo; 7tudo o que nascer mereis os velhos.
servirá de alimento aos teus animais
e gados. “ A terra também não se venderá
para sempre, porque é minha, e vós
Ano jubilar, repouso da terra sois estrangeiros e meus colonos.
8Contarás também sete semanas de 24Portanto todos os campos que pos­
anos, isto é, sete vêzes sete, que fa ­ suirdes serão vendidos com a condi­
zem ao todo quarenta e nove anos; ção de se rem irem . “ Se o teu irmão
9e, no sétimo mês, no dia décimo empobrecido vender a sua pequena
do mês, no tempo da expiação, to­ propriedade, e o parente mais pró­
carás a trombeta por tôda a vossa ximo quiser, pode rem ir o que o ou­
terra. 10E santificarás o ano güin- tro vendeu. “ Se, porém, não tem
quagésimo; e anunciarás, a remissão parente próximo, mas pode encon­
a todos os habitantes da tua terra; trar o preço para fazer o resgate,
porque é jubileu. Voltará o homem 27avaliar-se-ão os frutos desde o tem­
à sua possessão, e cada um tornará po em que fêz a venda, e dará ao
para a sua primeira família; “ por­ comprador o resto; e dêste modo re­
que é o jubileu e o ano qüinqua- cobrará a sua propriedade. “ Se não
gésimo. Não semeareis nem sega­ achar meio para dar o preço, ficará
reis o que nascer por si mesmo no o comprador com o que comprou até
campo, nem colhereis as primícias ao ano do jubileu; porque neste ano
da vindima, 12por causa da santifi­ tudo o que se tiver vendido, volta­
cação do jubileu, mas comereis o rá ao seu primeiro dono e antigo
que se vos puser diante. possuidor. 20O que vender uma ca­
sa situada dentro dos muros da ci­
Privilégios do ano jubilar sobre a dade, terá faculdade de a rem ir den­
propriedade tro de um ano.
13N o ano do jubileu voltarão to­ 30Se a não remir, e se tiver passado
dos à posse dos seus bens. 14Quan- o curso dum ano, possuí-la-á para
do venderes qualquer coisa ao teu sempre o comprador e seus descen­
concidadão, ou lha comprares, não dentes, e não poderá remir-se nem
agraves o teu irmão, mas compra ainda no jubileu.
segundo o número dos anos do ju­ 31Mas, se a casa fôr numa herdade
bileu, 15e êle ta venderá segundo que não tem muros, será vendida co­
a conta das messes. 16Quanto mais mo se vendem os campos; se não fo i
25 - 26 LEVITICO 151
remida antes, voltará no jubileu pa­ mão pobre se vender a êle ou a al­
ra o seu dono. 32As casas dos levi- gum da sua família, “ depois da ven­
tas, que estão nas cidades, podem da pode ser resgatado. Qualquer de
sempre ser remidas. 83Se não.forem seus irmãos que quiser, o resgatará,
remidas, voltarão para seus donos 49e o tio, e o primo, e o consangüí-
no jubileu, porque as casas das ci­ neo, ou afim . E, se êle o puder
dades dos levitas são a sua possessão fazer por si mesmo, resgatar-se-á,
entre os filhos de Israel. 34Não se “ sendo contados somente os anos
vendam, porém, os seus arrabaldes, desde o tempo da sua venda até ao
porque são sua perpétua possessão. ano do jubileu; e sendo contada a
quantia, por que foi vendido, se­
Privilégio do ano ju bilar sôbre a gundo o número dos anos e segundo
condição civil das pessoas se paga ao jornaleiro. 51Se forem
35Se teu irmão se tornou pobre e ainda muitos os anos que restam até
doente das mãos, e tu o recolheres ao jubileu, o preço (do resgate) será
como estrangeiro e peregrino, e viver em proporção dêstes (anos). 52Se
contigo, 36não recebas usuras dêle, (fa lta rem ) poucos, fará com o com­
nem mais do que lhe deste; teme o prador a conta segundo o número
teu Deus, para que teu irmão possa dos anos, e pagar-lhe-á em propor­
viver contigo. '"Não lhe darás o teu ção dos anos que faltam, 58levando
dinheiro com usura, e dos grãos não em conta o salário do tempo que
exigirás dêle mais do que lhe deres. serviu; {o comprador) não o tra­
“ Eu sou o Senhor vosso Deus, que tará com aspereza à tua vista. “ Se
vos tirei da terra do Egito, para vos êle não puder ser resgatado por ne­
dar a terra de Canaã, e ser vosso nhum dêstes modos, sairá com seus
Deus. filhos no ano do jubileu. “ Porque
39Se, obrigado pela pobreza, o teu os filhos de Israel são meus setvos,
irmão se vender a ti, não o oprimi­ que eu tirei da terra do Egito.
rás com a servidão de escravo, 40mas Bênçãos prometidas aos que
(e m tua casa) será como um jorna- observarem a lei
leiro e um colono; trabalhará em
tua casa até o ano do jubileu, 41e de­ OíJ *Eu sou o Senhor vosso Deus;
pois sairá com seus filhos, e voltará não fareis ídolos para vós,
para a sua família e para a heran­ nem imagens de escultura, nem le­
ça de seus pais. 42Porque êles são vantareis colunas, nem na vossa ter­
meus servos, e eu tirei-os da terra ra poreis alguma pedra insigne pa­
do Egito; não sejam vendidos na con­ ra a adorardes. Porque eu sou o
dição dos escravos. ^Não o aflijas Senhor vosso Deus. 2Guardai os
com o teu poder, mas teme o teu meus sábados, e tremei diante do
Deus. 44Os escravos e escravas que meu santuário. Eu sou o Senhor.
tiverdes, sejam das nações que vos 3Se andardes conforme os meus
cercam. 45E dos estrangeiros que v i­ preceitos, se guardardes os meus man­
vem entre vós ou que dêstes nasce­ damentos, e os praticardes, eu vos da­
ram na vossa terra, a êstes tereis por rei as chuvas nos seus tempos, 4e a
escravos; “ e por direito de herança terra dará o seu produto, e as árvo­
os deixareis aos vossos filhos, e os res se carregarão de frutos. 5A de­
possuireis para sempre; mas quanto bulha do trigo prolongar-se-á até à
aos vossos irmãos, os filhos de Israel, vindima, e a vindima juntar-se-á à
não os oprimais com o vosso poder. sementeira; e comereis o vosso pão
47Se um adventício ou um estrangei­ à saciedade, e habitareis na vossa ter­
ro enriquecer entre vós, e um teu ir­ ra sem temor. 6Eu darei paz dentro
Cap X X V — 35. Doente das mãos, de modo que não possa mais trabalhar.
42. N ã o sejam ven d id os... O primeiro dono não podia vendê-los a um outro, como
ae pode fazer com mercadorias.
45. E dos estrangeiros... Segundo o hebreu: Podereis também comprar (escravos)
entre os filhos dos estrangeiros que vivem entre vós, e entre suas famílias.
Cap. X X V I — 1. N e m levantarás colunas. .. A s colunas serviam muitas vêzes para o
culto dos falsos deuses. Constituíam um perigo para os Hebreus, sendo por isso proibidas.
152 LEVITICO 26
dos vossos limites; dormireis, e não a terra como bronze. “ O vosso tra-
haverá quem vos aterre. Afastarei balho será baldado, a terra não da-
de vós os animais nocivos; e a espa- rá os seus produtos, nem as árvo-
da não passará pelos vossos confins, res darão frutos. “ Se andardes ao
7Perseguireis os vossos inimigos, e êles contrário de mim, e não quiserdes
cairão diante de vós. 8Cinco dos vos- ouvir-me, acrescentarei o sétuplo às
sos perseguirão um cento dos estra- vossas pragas, por causa dos vossos
nhos, e cem dos vossos perseguirão pecados; 22e mandarei contra vós as
dez mil dêles; os vossos inimigos cai- feras do campo, que vos devorem a
rãò ao fio da espada diante de vós. vós e aos vossos gados e que redu-
9Olharei para vós, e vos farei cres- zam tudo a um pequeno número, e
cer; multiplicar-vos-ei, e ratificarei os vossos caminhos fiquem desertos
a minha alianpa convosco. 10Comereis 23Se nem ainda assim quiserdes cor-
produtos velhíssimos e, sobrevindo os rigir-vos, mas andardes ao contrário
novos, lançareis fora os velhos. UPo- (je mim, 24também eu procederei con-
rei o meu tabernáculo _no meio de tra vós, e vos ferirei sete vêzes mais,
vos, e a rninha alma não vos rejel- por causa dos vossos pecados, ^e fa-
tará. Andarei entre vós, e serei o rej cair sôbre vós a espada vingado-
vosso Deus, e vos sereis o meu povo. ra da minha aliança. E, se vos re-
13Eu sou o Senhor vosso^ Deus, que f ugiardes nas cidades, lançarei a pes-
vos tirei da terra dos Egípcios, para te no meio de vós, e sereis entregues
que não fôsseis seus escravos, e que nas mãos dos inimigos, 26depois que
quebrei as cadeias dos vossos pesco- eu tiver quebrado o bastão do vosso
ços, para andardes direitos. pão, de forma que dez mulheres co-
. . _ _, zam os pães num só forno, e os dis-
Am eaças aos transgressores da lei tribuam por pêso; e vós, comendo-o,
14Se, porém, não me ouvirdes e não n^ ° fiqueis satisfeitos,
observardes todos os meus manda- 27Se ainda depois disto me não ou-
mentos, 15se desprezardes as minhas virdes, mas procederdes contra mim,
leis, e não fizerdes caso das mi- ta m b é m eu procederei contra vós
nhas ordenações, de sorte que não com furor inimigo, e vos castigarei
façais o que por mim vos foi prescri- com sete pragas, por causa dos vos-
to, e torneis vão o meu pacto, iaeu sos pecados, “ até ao ponto de comer-
vos tratarei desta maneira: Visitar- des a carne de vossos filhos e de vos-
-vos-ei prontamente com a indigência sas filhas. “ Destruirei os vossos al-
e com um ardor que vos seque os vos- tos, e quebrarei as vossas estátuas,
sos olhos, e consuma as vossas almas. Vós caireis entre as ruínas dos vossos
Baldadamente semeareis a vossa se- ídolos, e a minha alma vos abomi-
mente, a qual será destruída pelos nará, 81de tal sorte que reduzirei à so-
vossos inimigos. 17Porei a minha face lidão as vossas cidades, e tornarei de-
contra vós, e caireis diante dos vossos sertos os vossos santuários, e não a-
inimigos, e sereis sujeitos aos que vos ceitarei mais o cheiro suavíssimo. “ E
aborrecem; fugireis sem que mn- desolarei a vossa terra, e os vossos i-
guém vos persiga. 18Se nem ainda nimigos pasmarão sôbre ela, quando
assim me obedecerdes, acrescentarei a habitarem. “ A vós, porém, espa-
o sétuplo ao vosso castigo, por causa lhar-vos-ei entre as nações, e desem-
dos vossos pecados, 19e quebrarei a bainharei a espada atrás de vós, e
soberba da vossa dureza, e farei que será deserta a vossa terra, e destruí-
o céu lá em cima seja como ferro, e das as vossas cidades. 84Então agra-
26. O bastão do vosso pão, isto 6, o p&o que ê o bast&o ou o sustentáculo da vossa
vida (E z ., IV , 16). — E m um só forno. Enquanto que ordinariamente um forno cozia
sòmente o pão dum a fam ília, na ocasião de castigo um forno chegará, p ara dez fam ílias,
a mãe distribuirá os páes aos filhos e aos servos por pêso, e não à sua vontade.
31. N ã o aceitarei mais o cheiro suavíssimo dos vossos perfumes, que me tornava
agradáveis os vossos sacrifícios e aplacava a minha ira.
33. Desembainharei a espada atrás de vós, isto é, impedirei que volteis p ara a terra
donde fostes expulsos por vossa culpa.
34-35. Com ironia a terra da Palestina é representada como se se alegrasse por
26 - 27 LEvITICO 153
darão à terra os seus sábados du­ o Senhor estabeleceu entre si e os
rante todo o tempo da sua solidão; filhos de Israel no monte Sinai, por
quando estiverdes ^em terra de ini­ mão de Moisés.
migos, ela terá descanso, e repousa­
rá nos sábados da sua solidão, pois Apêndice sôbre os votos e os dizimos
que não repousou nos vossos sába­ Votos tendo por objeto pessoas
dos, quando habitáveis nela. 0 7 JE o Senhor falou a Moisés, di-
36E aos que de vós ficarem, porei
o espanto nos seus corações nas ter­ “ • zendo: 2Fala aos filhos de Is­
ras dos inimigos; o ruído de uma fo­ rael, e dize-lhes: Um homem que
lha volante os aterrará, e fugirão de­ fizer voto, e prometer a Deus a sua
la como de uma espada; cairão, Sem alma, dará o preço segundo a avalia­
que ninguém os persiga, 37e precipi- ção. 3Se fôr varão desde os vinte
tar-se-ão uns sôbre os outros, como anos até aos sessenta, dará cinqüen-
se fugissem das batalhas; nenhum ta siclos de prata, segundo a me­
de vós ousará resistir aos inimigos; dida do santuário; 4se fôr mulher,
38perecereis entre as nações, e a terra dará trinta. 5Dos cinco anos até aos
inimiga vos consumirá. 39E, se fi­ vinte, o homem dará vinte siclos; a
carem ainda alguns dêles, consumir- mulher d ez. °De um mês até aos cin­
-se-ão por causa das suas iniqüida- co anos, dar-se-ão cinco siclos por
des na terra dos seus inimigos, e se­ um menino; por uma menina, três.
rão oprimidos de aflições, por causa 7Aos sessenta anos e daí para cima o
dos pecados de seus pais e dos pró­ homem dará quinze siclos, a mulher
prios, ‘“'até que confessem as suas dez. 8Se fôr um pobre, e não pu­
iniqüidades e as de seus maiores, com der pagar a taxa, apresentar-se-á ao
ue prevaricaram contra mim, e an- sacerdote, e dará o que êste avaliar e
aram em oposição a m im . 41Eu, vir que êle pode dar.
pois, também procederei contra êles, Animais puros ou impuros
e metê-los-ei em terra inimiga, até
que o seu coração incircunciso se 9Mas o animal, que pode ser imo­
envergonhe; então pedirão perdão lado ao Senhor, se alguém o prome­
das suas impiedades. ter com voto, será coisa santa, 10e
42E me recordarei da aliança que não poderá ser trocado, isto é, nem
fiz com Jacó, Isac e Abraão. Lem- um melhor por um mau, nem um
brar-me-ei também da terra, 43a qual, pior por um bom; mas, se o trocar,
depois que êles a tiverem deixado, tanto o que foi trocado, como aquê-
se comprazerá com os seus sábados, le por que se trocou, ficará consa­
sofrendo a solidão por causa dêles. grado ao Senhor. nSe alguém faz
Mas êles pedirão perdão dos seus pe­ voto dum animal imundo, que não
cados, porque rejeitaram os meus pode ser imolado ao Senhor, leve-o
preceitos, e desprezaram as minhas diante do sacerdote, 12o qual, julgan­
leis. 44E, contudo, ainda quando do se é bom ou mau,, determinará o
êles estavam em terra inimiga, eu preço. 13E, se o oferente o quiser
não os rejeitei de todo, nem os des­ resgatar, juntará uma quinta parte
prezei de sorte que os deixasse pere­ sôbre a avaliação.
cer inteiramente, e tornasse vã a mi­ Uma casa
nha aliança com êles. Porque eu
sou o Senhor seu Deus, 45e me lem­ 14Se alguém faz voto da casa e a
brarei da minha antiga aliança, consagra ao Senhor, o sacerdote a
quando os tirei da terra do Egito, à examinará para ver se é boa ou má,
vista das gentes, para ser o seu Deus. e será vendida pelo preço que êle
Eu sou o Senhor. Estas são as or­ tiver fixado; 15mas, se o que fêz o
denações e os preceitos e as leis que voto quiser resgatá-la, dará uma
poder finalmente repousar um pouco, depois que os seus habitantes tiverem sido levados
para o exílio, os quais a obrigavam a produzir frutos, mesmo nos anos sabáticos e
jubilares.
Cap. X X V I I — 2. Prom eter a Deus a sua alma, isto é, prometer consagrar a Deus a
sua vida no serviço do tabernáculo.
154 LEVÍTICO 27
quinta parte sôbre a avaliação, e terá tencem ao Senhor; ou seja um boi,
a casa. ou seja uma ovelha, são do Senhor.
Um campo 27Porém, se o animal é impuro, a-
quêle que o ofereceu o resgatará se­
10Se fizer voto, e consagrar ao Se­ gundo a sua avaliação, e ajuntará
nhor um campo, que possui, será ava­ a quinta parte do preço; se o não
liado o preço conforme o que leva quiser resgatar, será vendido a ou­
de semente; se o campo é semeado tro pelo preço fixado por ti.
com trinta alqueires de cevada, se­
rá vendido por cinqüenta siclos de Sôbre as coisas consagradas ao Senhor
prata. 17Se fêz voto dum campo lo­
go no princípio do ano do jubileu, se­
rá avaliado em tanto quanto pode va­ 28Tudo o que é consagrado ao Se­
ler. 18Mas, se faz o voto algum tem­ nhor, seja um homem, um animal ou
po depois, o sacerdote calculará o um campo, não se venderá, nem se
preço segundo o número dos anos poderá resgatar. Tudo o que uma
que restam até ao jubileu, e isto se vez foi consagrado, será uma coisa
abaterá ao preço. 19Porém, se aquê- santíssima (pertencente) ao Senhor.
le que fêz o voto quiser resgatar o 29E tôda a coisa consagrada, que se
campo, juntará uma quinta parte ao oferece por um homem, não será res­
preço fixado, e possuí-lo-á i 20Mas, gatada, mas será posta à morte.
se o não quiser resgatar e fôr ven­
dido a outro qualquer, aquêle que Sôbre os dizimos
fêz voto dêle não poderá resgatá-
lo, 21porque, quando chegar o dia do 30Tôdos os dízimos da terra, ou se­
jubileu, (o campo) será consagrado jam de grão, ou de frutas das árvo­
ao Senhor, e uma fazenda consagra­ res, são do Senhor, e a êle são con­
da pertence ao direito dos sacerdo­ sagrados. 31Mas, se alguém quiser
tes. 22Se o campo consagrado s.y Se­ resgatar os seus dízimos, ajuntará
nhor fôr comprado e não faz parte uma quinta parte dêles. 32De todos
da herança dos maiores, ^o sacerdote os dízimos, de bois, ovelhas, e cabras,
fixará o preço conforme o número que passam por baixo do cajado do
dos anos que restam até o jubileu; pastor, todo o décimo ( animalJ, será
e aquêle que fêz o voto, dará êste consagrado, ao Senhor. “ Não se es­
preço ao Senhor. “ Mas no jubileu colherá bom nem mau, nem se tro­
o campo tornará çara o antigo dono, cará por outro; se alguém o trocar,
que o tinha vendido, e o tinha tido tanto o substituído como o que o
em sorte na sua herança. “ Tôda substituiu, será consagrado ao Senhor
a avaliação se fará pelo pêso do si- e não será resgatado.
clo do santuário. O siclo tem vinte
óbolos. Conclusão geral
Apêndice sôbre os primogênitos
34Êstes são os mandamentos que o
26Ninguém poderá consagrar ou fa ­ Senhor deu a Moisés para os filhos de
zer votos dos primogênitos, que per­ Israel no monte Sinai.

32. Que passam por baixo do cajado do pastor. A lusão ao costume que tinham os
pastores de contar o gado, fazendo-o passar por diante dêles, - e impondo-lhe o cajado.
NÚMEROS
O quarto livro de Moisés é chamado Números, porque se inicia com a
enumeração ou censo dos Israelitas segundo as suas tribos, famílias e ofícios.
Na realidade, porém, é a continuação da história das peregrinações por quase
39 anos do povo hebreu pelo deserto, interrompida, — depois da chegada
ao Sinai, — pela interpolação da legislação hebraica, que ocupa a segunda
metade do Êxodo e todo o Levítico.
O livro pode dividir-se em três partes, correspondentes às três regiões
em que se desenrolaram os fatos nêle narrados:
I. — No Sinai: disposições para a partida (1, 1 - 10, 10). Censo e dis­
posição das tribos no campo. Entremeio de leis. Ültimos acontecimentos
que precedem a partida do Sinai.
II. — Viagem através do deserto (10, 11 - 21, 35). Do Sinai até Cades.
— Acampamento em Cades. — Os doze exploradores. Revolta do povo, que é
condenado a vagar errante pelo deserto — De Cades ao Jordão.
III. — Nas margens orientais do Jordão (22, 1 - 36, 13). Acontecimen­
tos e leis, na planície de Moab.
A duração de cada um dêsses períodos foi respectivamente de 20 dias,
de 38 anos, e de 5 mêses.
Nos Números não se encontra a narração completa daquilo que aconte­
ceu durante toda a peregrinação no deserto. São apenas mencionados al­
guns fatos notáveis para o significado religioso, tais como a serpente de
bronze; a sedição de Coré, Datan e Abiron, e suas consequências; os vati-
cínios de Balaão; a água brotada da rocha; fatos que serviram aos Apósto­
los, no Novo Testamento, para deduzirem utilíssimas lições. (I Cor. 10,
1-11; Hebr. 3, 12-16; S. João 3, 14-15).
N Ú M E R O S

Ordem divina relativa famílias, contando por cabeça o no­


ao recenseamento me de cada um dêles, dos vinte anos
para cima, 19*c onforme o Senhor tinha
1 7E o Senhor falou a Moisés no ordenado a Moisés. E fêz-se o re­
* deserto do Sinai, no taberná- censeamento no deserto do Sinai.
culo da aliança, no primeiro dia do
segundo mês, no segundo ano de­ De Ruben
pois da saída dos filhos de Israel do
Egito, dizendo: 2Fazei o recensea­ 20De Ruben, primogênito de Israel,
mento de tôda a congregação dos f i­ segundo as suas gerações, e famílias,
lhos de Israel pelas suas famílias e e casas, contando os nomes por cabe­
casas, e nomes de cada um dos va­ ça, todos os varões dos vinte anos
rões, 3dos vinte anos para cima, e para cima, que podiam ir à guerra,
de todos os homens fortes de Israel; 21(fora m recenseados) quarenta e seis
e contá-los-eis pelas suas turmas, tu mil e quinhentos.
e Arão. 4E estarão convosco os che­ De Simeão
fes das tribos e das casas nas suas
gerações. 22Dos filhos de Simeão, segundo as
suas gerações, e famílias, e casas
Nomes dos que devem presidir a êste de suas parentelas, contando os no­
recenseamento mes por cabeça, os varões dos vin­
5Eis os seus nomes: (D a trib o) de te anos para cima, que podiam ir à
Ruben, Elisur, filho de Sedeur. 6(D a guerra, 23(fora m recenseados) cin-
trib o) de Simeão, Salamiel, filho de qüenta e nove mil e trezentos.
Surisadai. '(D a trib o) de Judá, Naas- De Gad
son, filho de Aminadab. 8(D a trib o)
de Issacar, Natanael, filho de Suar. 24Dos filhos de Gad, segundo as
9(D a trib o) de Zabulão, Eliab, filho suas gerações, e famílias, e casas de
de Helon. 10E para os filhos de José, sua parentela, contando pelos no­
(da trib o) de Efraim, Elisama, filho mes de cada um dêles, todos os de
de Amiud, (da trib o) de Manassés, vinte anos para cima, que podiam
Gamaliel, filho de Fadassur. 11 (D a ir à guerra, 25(fora m recenseados)
trib o) de Benjamim, Abidan, filho de quarenta e cinco mil e seiscentos e
Gedeão. 12(D a trib o) de Dan, Aiezer, cinqüenta.
filho de Amisadai. 13(D a trib o) de A- De Judá
ser, Fegiel, filho de Ocran. 14(D a tr i­
bo) de Gad, Eliasaf, filho de Duel. 20Dos filhos de Judá, segundo as
15(D a trib o) de Neftali, Aíra, filho de suas gerações, e famílias, e casas de
Enan. 16Êstes são os mais ilustres sua parentela, contando os nomes de
príncipes do povo, pelas suas tribos cada um dêles, dos vinte anos para
e famílias, e os chefes do exército cima, todos os que podiam ir à guer­
de Israel. ra, 27foram recenseados setenta e qua­
Convocação da assembléia para se
tro mil e seiscentos.
numerarem os combatentes De Issacar
17Moisés e Arão, tendo-os tomado 28Dos filhos de Issacar, segundo as
com tôda a multidão do povo, 1718jun­ suas gerações, e famílias, e casas de
taram-nos no primeiro dia do segun­ sua parentela, contando os nomes
do mês, e fizeram o seu recensea­ de cada um dêles dos vinte anos pa­
mento pelas suas parentelas, casas e ra cima, todos os que podiam ir à
l - 2 NÚMEROS 157
guerra, 29foram recenseados cinqüen- De N eftali
ta e quatro mil e quatrocentos. 42Dos filhos de Neftali, segundo as
De Zabulão suas gerações, e famílias, e casas de
sua parentela, foram contados com o
"Dos filhos de Zabulão, segundo as próprio nome de cada um, dos vinte
suas gerações, e famílias, e casas de anos para cima, todos os que podiam
sua parentela, contando os nomes de ir à guerra, ^cinqüenta e três mil e
cada um dêles, dos vinte anos para quatrocentos.
cima, todos os que podiam ir à guer­ Total
ra, 31( foram recenseados) cinqüenta
e sete mil e quatrocentos. 44Êstes são os que foram contados
De Efraim por Moisés e Arão, e pelos doze prín­
cipes de Israel, cada um segundo as
32Dos filhos de José, quanto aos fi­ casas de sua parentela. 45E todo o
lhos de Efraim, segundo as suas ge­ número dos filhos de Israel, segundo
rações, e famílias, e casas de sua pa­ as suas casas e famílias, dos vinte
rentela, foram contados, segundo os anos para cima, os que podiam ir à
nomes de cada um, dos vinte anos guerra, foi de 46seiscentos e três mil
para cima, todos os que podiam ir à quinhentos e cinqüenta homens.
guerra, 33(foram recenseados) qua­
renta mil e quinhentos. Os Levitas são excetuados

De Manassés 47Os Levitas, porém, não foram con­


tados com êles, na tribo das suas fa ­
34Quanto aos filhos de Manassés, mílias. 48Porque o Senhor falou a
segundo as suas gerações, e famílias, Moisés, dizendo: 49Não contes a tri­
e casas de sua parentela, foram con­ bo de Levi, nem porás a soma dêles
tados segundo o nome de cada um com os filhos de Israel. 50Mas in­
dêles, dos vinte anos para cima, to­ cumbe-os de cuidarem do taberná-
dos os que podiam ir à guerra, ^trin­ culo do testemunho e de todos os
ta e dois mil e duzentos. seus vasos, e de tudo o que perten­
De Benjamim ce às cerimônias. Êles levarão o ta-
bernáculo e todos os utensílios, e em-
38Dos filhos de Benjamim, segun­ pregar-se-ão no ministério, e acam­
do as suas gerações, e famílias, e ca­ parão em volta do tabernáculo.
sas de sua parentela, foram conta­ 51Quando se tiver de partir, os L e v i­
dos segundo os nomes de cada um, tas desarmarão o tabernáculo; quan­
dos vinte anos para cima, todos os do se tiver de fazer acampamento, ê-
que podiam ir à guerra, 37trinta e les o armarão; qualquer estranho
cinco mil e quatrocentos. que se aproximar, será morto. 52E
De Dan
os filhos de Israel acamparão cada
um segundo as suas turmas, e as
38Dos filhos de Dan, segundo as suas companhias, e o seu regimen­
suas gerações, e famílias, e casas de to . 53Mas os Levitas armarão as
sua parentela, foram contados com o suas tendas em volta do taberná­
próprio nome de cada um, dos vin­ culo, para que não suceda cair a in­
te anos para cima, todos os que po­ dignação sôbre a multidão dos f i­
diam ir à guerra, 39sessenta e dois lhos de Israel; e velarão na guar­
mil e setecentos. da do tabernáculo do testemunho.
54Os filhos de Israel, pois, fizeram
De Aser tudo conforme o Senhor tinha man­
dado a Moisés.
40Dos filhos de Aser, pelas suas ge­
rações, e famílias, e casas de sua pa­ Ordem do acampamento das tribos
rentela, foram contados com o pró­
prio nome de cada um, dos vinte O JE o Senhor falou a Moisés e a
anos para cima, todos os que podiam “ Arão, dizendo: 2Os filhos de Is­
ir à guerra, 41quarenta e um mil e rael acamparão* em volta do taber­
quinhentos. náculo da aliança, cada um segundo
158 NÚMEROS 2

as suas turmas, e as suas insígnias, Efraim, Manassés e Benjamim


e os seus estandartes, e as casas da
sua parentela. 18Para a parte do ocidente estará
o acampamento dos filhos de Efraim,
Judá, Issacar e Zabulão cujo príncipe foi Elisama, filho de
Amiud. 19Todo o corpo dos seus com­
3Judá assentará as suas tendas ao batentes, que foram contados, era de
oriente, segundo as turmas do seu quarenta mil e quinhentos. 20E com
exército; e Naasson, filho de Amina- êstes a tribo dos filhos de Manassés,
dab, será o príncipe dos seus filhos. cujo príncipe foi Gamaliel, filho de
4E o número total de combatentes Fadassur. 21E todo o corpo dos seus
da sua linhagem é setenta e quatro combatentes, que foram contados,
m il e seiscentos. 5Junto dêle acam­ era de trinta e dois mil e duzentos.
param os da tribo de Issacar, cujo “ N a tribo dos filhos de Benjamim
príncipe foi Natanael, filho de Suar. foi príncipe Abidan, filho de Gedeão.
6E o número total dos seus comba­ 23E todo o corpo dos seus combaten­
tentes é cinqüenta e quatro mil e tes, que foram contados, era de trin­
quatrocentos. 7N a tribo de Zabulão o ta e cinco mil e quatrocentos. 24To-
príncipe f o i Eliab, filho de Helão. dos os que foram contados no acam­
8Todo o corpo de combatentes desta pamento de Efraim foram cento e
tribo é de cinqüenta e sete m il e oito mil e cem segundo as suas tur­
quatrocentos. °Todos os que foram mas. Êstes partiram em terceiro
contados no acampamento de Judá, lugar.
foram cento e oitenta e seis mil e Dan, Aser, e NeftaH
quatrocentos; e foram os primeiros
a pôr-se em marcha segundo as suas ^Para a parte do setentrião acam­
turmas. param os filhos de Dan, cujo prínci­
Ruben, Simeão e Gad
pe foi Aiezer, filho de Amisadai. ^To­
do o corpo dos seus combatentes,
10No acampamento dos filhos de que foram contados, era de sessenta
Ruben para a parte do meio-dia será e dois mil e setecentos. 27Junto a êle
príncipe Elisur, filho de Sedeur; ne acamparam os da tribo de Aser, cu­
todo o corpo dos seus combatentes, jo príncipe foi Fegiel, filho de Ocran.
que foram contados, era de quarenta ^Todo o corpo dos seus combatentes,
e seis mil e quinhentos. 12Junto a que foram contados, era de quarenta
êle acamparam os da tribo de Si­ e um mil e quinhentos. 29Da tribo
meão, cujo príncipe foi Salamiel, f i­ dos filhos de N eftali foi príncipe A í-
lho de Surisadai. 13E todo o corpo ra, filho de Enan. ^ ó d o o corpo dos
dos seus combatentes, que foram con­ seus combatentes era de cinqüenta
tados, era de cinqüenta e nove mil e três mil e quatrocentos. 31Todos os
e trezentos. 14N a tribo de Gad foi ue foram contados no acampamento
príncipe Eliasaf, filho de Duel. 15E e Dan foram cento e cinqüenta e
todo o corpo dos seus combatentes, sete mil e seiscentos; e êstes foram
que foram contados, era de quarenta os últimos a partir.
e cinco mil, seiscentos e cinqüenta. Recapitulação
16Todos os que foram contados no
acampamento de Ruben, foram cento 32Êste é o número dos filhos de
e cinqüenta e um mil e quatrocentos Israel, divididos segundo as casas da
e cinqüenta, segundo as suas turmas; sua parentela e as turmas do exér­
êstes foram os segundos a pôr-se em cito: seiscentos e três mil e quinhen­
marcha. tos e cinqüenta. 33Os Levitas, porém,
Levitas não foram contados entre os filhos
de Israel, porque assim tinha orde­
11(E m seguida irá ) o tabernáculo nado o Senhor a Moisés. 34E os fi­
do testemunho (que) será levado por lhos de Israel fizeram tudo segundo
cuidado dos Levitas, e por suas tur­ o que o Senhor tinha mandado. A -
mas; pela ordem por que fôr armado, camparam segundo as turmas, e mar­
assim será desarmado. Cada um mar­ charam segundo as famílias e casas
chará no seu lugar e na sua ordem. de seus pais.
3 NÚMEROS 159
Filhos de Arão os filhos de Levi, segundo as casas
O ^ s ta s são as gerações de Arão de seus pais e as suas famílias, to­
° e de Moisés, no dia em que o dos os varões de um mês para cima.
Senhor falou a Moisés no monte Si­ Filhos e netos de Levi
nai. 2E êstes são os nomes dos filhos
de Arão: Nadab, o seu primogênito, 16Moisés fêz o recenseamento con­
depois Abiu, e Eleazar, e Itamar. forme o Senhor lhe tinha ordenado,
3Êstes são os nomes dos filhos de 17e foram encontrados filhos de L e ­
Arão, sacerdotes, que foram ungidos, vi, segundo os seus nomes, Gersão e
e cujas mãos foram cheias e consa­ Caat e Merari. 18Filhos de Gersão:
gradas, para exercerem as funções Lebni e Semei. 19Filhos de Caat:
do sacerdócio. 4Ora, Nadab e Abiu, Amrão e Jesaar, Hebrão e Oziel. 20F i-
tendo oferecido um fogo estranho na lhos de Merari: Mooli e Musi.
presença do Senhor no deserto do Famílias descendentes de Gersão
Sinai, morreram sem filhos; e Elea­ 21De Gersão saíram duas famílias,
zar e Itam ar exerceram as funções a de Lebni, e a de Semei, 22tôda a
do sacerdócio na presença de seu população masculina das quais, con­
pai Arão. tada de um mês para cima, foi de
Funções dos Levitas sete mil e quinhentos. 23Êstes acam­
5E o Senhor falou a Moisés, dizen­ parão detrás do tabernáculo ao oci­
do: 6Faze aproximar a tribo de Le- dente, 24sob-o príncipe Eliasaf, filho
vi, e fá-la comparecer diante do sa­ de Lael. “ E terão o cuidado no ta­
cerdote Arão para o servirem, e es­ bernáculo da aliança, 26do mesmo ta­
tarem de vigia, 7e observarem tudo bernáculo, e da sua coberta, do véu
o que diz respeito ao culto da mul­ que se corre diante da porta do ta­
tidão diante do tabernáculo do tes­ bernáculo da aliança, e das cortinas
temunho, 8e para guardarem os va­ do átritf; e também do véu que es­
sos do tabernáculo, servindo no seu tá pendurado à entrada do átrio do
ministério. 9E darás em dádiva os tabernáculo, e de tudo o que perten­
Levitas 16a Arão e aos seus filhos, aos ce ao ministério do altar, das cordas
quais foram entregues pelos filhos do tabernáculo e de todos os seus
de Israel. Estabelecerás Arão e seus utensílios.
filhos nas funções do sacerdócio. O Fam ílias descendentes de Caat
estranho, que se aproximar para mi­ 27A descendência de Caat terá as
nistrar, morrerá. famílias dos Amramitas e Jesaaritas
Os Levitas substituem os primogênitos e Hebronitas e Ozielitas. Estas são as
“ E o Senhor falou a Moisés, di­ famílias dos Caatitas, recenseadas se­
zendo: 12Eu tomei os Levitas dentre gundo os seus nomes. 28Todos os va­
os filhos de Israel em lugar de todo rões, de um mês para cima, oito mil
o primogênito, que abre o útero de e seiscentos, velarão pela guarda do
sua mãe entre os filhos de Israel, e santuário, 29e acamparão na parte
os Levitas serão meus, 13porque todo meridional. 80E o seu príncipe será
o primogênito é meu. Desde o dia em Elisafã, filho de Oziel; 33e guarda­
que feri os primogênitos na. terra do rão a arca, e a mesa, e o candeeiro,
Egito, consagrei para mim todo o e os altares, e os vasos do santuário,
que nasce primeiro em Israel, desde que servem para o ministério, e o
o homem até ao animal: são meus. véu, e todos os outros objetos dêste
Eu sou o Senhor. gênero. 32E Eleázaro, filho do sacer­
dote Arão, e príncipe dos príncipes
Modo de recensear os Levitas dos Levitas, terá a superintendência
14E o Senhor falou a Moisés no sôbre os que velam pela guarda do
deserto do Sinai, dizendo: 15Numera santuário.
Cap. I I I — 3. Cujas mãos foram, cheias. E stas palavras aludem ao fato de Moisés
colocar nas mãos dos sacerdotes, quando os consagrou, os utensílios sagrados e as vítim as
a oferecer.
25. Segundo o hebreu êste versículo tradu z-se: E o ministério dos filhos de Gersão
no tabernáculo é o cuidado do tabernáculo, etc.
160 N UM ERoS 3 - 4

Fam ílias descendentes de Merari primogênitos que são demais, t o ­


rnou, pois, Moisés o dinheiro por a-
“ De Merari, porém, sairão as fa ­ quêles que eram demais, e pelos
mílias dos Moolitas e dos Musitas, quais se pagava o resgate em lugar
recenseados segundo os seus nomes; dos Levitas, 50pelos primogênitos dos
“ os varões de um mês para cima, filhos de Israel, mil e trezentos e ses­
seis mil e duzentos. “ O seu príncipe senta e cinco siclos segundo a medi­
é Suriel, filho de Abiaiel; acamparão da do santuário, 51e deu-o a Arão e
na parte setentrional. “ Debaixo da a seus filhos conforme a ordem que
sua guarda estarão as tábuas do ta- o Senhor lhe tinha dado.
bernáculo, e os varais, e as colunas
com suas bases, e tudo o que perten­ Recenseamento e funções dos
ce a estas coisas; 37e as colunas que Caatitas
cercam o átrio com as suas bases, e
as suas estacas e as suas cordas. A AE o Senhor falou a Moisés e
^ Arão, dizendo: 2T ira a soma
Recapitulação dos filhos de Caat dentre os Levitas
“ Moisés e Arão com seus filhos segundo as suas casas e as suas fa­
acamparão diante do tabernáculo da mílias, 3desde a idade de trinta anos
aliança ao oriente, e terão a guarda para cima até aos cinqüenta, de to­
do santuário no meio dos filhos de dos os que entram para assistirem e
Israel; todo o estranho que se apro­ ministrarem no tabernáculo da alian­
ximar morrerá. 39Todos os Levitas, ça. 4Êste é o serviço dos filhos de
que Moisés e Arão recensearam, por Caat: N o tabernáculo da aliança e
ordem do Senhor, segundo as suas no santo dos santos, 5entrarão Arão
famílias, entre os varões de um mês e seus filhos; quando se tiverem
para cima, foram vinte e dois mil. de mover os acampamentos, desce­
rão o véu, que está pendente dian­
Recenseamento e resgate dos primo­ te da porta, e envolverão nêle a ar­
gênitos ca do testemunho, °cobri-la-ão ainda
com uma coberta de peles roxas, e
WE o Senhor disse a Moisés: Con­ estenderão por cima um pano to­
ta os primogênitos varões dos filhos do de jacinto e meterão os varais.
de Israel, de um mês para cima, e 7Envolverão também num pano de
farás a soma dêles. 41 E tomarás pa­ jacinto a mesa da proposição, e po­
ra mim os Levitas em lugar de todos rão com ela os turíbulos e os grai-
os primogênitos dos filhos de Israel. zinhos, os copos e as taças para as
Eu sou o Senhor; e ( tom areij os seus libações; os pães estarão sempre so­
gados em vez de todos os primogê­ bre ela. 8E estender-lhe-ão por ci­
nitos dos gados dos filhos de Israel. ma um pano de escarlate, o qual
42Fêz Moisés o recenseamento dos cobrirão ainda com uma coberta de
primogênitos dos filhos de Israel co­ peles roxas, e meterão os varais.
mo o Senhor tinha ordenado. 43E os 9Tomarão também um pano de ja ­
varões, contados segundo os seus no­ cinto, com o qual cobrirão o can­
mes, de um mês para cima, foram deeiro com as lâmpadas e as suas
vinte e dois mil e duzentos e setenta tenazes e espevitadores e todos os
e três. *44E o Senhor falou a Moisés, vasos de azeite, que são necessários
dizendo: 45Toma os Levitas em vez para preparar as lâmpadas; 10e so­
dos primogênitos dos filhos de Israel, bre tôdas estas coisas lançarão u-
e os gados dos Levitas em vez dos ma coberta de peles roxas, e mete­
seus gados, e os Levitas serão meus. rão os varais. nE envolverão tam­
Eu sou o Senhor. “°E pelo preço dos bém o altar de ouro num pano de
duzentos e setenta e três primogêni­ jacinto, e estenderão por cima uma
tos dos filhos de Israel que excedem coberta de peles roxas e meterão os
o número dos Levitas, 47receberás cin­ varais. 12Envolverão num pano de
co siclos por cabeça, segundo a me­ jacinto todos os utensílios, com que
dida do santuário. O siclo tem vin­ se faz serviço no santuário, e esten­
te óbolos. 48E darás êste dinheiro a derão por cima uma coberta de pe­
Arão e a seus filhos como preço dos les roxas, e meterão os varais.
4 NÚMEROS 161
13Limparão também as cinzas do al­ entrada que está diante do taber-
tar, e o envolverão num pano de púr- náculo. Todas as coisas que per­
pura, 14e porão com êle todos os u- tencem ao altar, os cordões e os u-
tensílios que se usam no seu serviço, tensílios do ministério, 27levá-las-ão
isto é, os braseiros, as tenazes e os tri­ os filhos de Gersão, debaixo das or­
dentes, os garfos e as pás. Cobrirão dens de Arão e de seus filhos, e ca­
todos os utensílios do altar com uma da um saberá que serviço deve pres­
coberta de peles roxas, e meterão os tar. 28*Ê ste é o serviço da família
varais. 15E, depois que Arão e seus dos Gersonitas no tabernáculo da a-
filhos tiverem envolvido o santuá­ liança, e estarão sujeitos a Itamar,
rio com todos os seus utensílios ao filho do sacerdote Arão.
levantar dos acampamentos, então
entrarão os filhos de Caat para le­ Recenseamento e funções dos M eraritas
varem o que estiver embrulhado; e
não tocarão nos utensílios do san­ “ Contarás também os filhos de
tuário, para que não morram. Ês- Merari, segundo as suas famílias e
tes são os cargos dos filhos de Caat as casas de seus pais, 30*desde os trin­
no tabernáculo da aliança. 10O seu ta anos para cima até aos cinqüen­
chefe será Eleázaro, filho do sacer­ ta, todos os que entram para o ofi­
dote Arão, a cujo cuidado perten­ cio do seu ministério e para o ser­
ce o azeite para preparar as lâm­ viço do tabernáculo da aliança.
padas, e o incenso de composição, 31Êstes são os seus cargos: Levarão
e o sacrifício perpétuo, e o óleo da as tábuas do tabernáculo e os seus
unção, e tudo o que pertence ao ser­ varais e as colunas e as suas bases,
viço do tabernáculo, e todos os u- 32e também as colunas que estão ao
tensílios que há no santuário. 17E redor do átrio com as suas bases,
o Senhor falou a Moisés e a Arão, estacas e cordas. Receberão por
dizendo: “ Não queirais exterminar conta todos os vasos e alfaias, e as­
o povo de Caat do meio dos Levi- sim as levarão. 33*Ê ste é o serviço
tas; “ mas eis como vós deveis pro­ da fam ília dos Meraritas e o seu mi­
ceder com êles, para que vivam, e nistério no tabernáculo da aliança;
não morram, se tocarem as coisas e estarão às ordens de Itamar, fi­
santíssimas. Arão e seus filhos en­ lho do sacerdote A rã o .
trarão, e êles mesmos disporão os São cumpridas as ordens de Deus sobre
encargos de cada um, e separarão o o recenseamento
que deve cada um levar. 20Os ou­
tros não olhem com curiosidade pa­ 34Moisés, pois, e Arão e os prínci­
ra as coisas que há no santuário an­ pes da sinagoga fizeram o recensea­
tes de estarem embrulhadas, aliás mento dos filhos de Caat segundo as
m orrerão. famílias e as casas de seus pais, “ des­
de os trinta anos para cima até aos
Recenseamento e funções dos cinqüenta, (isto é ), todos os que en­
Gersonitas tram no serviço do tabernáculo da
aliança; 30e acharam-se dois mil e
21E o Senhor falou a Moisés, di­ setecentos e cinqüenta. 37Êste é o
zendo: “ T ira também a conta dos número dos da estirpe de Caat, que
filhos de Gersão, segundo as suas ca­ entraram no tabernáculo da aliança,
sas, e famílias, e parentelas, “ des­ e contou-os Moisés e Arão, segun­
fie os trinta anos para cima até aos do a ordem dada pelo Senhor por
cinqüenta. Conta todos os que en­ meio de Moisés. 38Foram também
tram e servem no tabernáculo da a- contados os filhos de Gersão segundo
liança. 2 *4*Êste é o ofício da fam ília
1 as famílias e casas de seus pais, ^des­
dos Gersonitas: “ Levarão as corti­ de os trinta anos para cima até aos
nas do tabernáculo, o texto da alian­ cinqüenta, todos os que entram pa­
ça, a segunda coberta, e a coberta ra ministrar, no tabernáculo da a-
das peles roxas que está por ci­ liança; 40e acharam-se dois mil e
ma, e o véu que está pendurado à seiscentos e trinta. 41Êstes são os da
entrada do tabernáculo da aliança, estirpe dos Gersonitas, que Moisés e
“ as cortinas do átrio, e o véu da Arão contaram segundo a ordem do
6 - B íb lia S agrada
l 62 NÚMEROS 4 -5

Senhor. 42Foram também contados neiro, que é oferecido por expiação,


os filhos de Merari segundo as fa ­ para que seja hóstia placável.
mílias e casas de seus pais, 43desde Rendimentos dos sacerdotes
os trinta anos para cima até aos
cinqüenta, todos os que entram a e- °Tôdas as primícias que os filhos
xercer as suas funções no taberná- de Israel oferecerem, pertencem
culo da aliança; “ e foram achados também ao sacerdote; 10*e tudo o que
três mil e duzentos. 48Êste é o nú­ é oferecido por cada um para o san­
mero dos filhos de Merari, que Moi­ tuário, e se entrega nas mãos do sa­
sés e Arão contaram, segundo a or­ cerdote, será dêle.
dem dada pelo Senhor por meio de O adultério
Moisés. 11E o Senhor falou a Moisés, di­
Recapitulação
zendo: 12Fala aos filhos de Israel,
“ Todos os que foram contados den­ e lhes dirás: O homem, cuja mu­
tre os Levitas, e de quem Moisés lher cair em falta, e, desprezando
e Arão e os príncipes de Israel fize­ o marido, 13tiver dormido com outro
ram o recenseamento segundo as fa ­ homem, e o marido não puder pro-
mílias e casas de seus pais, 47desde vá-lo, mas o adultério está oculto e
os trinta anos para cima até aos não pode provar-se com testemu­
cinqüenta, que entravam para o ser­ nhas, porque não foi apanhada no
viço do tabernãculo e para levar os crime, 14se o espírito dos zelos exci­
pesos, “ foram ao todo oito mil, qui­ ta o homem contra sua mulher, que,
nhentos e oitenta. “ Moisés, confor­ ou está manchada, ou é acusada por
me a ordem do Senhor, contou-os, uma falsa suspeita, 15*ê le a levará ao
cada um segundo o seu ofício e os sacerdote, e oferecerá por ela em o-
seus cargos, que deviam levar, co­ ferta a décima parte do efi de fa ­
mo o Senhor lhe tinha ordenado. rinha de cevada; não derramará sô-
A s pessoas impuras afastadas do bre ela azeite, nem porá incenso, por­
acampamento que é um sacrifício de zelos, e uma
oblação para descobrir o adultério.
C 1E o Senhor falou a Moisés, di- 10O sacerdote, pois, a oferecerá e a
** zendo: 2Manda aos filhos de fará estar de pé diante do Senhor.
Israel que deitem fora do acampa­ 17E tomará água santa num vaso de
mento todo o leproso, e o que padece barro, e lançará nela um pouco de
gonorréia, e o que estâ imundo por pó do pavimento do tabernáculo.
ter tocado num morto; 3tanto homem 18E, estando a mulher de pé diante
como mulher, lançai-os fora do cam­ do Senhor, (o sacerdote) lhe desco­
po, para que o não manchem, ha­ brirá a cabeça, e lhe porá nas mãos
bitando eu convosco. 4E os filhos o sacrifício de recordação, e a ofer­
de Israel fizeram assim, lançaram- ta de zelos, e êle terá (na mao) as
nos fora do campo, como o Senhor águas amargoslssimas, sôbre que
tinha dito a Moisés. pronunciou as maldições com exe­
Reparação de diversas injúrias feitas ao cração. 19E a esconjurará, e lhe di­
próximo r á : . Se nenhum homem estranho
dormiu contigo, e tu não te man­
5E o Senhor falou a Moisés, dizen­ chaste abandonando o leito de teu
do: °Dize aos filhos de Israel: Se marido, não te farão mal estas á-
um homem ou uma mulher tiverem guas amargosíssimas, sôbre que eu
cometido algum dos pecados em que, cumulei as maldições. “ Mas, se tu
de ordinário, caem os homens, e se te apartaste do teu marido, e te man­
tiverem transgredido por negligência chaste, e dormiste com outro homem,
o mandamento do Senhor, e tiverem 21cairão sôbre ti estas maldições. O
pecado, 5*7confessará o seu pecado, e Senhor te faça um objeto de maldi­
restituira o capital com um quinto ção e de exemplo para todos no seu
a mais àquele contra quem tiver pe­ povo; faça apodrecer a tua coxa, e
cado. 8*Se, porém, não houver quem que teu ventre, inchado, arrebente.
o receba, dá-lo-á ao Senhor, e per­ 22Estas águas malditas entrem no teu
tencerá ao sacerdote, exceto o car­ ventre, e, inchando-te o útero, apo­
5-6 NÚMEROS 16J
dreça a tua coxa. E a mulher res­ xando crescer os cabelos da sua ca­
ponderá: assim seja, assim seja. beça. °Durante todo o tempo da
^E o sacerdote escreverá num li­ sua consagração não entrará onde
vro estas maldições, e depois as a- haja algum morto, 7nem se contami­
pagará com estas águas amargosís- nará assistindo ao entêrro mesmo de
simas que êle cumulou de maldições, (seu) pai, ou de (sua) mãe, ou de
24e lhe dará a beber (aquelas águas). (seu) irmão, ou de (sua) irmã, por­
E, depois que as tiver bebido, “ o que a consagração do seu Deus es­
sacerdote tomará da mão da mulher tá sôbre a sua cabeça. 8Durante
o sacrifício de zelos, e levantá-lo-á todos os dias dasua separação será
diante do Senhor, e pô-lo-á em ci­ santopara o Senhor.
ma do altar; mas antes d om ará um
punhado do sacrifício que se ofere­ 9Mas, se alguém morrer súbita-
ceu, e o queimará sôbre o altar; e mente diante dêle, ficará mancha­
depois disto, dará a beber à mulher da a consagração da sua cabeça, a
as águas amargosíssimas. 27Depois qual rapará logo no mesmo dia da
que ela as tiver bebido, se está cul­ sua purificação, e no sétimo dia. 10N o
pada, e se, desprezado o marido, pecou oitavo dia, porém, oferecerá ao sa­
por adultério, penetrá-la-ão as águas cerdote, à entrada do tabernáculo da
da maldição, e inchando-lhe o ventre, aliança, duas rôlas ou dois pombos.
apodrecerá a sua coxa, e aquela mu­ nE o sacerdote imolará um pelo pe­
lher será em maldição e exemplo pa­ cado, e outro em holocausto, e roga-
ra todo o povo. 28Se, porém, não es­ rá por êle, porque pecou, rnanchan-
tá manchada, não sofrerá mal algum, do-se com a presença do morto; e san-
e terá filhos. 29Esta é a lei dos zelos. tificará naquele dia a sua cabeça; 12e
Se uma mulher se retirar de seu ma­ consagrará ao Senhor os dias da sua
rido, e se manchar, 30e o marido, pos­ separação, oferecendo um cordeiro de
suído do espírito de zelos, apresen­ um ano pelo pecado; mas de sorte que
tar diante do Senhor, e o sacerdote os dias precedentes sejam perdidos,
fizer com ela tudo o que fica escrito, visto que a sua santificação foi man­
31o marido será sem culpa, e a mulher chada.
pagará a sua maldade. 13Esta é a lei da consagração.
Completos que forem os dias, a que
Consagração dos nazarenos por voto se tinha obrigado (o sacer­
C *E o Senhor falou a Moisés, di- dote) conduzi-lo-á à entrada do ta­
u zendo: 2Fala aos filhos de Is­ bernáculo da aliança, 14e oferecerá ao
rael, e lhes dirás: Quando um ho­ Senhor a sua oferta, (que será) um
mem ou uma mulher fizerem vo­ cordeiro de um ano sem defeito em
to de se santificar, e se quiserem con­ holocausto, e uma ovelha de um a-
sagrar ao Senhor, 3abster-se-ão de no sem defeito pelo pecado, e um car­
vinho e de tudo o que pode embria­ neiro sem mancha por hóstia pací­
gar. Não beberão vinagre de v i­ fica, 15e também um cêsto de pães
nho ou de qualquer outra bebida ázimos, que sejam borrifados com
(inebriante) , nada do que se espre­ azeite, e tortas sem fermento, unta-
me da uva; não comerão uvas fres­ das de azeite, cada coisa com as
cas nem passas 4durante todo o tem­ suas libações. 16E o sacerdote as o-
po que estiverem consagrados ao Se­ ferecerá diante do Senhor, e o fará
nhor pelo voto; não comerão ne­ tanto pelo pecado como em holocaus­
nhum produto da vinha, desde a uva to . 170 carneiro, porém, imolá-lo-
passa ao bagulho. 5Durante todo o -á ao Senhor como hóstia pacífica,
tempo da sua separação não passa­ oferecendo ao mesmo tempo o cêsto
rá navalha pela sua cabeça, até que dos pães ázimos e as libações que por
se completem os dias da sua consa­ costume se devem. 18Então Será ra­
gração ao Senhor. Será santo, dei­ pado ao Nazareno o cabelo consagra-
Cap. V — 23. A s apagará. .. isto é, m ergulhará na água as p alavras escritas antes
de secarem, e, dêste modo, as maldições como que passarão para a água, que vai ser bebi­
da pela mulher.
27-28. Êste resultado era devido a um a intervenção especial de Deus.
164 NÚMEROS 6-7
do diante da porta do tabernáculo aos filhos de Gersão, segundo era a
da aliança; e (o sacerdote) tomará necessidade que dêles tinham. 8Deu
os seus cabelos, e os porá no fogo, aos filhos de Merari os outros qua­
que está por baixo da hóstia pacifi­ tro carros e oito bois, atendendo aos
ca. 19E porá nas mãos do Nazareno, ofícios e obrigações que tinham à
depois de lhe ter sido rapada a ca­ ordem de Itamar, filho do sacerdote
beça, a espádua do carneiro cozida, Arão. 9Aos filhos de Caat, porém,
e uma torta ázima tirada do cêsto, não deu carros nem bois, porque ser­
e, um filhó ázimo. a,E, recebidas dê- vem no santuário e levam os pesos
le estas coisas, as elevará diante do aos seus próprios ombros. 10Os che­
Senhor; e assim santificadas, perten­ fes, pois, ofereceram as suas obla-
cerão ao sacerdote, como também o ções diante do altar para a dedica­
peito que se mandou separar, e a per­ ção do altar, no dia em que foi un­
na; depois disto o Nazareno pode gido. “ E o Senhor disse a Moisés:
beber vinho. 21Esta é a lei do N a­ Cada um dos chefes ofereça cada dia
zareno, quando tiver feito voto da os seus dons para a dedicação do
sua oferta ao Senhor no tempo da altar.
sua consagração, além daquilo que os Chefe de Judá
seus meios lhe permitirem fazer. 12No primeiro dia fêz a sua oferta
Procederá conforme o voto que ti­ Naasson, filho de Aminadab, da tribo
ver feito na sua mente, para tornar de Judá; 13e a sua oferta foi um pra­
perfeita a sua santificação. to de prata de cento e trinta siclos
Fórm ula de bênção sacerdotal de pêso; e uma taça de prata de se­
tenta siclos segundo o pêso do san­
22E o Senhor falou a Moisés, di­ tuário, ambos cheios de farinha bor-
zendo: 23Dize a Arão e a seus filhos: rifada com azeite para o sacrifício;
Assim abençoareis os filhos de Israel, 14um pequeno vaso de ouro que pesa­
e lhes direis: 240 Senhor te aben­ va dez siclos, cheio de incenso; 15um
çoe, e te guarde. 250 Senhor te mos­ boi da manada, e um carneiro, e um
tre a sua face e tenha piedade de cordeiro de um ano para o holocaus­
ti. 260 Senhor volva o seu rosto pa­ to; 16e um bode pelo pecado; 17e pa­
ra ti e te dê a paz. 27E invocarão ra o sacrifício pacífico dois bois, cin­
0 meu nome sôbre os filhos de Israel, co carneiros, cinco bodes, cinco cor­
e eu os abençoarei. deiros de um ano. Esta foi a ofer­
Ofertas dos chefes de cada uma das ta de Naasson, filho de Aminadab.
doze tribos de Israel Chefe de Issacar
7 JOra, no dia em que Moisés aca- 18No segundo dia Natanael, filho
1 bou o tabernáculo, e o levantou, de Suar, chefe da tribo de Issacar,
e ungiu e santificou com todos os ofereceu 19um prato de prata, que
seus utensílios, e igualmente o al­ pesava cento e trinta siclos, e uma
tar com todos os seus utensílios, 2os taça de prata de setenta siclos, se­
príncipes de Israel e os chefes das fa ­ gundo o pêso do santuário, ambos
mílias, que havia em cada tribo, e cheios de farinha borrifada com a-
os capitães, dos que tinham sido a- zeite para o sacrifício; 20um pequeno
listados, ofereceram 3os seus dons vaso de ouro, que pesava dez siclos,
diante do Senhor: seis carros cober­ cheio de incenso; 21um boi da mana­
tos e doze bois. Cada dois chefes o- da, e um carneiro, e um cordeiro de
feréceram um carro, e cada um dê- um ano para o holocausto; 22e um
les um boi, e os apresentaram dian­ bode pelo pecado; 23e para o sacrifí­
te do tabernáculo. 4E o Senhor dis­ cio pacífico, dois bois, cinco carnei­
se a Moisés: 5Recebe-os dêles para ros, cinco bodes, cinco cordeiros de
que sirvam no ministério do taberná­ um ano; esta foi a oferta de N ata­
culo, e entregá-los-ás aos Levitas, se­ nael, filho de Suar.
gundo o grau do seu m inistério. Chefe da tribo de Zabulão
°Tendo, pois, Moisés recebido os car­
ros e os bois, entregou-os aos L e v i­ 24Ao terceiro dia Eliab, filho de He-
tas. 7Deu dois carros e quatro bois lão e chefe dos filhos de Zabulão,
7 NÚMEROS 165

^ofereceu um prato de prata, que e trinta siclos, uma taça de prata,


pesava cento e trinta siclos, e uma que tinha setenta siclos, pelo pêso do
taça de prata, que tinha setenta si­ santuário, ambos cheios de flor de fa ­
dos segundo o pêso do santuário, am­ rinha borrifada com azeite para o sa­
bos cheios de farinha borrifada com crifício; 44um pequeno vaso de ouro,
azeite para o sacrifício; “ um peque­ do pêso de dez siclos, cheio de incen­
no vaso de ouro, que pesava dez si­ so; 43um boi da manada, e um car­
clos, cheio de incenso; 27um boi da neiro, e um cordeiro de um ano pa­
manada, e um carneiro, e um cor­ ra o holocausto; 40e um bode pelo
deiro de um ano para o holocausto; pecado; 47e para as hóstias pacíficas
“ e um bode pelo pecado; 29e para o dois bois, cinco carneiros, cinco bo­
sacrifício pacífico dois bois, cinco car­ des, cinco cordeiros de um ano. Es­
neiros, cinco bodes, cinco cordeiros de ta foi a oferta de Eliasaf, filho de
um ano. Esta foi a oferta de Eliab, Duel.
filho de Helão.
Chefe da tribo de Efraim
Chefe da tribo de Ruben
30Ao quarto dia Elisur, filho de Se- 48A o sétimo dia Elisama, filho de
deur, e príncipe dos filhos de Ru­ Amiud, príncipe dos filhos de Efraim,
ben, 31ofereceu um prato de prata, que “ ofereceu um prato de prata, que pe­
pesava cento e trinta siclos, uma ta­ sava cento e trinta siclos, uma taça
ça de prata que tinha setenta siclos de prata, que tinha setenta siclos, pe­
pelo pêso do santuário, ambos cheios lo pêso do santuário, ambos cheios de
de flor de farinha borrifada com a- flor de farinha borrifada com azei­
zeite para o sacrifício; 32um pequeno te para o sacrifício; “ um pequeno va­
vaso de ouro do pêso de dez siclos, so de ouro do pêso de dez siclos,
cheio de incenso; 33um boi da manada, cheio de incenso; 51um boi da manada,
e um carneiro, e um cordeiro de um e um carneiro, e um cordeiro de um
ano para o holocausto; 34e um bode ano para o holocausto; 52e um bode
pelo pecado; Me para as hóstias pa­ pelo pecado; 53e para as hóstias pa­
cíficas dois bois, cinco carneiros, cin­ cíficas dois bois, cinco carneiros, cin­
co bodes, cinco cordeiros de um ano. co bodes, cinco cordeiros de um a-
Esta foi a oferta de Elisur, filho de no. Esta foi a oferta de Elisama,
Sedeur. filho de Amiud.
Chefe da tribo de Simeão Chefe da tribo de Manassés
36Ao quinto dia Salamiel, filho de 64Ao oitavo dia Gamaliel, filho de
Surisadai, príncipe dos filhos de Si­ Fadassur, príncipe dos filhos de Ma­
meão, 37ofereceu um prato de prata, nassés, “ ofereceu um prato de prata,
que pesava cento e trinta siclos, uma que pesava cento e trinta siclos, uma
taça de prata, que tinha setenta si­ taça de prata, que tinha setenta siclos
clos pelo pêso do santuário, ambos pelo pêso do santuário, ambos cheios
cheios de* flor de farinha borrifada de flor de farinha borrifada com a-
com azeite para o sacrifício; 38um pe­ zeite para o sacrifício; “ um pequeno
queno vaso de ouro, que pesava dez vaso de ouro do pêso de dez siclos,
siclos, cheio de incenso; “ um boi da cheio de incenso; 57um boi da manada,
manada, e um carneiro, e um cor­ e um carneiro, e um cordeiro de um
deiro de um ano para o holocausto; ano para o holocausto; “ e um bode
“ e um bode pelo pecado; 41e para as pelo pecado; 59e para as hóstias pa­
hóstias pacíficas dois bois, cinco car­ cíficas dois bois, cinco carneiros, cin­
neiros, cinco bodes, cinco cordeiros co bodes, cinco cordeiros de um ano.
de um ano. Esta foi a oferta de Sa­ Esta foi a oferta de Gamaliel, filho
lamiel, filho de Surisadai. de Fadassur.
Chefe da tribo de Gad Chefe da tribo de Benjamim
42Ao sexto dia Eliasaf, filho de Duel, 60Ao nono dia Abidan, filho de Ge-
príncipe dos filhos de Gad, ^ofereceu deão, e príncipe dos filhos de Benja­
um prato de prata, que pesava cento mim, “ ofereceu um prato de prata,
166 NÚMEROS 7-8
que pesava cento e trinta siclos, uma elo pêso do santuário, ambos cheios
taça de prata, que tinha setenta siclos e flor de farinha borrifada com azei-
pelo pêso do santuário, ambos cheios te para o sacrifício; "um pequeno va-
de flor de farinha borrifada com azei­ so de ouro do pêso de dez siclos,
te para o sacrifício; 62e um pequeno cheio de incenso; 81um boi da ma­
vaso de ouro do pêso de dez siclos, nada, e um carneiro, e um cordeiro
cheio de incenso; 03um boi da mana­ de um ano para o holocausto; 82e um
da, e um carneiro, e um cordeiro de bode pelo pecado; 83e para as hós­
um ano para o holocausto; 64e um tias pacíficas dois bois, cinco carnei­
bode pelo pecado; “ e para as hóstias ros, cinco bodes, cinco cordeiros de
pacíficas dois bois, cinco carneiros, um ano. Esta foi a oferta de A í­
cinco bodes, cinco cordeiros de um a- ra, filho de Enan.
no. Esta foi a oferta de Abidan, f i­
lho de Gedeão. Recapitulação
Chefe d a tribo de D an 84As coisas, pois, oferecidas pelos
príncipes de Israel na dedicação do
66Ao décimo dia Aiezer, filho de A - altar, no dia em que foi consagrado,
misadai, príncipe dos filhos de Dan, foram estas: doze pratos de prata, do-
67ofereceu um prato de prata, que pe­ ze taças de prata, doze pequenos va­
sava cento e trinta siclos, uma taça sos de ouro, “ pesando cada prato cen­
de prata, que tinha setenta siclos pe­ to e trinta siclos e cada taça setenta;
lo pêso do santuário, ambos cheios de de sorte que todos os vasos de prata
flor de farinha borrifada com azeite juntos pesavam dois mil e quatro­
para o sacrifício; “ um pequeno vaso centos siclos pelo pêso do santuário;
de ouro do pêso de dez siclos, cheio Mos doze pequenos vasos de ouro
de incenso; 09um boi da manada, e um cheios de incenso, de dez siclos ca­
carneiro, e um cordeiro de um ano da um pelo pêso do santuário, pesa­
para o holocausto; 70e um bode pelo vam todos juntos cento e vinte siclos
pecado; T1e para as hóstias pacíficas de ouro; 87doze bois da manada para
dois bois, cinco carneiros, cinco bodes, o holocausto, doze carneiros, doze
cinco cordeiros de um ano; esta foi cordeiros de um ano com as suas
a oferta de Aiezer, filho de Amisadai. libações; doze bodes pelo pecado.
Chefe da tribo de Aser “ Para as hóstias pacíficas vinte e
quatro bois, sessenta carneiros, ses­
72A o undécimo dia Fegiel, filho de senta bodes, sessenta cordeiros de um
Ocran, príncipe dos filhos de Aser, ano. Estas coisas foram oferecidas
^ofereceu um prato de prata, que pe­ na dedicação do altar, quando foi un­
sava cento e trinta siclos, uma taça gido.
de prata, que tinha setenta siclos, pe- Corno Deus fa la v a a Moisés
lo pêso do santuário, ambos cheios de
flor de farinha borrifada com azeite WE, quando Moisés entrava no ta-
para o sacrifício; 74um pequeno vaso bernáculo da aliança para consultar o
de ouro do pêso de dez siclos, cheio oráculo, ouvia a voz daquele que lhe
de incenso; 75um boi da manada, e falava do propiciatório, que estava
um carneiro, e um cordeiro de um sobre a arca do testemunho entre os
ano para o holocausto; 70e um bode dois querubins, donde também lhe
pelo pecado; 77e para as hóstias pa­ falava.
cíficas dois bois, cinco carneiros, cin­ Preparo das lâm padas
co bodes, cinco cordeiros de um ano;
esta foi a oferta de Fegiel, filho de O 1E o Senhor falou a Moisés, di-
Ocran. ° zendo: 2Fala a Arão, e dize-lhe:
Chefe da tribo de Neftali Logo que tiveres pôsto as sete lâm­
padas, esteja colocado a candeeiro na
78A o duodécimo dia Aíra, filho de parte do meio-dia. Ordena, pois, que
Enan, príncipe dos filhos de Neftali, as lâmpadas olhem para o setentrlão
79ofereceu um prato de prata, que em frente da mesa dos pães da pro­
pesava cento e trinta siclos, uma ta­ posição; elas deverão dar luz para
ça de prata, que tinha setenta siclos aquela parte que está diante do can­
8 -9 NÚMEROS 167
deeiro. 3E Arão assim fêz, e pôs as dos os primogênitos dos filhos de Is­
lâmpadas sôbre o candeeiro, confor­ rael; 19e (tirados) do meio do povo
me o Senhor tinha ordenado a Moi­ dei-os inteiramente a Arão e a seus
sés. 4E o trabalho do candeeiro fi­ filhos, para me servirem por Israel
ra êste: todo de ouro batido a marte­ no tabernáculo da aliança, e orarem
lo, tanto o tronco do meio, como to­ por êles, para que não venha algu­
dos os braços, que saíam dum e dou­ ma praga sôbre o povo, se ousarem
tro lado; segundo o modêlo que o aproximar-se do santuário. “ Moi­
Senhor mostrou a Moisés, assim êle sés, pois, e Arão, e tôda a multidão
fêz o candeeiro. dos filhos de Israel fizeram acêrca
dos Levitas o que o Senhor ordenara
Consagração dos Levitas a Moisés. aE foram purificados, e
5E o Senhor falou a Moisés, dizen­ lavaram os seus vestidos. E Arão
do: T o m a os Levitas do’ meio dos os apresentou diante do Senhor, e
filhos de Israel, e os purificarás 7com orou por êles, “ para que, depois de
estas cerimônias: Serão aspergidos purificados, entrassem no taberná-
com a agua da purificação, e rapem culo da aliança a exercer as suas fun­
todos os cabelos da sua carne. E, ções diante de Arão e de seus filhos.
depois que tiverem lavado os seus Como o Senhor tinha ordenado a Moi­
vestidos e se tiverem purificado, T o­ sés acêrca dos Levitas, assim se fêz.
marão um boi da manada, e para 23E o Senhor falou a Moisés, dizen­
a sua libação flor de farinha borri- do: 24Esta é a lei relativa aos L e v i­
fada com azeite; e tu tomarás ou­ tas. Desde os vinte e cinco anos pa­
tro boi da manada pelo pecado; 9e ra cima entrarão a servir no taber­
farás aproximar os Levitas diante náculo da aliança. “ E, quando com­
do tabernáculo da aliança, depois de pletarem cinqüenta anos de idade,
convocada tôda a multidão dos f i­ cessarão de servir; 2Oe (sòm ente) a-
lhos de Israel. 10E, quando os L e v i­ judarão seus irmãos no tabernáculo
tas estiverem diante do Senhor, os da aliança, para guardarem as coi­
filhos de Israel porão as suas mãos sas que lhes forem confiadas, mas
sôbre êles. 11E Arão oferecerá os não mais exercerão as funções ( ordi­
Levitas como um dom dos filhos de nárias). Assim disporás os Levitas
Israel na presença do Senhor, para nos seus encargos.
que o sirvam no seu ministério. A páscoa no Sinai
12Os Levitas também porão as suas
mãos sôbre as cabeças dos bois, dos Q 2E o Senhor falou a Moisés no
quais sacrificarás um pelo pecado, e u deserto do Sinai, no primeiro
o outro em holocausto ao Senhor, pa­ mês do segundo ano depois que ti­
ra que rogues por êles. 13E apresen­ nham saído da terra do Egito, e dis­
taras os Levitas diante de Arão e de se: 2Os filhos de Israel celebrem a
seus filhos, e os sagrarás depois de Páscoa no tempo estabelecido, 3no dia
os teres oferecido ao Senhor, 14e sepa- catorze dêste mês à tarde, segundo
rá-los-ás do meio dos filhos de Israel, tôdas as suas cerimônias, e os seus
para que sejam meus. 15E, depois ritos. 4E Moisés mandou, aos filhos
disto, entrarão no tabernáculo da a- de Israel que celebrassem a Páscoa.
liança para me servirem. E assim 5E êles celebraram-na no tempo es­
os purificarás e sagrarás em oferta tabelecido, no dia catorze do mês à
ao Senhor; porque me foram dados tarde, no monte Sinai. Os filhos
como um dom pelos filhos de Israel. de Israel, fizeram tudo conforme o
16Eu os recebi em lugar de todos os Senhor tinha ordenado a Moisés. 6E
primogênitos de Israel que saem pri­ eis que alguns que se achavam im­
meiro do seio materno. “ Porque to­ puros, por se terem chegado a um
dos os primogênitos dos filhos de Is­ morto, os quais não podiam fazer a
rael, tanto de homens como de ani­ Páscoa naquele dia, indo ter com Moi­
mais, são meus. Eu os consagrei a sés e Arão, 7disseram-lhes: Estamos
mim, desde o dia em que feri todos impuros por causa de nos termos che­
os primogênitos na terra do Egito. gado a um morto; por que havemos
18E tomei o s Levitas em lugar de to­ nós de ser privados de fazer a obla-
168 NÚMEROS 9 - 10
ção ao Senhor no tempo estabeleci­ a nuvem se detinha desde a tarde até
do, entre os filhos de Israel? 8Moi- de manhã, e logo ao romper do dia
sés respondeu-lhes: Esperai que eu se elevava do tabernáculo, partiam; e
consulte o Senhor para saber o que se depois de um dia e uma noite se
ordenará acêrea de vós. retirava, desmanchavam as tendas.
9E o Senhor falou a Moisés, dizen­ 22Se, porém, se detinha sôbre o taber­
do: 10Dize aos filhos de Israel: O náculo dois dias ou um mês ou por
homem que estiver impuro por cau­ mais tempo, os filhos de Israel f i­
sa de um morto, ou se achar em jo r­ cavam no mesmo lugar, e não par­
nada longe de vós, faça a Páscoa do tiam; mas, logo que a nuvem se ele­
Senhor nno dia catorze do segun­ vava, levantavam o acampamento.
do mês à tarde. Comê-la-ão com 23Ao mandado do Senhor assentavam
pães azímos e alfaces bravas; 12não as tendas, e ao seu mandado par­
deixarão nada dela para a manhã tiam; e estavam sempre atentos ao
seguinte, nem lhe quebrarão os ossos; sinal do Senhor, como êste tinha or­
observarão todos os ritos da Páscoa. denado por meio de Moisés.
13Mas, se alguém está puro, e não se
encontra em viagem, e todavia não Trombetas de prata
fêz a Páscoa, será aquela alma exter­ 1A 1E o Senhor falou a Moisés, di-
minada do seu povo, porque não o- zendo: 2Faze para ti duas
fereceu no tempo estabelecido o sa­ trombetas de prata batida ao marte­
crifício ao Senhor; êste levará o seu lo, com as quais possas convocar a
pecado. 14Do mesmo modo o pere­ multidão, quando se houver de le­
grino e o estrangeiro, se morarem vantar o acampamento. 3E, quan­
entre vós, farão a Páscoa em honra do fizeres soar as trombetas, todo 0
do Senhor com as suas cerimônias e povo se juntará ao pé de ti à porta
os seus ritos. O mesmo preceito se­ do tabernáculo da aliança. 4Se as
rá guardado entre vós tanto pelo es­ tocares uma só vez, virão a ti os
trangeiro como pelo natural. príncipes e os chefes do povo de Is­
Sinal que guiará os Israelitas no rael. 5Se o som fôr mais longo e
deserto quebrado, levantarão os acampamen­
tos os primeiros que estão da par­
15N o dia, pois, em que o taberná- te do oriente. flAo segundo toque,
culo foi ereto, a nuvem o cobriu. Da porém, a um igual som da trombe-
tarde, porém, até a manhã estava so­ ta, levantarão as tendas os que ha­
bre o tabernáculo como uma espécie bitam ao meio-dia; e do mesmo mo­
de fogo. 56Assim acontecia conti-
1 do farão os outros, enquanto as trom­
nuamente: De dia cobria-o a nuvem, betas fizerem sinal para a partida.
e de noite como que uma espécie de 7Mas, quando se tiver de congregar o
fogo. 17E, quando se levantava a nu­ povo, o som das trombetas será sim­
vem, que cobria o tabernáculo, en­ ples e não interrompido. 8Ora, os
tão punham-se em marcha os filhos filhos de Arão, sacerdotes, tocarão as
de Israel; e no lugar onde a nuvem trombetas, e esta lei será perpétua
parava, aí acampavam. 18À ordem nas vossas gerações. 9Se sairdes do
do Senhor partiam, e à sua ordem as­ vosso país para fazer guerra contra
sentavam o tabernáculo. Todo o os inimigos que vos atacam, fareis
tempo em que a nuvem estava para­ soar interrompidamente as trombe­
da sôbre o tabernáculo, permaneciam tas, e o Senhor vosso Deus se lembra­
no mesmo lugar; 19*e se acontecia es­ rá de vós, para vos livrar das mãos
tar parada sôbre êle muito tempo, os de vossos inimigos. 10Quando fizer­
filhos de Israel estavam às ordens do des algum banquete, e nos dias de
Senhor, e não partiam “ durante to­ festas, e nas calendas, tocareis as
do o tempo em que a nuvem estava trombetas, oferecendo os holocaustos
sôbre o tabernáculo. Ao mandado e as hóstias pacíficas, a fim de que
do Senhor levantavam as tendas, e ao o v o s s o Deus se lembre de vós. Eu
seu mandado as desarmavam. 21Se sou o Senhor vosso Deus.
Cap. X — 10. N a s calendas, isto é, nas festas da lua nova.
10 - 11 NUMERoS 169

Partida do Sinai pondeu-lhe: Não irei contigo, mas


voltarei para a minha terra, na qual
“ No dia vinte do segundo mês do nasci. 31E Moisés disse: Não queiras
segundo ano, levantou-se a nuvem do abandonar-nos, porque tu conheces
tabernáculo da aliança; 12e os f i­ os lugares em que devemos acampar
lhos de Israel pelas suas turmas par­ no deserto, e serás o nosso guia. 32E,
tiram do deserto do Sinai, e a nu­ se vieres conosco, nós te daremos o
vem parou no deserto de Faran. 13E melhor das riquezas que o Senhor
os primeiros que levantaram os nos há de dar.
acampamentos, conforme a ordem do
Senhor dada por meio de. Moisés, Primeiros dias de viagem
“ foram os filhos de Judá pelas suas 33Partiram, pois, do monte do Se­
turmas; o seu príncipe era Naasson, nhor, e caminharam três dias, e a
filho de Aminadab. 15Na tribo dos arca da aliança do Senhor ia adiante
filhos de Issacar foi príncipe Nata- dêles, indicando-lhes nos três dias o
nael, filho de Suar. 16Na tribo de lugar para os acampamentos. 34A nu­
Zabulão era príncipe Eliab, filho de vem do Senhor também estava sô-
Helão. 17E o tabernáculo foi desar­ bre êles de dia, quando caminhavam.
mado, e os filhos de Gersão e de Me- 35E quando se levantava a arca, Moi­
rari partiram levando-o. 18Depois par­ sés dizia: Levanta-te, Senhor, e se­
tiram os filhos de Ruben, segundo jam dispersos os teus inimigos, e
as suas turmas e a sua ordem; Eli-, fujam da tua face os que te abor­
sur, filho de Sedeur, era seu prín­ recem. 36Quando, porém, se depunha,
cipe. 19N a tribo, porém, dos filhos de dizia: Volta, Senhor, para a multi­
Simeão, o príncipe foi Salamiel, fi­ dão do exército de Israel.
lho de Surisadai. “ E na tribo de Gad
era príncipe Eliasaf, filho de Duel. Foffo do céu
“ Depois partiram os Caatitas, que
levavam o santuário. O tabernáculo 11 en treta n to levantou-se uma
era sempre levado até chegar ao lu­ 1 * murmuração do povo contra o
gar, onde se devia erigir. “ Levanta­ Senhor, corno de quem se queixava
ram depois os acampamentos os fi­ da fadiga. O Senhor, tendo ouvido is­
lhos de Efraim pelas suas turmas, to, irou-se. E o fogo do Senhor, aceso
no exército dos quais era príncipe contra êles, devorou uma extremidade
Elisama, filho de Amiud. do acampamento. 2E o povo, tendo
chamado Moisés, Moisés orou ao Se­
23Na tribo dos filhos de Manassés nhor, e o fogo extinguiu-se. 3E (M o i­
era príncipe Gamaliel, filho de Fa- sés) pôs àquele lugar o nome de in­
dassur. 24E na tribo de Benjamim era cêndio; porque ali se tinha acendido
chefe Abidan, filho de Gedeão. “ Os contra êles o fogo do Senhor.
últimos a levantar o acampamento
foram os filhos de Dan pelas suas Queixas do povo sobre o maná
turmas, em cujo exército era prín­
cipe Aiezer, filho de Amisadai. “ N a 4Porque a populaça que tinha vin­
tribo dos filhos de Aser o príncipe do com êles ardeu em desejos, sentan­
era Fegiel, filho de Ocrah. 27E na do-se e chorando, unindo-se-lhe tam­
tribo dos filhos de N eftali o príncipe bém os filhos de Israel, e disse: Quem
era Aíra, filho de Enan. 28Tais são nos dará carnes para comer? 5Lem-
os acampamentos e as marchas dos bramo-nos dos peixes que comíamos
filhos de Israel pelas suas turmas, de graça no Egito; vem-nos à memó­
quando se moviam. ria os pepinos e os melões, e os alhos
bravos, e as cebolas, e os alhos. °A
Moisés convida Hobab a acompanhá-lo nossa alma está sêca, os nossos olhos
não vêem senão maná. 7Ora, o maná
29E Moisés disse a Hobab, filho de era como os grãos de coentro, da côr
Raguel Madianita, seu parente: Nós do bdélio. 8E o povo ia ao redor do
partimos para o lugar que o Senhor campo, e colhendo-o, o moía numa
nos há de dar; vem conosco, para te mó, ou o pisava num gral, cozendo-o
fazermos bem, porque o Senhor pro­ numa panela, fazia dêle tortas dum
meteu bens a Israel. 30Mas êle res­ sabor como de pão amassado com a­
170 NÚMEROS 11
zeite. 9E enquanto de noite caía o or­ mil homens de pé, e tu dizes: Dar-
valho no campo, caía também o manã. -lhes-ei carne a comer durante um
mês inteiro? “ Porventura matar-se-á
Queixas de Moisés tanta quantidade de ovelhas e bois,
10Ouviu, pois, Moisés chorar o po­ que possa bastar para sua comida?
vo nas suas famílias, cada um à por­ Ou juntar-se-ão todos os peixes do
ta da sua tenda. E a cólera do Senhor mar para os fartarem ? 23E o Senhor
acendeu-se fortemente, e até a Moisés respondeu-lhe: Porventura é impo­
pareceu isto uma coisa intolerável. nE tente a mão do Senhor? Agora mes­
disse ao Senhor: Por que afligiste o mo verás se a minha palavra se põe
teu servo? Por que não acho eu graça por obra.
diante de ti? E por que puseste sôbre Os setenta anciãos
mim o pêso de todo êste povo? 12Por-
ventura concebi eu tôda esta multi­ 24Foi, pois, Moisés e referiu ao povo
dão, ou gerei-a, para me dizeres: Tra- as palavras do Senhor, e, juntando
ze-os no teu seio, como a ama cos­ setenta homens dos anciãos de Israel,
tuma trazer uma criança, e leva-os à fê-los estar de pé junto do tabernácu­
terra que com juramento prometi a lo. “ E o Senhor desceu na nuvem, e
seus pais? 13Donde me virão carnes falou-lhe, e, tirando do Espírito que
para dar a tão grande multidão? Êles havia em Moisés, deu dêle aos setenta
choram contra mim, dizendo: Dá-nos homens. E, tendo repousado nêles o
carnes para comermos. 14Eu só não Espírito, profetizaram e não cessaram
posso suportar todo êste povo, porque mais (de o fazer) “ Ora, tinham ficado
se me torna pesado. 15Se te parece no campo dois homens, um dos quais
outra coisa, peço-te que me tires a se chamava Eldad, e o outro Medad,
vida, e que ache eu graça diante dos e o Espírito pousou (tam bém ) sôbre
teus olhos, para me não ver oprimido êles, porque também êles tinham sido
de tão grandes males. alistados, mas não tinham saído para
Promessas de auxiliares e de alimento
ir ao tabernáculo. 27E, como profeti­
zassem no acampamento, um jovem
16E o Senhor disse a Moisés: Jun­ correu e deu a notícia a Moisés, di­
ta-me setenta homens entre os an­ zendo: Eldad e Medad profetizam nos
ciãos de Israel, que tu souberes serem acampamentos. 28Imediatamente Jo­
anciãos do povo e mestres; e os con­ sué, filho de Nun, ministro de M oi­
duzirás à porta do tabernáculo da a- sés, e escolhido entre muitos, disse:
liança, e ali os farás esperar contigo, Meu Senhor Moisés, proíbe-lho. “ Moi-
17para que eu desça e te fale, e tome sés respondeu-lhe: P or que és tão
do teu Espírito, e lho darei a êles, pa­ zeloso por mim? Quem dera que todo
ra que sustentem contigo o pêso do o povo profetizasse, e que o Senhor
povo, e não sejas tu só o agravado. lhe desse o seu Espírito? 30E Moisés
18Dirás também ao povo: Santificai- voltou para os acampamentos com os
vos; amanhã comereis carnes; porque anciãos de Israel.
eu vos ouvi dizer: Quem nos dará a A s codornizes
comer carnes? Nós estávamos bem
no Egito. Assim o Senhor vos dará 31E um vento mandado pelo Senhor,
carnes que comais, 19não só um dia, trazendo codornizes da outra banda
nem dois, nem cinco ou dez, nem do mar, arrebatou-as consigo e fê-las
mesmo vinte, 20mas um mês inteiro, cair sôbre os acampamentos ao redor
até elas vos saírem pelos narizes, e do campo por tanto espaço, quanto
vos causarem enjôo, visto que rejei­ se pode andar num dia, e voavam pelo
tastes o Senhor, que está no meio de ar à altura de dois côvados sôbre a
vós, e chorastes diante dêle, dizendo: terra. 32Levantando-se então o povo,
Por que saímos do Egito? 21E Moi­ apanhou todo aquêle dia e a noite, e
sés disse: É um povo de seiscentos o outro dia tantas codornizes, que
Cap. X I — 17. Torne do teu Espírito. Sem diminuir os dons do Espírito Santo d ad o »
a Moisés, Deus também tornará participantes dêles os novos escolhidos.
20. A té ela vos saírem pelos narizes, isto é, até as vomitardes.
11 - 13 NUMERoS 171
aquêle que menos (recolheu), tinha mos. “ Que esta não fique como mor­
dez coros delas, e puseram-nas a se­ ta, e como um abôrto que é lançado
car à roda dos acampamentos. fora do ventre de sua mãe; eis que a
Castigo do povo lepra lhe consumiu já a metade da
sua carne. 13E Moisés clamou ao Se­
33Ainda as carnes estavam nos seus nhor, dizendo: ó Deus, eu te rogo, sa­
dentes, e ainda se lhes não tinha aca­ ra-a. 14E o Senhor respondeu-lhe: Se
bado êste manjar, quando a cólera do seu pai lhe tivesse cuspido na cara,
Senhor se acendeu contra o povo, e o não deveria ela estar coberta de ver­
feriu com uma grandíssima praga. 34E gonha ao menos durante sete dias?
aquêle lugar foi chamado os Sepulcros Esteja separada fora dos acampamen­
da concupiscência, porque ali sepul­ tos durante sete dias, e depois será
taram o povo, que tinha tido os dese­ outra vez chamada. 15Maria, pois, foi
jos. E tendo partido dos Sepulcros deitada fora dos acampamentos du­
da concupiscência, foram a Haserot, rante sete dias; e o povo não se mo­
e ali ficaram. veu daquele lugar enquanto Maria
Murmurações de M aria e Arão
não foi tornada a chamar.
contra Moisés Exploradores mandados a Canaã
1O Ora, Maria e Arão falaram con- 1 O d e p o is disto ò povo partiu de
tra Moisés, por causa de sua 1 ^ Haserot, e levantou as ten­
mulher Etíope, 2e disseram: Porven­ das no deserto de Faran. 2E neste
tura o Senhor falou só por Moisés? lugar o Senhor falou a Moisés, di­
Não nos falou êle igualmente a nós? zendo: 3Envia homens, um dos prin­
O Senhor, tendo ouvido isto, 3(porque cipais por cada tribo, que reconhe­
Moisés era o mais manso de todos os çam a terra de Canaã, que eu hei de
homens (jue havia na terra), 4disse lo­ dar aos filhos de Israel.
go a Moisés, e a Arão, e a Maria: Ide 4Moisés fêz o que o Senhor man­
todos três sós ao tabernáculo da a- dara, enviando do deserto de Faran
liança. E, logo que lá chegaram, 5o Se­ homens de entre os principais, cujos
nhor desceu na coluna de nuvem, e nomes são êstes: 5Da tribo de Ru-
parou à entrada do tabernáculo, cha­ ben, Samua, filho de Zecur. 6Da
mando Arão e Maria. E, tendo-se êles tribo de Simeão, Safat, filho de Hu-
aproximado, 6disse-lhes: Ouvi as mi­ ri. 7Da tribo de Judá, Caleb, filho
nhas palavras: Se entre vós algum é de Jefone. 8Da tribo de Issacar,
profeta do Senhor, eu lhe aparecerei Igal, filho de José. °Da tribo de
em visão, ou lhe falarei em sonhos. Efraim, Osée, filho de Nun. 10Da
7Mas não é assim a respeito do meu tribo de Benjamim, Falti, filho de
servo Moisés, o qual é fidelíssimo em R a fu . “ Da tribo de Zabulão, Ge-
tôda a minha casa; 8porque a êle eu diel, filho de Sodi. 12Da tribo de
falo cara a cara; e ele vê o Senhor José, do cetro de Manasses, Gadi, f i­
claramente, e não sob enigmas e f i­ lho de Susi. 13Da tribo de Dan, A -
guras. Por que não temestes vós, pois, miel, filho de Gemali. 14Da tribo de
falar contra o meu servo Moisés? Aser, Stur, filho de M igu el. 15Da
Castigo dessas murmurações tribo de Neftali, Naabi, filho de Vap-
si. 10Da tribo de Gad, Guel, filho
°E, irado contra êles, foi-se. 10Reti- de Maqui. “ Êstes são os nomes dos
rou-se também a nuvem, que estava homens que Moisés enviou a reconhe­
sobre o tabernáculo; e eis que Maria cer a terra; e a Osée, filho de Nun,
apareceu tôda coberta de lepra (bran­ pôs-lhe o nome de Josué. 18Moisés,
ca) como neve. E Arão, tendo olhado pois, enviou-os a reconhecer a ter­
para ela, e tendo-a visto coberta de ra de Canaã, e disse-lhes: Subi pela
lepra, “ disse a Moisés: Rogo-te, meu parte do meio-dia. E, quando tiver­
Senhor, que não ponhas sôbre nós des chegado aos montes, 19considerai
êste pecado, que nèsciamente comete­ que terra é essa, e o povo que a ha-
Cap. X I I — 12. Eis que a le p ra ... O hebraico diz: Que ela não seja como um menino
que nasce morto, o qual, Quando sai de sua mãe, tem a carne já meio consumida.
172 NÚMEROS 13 - 14
bita, se é valente ou fraco; se é em que tinham ido com êle, diziam: De
pequeno ou grande número; 20se a nenhuma sorte podemos ir contra ês-
mesma terra é boa ou má; como te povo, porque é mais forte do que
são as cidades, se muradas ou sem nós. 33E diante dos filhos de Israel
muros; 21se o terreno é fértil ou es­ depreciaram o país que tinham ex­
téril, com arvoredos, ou sem árvores. plorado, dizendo: A terra que per­
Tende coragem, e trazei-nos dos fru ­ corremos devora os seus habitantes;
tos da te rra . Era então o tempo 0 povo que vimòs, é de estatura ex­
em que as uvas temporãs já podem traordinária. 34Vimos lá certos mons­
ser comidas. tros dos filhos de Enac da raça dos
Exploração da terra de Canaã
gigantes, comparados com os quais
nós parecíamos gafanhotos.
22Tendo, pois, partido, exploraram Revolta do povo
a terra desde o deserto de Sin até
Roob, à entrada de Emat. 23E subi­ 1 A 7Tôda a multidão se pôs a gri-
ram para o meio-dia, e foram a He- tar e chorou aquela noite, 2e
brão, onde estavam Aquiman e Si- todos os filhos de Israel murmura­
sai, e Tolmai, filhos de Enac; por­ ram contra Moisés e Arão, dizendo:
que Hebrão foi fundada sete anos 3Oxalá que nós tivéssemos morrido no
antes de Tanis, cidade do Egito. 24E, Egito; e oxalá que pereçamos neste
caminhando até à Torrente do Cacho, vasto deserto, e que o Senhor não
cortaram um ramo de vide com o seu nos introduza nessa terra, para não
cacho, o qual levaram dois homens sermos passados à espada, e as nos­
numa vara. Colheram também ro­ sas mulheres e os nossos filhos não
mãs, e figos daquele lugar, 25que foi serem levados cativos. Porventura
chamado Neelescol, isto é, Torrente não nos seria melhor voltar para o
do Cacho, por causa do cacho que Egito? 4Disseram uns para os ou­
de lá levaram os filhos de Israel. tros: Escolhamos um chefe e volte­
mos para o Egito. 5Tendo ouvido
Volta dos exploradores isto Moisés e Arão lançaram-se por
terra diante de tôda a multidão dos
26E, tendo voltado os exploradores, filhos de Israel.
passados quarenta dias, depois de te­ °Josué, porém, filho de Nun, e Ca-
rem percorrido tôda a região, Afo­ leb, filho de Jefone, que também ti­
ram ter com Moisés e com Arão e nham explorado a terra, rasgaram os
com todo o ajuntamento dos filhos seus vestidos, 7e disseram a tôda a
de Israel no deserto de Faran, que é multidão dos filhos de Israel: A ter­
em Cades. E, falando a êles, e a tô­ ra, que nós percorremos, é muito boa.
da a multidão, mostraram os frutos sSe o Senhor nos fôr propício, intro-
da terra, 28e fizeram a sua narração, duzir-nos-á nela, e dar-nos-á uma ter­
dizendo: Fomos à terra, aonde tu ra, que mana leite e mel. 9Não se­
nos enviaste, a qual na verdade ma­ jais rebeldes contra o Senhor, nem
na leite e mel, como se pode reconhe­ temais o povo desta terra, porque
cer por êstes frutos. 29Mas tem ha­ podemos devorá-lo como pão; êles
bitantes fortíssimos, e cidades gran­ acham-se destituídos de tôda a defe­
des e muradas. A li vimos a raça de sa; o Senhor está conosco, não te­
Enac. 30Amalec habita ao meio-dia, mais. 10E, como tôda a multidão
o Heteu, o Jebuseu, e o Amorreu ha­ gritasse e quisesse apedrejá-los, apa­
bitam nas montanhas; o Cananeu, receu a glória do Senhor a todos os
porém, habita junto do mar e ao lon­ filhos de Israel sôbre o tabernáculo
go do rio Jordão. 31Entretanto Ca- da aliança.
leb. para refrear a murmuração do Cólera divina
povo, que começava a levantar-se
contra Moisés, disse: Vamos e tome­ “ E o Senhor disse a Moisés: A té
mos conta da terra, porque nós pode­ quando me há de ultrajar êste povo?
remos conquistá-la. 32Mas os outros, Até quando não me acreditarão, de-
Cap. X I V — , 9. Podemos devorá-lo como pão, isto é, podemos vencê-lo sem nenhuma
dificuldade.
14 NÚMEROS 173
pois de todos os prodígios que tenho rará contra mim esta péssima multi­
feito diante dêles? 12Eu, pois, os fe ­ dão? Eu ouvi as queixas dos filhos
rirei com peste, e os exterminarei, e de Israel. 28Dize-lhes, pois: Por mi­
a ti far-te-ei príncipe duma grande nha vida, diz o Senhor, eu vos farei
nação, e mais forte do que esta é. como vos ouvi dizer. --'Neste deserto
ficarão estendidos os vossos cadáve­
Oração de Moisés
res. Todos vós que fôstes contados
13E Moisés disse ao Senhor: É, desde vinte anos para cima, e que
pois, para que os Egípcios, do meio murmurastes contra mim, 30não en­
dos quais tiraste êste povo, ouçam, ê- trareis na terra, na qual eu jurei fa ­
les 14e os habitantes desta terra que zer-vos habitar, exceto Caleb, filho
ouviram (dizer) que tu, Senhor, estás de Jefone, e Josué, filho de Nun.
no meio dêste povo e és visto face a 31Mas eu introduzirei os vossos filhos,
face, e que a tua nuvem os protege, dos quais dissestes que seriam prêsa
e que vais adiante dêles, de dia nu­ dos inimigos, para que vejam a ter­
ma coluna de nuvem, e de noite nu­ ra que vos desagradou. 32Os vossos
ma coluna de fogo, 15que fizeste mor­ cadáveres ficarão jazendo no deser­
rer uma tão grande multidão como to.
(se fora ) um só homem, e digam: Quarenta anos no deserto
16Êle não pôde introduzir o povo no 33Os vossos filhos andarão erran­
país, que lhe tinha prometido com tes no deserto durante quarenta a-
juramento; por isso os matou no de­ nos, e pagarão a vossa infidelidade,
serto. 17Seja, pois, glorificada a for­ até que os cadáveres de seus pais se­
taleza do Senhor como tu juraste, jam consumidos no deserto, ^confor­
dizendo: lsO Senhor é paciente e me o número de quarenta dias em
de muita misericórdia, que tira a ini- que explorastes aquela terra; con-
qüidade e as maldades, e que nenhum tar-se-á um ano por cada dia. E
culpado deixa impune. Tu visitas os durante quarenta anos pagareis a pe­
pecados dos pais sôbre os filhos até à na das vossas iniqüidades, e experi­
terceira e quarta geração. 19Perdoa, mentareis a minha vingança; 35por-
te suplico, o pecado dêste povo, se­ que assim como disse, assim farei a
gundo a tua grande misericórdia, as­ tôda esta péssima multidão que se
sim como lhe fôste propício desde insurgiu contra mim; neste deserto
que saíram do Egito até êste lugar. será consumida e morrerá.
Castigo dos Israelitas Morte dos exploradores,
20E o Senhor disse: Eu perdoei exceto Josué e Caleb
conforme o teu pedido. 21Por minha 36E assim todos os homens, que
vida, que tôda a terra será cheia da Moisés tinha enviado a reconhecer
glória do Senhor. 22Todavia todos a terra, e que, depois de terem vol­
os homens, que viram a minha ma­ tado, tinham feito murmurar contra
jestade e os prodígios que fiz no E gi­ êle tôda a multidão, depreciando a-
to e no deserto, e que me tentaram quela terra como má, 37morreram»
já dez vêzes, e não obedeceram à sendo feridos diante do Senhor. 3SMas
minha voz, 23não verão a terra que Josué, filho de Nun, e Caleb, filho
eu prometi a seus pais com jura­ de Jefone, ficaram vivos entre to­
mento; nenhum dos que me ultraja­ dos os que tinham ido explorar a
ram a verá. 24Mas, quanto ao meu terra.
servo Caleb, que cheio de outro espí­ Derrota dos Israelitas
rito me seguiu, eu o introduzirei nes­
ta terra que êle percorreu; e a sua 39E Moisés referiu todas estas pa­
posteridade a possuirá. 25Visto que lavras a todos os filhos de Israel, e
os Amalecitas e os Cananeus habi­ o povo chorou amargamente. 40E
tam nos vales, amanhã levantai os eis que (ao outro dia), levantando-
acampamentos, e voltai para o deser­ se de madrugada, subiram ao cume
to pelo caminho do mar Vermelho. do monte e disseram: Estamos pres­
26E o Senhor falou a Moisés e a tes a ir para o lugar de que o Se­
Arão, dizendo: 27Até quando murmu­ nhor falou, porque pecamos. 41M oi­
l7 4 NÚMEROS 14 “ l5

sés disse-lhes: Por que trangredis a sim o farás, 12por cada boi, cada car­
palavra do Senhor, o que não vos re­ neiro, cada cordeiro e cada cabrito.
dundará em bem? 42Não queirais su­ 13Tanto os naturais da terra como os
bir, porque o Senhor não é convos- estrangeiros 14oferecerão os sacrifí­
co; não suceda serdes destruídos cios com o mesmo rito. 15Será uma
diante de vossos inimigos. 430 Ama- mesma lei e ordenação, tanto para
lecita e o Cananeu estão diante de vós como para os que são estrangei­
vós, e vós sucumbireis sob a sua es­ ros no vosso país.
pada, porque não quisestes obedecer
ao Senhor, e o Senhor não será con- Oferta das primicias
vosco. 44Êles, obcecados, subiram ao 10O Senhor falou a Moisés, dizen­
cume do monte. A arca, porém, do do: 17Fala aos filhos de Israel, e lhes
testamento do Senhor e Moisés não dirás: 18Quando chegardes à terra,
se apartaram dos acampamentos. 45E que eu vos hei de dar, 19e comerdes
desceu o Amalecita e o Cananeu, que dos pães daquele país, separareis pa­
habitava no monte; e tendo-os ba­ ra o Senhor as primicias “ do vosso
tido e retalhado, os perseguiu até alim ento. Assim como separais as
Horma. primicias das eiras, 21assim também
Leis relativas aos sacrifícios
oferecereis ao Senhor as primicias
cruentos
das vossas massas.
Pecados de ignorância e presunção
1 C 70 Senhor falou a Moisés, di-
*** zendo: 2Fala aos filhos de 22Quando por ignorância omitirdes
Israel, e lhes dirás: Quando entrar­ algumas destas coisas que o Senhor
des na terra da vossa habitação, que disse a Moisés, 23e que por meio dêle
eu vos hei de dar, 3e oferecerdes ao vos ordenou, desde o dia em que
Senhor algum holocausto ou vítima começou a dar-vos os seus manda­
em cumprimento dos vossos votos, mentos, e em seguida, 24e se a mul­
ou como oferta espontânea, ou fazen­ tidão vier a cair em qualquer falta
do queimar nas vossas solenidades, por esquecimento, oferecerá um be­
em cheiro de suavidade para o Se­ zerro da manada em holocausto de
nhor, bois ou ovelhas, 4todo aquêle suavíssimo cheiro para o Senhor,
que imolar uma vítima, oferecera ern com a sua oferta e as suas libações,
sacrifício a décima parte de um efi como prescrevem as cerimônias, e
de flor de farinha, misturada com a um bode pelo pecado; “ e o sacerdo­
uarta parte de um hin de azeite, 5e te rogará por tôda a multidão dos
ará a mesma medida de vinho pa­ filhos de Israel, e se lhes perdoará,
ra fazer as libações, quer seja para o porque não pecaram voluntàriamen-
holocausto, quer para a vitim a. Por te; oferecerão contudo um holocaus­
cada cordeiro 6e por cada carneiro o to ao Senhor por si e pelo seu pe­
sacrifício será de duas dízimas de cado e pelo seu êrro, *e será per­
flor de farinha, misturada com azei­ doado a tôda a multidão dos filhos
te, na medida da têrça parte de um de Israel, e aos estrangeiros que mo­
hin; 7e oferecerá para as libações um ram entre êles; porque é uma cul-
têrço da mesma medida de vinho em pa de todo o povo cometida por ig­
cheiro de suavidade para o Senhor. norância. 27Se, porém, uma só pessoa
8Quando, porém, oferecerdes um pecar por ignorância, oferecera uma
holocausto de bois, ou uma hóstia pa­ cabra de um ano pelo seu pecado,
ra cumprires um voto, ou vítimas 28e o sacerdote rogará por ela, por­
pacíficas, 9darás por cada boi três di­ que pecou sem o saber diante do Se­
zimas de flor de farinha, misturada nhor; e lhe alcançará o perdão, e
com azeite, na medida de meio hin, lhe será perdoado. “ Uma mesma lei
10e darás a mesma medida de vinho será para todos os que pecarem por
para as libações em oferta de sua- ignorância, quer sejam naturais, quer
vissímo cheiro para o Senhor. uAs- sejam estrangeiros. “ A pessoa, po-
Cap. X V — 30. P o r soberba. O hebreu diz: O que fizer alguma coisa com a mão
levantada, isto é, insurgindo-se contra Deus, <s recusando abertamente submeter-se à sua lei.
15 - 16 NUMERoS 175
rém, que fizer alguma coisa por so­ mes. 3Sublevados, pois, contra Moi­
berba, quer seja cidadão, quer foras­ sés e Arão, disseram: Baste-vos que
teiro, perecerá do meio do seu po­ todo o povo seja um povo de santos,
vo, porque foi rebelde contra o Se­ e que o Senhor esteja no meio dê-
nhor, 31porque desprezou a palavra les; porque vos elevais vós sôbre o
do Senhor, e tornou vão o seu pre­ povo do Senhor?
ceito; çor isso será exterminado, e le­
vará sôbre si a sua iniqüidade. “Moisés, tendo ouvido isto, lançou-
se com o rosto por terra, 5e disse a
Castigo pela violação do sábado Coré e a tôda aquela multidão: A -
manhã o Senhor fará conhecer quais
32Ora, aconteceu que, estando os fi­ são os que lhe pertencem e aproxi­
lhos de Israel no deserto, e encon­ mará de si os santos, e os que esco­
trando um homem que apanhava le­ lher se aproximarão dêle. 6Fazei,
nha no dia de sábado, 33apresenta- pois, isto: Cada um tome o seu tu-
ram-no a Moisés e a Arão e a to­ ríbülo, tu, Coré, e todos os seus se-
da a multidão. 34E êles meteram-no quazes; 7e amanhã, depois de terdes
em prisão, não sabendo o que de­ lançado fogo, ponde incenso sôbre ê-
viam fazer dêle. “ E o Senhor disse le diante ao Senhor; e todo o que
a Moisés: Êste homem seja mor­ êle escolher, será o santo; vós exal­
to; todo o povo o apedreje fora dos tai-vos muito, ó filhos de Levi. 8E
acampamentos. 36E, tendo-o tirado disse mais a Coré: Ouvi, ó filhos de
para fora, apedrejaram-no e morreu, Levi: 9Acaso é pouco para vós que
como o Senhor tinha mandado. o Deus de Israel vos tenha separado
de todo o povo e vos tenha unido a
Guarnições nas vestes sagradas si, para o servirdes no culto do ta-
bernáculo, e para assistirdes diante
37Disse também o Senhor a Moisés: da multidão do povo, e exercerdes o
38Fala aos filhos de Israel, e lhes di­ Seu ministério? 10Porventura êle
rás que se façam umas guarnições fêz-vos aproximar de si, a ti e a to­
nas extremidades das suas capas, dos os teus irmãos filhos de Levi, a
pondo nelas fitas de côr de jacinto, fim de usurpardes para vós também
^para que, vendo-as, se recordem de o sacerdócio, ne todos os teus sequa-
todos os, mandamentos do Senhor, e zes se sublevarem contra o Senhor?
não sigam os seus pensamentos nem Que coisa é Arão para murmurardes
os seus olhos se prostituam a vários contra êle? 12Moisés, pois, mandou
objetos, 40mas antes se recordem dos chamar Datan e Abiron, filhos de E-
preceitos do Senhor e os cumpram, liab, e êles responderam: Não va­
e sejam santos para com o seu Deus. mos. “ Porventura não te basta ha­
41Eu sou o Senhor vosso Deus, que ver-nos tirado de uma terra, que
vos tirei da terra do Egito, para ser manava leite e mel, para nos fazeres
vosso Deus. morrer no deserto, e queres-te asse-
nhorear de nós? 14N a verdade con-
Revolta de Coré, Datan e Abiron duziste-nos a uma terra onde corre
o leite e o mel, e deste-nos possessões
1 £ 2Ora, eis que Coré, filho de Isaar, de campos e vinhas; queres também
filho de Caat, filho de Levi, tirar-nos os olhos? Não vamos. 15E
e Datan e Abiron, filhos de Eliab, Moisés, muito irado, disse ao Se­
e também Hon, filho de Felet da fa ­ nhor: Não olhes para os seus sacri­
mília de Ruben, 2se levantaram con­ fícios; tu sabes que eu nunca rece-
tra Moisés, juntamente com outros bi dêles nem tanto como um asm-
duzentos e cinqüenta homens dos f i ­ nho, e que hão afligi nenhum dê-
lhos de Israel, principais da sinagoga, les. 16E disse a Coré: Tu e todos
e que, quando (se convocava) o con­ os teus sequazes apresentai-vos ama-
selho, eram chamados pelos seus no­ nhã de urna parte diante do Senhor,
Cap. X V I — 14. N a verdade conduziste-nos. .. H á nestas p alavras um a ironia: os
Israelitas queriam dizer que Moisés tinha faltado às suas promessas. — Queres também
tirar-nos os olhosf Isto é, queres cegar-nos e impedir que vejamos a realidade das coisas?
176 NÚMEROS 16
e Arão de outra parte. 17Tomai ca­ ao inferno, e cobriu-os a terra, e pe­
da um os vossos turíbulos, e ponde- receram do meio da multidão. ME
lhes em cima incenso, oferecendo ao todo o Israel que estava em volta dê-
Senhor duzentos e cinqüenta turíbu­ les, ao clamor dos que pereciam, fu­
los. E Arão tenha também o seu giu, dizendo: Não suceda que a ter­
turíbulo. ra nos engula também a nós. 36Ao
Castigo dos culpados
mesmo tempo, saindo um fogo do Se­
nhor, matou os duzentos e cinqüenta
18Tendo êles feito isto na presença homens, que ofereciam o incenso.
de Moisés e de Arão, 19e tendo jun­
tado contra êles tôda a multidão (dos Recordação desta revolta
rebeldes) à entrada do tabernáculo, ^E o Senhor falou a Moisés, di­
apareceu a todos a glória do Senhor. zendo: 37Ordena ao sacerdote Eleá-
20E o Senhor falou a Moisés e a Arão, zaro, filho de Arão, que tire os turí-
dizendo: 21Separai-vos do meio des­ bulos que estão no meio do incêndio,
ta congregação, para que eu de im­ e que espalhe o fogo de uma para ou­
proviso os destrua. 22Êles então pros­ tra parte, porque foram santificados
traram-se com o rosto por terra, e dis­ 3Sna morte dos pecadores; e que os
seram: ó Deus fortíssimo dos espíri­ reduza a lâminas, e os pregue ao al­
tos de tôda a carne, acaso pelo pe­ tar, porque nêles foi oferecido o in­
cado de um só se acenderá tua ira censo ao Senhor, e foram santifica­
contra todos? ME o Senhor disse a dos, para que os filhos de Israel os
Moisés: 24Manda a todo o povo que contemplem como um sinal e um mo­
se separe das tendas de Coré e de numento. 30O sacerdote Eleázaro ti­
Datan e de Abiron. rou, pois, os turíbulos de bronze, nos
25Levantou-se, pois, Moisés, e foi quais tinham oferecido (incenso) os
a Datan e Abiron, seguindo-o os an­ (homens) que foram consumidos pe­
ciãos de Israel, 20e disse ao povo: A- lo incêndio, e reduziu-os a lâmi­
fastai-vos das tendas dêstes homens nas, pregando-os ao altar, 40para
ímpios, e não toqueis coisa que -lhes que os filhos de Israel tivessem de­
pertença, para que não sejais envol­ pois alguma coisa que os advertisse
vidos nos seus pecados. 27E, afastan- a fim de que nenhum estrangeiro,
do-se o povo das suas tendas, Datan que não seja da linhagem de Arão,
e Abiron, saindo fora, estavam de se aproxime para oferecer incenso
pé à entrada das suas tendas com ao Senhor, e não sofra a mesma pe­
suas mulheres e filhos, e com todos na que sofreu Coré com todo o seu
os companheiros. 28E Moisés disse: séquito, conforme o Senhor tinha di­
Nisto conhecereis que o Senhor me to a Moisés.
enviou a fazer tudo o que vêdes, e N ova revolta do povo e severo castigo
que eu não o fiz por minha cabeça.
^Se êstes morrerem com a morte or­ 41Ora, no dia seguinte, tôda a mul­
dinária dos homens, e forem feridos tidão dos filhos de Israel murmu­
de uma praga, de que também os ou­ rou contra Moisés e Arão, dizendo:
tros homens costumam ser feridos, o Vós matastes o povo do Senhor. 42E
Senhor não me enviou; ^mas, se o como se formasse sedição, e crescesse
Senhor fizer por um novo prodígio o tumulto, ““ Moisés e Arão fugiram
que a terra, abrindo a sua bôca, os para o tabernáculo da aliança. E,
engula com tudo o que lhes perten­ quando entraram, a nuvem cobriu-
ce, e que desçam vivos áo inferno, o, e apareceu a glória do Senhor.
então sabereis que êles blasfemaram 44E o Senhor disse a Moisés:
contra o Senhor. 45Retirai-vos do meio desta multidão;
31Logo que êle acabou de falar, fen­ imediatamente os destruirei. E,
deu-se a terra debaixo dos seus pés, tendo-se prostrado por terra, ^Moi­
32e, abrindo a sua bôca, os tragou com sés disse a Arão: Toma o turíbulo e,
as suas tendas e com tudo o que pondo-lhe fogo do altar deita-lhe in­
lhes pertencia; 33e desceram vivos censo em cima, e vai depressa ao po-
19. Contra êles, isto é, Moisés e Arão.
30. A o inferno, isto é. à habitação dos mortos.
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vo a fim de rogares por êle; porque e não morram. “ E Moisés fêz o que
já saiu a ira do Senhor, e a praga 0 Senhor lhe tinha ordenado. 12E
começa. 47Arão, tendo feito isto, e os filhos de Israel disseram a Moisés:
correndo ao meio da multidão, a quem Eis que somos consumidos, todos pe­
já abrasava o incêndio, ofereceu in­ recemos. 13Qualquer que se aproxima
censo; 48e, estando de pé entre os do tabernáculo do Senhor, morre. A-
mortos e vivos, rogou pelo povo, e caso seremos todos extintos até não
a praga cessou. J9Ora, os que pere­ ficar nenhum?
ceram foram catorze mil e setecen­
tos homens, afora os que tinham pe­ Responsabilidades e funções
recido na sedição de Coré. “ E Arão dos Levitas
voltou para Moisés para a porta do
tabernáculo da aliança, depois que 1 Q *E o Senhor disse a A rã o : Tu
cessou a mortandade. 10 e teus filhos, e a casa de teu
pai contigo, levareis a iniqüidade do
A v ara de Arão floresce santuário; e tu e teus filhos junta­
mente levareis os pecados do vosso
1 H *E o Senhor falou a Moisés^ sacerdócio. T om a também contigo
1 • dizendo: 2Fala aos filhos de os teus irmãos da tribo de Levi e a
Israel, e recebe dêles uma vara por casa de teu pai, e êles te assistam e
cada tribo, doze varas de todos os te sirvam; mas tu e teus filhos mi­
príncipes das tribos, e escreverás o nistrareis no tabernáculo do teste­
nome de cada um dêles sobre a sua munho. 3E os Levitas estarão aten­
vara. 3Mas o nome de Arão estará tos às tuas ordens e a tôdas as obras
sobre a vara da tribo de Levi, e o no­ d