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DETALHES - Notas e Notícias

Ácido graxo de cadeia média eleva colesterol plasmático

Data: 07/10/2004
Autor(a): Camila Garcia Marques
Fotógrafo: Equipe Nutritotal

Dietas contendo ácidos graxos de cadeia média (AGCM) são de interesse nutricional
por serem mais facilmente absorvidas pelo intestino do que as ricas em ácidos graxos
em cadeia longa (AGCL). Suspeitava-se que AGCM não resultavam em aumento do
colesterol plasmático. Para verificar esta hipótese, estudo dinamarquês comparou dietas
ricas em AGCM e AGCL sobre o perfil lipídico e glicídico plasmático e os resultados
mostraram que há aumento do colesterol plasmático total, do LDL-colesterol
(lipoproteína de baixa densidade), do VLDL-colesterol (lipoproteína de muito baixa
densidade), da razão LDL e HDL-colesterol (lipoproteína de alta densidade), dos
triglicerídeos plasmáticos totais e elevação também da glicose plasmática quando
preferida a dieta rica em AGCM.

Triglicerídeos (TG) são moléculas formadas por três ácidos graxos esterificados ao
glicerol e constituem a principal forma de gordura presente na dieta. Os TG podem ser
formados por ácidos graxos de cadeia média (AGCM) ou de cadeia longa (AGCL). Os
TG de cadeia média (TCM), contém de 6 a 12 átomos de carbono, e são encontrados na
gordura do coco. Já os TG de cadeia longa, que possuem mais de 12 átomos de carbono,
são encontrados nos óleos vegetais. Os AGCM são absorvidos diretamente para a
corrente sangüínea e levados para o fígado, assim como a glicose, não se incorporando
significativamente às lipoproteínas para serem transportados. Por isto, sua absorção e
utilização são rápidas, ao contrário do que acontece com os AGCL.

O estudo, duplo cego e randomizado, selecionou 17 homens saudáveis, com atividade


física de leve a moderada, sem histórico de hipertensão ou aterosclerose e sem nenhum
tratamento medicamentoso. Os participantes receberam 70 g de AGCM proveniente de
óleos vegetais e, em um segundo período, 70 g de ácido oléico, um AGCL, a partir de
óleo de girassol. Cada período teve a duração de 21 dias, com 2 semanas de intervalo
entre cada um. A dieta continha 6,4 MJ (ou 1.500 kcal), sendo 45% da energia total
proveniente de gordura, 47% de carboidrato e 7% de proteína.

Os resultados mostraram que a dieta com AGCM elevou em 11% o colesterol


plasmático total (p = 0,0005), 12% o LDL-colesterol (p = 0,0001), 32% o VLDL-
colesterol (p = 0,08), 12% a razão LDL e HDL-colesterol (p = 0,002), 22% os
triglicerídeos plasmáticos totais (p = 0,0361) e houve elevação também na glicose
plasmática (p = 0,033). Não houve diferenças entre as dietas em relação ao HDL-
colesterol, concentração de insulina e atividade de lipoproteínas transportadoras de
colesterol e fosfolipídeo. “Portanto, dietas contendo AGCM resultam em menor
benefício do perfil lipídico de maneira geral”, explicam os autores.

Referência(s)