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Resumo do artigo: VANNUCCI, H. S. ; ABDAL, Alexandre .

Transparência passiva no município


de São Paulo. REVISTA PARLAMENTO & SOCIEDADE, v. 7 n. 12, p. 89-117, 2019.

Aluno: Gabriel Bornelli Figueiredo

Ainda que seja um preceito constitucional, a Lei Federal n. 12.527/11 - Lei de Acesso à
Informação, ou LAI, instituiu a Transparência como regra e o sigiloso com exceção na Administração
Pública, além de regulamentar o acesso às informações. Desde então, uma gestão transparente deve
instituir mecanismos, procedimentos e atos para possibilitar o acesso a informações de interesse
coletivo ou particular por todos e qualquer cidadão.
Cabe a cada órgão regulamentar seus procedimentos para a garantia do acesso à informação.
No âmbito do Poder Executivo da cidade de São Paulo este papel é cumprido pelo Decreto Municipal
n. 53.623, de dezembro de 2012. Já a Câmara de Vereadores do Município de São Paulo e o Tribunal
de Contas do Município de São Paulo (TCM) não editaram norma para regulamentar especificamente
a LAI.
Dentre as formas possíveis para a obtenção das informações há aquela pela qual o acesso aos
dados públicos é obtido por iniciativa do indivíduo – comumente denominada de Transparência
Passiva, apesar deste termo não ser utilizado na LAI. Neste caso, compete ao órgão público responder
à solicitação dentro do prazo legal. Usualmente, as solicitações são realizadas pelos Serviços de
Informação ao Cidadão (SIC), que podem ser físicos ou online.
Com o objetivo de medir a transparência passiva no município de São Paulo e analisar se os
órgãos públicos estão cumprindo suas obrigações legais, foram enviadas solicitações formais de
pedidos de informação, através dos canais oficiais, e avaliado como os órgãos selecionados estão
respondendo a estas solicitações. Foram utilizados somente os canais online, sendo desconsiderados
os e-SIC físicos.
A partir dos critérios de importância do órgão para a administração da cidade, relevância para
os cidadãos, variedade de funções e missões e existência de sites na internet, os cinco órgãos
estudados foram:
1. Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP)
2. Secretaria Municipal de Educação (SME)
3. Companhia de Engenharia de Tráfego (CET)
4. Câmara Municipal de São Paulo (CMSP)
5. Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM)
As solicitações enviadas foram divididas em 3 blocos, segundo o grau de relevância da
informação:
a) Ordinárias: informações sobre a organização e funcionamento do órgão ou sobre os
meios de acesso a documentos ou informações que devem ser disponibilizados
b) Intermediárias: relacionadas a dados da instituição, desde que não envolvam
orçamento. Ex: quantidade de servidores no órgão.
c) Onerosas: informações de caráter mais impactante, seja porque envolvem o orçamento
ou seja porque dizem respeito a informações sigilosas.

Para cada um dos blocos foram enviadas duas solicitações diferentes por órgão, somando seis
pedidos por órgão e 30 solicitações no total. Cada órgão foi avaliado segundo os seguintes critérios:
− Critério nº 1: Se disponibiliza no site oficial os sistemas de encaminhamento de
pedidos de informações (Art. 10, § 2o, da LAI);
− Critério nº 2: Se, para a realização do pedido, é exigida apenas a identificação do
requerente. Ao interpretar a LAI foi considerado que qualquer dado do usuário, além do nome e
e-mail para contato, foi considerado prescindível e, portanto, abusivo.
− Critério nº 3: Se as instituições selecionadas cumpriram com os prazos de resposta
estabelecidos pela LAI: resposta em 20 dias (Art. 11, § 1o), prorrogáveis por mais 10 dias,
mediante justificativa encaminhada ao solicitante (Art. 11, § 2o) e, no caso de interposição de
recurso, manifestação do órgão no prazo de 10 dias.
− Critério nº 4: Se, para cada solicitação, o serviço de acesso à informação foi
satisfatório ou insatisfatório. Entende-se a resposta por satisfatória quando a informação é
prestada por completo ou a resposta que nega acesso à informação ou que declare não possuí-la,
desde que legalmente justificada. Considera-se insatisfatória a resposta que não fornece a
informação solicitada, ainda que parcialmente, e a solicitação não respondida.

Foram obtidos os seguintes resultados:


− Critério nº 1: A transparência passiva não recebe um destaque nos órgãos da
Administração Pública Municipal, apesar de informações sobre a transparência estarem em
relativa evidência nos sites. Apenas no site da Prefeitura o e-SIC contou com uma evidência
considerada satisfatória. Nos casos da CMSP e do TCM foram verificados problemas técnicos
nos sites que impediam o envio das solicitações. Para a CMSP os pedidos foram intermediados
para a Ouvidoria do órgão. Já para o TCM, na primeira tentativa o site não estava funcionando.
Numa segunda tentativa as perguntas foram enviadas, mas, como não há um protocolo ou e-mail
de confirmação e elas não foram respondidas, não é possível afirmar se o sistema estava
funcionando corretamente.
− Critério nº 2: Todos os formulários apresentam exigências que excedem a prescrição
da LAI. Além disso, não foi identificado um padrão de exigência entre os órgãos.
− Critério nº 3: Com relação ao cumprimento dos prazos legais para resposta, os
resultados obtidos foram: a) PMSP: cumpriu o prazo em 4 das 6 solicitações, sem relação com a
relevância da informação. Além disso foi identificada a utilização de um mecanismo de
redirecionamento de solicitações com prorrogação dos prazos além dos limites permitidos; b)
SME: Todas as solicitações foram respondidas dentro do prazo. c) CET: 5 das 6 solicitações foram
respondidas no prazo - a solicitação não respondida era do tipo “onerosa”; d) CMSP: 4 das 6
foram respondidas no prazo, sendo que as outras duas são as “onerosas e) TCM: não respondeu
às solicitações. No total foram respondidos no prazo 19 dos 30 pedidos.
− Critério nº 4: Com relação à avaliação se as respostas foram satisfatórias ou
insatisfatórias, os resultados foram: a) PMSP: 4 das 6 respostas foram satisfatórias, sendo que
uma das respostas insatisfatórias foi respondida apenas após a interposição de recurso. b) SME:
50% das respostas foram satisfatórias. Quanto às demais: duas foram indeferidas e uma (gastos
de viagem) foi respondida após a interposição de recurso; c) CET: 4 das 6 foram satisfatórias.
Para uma das respostas insatisfatórias o órgão solicitou dilação de prazo e, ainda assim, não
respondeu ao pedido; d) CMSP: 5 das 6 respostas foram satisfatórias; e) TCM: não enviou
respostas. Ressalta-se que nos casos da PMSP, SME e CET um dos argumentos para justificar o
indeferimento dos pedidos foi que o assunto não era aderente ao escopo da LAI. Para todos os
órgãos houve algum nível de insatisfação com a resposta para a solicitação de apresentação de
gastos de viagem do chefe do órgão. Considerando-se os dados do TCM, apenas 53% das
respostas foram satisfatórias. Desconsiderando-se o TCM, 73% das respostas foram satisfatórias.

A partir dos resultados obtidos observou-se que a PMSP, SME e CET possuem sistemas de
recebimento de solicitações melhores que a CMSP e o TCM. Todos os órgãos possuem exigências
excessivas para a efetivação das solicitações. Exceto no caso do TCM, que não respondeu às
solicitações, a maioria das respostas foi enviada dentro do prazo legal, independentemente da
complexidade do pedido. Excluindo-se os dados do TCM, 75% das respostas obtidas foram
satisfatórias. O processo de implementação dos instrumentos da LAI deve ser constantemente
monitorado e avaliado para que o direito de acesso à informação seja garantido aos cidadãos.

Palavras-chave: Transparência Passiva; Serviço de Informação ao Cidadão; Transparência na


Administração Pública