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Desigualdade Social em "Que Horas Ela Volta?"

O documento discute o filme "Que Horas Ela Volta?" da diretora Anna Muylaert. O filme retrata a relação entre uma mãe doméstica, Val, e sua filha Jéssica após 10 anos separadas devido às condições socioeconômicas. O documento analisa como o filme critica a desigualdade social no Brasil e como as relações sociais impactam os personagens.
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Desigualdade Social em "Que Horas Ela Volta?"

O documento discute o filme "Que Horas Ela Volta?" da diretora Anna Muylaert. O filme retrata a relação entre uma mãe doméstica, Val, e sua filha Jéssica após 10 anos separadas devido às condições socioeconômicas. O documento analisa como o filme critica a desigualdade social no Brasil e como as relações sociais impactam os personagens.
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O PAPEL MATERNO E AS DESIGUALDADES SOCIAIS

MARIA BEATRIZ NAZÁRIO

Volta, que horas ela. Direção de Anna Muylaert. Brasil: Pandora Filmes, 2015. DVD (114 min).

Anna Muylaert é uma diretora, roteirista e cineasta brasileira, graduada em cinema


pela Universidade de São Paulo. A diretora já dirigiu vários curtas-metragens e participou da
criação e direção de alguns programas de televisão.

O filme apresenta a vida da protagonista Val, interpretada por Regina Casé, uma
mulher que, devido as suas condições socioeconômicas, acaba se distanciando de sua filha na
cidade onde morava, para trabalhar de doméstica e de babá em uma casa de classe média alta.
Sua filha, Jéssica, acaba precisando ir até São Paulo para prestar vestibular, e depois de 10
anos mãe e filha se reencontram. Jéssica passa a morar com Val, na casa onde ela trabalha,
que ganha pousada no quarto de hospedes da família, enquanto Val continua a dormir em um
quartinho na casa. A presença de Jéssica acaba causando alguns conflitos entre a família,
principalmente incomodando a patroa de Val, Karine, que inúmeras vezes demonstra um ar de
soberba e sentimento de superioridade em relação a Val e sua filha, muitas vezes evidenciados
pelas falas de carinho com a doméstica mesmo tendo ações contrárias a sua fala. Devido a
isso e alguns acontecimentos a mais, Val e Jéssica planejam se mudar da casa de Karine e
arranjar alugar um local para morarem. Enquanto isso, os sentimentos do patrão, que teria
bem mais idade que Jéssica, crescem de uma maneira romântica para cima de Jéssica, e ela
passa a perceber situações para ela que antes pareciam despercebidas a ponto de pedir a ela
em casamento, gerando uma situação muito grande de desconforto para ela, que não tinha
sentimentos recíprocos. Val recebe a noticia de que sua filha passou no vestibular, enquanto
Fabinho não consegue, mesmo tendo todo um suporte educacional que Jéssica nunca teve. O
grande momento do filme é quando Val descobre que sua filha Jéssica teria um filho, que ela
deixou onde morava para poder tentar viver uma vida melhor em São Paulo, assim como sua
mãe teria feito com ela. Val pede demissão para sua patroa pois pretende passar mais tempo
com sua filha, para recompensar todo tempo que passou longe dela, e consequentemente tem
o pensamento de trazer seu neto para morar junto com as duas.

O filme em si consegue tratar de assuntos tão fortes como a desigualdade social, de


uma forma tão emocionante. Pelo fato de ser um assunto tão concreto e tão vívido, algumas
cenas transmitem uma sensação de injustiça tão grande e que é tão real, de preconceito e de
exclusão. É importantíssimo citar a incrível atuação de Regina Casé, que realmente se entrega
ao personagem que representa e consegue transmitir muito bem cada sentimento e emoção
retratadas pelas situações vividas pela mesma de uma forma muito natural. É uma grande
crítica a toda situação de desigualdade social do Brasil, as representações de papeis sociais. O
filme mostra de acordo com a forma que as relações vão se estabelecendo dentro da realidade
da doméstica, e como isso impacta nos ambientes de todos os personagens do filme.

A sociedade exclui para incluir e esta transmutação é condição da ordem social


desigual, o que implica o caráter ilusório da inclusão. Todos estamos inseridos de
algum modo, nem sempre decente e digno, no circuito reprodutivo das atividades
econômicas, sendo a grande maioria da humanidade inserida através da insuficiência
e das privações, que se desdobram para fora do econômico. (Jodelet, 2009, p.6)

Diante desta contextualização de Jodelet e considerando o ambiente em que se situa


o filme, Val seria excluída, como um membro digno, pois assim sendo se levados em
consideração certos aspectos, a doméstica passava mais tempo com o filho de sua patroa do
que a própria mãe dele, para ser incluída, na família onde trabalhava, por outra visão social,
dentro da limitação da sociabilidade devido ao preconceito dentro dessas relações,
estabelecendo essa relação de transmutação. Jodelet (2009) afirma que o sofrimento ético-
político retrata a vivência cotidiana das questões sociais dominantes em cada época histórica,
especialmente a dor que surge da situação social de ser tratado como inferior, subalterno, sem
valor, apêndice inútil da sociedade. Inúmeras vezes, sua patroa acaba dizendo a Val que ela
pertence a família e que é tratada como qual, porém mesmo assim, Val vive em condições e
nem é tratada como qual seriam os outros integrantes da família, sua fala é incoerente com
suas atitudes. Essas situações acabam sendo tão reais e tão necessárias de serem trabalhadas e
discutidas pois demonstram toda uma situação da atual sociedade brasileira: uma situação de
desigualdade, preconceito, disparidades e injustiças.

REFERÊNCIAS

JODELET, Denise. Os processos psicossociais da exclusão. In: SAWAIA, Bader (Org.). As artimanhas da
exclusão: análise psicossocial e ética da desigualdade social. 9. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009. 
ANNA MUYLAERT. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2020. Disponível
em: <[Link] Acesso em: 27 mai. 2020.
QUE HORAS ELA VOLTA?. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2020.
Disponível em: <[Link]
Acesso em: 27 mai. 2020.

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