Ricardo Antunes, Os sentidos do trabalho, São Paulo, Boitempo, 2000

Juliana Marília Colli Doutoranda em Ciências Sociais pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp
O livro Os sentidos do trabalho de Ricardo Antunes apresenta, antes de tudo, uma ampla pesquisa sobre as metamorfoses no processo de constituição do capitalismo contemporâneo, a partir das mudanças estruturais e conjunturais que ocorrem no mundo do trabalho e suas conseqüências mais imediatas para a classe taahdr. rblaoa Como uma espécie de síntese de pensamento, em um momento de profunda maturidade intelectual do autor, a obra representa um louvável empreendimento que, com êxito, buscou na releitura dos conceitos de Marx as chaves para o entendimento do modo de produção capitalista contemporâneo. Sem prejuízo algum da análise teórica, pautada em autores marxistas de peso na contemporaneidade, tais como Lukács e Meszáros, o já conhecido posicionamento crítico de Antunes se faz presente em toda a obra. Mais um dos méritos do autor que, na atual conjuntura onde a ideologia neoliberal, aparentemente, parece tornar qualquer análise crítica acadêmica obsoleta, demonstra o vigor de sua análise baseada em dados empíricos e na própria teoria. Resulta disto a apreensão do processo de implantação do neoliberalismo por meio do Estado burguês, como um mecanismo ideológico e verdadeiro guardião dos processos de introdução das práticas de reestruturação produtiva para “administrar” um momento de profunda crise, “depressed continuum” (Meszáros) com características c ô i a ee t u u a s g r d sn sp ó r a e t a h sd sc n r d ç e d c p t l rncs srtri, eaa a rpis nrna a otaiõs o aia. As mudanças no mundo do trabalho refletem, para Antunes, uma dimensão fenomênica que se apresenta sob a forma da reestruturação produtiva em suas múltiplas variantes concretas (material e ideológica) no sistema de produção das necessidades sociais e auto-reprodução do capital. Desta dimensão emerge um aspecto estrutural, da crise do capital que resulta no conjunto de respostas m i i e i t sàl g c d s r t v d c p t les u e e t sn f s o p r om t b as mdaa óia etuia o aia es fio eats aa eao l s os c a . im oil Como bem mostra o autor, as experiências de algumas empresas do Reino Unido caracterizam um certo descompasso entre os “ideais” de modernidade, apresentados pelo processo de reestruturação produtiva, e a realidade produtiva,

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que conta muitas vezes com traços tradicionais. Esta contradição evidencia que o processo de expansão das novas técnicas de produção e flexibilização do trabalho assume contornos singulares na realidade dos diversos países, não sendo possível uma generalização analítica de suas aplicações. Um bom exemplo desta adequação do capital às suas bases materiais de produção é a reestruturação produtiva no Brasil que combina em seu processo elementos tradicionais do fordismo com as n v st c i a d p o u ã f e í e . oa éncs e rdço lxvl Todas essas formas particulares de técnicas e gestão organizacional do processo de trabalho, neste contexto, trazem como conseqüências imediatas para a classe trabalhadora a sua heterogeneização, complexificação e fragmentação, e como acentua bem o autor, a precarização e a intensificação do trabalho, gerando uma espécie de combinação de formas de subordinação real que se apropria de elementos da subordinação formal do trabalho ao capital. Assim, o autor avança em um conceito que é caro ao marxismo, o de classe social, procurando dar-lhe vida e vigência teórica contemporânea através da expressão “classe-que-vive-do-trabalho”. E essa busca em apreender dialeticamente as particularidades das novas formas sociais de relações de trabalho leva o autor a a i m rac n r l d d d t a a h . fra etaiae o rblo O trabalho social hoje, complexificado, socialmente combinado e intensificado nos seus ritmos e processos, se coloca como esfera central da sociedade enquanto processo que cria valor. E, ainda que o trabalho vivo esteja diminuindo, através da redução de seu tempo físico e do trabalho manual direto, dados apresentados pelo autor mostra a necessidade de contínua recorrência do capital a formas de trabalho precarizadas e intensificadas, também em países desenvolvidos, o que denota uma verdadeira superexploração do trabalho, elemento este v t lp r ar a i a ã d c c op o u i od c p t l ia aa elzço o il rdtv o aia. A centralidade do trabalho se faz enquanto elemento fundante e estruturante do processo de sociabilização humana, dotando a vida de sentido e r a i a ã o q e n s p ó r a p l v a d A t n s “é totalmente diferente de dizer elzço u a rpis aars e nue: que uma vida cheia de sentido se resume exclusivamente ao trabalho”. Na busca de uma vida cheia de sentido, a atividade laborativa, que está muito próxima da criação artística, transforma-se em elemento humanizador. Mas a afirmação da centralidade do trabalho no metabolismo societal regido pela lógica do capital em sua forma estranhada (Entfremdung) transforma-se em negação. Esta dimensão de negatividade do trabalho impede o sentido de plena realização da subjetividade humana porque inverte a relação de posse e domínio das condições sociais do trabalho; quem produz não decide o que e para quem se produz. Muito sugestiva é também a conexão analítica entre trabalho e liberdade de onde se extrai que, a necessidade de que uma vida plena de sentido a partir do trabalho impõe, como condição sine qua non, a superação da sociedade que é

compreendendo a necessidade de um firme posicionamento a favor da classe-que-vive-do-trabalho e sugerindo uma sociedade para “além do capital”. além de se apresentar como uma instigante reflexão teórica de fôlego que busca apreender os novos elementos constituintes do metabolismo societal capitalista. mantendo presente em toda a sua reflexão contornos i t r i c p i a e oq ep r i i a a t rn t v i a a ç st ó i o . nedsilnrs u emtu o uo oáes vno ercs Deste modo. Globalização e desnacionalização. São Paulo.141 R E S E N H A Reinaldo Gonçalves. baseado nos relatórios do Banco Central e na imprensa. Paz e Terra. ao considerar a dimensão ontológica do interior da vida cotidiana da sociedade. de modo mais direto. rdço a atclrdd o aiaim rslio Fica evidente que a obra de Antunes. A idéia-chave de Globalização e . aborda temas e questões reiterando e confirmando as teses apresentadas de modo mais extensivo nos capítulos do livro. não há tempo livre e não há auto-realização humana. o processo das mudanças ocorridas nas relações sociais de p o u ã n p r i u a i a ed c p t l s ob a i e r . 1999 Romildo Raposo Fernandes Professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro O economista Reinaldo Gonçalves proporciona-nos uma análise precisa sobre o processo de desnacionalização recente da economia brasileira. outubro . no essencial. de onde também emergem as contradições e pólos de resistências sociais a esta lógica destrutiva do capital. O livro também apresenta um apêndice que. representa muito mais do que uma análise sociológica. sem o que não há domínio dos indivíduos sobre a organização social. Antunes deixa transparecer que os problemas de fundo estruturais presentes no metabolismo societal do capital devem contar com um pensamento crítico que leve a uma prática.regida pela lógica do capital. para formular uma série de tabelas que desmistificam a pretensa relação entre a entrada de capital estrangeiro direto e o desenvolvimento econômico e social. a análise ganha um contorno especial. não distante da reflexão teórica. O autor efetua um minucioso trabalho de levantamento de dados. E finalizando o apêndice o autor aborda oportunamente.

Para o autor. que segundo ele “trata-se. A semelhança estende-se ao discurso. unicamente de uma questão pragmática. . ao tratar a relação com o capital estrangeiro.u r t r rt a srtga aini ieaiats eutrm u ercso m eono à situação existente no país no final do século XIX. pela política de juros altos responsável pela deterioração das contas públicas. isr ção passiva” no processo de globalização econômica levou ao comprometimento d “oeai ncoa” a sbrna ainl. A atual trajetória de instabilidade e crise é decorrente da estratégia de liberalização adotada pelo governo FHC. Apesar do autor centrar sua análise na segunda metade da década de 90.a modernização. Rio de Janeiro. Se não houve o crescimento econômico esperado.q a d u eiea m rjt ainldsnovmnit aa rsl o so uno oa t rs r f r ac i en B a i .outubro R E S E N H A Desnacionalização é a “vulnerabilidade” da economia brasileira como resultado da política econômica adotada pelo governo Fernando Henrique Cardoso a partir de 1995. Contraponto. 1998.r s l a a n mr t o e s . Compreende-se então a posição do autor em relação ao ingresso de capital estrangeiro. o argumento é o mesmo dos “liberalões” do século XIX . podemos deduzir que o autor pressupõe ser possível uma “inserção soberana” neste processo. por outro lado ocorreu uma “fragilização” do aparelho do Estado. eo bm eói” das privatizações. A Opção Brasileira .e e v l i e t s ap r oB a i . 1 Cesar Benjamin e outros. Da mesma forma. não a localiza no marco da relação imperialista. o Estado Nacional teve reduzida a sua capacidade de r s s ê c aà p e s e e t r a . Esta análise é condizente com a perspectiva estratégica do autor. pois “o investimento externo direto tanto cria problemas quanto oportunidad s . Reinaldo Gonçalves faz um pequeno histórico sobre a entrada de capitais estrangeiros no país e conclui que a atual expansão dos fluxos de investimento externo. Em 1998. A concentração econômica e a desnacionalização não foram compensados por um bom desempenho econômico. controles. Este discurso é desmascarado pelo autor ao demonstrar que a entrada de c p t i f ie t m l d p rp l t c see t a é i se u v c d s p l “ o n g c o aias o siuaa o oíia srtga qioaa. o desempenho da economia brasileira no período foi medíocre. Quando Reinaldo Gonçalves questiona a “inserção passiva” no processo de globalização.142 . que se enfrenta com critérios de desempenho.P ri s . houve uma mudança na “correlação de forças ”.e p s aap r i d c i ed M x c d 1 9 .Oa t rd f n eu ap l t c r g l t r as b eae t a ad c p t le t a g i e” uo eed m oíia euaói or nrd o aia srnero para que esta tenha um impacto positivo. políticas e medidas”. pelo contrário. f u od se t a é i sn c o a sl b r l z n e .n o uo e eee rs o rsl xot atr a rs o éio e 94 ã analise esta crise enquanto uma crise do sistema capitalista. quando o Brasil tinha uma estrutura econômica “sobremaneira dependente” do capital estrangeiro. Reinaldo Gonçalves colaborou com a obra Opção Brasileira1 q ed l n i u p o e on c o a .h u eu a m n od “ u n r b l d d ” A“ n e eitni s rsõs xens ov m uet a vleaiiae.

c m i lep o u i ai i i d sn G v r oF r a d ieaiaã oeca. As estratégias de l b r l z ç oc m r i l f n n e r . também. assim. o livro Globalização e Desnacionalização é um importante subsídio para demonstrar os e e t sd p l t c e o ô i an o i e a . Num momento em que o modelo neoliberal está sendo colocado em cheque até por setores da própria burguesia. na progressão histórica.s b ea e o o i s fio a oíia cnmc elbrl taé a lblzço or s cnma s m . experimentando. ir aeóio o ota rsiet o lxs e netmn to externo e o avanço das empresas de capital estrangeiro na economia brasileira a partir de 1995.Apesar deste limite oriundo da crença do autor na possibilidade de reformar oc p t l s o ol v oéc t g r c a m s r roc e c m n od sf u o d i v s i e aiaim. O Estado capitalista contemporâneo.143 R E S E N H A Flávio Bezerra de Farias. Goaiaã encoaiaã” etr nipn sável para quem quer uma maior compreensão sobre o processo de dependência ao c p t li t r a i n ln sú t m sc n oa o . iacia aba rdtv ncaa o oen enno Collor. as funções e intervenções do Estado-nação receptor que gestiona a transição em distintos “momentos” de emergência ou consolidação relativa de aquele mesmo modelo.a r v sd g o a i a ã .o o i i c m an s a “ l b l z ç oeD s a i n l z ç o él i u ai d s e eiclnas oo os. uma penetração do capital internacional n n av s on h s ó i d B a i . 1999 Martha Roldán O avanço sócio-econômico neoliberal na periferia latino-americana durante os anos 90 foi acompanhada de discursos geralmente provenientes de “usinas semânticas” norte-americanas que outorgam uma significação inexorável e positiva ao “desenvolvimento” que proviria da aplicação do modelo econômico auspiciado. mantidas no Governo Itamar e aprofundadas pelo Governo Fernando Henrique produziram a vulnerabilidade externa que como o autor bem descreve “faz com que crises cambiais provoquem crises econômicas e sociais. que acabam se transformando em crises políticas e institucionais”. Cada um deles define. São Paulo. Não surpreende então que a atual disputa do mercado regional do Sul entre economias . aia nencoa o lio ic ns outubro .P r i u t a a c n e ü n i sd s ep o e s oa t r uc it a itra o rsl aa lsrr s osqêca et rcso uo analisa os processos de fusões e aquisições. Cortez. e as privatizações.

já que supõe que esse primeiro elemento (a base. com ênfase no Capítulo 1. e ulur rgm meis. Mas. uoéa retl Neste contexto de renovada “batalha de significações” o livro de Bezerra de Farias resulta particularmente oportuno e bem-vindo.outubro R E S E N H A da Tríade se traduza em novas rodadas de representações do crescimento neoliberal e do tipo de gestação “apropriada” do Estado-nação -coordenação rotativa de um bloco periférico? – derivadas de “usinas” contendoras com crescente participação e r p i eo i n a . nes. a consciência e a circulação pode existir. Referir-me-ei a ambos aspectos.26). A necessidade de refutação t ó i o p l t c d sp s ç e n o i e a s d q a q e o i e . A v g e t o ats aa eii sa aeoi oo oaiae otaiói p1) doa nã u r t r oae s sf n e eàu i i a ã d e i t m l g aeao t l g ad s rs c a m eon sa ots tlzço a pseooi nooi o e oil constitutiva do método marxiano. a produção. Quando se estuda um aspecto particular da forma-Estado para entender sua natureza capitalista existe uma relação de causa e efeito. 2 . (p. O projeto de Bezerra de Farias implica. A primeira parte do exercício implica o resgate/reelaboração de noções da e o o i p l t c c í i aed s um t d p r aa á i ed E t d c p t l s a P r i s cnma oíia rtc e e éoo aa nls o sao aiait. as m l i l sd t r i a õ se p c f c m n ec p t l s a d s eE t d . oé. o ser. entre outros) alegando que são defeituosas já que escondem a relação orgânica entre Estado e capital. método necessário para uma abordagem crítica e revolucionária do Estado da “modernidade em vigor” contemporânea. um duplo exercício: de integração orgânica teórico-político-metodológica marxiana e seu posterior teste ao caso concreto da evolução do pensamento regulatório. em relação à superestrutura. Com tal objetivo traça no “Capítulo 1” um itinerário complexo com três itens chave: As múltiplas determinações do Estado. 14).B z r ad F r a r s o d q ee i t p i a i d c p t ls b eoE t noóia eer e ais epne u xse rmza o aia or sa do. Mas se se estuda essa forma-Estado para entender seu papel na economia capitalista o Estado é causa e o capital é efeito. a determinação em última instância pela economia e pela técnica se . uo aceita o desafio enfocando ao Estado capitalista contemporâneo (ou da “modernidade em vigor’) da perspectiva do método marxiano e aplicando suas premissas à análise do campo sócio-liberal das teorias da regulação. aa so a g i( I t o u ã ” q ej n o r d sc á s c sd m r i m e i t a i s r m n o rü “nrdço) u á a ba o lsio o axso xsim ntuets metodológicos para uma teoria comunista do Estado e expressões e avanços import n e p r d f n r e t c t g r a c m t t l d d c n r d t r a( .p e i a e t p rr z e o t l g c s ea btad. Portanto. esclarece o autor. Ignoram. portanto. No primeiro dele repassa diversas definições institucionalistas e formalistas do Estado (Rawls. mosvl rcsmne o aõs noóia (p.144 .éi p r o a Oa t r erc-oíia a oiõs elbri. de especial valia ao oferecer elementos analít c sp r i e t sàc í i ad o t a v s e d E t d c p t l s aei s i a e t d sd io etnne rtc e urs iõs o sao aiait nprr suo e campo afins no futuro. não se trata de um princípio a priori.s t a ã p r i útpa eemnçe seiiaet aiaits et sao iuço atcularmente patente no caso das visiones regulacionistas que se exploram no “Capítulo 3”. e Kelsen. mesmo que o segundo ) s j a s r í o Oi v r o p r m éi p s í e . portanto. Mas qual é a relação entre Estado e capital? A partir da perspectiva o t l g c . A natureza do Estado e O papel do Estado.

2 ) Af r a E t d e g r l s e i t p ri t r é i d se p c f c d d s íio p 9.. trata-se de u a totalidade concreta. Dois aspectos. argüi. O que importa é a reciprocidade na relação o g n c e t eE t d ec p t l ( . 27). oa . )P l c n r r o ( . ou silogismos. osqüência de desconhecer a riqueza de determinações do fenômeno estatal provoca f l o d b t so p l m c se t r i . é rico em determinações. O Estado representativo moderno é um ser social.f t c i m . . é um silogismo que se compõe de três termos. resultam de especial relevância para qualquer estudo sobre a problemática Sul-americana. a forma-Estado é uma abstração que apreende os aspectos gerais do fenômeno estatal no capitalismo. A forma-Estado (generalidades) no nível do modo de produção (no contexto de uma formação socioeconômica capitalista). bdc es u rzm ac a outubro . Com efeito. (p. O Estado.( s e t sq eoa t rd s n o v n eelga eihso ioim. eelga apco u uo eevle o parágrafo seguinte). da genealogia. e da teleologia do Estado. sexuais e étnicos. rca itnur sa sêca o sao a formas especificas em que se apresenta em um momento dado como aparência.145 R E S E N H A . que se capta o conjunto dos aspectos do Estado como ser social e histórico e suas relaç e d n m c sap r i d l t d c a s s( u e s n i s c a )c j e x éad v s o õs iâia atr a ua e lse sa sêca oil uo io iiã c p t l s ad t a a h ( u e s n i m t r a ) d v s oq ec n e p as m l a e aiait o rblo sa sêca aeil. com situação diversa no tempo e no espaço. “a verdade sobre o Estado só pode ser estabelecida na medida em que se apreendem as relações efetivas entre todos seus aspectos. Portanto só se pode apreender o “grande silogismo” do Estado” ao considerar cada uma das categorias: forma-Estado. secção em que o autor mergulha em profundidade nas temáticas do silogismo. G i on s o n t 8 p 6 ) Éc u i ld s i g i e t e s n i d E t d d s urs(rf os. p 2 ) A c n e m gio oss . espaciais. complexa e contraditória” ( r f s n s o . do fetichismo. suas potencias e suas tendências. com seus traços espec f c s( . eo otái.. é um movimento de totalização e de concretização que se situa no tempo e no espaço. a meu juízo. É importante distinguir entre os silogismos a fim de evitar confusões na análise.s l g s o t l o o i . no Brasil). entre o t o . “Em suma” pensa. iiã u otml iutna mente aspectos técnicos. portanto não explica todas as conjunturas estatais. g n a o i . Em síntese. d u i e la s r t ( . das fisco-finanças. 7. situado no tempo e no espaço. p2) É então. baseada no taylorismo ou no fordismo) e a Forma do Estado (singularidades) referente a um processo dado de acumulação (na Francia. forma de Estado e forma do Estado como mediadoras entre as duas outras. . ã e rt e m ao nvra. correspondentes a três níveis de percepção do capitalismo. internacionais. ó xse o nemdo a seiiiae como forma de Estado ou forma do Estado. Em primeiro lugar o silogismo do Estado (p. sua forma de sua função. A forma de Estado (particularidades) pertinente ao tipo de regime de acumulação (no centro ou na periferia. “o Estado é uma forma s c a q es f ev r a õ st m o a see p c a s N os t a ad u v l ru i e s l oil u or aiçe epri saii. no contexto de uma formação econômica e social dada. da estrutura. om-sao m ea.reduz a uma questão metodológica. )o e e eal i q et a e am r ad e m da btao .q eép s í e e i a q a d s d s i g es a ass eae u oêia sées u osvl vtr uno e itnu u natureza de seu papel. 28). Esta distinção se explora em A natureza do Estado. 6 râia nr sao aia. 3.

39) Por último. sob O papel do Estado o autor enfatiza que a ação do Estado capitalista – como um todo orgânico. reprodução e crise do capitalismo. atr ia tpa ocea o ouim o oa u itaiae nissêia a fim de superar as relações que condenam ao ser humano como ser explorado e oprimido. os enfoques em termos de regulação se ocupam da função do Estado.outubro R E S E N H A história. a força de trabalho) assumem novas formas. 6 . sobre o conjunto do território na expansão no espaço das relações capitalistas dominantes (divisão capitalista do trabalho). simultaneamente. 37-39) e à p l t c r v l c o á i .a i a éo g n c . e as mediações do Estado (sobre a moeda. O segundo se refere ao papel do Estado sobre as p r e d s et r i ó i . enquanto. 44). e sim à globalização que aumenta a submissão dos processos de trabalho periféricos aos processos de valorização centrais (p. um juízo importante para a análise das significações outorgadas aos novos fluxos de capital em direção à periferia Sul-americana. xlrço aiaits p4) Deste modo. superando as condições objetivas que dão lugar à luta de classes e permitindo outra continuação da história humana.’(pp. não da forma deste. vêm regulações nas circunstâncias em que ocorrem mediações das contradições da sociedade burguesa. em geral. Bezerra de Farias observa a superação deste último em um movimento que se inicia na unidade da consciência de classe e da luta dos oprimidos e explorados.1. (p. 40) Esta elaboração lhe permite mostrar como. (p. riuaã sail e oa s eaõs rdtivas existentes em uma formação econômica e social dada. explica.(divisão regional do trabalho).om v m n or v l c o á i d v s rd r g d c n eaã saocptl râia oiet eouinro ee e iiio ot aa b s ( .D d q ef z m sr f r n i a E t d c p t l s a eq ea oíia eouinra ao u aeo eeêca o sao aiait. Daí a importância de m n e v v au o i c n r t d c m n s oc mt d s av r u l d d a t . . o papel espacial do Estado supera o quadro nacional e local. 29-30). em articulação orgânica com as formas assumidas pelo ser social na produção. na fase de mundialização do capital (Cf. 37) A diferença da social democracia que considera seu êxito sem a extinção do capitalismo. Trata-se de outra experiência de desenvolvimento desigual e combinado no qual o Estado assume dois papeis distintos: O primeiro. p3) retd uea xrço a as ai iiã o rblo que a sustenta.i s é àa t c l ç oe p c a d t d sa r l ç e p o u ats es ertro so . tanto no capitalismo avançado como periférico. complexo e contraditório – é uma variável no tempo e no espaço e nas formas de sua intervenção na economia. Chesnais). está alimentada por contradições de classe. os sistemas produtivos dominados permanecem localizados e o progresso de suas formas produtivas sofre a raiz de sua excessiva “financeirização’. A dinâmica do fordismo. mas não elimina a natureza da opressão e da epoaã cptlsa (. as ações para a articulação dos espaços globalizados e dos espaços locais não levam à superação do desenvolvimento desigual e combinado.i t m c . Como conseqüência. Um segundo aspecto concerne a A teleología do Estado (pp. (p.o i n a oas p r rae t a ã d m i v l aead v s od t a a h r mo. u r l ç oE t d . e além disso confundem a natureza espacial da forma-Estado de sua ação sobre o espaço e vice-versa.146 .

147 R E S E N H A . insiste no qual pode-se resistir à nova ordem mundial N r s o . debilita as políticas públicas industriais. uo rsli ro. sem vínculo com lutas de classes: e a concernente ao “Estado forte” (Rawls. Cabe destacar. também.n p r p c i ap u a i t d c n e aiai m saiial.4 ) noóia or aã oa u eelgc. O “Capitulo 2” se oferece como contribuição à crítica do Estado capitalista ´pós-moderno” e se centra no lapso posterior às lutas do maio francês de 1968. atua sobre o mercado para a regulamentação da ordem. 52). a razão política ou prática que tem primazia o t l g c s b ear z om r lo t l o ó i a ( . no princípio da diferença.5 ) Oa t rb a i e iâia srtrne o rcso ta e udaiaã p 2. tecnológicas e sociais.( . colocando Keynes para além de Keynes. entre outros) que sustenta a possibilidade de subsunção do espaço social dentro de sua ordem. não percebendo a nova d n m c e t u u a t d p o e s a u ld m n i l z ç o( . período no qual se afiançam as tendências de mundialização do capital que se estende até o presente. otno à questão social se transforma em uma questão de polícia.) No segundo parágrafo Bezerra de Farias aborda o advento da nova dinâmica revolucionária no processo histórico objetivo da superação do capitalismo contemporâneo. O advento do Estado pós-moderno e O advento da nova dinâmica revolucionária. pelo contrário. em especial. a abordagem da evolução do pensamento de Rawls. atr e se lio oes eii om e relação contratual pós-moderna como estratégia para evitar o risco. A través de sua ação no mercado.Nos “Capítulos 2 e 3” Bezerra de Farias conduz ao exercício de teste do aparelho teórico conceitual previamente desenvolvido.4 ) Ap r i d e t ú t m p d . p 9. Rechaça então o pensamento pós-moderno inspirado em Rawls e seu caráter inexorável. em suas dimensões sistêmicas e anti-sistêmicas – uma outubro . Aqui o autor dialoga/polemiza em dois parágrafos. 53-61) passará a fundamentar – através da consideração dos problemas estruturais. desde sua obra de 1971 – na qual o problema c n i t ae t a s o m ra c p t l s ol b r ln s n i od u a“ t p ar a i t ” ossi m rnfra o aiaim iea o etd e m uoi elsa.ed f n r af r ad picpo a ieeç’ p 8. e teleológicos. De acordo com o mito do mercado livre e eterno. uead ofio a esetv lrlsa o osn so por sobreposição – para desembocar no texto de 1993 no qual formula o “ r n i i d d f r n a . icpiaet t aiiaã otoe o aoe e rdço . dos incentivos e da informação. prima agora. Nos dois aspectos defende a supremacia da circulação sobre a produção (p. o Estado pós-moderno passa a ser um simples ator das atividades mercantis. de uma sociedade ordenada segundo a justiça – à de 1987. na perspectiva da utopia concreta do comunismo (p. o et da seção (pp. que faz uma apologia de uma configuração estatal dada. 51. No primeiro deles aprofunda-se criticamente na justificação filosófica da etapa em suas duas vertentes: a referente ao “Estado enxuto” (Nozick). Mas. Em oposição ao princípio da demanda efetiva.o s p r n ooc n l t . encarregado de funções de repressão e de controle. e fisco-financeiros do Estado pós-moderno. na qual o problema r d c r ae e t b l z . Daí então – pensa Bezerra de Farias em um parágrafo muito pertinente à discussão latino-americana – a intervenção estatal passa da regulação e do d s i l n m n oa éàp c f c ç oeoc n r l d sf t r sd p o u ã e p r a t . e de seus aspectos fetichistas.

5. usda das e apoiadas por insidiosas intervenções estatais Deste modo. em particular. Com as mudanças na divisão capitalista do trabalho a luta de classes assume novas formas.( . Lipietz e Theret) Para os segundos a crise consiste em uma perda de dinamismo típica da existência burguesa moderna. Tem lugar um aperfeiçoamento do imperialismo. p 5. p 3. Contudo também existe a certeza de um mundo para além da “sociedade salarial” no qual o trabalhador massificado pode transformar-se em ser ativo na dinâmica do progresso social e através de compromissos e contratos. dos intercâmbios de bens e fluxos de capitais não provoca a dispersão e a descentralização do poder mas que. a análise do autor sobre a situação na periferia (em “Os problemas estruturais do Estado pós-moderno”) e sua postura de q eal t d c a s sn od s p r c n s an v e aac u ad p e e d d v t r ad u ua e lse ã eaaee et oa r as a rtnia iói a técnica e da ciência sobre outros candidatos a motor da história. a énc.outubro R E S E N H A nova dinâmica revolucionária que abre uma perspectiva de transformação democrática das formas estatais existentes. cujo processo de concentração e centralização do capital tende a articular-se com uma direção política mundial resultando na generalização d d s n o v m n od s g a eac e c n ee c u ã d p r f r aa r v sd se e t s o eevliet eiul rset xlso a eiei taé o fio p r e s sd a l c ç of r a ad p l t c sn o i e a s ( . incluindo trabalhadores massificados. rjtds aa s eesdds e oe e ur.emtn do constatar que a sobrevivência do Estado-nação na resolução reformista da crise atual depende da reprodução de mecanismos de exclusão.5 ) p r i i urncoa ed xli eiiaã eortc ainl p 4. Os fins do Estado no regulacionismo ´político” e Os fins do Estado no regulacionismo “tecnocrático’. que pode ser estendida a toda a condição humana. as práticas governamentais mundiais que representam os interesses de empresas transnacionais e de instituições financeiras passam a regular a economia internacional. C. aa s pltcos’. o socialismo provem de reformas ao capitalismo conjuntamente com ações estatais e contratais cada vez mais democráticas.6 ) P r o “ o í i itnu nr euainsa pltcs tcortcs. a normalização tecnocrática s p a a i n lt n eae c u ral g t m ç od m c á i an c o a ”( . que se deixam levar passivamente pela derrota burguesa. pelo contrario. “a liberalização . luta que tem lugar em um novo espaço mundial abarcando a solidariedade universal dos oprimidos e que exclui qualquer t p d a e ã a si p r t v sd c m e i i i a en o i e a . A mundialização do capital. de repressão.6 ) io e dso o meaio a opttvdd elbrl p 1 Quero destacar aqui. (Cf. No primeiro deles d s i g ee t e r g l c o i t s“ o í i o ”e“ e n c á i o ’ ( . Concomitantemente.148 . O motor da h s ó i n oéal t d c a s s m sat c i a ( f B e reS i l r ) itra ã ua e lse. oe alad. manifesta-se através do planejamento e interações comerciais gerenciadas centralmente dentro de uma estrutura de g o a i a ã l b r l p o e a a p r a n c s i a e d p d red l c o s b i i lblzço iea.5 ) evro a piaã oçd e oíia elbri. e de i t g a i m s r l g o o o i e l g c s (p 5 ) nerlso eiiss u doóio. em vez de retornar ao mito do mercado auto-regulável. diferenciando-se e generalizando-se no espaço mundial. . No “Capítulo 3” Bezerra de Farias leva a cabo uma crítica devastadora do conjunto das abordagens em termos de regulação em três parágrafos: Os fins do Estado de Gramsci aos regulacionistas. .

e portanto a necessidade de r o i n a e s a i i a ec e t f c et c i ae u s n i oa t . Pelo contrário. defendem apenas um projeto de sociedade baseada no “tempo liberado de trabal o . 100). a idéia de que a evolução do sistema t c i op d e ú t m i s â c ar s l e ac i ee u as c e a es l r a .p 8. e Gorz.L p e z o eud aárf icsã e rnld o ets e hrt iit.A partir de uma interessante releitura de Gramsci ( Cadernos do Cárcere) o autor debate e questiona em seguida os supostos teóricos e metodológicos das duas vertentes em sua progressão histórica desde a significação do crescimento d r n eo “ 0g o i s s às ae a o a ã n e an o i e a . Bezerra de Farias rechaça esta conclusão insistindo na necessidade de estabelecer as mutações historicamente d t r i a a d d v s oc p t l s ad t a a h . que anunciaria a opacidade ou extinção do primeiro. p 3.5 . No terceiro parágrafo o autor aborda o pensamento da vertente regulacionista ´tecnocrática’. Aglietta).8 ) O t at m t c h’ ecncaa a oqit e a ieaã o rblo. e a confiança na superação da crise contemporânea através de novos contratos e compromissos. precisamente através do Estado-nação. rechaça o esquecimento das lutas desenvolvidas durante o primeiro período.97) m atcular.149 R E S E N H A . sa iae itrc oe seua-e o itna is pela passagem a uma ´sociedade salarial’.9 ) eretr sa tvdd iníia énc m m etd nissêio p 6. Aglietta e Bender). aumentará uma vez mais a produtividade e a paz social garantida pelos comprom s o p s f r i t s E t v r g mh s ó i ap d a s g r r s p rd s i t sv a : iss ó-odsa. e da soberania nacional a causa da globalização. para logo apreender as condições na própria essência do Estado-nação. Mas. pela ciência e sistemas de inovação. Esta dinâmica implica uma outubro . com a obtenção de um novo progresso técnico. ur eáia importante ilustrada nestes textos é a relação entre Estado-nação e globalização. (p.E p r i uat s 3 lroo” u lbrço a r elbrl p. lutas que questionarão as relações de produção capitalista e sua reprodução.8 ) ex e xsi.n oép s í e c m r e d ra t a s m ua ocu init rslio ã osvl opene s rnformações que estão ocorrendo na essência do Estado do pós-fordismo sem a r e d raf r ae p c f c d l t d c a s sq eg r e t r oàd v s oi t r a pene om seíia a ua e lse u ia m on iiã nencional do trabalho na era da mundialização.q es r ed e x àl t d c a s s eemnds a iiã aiait o rblo u ev e io ua e lse. As críticas que resultam das posições regulacionistas não ajuízam nem ao trabalho em si mesmo. 95). nem às condições capitalistas de produção. argüi com ironia Bezerra de Farias. agora “pós-fordistas” (Cf. 72-74). (Cf. com novos compromissos sociais e a regulação do capital financeiro. Segundo ele assinala. estes autores adjudicam as origens da crise do fordismo (o regime de acumulação do pós-guerra) à perda da eficiência da forma dominante da organização do trabalho. E s m . (p.c n l ioc e t s ab a i e r . que contudo não solucionaram a massificação do desemprego (p.d s o e t d d c n u s ad “ l b r ç od t a a h ’ ( .i t m c ( . Esta ideologia ignora a relação entre ciência e técnica com a valorização capitalista. não há motivo para que este d i ed e i t r ( .( p 6 . Como a globalização não impede que essas contradições encontrem suas mediações específicas. N s g n op r g a oad s u s os t a s a aa st x o d T e e . Contudo.r s l a énc oe m lia ntni eovr rs m m oidd aail eut tão ingênua como acreditar em bruxas. pela substituição do sistema produtivo fordista pelo pósfordista.

tratando especificamente sobre a democracia operária e os conselhos de fábrica. 1999 Ana Maria Alvarenga Gramsci: Cadernos do Cárcere.150 . Civilização Brasileira.1 1 . Portanto a margem de manobra do reformismo regulacionista é estreita porque nada indica que os Estados do Grupo dos 7 hajam restabelecido seu controle sobre os mercados financeiros. Carlos Nelson Coutinho não dispensa a apresentação da formação de Gramsci antes do Cárcere. revista e ampliada. Ela é dividida em três fases temporais: a primeira. porém. 13) limpa o caminho teórico da investigação dos processos de mundialização no seio da regulação do sul latinoamericano. como toda obra dirigida a pessoas que “queiram pensar por si mesmas” (p. . assim como a aplicação das categorias d s n o v d sp re t p r ar a i a eb a i e r . de 1910 a 1918. Gramsci. 1. veio acompanhado de uma nova edição. da obra Gramsci: um estudo de seu pensamento político. que analisa a formação juvenil. eevlia o se aa eldd rslia A primeira parte do livro analisa a formação e a participação política de Gramsci antes do Cárcere. submetendo-os a uma regulação estrita. Simultaneamente pode ler-se como código para aceder a novas perguntas esclarecedoras de práticas políticas relevantes ao caminho da emancipação de nossos povos.outubro R E S E N H A reestruturação econômica e uma nova hierarquia global e requer políticas nacionais positivas com objetivos simultâneos transnacionais. Rio de Janeiro. uoe es etne p 0) A título de palavras finais desta resenha corresponde enfatizar que o texto inovador. e muito polêmico de Bezerra de Farias. Na organização da obra observamos uma prioridade aos estudos dos Cadernos do Cárcere. Esta é considerada uma importante referência no Brasil sobre os estudos gramscianos por caracterizar-se em uma síntese da obra ev d d s ea t r ia et uo. a segunda. lançado pela Civilização Brasileira em 1999. uma das soluções aportadas pelos a t r sd s av r e t ( . publicação de Carlos Nelson Coutinho e outros autores. vol. Carlos Nelson Coutinho. de 1919 a 1920. profundo.

em função. sendo estes compreendidos não como situações geográficas. que levará o referido autor à consideração da necessidade de estratégias políticas diferenciadas aos países ind s r a i a o àc n u s ad s c a i m . após a prisão. ou seja. o que marca a transição do jovem Gramsci para a maturidade são principalmente a distinção entre o Ocidente e o Oriente e as primeiras formulações do conceito de hegemonia. it u s odçe itrcs ocea peetam-se em um novo estágio de desenvolvimento. de 1921 a 1926.ép s í e p r e e u a r f n a e t t ó i os s e a i rxs oíia mdaa osvl ecbr m poudmno erc itmtzado nos escritos de Gramsci. Gramsci desenvolve um movimento de renovaç o d a é i ad s“ l s i o ”n t r e od T o i P l t c . Engels e Lenin. O termo “política” é utilizado por Gramsci em dois sentidos: um amplo e um restrito. caracterizada por Carlos Nelson Coutinho como “transição para a maturidade”. e no sentido outubro . Os ítens desenvolvidos pelo autor são: observações metodológicas sobre os Cadernos do Cárcere. a postura de Gramsci no Partido Socialista Italiano (PSI) em crítica à corrente maximalista e à reformista. fazem parte da formação do jovem Gramsci . ao peso que neles possui a sociedade c v le r l ç oa E t d .U e oq es e i e c ap i c p l e t n ú t m e rmc eldd rslia m l u e vdni rniamne o lio capítulo. Para Carlos Nelson Coutinho. dentro de u al g c h s ó i od a é i a v s oq ea c n i õ sh s ó i a c n r t sa r s n m óia itrc iltc. filósofos neo hegelianos. i. com o distanciamento da p á i p l t c i e i t . s aeois e rmc eldd rslia Segundo Carlos Nelson Coutinho. o f m a c t g r a d G a s iàr a i a eb a i e r . política como sinônimo de catarse. a participação política na fundação do Partido Comunista Internacional (PCI). procurando o autor relacionar as categorias d G a s iàr a i a eb a i e r . No sentido amplo. Os Cadernos caracterizam-se como um estudo crítico que diferencia estratégias revolucionárias para o Ocidente e o Oriente. como diferentes tipos de formação econômico social. Segundo Carlos Nelson Coutinho. ii m eaã o sao O autor argumenta que Gramsci supera Marx.151 R E S E N H A . proporcionando assim a universalidade de seus textos. teoria ampliada de Estado. partindo do abstrato ao concreto.E es p r oe o o i i m ã iltc o cáscs o ern a era oíia l uea cnmcso da Segunda Internacional e não se torna um politicista. utilzds oqit o oilso A segunda parte do livro analisa diretamente os Cadernos do Cárcere.e a última. constituída inicialmente de relações contraditórias que irão adquirindo forma e consistência política e teórica ao passar dos anos. assim como o combate ao sectarismo e às primeiras aproximações do conceito de Hegemonia. a inspiração direta de Lenin em relação à ruptura com a segunda internacional e a recuperação de elementos dialéticos do marxismo autêntico. a estratégia socialista no “ c d n e .au i e s l d d d G a s i ep r Oiet” atd oo neeta oeio nvraiae e rmc. mas sim. Esta transição compreende o estudo de Gramsci em relação à fundação do Partido Comunista Internacional e o enfrentamento com o fascismo.oP r i oc m I t l c u lC l t v . sobretudo. a obra da maturidade de Gramsci. As influências de Croce e Gentile.

srtga oi a i t n O i e t d v b l z r s n g e r d p s ç oen c n u s ad h g m n a lsa o cdne ee aia-e a ura e oiã a oqit a eeoi. isto é. Nestas duas esferas. que se diferenciará das formulações dos marxistas clássicos. Nesse sentido.outubro R E S E N H A restrito. O autor cita duas passagens de G a s i ap i e r a i m q ea d a e f r s–s c e a ep l t c es c e a ec v l rmc: rmia fra u s us sea oidd oíia oidd ii – formam “o Estado (no significado integral: ditadura + hegemonia)” (p. Cadernos do cárcere. como “conjunto de práticas e objetivações que se referem diretamente ao Estado. a elaboração superior da estrutura em superestrutura na consci~encia dos homens. p.S g n ooa t r G a s ip o u h al t p l et’ . Isto significa. A condição para uma classe alcançar e manter-se no poder nas sociedades Ocidentais é que ela seja anteriormente dirigente (hegemônica). .152 . Marco Aurélio Nogueira e Luiz Sérgio Henriques. ou s j . A teoria ampliada do Estado permite uma crítica à teoria da “revolução permanente”. sendo esta considerada uma fórmula para determinado período h s ó i o n q a n oe i t a a n ao g n z ç e n s c e a ec v lc m p r i o itrc. isto é. 314. Rio de Jane iro. e a segunda definindo o Estado como “sociedade política + sociedade civil.éap r i d f c d p á i p l t c q ee ee a o aa r f e õ s cm a cnma atr o oo a rxs oíia u l lbr s elxe filosóficas. as formulações de Gramsci acerca da construção do socialismo irão envolver novos elementos. 127). 1999. como a hegemonia. 1. rbea osiuinl eud uo. nã. às relações de poder entre governantes e governados”1 (p. o ul ã xsim id raiaõs a oidd ii oo atds de massa e sindicatos. há diferenças na função que exercem na organização da vida social e na articulação e reprodução das relações de poder. onde política e economia fazem parte de um todo. 93).” Antonio Gramsci. edição Carlos Nelson Coutinho. hegemonia escudada na coerção” (Idem).e op o l m c n t t c o a . Segundo Carlos Nelson Coutinho. segundo Carlos Nelson Coutinho. Carlos Nelson Coutinho afirma que. rmc rpna ua ea 1 “Pode-se empregar a expressão ‘catarse’ para indicar a passagem do momento meramente econômico (ou egoístico passional) ao momento ético político. Civilização Brasileira. v. a passagem do ‘objetivo ao subjetivo’ e da ‘necessidade à liberdade’. para Gramsci. No que envolve questões como a teoria do conhecimento e a ontologia da n t r z . a extinção do Estado Capitalista significa o desaparecimento progressivo dos mecanismos de coerção. C l c m s a d i p n o d s n o v d sp rG a s ier s a a o p rC r o ooa-e í os ots eevlio o rmc egtds o als Nelson Coutinho: a “guerra de posição” como estratégia para a revolução no ‘Ocid n e . também.e t f c d a á i el v G a s iac i e a g m sp s ç e i e l s a .ar a s r ã d s c e a ep l t c n s c e a ec v l E t o ae t a é i s c ea eboço a oidd oíia a oidd ii. O conceito de Estado desenvolvido por Gramsci comporta duas esferas: a sociedade civil e a sociedade política. embora Gramsci não coloque a política a i ad e o o i . auea se oo e nls ea rmc ar m lua oiõs daits Um dos principais pontos discutidos sobre Gramsci é o conceito de Estado. São apresentados nos Cadernos elementos essenciais de uma autêntica o t l g ad p á i p l t c ed s n o v d ss s e a i a e t a á i e s b eat t nooi a rxs oíia eevlia itmtcmne nlss or oa lidade social.

asms o uet tmzd. ia es etd. O partido como vontade coletiva é colocado em evidência nos estudos carcerários de Gramsci. Não ocorrendo isto. no Centralismo Democrático defendido pelo autor. oqitr oiõs a ua ea eeoi a lse prra Constituinte.n oép s í e s mc n i õ so j t v s P r a t .N s es n i o p s a o d s j i oa o i a o c o p r t v a s j i oc l t v . a teoria ampliada de Estado e a teoria processual de revolução socialista (revolução passiva). “formação de uma nova cultura”. um organismo universalizante . considerada um meio para a conquista da hegemonia. é.ctds a íts e als esn otno O partido é organizado com base em três grupos: um. e. um intermediário que f zal g ç oe t eo d i p i e r s a iaã nr s os rmio. cabe aos marxistas que nele se inspiram duas tarefas básicas: “1.p r s l ç e boo itrc” ã osvl e odçe beia. constituem um ponto de inflexão na história do pensamento marxista. os três grupos supra descritos devem circular permanentemente assim como deve-se elevar ao nível da nova legalidade a consciência das massas atrasadas.153 R E S E N H A . i a a n s n e ed C r o N l o C u i h . mas sim.1 2 . Porém. O resgate feito e analisado por Carlos Nelson Coutinho demonstra que o partido aparece como uma objetivação fundamental do “momento catártico”. “Gramsci reencontra a correta dialética e t eo j t v d d es b e i i a e e t ee p n a e d d ec n c ê c a ( .ép s í e e i e c a r p t d sv z sf a e c m :“ e o m i t l c u le o so osvl vdnir eeia ee rss oo rfra neeta moral”.e c n u s a p s ç e n l t p l h g m n an c a s o e á i . oroaio o uet oeio A capacidade/possibilidade do partido elaborar de modo homogêneo e sistemático uma vontade coletiva nacional-popular. portanto. Para Carlos Nelson Coutinho. “batalha cultural”. com respostas para o processo revolucionário. m m nls iltc iud itrcmne Algumas noções foram desenvolvidas de forma embrionária por Gramsci. otno aa ouõs revolucionárias faz-se preciso a soma de vontade coletiva e condições objetivas Segundo Carlos Nelson Coutinho.A ae oíia . Continuar o desenvolvimento teórico dos conceitos d E t d ed R v l ç os c a i t ” ( . Na perspectiva de Gramsci. mas um deliberador.concretizar suas formulações teóricas gerais aplicando-as’ à própria época histórica e à própria realidade nacional. um segundo grupo que organiza e centraliza. “difusão c l u a ” . há o risco de um centralismo burocrático. nr beiiae ujtvdd. acabada. utrl. onde supera-se os resíduos c r o a i i t sd c a s o e á i ec n r b ip r af r a ã d u av n a ec l oprtvsa a lse prra otiu aa omço e m otd oe t v .Constituinte caracterizando esta como uma oportunidade de promover alianças e f z rp l t c . e por fim. sua universalidade não supõe uma teoria pronta. capaz de construir um novo “ l c h s ó i o . deve ser o partido não um mero executante. ou seja. já que a própria realidade não é completa e todo desenvolvimento cria novas tarefas e funções. e u aa á i ed a é i as t a ah s o i a e t . Um outro fato importante evidenciado por Carlos Nelson Coutinho é a necessidade apontada por Gramsci de perceber o partido como um ‘organismo’ incompleto. nr sotniae osini” p 7) P ri s .1 7 e sao e eouã oilsa. que possuem as características de serem disciplinados e fiéis aos pressupostos. p 8) outubro . 2. portanto. de homens comuns.

assim como a importância da legitimação carismática que teve início no curso da ditadura de Vargas e nas formas populistas de governo. rcso e eiiaã a ieã oíia Embora o desenvolvimento do Estado brasileiro demonstre características d d s q i í r oe t eas c e a ec v leas c e a ep l t c . sa onc motne niaõs aa openã d sp o e s sd m d r i a ã c n e v d r q e c r c e i a ah s ó i d B a i . “ e a v a t a n e s sd r v l ç op s i aoB a i t r o . es etd aed a era e sao mlao a ura e oiõs oa t rt a ac m i p r a t o j t v d sf r a p p l r sac n u s ad h g m n a uo rç oo motne beio a oçs ouae oqit a eeoi. para a manutenção da direção política-ideológica. Outras questões importantes são abordadas pelo autor. eud l.outubro R E S E N H A Ao analisar brevemente Poulantzas: a estratégia “socialista democrática”. sao p 9) Os processos de “revolução” no Brasil foram “revoluções pelo alto”. foi necessário que muitas demandas populares fossem assimiladas e colocadas em prática pelas velhas camadas dominantes. oilso o rsl p 9) O autor afirma que a transformação capitalista teve lugar graças a acordos das classes economicamente dominantes “com a exclusão das forças populares e a utilização permanente dos aparelhos repressivos e de intervenção econômica do E t d ”( . o rcso e oenzço osraoa u aatrzm itra o rsl O conceito de “Estado ampliado” fornece elementos para a compreensão da situação atual e indicações para uma “estratégia democrática para a luta pelo s c a i m n B a i ”( . implicando a presença de dois momentos: o de restauração e renovação. 218). Um exemplo citado pelo autor é a ditadura de Vargas. 8 ) ã a era oíia axsa.. madura para transformações substanciais” (p. Segundo Carlos Nelson. xrsas ne e as nada no fato de que sua problemática teórica serve como ponto de partida necess r op r a p i c p i em i s g i i a i a t n a i a c n e p r n a d r n v ái aa s rnias as infctvs ettvs otmoâes e eoa ç od t o i p l t c m r i t ” ( . Segundo Carlos Nelson. durante o Estado Novo promoveu-se uma acelerada industrialização.154 . Na “aplicação” das categorias de Gramsci à realidade brasileira. como por exemplo. assim como foram promulgadas leis trabalhistas. o fato do Estado brasileiro ter substituído as classes sociais em sua formação protagonista dos processos de transformação e o de assumir a tarefa de “dirigir” politicamente as próprias classes economicamente dominantes. p18. C r o N l o a i m :“ u i e s l d d d G a s i ( . que alcançaram relativo sucesso no p o e s d l g t m ç on d r ç op l t c .b s a on t o i d E t d A p i d en g e r d p s ç e .eu as c e a e‘ c pls is rsvra a eouã asv rsl onus m oidd oi dental’. A restauração caracterizou-se como uma reação à possibilidade de uma transformação efetiva a movimentos sociais organizados capazes de colocar em risco o sistema capitalista.oa t ra i m q e e eeulbi nr oidd ii oidd oíia uo fra u.1 6 . osvl nlsr s eaõs e uaçs o rsl atr a t o i d r v l ç op s i a E t f r e ei p r a t si d c ç e p r ac m r e s o era a eouã asv. mediante os con- . o autor (Carlos Nelson Coutinho).ea t sd m i als esn fra A nvraiae e rmc. N s es n i o. retoma os conceitos de “revolução passiva” e de “Estado a p i d ” S g n oe e ép s í e a a i a a r l ç e d m d n a n B a i ap r i d mlao. “o pensamento de Gramsci é capaz de fornecer sugestões não somente para a interpretação do nosso passado. .1 6 . )e p e s . A renovação ocorreu visto que.

Campinas. o ir aiaim: m a mefio .ceitos de ‘revolução passiva’ e de ‘transformismo’. eles devem prever que ao governo vai ser sempre deixado um número suficiente de soldados seguros ou semi-seguros para tentar reprimir a insurreição. concordamos com a afirmação de Perry Anderson: “Trotsky entendeu isso com precisão: Os trabalhadores devem antecipadamente tomar todas as medidas para colocar os soldados do lado do povo por meio de uma agitação prévia2. de sorte que a questão se resolverá. assim como Gramsci e Carlos Nelson. no Brasil. p. (Idem: 73)3 outubro . “As antinomias de Gramsci”. em última instância. Tempo livre e capitalismo: um par imperfeito. ao mesmo tempo. mas de reunir todas as massas exploradas para a criação do uma nova estrutura social: do socialismo. por um conflito armado”. Percebemos. 1. concebida como ‘guerra de posição’” (p. visto que. entre amplas parcelas dos assalariados em diversos países. in Crítica Marxista . não podemos negar que o aparelho armado é um elemento permanente inimigo de toda revolução. nosso objetivo não é fazer vítimas.155 R E S E N H A Aqui acrescentaríamos a formação moral e intelectual proposta por Gramsci (observação nossa). mas. e pode também contribuir para a elaboração de uma estratégia de luta pela democracia e pelo socialismo. mas também para a análise de nosso presente. 3 2 Perry Anderson. assim como afirma Perry Anderson (1986). a necessidade. Portanto. Valquíria Padilha. Alínea. através da noção de ‘Estado ampliado’. 2000 Márcia Fantinatti Jornalista e doutoranda em Ciências Sociais pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp Numa época de grandes apreensões em torno do crescimento do percentual de desempregados. são muitas as questões pertinentes colocadas pelo texto de Valquíria Padilha. 1986. 73.219). da conquista de unidade na classe trabalhadora. em Temp l v eec p t l s o u p ri p r e t . Porém.

com um tempo livre com m i s n i o s m n es r ap s í e ap r i d u ac a ar p u ac moc p t l s o as etd. em detrimento das efetivas necessidades humanas e sociais” (p. Mészáros e R. com especial atenção ao trabalho relegado aos imigrantes ilegais nos Estados Unidos. não uma eliminação do significado do trabalho coletivo na produção de valores de troca. não é demais lembrar que o trabalho infantil. xettvs q es a r s n a ap r i d í a u d mt s sm lf n a e t d se o s p r i i i . não se configura como uma novidade: os setores assalariados jamais formaram um conjunto homogêneo 1 . As classes trabalhadoras estão se transformando.K O f . enfrenta polêmicas desencadeadas por autores como A. de modo ora mais difuso.não autorizaria afirmar que o trabalho acabou.ér i e a aan c s i a ed t r s b mp e e t q a ar c o a i a e e nco etrd eesdd e e-e e rsne ul ainldd que rege o sistema capitalista como pressuposto para considerações a respeito das a t n i a p s i i i a e el m t sp r q eo t a a h d r sv v n i mot m ol v e uêtcs osbldds iie aa u s rblaoe iece ep ir. tempo disponível. oet ei osvl atr e m lr utr o aiaim. não se extinguindo. 17). 1 Muito diferente do alardeado pelas visões predominantes. encontra-se anunciada a hipótese central: “parece improvável que o homem possa transformar o seu tempo livre em momentos que propiciem uma autêntica individualidade. a associação entre tempo livre a desemprego ou a lazer. lazer e ócio como se possuíssem o mesmo significado. t m od t a a h t n e i as rr d z d . D i í i . mesmo nos ditos países de capitalismo avançado. a uoaã. fe nr urs u a peetno elxe u ura fnddes expressas com o pensamento de I. São utilizados termos como tempo livre.e que. contrapondo-se aos que emplacam teses que. a autora pontua que existiria uma redução. aos que consideram que a construção de uma nova sociedade. continua representando um alto percentual dentre a população economicamente ativa. A esse propósito.a t s e p c a i a . diga-se. na medida em que e ee t i s r d n s c e a e c p t l s a c j l g c d v l r z ç o d c p t lp i i l sá neio a oidd aiait.para não mencionar regiões do próprio Brasil -. u io ieetmne rio a eesdd” ei ue r d d n r d sl m t sd p ó r oc p t l s o ao eto o iie o rpi aiaim. a aceleração do desenvolvimento científico e tecnológico não tem trazido como conseqüência a elevação geral das condições de realização do trabalho. Essa ampla heterogeneidade que ora as caracteriza . fnl eaã nr rblho e tempo livre. ni e peetr m iesoaet aa s oa iuçe u ne. Gorz. Antunes. Posicionando-se junto aos que afirmam que o trabalho permanece central na sociedade atual. dessa maneira. bna ee a udmnaa /u uefcas Entre os equívocos mais frequentes. Assim. E que formas diversas de trabalho penoso e/ou precário se multiplicam.o“ e n d n c s i a e s r as p elzra iedd. J. .f z n oc mq eot m ol v es a p i s e N ep e rblo edra e euio aed o u ep ir e mlas.e t eo t o . u e peetm atr a.outubro R E S E N H A Entre os objetivos que norteiam o trabalho. tempo liberado. ora mais claro. P i c p l e t c m r s l a od d s n o v m n ot c o ó i o d a t m ç o o rniamne oo eutd o eevliet enlgc. E s g i a p e s ap o l m t z rq a s r a a i a . ua óia e aoiaã o aia rvlegia o produtivismo e o consumismo desenfreados. porém. em países como a Índia .oq ef za r s n a d r f e õ sq eg a d ma i i a aems . H b r a .156 . soma-se.ar l ç oe t et a a m eud. a â s ad a r s n a u d m n i n m n op r a n v ss t a õ s–o . contém a idéia de que a própria sociedade de consumo r a i a i al b r a e O d t d f r n e e t . õ-e rbeaia ul ei.

oo aiaim bag e oo oa ia o homem. o que eqüivale. ou seja. o presente livro nos dá a dimensão de que é necessário levar em conta a heterogeneidade do nível de participação dos indivíduos em atividades de lazer. conservadoras. ao longo do tempo reservado ao seu descanso e recreação. equilibrada e sem contradições. a autora mostra como se dão as estratégias patronais de domesticação dos trabalhadores. nada faz além de propagar crenças românticas quanto ao tempo livre.157 R E S E N H A . para os que estão empregados e os desempregados. nesse abm u rpi ae e rnfr s n i o o e e p o d s shoppings centers – e t m é q e o p ó r o l z r s t a s o etd. isso não eqüivale a admitir que essa tendência se desenvolva de um modo homogêneo. uma vez que assentar-se-iam sobre uma sociedade tida supostamente como homogênea. Para desfazer imprecisões. A f z re s d f r n i ç o a é d p s i i i a u ac í i ac n u d n ea s o ae sa ieecaã. a idéia de que o desemprego corresponderia a um tempo desocupado . no limite. F z n ov rq e d s ea f r u a a o a a p rr g m sf s i t sen z s a à aed e u.c n l i d q e c m oc p t l s oa r n ed m d t t lav d d ovd elzr ocuno u.eai t r i á e sc n u õ sc n e t a s l e eei oo tmo ir” rsas nemnvi ofse ociui. Destaca também que a concepção de certos autores que professam a possibilidade de lazer com liberdade sob o capitalismo. ed s ómls dtds o eie acsa aits criação de clubes ligados diretamente às empresas. são subestimados nesse tipo de análise. através da organização do tempo de lazer. antes mesmo de usar indiferentemente a expressão “lazer”.Simples. a autora busca apresentar as diferentes concepções de tempo livre apresentadas por um amplo conjunto de autores. xml o ma em mercadoria de consumo. julgo oportuno acrescentar: alguns autores constróem suas concepções sobre fim do trabalho também sob o efeito desse equívoco. sobretudo. A autora adverte para que inúmeras concepções de lazer e de tempo livre seriam. porém ausente das concepções expressas pelo pensamento sociológico dominante.V s . Ainda que se evidencie uma tendência de aumento do tempo livre em função das transformações tecnológicas. “A empresa que oferece serviços de lazer aos seus trabalhadores acaba por aprofundar o seu alcance em outras esferas da vida dos indivíduos.p e t .e que isso não corresponde a uma opção do trabalhador .portanto. exprime-se uma noção comum: a d l z rc m r m d op r o c n l t se t ec p t let a a h . ae es r f r rc m “ e p l v e . nem mesmo o “tempo livre” escapa à subordinação à lógica do capital. São estas algumas das reflexões que a autora nos c n i aar a i a . como decorrência dessa diferença. a problemática do tempo livre não se coloca da mesma maneira para os trabalhadores. indiferente às classes sociais. lm e osbltr m rtc otnet o autores que tratam indistintamente tempo liberado pela diminuição da jornada de trabalho e tempo livre em função do desemprego. como se hou- outubro . É ignorado o fato de que consumo também pode se transformar em forma de lazer – é expressivo. a desconsiderar solenemente as diferenças de classes. Pelo contrário. Ao realizar um breve percurso histórico pelas formas de incentivo à prática de lazer.eoa e t a e o ae oo eéi aa s ofio nr aia rblo ias dsrmn to do trabalhador. Aspectos essenciais da sociedade de consumo desaparecem. mostra que. E.

O lazer apareceria. apenas brevemente desenvolvidas. no mesmo instante em que formulamos estas indagações. Sabemos que é preciso mobilizar um amplo rol de estudos – que não se e g t mn a á i es c o ó i a–p r p d rc n r b i m i e e i a e t p r e a o a soa a nls oilgc aa oe otiur as ftvmne aa lbrç e t ó i a d s am n a o s j . De modo resumido. tampouco definitivas: mas que exatamente por essa razão devem apresentar-se como um desafio permanente para os p s u s d r so i i a s r g r s sec í i o . õs ercs es ot.158 . u ea or s oms e elzçolbraã uaa Assim. A f z r o t i c n i e a õ s l n ed a o t rp s í e sl c n sn t x o o o aems as osdrçe. dependendo do ponto de vista considerado. traduzidas em termos mais específicos. muitas vezes. O funcionário. Terminamos a leitura com certa ansiedade por um maior desenvolvimento de algumas expressões e idéias . pensamos ter destacado que o principal mérito de Tempo livre e capitalismo: um par imperfeito consiste em apresentar . sobre quais as possibilidades de realização do tempo livre mais “pleno de significados” do homem “para além do capitalismo” – uma vez que. og e pna osvi aua o et.reflexões interessantes. procura deixar claro que isso não se daria sob o capitalismo.para um conjunto de questões que não é novo e nem simples . Por fim. u ae ea e ia.outubro R E S E N H A vesse uma certa “invasão institucional” no cotidiano operário. se vê sem escolha e se entrega à programação que lhe é oferecida pela empresa para ocupar seu tempo liberado e para não deixar de participar integralmente das ‘ofertas’ de sua empresa” (p. iooo rtcs . adotados com alarde por algumas empresas. Também gostaríamos de ver indicações. então. como favor. ou ainda as aulas de “aeróbica” em meio ao expediente. ou como presente que as “boas empresas” ofertariam aos trabalhadores. admitimos que as respostas a elas não são fáceis. A argumentação cortante vem ferir os tão em moda programas de apoio aos esportes nas indústrias e firmas. porém. que queremos é provocar o aprofundamento das reflexões sobre o tema proposto. ao longo de todo o texto.s b ea f r a d r a i a ã / i e t ç oh m n .muito enfatizadas ao longo dos capítulos. o i i a s q ev l map n s rl d s rgni. sobre aspectos que julgamos que podem ser mais aproveitados para ampliar o escopo da p e e t a á i et ó i a rsne nls erc. Mas gostaríamos também de registrar algumas outras observações. eqiaoe rgni. 65). pelo exposto. suscitam as seguintes indagações: O que permite afirmar que a perda do trabalho acarretaria a perda do “sentido fundamental da vida”? Quais seriam as “efetivas necessidades humanas e sociais”? A que a autora quer se referir quando menciona a necessidade de busca de uma “autêntica individualidade”? Lembramos que tais expressões podem ter significados diferentes e até contraditórios.

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