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TEORIA DAS ESTRUTURAS I

ENGENHARIA CIVIL PROFESSOR RAFAEL JANSEN


SUMÁRIO
1. DEFINIÇÕES DE ESTRUTURA .......................................................................................................... 1

1.1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 1


1.2. REQUISITOS IMPORTANTES ................................................................................................................ 2
1.2.1. Processo de Projeto de Estruturas ...................................................................................... 2
1.2.2. Estruturas de Edificações ................................................................................................... 2

2. ELEMENTOS ESTRUTURAIS ............................................................................................................ 3

2.1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 3


2.1.1. Definições Básicas .............................................................................................................. 3
2.2. TIPOS DE ELEMENTOS ESTRUTURAIS .................................................................................................... 3
2.2.1. Estruturas lineares .............................................................................................................. 4
2.2.2. Estruturas de superfície ...................................................................................................... 7
2.2.3. Estruturas de volume........................................................................................................ 10
2.3. NOMENCLATURA PARA OS ESFORÇOS ................................................................................................. 11
2.4. SEQUENCIA DE VERIFICAÇÃO............................................................................................................. 12
2.5. CONVERSÃO DE UNIDADES MAIS USUAIS ............................................................................................. 13

3. ESTÁTICA DOS CORPOS RÍGIDOS ................................................................................................. 14

3.1. CORPO RÍGIDO .............................................................................................................................. 14


3.2. FORÇAS QUE ATUAM SOBRE OS CORPOS RÍGIDOS .................................................................................. 14
3.3. CLASSIFICAÇÃO DAS CARGAS............................................................................................................. 15
3.4. AÇÕES EXTERNAS ........................................................................................................................... 16
3.5. DETERMINAÇÃO DAS FORÇAS EXTERNAS ............................................................................................. 17
3.5.1. Modelo estrutural (ME) .................................................................................................... 17
3.5.2. Diagrama de corpo livre (DCL) ......................................................................................... 17
3.6. DETERMINAÇÃO DOS VALORES DAS AÇÕES .......................................................................................... 18
3.6.1. Determinação da ação do vento ...................................................................................... 18
3.6.2. Determinação das ações permanentes e das ações variáveis verticais ........................... 19
3.7. FORMA DE DISTRIBUIÇÃO DAS AÇÕES NA ESTRUTURA............................................................................. 20
3.7.1. Carga concentrada ........................................................................................................... 20
3.7.2. Carga distribuída .............................................................................................................. 21

4. FENÔMENOS FÍSICOS................................................................................................................... 23

4.1. ESTRUTURA .................................................................................................................................. 23


4.2. CAMINHO DAS FORÇAS .................................................................................................................... 24
4.3. GEOMETRIA DOS ELEMENTOS ESTRUTURAIS ......................................................................................... 25
4.4. TIPOS DE FORÇAS QUE ATUAM NAS ESTRUTURAS .................................................................................. 26
4.4.1. Cargas permanentes ........................................................................................................ 27
4.4.2. Cargas acidentais ............................................................................................................. 27

5. EQUILÍBRIO DAS ESTRUTURAS ..................................................................................................... 28

5.1. EQUILÍBRIO DAS ESTRUTURAS ........................................................................................................... 28


5.2. ESTATICIDADE ............................................................................................................................... 28
5.2.1. Equilíbrio estático externo ................................................................................................ 30
5.2.2. Vínculos ............................................................................................................................ 32
6. CONCEITO GERAL DE ESTRUTURAS .............................................................................................. 36

6.1. DEFINIÇÃO DE ESTRUTURA ............................................................................................................... 36


6.1.1. Conceitos Específicos de Estruturas.................................................................................. 36
6.2. ESFORÇOS OU AÇÕES ...................................................................................................................... 37
6.2.1. Forças Aplicadas ............................................................................................................... 38
6.3. OBJETIVO DA ANÁLISE ESTRUTURAL................................................................................................... 39
6.3.1. Estruturas Reticuladas ...................................................................................................... 39
6.4. EQUILÍBRIO ESTÁTICO ..................................................................................................................... 40
6.4.1. Grandezas Fundamentais ................................................................................................. 41
6.4.2. Esforços Simples ............................................................................................................... 41
6.4.3. Equações do Equilíbrio Estático ........................................................................................ 41
6.5. ESQUEMAS E SIMPLIFICAÇÕES DE CÁLCULO ......................................................................................... 42
6.6. REPRESENTAÇÕES DAS FORÇAS APLICADAS (CARREGAMENTO) ................................................................. 42
6.7. VÍNCULOS..................................................................................................................................... 44
6.7.1. Apoios (ligações) .............................................................................................................. 44
6.7.2. Representação dos Apoios ............................................................................................... 44
6.7.3. Representação dos Apoios: .............................................................................................. 45
6.7.4. Representação de sistemas isostáticos: ........................................................................... 47
6.8. REAÇÕES DE APOIO ........................................................................................................................ 47
6.8.1. Sequência para obtenção das reações de apoio: ............................................................. 48
6.9. CONVENÇÃO DE SINAIS POSITIVOS: .................................................................................................... 48

7. LISTA DE EXERCÍCIOS: .................................................................................................................. 49

8. ESFORÇOS INTERNOS SOLICITANTES – E.I.S ................................................................................. 51

8.1. DEFINIÇÃO.................................................................................................................................... 51
8.2. DETERMINAÇÃO DOS ESFORÇOS INTERNOS .......................................................................................... 52
8.3. ESQUEMATIZAÇÃO DOS ESFORÇOS INTERNOS ....................................................................................... 52
8.4. REPRESENTAÇÃO............................................................................................................................ 53
8.5. CLASSIFICAÇÃO DOS ESFORÇOS ......................................................................................................... 53
8.6. CONVENÇÃO DE SINAL .................................................................................................................... 55
8.7. DIAGRAMA DOS ESFORÇOS – LINHAS DE ESTADO .................................................................................. 56
8.8. DETERMINAÇÃO DOS ESFORÇOS PARA O TRAÇADO DOS DIAGRAMAS – MÉTODO DAS EQUAÇÕES .................... 57
8.9. RESUMO DOS ESFORÇOS .................................................................................................................. 58
8.10. VIGAS GERBER .............................................................................................................................. 58
8.11. VIGAS INCLINADAS ......................................................................................................................... 59
8.12. CARREGAMENTOS DISTRIBUÍDOS AO LONGO DAS PROJEÇÕES................................................................... 60
8.13. CARREGAMENTOS DISTRIBUÍDOS AO LONGO DA VIGA INCLINADA ............................................................. 62

9. PÓRTICOS PLANOS ...................................................................................................................... 64

9.1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 64


9.2. PÓRTICOS SIMPLES ......................................................................................................................... 64
9.3. PÓRTICOS COMPOSTOS ................................................................................................................... 66

10. PÓRTICOS COM BARRAS CURVAS ............................................................................................ 69

10.1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 69


10.2. EIXOS CURVOS – ARCOS .................................................................................................................. 69
10.3. CLASSIFICAÇÃO DOS ARCOS .............................................................................................................. 71

11. TRELIÇAS PLANAS .................................................................................................................... 73

11.1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 73


11.2. LEI DE FORMAÇÃO DAS TRELIÇAS SIMPLES............................................................................................ 76
11.3. ESTATICIDADE E ESTABILIDADE DAS TRELIÇAS ....................................................................................... 77
11.4. DETERMINAÇÃO DOS ESFORÇOS EM TRELIÇAS SIMPLES ISOSTÁTICAS – MÉTODOS DE ANÁLISE ........................ 82
11.4.1. Método de Ritter .............................................................................................................. 82
11.4.2. Método dos Nós ............................................................................................................... 86
11.4.3. Método de Maxwell-Cremona .......................................................................................... 87
11.5. OBSERVAÇÕES GERAIS SOBRE AS TRELIÇAS ........................................................................................... 91

12. FORÇAS MÓVEIS ...................................................................................................................... 93

12.1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 93


12.2. LINHA DE INFLUÊNCIA ..................................................................................................................... 93
12.3. TREM-TIPO ................................................................................................................................... 94
12.4. PRINCÍPIO DE MÜLLER-BRESLAU (PROCESSO CINEMÁTICO)..................................................................... 94
12.5. LINHAS DE INFLUÊNCIA PARA TRELIÇAS................................................................................................ 96
12.6. MÉTODO DO AUMENTO-DIMINUIÇÃO ................................................................................................ 97
12.7. VALORES MÁXIMOS PARA CARGAS MÓVEIS .......................................................................................... 97
12.7.1. Momento máximo ............................................................................................................ 98
12.7.2. Cortante máximo.............................................................................................................. 99

APÊNDICE

A. ETAPAS DO PROJETO ESTRUTURAL ............................................................................................ 101

A.1. LANÇAMENTO E DISCRETIZAÇÃO ............................................................................................................ 101


A.2. SIMULAÇÃO DA VINCULAÇÃO ................................................................................................................ 102
A.3. VERIFICAÇÃO DA ESTATICIDADE ............................................................................................................. 103
A.4. PRÉ-DIMENSIONAMENTO DOS ELEMENTOS .............................................................................................. 103
A.5. COMPOSIÇÃO DO CARREGAMENTO ........................................................................................................ 103
A.6. DETERMINAÇÃO DAS REAÇÕES DE APOIO ................................................................................................ 103
A.7. DETERMINAÇÃO DOS ESFORÇOS INTERNOS SOLICITANTES ........................................................................... 103
A.8. VERIFICAÇÃO DA CAPACIDADE RESISTENTE DOS ELEMENTOS ........................................................................ 103
A.9. DETALHAMENTO DA ESTRUTURA ........................................................................................................... 103

B. DETERMINAÇÃO DAS CARGAS ATUANTES ................................................................................. 104

B.1. CARGAS ATUANTES EM LAJES ................................................................................................................ 104


B.1.1. Carga Permanente - g (peso próprio – PP) ............................................................................ 104
B.1.2. Carga acidental – q (sobre carga – SC) .................................................................................. 104
B.1.3. Carga total ............................................................................................................................. 105
B.2. CARGAS ATUANTES NAS EXTREMIDADES DAS LAJES .................................................................................... 105
B.2.1 Método dos Quinhões ............................................................................................................. 106
B.3. CARGAS ATUANTES EM VIGAS ............................................................................................................... 107
B.3.1. Cargas permanentes distribuídas .......................................................................................... 107
B.3.2. Carga Permanente - g (peso próprio – PP) ............................................................................ 107
B.3.3. Peso das paredes ................................................................................................................... 108
B.3.4. Carga concentrada ................................................................................................................ 108
B.3.5. Cargas acidentais................................................................................................................... 108

13. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ................................................................................................. 111


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1. DEFINIÇÕES DE ESTRUTURA
1.1. Introdução
Estrutura é sistema de diversos elementos conectados para suportar uma ação ou
conjunto de ações.

Figura 1.1: Exemplos de estruturas.

• Projeto de Edificações:

 Projeto Arquitetônico;

 Projeto Estrutural;

 Projeto de Fundações;

 Projeto de Instalações;

 Projetos Complementares.

• Estrutura:

 Parte Resistente da Edificação: Vigas, Pilares e Lajes.

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1.2. Requisitos Importantes

 Segurança;

 Estética;

 Comportamento em Serviço;

 Economia;

 Durabilidade;

 Aspectos Ambientais.

1.2.1. Processo de Projeto de Estruturas

▪ Concepção da Estrutura;

▪ Pré-Dimensionamento;

▪ Análise estrutural;

 Modelos teóricos da estrutura (ou modelos estruturais);

 Ações;

 Propriedades dos materiais;

 Vinculações;

 Resultados;

▪ Modificações.

1.2.2. Estruturas de Edificações


As edificações se desenvolveram ao longo da história, partindo de abrigos rudimentares
feitos com galhos de árvores, adobe e pedra até chegar às construções atuais, construídas em
concreto, aço, madeira, vidros e outros materiais. Na evolução da tecnologia da construção
permaneceu constante a presença de algum tipo de sistema estrutural capaz de suportar as
forças da gravidade, do vento, terremotos entre outras forças.

Os sistemas estruturais podem ser definidos como conjuntos estáveis de elementos


projetados e construídos para suportar e transmitir cargas, sem exceder os esforços
resistentes dos elementos. Apesar das formas e dos materiais terem evoluído conforme os
avanços tecnológicos e culturais, e nas lições aprendidas dos inúmeros colapsos estruturais, os
sistemas estruturais são fundamentais para existência de todas as edificações, independente
de sua escala, contexto ou uso.

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2. Elementos Estruturais
2.1. Introdução
Os elementos estruturais são classificados como: lineares, de superfície e de volume.

Figura 2.1 – Elementos estruturais: linear, superfície e volume.

2.1.1. Definições Básicas


As estruturas, também denominadas de sistemas estruturais, devem ser entendidas como
disposições racionais e adequadas de diversos elementos estruturais. Classificam-se como
elementos estruturais os corpos sólidos deformáveis com capacidade de receber e de
transmitir solicitações em geral.

Estes elementos, em função das suas três dimensões externas principais, podem ser
divididos em três categorias:

•à Qua doà duasà di e sões são da mesma ordem de grandeza e bem menores que a
terceira dimensão, tem-se o elemento estrutural linear, cujo mais comum é o denominado
barra (retas ou curvas), são vigas, colunas, pilares, escoras, tirante, nervuras etc., ditos
elementos unidimensionais;

•à Qua doà duasà di e sõesà s oà daà es aà o de à deà g a dezaà eà e à aio esà ueà aà
terceira dimensão, tem-se o elemento estrutural de superfície. Dentre os existentes, podem
ser mencionados os elementos de superfície denominados folha, placa, chapa e casca;

•à Quando as três dimensões são da mesma ordem de grandeza, isto é, sem a


predominância de uma dimensão sobre as outras, tem-se o elemento estrutural de volume,
também denominado bloco.

2.2. Tipos de Elementos Estruturais


Quanto às dimensões e às direções das ações os elementos estruturais podem ser
classificados em unidimensionais, bidimensionais ou tridimensionais.

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2.2.1. Estruturas lineares

•àUnidimensionais (ou reticulares):

Estruturas reticuladas são estruturas compostas por elementos unidimensionais, ou seja,


em que o comprimento prevalece sobre as outras duas dimensões.

Figura 2.2 – Estruturas reticulares formadas por elementos unidimensionais.

As estruturas formadas por uma ou mais barras são denominadas de estruturas lineares.
Destacam-se entre elas:

 Vigas;

 Pilares;

 Treliças;

 Arcos;

 Pórticos;

 Grelhas.

Nas estruturas de concreto armado dos edifícios corrente, as vigas são elementos
estruturais que suportam as ações oriundas das lajes e das paredes, e são apoiadas nos pilares
que transmitem as referidas ações às fundações. As treliças consistem em outro tipo de
estrutura linear, e são usualmente construídas com madeira, aço ou alumínio. São largamente
empregadas em coberturas, em pontes e em passarelas.

As estruturas lineares podem ser bidimensionais ou tridimensionais, dependendo do


arranjo das barras, São analisadas segundo hipóteses estabelecidas na Resistência dos
Materiais e na Estática das Estruturas observando-se, naturalmente, os aspectos peculiares de
cada uma.

Definições de alguns elementos estruturais e das principais estruturas lineares:

▪ Eixo de uma barra: trajetória do centro de gravidade da figura geradora de uma barra.
▪ Seção transversal de uma barra: seção da barra, resultante da sua intersecção por um plano
normal ao seu eixo.
▪ Barra reta e barra curva: barras com eixos retilíneo e curvilíneo, respectivamente.
▪ Barra prismática: barra reta de seção transversal constante.

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2.2.1.1. Elementos lineares

→ Tirantes:

→ Vigas:
São estruturas lineares, dispostas horizontalmente ou inclinadas, com um ou mais apoios.
Os principais tipos de vigas são:

▪ Viga em balanço: viga com um só apoio, necessariamente um engaste fixo.

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▪ Viga simplesmente apoiada: viga com um apoio fixo e um apoio móvel.

→ Vigas: elementos lineares submetidos a momentos fletores e esforços cortantes.

→àVigas: aplicações em diversos tipos de estrutura como edifícios, estádios, pontes, etc...

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→ Pilares: elementos lineares submetidos à compressão e a momentos fletores.

Aplicações em diversos tipos de estruturas como edifícios, estádios, pontes, etc...

2.2.2. Estruturas de superfície

•àBidimensionais:

Estruturas bidimensionais são aquelas que duas de suas dimensões prevalecem sobre a
terceira. Exemplos de estruturas bidimensionais: laje, parede, cascas. As lajes e as paredes,
embora geometricamente semelhantes, recebem denominações deferentes em função da
direção das ações. Nas lajes as forças atuantes são perpendiculares ao plano da estrutura e nas
paredes as forças atuantes permanecem ao plano da estrutura. Como a maioria das forças que
atuam nas edificações advém da ação da gravidade sobre os corpos, as lajes são elementos
estruturais horizontais ou inclinados e as paredes são elementos estruturais verticais.

Figura 2.3 – Estruturas bidimensionais.

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As estruturas de superfície, também conhecidas como estruturas laminares, ficam


definidas quando se conhecem a sua superfície média e a lei de variação da sua espessura.
Dentre as estruturas laminares, destacam-se as placas, as chapas e as cascas.

As cascas são amplamente empregadas em coberturas de grandes vãos e em


reservatórios, enquanto que as placas litóides (lajes) aparecem muito frequentemente em
pisos de edifícios e tabuleiros de pontes.

▪ Definições de estruturas de superfície, bem como seus principais esquemas geométricos


e de carregamento:

2.2.2.1. Elementos de superfície

→ Placas: carga perpendicular ao plano, exemplo: lajes de edifícios.

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→ Chapas: cargas dentro do plano, exemplo: paredes em alvenaria estrutural,


reservatórios, viga parede, etc..

→ Cascas: carga perpendicular ao plano e dentro do plano, exemplo: membranas.

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2.2.3. Estruturas de volume

•àTridimensionais:

São estruturas maciças em que as três dimensões se comparam. Exemplos de estruturas


tridimensionais: blocos de fundações, blocos de coroamento de estacas e estruturas de
barragens.

As estruturas de volume (bloco) são elementos comumente empregados em fundações


das construções, com a finalidade de transmitir ao solo as ações da supraestrutura.

Figura 2.4 – Estruturas tridimensionais.

2.2.3.1. Elementos de volume


Blocos de fundações, barragens, muros de contenção, sapatas, etc...

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2.3. Nomenclatura para os esforços


Os esforços são classificados em: Esforço normal, esforço cortante e momento fletor.

a) Esforço Normal (N):

Tração

Compressão

b) Esforço Cortante (V):

c) Momento Fletor (M):

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2.4. Sequencia de verificação

Carregamento
Estrutura
(Ações externas e reações)

▪ Força Normal

Propriedades dos Esforços ▪ Força Cortante

Materiais internos ▪ Momento Fletor

▪ Momento Torsor

Tensões e
Deformações

Resistência Rigidez

Os elementos estruturais, assim como toda e qualquer estrutura, devem apresentar as


propriedades de resistência e de rigidez, isto é, serem capazes de resistir cargas, dentro de
certos limites, sem se romperem e sem sofre grandes deformações ou variações de suas
dimensões originais.

Os conceitos de resistência e rigidez são importantes e devem ser bem compreendidos.

Resistência é a capacidade de transmitir as forças internamente, molécula por molécula,


dos pontos de aplicação aos apoios, sem que ocorra a ruptura da peça. Para analisar a
capacidade resistente de uma estrutura é necessária a determinação:

•à dosàesfo çosàsoli ita tesài te osà – o que é feito na Análise Estrutural ou Estática das
Construções;

•àdasàte sõesài te asà– o que é feito na Resistência dos Materiais.

Rigidez é a capacidade de não deformar excessivamente, para o carregamento previsto, o


que comprometeria o funcionamento e o aspecto da peça. O cálculo das deformações é feito
na Resistência dos Materiais.

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2.5. Conversão de unidades mais usuais

1 Kgf = 9,8 N (Newtons) ≈ 10 N


1 Pa (Pascal) = 1 N/m2
1 KN = 100 Kgf = 0,1 tf
1 MPa (Mega Pascal) = 10 Kgf/cm2

O sistema internacional de unidades – SI – é o sistema oficial utilizado em todo o mundo.


O sistema internacional, como todo sistema de unidade, baseia-se em um grupo de unidades
básicos. Desse sistema as unidades que interessam às estruturas são: massa, comprimento e
tempo. A unidade fundamental de medida de massa é o quilograma (Kgf), de comprimento, o
metro (m) e de tempo, o segundo (s).

Figura 2.5 – Elementos estruturais.

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3. Estática dos corpos rígidos


3.1. Corpo Rígido
Corpo rígido pode ser considerado como sendo um conjunto de partículas que ocupam
posições fixas relativas umas às outras, ou seja, um conjunto de pontos materiais. Diz-se que
os corpos rígidos são indeformáveis, ou seja, não se deformam sob ação de forças externas. O
que não é absolutamente verdadeiro, pois os corpos nunca são absolutamente rígidos,
deformando-se sob a ação das cargas a que são submetidos. No entanto, estas deformações
são tão pequenas em relação às dimensões dos corpos, que sequer podem ser vistas ou
percebidas, e não alteram as condições de movimento global dos corpos rígidos, não sendo
consideradas na determinação das condições de estaticidade. São importantes, no entanto, no
estudo da resistência dos materiais. Os elementos estruturais são considerados corpos rígidos,
pois as forças que atuam nas formas arquitetônicas têm diferentes pontos de aplicação.

3.2. Forças que atuam sobre os corpos rígidos


As forças que atuam sobre corpos rígidos são classificadas em forças externas e forças
internas.

Forças externas: são decorrentes de ações de agentes externos sobre os corpos em análise.
São inteiramente responsáveis pelo comportamento externo dos corpos rígidos, causando-lhes
movimento ou os mantendo em repouso. As forças externas, para efeito de determinação, são
divididas em forças ativas e forças reativas.

Forças internas: são os esforços provenientes das tensões desenvolvidas pelos materiais que
constituem os corpos rígidos. As forças internas são responsáveis por manterem unidos os
vários pontos materiais que constituem um corpo rígido.

Forças externas ativas: as estruturas arquitetônicas sempre são construídas com a finalidade
de fechar e delimitar espaços, para torná-los úteis às diversas funções humanas, como abrigo,
proteção, trabalho, cultos e lazer, entre outros.

Finalidades diferentes exigem espaços diferentes; porém todos estão sujeitos à ação de
diversos fenômenos físicos impostos pela Natureza (gravidade, ventos, temperatura, abalos
sísmicos e neve, entre outros), aos quais atribuímos o nome de cargas e, sem restrições, as
estruturas devem absorvê-las, resistir a elas e transmiti-las de um ponto a outro até que
cheguem ao solo. As interações entre os corpos também são consideradas forças externas
ativas.

Um dos maiores problemas para arquitetos e engenheiros é determinar com precisão a


atuação das cargas nas formas arquitetônicas. São vários os fatores que alteram as condições
de atuação das cargas: tipo de projeto, materiais e local de construção são alguns deles.
Contudo, as cargas atuam apenas de duas formas: de forma estática e de forma dinâmica, que
são subdivididas de acordo com a origem dos fenômenos naturais.

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3.3. Classificação das cargas

 Cargas estáticas: são as cargas mais importantes que atuam nas formas arquitetônicas. Por
não sofrerem mudanças bruscas, suas variações acontecem em longos períodos de tempo.
Constituem a base para projeto estrutural. Podem ser classificadas em permanentes,
acidentais, excepcionais e térmicas.

 Cargas permanentes: são cargas fixas, aquelas cuja estrutura está submetida o tempo
todo, como também o seu próprio peso e quaisquer dispositivos fixos que fizerem parte
da estrutura ou que compõem o espaço arquitetônico. Muitas vezes, a estrutura tem
como principal fator a considerar, no cálculo estrutural. Um dos grandes desafios dos
especialistas em cálculo estrutural é projetar com o mínimo de material possível. Para
determinar essas cargas, é necessário que se conheçam as dimensões dos elementos
estruturais e as características dos materiais estruturais, mais especificamente, o seu peso
específico. A fim de simplificar a determinação dessas cargas, a Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT), pela NBR 6120, regulamentou os valores dos pesos específicos a
serem considerados.

 Cargas acidentais: Também conhecidas como cargas de utilização, são incertas e incluem
todos os pesos móveis que fazem parte ou que compõem o espaço construído, peso de
pessoas, animais, máquinas, carros, móveis, acessórios, etc. a fixação dos valores dessas
cargas para o cálculo estrutural, a exemplo das cargas permanentes, é feita mediante
códigos de edificações já criados e regulamentados pela NBR 6120, da ABNT. A
classificação foi feita de acordo com o uso a que o espaço é destinado.

 Cargas excepcionais: dependem do clima da região onde as formas arquitetônicas são


construídas. O vento, a neve e os abalos sísmicos, são exemplos de cargas excepcionais.
Os critérios e os valores, a serem adotados para determinação dessas cargas, também são
regulamentadas por códigos preestabelecidos em normas técnicas. Essas cargas variam
de região para região. No Brasil, as cargas devido à ação dos ventos são regulamentadas
pela BNR 6123, da ABNT. Esses valores, por se referirem a agentes da Natureza, são, de
tempos em tempos, avaliados e corrigidos, se necessário/ muitas vezes, essas cargas são
determinantes no projeto estrutural, principalmente em edifícios de grande altura.

 Cargas térmicas: estão relacionadas com a variação das dimensões provocadas por
dilatação ou contração, decorrentes das trocas bruscas de temperatura que acontecem
do dia para a noite, ou mesmo com os ciclos mais prolongados das estações do ano.
Depe de doàdaà egi o,àasàte pe atu asàpode àva ia àdeà ˚Càaà ˚Càe àape asà àho as.

 Cargas dinâmicas: todas as cargas consideradas até aqui mudam lentamente com o tempo,
quer dizer, não sofrem mudanças de intensidade e, portanto, atuam estaticamente, exceção
feita às cargas excepcionais, que, dependendo da situação, podem ser consideradas cargas

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dinâmicas, caso da ação dos ventos. As cargas cujos valores mudam com rapidez e se aplicam a
formas bruscas são denominadas cargas dinâmicas e podem ser muito perigosas se não forem
consideradas com atenção pelo projeto estrutural. As cargas dinâmicas são subdivididas em
dois tipos de carga: cargas de impacto e cargas ressonantes. Em uma grande variedade de
casos práticos, os efeitos das cargas dinâmicas são iguais ao dobro dos efeitos causados por
cargas estáticas.

 Cargas de impacto: são provocadas por um golpe instantâneo e produzem forças sumamente
grandes, chegando, muitas vezes, a valores destrutivos. Um golpe de martelo e a explosão de
uma bomba são exemplos de cargas de impacto. As cargas de impacto se caracterizam por um
tempo de aplicação prolongado e rítmico.

 Cargas higroscópicas: são cargas provenientes da expansão da água quando congelada. Essas
cargas são verificadas em estruturas que, pelas características do material que as compõem,
absorvem umidade. As cargas higroscópicas só são consideradas em locais onde as estruturas
atingem temperaturas abaixo de zero.

 Forças externas reativas: são as forças que atuam nas posições vinculares, ou seja, nos pontos
de união entre os elementos estruturais e nos pontos de ligação da estrutura com o solo. São
as forças que reagem às forças externas ativas, de modo a manter o corpo rígido em equilíbrio.
As forças externas reativas agem sobre os corpos rígidos, impedindo movimentos de
translação e de rotação. Muitas vezes, é desejável impedir certos movimentos da estrutura e
liberar outros. Para tanto, usam-se dispositivos que possibilitam o controle dos movimentos da
estrutura como um todo e de cada uma de suas partes. Esses dispositivos são chamados de
vínculos.

3.4. Ações externas

 Peso da estrutura e dos elementos fixos;

▪ Peso próprio dos elementos;

 Cargas de utilização (carga acidental):

▪ Peso de pessoas, móveis, carros, máquinas;

 Ações ambientais:

▪ Força do vento;

▪ Pressão de líquidos e do terreno (solo);

▪ Variação da temperatura.

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3.5. Determinação das forças externas


A solução de problemas relacionados ao equilíbrio dos corpos rígidos passa, em primeiro
lugar, pela análise do modelo estrutural proposto. A partir da análise do modelo estrutural, é
necessário que todas as forças que atuam sobre ele sejam representadas. Qualquer força que
não esteja diretamente envolvida deve ser omitida. O primeiro passo para a solução dos
problemas é traçar, a partir do modelo estrutural, um Diagrama de Corpo Livre (DCL).

3.5.1. Modelo estrutural (ME)


É um esquema gráfico em que são apresentados os elementos estruturais envolvidos no
sistema em análise, dispositivos que, porventura, estejam atuando sobre os elementos e os
vínculos com outros elementos ou com o solo, todos devidamente determinados no espaço.

Figura 3.1 – Modelo estrutural (ME)

3.5.2. Diagrama de corpo livre (DCL)


É um diagrama em que estão representados:

 O contorno do elemento estrutural em estudo;


 Todas as forças externas, ativas e reativas, que atuam diretamente sobre o elemento,
completamente definidas (ponto de aplicação, intensidade, direção e sentido); e
 As dimensões do elemento.

O primeiro passo para traçar um DCL é destacar o elemento escolhido para análise de
qualquer outro elemento e do solo, representando o contorno do elemento isolado.

Em seguida, todas as forças externas, ativas e reativas devem ser representadas, e


completamente definidas. O ponto de aplicação, a intensidade, a direção e o sentido das
forças devem ser mostrados no DCL.

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3.6. Determinação dos valores das ações


As ações empregadas nas estruturas usuais podem ser estimadas com suficiente precisão
com auxílio das normas técnicas específicas. Para estruturas especiais, tais como plataformas
de exploração de petróleo, é praxe a confecção de modelos em escala reduzida, os quais são
ensaiados para um estudo mais preciso de seu comportamento entre as ações. Também é
recomendável a análise de modelos reduzidos em túneis de vento, quando se tratar de
estrutura de formato pouco usual. Algumas ações específicas, como pesos de perfis metálicos
e de telhas, podem ser obtidas diretamente de catálogos do fabricante.

Figura 3.2 – Ensaio de modelo reduzido em túnel de vento.

3.6.1. Determinação da ação do vento


É feita segundo a Norma Brasileira NBR – 6123:1997. Aplicação dessa Norma parte da
determinação da velocidade básica do vento (V0), a qual consiste na velocidade de uma rajada
de três segundos, que pode ser excedida, em média, uma vez a cada cinquenta anos, a dez
metros de altura e sobre um terreno plano e sem obstruções. O valor da velocidade básica é
fornecido pela Norma, para todas as regiões do país, através de curvas chamadas de
isopletas .

Figura 3.3 – Velocidade básica do vento V0 (m/s)

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A partir da velocidade básica do vento, é determinada a velocidade característica Vk,


através dos fatores estatísticos S1, S2 e S3:

Vk = V0 . S1 . S2 . S3

Os fatores que permitem transformar a velocidade básica em velocidade característica


consideram a influencia da topografia (S1), da rugosidade do terreno, das dimensões da
edificação e de sua altura sobre o terreno (S2) e do grau de segurança e vida útil requerida para
a edificação (S3).

A velocidade característica do vento é transformada em pressão dinâmica através da


seguinte relação, obtida da mecânica dos fluidos:

A determinação da força a ser considerada na análise levará em conta ainda outras


particularidades, através de coeficientes relacionados à forma e à parte da edificação em
estudo.

Cabe destacar que o vento, em determinadas estruturas, tais como edifícios altos,
pavilhões industriais ou torres, é a ação predominante.

3.6.2. Determinação das ações permanentes e das ações variáveis


verticais
A Norma Brasileira NBR 6120:1980 estabelece valores mínimos das cargas a serem
consideradas no projeto de estruturas de edificações, excetuando-se ações previstas em
Normas específicas, como é o caso da ação do vento e sismos.

Como exemplo, apresentam-se na Tabela 3.1 pesos específicos de alguns materiais de


construção.

Tabela 3.1 – Peso específico de materiais de construção (NBR – 6120:1980)


Material Peso específico aparente (KN/m3)
Concreto Armado 25
Concreto simples 24
Aço 78,5
Pinho e Cedro 5
Tijolos Furados 13
Tijolos maciços 18
Mármore e Granito 28
Lajotas cerâmicas 18
Argamassa de cal, cimento e areia 19
Argamassa de cimento e areia 21

As cargas verticais que se consideram atuando nos pisos são supostas uniformemente
distribuídas (por metro quadrado de piso). Alguns valores mínimos de cargas verticais constam
na Tabela 3.2.

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Tabela 3.2 – Valores mínimos de cargas verticais (NBR – 6120:1980)


Local Carga (KN/m2)
Edifícios residenciais (dormitórios, sala, copa e banheiro) 1,5
Escritórios 2
Escolas (corredores e salas de aula) 3
Arquibancadas 4
Bibliotecas (salas com estantes de livros) 6
Escadas com acesso ao público 3
Forros sem acesso ao público 0,5

Ainda na mesma Norma técnica podem ser encontrados o peso específico aparente e o
ângulo de atrito interno de diversos materiais de armazenagem, como produtos agrícolas e
materiais de construção.

3.7. Forma de distribuição das ações na estrutura


Quanto à forma de distribuição, as ações podem ser classificadas como concentradas ou
distribuídas.

3.7.1. Carga concentrada


É aquela que se distribui em uma área muito reduzida relativamente à área do elemento.
Neste caso, considera-se a carga como concentrada no centro de gravidade da área de
contato. A figura 3.4 ilustra a parte de uma estrutura composta por elementos
unidimensionais. A decomposição dessa estrutura espacial em vigas e pilares isolados resulta,
de forma simplificada, no esquema ilustrado para as vigas V2 e V3, para o qual tanto a ação
(FV1) como as reações (R) são consideradas concentradas.

Figura 3.4 – Cargas concentradas: esquema estático correspondente às vigas V2 e V3.

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 Exemplos de cargas concentradas:

Figura 3.5 – Carga concentrada: kgf, kN, tf.

3.7.2. Carga distribuída


É a que incide numa área com dimensão da mesma ordem de grandeza da estrutura ou
do elemento em análise. Neste caso, pode-se transformar a carga distribuída em uma carga
o e t adaàe uivale te,à ha adaàdeà esulta te .àáà esulta teà so e teàse àe uivale teà à
carga original se ambas provocarem a mesma tendência de translação e de rotação.

 Exemplos de cargas distribuídas:

Figura 3.6 – Carga distribuída por metro: kgf/m, kN/m, tf/m.

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2 2 2
Figura 3.7 – Carga distribuída por metro quadrado (kgf/m , kN/m , tf/m ).

O valor da resultante é determinado como sendo igual à área compreendida entre a


linha que define o carregamento e o eixo da barra (área da carga). Seu ponto de aplicação
deve passar pelo centro de gravidade do carregamento.

 Alguns exemplos de carga distribuída e de sua resultante:

Figura 3.8 – Exemplos de cargas distribuídas e suas resultantes: carga uniformemente


distribuída (a); carga triangular (b).

Cargas uniformes ou de variação linear, como as ilustradas na Figura 3.8, reproduzem a


pressão de um líquido sobre o fundo e as paredes de um reservatório, respectivamente. Como
exemplo de ações concentradas e distribuídas, a Figura 3.9 ilustra composição das cargas para
uma sacada, de acordo com as prescrições da NBR – 6120:1980. Segundo essa Norma, além do
carregamento uniforme (de mesma intensidade que o do ambiente com a qual se comunica),
devem ser aplicadas ao longo do parapeito uma carga horizontal P1 de intensidade 0,8 kN/m e
uma carga vertical mínima P2 de 2 kN/m. Ao se considerar o peitoril como um elemento sem
função estrutural, deve-se substituí-lo por seus efeitos sobre a estrutura.

Figura 3.9 – Composição do carregamento para uma sacada.

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4. Fenômenos físicos
4.1. Estrutura
O que é estrutura? No caso de edificações, a estrutura é um conjunto de elementos:

 Lajes;

 Vigas;

 Pilares.

Que se inter-relacionam:

 Laje apoiando em viga;

 Viga apoiando em pilar.

Para desempenhar uma função:

 Criar um espaço em que pessoas exercerão diversas atividades.

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4.2. Caminho das forças


O caminho natural que as forças gravitacionais, ou seja, os pesos dos objetos e das
pessoas tendem a tomar, é o da vertical.

QUAL A MELHOR SOLUÇÃO ESTRUTURAL?

 Uma estrutura com poucos ou muitos caminhos?

Suponha-se que, em uma praça qualquer, se queira apoiar uma estátua sobre uma
estrutura adequada.

Uma primeira proposta poderia ser a


criação de um único pedestal sob a
estátua.

Esta solução resolve o problema de


maneira bastante simples e direta.

Mas supondo-se que, além de apoiar


a estátua, a estrutura deve permitir
a passagem de pessoas sob ela, a
solução do pedestal único torna-se
inviável.

Caso o espaço sob a estátua devesse


ser o mais amplo possível.

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 Uma solução poderá ser econômica no consumo de materiais, mas poderá ser feia e de
execução demorada.

 Outra poderá ser bonita, mais cara e difícil de ser executada.

 Pode acontecer que se exija que a solução estrutural seja:

- econômica;

- bonita;

- fácil execução.

4.3. Geometria dos elementos estruturais

Bloco:

O bloco é um elemento estrutural em que as três dimensões apresentam a mesma ordem


de grandeza.

Quais as possibilidades e o comportamento de um bloco no sistema estrutural? Como


vencer vãos utilizando elementos aparentemente tão limitados?

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Barra:

A barra é um elemento estrutural em que uma de suas dimensões, o comprimento,


predomina em relação às outras duas, largura e altura da seção transversal.

A barra, ao contrário do bloco, pode ser utilizada isoladamente. É um elemento estrutural


de uso mais amplo.

Utilizada para pendurar cargas, como um cabo, para apoiar cargas, como um pilar, ou
vencer vãos, como uma viga.

As barras podem ser associadas, criando sistemas estruturais mais complexos capazes de
vencer grandes vãos, como as que compõem a estrutura de uma treliça.

4.4. Tipos de forças que atuam nas estruturas


É necessário que as forças que atuam nas edificações sejam conhecidas, na sua
intensidade, direção, sentido e ponto de aplicação, para que a concepção estrutural seja
coerente com o caminho que essas forças devem percorrer até o solo e para que os elementos
estruturais sejam adequadamente dimensionados.

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4.4.1. Cargas permanentes


São cargas cuja intensidade, direção e sentido podem ser determinados com grande
precisão, pois as cargas permanentes são devidas exclusivamente as forças gravitacionais, ou
pesos:

 Peso próprio da estrutura (dimensão e peso específico);

 Revestimentos (contrapisos, cerâmicas);

 Paredes (peso específico).

4.4.2. Cargas acidentais


São mais difíceis de serem determinadas com precisão e podem variar com o tipo de
edificação. Essas cargas são definidas por normas (ABNT NBR) que podem variar de país para
país, no Brasil as normas são: NBR 6120 e NBR 6123.

 Peso das pessoas;

 Peso do mobiliário;

 Peso de veículos;

 Força de frenagem de veículos;

 Peso de equipamentos;

 Força do vento.

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5. Equilíbrio das estruturas


5.1. Equilíbrio das estruturas
Um corpo está em equilíbrio quando a soma de todas as forças que atuam sobre ele é
igual a zero.

Se uma estrutura ou parte dela é considerada em equilíbrio sob a ação de um sistema de


carga, ela deve satisfazer as seis equações de equilíbrio estático. Usando o sistema cartesiano
x, y e z de coordenadas, as equações de equilíbrio estático podem ser escritas como: (Caso
Geral).

Para fins de análise e de projeto, a grande maioria das estruturas pode ser considerada
como de estruturas planas sem que haja perda de precisão. Para essas estruturas, que
normalmente são admitidas no plano xy, a soma das forças nas direções x e y e a soma dos
momentos em torno do eixo perpendicular ao plano devem ser iguais a zero (Caso Plano).

5.2. Estaticidade
Quando o número de reações de apoio (incógnitas do problema) é igual ao número de
condições de equilíbrio (equações), conduz à resolução de um sistema determinado. No
entanto, nem sempre essa relação será observada. Assim, a determinação das reações de
apoio de uma estrutura deve ser precedida pela classificação desta com relação à quantidade e
à disposição dos vínculos ou, em outras palavras, à estaticidade. Segundo essa classificação,
uma estrutura pode ser designada como hipostática, isostática ou hiperestática.

Quando todos os esforços da estrutura podem ser determinados a partir das equações de
equilíbrio a estrutura é estaticamente determinada (isostática).

Quando há mais esforços desconhecidos do que equações de equilíbrio a estrutura é


estaticamente indeterminada (hiperestática).

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 Para estrutura planas:

 R < 3n, hipostática

 R = 3n, isostática

 R > 3n, hiperestática

 Onde R é o número de reações e n é o número de partes da estrutura

a) Estrutura hipostática: (R < 3.n)

número de reações de apoio < número de equações de equilíbrio

Há menos vínculos que o necessário, existindo, portanto, movimentos possíveis da


estrutura. Se houver equilíbrio, ele é instável. O número de equações é superior ao número de
incógnitas (reações).

b) Estrutura isostática: (R = 3.n)

número de reações de apoio = número de equações de equilíbrio

Os vínculos estão dispostos em números e de tal forma que todos os movimentos estão
restritos. É aquele cujo número de apoios (vínculos) é o estritamente necessário, isto é, o
número de equações é igual ao número de incógnitas (reações).

c) Estrutura hiperestática: (R > 3.n)

número de reações de apoio > número de equações de equilíbrio

A estrutura hiperestática possui vínculos com maior número que o estritamente


necessário paraài pedi àtodosàosà ovi e tosàpossíveis.àOàe uilí ioà àditoà mais que estável .àà
O grau hiperestático (gh) de cada estrutura indica quantas reações a estrutura possui além do
número de equações de equilíbrio. Estas reações adicionais devem ser determinadas pela
imposição de condições relativas à deformabilidade da estrutura, gerando as chamadas
equações de compatibilidade de deslocamentos .

O número de reações de apoio (incógnitas) a serem determinadas é superior ao número de


equações.

 Cabe observar que, nas estruturas hipostáticas, a relação entre número de reações e
número de equações (R – EQ) é condição suficiente para que se defina a estaticidade, ao passo

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que, para as estruturas isostáticas e hiperestáticas, esta relação aponta apenas uma condição
necessária. A classificação da estrutura implica também o estudo da disposição dos vínculos,
os quais devem garantir que todos os movimentos sejam efetivamente impedidos. Apesar do
número de vínculos serem igual ou superior ao necessário, não existe restrição ao movimento
horizontal. Logo, ambas são hipostáticas, pois o equilíbrio é instável.

5.2.1. Equilíbrio estático externo


A ação da gravidade sobre sua massa provoca o aparecimento da força peso. Sob a ação
dessa força a barra tende a se deslocar na vertical, em direção ao centro da terra.

Uma maneira de evitar que a barra se desloque na vertical é a criação de um dispositivo


que exerça uma reação contrária à força peso, equilibrando-a.

Não há equilíbrio. A barra tende a girar em torno do seu suporte.

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Para evitar o giro foi criado outro suporte. A barra não irá movimentar-se na vertical e
nem girar.

A força na horizontal poderá deslocá-la nessa direção.

O equilíbrio estático da barra não está garantido.

Para evitar o movimento horizontal pode ser colocado num dos suportes uma trava.

O equilíbrio estático no seu plano é condição necessária que ele não se desloque na
vertical, na horizontal e nem gire.

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Se for acrescentado à barra mais um suporte, estará em condições de equilíbrio estático,


acima das condições mínimas necessárias.

Uma estrutura que se encontra em condições mínimas necessárias de estabilidade é


denominada isostática.

Quando as condições de estabilidade estão acima das mínimas, a estrutura é denominada


hiperestática.

Quando as condições de estabilidade estiverem abaixo das mínimas, a estrutura é dita


hipostática.

5.2.2. Vínculos
São dispositivos estruturais que têm por função restringir certos movimentos e permitir
outros. Os vínculos são classificados de acordo com o grau de liberdade (gl) que possibilitam.

▪ São vínculos:

 A ligação entre uma laje e uma viga;

 Uma viga e um pilar;

 Uma viga com outra viga;

 A ligação entre as barras que formam uma malha estrutural.

Os vínculos podem ou não permitir movimentos relativos entre os elementos por eles
unidos.

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Um vínculo que permite giro e deslocamento relativos é denominado vínculo articulado


móvel (ou apoio móvel). Articulado porque permite o giro, móvel porque permite o
deslocamento em uma direção, normalmente a horizontal.

O vínculo que permite apenas o giro relativo e impedem dois movimentos de translação é
denominado vínculo articulado fixo (ou rótula).

O vínculo que impede o giro e os deslocamentos (dois de translação e um de rotação) é


denominado engaste.

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Exemplo de vínculos em uma estrutura:

Com um apoio articulado móvel, as dilatações térmicas não influenciam os pilares, sem
aplicar forças horizontais aos pilares.

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Alterando um vínculo, pode-se aumentar ou diminuir os graus de liberdade de movimento


relativo entre as partes ligadas.

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6. CONCEITO GERAL DE ESTRUTURAS


6.1. Definição de estrutura
As estruturas são sistemas físicos capazes de receber e transmitir esforços como em
pontes, edifícios, torres, antenas etc. Um dos principais objetivos da análise de estruturas é
relacionar, em idealizações simplificadoras desses sistemas e utilizando propriedades de
material determinadas experimentalmente, as ações externas atuantes com os
deslocamentos, reações de apoio e tensões (ou suas resultantes), de maneira a poder
identificar eventual deficiência de comportamento do material constituinte e/ou de
comportamento da estrutura como um todo e/ou de suas partes. Isso, para elaborar um
projeto de uma nova estrutura a ser constituída ou estudar o comportamento de uma
estrutura já existente. A idealização de uma estrutura conduz a um modelo de análise, regido
por equações matemáticas, cujos resultados devem expressar comportamento próximo ao da
estrutura.

A execução de uma construção, como a de uma ponte, de um edifício, de uma residência


ou mesmo um simples muro de contenção, implica necessariamente, em alguma das fases da
obra, na construção de uma estrutura suporte, que necessita, por sua vez, de projeto,
planejamento e execução própria.

Portanto, a estrutura em uma construção tem como função prioritária garantir a forma
espacial idealizada para a mesma assegurar sua integridade pelo período de tempo que for
julgado necessário.

6.1.1. Conceitos Específicos de Estruturas


Em um prédio em construção pode-se claramente distinguir alguns dos elementos
estruturais que compõem a parte resistente, ou estrutura, do prédio: vigas, lajes, paredes,
pilares, sapatas e blocos, estes dois últimos sendo parte integrante das fundações. Estes
elementos podem ser executados de materiais diversos, sendo, entretanto, os mais utilizados:
concreto armado, concreto protendido, aço e madeira.

Figura 6.1 – Estrutura Típica.

A definição do sistema estrutural é selecionada de acordo com aspectos funcionais e


arquitetônicos desde que sejam estruturalmente e economicamente viáveis. A transmissão
interna das forças, do ponto de aplicação aos apoios, através de diferentes sistemas
estruturais pode ser observada na figura 6.2.

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Figura 6.2 – Transmissão das forças aos apoios através de: A) ponto, B) elemento tracionado, C)
elemento comprimido, D) treliça, E,F,G H) pórticos diversos.

O estudo da análise estrutural demanda o conhecimento de alguns conceitos básicos:

• Análise estrutural: estudo de esforços e deslocamentos em estruturas;


•àEstrutura: elementos unidos estre si e ao meio exterior de modo a formar um conjunto
estável;
•à Conjunto estável: conjunto capaz de receber solicitações externas absorvê-las e
transmiti-las até seus apoios, onde encontrarão seu sistema estático equilibrante.

6.2. Esforços ou Ações


Os esforços ou ações classificam-se da seguinte forma: Esforços Externos Solicitantes,
Esforços Internos Solicitantes e Esforços Resistentes.

O objetivo do projetista é garantir, por meio do cálculo estrutural, que os esforços


internos resistentes sejam maiores que os esforços internos solicitantes.

{
{
{
{ {

Figura 6.3 – Classificações das solicitações.

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6.2.1. Forças Aplicadas


As forças aplicadas às estruturas são também denominadas ações externas solicitantes
ativas, cargas externas, carregamentos ou simplesmente cargas. Nas estruturas as forças a
serem consideradas no projeto dependem do fim a que se destinam as estruturas, sendo, em
geral, regulamentadas por normas. No Brasil, as normas brasileiras são elaboradas pela
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Estas normas são identificadas pelas letras
maiúsculas NBR, seguidas de números associados aos assuntos abordados. A norma brasileira
que regulamenta as cargas para o Cálculo de Estruturas de edificações é a NBR – 6120, a NBR
– 6123 regulamenta as ações de Forças devidas ao vento em edificações.

As cargas podem ser classificadas quanto à posição, à distancia, à duração, à forma de


aplicação e à variação com o tempo. Segundo esta classificação as cargas podem ser:

• Qua to à posição

Fixas: cargas que não mudam de posição, ou que podem ser consideradas como tal. As cargas
normalmente consideradas nas edificações podem ser dadas como exemplos.

Móveis: cargas que mudam de posição. As ações dos veículos nas pontes e viadutos são
exemplos de cargas móveis.

• Qua to à duração

Permanentes: ações permanentes sobre estruturas, tais como o seu peso próprio.

Acidentais: são as provenientes de ações que podem ou não agir sobre as estruturas.
Exemplos: sobrecarga (peso de pessoas, móveis etc., em uma residência) e a aço do vento.

• Qua to à for a de aplicação

Concentradas: quando se admite a transmissão de uma força, de um corpo a outro, através de


um ponto. A força concentrada não existe, sendo uma simplificação de cálculo.

Distribuídas: quando se admite a transmissão de uma força de forma distribuída, se ao longo


de um comprimento (simplificação de cálculo) ou, através de uma superfície.

• Qua to à variação do te po

Estáticas: são aquelas que, para efeito do comportamento estrutural, podem ser consideradas
como não variando com o tempo.

Dinâmicas: quando a variação da ação ao longo do tempo tem que ser considerada. Exemplos:
as ações do vento, de correntes marítimas, de explosões, de impacto e de terremotos.

Pseudo-estáticas: algumas ações dinâmicas podem ser convenientemente consideradas por


meio de análises pseudo-estáticas; é o que ocorre muitas vezes com a ação do vento em
estruturas que permitam um cálculo simplificado desta ação.

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Figura 6.4 – Representação esquemática de ações


externas diretas e indiretas.

Cargas
{

{
{

Figura 6.5 – Classificação das cargas.

6.3. Objetivo da Análise Estrutural


Uma vez conhecida a estrutura e determinadas as ações estáticas e/ou dinâmicas que
sobre ela atuam, os objetivos da análise estrutural são:

1. Determinação dos Esforços Internos Solicitantes: necessária para o dimensionamento


dos elementos estruturais (concreto armado, concreto protendido, aço e madeira);

2. Determinação das reações de apoio: necessário para a consideração da ação mútua


entre os diversos elementos estruturais;

3. Determinação dos deslocamentos: necessário para a resolução da estrutura,


verificação do limite de flecha.

6.3.1. Estruturas Reticuladas


As estruturas reticuladas são constituídas por elementos unidimensionais, simplesmente
denominados elementos ou barras, cujos comprimentos prevalecem em relação às dimensões
da seção transversal.

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As barras (ou elementos) são definidas por um nó inicial e um nó final. As barras podem
ser de eixo reto ou de eixo curvo e de seção transversal constante ou variável.

Os nós que permitem rotação relativa de elementos a eles conectados são denominados
nós articulados, e os que não permitem rotação relativa são denominados nós rígidos.

Figura 6.6 – Barras e nós em estruturas reticuladas.

6.4. Equilíbrio Estático


O estudo da estática compreende a ação de força exterior sobre um corpo rígido em
posição de repouso. As forças agrupam-se em sistemas que recebem denominações segundo a
posição relativa que guardam entre si.

Todo e qualquer sistema pode ser substituído pela ação de duas forças que, em relação a
um ponto qualquer, venha a produzir o mesmo efeito que o sistema dado. Estes efeitos são a
resultante e o momento resultante.

A resultante é a soma vetorial das projeções das forças do sistema e capaz de produzir
translações, segundo a direção do seu suporte.

O momento resultante é a soma vetorial do momento das forças do sistema, portanto


capaz de produzir rotação.

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Uma força ⃗ quando aplicada a um corpo rígido impõe a este uma tendência
deslocamento linear, ou translação. Um momento ⃗⃗⃗ quando aplicado a um corpo rígido impõe
a este uma tendência de deslocamento angular, ou rotação.

O momento é sempre produzido em torno de um eixo normal ao plano em que se


encontram as forças. Exemplo: para termos momento em torno do eixo x, é preciso que as
projeções das forças estejam contidas no plano y O z e definido pelos eixos y e z.

Para equilibrar um sistema, torna-se necessária a introdução de um sistema equivalente


ao primeiro, mas de sinal contrário, ficando nulas as ações da resultante e do momento
resultante.

6.4.1. Grandezas Fundamentais


Força e momento é uma grandeza vetorial e, portanto para ser completamente
caracterizada é necessário conhecer:

•àDi eç o;
•à“e tido;
•àI te sidade;
•Po toàdeàapli aç o.

6.4.2. Esforços Simples


Um sistema de forças quaisquer, que satisfaça as equações universais da Estática,
atuando sobre um corpo rígido, provocará nele o aparecimento de esforços que, analisados
segundo seu eixo e uma seção que lhe é perpendicular, poderão ser definidos como esforços
simples e classificados como:

•àEsfo çoàNo al:à ueàageà oàse tidoàdeà o p i i àouàt a io a àaàseç o;

•àEsfo çoàCo ta te:à ueàageà oàse tidoàdeà o ta àouà isalha àaàseç o;

•àMo e toàTo so : que age no sentido de torcer ou girar a seção em relação ao eixo;

•àMo e toàFleto :à ueàageà oàse tidoàdeàe ve ga àouàfle io a àoàei oàou,àafasta ào plano da


seç oàdoà guloàdeà9 ˚à ueàfo aà o àoàei o.

6.4.3. Equações do Equilíbrio Estático


O que impede que as estruturas se desloquem quando submetidas a forças ativas são os
apoios, capazes de gerar forças reativas nas direções dos deslocamentos impedidos. As forças
e momentos reativos (reação de apoio) formam com as forças e momentos ativos (aplicados à
estrutura) um sistema de forças (externas) em equilíbrio. O equilíbrio das forças e momentos
do sistema, nas direções X, Y e Z, fornece, para uma estrutura espacial, as seguintes equações
de equilíbrio estático.

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Figura 6.7 – Equilíbrio Estático.

6.5. Esquemas e Simplificações de Cálculo


O esquema de cálculo, ou modelo matemático, algumas simplificações tornam-se
necessárias, as quais estão, em geral, associadas:

•à àgeo et ia:à ep ese taç oàdaà a aàpo à eioàdoàsei eixo;

•àaoàsiste aàdeàfo ças:àfo çasàeà o e tosà o e t adosàeàdist i uídos;

•à àa liseà u i aàaàse àefetuada:àpla asàeàespa iais;

•à à ep ese taç oàdosàapoios.

6.6. Representações das forças aplicadas (carregamento)


As cargas em uma estrutura podem ser reais ou aproximadas, classificadas, quanto ao
tipo, em forças e momentos; e quanto à forma de aplicação em concentradas e distribuídas
por unidade de comprimento e por unidade de área.

Figura 6.8 – Representações de forças atuantes em uma estrutura.

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Figura 6.9 – Aproximações sucessivas num problema técnico.

Figura 6.10 – Modelagem da estrutura de um telhado.

Tabela 1.2 – Modelos e carregamentos distribuídos e resultantes para estruturas isostáticas:

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6.7. Vínculos
As equações traduzem as condições de equilíbrio, constituindo dois sistemas de forças
equivalentes e opostos. Os vínculos terão a finalidade de localizar este sistema de forças que
vai impedir os movimentos de translação e rotação.

6.7.1. Apoios (ligações)


As restrições aos movimentos de uma estrutura se dão por meio dos apoios ou vínculos.
Os apoios ou vínculos são classificados em função do número de graus de liberdade impedidos.
Nos apoios, nas direções dos elementos impedidos, surgem a s forças reativas ou reações de
apoio.

6.7.2. Representação dos Apoios

A) Apoio simples deàp i ei oàg e oàouà ha iot :

›àI pedeàaàt a slaç oà aàdi eç oàpe pe di ula à ài pedida;

›àPe iteàaàt a slaç oà aàdi eç oàpe pe di ula à ài pedida;

›àPe iteàaà otaç oà e àto oàdeà) .

B) Rótula (apoio de segundo gênero ou articulação):

›àI pedeàasàt a slaçõesà asàduasàdi eçõesà XàeàY ;

›àPe iteàaà otaç oà e àto oàdeà) .

C) Engaste (apoio de terceiro gênero):

›àI pedeàasàt a slaçõesà asàduasàdi eçõesà XàeàY ;

›àI pedeàaà otaç oà e àto o de Z).

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6.7.3. Representação dos Apoios:

Figura 6.11 – Representação dos apoios.

A. Apoio Móvel

Figura 6.12 – Vínculo de primeiro gênero: impedem uma translação deixando livre a outra translação e a
rotação em torno de um eixo normal ao plano das cargas.

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B. Apoio Fixo

Figura 6.13 – Vínculos de segundo gênero: impedem as translações deixando livre a rotação em torno
do um eixo normal ao plano das cargas.

C. Engaste

Figura 6.14 – Vínculos de terceiro gênero: impedem os três movimentos, as duas translações e a rotação
em torno de um eixo normal ao plano das cargas.

Figura 6.15 – Representação dos vínculos em elementos estruturais.

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6.7.4. Representação de sistemas isostáticos:

Pelo fato de ter sido introduzida uma ligação de segundo gênero que liberta o sistema,
segundo uma direção, criando mais uma equação, os triarticulados e as vigas articuladas são
sistemas isostáticos.

6.8. Reações de Apoio


As reações de apoio resultam da trajetória das ações para o meio exterior. Sua
determinação é feita como emprego das equações de equilíbrio (equações universais da
estática). Cabe destacar que, se um ponto da estrutura estiver em equilíbrio, todos os demais
pontos também estarão. Essa condição permite, como se verá, não apenas a determinação das
reações, como também a verificação dos valores calculados para essas reações. É importante
enfatizar que, para a aplicação das equações de equilíbrio, forças ou momentos que atuam
num mesmo sentido devem ser computados como mesmo sinal. É usual que, durante o
somatório, se considere como sentidos positivos aqueles coincidentes com os sentidos
positivos dos eixos coordenados. Para estruturas plana carregadas no próprio plano, a Figura
6.16 ilustra os sentidosà o espo de tesà aà o ve ç oàilust adaà à o he idaà o oà Co ve ç oà
deàG i te .à

Uma vez conhecidos os apoios em uma estrutura submetida a um sistema de forças, as


reações de apoio podem ser calculadas. As reações de apoio são forças ou momentos, com
pontos de aplicação e direção conhecidos e de intensidades e sentidos tais que equilibrem o
sistema de forças ativas aplicado à estrutura. Os sistemas de forças externas, formados pelas
forças ativas e reativas, têm que estar em equilíbrio.

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6.8.1. Sequência para obtenção das reações de apoio:

a) Retirar os apoios e introduzir reações correspondentes (modelo estrutural – ME);

b) Traçar o diagrama de corpo livre (DCL) e fixar arbitrariamente um sentido para as


reações;

c) Estabelecer uma convenção de sinais para os sentidos dos esforços (sistema de


referência – SR);

d) Montar o sistema de equações de equilíbrio de acordo com as condições de equilíbrio


da mecânica geral;

e) Resolver o sistema;

f) Manter o sentido das reações positivas e inverter o sentido das reações negativas.

6.9. Convenção de sinais positivos:

Sistema de referência – SR:

Eixo Y (Esforços Verticais)

Momento fletor (giro)

+
Eixo X (Esforços Horizontais)

Figura 6.16 – Convenção usual para o equilíbrio de forças e momentos (Grinter)

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7. Lista de exercícios:
1. Determine o grau de estaticidade das estruturas dadas, e sugira duas alternativas de
modificações da mesma, para torná-la em estruturas isostáticas, caso necessário:

2. Determinar as reações de apoio das estruturas apresentadas abaixo:

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2. Determinar as reações de apoio das estruturas apresentadas abaixo:

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8. Esforços internos solicitantes – E.I.S


8.1. Definição
Todos os corpos rígidos, ao serem submetidos a forças externas ativas (cargas) e reativas
(reações de apoio), apresentam mudança da forma geométrica (deformações). No momento
em que um corpo deforma, entra em estado de tensão. Recordando: tensão é o estado que a
matéria assume decorrente de uma deformação. As forças se transmitem internamente de um
ponto a outro, em um determinado elemento estrutural, por meio das tensões. A capacidade
de transmissão de cargas está associada às tensões admissíveis dos materiais de que são
compostos os elementos estruturais. Isso significa que, dependendo do material de que é
constituído determinado elemento estrutural, maior ou menor será a sua capacidade de
transmissão de cargas.

Para o cálculo de reações de apoio (equilíbrio das forças externas), não foi considerada a
capacidade de resistência dos elementos, ou seja, partiu-se do pressuposto de que a estrutura
efetivamente possuía capacidade de transmitir as ações ao meio exterior. O objetivo da análise
da estrutura consiste justamente em permitir o dimensionamento dos elementos para
propiciar essa transmissão.

Partindo do princípio de que a deformação da estrutura será muito pequena, pode-se


utilizar a configuração inicial na análise. Essa deformação, efetivamente, deverá ser limitada
com o objetivo de garantir a perfeita utilização da estrutura ao longo de toda a sua vida útil,
evitando, entre outros efeitos:

 A ocorrência de danos aos elementos não estruturais (tais como fissuração das
alvenarias e mau funcionamento de esquadrias);
 A sensação de insegurança quanto à estabilidade da estrutura (decorrente de
vibrações perceptíveis ou deslocamentos visíveis);
 O comprometimento do perfeito funcionamento (como a drenagem de água em
coberturas e varandas).

Determinar os esforços internos implica, em última análise, determinar o estado de


tensão a que o elemento está submetido.

Solicitação é todo esforço ou conjunto de esforços que devido às ações se exerçam sobre
uma ou mais seções de um elemento da estrutura.

Provocam nas estruturas:

 Tensões Normais;
•àCompressão;
• Tração;

 Tensão de Cisalhamento.

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8.2. Determinação dos esforços internos


A determinação dos esforços internos independe das características dos materiais:
depende somente da forma geométrica e dos esforços externos ativos e reativos. É um
problema que pode ser resolvido pela mecânica estática. A determinação dos esforços
internos é de fundamental importância para o dimensionamento correto dos elementos
estruturais. Determinados os esforços internos, muitas das decisões de projeto são tomadas.
Por exemplo, a escolha do material mais adequado para execução do sistema estrutural e as
dimensões mais adequadas dos elementos que compõem o sistema, entre outras.

8.3. Esquematização dos esforços internos

Figura 8.1 – Esforços internos.

As forças internas geralmente são distribuídas de forma complexa sobre as seções, mas,
no entanto, as condições de equilíbrio são satisfeitas para cada parte separadamente. Isto
significa que a resultante das forças internas na seção genérica S, pode ser obtida tanto na
parte esquerda quanto na direita do corte imaginário.

Figura 8.2 – Resultantes de forças internas.

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8.4. Representação

Figura 8.3 – Representação dos esforços: normal, cortante e momento fletor.

8.5. Classificação dos esforços


Cada componente de força interna é chamada de esforço ou solicitação e está associada à
deformação do trecho da estrutura. Como hipótese, é suposto que a seção, originalmente
plana, permanece plana após a deformação.

 N (Esforço Normal) – Tende a promover a variação na distancia entre duas seções


paralelas entre si, mantendo-as paralelas. Também conhecido como esforço axial, já
que as forças atuam na direção do eixo do elemento (e, portanto, normal à seção
transversal).

Quando as seções tendem a se afastar, diz-se que o trecho está tracionado e


convenciona-se como esforço normal positivo (tração). Em caso de aproximação das seções, o
trecho estará comprimido (esforço normal negativo – compressão).

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 V (Esforço Cortante) – Tende a fazer uma seção deslizar em relação à outra. Também
conhecido com esforço cisalhante. A figura representa a convenção usual para sentido
positivo do esforço cortante, na qual o binário formado pelas componentes de V gira
no sentido horário.

O efeito da força cortante está representado pelo escorregamento das seções


transversais em que ela atua.

 M (Momento Fletor) – Tende a provocar a rotação da seção em torno de um eixo


situado em seu próprio plano, produzindo forças de tração (alongamento) em uma
face e de compressão (encurtamento) na face oposta. Na figura, é representado um
momento fletor positivo, segundo a convecção usual, na qual a face tracionada é a
face inferior.

 T (Momento Torsor) – Tende a promover a rotação relativa entre duas seções em


torno de um eixo que lhes é perpendicular. Segundo a convenção usualmente
empregada, o momento torsor é positivo empregando a regra da mão direita.

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8.6. Convenção de Sinal


Independente do caminho adotado para o cálculo dos esforços solicitantes, estaremos
sempre somando forças e momentos. Por isso é conveniente adotar uma convenção de sinais:

 Análise à esquerda da seção:  Análise à direita da seção:

Figura 8.4 – Convenção de sinal para os esforços à esquerda e à direita da seção S.

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 Procedimento padrão para determinação dos esforços internos solicitantes – Método


das seções.

Passo 1: caracterizar na barra pontos de descontinuidades, seja cargas externas, seções ou


materiais diferentes; cada ponto de descontinuidade será identificado por um letra;

Passo 2: serão constituídos trechos entre pontos de descontinuidades; por exemplo, três
pontos constituirão dois trechos, quatros pontos, três trechos, e assim por diante;

Passo 3: os esforços internos solicitantes na barra, serão analisados por trecho, pois em cada
trecho teremos esforços diferentes. Ou seja, teremos de efetuar a análise para cada trecho
distintamente;

Passo 4: para isso, analisamos, no trecho es olhido,à u aà seç oà ge i aà dista teà deà x à daà
extremidade direita ou esquerda. Ou seja, o lado considerado fica a critério do analista, já que
o resultado da análise deverá ser o mesmo para qualquer que seja o lado escolhido.

8.7. Diagrama dos esforços – Linhas de estado


Para que a estrutura resista às ações a que estiver submetida, é imprescindível que a
capacidade resistente de nenhuma seção seja superada. Assim, é necessário o conhecimento
dos esforços não apenas em algumas seções. Ao invés disso, deve-se efetuar a determinação,
para cada tipo de solicitação, da forma como esta varia ao longo da estrutura, bem com o
maior valor do esforço e do ponto onde este ocorre. Com esse objetivo e visando ao correto
dimensionamento da estrutura, é efetuado o traçado dos diagramas de esforços.

Os diagramas de esforços solicitantes, também chamados de linhas de estado,


representam a variação de uma determinada solicitação ao longo da estrutura.

É efetuado o traçado de um diagrama específico para cada esforço. Para isso, cada valor
calculado é marcado a partir de uma linha representativa do eixo de cada elemento. Esses
valores de esforços são desenhados perpendicularmente à linha, com efeitos positivos e
negativos representados de lados opostos do eixo, segundo a convenção adotada.

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Particularmente com relação à convenção usual para traçado de diagrama de momentos


fletores, é importante destacar que os valores traçados estarão sempre representados na face
tracionada do elemento. assim, por exemplo, para elementos de concreto armado, nos quais a
função de resistir aos esforços de tração é atribuída essencialmente ao aço, é direta a
correspondência entre a posição da armadura longitudinal e o diagrama de momentos
fletores, como se pode observar na figura, para uma viga com um trecho em balanço e
submetida a um carregamento uniformemente distribuído. De forma análoga, a quantidade de
aço a ser disposta no sentido longitudinal em cada seção é proporcional ao momento fletor
nesse ponto.

Cabe destacar que a situação ilustrada na figura consiste numa simplificação, na qual não
foram consideradas, entre outras, as armaduras de cisalhamento, as ancoragens e as
armaduras construtivas.

Figura 8.5 – Viga de concreto armado (simplificação): correspondência entre momento fletor e
disposição da armadura longitudinal.

Com relação ao esforço cortante, as armaduras correspondentes (chamadas de estribos)


são dispostas na direção transversal ao eixo do elemento.

8.8. Determinação dos esforços para o traçado dos diagramas –


Método das equações
Para a obtenção das informações necessárias ao traçado dos diagramas, uma forma
bastante direta e eficiente consiste na determinação de equações que representem a variação
dos esforços ao longo da estrutura.

Esse procedimento, conhecido como Método das Equações, pode ser descrito pelas
seguintes etapas:

1) Verificar a estaticidade;
2) Calcular as reações de apoio;
3) Separar a estrutura em trechos característicos, limitados por mudanças na
distribuição do carregamento ou incidência de carga concentrada (força ou
momento);

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4) Calcular as equações de variação dos esforços para cada trecho, usando as


equações de equilíbrio estático e a convenção de sinais;
5) Traçar os diagramas de variação dos esforços (linhas de estado), marcando os
valores perpendicularmente ao eixo do elemento.

O método trabalha com seções variáveis ao longo da estrutura, sendo que uma única seção em
cada trecho é capaz de representar qualquer das infinitas seções desse mesmo trecho.

8.9. Resumo dos esforços

8.10. Vigas Gerber


As vigas Gerber recebem este nome em homenagem a Heinrich Gerber (1832 – 1912).
Conforme representação simplificada na figura, estas vigas surgiram por duas razões:

 Estruturais: permitir deformações, evitando o surgimento de esforços internos devidos a


recalques diferenciais nos apoios;

 Construtivas: permitir o lançamento de vigas pré-moldadas em vãos sobre leitos de rio ou


difícil acesso.

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Os dentes Gerber nada mais são do que rótulas (Mrot = 0) convenientemente introduzidas
na estrutura de forma a, manter a sua estabilidade, torná-la isostática. As vigas Gerber podem,
portanto, ser consideradas como uma associação de vigas simples (biapoiadas, biapoiadas com
balanços ou engastadas e livres), de maior complexidade, porém, igualmente isostáticas.
Nestas, elementos sem estabilidade própria apoiam-se em outros elementos com estabilidade
própria, de modo a formar um conjunto estável. A transmissão das ações externas de um
trecho a outro se dá através de rótulas.

Como uma rótula constitui um ponto de momento nulo (ou seja, não transmite tendência
de giro de um elemento para outro elemento adjacente), essa informação pode ser
empregada como uma equação adicional na verificação das condições necessárias ao
equilíbrio.

A verificação da estabilidade não é efetuada de forma tão direta como para vigas simples,
devendo-se, para tanto, analisar inicialmente as vigas sem estabilidade própria, de modo a
verificar se estas podem efetivamente transmitir aos trechos estáveis as forças necessárias ao
seu equilíbrio e, portanto, ao equilíbrio do conjunto. Dessa forma, verificadas as condições
necessárias, procede-se ao estudo da estabilidade. Por exemplo, para a estrutura anterior:

8.11. Vigas inclinadas


A análise de vigas inclinadas também é efetuada de forma análoga à das vigas simples. No
entanto, possui a particularidade de que, para efeito de cálculo dos momentos fletores, a viga
comporta-se como tendo comprimento igual à projeção do carregamento.

Nas vigas inclinadas surge, em geral, a necessidade de se trabalhar com dois sistemas de
eixos referenciais: um global (para a determinação das reações de apoio) e um local (para a

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determinação dos esforços internos solicitantes). No estudo das vigas inclinadas é de


fundamental importância que se observe:

 A direção da viga inclinada, expressa pelo ângulo α que a viga faz com a horizontal;
 As orientações dos apoios e das respectivas forças reativas;
 A direção dos carregamentos aplicados;
 A forma de representação do carregamento distribuído;
• Ao longo das projeções horizontais Lh e/ou verticais Lv ou;
• Ao longo do comprimento inclinado L da viga.

Observar que o sistema local pode ser utilizado para determinação das reações de apoio,
mas os esforços internos solicitantes são, obrigatoriamente, referidos aos sistemas locais.

8.12. Carregamentos distribuídos ao longo das projeções

 Horizontal (LH):

Figura 8.6 – Viga inclinada com carregamento vertical distribuído q ao longo da projeção horizontal L H.

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Figura 8.7 – Carregamento distribuído referido ao sistema local. Duas componentes: uma na direção do
eixo (direção x-local) e outra na direção perpendicular ao eixo (direção y-local).

Figura 8.8 – Diagrama dos esforços internos solicitantes.

 Vertical (LV):

Figura 8.9 – Viga inclinada com carregamento horizontal distribuído q ao longo a projeção vertical L V.

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Figura 8.10 – Carregamento distribuído referido ao sistema local. Duas componentes: uma na direção do
eixo (direção x-local) e outra na direção perpendicular ao eixo (direção y-local).

8.13. Carregamentos distribuídos ao longo da viga inclinada


O carregamento distribuído ao longo da viga inclinada pode ser apresentado com direções
diferentes. Em geral, o carregamento distribuído é aplicado na direção vertical,
correspondente à ação da gravidade, ou aplicado perpendicular ao eixo da viga.

O exemplo a seguir analisa uma viga inclinada submetida a carregamento vertical


distribuído ao longo de todo o comprimento inclinado L da viga. Na figura esse carregamento é
decomposto no sistema local para calcular as reações de apoio e traçar os diagramas de E.I.S.

Figura 8.11 – Viga inclinada com carregamento vertical distribuído ao longo do comprimento
inclinado L da viga.

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Figura 8.12 – Carregamento distribuído referido ao sistema local. Duas componentes: uma na
direção do eixo (direção x-local) e outra na direção perpendicular ao eixo (direção y-local).

Figura 8.13 – Diagramas dos esforços.

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9. Pórticos planos
9.1. Introdução
Os pórticos, ou quadros, assim como as vigas, podem consistir em estruturas simples ou
na associação destas, gerando estruturas compostas.

Os pórticos planos são estruturas formadas por elementos (ou barras) cujos eixos, com
orientações arbitrárias. Pertencem todos a um único plano (plano da estrutura). O
carregamento atuante pertence também ao plano da estrutura. Os nós que interconectam os
elementos dos pórticos podem ser rígidos ou articulados.

Nos nós rígidos há transmissão de momentos entre as barras. Os nós rígidos das
estruturas deformadas apresentam rotação absoluta sendo, porém nula a rotação relativa
entre os elementos conectados. Na estrutura indeformada, os ângulos entre os elementos,
permanecem os mesmo após a aplicação do carregamento e a consequente deformação da
estrutura.

Nos nós articulados não há transmissão de momentos entre as barras. Os nós articulados
permitem a rotação relativa entre os elementos conectados. O momento fletor na rótula é
sempre nulo.

Os pórticos são classificados em simples e compostos.

9.2. Pórticos simples


Considerando a estrutura contida no plano XY, os graus de liberdade e,
consequentemente, as equações de equilíbrio são os mesmos empregados na análise de vigas.

Com relação aos esforços, a análise também recai no caso de vigas. No entanto, pelo fato
de os elementos que concorrem num mesmo nó poderem possuir orientações distintas, os nós
internos também devem ser associados a pontos de transição. Dessa forma, para efeito de
análise podem-se isolar as barras do pórtico, desde que se apliquem nos nós intermediários os
esforços atuantes, de modo a manter o equilíbrio de cada barra.

Também a exemplo das vigas simples, a vinculação que pode resultar numa estrutura
isostática é bastante limitada. Nesse contexto, os pórticos possíveis são:

 Biapoiado

 Engastado e livre

 Triarticulado

 Biapoiado com articulação e tirante (ou escora)

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A convenção de sinais para os esforços segue o que foi definido no início deste estudo. No
entanto, necessitará ser complementada, para os elementos de eixo com orientação diferente
da horizontal, por uma convenção que indicará como o pórtico de convenções será
posicionado em relação ao eixo.

A convenção adicional consiste em representar um tracejado em uma face do elemento e


é inteiramente arbitrária, desde que, uma vez estipulada, seja mantida até o traçado dos
diagramas correspondentes a esse elemento. no entanto, como orientação inicial, apresenta-
se a seguinte sugestão: imagina-se um observador dentro do pórtico, desenhado o tracejado
na face do elemento que estiver mais próxima do observador (face interna).

O posicionamento do tracejado em uma ou outra face de um elemento faz com que


apenas os sinais dos momentos fletores sejam alterados. No entanto, independentemente da
posição adotada, os momentos estarão sempre representados na face tracionada do
elemento.

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Quando houver mais de um pórtico fechado e, portanto, mais de um observador,


prevalecerá o que estiver posicionado mais à direita.

As figuras seguintes apresentam alguns exemplos de posicionamento do tracejado,


ilustrados nos demais pórticos simples, quais sejam, pórtico engastado e pórtico triarticulado
(também chamado de trirotulado).

Pórtico engastado Pórtico triarticulado

9.3. Pórticos compostos


Os pórticos podem ser considerados como uma associação de pórticos simples com
estabilidade própria e outros cuja estabilidade depende dos pórticos que os suportam
(analogia com as vigas Gerber no caso das vigas).

Para resolução dos pórticos compostos deve-se:

1. Identificar os pórticos simples associados;

2. Verificar os que têm estabilidade própria e os que não têm estabilidade própria;

3. Resolver inicialmente os pórticos cuja estabilidade depende de outros pórticos a fim


de determinar as ações daqueles sobre estes últimos;

4. O conhecimento de tais ações permite a resolução dos pórticos em estabilidade


própria.

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Figura 9.1 – Pórticos ou quadros compostos.

Um pórtico composto consiste na associação de pórticos simples, alguns com estabilidade


própria e outros sem, formando um conjunto estável. Ou seja:

Pórtico composto ↔ Pórtico simples

Viga Gerber ↔ Viga simples

Assim, pórticos compostos também serão decompostos em pórticos simples. Quando


analisados separadamente, inicia-se a análise pelos menos estáveis.

Pórticos superpostos:

Nem todas as barras são rotuladas em um nó.

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Pórticos múltiplos:

Várias barras podem ser rotuladas em um nó. Como regra geral tem-se que, quando n
barras rotuladas em um mesmo nó, a estrutura comporta-se como tendo n – 1 rótulas
distintas neste nó (isto é, as rótulas fornecem n -1 equações).

Alguns exemplos de verificação da estaticidade:

Número de reações = 10

Número de equações = 3 eq. de equilíbrio + 4.(2 – 1) + 1.(4 – 1) = 10

(Condição necessária atendida)

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10. Pórticos com barras curvas


10.1. Introdução
Nos pórticos simples podem ocorrer elementos ou barras com eixos curvos. A ocorrência
de elementos curvos nos pórticos em nada altera a sua análise a não ser pelo fato dos sistemas
locais das barras curvas terem, nas seções de análise, os eixos x (forças horizontais) tangentes
e os eixos y (forças verticais) perpendiculares aos eixos das barras.

Figura 10.1 – Exemplos de pórticos com barras curvas

10.2. Eixos curvos – Arcos


Este estudo terá início com exemplos simples de vagas curvas biapoiadas.

Semicírculo de raio R:
Para a viga biapoiada definida por um semicírculo de raio R e submetida a uma força
concentrada P, determinar os esforços internos em uma seção genérica S. a seção S é definida,
em coordenadas polares, pelo raio R e pelo ângulo θ formado com a horizontal. A
determinação dos E.I.S, em qualquer seção de uma barra de eixo curvo, fica bastante
simplificada seguindo o seguinte procedimento:

a) Determinar a ação das forças, à esquerda ou a direita da seção S, usando um sistema


conveniente, em geral o global X-Y-Z, conforme indicado na figura, obtendo-se:

 Na direção Y (Vertical), a força: P/2


 Na direção Z o momento:

b) A determinação desta ação referida ao sistema local x-y-z, fornecerá os esforços


internos na seção S. como os eixos Z global e z local têm a mesma orientação, o
momento fletor permanece o mesmo (M = MS). a convenção de sinais dos E.I.S deve
ser respeitada.

Nas barras de eixo curvo, para uma seção S qualquer no trecho 1ª da figura, tem-se:

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Os diagramas dos E.I.S, marcados a partir do eixo curvo da barra, podem ser observado na
figura a seguir:

Figura 10.2 – Diagramas dos E.I.S de vigas curvas.

Observar:
Numa estrutura plana simétrica com carregamento simétrico os diagramas dos momentos
fletores e dos esforços normais são simétricos e o dos esforços cortantes é assimétrico.

O traçado dos diagramas dos esforços internos em barras curvas fica bastante
simplificado se seus valores forem marcados a partir de uma linha reta (reta 1-2 ligando os
extremos da barra) o diagrama obtido anteriormente, se marcado a partir da reta 1-2 seria
convenientemente representado por uma função linear do valor (R-Rcosθ). Isto corresponde a
uma mudança de eixos do sistema local onde x e y são tangentes e normais em cada ponto,
correspondente às coordenadas polares R-θ,à pa aà u à ei oà ’- ’,à o ào ige à e à ,à se doà ’
horizontal e obtido como:

’à=àRà(1 – cosθ)

Eixo da barra curva definido por uma função qualquer f(x):

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Seja, por exemplo, a obtenção do DMF de uma barra curva definida por uma função
qualquer y = f(x) e submetida a uma força concentrada unitária no nó 2. Considerando-se que:

M = -1 . y

O seu traçado a partir da reta 1-2 é imediato sendo este delimitado pelo próprio eixo da barra,
conforme ilustrado na figura.

A determinação dos esforços internos em uma barra curva fica bastante simplificado
quando decompõem-se os carregamentos em:

 Cargas verticais e momentos


 Cargas horizontais

Sendo os valores totais obtidos através da superposição, conforme ilustrado na figura.

Figura 10.3 – Superposição das cargas verticais e momentos e cargas horizontais.

10.3. Classificação dos arcos


Quanto à forma, os arcos podem ser classificados em parabólicos e circulares, ambas as
mais utilizadas, sendo também possível estabelecer formas em elipse ou catenária. Quanto ao
esquema estático podem ser classificados em isostáticos ou hiperestáticos, valendo ainda as
seguintes definições:

 Arcos Isostáticos: possuem dois apoios fixos com uma articulação (rótula) entre os apoios,
ou seja, são triarticulados;

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 Arcos hiperestáticos:

•à Biengastado: possui dois engastes, em cada extremidade, e é três vezes


hiperestático.

•à Biarticulado: possui dois apoios fixos, um em cada extremidade, e é uma vez


hiperestático.

•à Atirantado: possui um apoio fixo e um apoio móvel, ambos ligados por uma barra
tracionada (tirante); é uma vez hiperestático (internamente).

•àCom uma articulação: biengastado com uma articulação intermediária; é duas vezes
hiperestático.

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11. Treliças planas


11.1. Introdução
As treliças são estruturas compostas de barras ou elementos retos, com orientações
quaisquer, interligados por nós rotulados ou articulados. Podem se estruturas planas, quando
todas as barras e as forças aplicadas pertencem a um mesmo plano, ou espaciais.

Para efeito de cálculo consideram-se satisfeitas as seguintes condições:

 Os elementos são interconectados por nós perfeitamente articulados, isto é, rotação


relativa liberada;
 Os eixos dos elementos são retos e coincidentes com os eixos que conectam os nós em
suas extremidades, isto é, não há excentricidade das barras em relação aos nós.

Considere-se, inicialmente, a estrutura isostática anteriormente designada como um


pórtico triarticulado e ilustrada figura seguinte. Pelo fato de os apoios duplos não restringirem
a rotação dos elementos que concorrem nesses pontos, o mesmo pórtico é redesenhado, de
forma equivalente, como trirotulado.

Como as barras são rotuladas nos nós (pontos de momento fletor nulo), tem-se que:

MA = MB = MC = 0

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Sendo as cargas aplicadas apenas nos nós, tem-se das relações diferenciais que o
momento fletor varia linearmente ao longo de cada elemento. em consequência, os
momentos nulos nos nós resultam em momentos nulos em toda a estrutura.

Lembra-se ainda que:

Ou seja, os momentos fletores nulos em toda a estrutura permitem constatar que


também não existem esforços cisalhantes nos elementos.

Em função dessas considerações e tratando-se de uma estrutura plana com carregamento


aplicado no mesmo plano, resulta que os elementos estarão submetidos apenas a esforços
normais (tração e compressão).

A estrutura da figura constitui o modelo de treliça. Uma treliça ideal pode ser definida
como uma estrutura constituída por ligações rotuladas, cargas aplicadas apenas nos nós e
indeformável (executando-se a variação de comprimento dos elementos).

Como resultado da presença de esforços unicamente axiais, as treliças constituem formas


estruturais bastante eficientes, sendo empregadas particularmente na presença de grandes
vãos ou de cargas elevadas. Exemplos clássicos de treliças são as tesouras de telhado, as torres
de transmissão de energia e as estruturas de guindastes, entre outras.

A eficiência de uma treliça esta diretamente relacionada à forma como seus elementos
estão associados, buscando reduzir o caminho das cargas atuantes até os apoios. No entanto,
a determinação da melhor configuração para cada situação não constitui tarefa simples, pois
pode existir um número virtualmente ilimitado de configurações possíveis para um mesmo
objetivo. Como referencia, algumas configurações usuais de treliça podem ser empregadas.

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Dependendo de sua disposição na treliça, os elementos constituintes são designados


como banzos, diagonais e montantes.

Os materiais normalmente empregados nas estruturas treliçadas são aço e a madeira, já


que cada um destes apresenta características mecânicas semelhantes, quando submetidos
tanto a forças de tração como de compressão.

Com relação às uniões das barras da treliça, sabe-se que não existe rótula perfeita.
Porem, caso os elementos sejam dispostos com seus eixos concorrentes em um mesmo ponto,
a união comporta-se como rótula. Dessa forma, os elementos poderão ser parafusados,
rebitados ou mesmo soldados em um chapa de ligação (chapa Gusset), uma vez que as forças
aplicadas nesses pontos não tenderão a produzir rotação relativa entre as barras da treliça.

O arranjo dos elementos da treliça deve ser efetuado de modo a constituir uma estrutura
indeformável, executando-se, como já frisado, a variação no comprimento de cada elemento.
Nesse sentido, cabe observar que o único polígono fechado indeformável é o triângulo.

O triângulo constitui uma forma estável ou internamente isostática. Assim, de maneira


simplificada, tem-se a obtenção de uma treliça internamente isostática pela associação de
triângulos.

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11.2. Lei de formação das treliças simples


Retomando o pórtico triarticulado referenciado no início deste capitulo, sabe-se que essa
estrutura está adequadamente vinculada ao meio exterior, atendendo às condições
necessárias e suficientes ao equilíbrio. Observa-se que a estrutura (a qual, por definição, é uma
treliça ideal), será igualmente estável se, ao liberar o deslocamento horizontal de um de seus
nós extremos, a função de restringir o deslocamento desse nó for atribuída a um novo
elemento, como ilustrado na figura a seguir.

Cabe destacar que a estrutura resultante é constituída de um triângulo (polígono


indeformável) biapoiado.

Ambas as formas ilustradas constituem treliças isostáticas e são designadas como


configurações fundamentais, pois a partir delas podem ser geradas treliças de maior
complexidade.

A lei de formação básica das treliças planas estabelece que: se a qualquer treliça básica
isostática (sistema indeformável isostático) acrescenta-se um nó (duas equações) e interliga-se
este nó a dois nós indeslocáveis entre si por meio de duas novas barras (duas incógnitas), a
nova estrutura continua a ser uma treliça plana isostática simples. Este procedimento pode ser
repetido várias vezes e segundo a imaginação d projetista. Os nós indeslocáveis podem ser nós
de apoio ou os nós inicial e final de uma barra de treliça já existente.

Esta lei de formação pode ser estendida às treliças espaciais, considerando-se a


interligação de um novo nó (três equações) a três nos, indeslocáveis entre si, através de três
novas barras (três incógnitas).

Esta lei de formação é fundamental para a análise da estabilidade das treliças simples.

Figura 11.1 – Lei de formação das treliças planas simples.

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11.3. Estaticidade e estabilidade das treliças


Estruturas que possuem quadros ou polígonos fechados têm sua estaticidade
determinada não apenas pela vinculação externa (número e disposição dos vínculos), mas
também em função do número e disposição dos elementos, uma vez que os esforços nesses
quadros fechados constituem incógnitas adicionais. Essa estaticidade interna é verificada pelo
atendimento à lei de deformação de treliças simples isostáticas, segundo a qual: uma treliça
será internamente isostática se puder ser obtida, a partir de uma forma estável, pela adição de
barras duas a duas, partindo dos nós existentes para novos nós (um nó para cada duas novas
barras). Essa forma estável pode ser tanto uma das configurações fundamentais com um
triângulo qualquer.

De uma forma mais geral, uma treliça será isostática (condição necessária) se o número
de barras e de vínculos externos for o mínimo necessário à estabilidade. Considerando que as
barras estarão submetidas somente a esforço axial (e, portanto, um único esforço na barra), o
numero de incógnitas será constituído do somatório do número total de barras e de reações
de apoio. Uma vez que os eixos das barras são concorrentes nos nós e as cargas também são
aplicadas apenas nos nós, o equilíbrio de cada nó fornece apenas as equações relativas ao
somatório de forças.

Os conceitos de estaticidade e estabilidade estão sempre associados. Uma estrutura só


pode ser classificada como isostática ou hiperestática se for estável. A estaticidade estrutural é
calculada comparando-se o número total de incógnitas com o número total de equações de
equilíbrio disponíveis.

Tem-se, portanto, que a condição necessária a ser atendida por uma treliça plana seja
isostática pode ser escrita como:

2n = b + r

onde:

n = número de nós (número de equações disponíveis por nó);

b = número de barras que compõem a treliça, que é igual ao numero de esforços normais N
(incógnitas internas);

r = número de reações de apoio (incógnitas externas).

Assim, por exemplo, se 2n > b + r, então a estrutura é hipostática (número insuficiente de


elementos e/ou de vínculos externos). Já, se 2n = b + r, a condição necessária para que a
estrutura seja isostática é atendida. Resta ainda verificar a condição suficiente à disposição dos
vínculos externos e elementos (verificação do atendimento à lei de formação).

Seguem alguns exemplos de verificação de treliças planas quanto à estaticidade:

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Como observado, o atendimento à lei de formação consiste na condição suficiente para


que a estrutura seja classificada quanto à estaticidade. No entanto, o contrário nem sempre é
verdadeiro. Dessa forma, pode-se proceder a uma classificação adicional da estrutura com
relação à lei de formação, definido a treliça como simples, composta ou complexa (destaca-se
que, para efeito de análise computacional, esta classificação torna-se sem efeito).

Uma treliça pode ser classificada como simples quando obedece à lei de formação. Já a
treliça composta, consiste na união de duas treliças simples, internamente isostáticas, através
de três barras, nem paralelas nem concorrentes entre si, ou de um nó e uma barra. Em ambos
os casos, a condição necessária é atendida.

Exemplos de treliças compostas:

Uma treliça complexa não se enquadra em nenhum dos casos anteriores. Apesar de
atender à condição necessária, a determinação analítica dos esforços não é efetuada de
maneira simples. Podem ser analisadas pelo método de Henneberg, o qual consiste na troca
de posição de uma barra de modo a transformar a treliça complexa em simples.

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Atenção
Estaticidade e estabilidade

As condições expressas por 2n = b + r e 2n < b + r são condições necessárias, mas não


suficientes para que as treliças sejam classificadas como isostáticas e hiperestáticas,
respectivamente. Em ambos os casos, a condição necessária da estabilidade tem que ser
satisfeita.

A instabilidade das estruturas pode ser oriunda:

 De formas geométricas críticas, isto é, barras da treliça arranjadas de forma inadequada;


 De posicionamentos incorretos dos apoios, isto é, forças reativas formando sistemas de
forças paralelas ou concorrentes;
 De instabilidade parcial em decorrência de trechos hiperestáticos e hipostáticos na
estrutura.

Exemplos de treliças instáveis podem ser observados na figura abaixo. A instabilidade


devido à forma crítica nem sempre é de fácil identificação. A observação da regra básica de
formação das treliças é fundamental para a estabilidade das treliças.

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11.4. Determinação dos esforços em treliças simples isostáticas –


Métodos de análise
A obtenção dos esforços em uma treliça isostática pode ser efetuada tanto pelo equilíbrio
de uma seção (conhecido como Método de Ritter) como pelo equilíbrio de seus nós (Método
dos Nós). Em qualquer um destes, é mantida a mesma convenção para os sentidos positivos
dos esforços que já vinha sendo empregada para outros modelos estruturais, porém,
simplificada pela presença unicamente de esforço axial:

A resolução de uma treliça ideal consiste na determinação dos esforços normais N em


todos os seus elementos. A análise das treliças pode ser feita estabelecendo-se o equilíbrio:

 De parte da estrutura: através do Método das Seções (ou Método de Ritter); ou


 De seus nós: através do Método dos Nós. O Método de Cremona é um método gráfico de
equilíbrio dos nós.

Os métodos de análise das treliças baseiam-se nas seguintes hipóteses:

 Seus nós são rotulados; e


 As cargas são aplicadas nos nós.

Estas hipóteses conduzem ao conceito de Treliça Ideal, a qual é uma simplificação para
efeito de cálculo. Na prática, os nós das treliças, de aço, madeira ou qualquer outro material,
são aparafusados, soldados, ou rebitados (não mais empregados) não sendo, portanto, rótulas
perfeitas. Em geral, pequenas cargas (peso próprio e outras) encontram-se também aplicadas
ao longo de seus elementos. No entanto, para efeito de cálculo, as hipóteses acima conduzem
a resultados suficientemente precisos. Na prática, todos os nós das treliças são projetados
através de ligações, de forma que todos os eixos das barras que se conectam num nó sejam
convergentes num único ponto. Para efeito de cálculo, as barras submetidas somente a
esforços normais N, formam um sistema de forças concorrentes em equilíbrio.

11.4.1. Método de Ritter


Também conhecida como método das seções, trata-se de um procedimento análogo ao
aplicado às demais estruturas estudadas. Ou seja, uma vez equilibrada a estrutura, efetua-se
uma seção no ponto da estrutura onde se deseja conhecer os esforços, aplicando as equações
de equilíbrio a uma das partes. Como particularmente tem-se o fato de que, uma vez cada
barra possui apenas um esforço como incógnita (e não três como é o caso geral), a seção de
corte pode interceptar até três barras, desde que estas não estejam nem paralelas nem
concorrentes num mesmo nó.

Assim, para um elemento de viga ou pórtico, tem-se:

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Enquanto, para uma treliça:

Cabe destacar que as seções podem ter formas quaisquer, desde que sejam contínuas e
atravessem a treliça, de modo a separá-la efetivamente em duas partes.

O Método de Ritter permite a fácil obtenção dos esforços em barras situadas num ponto
qualquer da estrutura. No entanto, quando se busca a obtenção dos esforços em todos os
elementos da treliça, torna-se bastante trabalhoso, por exigir um número grande de seções de
corte.

Observar:

 Arbitrando-se todos os esforços normais como de tração, os sinais obtidos das equações
de equilíbrio conduzem a:
• Sinal positivo (+) → tração;
• Sinal negativo (-) →à o p ess o.
 O método das seções apresenta a vantagem de não transpor erros de uma parte da
estrutura a outras, como ocorre com o método do equilíbrio dos nós;
 O método das seções é particularmente útil quando se deseja determinar os esforços
normais em algumas barras.
 Tantas seções, quantas forem necessárias, devem ser consideradas quando se deseja
determinar os esforços normais em todas as barras;
 Na resolução das treliças, o mais conveniente é utilizar dois métodos: das seções e dos
nós. Recomenda-se, entretanto, dar preferencia ao método das seções, utilizando o
método dos nós somente para conclusões localizadas dos cálculos.

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Exemplo: Determinar os esforços nas barras da treliça interceptadas pelas seções S1 e S2


indicadas na figura:

Estaticidade:

Reações de apoio:

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ΣFH = 0 →

ΣFV = 0 →

ΣMA = 0 →

Portanto: RVA + RVB =

Ou:

ΣMB = 0 →

Verificação:

ΣMC = 0 →

Esforços nas seções:

 Seção S1:

ΣFV = 0 →

ΣMD = 0 →

ΣFH = 0 →

Verificação:

ΣMC = 0 →

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- Seção S2:

ΣME = 0 →

ΣMF = 0 →

ΣFH = 0 →

Verificação:

ΣFV = 0 →

11.4.2. Método dos Nós


Consiste no estudo do equilíbrio de cada nó, iniciado e prosseguindo pelos nós só
possuam duas incógnitas a determinar (esforços ou reações), até abranger todos os nós. A
limitação a duas incógnitas deve-se ao fato de, no equilíbrio do nó, apenas as forças aplicadas
nesse nó serem computadas (e, portanto, o somatório de momentos com relação a esse nó
não fornecer nenhuma informação). Assim, apenas o equilíbrio de forças, não de momento,
pode ser empregado, o que faz com que nenhuma verificação possa ser efetuada até que se
finalize o cálculo dos esforços em todos os elementos.

Uma vez que o método emprega os valores obtidos no equilíbrio dos nós anteriores,
qualquer engano cometido, por exemplo, no sentido de um esforço, faz com que o erro se
reflita em todo o restante da análise. Assim, é interessante que, uma viga equivalente de alma
cheia, de modo que se possa antever, se não a magnitude dos esforços, ao menos o sinal
destes.

Este método consiste em estabelecer o equilíbrio em todos os nós da estrutura baseando-


se na premissa de que se a estrutura, como um todo, está em equilíbrio, todas as partes que a
constituem, no presente caso os nós, devem estar também em equilíbrio.

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Em um nó de treliça os membros que nele convergem introduzem somente forças


concentradas, não produzindo momentos. Assim sendo, em cada nó, as duas equações de
equilíbrio disponíveis são:

ΣFx = 0
ΣFy = 0

Por consequência, para determinar os esforços normais das barras que convergem no nó
é necessário que não se tenha mais do que duas incógnitas por nó.

Na resolução das treliças através do método do equilíbrio dos nós deve-se:

 Determinar as reações de apoio;


 Iniciar a determinação dos esforços normais nas barras a partir de um nó que apresente
duas forças desconhecidas (em geral, nós dos apoios);
 Prosseguir estabelecendo o equilíbrio de outros nós onde todas as forças, a menos de
duas, tenham sido anteriormente determinadas.

Observar:

 A determinação dos esforços normais em algumas barras exige o cálculo dos esforços em
outras barras. O método dos nós apresenta o inconveniente de transmitir erros de um nó
para os seguintes;
 Quando o objetivo é determinar os esforços normais em apenas alguns elementos
recomenda-se utilizar o método das seções.

O Método dos Nós e das seções podem, e devem ser usados intercalados.

O Método dos Nós possui uma forma gráfica de resolução, em crescente desuso,
conhecida como Método de Maxwell-Cremona.

11.4.3. Método de Maxwell-Cremona


O método de Maxwell-Cremona nada mais é do que um processo gráfico de resolução das
treliças baseado no método de equilíbrio dos nós.

A representação gráfica de um sistema de forças em equilíbrio forma um polígono


fechado. Observar que na grafostática as forças tem que ser representadas em escala.

Para que uma estrutura esteja em equilíbrio todas as suas partes devem também estar
em equilíbrio. Assim sendo:

Um nó em equilíbrio → todos os nós em equilíbrio → a estrutura em equilíbrio.

Na aplicação do Método deve-se observar:

 A notação de Bow, que consiste em identificar por meio de letras as regiões delimitadas
pelas forças externas (ativas e reativas) e internas (normais N nas barras).
 Iniciar o traçado por um nó no qual se tenha somente duas forças desconhecidas;

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 Escolher um sentido de giro (horário ou anti-horário) que será mantido ao longo de todo
o traçado;
 Iniciar sempre o traçado pelas forças conhecidas, observando as direções e os sentidos
das forças, obedecendo sempre uma escala convenientemente escolhida;
 Identificar as forças pelas letras das regiões que ela delimita, obedecendo ao sentido de
giro adotado (exemplo ab se a força delimita as regiões A e B).

Vantagens dos Métodos Gráficos:

Fornecem facilmente os esforços normais em todas as barras permitindo uma visão global
da estrutura e visualizando o equilíbrio (polígono fechado).

Desvantagem:

A precisão depende do cuidado na elaboração gráfica.

Conclusão:

Com o advento e a ampla disponibilidade de equipamentos computacionais, esses


Métodos são pouco utilizados hoje em dia.

Exemplo: Empregando o Método dos Nós, determinar os esforços nas barras da treliça:

Estaticidade:

Adicionalmente, atende à lei de formação de treliças simples isostáticas (condição


suficiente). Logo, a estrutura é isostática.

Sendo assim, as 10 incógnitas podem ser determinadas apenas com equações de


equilíbrio de nó. Observa-se, no entanto que, ao determinar as reações de apoio, restam sete

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incógnitas e, portanto, três equações excedentes e que poderão, ao final, permitir a


verificação dos esforços calculados.

Reações:

ΣFH = 0 →

ΣFV = 0 →

ΣMA = 0 →

Portanto: RVA + RVB =

Ou:

ΣMB = 0 →

Verificação:

ΣMB = 0 →

Esforços nas seções:

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 Nó A:

ΣFV = 0 →

ΣFH = 0 →

 Nó C:

ΣFV = 0 →

ΣFH = 0 →

 Nó D:

ΣFV = 0 →

ΣFH = 0 →

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 Nó B:

ΣFV = 0 →

ΣFH = 0 →

 Nó E (verificação):

ΣFV = 0 →

ΣFH = 0 →

11.5. Observações gerais sobre as treliças


a) Observando-se o equilíbrio de cada nó (método dos nós), pode-se identificar, com
facilidade, barras com esforços normais nulos, denominadas barras inativas. Por
exemplo, conforme ilustrado na figura, em nós sem forças aplicadas em que
convergem três barras, sendo suas barras colineares, o esforço normal na barra não
colinear é nulo;
b) No caso apresentado na figura abaixo, em que os ângulos formados pelas barras são
de 90°, mesmo que haja força aplicada ao nó, o esforço normal na barra não colinear
é facilmente obtido, tendo em vista o equilíbrio na direção da barra não colinear. No
caso representado na figura: N2 = + 10 kN (sentido OK → tração);

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c) A sensibilidade de como variam os esforços normais nos elementos de uma treliça


(banzos e bielas) pode ser obtida através da analogia com vigas:

Figura 11.1 – Analogia das treliças com as vigas

 Os banzos comprimidos e tracionado formam binários (C e T) que absorvem os


momentos fletores (M = T . h) acarretando, portanto, esforços normais crescentes
em direção ao meio do vão, onde os momentos fletores nas vigas são maiores.

 As bielas (elementos verticais ou inclinados) absorvem, com as componentes


verticais, os esforços cortantes acarretando, portanto esforços normais crescentes
em direção aos apoios, onde os esforços cortantes nas vigas são maiores. As
componentes horizontais das bielas inclinadas participam no equilíbrio das forças
na direção horizontal.

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12. Forças móveis


12.1. Introdução
As ações externas ativas ou ações atuantes nas estruturas (forças, variações de
temperatura e deformações prévias) foram classificadas anteriormente, em permanente,
acidentais e excepcionais. As ações permanentes são as que atuam ao longo de toda a vida útil
da estrutura; as acidentais são as que atuam esporadicamente; e as excepcionais são as de
duração extremamente curta, grande intensidade e muito baixa probabilidade de ocorrência.
Entre as acidentais, têm-se as forças móveis provenientes de veículos, equipamentos e
aglomerações que se deslocam sobre a estrutura, como em passarelas, em pontes rodoviárias,
ferroviárias e rolantes, e em viadutos. Diferentemente do peso das pessoas que se deslocam
nos edifícios usuais, as forças móveis nas estruturas de transposição provocam reações de
apoio e esforços seccionais da mesma ordem de grandeza ou até maiores do que aqueles
provocados pelas ações permanentes. E a questão que agora se coloca é a determinação dos
efeitos devido às forças móveis em suas posições mais desfavoráveis, para que o
dimensionamento da estrutura possa ser feito com garantia de resistência a essas forças,
juntamente com as ações permanentes.

Uma linha de influência expressa certo efeito elástico (reação, esforço seccional ou
deslocamento) em determinado ponto de uma estrutura, devido a uma força unitária móvel.
Já, um trem-tipo é uma combinação de forças móveis usualmente estabelecidas em normas de
projeto. E com a suposição de comportamento linear, é válido o princípio da superposição, de
maneira que o efeito elástico de um trem-tipo em atuação em determinada posição é obtido
através da soma dos produtos de suas forças pelas correspondentes ordenadas da linha de
influencia do efeito elástico em estudo, sendo necessário, contudo, identificar as posições do
trem-tipo que conduzem aos máximos e mínimos efeitos.

12.2. Linha de influência


À medida que uma carga em movimento passa por uma estrutura, as forças internas em
cada ponto da estrutura variam. Intuitivamente, recorremos que uma carga concentrada
aplicada em uma viga em meio vão produz tensões de flexão e deflexão muito maiores do que
a mesma carga aplicada perto de um apoio.

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O diagrama de um esforço seccional em uma estrutura expressa a variação desse esforço


ao longo dos eixos das barras, devido a um conjunto de ações externas. Já a linha de influência
(LI) de determinada reação ou de certo esforço seccional, relativamente a uma seção de
barra ou ponto de referencia da estrutura, expressa essa reação ou esse esforço neste ponto,
quando uma força unitária adimensional percorre a estrutura ou parte de suas barras.

Se uma estrutura deve ser projetada com segurança, devemos dimensionar suas barras e
nós de modo que a força máxima em cada seção, produzida pela sobrecarga e pela carga
permanente, seja menor ou igual à capacidade admissível da seção. Para estabelecer as forças
de projeto máximas nas seções críticas, produzidas por cargas que se movem, frequentemente
construímos linhas de influência.

12.3. Trem-tipo
Um trem-tipo é um conjunto de forças móveis, concentradas e/ou distribuídas, de
valores constantes e de distancias relativas fixas entre si, que representam a combinação
prevista mais desfavorável de veículos e de pessoas que atravessarão a estrutura,
usualmente definida em norma de projeto.

No Brasil, essas forças são estabelecidas pela Norma NBR 7188:2013 – Carga móvel
rodoviária e de pedestres em pontes, viadutos, passarelas e outras estruturas e pela Norma
NBR 7189:1985 – Cargas móveis para projeto estrutural de obras ferroviárias. E o nome trem-
tipo é alusão às obras ferroviárias para as quais E. Winkler apresentou o conceito de linhas de
influência.

O trem-tipo é função da classe da estrutura de transposição e representa as inúmeras


combinações de veículos e de aglomerações que possam vir a percorrê-la durante a sua vida
útil.

Figura 12.1 – Caminhões e carretas de uso corrente no Brasil.

12.4. Princípio de Müller-Breslau (processo cinemático)


O princípio de Müller-Breslau fornece um procedimento simples para estabelecer o
formato das linhas de influência para as reações ou para as forças internas (cortante e
momento) em vigas. As linhas de influência qualitativas, que possibilitam se esboçadas
rapidamente, podem ser usadas das três maneiras a seguir:

1. Para verificar se o aspecto de uma linha de influência, produzida pelo movimento de


uma carga unitária em uma estrutura, está correto.

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2. Para estabelecer onde se deve posicionar a carga móvel em uma estrutura para
maximizar uma função específica, sem avaliar as ordenadas da linha de influencia.
Uma vez estabelecida a posição crítica, fica mais simples analisar diretamente certos
tipos de estruturas para a carga móvel especificada do que desenhar a linha de
influência.
3. Para determinar a localização das ordenadas máximas e mínimas de uma linha de
influência, para que apenas algumas posições da carga unitária precisem ser
consideradas quando as ordenadas da linha de influência forem calculadas.

O princípio de Müller-Breslau declara:

A linha de influência de qualquer reação ou força interna (cortante, momento)


corresponde à forma defletida da estrutura produzida pela retirada da capacidade da
estrutura de suportar essa força, seguida da introdução na estrutura modificada (ou
liberada) de uma deformação unitária correspondente à restrição retirada.

A deformação unitária refere-se a um deslocamento unitário para reação, um


deslocamento unitário relativo para o cortante e uma rotação unitária relativa para o
momento.

Figura 12.2 – Linha de influência qualitativa para a reação no apoio da esquerda.

As linhas de influência das reações da esquerda e da direita da viga abaixo são


desenhadas de modo semelhante:

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Como terceiro exemplo, é analisada a linha de influência do momento fletor na seção 1-1
da viga. Esse diagrama pode ser obtido cortando-se a viga no ponto em questão e aplicando-se
momentos imediatamente à esquerda e imediatamente à direita da seção de corte.

12.5. Linhas de influência para treliças


As barras de uma treliça normalmente são projetadas para força axial, por isso suas
seções transversais são relativamente pequenas devido ao uso eficiente de material em tensão
direta. Como a barra de uma treliça com seção transversal pequena flete facilmente, cargas
transversais aplicadas diretamente na barra, entre suas extremidades, produziriam deflexões
de flexão excessivas. Portanto, se as barras da treliça precisam suportar somente força axial, as
cargas devem ser aplicadas somente nos nós.

As cargas podem ser transmitidas para as treliças através dos nós superiores ou inferiores.
Se a carga é aplicada nos nós da corda superior, a treliça é conhecida como treliça de estrado
superior. Alternativamente, se a carga é aplicada nos nós da corda inferior, é denominada
treliça de ponte.

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12.6. Método do aumento-diminuição


Este método consiste em incluir a maximização de uma função quando a carga móvel
consiste em um conjunto de cargas concentradas cuja posição relativa é fixa. Tal conjunto de
cargas poderia representar as forças exercidas pelas rodas de um caminhão ou de um trem.

No método do aumento-diminuição, posicionamos o conjunto de cargas na estrutura de


modo que a carga dianteira esteja localizada na ordenada máxima da linha de influência.

12.7. Valores máximos para cargas móveis


Para projetar uma estrutura que suporte cargas móveis o engenheiro deve determinar
onde colocar as cargas de modo que sejam originadas as forças máximas nos vários pontos da
estrutura. Se alguém puder colocar as cargas nas posições onde ocorrem as forças máximas,
não será preciso ter preocupação com qualquer outra posição que as cargas possam ocupar na
estrutura.

Se uma estrutura for carregada com uma carga uniformemente distribuída variável e não
mais do que uma carga ou duas cargas concentradas móveis, as posições críticas das cargas
ficarão evidentes com o traçado das linhas de influência. Entretanto, se a estrutura precisar
suportar uma série de cargas concentradas de vários valores, como grupos de caminhões ou
de rodas de trens, o problema não ficará tão simples. A linha de influência fornece uma
indicação das posições aproximadas para a colocação das cargas, porque é razoável admitir

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que as cargas mais altas devam estar agrupadas em um local próximo às maiores ordenadas do
diagrama.

Figura 12.2 – Viga biapoiada com várias cargas aplicadas.

12.7.1. Momento máximo


 Caso 1. Carga única concentrada:

Uma única carga atuando em uma viga produz um diagrama triangular de momentos cuja
ordenada máxima ocorre diretamente sob a carga. À medida que uma carga concentrada se
move por uma viga com apoios simples, o valor do momento máximo diretamente sob a carga
aumenta de zero, quando a carga está em um dos dois apoios, até 0,25PL, quando a carga está
no meio do vão. A linha tracejada, denominada envelope do momento, representa o valor
máximo absoluto do momento de carga móvel produzido pela carga concentrada que pode se
desenvolver em cada seção da viga com apoios simples.

Figura 12.3 – Envelope do momento de uma carga concentrada sobre uma viga com apoios simples.

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 Caso 2. Série de cargas de roda

O método do aumento-diminuição fornece um procedimento para estabelecer o


momento máximo em uma seção arbitrária de uma viga, produzido por um conjunto de cargas
em movimento. Para usar esse método, devemos primeiro construir a linha de influência do
momento na seção onde o momento deve ser avaliado. Embora reconheçamos que o
momento máximo produzido por um conjunto de cargas de roda vai ser maior para seções no
meio do vão ou próximas dele do que para seções localizadas perto de um apoio.

Figura 12.4 – Posição d da Resultante das cargas.

12.7.2. Cortante máximo


O valor máximo do cortante em uma viga (com apoios simples ou contínua) normalmente
ocorre adjacente a um apoio. Em uma viga com apoios simples, o cortante na extremidade
será igual à reação; portanto, para maximizar o cortante, posicionamos as cargas de forma a
maximizar a reação. A linha de influência da reação indica que a carga deve ser colocada o
mais próximo possível do apoio e que o vão inteiro deve ser carregado. Se uma viga simples
suporta um conjunto de cargas em movimento, o método do aumento-diminuição pode ser
usado para estabelecer a posição das cargas no membro para maximizar a reação.

Para maximizar o cortante em uma seção B-B específica, a linha de influência indica que a
carga deve ser colocada somente em um lado da seção e no lado mais distante do apoio. Por
exemplo, se a viga suporta uma carga móvel uniformemente distribuída de comprimento
variável, para maximizar o cortante na seção B, a carga móvel deve ser colocada entre B e C.

Figura 12.5 – Cortante máximo em uma viga com apoios simples: (a) sentido positivo do cortante
em B; (b) linha de influência de RA; (c) linha de influência do cortante na seção B.

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Se uma viga com apoios simples suporta uma carga móvel uniforme de comprimento
variável, talvez o projetista queira estabelecer o cortante de carga móvel crítico nas seções ao
longo do eixo da viga, construindo um envelope do cortante máximo. Um envelope aceitável
pode ser produzido passando-se uma linha reta entre o cortante máximo no apoio e o apoio é
igual a wL/2 e ocorre quando o vão inteiro está carregado. O cortante máximo em meio vão é
igual a wL/8 e ocorre quando a carga é colocada em uma das metades do vão.

Exemplo 1: Determine (a) os valores máximos absolutos do cortante e do momento


produzidos pelas cargas de roda na viga e (b) o valor de momento máximo quando a roda do
meio está posicionada no centro da viga.

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A. Etapas do projeto estrutural


A.1. Lançamento e discretização
De posse do projeto arquitetônico, definem-se o sistema estrutural e a disposição dos
elementos, modelando a estrutura de acordo com os instrumentos disponíveis e da precisão
desejada.

Considerando, a título de ilustração, uma edificação simples, têm-se como possíveis


modelos estruturais:

 Pórtico espacial:

 Pórticos planos:

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 Grelha e pilares:

 Vigas e pilares:

A.2. Simulação da vinculação


Busca a reprodução com maior fidelidade possível do comportamento da união entre
elementos, a qual é efetuada essencialmente em função de suas rigidezes relativas.

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A.3. Verificação da estaticidade


Verificar se a estrutura em análise é isostática ou hiperestática.

A.4. Pré-dimensionamento dos elementos


Efetuado em função da experiência do profissional e/ou baseado em critérios obtidos da
literatura técnica).

A.5. Composição do carregamento


Incluindo o peso próprio dos elementos.

A.6. Determinação das reações de apoio


Cálculo das reações de apoio.

A.7. Determinação dos esforços internos solicitantes


Incluindo o traçado dos diagramas dos esforços internos.

A.8. Verificação da capacidade resistente dos elementos


Onde será constatada a necessidade de aumentar ou a possibilidade de manter (ou
reduzir) as seções. No caso de alteração significativa das seções, a influência dessa alteração é
computada no carregamento e a análise, refeita. Cabe destacar que, em estruturas
hiperestáticas, a alteração nas dimensões de um único elemento provoca a redistribuição dos
esforços.

A.9. Detalhamento da estrutura


Dimensionamento da seção transversal, detalhamento das armaduras (perfis metálicos) e
disposições construtivas.

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B. Determinação das cargas atuantes


B.1. Cargas atuantes em lajes
As lajes são elementos estruturais usados na criação de espaços horizontais. São
classificados como elementos estruturais de massa bidimensionais, que dizer, são elementos
que transferem cargas em duas direções até o ponto de apoio, geralmente vigas.

Normalmente, salvo raras exceções, as cargas atuantes nas lajes se resumem em cargas
permanentes (peso próprio) e cargas acidentais (cargas decorrentes do uso do espaço). A
carga total atuante será o somatório dessas duas cargas.

B.1.1. Carga Permanente - g (peso próprio – PP)


É determinada pelo produto do volume do elemento pelo peso específico do material de
que é constituído.

V – volume, unidade m3;

ɣ – peso específico, unidade kN/m3;

B.1.2. Carga acidental – q (sobre carga – SC)


É determinada, dependendo do uso, pelo valor unitário constante na ABNT, NBR
6120:1980 – tabela 2, multiplicado pela área do espaço horizontal definida pela laje.

CA – carga acidental definida por Norma, unidade kN/m2;

A – área do espaço horizontal, unidade m2;

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B.1.3. Carga total


É obtida pela soma: carga permanente + Carga acidental, PP + SC (g + q).

Exemplo 1: Determinar a carga total e a carga total por unidade de medida de área de uma
laje quadrada de lado 10 m, sabendo-se que:

- O espaço será utilizado como sala de aula;

- A laje será executada em concreto armado (ɣ = 25 kN/m3);

- A espessura da laje é 10 cm.

B.2. Cargas atuantes nas extremidades das lajes


Como já foi visto, as lajes são elementos estruturais de massa bidimensionais (elementos
que transferem cargas em duas direções). Normalmente, essas cargas são transmitidas até
outros elementos, geralmente vigas (elementos responsáveis pela delimitação do espaço
horizontal). Assim, é muito importante que se conheçam os valores das cargas atuantes nas
extremidades das lajes. É importante ressaltar que a carga chega às extremidades de forma
distribuída, ou seja, por unidade de medida linear.

Para determinar o valor de carga correspondente a cada extremidade, existem dois


métodos: o Método dos Quinhões e o Método de Ruptura. Nesse momento, será usado apenas
o Método dos Quinhões, por ser um método mais simples de ser compreendido. A análise do
Método de Ruptura será feita futuramente, em disciplinas específicas.

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B.2.1 Método dos Quinhões


O método dos quinhões está fundamentado na área de abrangência que cabe a cada
extremidade. A área de abrangência é determinada graficamente de forma muito semelhante
à determinação de águas de um telhado. Tomando-se como exemplo uma laje maciça de
forma retangular, traça-se uma linha central paralela à maior dimensão da laje, em seguida,
traçam-se linhas diagonais a partir dos cantos até encontrar a linha central, conforme ilustra a
figura a seguir. (Observar NBR 6118:2007 item: 14.7.6.1).

A área de abrangência de cada extremidade é dada pela área da figura geométrica


formada, no caso, trapézio (1 e 2) e triângulo (3 e 4).

Os ângulos α e β são dados de acordo com o tipo de vinculação da laje com os pontos de
apoio. Se as vinculações forem iguais nos quatro lados, os ângulos serão iguais, portanto, 45°.
Se dois lados forem engastados em dois apoios simples, então, do lado engastado, o ângulo
será de 60°, e o do lado simplesmente apoiado será de 30°.

Outra forma de observar os ângulos formados com os tipos de vinculações seria


identificando as disposições de fissuras que apareceriam, se a laje estivesse com insuficiência,
ou carecesse de armação para uma dada carga.

 Alguns exemplos de tipo de contorno:

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Exemplo 2: Determinar o valor de carga nas extremidades de uma laje de forma retangular,
executada em concreto armado, sabendo-se que será utilizada como sala de aula.

- O espaço será utilizado como sala de aula;

- A laje será executada em concreto armado (ɣ = 25 kN/m3);

- A espessura da laje é 10 cm;

- Condição de apoio = 4 lados engastados.

B.3. Cargas atuantes em vigas


Vigas são elementos estruturais de massas unidimensionais usados para a delimitação dos
espaços horizontais. Sua principal característica estrutural é a transmissão de cargas verticais
no sentido horizontal, ou seja, as vigas absorvem todas as cargas verticais que chegam até ela
e as transferem até os pontos de apoio, geralmente pilares.

Normalmente, as vigas estão sujeitas a cargas permanentes e a cargas acidentais. A


atuação dessas cargas pode ser de forma distribuída e/ou de forma concentrada. A carga total
é determinada pelo somatório das cargas distribuídas mais as cargas concentradas. No
diagrama de corpo livre, devem aparecer todas as cargas envolvidas no elemento.

B.3.1. Cargas permanentes distribuídas


São oriundas do seu próprio peso e das paredes que atuam sobre ela. Essas cargas
geralmente atuam de forma distribuída. Cargas permanentes concentradas são aquelas
decorrentes de dispositivos que atuam pontualmente sobre as vigas. Ex.: vigas que se apoiam
em vigas.

B.3.2. Carga Permanente - g (peso próprio – PP)


A carga permanente (peso próprio) é determinada pelo produto do volume do elemento
pelo peso específico do material de que é constituído.

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V – volume, unidade m3;

ɣ – peso específico, unidade kN/m3;

B.3.3. Peso das paredes


A carga permanente oriunda das paredes é determinada pelo produto do volume da
parede pelo peso específico do material de que é constituída.

V – volume, unidade m3;

ɣ – peso específico, unidade kN/m3;

B.3.4. Carga concentrada


A carga concentrada é determinada a partir dos elementos ou dispositivos que atuam
pontualmente na viga.

B.3.5. Cargas acidentais


São oriundas dos planos horizontais (lajes) que usam as vigas como apoio. Essas cargas
atuam sobre as vigas de forma distribuída. É a carga distribuída atuante na extremidade da laje
que se apoia na viga.

Exemplo 3: Determinar a carga total atuante em uma viga de concreto armado, sobre a qual se
apoia uma parede de tijolos furados e sobre uma laje, cuja carga distribuída na borda é de 10
kN/m

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Exemplo 4: Considere-se o teto-tipo, conforme ilustrado, correspondente a uma sala de aula.


Cabe observar que, num projeto arquitetônico, a visualização é efetuada no sentido inverso ao
do estrutural.

Na planta acima (planta de formas), a numeração dos elementos é efetuada da esquerda


para a direita e de cima para baixo, conforme normatização específica. As dimensões das
seções transversais das vigas incluem a espessura das lajes.

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A contribuição das alvenarias no enrijecimento da estrutura normalmente é desprezada,


sendo computado apenas o seu peso. No presente exemplo, são considerados os seguintes
dados:

- Distância entre pisos igual a 3,40 m;

- Espessura da parede (tijolo maciço) e = 15 cm;

- Considerar paredes sobre todas as vigas (sem reboco).

- Revestimento das lajes, tacos – (0,70 kN/m2);

- Reboco nas lajes (parte interna) e = 1,5 cm;

- Considerar ângulos de 45° em todas as extremidades.

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13. Bibliografia consultada


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que se iniciam no estudo das estruturas. 1. Ed. São Paulo: Zigurarte, 2001.

SÁLES, J. J.; NETO, J. M.; MALITE, M.; DIAS. A. A.; GONÇALVES, R. M. Sistemas estruturais:
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