O Templo e o Maçom
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Rito Brasileiro
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Celular, onde e quando usar?
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CRIAÇÃO DO RITO BRASILEIRO
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SUPREMO CONCLAVE DO BRASIL RITO BRASILEIRO de Maçons Antigos, Livres e
Aceitos
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SUPREMO CONCLAVE DO BRASIL RITO BRASILEIRO
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VULTOS DO RITO BRASILEIRO
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VULTOS DO RITO BRASILEIRO 02
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Vultos do Rito Brasileiro 03
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Fatos Maçônicos para dia 08 de Setembro
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MAÇONARIA E A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL
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POR QUE "LOJA" MAÇÔNICA???
Post #26
AS COLUNAS BOOZ E JACKIN
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A MAÇONARIA E O LIVRO DE AMÓS
Post #28
A MAÇONARIA E O REI ATHELSTAN
Post #29
OS TEMPLÁRIOS NÃO FORAM BANIDOS DA IGREJA
Post #30
TEMPLÁRIOS CUSTODIARAM MANTO DE TURIM, CONFIRMA PERITA
Post #31
OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES
Post #32
A CADEIRA DE SALOMÃO
Post #33
O ORGULHO, A VAIDADE E A IRA NO “MEIO MAÇÔNICO”
Post #34
O MAR DE BRONZE: SIMBOLOGIA MAÇÔNICA E POSIÇÃO NO TEMPLO
Post #35
A IMPACIÊNCIA É UM HÁBITO, A PACIÊNCIA, TAMBÉM
Post #36
O LEGÍTIMO LEMA DA MAÇONARIA
Post #37
VATICANO MAÇÔNICO
Post #38
A IMPORTÂNCIA QUE UM PADRINHO TEM NA FORMAÇÃO DE UM MAÇOM...
Post #39
A obra completa de Machado de Assis para download
Post #40
155 mil imagens de obras de arte em alta resolução para download gratuito
Post #41
Toda a obra de Mozart para download
Post #42
O RITO ADONHIRAMITA ALGUNS ESCLARECIMENTOS SOBRE O RITO E OUTROS
COMENTÁRIOS
Post #43
MAÇONARIA NÃO É MILÍCIA
Post #44
LANDMARKS, ANTIGAS OBRIGAÇÕES E CONSTITUIÇÕES DE ANDERSON
Post #45
CARGOS EM LOJA – VENERÁVEL MESTRE
Post #46
MESTRE INSTALADO
Post #47
GRÃO MESTRE
Post #48
A TROLHA, A COLHER DE PEDREIRO E A TOLERÂNCIA
Post #49
A ACÁCIA
Post #50
O OLHO QUE TUDO VÊ E O DELTA
Post #51
BALANDRAU
Post #52
O Templo e o Maçom
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O TEMPO DE ESTUDOS
Post #54
CARGOS EM LOJA – OFICIAIS REAA.’.
Post #55
O AVENTAL NO ORIENTE ETERNO
Post #56
TEMPLO MAÇÔNICO
Post #57
LOJA MAÇÔNICA
Post #58
NÃO EXISTE EX MAÇOM
Post #59
QUEM FOI HIRAM ABIF
Post #60
INQUISIÇÃO EM PORTUGAL E UM BANQUETE MAÇÔNICO
Post #61
QUAL O COMPROMISSO COM A SUA LOJA?
Post #62
EXPLICAÇÃO HISTÓRICA SOBRE O SALMO 133
Post #63
JURAMENTO E COMPROMISSO MAÇÔNICOS...
Post #64
NORMAS DE CONDUTAS DO MAÇOM
Post #65
OS CARGOS EM LOJA E OS SETE PLANETAS ESOTÉRICOS
Post #66
ONDE MORRE A MAÇONARIA!
Post #67
A ESCOLHA DO VENERÁVEL MESTRE
Post #68
O QUE VINDES AQUI FAZER? AONDE QUEREMOS CHEGAR?
Post #69
A I N I C I A Ç Ã O
Post #70
O SILÊNCIO NA MAÇONARIA
Post #71
SIMBOLOGIA DO NÚMERO 7 E A ESCADA DE JACÓ
Post #72
LANDMARKS NO RITO MODERNO
Post #73
O NÚMERO TRÊS, COINCIDÊNCIAS OU SIMBOLISMO?
Post #74
CARTA DE UM MAÇOM A SEU FILHO
Post #75
O CANDELABRO MÍSTICO
Post #76
QUEM É O SUBSTITUTO IMEDIATO DO VENERÁVEL MESTRE?
Post #77
COLUNAS ZODIACAIS
Post #78
POSSÍVEL ORIGEM DAS TRÊS BATIDAS
Post #79
MESTRE INSTALADO NÃO É GRAU
Post #80
DOCUMENTOS MAÇÔNICOS
Post #81
Templarios
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NOSTRADAMUS
Post #83
MARY´S CHAPEL, A LOJA MAÇÔNICA MAIS ANTIGA DO MUNDO
Post #84
O Templo e o Maçom
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Estar Entre Colunas - O Que Isto Significa?
Post #86
O Sonho e a Escada
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MAÇOM MATA!
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ACÁCIA AMARELA
Post #89
A Conduta do Maçom
Post #90
REGULARIZAÇÃO DA LOJA JOÃO RAMALHO Nº 4404 AO OR.'. SÃO VICENTE - SP
Post #91
MAÇONARIA OPERATIVA E ESPECULATIVA: UMA ABORDAGEM HISTÓRICA
Post #92
Os 33 Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA)
Post #93
A águia bicéfala e seus significados.
Post #94
O Grau 31 e a Jerusalém Celeste
Post #95
Importância do Grau de Cavaleiro Kadosch (Grau 30)
Post #96
Assuntos do Grau 31 (O Tribunal de Osíris).
Post #97
Personagens do Grau 31 (Osíris) - Parte 1
Post #98
Personagens do Grau 31 (Osíris) - Parte 2
Post #99
Personagens do Grau 31 (Osíris) - Parte 3
Post #100
Personagens do Grau 31 (Osíris) - Parte 4
Post #101
Os 4 elementos e o Rito Escocês Antigo e Aceito (O ar)
Post #102
Os 4 elementos e o Rito Escocês Antigo e Aceito (A água)
Post #103
Os 4 elementos e o Rito Escocês Antigo e Aceito (O fogo)
Post #104
Os 4 elementos e o Rito Escocês Antigo e Aceito (A terra)
Post #105
Os sinais secretos maçônicos e o Rito Escocês Antigo e Aceito (Parte 1)
Post #106
Os sinais secretos maçônicos e o Rito Escocês Antigo e Aceito (Parte 2)
Post #107
Os sinais secretos maçônicos e o Rito Escocês Antigo e Aceito (Parte 3)
Post #108
Os sinais secretos maçônicos e o Rito Escocês Antigo e Aceito (Parte 4)
Post #109
Mão Direita
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Johaben e o Rito Escocês Antigo e Aceito
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O TRABALHO MAÇÔNICO E A ESPIRITUALIDADE
Post #112
FERNANDO PESSOA: UMA APOLOGIA DA MAÇONARIA PORTUGUESA
Post #113
Seu tempo
#1
Rito Brasileiro
Este Rito,
também
conhecido
pelo nome de
Rito
Brasileiro de
Maçons
Antigos,
Livres e
Aceitos,
acredita-se
que tenha
surgido em
1878, no
Recife,
Pernambuco,
não tendo
conseguido se
desenvolver
até o ano de 1914, quando então o Grande Oriente do Brasil procurou estimular a sua
propagação e desenvolvimento. Durante este período passou por diversas transformações, tendo
tido diversas constituições até que se constituiu o Supremo Conclave. Entre estas
transformações que o Rito sofreu houve a adoção de 30 Graus, além dos três simbólicos, ao
invés dos cinco originais. O Rito Brasileiro adicionou à filosofia do Rito Escocês tons verde e
amarelo de brasilidade, apregoando muito o sentido de Patriotismo. Este Rito é muito
semelhante ao Rito Escocês Antigo e Aceito, chegando-se a dizer que deste copiou até as
enxertias vindas doutros Ritos, especialmente o Adonhiramita.
Possui 33 Graus, que são os seguintes:
Aprendiz
Companheiro
Mestre
Mestre da Discrição
Mestre da Lealdade
Mestre da Franqueza
Mestre da Verdade
Mestre da Coragem
Mestre da Justiça
Mestre da Tolerância
Mestre da Prudência
Mestre da Temperança
Mestre da Probidade
Mestre da Perseverança
Mestre da Liberdade
Mestre da Igualdade
Cavaleiro da Fraternidade
Cavaleiro Rosa-Cruz
Missionário da Agricultura
Missionário da Indústria e do Comércio
Missionário do Trabalho
Missionário da Economia
Missionário da Educação
Missionário da Organização Social
Missionário da Justiça Social
Missionário da Paz
Missionário da Arte
Missionário da Ciência
Missionário da Religião
Missionário da Filosofia
Guardião do Bem Público
Guardião do Civismo
Servidor da Ordem e da Pátria
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/rito-brasileiro.html
#2
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Rito de
York x Ritual
de Emulação -
Kennyo
Ismail
Emulação
é Rito de
York?
Não.
Emulação é
um dos
Rituais
adotados por
Lojas da
Grande Loja
Unida da
Inglaterra. É o
mais popular
deles.
Existem
outros
adotados na
GLUI:
Stability,
Unanimity, Oxford, Sussex, Logic, Perfect, Standard, Taylor's, Revised, Bristol, etc.
O GOB, para estreitar ainda mais os laços de fraternidade com a GLUI, escolheu entre esses
o Emulação para adotar em seu âmbito, pelo fato de ser o mais utilizado na Inglaterra,
geralmente usado nas Lojas dos Distritos da GLUI em outros países. O problema foi que,
quando da tradução do Ritual no GOB, erroneamente utilizaram o termo Rito de York na capa,
pois os responsáveis pela tradução pensavam que o ritual da Inglaterra era o mesmo utilizado
nos EUA e chamado de York. Afinal de contas, York fica na Inglaterra, os EUA foram colônia
da Inglaterra, e ambos falam inglês, né?
Infelizmente esse erro originou a confusão que vemos até hoje nas Lojas que adotam o
Emulação, com a expressão Rito de York estampada nos seus estandartes e brasões, e onde os
Irmãos acham que estão praticando o Rito de York sem nunca terem tido o menor contato com o
verdadeiro Rito de York americano.
Você tem certeza absoluta disso?
Sim. Os Irmãos que tiverem alguma dúvida quanto a isso podem pesquisar no site da GLUI e
tentar encontrar alguma referência sobre Rito de York. Não terá, pois a GLUI não adota
oficialmente nenhum rito, e suas Lojas podem utilizar qualquer Ritual desde que siga os
costumes do Antigo Ofício, sendo que a maioria adota esses 11 que foram citados.
Em contrapartida, os Irmãos podem visitar o site http://www.yorkrite.org/[1], que é o site
oficial do Rito de York, e verificar que se trata do Rito Americano. No site há links para todas
as Grandes Lojas dos EUA, que adotam o Rito de York em suas Lojas Simbólicas, as Blue
Lodges (conhecido como Monitor de Webb), e links para todos os Grandes Capítulos de
Maçons do Real Arco, Grandes Conselhos Crípticos e Grandes Comandarias Templárias, que
administram os Corpos dos Graus Superiores do Rito de York.
Para os Irmãos que desejam conhecer uma verdadeira Blue Lodge, que trabalha no Rito de
York, algumas Grandes Lojas e Grandes Orientes Independentes possuem Lojas trabalhando
com base nos Rituais da Grande Loja de New York e da Grande Loja de Nevada. Já o GOB não
possui ainda Lojas trabalhando no Rito de York.
Há diferenças entre o Rito de Yok (EUA) e o Ritual de Emulação (Inglaterra)?
Sim.
Apesar dos templos serem parecidos e o modo de circulação em Loja também, os rituais são
bastante diferentes.
Exemplos básicos: no Rito de York o Venerável Mestre utiliza uma cartola. No Emulação o
Venerável não utiliza cartola ou chapéu. No Rito de York existe Marechal, enquanto que no
Emulação existe Diretor de Cerimônias. Esses são apenas dois exemplos das muitas diferenças
existentes.
A origem de ambos não é a mesma?
Não. O Rito de York tem como "pai" o Irmão Thomas Smith Webb e como data base o ano
de 1797, quando o Rito foi aprovado e adotado pelos EUA. Sua base são os antigos costumes da
Grande Loja dos Antigos e da Grande Loja da Irlanda, que eram muito parecidos.
Já o Ritual de Emulação foi criado na Loja Emulação, sendo uma versão dos Rituais surgidos
após a fusão das duas Grandes Lojas Inglesas que ocorreu em 1813, e que sofreram forte
influência dos costumes herdados da Grande Loja dos Modernos.
Qual é o mais praticado?
O York. O Rito de York é praticado por mais de 3 milhões de Maçons em quase 50 mil Lojas
Simbólicas. Isso representa quase 60% dos Maçons do mundo. Já o Ritual de Emulação é
praticado por aproximadamente 200 mil Maçons reunidos em quase 7 mil Lojas Simbólicas, o
que representa menos de 5% da Maçonaria mundial.
Detalhe: o Emulação é menor do que o REAA, tanto em número de Lojas como em número
de praticantes.
Fonte: texto do Irmão Kennyo Ismail, publicado no site No Esquadro:
References
1. ^ http://www.yorkrite.org/ (l.facebook.com)
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/rito-de-york-x-ritual-de-
emulacao.html
#10
O Templo e o Maçom
NOVA
LOJA DO
RITO
O Templo e o Maçom
O Templo e o Maçom
Fatos Maçônicos para dia 08 de Setembro: 1924 - Fundação da Grande Loja da Finlândia.
1956 - ARBLS .'.Domingos José Martins - oriente de Vitória - ES - histórica reunião
ficou deliberado considerar-se fundadores todos os que se juntassem à Loja até o dia de sua
Regularização, o que se deu no dia 08 de setembro de 1956, sob a orientação da Comissão
Organizadora: Presidente Ir. José Benedito Bonfim, Ir. Abelardo Albuquerque, Ir. Leonel
de Souza, como Orador Ir. Geraldo Costa Alves e Secretário Ir. Alfredo Pacheco Barroca,
e com um quadro de quarenta e quatro Irmãos Fundadores.” *
1988 - Fundação da ARLS Oito de Setembro nº 2.546, esta iniciativa foi tomada pelos Ir:.
da Loja Tupy, Or:.de Araçatuba/SP, que a partir de então é considerada a nossa loja “MÃE”.
O nome desta oficina “Oito de Setembro” foi escolhido com o propósito e se homenagear a
cidade de Bilac, através de sua padroeira Nossa Senhora da Conceição cujo dia festivo é
comemorado nesta data; oito de setembro.
2009 - A Loja Maçônica General Sodré, nº 41, da cidade de Sacramento - MG, realizou
concorrida Sessão Pública no dia 08.09.2009, e na oportunidade prestou homenagens
aos Irmãos fundadores da Loja, Herculano Almeida e Edson Resende Pícolo, bem como, ao
Irmão Walter Rios. Foi um belíssimo acontecimento dentro da Família Maçônica Regional e
que trouxe muita alegria, também à comunidade de Sacramento - MG.
Na oportunidade o Sereníssimo Grão-Mestre Janir Adir Moreira foi representado pelo
Delegado Geral Adjunto, Ilustre e competente Irmão Júlio Maria da Silva, que em seu
pronunciamento enalteceu também a pessoa do Grão-Mestre "Ad vitam", Antonio JOsé dos
Santos, em cuja gestão foram aprovadas as condecorações.
A Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, através de seus dirigentes, o Sereníssimo Grão-
Mestre Janir Adir Moreira, o Grande 1º Vigilante Leonel Ricardo de Andrade, o Grande
2º Vigilante Geraldo Eustáquio Coelho de Freitas, registra os parabéns aos Irmãos da querida
Loja através do Ilustre Venerável Mestre Celso Sebastião de Almeida, cumprimentando ainda
de forma especial, o querido Irmão Comendador Vicente Paulo de Almeida Resende, que, com
pena de ouro tem registrado a sua vitoriosa história em nossa Instituição, além de também
agradecer ao Ilustre Irmão Júlio Maria da Silva pelo dinamismo de sua atuação.
Outros acontecimentos para dia 08 de Setembro:
Dia Internacional da Alfabetização - A necessidade de aprender a ler, saber escrever e
instruir-se em determinados assuntos tem originado um sucessivo aumento na adesão de vários
formandos ao ensino recorrente. Num mercado que atualmente exige do presente aluno e futuro
trabalhador um gigantesco ninho de informações em sua cabeça (tipicamente, saber de tudo um
pouco, o chamado multitarefas), os governantes, e nós também, devemos partir do princípio
para que o cidadão brasileiro desenvolva uma carreira bem-sucedida: a escolaridade, tópico tão
fundamental quanto as raízes familiares, ela alimenta os sonhos da criança e possibilita a
realização dessa pessoa ao correr dos seus anos de vivência.[1]
Morre Richard StraussAos 85 anos, morre o prestigiado músico alemão Richard Strauss.
Considerado o sucessor de Wagner, Strauss ganhou a consagração com o poema sinfônico Don
Juan, que mudou o rumo de sua carreira. Em outra obra de destaque, Assim Falou Zaratustra,
ele homenageia o filósofo alemão Nietzsche.
1480 - Portugal ratificou o Tratado de Alcáçovas. Tudo começou com a questão das
Canárias, a partir do momento que o papa Clemente VI concedeu a Castela a posse destas ilhas.
A resposta de D. Afonso IV de Portugal dá a entender o empenho lusíada na sua posse e
conquista
1551 - Dia da fundação da cidade de Vitória, capital do estado do Espírito Santo.
1565- Pedro Menéndez de Avilés funda a mais antiga cidade dos Estados Unidos: St.
Agustine, na Flórida.
1575 - Grande erupção do vulcão Pichincha, no Equador.
1793 - Início da festa do Círio de Nazaré em Belém do Pará
1876 - Um pronunciamento militar no Equador, dirigido pelo general Veintimilla, destitui o
governo conservador de Antonio Borrero.
1900 - Um furacão atinge o Texas, nos Estados Unidos, matando cerca de seis mil pessoas.
1920 - O Comitê Central do Partido do Congresso da Índia aprova o programa de Ghandi de
luta não violenta contra a Inglaterra.
1924 - Estoura uma revolução no Chile que destitui Arturo Alessandri e dá o poder ao
general Luis Altamirano.
1926 - A Alemanha é admitida por unanimidade na Sociedade de Nações.
1941 - Ho Chi Minh cria a Liga para a Independência do Vietnã, que denomina Viet Minh.
1943 - A BBC de Londres anuncia oficialmente a rendição da Itália na Segunda Guerra
Mundial.
1944 - Os alemães atacam Londres com as V-2, descritas então como "bombas voadoras".
Hoje são conhecidas como precursoras dos modernos mísseis.
1945 - Ho Chi Minh estabelece o sufrágio universal no Vietnã.
1949 - Morre Richard Strauss, músico alemão.
1951 - Tratados de paz e de segurança entre Estados Unidos e Japão.
1952 - O livro O velho e o mar, de Ernest Hemingway, é publicado nos Estados Unidos.
1953 - A República da Áustria é reconhecida pela União Soviética, que renuncia à cobrança
dos gastos de ocupação.
1961 - O socialista Tancredo Neves é nomeado primeiro ministro do Brasil.
1967 - Proclamação da República de Uganda.
1974 - O presidente dos Estados Unidos, Gerald Ford, indulta todos os delitos que Richard
Nixon poderia ter cometido ao longo do seu mandato presidencial.
10978 - Morre Leopoldo Torres Nilsson, cineasta argentino.
1981 - Guatemala rompe as relações com o Reino Unido pela independência de Belize.
1985 - Morre John F. Enders, virologista e microbiólogo estadunidense, Prêmio Nobel de
Medicina em 1954.
1986 - Decreta-se estado de exceção no Chile e são praticadas centenas de detenções após o
atentado do dia anterior contra Augusto Pinochet.
1991 - Aprovada a soberania e a independência da república iugoslava da Macedônia, com
direito de se associar à Iugoslávia de Estados soberanos.
1994 - Soldados dos Estados Unidos, da França e do Reino Unido, que estavam em Berlim
desde o fim da Segunda Guerra Mundial, deixam definitivamente a Alemanha.
1997 - Morrem 500 pessoas ao naufragar uma balsa no porto de Montrouis (Haití).
1997 - Morre Sabatino Moscati, arqueólogo italiano.
1999 - Noventa e três pessoas morrem e várias centenas ficam feridas pela explosão de uma
bomba em um edifício de Moscou, atribuída a extremistas muçulmanos do Cáucaso.
1999 - Morre o cantor mineiro xavantinho da dupla Pena Branca e Xavantinho
2000 - Encerra a Assembléia do Milênio da ONU, que reuniu 146 chefes de Estado e de
Governo em Nova Yorque.
DOIS ANOS SEM PENA BRANCA e Xavantinho, que morreu em 1999.
No último dia 9 de fevereiro completaram-se 2 anos da morte do cantorsertanejo José
Ramiro Sobrinho, o Pena Branca. Se estivesse vivo estaria com 72 anos, foi vitimado por
insuficiência respiratória. O cantor ficou conhecido no Brasil inteiro pela dupla com Ranulfo
Ramiro da Silva, o Xavantinho, que morreu em 1999.
Pena Branca nasceu em Igarapava, em 1939, e viveu boa parte da vida na cidade mineira de
Uberlândia. Ranulfo Ramiro da Silva, o Xavantinho, era seu irmão e nasceu em Uberlândia em
1942. Em 1958 eles começaram a cantar, apresentando-se em uma rádio de Uberlândia.
Mudaram-se para São Paulo para tentar a vida artística em 1968. Com o tempo, Pena Branca e
Xavantinho tornaram-se exemplos da música sertaneja caipira, considerada "de raiz", em
relação à música sertaneja com influências country que se popularizou nos anos 90.
Em 1980, Pena Branca e Xavantinho se inscreveram em um festival da TV Globo com a
música Que Terreiro é Esse? e chegaram à final. Também nesse ano, a dupla lançou o disco
Velha Morada, com músicas como Cio da Terra, composta por Milton Nascimento e Chico
Buarque, e Calix Bento, além da canção finalista no festival. Durante a carreira, gravaram com
nomes como Milton Nascimento, Rolando Boldrin, Fagner e Almir Sater, entre outros. Em
1990, conquistaram o Prêmio Sharp de melhor música interpretando Casa de Barro, de
Xavantinho e Moniz, e melhor disco, com Cantado do Mundo Afora. Em 1992, o disco Ao Vivo
em Tatuí, com Ricardo Teixeira, ganhou o Prêmio Sharp de melhor disco.
Nos anos 90, a dupla iniciou shows internacionais, tocando em lugares como os Estados
Unidos. Com a morte de Xavantinho, em 1999, Pena Branca continuou em carreira solo. Em
2001, o músico recebeu o Grammy Latino de Melhor Disco Sertanejo com o álbum Semente
Caipira, gravado com o grupo Viola de Nóis. O último trabalho de Pena Branca é Cantar
Caipira, de 2008.
Discografia de Pena Branca com Xavantinho Velha morada (1980) Uma dupla sertaneja
(1982) Cio da terra (1987) Canto violeiro (1988) Cantadô do mundo afora (1990) Ao vivo em
Tatuí com Renato Teixeira (1992) Violas e canções (1993) Pena Branca e Xavantinho (1994)
Ribeirão encheu (1995) Coração matuto (1998)
Discografia solo de Pena Branca Semente Caipira (2000) Pena Branca canta Xavantinho
(2002) Cantar Caipira (2008)
References
1. ^ler(www.quediaehoje.net)
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/fatos-maconicos-para-dia-08-de-
setembro.html
#21
O Templo e o Maçom
O Templo e o Maçom
O Templo e o Maçom
A
ORIGEM DA
PALAVRA
IRMÃO
Ir∴
Valdemar
Sansão 14 de
Junho de
2010
Membros
da Maçonaria,
unidos pelo
Amor
Fraternal,
qualquer que
seja o seu
grau, dão–se
o tratamento
de “Irmão”. É
o título que
geralmente se
dão,
mutuamente,
os religiosos
de uma mesma Ordem e de um mesmo convento e também os membros de uma mesma
associação.
Esse tratamento existe em todas as sociedades iniciáticas e nas confrarias, em que o seu
significado é a condição adquirida com a participação de um mesmo ideal baseado na amizade.
É o tratamento que se davam entre si os maçons operativos.
A origem do cordial tratamento de “Irmão” afirma que esse tratamento foi adotado e nunca
mais olvidado pelos maçons, desde os tempos de Abraão, o velho patriarca bíblico. Reza a
história que estando ele e sua mulher Sara no Egito, lá ensinavam as 7 ciências liberais
(gramática, lógica e dialética, matemática, geometria astronomia e música), e contou entre os
seus discípulos com um de nome Euclides. Tão inteligente que não demorou nada em tornar-se
mestre nas mesmas ciências, ficando por isso bastante afamado como ilustre personagem.
Então Euclides, a par com suas aulas, estabeleceu regras de conduta para o discipulado; em
primeiro lugar cada um deveria ser fiel ao Rei e ao país de nascimento; em segundo lugar,
cumpria-lhes amarem-se uns aos outros e serem leais e dedicados mutuamente. Para que seus
alunos não descuidassem dessas últimas obrigações, ele sugeriu a eles que se dessem,
reciprocamente, o tratamento de “Irmãos” ou “Companheiros”.
Aprovando inteiramente esse costume da escola de Euclides, a Maçonaria resolveu sugeri-lo
aos seus iniciados, que receberam-no com todo agrado, sem nenhuma restrição, passando a ser
uma norma obrigatória nos diversos Corpos da Ordem.
De fato, traduz uma maneira de proceder muito afetiva e agradável a todos os corações dos
que militam em nossos Templos. Assim passaram os Iniciados ao uso desse tratamento em todas
as horas, quer no mundo profano, quer no maçônico.
O Poema Regius, que data do ano de 1390, aconselha os operários a não se tratarem de outra
forma senão de “meu caro Irmão”. Por isso o tratamento de Irmão dado por um maçom a um
outro, significa reconhecimento fraternal, como pertencente à mesma família.
Os maçons são Irmãos por terem recebido a mesma Iniciação, os mesmos modos de
reconhecimento e foram instruídos no mesmo sistema de moralidade. Além da amizade
fraternal que deve uni-los, os maçons consideram-se Irmãos por serem, simbolicamente, filhos
da mesma mãe, a Mãe-Terra, representada pela deusa egípcia Ísis, viúva de Osíris, o Sol, e a
mãe de Hórus.
Assim os maçons são, também, simbolicamente, Irmãos de Hórus e se autodenominam
Filhos da Viúva.
Durante a Iniciação quando o recipiendário recebe a Luz, seus novos Irmãos juram protegê-
lo sempre que for preciso. A partir daquele momento, todos que a ele se referem o tratam como
Irmão. Os filhos de seus novos Irmãos passam a tratá-lo como “Tio” e as esposas de seus
Irmãos passam a ser sua “Cunhada”. Forma-se nesse momento um elo firme entre o novo
membro da Ordem e a família maçônica.
A Maçonaria não reconhece qualquer distinção entre raças, crenças, condições financeira ou
social entre seus obreiros. Há séculos vem a Sublime Instituição oferecendo a oportunidade aos
homens de se encontrarem e colherem os frutos do prazer de conviver sempre em paz, em união
e concórdia, como amigos desinteressados, dentro de um espírito coletivo voltado à prática do
bem, guiados por rígidos princípios morais, sem desavenças e dissensões.
Os membros de nossa Ordem aprendem a destruir a ignorância em si mesmos e nos outros; a
ser corajosos contra suas próprias fraquezas, lutar contra seus próprios vícios e também contra a
injustiça alheia.
São estimulados a praticarem um modo de vida que produza um nível elevado em suas
relações com seus Irmãos, aos quais dedicam amizade sincera e devotada. São fiéis cumpridores
de todo dever cujo cumprimento lhes seja legalmente imposto ou reclamado pela felicidade de
sua Pátria, de sua Família e da Humanidade.
Jamais abandonará sua prole, seus Irmãos e seus amigos, no perigo, na aflição ou na
perseguição. Sobre o coração do maçom está o símbolo do amor, da amizade, da razão serena e
perseverante.
O que o distingue na vida profana é sua aversão à iniquidade, à injustiça, à vingança, à inveja
e à ambição, sendo ele constante em fazer o bem e em elogiar seus Irmãos.
O verdadeiro Irmão é aquele que interroga sua consciência sobre seus próprios atos, pergunta
a si mesmo se não violou a lei da justiça, do amor e da caridade em sua maior pureza; se não fez
o mal e se fez todo o bem que podia; se não menosprezou voluntariamente uma ocasião de ser
útil; se ninguém tem o que reclamar dele. E quando não tem uma palavra que auxilie, procura
não abrir a boca… (Se for falar, cuida para que suas palavras sejam melhores que o seu
silêncio).
O Irmão, possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem,
sem esperança de recompensa, retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte,
e sacrifica sempre seu interesse à justiça.
Ele é bom, humano e benevolente para com todos, sem preferência de raças nem de crenças,
abraça o branco e o preto ( pois não é a cor, mas sim o talento e a virtude que faz um homem
elevar-se por sobre os demais), o rico e o pobre, o jovem e o velho, o sábio e o ignorante, o
nobre e o plebeu, porque vê Irmãos em todos os homens.
Porém, devemos observar que nem o rico, o príncipe ou o sábio, devem “descer” para o
nivelamento. Não descendo ao nível deles mas, sim, ajudando-os a se levantarem e poderem
melhor enxergar o horizonte. É caminhando que se faz o caminho. Pensando, agindo, sentindo,
sofrendo, aprendendo e corrigindo. Fazendo melhor em seguida. Se comprometendo a sempre
ensinar aos capazes, o que se aprendeu. Capacitando-os. Perpetuando a GNOSE adquirida.
Quem deverá “subir” é o pobre; pobre no sentido de ser CARENTE. Acontece de existir
entre os ricos de recursos materiais, os pobres de sabedoria, ignorantes de conhecimento, de
altruísmo e complacência.
O verdadeiro Irmão não tem ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; compreendendo,
nem condena. Portanto perdoa, e anula as ofensas, e não se lembra senão dos benefícios que já
tenha recebido, porque sabe que com a mesma sábia compreensão que deixou de condenar,
assim será tratado intimamente, na sua própria causa de compreensão, como réu de sua
consciência, quando essa lhe julgar.
Não se compraz em procurar os defeitos alheios, nem em colocá-los em evidência. Se a
necessidade a isso o obriga, procura sempre motivar o bem que pode atenuar o mal.
Não se envaidece nem com a fortuna, nem com as vantagens pessoais, porque sabe que tudo
o que lhe foi dado apenas o direito da posse, pertence ao mundo e por poder dessa força natural,
se desmerecido, tudo pode lhe ser retirado.
Se a ordem social colocou homens sob sua dependência, ele os trata com bondade e
benevolência, porque são seus iguais perante o Grande Arquiteto do Universo; usa de sua
autoridade para erguer-lhes o moral e não para os esmagar com o seu orgulho; evita tudo o que
poderia tornar sua posição subalterna mais penosa.
O subordinado, por sua vez, compreende os deveres da sua posição, e tem o escrúpulo em
cumpri-los conscienciosamente.
O verdadeiro Irmão respeita em seus semelhantes todos os direitos dados pelas leis da
Natureza, como gostaria que os seus fossem respeitados.
Aplicando os ensinamentos maçônicos, tanto no interior dos Templos como no seio da
sociedade profana, dentro de suas possibilidades, colabora para a edificação do Templo da
civilização humana.
Afinal, se cultiva a liberdade, a igualdade e a fraternidade, tem por obrigação, abrir mais os
seus braços, entrelaçar seus Irmãos e oferecer sua convivência fraterna, sua influência, seu
trabalho de auxílio, com harmonia, paz, concórdia e fraternização, dentro e fora do Templo.
Enfim, o verdadeiro Irmão saberá fazer o Bem sem ostentação, mas não sem utilidade para
todos. Onde quer que o pobre reclame o combate sem descanso aos exploradores dos fracos, o
auxílio e proteção à criança ou à mulher, o Irmão é obrigado a fazer obra maçônica. É-lhe
proibido fechar os olhos aos deserdados da sorte.
Porém, só quando se encontra revestidos de todas essas virtudes é que pode dizer: “Meus
Irmãos como tal me reconhecem” – frase mais ouvida e citada dentro da Loja e também fora
dela – como forma de identificação.
Curioso, no entanto, é que ao sermos reconhecidos como Irmãos, o outro abre o sorriso e os
braços, como se fosse um velho conhecido. Esse é um sentimento de irmandade, é muitas vezes,
mais forte que entre Irmãos de sangue.
Nossa Ordem precisa de Irmãos verdadeiros, aqueles que têm orgulho de pertencerem à
Sublime Instituição e estão dispostos a sacrifícios pessoais em benefício dela.
O Grande Arquiteto do Universo, que é DEUS, ouve nossos rogos e nos mostra o caminho
que a Ele conduz, continua a nos proporcionar a dádiva da aproximação de valorosos Irmãos
que nos socorrem em nossas dificuldades, se interessam por nós, nos escrevem, telefonam para
saber como estamos, trocam e-mails e assim, não nos deixam experimentar a depressão e a
solidão.
Nossas Lojas Maçônicas são portos seguros, colos de mãe para enxugamento das lágrimas e
o consolo de nossas dores, num ambiente de luz, paz e amor, pois é sublime reunir em seu seio,
católicos, evangélicos, espíritas, maometanos, israelitas, budistas, e a todos dizer: ” Aqui vossas
disputas não encontrarão eco. Aqui, não ofendereis a ninguém e ninguém vos ofenderá.”
Meu Irmão, se eu me esquecer de você, nunca se esqueça de mim! Conte comigo. Eu conto
consigo.
“O maior cargo em maçonaria é o de verdadeiro Irmão.”
Fonte Revista universo maçônico
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/a-origem-da-palavra-irmao-
valdemar.html
#24
Ir.’.Fuad Haddad
História da nossa Independência está intimamente ligada com a Fundação
do Grande Oriente do Brasil, Obediência Mater da Maçonaria Brasileira.
Apesar do farto material documental existente, pouco se publica sobre o papel
importante, decisivo e histórico que a Maçonaria, como Instituição, teve nos fatos
que precipitaram a proclamação da Independência.
Deixar de divulgá-los é ocultar a verdade e consequentemente ocorrer no erro da
omissão, que nem a História e nem o tempo perdoam, principalmente para com
aqueles nossos Irmãos, brava gente brasileira, que acreditavam, ou ainda mais,
tinham como ideário de vida a Independência da Pátria tão amada.
O Objetivo principal, sem dúvida nenhuma, da criação do Grande Oriente,
foi engajar a Maçonaria na luta pela Independência Política do Brasil.
Desde sua descoberta em 1500, o Brasil foi uma Colônia Portuguesa, sendo explorada
desde então pela sua Metrópole. Não tinha, portanto, liberdade econômica,
liberdade
administrativa, e muito menos liberdade política.
Como a exploração metropolitana era excessiva e os colonos não tinham o direito
de protestar, cresceu o descontentamento dos brasileiros.
Inicia-se então as rebeliões conhecidas pelo nome de Movimentos Nativistas, quando
ainda não se cogitava na separação entre Portugal e Brasil. Estampava-se em nosso
País o ideal da liberdade. A primeira delas foi a Revolta de Beckman em 1684, no
Maranhão.
No início do século XVIII, com o desenvolvimento econômico e intelectual da
colônia, alguns grupos pensaram na Independência Política do Brasil, de forma
que os brasileiros pudessem decidir sobre seu próprio destino. Ocorreram, então,
a Inconfidência Mineira (1789) que marcou a história pela têmpera de seus
seguidores; depois a Conjuração Baiana (1798) e a Revolução Pernambucana (1817),
todas elas duramente reprimidas pelas autoridades portuguesas. Em todos estes
movimentos a Maçonaria se fez presente através das Lojas Maçônicas e Sociedades
Secretas já existentes, de caráter maçônico tais como: “Cavaleiros das Luz” na
Bahia e “Areópago de Itambé” na divisa da Paraíba e Pernambuco, bem como pelas
ações
individuais ou de grupos de Maçons.
Nos dias atuais, os grandes vultos e os fatos marcantes da nossa história estão,
na maioria das pessoas, adormecidos. O sentimento cívico está distante e
muita vezes apagado em nossas mentes. Fatos e acontecimentos importantes
marcaram o início da emancipação política da nossa nação. Retomemos os tempos
idos e a alguns referenciais da nossa rica história.
Início do século XIX – ano de 1808 – D. João e toda família real refugia-se no
Brasil em decorrência da invasão e dominação de Portugal por tropas francesas,
encetadas pelo jugo napoleônico. Este fato trouxe um notável progresso para a
colônia, pois esta passou a ter uma organização administrativa idêntica à de um
Estado independente.
D. João assina o decreto da Abertura dos Portos, que extinguia o monopólio
português sobre o comércio brasileiro. O Brasil começa a adquirir condições
para ter uma vida política independente de Portugal, porém sob o aspecto econômico,
passa a ser cada vez mais controlado pelo capitalismo inglês.
Ano de 1810 – Ocorre a expulsão dos franceses por tropas inglesas, que passam
a governar Portugal com o consentimento de D. João.
Ano de 1815 – D. João, adotando medidas progressistas, põe fim na situação
colonial do Brasil, criando o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, irritando
sobremaneira os portugueses.Ano de 1820 – Cansados da dominação e da
decadência econômica do país, os portugueses iniciam uma revolução na cidade
do Porto culminando com a expulsão dos ingleses. Estabelecem um governo
temporário, adotam uma Constituição Provisória e impõem sérias exigências a
D. João (agora já com o título de rei e o nome de D. João VI), ou sejam:
– aceitação da constituinte elaborada pelas cortes;
– nomeação para o ministério e cargos públicos;
– sua volta imediata para Portugal.
Com receio de perder o trono e sem outra alternativa, em face das exigências da
Corte (Parlamento português), D. João VI regressa a Lisboa (Portugal) em 26 de
abril de 1821, deixando como Príncipe Herdeiro, nomeado Regente do Brasil pelo
Decreto de 22 de abril de 1821, o primogênito com então 21 anos de idade –
PEDRO DE ALCÂNTARA FRANCISCO ANTÔNIO JOÃO CARLOS XAVIER
DE PAULA MIGUEL RAFAEL JOAQUIM JOSÉ GONZAGA PASCOAL CIPRIANO
SERAFIM DE BRAGANÇA E BURBON. O príncipe Dom Pedro, jovem e voluntarioso,
aqui permanece,
não sozinho pois logo viu-se envolvido por todos os lados de homens de bem, Maçons,
que constituíam a elite pensante e econômica da época.
Apesar de ver ser aceitas suas reivindicações, os revolucionários portugueses não
estavam satisfeitos. As cortes de Portugal estavam preocupadas com as perdas das
riquezas naturais do Brasil e previam sua emancipação, como ocorria em outros
países sul-americanos. Dois decretos em 1821 de números 124 e 125 emanados
das Cortes Gerais portuguesas, são editados na tentativa de submeter e inibir
os movimentos no Brasil.
Um reduzia o Brasil da posição de Reino Unido à antiga condição de colônia, com a
dissolução da união brasílico-lusa, o que seria um retrocesso; o outro,
considerando a permanência de D. Pedro desnecessária em nossa terra, decretava
a sua volta imediata.
Os brasileiros reagiram contra os decretos através de um forte discurso do Maçom
Cipriano José Barata, denunciando a trama contra o Brasil.
O Maçom José Joaquim da Rocha funda em sua própria casa o Clube da Resistência,
depois transformado no Clube da Independência. Verdadeiras reuniões maçônicas
ocorrem na casa de Rocha ou na cela de Francisco de Santa Tereza de Jesus Sampaio,
Frei Sampaio, no convento de Santo Antônio, evitando a vigilância da polícia.
Várias providências foram tomadas, dentre elas: consultar D. Pedro; convidar o
Irmão, Maçom, José Clemente Pereira, presidente do Senado, a aderir ao
movimento e enviar emissários aos Maçons de São Paulo e Minas Gerais.
Surge o jornal, “Revérbero Constitucional Fluminense”, redigido por Gonçalves
Ledo e pelo Cônego Januário, que circulou de 11 de setembro de 1821 a 8 de
outubro de 1822, e que teve a mais extraordinária influência no movimento
libertador, pois contribuiu para a formação de uma consciência brasileira,
despertando a alma da nacionalidade.
Posteriormente, a 29 de julho de 1822, passa a ser editado o jornal – “Regulador
Brasílico-Luso”, depois denominado, “Regulador Brasileiro”, redigido pelo Frei
Sampaio, que marcou também sua presença e atuação no movimento emancipador
brasileiro.
Na representação dos paulistas, de 24 de dezembro de 1821, redigida pelo Maçom
José Bonifácio de Andrada e Silva, pode-se ler o seguinte registro:
É impossível que os habitantes do Brasil, que forem honrados e se prezarem de ser
homens, possam consentir em tais absurdos e despotismo… V. Alteza Real deve ficar
no Brasil, quaisquer que sejam os projetos das Cortes Constituintes, não só para o
nosso bem geral, mas até para a independência e prosperidade futura do mesmo.
Se V. Alteza Real estiver (o que não é crível) deslumbrado pelo indecoroso decreto
de 29 de setembro, além de perder para o mundo a dignidade de homem e de príncipe,
tornando-se escravo de um pequeno grupo de desorganizadores, terá que responder,
perante o céu, pelo rio de sangue que, decerto, vai correr pelo Brasil com a sua
ausência…
9 de janeiro de 1822 – Na sala do trono e interpretando o pensamento geral,
cristalizado nos manifestos dos fluminenses e dos paulistas e no trabalho de
aliciamento dos mineiros, o Maçom José Clemente Pereira, presidente do Senado
da Câmara, antes de ler a representação, pronunciou inflamado e contundente
discurso pedindo para que o Príncipe Regente permanecesse no Brasil. Após
ouvir atentamente, o Príncipe responde: “estou pronto, diga ao povo que fico”.
A alusão às hostes maçônicas era explícita e D. Pedro conheceu-lhe a força e a i
nfluência, entendendo o recado e permanecendo no Brasil. Este episódio, conhecido
como o Dia do Fico, marcou a primeira adesão pública de D. Pedro a uma causa
brasileira.
Em 13 de maio de 1822 – os Maçons fluminenses, sob a liderança de Joaquim
Gonçalves Ledo, e por proposta do brigadeiro Domingos Alves Munis Barreto,
resolviam outorgar ao Príncipe Regente o título de Defensor Perpétuo do Brasil,
oferecido pela Maçonaria e pelo Senado.
Ainda em maio de 1822 – aconselhado pelo então seu primeiro ministro das pastas
do Reino e de Estrangeiros, o Maçom José Bonifácio de Andrada e Silva, D. Pedro
assina o Decreto do Cumpra-se, segundo o qual só vigorariam no Brasil as Leis das
Cortes portuguesas que recebessem o cumpra-se do príncipe regente.
Em 2 de junho de 1822 – em audiência com D. Pedro, o Irmão José Clemente Pereira
leu o discurso redigido pelos Maçons Joaquim Gonçalves Ledo e Januário Barbosa,
que explanavam da necessidade de uma Constituinte. D. Pedro comunica a D. João
VI que o Brasil deveria ter suas Cortes. Desta forma, convoca a Assembléia
Constituinte para elaborar uma Constituição mais adequada ao Brasil. Era outro
passo importante em direção à independência.
Em 17 de junho de 1822 – a Loja Maçônica “Comércio e Artes na Idade do Ouro” em
Sessão memorável, resolve criar mais duas Lojas pelo desdobramento de seu quadro
de Obreiros, através de sorteio, surgindo assim as Lojas “Esperança de Niterói” e
“União e Tranqüilidade”, se constituindo nas três Lojas Metropolitanas e
possibilitando a criação do “Grande Oriente Brasílico ou Brasiliano”, que
depois viria a ser denominado de “Grande Oriente do Brasil”.
José Bonifácio de Andrada e Silva (o Patriarca da Independência) é eleito primeiro
Grão-Mestre, tendo Joaquim Gonçalves Ledo como 1º Vigilante e o Padre Januário
da Cunha Barbosa como Grande Orador.
O Objetivo principal da criação do GOB foi de engajar a Maçonaria como Instituição,
na luta pela independência Política do Brasil, conforme consta de forma explícita
das primeiras atas das primeiras reuniões, onde só se admitia para Iniciação e
filiação em suas Lojas, pessoas que se comprometessem com o ideal da Independência
do Brasil.
No dia 2 de agosto – por proposta de José Bonifácio, é Iniciado o Príncipe Regente,
D. Pedro, adotando o nome histórico de Guatimozim (ultimo imperador Asteca morto
em 1522), e passa a fazer parte do Quadro de Obreiros da Loja “Comércio e Artes”.
No dia 5 de agosto – por proposta de Joaquim Gonçalves Ledo, que ocupava a
presidência dos trabalhos, foi aprovada a Exaltação ao Grau de Mestre Maçom que
possibilitou, posteriormente, em 4 de outubro de 1822, numa jogada política de
Ledo, o Imperador ser eleito e empossado no cargo de Grão-Mestre, do GOB.
Porém, foi no mês de agosto de 1822 que o Príncipe, agora Maçom, tomou a medida
mais dura em relação a Portugal, declarou inimigas as tropas portuguesas que
desembarcassem no Brasil sem o seu consentimento.
Em 14 de agosto parte em viagem, com o propósito de apaziguar os descontentes em
São Paulo, acompanhado de seu confidente Padre Belchior Pinheiro de Oliveira e de
uma pequena comitiva. Faz a viagem pausadamente, percorrendo em 10 dias 96 léguas
entre Rio e São Paulo. Em Lorena, a 19 de agosto, expede o decreto dissolvendo
o governo provisório de São Paulo. No dia 25 de agosto chega a São Paulo sob salva
de artilharia, repiques de sino, girândolas e foguetes, se hospedando no Colégio
dos Jesuítas. De São Paulo se dirige para Santos em 5 de setembro de 1822, de onde
regressou na madrugada de 7 de setembro.
Encontrava-se na colina do Ipiranga, às margens de um riacho, quando foi
surpreendido pelo Major Antônio Gomes Cordeiro e pelo ajudante Paulo Bregaro,
correios da Corte, que lhes traziam notícias enviadas com urgência pelo seu
primeiro ministro José Bonifácio.
D. Pedro, após tomar conhecimento dos conteúdos das cartas e das notícias trazidas
pelos emissários , pronunciou as seguintes palavras: “As Cortes me perseguem,
chamam-me com desprezo de rapazinho e de brasileiro. Verão agora quanto vale o
rapazinho. De hoje em diante estão quebradas as nossas relações; nada mais quero
do governo português e proclamo o Brasil para sempre separado de Portugal”
A Independência do Brasil foi realizada à Sombra da Acácia, cujas raízes
prepararam o terreno para isto.
A Maçonaria teve a maior parte das responsabilidades nos acontecimentos libertários.
Não há como negar o papel preponderante desta Instituição Maçônica na emancipação
política do Brasil.
Desde 1815, com a fundação da Loja Maçônica “Comércio e Artes”, que daria origem
às Lojas “União e Tranqüilidade” e “Esperança de Niterói” e a posterior
Constituição do Grande Oriente do Brasil em 17 de junho de 1822, o ideário de
Independência se faziapresente entre seus membros e contagiava os brasileiros.
À frente do movimento, enérgica e vivaz, achava-se a Maçonaria e os Maçons. Entre
seus principais Obreiros, Pedreiros Livres, de primeira hora podemos destacar:
Joaquim Gonçalves Ledo, José Bonifácio da Andrada e Silva, José Clemente Pereira,
Cônego Januário da Cunha Barbosa, José Joaquim da Rocha, Padre Belchior Pinheiro
de Oliveira,
Felisberto Caldeira Brant, o Bispo Silva Coutinho Jacinto Furtado de Mendonça,
Martim Francisco, Monsenhor Muniz Tavares, Evaristo da Veiga dentre muitos outros.
Faz-se necessário também alçar a figura do personagem que se destacou durante todo
o movimento articulado e trabalhado pela Maçonaria, o Príncipe Regente, Dom Pedro.
Iniciado Maçom na forma regular prescrita na liturgia e nos Rituais Maçônicos, e
nesta condição de Pedreiro Livre no Grau de Mestre Maçom, aos 24 anos de idade,
proclama no dia 7 de setembro a nossa INDEPENDÊNCIA. Posteriormente, no dia 4
de outubro de 1822, D. Pedro comparece ao Grande Oriente do Brasil e toma posse
no cargo de Grão-Mestre, sendo na oportunidade aclamado Imperador Constitucional
e Defensor Perpétuo do Brasil. No mesmo dia, Joaquim Gonçalves Ledo redigiu uma
nota patriótica ao povo brasileiro, a primeira divulgação, depois da independência,
que dizia:
“Cidadãos! A Liberdade identificou-se com o terreno; a Natureza nos grita
Independência; a Razão nos insinua; a Justiça o determina; a Glória o pede;
resistir-lhe é crime, hesitar é dos covardes, somos Homens, somos Brasileiros.
Independência ou Morte!
Eis o grito de honra, eis o brado nacional…”
FONTE: MSMAÇOM
BIBLIOGRAFIA:
CASTELLANI, José. História do Grande Oriente do Brasil.
Os Maçons na Independência do Brasil.
FAGUNDES, Morivalde Calvet. A Maçonaria e as Forças Secretas da Revolução.
FERREIRA, Tito L. e FERREIRA, Manoel Rodrigues. A Maçonaria e a Independência
Brasileira MORAIS, Melo. A Independência e o Império do Brasil
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/maconaria-e-independencia-do-
brasil-ir.html
#25
POR QUE
"LOJA"
MAÇÔNICA???
Por Kennyo Ismail
Qual maçom nunca foi questionado por um profano do porquê do termo “LOJA”? Muitos
são aqueles que perguntam se vendemos alguma coisa nas Lojas, para justificar o nome. Alguns,
fanáticos e ignorantes, chegam a ponto de indagar que é na Loja que os maçons vendem suas
almas!
Em primeiro lugar, precisamos ter em mente que, só porque “loja”, em português, denomina
um estabelecimento comercial, isso não significa que o mesmo termo em outras línguas tem o
mesmo significado. Vejamos:
“Loge”, palavra francesa, pode se referir à casa de um caseiro ou porteiro, um estábulo, ou
mesmo o camarote de um teatro. Mas os termos franceses para um estabelecimento comercial
são “magasin”, “boutique” ou “commerce”.
Da mesma forma, o termo usado na língua inglesa, LODGE[1]”, significa cabana, casa
rústica, alojamento de funcionários ou a casa de um caseiro, porteiro ou outro funcionário.
Os termos mais apropriados para um estabelecimento comercial em inglês são “store” ou
“shop”.
Já o termo italiano “loggia” significa cabana, pequeno cômodo, tenda, mas também pode
designar galeria de arte ou mesmo varanda. Os termos corretos para um estabelecimento
comercial são “magazzino”, “bottega” ou “negozio”.
Em espanhol, “logia”, derivada do termo italiano “loggia”, denomina alpendre ou quarto de
repouso. As palavras mais adequadas para estabelecimento comercial são “tienda” e
“comercio”.
Por último, podemos pegar o exemplo alemão, “loge”, que não tem apenas a grafia em
comum com o francês, mas também o significado: um pequeno cômodo mobiliado para porteiro
ou caseiro, ou um camarote. Já os melhores termos para estabelecimento comercial em alemão
são “kaufhaus”, “geschaft” ou “laden”.
Com base nesses termos, que denominam as Lojas Maçônicas nas línguas francesa, italiana,
espanhola, alemã e inglesa, pode-se compreender que as expressões referem-se a uma
edificação rústica utilizada para alojar trabalhadores, e não a um estabelecimento comercial.
Verifica-se então uma relação direta com a Maçonaria Operativa, em que os pedreiros
costumavam e até hoje costumam construir estruturas rústicas dentro do canteiro de obras, onde
eles guardam suas ferramentas e fazem seus descansos. Essas simples edificações que abrigam
os pedreiros e suas ferramentas nas construções são chamadas de “loge,LODGE[2], loggia,
logia” nos países de língua francesa, alemã, inglesa, italiana e espanhola.
A palavra na língua portuguesa que mais se aproxima desse significado não seria “loja” e sim
“alojamento”. Nossas Lojas Maçônicas são exatamente isso: alojamentos simbólicos de
construtores especulativos. Isso fica evidente ao se estudar a história da Maçonaria em muitos
países de língua espanhola, que algumas vezes utilizavam os termos “Alojamiento” em
substituição à “Logia”, o que denuncia que ambas as palavras têm o mesmo significado.
À luz dos significados dos termos que designam as Lojas Maçônicas em outras línguas,
podemos observar que a teoria amplamente divulgada no Brasil de que o uso da palavra “Loja”
é herança das lojas onde os artesãos vendiam o “handcraft”, ou seja, o fruto de seu trabalho
manual, além de simplista, é furada. Se fosse assim, os termos utilizados nas outras línguas
citadas teriam significado similar ao de estabelecimento comercial, se seria usado em
substituição às outras palavras que servem a esse fim.
Na próxima vez que você passar em frente a um canteiro de obras e ver à margem aquela
estrutura simples de madeira compensada ou placas de zinco, cheia de trolhas, níveis, prumos e
outros utensílios em seu interior, muitas vezes equipada também com um colchão para o
pedreiro descansar à noite, lembre-se que essa estrutura é a versão atual daquelas que abrigaram
nossos antepassados, os maçons operativos, e que serviram de base para nossas Lojas
Simbólicas de hoje.
References
1. ^ LODGE (omalhete.blogspot.com.br)
2. ^ LODGE (omalhete.blogspot.com.br)
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/por-que-loja-maconica.html
#26
AS
COLUNAS
BOOZ E
JACKIN
Por Ir.'.
João
Anatalino
A
Maçonaria
especulativa,
da mesma
forma que a
antiga
Maçonaria
operativa,
inicia muitos
obreiros. E
assim como entre aqueles antigos mestres da Arte Real, também os modernos obreiros dessa
Augusta Arte não são todos eleitos, embora todos sejam iniciados. O obreiro da Arte Real hoje,
inicia-se como aprendiz e continua a ser eternamente um aprendiz. É no decorrer do
desenvolvimento da cadeia iniciática que o iniciado poderá obter ou não a sua iluminação. Essa
iluminação pode ser definida como uma Gnose, ou uma sensibilidade da verdadeira razão de ser
ele um maçom. Então terá conquistado o status conferido aqueles que se abrigaram junto ás
duas colunas sagradas do Templo de Salomão, e se abeberaram na fonte dos conhecimentos que
delas brotam e que se expressam nos nomes sagrados que Salomão deu á aquelas colunas: Booz
e Jackin.
Booz e Jackin eram os nomes das duas colunas de bronze que Salomão mandou fundir para
servir de pórtico para o templo. Booz deriva de Boaz, nome do patriarca hebreu que fundou a
dinastia do rei Davi. Casado com a moabita Rute, Boaz foi pai de Obed, que por sua vez gerou a
Isaí, ou Jessé , que foi pai do rei Davi. Na tradição hebraica, portanto, Boaz foi aquele que
fundou a família que iria, mais tarde, estabelecer o reino de Israel. Quanto a Jackin, trata-se,
provavelmente de um nome derivado do antigo alfabeto semítico, significando cofre,
esconderijo, receptáculo. Sabe-se que os antigos povos do vale do Jordão e do Eufrates
costumavam construir em seus templos e edifícios públicos certas colunas ocas para guardar
documentos importantes. A essas colunas eles chamavam Jackin. Essa tradição está de acordo
com as informações encontradas nas crônicas do profeta Jeremias, que dizem que as colunas do
templo de Jerusalém eram ocas. Com base nessa tradição, certos autores maçônicos inventaram
a lenda de que Salomão teria construído colunas ocas para servir de arquivos para guardar
documentos maçônicos.
O certo, entretanto, é que essas duas palavras, constantemente invocadas nos trabalhos das
lojas simbólicas, significam “ Estabilidade com Força”. As colunas Jackin e Booz tinham
dezoito côvados de altura (cerca de 9 metros), e eram encimadas por capitéis de cinco côvados
cada (2,5 metros), com romãs e medalhas por ornamento. A romã, como se sabe, entre os povos
orientais era uma fruta que tinha um alto valor simbólico. Representava o amor, a fertilidade, o
sexo. Os poemas do Cântico dos Cânticos, atribuídos a Salomão, muito se vale do simbolismo
da romã para representar a sensualidade da união entre os sexos.[1]
O templo maçônico procura reproduzir, no que é possível, o Templo de Salomão. O costume
de se colocar os Aprendizes do lado da coluna B e os Companheiros na coluna J consta de uma
tradição que diz que Adoniram, para pagar os trabalhadores do canteiro de obras, que eram
milhares, costumava separá-los por colunas. Os mestres (pedreiros, talhadores, escultores,
carpinteiros) eram pagos dentro do templo, daí o termo “ coluna do centro”, onde os mestres
maçons se colocam para assistir aos trabalhos em Loja. Os demais trabalhadores, por serem
muitos, tinham que ficar do lado de fora. Para facilitar o pagamento, que consistia na
distribuição de alimentos, roupas, utensílios de trabalho (luvas, aventais, ferramentas etc), eles
eram separados em grupos. Conforme os graus de profissionalização eram perfilados do lado
direito ou esquerdo do templo, o que correspondia ás colunas Jackin ou Booz, conforme o caso.
Daí o porque dos aprendizes, que no caso do canteiro de obras do rei Salomão eram os
cavouqueiros, os carregadores, os serventes de pedreiro, ficarem no lado correspondente á
coluna B (Booz) e os companheiros (ajudantes, talhadores, assentadores de pedras etc),
sentarem-se no lado da coluna J ( Jackin).
Flávio Josefo, em suas crônicas sobre as Antiguidades dos Judeus, capitulo III, item 6,
também se refere a essas duas colunas e seu significado. Diz aquele historiador que Deus
estabelecera o reino de Israel com estabilidade e força, e que tal composição duraria enquanto
os israelitas mantivessem o Pacto da Aliança com Ele. A força provinha do seu fundador Davi,
que estabelecera com sua competência militar o reino hebreu, e a estabilidade lhe tinha sido
dada por Salomão. Dessa forma, as colunas Booz e Jackin não tinham apenas um significado
religioso, mas também celebrava motivos políticos e heróicos, homenageando, de um lado Davi,
a força, de outro lado Salomão, a estabilidade, a sabedoria.
Muita tinta já rolou acêrca das colunas Booz e Jackin. Alguns autores desenvolveram
inclusive a tese de que as colunas ocas do templo de Salomão representavam símbolos fálicos,
tradição essa muito em voga entre as civilizações antigas. Elas seriam, segundo Curtis e
Madsem, uma projeção da Mazeboth, momumentos de pedra, que entre os fenícios
simbolizavam o órgão viril, pelo qual a fertilização da terra se processava. Com base nessa
interpretação “histórica”, esses autores concluem que as “duas colunas ocas, com seus globos
em cima, e os capitéis enfeitados com romãs, (fruta que simbolizava a fertilidade), nada mais
eram que símbolos fálicos disfarçados. Daí a razão de serem ocas, pois representavam o órgão
sexual masculino, também oco e encimado por globos”....[2]
Mais que os significados simbólicos que essas colunas possam ter, entretanto, talvez uma
interpretação pragmática possa nos dar uma explicação melhor. Booz, no alfabeto hebraico
significa firmeza e Jackin força. Talvez, com esses nomes, Salomão quisesse, na verdade,
indicar apenas disposições arquitetônicas. Significava que a estrutura do templo estava apoiada
sobre essas duas colunas com solidez e resistência. A conexão com os significados dos simbolos
fez o resto. Salomão, como todos os israelitas, acreditava nas promessas que Deus teria feito ao
seu povo através dos profetas. Deus dissera que “habitaria” no meio daquele povo. Construindo
um templo para Ele, estava, na verdade, selando essa promessa. Com isso Israel teria
estabilidade como reino porque a força do Senhor estaria com eles. As duas colunas
celebravam, dessa forma, uma crença firmemente estabelecida.
A tradição maçônica associou as duas colunas á sua própria liturgia ritual. Jackin e Booz( ou
Boaz) passaram a ser dois Mestres (Vigilantes), que imediatamente abaixo do Mestre Arquiteto
Hiram (Venerável), administravam os dois substratos de trabalhadores que serviam no canteiro
de obras do templo. Boaz tornou-se o Primeiro Vigilante e Jackin o Segundo. Daí a ritualística
segundo a qual o que o Venerável decide, o Primeiro Vigilante estabelece e o Segundo
confirma.[3]
Uma outra interpretação das duas colunas gêmeas é a de que elas simbolizam as duas colunas
de fogo e água que Jeová ergueu em frente das tropas do faraó, quando ele encurralou os
hebreus junto ao Mar Vermelho. Diz a Bíblia que o Senhor ergueu colunas de fogo que
impediam que os egípcios atacassem os hebreus enquanto eles cruzavam o mar. Depois, quando
eles já haviam saído do outro lado em segurança, o Senhor afogou as tropas do faraó lançando
sobre eles colunas de água. Salomão teria celebrado essa intervenção divina pela edificação das
duas colunas. Por isso, inclusive, é que nos antigos rituais de iniciação, as cerimônias de
purificação pelo fogo e pela água eram realizadas em frente aos respectivos altares onde se
postam os dois Vigilantes, símbolos das respectivas colunas. Esse simbolismo é ainda hoje
repetido, embora de forma sensivelmente modificada. Essa interpretação é a que consta dos
Primeiros Catecismos Maçônicos de 1725.[4]
[1] “Os teus lábios são como fita de escarlate: e o teu falar, doce. Assim é o vermelho da
romã partida, assim é o nácar de tuas faces, sem falar no que está escondido dentro.” Cântico
dos Cânticos, 4;3
[2] Alex Horne: O Templo do Rei Salomão na tradição maçônica, pg. 125
[3] Através das pancadas ritualísticas
[4] Alex Horne-op citado pg. 184
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#27
OS DOZE TRABALHOS
DE HÉRCULES
Os doze trabalhos a que
Hércules foi submetido, pela
ordem, são os seguintes:
1- Destruir o leão de Neméia
Esse primeiro trabalho de
Hercules simboliza a coragem e
a sagacidade que o homem
deve ter para vencer
dificuldades que, a principio,
parecem insuperáveis. Os
gregos antigos encareciam tais
virtudes em suas iniciações.
Nada devia parecer impossível
a um verdadeiro homem,
nenhuma dificuldade era
insuperável, e a falta de
recursos não podia ser invocada
como desculpa para que ele não
lutasse. Por isso os gregos
superaram as próprias
condições geográficas de sua
terra, reconhecidamente pobre,
e criaram as bases do mundo moderno.
As lutas para superar os nossos vícios, nossas paixões, que são os monstros que devoram
nossas virtudes, devem ser travadas sem quartel. Mesmo que a vitória pareça improvável, nunca
devemos desistir de lutar, como Hércules na lenda grega, ou o Quixote, no genial conto de
Cervantes. E depois de vitoriosos, são as memórias dessas lutas que nos tornam cada vez mais
fortes para superarmos as novas dificuldades que surgirão. Porque a luta pelo aprimoramento
moral e espiritual do homem deve ser continua.
2- A hidra de Lerna
A segunda tarefa de Hércules foi a destruição da Hidra de Lerna, monstro horripilante,
semelhante a uma serpente de várias cabeças, que, a cada vez que uma delas era cortada, outra
brotava imediatamente no lugar. Esse monstro habitava num pântano fétido e sombrio,
devorando todos aqueles que se aventuravam a atravessá-lo.
O simbolismo da Hidra de Lerna é particularmente interessante, e tem muito a ver com a
prática da Arte Real. Desde os primeiros graus da Maçonaria Azul, nas Lojas simbólicas,
afirma-se que o propósito do maçom ao freqüentar uma Loja é submeter suas paixões e cavar
masmorras aos vicios. E todo o desenvolvimento da cadeia iniciática da Ordem jamais deixa de
salientar que é esse o objetivo da iniciação maçônica.
Ora, o simbolismo da hidra é exatamente esse. O monstro, habitante de um pântano
medonho, é possuidor de diversas cabeças indestrutíveis, que simbolizam os diversos vícios que
se propagam pelo corpo e pela mente humana e não podem ser destruídos individualmente, pois
a cada vez que um deles é cortado, outro surge em seu lugar.
Para liquidar o monstro, Hércules usa uma estratégia que revela, também, profundos
ensinamentos iniciáticos. Ele vai cortando as cabeças dele com a espada e, ao mesmo tempo,
cauteriza as feridas com fogo para que elas não possam renascer novamente. A espada é a arma
que simboliza o combate espiritual, razão porque a Maçonaria a utiliza em todos seus rituais. O
fogo, que representa a purificação, é o elemento que impede que o vicio, uma vez extirpado,
retorne.
Por isso toda iniciação sempre evoca uma passagem pelo fogo para fins de purificação. São
João Batista, ao se referir ao ministério de Jesus, diz que “Ele vos batizará com o Espírito Santo,
e com fogo” o que significa que a purificação definitiva deve ser feita por esse elemento. Isso
quer dizer que não basta “extirpar “ o vício; é preciso também cauterizar o ferimento que ele
provocou no psiquismo do homem, para que ele não retorne como a cabeça da Hidra de Lerna.
3- O javali de Erimanto
Na Arcádia, região pastoril da antiga Grécia, famosa por suas bucólicas paisagens, havia um
monstruoso javali, que Hércules deveria capturar vivo e trazer ao rei de Argos. Essa criatura
fantástica assustava os pastores e destruía suas florestas, pois nutria-se das glandes dos
carvalhos, impedindo sua reprodução.
O simbolismo dessa tarefa é bastante apropriado á filosofia maçônica. O javali é o símbolo
do poder espiritual. Na tradição druida ele representa a força do espírito, enquanto que o urso é
o símbolo da força temporal. Na religião celta, naturalista por excelência, cada animal
representava uma espécie de manifestação de força da natureza. Essa crença sobreviveu na
tradição de muitos povos, que adotaram como símbolos os mais diversos animais para
representar suas qualidades, como por exemplo, a Inglaterra com o leão, a Rússia com o Urso,
os Estados Unidos com a águia etc. O maçom deve procurar sempre submeter suas paixões pelo
constante progresso que faz nos ensinamentos da Maçonaria. Essa, inclusive, é a resposta que
ele dá ao trolhamento que lhe é feito por ocasião de visitas a Lojas irmãs.
Perguntado sobre o que busca em sua visita a determinada Loja, ele responde que “vem
submeter suas paixões e fazer novos progressos na Maçonaria”. É através do controle do
próprio espírito que o maçom se fortalece. Ele conquista o poder espiritual a que apenas um
verdadeiro iniciado pode aspirar.
4 – A corça de Cerinia
Após escalar mais um degrau na escala iniciática, pela conquista do poder espiritual,
Hércules foi encarregado pelo rei de Argos de capturar, viva, uma das cinco corças de Cerinia,
que vivia no monte Liceu. Eram animais sagrados que tinham os pés de bronze e os chifres de
ouro, rápidas e de grande porte. Hércules perseguiu uma delas durante um ano, e finalmente
conseguiu capturá-la. Dois deuses, Apolo e Artemis tentaram tomar-lhe o troféu, mas Hercules
não o consentiu.
Ela é, portanto, a sabedoria aliada á meiguice e á sensibilidade, virtudes imprescindíveis
naqueles que buscam a realização de uma espiritualidade de nível superior.
5- As aves do Lago de Estinfalo
Numa floresta escura ás margens do lago Estinfalo, situada na região da Arcádia, viviam
certas aves de porte gigantesco, que viviam devastando as plantações e matando as pessoas com
os dardos envenenados que faziam de suas penas. Como se escondiam nos recantos mais
escuros da floresta, era difícil desalojá-las de seus esconderijos. Hércules pediu ajuda á deusa
Atena e esta mandou o demônio Hefesto fundir-lhes umas castanholas de bronze que
provocavam um barulho ensurdecedor. Dessa forma, Hércules fez com que as aves deixassem
os esconderijos e pode matá-las com flechas envenenadas com sangue da Hidra de Lerna.
A interpretação mais corrente desse mito iniciático é a que as aves do Lago Estinfalo são os
desejos múltiplos e perversos que saem do inconsciente, para tentar evitar que o iniciado
continue seu caminho na busca da iluminação. Delas diz o mito grego que seu vôo obscurecia o
sol. E é exatamente isso que os desejos profanos fazem. Se não adequadamente combatidos,
toldam a luz que guia o homem na sua jornada para o aprimoramento espiritual.
6- Os estábulos do Rei Algias.
O rei Algias era o rico monarca de Elis, uma cidade no Peloponeso. Possuía um grande
rebanho de animais, que guardava em imensos estábulos. Como não os mandava limpar a trinta
anos, o acúmulo de estrume exalava fedor e pestilência por toda a região, despertando a ira dos
reinos vizinhos. Eristeu ordenou a Hércules que limpasse os estábulos do rei Algias mesmo
contra a vontade dele.
A interpretação simbólica mais comum desse trabalho é que o acúmulo de maus pensamentos
acaba por tornar a mente humana um território fétido e pestilento, degenerando em doenças
diversas que fazem do individuo um estorvo e um constrangimento, não só para a família, mas
também para toda a sociedade. É preciso que a mente seja limpa e irrigada com “ água pura”
constantemente, para que não pereça numa situação semelhante aos estábulos do Rei Algias. O
rio é constante, perene, representa fertilidade, regeneração e movimento. A mente humana deve
ser como ele, não pode ficar estagnada. Não devemos jamais deixar que nela se acumulem maus
pensamentos, lembranças de desejos não satisfeitos, inveja, ciúme, rancores, etc. Esses
sentimentos são estrumeira que devem ser lavados constantemente.
7- O touro de Creta
O sétimo trabalho de Hércules foi sua vitória sobre o terrível touro de Creta. Esse animal
fantástico tinha sido enfeitiçado pelo Deus Possidon, para castigar o Rei Minos, de Creta, por
este não ter cumprido sua promessa de sacrifica-lo em sua homenagem.
O touro simboliza a força e a violência que devem ser conquistadas pela razão e a sabedoria.
Muitas vezes os homens deixam de cumprir seus deveres e, em conseqüência, atraem sobre si e
a sociedade em que vivem, os males da violência e do crime, que nada mais são que a
pretendida realização das nossas necessidades e desejos da forma mais vil. Essa alegoria nunca
foi mais bem empregada do que nos dias atuais em que assistimos ao aumento da violência de
uma forma tal como nunca se viu antes. E tudo isso, na nossa opinião, é motivado pelas
péssimas condições sociais em que vive o nosso povo, cada vez mais incapacitado de obter, por
meios normais, as coisas que necessita para viver. E assim, ao se encontrar cada dia mais pobre,
e pressionado por uma mídia que o incita ao consumo, parte ele para a violência, tentando obter,
á força, aquilo que não conseguiu através do trabalho honesto.
8 – As Éguas de Diomedes
Diomedes era rei da Trácia. Possuía quatro éguas (Podarga, Lampona, Xanta e Dina), que se
alimentavam de carne humana. Eristeu encarregou Hércules de acabar com essa prática
selvagem e trazer as éguas para Argos.
Esse mito simboliza o fato de que na vida humana há muita perversidade. Há homens que
devoram outros para satisfazerem seus instintos mais vis. Os perversos, quando vencidos,
morrem por si mesmos, destruídos pelos próprios inimigos que criou, ou por outras feras iguais
a eles. Mas nesse processo ocorre também a morte da beleza, da inocência e da pureza
simbolizadas pela rainha Alceste. O trabalho do iniciado é resgatar desse tipo de “ morte” moral
, as pessoas boas e puras que são vítimas dessa perversidade.
9- O Cinturão da Rainha das Amazonas.
Hipólita, rainha das temíveis guerreiras amazonas, ganhara do Deus Áries um cinturão
mágico que lhe conferia enorme poder. A filha do rei Euristeu, que também era sacerdotisa da
Deusa Hera, exigiu que Hércules obtivesse para ela o cinturão de Hipólita.
São várias as interpretações desse trabalho de Hércules, algumas das quais, inclusive, já
renderam especulações da mais alta envergadura intelectual. Na conclusão extremamente
chauvinista de Paul Diel, por exemplo, as “ amazonas são mulheres assassinas de homens”, ou
seja, são o tipo que buscam substitui-los em tudo, deles não necessitando para mais nada, além
do prazer sexual. A esse tipo de mulheres deve o herói oferecer combate, pois representam a
concupiscência que prejudica a evolução do espírito.(...)
Na verdade, porém, o ensinamento iniciático que o cinto de Hipólita encerra é que esse cinto
é representativo de poder. Quer dizer que os gregos antigos acreditavam que o poder da mulher
era exclusivamente fundamentado na sua capacidade de procriar e dar prazer sexual. O cinto é
uma alegoria, representativa da função sexual feminina. Conquistá-la, dominá-la, era condição
para que o iniciado pudesse prosseguir na escalada para o seu aprimoramento espiritual, já que
jamais poderia fazê-lo sem que sua descendência estivesse garantida e sua satisfação sexual
normalmente satisfeita. (...)
Nossa tese é a de que esse trabalho de Hércules não pode ser interpretado, abstraindo todas
as aventuras que o herói viveu até obtê-lo e entregá-lo á sacerdotisa da deusa Hera. Na verdade,
além dos aspectos psicossociais, políticos e iniciáticos apontados pelos autores acima citados,
existem outros, de ordem moral, sociológica e histórica nesse mito, que merecem ser
comentados ainda que de passagem. Quanto aos aspectos morais, no que importa aos
ensinamentos do grau, entendemos que ele evoca a prática de diversas virtudes, sem as quais
nenhum aprimoramento pessoal é possível. O primeiro, sem dúvida, está ligado ao
comportamento sexual do individuo. (....)
Não existe vida humana sem atividade sexual, não há continuidade de existência sem
reprodução assexuada. O sexo não pode ser tratado, portanto, como mera atividade lúdica,
destinada simplesmente á obtenção de satisfação física. E nesse sentido, a mulher que procura a
dominação, que utiliza como arma para aquisição de poder material, esse sagrado atributo que é
a capacidade de procriar, utiliza indevidamente uma faculdade que lhe foi dada pelo Criador.
Isso faz do sexo um elemento de discórdia na humanidade, quando deveria sê-lo de união.
Essa questão precisa bem entendida para que não inspire entendimentos equivocados. É
sabido que entre a elite da Grécia antiga, por exemplo, o homossexualismo era um
comportamento comum. Não temos elementos para comprovar nossa dedução, mas acreditamos
que a própria visão dos filósofos gregos a respeito das mulheres e das questões sexuais
justificam esse fato. Na verdade, como bem viu Bachofen, as culturas que emergiram a partir da
reorganização dos povos, ocorrida após o Dilúvio, são conseqüências da vitória do patriarcado
sobre o matriarcado. A mulher, no inconsciente dos homens, a partir daí, sempre apareceu como
uma espécie de inimiga que é preciso manter sobre rigoroso domínio. Não só a cultura grega,
como também a própria cultura hebraica, nos dá uma mostra desse preconceito irracional contra
a mulher, a julgar pelas próprias crônicas bíblicas.
A tese de Bachofen, por sua importância na interpretação desse tema, justifica a síntese que
nos propomos a fazer abaixo:
Bachofen, interpretando o mito de Édipo, reconhece a supremacia feminina no processo
genealógico humano. Pelo fato de somente a mãe deter a certeza da origem de um filho, num
passado ainda não devidamente recenseado pelos historiadores, as mulheres teriam exercido a
supremacia social e familiar, sendo também sacerdotisas e chefes militares. Foi, portanto, o
primado do Matriarcado, cuja memória ainda persistia na consciência dos povos quando a
história começou a ser escrita. É a partir dessa data que as divindades supremas começam a ser
representadas por figuras masculinas, o que coincide com o surgimento das religiões
monoteístas do Oriente e o começo da deificação dos heróis na Grécia. Essa luta entre
matriarcado e patriarcado transparece na composição para diversos mitos gregos, como a luta de
Hércules contra as amazonas, e é também, o ponto central da famosa tragédia de Ésquilo,
Oréstia. (....)
A tese de Bachofen opõe claramente dois elementos culturais: matriarcado e patriarcado.
Mas releva também suas diferenças. Enquanto o matriarcado destaca os laços de sangue, o
vinculo do homem com a natureza, o saber intuitivo, uma relação de fundo mais sentimental
com o universo, o patriarcado impõe uma noção de vida alicerçada na razão, na força, na
dominação. É uma visão de conquista, de superação do ambiente, em vez de cooperação e
participação, de integração a ele como elemento próprio e não como seu dominador.
Bachofen conclui que a vitória do patriarcado instituiu também na cultura humana o
sentimento de diferenciação, de identificação e de qualificação, pois enquanto o matriarcado
considerava todos os homens iguais em virtude das mesmas condições de nascimento, sem
distinção de qualquer qualidade entre eles, o patriarcado valorizou a autoridade, a diferença
provada pela qualidade individual, a hierarquia encimada pelos melhores. O amor materno não
é somente mais terno como também mais geral e universal... Seu principio é a universalidade,
enquanto o principio patriarcal é o das restrições... A idéia da fraternidade universal do homem
tem suas raízes no principio da maternidade, e justamente essa idéia se desvanece com a
formação da sociedade patriarcal. A família patriarcal é um organismo fechado e limitado. A
família matriarcal, pelo contrário, possui aquele caráter universal com o qual se inicia toda
evolução e caracteriza a vida materna, em combinação com a espiritual imagem da Mãe-Terra,
Démeter. O ventre de toda mãe dará irmãos e irmãs ao ser humano, até que, com o
estabelecimento do principio patriarcal, essa unidade se dissolve e é suplantada pelo principio
da hierarquia. " (...)
Nas sociedades matriarcais," diz ele, " esse princípio encontrou expressões freqüentes e até
mesmo formuladas legalmente. Ele é a base do principio da liberdade e igualdade universais
que constatamos ser um dos traços básicos nas culturas matriarcais... A ausência de desarmonia
interior, um anelo pela paz...uma benevolência terna que ainda podemos ver na expressão facial
de estátuas egípcias que impregnam o mundo matriarcal... "(5)
A análise de Bachofen comporta, como se vê, uma defesa apaixonada do matriarcado,
implicando numa valorização social e política da mulher, não só como companheira e
coadjuvante, como querem alguns intérpretes da Bíblia, mas sim, como sócias majoritárias de
um processo que envolve o surgimento, a manutenção e o desenvolvimento da sociedade
humana.
Para o catecismo maçônico, conforme entendemos, essa visão tem profundas implicações
morais. Conquistar o cinturão de Hipólita implica, não na destruição do poder feminino, mas
sim, na sua sacralização A partir da valorização da família, o respeito á mulher e a sua devida
apreciação, como elemento mais importante do processo genético que garante a vida da
humanidade, se recompõe a justiça e se elimina um preconceito comum, alimentado, inclusive
em certos meios maçônicos, que vê a Fraternidade dos Obreiros da Arte Real como um círculo
de interesses exclusivamente masculinos.
O fato de a Maçonaria ser uma congregação essencialmente masculina tem raízes históricas,
derivadas principalmente de suas influências filosóficas (herméticas), e militares (cavalarianas
especialmente), mas não comportam elementos de preconceito contra as mulheres. A Maçonaria
não é apenas um conjunto de irmãos que se reúnem num local chamado Loja. A Loja são os
irmãos e suas famílias, suas esposas, filhos e parentes. O homem está na mulher como a mulher
está no homem. Não há qualquer evolução possível em caminhos separados, em divisões de
virtudes específicas para um e outro sexo. Não cabe exclusividade aos homens em relação á
certos atributos, como força, segurança, competência para comandar etc. nem as mulheres são
mais capazes de desenvolver o lado sutil do psiquismo humano. Ambos tem qualidades e
atributos que se completam na união dos sexos.
(....)
10- Os bois de Gerião.
Gerião, ou Gericom, era um gigante monstruoso, descendente de uma estirpe de monstros,
que incluia a famosa e terrível Medusa, que era sua avó. Sua aparência era terrível. Possuía três
troncos e três cabeças, que se bifurcavam logo acima dos quadris. Era dono de um imenso
rebanho de bois vermelhos, que eram guardados por um pastor, também monstruoso, e um cão,
da mesma espécie. Ele vivia numa ilha muito distante, além do Imenso Oceano.
(....)
O significado iniciático dessa tarefa tem a ver com a missão do filho do homem, ou seja, a de
resgatar, das mãos de um rei malvado, (que é o vicio), o rebanho sagrado (que é a humanidade).
Por isso ele é o filho da luz, aquele que foi engendrado no seio da sua mãe virgem, sem o
concurso de um pai terreno.
O filho do homem, por ter sido engendrado sem o concurso de um pai terreno é também o
filho da viúva, já que teve que ser gerado pelo próprio Deus, pois que Ele não encontrou na terra
um único “ homem digno’ para dar descendência a esse novo arquétipo. O homem digno, em
consequência da queda, estava morto. Esse é um dos significados do simbolismo contido no
expressão "filho da viúva," aplicada comumente aos maçons.
Essa expressão era utilizada nas antigas iniciações nos Mistérios Egipcios. Filhos da Viúva
eram todos aqueles que se iniciavam naqueles mistérios, pois eram todos filhos de Ísis, a esposa
viúva do deus morto Osiris. Na tradição da Maçonaria, a expressão "Filhos da Viúva" serve
tanto para designar os Templários “órfãos” em relação á morte de seu “pai” , o Grão-Mestre
Jacques de Molay, quanto os partidários dos Stuarts em relação á morte de seu rei Carlos I,
decapitado pelo Parlamento. A viúva daquele rei teria organizado a resistência, sendo a maioria
dos seus partidários constituídos de maçons.(7)
(....)
Filho da Viúva é também Jesus Cristo, cujo pai, José, morreu quando ele era ainda uma
criança. Como Jesus consagrou Maria como Mãe de toda a Cristandade, os cristãos são todos,
filhos da viúva. Filhos da Viúva, também, de acordo com outros autores, eram os filhos dos
soldados cruzados que embarcavam para a Terra Santa e lá morreram em defesa da fé.
Na dura empreitada a que se entrega, quantos não são os trabalhos, os perigos que tem que
enfrentar o "filho da viúva"? Quantos não são os inimigos que se precisa vencer, quantas não
são as próprias perdas que contabiliza? O filho do homem, (ou filho da viúva), é como o herói
Hércules que sai da ilha de Eritia com um rebanho inteiro e perde pelo caminho mais da
metade..
11- O cão de duas cabeças
Este é, talvez, uma das tarefas de maior valor iniciático entre todos os trabalhos realizados
por Hércules. Para realizá-la ele teve, inclusive, que iniciar-se nos Mistérios de Elêusis para
aprender a entrar e sair com segurança do mundo dos mortos. Conta-se que Teseu, o herói de
Atenas, e que tantas aventuras viveu ao lado de Hercules, foi levado para o Inferno (Hades), por
conta de maquinações de seus inimigos e lá encarcerado vivo. A Hércules coube o encargo de
invadir o mundo dos mortos e libertar o amigo. Guiado pelos deuses Hermes e Atena, o herói
desceu ao Hades, enfrentando
A simbologia desse trabalho tem, como já se disse, um alto valor iniciático. Em primeiro
lugar releva-se o fato de que o herói precisa iniciar-se nos Mistérios de Elêusis para aprender “ a
entrar e sair do mundo dos mortos”. Nessa prática está resumida a mais profunda lição do
ensinamento iniciático que é a catábase, (a morte simbólica, a descida ao túmulo, a volta ao
estado inicial de matéria amorfa, o mergulho no subconsciente), e a anábase , que é a subida, a
ascensão, o vôo para a luz, a ressurreição, a aquisição de um estado superior de consciência, o
auto conhecimento, conforme expresso no Oráculo de Delfos, e que se constitui na máxima que
resume toda a filosofia: “ conhece-te a ti mesmo”.
Por isso, a tarefa hercúlea, representada pela descida do herói aos infernos, para ali recuperar
seus amigos, ainda vivos, é bastante significativa. Esse é, efetivamente, o trabalho do iniciado, o
trabalho daquele que, através da prática iniciática, encontrou o auto- conhecimento e aprendeu a
entrar e sair do mundo da inconsciência, onde medram todos os monstros, fantasmas e
demônios, que constantemente sobem á superfície para nos desviar de nossos caminhos.
É, aliás, para isso que serve prática iniciática, e essa é também a função da verdadeira fé. Os
iniciados devem estar dispostos a arrostar mesmo os perigos do inferno quando se tratar de
socorrer, de resgatar seus irmãos que estiverem lá acorrentados e que por suas próprias forças
não conseguem se libertar. E não pode temer os monstros que encontrará, os perigos que terá
que enfrentar, nem dificuldades que terá que superar. E, como o herói da lenda, muitas vezes
terá que conviver com a decepção de ter que devolver aos infernos os troféus que de lá resgatou.
É que o destino das pessoas e o controle dos acontecimentos não está, na verdade, nas mãos dos
homens, mas pertence unicamente ao Grande Arquiteto do Universo. Mas, ainda assim, o herói,
como o maçom, jamais poderá furtar-se de cumprir sua missão, pois para isso foi escolhido,
para isso foi submetido a uma iniciação.
12- As maças douradas do Jardim das Hespérides.
Os trabalhos de Hércules não podiam terminar de ouro modo. Essa tarefa simboliza, na
verdade, a apoteose final de toda cadeia iniciática. Representa a aquisição do conhecimento, do
símbolo da ciência, da Gnose final, capaz de dar ao iniciado aquele estado superior de
consciência, que buscou desde o inicio quando iniciou a sua escalada, a sua “subida pela Escada
de Jacó”.
As maçãs douradas do Jardim das Hespérides eram os frutos sagrados que Hera, a esposa de
Zeus, dele recebera por ocasião de suas núpcias. Ela os plantou num jardim lá pelos lados do
extremo ocidente, próximo do local onde o gigante Atlas escorava a abóbada celeste em suas
costas. (...)
Não é preciso especular muito para se interpretar esse grandioso mito. Na verdade, na
simbologia comum da maioria dos povos, a sabedoria tem sido comparada a frutos de ouro,
guardados ciosamente pelos deuses. E os homens nunca deixaram de cobiçá-los e tentar se
apropriar deles. A própria Bíblia se utiliza desse símbolo para dar a entender que o pecado que
causou a queda do homem foi ao fato do casal humano ter comido, indevidamente, o “ fruto do
conhecimento do bem e do mal” que Deus plantara no Jardim do Éden. Ora, a diferença entre os
mitos bíblico e grego é apenas de forma. Ambos, porém, simbolizam o desejo do homem de
adquirir a Gnose, ou seja, o conhecimento total das causas que possibilitam a vida do universo,
para que, de posse desse conhecimento, possa controlar e administrar seus efeitos.
Esse, entretanto, é um atributo que só é permitido aos deuses. Não obstante, o homem
enfrenta todas as adversidades, todos os perigos, enfrenta mesmo os próprios deuses para obter
essa sabedoria, mesmo que, após tê-la adquirido, não saiba o que fazer com ela, como aconteceu
com o rei Eristeu.
E aqui que o mito aparece na sua mais profunda significação. Hércules lutou e obteve os
pomos dourados a mando de Euristeu, isto é, não por força de uma predisposição de espírito
dele mesmo, mas sim, em razão do desejo profano de alguém que quis apropriar-se desse
atributo sagrado apenas por concupiscência.
As tradições iniciáticas estão cheias de conselhos sobre esse desejo insano de apropriar-se
desse fruto sagrado, que é a Gnose, o supremo conhecimento, apenas pelo desejo de poder ou
por simples curiosidade. Não se assalta o céu para roubar o tesouro dos deuses. Esse tesouro só
pode ser adquirido por quem sabe o que fazer com ele. É ele é dado voluntariamente pelos
deuses áqueles que dele se fazem merecedores.
Hércules obteve os pomos dourados e os entregou ao rei. Este não soube o que fazer com ele
por que deles não era merecedor. Por isso é que a Gnose não pode ser obtida academicamente a
partir de um curriculum de logias desenvolvidas didaticamente. A Gnose é fruto de uma longa
escalada iniciática. Esse é talvez, o grande erro que a Maçonaria, como instituição, tem
cometido ao longo dos séculos. É que, para atender a objetivos simplesmente profanos, como o
são os interesses políticos e pessoais de seus membros, tem admitido em seus quadros pessoas
não qualificadas para perseguirem os objetivos da Ordem. Esses iniciados entram para a
Confraria, mas jamais alcançam, ainda que subam todos os graus da Escada de Jacó, a
verdadeira sabedoria.
Notas
(1) André Michel de Ransay, nobre francês, maçom famoso,que no início do século XIX,
divulgou a maçonaria em vários países da Europa.
2- Erich Fron- A Linguagem Esquecida - Ed. Pensamento.S.Paulo, 1987
3- Idem,
4- Idem
5- Ibidem
6- Gerard de Nerval, compositor Francês do século XIX
7- Veja-se a nossa obra Conhecendo a Arte real, Ed. Madras, São Paulo, 2007
8- Jean Palou- Maçonaria Simbólica e Iniciática, Ed Pensamento, São Paulo, 1984
(Resenha extraida do livro CONSTRUTORES DO UNIVERSO
Por Irmão João Anatalino
FONTE: RECANTO DAS LETRAS
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#32
A CADEIRA DE SALOMÃO
A CADEIRA DE SALOMÃO
Por Ir.'. Rui Bandeira
Denomina-se de Cadeira de Salomão a
cadeira onde toma assento o Venerável
Mestre da Loja quando a dirige em sessão
ritual.
Em si, não tem nada de especial. É uma
peça de mobiliário como outra qualquer. É
como qualquer outra cadeira. Porventura
(mas não necessariamente) um pouco mais
elaborada, com apoio de braços, com maior
riqueza na decoração, com mais cuidado nos
acabamentos. Ou não...
Como quase tudo em maçonaria, a
Cadeira de Salomão tem um valor
essencialmente simbólico. Integra,
conjuntamente, com o malhete de Venerável
e a Espada Flamejante (esta apenas nos ritos
que a usam), o conjunto de artefatos que
simbolizam o Poder numa Loja maçónica.
Ninguém, senão o Venerável Mestre, usa o
malhete respetivo. Ninguém, senão ele,
utiliza a Espada Flamejante. Só ele se senta
na Cadeira de Salomão.
A Cadeira de Salomão destina-se, pois, tal como os outros dois artefatos referidos, a ser
exclusivamente utilizada pelo detentor do Poder na Loja. Assim sendo, importante e
significativo é o nome que lhe é atribuído. Não se lhe chama a Cadeira de César ou o Trono de
Alexandre. Sendo um atributo do Poder, não se distingue pelo Poder. Antes se lhe atribui o
nome do personagem que personifica a Sabedoria, a Prudência, a Justa Sageza. Ao fazê-lo, está-
se a indiciar que, em Maçonaria, o Poder, sempre transitório, afinal ilusório, sobretudo mais
responsabilidade que imperiosidade, só faz sentido, só é aceite, e portanto só é efetivo e eficaz
se exercido com a Sabedoria e a Prudência que se atribui ao rei bíblico.
Quem se senta naquela cadeira dispõe, no momento, do poder de dirigir, de decidir, de
escolher o que e como se fará na Loja. Mas, em maçonaria, se é regra de ouro que não se
contraria a decisão do Venerável Mestre, porque tal compromisso se assumiu repetidamente,
também é regra de platina que, sendo-se livre, não se é nunca obrigado a fazer aquilo com que
se não concorda. O Poder do Venerável Mestre é indisputado. Mas, para ser seguido, tem de
merecer a concordância daqueles a quem é dirigido. E esta só se obtém se as decisões tomadas
forem justas, forem ponderadas, forem prudentes. O Poder em maçonaria vale o valor intrínseco
de cada decisão. Nem mais, nem menos.
A Cadeira de Salomão é pois o lugar destinado ao exercício do Poder em Loja, com
Sabedoria e Prudência. Sempre com a noção de que não é dono de qualquer Poder, que só se
detém (e transitoriamente) o Poder que os nossos Irmãos em nós delegaram, confiando em que
bem o exerceríamos.
Não está escrito em nenhum lado, não há nenhuma razão aparente para que assim tenha de
ser. Mas quase todos os que se sentaram na Cadeira de Salomão sentem que esta os
transformou. Para melhor. Não porque esta Cadeira tenha algo de especial ou qualquer mágico
poder. Porque a responsabilidade do ofício, o receber-se a confiança dos nossos Irmãos para os
dirigirmos, para tomar as decisões que considerarmos melhores, pela melhor forma possível,
por vezes após pronúncia dos Mestres da Loja em reunião formal, outras após ter ouvido
conselho de uns quantos, outras ainda em solitária assunção do ónus, transforma quem assumiu
essa responsabilidade. A confiança que no Venerável Mestre é depositada pelos demais é por
este paga com o máximo de responsabilidade. Muito depressa se aprende que o Poder nada vale
comparado com o Dever que o acompanha. Que aquele só tem sentido e só é útil e é meritório
se for tributário deste.
A primeira vez que um Venerável Mestre se senta na Cadeira de Salomão não lhe permite
distinguir se é confortável ou não. Não é apta a que sinta que se encontra num plano superior ou
central ou especial em relação aos demais. A primeira vez que um Venerável Mestre se senta na
Cadeira de Salomão vê todos os rostos virados para ele. Aguardando a sua palavra.
Correspondendo a ela, se ela for adequada. Calmamente aguardando por correção, se e quando a
palavra escolhida não for adequada. A primeira vez que um Venerável Mestre se senta na
Cadeira de Salomão fá-lo instantaneamente compreender que está ali sentado... sem rede!
E depois faz o seu trabalho. E normalmente faz o seu trabalho como deve ser feito, como viu
outros antes dele fazê-lo e como muitos outros depois dele o farão. E então compreende que não
precisa de rede para nada. Que o interesse é precisamente não ter rede...
Quem se senta na Cadeira de Salomão aprende a fazer a tarefa mais complicada que existe:
dirigir iguais!
Fonte: A Partir Pedra
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/a-cadeira-de-salomao.html
#33
O MAR DE
BRONZE:
SIMBOLOGIA
MAÇÔNICA E
POSIÇÃO NO
TEMPLO
O objetivo
deste trabalho é
relatar o
resultado das
pesquisas
efetuadas sobre
o Mar de
Bronze, que
orna nosso
templo do
R:.E:.A:.A:..
Para falar do
Mar de Bronze,
é necessário
fazer referência
a textos bíblicos.
Como se sabe,
há diversas
traduções e interpretações da Bíblia – muitas delas inclusive discordantes entre si, como
pudemos constatar nas pesquisas para este trabalho. Por isso, optamos por desenvolver a
pesquisa a partir de quatro destas traduções, todas transcrita de modo comparativo, versículo a
versículo, nos anexos desse trabalho. São elas:
- a Vulgata Latina, em latim, traduzida por São Jerônimo no século IV d.C. diretamente do
grego antigo e do hebraico.
- a Vulgata Latina, em português, traduzida pelo Padre Matos Soares diretamente da versão
em latim.
- a primeira tradução da Bíblia para o Português, feita por João Ferreira de Almeida em
1753, a partir do grego antigo, hebreu e latim.
- edição pastoral, utilizada pela Igreja Católica atualmente.
O Mar de Bronze surge na Bíblia quando esta descreve a construção e estrutura do Templo
de Salomão. Tal descrição surge no 1º Livro de Reis e no 2º Livro de Crônicas. Segundo a
versão de João Ferreira de Almeida da Bíblia, durante o processo de construção do Templo de
Salomão:
[Hiram] Fez mais o mar de fundição, de dez côvados de uma borda até à outra borda,
perfeitamente redondo, e de cinco côvados de alto; e um cordão de trinta côvados o cingia em
redor. E por baixo da sua borda em redor havia botões que o cingiam; por dez côvados
cercavam aquele mar em redor; duas ordens destes botões foram fundidas quando o mar foi
fundido. E firmava-se sobre doze bois, três que olhavam para o norte, e três que olhavam para o
ocidente, e três que olhavam para o sul, e três que olhavam para o oriente; e o mar estava em
cima deles, e todas as suas partes posteriores para o lado de dentro. E a grossura era de um
palmo, e a sua borda era como a de um copo, como de flor de lírios; ele levava dois mil batos (I
Reis, 7, 23-36)
“Côvado” é uma antiga unidade de medida que representa 44 cm (Côvado Hebreu) ou 45 cm
(Côvado Romano)1. Assim, as dimensões do Mar de Bronze eram aproximadamente de 4,50m
de diâmetro, e 2,25cm de profundidade. Naturalmente, o autor do texto bíblico fez referências
apenas aproximadas, já que com tais medidas, e sendo perfeitamente redondo, não poderia ter
30 côvados (13,5 metros) de perímetro, já que o Q (Pi) não é 3, mas 3,14.
O mesmo ocorre com o volume d’água suportado pelo Mar de Bronze. Um (01) bato
representa 45 litros. Assim, a capacidade do Mar seria de 90.000 litros (2.000 batos). Um
recipiente como o descrito nas Escrituras não comportaria tal volume de água (2).
A finalidade do Mar de Bronze no Templo de Salomão era a ablusão. Ou seja, os fiéis, antes
de entrarem no Templo, deveriam lavar seus pés e mãos, buscando a purificação. Também os
animais que seriam levados a sacrifício antes eram banhados no Mar de Bronze, para serem
purificados (3).
Maçonicamente, o Mar de Bronze exerce esta mesma função de purificação, já que é nele
que se opera a purificação pela água (4) nas iniciações. Simbolicamente, ocorre aí a purificação
da alma do candidato, que está sendo preparado para sacrificar o Homem profano e fazer nascer
na luz o Homem Maçom.
A localização do Mar de Bronze nos templos maçônicos é tema relativamente controvertido.
Aliás, as próprias traduções bíblicas apresentam certa divergência quanto à localização do Mar
de Bronze no próprio Templo de Salomão.
Sabe-se que o Templo de Salomão estava orientado do Oriente para o Ocidente. A entrada do
Templo e as coluna Jaquim e Boaz, portanto, estava no Oriente, enquanto o Santo dos Santos
situava-se no Ocidente.
Olhando-se de dentro para fora, em direção à entrada oriental do Templo, estavam
localizadas as colunas Jaquim (direita) e Boaz (esquerda). Todas as traduções consultadas
afirmam que o Mar de Bronze estava localizado fora do Templo, no Oriente e à direita.
Portanto, próximo à coluna Jaquim.
Algumas traduções dizem que o Mar de Bronze estava nesta posição contra o meio-dia;
outras falam em meridiano; e outras ainda ao sul. As expressões meio-dia e meridiano referem-
se ao ponto cardeal Sul. O Mar de Bronze, portando, localizava-se entre o Oriente (Leste) e o
Sul, ou seja, a sudeste. Porém, a versão Pastoral da Bíblia, em 1º Reis, 7, 39, traduz esta posição
como sendo sudoeste, o que aparenta ser um equívoco, já que em 2º Crônicas, 4,10 esta mesma
versão da bíblia referencia sudeste.
Talvez tenha sido esta – ou outra com o mesmo equívoco – a tradução utilizada por
CASTELLANI quando, transcrevendo a mesma passagem bíblica, afirma que no Templo de
Salomão o Mar de Bronze situava-se a sudoeste (5).
Todas as representações gráficas, gravuras e plantas do Templo de Salomão consultadas, a
mais antiga datada de 1584 (6), posicionam o Mar de Bronze a sudeste. Portanto, à esquerda de
quem entra no Templo de Salomão pelo Oriente, e próximo à coluna Jaquim.
Qual será, então, a posição do Mar de Bronze no Templo Maçônico? Sabe-se que o Templo
Maçônico é a representação simbólica do Templo de Salomão, porém voltado do Ocidente para
o Oriente.
Partindo dessa premissa – e sempre considerando a inexperiência desses nossos primeiros
passos, ainda retos, de Aprendiz – parece-nos que o Mar de Bronze deve estar localizado à
sudoeste no Templo Maçônico, ou seja, próximo à porta de entrada do Templo, à direita de
quem de fora olha, e perto da coluna J.
É que, direcionando-se o Templo Maçônico (Ocidente para o Oriente) em sentido inverso ao
do Templo de Salomão (Oriente para o Ocidente), parece-nos que deve haver a correspondente
inversão dos demais pontos cardeais, para que se mantenha a mesma simetria. Tal fato, aliás,
justifica o posicionamento das colunas J e B: no Templo de Salomão, J está à esquerda de quem
de fora olha, e B está à direita. No Templo Maçônico, J está à direita de quem de fora olha, e B
está à esquerda. E isso reforça
nossa impressão.
Corrobora também esta nossa impressão o fato de que na Planta do Templo apresentada no
Ritual do R:.E:.A:.A:. vigente (7), o Mar de Bronze está localizado no Ocidente (Oeste), mais
próximo à Coluna do Sul e próximo da Coluna J.
Cícero D:., A:.M:.
A:.R:.L:.S:. Luz da Acácia – Nº 2586 – Or:. de Jaraguá do Sul (SC), Brasil
NOTAS:
(1) Conforme: LOVEWELL, Harvey. Solomon’s temple: the bronze castings of Jachin and
Boaz pillars. Disponível em:
http://www.freemasonsfreemasonry.com/pillar_solomon_temple.html.
(2) A título de ilustração, vale mencionar ainda que o Rei Ahaz multilou o Mar de Bronze ao
retirar de sua base dos dois bois para decorar seu palácio, substituindo-os por bases de pedra. E
finalmente, ele foi totalmente destruído pelos assírios (II Reis, 16, 14:17; 25, 13).
(3) CAMINO, Rizzardo da. Dicionário Maçônico. Madras: São Paulo, 2006. p. 269.
(4) Conforme Ritual do R:.E:.A:.A:. editado pelo GOB em 2001, p. 103.
(5) CASTELLANI, José. Caderno de estudos maçônicos: consultório maçônico. 1ª ed.
Editora Maçônica A Trolha: 1989. n 2, p. 27-29.
(6) Disponível em: http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Christian-
vanadrichom_JERVSALEM-et-suburbia-eius_detail-solomon-temple_1-1497x1000.jpg. Acesso
em 05/08/2007.
(7) Conforme Ritual do R:.E:.A:.A:. editado pelo GOB em 2001, p. XII e XIII.
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/o-mar-de-bronze-simbologia-
maconica-e.html
#35
VATICANO MAÇÔNICO
VATICANO MAÇÔNICO
Por Kennyo Smail
Para muitos maçons
mal informados, a
Grande Loja Unida da
Inglaterra exerce função
de “xerife” do mundo
maçônico, sendo a
legítima guardiã da
regularidade maçônica,
devendo ditar as regras a
serem seguidas pelas
demais Obediências. Para
esses, se a Maçonaria
fosse uma religião, a
GLUI seria uma espécie
de Vaticano Maçônico. É
importante esclarecer que
a GLUI não tem essa
autoridade e que isso é
totalmente contrário a
todos os princípios
maçônicos de autonomia,
soberania e igualdade
entre Obediências.
A quase submissão
das Grandes Lojas da Escócia, Irlanda, Índia e de algumas Grandes Lojas da Austrália e Canadá
é até tolerável, considerando terem esses países pertencido ao Império Britânico e a GLUI ter
sido a provedora de tais Grandes Lojas. Porém, a submissão presenciada por outras Obediências
no restante do mundo, e até mesmo no Brasil, é inaceitável e demonstra que o “complexo de
vira-lata” alcança até as fileiras maçônicas.
Para quem não está familiarizado com o termo, o complexo de vira-lata é uma expressão de
autoria de Nelson Rodrigues para se referir à inferioridade e submissão que muitas vezes o
brasileiro se impõe voluntariamente. E, infelizmente, essa postura foi historicamente
institucionalizada na Maçonaria brasileira em relação à Inglaterra.
O desavisado que visitar a Maçonaria Regular nos chamados países desenvolvidos descobrirá
que essa idolatria à GLUI não é compartilhada pelos mesmos. Muito pelo contrário: verdade é
que a GLUI não faz parte da vanguarda maçônica, seguindo várias vezes a tendência
impulsionada por outras Grandes Lojas, quase que pressionada pelas mesmas a sair da inércia.
Antes de elevar a GLUI ao posto de “rainha do mundo maçônico”, posto esse que os
britânicos já estão familiarizados pelo modelo de Estado, reflita um pouco sobre isso: A
Maçonaria está diretamente ligada ao princípio de Liberdade, considerado direito natural dos
homens. E enquanto o mundo ocidental ainda experimentava o gosto amargo das monarquias
absolutistas, a Maçonaria já sentia o doce sabor da democracia em suas Lojas e Grandes Lojas.
Sendo precursora dos ideais libertários e democráticos, a Maçonaria participou ativamente e de
forma determinante da Revolução Francesa e da libertação de praticamente todos os países do
continente americano. Atualmente, até mesmo em países como Cuba, que vive uma Ditadura
Castrista há mais de 50 anos, a Maçonaria mantém intacta a chama da democracia em seu
interior, elegendo periodicamente seu Grão-Mestre. No entanto, eu pergunto: Qual é a única
Grande Loja do mundo que traiu esse princípio de democracia, tirando do povo maçônico o
direito sagrado de escolher entre os seus membros um Grão-Mestre? A Grande Loja Unida da
Inglaterra.
O Príncipe Eduardo, Duque de Kent, é Grão-Mestre da GLUI desde 1967, ou seja, uma
“ditadura maçônica” que dura 45 anos. Alguns podem questionar essa afirmação, dizendo que
ele é constantemente “reeleito”. Porém, não devemos nos esquecer que Fidel Castro também
era. Ambos, por motivos óbvios, sempre foram candidatos únicos.
Se a Maçonaria Regular Mundial acha por bem tolerar tal situação proveniente da GLUI,
entendendo que é uma questão de cultura dos maçons ingleses que, assim como os cidadãos
daquele país, ainda se sujeitam em dividir os homens (e os maçons) entre nobres e plebeus, e
favorecer esse primeiro grupo em detrimento do segundo, isso é fraternalmente compreensível.
Afinal de contas, a tolerância é um dos belos ensinamentos transmitidos pela Maçonaria. Mas
que fique claro ao maçom que lê estas palavras: a Grande Loja Unida da Inglaterra não é um
modelo a ser seguido, quanto mais uma autoridade a ser obedecida.
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/vaticano-maconico.html
#38
References
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/a-obra-completa-de-machado-de-
assis.html
#40
155 mil imagens de obras de arte em alta resolução para download gratuito
155 mil imagens de obras de arte em alta resolução para download gratuito
O
Rijksmuseum,
um dos maiores
museus da
Europa,
dedicado à artes
e história,
disponibilizou
para apreciação
on-line ou
download, parte
de seu
gigantesco
acervo. São
References
1. ^ 155 mil imagens de obras de arte em alta resolução para download gratuito
(www.rijksmuseum.nl)
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/155-mil-imagens-de-obras-de-arte-
em.html
#41
References
1. ^ Toda a obra de Mozart para download (bit.ly)
2. ^ http://bit.ly/8kjcde (bit.ly)
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/toda-obra-de-mozart-para-
download.html
#42
Maçonaria Adonhiramita
ALGUNS ESCLARECIMENTOS SOBRE O RITO E OUTROS COMENTÁRIOS
Por Hercule Spoladore
A Maçonaria Adorinhamita nasceu na França durante a segunda metade do
século XVIII. Foi praticada lá e em suas colônias bem como em Portugal e
suas respectivas colônias. Foi o primeiro rito a entrar no Brasil trazido pelo
Grande Oriente Lusitano. Ele atualmente estava sendo praticado só no Brasil,
aonde vem apresentando um desenvolvimento muito acentuado, com a criação
de inúmeras novas lojas, quer no GOB, quer na COMAB e agora também na
Grande Loja de São Paulo (GLESP).
Todavia, há alguns anos ele foi reintroduzido em Portugal, graças aos esforços do então
Grão-Mestre do GOB-Pará, Irmão Waldemar Coelho que é um dos grandes incentivadores para
que o Rito cresça em todo o mundo o qual enaltece também os esforços dos maçons
adonhiramitas do Pará e o Rio de Janeiro que muito trabalharam para que o Rito voltasse a
Portugal. O então Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica Regular de Portugal, o Irmão Mario
Martin Guia decretou finalmente a criação da primeira Loja Adorinhamita no pais, pelo menos
nesta nova fase do Rito, e que levou o nome de Loja Regular “José Estevão”. Evidentemente a
primeira Loja do Rito Adorinhamita em Portugal foi fundada no século XVIII. Leia mais[1]
De início se torna necessário esclarecer e explicar um erro histórico sobre a fundação deste
Rito.
Não foi o maçom Barão de Tschoudy (Louis Theodore) político de origem suíça nascido
em1720 e falecido em 1769 aos quarenta e nove anos de idade quem fundou o Rito. O Rito em
realidade foi fundado por Louis Guillerman Saint-Victor que escreveu um livro “Compilação
Preciosa da Maçonaria Adonhiramita” (Recueil Précieux de la Maçonnerie Adorinhamite) onde
ele descreveu e incluiu os quatro primeiros graus e publicou em 1781. Em 1785 ele escreveu um
segundo livro descrevendo mais oito graus, perfazendo doze Era então, conhecido o Rito como
a Maçonaria dos 12 graus.
O grande culpado deste imbróglio do falso fundador do Rito foi um escritor francês, maçom,
de nome Jean Baptiste Marie Ragon de Bettignies (1781- 1862), mais conhecido por Ragon, que
ao que parece tinha boa cultura maçônica. Escreveu vários livros sobre a Ordem, porem ao
escrever não era criterioso e nada mais do que um leviano que inventava situações a seu bel
prazer. E em um dos seus livros “Ortodoxia Maçônica” (Orthodoxie Maçonnique) ele afirmou
que o Barão de Tschoudy era o fundador do Rito Adorinhamita e também ele “criaria” o 13º
grau do Rito. Entre as suas várias balelas existe mais uma, ao afirmar que Elias Ashomole teria
sido o primeiro compilador dos rituais dos graus 1, 2 e 3, quando na realidade Aschmole jamais
compilou qualquer ritual. Aschmole quando foi iniciado em 08/10/1646, nesta época não tinha
ainda sido organizado o catecismo (ritual) do grau 2, o qual foi criado em 1670 (manuscrito
Sloan, 3 -1696), e muito menos o 3º grau criado em 1725 e incorporado na ritualística em 1738.
Desta forma, inventando, ele atribuiu a paternidade do Rito Adonhiramita ao Barão de
Tshoudy. Só que em 1871 Tschoudy havia falecido 12 anos antes. Logo, ele jamais poderia ter
fundado o Rito Adorinhamita.
Após 1785 Guillerman Saint-Victor escreveu e publicou a tradução de um trabalho alemão a
respeito do Grau Noachita ou Cavaleiro Prussiano, de autoria do alemão M. de Beraye e este
artigo apareceu publicado no Journal de Trévoux.
Ragon e Thory se intrometeram, sem nenhuma razão especial interpretaram a publicação
como sendo mais um grau, o 13º grau, embora Saint Victor houvesse publicado a tradução por
mera curiosidade sem intenção de criar mais um grau. Esta tradução era um grau alemão que
nada tinha a ver com os 12 graus já estabelecidos do Rito. Ragon inseriu o novo grau na parte
final da segunda parte do trabalho de Saint Victor e o 13º grau acabou sendo incluído no Rito.
Também, seria o 13º grau segundo alguns autores, uma homenagem a Frederico II da Prússia,
maçom e que foi benfeitor da Ordem numa época em que ela se achava em progresso, mas
muito perseguida.
Fica assim esclarecido este erro histórico causado por um escritor maçom até certo ponto
inescrupuloso e que apesar de escrever bem e ser culto não media as consequências do que
escrevia. Ele terminou desacreditado no final do século XX. Ele era ainda muito citado em
trabalhos até há cerca de 30 a 40 anos atrás, por escritores maçons brasileiros e estrangeiros, que
não conheciam a verdade sobre o famoso Ragon. Ainda existem irmãos atualmente no Brasil
que afirmam ter sido o Barão de Tschoudy o fundador do Rito Adorinhamita bem como citam
Ragon como referência bibliográfica em seus trabalhos, que costumeiramente ainda se lê nas
revistas, ou livros maçônicos.
Existe um Rito da “Estrela Flamejante” (L’etoile Flamboyant) fundado em 1766, portanto
três anos antes desenlace do Barão e que foi realmente fundado por ele. Era um rito composto
de 15 graus. Tschoudy era um maçom ativo e honesto. Ele não tem culpa se Ragon o colocou
como fundador da Maçonaria Adorinhamita. Quiseram imputar a fundação de outro rito à
Tschoudy, ou seja, o Rito de Tschoudy Reformado de seis graus. Mas, igualmente quando
fundaram este Rito o Tshoudy já tido partido para o Oriente Eterno já há alguns anos. Tshoudy
era particularmente contra os Altos Graus. Ele também pertenceu ao Conselho dos Imperadores
do Oriente e do Ocidente, que foram os criadores do Rito de Heredon de vinte e cinco graus.
Aliás, este Rito foi a fonte, foi a raiz dos demais ritos que hoje conhecemos pertencentes à
vertente francesa, inclusive o Rito Adorinhamita.
Com relação à história da criação do Rito Adorinhamita em si tudo começou em 1743
quando um escritor profano compositor musical escrevendo vários livros cerca de dez, sobre
música, teatro, pertencente à Academia Real de Música da França de nome Louis Travenol,
usando o pseudônimo de Leornard Gabanon escreveu um livro contra a Maçonaria intitulado de
“Catecismo dos Francos Maçons” (Cathécisme de Francs Maçons) onde descreveu uma série de
fantasias e mentiras, porem com algumas informações corretas que coincidiam com a maçonaria
praticada na época, além da descrição do 3º grau completo como era praticado. E ele coloca em
cena o nome de Adonhiram que até então não existia na lenda a qual apesar de ser nova, criada
há poucos anos só se conhecia o personagem Hiram Abif.
Em 1742, o Abade Gabriel Luiz Calabre Perau escreveu um livro “A Ordem Maçônica
Traída e seus segredos revelados” (L’Ordre des Francs Maçons Trahi et leur secrete revélé)
publicado em 1745 em Genebra que era confundido com a obra de Travenol. Ambos os livros
mencionam Adonhiram, mas a obra de Perau era mais uma descrição de canções e hinos
cantados durante as sessões maçônicas, enquanto que Travenol descreveu o 3º grau e sua lenda
como eram conhecidos na época, mas colocando em evidência o personagem bíblico
Adonhiram. A obra de Perau é aqui citada porque muitos historiadores confundiram o titulo
com a obra de Travenol. Perau se propôs apenas revelar os segredos da Maçonaria, mas não
denegrir a Ordem a exemplo de muitos escritores da época faziam, aliás, como o próprio
Travenol.
Em 1744 Travenol lança outro livro “Compêndio da História de Adonhiram Arquiteto do
Templo de Salomão” (Abrége de L’Histoire D’Adoniram, Architecte du Temple de Salomon)
onde ele disseminou de vez a confusão entre Adonhiram com Hiram Abif. A partir dai os
ritualistas maçônicos dividiram as opiniões pois para alguns seriam os mesmos personagens da
lenda, enquanto para outros se tratava de personagens diferentes. Interessante como os maçons
davam importância para a obra de um profano. E acresça-se que era um profano escrevendo
contra a Ordem. Parece que eles próprios não tinham segurança na redação dos seus rituais e
suas lendas. Aproveitavam o conteúdo dos livros escritos por profanos como fonte de
referência, pelo menos naqueles conceitos e história que se podia aproveitar deixando de lado as
mentiras, invenções e ficções.
Mas as obras de Travenol de qualquer forma influenciaram o inicio da Maçonaria
Adonhiramita. Mas não foi o único autor a escrever livros que influenciaram a própria
Maçonaria. Muitos anos antes em 1730 Samuel Prichard fez o mesmo, publicou todos os
segredos da Maçonaria inglesa até aquela data. E esta obra é estudada até hoje pelos cientistas
maçônicos da Loja Quatuor Coronati, nº 2076 de Londres. Por ironia trouxe muita informação
correta necessária para Maçonaria de hoje.
Mas quanto Adonhiram alguns ritualistas da época mantinham uma situação dualista, mas
não concordavam quanto à função de cada um dos personagens na construção do templo de
Salomão. Um era hebreu, o outro era fenício. Interessante, que tudo começou a partir de um
livro escrito contra a Ordem, nascendo daí o embrião de um movimento maçônico que logo
mais se tornaria a Maçonaria Adonhiramita.
Em 1747, o livro Catecismo dos Francos Maçons (Cathecisme des Francs Maçons) foi
reeditado, voltando a enfatizar o personagem Adonhiram.
Ainda em 1749 Travenol publicou “Novo Catecismo dos Francos Maçons” (Nouveau
Cathecisme des Francs Maçons) onde ele publica práticas ritualísticas dos Modernos, que
constituem uma referência sobre o Rito Francês.
Um grupo de maçons ritualistas sustentava que Adonhiram tinha sido um subalterno, um
mero arrecadador de impostos ao passo que o outro grupo achava que ele seria o verdadeiro
personagem da lenda do 3º grau. Desta forma nasceu a Maçonaria Adonhiramita defendida pelo
grupo de Guillerman cuja lenda seria diferente da Maçonaria Hiramita com relação ao principal
protagonista da mesma, mas que no fim os atributos e finalidade dos personagens eram os
mesmos. Ambas as correntes tinham a mesma meta, onde existia muita convergência na redação
das lendas, levando-se em conta que se assemelham muito, pois ambas tratavam da construção
do templo de Salomão e seu provável construtor.
Evocando os landmarques que afirmam a exigência da lenda do 3º grau baseada em Hiram
Abif estes foram contrariados quanto a um dos personagens principais defendido pelos maçons
adonhiramitas. Mas e daí? Por acaso a Maçonaria Adorinhamita também não cultua Adonhiram
um personagem bíblico com as mesmas características simbólicas do Hiram Abif também
bíblico? E outra pergunta considerada lógica e coerente: tanto um como o outro tinham
qualificações para ser o mestre de obras, o construtor mór do templo de Salomão? Não tinham
porque o Hiram, o fenício era trabalhava
com bronze, que hoje o chamaríamos de metalúrgico. Era um artífice em fundição de bronze.
O que ele entendia de construção para ser a principal figura da edificação do templo? E o outro,
o hebreu o Adonhiram era administrador e coletor de impostos ou como a Bíblia afirma em
outro local, um preposto às corvéias, por ocasião do Templo de Jerusalém. Para esclarecer o que
é corvéia era o trabalho gratuito que no tempo do feudalismo, o camponês era obrigado a prestar
serviços ao senhor ou ao estado. Trabalho escravo, portanto. Também não teria também
qualificação para ser o mestre de obras do suntuoso e famoso templo. E a própria Bíblia causa
as confusões, pois ela é repleta de contradições gritantes. Existem vários Hirans Hirão e mais de
um Adonhiram, Adoniram Adoram ou nomes parecidos. Mas este detalhe não altera o
arcabouço geral da lenda do 3º grau feita por maçons. Por quê? Porque a principal função da
lenda não é a de ficar-se discutindo confusos personagens bíblicos. E ainda tem que se
considerar que tanto a Maçonaria Hiramita como a Adonhiramita promoveram, isto na lenda do
3º grau um personagem secundário para ser o arquiteto ou construtor ou superintendente do
Templo. Isto seria impossível e improvável atualmente. Tanto Hiram Abif como Adonhiram não
teriam capacitação técnica para ser o construtor do templo de Salomão. Mas lenda é lenda e daí?
Lenda é lenda, é fácil fabricar uma. A lenda de Hiram ou Adonhiram não fugiu a regra.
Ainda levando-se em conta o que é uma lenda que segundo os dicionários é “uma narração
escrita ou oral de caráter maravilhoso, relatando fatos históricos antigos na qual estes são
deformados pela imaginação popular ou pela imaginação poética” (Aurélio). Logo, uma lenda
pode ser alterada, antes de tomar o a redação final, pois ela contem fatos verdadeiros e fatos
irreais e não tem compromisso com a realidade e nem com a verdade, mas sim com a mensagem
e o recado simbólico que ela transmite o exemplo que ela estabelece e impõe a um grupo ou à
sociedade. Ela vale pela mensagem que passa aos adeptos.
Já o mito tem diversas explicações, mas uma delas seria complementando o conceito de
lenda que seria uma imagem simplificada de pessoa ou de um acontecimento, não raro ilusório
elaborado ou aceito pelos grupos humanos e que representa papel significativo de
comportamento. Seria o produto final, o herói da lenda. Todo povo, nação, grupo de homens,
religiões, ou a própria Maçonaria precisam de um mito para sobreviver.
O esplendor da lenda Hiramita ou Adonhiramita não está na defesa deste ou daquele
personagem, já que no caso ambos os personagens foram emprestados da Bíblia, mas sim na
influência e identidade da lenda com o mito solar. Poucos autores mencionam este fato. Parece
que o mantem oculto. A lenda do 3º grau é totalmente influenciada pelos cultos solares da
antiguidade, tendo o seu similar mais aproximado na lenda egípcia de Osíris. Mas destacam-se
ainda na lenda do 3º grau as influências das manifestações religiosas e místicas dos povos
antigos como os sumerianos, dos persas, dos gregos. Especialmente do mitraismo, que era uma
religião pagã, que adorava o sol e que foi tornada ilegal e o cristianismo oficial pelo Imperador
Teodósio em 391.d.C numa ocasião em que ela disputava com o cristianismo quase que em
igualdade de condições, qual religião prevaleceria. O cristianismo copiou muito coisa do
mitraismo, dando outros nomes.
A influência do mito solar vem também inserida nos rituais de todos os ritos, quando se faz
os diálogos entre o Venerável e os Vigilantes. Na abertura e fechamento ritualísticos das sessões
eles descrevem o nascimento, morte e renascimento do sol diuturnamente. É uma referência. É a
descrição do trajeto descrito pelo sol, símbolo principal dos antigos e de todas as religiões
naturais antigas. Por isso diz-se que a Luz vem do Oriente. O Venerável lembra ou representa o
sol dos antigos. Ainda vem a afirmação importante nesta lenda do conceito do nascer, morrer e
renascer, um dos principais ensinamentos do 3º grau. Não se quer atribuir aos rituais maçônicos
e nem à própria Maçonaria que ela seja um produto do mito solar. Mas sofreu sua influência
assim como foi influenciada por tantas outras culturas e religiões naturais antigas e
principalmente da Bíblia. A lenda do 3º grau sofreu todas estas influências e foi adaptada para a
Maçonaria. Foi uma lenda bem manipulada, construída para nortear a Ordem em sua caminhada
através dos tempos e que provou estar correta, pois hoje quer a Maçonaria Adorinhamita, ou a
Maçonaria Hiramita tem o seu herói-símbolo, ou seja, o seu mito, fazendo parte de uma mesma
lenda, ou seja, a lenda do 3º grau.
“Os autores do ritual do 3º grau, ainda desconhecidos apelaram para todos os recursos de sua
imaginação e de uma erudição tão vasta quanto incoerente, produziram um monstro enigmático,
cujas pesquisas, as mais conscienciosas não puderam descobrir sua verdadeira origem - Le
Foriestier -
Hercule Spoladore – Loja de Pesquisas Maçônicas Brasil – Londrina – Pr.
REFRÊNCIAS
CASTELLANI, José Liturgia e Ritualística do Grau de Mestre Maçom
Em todos os Ritos
Editora "A Gazeta Maçônica"
São Paulo, 1987
CARVALHO, Assis Ritos e Rituais – volumes 1,2,3.
Editora “A Trolha”
Londrina, 1993
PERAU, Gabriel Louis Calabre - A Ordem Maçônica Traída e seus Segredos
Revelados
Tradução de Ataualpha José Garcia
Editora “A Trolha”
Londrina, 2001
Original: “L’ordre des Francs Maçons Trahi, et leur Secret revélé”
A L’Orient,
Chez G. de L’lEtoile, entre L’esquerre & le Compass, vis-à vis du Soleil couchant, 1745”
O RITO ADONHIRAMITA – HISTÓRIA - Publicação feita pelo Sublime Capitulo
Adonhiramita do Brasil – Florianópolis - Santa Catarina
References
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e.html
#43
As decisões
das
autoridades
maçônicas
MESTRE INSTALADO
MESTRE INSTALADO
É o Mestre que tendo sido eleito Venerável Mestre, passa
pelos ritos iniciáticos de Instalação, em que lhe são
transmitidos, por uma Comissão Instaladora formada por
três Mestres Instalados, os segredos que lhes são privativos.
Também na Igreja Católica observa-se a exigência da
presença de três bispos na cerimônia de consagração de um
novo bispo. O Mestre Instalado, também designado pela
expressão inglesa Past Master, é quase que um quarto grau
do simbolismo maçônico, uma vez que somente os
detentores deste título podem iniciar (ao grau 1), elevar (ao
grau 2), exaltar (ao grau 3), assistir do início ao fim a
cerimônia de Instalação e Instalar (criar) novos Mestres
Instalados. Numa sessão iniciatória de qualquer grau, na falta do Venerável Mestre da Loja,
caso os Vigilantes não sejam Mestres Instalados, não poderão portar a Espada Flamejante nem
consagrar o grau, tarefa que deverá ser transferida para um Mestre Instalado presente. Um
Grande Inspetor Geral, grau 33, se não for Mestre Instalado, não poderá assistir a certos ritos da
cerimônia de Instalação, devendo retirar-se do templo com os demais Mestres. A cerimônia de
Instalação inicia-se no grau de Aprendiz, passando sucessivamente pelos graus de Companheiro
e de Mestre, após o que só podem permanecer no templo os Mestres Instalados. O avental do
Mestre Instalado é igual ao do Mestre, porém com taus (letra grega semelhante à latina T)
invertidos no lugar das rosetas. Os Mestres Instalados têm assento no Oriente e sua jóia
distintiva é um esquadro com um pingente formado por uma lâmina onde está inscrito o
postulado 47 de Euclides, também conhecido como Teorema de Pitágoras.
Fonte:Excertos do Livro Simbologia Maçônica Dos Painéis: Lojas de Aprendiz,
Companheiro e Mestre
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#47
GRÃO MESTRE
GRÃO
MESTRE
Eleito
diretamente
pelo povo
maçônico, é o
dirigente
máximo da
Maçonaria
local e o
Venerável
Mestre de
todas as Lojas
de sua
jurisdição.
Cada Potência
Maçônica tem
o seu Grão-
Mestre, com
jurisdição no
estado em que
está instalada
a Potência,
exceto no
Grande Oriente do Brasil, onde são eleitos os Grão-Mestres de cada unidade da federação e
mais um Grão-Mestre Geral, com sede em Brasília.
O Grão-Mestre recebe o tratamento de Soberano Grão-Mestre ou Sereníssimo Grão-Mestre e
os Grão-Mestres Estaduais do Grande Oriente do Brasil o de Eminente Grão-Mestre. Além do
Grão-Mestre, o povo maçônico elege o Grão-Mestre Adjunto, que o substitui em suas faltas e
impedimentos. Para se candidatar a Grão-Mestre, basta ao Maçom possuir o grau máximo da
Maçonaria Simbólica, o grau 3, o grau de Mestre. Não há, portanto, qualquer limitação ou
vínculo em relação aos chamados Altos Graus ou Maçonaria Filosófica (4 ao 33), que possui
governo próprio, presidido por um Soberano Grande Comendador, que é o correspondente, para
os Graus Filosóficos, ao Grão-Mestre dos Graus Simbólicos. Caso o eleito não possua a
qualificação de Mestre Instalado, o que é raro, deverá passar pela cerimônia de Instalação,
ficando então apto a ocupar o cargo de Grão-Mestre. Quando o Grão-Mestre se apresenta em
qualquer Loja a ele jurisdicionada, o Venerável Mestre da Loja deverá entregar-lhe o malhete e
passar-lhe a direção dos trabalhos. O Grão-Mestre representa a sua Potência Maçônica perante
as autoridades públicas e eclesiásticas e às outras Potências.
Fonte:Excertos do Livro Simbologia Maçônica Dos Painéis: Lojas de Aprendiz,
Companheiro e Mestre
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#48
A
TROLHA, A
COLHER DE
PEDREIRO E
A
TOLERÂNCIA
TROLHA = Instrumento retangular, com alça numa face e bem aplainada na outra, com que os
pedreiros distribuem o emboço, regularizando a superfície;
COLHER DE PEDREIRO = Instrumento triangular com que os pedreiros tiram a argamassa do
caixão, alisam o revestimento e assentam tijolos.
Em Maçonaria, a Trolha além de servir para glorificar o Trabalho, o Trabalho Perfeito do
Maçom, simboliza a virtude da Tolerância e é representada nos Painéis pela figura da Colher de
Pedreiro. Por que pela Colher de Pedreiro e não pela Trolha? Ressalte-se que não se deve
confundir Tolerância com Conivência ou Omissão. Nesse sentido, parece que a figura da Colher
de Pedreiro está mais de acordo com a virtude da Tolerância, posto que com este instrumento é
impossível alisar ou regularizar grandes superfícies, grandes faltas. A ação da Colher de
Pedreiro é limitada, enquanto que a Trolha, mais apropriada para a tarefa de alisar, pode vir a
cobrir em demasia a imperfeição, a falta, correndo-se o risco de passar para o terreno da
Conivência ou da Omissão
fonte:Excertos do livro (em elaboração) Maçonaria para Maçons, simpatizantes, Curiosos e
Detratores
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tolerancia.html
#49
A ACÁCIA
A ACÁCIA
Em todas as
iniciações antigas e
nos mistérios
religiosos, havia
sempre uma planta
consagrada e que
por seu significado
esotérico ocupava
um lugar de
destaque na
celebração do
ritual, de modo que
a planta, qualquer
que fosse, por seu
uso constante nas
cerimônias, era
adotada como
símbolo único da
iniciação. O lótus,
o mirto, a oliveira e
a acácia, são
exemplos dessas
plantas
reverenciadas.
Na Maçonaria, a acácia simboliza a imortalidade da alma, a virtude, a inocência e a própria
iniciação no Grau de Mestre, constituindo-se em seu símbolo privativo, pois somente o Mestre-
Maçom conhece a fórmula "A A.'.M.'.E.'.C.'."
fonte:Excertos do livro (em elaboração) Maçonaria para Maçons, simpatizantes, Curiosos e
Detratores
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#50
BALANDRAU
BALANDRAU
O Balandrau é uma vestimenta de tecido preto, com mangas longas, fechado no pescoço e de
comprimento até o tornozelo, semelhante à batina dos padres. Seu uso é uma peculiaridade da
Maçonaria brasileira, pois não encontramos referência a ele em nenhuma obra Maçônica
estrangeira. O Balandrau é usado por algumas irmandades em atos religiosos e, parece, passou a
ser usado na Maçonaria brasileira na segunda metade do século XIX, introduzido por IIrm.’.
que faziam parte da Maçonaria e de Irmandades Católicas, valendo lembrar que a expulsão
desses IIrm.’. das Irmandades em 1872, provocou a histórica Questão Religiosa ou Questão
Maçônica. O Balandrau tornou-se uma peça do vestuário Maçônico brasileiro muito difundido,
por ter a vantagem de poder ser confeccionada com tecidos leves e baratos e que permite
suportar melhor as temperaturas de recintos fechados, substituindo o terno e gravata. O uso do
Balandrau é admitido somente nas Sessões Econômicas e não deve ser usado nas Sessões
Magnas.
fonte:Excertos do livro (em elaboração) Maçonaria para Maçons, simpatizantes, Curiosos e
Detratores
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#52
O Templo e o Maçom
ESTRELA
BRILHANTE,
RUTILANTE,
FLAMEJANTE
OU
FLAMÍGERA?
Antes de tudo,
devemos
lembrar que essa
Estrela é um
símbolo
distintivo do
Companheiro, o
qual está
expresso na
fórmula de
reconhecimento
do Grau, razão
pela qual
entendemos que
não deva ser
estudada no
Grau de
Aprendiz. Aliás,
consoante este entendimento, nos Rituais do GOB.’., a Estrela foi substituída pela Corda de 81
Nós no rol dos Ornamentos da Loja de Aprendiz. Portanto, aqui, nos limitaremos a etimologia
dos termosque adjetivam essa Estrela. No Emulation Ritual inglês, o símbolo é denominado
Blazing Star e o Irm.’. Sadler quando traduziu o Ritual para o português em 1920 para o Rito de
York do GOB.’., usou o adjetivo BRILHANTE. Já o tradutor para o espanhol preferiu o adjetivo
RUTILANTE. Destaque-se que nesse Rito, a Estrela não tem a mesma importância e
significado dos demais Ritos, não havendo, inclusive, a mesma fórmula de reconhecimento do
Grau. O Rito Adonhiramita também denomina a Estrela como sendo RUTILANTE. O REAA.’.
da Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro (confederada à CMSB) utiliza o termo
FLAMEJANTE. O Rito Brasileiro e o REAA.’. do Grande Oriente Independente do Estado do
Rio de Janeiro (confederada à COMAB) adjetivam a Estrela ora como FLAMEJANTE ora
como FLAMÍGERA. O Rito Moderno ou Francês e o REAA.’. do GOB.’. (neste caso desde a
introdução do Rito no Brasil no século XIX) usam o adjetivo FLAMÍGERA. Portanto, as
Potências e Ritos utilizam quatro diferentes adjetivos para a Estela: Brilhante, Rutilante,
Flamejante e Flamígera. Conquanto a Verdade seja algo tão complexo que seria temerário
alguém se julgar seu detentor, como livre-pensador, não podemos nos furtar a apresentar nossa
opinião a respeito do adjetivo mais adequado, com base nos seguintes argumentos:
BRILHANTE: Como é comum que toda e qualquer estrela brilhe, cintile, chamar-se a Estela,
que não é uma Estrela qualquer, de BRILHANTE, é muito pouco! RUTILANTE: Significa
muito brilhante, resplandecente, esplendoroso. Embora seja um adjetivo melhor que
simplesmente Brilhante, ainda é pouco! FLAMEJANTE: Vem do latim Flammantis, que
significa “que expele chamas”. FLAMÍGERA: Vem do latim Flamigerus, que significa “que
gera chamas”. Pois bem, as estrelas em geral, tal como o Sol – que também é uma estrela, de
quarta grandeza – e ao contrário da Espada Flamejante, não se limitam a “expelir chamas”, são
fontes “geradoras de chamas”, de energia, de vida em nosso planeta. Concluímos, portanto, que
o nome mais adequado para o símbolo é ESTRELA FLAMÍGERA.
fonte:Excertos do livro (em elaboração) Maçonaria para Maçons, simpatizantes, Curiosos e
Detratores
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flamejante.html
#53
O TEMPO DE ESTUDOS
O TEMPO
DE
ESTUDOS
O Irm.’.
Ragon (1781-
1882) em seu
Ritual do Aprendiz Maçom já nos ensinava: “Achamos que, se as oficinas colocassem em
prática e desenvolvessem matérias maçônicas, não haveriam exclusões de irmãos do quadro das
Lojas por faltar às sessões. Devem ter-lhe prometido uma instrução de que ele não ouviu mais
falar desde que foi recebido. A oficina é, portanto, mais digna de censura do que o Irm.’.
recalcitrante. De que serve à Ordem uma oficina que deixa seus irmãos na ignorância?” Pois
bem, o Tempo de Estudos é uma das mais importantes fases de uma sessão maçônica e cabe ao
Venerável Mestre organizar um ciclo de Estudos, Palestras, Seminários e Simpósios do interesse
da Ordem e dos IIrm.’. do Quadro. É no Tempo de Estudos que um Irm.’. previamente
designado deve conduzir as instruções aos IIrm.’. Aprendizes e Companheiros. É também no
Tempo de Estudos que se deve expor, estudar e debater assuntos de doutrina, filosofia,
legislação, história, ritualística e simbologia maçônica, assim como assuntos técnicos,
científicos, artísticos ou de outra natureza do interesse da Ordem ou da cultura humana. Deve-se
observar a proibição da exposição e debate de qualquer matéria de ordem política partidária e
proselitismo religioso, que poderá ferir suscetibilidades de alguns IIrm.’. O Irm.’. designado
para apresentar o tema deve organizar previamente o trabalho, apresentando-o de pé para ser
visto; alto para ser ouvido; e pouco para ser apreciado, não excedendo, por bom-senso, 20
minutos
fonte:Excertos do livro (em elaboração) Maçonaria para Maçons, simpatizantes, Curiosos e
Detratores
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#54
CARGOS
EM LOJA –
OFICIAIS
REAA.’.
Os Oficiais
são cargos
exercidos por
Mestres
indicados
pelo
Venerável
Mestre.
Segundo o
REAA.’. do
Grande
Oriente do
Brasil são os
seguintes:
PORTA
O
AVENTAL
NO
ORIENTE
ETERNO
Independentemente do Grau que o Maçom estava colado em vida, deverá ser sepultado com
seu avental de Aprendiz, pois no Oriente Eterno não se reconhecem títulos, diplomas, comendas
ou graus e sim as suas obras como pedreiro construtor de si próprio e da Sociedade.
fonte:Excertos do livro (em elaboração) Maçonaria para Maçons, simpatizantes, Curiosos e
Detratores
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#56
TEMPLO MAÇÔNICO
TEMPLO
MAÇÔNICO
Durante a
Idade Média,
os Maçons
reuniam-se a
céu aberto,
nos canteiros
de obras dos
edifícios em
construção.
Em sua fase
especulativa,
as reuniões
passaram a ser realizadas em tavernas, que eram ricas cervejarias providas de quartos,
cabeleireiros, salões de leitura e salas de reuniões privadas. Somente em 1772 a Grande Loja da
Inglaterra idealizou a construção do Freemason’s Hall, um edifício de uso exclusivamente
maçônico, o qual foi concluído em 1776.
O Templo é o local das reuniões ritualísticas das Lojas maçônicas. Antes de sua construção
deverá passar por um ritual de lançamento e consagração da Pedra de Fundação, que é colocada
sempre a nordeste. Após a sua conclusão, passa por uma outra cerimônia, a de Sagração de
Templo. Deve ser desprovido de janelas ou aberturas pelas quais se possa ver ou ouvir o que se
passa em seu interior.
No Rito Escocês Antigo e Aceito, que por ser o mais praticado no Brasil é utilizado como
paradigma, o Templo tem interiormente a forma de um retângulo e é orientado do ocidente
(entrada) para o oriente (fundo), ficando então o norte à esquerda (de quem entra) e o sul à
direita. A porta de entrada fica no meio da parede ocidental. A parte oriental, privativa dos
Mestres, fica a um nível de quatro degraus acima da ocidental e é separada desta por uma
balaustrada aberta no meio, para comunicação. A parte ocidental, por sua vez, tem o dobro do
tamanho da oriental. Os Aprendizes ocupam seus lugares no lado norte (esquerda de quem
entra), os Companheiros no lado sul e os Mestres, conforme os cargos que ocupam, ao norte, sul
ou oriente.
Representa o Templo de Salomão e simboliza o Templo Ideal, o Universo. Contém em seu
interior inúmeros elementos de profundo sentido simbólico e místico. Como, ordinariamente, as
reuniões maçônicas ocorrem uma única vez por semana, freqüentemente diversas Lojas fazem
uso de um mesmo Templo, nos diferentes dias da semana. Não é incomum que um edifício
maçônico possua vários Templos, os quais são usados, em cada dia da semana, por diversas
Lojas.
Além do Templo, o edifício maçônico necessita de outros espaços para a realização de seus
rituais e atividades administrativas. Alguns são imprescindíveis, outros necessários, desejáveis
ou opcionais:
- Câmara das Reflexões (imprescindível) – Local utilizado unicamente na cerimônia de
iniciação ao grau de Aprendiz. Contém uma pequena mesa, um banco, utensílios para a escrita,
sentenças morais, desenhos e elementos simbólicos;
- Átrio (imprescindível) – Sala que se encontra à entrada ou diante da porta do templo e onde
os Maçons se concentram para vestir seus aventais e insígnias. É no Átrio que começa a liturgia
da sessão, com a formação do cortejo (procissão) para a entrada no Templo;
- Sala dos Passos Perdidos (imprescindível) – Local que antecede o Átrio e que serve como
uma espécie de sala de espera, onde se aguarda o início da sessão e se recepciona os visitantes;
- Secretaria (necessário) – Local próprio para guardar e arquivar os documentos da Loja;
- Biblioteca (desejável) – Local próprio para guardar e catalogar os livros e demais
publicações maçônicas; e
- Sala de Banquetes (opcional) – Local próprio, ao abrigo das vistas profanas, onde se possa
realizar o Ritual de Banquete ou Loja de Mesa, cerimônia de comunhão entre os iniciados,
geralmente realizadas nos solstícios de verão e de inverno e em outras datas comemorativas.
Excertos do livro (em elaboração) Maçonaria para Maçons, Simpatizantes, Curiosos e
Detratores.
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/templo-maconico.html
#57
LOJA MAÇÔNICA
LOJA
MAÇÔNICA
Em
diversos
idiomas
modernos a
palavra Loja
apresenta
grafia
semelhante.
Em inglês é
Lodge, em
francês e em
alemão Loge,
em italiano
Loggia, em
espanhol
Logia. No
meio maçônico não há consenso em relação à origem da palavra. Algumas hipóteses: (1) Do
sânscrito loka, mundo, no sentido de uma Loja maçônica simbolizar o mundo ou o universo; (2)
Do germânico laudia; (3) Do antigo alto alemão laubja, folhagem, ramada, cabana de lenhador,
cabana de folhagem; (4) Do baixo latim logia ou logium, casa de habitação; e (5) Do inglês
lodge, que vem do anglo-saxão logian, morar, ou do anglo-normando loge, alpendre coberto de
palha. Alec Mellor in Dicionário da Franco-Maçonaria e dos Franco-Maçons, assim se refere ao
vocábulo Loja: “A palavra designou, a princípio, o local onde os Maçons operativos se reuniam
fora do canteiro. A seguir, por extensão, um agrupamento de Maçons de um determinado
canteiro, depois de uma determinada cidade. Conservou esses dois sentidos”. Assim, o termo
Loja possui dois distintos sentidos: (1) O lugar em que os Maçons se reúnem em suas sessões
ritualísticas, que preferimos, como outros autores, sobretudo franceses, chamar de templo; e (2)
A célula maçônica fundamental. Jules Boucher in A Simbólica Maçônica, afirma: “A Loja é um
grupo de Maçons, uma entidade coletiva definida que tem sua vida própria, seu espírito
partícular”. Assim, como célula maçônica fundamental, a Loja é um grupo de pelo menos 7
Maçons colados no grau de Mestre, que se reúnem sob a presidência de um Mestre Instalado, o
Venerável Mestre da Loja. Toda Loja tem uma denominação própria e, tradicionalmente,
antecede ao seu nome a fórmula A.’.R.’.L.’.S.’., que significa Augusta e Respeitável Loja
Simbólica. Não é incomum ser acrescentado a esta fórmula os títulos honoríficos “Benfeitora”
(B.’.), “Grande Benfeitora” (G.’.B.’.) e “Estrela da Distinção Maçônica (E.’.D.’.M.’.),
concedidos à Loja por sua Potência. O nome da Loja é acompanhado do número de sua Carta
Constitutiva, estipulado por sua Potência. Exemplo: A.’.R.’.G.’.B.’.E.’.D.’.M.’.L.’.S.’. Brasil, nº
953 ou Augusta, Respeitável, Grande Benfeitora e Estrela da Distinção Maçônica Loja
Simbólica Brasil, nº 953 (Loja do autor). A Loja deve praticar rigorosamente todos os princípios
básicos da Maçonaria, reunir-se em templos maçônicos, funcionar em um único Rito
previamente escolhido pelos integrantes de seu quadro e estar subordinada a uma Potência
Maçônica. Mais da metade das Lojas Maçônicas brasileiras está concentrada, pela ordem, nos
estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná. Excerto do
livro (não publicado) Maçonaria para Maçons, Simpatizantes, Curiosos e Detratores.
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/loja-maconica.html
#58
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/nao-existe-ex-macom.html
#59
QUEM
FOI HIRAM
ABIF, O
INQUISIÇÃO
EM PORTUGAL E
UM BANQUETE
MAÇÔNICO
Reproduzo, a
título de
curiosidade, o que
declararam o
V.'.M.'. e o 2º Vig.'.
da Loja de Lisboa
ao Inquisidor,
quando do 2º
processo da
Inquisição contra a
Maçonaria em
Portugal, no ano de
1742:
V.'.M.'. " ... por
ordem do Mestre
vão todos por sua
ordem para a mesa
que se acha
separada de
iguarias e bebidas,
a custa do que entra de novo, e sentados todos por sua ordem entram a comer até que o Mestre
dá três pancadas na mesa com um martelinho pequeno, que é o sinal estabelecido entre eles,
para se haverem de levantar todos; o que com efeito fazem, e pegando cada um deles em seu
copo, ao mesmo tempo que o Mestre, o levantam ao ar com a mesma igualdade, e dali o chegam
a boca para beber, observando nestas ações a mesma formalidade que os soldados costumam
praticar no manejo das suas espingardas; bebendo todos à saúde d'El Rei e da Congregação,
tornam a ficar com os copos no ar, e dali os chegam três vezes à cara, e ultimamente os tornam a
assentar na mesa, e depois continuam a comer". 2º Vig.'. "... e começaram a comer e quando
quiseram beber fez o Mestre sinal para isto, pegando com a mão direita no seu copo, e dizendo:
peguem nas armas, e levando ao ar, e dizendo: armas à cara; e chegando-o à boca disse: fogo; e
bebeu, e em tudo o imitaram, e ao mesmo tempo todos os Companheiros e o primeiro brinde foi
à saúde de El Rei, o segundo do Grão-Mestre e a terceira à dos novamente recebidos naquela
companhia, e sem sinal do Mestre nenhum podia beber". (Arquivo Nacional da Torre do Tombo
- Inquisição de Lisboa - Processos 10.115 e 257) Excerto do livro Simbologia Maçônica dos
Painéis: Lojas de Aprendiz, Companheiro e Mestre
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/inquisicao-em-portugal-e-um-
banquete.html
#61
1. Você dispõe de tempo para participar das reuniões? E nós respondemos sim.
2. Você dispõe de renda para cumprir com as obrigações pecuniárias sem afetar as despesas de
tua família? E nos respondemos sim.
3. No dia da iniciação você é indagado na Câmara de Reflexões: Tens a chance de desistir,
para aqui mesmo, você decide. E nós não paramos.
4. Durante a sessão de Iniciação, somos indagados várias vezes se queremos continuar. E nós
respondemos sim.
5. Vamos ao Altar fazer nosso juramento de participar e cumprir com a nossa obrigação
perante a Deus e perante aos nossos irmãos. E nós respondemos sim. Engraçado, até aqui
temos tempo para tudo não é?
1. Irmãos passam por problemas e não contam nada a ninguém e depois diz que a Loja, a
maçonaria não ajuda.
2. O que é que eu vou fazer lá se não muda nada. E ele não sabe que quem tem de mudar é
ele.
3. Irmãos usam de justificativas infundadas para não comparecer.
4. Irmão se aborrecem com irmão ou com o andamento das sessões e ao invés de conversar, de
procurar levar o seu pensamento para ser avaliado por todos, em vez de colaborar, procura
argumentos para se manter sempre na defesa, faz grupinhos, boicota e atrapalha o
andamento dos trabalhos.
5. Critica para destruir ao invés de usar a crítica para melhorias. Dá um péssimo exemplo de
conduta e contamina a grande maioria que sonha, vislumbra e quer aprender.
6. O irmão se afasta e da uma de coitadinho e por aí vai.
Meu irmão, devemos procurar o exemplo dos bons e eles estão aí espalhados por uma
infinidade de Lojas, quer ver alguns exemplos?
1. Irmão que mesmo no seu dia de aniversário comparece a sessão e não arrumou problemas
com a esposa e filhos, pelo contrário, eles o amam. Irmãos que chegam a ter 100% de
frequência. Irmãos com temperamento forte, discutem mas nunca perde a linha nem se
afasta da Loja, pelo contrário esta sempre ajudando.
2. Irmãos que passam por momentos difíceis mas tão difíceis que pode até abandonar o barco
que é justificável mas luta contra o mal que lhe afeta.
3. Irmãos que trabalham duramente cada dia da semana, fazem cursos, frequentam palestras,
viajam e muitas vezes não da nem tempo te tomar um banho em casa porque vai direto para
a Loja e nem discutem isso.
4. Irmãos com filhos pequenos que ainda estão criando anti-corpos e muitas vezes sofrem as
doenças normais da infância e ele consegue ajustar isso.
5. Irmãos que mesmo acometido de derrame cerebral. Ajudam e não arredam o pé.
6. Irmãos estudiosos que são profundos conhecedores da matéria apresentam trabalhos para
elevar o conhecimento de mais irmãos, são professores em Escolas Universidades e
conseguem se ajeitar nos horários de aula para poderem frequentar a Loja.
7. Irmãos que não tem muita facilidade de comandar mas os outros irmãos o apoiam e ele
consegue triunfar e aprender a lidar com a administração da Loja e nunca nega em ser
solícito.
8. Irmãos que passam por doenças, acidentes, dificuldade financeira e conseguem dar a volta
por cima, pagam as dividas tanto para a Loja quanto para os irmãos que lhe ajudaram e
jamais deixam de participar e cumprir com as obrigações em Loja, independente de quem
eram os comandantes.
Se for ficar aqui colocando os exemplos de passagens pela maçonaria você vai ficar o dia inteiro
lendo pois temos N exemplos de conduta e de comportamento que fazemos questão de que
sejam os nossos espelhos.
A falta somente se justifica na ausência de vida mas mesmo assim acredito no pós vida que
sei que eles estão presentes nas sessões. Claro que sei também que muitas vezes necessitamos
da falta e os motivos são justificados, claro que isto acontece mas mesmo assim não podemos
deixar de perder o foco senão vai acostumando e quando menos percebemos estamos saindo
pela tangente.
Portanto meu irmão tudo vai de acordo com o nosso pensamento. O HOMEM DEPENDE
DO SEU PENSAMENTO, se ele quer ele da um jeitinho e a coisa acontece. Mas se der mole,
se afrouxar, aí é que o desânimo bate e ele foge.
Desculpa meu irmão se fui duro mas não posso deixar de achar outra forma de pensamento
que não seja essa.Você pode me dar N razões mas se você quer, você da um jeitinho, é só
querer.
TFA,
Jairo Duppre Lacerda Filho
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loja.html
#62
References
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/juramento-e-compromisso-
maconicos.html
#64
A I N I C I A Ç Ã O
A I N I C I A Ç Ã O [1]
O que de mais valioso e precioso o ser humano pode buscar na superfície deste planeta é a
sua liberdade de ser. Para ser livre dos aborrecimentos, das tristezas, das mágoas, do
desequilíbrio, da dor, dos pensamentos obscuros, para ter uma mente limpa e livre, para poder
apreciar o espetáculo da vida e, depois, o espetáculo fantástico de ser livre, pela consciência,
pela ação consciente, pela Iniciação.
A iniciação é uma ciência absoluta que conduz o Ser ao autoconhecimento, ao autodomínio e
à auto realização, que é igual à conquista da Luz que é. A Iniciação ocorre através de
transformações constantes dentro do seu universo interior que significa escalada de níveis de
consciência.
Com o uso preciso e constante da vigilância é possível conhecer-se a si mesmo e, desse
modo, conhecer o Universo, seus mistérios e suas Leis. Esta é a escalada iniciática Real, que em
nosso meio se faz por meio da escolha consciente, não por um impulso da dor, mas por
exercício do direito de ser, por meio da Iniciação, um Infinito Realizado gradativamente pelo
exercício do Ousar Querer Saber Ser, e no Silêncio da Consciência Ser um Universo Infinito
dentro do Eu. Isto representa conhecer Deus e seus Mistérios.
A escalada rumo a uma elevação espiritual se faz através da Iniciação – aqui na Terra – nesta
vida, ou por meio dos Planos Planetários, com suas Raças e sub-raças, e deste modo em longo
tempo, e por meio da recorrência e da Inconsciência, do esquecimento.
São sete as Iniciações Reais até a Libertação do Ser, como Cidadão do Todo, consciente de
si, de sua essência, de sua procedência e da sua função e finalidade na Vida Verdadeira e Eterna
de Bem aventurança.
Portanto são sete as Iniciações reais que nossa Escola de Consciência ensina, assim como
sete são os sete principais chakras ou sete são as portas. A primeira é a plataforma da
Serenidade, a segunda do Equilíbrio, a quarta chama-se Amor e a sétima chama-se Divindade.
As três primeiras Iniciações simbolizam quase o ápice da pirâmide, a conscientização da sua
origem, da essência e da procedência, e daquilo que é, e depois, como atua de modo ordenado
no mundo manifestado.
As quatro iniciações seguintes significam a atuação no mundo da ação: a mente, o som, a
ação e a sutileza. Aí consolida a pirâmide fantástica que o Ser é, e consolida o estar no ápice da
pirâmide. A partir de então, começa a exercitar a consciência da terra e de mundos
interplanetários, até da conscientização de ser o Princípio Inteligente, com plena condição de se
expandir com seu formador Mestre, de se engrandecer e elevar-se como uma Luz Maior.
Das sete grandes Iniciações que configuram uma primeira grande etapa Ascensional (Auto-
realizarão ou Pleno Despertar), a primeira Iniciação seria a Consciência de Ser. Antes a pessoa
não tem consciência de Ser. Pensa que é, mas não sabe o que é. É um sono profundo e a
completa identificação com a vida transitória. Pensa que sabe, mas não sabe, pois acha que é a
forma, ou a persona, ou mesmo algum dos papéis que assume no mundo das formas.
Mas um dia constata que É. Mais do que a forma, mais do que os pensamentos, mais do que
as emoções, mais do que os papéis, mais do que os egos. Constata que é uma Consciência, um
Ser. Sente que existe. Indescritível Despertar que é proporcionado pela Primeira Iniciação.
A Vida é Ser. Se você constatar que você É, de fato e verdadeiramente É o Ser, significa que
você é Vida. Começa a apreciar a Vida e a conhecer a Vida Verdadeira. A Iniciação proporciona
este estado de percepções e sentires. Se quiser Saber, sente-se disposto, eis a oportunidade: Nós
somos a Ordem dos Filhos da Sabedoria, somos Formadores Consciências. Somos metodologia
para sua disposição. Unamo-nos.
O Iniciado
Ser Iniciado significa um vigiar permanente, ter discernimento do posicionamento do certo e
do errado (relativamente abordado) para não cometer erros, para não pensar por ilusão que seria
o mundo manifestado, o mundo temporário, ilusório, o irrealizável. Jamais aderir a uma ilusão
que é como uma fenda na qual entra, pois jamais era para entrar em fendas. Não poderia entrar
porque Iniciado significa vigilância permanente, de segundo em segundo, para não deixar uma
brecha, para entrar uma ilusão, que seria uma antimeta, cujos custos são os efeitos desordenados
das causas desordenadas do desvio, da fenda, da brecha da ilusão.
O homem é idealizador e executor de seu próprio destino. O destino humano, sua felicidade
ou infelicidade dependem do livre arbítrio, não por mandamento obrigatório, mas pelo impulso
da sua consciência – que se chama Iniciação. Quando o homem realiza-se em si mesmo, todas
as coisas fora dele são realizadas. E para chegar a uma realização, necessita da fonte de
Sabedoria que reside em seu mundo interior. Um Mestre, uma união de Iniciados e uma
Tradição Iniciática, são somados facilitadores e até mesmo produtores de meios e
oportunidades, além da experiência adquirida e do método, que viabilizam a Iniciação.
Em nosso meio você encontrará diretamente proporcional à sua disposição, o que necessita
para o desenvolvimento consciencial; para a Ascensão Dirigida, para a Iniciação Real e para Ser
um Universo Infinito dentro do Eu.
Somente no mundo interior, o mundo esotérico é que se encontra a realização do Ser. No
mundo exterior ou mundo empírico, mundo dos sentidos e o mundo analítico da inteligência
não realizam, pois esta só se desenvolve só se concretiza por meio da Iniciação. O mundo dos
sentidos, em realidade, é o mundo do Estar, afetivo, material e até o mecânico espiritual, que
servem de meios. Mas meios são meios e não Razão. Esta é o mundo Consciencial, o mundo
interior.
Quem em primeiro lugar busca o Reino de Deus e sua Harmonia, verá que todas as coisas lhe
serão dadas por acréscimo.
Abençoado o Ser que chega a um ponto de um dia saber que teve a oportunidade de vir à
Terra, assimilar conhecimento, transformar conhecimento em experiências ou mesmo as
experiências em conhecimento e chegar ao resultado de saber para constatar que é aquele Ser
indestrutível, absoluto, real, eterno, divino. E, apartir desta constatação assumir que não há
outra forma de agir uma vez sendo divino: agir como divino ser, agir de uma forma digna de ser,
não por conceitos ou valores efêmeros, mas pelos Reais Valores da Vida de um Ser.
Cônscio, o Iniciado faz por amor aquilo que especificamente veio fazer. Não por obrigação,
ou por ter que fazer por mandamento da Iniciação, mas por identificação com sua função e sua
finalidade; sua missão é a Justa Medida, e assim o Iniciado age, de acordo com os desígnios da
Razão, a fim de realizar sua sagrada obra na superfície do planeta, até chegar a plantar um
sorriso, aliviar o sofrimento de alguém, desenvolver sua Missão, e amar, pois não há outro meio
de realizar sua missão consciente como Iniciado, a não ser por Amor e Saber.
No seu mundo de harmonia não vive sacrifícios. Não existe obrigação. Há o Justo
cumprimento do dever que a Iniciação esclarece, e isso se realiza por amor, pois vive a bem
aventurança.
GRUPO MAÇONICO ORVALHO DO HERMON
References
1. ^ A I N I C I A Ç Ã O (focoartereal.blogspot.com.br)
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#70
O SILÊNCIO NA MAÇONARIA
O SILÊNCIO NA MAÇONARIA
INTRODUÇÃO:
A palavra silêncio é derivada do latim
“silentiu” e significa interrupção de ruído
ou estado de quem se cala. Segundo o
Dicionário Aurélio, silêncio é definido
como o estado de quem se abstém de falar,
de quem se cala; privação de falar;
interrupção de ruído; segredo, sigilo.
Não se atinge a verdade com muitas
palavras e discussões, mas sim com o
estudo, a reflexão e a meditação silenciosa.
Portanto aprender a calar é aprender a
pensar e meditar. No silêncio as idéias amadurecem e clareiam, e a verdade aparece como a
verdadeira palavra que é comunicada no segredo da alma a cada ser.
A arte do silêncio é pois, uma arte complexa, que não consiste unicamente em calar a palavra
exterior, mas que requer para que seja realmente completa, que também ocorra o silêncio
interior do pensamento: quando soubermos calar nossos pensamentos então é quando a verdade
poderá intimamente revelar-se e manifestar-se em nossa consciência. Na Maçonaria, o silêncio
tem um rico significado e é sobre este aspecto que este trabalho se presta a estudá-lo.
ASPECTOS HISTÓRICOS DO SILÊNCIO
Desde as primeiras civilizações, notadamente as que tinham sociedades iniciáticas, o silêncio
é um importante elemento cultural, imposto drasticamente para salvaguardar seus segredos. Em
quase todas é representado por uma criança com o dedo sobre os lábios. No Antigo Egito, em
função da característica misteriosa de seus rituais, existia até a crença em um “deus” do
silêncio, chamado Harpócrates. Entre os magos e sacerdotes egípcios, os iniciados assumiam
um estado de silêncio total, a fim de resguardarem-se os segredos e incitar os neófitos à
meditação, regra que seria adotada por todas as sociedades iniciáticas posteriormente.
A Religião Budista fundada na Índia por volta do Séc. VI A.C. por um pregador chamado
Buda, também valoriza o silêncio como condição para a contemplação e a meditação, que
somadas a introspecção e a autodisciplina levam ao desenvolvimento espiritual. Os essênios,
tinham como principais símbolos um triângulo contendo uma orelha e outro contendo um olho,
significando que a tudo viam e ouviam, mas não podiam falar, por não terem boca.
Dentre os mistérios gregos encontramos o de Orfeu, que com a magia de seu canto e de sua
música executada numa lira, silenciava a natureza e a tudo magnetizava. Eurípedes no verso 470
de sua obra "Os Bacantes", diz que verdadeiros são os mistérios submetidos à lei do segredo.
A palavra mistério deriva de "Myein", que significa "boca fechada". Pitágoras criou a escola
itálica e seus discípulos se distinguiam em 3 graus, sendo o 1º o "Acústico", assim chamado
porque era destinado aos aprendizes que só deviam ouvir e abster-se de manifestação. Para os
talhadores de pedras o segredo e o silêncio sobre sua arte era uma questão de sobrevivência,
constituindo-se inclusive num salvo-conduto. Os monges da Ordem de Císter tinham como uma
de suas principais regras o silêncio para a reflexão. A G:.L:.da Inglaterra adotou, após sua
unificação, a legenda "Audi, Vide, Tace", ou seja, "ouça, veja, cale". Como pudemos perceber,
há inúmeros exemplos da importância do silêncio ao longo da história.
O CONCEITO DE SILÊNCIO PARA A MAÇONARIA
Os primeiros catecismos maçônicos do Século XVIII diziam que os 3 pontos particulares que
distinguiam o maçom eram a fraternidade, a fidelidade e ser calado que representavam o amor, a
ajuda e a verdade entre os maçons. As "Old Charges" ou antigas obrigações, pregavam o
silêncio, a circunspecção e a compostura durante os trabalhos. Nos Landmarks de Mackey, o de
nº 23 se refere ao sigilo que o maçom deve conservar sobre todos os conhecimentos que lhe são
transmitidos e dos trabalhos em Loja, sendo que as cartas constitutivas de todas as obediências
contêm referências com o mesmo sentido.
Para poder realizar esta disciplina do silêncio, temos igualmente de compreender o
significado e o alcance do segredo maçônico. O maçom deve calar-se ante as mentalidades
superficiais ou profanas sobre tudo aquilo que somente os que forem iniciados em sua
compreensão podem entender e apreciar. Esta obrigação está em perfeito acordo com as
palavras de Jesus: "Não deis coisas sagradas aos cães ou pérolas aos porcos", e de Buda: "Não
turbe o sábio a mente do homem de inteligência retardada"; como também na máxima
hermética: "Os lábios da sabedoria estão mudos fora dos ouvidos da compreensão".
A lei do silêncio é a origem de todas as verdadeiras iniciações e no transcorrer da iniciação
maçônica pode ser detectada em vários momentos. Logo no início, na câmara de reflexão, o
silêncio assume sua maior importância, uma vez que o candidato talvez não tenha há muito
tempo uma oportunidade igual de ficar a sós, em atitude contemplativa, em meditação, para que
possa ocorrer a maturação silenciosa de sua alma.
Ao longo do cerimonial, no decorrer dos interrogatórios, poderemos encontrar por diversas
vezes pausas silenciosas para que o candidato possa refletir sobre aquilo que acabou de ouvir.
Voltaremos a nos deparar com o silêncio ao realizarmos a 3ª viagem, a qual é feita no mais
absoluto silêncio. Finalmente, ele será o mote principal do juramento que realizamos ao final da
iniciação.
No que diz respeito ao ritual maçônico, é certo que boa parte das formalidades em uso na
sociedade não permaneceram inteiramente secretas. Mas, é igualmente certo que não podem ser
de utilidade verdadeira senão para os maçons, da mesma maneira que os instrumentos de
determinada arte só servem para os obreiros conhecedores e capacitados nessa arte.
Do ponto de vista deste enfoque ritualístico, percebemos que o silêncio está presente em
diversos momentos, desde a abertura dos trabalhos quando ouvimos o 2º Diácono responder ao
V:.M:. que deve zelar para que os irmãos se mantenham em suas colunas com respeito,
disciplina e ordem. Na abertura do L:.L:., ouvimos que "no princípio era o verbo", onde reinava
o silêncio. No transcorrer dos trabalhos, os VVig:. anunciarão o silêncio das colunas, o que
significa que democraticamente foi concedido o direito à palavra. Finalmente, encerramos a
sessão jurando manter silêncio sobre tudo o que foi visto e falado em Loja.
É dever do maçom cuidar para que seja observado o segredo também, naquelas partes do
ritual maçônico que possam ter chegado a conhecimento público, abstendo-se de igualmente
negar como de confirmar a autenticidade das pretensas revelações encontradas nas obras que
tratam de nossa instituição e que muitas vezes revelam extrema ignorância além de
superficialidade.
A lei do silêncio nada mais é do que um perpétuo exercício do pensamento. Calar não
consiste somente em nada dizer, mas também pode significar deixar de fazer qualquer reflexão
dentro de si, quando se escuta alguém falar. Não se deve confundir silêncio com mutismo.
Segundo Aslan o primeiro é um prelúdio de abertura para a revelação, o segundo é o
encerramento da mesma. O silêncio envolve os grandes acontecimentos, o mutismo os esconde.
Um assinala o progresso, o outro a regressão.
Somente o homem capaz de guardar o silêncio será disciplinado em todos os outros aspectos
de seu ser, e assim poderá se entregar à meditação. O silêncio é a virtude maçônica que
desenvolve a discrição, corrige os defeitos, permite usar a prudência e a tolerância em relação
aos defeitos e faltas dos semelhantes. Finalmente, cabe salientar que os maçons se reúnem em
templos, e "O templo representa a fortaleza da paz e do silêncio". (Isaías, cap. 30 v. 15).
CONCLUSÃO:
Ser maçom é ser amante da virtude, da sabedoria, da justiça e da humanidade. É ser amigo
dos pobres e desgraçados, dos que sofrem, dos que choram, dos que têm fome e sede de justiça.
é propor como única norma de conduta o bem de todos e o seu progresso e engrandecimento.
Ser maçom é derramar por todas as partes os esplendores divinos da instrução, é educar a
inteligência para o bem, conceber os mais belos ideais do direito, da moralidade e do amor, e
praticá-los. é ser amigo da ciência e combater a ignorância, render culto à razão e à sabedoria. é
realizar o sonho áureo da fraternidade universal entre os homens, porém o mais importante de
tudo, de forma discreta e sem agir buscando louros ou prêmios.
O silêncio em relação aos conhecimentos, o ritualismo e a simbologia da maçonaria é vital, a
fim de que profanos desavisados e despreparados não teçam interpretações errôneas sobre seus
ensinamentos. Nenhuma razão justifica que o maçom viole o segredo ao qual se obrigou com
solene juramento, sobre a forma de reconhecimento entre os maçons e o caráter de seus
simbólicos trabalhos, nem sequer quando lhe parecer útil para sua própria defesa ou para a
defesa da ordem.
Bibliografia
• Lavagnini, Aldo - Manual do Aprendiz Franco-Maçom;
• Varoli Filho, Theobaldo - Curso de Maçonaria Simbólica;
• internet - http://members.tripod.com.br/triumpho/maconaria.htm.
Fraternalmente,
Ir:. Francisco Javier Moreno Martinez A:.M:.
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/o-silencio-na-maconaria.html
#71
desconhecidos que hoje você somente olha talvez mal ajeitado na estante do meu escritório, e
que conservo com muito carinho; quando for adulto, aproxime-se desses senhores que hoje você
acha misteriosos e que, se bem não te desagradam, te merecem tão somente certa indiferença.
Procura essas pessoas que, freqüentemente, me ligam ou me visitam e com quem
compartilho algumas horas, a cada semana, nesses dias que você me vêeu chegar mais tarde em
casa. Sim, procura esses homens que a sociedade identifica como "Os Maçons" e que eu chamo,
orgulhosamente de, "Meus Irmãos".
Tantas vezes você os viu e ouviu que, provavelmente, já conheça todos eles. A grande
maioria são jovens; alguns homens maduros; e outros, com as suas testas coroadas por cabelos
grisalhos, do mesmo jeito que algumas montanhas mostram seus cumes, cobertos pelo branco
da neve. Mas todos eles me permitiram beber da fonte da sabedoria.
Todos, por igual, abriram seus peitos como se abre uma cesta para receber as confidências, a
alegria, os infortúnios e decepções, os projetos e as ilusões do melhor amigo. Sim, procura essas
pessoas, sem importar o longo caminho a ser percorrido, nem quantos os obstáculos que devam
ser vencidos.
Decidido a procurá-los, o Ser Supremo vai mostrar-te o caminho. E quando souber o que é
que eles fazem como pensam e o que pretendem desde que o teu espírito esteja satisfeito, e
achadas todas as tuas respostas, junte-se a eles e siga-os. Mas, se mesmo depois de analisar os
seus princípios, as tuas dúvidas continuarem sem resposta, então, meu Filho, saia do caminho,
com a decência de um homem bem nascido. Se eu ainda for vivo, baterei palmas à tua decisão,
a aceitarei, pois você terá estudado antes de definir e porque conseguiu analisar a tua escolha,
ou seja, terá decidido por você mesmo, após ter pensado e raciocinado.
E, caso eu tiver passado para o Oriente Eterno, vou pedir ao Grande Arquiteto do Universo
para enfeitar a tua vida com os atributos que sempre procurei para você e que, Maçom ou não, o
Mundo te reconheça como sendo um homem honesto, virtuoso, justo, respeitável, oposto a todo
gênero de opressão e com um profundo amor pela humanidade.
Seu Pai e Maçom com muita Honra.
Por Weber Varrasquim
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#75
O CANDELABRO MÍSTICO
CANDELABRO MÍSTICO
A maioria dos Graus que compõem à Loja de Perfeição pertence à classe também
denominada Graus israelitas, bíblicos, judaicos, salomônicos, principalmente por estarem
baseados na Bíblia e constituírem um desdobramento da Lenda do 3º Grau. Por isso, estão
recheados de passagens, lendas, símbolos, extraídos do Livro Sagrado, particularmente da Torá
ou Pentateuco, ou seja: os cinco primeiros livros da Bíblia (Gênese, Êxodo, Levítico, Números e
Deuteronômio).
Não é de estranhar, portanto, que o Candelabro de Sete Braços – o Menorá dos hebreus --
esteja presente na decoração da Loja de Mestre Secreto, bem como na de Perfeito e Sublime
Maçom, nesta última denominado de CANDELABRO MÍSTICO.
O Menorá, que significa Candelabro, de tão importante para a civilização hebraico-judaica, é
considerado um dos principais símbolos da religião mosaica. Tanto é assim que hoje o Menorá é
usado como brasão do Estado de Israel, o qual foi estabelecido no século passado, em 1948.
Ele já estava presente entre os hebreus desde a construção do Tabernáculo, determinada por
Moisés, por ordem de Javé, quando este conduzia seu povo pelo deserto, fugindo do Egito em
direção à Palestina. Era no Tabernáculo que os israelitas oficiavam seus cultos, até que o Rei
Salomão mandasse construir o famoso Templo de Jerusalém, o primeiro, já que dois outros
foram construídos posteriormente. Melhores detalhes sobre a construção do Tabernáculo e seu
mobiliário -- dentre os quais o Menorá -- são encontrados no Livro de Êxodo, capítulo 25,
versículos 10 a 22.
O Menorá ou “Candelabro de Sete Braços” também foi construído por ordem de Javé,
segundo o que consta nos versículos 31 a 39 do mesmo capítulo do livro de Êxodo, como aqui
transcrito:
“Farás um Candelabro de ouro puro; e o farás de ouro batido, com o seu Pedestal e a sua
haste; seus cálices, seus botões e suas flores formarão uma só peça com ele. Seis braços sairão
dos seus lados, três de um lado e três de outro. Num braço haverá três cálices em forma de flor
de amendoeira, com um botão e uma flor; noutro haverá três cálices em forma de flor de
amendoeira, com um botão e uma flor; e assim por diante, para os seis braços do Candelabro.
No Candelabro mesmo haverá quatro cálices em forma de flor de amendoeira, com seus botões
e suas flores: um botão sob os dois primeiros braços do Candelabro, um botão sob os dois
braços seguintes e um botão sob os dois últimos: e assim será com os seis braços que saem do
Candelabro. Estes botões e estes braços formarão um todo com o Candelabro, tudo formando
uma só peça de ouro puro batido. Farás sete lâmpadas que serão colocadas em cima, de modo a
alumiar a frente. Seus espevitadores e seus cinzeiros serão de ouro puro. Empregar-se-á um
talento de ouro puro para confeccionar o Candelabro e seus acessórios”.
Segundo Nicola Aslan um dos nossos maiores escritores maçônicos, tanto Flavio Josefo
como Filon, e também Clemente, bispo de Alexandria, pretendem que o Candelabro de sete
braços representava os sete planetas conhecidos da antiguidade:
“De cada lado partem três braços, suportando cada um uma lâmpada, diz este último; no
meio estava a lâmpada do Sol, centralizando os seus braços, porque este astro, colocado no
meio do sistema planetário, comunica sua luz aos planetas que estão abaixo e acima, segundo as
leis de sua ação divina e harmônica”.
POSIÇÃO DO CANDELABRO MÍSTICO DE SETE BRAÇOS
NO TABERNÁCULO
No Tabernáculo, ou tenda, o Menorá era colocado ao norte, no local denominado Santos dos
Santos (em hebraico: Kodesh ha Kodashim), simbolizando não só a luz dos sete “planetas”
conhecidos na antiguidade (Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno), como também
os ventos setentrionais, que traziam a chuva, estimulando o desenvolvimento das plantações. É
preciso, no entanto, salientar que nem todos eram planetas, pois o Sol é uma estrela e a Lua, um
satélite.
NO PRIMEIRO TEMPLO DE JERUSALÉM
Por ocasião da construção do primeiro Templo, em Jerusalém, tanto o Menorá como os
demais utensílios utilizados no Tabernáculo seguiram a mesma disposição.
NA LOJA DE MESTRE SECRETO
Na Loja de Mestre Secreto o Candelabro Místico de Sete Luzes é posicionado a frente da
Arca da Aliança, sendo certo que esta fica ao lado direito do Trono.
NA LOJA DE PERFEITO E SUBLIME MAÇOM
É posicionado igualmente no Oriente, no ângulo direito do Trono, representando o Sol com
os Planetas, como era o entendimento dos antigos.
O número sete (sete braços ou sete luzes) constante do Candelabro Místico não foi escolhido
aleatoriamente, pois se trata de um número considerado sagrado para os antigos povos, que lhe
atribuíam um valor mágico e astrológico. Os hebreus não ficaram imunes às inúmeras
influências herdadas de outros povos e daí que é possível ver o número sete em várias passagens
bíblicas.
Na Maçonaria, o número sete também tem uma importância vital. Sete são as ciências que o
maçom deve conhecer: Gramática, Retórica, Lógica, Aritmética, Geometria, Música e
Astronomia. É o número místico do Mestre e simboliza a perfeição alcançada na evolução
espiritual.
O Candelabro Místico de Sete Braços está presente nas Lojas de Mestre Secreto e de Perfeito
e Sublime Maçom porque era um dos principais utensílios do Tabernáculo e, posteriormente,
também do Templo de Jerusalém. A Maçonaria do século XVIII pegou emprestado este e outros
objetos da Religião Hebraica, dado o elevado valor histórico e simbólico, em especial para os
chamados Altos Graus.
Irm. Robson Rodrigues da Silva
BIBLIOGRAFIA:
ASLAN, Nicola, Instruções Para Lojas de Perfeição, Editora Maçônica “A Trolha”, 3ª
edição, Londrina – PR – 2004.
_____ , Grande dicionário enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, vol. I, Editora
Maçônica “A Trolha”, Londrina – PR – 1996.
CAMINO, Rizzardo da, Os Graus Inefáveis – Loja de Perfeição, Editora Aurora, Rio de
Janeiro.
CASTELLANI, José, Dicionário Etimológico Maçônico, ABC, Editora Maçônica “A
Trolha”, Londrina – PR, 1990.
XICO TROLHA e CASTELLANI, José, O Mestre Secreto, Editora Maçônica “A Trolha”,
Londrina, PR – 3ª edição, 2002.
RITUAIS dos Graus 4 e 14.
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/o-candelabro-mistico.html
#76
COLUNAS ZODIACAIS
COLUNAS ZODIACAIS
Como você
reagiria se eu
dissesse que
as Colunas
Zodiacais não
são “coisas”
da
Maçonaria?
(pausa para
pensar).
Colunas
todos nós
sabemos o
que são;
Zodiacais
vem de
zodíaco, que
por sua vez vem do grego: zódia (animais) chegamos até zodiakos (ciclo de animais). Diríamos
então que em alguns Templos Maçônicos temos pilares cilíndricos que sustentam o ciclo de
animais.
Lógico que o simbologismo ultrapassa a semântica, mas esse conhecimento é oriundo dos
Irmãos amantes da astrologia.
Na antiga Caldeia, os estudiosos captaram a imagem vista do céu e elaboraram um mapa que
produzisse a passagem do Sol em cada uma das doze partes que fora dividido o referido mapa,
cada uma dessas partes tinha elementos astronômicos (planeta, estrela, constelação, nebulosa) e
cada parte ganhou um nome, chamado de Signo Zodiacal que é governado por um Astro
Regente. Não se pode usar a expressão “Planeta Regente”, pois o Sol (Signo de Leão) e a Lua
(signo de Câncer) não são planetas, com o tempo vincularam os Signos com os quatro
elementos primários do nosso planeta (Ar, Água, Terra e Fogo).
Mais adiante ainda foram incorporadas características masculinas e femininas que são
representadas por triângulos; os ícones astrológicos que estão interligados a triângulos com o
ápice para cima possuem virtudes e defeitos típicos dos homens e os com ápice voltado para
baixo virtudes e defeitos típicos das mulheres.
De forma resumida temos então: ÁRIES = Marte, Fogo, Masculino; TOURO = Vênus, Terra,
Feminino; GÊMEOS = Mercúrio, Ar, Masculino; CÂNCER = Lua, Água, Feminino; LEÃO =
Sol, Fogo, Masculino; VIRGEM = Mercúrio, Terra, Feminino; LIBRA = Vênus, Ar, Masculino;
ESCORPIÃO = Marte, Água, Feminino; SAGITÁRIO = Júpiter, Fogo, Masculino;
CAPRICÓRNIO = Saturno, Terra, Feminino; AQUÁRIO = Saturno, Água, Masculino; PEIXES
= Júpiter, Água, Feminino.
A incorporação dessas Colunas aos Templos Maçônicos ultrapassam os conhecimentos da
astrologia popular com suas previsões e características pessoais; há belíssimos trabalhos
vinculando as Colunas, as Instruções dos Graus, as passagens durantes as Sessões Magnas e até
aos Cargos de Loja, lembrando que são interpretações pessoais dos autores o que condiz com
nossa situação de Livres Pensadores e Maçons Especulativos.
Você mesmo, quando tiver, oportunidade observe o posicionamento delas e as formas
geométricas que podemos traçar no teto da Loja usando por exemplo aquelas que têm o ápice do
triângulo voltado para cima.
Mesmo após escrever tudo isso eu ainda lhe digo: as Colunas Zodiacais não são “coisas” da
Maçonaria! Você já ouviu falar que nossos Templos foram construídos de acordo com o Templo
de Salomão? E no Livro da Lei há a descrição das doze colunas e todos esses símbolos?
Portanto as Colunas Zodiacais são elementos de alguns RITOS MAÇÔNICOS e por conta disso
não podemos generalizar dizendo que fazem parte da Maçonaria; a maioria dos Templos
Maçônicos espalhados pelo mundo foram construídos dentro do traçado dos preceitos do Rito
de York, que em seus trabalhos não constam as Doze Colunas Zodiacais e o mesmo acontece no
Rito SchröederA intenção deste pequeno artigo é motivar os Irmãos a freqüentarem Oficinas
que trabalham em Ritos diferentes aos da sua Loja, há em todos sempre um conhecimento
“extra”.
Mesmo na ritualística sempre haverá DIFERENÇAS, nunca DIVERGÊNCIAS, ninguém tem
autoridade para afirmar que isto ou aquilo está errado, haverá sempre contextos históricos que
explicarão as inúmeras variações encontradas nos Ritos, nas Potências e nas Obediências. A
Beleza é feita pela simplicidade, mas a Sabedoria pela complexidade. Lembre-se de visitar,
estudar e ensinar, pois todos nós, independente do Grau ou do Cargo, somos responsáveis pela
qualidade das Sessões Maçônicas.
De acordo com o PROMAÇOM cujo programa visa à integração das Lojas Maçônicas, segue
anexo, o quadro com as atividades das Lojas que se reúnem na Avenida Brasil nº 478 e, de
algumas situadas fora do Palácio Maçônico.
Grato pela atenção.
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/colunas-zodiacais.html
#78
GEOGRÁFICO
Em 12 de outubro de 1804, foi criado em Paris o Supremo Conselho de França, o segundo no
mundo, para difundir na Europa o Rito Escocês Antigo e Aceito.
Concebido, inicialmente, como Rito para Altos Graus, chegou dos Estados Unidos sem ritual
próprio para os graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre. No dia 22 de outubro, uma
Assembléia Geral do Supremo Conselho de França fundou, também em Paris, a Grande Loja
Geral Escocesa para organizar o ritual francês das Lojas Azuis (Blue Lodges) do Rito Escocês
Antigo e Aceito (ainda não havia sido cunhado o termo simbolismo para os três primeiros
graus), tendo por base o Rito Antigo Aceito, praticado pela Grande Loja de Londres de 1751, a
Grande Loja dos auto-proclamados “antigos” maçons.
Na França, o Grande Oriente tinha como rito oficial, o Rito Escocês dos Modernos, ou Rito
Francês, semelhante ao rito praticado pelas Lojas da Grande Loja de Londres de 1717, a
primeira Grande Loja no mundo e denominada, pejorativamente, pelos seus adversários, como
sendo dos “modernos” (os que inventaram ritual novo).
Quarenta dias depois, um acordo entre Grande Oriente e Supremo Conselho viabilizou a
prática do Rito Escocês Antigo e Aceito dentro do Grande Oriente de França.
COMEÇO DA CONTURBADA TRAJETÓRIA DOS GRAUS SIMBÓLICOS DO REAA
O Grande Oriente fez misturas entre os dois ritos, em vários graus, principalmente porque
praticou o Rito Escocês Antigo e Aceito no seu templo adornado para o Rito Francês.
No ano seguinte, 1805, os maçons do Supremo Conselho afirmaram que o Grande Oriente
havia violado a combinação.
Retiraram-se do Grande Oriente e passaram a trabalhar sozinhos. Por carência de membros
preparados adequadamente, o Supremo Conselho, junto com a Grande Loja Geral Escocesa,
ambos liderados pelo conde Alexandre de Grasse-Tilly, convidaram Oficiais do Grande Oriente
para dirigirem os Altos Graus.
Esses maçons oriundos do Rito Francês, não conheciam bem o Rito Escocês Antigo e ainda,
muitos, desdenharam o direito do Supremo Conselho comandar o Rito, na França.
Sob o abrigo do primeiro Grão-Mestre Adjunto, o Príncipe Cambaceres, que havia aceitado
ser Grão-Mestre de cada um dos sistemas escoceses, ou mesmo, a presidência de honra, a
Grande Loja Geral Escocesa e o Supremo Conselho se entregaram com intensidade em toda a
atividade que suas lideranças puderam realizar.
No entanto, o Grande Oriente manteve com vigor o funcionamento do Rito Moderno e, ao
mesmo tempo, lutou, ostensivamente, contra as tentativas das diversas autoridades do Supremo
Conselho e da Grande Loja, de fazerem firmar-se o Rito Escocês Antigo e Aceito, como fora
inicialmente organizado.
ESFACELAMENTO DO SUPREMO CONSELHO E DO REAA NA FRANÇA
O período não estava favorável ao novo rito, surgindo como agravante às pretensões do
Supremo Conselho, a queda do governo francês, em 1814.
Em 1804, quando o REAA chegou à França, Napoleão Bonaparte fora coroado Imperador e
teve promulgado o código civil napoleônico.
Em 1814, Napoleão foi derrotado pelos aliados formados por Inglaterra, Rússia, Áustria e
Prússia. Napoleão se exila em Elba.
O Grande Oriente, pela sua força política, não teve que cessar totalmente as atividades, mas
o Supremo Conselho e a Grande Loja Geral Escocesa sofreram com a resistência que
enfrentavam do Grande Oriente e pouco realizaram. O Rito Escocês Antigo e Aceito
praticamente desapareceu na França, nesse período.
Outro fator que muito contribuiu para o enfraquecimento do rito foram as divergências entre
os próprios integrantes, divididos em Supremo Conselho de França e Supremo Conselho de
América.
A história dessas divergências internas mostra que não houve unidade no Supremo Conselho
francês, além de mal estruturado, para enfrentar a campanha do Grande Oriente.
O resultado foi a decisão do Grande Oriente, em 1814, declarando, unilateralmente, que, em
virtude de diferentes acordos datados de antes e depois da revolução francesa, ele retomava
todos os direitos sobre os ritos Moderno e Escocês Antigo e Aceito.
PRIMEIRA IDÉIA DE LOJA CAPITULAR
Em 1816, o Grande Oriente assumiu a jurisdição de parte do Rito Escocês Antigo e Aceito,
decidindo que ficaria com o poder sobre o conjunto dos graus 1º ao 18º. Essa escolha baseou-se
na intenção de dirigir o Rito Escocês Antigo e Aceito na mesma abrangência simbólica que já
fazia com o Rito Moderno, ou seja, do grau de Aprendiz à Rosa-Cruz.
No Rito Moderno, a Rosa-Cruz é o 7º e no Escocês Antigo, o 18º. Em 1820, o Grande
Oriente organiza um ritual do REAA voltado para o funcionamento seqüencial do grau de
Aprendiz ao grau Rosa-Cruz.
A esse conjunto de graus, sob a mesma direção, foi atribuída a denominação de Loja
Capitular, presidida preferencialmente por um Cavaleiro Rosa-Cruz.
O TERMO SIMBOLISMO
Com o surgimento das Lojas Capitulares na França, a denominação Lojas Azuis
desapareceu, passando a ser empregado o termo “simbolismo” para representar o conjunto de
graus – Aprendiz, Companheiro e Mestre – dentro da então, nova concepção obediencial no
Rito Escocês Antigo e Aceito: Lojas Simbólicas, Lojas de Perfeição, Capítulos (obedientes ao
Grande Oriente de França), Conselhos Kadosh, Consistórios, Supremo Conselho (obedientes ao
Soberano Supremo Conselho do Grau 33).
Da França, o Rito Escocês Antigo e Aceito foi difundido para os países de língua latina, em
maioria. Os países anglo-saxônicos, no entanto, não se submeteram às decisões do Grande
Oriente de França e seguiram o modelo inicial.
O Supremo Conselho norte-americano continuou administrando o Rito Escocês Antigo e
Aceito dos graus 4 ao 33, servindo-se das Lojas Azuis americanas, obedientes às Grandes Lojas,
para perfazer o total de 33 graus.
AS LOJAS CAPITULARES NO BRASIL
O Supremo Conselho fez tratado de condomínio com o Grande Oriente do Brasil nas
condições definidas na França: o GOB assumiu os graus 1º ao 18º, constituindo as Lojas
Capitulares e o Supremo Conselho os graus 19º ao 33º. Permaneceu essa estrutura até 1927,
quando o Supremo Conselho denunciou o tratado com o Grande Oriente do Brasil e recuperou
seu poder sobre o Rito, do grau 4º ao 33º, reencontrando-se com o que acontecera em 1801, em
Charleston, nos Estados Unidos.
A tendência mundial entre os Supremos Conselhos com reconhecimento mútuo, no início do
século vinte, era de padronizar a divisão: graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre com
jurisdição de Grandes Orientes ou Grandes Lojas e os 30 graus superiores com jurisdição dos
Supremos Conselhos.
RITUAIS DESCARACTERIZADOS DO SIMBOLISMO
Devido à ruptura do tratado com o Grande Oriente do Brasil, o Supremo Conselho do Brasil
providenciou a criação das Grandes Lojas estaduais, que tiveram a incumbência de organizarem
e coordenarem a prática dos graus simbólicos do Rito Escocês Antigo e Aceito. Nessa
oportunidade, o Supremo Conselho repetiu o que já acontecera em 1820, na França, deixou o
simbolismo atirado à sua desventura funcional, com ritualismo confuso provocado ora pelas
influências do Rito Moderno, ora dos Altos Graus do próprio Rito Escocês Antigo e Aceito.
As modificações produzidas pelo Grande Oriente de França, em 1820, com o ritual que criou
as Lojas Capitulares, não foram desfeitas, sendo incorporadas aos graus simbólicos do rito,
definitivamente.
ORIENTE ELEVADO E COM ÁREA DELIMITADA
O piso do templo no ritual de 1804 é plano em toda a sua extensão. As colunas do norte e do
sul se estendem de oeste a leste. O Oriente é constituído pelo Venerável Mestre, que fica no
Trono num plano elevado.
Não havia área demarcada do Oriente, como conhecemos hoje.
O fundo do Oriente era um semicírculo e todos os Irmãos presentes, inclusive Oficiais,
estavam incluídos em uma das colunas; norte ou sul. A exceção se fazia quando da presença de
autoridade maçônica, dos Altos Graus do Rito ou de outros Ritos.
Nessa ocasião, o Venerável Mestre mandava sentar próximo e abaixo do Trono,
acompanhando a curvatura da parede de fundo, de frente para o oeste.
O tratamento era pessoal, sendo concedida a palavra nominalmente, após a mesma circular
nas colunas, por iniciativa do Venerável Mestre, sem, contudo, anunciar a palavra no Oriente,
como presentemente.
O Oriente elevado, em comparação com o restante do templo, surgiu com as Lojas
Capitulares, na França, no ritual de 1820.
Um terço da área do templo foi cercado por uma balaustrada com uma abertura no centro
para a passagem dos Irmãos, que separou Oriente do Ocidente.
O acesso ao Oriente se dá através de quatro degraus.
O Oriente elevado e cercado foi idealizado para simbolizar o Santuário do Grau Rosa-Cruz,
onde está a direção da Loja, representada pelo Sapientíssimo Príncipe Rosa-Cruz.
Os Irmãos iniciados no grau 18º e acima, sentam-se no Oriente durante o desenvolvimento
dos trabalhos da Loja.
ORIENTE PROIBIDO PARA APRENDIZES E COMPANHEIROS
Durante o período em que os graus simbólicos estiveram incluídos na seqüência ininterrupta
até o 18º das Lojas Capitulares, os Aprendizes e Companheiros não têm permissão para
ingressarem no Oriente.
Nessa fase, os maçons ainda aspirantes ao grau de Mestre, não desempenham cargos
ritualísticos.
Nas cerimônias de Iniciação nos dois primeiros graus, Aprendizes e Companheiros não
subiam ao Oriente, como se faz presentemente.
Nessa etapa, o Sapientíssimo Mestre descia do Oriente e lhe era apresentado o candidato no
Ocidente, junto aos degraus de acesso ao Oriente.
Esse procedimento alerta para o fato de que o Oriente elevado e circunscrito nunca fez parte
da ritualística dos graus simbólicos e, portanto, não devia ter permanecido na descrição do
Templo, após o desaparecimento das Lojas Capitulares, porque contribuiu para desinformar a
respeito do Templo adequado para as Lojas Simbólicas.
MESTRES INSTALADOS NO ORIENTE DOS CAVALEIROS ROSA-CRUZ
Está salientado e explicado que o Oriente elevado em relação ao Ocidente permaneceu
indevidamente nos Templos dos graus simbólicos por negligência da orientação dos Supremos
Conselhos, a começar pelo de França.
No surgimento das Grandes Lojas brasileiras, o Templo das Lojas que se transferiram do
Grande Oriente do Brasil, antes ajustado para os graus capitulares, não foi readaptado para o
modelo original do Rito Escocês Antigo e Aceito, anterior a 1820, ou seja, o piso plano em toda
a extensão.
Não bastasse essa influência capitular no simbolismo do REAA, foi acrescentada a novidade
que viria transformar o REAA das Grandes Lojas num conjunto de procedimentos que
representaram a presença parcial de vários Ritos em um.
A figura do Past Master (o Mestre Instalado) da Grande Loja, dentro do REAA, foi outro
lance que, junto com o ritual criado em 1928, deformou ainda mais o REAA antes conhecido.
A ritualística de Instalação do Mestre de Loja é mais antiga que o grau de Mestre Maçom e
faz parte das duas únicas cerimônias formais que os ingleses realizavam desde a época em que
foi fundada a primeira Grande Loja, em Londres, em 1717.
A iniciação do profano era feita sem encenações. Tinham maiores formalidades a passagem
ao Grau de Companheiro e a posse do Companheiro Eleito na presidência de uma Loja
Maçônica. A cerimônia de Instalação faz parte da história cultural da maçonaria inglesa.
Da outra parte, os primeiros rituais das Lojas Azuis (mais tarde, Lojas Simbólicas), do
REAA, em 1804, foram feitos pela Grande Loja Geral Escocesa, com cultura original de caráter
operativo.
O cerimonial pomposo para a posse do Respeitável Mestre eleito foi sempre um reflexo da
concepção inglesa de Maçonaria Real, não influenciada pelo período operativo.
A Inglaterra não teve Lojas operativas conhecidas.
As posses, nas Lojas Simbólicas do REAA foram, em rito mais administrativo.
O surgimento da figura do Mestre Instalado no meio do espaçamento natural entre o Mestre
Maçom (Grau 3º) e o Mestre Secreto (Grau 4º), encontrou no Oriente elevado e circunscrito um
ótimo local para fortalecer nova categoria de Mestre Maçom no REAA. Não havendo Loja
Capitular nas Grandes Lojas brasileiras, o Oriente, lugar antes reservado para os iniciados nos
Graus Capitulares, foi ocupado pelos Mestres Instalados.
Com seus segredos diferentes dos Mestres Maçons, os Mestres Instalados são considerados
Mestres Maçons diferenciados e a eles é designado o Oriente elevado, região do Templo
também diferenciada em comparação com o Ocidente. Dessa forma, os Mestres Instalados
lembram nos graus simbólicos, os Cavaleiros Rosa-Cruz da antiga Loja Capitular.
As Lojas Simbólicas do REAA que presentemente trabalham em Templo que possui o piso
da parte oriental mais elevado, não estão contribuindo para mostrar como foram concebidos os
três primeiros graus do REAA na França, em 1804.
Por outro lado, se essas mesmas Lojas reservam o Oriente para a localização dos Mestres
Maçons que têm a dignidade de Mestre Instalado, estão, as Lojas, praticando uma irregularidade
ritualística, pois reconhecem uma categoria superior à de Mestre Maçom, mas que não é a do
Mestre Secreto.
A superioridade hierárquica do Mestre Instalado sobre o Mestre Maçom está caracterizada e
confirmada na cerimônia de Instalação, no momento em que todos os Mestres Maçons não
Instalados são obrigados a cobrirem o Templo.
Nessa condição, estão também os Mestres Maçons do REAA que tenham sido iniciados no
grau 4º, 5º, 6º, etc… que não tenham sido eleitos Venerável Mestre.
São tratados como os do grau 3º e não permanecem no Templo, no momento de Instalação
do Mestre Maçom eleito para dirigir a Loja.
A dignidade do Mestre Instalado é compatível tão somente com Ritos anglo-americanos,
como o Craft e o York, que permitem no ritual a supremacia hierárquica do Mestre Instalado
sobre o Mestre Maçom não instalado, embora, oficialmente, a Grande Loja Unida da Inglaterra
não reconheça essa supremacia.
O Mestre Instalado não tem lugar no REAA com 33 graus seqüenciais. Serve, sim, para o
REAA que conta apenas 30 graus próprios, embora considere toda a cadeia com 33, como nos
Estados Unidos.
O PAST MASTER (MESTRE INSTALADO) DO SANTO ARCO REAL
O Ritual Emulação tem uma extensão do terceiro grau, que não é considerada oficialmente
um novo grau, chamado Santo Arco Real.
Embora não seja admitido pela Grande Loja Unida da Inglaterra como umgrau superior, tem,
porém, uma ritualística própria, na qual, em dada passagem, o Mestre Maçom é retirado do
Templo e só permanecem os Past Masters.
Não deve o Santo Arco Real inglês ser confundido com o corpo de Graus Superiores do
sistema americano, conhecido como Real Arco, que tem vários graus.
A história de que o Santo Arco Real inglês não é um grau, não é assim entendida pela
maioria dos maçons ingleses. Essa arrumação foi imaginada para contentar correntes
antagônicas que se debatiam em defesa de suas idéias e crenças ritualísticas, durante as reuniões
de negociações que prepararam a união das duas Grandes Lojas inglesas rivais, a
dos”modernos” e a dos “antigos”, na Grande Loja Unida da Inglaterra, em 1813.
A Grande Loja Unida, apesar de inflexível na observância dos critérios de reconhecimento de
outras Potências Maçônicas, não proíbe, não faz tratados com Obediências dos Altos Graus, não
interfere nos assuntos relativos a esses Graus Superiores. Simplesmente, ignora-os.
Os praticantes do Santo Arco Real, surgido por volta de 1751, apregoavam serem detentores
dos segredos da palavra sagrada que foi perdida, segundo a lenda do terceiro grau. Isso
despertava grande curiosidade naquela época e muitos maçons desejavam ser exaltados no
Santo Arco Real.
Para que o ato de união entre as Grandes Lojas inglesas rivais se efetivasse, foi encontrada
essa solução que a cultura inglesa demonstrou ter assimilado bem; incluir o Santo Arco Real
como um complemento do terceiro grau, mas sem se constituir no quarto grau.
O Santo Arco Real é fundamentado no relato bíblico que descreve o retorno do povo judeu
da Babilônia, em 538 a.C. e na antiga lenda surgida durante a construção do quarto Templo, em
torno de 400 d.C., que descreve a descoberta de uma cripta, de um altar e da palavra sagrada.
Assim, a estrutura da Franco-maçonaria inglesa considerou, em dado momento da história,
1813, que a Maçonaria Pura e Antiga consiste de apenas três graus, mas que se inclui nesses o
Santo Arco Real.
É, verdadeiramente, coisa para inglês ver.
Para administrar o Santo Arco Real, os ingleses têm o Supremo Grande Capítulo que
concede “Brevê Constitutivo” para a fundação dos Capítulos do Arco Real que funcionam
anexos às Lojas Simbólicas inglesas.
A dignidade de Past Master (Mestre Instalado) adotada pelas Grandes Lojas brasileiras tem
origem nessa maçaroca inglesa que manteve os quatro graus do Santo Arco Real, todos sob a
denominação de um desses graus, o de Past Master, sem considerá-lo grau superior.
O Rito Escocês Antigo e Aceito ganhou, através das Grandes Lojas, uma hierarquia formal
entre os graus 3º e 4º, sem considerá-la grau superior ao de Mestre. Foi a continuação da
maçaroca.
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/mestre-instalado-nao-e-grau.html
#80
DOCUMENTOS MAÇÔNICOS
DOCUMENTOS MAÇÔNICOS
Tentarei transcrever aqui
parte de um dos mais
importante estudos Maçônicos
já publicados no Brasil pela
Editora Maçônica "A Trolha"
[1]. Como o assunto é longo
References
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/documentos-maconicos.html
#81
Templarios
Templarios
“Não por
nós, Senhor,
não por nós,
mas para que
seu nome
tenha a
Glória.”
A Ordem
Templária foi
fundada em
Jerusalém em
1118, logo
após a
Primeira
Cruzada,
mesmo
havendo
alguns
indícios de ter
sido fundada
quatro anos
antes. Seu
nome está
relacionado
ao local de seu primeiro quartel-general, no lugar do antigo Templo de Salomão.
Nove monges veteranos dessa Primeira Cruzada, entre eles Hugues de Payens e Godofredo
de Saint Omer, reuniram-se para fundar a Ordem em defesa da Terra Santa. Pronunciaram
perante o patriarca de Jerusalém, Garimond, os votos de castidade, de pobreza e de obediência,
comprometendo-se, solenemente, a fazer tudo aquilo que estivesse ao seu alcance para garantir
as rotas e os caminhos e a defender os peregrinos contra os assaltos e os ataques dos infiéis. Foi
dada a fundação da Ordre de Sion (Ordem de Sião) a Godofredo de Bouillon, por volta de 1099.
A original Ordem de Sião foi estabelecida para que muçulmanos, judeus e outros indivíduos
elegíveis pudessem aliar-se à Ordem cristã e tornar-se Templários.
Freqüentemente podemos encontrar os Templários sendo denominados Soldados de Cristo
(Christi Milites), Soldados de Cristo e do Templo de Salomão. A regra que lhes foi concedida
por ocasião do Concílio de Troyes, em Champagne, é: Regula pauperum commilitonum Christi
Templique Salomonici.
Eles, no começo, viviam exclusivamente da caridade, e tamanha era sua pobreza que não
podiam ter mais do que um só cavalo cada um. O antigo sinete da Ordem, no qual aparece a
representação de dois cavaleiros em um só cavalo, comprova essa humildade primitiva.
O bispo de Chartres escreveu a respeito dos Templários em 1114, chamando-os de Milice du
Christi (Soldados de Cristo).
O primeiro Grão-Mestre da Ordem foi Hugues de Payens, certamente um homem superior.
Durante toda a sua vida, testemunhou um pensamento seguro e uma indomável coragem.
Inspirado pelo espírito cavalheiresco de seu século, ele não podia ter se tornado apenas um
cruzado cujo nome caiu no esquecimento, como o de tantos outros nobres e bravos senhores.
Era grandioso armar-se com oito soldados contra legiões numerosas; oferecer-se, sob um céu
implacável, aos golpes de um inimigo que observava atentamente sua empreitada e que podia
afogá-lo definitivamente, já no primeiro combate, no sangue de seu punhado de bravos.
E foi assim que viveram durante dez anos. Sem pedir reforços nem subsídios, nenhuma
recompensa, nenhuma prebenda esperava por eles. Viviam segundo suas próprias leis, vestidos
e alimentados pela caridade cristã.
Martin Lunn, em seu livro Revelando o Código de Da Vinci (Madras Editora), fala-nos do
Priorado de Sião, que compartilhava com a Ordem do Templo (Cavaleiros Templários) o
mesmo Grão-Mestre; eram dois braços da mesma organização até algo conhecido como a
“Corte do Olmo”, que aconteceu em Gisors, em 1118. Essa separação entre as duas Ordens foi
supostamente causada pela chamada “traição” do Grão-Mestre Gerard de Ridefort que, de
acordo com os Dossiês Secretos, resultou na perda de Jerusalém pela Europa para os sarracenos.
Quando do Concílio de Troyes (1128), Hugues e outros seis Cavaleiros compareceram diante
dos mais altos dignitários da Igreja. O papa e o patriarca Étienne lhes deram um hábito, e o
célebre abade de Clarval, São Bernardo de Clairvaux, encarregou-se da composição de sua
regra, modificando parcialmente os estatutos primitivos da sociedade. Foi também São
Bernardo quem revitalizou a Igreja Celta da Escócia e reconstruiu o mosteiro de Columba, em
Iona (tal mosteiro havia sido destruído em 807 por piratas nórdicos). O juramento dos
Cavaleiros Templários a São Bernardo exigia a “Obediência de Betânia – o castelo de Maria e
Marta”.
Durante a era das cruzadas, que perfazem um total de oito e as quais continuaram até 1291
no Egito, na Síria e na Palestina, apenas a primeira, de Godofredo, foi de alguma utilidade,
como afirma Laurence Gardner, um magnífico autor de nossa editora: “(…) Mas mesmo essa
foi desfigurada pelos excessos das tropas responsáveis que usaram sua vitória como desculpa
para o massacre de muçulmanos nas ruas de Jerusalém. Não apenas Jerusalém era importante
para os judeus e cristãos, porém se tornara a terceira Cidade Santa do Islã, após Meca e Medina.
Como tal, a cidade até hoje está no cerne de contínuas disputas. (Embora os muçulmanos
sunitas considerem Jerusalém sua terceira cidade Sagrada, os muçulmanos xiitas colocam-na em
quarto lugar após Carabala, no sul do Iraque.)
A segunda cruzada para Odessa, liderada por Luiz VII da França e pelo imperador alemão
Conrado III, fracassou miseravelmente. Então, cerca de cem anos após o sucesso inicial de
Godofredo, Jerusalém caiu sob o poder de Saladino do Egito, em 1187. Foi quando engatilhou a
terceira cruzada de Felipe Augusto, da França, e Ricardo Coração de Leão, da Inglaterra, que,
entretanto, não conseguiram recuperar a Cidade Santa. A quarta e quinta cruzadas
concentraram-se em Constantinopla e Damieta. Jerusalém foi retomada brevemente dos
sarracenos após a sexta cruzada, mas ficou longe de reverter a situação. Por volta de 1291, a
Palestina e a Síria estavam firmemente sob o controle muçulmano e as cruzadas haviam
terminado.
Vejamos alguns preceitos da nova legislação, mas é importante lembrarmos que nessa época
os cavaleiros não eram classificados em graus como os nobres. Todo homem que não fosse
sacerdote ou servo podia aspirar à Cavalaria e à nobreza moderna tinha aí sua origem. A
partícula de não indicava seus nomes, mas a cidade, a vila ou o lugarejo que habitavam. Mais
tarde, o nome de sua residência transformou-se em seu nome de família.
Todos os cavaleiros que tenham professado vestem mantos brancos de comprimento médio.
Os mantos usados são entregues aos Escudeiros e irmãos servos, ou aos pobres.
Os mantos brancos que os escudeiros e servos vestiam originalmente foram substituídos por
mantos negros ou cinzas.
Apenas os cavaleiros vestem mantos brancos.
Cada cavaleiro possui três cavalos, pois a pobreza não permite que tenham mais que isso.
Cada cavaleiro tem somente um escudeiro ao qual não poderá castigar, já que ele o serve
gratuitamente.
Ninguém pode sair, escrever ou ler cartas sem autorização do Grão-Mestre.
Os cavaleiros casados habitam à parte e não vestem clâmides ou mantos brancos.
Os cavaleiros seculares que desejam ser admitidos no Templo serão examinados e ouvirão a
leitura da regra antes de seu noviciado.
O Grão-Mestre escolhe seu capítulo dentre seus Irmãos. Nos casos importantes que dizem
respeito à Ordem ou na admissão de um Irmão, todos podem ser chamados para o capítulo, se
essa for a vontade do chefe.
Na obra A História dos Cavaleiros Templários, de Élize de Montagnac, da Madras Editora,
encontramos um texto muito oportuno a respeito da iniciação, que passamos a transcrever: “(…)
Os estatutos e regulamentos recomendavam, acima de tudo, a prece, a caridade, a esmola, a
modéstia, o silêncio, a simplicidade, o desdém à riqueza e à opulência, a abnegação, a
obediência, a proteção aos pobres e oprimidos; cuidar dos enfermos; o respeito aos mortos entre
outros”. Tal Código de regras é composto de 72 artigos e foi descoberto em 1610, em Paris, por
Aubert-le-Mire, cientista e historiador, decano de Anvers.
Mas a cada dia os regulamentos concernentes à hierarquia, à disciplina e ao cerimonial eram
ajustados e adaptados ao Código Latino, assim declarado perfectível.
“Portanto não é de se surpreender que, além desse, hoje são conhecidos outros três códigos
manuscritos, os quais não são nada mais do que sua continuação. Um foi descoberto em 1794,
na biblioteca do príncipe Corsini, pelo cientista dinamarquês Münster; o outro foi encontrado na
biblioteca Real por M. Guérard, conservador e restaurador; o terceiro foi encontrado nos
arquivos gerais de Dijon por M. Millard de Cambure, mantenedor dos arquivos de Borgúndia.”
E desse último, datado de 1840, é que extraímos a descrição do modo de iniciação dos
irmãos cavaleiros; a verdade sobre essas recepções nos sugere serem elas revestidas de um
grande interesse, após as absurdas e terríveis lendas que as cercam. Por favor, observem a
quantidade de coincidências com nossos rituais (maçônicos).
“Antes que um novo Irmão fosse recebido, era necessário sondar os espíritos para saber se
ele vinha de Deus: Probate Spititus, si ex Deo Sunt. Em razão disso, ao longo de certo período,
impunham-se ao candidato diversas privações de todas as naturezas; incumbiam-lhe os
trabalhos mais pesados e baixos da casa, tais como: cuidar do fogão e da cozinha, girar o
moinho, cuidar das montarias, tratar dos porcos, etc. Após isso, procedia-se à admissão, a qual
era feita da seguinte forma:
A Assembléia reunia-se, ordinariamente, à noite. O candidato esperava do lado de fora; por
três vezes, dois cavaleiros se dirigiam a ele para perguntar-lhe o que ele desejava; e por três
vezes o candidato respondia que era sua vontade adentrar a Casa. A seguir, então, o candidato
era conduzido à Assembléia, e o Grão-Mestre, ou aquele que presidia a sessão em seu lugar,
apresentava-lhe tudo de rude e penoso que o aguardava naquela vida em que estava prestes a
entrar. Dizia-lhe: ‘Devereis ficar desperto e alerta quando mais quiserdes dormir, suportar o
cansaço quando mais quiserdes repousar. Quando sentirdes fome e quiserdes comer, ser-vos-á
ordenado que vades aqui ou acolá, sem vos ser dada nenhuma explicação ou motivo. Pensai
bem, meu querido Irmão, se sereis capaz de sofrer todas as asperezas.’ Se o candidato
respondesse ‘Sim, eu me submeterei a todas, se assim agradar a Deus!’, o Mestre
complementava: ‘Estai ciente, querido Irmão, de que não deveis pedir a companhia da Casa
para obter benesses, honrarias e riquezas, nem satisfazer o vosso corpo, principalmente em
relação a três aspectos:
1º, Evitar e fugir dos pecados deste mundo;
2º, Servir ao nosso Senhor;
3º, Ser pobre e fazer a penitência nesta vida para a santidade da alma.
Sabei também que sereis, a cada dia de vossa existência, um servo e escravo da Casa.
Estais certo de vossa decisão?’
‘Sim, se assim agradar a Deus, Senhor’.
‘Estais disposto a renunciar para sempre à vossa própria vontade, e nada mais fazer além
daquilo que vos for determinado?’
‘Sim, se assim agradar a Deus, Senhor’.
‘Então, retirai-vos e orai a nosso Senhor para que Ele vos aconselhe’.
Assim que o candidato se retirava, o presidente da Assembléia continuava: ‘Beatos senhores,
puderam constatar que essa pessoa demonstrou ser possuidora de um grande desejo de ingressar
na Casa, e declarou estar disposta a dedicar toda a sua vida como servo e escravo. Se há entre
vocês alguém que saiba alguma coisa que possa impedir que essa pessoa seja recebida como
cavaleiro, que nos dê conhecimento agora, pois, após sua admissão, ninguém mais terá crédito
para fazê-lo’. Caso nenhuma contestação fosse apresentada, o Mestre perguntava: ‘Admitamo-
lo como oriundo de Deus?’
‘Por inexistir qualquer oposição, fazei-o retornar como vindo de Deus.’
Então um dos membros que se manifestaram saía ao seu encontro e o instruía como ele
deveria pedir seu ingresso.
Retornando à Assembléia, o recipiendário ajoelhava-se e, com as mãos postas, dizia:
‘Senhor, eu compareço perante Deus, perante vós e perante os Irmãos, para vos pedir e
implorar em nome de Deus e de Nossa Senhora que me acolham em vossa Irmandade, e nos
benefícios da Casa, espiritual e materialmente, como um que será servo e escravo da Casa, em
cada um dos dias de toda a sua vida.’
O presidente da Assembléia lhe respondia: ‘Pensastes bem? Ainda pensais em renunciar à
vossa vontade em favor do próximo? Estais decidido a submeter a todas as dificuldades e
asperezas que vigoram na Casa e a cumprir tudo aquilo que vos for mandado?’
‘Sim, se assim agradar a Deus, Senhor.’
E continuava o presidente, agora se dirigindo aos cavaleiros presentes à Assembléia:
‘Então levantem-se, nobres senhores, e orem a Nosso Senhor e a Nossa Senhora Santa Maria
pedindo que ele seja bem-sucedido.’
Em seguida, cada um deles recitava um Pai-Nosso, enquanto os capelães recitavam a oração
ao Espírito Santo, e, em seguida, traziam o Evangelho, sobre o qual o recipiendário prestava o
seu juramento de responder com franqueza, sinceridade e lealdade às questões seguintes:
1º, Não tendes nem esposa nem noiva?
2º, Não estais engajado em nenhuma outra Ordem; não fizestes nenhum outro voto,
juramento ou promessa?
3º, Tendes alguma dívida convosco mesmo ou com algum outro, a qual não vos seja possível
pagar?
4º, Estais em plena saúde física?
5º, Não destes, ou prometestes dar, dinheiro a nenhuma pessoa para que, assim, facilitasse
vossa admissão à Ordem do Templo?
6º, Sois filho de um cavaleiro e de uma dama; pertencem vossos pais à linhagem dos
cavaleiros?
7º, Não sois nem padre, nem diácono, nem subdiácono?
8º, Não fostes excomungado?
Procurai não mentir, pois, se o fizerdes, sereis considerado perjuro e tereis de abandonar a
Casa.
Concluído esse interrogatório, o Grão-Mestre, ou aquele que substituía, ainda se dirigindo à
Assembléia, indagava se ainda havia algumas outras perguntas a serem formuladas e, caso
reinasse o silêncio, ele se voltava ao recipiendário, dizendo:
‘Ouvi bem, meu caro Irmão, o que ainda vos vamos pedir:
Prometei a Deus e a Nossa Senhora que, ao longo de toda a vossa vida, obedecereis ao
Mestre do Templo e ao comandante sob cujas ordens estareis sujeito.
E mais: que todos os dias de vossa vida vivereis imaculado.
E mais ainda: prometei a Deus e a Nossa Senhora Santa Maria que, em todos os dias de
vossa vida, respeitareis os bons costumes vigentes na Casa e aqueles que os Mestres e os doutos
haverão de acrescentar.
Mais: que, em cada um dos dias de vossa vida, ajudareis, com todas as forças e com todo o
poder que Deus vos outorgou, a conquistar a Terra Santa de Jerusalém e a proteger e defender as
propriedades dos cristãos.
E ainda: que jamais abandonareis essa religião em favor de outra, seja ela qual for, sem
permissão do Grão-Mestre e da Assembléia, etc.’
E a cada vez o futuro Cavaleiro devia responder:
‘Sim, se assim agradar a Deus, Senhor.’
Isso feito, aquele que conduzia a Assembléia assim anunciava sua admissão:
‘Vós, por Deus e por Nossa Senhora, por São Pedro de Roma, por nosso Padre Apóstolo e
por todos os Irmãos do Templo, acolhei, vosso pai e mãe, e todos aqueles que foram acolhidos
em vossa linhagem e em todos os benefícios que já fizeram e farão. E vos comprometeis sobre o
pão e sobre a água e sobre a pobre vestimenta da Casa, do sacrifício e do trabalho farto.’
A seguir, tomando o manto do templário, ele o colocava no pescoço do novo cavaleiro,
seguido pelo Irmão capelão que entoava o salmo:
‘Ecce quam Bonum et quam jucundum habitare in unum…’ (‘Oh! Quão bom e quão
agradável viverem unidos os Irmãos!…’)
Segundo M. Mignard, algumas vezes, durante as iniciações, eles entoavam alguns versículos
dos Salmos, ou alguma alocução em alusão ao espírito da fraternidade, como o Salmo 133. E a
oração do Espírito Santo;
‘O Espírito de Deus me criou e o sopro do Todo-Poderoso me deu a vida.’
(João 33: 4)
Veni, Creátor Spíritus
[ Ao Espírito Santo]Veni, Créator Spíritus,
[Espírito criador ]
Mentes tuórum visita,
[Visita a alma dos teus]
Imple supérna grátia,
[Nos corações que criaste]
Quae tu creásti péctora.
[derrama a graça de Deus]
Qui díceris Paráclitus,
[Ó fogo quem vem do alto,]
Altíssimi donum Dei,
[Teu nome é consolador,]
Fons vivus, ignis, cáritas,
[Unção espiritual,]
Et spiritális únctio.
[perene sopro de amor.]
Tu septifórmis múnere,
[Por Deus Pai tão prometido,]
Dígitus patérnae déxterae,
[És dedo da sua mão,]
Tu rite promíssum Patris,
[Os teus sete dons são fonte]
Sermóne ditanas gútura.
[De toda vida e oração]
Accénde lúmen sénsibus.
[Acende o lume das mentes,]
Infunde amórem córdibus.
[Infunde em nós teu amor;]
Infirma nostri córporis,
[nossa carne tão frágil,]
Virtúte firmans pérpeti.
[sustenta com teu vigor.]
Hostem repéllas lóngius,
[Atira longe o inimigo,]
Pacémque dones prótinus,
[Conserva em nós tua paz,]
Ductóre sic te praevio,
[A ti queremos por guia,]
Vitémus omne nóxium.
[noss’alma em ti se compraz]
Per te sciámus da Patrem,
[Ao Pai e ao Filho possamos]
Noscámus atque Fíluim,
[Em tua luz conhecer;]
Teque utriúsque Spíritum
[Dos dois tu és o Espírito,]
Credámus omni témpore.
[O sol de todo saber.]
Deo Patri glória
[Louvemos ao Pai celeste,]
Et Filio qui a mórtuis
[Ao Filho que triunfou,]
Surréxit, ac Paráclito,
[E a quem, de junto ao Pai,]
In saeculórum saecula. Amen.
[à santa Igreja enviou. Amém.]
…então aquele que tornou Irmão o novo cavaleiro levanta-o e, convidando-o a sentar-se
diante de si, diz: ‘Caro Irmão, nosso Senhor vos conduziu ao vosso desejo e vos introduziu em
uma fraternidade tão bela como esta Cavalaria do Templo, pela qual deveis dedicar extrema
atenção para jamais cometer algo que vos faça perdê-la – que assim Deus vos conserve!’
Finalmente, depois de enumerar as causas que poderiam acarretar a perda do hábito e da
Casa, depois de ter lido para ele os regulamentos disciplinares, acrescentava:
‘Já vos dissemos as coisas que deveis fazer e as coisas das quais deveis manter-se afastado…
E, se por acaso não abordamos tudo o que deveria ser dito sobre os nossos deveres, vós
indagareis. E Deus vos ajudará a falar e a fazer o bem. Amém!’ (referência ao maior deus
egípcio Amon). (Nesse momento, o Grão-Mestre selava com os lábios o cóquis (cóccix), o fim
ou início da espinha dorsal, que é o equilíbrio do homem, seu eixo central, um chacra, que são
pontos energéticos no corpo humano.)
Pois bem, aí está, segundo as únicas regras conhecidas, como eram realizadas as cerimônias
de iniciação qualificadas de infames, e nas quais eram ultrajadas tanto a divindade como a
moral; mas nas quais, na realidade, o maior crime cometido era o de continuarem secretas.
O mistério com o qual os templários cercavam suas reuniões enchia de terror a imaginação
dos contemporâneos daquela época, e não foge muito de nossa época também. Em geral, tudo o
que os homens não podiam ver ou compreender adquiria, aos seus olhos, as mais sinistras
tonalidades. Em 1789, quando a população sitiou a Bastilha, imaginava-se ser de boa-fé
trabalhar pela libertação de grandes grupos de prisioneiros abandonados nas celas das prisões.
Qual não foi o seu espanto ao ver as vítimas do despotismo real? Não havia mais do que sete,
entre os quais falsários e dois desequilibrados mentais”.
A influência templária cresceu rapidamente. Os templários guerrearam heroicamente nas
diversas cruzadas e também chegaram a ser os grandes financiadores e banqueiros
internacionais da época; em conseqüência, acumularam grandes fortunas. Calcula-se que, antes
da metade do século XIII, eles possuíam nove grandes propriedades rurais apenas na Europa. O
Templo de Paris foi o centro do mercado mundial da moeda, e sua influência, assim como sua
riqueza, era também muito grande na Inglaterra. No fim do mesmo século, diz-se que haviam
alcançado uma receita cujo montante era equivalente a dois milhões e meio de libras esterlinas
atuais, ou seja, maior que a de qualquer país ou reino europeu daqueles dias. Acredita-se que, a
essa altura, os templários eram cerca de 15 ou 20 mil cavaleiros e clérigos; porém, ajudando-os,
havia um verdadeiro exército de escudeiros, servos e vassalos. Pode-se conceber uma influência
com base no fato de que alguns membros da Ordem tinham a obrigação de assistir aos grandes
Concílios da Igreja, como o Concílio de Lateranense, de 1215, e o de Lyons, de 1274.
Os cavaleiros templários trouxeram para o Ocidente um conjunto de símbolos e cerimônias
pertencentes à tradição maçônica, e possuíam um certo conhecimento que agora é transmitido
somente nos Graus filosóficos e capitulares da Maçonaria. Desse modo, a Ordem era também
um dos depositários da sabedoria oculta na Europa durante os séculos XII e XIII, embora os
segredos completos fossem dados somente a alguns membros; portanto, suas cerimônias de
admissão eram executadas pelo Grão-Mestre, ou Mestre que esse designasse, pois eram
estritamente religiosas e em absoluto segredo, como já mencionamos. Por causa desse segredo,
a Ordem sofreu as mais terríveis acusações.
Há também uma passagem no ritual templário, na qual o pão e o vinho eram consagrados em
capítulo aberto durante uma esplêndida cerimônia: tratava-se de uma verdadeira eucaristia, um
maravilhoso amálgama do sacramento egípcio com o cristão.
A Eliminação dos Templários
A supressão dessa poderosa Ordem é uma das maiores máculas na tenebrosa história da
Igreja Católica Romana. Os relatos do processo francês foram publicados por Michelet, o
grande historiador, entre 1851-61, e existe uma excelente compilação das provas apresentadas,
tanto na França como na Inglaterra, em uma série de artigos que apareceram em 1907 na Ars
Quattuor Coronatorum (XX, 47, 112, 269). Vamos apenas apresentar um esboço do que
aconteceu:
Filipe, o Belo, então rei da França, necessitava desesperadamente de dinheiro. Já havia
desvalorizado a moeda e aprisionado os banqueiros lombardos e judeus e, depois de confiscar-
lhes suas riquezas, acusando-os falsamente de usura – algo abominável para a mente medieval
–, expulsou-os de seu reino. Em seguida, resolveu desfazer-se dos templários, depois que eles
haviam lhe emprestado bastante dinheiro e, como o papa Clemente V devia sua posição às
intrigas de Filipe, o assunto não foi difícil de ser resolvido. Sua tarefa foi facilitada ainda mais
pelas acusações apresentadas pelo ex-cavaleiro Esquin de Floyran, que tinha interesse pessoal
no assunto e pretendeu revelar todo o tipo de coisas malévolas: blasfêmia, imoralidade, idolatria
e adoração ao demônio na forma de um gato preto.
Essas acusações foram aceitas por Filipe com deleite. E em uma sexta-feira, 13 de outubro de
1307, todos os templários da França foram aprisionados sem nenhum aviso prévio por parte do
mais infame tribunal que jamais existiu, um aglomerado de demônios em forma humana,
chamado, em grotesca burla, de Santo Ofício da Inquisição que, nesses dias, tinha plena
jurisdição naquele e em outros países da Europa. Os templários foram horrivelmente torturados,
de modo que alguns morreram e os outros assinaram toda a classe de confissões que a Santa
Igreja desejava. Os interrogatórios se relacionavam principalmente à suposta negação de Cristo
e ao fato de terem cuspido na cruz e, em menor grau, com graves acusações de imoralidade. Um
estudo das evidências revela a absoluta inocência dos templários e a engenhosidade diabólica
mostrada pelos oficiais do Santo Ofício, encarregados da prisão dos acusados pela Inquisição,
que os mantinha incomunicáveis, carentes de defesa adequada e de consulta pertinente, ao
mesmo tempo em que faziam circular a versão de que o Grão-Mestre havia confessado diante
do papa a existência de crueldades na Ordem. Os Irmãos foram convencidos por meio de
adulações e promessas, subornados e torturados, até confessarem faltas que jamais haviam
cometido, e tratados com a mais diabólica crueldade.
Assim era a “justiça” daqueles que usavam o nome do Senhor do Amor durante a Idade
Média; assim era a compaixão exibida em relação a seus fiéis servidores, cuja única falta foi a
riqueza, obtida legalmente para a Ordem e não para si mesmos. Filipe, o Belo, obteve dinheiro.
Mas, que carma, mesmo com 20 mil vidas de sofrimento, poderá ser suficiente para um ingrato
vil? A Igreja romana, sem dúvida, tem sua participação. E pergunto: como cancelar uma
maldade tão incrível quanto essa?
O papa desejava destruir a Ordem e reuniu o concílio em Viena, em 1311, com tal objetivo,
mas os bispos recusaram-se a condená-la sem primeiro escutá-la. Então, o papa aboliu a Ordem
em um consistório privado efetuado em 22 de novembro de 1312, apesar de ter aceitado o fato
de que as acusações não haviam sido comprovadas. As riquezas do Templo deviam ser
transferidas à Ordem de São João; porém, o certo é que a parcela francesa foi desviada para os
cofres do rei Filipe.
O último e mais brutal ato dessa desumana tragédia ocorreu em 14 de março de 1314,
quando o Venerável Jacques de Molay, Grão-Mestre da Ordem Templária, e Gaufrid de
Charney, Grande Preceptor da Normandia, foram queimados publicamente como hereges
reincidentes, em frente à grande Catedral de Notre Dame. Quando as chamas os rodearam, o
Grão-Mestre incitou o rei e o papa a que, antes de um ano, se reunissem a ele diante do trono de
julgamentos de Deus e, de fato, tanto o papa como o rei morreram dentro do prazo de 12 meses.
Temos notícias que alguns cavaleiros templários franceses se refugiaram entre seus Irmãos
do Templo da Escócia e, naquele país, suas tradições chegaram a fundir-se, em certa medida,
com os antigos ritos celtas de Heredom, formando, assim, uma das fontes das quais mais tarde
brotaria o Rito Escocês Antigo e Aceito.
Há muito pouco tempo, a escritora Barbara Frale encontrou na biblioteca do Vaticano um
documento denominado “Chinon”. Trata-se de uma carta na qual o papa Clemente V perdoa o
Grão-Mestre Jacques de Molay. Você poderá saber disso com mais detalhes na obra de Barbara
Frale: Os Templários – E o Pergaminho de Chinon encontrado nos arquivos secretos do
Vaticano, da Madras Editora.
O Santo Graal e a Arca da Aliança
A Habrit Arca da Aliança é conhecida em hebraico como Aron. É sagrada para o Judaísmo e
o Cristianismo.
Do ponto de vista historiográfico, essa versão é tida como a mais aceita e foi documentada.
Não se pode, porém, excluir a hipótese de que os templários estivessem de posse de algum
segredo histórico ou alquímico visado pelo rei da França. Qual seria esse segredo, não se sabe.
Segundo Rocco Zíngaro, os templários conservavam o Santo Graal, o cálice da Última Ceia,
cuja posse conferiria poderes sobre-humanos. E segundo outro templário sob investigação, são
Bernardo de Chiaravalle, eles conservavam a Arca da Aliança, a caixa em que Moisés guardava
as tábuas da Lei, seu cajado e sobre a qual Deus se manifestava. Por outro lado ainda, o segredo
dos templários poderia estar ligado ao conhecimento da Sagrada Geometria, para construir-se as
catedrais góticas. Há, enfim quem sustente que o segredo dos templários estivesse relacionado
com o Sudário. Nos processos contra os templários, diz-se que eles guardavam uma “cabeça
barbuda de um morto”, que teria permanecido com eles entre 1204 e 1307. Para o cientista
britânico Allan Mills, em linha com essa hipótese do italiano Carlo Giacchè, a imagem do
Sudário seria de um cruzado templário morto em batalha, e não de Jesus. Algo mais recente
abre a possibilidade de ser o Sudário uma obra do maravilhoso artista Leonoardo da Vinci.
Para o pesquisador francês Jacques de Mahieu, os templários possuíam, por exemplo, cartas
geográficas atlantes que contrastavam com a visão oficial de mundo imposta pela Igreja e que
revelam a posição da América, séculos antes de seu descobrimento. E prossegue, dizendo que
os cavaleiros templários tinham alcançado, escondidos, o “novo continente”, muito tempo antes
de Colombo. Chegando ao México, teriam se apoderado de minas de prata, procurando obter
para si imensas quantidades de dinheiro que permitiram ao Oriente expandir-se para toda a
Europa e construir gigantescas fortificações e majestosas catedrais.
Quanto à América, não é estranho. Se analisarmos, as caravelas que descobriram o Brasil
possuíam velas brancas com a cruz de malta em vermelho no centro. Conheça um trecho da
obra O Templo e a Loja, de Leigh e Baigent:
“Em Portugal, os Templários foram dissolvidos por um inquérito e, simplesmente,
modificaram o seu nome, tornando-se os cavaleiros de Cristo. Eles sobreviveram sob esse título
até o século XVI, com as suas explorações marítimas deixando marcas indeléveis na História.
(Vasco da Gama era um cavaleiro de Cristo; o príncipe Henrique, o Navegador, era um Grão-
Mestre da Ordem. As embarcações dos cavaleiros de Cristo navegavam sob a conhecida cruz
vermelha templária. E foi sob essa mesma cruz que as três caravelas de Colombo atravessaram
o Atlântico rumo ao Novo Mundo. O próprio Colombo era casado com a filha de um Grão-
Mestre anterior da Ordem, e teve acesso aos mapas e diários de seu sogro.)”.
Alguns estudiosos supõem que os cavaleiros chantageassem o Vaticano, ameaçando revelar
que Jesus não havia morrido; outros explicam com a “descoberta” da América (diversas lendas
mexicanas falam de misteriosos homens usando mantos brancos e longas barbas, vindo do
Ocidente).
Assim, a italiana Bianca Capone, em seu Guida all’Italia dei templari, afirma:
“Antes muito pobres, os cavaleiros templários se expandiram rapidamente pela Europa,
construindo pontes, igrejas, hospedarias, estradas e vilas. Uma rede de casas fortificadas
recobria toda a Europa, da Suécia à Inglaterra, da França à Itália, da Alemanha à Hungria e até à
Rússia. Os investimentos templários surgiam por todos os lados. Nos centros mais importantes
existiam duas e às vezes três dessas fortificações. Das cidades portuárias zarpavam os navios
templários para o Oriente, carregados de cruzados, peregrinos e alimentos para homens e
animais”.
Em poucos anos os templários não só enriqueceram de maneira impressionante, como
também conquistaram um poder desmesurado. O já citado Michel Baigent sustenta que, graças
à bula pontifícia de 1139, foi sancionado que eles não deviam obediência alguma, exceto ao
papa, e que “tinham o poder de criar e depor os monarcas”. Para deles se desvencilhar, Filipe, o
Belo, foi obrigado a tramar intrigas palacianas e processos oportunistas. Mas Baigent faz notar
que os templários foram exterminados somente na França. Na Escócia, na Alemanha e em
Portugal, os soberanos se negaram a prendê-los, ou, se o fizeram, os livraram de qualquer
acusação. E quando a Ordem foi liberada oficialmente pelo papa, eles se transformaram em três
outras Ordens e grupos, entre elas: Os Hospitalários de São Giovanni e os Cavaleiros
Teutônicos.
Na obra de um dos mais bem conceituados autores e sucesso de venda de nossa editora, A.
Leterre, Os Hierogramas de Moisés – Hilaritas, ele nos dá notícias da Arca de Moisés.
“A Arca de Moisés era um tabernáculo no qual Deus deveria residir e falar com esse guia de
massas hunas, visto que Deus não podia fazer surgir sarças ardentes a cada passo. A Arca do
testemunho, como a chamavam, devendo conter o Fogo Princípio e o Livro da Lei, e cujo
modelo Deus prometeu mostrar a Moisés no monte, o que se supõe não ter ocorrido, porque
Moisés não relatou a audiência e construiu a Arca, apesar disso.”
Que essa Arca era destinada a receber o Fogo Princípio – a eletricidade, basta confrontar-se o
capítulo 25 do Êxodo, com o Livro dos Mortos da Antiga Lei de Rama, capítulos 1: 1,9,10, que
diz:
“Eu Sou o Grande Princípio da obra que reside na Arca sobre o suporte.”
Só esta frase, escrita muitos séculos antes de Moisés aparecer no mundo, prova
exuberantemente que já havia arcas idênticas no tempo de Rama e de AbRam, como veremos
adiante.
Para Moisés, Deus é um Fogo Devorador (Deuteronômio IX, 3 – Hebreus 12: 29). Basta ler
Êxodo. V, 1 a 26, 36 e Deuteronômio 1-2, para se ver que Moisés sempre falava com Deus no
Monte Sinai em chamas.
Mas, admitindo mesmo que Deus tivesse mostrado algum modelo de Arca a Moisés, e,
embora isso pese aos israelitas e aos que têm a Bíblia como a Palavra de Deus, Jeová nada teria
mostrado de original naquela ocasião, a não ser alguns detalhes modernizados e de acordo com
os novos acontecimentos das academias templárias, mesmo porque, como vimos anteriormente
e veremos mais adiante, esses aparelhos já haviam existido dezenas de séculos antes.
Assim é que os sumerianos, os acadianos, os caldeus, os persas, os indianos, os chineses, os
etíopes, os tebanos e os egípcios, todos tiveram um Tabernáculo sobre o qual faziam descer o
Fogo Celeste, por meios que nada tinham de material. Era nosso desejo reproduzir aqui esses
monumentos da Antiguidade, conservados nos museus europeus e nas páginas da farta literatura
arqueológica, mas não o fazemos para não alongar este capítulo, deixando que o leitor
pesquisador recorra a esses livros de nossas bibliotecas públicas, até mesmo a da Federação
Espírita. Contudo, para dar uma idéia do que eram essas Arcas Sagradas, reproduzimos na
figura a seguir a Arca de Amon, cujo termo, em sua tradução, é carneiro, Lei de Rama, e era o
santuário de Tebas, capital do Alto Egito, muitíssimo antes de Moisés existir, é bom repisarmos.
No desenho, ficam notórias, nas extremidades da Arca, as cabeças de carneiro, símbolo da
religião de Rama.
Wagner Veneziani Costa, GCT
E. e S. Grão-Mestre do Grande Priorado do Brasil
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/09/templarios.html
#82
NOSTRADAMUS
NOSTRADAMUS
Não há registros da infância e
adolescência de Nostradamus.
Em 25 de outubro de 1529, um rapaz de
26 anos matricula-se na Faculdade de
Medicina de Montpellier, na França. Os
registros do estabelecimento de ensino
conservam até hoje a data dessa matrícula,
acompanhada da assinatura do estudante:
Michel de Nostradame.
Trata-se de um dos raríssimos autógrafos daquele que viria a ser um mito que atendia pelo
nome de Nostradamus. É provável que ele tenha recebido seu título de médico por volta de
1533 e merecido a fama de aluno assíduo e brilhante na universidade. Sabe-se, que seus mestres
reconheciam nele habilidades originais.
Sua formação acadêmica, porém, data de antes desses registros. Michel de Nostradame
matriculou-se pela primeira vez em Montpellier em 1521. Recebeu o diploma de “bacharel em
medicina” em 1525 e ganhou imediatamente as estradas da Provença e do sudoeste, para
combater a peste que assolava o sul da França. Durante três anos, visitou cidades e campos,
correndo riscos, na tentativa de conter a terrível calamidade.
No relato documental Histoire et chronique de Provence (História e Crônica da Provença),
Cesar, o filho de Nostradamus escreveu em 1614 que o pai retornou desse périplo “aureolado de
hipocrática”. Teria ficado célebre por elaborar um vinagre de substâncias aromáticas com
propriedades antissépticas e um misterioso “pó curativo contra o contágio”. Propenso a elogiar
o pai, Cesar de Nostradame exagerou, sem dúvida, sua ciencia e notoriedade. Nostradamus
desenvolveu, efetivamente, tais remédios contra a peste, mas somente 20 anos depois da
primeira fase de viagens e por ocasião de outra epidemia que devastou o vale do Rhône, a partir
de 1546. Note-se, porém, que isso não diminuiu a competência nem a coragem do jovem
bacharel durante a peste.
A partir de 1533, já médico em tempo integral, Nostradamus retornou às estradas da
Provença, hábito muito praticado entre os doutores da época.
Nostradamus vivia de suas consultas, durante a peregrinação entre cidades e vilarejos, e,
durante suas caminhadas colhia ervas medicinais que macerava à noite.
Era meio alquimista, como todos os da profissão, e também recorria à estranha farmacopéia
da época. Usava pós oriundos das vísceras e tecidos animais, moeduras minerais e mesmo
excrementos. O resultado era vendido em barracas de feira na forma de poções, unguentos e
“drágeas”. A produção e a venda dos remédios também eram parte importante da renda de
generalistas nômades, meio feiticeiros, meio boticários, que percorriam a França do século XVI,
Consta que Nostradamus ganhava bem.
As Viagens
As extravagâncias e as provocações de Scaliger exasperaram o inquisidor de Toulouse. Para
escapar de qualquer perseguição, Nostradamus refugiou-se na cidade de Bordeaux e, em
seguida, em La Rochele. Em 1540, retomou suas viagens.
Perdem-se nesse ponto alguns importantes registros de sua história. Reza a lenda que ele
teria percorrido França, Alemanha, Itália, Espanha e até mesmo que teria se iniciado nas
ciências ocultas à sombra da esfinge, no Egito. Sabe-se com segurança que passou por muitas
regiões da França.
Deixou vestígios incontestáveis na atual região da Alsácia-Lorena e não é improvável que
tenha atravessado o rio Reno e chegado à Alemanha. Sua presença na Itália também é quase
certa, em Gênova, Florença, Turim e Milão. O resto é literatura.
O fio da meada da vida de Nostradamus reaparece por volta de 1545, na França, quando uma
nova epidemia eclodiu em Aix. A cidade recordaria durante muito tempo o “carvão provençal”,
doença assim chamada por escurecer radicalmente a epiderme dos afetados. “As pessoas
atacadas por essa doença”, escreveria mais tarde César de Nostradame, “perdem a esperança de
salvação”.
Nostradamus mostrou nessa época a coragem, determinação e generosidade de 20 anos antes.
Seguiu o flagelo em cada canto daquela região e desenvolveu seu célebre “pó excelente para
eliminar os odores pestilenciais”. À base de serragem de cipreste, íris de Florença, âmbargris,
cravo-da-índia, almíscar, aloé e rosas encarnadas, aparentemente o produto tinha um efeito
profilático real, pois seu inventor foi homenageado em Aix, já libertada da moléstia. Em Lyon,
onde a peste chegou em 1547, o remédio também fez maravilhas.
No outono de 1547, Nostradamus retorna a Provença, casa-se pela segunda vez, com Anne
Ponsard, que lhe deu oito filhos.
Como todo prático da época, Nostradamus era “astrófilo”, ou seja, seguia os princípios da
medicina astrológica, herdada de Galeno, Averróis e Ptolomeu. A alma, o corpo e suas
enfermidades estavam ligados ao Sol, à Lua e aos astros. A astrologia figurava no currículo da
universidade. Por isso todo médico era um fazedor de horóscopos.
Para complementar a renda, a partir de 1550, Nostradamus passou a publicar anualmente um
almanaque de conselhos e previsões meteorológicas. Em 1555, editou suas sete primeiras
“centúrias”, um conjunto de versos codificados, supostamente previsões do futuro.
No mesmo ano, lançou o livreto, Tratado sobre as maquiagens e os confeitos. O sucesso foi
tanto que se seguiram numerosas reedições. Nostradamus o aprimorava cada vez mais a cada
reedição novas receitas de beleza e gastronomia. Embora estejam em francês antigo, salpicado
de latim e provençal, as receitas têm ainda o mérito de ser inteligíveis. O que não é bem o caso
de suas profecias.
Jean-Louis De Degaudenzi
As profecias de Nostradamus são chamadas de “centúrias” porque se compõem de quadras
reunidas em grupos de 100. Foram publicadas em tempos diferentes, algumas das quais depois
de sua morte . As falsificações também foram muitas, ao longo dos séculos. Uma parte do que
se apresenta ainda hoje como obra do médico foi, antes, arte de espertalhões.
Fonte: revista História Viva. ano VI. nº 66
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#83
O Templo e o Maçom
I-
INTRODUÇÃO
O propósito do presente trabalho é delinear os direitos e obrigações do “Entre Colunas”,
prática muito usada especialmente nas reuniões capitulares de uma das Ordens Básicas da
Maçonaria, que foi a Ordem dos Cavaleiros Templários. Infelizmente, não mais tem sido
ensinada e nem posta em práticas nas Lojas.
O interior de uma loja Maçônica (Templo) é dividido em quatro partes, onde a mesma
simboliza o Universo. Assim temos o Oriente, o Norte e o Sul.
Em algum tempo na história, logo após a construção do primeiro templo Maçônico do
mundo, o Freemasons Hall, em Londres, no ano de 1776, baseado inteiramente no parlamento
Inglês, construído em 1296, estabeleceu-se que as áreas pertencentes ao Norte e ao Sul chamar-
se-iam Coluna do Norte e Coluna do Sul.
Assim, quando um Irmão, em Loja está Entre a Coluna do Norte e a do Sul, e não entre as
Colunas B e J. Mesmo próximo à grade que separa o Oriente do resto da Loja, o Irmão estará
Entre Colunas. Desta forma é extremamente incorreto dizer que o passo ritualístico dos maçons
tem que começar entre as Colunas B e J.
Tanto isso é verdade, que os Templos modernos, especialmente de Lojas de Jurisdição da
Grande Loja Unida Sul Americana, que tem as Colunas B e J junto a porta de entrada do templo
pelo lado de dentro, já o Grande Oriente do Brasil de MG, têm suas Colunas B e J no Átrio, e
não no interior do Templo.
Em síntese, podemos apresentar algumas situações do que é “Estar Entre Colunas”:
• É conjunto de Obreiros que formam as Colunas do Norte e do Sul;
• Em sentido figurado, são os recursos físicos, financeiros morais e humanos, que mantêm
uma instituição maçônica em pleno funcionamento;
• É quando a palavra está nas Colunas em discussão;
• É quando o Irmão, colocar-se ou postar-se entre as Colunas do Norte e do Sul, no centro do
piso de mosaico onde isto evidencia que o Obreiro que assim o faz, é o Alvo de atenção de toda
Oficina;
• Na circulação do Tronco de Beneficência, o Hospitaleiro aguarda Entre Colunas;
• Quando a Porta-Bandeira, com a Bandeira apoiada no ombro, entra no templo este por sua
vez se põe Entre Colunas;
• Na apresentação de Trabalhos, o Irmão se apresentar “Entre Colunas” durante o Tempo de
Estudos, ou no Período de Instrução;
• No atraso do Irmão, o mesmo ao adentrar ao Templo ficará à Ordem e Entre Colunas,
aguardando a ordem do Venerável Mestre para que tome posse do assento.
II – DESENVOLVIMENTO
Em toda a Assembléia Maçônica, os irmãos poderão fazer uso da palavra em momento
oportuno; caso queira obter a palavra estando “Entre Colunas”, poderá solicitá-la com
antecedência ao Venerável Mestre, e obrigatoriamente levar ao seu reconhecimento o assunto a
ser tratado.
Sendo o Obreiro impedido de falar, ou sofra algum desrespeito a seus direitos, poderá
solicitar ao Venerável Mestre que o conduza ”Entre Colunas”, e se autorizado pelo Venerável o
mesmo poderá falar sem ser interrompido desde que haja um decoro de um Maçom.
Se, para estar Entre Colunas é necessária a autorização do Venerável Mestre, em contra
partida, nenhum Irmão pode se negar de ocupar aquela posição, quando legalmente solicitado
pela Loja, sob pena de punição.
No entanto, as possibilidades do uso da Palavra Entre Colunas são muitas e constituem um
dos melhores instrumentos dos Obreiros do Quadro, sendo uma das maiores fontes de direito, de
liberdade e de garantia, tanto para os irmãos, quanto para a loja.
Não há regulamentação; tal vez por isso, cada dia esse direito vem sendo eliminado dos
trabalhos maçônicos.
Atualmente um Irmão somente é solicitado a estar Entre Colunas, em situação de humilhação
e situações tanto quanto degradantes e constrangedoras. Associou-se a idéia de responder Entre
Colunas à idéia de punição, quando em realidade isso deveria ser diferente e muito melhor
explorado, em beneficio do Quadro de Obreiros de todas as lojas.
Estando Entre Colunas, um Irmão pode acusar, defender a sua ou outrem, pedir e julgar,
assim como comunicar algo que necessite sigilo absoluto, devendo estar consciente da posição
que está revestido, isto é, grande responsabilidade por tudo que disser ou vier a fazer.
A tradição maçônica é tão rigorosa no tange á liberdade de expressão, que quando um Irmão
estiver em Pé e a Ordem e Entre Colunas, para externar sua opinião ou defender-se, não pode
ser interrompido, exceto se tiver sua palavra cassada pelo Venerável Mestre, ato este conferido
ao mesmo.
Estando Entre Colunas, o Irmão NÃO poderá se negar a responder a qualquer pergunta, por
mais íntima que seja e também não poderá mentir ou omitir sobre a verdade dos fatos, pois
desta forma o Irmão perde sumariamente os seus direitos maçônicos, pelo que deve ser julgado
não importando os motivos que o levaram a tal atitudes.
Por motivos pessoais, um maçom pode se negar a responder a quem quer seja, aquilo que
não lhe convier, mas se a indagação for feita Entre Colunas, nenhuma razão justificará qualquer
resposta infiel.
Igual crime comete aquele que obrigar alguém a confessar coisas Entre Colunas
injustificadamente, aproveitando-se da posição em que se encontra o Irmão sem que haja razão
lícita e necessária, por perseguição ou com intuito de ofender, agravar ou humilhar
desnecessariamente.
Quando um irmão está Entre Colunas e indaga os demais Irmãos sobre qualquer questão, de
forma alguma lhe pode ser negada uma resposta e nenhuma razão justificará que seja mantido
silêncio por aquele que tenha algo a responder.
Uma aplicação prática do Entre Colunas pode ser referentes a assuntos de fora do mundo
maçônico. É lícito e muito útil pedir informações Entre Colunas, sejam sociais, morais,
comerciais, etc., sobre qualquer pessoa, Irmão ou Profano, desde que haja razões válidas para
tal fim. Qualquer dos presentes que tiver conhecimento de algo está obrigado a declarar, sob
pena de infração ás leis Maçônicas.
O Irmão que solicitou as informações poderá fazer uso das mesmas, porém deve guardar o
mais profundo silêncio sobre tudo que lhe for revelado e jamais poderá, com as informações
recebidas, praticar qualquer ato que possa comprometer a vida dos informantes ou a própria
Loja. Se não agir dessa forma será infrator das Leis Maçônicas Universais.
Suponhamos que um Irmão tenha algum negócio a realizar em outra cidade e necessita
informações, mesmo comerciais, sobre alguma pessoa ou firma. A ele é lícito indagar essas
informações Entre Colunas e todos os demais Irmãos, se souberem de algo a respeito, são
obrigados a darem respostas ao solicitante.
Outro meio Lícito e útil de se obter informações é através de uma prancha, endereçada a uma
determinada Loja, para se lidar Entre Colunas.
Neste caso, a Loja é obrigada a responder, guardar o mais profundo silêncio sobre o assunto,
cabendo a ela todos os direitos, obrigações e cabendo todos os direitos, obrigações e
responsabilidades ao solicitador, que deverá guardar segredo sobre tudo o que lhe foi
respondido e a fonte de informações.
III – CONCLUSÃO
Muitas são acepções que norteiam sobre os ensinamentos do significado de Estar entre
Colunas, porém, deve o Maçom sempre edificar suas Colunas interiores embasado pelos
Princípios da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, primando pelo bem-estar da família e pelo
aperfeiçoamento da sociedade através do trabalho e do estudo, para com isso perfazer-se um
homem livre e de bons Costumes.
Como dissemos no início, não há mais regulamentação ou Leis Normativas para o uso do
Entre Colunas; e se não há normas que sejam encontradas nos livros maçônicos, é porque pura e
simplesmente os princípios da condição de “Estar Entre Colunas”, é de que somente a verdade
pode ser dita. Obedecido este princípios tudo mais é decorrência.
Este, alegoricamente, talvez seja o real significado no bojo dos ministérios que regem as
Colunas da Maçonaria, pois Estar entre Coluna é estar entre Irmãos.
BIBLIOGRAFIA
ASLAN, Nicola. Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia. Londrina: “
A TROLHA.
CARVALHO, Assis. Companheiro Maçom. Londrina ”A TROLHA”.
Símbolos Maçônicos e suas origens. Londrina: “A TROLHA”.
CASTELLANI, José. Liturgia e Ritualística do Grau de Aprendiz Maçom.
EGITO, José Laércio do. In Coletânea 2. Londrina: “ A TROLHA”.
PUSCH, Jaime. A B C do aprendiz.
Colaboração e Pesquisa: Weber Varrasquim “GLUSA”.
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/10/estar-entre-colunas-o-que-isto-
significa.html
#86
O Sonho e a Escada
O Sonho e a Escada
Ir.'. Antônio do Carmo Ferreira
Não sei se é costume em todas as regiões do
Brasil, o maçom dizer que “subiu um degrau na
Escada de Jacó”, para externar sua alegria em
receber “aumento de salário”.
Aqui, na região em que vivo e tenho vinculação
com a Arte Real, é rotina dizer-se esta expressão,
tanto na revelação da felicidade de quem foi elevado
de grau, como nos discursos de saudação aos
beneficiados.
Entendo que deverá ser muito denso o significado
deste símbolo na maçonaria (1), diante de tanta
ênfase que se lhe dá em seu uso ou ao se fazer a sua
exegese, por mais superficial que seja a abordagem.
Não quero falar que a Escada de Jacó é
importante, por haver sido admitida no Simbolismo Maçônico e, coincidentemente, ao mesmo
tempo em que se inaugurava o primeiro Templo Maçônico, construído como tal e para esta
finalidade – o Freemason’s Hall – inaugurado em 1776 (2), no oriente de Londres.
Nem desejo registrar, mas já registrando, a sua importância, porque esteja configurada no
Painel da Loja de Aprendiz, elaborado por Willian Dight, em 1808 (3), onde a Escada de Jacó
aparece, partindo da Bíblia aberta sobre o altar e alçando-se ao céu, que o alcança no clarão de
uma estrela de sete pontas.
Todavia, como se percebe, mesmo sem querer me referir a uma Escada, já falei de duas.
Uma, a do sonho de Jacó, cuja descrição vem do Velho Testamento (4). Outra, desenhada por
Dight, que se reporta à primeira, mas com omissões e algumas inserções. Na Escada do sonho,
ela está ligando a terra ao céu, e anjos, sobem e descem. Na Escada do Painel, ela está ligando a
Bíblia do altar ao céu, sem anjos, mas com a introdução de fortes símbolos do cristianismo,
quais sejam: a cruz da fé, a âncora da esperança, e o cálice do amor (o sangue do Filho de Deus,
derramado em face do amor pela humanidade). (5)
O sonho, teve-o Jacó, e está totalmente narrado no Gênesis. O Senhor, na oportunidade, fala
a Jacó de tudo de bom que lhe está reservado, tanto a Jacó quanto à sua descendência – o povo
de Israel, nome este que substituiu o de Jacó, após sua luta com o anjo, episódio de que a Bíblia
se ocupa no livro de Gênesis (6)
A conversa havida ao pé da Escada inspira o entendimento de uma contrapartida de Jacó e
descendentes ao que o Senhor, seu Deus, lhe estava a garantir. Que aquele povo desse à vida o
destino de encaminhar-se ao Altíssimo: (7) “uma peregrinação de retorno à Casa do Pai”, como
séculos depois, Santo Agostinho ensinava a respeito da vida.
Parece-me não causar arrepios dizer que a maçonaria pensa desta forma, quando proclama a
“prevalência do espírito sobre a matéria”. Pensamento este muito bem retratado na composição
do compasso e esquadro, sendo este a matéria e aquele o espírito.
A vida, em seus aspectos menos tangíveis, é o mote principal da Ordem. O aperfeiçoamento
do iniciado e seu exemplo na comunidade em que habita.. O cuidado com o bem-estar do
próximo. O zelo pela família. A dedicação às coisas do amor fraternal. O adepto da maçonaria
deve apresentar-se pelo bem que pode fazer.
A Escada de Jacó indica esta trajetória. No que se refere ao sonho, ela é utilizada pelos anjos
(seres plenos de virtudes) em sua movimentação. O maçom deverá ser um construtor de templos
à virtude. Ele mesmo será uma pedra que se poliu para ocupar espaço na construção. Ascender
mais um degrau na Escada é estar mais perto do Criador. Significa dizer: possuir mais virtudes.
A contrapartida ao que o Senhor ofertou a Jacó.
A Escada de Jacó, na concepção de Dight, que contém os símbolos da fé, da esperança e do
amor, tem o chamamento do maçom a seu próprio aperfeiçoamento.
Se o maçom diz que subiu um degrau na Escada, tem convicção do que está dizendo, e
acredita nisto, ele está declarando seu compromisso com esta prática de amar a Deus, pois está
em seu caminho; de aperfeiçoar-se, porque é destinado a ser templo de Deus (8); e de amar ao
próximo que é um estágio da Escada, que se encontra mais aproximado do Altíssimo.
Que o Grande Arquiteto do Universo conceda, sempre, aos irmãos maçons a força e o vigor
suficientes para subirem, não somente um, porém vários degraus nesta desafiadora “escada”,
com a qual sonhou Jacó e na qual a maçonaria se inspira a cada instante.
***********
Sobre o autor: Antonio do Carmo Ferreira é Grão Mestre do Grande Oriente Independente de
Pernambuco (COMAB), Presidente e fundador da Associação Brasileira de Imprensa Maçônica
(ABIM) e um dos mais fecundos escritores maçônicos da atualidade entre outras..
RECURSOS BIBLIOGRÁFICOS
(1) “A Escada de Jacob é alegoria de origem bíblica e designa a escada que Jacob viu em
sonho, a qual simbolizava a providência e cuidado especial de Deus por Jacob; os anjos
levavam suas orações e necessidades ao trono de Deus e desciam com as bênçãos divinas; em
Maçonaria ela é representada sobre o círculo entre paralelas verticais e tangenciais, tendo no
topo, uma estrela de sete pontas, como símbolo da ligação do iniciado com Deus, através da
ascensão na escada iniciática”. José Castellani, no livro Dicionário Etimológico Maçônico, vol.
DEFG, pág. 59, Editora A Trolha, Londrina/PR..
(2) “Naquele ano foi pintado um Painel... tudo leva a crer que o irmão Pintor... acrescentou
também a Escada de Jacó, que desde alguns anos antes já vinha sendo ensinado nas Lojas.
Lendo Machey, vemos que no rito de York, a Escada não era um Símbolo original, tendo sido
introduzido por Dunckerley em 1776, época em que Priston iniciou suas LEITURAS. O que
vem a comprovar, é que, até aquela data, a Escada de Jacó ainda não era um Símbolo Maçônico.
No Rito Escocês Antigo e Aceito, ela entrou pelas mãos de Miguel André de Ransay, que era
um ardoroso defensor dos Stwarts, transformando em símbolo maçônico a Escada Mística dos
Mistérios Mitraicos.” Francisco de Assis Carvalho no livro “Símbolos Maçônicos e suas
origens”, págs. 135, 136 e 137, Editora A Trolha, Londrina/PR..
(3) “Willian Dight, um maçom inglês, pintor, em 1808 elaborou três Painéis sobre lona,
como era de uso na época.” Rizzardo Da Camino no livro “Os Painéis da Loja de Aprendiz”
pág. 109, Editora A Trolha. Na pág. 110 da mesma obra, está reproduzido o painel onde se
encontra o desenho da Escada de Jacó.
(4) Gênesis 28:10 – 17
(5) I Cor 13:13
(6) Gênesis 32: 28
(7) Gênesis 28:20 – 22
(8) I Cor 6: 19
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#87
MAÇOM MATA!
Maçom Mata?!
MAÇOM MATA!
Esta
semana fui
procurado por
um
funcionário
(não posso
dizer repórter,
pois o mesmo
não era
imparcial) de
uma entidade
religiosa que
gostaria de me fazer algumas perguntas para o jornal institucional. Sabendo que não somos bem
vistos pelos membros desse segmento cristão, aceitei de pronto o encontro, afinal era uma
oportunidade de desmistificar. Clima amistoso, perguntas básicas, até que começou o jogo de
palavras visando descobrir “os segredos” e se realmente o demônio faz parte da Maçonaria.
Tudo simples de responder, até que influenciados pela noticia do assassino norueguês, veio a
pergunta final:
- É verdade que o Maçom mata?
Na hora o sangue subiu, pois estou incomodado pelas manifestações e difusão da noticia por
verdadeiros Irmãos Maçons. Respirei fundo e respondi:
- SIM, É VERDADE, O LEGÍTIMO MAÇOM MATA! Vocês precisavam ver o brilho nos
olhos e o movimento de acomodação nas cadeiras dos interlocutores. Continuei:
- O Maçom Alexander Fleming ao descobrir a penicilina matou e ainda mata milhões de
bactérias, mas permite a vida continue para muitos seres humanos. O Maçom Charles Chaplin
com a poderosa arma da interpretação e sem ser ouvido, matou tanta tristeza, fez e ainda faz
nascer o sorriso da criança ao idoso. O Maçom Henri Dunant ao fundar a Cruz Vermelha matou
muita dor e abandono nos campos de guerra. O Maçom Wolfgang Amadeus Mozart em suas
mais de 600 obras louvou a vida. O Maçom Antonio Bento foi um grande abolicionista que
junto com outros maçons, além da liberdade, permitiram a continuidade da vida a muitos
escravos. O Padre Feijó, o Frade Carmelita Arruda Câmara e o Bispo Azeredo Coutinho
embasados nas Sagradas Escrituras e como legítimos maçons desenvolveram o trabalho sério de
evangelização e quem sabe assim mataram muitos demônios. O Maçom Baden Powell ao
fundar o Escotismo pregava a morte da deslealdade, da irresponsabilidade e do desrespeito.
O Maçom Billy Graham foi o maior pregador batista norte-americano e com seu trabalho
matou muita aflição e desespero. Inclusive há no Brasil um movimento chamado MEB –
Maçons Evangélicos do Brasil. Mas o Maçom não só mata, ele também é morto. Por conta dos
valores de liberdade, igualdade e principalmente fraternidade, mais de 400 mil maçons,
juntamente com judeus foram mortos nos campos de concentração. Também sofremos muita
perseguição aqui no Brasil, quando imigrantes europeus que professavam religiões diferentes ao
Catolicismo, não podiam construir seus templos e os maçons ajudaram.
Querem um segredo?
Muitos cultos protestantes ocorreram dentro de Lojas Maçônicas, afinal o Maçom combate a
falta de liberdade religiosa. Este senhor Anders certamente torce por um time de futebol, tem
preferência por uma marca de cerveja, tem a cor que mais gosta, ou tipo de música ou até
mesmo um credo religioso, não há de se fazer vinculações. Esta situação foi causada por um
indivíduo, clinicamente perverso que tem personalidade psicopática. A psicopatia é um
distúrbio mental grave caracterizado por um desvio de caráter, ausência de sentimentos
genuínos, frieza, insensibilidade aos sentimentos alheios, manipulação, egocentrismo, falta de
remorso e culpa para atos cruéis e inflexibilidade com castigos e punições.
O legítimo Maçom não é o homem que entrou para a Maçonaria, mas aquele que a
Maçonaria entrou dentro dele. Houve e há Maçons em todos os seguimentos da sociedade e
todos com o mesmo propósito; fazer nascer uma nova sociedade, mais justa e perfeita, lógico
sem esquecer que o MAÇOM MATA, principalmente o preconceito.
E vamos vivendo sempre recordando o ensinamento de Mateus 7:1-2 “Não julgueis, para que
não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com
que medis vos medirão a vós.” Depois do cafezinho, convidei estes Irmãos (afinal somos todos
filhos de Deus) para que acompanhassem a Campanha de Fraternidade que a Loja Maçônica
Presidente Roosevelt iria fazer no domingo seguinte.
De acordo com o PROMAÇOM cujo programa visa à integração das Lojas Maçônicas, segue
em anexo, o quadro com as atividades das Lojas que se reúnem na avenida Brasil 478 e, de
algumas situadas fora do Palácio Maçônico.
OBS: Não sei o porque da reportagem não ter sido publicada no jornal e senti a falta deles na
entrega dos artigos doados pelos Maçons da Presidente Roosevelt. Teria sido muito bom
contarmos com o apoio na distribuição dos 100 litros leite, mais de 100 quilos de material de
limpeza, dos materiais escolares, da grande quantidade de brinquedos, do afeto e da atenção que
somados pesaram 33 medidas maçônicas de Força, Beleza e Sabedoria.
Grato pela atenção.
TFA
QUIRINO
Sérgio Quirino Guimarães
ARLS Presidente Roosevelt 025
Segundas-feiras, Templo 801
Palácio Maçônico - Grande Loja
Belo Horizonte - Minas Gerais
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#88
ACÁCIA AMARELA
“Ela é tão linda é tão bela, aquela acácia amarela que a minha casa tem, aquela casa direita, que
é tão justa e perfeita, onde eu me sinto tão bem. Sou um feliz operário, onde aumento de salário,
não tem luta nem discórdia, ali o mal é submerso, o Grande Arquiteto do Universo, é harmonia,
é concórdia. É harmonia, é concórdia".
“Acácia Amarela” foi gravada em 1982 em homenagem à maçonaria, composta pelos maçons
Luiz Gonzaga Nascimento e Orlando Silveira Oliveira Silva. Luiz Gonzaga, um dos baluartes
da música popular brasileira, nascido em 13 de dezembro de 1912, na fazenda Caiçara,
município de Exu, sertão de Pernambuco, filho de Januário, lavrador e sanfoneiro e de dona
Santana, iniciou na Loja Maçônica “Paranapuã”, sediada na Ilha do Governador, Rio de Janeiro,
em 03 de abril de 1971. Faleceu em 02 de agosto de 1989, com 77 anos. Orlando Silveira
Oliveira Silva, nascido em 27 de maio de 1925, formado em Direito, regente, arranjador,
compositor e acordeonista, com prêmio internacional de arranjo, foi recebido na Loja Maçônica
“Adonai”, Rio de Janeiro, em março de 1974.
O Rei do Baião elaborou a letra e o tema musical, com sugestões e harmonização de Orlando
Silveira, música incluída no CD “O eterno cantador”, com arranjo de Orlando Silveira e vocal
de Luiz Gonzaga. É uma composição que identifica e retrata uma loja maçônica, (aquela casa
direita que é tão justa e perfeita, onde eu me sinto tão bem). A inspiração poética acontece
fortemente quando enfoca a árvore acácia amarela e sua casa (loja maçônica), concluindo, (ela é
tão linda e tão bela, aquela acácia amarela que a minha casa tem).
Na sequência traz para seu texto profundamente representativo e simbólico, o maçom como
operário, como pedreiro, como construtor de um mundo novo, tolerante e pacificador, que no
seu progresso espiritual como pessoa e ser humano recebe o aumento de salário, (sou um feliz
operário, onde o aumento do salário não tem luta nem discórdia). Para concluir busca Deus, que
é o grande construtor do mundo, para nós
maçons, Grande Arquiteto do Universo,
finalizando uma das mais belas poesias e
página musical da literatura brasileira,
reafirmando que na loja maçônica o mal é
submerso, com harmonia e concórdia, (ali o
mal é submerso, o Grande Arquiteto do
Universo, é harmonia e concórdia. É harmonia
e concórdia).
No decorrer de sua vida, Luiz Gonzaga simbolizou o que melhor se tem da música
nordestina, representada pela sanfona e o chapéu de couro. O velho Lua, como também era
chamado, teve uma carreira consolidada e reconhecida, com seu som agreste atravessando
barreiras e apreciado pelo povo, que expressava através de sua voz suas dores e seus amores.
Foi a representação da alma de um povo, alma do nordeste, cantando sua história, com
simplicidade e dignidade.
A acácia é uma árvore leguminosa de madeira dura. Algumas espécies produzem goma-
arábica e outras fornecem fruto comestível, tanino e madeira de grande valor. Todas produzem
flores perfumadas brancas ou amarelas, sendo muito utilizadas como adorno. Existem quase 400
variedades presentes no mundo todo, como árvore universal.
No Egito as acácias eram árvores sagradas e tinham um nome hieroglífico de “shen”. Para a
fraternidade Rosa Cruz, a acácia foi a madeira usada na confecção da cruz em que Jesus foi
executado.
Segundo tabernáculo hebraico, eram feitos de madeira de acácia, a
Arca da Aliança (Êxodo, 25-10), a mesa dos pães propiciais (Êxodo,
25-23) e o altar dos holocaustos (Êxodo, 27-1).
É planta símbolo por excelência da maçonaria, representando
segurança, clareza, inocência e pureza, para uma nova vida e
ressurreição para uma vida futura. Os povos antigos tiveram respeito
extremado pela acácia, chegando a ser considerada um símbolo solar
porque suas folhas se abrem com a luz do sol do amanhecer e fecham-
se ao ocaso. Entre os árabes, na antiga Numídia, seu nome era houza e
acredita-se ser a origem de nossa palavra maçônica “huzze”
Na Bíblia, algumas afirmativas “Farás o altar de madeira de acácia; farão uma arca de
madeira de acácia; farás uma mesa de madeira de cetim.” A Bíblia é rica de alusões do uso da
madeira de acácia, dando para ela usos sagrados. Moisés, a pedido do Senhor, ordenou seu povo
enquanto descansava no deserto ao pé do Sinai, que usassem a acácia na fabricação do
tabernáculo e dos móveis nele usados, a Arca da Aliança, mesa dos pães da proposição, os
adornos e outros.
Do maçom, que conhece a Acácia é esperada uma conduta pura e sem máculas. Estima-se
que em 1937 a acácia nasce em nosso simbolismo, sendo a consciência da vida eterna. O galho
verde no mistério da morte é o emblema do zelo ardente que o maçom deve ter pela verdade e a
justiça, no meio dos homens corruptos que se traem uns aos outros.
Aos amigos que me distinguem com a leitura dos artigos publicados no Diário da Manhã, aos
sábados, muito agradeço e os convido para terem a mesma emoção que tenho, quando acesso
meu computador e na voz de Luiz Gonzaga, o meu coração é tocado com a música “Acácia
Amarela”.
Obrigado Irmão Lua. Você fez a alegria na terra. Que Deus o tenha para sempre.
(Barbosa Nunes, advogado, ex-radialista, delegado de polícia aposentado, professor e Grão-
Mestre do Grande Oriente do Estado de Goiás
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#89
A Conduta do Maçom
A Conduta do Maçom
Qual o estado de ânimo do maçom ao chegar a Loja?
1º - Cumprimentar seus irmãos com alegria e ser amável ao abraçar cada um, demonstrando
a satisfação em participar daquela reunião.
2º - Se necessário, ajudar na preparação da loja e aproveitar a oportunidade para ensinar aos
aprendizes os porquês de cada objetivo e seu significado.
3º - Procurar cumprir e estimular os Irmãos para que a reunião tenha início no horário
previsto.
4º - Abandonar os problemas ditos "profanos" antes de entrar na sala dos passos perdidos.
5º - Tudo o que for realizar, faça com amor e gratidão, pois muitos desejariam estar
participando e não podem.
Lembre-se: MAÇONARIA ALEGRE E CRIATIVA DEPENDE DE VOCÊ (SABER-
QUERER- OUSAR-CALAR)
Voce pretende ir à Loja hoje?
1º - Sua participação será sempre mais positiva quando seus pensamentos forem mais
altruísticos.
2º - Participação positiva será daquele que, com poucas palavras, conseguir contribuir muito
para as grandes realizações.
3º - Ao falar, passe pelo crivo das "peneiras", seja sempre objetivo e verdadeiro em seu
propósito. Peneiras: 1) Verdade 2) Bondade 3) Altruísmo.
4º - Às vezes um irmão precisa ser ouvido; dê oportunidade a ele para manifestar-se.
5º - Falar muito quase sempre cansa os ouvintes e pouco se aproveita. Fale pouco para que
todos possam absorver algo de importante e util que você tenha a proferir.
Entendendo meus irmãos.
1º - Eu não posso e não devo fazer julgamentos precipitados daqueles que comigo convivem.
2º - Estamos todos na escola da vida aprendendo a relacionar-nos uns com os outros, e o
discernimento é diferente de pessoa para pessoa.
3º - Quanta diversidade existe nas formações individuais. Desejar que o meu Irmão pensa
como eu é negar a sua própria liberdade. Caso deseje fazer proposta, primeiro converse com o
secretário da Loja e verificar se o assunto é pertinente ao momento da Sessão.
4º - Temos a obrigação de orientar, ensinar, mas nunca impor pontos de vista pessoais
inerentes ao nosso modo de ver, sentir e reagir.
5º - Não é por acaso que nos é sempre cobrada a tolerância. Devo aprender a ser tolerante
primeiro comigo mesmo e, então, estende-la aos demais.
Dia de reunião! Voce já sabe o que tem a fazer?
1º - Hoje é dia de reunião, vou dar uma lida no meu ritual para não esquecer os detalhes!
2º - Mesmo que eu já saiba de cor o ritual, não devo negligenciar meu cargo ou minha função
em Loja.
3º - Se o irmão cometer alguma falha, corrija: se possível, com discrição, sem fazer disso
motivo de chacota e gozação.
4º - Quando a cerimônia é desenvolvida por todos de forma consciente e com amor, todo o
ambiente reflete a atmosfera de paz e tranqüilidade entre todos.
5º - O ritual deve ser cumprido em todos os seus detalhes. Quando participado com boa
vontade, tudo fica mais belo, sem falhas, sem erros, proporcionando um bem estar geral.
Como devo me apresentar em loja?
1º - O templo é o lugar onde acontece a reunião dos Irmãos imbuídos do desejo de evoluir e
contribuir para a evolução dos demais.
2º - Valorizar a reunião, apresentar-se com sua melhor roupa, ou seja: Despido de toda
maldade, manter os pensamentos nobres e altruísticos, valorizando cada Irmão e cumprindo
com todas as regras existentes.
3º - Traje limpo, com bom aspecto, revela a personalidade de quem o usa e influenciará
diretamente no relacionamento entre os participantes daquela reunião. Tomemos cuidado, pois!
4º - Aquele que é fiel no pouco será fiel no muito, aquêle que é infiel no pequeno será
igualmente infiel no grande. Cuidado com os relapsos, eles não respeitam nem a si próprio!
5º - Bom seria que todos fossem responsáveis; cabe a cada um de nós criticar
construtivamente, visando sempre ao progresso do Irmão imaturo cujo comportamento nos
causa constrangimento.
Elegância.
1º - Como é gratificante constatarmos a elegância de um Irmão; verificar em seu
comportamento a expressão de uma educação fina e irrepreensível.
2º - É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do
que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
3º - A elegância deve nos acompanhar desde o acordar até a hora de dormir; devemos
manifestá-la sempre, nos mais simples relacionamentos, onde não existam fotógrafos nem
câmeras de televisão.
4º - Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia
fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda
à secretária que pergunte antes quem está falando para só depois mandar dizer se atende.
5º - Se os amigos, os Irmãos, não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não
irão desfruta-la. Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe, não é frescura. É A
ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO. ..
O Iniciado
1º - Quando vossos olhos se abriram para a verdadeira luz, uma infinidade de objetos, novos
para o vosso entendimento, atraiu a vossa atenção.
2º - As diversas circunstâncias que rodearam a vossa recepção, as provas a que fostes
submetidos, as viagens que vos fizeram efetuar e os adornos do templo em que vos encontraste,
tudo isso reunido deveria ter excitado a vossa curiosidade, e para satisfazê-la não há outro
caminho senão o da busca do conhecimento e da verdade.
3º - A maçonaria, cuja origem se perde na noite dos tempos, teve sempre por especial escopo
agremiar todos os homens de boa vontade que, convencidos da necessidade de render sincero
culto à virtude, procuram os meios de propagar o que a doce e sã moral nos ensina.
4º - Como esses homens desejam trabalhar nessa obra meritória com toda tranqüilidade,
calma e recolhimento, reúnem-se para isso nos Templos Maçônicos.
5º - Os verdadeiros Maçons trazem constantemente na sua memória não somente as formas
gráficas dos símbolos maçônicos, como, e muito principalmente, as grandes verdades morais e
científicas que os mesmos representam. Sejamos então todos verdadeiros.
Livre e de bons costumes.
1º - Para que um candidato seja admitido à iniciação, a maçonaria exige que ele seja "livre e
de bons costumes".
2º - Existindo os servos, durante a idade média, todas as corporações exigiam que o
candidato a Aprendiz para qualquer ofício tivesse nascido livre", visto que, como servo ou
escravo, ele não era dono de si mesmo.
3º - De bons costumes por ter orientado sua vida para aquilo que é mais justo, mais elevado e
perfeito.
4º - Essas duas condições tornam o homem qualificado para ser maçom e com reais
possibilidades de desenvolver- se a fim de tornar-se um ser perfeito.
5º - Verdadeiro Maçom é: "Livre dos preconceitos e dos erros, dos vícios e das paixões que
embrutecem o homem e fazem dele um escravo da fatalidade.
O que não devo esquecer.
1º - A maçonaria combate a ignorância, de todas as formas com que se apresenta.
2º - Devo cultivar o hábito da leitura para enriquecer em conhecimento, ajudar de forma
consciente todos aqueles que estão a minha volta.
3º - Estar atento e lembrar sempre a meus irmãos que um maçom tem de ter uma
apresentação moral, cívica, social e familiar sem falhas ou deslize de qualquer espécie.
4º - Não esquecer: as palavras comovem, mas os exemplos arrastam! Tenho, como Maçom
que sou, de servir sempre de exemplo, em qualquer meio que estiver.
5º - Lutar pelo princípio da eqüidade, dando a cada um, o que for justo, de acordo com a sua
capacidade, suas obras e seus méritos.
O tronco de beneficência.
1º - Possui várias denominações, como: Tronco de solidariedade, de Beneficência, dos
Pobres, da Viúva, etc.
2º - A segunda bolsa é conduzida pelo Hospitaleiro, que também faz o giro, obedecendo a
hierarquia funcional; oferece a bolsa aos Irmãos sem olhar para a mão que coloca o óbolo.
3º - Contribuir financeiramente para a beneficência é um dos deveres mais sérios de todo
maçom, uma vez que, junto com o seu óbolo, lança os "fluidos espirituais" que o acompanham,
dando afinal muito mais que os simples valores materiais.
4º - "Mais bem aventurado é o que dá, do que o que recebe", é um preceito bíblico que deve
estar sempre em nossa mente.
5º - Quando colocamos o nosso óbolo, devemos visualizar o destinatário, enviando-lhe nosso
carinho e votos de prosperidade.
Simples, não ? por quê alguns complicam tanto a nossa Sublime Instituição ? caso algum Ir.'.
tenha a resposta, envie por e-mail !
TFA
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#90
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cavaleiro.html
#96
À luz da filosofia maçônica, o Tribunal de Osíris é uma importante alegoria do Grau 31 que
tem, entre outros significados, o simbolismo de que a Verdade e a Justiça são os caminhos que
devem orientar a vida do Homem na sociedade, consolidando a máxima de que "a Justiça é a
Verdade em ação".
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osiris.html
#97
Osiris era o filho primogênito da deusa Nut (o Céu) com o deus Geb (a Terra) e tinha como
irmãos o deus Set (ou Seth) e as deusas Ísis e Néftis.
Apesar da sua origem divina, a mitologia afirma que, antes de tornar-se o deus da
Eternidade, Osíris governou as terras do Egito, milênios antes de Menés (ou Narmer), o
primeiro faraó.
Na sua forma terrena, o deus do Além era negro e possuía um porte físico muito superior
ao dos seres humanos.
Osíris teria assumido, na cidade de Tebas, o governo das terras egípcias das mãos do deus
Rá (o Sol), ou do deus Shu (o Ar Seco). Posteriomente casou-se com sua irmã, a deusa Ísis. O
deus Set (ou Seth), seu irmão, casou-se com a outra irmã, a deusa Néftis.
Seth era retratado em vermelho
e era considerado o deus da
desordem, da violência e da traição.
Diferentemente de Osíris, ao deus Set coube apenas o governo dos oásis existentes no deserto
egípcio. Esse cargo de menor prestígio resultou num permanente ódio de Set contra seu irmão
Osíris.
Conta a tradição que, quando assumiu o Egito, sua população encontrava-se em estado de
selvageria. Apesar de viverem às margens do rio Nilo, não reconheciam as plantas comestíveis
e os alimentos eram escassos, chegando a praticarem a antropofagia.
Teriam sido os deuses Osíris, Ísis e Néftis os responsáveis por ensinarem ao povo os
primeiros passos que os levariam a se tornarem uma civilização.
Conforme a mitologia, Ìsis teria ensinado aos egípcios como deveriam constituir e
conviver em família, bem como as técnicas de tratamento dos doentes. À deusa Néftis coube
ensinar a tecelagem e a confecção de pães.
Osíris, que também era o deus da vegetação, ensinou aos homens quais plantas serviriam
como alimentos, entre elas: o trigo, a videira e a cevada. Ensinou também as técnicas de
semear, colher, moer os grãos, prensar uvas para fazer o vinho, obter a cerveja a partir da
cevada e extrair metais da terra (como ouro, o cobre e o ferro).
Na mitologia, Ptah foi o primeiro
rei divino do Egito, entre 5.000 e
6.000 anos antes da Era Cristã.
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1.html
#98
Segundo tradições que remontam aos Textos dos Sarcófagos (ou Livros dos Sarcófagos),
Osíris e sua esposa Ísis, governaram o Egito por mais de cinquenta anos, conduzindo o país com
justiça, promovendo o progresso e desfrutando da grande admiração de todo o povo. Os
principais rivais de Osíris eram o seu irmão Seth, que havia sido relegado a governar no deserto,
e seus setenta e dois seguidores. Com o intuito de livrar-se de Osíris e assumir o governo de
todo o Egito, Seth convidou o rei-deus para um banquete, no qual homenagearia ricamente a
realeza do Egito e presentearia o seu irmão Osíris. No decorrer da festa, Seth exibiu no salão
um cofre feito com cedro, finamente decorado em ouro e preparado com as dimensões do rei.
Seth (com cabeça de hiena) convida Osíris a deitar-se no cofre que seria ofertado.
O cofre seria oferecido ao convidado que melhor coubesse no seu interior. Diversos
convidados entraram e saíram do interior da urna, mas a mesma era grande demais. Chegada a
vez de Osíris, ele se deitou e coube exatamente nas medidas do cofre. Seth e seus comparsas, de
imediato, fecharam a urna com uma pesada tampa e selaram-na com metal derretido, prendendo
Osíris no seu interior. Agindo com grande violência, Seth e seus cúmplices atiraram o cofre no
rio Nilo, que arrastou-o rapidamente para um local desconhecido.
O delta do rio Nilo é a região no alto do mapa, onde o rio se bifurca e deságua no Mar
Mediterrâneo.
A partir daí, Seth e seus seguidores assumiram o poder no Egito e deram início a um reinado
terror. Realizaram perseguições a todos aqueles que haviam apoiado seu irmão, obrigando os
deuses Anúbis e Thoth, bem como a rainha Ísis, grávida de Osíris, a esconderem-se.
Como objetivo de procurar o corpo do seu marido, a rainha segue rio abaixo, escoltada por sete
escorpiões, e dirige-se para a região do delta do Nilo (região onde o rio Nilo deságua no
Mar Mediterrâneo), localizada no Baixo Egito. Após alguns dias de caminhada, a deusa
chegou na cidade de Buto, onde deu a luz ao deus Hórus (deus com corpo humano e a cabeça
de falcão).
A criança, logo após o nascimento, ficou sob os cuidados da deusa-serpente Uadite, que
reinava sobre o delta do Nilo, a fim de que sua mãe continuasse nas buscas do corpo do deus
Osíris.
Os eventos finais da lenda do deus
Osíris serão narrados estudos seguintes.
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2.html
#99
Numa noite, ao entrar no quarto do príncipe, a rainha o vê cercado por chamas e por sete
escorpiões. Assustada, a rainha mobiliza todo o pessoal do palácio em socorro do seu filho. Ísis,
com um gesto mágico, interrompe as chamas e retira os escorpiões do quarto. Tratava-se de um
antigo ritual egípcio de purificação, visto que Ísis pretendia conceder ao príncipe a imortalidade.
Os reis, admirados, reconhecem em Ísis a poderosa deusa do Alto Egito e se colocam à sua
disposição. Ísis reivindica para si a coluna feita com o tronco de acácia e corta o pilar de
madeira, liberando o caixão do marido que se encontrava no seu interior.
A deusa transporta dali a arca e a esconde numa região pantanosa no delta do rio Nilo.
Dali, volta para a cidade de Buto, para encontrar seu filho Hórus (ou Harpócrates, para os
gregos).
Hórus, deus dos céus, por vezes era representado como falcão.
Seu olho esquerdo (o Olho de Hórus, ou Udyat), ferido na luta
contra Seth (deus do mal), foi substituído por um amuleto de
serpente, o qual tornou-se o grande símbolo do poder dos faraós.
Após a deusa Ísis esconder o caixão com o corpo do seu marido e partir para a cidade de
Buto, o deus Set, que se encontrava numa caçada na região do delta do rio Nilo, foi alertado que
havia sido encontrada, num local próximo, uma arca semelhante àquela que havia aprisionado o
deus Osíris. Set partiu imediatamente para o local indicado e lá, vendo que se tratava do
cofre com o cadáver do seu irmão Osíris, abriu-o violentamente, dilacerou o corpo em pedaços
e espalhou-os em diferentes lugares do Egito.
A deusa Ísis, ao tomar conhecimento da descoberta do caixão, retornou à região do delta do
rio Nilo, junto com a deusa Néftis e iniciaram a busca das partes do corpo despedaçado.
Em cada local onde as deusas encontravam uma parte de Osíris era erigido um templo em
honra à deusa Ísis.
Ao final da busca, Ísis conseguiu reunir quase todas as partes do cadáver do marido. A parte
do corpo que faltava, o pênis, havia sido comida por um caranguejo (animal considerado
impuro para os antigos egípcios e, pelo seu crime, condenado a viver eternamente na
lama).
Usando o barro existente nas margens do rio Nilo, a deusa Ísis molda um pênis e assim,
comovida, completou o corpo do marido.
Os choros de Ísis e Néftis emocionam os deuses Thot (deus da magia) e Anúbis (deus das
mumificações) que, juntos com Ísis e Néftis, deram início a um longo ritual místico.
O corpo do deus Osíris foi embalsamado pelo próprio deus Anúbis, o deus das
mumificações.
Dando continuidade ao estudo dos Quatro Elementos (terra, água, ar e fogo) e o Rito
Escocês Antigo e Aceito.
Entre os 4 Elementos, o ar é o que possui o significado mais ligado ao espírito.
Muitos povos da Antiguidade, entre eles os egípcios e os hebreus, associavam a vida a um
sopro sobrenatural que penetrava no corpo humano.
O Livro do Gênesis e, em consequência as tradições judaica, cristã e islâmica, relata que
Adão, o primeiro homem, recebeu a vida a partir de um sopro divino (ou nephesh).
A Mitologia Egípcia narra que a deusa Ísis reviveu, momentaneamente, seu marido, o deus
Osíris, com um sopro, a fim de receber dele o sêmen que gerou seu filho Hórus, o deus egípcio
dos céus.
Na Antiga Mesopotâmia, o sopro da vida tinha o nome de napishtu, o qual era concedido e
retirado ao capricho dos deuses.
A deusa egípcia Ísis, segurando a Ankh (cruz sagrada egípcia) e transmitindo o sopro da
vida eterna à rainha Nefertari, esposa de Ramsés II, tornando-a uma deusa.
Thor era um deus nórdico guerreiro, cuja arma de combate era um martelo encantado.
Dando continuidade ao estudo dos Quatro Elementos (Terra, Água, Ar e Fogo) e o Rito
Escocês Antigo e Aceito.
Entre os quatro elementos primordiais, a água é considerada como aquela que é
fundamental para a existência da vida.
Diferentemente da terra, que fornece a matéria-prima dos corpos, a água é a responsável
pelo funcionamento dos seres vivos (processos circulatórios, digestivos, linfáticos, respiratórios
etc.).
Na Antiguidade e na Idade Média, a Alquimia estudava a água como portadora do “fluxo
da vida”. Com essa crença, os alquimistas tentavam produzir um tipo de água com poderes
especiais, o Elixir da Longa Vida.
A crença nas propriedades purificadoras da água e o seu uso nas cerimônias de iniciação, na
recepção de novos membros e em rituais sagrados é muito utilizado por várias religiões e
ordens místicas.
O Cristianismo, através do batismo, o Judaísmo, através do mikvá (ou mikvah, ou
mikvé), o Hinduísmo, através do banho religioso no rio Ganges, ou mesmo o "banho festivo"
que se dá em novos membros de sociedades secretas ou universidades são exemplos de
tradições que usam a água para dissolver o "homem anterior", pecador e impuro, para emergi-lo
purificado e digno de fazer parte do novo grupo.
Em algumas cerimônias de purificação e de ablução (banho ritual), a água recebe antes
uma consagração mística especial, passando a ser chamada de água lustral.
Ao longo da História, as "águas sagradas" deram origem a locais e a recipientes
consagrados. Entre eles, os mais conhecidos são: a pia batismal, nas igrejas católicas, os
caldeirões mágicos celtas, o Santo Graal, o Mar de Bronze, no Templo de Salomão, a Taça
da Amargura maçônica, os leitos dos rios Ganges, Jordão e Estige e o tanque de Siloé, em
Jerusalém.
O tanque (ou reservatório) de Siloé é local citado na Bíblia,
como o local onde Jesus curou um homem nascido cego.
Na Maçonaria, personagens como: João Batista, que batizou Jesus no rio Jordão; Moisés, o
nascido das águas; o deus Osíris, atirado no rio Nilo após ter sido esquartejado, e o patriarca
Noé, estão diretamente relacionados à mitologia aquática.
No Rito Escocês Antigo e Aceito, a água é usada em pequenas abluções no Grau 1
(Aprendiz), durante a Prova da Água, e no Grau 15 (Cavaleiro do Oriente).
Dando continuidade ao estudo dos Quatro Elementos (terra, água, ar e fogo) e o Rito Escocês
Antigo e Aceito.
Entre os 4 Elementos, o fogo é o que está mais relacionado à intensa espiritualidade.
Muitas tradições esotéricas e religiosas, antigas e atuais, utilizam o fogo em suas
cerimônias.
O primeiro significado
atribuído ao fogo é o que está
relacionado às suas propriedades
de transformação e de
destruição, muito usadas na
Alquimia
Na Antiguidade, a crença no
poder transformador do fogo
originou, nas civilizações grega,
chinesa e egípcia, o mito da
fênix, um animal lendário que, ao
morrer, se auto-consumia em
chamas e renascia das próprias
cinzas.
Clique no link abaixo e
assista uma dramatização da auto-
combustão e do renascimento de
uma fênix.
Na Mitologia Grega,
Hefesto, o deus do fogo, dos
artesãos e dos ferreiros, usava o
fogo para transformar metais nas
ferramentas dos deuses.
O tridente de Poseidon, o escudo impenetrável de Zeus,
o cinto afrodisíaco de Afrodite e o as sandálias aladas de
Hermes foram alguns utensílios produzidos por Hefesto.
Na tradição hebraica, conforme o Livro do Levítico, os animais eram queimados no altar dos
holocaustos com a finalidade de purificar o povo hebreu dos seus pecados.
Segundo a tradição dos Evangelhos, João Batista anunciou a vinda do Salvador, o qual
faria o batismo com fogo e com o Espírito Santo. Na Alquimia, a propriedade purificadora do
fogo era utilizada através do processo de calcinação, o qual consistia em submeter uma
substância ao calor intenso, a fim de retirar a água e as substâncias voláteis, reduzindo a
substância a cristais mais puros. Ainda na Alquimia, o poder transformador do fogo é
destacado na palavra INRI, abreviatura de Ignis Natura Renovatur Integra (traduzindo: o
fogo renova toda a natureza), a qual é estudada no Grau 18 (Cavaleiro Rosacruz) do Rito
Escocês Antigo e Aceito.
O Inferno era tido como um local com chamas eternas, visando purificar os pecadores.
Na Idade Média, a Igreja Católica, através da Santa Inquisição (ou Tribunal do Santo
Ofício), adotou como punição, a condenação ao fogo, pois considerava-o capaz de purificar os
espíritos dos pecadores. Deste modo, tornaram-se comuns as sentenças de morte através da
queima na fogueira, aos réus condenados por heresia, bruxaria e outros crimes contra a Santa
Igreja.
No Rito Escocês Antigo e Aceito, a simbologia da purificação pelo fogo (Prova do Fogo)
é utilizada durante as cerimônias de iniciação. O segundo significado para o fogo é a sua
associação à presença divina e ao mundo espiritual. Em tradições antigas, a cremação dos
mortos era a forma de transformar o corpo em uma substância em condições de retornar ao
mundo espiritual, em oposição ao enterro, o qual devolvia o corpo à sua origem material (a
terra). No Zoroastrismo, o fogo é um dos símbolos do deus Ahura Mazda e seus seguidores
realizam o culto do fogo.
Na tradição hebraica, Yahweh, o Deus Único hebreu, apresentou-se a Moisés na forma de
uma vegetação em chamas (sarça ardente).
Na tradição católica, Isabel anunciou à sua prima Maria, mãe de Jesus, o nascimento de
seu filho, João Batista, através de uma grande fogueira no alto de um monte.
O terceiro significado importante do fogo são suas propriedades de fornecer energia e de
iluminar.
Na tradição bíblica, após a expulsão de Adão e Eva, querubins portando espadas que
emitem fogo (Espada Flamejante) guardam a entrada do Jardim do Éden.
Especialmente no Grau 1 (Aprendiz) do Rito escocês Antigo e Aceito, a Espada
Flamejante simboliza o poder do Venerável Mestre.
Na Mitologia Grega, Hélio, deus do sol, simbolizava a energia e a luz que diariamente
eram divinamente oferecidas à Humanidade.
A bela deusa Aurora (o alvorecer) vinha à frente do cortejo do deus Hélio (o sol), o qual
atravessava o céu durante o dia.
Ainda na Mitologia Grega, o deus Prometeu roubou de Zeus, rei dos deuses, a chama do
intelecto divino e o concedeu ao homem, tornando-o, a partir daí, um ser que pensava.
No Antigo Egito, o faraó Akhenaton impôs uma religião de adoração ao sol, na qual o
astro-rei simbolizava a luz e a vida ofertados pelo deus único Aton.
Na tradição católica, as chamas das velas são usadas para destacar as imagens de santos e
de lugares sagrados.
Na Maçonaria, muitos graus utilizam a chama das velas como forma de iluminar
ritualisticamente as sessões.
No Rito Escocês Antigo e Aceito, a Prova do Fogo é um dos importantes episódios das
cerimônias de iniciação.
No Grau 2 (Companheiro), a Estrela Flamígera, portadora do fogo e da luz, dá origem a
um importante estudo sobre a simbologia maçônica.
No Grau 14 (Perfeito e Sublime Maçom), a aparição de Yahweh a Moisés é destacada
pelo Sinal do Fogo e de Ordem.
O pramantha usa a fricção para produzir a chama.
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antigo_84.html
#104
Dando continuidade ao estudo dos Quatro Elementos e o Rito Escocês Antigo e Aceito.
Entre os 4 Elementos, a terra é o elemento que possui significado mais relacionado ao
mundo material, ao plano físico e à caracterização do ser humano com animal.
A crença que o Homem se originou no interior da terra é mais antiga que a história da
Humanidade.
Em algumas tradições da Pré-História, a capacidade do elemento terra “parir” alimentos foi
associada ao poder feminino parir pessoas. Deste modo, a terra era relacionada
simbolicamente ao útero.
A imagem da deusa Gaia (ou Géia) era associada a uma mulher, cujo útero era o
próprio planeta Terra.
Na Mitologia Cristã, o primeiro homem, Adão, é formado a partir da terra (ou do barro),
conforme o relato do Livro do Gênesis.
Na Alquimia e no Hermetismo, o elemento terra simbolizava a necessidade do Homem
descer aos submundos (através da morte, da dor ou do sofrimento) como fase obrigatória do seu
processo de aperfeiçoamento e de renovação.
Conforme ensinava o pensamento hermético, personagens como Orfeu, Héracles (ou
Hércules), Osíris e Jesus, necessitaram descer ao “reino dos mortos” antes de cumprirem seus
destinos humanos.
Na Filosofia, a saída do Homem do mundo subterrâneo em busca da Verdade foi
representada por Platão, no Mito da Caverna (ou Alegoria da Caverna).
Na Doutrina Hermética, a descida aos submundos está descrita na sigla V.I.T.R.I.O.L., a qual
significa: “Visita o interior da terra e retificando-te encontrarás a Pedra Oculta”.
Na obra A Divina Comédia, Dante Alighieri e o poeta Virgílio descem ao Inferno
(mundo dos mortos), auxiliados por Caronte, o barqueiro.
No que se refere à Maçonaria, vários graus utilizam imagens como cavernas, criptas,
sepulcros e câmaras ocultas para representar a descida do Homem ao interior da terra ou ao
interior de si mesmo.
Simbolicamente, no Grau 1 (Aprendiz), o neófito renasce a partir da terra (Câmara das
Reflexões), após ter descido ao interior de si mesmo, correspondendo à Prova da Terra.
A seguir, no Grau 3 (Mestre Maçom), o iniciado morre, é sepultado e renasce, a partir da
terra, como mestre de si mesmo.
No Grau 13 (Cavaleiro do Real Arco), a descida de Adonhiram, Stolkin e Johaben pelas
ruínas do Templo de Enoque para resgatar o Delta Sagrado (ou Palavra Perdida, ou Nome
Inefável) e entregá-la ao rei Salomão, é um símbolo de que a Verdade está guardada no interior
da terra.
No Grau 29 (Grande Escocês de Santo André), encontra-se como referência o Sinal da
Terra.
No Grau 32 (Sublime Príncipe do Real Segredo), o ingresso do iniciado em uma cripta,
para lá encontrar a sabedoria dos Grandes Filósofos, simboliza a necessidade da descida à terra
para encontrar a Sabedoria.
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antigo_78.html
#105
Permalink: http://otemploeomacom.blogspot.com/2015/11/os-sinais-secretos-maconicos-e-o-
rito.html
#106
Apesar de considerarem que ambos os lados têm a mesma importância, antigas tradições
como o Rosacrucianismo, a Alquimia e a Cabala compreendem que, misticamente, o lado
direito está associado à emissão de "energia", enquanto o lado esquerdo relaciona-se se à
sua captação.
O quadro abaixo apresenta um resumo das características dos lados direito e esquerdo.
A Antiga Alquimia considerava que, inicialmente, Adão era um ser andrógino, cujo lado
esquerdo era feminino e o lado direito, masculino, tal qual o deus Purusha, do Hinduísmo.
Na Mitologia Grega, a deusa Têmis (ou Themis) acolhe as demandas judiciais com o lado
esquerdo e aplica as sanções penais com lado direito.
Em algumas tradições
de fundamento feminino,
como o culto afro das Yabás
e a tradição celta de Wicca, é
comum a exaltação do lado
esquerdo (feminino) do
corpo.
Obá é uma orixá guerreira, ligada à água, pertencente
ao culto das Yabás. Observe a posição da espada e do escudo.
Diversos ritos e graus maçônicos utilizam o misticismo da lateralidade para reforçar o caráter
masculino da Maçonaria. Deste modo, na realização da maioria sinais secretos, o lado direito do
corpo (especialmente braços, pernas e mãos) tem o papel principal, enquanto o lado esquerdo
apenas complementa os movimentos.
No Rito Escocês Antigo e Aceito, o lado direito do corpo tem papel principal nos sinais
secretos do Grau 1 (Aprendiz), Grau 2 (Companheiro), Grau 3 (Mestre), Grau 4 (Mestre
Secreto), Grau 6 (Secretário Íntimo), Grau 7 (Preboste e Juiz),Grau 9 (Cavaleiro Eleito dos
Nove), Grau 10 (Cavaleiro Eleito dos Quinze), Grau 12 (Grão Mestre Arquiteto), Grau 14
(Grande Eleito), Grau 15 (Cavaleiro do Oriente), Grau 16 (Príncipe de Jerusalém), Grau 17
(Cavaleiro do Oriente e do Ocidente), Grau 18 (Cavaleiro Rosacruz), Grau 19 (Grande
Pontífice), Grau 20 (Soberano Príncipe da Maçonaria), Grau 21 (Noaquita), Grau 23 (Chefe do
Tabernáculo), Grau 25 (Cavaleiro da Serpente de Bronze), Grau 26 (Príncipe da Mercê), Grau
27 (Grande Comendador do Templo), Grau 28 (Cavaleiro do Sol), Grau 29 (Grande Cavaleiro
Escocês de Santo André), Grau 30 (Cavaleiro Kadosh) e Grau 32 (Sublime Príncipe do Real
Segredo).
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rito_23.html
#107
Dando continuidade aos estudos sobre os sinais secretos da Maçonaria e o Rito Escocês
Antigo e Aceito.
O sinais secretos da Maçonaria possuem 3 origens principais: as origens místicas, as
origens históricas e as origens mitológicas.
No que se refere às origens místicas, a primeira a ser destacada é a Antiga Tradição
Hindú.
Os ensinamentos do Hinduísmo afirmam que no interior do corpo humano existem canais
(ou nadis) por onde circula a energia da vida (ou prana).
Os pontos em que esses "canais da vida" se encontram são importantes centros de energia e
recebem o nome de chakras.
Para o Hinduísmo, o
mau funcionamento ou a
obstrução dos canais da vida
(ou nadis) provoca doenças
físicas, mentais ou
espirituais, as quais podem
ser tratadas ou prevenidas
estimulando ou protegendo
os chakras através das mãos,
de objetos ou de aparelhos.
No Rito Escocês
Antigo e Aceito, os sinais
secretos dos Graus
Simbólicos são uma
referência direta aos chacras
laríngeo, cardíaco e pélvico.
Os tratamentos de saúde através dos chakras são reconhecidos na Medicina Ocidental
como Terapias Alternativas.
A segunda importante origem mística dos sinais secretos maçônicos é a doutrina judaica da
Cabala (ou Kaballah).
A Cabala ensina que o corpo humano é um pequeno universo (ou microcosmo), o qual
pode ser representado simbolicamente pela Árvore da Vida (ou Árvore dos Sefirotes).
A Árvore da Vida é um diagrama que permite representar o Mundo Espiritual, o
Mundo Material, o Homem, além de outras manifestações divinas.
No Grau 12 (Grão Mestre Arquiteto), o sinal do Grau refere-se à fase final da construção
do 1º Templo de Jerusalém (ou Templo de Salomão).
O sinal do Grau 9 (Mestre Eleito do Nove) está relacionado ao mito maçônico que relata
a equivocada vingança realizada por Johaben, em razão do assassinato do Mestre Arquiteto do
Templo de Salomão, Hiram Abbiff.
Concluindo o estudo sobre os sinais secretos maçônicos e o Rito Escocês Antigo e Aceito.
Cada sinal maçônico foi criado a partir de um importante motivo e está ligado ao conjunto
dos ensinamentos da Maçonaria.
Inicialmente é necessário afirmar que os sinais, gestos e posturas maçônicos são os
elementos centrais na execução dos rituais maçônicos e marcam cada momento das suas
cerimônias.
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rito_9.html
#109
Mão Direita
No lado direito do quadro está localizada a imagem de uma mulher vendada, segurando uma
balança, na mão esquerda, e uma espada, na mão direita.
A mulher vendada
é a deusa grega Têmis,
divindade associada à
Justiça Divina.
A colocação da
espada e da balança em
cada uma das mãos
possui razões especiais,
relacionadas ao estudo
da Kaballah (ou
Cabala), dos chacras e
da Kundalini, entre
outros temas.
Misticamente, o
lado direito do Homem
é considerado o lado
emissor da potência vital e das energias individuais.
O lado direito está associado a aspectos como: o princípio masculino, a positividade, o
sol, o 1º Vigilante maçônico (que comanda a região da força), ao hemisfério yin e à razão.
A mão direita é a mão da benção, do passe espírita, é a mão que segura a espada ou o cetro
(arma de ataque), é a mão que doa a esmola, o dízimo ou o óbulo, é a mão em que o mago usa a
varinha, é a mão que coloca a aliança de casamento, etc.
O lado esquerdo do Homem é o lado receptor da potência vital e das energias
individuais.
O lado esquerdo está associado a aspectos como: o princípio feminino, a negatividade, a
lua, o 2º Vigilante maçônico (que comanda a região da beleza), ao hemisfério yang e à
emoção.
Neste caso, a mão esquerda recebe a energia da mão direita e a direciona.
A mão esquerda é a mão que se
abre para receber uma benção ou
quando se faz uma oração, é a
mão que segura o escudo (arma
de defesa), é a mão que recebe a
aliança de casamento.
As características energéticas e
esotéricas das mãos esquerda e
direita têm um papel fundamental
na realização correta dos sinais
maçônicos, na postura
corporal do maçons durante as
sessões, na realização da
cerimônia da Cadeia de União e
nos deslocamentos
individuais realizados pelos
maçons dentro do templo.
Do ponto de vista esotérico,
os sinais e as posturas maçônicos
visam, entre outras finalidades,
manter ativas e circulantes as
energias vitais geradas no
decorrer das sessões ritualísticas.
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#110
Os três intendentes desceram cada uma dessas câmaras utilizando cordas e encontraram uma
pedra em formato de triângulo (Delta Sagrado, ou Delta Luminoso), com uma inscrição que
não souberam decifrar.
PREÂMBULO
O presente texto procura contextualizar historicamente e interpretar sob a luz da Maçonaria,
o artigo do escritor português Fernando Pessoa intitulado "As Associações Secretas: Análise
Serena e Minuciosa a um Projeto de Lei apresentado ao Parlamento", publicado em 1935 no
Diário de Lisboa. O texto estudado listou uma série de argumentos favoráveis à manutenção da
Ordem Maçônica em Portugal durante o governo de Antonio de Oliveira Salazar. O Estado
Novo português tomou uma série de medidas que visavam isolar Portugal do restante da
Europa, medidas de caráter fascista e ditatorial, visando preservar o conservadorismo católico
naquele país. A Maçonaria tornou-se vítima desta repressão conservadora sendo que
permaneceu oficialmente proibida de funcionar de 1935 a 1974, quando a Revolução dos
Cravos colocou fim à longa noite do Salazarismo. Em sua apologia a Maçonaria, Fernando
Pessoa procurou destacar e descrever os principais aspectos da Ordem, enfatizando a sua
importância para o desenvolvimento da civilização ocidental.
01 - INTRODUÇÃO
O período compreendido entre o final da Primeira e o início da Segunda Guerra Mundial
(1918-1939), que é chamado simplesmente de Período Entre - Guerras, em especial a década de
1930 foi, sob o ponto de vista político e ideológico, bastante que conturbada e tumultuada em
praticamente todo o mundo. Esta instabilidade política adquiriu uma especial conotação
atingindo a sua máxima amplitude e extrema gravidade no continente europeu. Na Europa de
então cresciam e ganhavam corpo diversos tipos de doutrinas e regimes políticos que
implantavam governos de caráter e natureza totalitários e opressivos. Foi dentro deste contexto
histórico conturbado, marcado por elevados níveis de intolerância política, racial e filosófica,
que foram elaborados e levados a cabo muitos programas de perseguições aos mais diversos
setores da sociedade e grupos étnicos considerados diferentes.
Os anos da década de 1930 foram muito conturbados desde o seu início, principalmente
devido a "Grande Depressão" econômica que foi originada com a quebra da Bolsa de Valores de
Nova York em outubro de 1929. Uma crise internacional, a primeira grande crise do sistema
capitalista. Foi uma situação profundamente caótica que abalou a confiança de diversos e
múltiplos setores da população mundial na aplicação e na real eficácia da democracia liberal
representativa, considerada a mola mestra do capitalismo, que era comum ao "Mundo
Ocidental". Como resultado deste pensamento, acabou surgindo em diversas partes do mundo,
em especial na Europa, diversos regimes ditatoriais e autoritários de direita, sendo que naquela
época já existia pelo menos um de esquerda, o governo de Josef Stalin na União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas (URSS). Por curiosidade, destacamos que a União Soviética foi o único
país a não ser atingido pela crise, fator que não quer dizer que ela não tenha vivido suas próprias
e profundas crises internas.
Dentro deste contexto e da realidade histórica que marcaram as diversas perseguições
empreendidas por governos autoritários e totalitários, a Ordem Maçônica na maioria dos casos
foi sempre a personagem e a vítima de inúmeras campanhas que visavam simplesmente o seu
total extermínio. A Maçonaria sempre foi um dos alvos prediletos de todos os tipos e exemplos
possíveis de déspotas e ditadores ao longo dos séculos que marcam sua existência. Perseguiram
e combateram a Ordem Maçônica ditadores das mais diversas conotações ideológicas, tanto
aqueles que eram considerados de direita, como também aqueles que se diziam e procuravam se
mostrar vinculados às idéias políticas consideradas de esquerda. Isto evidentemente se dá
devido ao caráter discreto e sigiloso das reuniões maçônicas. De uma maneira bastante que
simplória, podemos afirmar que quando se queria culpar alguém de algo, na década de 1930,
procurava-se logo culpar os comunistas ou aos membros da Maçonaria.
A discrição existente e que é respeitada para a realização das reuniões e cerimônias
maçônicas, destacando-se também o sigilo que também é um dos traços característicos da ação
maçônica, representam algumas das diversas particularidades que sempre foram, e ao que nos
faz contar sempre poderão vir a ser utilizadas pelos inimigos da Ordem para atacá-la e tentar
utiliza-la como bode expiatório em situações especiais. Diga-se de passagem, que tal expediente
também já foi muito utilizado pelos demais aproveitadores de situações.
Naqueles conturbados e extremados anos trinta, a Maçonaria foi uma das mais prediletas
vítimas das mais inúmeras perseguições tanto por parte do nazismo, encabeçada por Adolf
Hitler na Alemanha, como pelo Franquismo encabeçado por Francisco Franco na Espanha e
também pelo já citado e que se apresentou como um modelo para a implantação de tentativas
similares, o Fascismo. Conforme todos já sabemos, o Fascismo foi instituído por Benito
Mussolini na Itália, logo após a Primeira Guerra mundial (1914-1918).
Foi nesta época conturbada, que se instalava no controle absoluto do Governo e do Estado
em Portugal, uma ditadura que acabou sendo chefiada por Antônio de Oliveira Salazar. Esta
ditadura de extrema direita, iria se manter e se perpetuar no mando do Estado e do poder
político português, de 1932 até os meados da década de 1970.
"(...) Em Portugal, o governo liberal não conseguiu lidar com a crise econômica do pós-
guerra, o que favoreceu os partidos de direita, estimulados pelo exemplo italiano. Em 1928, o
presidente Antônio Carmona chamou Antônio de Oliveira Salazar para orientar a economia,
com plenos poderes. Salazar, que se tornou presidente do Conselho de Ministros em 1932,
rejeitava o liberalismo, o socialismo e a democracia. Apoiou-se no nacionalismo, no catolicismo
e nas corporações, governando Portugal como ditador até 1968 (...)"(ARRUDA & PILLETTI,
2003, p.345).
02 - O CONTEXTO HISTÓRICO PORTUGUÊS: O GOVERNO DE ANTONIO
SALAZAR
Antonio de Oliveira Salazar (1889-1970), era filho de agricultores portugueses, que
conforme veremos constituía a parcela maior da população portuguesa naquela época, sendo
que sua característica principal era serem extremamente religiosos, seguidores da Igreja
Católica e também, não menos, conservadores ao extremo. Salazar era o filho mais novo da
família que era composta também por outras quatro irmãs.
Quando de sua juventude Salazar estudou em um seminário da Igreja Católica e chegou ao
ponto de receber inicialmente as ordens menores da Igreja. Acabou por decidir-se, porém, em
não vir a ser ordenado padre. Continuou porém, com os seus estudos e terminou por doutorar-se
em Direito pela Universidade de Coimbra no ano de 1918. Adotou o magistério e acabou
ficando conhecido como professor catedrático de finanças, conforme aquilo que se dizia,
chegou a ser considerado bastante competente para a cultura portuguesa daqueles tempos.
Salazar sempre foi um católico que demonstrava ser bastante fervoroso e também muito
devoto, um fator que deve e que precisa ser levado em conta, sendo também seria e
profundamente considerado, ao se procurar analisar e tentar explicar e compreender muitas
daquelas medidas que foram tomadas pelo seu governo em favor da Igreja Católica e contra
aqueles que eram considerados os seus opositores reais ou imaginários:
"(...) Sua ação política começou justamente por artigos de imprensa em defesa dos direitos da
Igreja perseguida pelo laicismo da República, instaurada em 1910. Ainda estudante, Salazar foi
presidente do Centro Acadêmico da Democracia Cristã. O seu melhor amigo era um padre,
aluno da Faculdade de Letras: Manuel Gonçalves Cerejeira, futuro cardeal patriarca de Lisboa
(...)" (FERREIRA, 2004, p.90).
Em 1926, ocorreu um golpe militar que acabou colocando um fim ao então jovem ainda,
governo republicano e também à republica em Portugal, instituindo uma ditadura. Durante os
breves 16 anos de República, Portugal acabou conhecendo por volta de 38 governos, ocorreram
diversos golpes militares, iniciaram-se muitas revoltas, inúmeras rebeliões e revoluções tiveram
seus dias de fúria e de temor entre os cidadãos portugueses. Ocorriam ainda muitas greves, o
desemprego aumentava progressivamente a cada dia, a fome se alastrava de maneira gradual e a
miséria tomava conta cada vez mais do povo português.
"(...) O consenso que gera na sociedade portuguesa deve-se a razões de natureza interna,
decorrentes da instabilidade política com 45 ministérios em 16 anos, a vários actos violentos
conduzido pela oposição monárquica e grupos radicais de republicanos, sem esquecer os
confrontos laborais. Por outro no seu afã anticlerical a República esquecera o país
maioritariamente agrário, conservador e católico e viu esfumar-se o apoio da sua base social, a
classe média urbana, com a redução dos seus rendimentos proveniente da inflação do pós-
guerra, da instabilidade social e política e do avanço das ideias bolchevistas, inclinando-se para
um governo que restaurasse a ordem e a tranquilidade (...)" (GONÇALVES, 2004, passim).
Todos estes fatores caóticos, que somados vieram a colaborar para que uma grande e
expressiva parte da população, que era predominantemente rural, influenciada pela Igreja
Católica e sendo assim possuía uma visão bastante conservadora, viesse a apoiar o novo regime.
Esse apoio foi forte e profundo, mesmo sendo o novo governo declaradamente uma ditadura
militar.
Antonio Salazar foi então, escolhido para atuar como o Ministro das Finanças do novo
governo, porém, descontentou-se com a situação encontrada e logo saiu da administração. Em
1928, com a escolha do general Oscar Carmona para chefe do governo militar, Salazar retornou
a sua condição de Ministro. Portugal seria novamente abalado e de uma maneira bastante
profunda, a exemplo do restante do mundo, pela crise econômica de 1929. Com as repercussões
da crise o governo abalou-se e o único ministro a permanecer no cargo foi Salazar que
conseguiu controlar as finanças públicas a ponto de, ainda em 1929 anunciar que as contas do
Estado estavam em ordem e com saldo positivo.
"(...) O sucesso de Oliveira Salazar nas Finanças numa gestão de apertado rigor deu-lhe as
condições políticas para a sua ascensão a chefe do governo em Julho de 1932, com o apoio do
capital financeiro, da Igreja, da maioria do exército, dos intelectuais conservadores e dos
monárquicos (... )" (GONÇALVES, op. cit.).
Em 1932, Antonio de Oliveira Salazar tornou-se o primeiro civil a chefiar um governo da
Ditadura Militar, sendo que ele foi apresentado pela propaganda com um verdadeiro salvador da
pátria. Salazar se manteria como chefe do Conselho de Ministros de Portugal até o ano de 1968,
quando se afastou devido a problemas de saúde.
Em 1933, com a entrada em vigor de uma nova constituição, a Ditadura Militar chegou
oficialmente em seu término, sendo substituída pelo Governo do Estado Novo. O novo regime,
caracterizando-se também como uma ditadura, seguiu uma estrutura administrativa e
organizacional que obedecia a vontade do chefe do governo, Antonio Salazar. O Estado Novo
português era considerado como sendo Corporativo e Autoritário:
Corporativo, pois negava claramente a existência da luta de classes;
Autoritário, pois permitia a existência de apenas um partido político, a União Nacional que
era o partido do governo.
A União Nacional que havia sido criada em 1930, inicialmente tinha a pretensão de procurar
não se apresentar e muito menos vir a se tornar um partido político, mas por fim veio a assumir-
se como a base do apoio político do governo português.
"(...) A União Nacional rapidamente se revelou um partido único que Salazar, o seu chefe
incontestado, manobrava a seu belo prazer. Em fins de 1934 realizam-se as primeiras eleições
depois do golpe de 1926, concorrendo unicamente a União Nacional, a qual fica a controlar os
90 deputados da Assembleia Nacional. Entretanto havia sido iniciada a extinção dos partidos
políticos, das ''sociedades secretas'' e dos sindicatos livres. (...)" (Idem)
Existia ainda uma polícia política que procurava atuar da maneira mais implacável possível
contra os opositores do governo. As prisões portuguesas passaram a ser freqüentadas e também
abarrotadas por intelectuais e políticos, principalmente por todos aqueles que não comungavam
das idéias e que não demonstravam ou desejavam demonstrar o apoio ao governo de Salazar. A
vigilância e a espionagem sobre os cidadãos e a sociedade tornaram-se intensas e também uma
prática comum. A política e a ideologia do Estado Novo de Antonio Salazar, baseava-se em três
pontos que eram considerados essenciais a existência de Portugal:
Deus Pátria Autoridade
O Estado Novo português possuía um caráter que pode ser considerado estreitamente
clerical. As idéias defendidas e postas em prática pelo governo de Salazar eram plenamente
identificáveis, comparáveis e compatíveis com as idéias e posições doutrinais da Igreja Católica.
Pode-se afirmar que a política que foi conduzida por este Estado Novo, era tipicamente
reacionária. Podemos conceber uma posição política como sendo reacionária, quando ela
procura barrar as mudanças e as transformações a partir do momento em que elas comecem a se
tornarem evidentes. Uma posição reacionária pode ser considerada extremamente conservadora.
A política portuguesa de então, apresentava-se de uma forma bem parecida com a política que
era praticada pelos principados reacionários europeus que tiveram a sua existência registrada em
meados do século XIX, conforme foi colocado por René Rémond e citado por João Ferreira
(FERREIRA, op. cit. p.93)
Ao longo do seu longo governo, Antonio Salazar procurou resistir o máximo que pode à
modernidade, ao desenvolvimento e ao aperfeiçoamento da economia e da sociedade
portuguesa. Era seu desejo expresso, procurar preservar a paisagem e também o estilo de vida
rural dos portugueses, evitando desta maneira que o surgimento de indústrias provocasse o
surgimento de uma classe operária em Portugal.
Salazar acreditava piamente que barrando, ou prejudicando ao máximo o desenvolvimento
industrial, ele iria conseguir barrar o nascimento, desenvolvimento e também o eventual
fortalecimento de uma classe operária industrial urbana. Desta maneira Antonio Salazar tentava
evitar que se fizesse surgir em Portugal à luta de classes. Salazar estaria procurando evitar uma
maior difusão das idéias de cunho marxista bem como o início de uma ameaça comunista, idéia
esta que presente no mundo ocidental acabou por fazer muitos estragos ao longo de todo o
século XX. Portugal foi por muito tempo o país mais atrasado industrialmente e
economicamente de toda a Europa Ocidental.
Era justamente do interior do universo rural conservador português, preservado intocado e
blindado pela ditadura, que Salazar buscava e encontrava o apoio que era necessário para a sua
manutenção no poder. Atuando de uma forma que era completamente ao contrário de tudo
aquilo que ele havia defendido em seus escritos da juventude, o ditador português procurou
reduzir ao máximo os investimentos em educação. Não desenvolver a educação e reduzir os
investimentos nela, foi uma das formas encontradas para conter e mesmo não permitir e
procurar mais uma vez bloquear o desenvolvimento tecnológico e industrial que poderia, como
já mencionamos, por em contradição a sua maneira de ver o mundo. O governo salazarista
procurou barrar o desenvolvimento natural da evolução histórica em Portugal, aqueles que
ousassem pensar de maneira diferente eram considerados simplesmente como os inimigos do
Estado.
Eleger os seus inimigos e opositores, identificando as possíveis ameaças à sua integridade,
foi uma das muitas formas que o Estado Novo português, a exemplo de seus congêneres
fascistas e nazistas, procurou encontrar e desenvolver para se perpetuar e eternizar no poder. O
combate aos inimigos do regime passou a ser a justificativa da existência do próprio regime
salazarista. O principal inimigo escolhido pelo Governo foi o comunismo, sendo a sua ameaça
realmente presente ou simplesmente imaginária. Para combater o movimento e a ameaça
comunista foi criada uma organização paramilitar, a Legião Portuguesa . Salazar fará deste
combate anticomunista a sua principal bandeira de existência e também a principal bandeira do
Estado Novo.
"(...) É ainda o anticomunismo que o levará a ordenar à polícia que persiga os comunistas
sem esmorecer. Durante mais de quatro décadas, àquela polícia (...) não deu tréguas ao aparelho
clandestino do Partido Comunista Português - PCP (...)" (FERREIRA, op. cit, p.93).
Como pretendemos destacar, demonstrar e também já efetivamente afirmamos neste estudo,
os comunistas portugueses não foram os únicos alvos da repressão salazarista. Diversos outros
grupos sociais e políticos também foram duramente perseguidos e oprimidos pelo regime:
"(...) Anarco-sindicalistas (...) socialistas, republicanos, maçons, católicos progressistas,
foram também perseguidos. Embora (...) a repressão fosse estatisticamente, bem mais branda do
que em outras ditaduras européias ou sul-americanas (...) o regime foi responsável por centenas
de prisões políticas, tortura e morte (...)" (Idem).
Também surgiram, ao longo do tempo, dissidências entre aqueles que inicialmente apoiaram
o Estado Novo. Nem mesmo este alinhamento ou as colaborações iniciais bastava para
neutralizar a forte ação da repressão salazarista. Os dissidentes também foram duramente
perseguidos e neutralizados:
"(...) Os dissidentes, mesmo que noutras ocasiões tenham apoiado Salazar, são neutralizados
implacavelmente, desde os 'camisas-azuis' nacional-sindicalistas, desejosos de criar em Portugal
um movimento de massas parente do fascismo e do nazismo, até aos monárquicos nostálgicos
de uma restauração que o chefe do governo somente viria a rejeitar em 1951.
O pulso de ferro abate-se também sobre os militares que ousam desafiar sua autoridade (...)"
(Idem, p.94).
Em Agosto de 1968, Salazar sofreu uma queda e bateu com a cabeça, entrando em coma, foi
imediatamente hospitalizado. Em Setembro daquele ano, o Presidente da República nomeou
Marcello Caetano como o novo Presidente do Conselho de Ministros. Antonio de Oliveira
Salazar morreu em 27 de Julho de 1970, alienado, sem tomar conhecimento da realidade que o
cercava. Ministros chegavam a visitá-lo em sua quinta para juntamente com ele despacharem.
Salazar não percebeu nunca que eram despachos de mentira, que visavam apenas não contraria-
lo.
Marcello Caetano governou Portugal ainda até 25 de Abril de 1974, quando ocorreu a
"Revolução dos Cravos". A Revolução foi conduzida e efetivada por jovens oficiais das forças
armadas portuguesas, que acabou por derrubar de vez o regime salazarista e implantar
definitivamente a democracia em Portugal. Portugal finalmente começou a viver o século XX
em sua plenitude e a se integrar com a Europa.
03 - A EXTINÇÃO DA MAÇONARIA PORTUGUESA
Quando se instalam no poder, os ditadores de uma forma geral e de maneira imediata
procuram implantar medidas para que possam se perpetuar no poder. Procurar calar ou mesmo
exterminar aqueles que porventura tenham as condições materiais e intelectuais de vir a criticá-
los ou mesmo compor um grupo de oposição, seja isso de maneira imediata em um futuro ainda
que distante. Calar os opositores é uma das maneiras que os déspotas encontram para se manter
no poder. As medidas restritivas, de uma maneira geral sempre passam pela extinção ou
limitação das liberdades civis, principalmente aqueles direitos que são referentes à locomoção e
também à associação. Ocorre a instalação de órgãos que irão censurar os meios de
comunicação, proíbe-se a circulação dos jornais e outros meios de comunicação de massa que
se recusam a acatar ou a apoiar as decisões dos novos governantes.
As reuniões de pessoas, principalmente daquelas pertencentes a classes sociais e profissões
que forem tidas como sendo perigosas ao estilo de administração do Estado, são restringidas ou
simplesmente proibidas. O mesmo destino é imputado às associações e agremiações culturais e
também, principalmente aos partidos políticos que sejam considerados como opositores
imediatos ou ainda possíveis e futuros do governo implantado.
O que finalmente queremos colocar e demonstrar é que de uma forma geral os governos
totalitários perseguem a Maçonaria e os seus membros, em todo quanto é canto do país,
proíbem suas reuniões, confiscam ou simplesmente tomam os seus bens, prendem ou eliminam
os seus líderes e também aqueles que sejam considerados maçons de maior renome e destaque.
Também os ditadores e déspotas recém empossados no poder, ao perseguirem a Ordem
Maçônica procuram também, como já afirmamos anteriormente, evitar uma futura e muito
provável oposição desta ao seu governo.
Evidencia-se também que ao procurar proscrever a Maçonaria, que estes ditadores estejam
procurando de maneira que poderia ser considerada bastante obscena, com estas medidas, virem
a se tornar simpáticos e agradáveis a grupos religiosos mais conservadores, em especial à Igreja
Católica, sendo que hoje os principais adversários da Maçonaria pelo menos no campo da
verborragia, sejam algumas Igrejas ditas Evangélicas . Diga-se de passagem, que muitos
daqueles clérigos e mesmo os leigos que estejam engajados no serviço da Igreja, seja ela
Católica ou Evangélica, sempre aplaudiram e muitos deles aplaudiriam ainda hoje medidas
desta natureza. Não é segredo que muitos daqueles que se consideram religiosos e fervorosos
defensores da Igreja e da fé cristã, se regozijam com o destino daqueles que são considerados
infiéis, indesejáveis e não menos incômodos maçons.
Em Portugal a situação que se apresentou não ocorreu de maneira muito que diferente, a
cartilha ditatorial foi aplicada na integra. O governo encabeçado por Antônio Salazar, no
entanto procurou dar certo ar de legalidade às muitas das medidas coercitivas que resolveu
adotar. A extinção da Ordem Maçônica foi proposta de maneira sutil e indireta, para procurar
preservar e demonstrar ao menos um ar de legalidade. A extição foi proposta através de um
projeto de lei que foi apresentado por um deputado de nome José Cabral, junto ao Parlamento
português.
Este projeto tinha por objetivo principal, proibir e combater severamente o funcionamento e
impedir a existência daqueles grupos e organizações a que ele chamava, em seu texto de uma
maneira bastante simples e generica de Associações Secretas. Estabelecia este projeto que fortes
sanções jurídicas e punições legais seriam aplicadas àqueles que destas Associações Secretas
insistissem em fazer parte.
"(...) Em 19 de Janeiro de 1935, na recém-inaugurada Assembleia Nacional, o deputado José
Cabral apresenta um projecto de lei proibindo todos os cidadãos portugueses de fazerem pare de
associações secretas, sob pena de aplicação de penas várias que vão da pena de prisão ao
desterro. Os candidatos à função pública e os funcionários públicos em funções são obrigados a
jurar que não pertencem, nem jamais pertencerão a qualquer sociedade secreta. O projecto
embora não o especifique dirige-se contra a Maçonaria. (...)" (GONÇALVES, op. cit., passim)
Ao analisarmos o conteúdo do projeto, que iria determinar a completa extinção das
associações secretas e, portanto da Maçonaria em Portugal, podemos dele, de imediato tirar
conclusões diretas e fáceis. O projeto, que acabou recebendo na Assembléia o número dois, da
maneira como foi apresentado e redigido, tornava óbvio em seu texto e facilmente identificável
que o alvo principal visado era a Ordem Maçônica, os maçons e as muitas Lojas Maçônicas
constituídas, que àquela época floresciam e vicejavam no território português.
04 - EM DEFESA DA MAÇONARIA
Um daqueles que primeiro saiu e atuou em defesa da Arte Real, foi Fernando Pessoa, um
escritor dotado de uma qualidade que, a nós na atualidade, se apresenta de uma maneira
praticamente indiscutível. Em quatro de Fevereiro de 1935, ele publicou no jornal "Diário de
Lisboa", um artigo muito instrutivo, reflexivo, também em certos aspectos bastante que
provocativo e ao mesmo tempo escrito de uma forma que o tornou muito agradável de ler.
Intitulado "As Associações Secretas - Análise Serena e Minuciosa a um Projeto de Lei
apresentado ao Parlamento", quando de sua primeira edição , neste trabalho Fernando Pessoa
realizou a defesa do direito de existência e de atuação das associações que eram tidas como
secretas. Em especial procurou defender o direito de existência e esclareceu bastante a atuação
da Maçonaria ao longo do tempo, tanto em Portugal como no restante do Mundo, procurou
também estabelecer os laços de fraternidade que mantém unidos todos os seus membros pelo
mundo afora através dos tempos.
Usando as suas muitas habilidades superiormente desenvolvidas de escritor, aliadas à sua
incomum inteligência, seu finíssimo e refinado humor somadas a uma intencional e sutil ironia,
Fernando Pessoa desfiou pelas linhas e parágrafos do artigo, uma série de argumentos racionais
contra a aprovação da já referida lei. Ao mesmo tempo em que procurava sempre repassar
importantes informações sobre a Maçonaria, os seus princípios e a sua importância. Fernando
Pessoa faz ainda ataques, alguns deles sutis outros muito diretos e objetivos à chamada
antimaçonaria e aos seus representantes.
Fernando Pessoa destaca dentro da anti-maçonaria a ignorância , que é cultivada sobre os
assuntos relacionados a Maçonaria, como o fator que liga profundamente aqueles que agem
como anti-maçons e se consideram os combates de uma Cruzada sagrada contra a Maçonaria e
o universo dos maçons. É dentro deste rol de pseudos e sagrados combatentes da Maçonaria e
defensores da fé cristã, que Fernando Pessoa coloca o deputado José Cabral, já referido como o
autor do projeto de proibição e combate as sociedades e associações secretas.
"(...) como a maioria dos antimaçons, o autor deste projecto é totalmente desconhecedor do
assunto Maçonaria. O que sabe dele é até, porventura, pior que nada, pois, naturalmente, terá
nutrido o seu antimaçonismo da leitura da imprensa chamada católica, onde, até nas coisas mais
elementares da matéria, erros se acumulam sobre erros, e aos erros se junta, com a má vontade,
a mentira e a calúnia, senhoras suas filhas. (...)" (PESSOA, Passim).
Se Fernando Pessoa ainda estivesse vivo e atuante, conforme o seu estilo neste início de
Terceiro Milênio, com certeza hoje substituiria a referência que fez a virulência da imprensa
portuguesa que se denominava de católica, daquele já longínquo ano de 1935, por uma outra
que levasse em conta as diversas publicações existentes dos supostos e pseudos pregadores
evangélicos. Levaria em conta também, com toda a certeza, os sites e os textos disponíveis e
existentes na internet, que já se apresentam de forma incontável. Textos e sites estes que
dedicam o seu tempo e o seu espaço a fazer ataques gratuitos a Maçonaria e aos maçons. Existe
em nossos dias um consenso entre alguns fundamentalistas religiosos, muitos deles neo-
pentencostais, de que a maçonaria representa uma ameaça ao cristianismo e também as suas
idéias messiânicas e apocalípticas. Estes ataques se realizam na maioria das vezes de forma
raivosa e gratuita, conforme já afirmado, pois a Maçonaria nunca desejou destruir e nem mesmo
ocupar o lugar que pertence ao cristianismo na cultura da Civilização Ocidental.
Afirmamos aqui e sempre que for necessário, de uma forma segura e tranqüila, conforme
aquilo o que nos é colocado por José Castellani, que de maneira alguma a Maçonaria se
apresenta ou algum dia procurou se apresentar como uma religião, ou pretensa substituta de
alguma religião . Isto pode ser afirmado apesar da Maçonaria também fazer uso de uma
linguagem simbólica. Um simbolismo que na maioria das vezes pode ser próprio da religião, em
especial da Igreja Católica. Tal particularidade tem levados a muitos daqueles que são
desconhecedores dos princípios e das práticas da Ordem Maçônica, a imaginá-la e a representa-
la como sendo uma religião . Tal condição e situações, tem levado até mesmo a alguns maçons
menos esclarecidos e informados a idealizarem a Maçonaria como sendo uma religião perfeita,
para eles a mais antiga, perfeita e justa de todas elas:
"(...) Embora a Maçonaria não seja uma religião e nem seja uma ordem mística, ela utiliza,
em seus rituais, na sua simbologia e na sua estrutura filosófica e doutrinária, os padrões místicos
de diversas seitas, associações e civilizações antigas, principalmente os relativos às religiões e
às ordens iniciáticas de cunho religioso daqueles povos que representaram o alvorecer das
civilizações e que representam o alvorecer das civilizações e que concentravam, desde o século
V a. C., em torno dos rios Tigre e Eufrates e do Mar Mediterrâneo. (...) [A Ordem Maçônica]
nascida em sua forma moderna, nas asas das aspirações liberais e libertárias dos povos
subjulgados pelo poder real absoluto e pelos privilégios do clero, ela, também, é liberal e
libertária, evolutiva e adaptável às épocas, racional e democrática. Para armar todavia, a sua
doutrina moral, ela buscou o simbolismo nascido da mística de civilizações perdidas na noite
dos tempos; e o simbolismo, fonte de espiritualidade oculta, será, sempre, por mais que a
cibernética e a materialidade dominem o mundo, uma LUZ no caminho da humanidade (...)"
(CASTELLANI: 1996. p.92)
Um outro ponto essencial e muito importante, que torna o artigo de Fernando Pessoa
envolvente e ao mesmo tempo extremamente interessante para a Ordem Maçônica e que deve,
portanto ser bem explanado, é o fato de que ele por diversas vezes tenha se declarado como um
não iniciado na Maçonaria, ou seja como ele afirmava sobre si mesmo, um não - maçom.
Fernando Pessoa destaca, porém a sua grande admiração e o seu profundo respeito pela Ordem,
porém não se cansa de afirmar também a imensa dificuldade encontrada por aqueles que não
são iniciados nos seus augustos mistérios, para poder estudar, procurar compreender e atingir
um nível de conhecimento e entendimento razoáveis sobre a Maçonaria:
"(...) Não sou maçom, nem pertenço a qualquer outra Ordem semelhante ou diferente. Não
sou, porém, antimaçon, pois o que sei do assunto me leva a ter uma idéia absolutamente
favorável da Ordem Maçônica. A estas duas circunstâncias, que em certo modo me habilitam a
poder ser imparcial na matéria, acresce a de que, por virtude de certos estudos meus, cuja
natureza confina com a parte oculta da Maçonaria - parte que nada tem de político ou social -,
fui necessariamente levado a estudar também esse assunto - assunto muito belo, mas muito
difícil, sobretudo para quem o estuda de fora (...)" (PESSOA, op. cit.)
Por meio de informações diversas que chegaram ao nosso conhecimento, existe uma
possibilidade que tem sido bastante considerada sobre o fato de que Fernando Pessoa tenha
pertencido à Ordem Rozacruz. O que é certo, porém, e que ele próprio também afirmou, ainda
em 1935, ao procurar fazer uma definição de sua personalidade, que pertencia a Ordem dos
Cavaleiros Templários. Apesar dele não o afirmar de maneira direta e objetiva, é possível que
ele tenha também pertencido a algumas outras ordens ou grupamentos místicos ou esotéricos,
pois é isso que ele nos faz entender por diversas vezes:
"(...) Tendo eu, porém, certa preparação, cuja natureza me não proponho indicar, pude ir,
embora lentamente, compreendendo o que lia e sabendo meditar o que compreendia. Posso hoje
dizer, sem que use de excesso de vaidade, que pouca gente haverá, fora da Maçonaria, aqui ou
em qualquer outra parte, que tanto tenha conseguido entranhar-se na alma daquela vida,
portanto e derivadamente, nos seus aspectos por assim dizer externos (...)" (Idem)
As informações anteriormente citadas foram feitas, com certeza, no intuito de demonstrar
àqueles que possuíam sentimentos contrários à Maçonaria, que ele possuía conhecimentos
suficientes sobre a Ordem. Um conjunto de conhecimentos que em seu julgamento e em seu
íntimo o habilitavam e lhe davam uma autoridade intelectual, que ele julgava ímpar, para atuar
como um defensor consciente da Maçonaria. Para que Fernando Pessoa tivesse a segurança
necessária em suas afirmações, e também com o possível intuito de tentar evitar as futuras com
certeza graves complicações junto ao governo português, imaginamos também, que ele tenha
procurado se valer e destacar o fato de que não era maçom. É possível pensarmos que ao
afirmar tal condição, ele já estivesse procurando se precaver de eventuais e prováveis
represálias diretas do Estado, que conforme já afirmamos estava já configurado na prática como
uma ditadura que não respeitava os direitos individuais dos cidadãos.
Continuando com a sua defesa e a apologia que fez da Maçonaria, Fernando Pessoa coloca
sobre um erro grave e que muitos dos antimaçons comungariam de sua prática, o fato deles
considerarem ser a Maçonaria simplesmente uma associação secreta. Em suas afirmações, a
Maçonaria seria, isto sim, uma Ordem Secreta. Afirmando isto em melhores palavras, Fernando
Pessoa considerava a Maçonaria como sendo uma Ordem Iniciática.
"(...) A Ordem Maçónica é secreta por uma razão directa e derivada - a mesma razão por que
eram secretos os Mistérios antigos, incluindo os dos primitivos cristãos, que se reuniam em
segredo, para louvar a Deus, em o que hoje se chamariam Lojas ou Capítulos, e que, para se
distinguir dos profanos, tinham fórmulas de reconhecimento - toques, ou palavras de passe, ou o
que quer que fosse. por esse motivo os romanos lhes chamavam ateus, inimigos da sociedade e
inimigos do Império - precisamente os mesmos termos com que hoje os maçons são bindados
pelos sequazes da Igreja Romana, filha, talvez ilegítima, daquela maçonaria remota. (...)"
(Idem).
Ainda sobre o fato de muitos dos supostos entendidos, considerarem a Maçonaria como
sendo uma Ordem Secreta, o escritor Curtis Masil, nos coloca uma série de ponderações e
afirmativas:
"(...) Na verdade não há propriamente sociedades secretas hoje em dia. O que há, quando
muito, são organizações que comungam uma doutrina comum, exigindo de seus membros
filiados certos compromissos para mantê-la sempre ativa, como se fora a chama acesa, erguida
ao alto por muitas mãos, todas elas zelando para que o vento das hipocrisias humanas não
apague jamais. Se o leitor prestar atenção verá que todas as grandes religiões do mundo, como a
católica e a Judaica, possuem dois círculos: um externo, que é para o povo em geral; e o outro,
interno, para o seu corpo de sacerdotes e rabinos, onde, de um lado, uns ouvem e aprendem,
enquanto do outro lado há os que estudam e ensinam. Jesus Cristo, e este é apenas um exemplo,
discutia com os seus Apóstolos. Mas o que lê ensinava àqueles Apóstolos, salvo o Alto Colégio
da Cúria romana, talvez a sua congênere judaica, ninguém ficou sabendo até os dias de hoje
(...)" (MASIL, 1986, p.13).
Um outro pensador maçom, Erwin Seignemartin, em uma conferência que foi realizada em
1979, também chegou a tecer algumas considerações importantes sobre o fato da Maçonaria não
poder ser considerada como uma sociedade secreta. Erwin Seignemartin ponderou também,
sobre aqueles que seriam os diversos objetivos e os propósitos da Ordem Maçônica e também
sobre os segredos que devem ser guardados pelos maçons. Ele coloca que praticamente todo o
conteúdo da Maçonaria esta acessível a qualquer pessoa que se predisponha a pesquisar em uma
livraria ou biblioteca. Podemos colocar ainda que na atualidade os meios de pesquisa se
avolumaram quase que ao extremo da facilidade e da obtenção de informações. Praticamente
qualquer assunto sobre a Maçonaria pode ser encontrado em sites da internet:
"(...) A Maçonaria não é uma sociedade secreta, no sentido como tal termo é geralmente
empregado. Uma sociedade secreta é aquela que tem objetivos secretos e oculta a sua existência
assim como as datas e locais de suas sessões. O objetivo e propósito da Maçonaria, suas leis,
história e filosofia tem sido divulgados em livros que estão a venda em qualquer livraria. Os
únicos segredos que a maçonaria conserva são as cerimônias empregadas na admissão de seus
membros e os meios usados pelos Maçons para se conhecerem (...)" (SEIGNEMARTIN, 1979,
passim)
Alertando sobre as conseqüências que poderiam decorrer das às intenções do Deputado José
Cabral e as dos seus aliados em tornar fora-da-lei a Maçonaria, Fernando Pessoa advertiu que as
Sociedades Iniciáticas estão defendidas por condições e forças que podem ser consideradas
especiais. Condições especiais estas que as tornam as Sociedades Iniciáticas praticamente
indestrutíveis por forças que por ventura se avolumem e atuem contra elas a partir do exterior
destas sociedades.
Sobre as ações praticadas contra a Maçonaria naquela época (1935), pelas inúmeras ditaduras
que existiam na Europa - Hitler na Alemanha, Rivera na Espanha, Mussolini na Itália, Stalin na
União Soviética - Fernando Pessoa nos coloca um dúvida sobre o caráter eficaz dessas medidas
autoritárias. Destaca também a sua crença na ação da Maçonaria para colocar fim aos diversos
regimes despóticos que havia listado.
O artigo escrito por Fernando Pessoa, "As Associações Secretas - Análise Serena e
Minuciosa a um Projeto de Lei apresentado ao Parlamento", não deve ser considerado apenas
uma defesa da Ordem Maçônica. Ele também é, acima e antes de qualquer outra consideração,
uma defesa profunda daqueles ideais que são considerados democráticos. O artigo apresenta
uma defesa de forma clara da prática da democracia, uma defesa bastante profunda e
fundamentada das liberdades civis e individuais. "(...) Nesse artigo Fernando Pessoa também
faz a defesa da liberdade de pensamento, de expressão e de livre reunião (...)" (VARELLA,
2004, passim). Fernando Pessoa praticamente fez, de forma direta, clara e aberta um alerta a
todos que pudessem e quisessem ouvir, contra a ameaça da ditadura cada vez mais opressora
que se solidificava e se tomava consistência em Portugal.
4.1 - ATUAÇÃO INTERNACIONAL E A DIVISÃO DA MAÇONARIA
Sobre a atividade ou a atuação internacional da Maçonaria, Fernando Pessoa traça
primeiramente uma estimativa, um tanto que por alto, da quantidade de maçons então existentes
no mundo. Procura também destacar claramente as regiões do globo onde mais se
concentrariam e a divisão das diversas Potências Maçônicas em atuação no ano de 1935:
"(...) Existem hoje em actividade, em todo o mundo, cerca de seis milhões de maçons, dos
quais cerca de quatro milhões nos Estados Unidos e cerca de um milhão sob as diversas
Obediências independentes do Império Britânico. Assim, cinco sextos dos maçons hoje em
actividade são maçons de fala inglesa. O milhão restante, ou conta parecida, acha-se repartido
pelas várias Grandes Obediências dos outros países do mundo, das quais a mais importante e
influente é talvez o Grande Oriente de França.(...)" (Idem).
Em seguida, procurando explicar o fato de a Maçonaria apresentar-se dividida em potências
que são independentes entre si, Fernando Pessoa registra e enfoca também o fato de que muitas
destas potências existentes não manterem um contato e uma maior ligação e relacionamento
entre si. Procura desta forma destacar também, o fato de que algumas potências e obediências
maçônicas, fato que se mantém ainda hoje, não reconhecerem a existência de outras potências.
Em outras poucas palavras, Fernando Pessoa discorda, chegando mesmo a duvidar de maneira
bastante aberta e bastante clara da existência de um acordo internacional maçônico, boato ou
lenda que de tempos em tempos ressurge sob a forma de propaganda, visando as mentes mais
incautas. Afirmações estas, que eram usadas pelos perseguidores e opositores da Maçonaria:
"(...) As Obediências maçónicas são potências autónomas e independentes, pois não há
governo central da Maçonaria, que é por isso menos "internacional" que a Igreja Romana. Há
Obediências maçónicas que poucas relações têm entre si; há até Obediências que estão de
relações suspensas ou cortadas (...) a Maçonaria necessariamente toma aspectos diferentes -
políticos, sociais e até rituais - de país para país, e até, dentro do mesmo país, de Obediência
para Obediência se houver mais que uma. (...)" (Idem).
Fernando Pessoa destaca ainda as diferenças de pensamento e ideologia que haviam entre os
maçons da já distante década de 1930, mas que de uma certa maneira ainda hoje chegam a
existir. Ele faz uso, como um exemplo que se apresenta de maneira extremamente eloqüente, o
caso que era representado pelas três Obediências independentes que havia àquela época na
França. Devemos procurar salientar também que estas diferenças eram bastante e
profundamente acentuadas:
"(...) Há em França três Obediências independentes - o Grande Oriente de França, a Grande
Loja de França (prolongada capitularmente pelo Supremo Conselho do Grau 33) e a Loja
Regular, Nacional e Independente para França e suas Colónias. O Grande Oriente é
acentuadamente radical e anti-religioso; a Grande Loja limita-se a ser liberal e anticlerical; a
Grande Loja Nacional não tem política nenhuma. Dou outro exemplo. O Grande Oriente de
França tem uma grande influência política, mas, excepto através dessa, pouca influência social.
A Grande Loja de Inglaterra não se preocupa com política, mas a sua influência social é enorme.
(...)" (Idem).
Porém, apesar da Ordem Maçônica estar e normalmente apresentar-se materialmente
dividida, a sua união espiritual é também indiscutível sendo que é plenamente e facilmente
identificável:
"(...) O espírito dos rituais, e sobretudo o dos Graus Simbólicos (nos quais, e sobretudo no
Grau de Mestre, está já, para quem saiba ver ou sentir, a Maçonaria inteira), é o mesmo em toda
a parte, por muitas que sejam as divergências verbais e rituais entre graus idênticos, trabalhados
por Obediências diferentes. Em palavras mais perspícuas, mas necessariamente menos claras:
quem tiver as chaves herméticas, em qualquer forma de um ritual encontrará, sob mais ou
menos véus, as mesmas fechaduras. (...)" (Idem).
Esta união espiritual ligada por princípios morais e éticos, é destacada e tornada evidente,
quando algum perigo grave ameaça a existência e a sobrevivência de alguma das diversas
Potências existentes, atingindo por extensão o conjunto e o Universo da Ordem Maçônica, que é
considerada Universal justamente por esta sua união espiritual, moral e ética:
"(...) Resulta desta comunidade de espírito profundo, deste íntimo e secreto laço fraternal,
que ninguém quebrou nem pode quebrar, que uma Obediência, ainda que tenha poucas ou
nenhumas relações com outra, não vê todavia com indiferença o ser esta atacada por profanos
Os maçons da Grande Loja de Inglaterra não têm, como disse, relações com os do Grande
Oriente de França. Quando, porém, recentemente surgiu em França, a propósito dos casos
Stavisky e Prince uma campanha antimaçónica, de origem aliás ultra-suspeita, a vaga simpática,
que potencialmente se estava formando em Inglaterra pelos conservadores que atacavam o
Governo Francês, desapareceu imediatamente. O Times, conservador mas acentuadamente
maçónico, relatou as manifestações contra o Governo Francês com uma antipatia que roçou pela
deturpação de factos. E há muitos casos semelhantes, como o de certo escritor maçónico inglês,
que em seus livros constantemente ataca o Grande Oriente de França, mudar completamente de
atitude ao responder a uma escritora inglesa antimaçónica, que afinal dissera pouco mais ou
menos o mesmo que ele havia sempre dito. Nisto tudo, que serviu de exemplos, trata-se de
coisas de pouca monta, simples campanhas de jornal, e por certo de atitudes espontâneas e
individuais da parte dos maçons que as tomaram. Quando porém se trate de factos
maçonicamente graves, como seja a tentativa, por um governo, de suprimir ou perseguir uma
Obediência maçónica, já a acção dos maçons não é tão individual, e isolada, nem se resume a
uma maior ou menor antipatia jornalística. (...)" (Idem).
4.2 - OS ELEMENTOS QUE COMPÕEM A MAÇONARIA
A respeito da união de princípios compartilhados pelas diversas Potências Maçônicas,
podemos concluir como o escritor português também assim o fez e colocou, que a Maçonaria
compõe-se de três elementos que são os seguintes:
O Elemento Iniciático
O Elemento Fraternal
O Elemento Humano
São estes três elementos que, uma vez considerados comuns a Ordem Maçônica, a tornam
uma instituição espiritualmente, doutrinal e até mesmo ideologicamente unida e coesa.
Elementos estes que devidamente analisados podem ser considerados como os fatores da
profunda coesão da Maçonaria:
"(...) A Maçonaria compõe-se de três elementos: o elemento iniciático, pelo qual é secreta; o
elemento fraternal; e o elemento a que chamarei humano - isto é, o que resulta de ela ser
composta por diversas espécies de homens, de diferentes graus de inteligência e cultura, e o que
resulta de ela existir em muitos países, sujeita, portanto a diversas circunstâncias de meio e de
momento histórico, perante as quais, de país para país e de época para época, reage, quanto à
atitude social, diferentemente. Nos primeiros dois elementos, onde reside essencialmente o
espírito maçónico, a Ordem é a mesma sempre e em todo o mundo. No terceiro, a Maçonaria -
como, aliás, qualquer instituição humana, secreta ou não - apresenta diferentes aspectos,
conforme a mentalidade de maçons individuais, e conforme circunstâncias de meio e momento
histórico, de que ela não tem culpa.
Neste terceiro ponto de vista, toda a Maçonaria gira, porém, em torno de uma só idéia - a
tolerância; isto é, o não impor a alguém dogma nenhum, deixando-o pensar como entender. Por
isso a Maçonaria não tem uma doutrina. Tudo quanto se chama "doutrina maçónica" são
opiniões individuais de maçons, quer sobre a Ordem em si mesma, quer sobre as suas relações
com o mundo profano. São diversíssimas: vão desde o panteísmo naturalista de Oswald Wirth
até ao misticismo cristão de Athur Edward Waite, ambos eles tentando converter em doutrina o
espírito da Ordem. As suas afirmações, porém, são simplesmente suas; a Maçonaria nada tem
com elas. Ora o primeiro erro dos antimaçons consiste em tentar definir o espírito maçónico em
geral pelas afirmações de maçons particulares, escolhidas ordinariamente com grande má-fé.
(...)" (Idem) .
Fernando Pessoa nos coloca mais uma vez que a Maçonaria, apesar de se encontrar unida
espiritualmente, encontra-se também do ponto de vista material e institucional profundamente
dividida. O escritor aproveita-se desta particularidade para concluir e apontar esta evidência
para novamente apontar um outro erro estrutural dos antimaçons, o fato de ainda àquela época,
como hoje ainda acontece, a ação social da Maçonaria apresentar e sofrer profundas variações
de país para país, de um contexto histórico para um outro contexto histórico, em função das
circunstâncias do ambiente e do tempo em que estas ações venham a ocorrer:
"(...) A sua acção social varia de país para país, de momento histórico para momento
histórico, em função das circunstâncias do meio e da época, que afectam a Maçonaria como
afectam toda a gente. A sua acção social varia, dentro do mesmo país, de Obediência para
Obediência, onde houver mais que uma, em virtude de divergências doutrinárias - as que
provocaram a formação dessas Obediências distintas, pois, a haver entre elas acordo em tudo,
estariam unidas. Segue de aqui que nenhum acto político ocasional de nenhuma Obediência
pode ser levado à conta da Maçonaria em geral, ou até dessa Obediência particular, pois pode
porvir, como em geral provém, de circunstâncias políticas de momento, que a Maçonaria não
criou. (...)" (Idem) .
É esta doutrina espiritual que se encontra unificada em seus diversos princípios que tornam a
Maçonaria uma Instituição Universal. Porém quanto às suas posições políticas, como já citadas,
sofrem profundas variações de Potência para Potência Maçônica e de Maçom para Maçom.
Estas variações de posições são ditadas pelas especificidades e condicionamentos variáveis de
cada época e lugar. Segundo a opinião expressa por Fernando Pessoa, não teria muito cabimento
julgar pessoas e principalmente instituições por suas ações em um passado remoto, como não
caberia julgar alguém pelos erros dos seus familiares desenvolvidos em outros países. O não
entendimento deste particular detalhe faz com que, na opinião de Fernando Pessoa, as
campanhas antimaçônicas sejam fadadas inevitavelmente ao fracasso, a desconsideração e ao
descrédito e mesmo ao escárnio por parte daqueles que são detentores de um mínimo que seja
de cultura. Talvez seja esta conclusão que tenha levado Fernando Pessoa a escrever este artigo,
em nossa opinião, expondo a ignorância, o fanatismo e o anacronismo dos movimentos que se
colocam contra a ação da Maçonaria e dos Maçons, contra as liberdades individuais e
obviamente contra o desenvolvimento que é próprio dos povos que as cultivam. Sua cultura
erudita fez com ele enxergasse muito além das superstições religiosas e muito além das
conjunturas locais momentâneas. Esta cultura acumulada por Fernando Pessoa, fez com ele
acabasse percebendo a essência e muitos dos profundos ensinamentos contidos e presentes no
interior dos princípios maçônicos:
"(...) Resulta de tudo isto que todas as campanhas antimaçônicas - baseadas nesta dupla
confusão do particular com o geral e do ocasional com o permanente - estão absolutamente
erradas, e que nada até hoje se provou em desabono da Maçonaria. (...)" (Idem).
4.3 - A AÇÃO ANTIMAÇÔNICA
Chegando ao final de seu artigo, Fernando Pessoa faz colocações sobre as diversas acusações
que a Ordem Maçônica recebeu ao longo dos séculos, que naquele momento recebia e que ainda
hoje (século XXI) ainda recebe. Acusações que ele considera infundadas, em sua opinião
erudita.
Reclama também Fernando Pessoa, o devido reconhecimento pelos benefícios que foram
proporcionados pela Maçonaria e pelos maçons em particular, à Civilização Ocidental.
Reconhecimento que ele procurou colocar e reinvidicar de maneira bastante fundamentada
como um contrapeso aos diversos males que a ação anti-maçônica procura imputar a Ordem.
Este reconhecimento por ações benéficas que ele toma como uma questão de profunda justiça:
"(...) Sejamos, ao menos, justos. Se debitamos à Maçonaria em geral todos aqueles casos
particulares, ponhamos-lhe a crédito, em contrapartida, os benefícios que dela temos recebido
em iguais condições. Beijem-lhe os jesuítas as mãos, por lhes ter sido dado acolhimento e
liberdade na Prússia, no século XVIII - quando, expulsos de toda a parte, os repudiava o próprio
papa - pelo maçom Frederico II (Rei da Prússia) Agradeçamos-lhe a vitória de Waterloo, pois
que Wellington e Blücher eram ambos maçons. Sejamos-lhe gratos por ter sido ela quem criou a
base onde veio a assentar a futura vitória dos Aliados - a Entente Cordiale, obra do maçom
Eduardo VII. Nem esqueçamos, finalmente, que devemos à Maçonaria a maior obra da
literatura moderna - o Fausto, do maçom Goethe (...)" (Idem).
Fernando Pessoa finaliza o artigo, ironizando a falta de conhecimento fundamentado por
parte dos antimaçons. Sutilmente destaca o apego dos antimaçons às lendas e ao lugar comum
dos velhos chavões anti-cristãos, que reduzem a Maçonaria a uma simples conspiração contra a
cristandade:
"(...) Acabei de vez. Deixe o sr. José Cabral a Maçonaria aos maçons e aos que, embora o
não sejam, viram, ainda que noutro Templo, a mesma Luz. Deixe a antimaçonaria àqueles
antimaçons que são os legítimos descendentes intelectuais do célebre pregador que descobriu
que Herodes e Pilatos eram Vigilantes de uma Loja (Maçônica) de Jerusalém (...)" (Idem).
Ao final de seu artigo, Fernando Pessoa procura lembrar ao Deputado José Cabral, e através
dele ao governo, dos segredos que com toda a certeza bem claramente eram guardados pela
Igreja Católica, em especial a Igreja Católica de Portugal, tão defendida e sempre preservada
pelo governo de Antonio Salazar. Fernando Pessoa convida o Deputado e o Governo Português
para que, juntamente com ele fossem à cidade e ao Santuário de Fátima, no aniversário das
aparições da Virgem Maria naquela cidade. Na verdade o convite feito ao deputado, soava mais
como uma resposta provocativa do que simplesmente um convite à oração. Ao citar a cidade de
Fátima e efetuar o convite, o escritor faz uma referência direta aos "Segredos de Fátima", que
em número de três, áquela época eram guardados a sete chaves pela Igreja Católica e por
aqueles que deles haviam tido conhecimento e acesso ao seu conteúdo:
"(...) No dia 13 de Maio de 1917, três meninos pastores - os irmãos Francisco e Jacinta Marto
e a prima Lúcia dos Santos - presenciaram a primeira de várias aparições da Virgem. Francisco
e Jacinta morreram pouco depois da última visão, vítimas da gripe espanhola, enquanto Lúcia se
trancafiou em um convento carmelita (...)" (DIAS, 2000, passim).
O Vaticano e a Igreja Católica portuguesa a princípio, olharam os relatos das aparições com
relativa desconfiança, mas em 1930 autorizaram o culto a Nossa senhora de Fátima. Quando da
publicação de seu artigo em defesa da Maçonaria, Fernando Pessoa já possuía pleno
conhecimento sobre as atitudes e o posicionamento da Igreja em procurar preservar os segredos
de Fátima e em manter a mística que se desenvolveu em torno destes eventos. Durante muitas
décadas foram escritos inúmeros livros e artigos, surgiram cultos apocalípticos baseados nas
especulações em torno da totalidade dos segredos, que foram parcialmente revelados na década
de 1940. Porém apenas os dois primeiros foram tornados públicos, mesmo assim em uma
linguagem truncada, cifrada e recheados de metáforas. O Terceiro Segredo de Fátima, seria
revelado apenas no mês de Junho do ano Dois Mil pelo Vaticano , sob as ordens do Papa João
Paulo II.
O que podemos retirar destes fatos, seria a conclusão prática sobre os segredos que são
mantidos, ou que eram mantidos por aqueles que se consideravam conservadores e que se
colocaram contra a Ordem Maçônica (Sobre a condição da existência e da necessidade de se
manter segredos nas instituições, colocadas por Fernando Pessoa, já discorremos neste artigo).
Nesta situação destaca-se em especial a atuação dos católicos conservadores portugueses.
Devemos recordar que sempre a principal objeção mantida pela Igreja católica à Ordem
Maçônica, ficou sempre em torno da existência de segredos entre os seus membros e também de
juramentos que envolveriam a manutenção e a segurança destes segredos. Isto ficou bastante
claro já no primeiro documento papal condenando a Maçonaria, emitida pelo Papa Clemente
XII, denominada Constituição Apostólica "In eminenti", publicada em 28 de abril de 1738.
05 – PRÓLOGO
Como já colocamos durante o desenrolar deste trabalho, o Projeto de Lei do deputado José
Cabral recebeu na Assembléia Nacional o número dois. A Câmara Corporativa em data de 27 de
Março votou favoravelmente à apresentação do Projeto de Lei Número Dois e ao
prosseguimento dos tramites normais para a aprovação do projeto. Em 06 de abril de 1935 a
Assembléia Nacional Portuguesa aprovou o "Projeto de Lei Número 02" por unanimidade,
tornando-se a Lei número 1901, de 21 de Maio de 1935. De imediato a Ordem Maçônica foi
considerada legalmente extinta pelo Governo Português. O próprio Deputado José Cabral
chegou posteriormente a responder ao artigo de Fernando Pessoa, ocasião em que o chamou de
"mimoso anfíbio"(sic):
"(...) Chove no Templo, da autoria de José Cabral, autor do projeto de lei que pretendia
apenas regulamentar um velho preceito do Código Penal Português (artigo 283) publicado como
carta ao editor do Diário de Lisboa, também publicado no A Voz. Chama Fernando Pessoa de
'mimoso anfíbio', faz referência ao 'Protocolo dos Sábios de Sion'. Afirma que a Maçonaria
causa a ruína de todas as instituições tradicionais, a derrocada de impérios poderosos, um
desequilíbrio político e que desse aglomerado de destroços surgiram pela sua mão, as novas
fórmulas políticas do liberalismo e da democracia, a queda da monarquia e tantos outros
crimes." (VARELLA, op. cit. Passim)
Restou, portanto, a Maçonaria e aos maçons portugueses atuarem na clandestinidade, sendo
que o tempo fez com que muitos se silenciassem e Lojas abatessem colunas. Em 1974, por
ocasião da Revolução dos Cravos que colocou fim à Ditadura Salazarista, existiam em todo o
território de Portugal cerca de três ou quatro Lojas em funcionamento. Segundo Arnaldo
Gonçalves, a história da Maçonaria em Portugal do período do Estado Novo está ainda para ser
escrita e completamente revelada. Quanto ao destino de Fernando Pessoa, ele veio a falecer
naquele mesmo ano de 1935, aos 47 anos de idade. Após a sua morte a totalidade de sua obra
veio a público e tornou-se bastante conhecida em Portugal e nos países de língua portuguesa.
Hoje Fernando Pessoa é um dos mais caros símbolos do Portugal moderno, culto e inteligente,
sendo que ele é considerado um dos maiores escritores da língua portuguesa.
06 – CONCLUSÕES
Um dos objetivos deste trabalho, e esperamos sinceramente que ele tenha sido atingido em
sua plenitude, foi procurar mostrar como ocorre a atuação da Maçonaria na defesa das
liberdades humanas. Um outro objetivo foi mostrar como aqueles que enxergam na Ordem
Maçônica um poder adversário, atuam. Procuramos demonstrar também como atuam as
ditaduras opressoras e os inimigos da Maçonaria e das liberdade individuais. Ditaduras que
frequentemente podem vir a surgir nos mais diversos paises e sociedades e em qualquer tempo
ou situação.
A Maçonaria enquanto defender a liberdade, manifestada em todos os seus aspectos, do ser
humano, será sempre um alvo de perseguições e intolerâncias. Onde houver um ditador e uma
ditadura haverá alguém se opondo, esse alguém poderá ser um maçom ou contar com o apoio da
Maçonaria. A Maçonaria e o ideal maçônico já provaram que podem ser amordaçados, mas
nunca emudecidos. Enquanto a Sublime Ordem se portar desta maneira surgiram e
permanecerão homens e mulheres de bem que sendo ou não maçons se postarão em sua defesa,
tal qual Fernando Pessoa. Que o Grande Arquiteto do Universo o tenha em seu seio, que o
abençoe e o guarde.
Podemos concluir afinal este trabalho que se mostrou um tanto que extenso, mas que
esperamos tenha sido informativo e conclusivo, com uma frase do próprio Fernando Pessoa.
Uma frase em que ele define o guia de sua conduta e norte do seu pensar, em uma alusão
bastante clara a um personagem histórico que é bastante caro e importante a toda Ordem
Maçônica: o Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários Jacques de Molay, que morreu
executado na fogueira da Inquisição.
* "Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, Grão-Mestre dos Templários, e
combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos: a IGNORÂNCIA, o FANATISMO
e a TIRANIA"
Lisboa, 30 de Março, de 1935
Fernando Pessoa
(*) Roberto Bondarik (bondarik@cp.cefetpr.br[1])
M.'.M.'., ARLS Cavaleiros da Luz, Nº 60 - Grande Loja do Paraná - Brasil.
Bibliografia:
O malhete
ARRUDA, José Jobson de A.; PILLETTI, Nelson - Toda A História: História Geral e do
Brasil. 12ª ed. São Paulo: Ática, 2003;
ASLAN, Nicola - O Simbolismo. In: O Fio de Prumo. Ponta Grossa, Ano 1, nº 5, Outubro de
2001, p.5-6;
BONDARIK, Roberto - A Interpretação e o Entendimento dos Símbolos.
Escolas do Pensamento Maçônico - In: A Trolha: Coletânea 6. Londrina: A Trolha, 2003.
p.141-151;
CAMPANHA, Luiz Roberto - A Filosofia e a Análise dos Símbolos. In: Caderno de
Pesquisas 20. Londrina: A Trolha, 2003. p.33-40;
CARVALHO, Luis Nandim de - História da Maçonaria.
CASTELLANI, José - O Rito Escocês Antigo e Aceito: História, Doutrina e Prática. 2ª ed,
Londrina: A Trolha, 1996;
CHAUI, Marilena - Convite a Filosofia. 5ª ed. São Paulo: Ática, 1996. P 59-60;
DIAS, Cristiane - O Terceiro Segredo. Revista Veja, 21 de junho de 2000. Passim;
Letra Por Letra - Revista Veja, 05 de julho de 2000. P. 64-65;
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Seu tempo
Álvaro Palmeira played a crucial role in revitalizing the Brazilian Rite by renewing previous initiatives to establish it effectively within the Grande Oriente do Brasil. During his leadership, legal frameworks were established to support the Rito Brasileiro. Additionally, Palmeira was instrumental in the preservation efforts for the Masonic Palace in Lavradio, facing opposition to prevent its demolition, ensuring it remained a historical and operational center for Brazilian Freemasonry .
The development of secret signs and rituals in the Rito Escocês Antigo e Aceito is influenced by a blend of mystical, historical, and mythological sources. Mystically, it integrates concepts from Hinduism, such as chakras and energy channels. Historically, it incorporates Judaic teachings from the Cabala, like the Tree of Life. Mythologically, it draws on biblical events, such as the giving of the Ten Commandments, and incorporates legends surrounding figures like Moses and the Order of the Knights Templar .
The myths of Osiris influence the higher degrees of Freemasonry by providing allegorical narratives that embody concepts of judgment, morality, and regeneration. In the 31st degree, the figure of Osiris symbolizes the ultimate judgment all individuals face, reflecting Masonic teachings on accountability and ethical living. Osiris as a ruler and teacher also contributes to Freemasonry's ideal of enlightened leadership and the passing of knowledge .
The document highlights various challenges faced within Freemasonry, such as members not communicating their issues, leading to disunity, and differences in opinions causing disruptions. Solutions proposed include promoting open dialogue, emphasizing the importance of continuous participation and education in masonic values, and finding strength in collective support in adverse situations. By learning from positive role models within the Lodges, Freemasons can overcome irregularities and foster cooperative environments .
In the Rito Escocês Antigo e Aceito, the main symbols include the chakras, as part of the mystical origins, which align with the nadis or energy channels of Hindu tradition. These chakras are linked to various secret signs of Freemasonry, representing important centers of energy like the laryngeal, cardiac, and pelvic chakras. Additionally, other symbols originate from historical and mythological sources, such as references to the Tree of Life from Kabbalah, symbolizing the divine energy represented in the sefirotes .
The Rito Brasileiro holds significant importance within the Grande Oriente do Brasil as it represents a distinct and autonomous masonic tradition recognized and integrated into the national framework. Initially founded in 1914, it faced various challenges in firmly establishing itself until its formal resurgence by Álvaro Palmeira in 1968, which stabilized its practices and governmental structure. Over time, it served as a testament to the adaptability and progress of Masonry in Brazil, reflecting regional historical and cultural influences .
The persecution of Freemasonry in Portugal occurred within the broader historical context of the European interwar period, characterized by political instability and the rise of totalitarian regimes. Salazar's Estado Novo, a fascist and authoritarian regime, aimed to preserve Catholic conservatism by isolating Portugal from the rest of Europe. This led to the repression of organizations deemed subversive, such as Freemasonry, which was officially banned from 1935 to 1974, until the Carnation Revolution .
Fernando Pessoa defended Freemasonry in his 1935 article by highlighting its essential contributions to Western civilization and the unifying fraternity it promotes among members worldwide. He argued against the ignorance and misconceptions held by anti-masons, criticizing the baselessness of their claims. Pessoa used his writing to deconstruct these arguments, emphasizing the cultural and humanitarian achievements facilitated by Freemasonry, such as creating an atmosphere aiding the Entente Cordiale and works of literature like Goethe's 'Faust' .
Masonic teachings propose addressing socio-economic inequalities by encouraging the elevation of all people, focusing on empowering and educating individuals to lift those in need. The philosophy emphasizes helping individuals to improve their circumstances rather than merely providing aid. Masons are encouraged to apply principles of brotherhood, moral integrity, and altruism in both their Masonic practices and broader societal interactions, striving for a balanced integration of spiritual and material progress .
Fernando Pessoa perceived the anti-Masonic sentiment as largely based on ignorance and misinformation, propagated by those who misunderstood the nature of Freemasonry. He argued that anti-Masonry failed to recognize the Order's positive impacts on society, highlighting that accusations were baseless and often contradicted by the Masonic work's cultural and ethical achievements. Pessoa emphasized justice by reminding critics of the Order’s historical contributions and appealed for fair acknowledgment of their benefits .