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CENTRO INTEGRADO DE TECNOLOGIA E PESQUISA FACULDADE NOSSA SENHORA DE LOURDES

PALOMA ANDRÉA MACÊDO

PROFILAXIA DA TRANSMISSÃO VERTICAL DO HIV: DESAFIO NA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM

JOÃO PESSOA - PB 2011

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PALOMA ANDRÉA MACÊDO

PROFILAXIA DA TRANSMISSÃO VERTICAL DO HIV: DESAFIO NA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM

Monografia apresentada ao Centro Integrado de Tecnologia e Pesquisa – CINTEP, como um requisito para a obtenção do título de especialista em Saúde da Família, sob a orientação da Prof. Ms. Carlos Ovídio Lopes de Mendonça Netto.

JOÃO PESSOA - PB 2011

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PALOMA ANDRÉA MACÊDO

PROFILAXIA DA TRANSMISSÃO VERTICAL DO HIV: DESAFIO NA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM

Monografia apresentada ao Centro Integrado de Tecnologia e Pesquisa – CINTEP, em cumprimento às exigências para obtenção do grau de Pós–Graduação em Saúde da Família.
Aprovada em:________/_____________________/2011.

Banca examinadora

_____________________________________________________
Orientador: Carlos Ovídio Lopes de Mendonça Netto

______________________________________________________ Examinador I

________________________________________________________ Examinador II

JOÃO PESSOA - PB 2011

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Dedico este trabalho a minha vó que foi a maior percussora para que eu alcançasse o meu objetivo e por ter estado sempre do meu lado em todos os momentos da minha vida e aos meus pais pelo o apoio e o carinho inigualável que me fez crescer e ter forças para alcançar os meus sonhos.

. por ter sido a minha maior educadora. auxiliando em tudo que ainda não consigo compreender. a pessoa que incondicionalmente mim acompanhou durante todo o meu caminho e proporcionou a minha vitória. cada barreira a ser quebrada. que me deu base para enfrentar cada momento. que foram fundamentais durante todo o curso. São os meus sinceros agradecimentos a todos que colaboraram direta ou indiretamente para a concretização deste sonho. amável e fiel a tudo que se dedicava. por estarem ao meu lado sempre acompanhando meus passos. obrigada por fazerem parte da minha vida. pelo amor. forte e amável. que é a mulher responsável por tudo que eu alcancei. uma mulher grandiosa. por tudo que uma amizade poderia ter de mais sólido e aos amigos pelo qual não citei mais que tiveram importância grandiosa na minha vida e que me ajudaram de alguma forma a crescer como pessoa. pela pessoa maravilhosa. A minha tia Josefa Quaresma Ferreira Santos. pelas noites passadas em claro. o maior idealizador dos projetos concluídos na minha vida. pelos momentos vividos. que foi a pessoa que proporcionou toda a minha educação. o amigo que nunca se afasta de mim. Aos meus pais. por serem companheiros inseparáveis de todas as horas. pelos favores prestados. firmando meus caminhos. Aos amigos (as). minha “mãe segunda” (in memorian).5 AGRADECIMENTOS A Deus. A minha vó Isabel Quaresma Matos. que me ensinou a transpassar por todas as etapas da minha vida. pelos os momentos de alegria. amizade e força que sempre me deram.

Mesmo células malignas podem ser identificadas precocemente. descrever o papel do enfermeiro na assistência a mulher portadora de câncer de colo uterino. ou seja.6 MACÊDO. Trata-se de um estudo bibliográfico. Programa de Pós-Graduação. A atuação de enfermagem em qualquer área da saúde seja pública ou privada. com aproximadamente 500 mil casos novos por ano no mundo. É o segundo tipo de câncer mais frequente entre as mulheres. Paloma Andréa. 230 mil mulheres por ano. 47 p RESUMO O Câncer do Colo Uterino trata-se de uma patologia neoplásica maligna que atinge o aparelho reprodutor feminino. HPV. de acordo com a literatura pertinente. um controle de suas características celulares e um tratamento menos agressivo quando do surgimento de atipia celular. e através de artigos eletrônicos. A metodologia utilizada foi à bibliográfica de natureza descritiva. de atenção individual ou coletiva é de fundamental importância o conhecimento científico da doença. sendo responsável pelo óbito de. Monografia apresentada à Faculdade Nossa Senhora de Lourdes. enfatizar o conhecimento acerca desta patologia proporcionando a condição de aplicação na prevenção e detecção adequada desta doença e descrever a relação entre o HPV e o câncer de colo uterino. parte que fica no fundo da vagina. Esta neoplasia acomete a parte inferior do útero. caracterizado pelo aparecimento de células que se multiplicam desordenadamente formando tumores na região do colo do útero. o que favorece o prognóstico da doença mediante tratamento adequado. Palavras-chave: COLO UTERINO. que teve como objetivos. Câncer. ficou constatado que o câncer de colo uterino. desde suas formas de contágio até a sua evolução para o câncer. 2011. aproximadamente. que é a porção enriquecida por células epiteliais. permitindo à mulher que realiza este exame anualmente. ainda acomete um número alto de mulheres no mundo inteiro. João Pessoa. PROFILAXIA DA TRANSMISSÃO VERTICAL DO HIV: DESAFIO NA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM. realizado na biblioteca de outras instituições de ensino superior públicas e privadas. e a prevenção com o Papanicolau é um exame essencial para fins profiláticos. Por fim. Esse conhecimento da doença proporciona ao enfermeiro a possibilidade de desenvolver ações mais direcionadas e adequadas de prevenção e controle do câncer do colo de útero. . apesar de haver o controle por parte do Enfermeiro.

it was determined that the uterine cervix cancer. Is the second most common cancer among women. The methodology used was the bibliographic descriptive in nature. João Pessoa. which had as its objectives. . and electronics. PREVENÇÃO DO CÂNCER DE COLO UTERINO E AS INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM. 47 p ABSTRACT Cervical cancer is a malignant neoplastic pathology affecting the female reproductive system. carried out at the library of the Faculty Santa Emília de Rodat. emphasize knowledge about this pathology providing condition application in appropriate prevention and detection of this disease and describe the relationship between HPV and uterine cervix cancer.7 SOUZA. which is the portion enriched by epithelial cells. This bibliographic study. Programa de Pós-Graduação. 2011. Cancer. and prevention with the Pap test is a critical examination for condoms. Raquel Alves Matos de. other institutions of higher education in public and private. This knowledge of disease gives nurses to develop more targeted actions and appropriate prevention and control of cancer of the uterus. i. individual or collective attention is of fundamental importance to the scientific knowledge of the disease. Keywords: UTERINE CERVIX. HPV. with approximately 500 000 new cases per year in the world. being responsible for the death of approximately 230 000 women per year. a cellular characteristics control and less aggressive when the emergence of mobile atipia. according to the relevant literature. allowing the woman who carries out this examination annually. Finally. since its forms of contagion until its evolution for the cancer. describe the role of nurses in assisting women bringer of uterine cervix cancer. still plagues a high number of women worldwide. Monografia apresentada à Faculdade Nossa Senhora de Lourdes. although there is control by the Nurse.e. Nursing Fellowship in any area of health is public or private. part lying at the bottom of the vagina. characterized by the appearance of cells that multiply haphazardly forming tumors in cervical region. This neoplasm plagues the lower part of the uterus. which favours the prognosis of the disease through appropriate treatment. Even malignant cells can be identified early.

.................................................................. 14 Figura 03: Estadiamento do Carcinoma de colo uterino....................8 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 01: Colo do útero normal...... 14 Figura 02: Colo do útero com lesão............................................................ 32 ................................................... 32 Figura 05: Teste de Schiller Negativo (-).................. 28 Figura 04: Teste de Schiller Positivo (+)..............................................................................................................................................

.............................................21 2......................................................................................................................................................26 3......................................................................3 Teste de Shiller......................................................33 5...................................................................26 3........................................2 Vacina contra o HPV......................3 Manifestações Clínicas e estadiamento do câncer de colo do útero....................................................1 Dinâmica Celular e a invasão do HPV......22 CAPÍTULO 3 Métodos Diagnósticos........30 CAPÍTULO 4 Prevenção..................................36 ...........................................19 2..........................1 Cirurgia.......31 CAPÍTULO 5 Formas de Tratamento.................................................34 5...................................................................................................11 CAPÍTULO 1 Aspectos gerais a cerca do Câncer de Colo de Útero....................................................................................2 Fatores de risco e etiologia....................................1 Papanicolau.......................................................................................................................28 3.............................................27 3....................................................................................................................................................13 1..29 3.............2 Colposcopia...2 Radioterapia...4 Biópsia................................................................................................................................32 5.......................................................................................................3 Quimioterapia..............9 SUMÁRIO INTRODUÇÃO.................5 Captura Híbrida.............................................................................14 CAPÍTULO 2 O Papilomavírus Humano (HPV) e sua relação com o Câncer de colo de útero16 2..............

..............................................1 Atuação de Enfermagem no controle do Câncer do Colo do Útero....................39 CONSIDERAÇÕES FINAIS......................44 .............38 6......................................................................................................42 REFERÊNCIAS....10 CAPÍTULO 6 Programas de Saúde da Mulher...................................................................................................

Segundo Guimarães (2004). para o desenvolvimento. manutenção e progressão das lesões intraepiteliais faz-se necessária. porém. uso de contraceptivos orais. os tipos mais comuns são o HPV16 e o HPV18. multiplicidade de parceiros sexuais. não é uma causa suficiente. uma vez que. Esta neoplasia acomete a parte inferior do útero. mostrou-se à supressão das . Outros fatores que contribuem para a etiologia desse tumor são o tabagismo. estudos in-vitro em culturas de células do colo uterino onde foi adicionado líquido seminal humano. 2001). 2006).11 INTRODUÇÃO O Câncer do Colo Uterino trata-se de uma patologia neoplásica maligna que atinge o aparelho reprodutor feminino. que são lesões precursoras do carcinoma epidermóide invasivo e que dependendo de sua gravidade. podem evoluir para o processo invasor variando de dez a vinte anos. baixa ingestão de vitaminas. Sabe-se hoje que. poderá ou não evoluir para o câncer (BENTO. 2010). que são classificadas como neoplasias intra-epiteliais cervicais (NIC). Destes. multiparidade. O câncer do colo do útero é uma afecção progressiva que tem início com transformações intra-epiteliais. Segundo o INCA (2010) no Brasil.430. as estimativas da incidência de câncer no Brasil apontam a ocorrência 18. sendo responsável pelo óbito de 230 mil mulheres por ano. ou seja. o Papilomavírus Humano (HPV) é condição necessária. sendo superado apenas pelo câncer de mama. caracterizado pelo aparecimento de células que se multiplicam desordenadamente formando tumores na região do colo do útero. para o desenvolvimento da lesão intraepitelial de alto grau e do câncer invasivo do colo do útero. histologicamente as lesões cervicais pré-invasoras se desenvolvem através de alterações celulares. por si só. a sua associação com os outros fatores de risco. com um risco estimado de 18 casos a cada 100 mil mulheres. Para o ano de 2010. que é a porção enriquecida por células epiteliais (PINOTTI. iniciação sexual precoce e coinfecção por agentes infecciosos como o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e Chlamydia trachomatis (INCA. BARROS. parte que fica no fundo da vagina. Aproximadamente todos os casos de câncer do colo do útero são causados por um dos 15 tipos do HPV atualmente reconhecidos como oncogênicos pela IARC. além da persistência do HPV. estima-se que o câncer de colo do útero seja a segunda neoplasia maligna mais comum entre as mulheres.

apontando para a necessidade de um preparo mais específico do profissional de enfermagem para assistir a este tipo de paciente a partir do desenvolvimento dos recursos modernos da ciência e numa melhor informação sobre a promoção da saúde. 2010). Esse conhecimento da doença proporciona ao enfermeiro a possibilidade de desenvolver ações mais direcionadas e adequadas de prevenção e controle do câncer do colo de útero. tal fato despertou-me o interesse em aprofundar os conhecimentos científicos sobre a referida patologia. Porém a utilização do mesmo líquido seminal na mesma cultura durante um longo período de tempo mostrou que não mais ocorreu a supressão dessas células. pude perceber a necessidade de uma reflexão acerca desta problemática. Diante do exposto. provando assim que a mulher com diferentes parceiros sexuais em curto espaço de tempo tem a imunidade local do colo uterino suprimida.12 células NK (Natural Killers). pois afeta milhões de indivíduos em todo o mundo. e neste sentido. responsáveis pela imunidade local contra processos neoplásicos. podendo ser aumentada à possibilidade do desenvolvimento de um processo neoplásico quando o vírus já se encontra nessas células. de atenção individual ou coletiva é de fundamental importância o conhecimento científico da doença. A infecção pelo papiloma vírus humano atinge proporções epidêmicas em algumas regiões. ao observar na prática do estágio de Saúde da Mulher. desde suas formas de contágio até a sua evolução para o câncer. representa um desafio em termos de saúde pública. Assim a partir deste estudo buscarei respostas para o seguinte questionamento: Que requisitos o enfermeiro poderá adotar para a assistência ao paciente com câncer cervical? O Objetivo deste trabalho é descrever o papel do enfermeiro na assistência a mulher portadora de câncer de colo uterino. inclusive no Brasil (INCA. Sabe-se que a melhor estratégia de combate ao câncer está na prevenção. . para subsidiar a prática profissional. índices elevados de mulheres acometidas com o câncer de colo do útero. A atuação de enfermagem em qualquer área da saúde seja pública ou privada. como também enfatizar o conhecimento acerca desta patologia proporcionando a condição de aplicação na prevenção e detecção adequada desta doença. o que têm permitido que um número cada vez maior destes pacientes consiga evitar que chegue ao câncer cervical.

único parceiro sexual masculino com múltiplas parceiras sexuais. com exceção do câncer de pele. infecção cervical crônica. é o câncer que apresenta maior potencial de prevenção e cura quando diagnosticado precocemente (INCA. A incidência de câncer do colo do útero evidencia-se na faixa etária de 20 a 29 anos e o risco aumenta rapidamente até atingir seu pico. aproximadamente. 230 mil mulheres por ano. idade. 2006). geralmente na faixa etária de 45 a 49 anos. 2010).13 CAPÍTULO 1 ASPECTOS GERAIS ACERCA DO CÂNCER DE COLO DE ÚTERO É o segundo tipo de câncer mais frequente entre as mulheres. baixo nível socioeconômico. Quando as lesões são bem localizadas (carcinoma in situ) dependendo do seu tamanho e de outros fatores como estadiamento no momento do diagnóstico não há necessidade de se retirar o útero bastando à retirada da lesão seguida de rigoroso acompanhamento ginecológico (INCA. sendo responsável pelo óbito de. exposição ao Papilomavírus Humano (HPV). Sua incidência é cerca de duas vezes maior em países menos desenvolvidos quando comparada aos países mais desenvolvidos. tabagismo e álcool. início precoce da atividade sexual. sendo que alguns dos principais estão associados à: Multiplicidade de parceiros sexuais. infecção por HIV. higiene íntima inadequada. . pouca instrução. com aproximadamente 500 mil casos novos por ano no mundo. Vários são os fatores de risco identificados para o câncer de colo do útero. menstruação precoce e menopausa tardia. história familiar e hereditariedade. Ao mesmo tempo. Segundo Smeltzer e Bare (2002) e INCA (2008) embora todas as mulheres sejam consideradas com risco para desenvolver o câncer de colo uterino. radiações ionizantes. uso prolongado de contraceptivos orais. gestação em idade precoce. existe um perfil da população feminina mais vulnerável ao mesmo. deficiências nutricionais (baixa ingestão de vitaminas A e C).

Além disso. 2008). Figura 02: Colo do útero com lesão (Carcinoma in situ) Fonte: RAMOS. mas não suficiente para a evolução do câncer. 2008). geneticamente pré-determinadas. 2008. podendo ser externas ou internas ao organismo. estando ambas inter-relacionadas. As causas internas são. 1. Causam diversos tipos de lesões como a verruga comum e a verruga genital ou condiloma. tais como: fumo. As causas externas relacionam-se ao meio ambiente e aos hábitos ou costumes próprios de um ambiente social e cultural. São encontrados mais de . o sorotipo do HPV. Eles infectam células epiteliais e têm a capacidade de causar lesões na pele ou mucosas. As causas de câncer são variadas. são essenciais para que a doença ocorra (INCA. início precoce da atividade sexual. história de doenças sexualmente transmissíveis. a carga viral e a associação com outros fatores de risco que atuam como co-fatores. multiplicidade de parceiros. Esses fatores causais podem interagir de várias formas. popularmente conhecida como “crista de galo”. contraceptivo oral.14 Figura 01: Colo do útero normal Fonte: RAMOS. na maioria das vezes. aumentando a probabilidade de transformações malignas nas células normais (BRASIL. baixa escolaridade e renda. Os Papilomavírus Humanos são vírus da família Papillomaviridae. estão ligadas à capacidade do organismo de se defender das agressões externas. 2008. muito embora estudos tenham demonstrado que a infecção pelo HPV é necessária.2 FATORES DE RISCO E ETIOLOGIA A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que a persistência da infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) representa o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença.

Portanto. Em relação a etiologia que podem estar associados ao câncer de colo de útero entre elas estão a idade pois o câncer de colo do útero invasivo é mais comum em mulheres entre 35 a 50 anos. a origem do câncer de colo uterino é multifatorial. por afetar as células de Langhans (células de defesa do tecido epitelial) (MOHALLEM. mas são infreqüentemente associados com alterações pré-cancerosas ou com o câncer . colposcopia e biópsia. 2006). todos esses fatores são mais prevalentes nas mulheres de nível socioeconômico mais baixo. pois o papilomavírus é um importante agente etiológico deste câncer. FOCACCIA. 2001). Entre outros fatores o tabagismo. o hábito sexual. CARVALHO. pois isso implica atividade sexual mais prolongada. tanto quanto nas linhagens do câncer cervical. RODRIGUES. . ao número de gestações e de filhos. 2004). somente os de alto risco estão relacionados a tumores malignos (BRASIL. 2004). Por isso uma relação casual entre HPV e o câncer da cérvice está agora firmemente estabelecid. o início precoce das atividades sexuais aumenta a probabilidade de câncer cervical. PINOTTI. Existem muitos outros tipos de HPV de baixo risco que não estão relacionados com verrugas e nem com o câncer cervical (NICOLAU. do ponto de vista epidemiológico (VERONESI. betacaroteno e/ou ácido fólico. ao tabagismo. A infecção por HPV de alto risco está associada com alterações citológicas e histológicas que são detectadas no exame de Papanicolaou.15 200 subtipos diferentes de HPV. às carências nutricionais. conferem a esta população uma alta incidência deste tipo de câncer (SOUEN. As dietas pobres em vitamina C. O interesse no HPV tem crescido constantemente desde a primeira identificação das sequências de DNA (tipos 16 e 18) nas biópsias de câncer cervical e sua absequente detecção em alta proporção nos espécimes do câncer anogenital. a número de parceiros sexuais. favorecem o desenvolvimento de câncer de colo uterino. A infecção pelos tipos virais de alto risco é considerada o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer cervical. Os tipos 6 e 11 (baixo risco) estão associados à verruga genital ou condilomas. que somado às dificuldades de acesso aos meios de diagnósticos e tratamento precoce. 2007). pois possui importante associação com o câncer de colo do útero. A transformação neoplásica do epitélio cervical está relacionada à idade do início da atividade sexual.

geralmente em uma fase de estresse. entrando em ação em determinadas situações. manifestam lesões (vermelhidão discreta com uma ou várias bolhas. . Além disso. 2008). tais como: fumo. 2004). podem se transformar em câncer do colo uterino. a carga viral e a associação com outros fatores de risco que atuam como co-fatores. início precoce da atividade sexual. Na maioria dos casos. Alguns tipos de HPV são mais ligados a câncer de colo uterino do que outros e. baixa escolaridade e renda. muito embora estudos tenham demonstrado que a infecção pelo HPV é necessária. 2008). Estudos recentes mostram ainda que o vírus do papiloma humano tem papel importante no desenvolvimento da displasia das células cervicais e na sua transformação em células cancerosas. se não forem tratadas. são essenciais para que a doença ocorra (INCA. verrugas ou lesões do tipo couve-flor). Dos mais de 100 tipos de HPV identificados. o vírus pode desaparecer sozinho ou não desenvolver lesões visíveis. contraceptivo oral. a infecção pelo HPV não apresenta sintomas (SASSE. Este vírus está presente em mais de 90% dos casos de câncer do colo do útero (INCA. são considerados de alto risco (SANTOS. a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que a persistência da infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) representa o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença.16 CAPÍTULO 2 O PAPILOMA VÍRUS HUMANO (HPV) E SUA RELAÇÃO COM O CÂNCER DE COLO DO ÚTERO O HPV (Papilomavírus humano) é transmitido pelo contato sexual e se instala na região genital de homens e mulheres. porém. multiciplicidade de parceiros. 2006). de 15 a 20 causam lesões que. Na maior parte das vezes. história de doenças sexualmente transmissíveis. Desde 1992. 2008). Uma das características do HPV é que ele pode ficar instalado no corpo por muito tempo sem se manifestar. o sorotipo do HPV. Os outros tipos produzem apenas verrugas comuns no corpo (INCA. isoladas ou não. Poucas pessoas (homens e mulheres). mas não suficiente para a evolução do câncer. portanto.

mas sim as alterações que ele pode causar nas células. A indicação está vinculada à suspeita de lesão cervical no momento da avaliação clínica ou se houver alteração citológica positiva para neoplasia intraepitelial ou câncer ou atipias celulares de significado indeterminado (BRASIL. A importância da colposcopia é demonstrada por vários estudos. o diagnóstico da infecção por HPV leva em conta os dados da anamnese. o organismo pode reagir de três maneiras: A maioria dos indivíduos (>90%) consegue eliminar o vírus naturalmente em cerca de 18 meses. permitindo identificar as lesões na vulva. que aumenta o poder de visão do médico. de lesão HPV induzida no sentido de diagnóstico de neoplasia intra-epitelial ou câncer invasor associado (INCA. Indicado na rotina de “screening” para o câncer cervical ou na presença. como as verrugas genitais (visíveis a olho nu) ou "lesões microscópicas" que só são visíveis através de aparelhos com lente de aumento. sem causar nenhuma manifestação clínica e/ou subclínica. vagina. O Papanicolau é o exame preventivo mais comum. Entre eles. nos genitais. Ele não detecta o vírus. o vírus pode se multiplicar e então provocar o aparecimento de lesões. que são chamadas de lesões subclínicas . sem que ocorra nenhuma manifestação clínica. Teste de Hibridização molecular e Captura híbrida. . conseqüentemente. sabe-se que a verruga genital é altamente contagiosa e que a infecção subclínica tem menor poder de transmissão. podemos destacar um estudo que mostrou que uma alta porcentagem dos casos de neoplasia intra-epitelial cervical (NIC) de alto grau (NIC 2 e 3) e lesões microinvasoras passariam sem diagnóstico não fosse o uso da metodologia. de forma geral. A diminuição da resistência do organismo pode desencadear a multiplicação do HPV e. 2008). De acordo com Brasil (2006). exame físico e exames complementares com a pesquisa direta do vírus ou indiretamente através das alterações provocadas pela infecção nas células e no tecido. Já a Colposcopia é o exame feito por um aparelho chamado colposcópio. Os tipos de exames diagnósticos são divididos em: Papanicolau. 2006). Colposcopia. porém esta particularidade ainda continua sendo muito estudada. O vírus pode permanecer "adormecido" (latente) dentro da célula por vários anos. Em um pequeno número de casos.17 Segundo Santos (2006). Biópsia. provocar o aparecimento de lesões clínicas e/ou subclínicas. colo do útero e pênis.

alternativas são empregadas para ajudar a melhorar os mecanismos de defesa como: diminuir o estresse. localizadas na vagina ou vulva. em grande parte. custo do tratamento. Os fatores que podem influenciar na escolha do tratamento são: localização. O paciente deve consultar seu médico para saber qual tratamento é mais adequado e nunca deve se auto-medicar (INCA. Detecta com alta sensibilidade e especificidade o DNA/HPV em amostra de escovado ou biópsia do trato genital inferior. . que consiste na retirada de uma amostra para análise. 2004). mas pode melhorar muito a avaliação de NIC na prática clínica (BRASIL. 2006).18 Pode ser feita também a Biópsia. da resistência específica de cada indivíduo. efeitos adversos e experiência do profissional. pois mesmo destruindo a verruga não se consegue eliminar totalmente os vírus existentes na área genital. É evidente para alguns que a detecção do HPV não pode ser utilizada como ferramenta de diagnóstico isoladamente. Assim. o sucesso do tratamento depende. sem dúvida. Se a atipia colposcópica é maior. O uso desta tecnologia no reconhecimento da presença do HPV oncogênico pode reduzir consideravelmente o número de citologias falso-negativas (BRASIL. conveniência. a lesão é plana e está localizada no colo uterino. A Captura híbrida é uma reação de amplificação de sinal e associa métodos de hibridização molecular e antígenos monoclonais. Lesões verrugosas. fica claro que devemos biopsiá-la para termos o correto diagnóstico histológico para dirigir a conduta. preferências do paciente. no geral não precisam ser biopsiadas (BRASIL.2006). É o exame mais moderno para fazer diagnóstico do HPV. O Teste de hibridização molecular é. grupo (de baixo ou alto riscos) e a carga viral. alimentação equilibrada e horas de sono adequadas (SASSE. alterações nas verrugas. Existem várias opções de tratamento. O objetivo do tratamento deve ser a remoção das verrugas visíveis e eliminação dos sintomas indesejáveis. tamanho e número de verrugas. As recidivas são relativamente freqüentes. parar de fumar. a técnica mais sensível de detecção da infecção pelo Papilomavírus Humano. 2006). 2006). Como em qualquer doença viral. a sua indicação baseia-se no aspecto e localização. que pelo aspecto levamnos ao diagnóstico clínico de infecção viral.

freqüentemente. 2008). Portanto. degradando-a. através da entrada na camada basal da célula de um epitélio ferido. tornando se capazes de imortalizar as células infectadas. eles não podem induzir o fenótipo tumoral diretamente. Depois. cuja forma fosforilada regula negativamente a entrada para a fase S do ciclo celular. resultando num estado de baixo número de cópias do DNA viral. as células ascendem. Por sua vez. O processo pelo qual isso ocorre pode ser explicado pelo fato de que a proteína E7 liga-se ao produto do gene retinoblastoma. Vale ressaltar que embora a expressão dos genes E6/E7 possa cooperativamente induzir a imortalização celular. Os tipos de HPV genital de médio e de alto risco expressam proteínas com potencial oncogênico (E6 e E7).1 DINÂMICA CELULAR E A INVASÃO DO HPV O HPV introduz seu material genético no DNA da célula hospedeira. são necessárias alterações adicionais na expressão gênica celular para que as células adquiram um fenótipo maligno. a proteína E6 liga-se à proteína supressora de tumor p53. regridem espontaneamente. . Dado que o HPV induz proliferações epiteliais que mostram um crescimento limitado e que.19 2. sendo similar a um epitélio não infectado. a progressão tumoral está também sujeita a fatores ambientais e/ou restritos ao hospedeiro (INCA. exceto pelo fato de as células em divisão serem mais freqüentes. Embora o processo de inserção de material genético viral para células normais seja comum em mulheres com amostras cervicais positivas para HPV. esse processo não resulta necessariamente em malignidade. que é uma fosfoproteína. a maioria das células retorna ao estado de descanso. Após a exposição ao HPV. A replicação do DNA do HPV inicia-se com uma fase de modesta amplificação. ocasionando mutações que se acumulam e podem progredir para a malignidade. Após a cura da ferida. iniciam-se os eventos do ciclo vital do vírus com atividade específica sendo governada por fatores que regulam a resposta imune do hospedeiro (GUIMARÃES 2004). deixam o ciclo celular e submetem-se à diferenciação progressiva (INCA. 2008). O epitélio estratificado é reparado pelas divisões das células basais. que aumentam a probabilidade de reiniciação da transcrição. A atividade transcricional é baixa e o DNA viral replica somente quando as células basais e parabasais entram na fase S do ciclo celular.

falha do sistema imune ou. a estimulação das células hospedeiras leva a alteração pronunciada no crescimento da camada basal. colposcópica. sejam individualizadas seqüências de HPV/DNA com técnicas de hibridização molecular (FREIRE. que dura de duas semanas a oito meses ou mais (média de três meses). Durante essa fase. A doença ativamente revelada resultará numa expressão morfológica em células escamosas diferenciadas. desencadeando um processo de hiperplasia das células basais (GROOSS.20 O mesmo autor cita que existem vários estágios diferentes de interação célulavírus. 1996). e em latente onde a forma identificada apenas através de hibridização do DNA em indivíduos com tecidos clínica e colposcópicamente normais. portanto. As células do vírus infectariam a seguir as células metaplásicas cervicais. na replicação viral nas camadas médias e os efeitos citopáticos virais nas células superficiais (BENTO. citológica e histológica de lesão. talvez. 33 e 51 (CHAVES. 1999). A infecção pelo HPV ocorre pelo contato sexual com o parceiro portador da infecção viral latente. Tais alterações podem se manifestar como doença óbvia ou campos subclínicos de acetobranqueamento quem contêm graus variados de neoplasia ou formação de papilomas macroscopicamente aparentes (GUIMARÃES. ou seja. Quando isso ocorre. não sendo possível prever. em subclínica que é a forma diagnosticada apenas pelo uso do colposcópio após aplicação de ácido acético 5%. A infecção viral pode permanecer sem manifestação ativa da doença nas células basais provavelmente na maior parte das pessoas expostas ao HPV. com a interação célula-vírus sendo regulada por fatores locais (ex: tabagismo. predisposição genética). 1997). As lesões no colo do útero causadas pelo vírus podem ser classificadas em clínica onde é a forma clinicamente evidenciável. mas ainda não está clara a razão da diversificação individual. O primeiro é a fase de incubação. com observação a olho nu. 1999). aos casos em que na ausência de evidências clínica. 2004). . há uma fase de proliferação ativa que dura de três a seis meses. Esse é o tempo no qual se estabelece a infecção epissômica. 31. A maioria das lesões iniciais do HPV tende a regredir espontaneamente por provável resposta do sistema imunológico. O termo refere-se. exceto nos casos de vírus de alto grau oncogênico com os genótipos 16 e 18.

2009). Em vez de iniciar com a infecção incidente. Segundo o autor supracitado. Estas vacinas não eliminam . em braços diferentes (LOURENÇO. devido a replicação contínua do epissoma viral. Por isso. a infecção persistente por no mínimo 6 meses (período que refletiria o tempo mediano de sua regressão natural). Quando as mulheres não estão infectadas pelo HPV 16/18 no momento da 1ª vacinação. A infecção persistente está altamente ligada com o desenvolvimento de lesão pré-cancerosa (NIC 2/3). mas tiveram uma infecção prévia que resultou em títulos de ACs contra a infecção natural e não recebem a vacina. Por outro lado. ser aplicada no mesmo dia com outras vacinas. Assim. Pode. As indicações são apenas para mulheres (virgens ou não) entre 10-25 anos . e que essa resposta superior persiste durante por pelo menos 4 anos. torna-se o primeiro marcador indireto importante.21 2. foram protegidas de todas as lesões NIC 2 causadas pelo HPV 16/18 nesse período de acompanhamento breve. também por mulheres com lesão HPV-induzida. desenvolvem novas lesões NIC 2 pelo HPV 16/18 com o mesmo índice de ataque que as mulheres soronegativas. Esse achado ressalta a importância da vacinação de todas as mulheres. usam-se marcadores indiretos ao longo do “continuum” entre a infecção e o câncer. produzida por tecnologia recombinante para a obtenção de partículas análogas às virais dos 2 tipos oncogênicos mais comuns de HPV: 16 e 18.não precisa teste prévio para HPV. Elas contêm a proteína L1 do capsídeo viral. essas mulheres com exame de DNA do HPV 16/18 negativo e soropositivas para HPV 16/18 que receberam a vacina. independente da exposição prévia ao HPV. o CERVARIX induz uma resposta inicial de anticorpos significativamente maior que a obtida pelo GARDASIL.2 VACINA CONTRA O HPV Duas vacinas contra o HPV foram recentemente aprovadas no mundo para a prevenção do câncer de colo uterino: CERVARIX (GSK) e GARDASIL (MSD). ainda.As 2 vacinas contêm um sistema adjuvante específico dos seus fabricantes para aumentar a resposta imunológica: o CERVARIX contém um sal de alumínio e um agonista do receptor. o Câncer de colo uterino em si leva décadas para se desenvolver após a infecção e não representa um parâmetro de estudo realista aceitável. que na maioria dos casos é eliminada. enquanto o GARDASIL contém só o sal de alumínio. mulheres com infecção prévia ou atual e.

quando a mesma estiver disponível. 11. a vacina contra o HPV é uma das esperanças para o futuro e a proposta do programa de vacinação. no futuro. e a vacina bivalente contra HPV tipos 16 e 18. 2006). um período de 10 anos. é indicada para a mulheres de 10 a 19 anos. transcorre. com o uso disseminado da vacina. em importante ferramenta no controle do câncer do colo do útero (INCA. 2. 16 e 18. concisa e com mensagem educativa tanto para o público leigo como para os profissionais de saúde (GARLAND. Espera-se. é indicada para mulheres com idade de 9 a 26 anos. os médicos e os pais deverão auxiliar na tomada de decisão. pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa/MS): a vacina quadrivalente contra HPV 6. bem como a mesma proporção das outras doenças anogenitais associadas à infecção pelo HPV. . e quando eles aparecem a doença pode esta avançada (BRASIL. As vacinas vêm se mostrando mais efetivas quando administradas antes do início da atividade sexual e as campanhas de vacinação deverão ter como alvo os adolescentes e os pré-adolescentes. De qualquer forma. desenvolvida para a prevenção de infecção pelos tipos virais mais comuns nas verrugas genitais (HPV 6 e 11) e no câncer do colo do útero (HPV 16 e 18). A incorporação da vacina contra HPV no Programa Nacional de Imunizações está em discussão pelo Ministério da Saúde e pode se constituir.3 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E ESTADIAMENTO DO CÂNCER DE COLO UTERINO O desenvolvimento do câncer do colo do útero é de evolução lenta. associados ao câncer do colo do útero. 2006). No Brasil. em 40% dos casos. deverá ser clara. e os sintomas são raros no inicio da doença. 2010). que 70% dos cânceres cervicais sejam evitados. Elas impedem novas lesões pelo HPV 16 e 18. estão registradas. Entre a fase precursora e seu desenvolvimento propriamente dita. Devido à pouca idade do público-alvo para a vacinação.22 a infecção num epitélio já infectado pelo HPV 16/18.

sangramento após relação sexual ou ducha vaginal ou exame vaginal.23 Na fase pré-invasiva. produzindo dor intensa nas costas e pernas. Para Sasse (2004). geralmente acompanhada por febre (causada pela infecção secundária. enterorragia. sem ultrapassar sua membrana basal (parede mais interna). Além disso. na freqüência e/ou na duração). Na maioria das vezes. abscessos na massa ulcerante e formação de fístula). os nervos dessa região. com a evolução do câncer. Os primeiros sinais e sintomas aparecem já na fase invasiva. também com a progressão deste tipo de câncer. incontinência urinária. podendo ser classificadas como: sangramento vaginal anormal (aumento na quantidade. palpação e colposcopia. Dados obtidos do exame físico inspeção. A hemorragia vaginal é o sintoma mais comum em pacientes com câncer de colo. disúria e hematúria. o câncer é assintomático e só pode ser detectado por exames preventivos efetuados a intervalos regulares. dispareunia. 2004). aumento de secreção vaginal. dor lombar. menstruação mais longa e volumosa que o usual. Ayoub et al (2000) ainda acrescentam que. afetando então. as manifestações clínicas do câncer do colo uterino são várias. ou seja. inicialmente sinusorragia (induzido pelo coito) e depois espontânea. tenesmo. a doença envolve o fundo. O crescimento tumoral favorece a necrose e ulceração com infecção bacteriana secundária. Segundo o Inca (2008) a progressão da doença leva ao aparecimento de outros sintomas como disúria. esta responsável pelo corrimento de odor fétido e aquoso muitas vezes exalado (ENGEL. o mesmo pode invadir os tecidos fora do colo. edema de membros inferiores. em que a doença fica restrita (localizada) ao epitélio escamoso cervical. os sinais e sintomas possíveis de displasia ou câncer cervical são: sangramentos fora do período menstrual. Em algumas pacientes. há hemorragia pós-coito. o mesmo produz edemaciação extrema. não há sintomatologia específica. corrimento vaginal fétido e emagrecimento. polaciúria. urgência urinária. A hemorragia vaginal segundo Berek (2005) é o sintoma mais comum em pacientes com câncer de colo. De acordo com Otto (2002). de exames radiológicos do tórax. sangramento após a menopausa. incluindo as glândulas linfáticas anteriores ao sacro. mas pode ocorrer como hemorragia irregular ou pós-menopausa. quando a erosão cervical se inicia. ou seja. O estadiamento do câncer de colo uterino é feito clinicamente. sangramento de contato relacionado com o coito. .

o Estágio II: o tumor envolve a vagina sem atingir a parede pélvica. No Ib1 as lesões são menor ou igual a 4 cm na sua maior dimensão. No Estágio IIB. como os pulmões. Segundo Guimarães e Rosa (2008). As células anormais são encontradas apenas na primeira camada de células no revestimento da cérvice e não invadem tecidos mais profundos. clinicamente observado ou não. metástases a distância. observa-se acometimento de órgãos mais distantes. então câncer ainda está confinado à pelve. ou seja. No Estágio IVB. ROSA. como bexiga ou reto. no Estágio IIIB envolvimento de um lado ou ambos os lados da parede pélvica. o câncer pode ser encontrado em órgãos próximos. No estádio Ia2 as lesões detectadas microscopicamente que podem ser mensuradas [> 3-5 mm de profundidade de invasão de base epitelial de origem e maior ou igual a 7 mm de disseminação horizontal]. algumas vezes já comprometendo a porção mais inferior da vagina ou parede pélvica. No Estágio IIA. 2008). o câncer é pequeno. No Ib2 as lesões são maiores que 4 cm na sua maior dimensão. ou seja. O estágio Ib as lesões são com dimensões maiores do que o estágio Ia2.24 esqueleto. rins. extensão fora do aparelho genital. sem invasão estromal. enquanto que no Estágio IB o tumor possui um volume um pouco maior (CASCIATO. Estágio III: o câncer se espalhou pela pelve. No Estágio IVA. Ele pode recorrer na cérvice ou em outros locais (GUIMARÃES. 2008). Segundo o autor supracitado. 2002). Recorrente significa que o câncer voltou após ter sido tratado. As células também podem se espalhar. . então é um carcinoma pré-clínico. O Estágio IV: o câncer se espalhou para outras partes do corpo. No Estágio IA. No Estágio IIIA ocorre envolvimento do terço inferior da vagina. mas não se espalhou pelos arredores. nas camadas mais profundas da cérvice. visualizado apenas com microscópico. o câncer se espalhou para a vagina sem atingir o terço inferior. no estádio Ia1 as lesões com profundidade menor ou igual 3mm de invasão estromal. Os estágios do câncer de colo uterino são os seguintes: Estágio 0 ou Carcinoma In Situ: é o câncer em sua fase mais inicial. Estágio I: o câncer envolve toda a cérvice. o câncer se espalhou nos tecidos circunjacentes ao colo uterino. colo sigmóide e reto e da avaliação patológica de materiais de biopisia e curetagem são usados para determinar a extensão da doença e planejar o tratamento (OTTO. bloqueando os ureteres (tubos que conectam os rins à bexiga).

25 .

O exame bimanual reto vaginal é feito para visualizar a cérvice. Conforme a Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (2002) o diagnóstico das lesões precursoras do câncer de colo uterino são as principais formas de prevenção. são realizados outros testes para descobrir se suas células se disseminaram por outras partes do corpo. Para melhor planejar o tratamento. O clínico obtém biópsia dirigida pela colposcopia das áreas anormais para avaliação (OTTO. Para realização deste . após a introdução do especulo vaginal. Assim. ardor ou prurido e por esta razão são detectadas apenas através do exame médico. sangramento. 2010). Uma vez diagnosticado o câncer. o médico precisa definir o estágio (estadiar) a doença (LOIOLA. 3. as lesões provocadas pela infecção não causam sintomas como corrimento. A coleta do exame é realizada durante uma consulta ginecológica de rotina. Uma colposcopia pode ser feita em mulheres com sintomas significativos ou lesões francamente suspeitas na cérvice. 2002). Estes exames fazem parte de um processo que se chama Estadiamento. obter um esfregaço de Papanicolau. recomenda-se consultar regularmente o ginecologista e a realização de exames preventivos. mas um desconforto variável pode acontecer (de acordo com a sensibilidade individual de cada paciente).1 PAPANICOLAU Este consiste na análise das células oriundas ectocérvice e da endocérvice que são extraídas por raspagem do colo do útero. Fonte: FIGO. 2003. fazer um exame colposcópico e palpar a cérvice e os tecidos adjacentes.26 Figura 03: Estadiamento do Carcinoma de colo uterino. Normalmente não é doloroso. Em geral. CAPÍTULO 3 MÉTODOS DIAGNÓSTICOS O diagnóstico de câncer de colo uterino em mulheres sintomáticas é determinado por uma história e pelo exame físico completo.

et al. permite detecção de neoplasma. 2006). permitindo assim um diagnóstico fiel. mas também da vagina. 2004). orientar biópsias. 2006). já que a cura de qualquer tipo de câncer é tanto maior quanto inicial é a fase em que são descobertos e tratados (SANTOS. Se o exame continuar alterado. um avança propedêutico na infecção viral por HPV. a mulher deve ser orientada a não ter relação sexual. vulva. uma colposcopia será feita para checar o colo uterino. 1998) . permite a detecção precoce de lesões precursoras de neoplasias do colo uterino.) e lugol.27 exame. Dentre os métodos de detecção. O exame colpocitológico de Papanicolau atualmente descrito pelo Sistema Bethesda de nomenclatura. Vale também salientar que tal exame deve ser executado fora do período menstrual. Quando o médico percebe alterações no colo de útero durante o exame ginecológico e no Papanicolaou. O exame ginecológico regular é o melhor método para o diagnóstico precoce. que o nosso país foi um dos pioneiros a introduzi-lo. região perineal e perianal. pois o sangue dificulta a leitura da lâmina (SANTOS. fazer uso de duchas. Toda mulher sexualmente ativa deve realizar os exames preventivos. È um método bastante utilizado na prática clínica. dessa forma. sendo técnica amplamente difundida há mais de 40 anos (CANDIDO. procurando áreas suspeitas (SASSE. 2006). (BASTOS. 3. quando necessário. Preferencialmente. Esta técnica permite localizar as lesões pré-malignas e o carcinoma que afetam esses epitélios. Tratase de um exame usado para avaliar os epitélios do trato genital inferior e. medicamentos ou exames intravaginais durante as 48 horas que precedem o exame.2 COLPOSCOPIA Consiste na visualização do colo uterino através do colposcópio. ele pode tratar como infecção e depois repetir mais uma vez o exame após o tratamento. aumentando assim as chances de curas. O exame preventivo precoce. Este é um método muito útil quando associado ao exame citopatológico. após a aplicação de soluções de ácido (entre 3% e 5%. a colposcopia não deve se limitar ao estudo do colo do útero. bem como as alterações citopáticas por Papilomavírus humano (HPV). ele é considerado o mais afetivo e eficiente a ser aplicado coletivamente em programas de rastreamento do câncer cervical uterino.

como método de rastreamento. o exame de Papanicolau deve ser complementado pelo teste de Schiller. principalmente nas neoplasias em fases iniciais a colposcopia torna-se insatisfatória quando não se consegue determinar limites da zona de transformação e o epitélio alterado. isto é. iodo negativo (-) (o glicogênio produzido pelas células transformadas faz uma reação com o iodo e o colo do útero não fica com a cor marrom escuro) (INCA.28 Para a confirmação do diagnóstico é necessária a realização da colposcopia com biópsia tecidual. Além de mostrar o local mais adequado para realizar a biópsia. quando todo i epitélio não é corado de cor marrom escuro. 1993). a colposcopia. Ao contrário. se necessário. A colposcopia é um método de grande valor na propedêutica do câncer uterino de mulheres com exame citológico alterado. permite guiar o tratamento através de cirurgia (BENTO. que é rico em glicogênio e. a presença de lesão suspeita de neoplasia. procurando áreas suspeitas. . isto é. Áreas pobres em glicogênio adquirem uma tonalidade amarelo suave. devendo ser correlacionada com outros exames pelo ginecologista. iodo positivo (+) (área desprovida de glicogênio). o teste de Schiller tem a finalidade de demarcar áreas de epitélio escamoso cervicovaginal. 3. por ser procedimento auxiliar e eficaz na constatação das lesões do colo uterino.3 TESTE DE SCHILLER Realizado após a colposcopia. 2006). O teste de Shiller será negativo (-) quando todo o epitélio toma a cor marrom escuro. assim como. Assim. adquire uma coloração marrom-escuro. consiste na embrocação do colo do útero com uma solução iodoiodetada (lugol). Este exame não é doloroso e não apresenta qualquer efeito colateral (PINHEIRO. É realizada através de um aparelho de aumento que permite identificar com precisão o local e a extensão da doença. 2005). 2006). BARE. GUIMARÃES. É menos sensível que o exame ginecológico. portanto. Segundo o autor supracitado. será positivo (+). Esta alteração não significa. caracterizando um teste de Schiller positivo. O colposcópio é um microscópio portátil que amplia de dez a vinte cinco vezes mais. possibilitando ao exame não é doloroso e não apresenta qualquer efeito colateral (SMELTZER. necessariamente. checando o colo uterino.

2008. o qual deve ser interpretado pelo observador como um teste de Schiller negativo. 1998). o médico poderá tentar retirá-la totalmente durante a biópsia. o déficit estrogênico e a perda das camadas superficial e intermediaria do epitélio pavimentoso. 2008.4 BIÓPSIA Figura 05: Teste de Schiller Positivo (-) Fonte: Ministério da Saúde. erosão e pseudoerosão. cisto de Naboth. Se a lesão for pequena. zona de epitelização imatura. Figura 04: Teste de Schiller Positivo (+) Fonte: Ministério da Saúde. com o passar do tempo. a biópsia é um pequeno fragmento retirado de áreas suspeitas para exame microscópico. levando a uma captação mais tênue do lugol. raspando material do canal cervical. dependendo da intensidade do mesmo.29 A intensidade da coloração adquirida pela cervix no teste de Schiller normal pode ser variável em função da quantidade de glicogênio existente no epitélio. os quais geram o falso positivo (RAMOS. . endometriose. colpites intensas. 3. determinam um menor nível de glicogênio. ulceração. Nas mulheres menopausadas. a biópsia em cone ou conização remove uma parte do colo de útero em forma de cone. necrose. e comum a utilização do termo "iodo claro". utilizando alguns métodos tais como: usar um instrumento para extrair um fragmento do colo de útero e dentro do canal do colo o médico poderá recolher material com uma pequena curetagem. presença de sangue. Um fenômeno semelhante ocorre nos processos inflamatórios do colo uterino. Esta técnica é bastante usada para tratamento de lesões précancerígenas ou tumores iniciais. Nessas situações. Segundo Sasse (2004).

31.30 Com exceção da conização. 39. 59 e 68. 58. RLU/PC igual ou maior que um para HPV de baixo e HPV de alto risco (grupo A e B): Resultado positivo para um ou mais tipos de HPV de cada grupo de sonda pesquisada. RLU/PC menor que um: Resultado negativo e indica ausência de DNAHPV dos tipos virais pesquisados ou níveis abaixo da sensibilidade do teste. 18. 11. 35. 2004). 51. Se a biópsia confirmar câncer de colo uterino. 52. Podem causar sangramento e desconforto semelhante a cólicas menstruais. 43 e 44. 56. o paciente pode ser encaminhado para um especialista para tratamento. estes procedimentos geralmente são realizados no consultório médico usando anestesia local. O Oncologista poderá pedir e fazer exames adicionais para avaliar se o câncer está além do colo de útero (SASSE.5 CAPTURA HÍBRIDA Consiste na utilização de sondas de RNA que hibridam especificamente com o DNA alvo. raquianestesia). 45. 33. necessitando hospitalização (SASSE. Segundo o autor supracitado. o resultado é dado em valores de RLU/PC (Unidade Relativa de Luz/ Controle Positivo). RLU/PC igual ou maior que um somente para HPV de alto risco (grupo B): Resultado Positivo para um ou mais tipos de HPV: 16. que é interpretado da seguinte maneira: RLU/PC igual ou maior que um somente para HPV de baixo risco (grupo A): Resultado Positivo para um ou mais tipos de HPV 6. A reação da enzima com seu substrato produz um composto quimioluminescente que é captado e medido pelo quimioluminômetro. 3. A conização é feita com anestesia geral ou parcial (peridural. Os híbridos são capturados em uma placa por anticorpos monoclonais e marcados com conjugado anticorpo-enzima. 42. . formando híbridos DNA/RNA. 2004). 2004). O método é semi-automatizado e possui alta reprodutibilidade inter-laboratorial (NICOLAU.

pois a curabilidade pode chegar a 100%. tratamentos hormonais ou radioterápicos. é importante investigar quando foi a última coleta do exame citopatológico (Papanicolau) e qual o resultado do exame. Modificações da dieta que podem reduzir o risco incluem o aumento da ingestão de alimentos com alto teor de vitaminas A e C de ácido fólico. como o estímulo ao sexo seguro através do uso de preservativos. Na anamnese dirigida. a resolução ocorrerá ainda em nível ambulatorial (BRASIL. a limitação da quantidade de parceiros sexuais e o uso de anticoncepcionais do tipo barreira. existem diversos métodos que podem ser utilizados na detecção precoce desse tipo de câncer. são recomendados para reduzir o risco de câncer de colo uterino. A presença de sangramento vaginal fora do período menstrual normal deve ser investigada. Segundo o autor supracitado.31 CAPÍTULO 4 PREVENÇÃO A prevenção para as mulheres de todas as idades. Algum tipo de tratamento no colo do útero deve ser investigado. mas o exame citopatológico. A prevenção primária é quando se evita o aparecimento da doença por meio da intervenção no meio ambiente e em seus fatores de risco. A faixa etária prioritária para a detecção precoce do câncer do colo do útero é dos 35 anos 49 anos de idade. e em grande número de vezes. 2002). A detecção precoce do câncer do colo do útero ou de lesões precursoras é plenamente justificável. período que corresponde ao pico de incidência das lesões precursoras e antecede o pico de mortalidade pelo câncer (BRASIL. ainda hoje. 2010). 2010). Também deve ser questionado sobre uso de DIU. além de sangramento vaginal após relação sexual (BRASIL. 2002). além de uma gestação atual. como preservativos ou diafragma. . é o mais empregado em mulheres assintomáticas. A prevenção secundária é realizada por meio do exame preventivo do câncer do útero (exame Papanicolau). Além disso. podem ser incluídas estratégias para impedir o início e encorajar a suspensão do hábito de fumar e/ou uso de álcool (OTTO.

De acordo com Berek (2005). Câncer recorrente: radioterapia + quimioterapia ou quimioterapia isoladamente. No estágio II: nas lesões em estágio IIA. 2008). Histerectomia radical. quimioterapia. idade da paciente. .32 CAPÍTULO 5 FORMAS DE TRATAMENTO O tratamento é indicado com base no estadiamento tumoral. Histerectomia radical + radioterapia e quimioterapia ou Radioterapia + quimioterapia. Cirurgia a laser. tanto a lesão primária quanto os possíveis locais de disseminação devem ser tratados. condição clínica. Os procedimentos variam desde os mais conservadores. No estágio IV B. No estágio IB. Estágio I: No estágio IA. tipo histológico. o tratamento consiste em Radioterapia enterna e externa. Estágio IV: no estágio IVA. até tratamentos radicais e complexos como cirurgia. indicada para mulheres que não podem mais ou não desejam mais engravidar). o tratamento (radioterapia ou quimioterapia) é direcionado para o alívio dos sintomas causados pelo câncer. como a retirada de lesões. Excisão com alça eletrocirúrgica. Histerectomia (vaginal ou abdominal total. para aliviar os sintomas causados pelo câncer. o tratamento do câncer cervical é semelhante ao tratamento de qualquer outro tipo de neoplasia maligna. radioterapia interna e externa + quimioterapia. Estágio III: radioterapia interna e externa + quimioterapia. No câncer em estágio IIB. Segundo Loiola (2010). desejo de procriar e recursos disponíveis. Criocirurgia. Conização ou Radioterapia interna. emprega-se Radioterapia interna e externa + quimioterapia. isto é. pode-se utilizar Histerectomia total abdominal com ousem salpingo-ooferectomia bilateral (aconselhase histerectomia radical nos casos onde existe invasão mais profunda que 3-5 mm). podem ser recomendadas Radioterapia interna e externa. as opções de tratamento a partir do estágio da doença são as seguintes: Estágio 0: as opções são conização (retirada em cunha do local com câncer). Histerectomia radical + redioterapia + quimioterapia ou Radioterapia + quimioterapia. radioterapia e associações desses tratamentos (INCA.

que destrói as células tumorais por congelamento. à extensão do comprometimento dos nódulos linfáticos.1 CIRURGIA O objetivo do tratamento cirúrgico é promover o controle local. modulando assim o tratamento adjuvante. Para pacientes portadores de tumores em tais estádios. sobretudo. que retira um pedaço do colo em forma de cone . 5. todas as mulheres acometidas por esta doença necessitam em maior ou menor grau. com linfadenectomia pélvica bilateral. 2004). o tratamento indicado inclui a quimioterapia de caráter adjuvante (GUIMARÃES. É de grande valia destacar que o tratamento da mulher com câncer cervical deve ser global e visar à recuperação do seu bem-estar psicossocial e de sua qualidade de vida. induzindo excelentes resultados para a qualidade de vida da mulher (BRASIL. trabalhar de forma integra. a cirurgia de alta freqüência (CAF) é considerada um bom método para o tratamento das lesões precursoras do câncer cervical (BRASIL. braquiterapia e radio-quimioterapia também podem ser utilizadas como modalidades terapêuticas (MOHALLEM. a conização. que a sobrevida nesses casos está diretamente relacionada ao volume do tumor e. A cirurgia remove o tecido tumoral. 2006) para casos de tumores no estádios I e II refere-se tão-somente à cirurgia. diatermocoagulação ou laserterapia. a orientação terapêutica da FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia. os seguintes procedimentos podem ser usados: a criocirurgia. que destrói o tumor usando um feixe de luz intensa. a mutilação mínima e a obtenção de informações a respeito da biologia do tumor e de seu prognóstico. quimioterapia e radioterapia do tipo braquiterapia. 2007). crioterapia. devendo esta. a cirurgia a laser. de uma ajuda especializada (do ponto de vista emocional) da equipe multidisciplinar. Portanto. é indicada histerectomia total ou radical. 2002). Atualmente. O tratamento conservador abrange cauterização química. Já nos casos de doença invasiva. A radioterapia externa. Ressalta-se. A cirurgia e a radioterapia representam tratamento adequado e eficaz para tumores em estadiamento clínico e patológico inicial.33 O tratamento para o câncer de colo de útero pode ser feito através de cirurgia. Para o câncer cervical que esteja restrito ao colo. todavia. 2010). RODRIGUES. Deste modo.

Para tumores que atingem estruturas além do colo. cirurgia caracterizada por histerectomia total. outras opções de cirurgia são usadas: a histerectomia radical remove o colo do útero. parte da vagina.34 para remover o tecido tumoral. Na radioterapia. as complicações ocorrem com mais freqüência no Wertheim Meigs. Em estádio IB e IIA com tumores menos ou igual a 4cm. a radiação é através do Acelerador Linear posicionado para direcionar feixes radioativos em determinada direção. 2004). que remove útero. o tratamento baseiase cirurgia com histerectomia radical mais dissecção linfonodos pélvicos com ou se amostra de linfonodos para-aórticos. Nas lesões IA2. A radioterapia interna ou braquiterapia que usa materiais radioativos onde são colocados diretamente no colo de útero através de tubos ou agulhas (SASSE. peritonite e hemorragia que ocorrem com freqüência bastante reduzida (INCA. a salpingo-ooforectomia bilateral. com histerectomia radical + dissecção de linfonodos pélvicos + amostra de linfonodos para – aórticos (GUIMARÃES. a cirurgia consiste em histerectomia estrafascial. colon baixo. a exanteração pélvica. além de fístulas envolvendo vias urinárias e intestinais na área pélvica e outras complicações. Nas lesões estádio IA1. e causada pela manipulação da enervação dos ureteres e bexiga na realização da dissecção para extirpação do tecido celular subperitoneal. 5. A principal complicação dessa cirurgia é a bexiga neurogênica que é caracterizada pela ausência da sensação da necessidade de urinar seguida de retenção urinária. que remove o útero e colo. No carcinoma de colo uterino in situ se houver envolvimento endocervical caso não deseje preservar a fertilidade o tratamento de escolha é a histerectomia. reto ou bexiga. . salpingooforectomia bilateral e linfadenectomia. como infecção da parede. ROSA. No tratamento cirúrgico. 2008). 2004). especialmente se a lesão envolver a margem interna de cone. o tratamento se baseia-se em cirurgia. 2008). vagina. que retira as duas trompas e os dois ovários e é realizada no mesmo tempo cirúrgico com a histerectomia (SASSE. a histerectomia.2 RADIOTERAPIA A radioterapia utiliza-se de radioatividade para matar as células tumorais e impedir o seu crescimento. 2004). útero. e linfonodos regionais. geralmente feita após radioterapia (SASSE. paravesical e ureteral.

com maior freqüência em estágios mais avançados da doença. permanecem internados em quartos isolados e sem acompanhantes. 2003). Nessas malignidades. na qual a dose de radioterapia externa é maior. seguido de bexiga. 2008). A Braquiterapia Intracavitária (dentro da cavidade) é o tipo frequentemente utilizada para tratar tumores de colo uterino. Segundo Bento (2006). geralmente apresentam complicações graves. Além da condição clínica. as pacientes com melhor condição clínicas e mais jovens tendem a ser tratadas com cirurgia. e os tardios têm como áreas mais afetadas o retossigmóide. . ocorrem complicações que são causadas pelos efeitos adversos nos tecidos sadios localizados nas áreas adjacentes à irradiada.35 A Braquiterapia consiste no tratamento com radiação ionizante. pois neste caso o paciente é considerado como fonte radioativa (INSTITUTO ONCOLÓGICO. e mais raramente osso e sangue (INCA. onde a fonte permanece próxima ou no local do tumor. útero. sabe-se que mulheres em tratamento radioterápico. 2006). Embora em pacientes com carcinoma de colo uterino em estágios iniciais (IA. As pacientes com condições mórbidas associadas e de idade mais avançada são tratadas com radioterapia [com conseqüências importantes sobre a função sexual]. gerando disfunção sexual. uretra e ureter. IIA) a curabilidade com radioterapia e a cirurgia sejam semelhantes. Os efeitos adversos agudos atingem pele. os radioisótopos são inseridos dentro de aplicadores especialmente posicionados depois que a posição é verificada por meios radiográficos. Divide-se em baixa e alta taxa de dose. No tratamento radioterápico. membranas mucosas. IB. principalmente em relação aos aspectos emocionais e sexuais. constantemente têm escores de queda da qualidade de vida. pois a cirurgia preserva a sua função sexual satisfatoriamente. ovário e vagina. o desejo de preservar a função ovariana é um item importante para as pacientes jovens (FREITAS et AL. portanto. Os pacientes que necessitam de tratamento com baixa taxa de dose. Uma sonda urinária de demora é inserida para garantir que a bexiga permaneça vazia (BRUNNER & SUDDARTH. reto e aparelho geniturinário. 2005).

Podendo ser indicada como tratamento único em doenças mais avançadas (paliativa). mas também agredindo as células normais que possuem características semelhantes. aumentando a eficácia e as taxas de cura de pacientes com doença em estágios intermediários (SASSE. inibindo a sua manifestação. como também as células germinativas que dão origem aos espermatozóides e óvulos são alguns dos . mielotoxicidade. em vez de lesões que sejam localizadas e passíveis de cirurgia ou radioterapia. Os medicamentos anti-tumores agem destruindo as células doentes. A quimioterapia usa drogas ou medicamentos para matar as células tumorais. causando nefrotoxicidade. pois as células normais voltam a se multiplicar e desempenhar suas funções habituais após o término da quimioterapia (MOURA. a mucositose (aftas) e a alopecia (queda dos cabelos). glóbulos brancos chamados de leucócitos. que estão em mitose provocada pela ação sistêmica da cisplatina. neurotoxicidade e tocicidade gastrointestinal. Esses efeitos colaterais são reversíveis em sua maioria. A quimioterapia pode ser combinada à cirurgia ou a radioterapia para diminuir o tamanho do tumor no pré-operatório. os efeitos são denominados de toxicidade e estão relacionados à destruição de células saudáveis. 2002). plaquetas. na quimioterapia. Desta ação resultam os principais efeitos colaterais da quimioterapia como anemia (diminuição dos glóbulos vermelhos do sangue). O seu mecanismo de ação direciona-se principalmente para células de multiplicação rápida do nosso organismo. a mucosa. Uma droga ou combinação de várias drogas podem ser usadas. É usada principalmente pra tratar a doença sistêmica. BARE. Normalmente as células da pele. leucopenia (diminuição dos glóbulos brancos do sangue). A quimioterapia tem sido utilizada na potencialização do tratamento radioterápico. Segundo o Inca 2008. os glóbulos vermelhos. 2008). A quimioterapia atua de forma intensa nas células que se proliferam rapidamente.3 QUIMIOTERAPIA São utilizados agentes antineoplásicos na tentativa de matar as células tumorais por interferir com as funções celulares e a reprodução.36 5. dependendo de cada caso. 2004). PINHEIRO. e destruir as células tumorais remanescentes no período pós-operatório (SMELTZER.

diarréias. a pessoa que passa por este tipo de tratamento pode sofrer também com um maior risco de sangramento devido a diminuição das plaquetas do sangue e a esterilidade devido à destruição das células germinativas.37 exemplos. . pode ocorrer uma maior predisposição às infecções devido a diminuição dos leucócitos. com isso. Além disso. Portanto. os efeitos colaterais da quimioterapia provem dessas células ao serem atingidas (FRANCO. pode acontecer a queda de cabelos alopecia. como também. a anemia em consequência da diminuição dos glóbulos vermelhos. a mucosite que são aftas. 2008). Segundo o autor supracitado.

(SCHRAIBER et al. dirigidas a mulher na faixa etária de 25 a 59 anos de idade. assim como tratamento e reabilitação em todo território nacional. Ele dá a tradicional a assistência ao pré-natal. 2000) Outro programa de prevenção do câncer de colo de útero e de mama na mulher oferecido pelo governo federal é o programa Viva Mulher. sexualidade adolescência e climatério. SIS COLO (sistema de informação de controle de colo do Útero) uma base de dados capaz de fornecer subsídios para avaliação e planejamento do programa. capaz de atender as necessidades globais da saúde feminina. em nível nacional. representantes dos grupos de mulheres e pesquisadores das universidades. o Ministério da Saúde desenvolveu este programa como intuito de reduzir a incidência e a mortalidade de mulheres com o câncer de colo. doenças sexualmente transmissíveis. (2002). esterilidade. Este se constitui um modelo assistencial.. são oferecidos serviços de prevenção e detecção precoce em estágio iniciais da doença. parto e puerério e também a resposta organizada dos serviços de saúde a anticoncepção. do qual se utilizou de estratégias de ações educativas e aumentou a qualidade .38 CAPÍTULO 6 PROGRAMAS DE SAÚDE DA MULHER Em 1983 foi elaborado o PAISM programa de atenção integral à saúde da mulher. consiste no desenvolvimento e na prática de estratégias que reduzem a mortalidade e as repercussões físicas. O programa viva mulher impede o avanço da doença e desenvolvimento ações de detecção precoce. que de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (2007). nas unidades secundárias de saúde. detectação precoce de câncer geocológico. psíquicas e sociais do câncer do colo do útero e de mama. Segundo Brasil. Foi implantada. e a capacitação de 244 pólos para este tipo de tratamento. por um grupo de sanitarista. O programa também introduziu a cirurgia de alta frequência (CAF). Por meio de união entre o Ministério da Saúde e todos os 26 estados brasileiros. realçando a necessidade de considerar as dimensões patológicas e sociais nessa atenção e a promoção de praticas educativas. profissionais de saúde. que inclui o diagnóstico precoce e tratamento necessário de acordo com cada caso. além do distrito federal.

15ª e 25ª aplicações de teleterapia. Este aborda todas as possibilidades de trabalho sejam elas no individual ou no coletivo.1 ATUAÇÃO DE ENFERMAGEM NO CONTROLE DO CÂNCER DE COLO DO ÚTERO As ações de enfermagem no tratamento do câncer do colo visam a oferecer assistência de enfermagem integral individualizada. onde é considerada com publica de maior riso. pós-operatória. o contato direto com o cliente. 2002). 6. E este é operacionado nas Unidades de Saúde da Família (USF). pode-se citar: o conhecimento da patologia. As ações iniciam-se no primeiro atendimento pós-matrícula até o período póstratamento. . planejamento e evolução diária. No Brasil é comprovada a importância do enfermeiro como membro participante da equipe de saúde nos programas de prevenção junto à população feminina. informar sobre cada passo do tratamento. bem como planejamento de alta hospitalar. é uma população que merece especial atenção. Principalmente as mulheres de classe econômica baixa que como foi citado anteriormente no decorrer do estudo. radioterapia ou tratamento combinado. Tem com público alvo mulheres de 35 a 49 anos de idade. para cada paciente. pois o mesmo tem algumas características fundamentais para este processo. A enfermagem consegue atingir a todas as faixas econômicas da população através de seu trabalho. O fluxo das ações de enfermagem compreende consultas de enfermagem para acolhimento no dia da matrícula. incluindo as etapas que envolvem o processo saúde/doença. orientações em grupo com recursos visuais e assistência de enfermagem durante a internação através de visita préoperatória. primeira e terceira aplicações de braquiterapia e pós-braquiterapia. admissão.39 dos serviços prestados pelo sistema de saúde. pré-cirúrgica eletiva. seja por cirurgia. prételeterapia. não apenas como competência técnica. pois estão entre as características do grupo de risco para o desenvolvimento de câncer de colo de útero (BRASIL. A prevenção do câncer é um dos campos que devem ser explorados pelo enfermeiro. mas também como educador e conselheiro. primeira. orientando para o autocuidado A enfermagem tem sua essência voltada para o cuidado do paciente. fornecendo informações que minimizem as possíveis complicações.

nas campanhas de prevenção de câncer. Os exames devem ser enviados o mais rápido possível para que o tempo entre a coleta e o resultado não seja prolongado desnecessariamente (BERROS. permite a detecção das lesões precursoras e da doença em estágios iniciais. em especial. antes mesmo do aparecimento dos sintomas. Esta tem o objetivo efetivo de melhorar a qualidade de vida da mulher e auxilia no processo mantenedor de um vínculo possibilitando um contato de confiança fundamental para a relação profissional/cliente. 2002). ELUF (1996) confirma a importância da consulta de enfermagem referindo que a mesma serve para estabelecer uma relação de confiança entre o profissional e a paciente. As células coletadas são colocadas sobre uma lâmina de vidro previamente identificada que devem ser imediatamente fixadas (com solução fixadora spray ou colocada em tubo contendo álcool a 90% e este deve cobrir completamente o esfregaço) para evitar o dessecamento do material a ser analisado. ações que visem reduzir a exposição aos fatores de risco. pode se dar na sua participação nos programas de saúde do governo sejam eles federal. devem ser encorajadas (MINISTÉRIO DA SAÚDE. ministrando palestras para a comunidade ou para grupos específicos ou ainda no atendimento hospitalar. Uma forma importante de prevenção é a consulta de enfermagem ginecológica. Pode exercer suas atividades nos dos postos de saúde. . estadual ou municipal. A atuação do enfermeiro nas várias esferas que circundam este processo de prevenção e detecção precoce do câncer de colo de útero. onde deve garantir o caráter confidencial da consulta. 2006). A consulta é uma forma de prevenção eficaz onde o enfermeiro além de examinar a paciente lhe orienta quanto à importância da realização periódica de exames e assuntos pessoais como higiene íntima. principalmente tabagismo e infecção pelo HPV. uso de contraceptivos de barreira e o perigo da promiscuidade (LOPES. A detecção precoce do câncer do colo do útero em mulheres assintomáticas (rastreamento). além disso. estimular a verbalização da paciente. por meio do exame citopatológico (Papanicolaou). 1996).40 a maneira peculiar de abordar os assuntos e sua inserção na equipe inter e multidisciplinar.

para que não haja o risco de eles interferirem negativamente na relação enfermeiro-cliente. por meio de atitudes. Durante a consulta procura-se avaliar a paciente de uma forma integral usando elementos técnicos – científicos como exames e prestando orientações (LOPES. . como também os seus próprios.41 É de suma importância que o enfermeiro. de preconceitos. 1996). no momento da consulta. juízo de valor e imposição de conduta. esteja atento para compreender não só os valores morais da paciente.

Mesmo quando o enfermeiro não é o autor de programas de prevenção o profissional tem a possibilidade de realizar a prevenção na forma da consulta de enfermagem. que o câncer de colo uterino. conhecer a invasão celular pelo vírus e conhecer os métodos de diagnóstico e de tratamento. observou-se ser de grande valia a associação do exame citológico com a colposcopia e histopatologia para definição de um diagnóstico definitivo de malignidade celular e. realizar exames de prevenção. Mesmo células malignas podem ser identificadas precocemente. apesar de haver o controle por parte do Enfermeiro. Levando-se em consideração as citações da bibliografia. seria de suma importância a detecção do HPV através de metodologia mais sensíveis para garantir a presença deste que vem sendo considerado o maior agente causador de câncer de colo uterino. um controle de suas características celulares e um tratamento menos agressivo quando do surgimento de atipia celular. Para a elaboração de um programa de prevenção ao tumor de colo de útero ou apenas a realização de exames para detecção precoce o enfermeiro deve conhecer população de mulheres suscetíveis a essa doença. o que favorece o prognóstico da doença mediante tratamento adequado.42 CONSIDERAÇÕES FINAIS Verificou-se com o desenvolvimento desta pesquisa. conhecer os fatores de risco incluindo o vírus HPV. e a prevenção com o Papanicolau é um exame essencial para fins profiláticos. permitindo à mulher que realiza este exame anualmente. ainda acomete um número alto de mulheres no mundo inteiro. A consulta permite conhecer a mulher de forma integral. conhecer plenamente como se contrai e desenvolve a doença no organismo da mulher. além disso. gera a perspectiva de servir de subsídios a estudos posteriores para acadêmicos e . criando a possibilidade de atender as necessidades individuais de cada paciente quanto ao câncer cervical. O desenvolvimento desse estudo além de contemplar os objetivos prescritos. sendo que profissional munido do conhecimento técnico – cientifico tem a possibilidade de realizar orientações.

.43 demais profissionais de saúde. abrindo a possibilidade do aprimoramento do conhecimento acerca do tema abordado.

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