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Análise do SESC Pompéia e 24 de Maio

Este documento apresenta uma análise comparativa de dois projetos arquitetônicos pertencentes ao SESC: o SESC Pompéia projetado por Lina Bo Bardi e o SESC 24 de Maio projetado por Paulo Mendes da Rocha. Ambos os edifícios foram abandonados e posteriormente adquiridos pelo SESC para reformas. A análise considera fatores como identidade arquitetônica, memória coletiva do local e associação entre espaço e lugar antes e depois das intervenções.
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Análise do SESC Pompéia e 24 de Maio

Este documento apresenta uma análise comparativa de dois projetos arquitetônicos pertencentes ao SESC: o SESC Pompéia projetado por Lina Bo Bardi e o SESC 24 de Maio projetado por Paulo Mendes da Rocha. Ambos os edifícios foram abandonados e posteriormente adquiridos pelo SESC para reformas. A análise considera fatores como identidade arquitetônica, memória coletiva do local e associação entre espaço e lugar antes e depois das intervenções.
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UNICESUMAR - CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ

CURSO DE GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO

APROPRIAÇÃO DO ESPAÇO E LUGAR:


UMA ANÁLISE CORRELATA DO SESC POMPEIA E 24 DE MAIO

LEONARDO MARGONAR BEZERRA

MARINGÁ– PR
2018
Leonardo Margonar Bezerra

APROPRIAÇÃO DO ESPAÇO E LUGAR:


UMA ANÁLISE CORRELATA DO SESC POMPEIA E 24 DE MAIO

Artigo apresentado ao Curso de Graduação em


Arquitetura e Urbanismo da UNICESUMAR –
Centro Universitário de Maringá como
requisito parcial para a obtenção do título de
Bacharel(a) em Arquitetura e Urbanismo, sob
a orientação do Prof. Esp. Lucas Grolla

MARINGÁ – PR
2018
APROPRIAÇÃO DO ESPAÇO E LUGAR:
UMA ANÁLISE CORRELATA DO SESC POMPEIA E 24 DE MAIO

Leonardo Margonar Bezerra

RESUMO

O presente artigo expõe uma análise correlata do projeto arquitetônico de duas edificações
atualmente pertencentes ao Serviço Social do Comércio (SESC): Sesc Pompéia por Lina Bo
Bardi e Sesc 24 de Maio pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha + MMBB. Ambos os
edifícios foram abandonados pelos proprietários responsáveis e posteriormente adquiridos
pela instituição a fim de realizar de reformas e adequar aos usos do SESC. A análise leva em
consideração fatores como identidade arquitetônica, memória coletiva do local e a associação
do espaço com o lugar a fim de compará-los de forma crítica às suas características prévias e
posteriores às intervenções.
Palavras-chave: História. Memória Coletiva. Revitalização.

APPROPRIATION OF SPACE AND PLACE:


A CORRELATED ANALYSIS OF SESC POMPEIA AND 24 DE MAIO

ABSTRACT

This article presents a correlative analysis of the architectural design of two buildings
currently belonging to the Social Service of Comércio (SESC). Sesc Pompéia by Lina Bo
Bardi and Sesc 24 of May by the architect Paulo Mendes da Rocha + MMBB. Both buildings
were abandoned by the responsible owners and later acquired by the institution in order to
carry out reforms and adapt to the uses of the SESC. The analysis takes into account factors
such as architectural identity, collective memory of the place and the association of space with
the place in order to compare them critically to their characteristics previous and after the
interventions.
Keywords: History. Collective Memory. Revitalization.
1 INTRODUÇÃO

No contexto urbano atual, as grandes metrópoles vivenciam um constante momento


de desocupação de seus antigos centros e sua consequente desvalorização devido à expansão
territorial destas, e ao fato de serem criados "novos centros" em regiões mais afastadas. Com
isso, diversos edifícios se mantêm fechados, abandonados ou ocupados indevidamente,
resultando em depredação, decadência e desvalorização do imóvel. Como contramedida,
diversas entidades como o Sesc e o Santander vêm adquirindo tais propriedades a fim de
recuperá-las e proporcionar novos usos, geralmente direcionadas à cultura e ao lazer, que
possam contribuir com a reocupação do espaço e suas atividades.

Mas como reconhecer a importância histórica de um edifício? O que define o "lugar"


e quais são as suas características? E como estes podem agregar positivamente na sociedade
contemporânea? Estudos do geógrafo chinês Tuan (1983) e do arquiteto norueguês Norberg-
Schulz conceituam a relação de espaço e lugar de forma a compreender o comportamento
humano em relação a estes, considerando: o tempo, afeto, apego, a memória e dentre outros
que resultam na caracterização um fenômeno espacial e de sentimentos a determinada
localidade que se denomina "lugar".

O presente artigo apresenta uma análise correlata do projeto arquitetônico de duas


edificações pertencentes ao SESC: Sesc Pompéia por Lina Bo Bardi (1977-1982) e Sesc 24 de
Maio (2017) pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha em parceria com o escritório MMBB. Tal
análise leva em consideração principalmente fatores como identidade arquitetônica, memória
coletiva do local e a associação do espaço com o lugar, e por fim busca delimitar o grau de
intervenção realizado, considerando suas características prévias e atuais e determinando se
houve perda de identidade arquitetônica ou da memória coletiva a qual se referem os projetos.
Optou-se pela escolha de tais obras devidas suas particularidades, soluções projetuais
contrastantes adotadas pelos respectivos arquitetos e o complexo programa de necessidades
que seria introduzido e adequado ao edifício existente. Além disso, ambos os edifícios eram
destinados a usos distintos, que ao passar dos anos entraram em estado de desuso e
decadência devidas situações adversas de cada proprietário ou contexto urbano.

3
2O SESC

O Serviço Social do Comércio (SESC) é uma entidade privada que atua em todo
território nacional, tem como objetivo proporcionar o bem-estar e a qualidade de vida aos
trabalhadores do setor comercial e sua família através da implantação de centros de atividades
de lazer e cultura em diversas cidades e regiões, podendo ter várias unidades em um mesmo
município.

Seu programa de necessidades complexo e flexível não se restringe a apenas um


público-alvo, mas procura atingir todo o público, sendo desenvolvidas atividades variadas
para crianças, adolescentes, adultos e idosos, proporcionando o bem estar físico e mental
como: prática de esportes, apresentações musicais e teatrais, oficinas culturais e artesanais,
educação, literatura, artes, cinema, saúde, etc.

Nos últimos tempos, a instituição vem reaproveitando edifícios antigos, históricos ou


que tenha alguma relevância como lugar para a implantação de novas unidades. Neste
contexto, os edifícios restabelecem uma conexão com a história através de conteúdos
programáticos culturais além de criar um vínculo com a sociedade local pela intensa
participação em atividades de lazer e convívio interpessoal, transformando o edifício em uma
referência. O Sesc Pompéia, 24 de Maio e o recém inaugurado Paulista, são exemplos de
ocupações que resultaram em sucesso na cidade de São Paulo.

3ESPAÇO, LUGAR E MEMÓRIA COLETIVA

Como alguém escolhe um prédio como ponto de referência? Quando um edifício


deixa de ser apenas um espaço construído e se torna "lugar"? Até que ponto o lugar interfere
nos sentimentos das pessoas? Quando o prédio adquire uma identidade própria? Estas e
algumas questões são perguntas que se respondem de maneira inconsciente e abstrata na vida
do ser humano através de fenômenos. As particularidades de cada indivíduo, suas sensações,
lembranças de determinados momentos vivenciados, juntamente com a relação pessoal com o
espaço, definem o lugar e passam a ter valor sentimental, e criando uma identidade para o
local, denominado "lugar".

Ao procurar entender os sentimentos de apego das pessoas ao espaço construído ou


ambiente natural, o geógrafo chinês Tuan (1983) conceitua o lugar como"um espaço que se
4
transforma em lugar à medida que adquire definição e significado" ou quando "torna-se
inteiramente familiar" àquela pessoa, tal como seu lar ou lugar onde ela habita em razão do
tempo vivido nele. O mesmo relaciona o Tempo e o Lugar de três maneiras: ao adquirir
afeição a determinado lugar em função do tempo vivido nele; o lugar em função de uma
interrupção temporal, seja ela para determinar momentos de espera, descanso ou abrigo; e por
final, o lugar relacionado com determinado período vivenciado no passado como uma
lembrança ou frutos da memória individual ou coletiva pertencente ao espaço (TUAN 1983,
apud REIS-ALVES, 2007).

Em complemento ao pensamento de Tuan (1983), o arquiteto norueguês Norberg-


Schulz denomina o lugar como algo mais que uma posição geográfica ou espaço: "[...] uma
totalidade constituídas de coisas concretas que possuem substância material, forma, textura e
cor. Juntas, essas coisas determinam uma 'qualidade ambiental' que é a essência do lugar [...]"
(NESBITT, 2006). Tais elementos dispostos a uma composição que determinam tal essência,
será vista pelas pessoas de maneiras distintas e na maioria das vezes, variará através das
particularidades individuais ou de um determinado grupo de indivíduos que interpretarão o
lugar de forma diferente, referente a uma lembrança, uma ação ou conjunto de fenômenos
ligados àquele lugar. O autor complementa: "[...] Em geral, um lugar é dado como esse caráter
peculiar ou 'atmosfera'. Portanto, um lugar é um fenômeno qualitativo 'total', que não se pode
reduzir a nenhuma de suas propriedades como as relações espaciais, sem que se perca de vista
sua natureza concreta" (NORBERG-SCHULZ, apud NESBITT, 2006).

Além da interpretação individual, alguns lugares representam um forte senso de


preservação da memória coletiva, ou seja, independente do contexto, aquele lugar será visto
de forma semelhante para vários grupos de pessoas como um ícone, que detêm uma
identidade a ser zelada caracterizada como patrimônio. O sentimento de pertencimento, aliado
à história vinculada ao local, determina o valor simbólico e emocional para a população e para
o local em que a obra é inserida, como por exemplo: A Torre Eiffel, Cristo Redentor, Museu
do Louvre, etc.

4 ANÁLISES CORRELATAS

4.1 SESC POMPÉIA (1977 - 1986)

5
4.1.1 HISTÓRIA

O bairro da Pompéia situado a poucos quilômetros do coração de São Paulo é um dos


importantes e movimentados centros urbanos da capital, abrigando comércio, shoppings, altos
prédios residenciais e comerciais. No século passado, era caracterizado por um traçado
ortogonal e regular a memória de um bairro cuja história estava relacionada ao início da
industrialização em São Paulo. Devido a isto, casas geminadas foram produzidas em série de
forma aleatória ao redor dos galpões de indústrias, destinadas aos operários, suas famílias,
predominantemente estrangeiros europeus e de classe média baixa que viviam em uma zona
bastante desfavorecida e sem muitas opções de lazer. Essas indústrias, apenas 50 anos depois,
já começavam a ser abandonadas, devida a rápida e desordenada expansão da capital paulista
(FERRAZ, 1996).

Na década de 70, o Serviço Social do Comércio de São Paulo, compra um conjunto


de galpões industriais no bairro desocupados por uma fábrica de geladeiras, outrora fábrica de
tambores metálicos. Era um, dos poucos marcos que restaram do período de expansão
capitalista e industrial ocorrido no começo do século. A instituição convida e contrata Lina Bo
Bardi para seu primeiro grande projeto após um período de inatividade profissional, a fim de
propor um novo uso para o complexo visando: convivência, cultura e lazer.

"Encantada pela elegante e precursora estrutura de concreto dos galpões, distribuídos


racionalmente conforme os projetos ingleses do começo da industrialização europeia" afirma
Lina ao visitar o complexo e sentindo-se obrigada a conservá-lo. E complementa ao retornar
pela segunda vez:

[...] Crianças corriam, jovens jogavam futebol debaixo da chuva que caía dos
telhados rachados, rindo com os chutes da bola na água. As mães preparavam
churrasquinhos e sanduíches na entrada da rua Clélia; um teatrinho de bonecos
funcionava perto da mesma, cheio de crianças. Pensei: isto tudo deve continuar
assim, com toda esta alegria. [...] OLIVEIRA, p. 205 .

Segundo Oliveira (2006), "a recuperação da fábrica não será apenas a recuperação da
memória do edifício, mas também da memória do lugar e do passado recente do país,
memória coletiva e memória pessoal de guerras e exílios, de leituras e viagens". Assim, Lina
analisa minuciosamente o ambiente, a história local e principalmente a população local que
viriam a seros usuários da edificação para dar início a concepção do projeto. Tanto foi seu
comprometimento, que decide locar seu escritório no próprio canteiro de obras, aproximando
as etapas projetuais e de execução ao nível de vivência, aproximando-se do cotidiano da obra

6
e orientando engenheiros, pedreiros e os demais da equipe à medida que surgiam problemas
de execução, através de croquis e detalhes técnicos.

4.1.2 O PROJETO

A "Cidadela", nome qual Lina batizara o complexo, demonstra sua intenção urbana
para com o lugar, modelo de uma "cidade-ambiente", que segundo ela seria a tradução da
palavra goalque provémdo idioma inglês e que expressa referência e homenagem direta ao
futebol, esporte mais popular do Brasil e que representava também uma crítica à sociedade
burguesa e política opressora. "O Sesc (Pompéia) é uma homenagem a gente comum, aos
esquecidos, aos perdedores, aos 'feios' contra um mundo que castiga o fracasso". (OLIVEIRA,
2006)

A primeira etapa do projeto era a revitalização dos galpões industriais, resguardando


suas características estruturais e estéticas: paredes de tijolo aparente, estrutura de concreto,
esquadrias, cobertura, pavimentação em paralelepípedos da rua interna e até os tambores
metálicos da antiga fábrica foram reutilizados para a criação de mobiliário urbano. Porém,
quaisquer novas intervenções impostas aos edifícios, sejam elas adequações ou a introdução
de novos elementos, deveriam reafirmar o conceito de fábrica. Posteriormente, a ideia da
arquiteta subverte tal conceito, de forma a transformar todo aquele ambiente repressivo, tenso
e desagradável em um lugar prazeroso de convivência, alegre e espontâneo, tal como a
intenção do programa do Sesc.

FLUXOGRAMA E SETORIZAÇÃO. Fonte: Desenho esquemático elaborado pelo autor, 2018.

LEGENDA COMPLEMENTAR: (1) Conjunto esportivo com piscina, ginásio, e quadras(2) Lanchonete, salas de
ginástica e de danças (3) Caixa d'água (4) Almoxarifado e oficinas de manutenção (5) Deck de madeira /
7
Solarium (6) Ateliers de cerâmica, pintura, marcenaria, tapeçaria, gravura e tipografia (7) Laboratório
fotográfico, estúdio musical, salas de dança e vestiários (8) Teatro com 1200 lugares + foyer (9) Restaurante
self-service + chopperia (10) Cozinha industrial (11) Grande espaço de convivência, jogos de salão,
espetáculos, mostras expositivas, lareira e espelho d'água (12) Biblioteca de lazer, espaço para leitura e
videoteca (13) Pavilhão para exposições temporárias (14) Vestiários e refeitório dos funcinários (15)
Administração geral.

A rua interna carrega função de espinha dorsal do complexo, e por ela se acessa cada
um dos galpões da antiga fábrica, sendo cada galpão destinado a uma atividade distinta apesar
de estarem conectados entre si. Como quem percorre um caminho a uma cidade, uma espécie
de passeio, o pedestre circula através dos ambientes com demasiada liberdade, como se
estivessem em meio urbano, uma cidade. Restaurantes, teatros, exposições, oficinas, praças,
jogos e lazer, são exemplos dos diversos usos que se dispõem meio a transição entre rua e
galpão.

Fonte: Desenho esquemático elaborado pelo autor, 2018.

Todas as intervenções adicionais ao restauro realizadas por Lina se destacam com a


finalidade de distinguir o edifício antigo da intervenção nova. Dentro de alguns pavilhões
existem divisão interna de ambientes que ao se preocupar com a preservação da identidade
arquitetônica, a arquiteta intervém de maneira sutil ao separar os ambientes através de
vedações baixas de blocos de concreto, delimitando quantidade significativa de espaço das
paredes até a estrutura da cobertura.
A área, onde acontece as maiores intervenções, é a do teatro coberto, que apesar de
seguir o conceito dos galpões anteriores apresenta um visual diferente, onde o concreto tem
maior destaque que a vedação de tijolos. Em vigência às necessidades do programa de um
teatro, adequações precisaram ser feitas, além do reforço estrutural e a movimentação de terra
realizada para a implantação dos assentos em um formato semelhante a uma arquibancada.
Diferente da maioria dos teatros e auditórios, esta por sua vez possui o palco centralizado,
8
gerando espaço às duas plateias em sentidos opostos, onde é possível visualizar o plano do
espetáculo de todas as direções. A área destinada a ser o foyer, isto é, área de dispersão do
teatro foi criada a partir de uma rua intermediária e perpendicular à rua interna principal, entre
dois pavilhões cria-se uma cobertura com telhas de vidro. Conforme Lina (OLIVEIRA, 2006)
esse foyer também foi concebido como um "terreiro", ou "hall-terreiro", um lugar reservado
às representações especiais.

Na segunda etapa projetual, o programa exigia a construção de ginásios


poliesportivos, porém, não havia espaço restante no terreno para a execução do mesmo,
apenas uma longa e estreita faixa, pela qual passava uma galeria de águas pluviais que
posteriormente seria sobreposta por uma longa passarela de madeira nomeada "Solarium",
mas que ainda assim, seria uma área não edificável. A solução para as condicionantes foi
convertida em particularidade do edifício: a implantação de dois blocos verticais interligados
por passarelas que passam por cima da galeria, as passarelas tornam-se os elementos mais
expressivos do complexo.

De um lado, o edifício mais largo, um prisma quadrangularregular sustentado, por


blocos de alvenaria estrutural e lajes em grelha com nervuras protendidas nos dois sentidos,
permitindo que a carga seja distribuída sobre as quatro paredes laterais. Seu uso era composto
apenas pelos quatro ginásios sobrepostos e a piscina, se isentando de quaisquer serviços ou
apoio técnico. Já do outro lado da galeria de águas pluviais, ao atravessar as passarelas, situa-
se o edifício mais esbelto e comprido denominado a "torre de serviços" que serviria de apoio
ao edifício esportivo, contendo banheiros e vestiários, lanchonetes, salas de menores dança e
ginástica, salas de atendimento médico e odontológico, além da concentrada circulação
vertical que para acessar o outro edifício é preciso acessar por esta e atravessar as passarelas.
Assim, como descreve Oliveira (2006): "[...] Dois blocos solidários que nascem atados. [...] A
'torre' serve à 'caixa' e esta é o motivo da existência da outra. Um acontece porque existe o
outro, um é o complemento enquanto antônimo do outro" (OLIVEIRA, 2006).

Assim como as intervenções realizadas nos galpões restaurados, o novo conjunto


poliesportivo também deveria reafirmar a ideia de fábrica. Seu aspecto no estilo moderno
brutalista, é realçado pelas características do material em sua essência, o concreto aparente
com acabamento supérfluo demarcando as fôrmas as quais foram utilizadas em sua
construção onde mais uma vez, Lina ressalta e valoriza através da poética o trabalho do peão,
do trabalhador.
9
Fonte: Desenho esquemático elaborado pelo autor, 2018.

Neste conjunto, a arquiteta faz analogias à natureza comparando os blocos com


cavernas, isso devido à singularidade do edifício, sua materiabilidade, acabamento e suas
esquadrias que se assemelham com buracos que proporcionam ventilação cruzada,
desprezando a necessidade de ar-condicionado. Além disso, no interior destas "cavernas",
Lina relaciona os diferentes pavimentos às estaçõesdo ano, sendo representadas por cores
determinantes de cada estação, tais cores que estimulam sensações e atividades segundo a
psicologia das cores. Apesar de Lina evidenciar e detalhar em seu projeto as cores e temas de
cada ambiente através de croquis coloridos, nem todos foram executados, como por exemplo,
a lanchonete e o local onde se insere a piscina.

Além da "caixa", "torre de serviços" e passarelas, o novo conjunto contava com um


quarto elemento que também merece destaque devido sua simbologia: a mais alta torre do
complexo detinha função de reservatório de água para abastecimento do mesmo. Ligada à
torre de serviços, sua forma cilíndrica deveria ser uma alusão à chaminé destruída da fábrica.
Sua composição em concreto aparente, é sobreposta por fôrmas circulares de concreto de um
metro de altura cada, que totalizam aproximadamente setenta metros de altura. A forma com
que a torre se relaciona com o restante do complexo vai além do plano físico, Lina dirá
através de forma simbólica mais uma vez que a "torre-chaminé-caixa d'água apita como um
navio que parte e de tempo em tempo avisa os navegantes da grande cidade" (OLIVEIRA,

10
2006). Diferente de uma sirene de fábrica que apita conforme os horários demarcados pelo
trabalho, esta por sua vez demonstra a intenção de atrair o visitante a um passeio que descarta
a necessidade de horário.

4.1.3 CONSIDERAÇÕES

O Sesc Pompéia representa de suas mais variadas formas, através de sua


simplicidade e complexidade, o real significado de espaço de convivência. A apropriação da
população, a valorização de seu espaço e sua simbologia se deram de tamanha forma, que
tornou-se um lugar reconhecido internacionalmente. Desde a fase do anteprojeto, Lina sempre
esteve atenta a esta questão da relação interpessoal com o edifício e suas respectivas funções.
A maneira que a arquiteta referencia o "povo" por mais lúdica e abstrata que seja se torna
naturalmente bem representada no contexto construtivo e arquitetônico em diversos elementos
ao longo do complexo. Além de resgatar a memória do local, ao se tornar "lugar", resgata-se
sua identidade como fábrica, mas também se cria uma nova e que através desta expressa sua
essência, e da essência sua função para qual o lugar e a sociedade. No trecho a seguir Lina
ressalta que a população ao interagir o lugar, torna-se parte dele:

Na Pompéia pretende-se que os indivíduos pensem e façam cultura. O contato com


os produtores culturais e com suas realizações, além de ser um valor em si mesmo,
constitui o primeiro passo para que as pessoas comuns, engajadas em diferentes
profissões e atividades se transformem, elas também, em produtores culturais. Aliás,
acerca desse assunto, talvez seja mais acertado dizer que antes de tudo torna-se
necessário alertar às pessoas de que elas, de uma forma ou de outra, já são
produtores de cultura, sem que disso tenham uma consciência muito nítida. Trata-se,
enfim, de tornar claro para os indivíduos o potencial criador de que são portadores,
assim como de favorecer sua concretização. (BARDI, apud JARDIM, 1982).

4.2 SESC 24 DE MAIO (2009 - 2017)

4.2.1 HISTÓRIA

Localizada no bairro República, no coração da cidade de São Paulo, a Rua 24 de


Maio é de extrema relevância local, tal qual interliga a Praça da República com o Theatro
Municipal de São Paulo em aproximadamente trezentos metros de distância, possui um fluxo
de pessoas intenso todos os dias em horário comercial e é caracterizada por uma identidade
representativa do comércio relevante desde o século passado, mas apesar do grande tráfego,
nos períodos noturnos quase não se tem movimento devida insuficiência de edificações que
possuem usos noturnos, o que torna o local inabitado e inseguro.
11
A recém-inaugurada unidade do Sesc 24 de Maio tem seu local definido em 2001 a
partir da compra do edifício da antiga Mesbla (uma das primeiras lojas de departamentos
influentes em São Paulo), que permaneceu abandonado durante três anos após a falência da
rede em 1999. Segundo relatos da população que frequentava o local, a Mesbla detinha
importância significativa no contexto comercial nacional já que apresentava uma gama
diversificada de produtos no início do século XX. Dentre as dezenas de lojas, uma localizava-
se na esquina da Rua 24 de Maio com a Rua Dom José de Barros e ocupava um edifício
descrito como "imponente", um prédio atrativo que chamava demasiada atenção. Do ponto de
vista arquitetônico representava uma construção padrão da época, mas que sem dúvida
expressava uma forte identidade local devida memória coletiva e que ocasionara a criação do
lugar. Ainda hoje há depoimentos referentes à antiga loja da Mesbla encontrados em blogs,
fóruns e jornais em formato digital que comprovam a relação de afeto existente na memória
da população.

Em 2001, após o Serviço Social do Comércio, ter adquirido o imóvel, o mesmo entra
em contato com o arquiteto Paulo Mendes da Rocha para desenvolver o projeto da nova
unidade no centro da capital paulista. De acordo com o diretor geral do Sesc-SP Danilo
Miranda em entrevista realizada no ano de 2017 pela TV Afiada, o convite ao arquiteto foi
realizado, devida sua habilidade, para com o restauro de edificações, expressada de forma
brilhante ao restaurar a Pinacoteca do Estado de São Paulo, que inclusive é comparada ao
Sesc Pompéia projetado na década de 70, por Lina Bo Bardi. Para o desenvolvimento do
projeto, o arquiteto conta também com a colaboração do escritório de arquitetura e urbanismo
MMBB.

4.2.2 O PROJETO

A primeira e mais importante condicionante de projeto era a situação degradante em


que o edifício se encontrava meio a um centro urbano decadente em busca de sua (re)ascensão
através da requalificação dos usos de edifícios nele inserido. Ao demonstrar a intenção de
reformar e reaproveitar o antigo edifício da Mesbla, observando sua importância para com a
memória coletiva da sociedade, Paulo Mendes prevê condicionantes em sua primeira visita
técnica ao terreno. O arquiteto nota que o edifício ao lado, estava à venda, e sugere para que o
Sesc o adquirisse como premissa para o restauro do edifício principal, servindo de suporte e
anexo para tal.

12
As intervenções prioritárias realizadas foram àsdemolições das áreas que
impossibilitariam a potencialidade de um edifício de caráter público e cultural e seu programa
de necessidades. Dentre elas as antigas circulações verticais que precisariam ser
redimensionadas e readequadas de acordo com as normas técnicas, vigentes em função da
edificação, o poço de luz que se direcionava ao átrio central existente nos pavimentos mais
baixos e as demais ampliações realizadas no período de ocupação da Mesbla.

RELAÇÃO ÁREA DEMOLIDA x ÁREA MANTIDA


Fonte: Desenho esquemático elaborado pelo autor, 2018.

Ao reformular o sistema de circulação vertical no edifício principal, surge a ideia da


concepção do conjunto rampas que tinham a pretensão de conectar todo o edifício como uma
espinha dorsal, que por sua vez torna-se a singularidade do edifício. "[...] Como quem está em
uma cidade [...]" expressa Paulo Mendes ao adotar a mesma simbologia utilizada por Bardi
em Pompéia. Os dezesseis segmentos de rampa dão acesso ao total de treze pavimentos
sobrepostos que apresentam diferentes atividades, porém,obedecem uma hierarquia que
determinam a setorização vertical do edifício com base nos seus respectivos usos, como por
exemplo: o conjunto referente às atividades de leitura na biblioteca, convivência, estar e
restaurante, apesar de estarem em diferentes pavimentos, estão próximos e conectados, sejam
por contato visual direto através de alternâncias nas dimensões do perímetro das lajes ou por
obedecerem ao fluxo de pessoas que utilizarão por conveniência estes espaços.

13
DESENHO: FLUXOGRAMA E ACESSOS
Fonte: Desenho esquemático elaborado pelo autor, 2018.

No pavimento térreo denominado "praça", cria-se uma extensão da própria calçada


ao permitir que o pedestre circule livremente através do espaço ao conceder acesso tanto aos
pavimentos superiores quanto ao inferior, tornando-os [Link] área do átrio central,
criam-se quatro pilares robustos nas extremidades do perímetro demolido, sem que estes
interfiram na estrutura mantida, e que serviriam de apoio para suportar as cargas da cobertura
do edifício, desde piscina que seria instalada no terraço do edifício até o subsolo onde
possibilitaria a criação do anfiteatro. Estes também ora atuam como suporte para mezaninos
criados em determinados pavimentos em que necessitam uma amplitude maior de espaço e de
pé direito, como por exemplo, o setor esportivo e exposições.

As demais intervenções foram realizadas ao edifício anexo, que estas serviriam de


total apoio ao edifício principal. Tal como a torre de serviços do Sesc- Pompéia citada
previamente neste artigo, o anexo ao edifício principal de Paulo Mendes possui funções e
características semelhantes à solução adotada por Bardi, que consistia na concentração de
serviços e áreas técnicas que o edifício principal não poderia conter, ou seja, ambos serviriam
de suporte um para o outro e a existência de um só é justificada pela existência do outro.
Composto por 22 pavimentos e ao longo destes, por banheiros, vestiários, depósitos, casa de
máquinas, ar-condicionado, reservatórios, etc.
14
Com a total confiança dos arquitetos envolvidos, foram adotadas algumas
particularidades com relação ao programa de necessidades relacionadas aos ambientes
conforme sua hierarquia e adicionando elementos que viriam a torná-los singulares. Como já
mencionado, os usos de cada pavimento foi setorizado verticalmente e em alguns casos, um
ambiente se torna diretamente conectado com o outro através dos mezaninos e que por meio
destes, é possível em alguns casos o contato visual direto e obter ventilação de forma mais
eficaz. É possível observar através da imagem abaixo:

CORTE ESQUEMÁTICO /SETORIZAÇÃO VERTICAL


Fonte: Desenho esquemático elaborado pelo autor, 2018.

O desafio de colocar uma piscina de 625 metros quadrados não se resume em apenas
locá-la no terraço de um edifício no centro de São Paulo, e sim de torná-lo coerente com o
entorno e o conjunto como um todo, e nisto, o arquiteto obtém sucesso. Além de proporcionar
lazer aos usuários, a piscina possui caráter simbólico ao meio de inúmeros terraços

15
"cinzentos" de edifícios antigos que existem na região alterando e criando o diferencial na
vista panorâmica do entorno e expondo a característica do "lugar". Ainda no setor da piscina,
porém dois pavimentos abaixo, a implantação do espelho d'água na área de bar e convivência
que por fim, acaba caracterizando o espaço como um bar molhado e que segundo Paulo
Mendes simboliza uma extensão da própria piscina determinando mais uma particularidade
edifício.

Dos elementos construtivos marcantes da edificação destacam-se as vedações de


concreto aparente e amplos panos de vidro, característica notável de Paulo Mendes da Rocha
em suas obras. Por meio destes, o arquiteto compõe os espaços de maneira simples e objetiva,
marcada por características modernistas ao evidenciar a planta livre, justificada pela ausência
de vedações ao delimitar ambientes. Além disso, os ambientes tendem a ficar ainda maiores
nos espaços de convivência ao transmitir a sensação de que o espaço se estende até a rua
através dos panos de vidro que proporcionam o contato direto com o externo da edificação,
fato que se amplifica pela curta proximidade entre os prédios localizados ao entorno.

4.2.3CONSIDERAÇÕES

No contexto atual urbano, São Paulo vivencia um constante momento de


desocupação do antigo centro e sua consequente desvalorização devida expansão da
metrópole ao criar "novos centros" em regiões mais afastadas, afetando diretamente os
edifícios mais antigos que entraram em desuso ou foram ocupados de maneira improdutiva. A
proposta da implantação da unidade 24 de Maio, do SESC em um edifício já consolidado
meio ao contexto histórico do local, é uma tentativa de revitalização do lugar com o intuito de
reocupar e resgatar a memória coletiva pertencente ao centro novamente. Além de
restabelecer a conexão entre o comércio local e o SESC, baseando-se na premissa de que o
próprio Serviço Social do Comércio é direcionado principalmente aos comerciantes,
necessita-se também restabelecer o vínculo com a população paulistana em geral de forma a
valorizar novamente o antigo centro da cidade, e isto, apenas com o tempo se obterá uma
resposta que será provavelmente positiva vinda por parte dos usuários.

16
5 CONCLUSÃO

A solução para a reocupação de um centro urbano provém da necessidade de


implantar ou reformular os usos de edificações existentes que não proporcionam atividades
nos períodos diurnos ou noturnos, mas que possuem um potencial valor patrimonial, ainda
que subentendido por uma grande maioria da população que ainda precisa compreender as
formas de apropriação do lugar em diversos âmbitos. Ao direcionar o uso de um edifício de
cunho histórico para o lazer ou cultura, além de ressaltar a memória coletiva impregnada na
essência do lugar, propõe-se que os usuários interajam entre si e com a edificação, assim
como diria Lina em citação exposta neste artigo: "pretende-se que os indivíduos pensem e
façam cultura" ao participar efetivamente em função da cultura e se apropriar do patrimônio
edificado. E por fim complementa que "torna-se necessário alertar às pessoas de que elas, de
uma forma ou de outra, já são produtores de cultura, sem que disso tenham uma consciência
muito nítida".

Apesar dos períodos em que foram construídas, as duas obras representam


fortemente o objeto e desejo de cada arquiteto demonstrado de formas divergentes tanto em
suas soluções projetuais como a maneira em que se intervêm no edifí[Link] maioria de suas
obras, Lina Bo Bardi transmite a ideia de lugar relacionado à memória coletiva de forma sutil
e poética ao investigar a fundo o contexto histórico local onde se propõe seus projetos, onde
se busca a essência do local de forma abstrata, e através da arquitetura converte tal essência
em "lugar", representada por pequenos detalhes e elementos que cativam o usuário de forma
sentimental e lúdica. Por outro lado, Paulo Mendes da Rocha realiza intervenções mais
marcantes e que nem sempre representam explicitamente a história de determinada obra ao ser
restaurada, mas este se complemente através de elementos simbólicos que caracterizam o
lugar.

17
BIBLIOGRAFIA

AMORIM, Paulo Henrique. "O centro velho rejuvenesce". Direção: Carlos Melo. 2017 (6m56s).
Disponível em: <[Link] Acesso em 24 de jun. 2018.

BARDI, Lina Bo; FERRAZ, Marcelo Carvalho; VAINER, André. Sesc - Fábrica da Pompéia.
Lisboa: Editorial Blau, 1996.

JARDIM, Evandro Carlos. "Oficinas de Criatividade do Sesc Pompéia".


Disponível em: <[Link] Acesso em: 23 de jun. 2018.

MOREIRA, Marta. "Sesc 24 de Maio". Escola da Cidade. 2013 (7m05s).


Disponível em: <[Link] Acesso em 24 de jun. 2018.

NORBERG-SCHULZ, Christian. “O Fenômeno do Lugar”. In: NESBITT, Kate (org.). Uma Nova Agenda
para a Arquitetura. Antologia Teórica 1965-1995. São Paulo: Cosac Naify, 2006

OLIVEIRA, Olivia de. "Lina Bo Bardi: Sutis substâncias da arquitetura". Sao Paulo: Editora GG, 2006.

PORTAL VITRUVIUS. Sesc 24 de Maio. Projetos, São Paulo, ano 18, n. 206.02, Vitruvius, fev. 2018
Disponível em: <[Link] Acesso em 30 de jun. 2018.

REIS-ALVES, Luiz Augusto dos. "O conceito de lugar". Arquitextos, São Paulo, ano 08, n. 087.10, Vitruvius,
ago. [Link]ível em:<[Link]
Acesso em 01 de jul. 2018.

Serviço Social do Comércio, "SESC - Sobre o Sesc"


Disponível em: <[Link] Acesso em: 07 de jun. 2018.

"Sesc 24 de Maio / Paulo Mendes da Rocha + MMBB Arquitetos" 28 Fev 2018. ArchDaily Brasil.
Disponível em: <[Link]
arquitetos>Acessoem 24 jun. 2018.

18
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SESC MARINGÁ CORTE PERSPECTIVADO EM PROJEÇÃO PARALELA

CINE TEATRO PLAZA + CENTRO COMERCIAL DE MARINGÁ

O Serviço Social do Comércio (SESC), é uma instituição privada que estabelece pareceria com empresários do
segmento comercial, de serviços e turismo a fim de proporcionar lazer, cultura, saúde e educação para seus
beneficiários. Atualmente, Maringá possui apenas uma unidade implantada, localizada na Av. Duque de Caxias com a
Av. Colombo, além de possuir baixa infraestrutura para atender a população local, ela se torna insuficiente para
atender toda a cidade, já que seu programa de necessidades abrange apenas uma parcela do total que o SESC
oferece. Portanto, torna-se viável a criação e a implantação de uma segunda unidade direcionada à cultura e lazer, já
que a primeira é focada apenas em saúde e educação.

A escolha do local da proposta, baseou-se em uma política que a instituição vem adotando ao longo dos anos no
estado de São Paulo, que é o reaproveitamento de edifícios já consolidados e que possuem relevância histórica, em
incentivo à sua preservação cultural e também à tentativa da reocupação dos centros urbanos que passam por um
momento de migração rumo às periferias. Os edifícios escolhidos para o projeto da segunda unidade foram: o edifício
do Cine Teatro Plaza, um famoso cinema e teatro que funciounou em seu auge entre as décadas de 60 e 90 e que
atualmente está abandonado; e o Centro Comercial de Maringá, bastante conhecido por sua forma arquitetônica e
que antigamente era ponto de referência na cidade. Embora esteja em "funcionamento", o comércio atua de forma
fraca e despotencializa seu uso para com a sociedade.

A união destes dois edifícios e a reformulação de seus usos para a cultura e o lazer, busca restabelecer um vínculo
efetivo entre o comércio local e o SESC, já que em Maringá, tal conexão permanece esmaecida. Sua implantação no

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coração do comércio da cidade, favorece e intensifica as atividades comerciais do entorno, além de contribuir
arquitetonicamente com a criação de espaços semi-públicos para que não só os beneficiários e sócios do SESC
utilizem, mas também toda a população participe ativamente na composição da cultura e história ao se apropriar do
lugar, onde não existe apenas um público alvo e sim diversas faixas etárias em convívio.

PERSPECTIVA EXTERNA - Esquina Av. Brasil com a Tv. Guilherme de Almeida

PERSPECTIVA INTERNA - Praça e Átrio Central

REFERÊNCIA DA PRANCHA: TURMA: DISCIPLINA: T.C.C. P R A N C H A

01
JUSTIFICATIVA E 3D ARQ-5NA
GRUPO: PROFESSOR ORIENTADOR:
LEONARDO MARGONAR BEZERRA LUCAS GROLLA

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S S
RAMPA
i: 22% DIST: 13,63 D

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RAMPA S

i: 5% DIST: 15,00

i: 5% DIST: 15,00
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RAMPA
i: 6,25% DIST: 15,10

RAMPA
Projeção Rampa

Mureta h=1,20

ELEV. SOCIAL

i: 6,25% DIST: 15,10


RAMPA
ELEV. SOCIAL
RAMPA RAMPA
S i: 8,33% DIST: 8,20 i: 8,33% DIST: 8,20
S

RAMPA RAMPA
i: 8,33% DIST: 7,48
S S i: 8,33% DIST: 7,48

S
TALUDE i: 38º
Mureta h=1,20

Mureta h=0,30

TALUDE i: 38º
PORTÃO RETRÁTIL

Mureta h=1,20

O PROJETO
A princípio, foi preservada a maior parte da estrutura de ambos os edifícios em suas fachadas a fim de preservar a identidade prévia do lugar. No Centro Comercial, existia um átrio central
que gerava um poço de luz para a edificação, esta área foi praticamente toda demolida pois sua malha estrutural dispunha proporções irregulares entre um pilar e outro, além dos elementos
de circução verticais não estarem de acordo com a norma brasileira de acessibilidade (NBR 9050). Posteriormente, foi criada uma estrutura independente que viria a sustentar a nova
circulação vertical social através de rampas dentro dos padrões da NBR e um novo bloco que interligaria os dois edifícios e que suportaria o peso de uma piscina semi-olímpica que se
situaria no terraço. Já no edifício do Cine Teatro, manteve-se a maior parte de sua malha estrutural, adicionando apenas o reforço estrutural em determinados pilares para a sustentação do
novo bloco, além da criação de mais quatro pavimentos, sendo dois direcionados para o estacionamento do subsolo e dois acima dos pavimentos existentes. A estrutura que comporta o
espaço do teatro foi reformulado a fim de solucionar os pavimentos referentes ao estacionamento e térreo, além da criação de um segundo pavimento para a platéia e sala técnica.
REFERÊNCIA DA PRANCHA: TURMA: DISCIPLINA: T.C.C. P R A N C H A

02
IMPLANTAÇÃO ARQ-5NA
GRUPO: PROFESSOR ORIENTADOR:
LEONARDO MARGONAR BEZERRA LUCAS GROLLA

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i: 22% DIST: 13,00


RAMPA

MURETA h= 1,50

S ESTACIONAMENTO

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D
Foi criada uma nova estrutura baseada nas dimensões das vagas e de circulação dos
veículos dentro dos parâmetros da norma brasileira para vagas de estacionamento,
comportando aproximadamente cem vagas para veículos de duas ou mais pessoas, dezesseis

i: 22% DIST: 15,00


RAMPA
vagas para motocicletas e um bicicletário, estes distribuídos em dois pavimentos no subsolo e
ventilados por três pontos distintos. São conectados por dois pontos de circulação vertical:
um conjunto de dois elevadores e escada para usos de serviços e de emergência e dois
elevadores para uso social. S
RAMPA
i: 22% DIST: 15,00

Cobogó
TALUDE i: 38º

Projeção Rampa

Espelho d'Água
Espelho d'Água

ADMINISTRAÇÃO E ATENDIMENTO

Os acessos do setor administrativo e do setor atendimento ocorrem no primeiro subsolo juntamente da praça de S

convívio e o espelho d'água sobrepostos pelo grande átrio central. Estes se extendem para o pavimento térreo de S S
S
forma indenpendente: da administração cria-se um mezanino para sala de reuniões e arquivo; da praça para uma
extensão da calçada que por sua vez, seu acesso livre se distribui para o restante do edifício.

REFERÊNCIA DA PRANCHA: TURMA: DISCIPLINA: T.C.C. P R A N C H A

03
SUBSOLO 1 E 2 ARQ-5NA
ALUNO: PROFESSOR ORIENTADOR:
LEONARDO MARGONAR BEZERRA LUCAS GROLLA

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LEGENDA
SETORIZAÇÃO VERTICAL

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RAMPA
i: 6,25% DIST: 21,50
S

Mureta h=1,20

ELEV. SOCIAL

i: 6,25% DIST: 15,10


RAMPA
ELEV. SOCIAL

ELEV. SERVIÇO
S

Parede de vidro fixo


Aberturas pivotantes h=3,00
S

LEVANTAMENTO FOTOGRÁFICO ( EXISTENTE )


CINE TEATRO PLAZA

Construído na década de 60, reformado em 2006, fechado posteriormente e atualmente


abandonado, apresenta decadência em seu belo interior devido a ausência de uso e manutenção.
Era atração tanto de filmes transmitidos no telão de dimensões 26 metros de comprimento e 7,26
metros de altura, quanto apresentações teatrais e musicais feitas em um grande palco.

REFERÊNCIA DA PRANCHA: TURMA: DISCIPLINA: T.C.C. P R A N C H A

04
2º PAV. ARQ-5NA
GRUPO: PROFESSOR ORIENTADOR:
FOTO TIRADA PELO AUTOR - Fachadas (10 / 2018) FOTO TIRADA PELO AUTOR - Cine Teatro Plaza (08 / 2018) FOTO TIRADA PELO AUTOR - Saída de Emerg. (08 / 2018)
LEONARDO MARGONAR BEZERRA LUCAS GROLLA

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AUDITÓRIO MIDIATECA GALERIAS DE EXPOSIÇÃO


RAMPA
i: 6,25% DIST: 15,10

Em complemento à midiateca e à galeria de Criada com o objetivo de auxiliar na Propostas para todos os públicos, as galerias tem como objetivo expôr
exposições, foi criado um auditório com pé produção do conhecimento e cultura, e Mureta h=1,20
obras locais de modo temporário. Para isso, são dispostas três galerias
direito duplo com capacidade de cento em diferente de uma biblioteca convencional, em um mesmo pavimento com acessos independentes entre elas para

BRISES VERTICAIS
vinte uma pessoas. Este espaço auxiliaria na esta por sua vez inclui o lazer e atividades que a manutenção de uma das galerias não interfira no funcionamento

ELEV. SOCIAL
produção e desenvolvimento de palestras, diversas relacionadas à tecnologia e outras de outra. Além disso, dois depósitos servem de apoio técnico para essas
aulas e apresentações menores. mídias. galerias quando necessário.

i: 6,25% DIST: 15,10


RAMPA
ELEV. SOCIAL
PROJEÇÃO DA LAJE SUPERIOR

ELEV. SERVIÇO
S

RAMPA
S i: 8,33% DIST: 12,60

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RAMPA RAMPA
D i: 8,33% DIST: 8,40
D i: 8,33% DIST: 8,40
D

RAMPA Parede de vidro fixo Aberturas pivotantes h=3,00


S i: 8,33% DIST: 8,40
S
Parede de vidro fixo Aberturas pivotantes h=3,00

JARDINEIRA h= 1,10

CALHA
PISTA DE SKATE

A intenção de se projetar uma pista de skate no quinto


Aberturas pivotantes h=3,00

S
RAMPA
i: 6,25% DIST: 15,10 pavimento de uma edificação no centro da cidade, teria como
objetivo atrair o público jovem por meio de esporte e da
Parede de vidro fixo

singularidade do local em que a pista é proposta. Com base em


informações cedidas pelo SESC, o público que a instituição
BRISES VERTICAIS

busca atrair são os jovens, portanto, o espaço para atividades

ELEV. SOCIAL
ELEV. SOCIAL

propostas por esporte que é bastante popular na região é


imprescindível para tal.
i: 6,25% DIST: 15,10
RAMPA

ELEV. SOCIAL
ELEV. SOCIAL
PROJEÇÃO DA LAJE SUPERIOR

Aberturas pivotantes h=3,00

PROJEÇÃO PASSARELA
Parede de vidro fixo

COPA

ELEV. SERVIÇO
ELEV. SERVIÇO
S
RAMPA
i: 6,25% DIST: 14,80
D
BWC BWC

S
S

PROJEÇÃO PATAMAR
RAMPA RAMPA
D i: 8,33% DIST: 6,45
D i: 8,33% DIST: 6,45
JANELA ALTA h=1,80

Parede de vidro fixo Aberturas pivotantes h=3,00

JARDINEIRA h= 1,10

REFERÊNCIA DA PRANCHA: TURMA: DISCIPLINA: T.C.C. P R A N C H A

05
PAVIMENTOS 3,4 E 5 ARQ-5NA
GRUPO: PROFESSOR ORIENTADOR:
LEONARDO MARGONAR BEZERRA LUCAS GROLLA

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i: 6,25% DIST: 11,90 i: 6,25% DIST: 11,45


RAMPA RAMPA

PROJEÇÃO DO PAVIMENTO SUPERIOR

ESCOTILHA DE ACESSO CASA


DE MÁQUINAS PISCINA

BORDA INFINITA
ELEV. SOCIAL

BORDA INFINITA
PROJEÇÃO DA RAMPA
ELEV. SOCIAL

ELEV. SERVIÇO

BORDA INFINITA
BWC BWC

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PROJEÇÃO DO PAVIMENTO SUPERIOR

S
S RAMPA RAMPA
i: 6,25% DIST: 12,10
S i: 6,25% DIST: 12,10

PISCINA
A piscina locada no terraço do bloco anexo aos edifícios, e
suportada por nove pilares, possui porte semi-olímpico de
dimensões de 25 metros de comprimento por 15 de largura e
variações de um metro e cinquenta de profundidade à dois
metros. Ao final de um dos lados longitudinais, a piscina
apresenta borda infinita, onde a água escorre pela parede lateral
às rampas de acesso ao terraço e se drena por uma grelha
metálica onde é filtrada e posteriormente direcionada ao filtro
da piscina na área técnica abaixo da mesma.
PROJEÇÃO DA VIGA

CALHA
PROJEÇÃO DA VIGA PROJEÇÃO DA VIGA

PAREDE VAZADA - COBOGÓ


GRELHA METALICA
i: 6,25% DIST: 17,15
RAMPA

PROJEÇÃO DA VIGA

BANCO BANCO
GUARDA-VOLUMES

GUARDA-VOLUMES

PROJEÇÃO DA VIGA PROJEÇÃO DA VIGA

PORTA DE CORRER
S
RAMPA RAMPA
i: 6,25% DIST: 11,90
S i: 6,25% DIST: 11,60
S

REFERÊNCIA DA PRANCHA: TURMA: DISCIPLINA: T.C.C. P R A N C H A

06
PAVIMENTOS 6,7 E 8 ARQ-5NA
GRUPO: PROFESSOR ORIENTADOR:
LEONARDO MARGONAR BEZERRA LUCAS GROLLA

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REFERÊNCIA DA PRANCHA: TURMA: DISCIPLINA: T.C.C. P R A N C H A

07
CORTE AA ARQ-5NA
GRUPO: PROFESSOR ORIENTADOR:
LEONARDO MARGONAR BEZERRA LUCAS GROLLA

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REFERÊNCIA DA PRANCHA: TURMA: DISCIPLINA: T.C.C. P R A N C H A

08
CORTE AA ARQ-5NA
GRUPO: PROFESSOR ORIENTADOR:
LEONARDO MARGONAR BEZERRA LUCAS GROLLA

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