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Dra.

Marinei Nogueira Rubez

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Em mais de vinte anos de vivência na medicina, já presenciei inúmeras cenas e
situações que me marcaram. Porém, se eu tivesse que escolher a cena que mais
me marcou como médica, escolheria a que mais me marcou como mãe.

Foi em uma visita a uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva), local onde
geralmente os pacientes estão em estado grave, necessitando de cuidados o
tempo todo. Foi neste ambiente frio, cheio de aparelhos e medicamentos, que
vivenciei a importância da maternidade.

Não se tratava de uma paciente grávida. Quem me chamou a atenção foi um


velho homem, aparentando bem mais de oitenta anos, deitado em posição fetal,
que gritava em meio ao seu delírio:
“Mamãe! Mamãe! Ah, minha mãe...”
Para uma pessoa no fim da vida, doente, com a consciência comprometida, o
que lhe restara era chamar por sua mãe. De toda uma vida o que lhe restou foi
clamar por sua mãe; e era um clamor que vinha do seu coração, da sua alma.

Somente quem poderia acolher sua dor,


sua solidão, naquele momento, era sua mãe!

Todos os sons e ruídos da UTI desapareceram frente ao chamado choroso


daquele homem que, no fim da vida, insistia em resgatar a mais importante de
suas memórias:

a sua mãe.
Naquele momento, a médica deu lugar à mãe
e me dei conta do quanto importante é ser mãe...
Quando Deus escolheu a mulher para acolher a vida em seu ventre,
deu-lhe a responsabilidade de gerar seres humanos que são a imagem d`Ele.
E para isto lhe deu uma infinita capacidade de amar, renunciar e esperar.

Amar, sem impor condições.


Renunciar a tudo!
Até a si mesma, pelos filhos,
e esperar com muita paciência
todas as condições que a vida lhe apresentar.
A começar pela espera de nove meses para que a vida
em seu corpo se torne vida para o mundo.
Durante a gestação a mulher é a perfeita moradia.
É no corpo da mulher que Deus
fez a primeira morada de todo ser humano.
E é neste corpo sagrado que abriga a vida,
que a mulher experimenta a plenitude de ser mulher...
Quando seu ventre cresce, seu corpo ganha novas formas,
as mamas se preparam para alimentar sua cria,
todo o ser feminino se enche de glória
para esperar o dia de dar a vida a um novo ser...
E depois, fora do nosso corpo, acompanhamos toda uma trajetória.
Somos o porto seguro
Para passos cambaleantes...
Para abraços aflitos...
Para choros carentes...
Por mais que os homens cresçam e envelheçam,
somos nós, as mães,
que ficamos em suas memórias.

Aquele velho homem, me mostrou o quanto importante


é o papel da mãe para todo ser humano.

Fez-me também questionar porque tantas meninas


na idade de serem filhas e não mães,
violentam seus corpos.
Maquiadas por uma falsa liberdade,
colocam em risco suas e outras vidas inocentes,
com a desculpa de serem modernas.
O corpo sagrado é violado e, muitas vezes, jovens, quase crianças,
tornam-se mães, perdendo a oportunidade de vivenciarem com plenitude
o divino mistério da vida.

Depois daquele dia na UTI,


acrescentei mais uma responsabilidade ao meu papel de mãe.

Pode ser que um dia, quando a gente pensa que os filhos não precisam mais de
mãe, que a gente seja a última lembrança na vida deles.

E quero ser não só a última lembrança,


mas a melhor!
by nur@
Dra. Marinei Nogueira Rubez
Médica Dermatologista - Cruzeiro/SP
Formatação by nur@
Brasília - DF
Brasil
22/06/2006
Música: “Una Furtiva Lacrima”
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nurasil@globo.com

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Fonte: “Revista Canção Nova” - Maio 2006

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