Você está na página 1de 48

Cantigas de Exu

Èsú yè, Laróyè ! (Viva Èsú! Ou Salve Èsú!)

A jí kí Barabo ago mojúbà, àwa kò sé

A jí kí Barabo ago mojúbà, e omodé ko èkò èkó

Barabo e mojúbà Elégbára Èsú l’óònòn.

A ji qui Barabô ago mojubá auá cô xê


A jí qui Barabô ago mojubá ê omódê có é có

Barabô môjubá Élébára Exú lonã.

Nós acordamos e cumprimentamos Barabo,

A vós eu apresento meus respeitos,

Que vós não façais mal.

Nós acordamos e cumprimentamos Barabo

A vós eu apresento meus respeitos.

A criança aprende na escola (é educada, ensinada)

Que a Barabo eu apresentei meu respeito, ele é

Senhor da Força, o Exú dos caminhos.

Bará ó bebe Tirirí l’ònòn

Èsú Tirirí, Bará o bebe Tirirí l’ònòn, Èsú Tirirí.

Bará ô bébé tirirí lónã Exú tirirí

Bará ô bébé tirirí lónã Exú tirirí, Exú Tirirí

Exú, ele realiza proezas maravilhosas,

Tirirí é o Senhor dos Caminhos, Exú Tirirí.

Xo Xoroque Odára, Odára bàbá ebo

Xo Xoroque Odára, Odára bàbá ebo

Xo Xoroque ôdara ôdara babá ebó

Xo Xoroque ôdara ôdara babá ebó


Odara sobe, sobe (ascenção), Odara é o pai dos ebós

Odara sobe no fogo que ele próprio acendeu

Èsú wa jú wo mòn mòn ki wo Odára

Laróyé Èsú wa jú wo mòn mòn ki wo Odára

Èsú awo.

Exu a ju uô mã mã qui uô ódara

Larôiê Exu a ju uô mã mã qui uô ódara

Exu auô.

Exu nos olha no culto e reconhece, sabendo que o culto é bom,

Larôie Exu nos olha no culto e reconhece sabendo que o culto

É bonito, vamos cultuar Exu.

Odára ló sòro, Esu Odára ló sòro lóònòn

Odára ló sòro, Esu Odára ló sòro lóònòn

Ôdára lô xorô Exu Ôdára lô xorô lónã

Ôdára lô xorô Exu Ôdára lô xorô lónã

Odara pode tornar o caminho difícil,

Ele é o Senhor dos caminhos.

Odára sá wê pê Exu Odára sá wê pê lóònòn

Odára sá wê pê Exu Odára sá wê pê lóònòn

Odára xá uê pê Exu Odára xá uê pê lónã

Odára xá uê pê Exu Odára xá uê pê lónã

Odara corta e se banha demoradamente,

Exu Odara corta e se banha demoradamente no caminho

7
Elégbára Èsú ó sá kéré kéré
Akesan Bará Èsú ó sá kéré kéré.

Elébára Exu ô xá querê quere


Akésã bará Exu ô xá quere quere.

Exu, o Senhor da Força (do poder)

Faz cortes profundos e pequenos,

Akésan Exu do corpo, faz cortes profundos

E pequenos (gbéré).

A jí ki ire ni Èsú, Èsú ka bí ka bí.

A jí ki ire ni Èsú, Èsú ka bí ka bí.

A ji qui irê ni Exú, Exú cá bi ca bi

A ji qui ire ni Exu, Exu cá bi cá bi.

Nós acordamos e cumprimentamos felizes a Exu,

E Exu conta como nascemos, Exu conta como nascemos.

E Elégbára Elégbára Èsú Aláyé

E Elégbára Elégbára Èsú Aláyé

Ê élébára élébára Exu alaiê

Ê élébára élébára Exu alaiê

Senhor da Força, Senhor do Poder

Senhor da Força, Senhor do Poder

Cumprimentamos o Chefe (dono do mundo)

Cantigas de Ogun
Ògún yè, pàtàkì orí Òrìsà!

(Salve Ògún, Òrìsà importante da cabeça! ou, O Cabeça dos Òrìsà


importantes!)

Ògún àjò e mònriwò, alákòró àjò e mònriwò


Ògún pa lè pa lóònòn Ògún àjò e mònriwò

Elé ki fí èjè wè.

Ogum ajô é manriuô alácôrô ajô é manriuô

Ogun pa lê pa lónã ogun ajô é manriuô

Élé qui fi éjé ué.

Ogun o Senhor que viaja coberto de folhas novas de palmeira,

Ogun o Senhor que viaja coberto de folhas novas de palmeira,

Ogun mata e pode matar no caminho, Ogun viaja coberto por

Folhas novas de palmeira, é o Senhor que toma banho de sangue.

Àwa nsiré Ògún ó, èrù jojo

Àwa nsiré Ògún ó, èrù jojo

Èrù njéjé

Auá xirê ogum ô éru jójó

Auá xirê ogum ô éru jójó

Érum jéjé

Nós estamos brincando para Ogun com medo extremo

Segredamos nosso medo, nos comportamos calmamente, Mas com medo.

Ògún nítà ewé rè, Ògún nítà ewé rè

Ba Òsóòsí l’oko ri náà lóòde

Ògún nítà ewé rè

Ogum nitá euê ré, ogum nitá euê ré

Ba Oxossi Okô ri naa lôdê, ogum nitá euê ré

Ogun tem que vender as suas ervas,

Ogun tem que vender as suas ervas,

Encontra-se com Oxossi nos arredores da fazenda


Ogun tem que vender suas ervas.

Alákòró elénun alákòró elénun ó

Ae ae ae alákòró elénun ó

Alácorô élénun alácorô élénun ô

Aê aê aê alácorô élénun ô

O Senhor do akorô vangloria-se (de suas lutas)

O Senhor do akorô é aquele que conta bravatas.

A l’Ògún méje Iré, aláàda méji, méji


A lôgum mejê ire aláda mêji mêji
Nós temos sete Ogun em Irê

É o Senhor das duas espadas.

Sa Sa sa ogun o, Ògún ajo iku igbale

Xa xa xa Ogun o, Ògún ajo eku bale

Ogun cortou, cortou, cortou.

E foi bem recebido na terra

Ògún Onirê onirê Ògún

Alakorô onirê, Obá de órun

Ògún Onire onire ogun

Alakoro onire, Oba de orun

Ogun senhor de Ire, o senhor de ire e ogun

Proprietário do akoro e senhor de ire

Rei que chega do céu

Ògún ni alagbe odé


mònriwò odé

Odé mònriwò

Ogun ni alabedé

Manriuô odé

Odé manriuô

Ogun e o senhor da forja e caçador

Que se veste de folhas novas de palmeira

De folhas novas de palmeira ele se veste

Ògún dê arê rê

Irê Irê Ògún já

Ákòró awá adê arê rê

Irê Irê Ògún já

Ogún dê arê rê

Irê Irê Ogún já

Akorô wá dê arê rê

Irê ilê ogun já ô

Ogun de lutas que chegue a nós

em feliz de Irê

Ogun que luta de elmo que nos protege

(Chegue a nós) faça a nossa casa feliz Ogun

Òsóòsí

Oxossi é filho de Iemonjá com Orunmila. É a divinização da floresta,


reinando sobre o verde, sobre os animais selvagens, dos quais é
considerado o dono e dos quais tem todas as virtudes. Oxossi é sagaz como
o leopardo, forte como o leão, leve como o pássaro, silencioso como o tigre,
observador como a coruja. Sabe se esconder como um tatu, é vaidoso como
um pavão, corre como os coelhos, sobe em árvores como macacos, conhece
os animais profundamente e com eles partilha o conhecimento da natureza.
Dizem os mitos que aprendeu a caçar com seu irmão Ogun, quando este lhe
deu as pontas de flechas e, mais tarde, a espingarda. A essência de Oxossi
é “atingir um objetivo”. Fixar o alvo e atingi-lo. Alimentar a família. Oxossi
sempre foi o responsável por alimentar a família. É considerado o orixá que
dá de comer às pessoas, pois sob seus domínios estão os animais e os
vegetais. Assim, invoca-se a energia de Oxossi quando se quer encontrar
algo ou atingir algum objetivo e para prover sustento (moral ou físico)
durante as jornadas.

Invoca-se Oxossi, o patrono da natureza, quando se quer encontrar


remédios para certos males, embora seja necessário pedir para Ossain que
o remédio faça efeito. Ogum assim o fez, mas como Oxossi relutasse em
voltar ao lar, e ao voltar desfeiteasse sua mãe, esta o proibiu de viver
dentro da casa, deixando-o ao relento. Como havia prometido ao irmão ser
sempre seu companheiro, Ogum foi viver também do lado de fora da casa.

Oxossi tornou-se o melhor dos caçadores e diz o mito que foi ele quem
livrou Araketu, sua cidade, de um grande feitiço das perigosíssimas ajés
(feiticeiras africanas) Iyami Osorongá, que se transformam em pássaros e
atacam as pessoas e cidades com doença e miséria.

Tendo uma das feiticeiras pousado sobre o palácio do rei do Ketu e os


demais caçadores do reino perdido todas as suas flechas tentando mata-la,
Oxossi, com apenas uma, deu cabo do perigoso pássaro, tendo sido
conclamado o rei do Ketu. Pede-se a Oxossi, portanto que destrua feitiços ou
energias maléficas.

Um dia, enquanto caçava elefantes para retirar-lhe as presas, Oxossi


encontrou e apaixonou-se por Osun, a deusa das águas doces e do ouro que
repousa em seus leitos, e com ela teve um filho, Logun-Edé. Filho da floresta
com as águas dos rios, Logun-Edé é considerado o orixá da riqueza e da
fartura, que ambos os domínios apresentam e dos quais compartilha.

Òsónyìn

Ossain é a energia mágico/curativa das folhas e por isso divinizada na forma


do senhor das folhas e dos remédios. Seu interesse pela ciência tornou-o um
solitário desde que desceu o Orun (o céu Yoruba). Embrenhou-se pelas
florestas e vive para descobrir e se apoderar dos segredos mágicos das
folhas, o elemento mais importante, sem dúvida, no candomblé. Alguns
mitos dizem que Ossain aprendeu os segredos das folhas com Aroni, uma
espécie de gnomo africano, que tem uma perna só, e com os pássaros,
alguns deles a forma tomada pelas temíveis feiticeiras africanas (ajé) Iyami
Osorongá, cujo nome não deve ser pronunciado para não atraí-las.

Sentindo-se sozinho, enfeitiçou Oxossi, a quem sempre encontrava nas


matas, e o levou para os fundos destas onde lhe ensinou muitos segredos e
pretendia mantê-lo, (alguns mitos dizem que como amigo, outros dizem que
como amante) o que Yemonjá e Ogum não permitiram, voltando Ossain a
sua solidão.

Segundo o mito, Xangô, o deus do trovão, desejando obter os fundamentais


poderes de Ossain, pediu à sua mulher, Iansan, a deusa dos ventos e das
tempestades, que ventasse muito no lugar onde morava Ossain, para que
as folhas sagradas que guardava em sua cabaça de segredos fossem
espalhadas e ela pudesse apanha-las. Por seu amor a Xangô, Iansan assim
fez. No entanto, quando o vento espalhou as folhas todos os orixás correram
para apanha-las, sabendo de seus poderes.

Ossain, ao ver o que acontecia, pronunciou palavras mágicas que


solicitavam que as folhas voltassem às matas, sua casa e seu domínio.
Todas as folhas voltaram, mas cada orixá ficou conhecendo o poder
daquelas que conseguiu apanhar. Só que elas não tinham o mesmo Asé
(poder e energia) do que quando estavam sob o domínio de Ossain. Para
evitar novos episódios de roubo e inveja, Ossain permitiu, então, que cada
orixá se tornasse dono de algumas folhas cujo poder mágico de
conhecimento e de cura ele liberaria quando lhe pedissem ao retira-las de
suas plantas. Em troca exigiu que jamais cortassem ou permitissem o corte
de uma planta curativa ou mágica.

Toda a medicina Yoruba se baseia, portanto, nos poderes de Ossain, sobre


as folhas-remédio e Obaluaiê, o deus que rege as doenças graves. Ambos os
orixás são muito temidos e respeitados, porque também entre os Iorubas, o
mesmo princípio que cura, mata. Remédio e veneno são questão de grau.

Cantigas de Òsóòsí
Ode òkè aro!

Salve o caçador!(Aquele de alta graduação honorífica)

Ofá yéyé f’igbô

Odé f’igbô

Ofá yéyé f’igbô

Omorodé

Ofará iéié fibô

Odé fibô

Ofará iéié coxé

Omorodé

Seu arco e flecha são adequados para a floresta

Para caçar na floresta

Seu arco e flecha são adequados e apropriados

Para formar novos caçadores

2
Araiê Ode arê rê okê

Awá nìsó odé l’okê

Omo ofá ó kú eron


Araiê odé arerê okê

Auanisó odé loquê

Omo ofá aquerã

Senhor da Humanidade nosso bom caçador

Nós o chamamos para aprendermos a caçar

Filho do arco e flecha que mata a caça

Araiê Ode arê rê okê

E omorodé seke Irokô

Araiê odé arê rê okê

Oni ewá l’igbô


Araiê odé arerê oquê

E omorodé xeque iroco

Onieuálô ibô

Senhor da Humanidade nosso bom caçador

O filho do caçador origina-se das folhas de iroko

Senhor belo e poderoso da floresta

Omorodé l’ ìjeníiyà ô

Olúwaiyé

Omorodé l’ ìjeníiyà ô

omorodé lo igeniuaô

Oluaiê

Omorodé lo igeniuaô

Odé coque
O filho do caçador é aquele que pode punir
Senhor da terra

O filho do caçador é aquele que pode punir

É o caçador que está no topo (acima de tudo)

Omorodé kossi ilê arole ago mi Ifá

Omorodé kossi ilê arole ago mi Ifá

Kòiá kòia Olúwaiyé

Ode kossi ilê arole ago mi Ifá

omorodé cossilê arole ago mi fá

omorodé cossilê arole ago mi fá

coiá coiá oluaiê

odé arole ago mi fá

O filho do caçador não caça em casa;

Ele pede licença arco e flecha.

Não nos castigue, não nos castigue Senhor da terra

O caçador pede licença para a casa.

Omorodé lai lai

Omorodé ki awá jò

Agbà awá bo owo l’Oko igbò

Omorodé lai lai

Omorodé qui ua jô

Abauabo loco co ibo

Omorodé oluaiê

Filho do caçador para sempre

Filho do caçador para quem nós dançamos

Nossa comunidade de agricultores o cultua na fazenda e não no bosque


O filho do caçador é o senhor da terra.

Omorodé L’Oní

Omorodé Olúwaiyé

omorodé loni

omorodé oluaiê

O filho do caçador é o senhor

O filho do caçador é o senhor da terra

Oní ewò oní ewò

Bèru Bèru Bèru

Oniuô niuô

Berú berú berú

Ele possui veneno, Ele possui veneno

Que nos amedronta (que mete medo)

Ò Ìdarò

Ò Ìdarò Irunmalè

Ò Ìdarò lè Béèni uô

Ò Ìdarò Irunmalè

Ô Idarô

Ô Idarô irunmalé

Ô Idarô lê bé miô

Ô Idarô irunmalé

Ele é independente

Ele é o irunmalé independente

Ele é independente e pode tornar-me também


Ele é irunmalé independente

10

Awá tafá tafá Ode

Awá tafá tafá Awo

Awá Aráiê

Awá tafá tafá Ode

auá tafá tafá rodé

auá tafá tafá auô

auá araiê

auá tafá tafá rodé

Nosso arqueiro caçador

Nosso arqueiro de cor (negro)

Da nossa humanidade

Nosso arqueiro caçador

11

Ode Ba nì là

Asè Omì orò

Odé bainlá

Axé omirô

O caçador tem

O poder do segredo da água

12

Lae lae oní T’ofà Ode

Ode nì T’ofà

Lae lae oni tofá dodé

Odé ni tofá

O senhor caçador dono do arco e flecha


O caçador tem o arco e flecha

13

Ofà Ode obá tafà

Ma un ma un

Ofá odé obá tafá

Maun maun

O caçador do arco e flecha, o Rei arqueiro

Não exagera, Não exagera

Cantigas de Òsónyìn

Ewé, ewé !

(Oh folhas, Oh folhas!)

Kosi ewé, kosi orisá!

(Sem folhas, sem orixás)

Pèrègùn olowè titùn ô

Pèrègùn olowè titùn

Gbogbo pèrègùn olowé lèsé


Pèrègùn olowè titùn ô

Peregun alauê titun ô

Peregun alauê titun

Bobo peregun alaue lessé

Peregun alauê titun ô

Peregun é o dono das folhas novas e frescas

Peregun é o dono das folhas novas e frescas

Todos os pereguns cultuam as folhas novas e frescas

Peregun é o dono das folhas novas e frescas

2
Awá sorò ki Inón

Odò rodùn

Pèrègùn olowè titùn

awá xoro xi mã

odorodun

peregun alauê titun

Nós não cultuamos o fogo

Nos caminhos do rio

Peregun é dono das folhas novas e frescas

Abebe nbo, Abebe nbo

Ewé Abebe

Abebe nbo, Abebe nbo

Ewé Abebe

Abebe umbó, abebe umbó

eue abebe

Abebe umbó, abebe umbó


eue abebe

O abebe cultuamos, o abebe cultuamos

As folhas do abebe,

O abebe cultuamos, o abebe cultuamos

As folhas do abebe

Mò jewé Pè mò sorò ô

Mò jewé Pè mò sorò

Ò bè l’òwò mi, Ò bè l’òwò mi

Mò jewé Pè mò sorò

Mó jéuê pê mó soró ô
Mó jéuê pê mó soró

Ô bê lóuó mi, ó be lóuó mi

Mó jéuê pê mó soró
Ela é a folha a quem demoradamente eu falo

Ela é a folha a quem demoradamente eu falo

Ela me dá suporte e me ajuda

Ela é a folha a quem demoradamente eu falo

Erò Irokò izò

Erò Irokò esín ilè

eró iroko izô

eró iroko sin ilê

A calma é de iroko que quebra o vento

A calma é de iroko que cultuamos em nossa casa

Ata kò rojù ewé ò

Aféfé kò rojù igbò óògun

Ata kò rojù ewé ò

Aféfé kò rojù igbò óògun

ata co roju eué ô

a lelé co roju ibogun

ata co roju eué ô

a lelé co roju ibogun

Pimenta não é mais forte que a folha

Vento não é mais forte que a floresta de remédios

Pimenta não é mais forte que as folhas

Vento não é mais forte que a floresta de remédios


7

Igba nbò mi agué nì Orô

Ae ae

Igba nbò mi agué nì Orô

Ae agué

Ibabo xé mi agué ni orô

Ae ae

Ibabo xé mi agué ni orô

Ae agué

Cabaça faça-me crer em Orô

Ae ae

Cabaça faça-me crer em Orô

Ae Agué

Itòrórò agué, agué itòrórò

Sa gbin

itororô agué, agué itororô

xa gin

é ungida a cabaça, a cabaça é ungida

somente um pouco

Agué ma Inón o pa idà

Agué ma Inón o pa ida ò

Agué ma ina opa ada

Agué ma ina opa ada ô

Ágüe não quer fogo nem facão que o mata

Ágüe não quer fogo nem facão que o mata


10

Ewé, ewé, ewé

Agué ifo to idà Ifá

ewé, ewé, ewé

agué isso to adáfa

Folha, folha, folha

De agué quando quebra o vento nós cultuamos Ifá

Obalúwàiyé

Obaluaiê ou Omolu é a energia que rege as pestes como a varíola, sarampo,


catapora e outras doenças de pele. Ele representa o ponto de contato do
homem (físico) com o mundo (a terra). A interface pele/ar. A aparência das
coisas estranhas e a relação com elas. Ele também rege as doenças
transmissíveis em geral. No aspecto positivo, ele rege e cura, através da
morte e do renascimento.

Diz o mito que Obaluaiê é filho de Nanã (a lama primordial de que foram
feitas as cabeças – oris – humanas) e Oxalá, tendo nascido cheio de feridas
e de marcas pelo corpo como sinal do erro cometido por ambos, já que Nanã
seduziu Oxalá, mesmo sabendo que ele era interditado por ser o marido de
Yemonjá.

Ao ver o filho feio e malformado, coberto de varíola, Nanã o abandonou à


beira do mar, para que a maré cheia o levasse. Yemonjá o encontrou quase
morto e muito mordido pelos peixes, e tendo ficado com muita pena, cuidou
dele até que ficasse curado. No entanto Obaluaiê ficou marcado por
cicatrizes em todo o corpo, e eram tão feias que o obrigavam a cobrir-se
inteiramente com palhas. Não se via de Obaluaiê senão suas pernas e
braços, onde não fora tão atingido. Aprendeu com Yemonjá e Oxalá como
curar estas graves doenças. Assim cresceu Obaluaiê, sempre coberto por
palhas, escondendo-se das pessoas, taciturno e compenetrado, sempre
sério e até mal-humorado.

Um dia, caminhando pelo mundo, sentiu fome e pediu às pessoas de uma


aldeia por onde passava que lhe dessem comida e água. Mas as pessoas
assustadas com o homem coberto desde a cabeça com palhas expulsaram-
no da aldeia e não lhe deram nada. Obaluaiê, triste e angustiado, saiu do
povoado e continuou pelos arredores, observando as pessoas. Durante este
tempo os dias esquentaram, o sol queimou as plantações, as mulheres
ficaram estéreis, as crianças cheias de varíola e os homens doentes.
Acreditando que o desconhecido coberto de palha amaldiçoara o lugar,
imploraram seu perdão e pediram que ele novamente pisasse na terra seca.

Ainda com fome e sede, Obaluaiê atendeu ao pedido dos moradores do


lugar e novamente entrou na aldeia, fazendo com que todo o mal acabasse.
Então homens os alimentaram e lhe deram de beber, rendendo-lhe muitas
homenagens. Foi quando Obaluaiê disse que jamais negassem alimento e
água a quem quer que fosse, tivesse a aparência que tivesse. E seguiu seu
caminho.

Chegando à sua terra, encontrou uma imensa festa dos orixás. Como não se
sentia bem entrando numa festa coberto de palhas, ficou observando pelas
frestas da casa. Neste momento Iansã, a deusa dos ventos, o viu nesta
situação e, com seus ventos levantou as palhas, deixando que todos vissem
um belo homem, já sem nenhuma marca, forte, cheio de energia e
virilidade. E dançou com ele pela noite adentro. A partir deste dia, Obaluaiê
e Iansã se uniram contra o poder da morte, das doenças e dos espíritos dos
mortos, evitando que desgraças aconteçam entre os homens.

Os Yorubá acreditam que este mito nos mostra que o mal existe, que ele
pode ser curado, mas principalmente que é preciso ter consciência do
momento em que ele terminou, sabendo recomeçar após um violento
sofrimento.

Obaluaiê rege também a força da terra (herdado de sua filiação a Nanã), a


umidade dela (por sua adoção por Yemonjá) e as doenças das plantações.

Òsùmàrè

Oxumarê é a energia das cores, da luz, do sol após as chuvas, do arco-íris, e


por isso mesmo é associado às serpentes, que são muito coloridas e
poderosas.

Conta o mito que apesar de tudo que houvera com Obaluaiê, Nanã e Oxalá
tiveram outro filho. Este era Oxumarê. Contudo, como novamente eles
haviam desobedecido aos preceitos de Orunmila, Oxumarê nasceu sem
braços e sem pernas, com a forma de serpente, rastejando pela terra, e ao
mesmo tempo com a forma de homem. Mais uma vez decepcionada Nanã
abandonou Oxumarê.

Oxumarê entretanto possuía grande capacidade adaptativa e, mesmo sem


membros para locomover-se, possuía imensa astúcia e inteligência,
aprendeu a subir em árvores, a caçar para comer, a colher as batatas doces
de que tanto gostava, e a nadar.

Orunmila, o deus da adivinhação do futuro, admirando-se e apiedando-se


dele, tornou-o um orixá belo, de sete cores de luz, encarregando-o de levar
e trazer as águas do céu para o palácio de Xangô. È Oxumarê, portanto
quem traz as águas da chuva e é a ele que se pede que chova.

Como seu percurso era longo, Oxalá, seu pai, fez com que ele tomasse a
forma do arco-íris quando tivesse essa missão a realizar. Com as águas da
chuva, Oxumarê traz as riquezas aos homens ou a pobreza. Oxumarê vive
com sua irmã Ewá no fim do arco-íris.

Nàná

Nanã é a lama primordial, o barro, a argila da qual são feitos os homens.


Dela saem seres perfeitos e imperfeitos, modelados por Oxalá e cuja cabeça
é preparada pelo sensível Ajalá.
Dizem os mitos que antes de criar o homem, do barro, Oxalá tentou cria-lo
de ar e de fogo, de água, pedra e madeira, mas em todos os casos havia
dificuldades. O homem de ar esvaecia; não adquiria forma. O de fogo
consumia-se, o de pedra era inflexível e assim por diante. Foi então que
Nanã se ofereceu a Oxalá, para que com ela criasse os homens, impondo,
contudo, a condição de que quando estes morressem fossem devolvidos a
ela.

Sendo o barro, Nanã está sempre no princípio de tudo, relacionada ao


aspecto da formação das questões humanas, de um indivíduo e sua
essência. Ela é relacionada também, freqüentemente, aos abismos,
tomando então o caráter do inconsciente, dos atavismos humanos. Nanã
tanto pode trazer riquezas como miséria. Está relacionada, ainda, ao uso
das cerâmicas, momento em que o homem começa a desenvolver cultura.
Seja como for, Nanã é o princípio do ser humano físico. E assim é
considerada a mais velha das Iabás (orixás femininos).

Dizem os mitos que nunca foi bonita. Sempre ranzinza, instável, sua
aparência afastava os homens, que dela tinham medo. Como já vimos nos
mitos de Obaluaiê o Oxumarê , ela os gerou defeituosos, por ter quebrado
uma interdição e mantido relações sexuais com Oxalá, marido de Iemanjá.
Abandonou a ambos, que foram criados por outros orixás, e acabou sozinha
quando Ewá, para fugir de um casamento que sua mãe lhe impingia, foi
morar no horizonte entre o céu e o mar.

Cantigas de Obalúwàiyé

Atótóo! Omolú Olúké a jí béèù sapada!

(Silêncio! O filho do Senhor é o Senhor que grita, nós acordamos com medo
e corremos de volta!)

Onílè wà àwa lésè òrìsá

Opé ire onílè wá a lésè òrìsá Opé ire

E kòlòbó e kòlòbó sín sín sín sín Kòlòbó

E kòlòbó e kòlòbó sín sín sín sín Kòlòbó

Ôníléuá auá léssé orixá

Ópué irê Ôníléuá auá a léssé orixá Ópué irê

É Côlôbô É Côlôbô sim sim sim sim côlôbô (2 x)

O Senhor da terra está entre nós que cultuamos orixá.

Agradecemos felizes pelo Senhor da terra estar entre nós que cultuamos
orixá.Agradecemos felizes.

Em sua pequena cabaça traz remédios


para livrar-nos das doenças.

Ó àfomó ó fá ojú rè mò fá, aráayé njó jó

Aráayé a njó onílè, aráayé njó jô

Afômó ôfá ojúré mófá aráaiê unjôjô

Aráaiê a unjôônilê aráaiê unjôjô

Ele é contagioso, ele faz a limpeza.

Seu olhar tira o contágio das doenças.

A humanidade dança, dança a humanidade

Nós dançamos para o senhor da casa

A humanidade dança

Omolú pê a júbà a èko, oníyê

Omolú pê a júbà a èko, oníyê

Ómólú puê a júbá a écó ôniiê (2 x)

Omolú, vos pedimos que nos abençoe

E nos ensine, senhor da boa memória

Olórí ìjeníìyà a pàdé, Olórí pa

Olórí ìjeníìyà a pàdé, Olórí pa

Olôri ijéninha a padé, Olorípa (2 x)

O Senhor que mata, o Senhor que castiga

vem ao nosso encontro.

Jó a lé ijó, é jó a lé ijó, é jô a lé ijó,

Àfaradà a lé njó ó ngbèlé

Jôalê ijô ê jôalê ijô ê jôalê ijô


Afaradá alê ijô umbêlê

Dance em nossa casa, dance. (3 x)

Dando força e energia à nossa casa.

Dançando ele dá proteção à casa.

Aráayé a je nbo, Olúbàje a je nbo

Aráayé a je nbo, Olúbàje a je nbo

Aráaiê ajé umbó, olúbajé ajé umbó (2 x)

Povo da terra, vamos comer e adorá-lo, o senhor aceitou comer.

Ó ní a ló ìjeníìyà Ajàgun tó ló ìjeníìyà olúwàiyé

Táálá bé okùnrin

O táálá bé okùnrin wa ki lo kun táálá bé okùnrin

Abénilórí ìbé ó ní je olúwàiyé táálá bé okùnrin

Ôní a lô ijéninha ajagun tôlô ijéninha ôlúuaiê

Táalabé ócunrin

Ô táalabé ócunrin uá quilocun táalabé ócunrin

Abénilôrí ibéri ônijé ôlúuaiê táalabé ócunrin

Ele pode fazer secar a cabeça do homem,

levá-lo embora e esculpir a cabeça do homem.

Ele pode fazer definhar, matar a cabeça do homem. É o executor, o que


decapta sua cabeça.

Ele é o Senhor da terra, que definha e decapta o homem, ele pode nos
castigar. O guerreiro que pode castigar. Senhor da terra, que definha e
decapta.

A jí dàgòlóònòn kí wa sawo orò, dàgò ilé ilé, Dàgòlóònòn kí wa sawo orò,


dàgò ilé ilê.

A ji dagôlônã qui uá xaôrô dagô ilêilê


Dagôlônã qui uá xaôrô dagô ilêilê

Ao acordar pedimos licença ao senhor do caminho

Aquele a quem fazemos o culto tradicional, dê licença

À nossa casa, que pede licença no caminho a quem nós fazemos o culto
tradicional.

Omolú pè olóre a àwure e kú àbò

Omolú pè olóre a àwure e kú àbò

Omolú puê olôre auúrê écuabó (2 x)

Omolú te pedimos Senhor da sorte, que use o teu

Feitiço para nos trazer boa sorte e sejas bem-vindo.

10

Ó ìjeníìyà bàbá a sin e gbogbo wa lé

Ó ìjeníìyà bàbá a sin e gbogbo wa lé ó

Ô ijéninha babá a sim é bôbô uálê (2 x)

Ele é o pai que castiga, nós vos cultuamos, senhor, e toda nossa casa.

11

Kóró nló awo, kóró nló awo, sé ó gbèje

Kóró nló awo, kóró nló awo, sé ó gbèje

Côrô unló auô, kôrô unló auô, xê ô bêjé (2 x)

Ele se dirige para ir embora do culto, ele vai embora do culto, ele aceitou
comer.

Cantigas de Òsùmàrè

Àróbò bo yi!

Vamos cultuar o intermediário que é elático(que se estica)!

01

Kéke rá lé mi rá lé wa, kéke rá lé mi rá lé wa

Ra lé mi rá lé wa, rá lé mi rá lé wa.
Quéqué ralêmi ralêuá quéqué ralêmi ralêuá
Ralêmi ralêauá ralêmi ralêuá

Em silêncio, ele rasteja sobre mim,

Rasteja sobre nós, rasteja sobre mim,

Rasteja sobre nós.

02

Òsùmàrè ó dé wa lé Òsùmàrè

Ó dé wa lé o ràbàtà, ó dé wa lé Òsùmàrè

Ôxumarê ôdeualê ôxumarê

Ôdêualê rabatá ôdeualê ôxumarê

O Deus do arco-íris (Òsùmàrè) chegou à nossa casa,

Deus do arco-íris. Ele chegou à nossa casa e é imenso

(gigantesco). Ele chegou à nossa casa, O Deus do arco-íris.

03

Òsùmàrè ó ta kéré, ta kéré, o ta kéré

Òsùmàrè ó ta kéré, ta kéré, o ta kéré

Ôxumarê ô ta quere ta quere ô ta quere

Ôxumarê ô ta quere ta quere ô ta quere

O Deus do arco-íris movimenta-se rapidamente

Para adiante, adiante, adiante

04

Lé’lé mo ri ò ràbàtà, lé’lé mo ri Òsùmàrè ó,

Òsùmàrè wàlé’lé mo ri Òsùmàrè.

Lêlê morí ô rabatá lêlê morí ôxumarê ô

Ôxumarê uálêlê morí ôxumarê

Ele está sobre a casa, eu vi, ele é imenso (gigantesco).

Ele está sobre a casa, eu vi, Oxumarê.


Oxumarê está sobre a casa, eu vi Oxumarê

05

Aláàkòró lé èmi ò aláàkòró lé ìwo

Aláàkòró lé èmi ò aláàkòró lé ìwo

Alácôrô lêêmi ô alácorô lêiuó

Alácôrô lêêmi ô alácorô lêiuó

O Senhor do ákòróestá sobre mim

O Senhor do ákòróestá sobre você.

06

Tímòn, tímòn-tímòn Òsùmàrè a imòn,

Tímòn, tímòn-tímòn Òsùmàrè a imòn

Timán timán-tíman ôxumarê a iman

Timán timán-tíman ôxumarê a iman

Intimamente, nós conhecemos Oxumarê

Intimamente. Intimamente, nós conhecemos

Oxumarê intimamente.

07

Àmòntòn yìí, àmòntòn òjòó é é é

Àmòntòn òjòó, ó fí ó fí ofe

Àmòntòn yìí, àmòntòn òjòó ràbàtà l’òrun ó

Wulè, àmòntòn yìí, àmòntòn òjòó ó fí ó fí ofe

Amantánhii amantán ôjôô ê ê ê

Amantánhii amantán ôjôô ôfi ôfi ófé

Amantánhii amantán ôjôô ê ê ê rabatá lórun ô

Uulé amantánhii amantán ôjôô ôfi ôfi ófé

Ele conhece esta chuva ê ê ê, ele conhece esta chuva,

Ele usa feitiço que o faz saltar muito alto, ele conhece
Esta chuva, ele é gigantesco no céu e fura a terra (adentra), ele

Conhece esta chuva, ele usa feitiço

Que o faz saltar muito alto.

Cantigas de Nàná

Sálù ba Nàná Burúkú!

Nos refugiaremos com Nàná da morte ruim!

01

E Nàná olúwàiyé e pa e pa

E Nàná olúwàiyé e pa e pa

Ê nanã oluuaiê é pa é pa
Ê nanã oluuaiê é pa é pa

Nanã, a Senhora da terra, senhora da terra que mata

Nanã, a Senhora da terra, senhora da terra que mata

02

E ti mòn sòn fún omoode, e ti mòn jé ó,

E ti mòn sòn fún omoode, e ti mòn jé ó.

É tíman sanfum ómóódé é ti man jéô


É tíman sanfum ómóódé é ti man jéô

Senhora que sabe ser boa para os filhos dos caçadores, ela sabe ser boa
(protege).

03

Òdì Nàná ewà, lewà lewà e

Òdì Nàná ewà, lewà lewà e

Ôdi nanã ni euá legua legua ê

Ôdi nanã ni euá legua legua ê

A outa face (outro lado) de Nanã é bonita,

A outra face de Nanã é bonita.

04

E taláàyà àjò olúwodò ki wa àjò


E taláàyà àjò olúwodò ki wa àjò

É taláiajô oluuôdo quiuajô

É taláiajô oluuôdo quiuajô

Senhora que pode exasperar-nos numa viagem

Senhora do rio (das margens) quando estamos viajando

05

Awá ló bímon ayò Olóko, Nàná ayò,

Awá ló bímon ayò Olóko, Nàná ayò.

Auá lóbiman aió ólócó nanã aió

Auá lóbiman aió ólócó nanã aió.

Nós podemos tomar outra direção para termos alegria

Do nascimento de filhos. Nanã Ólócó (aquela que tem poderespara chamar


um parente morto para aparecer como Egúngún),

Faça-nos felizes; nós podemos tomar outra direção para termos a

Alegria do nascimento de filhos.

Nanã Ólócó faça-nos felizes.

06

Ó ìyá wa òré ó ni ayalóòde, ó ìyá wa òré

Ó ni ayalóòde.

Ô íáua óré ôni aialôôdê ô íáua óré

Ôni aialôôdê.

Ela é a nossa mãe e amiga, ela é Senhora da alta sociedade

Òsún

Oxum é a força dos rios, que correm sempre adiante, levando e distribuindo
pelo mundo sua água que mata a sede, seus peixes que matam a fome, e o
ouro que eterniza as idéias dos homens nele materializada. Como as águas
dos rios, a força de Oxum vai a todos os cantos da terra. Ela dá de beber as
folhas de Ossain, aos animais de Oxossi, esfria o aço forjado por Ogum, lava
as feridas de Obaluaiê, compõe a luz do arco-íris de Oxumarê.
Oxum é por isso associada à maternidade, da mesma maneira que Yemonjá.
Por sua doçura e feminilidade, por sua extrema voluptuosidade advinda da
água, Oxum é considerada a deusa do amor. A Vênus africana.

Como acontece com as águas, nunca se pode prever o estado em que


encontraremos Oxum, e também não podemos segura-la em nossas mãos.
Assim, Oxum é o ardil feminino. A sedução. A deusa que seduziu a todos os
orixás masculinos.

Diz o mito que Oxum era a mais bela e amada filha de Oxalá. Dona de
beleza e meiguice sem iguais, a todos seduzia pela graça e inteligência.
Oxum era também extremamente curiosa e apaixonada por um dos orixás,
quis aprender com Orunmilá, o melhor amigo do seu pai, a ver o futuro.
Como o cargo de Oluô (dono do segredo) não podia ser ocupado por uma
mulher, Orunmilá, já velho, recusou-se a ensinar o que sabia a Oxum. Oxum
então seduziu Exú, que não pode resistir ao encanto de sua beleza e pediu-
lhe que roubasse o jogo de ikin (cascas de coco de dendezeiro) de Orunmilá.
Para assegurar seu empreendimento Oxum partiu para a floresta em busca
das Iyami Oxorongá, as perigosas feiticeiras africanas, a fim de pedir
também a elas que a ensinassem a ver o futuro. Como as Iyami desejavam
provocar Exú há tempos, não ensinaram Oxum a ver o futuro, pois sabiam
que Exú já havia roubado os segredos de Orunmilá, mas a fazer inúmeros
feitiços em troca de que cada um deles recebessem sua parte.

Tendo Esú conseguido roubar os segredos de Orunmilá, o deus da


adivinhação se viu obrigado a partilhar com Oxum os segredos do oráculo e
lhe entregou os dezesseis búzios com que até hoje jogam. Oxum
representa, assim a sabedoria e o poder feminino. Em agradecimento a Exú,
Oxum deu-lhe a honra de ser o primeiro orixá a ser louvado no jogo de
búzios, e entrega a eles suas palavras para que as traga aos sacerdotes.
Assim, Oxum é também a força da vidência feminina. Mais tarde Oxum
encontrou Oxossi na mata e apaixonou-se por ele. A água dos rios e as
florestas tiveram então um filho chamado Logun-Edé, a criança mais linda,
inteligente e rica que já existiu.

Apesar do seu amor por Oxossi, numa das longas ausências deste, Oxum foi
seduzida pela beleza, os presentes (Oxum adora presentes) e o poder de
Xangô, irmão de Oxossi, rompendo sua união com o deus da floresta e da
caça. Como Xangô não aceitou Logun-Edé em seu palácio, Oxum abandonou
seu filho, usando como pretexto a curiosidade do menino, que um dia foi vê-
la banhar-se no rio. Oxum pretendia abandoná-lo sozinho na floresta, mas o
menino se esconde sob a saia de Iansã, a deusa dos raios, que estava por
perto. Oxum deu então seu filho a Iansã e partiu com Xangô tornando-se, a
partir de então, umas de suas esposas prediletas e companheira cotidiana.

Oyá

Iansã é a forças dos ventos, dos furacões, das brisas que acalmam, das
coisas que passam como o vento, dos amores efêmeros, sensuais, das
tempestades, que assolam a existência, mas não duram para sempre. Iansã
ajudava Ogum na forja dos metais, soprando o fogo com o fole para aviva-lo
mais e mais, e assim fabricarem mais ferramentas para trabalhar o mundo e
armas para as guerras de que ambos tanto gostavam. Por seu
temperamento livre e guerreiro, Iansã era uma companheira perfeita para
Ogum. Diz o mito que Iansã não podia ter filhos, por isso adotou Logun-Edé,
filho abandonado por Oxum, e o criou durante algum tempo.

Diz o mito, também, que Iansã era tão linda que, para fugir ao assédio
masculino vestia-se com uma pele de búfalo, e saía para a guerra. Que era
amiga tão leal que foi ela a primeira a realizar uma cerimônia de
encaminhamento da alma de um amigo caçador ao orum (céu). Iansã não
parava jamais. Um dia em que Xangô foi visitar seu irmão Ogum e
encomendar-lhe armas para a guerra, Iansã (também conhecida como Oyá)
apaixonou-se por Xangô, e partiu para viver com ele, deixando Logun-Edé
com Ogum, que terminaria de cria-lo. A partir de então, tornou-se uma das
três esposas de Xangô e com ele reina e luta, enviando seus ventos para
limpar o mundo e anunciando a chegada dos raios e trovões de seu amado.

Lògún-Ode

Logun-Edé, chamado geralmente apenas de Logun, é o ponto de encontro


entre os rios e as florestas, as barrancas, beiras de rios, e também o vapor
fino sobre as lagoas, que se espalha nos dias quentes pelas florestas. Logun
representa o encontro de natureza distintas sem que ambas percam suas
características. É filho de Oxossi com Oxum, dos quais herdou as
características. Assim, tornou-se o amado, doce e respeitado príncipe das
matas e dos rios, e tudo que alimenta os homens, como as plantas, peixes e
outros animais, sendo considerado então o dono da riqueza e da beleza
masculina. Tem a astúcia dos caçadores e a paciência dos pescadores como
principais virtudes.

Dizem os mitos que sendo Oxossi e Oxum extremamente vaidosos, não


puderam viver juntos, pois competiam pelo prestígio e admiração das
pessoas e terminaram separando-se. Ficou combinado entre eles que Logun-
Edé viveria seis meses nas águas dos rios com Oxum e seis meses nas
matas, com seu pai Oxossi. Ambos ensinariam a Logun a natureza dos seus
domínios. Ele seria poderoso e rico, além de belo. No entanto, o hábito da
espreita aprendido com seu pai, fez com que, um dia, curioso a respeito da
beleza do corpo de sua mãe, de que tanto se falava nos reinos das águas,
Logun-Edé vestindo-se de mulher fosse espiá-la no banho. Como Oxum
estivesse vivendo seu romance com Xangô, tio de Logun, e Xangô tivesse
exigido como condição do casamento que ela se livrasse de Logun, Oxum
aproveitou a oportunidade para punir Logun abandonando-o na beira do rio.
Iansã o encontra, e fascinada pela beleza da criança leva Logun para casa
onde, juntamente com Ogum, passa a cria-lo e educa-lo.

Com Ogum, Logun-Edé aprendeu a arte da guerra e da forja, e com Iansã, o


amor a liberdade. Diz o mito que Logun tinha tudo, menos o amor das
mulheres, pois mesmo Iansã, quando roubada de Ogum por Xangô,
abandona Logun com seu tio, criando assim um profundo antagonismo entre
Xangô e Logun, já que por duas vezes Xangô lhe tira a mãe.

Em outro episódio Logun vai brincar nas águas revoltas (a deusa Obá,
também esposa de Xangô) e esta tenta mata-lo como vingança contra
Oxum que lhe fizera uma enorme falsidade. Oxum, vendo em seu jogo de
búzios o que estava sucedendo com seu filho abandonado, pede a Orunmilá
que o salve e este, que sempre atendia às preces da filha de Oxalá, faz uma
oferenda a Obá que permite então que os pescadores salvem Logun-Edé,
encarregando-o de proteger, a partir daquele dia,os pescadores, as
navegações pelos rios e todos os que vivessem à beira das águas doces.

Cantigas de Ọșùn

Rọra Yèyé ó fí dé ri ọmọn!

(Mãe cuidadosa, aquela que usa coroa e olha seus filhos – Rainha e Mãe)

01

Yèyé, yèyé, yèyé o


Ìya orò omi wa onì așè tò rì efạn

E ọba kó só ayaba ó

Ìya orò omi wa onì așè tò rì efạn

Iêiê iêiê iêiê ô

Iá orô omiuá oní axé torí efon

E obá kossô aiaba ô

Iá orô omiuá oní axé torí efon

Mamãe, mamãe, mamãe, nossa mãe dos segredos das águas. Senhora do
axé de Efon, Rainha do reino sagrado. Nossa mãe dos segredos das águas,
Senhora do axé de Efon.
02

Kẹẹ-Kẹẹ Ọșùn omi șorò odò, A yìn mọ a yìn mọ

Quéqué óxum omixorôdô, Anhimã anhimã

Aos poucos Oxum torna as águas dos rios sagradas. Aos poucos vos
conhecemos

03

Ìya omi ní ibú odòomi rò Òrișa ó lé lé

Iá ominibú ôdoômirô oríxá ô lêlê

Mãe das águas profundas que correm nos rios


Orixá que paira sobre a nossa casa.

04

Yèyé e yèyé șorò odò (2x)

Olóomi ayé mọ șorò ọmọn fẹẹfẹ șorò odò

Iêiê ê iêiê xorôdô (2x)


Olôomi aiê mãxorômã Féefé xorôdô

Mãe que faz o rio ser sagrado

Senhora das águas da Terra que dão vida

aos filhos e torna o rio sagrado.

05

Olóomi máà, olóomi máà iyọ

Olóomi máà iyọ ẹnyin ayaba odò. Ó yéyé ó

Aláadé Ọșùn, Ọșùn mi yèyé ó

Olôomimáa olôomi máaió

Olôomi máaió énhinaba odô Ô iêiê ô.

Aladê Oxum, Oxum mi iêiê ô

Senhoras das águas doces (sem sal)

Sois a velha mãe do rio. Ó mamãe.

Oxum dona da coroa, Oxum é minha mãe

07

Olówo ọbẹ un Oparạ

Olówo ọbẹ un iyalóòde

Réwé réwé réwé Olówo ọbẹ un iyalóòde


Olôbé um Opará

Olôbé um iálôdê

Reuê reuê reuê Olôbé um iálôdê

A Senhora da espada é Opará


Senhora da espada e primeira dama da sociedade

Que conta bravatas, senhora da espada e primeira dama da sociedade

08

A ri bẹ dé ó omi ro, A ará wa omi ro

L’atì ajé șẹ ọmọ l’ọșùn omi ro, A ará wa omi ro

Aribé deô omirô a aráuá omirô


Lati jéxé omoloxum omiro a aráuá omirô

Nós vimos o brilho de sua coroa, a água sagrada pingou em nossos corpos
para nos alimentar e nos preencher, filhos de Oxum, a água sagrada pingou
em nós.
09
Omi nìwẹ ọmọ l’ọșùn omi nìwẹ (2x)
Șẹkẹ -șẹkẹ náà dò ojú ẹ máà ojú omi nìwẹ olówó

Ominiuê omoloxun ominiuê (2x)

Xeque-xeque naadojú ê maaoju ominuê olouô

Banhem-se nas águas do rio filhos de Oxun,

É preso aquele que vai ao rio olha-la

Nós não espiamos, o banho da rica senhora.

10

Igbá ìyàwó igbá si Ọșùn ó rẹwà (2x)

Àwa sìn ẹ ẹwà ìyabà

Igbá ìyàwó igbá si Ọșùn ó rẹwà

Ibáiáuô ibá si oxum ô reuá

Auá sim é eua iabá

Ibáiáuô ibá si oxum ô reuá

A cabaça da noiva é para a bela Oxum


Nós damos para a bela Iabá
11

Ará wa omi wa (2x)

Ó yèyé Ọșùn omi olówo

Ará wa omi wa

Aráuá omiuá(2x)

O iêiê Oxum omi olouô

Aráuá omiuá

Nosso corpo nossa água

Mãe Oxum, a venerável senhora das águas


12

Ọșùn ẹ lọọlá imọnlẹ lóomi, Ọșùn ẹ lọọlá

Ayaba imọnlẹ lóomi

Oxum é lolá imanlé lôômí, Oxum é lolá

Aiaba imanlé lôômí.

Oxum que é tratada com todas as honras,

Senhora dos espíritos das águas,

Oxum que é tratada com todas as honras.

Rainha dos espíritos das águas

13

Yèyé yé olóomi ó, yèyé yé olóomi ó.

Ayaba awá iyá Ọșùn (2x)

Iêiêiê olômiô iêiêiê olômiô

Aiabá uáiá Oxum (2x)

Mãe compreensível, dona das águas

Oxum nossa rainha e mãe

Cantigas de Ọya

Epa Hey! Oyá Mesan Ọrun!

(Salve Oyá a mãe dos nove céus)

01

Ọya kooro nílé ó geere-geere

Ọya kooro nlá ó gẹ àrá gẹ àrá

Obírin șápa kooro nílé geere-geere

Ọya kíì mọ rẹ lọ

Oiá côoro nilê ô guerê-guerê


Oiá côoro unlá ô gará gará

Ôbirin xapá côoro nilê o guerê-guerê

Oiá qui a móréló


Oiá tiniu na casa incandescendo brilhantemente

Oiá tiniu com grande barulho afastando os raios

Mulher arrasadora que ressoou na casa sensualmente e inteligentemente

A Oiá cumprimentamos para conhece-la mais.

02

Ọya tó ko tó mu yà yà
Tó mu yan yan
Oiá to ko to mu iá iá

To mu ian ian

Oiá que cria, cria o rodamoinho

Cria o rodamoinho

03

Ta ni a padá lodo Ọya ó, odò mu yà-yà


Ta ni a padá lodo Ọya, odò mu yà-yà
Tani a padá lodo oiá ô, odo mu iá iá

Tani a padá lodo oiá, odo mu iá ia

O redemoinho do rio quem pode cessar é Oiá.

Para que possamos voltar.

04

Ọya tètè Ọya gbálẹ,Ọya tè-n-tè ayaba

Ọya tètè, Ọya tè-n-tè Ọya.

Oiá têtê oiá balé oiá têuntê aiabá


Oiá têtê, Oiá têuntê Oiá.

Oiá rapidamente varre a terra,

Oiá está no topo, é a rainha.

05

Kooro níléàti mo tu-m-bá lẹ Ọya Ọya


Côoro nilê atí motumbalé oiá oiá
Oiá ressoou na casa e eu a reverenciei humildemente.

06
Ó í kíì gbalé ẹ láárí ó, Ó íkíì gbalé (2x)
Ada máà dé fi arà gẹ ngbélé
Ó íkíì gbalé ẹ láárí ó

Ô iquíi balé e lariô, ô iquíi balé (2x)

Adamadê fará gambêlê

O iquíi balé lariô

Nós a cumprimentamos tocando a terra que possui alto valor

Nós a cumprimentamos tocando a terra

Que a sua espada não chegue até nós, nem use raios para cortar a casa
onde vivemos.

07

Ọya kooro ó kooro ó, Ọya kooro ó kooro ó

Oiá côoro ôcoorô, Oiá côoro ôcoorô

Oiá tiniu, tiniu. Oiá timiu, timiu

08

Ó ni laba-lábá, lábá ó
Oní labalabá, labá ô
Elá (Oiá) é uma borboleta.

09

Olúafẹẹfẹ sorí ọmọn olúafẹẹfẹ sorí ọmọn.

Oluafééfé sorí oamam, oluaféfé sorí omam.

Dona dos ventos que sopram sobre os filhos.

10

Ọya dé ẹ láárí ó ó ni jẹ k’àrá lọsí jọko nló

Oiá dê e lariô onijé cara losi joko unló


Oiá chegou e ela possui alto valor

Ela é quem pode baixar os raios e manda-los embora.

11

Ọya Șé ngbèlé àrá mu șa șiré (2x)

Oiá jambêlê jambêlê ara muxáxêrê (2x)


Proteja a nossa casa, senhora para quem brincamos
Cantigas de Lògún-Ọdẹ

Lògún ó akọfà!

(Ele é Logun, peguemos o arco e flecha)

01

Olówó a kofà rè a kofà rè wo, é a kofà

Ijó ijó Lògún ó é a kofà

Olôuô a cófaré a cófaré uô ê a cófa


Ijô ijô lôgun ô ê acófa.

Rico senhor, pegaremos seu arco e flecha,

Pegaremos seu arco e flecha para cultuarmos,

Vamos pegar o arco e flecha e dançar para Logun,

Vamos pegar o arco e flecha.

02

Aé aé ode Lògún Ode lògún ní báàyìí

Aé aé ode Lògún Ode lofà mòn

Aê aê ódé lôgun ódé lôgun nibánhií


Aê aê ódé lôgun óde lófámã.

Aê aê Logun caçador, Logun caçador é assim,

Aê aê Logun caçador, Logun caçador tem arco e flecha

E sabe usá-los.

03

É é é é é, é Lògún dé lê k’òké,
É é é é é, é Lògún dé lê k’òké.

Ê ê ê ê ê ê Lôgun dele coque


Ê ê ê ê ê ê Lôgun dele coque
Logun chegou na casa e gritou alto (ê, ê...)

Ê... Logun chegou na casa e gritou alto.

04

Ò inọn ko dé pa (2x)
Babá șorò

Ò inọn ko dé pa

Ô ina ko dê pá

Babá xorô

Ô ina ko dê pá

Que o fogo não chegue a queimar

Pai crie dificuldade

Para que o fogo não chegue a queimar

05

Ọdẹ l’oko ajé nbó Ọdẹ l’oko

Odé loco ajé umbó odé locô


O caçador da fazenda, a tradição cultuamos, o caçador da fazenda

06

Bèrè bèrè l’àpa ojú na


Axa wa na

Bèrè bèrè l’àpa ojú na

Awo

Béré béré lapajuana


Axauana

Béré béré lapajunana

Auô

Astutamente atira primeiro na direção do abutre

E nos chama para ver

Astutamente atira primeiro na direção da ave

07

Ta ni mọn gbé l’akò șẹ

Lògun ó

Taní mabé lacoxé


Logun ô
Quem conduz primeiramente

É Logun

08

Àgò lê awá dàgòlé lé, àgò lê awá dàgòlé lé.

Agôlê auá dagôlêlê, agôlê auá dagôlêlê.


Pedimos licença para a nossa casa,

Dê licença para a nossa casa.

09

Àiyé ọba ni șà Logun dé lé rẹ

Àiyé ọba ni șà Logun dé lé wa.

Aiê óba nixá Logun dêlêré


Aiê óba nixá Logun dêlêuá

O rei da terra quem escolheu Logun que chegou à sua casa,

O rei da terra quem escolheu Logun que chegou à nossa casa.

10

Lògún ọdẹ kọ ìyà kọ ìyà, Lògún ọdẹ kọ ìyà kọ ìyà

Ijó ijó fíríi l’àyà, Lògún ọdẹ kọ ìyà kọ ìyà

Logun óde cóia cóia, Logun óde cóia cóia,

Ijô ijô firí láia, Logun óde cóia cóia

Logun o caçador, não castiga.

Quem tem a dança livremente no peito.

11

Lògún wa olórí, Lògún a l’anu a ké njó

Logun uá olôri, Logun a lanu a quê unjó

Logun é nosso comandante, é para Logun

Que abrimos a boca gritando e dançando.

Sango

Xangô é a força representada pelo som do trovão, Xangô é a terra firme. É


um orixá que representa o poder em todas as suas dimensões: da riqueza,
da sedução, da justiça, da força física, da inteligência. É irmão de Ogum, por
parte de mãe, e também de Oxossi, sendo um filho mais caseiro e próximo
de Yemonjá.

Xangô apaixonou-se por sua mãe Yemonjá, perseguindo-a por longo tempo
até que ela, cansada, caiu e Xangô a possuiu. Deste incesto nasceram
outros orixás, filhos de Yemonjá e Xangô, entre eles os Ibejis.

Xangô era extremamente mulherengo e competitivo, tendo roubado as


mulheres favoritas de seus dois irmãos, às quais seduziu com sua beleza,
inteligência e poder, pois ele reinou sobre todas as terras e teve como
esposas Osun, a deusa do amor e da beleza, roubada de Oxossi, o deus das
matas, e Iansan, a sensual deusa dos ventos e tempestades, roubada de
seu irmão Ogum, o deus da guerra. Ele manteve sempre três esposas,
sendo a terceira delas a poderosa Oba, guerreira forte, a única a enfrentar
Ogum numa luta física (embora, perdendo a luta) e senhora dos segredos
da cozinha, aos quais Xangô não resistiu, embora Obá não fosse uma
mulher bonita.

Em suas lutas Xangô conta sempre com a vidência e magia da deusa dos
rios, Osun , com a coragem e impetuosidade de Iansan e com a força bruta
de Obá. Xangô mora num palácio nos céus, onde prepara as chuvas para
sua mãe Yemonjá. Tem poderes secretos, e seu machado (o Ose) é o
portador de sua justiça. O barulho dos trovões é o machado de Xangô
caindo do céu para fazer justiça.

Yemonja

Yemonja é considerada o princípio de tudo, juntamente com Oduduwá.


Iemanjá é o mar que alimenta, que umidifica e energiza a terra, e também o
maior cemitério do mundo. Representa ainda as profundezas do
inconsciente, o movimento rítmico, todas as coisas cíclicas, tudo que se
pode repetir infinitamente. A força contida, o equilíbrio. É a yabá dona de
todos os oris (cabeças).

Iemanjá uniu-se a Oxalá, a criação, e com ele teve os filhos Ogum, Oxossi e
Xangô. Como seus filhos se afastaram, Iemanjá foi aos poucos se sentindo
mais e mais sozinha e resolveu correr o mundo, até chegar a Okerê, onde foi
adorada por sua beleza, inteligência e meiguice. Lá, o rei Alafin apaixonou-
se por ela, desejando que se tornasse sua mulher. Iemanjá então fugiu, mas
o rei colocou seus exércitos para persegui-la. Durante sua fuga, foi
encurralada por Oke (as montanhas) e caiu, cortando seus enormes seios,
de onde nasceram os rios.

Conta-se que a beleza de Iemanjá é tamanha que seu filho Xangô não
resistiu a ela e passou a persegui-la, com o desejo incestuoso de possuí-la.
Na fuga, Iemanjá caiu e cortou os seios, dando origem as águas do mundo e
aos Ibejis, filhos de Xangô com Iemanjá. Outro mito ainda narra a sedução
em sentido contrário. É Iemanjá quem persegue seu filho Xangô e este é
quem foge.

Representando o inconsciente, Iemanjá é considerada também a “dona das


cabeças”, no sentido de ser ela quem dá o equilíbrio necessário aos
indivíduos para lidar com suas emoções e desejos inconscientes.
Cantigas de Șọngó

Ọba ka wòóo, ká biyè si?

Podemos olhar Vossa Real Majestade?

(Porque era considerado grande honra poder olhar o Ọba erguendo a cabeça
diante dele)

Àwa dúpẹ ó ọba dodé, àwa dupẹ ó ọba dodé

Àwa dúpẹ ó ọba dodé, àwa dupẹ ó ọba dodé

Auá dupéô obá dodê auá dupéô obá dodê

Auá dupéô obá dodê auá dupéô obá dodê

Nós agradecemos a presença do Rei que chegou

Nós agradecemos a presença do Rei que chegou

A dúpẹ ni mọn ọba ẹ kú alẹ (ẹ káalẹ)

A dúpẹ ni mọn ọba ẹ kú alẹ ó wá, wá

Nilẹ, a dúpẹ ni mọn ọba e kú ale.

Adupé ni mobá ecúalé

Adúpé ni mobá ecúalé ôuá uá

Nilé adúpé ni moba ecúalé.

Nós agradecemos por conhecer o Rei,

Boa noite a Vossa majestade! Ele veio,

Está na terra; agradecemos por conhecer o Rei.

Boa noite Vossa Majestade.

Fẹ lẹ fẹ lẹ Yẹmọnja wá òkun, Yẹmọnja wẹkun

Àgò firí mọn, ago firí mọn Àjàká wá baarú, baarú

Áwa dé fẹ lẹ fẹ lẹ Yẹmọnja wèkun.


Félé félé iemanjá uácum iemanjá uécum

Ago firimam ago firimam ajacá uá baarú baarú

Auádê félé félé iemanjá uécum

Ela quer a terra, quer terra (chão) Yemanjá vem para o mar,

Yemanjá nada no mar, dê-nos licença para vermos através dos

Seus olhos e conhecermos Ajaká, que vem num poderoso cavalo,

Num poderoso cavalo chegou até nós, ele gosta de terra, gosta

De chão, Yemanjá (gosta) de nadar no mar.

Șàngbá șàngbá didé ó níìgbòho, ọdẹ ni mọ

Syìí ó, òní o

Xambá xambá dideô níbôrrô ode nimô

Sinhiiô ôní o

Ele executou feitos maravilhosos, feitos maravilhosos

E pairou sobre Ìgbòho, os caçadores sabem disto.

Òní Dàda , àgò lá ri

Òní Dàda , àgò lá rí

Oní dada ago larí

Oní dada ago larí

Senhor Dadá permita-nos vê-lo

Senhor Dadá permita-nos vê-lo

Dáda mọnsójú ọmọn, Dáda mọnsójú ọmọn

Ó fèẹrè ó ní fèẹrè, ó gbé l’ọrun

Bàbá kíní l’ọnọn áa ri.

Dada massójú omam dada massojú omam


Ô féeré ô ní féeré ô bélorum

Babá quiní lona áarí

Dadá é conhecedor dos filhos pela simples visão,

É franco, é tolerante, ele vive no céu

É o pai que olha por nós nos caminhos

Báayí kínkín báayí ọlá

Báayí kínkín báayí ọlá

Báayí adé, Báayí olówó

Báanhi quinquim baanhi olá

Báanhi quinquim baanhi olá

Báanhi a puê, báanhi olôuô

Dê-nos um pouco de perseverança,

Perseverança para que sejamos honrados,

Sua coroa é perseverante e rica!

(Dê-nos perseverança e riqueza)

Fura tinọn ọba fura tinón, fura tinon

Àrá lò si sá jò

Fura tinán obá fura tinán fura tinán

Ará losí sajô

Desconfie do fogo, desconfie do fogo do rei,

Desconfie do fogo

O raio é a certeza de que ele queimará.

Iba Òrișà, iba Onílẹ

Onilẹ mo juba awo


Ibá orixá, ibá ônilé

Ônilémojubáuô

Rei Orixá, rei e senhor da Terra,

Senhor da Terra, meus respeitos para cultuar-vos

10

Ò arà in a lóòde o

Bara enì já, ènia rò ko

Ọba nù ko wọn so nù rè lé o

Bara enì já, ènia rò ko

Ó níìka wòn nbò lórun kéréjé

Ó níìka wòn nbò lórun

Kéréjé àgùtòn

Ìtenú pàdé wá l’ọnọn

Ó níìka si relé

Ò arà in a lóòde o

Bara enì já, ènia rò ko

Oní máa, ni wó èjé

Bara enì já, ènia rò ko

Ô arain alodê ô

Bára enijá eniá roco

Oba nunkosso nu releô

Bára enijá eniá rocô

Ônicá aumbó lórúm querejé

Ônicá aumbó lórúm

Querejé agutã

Itenú padê uá lonã

Onicá sirelê
O arain alode ô

Bára enijá eniá rocô

Oní maa, níuô ejé

Bára enijá eniá rocô

Cultuam seu raio quando este os circunda; no bára (mausoléu real), eles vão
apresentar seus respeitos aquele que foi coroado,

Vosso raio ao redor; no mausoléu real eles vão apresentar seus respeitos,
aquele que foi coroado.

Ele contou os que caíram no caminho, por desrespeitarem-no, ele contou os


que ele abençoou no caminho, que lhe deram sangue de carneiro.

Ele os governa, e eles o encontram no caminho e rendem-lhe seus respeitos


(homenagens).

11

Ọba șẹréẹ wa fẹ yìín sìn, ọba șẹréẹ wa fẹ yìín sìn

Ọba ni L’ayé ó gbé l’ọrun, ọba șẹréẹ wa fẹ yìín sìn

Obá xéréuá féinhim sim, Obá xéréuá féinhim sim

Obá ni laiê o bélorum, Obá xéréuá féinhim sim

Rei é com o xére que queremos cultuá-lo,

Rei é com o xére que queremos cultuá-lo.

Rei da Terra que vive no céu,

Rei é com o xére que queremos cultuá-lo.

13

Gbáà yìí l’àșẹ onílá lòkè baàyọnnì

Gbáà yìí l’àșẹ

Banhii laxé onilá lôquô baiani

Banhii laxe

Ele possui um axé enorme, senhor da riqueza

Que governa acima das coras.

14
Șọngó ẹ pa bi àrá aáyé aáyé

Șọngó e pa bi àrá aáyé aáyé

Xangô é pá bi ará aiê aiê

Xangô é pá bi ará aiê aiê

Xangô mata arremessando raios sobre a Terra

Xangô mata arremessando raios sobre a Terra

15

Fírí ínọn fírí ínọn, Fírí ínọn bàiyìnjó

Máà ínọn, máà ínọn, Fírí ínọn bàiyìnjó

Firiinã firiinã firiinã banhiunjô

Má inã má inã firiinã banhiunjô

Ele expediu rapidamente o fogo,

Expediu rapidamente o fogo. Ele expediu rapidamente

O fogo de pouca intensidade(pouca luz).

Não nos mande fogo, não nos mande fogo,

Ele expediu fogo de pouca intensidade.

16

Àwúre lé àwúre lé kólé, àwúre lé àwúre lé kólé

Àwúre lé àwúre lé kólé, àwúre lé àwúre lé kólé

Àwa bọ nyin máa ri áwa jalè, àwúre lé,

Àwúre lé kólé

Auúrêlê auúrêlê côôlê, auúrêlê auúrêlê côôlê

Auúrêlê auúrêlê côôlê, auúrêlê auúrêlê côôlê

Auá bó ninhiim máarí auá jalê auúrêlê

auúrêlê côôlê

Abençoe-nos e traga boa sorte à nossa casa,

Que ela não seja reoubada, abençoe-nos e traga


Boa sorte à nossa casa

Nós que vos cultuamos, jamais veremos nossa casa

Roubada, abençoe-nos e traga boa sorte para nossa

Casa, e que não venham ladrões.

17

Ó fì làbà, làbà, ò fì làbà

Ó fì làbà, làbà, ò fì làbà

Ô fí labá labá ô fí labá

Ô fí labá labá ô fí labá

Ele usa bolsa de couro

Ele usa bolsa de couro

18

Ó jìgọn àwa lé npé ó jìgọn nlá

Jìgọn àwa lé npé ó jìgọn nlá

E kí Yẹmọnjá àgó, Tapa Tapa

E kí Yẹmọnjá àgó, Tapa Tapa

Ô jingan auálê o jingan unlá

Jingan auálê unpuê ô jigan unlá

É qui iemanjá agô tápa tápa

É qui iemanjá ago tápa tápa

Ele é imenso, o maior de nossa casa, ele é gigantesco,

Em nossa casa o chamamos de grande entre os gigantes.

Vós que cumprimentais Yẹmọnja

Pedindo licença a nação Tapa.

19

Ọba șà rẹwà ẹlẹ mi jẹẹ jẹẹ kútú kútú

Awodé rẹ șé ọba șà rẹwà


Obá xáreuá élémi jééjéé cutu cutu

Auôdê ré xe obá xáreuá.

Rei que escolhe a beleza, Senhor que me conduz

Serenamente, antes do culto chega com seu oxê,

O Rei que escolhe a beleza.

20

Tó e to rí ọlà to, Șọngó tó rí ọlà,(2x)

To ê tôriolá to xangô toriolá (2x)

É imensa, é imensa a riqueza que eu vi,

Xangô, é imensa a riqueza que eu vi.

21

Ọba ní șà rẹ lóòkè odó, ó berí ọmọn,

Ọba ní șà rẹ lóòkè odó, ọba kòso ayọ

Obá nixá rê lôôquê odô oberí oman

Obá nixá rê lôôquê odô obá côssô aio

Ele é o rei que pode despedaçá-lo sobre

O pilão; aquele que cumprimenta militarmente

Os filhos, ele é o rei que pode despedaçá-lo

Sobre o pilão. Rei coroado no templo sagrado

Com alegria.

22

Máà inọn inọn, máà inọn wa, inọn inọn ọba kòso

Máà inọn inọn, olóko sọ aráayé, máà inọn inọn

Ọba kóso aráayé, máà inọn, máà inọn inọn.

Má inã Inã má Inã Inã uá Inã Inã obá côssô

Má Inã Inã olocô sô araiê má Inã Inã

Obá côssô aráiê má inã, má Iná Iná


Não mande fogo, não mande fogo sobre nós,

Vos pedimos em vosso templo sagrado, não mande fogo;

O fazendeiro pede pela humanidade, não mande o fogo

Rei que governa a humanidade, não mande o fogo,

Não mande o fogo.

23

Aláàkóso ẹ mo juba á lo si ọba ẹnyin

Ọba tan jẹ lọ síbẹ lọ sí ọba ẹnyin.

Alácôssô é mojubá áló so obá éninhiim.

Obá tanjé lô sibé lô si obá éninhiim.

Aquele que nos governa, a vós meus respeitos,

Nós iremos a vós, rei a quem iremos,

Fazer o relatório.

24

A sìn e doba àrá

Àrá yìí ló síbè ẹnyin

A sìn e doba àrá

Àrá yìí ló síbè ẹnyin

A sim é doba ará

Ará inhin lô sibé éninhiim.

A sim é doba ará

Ará inhin lô sibé éninhiim.

Nós vos cultuamos rei dos raios

Que estes raios vão para longe de nós

Nós vos cultuamos rei dos raios

Que estes raios vão para longe de nós

25
Aira ó lê lê,a ire ó lê lê

A ire ó lê lê, a ire ó lê lê

Airá ô lê lê, a ire ô lê lê

A ire ô lê lê, a ire ô lê lê

Airá está feliz, ele está sobre a nossa casa.

Estamos felizes, ele está sobre a nossa casa.

26

Agọnjú Òrișà awo Ògbóni,

Agọnjú Òrișà awo Ògbóni,

Àwúre, Șọngó àwúre Ògbóni Ògbóni

Ògbóni, àwúre Șọngó àwúre.

Aganjú orixá auô ôbôni

Aganjú orixá auô ôbôni

Auúrê xangô auúrê ôbôni ôbôni

Ôbôni auúrê xangô auúrê

Aganjú orixá do culto Ògbóni,

Aganjú orixá do culto Ògbóni,

Dê-nos boa sorte, Xangô, nos dê

Boa sorte, Ògbóni Ògbóni

Dê-nos boa sorte, Xangô, nos dê boa sorte.

Você também pode gostar