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Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 19 1 1. Introdução. A Cruz

Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 19 1

1. Introdução.

A Cruz de Cristo – Parte 2 Propiciação (Texto: Rm 3:21~26)

Jesus pagou um alto preço, a sua própria vida, derramou o seu sangue na cruz, para nos redimir, nos comprar de volta, nos salvar, a fim de que tenhamos Nele vida em abundância e plenitude de graça. Essa foi a essência da mensagem que foi pregada domingo passado.

Hoje, quero compartilhar com vocês a respeito da segunda palavra de relevância que essa passagem que acabamos de ler nos revela: Propiciação. Talvez, muito vocês saibam até qual o significado de redenção, mas poucos sabem o que realmente significa propiciação.

Propiciar alguém significa apaziguar ou pacificar a sua ira 2 . Ira! É exatamente sobre isso que falamos no começo de Romanos: a ira de Deus em relação ao pecado da humanidade! Como essa ira pode ser aplacada? Quero contar uma história, talvez lá do tempo de Moisés

2. Exposição do texto. (Rm 3:21~26)

21 Mas agora a justiça de Deus se manifestou independente da lei da qual testemunham a lei e os profetas,

22 justiça esta mediante a fé em Jesus Cristo a todos aqueles que creem. Não há distinção,

23 pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,

24 sendo justificados gratuitamente pela sua graça mediante a redenção que há em Cristo Jesus.

25 Deus o ofereceu como sacrifício para a propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados cometidos anteriormente

1 Pregado no MEP dia 21 de agosto de 2011.

2 Cf. Sttot, in A Cruz de Cristo, pág. 151.

Paulo Sung Ho Won – www.sunghojd.blogspot.com

21 Νυνὶ δὲ χωρὶς νόµου δικαιοσύνη θεοῦ πεφανέρωται , µαρτυρουµένη ὑπὸ τοῦ νόµου καὶ τῶν προφητῶν ,

22 δικαιοσύνη δὲ θεοῦ διὰ πίστεως Ἰησοῦ Χριστοῦ , εἰς πάντας τοὺς πιστεύοντας· οὐ γάρ ἐστιν διαστολή·

23 πάντες γὰρ ἥµαρτον καὶ ὑστεροῦνται τῆς δόξης τοῦ θεοῦ ,

24 δικαιούµενοι δωρεὰν τῇ αὐτοῦ χάριτι διὰ τῆς ἀπολυτρώσεως τῆς ἐν Χριστῷ Ἰησοῦ·

25 ὃν προέθετο ὁ θεὸς ἱλαστήριον διὰ πίστεως ἐν τῷ αὐτοῦ αἵµατι εἰς ἔνδειξιν τῆς δικαιοσύνης αὐτοῦ διὰ τὴν πάρεσιν τῶν προγεγονότων ἁµαρτηµάτων

Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 19

26 tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e justificador daquele que crê em Jesus.

mesmo ser justo e justificador daquele que crê em Jesus. 2 6 ἐν τῇ ἀνοχῇ τοῦ

26 ἐν τῇ ἀνοχῇ τοῦ θεοῦ, πρὸς τὴν ἔνδειξιν τῆς δικαιοσύνης αὐτοῦ ἐν τῷ νῦν καιρῷ , εἰς τὸ εἶναι αὐτὸν δίκαιον καὶ δικαιοῦντα τὸν ἐκ πίστεως Ἰησοῦ.

1. Convite ao Templo.

Semana passada, fomos convidados à entrar em um mercado de escravos. Hoje, o convite é outro: vamos entrar no Templo, da época do Antigo Testamento. Diferente de hoje, toda a construção do templo, sua mobília e até os sacerdotes que ministravam lá tinham significados muito bem definidos.

O próprio espaço do templo possuía uma gradação de santidade: desde o pátio do

templo, passando pelo lugar santo, já dentro do templo, atravessando o véu e chegando no lugar santíssimo, o lugar mais sagrado do templo dentro de onde estava o objeto

mais sagrado de Israel: a arca da aliança. Nesse lugar, somente uma pessoa podia entrar,

e apenas uma vez por ano. Mas vamos voltar a isso daqui a pouco.

Se dentro do templo o objeto mais sagrado era a arca da aliança, fora do templo, a mobília mais sagrada era o altar de sacrifícios. Era sobre esse altar que o sacrifícios de animais, cereais e até de bebida, eram oferecidos a Deus.

Um dos sacrifícios mais importantes era feito uma vez por ano, em uma data muito especial chamada Yom Kipur, o dia do expiação. Nesse dia, o sumo sacerdote, colocava

a sua melhor roupa, a roupa cerimonial, e sacrificava, diante de todo o povo, um novilho

e um bode. O novilho para a “propiciação” de seus pecados e o bode como “propiciação” dos pecados do povo.

Imaginem: o sacerdote, no pátio do templo, diante do altar, corta a garganta, primeiro do novilho: a pele é arrancada, o animal é cortado em pedaços. Sobre o altar, já aceso com fogo, todos os pedaços do animal vão sendo colocados. Parte do seu sangue é separado. Ele enche o incensário com brasas do próprio altar, põe um punhado de incenso em pó que começa a exalar uma fumaça branca e cheirosa. O sacerdote já está preparado: a tradição diz que no seu pé era amarrado uma corda. Porque se o sacerdote entrasse naquele lugar de maneira impura, ele seria fulminado por Deus. Ele entra no templo, anda em direção ao lugar santíssimo, passa sobre a densa cortina e chega ao lugar mais sagrado diante do objeto mais sagrado: a arca da aliança.

A arca da aliança, era uma caixa de madeira revestida de ouro, que tinha dentro de si as duas tábuas de pedra que Moisés recebera no monte Sinai, um recipiente de maná e a vara de Arão, irmão de Moisés, que floresceu. Sobre a caixa, havia uma tampa, feita de ouro com dois querubins de ouro, ambos olhando para a tampa, com suas asas estendidas sobre a arca. Como se chamava a tampa? Propiciatório.

Paulo Sung Ho Won – www.sunghojd.blogspot.com

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Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 19

Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 19 O sacerdote entra no santíssimo lugar:

O sacerdote entra no santíssimo lugar: tremendo de temor e de medo, pois afinal, aquele é o lugar mais sagrado e diante de si está o objeto mais sagrado de Israel. Ele começa a balançar o seu incensário, para cobrir o Propiciatório com fumaça. Por quê? Porque sobre o propiciatório, Deus se manifestava com sua glória. Essa glória, nós chamamos em hebraico de Shekinah. Era como se Deus se assentasse entre os querubins, e não é a toa que em inglês essa tampa também é chamada de “seat of mercy”, o assento da misericórdia. O que fazia a seguir o sacerdote? Aspergia o sangue sobre o propiciatório. Detalhe: tudo isso só para o seu pecado. Em seguida, ele saía do santíssimo lugar, e sacrificava um bode, repetindo o mesmo ritual, agora, pelo pecado do povo.

Todo ano, a mesma coisa: propiciação pelo pecado do sacerdote e da sua família e depois de todo o povo. Durante quantos anos? Muitos! Para quê? Para propiciar, para apaziguar a ira de Deus em relação ao pecado humano. A ira de Deus tem um motivo: o pecado. E essa ira só é apaziguada com sangue.

Meus irmãos, quando Paulo está escrevendo o versículo 25, é esse o filme que estava passando em sua cabeça: o dia do Yom Kipur, os sacrifícios que eram oferecidos, a tampa da arca, sangue, fumaça.

2. O que Jesus tem a ver com isso?

Deus ofereceu (Jesus) como sacrifício para a propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados cometidos anteriormente” (vr. 25)

Temos um Deus que se ira por causa de nossos pecados. Temos pecadores que não podem se relacionar com Deus por causa dos pecados.

Meus irmãos, no lugar do sumo sacerdote ter que oferecer todos os anos o mesmo sacrifício, Deus ofereceu o seu único filho Jesus Cristo na cruz, de maneira definitiva, para que através de seu sangue a ira de Deus fosse definitivamente apaziguada e nossos pecados fossem completamente perdoados!

Se no Antigo Testamento, o altar dos sacrifícios era o lugar onde os pecados eram saldados, no Novo Testamento, é sobre a cruz que Jesus sofreu no meu no seu lugar a ira de Deus. Já não precisamos mais da arca da aliança, porque em Jesus, a glória de Deus foi totalmente revelada, assim como o apóstolo João diz: “Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1:14b).

Como o sacrifício de Cristo se torna realidade em nossa vida? Como a propiciação de Jesus feita na Cruz pelos nossos pecados se torna algo meu? “Mediante a fé”! Quando creio que Jesus fez tudo aquilo na cruz por mim, logo, tudo aquilo passa a ser o que Jesus Cristo fez em meu lugar. Como Ele fez em meu lugar, estou perdoado, e a ira de Deus em relação ao meu pecado, pacificado.

Paulo Sung Ho Won – www.sunghojd.blogspot.com

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Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 19

Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 19 Semana passada falamos do preço pago

Semana passada falamos do preço pago por Deus por cauda um de nós: a vida de Jesus Cristo. A propiciação foi feita pelo sangue de Jesus vertido na Cruz do Calvário! Precioso sangue!

3. Três perguntas preciosas.

Por que a propiciação é necessária? Afinal, por que Deus se ira? Os pagão diriam assim:

os deuses se iram porque eles são caprichosos, são mal-humorados, estão fazendo pirraça. Lembra como era os deuses gregos? Eles eram piores do que os seres humanos em matéria de moral e conduta. Qual é a resposta que a Bíblia nos apresenta? A ira santa de Deus está voltada contra o mal. Deus se ira por causa dos nossos pecados. O santo Deus não convive com pecado.

Quem é responsável pela propiciação? Quem deve aplacar, apaziguar a ira de Deus? Os pagãos diriam: nós! É simples, é só sacrificarmos um bom animal, que Deus ficará contente e esquecerá dos nossos pecados. Deus é como uma criança chorona que fica instantaneamente feliz ao ganhar de presente um pirulito. Novamente, quem é responsável pela propiciação? A Bíblia diz que é Deus: “Deus o ofereceu como sacrifício” (vr. 25a). Não foram os sacerdotes, mas foi o próprio Deus que entregou o sacrifício para a propiciação de nossos pecados! Glória a Deus!

Qual foi o sacrifício? O rev. John Sttot diz: “Não foi uma coisa, mas uma pessoa3 . Foi Jesus de Nazaré! Nenhum de nós poderia sofrer as eternas conseqüências do pecado! Ninguém poderia vencer a morte. “Somente Deus, nosso Senhor e Criador, poderia colocar-se como nossa segurança, poderia tomar o nosso lugar, poderia sofrer a morte eterna em nosso lugar como conseqüência de nossos pecados de tal modo que ela fosse finalmente sofrida e vencida4 . Meus irmãos! Isso é amor! 5

Jesus é a propiciação pelos nossos pecados! O apóstolo João expressa isso de uma

maneira linda em 1Jo 2:1 e 2: “Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês

não

pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo,

o

Justo. Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos

pecados, mas também pelos pecados de todo o mundo”.

3. Conclusão.

Na Cruz, Cristo derramou o seu sangue como sacrifício de propiciação oferecido pelo próprio Deus para que a sua ira em relação ao nosso pecado fosse apaziguado, para que nossos pecados fossem totalmente perdoados!

3 Cf. Sttot, in A Cruz de Cristo, pág. 155

4 Cf. Barth in Church Dogmatics (citação de Sttot in A Cruz de Cristo, pág. 156)

5 Cf. Sttot in Romanos, pág. 131.

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Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 19

Série Romanos – O Evangelho de Deus – Mensagem 19 Cada vez que você dobrar os

Cada vez que você dobrar os joelhos para pedir perdão pelos seus pecados, lembre-se do sangue de Jesus, que nos purifica de todo o pecado. Lembre-se de quanto foi custoso esse sangue e de quão precioso ele é para você!

Robert Lowry, pastor batista no século XIX escreveu um hino justamente baseado em Rm 3:25:

What can wash away my sin? Nothing but the blood of Jesus. What can make me whole again? Nothing but the blood of Jesus.

Refrão O precious is the flow that makes me white as snow; no other fount I know; nothing but the blood of Jesus.

For my pardon this I see:

nothing but the blood of Jesus. For my cleansing this my plea:

nothing but the blood of Jesus.

Nothing can for sin atone:

nothing but the blood of Jesus. Naught of good that I have done:

nothing but the blood of Jesus.

This is all my hope and peace:

nothing but the blood of Jesus. This is all my righteousness:

nothing but the blood of Jesus.

Amados irmãos, que possamos adorar a Deus, em Cristo, no poder do Espírito Santo, pela propiciação feita na cruz pelo sangue do Cordeiro Jesus! Amém!

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