TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo

Registro: 2011.0000040530

ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos do Embargos de Declaração nº 0149948-70.2010.8.26.0000/50000, da Comarca de São Paulo, em que é embargante COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCARIOS BANCOOP sendo embargados ASSOCIAÇAO DOS ADQUIRENTES DE APARTAMENTOS DO RESIDENCIAL VILA CLEMENTINO, MANOEL CASTANO BLANCO, DORALICE LOPES DE ALMEIDA, ADRIANA LAGE CORREA, JOAO VACCARI NETO e ANA MARIA ERNICA.

ACORDAM, em 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Rejeitaram os embargos. V. U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores FÁBIO QUADROS (Presidente), NATAN ZELINSCHI DE ARRUDA E FRANCISCO LOUREIRO.

São Paulo, 24 de março de 2011

Fábio Quadros RELATOR Assinatura Eletrônica

TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo

Voto nº 12020 Embargos de Declaração nº: 0149948-70.2010.8.26.0000/50000 Comarca: São Paulo Embargante: Cooperativa habitacional dos Bancários - Bancoop Embargados: Associação dos Adquirentes de Apartamentos do Residencial Vila Clementino e Outros.

Embargos declaratórios Alegação de omissão e contradição no julgado Repetição dos fundamentos já aclarados - Vícios inexistentes - Impossibilidade de rediscussão do tema já examinado - Nítida pretensão de dar aos embargos caráter infringente, o que não é possível - Embargos rejeitados.

Cuida-se de embargos de declaração (fls. 1303/1310) apresentados pela COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS DE SÃO PAULO - BANCOOP, contra v. acórdão de fls. 1297/1300, que à unanimidade negou provimento ao recurso. Irresignada maneja a embargante o presente recurso, alegando que o v. acórdão foi omisso e contraditório, pois deixou de trazer à baila esclarecimentos sobre a aplicabilidade do artigo 520, caput, do Código de Processo Civil, sendo atribuído ambos os efeitos ao recurso de apelação. Informa, ainda, que o v. acórdão deixou de
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TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo fundamentar quanto a existência do fumus boni iuris e o periculum in mora que justificaria a concessão de efeito suspensivo ao recurso de apelação. É o relatório.

Tem-se desde logo que os embargos propostos merecem integral rejeição, uma vez que não vislumbrada a existência dos vícios elencados a dar guarida ao interposto recurso. Verifica-se que a embargante, sob o prisma da ocorrência do vício de omissão e contradição no v. acórdão, pleiteia que seja dada nova manifestação quanto a não atribuição de efeito suspensivo ao recurso de apelação. Contudo, equivocado o manejo da

embargante com o presente recurso, sendo nítido o caráter infringente, uma vez que busca rediscutir matéria amplamente analisada, reexame, que a propósito, não se afigura possível. É evidente, pelo simples cotejo do julgado, que tudo está a mostrar que houve a necessária análise da questão de fundo e o fato da decisão hostilizada não ter examinado, minuciosamente, ponto por ponto, ou sob o enfoque dos preceptivos indicados, não significa tenha remanescido alguma lacuna que deva merecer manifestação específica, consoante buscam exigir a recorrente pelo manejado recurso, não sendo, ademais, caso de perfilar todos os pontos articulados nas razões dos embargos, quando um se mostra suficiente solucionar a demanda. Nessa quadra é importante salientar que não há exigir do Juiz “que rastreie e acompanhe pontualmente toda a
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TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo argumentação dos pleiteantes, mormente se um motivo fundamental é poderoso a apagar todos os aspectos da controvérsia” (RT 413/325). No mesmo sentido o julgado RJTJESP 179/221, entre muitos outros. Nota-se, que a recorrente ao externar seu inconformismo diante do resultado do julgado ora combatido, busca o reexame do que ficou decidido, querendo, por conseguinte, a modificação da decisão, a fim de que nova e eventual manifestação jurisdicional venha dar amparo à sua pretensão, sendo imperioso concluir que, com o presente recurso e da forma como se posiciona, pretende agora dá-lo efeito infringente, o que não é possível, aliás, com base em firme jurisprudência, consoante v. acórdão: “Os embargos de declaração não devem se revestir de caráter infringente. A maior elasticidade que se lhes reconhece, excepcionalmente, em casos de erro material evidente ou de manifesta nulidade do acórdão (RTJ 89/548, 94/1167, 103/1210 e 114/351), não justifica, sob pena de grave disfunção jurídico-processual dessa modalidade de recurso, a sua inadequada utilização com o propósito de questionar a correção do julgado e obter, em conseqüência, a desconstituição do ato decisório” (RTJ 158/264, 158/689, 158/993 e 159/638). Assim, não vislumbrada a pretensa omissão e contradição no “decisum”, ausente qualquer outro vício, de rigor a rejeição dos embargos declaratórios. Ante o exposto, rejeitam-se os presentes embargos de declaração.

FÁBIO QUADROS Relator
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