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1. INTRODUÇÃO O inhame (Dioscorea cayennensis L.

), conhecido também por cará-da-costa, cará-inhame, inhame da costa ou simplesmente cará, alcança no Nordeste do Brasil grande importância sócio-econômica, principalmente nos Estados de Pernambuco e Paraíba, considerados os maiores produtores a nível nacional. Essa espécie merece especial atenção por ser uma planta tropical de grande potencial que poderá contribuir na solução do problema da demanda reprimida de alimentos, sobretudo, nas regiões em desenvolvimento, nas quais o inhame já representa grande importância sócio-econômica, sendo amplamente utilizado na alimentação de todas as classes sociais (Santos, 1996). O Estado da Paraíba é considerado um dos maiores produtores de inhame, constituindo-se num bom negócio agrícola e fonte de renda para os pequenos e médios agricultores familiares (Santos & Macêdo, 2002). Também é um alimento de alto valor energético, pois se constitui uma excelente fonte de minerais, carboidratos e vitaminas do complexo B, contendo apreciáveis teores de vitamina B1, B2, B5, além de encerrar teores de vitamina A e C (Santos, 1996). Embora a introdução de novas tecnologias encontre entraves no

tradicionalismo de alguns produtores de inhame, resultados de pesquisas têm demonstrado que é possível se obter resultados satisfatórios sobre a produção de semente de melhor qualidade com baixo custo, alterando o sistema tradicional de sua produção, pelo plantio adensando de partes de túberas-semente. Essa técnica poderá proporcionar uma redução significativa da quantidade de sementes necessária para a implantação da lavoura, além de uniformizar a produção de plantas, uma vez que toda a semente produzida será considerada de cabeça (Santos, 2006). De acordo com Santos (1996), o inhame pode ser propagado por semente inteira, ou parte de túberas-semente da cabeça, do meio e da ponta. No 1

entanto, a parte da cabeça é a que apresenta brotação mais rápida e possibilita uniformização do estande (Silva, 2002). Diante do exposto, objetivou-se com este trabalho avaliar a produção de sementes de inhame pelo sistema de plantio adensado de porções de túberassemente e seus efeitos no rendimento de túberas com o uso dessas sementes.

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De acordo com Peixoto (1960). Nambu. mesmo das Américas. Cará Negro) e Dioscorea alata L. prevalece à preferência pelos tipos exóticos de inhames. (Silva. Cará Tabica. Entretanto. D. 1983). originaria da Ásia. das quais poucas são utilizadas na alimentação humana (Purseglove. As mais importantes por suas túberas comestíveis são: Dioscorea cayennensis (inhame amarelo) e Dioscorea rotundata (inhame branco) originarias da África.). ao navegar pela costa Africana. essa confusão de nomes foi proveniente dos negros africanos. Cará Espinho de Freire. enquanto no centro-Sul prevalece o cará (Purseglove. o termo é empregado para as diversas espécies da família das Dioscoreáceas. várias espécies de plantas pertencentes à família das aráceas são conhecidas no Brasil pelo nome vulgar de inhame.1. nativa da América tropical (Purseglove. Flórida. REVISÃO DE LITERATURA 2. em outros países. Algumas espécies são cultivadas com finalidades farmacológicas para a obtenção de material de partida para síntese de cortisona e de esteróides.2. 1975). plantam-se inhames das espécies Dioscorea cayenensis Lam. No Brasil. Sabe-se que os portugueses. Segundo Corrêa (1969). Sorocaba etc. 1975. 1971). família das Dioscoreaceas e ao gênero Dioscorea que contem cerca de 600 espécies. A maior parte de espécies de inhames cultivadas são originadas das zonas tropicais da Ásia e do Oeste da África. Origem e aspectos botânicos do inhame O inhame Dioscorea ssp. Dioscorea alata. 1975). Silva. e Dioscorea trífida. conheceram o complexo Dioscorea rotundata/. (Cará da costa. pertence à classe das monocotiledôneas. Existem controvérsias em relação à diferenciação terminológica dos termos “inhame” e “cará”. Mandioca. No Nordeste. que habituados com o inhame deram esse nome também ao cará. (São Tomé. 3 .

houve uma diferenciação terminológica: os tipos nativos conservaram seu nome de cará. a cultura do inhame vem apresentando nível considerável de evolução. principalmente em função da escassez e disponibilidade de informações técnico-científicas que venham propiciar a sustentatibilidade e a eficiência competitiva dessa cultura. com a introdução dos tipos africanos no Brasil. a despeito da imensa aptidão para exploração plena das potencialidades dessa cultura. ainda não se deu conta dos negócios 4 . cará-inhame ou simplesmente inhame. mais tarde. cujos negócios anuais no mundo superam US$ 150 milhões.. na América era usual o cultivo de Dioscoreáceas. Nesse contexto.2. a tal ponto que as culturas da região foram ditas “civilizações do inhame”. assumindo uma nova dimensão na cadeia alimentar e marcando participação no desenvolvimento da agricultura familiar no Brasil. especialmente D. chamado inhame.cayenensis Lam. enquanto os tipos africanos (subtenda-se da costa da África) passaram a ser denominados de cará-dacosta. mais divisas para os estados. a expansão do seu cultivo é ainda limitada. Porém. 2. trífida. constitui-se em expressiva atividade geradora de emprego e renda. A cultura do inhame. Mesmo assim. Tal produto constituía a base energética das dietas da Costa do Marfin a Camarões. maior rentabilidade dos sistemas de produção. 2002). melhoria das condições sócio-econômicas das regiões produtoras. chamada pelos índios de cará. Contudo. explorada na dimensão do agronegócio. fundamentalmente aos avanços tecnológicos que são capazes de promover incrementos de produtividade. atenção especial deve ser dada. Importância sócio-econômica do inhame Nos últimos anos. O Brasil. além da melhoria da agricultura familiar (Santos & Macêdo.

2002). como importante e estratégica fonte de geração de emprego e renda (Mesquita. em torno de 0. e tem apresentado crescimento nas exportações. Contudo. que foram destinadas basicamente (98. 2001).59%) para os Estados Unidos. Paises Baixos. o saldo da balança comercial é sempre superavitário. representando um crescimento de 155% em relação a 1995 (Mesquita. principal produtor. já que a corrente de comércio dessa cultura tem sido crescente ao longo desta década. Alagoas e Maranhão. Os estados com maiores taxas de produção no Nordeste são Paraíba. 2002). Bahia. Pernambuco. empregando.integrados frente a cadeia produtiva que podem ser viabilizados. Além dos empregos diretos. A grande maioria dos plantios ainda constitui uma atividade agrícola tipicamente familiar. 2001). Canadá e França. 1. a cadeia produtiva envolve outros setores como armazenamento. sua participação no agronegócio internacional ainda é muito tímida. pode-se afirmar que esta cultura apresenta grande importância econômica e social. há muitas décadas.25 homem/hectare/ano (Santos & Macêdo. A cultura do inhame tem sido explorada comercialmente nas regiões Sudeste e Nordeste do Brasil. 5 . Reino Unido. mas que gera renda e trabalho. sendo os estados de Pernambuco e Bahia. em média. superando a casa dos 11 milhões de dólares em 2000. mesmo assim. O Brasil. os que mais cresceram com elevação de 34% em 2001 (Mesquita. A região Nordeste é responsável por 90% de todo o inhame produzido no Brasil (Mesquita. 2002). Dessa forma.6%. e anualmente novos grandes projetos têm sido iniciados com financiamento por agências de fomento. exportou um total de 16 mil toneladas de inhame. no período de 1995 até junho de 2000. mediante a verticalização da produção. transporte e comercialização.

ou por parte das túberas-semente. 1971. 1998). 1996. empregadas com maior freqüência pelos produtores.Com relação a geração de emprego e renda. chegando até 3000 kg. enquanto as partes do meio e da ponta. 1998). meio e ponta. 1982. uma em julho ou agosto (inhame imaturo) e outro em novembro ou dezembro (inhame maduro). já que permite duas colheitas/ano. Isto ocorre dos sete e aos nove meses após o plantio e nesta época os tubérculos têm atingido o tamanho ideal (Azevedo & Duarte. por ocasião da condução da cultura. Essa atividade é extremamente importante para a fixação do homem no campo. Santos. significa mais de três empregos gerados (Santos. pelo fato do inhame apresentar dormência. A época da colheita do inhame é indicada pela presença de muitas folhas amareladas nas plantas e pela secagem dos ramos. sendo a parte da cabeça aquela que apresenta brotação mais rápida (Silva. 1996). A quantidade de sementes na implantação de um hectare de inhame é elevada. isso porque para cada tonelada de inhame colhido. o que assegura alta percentagem de brotação e bom desenvolvimento da planta. Araújo. A qualidade e o tamanho da semente são fatores responsáveis 6 . denominadas cabeça. isso porque o tamanho e/ou peso das porções de sementes se reveste da maior importância para a exploração racional da cultura. representando mais de 40% do volume de recursos empregados. Santos. Obtenção das sementes O inhame é multiplicado vegetativamente através de semente inteira. a colheita do inhame absorve elevada ocupação produtiva. possuem brotação e emergência tardias e desuniforme (Santos. 2.3. 1998). A produtividade do inhame está diretamente relacionada ao processo de seleção das túberas-semente a serem utilizadas.

ter um custo relativamente baixo e não apresentar a necessidade de cortá-la para o plantio.. exercendo um papel fundamental no desenvolvimento da planta e favorecendo de forma significativa o rendimento da cultura (Santos. 7 . o ideal seria o uso de semente lisa ou inhaminho. a qual pode ser considerada de alta qualidade por permitir a uniformização da lavoura. Conforme Santos (2006). sem a necessidade de ser fracionada (Santos et al. Esta forma de plantio impede o crescimento normal do inhame. com peso médio de 200 g.pela uniformidade e rapidez no estabelecimento de uma lavoura de inhame. resultando na produção de pequenas túberas (inhaminho) consideradas excelentes para a sua propagação. 1998). 2007). No cultivo do inhame. a produção de semente com essas características é possível através do plantio de forma adensada (20 x 20 cm) de partes de túberas-semente com peso variando de 50 a 100 g.

com precipitação pluviométrica média anual em torno de 1. . 1972). com chuvas de outono-inverno.1. 8 . (Tabela 1). De acordo com a classificação bioclimática de Gaussem. localizado no município de Areia na Microrregião do Brejo Paraibano. A temperatura média anual oscila entre 23 a 24o C. As análises químicas e físicas do solo na camada de 0-20 cm foram realizadas de acordo com Embrapa (1997). Localização e características da área experimental O trabalho foi conduzido em duas etapas em condições de campo no Setor de Olericultura do Departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba. e longitude 35o 42’ WGr.62 m. que se caracteriza como quente e úmido. O solo da área experimental foi classificado como Neossolo Regolítico. Psamítico típico (Embrapa. textura franca – arenosa (Brasil. 1999). pelo Laboratório de Química e Fertilidade do Solo do Departamento de Solos e Engenharia Rural do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba. com altitude de 574. o bioclima predominante na área é o 3dth nordestino sub-seco.3. Pela classificação de Köppen.400 mm. MATERIAL E MÉTODOS 3. o clima é do tipo As’. latitude 6o58’ S.

Características Químicas Variáveis pH em água (1:2. Características químicas e físicas de solo da área experimental.20 280.18 13.00 0. Primeira etapa: obtenção das túberas-semente 9 .51 Areia Franca 3.47 155.39 1.49 0.69 8.85 6.05 1.2.81 Interpretação Moderadamente ácido Alto Alto Médio Médio Médio Alto Médio ------Médio Baixo Características Físicas 672 125 126 77 1. Areia.28 0.5) P (mg/dm3) K+(mg/dm3) Na+(cmolc/dm3) H+ + Al+3(cmolc/dm3) Al+3(cmolc/dm3) Ca+2(cmolc/dm3) Mg+2(cmolc/dm3) SB (cmolc dm-3) CTC (cmolc dm-3) Material orgânica (g/dm3) Areia grossa (g/kg) Areia fina (g/kg) Silte (g/kg) Argila (g/kg) Densidade do solo (g/cm3) Porosidade total (m3/ m3) Classe textural Valores obtidos 7. CCAUFPB. 2008.00 4.Tabela 1.

Segunda etapa: avaliação dos tratamentos em campo Para a avaliação dos efeitos dos tratamentos em campo foi usado também o delineamento experimental em blocos casualizados com oito tratamentos. 100. em quatro repetições. os canteiros foram adubados com esterco bovino. 100. 253 e 277 g. em canteiros com dimensões de 2. correspondente ao comprimento. compostos pelos pesos médios de sementes 108. 229. largura e altura.0 x 1. 125. O plantio das porções tratadas foi realizado após 24 horas.0 m2. 133. respectivamente.2 m. 3. ficando imersa por 30 minutos para evitar a incidência de pragas. O preparo do solo constou de uma aração seguida da confecção dos leirões e abertura de covas. obtidas a partir das porções de túberas-semente de 25. A parcela experimental foi composta por 20 porções de túberas-semente. 205.3. 157. Uma semana antes do plantio foram realizadas nas covas. adubações de plantio por meio do fornecimento de 15 t ha-1 de esterco bovino. Uma semana antes do plantio. respectivamente. em quatro repetições. as túberas-semente foram colhidas e transportadas para galpão para realização do repouso fisiológico durante 60 dias. 125. 50. 150. e posteriormente plantadas em campo. Nove meses após. O delineamento experimental utilizado foi de blocos casualizados. 100 10 . com área de 2.Túberas-semente sadias de inhame cultivar Da Costa foram seccionadas em porções com pesos descritos no delineamento experimental. 175 e 200 g (primeira etapa). as quais foram tratadas com solução fúngica à base de benomyl e carbofuram (20 g/ 20 l de água).0 x 0. 150. com oito tratamentos compostos pelas porções de túberas-semente de 25. 181. 50. obedecendo ao espaçamento de 20 cm x 20 cm entre porções de túberas-semente. 175 e 200 g. 75. 75.

visando manter a área livre de plantas daninhas. Na ausência de precipitação. respectivamente.1 Peso médio e produção de sementes O peso médio das sementes correspondeu a relação estabelecida entre a produção de sementes.4. medindo aproximadamente 1. e o número de plantas avaliadas. 11 . espaçadas de 1. foram realizadas.kg ha-1 de P2O5 e de 70 kg ha-1 de K2O. Como fonte de P2O5. procurando manter o solo com disponibilidade de umidade suficiente para o desenvolvimento do inhame.80 m de altura. foram efetuadas irrigações pelo sistema de aspersão convencional. enquanto que a produção de sementes foi obtida por meio da pesagem de todas as sementes colhidas na parcela. com um tutor (vara). com o objetivo de manter os leirões bem formados e proteger as túberas contra o efeito dos raios solares. O plantio das sementes foi realizado manualmente. sulfato de amônio e cloreto de potássio. A colheita foi realizada aos nove meses.20 x 0. foi adotado o sistema de tutoramento tradicional. 3. Para a orientação do crescimento das plantas. Durante a condução do experimento foram executadas capinas manuais com o auxilio de enxadas. expresso em kg. e enterrados a 10 cm de profundidade do topo do leirão. Características avaliadas Na primeira etapa 3. foi fornecido em adubação de cobertura 80 kg ha-1 de N parcelado em partes iguais. quando as túberas encontravam-se maduras.4. Por ocasião das capinas. também amontoas.60 m. caracterizada pelo secamento dos ramos e folhas das plantas. N e K2O foram empregadas o superfostato triplo. expresso em kg. e aos 60 e 90 dias após o plantio.

as túberas foram separadas por tratamentos e determinadas o peso total de túberas comerciais de cada parcela experimental. Produtividade total e comercial de túberas As túberas comerciais foram obtidas aos nove meses após o plantio. período caracterizado pelo término da floração. ao nível de 5% de probabilidade.Na segunda etapa 3.4. Peso médio de túberas comerciais O peso médio de túberas comerciais foi determinado mediante a relação entre a produção da parcela e o número de plantas avaliadas. 3.4. Para os efeitos quantitativos foram realizadas análises de regressão polinomial. 2002).4. obedecendo ao delineamento em blocos casualizados. Análise estatística Os dados obtidos nas diferentes etapas foram submetidos à análise de variância. expresso em kg. 12 . utilizando-se o teste F para comparação dos quadrados médios e as médias comparadas pelo teste Tukey. Por ocasião da colheita. sendo selecionado para expressar o comportamento de cada característica. em função dos tratamentos. Foram consideradas túberas comerciais aquelas com peso superior 0. estimando-a para t ha-1.0 kg (Silva.2. indicando o amadurecimento total dos rizóforos e o fim do ciclo vegetativo da cultura.70 kg e inferior a 3. o modelo significativo de maior ordem e que apresentar maior valor de determinação com os dados obtidos.3. 3. ocasião em que os ramos e folhas das plantas se apresentaram secas. para verificar os efeitos lineares e quadráticos das variáveis.4.

RESULTADOS E DISCUSSÃO Primeira etapa 4. obtidos com a porção de 200 g de túberas-semente (Figuras 1 e 2).8 ** 24. Peso médio de pedaços de túberas-semente O peso médio e a produção de semente foram influenciados significativamente pelos tratamentos.36 ** 39. significativo a 5 e 1% de probabilidade.4.00 m2.76 ns 2481. CCA-UFPB. Tabela 2. Figura 1.84 24. Areia.15 kg de sementes em 2.74 ** 108046. O peso médio e a produção de sementes aumentaram linearmente com a elevação das porções de túberas-semente.2 F. e suas médias se ajustaram à modelo linear de regressão (Tabela 1). em função do plantio adensado de porções de túberas-semente em 2. Resumos das análises de variância e regressão para o peso médio e produção de túberas. respectivamente pelo teste F.00 m2. * e ** = Não significativo. CCA-UFPB.78 ** 1. de variação Blocos Tratamentos Linear Quadrático Resíduo CV (%) GL 3 (7) 1 1 21 Produção 0. Peso ideal de semente (200 g) 13 Peso ideal de porção . 2009.55 ns 7. em função das porções de túberas-semente de inhame.1. Quadrados Médios Peso Médio 6791. Areia.46 24. respectivamente. 2009. Peso médio de sementes de inhame. com valores máximos de 277 g e 4.6 ns.69 ns 20841.65 ns 0.

obtida por meio de equação descrita2. ocorridas por ataques de insetos e de patógenos no solo e pelas intempéries que danificam as gemas de brotação. grandes no inhame proporcionam maiores produções do que as pequenas. em 2. a porção de 120 g. a qual já vai para o local definitivo brotando. Nesse sentido. seu emprego é mais oneroso. definido por Santos (1998). 2002). CCA-UFPB.00 m 2. peso ideal para plantio no inhame. não acarretando a desuniformidade na população de plantas. plantados de forma adensada. poderá ser um aliado na redução de custos com a aquisição de sementes e elevação da sua produção. Produção foi àquela responsável pela obtenção da semente com plantio adensado de porções de túberas-semente. em 200 g. a implantação de tecnologia de produção de sementes no inhame pelo sistema de porções de túberas-semente. devido à morte das sementes. A semente produzida no sistema avaliado pode ser considerada de excelente qualidade por atender a exigência do produtor.Embora a porção de 200 g de túberas-semente tenha sido responsável pelo maior peso médio e produção de sementes. calculada pela Figura na figura 1 de sementes de inhame. além de prejudicar a colheita precoce (capação) aos sete meses e a produção futura de sementes (Oliveira. 1996). no entanto. Sementes Areia. notadamente pelo aumento da quantidade de semente utilizada para implantação de lavoura (Santos. porque a brotação desuniforme ocasiona perdas consideráveis aos produtores. 2009. 14 . que busca sempre o plantio de semente inteira.

em função das porções de túberas-semente. foi responsável pelo menor peso médio de túberas de 0. Como o valor R2 para o peso médio foi inferior a 0. os resultados foram discutidos através das médias comparadas pelo teste Tukey. de variação Blocos Tratamentos GL 3 7 Peso Médio 0.76 ns 7. Peso médio de túberas comerciais De acordo com os resumos das análises de variância e de regressão. CCA-UFPB.07 ** 2. Areia.05 ns 0. Em termos absolutos. F.8 kg (Figura 3).04 ns Quadrados Médios Produtividade total Produtividade comercial 4.2 kg) e a com peso médio de 108 g.55 ns 5. 2009. 50.Segunda etapa 4. Resumos das análises de variância e de regressão para o peso médio de túberas comerciais. porém suas médias se ajustaram ao modelo quadrático de regressão (Tabela 3).97 ** 15 . Tabela 3. os tratamentos não influenciaram de forma significativa o peso médio de túberas comerciais. produtividade total e produtividade comercial de túberas.2. a semente com peso médio de 181 g foi aquela que proporcionou o maior peso médio de túberas comerciais (1.

e de forma absoluta. 7=253 g.060 ns 0. 16 . 1=108 g. As mesmas letras nas colunas não diferem entre si pelo teste Tukey a 5% de probabilidade.64 12.130 * 3. a semente com peso médio de 181 g foi a que propiciou a mais elevada produtividade total de túberas. Figura 3. Produtividades total e comercial de túberas A produtividade total de túberas não foi influenciada significativamente pelos tratamentos. 2009. Areia. * e ** = Não significativo. nem suas médias se ajustaram a nenhum modelo de regressão (Tabela 3).61 ns. 4. Não foi verificada diferença quando suas médias foram comparadas pelo teste Tukey.02 14. 2=133 g. 14 t ha -1 (Figura 4). 6=229 g. 5=205 g. CCAUFPB. 4=181 g. significativo a 5 e 1% de probabilidade.86 0.13 ns 9.3.99 ** 0.64 ns 0. 8=277 g.50 ** 12.Linear Quadrático Resíduo CV (%) 1 1 21 0. Peso médio de túberas comerciais em função de sementes obtidas pelo plantio adensado de túberas-semente. 3=157 g. a exemplo do peso médio.63 2. respectivamente pelo teste F.88 14.

Areia.50). 2=133 g. o baixo valor do R2 (inferior a 0. As médias da produtividade comercial sofreram alterações significativas dos tratamentos. As maiores produtividades de túberas comerciais de 7. impossibilitou a discussão dos resultados por meio de curvas de ajuste. sendo assim. Figura 4. nas sementes com pesos médios de 181 e 229 g.0 t ha -1 foram obtidas.0 e 8. 6=229 g. 4=181 g. Contudo. e se ajustaram aos modelos linear e quadrático de regressão (Tabela 3).1=108 g. 2009. 8=277 g. 7=253 g. As mesmas letras nas colunas não diferem entre si pelo teste Tukey a 5% de probabilidade. 5=205 g. Produtividade total de túberas em função de sementes obtidas pelo plantio adensado de túberas-semente. enquanto que a 17 . 3=157 g. CCAUFPB. respectivamente. os resultados foram discutidos através das médias comparadas pelo teste Tukey.

2009. 2=133 g. Produtividade comercial de túberas em função de sementes obtidas pelo plantio adensado de túberas-semente. a semente com peso médio de 181 g. A semente com esse peso representa uma necessidade de 3000 kg ha-1 de semente para implantação de um hectare de inhame. porque está acima do peso médio de sementes considerado ideal. 4=181 g. 1=108 g.0 t ha-1. CCAUFPB. definido em 200 g por Santos (1998). A semente com peso médio de 229 g não interessa ao produtor de inhame. Areia. superou a produtividade média do estado da Paraíba definida por 18 . 3=157 g. 7=253 g. obtida na semente com peso de 181 g. A produtividade de túberas comerciais de 7.8 t ha-1) foi alcançada na semente com peso médio de 157 g (Figura 5). 5=205 g. 1996). As mesmas letras nas colunas não diferem entre si pelo teste Tukey a 5% de probabilidade. equivalendo a 40% do custo para implantação da cultura (Santos.menor produtividade (4. Figura 5. Entretanto. 6=229 g. representa uma economia de 36%. 8=277 g.

Santos (1996) em 6. Para a obtenção das sementes responsáveis pelas máximas produtividades comerciais de túberas (181 e 229 g) foi necessário. respectivamente.0 t ha 1 . esses resultados podem indicar que se o produtor desejar produzir semente pelo sistema de plantio adensado. 19 . Embora a diferença tenha sido apenas de 1. respectivamente.0 a 10 t ha-1. ele necessitará de 1500 e 1750 kg. com destaque para a semente de 181 g. o plantio do inhame por meio de sementes obtidas pelo processo de plantio adensado. 100 e 150 g de túberas-semente. pode ser uma alternativa viável. uma vez que pode ser reduzida a quantidade de sementes suficientes para um hectare da cultura em aproximadamente 1080 kg. para implantar um hectare de inhame.

Para a obtenção da semente de 181 g foi necessário 100 g de porções de túberas. A semente com 181 g representou uma economia de 36% na quantidade de sementes para a implantação do inhame (1080 kg). A semente de inhame obtida pelo sistema de plantio adensado pode ser uma alternativa para o produtor reduzir custo com sua aquisição. CONCLUSÕES 1. 20 . 4. O uso de sementes obtidas pelo método de plantio adensado pode se converter numa ferramenta para melhorar o agronegócio do inhame. o que representa uma necessidade de 1500 kg de túberassemente. 3. 2.5.

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