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Catenária

A catenária é a curva formada por um cabo ou corrente suspensa apenas por suas extremidades e sujeita à gravidade. Possui formato de U ou arco de parábola. Foi estudada por Galileu, Huygens e outros e tem aplicações na construção de arcos, pontes e cabos elétricos.
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Catenária

A catenária é a curva formada por um cabo ou corrente suspensa apenas por suas extremidades e sujeita à gravidade. Possui formato de U ou arco de parábola. Foi estudada por Galileu, Huygens e outros e tem aplicações na construção de arcos, pontes e cabos elétricos.
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9/29/23, 9:07 AM Catenária – Wikipédia, a enciclopédia livre

Catenária
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Em matemática, catenária é a curva assumida


por uma corrente ou cabo flexível suspensa fixada
apenas por suas extremidades e sujeita somente à
força de seu próprio peso (gravidade). A curva
catenária tem um formato semelhante a letra U ou
a um arco de parábola e é bastante comum,
estando presente, por exemplo, no design de
alguns arcos arquitetônicos.

Catenárias também podem ser encontradas em


Aspectos históricos cabos de transmissão elétrica suspensos entre
postes
A palavra "catenária" vem do Latim catena,[1] que
significa corrente. Christiaan Huygens foi o
pioneiro no uso do termo catenária em uma correspondência com Gottfried Leibniz em 1690.[2]

O problema de descrever matematicamente a curva catenária foi


proposto, oficialmente, por Jakob Bernoulli, que, em 1690 no Acta
Eruditorum, periódico científico da época, lançou o desafio: “E
agora vamos propor este problema: encontrar a curva formada por
um fio pendente, livremente suspenso a partir de dois pontos
fixos”.[3] Anteriormente, Galileu Galilei já havia demonstrado
interesse no problema e propôs que a curva, devido a sua aparência,
seria aproximadamente uma parábola.[4] No entanto, em 1646
Christiaan Huygens, aos 17 anos, demonstrou que a catenária não
poderia ser uma parábola. Demonstração realizada também por
Joachim Jungius em 1627, divulgada, contudo, postumamente, em
1669.[5][6] As resoluções corretas para o problema, apresentadas
por Gottfried Leibniz, Huygens e Johann Bernoulli, foram
publicadas em junho de 1691 no Acta Eruditorum.[3] Robert Hooke segurando uma
corrente formando a catenária
Na arquitetura, o pioneiro a propor a curva catenária no design de
arcos foi o cientista Robert Hooke. Motivado pela reconstrução da
Catedral de São Paulo, em Londres, buscava o formato ideal para a construção de arcos, feito com
a menor quantidade possível de materiais[7] e com boa estabilidade. Em 1671 anunciou a The
Royal Society que havia descoberto a maneira ideal de construir arcos, sem, no entanto, dizer qual
seria.[8] Em 1675, publicou no apêndice do seu livro “A Description of Helioscopes and Some Other
Instruments” um anagrama encriptado que revelaria, nas suas palavras, “a verdadeira forma
matemática e mecânica para a construção de arcos de todos os tipos”, no entanto, não divulgou a
resolução do anagrama enquanto vivo. Somente em 1705, dois anos após seu falecimento, o

https://pt.wikipedia.org/wiki/Catenária 1/8
9/29/23, 9:07 AM Catenária – Wikipédia, a enciclopédia livre

responsável pelo espólio de Hooke publicou a solução: “Ut pendet continuum flexile, sic stabit
contiguum rigidum inversum”,[9] o que significa “Assim como uma forma flexível e contínua fica
pendurada, quando invertida, permanecerá contiguamente rígida”.

Descrição matemática
A equação da catenária em coordenadas cartesianas é dada pelo cosseno hiperbólico e a sua
equivalente exponencial:[5][10]

na qual o parâmetro relaciona a


componente horizontal da tensão ( ) com o peso
por unidade de comprimento .

A equação de Whewell é:[5]

Catenárias para diferentes valores do parâmetro


na qual é o comprimento de arco e o ângulo
"a".
entre a reta tangente à curva e o eixo .

A equação de Cesàro é:[11]

na qual é a curvatura.

A equação do raio de curvatura é:

Propriedades

Quando uma parábola rola sem deslizar sobre a reta tangente à sua curva, a rolete traçada pelo seu
foco (denominado gerador ou polo) é uma catenária.[12][13]

A envolvente de uma catenária é uma tractriz.[14]

Rodas em forma de qualquer polígono regular, com exceção do triângulo, conseguem rolar sem
saltar em uma superfície constituída por saliências de catenárias invertidas, desde que as
dimensões das catenárias e do polígono sejam coerentes.[15][16]

A revolução da catenária em torno de um eixo adequado gera a superfície de mínima área


catenoide, que é a forma assumida por uma película de água e sabão limitada por dois círculos,
demonstração feita por Euler em 1744.[11]

Análise

https://pt.wikipedia.org/wiki/Catenária 2/8
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No problema da catenária existem duas condições importantes: o cabo é considerado flexível, logo
as tensões são sempre tangentes a curva, e está em equilíbro, ou seja, as forças resultantes nas
direções x e y devem ser nulas. A partir destas duas condições são obtidas as equações que darão
início à demonstração matemática.

Considerando, primeiramente, o comprimento


de arco entre o ponto mais baixo da curva Po
(0,y) e P1 (x,y). Neste pedaço da curva atuam
três forças: a tensão To no Po, a tensão T no P1 e
a força peso. A To atua somente na direção x,
sendo seu vetor definido como ( ,0). A força
peso atua somente na direção y, sendo seu vetor
definido como (0, - ), no qual é o peso por
unidade de comprimento. A tensão T atua na
direção da reta tangente à curva no ponto P1
(devido à flexibilidade do fio) e pode ser
decomposta em dois vetores paralelos aos eixos Gráfico da curva catenária (em azul) e outras
x e y, sendo seu vetor definido como ( , representações úteis para o entendimento da
demonstração
) ou ( , ).

Devido à condição de equilíbrio:

Na direção x: (1)

Na direção y: (2)

Dividindo a equação (2) pela (1):

(3)

sendo que é conveniente definir o parâmetro .

Observação: A solução da equação (3) é a função que descreve a catenária. Para resolvê-la é
necessário expressá-la com apenas duas variáveis (x e y(x)) em vez de três (x, y(x) e s(x)) por isso é
preciso diferenciar em relação a x e substituir o termo referente ao comprimento de arco.

(4)

A partir da fórmula do comprimento de arco tem-se que:

(5)

Substituindo a equação (5) na (4):

(6)

que é uma Equação Diferencial Ordinária de segunda ordem redutível à primeira ordem através de
uma substituição de variáveis.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Catenária 3/8
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Separando as variáveis e
integrando:

obtém-se:

Como no ponto P1 a
derivada é positiva, o
termo será positivo.

Isolando , ou seja, , e Animação que compara os gráficos da catenária (vermelho) e Parábola (azul)
integrando: através da variação do parâmentro a na equação da catenária

A constante C pode ser igualada a 0 dependendo da posição do eixo y, portanto:

Aplicações
Uma força aplicada em um ponto qualquer da curva é distribuída igualmente por todo material,
proporcionando maior estabilidade à estrutura.[17] Por isso é amplamente utilizada na construção
de arcos arquitetônicos, domos de catedrais e até iglus.[18] Geralmente, pontes pênseis assumem a
forma de uma parábola, embora frequentemente esta forma seja confundida com a
catenária.[10][19][20]

https://pt.wikipedia.org/wiki/Catenária 4/8
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Arcos em forma de catenárias Gateway Arch: Arco em forma de


invertidas na Casa Milà (Barcelona, catenária invertida achatada (St.
Espanha).[21] Louis, Estados Unidos).[22]

Arco em forma de catenária Teto da estação ferroviária Keleti


invertida de tijolos de barro. tem forma de catenária invertida
(Budapeste, Hungria).[19]

https://pt.wikipedia.org/wiki/Catenária 5/8
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Iglus são construídos com base na Marquette Plaza, arranha-céu com


forma da catenária invertida arco de catenária em seu design
(considerando a seção). (Mineápolis, Estados Unidos).[23]

O domo da Catedral Santa Maria


del Fiore tem a forma de uma
catenária invertida (considerando a
seção (Florença, Itália).[24]

Cabos suspensos entre Catenárias em uma teia de Corrente suspensa


dois pontos formando aranha formando uma catenária.
catenárias.

Ver também
Catenóide
Braquistócrona
Ciclóide
Geodésica
Funções hiperbólicas

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Catenária 6/8
9/29/23, 9:07 AM Catenária – Wikipédia, a enciclopédia livre

1. «Etimología de catenaria» (http://etimologias.dechile.net/?catenaria). Consultado em 20 de


março de 2020
2. «Catenary» (http://www-history.mcs.st-andrews.ac.uk/Curves/Catenary.html). Janeiro de 1997.
Consultado em 22 de março de 2020
3. MAOR, Eli (2008). e: A história de um número. Rio de Janeiro: Record
4. FAHIE, John Joseph (1903). Galileo, his life and work [Galileu, sua vida e trabalho] (https://arc
hive.org/details/galileohislifewo00fahiuoft/page/360/mode/2up) (em inglês). Londres: John
Murray. p. 360.
5. Lockwood, Edward Harrington (1961). A Book of Curves [Um Livro das Curvas] (https://www.ap
roged.pt/biblioteca/ABookofCurvesLockwood.pdf) (PDF) (em inglês). [S.l.: s.n.] p. 119-124.
Consultado em 22 de março de 2020
6. Leibniz, Gottfried Wilhelm (1995). La naissance du calcul différentiel: 26 articles des "Acta
Eruditorum" [O nascimento do cálculo diferencial: 26 artigos do "Acta Eruditorum"] (https://book
s.google.com.br/books?id=lfEy-OzaWkQC&printsec=frontcover&hl=fr#v=onepage&q&f=false)
(em francês) 2.ª ed. [S.l.: s.n.] p. 192. Consultado em 22 de março de 2020
7. «Maths in a minute: St Paul's dome» (https://plus.maths.org/content/maths-minute-st-pauls-do
me). 8 de setembro de 2011. Consultado em 30 de março de 2020
8. Jardine, Lisa (2001). «Monuments and microscopes: scientific thinking on a grand scale in the
early Royal Society.» [Monumentos e microscópios: pensamento científico em grande escala
no início da Royal Society] (https://royalsocietypublishing.org/doi/pdf/10.1098/rsnr.2001.0145).
Notes and Records of the Royal Society of London (em inglês). Londres. Consultado em 22 de
março de 2020
9. Página arquivada «Arch Design» (https://web.archive.org/web/20101113210736/http:/www.lind
ahall.org/events_exhib/exhibit/exhibits/civil/design.shtml). 2002. Consultado em 22 de março
de 2020
10. Brietzke, Eduardo H. M. «Cabo Suspenso» (http://www.mat.ufrgs.br/~brietzke/cabo/cabo.html).
Consultado em 29 de março de 2020
11. Weisstein, Eric W. «Catenary» (https://mathworld.wolfram.com/Catenary.html). Consultado em
29 de março de 2020
12. Transactions of the Royal Society of Edinburgh (https://books.google.com.br/books?id=W4A4A
QAAMAAJ&dq). [S.l.]: The Society. 1849. p. 526. Consultado em 31 de março de 2020
13. Gilbey, Julian. «Rolling a parabola» (https://www.geogebra.org/m/hu24XTaZ). Consultado em
31 de março de 2020
14. Weisstein, Eric W. «Tractrix» (https://mathworld.wolfram.com/Tractrix.html). Consultado em 31
de março de 2020
15. Serras, Herman. «Polygonal wheels» (https://cage.ugent.be/~hs/wheels/wheels.html).
Consultado em 31 de março de 2020
16. Peterson, Ivars. «Riding on Square Wheels» (http://mathtourist.blogspot.com/2011/05/riding-on
-square-wheels.html). Consultado em 31 de março de 2020
17. Raposo, Claúdia Sofia Carrilho Morgado (2013). Curvas Famosas e não só: teoria, histórias e
atividades (https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/10248/1/ulfc106067_tm_Claudia_Raposo.p
df) (PDF) (Tese de Mestrado). Universidade de Lisboa. p. 26. Consultado em 30 de março de
2020
18. Handy, Richard L. (1973). «The igloo and the natural bridge as ultimate structures.» [O iglu e a
ponte natural como as melhores estruturas.] (http://pubs.aina.ucalgary.ca/arctic/Arctic26-4-276.
pdf) (PDF). Artic (em inglês). Estados Unidos. Consultado em 30 de março de 2020
19. Matthews, Bennie (2019). Statics and Analytical Geometry (https://books.google.com.br/book
s?id=xePEDwAAQBAJ&pg=PA276&lpg=PA276&dq). [S.l.]: Scientific e-Resources. p. 276.
296 páginas. Consultado em 30 de março de 2020
20. «Equilíbrio de cabos suspensos» (https://www.alfaconnection.pro.br/fisica/forcas/forcas-em-eq
uilibrio/equilibrio-de-cabos-suspensos/). Consultado em 30 de março de 2020
21. «The inverted catenary arch» (https://zonedome.com/?p=167). Consultado em 30 de março de
2020

https://pt.wikipedia.org/wiki/Catenária 7/8
9/29/23, 9:07 AM Catenária – Wikipédia, a enciclopédia livre

22. Osserman, Robert (2010). «Mathematics of the Gateway Arch» (http://www.ams.org/notices/20


1002/rtx100200220p.pdf) (PDF). Notices of the AMS. 57 (2): 220-229. Consultado em 30 de
março de 2020
23. «Marquette Plaza» (https://pocketsights.com/tours/place/Marquette-Plaza-24497). Consultado
em 30 de março de 2020
24. LaRouche, Lyndon (2017). The State of Our Union: The End of Our Delusion! (https://books.go
ogle.com.br/books?id=UOHQDQAAQBAJ&pg=PT40&lpg=PT40&dq). [S.l.]: Executive
Intelligence Review. Consultado em 30 de março de 2020

Bibliografia
Simmons, George F.. Cálculo com geometria analítica, vol 1. 1aedição. São Paulo: McGraw-
Hill Ltda, 1987.
Faria, Sirlene Rezende de. A catenária. Disponível em
<https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUOS-94QMAZ/1/a_catenaria.pdf>. Acessado em
6 de outubro de 2019.

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