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Técnicas de Restauração do Patrimônio

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Teoria e História do Patrimônio

Técnicas Retrospectivas
CCE 1724 - Gisele Freixo
Teoria e História do Patrimônio

Preservação como ato de cultura

Preserva-se e Restaura-se hoje por razões:

Culturais → pelos aspectos formais, documentais,


simbólicos e memoriais.

Científicas → pelo fato de os bens culturais serem

CCE 1724 - Gisele Freixo


Técnicas Retrospectivas
portadores de conhecimento em vários campos do
saber, abarcando tanto as humanidades quanto as
ciências exatas e biológicas.

Éticas → por não se ter o direito de apagar os traços


de gerações passadas e privar as gerações presentes
e futuras da possibilidade de conhecimento e de
suporte da memória de que esses bens são
portadores.
Teoria e História do Patrimônio

Sobre o uso da palavra “Restauro”

A palavra preservação, no Brasil, assim como na França, possui um sentido lato e


pode abarcar uma grande variedade de ações como inventários, registros, leis de
tombamento, educação patrimonial e intervenções nos bens para que sejam
transmitidos da melhor maneira possível ao futuro.

As intervenções em si assumem denominações variadas, podendo, como explicitado


na Carta de Veneza do ICOMOS-UNESCO, ser caracterizada como manutenção,

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Técnicas Retrospectivas
conservação e restauro, com graus crescentes de ingerência sobre o bem.
Ou, por exemplo, serem sintetizadas na palavra restauro, como proposto por Cesare
Brandi.

O uso dessas palavras varia conforme o ambiente cultural:


Na Inglaterra, a palavra restoration permanece com conotação extremamente
negativa pela repercussão do pensamento de John Ruskin, utilizando-se conservation
tanto para bens móveis quanto imóveis.

Já nos Estados Unidos, a palavra conservation volta-se mais para os bens móveis,
enquanto preservation é empregada preferencialmente para bens imóveis.

Na Itália, usa-se conservazione e tutela para o sentido lato, com algumas nuances,
semelhante ao uso brasileiro da palavra preservação. Conservazione também é
associada a uma forma de atuação (distinta restauro).
Teoria e História do Patrimônio

Antecedentes e Contextualização Histórica

Século XVIII na Europa → vultosas transformações alteraram relação de uma dada


cultura com seu passado.

Vários fatores → Iluminismo; profundas e aceleradas mudanças geradas pela


Revolução Industrial na Grã-Bretanha; reações às destruições maciças posteriores à
Revolução Francesa.

CCE 1724 - Gisele Freixo


Técnicas Retrospectivas
Revolução Francesa → devastações e saques com o intuito de destruir símbolos das
antigas classes dominantes; edifícios medievais são as principais vítimas → Reação ao
“vandalismo” revolucionário → incipientes providências de um Estado da era
moderna para a tutela de monumentos; legislação; relatórios sobre vandalismo;
criação de comitês que inventariaram e conservavam obras → Inspetoria Geral dos
Monumentos Históricos.

Na Inglaterra → Art & Crafts → Após a Revolução Industrial houve uma


desvalorização do trabalho do artesão e o objetivo do Arts and Crafts era de
restabelecer este valor, a harmonia entre o trabalho do arquiteto, designer e artesão,
e de realizar objetos de arte de uso cotidiano para todos → William Morris →
Movimento romântico.
Teoria e História do Patrimônio

Antecedentes e Contextualização Histórica

“A noção de historicidade evoluiu lentamente com base no Renascimento, quando


despertou-se o interesse pelas construções da antiguidade.
A partir do séc. XVIII, com o despontar do Iluminismo, a noção de história como
entendida hoje, começou a se formar.
No final do séc. XVIII e início do XIX, a desolação com a situação do patrimônio
artístico pós-revolução, contribuiu para o amadurecimento da consciência histórica

CCE 1724 - Gisele Freixo


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na França.
Na Grã-Bretanha, as modificações geradas pela industrialização somaram-se ao
sentimento de proteção ao passado arquitetônico, à preservação de edifícios
notáveis e do meio urbano, despontando movimentos de preservação e restauração
de monumentos”.
(KÜHL, 1998)
Teoria e História do Patrimônio

Teoria Patrimônio → Restauração → Conceituação

CCE 1724 - Gisele Freixo


Técnicas Retrospectivas
O que é restauração?
Teoria e História do Patrimônio

Teoria Patrimônio → Restauração → Conceituação

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Técnicas Retrospectivas
O que é restauração?
Teoria e História do Patrimônio

Teoria Patrimônio → Restauração → Conceito

O restauro constitui o momento metodológico do reconhecimento da obra de arte,


na sua consistência física e na sua dupla polaridade estética e histórica, com vistas a
sua transmissão ao futuro.
(BRANDI apud KÜHL, 1998).

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Escola de Atenas, Rafael, Capela Sistina.
Antes e depois da restauração
Teoria e História do Patrimônio

Teoria da Restauração → Principais Teóricos

Eugène Emmanuel Viollet-le-Duc (1814-1879)

A introdução do método do restauro.

Arquiteto francês, um dos primeiros teóricos do restauro;


Revivalista do séc. XIX;

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Profundo conhecedor da arquitetura medieval;
Trabalhou restaurações do estilo Gótico;
Defendia que o restauro deveria respeitar o estilo que lhe fosse próprio, assim como
sua estrutura;
Viollet-le-Duc foi um dos primeiros estudiosos a pensar no conceito moderno de
restauração;
Opunha-se ao ornamento, buscava a pureza estilística e defendeu a vinculação da
forma à função e à estrutura;
Defendia que a restauração refizesse uma obra incompleta, a fim de conferir
coerência e lógica ao organismo;
Restaurar um monumento significa dar um valor histórico ao edifício.
Teoria e História do Patrimônio

Teoria da Restauração → Principais Teóricos

Eugène Emmanuel Viollet-le-Duc (1814-1879)

Restauro Estilístico

Principais obras de restauro:

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Basílica de Santa Maria Madalena Vezelay (1840),
Notre Dame de Paris (1845);
Basílica Saint-Denis (1846) e
Castelo de Pierrefonds (1858).

“Restaurar um edifício não significa conservá-lo, repará-lo


ou refazê-lo, mas sim repor na totalidade a sua forma
antiga, mesmo que nunca tenha existido assim. (…) é
necessário situarmo-nos no lugar do arquiteto primitivo e
supor o que ele faria se voltasse ao mundo e tivesse
diante de si o mesmo problema.”
Teoria e História do Patrimônio

Teoria da Restauração → Principais Teóricos

Eugène Emmanuel Viollet-le-Duc (1814-1879)

Como Viollet-le-Duc deixou sua marca na catedral Notre Dame


https://www.youtube.com/watch?v=G2wkWbZv_pU

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Teoria e História do Patrimônio

Teoria da Restauração → Principais Teóricos

Eugène Emmanuel Viollet-le-Duc (1814-1879)

Restauro Estilístico

“Problemas” de sua Teoria:


Falta de respeito ao valor documental.

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Forma veemente e invasiva de atuar.

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Mas alguns preceitos continuam atuais, como:

Importância da utilização para a sobrevivência da obra;


Fundamentar decisões: basear-se em hipóteses é o maior
perigo;
Importância de se conhecer a arquitetura de cada época e
de cada região;
Respeito pela função portante da estrutura.
Teoria e História do Patrimônio

Teoria da Restauração → Principais Teóricos

John Ruskin (1819-1900)

O antirrestauro / ruinismo.

Artista e crítico de arte, foi considerado o principal teórico da preservação na


Inglaterra no séc. XIX;

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Viveu em uma época de dicotomia entre os antigos costumes sociais e os

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emergentes decorrentes da Revolução Industrial que revelou sua forte ligação com
a cultura tradicional;
Influenciou William Morris e o movimento Art&Crafts.
Combateu o pensamento revivalista de Viollet le Duc;
Defendeu a arquitetura como ligação ao passado, capaz de assegurar a identidade
de um povo;
Acreditava que para manter a história devia-se preservar sua fonte intocada,
eliminado o risco de ser corrompida;
Monumentos são tidos como parte integrante da natureza, defendendo que o
homem apenas poderia admirar o conjunto sem intervir;
Restauro romântico ou antirrestauro.
Teoria e História do Patrimônio

Teoria da Restauração → Principais Teóricos

John Ruskin (1819-1900)

O antirrestauro / ruinismo.

Sua visão fatalista admitia restauro com pouquíssima


intervenção, desde que invisível;

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Acreditava que não se deveria fazer nada nos edifícios,
pois o restauro traria a destruição da originalidade e
que se deveria respeitar o tempo de sua existência sem
intervir na obra — a edificação deixada a sua própria
sorte —, caindo em ruínas;
Sua abordagem em relação ao patrimônio é romântica,
pois vê a arquitetura como um acidente na paisagem,
sendo o edifício um testemunho da passagem do
tempo;
Ao contrário de Violet-le-Duc, via o ornamento como de
grande importância, imprescindível na beleza
arquitetônica, pois dava sentido ao que o trabalho
artístico humano podia revelar;
Restauro visão romântica.
Desenhos por John Ruskin
Teoria e História do Patrimônio

Teoria da Restauração → Principais Teóricos

John Ruskin (1819-1900)

“A Lâmpada da Memória”
“II. É como a centralizadora e a protetora dessa influência sagrada, que a Arquitetura deve ser
considerada por nós com a maior seriedade. Nós podemos viver sem ela, e venerar sem ela, mas
não podemos rememorar sem ela.[...] E se de fato houver algum proveito em nosso
conhecimento do passado, ou alguma alegria na ideia de sermos lembrados no futuro, que

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possa fortalecer o esforço presente, ou dar alento à presente resignação, há dois deveres em
relação à nossa arquitetura nacional cuja importância é impossível superestimar: o primeiro,
tornar a arquitetura atual, histórica; e o segundo, preservar, como a mais preciosa de todas as
heranças, aquela das épocas passadas.”
“XVIII. Não faz parte de meu presente plano entrar em alongadas considerações sobre a
segunda categoria de deveres que mencionei anteriormente: a preservação da arquitetura que
possuímos; mas algumas poucas palavras podem ser desculpadas, por serem especialmente
necessárias nos tempos modernos. Não pertence a meu presente plano considerar extensamente
o segundo dever que mencionei acima; a preservação da arquitetura que possuímos: mas umas
poucas palavras podem ser perdoadas, como especialmente necessárias nos tempos modernos.
Nem pelo público, nem por aqueles encarregados dos monumentos públicos, o verdadeiro
significado da palavra restauração é compreendido. Ela significa a mais total destruição que um
edifício pode sofrer: uma destruição da qual não se salva nenhum vestígio: uma destruição
acompanhada pela falsa descrição da coisa destruída. Não nos deixemos enganar nessa
importante questão; é impossível, tão impossível quanto ressuscitar os mortos, restaurar qualquer
coisa que já tenha sido grandiosa ou bela em arquitetura.[...]”
Teoria e História do Patrimônio

Teoria da Restauração → Principais Teóricos

Enquanto isso... Na Itália

Desde o Renascimento:

Várias experiências em relação a remanescentes de outras épocas.

Noções amadureceram gradualmente conjugadas nas teorias de restauro:

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Respeito pela matéria original;
Aspectos conservativos;
Mínima intervenção;
Ideia de reversibilidade;
Estabelecimento de metodologia científica;
Distinguibilidade da ação;
→ Repercussão nas reformulações de final do século XIX por Camillo Boito.
Teoria e História do Patrimônio

Teoria da Restauração → Principais Teóricos

Camilo Boito (1836-1914)

O restauro científico.

Arquiteto italiano, foi restaurador, crítico, historiador, professor,


teórico e literato;

CCE 1724 - Gisele Freixo


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Consagrado pela historiografia da restauração, manteve posição
moderada e intermediária entre Viollet-le-Duc e Ruskin;
Elaborou conceitos da teoria contemporânea de restauração, desenvolvendo o
princípio da conservação com base em diversos instrumentos técnicos e modernas
tecnologias construtivas — pioneiro do “restauro científico”;
Defendia a perspectiva da anterioridade e propunha intervenção mínima na
restauração, admitindo novas adições, como medida extrema, exigindo que essas
novas intervenções permanecessem diferenciadas (princípio da distinguibilidade) da
obra antiga, de forma que se reconhecessem os acréscimos modernos;
Ênfase ao valor documental dos monumentos históricos, procurando preservar a
validade das diversas fases em seus aspectos originais, conferindo distinguibilidade
da intervenção.
Teoria e História do Patrimônio

Teoria da Restauração → Principais Teóricos

Camilo Boito (1836-1914)

O restauro científico.

Três tipos de intervenção:


Restauro arqueológico (conservação de monumentos da antiguidade),
Restauro pictórico (edifícios medievais mantido como aspecto);

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Restauro arquitetônico (de obras a partir do renascimento).

Princípios:
Diferença de estilos entre o novo e o velho;
Diferença de materiais de construção;
Supressão de linhas ou de ornatos;
Exposição das velhas partes removidas na vizinhança
do monumento;
Incisão de cada uma das partes renovadas, da data
da restauração ou de um sinal convencionado;
Epígrafe descritiva gravada sobre o monumento;
Descrição e fotografia dos diversos períodos das
obras, expostos no edifício ou em local próximo a ele,
ou ainda descrições em publicações;
Notoriedade.
Teoria e História do Patrimônio

Teoria da Restauração → Principais Teóricos

Alois Riegl (1858-1905)

O culto moderno dos monumentos

Historiador da arte austríaco.


Contribuiu para a definição e distinção entre monumento e
monumento histórico;

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Procurou analisar monumentos atribuindo-os valores históricos, considerando sua
rememoração e contemporaneidade:
Rememoração (passado)
Valor da antiguidade: defendendo a continuidade ordenada, onde os aspectos
antigos se mantenham (em uma visão menos fatalista que Ruskin);
Valor histórico: representando a fase de criação humana e se manifesta enquanto
documento relacionado a sua originalidade, respeitando a pátina do tempo;
Valor evocativo intencionado: tem como propósito a manutenção do monumento
presente e vivo na consciência para a posteridade. Preconiza a prática da
intervenção no monumento, ainda que minimamente.

Contemporaneidade (presente)
Valor de uso: o monumento deve atender às necessidades materiais do homem;
Valor de arte: atende às necessidades do espírito.
Teoria e História do Patrimônio

Teoria da Restauração → Principais Teóricos

Alois Riegl (1858-1905)

O culto moderno dos monumentos

Restauro moderno

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Técnicas Retrospectivas
“A natureza afetiva do seu propósito é essencial: não se trata de apresentar, de dar
uma informação neutra, mas de tocar, pela emoção, uma memória viva. [...] A
especificidade do monumento deve-se precisamente ao seu modo de atuação
sobre a memória. Não apenas ele a trabalha e a mobiliza pela mediação da
afetividade, de forma que lembre o passado fazendo-o vibrar como se fosse
presente. Mas esse passado invocado, convocado, de certa forma encantado, não
é um passado qualquer: ele é localizado e selecionado para fins vitais, à medida
que pode, de forma direta, contribuir para manter e preservar a identidade de uma
comunidade étnica ou religiosa, nacional, tribal ou familiar”

(CHOAY, 2001, p. 18.)


Teoria e História do Patrimônio

Teoria da Restauração → Principais Teóricos

Gustavo Giovanonni (1987-1947)

A evolução do monumento histórico

Engenheiro e arquiteto e historiador da arte italiano;

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Técnicas Retrospectivas
Entendia a cidade como um organismo complexo a ser trabalhado na íntegra,
abordando a relação cidade existente com sua expansão e zonas de interesse de
preservação;
Estabelece fundamentação para ações de preservação baseadas no pensamento
de cunho cultural;
Reconhece conflitos contemporâneos em relação à preservação dos centros
urbanos e opõe-se à especulação;
Publicou centenas de textos abordando temas como a transformação urbana,
ampliação, adensamento, circulação, coordenação entre a cidade velha e a
cidade nova, trabalhando as exigências da modernização a expansão e a
necessidade de preservar;
Considerava a formação do arquiteto insuficiente para trabalhar com restauração,
pois lhes faltava uma formação mais humanista;
Teoria e História do Patrimônio/ Recomendações Internacionais

Teoria da Restauração → Principais Teóricos

Gustavo Giovanonni (1987-1947)

A evolução do monumento histórico


“Giovannoni desempenhou papel fundamental para as
teorias urbanísticas, em especial para relações entre

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urbanismos, arquitetura e preservação do patrimônio,
mostrando sua contribuição para estabelecer a
fundamentação teórico-metodológica da atuação
prática, para estruturação da profissão do arquiteto e do
urbanista, e para questões legislativas.”
(KÜHL , 2013)

Fundamentou a teoria do restauro e estabeleceu métodos para restauro de obras


arquitetônicas que tiveram repercussão internacional.
Seus textos deram origem à Carta de Atenas, em 1931, um dos mais importantes
documentos que teoriza os princípios da restauração científica.
Discutiu o ensino e a formação profissional, pensando um arquiteto integral, com
domínio da técnica, histórica e artística, com abordagem dos aspectos econômicos
e jurídicos.
Teoria e História do Patrimônio

Teoria da Restauração → Principais Teóricos

Cesare Brandi (1906-1988)

Restauro Crítico

Fundador do Instituto Central de Restauração;


Considerado pai do restauro contemporâneo;

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Técnicas Retrospectivas
Italiano, crítico de Arte e professor de História da Arte Medieval e Moderna na
Universidade de Roma, na de Palermo, na de Sapienza em Roma;
Chama atenção de dois momentos do restauro: o do reconhecimento da obra de
arte e a prática do restauro propriamente dita;
Objetos manufaturados devem ser reparados, restituídos ao seu aspecto original;
Estética e a história, devem ser consideradas igualmente;
Só se restaura matéria;
Tudo deve pertencer a um contexto;
As reintegrações devem ser reconhecíveis;
As lacunas devem ser tratadas caso a caso, para atuarem como fundo da obra que
é figura;
Os acréscimos e as reconstruções devem ser respeitadas, respeitando também a
unidade da obra de arte.
Teoria e História do Patrimônio/ Recomendações Internacionais

Teoria da Restauração → Principais Teóricos

Cesare Brandi (1906-1988)

Restauro Crítico

1º. axioma: “restaura-se somente a matéria da obra


de arte”

CCE 1724 - Gisele Freixo


Técnicas Retrospectivas
Estabelece limites para intervenção restauradora,
levando em conta que apenas a matéria, utilizada
com criatividade, que resulta na obra de arte, deve
ser restaurada. Ou seja, a restauração deve ser
realizada sobre a matéria degradada, sem interferir
ou deturpar o resultado da obra.

2º. axioma: “A restauração deve visar ao


restabelecimento da unidade potencial da obra de
arte, desde que isso seja possível sem cometer um
falso artístico ou um falso histórico, e sem cancelar
nenhum traço da passagem da obra de arte no
tempo”.
Teoria e História do Patrimônio

Teoria da Restauração → Principais Teóricos

Cesare Brandi (1906-1988)

Restauro Crítico

CCE 1724 - Gisele Freixo


Técnicas Retrospectivas
Dois aspectos fundamentais para intervenção
restauradora:

1º. “A integração deverá ser sempre e facilmente


reconhecível; mas sem que por isto se venha a
infringir a própria unidade que se visa a reconstruir”.

2º. “Que qualquer intervenção de restauro não torne


impossível mas, antes, facilite as eventuais
intervenções futuras”
Teoria e História do Patrimônio

Leitura complementar a aula de hoje:

Artigo Teoria e Prática da Restauração, de autoria de Raquel Diniz Oliveira, publicada


na Revista atrimônio: Lazer & Turismo, v. 6, n. 7, jul.-ago.-set./2009, p. 75-91.
Pdf postado na pasta Arquivos do Teams, Aula 2 ou pelo link de acesso:
https://www.unisantos.br/pos/revistapatrimonio/pdf/Artigo4_v6_n7_jul_ago_set2009_P
atrimonio_UniSantos.pdf

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Teoria e História do Patrimônio

Bibliografia de referência:
BRAGA, Márcia. Conservação e restauro. [s./l.], [s./n.],[s./d.]
CHOAY, A alegoria do patrimônio. São Paulo: Estação Liberdade / Ed. Unesp, 2001.
KÜHL, Beatriz Mugayar. Arquitetura do ferro e arquitetura ferroviária em São Paulo: reflexões sobre
a sua preservação. São Paulo: Ateliê Editorial, 1998.
_______________. Cesare Brandi e a teoria da restauração. In: Pós. Revista do programa de pós-
graduação em arquitetura e urbanismo da FAUUSP, 2007, n. 21, p. 198-211.
_______________. Teoria da restauração/Cesare Brandi. Cotia (SP): Ateliê, 2004.

CCE 1724 - Gisele Freixo


Técnicas Retrospectivas
_______________ . Gustavo Giovanonni – textos escolhidos. São Paulo: Ateliê, 2013.
MUÑOZ VIÑAS, S. (2003) Teoría Contemporánea de la Restauración. 1.ed. Madrid: Sintesis. 2004.
RIEGL, Alöis. O culto moderno dos monumentos [Der moderne Denkmalkultus]. Lisboa, Edições 70,
2013.
RUSKIN, John. A lâmpada da memória. Cotia (SP): Ateliê, 2008.
VELLEDA CALDAS, Karen. A restauração em foco: entre mitos e realidades. In: Resenhas Online,
São Paulo, ano 12, n. 138. 01, Vitruvius, jun. 2013. Disponível em:
<http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/12.138/4765>. Acesso em 02 jun. 2017.
VIÑAS, Salvador Muñoz. Teoría contemporánea de la restauración. [s./l.], Sintesis, 2014.
VIOLLET-LE-DUC, Eugène Emmanuel. Restauração. São Paulo, Ateliê, 2001.

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