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Leiturinhas 1° Ano

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mariisantos725
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COMO APARECEU A REDE DE DORMIR

Antigamente não existiam redes de dormir.


Homens e mulheres dormiam no chão por cima das folhas, ou pendurados em árvores.
Um pajé chamado Tamaquaré, ia se casar e não queria mais dormir no chão como os homens. Tinha medo de que
os animais o machucassem. Também não queria dormir no alto das árvores, porque tinha medo de cair de lá com
sua mulher.
Ele resolver falar com o tucano para ver se ele arrumava uma solução.
O pássaro, nessa época, tinha o bico curto e falava pelos cotovelos. Tamaquaré encontrou com ele e pediu:

- Tucano, vou me casar, mas não quero mais dormir no chão e nem pendurado. O senhor pode me ajudar a resolver
esse problema?

O tucano pensou muito. Até que teve uma ideia: pegou um monte de cipós e começou a trançar. Depois de trançar
bastante aquilo ficou bonito de dar gosto de olhar. O tucano amarrou o trançado entre duas árvores e chamou o
pajé. Tamaquaré ficou satisfeito, mas disse ao tucano:

- Gostei muito do seu trabalho! Mas não quero que ninguém saiba como eu consegui esse trançado. Você
entendeu? Não conte para ninguém, se não eu vou me zangar com você!

O tucano ficou quieto por um tempo.


No dia do casamento de Tamaquaré houve uma festança danada. O tucano estava animado e orgulhoso. Comeu e
bebeu tudo que podia. No meio da festança o pássaro disse bem alto:

- O pajé se casou! E ele não vai dormir no chão como os outros! Vai dormir na rede que eu fiz! Vai dormir bem
confortável!

Disse o que disse e mostrou a rede. Todo mundo ficou encantado com aquilo. Mas Tamaquaré se aborreceu.
Cuspiu no chão com raiva. Pegou o tucano pelo bico e começou a puxar. Puxou com força e ainda disse:

- Agora, você vai ficar com esse bico comprido para deixar de ser linguarudo. Não vai mais falar e ainda vai voar
curto para aprender!

Desde esse tempo, os homens passaram a usar redes para dormir. E o tucano ficou com aquele bicão, falando um
nhé-nhé-nhé e voando pequeno.

Adaptação de Augusto Pessôa

Por não estarem distraídos, Clarice


Lispector
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como
quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se
estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava
à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e
ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à
levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de
carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça,
mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho
da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como
eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não.
Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria
deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras
desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela
que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e
havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com
aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado
atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de
súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque
quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram
então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é
preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone
finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por
não estarem mais distraídos.

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