DRENAGEM
Resumo:
1. Introdução
O acelerado processo de urbanização, ocorrido nos últimos tempos em países em
desenvolvimento como o Brasil, é o principal fator responsável pelos problemas
relacionados a inundações e aumento nos níveis de cheias nas cidades. Isso ocorre
devido a impermeabilização das bacias hidrográficas, a ocupação irregular nas
regiões ribeirinhas, a inexistência de planos diretos de drenagem urbana,
mecanismos legais administrativos que não permitem uma correta gestão das
consequências do processo de urbanização e a concepção inadequada dos projetos
de drenagem.
De forma geral em relação a outros melhoramentos urbanos, o sistema de drenagem
tem uma particularidade: Os escoamentos superficiais das tormentas sempre
ocorreram independente de existir ou não um sistema de drenagem adequado. A
qualidade desse sistema é que determinará as dimensões dos benefícios ou prejuízos
à população.
2. Drenagem
A drenagem é dívida em três tipos:
Superfície: (micro drenagem)
Talvegue: (bueiros)
Profundo / subterrâneo: (macrodrenagem)
2.1 Micro drenagem
A micro drenagem é o sistema inicial de drenagem, onde coleta as águas superficiais.
Esse sistema é composto pelos pavimentos das ruas, guias e sarjetas, bocas de lobo,
rede de galerias de águas pluviais e também pequenos canais. A micro drenagem é
dimensionado para um escoamento com período de retorno de 2 a 10 anos.
Quando bem projetado e com manutenção adequada, praticamente elimina as
inconveniências e interrupções causadas pelas inundações.
Ela é constituída pelos sistemas de condutos pluviais relacionado a rede primaria
urbana, ou seja, galerias. As galerias são na parte subterrânea do micro – drenagem,
onde se inicia na guias e sarjetas, boca de lobos e condutos de ligação, poço de
visita; caixas de ligação e ramais.
O dimensionamento de uma rede de água pluvial é baseado nas etapas:
Subdivisão da área e traçado;
Determinação das vazões que afluem a rede de condução;
Dimensionamento da rede de condutos.
PRINCIPAIS TERMOS DO SISTEMA PLUVIAL DE MICRO-DRENAGEM:
Pista de rolamento: Parte da via utilizada para a circulação de veículos,
onde encontrasse em desnível com as calçadas e canteiros.
Meio Fio: Os meios fios são elementos usados entre a calçada e a pista de
rolamento, são dispostas paralelas ao eixo das ruas, geralmente são feitos
em concretos, pedras e concreto armado, junto com as sarjetas, forma um
conjunto. A altura aproximada de um meio fio é de 15 cm em relação ao
nível da sarjeta, maior que isso atrapalha a abertura das portas dos
veículos, e menor que essa altura impossibilita sua função de conduzir as
águas nas ruas.
Coletores: Existem duas situações para a locação da rede coletora, (1) sob
a guia, mais utilizada. (2) sob o eixo da via pública. O recobrimento mínimo
é de 1,00 m.
Trecho: Porção da galeria entre dois poços de visitas.
Sarjetas: Canal triangular, com inclinação de 3% , que é destinado a coletar
e conduzir as águas superficiais, das vias públicas á bocas de lobos ou
sarjetões, caso a vazão nas sarjetas seja excessiva pode ocorrer
alagamentos, inundação das calçadas e erosão do pavimento. A
capacidade de condução de águas pode ser calculada de duas formas: (1)
a água escoando por toda a calha da rua, nessa forma a água é
considerada da altura de 15cm e a rua com declividade de 3%. (2) a água
escorando somente pelas sarjetas, nessa forma a declividade também é de
3%, e a altura da água é de 10 cm.
Sarjetões: Calhas localizadas no cruzamento de vias públicas formadas
pelas próprias pavimentação, destinada a orientar o escoamento das águas
sobre as sarjetas.
Bocas de Lobos ou Bocas Coletoras: as bocas têm a finalidade de captar
o excesso de águas veiculadas, para que estas não invadam a pista de
rolamento. Devem também, conduzir adequadamente as águas até as
galerias que levaram aos rios. Nos pontos mais baixos dos sistemas viários
deverão ser necessariamente colocados nas bocas de lobo, afim de evitar a
criação de zonas mortas com alagamentos. Chama-se de depressão um
rebaixamento feito na sarjeta, junto a entrada da boca coletora, afim de
aumentar a capacidade de captação desta.
A melhor solução para a instalação de bocas de lobo é que esta seja feita
onde tem o início do escoamento superficial e próximos em cruzamentos.
Tipos de bocas de lobos:
a) Bocas de lobo lateral (boca de lobo simples): É constituída de uma
abertura vertical no meio fio denominada guia chapéu, essa abertura
não deve ter mais de 15cm.
b) Bocas de lobo com Grelhas: Destinada a sarjetas com limitação de
depressão, ou em pontos intermediários em ruas com alta declividade.
c) Boca de lobo combinada: Dispositivo formado pela grelha e pela guia
chapéu, destinado a pontos baixo da rua, com declividade média de
05% a 10%.
d) Boca de lobo Múltipla: Dispositivo formado pela combinação de 2 ou
mais bocas de lobo, destinados a pontos baixos com sarjetas de
grandes vazões.
Tubos de Ligação: Os tubos de ligações são condutos que levam as águas
captadas pelas bocas de lobo até as galerias ou diretamente em canais.
Devem ser bem dimensionada para que sua capacidade de vazão, não
comprometa o conjunto do sistema de micro drenagem. Geralmente os
tubos de ligação são de 200 a 400mm de diâmetros, com capacidade de
vazão de 60 l/s e velocidade de 3,3m/s, para vias urbanas.
Poço de Visita: Tem a função de permitir o acesso as canalizações p/
limpeza e inspeção, de modo que possa mantê-las em bom estado de
funcionamento. Sua locação e sugerido em pontos onde ocorra mudança
de direção, cruzamento de ruas, onde há declividade e mudança de
diâmetros, ou que reduza a distância entre os poços, de forma que não
ultrapassem 100 m para diâmetro igual ou inferior a 600mm, ou 200 m para
diâmetro maior que 600mm. Geralmente é 01 poço de visita para cada 02
bocas de lobos.
Galerias: São canalizações destinadas a receber as águas pluviais
captadas nas suas superfícies, encaminha-las ao seu destino final, sejam
rios ou canais. Estas tubulações devem ter um recobrimento mínimo de
1,00 m, não sendo necessário o seu dimensionamento estrutural para tal
profundidade. As galerias mais utilizadas são de concreto pré-fabricado de
seção circular, com diâmetros de 400 a 1500 mm, quando for necessário
diâmetros maiores que 1500mm utilizam-se galerias moldadas in-loco.
Quando possível utilizar é indicado o uso de formas pneumáticas
executadas em 2 estágios (berço e teto), a utilização proporciona uma
seção plena em regime de escoamento permanente e uniforma, garantindo
uma folga, dessa forma o escoamento deve ocupar não mais que 90% da
seção do tubo, folga esta necessária para o perfeito funcionamento do
sistema.
Válvulas Flap: são dispositivos instalados no final dos trechos das galerias,
esse dispositivo possui uma tampa que abre somente no sentido do
escoamento, impedindo o retorno das águas as regiões mais baixas nas
épocas de cheias.
Condutos forçados X Estação de Bombeamento: Quando não há
condições de escoamento por gravidade, para a retirada da água, recorre-
se aos condutos forçados ou estações de bombeamento. Na entrada dos
poços de sucção são instaladas grades verticais a fim de conter lixo e
materiais sólidos que possam vir junto com a água. As estações de
tratamento devem possuir local adequado para instalação dos motores,
lugar esse que deve ser coberto, devido a presença de instalação elétrica
dos motores.
Caixa de passagem ou caixa morta : Elas funcionam como poços de
visitas, porém não são visitáveis, e tem a finalidade de reunir condutos de
ligação ou estes à galeria.
2.2 Macrodrenagem
A macrodrenagem é a condução final de das águas captadas pela drenagem primária,
trata-se do conjunto de ações e estruturas, destinados a controlar cheias para evitar
inundações e suas consequências. A macrodrenagem de uma zona urbana
corresponde à rede de drenagem natural pré-existente nos terrenos antes da
ocupação, sendo construída pelos córregos, riachos e rios localizados nos talvegues
e vales.
O objetivo é minimizar riscos e prejuízos em áreas de extensão significativas. O
período de retorno é de 25 a 100 anos.
As obras mais usuais de macrodrenagem são: Retificação e ampliação das seções de
canais naturais; Construção de canais artificiais; Galerias de grandes dimensões;
Estruturas auxiliares de controle de dissipação de energia, amortecimento de picos,
proteção contra erosões e assoreamento, travessias e estações de bombeamento.
PRINCIPAIS TERMOS DO SISTEMA PLUVIAL DA MACRODRENAGEM:
CANAIS: São obras destinadas a conduzir a água com superfície livre, isto
é, sem preenche completamente a secção transversal dos condutos
fechados, os canais podem ser naturais, revestidos ou impermeabilizados.
a) Canal aberto Natural: Visam a preservação do leito, geralmente
encontrados nas zonas rurais, onde sofrem poucas alterações.
b) Canal aberto Artificial: É um canal natural, porém que sofreu um
alargamento na profundidade ou largura. São canais que cortam bairros
mais não sofreram nenhuma agressão quanto o revestimento ou
impermeabilização.
c) Canal aberto Revestido: São constituídos de avenidas sanitário ao longo
da canalização aberta, esses podem ser revestido em concreto.
d) Canal Fechado: Segundo Barros (1995), trata-se de intervenções no fundo
de vales com obras de canalização de curso de água em estruturas de
concreto. São executados por baixo de pistas, geralmente com o objetivo de
preservar as vias para melhor fluidez do transito. Mas por outro lado,
descaracteriza o ambiente natural do canal.
2.3 Drenagem de talvegue
É o sistema de drenagem responsável por conduzir águas que se originam de uma
bacia, sem comprometer a estrutura das estradas, as estruturas de drenagem de
talvegue abrangem os bueiros, pontes e pontilhões.
2.3.1 Bueiros
São destinados a permitir a passagem livre de água que atravessam o leito da
estrada, tem o recobrimento mínimo de 0,60 m a 1,50m dependendo do material,
concreto ou metálico. Compõe-se de duas partes: Bocas e corpos.
Boca: Constituem os dispositivos de admissão e lançamento e são
compostas de soleiras, muros de testa e alas.
Corpo: É constituído de sob uma base de concreto, geralmente
chamada de berço, no qual garante a estabilidade e alinhamento do
corpo.
CLASSIFICAÇÃO DOS BUEIROS:
Quanto à Forma:
a) Tubulares: Seção transversal circular (D= 80,120, e 150 cm)
b) Celulares: Secção retangular ou quadrada (A = 1,5;2,0;2,5 e 3,0 m²)
c) Especiais: Secção Eclipse e Ovoide.
Quanto o Tipo:
a) Simples: Apenas uma linha de tubos.
b) Célula: Com 02 ou 03 linhas de tubos.
Quanto ao Material:
a) Concreto Armado: Para bueiros tubulares e celulares
b) Chapa Metálica: Para bueiros tubulares.
Quanto a Localização:
a) Bueiro de Greide (normal): Quando o eixo do bueiro coincidi com a
normal do eixo da rodovia (90° com a rodovia).
b) Bueiro Esconsos: Quando o eixo longitudinal do bueiro fazer um
ângulo diferente de s=zero com a normal ao eixo da rodovia.
Na construção das soleiras, alas e caixas, são usadas alvenarias de
pedras, argamassa e blocos de concreto.
Nomenclatura DNIT: primeira letra (B:bueiro); a segunda letra refere-
se ao numero de linhas (S:simples; D:dupla; T:tripla), a terceira letra
refere-se a forma da seção (T:tubular; C:celular); a quarta letra refere-
se ao material (M:metal; C:concreto).
Ex: Bueiro (B) simples (S) tubular (T) de concreto (C) : BSTC
ESQUEMA DA MICRO DRENAGEM
CHUVA
Residenciais e Pista de
ou Comerciais Rolamento
ESCOAMENTOS
SUPERFICIAL
Altura da guia
aproximada de 15 cm,
Sarjeta com i= 3%.
GUIAS E
SARJETAS
3. Boca de lobo 1. Boca de lobo
Combinada. Simples
4. Boca de lobo 2. Boca de lobo
Múltipla. BOCAS DE LOBO c/ Grelha
Tubos de
Galerias
Ligação
Elementos: Tampão, chaminé,
balão, calha e base. A cada 01
p/ 02 boca de lobo. POÇO DE VISITA
Recobrimento
mínimo de
1,00 m. GALERIAS RIOS E CANAIS