Prólogo
Não sei a verdadeira história do nosso mundo, ninguém sabe de verdade. O que nos contaram
é que tudo começou com uma explosão de estrelas, criada por três deuses entediados,
conhecidos como as três forças. Em um dia qualquer, eles resolveram unir seus poderes e ver
o que acontecia, e com a chuva de energia criou-se uma grande explosão e daí tudo começou.
Nosso mundo é divido em três grandes reinos: o Reino do Sol, o Reino Estrelar e o Reino da
Lua. Cada um representado por uma das Três forças que nos criaram. Deuses e Deusas que
regem cada um deles. O Reino Solar é protegido pelo deus da luz, os sábios o chamam de
deus Lux, senhor da verdade, sabedoria e orgulho.
O Reino Estrelar é protegido pela deusa Celeste, senhora da clareza, cura e equilíbrio. E o
Reino da Lua é protegido pela deusa Nisha, senhora do poder, da noite e mistérios. Esses são
os nomes por qual os conhecemos, mas não os seus verdadeiros.
Cada reino tem suas regras, histórias e crenças, vivemos em harmonia, porém nem tudo são
flores e brilho. Existe o lado oculto, aqueles que não reconhecem o poder das Três forças,
alguns dizem que mundo já existia antes deles, que existiu outras divindades que governaram
essa terra muito antes, e os três foram a destruição de tudo, que são a ganância e corrupção,
que somos frutos de ladrões e destruidores.
Qual é a verdade? Ninguém sabe, em meio a essa guerra fria de milênios que estourou em
alguns momentos da história nunca foi provado nada, existe a magia, mas da onde vêm? Os
deuses estão realmente vivos? Eles se importam? O que realmente somos? São perguntas
que ainda não tem uma resposta e nem sei se um dia terá...
- Ahhhhhhh
- O que foi Bri? – Estava tão emersa que não ouvi a porta, Milly me olha com uma
bandeja nas mãos.
- Estou cansada
- Então larga essa pena, você está a horas trancada aqui, o que tanto escreve? Olha
essa bagunça! Não vai chegar em uma conclusão hoje.
- Eu sei, mas quero respostas, os esqueletos estão agitados demais, vão fazer alguma
coisa, eu sinto e quero impedir antes que seja tarde.
- Você viu algo? Teve uma nova visão?
- Não, está tudo escuro, quando se trata deles não consigo ver nada, é como se
existisse um pano preto cobrindo, há algo oculto, mas não consigo alcança-lo.
- Já tentou usar o espelho?
- Não, ainda não é o momento... Ele é meu último recurso.
- E quando vai ser?
- Quando não restar outra solução, ele é perigoso e demanda muita energia.
- Então espero não chegarmos a esse ponto. Bom vou deixar a bandeja aqui, está
quente coma tudo se não o Luc ficará muito chateado.
- Obrigada. - Olho o que tem na bandeja enquanto Milly sai, Luc cozinha muito bem e
sempre sabe quando preciso de algo. Tiro a tampa, hmmm, caldo de batata e abóbora com
frango, queijo parmesão por cima, pães assados, torta de carne e uma salada de rabanete com
repolho. Uma taça de vinho branco e tortinhas de limão.
Vou até a porta da biblioteca e grito:
– Luc eu te amooooo! – Fecho a porta rindo e volto para o meu lugar, realmente preciso comer
e descansar. Estou aqui a quase 12 horas, já passa das dez da noite. Como tudo em silêncio,
guardo os livros e recolho os pergaminhos, apago as esferas de luz ao sair com a bandeja. –
Estava tudo delicioso, uma boa refeição sempre acalenta meu coração. – Penso, quando
chego à cozinha, Luc está terminando de arrumar. Coloco tudo na pia e quando pego uma
esponja ele vem em minha direção.
- Deixa comigo.
- Não eu posso fazer, você cozinhou, eu lavo.
- Não, minhas louças são precisas demais para você quebrar.
- Como é?
Ele ri de mim enquanto me tira da pia e começa a lavar tudo. Luc é meu melhor amigo, alguém
que posso contar para tudo, além de ótimo cozinheiro é um grande guerreiro, o meu cavaleiro,
ele jurou sua espada e alma a mim no mesmo dia que eu ganhei meu manto de sacerdotisa.
Eu jurei meu sangue e lealdade a deusa Celeste e ele jurou a mim, temos um laço que nos une
e é inquebrável. Alguns dizem que nem mesmo a morte pode rompe-lo. Quando um cavaleiro e
uma sacerdotisa se unem e essa aliança é verdadeira, eles se tornam almas juradas que vão
sempre se encontrar, não importa quantas vidas passem.
Não sei se somos almas juradas, ou se essa é nossa primeira vida juntos, mas eu confio nele
completamente, ele me ajudou, me defendeu quando ninguém mais o fez. Eu uma menina que
cresceu em uma vila remota, sem pais, sobrevivi apenas com a ajuda de famílias que tiveram
dó de uma criança humilde, sem nome, sem nada. Quando fiz 16 anos fui para capital do reino
estrelar, para tentar entrar no Templo Scarlet, e me tornar uma sacerdotisa.
Eu o conheci lá, filho de um dos mestres do templo, alta patente, família nobre, inalcançável...
Ele me viu, me ajudou, me protegeu e se uniu a mim, deixando muitos em choque, descrentes,
felizes e com raiva... Ahhhh aquele dia foi caótico de muitas formas, mas foi feliz também, pelo
menos para mim. Uma jovem sacerdotisa que mal começou seu oficio, com um cavaleiro
jurado, uma verdadeira honra, somente as Altas sacerdotisas tem essa dadiva, alguém como
eu jamais teria algo tão especial como isso, se eu tivesse sequer um único cavaleiro protetor
seria muito.
Perdida em pensamentos, não vi que Luc já terminou com louça, ele está virado para mim, me
encarando. “Deusa como é lindo, seus olhos brilham como uma chuva de estrelas” penso.
- Porque está me olhando assim? – Diz ele.
- Desculpa, estava pensando nos meus estudos, minha mente foi para longe agora.
- Com essa cara?
- Que cara?
- Essa, parece que você quer me comer...
Fico totalmente vermelha e saio as presas em direção as escadas.
- Bri, volta aqui, estou brincando. – Ele ri quando me chama.
Eu apenas aperto os passos e vou para o meu quarto e fecho a porta. Ahhhh como sou idiota,
depois de tantos anos juntos, eu ainda fico igual uma adolescente idiota perto dele.
Tum Tum. – Abre Bri, parei, eu só queria te descontrair um pouco.
- Vou tomar banho, quando terminar abro, quero conversar com você antes de dormir.
- Outra visão? Não senti nada...
- Não, fique calmo, quero sua ajuda, amanhã vou ver a Alta sacerdotisa Héstia, talvez
possamos chegar em alguma conclusão.
- Tudo bem, vá tomar seu banho, vou trazer um chá, depois você vai dormir, está tarde
e você não tem descansado nada.
- Ok.
Eu realmente estou esgotada, minha mente já virou gelatina. Acendo as esferas de luz com
acenos rápidos e vou direto para o banheiro. Sendo bem sincera esse é meu cômodo preferido
da casa, meu banheiro é amplo com uma pia enorme e a maior banheira que eu já vi. Feita
com pedras brutas, nessas horas vejo que todo meu esforço valeu pena, tudo que eu tenho
conquistei com muito esforço. Levei apenas vinte anos para ser reconhecida como uma
verdadeira sacerdotisa e fazer parte do concelho de magia do Reino Estrelar.
Sou a mais jovem, tenho noventa e oito anos e a mais nova antes de mim tem trezentos e
oitenta... É nós temos uma vida bem longa, nosso mundo é composto por diversas criaturas,
cada reino tem algumas raças específicas ou híbridas, mas o que todos tem em comum somos
nós, bruxas. Somos a maioria, descentes diretos dos deuses... É o que dizem.
Tiro a roupa que coloco em um cesto e vou direto para banheira, já tem água, o Luc teve ter
enchido para mim. Coloco minha mão na água e ela começa aquecer, essas é uma das
vantagens de ser bruxa, aquecer meu próprio banho! Entro na banheira e jogo um pouco do
óleo de flores que a Milly criou, o cheiro é muito bom e sempre relaxa os meus músculos
enrijecidos.
Fecho os olhos, nunca pensei que chegaria até aqui, minha vida não foi fácil, não tenho um
grande poder, não sou nobre, sempre pude fazer o mínimo que qualquer bruxa estrelar faz,
como poções de cura, aquecer coisas, e pequenos feitiços de conjuração e proteção. Não
tenho o dom da terra ou água e muito menos o do fogo. Mas aos quinze anos despertou as
minhas visões. Sou uma bruxa clarividente, esse traço não é incomum, mas o meu é bem raro.
O que eu vejo está além da vida e da morte, são visões reais dos dois mundos, sobre tudo que
se denomina existência. Poço ver através do véu do além, mas não é quando eu quero, só
quando é permitido e para preservar o equilíbrio. Tenho visões simples e complexas, algumas
nítidas, outras confusas e desconexas, mas todas eram reais. E as que foram previsões tanto
de desastres quanto positivas aconteceram, da mesma forma que eu vi. Parece que não se
pode evitar o inevitável.
Mesmo com todo esse poder, não consigo ver nada do que os esqueletos estão tramando, se
fomos realistas, existe um quarto reino, se podermos chamar assim, o Reino Oculto, lá vivi
todos os excluídos e exilados, lá vive os povos que alegam existirem antes de nós, todos que
são contra as Três forças. Não sabemos o que realmente acontece lá, quem é o governante e
se eles servem algum deus. Só sabemos a respeito dos esqueletos, eles são o poder que nos
assola, um grupo imensurável que usa todo tipo de magia e artefatos profano e proibido. São o
próprio mal encarnado, tudo que tocam apodrece ou vira pó. Eles são a destruição de tudo, e
mesmo depois de séculos de lutas não existem nenhuma informação de onde eles vieram, a
origem de sua força, como eles vivem, nada! Nem sequer uma localização.
Toda vez que eles aparecem um portal é aberto, o que indica que eles não estão realmente
nesse mundo. Deve existir alguma fenda...
– Chega Bri, você precisa descansar.
- O que tínhamos combinado sobre entrar na mente um do outro Luc?
- Não me culpe! Sua mente está um caos completo e isso está me afetando também, foi
você que me puxou para cá. Não percebeu né?
- Não me perdoa, eu realmente estou esgotada.
- Vêm deitar, já estou aqui no quarto, trouxe seu chá.
- Estou saindo, me dá cinco minutos.
Saio da banheira e pego a toalha para me secar, ao ver o meu reflexo levo um susto. Parece
que não durmo a semanas, minhas olheiras estão fundas e azuladas. Coloco minha camisola
de algodão longa e vou para quarto. Luc já está na cama, só com uma calça de algodão
escura. Sua pele marrom clara brilha com o reflexo das esferas de luz, tem apenas duas
acesas em um tom de amarelo bem fraco, só para iluminar a cama enquanto bebe seu chá.
- Vai dormir aqui? – Pergunto.
- Vou, quero garantir que você vai descansar.
- Se você realmente quer que eu descanse, vai precisar se vestir. - Ele olha para si e
depois ri.
- Estou vestido, não sabia que o meu pijama poderia te distrair.
E mais uma vez eu coro. “Minha deusa mulher, até parece uma adolescente no cio que nunca
transou”.
- Vem cá Bri, estou preocupado com você.
Caminho até minha cama, ela é grande feita de madeira em tons de avelã com dossel, as
cortinas claras estão parcialmente abertas. Sento do lado que costumo dormir e o Luc me
entrega a minha xicara de chá.
- Eu estou bem, de verdade. Só preocupada com as possibilidades de uma nova
batalha sangrenta e desnecessária.
- Mas sua visão não mostrava isso, é mais seus receios falando. Bri, suas visões são
completas, mesmo que as vezes elas estejam fragmentadas, mas ainda sim são
esclarecedoras. Não se cobre, e mesmo sendo uma grande vidente, não tem como prever
tudo. A vida tem seu próprio fluxo, e nem sempre isso fica claro...
- Eu sei... Não posso ver tudo e não tenho controle de nada, mas os esqueletos...
- Chega! Por favor esquece um pouco isso, você está ficando neurótica! – Ele tira a
xicara das minhas mãos, e coloca na bancada. – Brienna eu quero que você me esculte com
clareza. – Luc diz enquanto segura as minhas mãos:
- Se os esqueletos tentarem alguma coisa, nós vamos impedi – los, como já fizemos
outras vezes antes, os Três reinos estão juntos nessa luta, podemos não saber tudo sobre eles,
mas ao longo de todos esses anos, reunimos muitas informações. Já conseguimos antes,
agora não será diferente, além de tudo eles estão fracos, da última vez eles tiveram muitas
perdas em números e em poder. Sem a pedra de prata eles não podem fazer muito, a não ser
que achem outro artefato que a substitua para abrir mais portais, e não vão conseguir isso em
pouco tempo. Não saber o que eles estão tramando é difícil eu sei, mas você não é a única que
está no escuro, e mesmo que você veja alguma coisa, não tem como saber tudo o que eles vão
fazer. Você precisa relaxar, põe sua cabeça no lugar, e não tente fazer tudo sozinha, existem
outras sacerdotisas trabalhando nisso junto com você, e o Templo precisa de você bem e com
a energia intacta. Eu preciso de você bem.
- Se você quer realmente ajudar, termina o seu chá e vamos dormir. Você precisa de
uma longa noite de sono tranquilo.
Luc tem razão, eu ando perdendo a cabeça, e não tenho conseguido focar no que realmente
importa, minha pesquisa sobre os deuses e a nossa origem era inicialmente com outro
propósito, mas nos últimos meses se tornou tudo sobre os esqueletos, estou deixando de lado
o que realmente importa e faz dias que não vou ao templo, minha sessão deve estar um caos.
Minhas acólitas são solicitas e competentes, mas não posso deixar tudo na mão delas, o
festival da Deusa está próximo e como membro do conselho preciso fazer a minha parte. Pego
a minha xícara e termino meu chá em silêncio, Luc recolhe tudo e coloca a bandeja em cima da
mesinha ao seu lado.
Eu olho para ele e dou um pequeno beijo em seus lábios. – Boa noite, me desculpe por essa
bagunça toda.
- Boa noite Bri, eu te amo e estou aqui para tudo que você precisar. – Ele me dá um
abraço forte e apaga as esferas de luz, enquanto me ajeito na cama ele vira para mim e diz:
- Bri, só mais uma coisa, sei que a Milly perguntou sobre o espelho das almas, e que
você já cogitou usá-lo, mas por favor não use, apenas se for só o último dos últimos recursos.
Mesmo você sendo a melhor vidente atual dos Três reinos, ele ainda sim pode ser muito
perigoso para você.
- Seu sei, por isso disse a ela que seria a última opção, nem a Alta Sacerdotisa da noite
pode usá-lo adequadamente, mesmo ela tendo deixado a nossa disposição eu tenho muitos
receios. A energia que ele emana não é brincadeira.
- Por isso a minha preocupação, a única bruxa que conseguiu usá-lo sem ser
consumida foi a última sacerdotisa da morte... E creio eu que a própria Nisha... Enfim era isso,
boa noite.
Ele passa seus braços ao redor da minha cintura e eu me encaixo completamente nele, sinto
meus olhos pesados e tudo fica calmo, quieto e de repente a escuridão me toma.
“Eu sinto frio, muito frio, estou ensopada, minha camisola gruda no meu corpo, meus pés estão
molhados, sinto que estou pisando em terra úmida e fria. Não venta aqui, e nem chove, mas
ouço pingos de água ao fundo ... plim, plim, plim... Onde estou? Está muito escuro, não consigo
ver nada, só escuto o gotejar de alguma coisa, então sigo em direção a esse som. Plim, plim,
plim, plim...
Agora está mais forte, consigo ver a sombra de uma floresta morta, só tem galhos secos e
retorcidos, mais não consigo ver com clareza, existe um véu na minha visão. Esfrego meus
olhos, mas não adianta ele continua lá. Que lugar é esse? É muito frio, mas não venta, é úmido
e seco, eu me sinto sufocando, saio correndo em qualquer direção para achar uma saída, mas
por mais que eu corra, continuo no mesmo lugar, e esse gotejar de alguma coisa continua e
está me deixando aflita.
Calma Brienna, respira, devo estar presa em algum lugar, não sei se a visão já começou então
preciso me concentrar, o que eu preciso ver? Respiro fundo e sigo em direção mais uma vez do
gotejar, é o único som que tem nesse lugar, continuo andando com calma e respiro dentro do
possível. Minha garganta está seca, e meus olhos queimam, mas sigo em frente de onde quer
que seja.
Ainda vejo tudo embaçado, somente sombras e vultos, não consigo ver nem onde piso, só sinto
meus pés pisando em algo fofo, meio úmido e seco, como se fosse areia, mas essa é mais
grossa e errada... Deusa que lugar é esse? O que eu preciso ver? Ouço passos se
aproximando, olho para o lado e vejo o vulto de duas pessoas, mas nada além disso, elas
estão através do véu que não consigo alcançar.
Vou calmamente em direção a elas, não consigo ver muito além de duas silhuetas, eles estão
sentados no meio da floresta e conversando sobre algo, mas não consigo ouvir muito bem.
Caminho para mais perto, mas o som das vozes chega em fragmentos, não consigo ouvir por
completo, ando mais um pouco e me concentro nas vozes:
- Mei, o portal não poderá.... aberto.
- .... Mas será o suficiente para achar.... na biblioteca...... está....
- Isso é suicídio!
- Precisamos tentar......
O que? Que biblioteca? Portal... Isso não faz sentido, não pode ser o que estou pensando,
preciso chegar mais perto! Vou caminhando até encontrar uma barreira que me impede de
continuar. Cheguei aos limites do véu. Respiro fundo, vou tentar forçar os limites da visão, não
é o recomendado mais preciso pegar tudo que eu posso, tenho certeza que estou no reino
oculto e não vou sair daqui sem nada.
Estou tremendo, sinto minha energia esgotando, e tudo está ficando menor e mais escuro,
tenho pouco tempo antes que a visão termine, junto minhas mãos e concentro toda a minha
energia restante na ponta dos dedos, uma luz avermelhada começa a brilhar neles, vou em
direção a barreira e coloco minhas mãos nela, forçando a minha passagem. Tudo começa a
tremer, agora o gotejar está em vários pontos, água escura começa a escorrer nas paredes, e a
areia começa a me engolir viva, a visão está desmoronando, mas não vou sair daqui enquanto
não escutar por completo. Forço minha entrada e vejo tudo com mais clareza, consigo ver parte
da armadura que a mulher está usando, ela é desgastada como ossos, tem alguém na frente
nela, mas não consigo ver se é homem ou mulher, minha visão está turva demais, eu vou
desmaiar a qualquer momento...
- Mei cuidado não é seguro ir assim, temos só um pequeno fragmento que dá para
apenas um portal, e ele não vai ficar aberto por muito tempo, no máximo três pessoas podem
passar.
-Lee essa é nossa chance, precisamos do espelho das almas, se não aquela bruxa não
vai dizer nada, essa é nossa moeda de troca!
- Você confia nela?
- Não é questão de confiar, eu vou fazer isso......
- Mei Lin!
- Ou você ajuda Lee, ou está fora, daqui a dois dias começa os preparativos para o
ritual da Lua, todos estarão distraídos. É o único momento que podemos tirar aquele espelho
de lá.
Não consigo segurar mais, minha cabeça está explodindo, o mundo ao meu redor começa a
desmoronar, sinto tanto frio, é como se estive sendo engolida por gelo e fogo ao mesmo tempo,
minha garganta está seca, sinto milhares de agulhas passando pelo meu pescoço e mãos, tem
algo escorrendo pelos meus olhos e nariz... Começo a chorar, e mais uma vez eu caio na
escuridão...
Acordo no susto, estou tremendo e minha cabeça está latejando, me sinto tonta e nauseada,
consegui acordar da visão. Ouço gritos ao fundo, meus ouvidos ainda estão zunindo...
- BRIENNNA, acorda, você está segura....
Acho que é Luc me chamando, ainda não consigo abrir meus olhos, eles estão grudados. Tento
chama-lo, mas só consigo sussurrar seu nome, minha garganta ainda dói muito. Tento pegar
em suas mãos para conforta-lo, mostrar que estou aqui.
-Bri? Você acordou? - Sinto seus braços ao meu redor, consigo sussurrar “água”, ele
sai da cama e logo volta com um copo que coloca em minhas mãos. Bebo como se a minha
vida dependesse disso. Sinto a minha garganta relaxar e finalmente encontro a minha voz.
- Tive uma visão, e essa foi uma daquelas... – Tento abrir meus olhos e consigo ver
parcialmente, minha visão ainda está turva, mas enxergo pequenos respingos vermelhos na
minha mão e no lençol. Passo o dorso da mão esquerda no nariz e vejo que estava
sangrando... Ótimo realmente me excedi.
- O que você viu? Eu ouvi você me chamar e quando acordei você estava branca e
tremendo, não consegui acessar você, então percebi que estava longe..., mas os minutos
passavam e você não voltava, eu senti você indo embora Bri e eu não conseguia te alcançar,
você nunca ficou tanto tempo assim! Sua alma estava se rompendo, eu senti, comecei a entrar
em desespero, não sabia mais o que fazer para de alçar.
- Calma, estou aqui agora. Me de alguns minutos preciso me recompor e já te conto
tudo. – Tentei me levantar sem muito sucesso, Luc me ajudou e foi comigo até o banheiro. Fui
até a pancada e peguei a jarra de água que estava lá, despejei nas mãos e lavei meu rosto,
meu corpo ainda estava tremendo um pouco, e ainda sentia aquela sensação de morte, Deusa
que visão foi essa? Nunca senti algo tão forte assim, eu realmente fui para o reino oculto?
Preciso me recompor para assimilar essa visão corretamente. Seguro nas mãos de Luc e ele
me ajuda a voltar para cama, assim que eu sento ele me entrega mais um copo de água que
bebo até a metade, entrego o copo com o restante da água para ele e respiro fundo.
Já consigo respirar melhor, minha garganta ainda queima, mas não tanto quanto antes, respiro
mais uma vez e olho para Luc.
- Tive uma visão sobre o reino oculto. Ela não estava tão clara, aquele lugar é muito
escuro e pesado, foi difícil eu conseguir assimilar onde estava e o que estava acontecendo...
Eu tive que forçar o véu, acho que é por isso que você me sentiu tão longe, mas consegui ver
algumas coisas, temos que agir rapidamente.
- Espera, você estava no Reino Oculto? Você viu os esqueletos?
- Sim, eu ouvi parte de uma conversa entre duas deles. Se minha conta estiver correta,
elas pretendem invadir o Reino da Lua daqui a dois dias. Preciso falar agora com Alta
Sacerdotisa da Yu agora e....
Bummmm
Primeiro veio o som e depois começou os tremores, seja o que for que aconteceu já é tarde
demais... Essa batalha já começou.
- O que foi isso? – Disse Luc já pegando uma espada e abrindo a porta.
- Eles estão aqui, minha visão chegou tarde demais...
- Então vamos à luta.
Para aqueles que viram depois de nós, nosso mundo é lindo e cheio de encantos, mas ele
também tem seus mistérios e sombras...
Eu tentei ir a fundo de tudo, mas não pude chegar nem perto da nossa verdadeira história, não
credite em tudo que ver ou ouvir, não credite no poder total dos Três, não fomos criados,
sempre existimos. Não posso dizer tudo, cabe a você descobrir.
Se está lendo isso, significa que eu falhei de alguma forma... As folhas sussurram a verdadeira
história, você pode começar por lá.
Ass. Brienna L. Britt.